UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA QUÍMICA DEGRADAÇÃO DE CORANTES TÊXTEIS ÁCIDOS E REATIVOS POR FOTOCATÁLISE HETEROGÊNEA, USANDO TiO2 COMO FOTOCATALISADOR Raphael Borges Magalhães Bergamini Orientadores: Profa. Dra. Lucia Regina Raddi de Araujo Prof. Dr. Eduardo Bessa Azevedo Rio de Janeiro, Agosto, 2007 Livros Grátis http://www.livrosgratis.com.br Milhares de livros grátis para download. ii UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA QUÍMICA Degradação de corantes têxteis ácidos e reativos por fotocatálise heterogênea, usando TiO2 como fotocatalisador RAPHAEL BORGES MAGALHÃES BERGAMINI Dissertação submetida ao corpo docente do Programa de Pós-graduação em Engenharia Química do Instituto de Química da Universidade do Estado do Rio de Janeiro como requisito final para a obtenção do título de Mestre em Ciências em Engenharia Química. BANCA EXAMINADORA ______________________________________________________________ Profa. Dra. Lucia Regina Raddi de Araujo – PPGEQ/UERJ (orientadora) _____________________________________________________________ Prof. Dr. Eduardo Bessa Azevedo – PPGEQ/UERJ (orientador) _____________________________________________________________ Profa. Dra. Joana Mara Teixeira Santos - PPGEQ/UERJ _____________________________________________________________ Prof. Dr. Alexandre Rodrigues Tôrres - FAT/UERJ ______________________________________________________________ Profa. Dra. Juacyara Carbonelli Campos - EQ/UFRJ Rio de Janeiro, RJ – Brasil Agosto - 2007 iii B493 Bergamini, Raphael Borges Magalhães Degradação de corantes têxteis ácidos e reativos por fotocatálise heterogênea usando TiO2 como fotocatalisador. / Raphael Borges Magalhães.- 2007. xiv, 81 f Orientador: Lucia Regina Raddi de Araújo. Orientador: Eduardo Bessa Azevedo. Dissertação (mestrado) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Instituto de Química. 1. Fotocatálise – Teses. 2. Corantes - Teses. 3. Indústria têxtil Teses. I. Araújo, Lucia Regina Raddi de. II. Azevedo, Eduardo Bessa. III. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Instituto de Química. IV. Título. CDU 541.128 iv AGRADECIMENTOS À minha família pelo incentivo constante. À minha futura esposa Renata e família pela paciência e apoio incondicional. Aos professores Lúcia R. Raddi de Araújo e Eduardo Bessa Azevedo pela orientação, aprendizado, confiança e, acima de tudo, amizade. Aos professores responsáveis pelo Laboratório de Desenvolvimento de Catalisadores da UERJ pela disponibilidade do laboratório, sem o qual esta dissertação não seria possível. À Sara Dyonízio pela colaboração durante os ensaios de laboratório. À Patrícia Diniz Araújo (FAT/UERJ) pela paciência e colaboração nos testes de Toxicidade. Às professoras Maria Olímpia de Oliveira Rezende e a Maria Diva Landgraf, da Universidade de São Paulo, pela realização das análises de carbono. Ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química da UERJ pela oportunidade, credibilidade e apoio para o desenvolvimento deste trabalho. À CAPES pelo suporte financeiro. A todos os amigos que de alguma forma estiveram presentes. Ao Instituto de Química da UERJ e seus funcionários pelo apoio técnico e material. v RESUMO A indústria têxtil tem como característica a geração de grandes volumes de resíduos, principalmente corantes oriundos do tingimento de fios e tecidos. Os tratamentos convencionais de efluentes têxteis são ineficazes na degradação da maioria dos corantes. A fotocatálise heterogênea vem surgindo como alternativa promissora no tratamento desses poluentes. Neste trabalho, estudou-se a degradação fotocatalítica de duas soluções, simuladas em laboratório, compostas pelos corantes ácidos Blue 74, Red 51 e Yellow 3 (efluente I) e pelos reativos Black 5, Red 239 e Yellow 17 (efluente II), além de outros produtos químicos. Testes preliminares foram realizados para otimizar o pH e a massa de catalisador (TiO2) utilizados. Além da fotocatálise, experimentos de fotólise e adsorção também foram realizados. Através de espectrofotometria UV-VIS, verificou-se um descoramento por fotocatálise de 96% em 240 min e 97% em 30 min dos efluentes I e II, respectivamente. A mineralização do efluente I foi baixa (37%) e a do efluente II desprezível, nos tempos utilizados. No banho com corantes ácidos, foram realizadas ainda análises de toxicidade com sementes de alface (Lactuca sativa). A CE50 inicial estimada foi igual a 19,28 +−85,,24 77 %, sendo a toxicidade totalmente removida após 63 min de processo fotocatalítico. A fotólise não obteve a mesma eficiência da fotocatálise, mostrando a importância do catalisador na degradação. A adsorção não foi significativa para os efluentes estudados. As cinéticas de degradação fotocatalítica de todos os corantes seguiram um modelo de pseudo-primeira ordem. Palavras-chave: Fotocatálise, TiO2, corantes, indústria têxtil. vi ABSTRACT The textile industry has the characteristic of generating huge amounts of residues, mainly the ones from yarns and fabrics dyeing operations. Conventional treatments of textile wastewaters are inefficient for degrading the majority of the dyes. Heterogeneous photocatalysis has been arising as a promising alternative for treating this kind of pollutants. In this work, the photocatalytic degradation of two simulated aqueous solutions: effluent I, composed of three acid dyes (Blue 74, Red 51, and Yellow 3), and effluent II, composed of three reactive dyes (Black 5, Red 239, and Yellow 17) was studied. Some dyeing auxiliary chemicals were also added to both effluents. Besides photocatalysis, photolysis and adsorption experiments were also performed. Preliminary tests were performed in order to optimize pH and catalyst (TiO2) dosage. Color removals by the photocatalytic process were estimated from UV-Vis spectroscopy: 96% after 240 min for effluent I and 97% after 30 min for effluent II. The mineralization degree of effluent I was low (37%) and that of effluent II negligible. For the bath containing acid dyes, toxicity experiments using lettuce seeds (Lactuca sativa) were performed. The estimated initial EC50 was 19.28 +−85..24 77 %, being toxicity completely removed after 63 min of the photocatalytic process. Photolysis did not present the same efficiency of photocatalysis, showing the importance of the catalyst in the degradation process. For both effluents, the adsorption process was not significant. The photocatalytic degradation of all studied dyes followed a pseudo-first order kinetic model. Keywords: Photocatalysis, TiO2, dyes, textile industry. vii ÍNDICE CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO ...........................................................................................1 CAPÍTULO 2 – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ...................................................................4 2.1 – Cor .................................................................................................................................4 2.1.1 – Sistemas de ordenação de cores.........................................................................5 2.2 – Corantes .........................................................................................................................6 2.3 – Tratamentos de Efluentes Líquidos Industriais ...........................................................10 2.3.1 – Tratamentos de Efluentes de Indústrias Têxteis ..............................................12 2.4 – A Fotocatálise Heterogênea .........................................................................................17 2.4.1 – Princípios e Vantagens da Fotocatálise Heterogênea ......................................18 2.5 – Semicondutores............................................................................................................21 2.5.1 – O Dióxido de Titânio (TiO2)............................................................................24 2.6 – Influência de Alguns Fatores na Reação Fotocatalítica...............................................26 2.6.1 – Oxidantes Auxiliares Presentes .......................................................................26 2.6.2 – Concentração do Catalisador ...........................................................................27 2.6.3 – Efeito do pH.....................................................................................................27 2.7 – Monitoramento do Processo Fotocatalítico .................................................................27 2.7.1 – Análise de Espectrofotometria UV-VIS ..........................................................27 2.7.2 – Carbono Orgânico Dissolvido (COD) .............................................................28 2.7.3 – Toxicidade .......................................................................................................28 2.8 – Degradação de Corantes por Fotocatálise Heterogênea ..............................................28 CAPÍTULO 3 – METODOLOGIA......................................................................................41 3.1 – Escolha dos Corantes ...................................................................................................41 3.1.1 – Seleção dos Corantes Ácidos...........................................................................41 3.1.2 – Seleção dos Corantes Reativos ........................................................................42 3.2 – Características dos Efluentes .......................................................................................44 3.2.1 – Característica do Efluente I .............................................................................44 3.2.2 – Característica do Efluente II ............................................................................45 3.3 – Curvas de Calibração ...................................................................................................45 3.4 – Testes Iniciais com Fotocatálise ..................................................................................45 3.4.1 – Descrição da Unidade Reacional .....................................................................45 viii 3.4.2 – Catalisador .......................................................................................................46 3.4.3 – Testes Preliminares com o Efluente I ..............................................................46 3.4.4 – Testes Preliminares com o Efluente II.............................................................47 3.5 – Tratamento dos Efluentes ............................................................................................47 3.5.1 – Procedimento