MARcIA
APARECIDA CABRAL CORREA DA COSTA
CONSULTA
INTERNA
MARCIA APARECLDA
CABRAL CORREA
DA COSTA
ARTE NA ESCOLA
E 0 ENSINO POR PROJETOS
Monografia
apresentada
ao Curso
de P6sGradual'ao
Lala Sensu - Especializal'ao
em
Metodologia do Ensino da Arte da Ulliversidade
Tuiuti do Parana.
Orientadora:
Prof." Ms. Consuelo A B. D. Schlichta
Curitiba
Outubro/2000
AGRADECIMENTOS
Agrade90
aos meus pais e a meu marida,
que sempre
acredi!ar
me incentivaram
naquilo
que la90.
a estudar
e
SUMARIO
LISTA
DE FIGURAS
RESUI\10
....•.•......•.•.•.•......•....................................•...................•.•.•....•.•..•..•.••••.•............•.••.•.................
h,
.....•.•.•.•.•.•.....•.•.••................•..............•••.•.•........•.•.••••.•.•.•..•.•.•.••.•.••••.•.•....••.•.••••.•.•..•.......•..•.•.••.•............•..
v
1.
INTRODUC;;Ao ......•.•...............................••.•.•.•.•........•.••••.•.•.•..•.•.•.••.•.•.••.•.•.••.•.••.••••.••••.•.......•.••.•.••.••..
1
2.
ARTE·EDUCACAO
3
2.1.
HISTORICO DAAR'ffi-EDUCAGAONO BRASIL ..
2.1.1.
A "Pedngogia Tradiciolln/"
110£lIsino dnArte ...
2.1.2.
A "Pedngogia dn Escoln Novn" 110£11.<;/'110
da Arle ...
2.1.3.
A "Pedagogia TeclliciSln" I/O ElISillo da Arle ...
2.1.4.
COIISidero90es Finois ...
2.2.
0 ENSIN"ODA ARTE E SUAS MUDAN<;AS ..
2.3.
A 1l'-.·IPORT..\NCiA
DA ARTE NA EDUCAC;1I0 ..
2.4.
A ARTEcmloCoNHECIMENTO
..
J.
A ARTE
3.1.
3.2.
3.3
J.
E A fNTERDISCrPLiNARlDADE
......•.•..•...•.•.
.
INTERDISCfPLlNAR
5
.
............
.
.
.
....•.....•••...•.••.•............•................•..... 22
..
.
22
24
26
.
.
..•.•.•.•..•........•••.•.•.•..•.•.•....•.•.••.•.•.•..•....•.•.•..••...•.................•............... 28
.
4.1.
PROJETO "MEU BRASIL BRASILEIRO"
.
.
4.1.1.
0 Fo/c1ore Brasi/efro e n Inlerdisciplinoridnde
..
4.2.
4.2.1.
4.3.
Co"ro~;ON<>RO
,
:.:
4.3.1.
ContoSolloroCoIIINnrrnfiio...
.
4.3.2.
Conto Sonoro &111Narrar;cl0... .
.
4.4.
INSTRUlI.!ENTOSMUSICAlS: CONFECCAOE EXI'LORACAo...
..
.
~.5.
EXPLORANDO A Voz ..
4.5.1.
Call/fgas de Roda ...
.......................................................................................
4.6.
BRI1\CADEIRAS DE RODA ...
.
~. 7.
CONSIDERAC6ES FINAlS ..
~~.~.~.~~~~.~~.~~~~~~~~~
5.
CONCLUSOES
REFER.E:NCIAS
ANEXO:
A. I.
A.2.
A.3.
AA.
7
9
/0
11
16
IS
.
TRAllALIiANOO A Li\rrERDlSCIPUNARIDADE...
.
A 1i\"j'ERDlSCIl'L1NARIDADEl"A ESCOLA...
A INTERDISClI'LiNARlDADE NA ARTE E A QUESTAO DA POLIVAIJ~NCIA..
EXPERfENCIA
3
.
28
29
.
33
34
35
36
..
37
38
........•.••••.•.•.•.•..•.•...•.••••.•.•.•.•.•..•.•.•.•.••.•.•.•.••.•.•.•..•.•.•••..•.•.••.•.•..•.•..•.•..•.•..•....•.•..•..•.•..•.•..•.•....•..
41
BIBLIOGRAFICAS
J\10VI1\1ENTOS
42
ARTisTICOS
45
0 ESTILO
BARROCO ....
BARROCONOBRASIL.
0 ESTILONEOCLAsslco
.
NEOCLAsSICONO BRASIL .
..................
45
.
~7
.
.
iii
~S
50
LISTA DE FIGURAS
FIGUltA I: ALUNOS ENCENAllOA
CAt'iTIGA
"0
CHAVO
EA Has,\"
••••••••••••.•.•••••••••••••.•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••
38
FIGURA 2: AL1J1''I'OS I'ARTICII'ANOO DA IIIUl\"CADEIRA DE RODA C,\i"1TADA "CARANGUE.IO"
FlCaJRA 3: "As TJllis
FI(;11ItA 4: "PROFETA
FIGURAS:
GR,'<=AS"
DE
EZEQIJIEL",
"A MORTEOE
MARAT",
FIGUR1\ 6: P6RTICO DA ACAUDIIA
PJ.."T.m
PAUL RUIJENS (1577-1640)
ANTONIO FRANCIscO
LISBOA, "ALEIJAOINIIO"
JACQUES LoUIS 0,\\'11)(1748-1825)
blPlm.lAL
DE BELAS ARU:S,
iv
•••••••.•.••.•.•••••••••••••••.•.•••••
39
•.•••••••••.•.••.•.•.•.••..•.••.•.•.••.•..•.•..••••.•.••..•.•..••••.•
45
(1730-1814),
.•...............•.•......
.•................•..•.....................•..•.............•••
48
49
RIo DE JAl\'EINO •••••••••.•.•..•.•..•.•..•.•.••..•.•.•.•.•.•..•.•.
51
RESUMO
Atualmente
as
alternativas
para a processo de ensino-aprendizagem. Esta monografia analisa as
mudan98s
profissionais
e inov890es
de
ocorridas
ensina
interdisciplinar
especificos.
A pro posta pedag6gica
maior
tambem
para
compreensao
uma experiEmcia
monografia,
aprimoramento
pedag6gicas
bern
como
as
global
varias
propostas
arte-educa98D
pedagogicas
atraves
interdisciplinares
ensino-aprendizagem
de cada comunidade.
aD
0
no
de
educador
A monografia
de urn projeto
A experiemcia
uma proposta
atraves
visa estimular
da educagao.
realizada
Fundamental.
praticas
da
interdisciplinar
do contexto
do processo
particulares
ensina
0
interdisciplinar
alunos de l' a 4' serie do Ensino
disculido
no ensine da Arte no Brasil apresentando
pedag6gica
uma
tern
considerar
apresenta
especffico
interdisciplinar
geral,
projetos
a buscar
com
descrita
proporcionaram
as relac;oes
culturais
na
urn
e
I.INTRODU<;:AO
e
Atualmente
cansenso
entre
promove
a
ensino-aprendizagem
experiencias
do cotidiano
alternativas
ensina.
para
conquistar
discussao
Neste
sentida,
ocorridas
0 trabalho
arientac;aa
pedag6gica.
A fim de saber
necessaria
conhecer
profissional
docente
e
como
varias
tradicional
sistematizado
propostas
de
e
as
pedag6gicas
palos profissionais
a inteireza
mastrar
na
de
do sar e do saber
uma experiemcia
trabalhar
deve
interdisciplinar
as mudan~s
levar
1, as
e
mudanl'as
ate chegarmos
profissional
metodol6gicas
de cada comunidade,
capitula
dos tempos,
urn aprimoramento
tambam
particulares
e
nos dias de
no en sine da arte-
atraves
de uma
nova
e
ocorridas
no ensino
do trabalho
educativo
em arte.
0
as rela90es
culturais
e
em considera~o
isto a, as experiencias
da arte,
e tradi90es
tanto
como discente.
Com este prop6sito,
Brasil.
0 capitulo
analise
das
explana930
inicia-se
tendencias
sabre
0
da arte na educayao
a analise
sentido
resgatar
vem
as possibilidades
de ensino
pedag6gicas
trabalha
apresenta
proposito
modele
0
saber
docente.
este
tambem
cujo
forma,
que
0
estao sando discutidas
no ensina da Arte atraves
educa<;ao
0
entre
Desta
pretende-s9
uma nova postura
inovay6es
hoje.
discente.
ensino-aprendizagem
0
Nessa
as educadores
dicotomia
0
alcanQar a conhecimento
2 apresenta
hist6rico
um resumo
da arte-educa98o
na pratica
escolar.
da arte e suas mudanyas
e formayao
e seu significado
0
pedag6gicas
ensino
das tendencias
capitulo
com
do individuo.
pedag6gicas,
analisando
Logo
e, tambam,
Ainda neste capitulo
explora-se
as manifestay6es
de si e da realidade
da arte-educay8o
seguido
a questao
artisticas
circundante.
ap6s,
sabre
no
de uma breve
faz-se
uma
a importancia
e complementando
do conhecimento,
seu
como forma do homem
A proposta
interdisciplinar
e
para a ensino
capitulo apresenta as pressupostos basicos para
0
a assunto
do capftulo
3.
Este
trabalho interdisciplinar na escola,
bern como, no ensina da arte. 0 capitulo 3 trata ainda de algumas varia96es da pratica
interdisciplinar, em particular, a questao da polivalemcia.
Com
procurou-se
0
intuito de atender a necessidade de uma nova orienta98o pedag6gica,
desenvolver
alguns estudos relacionados
ensino da arte atraves de projetos.
sua pratica em ambiente
apresenta
inicialmente
colocando
a experiencia
escolar,
a questao
ao trabalho interdisciplinar
Os projetos interdisciplinares
sao apresentados
do trabalho
no capitulo
interdisciplinar
de um projeto interdisciplinar
e ao
para ensino da arte, e
4.
Este capitulo
no ambiente
conduzido
escolar
pelas professoras
Marcia Aparecida Cabral Correa da Costa' e Marcilene Minuk. responsaveis
respectivamente
Os
pelas disciplinas de Educa980 Artistica e de Educac;ao Fisica.
resultados
trabalho no capitulo 5.
da
finais sabre esta experiencia.
AUlora dcslc \nlbalho.
pratica
interdisciplinar
Ainda neste capitulo
sao
apresentadas
sao feitas conclus6es
ao final
deste
e considerac;6es
2. ARTE-EDUCAC;:AO
2.
J.
HISTORICO
DA ARTE-EDUCACAO
A fim de compreender
realizar
uma analise
contexte
nacional.
influencias,
evoluc;ao
da
e
Tambem
do ensine
hist6rica
interessante
No Brasil,
0
sao
perceber
quanta
metoctol6gicas.
atravas
exploradas,
no sentido
ao ens ina da escola
Ana Mae Barbosa
desta
em urn
analise
de procurar
e do desinteresse
As origens
entender
dos artistas
relata fatos importantes
destes
as razoes
pelas
Academia
S8
originaram
a seguir.
dos acontecimentos
que cercaram
Imperial de Belas~Artes, ou de elementos
cultura mas que a atualYao da Academia fez vir
Os organizadores
0
secuJo
a cria'Y30 da
ja assimilados
pela nossa
a tona.
da Academia de Belas-Artes,
Arte, eram franceses.
do
reflex6es
Os preconceitos contra a ensina da arte estiveram presente durante todo
XIX, as quais
as
na Arte-Educa,ao.
ensina da arte sempre foi alvo de preconceitos.
aqui
e importante
da arte no Brasil,
da arte, e do seu ensina,
ao longo do tempo, das varias pedagogias
preconceitos
desprezo
atual estagio
0
sucinta
NO BRASIL
celula mater do nosso en sino de
(...) Lebredon, lider do grupo que posteriormente
passou a
ser chamado de Missao Francesa, era secretario perpetuo do Instituto da FranlYa e
diretor da se'Y3o de Belas-Artes
do Ministerio
do Interior daquele pais, tendo-se
ocupado, inclusive, de instalar no recem criado Museu do Louvre (1793) 0 acervo
resultante da vasta espoliayao de Napoleao Bonaparte nos paises conquistados.
Por esta epoca, Alexander
Van Humboldt
(1769-1857),
naturalista
alemao
que
estivera no Brasil, recebeu do Embaixador de Portugal na Franya a incumbencia de
contatar artistas franceses para organizar
pinacoteca.
0
ensino das Belas-Artes no Brasil e uma
Em marlYo de 1816, chegaram ao Rio de Janeiro (...).
No Brasil, 0 odio contra Napolea.o Bonaparte tinha raz6es 6bvias, pois Portugal que estava subordinado
amea9GI bonapartista.
a
zona de influencia
fugir de seu pais em 1808 ease
Brasil,
onde permaneceu
responsabilidade
da Inglaterra - sentira de perto a
Oom Joa.o VI, principe regente de Portugal, fora obrigado a
publica
refugiar com alguns membros de sua corte no
ate 1821.
0 proprio
de ter oficialmente
D. Joao
patrocinado
VI procurou
a vinda
fugir it
dos artistas
franceses atraves das autoridades
competentes
em Paris, dando a entender
no
decreto com 0 qual criou a Academia Real de Ciencias, Artes e Oficios, que visava
aproveitar alguns estrangeiros benemeritos que procuravam a sua prote<;ao (...).
Portanto, a oposic;ao politica foi uma das influencias na configurayao do preconceito
contra 0 ensino da arte no Brasil (...).
Tambem
um preconceito
de ordem estetica
iria envolver
os inicios
do ensino
artistico no Brasil.
