Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa
Lato Sensu em Formação de Professores para Educação
Infantil
Trabalho de Conclusão de Curso
A PERCEPÇÃO DAS MÃES ACERCA DO LÚDICO NA
EDUCAÇÃO INFANTIL
Autor: Janaína Maria Rodrigues de Souza
Orientador: Simone Braz Ferreira Gontijo
Brasília - DF
2012
JANAINA MARIA RODRIGUES DE SOUZA
A PERCEPÇÃO DAS MÃES ACERCA DO LÚDICO NA
EDUCAÇÃO INFANTIL
Artigo apresentado ao curso de Pós Graduação
em Educação Infantil da Universidade
Católica de Brasília, como requisito parcial
para obtenção do Titulo de Especialista em
Educação infantil.
Orientadora: Profª. MSc. Simone Braz Ferreira
Gontijo
Brasília
2012
Artigo de autoria de JANAÍNA MARIA RODRIGUES DE SOUZA intitulado “A
PERCEPÇÃO DAS MÃES ACERCA DO LÚDICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL”
apresentado como requisito parcial para obtenção do grau de Especialista em Educação
Infantil da Universidade Católica de Brasília, em 14 de Setembro de 2012, defendido e
aprovado pela banca examinadora abaixo assinada:
Prof. MSc. Simone Braz Ferreira Gontijo
Orientadora
Prof.MSc. Lêda Gonçalves de Freitas
Examinadora
BRASILIA
2012
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A PERCEPÇÃO DAS MÃES ACERCA DO LÚDICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL.
JANAÍNA MARIA RODRIGUES DE SOUZA
Resumo:
O artigo tem como objetivo identificar a percepção das mães acerca do desenvolvimento de
atividades lúdicas na educação infantil. Para tanto, foi realizada uma pesquisa em uma escola
em Taguatinga-DF envolvendo seis mães de alunos da educação infantil com idade entre seis
e sete anos, tendo como referência a abordagem qualitativa e como instrumento de coleta de
dados a entrevista semiestruturada. Os resultados apontam que, na percepção das mães, não
há consenso acerca da relação aprendizagem e lúdico, pois parte das mães vê beneficio nas
atividades lúdicas desenvolvidas pelo professor, como fator positivo na qual a criança aprende
brincando, a outra parte das mães não identifica essa relação, uma vez que para elas a escola é
um local para estudar e não para brincar. Constatou-se que essa percepção está relacionada à
formação escolar das mães, pois as que possuem maior grau de escolaridade tem uma resposta
positiva em relação ao brincar na escola. Conclui-se que o ato de brincar ainda faz parte da
vida das crianças e, para algumas mães, é uma atividade importante, pois por meio do brincar
a criança se desenvolve melhor.
Palavras chave: Lúdico; brincar; educação infantil.
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INTRODUÇÃO1
Atualmente o brincar é considerado uma atividade da infância na qual a criança brinca
para conhecer o mundo que as rodeias. Por meio das atividades lúdicas a criança desenvolve
seu aprendizado, pois brincando conhecem, compreendem-se e expressam a sua imaginação.
No nosso dia a dia temos o lúdico, brincar, brinquedo e brincadeira que são
introduzidos de uma forma “livre” para as crianças; o lúdico envolve o brincar, brinquedo e
brincadeira, cada elemento deste tem o seu conceito que se destaca por meio do seu
desenvolvimento do prazer que, de acordo com Haetinge (2005), este “(do latim, ludus,
divertimento, jogo) refere-se a, ou que tem caráter de jogos, brincadeiras, diversão,
brinquedos, divertimentos, passatempos ou entretenimento” (p.82), assim percebe-se “o
brinquedo supõe uma relação intima com a criança e uma indeterminação quanto ao uso, ou
seja, a ausência de um sistema de regras que organizam sua utilização” (KISHIMOTO, 1994,
(p18) A autora destaca ainda que uma boneca permite a criança várias formas de brincadeiras
desde a manipulação até a realização de brincadeira como “mamãe e filhinha”
De acordo com Haetinge (2005), “o brincar é a essência do pensamento lúdico e
caracteriza as atividades executadas na infância” (p. 130). Assim, o brincar está relacionado à
manipulação de um objeto (brinquedo) no manuseio desde objeto que lhe faz sentido para a
criança.
1
Artigo apresentado Janaina Maria Rodrigues de Souza ao curso de Pós-graduação em Educação Infantil da
Universidade Católica de Brasília, como requisito para obtenção do título de especialista em Educação Infantil.
Artigo aprovado por Simone Braz Ferreira Gontijo (Orientadora) MSc. Lêda Gonçalves de Freitas
(Professora Examinadora). Taguatinga, 14 de Setembro de 2012.
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Pinto (2008) destaca o brincar como “um ato espontâneo que faz parte da natureza da
criança, que deve brincar com brinquedos, com animais usando apenas o próprio corpo,
sozinha ou em grupo” (p.20). O “brinquedo” não pode ser reduzido à pluralidade de sentidos
do jogo, pois conota a criança e tem uma dimensão material, cultural e técnica. Enquanto o
objeto é sempre suporte da brincadeira.
Nesse sentido, Haetinge (2005) destaca a brincadeira como “passatempos,
entretenimentos divertimentos, jogos. ato ou efeito de brincar, de se divertir, de jogar, de usar
brinquedos” (p.82).
Kishimoto (2007) que faz uma relação brincar, lúdico, brinquedo e brincadeira ao
afirmar que o brinquedo.
enquanto objeto, é sempre suporte de brincadeira. E a brincadeira? É a ação
que a criança desempenha ao concretizar as regras do jogo, ao mergulhar na
ação lúdica. Pode-se dizer que é o lúdico em ação. Desta forma brinquedo e
brincadeira relacionam-se diretamente com a criança e não se confundem com
o jogo (p. 21).
Percebe-se, então, que cada elemento desses está contido no lúdico, sendo que o
brinquedo se caracteriza por um objeto, a brincadeira está relacionada às características do
brincar da criança tem este objeto (brinquedo) que manuseia a fim de realizar a brincadeira.
De acordo com o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil - RCNEI “os
jogos e as brincadeiras propiciam ampliação dos conhecimentos infantis por meio da
atividade lúdica” (BRASIL, 1998, p.27). Assim, o ambiente físico deve ser organizado de
acordo com as necessidades e as características dos grupos de crianças, levando-se em conta a
cultura da infância, os diversos projetos e atividades que poderão ser desenvolvidas em
conjunto com seus professores.
A qualidade e a quantidade da relação criança–criança, adulto–criança, dos objetos,
dos brinquedos e dos móveis presentes no ambiente dependem do tamanho das crianças e
podem se transformar em “poderosos instrumentos de aprendizagem” e em um dos
“indicadores importantes para a definição de práticas educativas de qualidade” (BRASIL,
2008, p. 146), pois enquanto a criança brinca descobre o mundo que a cerca e a qualidade do
ambiente no qual esta inserida se torna fundamental, uma vez que é por meio desse ambiente
adequado e dos espaços utilizados para desenvolver as atividades que ela aprenderá a si
relacionar com o outro.
A valorização dos espaços de recreação e vivência vão incrementar a
interação das crianças, a partir do desenvolvimento de jogos, brincadeiras e
atividades coletivas, além de propiciar uma leitura do mundo com base no
conhecimento do meio ambiente imediato. (BRASIL, 2006, p.26)
Dessa forma, é necessário que o espaço ofereça recursos e materiais variados que
permitam expressar suas emoções nas situações cotidianas.
O brincar no contexto escolar é uma recreação que possibilita a aprendizagem da
criança, pois propicia a esta explorar seus conhecimentos, resolver problemas, pois é
sinônimo de aprender. Ao brincar a criança tem a oportunidade de vivenciar com os colegas e
professores situações de prazer.
O brincar em situações educacionais proporciona não só o meio real de
aprendizagem como permite também que os adultos perceptivos e
competentes aprendam sobre crianças e suas necessidades. No contexto
escolar, isso significa professores capazes de compreender onde as crianças
“estão” em sua aprendizagem e desenvolvimento geral, o que por sua vez, da
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aos educadores o ponto de partida para promover novas aprendizagens no
domínio cognitivo e afetivo (MOYLES, 2002, p.12).