Experimental para o Efluente I.................................................48 3.5.2 – Procedimento Experimental para o Efluente II ...............................................48 3.6 – Verificação da Eficiência do Tratamento ....................................................................49 3.6.1 – Grau de Descoramento ....................................................................................49 3.6.2 – Degradação dos Corantes.................................................................................49 3.6.3 – Carbono Orgânico Dissolvido (COD) .............................................................50 3.6.4 – Teste de Toxicidade .........................................................................................50 3.7 – Determinação das constantes cinéticas de degradação ................................................51 CAPÍTULO 4 – RESULTADOS E DISCUSSÕES ............................................................52 4.1 – Degradação Fotocatalítica do Efluente I......................................................................52 4.1.1 – Definição do pH e da Quantidade de Catalisador............................................52 4.1.2 – Fotocatálise dos Corantes Ácidos ....................................................................54 4.1.3 – Fotólise e Adsorção dos Corantes Ácidos .......................................................57 4.1.4 – Verificação da Toxicidade...............................................................................59 4.1.5 – Determinação de COD.....................................................................................61 4.2 – Degradação Fotocatalítica do Efluente II ....................................................................62 4.2.1 – Definição do pH e da Quantidade de Catalisador............................................62 4.2.2 – Fotocatálise dos Corantes Reativos .................................................................64 4.2.3 – Fotólise e Adsorção dos Corantes Reativos.....................................................66 4.2.4 – Determinação de COD.....................................................................................69 4.3 – Determinação da Cinética de Degradação dos Efluentes ............................................70 4.3.1 - Estimativa das Constantes Cinéticas do Efluente I ..........................................70 4.3.2 - Estimativa das Constantes Cinéticas do Efluente II.........................................71 CAPÍTULO 5 – CONCLUSÕES E SUGESTÕES .............................................................73 5.1 – Conclusões ...................................................................................................................73 5.2 – Sugestões .....................................................................................................................75 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................76 ix LISTA DE FIGURAS Figura 1. Grupo azo e os auxocromos NO2 e NH2, CEGARRA et al. (1981)....................7 Figura 2. Esquema de clarificação físico-química por flotação, GIORDANO (2003)....11 Figura 3. Vista de calhas eletrolíticas, GIORDANO (2003)...........................................12 Figura 4. Esquema de lodos ativados, GIORDANO (2003) ...........................................12 Figura 5. Esquema do processo fotocatalítico sobre TiO2, HERRMANN (1999)...........19 Figura 6. Posição das bandas de semicondutores usados como fotocatalisadores e o potencial redox de H2O/•OH e O2/HO2• em pH = 0. Escala de energia interna (eV) versus eletrodo normal do hidrogênio (NHE), MILLS; HUNTE (1997).....................................................................................................................23 Figura 7. Cela unitária do TiO2 nas formas rutilo e anatásio, LINSEBIGLER et al. (1995) ..........................................................................................................................25 Figura 8. Esquema dos fotoreatores usados na descoloração do corante RB-19 por TiO2 e ZnO. O reator A foi usado em todos os experimentos de otimização e o reator B na determinação da toxicidade, COT e custos de energia elétrica, LIZAMA et al. (2002) ......................................................................................................34 Figura 9. Esquema do reator fotocatalítico, MAHMOODI et al. (2006) ........................38 Figura 10. Estruturas químicas dos corantes ácidos: (a) Acid Yellow 3, (b) Acid Red 51 e (c) Acid Blue 74 .....................................................................................................41 Figura 11. Varredura na região do UV-Visível dos corantes ácidos: —Yellow 3, —Red 51 e —Blue 74.........................................................................................................42 Figura 12. Estruturas químicas dos corantes reativos: (a) Reactive Yellow 17, (b) Reactive Red 239 e (c) Reactive Black 5.........................................................................43 Figura 13. Varredura na região do UV-Visível dos corantes reativos: —Yellow17, —Red 239 e —Black 5...............................................................................................44 Figura 14. Unidade reacional fotocatalítica ......................................................................46 Figura 15. Redução da área total dos espectros de absorção dos corantes ácidos em função da quantidade de catalisador e do pH: (–•–) pH 5 e (–•–) pH 7.................................53 Figura 16. Descoramento (área sob os espectros na região do visível) dos corantes ácidos em função da quantidade de catalisador e do pH: (–•–) pH 5 e (–•–) pH 7 ...53 x Figura 17. Descoramento dos corantes ácidos em função da quantidade de TiO2 em pH 5 ..........................................................................................................................54 Figura 18. Espectros de absorção na região do UV-Visível em função do tempo durante o tratamento fotocatalítico: —0, —30, —60, —90, —120, —180 e —240 min .. ..........................................................................................................................55 Figura 19. Degradação dos corantes ácidos pelo processo fotocatalítico em função do tempo: (–•–) Acid Blue 74, (––) Acid Red 51 e (––) Acid Yellow 3.............................55 Figura 20. Descoramento em função do tempo pelo processo fotocatalítico.....................56 Figura 21. Fotografia do descoramento alcançado em função do tempo com o tratamento fotocatalítico: da esquerda para a direita, 0, 15, 30, 60, 90, 120, 180 e 240 min ..........................................................................................................................56 Figura 22. Espectros de absorção na região do UV-Visível em função do tempo durante a fotólise: —0, —30, —60, —90, —120, —180 e —240 min................... ......57 Figura 23. Degradação dos corantes ácidos por fotólise em função do tempo: (–•–) Acid Blue 74, (––) Acid Red 51 e (––) Acid Yellow 3 ...................57 Figura 24. Fotografia do descoramento alcançado em função do tempo com a fotólise: da esquerda para a direita, 0, 15, 30, 60, 90, 120, 180 e 240 min ........................58 Figura 25. Descoramento em função do tempo por fotólise .............................................58 Figura 26. Espectros de absorção na região do UV-Visível em função do tempo durante os testes de adsorção: —0, —30, —60, —120, —180 e —240 min........................ 59 Figura 27. Toxicidade (Lactuca sativa) em função do tempo de tratamento fotocatalítico: (–•–) hipocótilo e (–•–) raiz. O valor de IG = 100% corresponde ao controle (água destilada).. ..............................................................................................60 Figura 28. Toxicidade (Lactuca sativa) em função do tempo de fotólise: (–•–) hipocótilo e (–•–) raiz. O valor de IG = 100% corresponde ao controle (água destilada). ...............................................................................................60 Figura 29. Mineralização do Efluente I em função do tempo de tratamento: (–•–) fotólise e (–•–) fotocatálise ....................................................................62 Figura 30. Redução da área total dos espectros de absorção dos corantes reativos em função da quantidade de catalisador e do pH: (–•–) pH 7; (–•–) pH 9 e (–•–) pH 11................................................................................................................63 xi Figura 31. Descoramento (área sob os espectros na região do visível) dos corantes reativos em função da quantidade de catalisador e do pH: (–•–) pH 7; (–•–) pH 9 e (–•–) pH 11 ......................................................................................................63 Figura 32. Espectros de absorção na região UV-Visível em função do tempo durante o tratamento fotocatalítico: — 0, — 5, — 10, — 15, — 20, — 25 e — 30 min ... ..........................................................................................................................64 Figura 33. Degradação dos corantes reativos pelo processo fotocatalítico em função do tempo: (–•–) Reactive Black 5, (––) Reactive Red 239 e (––) Reactive Yellow 17.........................................................................................................65 Figura 34. Descoramento em função do tempo pelo processo fotocatalítico....................66 Figura 35. Fotografia do descoramento alcançado em função do tempo com o tratamento fotocatalítico: da esquerda para a direita: 0, 5, 10, 15, 20, 25 e 30 min ........66 Figura 36. Espectros de absorção na região UV-Visível em função do tempo durante o tratamento fotolítico: — 0, — 5, — 10, — 15, — 20, — 25 e — 30 min......... 67 Figura 37. Degradação dos corantes reativos pelo processo fotolítico em função do tempo: (–•–) Reactive Black 5, (––) Reactive Red 239 e (––) Reactive Yellow 17 ..........................................................................................................................67 Figura 38. Descoramento em função do tempo pelo processo fotolítico ..........................68 Figura 39. Fotografia do descoramento alcançado em função do tempo com a fotólise: da esquerda para a direita: 0, 5, 10, 15, 20, 25 e 30 min .....................................68 Figura 40. Espectros de absorção na região UV-Visível em função do tempo durante os testes de adsorção: — 0, — 5, — 10, — 15, — 20, — 25 e — 30 min ......................... 