UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu Mestrado em Ciências do Envelhecimento Fernanda Guilhermino Magalhães Avaliação do impacto de um programa de intervenção nutricional sobre o estado nutricional e a qualidade de vida de idosos com doença renal crônica não dialítica São Paulo 2014 UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu Mestrado em Ciências do Envelhecimento Fernanda Guilhermino Magalhães Avaliação do impacto de um programa de intervenção nutricional sobre o estado nutricional e a qualidade de vida de idosos com doença renal crônica não dialítica Dissertação apresentada à pós-graduação Stricto Sensu em Ciências do Envelhecimento da Universidade São Judas Tadeu (USJT), como parte dos requisitos para obtenção do título de mestre. Orientadora: Profª. Drª. Rita Maria Monteiro Goulart São Paulo 2014 Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da Universidade São Judas Tadeu Bibliotecário: Ricardo de Lima - CRB 8/7464 Magalhães, Fernanda Guilhermino M188a Avaliação do impacto de um programa de intervenção nutricional sobre o estado nutricional e a qualidade de vida de idosos com doença renal crônica não dialítica / Fernanda Guilhermino Magalhães - São Paulo, 2014. 106 f. : il. ; 30 cm. Orientadora: Rita Maria Monteiro Goulart. Dissertação (mestrado) – Universidade São Judas Tadeu, São Paulo, 2014. 1. Idoso – Qualidade de vida. 2. Insuficiência renal crônica. 3. Nutrição. 4. Alimento – Consumo. I. Goulart, Rita Maria Monteiro. UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu Mestrado em Ciências do Envelhecimento Fernanda Guilhermino Magalhães Avaliação do impacto de um programa de intervenção nutricional sobre o estado nutricional e a qualidade de vida de idosos com doença renal crônica não dialítica Banca Examinadora: _______________________________ Profª Dra. Rita Maria Monteiro Goulart (USJT) _______________________________ Profª Dra. Rita de Cássia de Aquino (USJT) _______________________________ Profª Dra. Maria de Lourdes do Nascimento da Silva (IAMSPE) Aprovada em ____ de dezembro de 2014. DEDICATÓRIA Com muita felicidade e satisfação, dedico este trabalho aos meus pais, pessoas incrivelmente abençoadas, que, com amor incondicional e total apoio, possibilitaram mais essa conquista em minha vida. AGRADECIMENTOS Agradeço, primeiramente, a Deus por ter me abençoado com inúmeras oportunidades e ter me guiado naquilo que acredito, com muita força, perseverança e amor. À minha família, em especial, aos meus pais, Beto e Cida, por todo apoio, suporte, dedicação e amor. A eles devo tudo que conquistei até hoje! Ao meu namorado, Gabriel, por toda paciência, apoio, carinho, respeito e amor. Não teria sido possível sem a sua compreensão, muito obrigada por ser tão especial! À minha orientadora, Rita Maria Monteiro Goulart, uma pessoa maravilhosa que acreditou em mim e possibilitou a realização deste trabalho, mesmo quando eu desacreditei que daria certo. Não tenho palavras para agradecer tudo fez e continua fazendo por mim. Agradeço de todo coração pelas oportunidades e pela confiança. Aprendo com você, todos os dias, ser uma ótima profissional. As nutricionistas atuantes no município de Diadema, Cláudia e Ingrid, à gestora da UBS Vila Nogueira, Daniela, pela oportunidade, disponibilidade, atenção e confiança! Aos Agentes Comunitários de Saúde, por toda contribuição e parceria! A todos os idosos que se dispuseram a participar do estudo, sem eles nada teria sido concretizado! Agradeço profundamente! Ao corpo docente do mestrado em Ciências do Envelhecimento da Universidade São Judas Tadeu, Carla Witter, Marcelo de Almeida Buriti, Rita Maria Monteiro Goulart, Ana Martha de Almeida Limongelli, Ana Lúcia Gatti e Graciele Massoli Rodrigues, muito obrigada pelos conhecimentos compartilhados. Especialmente, agradeço à Rita de Cássia de Aquino e Cláudia Borim da Silva, que tiveram contribuição direta para a realização deste trabalho. Muito obrigada! Aos meus colegas de sala e as amigas que conquistei, Fátima, Daniela Cotrim, Patricia e Marcela, com vocês dividi momentos de dificuldade e alegria! Muito obrigada pelo companheirismo e carinho. À Claudia Gimenes, amiga e companheira de todas as horas! Agradeço imensamente pela contribuição e apoio. Você é muito importante para mim! À Nathy, amiga querida, que sempre está disponível a ajudar o próximo e que tanto contribuiu comigo durante este trabalho. Muito obrigada por tudo e por ser tão especial! À Daniela Rodrigues por todo apoio, amizade, força e orações! Ao estatístico Leandro Campi Prearo que deu suporte para o meu estudo, obrigada! À Rosana Gomes de Torres Rossi e Ágatha Nogueira Previdelli pela contribuição especial referente à avaliação do consumo alimentar. Muito obrigada! Aos funcionários da coordenadoria de pós-graduação da Universidade São Judas Tadeu, em particular, Daniel e Ibraim, obrigada por serem sempre tão prestativos. À Daiane Silva, bibliotecária da Universidade São Judas Tadeu, por me ajudar com tanta atenção e profissionalismo. Agradeço às doutoras Maria de Lourdes Nascimento da Silva e Rita de Cássia de Aquino, por terem aceitado participar da minha banca de mestrado e por todas as sugestões e críticas, que agregaram ao meu trabalho. A todos que por ventura não mencionei, mas que também contribuíram para que este estudo se concretizasse. Muito obrigada! RESUMO Introdução: A doença renal crônica (DRC) consiste em lesão renal e perda progressiva e irreversível da função dos rins. A detecção precoce e condutas terapêuticas apropriadas podem retardar sua progressão. Objetivos: Avaliar o impacto de um programa de intervenção nutricional sobre o estado nutricional e a qualidade de vida de idosos com DRC não dialítica. Material e Métodos: Foram estudados 64 pacientes, de ambos os gêneros, com idade ≥ 60 anos, portadores de DRC estágio 3, participantes do programa HIPERDIA em uma Unidade Básica de Saúde, situada em Diadema/SP. O delineamento do estudo foi coorte prospectiva, os pacientes foram acompanhados por um período de nove meses entre Ago/2012 e Maio/2013. A intervenção nutricional foi composta por três encontros coletivos e um individual. Para obtenção dos dados sócio demográficos aplicou-se uma anamnese. A avaliação do estado nutricional foi realizada por antropometria, classificando o estado nutricional pelo Índice de Massa Corporal (IMC) e o risco cardiovascular pela circunferência da cintura (CC). A qualidade de vida foi avaliada pelo WHOQOL-bref. Para avaliar o consumo alimentar utilizou-se o Recordatório de 24 horas e o “Formulário de Marcadores do Consumo Alimentar para indivíduos com 5 anos idade ou mais”. A avaliação da evolução da DRC baseou-se na estimativa da taxa de filtração glomerular (TFG). Para análise estatística utilizou-se o software SPSS, versão 21 e nível de significância de 5% (p≤0,05). Foram realizados os testes de normalidade Kolmogorov-Smirnov e Shapiro-Wilk com todas as variáveis quantitativas, segundo o gênero. Quando atendidos os pressupostos, aplicou-se o teste do Qui-quadrado, teste t de Student para grupos pareados, teste t de Student para grupos independentes e ANOVA com medidas repetidas. Resultados: A idade média foi de 73,95±7,84 anos, sendo a maioria do gênero feminino (65,6%), com baixo nível instrucional e baixa renda. Quanto ao estado nutricional, 21,9% apresentou baixo peso e 32,8% excesso de peso. Em relação ao risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, 62,6% foram diagnosticados com risco elevado ou muito elevado. Na comparação das variáveis antes e após a intervenção, observou-se redução do IMC e da CC. A qualidade de vida avaliada pelo WHOQOL-bref, mostrou aumento no quesito satisfação sobre o estado de saúde, bem como do consumo de salada crua e frutas e houve uma diminuição da ingestão de hambúrguer/embutidos e refrigerantes, todas com significância estatística (p≤0,05). A idade, renda familiar e escolaridade não interferiram na qualidade de vida dos idosos. Conclusão: Os resultados sugerem que a intervenção nutricional impactou positivamente o estado nutricional, a qualidade de vida e a alimentação dos idosos estudados. Palavras-chave: Insuficiência renal crônica. Consumo alimentar. Intervenção nutricional. ABSTRACT Introduction: The chronic kiney disease (CKD) consists of renal injury and progressive and irreversible loss of the kidney function. The early detection and appropriate therapeutic approaches can slow its progression. Objective: Evaluate the impact of a nutritional intervention program on the nutritional status and on the quality of life of elderly with non-dialysis dependent CKD. Material and Methods: Sixty four patients of both gender, with CKD stage 3, were studied. They were ≥ 60 years old and participated in the HIPERDIA program, at a Health Basic Unit, located in Diadema/SP. It was a prospective cohort study, and the patients were monitored for nine months, between Aug/2012 and May/2013. The nutritional intervention consisted of one individual and three group meetings. The sociodemographic data were obtained by means of an interview. The evalution of the nutritional status was done by anthropometry, and the body mass index (BMI) was used for its classification; the cardiovascular risk was evaluated by using the measure of the waist circumference (WC). The quality of life was evaluated by the WHOQOL-bref. To evaluate the dietary intake, the 24-hour dietary recall and the "Food Consumption Labels Form for individuals aged five years or older" were used. The evaluation of the evolution of CKD was based on the estimated glomerular filtration rate (GFR). For statistical analysis, it was used the SPSS software, version 21, and a significance level of 5% (p ≤ 0.05). Normality tests, Kolmogorov-Smirnov and Shapiro-Wilk, were performed, with all the quantitative variables, according to the gender. When met the assumptions, the chisquare test, Student's t test for paired groups, Student's t test for independent groups and ANOVA with repeated measures were used. Results: The mean age was 73.95 ± 7.84 years, the female gender was predominant (65.6%), and most of the sample had low educational level and low income. Regarding nutritional status, 21.9% of the elderly were underweight and 32.8% were overweight. In relation to the risk for developing cardiovascular diseases, 62.6% were diagnosed with high or very high risk. When comparing the variables before and after intervention, there was a reduction of the BMI and WC values. The quality of life evaluated by the WHOQOL-BREF showed an increase in the item satisfaction with the health status, as well as the consumption of raw salad and fruit, and there was a decreased intake of burger/sausages and soft drinks, all with statistical significance (p ≤ 0.05). The age, family income and educational level did not affect the quality of life of the population in this study. Conclusion: The results suggest that the nutritional intervention positively impacted the nutritional status, the quality of life and the eating habits of the elderly. Key words: Chronic kidney disease. Food consumption. Nutritional intervention. LISTA DE QUADROS Quadro 1. Estadiamento da DRC (BRASIL, 2006; NKF/KDOQI, 2002). ................... 33 Quadro 2. Descrição das estratégias de intervenção coletiva realizadas com os idosos portadores de DRC. Diadema, São Paulo, 2012. ...................................................... 36 Quadro 3. Recomendações nutricionais na fase não dialítica da DRC. .................... 37 LISTA DE FIGURAS Figura 1. Equação para o cálculo do z-escore de micronutrientes que apresentam valores de EAR (IOM, 2000). .................................................................................... 42 Figura 2. Equação para o cálculo do z-escore de micronutrientes que apresentam valores de AI (IOM, 2000). ........................................................................................ 42 Figura 3. Equação para o cálculo do z-escore de micronutrientes que não devem ultrapassar o valor de UL (IOM, 2000). ..................................................................... 43 LISTA DE TABELAS Tabela 1. Distribuição de idosos portadores de DRC, segundo características sócio demográficas. Diadema, São Paulo, 2012. ............................................................... 47 Tabela 2. Distribuição de idosos portadores de DRC, segundo estado nutricional e risco cardiovascular. Diadema, São Paulo, 2012. ..................................................... 48 Tabela 3. Distribuição de idosos portadores de DRC, segundo doenças crônicas diagnosticadas e gênero. Diadema, São Paulo, 2012............................................... 51 Tabela 4. Média e desvio padrão do IMC e da CC de idosos portadores de DRC, segundo o gênero, pré e pós-intervenção. Diadema, São Paulo, 2012. ................... 54 Tabela 5. Média e desvio padrão da TFG de idosos portadores de DRC, pré e pósintervenção. Diadema, São Paulo, 2012. .................................................................. 55 Tabela 6. Média e desvio padrão da pontuação dos domínios, das questões de autopercepção e da pontuação geral do WHOQOL-bref de idosos portadores de DRC, pré e pós-intervenção. Diadema, São Paulo, 2012. .................................................. 56 Tabela 7. Média e desvio padrão da frequência de consumo dos alimentos marcadores de uma alimentação saudável e não saudável dos idosos portadores de DRC, pré e pós-intervenção. Diadema, São Paulo, 2012. ........................................ 58 Tabela 8. Consumo de energia de idosos portadores de DRC, pré e pós-intervenção. Diadema, São Paulo, 2012........................................................................................ 60 Tabela 9. Distribuição energética dos macronutrientes e consumo de fibras de idosos portadores de DRC, pré e pós-intervenção. Diadema, São Paulo, 2012. ................. 61 Tabela 10. Consumo de proteína de idosos portadores de DRC pré e pós-intervenção. Diadema, São Paulo, 2012........................................................................................ 61 Tabela 11. Probabilidade de adequação dos minerais consumidos pelos idosos portadores de DRC, pré e pós-intervenção. Diadema, São Paulo, 2012. ................. 66 Tabela 12. Probabilidade de adequação das vitaminas consumidas pelos idosos portadores de DRC, pré e pós-intervenção. Diadema, São Paulo, 2012. ................. 70 Tabela 13. Distribuição de idosos segundo “sucesso” e “não sucesso” na adesão às orientações nutricionais por grupos alimentares, pré e pós-intervenção. Diadema, São Paulo, 2012. .............................................................................................................. 72 Tabela 14. Relação entre a pontuação dos domínios, das questões de autopercepção e da pontuação geral do WHOQOL-bref e o grupo etário de idosos portadores de DRC. Diadema, São Paulo, 2012........................................................................................ 73 Tabela 15. Relação entre a pontuação dos domínios, das questões de autopercepção e da pontuação geral do WHOQOL-bref e a renda familiar mensal dos idosos portadores de DRC. Diadema, São Paulo, 2012. ...................................................... 73 Tabela 16. Relação entre a pontuação dos domínios, das questões de autopercepção e da pontuação geral do WHOQOL-bref e a escolaridade dos idosos portadores de DRC. Diadema, São Paulo, 2012. ............................................................................. 74 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AI AMDR BRA CC CEP CKD-EPI Clcr DCV DEP DP DRC DRIs EAN EAR HIPERDIA IECA IESS IMC IOM KDOQI LDL MDRD NKF OPAS PNA PSF SABE SISVAN SPSS SUS TFG UBS UL VET WHO WHOQOL Adequate Intake Acceptable Macronutrient Distribution Ranges Bloqueadores do Receptor de Angiotensina Circunferência da Cintura Comitê de Ética em Pesquisa Chronic Kidney Disease Epidemiology Collaboration Clearance da Creatinina Doenças Cardiovasculares Desnutrição Energético-proteica Desvio Padrão Doença Renal Crônica Dietary Reference Intakes Educação Alimentar e Nutricional Estimated Average Requirement Sistema de Cadastramento e Acompanhamento de Hipertensos e Diabéticos Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina Instituto de Estudos de Saúde Suplementar Índice de Massa Corporal Institute of Medicine Kidney Disease Outcomes Quality Initiative Low Density Lipoprotein Modification of Diet in Renal Disease National Kidney Foundation Organização Pan Americana de Saúde Protein Equivalent of Nitrogen Appearance Programa Saúde da Família “Saúde, bem-estar e envelhecimento” Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional Statistical Package for Social Science Sistema Único de Saúde Taxa de Filtração Glomerular Unidade Básica de Saúde Upper Level Valor Energético Total World Health Organization World Health Organization Quality of Life Questionnaire SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 17 1.1- Envelhecimento e Doença Renal Crônica ...................................................... 17 1.2- Fase não dialítica ou tratamento conservador ................................................ 21 1.3- Avaliação Nutricional ...................................................................................... 25 1.4- Qualidade de Vida .......................................................................................... 27 1.5- Educação Alimentar e Nutricional ................................................................... 28 2. OBJETIVOS .......................................................................................................... 32 2.1- Objetivo geral ................................................................................................. 32 2.2- Objetivos específicos ...................................................................................... 32 3. MATERIAL E MÉTODOS ...................................................................................... 33 3.1- População de estudo ...................................................................................... 33 3.2- Intervenção Nutricional ................................................................................... 34 3.3- Variáveis do estudo ........................................................................................ 37 3.3.1- Demográficas ........................................................................................... 38 3.3.2- Antropométricas ....................................................................................... 38 3.3.3- Consumo alimentar .................................................................................. 39 3.3.4- Qualidade de vida .................................................................................... 44 3.3.5- Taxa de Filtração Glomerular................................................................... 45 3.4- Análise Estatística .......................................................................................... 46 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO............................................................................. 47 4.1- Caracterização da população de estudo ........................................................ 47 4.2- Comparação das variáveis pré e pós-intervenção .......................................... 53 4.3- Relação entre as variáveis demográficas e a qualidade de vida .................... 72 5. CONCLUSÃO........................................................................................................ 76 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 78 APÊNDICE ................................................................................................................ 