III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E QUESTÕES DE GÊNERO 11 a 13 de novembro de 2009 UFS – Itabaiana/SE, Brasil 1 REPRESENTAÇÃO DOS ESTUDANTES NO ENSINO FUNDAMENTAL SOBRE DISLEXIA E MATEMÁTICA Gildean Pereira Santos1 João Rafael Lisboa Santos2 Robson Andrade de Jesus3 Joilson Pereira da Silva4 INTRODUÇÃO No cotidiano escolar, é comum encontrar alunos com dificuldades. Aritmética, por exemplo, exige muito do raciocínio lógico das pessoas e daí muitos por não “dominar” esse assunto acabam dizendo que a matemática é complicada. Surgida na antiguidade por necessidades da vida cotidiana, essa disciplina conduziu um imenso sistema de variedades, ou seja, deu aplicações para várias áreas. Nesta área é comum encontrar pessoas com dificuldades em assimilar certas deduções matemática. Entre elas estão aqueles que têm Dislexia, para Mariana (2002), isso se dar por não haver áreas do cérebro que só ocupem especificamente a leitura e soletração. As áreas usadas para a linguagem escrita são usadas também para outros materiais simbólicos, incluindo números, fórmulas, gráficos, diagramas e outros. Assim, se há um problema nessas partes do cérebro, será afetado o procedimento eficiente de qualquer material simbólico, linguagem matemática incluída. Isso significa que as falhas em uma área escolástica estão frequentemente vinculadas às falhas em outras áreas. Neste sentido, é possível pensar o quanto é complicado para um professor de matemática passar assuntos para alunos que apresentem sintomas da Dislexia. Assim sendo, é fundamental que todo 1 2 3 4 Graduando licenciatura em matemática (UFS). Email: [email protected] Graduando licenciatura em matemática (UFS). Email: [email protected] Graduando licenciatura em matemática(UFS).Email: [email protected] Professor orientador (UFS) ANAIS DO III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES GEPIADDE/UFS/ITABAIANA ISSN 2176-7033 III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E QUESTÕES DE GÊNERO 11 a 13 de novembro de 2009 UFS – Itabaiana/SE, Brasil 2 educador, independente da área, deve ter pelo menos uma preparação básica para acompanhar esses tipos de alunos, ou seja, que tenham conhecimento básico sobre dislexia. Sendo assim, como dizia Mariana (2002), definir o que é essa dificuldade não é tão simples, a complexidade do seu entendimento está diretamente vinculada ao entendimento do ser humano. Nos últimos dez anos, com o avanço tecnológico, como é a técnica de ressonância magnética funcional, trás respostas significativas sobre o que é Dislexia. Sabese que a evolução é progressiva de entendimento do caso, resultante de um trabalho de alguns colaboradores. Durante esse logo período de pesquisa que transcende gerações, redundou-se em, mas de cem nomes para designar essas específicas dificuldades no aprendizado, e em cerca de quarenta definições, sem que nenhuma delas tenha sido universalmente aceita. Pois dependem de vários fatores como, idade, estimulação e entre outros sinais de Dislexia, podem aparecer em maior ou menor intensidade. Às vezes, com o crescimento da criança o distúrbio pode se agravar. Segundo Garcia (2001), alguns são: Dificuldade na nomeação de objetos; Atraso na fala e linguagem; Falta de atenção e memória; Dificuldade na alfabetização e no aprendizado em matemática; Dificuldade na transcrição da escrita e da linguagem falada; História familiar. Pela citação feita por Mariana (2002): segundo Geschwind a falta do consenso no entendimento do que é Dislexia, começou a partir da decodificação do termo criado para nomear específicas dificuldades de aprendizado; que foi eleita o significado latino dys como dificuldade; e lexia como palavra. Mas que é na decodificação no sentido da derivação grega: dys significa imperfeita como disfunção e lexia como mais ampla ao termo palavra, isto é linguagem em seu sentido abrangente. Dislexia, antes de qualquer coisa, é um distúrbio mental que dificulta na aprendizagem do indivíduo, seja na escrita, soletração, aritmética... Muitos podem pensar ANAIS DO III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES GEPIADDE/UFS/ITABAIANA ISSN 2176-7033 III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E QUESTÕES DE GÊNERO 11 a 13 de novembro de 2009 UFS – Itabaiana/SE, Brasil 3 que ela se dar por conta de uma má alfabetização, desatenção, desmotivação, condições financeiras e outros. Mas não são bem assim, estudos, mas recentes mostram que uma minoria tem sido por condições hereditárias, já outras mostram que é por condições neurológicas. Como já foi dito, com o avanço tecnológico a definição é aprimorada, vejamos duas definições que comprovam isso: Em 1995 Lyon definiu Dislexia como sendo “um dos muitos distúrbios de aprendizagem. É um distúrbio específico de origem constitucional caracterizado por uma dificuldade na decodificação de palavras simples que, como regra, mostra uma insuficiência no processamento fonológico. Essas dificuldades não são esperadas com relação à idade e a outras dificuldades acadêmicas cognitivas; não é um resultado de distúrbios de desenvolvimento geral nem sensorial. A dislexia se manifesta por várias dificuldades em diferentes formas de linguagem frequentemente incluindo, além das dificuldades com leitura, uma dificuldade de escrita e de soletração." Já em 2003 Bredy e seus contribuidores definiram da seguinte maneira "Dislexia é uma dificuldade de aprendizagem de origem neurológica. É caracterizada pela dificuldade com a fluência correta na leitura e por dificuldade na habilidade de decodificação e soletração. Essas dificuldades resultam tipicamente do déficit no componente fonológico da linguagem que é inesperado em relação a outras habilidades cognitivas consideradas na faixa etária”. Como afirmava Araújo (2002), em seu artigo, a dificuldade escolar é uma causa frequente nos consultórios de pediatria e neuropediatra segundo a um levantamento feito em dez cidades brasileiras (1982), este era o sétimo diagnóstico em mais frequência. Ela afirma que no decorrer dos anos no Serviço de Neurologia do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira, apesar de não publicado, houve um levantamento em que a dificuldade escolar é a maior queixa. O seu objetivo era dar aos pediatras noções atualizadas das principais causas encontradas em crianças com dificuldade escolar, com ANAIS DO III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES GEPIADDE/UFS/ITABAIANA ISSN 2176-7033 III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E QUESTÕES DE GÊNERO 11 a 13 de novembro de 2009 UFS – Itabaiana/SE, Brasil 4 enfoque mais detalhado na avaliação e na conduta dos casos associados ao transtorno de falta de atenção, que por sua vez é um dos sintomas da Dislexia. O desempenho escolar depende de vários fatores, segundo ela, tais como na escola (físicas, pedagógicas, qualificação do professor), na família (nível de escolaridade dos pais, presença dos pais e interação dos pais com escola e deveres) e da própria pessoa. Ela teve avanços no diagnóstico educacional da nossa população com o SAEB (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica) assim vem facilitando elaboração de intervenção a este nível. E ela afirma que: “O mesmo não vem ocorrendo com os aspectos médicos relacionados ao baixo desempenho escolar. Estatísticas nacionais acerca dos fatores médicos associados à dificuldade escolar ainda são escassas, dificultando a implantação de medidas, sejam elas de natureza preventiva, curativa ou de suporte.” Em sua pesquisa Araújo (2002), fala do transtorno de deficiência na falta de atenção com hiperatividade o que ela chama de (TDAH). E nos garante que existem três formas distintas: “com predomínio da desatenção, com predomínio da hiperatividade/impulsividade, ou com a combinação de ambos.” O TDAH é uma perturbação comum, mas prejudicial ao aumento emocional e acadêmico. Segundo Mariana (2002) a satisfação da criança deve ser respeitada, ela nos diz que o corpo é algo muito importante na vida afetiva do ser humano. Por exemplo, as relações do feto e a mãe preparam para todas as noções efetivas futuras. A partir daí nascem ligações relacionais, como o primeiro sorriso do bebê, os sinais de contentamento, as conquistas