69 Figura 41. Mineralização do Efluente II em função do tempo de tratamento: (–•–) fotólise e (–•–) fotocatálise ....................................................................69 xii LISTA DE TABELAS Tabela 1. Faixa de comprimento de onda característico das cores ....................................5 Tabela 2. Processos oxidativos avançados ......................................................................16 Tabela 3. Dados experimentais da degradação fotocatalítica de oito corantes comerciais após 4 h de irradiação solar..............................................................................32 Tabela 4. Constantes cinéticas de pseudo-primeira ordem obtidas para a degradação dos corantes ácidos .................................................................................................71 Tabela 5. Constantes cinéticas de pseudo-primeira ordem obtidas para a degradação dos corantes reativos...............................................................................................72 xiii LISTA DE SIGLAS E ABREVIAÇÕES AATCC – American Association of Textile Chemists and Colorists BC – Banda de Condução BV – Banda de Valência C.I. – Colour Index CIE – Commission International de l’ Eclairage COD – Carbono Orgânico Dissolvido COT – Carbono Orgânico Total DBO – Demanda Bioquímica de Oxigênio DBS – Dodecilbenzeno Sulfonato de Sódio ddp – Diferença de Potencial DQO – Demanda Química de Oxigênio e– – Elétron Eg – Energia do “band gap” e–/h+ – Pares elétron/lacuna ETE – Estação de Tratamento de Efluentes FTIR – Espectroscopia de absorção no infravermelho com transformada de Fourier h+ – Lacuna ou vacância eletrônica ICI – Imperial Chemical Industries IG – Índice de Germinação IUPAC – International Union of Pure and Applied Chemistry Labpol – Laboratório de Poluição das Águas da Universidade de São Paulo MF – Microfiltração NCS – Sistema Natural de Cores NF – Nanofiltração xiv NHE – Eletrodo-Padrão do Hidrogênio OR – Osmose Reversa PCBs – Bifenilas Policloradas POAs – Processos Oxidativos Avançados SDC – Society of Dyers and Colourists UF – Ultrafiltração UV – Radiação Ultravioleta VIS – Radiação Visível 1 CAPÍTULO 1 1 – INTRODUÇÃO Há algumas décadas, o advento da tecnologia, o crescimento desenfreado da população urbana e o aumento da produção industrial têm acarretado problemas ambientais mais críticos e freqüentes. O crescente aumento da população nas grandes cidades tem gerado quantidades cada vez maiores de resíduos como lixo doméstico, esgoto etc. A atividade industrial, por sua vez, tem produzido rejeitos gasosos, líquidos e sólidos nocivos ao meio ambiente e de difícil degradação. Dentro deste contexto, a contaminação das águas naturais é um dos grandes problemas da sociedade contemporânea. A economia no uso da água em processos produtivos vem ganhando atenção especial devido ao valor agregado que tem sido atribuído a este bem, pois previsões pessimistas referentes à sua escassez em um futuro próximo são divulgadas a todo o momento. Além disso, princípios como a cobrança pelo uso das águas superficiais e subterrâneas (“outorga”), vêm sendo incorporados em nossa legislação cada vez mais restritiva. Vários tipos de indústrias contribuem para a contaminação do meio ambiente, principalmente dos recursos hídricos. No que se refere à indústria têxtil, tema deste trabalho, os principais problemas de impacto ambiental estão representados pelo elevado consumo de água (aproximadamente 50 L kg–1 de tecido beneficiado) e pelo baixo aproveitamento dos insumos, como agentes engomantes, detergentes, corantes e outros. Esses dois fatores levam à geração de grandes volumes de resíduos, contendo elevada carga orgânica e forte coloração (SOUZA et al., 2004). Os efluentes provenientes do processo de tingimento de fios e tecidos têxteis podem modificar o ecossistema, diminuindo a transparência da água e a penetração da radiação solar, alterando, conseqüentemente, a atividade fotossintética e o regime de solubilidade dos gases. Estes efluentes podem conter aproximadamente 20% da carga de corantes utilizada no tingimento, sendo que 60% dos corantes usados no mundo são azocorantes, espécies químicas 2 de reconhecido efeito carcinogênico e mutagênico (SOUZA; PERALTA-ZAMORA, 2005). Entre os corantes de estrutura azo, podemos destacar a classe dos reativos e dos ácidos, cujo consumo brasileiro representa cerca de 4 e 8% da demanda mundial, respectivamente, devido à produção em larga escala de couros e algodão no país (GUARATINI; ZANONI, 2000). Existe uma gama de métodos utilizados para o tratamento de água e efluentes industriais visando à proteção ambiental. Tais métodos são conhecidos como convencionais, destacando-se: a decantação, a filtração, a flotação, a cloração, os lodos ativados, as lagoas de aeração, dentre outros. A maioria destes processos corresponde a sistemas não-destrutivos, ocorrendo somente a transferência de fase dos poluentes. Embora o volume dos resíduos possa ser reduzido significativamente, a disposição final das fases sólidas continua sendo um problema (KUNZ et al., 2002). Alguns tipos de tratamentos como os biológicos, principalmente sistemas de lagoas aeróbias e lodos ativados, são destrutivos e permitem tratar grandes volumes de efluente. Porém, requerem um longo tempo para que o efluente atinja os padrões exigidos e produzem uma grande quantidade de lodo que normalmente não pode ser reaproveitado (NOGUEIRA; JARDIM, 1998; SOUZA et al., 2004). Desta forma, esforços têm sido dedicados à implementação de tecnologias mais limpas, sistemas de reciclagem de efluentes e processos de remediação mais eficientes. Os chamados “Processos Oxidativos Avançados” (POAs) vêm atraindo grande interesse por serem mais efetivos e sustentáveis a longo prazo. São tecnologias que geralmente utilizam um forte agente oxidante (O3, H2O2) e/ou catalisadores (Fe, Mn, TiO2) na presença ou não de fonte de irradiação, para gerar radicais hidroxilas (•OH), altamente reativos, capazes de mineralizar1 substâncias orgânicas refratárias, presentes nos efluentes industriais (ARAUJO et al., 2006). Entre os POAs, a fotocatálise heterogênea tem sido consideravelmente pesquisada nas últimas décadas, principalmente no tocante à degradação de efluentes. Há alguns anos, inúmeros resultados vêm sendo mostrados no que diz respeito à eficiência da oxidação fotocatalítica de soluções aquosas contendo vários produtos químicos, entre estes, os corantes. 1 Transformar o poluente em dióxido de carbono e água. 3 A fotocatálise heterogênea baseia-se na irradiação de um fotocatalisador com energia luminosa (luz solar ou artificial) igual ou maior que a energia do seu “band gap”, diferença de potencial entre a banda de valência (BV) e a banda de condução (BC), ocasionando a excitação de um elétron da BV para a BC, levando à formação de pares elétron/lacuna (e–/h+). Os elétrons da banda de condução e as lacunas da banda de valência quando na superfície do catalisador, podem reagir com espécies adsorvidas e participar das reações de oxidaçãoredução (HERRMANN et al., 1993; SANTANA, 2002). O objetivo deste trabalho é avaliar a degradação fotocatalítica de dois efluentes de indústria têxtil simulados em laboratório, utilizando-se dióxido de titânio como fotocatalisador e irradiação UV. Os efluentes foram constituídos de corantes ácidos (efluente I) e reativos (efluente II), além de outros produtos químicos utilizados no tingimento com os respectivos corantes. O monitoramento da degradação dos efluentes foi realizado por espectrofotometria UV-VIS e a verificação da toxicidade por sementes de alface (Lactuca sativa). O grau de mineralização das soluções foi determinado através de análises de carbono orgânico dissolvido (COD). O comportamento cinético das reações de degradação dos corantes foi determinado utilizando-se um modelo de pseudo-primeira ordem e o método dos mínimos quadrados. 4 CAPÍTULO 2 2 – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 – Cor A cor é uma característica de objetos que emitem, refletem ou transmitem radiação eletromagnética na faixa visível. É uma sensação criada por esta radiação e interpretada pelo observador (homem ou algum outro ser vivo). De acordo com Hirschler (2002), os três fatores fundamentais na formação das cores são: a fonte de luz (radiação), o objeto e o observador (sensação). Isaac Newton, em 1666, fez com que as cores do espectro solar saídas de um prisma atravessassem um segundo prisma invertido, recompondo a luz branca original. Com isso, demonstrou que as cores eram propriedade da luz e não dos corpos refratores, como se acreditava. A coloração dos corpos depende dos comprimentos de onda na região do visível que eles absorvem ou refletem. Se todos os comprimentos de onda forem absorvidos, os corpos serão negros; se todos forem refletidos, serão brancos. Os corpos serão amarelos, azuis, verdes etc., quando refletirem a cor correspondente, ou seja, o comprimento de onda relativo a esta cor, absorvendo as restantes. Segundo Hirschler (2002), o olho humano percebe como luz radiação eletromagnética com comprimento de onda entre 380 a 760 nm, porém, alguns autores como Zollinger (1991) consideram esta faixa entre 400 e 700 nm. A Tabela 1 mostra a faixa de comprimento de onda onde parte da luz incidente é absorvida e o restante refletido, gerando a tonalidade que será percebida nos objetos. 