Avaliação das práticas de terceirização em empresas industriais
na cidade de Chapecó/SC
Moacir Francisco Deimling
Jamile Gehno
Universidade Comunitária Regional de Chapecó - Unochapecó
RESUMO
A terceirização foi um fenômeno de grande envergadura nas últimas décadas, tendo sido aplicado por
inúmeras empresas dos mais diversos portes e segmentos. As empresas adotaram esta prática
principalmente nas atividades consideradas de apoio. O objetivo deste trabalho foi o de avaliar a
opinião das grandes empresas industriais da cidade de Chapecó quanto às terceirizações realizadas,
avaliando pontos positivos e negativos, as dificuldades encontradas durante a implantação e o
conhecimento das empresas referente à legislação. Este estudo caracterizou-se quanto aos objetivos
por ser do tipo descritivo. Quanto aos procedimentos metodológicos, a coleta de dados foi realizada
através de questionários enviados via e-mail às empresas, que foram respondidos pelos responsáveis
pelos contratos de terceirização ou por pessoas ligadas a eles. Quanto à abordagem do problema,
caracteriza-se como quantitativa e qualitativa. A partir de dados estatísticos foram avaliadas as
questões, examinando suas particularidades. A análise dos dados buscou determinar qual a
percepção das grandes empresas industriais de Chapecó no que se refere à terceirização. As
principais conclusões desta pesquisa revelam que as empresas em geral estão satisfeitas com os
resultados alcançados com as terceirizações realizadas.
Palavras-chave: Terceirização, Estrutura organizacional, Avaliação, Indústrias.
1 Introdução
A terceirização é uma atividade que tomou conta do cenário nacional por boa parte das
últimas décadas do século XX, sendo que um grande número de empresas aderiu a esta
prática. O assunto foi matéria de jornais e revistas que buscavam cada vez mais se aprofundar
no assunto para transmitir aos seus leitores dados deste método que teve como principal
fundamento reduzir custos nas empresas e desenvolver suas atividades com seu foco voltado
para o produto ou serviço principal.
Com a competitividade cada vez mais acirrada, as empresas começaram a buscar na
terceirização uma forma de minimizar seus custos, maximizar seus ganhos e melhorar a
qualidade de seus produtos/serviços.
No começo de sua utilização no Brasil pouco foi escrito, mas o assunto era muito
comentado entre as empresas, e com o passar do tempo, foi ganhando mais força, pois foram
grandes as vantagem por ela proporcionadas às empresas que dominaram esta técnica e
souberam fazer bom uso dela.
Sendo a terceirização uma ferramenta que as empresas utilizam para reduzir custos e
melhorar sua competitividade, buscou-se através deste analisar aspectos da terceirização em
empresas industriais do município de Chapecó-SC. Decorrido vários anos das primeiras
iniciativas, este estudo mostra-se importante no sentido de efetuar uma avaliação deste
processo que foi intensamente utilizado pelas empresas, em vários setores. A busca de
respostas quanto à satisfação das empresas quanto ao processo de terceirização e do
conhecimento destas quanto à legislação traz um importante feed-back não só para as
empresas, mas também para o mundo acadêmico que discute e dissemina técnicas e
ferramentas gerenciais.
O objetivo geral deste trabalho foi o de identificar as vantagens e desvantagens da
terceirização na ótica das grandes empresas industriais do município de Chapecó – SC, e
como objetivos específicos tem-se: analisar se as empresas estão com seus contratos de
acordo com a legislação; verificar como está a relação entre as empresas contratadas e as
contratantes; identificar como foram definidas as atividades a serem terceirizadas; e
identificar o grau de dificuldade de implantação da mesma.
2 Terceirização
Sua origem deu-se na década de quarenta, logo após iniciar a II Guerra Mundial,
quando as indústrias bélicas delegaram a outras empresas prestadoras de serviços algumas de
suas atividades de produção.