de seu desenvolvimento gradativamente vão aparecendo. É bastante importante outra pessoa no desenvolvimento da noção do corpo, é pouco a pouco que a consciência se constrói. Ela fez uma passagem referente à autora Alícia Fernandes (1998) a qual sugere em seu livro que os corpos dos alunos teriam como seus representantes simbólicos os ANAIS DO III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES GEPIADDE/UFS/ITABAIANA ISSN 2176-7033 III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E QUESTÕES DE GÊNERO 11 a 13 de novembro de 2009 UFS – Itabaiana/SE, Brasil 5 cadernos em sala de aula. Então é importante a relação do aluno e seus materiais escolares, pode-se verificar fácil essa relação com cada criança, sua caligrafia e seu jeito no comportamento, nos aproxima da realidade de como esta criança se sente, uma vez que reflete seus afetos e suas moralidades em seus pertences. E entre tantos fatores citados, este trabalho tem por objetivo averiguar a percepção dos estudantes do ensino fundamental (5° série) a cerca de alunos que apresentaram características de dislexia e dificuldade em matemática, e assim obter métodos que auxiliem no tratamento desses. METODOLOGIA A amostra foi constituída por oitenta e oito estudantes de ambos os sexos com idade entre dez e doze anos da rede pública e privada da cidade de Itabaiana-SergipeBrasil. INSTRUMENTO Como instrumento de pesquisa foi adaptado um questionário de Chirstine Gorman (2003), sobre dislexia e o acompanhamento familiar. Na adaptação foram elaboradas perguntas relacionadas à matemática, por sua vez, saberíamos dos estudantes que apresentam os sintomas, quantos deles têm dificuldades em matemática. PROCEDIMENTOS Os pesquisadores chegaram à escola explicando para o professor e a direção a importância da pesquisa, em sequência foram aplicados os questionários sempre esclarecendo as dúvidas dos alunos, os quais demoraram cerca de vinte minutos para a resolução do mesmo. ANAIS DO III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES GEPIADDE/UFS/ITABAIANA ISSN 2176-7033 III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E QUESTÕES DE GÊNERO 11 a 13 de novembro de 2009 UFS – Itabaiana/SE, Brasil 6 PROCEDIMENTOS DE ANÁLISES A análise foi feita através de dados estatísticos por meio, de programas computacionais os quais esporam em forma percentual de alunos que tem apresentado sintomas da dislexia e que tem dificuldades em matemática. RESULTADOS E DISCUSSÕES De acordo com os resultados, observa-se que 26% dos estudantes das escolas públicas apresentaram sintomas de Dislexia, enquanto 9 % destes também apresentavam dificuldades em matemática, já 65% não mostraram nenhum tipo de sintomas. Dados completamente diferentes com os alunos das escolas particulares que, em 69% não foram detectados os indícios da dislexia e em 19% apresentaram com 13% tanto tem os sintomas como tem problemas na aprendizagem em matemática. Os dados analisados do sexo masculino de escolas públicas confirmam que 25% apresentaram os indícios da Dislexia, ao contrário de outros 61% e 14% mostraram ter os sintomas e dificuldades em matemática. Já os alunos das escolas particulares do sexo masculino, 67% deles não apresentaram sintomas, em 17% foram detectados sinais da Dislexia, e outros 17 % mostraram ter ambos os problemas. Já do sexo feminino de escolas públicas, 69% não obtiveram os sinais da Dislexia ao contrário de outros 27%, onde destes apenas 4 % apresentaram os sinais e tiveram dificuldades em matemática. Nas escolas privadas, 70% não tiveram Dislexia, 20% apresentaram os sintomas e 10% tinham ambas as dificuldades. Os dados recolhidos foram analisados de outra forma que vai ser apresentada no quadro abaixo: ANAIS DO III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES GEPIADDE/UFS/ITABAIANA ISSN 2176-7033 III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E QUESTÕES DE GÊNERO 11 a 13 de novembro de 2009 UFS – Itabaiana/SE, Brasil 7 Sexo masculino de escolas particulares ou públicas Não apresentaram Apresentaram sintomas da Apresentaram sintomas da sintomas da Dislexia Dislexia Dislexia