A Importância do Vinho na Prevenção de Doenças Cardiovasculares The importance of Wine in the prevention of cardiovascular diseases Maria de Jesus Batista dos Santos Perdigão 1 2 Leandro de Brites Silva 3 Raquel Brandão 4 Natália de Carvalho Teixeira Resumo: A pesquisa trata do estudo do vinho e dos compostos fenólicos, resveratrol e flavonoides, presentes nas cascas, raízes e folhas das uvas. Refere-se também á importância cultural e social que ele representa. O consumo da bebida proporciona prazer, saúde tanto o quanto atua na prevenção de doenças cardiovasculares, diminuindo o risco e incidência de infartos. Trabalhos científicos mostram que, quandoassociado a um cardápio balanceado e consumido com moderação, age no organismo como um medicamento natural impedindo o acúmulo de LDL nas artérias coronarianas combatendo os radicais livres. Todas as atribuições feitas ao vinho, relaciona-se ao seu cultivo oTerroir,solo, clima e processo de fabricação que mantém as substâncias benéficas da fruta. Palavras-chave: Vinho. Saúde. Doenças Cardiovasculares. Abstract: The research deals with the study of wine and of phenolic compounds, resveratrol and flavonoids, present in the bark, roots and leaves of the grapes. refers also to the cultural and social importance that it represents. Beverage consumption provides pleasure, health as much as plays in the prevention of cardiovascular disease, reducing the risk and incidence of infarcts. scientific papers show that when associated with a menu balanced and consumed in moderation acts in the body as a natural medicine preventing the accumulation of LDL in coronary arteries by combating free radicals. all assignments made to wine lists-if its cultivation Terroir , soil, climate and the manufacturing process they kill the beneficial substances in the fruit. Keywords:Wine,health, Cardiovascular Dieseases. 1 - Introdução Desde os tempos primórdios o vinho tem sido um enigma, uma bebida ligada aos deuses, que só era acessível aos que estivessem próximos a eles, ou seja, às pessoas poderosas (DAVID et.al., 2007). Ela sempre despertou interessecientífico, sobretudo dos países produtores de vinho. A sua riqueza e complexidade química proporcionam um desafio muito apelativo para os enólogos, químicos e bioquímicos (MATEUS, 2009). Trata-se de uma bebida alcoólica resultante da fermentação da uva. Durante este processo um conjunto de reações químicas provocadas por leveduras age sobre os açúcares da uva, transformando-os em álcool e, dando origem ao 1 Graduando em Gastronomia Faculdade Promove Endereço eletrônico: [email protected] ² Graduando em Gastronomia Faculdade Promove Endereço eletrônico: [email protected] ³ Especialista em Gestão Gastronômica e Hotelaria, professora do curso Superior em Gastronomia das Faculdades Promove, Endereço eletrônico: [email protected] 4 Nutricionista, mestre e doutoranda em Ciência de Alimentos, professora do curso Superior em Gastronomia das Faculdades Promove, Orientadora da disciplina de TCC. Endereço eletrônico: [email protected] Revista Pensar Gastronomia, v.1, n.2, jul. 2015 vinho (DOMENEGHINI; LEMES, 2011). Entre os principais componentes do vinho destacam-se: açúcares, alcoóis, ácidos orgânicos, sais de ácidos minerais e orgânicos, compostos fenólicos, pigmentos, substâncias nitrogenadas, pectinas, gomas e mucilagens, compostos voláteis e aromáticos (ésteres, aldeídos e cetonas), vitaminas, sais e anidrido sulfuroso (MORAIS; LOCATELLI, 2011). O vinho é a mais nobre das bebidas alcoólicas e, entre os países com maior produção, segundo dados atualizados de 2014 da (OIV) Organização Internacional do Vinho, a França volta em 2014 ao posto de maior produtora da bebida passando a Itália que em 2013 ocupava o posto. Uma