INFLUÊNCIA GENÉTICA NA COLONIZAÇÃO/INFECÇÃO CRÔNICA NAS VIAS AERÍFERAS NA FIBROSE
CÍSTICA: MÚLTIPLOS GENES, MÚLTIPLOS PATÓGENOS, MÚLTIPLOS FENÓTIPOS
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Autores
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Fernando Marson , Tânia Kawasaki , Luciana Bonadia , Carmen Bertuzzo , Antônio Ribeiro , José
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Ribeiro
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Instituição UNICAMP - universidade Estadual de Campinas (Tessalia Vieira de Camargo, 126, Campinas - SP)
Resumo
OBJETIVOS
Verificar a associação da presença de Pseudomonas aeruginosa [mucoide (PAM), não mucoide (PANM) e tempo
para o primeiro isolamento da PA (1PA) - maior gravidade para o tempo ≤ 29 meses, e menor > 29 meses],
Achromobacter xylosoxidans (AX), Burkholderia cepacia (BC) e Staphylococcus aureus (SA) em pacientes com
fibrose cística (FC) com duas mutações de classe I, II e/ou III identificadas com polimorfismos em genes associados
a resposta inflamatória.
MÉTODOS
Incluídos 126 pacientes com FC e duas mutações de classe I, II e/ou III identificadas. Foram analisados 251
polimorfismos em 125 genes relacionados a resposta inflamatória pela plataforma OpenArray. Os dados da cultura
de rotina diagnóstica foram obtidos no Laboratório de Patologia Clínica. Testes estatísticos realizados pelo software
SPSS vs22.0, α=0,05.
RESULTADOS
Houve a identificação, respectivamente 76,64%; 57%; 35,51%; 14,02% e 8,41% para SA, PANM, PAM, BC e AX. No
presente estudo, houve associação do 1PA com dez polimorfismos em oito genes diferentes, sendo observado o
maior valor de odds ratio (OR) para o polimorfismo rs2247570*CC, no gene LTA4H e o menor valor para o
polimorfismo rs2280091*AA, no gene ADAM33 (OR=0,087; 95%IC=0,010-0,742). Em relação a presença de PAM
houve associação com oito polimorfismos em seis genes diferentes, sendo observado o maior valor de OR para o
polimorfismo rs949969*GG, no gene RORC (OR=4,435; 95%IC=1,51-13,03) e o menor para o polimorfismo
rs9859392*GG, no gene CTNBB1 (OR=0,188; 95%IC=0,045-0,798). Em relação a presença de PANM houve
associação com 11 polimorfismos em 11 genes diferentes, sendo observado o maior OR para o polimorfismo
rs11947661*CC (OR=5; 95%IC=1,526-16,38) no gene KCNIP4, e o menor para o polimorfismo rs949969*AA
(OR=0,102; 95%IC=0,012-0,884) no gene RORC. Na comparação dos polimorfismos nos genes analisados com as
bactérias isoladas na cultura de rotina diagnóstica dos pacientes com FC, houve a associação positiva com nove
polimorfismos em nove genes diferentes para o AX, sendo o maior OR observado para o polimorfismo
rs1544791*CC, no gene PDE4D (OR=12,80; 95%IC=1,524- a 107,5), e o menor para o polimorfismo rs740044*AA,
no gene ILIR2 (OR=0,10; 95%IC=0,018-0,563). Considerando a BC houve associação com nove polimorfismos em
oito genes, sendo observado maior OR para o polimorfismo rs1544791*CC, no gene PDE4D (OR=10,85;
95%IC=2,253-52,22), e menor OR para o polimorfismo rs4704727*GG, no gene TIMD4 (OR=0,098; 95%IC=0,0120,792). Considerando o SA, houve associação com cinco polimorfismos em cinco genes, sendo o maior OR
observado para o polimorfismo rs1800872*GG (OR= 3,686; 95%IC= 1,324 a 10,26) no gene IL10; e menor OR para o
polimorfismo rs3087243*AA, no gene CTL4 (OR= 0,167; 95%IC= 0,042 a 0,666).
CONCLUSÃO
Para cada bactéria presente nas vias aeríferas dos pacientes com FC, múltiplos genes atuam na sua presença e,
dessa forma, podemos ter múltiplos fenótipos, oriundos da interação, genes modificadores, ambiente e bactérias.
Palavras-chaves: Fibrose cística, Genes modificadores, Bactérias, Polimorfismos
Agência de Fomento: Fapesp
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influência genética na colonização/infecção crônica nas vias