86 ANEXO ...................................................................................................................... 96 17 1. INTRODUÇÃO 1.1- Envelhecimento e Doença Renal Crônica O Brasil está passando por um rápido processo de envelhecimento, que pode ser entendido como uma mudança na estrutura etária da população resultante de uma maior proporção de idosos em relação ao conjunto da população em geral. Esse processo é decorrente da redução significativa da taxa de fecundidade desde meados da década de 1960 e ao aumento da longevidade dos brasileiros (IESS, 2013). A maior longevidade da população vem modificando o perfil epidemiológico no país, com aumento da mortalidade por doenças e agravos não transmissíveis em detrimento das doenças infecto-parasitárias (IESS, 2013). O diabetes mellitus e a hipertensão arterial são doenças crônicas resultantes da associação entre o crescimento da população idosa e o aumento da prevalência de obesidade. Essas doenças de base, diabetes mellitus e hipertensão arterial, são as principais causas para a falência renal em todo o mundo (BASTOS et al., 2009). A prevalência da doença renal crônica (DRC) tem sido estimada em diversos países desenvolvidos, mas permanece desconhecida em grande parte dos países em desenvolvimento. Considerando a população adulta da Europa, Ásia, América do Norte e Austrália, estima-se uma prevalência de DRC entre 2,5 e 11,2%. Nos Estados Unidos, a prevalência aumentou de 10% para 13,1% entre os períodos de 1988/1994 e 1999/2004 (JAMES, HEMMELGARN e TONLELLI, 2010). Já no Brasil, há inexistência de dados suficientes que demonstrem a amplitude da incidência e prevalência da DRC. Se a realidade norte-americana, em que cerca de 10% da população apresenta DRC, fosse tida como referência, a estimativa seria de aproximadamente 20 milhões de brasileiros acometidos com a doença (ABREU, 2013). Além das causas patológicas, especialmente o diabetes mellitus e a hipertensão arterial, destaca-se a influência do processo natural de envelhecimento que afeta todos os componentes do rim, levando a alterações na morfologia renal e diminuição da função renal, que podem ser agravadas pela presença de comorbidades (SCAPINI et al., 2010). Nesse contexto, estudos populacionais em diferentes países demonstram que a DRC atinge 7,2% de indivíduos acima de 30 anos 18 e esta prevalência aumenta, expressivamente, de 23,4 a 35,8% em pessoas acima de 64 anos (ABREU, 2013; PYRAM et al., 2012). Do ponto de vista histológico, o peso e o volume dos rins diminuem de 20 a 30% entre as idades de 30 a 90 anos, de 250 a 270g no adulto para 180 a 200g no idoso. Adicionalmente, o número de glomérulos, unidades funcionais dos rins, também diminui entre 30 e 50%. Assim, a filtração glomerular diminui, em média, 1mL/min/1,73m2por ano após os 40 anos de idade (ABREU, 2013). Dessa forma, mesmo em pessoas saudáveis a função renal diminui em torno de 40 a 50% na oitava década de vida (SCAPINI et al., 2010). A DRC consiste em lesão renal e perda progressiva e irreversível da função dos rins (AVESANI, PEREIRA e CUPPARI, 2009; BRASIL, 2006; ROMÃO JR, 2004). Segundo as Diretrizes de Prática Clínica para Avaliação e Gestão da Doença Renal Crônica, a DRC é definida como a presença de anormalidades na estrutura ou função renal por um período igual ou superior a três meses com implicações para a saúde (KDIGO, 2013). Os fatores de risco para o desenvolvimento da DRC são diabetes mellitus, hipertensão arterial (AVESANI, PEREIRA e CUPPARI, 2009; BASTOS e KIRSZTAJN, 2011; BRASIL, 2006; NKF/KDOQI, 2002; ROMÃO JR, 2004) e histórico familiar. Além destes, outros fatores estão relacionados à perda de função renal, como glomerulopatias, doença renal policística, doenças autoimunes, infecções sistêmicas, infecções urinárias de repetição, litíase urinária, uropatias obstrutivas e neoplasias (BRASIL, 2006; NKF/KDOQI, 2002). Os critérios adotados pelo National Kidney Foundation/Kidney Disease Outcomes Quality Initiative (NKF/KDOQI) para o diagnóstico da DRC incluem a presença de anormalidades estruturais e funcionais no rim por mais de três meses, acompanhadas ou não de redução da função renal ou taxa de filtração glomerular (TFG) < 60 mL/min por mais de três meses (ABREU, 2013; NKF/KDOQI, 2002). Segundo o Ministério da Saúde, o diagnóstico da DRC baseia-se na identificação de grupos de risco, presença de alterações de sedimento urinário (microalbuminúria, proteinúria, hematúria e leucocitúria) e na redução da filtração glomerular, avaliada pelo clearance de creatinina (Clcr) (BRASIL, 2006). A estimativa da TFG é o melhor índice para avaliar o nível da função renal global, tanto em indivíduos sadios como em enfermos. Existem diferentes fórmulas que podem ser 19 empregadas para estimar o Clcr a partir da creatinina sérica, idade, gênero e tamanho corporal (BRASIL, 2006; NKF/KDOQI, 2002). As fórmulas mais comumente utilizadas são as de Cockcroft e Gault (CG), Modification of Diet in Renal Disease (MDRD) e Chronic Kidney Disease Epidemiology Collaboration (CKD-EPI) (BASTOS e KIRSZTAJN, 2011). De acordo com a TFG, em ml/min/1,73 m2, os indivíduos podem ser classificados em seis estágios: o estágio 1 (TFG ≥ 90) refere-se à uma função renal normal; o estágio 2 (TFG 60-89) diminuição média da função renal; o estágio 3A (TFG 45-59) diminuição de média a moderada; o estágio 3B (TFG 30-44) diminuição moderada a severa; o estágio 4 (TFG 15-29) diminuição severa; e o estágio 5 (TFG <15) falência renal (KDIGO, 2013). A classificação da DRC é uma forma de orientar as medidas preventivas e encaminhamento para o especialista (BRASIL, 2006; NKF/KDOQI, 2002; ROMÃO JR, 2004). O estadiamento da DRC conforme o Ministério da Saúde, inclui o estágio 0 (zero) (BRASIL, 2006) que apresenta importância do ponto de vista epidemiológico. Ele inclui os indivíduos com função renal normal e sem lesão renal, mas que devem ser acompanhados por serem um grupo de risco para desenvolver a DRC (hipertensos, diabéticos e parentes de portadores de DRC) (AVESANI, PEREIRA e CUPPARI, 2009; ROMÃO JR, 2004). O estágio 1 é uma fase de lesão renal com função renal normal, correspondente às fases iniciais de lesão renal (presença de microalbuminúria ou proteinúria e/ou hematúria) com filtração glomerular preservada, ou seja, o ritmo de filtração glomerular está acima de 90 mL/min/1,73m2 (ABREU, 2013; AVESANI, PEREIRA e CUPPARI, 2009; ROMÃO JR, 2004). No estágio 2 (TFG entre 60 e 89 mL/min/1,73m2), também chamado de fase de insuficiência renal leve, ocorre o início da perda de função dos rins. Nessa fase, os níveis de ureia e creatinina plasmáticos ainda são normais, não há sinais ou sintomas clínicos importantes de insuficiência renal e somente métodos acurados de avaliação da função do rim podem detectar estas anormalidades (AVESANI, PEREIRA e CUPPARI, 2009; ROMÃO JR, 2004). No estágio 3 (TFG entre 30 e 59 mL/min/1,73m2) ou fase de insuficiência renal moderada, o paciente pode apresentar sinais e sintomas da uremia de maneira discreta, porém mantém-se clinicamente bem. Geralmente, apresenta níveis 20 plasmáticos elevados de ureia e de creatinina (AVESANI, PEREIRA e CUPPARI, 2009; ROMÃO JR, 2004). No estágio 4 (TFG entre 15 e 29 mL/min/1,73m2) ou fase de insuficiência renal severa, o paciente apresenta sinais e sintomas marcados de uremia, como anemia, hipertensão arterial, edema, fraqueza, mal-estar e sintomas digestivos (anorexia, náusea, vômito, diarreia, hálito urêmico) (AVESANI, PEREIRA e CUPPARI, 2009; ROMÃO JR, 2004). O estágio 5 (TFG inferior a 15 mL/min/1,73m2), caracterizado por insuficiência renal avançada, corresponde à fase de perda do controle do meio interno, podendo levar à morte do paciente. Nesta fase, o paciente encontra-se intensamente sintomático e há necessidade de iniciar a terapia renal substitutiva, que pode ser a hemodiálise, a diálise peritoneal ou o transplante renal (ABREU, 2013; AVESANI, PEREIRA e CUPPARI, 2009; ROMÃO JR, 2004). Considerando o estadiamento da DRC, a filtração glomerular, estimada pela depuração de creatinina, deve ser realizada pelo menos uma vez ao ano nos pacientes de risco, nos estágios 0 e 1 e, semestralmente, no estágio 2 da DRC. A avaliação trimestral é recomendada para todos os pacientes no estágio 3, para todos aqueles com declínio rápido da filtração glomerular (acima de 4 ml/min/1,73m²/ano), nos casos em que houve intervenções para reduzir a progressão ou exposição a fatores de risco para perda da função aguda e, quando se detecta fatores de risco para progressão mais rápida. Os pacientes nos estágios 4 e 5 apresentam um risco maior de deterioração da função renal e devem obrigatoriamente ser encaminhados ao nefrologista (BRASIL, 2006). Como visto, o nível da TFG é aceito como sendo a melhor medida da função renal global. Já para a lesão renal, definida como a presença de anormalidades estruturais ou funcionais do rim, os marcadores mais úteis incluem anormalidades na composição sanguínea ou urinária ou também anormalidades em exames por imagem. A elevada excreção persistente de proteínas é normalmente usada como um marcador de lesão renal. A excreção de tipos específicos de proteínas, como albumina ou globulinas de baixo peso molecular, depende do tipo de doença renal existente. A excreção aumentada de albumina é um marcador sensível da DRC causada por diabetes, doença glomerular e hipertensão. A excreção aumentada de globulinas de baixo peso molecular é um marcador sensível de alguns tipos de doença túbulo- 21 intersticial. Além da proteinúria, outros marcadores de lesão renal incluem alterações no sedimento urinário e nos exames de imagem, cujos resultados podem sugerir outros tipos de DRC, incluindo doenças de origem vascular, túbulo-intersticial e cística dos rins (NKF/KDOQI, 2002). A DRC em geral é silenciosa. Por isso, a avaliação clínica baseia-se em grande parte no estudo laboratorial e nos exames de diagnóstico por imagem. Para todos os pacientes com DRC a avaliação laboratorial deve contemplar: creatinina sérica para estimar a TFG; razão proteína/creatinina ou albumina/creatinina em amostra da primeira urina da manhã ou isolada, coletada aleatoriamente e sem tempo determinado; exame do sedimento urinário ou fita reagente para hemácias e leucócitos; e exame dos rins por imagem, geralmente por ultrassom e eletrólitos séricos (sódio, potássio, cloreto e bicarbonato) (NKF/KDOQI, 2002). A detecção precoce da doença renal e condutas terapêuticas apropriadas para o seu retardamento, logo da sua progressão, podem reduzir o sofrimento dos pacientes e os custos financeiros associados à DRC. Como as duas principais causas de insuficiência renal crônica são a hipertensão arterial e o diabetes mellitus, a capacitação, a conscientização e a vigilância do médico de cuidados primários à saúde são essenciais para o diagnóstico e encaminhamento precoce ao nefrologista. Após o diagnóstico da doença renal alguns pontos são fundamentais, a saber: instituir diretrizes apropriadas para retardar a progressão da DRC, prevenir suas complicações, tais como, desnutrição, acidose metabólica, anemia e distúrbios minerais e ósseos, modificar comorbidades presentes e preparar adequadamente o paciente para o início da terapia renal substitutiva (ROMÃO JR, 2004). 1.2- Fase não dialítica ou tratamento conservador A DRC é um problema de grande relevância e é reconhecida como uma doença complexa que exige múltiplas abordagens no seu tratamento. O tratamento ideal da DRC é baseado em três pilares de apoio: 1) diagnóstico precoce da doença; 2) encaminhamento imediato para tratamento nefrológico; e 3) implementação de medidas para preservar a função renal (BASTOS e KIRSZTAJN, 2011). Nos estágios de 1 a 4 da DRC, a terapêutica denomina-se fase não dialítica ou tratamento conservador e tem como objetivos retardar a progressão da DRC, tratar as 22 complicações decorrentes da perda da função renal e preparar o paciente para o início da terapia dialítica (preparo de acesso vascular e indicação da terapia dialítica no momento adequado) (AMMIRATI, 2013; AVESANI, PEREIRA e CUPPARI, 2009). A prevalência de DRC na fase não dialítica é elevada e preocupante. Nos Estados Unidos, dados do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) mostraram que cerca de 10% da população aparentemente saudável apresentavam déficit de função renal, o que caracteriza a DRC como um problema de saúde pública e alerta para a importância de estratégias que reduzam sua incidência (AVESANI, PEREIRA e CUPPARI, 2009). Dentre as intervenções terapêuticas, as que são mais recorrentes na literatura envolvem o controle da hipertensão, do diabetes e da dislipidemia, alterações alimentares (sódio e proteína), redução de peso e abstinência do fumo (JAMES, HEMMELGARN e TONLELLI, 2010). No entanto, estas intervenções têm maiores efeitos favoráveis se instituídas precocemente no curso da doença renal (GIORDANO et al., 2013). O tratamento da hipertensão arterial é considerado a base da gestão para retardar a progressão da DRC e reduzir o risco cardiovascular (ABATERUSSO et al., 2008; JAMES, HEMMELGARN e TONLELLI, 2010; TURGUT, BALOGNUN e RAHMAN, 2010). Estudos têm mostrado que o tratamento de primeira linha para o controle da hipertensão em pacientes com DRC consiste no uso de agentes antihipertensivos que inibem o sistema renina-angiotensina, como os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) e os bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) (ABATERUSSO et al., 2008; JAMES, HEMMELGARN e TONLELLI, 2010; LANE et al., 2009; LEVEYAS, STEVENS e CORESH, 2009; PYRAM et al., 2012; ROTHBERG et al., 2008; TURGUT, BALOGNUN e RAHMAN, 2010). O controle glicêmico insuficiente (hiperglicemia) tem sido associado com o aumento do risco de nefropatia diabética (JAMES, HEMMELGARN e TONLELLI, 2010) e com o desenvolvimento e progressão da DRC (JAMES, HEMMELGARN e TONLELLI, 2010; PYRAM et al., 2012). Além disso, o diabetes e a DRC são fatores de risco cardiovascular, e juntos eles sinergicamente aumentam a mortalidade cardiovascular (ABATERUSSO et al., 2008). Dessa forma, faz-se necessário aplicar estratégias de tratamento medicamentoso e não medicamentoso, de acordo com o quadro clínico do paciente. A farmacoterapia envolve o uso de medicamentos das 23 classes metformina, repaglinida, sulfonilureias e insulina (JAMES, HEMMELGARN e TONLELLI, 2010). Além do controle glicêmico farmacológico, tem sido recomendada a adoção de dieta hipoglicídica, a fim de diminuir os efeitos da hiperglicemia sobre o rim (PYRAM et al., 2012). O tratamento da dislipidemia na população geral sugere vantagens importantes tanto para a redução do risco cardiovascular, quanto na prevenção da doença cardiovascular (DCV) (CHOUDHURY, TUNCEL e LEVI, 2009). O uso de estatinas tem sido recomendado como tratamento de primeira linha para pacientes com DRC (ABATERUSSO et al., 2008; CHOUDHURY, TUNCEL e LEVI, 2009; JAMES, HEMMELGARN e TONLELLI, 2010; PYRAM et al., 2012) e apresenta potencial para reduzir o LDL, melhorando a morbidade e a mortalidade relacionadas à DCV e também tem-se mostrado eficaz ao diminuir o declínio da função renal (PYRAM et al., 2012). Em relação às alterações alimentares, tendo em vista que o controle da hipertensão é a base do tratamento de portadores de DRC, tem sido documentada a limitação da ingestão de sódio como uma medida de prevenção e controle da hipertensão (JAMES, HEMMELGARN e TONLELLI, 2010). No entanto, o foco dos estudos, quanto às alterações alimentares, está na ingestão proteica (ABATERUSSO et al., 2008; GIORDANO et al., 2013; JAMES, HEMMELGARN e TONLELLI, 2010; PYRAM et al., 2012). A restrição dietética de proteína pode ajudar a melhorar a função renal, diminuindo a excreção urinária de albumina, e presumivelmente, reduzindo o declínio da TFG estimada (PYRAM et al., 2012). Dessa forma, as evidências sugerem que as dietas hipoproteicas podem retardar a progressão da insuficiência renal, adiando a necessidade de início na terapia dialítica (NKF/KDOQI, 2000). Mesmo havendo algumas incertezas quanto à quantidade de proteína a ser prescrita para os diferentes estágios da DRC, nas fases iniciais indica-se que a ingestão de proteína não exceda 1,0 g/kg/dia (ABATERUSSO et al., 2008; PYRAM et al., 2012). Em fases posteriores, como pacientes no estágio 3 da DRC, a maioria dos guias práticos e pesquisadores da área recomenda dietas que contenham entre 0,6 e 0,8 g/kg/dia de proteínas (CUPPARI, 2013; NKF/KDOQI, 2000; SBNPE, 2011), priorizando a ingestão daquelas com alto valor biológico (CUPPARI, 2013; GIORDANO et al., 2013; NKF/KDOQI, 2000; SBNPE, 2011). Também sugere-se a combinação da dieta hipoproteica com a suplementação de cetoácidos, objetivando o 24 retardo da progressão da DRC sem deterioração do estado nutricional (GIORDANO et al., 2013). Apesar dos benefícios citados com a adoção de uma dieta hipoproteica, são necessários ensaios clínicos randomizados controlados de longo prazo para avaliar a relação risco-benefício desta dieta em idosos. Por isso, ao recomendar uma dieta hipoproteica para pacientes idosos com DRC, três condições principais devem ser atendidas, a fim de se evitar a desnutrição: 1) ingestão calórica adequada; 2) pelo menos 60% da proteína ingerida deve ser de alto valor biológico ou com teor elevado de aminoácidos essenciais; e 3) a atividade física deve ser incentivada para evitar a degradação de proteína muscular. Ainda, destaca-se que, ao se iniciar qualquer dieta restrita em um indivíduo idoso, uma avaliação nutricional cuidadosa deve ser realizada previamente (GIORDANO et al., 2013). Estudos epidemiológicos revelam uma relação entre as variáveis de estilo de vida (dieta, obesidade, exercício e fumo) e a DRC (PYRAM et al., 2012). Resultados de estudos observacionais sugerem que a obesidade está associada ao desenvolvimento de DRC, a progressão para doença renal terminal e a mortalidade relacionada à DRC. Em pacientes com peso inicial normal, o ganho de peso deve ser evitado e a perda de peso é recomendada para pessoas que estão acima do peso (JAMES, HEMMELGARN e TONLELLI, 2010). O tabagismo está associado ao aumento do risco de DRC progressiva e doença renal terminal ou morte relacionada à DRC. Portanto, parar de fumar deve ser incentivado (JAMES, HEMMELGARN e TONLELLI, 2010). Embora tenham sido relatados os benefícios em relação à redução de peso e tabagismo, as evidências são limitadas, sendo necessários mais estudos com intervenções consistentes (PYRAM et al., 2012). É fundamental ressaltar que estudos apontam para importância de intervenções precoces em pacientes ainda na fase não dialítica, com vistas à melhora da qualidade de vida dessa população, desde o diagnóstico da DRC à entrada em terapia renal substitutiva. Tais intervenções devem ser focadas na abordagem global desses pacientes, por meio de equipes interdisciplinares, uma vez que se pode obter melhor qualidade do atendimento prestado e, consequentemente, maior adesão dos pacientes ao tratamento (SANTOS et al., 2008). 