“Como prática de administração empresarial, ela se consolidou nos Estados Unidos a
partir da década de 50, com desenvolvimento acelerado da indústria.” (LEIRIA; SOUTO;
SARATT, 1993, p.22).
Conforme Girardi (1999), no inicio era utilizada apenas para reduzir os custos de mãode-obra e era chamada de contratação de terceiros. Gerar ganhos de qualidade, eficiência,
especialização, eficácia e produtividade não estavam nas metas. Do mesmo modo, as
prestadoras, não se preocupavam em aperfeiçoar seus serviços, nem buscavam especialização,
melhoria da qualidade e competitividade.
Um pouco mais tarde, a terceirização foi introduzida no Brasil pelas fábricas de
automóveis que adquiriam as peças de outras empresas, guardando para si a atividade
fundamental de montagem dos veículos.
A grande arrancada de terceirização só pode ser sentida bem no final dos anos oitenta
e começo dos anos noventa, quando conquistou importância cultural, econômica e social no
mundo. No Brasil não deixou de ser diferente, conquistou seu espaço em todos os campos,
empresarial, trabalhista e jurídico. Este é o começo da nova fase que as empresas enfrentam:
com seu quadro de funcionários reduzido, seu foco nas atividades fim da empresa e não tendo
tanta preocupação com atividades meio.
“A terceirização é uma técnica moderna de administração e que se baseia num
processo de gestão [...] com um objetivo único [...]: atingir melhores resultados, concentrando
todos os esforços e energia da empresa para a sua atividade principal.” (GIOSA, 1999, p.11).
A palavra terceirização está inserida no dia-a-dia da maioria das empresas, tanto no
cenário nacional, como no internacional. É um modelo administrativo que tem como alvo a
centralização dos esforços na atividade-fim, deixando para terceiros especialistas, tudo o que
fizer parte das atividades-meio.
“Terceiro vem do latim “tertiariu”, com os significados possíveis de “pessoa estranha
a uma relação ou ordenação jurídica” ou “intercessor, medianeiro” aquele que intercede,
aquele que intercede, que é intermediário.” (RAMOS, 2001, p.48).
Queiroz (2004) descreve a terceirização como uma técnica administrativa
estabelecendo uma transferência a terceiros, das atividades acessórias e de apoio das
empresas, permitindo que elas concentrarem-se no seu objetivo final.
Entre as várias vantagens em terceirizar, as empresas que optarem pelo serviço
terceirizado poderão ganhar tempo, maior agilidade nos seus produtos ou serviços e não
necessitarão adquirir máquinas modernas, mas contratar uma empresa terceirizadora que já as
tenham para o cumprimento dos serviços.
Fontanella; Leiria; Tavares (1994) vêem na terceirização uma forma de administrar
grandes ou pequenas empresas. Trás em si um sinal da reconstrução, evolução e reordenação
das relações socioeconômicas que impõe, como responsabilidade um grande desafio: a
ecologia humana e a prosperidade compartilhada. Como fermento desse procedimento, a
terceirização vem sendo aplicada em sua exata visão na economia universal, causando
mudanças nas economias que almejam estar no compasso da história.
Para Girardi (1999), as vantagens obtidas com a utilização da terceirização são a
racionalização dos recursos, o foco na atividade principal, os ganhos de custos, o
desenvolvimento econômico, a especialização por segmento, e a valorização dos recursos
humanos.
Bernhoeft Júnior (2005) destaca como vantagem da terceirização reduzir os custos
fixos da empresa contratante, pois elimina a obrigação de fazer investimentos nas áreas de
apoio, ocasionando um enxugamento na organização, melhorando a ação decisória e o fluxo
das informações.
Moraes Neto (1997) defende como vantagens da terceirização: aumento dos mercados;
controle de qualidade; diminuição de custos; diminuição de problemas de mão-de-obra;
diminuição do ambiente físico; crescimento econômico; transformação dos custos fixos em
variáveis; aumento do grau de especialização; liberação da capacidade criadora; e redução do
imobilizado.