Por isso, professores e pais terem conhecimento sobre a importância do brincar para a
criança e compreender que enquanto ele brinca desenvolve a sua aprendizagem.
De acordo com o currículo da Educação Básica da Secretaria de Educação do DF
(2008) a ludicidade é um espaço interativo de ações coordenadas, em que as crianças
constroem e apropriam-se do conhecimento e desenvolvem habilidades no âmbito da
expressão da linguagem, da cognição dos valores e da sociabilidade (p.43). Assim, o lúdico na
educação infantil contribui para os processos de construção da aprendizagem e o
desenvolvimento pessoal, social e cultural promovendo a comunicação, à expressão e a
construção do conhecimento.
É dever da escola proporcionar a professores e alunos espaços adequados para o
desenvolvimento de atividades lúdicas, sejam salas de aulas ou ao ar livre, pois a introdução
destas como um dos recursos didáticos propicia melhor desenvolvimento do conteúdo e pode,
consequentemente, facilitar a aprendizagem.
Brincar promove o desenvolvimento infantil isso significa que brincar tem
muito a ver com as aprendizagens escolares, promove aquisições que serve
tanto de suporte para a apropriação de conhecimentos formais – desde a
apropriação da leitura e da escrita e outros sistemas simbólicos – quanto para
conceito e categorias (LIMA, 2009, p.09).
Por meio das brincadeiras acontece o compartilhar com o outro, a valorização de
hábitos, tais como esperar o momento de poder brincar. Inúmeras aprendizagens são
propiciadas no momento do jogo na qual a criança se expressa com prazer de participar, uma
vez que a ludicidade é uma atividade que faz parte da vida do ser humano e, em especial, da
vida da criança, é preciso que o professor busque novos caminhos para enfrentar os desafios
no decorrer das aulas, por meio da busca do prazer no trabalho, na educação e na vida.
É importante a utilização das brincadeiras e jogos na educação das crianças nas
escolas, pois segundo Vygotsky (1998), “é no brinquedo que a criança aprende a agir numa
esfera visual externa, dependendo das motivações e tendências internas, e não dos incentivos
fornecidos pelos objetos” (p.126).
A aprendizagem pode ser bem mais prazerosa com aplicação de atividades lúdicas,
como jogos, brinquedos e dinâmicas, pois as crianças possuem grande capacidade de
desenvolver sua aprendizagem quando lhes são apresentados, materiais do seu cotidiano que
despertem seu interesse em aprender, principalmente quando é trabalhado com materiais
concretos.
Assim, esse trabalho se dispõe a pesquisar sobre a percepção dos pais acerca do
desenvolvimento de atividades lúdicas na educação infantil. Esse interesse surgiu em função
de uma aula sobre o brincar onde foram apresentadas diferentes atividades lúdicas a serem
desenvolvidas pelo professor nas quais o brincar era primordial para a aprendizagem. Tais
atividades apresentaram um bom resultado no desenvolvimento da aprendizagem das
crianças.
Sabe-se que as crianças estão sendo inseridas cada vez mais novas no ambiente escolar
e seu desenvolvimento cognitivo, afetivo e psicomotor sendo delegado ao professor. Dessa
forma, as atividades lúdicas se constituiriam numa possibilidade para tanto.
Porém, muitos pais veem o brincar na escola como diversão desprovida de sentido
pedagógico, como um brincar com fim em si mesmo, sem um objetivo educacional, taxando-o
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como “enrolação” do professor. Nesse sentido, pretende-se investigar a percepção das mães
sobre o uso de atividades lúdicas na educação infantil.
Com o intuito de pesquisar essa problemática foi estabelecido como objetivo geral
identificar a concepção das mães acerca das atividades lúdicas desenvolvidas pelos
professores em classes de educação infantil e, como objetivos específicos, identificar a
percepção das mães sobre as atividades lúdicas desenvolvidas pelo professor; e analisar a
percepção das mães sobre o processo de aprendizagem dos filhos na escola.
2
O LÚDICO NO PROCESSO ENSINO E APRENDIZAGEM
A “aprendizagem é o processo através do qual o sujeito interage com o meio e
incorpora as informações oferecidas por este, de acordo com suas necessidades e interesses”
(HAETINGER, 2005 apud RUBINSTEIN, 2005, p.64). Para Antunes (2003) ela “resulta da
recepção e troca de informações entre o meio ambiente e diferentes centros nervosos do
cérebro” (p.32). Assim, a aprendizagem está relacionada ao processo pelo qual o sujeito
adquire as competências, percebe-se que a interação e a troca de informação que o meio
estabelece são fundamentais para a aprendizagem do indivíduo.
Neste sentido, aprender, segundo as teorias de Piaget, se caracteriza como um
processo construído inteiramente no qual a criança aprende lidando com o novo, o inesperado,
a criança aprende com o meio, com o objeto no qual interage, entende-se, portanto que a
aprendizagem pode acontecer de forma interessante se forem promovidas atividades lúdicas
que auxiliam na aprendizagem da criança.
Freire (1998) afirma que ensinar é criar as possibilidades para a produção de sua
construção [...], ensinar é transmitir conhecimento ao objeto (pessoa), pois quem ensina,
ensina alguma coisa a alguém e aprende ao ensinar, percebe-se, portanto que o ensinar é
processo de ensinar, de transmitir conhecimento. Assim, o lúdico tem conquistado grande
espaço na educação infantil em relação às atividades desenvolvidas, pois, em sala de aula, este
é um meio de o professor trabalhar com os alunos de forma que a criança aprenda.
A introdução do lúdico na vida escolar do educando é uma maneira importante dele ter
contato com os materiais concretos a serem trabalhados em sala de aula (OLIVEIRA, 2003).
É nesse momento que o educando, ainda como criança, entra no mundo do “faz de conta” no
qual ela tem oportunidade de expressar, por meio das brincadeiras, seu desenvolvimento
criando seu próprio mundo.
Ao brincar de faz-de–conta, as crianças buscam imitar, imaginar, representar
e comunicar de forma especifica que uma coisa pode ser outra, que uma
pessoa pode ser outra, que uma pessoa pode ser um personagem, que uma
criança pode ser um objeto ou um animal, que um lugar “faz-de-conta” que é
outro. Brincar é assim um espaço no qual pode observar a coordenação das
experiências prévias das crianças e aquilo que os objetos manipulados
sugerem ou provocam no momento presente. (BRASIL, 1998, p. 22)
É com o brincar de faz de conta que a criança adquire a capacidade de lidar com os
símbolos, atualizando seus conhecimentos prévios por meios das situações imaginárias. É
importante destacar, quanto ao simbolismo, de acordo com Oliveira (2003, p.23), citando
Vygotsky, que “a relação homem/mundo é uma relação mediada por sistemas simbólicos”
assim como quando a criança brinca de mamãe e papai, interpretando situações que
acontecem no seu dia a dia. O simbolismo, segundo exemplo de Vygotsky (1998), acontece
quando a criança pega um pedaço de pau e simboliza um cavalo real, pois “a criança não
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consegue, ainda separar o pensamento do objeto real” (p.128). Para a criança, brincar é uma
realidade que não é separada da imaginação. São nas interpretações da realidade, sem ilusões
ou mentiras, que a criança entra no mundo do faz de conta, onde ela interage com o outro, nas
imitações, no seu imaginário, nas representações e nas comunicações tornando-se produtoras
de seus papéis imaginários sem a intervenção do adulto. Conforme Kishimoto (2003):
No jogo a criança vai além de sua realidade construindo e aproveitando o
seu potencial, aprende e desenvolve. O poder do jogo simbólico do jogo do
faz de conta, abre um significado para a apreensão de significado de seu
contexto seu mundo imaginário (p.50).