25 1.3- Avaliação Nutricional A avaliação do estado nutricional deve ser capaz de detectar, diagnosticar, classificar e apontar indivíduos em situações de risco nutricional. Em pacientes com DRC, a avaliação e o monitoramento do estado nutricional são essenciais para que a orientação nutricional seja adequada às suas condições clínicas (AVESANI, PEREIRA e CUPPARI, 2009). A desnutrição energético-proteica (DEP) se desenvolve durante o curso da DRC e está associada a consequências adversas. É caracterizada pela perda de gordura corporal e de estoques somáticos de proteína, redução de concentração de proteína sérica e diminuição da capacidade física (NKF/KDOQI, 2002). Possivelmente, existem múltiplos fatores que favorecem o desenvolvimento da DEP na DRC, sendo que a ingestão reduzida de proteína e energia (abaixo da ingestão usual) contribui de maneira importante para esse processo catabólico (CUPPARI e KAMIMURA, 2009; NKF/KDOQI, 2002). Os estudos mostram que a DEP está presente em cerca de 45-55% dos pacientes na fase não dialítica (CUPPARI e KAMIMURA, 2009). A alta prevalência de desnutrição na DRC, a associação entre desnutrição e consequências clínicas e novas evidências de que a ingestão de nutrientes começa a declinar com TFG < 60 ml/min/1,73m2, apoiam a recomendação de que o estado nutricional deveria ser avaliado e monitorado precocemente no curso da DRC (NKF/KDOQI, 2002). Apesar da elevada prevalência de DEP encontrada em pacientes com DRC, tem-se observado que o sobrepeso e a obesidade também são distúrbios nutricionais frequentes nessa população (NKF/KDOQI, 2002). De um modo geral, valores indicativos de sobrepeso e obesidade avaliados pelo Índice de Massa Corporal (IMC) estão presentes em cerca de 50-60% dos pacientes na fase não dialítica (CUPPARI e KAMIMURA, 2009). Dessa forma, não há um perfil único no estado nutricional no paciente com DRC, logo, não existe um protocolo único para avaliá-lo (AVESANI, PEREIRA e CUPPARI, 2009). A monitoração eficiente do estado nutricional requer uma avaliação de múltiplos parâmetros (composição corporal, avaliação da proteína visceral, massa muscular ou proteína somática, consumo alimentar e avaliação subjetiva global). A frequência da monitorização do estado nutricional recomendada é de um a três meses para os 26 pacientes com DRC estágios 4 e 5 e, a cada seis a doze meses no estágio 3 – se não houver evidências de desnutrição (NKF/KDOQI, 2002). O emprego de medidas antropométricas, incluindo peso, estatura, pregas cutâneas e circunferências, é a forma mais prática, segura e de baixo custo para estimar as reservas de gordura e de massa magra corporal. Entre os indicadores bioquímicos das reservas proteicas mais comumente empregados na avaliação nutricional de pacientes com DRC, destacam-se aqueles relacionados com as reservas de proteínas viscerais como a albumina, pré-albumina e transferrina (CUPPARI e KAMIMURA, 2009). Em pacientes ainda na fase não dialítica é comum uma redução sutil, porém gradual, do apetite e do consumo alimentar e que, a longo prazo, pode contribuir para a deterioração do estado nutricional. Assim, a análise do consumo alimentar, seja de forma quantitativa e/ou qualitativa, constitui uma etapa importante da avaliação nutricional, uma vez que fornece informação não somente para auxiliar no diagnóstico nutricional, mas também para nortear as intervenções dietéticas necessárias. Vários métodos de inquérito alimentar podem ser empregados, dentre os quais se destacam o recordatório alimentar de 24h e o registro alimentar de três dias (CUPPARI e KAMIMURA, 2009). Avaliar o consumo de energia, proteína, lipídeos, sódio, fósforo e potássio na população de pacientes com DRC é uma forma de verificar a adesão às orientações nutricionais e estabelecer relações entre consumo desses nutrientes com comorbidades frequentes na DRC, como a DEP, a obesidade, os distúrbios do metabolismo mineral e ósseo e as DCV. Além disso, conhecer o consumo alimentar desses pacientes permite associar o tratamento dietético com um melhor controle da progressão da doença, dos sintomas urêmicos e com o risco de morte (VALE, AVESANI e SILVA, 2013). Devido às dificuldades na obtenção de informações acuradas, a respeito da ingestão de nutrientes por meio dos inquéritos alimentares, têm crescidos o interesse e a necessidade de identificação de marcadores bioquímicos que reflitam direta ou indiretamente a quantidade ingerida de um nutriente. A quantidade de proteína ingerida pode ser estimada a partir da quantidade de nitrogênio excretada em urina de 24h ou da quantidade de nitrogênio gerado. Esse marcador tem sido amplamente empregado na avaliação da ingestão proteica de pacientes com DRC e é conhecido 27 pela sigla PNA (Protein Equivalent of Nitrogen Appearance) (CUPPARI e KAMIMURA, 2009). 1.4- Qualidade de Vida De acordo com o Grupo de Qualidade de Vida da Organização Mundial da Saúde (1994), citado por Chachamovich, Trentini e Fleck (2011), qualidade de vida refere-se à “percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive, em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”. O conceito de qualidade de vida está relacionado à autoestima, ao bem-estar, à capacidade funcional, ao nível socioeconômico, ao estado emocional, à interação social, à atividade intelectual, ao autocuidado, ao suporte familiar, ao próprio estado de saúde, aos valores culturais, éticos e à religiosidade, ao estilo de vida, à satisfação com o emprego e/ou com as atividades diárias e o ambiente em que se vive. Portanto, é um conceito subjetivo e dependente do nível sociocultural, da faixa etária e das aspirações pessoais de cada indivíduo (VECCHIA et al., 2005). A partir do aumento da expectativa de vida, a preocupação com a qualidade de vida na velhice ganhou relevância nas últimas décadas (TRENTINI, CHACHAMOVICH e FLECK, 2008). No entanto, instrumentos específicos para aferição da qualidade de vida em idosos apresentam uma forte escassez de questionários ou escalas adequadamente delineados ou testados nessa população (CHACHAMOVICH, TRENTINI e FLECK, 2011). Apesar dessa carência de instrumentos específicos, sabe-se que o que as pessoas idosas dizem sobre sua qualidade de vida ou a pontuação que atribuem em escalas numéricas reflete a discrepância percebida entre as suas expectativas e o que conseguem ser, ter ou fazer (NERI, 2011). O crescente interesse no construto qualidade de vida, do ponto de vista clínico, representa um fundamental acréscimo às investigações que objetivam medir o impacto de intervenções (CHACHAMOVICH, TRENTINI e FLECK, 2011). Nesse contexto, as medidas de qualidade de vida em doenças crônicas vêm sendo reconhecidas também como instrumentos de avaliação de efetividade das intervenções terapêuticas (CRUZ, POLANCZYK e FLECK, 2008), uma vez que 28 geralmente as doenças crônicas estão relacionadas a um prognóstico negativo (TAKEMOTO et al., 2011). A avaliação da qualidade de vida em pacientes com DRC tem sido considerada tão importante quanto às medidas de morbidade e mortalidade (CRUZ, POLANCZYK e FLECK, 2008), visto que esses pacientes têm considerável diminuição da qualidade de vida quando comparados à população geral (SANTOS et al., 2008). Diante da situação em que os pacientes renais crônicos encontram-se, em que a cura não é uma meta atingível, melhorar a satisfação do paciente com seu tratamento e seu bem-estar geral deveria tornar-se um dos objetivos primários. Assim, as medidas de qualidade de vida apresentam-se como uma ferramenta essencial para tal propósito, tendo em vista que levam em consideração a perspectiva do indivíduo em relação a seu estado de saúde e/ou qualidade de vida. No Brasil, o WHOQOL-bref está validado e tem sido uma ferramenta utilizada na população de doentes renais crônicos com a finalidade de medir a qualidade de vida desses pacientes (CRUZ, POLANCZYK e FLECK, 2008). Vale ressaltar que diversos autores demonstraram a influência da DRC na qualidade de vida dos pacientes e, por isso, intervenções precoces em pacientes ainda na fase não dialítica devem ser propostas, visando a melhora da qualidade de vida dessa população, desde o diagnóstico da DRC até a entrada em terapia renal substitutiva (SANTOS et al., 2008). Adicionalmente, destaca-se que não basta ampliar a quantidade de anos vividos, mas sim investir para que o aumento da expectativa de vida seja acompanhado de melhorias das condições físicas, sociais e afetivas, de tal forma que se possa desfrutar de uma velhice ativa e saudável pelo período de tempo mais longo possível (VICENTE e SANTOS, 2013). 1.5- Educação Alimentar e Nutricional A Educação Alimentar e Nutricional (EAN), por meio de ações educativas que difundem informações e estimulam os indivíduos à adoção de práticas alimentares saudáveis, visa o desenvolvimento da autonomia, do autocuidado e do autodirecionamento (BOOG, 2013; BRASIL, 2012; CASTRO, CASTRO e GUGELMIM, 2011). Dessa forma, as ações de EAN requerem uma abordagem integrada que 29 reconheça as práticas alimentares como resultantes da disponibilidade e acesso aos alimentos, bem como dos comportamentos, práticas e atitudes envolvidas nas escolhas, nas preferências, nas formas de preparo e no consumo dos alimentos (BRASIL, 2012). Portanto, a EAN não preconiza uma obediência passiva a dietas, mas proporciona acesso a informações e trabalha as questões subjetivas da alimentação, para que as mudanças possam ocorrer no tempo e no ritmo de cada indivíduo (CASTRO, CASTRO e GUGELMIM, 2011). No contexto da saúde coletiva, as ações de alimentação e nutrição referem-se, sobretudo, às medidas de promoção da saúde. Nesse sentido, a Atenção Básica, como porta de entrada dos serviços públicos, é o local por excelência para a realização dessas ações, com foco nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), estruturadas para estabelecer o primeiro acesso da população aos serviços e resolver os problemas de saúde mais frequentes. Dentro do processo de trabalho das equipes de Atenção Básica, destacam-se a construção de parcerias na promoção da saúde e o desenvolvimento de ações educativas que contribuam para a melhoria da qualidade de vida dos usuários (MEDEIROS, 2011). Conforme a diretriz de atenção integral à saúde, são previstas ações tanto de caráter individual como de caráter coletivo, envolvendo educação em saúde e nutricional em grupos educativos e terapêuticos (MEDEIROS, 2011). Dessa maneira, a EAN deve buscar uma abordagem coletiva, para trabalhar com grupos que compartilham momentos ou problemas comuns, e uma abordagem individual, para atuar na dimensão singular da vida de cada pessoa (BOOG, 2011). O atendimento individual com foco na alimentação e tendo como propósito a educação, denomina-se aconselhamento dietético ou nutricional e pode ser realizado em UBS, ambulatórios e consultórios. O espaço do aconselhamento dietético é um ambiente de acolhimento, compreensão e apoio, uma vez que, quando a pessoa sente-se acolhida, decresce o grau de ansiedade e ela torna-se mais receptiva às orientações (BOOG, 2013). As ações educativas em grupos, que podem ser realizadas em UBS, ambulatórios, empresas, consultórios e escolas, apresentam características comuns a todos os trabalhos em grupo, isto é, oportunidade para todos se expressarem, emitirem opiniões ou defenderem pontos de vista. O atendimento em grupo na EAN tem por finalidade criar condições para o apoio solidário dos participantes entre si e o acesso aos significados afetivos da alimentação, buscando trazer as experiências 30 pessoais para compartilhamento e reflexão, além de desafiar os participantes a desconstruir e reconstruir as representações sobre os problemas que enfrentam e desenvolver estratégias para lidar com as dificuldades relacionadas às mudanças no comportamento alimentar (BOOG, 2013). É importante destacar que as diversas estratégias de intervenção nutricional, tanto aquelas baseadas em perspectivas individuais, como as que adotam enfoques grupais, não deveriam ser consideradas antagônicas, porém muito mais complementares, já que as forças de uma vêm reforçar a debilidade da outra e viceversa (BOOG, 2013). Ainda cabe destacar que, em contextos que envolvam indivíduos ou grupos com alguma doença ou agravo de saúde, em que a EAN é considerada um recurso terapêutico, as ações educativas são responsabilidade de profissionais com conhecimento técnico e habilitação em EAN, devendo ser respeitadas as especificidades regulamentadoras das diferentes categorias profissionais (BRASIL, 2012). Considerando que a EAN proporciona o acesso a informações, trabalha as questões subjetivas da alimentação e contribui para a melhoria da qualidade de vida dos indivíduos, é fundamental mencionar que uma proposta de intervenção nutricional concebida, especificamente para um grupo de pacientes, pode contribuir para melhorar a adesão às orientações nutricionais. Ao focar em indivíduos com DRC na fase não-dialítica, em que a restrição na ingestão de proteínas é tradicionalmente recomendada para o tratamento, observase, com frequência, uma baixa adesão dos pacientes em seguir a prescrição de uma dieta hipoproteica e, por isso, diferentes estratégias educativas tem sido utilizadas. Os estudos com ênfase em estratégias educativas em pacientes com DRC têm, até o momento, se voltado para o controle de fósforo em pacientes submetidos à diálise, sendo que nestes estudos foram utilizados diferentes materiais educativos, como: palestras, folders, cartazes, folhetos, quebra-cabeças e jogos, além de ações práticas (visitas a restaurantes e desenvolvimento de receitas culinárias). Estes estudos mostraram uma melhor adesão aos regimes alimentares complexos (BARRETO et al., 2013). Nesse sentido, Barreto et al. (2013) realizaram um ensaio clínico randomizado controlado com pacientes portadores de DRC não dialítica, divididos em dois grupos: 31 1) grupo controle (somente prescrição de dieta hipoproteica e hipossódica) e; 2) grupo intervenção (prescrição de dieta hipoproteica e hipossódica e participação do programa de educação nutricional). Este estudo mostrou que os pacientes que participaram do programa de educação nutricional se sentiram mais motivados, o que favoreceu a redução da ingestão de proteínas de maneira superior em comparação ao grupo controle. Os autores concluíram que os programas de educação nutricional são eficazes no aumento da adesão dos pacientes às recomendações de ingestão de proteínas. Para se instituir um programa de educação nutricional, é necessário que o profissional defina o que se pretende, onde se quer chegar e que resultados espera. As respostas vindas dos participantes possibilitam validar um programa educativo, pois descrevem os resultados alcançados, que, eventualmente, podem não ser exatamente aqueles esperados, uma vez que estamos lidando com pessoas, sujeitos de sua própria vida. No entanto, quando se oferece oportunidades, conhecimento e estímulo, é possível, que a educação tenha resultados até superiores àqueles estabelecidos (objetivos e metas). Contrariamente, quando os objetivos não são alcançados, a avaliação é muito importante porque aponta as direções das reformulações necessárias nos próprios objetivos, conteúdos e métodos (BOOG, 2013). Diante do exposto, acredita-se que com a proposta deste estudo em realizar uma intervenção nutricional com idosos portadores DRC não dialítica, é possível impactar positivamente o estado nutricional e a qualidade de vida desses pacientes, contribuindo para o retardo da progressão da DRC para os estágios mais avançados. 32 2. OBJETIVOS 2.1- Objetivo geral Avaliar o impacto de um programa de intervenção nutricional sobre o estado nutricional e a qualidade de vida de idosos com doença renal crônica não dialítica. 2.2- Objetivos específicos Avaliar o estado nutricional e a qualidade de vida de pacientes portadores de DRC; Investigar o consumo alimentar e a evolução da DRC; Comparar as variáveis antropométricas, de consumo alimentar, qualidade de vida e taxa de filtração glomerular antes e após a intervenção nutricional; Verificar a relação entre as variáveis demográficas e a qualidade de vida. 33 3. MATERIAL E MÉTODOS 3.1- População de estudo Foram estudados 64 pacientes, de ambos os gêneros, com idade ≥ 60 anos, portadores de DRC em estágio 3, que originaram uma coorte prospectiva acompanhada por um período de nove meses (agosto de 2012 a maio de 2013), na UBS Vila Nogueira, localizada no município de Diadema, São Paulo. Os idosos foram, inicialmente, selecionados por meio do HIPERDIA, um sistema que permite cadastrar e acompanhar os portadores de hipertensão arterial e/ou diabetes mellitus atendidos na rede ambulatorial do Sistema Único de Saúde (SUS) (BRASIL, 2014). Durante a coleta de dados, fazia parte da rotina semestral da UBS, preencher a Ficha de Cadastro de Hipertensos e/ou Diabéticos - HIPERDIA (ANEXO A), sendo que uma das informações coletadas neste impresso refere-se ao valor de creatinina sérica que, posteriormente, é empregado no cálculo para estimativa da TFG. O estadiamento da DRC, para identificar os pacientes em estágio 3, partiu dos valores da TFG entre 30 e 59mL/min/1,73m² (Quadro 1) estimada pela Equação de Cockcroft-Gault (NKF/KDOQI, 2002; BRASIL, 2006): Clcr mL/min = 140 − idade ∗ peso ∗ 0,85, se mulher 72 ∗ Creatinina sérica mg/dL Quadro 1. Estadiamento da DRC (BRASIL, 2006; NKF/KDOQI, 2002). Estágio Função renal 0 Grupo de risco: sem lesão renal, função normal. 1 Lesão renal (microalbuminúria, proteinúria), função preservada, com fatores de risco. Clcr (ml/min/1,73m²) > 90 > 90 2 Lesão renal com insuficiência renal leve. 60-89 3 Lesão renal com insuficiência renal moderada. 30-59 4 Lesão renal com insuficiência renal severa. 15-29 5 Lesão renal com insuficiência renal terminal ou dialítica. < 15 Para o recrutamento dos participantes foram verificadas todas as Fichas de Cadastro de Hipertensos e/ou Diabéticos – HIPERDIA (2010-2012), e selecionados 34 os pacientes que atendiam aos critérios de inclusão: indivíduos com idade ≥ 60 anos, portadores de doença renal crônica em estágio 3. Todos os idosos que estavam em conformidade com os critérios de inclusão foram convidados a participar da pesquisa mediante convite entregue em domicílio pelo Agente Comunitário de Saúde, funcionário que tem como papel realizar a interface entre os serviços de saúde da Atenção Básica e a comunidade, integrante do Programa de Saúde da Família (PSF) (BRASIL, 2009). Cabe ressaltar que somente após a aprovação pelo Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da instituição AMC Serviços Educacionais S/C Ltda. (Universidade São Judas Tadeu), parecer número 02190412.5.0000.0089, foi feita a entrega dos convites e o primeiro contato da nutricionista/pesquisadora com os idosos selecionados. Neste momento, os idosos foram oficialmente convidados e informados sobre os riscos e benefícios de sua participação na pesquisa. Também tomaram ciência dos critérios de exclusão: idoso portador de DRC em estágio 3, que deixasse de comparecer ao atendimento individual ou que tivesse frequência inferior a 75% nos encontros coletivos. Aqueles que concordaram em participar, assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE A), atendendo aos aspectos éticos. Considerando os critérios de exclusão, iniciaram o estudo 98 idosos portadores de DRC em estágio 3 e finalizaram 64, o que representou uma perda de 34,7%. 