Todos os membros da Missao Francesa eram de orienta~o
determinantemente
neoclassica,
a qual
marcou
seus
ensinamentos
e suas
atividades artisticas na Corte.1
Nossa tradiry80era na epoca marcadamente barroco-rococ6. Nossos artistas,
todos de origem popular, mestiryos em sua maioria, eram vistas pelas camadas
superiores como simples artes8os.
o contraste
da frieza do Neoclassico com a sensualidade do Barroco brasileiro cria
uma distancia
entre a arte e a massa popular,
colocando
em dificuldades
Academia de Artes e Oficies implantada pela Missao, que encontrava
a
seus peucos
alunos na aristocracia.2
Como consequencia, a arte encontrou lugar no lazer e na complementary8o do
processo educativo da
classe
dominante,
favorecendo
que fosse
entendida
equivocadamente, au seja, como simbolo de "status social. Tanto aqui no Brasil como
n
na Europa,
0
desenho era considerado a base de todas as artes, tornando-se materia
obrigat6ria nos anos iniciais de estudo da Academia Imperial. No ensino primario a
desenho tinha par objetivo desenvolver tambern essas habilidades tecnicas e 0 dominio
da racionalidade.
Nas famflias mais abastadas, as meninas permaneciam em suas
casas, onde eram preparadas com aulas de musica e bordado, entre outras.
1
2
Ana Mac BARBOSA, Arle·Educo{:iio 110 Brasil,
CURITIBA, Sccrctaria Municipal de Educa(fJo,
p. 16-8
Clirricllio
Bthico
do Rede Municipal
de t..',siIlU,
p. 341.
1.1.1.
A "Pedagogia Tradiciollal"
A partir
curriculos
desse
escolares
desvinculada
normas,
da realidade
concepr;oes
reproduzir
entendimento
como
da arta,
urna pratica
social.
Ellsillo da Arte
110
a pedagogia
na qual
oesta
forma,
e tecnicas
pre-estabelecidas
de
do
cabia
prevalecia
artistica
ao professor
e, ao aluno,
nos
era totalmente
trabalhar
a tarafa
com as
de copiar
au
modelos.
Os
programas
desenho
natural,
desenho
geometrico eram centrados nas representat;oes
centaudos
eram
constrU(;6es
Normais
tradicional
a produ~o
bern discriminados,
geometricas,
aprendiam
esquemas
tradicional
esta voltado
professor
e aluno
considerados
tradicional,
de
verdades
ainda
constru90es
bem
0
de
absolutas.
autoritaria.
Falando
um
pouco
na sociedade.
problemas sociais pertencem
e a rela,ao
os conteudos
0
papel
a sociedade.
da
sao
escola
da escola
e com
capazes.
Caso
nao
a cultura, os
0 caminho cultural em direyae ao saber
mesmo para todos os alunos, desde que se esforcem.
mais
0 ensino
aulas.
intelectual e moral dos alunos para
0 compromisso
capazes devem lutar para superar suas dificuldades
aos
sobre
Escolas
onde as alunos
escolar
disso,
Os
nos diz:
assumir sua posi~o
0
"ilustrar"
do trabalho
Alem
(...) A atua.yao da escola consiste na prepara~o
e
Nas
pedag6gico",
para
para a produto
mais
desenho
perspectiva,
luz e sombra.
"desenho
graficas
principalmente
mostra-se
Luckesi
esquemas
incluiam
e
noc;6es de propon;ao,
abrangendo
composiyao,
as curses de desenho
decorativo
convencionais de imagens.
consigam,
Assim,
e conquistar
devem
procurar
os menos
seu lugar junto
0
ensine
mais
profissionalizante.3
Tem-se
artistico
assim que
0
~tilo
sao limitado)c3 destreza
da estetica
do aprendiz
beleza.
J
Cipriano LUCKESI, Filosofia do EduCG9iio, p. 56.
classica
e a compreensao
na reproduy8o
dos padroes
do trabalho
classicos
de
Fazendo uma analise critica,
e evidente, em primeiro lugar, que 0 homem pode
utilizar uma obra de arte para se expressar, se exteriorizar e conhecer a si mesmo. Em
segundo lugar, nao se pode perder de vista que a percep~ao ocorre em um contexte
hist6rico e que 0 ato do conhecimento nao e contemplagao. A percepgao, tanto quanto
o conhecimento ou
0
pensamento, e uma habilidade humana que
atraves de atividades praticas pelas quais
0
e
conquistada
homem se constr6i no interior das relagoes
sociais.
No ensino tradicional,
0
conhecimento
e
tomado de forma fragmentada,
fazendo da representagao das coisas um tim em si mesmo. No entanto, a arte, assim
entendida, nao
e uma forma de conhecer a realidade, mas uma tentativa
la de novo, como a c6pia ou a irnitagao apresenta
Arte
e conhecimento
na medida em que
0
de apresenta-
original.
e apropriac;ao da realidade
humano-
social. Neste sentido, nao ha porque mistificar a realidade nern se reduzir a arte a urn
certo nurnero de regras que levam it c6pia e it reproduc;3o de urn modelo, como no
padrao neoclassico.
Mesmo que ao longo da historia a arte tenha realizado seu papel (ideologico,
cognitiv~, decorativo, social, etc.),
0
objeto artistico somente pode cumprir
objetivo quando criado ou produzido pelo homem.
0
seu
Assim, qualquer que seja a
referEmciade uma obra de arte a uma realidade exterior ou interior, a obra artistica
e,
antes de mais nada, uma criagao do homem. Oesta forma, a fungao essencial da arte
e ampliar e enriquecer, com as suas criagoes, a realidade ja humanizada pelo trabalho
humano.
2.1.2.
A "Pedogogill dlI Escolo NOVlI" I/O El/sillO da Arte
Ate aqui,
naD
pode
S8
fundamentada
importante
analisou-se
deixar
ensina
da arte,
que arte
o
decada
ensina
naD S8
movimento
no Brasil.
as padroes
estaticos
objetos,
variam
a forma.
0
S8
A partir deste
europeus
que interessa
ensina
da estatica,
original
da estetica
a criatividade
e
dos movimentos
momento
S8
(1922)
busca
0
e expressiva,
classica,
a expressao,
modernistas
um marco
valoriza
a
maderna,
levando
a partir
importante
na arte brasileira
a
da
deste
romper
este gosto
estetica
Assim,
a produzido
das condir;oes
nao a a essfmcia
com as objetos
de produyao.
sociais
Louis Porcher faz a seguinte
Por criatividade
arte
de cada urn.
sob a base da estatica
aqui a que a estatico
as rela.y6es sociais
critica
Contudo
uma
com
e com a visao da arte pel a arte.
ressaltar
certo tipo de arte, a porque
individual
e,
expressa.
mas sim um modo de rela9ao dos homens
segundo
isto
c6pia.
sob a base
Ja
da arte.
pratica,
mas uma criay80
a Seman a de Arte Moderna
deve partir da analise
respeito
literal,
desenvolvido
ensina,
tradicional
na
de formas, na genialidade
da arte sefre a influencia
de 20 sendo
o
acontecia
tecnico e a artesania
conhecimento
entender
do ensino
que
prevalec;:a ao inves da simples
das leis que regem
0
0
naD e mais uma exatidao
o
induz
a problematica
analisar
na livre expressao
onde a obra pessoal
dominic
de
se
0
socialmente.
de certos
cujas caracteristicas
gosto
pela arte, a par
Portanto,
em que se produz
a estatica
a artfstico.
A
colocar;ao:
entendemos a aptidao para produzir de uma maneira
especifica (nao utilitilria) e diferenciada (segundo os individuos e as ocasi6es)
acontecimentos,
formas, objetos suscetiveis
de cristalizayao
estetica, ou seja,
capazes de mobilizar as virtualidades sensoriais e emocionais, as resel"\fas de
imagens do espayo intimo, de acordo com uma 16gica de jubilo e de comunicac;ao,
e nao de calculo ou de c6lera.4
Entende-se,
as exigencias
portanto,
dos tempos
cria98.o artfstica
renegando
estilo e uma tematica
que havia uma necessidade
modernos.
Na pratica
os modelos
arcaicos
forma
e que
Com
atribuindo-se
Negando
e orientados
a criatividade
de varios materiais
isso
entaD
0
da
nobreza
acesso
tradicional,
dimensao
essencial
vez
e
da arte
arte
que
ensino
ao fazer
com
na
sem pensar,
0 conhecimento,
Louis PORCHER, £duCG9aO
sob
principal
0 estimulo
expressao
individual
sem conhecimento
compreender
compreender
da pedagogia
ao enfatizar
e muito
~
que
da Escola
a criatividade
a c6pia pel a pratica
na expressao
individual
sem conhecimento
que
embora
seria
era
0
usa
ela
do
aluno,
sistematizado.
mais autoritaria
a expressao,
e,
que \:.
enquanto
ao mesmo
tempo,
arlislica:
Iuxo
ollllcccssidadc?,
p.
Nova provocam
a ruptura
e a expressao
individual.
da livre expressao.
do aluno,
sistematizado.
fragmentado,
Tradicional.
4
0 objetivo
individual.
a Escola Nova
para
substituem
da arte centra-se
nobreza
centra-se
sem pensar,
preciso
de beleza classica
mesmo
de Arte do
eram organizadas
e cultural.
Par outro, eles simplesmente
0
a
urn
do adulto.
ao fazer
Por urn lado, os principios
i550
libertar
buscando
das Escolinhas
plastic05.
a expre55ao
ao conhecimento,
uma
emocional
com os padr6es
europeus,
Estas escolas
por artistas
incentivo
0
0 ensino
a Escola
acontecimento
e
Rodrigues.
e a nao interferencia
assim
dos padr6es
se caloca a Movimento
em 1948, par Augusto
de ateliers-livres
desenvolver
de corresponder
isto significava
brasileira.
Dentro deste contexto
Brasil, fundada
brasileira
artistica,
32.
era
atribuindo-se
Nao trabalha
proposto
na
Com
assim
nem
Escola
9
No texto a seguir, Augusto
Rodrigues
apresenta
sua vivencia
da pedagogia
da
Escola Nova:
Estava muito preocupado
Comeeei a ver que
em libertar a crian~a atraves do desenho,
da pintura.
problema nao era esse, era um problema muito maior, era ver
0
a crianga no seu aspecto global, a cfianga e a relayao professor~aluno,
do comportamento
delas,
0
das atividades, terem urn comportamento
As crian~s
a observar
estfmulo e as meios para que elas pudessem, atraves
vinham cada
mais criativo, mais harmonioso.
vez mais, e as idades eram as mais diferentes.
Felizmente, tinhamos duas CQi5as multo positivas para um camego de experiencia
atraves de urna eseela. A experiencia era feita em campo
no campo de educagao,
aberto, e a diferenya de idades tambem foi outra coisa fundamental
pudesse entender, urn pouco,
arte.
° problema
Deverfamos ter urn comportamento
em que a comunicayao
para que eu
da crianfYS e a da educa.yao atraves da
aberto, livre com a crian<;a; uma relayao
existisse atraves do fazer e nao do que pudessemos
como tarefa ou como ensinamento,
dar
mas atraves do fazer e do reconhecimento
da
importancia do que era feito pela crianfYS e da observayao do que ela produzia.
De
estimula-Ia
portanto,
a trabalhar sobre ela mesma, sobre
da competiyao
e desmontando
° resultado
ultimo, desviando-a,
a ideia de que ali estavam
para ser
artistasS
Escola
As palavras
de Augusto
Nova,
se via a criantya como
livremente,
2.1.3.
onde
onde se "aprende
Rodrigues
Para concluir
a analise
110
5
na curricula
capaz
os objetivos
de se expressar
da
mais
escalar,
Ellsillo da Arte
das praticas
a cria<;iio da disciplina
chamada
Em 1971. pela Lei de direlrizes
e incluida
com mais clareza
ser crialivo,
fazendo".
A "Pedagogia TeCllicista"
considera98o
traduzem
tornanda
do ensino
Educa<;iio
da arte,
e Bases da Educa<;iio
abrigatorio
BRASIL, Instituto Nacional de Estudos c Pcsquisas Educacionais,
e necessaria
levar em
Artislica.
a ensina
Escolinha
Naciona15692171,
da arte na escola.
de Arte do Brasil,
p. 34.
a arte
Ja 0
10
trabalho
artistico
centra-se
na concepyao
nas tecnicas
tecnicista
e habilidades
sofre ainda influencia
da Escola
Nova, isto
e,
do aluno.
\·V
Pode-se dizer que nos anos 70, do ponto de vista da arte, seu ensina e
aprendizagem,
meados
foram mantidas
do secula
conseqOencia,
as decis6es
XX, com enfase
a Escola Tecnicista
curriculares
em aspectos
privilegiava
oriundas
parciais
do ideario
do inicio a
da aprendizagem.
a aprendizagem
reprodutiva
Como
de modelos
e tecnicas.
Na WPedagogia
Tecnicista~,
secunda ria, porque
e do curso.
0
0 aluno
e 0 professor
e/emenla pn'ncipal
Orientados
e 0 sistema
par uma concepyao
brasileiros entendiam seus planejamentos
objetivos que eram operacionalizados
contexto
tecnicista
sugerindo
ocupavam
posiyao
mais mecanicista,
as professores
e pianos de aulas centrados apenas nos
de forma minuciosa.
0 uso abundante
urna
tecnico de organizaqao da aula
de recursos
uma "modernizaryao" do ensino.
Faz parte ainda desse
tecnol6gicos
e audiovisuais,
Nas aulas de arte, as professores
enfatizam um "saber construir" reduzindo aos seus aspectos tecnicos e ao usa de
materia is
diversificados
espontaneistico,
conhecimento
(sucatas,
de linguagens
fundamentadas,
por
exemplo),
na maioria dos casos caracterizando
artisticas.