A educação lúdica é inseparável na criança desde o início de sua vida, porque neste
período existe a troca de conhecimentos com seu meio, adquirindo seus primeiros contados. É
importante a utilização das brincadeiras e jogos na educação das crianças nas escolas, quando
são realizadas por meio das atividades lúdicas. Segundo Vygotsky (1998) “é no brinquedo
que a criança aprende a agir numa esfera visual externa, dependendo das motivações e
tendências internas, e não dos incentivos fornecidos pelos objetos” (p.126). Nesse sentido, o
ato de brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da
autonomia.
Por meio do desenvolvimento das atividades lúdicas trabalhadas com a educação
infantil é possível identificar as aprendizagens significativas dos educandos, pois por meio das
atividades que são propostas, como jogos de formação de palavras e de memória a criança
demostra o que aprendeu.
Por meio dos jogos
a criança amplia sua consciência através de novas experiências ou se vinga
da realidade pelas que lhe são agradáveis. Pode inclusive antever os
resultados de suas ações e projetar, em sua imaginação, as consequências
que adviriam se desobedecesse às instruções ou se envolvesse com
problemas. (PIAGET, 1965 apud PULASK, 1986, p.95).
É nas brincadeiras que as crianças criam várias maneiras e oportunidades de explorar
os brinquedos e jogos e, se necessário, com a orientação de um adulto, solucionam problemas.
O meio exerce grande influência na vida da criança, pois é essencial na construção de
sua aprendizagem, assim o desenvolvimento da criança esta relacionado com o meio em que
vive. Assim que a criança entra na escola, começa a interagir com os colegas, professores e
funcionários e vai se construindo socialmente, ampliando seus conhecimentos por meio do
mundo que a cerca.
Assim, é importante priorizar o brincar nos primeiros anos de vida, um dos papeis dos
pais é explicar como funcionam os brinquedos, pois os espaços infantis estão desaparecendo
e, muitas vezes, ficam reduzidos ao espaço escolar na educação infantil, que possui um pátio,
uma brinquedoteca para as crianças brincarem e os professores estarem desenvolvendo
atividades que promovam o aprendizado.
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AS ATIVIDADES LÚDICAS E O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA
Segundo Vygostsky (1998) o desenvolvimento está relacionado à capacidade que o
sujeito tem para aprender e constrói seu conhecimento a partir de trocas com o meio, pois este
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acontece por meio do processo de socialização e convivência, da interação do individuo com
o meio.
O ato de brincar faz com que, de maneira colaborativa, a criança seja inserida no meio
social e conheça melhor sua realidade. O brinquedo propicia a oportunidade da criança se
desenvolver, porque nessa atividade ela experimenta novas situações e sensações, descobre
novos caminhos, e pode aguçar sua criatividade, o que faz com que adquira novas habilidades.
Por estimular a curiosidade sem temer desafios, a criança adquire maior autonomia, o que
colabora para ser melhor como pessoa e como educando.
Esta visão é compartilhada por Vygotsky (1998) ao destacar que a infância é a idade
das brincadeiras e que, por meio dela, a criança satisfaz seus desejos, interesses e
necessidades, pois expressa a maneira esta reflete, ordena, desorganiza, destrói e reconstrói
seu mundo.
Kishimoto (2001) ressalta a importância do brinquedo como objeto que tem uma
grande proximidade com a criança e, ao mesmo tempo, é cheio de significados que colaboram
para potencializar a compreensão das ações desta, pois ao brincar a criança vai além de sua
realidade, aprende e desenvolve sua aprendizagem.
A criança amplia sua consciência através de novas experiências ou se vinga
da realidade pelas que lhe são agradáveis. Pode inclusive antever os
resultados de suas ações e projetar, em sua imaginação, as consequências
que adviriam se desobedecesse às instruções ou se envolvesse com
problemas. (PIAGET, 1965 apud PULASK, 1986, p.95).
Santos (1995) destaca que as atividades lúdicas são importantes para as crianças para o
pleno desenvolvimento do ser humano e, no mundo das crianças, colaboram para maior
percepção da realidade que a cerca. O Referencial Curricular da Educação Infantil ressalta
que
Brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da
identidade e da autonomia. O fato da criança, deste muito cedo, poder se
comunicar por meio de gestos, sons e mais tarde representar determinado
papel na brincadeira faz com que desenvolva sua imaginação (BRASIL,
1998, p. 22).
Para Santos (1995) os “jogos, brinquedos e brincadeiras fazem parte do mundo das
crianças, pois estão presentes na humanidade desde o seu inicio” (p.10). As atividades lúdicas
são importantes para o pleno desenvolvimento do ser humano e, no mundo das crianças,
colabora para maior percepção da realidade que a cerca, ao mesmo tempo em que alimenta
suas fantasias, imaginação e questionamentos; quesitos importantes para a criatividade.
As atividades lúdicas são um meio pelo qual crianças exploram sua criatividade,
demonstrando suas experiências em diferentes momentos, criando e inventando desejos e
prazer que sejam consideradas como uma atividade que produz felicidade imediata. De acordo
com Antunes (2003) “o brinquedo não tem função apenas de dar prazer à criança, mas de
libertá-la de frustrações canalizar sua energia, dar motivo a sua ação, explorar sua criatividade
e imaginação” (p. 19).
As crianças brincam para se conhecer diante das próprias situações do brincar, as
atividades lúdicas desenvolvem por meio da emoção,quando mais ela se sentir atraída pelo
brincar mais ela desenvolve o seu pensamento, seu prazer em, aprender a conviver com o
outro conhecendo as suas características e aceitando-as. Brincando ela conhece seu espaço e
seu mundo através da interação. De acordo com Carneiro (2007) “brincar faz parte da
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educação do ser humano, por meio, do brincar as crianças aprendem a cultura dos mais
velhos, se inserem nos grupos e conhece o mundo que está á seu redor” (p.33).
É na fase do brincar que as crianças adquirem os seus costumes e aprendem a
respeitar, de poder saber como falar com as pessoas, com os mais velhos e assim vão se
construindo durante as brincadeiras. De acordo com Carneiro (2007) “é brincando que a
criança expressa vontades e desejos construídos ao longo da sua vida, ao mesmo tempo em
que interage no mundo que vive e se integra na cultura de sua época” (p. 59).
As atividades lúdicas trabalhadas no contexto educacional desenvolvem a
aprendizagem, permitindo ao adulto ter outro olhar sobre as crianças e suas dificuldades que
elas se encontram, pois os professores são capazes de compreender em qual nível as crianças
permanecem e qual o nível se sua aprendizagem e desenvolvimento. De acordo com Moyles,
(2002) “no contexto escolar, isso significa professores capazes de compreender onde as
crianças “estão” em sua aprendizagem e desenvolvimento geral, o que, por sua vez, dá aos
educadores o ponto de partida para promover novas aprendizagens nos domínios e afetivo” (p.
13).
Entende-se, portanto, que a aprendizagem deve acontecer de forma interessante e
prazerosa. Um dos recursos que possibilitam isso são os jogos. Quando são trabalhados em
sala de aula de forma atraente são carregados de significados, onde o professor pode enfatizar
aquele momento para o educando, contextualizar sobre aquele ato de “brincar” que está
acontecendo em sala de aula e sobre a sua importância em ser aplicado em sala para seu
aprendizado.
Quando são desenvolvidas atividades lúdicas em sala, por se tratar de brincadeiras
pedagógicas com uma fundamentação, os pais não veem desta maneira, apenas que a criança
brinca por brincar, e que não aprende, mas este é considerado como uma ferramenta que
facilita a aprendizagem da criança, pois, de acordo com Carneiro (2007) “a atividade lúdica é
parte integrante do processo educacional e permite a criança desenvolver-se plenamente (...)
ajuda a criança a conhecer o mundo que a cerca através das interações” (p.34).
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O BRINCAR E AS CONCEPÇÕES DOS PAIS
Para que a criança possa brincar é preciso do apoio de um adulto na realização das
atividades, pois, de acordo com Carneiro (2007),
ao estimular as crianças durante as brincadeiras, os pais tornam-se mediadores
do processo de construção do conhecimento, fazendo com que elas passem de
um estagio de desenvolvimento para o outro. Brincar para as crianças, agrega
a oportunidade de estabelecerem vínculos, de se sentirem mais acolhidas e
seguras (p.81).