3.2- Intervenção Nutricional Durante a intervenção nutricional os idosos participaram de maneira coletiva e individual, sendo propostos quatro encontros (três coletivos e um individual) por um período, aproximado, de seis meses. É importante destacar que, como o idoso que faltasse no atendimento individual seria excluído do estudo, optou-se em contatar novamente os pacientes que faltaram, como uma espécie de “repescagem”. Somente após este procedimento é que o programa teve continuidade para a próxima etapa, o que evitou muitas perdas ao longo do estudo. Estratégias de intervenção coletiva As intervenções realizadas coletivamente foram divididas em três encontros: o primeiro abordou a definição e função dos rins, por meio de uma palestra; o segundo, 35 organizado na forma de roda de conversa, a alimentação para pacientes portadores de DRC – dificuldades e facilidades; e, o terceiro, os tratamentos da DRC, com exposição oral e pôster (Quadro 2). Ressalta-se que não houve uma avaliação específica para cada estratégia, sendo adotada, portanto, uma avaliação somativa, que permite medir o grau de alcance, ou de não alcance, dos resultados esperados (BOOG, 2013). Para tanto, a intervenção nutricional foi avaliada ao final do processo, por meio dos resultados obtidos pela comparação entre as variáveis do estudo antes e após a intervenção. Nos encontros coletivos, foram agendados no máximo 15 pacientes, que se agruparam na Sala de Reunião da própria UBS para exposição dos temas citados com duração de aproximadamente uma hora. 36 Quadro 2. Descrição das estratégias de intervenção coletiva realizadas com os idosos portadores de DRC. Diadema, São Paulo, 2012. Tema Entendendo Objetivos Estratégia Apresentar o conceito e as funções Palestra: comunicação verbal o rim e suas dos funções importância no equilíbrio corporal. rins, Expor a evidenciando relação sua entre entre a pesquisadora e o grupo de pacientes, permitindo a o envelhecimento e a função renal. Introduzir a definição e classificação oportunidade de questionamento a qualquer momento. da DRC, bem como as principais Recurso: Data show. causas para o seu desenvolvimento. Alimentação Reforçar as orientações nutricionais Roda de conversa: criação de para para pacientes com DRC na fase não espaços de diálogo, nos quais pacientes dialítica. os participantes puderam se com DRC Discutir e refletir sobre as principais expressar e, sobretudo, dificuldades e facilidades em aderir escutar os outros e a si ao plano alimentar prescrito. mesmos, promovendo uma troca de experiências. Tratamentos da DRC Retomar a classificação da DRC e Exposição apresentar os tratamentos verbal oral: sobre os preleção tipos de realizados com a progressão da tratamento na DRC avançada, doença possibilitando para avançados, os como estágios mais hemodiálise, diálise peritoneal e transplante renal. aos participantes sanar as dúvidas durante a exposição do conteúdo. Recurso: Pôster. Encontro individual Para elaboração do plano alimentar individualizado foram consideradas informações obtidas no Recordatório de 24 horas inicial (alimentos e preparações consumidos e as quantidades, o horário e local das refeições), preferências e aversões alimentares e a estimativa da necessidade energética. Primeiramente, foi realizado o cálculo da necessidade energética, optando pela recomendação de 30 kcal/kg/dia para ambos os gêneros, tendo como base o peso atual e, no caso de pacientes com baixo peso, o peso ideal, calculado por meio do 37 IMC médio para eutrofia (OPAS, 2002). Posteriormente, calculou-se a necessidade proteica adotando de 0,6 a 0,8 g/kg/dia, mantendo o mesmo critério citado para utilização do peso corporal e, em seguida, carboidratos e lipídeos. As fibras totais e os minerais foram prescritos conforme as recomendações descritas no Quadro 3. Quadro 3. Recomendações nutricionais na fase não dialítica da DRC. Recomendação Nutriente Homem Proteínaa,e,f Mulher 0,6 a 0,8 g/kg/dia 0,6 a 0,8 g/kg/dia 50 a 60% do VET 50 a 60% do VET 25 a 35% do VET 25 a 35% do VET Energia 30 a 35 kcal/kg/dia 30 a 35 kcal/kg/dia Fibras totaisc >51 anos: 30 g/dia >51 anos: 21 g/dia 1000 a 2300 mg/dia 1000 a 2300 mg/dia Potássio 1000 a 3000 mg/dia 1000 a 3000 mg/dia Fósforof 800 mg/dia 800 mg/dia 8 mg/dia 8 mg/dia 1000 a 1200 mg/dia 1000 a 1200 mg/dia d,e Carboidratos d,e Lipídeos d,e f Sódio f b Ferro f Cálcio aCUPPARI, 2013. bIOM, 2001. cIOM, 2002. dMASUD e MITCH, 2009. eNKF/KDOQI, 2000. fSBNPE, 2011. Ao definir as metas nutricionais para cada paciente, de acordo com as recomendações citadas e adotadas, os planos alimentares foram calculados no software AVANUTRI (Software de Avaliação e Prescrição Nutricional, versão 4.0). Após a elaboração do plano alimentar, este foi entregue ao paciente em consulta individual, depois da primeira intervenção coletiva. Utilizou-se um impresso de plano alimentar elaborado com três colunas: 1ª) refeição e o horário; 2ª) opção principal dos alimentos prescritos com as quantidades a serem consumidas e; 3ª) opções de alimentos e suas quantidades que podem substituir a prescrição principal (APÊNDICE C). 3.3- Variáveis do estudo As variáveis estudadas foram: demográficas, antropométricas, consumo alimentar, qualidade de vida e taxa de filtração glomerular. 38 3.3.1- Demográficas Em momento anterior à intervenção nutricional, a nutricionista/pesquisadora realizou o preenchimento da parte inicial da Ficha de Atendimento Nutricional (APÊNDICE B), por meio de entrevista, para registro das variáveis demográficas: gênero, idade, escolaridade e renda familiar mensal. 3.3.2- Antropométricas Dentre as variáveis antropométricas foram incluídos o IMC e a Circunferência da Cintura (CC). A obtenção destas variáveis ocorreu em dois momentos: antes e após a intervenção nutricional. Para tanto, foram aferidas as medidas antropométricas utilizando técnicas padronizadas. Índice de Massa Corporal Para o cálculo do IMC, foi necessário obter o peso corporal e a estatura de cada paciente. O peso corporal foi aferido em balança antropométrica digital, com escala de 50g, sendo a carga máxima 200 kg. Os idosos foram posicionados no centro do equipamento, com o mínimo de roupa possível, descalços, eretos, com os pés juntos e braços estendidos ao longo do corpo. Foram mantidos nessa posição até o valor do peso corporal estabilizar no visor da balança para a sua leitura (BRASIL, 2011a). Na mensuração da estatura, com o uso do estadiômetro acoplado à balança com escala de 0,5 cm e altura máxima de 2 m, os idosos se mantiveram descalços, com o peso distribuído entre os pés, calcanhares juntos, em postura ereta, com a cabeça livre de adereços e olhar voltado para frente em um ponto fixo na altura dos olhos (BRASIL, 2011a). A partir das medidas de peso e estatura, calculou-se o IMC pela seguinte equação: peso (kg)/estatura (m²). A classificação do estado nutricional, segundo o IMC, proposta pela OPAS (2002), foi adotada como referência no presente estudo. De acordo com essa classificação, IMC <23 kg/m² indica baixo peso; ≥23 e <28 kg/m², eutrofia; ≥28 e <30 kg/m², sobrepeso; e, ≥30 kg/m², obesidade. Circunferência da cintura Para aferição da CC, com utilização de fita métrica de fibra de vidro inelástica, com variação em milímetros, os idosos permaneceram em posição ereta, com os braços estendidos ao longo do corpo, pernas paralelas ligeiramente separadas e com 39 o peso distribuído de maneira uniforme entre os pés. A fita foi posicionada horizontalmente no ponto médio entre a borda inferior da última costela e o topo da crista ilíaca, após o posicionamento foi solicitado que o idoso inspirasse e, em seguida, expirasse totalmente para a leitura da medida (BRASIL, 2011a; WHO, 2008). Os pontos de corte adotados foram os estabelecidos pela World Health Organization (WHO, 2000), para adultos, uma vez que não há, ainda, valores específicos para idosos. Sendo assim, valores de CC ≥ 80 cm, para as mulheres, e ≥ 94 cm, para os homens, foram considerados como risco elevado para DCV, enquanto que os valores ≥ 88 cm, para mulheres, e ≥ 102 cm, para homens, foram considerados como risco muito elevado para o desenvolvimento de DCV (WHO, 2000). 3.3.3- Consumo alimentar Para avaliar o consumo alimentar foram utilizados dois instrumentos: o Recordatório de 24 horas e o “Formulário de Marcadores do Consumo Alimentar para indivíduos com 5 anos idade ou mais”. A aplicação destes instrumentos por entrevista pessoal ocorreu antes e após a intervenção nutricional. Recordatório de 24 horas Para avaliação quantitativa da ingestão de energia e nutrientes aplicou-se, um Recordatório de 24 horas, item 2.1, da Ficha de Atendimento Nutricional (APÊNDICE B), um instrumento que depende de um período curto de aplicação, apresenta baixo custo, não provoca alteração do consumo de alimentos, retrata uma recordação recente do consumo, pode ser aplicado em pessoas analfabetas e em qualquer faixa etária (FISBERG, MARCHIONI e COLUCCI, 2009). Durante a aplicação, os idosos foram questionados sobre os alimentos e bebidas consumidos, bem como as quantidades ingeridas no dia anterior, usando como parâmetros o horário em que acordaram e foram dormir, como sugerido por Fisberg, Marchioni e Colucci (2009). Para o cálculo dos Recordatórios de 24 horas foi utilizado o software AVANUTRI (Software de Avaliação e Prescrição Nutricional, versão 4.0). Este programa foi desenvolvido por uma equipe especializada em nutrição e tecnologia e objetiva facilitar a prática profissional de nutricionistas. O sistema inclui: Cadastro (de pacientes, do profissional, de orientação nutricional, exames laboratoriais, receitas, entre outros); Avaliações Clínicas (permite avaliar a saúde do paciente por meio de 40 diferentes protocolos); Avaliações Antropométricas (avaliação antropométrica básica, com cálculos de IMC, percentual de alteração de peso e gordura corporal, entre outros, para as diferentes faixas etárias); Avaliação Laboratorial (apresenta lista de exames laboratoriais com suas respectivas interpretações); Estudo Alimentar (permite conhecer os hábitos alimentares dos pacientes); Prescrição (possibilita a prescrição dietética oral, oral + enteral e enteral exclusiva); Tabelas Nutricionais (contém tabelas nutricionais cadastradas e permite o cadastro de informações de tabelas definidas pelo profissional); Gráficos e Relatórios (gera relatórios separados por avaliação e gráficos de acompanhamento da evolução do paciente) e Material de Apoio (apresenta cardápios adaptáveis, orientações nutricionais, receitas e listas de substituições alimentares) (AVANUTRI, 2014). A partir das informações presentes na Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (NEPA, 2011), nas Tabelas de Composição Nutricional dos Alimentos Consumidos no Brasil (IBGE, 2011) e nos rótulos de alimentos industrializados que não tinham sua composição disponível nas tabelas citadas, foram calculados os dois Recordatórios de 24 horas, antes e após a intervenção nutricional. Foi adotado para realização dos cálculos a inclusão nas refeições principais de 2 g de sal/refeição, 5 mL de óleo/refeição e 10 mL de óleo nos casos em que houvesse frituras e a preparação não tivesse sua informação nas tabelas consultadas. Considerando a importância de verificar a adesão às orientações nutricionais e estabelecer relações entre consumo desses nutrientes com comorbidades frequentes na DRC (VALE, AVESANI e SILVA, 2013), foram calculados e analisados: energia, carboidratos, proteínas, lipídeos, fibras totais, fósforo, ferro, cálcio, sódio, potássio, vitamina B1, vitamina B2, niacina e vitamina C. Para avaliar o consumo de energia foi calculado para cada idoso as necessidades energéticas segundo as equações das DRIs (Dietary Reference Intakes), de acordo com seu estado nutricional, idade, peso corporal, estatura e nível de atividade física. Considerou-se adequado o consumo de energia entre dois desvios padrão (IOM, 2002). A avaliação do consumo de carboidratos, proteínas e lipídeos foi realizada a partir do percentual desses macronutrientes em relação ao consumo total de energia da dieta (Valor Energético Total - VET). Os percentuais obtidos foram classificados de acordo com Acceptable Macronutrient Distribution Ranges – AMDR (IOM, 2002): 41 carboidratos (<45%, 45%-65% e >65% do VET), proteínas (<10%, 10%-35% e >35% do VET) e lipídeos (<20%, 20%-35% e >35% do VET), sendo considerados adequados os intervalos intermediários para cada nutriente. As fibras totais foram avaliadas segundo as recomendações das DRIs, conforme gênero e estágio de vida (IOM, 2002). Para homens, considerou-se adequada a ingestão acima de 30g/dia e para mulheres, acima de 21g/dia. Quanto aos micronutrientes, o consumo alimentar de cada indivíduo do grupo estudado foi avaliado pelo método de adequação aparente da ingestão de nutrientes. Esse método é indicado pelo Institute of Medicine’s Food and Nutrition Board (IOM, 2000) e utiliza as DRIs para comparar à ingestão usual e calcular a probabilidade de adequação (MARCHIONI, SLATER e FISBERG, 2004). Para calcular a probabilidade de adequação (ou risco de inadequação) foram utilizados os valores de referências EAR (Estimated Average Requeriment), AI (Adequate Intake), UL (Upper Level) das DRIs, e os respectivos desvios padrão observados e estimados. A partir da observação do consumo de um nutriente foi possível obter um valor de z-escore e, em uma tabela de valores de Z, obteve-se a probabilidade de adequação no respectivo percentual de confiabilidade. O z-escore foi obtido ao comparar a diferença (D) entre o consumo de um nutriente (M) em 1 dia de observação, e o EAR, dividindo-se esse valor pelo desvio padrão dessa diferença. O desvio padrão da diferença é obtido a partir da soma dos desvios padrão: o desvio padrão da necessidade média (EAR) adotada pela população (DPp) e o desvio padrão observado em estudos de consumo, denominado desvio padrão intrapessoal (DPi) e deve ser ajustado pelo número de dias que o consumo foi obtido (n). No caso do presente estudo, foi utilizado apenas o consumo de um dia de observação, considerando que a coleta de dados ocorreu em dois momentos, antes e após a intervenção nutricional, com o objetivo de verificar possíveis mudanças durante o período observado. Dessa forma, não foi possível caracterizar a ingestão usual dos idosos, visto que, para tanto, se faz necessário observar, no mínimo, três dias do consumo alimentar. O desvio padrão da diferença considera a variabilidade intrapessoal observada em indivíduos com as mesmas características do sujeito estudado, que por falta de dados nacionais, utilizam-se valores observados na população americana (DPi), e a variabilidade esperada para o sujeito, estimada a partir do valor do consumo médio 42 populacional (DPp = 10 a 15% do EAR). Como os desvios padrão podem ser números negativos, são elevados ao quadrado e submetidos à raiz quadrada (variância). As equações nas figuras 1, 2 e 3 permitem obter o valor de z e, na tabela Z, observar a probabilidade de adequação. Figura 1. Equação para o cálculo do z-escore de micronutrientes que apresentam valores de EAR (IOM, 2000). # = $ & − '() = $%$ *+, + +. ÷ 0 M = ingestão média do nutriente pelo indivíduo n = número de dias em que o indivíduo teve sua ingestão avaliada EAR = conforme o nutriente avaliado D = diferença entre a ingestão observada (M) e EAR DPp = 10 a 15% EAR DPi = desvio intrapessoal V p = variância de DPp = (DP p)² V i = variância de DP i = (DP i)² DP D = desvio-padrão da diferença (= √ V p + V i ÷ n) z= z-escore D ÷ DPD Figura 2. Equação para o cálculo do z-escore de micronutrientes que apresentam valores de AI (IOM, 2000). # = & − (1 $% . ÷ √0 M = ingestão média do nutriente pelo indivíduo AI = Adequate Intake DPi = desvio intrapessoal n = número de dias em que o indivíduo teve sua ingestão avaliada z = z-escore 43 Figura 3. Equação para o cálculo do z-escore de micronutrientes que não devem ultrapassar o valor de UL (IOM, 2000). # = & − 34 $% . ÷ √0 M = ingestão média do nutriente pelo indivíduo UL = Upper Level DPi = desvio intrapessoal n = número de dias em que o indivíduo teve sua ingestão avaliada z = z-escore Os valores de probabilidade de adequação obtidos foram classificados em menor que 50% (ingestão inadequada), e maior ou igual a 50%, adotando-se que nesse intervalo há uma probabilidade de o consumo estar adequado, com um nível de confiança estabelecido e observado na tabela Z. Ainda com o uso do Recordatório de 24 horas, foi possível separar os grupos alimentares de interesse: frutas, legumes e verduras; carnes e ovos; leite, queijo e iogurte; e, feijões e oleaginosas, por porções, tendo como referência as quantidades apresentadas por Philippi (2008). Para tanto, foi realizado um levantamento do número de porções de cada grupo alimentar presente na dieta prescrita e nos dois Recordatórios de 24 horas. Posteriormente, comparou-se o Recordatório de 24 horas inicial com a dieta prescrita, visando verificar a meta estabelecida para cada paciente. Em seguida, foi feita a comparação entre o Recordatório de 24 horas inicial (antes da intervenção) e o Recordatório de 24 horas final (após a intervenção), a fim de observar a mudança do consumo antes e após a intervenção. Dessa forma, estabeleceu-se o “sucesso” ou “não sucesso” na adesão às orientações nutricionais destes grupos alimentares. Foi considerado "sucesso" para cada grupo alimentar a comparação entre a meta para cada paciente (Recordatório de 24 horas inicial X dieta prescrita) e mudança do consumo antes e após a intervenção (Recordatório de 24 horas inicial X Recordatório de 24 horas final), ou seja, se a meta para o paciente fosse a diminuição do número de porções de determinado grupo alimentar e após a intervenção este consumo tivesse reduzido, este paciente teria um “sucesso”. 44 Formulário de Marcadores do Consumo Alimentar para indivíduos com 5 anos idade ou mais Para avaliação do consumo de alimentos e grupos alimentares foi utilizado o “Formulário de Marcadores do Consumo Alimentar para indivíduos com 5 anos idade ou mais”, incluindo os idosos, proposto pelo Ministério da Saúde em 2008 (ANEXO B). Este formulário tem como objetivo registrar com que frequência o indivíduo consumiu alguns alimentos ou bebidas nos últimos sete dias, que estão relacionados tanto a uma alimentação saudável (consumo diário de feijão, frutas, verduras) como a práticas pouco recomendadas (consumo frequente de alimentos fritos e guloseimas) (BRASIL, 2008). O Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) recomenda a adoção deste formulário, na Atenção Básica, como um instrumento que indicará a qualidade da alimentação em suas características tanto positivas como negativas identificados pelos chamados “marcadores do consumo alimentar”, não pretendendo quantificar a dieta em termos de calorias e nutrientes (BRASIL, 2008). Na aplicação do instrumento, os idosos foram questionados sobre a frequência do consumo, nos últimos sete dias, dos dez itens a seguir: 1) salada crua, 2) legumes e verduras cozidos, 3) frutas frescas ou salada de frutas, 4) feijão, 5) leite ou iogurte, 6) batata frita, batata de pacote e salgados fritos, 7) hambúrguer e embutidos, 8) bolachas/biscoitos salgados ou salgadinhos de pacote, 9) bolachas/biscoitos doces ou recheados, doces, balas e chocolates e 10) refrigerantes (BRASIL, 2008). 