SECTION V / Section V VIOLENCIA DE VARONES CONTRA SUS PAREJAS / Male Violence against Partners CONCEPCIONES DE GÉNERO ENTRE LOS VARONES Y LAS MUJERES DE BAJA RENTA Y ESCOLARIDAD ACERCA DE LA VIOLENCIA CONTRA LA MUJER, SÃO PAULO, BRASIL. Márcia Thereza Couto; Lilia Blima Schraiber; Ana Flávia P. L. d´Oliveira; Ligia B. Kiss 208 VIOLENCIA EN LA PAREJA Y NUEVOS POSICIONAMIENTOS DE GÉNERO: COMBATES MUTUOS Y VARONES COMO VÍCTIMAS Patricia Trujano Ruíz 216 VARONES Y MUJERES DELANTE DE LA VIOLENCIA POR PAREJA INTIMA CONTRA LA MUJER Lilia Blima Schraiber; Ana Flávia P. L. d’Oliveira; Márcia Thereza Couto; Wagner dos Santos Figueiredo 232 VIOLENCIA CONYUGAL EN LA POBLACION DERECHOHABIENTE DEL IMSS. LA PERSPECTIVA DE HOMBRES Y MUJERES EN LA ENSARE 98 Soledad González Montes y Juan Manuel Contreras 243 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) CONCEPCIONES DE GÉNERO ENTRE LOS VARONES Y LAS MUJERES DE BAJA RENTA Y ESCOLARIDAD ACERCA DE LA VIOLENCIA CONTRA LA MUJER, SÃO PAULO, BRASIL. 1 Márcia Thereza Couto ; Lilia Blima Schraiber 2 ; Ana Flávia P. L. d´Oliveira 3 ; Ligia B. Kiss 4 . Departamento de Medicina Preventiva Faculdade de Medicina da USP Av. Dr. Arnaldo, 455, 2o andar, sala 2245, Cerqueira César 01246-903 São Paulo, SP, Brasil [email protected] Resumen Este trabajo analisa, en los aspectos relacionales, la forma como los varones y las mujeres de baja renta y escolarid, de la ciudad de São Paulo-Brasil, piensan las relaciones entre los varones y las mujeres en el contexto de la vida afectiva/familiar cotidiana y como interpretan los distintos contextos de violencia que viviencian. Se trata de estudio cualitativo utilizando grupos focales. Fueron realizados dos grupos focales con mujeres y dos grupos con varones, en la faja de edad entre los 25 y los 35 años, seguiendose blocos tematicos como: caracterización de los participantes, relaciones entre varones y mujeres, concepciones sobre el varón ideal y la mujer ideal, representaciones sobre la violencia doméstica y percepciones sobre dichos populares relativos a la vida afectivo-sexual y a la violencia contra la mujer. Este material hace parte del OMS - Estudio multipaís sobre salud de la mujer y violencia doméstica contra la mujer (WHO Multicounty Study on VAW). El analisis del material refuerza género como um elemento indisociable (juntamente con clase social y curso de vida personal/familiar) para el entendimiento de los atributos asociados a la construcción del ideal del varón y de la mujer. La vivencia cotidiana de las relaciones afectivo-familiares es comprehendida como parte de un complejo juego donde los significados de ser hombre y ser mujer generan marcas de comportamiento aparentemente “aprisionantes” a los sujetos. Las rupturas procesadas en las relaciones entre los géneros (resultantes de los procesos de la disputa de poder, autoridad y autonomía) emergen como elementos que “justificarian” no apenas las riñas y los desentendimientos, pero, todavia, los episodios o las situaciones de violencia física, psicológica y sexual. El trabajo analisa la constituición del ethos masculino y femenino en los sectores populares urbanos por lo medio de la tradición de estudios socioantropologicos sobre la construcción social de los géneros. Las afirmaciones simbólicas y las vivencias en el cotidiano afectivo/familiar de los varones y de las mujeres pesquisadas muestran que la temática de la violencia (en sus distintas formas: psicológica, física y sexual) deve ser 1 Cientista Social, Mestre em Antropologia, Doutora em Sociologia, Professora Adjunta Departamento Ciências da Saúde- UNIFESP; Professora do Programa de Pós-Graduação em Medicina Preventiva, Faculdade de Medicina da USP. 2 Professora Associada e Livre Docente da Faculdade de Medicina da USP/ Departamento de Medicina Preventiva. 3 Médica sanitarista, Doutora em Medicina Preventiva, docente do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo 4 Cientista Social, Antropóloga, Mestre em Ciências, área Medicina Preventiva, pesquisadora do grupo Violência e Gênero nas Práticas de Saúde, Departamento de Medicina Preventiva, Faculdade de Medicina da USP. 208 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) abordada según un referencial de género que incorpore el aspecto relacional, de poder y de clase. Introdução e metodologia A violência contra a mulher associa-se, sobretudo, ao domínio doméstico ou da casa, espaço social ligado à família, segurança, lealdade, companheirismo, solidariedade (DaMatta, 1987). Relativamente a este espaço social, há que se pensar como as transformações históricas imprimiram re-arranjos nas relações entre os sujeitos da família e das relações conjugais e amorosas, para todas as camadas sociais. Ao precisar os processos que conduzem a tais mudanças nas atribuições de homens, mulheres e crianças na casa e nas relações familiares mais extensas, estaremos trabalhando a noção de família. Isto porque o objetivo é problematizar os limites das abordagens tradicionais sobre esta instituição, enquanto tentamos desvelar alguns alcances da noção de gênero, não apenas para repensar as relações de poder e hierarquia nestes domínios (da casa e da família), mas a forma como estas relações de poder - e desigualdade - fomentam conflitos que podem resultar em situações de violência (Schraiber et al, 2005). Por fim, levantamos as implicações para a saúde da violência experimentada nas relações conjugais/afetivas, e como a questão da violência tem exigido, neste campo, uma abordagem interdisciplinar para seu entendimento e multiprofissional na assistência. Os dados que informam esta discussão são parte de uma pesquisa qualitativa maior que compôs um estudo de caráter multicêntrico sobre Saúde da Mulher e Violência Doméstica e representa o fruto de um trabalho que aglutinou diferentes pesquisadores (mulheres e homens) com distintas formações (medicina, psicologia e ciências sociais) em torno da problemática violência contra as mulheres, buscando-se compreender os significados atribuídos por homens e mulheres ao cotidiano das relações afetivo-familiares e às irrupções de situações de violência nestas relações. Esta pesquisa foi coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS): WHO Multicountry Study on Women’s Health and Domestic Violence. Na dimensão qualitativa desta pesquisa, foram realizados 16 grupos focais, dos quais 8 com moradores de São Paulo, sendo 4 deles com participantes de baixa renda e escolaridade, dos quais trataremos neste artigo. Dois desses grupos foram realizados com homens e outros dois com mulheres, todos na faixa etária de 25 a 35 anos. A análise do material foi realizada segundo a técnica de análise de conteúdo, a qual se procedeu a partir da leitura exaustiva do material transcrito das fitas que, por sua vez, foram cotejados com as descrições contidas nas relatorias dos grupos focais. Caracterizando o(a)s Participantes Os homens das camadas populares (17 ao todo) tinham idade média em torno de 31 anos; a maioria trabalhava em ocupações de baixa remuneração. Em relação à escolaridade, a maioria tinha fundamental incompleto (da 5ª a 7ª série), sendo que três deles não chegaram a iniciar a 5ª série. No que diz respeito à situação familiar e conjugal, também a maioria era de casados (doze), três estavam separados e dois eram ainda solteiros. Quatro dos homens não tinham filhos, sendo que sete tinham dois filhos e os seis restantes tinham apenas um. O tempo médio de relacionamento era 5 anos ½ para aqueles que viviam em relacionamentos afetivos/conjugais. Ao todo, 21 mulheres de baixa renda e escolaridade participaram dos grupos focais. Estas tinham idade média também em torno de 31 anos. Na época em que a atividade foi realizada, a maioria também trabalhava em ocupações de baixa remuneração, enquanto as demais não exerciam atividade remunerada (destas, 6 eram 209 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) donas-de-casa e 3 estavam desempregadas à época da pesquisa). Em relação à escolaridade, a grande maioria das participantes (16) tinha nível fundamental incompleto, sendo que 3 concluíram esta etapa da formação. No que diz respeito à situação familiar e conjugal, 15 delas eram casadas, 5 separadas e 1 viúva. Apenas 3 mulheres não tinham filhos, sendo que mais da metade tinham até 3 filhos e 4 tinham 4 filhos. O tempo médio de duração do relacionamento variava entre um 1 ano e ½ e 18 anos, e a média de tempo da relação era de aproximadamente 6 anos. Aproximações e distanciamentos entre o ideal feminino e masculino entre homens e mulheres • O ideal de mulher e homem nas falas dos homens Entre os homens, a mulher ideal foi construída tendo como base uma dupla referência: a primeira, e principal, foi o comportamento das parceiras no interior do relacionamento; a segunda referida às imagens femininas que circulam na mídia, constituindo o padrão de beleza nacional. Quanto ao primeiro aspecto (atributos da parceira), a representação da mulher ideal remete, para boa parte dos homens, à inteligência, à maturidade, à responsabilidade, ao resguardo e à dedicação, atributos considerados e valorizadas como pilares do relacionamento. A segunda referência teve como eixo os critérios de beleza física e sensualidade que se reúnem numa mulher distante (atrizes, dançarinas e modelos em destaque na mídia) ou, muitas vezes, imaginária: “(...) um metro e sessenta, 59 quilos, bunda bem feitinha.... E um outro complementa: Mulher sem bunda para mim não tem graça”. Alguns participantes colocaram que a mulher ideal deve ser “inteligente, dinâmica, arrojada”, sendo desprezada aquela que não trabalha e, portanto, depende do homem. Há contradições na exposição das idéias associadas à emancipação feminina, já que muitos homens colocaram claramente que o excesso de liberdade que o homem dá à mulher pode trazer o perigo do desrespeito e da infidelidade feminina (o que será discutido adiante). Sexo e controle da sexualidade feminina foram temas também centrais nas discussões dos grupos masculinos em torno da mulher ideal. Estes aspectos evidenciam o conflito entre o ideal, que prioriza a emancipação feminina, e aquele que vê, na passividade, uma característica da mulher ideal. A partir do momento em que a satisfação sexual entra em pauta, a referida tensão entre os dois ideais de mulher torna a se manifestar. As características físicas substituem o caráter como referencial de construção da imagem ideal feminina. Um deles resume bem a percepção masculina: “Os homens dizem: mulher ideal é aquela arrojada, independente, compreensiva... mas no fundo, no fundo, a ideal, e a que todo mundo quer, é aquela que é objeto sexual dele. Ninguém tá falando, mas é verdade, todo mundo pensa isso”. Se em relação à mulher ideal foi possível traçar um perfil mais unificado, no que diz respeito ao homem, houve dificuldade em sintetizar características que definissem o ideal de homem: ou porque se mostram resistentes a qualquer proposta de elaboração de um padrão ideal de homem, como na frase: “o homem não vale nada”; ou porque apontam para a dificuldade de eleger características mais ou menos recorrentes, porque percebem que há tantos tipos ideais de homens, quanto as fantasias e os referenciais das mulheres. 210 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) O que fica claro é que a maior dificuldade na representação do homem ideal está no fato de que como homens reais, acham difícil encontrar atributos próprios e os mesclar com valores que consideram pertinentes a fim de construir a imagem do homem ideal, por isto firmam-se na construção do homem ideal a partir das supostas referências femininas sobre os homens em geral, e, porque não, sobre eles em especial. • O ideal de mulher e homem na fala das mulheres De saída, é interessante notar que, ao contrário do que pudemos verificar no discurso masculino, em nenhum momento os atributos físicos foram elencados na elaboração da imagem ideal por parte das mulheres. Na construção do tipo ideal de homem, as mulheres explicitaram suas demandas sobre atitudes e comportamentos masculinos em relação a si próprias e à família. A imagem construída rejeita a figura do típico patriarca que reuniria em si o poder de mando dentro do ambiente doméstico. Uma relação mais igualitária, onde o companheirismo, a amizade e a dedicação fizessem parte do comportamento masculino em relação à cônjuge e aos filhos foi, para estas mulheres, a base a partir da qual o ideal de homem foi elaborado. Apesar disso, há um esforço em conservar os lugares tradicionais das atribuições de gênero, que conferem à mulher maior responsabilidade na execução dos serviços domésticos. A imagem da mulher ideal, na opinião das participantes, corresponderia àquela da mulher emancipada e independente, que trabalha fora, estuda e ainda é capaz de preocupar-se com o marido e os filhos. Investe em sua vida profissional ao mesmo tempo em que se dedica à vida familiar. Esta mulher deve ainda ter opinião própria. Porém, apesar de valorizar essas características na mulher, houve a percepção de que este conjunto de obrigações a sobrecarregaria. No entanto, o excesso de independência é visto como um obstáculo à relação, pois produziria um sentimento competitivo no parceiro relacionado ao questionamento de seu papel de provedor e formador de opinião no espaço doméstico. Outra situação, potencialmente geradora de conflitos, que também produziria desentendimentos, seria o contexto oposto, em que a mulher somente ocupa-se do lar, não havendo reconhecimento pelo parceiro dos esforços que despende na execução das tarefas domésticas. As expressões da violência e sua aceitabilidade: as percepções dos homens e mulheres • Os homens se justificam e as mulheres questionam e denunciam Chamou atenção o fato de que, à primeira vista, a violência não é algo que possa ser justificável tanto para homens quanto para mulheres. Mas, a continuidade das discussões levantou a questão: se ela não é justificável, seria tolerável, em algumas situações? Se a resposta positiva a esta questão não pôde ser tomada como unânime para todos os participantes, ela constituiu a opinião (o consenso) da maioria dos homens, enquanto as mulheres permaneceram na referência à violência como injustificável. Há que se destacar, porém, que entre as mulheres apareceram duas situações pensadas como aceitáveis: 1) a violência como revide,, servindo como “lição” ao agressor e, assim, evitando ocorrência de novos episódios; 2) a violência contra as “mulheres que gostam de apanhar”, reconhecendo que há esta situação, não obstante sem ter ficado muito claro se correspondia a um reforço ao senso comum masculino ou de possíveis situações particulares no exercício das relações afetivo-sexuais] 211 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) Em alguns casos é tolerável ou compreensível o recurso à violência, disseram os homens, porque, afinal de contas, ela é o resultado da exacerbação de impulsos que são naturais aos homens. E, para eles, os principais fatores causadores de situações violentas entre homens e mulheres foram: desemprego ou dificuldade financeira do homem; abuso de bebida alcoólica; ciúme, desconfiança e traição; cobrança e falta de compreensão da mulher. Já para as mulheres, a violência aparece principalmente como resultado do abuso de bebida ou uso de droga pelos homens, assim como pela má influência de amigos que afastam os homens da casa e das mulheres, trocando a relação com a mulher pelas farras, os bares e outras mulheres. Além disso, a falta de diálogo, a impaciência da mulher para a escuta, o fato de a mulher ser “complicada”, o ciúme masculino excessivo e a dificuldade da mulher em reagir são apontados como possíveis causas de violência. Mas vejamos as implicações dos fatores relacionados à violência para os homens e as mulheres... Com relação aos homens, é possível argumentar que os quatro grupos de fatores implicados nas situações de violência, relacionam-se com os principais elementos estruturadores da condição de homem, especialmente quando se trata do meio popular. Quando questionados ou implicados num contexto real de impossibilidade de concretização, estes fatores provocam tensões nas relações entre homens e mulheres; que, não raro, são resolvidos por meio do recurso à violência. Assim, com base na literatura socioantropológica sobre a constituição das masculinidades nos setores populares urbanos, vemos que determinados comportamentos masculinos são amplamente reconhecidos como atributos naturais do ser homem Este é, por natureza, considerado como sexualmente insaciável e, portanto, pode, porque sente necessidade, ter relações extra-conjugais. É também recorrente a associação entre ser homem e ser o provedor, moral e material, da família (Leal e Boff, 1996; Almeida, 1996; DaMatta, 1997; Nascimento, 1999). Quanto a referência à moral, esta é tida como valor e remete, sobremaneira, à questão da honra. Como bem definiu Pitt-Rivers (1971), quando associada à pobreza, a honra constitui-se em virtude moral, não estando associada simplesmente à posição social. Sendo a honra nas classes populares um dos principais pilares sobre os quais os homens constróem e vivenciam as relações com os “outros” (mulheres, homens mais pobres, homens mais ricos, crianças/adolescentes), não é de se estranhar que, na relação homem-mulher, a honra se constitua como elemento que está sempre à prova. Portanto, o medo da infidelidade feminina, que está associado a vinculação entre masculinidade e virilidade, está sempre presente. Há ainda que considerar que o ciúme entre os homens esteve relacionado ao tema da traição, e este constituiu um dos mais importantes pontos de convergência acerca da tolerância da violência contra a mulher. Todos reconheceram que, de todas as situações de desentendimentos que possam ocorrer entre um homem e uma mulher, a que escapa do controle, sempre, é a da traição. Esta seqüência representa bem o argumento do conjunto dos participantes. Moderador: “ (...) vocês imaginam outra situação em que pode acontecer violência? Participante 1: “Traição”. Participante 2: “(...) por mais compreensivo, por mais liberal que você possa ser... mas se você pega sua esposa, sua namorada, com outro... é difícil o cara se controlar”. Participante 3: “É natural”. 