produção mundial que contabiliza 271 milhões de hectolitros de vinho. Destacam-se também, a Espanha, Alemanha, além dos países do novo mundo do vinho, Estados Unidos, Chile, Argentina, África do Sul, Nova Zelândia e Austrália como grandes produtores (ADEGA, 2014).No Brasil, a Serra Gaúcha é responsável por 90% da produção nacional de vinho.Segundo dados do Ministério da Agricultura (2015) o país produz uma média anual de 777milhões de quilos de uva, sendo feitos na Serra Gaucha uma média por ano de 330 milhões de litros de vinho, outras regiões que se destacam são o Vale do São Francisco, Santa Catarina e Minas Gerais. O consumo da bebida teve início aproximadamente há 7.000 anos no Mediterrâneo, com sua comprovação benéfica à saúde em 1992, quando foi publicado o Paradoxo Francês. Esta descoberta teve início na década de1980 quando a organização mundial de saúde(OMS) conduziuum estudo epidemiológico, em escala mundial, conhecido como MONICA (Monitoringof trens anddeterminants in Cardiovascular Disease ). Essa pesquisamostrou que na França, apesar de o consumo elevado de gorduras saturadas, havia menor incidência de doenças coronárias, fato atribuído ao consumo de vinho (MORAIS; LOCATELLI, 2011;JUNIOR E SANTOS, 2013). Desdea descoberta do Paradoxo Francês o vinho vem despertando a atenção científica para os seus compostos e efeitos benéficos à saúde humana. A uva contém polifenóis, substâncias que atuam no organismodiminuindo o risco de doenças cardiovasculares(DCV) (MONTEIRO, 2011). Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) asDCV estão entre as principais causas de morte. Além disso, o Brasil ocupa a quinta posição em uma análise mundial sobre o excesso de peso e esse número está aumentando cada vez mais em função do ritmo de vida descompassado, da alimentação inadequada, Revista Pensar Gastronomia, v.1, n.2, jul. 2015 dafalta de atividade física. Com o avanço da idade os excessos são um agravante ainda maior para as DCV representando 30% dos óbitos para todas as faixas etárias. Dentre essas doenças, a arterial coronariana (DAC), a insuficiência cardíaca (IC)e o acidente vascular cerebral (AVC) são as causas principais de mortalidade no mundo.Segundo dados da OMS elas são responsáveis por 29% do total de óbitos e, curiosamente, 80% desse total ocorre em países em desenvolvimento(DOMENEGHINI; LEMES, 2011). Assim, considerando a alta taxa de morbi-mortalidade por DCV e a importância do consumo do vinho tinto em doses moderadas para diminuir fatores de risco para tais doenças, justifica-se a importância do tema estudado. O objetivo geral deste trabalho é analisar a importância do consumo do vinho tinto para a prevenção de doenças cardiovasculares. Como objetivos específicos destacam-se: Caracterizar as uvas com maior concentração de compostos fenólicos; Descrever a composição química do vinho; Relacionar vinho e saúde. 2– Metodologia Foi feita uma revisão bibliográfica, a qual se constitui em um método científico para busca e análise de artigos, livros e teses na área da Gastronomia. A pesquisa bibliográfica possui caráter exploratório, pois permite maior familiaridade com o problema, aprimoramento de ideias ou descoberta de intuições. 