John Haggai PREFÁCIO Muitas vezes “as tentativas de se analisar a liderança tendem a fracassar porque quem empreende a análise se mostra equivocado quanto a essa tarefa. O que acontece é que ele não estuda, de forma plena, tudo o que, afinal, se entende por liderança. Em lugar disso, estuda popularidade, poder, representação ou a capacidade de efetuar um planejamento a longo prazo”. Assim se expressava W. C. H. Prentice, há vinte e cinco anos, escrevendo, para a Harvard Business Review. Já, naquele tempo, Prentice estava certo; e o está ainda hoje. À lista de concepções erradas apresentada por Prentice eu poderia acrescentar mais algumas criadas pelos analistas que se dispõe a analisar a liderança cristã: o espírito de servo, a habilidade de organizador, a competência administrativa e o fervor na oração. Todos esse elementos, embora sejam importantes, não afetam na questão da liderança. O que distingue este livro de outros é a identificação de doze princípios de liderança. Tais princípios não constituem habilidades – embora essas possam ser usadas para aprimorá-los – mas, antes de tudo, são características. São aqueles fatores que tornam um líder diferente de outras pessoas. Desenvolvendo esses princípios, o líder poderá desincumbir-se das responsabilidades de sua posição do modo mais eficiente possível. O leitor vai constatar que este livro focaliza os líderes, não simplesmente os realizadores. Damos graças a Deus pelos realizadores, que tanto enriquecem nossa cultura e que, por seu exemplo, nos inspiram. Entretanto, faço distinção entre os meros realizadores e líderes, embora o tipo de líder de que estou falando seja, também, um realizador. Há mais de vinte anos, venho observando líderes da Ásia, da África, da América latina e da Oceania. Tenho estado com chefes de estado e com diretores de companhias, banqueiros internacionais e pessoas Das Ilhas dos Mares do Sul. Foi a partir dessa observação que iniciei um estudo concentrado do que constituía a liderança. Há dezesseis anos, surgia em Cingapura, o Instituto Superior de Liderança Cristã – The Haggai Institute for Advanced Leadership Training. Esse instituto apresentou os princípios de liderança que se encontram neste livro a líderes de influência do Terceiro Mundo. Eles examinaram as características do verdadeiro líder. Verificaram que as habilidades praticadas por eles, algumas vezes de forma intuitiva, podiam ser aprimoradas, tornado-se mais eficientes. Esses homens, pessoas altamente credenciadas, igualam e, em alguns casos, até superam meus colegas ocidentais em capacidade de liderança. Com eles aprendi muita coisa. Este volume contém os princípios sobre os quais ouvi-os debater e que os vi praticar. Entre as quase 4.000pessoas que já participaram do meu curso, encontravam-se: o mais importante escritor cristão do mundo árabe, o pastor de uma das duas maiores igrejas do mundo (com 60.000 membros e que continua crescendo!), um general do segundo maior exército da Ásia, reitores de universidades, um ex-secretário de estado, um ex-chefe estrategista dos Mau-Maus, arcebispos, doutores famosos, líderes de propaganda (mídia) e outros. Escrevi este livro porque nosso mundo precisa de líderes, e porque creio que o cultivo dos doze princípios produzirá melhores líderes. Também o escrevi por causa da necessidade de uma obra deste cunho, que fuja ao etnocentrismo ocidental – os preconceitos de raça e de cultura. As diferenças culturais existem realmente. O que pensaria um ocidental se, ao pedir uma informação acerca de que rumo deveria seguir para chegar a uma certa cidade, seu informante se mantivesse em completo silêncio... Limitando-se apenas a contrariar os lábios, e indicar, com o queixo, uma dada direção? Se o leitor é de alguma parte da África, então já percebeu que a pergunta foi respondida com muita educação. Em muitas religiões da Ásia, cruzar as pernas em público constitui atitude descortês e insultuosa. Faz alguns anos, mencionei isso numa palestra, e meu pai que nasceu em Damasco, na Síria, comentou depois: “Enquanto você estava falando, lembrei-me de algo curioso, ocorrido comigo há muito tempo. “Quando me preparava para fugir de Damasco em 1912, um sírio muito crente me aconselhou a ter cuidado com os modernistas em algumas igrejas americanas.“Os modernistas negam a inspiração das Escrituras bem como as grandes verdades da Bíblia como o nascimento virginal,a morte expiratória de Cristo e sua ressurreição”., disse ele. Tomei, então, a decisão de evitar esses hereges e me conservar fiel à Bíblia.” Pouco depois de sua chegada à América, meu pai foi assistir um culto na Primeira igreja Presbiteriana de Bridgeport, no Estado de Ohio. Para grande espanto seu, viu o pastor cruzar as pernas, e logo no púlpito! Oh, oh, pensou ele, o ministro deve ser um modernista; está com as pernas cruzadas! Posteriormente, ele constatou que, na sociedade americana, cruzar as pernas não se constituía num estigma. Em algumas partes do Terceiro Mundo, entregar um presente a alguém com a mão esquerda é o auge da grosseria, um insulto monstruoso, que, no ocidente, seria como cuspir no rosto dele. Por quê? Porque a mão esquerda é a mão profana – a que cuida de certos aspectos de asseio corporal, por exemplo. No ocidente existe uma regra não escrita que diz que não se deve aproximar o rosto do de outra pessoa a uma distância menor que dezoito polegadas (cerca de 42,72 cm). Em algumas regiões da América Latina pessoas amigas conversam quase com o nariz encostado no do outro. Em algumas partes da Índia, o líder mostra sua importância pela demora em atender. Suponha que vamos a um gabinete governamental. A porta é aberta e somos convidados a entrar. O figurão se dirige à mesa, senta-se e fica trinta minutos lendo um papel enquanto nós esperamos; ele está acentuando sua importância. As verdades bíblicas abarcam todas as culturas; entretanto, sua aplicação específica deveria ser talhada, sob medida, para cada cultura. Mas como não se faz isso, muitos livros bons criam confusão quando lidos por líderes de outras culturas. Contudo, certos princípios permanecem constantes. As leis são constantes. A lei da gravidade nunca muda. As leis da física são sempre as mesmas. E, já que Deus é o legislador, é o arquiteto dessas constantes, o objetivo deste livro é descobrir e focalizar essas constantes que diz respeito à questão da liderança. Minhas principais fontes foram a Bíblia e a observação das pessoas que exercem com sucesso e de maneira consciente uma influência de permanência benéfica sobre muitos conduzindo-os a metas que atendiam às suas necessidades. Perguntei-me: “O que deu certo? Onde deu certo? E sob que condições?” Além da Bíblia, li