UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO COPPEAD DE ADMINISTRAÇÃO OSCAR CAMILO SILVA EVANGELISTA MELHOR, MAIS RÁPIDO E MAIS BARATO A influência das funcionalidades do canal na aquisição de música digital Rio de Janeiro 2013 OSCAR CAMILO SILVA EVANGELISTA MELHOR, MAIS RÁPIDO E MAIS BARATO A influência das funcionalidades do canal na aquisição de música digital Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Administração. Orientador: Prof. Dr. Otávio Henrique dos Santos Figueiredo Rio de Janeiro 2013 Evangelista, Oscar Camilo Silva Melhor, mais rápido e mais barato: a influência das funcionalidades do canal na aquisição de música digital / Oscar Camilo Silva Evangelista. – Rio de Janeiro: UFRJ, 2013. 161 f.: il. Dissertação (Mestrado em Administração) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto COPPEAD de Administração, 2013. Orientador: Otávio Henrique dos Santos Figueiredo 1. Marketing. 2. Comportamento do consumidor 3. Música. 4. Administração – Teses. I. Figueiredo, Otávio Henrique dos Santos. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto COPPEAD de Administração. III. Título. OSCAR CAMILO SILVA EVANGELISTA MELHOR, MAIS RÁPIDO E MAIS BARATO A influência das funcionalidades do canal na aquisição de música digital Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Administração. Aprovada em: __________________________________________________ Prof. Dr. Otávio Henrique dos Santos Figueiredo – Orientador (COPPEAD/UFRJ) __________________________________________________ Prof. Dr. Peter Fernandes Wanke (COPPEAD/UFRJ) __________________________________________________ Prof. Dr. José Geraldo Pereira Barbosa (UNESA) Dedico este trabalho a meus pais, que sempre possibilitaram e apoiaram minhas escolhas na vida. AGRADECIMENTOS À minha família, que sempre apoiou minhas decisões – em especial à meu tio Manoel Murilo Silva, que proporcionou os meios para que eu pudesse morar no Rio de Janeiro. Da mesma forma, não poderia deixar de agradecer à Maria, Danielle e Jenara Miranda, minha família em Porto Alegre, que me acolheram quando cheguei à cidade (e por um bom tempo depois). Ao Professor Dr. Otávio Figueiredo, por ter aceitado o desafio de me orientar com tal liberdade temática. Mais que orientador, um amigo que levarei para a vida. Aos professores Dr. José Geraldo Pereira Barbosa e Dr. Peter Wanke, pela prestatividade e atenção em aceitarem meu convite para participar da banca de defesa da minha dissertação, e pelas valiosas contribuições acrescentadas ao trabalho. Ao corpo docente do Instituto COPPEAD de Administração, pelos valorosos ensinamentos aprendidos durante o mestrado. Tenho muito orgulho em ter feito parte da história dessa instituição. Aos funcionários da Secretaria de Pós-Graduação do COPPEAD, pela paciência e prestatividade demonstradas. Ao Prof. Dr. Carlos Alberto Vargas Rossi, pelas oportunidades de aprendizado e orientação na etapa inicial do processo dessa dissertação. Ao corpo docente da Escola de Administração da UFRGS, onde dei início à minha caminhada no mestrado, pelo aprendizado e evolução pessoal alcançados no convívio com essa instituição. Aos Confirmados, amigos que tornaram minha estada em Porto Alegre muito mais prazerosa, e me proporcionaram um dos melhores períodos da minha vida. Pelo mesmo motivo, agradeço aos amigos do Turma 2011 do Mestrado do COPPEAD, fundamentais para que a vida no Rio de Janeiro fosse tão boa. Isso é COPPEAD, porra! À Sabrina Steinke, minha companheira em boa parte dessa trajetória, pela felicidade compartilhada, compreensão integral e apoio em todos os momentos. Obrigado por tudo, Sabris! Ao Sr. Roberto Vieira, diretor da Divisão de Registro de Estudantes (DRE) da UFRJ, por ter disponibilizado o acesso aos alunos da universidade, sem o qual esse trabalho não teria sido possível. Ao Prof. Rajiv K. Sinha, pela prestatividade em disponibilizar os instrumentos utilizados em suas pesquisas. Por fim, aos amigos que, além de me proporcionarem o prazer de compartilhar ótimos momentos juntos, também fizeram contribuições fundamentais a esse trabalho: Carolina Montagna, Gisele Chouin, João Guilherme Amorim, Leonardo Sertã, Rebecca de Mattos, Vinicius Pereira e Vitor Lalor. Come gather 'round people Wherever you roam And admit that the waters Around you have grown And accept it that soon You'll be drenched to the bone If your time to you Is worth savin' Then you better start swimmin' Or you'll sink like a stone For the times they are a-changin'. Come writers and critics Who prophesize with your pen And keep your eyes wide The chance won't come again And don't speak too soon For the wheel's still in spin And there's no tellin' who That it's namin' For the loser now Will be later to win For the times they are a-changin'. Come senators, congressmen Please heed the call Don't stand in the doorway Don't block up the hall For he that gets hurt Will be he who has stalled There's a battle outside And it is ragin' It'll soon shake your windows And rattle your walls For the times they are a-changin'. Come mothers and fathers Throughout the land And don't criticize What you can't understand Your sons and your daughters Are beyond your command Your old road is Rapidly agin' Please get out of the new one If you can't lend your hand For the times they are a-changin'. The line it is drawn The curse it is cast The slow one now Will later be fast As the present now Will later be past The order is Rapidly fadin' And the first one now Will later be last For the times they are a-changin'. Bob Dylan, The Times They Are A-Changin’ RESUMO Desde o final do século XX, a indústria fonográfica vem sofrendo transformações em sua estrutura, principalmente em relação à sua cadeia de distribuição. O intercâmbio livre e gratuito de música digital – realizado sem autorização dos detentores dos direitos autorais –, tornou-se prática corrente entre os consumidores de música digital, sendo um dos fatores responsáveis pela substituição do consumo de música em formato físico pelo formato digital. O objetivo desse estudo é identificar fatores que podem influenciar nessa nova dinâmica de consumo de música, aumentando a disposição a pagar por música digital dos usuários. Dentro desse escopo, foi dado foco no impacto das funcionalidades do canal de aquisição pago. Inspirado nos experimentos conduzidos por Sinha e Mandel (2008) e Sinha, Machado e Sellman (2010), que utilizam o método de avaliação contingente para estimar a disposição a pagar por música digital, esse estudo busca medir como as funcionalidades relativas à performance e conveniência provenientes do canal de aquisição pago influenciam na disposição a pagar dos usuários. Para isso, foi realizado um experimento com estudantes de graduação da UFRJ. Por meio da técnica de análise de sobrevivência, foi possível inferir a disposição a pagar dos respondentes em relação a diferentes cenários considerando funcionalidades de performance e conveniência. Os resultados da pesquisa sugerem que as funcionalidades do canal de aquisição pago têm influência positiva na disposição a pagar dos usuários – quanto mais funcionalidades, maior a disposição a pagar –, sendo que as funcionalidades de performance têm maior impacto positivo do que as funcionalidades de conveniência. Além disso, os resultados sugerem que a disposição a pagar desses usuários está aquém dos preços praticados pelos canais de comercialização de música digital operando no Brasil. Em relação às características individuais, o alto envolvimento com música e a experiência prévia com aquisição de música por um canal pago também exercem influência positiva na disposição a pagar. Palavras-chave: Música digital; Comportamento de aquisição; Funcionalidades do canal de aquisição; Disposição a pagar; Análise de sobrevivência. ABSTRACT Since the late twentieth century, the music industry has undergone changes in its structure, especially in relation to their supply chain. The free exchange of digital music – performed without authorization of the copyright owners – became the standard practice among consumers of digital music, being one of the factors responsible for the replacement of the consumption of music in physical format by the digital format. The purpose of this study is to identify factors that could influence this new dynamics of music consumption, increasing the willingness to pay for digital music users. Within this scope, focus was given on the impact of the features of paid acquisition channels. Inspired by the experiments conducted by Sinha and Mandel (2008) and Sinha, Machado and Sellman (2010), which used the contingent valuation method to estimate the willingness to pay for digital music, this study seeks to measure how the features regarding performance and convenience from a paid acquisition channel influence the willingness to pay of users. In order to accomplish this, an experiment was conducted with students at UFRJ. Using the survival analysis technique, it was possible to infer the willingness to pay of respondents in relation to different scenarios considering performance and convenience features. The results suggest that the features of the paid acquisition channel have positive influence on the willingness to pay of users – the more the features, the higher the willingness to pay. Also, performance features have a greater positive impact on willingness to pay than convenience ones. Furthermore, the results suggest that the willingness to pay of those users is below the prices charged by digital music providers operating in Brazil. Regarding individual characteristics, high involvement with music and previous experience with acquiring music through a paid channel also have positive influence on willingness to pay. Keywords: Digital music; Acquisition behavior; Acquisition channel features; Willingness to pay; Survival analysis. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1: Vendas globais de música gravada por formato – 2007-2016 ........................................ 18 Figura 2: Vendas de música no Brasil por formato (em R$ milhões)– 2007-2011 ........................ 20 Quadro 1: Serviços de distribuição de música digital no Brasil por tipo de fornecedor ............. 21 Figura 3: Evolução do controle do usuário sobre o processo produtivo ...................................... 28 Quadro 2: Métodos de obtenção da disposição a pagar por avaliação contingente ................... 53 Quadro 3: Exemplo de faixas de valores utilizados para estimar a disposição a pagar.............. 56 Quadro 4: resumo das variáveis utilizadas para caracterização da amostra da pesquisa .......... 61 Quadro 5: consequências das respostas às questões de referendo para estimação da DAP.... 63 Quadro 6: faixas de valores para estimação da disposição a pagar por música digital.............. 64 Quadro 7: itens da Escala de Envolvimento com Música ............................................................... 65 Quadro 8: versões do instrumento de pesquisa e dígitos associados ......................................... 68 Figura 4: Curvas de sobrevivência por cenário – censura intervalar ............................................ 92 Figura 5: Curvas de sobrevivência por cenário – ponto médio ...................................................... 95 Quadro 9: resumo das sub-hipóteses referentes às funcionalidades do canal ......................... 101 Quadro 10: preços praticados por música digital em cinco serviços no Brasil – 01/07/2013 ... 115 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Distribuição amostral para gênero ................................................................................... 74 Tabela 2: Distribuição amostral para idade ...................................................................................... 75 Tabela 3: Distribuição amostral para idade em quartis ................................................................... 76 Tabela 4: Distribuição amostral por tipo de rendimento mensal ................................................... 77 Tabela 5: Distribuição amostral por tipo de rendimento mensal em quantidade ......................... 77 Tabela 6: Distribuição amostral por tipo de acesso à internet ....................................................... 78 Tabela 7: Distribuição amostral por quantidade de tipos de acesso à internet ............................ 78 Tabela 8: Distribuição amostral por tipo de dispositivo de acesso à internet .............................. 79 Tabela 10: Distribuição amostral por tempo de uso diário de internet .......................................... 80 Tabela 11: Distribuição amostral por tempo de uso diário de internet em quartis ...................... 81 Tabela 12: Distribuição amostral por experiência prévia com download de músicas ................. 81 Tabela 13: Distribuição amostral por realização de download de músicas nos últimos seis meses ................................................................................................................................................... 82 Tabela 14: Distribuição amostral por quantidade de dias em que se realiza download de músicas no mês .................................................................................................................................. 83 Tabela 15: Distribuição amostral por quantidade de dias em que se realiza download de músicas no mês em quartis ............................................................................................................... 83 Tabela 16: Distribuição amostral por quantidade de músicas adquiridas via download no mês .............................................................................................................................................................. 84 Tabela 17: Distribuição amostral por quantidade de músicas adquiridas via download no mês em quartis ............................................................................................................................................ 85 Tabela 18: Distribuição amostral por experiência com download pago de música digital ......... 85 Tabela 19: Distribuição amostral por canais utilizados para download pago .............................. 86 Tabela 20: Confiabilidade interna da Escala de Envolvimento com Música ................................. 87 Tabela 21: Estatísticas descritivas da Escala de Envolvimento com Música ............................... 88 Tabela 22: Distribuição amostral da Escala de Envolvimento com Música em quartis ............... 88 Tabela 23: Distribuição amostral do último dígito do número de registro (DRE) ......................... 89 Tabela 24: Distribuição amostral do nível de envolvimento com o artista.................................... 90 Tabela 25: Distribuição amostral das faixas para estimação da DAP ............................................ 90 Tabela 26: Distribuição amostral da ordem de apresentação dos cenários Performance e Conveniência ....................................................................................................................................... 91 Tabela 27: Separatrizes (quartis) das curvas de sobrevivência da DAP por censura intervalar 93 Tabela 28: Estatísticas resumo das curvas de sobrevivência por ponto médio .......................... 95 Tabela 29: comparação entre estimativas da DAP por censura intervalar e por ponto médio ... 96 Tabela 30: Teste de Wilcoxon para comparação entre funções de sobrevivência por cenário .. 97 Tabela 31 – Estatísticas resumo das funções de sobrevivência da DAP por envolvimento com o artista .................................................................................................................................................. 102 Tabela 32 – Teste de Wilcoxon para comparação entre funções de sobrevivência da DAP por envolvimento com o artista .............................................................................................................. 103 Tabela 33 – Estatísticas resumo das funções de sobrevivência da DAP por envolvimento com música ................................................................................................................................................ 103 Tabela 34 – Teste de Wilcoxon para comparação entre funções de sobrevivência da DAP por envolvimento com música ............................................................................................................... 104 Tabela 35 – Estatísticas resumo das funções de sobrevivência da DAP por gênero ................ 105 Tabela 36 – Teste de Wilcoxon para comparação entre funções de sobrevivência da DAP por gênero ................................................................................................................................................ 106 Tabela 37 – Estatísticas resumo das funções de sobrevivência da DAP por tempo de uso diário de internet .......................................................................................................................................... 106 Tabela 38 – Teste de Wilcoxon para comparação entre funções de sobrevivência da DAP por tempo de uso diário de internet ....................................................................................................... 107 Tabela 39 – Estatísticas resumo das funções de sobrevivência da DAP por experiência recente com download de músicas ............................................................................................................... 107 Tabela 40 – Teste de Wilcoxon para comparação entre funções de sobrevivência da DAP por experiência recente com download de músicas ............................................................................ 108 Tabela 41 – Estatísticas resumo das funções de sobrevivência da DAP por quantidade de dias em que se realiza download de músicas no mês ........................................................................... 109 Tabela 42 – Teste de Wilcoxon para comparação entre funções de sobrevivência da DAP por quantidade de dias em que se realiza download de músicas no mês ......................................... 109 Tabela 43 – Estatísticas resumo das funções de sobrevivência da DAP por quantidade de músicas adquiridas via download no mês ..................................................................................... 110 Tabela 44 – Teste de Wilcoxon para comparação entre funções de sobrevivência da DAP por quantidade de músicas adquiridas via download no mês ............................................................ 110 Tabela 45 – Estatísticas resumo das funções de sobrevivência da DAP por experiência com download pago .................................................................................................................................. 111 Tabela 46 – Teste de Wilcoxon para comparação entre funções de sobrevivência da DAP por experiência com download pago ..................................................................................................... 111 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO..................................................................................................... 16 1.1 MERCADO FONOGRÁFICO NO SÉCULO XXI ............................................... 16 1.1.1 Panorama do mercado fonográfico mundial ............................................. 17 1.1.2 Panorama do mercado fonográfico brasileiro ........................................... 19 1.2 DELIMITAÇÃO DO TEMA E DEFINIÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA .... 22 1.3 OBJETIVOS ...................................................................................................... 24 1.3.1 Objetivo geral ............................................................................................... 25 1.3.2 Objetivos específicos .................................................................................. 25 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .......................................................................... 26 2.1 O CONSUMO DE MÚSICA NO SÉCULO XXI .................................................. 26 2.2 MÚSICA COMO UM BEM DE INFORMAÇÃO ................................................. 28 2.3 MÚSICA DIGITAL E DISTRIBUIÇÃO NÃO AUTORIZADA .............................. 31 2.4 MODELOS DE CONSUMO MUSICAL ............................................................. 34 2.4.1 Modelo de Lacher e Mizerski (1994) ........................................................... 35 2.4.2 Modelo de Ouellet (2007) ............................................................................. 36 2.4.3 Modelo de Rochelandet e Le Guel (2005) .................................................. 37 2.4.4 Modelo de Sinha e Mandel (2008) ............................................................... 38 2.5 INFLUÊNCIA DAS FUNCIONALIDADES DO CANAL NA AQUISIÇÃO DE MÚSICA DIGITAL ..................................................................................................... 39 2.6 INFLUÊNCIA DO ENVOLVIMENTO COM MÚSICA E COM O ARTISTA NA AQUISIÇÃO MÚSICA DIGITAL ................................................................................ 42 2.7 DISPOSIÇÃO A PAGAR (DAP) ........................................................................ 43 2.8 DEFINIÇÃO DAS HIPÓTESES ......................................................................... 44 2.8.1 Hipóteses relacionadas à influência das funcionalidades do canal de aquisição sobre a disposição a pagar .................................................................. 45 2.8.2 Hipóteses relacionadas à influência do envolvimento com música em geral e com o artista sobre a disposição a pagar ................................................ 47 3 MÉTODO ............................................................................................................. 49 3.1 EXPERIMENTO ................................................................................................ 49 3.2 AVALIAÇÃO CONTINGENTE ........................................................................... 51 3.2.1 Tipos de avaliação contingente ................................................................. 52 3.2.2 Avaliação contingente por escolha dicotômica ....................................... 53 3.3 DESENHO DO EXPERIMENTO ....................................................................... 55 3.4 CONDUÇÃO DA PESQUISA ............................................................................ 57 3.4.1 Etapa exploratória ....................................................................................... 57 3.4.2 Pré-teste das funcionalidades .................................................................... 58 3.4.3 Elaboração do instrumento de pesquisa .................................................. 60 3.4.4 Definição da amostra e procedimento de coleta ...................................... 66 3.1 TÉCNICAS ESTATÍSTICAS UTILIZADAS ....................................................... 69 3.4.1 Análise de sobrevivência ............................................................................ 70 3.4.2 Estimação da disposição a pagar pela análise de sobrevivência ........... 71 4 RESULTADOS .................................................................................................... 73 4.1 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA ................................................................ 73 4.1.1 Gênero ........................................................................................................... 74 4.1.2 Idade .............................................................................................................. 74 4.1.3 Rendimento mensal ..................................................................................... 76 4.1.4 Tipo de acesso à internet ............................................................................ 77 4.1.5 Dispositivos de acesso à internet .............................................................. 79 4.1.6 Tempo de uso diário de internet ................................................................. 80 4.1.7 Experiência prévia com download de músicas ......................................... 81 4.1.8 Quantidade de dias em que se realiza download de músicas no mês ... 82 4.1.9 Quantidade de músicas adquiridas por download no mês ...................... 84 4.1.10 Experiência com download pago de músicas ......................................... 85 4.1.11 Canais utilizados para download pago .................................................... 86 4.1.12 Envolvimento geral com música............................................................... 87 4.1.13 Último dígito do número de registro ........................................................ 89 4.1.14 Envolvimento com o artista....................................................................... 89 4.1.15 Faixas para estimação da disposição a pagar ........................................ 90 4.1.16 Ordem de apresentação dos cenários Performance e Conveniência ... 91 4.2 ESTIMATIVAS DA DAP E CURVAS DE SOBREVIVÊNCIA POR CENÁRIO .. 91 4.3 INFLUÊNCIA DAS FUNCIONALIDADES DO CANAL DE AQUISIÇÃO ........... 97 4.4 INFLUÊNCIA DO ENVOLVIMENTO COM MÚSICA E COM O ARTISTA ...... 101 4.4.1 Envolvimento com o artista ...................................................................... 101 4.4.2 Envolvimento com música ........................................................................ 103 4.5 INFLUÊNCIA DE OUTRAS CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS ................... 104 4.6 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ................................................................. 112 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................. 119 5.1 IMPLICAÇÕES TEÓRICAS DO ESTUDO ...................................................... 119 5.2 IMPLICAÇÕES GERENCIAIS DO ESTUDO .................................................. 120 5.3 LIMITAÇÕES DO ESTUDO ............................................................................ 122 5.4 SUGESTÕES PARA PESQUISAS FUTURAS ............................................... 123 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 125 APÊNDICE 1: TESTE PAREADO DE DUNCAN PARA FUNCIONALIDADES .... 135 APÊNDICE 2: INSTRUMENTO DE COLETA (VERSÃO DÍGITO 0) ..................... 136 APÊNDICE 3: SITUAÇÃO DE ALTO ENVOLVIMENTO COM O ARTISTA ......... 152 APÊNDICE 4: DISTRIBUIÇÃO DE FREQUÊNCIA DA AMOSTRA POR ESCORE DA ESCALA DE ENVOLVIMENTO COM MÚSICA ............................................... 153 APÊNDICE 5: FUNÇÃO DE SOBREVIVÊNCIA CALCULADA POR CENSURA INTERVALAR PARA O CENÁRIO CONTROLE ................................................... 154 APÊNDICE 6: FUNÇÃO DE SOBREVIVÊNCIA CALCULADA POR CENSURA INTERVALAR PARA O CENÁRIO PERFORMANCE ........................................... 155 APÊNDICE 7: FUNÇÃO DE SOBREVIVÊNCIA CALCULADA POR CENSURA INTERVALAR PARA O CENÁRIO CONVENIÊNCIA ............................................ 156 APÊNDICE 8: FUNÇÃO DE SOBREVIVÊNCIA CALCULADA POR CENSURA INTERVALAR PARA O CENÁRIO SOMA ............................................................. 157 APÊNDICE 9: FUNÇÃO DE SOBREVIVÊNCIA CALCULADA PELO PONTO MÉDIO PARA O CENÁRIO CONTROLE ............................................................... 158 APÊNDICE 10: FUNÇÃO DE SOBREVIVÊNCIA CALCULADA PELO PONTO MÉDIO PARA O CENÁRIO PERFORMANCE ....................................................... 159 APÊNDICE 11: FUNÇÃO DE SOBREVIVÊNCIA CALCULADA PELO PONTO MÉDIO PARA O CENÁRIO CONVENIÊNCIA ....................................................... 160 APÊNDICE 12: FUNÇÃO DE SOBREVIVÊNCIA CALCULADA PELO PONTO MÉDIO PARA O CENÁRIO SOMA ........................................................................ 161 16 1 INTRODUÇÃO O consumo de música digital caracteriza uma verdadeira revolução nas relações entre produtores e consumidores de bens de informação. A facilidade de acesso às tecnologias de comunicação no início do século XXI faz com que, pouco mais de uma década após o lançamento do Napster e o consequente surgimento das redes de compartilhamento de arquivos peer-to-peer (P2P) via internet, a troca de peças musicais digitais seja considerada por alguns como o maior desafio a ser enfrentado por artistas e companhias fonográficas (BBC, 2009). Essa apreensão tem como base números muito expressivos: 95% dos arquivos musicais obtidos em 2008 foram distribuídos por algum canal ilegal, representando mais de 40 bilhões de downloads durante o ano (BBC, 2009). E, mesmo assim, os cerca de 5% de arquivos adquiridos de forma legal neste período somam expressivas 1,4 bilhão de unidades, arrecadando um montante (quase US$ 3,8 bilhões) equivalente a mais de 20% do faturamento total da indústria fonográfica. Uma rápida análise destes números permite perceber o imenso potencial de mercado existente para a música digital – basta saber como transformar os adeptos das práticas de obtenção ilegal de arquivos musicais em usuários propensos à aquisição via canais legais de comercialização. 1.1 MERCADO FONOGRÁFICO NO SÉCULO XXI A aquisição de bens digitais – representados neste estudo pela música digital – tem passado por modificações estruturais desde o final do século XX, por conta da disseminação das tecnologias de informação capitaneadas pela internet. Antes de abordar o tema de como o consumo de música digital insere-se neste novo panorama tecnológico, cabe iniciar este trabalho com algumas informações relevantes a respeito do mercado fonográfico mundial e brasileiro. 