Devido
e
a
nos anos 70/80, estao em pleno auge mercadol6gico,
Fazendo
realidade
entao
descabrir
qual destaca-se
expressao
6 Maria
exprimir-se
H
ausencia
de
com 0
bases
mais
apesar de sua discutivel
dos conceitos de arte.6
COllsidero,oes Fillois
necessaria
ensina
wsaber
muitos valorizam propostas e atividades dos livros didaticos que,
qualidade enquanto recurso para aprimoramento
1.1.4.
um
poucos compromissos
uma
analise
a natureza
frente
da relageo
as
a com preen sao da concep9aa
e trabalha
e a leitura
uma maneira
criador.
da obra
A criayao
e
de arte como forma
e revelador,
Hcloisa C. de T. fERRAZ & Maria F. de R. FUSARI,
pedagoglcas
sob uma perspectiva
artistica,
uma possibilidade
de ver e este ver
praticas
estatica
neste
sentido,
ja
vistas,
historica,
de conhecimento,
e
expresseo
de compreensao
da mesma,
sobretudo
e construtivo.
Metodologill
porque
do Ensino
e
da
till Arte, p.32-3.
da
pois
A
CYto
'-
II
rela,ao estetica que se objetiva na produ9iio ou na frui9iio do fato artistico, tem um
can~ter social,
e
realiza
S8
atraves
dos
sentidos
humanos,
no
processo
de
humaniz8C;8o da natureza e do homem.
Em todas as concepc;:oes
nao e entendida
trabalho
e expressao,
de expressao,
que norteiam
na sua totalidade.
e buscar
0
Recuperar
esta totalidade
ens ina da arte percebe-se
para dar conta
da necessidade
humana
afirmaC;:8oe intera980 com a realidade atraves do trabalho artfstico.
Enfim, para que S8 entenda qual a tareta do ensina da arte,
compreender
que a arte
a arte como forma de conhecimento,
que esta atividade
nao
S8
faz desvinculada
da forma
deve-s8
primeiro
de organiz8C;:8o
da
nossa sociedade e da escola.
Portanto, 0 papel da escola e de fundamental
0----'
import~mcia, uma vez que ela trabal,tle as conhecimentos
que 0 aluno necessita,
para
que este reconhe,a e interprete na obra de arte, a realidade humano-social.
perspectiva,
as linguagens
artisticas
possibilitarao
a educac;ao
aluno as condi,oes de trabalho/ leitura da realidade,
do mundo
2.2.
0
humano
ENSINO
0
estatica,
Nesta
que dara
ao
conhecimento, a compreensao
que se quer refletir e expressar.
DA ARTE E SUAS M UDAN(AS
Surgi no Brasil por volta de 1961/1964,
um importante trabalho desenvolvido
por Paulo Freire, que teve repercussao politica pelo seu metodo revolucionario de
alfabetiza9ao de adultos. Este metodo dava importancia ao dialogo professor-aluno,
visando
uma consciemcia
mais critica,
que consequentemente
influenciava
movimentos
populares e a educa9iio nao formal. Retomado a partir de 1971, e considerado hoje
;,oS"i..-em dia como "Pedagogia
Libertadora"
cuja enfase
e a consciencia
crltica,\da
sociedade.
12
Luckesi faz a seguinte
(...) A propria
colocac;ao a respeito
designac;.ao de "educa~o
da ~Pedagogia
Libertadora'"
problematizadora
como
n
educac;.ao libertadora revela a forya motivadora da aprendizagem.
correlata
A
de
motivac;ao se
dil a partir da codificarrao de uma situac;.ao-problema, da qual se toma distancia
para analisa-Ia
criticamente.
"Esta analise
atraves da qual procura-se
concreta, a
Aprender
envolve
exercicio
0
da
alcanc;ar, por meio de representa90es
abstrac;.ao,
da realidade
razao de ser dos fatos"
e urn ata de conhecimento da realidade concreta, isla e, da situat;ao real
vivida pelo educando,
e 56 tern sentido se resulta de urna aproximac;ao
dessa
que
realidade.
memorizayao,
0
e
aprendido
mas do nivel
processo de compreensBo,
e
termos de conhecimento,
critico
nao
decorre
de conhecimento,
reflexBo e critica.
0 que
que foi incorporado
0
de urna
critica
imposic;ao
ao qual se chega
0
educando
ou
pelo
transfere,
em
como res posta as situac;oes de
apressao - au seja, seu engajamento na militancia politica.7
A partir de 1980, os professores come~am a acreditar no papel fundamental
que a escola
tern em relaC;ao as mudanc;as
conscientizac;:ao
rurno ao futuro.
da arte visando
crftico.
Pode-se
de como
Surgern
a escola
entao discussoes
urn redirecianamento
sintetizar
nas agoes
se apresenta
ea
e culturais.
visando
onde se pretende
tarefa primordial.
He
uma
transforma-Ia
das ac;:oes e ideias para modificar
pedag6gico
estas concepc;:6es nos seguintes
(...) A difusao de conteudos
sociais
no presente,
0
ensina
ser mais realista
e
aspectos:
Nao conteudos
vivos, concretos e, portanto, indissociaveis das realidades sociais.
abstratos,
mas
A valorizac;:ao da
escola como instrumento de apropriayao do saber e 0 melhor servigo que se presta
aos interesses populares, ja que a propria escola pode contribuir para eliminar a
seletividade
social e torna-Ia democratica.
Se a escola e parte integrante do todo
social, agir dentro dela e tambem agir no rumo da transformayao
o que define uma pedagogia
historico-sociais,
critica
e a consciencia
da sociedade.
Se
de seus condicionantes
a fun9ao da pedagogia "dos conteudos" e dar um passo a frente
no papel transformador
da escola, mas a partir das condic;oes existentes. Assim, a
condiyao para que a escoJa sirva aos interesses populares e garantir a todos urn
born ensino, isto e, a apropriayao
dos conteudos
ressonancia
Entendida
na vida dos alunos.
escolares
nesse sentido,
basicos que tenham
a educayao
e
uma
atividade mediad ora no seio da pratica social global, au seja, uma das media90es
1
Cipriano LUCKESI, Filosojia da EducayiJo, p. 66.
13
pela qual 0 aluno, pela intervenyao
ativa, passa de urna experiimcia
do professor
inicialmente
e por sua propria participar;ao
oonfusa e fragmentada
(sincretica) a
urna visao sintetica, mais organizada e unificada.
Em sintese, a atuayao da escola consiste na preparayao do aluno para a mundo
adulto e suas contradi¢es,
de conteudos
A educayao
educando
0
consciente,
discutido
mais
eseelar
considerar
atraves
necessaria
para
a
A partir
"Pedagogia
Hist6rico-Critica"
~Critico-social
as contribuiyoes
Saviani
dos
ele
desta
e ativa na
0
seguinte
e da aprendizagem
exerc;a
n
comentario
do
fornecer
cidadania
tem-se
1980),
(Luckesi,
de
urna
conceps;ao,
(Saviani,
conteudos
das outras perspectivas
faz
do ensina
responsabilidade
que
e participante.
mais
Demerval
deve assumir,
pel a humanidade,
instrumental
a chamada
realista,
organizada
da sociedade.
acumulado
critica
por meio da aquisiyao
para uma participavao
1I
democratizayao
conhecimento
fomecendo~lhe urn instrumental,
e da socializayao,
ao
mais
elaborado
e
ou seja, uma teoria
1994)
sem
deixar
de
pedag6gicas.
a respeito
desta
nova concepyao
pedag6gica:
..) nao sera indiferente ao que ocorre em seu interior; estara empenhada em que a
escola funcione bem; portanto, estara interessada em metodos de ensino eficazes.
Tais metodos se situarao para alem dos metodos tradicionais
por incorporayao as contribuic;5es de uns e de outro.
e novos, superando
Portanto, serao metodos que
estimularao a atividade e iniciativa dos alunos, sem abrir mao, porem, da iniciativa
do professor; favorecerao 0 dialogo dos alunos entre si e com 0 professor, mas sem
deixar de valorizar
0
dialogo com a cultura acumulada
historicamente;
conta os interesses dos alunos, os ritmos de aprendizagem
psicologico,
mas sem perder de vista a sistematizayao
levarao em
e a desenvolvimento
logica dos conhecirnentos,
sua ordenac;ao e gradayao para efeitos do processQ de trasmissao-assimila~ao
dos
conteudos cognitivos.
Nao se deve pensar, pon3m, que as metodos acima indicadas
terao urn carater
ecletico, ista e, constituirao uma samatoria dos metodos tradicionais e novos.
Os metodos tradicionais
8
Cipriano LUCKESI,
Filosofia
da Ecillcayoo,
Nao.
assim como os novas implicam uma autonomizac;ao
p. 69-70.
da
14
pedagogia
em
continuamente
relayao
a sociedade.
presente a vinculac;ao
Os
metodos
que
primeiro caso professor e alunos sao sempre considerados
No ensine
proposta
e abrangencia
foi introduzida
qualidade
tres
da arte, urna das propostas
espago
do ensino
aspectos
artisticas"
do
da arte.
(Discipline
vern sendo desenvolvida
A
ensinar
a
arte:
Arte Education),
baseada
na
incentivado
livre
nas escolas.
a
acrescentar
acesso e de entendimento
Este e tambem
do patrimonio
0 pensamento
da
cultural
de
obras
baseada
Foundation,
vincula-se,
no
e que
sabre a forma de
da arte, relacionada
na elaborac;ao,
experimenta~o,
a
historicamente,
influencia
do ensino
na construyao,
do fazer,
pela Getty
profunda
A vi sao contemporanea
dimensao
esta
a
desenvolver
a "analise
proposta
Esta
melhorar
final dos anos 80.
expressao,
da arte e tern, desde entao, exercido
realizada
0
e
objetivo
artfstico",
desta
hoje, e que vem
Triangular'
cujo intuito
tem como
a "fazer
Unidos desde
arte, como a objeto do saber, baseia-se
procura
Mae Barbosa
A fundamentagao
nos Estados
concepyao
modernidade
em
da arte"
Based
Ana
a "Metodologia
Esta nova metodologia
conhecimento
em terrnos individuais,
que esta em processo,
refere-sa
pela professora
e a "historia
D.B.AE.
cultural,
mantem
Enquanto no
sao tornados como agentes sociais.9
no segundo casa, professor e alunos
ganhando
preconizQ
entre educayao e sociedade.
na cognicao
a possibilidade
e
de
da humanidade.
de Elliot Eisner":
Existem quatro coisas principais que as pessoas fazem com a arte. Elas veem arte.
Elas entendem
julgamentos
operac6es
0
lugar da arte na cultura,
sobre suas qualidades.
constituem:
a producrao,
atraves
Elas fazem arte.
dos tempos.
a critica, a Hist6ria e a Estetica da arte.
producrao de arte ajuda a crianca a pensar inteligentemente
9
Dcmerval
SA VIANI,
e inventividade.
coerencia,
A crftica de arte desenvolve sua habilidade para ver,
Educo{:i1o: Do Sen.WJ COII/UIII a Consciellcio Filosojico,
p. 60-1.
••E professor da Faculdade de Educa~ao da Uni\'ersidade de Stanford, Estados Ull..idos. E cspedalistu em estudos
sobre currieulo e sobre ensino da arle. Autor, entre oullos, de The educational
imagination:
011 the desiggll 01/(/
m'a/llorion of school programs (1979) e Educating Artistic Vision (1972). Rccebeu diversos premios, entre c1es 0
premia Jose Vasconcelos
A
sobre a criacao de
imagens visuais. Ela pode criar imagens que tenham forca expressiva,
discernimento
Elas fazem
No DBAE, essas quatro
c a GuggenheimFellowship.
15
ao inves de simples mente olhar, as qualidades que constituem
mundo que inclui, e excede, trabalhos formais de arte.
0
mundo visual-
urn
A Historia da arte ajuda a
crianya a entender alguma coisa de tempo e lugar, pelos quais todos as trabalhos
artisticos
se
situam:
descontextualizado.
nenhuma
A Estetica
e
fanna
0
de
arte
educayao - compoe as bases teoricas que permitem
daquilo que se
ve.
Argumentamos
existe
0
julgamento
vacuo
da qualidade
de valor, e
coterios que podem ser aplicados as
obras de arte e refletir sabre as significados do conceito "arte"
0
urn
a partir de nassos julgamentos
gostamos de faze-Io. Entender a vaJiedade de
da Estetica.
em
mais novo componente curricular da Arte-
e 0 objetivo
DBAE quer ampliar a habilidade das crian~s
principal
em lidar com
problemas em cada um desses quatro dominios.10
Todo este trabalho vern sendo desenvolvido e pesquisado, desde
0
inicio dos
anos 90, em Sao Paulo, no Museu de Arte Contemporimea da USP (MAC-USP) e no
sui do pais, pela Fundayao IOChpv" Universidade Federal do Rio Grande do Sui
(UFRGS), dentre outras instituiyoes de ensino.
Nos melhores casos,
0
ensina da arte realizado nas escolas brasileiras tem-se
restringido a desenvolver a criatividade compreendida como espontaneidade e
autoliberaQ€lo,nos moldes ainda da Escola Nova. No entanto, a arte tem muito mais a
oferecer as crian~s
ah§m do desenvolvimento da criatividade.
A criatividade esta
presente em todas as areas do conhecimento, neo sendo assim, um objetivo exclusivo
da Arte-educayao.
A funyao primordial da Arte-educayao na escola e a formayao
estatica dos individuos permitindo ao mesmo urn entendimento da gramatica visual e a
uma reflexao acerca das imagens, tanto na arte quanto em seu meio.