5 Tabela 1 – Faixa de comprimento de onda característico das cores (CEGARRA et al., 1981). Comprimento de onda Tonalidade da luz Tonalidade (nm) absorvida percebida 400 – 440 Violeta Amarelo esverdeado 440 – 480 Azul Amarelo 480 – 510 Azul-verde Laranja 510 – 540 Verde Vermelho 540 – 570 Amarelo-verde Púrpura 570 – 580 Amarelo Azul 580 – 610 Laranja Azul esverdeado 610 – 700 Vermelho Azul-verde A absorção de um feixe de luz monocromático por uma substância dissolvida em um meio transparente é descrita pela equação de Lambert-Beer: I = I 0 ⋅ 10 − a⋅c⋅l (1) onde: I = intensidade da luz transmitida (ergs cm–2 s–1); I0 = intensidade da luz incidente (ergs cm–2 s–1); a = absortividade (L g–1 cm–1); c = concentração da substância absorvente (g L–1); l = comprimento da cela (cm). A quantidade que é medida pelo espectrofotômetro é a absorbância (A), sendo: A = log I0 = a ⋅c⋅l I (2) 2.1.1 – Sistemas de ordenação de cores No nível visual, as cores são representadas pelos sistemas de ordenação de cores e descritas em termos de tonalidade, luminosidade e saturação. Tonalidade é a qualidade da 6 cor descrita pelas palavras vermelho, azul, verde, amarelo etc. e que os coloristas chamam de tons ou sub-tons. Luminosidade ou brilho é a qualidade da cor que é descrita, basicamente, pelas palavras claro e escuro. Saturação ou croma é a qualidade relacionada à quantidade de cor. Uma maior concentração de corante nos substratos têxteis resulta em aumento da croma (até um ponto de saturação). A iluminação é fundamental para a identificação das cores. Variando-se a fonte luminosa, pode-se variar a cor do objeto (metameria). A luz solar, a luz de sódio, a luz das lâmpadas incandescentes e a luz fluorescente apresentam diferenças na proporção dos componentes do seu espectro. Assim, a lâmpada de filamento contém mais radiações longas (vermelho e amarelo) do que a luz solar, podendo então um tingimento apresentar variação de cor com a mudança da fonte luminosa. Cores que sob qualquer fonte de luz apresentam-se iguais são denominadas de não-metâmeras (WAJCHENBERG, 1977). Os sistemas de ordenação de cores conhecidos são: MUNSELL, NCS (Sistema Natural de Cores), OSTWALD e CIE (Commission International de l’ Eclairage). O sistema MUNSELL baseia-se em medidas de sensações visuais coloridas, como a luminosidade, a tonalidade e o croma. As duas coleções têxteis mais conhecidas do sistema MUNSELL são a Pantone e a Scotdic. Os sistemas OSTWALD e NCS são baseados no conceito de mistura de pigmentos de cor pura (amarelo, azul e vermelho) com branco, cinza ou preto. O sistema CIE está baseado no fato de que a luz refletida de alguma superfície colorida pode ser visualmente igualada por uma mistura das três cores primárias de luz: vermelha, verde e azul (SANTANA, 2002; HIRSCHLER, 2002). 2.2 – Corantes Os corantes são compostos orgânicos complexos insaturados que contêm certos grupos substituintes. A parte insaturada da molécula que é responsável pela presença da cor é chamada de cromóforo. Nos corantes têxteis, os cromóforos são normalmente anéis aromáticos e grupos azo, possuindo sistemas conjugados de ligações simples e duplas alternadas. As configurações cromóforas mais comuns são: >C=C<, >C=N–, >C=O e – N=N–. Além dessas substâncias, a cor intensa requer também a presença de grupos doadores e receptores de elétrons, responsáveis pela fixação dos corantes à fibra, conhecidos como 7 auxocromos. Quando estão presentes na molécula do corante, alteram o comprimento de onda de absorção, mudando a tonalidade da cor do composto (CEGARRA et al., 1981). Auxocromos típicos são: CO, NO2, OH, OCH3, NCH3, dentre outros. Na Figura 1, pode-se visualizar uma estrutura azóica com dois grupos auxocromos. O– N + N N NH2 O Auxocromo Cromóforo Auxocromo Figura 1. Grupo azo e os auxocromos NO2 e NH2 (CEGARRA et al., 1981). Os corantes possuem quatro propriedades principais: cor intensa, solubilidade (em água, na maioria dos casos), substantividade (capacidade de ser absorvido e retido pela fibra) e solidez (capacidade de resistir aos tratamentos aos quais as fibras são submetidas durante os processos de fabricação e uso normal). A solidez é normalmente avaliada em relação à lavagem, luz, fricção e suor, tanto no estado úmido como no estado seco do material. A presença de um ou mais grupos específicos numa molécula de corante determina sua substantividade com relação a qualquer tipo de fibra e seus processos de aplicação. De acordo com o método de fixação à fibra têxtil, os corantes são classificados em (GUARATINI; ZANONI, 2000; CEGARRA et al., 1981): Ácidos – Grupo de corantes aniônicos portadores de um a três grupos sulfônicos. São solúveis em água e possuem grande afinidade para a lã, a seda, o couro e as fibras poliamídicas (nylon), tingindo-as em banhos ácidos até neutros. Caracterizam-se por substâncias com estrutura química baseada em compostos azo, antraquinona, triarilmetano, azina, xanteno, quinolínico, nitro e nitroso, fornecendo uma ampla faixa de coloração e grau de fixação ao substrato; Básicos – São constituídos de sais de bases coloradas e usados para tingir as fibras acrílicas; Reativos – São corantes que contêm um grupo eletrofílico (reativo) capaz de formar ligação covalente com grupos hidroxila das fibras celulósicas e com grupos amino, 8 hidroxila e tióis das fibras protéicas. Possuem alta solubilidade em água, sendo o processo de tingimento realizado em meio alcalino. Os grupos reativos diferem quanto à temperatura de fixação e grau de reatividade com as fibras de algodão, lã e viscose, podendo ser: diclorotriazina, difluorcloropirimidina, dicloroquinoxalina, monofluortriazina, vinilsulfona, monoclorotriazina e dicloro e tricloropirimidina; Diretos – São corantes aniônicos substantivos à celulose (algodão, viscose etc.) quando aplicados num banho aquoso contendo eletrólito (NaCl, Na2SO4 ou Na2SO4.10H2O). Relacionam-se com as fibras através de interações de Van der Waals possuindo um alto grau de exaustão durante o tingimento e, conseqüentemente, uma diminuição deste tipo de corante nas águas residuais; Dispersos – Constituem-se de compostos orgânicos não-iônicos, insolúveis em água, aplicados em dispersão aquosa em fibras de poliéster, poliamida, acetatos e poliacrilonitrila. Geralmente, o processo de tintura é realizado com auxílio de agentes dispersantes que estabilizam a suspensão do corante, facilitando o contato entre o mesmo e a fibra; À Tina ou à cuba – Classe de corantes baseada nos índigos, tioindigóides e antraquinóides. São insolúveis em água, porém através de redução em meio alcalino, transformam-se em um composto solúvel (leuco-derivado), o qual sofre oxidação posterior, geralmente pelo ar, retornando à forma original do corante tingindo as fibras celulósicas, principalmente, o algodão; Azóicos ou Naftóis – Compostos insolúveis em água sintetizados sobre a fibra durante o processo de tingimento. Neste processo, a fibra é impregnada com um composto solúvel em água conhecido como agente de acoplamento (naftol) que apresenta alta afinidade pela celulose; Sulfurosos – São provenientes da fusão de diversas substâncias orgânicas com enxofre ou com sulfetos. Apresentam-se insolúveis em água, sendo aplicados após pré-redução em banho de ditionito de sódio que lhes confere solubilidade e oxidados subseqüentemente sobre as fibras celulósicas pelo contato com o ar. Estes corantes apresentam resíduos extremamente tóxicos; Complexos Metálicos – São utilizados, principalmente, para tingir fibras de lã. Os corantes são caracterizados pela presença de um grupo hidroxila ou carboxila na posição orto em relação ao cromóforo azo, permitindo a formação de complexos com íons metálicos. Exemplos mais comuns são os complexos de cromo:corante 1:1 ou 1:2. Esta classe de corante apresenta como desvantagem um alto teor de metal nas águas residuais. 9 Uma outra classificação é dada de acordo com a estrutura química dos corantes como: nitroso, nitro, azóico, estilbenzeno, difenilmetano, triarilmetano, xanteno, acridino, quinolina, metina, tiazol, indamina, indofenol, azina, ozazina, tiazina, enxofre, lactona, aminocetona, hidroxicetona, antraquinona, indigóide, ftalocianina, bases naturais e de oxidação (SANTANA, 2002). Os pigmentos são freqüentemente considerados como um grupo de corantes. Estes são produtos orgânicos ou minerais, com poder colorístico elevado, insolúveis em água, geralmente empregados no processo de estampagem de tecidos. Várias forças atrativas ligam os corantes às fibras e, freqüentemente, mais de um tipo pode atuar na mesma combinação corante-fibra. As quatro principais forças intermoleculares responsáveis pela substantividade do corante pela fibra são: forças de London, ligações de hidrogênio, ligações iônicas e ligações covalentes (TROTMAN, 1984). Os principais produtores de corantes no mundo são: Bayer, Ciba (atual Huntsman), ICI (Imperial Chemical Industries), Basf, Dystar e Clariant. Cada fabricante possui um nome comercial característico para cada tipo de corante, como por exemplo, a classe dos corantes à tina da Bayer e da Ciba apresentam os nomes Indanthren e Cibanone, respectivamente. Além da classe, o nome comercial identifica também a cor, a concentração (100%, 200% etc.) e uma característica do produto (como solidez, grau de tonalidade etc.). Porém, é através do Colour Index (C.I.), publicado pela Society of Dyers and Colourists (SDC) e pela American Association of Textile Chemists and Colorists (AATCC), que se encontra a nomenclatura oficial e a estrutura química da maioria dos corantes comerciais, podendo-se relacionar e identificar os corantes de diferentes produtores. De acordo com Guaratini e Zanoni (2000), no Brasil existe uma grande demanda por corantes ácidos (cerca de 8% da demanda mundial) e por corantes reativos (4% do consumo mundial) devido à produção em larga escala de couros e algodão no país. A indústria têxtil brasileira possui 70% de sua produção baseada no algodão, pois as características climáticas em nosso território favorecem este tipo de cultura. 10 O termo corante “reativo” deve-se a capacidade destes compostos formarem ligações covalentes com a fibra, tornando-se parte dela. Embora esta classe apresente boas características de tingimento, solidez e estabilidade química, estas substâncias reagem também com a água produzindo o corante hidrolisado que deve ser eliminado através de lavagens ao final do processo. Devido a isso, cerca de 30% dos corantes reativos são desperdiçados, contribuindo em grande parte com a formação dos efluentes de tinturaria (VANDEVIVERE et al., 1998 apud SANTANA, 2002). Pesquisas têm mostrado que algumas classes de corantes, principalmente os de estrutura azo, da qual fazem parte os reativos e os ácidos, podem ser carcinogênicos e/ou mutagênicos (KUNZ et al., 2002). 