Nesse sentido, os pais precisam valorizar as brincadeiras das crianças, estimular o
desenvolvimento delas na escola e em casa, pois “a qualidade do brincar de uma criança
depende igualmente de inúmeras variáveis, entre os quais o valor que a criança e os outros
atribuem a ele” (MOYLES, 2002, p.24).
Um dos grandes desafios que os professores enfrentam em relação aos pais é
demonstrar a importância que o brincar tem para desenvolvimento e a aprendizagem da
criança, pois muitos pais acreditam e veem o brincar como uma diversão que não gera
aprendizagem. Veem a escola como um lugar de estudo formal aonde a criança chega, senta e
presta atenção no professor. Muitos rotulam o professor que trabalha na perspectiva lúdica
como aquele que “enrola” e, inclusive, se incomodam quando a criança chega em casa com as
roupas sujas.
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Moyles (2002) destaca que “se a família e a escola estão em conflito a respeito das
situações lúdicas (ou de qualquer outra “questão”), dificilmente podemos esperar que a
criança esteja aberta a processos de aprendizagem em qualquer situação (p.164).
Os adultos precisam entender a necessidade que a criança tem em brincar para
desenvolver sua aprendizagem e, até mesmo os pais brincarem com seus filhos. De acordo
com Fernandes (1999) apud Machado (1994) “o papel do adulto na brincadeira consiste em
favorecer um ambiente facilitador de descobertas e crescimento através da utilização dos
movimentos com o corpo, dos sentidos e da liberdade para brincar” (p.15). Percebe-se,
portanto, a importância da participação dos pais no brincar para o bom desenvolvimento dos
seus filhos.
Geralmente os pais procuram sempre fazer melhor para seus filhos, mas muitos não
compreendem a função do brincar no desenvolvimento da criança, uma vez que
(...) os filhos têm, hoje em dia, mais atividades para fazer e que o mundo está
mais competitivo. As crianças estão perdendo tempo para brincar porque os
pais exigem deles mais tempo para se concentrar na escola. Além disso, há
uma perda de ligação com a família. As crianças não mais têm vínculos
fortes com os avós, tios ou qualquer outra pessoa (...). São tantas as
atividades extracurriculares que elas estão sempre ocupadas em casa
(LAZZERI, 2007).
A rotina da criança que não brinca é concentrada no acúmulo de atividades
extracurriculares (Aulas de Inglês, balé, natação entre outras) e o brincar é desvalorizado
pelos pais, pois estes não permitem a interação da criança. Segundo Fernandes (1999) “[...] o
brincar pode ser comparado à atividade de trabalho que o adulto realiza; o adulto quando
trabalha se sente valorizado e a criança quando brinca tem oportunidade de crescer
mentalmente, desenvolvendo sua alma e confirmando seu próprio eu” (p.5).
Os espaços que existem para brincar estão sendo desvalorizado,
[...] pois os pais não entendem os benefícios que a criança tem ao brincar que
a criança aprende por meio da exploração criação e descoberta,
relacionamento e interação com o mundo que a cerca, na qual eles acham
que o brincar e perda de tempo, e não que as crianças aprendem enquanto
brincam (LAZZERI, 2007).
A cada dia os espaços de brincar são reduzidos, pois anteriormente a escola, a rua e a
própria casa da criança podiam ser usadas nesse sentido. Hoje as crianças passaram a
preencher suas horas vagas em frente a televisão e, pelo acúmulo de atividades que muitas
tem, as vezes não sobra tempo para brincar.
Percebe-se que hoje os espaços existentes para as crianças brincarem estão sendo
evitados pelos pais, pois estes estão evitando que seus filhos desenvolvam o brincar.
(LAZZERI, 2007).
5
2
MATERIAL E MÉTODOS2
No artigo, as mães são identificadas como P1 (mãe 1), P2 (mãe 2), P3 (mãe 3), P4 (mãe 4), P5 (mãe 5) e P6
(mãe 6)
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Essa pesquisa tem um caráter qualitativo que, de acordo com Reis (2008) “tem como
objetivo interpretar é dar significado aos fenômenos analisados” (p.57) A abordagem
qualitativa tem se afirmado como promissora na área de educação. Autores como José Luis
Neves consideram que a expressão pesquisa qualitativa assume diferentes significados no
campo das ciências sociais. Compreende um conjunto de diferentes técnicas interpretativas
que visam descrever e decodificar os componentes de um sistema complexo de significados.
Tem como objetivo traduzir e expressar o sentido dos fenômenos do mundo social. (NEVES,
1996). Assim esta pesquisa tem caráter qualitativo, pois não visa explorar o lado quantitativo
dos resultados das entrevistas, mas centra-se na percepção do entrevistado.
O instrumento de coleta de dados utilizado na pesquisa foi à entrevista semiestruturada
que, de acordo com Bervian (1996) é uma “conversa orientada para um objetivo definido:
recolher, através do interrogatório do informante, dados da pesquisa” (p.136). A entrevista é
adequada a esse trabalho, pois procura garantir que os diversos participantes da pesquisa
respondam as mesmas questões, na qual não exige uma ordem a ser seguida nas questões que
permite o entrevistador a estar introduzindo novas perguntas ao longo da entrevista, que de
acordo Gil (1991), “quando e guiada por uma relação de pontos de interesses que o
entrevistador vai explorando ao longo de seu curso” (p.92). Todas as entrevistas serão
gravadas e, posteriormente, degravadas para análise.
Os participantes deste estudo foram seis mães de alunos da educação infantil com
idade entre 6 e 7 anos. As mães possuem o seguinte perfil: a) P1 - possui ensino médio
completo, 45 anos, quatros filhos e profissão do lar; b) P2 - possui ensino fundamental
completo, 27 anos, três filhos, profissão auxiliar de serviços gerais; c) P3 – possui ensino
médio completo, 24 anos, dois filhos, profissão professora; d) P4 - possui ensino superior, 35
anos, três filhos, profissão nutricionista; e) P5 - possui ensino médio completo, 27 anos, um
filho, profissão assistente administrativa e f) P6 – possui ensino médio completo, 33 anos,
dois filhos, profissão do lar. A entrevista foi realizada na escola com a autorização da diretora,
que me orientou quais mães que poderia da à entrevista fiquei no portão da escola a espera das
mesmas, no entanto teve mães que conversei e que não deu entrevista, pois disse que sentia
tímida; realizei as entrevistas em três dias cada dia com três mães com duração de cada
entrevista de dois a três minutos.
A entrevista teve como objetivo verificar as concepções das mães sobre as atividades
lúdicas desenvolvidas na educação infantil.
A escola onde a pesquisa foi realizada caracteriza-se como privada de pequeno porte,
localizada na cidade de Taguatinga Norte, no Distrito Federal, atendendo uma clientela de 250
alunos, oriundos de diversos níveis sociais, predominando a classe media. A escola oferece da
Educação Infantil ao Ensino Fundamental e conta com uma estrutura física ampla, possuindo
quadras cobertas, salas de informática, sala de vídeo, brinquedoteca, laboratórios de
informática. Nela trabalham 10 professores, 02 auxiliares de ensino, 01 diretora, 01
coordenadoras pedagógicas, 01 secretária e 03 auxiliar gerais.
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ANÁLISE DOS RESULTADOS
Este trabalho de pesquisa foi realizado com seis mães de crianças da Educação Infantil
a fim de verificar a concepção sobre as atividades lúdicas desenvolvidas pelo professor.
Foram realizadas entrevistas individuais com um roteiro semiestruturado, contendo seis
perguntas (Apêndice I). Em função disso, as perguntas foram realizadas de forma não linear,
mas preservaram o mesmo objetivo.
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A primeira questão do questionário discutiu sobre a concepção das mães acerca da
possibilidade das brincadeiras e os jogos ajudarem na aprendizagem de seu filho na escola.
Nesse sentido, três mães (P1, P2 e P5) veem o brincar como desnecessário na escola, pois esse
não influencia o aprendizado do seu filho. Exemplo disso são as falas das mães:
“Não os quero brincando (...).” P1
“Tenho medo deles se machucar, é se sujar também.” P2
“(...) Desnecessário (...) meu filho chega em casa todo sujo (...).” P5
Percebe-se que a preocupação dessas mães esta relacionado ao medo da criança se
machucar e sujar a roupa.