Giosa (1999) enumera 12 itens em ordem de prioridade como sendo as vantagens
competitivas advindas da terceirização nas empresas brasileiras, sendo elas: desenvolvimento
econômico, especialização por natureza, especialização por segmento, qualidade dos serviços,
controle, aprimoramento de sistemas de custeio, maior esforço de treinamento e
desenvolvimento profissional, diminuição do desperdício, valorização dos talentos humanos,
agilidade das decisões, menor custo, maior lucratividade e crescimento.
Desvantagens podem ocorrer, principalmente se o processo for feito de maneira
aleatória e centrado exclusivamente nos custos.
Leiria (1992) cita de forma especifica, os aspectos negativos da terceirização como
sendo: aumento de risco a ser administrado, dificuldades no aproveitamento dos empregados
já treinados, mudança na estrutura do poder, falta de parâmetros de preço nas contratações
iniciais, custo das demissões, relação com sindicatos, má escolha de parceiros, má
administração do processo, aumento da dependência de terceiros.
Girardi (1999) descreve como sendo os aspectos mais significativos que dificultam a
terceirização como sendo: desconhecimento sobre o assunto, resistência e conservadorismo,
falta de parceiros competentes, aspectos culturais e desconhecimento da legislação.
Alvarez (1999) descreve como desvantagem empresarial mais sentida a resistência
gerencial interna e a desvantagem social mais sentida é a reabsorção incompleta dos
trabalhadores, isto é, a falta de emprego e a desmobilização social.
Muitas vezes o risco do desemprego pode tornar-se uma oportunidade de
independência, pois os funcionários que não são mantidos na empresa após a implantação do
programa de terceirização podem tornar-se fornecedores, ou negociar com fornecedores atuais
para haver a absorção destes colaboradores.
Assim como as empresas buscam se adequar à realidade e ao mercado, os meios legais
também adaptam-se às mudanças. A terceirização que foi implantada nos processos
produtivos das empresas e depois chegou às áreas administrativas, tem como objetivo não
apenas o aprimoramento da qualidade dos serviços, como também a economia tributária e
previdenciária e a maior operosidade hora/homem, sendo que a inatividade perde espaço
nesse regime de acordo.
Magano (1993) define a terceirização como sendo a cessão a terceiros de atividades
antes a cargo da própria empresa e acrescenta que o direito brasileiro entende válida apenas a
terceirização das atividades-meio, nos termos do Enunciado número 331, do tribunal superior
do Trabalho.
Assim, todos os cuidados devem ser tomados no momento de se decidir pela
terceirização de determinada atividade, não só em relação aos aspectos legais da
contratação a ser levada a feito, mas, principalmente, no que permite a sua
operacionalização, de vez que, como se disse, com o afastamento da relação
empregatícia, perde-se importante ferramenta de controle da qualidade e eficiência,
ou seja, o poder de mando exercido diretamente sobre os empregados. (POLONIO,
2000, p. 17).
No Brasil, existem Leis e Enunciados que tratam da terceirização, são elas:
Lei n° 5645/70 – contratação de serviços de limpeza em autarquias federais;
Lei n° 6019/74 – regula o trabalho temporário;
Lei n° 7102/83 – prestação de serviços de vigilância nos bancos;
Enunciado 239 – atividade de processamento de dados em instituições financeiras;
Enunciado 331 (que substituiu o 256) – condições de legalidade nos contratos de prestação de
serviço.
No terceiro item do Enunciado 331 do TST, a terceirização é aceita pela Justiça do
Trabalho, exclusivamente na prestação de serviços nas atividades-meio do tomador, isto é,
não pode estar ligada ao objetivo final e primordial do tomador dos serviços. A atividade fim
seve ser desenvolvida pela mão-de-obra própria e não pode ser terceirizada.