212 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) Participante 4: “Não que seja uma coisa justificável, mas é uma coisa do próprio instinto, a vontade é de bater, acabar com ela e com ele”. Observa-se, portanto, uma associação direta entre virilidade, honra, controle de si, e, masculinidade e violência. O conjunto destes traços parece compor um quadro que dá sustentação ao argumento, já enfatizado na literatura sobre gênero e violência, de que é na impossibilidade de reproduzir um padrão de relacionamento entre os gêneros centrado na diferença (expressa em desigualdade), que a violência conjugal-afetiva emerge. Referências Bibliográficas ALMEIDA, Miguel Valle de. Gênero, masculinidade e poder: revendo um caso do sul de Portugal. Anuário Antropológico/95. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 1996. BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1999. COUTO, Márcia Thereza & SCHRAIBER, Lilia Blima. Homens, saúde e violência: novas questões de gênero no campo da Saúde Coletiva. In: MINAYO, M. C. S.; COIMBRA Jr., C. E A (Orgs.). Críticas e atuantes: Ciências Sociais e Humanas em Saúde na América Latina. Rio de Janeiro, 2005, p. 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G do. “Ser homem ou ser nada”: diversidade de experiências e estratégias de atualização do modelo hegemônico da masculinidade em Camaragibe/PE. Dissertação de Mestrado em Antropologia/UFPE, Recife, 1999. NASCIMENTO, Pedro F. G do. “Ser homem ou ser nada”: diversidade de experiências e estratégias de atualização do modelo hegemônico da masculinidade em Camaragibe/PE. Dissertação de Mestrado em Antropologia/UFPE, Recife, 1999. PITT-RIVERS, J. Honra e posição social. In: PERISTIANY, J. G. (Org.). Honra e vergonha – valores da sociedade mediterrâneas. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1971. SCHRAIBER, Lilia & D' OLIVEIRA, Ana Flávia. Violência contra mulheres: interfaces com a saúde. Interface - comunicação, saúde e educação, v. 3, n. 5, Botucatu, SP, Fundação UNI, 1999. SCHRAIBER, Lilia Blima; d´OLIVEIRA, Ana Flávia; COUTO, Márcia Thereza; FIGUEIREDO, Wagner dos Santos. Violência dói e não é direito. A violência contra a mulher, a saúde e os direitos humanos. São Paulo, Ed. 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Múltiples organismos públicos y privados arrojan impactantes cifras de muertes o de diversos daños como consecuencia de relaciones altamente destructivas. En este contexto, las mujeres siguen constituyendo sin lugar a dudas la mayor parte de las víctimas. Sin embargo, las últimas investigaciones están sacando a la luz la otra cara de la moneda: cada vez más, los combates son mutuos; pero también, cada vez más varones se convierten en los depositarios de la violencia de sus mujeres. Sus testimonios empiezan a escucharse especialmente en los consultorios psicológicos y en los centros de apoyo civil, y tímidamente, en las agencias gubernamentales. Mostrar algunas estadísticas y asomarse a este fenómeno es nuestro objetivo. Considerando el momento de transición que nos caracteriza, en donde hombres y mujeres parecen reposicionarse como género, y en donde los sistemas de creencias tradicionales respecto de lo femenino y lo masculino paulatinamente se desdibujan, resulta importante detenerse a reflexionar acerca de los nuevos significados y las nuevas relaciones que queremos construir: nuevas feminidades y masculinidades, nuevas maternidades y paternidades. Por ello, y desde una perspectiva de género, intentamos abordar este desconcertante panorama que se convierte a la vez en un nuevo reto para quienes luchamos en contra de la violencia, provenga de quien provenga, repasando diversos factores psicológicos y sociales con la intención de proveer posibles explicaciones que nos permitan orientarnos hacia la tan deseada equidad. Abstract In our days, we know that the domestic violence represents a serious problem in practically all the world. Many private and public organisms show impressive numbers of deaths or diverse damages as a result of highly destructive relations. In this context, the women continue constituting most of the victims without doubt. However, the last investigations are bringing to light the other side: more and more, the combats are mutual; but also, more and more men become the deposit takers of the violence of their women. Their testimonies begin to be listened specially with the psychologists and the civil support centers, and shyly, in the governmental agencies. To show some statistics to this phenomenon is our objective. Considering the moment of transition that characterizes us, in where men and women seem to replace themselves like gender, and in where the systems of traditional beliefs respect to feminine and the masculine thing gradually become blurred, it´s important to stop reflecting about the new meanings and the new relations that we want to construct: new feminities and masculinities, new maternities and paternities. For that reason, and from a gender perspective, we tried to approach this amazing panorama that becomes a new challenge for those who fight against violence, whoever it comes from reviewing diverse psychological and social factors with the intention to provide possible explanations that allow us to be oriented towards so wished fairness. 216 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) Introducción. “…Al consultorio llega puntualmente J.L. Tiene 29 años, es de complexión delgada y tez morena, nació en el Distrito Federal y tiene estudios de Administración . Hace seis meses se separó de su pareja (quien se quedó con su hijo) a la que abandonó por malos tratos e infidelidad. Presenta raspones, rasguños y moretones visibles en cara, brazos y antebrazos (las típicas heridas “defensivas”). Su rostro está tenso, los ojos llorosos, la mandíbula apretada y se retuerce las manos nerviosamente. Manifiesta su desconcierto al narrar que su relación, si bien había mostrado desde el noviazgo eventos violentos, se fue deteriorando paulatinamente, de modo que en cinco años se convirtió en un infierno. Dice que su pareja tiene un carácter “muy fuerte”, se enoja con facilidad, y escala rápidamente de los insultos y las humillaciones a la violencia física, representada principalmente por arrojarle objetos a la cara, y propinarle rasguños, bofetadas, jalones de cabello y patadas. Su pareja le quitaba el dinero, le decía que no servía en la cama, destruía sus objetos personales, le fue separando de su familia y amigos, y ponía a su pequeño hijo en contra suya. En la última ocasión, que le llevó a dejar por fin la relación, le amenazó de muerte con un cuchillo; también amenazó con matar al niño. J.L. salió huyendo de casa y llamó desde su celular a una patrulla, misma que al llegar, le detuvo sin escuchar y sin percatarse de que era la víctima. A pesar de estar separados, dice que la violencia no ha terminado: sufre acoso de su ex-cónyuge, quien le llama a casa, al trabajo, y le manda correos electrónicos para insultarle; también le agrede física y psicológicamente cuando va por su hijo cada quince días, amenaza con mandarle matar y con demandar por abuso infantil para separarle definitivamente del niño… J.L. ha perdido ya tres empleos por estas razones. Acudió un par de veces a levantar un acta a un Ministerio Público, pero se rieron y no le brindaron ningún apoyo. Actualmente dice sufrir insomnio y falta de apetito, sentir una profunda depresión, dificultad para concentrarse y mucho nerviosismo; llora con facilidad, y no sabe con quién hablar o a quién pedir ayuda, pues las pocas personas a quienes se ha acercado se han burlado y no le han creído. Reiterativamente piensa que lo mejor sería morir…” Este es un testimonio de una persona que acude a terapia como único espacio de seguridad y credibilidad. Parecería el típico reporte de una mujer maltratada, como muchos que hemos escuchado, desafortunadamente. Contiene los elementos que suelen caracterizar a tantas víctimas de sus parejas: ejercicio de poder, falta de apoyos sociales, lagunas legales, aislamiento, violencia desde el noviazgo que aumenta y se cronifica con el tiempo, sentimientos de vulnerabilidad y desamparo, lesiones físicas, sufrimiento psicológico, etcétera. Sin embargo, la sorpresa es que J.L. es varón. Él pertenece a la clase media urbana capitalina, tiene estudios, igual que su excónyuge, pero no encuentra apoyo en las instancias legales, ni sociales, ni familiares. Contó en terapia que de pequeño vio cómo su padre maltrataba psicológicamente a su madre, quien le enseñó que a las mujeres debe respetárseles y no agredirlas nunca. Él, amablemente, nos autorizó a reproducir su experiencia “…para que otros hombres que pasan por lo mismo sepan que no están solos…” La razón para iniciar esta presentación con su testimonio es sensibilizar y mostrar a muchos incrédulos que los varones también pueden ser víctimas de la violencia doméstica, y que su sufrimiento es igual de legítimo y de preocupante que el de tantas mujeres que a lo largo de los años han vivido relaciones destructivas. 217 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) También pretendemos cuestionar el mito de que los agresores son siempre los varones y las mujeres las víctimas. Creemos que lo importante es luchar contra la violencia, provenga de quien provenga. Antecedentes. Como todos sabemos, la violencia es un fenómeno que caracteriza la época en que vivimos por sus altos niveles de incidencia. Según Huertas (2006; en Pérez, R.; 2006), en la actualidad, “…cada año mueren más de 1.6 millones de personas en el mundo como consecuencia de actos violentos” (p.31). Pero cuando éstos ocurren dentro del hogar, su invisibilidad puede ocasionar que la pareja viva años inmersa en una relación de violencia, convirtiéndose en un “estilo de vida” que suele irradiar y perjudicar a todos los miembros de la familia, especialmente a los más vulnerables. Muchos países, sobre todo los más desarrollados, están preocupados actualmente por las muertes que año con año ocurren entre cónyuges o ex-cónyuges, aunque la pregunta es si el fenómeno se ha disparado, o es que contamos con mejores sistemas de detección y registro, además de la mayor difusión e información de los medios de comunicación. Por otro lado, se dice que la característica principal de la violencia doméstica es que se produce en el entorno cotidiano y hace que se repitan en el ámbito familiar las relaciones de poder de la sociedad; por ello, quien ejerce ese poder, puede adoptar la violencia para mantenerlo, reafirmarlo o garantizarlo (Corsi, Dohmen, Paggi, Pluis, Loto, Yagupsky, 1994; Corsi, 1998). La definición de Coriac (1995), que es una de las más incluyentes, nos habla de modalidades de violencia física, sexual, psicológica o emocional, económica o financiera, social y objetal. Sin embargo, se empieza a hablar ya de una más: la violencia legal, consistente en el abuso de los apoyos legales para ejercer dominio y control sobre la pareja y los hijos. Todas estas modalidades en la vida real suelen observarse mezcladas entre sí y presentarse durante el llamado Ciclo de Violencia, agudizándose conforme éste avanza (Walker, 1984; en Echeburúa, De Corral, Sarasua y Zubizarreta, 1998). A decir de los autores, este ciclo compuesto por la fase de acumulación de tensión, descarga aguda y luna de miel reconciliatoria, es típico de las relaciones violentas, aunque puede variar en su duración e intensidad. Ahora bien, la creencia de la víctima de que es responsable por elicitar los episodios violentos, le puede llevar a la aparición de sentimientos de culpa y de baja autoestima cuando sus expectativas fracasan. Con el tiempo, es probable que el ciclo se vaya cerrando cada vez más, el maltrato sea cada vez más frecuente y severo, y la víctima se encuentre con menos recursos psicológicos para salir de esa relación. Por lo tanto, mientras más tiempo permanezca con la pareja abusiva, la probabilidad de que las consecuencias psicológicas se cronifiquen es mayor, y en consecuencia, el pronóstico de la recuperación es más desfavorable (Zubizarreta, Sarasua, Echeburúa, De Corral, Sauca y Emparanza, 1994). Este círculo de violencia puede durar años, y para algunas personas, toda la vida. De ahí que muchos teóricos se hayan dado a la tarea de intentar dilucidar el por qué la gente reacciona violentamente, lo que en realidad tiene que ver con muchos factores. Los investigadores han postulado desde la agresividad innata, la familia de origen disfuncional, el aprendizaje de patrones interactivos violentos, las relaciones de género patriarcales, etcétera. También se ha dicho que el ejercicio de la violencia doméstica tiene que ver con factores como las creencias previas, por ejemplo, creer que golpear es normal y se vale para resolver un conflicto. Otras variables estudiadas incluyen la baja autoestima, la 218 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) falta de habilidades para expresarse, la ausencia de control sobre las emociones, el humor (al parecer las personas violentas tienen mayores niveles de enojo, hostilidad, miedo y depresión), la dependencia al alcohol, las tensiones en el empleo y con relación al dinero, y la soledad social. Sin embargo, parece más acertado pensar que la violencia es el resultado de la combinación de múltiples factores, más que de alguno operando individualmente, por lo que la elaboración de “perfiles” acerca de la víctima y el agresor resultarían poco adecuados por estigmatizantes (Stith y Rosen, 1990; Trujano, 1994; Corsi, Dohmen, Sotés y Bonino, 1995; Dutton y Golant, 1997). Violencia en la Pareja. Cuando pensamos en “Violencia Doméstica”, generalmente nos remitimos a la idea de la mujer como víctima principal y del hombre como su agresor, pero es momento de reconocer que también existen varones victimizados a manos de sus parejas, sean estas homo, hetero, o bisexuales, aunque muchos de los estudios parecen “toparse” con esta realidad indirecta o accidentalmente en sus investigaciones. Son olvidar que las estadísticas en este tema suelen ser difíciles de comparar, que no existe coordinación entre las diferentes instancias gubernamentales y civiles, y que los parámetros también suelen ser distintos, lo que dificulta un seguimiento más preciso, podemos decir que en general, algunos autores en 1997 encontraron que el 1% de las esposas maltrataba a sus maridos (Olamendi, 1997), para 1998 otros reportaron un 2% (Corsi, 1998); pero para el año 2005, se habla de al menos un 10% de varones golpeados. En México, durante el año 2001 se observó un 6% de varones víctimas de sus parejas. En contraste, podemos hablar de un 75% de los casos en que el agresor es el compañero, cifra evidentemente muy alta y muy injusta para las mujeres. Finalmente, se calcula un 23% aproximadamente en que los combates son mutuos; al respecto, por razones obvias, existe menos investigación. Otras investigaciones en E.U., Canadá e Inglaterra afirman que en realidad las cifras más aproximadas apuntan a un 60% de agresiones masculinas vs. 40% de femeninas. Y algunos estudios llaman la atención acerca de que, mientras que la violencia cometida por el varón parece que se ha decrementado en un 6%, la ejercida por la mujer en contra de él ha tenido un incremento del 4% (Sussman y Steinmetz, 1998; Trujano, Martínez y Benítez, 2002). Por otra parte, la Men´s Health Network en internet, asegura que la violencia es alarmante, pero no exclusiva de un género, como mucha gente piensa. Los investigadores afirman que en nuestros días, hombres y mujeres abusan del otro casi con la misma frecuencia (Hoff, 1998). Este paulatino deslizamiento en las cifras, en las que las agresiones mutuas por un lado, y las dirigidas hacia el varón por el otro, van en aumento, creemos que tiene que ver con la transformación de los roles de género estereotipado que está provocando, a su vez, una redefinición en la posición de los hombres y las mujeres frente al mundo. Muchas personas actualmente parecen involucradas en la tarea de definir (conscientemente o no) nuevas