17 1.1.1 Panorama do mercado fonográfico mundial O mercado fonográfico mundial vem apresentando um sensível decréscimo nas vendas nos últimos anos. O volume de vendas de música – considerando os formatos físicos (CDs, DVDs, cassetes, etc.) e digitais (arquivos eletrônicos individuais ou assinaturas periódicas, via internet ou dispositivos móveis) – caiu de US$ 21,47 bilhões em 2004 para US$ 16,5 bilhões em 2012, computando uma perda de 23% nesse período (SMIRKE, 2013; INTERNATIONAL FEDERATION OF THE PHONOGRAPHIC INDUSTRY, 2006a). Apesar dessa queda total nos números, pode-se perceber comportamentos diferentes nas vendas dos dois formatos aqui considerados. Enquanto o comércio de composições musicais por meio físico decaiu de US$ 21,1 bilhões em 2004 para 9,4 bilhões em 2012 (uma perda de 55%), as vendas de música no formato digital saltaram de US$ 397 milhões para aproximadamente US$ 5,8 bilhões durante o mesmo período, um notável acréscimo de 1.360% (SMIRKE, 2013; INTERNATIONAL FEDERATION OF THE PHONOGRAPHIC INDUSTRY, 2006a). Ainda que o comércio de peças musicais digitais apresente números mais modestos do que sua contraparte física, percebe-se uma clara evolução da participação dos formatos digitais nas vendas globais de música – de cerca de 2% em 2004 para aproximadamente 35% em 2012. De fato, de acordo com estimativas de um estudo da PricewaterhouseCoopers (2012), as projeções de vendas digitais globais superam as das vendas em formatos físicos no ano de 2015 (figura 1). Em alguns mercados, inclusive, as receitas com música digital já ultrapassaram os montantes referentes aos meios físicos, como na Coreia do Sul, com 53%, e na China, com 71% (INTERNATIONAL FEDERATION OF THE PHONOGRAPHIC INDUSTRY, 2012). Nos EUA, maior mercado do mundo para a indústria fonográfica, o ponto de virada das vendas em formato digital sobre as físicas ocorreu em 2011, quando tal segmento atingiu 50,3% das receitas relacionadas a música naquele país (THE NIELSEN COMPANY, 2012). 18 Este crescimento do comércio virtual de obras musicais tem reflexos nas estruturas de mercado contemporâneas, sendo a operação de vendas de música digital da Apple o expoente mais significativo desta nova configuração. A iTunes Store, loja virtual da Apple que desde 2003 comercializa faixas musicais pela internet, atingiu a marca de quinze bilhões de canções vendidas em 2011 (RESNIKOFF, 2011). Contando com um catálogo com mais de 28 milhões de arquivos musicais (RESNIKOFF, 2012), a iTunes Store ocupa o primeiro lugar entre os varejistas de música nos Estados Unidos, comparada a concorrentes que vendem composições tanto no formato físico quanto digital – a loja da Apple atingiu este posto pela primeira vez em abril de 2008, ultrapassando a então líder Wal-Mart (ZMOGINSKI, 2008). Para o ano fiscal de 2012, a receita pela iTunes Store para a Apple foi de US$ 7,5 bilhões, apresentando um acréscimo de 39% em relação ao ano anterior e configurando aproximadamente 5% da receita total mundial da empresa (UNITED STATES SECURITIES AND EXCHANGE COMMISSION, 2012). 30.000 25.000 20.000 15.000 10.000 5.000 0 2007 2008 2009 2010 2011 Formato físico 2012* 2013* Formato digital 2014* 2015* 2016* * Projeção Figura 1: Vendas globais de música gravada por formato – 2007-2016 Fonte: Adaptado de PricewaterhouseCoopers (2012) No entanto, o comércio virtual de música – e, por conseguinte, o mercado fonográfico – enfrenta hoje uma força de concorrência potencial: a aquisição ilegal 19 de faixas musicais digitais, seja por meio da troca entre pessoas, seja via download da internet. Estudos da International Federation of the Phonographic Industry (IFPI) estimam que aproximadamente 20 bilhões de peças musicais virtuais foram adquiridas ilegalmente em 2005 (INTERNATIONAL FEDERATION OF THE PHONOGRAPHIC INDUSTRY, 2006b), com o dobro deste montante sendo obtido de forma ilegal em 2008 (BBC, 2009). Além destes números impressionantes, chama a atenção o fato de tanto países em desenvolvimento quanto nações desenvolvidas enfrentarem cenários semelhantes em relação à pirataria digital. Dessa forma, na lista dos dez países tidos como prioridade em relação à pirataria pela IFPI em 2005, Brasil e China – expoentes da pirataria física e com níveis de pirataria digital crescentes – figuram ao lado de Canadá (que atingiu um bilhão de downloads ilegais de música em 2005) e Espanha (onde 500 milhões de faixas digitais foram obtidas de maneira ilegal no mesmo ano). A queda nas vendas de CDs e DVDs musicais, as consideráveis cifras de iniciativas comerciais via internet como a iTunes Store e o grande número de adeptos em relação à aquisição de faixas musicais digitais sugerem que o padrão de consumo global de música está se alterando, onde as pessoas gradativamente começam a abandonar os meios físicos para adotar as formas digitais de armazenagem de composições musicais. O problema para a indústria fonográfica é que esta transformação propicia a aquisição de peças musicais de maneira ilegal, sem o pagamento dos devidos direitos autorais pela obra. 1.1.2 Panorama do mercado fonográfico brasileiro Nos últimos seis anos, o mercado fonográfico brasileiro apresentou um crescimento de 16,7% nas receitas oriundas da venda de CDs, DVDs/Blu-Rays e formatos digitais – de R$ 336,7 milhões em 2007 para R$ 392,9 milhões em 2012 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS PRODUTORES DE DISCO, 2013; 2009). Porém, 20 quando são analisados os desempenhos por formato – cujas cifras anuais são apresentadas na figura 2 – percebe-se uma evolução distinta entre os meios de distribuição de música físicos e digitais. Enquanto as vendas em formato digital no período aumentaram em 359%, de R$ 24,3 milhões para R$ 111,4 milhões, o comércio de música em formato físico apresentou queda de 8%, acentuada pelo decréscimo de 20% nas vendas de CDs. 400 350 24,3 300 97,4 43,5 42,8 96,2 100,6 54,0 105,7 60,9 115,9 109,0 250 200 215,0 216,1 111,4 217,0 184,6 150 196,5 172,4 100 50 0 2007 2008 2009 CD 2010 DVD 2011 2012 Digital Figura 2: Vendas de música no Brasil por formato (em R$ milhões)– 2007-2011 Fonte: Adaptado de Associação Brasileira dos Produtores de Disco (2013; 2012; 2011; 2010; 2009) Dessa forma, é o aumento das receitas no formato digital que faz o montante total faturado pela indústria fonográfica no Brasil aumentar de 2007 a 2012. Como consequência, a participação do canal digital de distribuição nas receitas totais de vendas de música no Brasil passou de aproximadamente 7% em 2007 para pouco mais de 28% em 2012 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS PRODUTORES DE DISCO, 2013; 2009). Apesar desse percentual aparecer aquém da porcentagem global relativa aos formatos digitais – da ordem de 35% do total das vendas globais em 2012 (SMIRKE, 2013) –, as vendas de música digital no mercado brasileiro apresentam um crescimento muito mais acentuado (aproximadamente 83% na comparação entre 2012 e 2011) do que o apresentado em escala mundial (8% no 21 mesmo período). Estes dados podem indicar que o mercado de música digital no Brasil está em um estágio de maturidade ainda inferior ao nível global, porém contando com um bom potencial a ser explorado. Visando atender essa demanda crescente por música digital no país, diversas empresas brasileiras desenvolveram soluções para vender música por esse canal. Em 2012, o Brasil contava com 19 serviços de distribuição de música digital no cadastro do Pro-Music, o banco de dados mais abrangente sobre provedores legais de música via internet (INTERNATIONAL FEDERATION OF THE PHONOGRAPHIC INDUSTRY, 2012). Essa gama de serviços distribui conteúdo por meio de diferentes tecnologias (streaming de áudio, streaming de vídeo, download de arquivos musicais etc.) e modelos de negócio (consumo gratuito sem posse, assinatura mensal, pagamento por transação etc.). Basicamente, tais serviços são fornecidos por companhias que atuam em diferentes mercados: grandes gravadoras, operadoras de telefonia, produtores de hardware, portais de internet e redes de rádio, além de alguns provedores independentes. O quadro 1 mostra a distribuição desses serviços por tipo de fornecedor. Tipo de fornecedor Serviço Claro Music Store Mundo Oi OI Rdio Operadoras de telefonia Power Music Club (GVT) TIM Music Store Vivo Play MSN Music Store Sonora Terra Portais de internet UOL Megastore Yahoo! Music ideasmusik (Blackberry) Produtores de hardware iTunes (Apple) Nokia Music Ideas Music Store Provedores independentes iMusica YouTube Universal Music Loja Gravadoras Warner Music Store Redes de rádio Mercado da Música – Transamerica Quadro 1: Serviços de distribuição de música digital no Brasil por tipo de fornecedor Fonte: Adaptado de International Federation of the Phonographic Industry (2012) 22 Todavia, apesar dessa mudança na forma de consumo de música e do potencial promissor da distribuição digital, o Brasil apresenta um cenário deveras preocupante em relação à pirataria, seja física ou digital. De acordo com o estudo da International Federation of the Phonographic Industry (2006b), o Brasil é um dos dez países vistos como prioridade no combate à pirataria, com base em três critérios: a importância do mercado formal, a tendência local em relação à pirataria e as ações governamentais destinadas a enfrentar este problema. Para dar uma ideia da gravidade do problema em escala nacional, enquanto o nível de pirataria relativo a CDs musicais alcançou 40% das vendas no país em 2005, o número de downloads ilegais de composições digitais foi da ordem de um bilhão no mesmo ano (INTERNATIONAL FEDERATION OF THE PHONOGRAPHIC INDUSTRY, 2006b). Essa configuração do mercado fonográfico no Brasil – potencial de crescimento da distribuição digital por um lado, ameaça da pirataria nesse mesmo tipo de canal por outro – faz com que surjam oportunidades para estudos relacionados ao consumo de música digital no país e, principalmente, da aquisição de música digital por meio de canais pagos de distribuição. Dessa forma, a proposta desse trabalho é estudar esse tipo de aquisição por parte do consumidor de música digital, dentro do escopo delimitado a seguir. 1.2 DELIMITAÇÃO DO TEMA E DEFINIÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA Além da relevância do mercado fonográfico mundial, tanto por sua importância econômica quanto pelas profundas transformações pelas quais esse setor vem passando a partir do final do século XX – e que podem servir para indicar a evolução de outros mercados semelhantes, como o cinematográfico (HENNIG-THURAU; HENNING; SATTLER, 2007) –, o consumo de música em si tem sido objeto de estudo de pesquisadores em marketing e comportamento do consumidor nas últimas décadas. 23 Existem diversos artigos relacionados ao consumo de música publicados em periódicos renomados em ambas as áreas, como Journal of Marketing (STIBAL, 1977; HIRSCHMAN; HOLBROOK, 1982; BRUNER II, 1990; SINHA; MANDEL, 2008; SINHA; MACHADO; SELLMAN, 2010), Journal of Marketing Research (PARK; YOUNG, 1986; MOE; FADER, 2001; ZHU; MEYERS-LEVY, 2005) e Journal of Consumer Research (MILLIMAN, 1986; HOLBROOK; SCHINDLER, 1989; SCOTT, 1990; LACHER; MIZERSKI, 1994; GOULDING et al., 2009). De maneira análoga, em um período mais recente, o consumo de música digital vem ocupando espaço na literatura acadêmica, seja de forma isolada (GOPAL et al., 2004; LEVIN; DATO-ON; RHEE, 2004; LIEBOWITZ, 2004; D’ASTOUS; COLBERT; MONTPETIT, 2005; ROB; WALDFOGEL, 2006; OUELLET, 2007; SINHA; MANDEL, 2008; CHIANG; ASSANE, 2009; CHUNG; RUST; WEDEL, 2009; SINHA; MACHADO; SELLMAN, 2010) ou em conjunto com outros bens digitais (MICHEL, 2005; ROCHELANDET; LE GUEL, 2005; PLOUFFE, 2008; TAYLOR; ISHIDA; WALLACE, 2009). Apesar da prolífica literatura dedicada ao comportamento de consumo de música – e, mais recentemente, ao consumo de música digital –, percebe-se nesse campo um viés de estudos relacionados somente à pirataria digital e aquisição de arquivos musicais por canais digitais gratuitos. Não há, salvo algumas exceções – como os trabalhos de Sinha, Machado e Sellman (2010), Chiang e Assane (2009), Sinha e Mandel (2008) e Ouellet (2007) – uma quantidade significativa de trabalhos cujo objetivo seja analisar o comportamento de aquisição de música digital por canais pagos, ou mesmo que apresentem uma comparação entre os dois comportamentos antagônicos (aquisição paga versus gratuita). E, mesmo dentro desse universo de estudos relacionados à aquisição paga de música digital, raros são os trabalhos que buscam acessar o valor que o consumidor está disposto a pagar para adquirir composições musicais pelos canais digitais. Assim, existe uma lacuna no conhecimento em marketing e comportamento do consumidor a ser explorada no caso da aquisição de música digital mediante pagamento, especialmente aqueles focados em desvendar a disposição a pagar dos consumidores. 24 No cenário brasileiro, o panorama de pesquisas relacionadas ao consumo de música digital é consideravelmente mais escasso do que o internacional (NOVAES; ANDRADE, 2012; ALVIM; STREHLAU; KIRSCHBAUM, 2010; BARROS et al., 2008, CASTRO, 2007; FILGUEIRAS; SILVA, 2002). Além da reduzida quantidade, os trabalhos sobre música digital concentram-se de forma predominante na aquisição e consumo de música digital por canais gratuitos, geralmente associados à pirataria digital (CASTRO, 2007; BARROS et al., 2008), deixando aberto o espaço para uma pesquisa no Brasil que considere o comportamento de aquisição de música digital por canais de distribuição pagos em âmbito doméstico. De fato, Alvim, Strehlau e Kirschbaum (2010) chamam a atenção para a inexistência de trabalhos no país que tentem compreender como converter um consumidor de música digital gratuita em usuário pagante. E, ainda que tais autores tratem dessa questão em seu trabalho, os mesmos não abordam em sua pesquisa o valor que tal consumidor estaria disposto a pagar para adquirir música digital. Por conta desta lacuna, principalmente em relação à literatura acadêmica brasileira, o presente estudo tem como proposta analisar o comportamento de aquisição de música digital mediante pagamento – em outras palavras, os motivos pelo qual um indivíduo paga para adquirir música digital. Para tanto, o problema de pesquisa é definido como: o que faz o consumidor adquirir música digital por meio de um canal de distribuição pago, em vez de utilizar um canal de obtenção gratuito? 1.3 OBJETIVOS Tendo em vista a delimitação do tema e o problema de pesquisa proposto, os objetivos – geral e específicos – decorrentes são apresentados abaixo. 25 1.3.1 Objetivo geral O objetivo geral desse estudo é identificar se as funcionalidades do canal de aquisição exercem influência na compra de música digital, de forma a tentar explicar as diferenças que geram impacto na decisão do usuário na adoção canais de distribuição pagos ou gratuitos. 1.3.2 Objetivos específicos A partir do objetivo geral definido para esse trabalho, foram elaborados dois objetivos específicos: • Estimar a disposição a pagar por música digital dos respondentes em situações relacionadas às funcionalidades do canal de aquisição; • Identificar a possível influência do envolvimento do consumidor com música e com o artista no comportamento de aquisição paga de música digital. 26 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A fim de construir o raciocínio necessário para responder o problema de pesquisa, é fundamental que se faça uma busca a respeito de quanto conhecimento já foi construído acerca do tema proposto. Por isso, a fundamentação teórica será iniciada com um breve panorama histórico de como o consumo de música se modificou do século XIX até hoje. Depois, serão feitas algumas considerações a respeito da música como bem de informação – passível, portanto, de ser digitalizada –, para que em seguida sejam apresentadas as conexões entre a música digital e a distribuição gratuita não autorizada – também conhecida como pirataria digital. Dando continuidade no capítulo, serão introduzidos alguns modelos de consumo de música em geral e de consumo de música digital, para que a partir daí se identifique o tipo de característica relevante para a condução deste trabalho. Por fim, serão apresentados os conceitos fundamentais e as hipóteses propostas para a verificação empírica do problema de pesquisa. 2.1 O CONSUMO DE MÚSICA NO SÉCULO XXI O consumo de música é o ato de escutar um composição musical (HOLBROOK; ANAND, 1990 apud LACHER; MIZERSKI, 19941). Uma peça musical é consumida como um típico bem de experiência – ou seja, o indivíduo precisa ouvir previamente determinada música para que possa apreciá-la ou não (PODDAR, 2006). Entretanto, mesmo conservando este caráter experiencial ao longo do tempo, o modo como a 1 HOLBROOK, Morris B.; ANAND, Punam. Effects of tempo and situational arousal on the listener's perceptual and affective responses to music. Psychology of Music, v. 18, n. 2, p. 150-162, October 1990. 27 música é apresentada – e consumida – sofreu alterações significativas desde o século XX. Até o século XIX, o consumo musical era feito exclusivamente na forma de performances ao vivo, tanto em propriedades particulares quanto em salas de concerto, igrejas e apresentações ao ar livre. Com o advento de tecnologias de gravação e reprodução no século XX, o consumo de música passou por uma revolução, permitindo o acesso a obras musicais com relativa qualidade e custo baixo – a partir daí, o consumo musical ao vivo abre espaço para a audição de composições gravadas, que podem ser reproduzidas em casa, no carro ou no ambiente de trabalho (LACHER; MIZERSKI, 1994). A reprodução de obras musicais, então, deixa de ser determinada por aqueles que as executam, e passa a ser controlada pelos ouvintes. Na passagem do século XX para o século XXI, o consumo musical passa por uma nova revolução. Com o avanço das tecnologias de informação, a capacidade de processamento, armazenamento e transmissão de informações atingiu um nível de evolução tal que confere a usuários comuns, equipados com computadores pessoais e acesso a internet a preços acessíveis – além dos softwares e conhecimentos certos – habilidades suficientes para a produção (original ou não) e distribuição de conteúdo digital semelhante a de empresas inseridas neste mercado. Mais uma vez, o consumidor tem a chance de se apropriar de outros estágios na cadeia de valor musical (figura 3). Se até o século XIX o consumidor possuía autonomia somente em relação ao consumo per se das obras musicais, e no século XX ganhou o controle também da reprodução destas composições, a partir do século XXI o usuário pode ter controle também sobre as etapas de produção e distribuição de conteúdo musical. Além disso, as alterações tecnológicas em relação à música – principalmente no que diz respeito à sua reprodução – ocasionaram mudanças fundamentais em relação à sua durabilidade. Antes do surgimento das técnicas de reprodução, uma peça musical era algo efêmero, de duração imediata. Atualmente, entretanto, os formatos 28 nos quais a música está disponível (por exemplo, CDs, DVDs ou arquivos eletrônicos) fazem com que as obras musicais sejam duráveis por natureza; por conta disso, se um consumidor adquire uma composição musical em um destes formatos, provavelmente não precisará adquiri-la novamente no futuro (PODDAR, 2006). Figura 3: Evolução do controle do usuário sobre o processo produtivo 2.2 MÚSICA COMO UM BEM DE INFORMAÇÃO Uma composição musical é, em sua essência, um bem de informação, cuja produção é cara, mas que é barato para reproduzir (SINHA; MANDEL, 2008). Em um contexto contemporâneo, um bem de informação pode ser encarado como um bem digital. A esse respeito, Shapiro e Varian (1999) definem informação como qualquer coisa que possa ser digitalizada – isto é, codificada em um fluxo de bits. De acordo com este conceito, músicas, livros, filmes, bancos de dados, cotações do mercado acionário, resultados esportivos e sites da internet (para citar alguns 29 exemplos) são todos bens de informação. E, como bens de informação, estão sujeitos a alguns princípios econômicos básicos, detalhados a seguir. Informação, como outros tipos de bens, tem um custo considerável de criação e montagem. Entretanto, a estrutura de custos de um provedor de informação é diferente do usual – no caso, informação é algo caro para se produzir, mas barato para reproduzir. Em conceitos mais econômicos, a produção de um bem de informação envolve o conceito de retornos de escala, caracterizados por altos custos fixos e baixos custos marginais (SHAPIRO; VARIAN, 1999). Assim, o custo de produzir a primeira cópia de um bem de informação pode ser substancial, mas o custo de produzir (ou reproduzir) cópias adicionais é irrisório. Essa estrutura de custos diferenciada acarreta implicações importantes – por exemplo, a precificação baseada nos custos deixa de ser relevante, pois não faz sentido adotar algum percentual de mark-up quando o custo unitário é zero. Dessa forma, a precificação de bens de informação deve ser baseada no valor para o cliente, e não em seus custos de produção (SHAPIRO; VARIAN, 1999). É evidente que, se o produtor de um bem de informação pode reproduzi-lo de forma barata, outros também podem copiá-lo a um custo baixo. Por isso, mecanismos de “privatização” da informação ajudam a proteger sua produção (SHAPIRO; VARIAN, 1999). Entretanto, a concessão legal de direitos exclusivos de propriedade intelectual por meio de patentes, direitos autorais e marcas registradas não conferem a seus detentores o poder de controlar completamente a informação. Isso ocorre por conta da ineficácia no cumprimento das leis relativas à propriedade intelectual, problema que se tornou ainda maior com o surgimento das tecnologias digitas e da disseminação da internet. Uma vez que a informação digital pode ser copiada perfeitamente e transmitida de forma instantânea por todo o mundo, muitos produtores de conteúdo tendem a perceber a internet como uma máquina de copiar gigantesca e fora de controle (SHAPIRO; VARIAN, 1999). Um bem de informação é, por definição, um bem de experiência. Economistas definem um bem de experiência como algo que um indivíduo precisa experimentar 30 para poder atribuir-lhe algum valor (SHAPIRO; VARIAN, 1999). De maneira geral, qualquer novo produto é um bem de experiência, e os profissionais de marketing desenvolveram ao longo do tempo estratégias – por exemplo, amostras grátis, preços promocionais e testemunhos de terceiros – para auxiliar os consumidores a ter contato com novas ofertas (SHAPIRO; VARIAN, 1999). Informação, no entanto, caracteriza um bem de experiência toda vez que é consumida – o consumidor não sabe o valor de uma composição musical, de uma edição de jornal, de um livro ou de um filme até ter experimentado aquele conteúdo. Por isso, a tensão entre entregar de maneira gratuita a informação (permitindo que as pessoas conhecem aquela determinada oferta) e cobrar por ela para recuperar seus custos de produção é um problema fundamental da economia da informação (SHAPIRO; VARIAN, 1999). Além de se enquadrarem como bens de experiência, os bens de informação (especialmente em formato digital) também podem ser considerados como bens públicos, uma vez que compartilham os dois atributos que definem esse último tipo: são não-rivais e não-excludentes (SINHA; MANDEL, 2008). O princípio da nãoexclusão postula que o produtor de um bem público não pode evitar que outros indivíduos utilizem aquele bem; já o princípio da não-rivalidade expressa que diversas pessoas podem consumir um bem público de maneira simultânea (MCAFEE, 2006). Tais propriedades são consequência do fato de que a informação pode ser copiada (ou reproduzida) livremente. No caso da música, sua cópia em formato digital torna o consumo não-rival porque a utilização (ou reprodução) por parte de um indivíduo não diminui a capacidade de outras pessoas consumirem o mesmo produto, e nãoexcludente porque não é possível prevenir o consumo da peça musical por terceiros mediante algum pagamento (SINHA; MANDEL, 2008). Essas propriedades acarretam algumas particularidades econômicas que devem ser levadas em consideração quando se analisa um bem público – por exemplo, a não-rivalidade implica que o preço de eficiência de um bem público é zero, dado que o custo marginal para outro usuário é nulo (MCAFEE, 2006). 31 Sendo caracterizada como um bem de informação, a música teve sua estrutura de produção e distribuição alterada de forma radical com o desenvolvimento das chamadas tecnologias de informação e comunicação (TIC). Uma das mudanças mais impactantes para o mercado fonográfico foi o advento da distribuição digital não autorizada, tema que será tratado na próxima sessão. 2.3 MÚSICA DIGITAL E DISTRIBUIÇÃO NÃO AUTORIZADA Devido à evolução das tecnologias de produção e distribuição de informação, a digitalização da música tem causado mudanças dramáticas na indústria fonográfica, pois o conteúdo musical, que antes era limitado às mídias físicas, agora pode ser copiado de maneira simples e sem perda de qualidade, e distribuído de forma muito mais fácil. Acompanhada pela crescente difusão do acesso à internet, esta configuração implica em um novo fenômeno: o compartilhamento massivo e não autorizado de peças musicais via internet (QUIRING; VON WALTER; ATTERER, 2007), que representa uma das facetas da chamada pirataria digital. Existem diferentes definições para pirataria digital. Para Gopal et al. (2004, p. 90), “pirataria digital é o ato ilegal de copiar bens digitais – software, documentos digitais, áudio digital (incluindo música e voz) e vídeo digital – por qualquer razão além de armazenamento de segurança (backup), sem a permissão explícita e compensação devida ao detentor dos direitos autorais”. Taylor, Ishida e Wallace (2009, p. 246), por sua vez, estendem a definição de Gopal et al. (2004) para abranger não só o ato de copiar, mas também “o consumo de cópias ilegais de serviços digitais”. A pirataria dos bens de informação é um preocupação que assola as empresas inseridas nas indústrias fonográfica, cinematográfica e de software (KHOUJA; PARK, 2007). Desde o final do século XX, as receitas do mercado fonográfico provenientes do comércio de música gravada têm apresentado quedas significativas ao longo dos anos. Grande parte deste declínio tem sido atribuída ao uso extensivo 32 de tecnologias de compartilhamento ilegal de arquivos, que surgiram com a criação do Napster em 1999, e a partir daí proliferaram por meio dos inúmeros aplicativos de distribuição P2P existentes (LIEBOWITZ, 2004). Não obstante, o sucesso da iTunes Store e de outras iniciativas de compartilhamento legal de arquivos (WADE, 2004) parece indicar que, apesar de muitos usuários utilizarem práticas de pirataria em relação à musica, uma parcela dos consumidores está disposta a pagar para fazer o download de arquivos musicais de forma legal (SINHA; MANDEL, 2008). Ao mesmo tempo, os sistemas de compartilhamento não autorizado de arquivos digitais continuam florescendo e, na ausência de penalidades legais eficientes, seus adeptos prosseguem explorando sua posição privilegiada de barganha no mercado musical (QUIRING; VON WALTER; ATTERER, 2007). Apesar de, por razões compreensíveis, a indústria fonográfica encarar o uso de sistemas de compartilhamento de arquivos como uma ameaça econômica (QUIRING; VON WALTER; ATTERER, 2007), ainda não está clara a existência e a extensão dos efeitos negativos do uso de tais sistemas sobre as vendas. De maneira geral, dois efeitos podem ser identificados (GOPAL et al., 2004): • Efeito amostragem: ocorre quando um consumidor adquire um arquivo musical ilegal pela internet apenas com o objetivo de teste – ou seja, se este usuário gostar da música, ele irá comprá-la posteriormente; neste caso, as tecnologias de compartilhamento de arquivos funcionariam como um catalisador para a compra de obras musicais; • Efeito de competição: ocorre quando o usuário obtém composições ilegais para consumo duradouro, tornando-as parte de sua coleção musical, e rivalizando com os serviços pagos de aquisição de música. É importante ressaltar que a opinião da indústria de bens digitais a respeito da pirataria não reflete necessariamente a visão recente da comunidade acadêmica sobre o assunto. De acordo com Hennig-Thurau, Henning e Sattler (2007), existem dois grupos de pesquisas a respeito da pirataria de música digital: o primeiro deles reporta efeitos negativos do compartilhamento de arquivos musicais nas vendas da indústria, como os estudos de Peitz e Waelbroeck (2004), Liebowitz (2006), Michel 33 (2006) e Goel (2010), enquanto o segundo contesta tais resultados e argumenta que este tipo de pirataria tem impactos nulos ou positivos nas receitas da indústria – por exemplo, Boldrin e Levine (2002), Gopal, Bhattacharjee e Sanders (2005), Oberholzer-Gee e Strumpf (2007), Danaher et al. (2010), Handke (2012) e Waldfogel (2011). Entretanto, uma vez que os achados de tais estudos não podem ser generalizados – por conta das divergências em relação aos métodos empregados, amostras utilizadas e variáveis medidas –, ainda não existe um consenso a respeito dos reais impactos da troca gratuita de arquivos nos resultados do mercado fonográfico. Apesar da falta de evidências empíricas conclusivas relacionadas à influência da aquisição e consumo de música digital ilegal sobre os ganhos da indústria fonográfica, as grandes gravadoras e suas associações de representação há algum tempo vêm tornando públicas suas ações de repressão à pirataria digital, basicamente na forma de processos judiciais movidos contra os envolvidos nesta prática (WADE, 2004). Entretanto, de maneira geral, tais ações têm apresentado resultados pouco expressivos, tanto no combate quanto na prevenção desta sorte de pirataria. De fato, parece que somente as ameaças de processos judiciais por parte das empresas e associações do setor fonográfico não são suficientes para inibir o consumo ilegal de música digital. Esta conclusão está ligada aos achados de alguns estudos, onde o fator legal foi identificado como incipiente na repressão à pirataria (CASTRO, 2007; BARROS et al., 2008), sendo inclusive percebido como estimulante à práticas de consumo pirata por consumidores mais propensos ao risco (SINHA; MANDEL, 2008). Em vista disso, outras variáveis devem ser contempladas para converter a aquisição e consumo de música distribuída de forma não autorizada (e, por esse motivo, gratuita) em música distribuída de maneira legal (e, na maioria dos casos, paga). Aliás, Taylor, Ishida e Wallace (2009) sugerem que um dos motivos pelos quais as ações contra a pirataria digital têm mostrado resultados pífios é o pouco conhecimento existente sobre as estruturas sociais e psicológicas inerentes à este tipo de prática, o que serve para refrear o desenvolvimento de 34 modelos de persuasão destinados a influenciar o comportamento relacionado à pirataria digital. Uma vez que um dos propósitos deste estudo é tentar entender alguns mecanismos de influência no comportamento de aquisição de música digital, englobando variáveis relevantes relacionadas à compra ou obtenção gratuita de composições musicais, o ponto de partida será analisar algumas estruturas antecessoras utilizadas para tentar explicar este tipo de consumo e aquisição. 