biografias, memórias, artigos e notícias de jornal e diários. Em minhas 61 viagens ao redor do mundo e 145 viagens intercontinentais, visitei escolas, fazendas, sedes de governo,igrejas, casas publicadoras e assisti a competições esportivas. Mantive conversas com muitos líderes, como por exemplo, o Dr. Han Kyung Chik, da Coréia – um homem que considero inigualável no mundo de hoje – e estudei e trabalhei com eles. Lembre-se de que, neste livro, trabalho com princípios, e não com medidas a serem tomadas. Assim, embora aborde o princípio da visão, pr exemplo, não posso delinear a visão que Deus dá a indivíduos. Nem posso definira missão pessoal de ninguém. Embora fale sobre metas, não posso definir as medidas que o leitor terá de tomar para alcançá-las. Isso cabe a você fazer. E, embora trate do princípio de amor, cada um terá de determinar como irá expressá-lo. Embora analise o princípio da comunicação, não posso pôr palavras em sua boca ou no bico de sua pena. Os doze princípios abordados neste livro são importantes não só para aqueles que lideram milhares mas, também para aqueles que lideram pequenos grupos. O tamanho do grupo não define a qualidade da liderança. A família é o pequeno grupo que mais necessita de uma boa liderança. A imprensa ocidental divulga notícias que refletem a atual revolta contra a liderança no lar. Pior ainda, em muitos lares não existe liderança contra a qual revoltar-se! Mas na família em que prevalecem condições normais, o pai, atuando com amor, encontrará nos princípios deste livro o discernimento e a inspiração de que precisa para guiar a esposa e filhos a aprofundar sua vida espiritual de uma forma que nunca imaginou. Thomas Dixon, um poderoso pregador um autodidata, proporcionou uma liderança tão eficiente à sua família que todos os seus cinco filhos se tornaram homens notáveis, com bom testemunho cristão. Constituem a única família em que todos os filhos foram registrados no Who’s Who in América ∗(Quem é quem) na mesma época. Cada um deles produziu um impacto por causa da liderança do pai. O exemplo máximo de liderança é Jesus. Seu grupo era constituído por doze, incluindo um que duvidou, outro que negou conhecê-lo e ainda outro que o traiu entregando-o aos assassinos. No entanto, com este pequeno grupo Ele mudou o mundo. Que este livro, ao mesmo tempo em que apresenta os princípios essenciais da liderança, possa desmistificar a prática da liderança. Espero que ele sirva de incentivo para os que estiverem liderando, a superar o medo decorrer riscos. Oro para que ajude você, leitor, a crescer ao ponto de utilizar todo o seu potencial. Leia o livro, do começo ao fim, sem atropelo, descansadamente. Depois disso, sugiro que estude, princípio por princípio. Descubra os princípios que você precisa dominar bem. Sublinhe o que considera importante pra você. Anote, na margem, o que você acha que deveria ser acrescentado, alterando ou eliminando. Defina os pontos nos quais discorda do autor e escreva-os, justificando sua posição. Pense! Aí, então, releia; repense! Por meio da repetição, imprima em sua mente os trechos desse livro que considerar mais importantes. A liderança é uma tremenda responsabilidade. Desenvolva estes princípios de liderança e verá como sua eficiência se aprimorará. Deus quer que você desenvolva todo o potencial que Ele lhe deu. Na proporção em que deixar de utilizar todo o seu potencial, nessa medida está falhando para com Deus. Na proporção em que estiver desenvolvendo todo o seu potencial, nessa medida estará servindo a Deus. Como tem ocorrido com muitos escritores, tive de enfrentar a deficiência da língua inglesa que requer uma escolha entre “ele” e “ela” quando surgem palavras como leader que não tem gênero. Os líderes naturalmente podem ser, homens ou mulheres. Para facilitar, adotei o uso tradicional e me refiro a todas as pessoas com os pronomes “ele”, “seu” e “o”. Espero que isso não constitua problema para as líderes femininas que lerem este livro. ∗ Who’s Who in América: Livro que registra o nome das pessoas notáveis de um país, N.T. AGRADECIMENTOS Por causa do interesse de minha mãe em meus escritos desde antes mesmo de eu nascer, ela deve encabeçar a lista das pessoas às quais desejo agradecer. Ela ouvia dizer que uma criança em gestão é influenciada pelos pensamentos que dominam a mente da mãe durante a gravidez. Embora não estivesse muito certa se isso era fato, tinha certeza de que pensamentos positivos e construtivos não teriam efeitos prejudiciais, e, por isso, procurou concentrar-se na idéia de que eu viesse a ser uma pessoa de palavras, de letras. Pelo fato de ter sido uma criança doentia, passei a maior parte da infância dentro de casa. Minha mãe aproveitava essas oportunidades para conversar sobre seus autores prediletos e brincar comigo usando brinquedos que envolviam nomes de escritores famosos. Ela me incentivou a ter meu diário. Ciente de que havia grande necessidade de bons escritores crentes de ficção e não ficção, ela me dava livros que achava bem escritos; alguns deles eram relacionados com liderança. Um livro ao qual ela dispensava elevada consideração era The Investiment of Influence (o Investimento da Influência) de Newell Dwight Hillis. E ela jamais depreciou meus sonhos. Sumário Deus está convocando líderes.Este chamado é necessário por causa da crise de liderança, uma crise provocada pela explosão populacional e porque aqueles que se dizem líderes não querem liderar. Nossa sociedade clama por liderança. O que é liderança? É o esforço de exercer conscientemente uma influência especial dentro de um grupo para levá-lo a atingir metas de permanente benefício que atendam as reais necessidades do grupo. Liderança não é opção. A crise de liderança não é como a crise provocada por uma falta de encanadores, por exemplo. Nossa sociedade está movendo-se depressa e mudando rapidamente, e nós precisamos ser orientados e liderados. Um líder não nasce feito, faz-se. Reconhecidamente, algumas pessoas têm mais aptidão para a liderança do que outras, mas aptidão sozinha não faz um líder. Inversamente, outra que não tenha nenhuma aptidão para a liderança, mas possua um ardente desejo de liderar, pode chegar ao sucesso na liderança. De que tipo de liderança nosso mundo precisa? Uma liderança baseada na Bíblia, tendo Cristo como o centro, é o único tipo que poderá desarmar o fusível da bomba-relógio formada pelas pessoas revoltadas da terra. Uma liderança desse tipo terá como preocupação principal à evangelização do mundo. Sumário A liderança começa com uma visão. Uma visão é uma imagem clara do que o líder vê seu grupo ser ou fazer. Uma visão pode ser de saúde onde há doença, de conhecimento onde há