CHEFIA DO GOVERNO O Primeiro Ministro Intervenção proferida por S.E. o Senhor Primeiro Ministro, José Maria Pereira Neves, na abertura do debate Parlamentar sobre o Estado da Nação - Praia, 28 de Julho de 2006 - Senhor Presidente da Assembleia Nacional, Senhoras e senhores Deputados, Caros Colegas membros do Governo, Digo-vos, de entrada, que a Nação cabo-verdiana está bem. A Nação está unida e confiante. Cabo Verde tem um rumo e caminha a bom ritmo. Cabo Verde está em plena transformação. É opinião unânime de observadores categorizados, expressas nomeadamente em várias avaliações realizadas, que as mudanças verificadas nos últimos cinco anos em Cabo-Verde projectaram o país na rota da irreversibilidade do seu desenvolvimento. Cabo Verde está a avançar. Temos plena consciência de que o caminho é longo e difícil. Temos a noção exacta dos desafios que estão à nossa frente. Desafios de uma economia ainda vulnerável; desafios ligados à pobreza e ao desemprego que infelizmente assumem ainda proporções inaceitáveis. Mas os desafios não nos devem esmorecer e muito menos fazer perder o norte. Se sabemos para onde queremos ir, o que importa é a capacidade de equacionar os problemas para encontrar, em cada momento, as melhores saídas. Essa é a postura do Governo, que assume as suas responsabilidades e está determinado a trabalhar na busca incessante de soluções. Temos tido graves problemas do abastecimento da energia eléctrica com impacto negativo tanto na vida dos cidadãos como nas empresas. Nesta crise, o Governo assumiu as suas responsabilidades de forma cabal, por forma a preservar os interesses da Nação. Apostamos na via negocial, tendo sempre presente as consequências nefastas que um longo e complexo processo litigioso necessariamente acarretaria. Accionamos todas as vias, inclusivamente a via político-diplomática que se revelou decisiva para a saída da crise. E aqui aproveito para publicamente agradecer o meu colega e amigo, Eng. José Sócrates, pelo seu empenhamento pessoal, sem o qual não teríamos hoje encontrado a solução que melhor serve os interesses de Cabo Verde e de Portugal. 1 As negociações do dia 24 passado entre o Governo e os parceiros da ELECTRA foram bem sucedidas. As soluções encontradas são boas para o país. O Estado de Cabo Verde passa a assumir o controlo estratégico da ELECTRA. Isso é importante num sector vital como é o da energia. Foram lançadas as bases para que a empresa se desenvolva e se viabilize. Abrimos pois o caminho para que o abastecimento de energia eléctrica no país corresponda às necessidades das populações e às exigências do desenvolvimento. Para já e no que respeita à cidade da Praia, estão em curso medidas para restabelecer a situação e normalizar o abastecimento de energia eléctrica a curto prazo. Esta medidas incluem: 1. Reparação imediata do grupo gerador de 5,5 MW; 2. Aquisição de potência suplementar de 5 MW pela Electra, ainda na primeira quinzena de Agosto; 3. Reparação de 2 grupos da Central de Gambôa num total de 6.116 KVA, previsto para finais de Agosto; 4. Aquisição de potência suplementar pelo Governo de cerca de 5-6 MW, por um período de 12 a 24 meses, com uma previsão para finais de Agosto. Com estas intervenções de urgência teremos uma capacidade para cobrir as necessidades de consumo de ponta que rondam actualmente os 17,3 MW. Teremos ainda uma capacidade de reserva de 5 a 6 MW para fazer face a qualquer eventualidade. Paralelamente, estão a ser implementadas medidas de fundo, mobilizando só da parte do Estado cerca de 28 milhões de dólares, para garantir um regular abastecimento de energia à capital do país a médio e longo prazo. Temos assim: 1. O reforço da central eléctrica com a aquisição de 2 grupos de 7,5 MW (15 MW no total); 2. A interligação da central do Palmarejo com o interior de Santiago, eliminando todas as pequenas centrais espalhadas pela ilha; 3. A instalação de uma capacidade de produção independente com uma potência instalada de 12 MW; 4. A instalação de um parque eólico com uma potência suplementar de 4,8 MW, cujo concurso já foi lançado. Em sede de política energética para o país estamos a perspectivar o futuro num contexto de manutenção dos altos preços dos combustíveis petrolíferos. A racionalização do abastecimento e o investimento nas formas de energias renováveis, bem como o licenciamento de produtores independentes constituem direcções a seguir. Estamos a promover a criação da empresa de logística e a desenvolver o quadro regulatório, sempre na perspectiva da redução dos custos de operação e da busca de uma maior eficiência empresarial no sector. Também não ignoramos os problemas relacionados com a segurança dos cidadãos. Aqui também, o Governo está a agir com sentido de responsabilidade. A criação da Polícia Nacional, o aumento do número de efectivos, a formação de quadros, a aquisição de novos equipamentos e a abertura de novas esquadras da Polícia Nacional, são medidas 2 em curso para reforçar e intensificar a acção da polícia no combate sem tréguas ao crime, de modo a garantir a segurança e a ordem