De acordo com Moyles (2002) “a criança não deve ir à escola com roupas boas; os
pais deveriam saber que a escola é como uma oficina para as crianças, e mandá-las com
roupas apropriadas” (p.164), uma vez que lá ela terá contato com tintas, massa de modelar e
diversos materiais com os quais ela poderá interagir , até mesmo sentar no chão para poder
participar das atividades e brincadeiras.
Moyles (2002) destaca ainda que é preciso “nos comunicar com estes pais se estamos
seguros de que a nossa aprendizagem baseada no brincar é apropriada e vital para todas as
crianças” (p.169), pois é necessário esclarece-los acerca do porquê das brincadeiras e quais os
benefícios destas para o desenvolvimento de seu filho.
As outras três mães indicaram que é importante a criança brincar na escola, conforme
apontam os seguintes relatos:
“Com as brincadeiras ela aprende mais.” P3
“Toda vez que a professora faz uma brincadeira ela chega em casa falando.” P4
“A criança aprende brincando.” P6
Segundo Vygotsky (1998) é no brincar que a criança aprende a agir e a pensar em
diferentes situações. Sendo que, o ato de brincar é uma das atividades fundamentais para o
desenvolvimento da identidade e da autonomia.
Nessa questão, percebe-se uma contradição em relação à percepção das mães sobre o
brincar na escola, pois enquanto metade delas se preocupa mais com uma roupa suja, não
vendo sentido pedagógico no brincar, a outra metade reconhece a importância do lúdico para
o aprendizado.
De acordo com Fortes (2008) “a partir do contato com o brinquedo no ambiente
escolar, a criança tem momentos lúdicos e educativos, pois as atividades são orientadas”
(p.10). Sendo assim, é com a orientação do professor que a aprendizagem será conduzida.
Na questão 2 foi questionado sobre ser possível a criança aprender enquanto se brinca
e três mães (P3, P4, P6) relataram que é possível.
“Ela esta aprendendo muito.” P3
“Depois que “passou a aprender brincando.” P4
“Através das brincadeiras ela pode ir além tanto à vida real, as coisas do dia a dia,
quanto no imaginário.” P6
Segundo Kishimoto (2001) ao brincar a criança vai além de sua realidade, aprende e
desenvolve sua aprendizagem. Conforme estas mães relatam é brincando que a criança forma
suas ideias curiosidades e desenvolve sua aprendizagem.
É importante o desenvolvimento das brincadeiras na escola, pois por meio destas a
criança aprende a compreender o seu colega. A introdução do lúdico na vida escolar do
13
educando é uma maneira eficaz dele ter contato com materiais concretos a serem trabalhados
em sala de aula (OLIVEIRA, 2003), pois o brincar favorece a socialização da criança.
Para as demais mães o brincar representa uma quebra nas atividades escolares, para
estas mães quando à criança esta brincando ela não aprende.
“Brincar é brincar e estudar é estudar.” P1
“Momento certo de aprender, brincar é brincar.” P2
“Escola é lugar de você aprender a ler e a escrever é não para brincar.” P5
De acordo com FORTES (2008) “através da educação lúdica, além de aprender os
conteúdos escolares, a criança também aprende a conviver com o outro, com suas diferenças,
tornando-se mais crítica e criativa”. (p.17). Pode-se perceber que o ambiente escolar é
propicio para as crianças desenvolverem sua aprendizagem e se socializar.
Na questão acerca da possibilidade das brincadeiras desenvolvidas pela professora na
escola atrapalharem no aprendizado do filho as mães P3, P4, P6 responderam que
“A partir do momento que a professora trabalhou mais com as brincadeiras com
mais dinâmicas ela aprendeu mais”. P3
“A criança passa a se soltar mais, a oralidade fica melhor desenvolvimento da
coordenação”. P4
“Ele aprende a dividir”. P6
Assim, enquanto a criança brinca ela aprende a controlar suas emoções mediantes as
brincadeiras, pois, de acordo com ALMEIDA (2008)
É através dos jogos que a criança interage e aprende a se relacionar e
respeitar além de iniciar um processo de abstração porque ela consegue
imaginar situações, aprender a conviver com os outros, respeitar limites é
regras que a convivência social exige (p.10).
Neste sentido, o brincar proporciona a criança uma interação e socialização por meio
do brinquedo. Ela aprende a controlar suas emoções ao interagir com o outro.
As mães P1, P2 acreditam que as brincadeiras atrapalham o aprendizado, pois quando
a criança brinca se esquece de fazer outras atividades.
“Chega em casa e vai brincar (...) esquece que tem dever de casa para fazer.” P1
“Desnecessário, inútil, na escola o aluno vai para aprender”. P2
E a mãe P5 destaca que
“atrapalhar eu não sei, (...) brincar ele brinca em casa, (...) agora eu vou pagar
para menino brincar.”
Assim, percebe-se que a insatisfação com brincar na escola, está centrada na
preocupação de estar “pagando escola” para a criança brincar.
De acordo com Vygotsky (1998), “é no brinquedo que a criança aprende a agir numa
esfera cognitiva, ao invés de uma esfera visual externa” (p. 126), sendo livre para desenvolver
suas próprias ações. Segundo o autor, o brinquedo estimula a curiosidade e a autoconfiança e
proporciona o desenvolvimento da linguagem, do pensamento, da concentração e da atenção.
Durante a entrevista foi perguntado às mães se elas já perceberam algo que seu filho
aprendeu com as brincadeiras promovidas pela professora na escola.
14
Para P1 e P2 seus filhos nada aprenderam por meio da brincadeira:
“O que ele vai aprender com aquilo brincando”. P1
“Dentro de casa eu não percebi nada”. P2
De acordo com Kishimoto (2007) [...] “o jogo infantil torna-se a forma adequada para
a aprendizagem dos conteúdos escolares” (p.28). No entanto, o desenvolvimento de
brincadeiras nas escolas é um recurso que possibilita aos educadores propiciar o
desenvolvimento da aprendizagem da criança. É fundamental compreender que as
brincadeiras promovidas pela professora é uma maneira da criança aprender.
Quanto às mães P3, e P6, perceberam a influência das brincadeiras no
desenvolvimento da leitura.
“Ela esta aprendendo muito através da leitura”. P3
“Formar palavras”. P6
De acordo com Carneiro (2007) “brincando os pequenos desenvolvem a memória o
raciocínio, a imaginação e a linguagem, entre outros aspectos indispensáveis ao convívio
harmônico na sociedade” (p.34).
Desse modo, as brincadeiras estimulam o desenvolvimento da leitura e despertam o
“gosto” pela leitura desde criança desenvolvendo suas capacidades e habilidades na
construção da linguagem.
O brincar permite também o desenvolvimento do autoconhecimento
elevando a autoestima, propiciando o desenvolvimento físico motor bem
como o do raciocínio e da inteligência , sensibilizando , socializando é
ensinando a respeitar as regras. Enfim o brincar diverte traz a alegria e faz
sonhar (CARNEIRO, 2007, p.67).
Assim, a criança tem a oportunidade de estar em contato com as outras crianças,
compreender as diferenças de cada um e se socializar.
De acordo com FORTES (2008), “as brincadeiras possibilitam às crianças o
desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo e muitos momentos de prazer, diversão e alegria”.
(p.19), o que é confirmado pelas mães. Percebe que inúmeras aprendizagens acontecem por
meio do brincar, onde a criança sente em um momento só dela desenvolvendo seu imaginário
e compreendendo o seu brincar.
Uma das mães relacionou as brincadeiras ao fato de o filho chegar a casa e bater no
irmão.
“Percebo ele chegar a casa e bater no irmão dele, a puxar o cabelo da irmã mais
nova isto eu percebo”.
A mãe relaciona à escola a responsabilidade em relação à agressividade do filho a
escola, pois afirma que este fica com ela todo o tempo e só se ausenta de casa nos momentos
em que está na escola.