3 Desenvolvimento 3.1- História do vinho O vinho é uma bebida que acompanha a humanidade desde o inicio da civilização. Nasceu no oriente médio espalhou-se por todo o mundo agregando à sociedade valor cultural,político,religioso(JUNIOR; SANTOS,2013).Na mitologia o vinho faz referência aos deuses.Os mais citados eram o deus Baco na versão Romana, e Dionísio na versão Grega, conhecidos até os dias atuais, por festas ousadas da época que eram regadas a vinho(GRIZZO, 2014).Fatos históricos mostram que as videiras tem seu cultivo na Grécia desde 2500 A.C. Mas o relato, Revista Pensar Gastronomia, v.1, n.2, jul. 2015 de maior relevância de que o homem dominava a técnica da vinicultura, foram de fósseis e ânforas (SANTOS,2012).As principais descobertas desses fósseis e ânforas aconteceram na França, datando de aproximadamente 600 A.C, em Creta de 3000 A.C e o mais antigo encontrado no Islã data de aproximadamente 3500 A.C (SANTOS, 2012). Mas segundo Santos(2012), o vinho teve sua grande ascensão juntamente com o Império Romano. A bebida era usada em momentos importantes, comoem festas, antes de batalhas e até mesmo como antisséptico. O povo romano teve importância na difusão da bebida a outros povos, como os celtas e germânicos que a assimilaram à sua própria cultura. Do mesmo modo que se ergueu com o Império Romano, o vinho teve seu declínio com o mesmo, também no período da Idade Média, prejudicando sua progressão como produto. Seu desenvolvimento foi retomado com os monges da Igreja católica, produtores que desempenharam seu papel com grande eficiência (SANTOS, 2012). As primeiras videiras foram plantadas no Brasil em 1532 por Brás cubas, um português que acompanhava Martin Afonso de Souza, donatário da capitania de são Vicente, no litoral da baixada santista. Nesta época começou a ocupação portuguesa em solo brasileiro. Porém o desenvolvimento da vitiviniculturano país iniciou-se séculos depois em algumas regiões. O governo imperial estimulou o cultivo da uva doando terras com o intuito de atrair colonos Europeus.Essa estratégia gerou instabilidade política e o inicio da industrialização aumentou o desemprego e a imigração(JUNIOR; SANTOS,2013). De acordo com Junior e Santos, (2013) em 1870 imigrantes italianos com conhecimento em vinícolas se instalaram na região nordeste do Rio Grande do Sul,atualmente conhecida como Serra Gaucha. As videiras que vieram da Itália, não se deram bem na região. A primeira colheita resultou em vinhos pouco alcoólicos.A partir de 1930 as vinícolas chamadas cantinas, foram assumindo dimensões maiores na produção de vinhos. Com instalações providas de filtros prensas, cubas de madeiras e outros equipamentos, começaram a surgiras primeiras cooperativas, com a comercialização da bebida em barris de e em garrafões. Em 1970 com a chegada de multinacionais de bebidas houve um incremento no plantio das uvas Europeiasvitisviniferacastas quese adaptaram ao clima(JUNIOR; SANTOS,2013). 3.2- Características da uva Revista Pensar Gastronomia, v.1, n.2, jul. 2015 Um bom vinho já vem pronto da uva, afirmação de vários especialistas. A qualidade do vinho tem grande influência das condições do ambiente, para maturação da uva, onde acontece o acumulo dos açucares e maturação. Isso ressalta a importância do terroir. Terroir significa um conjunto de agentes que fazem uma boa qualidade da uva, entre quais pode-se citaroclima, o solo, e o relevo em harmonia, que influenciam na qualidade da uva explicados a seguir (SANTOS, 2012). Solo: função de dar suporte às raízes além da água e elementos nutritivos. Solos ricos resultam em vinhos menos complexos, e solos pobres limitam o rendimento da videira dando uvas mais ricas e um vinho mais estruturado(ADEGA, 2010). Clima: o clima tem influência forte no desenvolvimento da uva.Dias quentes e noites frias são ideais para uma fruta de qualidade, essa ação tornam o acumulo de açucares maior ( JOHNSON, 2003). Relevo: terrenos com declives assim tendo boa ação de raios solares, protegem contra geada e drenagem natural da água das chuvas (ADEGA, 2010). Essas ações do terroir fazem as videiras passarem por estresses, onde confere características químicas naturais que dará vinhos de qualidade. O resveratrol é proveniente dessas ações, que faz com que a planta desenvolva