2.3 – Tratamentos de Efluentes Líquidos Industriais O tratamento de efluentes industriais tóxicos é um tema extremamente importante devido à magnitude dos impactos causados quando ocorre um gerenciamento inadequado dos mesmos. Atualmente, grande parte das empresas vem buscando alternativas que levem a soluções cada vez mais eficazes no que diz respeito ao destino dos contaminantes gerados nos seus processos de produção. Esta preocupação das indústrias deve-se, principalmente, ao cumprimento de leis ambientais cada vez mais restritivas e ao marketing junto à população e ao mercado mais conscientizado, exigente e questionador. Devido à complexidade dos efluentes industriais e a diversidade de compostos que podem ser encontrados nos mesmos, cada estudo de remediação deve ser realizado de maneira isolada, ou seja, os tratamentos devem ser direcionados a um tipo particular de efluente. Muitas alternativas têm sido estudadas com o objetivo de permitir não somente a remoção das substâncias contaminantes, mas também, a sua completa mineralização (PELEGRINI, 1999). De acordo com Giordano (2003), os processos de tratamento de efluentes líquidos industriais podem ser classificados em físicos, químicos e biológicos em função da natureza dos poluentes a serem removidos e/ou das operações unitárias utilizadas para o tratamento. Os tratamentos físicos são caracterizados por processos de separação de fases (sedimentação, decantação, filtração, centrifugação e flotação), transferência de fases 11 (destilação, evaporação, cristalização, extração por solventes e adsorção) e processos de separação por tamanho, isto é, filtração utilizando-se membranas seletivas (microfiltração, ultrafiltração, osmose reversa e diálise). Estes procedimentos permitem uma efetiva depuração dos efluentes, porém as substâncias poluentes não são degradadas ou eliminadas, mas apenas transferidas para uma nova fase (PELEGRINI, 1999). Como exemplo de um sistema de tratamento físico, na Figura 2 é mostrado um esquema do processo de flotação com as etapas que vão desde o tanque de equalização até a saída do efluente tratado para o corpo receptor. Figura 2. Esquema de clarificação físico-química por flotação (GIORDANO, 2003). São considerados como processos químicos: a clarificação química (remoção de matéria orgânica coloidal, incluindo os coliformes), a eletrocoagulação (remoção de matéria orgânica, inclusive de compostos coloidais, corantes e óleos/gorduras), a cloração, a oxidação por ozônio, a precipitação de metais tóxicos e a troca iônica (GIORDANO, 2003). Na Figura 3, pode-se visualizar as calhas eletrolíticas usadas no processo de eletrocoagulação. 12 Figura 3. Vista de calhas eletrolíticas (GIORDANO, 2003). Os tratamentos biológicos fundamentam-se na utilização de compostos biodegradáveis como substratos para o crescimento e a manutenção de microorganismos. Os processos biológicos podem ser divididos em aeróbios e anaeróbios, dependendo da natureza do aceptor de elétrons. Nos aeróbios, que levam à formação de CO2 e H2O, o aceptor é o oxigênio molecular. Nos anaeróbios, que levam à formação de CO2 e CH4, o oxigênio está ausente, sendo que algumas formas de carbono e enxofre participam como aceptores de elétrons (PELEGRINI, 1999). Segundo Giordano (2003), os principais processos biológicos são: as lagoas anaeróbias e fotossintéticas, os lodos ativados, as lagoas aeradas e os processos de biomassa fina. Um esquema com a recirculação e a secagem natural do lodo ativado pode ser visto na Figura 4. Figura 4. Esquema de lodos ativados (GIORDANO, 2003). 2.3.1 – Tratamentos de Efluentes de Indústrias Têxteis A indústria têxtil gera efluentes com composição extremamente heterogênea e uma grande quantidade de material tóxico e recalcitrante, o que torna seu tratamento mais difícil. 13 Esses efluentes apresentam uma forte coloração, uma grande quantidade de sólidos suspensos, pH altamente flutuante, temperatura elevada, alta DQO (Demanda Química de Oxigênio), considerável quantidade de metais pesados (por exemplo, Cr, Ni ou Cu), compostos orgânicos clorados e surfactantes (ARAÚJO et al., 2006). Os processos de tratamento neste tipo de indústria objetivam a clarificação dos efluentes e a redução da toxicidade inerente aos produtos químicos utilizados, como a carga orgânica, os detergentes e, principalmente, a cor oriunda da mistura de corantes aplicados no tingimento. O processo de tratamento convencional da maioria das indústrias têxteis, geralmente realizado em uma ETE (Estação de Tratamento de Efluentes), segue as seguintes etapas: preliminar (gradeamento e peneiramento), primário (neutralização, equalização, eletrocoagulação), e ainda, processos de coagulação química e flotação, seguido de lodos ativados (GIORDANO, 2003; AZEVEDO JUNIOR, 1985). O gradeamento de despejos industriais têxteis é geralmente realizado quando o mesmo está contaminado com sólidos em suspensão em grande quantidade e de tamanhos maiores que os da etapa de peneiramento, como pedaços de tecidos e novelos de fios e fibras, ou seja, sólidos que podem produzir entupimentos nos dutos de escoamento do efluente (AZEVEDO JUNIOR, 1985). A etapa de peneiramento é utilizada para a remoção de finos (partículas sólidas menores) e decantáveis, normalmente com diâmetros maiores que 1 mm (por exemplo, fios e fibras soltas). As peneiras mais usadas têm malhas com barras triangulares com espaçamento variando entre 0,5 a 2 mm, podendo a limpeza da peneira ser mecanizada (jatos de água ou escovas) ou estática. As etapas de neutralização e equalização servem para ajustar o pH do efluente com diversas características, geralmente alcalino neste tipo de indústria, e retê-lo em tanques de modo a torná-lo o mais homogêneo possível, facilitando o tratamento subseqüente. Segundo Giordano (1999), a eletrocoagulação é a passagem da corrente elétrica pelo efluente em escoamento por uma calha eletrolítica, sendo responsável por diversas reações que ocorrem no meio como: a oxidação dos compostos, a substituição iônica entre os 14 eletrólitos inorgânicos e os sais orgânicos (com a conseqüente redução da concentração da matéria orgânica dissolvida na solução) e a desestabilização de partículas coloidais. A flotação promove a remoção dos sólidos em suspensão e de partículas com densidade aproximadamente igual à da água. É utilizada, também, para o espessamento de lodos. Este tratamento baseia-se na formação de uma grande quantidade de microbolhas de ar, distribuídas uniformemente pelo volume do reator, e que arrastam os sólidos em suspensão até a superfície do líquido. Tem como vantagem a necessidade reduzida de área e, como desvantagem, um custo operacional mais elevado devido à mecanização (GIORDANO, 2003; AZEVEDO JUNIOR, 1985). As técnicas de tratamento fundamentadas em processos de coagulação, seguidas de separação por flotação ou sedimentação, apresentam uma elevada eficiência na remoção de material particulado. No entanto, para a remoção de cor e compostos orgânicos dissolvidos, mostram-se deficientes. O processo físico de adsorção em carvão ativado apresenta uma eficiência significativamente maior, contudo, em função da superfície química do carvão ser positiva, a adsorção de corantes de caráter catiônico é uma limitação bastante importante (KUNZ et al., 2002). As tecnologias de membranas como osmose reversa (OR), microfiltração (MF), nanofiltração (NF) e ultrafiltração (UF) tornaram-se atrativas para o tratamento de efluentes e corantes têxteis pelo fato de possibilitarem o reuso da água no processo industrial. Porém, de acordo com Sales et al. (2003), a microfiltração envolve discussões devido à incompatibilidade com vários materiais, o que eleva os custos operacionais e diminui a agilidade de execução. Além disso, todos os processos citados acima correspondem a sistemas não-destrutivos, ou seja, só ocorre a transferência de fase dos poluentes e, com isso, a disposição final das fases sólidas continua sendo um problema. Dentro do contexto dos processos destrutivos, que realmente degradam as espécies poluidoras, cabe aos processos biológicos um lugar de destaque, principalmente em função da relativa facilidade encontrada na implementação de sistemas que operem em grande escala. Dentre os processos biológicos utilizados com maior freqüência estão os sistemas de lodos ativados (citado anteriormente). Estes consistem na agitação dos efluentes na presença de 15 microorganismos e oxigênio molecular durante o tempo necessário para metabolizar e flocular uma grande parte da matéria orgânica. O processo possui ainda, uma unidade de aeração, seguido de uma unidade de separação de sólidos/líquidos (decantação secundária). Infelizmente, este tratamento apresenta o grande inconveniente de ser bastante susceptível à composição do efluente, além de produzir um grande volume de lodo, que não pode ser reaproveitado, uma vez que o teor de corante adsorvido é bastante elevado (KUNZ et al., 2002; ROMÃO et al., 2003). Sales et al. (2003) alertam para o fato de que o processo de tratamento por lodo ativado de corantes dispersos promove uma adsorção do corante no lodo que é separado e levado para aterros. Contudo, com as chuvas, o corante não degradado pode percolar contaminando o solo e os lençóis freáticos. De acordo com Souza et al. (2004), os processos biológicos, principalmente sistemas de lagoas aeróbias e lodos ativados, são preferencialmente utilizados para remediar resíduos líquidos oriundos do processo têxtil. Esses processos permitem o tratamento de grandes volumes de efluentes, com uma eficiência relativamente alta na remoção de DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio). No entanto, os corantes reativos costumam ser resistentes a esse tipo de tratamento, mesmo após tempos de retenção bastante prolongados. Nogueira e Jardim (1998) afirmam que existe a necessidade de desenvolver novos processos de tratamento de efluentes que garantam um baixo nível de contaminantes. Dentre os processos de tratamento comumente utilizados na indústria, a incineração e o tratamento biológico são os mais eficientes no que diz respeito à destruição de compostos tóxicos, uma vez que promovem a oxidação e redução dos poluentes. Porém, a incineração apresenta desvantagens como o alto custo, a dificuldade de operação (temperaturas acima de 850 ºC) e a possível formação de traços de dioxinas e furanos como subprodutos de oxidação incompleta. E, quanto ao tratamento biológico, requer um longo tempo para que o efluente atinja os padrões exigidos e possui uma faixa pequena de pH e temperatura na qual o sistema pode atuar (TEIXEIRA; JARDIM, 2004). O caráter carcinogênico ou mutagênico de alguns corantes, os efeitos nocivos da coloração nas águas receptoras e a resistência habitual dos efluentes à degradação biológica, 16 reforçam a idéia de que é necessário estudar novas alternativas de tratamento adequado para estes tipos de resíduos (GOUVÊA et al., 2000). Entre os novos processos de descontaminação ambiental que estão sendo desenvolvidos, os chamados "Processos Oxidativos Avançados" (POA) vêm ganhando destaque. São baseados na formação de radicais hidroxila (•OH), agente altamente oxidante. Devido à sua alta reatividade, esses radicais podem reagir com uma grande variedade de classes de compostos promovendo sua total mineralização para compostos inócuos como CO2 e água. Como mostra a Tabela 2, os POA dividem-se em sistemas homogêneos e heterogêneos, onde os radicais hidroxila são gerados com ou sem irradiação ultravioleta (UV). Entre eles, podem-se citar os processos que envolvem a utilização de ozônio, peróxido de hidrogênio, decomposição catalítica de peróxido de hidrogênio em meio ácido (reação de Fenton ou foto-Fenton) e semicondutores como dióxido de titânio na fotocatálise heterogênea (NOGUEIRA; JARDIM, 1998; ALBERICI, 1996). Tabela 2 – Processos oxidativos avançados (ALBERICI, 1996). Sistemas