3 Procedimentos e Métodos Utilizados
A coleta de dados foi realizada através de questionário formulado com questões
fechadas, abertas e semi-abertas, de uma amostra das grandes empresas industriais do
município de Chapecó – SC.
Quanto aos objetivos, o tipo de pesquisa utilizado foi a descritiva, cujo objetivo
principal consiste em descrever características de certa população ou fenômenos
estabelecidos, sem a interferência do pesquisador. Quanto aos objetivos, caracteriza-se como
um levantamento ou survey. Quanto à abordagem do problema, é quantitativa e qualitativa,
onde a partir de dados estatísticos foram avaliadas as relações entre a causa e efeito entre as
variáveis estabelecidas, e através desses parâmetros, será examinado o caráter particular de
cada pesquisado.
O tipo de amostra utilizado foi a amostragem por tipicidade ou intencional, que com
base no valor adicionado informado nas Declarações de Informações Econômicas (fiscais) ou
o chamado DIEF anual, confirmadas pela Secretaria da Fazenda do Estado de Santa Catarina,
totalizando 42 grandes empresas industriais. O período de aplicação do questionário foi de
abril e maio de 2006, sendo que houve muita dificuldade em se obter os dados. Das 42
grandes empresas industriais, apenas uma não mais operava, sendo que todas as demais foram
contatadas, mas apenas 10 empresas participaram, respondendo aos questionários por e-mail.
A análise e interpretação dos dados consistiram em sistematizar os dados coletados e
transformá-los em informações que pudessem auxiliar a responder o problema proposto neste
trabalho, que é identificar qual a avaliação das grandes empresas industriais da cidade de
Chapecó quanto à prática da terceirização de suas atividades.
Os dados após serem coletados foram tabulados com o uso da ferramenta excel, e
posteriormente analisados frente às principais indagações, como verificar se as empresas estão
com seus contratos de acordo com a legislação vigente, como se dá a relação entre contratada
e contratante, qual a motivação da empresa para a terceirização e qual foi a dificuldade em
implantar a terceirização na empresa. Além destas questões, buscou-se também identificar o
perfil das empresas e as atividades terceirizadas pelas mesmas.
4 Apresentação dos dados
Os dados coletados através dos questionários foram analisados e serão apresentados a
seguir, com o intuito de demonstrar o perfil das empresas, o motivo que as levou a optar pela
terceirização, quais as áreas terceirizadas, como foram selecionadas as empresas parceiras, o
momento de implantação da terceirização, as vantagens e desvantagens de sua utilização e o
conhecimento das empresas sobre a legislação especifica.
4.1 QUAL O RAMO DE ATIVIDADE DA EMPRESA?
Buscou-se com esta questão identificar qual o ramo de atividade das empresas
pesquisadas. Constatou-se que 30% das empresas enquadram-se no ramo de equipamentos
industriais, e 20% das empresas pesquisadas atuam no ramo alimentício. As atividades
alimentação animal; metalúrgica; indústria de câmaras frigoríficas; perfis metálicos; e
indústria e comércio de plásticos tiveram 10% de respostas cada. 50% das empresas não
enquadraram-se nas alternativas propostas, escolhendo assim a alternativa “outros”, e assim
nenhuma das empresas pesquisadas enquadrou-se nos ramos de vestuário, material elétrico e
moveleiro.
4.2
QUAL A QUANTIDADE DE FUNCIONÁRIOS DA EMPRESA?
O objetivo da questão foi identificar o número de funcionários das empresas
participantes da pesquisa. 20% delas têm de 1 a 50 funcionários, 40% das empresas,
representando a maior parte das empresas pesquisadas, tem de 51 a 100 empregados, 20% das
empresas tem de 101 a 300 funcionários, 10 % das empresas tem de 301 a 500 funcionários, e
10% das empresas tem acima de 3000 empregados.