esse composto fenólico como proteção natural, o qual futuramente dará características ao vinho de proteção àsaúde(DAVID et al., 2007). Tipos de uva: existem mais de 5 mil tipos de uvas utilizadas para fazer vinhos, mas, no entanto, pode-se identificar cerca de setenta espécies viniferas com maior importância comercial. Cada uma apresenta características físicas diferentes, formato das folhas, e da própria fruta. Pesquisas mostram que as tintas e varietais possuem quantidades maiores de polifenois presentes em maior quantidade nas cascas grossas da cabernetsauvignon e a tannat. (JUNIOR; SANTOS, 2013). 3.3-Vinificação O vinho é uma bebida fermentada, em que os açúcares da uva são transformados em álcool etílico. Para se chegar ao produto final, a fruta passa por processos e procedimentos conhecido como vinificação. Este processo reúne etapas Revista Pensar Gastronomia, v.1, n.2, jul. 2015 que vão desde a colheita até o envelhecimento para se obter uma boa qualidade. (GUERRA; SILVA, 2015). São elaborados a partir da uva tinta, pois é da película que, durante a maceração, se extraem os taninos e as antocianinas. Esses são os compostos fenólicos, que dão características ao produto, pode-se citar entre eles, a cor do vinho, a estrutura, o corpo e a originalidade (GUERRA; SILVA,2015). Os processos passam pelo: Desengajamento ou esmagamento: uma máquina faz a liberação do mosto, esse processo é feito vagarosamente, para não danificar as sementes e produzir sabores indesejados; Fermentação alcoólica e maceração: logo após o desengajamento as uvas são colocadas em tanques chamadas (encubação) simultaneamente ocorrem o inicio da fermentação alcoólica. A principal característica que ocorre nesse processo são, a conferência de cor ao vinho e de taninos. Dependendo da estrutura desejada do vinho esse processo tem um tempo de 6 a 20 dias; Prensagem: é a separação da parte liquida da solida do vinho, onde será aproveitada apenas o liquido; Clarificação: o vinho novo tem por característica ser turvo, é pelo processo de decantação que ele é clarificado em tanques de inox ou barricas de carvalho. Havendo necessidade, pode-se ser feita a filtragem; Envelhecimento: Há três processos que podem acontecer em barricas de carvalho, em tanques de inox ou nas próprias garrafas, que serão envasados e comercializados. O tempo e a forma de envelhecimento dependem da uva, do processo de elaboração e da estrutura que se deseja do produto.Nem todos os vinhos são envelhecidos, pois podem sofrer processos que vão descaracteriza-lo como produto(GUERRA; SILVA, 2015). 3.4-Composição química do vinho Conforme mencionado anteriormente o vinho é uma bebida alcoólica, derivada da fermentação da matéria prima que é a uva. Neste processo de fermentação as leveduras atuam metabolizando os açúcares da fruta (glicose e frutose) resultando na formação de álcool e gás carbônico (PACHECO, 2008). Em uma definição mais aprofundada, com uma visão nutricional, o vinho tem na Revista Pensar Gastronomia, v.1, n.2, jul. 2015 composição: água, etanol, açúcares minerais, vitaminas, ácidos orgânicos, aminas bioativas e traços de proteínas (SCHLEIER, 2004). Pode-se citar também, os compostos fenólicos, pigmentos, substâncias nitrogenadas, pectinas, compostos voláteis, aromas, goma e mucilagens e anidrido sulfuroso (MORAIS;LOCATELLI, 2010). Dentre esses compostos destacam-se com maior importância no vinho à água, o álcool etílico e o glicerol, os dois últimos citados, obtidos na fermentação alcoólica (MORAIS; LOCATELLI, 2010). Os compostos fenólicos tem como função dar coloração, conferir sabor em grande parte e também proteger a uva contra fungos, bactérias, vírus e radiação solar (MORAIS; LOCATELLI, 2010). Os compostos químicos são