ignorância, de liberdade onde há opressão, ou de amor onde há ódio. O líder se sente inteiramente dedicado à sua visão, o que implicará em mudanças benéficas para o seu grupo. O líder está consciente da importância de sua visão e faz disso a força propulsora de sua liderança. A atuação do líder para agir em função da visão é chamada de missão. Deve haver, também, uma série de passos específicos e mensuráveis para realizar essa missão. Esses passos se chamam metas. O líder deverá ter uma visão e uma missão, porém, muitas metas. Qualquer visão valiosa vem de Deus, quer diga respeito às questões ditas espirituais ou não, e quer aquele que tem a visão crente ou não, e perceba a origem da visão ou não. Para o crente uma visão deve começar com um entendimento de Deus. Em segundo lugar, o líder deve entender-se a si próprio e entender também a real necessidade de outros. A visão é importante porque é a base de toda verdadeira liderança. E não é somente o líder que deve conhecê-la bem, mas os seguidores também. Portanto, uma das principais responsabilidades do líder é comunicar sua visão ao grupo correta e eficientemente. Depois, tanto ele como os seguidores passam a atuar em função da visão, e a determinar um programa de metas para realizar a missão e, assim, executar a visão. Nessa atuação deve estar incluída uma forte determinação de vencer dificuldades e eliminar obstáculos. Como o isolamento é necessário para se ouvir a voz de Deus com mais clareza e se compreender a visão dada por Ele, o líder deve buscar ocasiões para isolar-se. Assim se preparará para as situações em que precisará agir prontamente, sem ter tido antes uma comunhão tranqüila com Deus. A visão é a revelação da vontade de Deus; é o fundamento da liderança. Sumário A visão é o fundamento de toda liderança. A visão do líder requer um compromisso com a ação, o que é chamado de missão. Mas a visão e a missão são postos em prática através de uma série de passos específicos e mensuráveis que têm por finalidade realizar a missão. Esses passos são chamados metas. A visão e a missão permanecerão constantes, mas as metas deverão ser revisadas todo mês, ou até em menor tempo. Nessa revisão deve-se verificar que metas foram atingidas, analisar as que não foram concluídas, e determinar que medidas corretivas deveriam ser tomadas, e estabelecer novas metas. Um bom plano para o estabelecimento de metas é definir metas específicas, mensuráveis, atingíveis, realísticas, e tangíveis. Cada uma delas deve ser um passo específico e não um desejo vago. As metas devem ser mensuráveis não somente em termos do que é para ser realizado, mas também quando deve estar realizado. As metas devem ser elevadas, mas atingíveis, reconhecendo que o Espírito Santo pode ajudar-no a conseguir o “impossível”. Temos que avaliar os recursos disponíveis para que as metas sejam realísticas. Para alcançarmos metas intangíveis temos que formular e realizar as tangíveis a elas relacionadas. Além de elaborar metas com essas características devemos fundamentá-las em nosso próprio desempenho em vez de vinculá-las a um provável desempenho de outros. Devemos deixar nossa mente voar alto. Não limitemos Deus. Precisamos escrever as metas, em detalhes, e fazer as metas positivamente. Certifiquemos de que elas implicam em mudanças de comportamento, e são pessoais. À medida em que fazemos do estabelecimento de metas uma prática de vida, há vários problemas específicos aos quais precisamos ficar atentos. Haverá casos em que duas metas muito desejáveis entrarão em conflito, uma com a outra. Aí teremos que determinar a prioridade delas. Precisamos estar conscientes com relação às metas não declaradas, bem como a influência que podem ter sobre nossa eficiência e a de outros, tomando o lugar das declaradas. Temos que ser diligentes e modificar nossa metas assim que as situações se modificarem. O estabelecimento de metas traz muitos benefícios. Ter metas simplifica o processo de tomar decisão, fortifica a saúde física e mental. As metas geram respeito, constituem um sistema de aferição de modo a que podemos gozar a sensação da realização. As metas produzem resistência. E, abaixo de Deus, são as metas que impedem que o líder fique escravizado aos aplausos do povo. Apesar dos muitos benefícios do estabelecimento de metas, muitas pessoas não o praticam. Alguns deixam de estabelecer metas porque é trabalhoso. Outros têm medo de criar metas imperfeitas ou de ser derrotados ou ridicularizados – ou receiam que o estabelecimento de metas possa ser considerado uma presunção. Todos esses temores podem impedir uma pessoa de estabelecer metas. O estabelecimento de metas é uma disciplina contínua. Não se pode elaborá-las de uma vez por todas, e pronto. A constante aceleração das mudanças em pessoas, lugares e coisas que se verifica hoje exigem que tenhamos um programa de metas claramente definido. FIDELIDADE A fidelidade é a medida do amor. A fidelidade é um atributo do líder que se mostra leal ao seu encargo, a si mesmo, ao seu compromisso com outros, e acima de tudo a Deus. É uma característica do líder fidedigno. Fidelidade é Noé construindo uma arca apesar da zombaria e das críticas dos demais. Ele e sua família foram salvos do dilúvio por causa daquela arca. Fidelidade é a disposição de Abraão de sacrificar seu único filho Isaque porque cria que Deus o livraria. E livrou – providenciando um substituto na forma de um carneiro. Fidelidade é o desfio de Savonarola aos abatinados interesses de Florença, Itália, em sua proclamação da verdade. Foi enforcada e seu e seu corpo queimado, mas sua liderança perdurou por centenas de anos depois de sua morte. Esse é o poder da fidelidade na vida de um líder. Você cumpre as promessas que faz? Paga suas contas? Vai aos encontros marcados? Permanece em dia com seus compromissos? Sua palavra é o seu aval? Você anda a segunda milha? O magnata dos hotéis, Cecil B. Day, opunha-se a tudo que era falso. Ele se recusava a alterar um acordo verbal ao fechar um transação de imóveis, mesmo quando as alterações eram legalmente permissíveis e lhe dariam lucro. A fidelidade é a medida do amor. As pessoas não seguirão de bom grado um líder duvidoso. Querem um que seja digno de confiança. A atitude do amor ágape dá vitalidade e credibilidade à influência. Quando o líder tem amor, isso produz no grupo o desejo de segui-lo. O amor consegue o que nem fama, nem força, nem músculo, nem manipulação podem conseguir. Quando o falecido Dr. E. Stanley Jones pregava acerca do amor na Índia, um líder eclesiástico se queixou de que embora tivesse saturado de amor a sua liderança, um dos leigos estava promovendo considerável distúrbio, ameaçando dividir a igreja. Muito