2.4 MODELOS DE CONSUMO MUSICAL Os estudos acerca do consumo de música são divididos em duas vertentes: modelos de consumo musical hedônico e modelos de consumo musical utilitário. Os modelos de consumo musical hedônico contemplam basicamente as características intrínsecas à composição musical, enquanto os modelos de consumo musical utilitário referem-se às características extrínsecas à composição musical, sejam elas traços psicológicos do ouvinte, influências sociais ou atributos inerentes ao canal de comercialização da música. São apresentados nesse trabalho quatro modelos, sendo dois relativos ao consumo hedônico – um que abrange o consumo de música de maneira geral (LACHER; MIZERSKI, 1994) e outro com foco no consumo de arquivos musicais eletrônicos (OUELLET, 2007) – e dois da categoria de consumo utilitário, ambos relacionados ao consumo de música em formato digital (ROCHELANDET, LE GUEL, 2005; SINHA; MANDEL, 2008). 35 2.4.1 Modelo de Lacher e Mizerski (1994) Adotando como base o paradigma do consumo hedônico (HOLBROOK; HIRSCHMAN, 1982) – que defende a busca de respostas subjetivas em detrimento dos atributos do produto, tendo como foco a experiência de consumo – Lacher e Mizerski (1994) afirmam que o consumo de música tem um componente emocional muito forte, e que composições musicais são adquiridas mais pela experiência que proporcionam do que por qualquer característica objetiva ou utilitária que possa estar presente. Lacher e Mizerski (1994) identificaram que a intenção de compra de uma peça musical é diretamente influenciada pela necessidade de re-experimentação, pois quanto maior esta necessidade, maior será o desejo de controle temporal em relação à música (ou seja, o indivíduo deseja controlar em que momentos prefere reexperimentá-la), levando o consumidor a adquirir a obra. A necessidade de reexperimentação, por sua vez, sofre influência, direta ou indireta, de seis tipos de resposta: • Respostas sensoriais: são as respostas primitivas em relação à música, os movimentos e atrações inspirados por ela; • Respostas imagéticas ou associativas: são as imagens, memórias ou situações evocadas pela música, tanto por sua melodia quanto por sua letra (quando existente). Este tipo de resposta captura o aspecto de fantasia do consumo hedônico (HIRSCHMAN; HOLBROOK, 1982); • Respostas emocionais: representam os sentimentos que um indivíduo experimenta quando escuta uma composição musical, como alegria, euforia, raiva, tristeza etc.; • Respostas analíticas: refletem a discriminação e assimilação dos elementos de uma composição musical, dando origem à estimulação cognitiva. Tal resposta diz respeito ao exame lógico e objetivo da 36 música, em relação ao seu estilo, aspectos técnicos e características intrínsecas; • Respostas experienciais: ocorrem quando o consumo proporciona uma experiência envolvente, de tal modo que o consumidor é “transportado” da realidade para o interior de tal experiência; • Respostas afetivas gerais: refletem as emoções, estados de espírito e sentimentos do consumidor em relação à experiência musical – aqui, as respostas emocionais caracterizam-se como uma subcategoria das respostas afetivas. 2.4.2 Modelo de Ouellet (2007) Estendendo o trabalho de Lacher e Mizerski (1994) para o contexto da música em formato digital, Ouellet (2007) desenvolve um modelo que contempla não só as respostas do consumidor em relação à obra musical, mas também suas respostas em relação ao artista que executa a obra. Com base nos seus resultados, o autor confirma que as respostas relativas à música determinam a necessidade de reexperimentá-la, e que esta necessidade influencia na intenção de adquirir ou não a composição; entretanto, as respostas relacionadas à uma composição musical específica não impactam na decisão de adquirir a música de maneira legal ou ilegal. Por outro lado, as respostas relativas ao artista não estão ligadas à intenção de aquisição da obra musical, mas apresentam forte influência sobre a decisão de adquiri-la de maneira paga ou gratuita. Em outras palavras, a música em si é o fator determinante para que o consumidor decida adquiri-la ou não; porém, se tomada a decisão de aquisição, o artista será fundamental para determinar se esta aquisição será realizada de forma paga ou gratuita. 37 2.4.3 Modelo de Rochelandet e Le Guel (2005) Partindo de uma perspectiva de utilidade do consumidor, Rochelandet e Le Guel (2005) afirmam que os consumidores preferem cópias ilegais de músicas em detrimento das composições originais a partir do momento que consumir essa cópia oferece uma utilidade maior ao usuário. Dentro desta abordagem, três grupos de fatores têm influência sobre as percepções de utilidade do consumidor em relação à obra musical original e a cópia ilegal: • A utilidade derivada de adquirir uma peça musical original, incluindo a sua utilidade bruta e os seus custos (monetários e de transação); • Os custos envolvidos com a aquisição da cópia ilegal (basicamente custos de transação); • O grau de substituição entre a composição original e sua cópia ilegal. Além disso, por conta desse modelo considerar os usuários copiadores apenas como agentes isolados que buscam maximizar seus ganhos, os autores propõe a inclusão de outro elemento que possa explicar a intensidade do comportamento de cópia de música: as interações sociais, sejam elas locais ou globais (ROCHELANDET, LE GUEL, 2005). Ao final do estudo, Rochelandet e Le Guel (2005) identificaram as variáveis que têm mais impacto na intensidade do comportamento de cópia de um usuário. Das sete variáveis apresentadas, cinco têm relação positiva com a aquisição de música por meio de uma cópia ilegal – a quantidade de usuários copiadores dentro das relações sociais locais; a familiaridade com a internet; a presença do comportamento de cópia relacionado a software; a diversidade cultural percebida pelo usuário dentro das redes de compartilhamento de arquivos; e pertencer ao sexo masculino –, enquanto duas delas possuem relação negativa com as práticas de pirataria digital – disposição a pagar por obras originais e preocupações éticas. 38 2.4.4 Modelo de Sinha e Mandel (2008) O modelo de Sinha e Mandel (2008) tem como base a disposição que um indivíduo tem de pagar por uma composição original. Segundo os autores, a tendência de adotar um comportamento de pirataria digital depende de três fatores: incentivos positivos (por exemplo, as funcionalidades percebidas pelo usuário relativas ao canal de comercialização legal), incentivos negativos (como o risco percebido associado à pirataria) e características pessoais (como, por exemplo, as preocupações éticas). A partir desta formulação, Sinha e Mandel (2008) encontraram cinco variáveis relevantes para explicar a tendência de um indivíduo em relação à pirataria digital. Destas, quatro construtos têm relação inversa com tal tendência – ou seja, quanto mais elevada a medição de tal construto, menos freqüente será o comportamento ligado à pirataria virtual de música. Assim, o risco percebido pelo indivíduo, suas preocupações éticas, as funcionalidades do canal de comercialização legal e a possibilidade do consumo da música em público influenciam de maneira negativa a tendência à pirataria. Por outro lado, o nível de estimulação ótimo do usuário – variável relacionada ao desejo de novidade, variedade e de sensações e experiências complexas – apresentou relação positiva com o comportamento aliado ao consumo ilegal de música. Além disso, o nível de estimulação ótimo é um construto moderador entre o risco percebido e a tendência à pirataria; dessa forma, a relação entre o risco e o comportamento pirata continua inalterada para pessoas com baixos níveis de estimulação ótimo, mas se inverte no caso de indivíduos que apresentem altos níveis ligados a esse construto – quanto maior o risco percebido para um consumidor com alto nível de estimulação ótimo, maior será sua propensão a se engajar em pirataria digital. 39 2.5 INFLUÊNCIA DAS FUNCIONALIDADES DO CANAL NA AQUISIÇÃO DE MÚSICA DIGITAL A partir dos modelos apresentados, pode-se fazer algumas inferências a respeito das influências sobre o comportamento de compra de música digital. Ouellet (2007) demonstra que uma obra musical, por suas características hedônicas, não impacta na decisão de obter um arquivo musical de maneira legal (paga) ou ilegal (gratuita) – seu efeito aparece na etapa anterior, quando o consumidor decide se possuirá ou não determinada peça musical. Sendo assim, é plausível considerar que existam fatores de influência sobre o comportamento de compra de música digital provenientes das características utilitárias, ou seja, que não pertencem à música em si. Dentre tais características, as funcionalidades do canal de distribuição da música digital aparecem com frequência nos estudos. De fato, Quiring, Von Walter e Atterer (2008) afirmam que, uma vez que a adoção de práticas de pirataria é geralmente movida por motivações utilitárias (econômicas), deve-se buscar tornar os sites de venda de música mais atrativos, por meio de ofertas adicionais. Da mesma forma, Sinha e Mandel (2008) chegaram, a partir de seus resultados, à conclusão que os usuários são menos propensos a buscar músicas de forma não autorizada se houver uma alternativa – no caso, o canal pago – que ofereça recursos mais completos, como catálogos extensivos, obras raras, gravações ao vivo e outros tipos de conteúdo, como toques para celular e vídeos. Mesmo onde o canal de distribuição não aparece de maneira direta nos fatores que incitam o comportamento de pirataria ou de aquisição legal ROCHELANDET, LE GUEL, 2005), outras variáveis – neste caso, a familiaridade com a internet – poderiam refletir estas funcionalidades, uma vez que sites mais fáceis de usar teriam maior poder de atrair a atenção de consumidores menos familiares com as ferramentas utilizadas para obtenção de música. Por tudo isso, as funcionalidades do canal de distribuição pago parecem ser determinantes no comportamento de compra de música digital. Assim, dentro deste 40 estudo, buscar-se-á então entender as possíveis relações entre tais funcionalidades e a aquisição de música na modalidade paga, a partir de duas definições presentes na pesquisa de Hennig-Thurau, Henning e Sattler (2007). Desenvolvendo uma pesquisa sobre consumo legal e pirata de filmes em arquivos digitais, os autores identificam quatro tipos de custos de transação relacionados a cópias ilegais: custos legais, morais, técnicos e de busca. Destes, os dois últimos estariam ligados diretamente à funcionalidade do canal de distribuição, da seguinte forma: • Custos técnicos: são caracterizados por vírus ou possíveis falhas no arquivo, que possam causar danos ao computador do usuário; • Custos de busca: é o tempo gasto na procura de um determinado arquivo. Em outro estudo, acerca dos riscos percebidos pelo consumidor em compras via internet, Pires, Stanton e Eckford (2004) definem como sete os componentes do risco percebido: • Risco de performance: probabilidade do item falhar em atender os requisitos de performance originalmente esperados na compra; • Risco de conveniência: probabilidade da compra resultar em perda de tempo, em termos de entrega, customização ou reparo (down-time); • Risco financeiro: probabilidade de sofrer perdas financeiras devido a custos escondidos, custos de manutenção ou ausência de garantia em caso de falhas; • Risco físico: a probabilidade da compra acarretar em danos ou prejuízos físicos; • Risco psicológico: probabilidade da compra ser inconsistente com a imagem pessoal do consumidor; • Risco social: probabilidade da compra resultar em avaliações menos favoráveis por parte de outras pessoas (risco psicológico externo); • Risco geral: probabilidade da compra do item resultar em insatisfação geral do consumidor. 41 Fazendo um paralelo entre os trabalhos de Pires, Stanton e Eckford (2004), HennigThurau, Henning e Sattler (2007) e Sinha e Mandel (2008), pode-se notar a semelhança entre os conceitos de custos técnicos e de busca apresentados nos dois últimos estudos e dois tipos de risco elencados pelos primeiros autores: respectivamente, riscos de performance e conveniência. Corroborando com esse paralelo, Kunze e Mai (2007), em sua pesquisa sobre os fatores de risco de maior importância para consumidores de música digital, encontram como resultado o fato de que, no ato de adquirir música pela canal digital, os consumidores estão mais preocupados justamente com os riscos relacionados à performance e perda de tempo, ou conveniência. Sinha e Mandel (2008) também estudam a influência das funcionalidades do canal em seu experimento para acessar a disposição a pagar dos consumidores de música digital. Para esses autores, são dez as funcionalidades do canal que teriam influência sobre o comportamento de aquisição de música digital: 1. catálogo abrangente de músicas; 2. possibilidade de escutar a música antes de fazer o download; 3. site de fácil navegação; 4. sistema de recomendações de músicas que memorize as preferências do usuário; 5. listas prontas de músicas para gravar diretamente em CD; 6. tempo de download extremamente rápido; 7. versões raras, artistas exclusivos e/ou novos lançamentos; 8. qualidade de gravação extremamente alta; 9. shows transmitidos ao vivo pelo site; 10. opções de downloads adicionais, como toques para celular ou vídeos; Apesar de Sinha e Mandel (2008) não apresentarem uma discussão a respeito do tipo de custo de transação relacionado a cada funcionalidade utilizada, é possível perceber que quase todas as facilidades apresentadas pelos autores para aumentar as funcionalidades do canal pago estão relacionadas aos custos de busca – ou seja, são destinadas a diminuir o tempo que o usuário empreende na aquisição e 42 consumo de música digital. A única exceção aparece na funcionalidade relacionada à qualidade de gravação extremamente alta, que estaria atrelada aos custos técnicos – uma vez que um arquivo de baixa qualidade pode apresentar falhas que, mesmo que não sejam danosas ao equipamento utilizado, prejudicam o consumo da composição musical na dimensão de qualidade. 2.6 INFLUÊNCIA DO ENVOLVIMENTO COM MÚSICA E COM O ARTISTA NA AQUISIÇÃO MÚSICA DIGITAL Além das funcionalidades do canal de aquisição de música digital, existem outros fatores cuja influência na adoção do modelo de aquisição paga de música digital parece ser positiva. Dentre esses fatores, é de particular interesse nesse trabalho o envolvimento do consumidor. Envolvimento é um construto que tem sido conceitualizado de diferentes formas: como relevância pessoal (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000; GREENWALD; LEAVITT, 1984; ZAICHKOWSKY, 1985), nível de ativação de um indivíduo (COHEN, 1983), capacidade de excitação direcionada a um objetivo (PARK; MITTAL, 1985) e atenção referente a algo relevante ou importante (RATCHFORD, 1987). Estudos sobre envolvimento têm abordado inúmeras categorias de produtos, como computadores (KOKKINAKI, 1999; HIGIE; FEICK, 1989), vinho (BRUWER; BULLER, 2013), pacotes turísticos (NICOLAU, 2013), TV interativa (LEVY; NEBENZAHL, 2008), cartões de aniversário (DHOLAKIA, 1997), shampoo para cabelos (PARK; YOUNG, 1986) e sapatos (HSU; WU; TIEN, 2003). Em pesquisas relacionadas ao consumo de música, o envolvimento tem sido trabalhado em três diferentes dimensões principais: o envolvimento com a obra musical – ou seja, com uma composição musical específica (OUELLET, 2007; PUCELY; MIZERSKI; PERREWE, 1988), o envolvimento com o artista (OUELLET, 43 2007) e o envolvimento com música em geral, não relacionado a uma obra ou artista específicos (SARMAZIAN, 2005; BOEHNKE; MÜNCH; HOFFMANN, 2002). No caso específico da música digital, o envolvimento com o artista é apontado como fator de influência na decisão de adotar um canal de aquisição pago – quanto maior o envolvimento com o artista, maior a chance de o usuário utilizar um serviço pago para adquirir uma composição digital desse artista (OUELLET, 2007). O mesmo não ocorre com o envolvimento com uma obra específica, uma vez que esse tipo de envolvimento possui influência na intenção de adquirir ou não determinada peça musical, mas não tem impacto na decisão de pagar ou não por essa composição (OUELLET, 2007). O envolvimento com música em geral, por sua vez, foi associado ao consumo de música em formatos diversos – por exemplo, no consumo de serviços de rádio (BOEHNKE; MÜNCH; HOFFMANN, 2002) ou no consumo de música digital (SARMAZIAN, 2005). Nesse último caso, o envolvimento com música foi identificado como antecedente tanto da busca de informação via internet quanto da intenção de compra de música em formato digital, seja de forma individual (por composição) ou agregada em um álbum (SARMAZIAN, 2005). 2.7 DISPOSIÇÃO A PAGAR (DAP) Após determinar os possíveis fatores de influência na aquisição de música digital por um canal pago que serão empregados nesse estudo – funcionalidades do canal de aquisição pago, envolvimento com música em geral e envolvimento com o artista –, cabe também abordar a medida que será utilizada para estimar a influência desses fatores no comportamento de compra de música digital: a disposição a pagar (DAP). A disposição a pagar denota o preço máximo que um comprador está disposto a aceitar para uma determinada quantidade de um bem; é uma medida subjetiva do 44 valor que o comprador atribui àquela quantidade. Dessa forma, a partir de um conjunto de alternativas, este comprador adquire um dado item quando sua disposição a pagar excede o valor do preço ofertado (WERTENBROCH; SKIERA, 2002). O conhecimento em relação à disposição a pagar é fundamental para situações onde é necessário fazer uma estimação de demanda ou para o desenvolvimento de estruturas ótimas de preço (WERTENBROCH; SKIERA, 2002). Por isso, diversos estudos na área de marketing e comportamento do consumidor tem como objetivo acessar a disposição à pagar por um determinado produto ou serviço, como alimentos orgânicos (TSAKIRIDOU; ZOTOS; MATTAS, 2006), software (HSU; SHIUE, 2008), leite (BERNARD; BERNARD, 2009), serviços hoteleiros (WONG; KIM, 2012) e serviços de entrega programada (GOEBEL; MOELLER; PIBERNIK, 2012). Estudos relacionados ao consumo de música digital utilizam a disposição a pagar como variável dependente para testar sua associação com variáveis independentes distintas (SINHA; MANDEL, 2008; CHIANG; ASSANE, 2009; SINHA, MACHADO; SELLMAN, 2010). Sinha e Mandel (2008) e Sinha, Machado e Sellman (2010), além de adotar a disposição a pagar como medida para identificar que fatores fazem com que o usuário pague mais por um arquivo musical digital, também utilizam a disposição a pagar como medida de propensão à pirataria de um indivíduo – dessa forma, usuários que apresentem disposição a pagar igual a zero estariam propensos a adotar canais de aquisição gratuitos (e ilegais) independente do valor cobrado para adquirir uma composição musical por meio de um canal autorizado e pago. 2.8 DEFINIÇÃO DAS HIPÓTESES Com base no referencial teórico apresentado até aqui, foram definidos dois tipos de hipóteses para esse estudo: hipóteses relacionadas à influência da funcionalidade 45 do canal sobre a disposição a pagar e hipóteses relacionadas à influência do envolvimento sobre a DAP. O desenvolvimento de cada um desses grupos de hipóteses será detalhado a seguir. 2.8.1 Hipóteses relacionadas à influência das funcionalidades do canal de aquisição sobre a disposição a pagar Em consonância com o estudo de Sinha e Mandel (2008), que relaciona de forma positiva as funcionalidades do canal de distribuição digital e a disposição a pagar para adquirir música por esse canal, espera-se que melhorias nas funcionalidades do canal de aquisição de música digital pago cause um aumento na disposição a pagar do indivíduo na comparação com o canal de aquisição gratuito. Assim, a primeira hipótese geral deste trabalho é: H1: a oferta de melhorias nas funcionalidades do canal de aquisição pago aumenta o valor que o indivíduo está disposto a pagar por uma composição musical digital adquirida por este canal. Como as funcionalidades do canal de aquisição de música digital podem ser classificadas em duas dimensões – performance e conveniência –, a oferta de melhorias nos atributos relacionados a uma ou outra dimensão pode ter influência diferente na disposição a pagar por música digital dos indivíduos pesquisados. Então, para testar o efeito isolado das melhorias nas funcionalidades ligadas à performance ou conveniência, duas sub-hipóteses são derivadas da hipótese geral: H1a: a oferta de melhorias nas funcionalidades de performance do canal de aquisição pago aumenta o valor que o indivíduo está disposto a pagar por uma composição musical digital adquirida por este canal; e 46 H1b: a oferta de melhorias nas funcionalidades de conveniência do canal de aquisição pago aumenta o valor que o indivíduo está disposto a pagar por uma composição musical digital adquirida por este canal. Além dessa influência positiva esperada na oferta de melhorias nos atributos de performance e conveniência considerados de forma isolada, espera-se que a oferta conjunta de melhorias nos dois tipos de funcionalidade também acarrete um aumento na disposição a pagar do indivíduo na comparação com o canal de aquisição gratuita. Surge daí a terceira sub-hipótese desse estudo: H1c: a oferta conjunta de melhorias na funcionalidades de performance e conveniência do canal de aquisição pago aumenta o valor que o indivíduo está disposto a pagar por uma composição musical digital adquirida por este canal. Ainda, consoante com o esperado aumento da disposição a pagar relativo às melhorias nas funcionalidades de performance, conveniência ou ambas, é razoável pensar que a oferta conjunta de melhorias nos dois tipos de funcionalidade tem um efeito maior sobre a disposição a pagar de um indivíduo do que a oferta isolada de melhorias em performance ou conveniência. Dessa forma, surgem as seguintes subhipóteses: H1d: a oferta conjunta de melhorias nas funcionalidades de performance e conveniência do canal de aquisição pago aumenta o valor que o indivíduo está disposto a pagar por uma composição musical digital em relação à oferta de melhorias nas funcionalidades de performance desse canal; e H1e: a oferta conjunta de melhorias nas funcionalidades de performance e conveniência do canal de aquisição pago aumenta o valor que o indivíduo está disposto a pagar por uma composição musical digital em relação à oferta de melhorias nas funcionalidades de conveniência desse canal. 47 Por fim, apesar de não haver na literatura estudos que comparem a influência isolada das funcionalidades de performance e de conveniência na disposição a pagar, é razoável considerar que, uma vez que são dimensões distintas, o impacto de cada um desses tipos de funcionalidade no valor que um indivíduo está disposto a pagar por um arquivo musical será diferente. Tem-se, então, a sexta sub-hipótese: H1f: a influência da oferta de melhorias nas funcionalidades de performance do canal de aquisição pago é diferente da influência da oferta de melhorias nas funcionalidades de conveniência desse canal no valor que o indivíduo está disposto a pagar por uma composição musical. 2.8.2 Hipóteses relacionadas à influência do envolvimento com música em geral e com o artista sobre a disposição a pagar Ouellet (2007), em seu estudo sobre o consumo hedônico de música digital, afirma que o envolvimento com o artista é um fator determinante na decisão do consumidor entre pagar por uma composição musical ou adquiri-la de forma gratuita (e ilegal) – se o envolvimento com o artista é alto, o indivíduo é mais propenso a comprar a música digital. Assim, é plausível supor que, além das características utilitárias associadas às funcionalidades do canal de aquisição pago, as características hedônicas referentes ao envolvimento com o artista também exerçam influência positiva sobre a disposição a pagar por música digital do usuário. Dessa suposição tem origem a segunda hipótese geral dessa pesquisa: H2: o envolvimento com o artista aumenta o valor que o indivíduo está disposto a pagar por uma composição musical digital adquirida pelo canal pago. O envolvimento com música em geral, por sua vez, foi identificado como antecedente no processo de tomada de decisão de consumo de música digital, agindo no início da cadeia motivação – intenção de busca de informação online – 48 intenção de compra, seja de arquivos individuais ou agregados em um álbum. Dessa forma, também é razoável supor que o envolvimento com música em geral exerça influência positiva sobre a disposição a pagar por música digital do indivíduo. Associada a essa possível influência, surge a terceira hipótese geral da pesquisa: H3: o envolvimento com música em geral aumenta o valor que o indivíduo está disposto a pagar por uma composição musical digital adquirida pelo canal pago. 49 3 MÉTODO Este capítulo aborda os aspectos metodológicos do estudo a ser realizado, a fim de tentar responder o problema de pesquisa e de atingir os objetivos propostos no trabalho. Para tanto, além da discussão sobre o tipo de pesquisa mais adequado a esse estudo, serão descritos os procedimentos utilizados na elaboração do desenho da pesquisa, construção do instrumento de coleta, definição da amostra, coleta de dados e definição técnicas de análise. 3.1 EXPERIMENTO Dada a natureza do problema de pesquisa e o referencial teórico apresentado, busca-se neste estudo identificar uma relação causal entre as características funcionais do canal e o comportamento de aquisição de música digital. Por conta disso, o tipo de pesquisa utilizado na condução deste trabalho será o experimento. Quando se busca identificar relações de causa e efeito, o método de pesquisa mais indicado é o plano experimental (AAKER; KUMAR; DAY, 2001; SHADISH; COOK; CAMPBELL, 2002; MALHOTRA, 2006). Segundo Malhotra (2006, p. 217), “temos um experimento quando o pesquisador manipula uma ou mais variáveis independentes e mede seu efeito sobre uma ou mais variáveis dependentes, ao mesmo tempo em que controla o efeito de variáveis estranhas”. Em outras palavras, o objetivo de um estudo experimental é verificar se existem variações sistemáticas nas variáveis dependentes, à medida que as variáveis independentes são manipuladas. Para Shadish, Cook e Campbell (2002), a existência de uma relação causal depende de três fatores: (1) que a causa preceda o efeito; (2) que esta causa seja relacionada ao efeito; (3) que não exista outra explicação plausível para o efeito além da causa. 