públicas. Reconhecemos, com responsabilidade, que há, ainda, muitos problemas. A delinquência juvenil, os assaltos, a violência urbana devem ser combatidos com rigor e profissionalismo. Mas é preciso reconhecer também que a polícia tem intensificado a sua acção nos últimos tempos com resultados satisfatórios. A segurança do país é multi-dimensional e demanda o concurso de todos os sectores do Governo e da sociedade civil. Temos delineada uma estratégia de segurança nacional que abrange, de entre outros importantes aspectos, o combate ao narcotráfico, à imigração clandestina e à criminalidade organizada. Estamos a reforçar a polícia judiciária, está em processo de instalação os serviços de informação da república e medidas foram já tomadas para garantir o patrulhamento das nossas águas, designadamente com a parceria dos EUA, da França, de Portugal e da Espanha. Enfim, o problema do desemprego ocupa lugar central na Agenda do Governo. O que o Governo se propõe nesta área é ambicioso porque só assim conseguiremos resultados à altura da magnitude do problema. Todo o programa de desenvolvimento do Governo quer no que respeita à economia, quer na área de recursos humanos, quer no domínio social, está voltado para criar condições favorecedoras do emprego. Temos também desafios externos. O choque petrolífero que nos está a atingir duramente está aí para nos lembrar a forte exposição do país a factores externos. Os preços do crude voltaram a disparar para atingirem novos máximos históricos de mais de 78 dólares o barril. Todas as previsões foram ultrapassadas. Os analistas pensam que os preços não devem baixar significativamente e um cenário muito provável é o seu agravamento nos próximos tempos. A guerra que deflagrou recentemente no médio oriente e da qual não se vê saídas imediatas não deixa lugar a muito optimismo. Digo que Cabo Verde está a avançar. A avançar na boa direcção. A acção do Governo tem sido focalizada na direcção da materialização do projecto maior de transformação sócio-económica de Cabo Verde. O plano de transformação envolve a construção de uma economia globalmente competitiva ancorada nas oportunidades que lhe conferem a sua posição na encruzilha de três continentes. A estratégia consiste em implementar as mudanças necessárias para a modernização do país e desenvolver capacidades do caboverdiano para empreender actividades produtivas, em vista a desenvolver uma economia virada para o serviço internacional de forte valor acrescentado, enfim, uma economia capaz de participar activamente no comércio mundial. O projecto é ambicioso? Digo que sim. Porque exige mudanças e reformas profundas. Requer um intenso e continuado esforço de modernização física, infraestrutural e institucional. Apela para novos métodos, novas atitudes e posturas. Enfim, trata-se de um projecto de toda a sociedade. As recentes manobras da NATO, realizadas com o sucesso que se lhes reconhece, são exemplo da atitude que se deve ter. Decidir com oportunidade e sentido de futuro. Com essa operação, Cabo Verde posiciona-se na corrente das grandes mudanças geoestratégicas que se advinham no Atlântico Sul e, particularmente, na costa ocidental do continente africano. O nome de Cabo Verde foi propalado no mundo inteiro. São 3 ganhos de credibilidade para o país. É a posição geo-económica de Cabo Verde que sai reforçada. São novas janelas de oportunidade que se criam. Desde logo, são trunfos acrescidos para viabilizarmos a nossa estratégia de transformar Cabo Verde numa plataforma de serviços internacionais. Neste particular, quero também dizer que estamos a caminhar para a construção da parceria especial com a União Europeia. Temos mobilizado apoios importantes e já conseguimos avanços significativos. Alguns países e a própria União Europeia criaram grupos de trabalho para acompanhar esse processo. Seguimos trabalhando este dossier com afinco. Com estas e outras iniciativas, com a imagem de boa governação, o país está a reforçar o capital de credibilidade que lhe permite encontrar as ancoragens necessárias para encontrar o seu espaço próprio no contexto das Nações. Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados da Nação, Cabo Verde registou taxas robustas de crescimento nos últimos anos, no quadro de um ambiente económico muito bom: baixa inflação, défice orçamental reduzido, défice da conta corrente com o exterior em diminuição (11% PIB em 2002 para 4% em 2005), taxa de câmbio estável, reservas internacionais confortáveis. Enfim, conseguimos reunir todas as condições macro-económicas necessárias para criar confiança e impulsionar a economia. É importante frisar que o ritmo de crescimento, para além de elevado, tem sido crescente, com o ano de 2005 a registar a taxa mais elevada na ordem dos 7% do PIB. Com os resultados dos últimos anos, Cabo Verde conseguiu reconhecimento internacional, atingiu o estatuto de país de rendimento médio, o que nos prestigia é certo, mas também nos responsabiliza. Estamos já a implementar em conjunto com os parceiros externos uma estratégia para que o país ganhe