frustrado, ele perguntou ao Dr. Jones o que deveria fazer, visto que o amor não tinha dado resultado. “Aumente a dose”, retrucou Jones. A liderança exercida em amor funciona! Nos negócios e na política, na vida profissional e na educação, na igreja, no lar – em todas as áreas da vida, liderar com amor é dar-se aos outros levando-lhes beneficência e ajuda. A liderança firmada sobre essa base nunca irá fracassar. Jesus, o único líder perfeito Deus o exemplo e nos promete forças para segui-lo. E esse é a liderança que o nosso mundo em mudança reclama. É a única liderança que ainda oferece alguma esperança. Não há limite para o número de líderes assim, necessários hoje. Nós temos uma ampla oportunidade para ajudar a determinar o curso deste mundo em transformação na direção certa. E nosso maior recurso é o máximo Superpoder – o amor! Sumário Assim como a visão distingue um líder de um gerente, o amor distingue o verdadeiro líder do mero detentor do poder. Não pode haver verdadeira liderança sem amor. O verdadeiro amor não é meramente uma emoção sentimental, mas, sim, um ato da vontade com o qual o líder cristão opera visando ao bem dos outros. A escritura diz que temos de amar exclusivamente a Deus, “de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento”. Devemos amar a nós mesmos com uma autoconfiança que provém do domínio do Espírito Santo que em nós habita. E devemos amar ao próximo, dando-nos liberalmente aos outros na forma de beneficência e ajuda. O líder que imita a Cristo expressa amor porque o amor reveste sua liderança de permanente benefício, o que atrai os outros a ele. A expressão do amor é encontrada em Gálatas 5.22,23. As qualidades aí catalogadas devem estar presente na vida do líder cristão que expressa amor. • A alegria é a música do amor. • A paz é a harmonia do amor. • A longanimidade é a resistência do amor. • A benignidade é o serviço do amor. • A bondade é o comportamento do amor. • A fidelidade é a medida do amor. A liderança exercida em amor funciona! É o líder se dando aos outros para levar-lhes beneficência e ajuda. A liderança firmada sobre essa base nunca irá fracassar. Sumário A humildade é a expressão do amor. É o senso de inferioridade que permeia a consciência do líder quando ele contempla a santa majestade e o superabundante amor de Deus em contraste com o seu próprio desmerecimento, sua culpa total desvalida, que é a sua condição sem a graça divina. A pessoa humilde está livre do orgulho e da arrogância. Antes, coloca-se em posição de submissão a outros, e é prevista e cortês. O humilde não se considera auto-suficiente e, todavia, reconhece seus próprios dons, recursos e realizações. Tanto o amor como a humildade são características do verdadeiro líder. Pior ainda que uma pessoa não ter humildade, éter falsa humildade, com a qual ela se sente orgulhosa por agir de modo humilde. Quem tem falsa humildade está enganado apenas a si mesmo, porque os outros percebem que é pomposo, auto-adulador e arrogante, fingindo-se humilde. Em todos os tempos a verdadeira humildade sempre foi rara. Os discípulos de Cristo, por exemplo, nem sempre exibiram essa qualidade. Serenidade, ampliação a vida, expulsão do medo, sucesso e acessibilidade a recursos ilimitados são todos decorrentes da humildade. Ao contrário do que se pensa comumente, a humildade não suprime a personalidade de ninguém, nem afeta sua liderança. Ao contrário, é o meio pelo qual alguém aumenta sua personalidade, e realiza - pelo poder de Deus – as metas que Ele lhe confiou. Falar acerca da humildade não nos torna mais humildes – e, sim, menos - , pois quem é humilde não tem consciência disso. Portanto, para ter humildade devemos concentrar-nos em outros caminhos que levam a ela. Entronizemos Cristo na oração, nas relações pessoais, evitando o elitismo a intolerância, a distinção de classes e a autopromoção. Sirvamos aos outros. O cultivo do amor e da sua expressão – a humildade – é essencial para o líder cristão porque são características nem sempre encontradas entre os chamados líderes, que não são verdadeiramente cristãos. Somente quem se sujeita a tomar o lugar de servo e deixa Cristo derramar seu poder nele, continuamente, estará capacitado para, deliberadamente, exercer uma influência especial dentro de um grupo de modo a conduzi-lo para metas de permanente benefício que vão atender às reais necessidades do grupo. Sumário O autocontrole é um modo de vida no qual, pelo poder do Espírito Santo, o cristão é capaz de ser equilibrado em tudo, pois não permite que seus desejos dominem sua vida. O autocontrole é visto geralmente como uma restrição. E, no entanto, ninguém pode derrotar permanentemente o líder que exerce autocontrole. O autocontrole é a vitória do amor. O líder semelhante a Cristo sabe que o autocontrole é importante porque a ausência dele destrói a liderança. O líder precisa ser muito cuidadoso com a falta de autocontrole principalmente nas áreas onde é o mais forte, tem a maior influência, e se sente mais seguro. É aí, exatamente, que o problema desponta. O autocontrole nos dá coragem para nos posicionarmos sozinhos. Ajuda o líder a não se desviar de sua visão, seguindo as opiniões e sutis pressões da sociedade. O autocontrole conquista aqueles que demonstram autocontrole. Como todos os princípios da liderança, o autocontrole deve ser cuidadosamente desenvolvido e cultivado. Consegue-se isso por meio d dependência de Deus, de uma vida de disciplina, tomando decisões antecipadamente, aceitando as adversidades com gratidão, dominando o gênio, controlando os pensamentos e deixando que o Espírito santo habite em nós. O autocontrole é tido, geralmente, como uma restrição, uma disciplina que resulta numa existência dura e infeliz. Na realidade, porém, a verdade é justamente o oposto. O autocontrole produz, em qualquer pessoa, qualidades que farão dela um candidato à liderança. O autocontrole produz liberdade, confiança, alegria e estabilidade. Essas qualidades elevam quem as possui à posição de liderança. Sumário O líder deve ser um comunicador. A capacidade de comunicar eficientemente por escrito ou oralmente talvez seja o mais valioso predicado do líder. As sete regras da comunicação eficiente ajudarão o líder a desenvolver esse predicado. 1. Reconhecer a importância da comunicação eficiente. O líder deve preocupar-se não apenas com as palavras que diz, mas com o conteúdo que seus ouvintes captam, e com o efeito que o conteúdo tem realmente como resultado de sua comunicação. A tarefa do líder é promover essa compreensão. A comunicação eficiente supera o problema do alheamento e é um fator de reprodução, tende a garantir a liberdade da palavra e apresenta pensamentos valiosos de forma proveitosa. 