No Brasil, a ensino das artes plasticas
e dominado pelo trabalho de atelier, isto
e,
a fazer artistico. A pratica artistica e insubstituivel para a aprendizagem da arte e
para 0 desenvolvimento do pensamento. A produ~o de "arte" faz a crian~ pensar
inteligentemente acerca da criay80 de imagens visuais. Entretanto, somente a pratica
nao
e
suficiente para a leitura e a julgamento de imagens produzidas por artistas au
encontradas no cotidiano.
10
Ana Mac BARBOSA,
Arle-Edllcm;i'io:
Leitllra
I/O SlIbsofo, p.
84-5.
16
o ensina
de
modo
da arte precis8,
a possibilitar
representa,
e ao desenvolvimento
professores
de artes,
verificou-se
qualidade
aprofundar
seu entendimento
o trabalho consciente
e fundamental
que
praticas
2.3.
primordios
vivem, ao se conhecerem
e uma reflexao
pode-se
escolar
indispensavel
modos
que
que
critica
efetivamente
essenciais
0 principal,
de urna
a finalidade
de
educative
S8
que envolva
de Magisterio,
pretende
0
enfim,
transformar.
sabre
seus conceitos,
as
contribuir
na construc;ao
de
de humaniza9ao.
no entanto,
a arte
e entender
dos seres humanos
Sua importancia
se deve
e na sociedade
desde os
que a arte se constitui
ao interagirem
com 0 mundo
de
em que
e ao conhece-Io.
essenciais
da civilizac;ao.
especificos
arte
em arte.
A arte tern urn papel fundamental
primordios
a
junto a
a necessidade
para os alunos
que a arte ocupa na vida das pessoas
de criatividade
torna um dos fatores
que
realizada
DA ARTE NA EDUCACAO
da civilizac;ao.
manifestac;6es
apontam
com urna educayao
historica
A arte e urn dos fatores
indispensavel
Em pesquisa
no processo
para a professor,
na educayao,
A IMPORTANCIA
deles
e reformulado
humanas
auto-preparaCY8o, com
e a interferencia
e teorias de educayao
a fun9ao
que muitos
ado, atualizado
descobertas
artisticas.
e de urna
estao envolvidos
Casa haja urna consciencia
e as ayaes
grandes
aeerca das artes, indo a1E~mda produc;ao artistica.
ens ina da arte,
para todos
ser redimension
as
das formas
formaC;8o de melhor
ideias
entao,
a acessa
ocupa
na vida das pessoas
de humanizac;ao.
na vida
0 principal,
de manifestac;ao
das
e na sOciedade,
Sua importancia
pessoas
no entanto,
da atividade
e na
e entender
criativa
se deve
que a
desde
os
que a arte se constitui
de
dos
sociedade
0
a funyao
seres
humanos
que
17
interage com 0 mundo em que ViV8, tanto 80
S8
conhecerem, quanta ao
S8
apropriarem
da realidade.
Todo indivfduo
ao nascer encontra
produc;6es culturais que contribuem
urn mundo que ja tern urna hist6ria
para a estruturaC;80
social de
do seu sense estetico.
Oesde
a infancia, este individuo interage com as manifestac;oes culturais de sua sociedade e
aprende a demonstrar prazer e g05to
comunicac;ao, etc.
diariamente atraves
par imagens, pinturas, artistas, meiDs de
Trata-se, portanto, de uma educ8C;80 estetica
que ocorre
do convivio entre as diferentes pessoas e das pessoas com
0
mundo.
\\
Com relac;ao as obras de arte, Maria Fusari e Maria Ferraz apresentam a
seguinte
opiniao:
Quanto
as
obras de arie,
lembramos
que elas participam
das ambiemcias
manifestay5es
esteticas de nossa vida tanto direta quanto indiretamente.
concretizadas
pelos artistas que as produziram
e
Elas sao
mas so vao se completar
com a
participa9ao das outras pessoas (0 publico) que com elas se relacionam.
Os
autoreslartistas, por seu lado, com suas diferentes ida des e maturidades pessoais,
ao produzirem
suas obras procuram
imaginar
sensibilidade, e que sao representa90es
p~r eles conhecido.
materia is
e
em
pensamentos-emo90es.
sensibilidade
Fazem
diferentes
isto em diversas
niveis
e inventar
de
saber
0
novas",
linguagens
artisticas,
manifestar
criativamente
E, quando estao se expressando
e imagina~o
"formas
com
e expressoes do mundo natural e cultural
mundo da natureza
tecnicas,
seus
ou representando
e da cultura, os autores
com
de
trabalhos artisticos tambem agem e reagem frente as pessoas e ao proprio mundo
social.
Esses
profissionalmente
autores
pod em
a esse trabalho
ser
os
pr6prios
ou, entao,
artistas
outras
que
se
dedicam
(estudantes,
p~r
exemplo) que fazem trabalhos artisticos como atividade cultural e educativa.
Por
sua vez, a publico, ou seja, as pessoas espectadoras,
pessoas
as ouvintes, as apreciadoras
com as quais essas obras sao pastas em comunicac;ao, participam ativamente das
mesmas por meio de seus diferentes
modos e niveis de saber admirar, gostar,
apreciar e julgar, cultural mente aprendidos.11
II
Maria Heloisa C. de T. fERRAZ & Maria F. de R. fUSARI,Merodologia
do Ensino dallrte, p.17.
18
Nessa perspectiva,
situ a
0
fazer artistico
caracteristicas
artistico
a arte na eseDla tern urna importante
dos alunos como fata humanizador,
da arte podem
dos alunos
copiar a realidade
e
0
ser percebidas
fazer dos artistas
nos pontos
e,
singular
da imagina9§o
aD mesma tempo,
produto
humana,
cultural
a,
Isto
S8
0
fazer
trata de
Cad a obra
epoca
pelos individuos
Ela
no qual as
entre
nao
noves sentidos.
de urna determinada
e construido
cujo sentido
e historica,
de intera9ao
de todos as tempos.
ou a obra de arte, mas sim de construir
de arte
funryao a cumprir.
cultural
e criaryElo
a partir de
sua experiemcia.
A fim de melhor compreender
aprofundamento
analisar
de que maneira
do processo
rela96es
e conhecer
nos conhecimentos
as inter-relac;:oes
hist6rico-social
culturais
artisticas
da humanidade.
mobilizam
a arte e sua histona,
sobre as praticas
valores,
E
artisticas.
e esteticas
de mundo,
perceber
vern ocorrendo
Alem disso, e preciso
concep96es
e necessaria
preciso
urn
e
ao [on go
verificar
como lais
de ser humano,
de gosto
e de grupos sociais.
2.4.
A ARTE COMO CONHECIMENTO
Como visto anteriormente,
perguntar
0
melhorar
que
e
0
sua pratica
constru980
muitas
conhecimento,
e
docente,
do conhecimento.
vezes
0
seu sentido,
importante
Portanto,
e
que
professor
ensina
os alunos
seu significado.
0
professor
fundamental
conhe~
aprender
sem se
A fim de sempre
a processo
um pouco
sobre
de
a
teoria do conhecimento.
De uma forma
naquilo
elemento
que
geral,
se aprende
0
nos
conceito
livros,
de conhecimento
no dia-a-dia,
que esta na raiz do que se denomina
para as pessoas
na escola,
conhecimento.
etc.
Mas
se resume
existe
um
19
Luckesi fornece
o
a seguinte
conhecimento
ea
defini980
compreensao
sobre esle assunto:
inteligivel da realidade, que a sujeito humano
adquire atraves de sua confronta930
com essa mesma realidade.
Ou seja, a
realidade exterior adquire, no interior do ser humano, uma forma abstrata pensada,
que Ihe permite saber e dizer a que essa realidade 9. A realidade exterior
presente
no
interior
do
sujeito
conhecimento,
deixa de
compreendido,
translucido (...).
Portanto,
0
5er
do
pensamento.
A
realidade,
S8
atraves
uma inc6gnita, uma caisa opaca, para
S8
conhecimento pode ser entendido, sim como aquila que adquirimos
0 que esta em primeiro lugar,
elucida9aO da realidade
que esta na raiz do conhecimento,
0
e nao a retenyao
de informayi5es
Essas informa90es deverao ser auxiliares no entendimento
elas p~r si mesmas
particular,
intelectualmente
exterior.12
Resumindo,
decorar
e repeti-Ias
e passa
conhecimento
0
E
preciso
da
ea
nos livros.
da realidade; contudo,
que cada
utilizar-se
nos
sujeito
humano,
das informa90es
em
de maneira
ativa, para que se transformem em efetivo entendimento do mundo
e
conhecimento
0
informa90es,
conhecimento
nao sao
tem da realidade.
contidas
do
tomar alga
livros, nas aulas e nas conversas, mas com 0 objetivo de alcanyar entendimento
realidade.
faz
a ser
muita
vezes
em algum
memorizac;ao
apresenta
rela~o
com a realidade
do termo,
e aquilo
que possibilita
de teste
de
informac;ao
do individuo.
uma efetiva
confundido
tipo
que
Conhecimento,
compreensao
com
processo
0
ou prova.
Deixa
muitas
vezes
no verdadeiro
da realidade,
de
de ser
nao
senti do
de tal forma
que permita agir com adequa9iio.
A manifesta<;ao
carater
em qualquer
das formas
estrutura
e organiza
constante
processo
12
artistica
de busca de sentido,
tern em comum
cria<;ao e inovacyao.
de conhecimento
a mundo,
respondendo
de transforma<;ao
com Qutras areas de conhecimento
Essencialmente,
humano,
au em suas canex6es,
aos desafios
de si e da realidade
Cipriano LUCKES1,. fj/osofla da Educa9ao, p. 122.
um
por seu ate criador,
que dele emanam,
circundante.
a homem
em urn
20
a essa necessidade de busca de
significa90esna construc;:ao
de objetos de conhecimento que, junta mente com as
relac;6es socia is, pelitieas e economicas, sistemas filos6ficos, eticos e esteticos,
Tanto a ciemcia como a arte respondem
formam a conjunto de manifestac;oes
simb6licas das culturas.
assim, produtos que expressam as experiencias
Ciencia e arte sao,
e representay6es
imaginarias
das
construindo a percurso da
historia humana. A propriaideiada ci€mciae da arte como disciplinasautonomase
produto recente da cultura ocidental. Na verdade, nas sociedades primitivas as
formas artisticas nao existem como atividades autonomas dissociadas da vida e
distintas culturas, que se renovam atraves dos tempos,
impregnam as atividades da comunidade.
Da mesma maneira como alguns rituais
sao celebrados pelo coletive - cantos de trabalho, oferendas aos deuses por uma
boa colheita ou um ana livre de intemperies - outros sao da exclusiva al98da de
curandeiros,
sacerdotes ou chefes de tribos.
No entanto, a cirmcia da curandeiro
nao esta isoJada dos rituais que se expressam no canto, na danya e nas inovayoes
(preces),
que
artisticas.
de
Nao
poderiam
ser
ha separayao
considerados
os ancestrais
entre vida, arte e ciel'ncia, tudo
das
e
nossas
formas
vida e manifestayao
vida.
13
Para reconhecer e melhorar a compreensao sabre a arte e sua hist6ria, bern
como sobre as influemcias culturais af presentes, a necessario um aprofundamento
sabre as praticas artfsticas.
E
necessaria perceber e analisar como as relac;;oes
artisticas e estaticas vem ocorrendo ao longo do processa hist6rico-social da
humanidade.
Mais que isso, deve-se verificar como
G
essas relac;oes culturais
mobilizam valores, concepc;oes de mundo, de ser humano e de gosto dos diferentes
grupos sociais.
Toda essa mObilizac;aada arte mostra as inumeras visualidades, sonoridades,
falas, movimentos, cenas que urn indivfduo procura, desde a sua infancia, tamar
consciencia de como se produz e se interpreta. Essa consciencia pode/entao/auxiliar
au ajudar
° individuo a conhecer e reconhecer as manifesta90es e interferencias da
arte em sua vida. Com relac;aoao ensino da arte, a preciso verificar quais das praticas
artisticas e estaticas existentes na vida contemporanea quer-se mudar como tarnbam
13
BRASIL,
MiniSlcrio da Educa9no c Cultura, Paromcfros Cllrriclllarcs Nacionais, p. 3 L
J
21
quais deseja-se
em continua
Assim,
escolares
contribuir
e
papel da escola estabelecer
em arte deve ser uma pratica
os vfnculos entre os conhecimentos
produtyao e aplicagao
A escola deve portant9- possibilitar
0 ensina
para que
desconhecido,
trabalhe
Ou seja, a educ8g8o
sobre a arte e as modos de
sociedade.
que viv8.
manter inalteradas.
reformulag8o.
e a aprendizagem
0
arriscar
conhecer
hip6teses
mais,~sfor9aP-se
das aprendizagens
ausadas.
e~egra?-se'
que realiza.
de arte, realizados
seja tambem
desses
ao aluno entender
de forma
maravilhar-se,
Pod
tambem
desfrute
0
na
mundo
criativa,
divertir-se,
era conlribuir
com descobertas,
conhecimentos
melhor
brincar
para que
em
poderao
com 0
0
aluno
na sua propria
vida
?
22
3. A ARTE E A INTERDISCIPLINARIDADE
Diante
proposta
dos atuais
pedag6gica
cornentada.
atraves
Contudo,
da arte,
pro posta
processos
de mudan~a
de interdisciplinaridade
e
visando
antes
de se apticar
necessario
permitir
urna breve
urna
melhor
e inov8C;;8o do ensina,
surge
urna
cuja influemcia no ensina da arte sera aqui
interdisciplinaridade
analise
dos
na
pratica
pressupostos
compreensao
do
seu
escolar
basicos
senti do
no
desta
contexto
escolar.
3.1.