50 Assim, ao realizar um experimento, o pesquisador deve (1) manipular a possível causa e observar seu resultado; (2) verificar se a variação na causa se relaciona com a variação no efeito; (3) utilizar métodos diversos para tentar reduzir a possibilidade de explicações alternativas para a ocorrência deste efeito. Por conta disso, o experimento normalmente atende às características de uma relação causal de melhor forma do que os outros métodos científicos (SHADISH; COOK; CAMPBELL, 2002). Os experimentos podem ser realizados em laboratório ou em um ambiente de campo. Enquanto o experimento em laboratório acontece em um ambiente artificial, que o pesquisador constrói com as condições específicas para a pesquisa, o experimento de campo ocorre em situações reais, em condições efetivas de mercado (MALHOTRA, 2006). Segundo o autor, o experimento de laboratório tem algumas vantagens em relação ao campo. Primeiro, possui um grau mais elevado de controle, pois o ambiente pode ser monitorado de maneira cuidadosa. Segundo, em laboratório um experimento tende a produzir os mesmos resultados se for repetido com indivíduos semelhantes, o que possibilita uma elevada validade interna. Terceiro, os experimentos em laboratório tendem a usar menos unidades de teste, ter menor duração, ser mais restritos geograficamente e possibilitar uma realização mais fácil do que no campo – e, por tudo isso, costumam ser menos dispendiosos. Por outro lado, os experimentos de laboratório também apresentam desvantagens. O ambiente artificial pode causar erro de reação, onde os respondentes reagem mais à própria situação do que à variável independente (MALHOTRA, 2006). Também há a possibilidade do aparecimento de artefatos de demanda, que ocorrem quando os respondentes procuram adivinhar o propósito do experimento e responder de acordo (SAWYER, 1975). Por fim, por ser realizado em um ambiente artificial, o experimento de laboratório tende a apresentar uma menor validade externa, com menos possibilidade de generalização dos resultados para o mundo real (MALHOTRA, 2006). Assim, considerando os prós e contras, decidiu-se pela 51 utilização do experimento de laboratório nesta pesquisa, sempre com o cuidado de observar as recomendações metodológicas para minimizar os erros citados. 3.2 AVALIAÇÃO CONTINGENTE Várias técnicas, como análise conjunta e modelos logit, têm sido propostas para medir a disposição a pagar para produtos ou serviços (JEDIDI; ZHANG, 2002). Entretanto, a natureza específica desse estudo, assim como a pesquisa de Sinha e Mandel (2008), demanda um maior cuidado na escolha da técnica adequada para acessar a disposição a pagar por música digital. As mudanças tecnológicas ocorridas a partir do final do século XX na produção e distribuição de conteúdo – música, inclusive – fazem com que os chamados bens de informação possam ser copiados de forma praticamente perfeita e distribuídos a um custo próximo de zero. Por conta disso, os bens de informação em formato digital compartilham as duas características principais dos bens públicos: ambos são nãorivais e não-exclusivos. Uma vez que um dos intuitos desse estudo é investigar como transformar usuários de música não-pagantes em consumidores pagantes, o problema de estimação da disposição a pagar é semelhante ao de acessar a DAP de bens públicos (SINHA; MANDEL, 2008). Por conta de suas características intrínsecas, um método popular para medir e analisar o valor de bens públicos é a avaliação contingente (HAAB; MCCONNELL 2002; WERTENBROCH; SKIERA 2002). Entre os diversos estudos existentes que utilizam a avaliação contingente, pode-se citar alguns exemplos que mostram a versatilidade de uso dessa técnica na valoração de bens públicos, como valoração de projetos de conservação e melhoria dos recursos hídricos (BELLUZZO JR., 1999), avaliação econômica da poluição do ar na Amazônia Ocidental (SILVA; LIMA, 2006) e avaliação econômica da extração de areia do leito do Rio Paraíba (AZEVEDO; RIBEIRO; SILVA, 2009). 52 Os modelos baseados na avaliação contingente estimam diretamente a disposição a pagar de um indivíduo, utilizando um formato que pergunta ao respondente se ele estaria disposto a pagar um preço pré-determinado pelo produto ou serviço em questão (SINHA; MANDEL, 2008). A principal vantagem dessa abordagem em relação a modelos de preferência declarada ou modelos conjuntos consiste no fato de a avaliação contingente se assemelhar às escolhas do consumidor em uma situação real, na qual os preços são dados (ao contrário das técnicas baseadas em questões abertas ou escolha de atributos). Além disso, ao variar as faixas de preço dentro da amostra, um único respondente não tem poder de influenciar o resultado final – como resultado, essa técnica é menos suscetível à comportamentos estratégicos e de jogo (MITCHELL; CARSON, 1989) e vieses relacionados ao ponto de partida (SMITH; OLSEN; HARRIS, 1999). Por fim, a avaliação propicia maiores chances para que o consumidor revele suas verdadeiras preferências e simplifica muito os esforços cognitivos realizados pelos respondentes, principalmente quando comparada com modelos de preferência declarada (SINHA; MANDEL, 2008). 3.2.1 Tipos de avaliação contingente Mitchell e Carson (1989) propõe uma taxonomia para classificação dos diferentes métodos para estimar a disposição a pagar por meio da avaliação contingente. Esta taxonomia é baseada em duas dimensões: 1. se a obtenção do valor máximo da disposição a pagar ocorre de forma direta ou indireta; 2. se a estimativa da disposição a pagar é aferida por meio de uma única questão ou pela iteração de uma série de questões. A partir da taxonomia proposta, Mitchell e Carson (1989) apresentam nove métodos para obter a disposição a pagar usando avaliação contingente. O quadro 2 ilustra estes métodos de acordo com suas classificações taxonômicas. 53 Questão única Série iterativa de questões Obtenção da DAP de forma direta Obtenção da DAP indicadores discretos Questão aberta\direta Oferta “pegar ou largar” Cartão de pagamento Spending question offer Leilão fechado Lista de intervalos Bidding game Oferta “pegar ou largar” com acompanhamento Oral auction por Quadro 2: Métodos de obtenção da disposição a pagar por avaliação contingente Fonte: Mitchell e Carson (1989, p. 98) Dentre os diversos métodos de avaliação contingente elencados, a avaliação contingente por escolha dicotômica (também chamada de oferta “pegar ou largar”) foi escolhida para utilização neste trabalho. Por conta disso, tal método, aplicado anteriormente em outros estudos de marketing (WERTENBROCH; SKIERA, 2002; SINHA; MANDEL, 2008; SINHA; MACHADO; SELLMAN, 2010), será detalhado a seguir. 3.2.2 Avaliação contingente por escolha dicotômica Neste trabalho, a obtenção da disposição a pagar em relação à música digital utiliza uma estrutura de escolha dicotômica por referendo com acompanhamento, inspirado na mecânica utilizada por Sinha e Mandel (2008) e Sinha, Machado e Sellman (2010). Estes trabalhos são os primeiros publicados no área de marketing utilizando o método de avaliação contingente para especificamente estimar a disposição a pagar para música digital, e por isso foram adaptados no presente estudo. Neste tipo de instrumento, o participante responde a uma questão binária ou dicotômica relacionada a um lance inicial específico, expresso na moeda de interesse para a pesquisa. A resposta a este lance inicial leva o sujeito a uma nova 54 questão, condicionada à primeira resposta. Assim, se o respondente diz “sim” ao lance inicial, deve avaliar uma nova questão binária a partir de um lance maior do que o inicial. Entretanto, se o respondente diz “não” ao preço de origem, deve fazer uma nova escolha dicotômica proveniente de um preço menor do que o inicial (CARSON et al., 1992). Dessa forma, a estimativa da disposição a pagar estará inserida em um intervalo cujos limites inferior e superior são definidos pelas respostas às duas questões binárias. Neste tipo de estrutura, as questões de acompanhamento podem ser definidas de maneira aleatória para cada respondente, ou podem ter seu valor pré-definido antes da aplicação da pesquisa (CARSON; STEINBERG, 1990). Em seu esforço para estimar a disposição a pagar por música digital, Sinha e Mandel (2008) e Sinha, Machado e Sellman (2010) utilizam uma segunda questão de acompanhamento aberta, em dois casos específicos: para duas respostas “sim” consecutivas, a segunda questão de acompanhamento pede para que o respondente indique qual o valor máximo que estaria disposto a pagar por uma composição musical digital; e, para duas respostas “não” consecutivas, a segunda questão de acompanhamento pergunta se o indivíduo pesquisado estaria disposto a pagar um valor diferente de zero para adquirir tal composição musical. A utilização dessa segunda questão de acompanhamento serve a dois propósitos: no caso das duas respostas afirmativas, evita que o limite superior do intervalo de estimação seja fixado no infinito, o que dificultaria o trabalho de análise; e, no caso das duas respostas negativas, permite saber se o sujeito pesquisado tem disposição a pagar por música digital igual a zero. Definida a técnica utilizada para estimar a disposição a pagar dos respondentes, o próximo passo é estruturar o desenho do experimento, de modo que seja possível testar as hipóteses definidas previamente. 55 3.3 DESENHO DO EXPERIMENTO A elaboração do desenho experimental obedeceu a uma estrutura 4 x 2 x 5 mista, com uma variável de controle inter-sujeito (configuração onde cada respondente é exposto a todas as variações existentes) e duas variáveis de controle entre-sujeito (quando cada respondente é exposto a somente uma das variações existentes). Nessa estrutura, a variável de controle inter-sujeito foi pensada para a construção dos quatro cenários baseados nas melhorias das funcionalidades de performance e conveniência. Assim, cada participante da pesquisa é exposto a todos os cenários, que apresentam as seguintes diferenciações entre si: • Cenário Controle: o canal de aquisição de músicas pago apresenta funcionalidades semelhantes ao canal onde o usuário pode adquirir músicas de graça, sendo que a única diferença relevante é o pagamento de direitos autorais a artistas e gravadoras na alternativa paga; • Cenário Performance: o canal de aquisição de músicas pago oferece melhorias nas funcionalidades de performance; • Cenário Conveniência: o canal de aquisição de músicas pago oferece melhorias nas funcionalidades de conveniência; • Cenário Soma: o canal de aquisição de músicas pago oferece melhorias nas funcionalidades de performance e conveniência (união dos dois cenários anteriores); Além disso, uma das variáveis de controle entre-sujeito é relacionada com o envolvimento com o artista. Essa variável divide-se em duas situações (baixo envolvimento com o artista e alto envolvimento com o artista), e cada respondente será exposto a somente uma dessas situações. Dessa forma, a amostra será dividida em dois grupos com relação ao grau de envolvimento com o artista. Por fim, a última variável de controle entre-sujeito é referente às faixas de valor para estimação da disposição a pagar por música digital a que os respondentes são 56 expostos. São utilizadas cinco faixas diferentes de valores, cada uma com cifras próprias para as três questões dicotômicas do referendo com acompanhamento (um valor para o lance inicial, um para o segundo lance após uma resposta negativa e um para o segundo lance após uma resposta positiva). Essa variável de controle é baseada no método utilizado por Sinha e Mandel (2008) e Sinha, Machado e Sellman (2010), e tem como objetivo ampliar o espectro de valores usados para estimar a disposição a pagar dos respondentes – para facilitar a compreensão, as faixas empregadas nesses dois estudos são dadas como exemplo no quadro 3. Entretanto, cada participante será exposto a apenas uma das faixas determinadas, dividindo a amostra total em cinco estratos baseados nos valores utilizados para a estimação da disposição a pagar. Versão do instrumento A Lance inicial Versão do $ 0,10 instrumento Segundo lance resposta negativa Lance inicial $ 0,05 Segundo lance resposta positiva Segundo lance $ 0,25 resposta negativa Segundo lance resposta positiva B A $ 0,25 0,10 $ 0,15 0,05 $ 0,50 $ 0,25 C B $ 0,50 $ 0,25 0,15 $ 0,75 $ 0,50 D C $ 0,75 $ 0,50 0,25 $ 1,00 $ 0,75 E $ 1,00 D $ 0,50 0,75 $ 1,50 0,50 $ 1,00 Quadro 3: Exemplo de faixas deEvalores utilizados$para 1,00estimar a disposição $ 0,50 a pagar Fonte: adaptado de Sinha e Mandel (2008) e Sinha, Machado e Sellman (2010) Considerado, então, o desenho misto 4 (inter-sujeito) x 2 (entre-sujeito) x 5 (entresujeito), o instrumento para aplicação do experimento apresenta 10 variações possíveis, sendo que cada uma dessas variações é composta por quatro cenários. Assim, a cada respondente é designada apenas uma das variações, composta por uma das duas situações de envolvimento com o artista e por uma das cinco faixas de valores para estimação da disposição a pagar; e, independente da variação designada, todos os participantes respondem aos quatro cenários referentes às funcionalidades do canal de aquisição de música digital. $ 1,50 57 3.4 CONDUÇÃO DA PESQUISA A condução da pesquisa ocorreu em três estágios: primeiro, foi elaborado o instrumento de coleta utilizado no experimento; em seguida, a coleta dos dados foi realizada com base na definição da amostra proposta; finalmente, os dados foram padronizados e verificados em relação a ausência de dados ou incongruências nas respostas. Para elaborar o instrumento de coleta, inicialmente foi realizada uma etapa exploratória para identificar as principais funcionalidades dos canais de aquisição de música digital. Com base nos achados dessa fase preliminar, foi conduzido um préteste para determinação das funcionalidades utilizadas em cada cenário do experimento. Por fim, o instrumento final foi construído a partir das informações coletadas. 3.4.1 Etapa exploratória Com o intuito de explorar como ocorre o processo de busca e aquisição de músicas via internet, uma bateria de entrevistas foi realizada com consumidores de música digital. Com base em um roteiro semi-estruturado composto por doze questões, quatro especialistas foram ouvidos em encontros individuais, onde foram abordados tópicos como o processo de busca e download de músicas, as percepções acerca dos problemas de performance e conveniência inseridos neste processo, e elementos influenciadores na decisão de pagar para adquirir um arquivo musical. Este grupo de especialistas foi composto por três pesquisadores que estudaram o consumo de música ou assuntos relacionados, e um profissional com experiência na comercialização de música digital via internet. 58 Além de proporcionar insights interessantes a respeito de como ocorre a aquisição e uso das peças musicais digitais, esta fase de entrevistas foi de essencial importância para a definição das funcionalidades do canal utilizadas etapa posterior da pesquisa, visto que as informações a respeito dos atributos de conveniência e performance colhidas neste estágio foram determinantes para a definição operacional dos cenários desenhados para cada tipo de funcionalidade testado. 3.4.2 Pré-teste das funcionalidades Após a fase exploratória, onde ficou clara a importância das funcionalidades de performance e conveniência no processo de aquisição de música digital, foi elaborada uma etapa de pré-teste, com o objetivo de definir objetivamente quais as funcionalidades com maior impacto na decisão de pagar ou não para adquirir uma peça musical. Para definir que funcionalidades melhor representam as dimensões de performance e conveniência, utilizou-se uma lista composta por 21 itens, baseada, em primeiro lugar, nos dez incentivos positivos (relativos à funcionalidade do canal de aquisição) apresentados por Sinha e Mandel (2008). Além disso, as informações coletadas na etapa exploratória explicitaram a necessidade de inclusão de outros itens relevantes para definição das funcionalidades. Assim, dos pontos congruentes no discurso dos quatro especialistas, outras 11 funcionalidades foram adicionadas ao rol anterior. A lista final foi formada pelas funcionalidades a seguir: 1. Arquivos de música com alta qualidade digital 2. Catálogo extenso e abrangente de músicas 3. Compilações diferenciadas (por exemplo, músicas agrupadas por gênero, por ocasião de consumo, por tipo de humor etc.) 4. Criação de playlists personalizadas para acessar em qualquer lugar 5. Downloads adicionais, como ringtones e vídeos 59 6. Facilidade no processo de compra pelo site 7. Informações sobre a música (nome, artista, álbum, ano de lançamento, gênero, etc.) precisas e completas 8. Integração com outros aplicativos musicais (por exemplo, softwares de reconhecimento de música ou redes sociais) 9. Músicas completas e sem propagandas ou outros tipos de intervenções no início ou ao final 10. Músicas e artistas específicos, normalmente difíceis de encontrar 11. Não exposição a propagandas durante a navegação pelo site 12. Navegação fácil e intuitiva em dispositivos móveis (smartphones, tablets etc.) 13. Navegação fácil e intuitiva pelo site 14. Oferta de gravações raras, artistas exclusivos e novos lançamentos 15. Oferta de samples (ouvir um trecho da música antes de fazer o download) 16. Possibilidade de comprar e fazer o download da música em dispositivos móveis (smartphones, tablets etc.) 17. Possibilidade de saber as músicas que seus amigos estão ouvindo 18. Possibilidade de sincronização entre vários dispositivos 19. Segurança contra vírus, spyware e hackers 20. Sistema de recomendação de músicas que memorize as preferências do usuário 21. Velocidade de download muito rápida A partir desta lista, foi elaborado o questionário utilizado para o pré-teste. Para cada item, o respondente deveria indicar, numa escala de 1 a 6 (onde 1 = pouca influência e 6 = muita influência), se a oferta de tal funcionalidade aumentaria a chance de pagar para fazer o download de um arquivo de música digital em vez de tentar obter o arquivo de graça. Além disso, o questionário continha questões de caracterização da amostra, e uma pergunta aberta sobre o valor máximo que o respondente estaria disposto a pagar por um arquivo de música digital. Esse questionário foi, então, aplicado a uma amostra de 59 estudantes de mestrado da UFRJ. 60 Os escores atribuídos pelos respondentes foram utilizados para o cálculo da média de cada funcionalidade. Em seguida, as funcionalidades foram agrupadas por meio de um teste pareado de Duncan, cujos resultados podem ser vistos no apêndice 1. Com base nesses resultados, foi definido o grupo de funcionalidades com maior média para elaboração do instrumento final da pesquisa. As sete funcionalidades finais foram adaptadas e organizadas de acordo com sua associação às dimensões de performance e conveniência, configurando dois conjuntos distintos: • Performance (três itens): (1) músicas completas e sem propagandas ou outros tipos de intervenções no início ou ao final; (2) arquivos de música com alta qualidade digital; e (3) segurança contra vírus, spyware e hackers • Conveniência (quatro itens): (1) catálogo extenso e abrangente de músicas; (2) músicas e artistas específicos, normalmente difíceis de encontrar; (3) navegação fácil e intuitiva pelo site; e (4) velocidade de download muito rápida. 3.4.3 Elaboração do instrumento de pesquisa Definidos o desenho do experimento e as funcionalidades utilizadas na construção dos cenários, o próximo passo foi elaborar o instrumento de pesquisa, que pode ser consultado no apêndice 2. Baseado nos questionários desenvolvidos por Sinha e Mandel (2008) e Sinha, Machado e Sellman (2010), que trabalham com a medição da disposição a pagar por meio da avaliação contingente por escolha dicotômica com acompanhamento, este instrumento é composto por cinco partes: 1. Introdução e instruções para os respondentes; 2. Questões relativas às características do indivíduo; 3. Apresentação da situação de envolvimento com o artista e questões sobre a disposição a pagar por uma composição digital em cada cenário; 4. Escala para medição do envolvimento com música em geral; 5. Identificação do respondente e feedback (opcionais). 61 A primeira parte do questionário traz um texto introdutório sobre o escopo da pesquisa, além de instruções simples destinadas aos respondentes, acerca do funcionamento do instrumento, duração média das respostas, importância de preencher o questionário de forma completa e garantia da confidencialidade e anonimato das informações. O texto integral utilizado nessa introdução pode ser acessado na parte I do apêndice 2. A segunda seção do instrumento é composta por questões referentes às características individuais dos respondentes. São 14 perguntas de resposta obrigatória e uma de resposta opcional (relacionada a serviços utilizados para aquisição paga de música digital), cujo texto é apresentado na parte II do apêndice 2. Para facilitar a visualização, um resumo dessas questões e suas características principais estão no quadro 4. Questão Tipo de resposta Escala Gênero Escolha única Dicotômica Idade Escolha única 26 pontos Aberta - Escolha única 10 pontos Tipo(s) de rendimento mensal Múltipla escolha 9 opções Tipo(s) de acesso a internet Múltipla escolha 6 opções Tipo(s) de dispositivo utilizados para acessar a internet Múltipla escolha 9 opções Tempo de uso diário de internet Escolha única 9 pontos Experiência com download de música Escolha única Dicotômica Experiência recente com download de música Escolha única Dicotômica Quantidade de dias em que realiza download em um mês Escolha única 9 pontos Quantidade de músicas adquiridas por download em um mês Escolha única 9 pontos Experiência com download pago de música Escolha única Dicotômica Múltipla escolha 14 pontos Curso de graduação Último dígito do registro de matrícula Serviço(s) utilizado(s) para aquisição paga de música digital Quadro 4: resumo das variáveis utilizadas para caracterização da amostra da pesquisa A escolha das características individuais dos respondentes utilizadas no questionário teve origem em variáveis demográficas e comportamentais utilizadas em outros 62 estudos com consumidores de música digital (WALSH et al., 2003; D’ASTOUS; COLBERT; MONTPETIT, 2005; ROCHELANDET, LE GUEL, 2005; KUNZE; MAI, 2007; OUELLET, 2007; SINHA; MANDEL, 2008). Entretanto, na ausência de um padrão para a medição dessas variáveis na literatura existente, a definição da quantidade de pontos das escalas e as respectivas faixas de abrangência foram baseados na distribuição dos dados coletados em uma pesquisa realizada pouco tempo antes, utilizando a mesma população e procedimentos de coleta semelhantes (BARBOSA, 2013). O terceiro segmento do instrumento de pesquisa é composto pela situação de envolvimento com o artista e pelos cenários referentes às funcionalidades do canal de aquisição pago. Essa é a etapa principal do experimento, onde foi empregada a técnica de avaliação contingente para estimar a disposição pagar por música digital dos respondentes em cada um dos cenários apresentados. O texto e a estrutura utilizados nesse segmento estão descritos nas partes III a X do apêndice 2. Antes de responder aos cenários, o participante é direcionado a um dos dois tipos de situação de envolvimento com o artista existentes no experimento. Na situação de baixo envolvimento, cujo texto é descrito na parte III do apêndice 2, o respondente é incitado a pensar em uma música da qual goste, sem nenhuma menção ao artista. Já na situação de alto envolvimento, cujo texto pode ser visto no apêndice 3, primeiro o respondente é inquerido a pensar e responder, numa questão aberta e obrigatória, qual o seu artista musical preferido. Só então é requisitado ao participante pensar em uma música da qual goste, com a condição de que seja uma composição do artista indicado como preferido. Definida a situação de envolvimento com o artista, o respondente é exposto ao primeiro cenário do experimento. Este cenário, denominado Controle, apresenta as características reproduzidas na parte IV do apêndice 2. Após a descrição do cenário, o participante responde a duas perguntas do tipo referendo (sim/não) sobre sua disposição a pagar um dado valor (em reais) para adquirir uma única peça de música digital – aquela sobre a qual foi incitado a pensar anteriormente – por meio 63 de um canal com as características descritas no cenário. A mecânica e o texto utilizados para cada etapa do cenário podem ser visualizados nas partes III a VII do apêndice 2. Conforme a definição da técnica de avaliação contingente por referendo com acompanhamento, a resposta dada pelo participante à primeira questão referente à disposição a pagar determina o valor de referência da segunda questão. Além disso, se o indivíduo responde a essas duas questões da mesma forma (sim/sim ou não/não), uma terceira pergunta, de resposta aberta, é usada para que ele indique o valor máximo que está disposto a pagar por uma composição musical digital. Dessa forma, a estimativa da disposição a pagar nesse cenário será dada pelas respostas das duas ou três questões respondidas pelo participantes, por meio da estrutura explicitada no quadro 5. Resposta do primeiro lance Resposta do segundo lance Não Não Pergunta adicional aberta Não Sim Fim do cenário Sim Não Fim do cenário Sim Sim Pergunta adicional aberta Consequência Quadro 5: consequências das respostas às questões de referendo para estimação da DAP Os valores utilizados como referência nas questões de referendo foram divididos em cinco faixas, consoante com o instrumento desenvolvido por Sinha e Mandel (2008) e Sinha, Machado e Sellman (2010). Essas faixas foram formadas por um conjunto de três cifras – uma referente ao primeiro lance, uma relativa ao segundo lance quando a resposta prévia é negativa, e uma pertinente ao segundo lance quando a resposta prévia é positiva –, e definidas com base nos valores apurados na etapa de pré-teste e nos preços praticados pelos principais serviços de distribuição de música digital operando no Brasil. Ao todo, foram usadas sete quantias distintas, num espectro de R$ 0,09 a R$ 2,49, conforme o quadro 6. 64 Faixa Lance inicial Segundo lance resposta negativa Segundo lance resposta positiva A R$ 0,24 R$ 0,09 R$ 0,49 B R$ 0,49 R$ 0,24 R$ 0,99 C R$ 0,99 R$ 0,49 R$ 1,49 D R$ 1,49 R$ 0,99 R$ 1,99 E R$ 1,99 R$ 1,49 R$ 2,49 Quadro 6: faixas de valores para estimação da disposição a pagar por música digital Para cada participante, foi designada apenas uma das cinco faixas de valores para estimação da disposição a pagar; assim, em todos os cenários, o respondente foi submetido aos mesmos valores de referência, variando somente de acordo com suas escolhas no lance inicial. Após responder às questões referentes à disposição a pagar por música digital para o cenário Controle, cada participante repete o mesmo processo para os cenários Performance, Conveniência e Soma. O procedimento é o mesmo adotado no primeiro cenário, variando apenas as funcionalidades disponíveis em cada um deles. As características e texto utilizados para os cenários Performance, Conveniência e Soma estão descritos, respectivamente, nas partes VIII, IX e X do apêndice 2. Encerrado o estágio de estimação da disposição a pagar, a próxima etapa do instrumento consiste na escala para medição do envolvimento com música em geral (parte XI do apêndice 2). Diversas escalas para medir o envolvimento com música foram desenvolvidas nas últimas décadas, como, por exemplo, a Personal Involvement Inventory (ZAICHKOWSKY, 1985; REINECKE; GOLDSMITH, 1993; ZAICHKOWSKY, 1994), a MPII – Modified Personal Involvement Inventory (MITTAL, 1995) e a Music Involvement Scale (BOEHNKE; MÜNCH, HOFFMANN, 2002). Cada uma destas escalas aborda o envolvimento com música de maneiras distintas, dependendo do foco da pesquisa. Por conta disso, para este trabalho foi escolhida a escala desenvolvida por Boehnke, Münch e Hoffmann (2002), por ser a que melhor se adequa ao tipo de medição pretendida. 65 A Escala de Envolvimento com Música (BOEHNKE; MÜNCH, HOFFMANN, 2002), cujos itens são descritos no quadro 7, divide o envolvimento com música em geral em duas dimensões distintas: importância da música na vida do indivíduo e envolvimento em atividades relacionadas à musica. Estas dimensões são avaliadas, respectivamente, por quatro (itens EM1 a EM4) e oito (itens EM5 a EM12) variáveis, sendo cada uma delas medida por uma escala de seis pontos. Com isso, o índice usado para medir o envolvimento do indivíduo com música é calculado pela soma dos escores destas doze variáveis. Escala de Envolvimento com Música Item Fraseio EM1 Considero que, sem música, faltaria algo muito importante na minha vida EM2 Mesmo quando tenho pouco dinheiro, eu compro CDs e produtos relacionados à música EM3 Quando não posso ouvir música por um longo tempo, eu fico ansioso(a) EM4 Eu viajo longas distâncias para ver shows que considero importantes EM5 Eu ouço música gravada em formato físico (ex: CD) ou digital (ex: mp3) EM6 Eu assisto a programas relacionados a música na TV EM7 Eu vou ao cinema para assistir filmes musicais EM8 Eu vou a shows de música EM9 Eu leio jornais, revistas, sites, etc. para me manter informado(a) sobre música EM10 Eu guardo artigos, imagens, livros, etc. sobre música EM11 Eu troco CDs ou arquivos de música digital com outras pessoas, ou copio músicas de outras pessoas EM12 Minhas conversas são sobre música Quadro 7: itens da Escala de Envolvimento com Música Fonte: Boehnke, Münch e Hoffmann (2002) A última seção do instrumento, apresentada na parte XII do apêndice 2, é dedicada ao feedback dos participantes, com um campo disponível para inserção de quaisquer comentários que o respondente considere pertinentes. Além disso, o usuário pode informar seu número de registro de matrícula e endereço de e-mail, se desejar receber os resultados da pesquisa. É importante ressaltar que, enquanto o preenchimento dos demais segmentos do questionário era obrigatório, a disponibilização das informações na seção de feedback foi opcional. Essa medida foi tomada para garantir as condições de anonimato especificadas na introdução do instrumento de pesquisa. ! 