Sem Com irradiação irradiação O3/UV Homogêneos O3/H2O2 H2O2/UV O3/OH– O3/H2O2/UV 2+ H2O2/Fe UV/vácuo H2O2/Fe2+/UV Heterogêneos elétron-fenton TiO2/UV TiO2/H2O2/UV 17 2.4 – A Fotocatálise Heterogênea De acordo com a IUPAC (International Union of Pure and Applied Chemistry), “catálise é o fenômeno em que uma quantidade relativamente pequena de um material estranho à estequiometria (o catalisador) aumenta a velocidade de uma reação química sem ser consumido no processo”. Quando o catalisador e os reagentes estão dispersos na mesma fase, a catálise diz-se homogênea. Quando o catalisador constitui uma fase separada, a catálise é dita heterogênea. Neste caso, a reação química ocorre na interface entre as fases e a sua velocidade será, em princípio, proporcional à área respectiva. Em catálise heterogênea são possíveis diversas combinações de fases, mas, em geral, o catalisador é um sólido, enquanto que os reagentes e produtos se distribuem por uma ou mais fases fluidas (FIGUEIREDO; RIBEIRO, 1987). Ainda segundo a IUPAC, a definição de fotocatálise é dada como: “reação catalítica envolvendo absorção de luz pelo catalisador ou pelo substrato” (PARMON, 1997). Essas reações ou transformações moleculares fotoinduzidas ocorrem na superfície do catalisador. Porém, dependendo de onde ocorre a excitação inicial, a fotocatálise pode ser dividida em duas classes de processos. Se a fotoexcitação inicial ocorre em uma molécula adsorvida, a qual então interage com o catalisador no seu estado fundamental, o processo é chamado de fotoreação catalisada. Se, por outro lado, a fotoexcitação inicial ocorre no catalisador e o catalisador fotoexcitado, então, interage com a molécula adsorvida no estado fundamental, o processo é chamado de fotoreação sensibilizada. A irradiação do catalisador ou de uma molécula adsorvida pode ser feita através de energia solar ou artificial (LINSEBIGLER et al., 1995; MILLS; HUNTE, 1997). A fotocatálise heterogênea surgiu na década de setenta quando pesquisas em células fotoeletroquímicas começaram a ser desenvolvidas com o objetivo de produção de combustíveis a partir de materiais baratos, visando a transformação da energia solar em química. Fujishima e Honda (1972), citados por Teixeira e Jardim (2004), descreveram o processo de oxidação da água em suspensão de TiO2 irradiado em uma célula fotoeletroquímica, gerando hidrogênio e oxigênio. Este trabalho marcou o início de uma nova era na fotocatálise heterogênea, que desde então passou a ser tema de estudo de químicos, físicos e engenheiros químicos, principalmente em relação à limpeza do meio ambiente através da destruição de compostos orgânicos presentes no ar e na água. 18 Os primeiros trabalhos sobre a aplicação da fotocatálise à descontaminação ambiental foram realizados por Pruden e Ollis (1983), onde foi demonstrada a total mineralização de clorofórmio e tricloroetileno para íons inorgânicos durante iluminação de suspensão de TiO2. O interesse pela fotocatálise heterogênea é intenso e vem aumentando, com muitos artigos sendo publicados por ano sobre este tema. 2.4.1 – Princípios e vantagens da Fotocatálise Heterogênea Quando um semicondutor é irradiado ou excitado por uma energia luminosa (fótons), luz solar ou artificial, igual ou maior que sua “band gap” (diferença de potencial entre a banda de valência e a banda de condução), ocorre a promoção de elétrons da sua banda de valência (BV) para a banda de condução (BC), levando à formação de pares elétron/lacuna (e–/h+), conforme mostrado na Equação 3. Os elétrons da banda de condução (e–) e as lacunas da banda de valência (h+), quando na superfície do catalisador, podem se recombinar ou reagir com espécies adsorvidas e participar de reações de oxidação-redução. As lacunas localizadas na BV apresentam potenciais de oxidação elevados, na faixa de +2,0 a +3,5 V. Do ponto de vista termodinâmico, praticamente qualquer composto orgânico pode ser oxidado quando exposto a este potencial. A degradação de um poluente orgânico pode, então, ser atribuída à reação indireta desta lacuna positiva, de forma similar às Equações 4 e 5, onde a água ou grupos hidroxila adsorvidos são oxidados a radicais hidroxila (•OH), os quais reagem com a molécula do poluente. Já os elétrons “deslocalizados” são responsáveis pela distribuição das cargas negativas que podem migrar para a superfície da partícula, onde mostram potenciais que variam entre 0 e –1,0 V, sendo, portanto, bons redutores (HERRMANN et al., 1993; ALBERICI, 1996; NOGUEIRA; JARDIM, 1998). hν TiO2 → TiO2 (e–BC + h+BV) (3) h+ + H2O(ads) → •OH + H+ (4) h+ + OH–(ads) → •OH (5) Em suma, o mecanismo da fotocatálise segue as seguintes etapas (KIRIAKIDOU et al., 1999): (a) transferência do elétron da banda de valência para a banda de condução; 19 (b) criação de lacunas eletrônicas na superfície do fotocatalisador; (c) oxidação e redução de determinadas espécies; e (d) degradação dos reagentes orgânicos pelas espécies oxidadas ou reduzidas. Um esquema da partícula esférica de um semicondutor, no caso o TiO2, pode ser visto na Figura 5. Figura 5. Esquema do processo fotocatalítico sobre TiO2 (HERRMANN, 1999). A eficiência dos processos de oxi-redução está ligada ao processo de recombinação dos pares e–/h+, mostrado na Equação 6, que pode ocorrer no interior da partícula do semicondutor ou na superfície, resultando na liberação de calor. Como essa recombinação é muito rápida (picossegundos), a transferência de elétrons na interface é cineticamente competitiva somente se as espécies doadoras e receptoras de elétrons estiverem préadsorvidas na superfície antes da fotólise. Fox e Dulay (1993) sugeriram que a adsorção preliminar é um pré-requisito para a eficiência de reações fotocatalíticas. TiO2 (e–BC + h+BV) → TiO2 + calor (6) Gouvêa et al. (2000) confirmam que um dos principais problemas associados à viabilidade dos processos fotoquímicos está na alta tendência dos pares elétron-lacuna se recombinarem, impedindo a ação do fotocatalisador. Segundo os autores, o uso de um aceptor de elétrons, como o oxigênio, é uma boa alternativa para superar este problema. 20 A oxidação fotocatalítica apresenta algumas vantagens em relação a outros métodos (HERRMANN et al., 1993; LEGRINI et al., 1993; ALBERICI, 1996; SANTANA, 2002): reação razoavelmente rápida à temperatura ambiente; ampla faixa de compostos orgânicos e inorgânicos podem ser oxidados; sistema de fácil operação e manutenção; elimina a adição de oxidantes químicos ao sistema reacional; pode ser efetuada em várias fases; apresenta baixo consumo de energia; processo de baixo custo (baixo custo do TiO2); reuso do catalisador ou uso do mesmo imobilizado; radiação solar pode ser empregada como fonte de luz para ativar o catalisador; e possibilidade de se trabalhar com soluções contendo baixas concentrações. Segundo Ollis et al. (1989) e Herrmann et al. (1999), várias classes de contaminantes orgânicos presentes na água têm sido investigadas como compostos passíveis de degradação fotocatalítica, como por exemplo: alcanos e alcanos halogenados (pentano, clorofórmio, bromofórmio), alcenos halogenados (tricloroetileno, tetracloroetileno), aromáticos e aromáticos halogenados (benzeno, fenol, pentaclorofenol, dioxinas, clorobenzeno, bifenilas policloradas — PCBs), álcoois (metanol, propanol), herbicidas e pesticidas (atrazina e bentazon), surfactantes (dodecilbenzeno sulfonado de sódio — DBS), ligninas e corantes (azul de metileno, alaranjado de metila, rodamina etc.). Além dos compostos orgânicos, inúmeros compostos inorgânicos podem ser degradados através da fotocatálise, entre eles: nitrito, sulfeto, sulfito e tiossulfato. Embora o processo de fotocatálise possua boa eficiência tanto no controle da poluição quanto na remediação ambiental, uma desvantagem é a possível formação de subprodutos pela oxidação parcial, subprodutos estes que podem ser menos reativos e mais tóxicos (MUGGLI; FALCONER, 1998). Além disso, Kunz et al. (2002) alertam para o fato da existência de inconvenientes de ordem prática ou limitações que dificultam bastante a consolidação deste processo como alternativa de tratamento em grande escala. Dentre eles: (1) necessidade de fontes artificiais de radiação, uma vez que grande parte dos fotocatalisadores apresenta um “band gap” correspondente à região ultravioleta, ou seja, novos semicondutores, que apresentem maior absorção na região do visível são necessários 21 para o desenvolvimento da fotocatálise utilizando luz solar; (2) dificuldades na penetração da radiação no meio reacional e dificuldades na separação dos fotocalisadores, uma vez que estes são utilizados na forma de finas suspensões; e (3) dificuldades na implementação de sistemas contínuos em grande escala. Porém, estudos recentes tentam contornar estes inconvenientes com alternativas como: (i) desenvolvimento de semicondutores com maior eficiência através da sua “dopagem” com outros elementos químicos e (ii) implementação de sistemas que operem com semicondutores imobilizados (MAHMOODI et al., 2006; KITANO et al., 2007). Segundo Nogueira e Jardim (1998), algumas aplicações da fotocatálise estão sendo industrializadas por empresas japonesas, onde destacam-se: • desodorização de ambientes através da utilização de filtros impregnados com TiO2, que sob iluminação são capazes de degradar substâncias causadoras de odor; • tintas fotocatalíticas para revestimentos anti-bactericidas e auto-limpantes de paredes de centros cirúrgicos; • vidros e espelhos anti-embaçantes, onde a característica super-hidrofóbica do TiO2 quando iluminado com luz UV é aproveitada. Neste caso, a água se espalha rapidamente, formando um filme uniforme sobre a superfície ao invés de gotículas, evitando o embaçamento; e • vidros auto-limpantes para iluminação de túneis, onde a formação de filme de poeira oleosa na superfície dos holofotes pode ser destruída por fotocatálise, mantendo, assim, o vidro sempre limpo. 2.5 – Semicondutores Os catalisadores podem ser classificados em condutores, semicondutores e isolantes, de acordo com a diferença de potencial (ddp) entre as bandas de valência e de condução (FIGUEIREDO; RIBEIRO, 1987). Os metais são condutores, sendo os de transição particularmente importantes em catálise. funcionam como ácidos ou bases. Os óxidos estequiométricos são isolantes e São considerados semicondutores, os óxidos não- estequiométricos e os sulfetos de metais de transição, os quais podem doar ou receber elétrons. 