com esta transição. O Banco Mundial num recente relatório publicado no mês passado conclui que se prosseguirmos nessa via de crescimento, atingiremos todos os objectivos fixados pela comunidade internacional para 2015 no âmbito do Milénio. Aliás, alguns desses objectivos já foram realizados. Já avançámos bastante, mas aspiramos chegar mais longe. É importante que o país possa garantir a estabilidade macro-económica e manter o desempenho dos principais indicadores e, em particular, o défice orçamental, a inflação e o nível de reservas internacionais. A manutenção deste ambiente é fundamental para conseguir a confiança dos investidores. Requer também níveis elevados de crescimento económico. Dissemos que a médio prazo íamos procurar elevar o ritmo crescimento para uma taxa de dois dígitos. Isso para descer o desemprego para taxas mais próximas dos 10% e diminuir a pobreza de metade. São desafios que interpelam toda a Nação. O Governo em primeira linha é certo. Mas como já tinha dito em outras circunstâncias, e alguns insistem em ver nisso uma 4 tentativa de desresponsabilização do Governo, todos, cada um na sua esfera de actuação, devem esforçar-se para que esses objectivos sejam atingidos. Tenho insistentemente apelado à necessidade de consensos políticos, já que as reformas e mudanças necessárias, pelo seu grande alcance e profundidade, ultrapassam o horizonte conjuntural limitado de uma legislatura. Propusemos aos parceiros sindicais e patronais, em sede de concertação social, a celebração de um pacto de legislatura. Com isso, queremos construir plataformas de entendimento e parcerias que nos permitam criar condições para o reforço da coesão social e o desenvolvimento económico. Existe confiança na economia por parte dos operadores privados. Os últimos inquéritos publicados pelo INE mostram uma subida dos indicadores de confiança neste último trimestre para níveis jamais atingidos. O Investimento Directo Estrangeiro conhece uma grande dinâmica, tendo o montante mobilizado atingido os 250 milhões de dólares em 2005. O Governo prosseguirá os esforços no sentido de conseguir um crescimento anual do Investimento Directo Estrangeiro na ordem de 20%, para o período 2005-2007 e de 15% para o período 20082010. Mas há que agilizar ainda mais e suprimir entraves ao IDE por forma a melhorar a taxa de realização dos projectos. A previsão de projectos aprovados entre 2006 e 2010 é de 2 mil e 103 milhões de dólares. Isso representa perto de 20.000 empregos. Se considerarmos que desse montante 45% estarão realizados nessa data, teremos a criação de cerca de 9.200 novos empregos. Quero sublinhar um aspecto importante. Está a haver uma viragem na qualidade do crescimento da economia. De facto, o crescimento está a ser impulsionado pelos sectores modernos da economia e pelo sector exportador que teve um desempenho notável em 2005 com um crescimento de cerca de 23%. A economia está a evidenciar mudanças estruturais para uma economia de serviços internacionais. O sector financeiro está em desenvolvimento. A praça financeira está em construção. Nove Bancos internacionais e duas empresas de Gestão de Fundos de Investimento já se instalaram no país. A Bolsa de Valores ganha nova dinâmica. O turismo está a caminhar a passos largos para ser a locomotiva do crescimento. Vou vos dar duas referências. De 67.000 visitas em 2000, passamos para 230.000 em 2005, que traduz uma taxa de crescimento de 25% ano; a contribuição deste sector para o PIB passou de 7% em 2000, para 10,4% em 2005. Os avanços conseguidos já conferiram ao país o estatuto de destino turístico internacional. Espera-se nos próximos anos um forte crescimento do turismo sustentado pelos grandes investimentos hoteleiros iniciados no ano passado bem como de outros em curso e previstos para breve. Há um novo tipo de turismo a despontar, a imobiliária turística. 5 Se as tendências se confirmarem, estima-se que nos próximos cinco anos poderemos chegar a uma capacidade de 16.000 quartos ou seja 31.000 camas. Isto representa a criação de cerca de 17.000 postos de trabalho directos. Mas o efeito será muito maior tendo em conta a capacidade do turismo na criação de emprego indirecto. Uma economia baseada nos serviços é fortemente exigente em infra-estruturas. E a entrada de Cabo Verde no clube dos países de destino turístico torna ainda mais premente a necessidade de termos infra-estruturas modernas e eficientes. E assim se compreende porque é que prosseguimos com a realização de um ambicioso programa de infra-estruturação do país. O estabelecimento e operacionalização da Sociedade de Desenvolvimento da Boavista e do Maio e a promoção de parcerias público-privado para planeamento e desenvolvimento turístico das ZDTI’s constituirão instrumentos privilegiados para se dotar essas ilhas de grande potencial turístico das infra-estruturas necessárias. A entrada em funcionamento dos aeroportos internacionais da Praia, da Boavista e de S.Vicente vai impulsionar a dinâmica do turismo e da economia em geral. E esta questão dos aeroportos é paradigmática