reglas –por ahora no muy claras- en sus relaciones interpersonales, aunque los patrones culturales ancestralmente heredados obstaculizan esta búsqueda. Aún así, la palabra “Mujer” ha variado su significado en las últimas décadas, incluyendo mucho más que la procreación, y la palabra “Masculinidad” ya no significa sólo “machismo”, sino que empieza a implicar una nueva posición que intenta ser más justa y equitativa. Pues así como las mujeres a través de la historia se vieron atadas a 219 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) conceptos como sumisión, debilidad y dependencia, los hombres también han debido cargar con etiquetas como fuerte, agresivo y dominante. Al respecto, resulta interesante notar cómo los cambios económicos reflejados en la incorporación de la mujer al campo laboral, y el rápido incremento en el número de familias sostenidas por mujeres, lesionó fuertemente la supremacía masculina basada en el poder económico (Ehreinreich, 1995). De hecho, muchas mujeres a partir de la posición que les confiere su aporte económico han llevado a cabo cambios en su relación de pareja, por ejemplo, en la distribución de tareas domésticas, cuidado de los niños y asignación de responsabilidades, buscando un equilibrio. Del mismo modo, muchos hombres se atreven a hablar de sus sentimientos, emociones y debilidades, y participan con gusto en actividades antes vetadas a su sexo y categoría de “machos” (Bly, 1992; Gutmann, 1993). Desafortunadamente, esta transición tiene un lado oscuro, pues también está acarreando efectos colaterales no deseados, como el sentimiento de desvalorización de algunos hombres ante la autoridad perdida, y el resentimiento de algunas mujeres que ven la oportunidad de venganza (Trujano et. al, 2002). Existen investigadores que postulan la “teoría de la crisis masculina” fundamentada en la observación de que los hombres han perdido la certeza de su género y su sentido de identidad en un mundo en que las mujeres los están desafiando en todos los niveles, generando en algunos de ellos una fuente de conflictos, inseguridad y ansiedad, así como enojo y frustración. Por ejemplo, muchos quieren participar activamente en el cuidado de los niños, pero los rezagos de la cultura tradicional aún consideran a las madres las únicas aptas para esta tarea, especialmente si se trata de bebés. Al mismo tiempo, los medios de comunicación y el aparato de justicia continúan favoreciendo a las mujeres en este terreno, lo que, también es justo reconocerlo, constituye en muchos sentidos logros alcanzados por los movimientos feministas (Brittan, 1989). Algunas Estadísticas sobre Violencia. En España, en el año 2000, los cálculos apuntaban a que casi 2 millones de españolas sufrían algún tipo de violencia en el hogar. 43 murieron a manos de sus parejas. Durante el 2003, fueron asesinadas 70 mujeres víctimas de la violencia doméstica; en el 2004, 72; en el 2005, murieron 61. En el primer trimestre del 2006, suman ya 21. También en el año 2000, la violencia doméstica cobró la vida de 128 mujeres en Alemania, 119 en Rumania, 107 en el Reino Unido, y 30 en Polonia. En Estados Unidos un estudio concluyó que 1.8 millones de esposas son agredidas cada año por sus compañeros, y que más de mil mujeres son asesinadas anualmente por sus maridos. En Canadá, especialmente en los años 80´s, la violencia doméstica se desbordó a tal grado, que algunos estudios apuntaron que, sólo entre 1981 y 1985, 261 esposas golpeadas fueron finalmente asesinadas por sus maridos, pero también 57 varones golpeadores fueron muertos por su cónyuge. Además, un número indeterminado de familias murieron íntegramente a manos del jefe de familia, quien posteriormente a los homicidios, se suicidó. En México, al cerrar el 2004, el Instituto Nacional de las Mujeres informó que 2167 casos de mujeres maltratadas fueron atendidos en las 16 unidades del Distrito Federal. 220 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) ¿Y los Varones? Aunque todavía es difícil tener estadísticas precisas, y, tal como ocurre aún con las mujeres, las cifras suelen ser la punta del iceberg, los reportes dicen que: En México, de cada 7 hombres denunciados como agresores, 3 de ellos son en realidad las víctimas (Del Ángel, 2003). También en México, el Centro de Atención a la Violencia Intrafamiliar (CAVI) informó que en el primer semestre de 1997, una de cada 10 víctimas de violencia doméstica era varón. El Centro de Atención al Maltrato Intrafamiliar (CAMIS), recogió 5 testimonios de hombres maltratados entre 1998 y 1999. Todos eran de un nivel sociocultural bajo, y con la firme creencia de que a las mujeres debe respetárseles siempre. En todos los casos las agresiones surgieron de ellas, y coincidieron en que por diversas circunstancias, empezaron a obtener mayores recursos económicos que los maridos. Fueron frecuentes las humillaciones cuestionando su capacidad sexual y económica, y en tres de los casos, los dejaron por sujetos con mayor poder adquisitivo. En Guanajuato, cifras recientes revelan que el 10% de las demandas corresponden a víctimas hombres: de las 41 presentadas, 17 de ellas demostraron violencia física y/o psicológica por parte de la esposa o compañera. De enero a agosto del 2002, hubo 23 denuncias por parte de varones en el Estado de Aguascalientes. Y en el D.F., de enero a septiembre del 2002, fueron atendidos por violencia doméstica de sus cónyuges 234 varones, según cifras de las Unidades de Atención y Prevención de la Violencia Familiar (UAPVIF). En el 2003, el Consejo General del Poder Judicial en México informó de 7 varones muertos a manos de sus esposas. En el 2004, el Instituto Nacional de las Mujeres reportó que 73 varones fueron atendidos por malos tratos sólo en el DF. En el 2005, en Veracruz se presentaron 56 denuncias de varones por malos tratos físicos y/o psicológicos. ¿Y en el resto del mundo? En Bolivia, se registraron 13 mil denuncias por maltrato doméstico durante el año 2004; más de 1000 eran de varones. En España, en el año 2000, fueron asesinados 44 hombres por sus esposas; 13 en el 2003. Entre enero y febrero del 2006, han muerto ya dos maridos asesinados por sus cónyuges. En el resto de Europa, países como Francia, Alemania y Noruega tienen las cifras más altas de violencia doméstica en contra de los varones. En Estados Unidos existe más investigación al respecto: de acuerdo a cifras de su Departamento de Justicia, cada año más de 800 mil varones son víctimas del maltrato de sus mujeres. Datos de Washington apuntan que cada 37 segundos un hombre es herido por su compañera con pistolas, cuchillos u otros objetos, además de ser frecuentes sus lesiones por patadas, rasguños, mordiscos, jalones de cabello, etcétera. Hallazgos Recientes en la Investigación sobre Violencia de Pareja. Ahora bien, sacar a la luz que los varones también pueden ser objeto de la violencia doméstica (aunque no necesariamente sean más débiles físicamente, ni sean ancianos, ni sean dependientes económicamente, sino incluso, aunque sean los proveedores del hogar), ha producido un giro en las investigaciones sobre el tema. Pues 221 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) si bien las estadísticas siguen mostrando una mayor violencia en contra de las mujeres (las Cifras del Instituto Nacional de Justicia y del Centro de Control y Prevención de Enfermedades de Estados Unidos acaba de hacer un cálculo aproximado de 76.5% de mujeres maltratadas y 23.5% de varones agredidos), la duda estriba en si realmente es así, o es que ellos tienen menor credibilidad social como víctimas y por lo tanto denuncian todavía menos que las mujeres. Al respecto, autores como Eloy Rodríguez (en Bernal, 2001) afirman que en la actualidad, en Estados Unidos la cifra de muertes de hombres llega a ser mayor que el de las mujeres. Ciertamente, pensamos que los hombres deben enfrentar aún mayores dificultades para que se les escuche, se les crea y se les apoye. Los testimonios que conocemos así lo confirman, y las observaciones de los psicólogos apuntan a que la violencia en contra de ellos sigue el mismo patrón que la ejercida contra las mujeres: algunas esposas maltratadoras se burlan en privado o en público del marido; lo intimidan y humillan; lo aíslan de familiares y amigos; le retienen el dinero; lo amenazan con suicidarse o dañar a sus hijos; le impiden trabajar o estudiar; lo chantajean con gritar pidiendo ayuda a los vecinos, seguras de que les creerán a ellas; lo agreden físicamente de propia mano o recurren a terceros (a través de familiares, amigos o amantes) a quienes convencen de que el marido merece ser castigado (Del Ángel, 2003). Por su parte, Hoff (1999), agrega otros indicadores, como intentar vigilar y acaparar todo su tiempo, acusarlo constantemente de infidelidad, enojarse fácilmente, destruirle sus propiedades o cosas con más valor sentimental, pegarle, darle bofetadas, patearlo, morderlo, arrancarle cabello, rasguñarlo, amenazar con herirlo a él o a sus hijos y forzarlo a tener sexo contra su voluntad. Steven Easton creó en 1993 una alianza que aconseja a 400 hombres maltratados al año, y sus testimonios (que pueden conocerse a través de su página web en internet) reflejan un ciclo de violencia en las mujeres similar al de los hombres, con una elevación significativa en la escalada de episodios violentos, un síndrome de maltrato igual al de las mujeres, y una gran dificultad para buscar ayuda y abandonar la relación (Hoff y Easterbrooks, 1999). Investigaciones recientes en Estados Unidos afirman que cuando la violencia se mide en actos (frecuencia, diversidad), las mujeres resultan más violentas, pero cuando se mide en heridas, los hombres suelen ser más violentos. Esto, sin embargo, puede estar cambiando. Cada vez más mujeres asesinan a sus maridos con armas de fuego (en Estados Unidos) o con arma blanca (en España) en un solo acto, debido quizás, a que ante la desventaja física prefieren recurrir a un ataque contundente: “... Por trece años, K. fue la abusadora. Ella mencionó que rompió las costillas de su esposo, arrancó mechones de su cabello, lo arañó, lo golpeó, le pegó con un bat de baseball y lo pateó. Él nunca regresó ningún golpe y nunca levantó cargos...”(Hoff, 1999; p.4). “… En Huesca…una mujer de 44 años… mató a su marido de 54 años clavándole un cuchillo de cocina, delante de un amigo de ambos…” (Monserrat, 2006; p.27). “… La tercera de las víctimas de este macabro uno de enero era un varón… de 50 años, primera víctima mortal en Cataluña de la violencia doméstica, tras ser degollado con un bisturí por su compañera sentimental en Roses, (Gerona)…” (Mascuñano, 2006; p.24). De hecho, en EU, de 1990 a la fecha, el número de mujeres protagonistas de actos violentos se está incrementando de manera preocupante. Por ejemplo, la cifra de 222 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) mujeres demandadas y condenadas por delitos graves ha aumentado el doble que la de los varones. Y por cierto, en el terreno de la impartición de justicia, muchas quejas de los hombres van en el sentido de que, al menos en ese país, la probabilidad de una sentencia condenatoria es mucho mayor para el género masculino que para el femenino; del mismo modo, ellos suelen recibir condenas más largas y enfrentarse a mayores obstáculos para gozar de atenuantes o de prerrogativas como la libertad condicional que ellas. Confesiones de mujeres agresoras muestran su seguridad y confianza de gozar de impunidad policial y social. Adicionalmente, muchos varones confiesan sentirse violentados, humillados, amenazados y maltratados por sus mujeres, tal y como ellas se han sentido durante siglos. Los varones se quejan también de que algunos grupos feministas los siguen atacando “como si todos fueran el enemigo”, de la falta de credibilidad social de que ellos también pueden ser víctimas, y del escaso apoyo legal con que cuentan. Citan por ejemplo, el caso de un terapeuta de Seattle que al ser agredido por su mujer llamó al 911 solicitando ayuda, pero al llegar la policía lo arrestó a él, a pesar de que era quien estaba herido. Otros varones confiesan que temen hasta discutir con su esposa, pues son amenazados con gritar pidiendo ayuda y ser acusados de maltrato exigiendo su detención, aunque sean ellos los que muestren los signos de violencia (Hoff y Easterbrooks, 1999; Olszewski, 1999). Y otros más se enfrentan en las comisarías a comentarios del tipo: “ok, pero usted debe de haberle hecho algo a ella para que reaccionara así”, o “¡mire su talla (o su estatura), quizás ella sólo se defendía!”, o “pero si la arrestamos, qué pasará con los niños?” o “por qué no le demuestra quién lleva los pantalones en casa?” (Padres por la igualdad parental, 2000). En cuanto a diversos tipos de violencia de que son objetos los hombres, y contra la creencia popular, también pueden ser víctimas de violencia sexual (Mezey y King; 1989). Por supuesto, cuando el agente victimario es una mujer, la credibilidad es menor aun. Masters, Johnson y Kolodny desde 1988 documentaron la descripción hecha por Sarrel y Masters (1982) de los siguientes casos: Un estudiante de Medicina de 23 años fue atado y después obligado a realizar el coito con una mujer que le amenazó con un bisturí. . Un hombre casado, blanco, de 37 años, fue obligado a realizar el coito por dos mujeres afroamericanas que le intimidaron a punta de pistola. El varón declaró haber pasado un miedo espantoso durante todo el lance. . Un camionero de 27 años, que durmió en la habitación de un motel junto a una mujer que acababa de conocer en un bar, despertó y se encontró amordazado, con una venda en los ojos y atado a la cama. Fue obligado a tener relaciones sexuales con cuatro mujeres diferentes, que le amenazaron con castrarle si no se desempeñaba adecuadamente (pudo sentir el contacto del filo de la navaja contra sus genitales). Fue retenido durante más de 24 horas y agredido sexualmente en repetidas ocasiones. Con respecto a la modalidad de daño psicológico, Mezey y King (1989), mencionan que las secuelas emocionales observadas en varones víctimas de abuso sexual, pueden comprender desde el cuestionamiento de su orientación sexual, confusión de necesidades emocionales con el sexo, vergüenza de género (es decir, desorientación y ansiedad en cuanto a la identidad masculina), comportamientos compulsivos múltiples (sexo, comida, trabajo, drogas, alcohol), síntomas físicos y emocionales (incluyendo fobias y disfunciones sexuales), enojo e irritabilidad, miedo irracional a mostrar vulnerabilidad, establecimiento de relaciones caóticas, pobre definición de sí mismo y distanciamiento afectivo, hasta el establecimiento de un patrón de victimización hacia otros (como cometer actos de exhibicionismo, realizar llamadas obscenas o actividades vouyeristas, o llegar incluso a agredir a otras personas). Y según 223 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) los psicólogos de los servicios especializados en maltrato doméstico de las UAPVIF (México), los motivos de los hombres para no denunciar son idénticos a los de las mujeres atacadas: negación, vergüenza, esperanza de que no volverá a ocurrir, sentimientos de culpa, un amor idealizado, deseos de mantener unida a la familia, temor, o el no tener a dónde ir (Trujano, 2002; Del Ángel, 2003). “ …un varón ha logrado que su novia sea condenada a ocho meses de prisión por maltrato y amenaza con un katana, la célebre espada japonesa…un juzgado de Santander ha dictado la sentencia que condena a M. por maltratar a B., su novio, cuando le anunció que deseaba abandonar la casa que compartían…” (Pérez, A; 2006; p.1). Como se puede observar, en general, este tipo de violencia es similar a la que muchas mujeres sufren a manos de sus parejas, incluido el asesinato. La importancia de los testimonios para los profesionales involucrados y para la opinión general, es el poder acercarnos con mayor certeza al sufrimiento de las víctimas, pues el escuchar su voz nos facilita romper con los estereotipos y las creencias preconcebidas. Por ello, existen ya varones que se ha dado a la tarea de documentar casos en todo el mundo vía Internet, compartiendo sus experiencias (Hoff, 1999). De ahí que es posible ratificar que lo verdaderamente importante para nosotros es luchar en contra de la violencia, provenga de quien provenga. ¿Y qué dicen las mujeres? Fiebert (en Hoff, 1999), subraya la poca investigación existente acerca los motivos de las mujeres para violentar a su parejas, y describe un estudio con 978 mujeres estadounidenses, de las cuales el 29% (n=285) admitieron haber ejercido violencia contra sus parejas. Además, las más jóvenes (alrededor de 20 años) fueron significativamente más propensas que las de mayor edad. Entre sus principales razones estuvieron yo sabía que no lo lastimaría, no creo que mis actos puedan lastimarlo o creo que ellos pueden defenderse, así que no me preocupo cuando empiezo a agredirlo físicamente. Fiebert y González (en Hoff, 1999), incluyen también: mi pareja no se daba cuenta de mis necesidades, quería llamar su atención, él no me estaba escuchando, y estaba abusando verbalmente de mí. De manera informal, he