Porém, Moyles (2002) adverte que, muitas vezes, essa forma de brincar
agressivamente está
retratando problemas pessoais (...). Não se ganha nada censurando a criança
ou reclamando constantemente de seu comportamento, mas os lucros serão
15
grandes se ambos, professora e criança, aceitarem que a criança tem
sentimentos para os quais precisam de uma saída. (...) a agressão não é uma
coisa ruim em si mesma: certa agressão é essencial para o funcionamento
biológico e faz com as pessoas se esforcem e lutem mais (p.150).
Pode-se inferir que as brincadeiras refletem algo que a criança deseja que o adulto
compreenda, aos pais e professores entender quais os sentimentos que ela quer transmitir.
Fortes (2008) reforça essa ideia ao afirmar que “durante as atividades lúdicas, a
criança aprende a lidar com suas ideias e sentimentos, constrói seu vocabulário, entende os
gestos, tudo de forma espontânea e envolvente, sem agredir a individualidade de cada um”
(p.17). Sendo assim, as brincadeiras podem unir as crianças e encorajá-las a socialização.
De acordo com Carneiro (2007) é “brincando que as crianças expressam suas vontades
e desejos construídos ao longo de sua vida, (...) quanto mais oportunidades a criança tiver de
brincar mais facilmente se desenvolverá” (p.59).
Percebe-se que as opiniões das mães se diferem, pois a mãe P5 vê o brincar
relacionado ao aumento da agressividade e destaca que este tipo de “brincadeira” a criança
aprendeu na escola e as demais, P1 e P2, veem o brincar como algo que atrapalha o
desenvolvimento da criança, como inútil.
A última questão da entrevista questionou as mães sobre o potencial dos jogos e
brincadeiras em relação ao desenvolvimento e aprendizagem de seu filho.
As mães P3, P4 e P6 responderam que acreditam nesse potencial, pois a partir das
brincadeiras seus filhos se desenvolveram mais.
“A partir das brincadeiras ela passou a conhecer os números”. P3
“Prender a atenção da criança naquilo que ela esta fazendo”. P4
“Decorar as coisas mais fáceis”. P6
Para as demais mães esse potencial é controverso:
“Isto não existe”. P1
“Ele não aprende brincando”. P2
“Escola lugar de chegar é sentar bonitinho (...) não ficar brincando”. P5
Assim, há um desencontro na percepção das mães acerca as atividades lúdicas.
Kishimoto (2007) aponta que “a utilização do jogo potencializa a exploração e a construção
do conhecimento, por contar com a motivação interna, típica do lúdico (...)” (p, 37). Os jogos
completam os mecanismos de criatividade da criança e colaboram para que elas se situem no
seu mundo. É nas brincadeiras que as crianças revelam a sua identidade, pois aprendem a se
socializar e desenvolver seu pensamento. Assim, as atividades lúdicas potencializam a
aprendizagem da criança.
De acordo com Alves (s/d)
A brincadeira é um espaço de socialização, de construção que desenvolve
todos os sentidos da criança. O ato de brincar não é apenas para o
desenvolvimento escolar da criança pedagogicamente, mas sim para que
possa adquirir experiência de elaboração das vivencias da realidade na
construção do ser. A brincadeira implica para a criança muito mais do que
um simples ato de brincar, pois através da brincadeira ela está se
comunicando com o mundo e também está se expressando (p.4).
16
Por isso, é importante que as atividades lúdicas façam parte da vida escolar dos
educandos, visto que é uma forma de se trabalhar tornando o aprendizado mais prazeroso.
7
CONCLUSÃO
Com base nos resultados obtidos das entrevistas com as mães, conclui-se que uma
parte das mães veem benefícios nas atividades lúdicas desenvolvidas pelo professor como um
fator positivo na qual a criança aprende brincando, desenvolvendo seu pensamento e
socializando, enfim aprende por meio das brincadeiras.
Porém, a outra parte das mães tem uma grande preocupação do filho estar se
machucando e chegar a casa com a roupa suja, fazem menção ao espaço escolar como um
local apenas para estudar e não para brincar.
As mães veem a escola a partir de uma metodologia de ensino tradicional, cheios de
conteúdo aprender apenas com o quadro e giz, onde a criança deve sentar e prestar atenção no
professor.
Nas entrevistas realizadas com as mães, pode-se perceber a preocupação que estas têm
com os filhos e a não aceitação do brincar da criança na escola esta relacionada à criança
chegar a casa com a roupa suja, com o machucar-se e com a agressividade.
Com base nos resultados obtidos nas entrevistas foi possível perceber que ainda
existem pais que veem o brincar como um fator importante para o desenvolvimento da
aprendizagem da criança, que nos mostra que as mães estão cientes de que o brincar é um ato
inato e, portanto, importante para o desenvolvimento da criança. Conclui-se que o ato de
brincar ainda faz parte da vida das crianças e, para algumas mães, é uma atividade importante,
pois por meio do brincar a criança se desenvolve melhor.
As atividades lúdicas no ambiente escolar não são valorizadas por uma parte das mães,
porém há mães que estão cientes que o brincar é importante para o desenvolvimento da
aprendizagem.
Os dados da pesquisa demonstram a formação escolar das mães influenciou a
percepção acerca do lúdico na escola, pois o grau de instrução das mães, P1, P2 e P5 está
entre o ensino fundamental e médio e as mães P3, P4 e P6 possuem ensino superior. No
entanto percebe que a escola e um dos grandes meios de mudar esta visão das mães, sendo
que reunir os pais na escola umas duas vezes no ano e demonstrar a importância das
brincadeiras que o professor ira desenvolver durante o ano, o porquê do brincar e quais seus
beneficio para que eles vejam esta importância.
Como educadora reconheço a importância de se trabalhar com as atividades lúdicas
como forma de facilitar o processo de aprendizagem, na qual o ato de brincar promove o
desenvolvimento da aprendizagem do individuo.
The perception of mothers about the playful in kindergarden.
Abstract:
The article aims to identify the perceptions of mothers about the development of activities in
early childhood education. To do so, it was held a search in a school in Taguatinga-DF
involving six mothers of students of early childhood education between the ages of 6 and 7
years, taking as a reference the qualitative approach and as a tool for collecting data to semistructured interview. The results indicate that, in the mothers’s perception, there is no
consensus about the relationship and playful learning, because part of the mothers see benefit
in the activities developed by the teacher, as positive factor in which the child learns playing.
17
Mothers, an the other party do not identify this relationship, since for them the school is a
place to study and not to play. It was noted that this perception is related to the education of
mothers, because those who have higher education degree have a positive response in relation
to play in school. It is concluded that the act of playing is still part of the lives of children and,
for some mothers, it is an important activity, because through the playing the child develops
best.
Keywords: Playful, play, childhood education
8
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9
APÊNDICE
APÊNDICE I - Roteiro de entrevista aos pais (semiestruturado)
1- Você acha que as brincadeiras e os jogos podem ajudar seu filho a aprender melhor na
escola?
2- Você acredita ser possível aprender enquanto se brinca?
3- Você acha que as brincadeiras desenvolvidas pela professora na escola atrapalham a
aprendizagem do seu filho (a)?
4- Qual a importância das brincadeiras na escola para a aprendizagem do seu filho?
5- Você já percebeu algo que seu filho aprendeu com as brincadeiras promovidas pela
professora na escola?
19
6- Para você, os jogos e brincadeiras são capazes de potencializar o desenvolvimento e a
aprendizagem do seu filho?
APÊNDICE II – Protocolo de Entrevista P1
Formação: Ensino médio
Idade: 45 anos
Profissão: Do lar
4 filhos
(Filho mais novo)
1- Qual a sua visão que você tem sobre o brincar na escola? Ah eu tenha uma visão assim
a criança tem que brincar com certeza, mas eu acho meio errada esta questão de que a
criança se jogando no chão, o medo de se machucar, porque eu tenho medo dos meus
filhos se machucar, eu os privo disso não os quero brincando porque tenho medo deles se
machucar, e se sujar também, porque primeiro dia de aula eles vão e brinca e chega em
casa o uniforme esta todo imundo.