4.3 HÁ QUANTO TEMPO A EMPRESA OPTOU PELA TERCEIRIZAÇÃO?
O objetivo da questão foi identificar há quanto tempo as empresas possuem atividades
terceirizadas. Constatou-se com a pesquisa que a maioria das empresas tem a terceirização
não mais como uma novidade, mas sim como uma rotina, pois 50% das empresas tem
serviços terceirizados de 6 a 10 anos, 40% das empresas de 3 a 5 anos e 10% das empresas
não responderam a pergunta.
4.4 QUAIS SÃO AS ATIVIDADES TERCEIRIZADAS PELA EMPRESA?
O objetivo da questão foi identificar quais as atividades que são terceirizadas pelas
empresas. Observou-se uma grande diversidade nas respostas referente às atividades
terceirizadas. Os serviços mais terceirizados são os de segurança/vigilância que ocorrem em 8
das 10 empresas participantes, seguido pela assistência médica/dentária e transportes de
produtos que ocorreram em 7 das 10 empresas. Na seqüência, empatados serviços de
advocacia/jurídico, contabilidade/tesouraria e limpeza/conservação com 6 das 10 empresas
participantes. Com cinco citações, aparece serviços de representação/vendas, e quatro
empresas terceirizam refeitório/alimentação. Com três citações aparece transporte de
funcionários, marketing/divulgação/pesquisa, reparos/manutenção e telefonia. Houve ainda
duas citações para informática/processamento de dados, montagem e outros. Com uma
citação apenas aparecem os serviços de recepção, fabricação e controle da qualidade.
4.5 COMO FORAM DEFINIDAS AS ATIVIDADES A SEREM TERCEIRIZADAS?
A questão buscou identificar como foram definidas as atividades a serem terceirizadas.
Comprovou-se com esta questão que as empresas estão preocupadas com o resultado de suas
mudanças, pois 7 das 10 empresas pesquisadas definiram as áreas terceirizadas através de
projetos de viabilidade. Outro fator que levou as empresas a optarem pela terceirização foi
pela facilidade de encontrar empresas especializadas no determinado segmento, que foi levada
em consideração por 5 das 10 empresas. Nenhuma baseou-se em relatos de outras empresas
para selecionar as atividades a serem terceirizadas e apenas uma selecionou a opção outros
complementando que as atividades foram selecionadas para que a empresa não precisasse se
preocupar com atividades alheias ao seu foco principal.
4.6 QUAL O PRINCIPAL OBJETIVO DA EMPRESA QUANDO OPTOU EM
TERCEIRIZAR ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA EMPRESA?
Constatou-se que um dos fatores que mais influenciou as empresas na hora de optar
pela terceirização, selecionado por 8 das 10 empresas participantes, foi a redução de custos
com mão-de-obra, seguida da opção maior concentração na atividade principal da empresa,
com 6 citações. Menor preocupação e desgaste com contratações foi citado por 4 empresas,
número igual de citações para maior produtividade/lucratividade. Houve ainda três citações
para os quesitos redução da estrutura física da empresa e produtos/serviços com mais
qualidade. Duas empresas citaram problemas decorridos com contratações/demissões, e uma
citou exemplos de empresas que terceirizaram e tiveram resultados.
4.7 COMO FORAM SELECIONADAS AS EMPRESAS PARCEIRAS?
Dos itens indicados, os três que mais influenciaram as empresas na hora da escolha
das empresas parceiras foram a qualidade, selecionada por 8 das 10 empresas participantes,
seguida pela opção de ser empresas já conhecida que foi a escolha de 7 das 10 empresas
participantes. Também levado em consideração por 5 das 10 empresas, aparece o fator preço.
Três empresas citaram a praticidade de serem empresas locais, e aparecem ainda duas citações
para indicação de outras empresas.