divididos em dois grupos: flavonoides e não flavonoides. Fenóis simples e ácidos, e resveratrol e outras substâncias como catequinas e antocianinasestão presentes nos grupos citados(BONAGA et al., 1990) A fruta é composta por elementos encontrados na casca e sementes: quercetina, tanino, resveratrol, sais minerais. (potássio, cálcio, fósforo, zinco, ferro.) e também as vitaminas (B1, B2, B12, A C). Estes compostos são transferidos para o vinho durante o processo de produção, mas para ocorrer essa transferência é necessário o contato da casca com o mosto para uma melhor absorção das substâncias, inclusive o resveratrol. Segundo pesquisas, ele atua no organismo reduzindo o risco de lesões e reperfusão-isquêmica no coração. O mesmoestá presente em videiras,raízes e talos, porém em concentração maior na película das uvas que contem 50 a 100ug \g(JUNIOR; SANTOS, 2013). Flavonoides, Quercina e Catequina, são substâncias conhecidas por possuir uma grande ação antioxidante. Combatem os radicais livres,agem no organismo comoantiflamatório em alergias,ulceras,viroses,tumores,além deinibir agregação de plaquetas, diminuindo o risco de cardiopatia, trombose e síntese de estrógeno. Após seremmetabolizados pelo intestino delgado, os flavonoides começam a ação antioxidante por meio da alteração da produção de radicais livres, eliminam os precursores dos radicais livres,quelação de metais e elevação de antioxidantes endógenos. A ingestão regular desses compostos auxilia na prevenção de doenças cardiovasculares regulando a permeabilidade capilar, aumentando o fluxo do oxigênio e nutrientes.Atuam no relaxamento da musculatura cardiovascular, agindo como um hipotensor. Este percurso evita a formação de coágulos agindo como um antioxidante do LDL por radicais livres ( VACCARI,2009). Revista Pensar Gastronomia, v.1, n.2, jul. 2015 O resveratrolé um não flavonoide com 3,4,5-tri hidoxiestilbeno,de forma molecular, C14H12O3– 228q. mol -1. Importante salientar que nas moléculas encontrase dois anéis benzênicos, onde, um deles apresenta duas hidroxilas e no outro apenas uma, caracterizando um polifenol. Em sua cadeia encontra-se uma ligação dupla entre anéis aromáticos, levando assim a possibilidade de isomeria CIS e TRANS. Possui partes polares e apolares, sendo, portanto, solúvel em etanol ( BITENCOURT, 2011). O resveratrol é um micronutriente, uma fitoalexina produzida por diversas plantas. Um produto natural, que pertence a classe dos estilbenos, presente em mais de 70 espécies de vegetais, entre elas destaca-se o eucalipto, o mertilo, amora e uva ( PENNA; HECKTHEUER, 2004). O resveratrol esta presente na parede celular vegetal, gerado por estresse que a planta sofre, que tem a capacidade de manter a parede livre de ataques, de bactérias, fungos, radiação, parasitas (MENDES, 2011). Dentre os vinhos, o produzido com uvas tintas é o que tem maior concentração de resveratrol na sua composição. Isso se dá pelo fato de este conter mais polifenois que o vinho branco(PENNA; HECKTHEUER, 2004). O processo de fabricação do vinho tinto, casca, talos e sementes da uva fica em contado durante muito tempo com outras substâncias, como o álcool, e são nesses elementos da fruta que o resveratrol está concentrado ( DAVID et al.,2007). 