3.3.4- Qualidade de vida Para avaliar a percepção subjetiva da qualidade de vida, foi utilizado o World Health Organization Quality of Life Questionnaire (WHOQOL-bref) (ANEXO C), versão reduzida do WHO Quality of Life Questionnaire (WHOQOL-100), desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (CHACHAMOVICH e FLECK, 2008). Optou-se pela aplicação do WHOQOL-bref, tendo em vista que o WHOQOL100, apesar de ser adequado e eficaz para avaliações individuais, pode ser muito longo e inviável em estudos epidemiológicos e de bases populacionais, ou em conjunto com outras medidas clínicas (CHACHAMOVICH e FLECK, 2008). Além disso, o WHOQOL-bref tem sido uma ferramenta utilizada na população de doentes 45 renais crônicos a fim de medir a qualidade de vida desses pacientes (CRUZ, POLANCZYK e FLECK, 2008). O WHOQOL-bref é composto por 26 questões, agrupadas em quatro domínios (físico, psicológico, social e ambiental) e duas questões de autopercepção. Cabe dizer que esse instrumento avalia a qualidade de vida do indivíduo considerando, apenas, as duas últimas semanas antes de sua aplicação (CHACHAMOVICH e FLECK, 2008). O domínio físico contempla dor e desconforto, energia e fadiga, sono e repouso, mobilidade, atividades da vida cotidiana, dependência de medicação e capacidade de trabalho. O domínio psicológico engloba sentimentos positivos, pensar, aprender, auto-estima, imagem corporal, sentimentos negativos e espiritualidade. O domínio social refere-se às relações pessoais, apoio social e atividade sexual. E, por fim, o domínio ambiental que considera questões sobre cuidados de saúde, segurança física, ambiente no lar, recursos financeiros, informação, recreação e lazer, ambiente físico e transporte (CHACHAMOVICH e FLECK, 2008). A questão 1 de autopercepção diz respeito a como o idoso avalia sua qualidade de vida, tendo em mente seus valores, prazeres, suas aspirações e preocupações. A questão 2 refere-se a satisfação do idoso quanto seu estado de saúde (CHACHAMOVICH e FLECK, 2008). A aplicação do WHOQOL-bref ocorreu em dois momentos, antes e após a intervenção nutricional, sob a forma de entrevista, considerando a possibilidade dos indivíduos apresentarem queda da acuidade visual e baixo nível instrucional. A pontuação para cada domínio e para cada questão varia de zero a cinco, sendo que não há pontos de corte para melhor ou pior qualidade de vida no WHOQOLbref. Assim, supõe-se que melhor qualidade de vida seja indicada por valores mais próximos a 100, e pior qualidade de vida, por valores mais próximos a zero. 3.3.5- Taxa de Filtração Glomerular Para obtenção desta variável se fez necessário o uso dos resultados obtidos no exame bioquímico de creatinina. Este exame foi solicitado pela equipe médica da UBS Vila Nogueira para cada paciente, sendo coletado na própria unidade de atendimento e analisado no Laboratório de Análises Clínicas da Prefeitura Municipal de Diadema. Após a aplicação da intervenção nutricional, a partir dos valores de creatinina sérica calculou-se a TFG, por meio da equação de Cockcroft-Gault (BRASIL, 2006; 46 NKF/KDOQI, 2002), permitindo a comparação entre a TFG antes e após a intervenção. 3.4- Análise Estatística Os dados foram organizados e tabulados utilizando-se o programa Microsoft Excel for Windows, versão 2013, e a análise estatística foi feita por meio do software Statistical Package for Social Science (SPSS) versão 21 e adotado o nível de significância de 5% (p ≤ 0,05). Os resultados referentes as variáveis demográficas, estado nutricional, risco cardiovascular, doenças crônicas e consumo alimentar foram descritos por frequência e porcentagem. Os resultados descritos por média e desvio padrão incluíram: IMC, CC, TFG, frequência dos marcadores do consumo alimentar, ingestão de proteínas em g/kg/dia e pontuação do WHOQOL-bref. Foram realizados os testes de normalidade Kolmogorov-Smirnov e ShapiroWilk com todas as variáveis quantitativas (idade, peso, estatura, IMC, CC e frequência de consumo de alimentos) segundo o gênero. Quando atendidos os pressupostos, aplicou-se o teste do Qui-quadrado, teste t de Student para grupos pareados, teste t de Student para grupos independentes e ANOVA com medidas repetidas. O teste do Qui-quadrado foi utilizado para verificar a associação entre a presença de doenças crônicas e o gênero. Para comparação das variáveis antes e após a intervenção foi aplicado o teste t de Student para grupos pareados e quando não foi possível, utilizou-se o teste Wilcoxon. Assim, para comparação das médias do IMC, da CC, da TFG, da pontuação dos domínios, das questões de autopercepção e da pontuação geral do WHOQOL-bref, antes e após a intervenção, foi utilizado o teste t pareado. Já para a comparação entre as médias da frequência semanal do consumo de alimentos saudáveis e não saudáveis, pré e pós-intervenção, aplicou-se o teste Wilcoxon. Para verificar a relação entre as variáveis demográficas e a qualidade de vida, foram utilizados o teste t de Student para grupos independentes e ANOVA com medidas repetidas. O teste t de Student para grupos independentes relacionou o grupo etário e a renda familiar mensal com a pontuação dos domínios, das questões de autopercepção e da pontuação geral do WHOQOL-bref, enquanto que a ANOVA com medidas repetidas verificou essa relação com a escolaridade. 47 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados do estudo foram apresentados de maneira a facilitar sua interpretação, em: 1) caracterização da população; 2) comparação das variáveis antes e após a intervenção; e, 3) relação entre as variáveis demográficas e a qualidade de vida. 4.1- Caracterização da população de estudo A Tabela 1 apresenta os resultados referentes à distribuição dos idosos estudados quanto às características sócio demográficas. Tabela 1. Distribuição de idosos portadores de DRC, segundo características sócio demográficas. Diadema, São Paulo, 2012. Variáveis sócio demográficas n % Gênero Masculino Feminino 22 42 34,4 65,6 Grupo etário < 75 anos ≥ 75 anos 33 31 51,6 48,4 Sem escolaridade 20 31,3 Ensino Fundamental Incompleto 39 60,9 Ensino Fundamental Completo 05 7,8 Até 3 salários mínimos 49 76,6 ≥ 3 salários mínimos 15 23,4 Escolaridade Renda familiar mensal Os idosos apresentaram idade média de 73,95±7,84 anos, com variação entre 60 e 91 anos e distribuição semelhante entre aqueles com idade < 75 e ≥ 75 anos, 51,6% e 48,4%, respectivamente. A amostra foi constituída, predominantemente, por idosos do gênero feminino (65,6%), que não concluíram o ensino fundamental ou não apresentaram escolaridade (92,2%) e que possuíam renda familiar mensal de até três salários mínimos (76,6%) (Tabela 1). 48 Perfil semelhante a este foi encontrado em estudo descritivo, retrospectivo, realizado por Rembold et al. (2009), cujo objetivo foi descrever o perfil de pacientes com DRC não dialítica atendidos no Ambulatório Multidisciplinar do Hospital Universitário Antônio Pedro (Universidade Federal Fluminense). Dos 72 prontuários analisados, observou-se que a maior parte dos pacientes era do gênero feminino, na quinta ou sexta década de vida (47% tinham 60 anos ou mais), com baixa escolaridade (42% tinham ensino fundamental incompleto) e renda familiar entre um e dois salários mínimos (59,7%). Ambos estudos demonstram baixo nível instrucional e econômico dos pacientes, bem como a presença majoritária das mulheres, que poderia ser explicada pelo fato destas terem maior atenção com a sua saúde (REMBOLD et al., 2009; SALMASO et al., 2014) e serem mais longevas (SALMASO et al., 2014). Na Tabela 2 estão os resultados em relação as condições de saúde, incluindo estado nutricional e risco cardiovascular dos idosos. Tabela 2. Distribuição de idosos portadores de DRC, segundo estado nutricional e risco cardiovascular. Diadema, São Paulo, 2012. Condições de saúde Estado nutricional Risco Cardiovascular Classificação Masculino (n=22) Feminino (n=42) Total (n=64) Baixo peso Eutrofia 6 (27,3%) 11 (50,0%) 8 (19,0%) 18 (42,5%) 14 (21,9%) Sobrepeso 1 (4,5%) 7 (16,7%) 8 (12,5%) Obesidade 4 (18,5%) 9 (21,4%) 13 (20,3%) Sem risco Elevado 6 (27,3%) 3 (13,6%) 18 (42,9%) 17 (40,5%) 24 (37,5%) 20 (31,3%) Muito elevado 13 (59,1%) 7 (16,7%) 20 (31,3%) 29 (45,3%) Em relação ao estado nutricional, observou-se maior frequência de idosos eutróficos (45,3%). No entanto, 21,9% apresentaram baixo peso e 32,8% excesso de peso (sobrepeso ou obesidade). Quando estratificado por gênero, o excesso de peso foi mais evidente nas mulheres do que nos homens (Tabela 2). Em estudo transversal realizado com idosos, de ambos os gêneros, atendidos nos ambulatórios de Geriatria e Gerontologia da Universidade Federal de São Paulo, foram encontrados resultados semelhantes quanto à distribuição dos idosos segundo o IMC, sendo que mais da metade da amostra apresentou eutrofia, 14,3% desnutrição e 21,4% excesso de peso (MARTIN, NEBULONI e NAJAS, 2012). 49 Ao considerar idosos portadores de DRC, Rembold et al. (2009) verificaram que 6,9% dos pacientes estavam abaixo do peso e 54,1% com excesso de peso, evidenciando que tanto os idosos com diagnóstico de DRC quanto os que não tem a doença, apresentam frequência relevante de inadequação do estado nutricional (desnutrição ou excesso de peso). Os pacientes portadores de DRC estão propensos a apresentar desnutrição. Considerando que este quadro é um marcador de mau prognóstico na DRC, a avaliação do estado nutricional tem o objetivo de identificar os indivíduos desnutridos ou em risco de desnutrição (DALTROZO, SPILLERE e FRAGA, 2010). Embora a desnutrição seja comum em pacientes com problemas renais, há, relativamente, poucos estudos abordando sua prevalência em pacientes com DRC na fase não dialítica (CARRERO e COZZOLINO, 2014). Além disso, há variação na prevalência da desnutrição dependendo da ferramenta utilizada para o diagnóstico (bioquímicas: albumina, creatinina; antropométricas: perímetro de braço, IMC; e, nutricionais: avaliação subjetiva global) (GRACIA et al., 2014). Dessa forma, a definição da desnutrição com base na hipoalbuminemia tem sido relatada com prevalência de 20 a 45%, já a desnutrição com base na avaliação subjetiva global tem mostrado prevalência de 18 a 20% (CARRERO e COZZOLINO, 2014). As prevalências de desnutrição citadas concordam com o resultado do presente estudo (21,9%), verificada por meio de indicador antropométrico (IMC). A importância em diagnosticar pacientes renais crônicos com desnutrição está relacionada à sua influência no risco de infecção, hospitalização e mortalidade, inflamação e diminuição da qualidade de vida (GRACIA et al., 2014). Apesar da elevada prevalência de desnutrição encontrada em pacientes com DRC, tem-se observado que o sobrepeso e a obesidade também são distúrbios nutricionais frequentes nessa população (NKF/KDOQI, 2002). Em torno de 50 a 60% dos pacientes na fase não dialítica apresentam sobrepeso e obesidade avaliados pelo IMC (CUPPARI e KAMIMURA, 2009). No presente estudo, quando estratificado por gênero, o excesso de peso foi mais evidente nas mulheres (38,1%) do que nos homens (23%). Resultado também observado no projeto “Saúde, bem-estar e envelhecimento” (SABE), coordenado pela OPAS, com idosos residentes na área urbana do Município de São Paulo, em que a maior proporção de sobrepeso e obesidade foi verificada para o gênero feminino (40,5%) em comparação ao masculino 50 (21,7%). Esse achado parece refletir maior quantidade (proporcional) de gordura corporal, pois as mulheres apresentam valores de massa corporal e estatura inferiores aos homens. Sabe-se que isso ocorre em todas as idades e se dá, principalmente devido à gordura essencial, que no gênero feminino é, aproximadamente, quatro vezes superior à do gênero masculino (LEBRÃO e LAURENTI, 2005). Esses resultados apontam que não há um perfil único no estado nutricional do paciente com DRC e, por isso, se faz necessário atenção tanto para o paciente com desnutrição quanto para aquele com excesso de peso, ainda mais que a obesidade é um importante fator de risco para a hipertensão e o desenvolvimento de diabetes tipo 2, que são as principais causas de DRC e, quando presentes simultaneamente, agravam a lesão renal (FELIZARDO et al., 2014). Além de estar associada ao desenvolvimento da DRC, também tem papel na sua progressão para os estágios mais avanços e na mortalidade relacionada à doença renal (JAMES, HEMMELGARN e TONLELLI, 2010). A maioria dos tratamentos e abordagens para reduzir a lesão renal em pacientes obesos foca no gerenciamento de fatores de risco associados, como hipertensão, diabetes e hiperlipidemia, utilizando estratégias como aconselhamento nutricional, interferência farmacológica e, em alguns casos, cirúrgica (FELIZARDO et al., 2014). Nesse sentido, para pacientes com peso inicial normal, o ganho de peso deve ser evitado e a perda de peso é recomendada para aqueles que estão acima do peso, em especial, pela contribuição de seus benefícios para o controle da pressão arterial e da glicemia (JAMES, HEMMELGARN e TONLELLI, 2010). Ao avaliar o risco para o desenvolvimento de DCV pela CC, 62,6% dos idosos apresentaram risco cardiovascular elevado ou muito elevado, sendo que nos homens o risco cardiovascular muito elevado foi mais frequente (Tabela 2). Em estudo transversal, realizado por meio de inquérito domiciliar que investigou a prevalência de fatores de risco cardiovascular em 418 idosos usuários do SUS da atenção básica de Goiânia, observou-se, resultado distinto, visto que a prevalência de obesidade central (76,2%), verificada pela CC, foi muito superior e significativamente maior entre as mulheres (83,3%) (FERREIRA et al., 2010). Cavalcanti e col. (2009) realizaram um estudo transversal com 117 idosos, não especificamente portadores de DRC, atendidos nos Centros de Referência e Cidadania em João Pessoa e observaram que os valores médios de CC encontrados, 51 para ambos os gêneros, foram acima do recomendado. Sanches et al. (2008) estudaram 122 adultos portadores de DRC não dialítica com idade média de 55,3±11,3 anos, variando entre 27 e 79 anos. Os resultados obtidos neste estudo, mostraram que os homens tinham uma área significativamente maior de gordura visceral do que as mulheres. Mesmo havendo divergências quanto ao gênero com maior concentração de gordura na região abdominal, esses resultados chamam a atenção para o fato de a gordura abdominal ser um fator que favorece a ocorrência de eventos cardiovasculares. Destaca-se ainda, que a prevalência de DCV nos pacientes com DRC é mais elevada que na população geral, inclusive naqueles que se encontram na fase pré-dialítica, e constitui a principal causa de morbidade e mortalidade nesta população, especialmente naqueles em diálise (AMMIRATI e CANZIANI, 2009). A Tabela 3 mostra os resultados referentes à frequência das doenças crônicas diagnosticadas, bem como sua associação conforme o gênero. Tabela 3. Distribuição de idosos portadores de DRC, segundo doenças crônicas diagnosticadas e gênero. Diadema, São Paulo, 2012. Doenças crônicas Apresenta Masculino (n=22) Feminino (n=42) Total (n=64) Sim 22 (100,0%) 39 (92,9%) 61 (95,3%) Não 0 (0,0%) 3 (7,1%) 3 (4,7%) Sim 6 (27,3%) 12 (28,6%) 18 (28,1%) Não 16 (72,7%) 30 (71,4%) 46 (71,9%) Sim 7 (31,8%) 25 (59,5%) 32 (50,0%) Não 15 (68,2%) 17 (40,5%) 32 (50,0%) Sim 0 (0,0%) 12 (28,6%) 12 (18,8%) Não 22 (100,0%) 30 (71,4%) 52 (18,8%) Sim 16 (72,7%) 21 (50,0%) 37 (57,8%) Não 6 (27,3%) 21 (50,0%) 27 (42,2%) Hipertensão arterial Diabetes mellitus Dislipidemia Osteoporose Outras p* 0,913 0,035 0,005 0,605 * Teste do Qui-quadrado. A doença crônica mais frequente nos idosos estudados foi a hipertensão arterial (95,3%), seguida pela dislipidemia (50%) e diabetes mellitus (28,1%) (Tabela 3). O estudo de Cavalcanti et al. (2009), que avaliou a prevalência de doenças crônicas e o estado nutricional de um grupo de idosos, mostrou que as doenças mais recorrentes 52 foram a hipertensão arterial (56,4%), seguida de dislipidemias (33,3%) e diabetes mellitus (20,5%), corroborando com os resultados do presente estudo, considerando as devidas proporções. A frequência de idosos hipertensos e diabéticos é esperada, tendo em vista que todos os participantes foram selecionados a partir do cadastro HIPERDIA. Vale destacar que a dislipidemia e a osteoporose quando distribuídas por gênero, apresentaram associação estatisticamente significante com o gênero feminino, demonstrando que as idosas estudadas são mais vulneráveis ao desenvolvimento de dislipidemias e osteoporose do que os homens (Tabela 3). Resultado semelhante, foi encontrado por Moretti e col. (2009), que verificaram a relação entre estado nutricional e prevalência de dislipidemias em idosos atendidos no município de Criciúma-SC, sendo que a maior prevalência de dislipidemia estava entre as idosas com diagnóstico de obesidade. Em estudo transversal, de base populacional, que objetivou determinar a prevalência de dislipidemias em adultos de Campos dos Goytacazes-RJ e identificar sua relação com fatores de risco, verificouse a influência significativa da idade sobre os níveis lipídicos, sendo que nas mulheres a elevação dos níveis lipídicos foi mais tardia, presente na faixa de 60 a 69 anos, fato que ressalta a influência do estrogênio sobre o perfil lipídico (SOUZA et al., 2003). Esses resultados indicam a idade e a obesidade como importantes fatores de risco para o desenvolvimento das dislipidemias (MORETTI et al., 2009). O envelhecimento e a DRC são conhecidos por ter um potencial aterogênico significativo e anormalidades lipídicas que podem levar à progressão da DRC. Ressalta-se ainda que, a mortalidade cardiovascular no estágio final da doença renal é dez vezes maior do que a população em geral (CHOUDHURY, TUNCEL e LEVI, 2009). Por isso, o cuidado apropriado da DRC estende-se para além das intervenções que retardam o declínio da TFG, inclui, também, a gestão de DCV e seus fatores de risco (LEVEYAS, STEVENS e CORESH, 2009). Quanto à osteoporose associada ao gênero feminino, observou-se no presente estudo uma frequência de 28,6% (Tabela 3), resultado semelhante foi encontrado em pesquisa com 44 idosas acompanhadas no ambulatório de Geriatria do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (Universidade Federal Fluminense), cuja frequência obtida foi 34,1%. Cabe dizer que do total de idosas estudadas, 50% tinham DRC em estágio 3, 2,3% DRC em estágio 4 e 2,3% em estágio 5 (SALMASO et al., 53 2014). Esses achados demonstram que não é incomum na prática diária detectar a diminuição da filtração glomerular em pacientes com osteoporose, ou então, identificar a fragilidade óssea em pacientes com DRC não dialítica. Muitas complicações da DRC são iniciadas em estágios precoces da doença, como os distúrbios no metabolismo ósseo, que progridem conforme o declínio da função renal. A osteoporose é mais comum em pacientes com comprometimento renal do que na população em geral e este é um importante problema de saúde pública, devido à sua alta morbidade e mortalidade, especialmente em idosos. Embora, pacientes com DRC apresentem alto risco de complicações ósseas e fraturas, a gestão da osteoporose ainda é controversa no que diz respeito à segurança e eficácia dos medicamentos que não são estabelecidas em pacientes com DRC. Assim, os riscos e os benefícios do tratamento farmacológico devem ser avaliados individualmente e deve-se considerar que a orientação nutricional adequada e medidas para evitar quedas também são ferramentas fundamentais na gestão da osteoporose (LIMA et al., 2014). O conhecimento do perfil dos pacientes com DRC e o tratamento nos estágios iniciais, com a adoção de condutas individualizadas e adequadas pode retardar a sua evolução e evitar complicações, melhorando a qualidade de vida dos pacientes e reduzindo os custos com tratamento (REMBOLD et al., 2009). Dessa forma, estratégias capazes de melhorar a adesão às orientações nutricionais, como o desenvolvimento de ações de educação nutricional, abrangendo planejamento, implementação e avaliação dessas ações, são importantes e merecem ser desenvolvidas (BARRETO, 2011). Neste contexto, os resultados referentes a intervenção nutricional desenvolvida para os idosos do presente estudo, são apresentados a seguir por meio da comparação das variáveis antropométricas, taxa de filtração glomerular, qualidade de vida e consumo alimentar antes e após a intervenção nutricional. 4.2- Comparação das variáveis pré e pós-intervenção A Tabela 4 apresenta média e desvio padrão do IMC e da CC dos idosos estudados de acordo com o gênero, antes e após a intervenção nutricional. 