2. Avalia o auditório. A base para que todas as outras regras de comunicação eficiente funcionem é a avaliação dos ouvintes. Temos que conhecer suas características demográficas, avaliar sua atitude para com a circunstância em que vivem e questões importantes, e a atitude dos ouvintes uns para com os outros. Temos que avaliar também a atitude do auditória para conosco e com o assunto que abordamos. 3. Selecionar a meta correta de comunicação. Se tivermos na mente uma meta clara economizaremos tempo, realizaremos a tarefa mais eficientemente e, assim, fortaleceremos nossa liderança. Quase sempre nossa meta será a ativação – isto é, levar o grupo a entrarem ação. Mas tentaremos ativar o grupo utilizando uma das outras metas: informando, comovendo, convencendo ou entretendo. 4. Romper a barreira da introversão. Temos que conquistar a tenção do auditório, ganhar o direito de ser ouvidos. Para romper a barreira da introversão temos que identificar os principais problemas que as pessoas do auditório estão enfrentando, prometer uma solução para esses problemas e, depois, cumprir a promessa feita. 5. Fazer referência ao conhecido, à experiência do auditório. Só conseguimos desenvolver a credibilidade do auditório fazendo referência às experiências dele. Para isso, devemos adquirir um repertório de experiências vívidas gerais, comuns à média das pessoas que lideramos. Um certo número de fatores torna essas experiências mais memorativas: a intensidade delas, as vezes que são repetidas e recordadas, e a proximidade no tempo. 6. Comprovar nossas declarações. As idéias abstratas só por si não conquistam a atenção das pessoas. As afirmações abstratas devem ser comprovadas e avivadas por meio da acumulação, repetição ampliada, exposição, comparação, ilustração geral, exemplo específico e testemunho. 7. Motivar o grupo à ação por meio do apelo aos anseios pessoais. O líder quer ação. Quer efetuar mudanças. O modo mais eficiente de se conseguir isso é apelar aos anseios dominantes do auditório particular. O líder deve apelar aos interesses de seu auditório, que podem ser expressos em necessidades de autoconservação, propriedade, poder, reputação e afeição. Quem não conseguir induzir outros a agir, nunca chegará a ser líder, e ninguém pode induzir outros a agir se não tocar nos anseios básicos do ser humano. A comunicação deve ser um estudo constante, um profundo interesse, uma disciplina para a vida inteira. Através de uma comunicação eficiente poderemos superar outros que talvez sejam mais inteligentes ou tenham melhor aparência, mas que não desenvolvam toda sua capacidade de comunicação. GLORIFICAR A DEUS Quando nosso investimento rende é muito fácil pensar que somos melhores que outros. Pode ser que tenhamos trabalhado muito, que tenhamos feito um bom planejamento, que tenhamos nos sacrificado. Mas é Deus quem dá a recompensa. Ao falar sobre as divisões da igreja, Paulo não atribuiu o mérito pelo seu sucesso que ela havia experimentado a uma facção ou a outra, mas a Deus: “De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus que dá o crescimento” (I Co 3.7). E ele disse também: “Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor” (II Co 10.17). Alegremo-nos nas provisões de Deus, e tiremos proveito de suas promessas. Beneficiemo-nos do princípio de investimento, mas lembremos sempre de dar toda Glória a Deus, já que Ele é o Provedor. Há milhões e milhões de dólares por aí que estão sendo aplicados. Aplicá-los para a Glória de Deus e para o benefício da humanidade, resultaria no enriquecimento não somente dos que recebessem o dinheiro, mas também desses que, agora, estão retendo seu dinheiro. Como líderes, cabe-nos ensinar aos outros o princípio do investimento, tanto por palavras como por atos. Para sermos líderes eficientes, temos que ser pessoas de fé. Quem vive procurando impressionar os outros com a sua importância, e usa a liderança principalmente como um meio de conseguir riqueza, honra, poder ou prazer, acabará como César, Carlos Magno e Napoleão. Mas aquele cuja vida e liderança encarnam o princípio de investimento, deixará a marca de um permanente benefício. “Buscai, pois, em primeiro lugar, o Seu Reino e a Sua Justiça, e todas essas outras coisa vos serão acrescentadas.” Em 1978, tive a honra de me encontrar com o Arcebispo Perreria, de Bombaim, Índia. Esse grande líder católico romano me impressionou com sua humanidade e espiritualidade. Depois de ouvir minha palestra sobre investimento, disse-me ele: “Dr. Haggai, o que o senhor disse é esplêndido, mas não posso pregar isso ao meu povo. São pessoas tão pobres que é provável que nem possam dar o dízimo.” “Eminência”, respondi, “diz que eles não tem nada. O dízimo de nada também é nada. O ponto é, se eles tiverem o desejo de honrar a Deus com seus recursos financeiros, se tiverem um coração dizimista, estou convencido de que não vai demorar muito e eles terão dinheiro para poderem dar o dízimo.” Dois anos depois, o arcebispo me disse: “Comecei a ensinar o que a Bíblia diz acerca do dízimo. As pessoas da minha paróquia responderam com alegria e hoje estão prosperando mais que nunca, de uma forma jamais vista nessa diocese. E a receita da igreja aumentou enormemente.” Então agora desafio você, meu amigo; se ainda não aplicou o princípio do investimento no passado, comece hoje. Acrescente uma nova e maravilhosa dimensão à sua vida – e à sua liderança. Sumário O princípio do investimento estabelece que se investirmos ou dermos alguma coisa a alguém, nós a receberemos de volta multiplicada. Receberemos de volta a mesma coisa que investimos (p. ex., se investirmos amizade, teremos muitos amigos) e nas mesmas proporções que investimos (“Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará”). Nossa motivação para o investimento – ou para contribuição – é o interesse pessoal. O investidor investe pouco porque isso o beneficia. Essa é a única motivação que Jesus usou nas Escrituras. Como líderes, temos que entender e praticar o princípio do investimento. Além disso, devemos instilar em nossos seguidores o hábito de dar. Há dois tipos de pessoas no mundo: investidores e retentores. Os investidores (ou doadores), por natureza, praticam o princípio do investimento; os retentores são aqueles que não vêem a contribuição como um investimento e, por isso, tentam guardar tudo o que lhes cai nas mãos. No fim, os investidores recebem de volta, multiplicado, o que investiram. E os retentores perdem porque ficam sem disposição, sem amigos, sem saúde e respeito. Como todos os dons de Deus, o princípio do investimento é bom, mas pode ser usado para maus fins. Por esse motivo, Jesus nos adverte contra dois