2- Você tem medo da criança esta se machucando? Tenho dos professores não esta
olhando direito? Sim reclamo, quando eu chego à escola eu reclamo quando meu filho
chega machucado.
3- Então... Você acha que as brincadeiras podem ajudar seu filho aprender? Ah acredito que
não, por quê? Porque brincar e brincar e estudar e estudar, porque pra min. isto e
dividido, então você pensa que a escola e só para estudar? Sentado vendo a tia,
assistindo a tia dando aula e pronto, para min; e isso, porque da mais atenção porque
quando a criança ela esta brincando, ela só pensa em brincar, ela não vai dar a atenção
para a escola, vai dar atenção ao ensino... Então pra mim, ela tem que sentar assistir aula
fazer a sua tarefa, prestar atenção no que o professora esta explicando e não brincando,
brincar só em casa mesmo, então você acha que as atividades lúdicas tira a atenção da
criança? Tira.
4- Em relação às brincadeiras desenvolvidas pela professora atrapalha o
desenvolvimento de seu filho? Atrapalha porque ele chega em casa, ah mãe a tia ensinou
uma brincadeira, e vai brincar com aquela brincadeira e esquece que ele tem que fazer
dever de casa das tarefas , porque isto atrapalha bastante tira a atenção mesmo.
5- Então... Todas as vezes que a professora faz uma brincadeira com ele na escola ele
chega a casa, e quer repassar o que aprendeu e você acha que esta atrapalhando o
desenvolvimento dele? Ta atrapalhando demais porque uma vez que meu filho chegou e
eu perguntei o que ele aprendeu, ele ah mãe foi uma brincadeira que a tia ensinou nossa
no outro dia eu fui reclamar, olha eu não estou pagando escola para o meu filho brincar,
eu to pagando escola para o meu filho aprender eu não quero que ele venha aqui brincar,
entendeu?
20
6- Qual a importância das brincadeiras na escola para aprendizagem de seu filho? Não
tem importância não é coisa muito fútil isto não existe para min isto atrapalha demais.
7- Então você já algo que seu filho aprendeu através das brincadeiras promovidas pela
professora na escola? Não, percebeu nada de aprendizagem em relação às
brincadeiras de seu filho? eu não percebi nada, nada que ele aprendeu brincando?
Nada, mas porque você não tem este olhar? Porque pra min brincadeira e uma coisa
normal, o que ele vai aprender com aquilo brincando, porque não tem atenção nenhuma,
porque ele só vai querer brincar, brincar então assim não tem nada, acho que a criança não
aprende nada com isso.
8- As atividades lúdicas são capazes de potencializar o desenvolvimento dele na
aprendizagem? De jeito nenhum acho que isto não existe, então por você ter esta
diferenciação de brincar e brincar e estudar e estudar, em casa ele brinca e na escola
ele sempre esta estudando? Estudando, serio prestando atenção na professora o que ela
for falar.
APÊNDICE III – Protocolo de Entrevista P2
Formação: Ensino fundamental completo
Idade: 27 anos
3 filhos ( 2° filho)
Profissão: Auxiliar de serviços gerais
1- Qual a sua concepção sobre o lúdico na escola? O que e lúdico? É as brincadeiras que o
professor promove em sala de aula? Ah eu acho desnecessário, mas porque, ah não meu
filho chega em casa todo sujo, e eu acho que ele não esta aprendendo nada, pelo menos eu
vejo em casa que ele não esta se desenvolvendo através dessas brincadeiras , diz a
professora que ele esta se desenvolvendo através das brincadeiras , diz a professora que
ele esta se desenvolvendo na sala de aula , mas em casa eu não vejo este resultado.
2- Em casa então você não ser nenhum desenvolvimento dele? Não... Através dos jogos
das brincadeiras você acha possível ele esta aprendendo? Ajuda seu filho a aprender na
escola? Não acho, por quê? Porque acho que o professor não quer da o conteúdo,
professor ele só que brincar com os alunos, acha que isso vai adiantar, e só enrolarão de
aula só enrolarão minha filha.
3- Você acredita se possível aprender brincando você não tem esta ideia de que quando
brinca a gente aprende?Momento certo de aprender brincar e brincar.
4- As brincadeiras desenvolvidas pela professora atrapalha o desenvolvimento dele? Eu
acho que atrapalha acho desnecessário, inútil na escola o aluno vai para aprender.
21
5- Qual a importância das brincadeiras na escola para a aprendizagem de seu filho?
Depende o que o professor trabalha com ele seja importante tem horas que não e
importante não umas brincadeiras de rolar no chão, não vejo importância.
6- O que e mais importante para seu filho estudar ou brincar? Estudar, brincar eu acho
que tem o momento certo na escola e estudar tem momentos para estudar, e eu não
acredito que ele vai aprender alguma coisa brincando.
7- Você já percebeu algo na aprendizagem dele que ele aprendeu brincando? Ou você
não tem percebido nada disso? Não pelo menos dentro de casa eu não percebi nada não,
nada na aprendizagem dele nem na escola? Não
8- Os jogos e as brincadeiras são capazes de potencializar o desenvolvimento dele?
Acho que não, por quê? Na brincadeira acho que já e da criança ela já nasce com isso,
sabe minha filha, ela ele não aprende brincando, acho que já e automático da criança.
Então se ela estiver brincando ela não vai aprender? E separado? Brincar e brincar do
cérebro mandar estas informações pelo menos eu acho.
9- As atividades que o professor anda promovendo você não tem notado nada que
desperte o interesse dele em aprender mais ao estar brincando, você não tem
percebido nada? Não, eu particularmente eu trabalho demais, eu chego em casa, sabe eu
só faço os deveres com ele eu não consigo ver o desenvolvimento dele , porque eu não
brinco com ele direito , não tenho tempo, então eu acho que não ajuda, porque pra min
estudar e estudar e brincar e brincar.
APÊNDICE IV – Protocolo de Entrevista P3
Formação: Magistério
Idade: 24 anos
Profissão: Professora
2 Filhos (2° Filho)
1- Qual a sua concepção sobre o brincar na escola? Aprende muito a criança se interessa
mais participa mais.
2- Você acha que os jogos e as brincadeiras que são trabalhados na escola desenvolvem
mais a capacidade de aprendizagem de seu filho? Com certeza porque toda vez que o
professora faz alguma brincadeira diferente na escola, ela sempre chega em casa falando,
agora quando e só teoria ela quase nunca fala o que aconteceu, porque ela se interessa
mais pelas brincadeiras.
3- A aprendizagem enquanto ela brinca isto acontece mesmo com ela, você tem
percebido? Acontece, elas sempre chega em casa falando, e eu vejo a partir de agora ela
esta aprendendo muito, depois que ela passou a aprender brincando. Desenvolve o
pensamento dela ela pensa mais rápida concentra mais? Sim.
22
4- Como você ver as brincadeiras desenvolvidas pelo professor atrapalha? Você acha
que e necessário estar com estas brincadeiras em sala para a aprendizagem? E sim
porque ela esta com dificuldade, a partir do momento que a professora trabalhou mais com
as brincadeiras com mais dinâmicas ela aprendeu mais.
5- Qual a importância que você ver com as brincadeiras na escola para a aprendizagem
de seu filho? E muito importante porque, já que ela esta iniciando agora ela e muito
pequena, se não começar agora, ela já vai para a escola na marra, depois que passou a
brincar mais ela se interessou a querer ir para a escola não querer faltar, porque ela gosta e
das brincadeiras e vem a aprender mais com as brincadeiras.
6- Você tem percebido algo que ela aprendeu através das brincadeiras, que o professor
tem trabalhado na escola? O que você tem percebido? Ela esta aprendendo muito
através da leitura, porque a professora faz muitas brincadeiras voltadas para a leitura,
porque ela esta iniciando a alfabetização então ela melhorou bastante a leitura devido às
brincadeiras.
7- Você acha que os jogos e as brincadeiras são capazes de potencializar o
desenvolvimento da criança na escola? Sim, as dificuldades na leitura nos números, a
partir das brincadeiras ela passou a conhecer os números, a ler as vogais, tudo voltado das
brincadeiras, porque no inicio ela não estava aprendendo, depois que eu conversei com a
professora que ela mudou o jeito de dar aula, levando mais brincadeiras, dinâmicas, ela
aprendeu muito mais, hoje ela não tem mais esta dificuldade.