66 3.4.4 Definição da amostra e procedimento de coleta A amostra utilizada foi composta por estudantes universitários, por dois motivos. Primeiro, pelo fato de que este público é mais propenso a obter música digital via internet (WADE, 2004; SINHA; MANDEL, 2008; TAYLOR; ISHIDA, WALLACE, 2009). Além disso, a utilização de pessoas envolvidas com o ambiente acadêmico pode facilitar a condução da pesquisa, por conta de uma maior cooperação dentro da comunidade de ensino superior. Quanto à localidade, por questões de acesso, a pesquisa foi realizada com alunos de graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em relação ao meio de aplicação do instrumento de pesquisa, o experimento foi realizado via internet, por três razões principais: • Complexidade da estrutura do instrumento de pesquisa, que, por possuir uma lógica de perguntas que dependem de respostas anteriores, tem sua aplicação e entendimento facilitados na coleta pelo computador em comparação à utilização do instrumento impresso em papel; • Maior semelhança com o ambiente proposto pelo estudo, já que ao responder ao questionário via internet o participante estará em uma situação mais parecida com o momento de aquisição de música digital do que se o experimento fosse conduzido com o instrumento impresso e distribuído em sala de aula; • Otimização da relação custo-benefício da coleta, pois preparar um ambiente de laboratório adequado para atender o número de respondentes alcançado e o esforço de reunir estes respondentes em um mesmo local exigiria tempo e recursos financeiros em escala muito maior do que os empregados na coleta via internet. Além disso, o emprego do questionário online permite a designação automática das diferentes versões do instrumento para os respondentes, com base em algum 67 critério que esteja além do controle dos participantes. Nesse caso, utilizar uma amostra de estudantes universitários permite usar como tal critério o número de matrícula ou registro do aluno na universidade. Como as combinações entre as variáveis de controle envolvimento com o artista (duas situações) e faixa de valor para estimação da disposição a pagar (cinco faixas) geram dez versões diferentes do instrumento de pesquisa, o uso do último dígito do número de registro do estudante serve perfeitamente como critério de designação das variações do questionário. Com o propósito de reduzir um possível efeito de confusão na disposição a pagar associado à ordem de apresentação dos cenários de Performance e Conveniência, o último dígito do número de registro foi utilizado também para dividir os respondentes em dois grupos: para o primeiro, o ordem dos cenários intermediários no questionário obedece à sequência Performance – Conveniência; já para o segundo, a sequência foi invertida, com a configuração Conveniência – Performance. Os cenários Controle e Soma, por suas características intrínsecas, aparecem sempre na mesma ordem dentro do instrumento de pesquisa – primeiro e último cenários, respectivamente. O quadro 8 apresenta as dez versões existentes do questionário e o dígito associado a cada uma delas. Depois de estruturado em um serviço online profissional especializado na confecção e hospedagem de instrumentos de pesquisa, o questionário utilizado neste experimento foi disponibilizado para os estudantes de graduação ativos da UFRJ. Um e-mail com um texto de apresentação e o link direto para o instrumento de pesquisa foi enviado para os 42.252 alunos ativos de graduação da universidade por meio do Sistema Integrado de Gestão Acadêmica (SIGA), o sistema informacional utilizado para a administração das atividades acadêmicas na UFRJ. 68 Dígito Envolvimento com o artista Faixa de valores para a disposição a pagar Ordem dos cenários Performance e Conveniência 0 Alto Faixa A Normal 1 Baixo Faixa B Normal 2 Alto Faixa C Normal 3 Baixo Faixa D Normal 4 Alto Faixa E Normal 5 Baixo Faixa A Inversa 6 Alto Faixa B Inversa 7 Baixo Faixa C Inversa 8 Alto Faixa D Inversa 9 Baixo Faixa E Inversa Quadro 8: versões do instrumento de pesquisa e dígitos associados A coleta do experimento foi realizada entre os dias 03 e 24 de julho de 2013. Nesse período, houve 1.943 acessos ao instrumento de pesquisa, denotando uma taxa de resposta de 4,61% em relação à base de alunos ativos. Destes 1.943 acessos, 1.406 responderam o questionário até o final, o que configura uma proporção de 72% de respostas completas em relação aos acessos totais. Um provável motivo para essa perda de 28% pode ser a reincidência de respondentes, já que 310 questionários (57% do total perdido) foram deixados completamente em branco, o que pode ser um indício de que estas pessoas decidiram acessar o instrumento em outro momento. Outras possíveis razões para a existência de questionários incompletos são a complexidade do instrumento de pesquisa, ou ainda a duração total da resposta ao questionário. Dessas 1.406 respostas completas, foram excluídos 75 questionários que apresentavam incongruência entre as estimativas da disposição a pagar dentro de algum cenário. Tal incongruência pode surgir em duas situações: • Quando o valor informado pelo participante na pergunta aberta após duas respostas negativas nas questões de referendo é maior do que o valor de referência do segundo lance; ou 69 • Quando o valor informado pelo participante na pergunta aberta após duas respostas positivas nas questões de referendo é menor do que o valor de referência do segundo lance. Além disso, um questionário foi excluído pela identificação de um caso de duplicidade entre as respostas, baseada nas informações do respondente. Assim, a amostra válida foi constituída por 1.330 questionários. Por fim, dessas respostas válidas foram excluídos 27 questionários que continham pontos discrepantes na estimativa da disposição a pagar por música digital em quaisquer cenários. O limite para as estimativas discrepantes foi estipulado em R$ 3,00, baseado nos preços praticados pelos serviços de venda de música digital operando no Brasil. Dessa forma, a amostra final foi composta por 1.303 respostas. Determinada a amostra final, o último passo antes da análise dos dados coletados foi definir quais as técnicas estatísticas a serem empregadas, explicitadas na seção a seguir. 3.1 TÉCNICAS ESTATÍSTICAS UTILIZADAS Em consonância com as pesquisas de Sinha e Mandel (2008) e Sinha, Machado e Sellman (2010), o presente estudo adota a análise de sobrevivência como método de estimação da disposição a pagar por música digital. Carson e Steinberg (1990) argumentam que o problema de estimar a disposição a pagar pode ser abordado de maneira semelhante à análise de um bioensaio – tipo de experimento científico que investiga os efeitos de uma substância em um órgão isolado ou em um organismo vivo. Dessa forma, o preço pode ser tratado como a dose que elimina o interesse do consumidor em um determinado bem, e encontrar a mediana da disposição a pagar equivale a estimar a dose letal mediana – a dose necessária para matar 50% de uma população em teste. Por conseguinte, havendo o interesse em identificar a distribuição total da disposição a pagar, pode-se utilizar as técnicas analíticas 70 oriundas da biometria como a análise de sobrevivência (CARSON; STEINBERG, 1990). Além disso, Mitchell e Carson (1989) defendem que as técnicas estatísticas de análise de sobrevivência desenvolvidas para dados inspecionados em intervalos irregulares podem ser utilizadas para lidar com estruturas mais elaboradas de avaliação contingente como o referendo com acompanhamento. 3.4.1 Análise de sobrevivência A análise de sobrevivência é o ramo da estatística que lida com a morte em organismos biológicos e com a falha em sistemas mecânicos (HAAB; MCCONNEL, 2002). O objetivo dessa técnica é identificar uma função de sobrevivência, definida como 𝑆 𝑡 = Pr (𝑇 > 𝑡), onde t é um tempo determinado e T uma variável aleatória que denota o momento da morte ou falha. Assim, a função sobrevivência determina a probabilidade de uma observação da variável aleatória T ter um tempo de sobrevivência maior do que um dado momento t (HAAB; MCCONNELL, 2002). A análise de sobrevivência é um método bastante utilizado nas ciências médicas e biológicas (GILLESPIE et al., 2010). Nestes casos, o método é empregado para estimar as curvas de sobrevivência relacionadas a diferentes tipos de tratamento. As ciências naturais aplicadas, como os diferentes tipos de engenharia, também se aproveitam deste tipo de análise em pesquisas de durabilidade de materiais, substituindo os seres vivos pelos materiais estudados em questão. Por conta dessa diferença de escopo, nestes casos a análise de sobrevivência também é conhecida como análise de durabilidade (HAAB; MCCONNELL, 2002). A análise de sobrevivência também é empregada nas mais diversas áreas das ciências sociais. No campo das ciências sociais aplicadas, incluindo as áreas de 71 administração, economia e ciências contábeis e atuariais, Rocha e Rocha (2008) utilizam a análise de duração para estudar a consolidação fiscal dos estados brasileiros ao longo do tempo. Cohen et al. (2004) empregam a técnica para quantificar os efeitos da percepção de marca sobre o tempo de atividade de clientes de cartões private label. Já Rocha (1999) utiliza este tipo de análise com o intuito desenvolver um modelo de previsão de insolvência bancária. 3.4.2 Estimação da disposição a pagar pela análise de sobrevivência Com base nas respostas fornecidas pelos participantes, as estimativas individuais da disposição a pagar por música digital para cada cenário do experimento podem ser de dois tipos: intervalar, quando a estimativa é definida por um intervalo formado pelos valores provenientes das duas questões de referendo; e pontual, quando a estimativa é proveniente do valor informado pelo respondente na questão de acompanhamento aberta. De forma detalhada, as quatro possibilidades são: • Respostas não/não: estimativa pontual, baseada na resposta dada para a questão aberta (estimativa entre zero e o valor de referência do segundo lance); • Respostas não/sim: estimativa intervalar, com o limite inferior definido pelo valor de referência do segundo lance e o limite superior determinado pelo valor de referência do primeiro lance; • Respostas sim/não: estimativa intervalar, com o limite inferior definido pelo valor de referência do primeiro lance e o limite superior determinado pelo valor de referência do segundo lance; • Respostas sim/sim: estimativa pontual, baseada na resposta dada para a questão aberta (estimativa maior do que valor de referência do segundo lance). 72 Para tratar dados com essas características utilizando a análise de sobrevivência, foram utilizadas técnicas estatísticas não-paramétricas. Diversos autores (HAAB; MCCONNELL, 1997; HAAB; MCCONNELL, 2002; LOUREIRO; LOOMIS; NAHUELHUAL, 2004; VAN BIERVLIET; LE ROY; NUNES, 2005; GILLESPIE et al., 2010) defendem a utilização de métodos não-paramétricos para estimar a função de sobrevivência da disposição a pagar por um bem. A principal vantagem das estimativas não-paramétricas configura-se no fato destas utilizarem essencialmente os dados coletados na pesquisa para calcular a distribuição da variável, evitando assim suposições sobre a forma desta distribuição. Os métodos de estimação paramétricos, por outro lado, dependem da consideração a priori de pressupostos relacionados à forma da distribuição utilizada, o que pode trazer vieses significativos para a análise se o tipo de distribuição assumida diferir em demasia da função de sobrevivência real (ALBERINI, 1995). Haab e McConnell (2002), por sua vez, afirmam que, em virtude da sensitividade da disposição a pagar em determinados estudos de avaliação contingente, deve-se utilizar a abordagem menos restritiva para estimação da disposição a pagar. Para a estimação da função de sobrevivência pelo método não-paramétrico, a técnica adotada como padrão é o estimador produto-limite desenvolvido por Kaplan e Meier (1958). No caso de dados com censura intervalar, utiliza-se o algoritmo proposto por Turnbull (1974). Ambas as técnicas estão disponíveis em diversos softwares usados para o tratamento de dados de sobrevivência, e são tratadas em detalhes por autores como Colosimo e Giolo (2006) e Haab e McConnell (2002). A partir da estimação da função de sobrevivência, a estimativa da disposição a pagar é feita pelas medidas de tendência central, como a mediana e a média. Além disso, é possível comparar diferentes funções de sobrevivência por meio de testes nãoparamétricos como o log-rank e o teste de Wilcoxon (COLOSIMO; GIOLO, 2006), com o objetivo de verificar a existência de diferenças na disposição a pagar por música digital relacionadas às funcionalidades do canal de aquisição pago e ao envolvimento com música e com o artista. 73 4 RESULTADOS Este capítulo tem como objetivo apresentar os resultados obtidos nesse estudo. A primeira seção traz a caracterização da amostra pesquisada. Em seguida, serão testadas as hipóteses definidas no início do trabalho, referentes às funcionalidades do canal de aquisição de música digital pago e ao envolvimento com música em geral e com o artista. Algumas das variáveis utilizadas para caracterizar a amostra também serão testadas para verificar se exercem algum tipo de influência na disposição a pagar dos indivíduos. Por fim, os resultados apresentados serão discutidos de maneira agregada. 4.1 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA A amostra final utilizada nessa pesquisa foi composta por 1.303 estudantes de graduação da UFRJ. Antes de avaliar os resultados das análises estatísticas e testar as hipóteses levantadas nesse estudo, é necessário caracterizar a amostra em relação às principais variáveis sociodemográficas e comportamentais utilizadas no instrumento de pesquisa. O uso de amostras homogêneas em experimentos apresenta a vantagem de padronizar algumas características, como forma de controlar de maneira mais eficiente as variáveis de interesse (BONIFACE, 1995). Assim, a coleta do experimento foi realizada com o intuito de satisfazer alguns critérios de homogeneidade, como idade e grau de instrução, a fim de utilizar uma amostra semelhante às apresentadas em outros estudos relativos ao consumo de música digital (D’ASTOUS; COLBERT; MONTPETIT, 2005; ROB; WALDFOGEL, 2006; GREEN, 2007; HIGGINS, 2007; BARROS et al., 2008; PLOWMAN, GOODE, 2009; entre outros). 74 Além destas características nas quais se buscou homogeneidade na amostra, outras variáveis sociodemográficas e de hábitos de utilização de internet e consumo de música foram utilizadas, com o intuito de caracterizar a amostra estudada. Para isso, será apresentada a distribuição amostral de cada uma destas variáveis. 4.1.1 Gênero Em relação ao gênero dos respondentes, pode-se perceber que 54% dos indivíduos pesquisados é do gênero feminino. Em uma comparação com a proporção de estudantes do gênero feminino nas universidades federais da região Sudeste – dentre as quais encontra-se a UFRJ –, da ordem de 54,3% (ANDIFES, 2011), notase que a amostra coletada apresenta uma proporção bem próxima a essa. A tabela 1 denota a distribuição obtida na amostra para a variável gênero. Tabela 1: Distribuição amostral para gênero Frequência Percentual Percentual Acumulado Feminino 704 54,0% 100% Masculino 599 46,0% 46,0% 1.303 100% Total 4.1.2 Idade A distribuição etária dos respondentes apresenta-se de forma bastante homogênea, como pode ser visto na tabela 2. Apesar da existência de observações em todas as faixas de idade utilizadas no instrumento de pesquisa, nota-se uma grande concentração de indivíduos nas faixas inferiores. De fato, pelo resumo por quartis apresentado na tabela 3, observa-se que a mediana da distribuição etária é de 21 anos, com o primeiro quartil em 19 anos e o terceiro quartil em 23 anos. Percebe-se 75 também que quase 90% dos respondentes estão inseridos no intervalo com idades entre 17 e 27 anos, o que corrobora a percepção de homogeneidade, apesar da amplitude relativamente larga. Tabela 2: Distribuição amostral para idade Frequência Percentual Percentual Acumulado 16 anos ou menos 1 0,08% 0,1% 17 anos 23 1,77% 1,8% 18 anos 112 8,60% 10,4% 19 anos 202 15,50% 25,9% 20 anos 205 15,73% 41,7% 21 anos 175 13,43% 55,1% 22 anos 157 12,05% 67,2% 23 anos 117 8,98% 76,1% 24 anos 76 5,83% 82,0% 25 anos 44 3,38% 85,3% 26 anos 37 2,84% 88,2% 27 anos 23 1,77% 89,9% 28 anos 14 1,07% 91,0% 29 anos 17 1,30% 92,3% 30 anos 11 0,84% 93,2% 31 anos 11 0,84% 94,0% 32 anos 6 0,46% 94,5% 33 anos 10 0,77% 95,2% 34 anos 6 0,46% 95,7% 35 anos 4 0,31% 96,0% 36 anos 1 0,08% 96,1% 37 anos 1 0,08% 96,2% 38 anos 5 0,38% 96,5% 39 anos 2 0,15% 96,7% 40 anos 4 0,31% 97,0% Mais de 40 anos 39 2,99% 100% 1.303 100% Total Em nova comparação com os números relativos às universidades federais da região Sudeste, onde 0,2% dos estudantes dessas instituições de ensino têm até 17 anos, 77,6% têm de 18 a 24 anos e 22,2% têm 25 anos ou mais (ANDIFES, 2011), a amostra coletada apresenta os percentuais de 1,8%, 80,1% e 18,1% nas respectivas 76 faixas etárias. Mais uma vez, a comparação entre os dois estudos denota proporções próximas entre os valores de referência para estudantes de universidades federais da região Sudeste e a amostra coletada para esta pesquisa. Tabela 3: Distribuição amostral para idade em quartis Frequência Percentual Percentual Acumulado Até 19 anos 338 25,9% 25,9% De 20 a 21 anos 380 29,2% 55,1% De 22 a 23 anos 274 21,0% 76,1% Acima de 23 anos 311 23,9% 100,0% 1.303 100% Total 4.1.3 Rendimento mensal Quando é analisada a variável relativa à existência e tipo de rendimentos mensais dos estudantes pesquisados, cujas frequências são mostradas na tabela 4, nota-se que a fonte de renda mais frequente entre os respondentes é o auxílio de pais ou responsáveis, com aproximadamente 39%, seguidos de bolsa de estudos, estágio e trabalho remunerado com ou sem registro (cerca de 21% para cada uma destas categorias). Percebe-se também que a ausência de qualquer tipo de rendimento mensal é relativamente frequente na amostra, com quase 18% dos respondentes apontando essa opção. Uma vez que a questão sobre o tipo de acesso à internet utilizado permite respostas múltiplas, é esperado que o percentual total seja maior do que 100%, algo que ocorre com os tipos de rendimento mensal. Enquanto esse tipo de resposta inviabiliza análises que envolvam separatrizes (como mediana e quartis), pode-se, por outro lado, verificar a frequência referente à quantidade de opções assinaladas pelos respondentes. No caso dos rendimentos mensais, observa-se na tabela 5 que mais da metade da amostra – aproximadamente 57% - possui apenas uma fonte de 77 rendimento. Além disso, mais de 78% dos respondentes declarou ter entre um e dois tipos de rendimento mensal. Tabela 4: Distribuição amostral por tipo de rendimento mensal Frequência Percentual Auxílio de pais ou responsáveis 509 39,1% Bolsa de estudos 272 20,9% Estágio 269 20,6% Trabalho remunerado (registrado ou não) 269 20,6% Pensão, aposentadoria ou outro benefício previdenciário 46 3,5% Rendimento de aplicações financeiras 41 3,1% Participação em empresa(s) 12 0,9% Não tenho rendimento mensal 229 17,6% Outro(s) 46 3,5% Total 1.303 Tabela 5: Distribuição amostral por tipo de rendimento mensal em quantidade Frequência Percentual Percentual Acumulado Sem rendimento 229 17,6% 17,6% 1 tipo de rendimento 747 57,3% 74,9% 2 tipos de rendimento 271 20,8% 95,7% 3 tipos de rendimento 50 3,8% 99,5% 4 tipos de rendimento 5 0,4% 99,9% 5 tipos de rendimento 1 0,1% 100,0% 1.303 100% Total 4.1.4 Tipo de acesso à internet Com respeito a que tipo de acesso à internet os respondentes possuem em suas residências, pode-se perceber pela tabela 6 que a grande maioria – mais de 92% possui algum tipo de acesso por banda larga em sua residência. Além disso, pouco mais de 37% da amostra pesquisada utiliza uma conexão com a internet por meio de 78 tecnologia 3G ou 4G, sendo aproximadamente 27% via dispositivos de telefonia móvel e por volta de 10% via modem. Por outro lado, apenas 18 indivíduos da amostra declararam não possuir qualquer tipo de acesso à internet em seu domicílio, o que demonstra que a quase totalidade do sujeitos desse estudo possui acesso à internet em suas residências. Tabela 6: Distribuição amostral por tipo de acesso à internet Frequência Percentual 1.205 92,5% Conexão 3G/4G para telefonia móvel 354 27,2% Conexão 3G/4G por modem 134 10,3% Linha discada (dial-up) 4 0,3% Sem acesso à internet em casa 18 1,4% Outro(s) 10 0,8% Banda larga Total 1.303 Por esta variável possibilitar a escolha de mais de uma opção de acesso à internet, é interessante realizar mais uma vez a análise do percentual relativo à quantidade de tipos de acesso à internet indicada pelos respondentes. De acordo com a tabela 7, 69% dos indivíduos pesquisados possui apenas um tipo de acesso à internet em sua residência, enquanto perto de 27% utiliza dois tipos de acesso à internet em seu local de moradia. Tabela 7: Distribuição amostral por quantidade de tipos de acesso à internet Frequência Percentual Percentual Acumulado Sem acesso 18 1,4% 1,4% 1 tipo de acesso 899 69,0% 70,4% 2 tipos de acesso 350 26,9% 97,2% 3 tipos de acesso 36 2,8% 100,0% 1.303 100% Total 79 4.1.5 Dispositivos de acesso à internet A prevalência do uso de computadores portáteis (notebooks/laptops) como dispositivo de acesso à internet pode ser atestada pelas frequências apresentadas na tabela 8 – oito em cada dez respondentes declararam utilizar esse tipo de dispositivo. Nota-se também a incidência relativamente alta de telefones celulares e smartphones (em torno de 66%) e computadores de mesa (pouco mais de 58%) para acessar a internet. O quarto tipo de dispositivo mais popular é o tablet, usado por quase 23% da amostra pesquisada. Por outro lado, apenas um dos indivíduos pesquisados declarou não utilizar qualquer tipo de dispositivo para acessar a internet. Tabela 8: Distribuição amostral por tipo de dispositivo de acesso à internet Frequência Percentual 1.046 80,3% Telefone celular / smartphone 858 65,8% Computador de mesa (desktop) 761 58,4% Tablet 294 22,6% Console de videogame 129 9,9% Televisão / Smart TV 83 6,4% Leitor de livros digitais (e-reader) 33 2,5% Nenhum 1 0,1% Outro(s) 6 0,5% Notebook / laptop Total 1.303 Quando considerada a variedade de tipos de dispositivo utilizados para acessar a internet, percebe-se pela tabela 9 que aproximadamente um terço da amostra pesquisada utiliza dois tipos de dispositivo. Já os que usam de um a três tipos de dispositivo representam mais de 80% dos respondentes. 80 Tabela 9: Distribuição amostral por quantidade de tipos de dispositivo de acesso à internet Frequência Percentual Percentual Acumulado 1 0,1% 0,1% 1 tipo de dispositivo 289 22,2% 22,3% 2 tipos de dispositivo 431 33,1% 55,3% 3 tipos de dispositivo 360 27,6% 83,0% 4 tipos de dispositivo 152 11,7% 94,6% 5 tipos de dispositivo 51 3,9% 98,5% 6 tipos de dispositivo 17 1,3% 99,8% 7 tipos de dispositivo 2 0,2% 100,0% 1.303 100% Nenhum tipo de dispositivo Total 4.1.6 Tempo de uso diário de internet O uso diário da internet para qualquer propósito é relativamente intenso na amostra pesquisada, como pode ser verificado na tabela 10. Aproximadamente 87% dos sujeitos pesquisados disseram utilizar a internet de alguma forma por mais de duas horas diárias, em média – o que representaria pelo menos 1/8 do tempo disponível em um dia com 16 horas de atividade e oito horas de sono. Tabela 10: Distribuição amostral por tempo de uso diário de internet Frequência Percentual Percentual Acumulado Menos de 1 hora por dia 18 1,4% 1,4% De 1 a 2 horas por dia 149 11,4% 12,8% De 2 a 3 horas por dia 267 20,5% 33,3% De 3 a 4 horas por dia 247 19,0% 52,3% De 4 a 5 horas por dia 211 16,2% 68,5% De 5 a 6 horas por dia 128 9,8% 78,3% De 6 a 7 horas por dia 87 6,7% 85,0% De 7 a 8 horas por dia 50 3,8% 88,8% Mais de 8 horas por dia 146 11,2% 100,0% 1.303 100% Total 81 Esse nível de uso diário da internet fica mais claro quando se observa a tabela 11, que divide as frequências em quartis. Percebe-se, por exemplo, que 45% dos respondentes dedica de 3 a 6 horas por dia para realizar tarefas online, destinando parte considerável do seu dia para atividades via internet. Tabela 11: Distribuição amostral por tempo de uso diário de internet em quartis Frequência Percentual Percentual Acumulado Até 3 horas por dia 434 33,3% 33,3% De 3 a 4 horas por dia 247 19,0% 52,3% De 4 a 6 horas por dia 339 26,0% 78,3% Acima de 6 horas por dia 283 21,7% 100,0% 1.303 100% Total 4.1.7 Experiência prévia com download de músicas Como pode ser notado na tabela 12, mais de 97% dos respondentes já teve alguma experiência prévia com o download de música digital – ou seja, quase todos os indivíduos pesquisados já realizaram esse tipo de atividade em algum momento. Em adição, quando perguntados se fizeram download de músicas nos seis meses que antecederam a coleta dos dados, aproximadamente 89% dos sujeitos estudados respondeu de maneira afirmativa (tabela 13), o que indica que a grande maioria dos respondentes adquiriu músicas via internet com relativa recentidade. Tabela 12: Distribuição amostral por experiência prévia com download de músicas Frequência Percentual Percentual Acumulado Não 33 2,5% 2,5% Sim 1.270 97,5% 100,0% Total 1.303 100% Estes percentuais elevados, tanto em relação à experiência prévia com download de músicas quanto à realização de download de músicas nos seis meses anteriores à 82 coleta, podem ser interpretados como um bom indicativo de que a utilização de uma amostra com as características especificadas neste estudo abrange um público consumidor de música digital. Tabela 13: Distribuição amostral por realização de download de músicas nos últimos seis meses Frequência Percentual Percentual Acumulado Não 144 11,1% 11,1% Sim 1.159 88,9% 100,0% Total 1.303 100% 4.1.8 Quantidade de dias em que se realiza download de músicas no mês Os dados da tabela 14 mostram que mais de 95% dos sujeitos pesquisados fazem download com alguma intensidade referente à quantidade de dias em que realiza tal atividade dentro do mês – percentual próximo ao de respondentes que declararam fazer download de músicas nos seis meses anteriores à coleta da pesquisa. Percebe-se também que a maioria das respostas dos indivíduos concentra-se nas faixas inferiores em relação à quantidade de dias, denotando que grande parte da amostra tem uma intensidade relativamente baixa de download nessas medidas – aproximadamente 67% realizam essa atividade em até 5 dias durante um mês. 83 Tabela 14: Distribuição amostral por quantidade de dias em que se realiza download de músicas no mês Frequência Percentual Percentual Acumulado Não faço download de músicas pela internet 60 4,6% 4,6% 1 dia ou menos 366 28,1% 32,7% De 2 a 3 dias 328 25,2% 57,9% De 4 a 5 dias 180 13,8% 71,7% De 6 a 7 dias 98 7,5% 79,2% De 8 a 10 dias 82 6,3% 85,5% De 11 a 15 dias 74 5,7% 91,2% De 15 a 20 dias 50 3,8% 95,0% De 20 a 30 dias 65 5,0% 100,0% 1.303 100% Total Quando são excluídos os 60 indivíduos que declararam não realizar download de músicas, a divisão do restante dos respondentes em quartis presente na tabela 15 demonstra de forma mais clara a intensidade de download consideravelmente baixa em termos da quantidade de dias – de fato, mais da metade da amostra válida (quase 56%) realiza download de músicas em até três dias durante o mês. Tabela 15: Distribuição amostral por quantidade de dias em que se realiza download de músicas no mês em quartis Frequência Percentual Percentual Acumulado 1 dia ou menos 366 29,4% 29,4% De 2 a 3 dias 328 26,4% 55,8% De 4 a 7 dias 278 22,4% 78,2% De 8 a 30 dias 271 21,8% 100,0% 1.243 95,4% 60 4,6% 1.303 100% Subtotal Não faço download de músicas pela internet Total 84 4.1.9 Quantidade de músicas adquiridas por download no mês Os números apresentados na tabela 16 apontam que menos de 5% dos sujeitos pesquisados não realizam o download de qualquer quantidade de músicas durante um mês. Além disso, é possível observar que a maioria dos respondentes adquire uma pequena quantidade de músicas via download durante um mês, denotando que uma boa parcela dos indivíduos mostra uma intensidade baixa de download nesses termos, já que cerca de 68% faz o download de até 20 músicas – o equivalente, em média, a dois álbuns inteiros – ao longo de um mês. Tabela 16: Distribuição amostral por quantidade de músicas adquiridas via download no mês Frequência Percentual Percentual Acumulado Não faço download de músicas pela internet 59 4,5% 4,5% 1 música ou menos 101 7,8% 12,3% De 2 a 5 músicas 293 22,5% 34,8% De 6 a 10 músicas 289 22,2% 56,9% De 11 a 20 músicas 204 15,7% 72,6% De 21 a 30 músicas 124 9,5% 82,1% De 31 a 50 músicas 112 8,6% 90,7% De 51 a 100 músicas 68 5,2% 95,9% Mais de 100 músicas 53 4,1% 100,0% 1.303 100% Total Quando excluídos os 59 respondentes que disseram não realizar download de qualquer quantidade de músicas durante um mês, a separação do restante da amostras em quartis presente na tabela 17 mostra de forma mais nítida que também nessa medida – quantidade de músicas adquiridas via download dentro de um mês – a intensidade de download é relativamente baixa – nota-se que quase 55% da amostra válida faz o download de até 10 músicas por mês. 85 Tabela 17: Distribuição amostral por quantidade de músicas adquiridas via download no mês em quartis Frequência Percentual Percentual Acumulado Até 5 músicas por mês 394 31,7% 31,7% De 6 a 10 músicas por mês 289 23,2% 54,9% De 11 a 30 músicas por mês 328 26,4% 81,3% Mais de 30 músicas por mês 233 18,7% 100,0% 1.244 95,5% 59 4,5% 1.303 100% Subtotal Não faço download de músicas pela internet Total 4.1.10 Experiência com download pago de músicas Em comparação com o alto percentual de indivíduos da amostra que possuem experiência com download de música, os números da tabela 18 mostram que a proporção de respondentes que já pagou algum valor para realizar o download de música digital é bastante baixo – não chega a 15%. Ou seja, apesar dos indícios de que a amostra composta por estudantes universitários é condizente com o perfil do consumidor de música digital, parece que a adesão a serviços pagos de download de música digital ainda é baixa para esse perfil de consumidor retratado na amostra pesquisada. Tabela 18: Distribuição amostral por experiência com download pago de música digital Frequência Percentual Percentual Acumulado Não 1.118 85,8% 85,8% Sim 185 14,2% 100,0% Total 1.303 100% 86 4.1.11 Canais utilizados para download pago Como pode ser visto na tabela 19, quase 80% dos respondente que declararam ter experiência com download pago de música digital já utilizaram o serviço iTunes para realizar tal atividade. A predominância de uso desse serviço em comparação às baixas frequências apresentadas pelos demais é um indício claro do domínio do iTunes na comercialização de música via internet dentro da amostra pesquisada. Tabela 19: Distribuição amostral por canais utilizados para download pago Frequência Percentual iTunes 147 79,5% Google Play 10 5,4% Nokia Music 7 3,8% Vivo Play 7 3,8% iMusica 4 2,2% Tim Music Store 4 2,2% UOL Megastore 4 2,2% Mundo Oi 3 1,6% Xbox Music 3 1,6% MSN Music 2 1,1% Mercado da Música 1 0,5% Yahoo Music 1 0,5% Outro(s) 21 11,4% Não respondeu 9 4,9% Total 185 É interessante ressaltar que, de todas as opções de canais para aquisição de música paga elencadas no instrumento de pesquisa, apenas o serviço ideasmusik não foi citado pelos respondentes que indicaram ter utilizado esse tipo de canal de aquisição no passado. 