podido observar al repasar notas de periódicos españoles que narran asesinatos de hombres en manos de sus compañeras un dato curioso: en todas ellas, se le daba voz a la agresora, es decir, tanto la policía como los medios de información se detenían a preguntarles a ellas sus motivos. Las constantes fueron estaba harta de él y nunca me escucha. Esto llama la atención, porque cuando el varón es el agresor, normalmente no les preguntan razones, quizás por la persistencia y normalización del mito del hombre como agresor y con ello, la naturalización del acto. Ciertamente, es necesaria mayor investigación al respecto. Luchando contra los Mitos Tradicionales de Género. La naturaleza socialmente heredada de los mitos tradicionales (hombre-fuerza, mujer-debilidad) ha favorecido durante años el recurso de la violencia entre los géneros. La adhesión a creencias como que las mujeres provocan e incluso disfrutan su victimización, y de que los varones son instintivamente agresivos, llevó a la rigidez de la concepción de la mujer-víctima y del varón-victimario. Por ello, pensar que el verdugo es siempre el varón, que ellas son el sexo débil, que la mujer no recurre a la violencia para solucionar un conflicto, que si una mujer agrede o asesina a su compañero es porque reacciona ante años de malos tratos, y que los hombres son fuertes y pueden siempre dominar a una mujer, favorecen su silencio y perpetúan su 224 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) victimización. Por lo visto, hace tanto daño el mito de la mujer desvalida como el del hombre impulsivamente violento. De ahí que algunas investigaciones actuales se dirijan a estudiar las razones de este fenómeno, pues las explicaciones basadas exclusivamente en los rezagos de la sociedad patriarcal y en el ejercicio del poder masculino sobre las mujeres resultan a todas luces insuficientes. Entre los factores que se pueden estudiar desde la perspectiva de género, se encuentran la errónea concepción de muchas mujeres acerca del significado de “empoderamiento”, mal entendido como abuso de poder, su necesidad de autoafirmación, o simplemente sentimientos de rencor o revanchismo. Finalmente, se habla de una añeja idea (que tendría que estar rebasada) al parecer resabio de los años 60 y 70, que contempla las relaciones hombre-mujer forzosamente como la “guerra de los sexos”, o en otras palabras, la legitimización de la lucha, el combate y la concepción de que los hombres son el enemigo común. Asimismo, existen autores que enfatizan que los mayores niveles de estrés que sufren muchas mujeres, las tensiones de su trabajo, y el aumento en los consumos de tabaco, alcohol y drogas, parecen tener relación, al menos en parte, con el incremento de la violencia femenina (Olszewski, 1999). De hecho, hay quien afirma que los estudios con mujeres víctimas de maltrato muestran que la violencia masculina suele asociarse a estresores sociales (problemas económicos, desempleo, presiones sociales, etcétera), pero que la femenina no parece asociarse a ningún factor en particular (quizás sólo la petición de atención, tan “clásica”, que ha conseguido transitar desde las demandas de las mujeres con una gran adhesión a los estereotipos tradicionales del siglo pasado, hasta las más distinguidas representantes del siglo XXI). Por su parte, Eloy Rodríguez (en Bernal, 2001) subraya elementos que incluyen el deterioro de la relación de la pareja y la incompatibilidad de caracteres que escala hasta llegar a los malos tratos, pero menciona también el aumento de la agresividad de las personas (para resolver conflictos) y la influencia de la publicidad (que enaltece cada vez más a la violencia). En una visión integradora del tema, encontramos adicionalmente que el acceso al poder (sea económico, político o social) o simplemente la autoafirmación de ellas a través de otra relación sentimental, las puede llevar a descargar rencores y a tomar revancha. Y se ha observado que muchas mujeres rompen con su relación de pareja al conseguir independencia económica, lo cual por supuesto es legítimo, pero llama la atención que en algunos casos, la separación es precedida por una etapa de violencia hacia el varón, y con mucha frecuencia, por una lucha frontal por el poder. El abandono del marido en estas circunstancias puede afectar severamente su autoestima, pues su presencia en el hogar parece reducirse a su rol de proveedor. También se ha argumentado en torno a lo injusto de la expectativa social de que los hombres acepten su responsabilidad sobre sus actos violentos sin escuchar explicaciones o excusas, pero cuando la mujer es la violenta, se le disculpa de muchas formas: “está deprimida, sufre estrés, tiene el síndrome pre-menstrual o la menopausia, sufre traumas infantiles, etcétera”. Al mismo tiempo, de las mujeres violentas no se asume que sean malas madres, pero los hombres sí se consideran un riesgo para toda la familia. Estos autores concluyen en la necesidad de aceptar y proteger a las víctimas masculinas igual que como se hace con las femeninas, y que las mujeres golpeadoras deben pagar con el mismo rigor por sus actos. Por ello, deben desplegarse ayudas gubernamentales y sociales para ellos, si de verdad queremos una sociedad equitativa (Padres por la igualdad parental, 2000). De lo anterior, se desprende que en este contexto el varón parece más desamparado que las mujeres, pues los apoyos civiles, 225 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) gubernamentales y legales se han dirigido históricamente a protegerlas a ellas, y no existen refugios para hombres maltratados, ni personal especializado, ni líneas de auxilio telefónico que le digan a un hombre qué hacer o a dónde dirigirse si él o su familia se encuentran en peligro. Al respecto, cabe aclarar que en México, el Estado de Aguascalientes abrió recientemente el primer centro de apoyo para varones maltratados, hasta donde sabemos, pionero en su tipo; aunque como menciona Rodríguez (Op.Cit.), las pocas asociaciones que existen de hombres maltratados o divorciados no reciben ninguna subvención por considerarse que numéricamente no lo ameritan, o son escasas. Nuevas Formas de Significar las Relaciones. Intentando reflexionar de una manera global sobre el fenómeno que nos ocupa desde la perspectiva de género, podemos encontrar una tendencia a desenmascarar cómo la rigidez del discurso tradicional encorseta a hombres y mujeres en roles estereotipados que dictan las normas del deber ser de lo masculino y lo femenino. Este proceso ha desentrañado también las redes económicas, políticas y sociales “-lo personal es político-“ subyacentes. De ahí lo valioso de las movilizaciones de mujeres que generaron un nuevo discurso feminista que puso el acento en las relaciones de desigualdad que justificaban la violencia masculina. En el paisaje contemporáneo, ello nos lleva a pensar que la redefinición de los roles de género, la llamada “crisis masculina”, y en general, el momento histórico de transición en que parece que nos encontramos (Limón, 1997; 2005), pueden estar produciendo efectos desequilibrantes y desorientadores en muchas personas, especialmente en lo que se refiere a las relaciones de pareja, aunque sería sano reflexionar acerca de que también podrían ser muy positivos si nos movilizaran a la búsqueda de interpretaciones alternativas que nos permitan asumir relaciones más satisfactorias para todos. Quizás por esta razón, son cada vez más los varones involucrados en la tarea de reestructurar el significado de la masculinidad aprendida y estereotipada, enfatizando en la posibilidad de reconsiderar la identidad social de los varones (Coriac, 1996; Connell, 2003). Coincidimos en que ya no queremos “machos” golpeadores, pero tampoco es justo el sufrimiento de los varones victimizados; igual que no deseamos más mujeres sumisas y maltratadas, pero menos aún, violentas hasta el asesinato. De ahí que estimemos la imperiosa necesidad de trabajar en nuevas propuestas encaminadas a abandonar las posturas inflexibles para permitirnos explorar por la diversidad aun no conocida del género, para centrar nuestros esfuerzos en la construcción de nuevas relaciones (incluidas nuevas maternidades y nuevas paternidades), nuevos derechos y nuevos diálogos. El proceso se encuentra en marcha, así que podemos dejar atrás los discursos cerrados y las visiones en blanco y negro sobre las radicales diferencias de género, y abandonar la rigidez de la mujer sumisa o la wonder-woman; el macho-agresor o el varón afeminado. Podemos intentar ahondar en el abanico de posibilidades de los tonos grises y en los enriquecedores puntos de contacto y complementariedad (Trujano y Limón, 2005). En esta línea de ideas, un primer paso para trascender los estereotipos sería superar la idea de que existe sólo “una masculinidad”, en singular, y aceptar la variedad y fortuna inmersas en las diferentes formas de expresión de “ser hombre”, tal como hemos reivindicado el reconocimiento al derecho de la multiplicidad de formas de “ser mujer” (Bly, 1992; Kipnis, 1993; Trujano, 2002; Lomas, 2003). Esta postura nos permitiría evitar nuevos o añejos fundamentalismos e intolerancias, que tan fácilmente derivan en formas sutiles o complejas de discriminación socialmente impuestos por los grupos hegemónicos, como sucede 226 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) actualmente, por ejemplo, con los homosexuales. Abandonar las posturas inflexibles nos permitiría entonces ubicarnos en la posmodernidad y en el respeto a la pluralidad, pues bajo este análisis, muy probablemente, la disminución de la violencia tiene que ver con el cuestionamiento y la reflexión crítica de las estructuras sociales basadas en la díada poder-sumisión, y en la redefinición del significado de lo masculino y lo femenino, sobre todo si consigue darse dentro de un marco de absoluto respeto. De esta manera, podríamos luchar unidos contra la violencia desde la misma orilla y no desde posicionamientos opuestos, como tradicionalmente se ha hecho (Thompson, 1993). Nuevas Masculinidades. Una alternativa. En los últimos años, las condiciones económicas, políticas y sociales están obligando de alguna manera a muchos varones a involucrarse en tareas antes consideradas femeninas. La incorporación de cada vez más mujeres al campo laboral ha llevado a muchas parejas a redefinir su asignación de roles dentro y fuera del hogar. Muchos jóvenes y no tan jóvenes están desafiando a sus grupos familiares y sociales, participando en el trabajo doméstico y el cuidado de los hijos. Y es en este mundo cambiante y posmoderno, que han surgido una serie de estudios dedicados al análisis de la multiculturalidad en todas sus variantes: género, etnia, diversidad sexual, etcétera. Entre ellos, los que abordan las Nuevas Masculinidades o Masculinidades Positivas han experimentado un creciente desarrollo, sobre todo en las Universidades de países como Canadá, España, Reino Unido, Holanda, Australia, Estados Unidos, y otros, hasta llegar a Latinoamérica. La necesidad de que los varones trabajen en sí mismos, en sus nuevos discursos y sus nuevos posicionamientos es imperiosa, y las mujeres podemos y debemos ser parte. El objetivo radica principalmente en la deconstrucción del paradigma de la normalidad de las sociedades patriarcales del mundo occidental que ha estado encarnado por la figura del hombre blanco, heterosexual y de clase media alta. Esto comporta, entre otros aspectos, investigar las relaciones entre varones, los elementos jerárquicos involucrados en las relaciones entre hombres y mujeres, el uso y la apropiación de espacios en función del género, el recurso de la violencia, etcétera; y aunque existen diferentes formas de concebir el cambio, todos parecen coincidir en que, dado que la masculinidad es un proceso relacional, no se tendría que luchar contra las mujeres o el feminismo; tampoco contra los varones como “el enemigo público número uno”; podemos ya rebasar el estigma de los sexos en guerra, pues en este marco de referencia no se les vería como antagónicos, sino como miradas coincidentes en al menos dos puntos: 1) la necesidad de ampliar los conceptos de democracia e igualdad, y 2) la meta de construir nuevas explicaciones que les permitan transformar sus vidas de manera menos dolorosa desde la práctica de lo cotidiano, para forjarse nuevas identidades más flexibles y liberadoras. Para conseguirlo, se han propuesto diversas líneas de acción: algunos autores mencionan la importancia de construir un nuevo modelo de virilidad basado en algunas premisas como la aceptación de la vulnerabilidad, la necesidad de aprender a expresar emociones y sentimientos, y de pedir ayuda y apoyo, desarrollar métodos no violentos para resolver los conflictos, y la aceptación de actitudes y comportamientos tradicionalmente etiquetados como femeninos, como elementos necesarios para un desarrollo integral (Eburn, 1996). Otros subrayan la importancia de recuperar la fuerza masculina y transformarla en creatividad y sensibilidad. Y hay quienes consideran que lo importante es analizar el tema del poder y profundizarlo “hasta el dolor”. Otros más, sostienen que para que sea 227 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) posible cambiar las relaciones entre los géneros antes tendría que trabajarse en cambiar la relación de los varones entre sí. Como se puede observar, existen diversas propuestas acerca de cómo conseguir el cambio, pero yo creo que lo importante es señalar la coincidencia de la mayoría de los diferentes movimientos masculinistas en la genuina preocupación por favorecer la equidad y por despreciar las jerarquías y el abuso del poder, el consenso por abandonar la violencia y por recurrir a la negociación, el acuerdo por superar las teorizaciones y aterrizar en lo cotidiano, la reivindicación de los sentimientos y emociones sin ser cuestionado, la participación activa en la crianza de los hijos, y la búsqueda de la cooperación en lugar de la competitividad (Lomas, 2003). Afortunadamente, cada vez son más los grupos que trabajan en la construcción de Nuevas Masculinidades. El grupo de hombres de Sevilla en España, el Colectivo de Hombres por Relaciones Igualitarias (Coriac) en México, y muchos otros en países tan distantes como Brasil, Nicaragua, Finlandia y Estados Unidos, nos confirman que el cambio ya inició, pero que es un largo viaje en el que debemos navegar unidos. Creemos por lo tanto, que la liberación de la mujer, unida al desarrollo de modelos masculinos positivos, constituyen la fuerza necesaria para construir una sociedad más saludable, íntegra, creativa, respetuosa y equitativa (Trujano et. al, 2002; Trujano, en prensa). Conclusiones. El momento actual nos lleva a reflexionar en el rumbo que queremos tomar con respecto a nuestras relaciones. El “empoderamiento” no debe entenderse como el abuso del poder, por lo que no tendría que pasar por la venganza ni por el sometimiento. Por el contrario, “el empoderamiento” tendría que entenderse como el control sobre la propia vida, la autoafirmación, y la potencialización de los recursos y habilidades dirigidas a un proyecto de vida basado en el bienestar común. Por ello, invertir a los protagonistas en el ciclo de victimización solo perpetúa el dolor y el sufrimiento de la familia. Muchas mujeres continúan trabajando cada día por la erradicación de la violencia. Muchos hombres comprometidos con los nuevos modelos de masculinidad, o masculinidad positiva (como algunos le llaman), están luchando, igual que ellas, por una nueva identidad y por nuevos comportamientos y actitudes más equitativos y respetuosos, y su esfuerzo es tan valioso como el de las mujeres. Es por ello que considero que uno de los compromisos más apremiantes debería de ser el oponernos a la violencia, provenga de quien provenga, así como buscar alternativas de vida más justas y satisfactorias para todos. Bibliografía. Bernal, A. (2001). 