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ANÁLISE DO VOLUME DE VENDAS DO COMÉRCIO VAREJISTA – MAR/2015
O COMÉRCIO VAREJISTA NO BRASIL
A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) tem como objetivo produzir indicadores que permitam acompanhar a evolução
conjuntural do comércio varejista e de seus principais segmentos.
De acordo com a PMC, o comércio varejista do país registrou em março uma variação negativa
de -0,9% para o volume de vendas e de -0,4% para a receita nominal, ambas com relação ao
mês anterior (ajustadas sazonalmente). No caso do volume de vendas, o resultado é o segundo
consecutivo com taxa negativa, já o da receita nominal volta a ser negativo depois de dois meses
positivo. Ou seja, as vendas no varejo brasileiro recuaram 0,9%. Este é o menor resultado dos
meses de março desde o ano de 2003. No acumulado do ano, o comércio varejista no Brasil
obteve um saldo acumulado de -0,8%, o pior trimestre em doze anos.
Para o Comércio Varejista Ampliado, que inclui o varejo e as atividades de veículos, motos,
partes e peças e de material de construção, a variação do volume de vendas sobre o mês
anterior, com ajuste sazonal, foi de -1,6%, e de -1,5% para a receita nominal de vendas. A tabela
1 mostra os resultados para o Brasil.
Tab.1 Brasil: Volume de Vendas e Receita Nominal do Comércio Varejista em (%)
Período
Março 2015/Fevereiro 2015
Março 2015/Março 2014
Acumulado 2015
Acumulado em 12 meses
Varejo
Volume de
Receita
vendas
nominal
-0,9
0,4
-0,8
1,0
-0,4
6,5
5,5
7,3
Varejo Ampliado
Volume
Receita
de vendas
nominal
-1,6
-0,7
-5,3
-3,4
-1,5
5,1
0,5
2,3
Fonte: IBGE-PMC/Março, 2015
A PMC mostrou que cinco das oito atividades pesquisadas no varejo restrito registraram queda
mensal no volume de vendas em março, com destaque para móveis e eletrodomésticos (-3%),
livros, jornais, revistas e papelaria (-2,3%) e hipermercados, supermercados, produtos
alimentícios, bebidas e fumo (-2,2%).
No varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, o volume de vendas caiu 1,6%
em março sobre fevereiro, pressionado principalmente pelo recuo de 4,6% em veículos e motos,
partes e peças. Ver tabela 2 logo abaixo.
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Tab.2 Brasil: Volume de Vendas do Comércio Varejista e Comércio Varejista Ampliado
Segundo Grupos de Atividade – Março de 2015
ATIVIDADES
COMÉRCIO VAREJISTA (**)
1 - Combustíveis e lubrificantes
2 - Hiper, supermercados, prods.
alimentícios, bebidas e fumo
2.1 - Super e hipermercados
3 - Tecidos, vest. e calçados
4 - Móveis e eletrodomésticos
4.1 - Móveis
4.2 - Eletrodomésticos
5 - Artigos farmaceuticos, med.,
ortop. e de perfumaria
6 - Equip. e mat. para escritório
informatica e comunicação
7 - Livros, jornais, rev. e papelaria
8 - Outros arts. de uso pessoal e
doméstico
COMÉRCIO VAREJISTA
AMPLIADO (***)
9 - Veículos e motos, partes e
peças
10- Material de Construção
MÊS/MÊS
ANTERIOR (*)
Taxa de Variação
MÊS/IGUAL MÊS
DO ANO ANTERIOR
Taxa de Variação
ACUMULADO
JAN
FEV
MAR
JAN
FEV
MAR
0,3
-0,9
-0,4
-4,9
-0,9
2,8
0,5
-0,2
-3,3
-10,0
0,4
-2,1
-0,8
-4,0
1,0
-0,3
0,3
-0,3
-2,2
0,2
-1,8
-2,4
-1,3
0,4
0,0
1,3
1,0
-
0,1
-0,9
-2,0
-
-2,0
-1,4
-3,0
-
0,3
-0,7
-3,4
-11,5
0,3
-1,4
-7,5
-10,7
-11,4
-10,3
-2,4
-1,2
-6,8
-7,9
-6,2
-1,3
-3,0
-6,7
-10,3
-5,0
0,4
-1,7
-2,5
-3,8
-1,8
1,0
0,1
1,2
5,0
1,8
10,2
5,7
7,4
14,4
-1,2
-0,2
21,0
8,2
21,8
16,9
2,3
-0,5
0,2
-2,3
-9,9
-6,3
-5,9
-7,8
-9,0
0,0
1,9
1,2
4,5
3,1
17,4
8,3
8,1
-0,4
-1,3
-1,6
-4,9
-10,4
-0,7
-5,3
-3,4
-1,4
-3,8
-4,6
-16,3
-23,8
-3,7
-14,8
-11,9
-1,8
-0,7
-0,3
-2,8
-12,9
2,8
-4,4
-2,7
Taxa de
Variação
NO
12
ANO MESES
Fonte: IBGE-PMC/Fevereiro\2015
(*) Séries com ajuste sazonal
(**) O indicador do comércio varejista restrito é composto pelos resultados das atividades numeradas de 1 a 8.