87 4.1.12 Envolvimento geral com música A aferição da medida de envolvimento geral com música foi baseada na Escala de Envolvimento com Música de Boehnke, Münch e Hoffmann (2002), composta por doze variáveis. Como pode ser visto na tabela 20, a Escala de Envolvimento com Música apresenta um índice para o alfa de Cronbach consideravelmente alto (α = 0,85), o que leva a crer que a confiabilidade interna da escala é bastante robusta. Além disso, todos os itens utilizados parecem contribuir para este nível de confiabilidade, uma vez que a exclusão de qualquer um destes não traz ganhos para o índice original. Tabela 20: Confiabilidade interna da Escala de Envolvimento com Música Estatísticas de confiabilidade Alfa de Cronbach Alfa de Cronbach baseado nos itens padronizados No. de itens 0,850 0,851 12 Estatísticas item-total Item Correlação item- Alfa de Cronbach se total corrigida o item for excluído EM1 0,459 0,843 EM2 0,506 0,839 EM3 0,530 0,838 EM4 0,555 0,836 EM5 0,337 0,850 EM6 0,446 0,844 EM7 0,418 0,846 EM8 0,619 0,831 EM9 0,700 0,825 EM10 0,604 0,832 EM11 0,424 0,846 EM12 0,661 0,829 Com base nessa análise da confiabilidade interna da escala, todos os doze itens originais foram utilizados para o cálculo dos escores da Escala de Envolvimento com Música. Dessa forma, cada respondente teve os pontos de suas respostas nos itens 88 da escala somados para gerar seu índice individual de envolvimento com música, cuja pontuação pode variar entre 12 e 72 pontos. Agregados no nível da amostra, estes índices possuem as estatísticas descritivas apresentadas na tabela 21 (a distribuição de frequências detalhada para estes escores é apresentada no apêndice 4). Tabela 21: Estatísticas descritivas da Escala de Envolvimento com Música Escala de Envolvimento com Música Média 41,32 Mediana 41 Moda 37 Desvio padrão 12,03 Mínimo 12 Máximo 71 Pelas estatísticas descritivas e distribuição detalhada de frequências, pode-se notar que, com exceção da pontuação mais elevada (72 pontos), todas as demais faixas têm pelo menos um representante dentro da amostra. Assim, a amplitude do índice é de 59 pontos, variando entre 12 e 71 pontos. A mediana, por sua vez, coincide com o ponto médio da amplitude da escala. Se considerada a distribuição por quartis, a representação da Escala de Envolvimento com Música segue a descrição contida na tabela 22. Tabela 22: Distribuição amostral da Escala de Envolvimento com Música em quartis Frequência Percentual Percentual Acumulado De 12 a 33 pontos 351 26,9% 26,9% De 34 a 41 pontos 316 24,3% 51,2% De 42 a 50 pontos 324 24,9% 76,1% De 51 a 71 pontos 312 23,9% 100,0% 1.303 100% Total 89 4.1.13 Último dígito do número de registro Com o intuito de definir os grupos referentes às três variáveis de controle utilizadas no instrumento de pesquisa (envolvimento com o artista, faixa para estimação da disposição a pagar e ordem de apresentação dos cenários Performance e Conveniência), foi utilizado como critério o último digito do número de registro dos respondentes. Pode-se perceber, pelos dados enumerados na tabela 23, que a distribuição entre os dez dígitos possíveis foi relativamente homogênea, com oito desses dígitos apresentando frequência entre 120 e 140 indivíduos. Tabela 23: Distribuição amostral do último dígito do número de registro (DRE) Total Frequência Percentual Percentual Acumulado 0 130 10,0% 10,0% 1 114 8,7% 18,7% 2 121 9,3% 28,0% 3 132 10,1% 38,1% 4 130 10,0% 48,1% 5 130 10,0% 58,1% 6 126 9,7% 67,8% 7 140 10,7% 78,5% 8 132 10,1% 88,6% 9 148 11,4% 100,0% 1.303 100% 4.1.14 Envolvimento com o artista Para designar os respondentes para a condição de baixo ou alto envolvimento com o artista, foi utilizado o critério do último dígito do número de registro (DRE): os indivíduos cujo dígito corresponde a um número ímpar foram direcionados para a condição de baixo envolvimento com o artista, enquanto os sujeitos cujo dígito é 90 equivalente a um número par responderam ao questionário com a condição de alto envolvimento com o artista. Pela tabela 24, nota-se que a divisão entre os dois grupos é bastante equilibrada, com uma diferença de 2% entre os dois segmentos. Tabela 24: Distribuição amostral do nível de envolvimento com o artista Frequência Percentual Percentual Acumulado Baixo 664 51,0% 51,0% Alto 639 49,0% 100,0% Total 1.303 100% 4.1.15 Faixas para estimação da disposição a pagar As faixas para estimação da disposição a pagar dos respondentes também foram designadas a partir do último dígito do número de matrícula dos sujeitos pesquisados, conforme visto na quadro 8. Com base nesse critério, a distribuição dos indivíduos nas faixas correspondentes obedeceu às frequências mostradas na tabela 25. Também nesse caso, a divisão foi bastante equilibrada, com diferença de menos de 3% entre as faixas mais extremas. Tabela 25: Distribuição amostral das faixas para estimação da DAP Frequência Percentual Percentual Acumulado Faixa 1 (R$ 0,24; R$ 0,09; R$ 0,49) 260 20,0% 20,0% Faixa 2 (R$ 0,49; R$ 0,24; R$ 0,99) 240 18,4% 38,4% Faixa 3 (R$ 0,99; R$ 0,49; R$ 1,49) 261 20,0% 58,4% Faixa 4 (R$ 1,49; R$ 0,99; R$ 1,99) 264 20,3% 78,7% Faixa 5 (R$ 1,99; R$ 1,49; R$ 2,49) 278 21,3% 100,0% 1.303 100% Total 91 4.1.16 Ordem de apresentação dos cenários Performance e Conveniência Para definir a ordem de apresentação dos cenários Performance e Conveniência dentro do instrumento de pesquisa, novamente foi usado o critério de divisão baseado no último dígito do número de matrícula (DRE) dos respondentes: aqueles cujo dígito varia de 0 a 4 foram apresentados aos cenários na ordem Controle – Performance – Conveniência – Soma, enquanto os sujeitos cujo dígito varia de 5 a 9 responderam aos cenários na sequência Controle – Conveniência – Performance – Soma. Pela tabela 26, percebe-se, mais uma vez, o relativo equilíbrio entre os estratos, com uma diferença menor do que 4%. Tabela 26: Distribuição amostral da ordem de apresentação dos cenários Performance e Conveniência Frequência Percentual Percentual Acumulado Normal 627 48,1% 48,1% Inversa 676 51,9% 100,0% 1.303 100% Total 4.2 ESTIMATIVAS DA DAP E CURVAS DE SOBREVIVÊNCIA POR CENÁRIO Com base nas respostas dadas pelos respondentes em cada cenário utilizado para medir a disposição a pagar por música digital, pode-se construir as funções de sobrevivência referentes a cada um destes cenários. Tais funções são formadas por valores pontuais (quando são explicitamente indicados pelos participantes da pesquisa) ou por intervalos de valores (quando o respondente só fornece os limites inferior e superior de sua disposição a pagar por música digital). Quando existe a presença de censura intervalar, Colosimo e Giolo (2006) indicam a utilização do estimador limite-produto modificado proposto por Turnbull (1976). Assim, por meio desse algoritmo não-paramétrico, foi possível obter as estimativas das funções de 92 sobrevivência para cada um dos cenários contidos no experimento – registradas nos apêndices 5 a 8. A obtenção das funções de sobrevivência permite também criar a representação gráfica das curvas de sobrevivência apresentadas na figura 4. 100% 90% 80% Sobrevivência 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 0,00 0,50 Controle 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 3,50 DAP (R$) - censura intervalar Performance 4,00 Conveniência 4,50 5,00 Soma Figura 4: Curvas de sobrevivência por cenário – censura intervalar A medida mais usual de disposição a pagar que pode ser calculada pelo método não-paramétrico é a estimativa da mediana da função de sobrevivência – ou seja, o ponto onde a sobrevivência dos sujeitos pesquisados atinge 50%. Por meio do estimador de Turnbull, pode-se definir o intervalo no qual a DAP se encontra para cada cenário (HAAB; MCCONNELL, 2002). De maneira análoga, é possível determinar as estimativas de intervalo para a disposição a pagar para o primeiro e terceiro quartis (25% e 75% da amostra, respectivamente). Com base nesse método, foram calculadas as separatrizes para cada cenário, descritas na tabela 27. 93 Curvas de(quartis) sobrevivência da DAP censura intervalar quartis Tabela 27: Separatrizes das curvas de por sobrevivência da DAP -por censura intervalar Cenário Mediana 25% 75% 0 0 0,50 - 0,60 Performance 0,50 - 0,59 0 1,00 - 1,15 Conveniência 0,25 - 0,30 0 1,00 - 1,15 Soma 1,00 - 1,10 0,25 - 0,28 1,99 - 2,00 Controle Quando comparados os intervalos da mediana, nota-se uma diferença nítida entre as estimativas para cada cenário. A menor estimativa aparece no cenário Controle, onde o valor da mediana é zero – visto que, pela função de sobrevivência, apenas 44,51% dos respondentes aceitaria pagar algum valor para adquirir uma música digital através de um canal com essas características. O segundo cenário com menor disposição a pagar por parte dos usuário é o que apresenta os atributos de conveniência – nesse caso, a DAP está estimada no intervalo entre R$ 0,25 e R$ 0,30. Para o cenário formado pelos atributos de performance, a estimativa da disposição a pagar é um pouco mais elevada, entre R$ 0,50 e 0,59. Por fim, o cenário que agrega os atributos de performance e conveniência é o que demonstra a estimativa da DAP mais alta, no intervalo entre R$ 1,00 e R$ 1,10. A comparação entre os valores do primeiro e terceiro quartis, por sua vez, não mostram diferenças tão claras, principalmente quando considerados os cenários Performance e Conveniência, cujas estimativas estão situadas nos mesmos intervalos. Uma desvantagem do uso de dados intervalares é que as estimativas de medidas como mediana e quartis são construídas como intervalos e, por isso, são menos precisas do que se fossem estimativas pontuais, como as baseadas em tempos exatos de falha. Além disso, a utilização do algoritmo para censura intervalar suscita algumas dificuldades de análise, principalmente quando se deseja comparar diferentes curvas de sobrevivência. O tratamento estatístico desse tipo de comparação, por exemplo, não é realizado pela maior parte dos softwares estatísticos disponíveis no mercado. Ciente desse problema, Giolo (2004) desenvolveu um procedimento baseado no 94 algoritmo de Turnbull para o pacote estatístico R; entretanto, esse procedimento não funciona corretamente quando os dados de sobrevivência são compostos por tempos exatos de falha combinados com censura intervalar. Para contornar as dificuldades de análise associadas à censura intervalar, Colosimo e Giolo (2006) sugerem como forma alternativa de tratamento o uso do ponto médio de cada intervalo como sendo um ponto exato de falha. Dessa forma, o estimador produto-limite de Kaplan-Meier pode ser utilizado para construir as curvas de sobrevivência. Segundo esses autores, a utilização dos valores do ponto médio tendem a produzir diferenças menores em relação à curva composta pelas censuras intervalares do que se forem utilizados como valores de falha os pontos de início ou fim dos intervalos. Observando-se as curvas de sobrevivência baseadas nos pontos médios expostas na figura 5, não se percebe grandes diferenças entre os métodos de censura intervalar e de ponto médio. Da mesma forma, as estimativas das funções de sobrevivência pelo ponto médio apresentadas nos apêndices 9 a 12 guardam boa proximidade com as estimativas realizadas pela censura intervalar. Com as funções de sobrevivência calculadas pelo emprego dos tempos exatos de falha e dos pontos médios dos intervalos, pode-se obter estimativas mais precisas das medidas de tendência central e separatrizes. Dessa forma, foram computados, para cada cenário, as médias, medianas e quartis, cujo quadro resumo está exposto na tabela 28. 95 100% 90% 80% Sobrevivência 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 0,00 0,50 Controle 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 DAP (R$) - ponto médio Performance 3,50 4,00 Conveniência 4,50 5,00 Soma Figura 5: Curvas de sobrevivência por cenário – ponto médio Curvas de sobrevivência porcurvas ponto médio - estatísticaspor resumo Tabela 28: Estatísticas resumo das de sobrevivência ponto médio Média Erro Padrão Mediana LI 95% LS 95% 25% 75% Controle 0,464 0,023 0 - - 0 0,74 Performance 0,830 0,027 0,50 0,365 0,74 0 1,24 Conveniência 0,706 0,027 0,365 0,20 0,365 0 1,24 Soma 1,216 0,033 1,00 0,90 1,00 0,30 1,99 Cenário Na comparação das medianas, as estimativas seguem a mesma ordem observada nas curvas de sobrevivência derivadas da censura intervalar: o cenário Controle apresenta o menor valor (zero); em seguida, aparece o cenário Conveniência, com uma estimativa de R$ 0,37; o cenário Performance surge na sequência, com mediana igual a R$ 0,50; e, por fim, o cenário Soma possui o valor mais alto para essa estimativa, equivalente a R$ 1,00. Quando comparadas as estimativas entre os dois métodos (censura intervalar e ponto médio), descritas na tabela 29, nota-se que, à exceção do cenário 96 Conveniência, todos os outros possuem, nas funções calculadas pelo ponto médio, valores exatos que estão contidos dentro dos intervalos computados para as funções baseadas na censura intervalar. Mesmo no caso do cenário Conveniência, onde o valor de R$ 0,365 está fora do intervalo entre R$ 0,25 e R$ 0,30, o limite inferior do intervalo de confiança de 95% para a estimativa da mediana mostrado na tabela 28 é R$ 0,20, abarcando as medidas calculadas pela censura intervalar. Constata-se, assim, mais um indício da semelhança entre as funções de sobrevivência calculadas pelos dois métodos. A proximidade das estimativas dos quartis oriundos dos dois critérios de cálculo também ajuda a corroborar essa ideia de semelhança. Tabela 29: comparação entre estimativas da DAP por censura intervalar e por ponto médio Cenário Controle Performance Conveniência Soma 25% 0 0 0 0,25 - 0,28 Censura intervalar 50% 0 0,50 - 0,59 0,25 - 030 1,00 - 1,10 75% 0,50 - 0,60 1,00 - 1,15 1,00 - 1,15 1,99 - 2,00 25% 0 0 0 0,30 Ponto médio 50% 0 0,50 0,365 1,00 75% 0,74 1,24 1,24 1,99 Se os dados de sobrevivência não incluem censura à esquerda ou à direita – como é o caso desse trabalho –, a média também pode ser calculada para funções de sobrevivência estimadas pelo método não-paramétrico (COLOSIMO; GIOLO, 2006), dando origem a outra medida de tendência central que pode ser utilizada para estimar a disposição a pagar dos respondentes. Aqui, as médias colocam os cenários na mesma sequência em termos de valor da DAP, porém apresentam cifras mais elevadas quando comparadas com as medianas para cada cenário (R$ 0,46 vs. zero para Controle; R$ 0,71 vs. R$ 0,37 para Conveniência; R$ 0,83 vs. R$ 0,50 para Performance; e R$ 1,21 vs. R$ 1,00 para Soma). Esse desvio ocorre pela existência de pontos discrepantes situados nos valores mais altos da escala da DAP – principalmente a partir de R$ 3,00 – como pode ser observado pelo tamanho dos degraus a partir desse limite nas curvas desenhadas na figura 5. Por isso, as estimativas da disposição a pagar por música digital são mais elevadas quando feitas pelas médias do que pelas medianas. 97 A utilização da mediana como medida de tendência central adequada para curvas de sobrevivência tratadas de forma não paramétrica é defendida por Colosimo e Giolo (2006) pois, diferente da média, a mediana sofre pouca influência de valores extremos. Haab e McConnell (2002), ao tratar da estimação da disposição a pagar pelo método da análise de sobrevivência, também utilizam a mediana como estimativa em seu modelos não-paramétricos. Dessa forma, neste trabalho será dada preferência para a estimativa da disposição a pagar pela mediana, em detrimento da média. 4.3 INFLUÊNCIA DAS FUNCIONALIDADES DO CANAL DE AQUISIÇÃO Após realizar as estimativas da disposição a pagar dos sujeitos pesquisados para cada cenário do experimento, o próximo passo é comparar as diferentes funções de sobrevivência, com o intuito de descobrir se existe diferença significativa entre a disposição a pagar por música digital em cada um dos cenário apresentados. Essa comparação entre curvas de sobrevivência estimadas pelo método não-paramétrico pode ser realizada pelo teste de Wilcoxon (COLOSIMO; GIOLO, 2006), cujos valores estão discriminados na tabela 30. Tabela 30: Teste de Wilcoxon para comparação entre funções de sobrevivência por cenário Controle vs. Performance vs. Conveniência vs. Soma Controle vs. Performance Controle vs. Conveniência Controle vs. Soma Performance vs. Conveniência Performance vs. Soma Conveniência vs. Soma Χ2 531,16 194,74 82,35 488,93 22,97 91,50 191,02 gl 3 1 1 1 1 1 1 p-valor <0,0001 <0,0001 <0,0001 <0,0001 <0,0001 <0,0001 <0,0001 Pela análise das estatísticas de Wilcoxon, tanto o teste para comparar todas as funções agrupadas quanto as comparações de funções em par apresentam diferenças com uma significância estatística muito alta, com um p-valor abaixo de 98 0,0001 – sendo que o valor padrão de tolerância para o erro tipo I (α) é de 0,05. Mesmo quando feita a correção de Bonferroni sugerida por Colosimo e Giolo (2006) para controlar o erro tipo I nas comparações pareadas, que divide o valor de α pelo número de comparações pareadas possíveis – ou seja, 0,05 ÷ 6 = 0,0083 –, a diferença entre as funções de sobrevivência é estatisticamente significativa para todos os testes realizados par a par. A partir das estimativas das funções de sobrevivência e do cálculo das medidas de tendência central para a disposição a pagar, e da comparação entre as curvas estabelecidas para cada cenário, pode-se verificar para quais sub-hipóteses relacionadas às funcionalidades do canal de aquisição existe suporte estatístico. Conforme foi determinado nas definições apresentadas ao final do capítulo 1, as três sub-hipóteses iniciais (H1a, H1b e H1c) consideram a comparação do cenário Controle com os cenários Performance, Conveniência e Soma, respectivamente; as duas hipóteses seguintes são referentes à comparação entre o cenário Soma e Performance (H1d) e entre Soma e Conveniência (H1e); por fim, a última hipótese relacionada à diferença de disposição a pagar entre os cenários é alusiva à comparação entre os cenários Conveniência e Performance (H1f). Quando são confrontadas a curva de sobrevivência proveniente do cenário Controle com as curvas originárias dos três cenários com algum tipo de melhoria em suas funcionalidades, é possível inferir, com significância estatística, que a disposição a pagar estimada para esses três cenários é superior à estimativa da DAP para o cenário onde não há a oferta de melhorias em relação ao canal de aquisição gratuita. De forma detalhada, cada uma das três hipóteses enquadra-se da seguinte maneira quanto à seu suporte: • Hipótese H1a (Performance > Controle): a função de sobrevivência computada para a disposição a pagar no cenário de oferta de melhorias nas funcionalidades de performance em relação ao canal de aquisição gratuito tem valores mais elevados do que a função calculada para a DAP no cenário onde o canal de aquisição paga não oferece melhorias (mediana: R$ 0,50 vs. 99 zero; média: R$ 0,83 vs. R$ 0,46; Wilcoxon = 194,74, p-valor < 0,0001). Por conseguinte, a hipótese H1a é suportada estatisticamente; • Hipótese H1b (Conveniência > Controle): a função de sobrevivência calculada para a DAP no cenário de oferta de melhorias nas funcionalidades de conveniência em relação ao canal de aquisição gratuito tem valores mais elevados do que a função estimada para a disposição a pagar no cenário onde o canal de aquisição paga não oferece melhorias (mediana: R$ 0,37 vs. zero; média: R$ 0,71 vs. R$ 0,46; Wilcoxon = 82,35, p-valor < 0,0001). Dessa forma, a hipótese H1b também é suportada estatisticamente; • Hipótese H1a (Soma > Controle): a função de sobrevivência estimada para a disposição a pagar no cenário de oferta conjunta de melhorias nas funcionalidades de conveniência e performance em relação ao canal de aquisição gratuita tem valores mais elevados do que a função computada para a DAP no cenário onde o canal de aquisição paga não oferece melhorias (mediana: R$ 1,00 vs. zero; média: R$ 1,22 vs. R$ 0,46; Wilcoxon = 488,93, p-valor < 0,0001). A hipótese H1c, assim, é suportada estatisticamente. Na comparação da curva de sobrevivência calculada para o cenário Soma, onde há a oferta conjunta de melhorias nas funcionalidades de performance e conveniência, com as funções estimadas para os dois cenários que apresentam melhorias somente em um tipo de funcionalidade (Conveniência e Performance), verifica-se que os valores da disposição a pagar no cenário mais completo são maiores do que os observados tanto no cenário com melhorias de performance, quanto no cenário que privilegia a conveniência. Assim, o suporte estatístico das duas hipóteses relacionadas a essas comparações dá-se da seguinte forma: • Hipótese H1d (Soma > Performance): a função de sobrevivência estimada para a DAP no cenário de oferta conjunta de melhorias nas funcionalidades de conveniência e performance em relação ao canal de aquisição gratuita tem valores mais elevados do que a função computada para a disposição a pagar no cenário de oferta apenas de melhorias nas funcionalidades de performance (mediana: R$ 1,00 vs. R$ 0,50; média: R$ 1,22 vs. R$ 0,83; 100 Wilcoxon = 91,50, p-valor < 0,0001). A hipótese H1d, então, é suportada estatisticamente; • Hipótese H1e (Soma > Conveniência): a função de sobrevivência calculada para a disposição a pagar no cenário de oferta conjunta de melhorias nas funcionalidades de conveniência e performance em relação ao canal de aquisição gratuita tem valores mais elevados do que a função estimada para a disposição a pagar no cenário de oferta apenas de melhorias nas funcionalidades de conveniência (mediana: R$ 1,00 vs. R$ 0,37; média: R$ 1,22 vs. R$ 0,71; Wilcoxon: 191,02, p-valor < 0,0001). Dessa forma, a hipótese H1b também é suportada estatisticamente. Finalmente, quando são confrontadas as funções de sobrevivência procedentes dos cenários Performance e Conveniência, a diferença no teste de Wilcoxon, mesmo sendo a menor dentre todas as comparações, também apresenta alta significância estatística. Como os cálculos das curvas de sobrevivência e das medidas de tendência central (mediana e média) mostram números mais elevados para o cenário com oferta de melhorias nos atributos de performance do que aqueles referentes ao cenário com melhorias nos atributos de conveniência, pode-se inferir que a disposição a pagar por música digital no primeiro caso é maior do que a DAP vinculada ao último. Em termos de suporte estatístico, a hipótese configura-se da seguinte forma: • Sub-hipótese H1f (Performance ≠ Conveniência): a função de sobrevivência computada para a disposição a pagar no cenário de oferta de melhorias nas funcionalidades de performance em relação ao canal de aquisição gratuito tem valores mais elevados do que a função calculada para a DAP no cenário de oferta de melhorias nas funcionalidades de conveniência em relação ao canal de aquisição gratuito (mediana: R$ 0,50 vs. R$ 0,37; média: R$ 0,83 vs. R$ 0,71; Wilcoxon = 22,97, p-valor < 0,0001). Por conseguinte, a subhipótese H1d é suportada estatisticamente. Como se pode notar por esses resultados, todas as sub-hipóteses relacionadas à influência das funcionalidades do canal de aquisição na disposição a pagar 101 apresentam suporte estatístico. Como forma de facilitar a visualização, o quadro 9 resume as sub-hipóteses e as estatísticas relacionadas a cada uma delas. Condição da hipótese H1a: Soma > Controle R$ 1,00 vs. zero R$ 1,21 vs. R$ 0,46 Suportada H1b: Conveniência > Controle R$ 0,37 vs. zero R$ 0,71 vs. R$ 0,46 Suportada H1c: Performance > Controle R$ 0,50 vs. zero R$ 0,83 vs. R$ 0,46 Suportada H1d: Soma > Performance R$ 1,00 vs. R$ 0,50 R$ 1,21 vs. R$ 0,83 Suportada H1e: Soma > Conveniência R$ 1,00 vs. R$ 0,37 R$ 1,21 vs. R$ 0,71 Suportada H1f: Performance > Conveniência R$ 0,50 vs. R$ 0,37 R$ 0,83 vs. R$ 0,71 Suportada Quadro 9: resumo das sub-hipóteses referentes às funcionalidades do canal Hipótese Medianas Médias Com o suporte estatístico das seis sub-hipóteses relacionadas às funcionalidades do canal de aquisição de música digital pago, existe, por conseguinte, suporte para a hipótese geral H1. Dessa forma, pode-se inferir que a oferta de melhorias nas funcionalidades do canal de aquisição pago aumenta o valor que o indivíduo está disposto a pagar por uma composição musical digital adquirida por este canal. 4.4 INFLUÊNCIA DO ENVOLVIMENTO COM MÚSICA E COM O ARTISTA Após a análise das hipóteses referentes às funcionalidades do canal de aquisição, o próximo passo é verificar se os dois tipos de envolvimento definidos para essa pesquisa – envolvimento geral com música e envolvimento com o artista – exercem alguma influência sobre a disposição à pagar dos respondentes. 4.4.1 Envolvimento com o artista O envolvimento do sujeito pesquisado com um artista específico foi acessado por uma variável de controle no experimento, uma vez que o indivíduo era direcionado a 102 responder um dos dois cenários possíveis (baixo ou alto envolvimento com o artista). Dessa forma, os dois grupos de testes são separados pelo tipo de questionário respondido. A partir dessa divisão, foram calculadas as funções de sobrevivência para cada estrato, bem como as estatísticas resumo referente à tais funções, descritas na tabela 31. Tabela 31 – Estatísticas resumo das funções de sobrevivência da DAP por envolvimento com o artista Cenário Controle Performance Conveniência Soma n Média Erro Padrão Mediana LI 95% LS 95% 25% 75% Baixo 664 0,384 0,028 0 - - 0 0,50 Alto 639 0,548 0,037 0 0 0,10 0 0,74 Baixo 664 0,762 0,035 0,365 0,365 0,50 0 1,24 Alto 639 0,901 0,042 0,70 0,50 0,74 0 1,24 Baixo 664 0,631 0,033 0,25 0,165 0,365 0 1,00 Alto 639 0,783 0,042 0,365 0,25 0,490 0 1,24 Baixo 664 1,181 0,044 0,99 0,74 1,00 0,20 1,74 Alto 639 1,253 0,048 1,00 0,80 1,24 0,30 2,00 Grupo Percebe-se, pelos testes de Wilcoxon enumerados na tabela 32, que a diferença entre os dois grupos de envolvimento com o artista é estatisticamente significativa para dois cenários (Controle e Performance), mas não apresenta significância estatística nos outros dois (Conveniência e Soma). Nos dois cenários onde a diferença é significativa, os dados da tabela 31 mostram que as estimativas da disposição a pagar por música digital são maiores no grupo de indivíduos com alto envolvimento com o artista do que no segmento com baixo envolvimento. Assim, pode-se inferir que, nesses cenários específicos, o envolvimento com o artista exerce influência positiva na DAP dos sujeitos pesquisados, o que daria suporte à hipótese H2. Entretanto, como para os dois cenários restantes a diferença não é significativa em termos estatísticos, o suporte para a hipótese H2 é parcial. 