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De los 387 varones con pareja actual/anterior, 55% relataron la práctica de alguna forma de violencia contra la pareja. Ya de las 274 mujeres con pareja actual/anterior, 60,6% relataron alguna violencia. Entre los varones, 42,4% relataran practica de agresión psicológica de su pareja, 33,9% física y 4,7% relaciones sexuales forzadas. De las mujeres, 52,5% relataron violencia psicológica, 38,3% física y 19,3% sexuales por sus parejas. De los varones 76,3% relataran que las agresiones físicas ocurrieron pocas veces. De las mujeres, 69,5% relataron un episodio o pocas veces y 30,5% muchas veces. Cuando preguntadas se consideraban tener sufrido violencia alguna vez en la vida, 28,4% de las mujeres contestaron afirmativamente. De los varones, la percepción de tener practicado violencia en la vida fue de 28,6%. El estudio apunta para las diferencias significantes en las tasas de prevalencia y frecuencia de los episodios de agresiones, especialmente sexual. Mientras la percepción de la agresión como violencia es igual para los varones y las mujeres. Se explican eses hallazgos como parte de la cultura de género. Homens e mulheres diante da violência contra a mulher por parceiro íntimo A violência contra a mulher tem sido progressivamente objeto de pesquisas e de políticas públicas no Brasil. Desde os anos 70, encontramos manifestações do movimento de mulheres, destacando-se, ao final dessa década, a luta contra a absolvição de maridos ou ex-maridos culpados dos homicídios de suas esposas (Barsted, 1994). Nos 80, ocorre a criação das delegacias especiais para o trato da violência praticada contra as mulheres: as Delegacias de Atendimento à Mulher (Delegacias de Defesa da Mulher ou DDM), na cidade de São Paulo, a maior do país, e as Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher ou DEAM, em outras capitais. Nesse período, a violência contra a mulher foi objeto de estudo principalmente das Ciências Sociais e Jurídicas, emergindo a partir da segunda metade dos anos 90 como questão para o campo da Saúde. Neste campo é alvo de pesquisas científicas e propostas de intervenção das políticas de saúde voltadas para a mulher, em especial no recorte saúde sexual e reprodutiva. Isto resulta em programas e protocolos de assistência ou prevenção nos serviços de saúde, quer para a rede pública em geral, quer para serviços especializados no atendimento a vítimas de violência sexual (Schraiber et al, 2005 ). A violência contra a mulher caracteriza-se como evento de natureza familiar e doméstica, sendo o parceiro ou ex-parceiro íntimo seu principal agente (Garcia-Moreno et al, 2002). Essa natureza foi explorada, pelo menos ao longo da primeira década de 232 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) seu estudo, da perspectiva intrafamiliar e tida como produto de famílias conflituosas. É a partir dos 80, que a literatura aborda a violência contra a mulher como questão de gênero, assumindo a situação da mulher dentro da família de modo individualizado, enquanto sendo a mulher também um específico sujeito de direitos ( Hoffman, Demo & Edwards, 1994; O’Toole & Schiffman, 1997; Heise, Ellsberg & Gottemoeller, 1999). A violência praticada contra a mulher passa a ser, pois, uma situação de violação de direitos e que se fundamenta na base socialmente construída das relações entre homens e mulheres a partir das desigualdades de poder que tais sujeitos detêm nas sociedades, ademais expressando formas culturais dadas de exercício das diferenças. Tal qual nesses estudos internacionais, na produção brasileira, a violência contra a mulher também é trabalhada como uma questão de gênero (Giffin, 1994; Grossi, 1995; Saffioti, 1995; Schraiber & D’ Oliveira, 1999). Com isso aponta-se para a importância dos conflitos familiares enquanto contexto de violência, mas a idéia de família violenta dá lugar à violência que é praticada no ambiente doméstico. Desse modo a mulher, na família, ocupa uma posição particular, desenvolvendo com relação aos seus membros e em especial com seu parceiro íntimo – seu companheiro ou esposo – uma relação construída com base nas atribuições sócio-culturais, criadas e reproduzidas ao longo da história de cada sociedade, para mulheres e homens adultos. Isto significa, para homens e mulheres, formas de se relacionar como pessoas, indivíduos da sociedade e parceiros afetivo-sexuais. Também remete a diferenças de gênero no viver e compreender o corpo em seu uso social, produzindo, igualmente, diversidade na percepção de adoecimentos ou seus riscos, o que inclui entre estes as violências vividas, sejam elas sofridas ou perpetradas ( Povin; Frohlich, 1998; Denton; Walters, 1999; Nolasco 2001, Schraiber, Gomes e Couto, 2005). Acreditamos que a violência acontece quando há uma crise nas atribuições de cada qual ou crise nas relações de gênero. Tal é o caso se a mulher, por questões do mercado de trabalho, torna-se a única provedora da família, o que vem sendo muito freqüente no Brasil. Assim, seu parceiro, desempregado, vê-se na contingência, nem sempre exercitada no cotidiano, de responder por cuidados da casa, estando sua mulher ausente e ele o tempo todo presente no ambiente doméstico. A crise da maior autoridade masculina decorrente do provimento financeiro doméstico, é, freqüentemente, “solucionada” através da violência, dadas quer a necessidade masculina de resgate das relações de gênero antes experimentadas, quer a forma cultural tradicional de fazê-lo. Os homens terminam, assim, por “ensinar para a mulher seu lugar”, representação disciplinar das relações, que desloca a mulher da condição de sujeito de direitos e atribuições, mesmo que diferentes, de igual valor que o homem. ( Schraiber et al, 2005). Mas este “ato disciplinar” ( violência) não é feito diretamente pelo reconhecimento da questão do provimento do lar e do desemprego social, senão reinterpretando as tensões geradas enquanto tensões estritamente do doméstico e da negligência das atribuições femininas ao assumir trabalho fora do lar. Assim, a definição de crise e a solução encontrada para lidar com ela, serão realizadas, vistas e compreendidas de modos diferentes por homens e mulheres. Tal compreensão diferencial dá-se enquanto representantes do gênero masculino e feminino, mas devemos lembrar que nos efetivos exercícios, concretamente plurais, das masculinidades e das feminilidades, não necessariamente todo conflito de gênero será tido como crise da autoridade e resultará em violência. Mas se esta ocorre, desde seu exercício à sua tomada enquanto violação de direitos e, pois, uma violência, homens e mulheres expressarão de modo diverso as ocorrências e suas explicações ( Schraiber et al, 2005). 233 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) Ao realizarmos um estudo de abordagem quantitativa com usuárias de serviços de saúde, em São Paulo,e com a finalidade de desenvolver protocolos de assistência e capacitação dos profissionais, procuramos discutir a polissemia do termo violência para as mulheres e suas dificuldades para nomearem o vivido ao experimentarem violências domésticas (Schraiber et al, 2003). Partindo da hipótese de que tanto o silêncio por parte das mulheres, quanto a recusa do tema por parte dos profissionais conformam a invisibilidade da violência contra a mulher nos serviços de saúde, e assumindo que essa é uma invisibilidade de gênero, o estudo estimou a freqüência dos episódios de violência física e sexual e a comparou com a percepção de ter sofrido violência na vida, indagado às mesmas mulheres que referiram as agressões físicas ou abusos sexuais. Para uma amostra de 322 mulheres, de 15 a 49 anos, moradoras da cidade de São Paulo e de baixa escolaridade, perguntou-se para a violência física se a mulher experimentara tapas, empurrões, pontapés, contusões, socos, cortes e/ou dor após o incidente; contusões severas, queimaduras, fraturas ou outras lesões e uso de arma ou ferimento por arma e para a violência sexual, a relação sexual forçada. Para evitar conexões diretas com o termo violência, este não apareceu nessas primeiras perguntas, tendo sido usado apenas quase ao final da entrevista, quando foi indagado: “Você considera que sofreu violência na vida?” . Em seguida, foram apresentadas mais três questões abertas: “o relato de um episódio marcante”; “o nome que daria a este”; e “o que considera violência”. Além disso, com o objetivo de obter espontaneamente a nomeação atribuída ao episódio e verificar a associação que a entrevistada faria entre as várias agressões que afirmara haver sofrido e o termo violência, evitamos conexões diretas entre as perguntas. Também pedimos a definição do termo violência de forma independente dos relatos de episódios e das indagações por agressões de qualquer ordem. Coube a cada mulher, assim, colocar na definição de violência, qualquer modalidade de agressão. Do total de mulheres entrevistadas, 44,4% (143 mulheres) responderam ter sofrido pelo menos um episódio de agressão física na vida adulta, sendo que 76,9% desses casos foram perpetrados por companheiros ou familiares; 11,5% (37 mulheres) disseram ter sido forçadas a ter relações sexuais pelo menos uma vez na vida adulta, sendo 62,2% desses casos cometidos por companheiros e familiares. Das 37 mulheres que revelaram haver sofrido abuso sexual, 70,3% consideraram ter sofrido violência na vida, enquanto que das 143 mulheres que afirmaram haver sofrido agressões físicas, 46,9% consideraram ter sofrido violência na vida. Cerca de um terço das mulheres não quiseram ou não puderam relatar episódios e dentre as que o fizeram, a maior parte atribuiu nomes diversos de violência aos mesmos, reservando este termo, majoritariamente, para designar as agressões de natureza sexual, combinada à física, por estranhos. Em outro estudo que realizamos, de natureza qualitativa, acerca das concepções de violência como questão de gênero e de saúde, valemo-nos da técnica de grupos focais, produzindo 02 com mulheres e 02 com homens, todos de baixa escolaridade, moradores da cidade de São Paulo e idade entre 25 a 35 anos. Nos resultados encontramos poucas convergências das opiniões masculinas e femininas acerca da violência, e, ainda que certas formas ou processos representacionais, como por exemplo a banalização e a naturalização da violência, sejam procedimento comum para homens e mulheres, o sentido de banal ou a dimensão em que se naturaliza a violência já não são exatamente os mesmos ( Schraiber et al 2002) De um lado temos que, a princípio e abstratamente, a violência não é algo simplesmente aceito ou que possa ser justificável, tanto para homens quanto para 234 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) mulheres. Mas, parece ser, para os homens, tolerável (por vezes pode ocorrer) ou necessária, no sentido disciplinar (colocar o Outro, a mulher, no devido lugar ou ensinar/relembrar as atribuições da mulher), e, ainda, no sentido de controle da mulher, em especial no que tange o exercício da sexualidade. No parecer das mulheres, contudo, qualquer violência permanece na referência injustificável. Há que se destacar, porém, que entre as mulheres apareceram duas situações pensadas como aceitáveis: 1) a violência como revide, servindo como “lição” ao agressor; 2) a violência contra as “mulheres que gostam de apanhar”, reconhecendo esta situação, sem perceberem o reforço ao senso comum masculino. Em alguns casos é tolerável ou compreensível o recurso à violência, disseram os homens, porque, afinal de contas, ela é o resultado da exacerbação de impulsos que são naturais aos homens. Já para as mulheres, a violência aparece principalmente como resultado do abuso de bebida ou uso de droga pelos homens, assim como pela má influência de amigos que afastam os homens da casa e das mulheres, trocando a relação com a mulher pelas farras, os bares ou outras mulheres. Assim, instintiva , para os homens, que naturalizam a violência (ela me faz perder a cabeça), e fatalidade ou destino, para as mulheres, que naturalizam a vida das relações afetivo-sexuais na inexorabilidade da primazia da vontade masculina ( beber, ficar no bar e perder a cabeça), a violência torna-se para ambos fato corriqueiro da vida de relações. É o tema da traição que aglutina e faz convergir as opiniões. A infidelidade é igualmente reprovada, por homens e mulheres, e é reconhecida como o desencadeante de maior relevância para a violência. Contudo, as razões e explicações para tal comportamento novamente já encontram sentidos diversos. Uma vez que ao homem associa-se a imagem de liberdade, no exercício de suas vontades e de sua sexualidade, e à mulher, aquela do comedimento e austeridade de comportamentos, a banalização da violência dá-se por justificativas quase que opostas, na aceitação da violência para homens e para as mulheres. Ele perde mesmo a cabeça e pode fazê-lo pela liberdade de expressar sua natureza. Ela não perde a natureza compreensiva, aceitando este comportamento e quase anulando o impulso dele, ou desculpando-o enquanto parte da natureza masculina, pois, para além do impulso, ele é algo mais: um provedor, o pai de seus filhos, objeto de seu amor e desejo. Todas essas diferenças no modo de perceber e avaliar a ocorrência de comportamentos violentos produzem grandes efeitos nos estudos da violência, sobretudo naqueles em que, através da abordagem quantitativa, busca-se mensurar a freqüência dos episódios ou de seus tipos e de sua gravidade. Dada a hegemonia do pensamento masculino, para a mulher, as marcas da violência, físicas ou não, passam a ser uma acusação pública da perda de seu comedimento ou das suas negligências frente às responsabilidades domésticas, gerando sentimentos de vergonha e humilhação. Revelar a violência sofrida, portanto, será, de certo modo, reiterar a “acusação”, com o que, a depender do modo como se indaga a mulher, a violência será subinformada. Outra questão implicada na subinformação é dada pela própria freqüência dos episódios, pois em grande recorrência também tenderá a mulher a revelar apenas os que julga algo “fora do comum”, que são os episódios mais graves, muitas vezes com risco de vida para si ou para seus filhos ( Schraiber et al, 2002). Nesse sentido, um achado relevante foi obtido em pesquisa que realizamos por inquérito domiciliar na cidade de São Paulo e em 15 municípios que representaram uma região rural do nordeste brasileiro (a Zona da Mata de Pernambuco), quando participamos do estudo multicêntrico internacional coordenado pela Organização 235 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) Mundial da Saúde (Garcia-Moreno et al, 2005). Dados sobre violência sexual sofrida antes dos 15 anos, cuja informação foi coletada por uma via anônima e outra em entrevista face a face das mesmas mulheres, mostram uma diferença de cerca de 40% a mais de revelação na forma anônima, tanto para a cidade de São Paulo, quanto para a Zona da Mata ( Schraiber et al, 2002). Percebe-se, portanto, que a violência contra a mulher é uma questão bastante complexa e parte dessa complexidade está dada nas altas taxas encontradas de violência e ao mesmo tempo sua invisibilidade social ou como questão de saúde. Esta questão instigou-nos a estudar a revelação dos homens a esse respeito, para contrastar com aquela das mulheres. A comparação das revelações masculinas e femininas poderá indicar, de modo diverso e complementar ao estudo qualitativo acima descrito, questões de gênero relevantes na percepção das ocorrências. Metodologia A fim de garantir a comparabilidade dos resultados, realizamos duas pesquisas consecutivas, a primeira com mulheres e a segunda com homens, usuários ambos do mesmo serviço de saúde, pertencente à rede pública de atenção primária em São Paulo. Foram desenvolvidas em períodos próximos (final de 2001 e início de 2003, respectivamente). Considerando-se as dificuldades de revelação espontânea nos serviços de saúde e usando o mesmo instrumento de entrevista, conferimos a essas duas pesquisas também a qualidade de estudos de prevalência. Estimamos, assim, a freqüência da violência vivida pelas mulheres, por seus relatos, e da violência vivida pelos homens e por eles perpetrada contra suas mulheres, através de seus relatos. Neste texto apresentamos o estudo comparativo das prevalências encontradas, bem como, comparativamente, as respostas às perguntas: “Você considera que sofreu violência alguma vez na vida?” para as mulheres , e para os homens :”Você considera que foi violento alguma vez na vida?”