4.8 COMO É A RELAÇÃO DA EMPRESA COM AS PRESTADORAS DE SERVIÇOS
QUANTO AO RELACIONAMENTO ENTRE AS EMPRESAS?
Observou-se com a pesquisa que as empresas contratantes estão satisfeitas com suas
parceiras, pois 20% avaliam o relacionamento como ótimo, 70% como muito bom e apenas
10% considera razoável. Nenhuma empresa demonstrou insatisfação no relacionamento, pois
não houve citação para as opções ruim e péssimo.
4.9 QUAIS FORAM AS MAIORES DIFICULDADES ENFRENTADAS PELA EMPRESA
NO MOMENTO DE IMPLANTAÇÃO DA TERCEIRIZAÇÃO?
Mais uma vez a questão qualidade chamou a atenção, pois 7 das empresas vêem o
fator qualidade como sendo o fator mais difícil de manter no momento de implantação da
terceirização. Após, segue o fator dificuldade de acordo/contrato com as empresas, com 5
citações. Quatro empresas não especificaram o motivo e responderem outros. Duas empresas
citaram falta de empresas qualificadas, e houve uma citação para os quesitos:
resistência/conservadorismo dos funcionários e custos. Uma empresa não respondeu a
questão.
4.10 TODOS OS SERVIÇOS TERCEIRIZADOS POSSUEM CONTRATOS?
Constatou-se que 80% das empresas pesquisadas têm contrato dos seus serviços
terceirizados, e 20% das empresas não possuem contrato. Muitas empresas completaram com
informações nesta questão, justificando que não possuem contratos de terceirização para
aqueles serviços considerados mais simples, como manutenção elétrica, manutenção civil e
colocação de adesivos.
4.11 A EMPRESA TEM CONHECIMENTO SOBRE A LEGISLAÇÃO REFERENTE À
TERCEIRIZAÇÃO?
Esta pergunta mostra que as empresas estão preocupadas com seus contratos de terceirização,
pois 40% delas além de terem conhecimento sobre o assunto buscam constante atualização,
seguida de 30% de empresas que responderam ter um conhecimento necessário sobre o tema e
20% das empresas confirmaram ter um conhecimento razoável sobre o assunto. Apenas 10%
das empresas deixam o assunto nas mãos das prestadoras, pois alegam confiar nelas.
Nenhuma das empresas diz não conhecer a legislação.
4.11 É REALIZADO ALGUM TIPO DE AVALIAÇÃO DOS SERVIÇOS PRESTADOS?
QUAL?
Buscou-se com esta questão identificar se são realizadas avaliações dos serviços
prestados pelas empresas terceirizadas.
Empresa 1 : “Sim, é feita avaliações, nem sempre escrita, mas através de observações e
relatos de melhoria”.
Empresa 2 : “Sim, aqueles obrigatório conforme as normas”.
Empresa 3 : “Todo o serviço é acompanhado e avaliado no final, considerando qualidade e
prazo de entrega”.
Empresa 4 : “Não, tenho conhecimento, acho que não”.
Empresa 5 : “Sim, pelos gerentes de área’.
Empresa 6 : “Sim”.
Empresa 7: “Sim através de relatório passado pelo supervisor da área e do serviço prestado”.
Empresa 8 : “Não”.
Empresa 9 : “Sim, através de relatório passado pelo supervisor da área do serviço prestado”.
Verificou-se que na maioria das empresas há algum tipo de avaliação dos serviços
prestados, pois 7 das 10 empresas responderam que sim.
4.12 QUAIS AS PRINCIPAIS VANTAGENS SENTIDAS PELA EMPRESA APÓS OPTAR
PELO PROCESSO?