54 Tabela 4. Média e desvio padrão do IMC e da CC de idosos portadores de DRC, segundo o gênero, pré e pós-intervenção. Diadema, São Paulo, 2012. Pré Pós Média±DP Média±DP IMC 26,75±3,72 26,23±3,67 0,015 CC 85,68±8,04 83,62±8,00 0,003 IMC 25,59±3,82 24,99±3,76 0,001 CC 89,71±10,70 87,91±10,96 0,001 Gênero Feminino (n=42) Masculino (n=22) p* * Teste t de Student pareado. Ao analisar o IMC observou-se redução estatisticamente significante entre as médias pré e pós-intervenção, em ambos os gêneros. Para a CC verificou-se que, tanto para o gênero feminino quanto para o masculino, houve diminuição estatisticamente significante entre as médias, sendo que nas mulheres, apesar dessa redução, ainda prevaleceu o risco cardiovascular elevado (CC ≥ 80 e < 88cm) (Tabela 4). Em ensaio clínico randomizado, controlado e prospectivo com pacientes portadores de DRC não dialítica, com idade média de 63,4±11,0 anos (sexta década de vida), divididos em dois grupos, grupo controle (somente prescrição de dieta hipoproteica e hipossódica) e grupo caso denominado “grupo intervenção” (prescrição de dieta hipoproteica e hipossódica e participação do programa de educação nutricional), verificou-se resultado semelhante à presente pesquisa, em que houve redução estatisticamente significante do IMC ao final do acompanhamento em ambos os grupos (intervenção e controle) e para a CC, indicativa de risco aumentado de complicações metabólicas, houve diminuição estatisticamente significante para os homens no grupo intervenção e para as mulheres no grupo controle, sendo observado redução em ambos os grupos (BARRETO, 2011). Esses resultados são favoráveis, considerando os benefícios relacionados à redução de peso corporal e da CC no curso da doença renal, visto que o excesso de peso e os eventos cardiovasculares são tidos como uma das principais causas de morbidade e mortalidade em pacientes com DRC. Na Tabela 5 é possível verificar a TFG dos idosos estudados, medida com a finalidade de estimar a função renal global, antes e após a intervenção nutricional. 55 Tabela 5. Média e desvio padrão da TFG de idosos portadores de DRC, pré e pósintervenção. Diadema, São Paulo, 2012. TFG (ml/min/1,73m²) p* Média±DP TFG Pré 48,60±8,29 TFG Pós 48,55±10,39 0,965 * Teste t de Student pareado. Quanto à TFG, observou-se que não houve diferença estatisticamente significante entre as médias antes e após a intervenção, e, portanto, os idosos mantiveram a DRC no estágio 3 (30 a 59 ml/min/1,73m²) durante o período do estudo (Tabela 5). Barreto (2011) também verificou que a filtração glomerular estimada não se alterou de maneira estatisticamente significante ao longo do acompanhamento de seu estudo (5±1,5 meses), em ambos os grupos, controle e intervenção. Esses achados demonstram um aspecto positivo das intervenções nutricionais aplicadas, considerando que os pacientes não evoluíram para os estágios mais avançados durante os estudos. De fato, para os pacientes com DRC o retardo da progressão da doença é uma meta fundamental (DRAWZ e ROSENBERG, 2013). Embora a importância do retardo da progressão da DRC seja muito documentada, não há registros na literatura que esclareça o tempo para evolução da doença para os estágios mais avançados. Isto porque existe uma considerável variabilidade, intradoença e inter-individual, na TFG estimada ao longo do tempo (HOEFIELD et al., 2013; YUSTE et al., 2013). Em síntese, poder prever a trajetória de pacientes nos estágios iniciais da DRC, quando for possível, será vital para os profissionais envolvidos nos casos, que poderão contribuir para a implementação de tratamentos adequados para o retardo da sua progressão, bem como para o preparo da entrada de pacientes na terapia renal substitutiva (HOEFIELD et al., 2013). A Tabela 6 mostra a comparação entre as médias das pontuações dos domínios, das questões de autopercepção e da pontuação geral de qualidade de vida nos dois momentos avaliados. 56 Tabela 6. Média e desvio padrão da pontuação dos domínios, das questões de autopercepção e da pontuação geral do WHOQOL-bref de idosos portadores de DRC, pré e pós-intervenção. Diadema, São Paulo, 2012. Pré Pós Média±DP Média±DP Domínio físico 59,43±13,67 59,77±14,39 0,845 Domínio psicológico 61,07±13,01 62,70±15,31 0,292 Domínio social 70,83±12,24 71,61±12,75 0,682 Domínio ambiental 56,01±10,10 55,42±10,64 0,729 Autopercepção 1 64,84±19,27 62,11±18,36 0,311 Autopercepção 2 56,64±22,82 62,89±20,89 0,035 Pontuação geral 60,17±8,76 60,68±9,61 0,633 Variáveis p* * Teste t de Student pareado. Em relação à qualidade de vida, avaliada pelo WHOQOL-bref, observou-se, no presente estudo, que a maior pontuação atribuída pelos idosos foi para o domínio social que se refere à satisfação com suas relações pessoais e sexuais, e a menor pontuação para o domínio ambiental que está relacionado à quanto o idoso se sente seguro, tem oportunidades de lazer, condições de moradia, acesso aos serviços de saúde, meio de transporte e condições financeiras (Tabela 6). Estudo transversal realizado por Tavares e Dias (2012) com 2142 idosos da zona urbana do município de Uberaba-MG, verificou, entre os pesquisados, predomínio da faixa etária de 60 a 70 anos, baixa renda e baixo nível de escolaridade, quanto à qualidade de vida medida pelo WHOQOL-bref, houve maior escore para o domínio social, assim como o resultado do presente estudo, e o domínio físico foi o que apresentou o menor escore, o que difere do encontrado. Constatou-se que não houve ganhos e nem perdas após a intervenção nutricional para todos os domínios, para a questão 1 de autopercepção e para a pontuação geral. No entanto, percebeu-se um aumento estatisticamente significante da satisfação dos idosos sobre seu estado de saúde após a intervenção, demonstrado pela diferença entre as médias da segunda questão de autopercepção que avalia “Quão satisfeito(a) você está com a sua saúde?” (Tabela 6). 57 Campbell, Ash e Bauer (2008) avaliaram o impacto de uma intervenção nutricional na qualidade de vida de pacientes com DRC na pré-diálise. Quarenta e sete pacientes foram acompanhados por um período de 12 semanas, divididos em grupo de intervenção (aconselhamento nutricional individualizado com acompanhamento telefônico; n=24) e grupo controle (apenas material educativo por escrito sem acompanhamento individualizado; n=23). A qualidade de vida foi obtida pelo uso da escala Kidney Disease Quality of Life Short Form, combinando o Short Form-36 (SF-36), com o módulo específico para doença renal. O efeito da intervenção sobre a qualidade de vida indicou uma diferença estatisticamente significante na média da pontuação de sintomas da doença renal, funcionamento cognitivo e vitalidade, em favor da intervenção. Estudo realizado por Santos e col. (2008), avaliou o impacto do acompanhamento interdisciplinar na qualidade de vida de pacientes com DRC na fase pré-dialítica, utilizando a escala Medical Outcomes Study Questionaire 36 – Item Short Form Health Survey (SF-36) nos dois grupos estudados, o grupo com acompanhamento interdisciplinar (equipe composta por médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais) e o grupo controle (atendimento médico convencional). Dentre os resultados observados, a maioria dos pacientes eram representados pelo gênero feminino, DRC nos estágios 3 e 4, idade média na sexta década de vida e baixo nível de escolaridade. Quanto à qualidade de vida, após um ano de acompanhamento, o grupo que recebeu intervenção interdisciplinar obteve melhora estatisticamente significante em cinco dos oito domínios avaliados pelo SF36: capacidade funcional, aspectos físicos, estado geral de saúde, vitalidade e aspectos emocionais. Em contrapartida, no grupo controle, não se observou melhora estatisticamente significante em nenhum dos parâmetros de qualidade de vida avaliados. Na literatura, poucos estudos avaliaram a qualidade de vida de pacientes na fase não dialítica. Além disso, grande parte dos estudos foca a avaliação de parâmetros físicos e laboratoriais, em detrimento de parâmetros psicológicos e de qualidade de vida (SANTOS et al., 2008). Os achados do presente estudo, bem como dos estudos citados, mesmo utilizando diferentes instrumentos para avaliar a qualidade de vida (escalas genéricas ou específicas), apontam para a importância de intervenções precoces, nutricionais e interdisciplinares, em pacientes ainda na fase 58 não dialítica, tendo em vista a melhora da qualidade de vida dessa população, desde o diagnóstico da DRC até a entrada em terapia renal substitutiva. Na Tabela 7 são apresentados os resultados sobre a variável consumo alimentar no que diz respeito a avaliação da frequência do consumo de alimentos e grupos alimentares, avaliados pelo “Formulário de Marcadores do Consumo Alimentar para indivíduos com 5 anos idade ou mais”. Tabela 7. Média e desvio padrão da frequência de consumo dos alimentos marcadores de uma alimentação saudável e não saudável dos idosos portadores de DRC, pré e pós-intervenção. Diadema, São Paulo, 2012. Pré Pós Média±DP Média±DP Salada crua 3,52±2,40 4,14±2,19 0,025 Legumes e verduras cozidos 2,83±2,74 2,56±1,95 0,393 Frutas ou salada de frutas 4,22±2,55 5,19±2,13 0,001 Feijão 5,98±2,22 6,11±1,95 0,677 Leite ou iogurte 5,33±2,49 5,83±2,39 0,063 Batata frita 0,20±0,51 0,25±0,56 0,590 Hambúrguer ou embutidos 1,03±1,50 0,61±1,33 0,009 Bolacha salgada 2,30±2,44 2,70±2,83 0,447 Bolacha doce 1,67±2,54 2,03±2,62 0,376 Refrigerante 0,95±1,66 0,45±0,91 0,025 Variáveis p* * Teste Wilcoxon. Quanto à frequência alimentar, foram avaliados os alimentos marcadores de uma alimentação saudável e não saudável. Observou-se diferença estatisticamente significante entre as médias da frequência semanal do consumo de salada crua, frutas ou salada de frutas, hambúrguer ou embutidos e refrigerantes, antes e após a intervenção, sendo que o consumo dos alimentos marcadores de uma alimentação saudável (salada crua e frutas ou salada de frutas) teve um aumento estatisticamente significante após a intervenção e o consumo dos alimentos marcadores de uma alimentação não saudável (hambúrguer ou embutidos e refrigerantes) diminuiu de maneira estatisticamente significante após a intervenção (Tabela 7). 59 Referente ao consumo de frutas e hortaliças, Viebig et al. (2009) estudaram a associação entre fatores socioeconômicos e sócio demográficos e o consumo diário de cinco porções de frutas e hortaliças por idosos residentes em áreas de baixa renda. Para tanto, utilizaram como referência a pesquisa epidemiológica de base populacional “São Paulo Ageing and Health Study”, em que 2066 idosos responderam um questionário de frequência alimentar sobre consumo de frutas e hortaliças. Observou-se que o consumo desses alimentos por idosos de baixa renda mostrou-se muito aquém das recomendações. Esta inadequação associou-se com condições socioeconômicas desfavoráveis, isto é, baixa escolaridade e baixo poder aquisitivo. Esses achados são confirmados também pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2008-2009, na qual foi encontrada uma associação positiva entre frequências de consumo de verduras e frutas e as classes de renda, ou seja, o consumo de verduras e frutas foi maior conforme aumento da renda (BRASIL, 2011b). Apesar das confirmações que o baixo consumo de frutas e hortaliças está associado à baixa renda, entre outros fatores, um estudo piloto de intervenção, envolvendo 80 famílias de baixa renda residentes no Município de São Paulo, que avaliou o efeito de ações de educação nutricional sobre o consumo de frutas e hortaliças dessas famílias, demonstrou resultados positivos. A intervenção consistiu em ações de educação nutricional para aumentar a participação de frutas e hortaliças na alimentação familiar, por meio de três reuniões com duração de duas horas, em semanas consecutivas. Para avaliar o impacto imediato dessa intervenção nutricional educativa, as famílias foram divididas randomicamente em dois grupos (intervenção e controle). Observou-se aumento da participação de frutas e hortaliças na alimentação das famílias do grupo intervenção, equivalente à um acréscimo de 2,9% no total de calorias provenientes desses alimentos, indicando que ações de educação nutricional que combinam informação e motivação visando à promoção do consumo de frutas e hortaliças foram bem sucedidas em ambientes de grande pobreza (JAIME et al., 2007). Assim, esses resultados concordam com os do presente estudo, considerando o aumento do consumo de salada crua e frutas ou salada de frutas pelos idosos após a intervenção. No que concerne o consumo de alimentos marcadores de uma alimentação não saudável, hambúrguer ou embutidos e refrigerantes, Barros (2008), avaliou a frequência e os fatores associados ao consumo de alimentos industrializados de 1530 60 indivíduos de ambos os gêneros, sendo 728 adultos e 802 idosos, e constatou que dos grupos de alimentos industrializados estudados, dentre os mais consumidos estavam “refrigerantes e refrescos” e “embutidos, hambúrguer e nuggets”. Embora o estudo de Barros (2008) e a POF de 2008-2009 (BRASIL, 2011b) confirmem que o consumo desses alimentos reduz com o avanço da idade, ainda é relevante destacar que a ingestão elevada de alimentos industrializados ricos em açúcar, sódio, gordura saturada, trans e colesterol está relacionada ao ganho de peso corporal e ao desenvolvimento doenças e agravos de saúde, o que justifica a realização de intervenções que promovam mudanças no consumo desses alimentos. Assim, o presente estudo também apresentou resultados favoráveis quanto à diminuição do consumo de hambúrguer ou embutidos e refrigerantes após a participação no programa de intervenção nutricional. A partir dos dados obtidos pelo Recordatório de 24 horas foi possível avaliar quantitativamente o consumo dos idosos, no que diz respeito à energia, carboidratos, proteínas, lipídeos, fibras, fósforo, ferro, cálcio, sódio, potássio, vitamina B1 e B2, niacina e vitamina C. As Tabelas 8 e 9 apresentam a comparação entre o consumo total de energia e dos macronutrientes e fibras, respectivamente, antes e após a intervenção. Na Tabela 10 estão descritos os resultados da comparação pré e pós-intervenção para o consumo de proteínas em g/kg/dia. Tabela 8. Consumo de energia de idosos portadores de DRC, pré e pós-intervenção. Diadema, São Paulo, 2012. Energia Pós < 2DP Entre ± 2DP > 2DP Total < 2DP 10 (71,4%) 4 (28,6%) 0 (0,0%) 14 (100,0%) Entre ± 2DP 17 (44,7%) 19 (50,0%) 2 (5,3%) 38 (100,0%) > 2DP 3 (25,0%) 9 (75,0%) 0 (0,0%) 12 (100,0%) Total 30 (46,9%) 32 (50,0%) 2 (3,1%) 64 (100,0%) Energia Pré * Teste Wilcoxon. p* 0,000 61 Tabela 9. Distribuição energética dos macronutrientes e consumo de fibras de idosos portadores de DRC, pré e pós-intervenção. Diadema, São Paulo, 2012. Carboidratos Pós Carboidratos pré <45% VET 45-65% VET >65% VET Total <45% VET 1 (12,5%) 6 (75,0%) 1 (12,5%) 8 (100,0%) 45-65% VET 11 (23,9%) 31 (67,4%) 4 (8,7%) 46 (100,0%) >65% VET 0 (0,0%) 8 (80,0%) 2 (20,0%) 10 (100,0%) Total 12 (18,8%) 45 (70,3%) 7 (10,9%) 64 (100,0%) p* 0,223 Proteínas Pós Proteínas pré <10% VET 10-35% VET >35% VET Total <10% VET - 1 (100,0%) - 1 (100,0%) 10-35% VET 1 (1,6%) 61 (96,8%) 1 (1,6%) 63 (100,0%) >35% VET - - - - Total 1 (1,6%) 62 (96,9%) 1 (1,6%) 64 (100,0%) p 0,564 Lipídeos Pós Lipídeos pré <20% VET 20-35% VET >35% VET Total <20% VET 6 (40,0%) 9 (60,0%) 0 (0,0%) 15 (100,0%) 20-35% VET 7 (17,1%) 24 (58,5%) 10 (24,4%) 41 (100,0%) >35% VET 3 (37,5%) 5 (62,5%) 0 (0,0%) 8 (100,0%) Total 16 (25,0%) 38 (59,4%) 10 (15,6%) 64 (100,0%) p 0,902 Fibras Pós Fibras pré Abaixo Acima Total Abaixo 37 (75,5%) 12 (24,5%) 49 (100,0%) Acima 7 (46,7%) 8 (53,3%) 15 (100,0%) Total 44 (68,8%) 20 (31,3%) 64 (100,0%) p 0,251 * Teste Wilcoxon. Tabela 10. Consumo de proteína de idosos portadores de DRC pré e pós-intervenção. Diadema, São Paulo, 2012. Proteína (g/kg/dia) Média±DP Proteína Pré 1,17±0,473 Proteína Pós 1,19±0,465 * Teste t de Student pareado. p* 0,786 62 Para o consumo total de energia, nos dois momentos avaliados, os idosos apresentaram maior frequência de adequação (entre dois desvios padrão) e houve uma mudança estatisticamente significante antes e após a intervenção, sendo observada maior concentração de idosos com consumo de energia menor ou entre dois desvios padrão após a intervenção. Vale ressaltar que os participantes que apresentaram consumo maior que dois desvios padrão antes da intervenção, reduziram o consumo total de energia no último momento analisado (Tabela 8). Assim como para o consumo total de energia, antes e após a intervenção, houve maior frequência de idosos com consumo adequado para carboidratos (45-65% do VET), proteínas (10-15% do VET) e lipídeos (25-35% do VET), conforme a distribuição energética. Embora não se tenha observado diferença estatisticamente significante, verificou-se uma diminuição do número de idosos com consumo excessivo de carboidratos (>65% do VET) após a intervenção e nenhum participante apresentou consumo acima de 35% do VET para proteínas (Tabela 9). Em relação à quantidade de proteínas ingerida, em g/kg/dia, antes (1,17±0,473) e após (1,19±0,465) a intervenção, também não foram observadas diferenças estatisticamente significantes (Tabela 10). Quanto ao consumo de macronutrientes, a POF realizada em 2008-2009 verificou resultado semelhante para a ingestão de carboidratos, proteínas e lipídeos entre os idosos estudados, visto que para ambos os gêneros observou-se percentuais dentro dos padrões de adequação para esses nutrientes, ou seja, de 45 a 65% do VET para carboidratos, de 10 a 35% para proteínas e de 25 a 35% lipídeos (BRASIL, 2011b). Resultado diferente foi encontrado em estudo epidemiológico com base populacional desenvolvido no Município de Bambuí, Minas Gerais, denominado Projeto Bambuí, que verificou a adequação da ingestão de nutrientes de acordo com as recomendações nutricionais, enfocando principalmente as diferenças entre gênero e idade. Quanto à idade, foram estudados 84 idosos, dos quais observou-se maior frequência no consumo abaixo da recomendação para carboidratos e proteínas, enquanto que para lipídeos o consumo esteve distribuído entre a adequação e o consumo excessivo (LOPES et al., 2005). 