. Foram tomadas para a comparação as taxas de violência física, sexual e psicológica, por parceiro íntimo. A amostra de usuários foi do tipo consecutiva, sendo captados por ordem de chegada ao serviço, garantindo-se pelo menos uma semana inteira de funcionamento regular da unidade, bem como a representação dos períodos manhã e tarde de atendimento. A amostra para as mulheres foi constituída apenas por aquelas que chegavam para consulta médica, clínica ou ginecológica, enquanto que, para os homens, foram captados também os usuários que estavam acompanhando outras pessoas. Foram entrevistados 391 homens (de 18 a 60 anos) e 282 mulheres (de 15 a 49 anos) usuários do mesmo serviço ( atenção primária da rede pública). O mesmo instrumento foi utilizado na sessão de violência. As perguntas dessa sessão foram formuladas como segue: Enunciados relativos às indagações sobre ter sofrido ou perpetrado violência psicológica, física e sexual, por parceiro íntimo Tipos de violência Itens do enunciado no Questionário Psicológica (VP) Física (VF) a) Insultou-a b) depreciou ou humilhou-a c) Fez com que se sentisse mal a) deu um tapa ou jogou algo que poderia machucá-la? b) Empurrou-a ou deu-lhe um tranco/chacoalhão? c) Machucou-a com um soco ou com algum objeto? d) Deu-lhe um chute, arrastou ou surrou? e) estrangulou-a ou queimou-a de propósito? f) ameaçou usar ou realmente usou arma de fogo, faca ou outro tipo de arma contra você? 236 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) Sexual (VS) a) forçou-a fisicamente a manter relações sexuais quando você não queria?b) forçou-a a uma prática sexual que não gostasse (degradante ou humilhante)? c) forçou-a a uma prática sexual degradante ou humilhante** ** somente para a entrevista com as mulheres Para as perguntas com mais de um item de resposta possível, foi considerada afirmativa da violência, a resposta positiva a pelo menos um de seus itens. As duas pesquisas foram aprovadas por Comitês de ética da Pesquisa em conformidade com a lei brasileira sobre Pesquisas com Seres Humanos. Além dessa aprovação, um consentimento pós informado foi preparado e cuidados éticos como garantia de sigilo e privacidade nas entrevistas, bem como para as mulheres suporte assistencial foi providenciado quando necessário. Resultados Em ambas as pesquisas foram mínimas ( < 2%) as recusas. Os achados sócio demográficos dos entrevistados segue no tabela abaixo. Tabela. Características sócio demográficas de mulheres e homens usuários do CSE Barra Funda Mulheres Homens Idade (média em anos) 31,01 (DP=9,05) 37,28 (DP=11,44) Escolaridade (média de anos de estudo) 7,44 (DP=3,17) 7,70 (DP=3,89) Ocupação Com trabalho externo1 88 (31,21%) 313 (81,09%) Sem trabalho externo 194 (68,79%) 73 (18,91%) Situação conjugal Casado(a)/ mora junto 167 (59,22%) 259 (66,24%) Namoro com relação sexual 57 (20,21%) 46 (11,76%) Namoro sem relação sexual 5 (1,77%) 4 (1,02%) Sem relacionamento 53 (18,79%) 82 (20,97%) 1,54 (DP=1,58) 1,68 (DP=1,72) Número de filhos 1 A categoria sem trabalho externo reúne, para as mulheres, donas-de-casa e desempregadas. No caso dos homens, agrega desempregados, pensionistas e aposentados. Os homens entrevistados tinham em média 37,28 anos de idade (DP=11,44) e 7,70 anos de estudo (DP=3,89). A maioria (81,09%) exercia alguma atividade externa ao âmbito doméstico como trabalhadores de empresa, autônomos, esporádicos e estudantes enquanto o restante (18,91%) era desempregado ou aposentado/ pensionista. Quanto à situação conjugal, 66,24% eram casados ou moravam junto com alguém; 11,76% namoravam, mantendo relações sexuais com a parceira; 1,02% namoravam, mas não se relacionavam sexualmente com suas namoradas; e 20,97% não mantinham relacionamento afetivo sexual à época da entrevista. O número médio de filhos dos homens entrevistados era de 1,68 (DP=1,72). Já as mulheres entrevistadas eram relativamente mais jovens que os homens, com idade média de 31,01 anos (DP=9,05). A média de anos de estudo foi, porém, similar a dos homens: 7,44 anos (DP=3,17). Ao contrário dos homens, a maioria das mulheres não possuía trabalho ou outra atividade que concentrasse suas atividades fora do espaço doméstico, sendo que 68,79% declararam-se do lar/ dona-de-casa ou desempregadas. Também a maioria das mulheres (59,22%) encontrava-se casada ou 237 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) morando com alguém na época da entrevista. Outras 20,21% estavam namorando e se relacionando sexualmente com o parceiro, 1,77% namoravam sem manter relação sexual com o parceiro e 18,79% não estava casada, nem vivendo com alguém, nem namorando. Cada entrevistada tinha, em média, 1,54 filhos (DP=1,58). Do total de 391 homens entrevistados, 387 constituíam homens com parceria sexual atual/anterior e 213 (55%) relataram a prática de alguma forma de violência contra a parceira, já dentre as 282 mulheres entrevistadas, 278 constituíram mulheres com parceria sexual atual/anterior e 166 (60,6%) relataram alguma forma de violência sofrida por parceiro. Entre os homens, 164 (42,4%) disseram que insultaram, depreciaram e/ou humilharam alguma vez na vida suas parceiras, 131 (33,9%) que as agrediram fisicamente e 18 (4,7%) que forçaram a companheira a ter relações sexuais. Dentre as mulheres, 144 (52,5%) relataram as mesmas agressões psicológicas, 105 (38,3%) as físicas e 53 (19,3%) as sexuais, pelos parceiros. Quanto à freqüência dos episódios de agressões físicas sofridos pelas mulheres, a maioria (76,3%) dos homens relatou que estes aconteceram poucas vezes, seguidos dos que referiram apenas uma vez (15,3%) e poucos apontaram que ocorreram muitas vezes (8,4%). Dentre as mulheres, 35,2% relataram apenas um episódio, seguidas daquelas que consideram que foram poucas vezes (34,3%) e, finalmente, as que relataram que os episódios aconteceram muitas vezes (30,5%). Quando perguntadas se consideravam já ter sofrido violência alguma vez na vida, 28,4% das mulheres responderam afirmativamente. Dentre os homens, a percepção de ter praticado violência na vida foi de 28,6%. Discussão A população masculina e feminina de usuários entrevistados é de mesma escolaridade e número de filhos, sendo o perfil de conjugalidade próximo. O fato das idades médias serem diversas entre homens e mulheres, sendo os primeiros mais velhos, era esperado em razão das faixas etárias escolhidas no desenho de estudo, mulheres de 15 a 49 anos e homens de 18 a 60 anos. Já em termos da ocupação, não se verifica uma taxa de trabalho fora do lar para as mulheres sequer próxima da dos homens, indicando um padrão ainda tradicional da mulher no mundo do trabalho (principalmente trabalho doméstico). O estudo aponta para diferenças estatisticamente significantes nas taxas de prevalência, chamando a atenção o fato de que as taxas referidas pelos homens foi sempre menor que a referida pelas mulheres, mantendo-se porém, em valores de mesma ordem, inclusive quanto a gradação entre elas: a violência psicológica é a de maior prevalência, a física em segunda lugar e em terceiro a violência sexual. Esta última é a violência na qual o relato de homens e mulheres mais se distanciam, indicando uma percepção de gênero importante quanto ao sexo forçado. Também a percepção da recorrência dos episódios é bastante e significativamente diversa. No entanto, a percepção de ter sofrido violência na vida, no caso das mulheres, ou ter praticado, no caso dos homens, para nós indicativo indiretamente da percepção das agressões referidas como violência, é igual para homens e mulheres. Estes achados confirmam a diferença de revelação entre homens e mulheres possivelmente indicando percepção e valorização diversa quanto ao ocorrido e sua repetitividade. Já o termo violência é mais reconhecido pelos homens do que pelas mulheres, relativamente às agressões praticadas e sofridas, respectivamente. Isto porque a porcentagem de homens que praticou violência e considerou ter praticado violência na vida é maior que a porcentagem de mulheres que consideraram ter sofrido violência 238 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) dentre as que referiram agressões de qualquer tipo. Isto mostra tanto para homens e mulheres a polissemia do termo, que não recobre todas as situações vividas, mas também mostra o reconhecimento maior entre os homens desta nomeação do que entre as mulheres. Por fim cabe salientar que todas as taxas aqui encontradas mostram uma presença muito elevada das violências nas relações afetivo-conjugais, reiterando achados brasileiros e internacionais. Dados internacionais apontam que as informações existentes são de difícil comparabilidade, porque, de um lado, são estudos estruturados de forma muito diversa entre si, mas, de outro, são estudos relativos a contextos sócio-culturais diversos, que interferem na expressão e entendimentos das violências, comprometendo sua revelação (Heise et al, 1999). Até por isso, a maioria deles tem como objeto apenas a violência física sofridas pelas mulheres, geralmente mensurada por atos concretos, como tapas, socos e empurrões. Em 48 pesquisas populacionais realizadas ao redor do mundo, de 10% a 69% das mulheres relataram ter sofrido ao menos alguma forma de violência física pelo parceiro durante a vida. O percentual de mulheres agredidas no último ano variou de 3% (Austrália, Canadá e Estados Unidos) a 27% das mulheres que alguma vez tiveram parceiros, na Nicarágua (Krug et al, 2002). Os dados acerca de violência sexual e psicológica cometida por parceiro íntimo são ainda mais imprecisos e incipientes. A violência sexual dentro de relações de parcerias estáveis é de difícil reconhecimento e delimitação, porque o sexo não consensual parece ser aceito em muitas culturas como o dever da esposa. Já aquilo que é definido como violência psicológica varia amplamente entre as mulheres e homens de diversas culturas e conta com alta imprecisão na definição e conseqüente mensuração. As pesquisas indicam, entretanto, que a violência física é normalmente acompanhada pela psicológica e, em um terço à metade dos casos, também por violência sexual (Krug et al, 2002). No Brasil, há poucos dados de estudos populacionais desenhados especificamente para medir a ocorrência de violência por parceiro íntimo. Estudo nacional recente com mulheres de 15 anos ou mais encontrou que 43% das brasileiras declararam ter sofrido violência praticada por um homem na vida. Um terço das mulheres admitiram ter sofrido alguma forma de violência física, 13% sexual e 27% psicológica. O marido em combinação com ex-marido, namorado e ex-namorado constituiu o agressor de 88% para violência física e 79% para relações sexuais forçadas (Venturi, 2004). Na referida pesquisa multicêntrica internacional que realizamos, encontramos por inquérito domiciliar, em São Paulo, 27,3% das mulheres de 15 a 49 anos, com relato de violência física pelo menos uma vez na vida cometida por parceiros íntimos ou exparceiros, enquanto que na Zona da Mata, a taxa encontrada foi de 33,8 %. Se estes estudos confirmam altas taxas populacionais, maior ainda é a magnitude da violência entre usuárias de serviços de saúde. Estudos internacionais mostram taxas de 20 a 50% de violência por parceiro íntimo do tipo física e/ou sexual, ao menos uma vez na vida (McCauley et al, 1995; Maiuro et al, 2000; Eiseinstat and Bancroft, 1999 ). No Brasil, estudo em serviço de atenção primária em São Paulo mostrou que mais de 44% das usuárias relataram violência física pelo menos uma vez na vida por qualquer agressor, sendo a violência por parceiro ou familiar de 34,1% (Schraiber et al, 2002). Outro estudo similar, em Porto Alegre, encontrou 38% de violência física e 9% sexual, perpetradas por parceiro íntimo ( Kronbauer e Meneghel, 2005) . Em serviços de emergência na Bahia (Silva, 1993), 46% das mulheres referiu algum episódio de violência na vida, sendo a violência física referida por 36,5%, enquanto a sexual por 239 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) 18,6%. Parceiros e ex-parceiros foram responsáveis por 65,7% das agressões físicas e 68,7% das agressões sexuais referidas. A grande maioria dos estudos está apoiada nos relatos das mulheres, mas alguns estudos internacionais com homens reiteram nossos achados (Abrahams et al, 2006). O estudo nos confirma a diversa compreensão do doméstico ou vida privada relativamente à violação de direitos e violência que homens e mulheres possuem, o que repercute na percepção masculina e feminina da ocorrência de agressões. A hegemonia do discurso que naturaliza e banaliza as violências está presente tanto nas revelações masculinas, quando vistas pela ótica dos relatos das mulheres, quanto repercutem nas percepções de violência de homens e mulheres. Referências Bibliográficas Abrahams, N., Jewkes, R., Laubscher, B., Hoffman, M. (2006, abril). Intimate partner violence: prevalence and risk factors for men in Cape Twon, South Africa. Violence Vict., 21(2), 247-64. 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LA PERSPECTIVA DE HOMBRES Y MUJERES EN LA ENSARE 98 Soledad González Montes y Juan Manuel Contreras i El Colegio de México y Centro de Apoyo Técnico del Fondo de Población de las Naciones Unidas para América Latina y el Caribe [email protected] [email protected] Resumen Connell (1995, 2000) plantea que hay cuatro aspectos imbricados en los sistemas de género, analíticamente distinguibles: las relaciones emocionales, las relaciones productivas, las relaciones de poder y las relaciones simbólicas. En esta ponencia utilizamos esta propuesta para explorar cómo estos aspectos se vinculan con la violencia que ejercen los varones hacia sus cónyuges en el México urbano. Para ello utilizamos la información recogida por la Encuesta Nacional sobre Salud Reproductiva (ENSARE 98), aplicada a población derechohabiente del Instituto Mexicano del Seguro Social. Esta encuesta tiene la ventaja de haber sido la primera levantada a nivel nacional en la que se preguntó a hombres y mujeres sobre los motivos de la violencia, su frecuencia y severidad, así como sobre múltiples aspectos de las relaciones conyugales. Los resultados del análisis sugieren que aunque las relaciones productivas y de poder son de gran importancia, las cuestiones emocionales ligadas al control de la sexualidad femenina son las que de alguna manera están más asociadas a la violencia. Sobre la base de esta información empírica esperamos contribuir a iluminar algunos aspectos importantes de la dinámica de la masculinidad y del ejercicio de la violencia conyugal en un contexto social específico. Abstract Connell (1995, 2000) proposes a four-fold model of the structure of gender, distinguishing for analytical purposes by relations of emotional attachment, production, power and symbolism. We apply this model to husband’s violence against their wives in Mexican urban contexts, using for this purpose the 1998 National Survey on Reproductive Health. This survey was directed to the population affiliated with the Mexican Social Security Institute, the largest in the country, and was the first one to ask both women and men about their perceptions on the motives for violence, its frequency and intensity, as well as many other aspects of the marital relation. The results suggest that although power and productive relations are of great importance, the most significant factors associated with violence are those linked to the emotional sphere dealing with the control of wives’ sexuality. With this empirical information we hope to illuminate important aspect of masculinity and violence in a specific social context. Masculinidad y violencia conyugal: el problema y algunas hipótesis Uno de los aspectos más problemáticos de la masculinidad es la propensión de los varones a ejercer la violencia contra otros varones en espacios públicos y contra las esposas en el espacio doméstico. En este articulo nos interesa indagar este segundo fenómeno, que, de acuerdo con la información estadística disponible, hace que el hogar sea el lugar menos seguro para las mujeres (Hearn, 1998). Dado que la violencia conyugal tiene sus raíces en el sistema de relaciones y construcciones simbólicas del género, es necesario analizarla desde esta perspectiva, prestando especial atención a la manera en que se construye la masculinidad. 243 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) Siguiendo la propuesta de Connell (1995, 2000), consideramos que las masculinidades se organizan socialmente como parte de un proceso dinámico constituido por prácticas de género, las cuales emergen de un conjunto de estructuras sociales. Estas estructuras se configuran en el plano de las relaciones de poder, las relaciones de producción, las relaciones emocionales y la esfera simbólica. Las primeras se refieren a los ejes de control y dominio en una sociedad. Las segundas atañen a las relaciones de control sobre los recursos materiales y humanos y a la división sexual del trabajo. Las emocionales aluden a las prácticas que se configuran en torno al deseo; en este sentido, cobra especial interés la esfera de la sexualidad. Finalmente, las simbólicas comprenden las representaciones sociales del género. Hemos considerado que este marco analítico resulta útil para explorar cómo se produce la violencia que ejercen los varones hacia sus cónyuges en el México urbano, pues toma en cuenta las principales dimensiones de la interacción de los individuos en el sistema de género. Desde nuestra perspectiva, las dimensiones que propone Connell se vinculan y entretejen para dar lugar a una configuración particular del poder en la relación conyugal. Según se desprende del presente estudio, es especialmente importante el hecho de que las representaciones culturales marcan claras diferencias en los comportamientos que deben asumir mujeres y varones, tanto en materia sexual (varones activos, mujeres pasivas), ii como en lo que respecta a la jefatura y la jerarquía de autoridad en la familia. La fuente de información y objetivos Nuestra fuente de información es la Encuesta Nacional de Salud Reproductiva con Población Derechohabiente (ENSARE), levantada por el Instituto Mexicano del Seguro Social (IMSS) en 1998. Esta encuesta fue la primera que incorporó un Módulo sobre Violencia Doméstica, que se aplicó a nivel nacional. Es especialmente útil para nuestros propósitos porque recogió información muy rica sobre la situación sociodemográfica de las personas entrevistadas, la salud reproductiva de mujeres y hombres, el ejercicio sexual y las relaciones de género en la pareja. Uno de los aspectos más interesantes es que se aplicó a varones y mujeres iii y que una serie de preguntas del cuestionario nos permiten abordar sus percepciones - lo que Menéndez (1997) llama “el punto de vista del actor”-, con respecto a los hechos de violencia, su frecuencia, severidad y motivaciones. La encuesta utilizó básicamente el mismo cuestionario para varones y mujeres, con la diferencia de que a los varones se les preguntó si la pareja como tal experimentó violencia, de qué tipo, con qué frecuencia, tipo de lesiones provocadas, etc. Es decir, a los varones se les preguntó en plural "¿Ustedes se han gritado, insultado, golpeado, etc.?" bajo el supuesto (a nuestro parecer correcto) de que si el varón ha ejercido violencia, posiblemente tenderá a ocultarla. Formulada la pregunta de esta manera se pierde precisión pero se evita un mayor subregistro (Nájera, 2000, No.8: 149). iv La primera cuestión que tratamos en el texto es la de las percepciones de varones y mujeres con respecto a la frecuencia y severidad de los episodios de violencia ocurridos en la pareja en el último año. Nos interesa esta información pues las discrepancias en las respuestas de varones y mujeres nos hablan sobre las posiciones diferentes que tienen en el ejercicio de la violencia y la relación conyugal. El siguiente paso es analizar qué dicen varones y mujeres con respecto a los principales motivos de los conflictos que desembocan en la violencia conyugal, ya que esto nos permite acercarnos a cómo se vincula la violencia con ciertos aspectos de las relaciones 244 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) emocionales; específicamente, introduce la cuestión tan importante de los celos y el control de la sexualidad femenina. A este tema lo tratamos en la segunda sección. En las secciones tres y cuatro se analizan algunos aspectos importantes de lo que Connell llama las estructuras de producción y poder, que se vinculan con el ejercicio de la violencia y que contribuyen a explicarla. Para abordar las estructuras productivas, observamos la rigidez o flexibilidad en la división sexual del trabajo, el trabajo extradoméstico de las mujeres y el papel de los ingresos femeninos en la economía familiar. Con respecto a las relaciones de poder, utilizamos información referida a la participación de los miembros de la pareja en la toma de decisiones y algunos indicadores de la autonomía de las mujeres. Contrastes en las percepciones de mujeres y hombres con respecto a la prevalencia, frecuencia y severidad de la violencia vivida en el último año El hecho de que varones y mujeres den versiones discrepantes sobre la prevalencia, frecuencia y severidad de los episodios de violentos nos remite a las diferentes posiciones que por lo general cada sexo ocupa en la dinámica de violencia conyugal, en tanto los maridos son los principales perpetradores del maltrato físico y las esposas son sus receptoras. Esta sería la razón por la cual los varones tienden a minimizar los actos de violencia y las lesiones que provocan. 