3.5-Dieta mediterrânea e a atuação do vinho na saúde Atualmente os hábitos alimentares vêm despertando interesse cientifico cada vez maior. Os alimentos vêm sendo incluídos na dieta como forma de prevenção de patologias(SCHLEIER, 2003). A alimentação típica dos povos do litoral do mar mediterrâneo,há séculos é conjugada com o vinho e também com o azeite de oliva extra- virgem. Por volta dos anos 80, estudos científicos comprovaram que havia uma ligação entre a alimentaçãoe a ocorrência de DCV e câncer. Verificou-se que a população litorânea apresentava taxas menores de colesterol e, por consequência, menor incidência dedoenças coronarianas,enquanto o norte da Europa apresentou um número maior de doenças. A explicação estaria no consumo de frutas,legumes e saladas que são consumidos diariamente pela população mediterrânea. Justifica-se também o fato de Revista Pensar Gastronomia, v.1, n.2, jul. 2015 um menor consumo de gordura animal,produtos industrializados, e açúcares. Além disso, nessa região comer é um ritual sagrado, desde a preparação de um prato até seu consumo. Tudo isso contribui para uma melhor qualidade de vida (SCHLEIER, 2004). Os franceses são conhecidos por sua culinária rica em manteigas,leite,queijos gordos ecreme de leite. Porém estudos apontavam uma menor ocorrência de morte por DCV se comparados a americanos, ingleses, dinamarqueses, finlandeses e alemães. Este fato está relacionado com o consumo de vinho em maior quantidade se comparado aos outros povos (SCHLEIER, 2004). O vinho contém substâncias antioxidantes, que inibem a ação dos radicais livres (DAVID et al.,2007). Os radicais livres são provenientes da respiração celular e estão livres nos corpos dos seres humanos, uma espécie química instável. Ela tem um elétron que, no mesmo orbital, não esta ligado ao seu correspondente, assim precisam de um elétron extra para estabilizar-se, podendo danificar células sadias, causando inúmeros danos à saúde (MENDES, 2011). Com capacidade de ceder um elétron para o radical livre, o resveratrol assume a responsabilidade, assim estabilizando por efeito de ressonância(MENDES, 2011). Estudos científicos comprovam que compostos fenólicos presentes nas uvas podem atuar no organismo humano como um medicamento. Essas substâncias são antioxidante e facilmente absorvidas pelo organismo. Agem como antialérgico antiflamatório, contra ulceras e viroses na eliminação das plaquetas diminuindo o LDL, e agindo na prevenção de DCV,e no controle do LDL. Além do consumo da bebida são importantes mudanças no estilo de vida, através da prática de atividade, física,redução do tabagismo e uma dieta saudável.A alimentação é um fator decisivo na prevenção de doenças e a inclusão do vinho no cardápio pode ser um importante aliado (CAETANO; PRADO,2015). O consumo moderado do vinho controla os níveis sanguíneos e inibe substâncias químicas inflamatórias identificadas como citocinas.Estas substânciasimpedem a coagulação sanguínea.O vinho torna as másplaquetas do sangue menos aderentes, reduzindo os níveis de fibrina e evitando que o sangue coagule em locais indevidos, impedindo o entupimento dasartérias coronárias, agindo na prevenção do infarto do miocárdio (CAETANO; PRADO,2015). Segundo a SBC, o vinho tem um efeito antioxidante e preventivo.Existem 1000 substâncias ativas e foi realizado um estudo com 600 delas. É importante Revista Pensar Gastronomia, v.1, n.2, jul. 2015 ressaltar que o uso do álcool em excesso causa comprometimento no organismo, dificultando a metabolização do que foi ingerido. (PAOLINO,2015). Segundo a OMS, a quantidade indicada para o consumo do vinho é de uma taça por dia, que contém 10gr de álcool, que seria a quantidade recomendada (SBC, 2003). 4-Conclusão O presente estudo desvelou sobre a composição química do vinho e os seus benefícios para a prevenção das doenças cardiovasculares. Esta pesquisa alcança seus objetivos uma vez que os estudos analisados apontaram que a uva e seus derivados possuem substâncias fenólicas que são capazes de atuar no organismo como um medicamento natural, agindo como inibidor do LDL, antiinflamatório e antioxidante. Portanto, o vinho proporciona, satisfação e qualidade de vida quando consumido de forma moderada conforme indicação medica, devendo-se observar as contraindicações de forma individualizada e considerando as condições de saúde de forma geral de cada um. Sugere-se que a atuação do vinho na prevenção de doenças cardiovasculares seja discutida de forma mais ampla durante a graduação, permitindo ao graduando de Gastronomia se apropriar do tema, ampliar seu universo de especialização além de estimular os profissionais a desenvolverem novos estudos sobre a temática. 