da atitude pró-activa deste governo, antecipando e provocando acontecimentos. Precisamos introduzir maior eficiência e eficácia no sistema de transporte inter-lhas de passageiros. O Governo irá trabalhar para que o país tenha as condições nos seus portos para a generalização do transporte marítimo roll on-roll off e a introdução de barcos de transporte de passageiros de alta velocidade. Temos em curso importantes programas de desenvolvimento dos portos. Com a expansão dos aeroportos vamos poder desenvolver um sistema inter-modal de transportes, fundamental para uma maior eficiência do sector. Estão a ser construídas estradas um pouco por todas as ilhas, para facilitar a circulação de pessoas e bens, desencravar localidades e integrar regiões. Nesta linha, é fundamental desenvolver uma boa infra-estrutura rodoviária na ilha de Santiago. Vejam o que já foi feito. Vejam a circular da Praia em curso, a maior infra-estrutura rodoviária jamais realizada em Cabo Verde; arrancamos há bem poucos dias com um vasto pacote de estradas em todo o interior da ilha. Projectamos construir a via rápida Praia-Tarrafal. Mas é também em Santo Antão com a estrada Porto Novo-Janela; em S.Nicolau com a asfaltagem da estrada Vila Ribeira Brava-Tarrafal, a estrada Tarrafal-Ribeira Prata ou, ainda, no Fogo com o anel rodoviário. Isso só para citar alguns exemplos. Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados da Nação, Considero que a chave para a construção da base competitiva do país e das empresas reside na qualificação dos recursos humanos. De facto, o saber e o conhecimento constituem os principais ingredientes para conseguirmos ganhos de produtividade e para transformarmos as vantagens comparativas em vantagens competitivas. É assim na actual economia mundial movida pela tecnologia moderna, pela inovação e pelo 6 conhecimento. Tanto mais, que é conhecida a correlação positiva entre o saber e baixos níveis de pobreza quer a nível de nações, quer a nível do indivíduo. O Governo tem seguido uma linha de acção que prioriza a qualificação dos recursos humanos. Na Educação temos estado a cumprir o essencial das metas fixadas. Como se diz na gíria popular, “de pequeno é que se torce o pepino”. Já assumimos definitivamente a educação pré-escolar como sub-sistema do sistema educativo. Nesta legislatura pretendemos dar um salto qualitativo com a implementação de uma política abrangente da pequena infância, em áreas como a educação, a saúde, e os direitos das crianças. Com muito esforço eliminámos o perverso regime de tresdobramento no ensino básico, com o alargamento da rede de escolas e com salas de boa qualidade pedagógica. Estamos a criar as condições para o alargamento progressivo da escolaridade básica para oito anos, elevando assim o nível geral de escolaridade da sociedade. Todos os concelhos terão o terceiro ciclo. Seguimos no segundo ano de implementação com sucesso do plano de acção trienal para a formação de professores primários. A meta é reduzir para menos de 15% a proporção dos professores do ensino primário sem formação pedagógica no sistema de ensino em Cabo Verde. Novos liceus entraram em funcionamento no país. Hoje totalizamos 29 liceus públicos com 52.700 alunos no secundário. Dignificamos o Ensino Técnico. Faremos com que todas as Escolas Técnicas e Secundárias gerais lá onde não existem estruturas de ensino técnico possam funcionar como unidades formativas profissionais, em estreita articulação com a Formação Profissional. A criação da Universidade de Cabo Verde deve, pela sua importância, constituir um marco no processo de transformação do país. Temos um modelo de organização para a Universidade adequado à nossa realidade e em sintonia com os objectivos de desenvolvimento. Depois de muito trabalho, estamos em condições de instalar a Reitoria e de dar todos os passos para a instalação da Universidade em todas as suas dimensões. Estamos a construir toda uma estrutura de formação profissional. O nosso objectivo é claro. Levar a Formação Profissional a todo o país até 2008. Fá-lo-emos em estreita parceria entre o Estado, as autarquias locais e o sector privado. E já trilhamos um bom bocado do caminho. Vejam o Centro de Formação Profissional de Pedra Badejo, recentemente alargado; o Centro de Emprego e de Formação Profissional da Assomada; o Centro de Emprego Fogo e Brava, o Centro de Formação Profissional dos Mosteiros. Devolvemos ao Centro de Formação da Variante a sua missão de formar jovens profissionais. O Centro de Formação Profissional de São Jorginho está em plena restauração para a sua transformação num Centro de Formação Profissional avançada, 7 em parceria com o sector privado. Dentro de pouco tempo estaremos a construir o Centro de Formação Profissional da região Fogo e Brava, os Centros de Emprego do Sal e da Praia e a Escola de Hotelaria e Turismo. Para este Governo, a Formação Profissional é uma aposta determinante, a um tempo para o crescimento e a competitividade da economia e para a geração de emprego. E estamos a pensar na juventude. Hoje temos uma juventude