Constatou-se com esta questão que as empresas notam como uma das principais
vantagens da terceirização o tempo a mais disponível que podem dedicar à atividade principal
da empresa, onde 8 das empresas pesquisadas indicaram como principal vantagem da
terceirização a opção mais concentração na atividade principal da empresa. Em seguida, com
7 indicações aparecem os itens redução de custos e aumento na qualidade dos produtos. Com
6 citações o terceiro item mais indicado foi redução de encargos trabalhistas. Com quatro
citações aparece o item redução nos custos de contratação e treinamento. Com três
ocorrências, têm-se citados pelas empresas os itens: melhoria dos níveis de concorrência e
competitividade; redução da estrutura organizacional e mais espaço físico disponível;
simplificação da estrutura da empresa; mais agilidade nas tomadas de decisões; e redução de
perdas e racionalização das compras. Com duas citações aparece o item aumento na
lucratividade, e com apenas uma citação os itens redução nos investimentos de pesquisa e
desenvolvimento e outros.
Nenhuma empresa indicou como vantagem da terceirização o item liberando mais
capitais antes utilizados nessas operações para adquirir novas máquinas, equipamentos e
tecnologias.
No gráfico 1 pode-se observar os enunciados desta pergunta e as respostas efetuadas
por parte das empresas.
Outros
1
Redução de perdas e racionalização das compras
3
Mais agilidade nas tomadas de decisões
3
Simplificação da estrutura da empresa
3
4
Redução nos custos de contratação e treinamentos
6
Redução de encargos trabalhistas e sociais
Redução nos investimentos de pesquisa e
desenvolvimento
Aumento da lucratividade
1
2
7
Aumento da qualidade dos produtos
Redução da estrutura organizacional e mais espaço físico
disponível
3
8
Mais concentração na atividade principal da empresa
Melhoria dos níveis de concorrência e competitividade
3
Redução de custos
7
Gráfico 1 – Principais vantagens sentidas com a terceirização
4.14 QUAIS AS PRINCIPAIS DESVANTAGENS SENTIDAS PELA EMPRESA APÓS
OPTAR PELO PROCESSO?
O objetivo da questão foi identificar as desvantagens sentidas pelas empresas após
optarem pela terceirização. O gráfico 2 mostra as respostas das empresas em relação a esta
questão.
A pesquisa mostra que uma das maiores preocupações das empresas, com 7
indicações, é com prazos ou não cumprimento dos serviços prestados pelos terceiros. Em
segundo lugar o item mais indicado, com 6 indicações foi a desqualificação dos terceiros,
seguido pelo item alto custo cobrado pelos terceiros com 5 indicações. Com 4 citações o
quarto item mais indicado foi a falta de parceiros confiáveis. Três empresas citaram como
desvantagem o aspecto jurídico, e duas empresas citaram o aspecto falta de empresas de
terceirização. Houve uma citação para os quesitos burocracia excessiva; falta de
equipamentos essenciais para o processo; problemas nos relacionamentos com sindicatos;
custos de demissões; problemas em remanejar os empregados já treinados; aspectos culturais
e integração; e outros.
Outros
1
Aspectos culturais e integração
1
Problemas em remanejar os empregados já treinados
1
Custos com demissões
1
Problemas nos relacionamentos com sindicatos
1
Falta de equipamentos essenciais para o processo
1
3
Juridicamente
Burocracia excessiva
Falta de empresas de terceirização
Parceiros não confiáveis
1
2
4
Alto custo cobrado pelos terceiros
Desqualificação dos terceiros
Preocupação com prazos ou não cumprimento dos serviços
5
6
7
Gráfico 13 – Principais desvantagens sentidas com a terceirização
Assim, estes foram os principais resultados da pesquisa realizada nas grandes
empresas industriais de Chapecó/SC.
5 Conclusão
O objetivo geral deste trabalho, que foi identificar as vantagens e desvantagens da
terceirização na ótica das grandes empresas industriais do município de Chapecó – SC foi
alcançado, assim como os objetivos específicos que foram: analisar se as empresas estão com
seus contratos de acordo com a legislação; verificar como está a relação entre as empresas
contratadas e as contratantes; identificar como foram definidas as atividades a serem
terceirizadas; e identificar o grau de dificuldade de implantação da mesma.