5- Referências ACADEMIA DO VINHO. A historia do vinho. Academia do vinho. 2014 Disponível em: <http://www.academiadovinho.com.br/biblioteca/historia.htm> DAVID, Jorge Mauricio P.; et al. Resveratrol: Ações e Benefícios a saúde Humana. Revista da Rede de Ensino FTC. n 10. Maio 2007 Disponível em: <http://dialogos.ftc.br/index.php?option=com_content&task=view&id=58&Itemid=53> Revista Pensar Gastronomia, v.1, n.2, jul. 2015 GRIZZO,Arnaldo. Os Deuses do vinho. Revista Adega. São Paulo, 107 ed.2014, Disponível em: <http://revistaadega.uol.com.br/artigo/os-deuses-do- vinho_9989.html> GUERRA, Celito Crivellaro; SILVA, Gildo Almeida da. Uva para processamento. Embrapa. 2015 Disponível em: <http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/uva_para_processamento/arvore/CO NT000gasuo51v02wx5ok04xjloy1d1b300.html> JOHNSON, Hugh. Enciclopédia do vinho. São Paulo : Editora SENAC,2003.671p. JUNIOR, Dirceu Vianna; SANTOS, José Ivan. Conheça Vinhos. 2. ed. São Paulo: Editora SENAC, 2013. 279p. MATEUS, Nuno. A Química dos Sabores do Vinho. Os polifenois. Revista Real Academia Galega de Ciências, Porto,V28, p. 5-22, 2009. MENDES,Jessica micropartículas Bitencourt Emilio.Desenvolvimento de poliméricas contendo resveratrol. e avaliação de Dissertação( Pós- Graduação em Ciências Farmacêuticas)- Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa, 2011. MINISTERIO DA AGRICULTURA. Uva. Ministerio da Agricultura. Disponível em: <http://www.agricultura.gov.br/vegetal/culturas/uva> Revista Pensar Gastronomia, v.1, n.2, jul. 2015 MORAIS, Vanderléia de; LOCATELLI, Claudriana. Vinho: uma revisão sobre a composição química e benefícios a saúde. Evidencia. Joaçaba, v.10, n. 1-2,Janeiro/ dezembro 2010. PAOLINO, Bruno. Consumo regular de álcool está associado a uma menor mortalidade cardiovascular.Sociedade Brasileira de cardiologia. Disponível em: <http://cientifico.cardiol.br/cardiosource2/cardiologia/int_artigo11.asp?cod=45> PACHECO,Aristides de Oliveira. Iniciação a enologia. 5 ed. São Paulo: Editora SENAC, 2008. 177p. PENNA, Neidi Garcia; HECKTHEUER, Luisa Helena Rychecki. Infarma. Vinho e saúde : uma revisão. Rio Grande do Sul. V.16, n1-2, Fev. 2004. REVISTA ADEGA. Você sabe o que é Terroir. Revista Adega. São Paulo 60 ed. 2010 Disponível em: <http://revistaadega.uol.com.br/artigo/voce-sabe-o-que-e- terroir_2655.html> REVISTA ADEGA. França volta a ser a maior produtora de vinhos do mundo. Revista Adega. Disponível em: <http://revistaadega.uol.com.br/artigo/franca-voltaser-maior-produtora-de-vinhos-do-mundo_10053.html> SANTOS, Sumara. Pequeno livro do vinho. 14. ed. Campinas: Verus Editoria, 2012. 192 p. Revista Pensar Gastronomia, v.1, n.2, jul. 2015 SCHLEIER, Rodolfo. Constituintes Fitoquímicos de Vitisvinifera L.(UVA).(Monografia para obtenção do título de Especialista em Fitoterapia no IBEHE/FACIS) São Paulo,2004. SOCIEDADE BRASILEIRA CARDIOLOGIA. Limite da OMS para álcool e de 30g. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Disponível em: <http://www.cardiol.br/imprensa/jornais/impresso/118.htm> VACCARI, Niucéa Fatima de Souza. Compostos fenólicos em vinhos e seus efeitos antioxidantes na prevenção de doenças. Revista de CiênciasAgroveterinarías. Lages, v. 8, n. 13, p. 71-83, Abril 2009. Revista Pensar Gastronomia, v.1, n.2, jul. 2015