APÊNDICE V – Protocolo de Entrevista P4
Formação: Nutrição
Idade: 35 anos
Profissão: Nutricionista
3 filhos (2° filho)
1- Qual a sua concepção sobre as brincadeiras na escola? Eu acho interessante porque a
meu ver como mãe de crianças pequenas acredito que com as brincadeiras ele aprende
mais, aquela vivencia tanto da escola como de casa tem que dividir brinquedo, e também o
cognitivo que fica mais desenvolvido.
2- As brincadeiras que o professor desenvolve na escola você acredita que tem
capacidade de esta desenvolvendo o pensamento de seu filho? Acredito que sim, o que
eu observo das atividades que meus filhos trazem para casa e que são apresenta pela
escola, então acredito que as brincadeiras desenvolvam no sentido da aprendizagem deles.
3- E possível aprender brincando? Quando ele esta brincando ele esta aprendendo?
Acredito que sim, como você percebe isto? Porque a criança através das brincadeiras ela
23
pode ir alem tanto na vida real nas coisas do dia a dia quanto no imaginário, então ela
aprende fazendo de acordo com o que ela esta brincando.
4- As brincadeiras que o professor desenvolve atrapalha o desenvolvimento dela?
Acredito que não, não atrapalha ajuda, mas porque ajuda? Porque a criança passa a se
soltar mais, a oralidade fica bem melhor a questão da fala do desenvolvimento da
coordenação, então acredito que realmente aprende.
5- Qual a importância que você acha das brincadeiras para a aprendizagem do seu
filho? Eu acho que e importante, assim que quando a criança aprende brincando, então ela
tem aquela obrigação de fazer, então ela faz por prazer vontade então acredito que com
isso seja bem interessante para a criança.
6- Você já percebeu algo que seu filho aprendeu brincando? Já muitas coisas o que? A
questão da socialização de dividir o brinquedo com o colega, por ex: a contar representar a
quantidade contando os brinquedos.
7- Os jogos são capazes de potencializa o desenvolvimento do seu filho? Sim com
certeza, e como você ver isso? A questão da atenção dos jogos em específicos de prender
a atenção da criança naquilo que ela esta fazendo e ela esta fazendo aquilo também uma
forma de aprender.
APÊNDICE VI – Protocolo de Entrevista P5
Formação: Ensino médio completo
Idade: 33 anos
3 filhos (2° filho)
Profissão: Do lar
1- Como você ver os jogos que são trabalhados na escola? Estes jogos não influenciam
em nada na formação do meu filho porque a gente que trabalha em casa na correria do dia
a dia, o menino chega em casa com a roupa toda suja na faz nada na escola, isto não
influencia em nada, menino tem que ir para a escola estudar e não brinca, mas só porque
ele chega em casa com a roupa suja ele não aprende alguma coisa brincando?
Aprende a bater no coleguinha, aprende a chegar em casa querendo bater em todo mundo ,
tem hora pra tudo , hora de estudar hora de brincar e na escola ir para a escola e para
estudar.
2-
Você acredita que as brincadeiras pode a ajudar ele a aprender melhor na
escola? Não escola e para você aprender a ler e a escrever e não para brincar.
3-
As brincadeiras desenvolvidas pelo professor na escola atrapalha a
aprendizagem de seu filho? Tem atrapalhado? Olha atrapalhado eu não sei, mas que
ele chega em casa com umas brincadeiras que na hora do recreio, e uma estória porque
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brinca de bater no coleguinha e o professor não esta vendo e quando o professor leva, eu
quero ver e o caderno dele, o que ele fez na escola o que ele esta aprendendo , agora
brincar ele brinca em casa, brinca comigo com os irmão as primas , não tem necessidade,
agora eu vou pagar para menino brincar.
4-
Qual a importância das brincadeiras na escola para a aprendizagem de seu
filho? Olha tem que brincar mais brincar o tempo todo não, porque tem professor que tira
o tempo todo para brincar, isto pra min não e ensinar, você tem que brincar, hora de
aprender, a ler escrever fazer tarefas no caderno, por isso não vejo importância não porque
a gente compra material tão caro, já pago escola cara e você não tem nada, compra livro
para ficar de enfeite pegando telha de aranha na estante, isto eu não acho certo, tem que
ter este período sim porque eles são crianças, mas todo tempo brincando não, meu filho
tem que fazer trabalho escrever no caderno livro, eu to pagando eu quero ver resultado.
5-
Mas você não tem percebido nada que ele aprendeu através das brincadeiras
promovidas pela professora na escola? Como já te falei antes percebo ele chegar em
casa e bater nos irmão dele a puxar o cabelo da irmã mais nova isto eu percebo. Mas será
que isto ele esta aprendendo na escola a puxar cabelo? Só pode ser porque eu fico com
meu filho o tempo todo, e ele só vai para a escola aonde e que ele vai aprender, na escola.
Então a senhora esta achando que ele esta aprendendo isto na escola? Tenho certeza
que isso aprende na escola.
6-
Os jogos são capazes de potencializar o desenvolvimento de seu filho?
Potencializar rsrsrsr, potencializa a batendo ele chegar em casa batendo nos irmão ,
querendo quebrar tudo, não quieta um minuto você precisa ver, escola e lugar de chegar e
sentar bonitinho na cadeira , prestando atenção na professora o que ela esta falando , não
ficar brincando, e quando ele chaga e fala que ficou só brincando, vou na escola e reclamo
mesmo.
APÊNDICE VII – Protocolo de Entrevista P6
Formação: Ensino médio
Idade: 27 anos
Profissão: Assistente administrativa
1 filho
1- Qual a sua concepção sobre o brincar na escola? Eu acho muito bom, por quê? A
criança aprende brincando, aprende a dividir os brinquedos com os colegas, e ate no meu
caso que eu tenho só um filho e em casa ele não tem com quem dividir ai ele aprende
muita coisa aqui, em casa ele acha que o brinquedo e só dele, ai ele aprende a dividir com
os outros de fora.
2- Você acredita aprender enquanto brinca? Sim porque eu brinco com ele ensinando,
aprendendo brincando fazendo tarefas, com as letrinhas para ele aprender a conhecer no
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quadro eu brinco para ele adivinhar, e ele também faz para eu adivinhar, tipo jogo da
memória.
3- As brincadeiras desenvolvidas pela professora atrapalha a aprendizagem de seu
filho? Não, por quê? Ele aprende a dividir, ele aprende muita coisa nada que atrapalha às
vezes ele e ajudante de sala outra vez o colega, sendo assim ele entende que nem sempre
será ele, através da brincadeira, sabe o que e certo o que e errado, porque em casa a agente
faz muito o gosto dele e na escola nas brincadeiras ele tem que esperar a vez dele que nem
sempre será ele toda às vezes.
4- Qual a importância das brincadeiras da escola para a aprendizagem de seu filho? Eu
acho importante porque ele aprende muita coisa, como que não e só dele as coisas, que
não e só ele, pois nem sempre ele vai ser o primeiro da fila, pode ser o primeiro e pode ser
o ultimo.
5- Você já percebeu algo que ele aprendeu através das brincadeiras? Sim os jogos de
quebra cabeça a formar palavras, quando ele ver as letras ele tenta formar para montar as
palavras. Então você percebeu que através das brincadeiras ele já esta aprendendo?
Sim ele fala que e um joguinho para brincar.
6- Para você as atividades lúdicas são capazes de potencializar o aprendizado de seu
filho? Sim, os jogos da memória, decorar as coisas mais fáceis, exercício, jogar bola na
hora de brincar e só na escola mesmo, quem tem filho e que trabalha não tem tempo ainda
mais só.
7- As atividades lúdicas que o professor desenvolve com ele nada atrapalha o
desenvolvimento? Não ate porque tudo tem a hora a hora de brincar e de aprender e ainda
na hora da brincadeira ele ainda aprende brincando, brincadeira de aprendizagem.
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Janaína Maria Rodrigues de Souza