Concluiu-se que as empresas estão satisfeitas com os resultados alcançados após a
implantação da terceirização, conseguindo assim direcionar seu foco na atividade-fim,
aumentar a qualidade dos produtos, reduzir custos, encargos trabalhistas e sociais. Algumas
desvantagens foram indicadas, onde a maior preocupação das empresas é em cumprir prazos e
o não cumprimento dos serviços, seguido pela dificuldade da maioria das empresas em
contratar empresas prestadoras de serviços qualificadas.
Verificou-se que 80% dos contratos de terceirização são formalizados, e o restante das
relações (20%) não tem contrato por serem consideradas serviços simples, como manutenção
elétrica e civil. A simplicidade das operações realizadas por terceiros não exime as empresas
de possíveis problemas frente à legislação, vista que há uma relação entre elas.
As empresas de um modo geral estão preocupadas com seus contratos de terceirização,
pois 70% delas consideram ter um bom conhecimento sobre o assunto, e 20% afirmaram ter
um conhecimento razoável sobre o tema. 10% das empresas deixam o assunto nas mãos das
prestadoras, pois alegam confiar nelas. Nenhuma das empresas diz não conhecer a legislação.
A pesquisa demonstrou que as empresas contratantes estão satisfeitas com o
relacionamento com suas parceiras, com 90% de citações positivas. Apenas 10% consideram
o relacionamento razoável, e nenhuma empresa demonstrou insatisfação no relacionamento,
não havendo citações para as opções ruim e péssimo.
As atividades a serem terceirizadas foram definidas através de projetos de viabilidade
(7 citações) e pela facilidade de encontrar empresas especializadas no determinado segmento,
que foi levada em consideração por 5 das 10 empresas entrevistadas. Esta questão ainda teve
uma citação em outros.
Com relação às dificuldades enfrentadas quando da implantação da terceirização, sete
empresas citaram a qualidade como o fator mais difícil de manter, seguido da dificuldade de
acordo/contrato, com cinco citações. Foram citados problemas com a falta de empresas
qualificadas, resistência/conservadorismo dos funcionários e custos. Ainda foram citados
outros motivos ou não especificados quais os problemas.
Houve na maioria das empresas um projeto de viabilidade antes da implantação e
ainda hoje ocorrem avaliações freqüentes sobre o desempenho dos serviços terceirizados.
Além dos serviços, é analisado também o registro dos terceiros e os equipamentos de
segurança que utilizam na realização dos trabalhos.
Cabe ressaltar a baixa participação das empresas levantadas na amostra, limitando
assim a execução do trabalho e prejudicando o diagnóstico realizado.
6 Limitações de estudo
Entre as limitações deste estudo pode-se ressaltar a escassez de material bibliográfico
sobre o assunto e principalmente a pouca diversidade de autores que abordam o tema, pois às
vezes havia títulos diferentes, mas de mesma autoria.
No período de aplicação do questionário, em abril e maio de 2006, houve dificuldades
na coleta dos dados, pois das 42 grandes empresas industriais apenas uma não mais operava,
as demais todas foram contatadas, mas apenas 10 empresas responderam o questionário.
Muitas alegaram não participar de pesquisas por roubar muito tempo, ou por ter apenas o
setor contábil da empresa terceirizado, e algumas poucas não demonstraram maior interesse
em participar. A maioria dispensava a visita na empresa, solicitando que o questionário fosse
enviado via e-mail, e mesmo depois sendo cobrado, não se obteve resposta dos responsáveis
por parte das empresas.
Foram analisados os questionários de apenas 10 grandes indústrias da cidade, fazendo
com que a análise obtida ficasse menos precisa, pois o objetivo era ter a participação de todas
as grandes empresas industriais, enriquecendo desta forma a análise.
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