mais instruída e a questão do desemprego que atinge esta faixa será, cada vez mais, uma questão de qualidade de emprego. Estamos pois a criar condições de empregabilidade para garantir ao jovem cabo-verdiano um emprego qualificado em consonância com as suas aspirações actuais e futuras. Senhoras e Senhores Deputados, Transformar Cabo Verde não diz respeito apenas à economia. Transformação tem a ver também com boa governação e com valores. Nesse sentido, temos vindo a implementar um vasto programa de Reforma do Estado. Os resultados conseguidos já nos permitem passar para uma nova agenda da Reforma com ênfase na qualidade da prestação de serviços. Queremos melhorar a gestão dessa nova geração de reformas do sector público para que ela se faça de forma integrada e articulada. Razão porque criamos a UCRE (Unidade de Coordenação da Reforma do Estado), que tem pontos focais para a reforma do Estado nos diferentes sectores envolvidos. Na Administração Pública, prosseguimos com afinco o enorme desafio de construir uma administração capaz de fornecer serviços de qualidade para facilitar a vida dos cidadãos e apoiar os agentes económicos. As palavras chaves que nortearão esse novo impulso de reforma são: racionalizar, reorganizar, capacitar. Racionalizar as estruturas administrativas, os recursos organizacionais, os recursos financeiros e os recursos humanos para uma maior adequação entre os objectivos, as missões e os recursos. Reorganizar, porque é preciso rever a forma como funciona a administração, reanalisar as engenharias de processos, para um funcionamento mais ágil. E aqui estamos a querer tirar o máximo proveito das tecnologias modernas. O “e-governance”, a governação electrónica, está em marcha em todas as áreas. Estamos na fase final de instalação da Casa do Cidadão, onde o cidadão poderá ter num único lugar os serviços que deseja do Estado sem estar a correr de um lado para outro. Estamos a desenvolver um Portal do Governo para aproximar a governação dos cidadãos, para trazer os serviços à casa de cada um. Em breve, lançaremos novos produtos. Os cidadãos residentes bem como os cabo-verdianos emigrados vão poder ter acesso por via electrónica a serviços tais como a aquisição de certidões diversas, a criação de empresa no dia e os pagamentos electrónicos. Será ainda disponibilizado o documento único automóvel Enfim, capacitar, para qualificar e motivar os recursos humanos da administração pública já que, em última instância, o sucesso da reforma disso dependerá. Investiremos na formação dos agentes a todos os níveis. Trata-se de adequar os instrumentos de gestão de pessoal para promover o mérito, incentivar a motivação e capacitar os 8 funcionários na realização de serviço público competente e renovar as noções de disciplina e responsabilização na vida pública. O PCCS vai ser revisto e nele se procurará estabelecer um vínculo mais forte entre progressão na carreira e formação. Procederemos à elaboração da Lei de Bases do Regime da Função Pública e implementaremos a carreira do Administrador Público. As reformas no domínio da Justiça põem igualmente acento numa melhor prestação dos serviços de justiça, por uma justiça mais célere e acessível a todos. Continuamos com a modernização e informatização dos Registos, Notariado e Identificação. Avançámos com a reforma das Secretarias Judiciais e do Ministério Público. Essa reforma inclui o desenvolvimento e a ultimação da informatização dos tribunais e a sua ligação em rede, entre si e aos restantes sistemas do sector da Justiça, bem como a reforma do sistema de gestão desses serviços. Ainda no quadro da Reforma do sistema judicial, pretendemos introduzir um novo modelo de gestão das magistraturas, entendido de forma abrangente como novo estatuto das magistraturas, novo sistema de carreiras, novo sistema de avaliação de desempenho, de inspecção e de prestação de contas, para que possam ser alcançados os objectivos de qualidade e celeridade da Justiça; A implementação dos tribunais de pequenas causas no âmbito da nova organização judiciária será uma realidade que trará reflexos positivos nas pendências na Praia, sem dúvida a comarca mais problemática pela expansão demográfica e consequente complexidade processual. Prossegue a implementação institucional dos mecanismos não jurisdicionais de resolução de conflitos. Ainda este ano, o Governo apresentará importantes medidas legislativas que têm a ver com a Lei de enquadramento processual para internamento de menores em conflito com a lei; a Lei de investigação criminal; a Lei Orgânica e Estatuto da Polícia Judiciária. Em 2007 serão apresentados os projectos relacionados com a Reforma do Código de Processo Civil; a Lei do Contencioso Administrativo; a Lei de Execução das medidas Privativas de Liberdade; e ainda Diplomas legislativos referentes às crianças e adolescentes que incluem o regime especial para os jovens até aos 21 anos. Prosseguimos com a requalificação do parque judicial: o novo Palácio de Justiça de S.Vicente estará pronto na primeira metade do próximo ano; iniciaremos em