103 Tabela 32 – Teste de Wilcoxon para comparação entre funções de sobrevivência da DAP por envolvimento com o artista Variável Cenário Controle Envolvimento com o Performance artista Conveniência Soma Χ2 gl p-valor 12,43 1 0,0004 4,88 1 0,0271 3,26 1 0,0708 0,67 1 0,4119 4.4.2 Envolvimento com música A divisão dos dois grupos utilizados para testar a hipótese H3, referente à influência do envolvimento com música na disposição a pagar, foi realizada considerando-se a mediana da Escala de Envolvimento com Música calculada para a amostra. Assim, os respondentes cuja pontuação variou de 12 a 41 pontos foram classificados na categoria de menor envolvimento com música, enquanto os sujeitos que somaram de 42 a 71 pontos foram incluídos no estrato de alto envolvimento com música. Com base nessa separação, foram calculadas as funções de sobrevivência para os dois grupos, cujas estatísticas resumo estão apresentadas na tabela 33. Tabela 33 – Estatísticas resumo das funções de sobrevivência da DAP por envolvimento com música Cenário Controle Performance Conveniência Soma n Média Erro Padrão Mediana LI 95% LS 95% 25% 75% De 12 a 41 pontos 667 0,412 0,030 0 - - 0 0,50 De 42 a 71 pontos 636 0,519 0,035 0 0,00 0,08 0 0,74 De 12 a 41 pontos 667 0,764 0,037 0,365 0,365 0,50 0 1,24 De 42 a 71 pontos 636 0,900 0,040 0,74 0,50 0,74 0 1,24 De 12 a 41 pontos 667 0,644 0,036 0,20 0,165 0,365 0 1,00 De 42 a 71 pontos 636 0,771 0,039 0,365 0,365 0,50 0 1,24 De 12 a 41 pontos 667 1,094 0,043 0,74 0,74 1,00 0,165 1,74 De 42 a 71 pontos 636 1,345 0,048 1,22 1,00 1,24 0,365 2,00 Grupo Pelo teste de Wilcoxon, cujos valores estão descritos na tabela 34, nota-se que, para todos os cenários presentes no experimento, existe diferença significativa entre as 104 funções de sobrevivência para os dois grupos. Em outras palavras, as estimativas da disposição a pagar dos indivíduos com alto envolvimento com música são diferentes dos valores da DAP dos usuários com baixo envolvimento com música. Quando são utilizadas as informações da tabela 33 para se verificar a direção dessa diferença, nota-se que, em todos os cenários elaborados, as estimativas da DAP são superiores para o grupo com alto envolvimento com música. Por conta disso, inferese que o envolvimento com música exerce influência positiva na disposição a pagar por música digital dos sujeitos pesquisado. Existe evidência estatística, então, para suportar a hipótese H3. Tabela 34 – Teste de Wilcoxon para comparação entre funções de sobrevivência da DAP por envolvimento com música Χ2 gl p-valor Controle 5,74 1 0,0166 Performance 6,95 1 0,0084 Conveniência 7,50 1 0,0062 Soma 14,99 1 0,0001 Variável Envolvimento com música 4.5 Cenário INFLUÊNCIA DE OUTRAS CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Além das hipóteses estabelecidas com base na literatura existente, é interessante verificar se as características individuais dos respondentes exercem alguma influência na disposição a pagar por música digital. Assim, as seguintes variáveis são testadas a seguir: • Gênero • Tempo de uso diário de internet • Experiência com download de músicas 105 • Intensidade de download de músicas – quantidade de dias em que é realizado download de músicas durante um mês • Intensidade de download de músicas – quantidade de músicas adquiridas via download durante um mês • Experiência com download pago de músicas Como a proposta desse estudo é utilizar o método não-paramétrico para as estimativas e comparações relacionadas com a disposição a pagar, cada uma destas variáveis foi analisada de forma univariada, pois esse método não possibilita análises mais elaboradas do efeito conjunto das variáveis (COLOSIMO; GIOLO, 2006). Além disso, todas as funções foram calculadas utilizando os pontos médios do intervalo, quando os dados originais apresentavam censura intervalar. Por fim, para eliminar possíveis efeitos de confusão oriundos das diferenças entre cenários, cada variável teve sua análise dividida nos quatro cenários existentes no experimento. No primeiro teste, referente ao gênero dos sujeitos pesquisados, a amostra foi separada em respondentes homens e mulheres, com as estatísticas referentes a cada estrato apresentadas na tabela 35. Estatísticas resumodas das funções de sobrevivência por gênero Tabela 35 – Estatísticas resumo funções de sobrevivência da DAP por gênero Cenário Controle Performance Conveniência Soma n Média Erro Padrão Mediana LI 95% LS 95% 25% 75% Feminino 704 0,472 0,032 0 - - 0 0,74 Masculino 599 0,455 0,033 0 - - 0 0,74 Feminino 704 0,856 0,038 0,50 0,365 0,74 0 1,24 Masculino 599 0,800 0,039 0,50 0,365 0,74 0 1,24 Feminino 704 0,740 0,038 0,365 0,20 0,365 0 1,24 Masculino 599 0,665 0,036 0,25 0,165 0,365 0 1,15 Feminino 704 1,215 0,044 1,00 0,74 1,20 0,25 1,99 Masculino 599 1,219 0,048 0,99 0,74 1,00 0,30 2,00 Grupo Utilizando o teste de Wilcoxon, cujos valores estão representados na tabela 36, constata-se que não existe diferença significativa entre a disposição a pagar por música digital de homens e mulheres, para qualquer cenário considerado. Não há 106 evidência estatística, então, para concluir que o gênero do respondente exerça influência na disposição a pagar aferida para a amostra estudada. Tabela 36 – Teste de Wilcoxon para comparação entre funções de sobrevivência da DAP por Teste de Wilcoxon para comparação gêneroentre funções de sobrevivência Χ2 gl p-valor Controle 0,09 1 0,7689 Performance 0,35 1 0,5562 Conveniência 0,57 1 0,4513 Soma 0,05 1 0,8262 Variável Gênero Cenário Para o próximo teste, referente ao tempo de uso diário que o indivíduo faz da internet, a amostra foi separada pela mediana, formando um primeiro grupo de pessoas que utilizam a internet por até quatro horas por dia, e um segundo grupo de respondentes que utilizam a internet por mais de quatro horas por dia. Com base nessa estratificação, foram calculadas as funções de sobrevivência para os dois grupos, cujas estatísticas são mostradas na tabela 37. Tabela 37 – Estatísticas resumo das funções de sobrevivência da DAP por tempo de uso diário de internet Cenário Controle Performance Conveniência Soma n Média Erro Padrão Mediana LI 95% LS 95% 25% 75% Até 4 horas por dia 681 0,457 0,030 0 0 0,05 0 0,74 Mais de 4 horas por dia 622 0,472 0,036 0 - - 0 0,74 Até 4 horas por dia 681 0,827 0,036 0,50 0,40 0,74 0 1,24 Mais de 4 horas por dia 622 0,834 0,042 0,49 0,365 0,74 0 1,24 Até 4 horas por dia 681 0,697 0,035 0,365 0,20 0,490 0 1,24 Mais de 4 horas por dia 622 0,715 0,041 0,365 0,165 0,365 0 1,20 Até 4 horas por dia 681 1,221 0,042 1,00 0,99 1,24 0,365 1,99 Mais de 4 horas por dia 622 1,211 0,050 0,99 0,74 1,00 0,165 1,99 Grupo Os valores do teste de Wilcoxon para cada cenário enumerados na tabela 38 mostram que não existe diferença significativa entre os grupos quanto ao tempo de utilização diária de internet. Como o nível de significância estatística do teste não permite afirmar que a disposição a pagar dos dois grupos é diferente, não se pode inferir que o tempo de uso de internet tem influência sobre a disposição a pagar por música digital do usuário. 107 Tabela 38 – Teste de Wilcoxon para comparação entre funções de sobrevivência da DAP por tempo de uso diário de internet Χ2 gl p-valor Controle 1,90 1 0,1686 Performance 0,90 1 0,3427 Conveniência 0,63 1 0,4291 Soma 2,18 1 0,1400 Variável Tempo de uso diário de internet Cenário Como apenas 33 respondentes declararam nunca ter feito download de músicas via internet, essa medida não geraria duas categorias suficientemente grandes para que se realizasse uma comparação entre ambos. Dessa forma, optou-se por utilizar somente a resposta relativa à experiência recente com download de música, que permite formar um grupo de indivíduos com respostas negativas mais robusto para efetuar a comparação. Nesse caso, os sujeitos pesquisados foram separados entre aqueles que fizeram download de música nos seis meses anteriores à coleta dos dados e aqueles que não realizaram esse tipo de atividade. As estatísticas resumo para cada um desses segmentos estão representadas na tabela 39. Tabela 39 – Estatísticas resumo das funções de sobrevivência da DAP por experiência recente com download de músicas Cenário Controle Performance Conveniência Soma n Média Erro Padrão Mediana LI 95% LS 95% 25% 75% Não 144 0,411 0,060 0 - - 0 0,50 Sim 1.159 0,471 0,025 0 - - 0 0,74 Não 144 0,752 0,067 0,495 0,20 0,74 0 1,24 Sim 1.159 0,840 0,029 0,50 0,365 0,74 0 1,24 Não 144 0,574 0,065 0,158 0,00 0,365 0 1,22 Sim 1.159 0,722 0,029 0,365 0,25 0,365 0 1,24 Não 144 1,044 0,085 0,92 0,50 1,24 0 1,995 Sim 1.159 1,238 0,035 1,00 0,99 1,00 0,365 1,99 Grupo Também para essa variável, o teste de Wilcoxon apresentado na tabela 40 não permite afirmar, para qualquer cenário, que exista diferença significativa entre a disposição a pagar dos respondentes com experiência recente de download de músicas e a DAP dos indivíduos que não adotaram tal prática. Assim, não há 108 evidência estatística de influência da experiência com download de música na disposição a pagar. Tabela 40 – Teste de Wilcoxon para comparação entre funções de sobrevivência da DAP por experiência recente com download de músicas Variável Experiência recente com download de música Χ2 gl p-valor Controle 0,59 1 0,4429 Performance 0,21 1 0,6489 Conveniência 3,79 1 0,0516 Soma 3,16 1 0,0756 Cenário Para testar a influência da intensidade de download de músicas na disposição a pagar dos respondentes, foram utilizadas duas variáveis: a primeira leva em consideração a quantidade de dias em que o indivíduo pratica a atividade de download de músicas no mês; já a segunda contabiliza a quantidade de músicas que o sujeito da pesquisa adquire via download, também no período de um mês. No primeiro caso, inicialmente foram excluídos da análise os 60 respondentes que declararam não fazer download de músicas via internet. Para os 1.243 indivíduos restantes, a divisão dos grupos foi efetuada pela mediana; assim, pessoas que realizam download de músicas em até três dias dentro de um mês foram classificados como usuários de menor intensidade de download, enquanto aqueles que fazem download de músicas em mais de três dias durante um mês foram identificados como o grupo de maior intensidade de download. A partir dessa separação, obteve-se as estatísticas resumo expressas na tabela 41. 109 Tabela 41 – Estatísticas resumo das funções de sobrevivência da DAP por quantidade de dias em que se realiza download de músicas no mês Estatísticas resumo das funções de sobrevivência por quantidade de dias em que se realiza download de músicas no mês Erro Grupo n Média Mediana LI 95% LS 95% 25% 75% Padrão Cenário Controle Performance Conveniência Soma Até 3 dias por mês 694 0,449 0,032 0 Mais de 3 dias por mês 549 0,488 0,036 0 Até 3 dias por mês 694 0,817 0,038 0,470 Mais de 3 dias por mês 549 0,860 0,042 0,74 Até 3 dias por mês 694 0,678 0,037 0,300 Mais de 3 dias por mês 549 0,750 0,042 Até 3 dias por mês 694 1,203 Mais de 3 dias por mês 549 1,257 - - 0 0,50 - - 0 0,74 0,37 0,50 0 1,24 0,390 0,74 0 1,24 0,17 0,365 0 1,00 0,365 0,25 0,500 0 1,24 0,044 0,99 0,74 1,00 0 1,990 0,051 1,00 0,99 1,24 0,300 2,00 Mais uma vez, o teste de Wilcoxon não apresenta um nível de significância estatística que permita concluir que haja diferença entre as funções de sobrevivência dos dois grupos, qualquer que seja o cenário considerado (tabela 42). Em outras palavras, não se pode inferir que a intensidade de download relacionada à quantidade de dias em que a atividade é realizada dentro de um mês exerça influência sobre a disposição a pagar dos respondentes. Tabela 42 – Teste de Wilcoxon para comparação entre funções de sobrevivência da DAP por quantidade de dias em que se realiza download de músicas no mês Variável Cenário Controle Quantidade de dias em que Performance se realiza download de Conveniência músicas no mês Soma Χ2 gl p-valor 0,96 1 0,3260 0,80 1 0,3711 2,42 1 0,1197 0,49 1 0,4853 O procedimento para o teste da segunda variável foi semelhante ao adotado na variável anterior. Primeiro, foram excluídos os 59 indivíduos que declararam não realizar download de músicas via internet. Os 1.244 usuários restantes foram divididos em dois grupo pela separação da mediana. Assim, aqueles respondentes que fazem o download de até dez música por mês foram incluídos no segmento de menor intensidade de download, enquanto os sujeitos que efetuam o download de mais de dez músicas por mês foram agregados na categoria de maior intensidade. A partir daí, foram calculadas as funções de sobrevivência para cada estrato, cujas estatísticas resumo são mostradas na tabela 43. 110 Tabela 43 – Estatísticas resumo das funções de sobrevivência da DAP por quantidade de músicas adquiridas via download no mês n Média Erro Padrão Mediana LI 95% LS 95% 25% 75% Até 10 músicas por mês 683 0,494 0,034 0 - - 0 0,74 Mais de 10 músicas por mês 561 0,431 0,033 0 - - 0 0,74 Até 10 músicas por mês 683 0,869 0,039 0,50 0,365 0,74 0 1,24 Mais de 10 músicas por mês 561 0,794 0,040 0,49 0,365 0,74 0 1,24 Até 10 músicas por mês 683 0,729 0,038 0,365 0,20 0,365 0 1,24 Mais de 10 músicas por mês 561 0,685 0,039 0,365 0,165 0,365 0 1,00 Até 10 músicas por mês 683 1,271 0,047 1,00 0,80 1,24 0,30 2,00 Mais de 10 músicas por mês 561 1,171 0,048 0,99 0,74 1,00 0,20 1,74 Cenário Controle Performance Conveniência Soma Grupo Aqui também o teste de Wicoxon, cujos valores estão na tabela 44, não indica significância estatística para a diferença entre as funções de sobrevivência dos dois grupos, em qualquer cenário. Infere-se, então, que, assim como a intensidade de download referente à quantidade de dias, a intensidade de download baseada na quantidade de músicas adquiridas por mês não exerce influência sobre a disposição a pagar dos usuários. Tabela 44 – Teste de Wilcoxon para comparação entre funções de sobrevivência da DAP por quantidade de músicas adquiridas via download no mês Variável Quantidade de músicas adquiridas via download no mês Χ2 gl p-valor Controle 0,24 1 0,6226 Performance 1,70 1 0,1920 Conveniência 0,31 1 0,5753 Soma 1,53 1 0,2165 Cenário Por fim, para testar a última característica individual, a separação da amostra foi efetuada entre os respondentes que declararam ter realizado download pago de músicas em algum momento, e os indivíduos que nunca tiveram esse tipo de experiência. Com essa divisão, foram calculadas as funções de sobrevivência que deram origem à estatísticas resumo presentes na tabela 45. 111 Tabela 45 – Estatísticas resumo das funções de sobrevivência da DAP por experiência com download pago Cenário Controle Performance Conveniência Soma n Média Erro Padrão Mediana LI 95% LS 95% 25% 75% Não 1.118 0,410 0,023 0 - - 0 0,50 Sim 185 0,789 0,081 0,365 0,10 0,50 0 1,24 Não 1.118 0,742 0,028 0,365 0,365 0,50 0 1,24 Sim 185 1,364 0,086 1,24 1,00 1,24 0,40 2,00 Não 1.118 0,635 0,027 0,20 0,165 0,365 0 1,00 Sim 185 1,131 0,090 0,80 0,74 1,000 0 1,74 Não 1.118 1,114 0,034 0,74 0,74 0,99 0,165 1,74 Sim 185 1,838 0,095 1,74 1,24 2,00 0,99 2,24 Grupo Nesse caso, quando testadas pelo método de Wilcoxon, as funções de sobrevivência apresentam diferença significativa entre si, para qualquer um dos cenários elaborados, como pode ser visto na tabela 46. Ou seja, as estimativas da disposição a pagar por música digital são diferentes para usuários que possuem experiência prévia com download pago e indivíduos que não possuem. Pela observação dos valores existentes na tabela 45, pode-se perceber que as estimativas da DAP para as pessoas com esse tipo de experiência são sempre maiores do que as do grupo oposto, independente do cenário considerado. Com tudo isso, pode-se inferir que, com um alto nível de significância estatística, ter experiência com download pago de músicas digitais tem influência positiva na disposição a pagar dos sujeitos pesquisados. Tabela 46 – Teste de Wilcoxon para comparação entre funções de sobrevivência da DAP por experiência com download pago Variável Experiência com download pago Χ2 gl p-valor Controle 25,72 1 <,0001 Performance 59,10 1 <,0001 Conveniência 31,33 1 <,0001 Soma 55,99 1 <,0001 Cenário 112 4.6 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS A estimação da disposição a pagar por música digital na amostra de estudantes universitários trouxe resultados interessantes para a análise do questão do consumo de música digital no Brasil. Em primeiro lugar, o suporte a todas as hipóteses referentes às funcionalidades do canal de aquisição de música digital pago demonstra que a disposição a pagar de um indivíduo aumenta quando o canal de aquisição oferece melhorias nas funcionalidades de performance, conveniência ou, ainda melhor, ambos. Dentre os dois tipos de funcionalidade, a performance tem uma influência maior do que a conveniência no aumento da disposição a pagar do usuário. Mas, independente do tipo de funcionalidade, a oferta de melhorias eleva o valor que esse usuário está disposto a pagar para adquirir uma composição musical digital. E, quando as melhorias são oferecidas tanto em performance quanto em conveniência, o efeito no aumento da disposição a pagar é ainda maior do que aquele verificado quando a oferta contempla apenas um desses tipos. Apesar de parecer óbvio, essa lição demorou a ser aprendida pela indústria fonográfica. Durante anos, as grandes gravadoras investiram recursos e esforços no combate à aquisição ilegal de música digital em ações de apelo legal ou moral/ético, com efeitos práticos muito tênues. Ao mesmo tempo, as ferramentas e serviços de compartilhamento de arquivos foram tornando-se mais amigáveis e mais populares. Assim, diante da inexistência de alternativas de canais de aquisição legais providos pela indústria fonográfico – no final da década de 1990 e início dos anos 2000, as gravadoras simplesmente ignoraram qualquer iniciativa de comercializar arquivos de música digital em benefício da venda física de CDs e DVDs –, os consumidores de música digital se voltaram cada vez mais para a aquisição gratuita e não-autorizada desse tipo de música, legitimando tal prática e tornando-a a principal via de distribuição de música digital. 113 A criação do serviço de vendas de música digital iTunes por parte da Apple em 2003 foi a primeira iniciativa séria de introdução de um canal de distribuição legal nesse mercado dominado pelas trocas não-autorizadas É interessante notar, aliás, que essa iniciativa não partiu de onde seria mais esperado: a indústria fonográfica. Ao contrário, as grandes gravadoras se opuseram à criação desse serviço por parte da Apple e criaram uma série de empecilhos à comercialização de faixas musicais digitais – como a tecnologia DRM para impedir a criação de cópias a partir de arquivos adquiridos legalmente – numa demonstração da miopia de marketing em relação à distribuição digital que assolou essa indústria por anos. Além do pioneirismo, a iniciativa da Apple com o iTunes foi o primeiro indício de que oferecer funcionalidades melhores do que as dos canais gratuitos de obtenção de música digital poderia não só aumentar o valor que um indivíduo está disposto a pagar por esse tipo de bem, mas, ainda mais importante, também converter usuários de ferramentas de troca livre de arquivos em consumidores de serviços pagos de distribuição de música digital. Em termos objetivos, as estimativas da disposição a pagar obtidas pelas mediana – método utilizado com mais frequência para este fim – apresenta diferenças significativas, dependendo do(s) tipo(s) e da quantidade de funcionalidades oferecidas. Enquanto a estimativa para o cenário sem melhorias é zero, no cenário com melhorias de conveniência esse valor sobe para R$ 0,37, e aumenta ainda mais para as melhorias de conveniência, alcançando R$ 0,50. Para o cenário que oferece os dois tipos de melhoria, ocorre algo interessante: apesar de o cenário oferecer apenas a junção das melhorias apresentadas nos outros cenários, o valor da disposição a pagar na presença de todas as melhorias é R$ 1,00, enquanto a soma dos valores dos dois cenários com melhorias isoladas é R$ 0,87. Essa diferença positiva em favor do cenário mais completo é um possível indício de sinergia entre as funcionalidades, onde o todo é maior do que a soma das partes. Em outras palavras, parece que o consumidor está disposto a pagar um valor maior pela oferta das melhorias conjuntas do que estaria disposto a pagar por cada tipo de melhoria isoladamente. 114 Outra constatação digna de nota diz respeito à diferença observada entre a disposição a pagar dos respondentes e os preços praticados no mercado brasileiro. Mesmo no cenário mais completo, onde o valor de disposição a pagar mais alto, esse valor é inferior aos preços praticados pelos serviços de venda de música digital operando no Brasil – como exemplo, são mostrados no quadro 10 os preços praticados por cinco desses serviços de distribuição de música digital. A diferença entre o valor da disposição a pagar no cenário mais completo (R$ 1,00) é de R$ 0,49 em relação ao preço mais baixo mostrado no quadro 10, e de R$ 2,99 quando comparado com o preço mais caro presente no mesmo quadro. Mesmo quando utilizadas as estimativas da disposição a pagar calculadas pela média, que apresentam cifras mais altas, os valores ainda estão aquém dos preços praticados pelo mercado. Nesse caso, a diferença para o menor preço do quadro 10 é de R$ 0,28, e de consideráveis R$ 2,78 para o preço mais caro. Por isso, é razoável supor que os valores existentes no mercado brasileiro são bem superiores aos que os consumidores com esse perfil estão dispostos a pagar. Uma outra comparação pode ser feita em relação às taxas de falha (nesse caso, os pontos onde parte dos usuários deixa de adotar o comportamento de aquisição pago) calculadas para a função de sobrevivência no cenário Soma – apresentadas no apêndice 12 – e os preços praticados no mercado nacional. Enquanto para o preço mais baixo apresentado no quadro 10 (R$ 1,49) a taxa de falha é de 66,77%, para os valores mais usuais de R$ 1,99 e R$ 2,49 as taxas de falha são ainda mais elevadas – 75,13% e 87,8%, respectivamente. Pode-se alegar que, atualmente, diversos serviços existentes no mercado oferecem mais melhorias de performance e conveniência do que as apresentadas nos cenários usados no experimento, o que poderia aumentar ainda mais a disposição a pagar por música digital dos usuários e aproximar esse valor do preço praticado no mercado. Entretanto, por essa linha de raciocínio, é possível argumentar que as ferramentas e serviços para obtenção gratuita de música digital também são melhores e mais avançadas do que o cenário descrito como controle. O mais 115 importante, no caso desse tipo de comparação, não são as características isoladas de um ou outro cenário, mas a diferenciação existente entre as alternativas de aquisição pagas e gratuitas. Serviço Fonte Preços praticados iTunes ideiasmusik iMúsica Nokia Music UOL Megastore 20 músicas mais vendidas 10 músicas mais vendidas 20 músicas mais vendidas 20 músicas mais vendidas 10 músicas mais vendidas US$ 0,69 R$ 2,99 R$ 1,49 R$ 2,50 R$ 1,99 US$ 0,99 R$ 3,99 R$ 1,50 US$ 1,29 R$ 2,49 R$ 1,69 R$ 1,99 R$ 2,49 Quadro 10: preços praticados por música digital em cinco serviços no Brasil – 01/07/2013 Como visto, o cenário onde não existe diferenciação entre o canal de aquisição pago e o gratuito é o que mostra a menor disposição a pagar por música digital – a estimativa pela mediana é zero, que é o mesmo preço que o consumidor “paga” para adquirir uma peça musical digital por meio de um serviço gratuito. Isso pode ser um indício de que, quando os canais de distribuição não são diferenciados, o preço que o usuário aceita pagar é o mesmo, e definido pela alternativa de menor valor. De fato, Porter (1980) já afirmava que, para que uma empresa possa cobrar um preço mais alto do que o praticado pela concorrência, o único caminho é a diferenciação. Nesse sentido, o iTunes é talvez o único serviço que se diferencie, seja em termos de facilidade e rapidez no processo de compra, de integração com software e com diversos serviços via internet relacionados a música, ou de tamanho e diversidade do catálogo de músicas e artistas oferecidos – foi, por exemplo, o primeiro serviço a oferecer a obra de artistas consagrados como The Beatles ou Roberto Carlos, sempre com exclusividade e grande repercussão na mídia. De resto, os serviços de comercialização de música digital operando no Brasil não parecem se diferenciar entre si, e acabam presos na armadilha existente nesse setor atualmente: não conseguem competir nem com o líder isolado de mercado iTunes, nem com os serviços e ferramentas existentes para obtenção gratuita de música. 116 Além da influência das funcionalidades do canal de aquisição de música digital, que são relacionadas ao componente utilitário do comportamento de consumo de música, a influência de aspectos hedônicos na disposição a pagar também é verificada no envolvimento do indivíduo com música em geral. Conforme os resultados demonstraram, os respondentes com alto envolvimento com música tem uma disposição a pagar mais elevada do que aqueles com baixo envolvimento com música, sendo que esse efeito é verificado independente do tipo e da quantidade de melhorias apresentadas nos cenários. Isso leva a supor que, mesmo com existência de mudanças tecnológicas que têm modificado as formas de consumo de música, o componente hedônico de envolvimento com música ainda é parte importante nas decisões do consumidor em seu comportamento de aquisição de música digital. Em relação ao envolvimento com o artista, também se verifica parcialmente a influência desse componente hedônico na disposição a pagar do usuário; a interpretação dos resultados, entretanto, não é tão clara. Nos cenários sem melhorias e com melhorias de performance, a disposição a pagar para adquirir uma composição de um artista preferido é maior do que a disposição a pagar para comprar uma música de um artista indefinido. Assim, em situações onde não há diferenciação entre os canais de aquisição de musica digital pagos e gratuitos, ou onde essa diferenciação é feita somente em termos de performance, as características hedônicas relacionadas ao envolvimento com o artista influenciariam de forma positiva o valor que um usuário está disposto a pagar por uma peça musical desse mesmo artista. Já para os cenários com melhorias de conveniência e com os dois tipos de melhorias agregados, os resultados sugerem que esse envolvimento não causa diferenças. Para o caso do cenário mais completo, pode-se inferir que a oferta conjunta de melhorias nos dois tipos de funcionalidades teria mais influência no aumento da disposição a pagar do que o envolvimento com o artista – o efeito das melhorias utilitárias suplantaria, então, o efeito do envolvimento hedônico no comportamento de aquisição do indivíduo. No caso do cenário com melhorias nas funcionalidades de conveniência, porém, a anulação do efeito do envolvimento 117 observado nos outros dois cenários é difícil de ser explicada. Uma possibilidade seria considerar que as funcionalidades de conveniência podem ter um efeito diferente das funcionalidades de performance em relação ao envolvimento com o artista, sendo mais importantes para a disposição a pagar dos respondentes do que a faceta hedônica representada pelo envolvimento; tal explicação, entretanto, é dissonante dos resultados verificados na comparação da disposição a pagar entre os cenários, onde as melhorias de performance exercem mais influência na disposição a pagar do que as melhorias de conveniência. Outra explicação possível, e talvez mais plausível, é referente aos procedimentos metodológicos utilizados para acessar o envolvimento com o artista. Diferente da medição usada para o envolvimento com música, onde foi empregada uma escala que permite aferir o nível de intensidade desse envolvimento, o envolvimento com o artista foi realizado por meio de uma variável de controle binária – ou o usuário tinha envolvimento com o artista, ou não tinha. A ausência de uma medida de intensidade nesse tipo de envolvimento pode ter acarretado algum efeito de confusão nos testes estatísticos. Inclusive, o resultado dos testes para o cenário de melhorias nas funcionalidade de conveniência ficou situado na zona de significância entre 0,05 e 0,10, área que muitas vezes é considerada razoável para dar suporte estatístico a uma hipótese. Talvez a utilização de uma medida mais precisa de envolvimento com o artista aumentasse a significância dos testes para esse cenário, e a diferença relativa ao envolvimento com o artista pudesse ser explicada da mesma forma que para o cenário com melhorias de performance. Por fim, em relação à possível influência das características individuais dos respondentes na disposição a pagar por música digital, os resultados indicam que, para as variáveis testadas, apenas a experiência prévia com download pago de música digital exerce algum efeito na disposição a pagar – os consumidores que alguma vez adquiriram música digital por meio de canais de distribuição pagos estão dispostos a pagar um valor maior do que aqueles que nunca tiveram esse tipo de experiência. Uma possível explicação para esse efeito é considerar que esses usuários já possuem uma predisposição a adquirir música digital por meio de canais 118 pagos, e por isso sua disposição a pagar seria maior do que aqueles que não têm a mesma inclinação. Porém, outra explicação plausível reside na possibilidade de que o consumidor, ao ter contato com um serviço de distribuição de música digital que atenda às suas expectativas, aumente sua disposição a pagar por música digital em detrimento da utilização dos canais de obtenção gratuita, mas sem a mesma atratividade em termos de experiência de compra. Essa interpretação encontra respaldo nas impressões dos especialistas consultados na etapa qualitativa, e também nos resultados verificados em relação à influência das funcionalidades do canal de aquisição na disposição a pagar, que mostram que o usuário está mais propenso a pagar para adquirir uma composição musical se houver diferenciação na oferta em termos de performance e conveniência. O fato de que aproximadamente 80% dos usuários que já utilizaram algum serviço de download pago de músicas digitais – e, por conseguinte, têm uma disposição a pagar mais elevada – tenha tido alguma experiência com o iTunes, o serviço mais diferenciado no mercado, também corrobora com essa interpretação. 