9.7% de las mujeres y 9.0% de los varones declararon que en los últimos doce meses habían vivido al menos algún episodio de violencia física contra ellas. v Como se aprecia, el porcentaje de varones que reconocieron esta situación es inferior con respecto al porcentaje de mujeres, pero en este nivel general las disparidades son muy pequeñas. Sin embargo, las diferencias en las percepciones de ambos se agrandan cuando se les pregunta por la frecuencia e intensidad de las lesiones (Cuadro 1). Resalta el hecho de que una proporción mucho más alta de mujeres que de hombres informaron que en el último año vivieron más de un episodio. En efecto, 58.5% de las mujeres que declararon haber sufrido violencia el último año, dijeron que los actos de agresión se produjeron "ocasionalmente", es decir, más de una vez, mientras que sólo 43.2% de los varones reconocieron que sucedieron en más de una ocasión. Por lo que respecta a la severidad de la violencia, hemos calificado como "lesiones leves" a moretones y rasguños, mientras que calificamos de "lesiones fuertes" a cortaduras, heridas, quemaduras, luxaciones, torceduras, hemorragias, fracturas, pérdida parcial o total de algún miembro o función. Una proporción más alta de hombres que de mujeres (60.8% vs. 54.0%), considera que no hubo lesiones como consecuencia de los actos violentos. Sólo un cuarto de los varones reconocieron que sí hubo lesiones leves, contra un tercio de las mujeres. La diferencia se acentúa cuando se trata de lesiones fuertes: 11.3% de las mujeres que declararon violencia física en el último año, dijeron que se trató de lesiones fuertes, contra 1.0% de los varones. También es de subrayar que 13.4% de los varones no quiso especificar la naturaleza de las lesiones producidas, contra 1.3% de las mujeres. En este sentido, interpretamos que las disparidades en la declaración de la frecuencia y severidad de la violencia sugieren que los perpetradores de actos violentos, casi todos varones, quieren minimizar o no reconocen los daños que éstos producen. vi La cuestión emocional: Los celos y el control de la sexualidad de la esposa Es muy revelador que, de la amplia gama de conflictos que pueden ocurrir en la pareja, varones y mujeres coinciden en que los que suelen desembocar más comúnmente en 245 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) violencia son resultado de los celos, el alcoholismo y las discusiones por cuestiones económicas (Cuadro 2). La información derivada de la encuesta indica que los celos masculinos se refieren primordial aunque no únicamente al control de la sexualidad de la esposa. Generalmente los celos no se limitan al presente de la relación de pareja sino que incluso se extienden al pasado de la mujer, es decir, a su vida anterior a la unión. La relación con otros hombres en el pasado aparece como un factor muy importante para el maltrato conyugal presente, pues el varón celoso aspira a la exclusividad en el acceso al cuerpo de su esposa, tanto en el presente como en el pasado, y puede sentir que la ausencia de exclusividad justifica su violencia. La virginidad de la mujer cuando el hombre comienza a tener relaciones sexuales con ella es muy valorada y su ausencia también puede llegar a convertirse en motivo de reclamos y de maltrato. Otro aspecto de este conjunto de valores, es que la sexualidad femenina debe restringirse al ámbito de una única unión. De no darse este conjunto de condiciones, la mujer puede verse en situación de vulnerabilidad frente a su pareja. Por otros estudios sabemos que muchos varones desean tener relaciones sexuales antes de casarse (la clásica “prueba de amor”), pero que al mismo tiempo quieren que su futura esposa y madre de sus hijos llegue virgen al matrimonio. La mujer se ve atrapada en el dilema de ceder ante la presión que ejerce el novio para tener relaciones y el temor a la sanción posterior si pierde la virginidad. Los datos de la ENSARE 98 muestran que, en efecto, una parte de las mujeres que ceden luego llegan a sufrir maltrato emocional y físico si el marido “les echa en cara” su “liviandad”. Las causas que originan la violencia pueden ser complejas, de diverso tipo y profundas, pero el hecho es que los maridos suelen utilizar como justificativo el comportamiento sexual de sus compañeras, considerados impropios por los valores culturales dominantes. Así, las mujeres que tuvieron una unión anterior a la que tenían en el momento de levantarse la encuesta, sufrieron violencia en una proporción mayor que aquellas que sólo tuvieron una unión (13.5% contra 9.5%, respectivamente). Además, las que tuvieron relaciones sexuales antes del matrimonio con su actual pareja resultaron más propensas a sufrir violencia que quienes no tuvieron relaciones premaritales (14.5% contra 6.0%). El hecho de que incluso si las relaciones ocurrieron con el mismo marido, pueden dar lugar al maltrato, pone en evidencia el gran peso que tiene la norma cultural de que la sexualidad femenina debe constreñirse al matrimonio. La falta de apego de la compañera a esta normatividad es utilizada con frecuencia por el cónyuge como justificación para maltratarla, como castigo o correctivo de comportamientos femeninos considerados transgresores y por lo tanto condenables. Obviamente, el maltrato físico es mayor entre las mujeres que tuvieron relaciones sexuales antes del matrimonio con un individuo que no es el actual marido, y los mayores niveles de violencia se dan entre las pocas mujeres que reconocieron haber tenido relaciones sexuales durante su unión presente con otro individuo que no es su marido. La información proveniente de los varones, además de reafirmar lo anterior, revela lo contradictorios que pueden resultar los comportamientos y las actitudes de los varones en torno a su sexualidad y la de sus parejas, debido a la necesidad que tienen de dar cumplimiento a los roles masculinos. En este sentido, la ENSARE 98 muestra que casi 20% de los entrevistados desaprueban que las mujeres en general tengan relaciones 246 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) sexuales antes del matrimonio; sin embargo, ellos las tuvieron con sus parejas. De ellos 15.1% resultaron ser golpeadores, porcentaje mayor al resto de los casos: de los que aprueban que las mujeres tengan relaciones antes del matrimonio y sí las tuvieron con sus parejas12.4% ejercieron violencia física; de los que aprueban que las mujeres tengan relaciones antes del matrimonio y no las tuvieron con sus parejas, 7.4% las golpearon; y de los que desaprueban que las mujeres tengan relaciones antes del matrimonio y no las tuvieron con sus parejas, sólo 3.6% las golpearon. Estos hallazgos y los de otras investigaciones sobre la importancia que se atribuye a la virginidad de las mujeres y a que la sexualidad femenina se ejerza solamente dentro del matrimonio, sugieren que el control de la sexualidad femenina es un aspecto fundamental de las relaciones genéricas en nuestra sociedad, junto con el control de los movimientos y actividades femeninas. El temor y el repudio de los maridos a no tener la exclusividad en toda la trayectoria sexual de sus esposas parece ser un elemento muy fuerte en el ejercicio de la violencia conyugal, al igual que el temor a la autonomía de las esposas, como veremos en la sección en donde se analizan las relaciones de poder. Relaciones de producción en las parejas: división sexual del trabajo, trabajo extradoméstico e ingresos femeninos Los resultados de la ENSARE 98 confirman que el trabajo extradoméstico de las mujeres está asociado a una mayor presencia de violencia física de sus maridos hacia ellas. En términos generales, 56% de todas las mujeres entrevistadas por la ENSARE 98 son amas de casa y no perciben ingresos, es decir, se consideran parte de la Población Económicamente Inactiva (PEI), mientras el restante 44% forma parte de la Población Económicamente Activa (PEA). De acuerdo con los resultados (Cuadro 3), pertenecer a la PEA aumenta ligeramente el riesgo de sufrir violencia, pues de las formaban parte de la PEA 10.6% declaró haber sufrido violencia contra 9.1% de las pertenecientes a la PEI. Los datos provenientes de varones confirman la tendencia anterior e incluso la diferencia en porcentajes aumenta. Aquí puede haber al menos dos cuestiones involucradas: la participación de la esposa en la fuerza de trabajo puede significar para el marido una pérdida de control sobre ella en la medida que ella sale del hogar para actuar en otros espacios; y por otro lado, el hecho de que ella esté ganando dinero puede significarle un cuestionamiento a su papel como proveedor exclusivo o principal de la familia. El problema se agudiza cuando ella recibe mayor remuneración que él: la proporción de esposas que sufren violencia es casi el doble cuando ellas son quienes reciben los ingresos más altos (15.5%), en comparación con las parejas en las que él es quien recibe una mayor retribución (7.9%), y es casi tres veces superior a la violencia física declarada por mujeres que integran parejas en las que ambos tienen igual remuneración (5.6%) (Cuadro 3). Claramente, el tener ingresos más altos que el marido pone en riesgo a las mujeres, pues la subversión de los papeles tradicionales en la familia –en la que la jefatura correspondía incuestionablemente al hombre- genera conflictos. El aporte de dinero para la manutención de los hijos sigue la misma tendencia, y en ello concuerdan nuevamente los datos de hombres y los de mujeres, aunque para el caso de los primeros las diferencias son aún mayores. Cuando el varón es el proveedor exclusivo, los porcentajes de violencia son menores (Cuadro 3). En cambio, cuando dicha aportación es compartida por ambos miembros de la pareja o se debe a la esposa, la proporción de casos 247 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) de violencia se incrementa. Incluso, el nivel de aportes en dinero para la manutención de los hijos por parte de las mujeres tiene una asociación directa y significativa con la prevalencia e intensidad de la violencia física sufrida. Así, cuando el principal generador de recursos para los hijos es el varón, 43% de las aportadoras que sufrieron violencia resultaron lesionadas, mientras que entre aquellas que comparten la manutención o son ellas las que se encargan, la cifra alcanza 64%. Estos datos sugieren que los papeles tradicionales de las mujeres como madres y amas de casa resultan menos conflictivos que la salida de las esposas a trabajar por ingresos. Pero el problema no sería solamente que las mujeres adquieran un nuevo papel económico más allá del doméstico, sino algo más complejo: su mayor aportación monetaria a la economía familiar puede implicar una mayor participación en la toma de decisiones con respecto al empleo del dinero, con la consiguiente pérdida de control sobre estas decisiones por parte del varón. Es decir, estamos hablando del socavamiento de una de las principales bases de la jefatura masculina. Esto es algo que muchos hombres no pueden aceptar y responden con violencia. Indicadores de las relaciones de poder en la pareja: participación en la toma de decisiones y autonomía femenina Un conjunto de preguntas formuladas por la ENSARE 98 tiene por objeto explorar la participación de los miembros de la pareja en la toma de decisiones con respecto a tres cuestiones: los gastos que se realizan para el hogar, el uso del tiempo libre y la crianza de los hijos. El Cuadro 4 compara a hombres y mujeres que han estado involucrado(a)s en violencia física el último año, para ver si hay una relación entre la violencia y el hecho de que las decisiones en estos tres rubros las haya tomado exclusivamente el marido, la esposa, o hayan sido tomadas por acuerdo entre ambos. En los tres rubros, una menor proporción de mujeres sufre violencia cuando las decisiones son compartidas por ambos miembros de la pareja, de acuerdo con la información proveniente de hombres y de mujeres; sin embargo, en cada rubro hay algunas variantes. En el caso de las decisiones con respecto a los gastos en el hogar, prácticamente no hay diferencias entre si son las mujeres o los hombres quienes han tomado por su cuenta estas decisiones. Además las tendencias entre los datos provenientes de hombres y mujeres son nuevamente similares. En cambio cuando se trata de las decisiones con respecto al uso del tiempo libre, encontramos una proporción más alta de mujeres que han sufrido violencia cuando es el marido quien acostumbra a decidir unilateralmente. Sin embargo, cuando los hombres son quienes responden, el porcentaje de involucrados en violencia es mayor cuando declaran que son ellas las que toman las decisiones. Sobre todo el uso del tiempo libre es un espacio de discrepancia y conflicto en las parejas. Por lo que se refiere a la crianza de los hijos, que es una actividad social y culturalmente asignada a las mujeres, el mismo Cuadro 4 muestra que este es un campo en el que las parejas comparten más las decisiones que en los otros dos; es decir, se trata del área con la proporción más baja de maridos que toman las decisiones sin consultar a la esposa. Al igual que en el caso de las decisiones sobre los gastos para el hogar, aquí también hay una mayor proporción de casos de violencia entre las mujeres que toman ellas solas las decisiones con respecto a los hijos, lo cual es confirmado con la información proveniente de los varones. 