extremos que podemos adotar em nossa atitude para com o dinheiro. Ele nos advertiu contra a idéia de que o dinheiro é inerentemente mau, o que nos levaria a ficar excessivamente preocupados e amedrontados em relação as coisas materiais. Ele advertiu, também, contra o extremo de fazer dos bens materiais o centro de nossa vida e sermos cobiçosos ou termos o desejo de possuir apenas por possuir. “O cristão não pode servir a ambos, a Deus e a Mamom, mas deve aprender a servir a Deus com o seu mamom”. Já que Deus prometeu uma benção especial para os que o honraram com seus bens materiais, então o líder que retém de seus seguidores essa boa-nova da alegria e do enriquecimento de dar peca contra eles. O líder, portanto, deve entender a motivação certa, aprender a importância dele e observar os dez mandamentos do investimento: (1) Reconhecer que Deus é o Provedor de tudo. (2) Focalizar a atenção nas coisas que queremos na medida em que elas são compatíveis com a vontade Deus, e esquecer as que não queremos. (3) Investir naquilo que queremos obter. (4) Investir no objetivo mais imediato. (5) Ser paciente. (6) Não nos deixar abater por uma ocasional falha na colheita. (7) Pôr nosso dinheiro onde queremos que nosso coração esteja. (8) Alegrar-se. (9) Crer que obteremos resultados. (10)Dar glória a Deus. O princípio do investimento acha-se resumido nas palavras de Cristo: “Daí, e dar-sevos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão: porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também” (Lc. 6.38). Sumário Nossas maiores oportunidades se nos apresentam habilmente disfarçadas em problemas insuperáveis. Segundo o princípio da oportunidade, a vida é uma série de obstáculos e esses obstáculos constituem a chave para nossas maiores oportunidades, bastando somente que nos disciplinemos para enxergar oportunidades em toda parte. Qualquer um pode cometer um erro. Para isso não é preciso ser gênio. Devemos sempre aprender com nossos erros. Procuremos convertê-los em inesperados benefícios. Para colocar em prática o princípio da oportunidade, precisamos aprender a manejar os erros e tirar proveito deles. Primeiro, admitir o erro no momento em que tomarmos conhecimento dele. Só podemos corrigir uma situação depois de admitirmos que ela existe. Esse os erros não forem corrigidos, eles se multiplicarão e se agravarão. Segundo, assumir a responsabilidade pelo erro. Se não assumirmos a responsabilidade, tanto pelo nosso erro quanto pelas pessoas do nosso grupo, não poderemos corrigi-los, nem tirar proveito deles. Terceiro, avaliar os prejuízos. Respondamos às seguintes perguntas: que efeitos resultarão desse erro devido à modificação dos prazos propostos? Como esse erro poderá interferir com o trabalho de outros? Afetará o quadro geral? Como afetará nosso testemunho? Quarto, fazer um estudo em profundidade das possíveis causas do erro. Os erros resultam de (1) falha de julgamento, (2) planejamento insatisfatório, (3) informação insuficiente, (4) consolidação deficiente. Examinemos todas essas áreas detidamente. Quinto, eliminar imediatamente as causas geradoras do erro. Entremos logo em ação. Façamos um plano por escrito e o encaixemos em nosso programa de metas. Sexto, recuperar o que for possível. Tiremos o máximo proveito daquilo que nos resta. Sétimo, revisar nosso modus operandi de forma que o erro não se repita. Avaliemos constantemente o que fazemos para ver o que pode ser melhorado, não apenas em relação a esse erro, mas em relação a todas as nossas atividades. Isso requer constantes análises e autoquestionamentos. Oitavo, começar imediatamente a executar o novo programa. A procrastinação só servirá para piorar a situação. Comecemos a correção imediatamente. Nono, usar os erros como “placas de sinalização”, que mostram por onde já passamos bem como aonde devemos ir no futuro. Aprendamos com nossos erros. Décimo, lembrar que os obstáculos realçam a liderança (1) pela credibilidade que estabelecemos perante os outros que percebem que já passamos o que eles estão passando agora; (2) pelo condicionamento do nosso próprio espírito para o serviço; e (3) pela oportunidade de demonstrar amor, humildade e autodomínio. Aqui se fazem necessárias duas palavras de advertência: primeira, o líder não deve tentar destacar-se, nem lamentar-se. Ele não deve se queixar de que está se sacrificando. Segunda, tratar os obstáculos como se não existissem é fugir à realidade, e desonra a Deus. Os obstáculos existem. Sob a direção de Deus, o líder deve desenvolver o hábito de, criativamente, converter os obstáculos em oportunidades. Esse hábito realçará nossa liderança, inspirando aqueles que nos seguem. Viver em Comunhão com Deus Se todas as outras coisas forem iguais, nosso nível de energia será proporcional à profundidade de nossa comunhão com Deus. Ter comunhão com Deus é andar com Ele, estudar a sua Palavra, passar algum tempo em oração a Deus, falar aos outros a respeito d’Ele, e relacionar todas as nossas preocupações, atividades e sentimentos com a vontade d’Ele. Isso elimina os elementos destruidores da energia tais como as frustrações, os temores, e a culpa decorrente de o ignorarmos e de vivermos por nossa insuficiente força própria. O apóstolo Paulo disse: “Sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor”. Isso produz em nós uma energia que o mundo não pode dar, nem pode tirar, uma energia que confere ao líder uma influência. O apóstolo e seu companheiro Silas, sofrendo numa prisão de Filipos, oravam e cantavam hinos de louvor a Deus, à meia-noite. Estavam fatigados? Aborrecidos? Estavam conversando à toa? Aqueles dois? Nunca. Eles estavam cheios da energia que vitaliza a verdadeira liderança. Deus era sua única fonte de energia. Sumário A energia conquista atenção dos outros; atrai seguidores. O líder que demonstra entusiasmo e energia consegue a aceitação e a confiança de seus semelhantes. A energia comunica as idéias de autoridade, de entusiasmo, de sucesso e de objetividade na atuação. Pelo princípio da energia o verdadeiro líder deve transpirar energia, “o vigoroso exercício de poder” e “ a capacidade de agir ou de ser ativo”. A energia do líder é demonstrada por meio da vitalidade física. Mesmo que ele seja idoso ou tenha uma desvantagem física, o líder deve irradiar boa saúde e objetividade em sua atuação. A energia do líder é demonstrada também através da acuidade mental. Ele não precisa ser necessariamente um gigante intelectual, mas deve usara mente ao máximo parta observar, fazer previsões, refletir e raciocinar bem. A energia do líder é demonstrada ainda através de muito trabalho. O trabalho é a mais comum expressão da energia humana, e o líder deve ter prazer