(***) O indicador do comércio varejista ampliado é composto pelos resultados das atividades numeradas de 1 a 10
Segundo o próprio IBGE, o comportamento do início do ano de 2015 é parecido com o fim de
2014. Há diminuição no consumo, dado que a conjuntura econômica não é favorável, com menor
crescimento da massa de renda dos trabalhadores, oferta de crédito menor, com restrição
orçamentária e poder de compra menor. Tudo isso contribuiu com a retração das vendas no
trimestre.
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Brasil: Comércio Varejista - Resultados Regionais
A PMC mostrou que para o volume de vendas, na comparação março de 2015 sobre o mês
anterior (com ajuste sazonal), os resultados do varejo foram negativos para 16 estados,
ressaltando-se Amazonas (-3,3%); Rio de Janeiro (-3,1%); Pernambuco (-2,9%); e Paraíba (2,5%). As maiores taxas positivas ocorreram no Pará (2,2%); Roraima (1,4%); Acre (1,2%) e
Santa Catarina (1,2%).
Em relação ao comércio varejista ampliado, 16 estados registraram resultados positivos em
termos de volume de vendas, na comparação com o mesmo período do ano anterior,
destacando-se Roraima (12,4%); Acre (10,1%); Sergipe (7,6%); e Rio Grande do Norte (7,1%).
Os estados com maiores impactos positivos foram Rio de Janeiro (2,9%); Minas Gerais (3,3%);
e Ceará (2,9%). Entretanto, as participações negativas de três estados na composição da taxa
do varejo influenciaram o resultado negativo global (-0,7). São eles: São Paulo (-3,1%); Santa
Catarina (-3,2%) e Rio Grande do Sul (-2,1%).
Gráfico 1. Brasil: Variação do Volume de Vendas do Varejo por UF
(Mar-2015/Fev-2015)
Brasil: Variação do Volume de Vendas do Comércio
Varejista com ajuste sazonal, por Unidade da Federação
(Mar/2015)
2,2
PA
1,4
1,2
1,2
1,0
0,9
RR
AC
SC
MS
MA
0,6
BA
0,2
0,0
RS
CE
-0,1 DF
-0,1 MG
-0,4 Sergipe
-0,5 AP
-0,5 RN
Brasil
-0,9
ES
-1,1
GO
-1,1
PI
-1,2
PR
-1,4
AL
-1,6
MT
-1,6
RO
-1,6
-2,0
SP
-2,4
-2,5
TO
PB
-2,9
-3,1
-3,3
-4
-3
PE
RJ
AM
-2
-1
0
Variação Percentual
Fonte: IBGE-PMC/Março, 2015
1
2
3
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SERGIPE: COMÉRCIO VAREJISTA APRESENTA RETRAÇÃO NO VOLUME DE VENDAS EM
MARÇO PARA O COMÉRCIO RESTRITO E ELEVAÇÃO DE VENDAS PARA O COMÉRCIO
AMPLIADO
O comércio varejista de Sergipe apresentou retração nas vendas no mês de março deste ano,
na ordem de -0,4% (ajustado sazonalmente), em relação ao mês anterior. Comparando a
evolução das vendas do comércio varejista de março deste ano com o mesmo mês do ano
anterior, o comércio apresentou uma variação de 7,4%, o melhor resultado do nordeste. No ano,
o comércio varejista acumula um saldo positivo de 5,0%. Em doze meses o comércio acumula
um saldo positivo nas vendas de 2,0%. Para o comércio varejista ampliado, o saldo é
extremamente positivo quando se compara o mês de março deste ano com o mesmo mês do
ano anterior, o resultado foi de 7,6%. No ano, o comércio varejista ampliado acumula um saldo
de 2,1%.
Em se tratando da receita de vendas, o comércio varejista apresentou uma queda nas receitas
de -1,8% no mês de março/2015 em relação ao mês anterior. Em relação ao mesmo mês do ano
aterior, a receita de vendas apresenta um crescimento de 13,5%, no ano acumula um sado
positivo de 10,4%. A tabela abaixo mostra os resultados de forma resumida.
Tab.3. Sergipe: Volume de Vendas e Receita Nominal do Comércio Varejista em (%)
Período
Varejo
Volume de
Receita
vendas
nominal
-0,4
7,4
5,0
2,0
Março 2015/ Fevereiro 2015
Março 2015/ Março 2014
Acumulado 2015
Acumulado em 12 meses
Varejo Ampliado
Volume de
Receita
vendas
nominal
-1,8
13,5
10,4
7,5
7,6
2,1
1,4
13,5
7,4
6,5
Fonte: IBGE-PMC/Março, 2015. Obs.: O comércio varejista ampliado inclui as atividades de veículos e de material
de construção, além daquelas que compõem o varejo.