248 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) Para medir el grado de autonomía femenina, la ENSARE utiliza como indicador clave el control que los maridos ejercen sobre las salidas de sus esposas fuera del hogar. Esto se hizo a través de preguntarles a las encuestadas qué hacen cuando quieren salir solas: si le avisan al esposo, le piden permiso o ninguna de las dos cosas. vii En un extremo de falta de autonomía se encontrarían las mujeres que deben pedirle permiso al marido. Las parejas en las que la mujer sólo avisa cuando va a salir tendrían relaciones de menor subordinación femenina que aquellas en las que la esposa debe pedir autorización para efectuar salidas. En el otro extremo estarían las mujeres que no avisan ni piden permiso y que, por lo tanto, gozarían de más autonomía. La mayoría de las encuestadas respondió que les avisan a sus maridos; de las mujeres de este grupo, 8.1% sufrió violencia en el último año. Una de cada cuatro mujeres en unión dijo que en general le pedían permiso a su pareja; de éstas, 10.5% vivió violencia conyugal. Por último, poco menos de 10% de las entrevistadas declaró que ni le avisan, ni le piden permiso al marido; en este caso, 19.6% sufrió violencia. El hecho de que la mayoría de las esposas no tiene que pedir permiso sino que simplemente avisa que va a salir, es un dato alentador pues estaría mostrando una relativa equidad en las relaciones de pareja. Sin embargo, que una de cada cuatro mujeres tuviera que pedir permiso revela que las relaciones de subordinación femenina siguen teniendo un peso importante. Más alarmante aún es que el reducido número de mujeres que supuestamente tiene autonomía total, está sufriendo una mayor carga de violencia que las demás. Como en el caso de las que salen a trabajar y las que ganan más que los maridos, aquí también se comprueba que el salirse de los papeles tradicionales pone a las mujeres en riesgo de sufrir violencia de parte de sus cónyuges. El análisis de la asociación entre violencia conyugal y condiciones de riesgo por medio de modelos de regresión logística basados en las respuestas de mujeres y varones En esta última sección presentamos los resultados de dos modelos de regresión logística, aplicados al análisis de la información derivada de las entrevistas a mujeres y varones. Estos modelos se probaron con la finalidad de explorar el efecto que un conjunto de variables podría tener sobre la violencia conyugal. Es decir, observamos cada variable controlando el efecto que el resto de ellas pudiera tener y, a su vez, controlando por variables socio-demográficas (tales como edad, estrato socioeconómico y estado marital). En ambos modelos, como variable dependiente se consideró a la violencia conyugal tomando en cuenta dos categorías: haber sufrido violencia física por parte de la pareja en los últimos doce meses o no haberla sufrido. Los Cuadros 5 y 6 muestran los resultados de los modelos finales. viii En el modelo desarrollado con base en la información de mujeres se encontró que aquellas con trabajos menos calificados tienden a sufrir más violencia. Por ejemplo, después de controlar por otras variables, se observa que las trabajadoras manuales tienen 6.5 veces más riesgo de sufrir violencia que las que están en la categoría de personal calificado y semicalificado. La mayor parte de las mujeres que representan el “otro caso” son mujeres que no trabajan, y aunque tienen más probabilidad de sufrir violencia que las que tienen ocupación calificada, tienen menos riesgo que las trabajadoras manuales y no manuales. Esto último se confirma con el modelo de hombres en donde se observa claramente que aquellas mujeres que trabajan tienen razones de momio más altas que aquellas que no trabajan. Siguiendo con este análisis de la división sexual del trabajo 249 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) dentro del hogar, se confirmó que aquellos varones que no participan en el cuidado de los hijos levantándose de noche para tranquilizarlos, son más propensos a ejercer violencia. Respecto a la toma de decisiones, primero es interesante confirmar que decidir sobre el uso del tiempo libre resultó más ligado a conflictos que otras decisiones, tanto en el modelo para mujeres como para hombres. Lo segundo destacable es que el uso del tiempo libre continuó presentando asociación significativa con la violencia conyugal después del ajuste en ambos modelos. Y lo tercero que resalta es que de acuerdo con las mujeres, las que corren más riesgo de sufrir violencia son aquellas cuyos cónyuges son quienes toman las decisiones, mientras que de acuerdo con las respuestas de los varones, la probabilidad es mayor cuando ellas son las que toman dichas decisiones. Por lo que se refiere a las relaciones de poder, el modelo con base en las respuestas de las mujeres también confirma que aquellas que no les avisan ni les piden permiso a los maridos cuando quieren salir del hogar solas, son significativamente más propensas a sufrir violencia que el resto. La cuestión de la sexualidad sobresale en relación al resto de los condicionantes, tanto en el modelo construido con las respuestas de las mujeres como en el modelo basado en la información de los varones; incluso tiene más peso en el segundo. Los resultados indican que aquellos que tienen valores y comportamientos contradictorios (desaprueban las relaciones sexuales antes del matrimonio para las mujeres pero que aún con esta ideología las tuvieron con sus parejas), son los más propensos a ser violentos con sus cónyuges. Otro aspecto que incluimos en el modelo es la reacción del varón ante el rechazo de la pareja a tener relaciones sexuales. El análisis mostró que aquellas mujeres que nunca rechazan al varón son las que menos riesgo tienen de sufrir violencia. En cambio, las que en alguna oportunidad se han negado a tener relaciones resultaron tienen cinco veces más riesgo de sufrir violencia que las primeras. El análisis de regresión confirma las tendencias que se habían observado en las secciones anteriores. Todos los condicionantes analizados tienen que ver con prácticas de género en las cuales la mujer se encuentra en desventaja dentro de la relación conyugal, en todas las estructuras analizadas. Sin embargo, la dimensión emocional ligada a la sexualidad resultó ser la que tiene más peso en relación al ejercicio de la violencia de los maridos. La explicación sin duda hay que buscarla en que la fragilidad de las bases identitarias masculinas de quienes golpean a sus parejas. Conclusiones El análisis que presentamos permite ir perfilando varios elementos que iluminan los vínculos entre un modelo particular de construir la masculinidad y el ejercicio de la violencia por los varones en la unión conyugal heterosexual. En el campo de las relaciones emocionales, los celos resultan ser un motivo central de la violencia, como expresión y componente medular del deseo de control exclusivo de la sexualidad de la esposa. En términos más específicos, las mujeres que no llegan vírgenes a la unión o que han tenido uniones anteriores, están en condición de mayor vulnerabilidad que aquellas sobre las cuales el marido ha tenido la exclusividad sexual. Claramente, las percepciones de los actores están imbuidas de concepciones de índole cultural que atañen a las representaciones y valores de género, según las cuales las conductas sexuales de varones y mujeres debieran regirse por pautas muy diferentes, incluso opuestas - 250 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) permisivas para los varones y restrictivas para las mujeres. La transgresión femenina de estas pautas da pie a la sanción en la forma de abuso físico. Otra fuente de conflictos asociada de manera destacada con la violencia conyugal es la participación de las esposas en la fuerza laboral. En efecto, la alteración de la división sexual del trabajo según el modelo de la mujer dedicada al hogar y el hombre proveedor, puede generar las condiciones de conflictividad que conducen al maltrato físico de las esposas. Los conflictos se agudizan cuando la esposa recibe mayor ingreso que el marido. Al mismo tiempo comprobamos que existe una mayor proporción de episodios de violencia entre los varones que menos participaban en tareas tradicionalmente asignadas a las mujeres. Todos estos datos indican que la violencia conyugal se asocia con varones que se aferran a una división sexual del trabajo tradicional de manera más rígida. Para acercarnos a las relaciones de poder en la pareja, utilizamos como indicador la participación en la toma de decisiones con respecto a los gastos en el hogar, el uso del tiempo libre y la crianza de los hijos. Cuando estas decisiones son compartidas, hay una menor incidencia de actos de maltrato. Los resultados a los que arribamos comprueban que la violencia conyugal se vincula con la toma de decisiones de manera unilateral por cualquiera de los cónyuges. Además, la información sugiere que las mujeres con mayor autonomía se encuentran en mayor riesgo de sufrir violencia: las más vulnerables son las que no consultan ni piden permiso al marido para salir del hogar. En definitiva, un fantasma recorre el uso de la violencia por los varones en la relación conyugal: el temor a la pérdida del control sobre la sexualidad de la esposa y el temor y el rechazo a no detentar o a perder el papel tradicional de jefe y proveedor principal de la familia. La salida de las esposas del hogar para trabajar y el hecho de que obtengan ingresos, pone en cuestión este papel del marido. Las bases de su jefatura se vuelven más endebles y esto puede crear condiciones conflictivas, especialmente cuando él siente que se le está escapando el control que tenía sobre su esposa. Esto puede dar lugar a que ejerza la violencia, como forma de recuperar el control, imponerlo o desahogar su frustración. El aumento de la presencia femenina en la fuerza de trabajo en las últimas décadas y la posibilidad de limitar el número de hijos a través de la anticoncepción, han sentado las bases para procesos de cambios profundos en las relaciones de pareja. Estos cambios habrían socavado el modelo de familia en la que el jefe tomaba las decisiones importantes por su cuenta y en el que la esposa debía pedirle permiso para realizar actividades fuera del hogar. Para muchos varones este proceso no sólo significa la pérdida de privilegios, sino también –y quizá de manera más angustiante- el debatirse entre contradicciones y el derrumbe de un modelo y un conjunto de valores que aún no han logrado reemplazar por otra manera de “ser hombre”. Bibliografía Amuchástegui, A. (2001). Virginidad e iniciación sexual en México. Experiencias y significados. México D.F., Edamex y Population Council. Casique, I. (2003). “Trabajo femenino, empoderamiento y bienestar de la familia”, VII Reunión de la Sociedad Mexicana de Demografía, Guadalajara, México, 2-5 de diciembre del 2003. Connell, R.W. (1995). Masculinities, Berkeley, University of California Press. 251 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) Connell, R.W. (2000). The Men and the Boys, Cambridge, Polity Press. Hearn, J. (1998). The Violence of Men: How Men Talk About and Houw Agencies Respond To Men’s Violence to Women, Londres, Sage. Menéndez, E. 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(conference proceedings) CUADROS Cuadro 1 Distribución porcentual de las mujeres y varones que reconocieron actos de violencia física en el último año, según la frecuencia e intensidad de las lesiones que éstos produjeron. ENSARE 1998 Frecuencia Sólo una vez Ocasionalmente n.e. Total Mujeres 40.7 58.5 0.8 100.0 Varones 44.5 43.2 12.3 100.0 Severidad Sin lesiones Lesiones leves Lesiones fuertes n.e. Total N Mujeres 54.0 33.4 11.3 1.3 100.0 283 Varones 60.8 24.8 1.0 13.4 100.0 164 253 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) Cuadro 2 Porcentaje de mujeres y varones que reconocieron actos de violencia física en el último año, según los principales motivos de la violencia. ENSARE 1998 Motivos Alcoholismo de él Celos de él Celos de ella Reclamo de los deberes de él Motivos de dinero Reclamos de los deberes de ella Adulterio de él Defender ella a sus hijos Defender él a sus hijos Familiares de él Familiares de ella Adulterio de ella N Mujeres 24.3 15.7 5.1 13.7 12.5 11.7 6.3 6.9 1.8 7.0 0.8 0.2 283 Hombres 7.6 5.3 27.6 11.5 11.7 9.8 2.0 6.2 9.3 3.2 3.7 0.2 164 Cuadro 3 Porcentaje de mujeres y hombres involucrados en violencia física conyugal en el último año, de acuerdo con la participación laboral y económica de la mujer. ENSARE 1998 % de mujeres N % de hombres N involucradas involucrados Participación laboral de la mujer Económicamente activa Económicamente inactiva 10.6 9.1 1158 1740 Quién recibe mayor ingreso a Ella Él Igual remuneración 15.5 7.9 5.6 193 700 126 Aporta dinero para la alimentación de los hijos b Él Ella o ambos * 11.0 8.2 543 1277 * 10.3 14.5 1442 434 * Chi Cuadrada < 0.05 (S.S.) 254 9.7 18.4 990 238 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) a Se toman en cuenta únicamente quienes están laborando. El número de casos de varones que señalaron que sus parejas trabajaban fue bajo, por lo que en este caso los porcentajes no se tomaron en cuenta. b Se toman en cuenta únicamente quienes declararon tener hijos vivos menores de 12 años viviendo en el hogar. Cuadro 4 Porcentaje de mujeres y hombres involucrados en violencia física conyugal en el último año, de acuerdo con la toma de decisiones con su pareja. ENSARE 1998 % de mujeres N % de hombres N involucradas involucrados Gastos del hogar Él Ella Ambos * 11.3 11.5 6.9 657 1171 1056 9.5 9.7 7.9 451 665 696 Tiempo libre Él Ella Ambos * 14.2 10.8 6.7 642 716 1470 * 10.8 12.7 6.6 419 345 1009 Crianza de hijos Él Ella Ambos * 10.8 13.6 8.3 297 743 1682 9.3 10.1 8.7 206 400 1078 * Chi Cuadrada < 0.05 (S.S.) 255 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) Cuadro 5 Modelo de regresión logística con base en la información de mujeres, para la asociación entre violencia conyugal en el último año y diversas variables condicionantes de la violencia. ENSARE 1998 OR cruda Relaciones sexuales antes del matrimonio No Sí 1.00 2.78*** Toma de decisiones sobre el tiempo libre Ambos Él Ella 1.00 2.32** 1.69** Esposo se levantaba de noche para tranquilizar a los hijos Casi siempre Algunas veces Nunca 1.00 1.73* 2.74** Cuando quiere salir sola Le avisa Le pide permiso Ninguna de las dos 1.00 1.34 2.76** Ocupación de ella Personal calificado y semicalificado Trabajadoras no manuales Trabajadoras manuales Otro caso IC 95% OR ajustada1 IC 95% 1.91 - 4.06 1.00 2.42*** 1.67 - 3.50 1.44 - 3.75 1.06 - 2.70 1.00 2.22** 1.58** 1.39 - 3.56 1.04 - 2.41 0.94 - 3.19 1.44 - 5.21 1.00 1.59 2.74** 0.87 - 2.90 1.38 - 5.42 0.88 - 2.03 1.46 - 5.22 1.00 1.32 2.67** 0.87 - 2.02 1.46 - 4.87 1.00 1.00 6.32** 6.57*** 4.35** 1 2.24 - 17.85 2.34 - 18.44 1.67 - 11.33 5.41** 6.46** 4.03** 1.86 - 15.72 2.04 - 20.51 1.44 - 11.26 Ajustado por diversas variables socio-demográficas y el resto de variables que aparecen en el cuadro Prueba Wald: *** p=.000 **.001 < p < .050 * .051 < p < .099 256 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) Cuadro 6 Modelo de Regresión Logística con base en la información de hombres, para la asociación entre violencia conyugal en el último año y diversas variables condicionantes de la violencia. ENSARE 1998 OR cruda Relaciones sexuales antes del matrimonio Él desaprueba y no tuvo con su actual pareja Él aprueba y no tuvo con su actual pareja Él aprueba y sí tuvo con su actual pareja Él desaprueba y sí tuvo con su actual pareja IC 95% 1.00 OR ajustada1 IC 95% 1.00 2.23* 0.92 - 5.44 2.29* 0.98 – 5.35 2.96** 1.59 – 5.50 2.06** 1.32 – 3.21 3.95*** 2.29 – 6.81 2.52*** 1.65 – 3.86 Toma de decisiones sobre el tiempo libre Ambos Él Ella 1.00 1.73** 2.07** 1.25 - 2.39 1.22 - 3.52 1.00 1.59** 2.12** 1.14 - 2.23 1.31 - 3.44 Reacción de él ante el rechazo de ella a tener relaciones Ella nunca rechaza Él no se enoja Él se enoja 1.00 2.23 5.26*** 0.63 - 7.94 2.69 - 10.27 1.00 2.14 5.09*** 0.65 - 7.06 2.45 - 10.56 1.00 1.39* 0.99 - 1.94 1.00 1.51** 1.08 - 2.11 Estatus laboral de la pareja Ella no trabaja Ella trabaja 1 Ajustado por diversas variables socio-demográficas y el resto de variables que aparecen en el cuadro Prueba Wald: *** p=.000 **.001 < p < .050 * .051 < p < .099 Notas: i El presente estudio toma como punto de partida un trabajo anterior que forma parte del Diagnóstico de la salud reproductiva en México, coordinado por Susana Lerner, en proceso de publicación por El Colegio de México. Para esta ponencia desarrollamos más el análisis comparativo de las diferencias en las percepciones de varones y mujeres. ii Amuchástegui, 2001; Szasz, 1998. iii En la mayoría de los casos, los hombres entrevistados por la ENSARE 98 eran la pareja de las mujeres entrevistadas, pero no en todos. Nosotros analizamos la información de hombres y mujeres sin distinguir si forman parte de la misma pareja o no. 257 Violencia: ¿el juego del hombre (memorias) Violence: A game for men? (conference proceedings) iv Más adelante en el cuestionario para varones se le pregunta específicamente al encuestado si en el último año su pareja le pegó y si él le pegó a ella, con el fin de detectar tres posibles direcciones en el ejercicio de la violencia física: del hombre a la mujer, de ella a él y de ambos (“violencia cruzada”). Dados los problemas que hay con la subdeclaración, para los propósitos de este estudio utilizamos la pregunta formulada en plural: ¿Ustedes se han…?”. Del total de varones que reportaron violencia en la pareja, sólo 3% habría correspondido a violencia de las esposas contra ellos, a la que ellos no respondieron (de acuerdo con lo que ellos dicen). v Estos datos se calcularon tomando en cuenta solamente encuestadas/os que estaban en unión al momento de la entrevista. vi Nájera (2000: 152) interpreta de manera semejante el hecho de que el porcentaje de no respuestas entre los varones es alto: no quieren declarar “porque ellos son los que realizan esas acciones, que en los últimos tiempos han empezado a visibilizarse y censurarse socialmente.” vii Para esta variable la encuesta no captó información proveniente de los varones. viii Se presentan para cada categoría de las variables incluidas las OR crudas y ajustadas, los intervalos de confianza de las OR y la significancia estadística correspondiente a la prueba Wald. 258