63 Ao comparar os resultados do presente estudo sobre o consumo de energia e macronutrientes, antes e após a intervenção, com outros estudos, observou-se semelhanças quanto à ingestão de energia no estudo de Barreto (2011) e para a ingestão proteica no estudo realizado por Campbell et al. (2008), enquanto que Cervato et al. (2005) encontraram resultados diferentes para energia e proteínas. Os estudos citados são descritos a seguir. Corroborando com os achados do presente estudo, Barreto (2011), em sua pesquisa com pacientes portadores de DRC não dialítica que participaram de um programa de educação nutricional, observou que em relação à ingestão energética houve redução de forma estatisticamente significante nos dois grupos avaliados (grupo controle e grupo intervenção). No entanto, quanto à ingestão proteica foi encontrado resultado diferente, uma vez que, em ambos os grupos, houve redução estatisticamente significante do consumo de proteínas ao término do estudo, sendo esta redução significativamente maior no grupo intervenção e ocorreu de maneira gradual ao longo dos retornos ao ambulatório. Em estudo randomizado controlado, que objetivou determinar se o aconselhamento nutricional individual com acompanhamento telefônico melhora a composição corporal, o consumo de energia e proteína e estado nutricional, em comparação com o fornecimento de apenas material por escrito, foram acompanhados 56 pacientes portadores de DRC em pré-diálise, com idade média de 70,7±14,0 anos, durante 12 semanas. Os resultados mostraram que o grupo intervenção teve aumento na ingestão de energia, diferente do encontrado no presente estudo, e não houve diferença significativa na ingestão de proteína em comparação com o grupo controle. Os autores destacam que, embora, o impacto da intervenção tenha sido significativo apenas para as mulheres, a diferença entre gêneros requer uma investigação mais aprofundada (CAMPBELL et al., 2008). O estudo de Cervato et al. (2005), com delineamento quase experimental, do tipo pré e pós-teste, sem grupo controle, avaliou uma intervenção nutricional educativa desenvolvida para alunos de Universidades Abertas para a Terceira Idade, utilizando como variáveis o valor energético total, a proporção de macronutrientes, o colesterol, a vitamina A, cálcio e ferro. Foram estudados 44 alunos frequentadores de quatro instituições de ensino do Município de São Paulo, de ambos os gêneros, com 45 anos de idade ou mais. A ação educativa, desenvolvida por nutricionistas, foi composta por 64 quatro aulas de três horas cada, com distribuição de uma apostila com o conteúdo das aulas e um guia alimentar com orientações gerais. Com relação aos resultados sobre o consumo alimentar, não houve alteração na ingestão do total de energia antes e após a intervenção e as modificações identificadas foram a diminuição do consumo de lipídios e de proteínas, achados que diferem do presente estudo. É importante destacar que a restrição proteica, uma das principais alterações alimentares no tratamento da DRC não dialítica, pode ajudar a melhorar a função renal, reduzindo o declínio da TFG estimada (PYRAM et al., 2012) e, dessa forma, retardar a progressão da doença, adiando a necessidade de início na terapia dialítica (NKF/KDOQI, 2000). Ao considerar o consumo de fibras alimentares, verificou-se maior proporção de idosos com ingestão abaixo do recomendado (Tabela 9). Resultado semelhante foi obtido em estudo transversal, realizado com 164 idosos matriculados no Programa Municipal da Terceira Idade de Viçosa-MG, cujo objetivo foi avaliar o consumo alimentar desses idosos e possíveis fatores que interferem negativamente sobre o mesmo. Verificou-se que, de modo geral, os idosos apresentaram ingestão inadequada de fibras e, quando distribuído por gênero, apenas 9,2% das mulheres atingiram a recomendação diária de fibras totais e todos os homens ficaram abaixo da recomendação para o gênero masculino (ABREU et al., 2008). No estudo realizado por Lopes et al. (2005), verificou-se uma ingestão de fibras abaixo do recomendado em 100% dos idosos estudados (n=84), no Município de Bambuí. Esses achados refletem a elevada prevalência de inadequação no consumo de fibras alimentares pelo público idoso. Os resultados obtidos na POF 2008-2009, mostram que menos de 10% da população brasileira atinge as recomendações do consumo de frutas, verduras e legumes, o que se traduz em elevadas prevalências de inadequação do consumo de fibras. Ao passo que o consumo de frutas, farinha de mandioca, arroz integral, feijão e legumes e verduras foi associado ao consumo elevado de fibras (BRASIL, 2011b). Em idosos, o consumo insuficiente de fibras pode estar associado ao edentulismo que dificulta a mastigação de vegetais crus (ABREU et al., 2008), além da baixa renda, descrita como um fator que contribui para a ingestão insuficiente de frutas, legumes e verduras e, consequentemente, de fibras alimentares. 65 Apesar de não se ter observado diferença estatisticamente significante, houve uma mudança na ingestão de fibras pelos idosos do presente estudo que passaram a consumir fibras acima do valor recomendado após a intervenção (Tabela 9), o que aponta para uma influência do aumento do consumo de salada crua e frutas ou salada de frutas, verificados pelo “Formulário de Marcadores do Consumo Alimentar para indivíduos com 5 anos idade ou mais”, demonstrando um efeito positivo da intervenção. Em análise da associação entre a dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension), caracterizada por elevado consumo de vegetais, frutas e grãos integrais, os quais são fontes de fibras, e o declínio da função renal, em um subgrupo composto por mulheres participantes de um estudo de coorte observacional prospectivo, denominado Nurses’ Health Study, observou-se que as mulheres no quartil superior de um padrão alimentar de estilo DASH apresentaram diminuição do risco de declínio da taxa de filtração glomerular (LIN et al., 2011), sugerindo que o aumento na ingestão de alimentos fonte de fibras pode trazer benefícios aos portadores de DRC quanto à progressão da doença. Em estudo com 2123 idosos não diabéticos com risco cardiovascular elevado, integrantes de um estudo randomizado, multicêntrico e controlado, o PREDIMED (PREvención con DIeta MEDiterránea), observou-se que o consumo elevado de fibras alimentares foi associado a um menor risco de DRC. Embora os mecanismos pelos quais as fibras possam proteger contra danos renais ainda não tenham sido suficientemente explorados, sabe-se que a ingestão elevada de fibras está negativamente associada com outros fatores de risco reconhecidos para a DRC, como diabetes, hipertensão, dislipidemia e aterosclerose (LÓPEZ et al., 2013). Para avaliação do consumo dos micronutrientes verificou-se a probabilidade de adequação, de exceder o UL ou de exceder o AI. A Tabela 11 apresenta os resultados sobre o consumo dos minerais analisados (fósforo, ferro, cálcio, sódio e potássio), antes e após a intervenção. 66 Tabela 11. Probabilidade de adequação dos minerais consumidos pelos idosos portadores de DRC, pré e pós-intervenção. Diadema, São Paulo, 2012. Fósforo pós Fósforo pré Probabilidade de adequação <50% Probabilidade de adequação ≥50% Total Probabilidade de adequação <50% 11 (47,8%) 12 (52,2%) 23 (100,0%) Probabilidade de adequação ≥50% 6 (14,6%) 35 (85,4%) 41 (100,0%) Total 17 (26,6%) 47 (73,4%) 64 (100,0%) p*** 0,157 Ferro pós Ferro pré Probabilidade de adequação <50% 17 (60,7%) Probabilidade de adequação ≥50% 8 (22,2%) 28 (77,8%) 36 (100,0%) Total 25 (39,1%) 39 (60,9%) 64 (100,0%) 11 (39,3%) 28 (100,0%) 0,491 Cálcio pós Cálcio pré Probabilidade de adequação <50% 63 (100%) Probabilidade de adequação ≥50% 1 (100%) - 1 (100%) Total 64 (100%) - 64 (100%) - 63 (100%) 0,317 Sódio* pós Sódio pré Probabilidade de adequação <50% 36 (78,3%) 10 (21,7%) 46 (100,0%) Probabilidade de adequação ≥50% 12 (66,7%) 6 (33,3%) 18 (100,0%) Total 48 (75,0%) 16 (25,0%) 64 (100,0%) 0,670 Potássio** pós Potássio pré Probabilidade de adequação <50% 63 (98,4%) Probabilidade de adequação ≥50% - - - Total 63 (98,4%) 1 (1,6%) 64 (100%) 1 (1,6%) 64 (100%) 0,317 *Probabilidade de exceder Upper Level (UL). ** Probabilidade de exceder Adequate Intake (AI). *** Teste Wilcoxon. Para o fósforo observou-se maior frequência de idosos com probabilidade de adequação ≥ 50%, nos dois momentos avaliados. Esse mesmo resultado foi encontrado para o ferro (Tabela 11). A análise de dados do Inquérito Nacional de Alimentação como parte da POF (2008-2009), que avaliou o consumo alimentar 67 individual de 4322 idosos, permitiu verificar prevalência de inadequação no consumo de fósforo em 86,1% da população estudada e 8,8% de prevalência de inadequação para o ferro (FISBERG et al., 2013). Resultados do Projeto Bambuí, em Minas Gerais, demonstram que 76,2% dos idosos estudados apresentaram consumo de fósforo acima do recomendado, enquanto que para a ingestão de ferro a maioria estava entre a adequação e o consumo superior ao recomendado (LOPES et al., 2005). ABREU e col. (2008) em estudo com idosos matriculados no Programa Municipal da Terceira Idade de Viçosa-MG, encontraram que a prevalência de inadequação de ferro foi baixa entre os idosos estudados. Em intervenção nutricional educativa desenvolvida para alunos de Universidades Abertas para a Terceira Idade, Cervato et al. (2005), observaram que não houve alteração no consumo de ferro após a intervenção, assim como no presente estudo. Esses resultados sinalizam que o consumo de fósforo tende para maior prevalência de inadequação, o que difere do encontrado no presente estudo, em que houve maior frequência de idosos com probabilidade de adequação ≥ 50%, enquanto que para o ferro a prevalência de inadequação foi menos comum, não sendo alterada após a intervenção nutricional. A preocupação com a ingestão de fósforo por pacientes com DRC está relacionada à hiperfosfatemia, visto que este quadro é um forte preditor de mortalidade na DRC avançada (CARRERO e COZZOLINO, 2014; ZADEH, 2013) e, por isso, se faz necessário a correção por meio de aconselhamento dietético com foco no consumo de alimentos com a menor quantidade de fósforo, prescrição do uso de quelantes e tratamento dialítico (ZADEH, 2013). No entanto, como existem adaptações fisiológicas para combater a retenção de fósforo em excesso, a hiperfosfatemia normalmente ocorre quando os pacientes atingem os estágios mais avançados da DRC (4 e 5), isto significa que a restrição dietética de fósforo não é geralmente necessária em estágios anteriores. Neste sentido, as recomendações atuais para ingestão de fósforo na DRC no estágio 3 são para reduzir o consumo entre 800 e 1000 mg/dia (CARRERO e COZZOLINO, 2014). 68 O consumo de ferro merece destaque considerando sua relação com o desenvolvimento de quadros de anemia, uma vez que esta se associa com evolução adversa da DRC, incluindo hospitalização, doença cardiovascular, mortalidade e diminuição da qualidade de vida dos pacientes. Embora a principal causa de anemia na DRC seja a deficiência de produção da eritropoietina, dentre os outros fatores que podem determinar a ocorrência de anemia nesses pacientes, evidencia-se a deficiência de ferro (BASTOS, BREGMAN e KIRSZTAJN, 2010). Em relação ao cálcio, houve maior frequência de probabilidade de adequação < 50%, tanto antes quanto após a intervenção (Tabela 11). Resultados como este, demonstrando a inadequação do consumo de cálcio por idosos, foram encontrados por ABREU et al. (2008), em que o consumo mediano desse nutriente foi cerca de um terço do valor recomendado. Lopes et al. (2005) verificaram consumo abaixo do recomendado para o cálcio em 100% dos idosos estudados. Fisberg et al. (2013), observaram que o cálcio foi um dos minerais com maior prevalência de ingestão inadequada pelos idosos, acima de 80%, em todas as regiões do Brasil. Ao analisar a influência de uma intervenção nutricional com idosos, Cervato et al. (2005) verificaram que não houve alteração no consumo de cálcio após a intervenção, bem como no presente estudo. Estes resultados são preocupantes e apontam para a necessidade de adequação da ingestão de cálcio pelos idosos, tendo em vista que sua elevada prevalência de inadequação, está relacionada à osteoporose e fraturas, em especial, para o gênero feminino (LOPES et al., 2005). Em pacientes com DRC estágios 4 e 5, a monitorização do cálcio deve ser obrigatoriamente realizada, assim como naqueles em estágio 3 que apresentam perda progressiva da filtração glomerular (BASTOS, BREGMAN e KIRSZTAJN, 2010). Quanto ao sódio, observou-se maior frequência de probabilidade de exceder o UL < 50%. Além disso, 66,7% dos idosos que apresentavam probabilidade de exceder o UL ≥ 50% passaram a ter uma probabilidade < 50% após a intervenção (Tabela 11), esse resultado é favorável, porém não estatisticamente significante. Fisberg et al. (2013), verificaram um resultado diferente em relação ao consumo de sódio, sendo observado elevado percentual de idosos com ingestão excessiva de sódio. 69 Barreto (2011), em seu estudo com portadores de DRC na fase não-dilítica submetidos a um programa de educação nutricional, observou, assim como no presente estudo, que não houve mudança estatisticamente significante em ambos os grupos (controle e intervenção) no início e término do acompanhamento em relação à ingestão de sódio. Sabe-se que a ingestão elevada de sódio é um importante determinante da pressão arterial e tem sido associada com declínio da TFG. No entanto, a relação com a DRC ainda não está bem definida e os estudos são escassos (CARRERO e COZZOLINO, 2014; JAIN e REILLY, 2014). Apesar disso, tem sido demonstrado que a restrição na ingestão de sódio contribui para potencializar a resposta à antihipertensivos, geralmente os inibidores da enzima conversora de angiotensina e bloqueadores do seu receptor, os quais tem impacto importante na redução da proteinúria e sobre o retardo da progressão da DRC (CARRERO e COZZOLINO, 2014; CUPPARI, 2013). Mesmo com aparente resultado benéfico, a redução de sódio na dieta de pacientes com DRC pode ser difícil devido à baixa adesão relacionada à palatabilidade de alimentos pobres em sódio, disponibilidade e custo dos alimentos com teor reduzido desse nutriente, a interferência com a socialização e a falta de percepção do benefício dessa redução. Sendo assim, o aconselhamento e acompanhamento por nutricionistas, é necessário para aumentar a motivação do paciente e o cumprimento das orientações nutricionais (CARRERO e COZZOLINO, 2014). Para o potássio, 98,4% dos idosos mantiveram a probabilidade de exceder o AI < 50% (Tabela 11), o que demonstra ser positivo, tendo em vista que o consumo excessivo de potássio aumenta o risco de hipercalemia e, possivelmente, pode contribuir para o desenvolvimento de neuropatia urêmica, além de estar relacionado ao aumento da mortalidade em pacientes com DRC (SINHA e AGARWAL, 2013). Recomenda-se o controle da ingestão de potássio quando sua concentração sérica estiver acima do limite de normalidade ou, em alguns casos, quando estiver próxima do limite superior de normalidade (CUPPARI, 2013). Assim, indica-se evitar a restrição de potássio na DRC precoce, enquanto que em estágios avançados deve ser instituído o acompanhamento da concentração de potássio sérico de pacientes em tratamento dialítico e em uso de bloqueadores do sistema renina-angiotensina (SINHA e AGARWAL, 2013). 70 A Tabela 12 apresenta os resultados da análise do consumo de vitaminas antes e após a intervenção. Foram estudadas as vitaminas B1, B2, niacina e C. Tabela 12. Probabilidade de adequação das vitaminas consumidas pelos idosos portadores de DRC, pré e pós-intervenção. Diadema, São Paulo, 2012. Vitamina B1 pós Vitamina B1 pré Probabilidade de adequação <50% Probabilidade de adequação ≥50% Total Probabilidade de adequação <50% 38 (86,4%) 6 (13,6%) 44 (100,0%) Probabilidade de adequação ≥50% 12 (60,0%) 8 (40,0%) 20 (100,0%) Total 50 (78,1%) 14 (21,9%) 64 (100,0%) p* 0,157 Vitamina B2 pós Vitamina B2 pré Probabilidade de adequação <50% 45 (86,5%) Probabilidade de adequação ≥50% 9 (75,0%) 3 (25,0%) 12 (100,0%) Total 54 (84,4%) 10 (15,6%) 64 (100,0%) 7 (13,5%) 52 (100,0%) 0,617 Niacina pós Niacina pré Probabilidade de adequação <50% 27 (62,8%) Probabilidade de adequação ≥50% 7 (33,3%) 14 (66,7%) 21 (100,0%) Total 34 (53,1%) 30 (46,9%) 64 (100,0%) 16 (37,2%) 43 (100,0%) 0,061 Vitamina C pós Vitamina C pré Probabilidade de adequação <50% 18 (58,1%) 13 (41,9%) 31 (100,0%) Probabilidade de adequação ≥50% 16 (48,5%) 17 (51,5%) 33 (100,0%) Total 34 (53,1%) 30 (46,9%) 64 (100,0%) 0,577 * Teste Wilcoxon. Os resultados verificados para as vitaminas B1 e B2, antes e após a intervenção, apontaram para maior frequência de probabilidade de adequação < 50%. Para a niacina, antes da intervenção, houve maior frequência de probabilidade de adequação < 50% e após a intervenção, a probabilidade de adequação < e ≥ 50% apresentaram distribuição equitativa. O resultado descrito para a niacina, pósintervenção, também foi encontrado para a vitamina C, porém nos dois momentos 71 avaliados. Cabe mencionar que para todas as vitaminas as mudanças observadas não foram estatisticamente significantes (Tabela 12). Resultados semelhantes foram encontrados por ABREU et al. (2008), que verificaram elevada inadequação no consumo de vitaminas (vitamina C, A, B1, B2 e B6) por idosos participantes de um Programa Municipal da Terceira Idade de Viçosa-MG. Fisberg et al. (2013), observaram expressiva prevalência de inadequação em idosos pesquisados pelo Inquérito Nacional de Alimentação para a vitamina C (98,8%), B1 (44,1%) e B2 (21,5%) e menor prevalência de inadequação para niacina (3,6%). A prevalência de inadequação da ingestão de vitaminas é frequentemente encontrada em pacientes nas fases avançadas da DRC ou naqueles já em terapia dialítica (CUPPARI, 2013), mas também em pacientes nos estágios iniciais da doença que apresentam redução em seu consumo alimentar. É importante destacar que a própria prescrição dietética pode limitar os alimentos ricos em vitaminas, especialmente as solúveis em água, devido ao seu alto teor de potássio. Neste sentido, há sugestões de suplementação, com a preocupação de que existe o risco de excesso e de toxicidade de algumas vitaminas, ainda mais que permanecem muitas incertezas quanto às necessidades nutricionais desses nutrientes para pacientes com DRC (STEIBER e KOPPLE, 2011). O que tem-se observado é que a inadequação do consumo de micronutrientes por idosos decorre, provavelmente, da pouca variedade de alimentos que compõem sua dieta habitual (FISBERG et al., 2013), demonstrando mais uma vez a importância de intervenções nutricionais em idosos, em especial, portadores de DRC, a fim de minimizar os efeitos desfavoráveis oriundos do consumo alimentar inadequado. Com o uso do Recordatório de 24 horas foi avaliado quanto os idosos obtiveram de sucesso na adesão às orientações nutricionais para os grupos alimentares de interesse (frutas, legumes e verduras; leite, queijo e iogurte; carnes e ovos; feijões e oleaginosas). Este resultado está apresentado na Tabela 13. 72 Tabela 13. Distribuição de idosos segundo “sucesso” e “não sucesso” na adesão às orientações nutricionais por grupos alimentares, pré e pós-intervenção. Diadema, São Paulo, 2012. Grupos alimentares Sucesso Não sucesso n % n % Frutas, legumes e verduras 29 45,3 35 54,7 Leite, queijo e iogurte 26 40,6 38 59,4 Carnes e ovos 27 42,2 37 57,8 Feijões e oleaginosas 42 65,6 22 34,4 Observou-se que o grupo alimentar que obteve maior frequência de sucesso foi o grupo dos feijões e oleaginosas (65,6%), seguido pelo grupo das frutas, legumes e verduras (45,3%) (Tabela 13). O sucesso deste último grupo alimentar concorda com os resultados anteriores referentes ao aumento do consumo de salada crua e frutas ou salada de frutas, bem como para a mudança na ingestão de fibras em que os idosos passaram a ter um consumo superior à recomendação, após a intervenção. É válido destacar que para todos os grupos alimentares analisados, a frequência de sucesso foi considerada positiva. De fato, os resultados obtidos indicaram que, em função da participação dos idosos na intervenção nutricional, houve uma tendência para a modificação da dieta, com melhora da sua qualidade, apesar de não terem sido observadas mudanças estatisticamente significantes entre os nutrientes analisados. 4.3- Relação entre as variáveis demográficas e a qualidade de vida Além das análises de impacto da intervenção nutricional sobre as variáveis de interesse, também foi estudada a relação entre grupo etário, renda familiar mensal e escolaridade e a qualidade de vida, sendo esses resultados apresentados nas tabelas 14, 15 e 16, respectivamente. 73 Tabela 14. Relação entre a pontuação dos domínios, das questões de autopercepção e da pontuação geral do WHOQOL-bref e o grupo etário de idosos portadores de DRC. Diadema, São Paulo, 2012. Domínios, questões de autopercepção e pontuação geral Grupo etário <75 anos ≥75 anos Média±DP Média±DP Domínio físico 59,9±14,5 59, 0±13,0 0,803 Domínio psicológico 60,4±12,2 61,8±13,9 0,654 Domínio social 71,5±13,3 70,2±11,1 0,674 Domínio ambiental 54,5±10,9 57,6± 9,1 0,236 Autopercepção 1 64,4±21,7 65,3±16,7 0,849 Autopercepção 2 59,1±23,2 54,0±22,5 0,380 Pontuação geral 59,8±9,9 60,5±7,5 0,743 p* * Teste t de Student para grupos independentes. Tabela 15. Relação entre a pontuação dos domínios, das questões de autopercepção e da pontuação geral do WHOQOL-bref e a renda familiar mensal dos idosos portadores de DRC. Diadema, São Paulo, 2012. Renda familiar mensal Domínios, questões de autopercepção e pontuação geral Até 3 s.m.