22 Os semicondutores, em sua grande maioria, possuem a propriedade da semicondutividade devido à existência de impurezas ou defeitos na sua rede cristalina. Estes classificam-se em dois tipos: p (positivo) e n (negativo). De uma forma geral, um semicondutor é do tipo p quando o cátion tem acesso a um estado de oxidação superior e do tipo n quando o cátion já está no seu estado de oxidação mais elevado. Ainda segundo Figueiredo e Ribeiro (1987), as diferenças de comportamento catalítico dos dois tipos de semicondutores podem ser explicadas com base nos mecanismos de adsorção do oxigênio. No caso dos semicondutores positivos, a formação de espécies O– adsorvidas é facilitada pelos elétrons cedidos pelos íons metálicos. Desta forma, a superfície tende a saturar-se com o oxigênio adsorvido. Tal mecanismo não é possível com semicondutores negativos, em que a adsorção do oxigênio é limitada e ocorre apenas em superfícies previamente reduzidas. Por outro lado, se o adsorvido for um redutor, a adsorção será pequena em semicondutores tipo p e quase completa em semicondutores tipo n. Como explicado anteriormente, existe uma região que se estende da banda de valência até a banda de condução de um semicondutor denominada “band gap”. No caso dos semicondutores do tipo p, mais raros na natureza, estes intervalos costumam ser menores e a grande maioria sofre sérios problemas de estabilidade se comparado com os semicondutores do tipo n. Em decorrência disto, os semicondutores do tipo p são raramente usados em fotocatálise (MILLS; HUNTE, 1997). Para um semicondutor ser utilizado na degradação de compostos orgânicos e inorgânicos através da fotocatálise, ele deve ser (SANTANA, 2002; MILLS; HUNTE, 1997): fotoativo; capaz de utilizar luz visível e/ou ultravioleta próximo; biológica e quimicamente inerte; fotoestável; e de baixo custo. Uma grande quantidade de óxidos não-estequiométricos e sulfetos possuem algumas dessas características, dentre eles: TiO2, CdS, ZnO, WO3, ZnS, Fe2O3, Nb2O5, CeO2, SrTiO3, BiO3 (LINSEBIGLER et al., 1995; HERRMANN, 1999; ALBERICI, 1996). 23 Nogueira e Jardim (1998) alertam para o fato de que a combinação de fotoatividade e fotoestabilidade não é muitas vezes satisfeita, como no caso do semicondutor CdS, que apesar de absorver radiação de até 510 nm, sofre fotocorrosão quando irradiado, gerando Cd2+ e enxofre, inviabilizando sua utilização em processos de descontaminação. Lizama et al. (2002) afirmam que devido à solubilidade do ZnO em suspensões aquosas a pH < 6,5, é possível usar este catalisador somente em meios neutro ou alcalino. A fim de fotoreduzir uma espécie química, a banda de condução de um semicondutor deve ser mais negativa do que o potencial de redução dessa espécie, e para ocorrer a fotooxidação, o potencial da banda de valência do semicondutor deve ser mais positivo que o potencial de oxidação da espécie química (MILLS; HUNTE, 1997). Na Figura 6, é mostrada a posição das bandas de vários fotocatalisadores, incluindo o TiO2 em duas fases cristalinas (rutilo e anatásio), além do potencial redox de H2O/OH• e O2/HO2• em pH igual a zero. Figura 6. Posição das bandas de semicondutores usados como fotocatalisadores e o potencial redox de H2O/•OH e O2/HO2• em pH = 0. Escala de energia interna (eV) versus eletrodo normal do hidrogênio (NHE) (MILLS; HUNTE, 1997). 24 Segundo Linsebigler et al. (1995), existem algumas variáveis que afetam a atividade fotocatalítica de um semicondutor, como por exemplo: o tamanho da partícula, a sua área superficial, a cristalinidade, a fase do cristal, a estabilidade sob iluminação, a seletividade dos produtos, a resposta à faixa de comprimento de onda, a intensidade da luz, a concentração do catalisador, o pH e a concentração inicial da solução. 2.5.1 – O Dióxido de Titânio (TiO2) Dentre os semicondutores citados anteriormente, o dióxido de titânio merece ser destacado, pois é o mais estudado e empregado em fotocatálise, por possuir vantagens como (HOFFMANN et al., 1995; FUKUNAGA, 2003; CANELA, 1999): • a possibilidade de ativação por luz solar; • ser estável fotocatalítica e quimicamente numa ampla faixa de pH; • apresentar insolubilidade em água; • possibilidade de ser imobilizado em sólidos; • operar em temperatura e pressão ambiente; e • apresentar baixo custo e natureza atóxica. O TiO2 é um semicondutor do tipo n (negativo) e pode ser encontrado na natureza em três formas alotrópicas: rutilo, anatásio e brookita, sendo a forma anatásio considerada a mais ativa em fotocatálise. A forma rutilo possui uma baixa fotoatividade, que está relacionada com a alta taxa de recombinação e–/h+ devido à baixa capacidade de adsorção de O2 em sua superfície. A forma brookita não apresenta atividade catalítica (ALBERICI, 1996; CANELA, 1999; LINSEBIGLER et al., 1995). Segundo Ziolli e Jardim (1998), muitos pesquisadores afirmam que a forma rutilo não possui baixa fotoatividade, mas sim, nenhuma atividade fotocatalítica ou uma atividade seletiva junto a certos substratos. Porém, o rutilo é a única fase estável do óxido de titânio, sendo as demais consideradas fases metaestáveis e que podem ser convertidas em rutilo por aquecimento (GOUVÊA, 2000). Herrmann (1999) reforça a idéia de que o anatásio é termodinamicamente menos estável que o rutilo, mas sua formação é cineticamente favorecida a temperaturas inferiores a 25 600 ºC. Esta temperatura mais baixa (o TiO2 é produzido, normalmente, a temperaturas acima de 1000 oC) poderia explicar sua maior área superficial e uma maior densidade superficial dos sítios ativos para a adsorção e catálise. As formas cristalinas de rutilo e anatásio possuem uma estrutura tetragonal, onde o átomo de titânio encontra-se coordenado octaedricamente por seis átomos de oxigênio eqüidistantes (TiO6) (GOUVÊA, 2000; LINSEBIGLER et al., 1995). As duas estruturas cristalinas diferem entre si basicamente pela distorção de cada octaedro, sendo esta distorção maior no anatásio. As distâncias entre os átomos de titânio (Ti–Ti) na forma anatásio são maiores do que na forma rutilo e, no caso das distâncias entre os átomos de titânio e oxigênio (Ti–O), ocorre o inverso. Na Figura 7, pode ser visualizada a estrutura do TiO2 nas formas rutilo e anatásio com suas respectivas distâncias das ligações Ti–O (d), as massas específicas (ρ), as energias livre de Gibbs (∆Gfo) e as energias do “band gap” (Eg). Figura 7. Cela unitária do TiO2 nas formas rutilo e anatásio (LINSEBIGLER et al., 1995). As fases cristalinas do TiO2 variam com o pré-tratamento e a preparação do mesmo. Estudos têm mostrado que a sua atividade fotocatalítica e o mecanismo de reação são influenciados pela estrutura, defeitos e impurezas, morfologia da superfície e interface, entre outros fatores. O dióxido de titânio pode ser preparado a partir de diferentes sais (sulfato, cloreto), os quais podem deixar sobre sua superfície quantidades de impurezas aniônicas que afetam 26 significativamente a superfície do óxido. O comportamento de adsorção de uma superfície de TiO2 livre de defeitos é bem diferente da superfície real, na qual a presença de defeitos conduz a uma maior atividade fotocatalítica (ZIOLLI; JARDIM, 1998). Muitos pesquisadores observaram que as formas rutilo e anatásio empregadas simultaneamente nos processos fotocatalíticos ofereciam uma eficiência maior do que os catalisadores que continham as fases separadas (MILLS; HUNTE, 1997; BACSA; KIWI, 1998). Sendo assim, com o objetivo de se obter uma reprodutibilidade nos resultados dos trabalhos, vários pesquisadores têm adotado um semicondutor de TiO2 do mesmo fabricante (Degussa), chamado de P25. Este catalisador é produzido a altas temperaturas (> 1200 ºC), através do TiCl4 na presença de H2 e O2. O TiO2 é tratado com vapor d’água para a remoção do HCl que também é produzido como parte da reação. O produto possui uma pureza de 99,5% e é composto por 70% de anatásio e 30% de rutilo. A sua área superficial é de 50 ± 15 m2 g–1 e o tamanho médio de partícula é de 21 nm, com 90% destas partículas entre 9 e 38 nm. Entretanto, estas partículas não existem isoladamente, mas em aglomerados com diâmetros de aproximadamente 0,1 µm (MILLS; HUNTE, 1997; SANTANA, 2002; HOFFMANN et al., 1995). 2.6 – Influência de Alguns Fatores na Reação Fotocatalítica A taxa da reação fotocatalítica depende de vários parâmetros experimentais, como a concentração do poluente, a presença de oxidantes auxiliares, a natureza e a concentração do catalisador, as características da fonte luminosa e do reator, a temperatura, o pH, entre outros (TEIXEIRA; JARDIM, 2004). Alguns destes fatores são discutidos a seguir. 2.6.1 – Oxidantes Auxiliares Na fotocatálise heterogênea são utilizados inúmeros oxidantes auxiliares, destacandose o oxigênio, o ozônio, o peróxido de hidrogênio e os sais de ferro. O O2 é o mais empregado, pois é economicamente viável e não compete com o substrato na etapa de adsorção. Ele atua como um receptor de elétrons, diminuindo o efeito da recombinação dos pares elétron/lacuna. O H2O2 apresenta vantagens, como a capacidade de oxidar diretamente alguns compostos, solubilidade em água e geração de dois radicais •OH por molécula de H2O2 fotolisada. Porém, a desvantagem deste oxidante é que a taxa de oxidação química do 27 poluente fica limitada pela taxa de formação dos radicais hidroxila, sendo dependente da matéria orgânica presente e da quantidade de oxidante adicionado ao sistema (TEIXEIRA; JARDIM, 2004). 2.6.2 – Concentração do Catalisador O aumento da concentração do catalisador faz com que a taxa de degradação aumente, devido ao maior número de fótons absorvidos e de sítios reacionais. Conseqüentemente, um maior número de moléculas que reagem com os radicais hidroxila serão adsorvidas, acelerando o processo de degradação. Entretanto, quando a concentração ultrapassa um valor-limite, ocorre uma perda na eficiência do processo devido ao aumento da opacidade da solução (turbidez) que impede a passagem da luz irradiada (GONÇALVES et al., 1999). 2.6.3 – Efeito do pH O pH pode afetar as propriedades superficiais do catalisador, incluindo a carga das partículas e as posições das bandas de condução e de valência. O efeito do pH na descoloração fotocatalítica baseia-se na eficiência de cada espécie de corante em meio ácido ou básico, ou seja, na capacidade de adsorção do corante, em determinado pH, na superfície do óxido carregado positiva ou negativamente (MILLS; HUNTE, 1997). 2.7 – Monitoramento do Processo Fotocatalítico Na degradação fotocatalítica de corantes, algumas análises são necessárias para assegurar que o descoramento e a mineralização destes, em compostos inócuos como CO2 e água, tenham ocorrido. 2.7.1 – Análise de Espectrofotometria UV-VIS É uma técnica eficaz no monitoramento da reação através de colorimetria. Uma solução com o composto a ser analisado é submetida à radiação correspondente ao comprimento de onda onde sua absorção é máxima. A absorbância registrada é proporcional à concentração do composto (SANTANA, 2002). 