119 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Como forma de encerrar este trabalho, serão feitas nesse capítulo algumas considerações finais a respeito das implicações teóricas e gerenciais do estudo, suas limitações e sugestões para futuras pesquisas. 5.1 IMPLICAÇÕES TEÓRICAS DO ESTUDO Poucas são as pesquisas quantitativas relacionadas à música digital na literatura acadêmica brasileira, e mais escassos ainda são os trabalhos com foco no comportamento do consumidor de música digital adquirida por um canal de distribuição pago. A principal contribuição teórica desse estudo, então, é ampliar o escopo dos trabalhos relacionados ao consumo de música digital no Brasil, colaborando com a construção do conhecimento referente ao assunto dentro da área de administração – especialmente no marketing e no comportamento do consumidor. Também não existe, na literatura nacional, um estudo que realize uma estimativa objetiva da disposição a pagar por música digital dos usuários. Mais do que ajudar a entender melhor o consumidor de música digital, este tipo de trabalho abre a possibilidade de novas frentes de pesquisa dentro das áreas de marketing e comportamento do consumidor, onde o pesquisador possa trabalhar a precificação a partir da disposição a pagar dos consumidores por música ou outros tipos de bem de informação. O emprego do método de análise de contingência para estimação da disposição a pagar também é pouco frequente no Brasil, principalmente em pesquisas na área de marketing. O método pode ser utilizado para valorar não apenas bens públicos ou de 120 informação, mas também para estimar o valor de inúmeras categorias de produto, especialmente na introdução de novos produtos. Por fim, o uso da análise de sobrevivência ajuda a consolidar essa técnica originária das ciências médicas dentro do campo da administração e, principalmente, dentro do marketing e do comportamento do consumidor, onde o método pode ser empregado não só para estimação da disposição a pagar, mas também em outras áreas como o cálculo do tempo de vida dos clientes com determinada empresa, o abandono de uma categoria de produto específica, o grau de lembrança de uma campanha de comunicação etc. 5.2 IMPLICAÇÕES GERENCIAIS DO ESTUDO A primeira implicação gerencial do estudo é relativa ao conhecimento da disposição a pagar por música digital desse perfil específico de consumidor – o estudante universitário. A partir desse conhecimento, as empresas provedoras de serviços de distribuição de música digital podem adotar métodos de precificação baseados no valor para o consumidor, e não somente no custo do serviço – principalmente por conta da estrutura de custos diferenciada dos bens de informação. Assim, essas empresas podem aproximar mais o preço praticado no mercado do valor que o consumidor está disposto a pagar. Além disso, esse conhecimento permite segmentar estudantes universitários por meio do preço cobrado pelo serviço, adotando preços e ofertas distintos para esse perfil de usuário, como já fazem por exemplo, alguns provedores de serviços bancários e de entretenimento. Como demonstrado nos resultados da pesquisa, existe um considerável hiato entre a disposição a pagar dos usuários estudados e os preços praticados no mercado brasileiro de música digital. Mesmo que tais resultados sejam válidos apenas em relação a estudantes universitários, esse estrato da população responde por uma parte significativa do consumo de música, principalmente em sua versão digital. Por 121 outro lado, é notória a diminuição dos custos de armazenamento e distribuição da música digital em comparação ao formato físico. A partir desses dois fatores – menor disposição a pagar do usuário e custos mais baixos – percebe-se a existência de espaço para diminuir o valor cobrado pela aquisição de peças musicais digitais, em benefício da ampliação da base de usuários e do aumento volume comercializado pelos canais de aquisição pagos. Além da redução do preço da oferta, outra maneira de estimular o consumidor a adquirir música pelos canais de distribuição pagos é elevar sua disposição a pagar. Dessa forma, a influência positiva das funcionalidades do canal de aquisição pago sobre a disposição a pagar dos usuários por música digital – especialmente em termos diferenciais – também pode ser usada pela indústria fonográfica para aumentar a adoção de seus canais de distribuição de música digital por parte dos consumidores. Por meio da constante melhoria em termos de performance e conveniência – fazendo investimentos em inovação de serviços e customização, por exemplo – as gravadoras e empresas provedoras de serviços de venda de música digital podem diferenciar suas ofertas em relação às ferramentas utilizadas para obtenção gratuita de música digital, elevando a disposição a pagar dos consumidores e convertendo usuários de serviços de distribuição gratuitos em consumidores de serviços pagos. A influência do envolvimento com o artista e com música em geral na disposição a pagar por música digital também pode ser utilizada a favor da indústria fonográfica. Isso pode ser feito, por exemplo, pela criação de campanhas de comunicação que associem artistas consagrados a serviços de aquisição de música digital pagos, endossando e explicitando as vantagens desse tipo de oferta em relação à obtenção gratuita de música. Também podem ser desenvolvidas estratégias de comunicação que potencializem o envolvimento com música dos consumidores, direcionando os esforços de comunicação para situações onde esse tipo de envolvimento é aflorado, como festivais de música, canais ou programas de televisão dedicados à música, publicações especializadas etc. 122 Por fim, a constatação de que a experiência prévia com download de música pelos canais pagos está associada ao aumento na disposição a pagar dos usuários revela outras oportunidades para as empresas do setor. Estimular o uso dos canais de aquisição pagos por meio da oferta de faixas promocionais – com preço reduzido, ou mesmo gratuitas – pode acarretar benefícios futuros, uma vez que tal experiência tem impacto positivo no valor que o usuário está disposto a pagar para adquirir um arquivo musical. Em outras palavras, se as empresas provedoras de conteúdo musical estimularem a entrada de novos usuários em seus canais de aquisição por meio de preços promocionais, parte desses usuários estará mais propensa a utilizar novamente esses canais, pagando um preço mais elevado para adquirir suas músicas. 5.3 LIMITAÇÕES DO ESTUDO Entre as limitações existentes nesse estudo, algumas têm maior relevância e merecem ser destacadas nesta seção. Primeiro, apesar das vantagens de se utilizar uma amostra homogênea na condução de experimentos – como o maior nível de controle dos efeitos de variáveis demográficas e socioeconômicas –, esse tipo de restrição em relação ao perfil do respondente tem como principal desvantagem a baixa validade externa – ou seja, o reduzido poder de generalização para outros perfis de consumidores. Assim, os resultados aqui apresentados devem ser sempre relacionados com o tipo de participante da pesquisa – nesse caso, estudantes universitários –, não podendo ser generalizados para outros perfis de consumidor. Outra limitação relacionada a esse tipo de experimento, conduzido em condições análogas a de um experimento de laboratório, é a distância existente entre a situação real e a criada artificialmente para operacionalizar a pesquisa. Fatores como altos custos de desenvolvimento de situações semelhantes às existentes no mercado e dificuldade de observar os consumidores em ocasiões reais de compra 123 ou consumo tornam os experimentos de laboratório mais práticos e baratos, mas com a desvantagem de serem menos fidedignos à realidade. No caso desse estudo, a utilização de cenários fictícios ao invés da simulação de situações envolvendo serviços de aquisição de música digital reais traz resultados menos ricos e precisos. A última limitação mencionada diz respeito à maneira de medir o envolvimento com o artista utilizada na pesquisa. Enquanto o envolvimento com música em geral foi feito por meio de uma escala, que permite a medição em termos de intensidade, o envolvimento com o artista foi acessado de maneira dicotômica (existe ou não existe), sem considerar os diferentes graus de intensidade possíveis. É de se considerar, inclusive, se a utilização de uma medida mais precisa e detalhada para o envolvimento com o artista traria resultados mais robustos em relação à hipótese formulada para essa variável. 5.4 SUGESTÕES PARA PESQUISAS FUTURAS A partir das limitações apresentadas para esse estudos, algumas sugestões de pesquisas futuras parecem adequadas. A primeira e mais óbvia sugestão é a de realizar o mesmo tipo de estudo em amostras diferentes da utilizada aqui. Assim, no lugar de estudantes universitários, novas pesquisas poderiam ser conduzidas, por exemplo, com jovens economicamente ativos, adultos em estágio avançado em suas carreiras, adolescentes, idosos, profissionais que exerçam atividades relacionadas a música etc. Outra recomendação para novas pesquisas está relacionada ao ambiente no qual o participante acessa o experimento. A situação ideal seria utilizar um ou mais serviços reais de comercialização de música digital (com o possível apoio da empresa responsável) para estimar a disposição a pagar por música digital nesses 124 canais. Além de possibilitar estimativas mais precisas e dados mais detalhados sobre o comportamento de aquisição dos usuários, esse tipo de ambiente permitiria que as empresas provedoras do serviço tivessem acesso a informações muito relevantes para a elaboração de estratégias referentes ao seu negócio. Futuras pesquisas também podem se beneficiar da adoção de uma medida de envolvimento com o artista que permita acessar o nível de intensidade desse envolvimento. A adoção de uma escala dessa natureza exigiria adaptações em relação ao desenho do instrumento, mas esse esforço seria compensado pela maior riqueza das informações obtidas. Por fim, a última sugestão relacionada a pesquisas futuras seria a inclusão no modelo de outras variáveis que possam ter influência na disposição a pagar do usuário, principalmente se considerado o escopo das características individuais – sejam estas sociodemográficas, psicográficas ou comportamentais – do consumidor de música digital pagante. 125 REFERÊNCIAS AAKER, David A.; KUMAR, V.; DAY, George S. Pesquisa de Marketing. São Paulo: Atlas, 2001. 756 p. ALBERINI, Anna. Optimal designs for discrete choice contingent valuation surveys: single bound, double bound, and bivariate models. Journal of Environmental Economics and Management, v. 28, n. 3, p. 287-306, May 1995. ALVIM, Bruno C. B.; STREHLAU, Suzane; KIRSCHBAUM, Charles. Downloads legais versus ilegais: como aumentar a legalidade no consumo de música? In: IV Encontro de Marketing da ANPAD, 2010, Florianópolis. Anais do IV EMA, 2010. ANDIFES. 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músicas que memorize as preferências do usuário Informações sobre a música (nome, artista, álbum, ano de lançamento, gênero, etc.) precisas e completas Compilações diferenciadas (por exemplo, músicas agrupadas por gênero, por ocasião de consumo, por tipo de humor etc.) Integração com outros aplicativos musicais (por exemplo, softwares de reconhecimento de música ou redes sociais) Downloads adicionais, como ringtones e vídeos Possibilidade de saber as músicas que seus amigos estão ouvindo 0,052 0,064 0,058 0,064 0,110 0,153 0,229 1,000 Média Subset 1 Subset 2 Subset 3 Subset 4 Subset 5 Subset 6 Subset 7 Subset 8 4,732 Funcionalidade Músicas completas e sem propagandas ou outros tipos de intervenções no início ou ao final 135 APÊNDICE 1: TESTE PAREADO DE DUNCAN PARA FUNCIONALIDADES 136 APÊNDICE 2: INSTRUMENTO DE COLETA (VERSÃO DÍGITO 0) Parte I – Introdução 137 Parte II – Características do respondente 138 Parte II – Características do respondente (continuação) 139 Parte II – Características do respondente (continuação) 140 Parte III – Envolvimento com o artista (baixo) 141 Parte IV – Cenário Controle – Primeiro lance 142 Parte V – Cenário Controle – Segundo lance (acompanhamento negativo) 143 Parte VI – Cenário Controle – Segundo lance (acompanhamento positivo) 144 Parte VII – Cenário Controle – Terceiro lance (acompanhamento negativo) 145 Parte VII – Cenário Controle – Terceiro lance (acompanhamento positivo) 146 Parte VIII – Cenário Performance – Primeiro lance 147 Parte IX – Cenário Conveniência – Primeiro lance 148 Parte X – Cenário Soma – Primeiro lance 149 Parte XI – Escala de Envolvimento com Música 150 Parte XI – Escala de Envolvimento com Música (continuação) 151 Parte XII – Feedback 152 APÊNDICE 3: SITUAÇÃO DE ALTO ENVOLVIMENTO COM O ARTISTA 153 APÊNDICE 4: DISTRIBUIÇÃO DE FREQUÊNCIA DA AMOSTRA POR ESCORE DA ESCALA DE ENVOLVIMENTO COM MÚSICA Frequência Percentual 12 pontos 13 pontos 14 pontos 15 pontos 16 pontos 17 pontos 18 pontos 19 pontos 20 pontos 21 pontos 22 pontos 23 pontos 24 pontos 25 pontos 26 pontos 27 pontos 28 pontos 29 pontos 30 pontos 31 pontos 32 pontos 33 pontos 34 pontos 35 pontos 36 pontos 37 pontos 38 pontos 39 pontos 40 pontos 41 pontos 2 1 5 4 9 5 7 8 9 12 14 18 21 13 16 26 26 26 31 27 44 27 33 41 44 56 40 34 40 28 0,2% 0,1% 0,4% 0,3% 0,7% 0,4% 0,5% 0,6% 0,7% 0,9% 1,1% 1,4% 1,6% 1,0% 1,2% 2,0% 2,0% 2,0% 2,4% 2,1% 3,4% 2,1% 2,5% 3,1% 3,4% 4,3% 3,1% 2,6% 3,1% 2,1% Percentual Acumulado 0,2% 0,2% 0,6% 0,9% 1,6% 2,0% 2,5% 3,1% 3,8% 4,8% 5,8% 7,2% 8,8% 9,8% 11,1% 13,0% 15,0% 17,0% 19,4% 21,5% 24,9% 26,9% 29,5% 32,6% 36,0% 40,3% 43,4% 46,0% 49,0% 51,2% 42 pontos 43 pontos 44 pontos 45 pontos 46 pontos 47 pontos 48 pontos 49 pontos 50 pontos 51 pontos 52 pontos 53 pontos 54 pontos 55 pontos 56 pontos 57 pontos 58 pontos 59 pontos 60 pontos 61 pontos 62 pontos 63 pontos 64 pontos 65 pontos 66 pontos 67 pontos 68 pontos 69 pontos 70 pontos 71 pontos Total 47 33 40 30 35 40 34 28 37 25 39 28 25 20 27 24 17 16 12 17 9 4 12 8 7 7 6 5 3 1 1.303 3,6% 2,5% 3,1% 2,3% 2,7% 3,1% 2,6% 2,1% 2,8% 1,9% 3,0% 2,1% 1,9% 1,5% 2,1% 1,8% 1,3% 1,2% 0,9% 1,3% 0,7% 0,3% 0,9% 0,6% 0,5% 0,5% 0,5% 0,4% 0,2% 0,1% 100% 54,8% 57,3% 60,4% 62,7% 65,4% 68,5% 71,1% 73,2% 76,1% 78,0% 81,0% 83,1% 85,0% 86,6% 88,6% 90,5% 91,8% 93,0% 93,9% 95,2% 95,9% 96,2% 97,2% 97,8% 98,3% 98,8% 99,3% 99,7% 99,9% 100% 154 APÊNDICE 5: FUNÇÃO DE SOBREVIVÊNCIA CALCULADA POR CENSURA INTERVALAR PARA O CENÁRIO CONTROLE Início Fim Sobrevivência Falha 0,00 0,01 0,02 0,03 0,05 0,07 0,08 0,10 0,15 0,19 0,20 0,24 0,25 0,29 0,30 0,39 0,49 0,50 0,60 0,69 0,75 0,80 0,89 0,90 0,99 1,00 1,15 1,20 1,49 1,50 1,99 2,00 2,49 2,50 2,99 3,00 3,50 3,99 4,00 5,00 0,00 0,01 0,02 0,03 0,05 0,07 0,08 0,10 0,15 0,19 0,20 0,20 0,25 0,29 0,30 0,39 0,49 0,50 0,60 0,69 0,75 0,80 0,89 0,90 0,99 1,00 1,15 1,20 1,49 1,50 1,99 2,00 2,49 2,50 2,99 3,00 3,50 3,99 4,00 5,00 - 1,0000 0,4451 0,4413 0,4398 0,4390 0,4298 0,4282 0,4275 0,3825 0,3763 0,3701 0,3561 0,3561 0,3328 0,3289 0,3172 0,3133 0,2978 0,2320 0,2288 0,2272 0,2256 0,2240 0,2224 0,2208 0,1903 0,1119 0,1102 0,1084 0,1067 0,0894 0,0760 0,0320 0,0307 0,0284 0,0276 0,0123 0,0115 0,0107 0,0092 0,0000 0,0000 0,5549 0,5587 0,5602 0,5610 0,5702 0,5718 0,5725 0,6175 0,6237 0,6299 0,6439 0,6439 0,6672 0,6711 0,6828 0,6867 0,7022 0,7680 0,7712 0,7728 0,7744 0,7760 0,7776 0,7792 0,8097 0,8881 0,8898 0,8916 0,8933 0,9106 0,9240 0,9680 0,9693 0,9716 0,9724 0,9877 0,9885 0,9893 0,9908 1,0000 Erro Padrão Sobrevivência 0,0000 0,0143 0,0143 0,0143 0,0143 0,0143 0,0143 0,0143 0,0166 0,0168 0,0171 0,0177 0,0135 0,0148 0,0148 0,0146 0,0143 0,0128 0,0127 0,0126 0,0126 0,0125 0,0125 0,0124 0,0124 0,0110 0,0090 0,0089 0,0087 0,0086 0,0085 0,0074 0,0050 0,0048 0,0046 0,0045 0,0031 0,0030 0,0029 0,0026 0,0000 155 APÊNDICE 6: FUNÇÃO DE SOBREVIVÊNCIA CALCULADA POR CENSURA INTERVALAR PARA O CENÁRIO PERFORMANCE Início Fim Sobrevivência Falha 0,00 0,01 0,02 0,05 0,07 0,10 0,11 0,12 0,15 0,18 0,19 0,20 0,24 0,25 0,26 0,30 0,39 0,40 0,45 0,49 0,50 0,59 0,60 0,65 0,69 0,70 0,75 0,80 0,90 0,99 1,00 1,15 1,20 1,30 1,49 1,50 1,99 2,00 2,49 2,50 2,99 3,00 3,49 3,50 3,99 4,00 4,88 5,00 0,00 0,01 0,02 0,05 0,07 0,10 0,11 0,12 0,15 0,18 0,19 0,20 0,20 0,25 0,26 0,30 0,39 0,40 0,45 0,49 0,50 0,59 0,60 0,65 0,69 0,70 0,75 0,80 0,90 0,99 1,00 1,15 1,20 1,30 1,49 1,50 1,99 2,00 2,49 2,50 2,99 3,00 3,49 3,50 3,99 4,00 4,88 5,00 - 1,0000 0,7176 0,7153 0,7130 0,6984 0,6976 0,6562 0,6546 0,6513 0,6447 0,6430 0,6413 0,6132 0,6132 0,5774 0,5745 0,5625 0,5596 0,5447 0,5387 0,5119 0,4352 0,4332 0,4254 0,4234 0,4214 0,4136 0,4057 0,3959 0,3939 0,3546 0,2164 0,2140 0,2067 0,2043 0,2018 0,1637 0,1343 0,0607 0,0591 0,0530 0,0514 0,0230 0,0223 0,0207 0,0200 0,0146 0,0138 0,0000 0,0000 0,2824 0,2847 0,2870 0,3016 0,3024 0,3438 0,3454 0,3487 0,3553 0,3570 0,3587 0,3868 0,3868 0,4226 0,4255 0,4375 0,4404 0,4553 0,4613 0,4881 0,5648 0,5668 0,5746 0,5766 0,5786 0,5864 0,5943 0,6041 0,6061 0,6454 0,7836 0,7860 0,7933 0,7957 0,7982 0,8363 0,8657 0,9393 0,9409 0,9470 0,9486 0,9770 0,9777 0,9793 0,9800 0,9854 0,9862 1,0000 Erro Padrão Sobrevivência 0,0000 0,0126 0,0127 0,0127 0,0129 0,0129 0,0153 0,0154 0,0156 0,0159 0,0160 0,0161 0,0175 0,0142 0,0160 0,0161 0,0162 0,0162 0,0160 0,0158 0,0143 0,0157 0,0157 0,0156 0,0156 0,0156 0,0155 0,0153 0,0151 0,0151 0,0135 0,0124 0,0122 0,0117 0,0114 0,0112 0,0119 0,0095 0,0067 0,0065 0,0062 0,0061 0,0042 0,0041 0,0039 0,0039 0,0033 0,0032 0,0000 156 APÊNDICE 7: FUNÇÃO DE SOBREVIVÊNCIA CALCULADA POR CENSURA INTERVALAR PARA O CENÁRIO CONVENIÊNCIA Início Fim Sobrevivência Falha 0,00 0,01 0,02 0,03 0,05 0,07 0,10 0,11 0,12 0,13 0,15 0,19 0,20 0,24 0,25 0,30 0,35 0,40 0,49 0,50 0,53 0,55 0,60 0,69 0,70 0,75 0,80 0,90 0,99 1,00 1,15 1,20 1,49 1,50 1,80 1,99 2,00 2,49 2,50 2,99 3,00 3,49 3,50 3,99 4,00 4,05 4,99 5,00 0,00 0,01 0,02 0,03 0,05 0,07 0,10 0,11 0,12 0,13 0,15 0,19 0,20 0,20 0,25 0,30 0,35 0,40 0,49 0,50 0,53 0,55 0,60 0,69 0,70 0,75 0,80 0,90 0,99 1,00 1,15 1,20 1,49 1,50 1,80 1,99 2,00 2,00 2,50 2,99 3,00 3,49 3,50 3,99 4,00 4,05 4,99 5,00 - 1,0000 0,6178 0,6163 0,6147 0,6140 0,6040 0,6032 0,5685 0,5669 0,5653 0,5637 0,5479 0,5463 0,5226 0,5226 0,4942 0,4784 0,4721 0,4626 0,4405 0,3646 0,3630 0,3613 0,3564 0,3547 0,3481 0,3415 0,3333 0,3316 0,2970 0,1787 0,1762 0,1713 0,1688 0,1332 0,1290 0,1144 0,0514 0,0514 0,0445 0,0422 0,0223 0,0215 0,0200 0,0192 0,0138 0,0130 0,0123 0,0000 0,0000 0,3822 0,3837 0,3853 0,3860 0,3960 0,3968 0,4315 0,4331 0,4347 0,4363 0,4521 0,4537 0,4774 0,4774 0,5058 0,5216 0,5279 0,5374 0,5595 0,6354 0,6370 0,6387 0,6436 0,6453 0,6519 0,6585 0,6667 0,6684 0,7030 0,8213 0,8238 0,8287 0,8312 0,8668 0,8710 0,8856 0,9486 0,9486 0,9555 0,9578 0,9777 0,9785 0,9800 0,9808 0,9862 0,9870 0,9877 1,0000 Erro Padrão Sobrevivência 0,0000 0,0140 0,0140 0,0140 0,0140 0,0141 0,0141 0,0159 0,0160 0,0161 0,0162 0,0169 0,0170 0,0180 0,0148 0,0162 0,0163 0,0163 0,0160 0,0147 0,0154 0,0154 0,0154 0,0153 0,0153 0,0152 0,0151 0,0149 0,0149 0,0137 0,0127 0,0125 0,0121 0,0119 0,0119 0,0117 0,0107 0,0145 0,0061 0,0057 0,0056 0,0041 0,0040 0,0039 0,0038 0,0032 0,0031 0,0031 0,0000 157 APÊNDICE 8: FUNÇÃO DE SOBREVIVÊNCIA CALCULADA POR CENSURA INTERVALAR PARA O CENÁRIO SOMA Início Fim Sobrevivência Falha 0,00 0,01 0,03 0,05 0,09 0,10 0,12 0,15 0,19 0,20 0,24 0,25 0,28 0,30 0,40 0,49 0,50 0,59 0,60 0,65 0,69 0,70 0,75 0,80 0,85 0,90 0,98 0,99 1,00 1,10 1,20 1,49 1,50 1,99 2,00 2,15 2,30 2,49 2,50 2,70 2,75 2,99 3,00 3,50 3,99 4,00 4,30 4,50 4,99 5,00 0,00 0,01 0,03 0,05 0,09 0,10 0,12 0,15 0,19 0,20 0,20 0,25 0,28 0,30 0,40 0,49 0,50 0,59 0,60 0,65 0,69 0,70 0,75 0,80 0,85 0,90 0,98 0,99 1,00 1,10 1,20 1,49 1,50 1,99 2,00 2,15 2,30 2,49 2,50 2,70 2,75 2,99 3,00 3,50 3,99 4,00 4,30 4,50 4,99 5,00 - 1,0000 0,8281 0,8258 0,8250 0,8196 0,8189 0,7836 0,7819 0,7735 0,7718 0,7567 0,7567 0,7282 0,7242 0,6835 0,6794 0,6754 0,5995 0,5977 0,5839 0,5822 0,5788 0,5684 0,5650 0,5564 0,5529 0,5512 0,5495 0,5081 0,3530 0,3504 0,3426 0,3323 0,2785 0,2487 0,1262 0,1248 0,1234 0,1220 0,1036 0,1028 0,1021 0,0959 0,0522 0,0507 0,0468 0,0330 0,0322 0,0315 0,0292 0,0000 0,0000 0,1719 0,1742 0,1750 0,1804 0,1811 0,2164 0,2181 0,2265 0,2282 0,2433 0,2433 0,2718 0,2758 0,3165 0,3206 0,3246 0,4005 0,4023 0,4161 0,4178 0,4212 0,4316 0,4350 0,4436 0,4471 0,4488 0,4505 0,4919 0,6470 0,6496 0,6574 0,6677 0,7215 0,7513 0,8738 0,8752 0,8766 0,8780 0,8964 0,8972 0,8979 0,9041 0,9478 0,9493 0,9532 0,9670 0,9678 0,9685 0,9708 1,0000 Erro Padrão Sobrevivência 0,0000 0,0105 0,0106 0,0106 0,0107 0,0107 0,0132 0,0133 0,0138 0,0139 0,0148 0,0128 0,0153 0,0154 0,0144 0,0141 0,0136 0,0154 0,0154 0,0155 0,0155 0,0155 0,0154 0,0154 0,0153 0,0153 0,0152 0,0152 0,0142 0,0146 0,0145 0,0140 0,0132 0,0134 0,0121 0,0094 0,0093 0,0092 0,0091 0,0085 0,0084 0,0084 0,0082 0,0062 0,0061 0,0059 0,0050 0,0049 0,0048 0,0047 0,0000 158 APÊNDICE 9: FUNÇÃO DE SOBREVIVÊNCIA CALCULADA PELO PONTO MÉDIO PARA O CENÁRIO CONTROLE Valor (R$) Sobrevivência Falha 0,00 0,00 0,01 0,02 0,03 0,05 0,07 0,08 0,10 0,15 0,17 0,19 0,20 0,25 0,29 0,30 0,37 0,39 0,49 0,50 0,60 0,69 0,74 0,75 0,80 0,89 0,90 0,99 1,00 1,15 1,20 1,24 1,49 1,50 1,74 1,99 2,00 2,24 2,49 2,50 2,99 3,00 3,50 3,99 4,00 5,00 1,0000 0,4451 0,4413 0,4398 0,4390 0,4298 0,4282 0,4275 0,4052 0,4021 0,3661 0,3630 0,3561 0,3515 0,3507 0,3484 0,3016 0,3008 0,2978 0,2663 0,2648 0,2640 0,2080 0,2072 0,2064 0,2057 0,2049 0,1903 0,1558 0,1550 0,1543 0,1074 0,1067 0,0998 0,0814 0,0760 0,0507 0,0315 0,0307 0,0284 0,0276 0,0123 0,0115 0,0107 0,0092 0,0000 0,0000 0,5549 0,5587 0,5602 0,5610 0,5702 0,5718 0,5725 0,5948 0,5979 0,6339 0,6370 0,6439 0,6485 0,6493 0,6516 0,6984 0,6992 0,7022 0,7337 0,7352 0,7360 0,7920 0,7928 0,7936 0,7943 0,7951 0,8097 0,8442 0,8450 0,8457 0,8926 0,8933 0,9002 0,9186 0,9240 0,9493 0,9685 0,9693 0,9716 0,9724 0,9877 0,9885 0,9893 0,9908 1,0000 Erro Padrão Sobrevivência 0,0000 0,0138 0,0138 0,0138 0,0137 0,0137 0,0137 0,0137 0,0136 0,0136 0,0133 0,0133 0,0133 0,0132 0,0132 0,0132 0,0127 0,0127 0,0127 0,0122 0,0122 0,0122 0,0112 0,0112 0,0112 0,0112 0,0112 0,0109 0,0100 0,0100 0,0100 0,0086 0,0086 0,0083 0,0076 0,0073 0,0061 0,0048 0,0048 0,0046 0,0045 0,0031 0,0030 0,0029 0,0026 0,0000 Número de falhas 0 723 5 2 1 12 2 1 29 4 47 4 9 6 1 3 61 1 4 41 2 1 73 1 1 1 1 19 45 1 1 61 1 9 24 7 33 25 1 3 1 20 1 1 2 12 Número sob risco 1.303 1.303 580 575 573 572 560 558 557 528 524 477 473 464 458 457 454 393 392 388 347 345 344 271 270 269 268 267 248 203 202 201 140 139 130 106 99 66 41 40 37 36 16 15 14 12 159 APÊNDICE 10: FUNÇÃO DE SOBREVIVÊNCIA CALCULADA PELO PONTO MÉDIO PARA O CENÁRIO PERFORMANCE Valor (R$) Sobrevivência Falha 0,00 0,00 0,01 0,02 0,05 0,07 0,10 0,11 0,12 0,15 0,17 0,18 0,19 0,20 0,25 0,26 0,30 0,37 0,39 0,40 0,45 0,49 0,50 0,59 0,60 0,65 0,69 0,70 0,74 0,75 0,80 0,90 0,99 1,00 1,15 1,20 1,24 1,30 1,49 1,50 1,74 1,99 2,00 2,24 2,49 2,50 2,99 3,00 3,49 3,50 3,99 4,00 4,88 5,00 1,0000 0,7176 0,7153 0,7130 0,6984 0,6976 0,6784 0,6777 0,6761 0,6731 0,6278 0,6270 0,6262 0,6132 0,6040 0,6032 0,6002 0,5249 0,5242 0,5203 0,5188 0,5119 0,4820 0,4812 0,4781 0,4774 0,4766 0,4735 0,3776 0,3745 0,3707 0,3699 0,3546 0,3108 0,3101 0,3078 0,2034 0,2026 0,2018 0,1919 0,1420 0,1343 0,0998 0,0599 0,0591 0,0530 0,0514 0,0230 0,0223 0,0207 0,0200 0,0146 0,0138 0,0000 0,0000 0,2824 0,2847 0,2870 0,3016 0,3024 0,3216 0,3223 0,3239 0,3269 0,3722 0,3730 0,3738 0,3868 0,3960 0,3968 0,3998 0,4751 0,4758 0,4797 0,4812 0,4881 0,5180 0,5188 0,5219 0,5226 0,5234 0,5265 0,6224 0,6255 0,6293 0,6301 0,6454 0,6892 0,6899 0,6922 0,7966 0,7974 0,7982 0,8081 0,8580 0,8657 0,9002 0,9401 0,9409 0,9470 0,9486 0,9770 0,9777 0,9793 0,9800 0,9854 0,9862 1,0000 Erro Padrão Sobrevivência 0,0000 0,0125 0,0125 0,0125 0,0127 0,0127 0,0129 0,0129 0,0130 0,0130 0,0134 0,0134 0,0134 0,0135 0,0135 0,0136 0,0136 0,0138 0,0138 0,0138 0,0138 0,0138 0,0138 0,0138 0,0138 0,0138 0,0138 0,0138 0,0134 0,0134 0,0134 0,0134 0,0133 0,0128 0,0128 0,0128 0,0112 0,0111 0,0111 0,0109 0,0097 0,0094 0,0083 0,0066 0,0065 0,0062 0,0061 0,0042 0,0041 0,0039 0,0039 0,0033 0,0032 0,0000 Número de falhas Número sob risco 0 368 3 3 19 1 25 1 2 4 59 1 1 17 12 1 4 98 1 5 2 9 39 1 4 1 1 4 125 4 5 1 20 57 1 3 136 1 1 13 65 10 45 52 1 8 2 37 1 2 1 7 1 18 1.303 1.303 935 932 929 910 909 884 883 881 877 818 817 816 799 787 786 782 684 683 678 676 667 628 627 623 622 621 617 492 488 483 482 462 405 404 401 265 264 263 250 185 175 130 78 77 69 67 30 29 27 26 19 18 160 APÊNDICE 11: FUNÇÃO DE SOBREVIVÊNCIA CALCULADA PELO PONTO MÉDIO PARA O CENÁRIO CONVENIÊNCIA Valor (R$) Sobrevivência Falha 0,00 0,00 0,01 0,02 0,03 0,05 0,07 0,10 0,11 0,12 0,13 0,15 0,17 0,19 0,20 0,25 0,30 0,35 0,37 0,40 0,49 0,50 0,53 0,55 0,60 0,69 0,70 0,74 0,75 0,80 0,90 0,99 1,00 1,15 1,20 1,24 1,49 1,50 1,74 1,80 1,99 2,00 2,24 2,50 2,99 3,00 3,49 3,50 3,99 4,00 4,05 4,99 5,00 1,0000 0,6178 0,6163 0,6147 0,6140 0,6040 0,6032 0,5863 0,5856 0,5848 0,5840 0,5764 0,5349 0,5342 0,5226 0,5157 0,5119 0,5104 0,4482 0,4459 0,4405 0,4052 0,4045 0,4037 0,4014 0,4006 0,3975 0,3208 0,3177 0,3139 0,3131 0,2970 0,2602 0,2594 0,2579 0,1696 0,1688 0,1558 0,1213 0,1197 0,1144 0,0829 0,0514 0,0445 0,0422 0,0223 0,0215 0,0200 0,0192 0,0138 0,0130 0,0123 0,0000 0,0000 0,3822 0,3837 0,3853 0,3860 0,3960 0,3968 0,4137 0,4144 0,4152 0,4160 0,4236 0,4651 0,4658 0,4774 0,4843 0,4881 0,4896 0,5518 0,5541 0,5595 0,5948 0,5955 0,5963 0,5986 0,5994 0,6025 0,6792 0,6823 0,6861 0,6869 0,7030 0,7398 0,7406 0,7421 0,8304 0,8312 0,8442 0,8787 0,8803 0,8856 0,9171 0,9486 0,9555 0,9578 0,9777 0,9785 0,9800 0,9808 0,9862 0,9870 0,9877 1,0000 Erro Padrão Sobrevivência 0,0000 0,0135 0,0135 0,0135 0,0135 0,0135 0,0136 0,0136 0,0136 0,0137 0,0137 0,0137 0,0138 0,0138 0,0138 0,0138 0,0138 0,0138 0,0138 0,0138 0,0138 0,0136 0,0136 0,0136 0,0136 0,0136 0,0136 0,0129 0,0129 0,0129 0,0128 0,0127 0,0122 0,0121 0,0121 0,0104 0,0104 0,0100 0,0090 0,0090 0,0088 0,0076 0,0061 0,0057 0,0056 0,0041 0,0040 0,0039 0,0038 0,0032 0,0031 0,0031 0,0000 Número de falhas Número sob risco 0 498 2 2 1 13 1 22 1 1 1 10 54 1 15 9 5 2 81 3 7 46 1 1 3 1 4 100 4 5 1 21 48 1 2 115 1 17 45 2 7 41 41 9 3 26 1 2 1 7 1 1 16 1.303 1.303 805 803 801 800 787 786 764 763 762 761 751 697 696 681 672 667 665 584 581 574 528 527 526 523 522 518 418 414 409 408 387 339 338 336 221 220 203 158 156 149 108 67 58 55 29 28 26 25 18 17 16 161 APÊNDICE 12: FUNÇÃO DE SOBREVIVÊNCIA CALCULADA PELO PONTO MÉDIO PARA O CENÁRIO SOMA Valor (R$) Sobrevivência Falha 0,00 0,00 0,01 0,03 0,05 0,09 0,10 0,12 0,15 0,17 0,19 0,20 0,25 0,28 0,30 0,37 0,40 0,49 0,50 0,59 0,60 0,65 0,69 0,70 0,74 0,75 0,80 0,85 0,90 0,98 0,99 1,00 1,10 1,20 1,24 1,49 1,50 1,74 1,99 2,00 2,15 2,24 2,30 2,49 2,50 2,70 2,75 2,99 3,00 3,50 3,99 4,00 4,30 4,50 4,99 5,00 1,0000 0,8281 0,8258 0,8250 0,8196 0,8189 0,8028 0,8020 0,7982 0,7644 0,7636 0,7567 0,7513 0,7506 0,7429 0,6769 0,6761 0,6754 0,6416 0,6408 0,6347 0,6339 0,6324 0,6278 0,5349 0,5334 0,5295 0,5280 0,5272 0,5265 0,5081 0,4620 0,4612 0,4589 0,3354 0,3323 0,3116 0,2602 0,2487 0,1811 0,1804 0,1236 0,1228 0,1220 0,1036 0,1028 0,1021 0,0959 0,0522 0,0507 0,0468 0,0330 0,0322 0,0315 0,0292 0,0000 0,0000 0,1719 0,1742 0,1750 0,1804 0,1811 0,1972 0,1980 0,2018 0,2356 0,2364 0,2433 0,2487 0,2494 0,2571 0,3231 0,3239 0,3246 0,3584 0,3592 0,3653 0,3661 0,3676 0,3722 0,4651 0,4666 0,4705 0,4720 0,4728 0,4735 0,4919 0,5380 0,5388 0,5411 0,6646 0,6677 0,6884 0,7398 0,7513 0,8189 0,8196 0,8764 0,8772 0,8780 0,8964 0,8972 0,8979 0,9041 0,9478 0,9493 0,9532 0,9670 0,9678 0,9685 0,9708 1,0000 Erro Padrão Sobrevivência 0,0000 0,0105 0,0105 0,0105 0,0107 0,0107 0,0110 0,0110 0,0111 0,0118 0,0118 0,0119 0,0120 0,0120 0,0121 0,0130 0,0130 0,0130 0,0133 0,0133 0,0133 0,0133 0,0134 0,0134 0,0138 0,0138 0,0138 0,0138 0,0138 0,0138 0,0138 0,0138 0,0138 0,0138 0,0131 0,0130 0,0128 0,0122 0,0120 0,0107 0,0107 0,0091 0,0091 0,0091 0,0084 0,0084 0,0084 0,0082 0,0062 0,0061 0,0059 0,0049 0,0049 0,0048 0,0047 0,0000 Número de falhas Número sob risco 0 224 3 1 7 1 21 1 5 44 1 9 7 1 10 86 1 1 44 1 8 1 2 6 121 2 5 2 1 1 24 60 1 3 161 4 27 67 15 88 1 74 1 1 24 1 1 8 57 2 5 18 1 1 3 38 1.303 1.303 1.079 1.076 1.075 1.068 1.067 1.046 1.045 1.040 996 995 986 979 978 968 882 881 880 836 835 827 826 824 818 697 695 690 688 687 686 662 602 601 598 437 433 406 339 324 236 235 161 160 159 135 134 133 125 68 66 61 43 42 41 38