* ≥ 3 s.m. Média±DP Média±DP Domínio físico 58,7±13,3 61,9±15,0 0,427 Domínio psicológico 61,4±11,9 60,0±16,6 0,720 Domínio social 71,3±13,1 69,4±9,3 0,619 Domínio ambiental 55,0±10,4 59,4±8,6 0,141 Autopercepção 1 64,8±19,7 65,0±18,4 0,972 Autopercepção 2 58,2±21,9 51,7±25,8 0,339 Pontuação geral 59,8±8,4 61,3±10,2 0,579 *s.m. - salários mínimos. ** Teste t de Student para grupos independentes. p** 74 Tabela 16. Relação entre a pontuação dos domínios, das questões de autopercepção e da pontuação geral do WHOQOL-bref e a escolaridade dos idosos portadores de DRC. Diadema, São Paulo, 2012. Escolaridade Domínios, questões de autopercepção e pontuação geral Sem Escolaridade EF* Incompleto EF Completo Média±DP Média±DP Média±DP Domínio físico 56,1±16,0 60,4±12,0 65,0±16,2 0,330 Domínio psicológico 59,0±16,3 61,6±11,9 65,0±3,7 0,596 Domínio social 67,9±11,6 71,6±12,8 76,7±9,1 0,304 Domínio ambiental 53,4±11,2 57,0±9,6 58,8±9,2 0,371 Autopercepção 1 63,8±23,6 64,7±17,9 70,0±11,2 0,814 Autopercepção 2 53,8±24,7 58,3±22,5 55,5±20,9 0,761 Pontuação geral 57,5±10,7 61,0±7,8 64,2±5,2 0,194 p** * EF - Ensino Fundamental. ** ANOVA com medidas repetidas. Considerando a relação entre o grupo etário e a qualidade de vida, observouse, de modo geral, que os idosos com idade < 75 anos atribuíram pontuações mais baixas para os domínios psicológico e ambiental e para pontuação geral. Já os idosos com idade ≥ 75 anos, as pontuações mais baixas foram atribuídas para o domínio físico e para a segunda questão de autopercepção. No entanto, a diferença entre as médias da pontuação de todos os domínios, questões de autopercepção e pontuação geral não foram estatisticamente significantes (Tabela 14). A melhor qualidade de vida dos idosos com idade avançada pode indicar conformidade diante da inevitabilidade da velhice, enquanto que a pior qualidade de vida dos idosos mais novos pode indicar ausência de preparação para a velhice e não aceitação da sua condição atual (DAWALIBI, GOULART e PREARO, 2014). As menores pontuações atribuídas ao domínio físico e para a segunda questão de autopercepção pelos idosos mais longevos, podem estar relacionadas às limitações existentes devido à concomitância de doenças crônicas e seu impacto na capacidade funcional. Quanto à renda, as pontuações mais baixas foram atribuídas pelos idosos que possuíam menor renda familiar mensal (até três salários mínimos) para os domínios físico e ambiental, primeira questão de autopercepção e pontuação geral. Embora, esses achados apontem uma tendência de menor pontuação conforme menor a 75 renda, a diferença entre a média das pontuações não foi estatisticamente significante (Tabela 15). Em relação à escolaridade, verificou-se tendência de aumento das pontuações conforme maior nível instrucional dos idosos, porém não houve relação estatisticamente significante entre a escolaridade e a qualidade de vida dos idosos estudados (Tabela 16). Pereira et al. (2008) analisaram a influência do gênero, idade, situação conjugal, nível de escolaridade e renda sobre os domínios do WHOQOL-bref, em 211 idosos, de ambos os gêneros, residentes no Município de Teixeiras, região Sudeste do Brasil. Essas variáveis não exerceram influência na qualidade de vida global dos idosos, com exceção do gênero, onde as pontuações médias foram maiores entre os homens para os domínios físico, psicológico e ambiental. À semelhança do presente estudo, a idade, renda e nível de escolaridade não influenciaram de maneira estatisticamente significante a qualidade de vida dos idosos. Esses achados, permitem dizer que as variáveis demográficas analisadas não influenciaram a qualidade dos idosos estudados, provavelmente pela homogeneidade da amostra e por adaptação às condições de vida. Em contrapartida, estudo realizado por Dawalibi, Goulart e Prearo (2014), com o objetivo de analisar a influência de possíveis fatores intervenientes sobre a qualidade de vida de 182 idosos, de ambos os gêneros, matriculados em programas para a terceira idade de três universidades localizadas nos municípios de São Paulo, São Caetano do Sul e Mogi das Cruzes, mostrou aumento estatisticamente significante da qualidade de vida no domínio ambiental em idosos sem quaisquer doenças, com idade avançada, ensino superior completo e residência em São Caetano do Sul. Diante dos resultados apresentados por Pereira et al. (2008) e Dawalibi, Goulart e Prearo (2014), bem como os do presente estudo, destaca-se a importância de se reconhecer a heterogeneidade da população idosa no que diz respeito à idade, gênero, escolaridade, renda, ambiente inserido, presença de doenças, entre outros fatores, quando se avalia a qualidade de vida. 76 5. CONCLUSÃO Este estudo possibilitou produzir dados originais de idosos portadores de doença renal crônica submetidos à intervenção nutricional. Os resultados obtidos permitem inferir que a participação dos idosos no programa de intervenção promoveu melhora no estado nutricional, na qualidade de vida e na alimentação, evidenciados pela redução do IMC e da CC, aumento da satisfação sobre o estado de saúde, aumento do consumo de salada crua e frutas ou salada de frutas e diminuição da ingestão de hambúrguer ou embutidos e refrigerantes. Embora não se tenha observado diferença estatisticamente significante entre a TFG nos momentos avaliados, sua manutenção ao final da intervenção reflete um resultado positivo, visto que o curso natural da DRC é a evolução para os estágios terminais. Esses resultados podem ser atribuídos à intervenção nutricional que, possivelmente, promoveu conhecimento em relação à doença e aos cuidados com a alimentação, aumentando o comprometimento do paciente com o seu tratamento, considerando que os métodos utilizados foram claros e acessíveis. Com os benefícios decorrentes das ações educativas desenvolvidas durante a intervenção nutricional, destaca-se a necessidade de instituir políticas públicas que estabeleçam medidas de EAN na Atenção Básica, com vistas às ações eficazes e de baixo custo, realizadas por profissional habilitado. O foco dessas ações deve ser a prevenção da DRC em pacientes hipertensos e diabéticos, principais acometidos pela doença renal, além de ações que promovam o retardo da progressão da DRC, instituídas em estágios precoces da doença, a fim de melhorar a qualidade de vida dos pacientes e reduzir os custos financeiros com tratamentos dialíticos. Diante disso e da literatura escassa sobre a prática nutricional em pacientes com DRC antes da terapia dialítica, especialmente em idosos, este estudo tem muito a contribuir com os profissionais da área quanto à prestação do cuidado nutricional baseado em práticas educativas, visando à adesão às orientações dietéticas pelos pacientes. Cabe mencionar que devido às limitações do presente estudo quanto à amostra ser não probabilística, não ter a presença de um grupo controle e ter apenas um dia de observação para avaliação do consumo alimentar, os resultados encontrados 77 devem ser analisados com cautela, não podendo ser generalizados para a população de idosos portadores de DRC. Por isso, juntamente com a carência de estudos supracitada, sugere-se a realização de pesquisas randomizadas, controladas e prospectivas com foco em intervenções nutricionais educativas com idosos portadores de DRC, abrangendo planejamento, implementação e avaliação dessas ações. 78 REFERÊNCIAS ABATERUSSO, C. et al. Treating elderly people with diabetes and stages 3 and 5 chronic kidney disease. Clin J Am Soc Nephrol., n. 3, p. 1185-1194, 2008. ABREU, P. F. Epidemiologia. In: CUPPARI, L.; AVESANI, C. M.; KAMIMURA, M. A. Nutrição na doença renal crônica. Barueri, SP: Manole, 2013. seção 1. cap. 1. ABREU, W. C. et al. 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Rita Maria Monteiro Goulart, professora responsável pelo Programa de Aprimoramento Profissional “Qualidade de Vida” da Universidade São Judas Tadeu (USJT); 3) Estou ciente que durante o estudo serão realizadas avaliações nutricionais, medindo-se o peso, a altura e circunferência da cintura e também será preenchido um questionário que avalia a percepção da qualidade de vida; 4) Fui informado que serão realizadas duas coletas de sangue, sendo uma no início e outra no final do estudo (período aproximado de seis meses). Para a realização do exame será utilizado luva, seringa e agulha descartáveis. 5) Poderei sentir algum constrangimento na avaliação nutricional (medida de peso, altura e circunferência da cintura) ou no preenchimento do instrumento de percepção da qualidade de vida, além de incômodo no momento da realização do exame de sangue (punção venosa). No entanto, fui informado que esta coleta ocorrerá na própria UBS, realizada por enfermeira, e em caso de qualquer problema (intercorrência) serei atendido no local. Estou ciente também que estes exames seguem os mesmos procedimentos dos exames de rotina; 6) Estou ciente que haverá encontros mensais, pelo período de seis meses, sendo três encontros individuais e três em grupo, de aproximadamente uma hora; 7) Entendi que tenho plena liberdade para me afastar definitivamente do estudo, a qualquer momento que desejar, sem nenhuma obrigatoriedade de prestar esclarecimentos e sem um único ônus à minha pessoa; 88 8) Meus dados pessoais serão mantidos em sigilo, a fim de manter a minha integridade moral, e os resultados obtidos serão utilizados apenas para alcançar os objetivos do trabalho, expostos acima, incluída sua publicação na literatura científica especializada; 9) Fui informado que, se necessário, poderei entrar em contato com o pesquisador responsável Professora Doutora Rita Maria Monteiro Goulart pelo telefone (97138266), ou com o Comitê de Ética em Pesquisa da USJT (2799-1999 ramal 1665). 10) Obtive todas as informações necessárias para poder decidir conscientemente sobre a minha participação no referido estudo; 11) Este Termo de Consentimento é feito em duas vias, sendo que uma permanecerá em meu poder e outra com o pesquisador responsável. São Paulo, ____ de ________________ de ___________. ____________________________________________________ Participante e/ou Representante Legal ____________________________________________________ Pesquisador Responsável ____________________________________________________ Coordenador do Projeto 89 APÊNDICE B – Ficha de Atendimento Nutricional. 90 1. FICHA DE ATENDIMENTO NUTRICIONAL 1.1. Dados Pessoais Identificação:____________ Data do atendimento: ___/___/_____ Gênero: ( ) Masculino ( ) Feminino Nome: _______________________________Número do prontuário: __________ Endereço:__________________________________________________________ Bairro:_______________________ Cidade:______________________________ Telefone:_____________________ Celular:___________________________ Idade: _________ Data de nascimento: ___/___/___ Naturalidade:____________ Situação de trabalho / aposentadoria: ___________________________________ Número de filho (s): ________________ Composição familiar residencial: Grau de parentesco Idade Estado Civil: ( ) solteiro/a ( ) casado/a ( ) divorciado/a ( ) viúvo/a ( ) outro Renda familiar mensal: ( ) sem renda ( ) até 1 s.m. ( ) de 1 a 3 s.m. ( ) de 4 a 6 s.m. ( ) > 6 s.m. Escolaridade: ( ) sem escolaridade ( ) ensino fundamental completo ( ) ensino fundamental incompleto ( ) ensino médio completo ( ) ensino médio incompleto ( ) ensino superior completo ( ) ensino superior incompleto 1.2. Histórico Clínico Diabetes: ( ) Sim ( ) Não Tipo:_________ Há quanto tempo:_______________ Tratamento: ( ) Dieta ( ) Dieta + Insulina ( ) Dieta + Hipoglicemiante oral Complicações: ____________________________________________________ Histórico familiar:____________________________________________________ Hipertensão arterial: ( ) Sim ( ) Não Há quanto tempo:___________ Tratamento: ( ) Dieta ( ) Medicamento ( ) Dieta + medicamento Complicações: _____________________________________________________ Histórico familiar:______ ____________________________________________ Dislipidemia: ( ) Sim ( ) Não Há quanto tempo:_________________ Tipo: ( ) ↑TG ( ) ↑CT e/ou ↑LDL ( ) ↑TG e ↑CT e/ou ↑ LDL Tratamento: _______________________________________________________ Complicações: ____________________________________________________ Histórico familiar:_____________________________________________________ Histórico clínico pessoal (outras doenças): ________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 91 Medicamento / Suplemento Indicação Quantidade Horário Histórico clínico familiar (outras doenças): ________________________________ __________________________________________________________________ 1.3. Hábitos Alimentares Apetite: ( ) normal ( ) aumentado ( ) reduzido Mastigação: ( ) normal ( ) rápida ( ) lenta Restrições alimentares (alergias e intolerâncias):___________________________ Aversões alimentares:________________________________________________ Preferências alimentares:______________________________________________ Quem prepara as refeições:____________________________________________ Temperos usados:___________________________________________________ Refeições/dia e local:_________________________________________________ Horário que sente mais fome: __________________________________________ O que sente vontade de comer? ________________________________________ Come fazendo outras atividades?________________________________________ 1.4. Hábito Intestinal Frequência: _______________________________________________________ Consistência: ______________________________________________________ Uso de laxantes: ____________________________________________________ 1.5. Hábitos de Vida Tabagismo Tipo ________________________ Tempo ________________________ Frequência _______________________ Quantidade _______________________ Etilismo Tipo ______________ Tempo __________________ Frequência __________________ Quantidade __________________ Atividade física ____________________________________________________ Tipo_______________________________________________________________ Tempo___________________________________ Horário___________________ Frequência ________________________________________________________ 92 2. AVALIAÇÃO DO CONSUMO ALIMENTAR E ESTADO NUTRICIONAL 2.1. Recordatório Alimentar de 24 horas Refeição (Horário) Alimentos/Preparações Quantidade (Medida usual) 93 2.2. Antropometria Medidas antropométricas Data / / / / / / Estatura (cm) Peso atual (kg) IMC (kg/m²) Classificação Circunferência da cintura Classificação 3. AVALIAÇÃO DO QUADRO CLÍNICO Exame bioquímico Creatinina Classificação Data / / 94 APÊNDICE C – Modelo do impresso do Plano Alimentar Individualizado. 95 Nome do Paciente - nº do Prontuário Substituição OU Café da Manhã OU 7h10 OU OU Lanche da Manhã OU 10h OU OU Almoço OU 13h30 OU e OU Jantar OU 19h OU OU OU Lanche da Tarde OU 16h OU OU Lanche da Noite OU 21h30 OU OU 96 ANEXO A – Ficha de Cadastro de Hipertensos e/ou Diabéticos – HIPERDIA, USB Vila Nogueira, Diadema, 2012. 97 98 ANEXO B – Formulário de Marcadores do Consumo Alimentar para indivíduos com 5 anos idade ou mais (BRASIL, 2008). 99 100 ANEXO C – Questionário para Avaliação da Qualidade de Vida, WHOQOL-bref. 101 PERCEPÇÃO SUBJETIVA DA QUALIDADE DE VIDA WHOQOL – ABREVIADO Versão em Português PROGRAMA DE SAÚDE MENTAL ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE GENEBRA Coordenação do GRUPO WHOQOL no Brasil Dr. Marcelo Pio de Almeida Fleck Professor Adjunto Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal Universidade Federal do Rio Grande do Sul Porto Alegre – RS – Brasil 102 Instruções Este questionário é sobre como você se sente a respeito de sua qualidade de vida, saúde e outras áreas de sua vida. Por favor, responda a todas as questões. Se você não tem certeza sobre que resposta dar em uma questão, por favor, escolha entre as alternativas a que lhe parecer mais apropriada. Esta, muitas vezes, poderá ser sua primeira escolha. Por favor, tenha em mente seus valores, aspirações, prazeres e preocupações. Nós estamos perguntando o que você acha de sua vida, tomando como referência as duas últimas semanas. Por exemplo, pensando nas duas últimas semanas, uma questão poderia ser: Nada Muito Pouco Médio Muito Completa mente 1 2 3 4 5 Você recebe dos outros o apoio de que necessita? Você deve circular o número que melhor corresponde ao quanto você recebe dos outros o apoio que necessita nestas últimas duas semanas. Portanto, você deve circular o número 4 se você recebeu “muito” apoio como abaixo. Você recebe dos outros o apoio de que necessita? Nada Muito Pouco Médio Muito Completa mente 1 2 3 4 5 Você deve circular o número 1 se você não recebeu “nada” de apoio. Por favor, leia cada questão, veja o que você acha e circule o número que mais lhe parece a melhor resposta. Muito Nem ruim Muito Ruim Boa ruim Nem boa Boa 1 2 Como você avaliaria qualidade de vida? sua Quão satisfeito(a) você está com a sua saúde? 1 2 3 4 5 Muito insatisfeito Insatisfeito Nem satisfeito Nem insatisfeito Satisfeito Muito Satisfeito 1 2 3 4 5 103 As questões seguintes são sobre o quanto você tem sentido algumas coisas nas últimas duas semanas. Nada Muito Pouco Mais ou menos Bastante Extrema mente 3 Em que medida você acha que sua dor (física) impede você de fazer o que você precisa? 1 2 3 4 5 4 O quanto você precisa de algum tratamento médico para levar sua vida diária? 1 2 3 4 5 5 O quanto você aproveita a vida? 1 2 3 4 5 6 Em que medida você acha que sua vida tem sentido? 1 2 3 4 5 7 O quanto você consegue se concentrar? Quão seguro(a) você se sente em sua vida diária? Quão saudável é o seu ambiente físico (clima, barulho, poluição, atrativos)? 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 8 9 As questões seguintes perguntam sobre quão completamente você tem sentido ou é capaz de fazer certas coisas nestas últimas duas semanas. 10 11 12 13 14 Você tem energia suficiente para seu dia-a-dia? Você é capaz de aceitar sua aparência física? Você tem dinheiro suficiente para satisfazer suas necessidades? Quão disponíveis para você estão as informações que precisa no seu dia-a-dia? Em que medida você tem oportunidades de atividades de lazer? Nada Muito Pouco Médio Muito Completa mente 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 104 As questões seguintes perguntam sobre quão bem ou satisfeito você se sentiu a respeito de vários aspectos de sua vida nas últimas duas semanas. 15 Quão bem você é capaz de se locomover? Muito ruim Ruim Nem ruim Nem bom Bom Muito Bom 1 2 3 4 5 Muito insatisfeito Insatisfeito Nem satisfeito Nem insatisfeito Satisfeito Muito Satisfeito 16 Quão satisfeito(a) você está com o seu sono? 1 2 3 4 5 17 Quão satisfeito(a) você está com sua capacidade de desempenhar as atividades do seu dia-a-dia? 1 2 3 4 5 18 Quão satisfeito(a) você está com sua capacidade para o trabalho? 1 2 3 4 5 19 Quão satisfeito(a) você está consigo mesmo? 1 2 3 4 5 20 Quão satisfeito(a) você está com suas relações pessoais (amigos, parentes, conhecidos, colegas)? 1 2 3 4 5 21 Quão satisfeito(a) você está com sua vida sexual? 1 2 3 4 5 22 Quão satisfeito(a) você está com o apoio que você recebe de seus amigos? 1 2 3 4 5 23 Quão satisfeito(a) você está com as condições do local onde mora? 1 2 3 4 5 24 Quão satisfeito(a) você está com o seu acesso aos serviços de saúde? 1 2 3 4 5 25 Quão satisfeito(a) você está com o seu meio de transporte? 1 2 3 4 5 105 As questões seguintes referem-se com que frequência você sentiu ou experimentou certas coisas nas últimas duas semanas. 26 Com que frequência você tem sentimentos negativos tais como mau humor, desespero, ansiedade, depressão? Nunca Algumas vezes Frequente mente Muito frequente mente Sempre 1 2 3 4 5 Alguém lhe ajudou a preencher este questionário? ............................................. Quanto tempo você levou para preencher este questionário?........................... Você tem algum comentário sobre o questionário? OBRIGADO PELA SUA COLABORAÇÃO.