Setembro a construção do Palácio da Justiça de Santa Cruz. Enfim, as Casas do Direito estão em fase de instalação por todos os concelhos do país. São estruturas vocacionadas para a promoção dos direitos humanos e da cidadania, do acesso à justiça e ao direito, da informação e consultoria jurídica. O processo de descentralização faz parte da dinâmica da Reforma do Estado. Aqui também trata-se de um processo complexo e dinâmico. Nesta perspectiva, importantes esforços vêm sendo levados a cabo. A Lei-quadro de Descentralização está em processo de debate e contamos submetê-la à apreciação do Parlamento no último trimestre deste ano. Com esta lei, pretende-se definir os níveis de autarquias locais e consequentemente os níveis de descentralização administrativa 9 autárquica, orientar, disciplinar e harmonizar o processo de descentralização e institucionalizar as condições segundo as quais as competências do Estado deverão ser transferidas para a esfera da Administração Local. A Proposta do Estatuto Administrativo Especial da Cidade da Praia e a do Regime Jurídico sobre a Cooperação Descentralizada serão brevemente apresentados ao Parlamento. O regime das Finanças Locais recentemente aprovado pela Lei nº Lei79/VI/2005, de 5 de Setembro tem proporcionado aos municípios maiores oportunidades de mobilização de recursos financeiros. Na sequência, as transferências directas do Estado para os municípios mais do que duplicaram. Fundos suplementares têm sido canalizados através de mecanismos de contratos programas, a exemplo dos fundos do PANA distribuídos em função das prioridades de cada plano ambiental municipal. A par dessas iniciativas, deverá entrar brevemente em pleno funcionamento uma linha de crédito instituída pelo Governo para apoiar o financiamento de projectos de desenvolvimento local. Vimos desenvolvendo um processo de reformas para adequar o sistema de saúde às novas realidades do país, por forma a garantir a sua sustentabilidade e a prestação de serviços de saúde cada vez melhores aos cabo-verdianos. A sustentabilidade do sistema de saúde é um aspecto crucial e que deverá merecer consenso porque se o sistema não tiver uma base mínima de auto-sustentação tornar-seá difícil continuar a progredir como temos feito. Aqui, a necessidade de assegurar o financiamento do sistema introduz, de forma inadiável, a questão da comparticipação dos utentes nos custos de saúde. Comparticipação de forma equitativa, conforme as possibilidades de cada um, porque mantemo-nos firmes no nosso propósito de equidade e de saúde para todos. Outra preocupação prioritária incluída na Política Nacional de Saúde, já em debate, tem a ver com a modernização e adequação do Serviço Nacional de Saúde às perspectivas de desenvolvimento. Medidas de reforma de cariz institucional vêm sendo adoptadas como, por exemplo, a nova Lei de Bases do Serviço Nacional de Saúde; a adequação dos Estatuto dos Hospitais Centrais e das Delegacias de Saúde; a adopção da Política Farmacêutica Nacional; as reformas na área dos medicamentos. Esse esforço será prosseguido com a aprovação para breve da nova Tabela dos Cuidados de Saúde, do Regulamento das Juntas de Saúde, do Licenciamento das Farmácias, da Lei do Medicamento e do Estatuto da Região Sanitária de Santiago Norte enquanto instrumento de descentralização da gestão e do funcionamento dos serviços de saúde. Outra direcção de trabalho no sector da saúde tem a ver com o prosseguimento do desenvolvimento e modernização das estruturas de saúde numa perspectiva de levar a saúde a todos os cabo-verdianos. Cito a operacionalização do Centro da Trindade para assistência aos doentes mentais; a construção da Enfermaria de Cirurgia no Hospital Agostinho Neto; ou então a renovação e equipamento dos Bancos de Sangue no Hospital Agostinho Neto, e nos hospitais regionais de Santa Catarina e Ribeira Grande. 10 Vejam ainda a abertura de novos postos sanitários em zonas rurais da Ribeira Grande, Santa Catarina, Santa Cruz e São Nicolau, bem como o funcionamento de Serviços de Urgência, com assistência médica durante 24 horas, nos Centros de Saúde de Porto Novo, Sal, Santa Cruz e São Filipe. Novas conquistas estão para vir. O novo Hospital Regional de Santa Catarina vai contribuir para transformação radical das condições de prestação de saúde na zona centro-norte de Santiago. A Policlínica do Sal terá um impacto grande na ilha melhorando inclusivamente o seu potencial turístico. A conclusão dos novos Centros de Saúde de Boa Vista, Maio, Mosteiros e Tarrafal de Santiago. A conclusão dos novos Centros de Saúde da Praia. A instalação de Serviços de cirurgia em Santo Antão e no Sal. O desenvolvimento do sistema de saúde deve ser acompanhada do correspondente reforço e capacitação do pessoal de saúde. Foram introduzidos no sistema cerca de 200 enfermeiros e mais de 100 médicos e técnicos superiores; todas as Delegacias de saúde passaram a ter pelo menos dois médicos cada. Mas mais, estamos a reduzir o défice de especialistas médicos, enfermeiros e técnicos de saúde. Mais de trinta médicos partiram para