Luiz Felipe Araujo Mod, Valério Ramos Batista CMCC, Universidade Federal do ABC Av. dos Estados, 5001, Santo André, SP [email protected], [email protected] 0. RESUMO 3. RELAÇÃO ENTRE SUPERFÍCIES MÍNIMAS E CUR- Notamos que a expressão (5) é quociente de formas quadráticas. Logo, seu VATURA MÉDIA máximo e seu mı́nimo são as raı́zes da equação Neste trabalho apresentamos um breve histórico da teoria de Superfı́cies Mı́nimas e principais resultados introdutórios. Inclusive, esta é sua definição original introduzida por Meusnier em 1776. Vamos provar o seguinte resultado, que vale quando a superfı́cie é gráfico: det (B − λG) = 0. Teorema. Se os bordos da superfı́cie estão fixos e H = 0, então a área 1. HISTÓRICO Há mais de dois séculos e meio, precisamente em 1744, Euler propôs o seguinte problema de Cálculo Variacional: Para uma superfı́cie de revolução, é mı́nima. De fato, como G é simétrica e positiva definida, então existe uma única G 2 Demonstração: Considere o domı́nio Ω, a função f : Ω → R e a superfı́cie que é definida positiva e simétrica. Portanto temos 1 dada por F = (x, y, f ). Façamos uma variação f + th, t ∈ (−ε, ε) ⊂ R e h|∂Ω = 0. Temos assim k(T ) = qual geratriz implica área mı́nima? A(t) = ZZ √ 1 1 1 a + bt + ct2 dxdy, y x a b x z Rb p = 2π a y 1 + y ′2 dx. Seja y : [a, b] → R a O objetivo é minimizar Iy(x) função procurada e η : [a, b] → R uma variação de y que fixa y(a) e y(b). Ou seja, η(a) = η(b) = 0 e |η| < ε “pequeno”. Assim, Z Iy+tη = I(t) = b F (x, y + tη, y ′ + tη ′)dx. (1) a Se I(0) é um mı́nimo, então (1) implica ′ I (0) = 0 = Z b a int. = prts Z b a onde a = 1 + fx2 + fy2, b = 2(fxhx + fy hy ) e c = h2x + h2y . Por série de Taylor 2 2 √ √ (b − 4ac)t bt √ em t = 0, a + bt + ct2 = a + √ + + O(t3). 2 a 8 a3 Logo ZZ ZZ b fxhx + fy hy √ √ dxdy = dxdy A′(t)|t=0 = 2 a ¶ Ω µ a ¶¸ ZZΩ· µ fx fy ∂ ∂ h·√ + h·√ dxdy = a Ω ∂x· µ a ¶ ∂y µ ¶¸ ZZ ∂ fy ∂ fx √ + √ − dxdy. h ∂x ∂y a a Ω Pelo Teorema de Green µ ¶ ¶¸ ZZ · µ ∂ fx fy ∂ h·√ + h·√ dxdy = 0 ∂x ∂y a a Ω A′(0) = − z }| { {Fx · xt +Fy · η + Fy′ · η ′}dx ¯b Z b Z b ¯ Fy · ηdx + Fy′ · η ¯¯ − (Fy′ )xηdx = η[Fy − (Fy′ )x]dx, 1+ y ′2 a a φ̃ = X Y , g(X, Y ) = X 2 + Y 2 − 1 = 0 e f (X, Y ) = φ̃tMφ̃. Usando multiplicadores de Lagrange temos: f − λg = 0; X X f − λg = 0. Y (6) Y fY = 2[1 0] M[X Y ]t, gX = 2X, gY = 2Y. µ ¶ ′ d yy p − = 0. ′2 dx 1+y (2) Logo, de (6) temos µ fx √ a ¶ + x µ (1 + fx2)fyy − 2fxfy fxy + (1 + fy2)fxx = 0. f √y a ¶ = 0. Um y f − λgX 0 X X 1 0 X · M · − 2λ = . = 2 fY − λgY 0 Y Y 0 1 y ≡ cosh(0, 67x)/0, 67. Em 1761, Lagrange estendeu o Cálculo Variacional para dimensão 2 e introduziu o problema: Dada f : Ω → R, sob quais condições graf(f ) tem tem RR q 1 + fx2 + fy2 dxdy. Mais geralmente, se RR 3 F : Ω → R é uma parametrização da superfı́cie, A = Ω ||Fx × Fy || dxdy. Ω 4ac − b2 √ dxdy, 3 Ω 8 a µ onde 4ac − b2 = 2(fxhx + fy hy )2 + 4h2x(1 + fy2) + 4h2y (1 + fx2) ≥ 0. Mas mı́nimo local seções. 1 2 det G · G − 12 − 21 ·B·G ·B·G − 21 − 12 ¶ 1 2 − λI ·det (G ) = 0 1 2 1 2 · G − λG · I · G 1 2 ¶ =0 det (B − λG) = 0. Espandindo esta equação temos c.q.d. λ2 − λ tr(G−1 · B) + det (G−1 · B) = 0. 