em trabalhar e procurar estar sempre trabalhando. A energia física, intelectual e emocional do líder é demonstrada por meio de sua dedicação à tarefa e sua perseverança nela, na medida em que crê em suas metas e se esforça para atingi-las, mesmo lutando contra todas adversidades. A energia de um líder é demonstrada através de sua atenção a pormenores porque será nas pequenas coisas que ele se firmará ou se destruirá. É verdade que algumas pessoas, naturalmente, possuem mais energia que outras. Não obstante, é possível aumentarmos nosso nível de energia. Podemos maximizar nosso nível de energia alimentando-nos de maneira certa, exercitando-nos fisicamente com regularidade, mantendo uma atitude mental correta, eliminando as emoções negativas e vivendo em comunhão com Deus. O PODER DE PERSISTÊNCIA GARANTE O SUCESSO O líder sempre enfrenta problemas e desencorajamentos, mas pode vencê-los com o poder de persistência. Parece que muitos dos famosos líderes do mundo tiveram que enfrentar grandes dificuldades de desencorajamentos para tornar realidade sua visão. Cristóvão Colombo, por exemplo, pelas informações que obteve em suas viagens e pelo estudo de cartas e mapas, concluiu que a terra era redonda e que podia alcançara Ásia viajando para o Oeste. Mas precisava de um patrono para financiar uma expedição assim. Primeiro tentou D. João II, de Portugal, sem sucesso, e, depois, o Conde de Medina Celi, na Espanha. O Conde incentivou Colombo durante dois anos, mas nunca, na realidade, lhe deu dinheiro nem os suprimentos de que ele necessitava. Então procurou Fernando e Isabel, rei e rainha de Castela, na Espanha. Um comitê designado pela rainha fez a conclusão de que suas idéias eram falhas e impraticáveis. Mas a conversações continuaram. Após quase uma década de tentativas para achar um patrono, Colombo já estava um tanto desesperado, mas não desistiu. Ele tinha poder de persistência. Acreditava em sua missão, mas insistia em conseguir melhores condições de Fernando e Isabel. Pedia que lhe fosse conferida de imediato a graduação de almirante, e que fosse feito vice-rei de todas as terras e mares que descobrisse. Além disso, queria receber um décimo de todos os metais preciosos descobertos nas terras sob seu almirantado. Suas condições forma rejeitadas e as negociações foram, outra vez, interrompidas. Colombo foi para a França. Entretanto, a rainha mudou de idéia e mandou buscá-lo. Em abril de 1492, Fernando e Isabel concordaram em subsidiar a expedição nos termos estabelecidos pelo navegador Colombo. Estava parecendo que seria impossível reunir as tripulações apesar das recompensas oferecidas mesmo a criminosos e a endividados que se dispusessem a servir na expedição. Mas Colombo demonstrou, uma vez mais, seu poder de persistência e, finalmente, três navios, o Nina, o Pinta e o Santa Maria, içaram as velas a 3 de agosto de 1492. Três dias depois o Pinta perdeu o leme. Tiveram que reparar o barco, rápida e disfarçadamente porque três navios Portugueses estavam tentando interceptar Colombo. A viagem foi pontilhada de experiências adversas que deixaram as tripulações agitadas e à beira de motins mais uma vez. Somente no dia 12 de outubro de 1492 fundearam na América do Norte. Colombo não visitou o Grande Khan de Catai (China) como esperava. Mas descobriu dois novos continentes. Foi bem-sucedido porque tinha poder de persistência. Sumário As dificuldades existem. Todo líder sofre pressões e problemas que podem levá-lo a desistir. Mas se Deus nos Deus uma visão e estabelecemos um programa de metas para executar a missão, precisamos do poder de persistência para superar essas dificuldades. Aplicando o princípio do poder de persistência, os problemas e as dificuldades podem ser superados, mas isso requer perseverança. O líder tem de ficar firme. Além do mais, Deus nos manda oportunidades para exercitar o poder de persistência de modo que sejamos fortalecidos e possamos superar, mais tarde, problemas e dificuldades maiores. Charles Swindoll nos adverte contra “quatro falhas espirituais” que mostram a necessidade de poder de persistência na vida cristã: (1) “como somos crentes, todos os nossos problemas estão resolvidos.” (2) “todos os problemas que temos estão abordados na Bíblia.” (3) “se alguém está tendo problemas, é porque não é espiritual.” (4) “ receber a sã doutrina da Bíblia, resolve todos os problemas automaticamente.” Para dominar esse princípio o líder não precisa de instrução,nem de encanto pessoal, nem de bons laços de família, nem de amigos influentes, nem de equipe de auxiliares, nem de equipamento,nem de materiais, nem de prestígio e nem mesmo do profundo conhecimento bíblico. Tudo o que ele precisa é de determinação. Você pode fazer isso hoje. O poder de persistência é essencial para superarmos os problemas. Com o poder de persistência podemos vencer enfermidades, desejos pessoais, limitações financeiras, os perigos da prosperidade, a oposição familiar, traições e perseguições, a interpretação errônea dos eventos, e inúmeras outras dificuldades. Muitos líderes, em certas ocasiões, ficam em dúvida se deveriam ou não desistir. Quando esses momentos ocorrem, eles podem fortalecer seu poder de persistência recordando sua visão, focalizando suas metas,visualizando suas metas como se já tivessem sido atingidas, relaxando, lendo biografias e vivendo em comunhão com Deus. O poder de persistência garante o sucesso. O líder enfrentará problemas e desencorajamentos, mas poderá vencê-lo com o poder da persistência. Sumário A autoridade interior é o carisma, o amor-próprio, a personalidade que leva uma pessoa a conquistar o respeito dos outros. É o elemento que caracteriza todos os “líderes naturais”. A autoridade exterior,por outro lado, é resultante dos símbolos e manipulações vinculados à posição de uma pessoa. O princípio de autoridade reconhece a distinção entre autoridade interior e exterior, e estabelece que o líder deveria desenvolver e realçara interior. A autoridade interior não tem nada a ver comas características físicas ou atos de uma pessoa, nem com sua riqueza, sua posição social ou seu status. Nem é decorrente do seu sucesso. A autoridade interior é, mais precisamente, a convicção de que podemos influenciaras pessoas de nosso grupo para buscarem atingiras metas de permanente benefício. Quem possui autoridade interior é alguém com um forte senso de auto-estima. A autoridade exterior deriva sua influência não da força e capacidade pessoal, como ocorre com a interior, mas dos sinais, símbolos e manipulações externas. É uma autoridade que pode ser retirada de quem a possui. Além disso, é imediatamente reconhecível para aqueles que sabem “identificar” os sinais. Todos