especialização no exterior e o esforço irá continuar. Cuidar do ambiente é garantir que os recursos naturais de que dispomos não sejam delapidados para que o desenvolvimento que pretendemos seja durável. Depois de um intenso trabalho de preparação, a questão ambiental vai entrar numa nova dinâmica. Com a implementação dos dezassete Planos Municipais e dos Planos Sectoriais, introduzimos definitivamente a dimensão ambiental nas políticas de desenvolvimento quer nacionais, quer regionais ou locais. Nesse quadro, realizaremos projectos importantes para o ambiente, por exemplo no domínio do saneamento ou ainda da mobilização e gestão da água, que absorverão cerca de 550 mil contos por ano. Passámos à implementação física dos 8 parques naturais e de zonas de conservação marinha e costeira. Numa primeira fase construiremos os parques de Serra Malagueta, Chã das Caldeiras, Monte Velha e Monte Gordo e, numa segunda fase, Monte Verde, Moroços, Cova Ribeira de Paúl e Ribeira da Torre. A nossa filosofia é que os parques devem contribuir para a dinamização da vida económica da região na qual se inserem, ao criarem novas actividades produtivas e novas ofertas, em particular para o turismo de montanha e abrirem oportunidades ao investimento privado, em áreas como a restauração, o artesanato e as actividades de animação cultural. Interessante será registar que, também na área ambiental, Cabo Verde está a inserir-se nas correntes mundiais. É o caso do Centro Nacional Especializado de Previsão de tempo e do Centro de Investigação Oceanográfica que se têm integrado em redes e parcerias regionais e internacionais de pesquisa - desenvolvimento. Já no próximo mês, Cabo Verde irá receber, para uma estadia de um mês, uma missão da NASA, composta por mais de 60 especialistas, para trabalhos científicos de acompanhamento da monção africana. É mais uma aplicação do conceito de país útil. Quando falamos em transformação de Cabo Verde pretendemos dizer todo o país, todos os cantos de Cabo Verde. E, em especial, o mundo rural. Vejam os esforços desenvolvidos nos mais diversos domínios, na educação e formação, na saúde, na 11 construção de estradas, nas comunicações, na electrificação, entre outros. Temos em curso a elaboração de Esquemas regionais de Ordenamento do Território para Santiago, Fogo, Santo Antão e São Nicolau, quer dizer nas ilhas com mais de um município. Na Agricultura, os resultados da modernização em curso estão bem patentes. A adopção de sistemas modernos de micro – irrigação conheceu um grande incremento nos últimos anos, tendo a área irrigada com sistemas gota a gota mais que duplicado, passando de cerca de 200 hectares em 2001 para mais de 400 hectares actualmente. Conjugada com a introdução de variedades mais produtivas e resistentes às pragas e com o aumento do número de ciclos de produção, resulta um aumento considerável da produtividade e da produção agrícola. Como é facilmente constatável, esta política tem contribuído para o aumento do rendimento dos produtores, para melhores empregos e novas oportunidades de negócios no mundo rural. A modernização do sector agrário é potenciada com as estratégias de desenvolvimento de bacias hidrográficas e de mobilização da água. De um único projecto em 2001, temos actualmente em execução 12 projectos de ordenamento e valorização de bacias hidrográficas. Em Santiago temos Picos, Engenhos, Rª Grande de Cidade Velha, Saltos, São Miguel e Rª Grande de Tarrafal. Em Santo Antão Paul, Rª da Torre e Alto Mira. Temos Fajã e Rª Prata em S.Nicolau e Mosteiros no Fogo. O investimento nesses projectos está estimado em cerca de 3 milhões e 200 mil contos. Os projectos de Flamengos e Principal estão em preparação. A nossa meta é chegar a todas as bacias hidrográficas do país. O importante nesses projectos, e eu queria realçar isso, é a sua filosofia inovadora. Mais do que um simples projecto de desenvolvimento agrícola, o conceito abarca uma visão de desenvolvimento integrado das comunidades, incluindo a reorganização do espaço rural, a potencialização dos recursos existentes, o desenvolvimento da produção, as infra-estruturas básicas, os serviços essenciais, entre outros. Mais importante ainda, é a dimensão de empoderamento da sociedade rural para que as populações possam estar preparadas para assumir o seu destino de forma autónoma. Reparem que só com os projectos em curso pensamos cobrir 22.000 famílias. Então é fácil imaginar o impacto dessa estratégia na diminuição da pobreza. A água é o grande problema nacional. As secas, por tão regulares e persistentes, já fazem parte do imaginário do cabo-verdiano. Estamos neste momento em plena estação das chuvas, chuvas que vêm, chuvas que não vêm, e a ansiedade vai crescendo. Dominar a água é o sonho do cabo-verdiano. O Governo propõe-se aumentar a quantidade de água disponível lançando mãos de todas as fontes de água possíveis. A barragem de Poilão pode armazenar cerca de 1 milhão e 700 mil metros cúbicos de água. Com tristeza vemos todos os anos correr para o mar enormes quantidades de água. Nisto é que a barragem de Poilão é paradigmática. Ela simboliza o início de uma nova era na mobilização de águas de escorrimento superficial, que constituí um enorme potencial para a modernização da agricultura e da pecuária. Mais uma vez, é preciso ter ousadia para vencer desafios e confiança no futuro. 