e em matemática 62% 24% 14% Sexo feminino de escolas particulares ou públicas Não apresentaram Apresentaram sintomas da Apresentaram sintomas da sintomas da Dislexia Dislexia Dislexia e em matemática 69% 25% 5% De modo geral em nossa pesquisa resultaram que 66% dos entrevistados não tiveram os sinais da Dislexia, 25% apresentaram sintomas e 9% além de ter apontado os sintomas mostraram ter dificuldades na aprendizagem em matemática. Ficou claro que muitas pessoas têm os sintomas da Dislexia e estas apresentaram problemas matemáticos, assim o ideal é que ao vê a presença deles procure um profissional para o tratamento. CONCLUSÃO Há um tempo, a criança que apresentava um desnível em sua aprendizagem era considerada incapaz de ir à escola, ao contrário de hoje, pois já existem escolas adaptadas para receber esses alunos, o que faz com que a dislexia preocupe pais e o professor que por sua vez alguns não sabem como lidar com essas dificuldades, gerando frustrações, desinteresse e até mesmo afetando a auto-estima dessas crianças. O educador precisa estar ciente do assunto, pois ao se deparar com essas crianças, com histórico de repetência, demora na aprendizagem escolar, dificuldades em soletrar, ANAIS DO III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES GEPIADDE/UFS/ITABAIANA ISSN 2176-7033 III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E QUESTÕES DE GÊNERO 11 a 13 de novembro de 2009 UFS – Itabaiana/SE, Brasil 8 associar símbolos em sequência, nomear objeto, entender tabuada, entre outros, podemos estar diante de um disléxico. Sendo assim, a escola tem, também, um papel fundamental. A partir daí o colégio tem que ser sensível e competente para que nunca deixe que esta criança seja ignorada, nem que ela não saiba as suas descobertas, deve-se levar essa pessoa a descobrir suas próprias habilidades e seu caminho próprio do aprender, assim ela terá uma vida normal. É importante a interação entre pais e professores, pois são eles que acompanham a aprendizagem da criança durante sua fase estudantil, desde o momento que ingressa na escola até sua formação acadêmica. Assim, para ajudar uma criança com sintomas de dislexia, com ou sem problemas em matemática, não podemos julgá-la de preguiçosa ou desleixada, não compará-la a outras, não exercer pressão sobre ela e nem exigir leitura em voz alta ou mandar fazer uma expressão algébrica diante de parentes e amigos sem seu consentimento. Devemos sim incentivá-la nas coisas que gosta e faz bem feito, alegrá-la e valorizar o seu esforço ao fazer algo, estimulá-la a observar sempre as palavras e falar francamente sobre suas dificuldades, levando-a a reconhecer que pode fazer inúmeras coisas bem feitas. Já que não há cura para a Dislexia, o importante, não é tentar resolver o problema e sim detectar e encaminhar ao profissional que conheça e conviva com esse tipo de distúrbio, pois o ideal é que, independente da área que o professor ensine, ele esteja preparado para acolher esse tipo de aluno. E não esquecer que apesar da Dislexia não ter cura, mas existe tratamento, sendo um dos melhores o acompanhamento familiar e escolar. ANAIS DO III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES GEPIADDE/UFS/ITABAIANA ISSN 2176-7033 III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E QUESTÕES DE GÊNERO 11 a 13 de novembro de 2009 UFS – Itabaiana/SE, Brasil 9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, Marina S. Rodrigues . Dislexia e matemática. 2002. Disponível em: < http://www.somatematica.com.br//artigos/a9/index.php >. Acesso em 26 de maio de 2009. BRADY, Susan e colaboradores; texto de G, Reidlyon; tradução e adaptação do “Amnals of. Dysledia”. Volume 53. 2003. Disponível em www.profala.com/artdislexia14.htm, acesso no dia 1 de agosto de 2009. FERNADES, Alicia. Corpos-caderno. Ed. Artes Médicas. 1998 MARTINS, Vicente. Dislexia e mau leitor: As diferenças. 2002. Disponível em: < http://www.kplus.com.br/materia.asp?co=220&rv=Literatura >. Acesso em: 28 de maio de 2009. ANAIS DO III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES GEPIADDE/UFS/ITABAIANA ISSN 2176-7033