TRABALHANIlO
A palavra
palestras
A INTERIlISCIPLlNARIIlAIlE
mais
pronunciada
ou acontecimentos
proposta
interdisciplinar
atualmente
importantes
esta hoje presente
Sabre a interdisciplinariade,
de
na grande
no discurso
Ivani Fazenda
maioria
e
educ8c;;ao
dos congressos,
interdisciplinaridade.
pedag6gico
faz a seguinte
colocacyao:
C .. ) A ideia e norteada par eixos basi cos como: a inten~o,
totalidade,
0
A
brasileiro.
a humildade,
a
respeito pelo outro etc. 0 que caracteriza uma pratica interdisciplinar
e
o sentimento intencional que ela carrega.
intenc;:ao consciente,
Nao ha interdisciplinaridade
clara e objetiva por parte daqueles
se nao ha
que a praticam.
havendo inten~o de um projeto, podemos dialogar, inter-relacionar
no entanto estarrnos trabalhando interdisciplinarrnente.
Nao
e integrar sem
l
-4
A
conhecimento
interdisciplinaridade
que
provoca
educadores
ainda
irnplantayiio
na educayiio.
de
l4
aspectos
tais
constitui
diferentes
se sentem
como:
inseguros
pluri
I"ani C. A. fAZENDA, i'rclticas lmerdisciplinares
novo
nos
e perplexos
Os estudiosos
multi,
urn
rea96es
paradigrna
profissionais
frente
e pesquisadores
£:scola, p.34-S.
possibilidade
se perdern
e transdisciplinaridade.
lin
a
ernergente
de ensino.
do
Muitos
de sua
na diferencia9ao
Qutros
estao
mais
23
,,>
preocupa~as em fazer retrospectivas historicas da evoluc;ao
interdisciplinaridade
E
cuidadosa
necessaria
levara
Ainda segundo
do conhecimento em
atraves dos seculos.
entao conhecer
esses estudos,
pais uma reflexao
epistemol6gica
a urn considen:ivel progresso nos estudos sabre interdisciplinaridade.
Ivani Fazenda:
Sabemos, par exemplo, em termos de ensina, que as currfculos organizados
disciplinas
tradicionais
que pouee ou nada valerao na sua vida profissional,
desenvolvimento
processar-se
pelas
conduzem 0 aluno apenas a urn acumulo de informa90es
tecnologico
Btual
e
de ordem
tao
com a velocidade adequada a esperada
principalmente
porque 0
variada que fica impassive I
sistematizaqao
que a eseela
requer.1S
Em alguns casos isolados, edueadores de certas escolas tem deixado de lado
os conhecimentos tradicionalmente sistematizados e organizados, e tern partido/Lmica
e exClusivament'i' para a organiza~o
curricular a partir de uma exploraC;ao
indiscriminada de conhecimentos do senso comum. Esquecendo-se, com iSso, que 0
senso comum, deixado a si mesmo,
e conservador
maiores que 0 conhecimento cientifico.
e pode gerar prepotencias ainda
Contudo, 0 senso comum, quando
interpenetrado do conhecimento cientifico, pode ser a origem de uma nova
racionalidade, pode conduzir a uma ruptura epistemol6gica em que nao e possivel
pensar-se numa racionalidade pura, mas em racionalidades, onde 0 conhecimento nao
serra privilegio de urn, mas de varios.
Isto significa que 0 pensar interdisciplinar parte do princfpio de que nenhurna
forma de conhecimento
e em si
mesma racional. Tenta, pOis, 0 dialogo com outras
I,,\-e,-~oe-l-ror
?
'
formas de conhecimento, deixando-se interpretar par elas.
Pensando dessa forma, um projeto interdisciplinar de ensino consegue
estabelecer relac;Oesconscientes entre as pessoas e as eoisas. Tern que ser um
15
Ivani C. A. FAZENDA, Praticas InterdisciplillareslICI l::Scola, p. 16.
24
projeto
nao voltado
simples
apenas
ato de vontade.
Ivani Fazenda
para a produ~o,
Oesta maneira
faz ainda a seguinte
No projeto interdisciplinar
mas que esteja
tambem
em urn
colocac;ao:
nac se ensina, nem
e
presente
sera impasto.
ele jamais
S9
aprende: vive~se, exerce-se.
responsabilidade
individual
a marea do projeto
interdisciplinar,
responsabilidade
esta imbuida do envoJvimento - envolvimento
A
mas essa
esse
que diz
respeito ao projeto em si, as pessoas e as jnstjtui~6es a ele pertencentes.
o projeto interdisciplinar
atitude interdisciplinar)
Num projeto interdisciplinar,
de ordem
material,
as vezes de urn (aquele que ja passu! em si a
surge
e se contamina para as outros e para a grupe.
comumente, encontramo-nos
pessoal,
institucional
com multiplas barreiras:
e gnoseologica.
Entretantanto,
tais
barreiras poderao ser transpostas pelo desejo de criar, de inovar, de ir alem.
o
e a ousadia
que se caracteriza a atitude interdisciplinar
da busca, da pesquisa:
e
a transformarrao da inseguran.ya nurn exercicio do pensar, nurn construir.
A solidao dessa inseguran~a
individual que caracteriza
0 pensar
pode diluir-se na troca, no dialogo, no aceitar 0 pensar do outro.
interdisciplinar
Exige a passagem
da subjetividade para a intersubjetividade.16
3.2.
A INTERDISCIPLINARIDADE
NA ESCOLA
Mesmo que a intedisciplinaridade
e trabalhada
em algumas
descobrirarn
0
seu significado
estarem
mais preocupados
aspecto
importante
leva
0
professor
interdisciplinar
16
escolas,
esteja sendo bastante
pode-se
com quest6es
grandes
corriqueiras
a questao
dificuldades.
Praricas interdiscip/illares
lIa Escota,
comentada
da fragmenta9ao
Se faz necessario
p. 17·8.
ainda nao
de sua importancia,
do seu dia-a-dia
e uma vi sao global do ensino.
(yani C. A. F AZENDA,
divulgada.
que rnuitos professores
ou ainda nao estao conscientes
deve ser considerado:
a enfrentar
constatar
escolar.
por
Urn
do en sino, que
entao urn enfoque
25
Neste senti do
0
pensamento
de Heloisa
...trabalhar a inlerdisciplinaridade
Luck
e bastante
como urn processo que leve em considera980
cultura vigente e a sua transforma~o,
como condi~o
promova as principios interdisciplinares.
urn corpo
conceitual
que
deve
S8
Entende-se,
fundamental
integrar
S8
de
da pratica e naD como parte de
logicamente
portanto, que a espirito
mais importante que a lelra que a representa.
a
para que
Em primeiro lugar, e necessaria que
importancia a esses principios, como orientadores
disciplinaridade).
esclarecedor:
(como
acontece
da interdisciplinaridade
Seu carater
naD e
na
e
normativQ e sim
17
explicativo e inspirador.
e
Em todo esta processo
interdisciplinar em que
S8
preciso verificar
grau de conhecimento
0
encontram os professores. Deve haver tambem motivayao
para que se discuta quais sao os problemas principais do ensino. A busca do dielogo e
inte9ra9ao neste momento sao importantes, para que a postura mental do professor,
com rela9aO ao conhecimento, nao seja alterada.
transforma,ao
pedagogica.
Regina Bochniak
Trabalho interdisciplinar
realizando
a
partir
interdisciplinar
cotidiano,
desafio de desmistifica-Ias
0
atraves
de
pequenos
se disp6e a superar
homem, com
ou a desafio
A partir dai se estabelece uma
seguinte:
0
homem,
0
0
complexas,
Trabalho
aeata a
Como, por exemplo, a
que seja visao de totalidade a partir
pais que e a fragmentayao
de desvelar
passos.
barreiras
na simplicidade da sua essencia.
das vis5es fragmentadas,
subsidia;
0
porque disposto e motivado a grandes desafios que se vao
do
que, quando
de desvelar para
diz
que a visao de totalidade
que venha a ser
a sugestao (da teoria
na escola. E
educacional) de desenvolver a espfrito critico do aluno, exercitando-o
tambem
0
do professor - e indispensavel
nao admita barreiras estabelecidas,
registrar.
Trabalho
s6 porque consagradas,
interdisciplinar
que
entre niveis de ensino
e tipos de escolas, por exemplo, e que se disponha a, desde as series iniciais do 1.°
a ensinar e/ou aprender, com os alunos,
grau (e por que nao desde a pre-escola?)
dos alunos e/ou para os alunos,
0
que seja pesquisar.
Trabalho interdisciplinar
procura observar as atividades cotidianas desenvolvidas
perceber,
para delas captar e descrever
estabelecem
no cotidiano,
adequadamente
sempre com
programa-Ias,
0
modifica-Ias,
prop6sito
realiza-las.18
11
II!
Hcloisa LUCK, Pedagogia Intcrdisciplinnr, p. 33-4.
Ivani C. A. fAZENDA, l'rt'llicas Interdisciplinares nn Escota, p.136.
de rela96es
que se
de melhor explore-las,
de forma
que
numa escola, para nelas
a multiplicidade
sempre
mais
mais consciente
26
3.3.
A INTERDlSCIPLlNARIDADE
NA ARTE E A QIJESTAO
No ensine da arte, a ideia
DA POLIVALENCIA
e
de polivalencia
vista como
urn trabalho
interdisciplinar reduzido, ou seja, ende as tres linguagens artfsticas: teatro, musica
artes plasticas,
devam
nao 56 conteudos
ser ensinadas
diversos,
ao mesma
tempo.
0 professor
e
tern que dominar
mas as tres linguagens.
Segundo Ana Mae Barbosa (1998), na Educayao Artistica brasileira
ha
tres
propostas metotol6gicas:
1. Po/iva/fmcia - a sintese das artes que, tentada ha mais de dez anos no sistema,
para todos as niveis de educayao
impassivel,
(f, 2", e 3° graus),
produzindo um ensina inacuD, uma educaryao
tern
S8
demonstrado
estetica descartavel,
urn
fazer artfstico pouco solido e um apreciador de arte despreparado.
2. Integraqao conc€mtrica - que em geral
0
professor
confunde com polivalencia,
como me disse um aluno urn dia,
- Eu sou polivalente e sou bom professor,
Quase sempre dou 0 bumba-meu-boi.
boi, e tem musica acompanhando;
Na verdade,
este professor
musica em fun~o
Eu trabalho na sala de aula com folclore,
As crian98-s danyam, fazem as roupas e 0
portanto
e polivalimcia,
esta centra do no teatro, nas artes cenicas.
do espetacul0 e as artes plasticas em fun~o
Usa a
da construc;ao de
personagens.
E
uma linha de trabalho que deve ser incentivada na escola, mas sem prejuizo da
integra~o
alocentrica.
3. Integraqao alocfmtn'ca ou interdisciplinan"dade
organizadores
-
e
a explora~o
dos principios
e da gramatica articuladora da obra de arte na musica, na expressao
corporal, nas artes visuais e no teatro separadamente,
levando entretanto 0 aluno a
perceber a que ha de similar e de diferente entre as linguagens artisticas,19
I!J
Ana Mac BARBOSA, Arle-£dl/caycia: Colfjliros!/!cerlUs, p.88.
27
A intedisciplinaridade
na arta
quer
dizer:
rompimento
de
barreiras
entre
0
visual, 0 gestual e 0 sonoco. As linguagens artisticas podem ser trabalhas em conjunto,
ja que ha urn inter-relacionamento
entre elas.
entre as linguagens artisticas
relacionamento
Urn exemplo
de como
pode dar certo,
esla
inter-
foi a organiz8C;8o
curricular da faculdade de Arquitetura de Sao Jose dos Campos, em Sao Paulo,
tu:> <')0-.1
experiencia
de curta
durac;aOe'aS
disciplinas
S9agruparam
em torna de projetos
a
desenvolver.
Durante a XIV Festival de Invemo de Campos do Jordao
trabalharam interdisciplinaridade
(1983). duas oficinas
atraves do principia de incorporac;ao funcionai.
Os
professores da oficina de fibra e da oficina de teatra, na sala de aula, planejaram
um trabalho por meio do qual, na primeira semana, haveria
especifico das linguagens (t€lenica,
da oficina de fibra faria as roupas para
0
aprofundamento
grupo de teatro na sala de aula, mas para
isso teriam de entrar no jogo dramatico dos personagens
com eles, passando pelas mesmas experiencias
deu porque houve necessidade
0
materiais, ideias, etc.) e, na segunda, 0 grupo
que iam vestir, atuando
corporais,
etc.
de um grupo exercer uma fun~o
A integra~o
se
junto ao outro,
resolvendo um problema de vestir 0 espetaculo.
o
processo
de incorpora~o
funcional
representa
uma forma
disciplinas atraves do conhecimento, experiencia e organiza~o
Outro exemplo de interdisciplinaridade,
experienciado
as
nas oficinas do XIV Festival
de Campos do Jord,§o, deu-se nos moldes da incorporayao
objetivos.
de integrar
de pensamento.
por identificar;ao
de
Uma oficina de musica, uma de teatro e outra de desenho trabalharam
objetivo comum de reviver a memoria de espar;os.
professores
similaridades
especializados,
0
Os tres grupos separados, com
algumas vezes trabalharam
juntos para enlender
e as diferenr;as do significado do espac;o nas tres linguagens.
especialista em uma linguagem, artes plasticas por exemplo, conhecer
0
as
Para 0
significado
do esparro em musica e 0 teatra reafirma, delimita e/ou expande 0 significado do
fenomeno quando percebido e representado na linguagem do desenho.2D
Portanto
intensidade
para que haja realmente
de tracas
de conhecimento
urn processo
entre especialistas
nurn projeto especifico.