12 O Governo vai prosseguir nessa direcção. Estão já identificadas cerca de 20 localidades para a construção de novas barragens o que, associado a um programa de construção de grandes reservatórios de stockagem em curso, abre a possibilidade para a irrigação de mais de 400 hectares de terreno. O tratamento e a reutilização das águas usadas já é uma realidade em São Vicente em 70 hectares do perímetro irrigado de Ribeira de Vinha. Com a realização dos planos sanitários, teremos condições para o alargamento progressivo desse programa às outras ilhas. Encorajamos as estruturas hoteleiras a incorporar instalações de reutilização da água. Com o crescimento da população e o desenvolvimento do turismo, uma actividade exigente em água, a dessalinização de água será uma saída necessária. Neste momento, estamos a analisar a associação da dessalinização com as energias renováveis com vista a embaratecer o custo de produção da água. Na pecuária, ficam abertos novos horizontes com a recuperação e modernização dos centros de Lagedos, Caleijão, São Jorge e Tarrafal. O mundo rural está a registar transformações. Nesse movimento, há uma coisa que eu considero de grande alcance. É primordial levar para o campo formas modernas de organização empresarial, para maior produtividade e uma gestão pensada em função do mercado que se estende à medida que o turismo cresce. O Governo encorajará iniciativas nessa direcção. Vários sistemas de micro-crédito foram desenvolvidos. Perspectiva-se uma nova dinâmica com a implementação de várias linhas de crédito no quadro do programa de ordenamento e valorização das bacias hidrográficas. Encontramse em preparação parcerias especiais, visando a estruturação do crédito agro–pecuário. Estamos também a trabalhar para o desenvolvimento do mercado agrícola, o que exige melhorias na qualidade, conservação e embalagem dos produtos agro-pecuários. As iniciativas em curso, incluem a construção de 3 centros de controle de qualidade e certificação de produtos, 5 entrepostos de embalagem e conservação com instalações de frio, um centro de tratamento e expurgo para abrir o mercado aos produtos de Santo Antão, bem como o equipamento de 12 centros de extensão rural. O Governo, quer primar por um desenvolvimento que promova a coesão e a equidade sociais e conduza à redução da pobreza e das desigualdades. É com o intuito de estender a protecção social a todos os cabo-verdianos nos próximos anos que o Governo deu início a um amplo processo de reforma da Segurança Social. Esta reforma tem como uma das principais preocupações melhorar e aumentar as prestações sociais aos beneficiários, mas não deve perder de vista a sustentabilidade e a consolidação do próprio sistema, a médio e longo prazos. A integração faseada do sistema de protecção social dos funcionários públicos no INPS é outro dos grandes desafios, tendo-se já dados passos importantes neste sentido com a aprovação e implementação a partir de Agosto do corrente ano da importante medida de integração do ramo doença e maternidade. 13 Por outro lado, procedeu-se ao alargamento da base da segurança social a outros sectores de actividade, designadamente aos profissionais liberais, aos empresários em nome individual e aos membros dos órgãos estatutários de pessoas colectivas. A protecção social deve também desempenhar um papel essencial na prevenção e na luta contra a pobreza. Não devemos nos centrar unicamente no regime contributivo. O dever de solidariedade nos convoca a todos para enfrentar o grande problema daqueles que não dispõem de nenhuma protecção social. Refiro-me aos idosos e vulneráveis. Neste sentido, o Governo iniciou já uma ampla reforma do regime não contributivo. Com a criação da Pensão Social, em substituição da PSM e da PSS, a protecção será estendida a todos os idosos maiores de 60 anos e deficientes que estejam no limar da pobreza. Adicionalmente, a criação do fundo mutualista que permitirá a resolução de dois dos mais importantes e prementes problemas que se colocam aos idosos e vulneráveis: o acesso a medicamentos e a evacuação inter estruturas sanitárias. Senhor Presidente da Assembleia Nacional, Senhoras e Senhores Deputados da Nação, Cabo Verde está engajado num processo de transformação e de modernização socioeconómica que exige mudanças profundas e continuadas. O Governo está comprometido na sua realização. Os avanços conseguidos são grandes mesmo se ainda temos muito caminho a percorrer, mesmo se temos ainda grandes problemas por resolver. Convidamos todos as mulheres e os homens deste país, todos os caboverdianos espalhados pelo mundo, a juntarem-se a esse esforço. Para que juntos possamos com confiança, com trabalho, com perseverança mas também com fé construir um amanhã melhor para Cabo Verde. Muito Obrigado. 14