4. INTERPRETAÇÃO GEOMÉTRICA DA CURVATURA Portanto MÉDIA tr(G−1 · B) . H= 2 No caso particular de F = (x, y, f ), temos a fórmula anterior. Veremos a dedução da equação diferencial parcial das superfı́cies mı́nimas nas próximas µ 1 2 ZZ 4ac − b2 = 0 se, e somente se hx = hy = 0, ou seja, h = 0. Logo, é ponto de Por isto, det (M − λI) = 0 e assim, det (G ) · det G A′′(t)|t=0 0 X . = (M − λI2x2) 0 Y (4) crı́tico é este. Temos 2 = 8 que por sua vez (4) equivale a H = 0. Vamos analisar que tipo de ponto implica y = cosh x, e −a = b = 1/2 e y(a) = y(b) = cosh 1 implica Ou seja, Aplicando a definição H = tr(G−1B)/2 para o caso de F = (x, y, f ), vemos αy(b) = cosh(αb + β). Por exemplo, −a = b = 1 e y(a) = y(b) = cosh 1 O objetivo é minimizar A = 1 Sejam fX = 2[1 0] M[X Y ]t, ·µ ¶ µ ¶ ¸ fx fy dxdy. h √ + √ a x a y Ω cálculo simples mostra que esta igualdade é equivalente a Solução geral de (2): y = cosh(αx + β)/α, onde αy(a) = cosh(αa + β) e área mı́nima com f |∂Ω fixo? 1 É fácil ver que ZZ Como h é arbitrária, A′(0) = 0 se, e somente se pois η(a) = η(b) = 0. Como η é arbitrária, então chegamos à Equação p Diferencial Ordinária Fy − (Fy′ )x = 0. No caso, F = 2πy 1 + y ′2, donde p 1 onde φ = G 2 ·ϕ′(t), M = (G− 2 )t ·B ·G− 2 e φ̃ = φ/||φ||. Inclusive, Mt = M. pois h|∂Ω = 0. Portanto =0 a 1 φt · M · φ = φt · φ k(T ) = φ̃t · M · φ̃, z y(x) 1 ϕ(t)t · (G 2 )t · G 2 · ϕ′(t) Ω y 1 ϕ′(t)t · (G 2 )t · (G− 2 )t · B · G− 2 · G 2 · ϕ′(t) Seja S uma superfı́cie regular parametrizada por F : Ω → R3, e p ∈ S. Para cada curva γ : (α, β) ⊆ R → S dada por γ(t) = F (x(t), y(t)) com 5. EXEMPLOS γ(t0) = p, temos que o vetor tangente a γ em p é 2. CURVATURA MÉDIA DUMA SUPERFÍCIE γ ′(t0) = Fx · x′(t0) + Fy · y ′(t0). A superfı́cie é regular se, e somente se det G > 0, onde G = DF t · DF . Considere todas as curvas de S que passam por p. A totalidade de seus Observe que det G = ||Fx × Fy || . Logo, considerando h : Ω → R arbitrária, vetores tangentes forma um espaço vetorial bidimensional, chamado plano 2 para cada número real λ seja F̃λ = F + λhN , onde N é o vetor normal unitário. Então < N, Fx >= 0, < N, Fy >= 0 e G̃ = DF̃λt t t A Primeira e Segunda Formas Fundamentais para superfı́cies são dadas por t · DF̃λ = (DF + λhDN + λN Dh ) · (DF + λhDN + λN Dh) 2 G̃ = G − 2λhB + λ C, onde B2×2 2 =D F ·N = Fxx Fxy Fyx Fyy (3) a1 = (det G̃) |λ=0. Multiplicando (3) por G −1 −1 2 −1 −1 p11(λ) p12(λ) , donde temos G G̃ = I − 2λhG B + λ G C = I − λM, M = a b c d . Desta forma, det (G−1G̃) = 1−λ trM +λ2det M = det G̃/a0 = 1+a1λ/a0 + O(λ2), donde a1 = −a0 trM |λ=0 = −a0 tr(2hG−1B) = −2h tr(Gadj B). Va−1 ϕ′(t)t · B · ϕ′(t) e ϕ′(t)t · G · ϕ′(t), respectivamente, onde ϕ′(t) = [x′(t) y ′(t)]t. Considere agora ϕ′(t)t · B · ϕ′(t) . ϕ′(t)t · G · ϕ′(t) (5) perfı́cie. Sua homogeneidade nas componentes de ϕ′ mostra que ele depende p21(λ) p22(λ) independem de λ. Assim, det G̃|λ=0 = a0 e ′ Figura 4: Helicóide quadráticas no vetor tangente ϕ′ e cujas matrizes dependem do ponto da su- ·N Figura 3: Catenóide Temos que tanto o numerador quanto o denominador de (5) são formas e C é uma função contı́nua em x, y, λ. Temos G̃ = det G̃ = a0 + a1λ + O(λ2) e a0,1 tangente a S em p, denotado TpS. mos definir H = tr(G B)/2, chamada curvatura média da superfı́cie. somente da direção de um vetor tangente T = DF · ϕ′ que seja unitário. Figura 5: Scherk Desta forma, podemos reescrever (5) como ϕ′(t)t · B · ϕ′(t) , k(T ) = ′ t ϕ (t) · G · ϕ′(t) T ∈ S 1 ⊂ TpS, Figura 6: Enneper 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS que é uma função contı́nua em T , chamada curvatura normal de S na di- [1] L.F. Lopes, Superfı́cies Mı́nimas Folheadas por Circunferências, tese reção T . Os valores máximo e mı́nimo de k são as curvaturas principais, de mestrado, 2004, capı́tulos 1 e 3. denotadas respectivamente por k1 e k2. [2] R. Osserman, A survey of minimal surfaces, Dover, New York, 2nd ed Mostremos que a curvatura média H de S em p é dada por H= k1 + k2 . 2 (1986). [3] R. Churchill, Variáveis Complexas e suas Aplicações, capı́tulos 1, 2 e 5. [4] J. Stewart, Cálculo Vol. II, 4a ed, pp 872–920.