20
Ana Mac BARBOSA,
Arle-Edllca~iio:
ConJliloslAcertos,
p.73-4.
interdisciplinar,
e integrar;ao
e preciso
urna
das disciplinas
28
4. EXPERIENCIA INTERDISCIPLINAR
4.1.
PROJETO "MEU BRASIL BRASILEIRO"
o ensine
da arte
atraves do Projeto "Meu Brasil Brasileiro",
pela Escola Estadual Maria Pereira Martins21,
conhecimentos
abrangesse
e
buscar
encaminhamentos
toda a dinamica
escola em questao
trabalha
do grupo
com
Cicio Basico de Alfabetizac;ao
0
para
docente,
Ensino
teve
uma
ou seja,
Fundamental
"Continuum"
C.
como
realizado
em 1999
abjetivo
socializar
89ao
pedag6gica
trabalho
0
que
em conjunto.
em dais ciclos:
e 5" sarie com implantac;ao
1A
A
a 4' fase do
ate a
gradativa
8" sarie.
Ao
quest6es
iniciar
metodol6gicos
momento
necessarios
foi preciso
No inicio
conhecimento
houve
uma
mesmo
reuni6es
2\
de tempo
ideias.
pedag6gicas
tambem
uma grande
de
Com
sufrciente
iniciais
nao ocorreu
significativa.
Naquele
de troca
de
da comunicaryao,
ser a integrar;ao
os docentes
do projeto.
Ay. Ani1a Garibaldi, 5340 - Bairro Barrcrinha - Curitiba - PR.
necessidade
proporcionando
como
entre os docentes
para encaminhamento
surgiram
um
melhor
ao longo do projeto.
do projeto
da forma
para que todos
As intera90es
proposto,
e as encaminhamentos
a necessidade
experiencias
a serem desenvolvidas
de um dos objetivos
projeto
sobre a interdisciplinaridade.
as areas.
e troca
do
uma aprendizagem
te6ricos
houve
entre
interayao
das atividades
acerca
a interdisciplinaridade
para favorecer
esta integrar;ao
trocar
trabalhos
trabalhar
buscar subsidios
do trabalho,
maior
Apesar
professores,
os
S8
e informaryao
planejamento
dispunha
e planejar
quanta a forma de
era esperado
pudessem
ocorriam
de todos
os
pois nao se
conversar
esporadicamente
ou
em
29
Ana Mae Barbosa
laz a seguinte
coloca9ao
Nao se faz interdisciplinaridade
demanda
sobre esta situa9ao:
nao e
interdisciplinaridade,
E urn processo que
com conversas de corredor.
tempo, estudo conjunto, discussao,
necessaria
analise e sintese.
Para que haja
que dais ou mais professores
juntos numa mesma classe ao mesma tempo.
cada vez, mas lodos esses professores
dentro de uma pro posta e constantemente
trabalhem
A classe pode ter um professor de
devem ter uma comunalidade
se encontrarem
para rever
a explorar
0
trabalho
que esta sendo feito.22
Assim sendo, a trabalho interdisciplinar
desenvolvido
Fisica",
somente
0 trabalho
disciplinas
possuiam
se empenharam
4.1.1.
entre
conjunto
destas disciplinas
propostas
de trabalho
para atingir 0 objetivo
propriamente dito passou a ser
de "Educa9ao
Artistica"
foi passivel
semelhante
interdisciplinar
Dentro do projeto
0)
ON'
ambas
especificamente
de roda.
aspectos
e as professoras
proposto
as
responsaveis
no projeto.
"Meu Brasil BrasHeiro",1I)(. disciplinas
sua expressao
Consequentemente,
que deveriam
conhecidas
ao
musical
ser trabalhados
fenomeno
grafica
e corporal
ao planejar
e vivenciadas
• A representar;:8.o
associar;:6es
de "Educa9ao
Artistica"
?=?- ''''''''''5
Fisica~ se propuseram a realizar um resgate da cullura brasileira.
Para
0> p<o\<»o<e)
as disciplinas
planejaram
trabalhar
0 lolclore
nacional
objetivando
• A sensibilizar;:8.o
atraves
as atividades
das cantigas
foram
alguns
com as crian98s:
sonoro
a partir
de
elementos
ou
situar;:6es
ja
pela crianr;:a.
do som a ser ouvido
visuais ao ouvir determinado
Ana Mac BARBOSA,
e brincadeiras
considerados
a fim de que a crianr;:a possa
Arte-Edllcafi'io:
ConjlitosiAcertos,
realizar
som.
•0 trabalho com a voz da crianr;:a para que a ela possa se expressar
n
e de "Educa9ao
uma vez que ambas
0 Folclore Brasileiro e a /Iltertliscip/illaritiatie
e de uEduca980
tanto,
as disciplinas
p. 88.
e se comunicar.
30
• A organiza~aode materiais
• As musicas
folcloricas
para confecy8o
de instrumentos.
ou, rna is especificamente,
cantigas
de roda.
• 0 desenvolvimento do equilibria, ritmo e expressao corporal, bern como a percep,ao
auditiva, visual e corporal.
A lim de se trabalhar estes pontos, Icram desenvolvidas, ao longo do processo,
as seguintes atividades: "Explora,ao do Sam"; "Canto Sonora"; "Instrumentos Musicais:
Conlec9ao e Explora9ao"; "Explorando a Voz (Cantigas de Roda)" e, finalmente,
"Brincadeiras
de Roda"
Estas atividades
fcram
planejadas
para serem
decidiu-se
trabalhar
desenvolvidas
com crian~s entre 7 e 9 anos.
Com
UEducayao
rela<;8.o a divisao
Artistica"
das conteudos,
as linguagens de artes plasticas
na disciplina
Ja
e de musica.
de
a disciplina de
"Educa9iio Fisica" trabalhou a linguagem da expressao corporal. No final de todo a
processo
as crian<;8s fcram estimuladas
interdisciplinar
especificamente
a combinar
na atividade
as linguagens
realizando
~Brincadeiras de Roda",
a sinlese
Todo
projeto
0
teve uma dura<;8o de 4 meses.
4,2,
EXPLORACAO
Na
sonora
tinha
atividade
DO SOM
"Explora9ao
a tim de despertar
par
objet iva trabalhar
desenvolver
preparac;ao
um processo
Som~ procurou-se
do
nos alunos
a interesse
espedticamente
as estruturas
inicial de sensibilizac;ao
para as proximas
atividades
desenvolver
"-
pela musicalidade.
sonora.
em que a musica
a
percepc;ao
A atividade
musicais
tradicionais,
Trata-se,
portanto,
~;
utilizada
nao
mas
de uma
de forma
mais
elaborada.
A importancia
do sam surge
quando
sugere
a
crianc;a
0
usa da imaginac;ao.
Pode-se observar que as sons, como a apito de um trem, 0 cantar de urn passarinho,
31
au simplesmente
a
VOZ,
fazem parte do contexte
da vida cotidiana.
e
iniciar qualquer trabalho au atividade artistica,
momento
agradavel
de determinadas
e prod uti va.
atividades
Urna crian~
Portanto,
e a porque
pequena
tambem exposta
a
e
Contudo,
preciso que
necessaria
de aprender
e
a
explicar
S8
S8
descobrir
8Sta imersa no "ambiente
antes de
fac;a da aula um
criany8 as objetivos
as sons.
sonoro" de sua familia
"paisagem sonora" de sua epoca.
e esta
Ao conviver com seu grupo
social e par meio do oontato com as meios de comunicay8.o de massa (radio,
televisao, discos, etc.), ela ira construindo
seu ambiente sonoro puder
seja, quanta mais oportunidades
qualidades - do cancioneiro
comunidade,
desenvolvimento
desta
quatro
animais.
indagagoes:
a crian9C3 tiver de ouvir musicas de diferentes
popular, da tradigao cultural (folclore) e religiosa da
acham
"Alguem
as animais
a curiosidade
criangas
foi proposto
animais
ja existiram
de conhecimentos
de Chico Buarque
algumas
Tambem
"Existem
"Que animais
fazem?";
"Bicharia"
musica,
Quanta mais
sobre musica e para
0
de sua capacidade de escuta musical, ..
Como forma de incentivar
original
seu repertorio musical.
musica erudita de diferentes epocas e tipos, de ver imagens, etc. -
mais alimento tera para a constru~o
se com a musica
0
expandir, mais ampla sera sua educay8.o musical, au
S8
em todos
e a interesse
de Holanda
participam
cantando
um debate
de ideias
as lugares
e nao existem
das criangas,
mais?";
que produzem
a sam de
das seguintes
"Eles
sao iguais?";
e a sam que esses
ja ouviu a sam de um animal bem diferente?";
tao interessantes
e imitando
a cerca
do mundo?";
"Como
trabalhou-
uma vez que, na gravagao
musica
animais
"Par que as pessoas
falando
deles
e usando
a
sam que eles fazem?"
Ap6s
produzidos
ampliada
este
debate,
propos-se
par alguns animais
para a percepgao
para
as criangas
de sons corriqueiros
do dia-a-dia
barulho de um helicoptero, a badalar de um sino, etc.
23
a tarefa
a fim de tentar identifica-Ios.
BRASIL, Ministcrio da Educa~iio c Cultum,
Proje"''''or da Pre-&'co/a, p. 6-7.
de ouvir
Em seguida,
as
a atividade
como martelar
sons
foi
urn prego,
Esta atividade tambem foi
32
desenvolvida
atraves
de leituras
tendo side feito posteriormente
Qutras
realizadas
tarefas
envoi venda
ao lango do projeto,
al9m de explorar
experimentar,
4.2.1.
de imagens,
a
diversos
que resultou
explorac;ao
com resultados
as possibilidades
sentimentos
a, a associac;ao
isto
uma colagem
e
entre sons e imagens
num jogo educativo.24
entendimento
0
dos
sons
foram
satisfat6rios.
Cabe aqui ressaltar
as crianc;as
puderam
sonoras,
criar,
que
sentir e
e emoc;6es.
Exp/oralldo a Produr;iio de SOliS
Em um segundo momenta
da atividade
f>L.tJr
CI
1"'-permitir que a crianC;8 explorasse
e percebesse
"Explora9ao
r
!
diferentes
do Sam",
tipos
procurou-se
de fontes
sonoras.
Logo no infcio da atividade, as criangas perceberam que eram capazes de imitar e de
.
~-:---,
b'
prodUZlf sons
alguns a Jetos como: talheres, caixas, latas, papeis, gravetos
ede
etc.
Este
interesse
fato
aguyou
a curiosidade
sendo estas duas qualidades
trabalho.
oesta
resultado
sonora
esses objetos,
forma,
algumas
obtido
das
criangas
da turma,
e,
consequentemente,
para estimula-Ias
procuraram
pelo ato de raspar,
para que a restante
criangas
utilizadas
bater,
explorar
amassar,
as diversas
soprar,
de olhos fechados,
seu
na continuidade
jogar
tentasse
do
form as de
au sacudir
identificar
a
fonte sonora.
Posteriormente
colegas,
que opinaram
a que estes
as criangas
trouxeram
sabre possiveis
sons se assemelhavam.
bater de duas moedas
que algumas
alguns
objetos
relac;:oes existentes
Como exemplo
criangas
desta
imaginaram
de um rel6gio.
24
Consuela SCHLICHT A ct alii,
EducGviioArtistica:
Pre-Escola,
p.
GO-I.
e as apresentaram
aos
entre as sons produzidos
situagao,
assemelhar-se
pode-se
e
citar a
ao tique-taque
33
Oentro
da
sistematica
apresentada,
proporcionandodiversidade de situa,oes.
descobrisse
par si 56 as possibilidades
de
fcram
introduzidas
mudanyas,
Foi importante permitir que a crianya
produgao sonora, pois, alem de Ihe dar
prazer, essa experiemcia a preparava convenientemente para eta pas posteriores.
4.3.
CONTO SONORO
Oconto sonora consiste no relate de uma historia, improvisada ou nao, cuja
e ressaltar as elementos son ores que a constituem.
finalidade
A
ideia desta atividade
era mostrar para as crianyas que por meio do usa de alguns objetos, que produzem
sons, pode-s8 manifestar sentimentos e sens8!yoes diferentes. Duas atividades fcram
realizadas: a conto
4.3.1.
com narrayao e sem narrayao.
COllfo SOl/oro COlli Narra,(io
as alunos fcram colocados em circulo, sentados no chao, para que a aula
fluisse com mais descontra930 e animac,;aosendo que varios objetos foram trazidos
a
sala. As crianc;:asforam incentivadas a pesquisar as diversas possibilidades sonoras
de cada um deles. Em seguida, improvisou-se oralmente uma pequena hist6ria onde
as sons produzidos pelas crianyas foram incluidos. Durante a narrac;:ao,as crianyas
atuaram como sonoplastas, interferindo com 0 material sonora conveniente para ilustrar
o desenrolar das situac;:oes. Para situar melhor como
exemplo
0
0
trabalho foi feito, cita-se como
seguinte conto:
Era um /indo domingo de sol e Joiiozinho acordou com 0 canto dos
passarinhos("). Antes de levantar-se, olhou para 0 rel6gio e ficou
ouvindo 0 seu tique-taque(").
De repente, os sinos da igreja
comeqaram a tocar(") e Joaozinho saiu rapidamente da cama(").
Depois de escovar os dentes(") e se vestir("}, fai para a cazinha tomar
34
cate(*).
Em seguida,
em poder
o
ajuda-/o.
brinquedo
surpresa:
caminhou(*)
urn caminhazinho
de construir
Comeqou,
ja estava
a oncina do papai, que terminava
entao,
quase
uma buzina.
se pas a buzinar(j
ate
de madeira
pronto
para e/e.
serrar(*)
e /ixar(*).
quando
chegou
com uma
Cuidadosamente
e imaginar
Ficou muito a/egre
a marte/ar(*),
papai
e/a foi insta/ada,
a quanta
seus amigos
e Joaozinho
iriam
gostar
da
novidade!