nós possuímos dentro de nós, autoridade interior. Quem pretende ser líder, deve dar alguns passos para desenvolver essa autoridade. Primeiro, contudo, é preciso que se diga que ninguém deve exercer autoridade sobre outros enquanto não tiver aprendido primeiro a aceitar a autoridade de outrem. Cultivamos a autoridade interior pelo autodescobrimento, de modo que saibamos quem somos e que nos sintamos satisfeitos com o que descobrimos. Podemos desenvolvê-la também adquirindo autoconfiança, crendo na importância de nossa missão, empenhando-nos na busca da excelência. Desenvolvemos a autoridade interior crendo em nosso próprio sucesso. Todos os princípios da liderança são importantes, mas nem todos são absolutamente essenciais. Cultivar o princípio de autoridade o é. É essencial que o líder possua autoridade interior, demonstre-se aos outros e use em seu benefício os símbolos da autoridade exterior que acompanham sua posição. O LÍDER ESTÁ CONSCIENTE DE QUE DEUS É A FONTE DE TUDO PARA ELE O líder está consciente de sua condição de líder, do significado da liderança, e dos princípios que a reagem. E embora esteja consciente de que é líder, pode pensar: “Mas eu me sinto tão indigno.” É natural que sinta assim. Qualquer pessoa sensata, espiritualmente sensível, sente-se indigna para a tarefa da liderança cristã. Paulo, o apóstolo, dizia que era “o menor dos apóstolos”. Admita francamente que não era perfeito, mas aprendera que a graça de Cristo era suficiente e que o poder de Deus se aperfeiçoava na fraqueza. Jeremias disse: “Eis que não sei falar: porque não passo de uma criança”. Mas Deus disse a Jeremias que parasse de se lamentar. E falou-lhe: “...porque EU SOU contigo para te livrar... Eis que ponho na tua boca as minhas palavras. Olha que hoje te constituo sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares e derribares, para destruíres e arruinares, e também para edificares e para plantares” (Jr. 1.8-10). Precisamos contar com recursos sobrenaturais. Isso pressupõe que vivemos conscientes da presença e do poder de Deus. Embora nos sintamos indignos, não devemos nos desesperar. Nossos recursos vêm de Deus, mas devemos exercitar a fé e a disciplina para nos apropriarmos deles. Deus está chamando líderes. Não detentores do poder, nem artistas toxicômanos da Avenida Madison, nem de especialistas em elogios mútuos, nem mercadores de influência, nem de demagogos manipuladores de multidões e exibicionistas. Deus está chamando líderes! Você gostaria de atender esse chamado, colocando-se na dependência do próprio Deus para obter as forças de que precisa? Sumário Estar consciente é a base da excelência. Isso se aplica a todas as áreas da atividade humana. O princípio da consciência estabelece que o líder esteja consciente dos elementos que contribuem, para um desempenho excelente e meça constantemente seu próprio desempenho em comparação com os padrões de excelência que ele mesmo se propõe. Estar consciente é a chave de abóboda do arco da liderança. Se retirarmos essa pedra, o arco – os princípios da liderança – virá abaixo. O líder deve estar cônscio do seu papel no exercício da liderança. Deve saber que está no comando. Deve estar consciente do impacto e da influência que exerce na vida de outros. Ele goza dos privilégios que acompanham a tarefa de dar diretriz ao futuro de um grupo e carrega suas tremendas responsabilidades. O líder deve estar consciente do significado da liderança. A liderança é o esforço de exercer conscientemente uma influência especial dentro de um grupo e levá-lo a atingir metas de permanente benefício que atendam às reais necessidades do grupo. O líder conhece cada componente daquele significado e como os componentes se integram uns aos outros. O líder deve estar consciente dos princípios da liderança. (1) O princípio da visão. Como a visão do líder é a base de sua liderança, ele deve estar constantemente consciente de sua visão, bem como deve verificar se está comunicando-a eficientemente aos membros do grupo, e ainda se o grupo está atuando no sentido de realizá-la. (2) O principio do estabelecimento de metas. Visto que as metas necessitam de constante revisão, o líder deve estar constantemente cônscio do processo do estabelecimento delas. O estabelecimento de metas é uma atividade contínua. (3) O princípio do amor. O amor se interessa pelas necessidades reais da pessoa e, portanto, o líder deve estar consciente delas. (4) O princípio da humildade. O líder não está consciente de sua própria humildade, porque a humildade não tem consciência em si mesma. Mas ele deve estar vigilante quanto a atitudes e práticas suas que possam violar esse princípio. (5) O princípio do autocontrole. A consciência é um ingrediente essencial ao autocontrole, pois para se ter uma liderança vitoriosa é preciso autocontrole, embora o próprio sucesso torne difícil a prática do domínio próprio. (6) O princípio da comunicação. A comunicação é um processo que está sempre acontecendo. O líder precisa comunicar-se eficientemente e para isso deve estar constantemente consciente das sete regras de comunicação e fazer com que elas se tornem para ele como que uma segunda natureza. A conscientização é a chave para uma comunicação eficiente. (7) O princípio do investimento. É possível alguém beneficiar-se do princípio do investimento sem ter essa conscientização, mas isso seria o resultado de uma ação casual. O líder eficiente há de querer planejar seu uso do investimento para maximizar os benefícios dele para seu grupo. (8) O princípio da oportunidade. Nossas maiores oportunidades nos aparecem habilmente disfarçadas em problemas insuperáveis. Estando plenamente consciente da situação, o líder pode condicionar-se a ver oportunidades em toda parte. (9) O princípio da energia. O líder eficiente está sempre consciente da importância da energia para aquele que ocupa uma posição de liderança e conscientemente tenta elevar seu próprio nível de energia. (10) O princípio do poder de persistência. As dificuldades existem. Sempre haverá problemas. Mas tais dificuldades e problemas podem ser superados (não necessariamente eliminados) pelo poder da persistência. (11) O princípio da autoridade. O líder só pode exercer o princípio de autoridade se estiver consciente do que está fazendo e porquê. Ele deve estar consciente tanto da sua autoridade interior quanto exterior. (12) O princípio da conscientização estabelece que o líder deve estar bem consciente de todos os aspectos de sua liderança, controlando constantemente seu desempenho de modo a alcançar a excelência. O líder também deve estar consciente de que seus recursos provêm de Deus. Ele compreende que seu poder vem do Senhor. John Haggai