Analisando o comportamento de vendas do comércio varejista no primeiro trimestre deste ano,
em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, verificamos que o ano de 2015 está
apresentando uma trajetória melhor que o ano de 2014, apesar da retração das vendas no mês
de março deste ano. O gráfico dois ilustra o comportamento do primeiro trimestre de 2015 em
relação ao trimestre do ano anterior.
Gráfico 2. Sergipe: Variação do Volume de Vendas do Comércio Varejista - Comparativo
1º Trimestre de 2015/2014
Sergipe: Variação do Volume de Vendas do Comércio
Varejista - Comparativo 1º Trimestre de 2015/2014
6
Variação (%)
4
5,3
3,7
2,6
2
2,0
0
Janeiro
-2
Fevereiro
Março
-0,4
-2,8
-4
Volume de Vendas (2015)
Fonte: IBGE-PMC/Março, 2015
Volume de Vendas (2014)
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Considerando os resultados do volume de vendas e da receita, observa-se que os resultados
das vendas do comércio varejista em Sergipe, no primeiro trimestre deste ano, vêm
apresentando um resultado positivo, apesar da queda da receita em março. No entanto, o
resultado de março deste ano está na média dos resultados apresentados pelos estados do
Nordeste. Ver gráfico 3.
Gráfico 3. Sergipe: Variação do Volume de Vendas e da Receita do Comércio Varejista no
1º Trimestre de 2015
Sergipe: Variação do Volume de Vendas e da Receita do
Comércio Varejista no 1º Trimestre de 2015
7
5,3
Variação (%)
6
5
5,7
4,9
4
2,6
3
2
1
0
-1
Janeiro
Fevereiro
Março
-0,4
-2
-1,8
-3
Volume de Vendas
Receita Nominal de Vendas
Fonte: IBGE-PMC/Março, 2015
NORDESTE: COMÉRCIO VAREJISTA APRESENTA QUEDA NAS VENDAS EM SETE
ESTADOS
O comportamento do comércio varejista no Nordeste, no mês de março deste ano apresentou
resultados negativos em sete dos nove estados. Os resultados positivos no volume de vendas
ficaram com os estados do Maranhão 0,9% e Bahia, 0,6%. O gráfico 4 mostra o comportamento
do volume de vendas do Nordeste, em março de 2015, com ajuste sazonal.
Gráfico 4. Nordeste: Variação do Volume de Vendas do Comércio Varejista - Março/2015
Variação (%)
Nordeste: Variação do Volume de Vendas do Comércio
Varejista - Março de 2015
1,5
1
0,5
0
-0,5
-1
-1,5
-2
-2,5
-3
-3,5
0,9
0,6
0,0
-0,4
-0,5
-1,2
Fonte: IBGE-PMC/Março, 2015.
-1,6
-2,5
-2,9
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ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
A economia sergipana apresenta um comportamento descolado da economia nacional, apesar
dos vários indicadores negativos que o país vem apresentando ao longo dos últimos meses.
Sergipe enfrenta a crise. O indicador de emprego no Estado, que é um dos mais importantes da
economia, apresentou resultados positivos no primeiro trimestre deste ano: o comércio gerou no
primeiro trimestre 1.903 novos postos de trabalho, o setor de serviços puxa o resultado global
dos empregos em Sergipe, com um saldo positivo de geração de empregos no ano de 3.743, já
a indústria da transformação, pilar da estrutura industrial do Estado, fechou o trimestre com
desligamento de 243 postos de trabalho.
O Estado apresenta um saldo de cerca de R$ 714 milhões com a arrecadação do ICMS no
primeiro trimestre de 2015, um saldo superior ao mesmo período do ano passado, que arrecadou
cerca de R$ 692 milhões.
O mês de março foi o segundo melhor mês de venda de veículos em nosso estado, apesar das
restrições financeiras, da inflação, que reduz o poder de compra dos consumidores, e da
inadimplência da população. O fato é que o sergipano é um consumidor que está se adequando
à realidade econômica que o país está passando, e fazendo uma adequação na sua renda, ou
seja, ele está se educando financeiramente.
A conjuntura apresentada é a de um mercado que está se adequando às dificuldades do
momento. Alguns dos segmentos do comércio varejista apresentaram queda nas vendas em
todo nordeste, a exemplo de eletrodomésticos (em especial os de linha branca), móveis,
equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, além de livros, jornais e
revistas.
De fato, o comércio varejista em Sergipe, apesar do resultado negativo no mês de março,
apresenta uma trajetória singular e descolada dos outros mercados, com o saldo no ano positivo,
um crescimento de 5,0% no volume de vendas. Ou seja, é um segmento que, no âmbito geral,
está superando as adversidades da economia.
Espera-se que com a ajuste fiscal que o governo federal está disposto a fazer, e, se de fato
realizá-lo, o gesto pode sinalizar para os empresários, uma posição concreta de mudança na
condução da economia brasileira, não obstante as projeções negativas que o mercado tem
apontado para uma retração do PIB do país.
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comercio varejista em sergipe marco -2015