A fim de nao restringir
a atividade
imaginac;ao das crianC;8s, elas foram
nem a
estimuladas a criar novas contos e improvisar
tiveram a liberdade de experimentar
4.3.2.
novas
novas possibilidades
historias.
oesta
forma,
elas
sonoras e musicais.
COlltO SOlloro Sem Narrar;iio
A fim de trabalhar
a conta
encenaC;8o em que as sons
desenvolvido
sonora
fossem
teve como referencia
sem
usados
a seguinte
Urn grupo de crianyas, escondidas
narraC;8o,
como
foi
objeto
proposta
principal.
urna
0
breve
trabalho
cit8c;aO:
atras de urn de urn pana, monta urna historia
so mente com sons (vozes, sons de boca, instrumentos musicais, objetos diversos).
Ao final, os ouvintes relatam 0 que imaginaram durante a audiyao e em seguida, 0
grupo expoe sua versao
Nem
sempre
ha
coincidEmcia
entre
a
inten~o
dos
apresentadores
interpretay6es
dos ouvintes, pois a expressao musical e subjetiva,
sugerindo situay6es, sem traduzir com exatidao alguma ideia.25
Durante
em movimento
a realizar;ao
pela sala imitando
comportamento,
atividade
da atividade,
e outra 0 apito.
0 trem, cada
as
criangas
uma das crianc;as fez 0 barulho
As crianc;as que estavam
uma segurando
demonstraram
ouvindo
na cintura
ter
compreendido
0
mecanismo
() Brc\'c intcrru(J(;ao na historia, ondc as crianr;as razcm os sons apropiados.
Icda C. MOURA ct aUi, Mllsica/izando Crianc;as - Tr:oria r: Pralica cia Educayao Musical, p. l4-6.
25
a andar
Atraves
e criaram assim novas situar;bes.
as
de um trem
comer;aram
da outra.
e
apenas
deste
da
35
4.4.
INSTRUMENTOS
A proposta
MUSICAlS:
desta
atividade
explora<;Slo de sons e confecgao
observar
quais
locar.
seus
Aa trabalhar
as diferentes
as crianc;as
Neste momento
de percussao
Em seguida,
para confecgao
se produzir
instrumentos,
algum
resultado
fcram
acompanhada
foi uma sinfonia
contribuiu
sonora das crianyas.
entao
excitayao
proprios
para um melhor
e adaptando
materiais
de madeira
possibilidades
de
a construyao
dos
ou "batucando".
e criassem
e euforia.
disponiveis.
peda9as
para
instrumentos
com
relacionados
a sala ficou repleta
sementes,
em grupos,
de seus
de alguma forma, explorando
positivamente
seus
Havia enfim varias
partiram
musica
conceitos
ou simples mente tocando
de descobertas,
- e as sans que as
a atividade,
latas cantenda
e
sueata.
dos recursos
a trazer
Ao realizar
que os alunos se dividissem
conhecida,
propria
ate masmo
ou
produzir
trabalhar
convidadas
As crianyas
como
na
e importante
possibilidades
somente
da sucata
a imaginar
velhas e tampas.
unindo alguns materiais,
cantar, e se expressar
atividade
- ariundas
de apaio
ouvir
as varias
usanda
toi passive]
musicais.
latas vazias,
panelas
tipo de som.
Foi proposto
uma musica
materiais
tambem
as crianc;as
ou cabos de vassoura,
expressar
come<;aram
material
lnicialmente,
costumam
mostrar
devido a caracteristica
de instrumentos
de varias tipas de abjetas:
S9
como
musicais.
permite
podem
mas mas produziam,
a instrumentos
a sueata
que as crianc;as
musicais
905t05
palas quais as crianyas
estes materiais.
foi utilizar
E EXPLORACAO
de instrumentos
sao as instrumentos
Conhecer
maneiras
CONFECCAO
ou cantassem
recem-construidos.
Todos
queriam
0
tocar,
seus instrumentos.
desenvolvimento
da sensibilizay80
A
36
4.5.
EXPLORANDO
A VOZ
Antes de se trabathar
permitir
que a crian~
caminhos
interessante
possiveis
detalhar
a questaa
das cantigas
conhec;:a sua propria
do som dentro
de rada falcloricas.
voz, consiga
do seu corpo.
urn pouco mais sabre
0
explorar
A titulo
que acontece
e necessaria
e sentir
todes
as
de esclarecimento,
e
quando
alguem
S8
disp6e
a
falar ou cantar.
Segundo
Schlichta,
Trojan e Moura ista acontees
da seguinte
forma:
1. 0 cerebra governa, dirige e comanda a execu\=3o dos movimentos
do mecanisme vocal.
museu lares
2. 0 ar, inspirado pelo nariz e/au boca, abre a fenda gl6tica e enche de ar
0
fOle
pulmonar.
3. Quando existe 0 comando para realizar a fala au canto, a (enda gl6tica
aproximando as pregas vocais por meio da a~o
~tensam".
S8
dos museu los constritores
techa,
que
S8
E nesse momento que dependendo da altura e do volume do som que se
queira emitir, as cordas vocais assumirao
(por meio de um mecanismo)
a mais
favoravel posicao e tensao para entrar em vibra~ao.
4. Para produzir
0
som, por meio da expiray80 sera enviado
0
sopro dosificado em
funyao da altura e do volume desejado.
5. Em sequencia ao ataque do som, a onda sonora se expandira pelas cavidades
de ressonfmcia: venticulos, vestibulo laringeo, faringe, boca, seios da face, maxilar,
mandibula,
nuca, cavidades
ocas na cabe~,
primitiv~ seja reforyado p~r harmonicos
etc., propiciando
assim que
0
som
que darao timbre, riqueza e amplitude a
voz.
6. Os movimentos musculares das partes blandas (boca, lingua, etc.) conduzirao
0
som para a articulayao adequada das vogais e consoantes dando forma (molde) as
palavras.
7. 0 ouvido controlara a forya imprimida, a continuidade,
a altura e a exatidao da
afinayao.26
26
Consucio SCHLICHTA
ct ulli, EdllCC7y{iO
An/Mica: rre a l serle - /)vro do ProJe~isur,p. 58.
37
A atividade
intensidade
sua
a
VOZ,
criany8
Tal Situ8 80
a crian98
perceber
as mecanismos
podera
y
comuniC8r;80.
4.5.1.
deve permitir
a fim de conhecer
expressar
S8
e trabalhada,
de ande
0
da sua pr6pria
utilizando
par exemplo,
a
som emana
voz.
musica
nas cantigas
com mais
Atraves
do usa de
como
forma
de
de roda.
Calltigas de Rada
Existe um momento na vida da crianr;:8,
aceita
0
que constata
a sua
Entre a certeza do real e
volta,
nao consegue dissociar
em que ela ainda
suas fantasias e a realidade da qual participa.
ere que
Ao mesma tempo que conhece e
pode ter ilus6es e mergulha na fantasia.
desejo do irrea], a crian<;a transita
0
entre aceitar a
realidade e viver no sonho. (...)
Nas cantigas de roda ela
e ora 0 centro,
ora a cora apresentando
a estado ende se
fundem a independencia e a necessidade do outro.
As cantigas de roda permitem e estado intermediario entre a ilusae e a realidade e
se constituem num exercicio da continuidade
e ruptura que necessita para investir
na conquista de si e do mundoY
Ao cantar
musicas
emoc;:6es e maneiras
infantis
ou folcloricas,
de se expressar.
valorizam
muito esse tipo de melodia
musicas.
0 repert6rio
"tendencias
desperta-se
Pode-se
pois ouvem,
dizer
que,
preferem
na crian98
e cantam,
comum as crianc;:as de hoje sao as musicas
musicais".
Observa-se,
no entanto,
diferentes
hoje em dia,
que a atividade
outros
da "moda"
folclorica
elas
nao
tipos de
au novas
ainda
e urn
lator de identidade cultural entre as crian9as. Isto decorre do lata das can90es
populares
serem adaptadas
Nesta
trabalhou
atividade
as cantigas
da cultura brasileira,
21
Jose Pereira
RODRIGUES,
como brincadeira
houve,
portanto,
meramente
valorizando
traduzindo
urn resgate
reinventadas
p.
IL
jil existente.
das cantigas
mas sim as cantigas
assim a identidade
CanOga de Roda,
0 folclore
nacional.
de roda.
Nao se
que fazem
parte
38
Figura 1: Alunos encenado a cantiga "0 Cravo e a Rosa".
4.6.
BRlNCADEIRAS
DE RODA
A atividade "Brincadeira de Roda" e urn instrurnento valioso para se trabalhar
conceito
de
seguirem
"regras~. Atraves desta atividade,
determinadas
regras
pode-s9
a fim de possibilitar
0
ressaltar
a importancia
de todos
a brincadeira.
Isto permits
a crian98
cornpreender que, no trabalho coletivo, as regras devern ser respeitadas por todos
pais,
alguem as quebrar, prejudicara
S8
Atraves
da brincadeira
0
trabalho do grupo inteiro.
de roda fica mais facil para a crian98
entender
e ate
participar da elabora9iio de regras de conveniencia. A crian9a aprende a se respeitar
percebendo
sua importancia
para
respeitar
Dutro superando
assim a individualismo
0
trabalho coletivo e solidario.
seja,
pode
aproximar
as
0
funcionamento
do grupe.
Cantar em conjunto tambem
crianyas.
Atraves
Ela tambem
e a competitividade
facilita as tracas
da atividade
coletiva,
aprende
atraves
a
do
sociais, ou
ou mesmo
da
39
participac;ao individual,
as
brincadeiras
de
roda cantadas
permitem
trabalhar
a
formac;ao social das crianr;as.
Dentro da atividade "Brincadeira de Roda", a primeira tarefa foi a explora9fjo
dos espal'os internos e externos. Tal tarefa foi trabalhada atraves da formal'iio de um
drculo,
0
que caracterizou
uma primeira
experiencia
coletiva.
Tambem
foi preciso
aprender a dinamica do corpo em movimento (avanl'8r, voltar, girar, agachar, etc.) a fim
de permitir que a crianC;8 S8 situasse no espac;o.
Em urn segundo momento, desenvolveu-se
sincronizar
as movimentos
das
as estruturas temporais de forma a
crianc;as no espac;o
enquanto
elas cantam
e giram.
Tambsm foi preciso treinar a coordena~o espa~-temporal presentes nas coreografias
das rodas cantadas.
devem
E
permitir trabalhar
importante
a
ressaltar
coordenac;ao
que as movimentos
do pensamento
nas
das
criant;as
coreografias
ao combinar
varias atividades distintas.
Figura 2: Alunos participando da brincadeira de roda cantada "Caranguejo".
40
Observou-se
que
durante
as brincadeiras
de roda
cantadas,
as
criang8s
puderam se movimentar e participar da atividade ativamente, numa integrayao do
carpa, do grupo e da aprendizagem.
4.7.
CONSIDERA(:OES FINAlS
Ao longo do desenvolvimento das atividades, foi muito interessante notar as
significativas
mudang8s
ocorridas
no processo
ensino-aprendizagem.
Em
Qutras
palavras, houve um melhor aproveitamento (aprendizagem) por parte dos alunos dos
conteudos
propostos
A integragao
nas disciplinas
de "Educ8gao
das linguagens:
Artistica"
Artes Plasticas,
e "Educayao
Musica
e
Fisica".
Expresseo Corporal
(esta ultima ligad~especificament,;;a disciplina de "Educayao Fisica"), nao se deu no
plano dos conteLidos, nem das estrategias.
Cada disciplina
ideia
Houve, portanto, objetivos comuns e
atraves
de
estrategias
distintas.
encaminhamentos parelelos que
direcionaram
S8
desenvolveu
sua propria
para urn resultado comum.
As atividades descritas neste trabalho correspondem apenas a uma parte da
proposta integral para a projeto.
longo de todo
identificaram
em
participar
conhecimento
educacional.
0
Momentos
de difrculdades
e duvidas ocorreram
ao
processo. Pode-se observar, por exemplo, que alguns professores se
com a proposta enquanto
efetivamente
deste
foi
permitindo
possfvel,
outros nao conseguiram,
processo.
Ainda
vislumbrar
uma
assim,
ou se empenharam,
a
construyao
transformayao
social
do
e
41
5. CONCLUSOES
Os
resultados
produtivQS sendo
atraves do projeto
compreensao
alcan9ados
atraves
do
projeto
inlerdisciplinar
foram
tambem muita valiosa a experiencia em si. Foi interessante
que a interdisciplinaridade
do contexto
global
da
estimula
educa980
a educador
muito
perceber
a buscar urna maior
proporcionando
urn aprimoramento
constante do processo ensino-aprendizagem.
Deve-s8
ressaltar
pedag6gicos como
ainda a importancia
de urna solida base te6rica
de conceitos
significado do conhecimento e da interdisciplinaridade. Uma boa
0
fundamentay80 te6rica auxilia no discernimento das situ890es verificadas na pratica de
ensina permitindo melhor caracteriza-Ias
Finalmente, urn projeto
efetiva
dos
conteudos
pois
deve
se
trabalhar
a
caracterizar-se
a estrutura
motivaryao nos alunos e oportunidade
de
e contextualiza-Ias.
de trabalho
interdisciplinaridade
par favorecer
de funcionamento
atraves
dos
com autonomia.
de
projetos,
a aprendizagem
projetos
Contudo,
requer
cria
muita
a proposta
uma
reflexao
constante por parte do professor que deve estar sempre atento as realidades
vivenciadas
pela comunidade
onde atua.
42
REFERENCIAS
BffiLIOGRAFICAS
[1 [
ABRAMOVICH,
Fani. Quem Educa Quem?
[2J
BARBOSA,
Sao Paulo: Summus,
Ana Mae (Org.). Arte-Educa~ao:
Leitura
1985.
no Subsolo.
Sao Paulo:
Cortez, 1999.
[3J
__
. Arte-Educa~ao:
Conflitos/Acertos.
[4J
__
" Arte-Educac;ao
Perspectiva/Secretaria
no
Brasil:
Sao Paulo: Max Limonad,
das
origens
1984.
ao modernismo.
da Cultura, Ciencia e Tecnologia
Sao
Paulo:
do Estado de Sao Paulo,
1978.
[5J
BATTISTONI
FILHO,
Duilio.
Pequena
Historia
da Arte.
Campinas:
Papirus,
1995.
[6J
BOSI, Alfredo. Reflexoes
sobre a Arte. Sao Paulo: Atica, 1991
[7J
BRASIL.
Educa<;iio.
Professor
[8J
Ministerio
CURITIBA
Questao
da
da Pre-escola.
Secretaria
de
Funda<;ao
de
Assistencia
ao
Estudante.
Rio de Janeiro, v. 2, 1991.
Municipal
Compromisso.
da
Educa<;ao.
Desenvolvido
pelo
Educa~ao
Artistica:
programa
de
Uma
Educa<;ao
a
Distimcia da SME. Curitiba, 1998.
[9J
CURITIBA
Municipal
do ensina
[10J FARACO,
Secreta ria
de Ensino.
Municipal
da
Compromisso
na escola publica.
Curitiba,
Carlos Emilio & MOURA,
Paulo: Atica, 1998.
Educa<;ao.
permanente
Curriculo
Basico
para a mel haria
da
Rede
da qualidade
1991.
Francisco
Marta. Literatura
Brasileira.
Sao
43
[11J FAZENDA,
Ivani Catarina Arantes (Org.). Praticas
interdisciplinares
na escola.
Sao Paulo: Cortez, 1993.
[12J
(Org)
A
conhecimento.
[13J
pesquisa
Campinas,
em
educayao
e
as
transformayoes
do
SP: Papirus, 1995.
(Org.) Metodologia
da pesquisa
educacional.
3.ed. Sao Paulo: Cortez,
1994.
[14J __
. Interdisciplinaridade:
Historia,
teoria
e pesquisa.
2.ed. Campinas,
SP:
Papirus, 1995.
[15J FERRAZ,
Maria Heloisa C. de T. & FUSARI, Maria F. de Rezende.
do Ensino
[16J LUCK, Heloisa.
Petropolis,
Pedagogia
interdisciplinar:
fundamentos
teorico-metodologicos.
RJ: Vozes, 1994.
[17J LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia
[18J MOURA,
Metodologia
de Arte. Sao Paulo: Cortez, 1993.
leda Camargo
da Educayao.
Sao Paulo: Cortez, 1994.
de, e outros. Musicalizando
Crianyas:
Teoria
e Pratica
da Educa9ao Musical. Sao Paulo: Atica, 1989.
[19J Parametros
Curriculares
Educa9ao Fundamental.
[20J Parametros
Educa9ao
[21 J PARANA.
Publica
Curriculares
Fundamental.
Secretaria
do Estado
Nacionais
(s" a s"
Brasilia: MECISEF,
Nacionais
a
(f
Brasilia: MECISEF,
Series):
ArtelSecretaria
de
Series):
ArtelSecretaria
de
1998.
4"
1997.
de Estado da Educa9ao.
Curriculo
do Parana. Curitiba: SEED, 1990.
Basico
para a Escola
44
[22]
PORCHER,
Summus,
Louis.
Educa9ao
[23]
RODRIGUES,
[24]
SAVIANI,
Jose Pereira.
Demervai.
SCHLICHTA,
Educa9ao
Consuela
Artistica:
Cantiga
Educa9ao:
Sao Paulo, CortezlAutores
[25]
Artistica:
Luxo
ou
Necessidade?
Sao
Paulo:
1982.
de Roda.
Do Sen so Comum
Associados,
a
Magister,
Consciencia
1992.
Filosofica.
1980.
A. B. D.; TAVARES,
Pre a
Porto Alegre:
Isis Moura;
4' Serie. Curitiba: M6dulo, 1996.
TROJAN,
Rose
MerL
45
ANEXO: MOVIMENTOS
A.!,
ARTiSTlCOS
0 ESTILO BARROCO
Enquanto
a simetria,
as manifestat;oes
a linearidade,
artistico de beleza
emoc;oes
par
exuberantes,
maio
os
do Renascimento
e claras
prior;zavam
e tin ham
0
desenho,
como padrao
classicos da AntigOidade, a artista barroco expressava
de
que davam
artisticas
as composic;oes simples
estruturas
a obra
artisticas
um equilibria
organizadas
com
cores
e
suas
volumes
assimetrico.
Figura 3: "As Tres Grayas" de Peter Paul Rubens (1577-1640).
o
Barroco e urn estilo artistico que surgiu na ltalia, no final do seculo XVI, e
logo se propagou por toda a Europa e colonias da America Latina, assumindo
caraoteristicas
proprias de cada regiao.
46
Representando
como beryo para
governo
baseado
urn periodo que vai do
seu desenvolvimento
0
no poder
absoluto
marcado par urn intense intercambio
comercial
ocasionada
europeia,
atraindo
renascentistas.
S8 obrigada
movimento
sekula XVI ao XVIII,
a Europa
de urn monafe8.
de toda
a Europa
periodo
Roma tornou-se
pelo
seu
grande
chamado
Contra
No intuito de renovar
Reforma,
favoreceu
surgimento
0
de Jesus.
influenciou diretamente
do Barraco e proporcionou
nascimento
de
fai
revolw;;ao
centro da arte
0
de obras
Protestante,
viu-
a fe crista, a Igreja, num
religiosas, dentre essas a Companhia
0
tambem
numero
Nessa epoca, a Igreja Cat6lica, abalada pel a Reforma
a rever seus valores.
teve
urn sistema
cultural entre as na<;oes - era a propria
pel as granctes navega<;oes.
artistas
Esse
Barraco
0
ande prevalecia
varias ordens
de
0 caminho seguido pelo catolicismo
a desenvo[vimento
artistico da epoca.
Para
desenvo[veu
inumeras
construe,;oes
plantas irregulares,
linhas curvas,
construiu
de
igrejas
criou fachadas
paredes
concavas
e
mosteiros,
0
ricas em detalhes,
e convexas.
decorativos e a emprego de torres sao caracterfsticas
est;[o
barroco
priorizou a uso de
Formas
ovais,
frequentemente
elementos
encontradas
na
arquitetura barroca.
Na pintura,
arquitetura.
0
Barraco encontrou espae,;o para
De caracterfstica
0
seu desenvolvimento,
assim na
ilusionista, a pintura, ao utilizar a perspectiva,
bem como
a contraste de luz e sam bras, conquistou a espae,;o interno das igrejas, proporcionando
aos fieis a ilusao de um espae,;o amplo.
Michelangelo
Merisi
renascentistas,
representar
tambem
representou
as figuras
representou
Rembrandt,
Caravaggio
em suas obras
sagradas
a
0
estilo
primeiro mestre
(1573-1610)
como
barroco
que,
a homem
her6is.
dando
Petrus
ao
da pintura
contrario
rude
do pava
Paullus
destaque
para
Rubens
a
barroca
dos
foi
mestres
e deixou
de
(1577-1640)
figura
humana.
pintar holandes, evidenciou em suas abras a jogo de luz e sam bras.
Diego
47
Velasquez,
na Espanha,
pintou retratos de familias e de cenas religiosas.
(Esses sao
alguns mestres da arte barroca).
o perfodo
descobertas
arte
para
criativa
artes plasticas,
representou,
mundo;
nao
que
proporcionasse
A.2.
barroco
0
uma
sem duvida,
demonstrava
56 atendesse
evasao
mas tambem
BARROCO
homem
0
imaginaria.
0
teatro,
aos
historico de grandes
momento
anseios
Dessa
a dan98
0
sua necessidade
maneira,
de reinventar
politicos-religiosos,
8stilo
0
uma
e
conquistou
sim
nao as
e a musica.
NO BRASIL
A Companhia de Jesus, no intuito de propagar a fe Crista, construia igrejas nos
locais em que passava.
chegada
do arquiteto
Oessa forma fo; introduzido,
Francisco
no Brasil, 0 8stilo barraco.
Dias, padre jesuita,
a 8stilo barraco
Com a
passou a fazer
parte da arquitetura geral.
Responsavel por constru~6es como
0
Real Colegio Jesuita de Olinda e
0
conjunto Jesuitico de Salvador, hoje catedral da cidade, Francisco Oias infiuenciou,
com suas obras, muitas construgoes
religiosas da epoca.
No seculo XVIII, com a explora~o
barraco
leve
desenvolvimento
mineira,
5ustentagao
da vida urbana,
ocasionando
do ouro e das pedras preciosas,
S8 expandir.
para
0
a transformag8o
Num
clima
pavo brasileiro fai atrafdo
da paisagem
de dais e Ires pisos, igrejas foram construidas
0
estilo
prosperidade
pela riqueza
arquitetonica.
e restauradas
de
Surgiram
e
da regiao
sobrad6es
- todas enriquecidas
com
Duro.
A maior figura da arte barroca brasileira foi Antonio Francisco lisboa (17301814), popularmente conhecido por "Aleijadinho".
0 artista viveu na regiao mineira
48
onde executou obras como chalarizes, pulpitos, Irontoes, altares e esculturas.
Representou
cenas
da
Paixao
policromada,
e esculpiu
encontram-se
em Congonhas
de
Cristo
as doze profetas
em
em
estatuas
esculpidas
pedra-sabao.
em
As esculturas
madeira
aladas
do Campo, em Minas Gerais, no atria da Igreja de Born
Jesus de Matosinhos.
Figura 4: "Profeta Ezequiel", Antonio Francisco Lisboa, "Aleijadinho" (1730-1814).
o
atra980
condi0es
A.3.
estilo barraco,
visual.
pela riqueza das
No Brasil, recebeu
regionais
onde
S9
form as, despertava
urn tratamento
que
no espectador
variou
de acordo
grande
com as
desenvolveu.
0 ESTILO NEOCLAsSICO
Ao final do seculo XVIII, influenciada pelos ideais da Revolu9ao Francesa, a
Europa
S8
voltou para a antiga
civilizayao greco-romana.
A descoberta das cidades de Pompeia e Herculano, soterradas pelo Vesuvio,
no ana
de 79
da era
crista,
proporcionou
mudany8s
de
ordem
social.
Pec;:as
49
decorativas,
utensilios
nas cidades
soterradas,
domesticos, monumentos,
serviram
templos
como materia-prima
e
Os padroes de beleza foram logo modificados.
classicismo
greco-romano
Nos
sandalias
no intuito de reelaborarem
habitos populares, percebia-se
mausoleus, encontrados
para novas
criac;oes.
Os artistas voltaram ao
a arte da AntigOidade.
como moda
0
usa de tunicas gregas
e de
de tiras tranc;adas.
De acordo
Neoclassica,
0
com essas
qual
registrou
idaias, nasceu
as
0
85tilo que S8 convencionou
habitos e interesses
da
burguesia
a
chamar
de
epoca
da
Revoluyiio Francesa e do Imperio de Napoleao.
Figura 5: "A Morte de Marat", Jacques Louis David (1748-1825).
Com a ascensao
de Napoleao
Bonaparte,
0
artista plastico
David (1748-1825), "ditador' dessa moda greco-romana, passou a ser
imperial onde criou a academia de Belas Artes.
Jacques
0
Louis
pintor da corte
Prornulgou urn cOdigo artistico,
50
baseado em formas academicas do seculo XVIII e acreditava que a arte deveria ser
nobre
e acesslvel,
a
tematica de inspira~ao hist6rica ou mitologica e de can3ter
descritivo.
Os paetas faziam interpretayoes
verbais a
partir da observay8o de pinturas.
Na musica, buscava-se atingir uma estatica que refletisse clareza, equilibrio e
objetividade na sua estrutura formal, em lugar da subjetividade e do emocionalismo
exagerado. 0 autor de maior destaque nesse periodo foi Wolfgang Amadeus Mozart
(1756-1791).
A arquitetura neoclassica destaca-se na construyao de templos, arGOS e no
emprego
de
frontaes e colunas.
neoclassica, como par exemplo
0
Ainda hoje, encontramas obras de arquitetura
"Areo do Triunfo" em Paris e a uCasa Branca" nos
Estados Unidos.
A.4.
NEOCLAsSICO
No Brasil,
0
NO BRASIL
estilo neoclassico foi introduzido pelos artistas componentes da
Missao Francesa que chegaram ao pais, em 1816, e fundaram a academia de Belas
Artes no Rio de Janeiro.
Dentre esses. destaeam-se Jean Baptiste Debret que
registrou em sua obra cenas cotidianas da sociedade carioca, da corte de Oom Pedro I,
assim como da escravidao e da vida dos indios; e Nicolas Antoine Taunay que pintou
cenas da natureza brasileira.
Como exemplo da arquitetura neoclassica brasileira, encontramos, ainda hoje,
o portico de ferro que pertence ao antigo pn;dio da Academia de Belas Artes do Rio de
Janeiro, projetada pelo arquiteto Grand-Jean de Montigny. A easa do artista, tambern
51
neoc1assica, pertence, hOje, a Pontificia Universidade Cat61ica do Rio de Janeiro.
Existem outras obras desse estilo espalhadas pelo pais.
Figura 6: P6rtico da Academia Imperial de Belas Artes, Rio de Janeiro.