28 2.7.2 – Carbono Orgânico Dissolvido (COD) Esta análise não fornece uma indicação qualitativa, mas quantitativa em relação à mineralização dos compostos orgânicos presentes. Para a determinação do COD, as moléculas orgânicas são convertidas a CO2 e, então, medidas quantitativamente em um espectrofotômetro infravermelho dispersivo. Os métodos para análise do COD utilizam calor e oxigênio, irradiação ultravioleta, oxidação química em fase líquida ou combinações destes (TEIXEIRA; JARDIM, 2004). 2.7.3 – Toxicidade Esta análise mede a eficiência do tratamento em relação aos efeitos nocivos do produto gerado na reação de degradação. Não existe um procedimento ou organismo único para a medição da toxicidade, pois depende da necessidade requerida. Sendo assim, alguns dos organismos utilizados para esta finalidade são: Daphnia simillis, Vibrio fischeri, Lactuca sativa, dentre outros (TEIXEIRA; JARDIM, 2004). 2.8 – Degradação de Corantes por Fotocatálise Heterogênea A seguir, serão apresentados trabalhos encontrados na literatura, sobre a degradação fotocatalítica de corantes, relevantes ao tema em questão. Sales et al. (2003) investigaram o desempenho do processo fotocatalítico com TiO2 no tratamento do corante Azul Disperso Resolin (FBL). –1 contendo 50 mg L Um volume de 450 mL de solução do corante em pH 7,0 foi tratado em um reator fotocatalítico de vidro com dióxido de titânio (Degussa P25) por radiação UV através de uma lâmpada de vapor de mercúrio de média pressão (125 W) imersa na solução em um tubo de quartzo. Os experimentos foram realizados à temperatura ambiente e agitação contínua, com borbulhamento de oxigênio a uma vazão de 180 mL min–1. A eficiência do processo foi avaliada monitorando-se a descoloração do corante com um espectrofotômetro FEMTO e medindo-se a redução de Carbono Orgânico Total (COT) em alíquotas retiradas em intervalos de 5 minutos. 29 Nos cinco minutos iniciais do tratamento, houve um aumento da cor devido ao surgimento de grupos intermediários, porém, observou-se uma diminuição gradual da coloração, chegando-se a 93% de descoloração após 45 min de tratamento fotocatalítico. O processo mostrou, também, uma excelente eficiência na mineralização do corante estudado, com uma redução de 73% da matéria orgânica total após 45 min de tratamento. Os autores compararam seus resultados a um padrão de descarte definido pela literatura e, ainda, a uma amostra de efluente tratada por processo biológico. A descoloração do corante Azul Disperso Resolin, conseguida através da fotocatálise, tornou-o bem próximo dos padrões exigidos para descarte, enquanto o efluente industrial, tratado por lodo ativado durante 180 min, ficou acima do padrão permitido. Souza et al. (2004) propuseram um processo de degradação de corantes reativos, combinando uma etapa preliminar de precipitação química de óxido férrico hidratado (catalisador) seguido de fotocatálise heterogênea, na presença do precipitado. Os corantes Azul Reativo 19, Laranja Reativo 16, Preto Reativo 5 e Amarelo Reativo (Sigma) foram utilizados em solução aquosa na concentração de 100 mg L–1 para cada corante. Na etapa preliminar, o processo de precipitação de óxidos hidratados foi conduzido na presença de Zn2+ e Fe3+, utilizando-se o corante Azul 19 como modelo. Amostras aquosas de 50 mL deste corante foram adicionadas a volumes variáveis de Zn(NO3)2 ou Fe(NO3)3. Uma solução de hidróxido de sódio (0,1 mol L–1) foi adicionada sob agitação constante até a precipitação dos respectivos óxidos hidratados. Na etapa de degradação fotoquímica, foi utilizado um reator de 150 mL de capacidade equipado com refrigeração por água, agitação magnética e um sistema de oxigenação, que produziu um borbulhamento durante todo o processo com uma vazão de 100 mL min–1. A radiação ultravioleta foi fornecida por uma lâmpada de vapor de mercúrio de 125 W (Philips), sem o bulbo protetor de vidro, localizada a 10 cm da superfície da solução. A descoloração das amostras foi determinada por um espectrofotômetro HP 8452 A nos comprimentos de onda de máxima absorção de cada corante e determinações de COT também foram realizadas após os experimentos. Foi demonstrado que a precipitação do óxido de zinco não promoveu uma significativa descoloração do corante modelo (inferiores a 20%), devido a sua baixa capacidade de adsorção, conseqüência da sua baixa área superficial; por outro lado, o óxido férrico provocou uma remoção de cor superior a 50%. Portanto, os 30 estudos foram conduzidos para os outros corantes somente na presença do precipitado férrico, produzido a partir de 10 mL de Fe(NO3)3. Os autores concluíram que o catalisador FeO(OH), formado por precipitação in situ, promoveu a degradação dos corantes pesquisados com índices entre 5 e 50%. Com a subseqüente aplicação de radiação ultravioleta na presença do precipitado férrico, a descoloração atingiu índices superiores a 80% em tempos de reação da ordem de 80 minutos. Mineralizações foram observadas na ordem de 70% em todos os casos. Galindo et al. (2000) compararam a fotodegradação do corante Aminoazobenzene Acid Orange 52 (AO52) em três processos oxidativos avançados: UV/H2O2, UV/TiO2 e VIS/TiO2. Nos processos UV/H2O2 e UV/TiO2, foi utilizado um fotoreator batelada com volume de 1 L, cuja irradiação era fornecida por uma lâmpada de vapor de mercúrio de baixa pressão (15 W) e uma lâmpada negra (18 W), respectivamente. Para o sistema VIS/TiO2, um laser He-Cd gerando uma luz monocromática de 442 nm foi utilizado. O TiO2 usado foi o P25 da Degussa. As concentrações do corante, de TiO2 e H2O2 foram variadas. As soluções aquosas foram agitadas magneticamente e o pH da solução foi ajustado usando ácido nítrico diluído ou soluções aquosas de hidróxido de sódio. Em intervalos regulares de tempo, amostras foram retiradas do reator e, quando necessário, filtradas em filtros de 0,45 µm. A estimativa da concentração de corante residual foi fornecida por espectrofotometria UV-VIS. A determinação do valor de COT e as análises de FTIR, HPLC e espectro 1H RMN foram também realizadas. Os resultados mostraram que ambos os processos UV/H2O2 e UV/TiO2 podem ser eficientemente usados para degradar o corante AO52. O sistema UV/TiO2 mostrou ser dependente do pH, pois a taxa de degradação permaneceu constante na faixa de pH 5 a 10 e aumentou, consideravelmente, nos valores extremos (próximos de pH 2 e 14). O processo de degradação por VIS/TiO2 pareceu ser menos eficaz do ponto de vista cinético. A capacidade do corante excitado de transferir um elétron para a banda de condução do semicondutor pode ser uma ótima opção ao se combinar irradiação UV e visível, usando luz solar como fonte barata de radiação. Um ponto importante do estudo é que muitos produtos tóxicos 31 intermediários foram detectados na etapa de descoloração pelo processo UV/H2O2, mas isso não ocorreu para os dois sistemas heterogêneos. Muruganandham e Swaminathan (2006) realizaram a descoloração e degradação fotocatalítica do corante Reactive Orange 4 (RO4) em solução aquosa com TiO2 P25 (Degussa) como fotocatalisador e irradiação ultravioleta (UV-A). Os efeitos de vários parâmetros reacionais, tais como o pH, a quantidade de catalisador e a concentração inicial do corante foram avaliados. Aceptores de elétrons, como H2O2, (NH4)2S2O8 e KBrO3, foram usados visando promover a degradação. O reator utilizado na fotoreação consistiu de oito lâmpadas de vapor de mercúrio de média pressão colocadas em paralelo e com máximo de emissão no comprimento de onda de 365 nm. O pH das soluções foi ajustado usando-se H2SO4 ou NaOH. A solução com TiO2 e corante foi continuamente borbulhada com o auxílio de uma bomba para fornecer oxigênio. Em todos os experimentos foram utilizados 50 mL da solução de corante contendo uma quantidade apropriada de dióxido de titânio em suspensão. Em intervalos de tempo específicos, amostras de 2 mL foram recolhidas e centrifugadas para separar o catalisador. Produtos intermediários da degradação do corante RO4 foram analisados por técnica GC-MS. O corante RO4 sofreu descoloração em 80 min e foi completamente degradado em 180 min de tratamento. A adsorção do corante à superfície do TiO2 foi ótima em pH 5. Ficou demonstrado que a degradação foi fortemente aumentada na presença dos aceptores de elétrons citados. As condições ótimas para a degradação de 5 × 10–4 mol L–1 de solução de corante foram: concentração de 4 g L–1 de TiO2, pH inicial entre 7 e 10, concentração inicial de H2O2 de 15 mmol L–1, concentração inicial de (NH4)2S2O8 e KBrO3 de 3 g L–1. Na análise de GC-MS, três produtos foram identificados como intermediários da degradação fotocatalítica. Wang (2000) investigou a degradação fotocatalítica de oito corantes comerciais com estruturas diferentes, utilizando o TiO2 em suspensão como fotocatalisador em solução aquosa sob irradiação solar. Todos os experimentos foram realizados em condições idênticas e no mesmo dia, horário e local. A insolação média foi de 21,28 W m–2, determinada por um medidor fotoeletrônico de irradiação UV em uma faixa de 375 a 475 nm. Foram preparadas soluções 32 de 1 L cada, com concentração inicial de corante de 20 mg L–1 e 1 g L–1 de TiO2 em pó (predominantemente anatásio, com área superficial específica de 9 m2 g–1) mantido em suspensão com o auxílio de agitadores magnéticos em recipientes abertos. Várias amostras foram retiradas em intervalos regulares de tempo para análises. Para se evitar uma mudança de volume devido à volatilidade do solvente, uma certa quantidade de água destilada foi adicionada ao sistema em intervalos diferentes. As amostras foram analisadas após centrifugação (por 10 min a 1.800 rpm) e filtração (filtro de 0,45 µm). A remoção da cor da solução de corante foi monitorada por espectrofotometria UV/VIS. Foram, também, determinadas a redução de COT e a produção de sulfato e cloreto durante o processo de degradação fotocatalítico. O estudo demonstrou que certos corantes comerciais podem ser descorados e mineralizados por irradiação solar. A Tabela 3 mostra os dados experimentais dos oito corantes degradados durante 4 horas de irradiação. Em geral, a taxa de descoloração dos corantes foi mais rápida que a taxa de mineralização, identificada pela redução de COT. A liberação de cloreto e sulfato no processo de fotodegradação solar atestam a quebra da estrutura molecular do corante. Tabela 3. Dados experimentais da degradação fotocatalítica de oito corantes comerciais após 4 h de irradiação solar (WANG, 2000). Corantes Remoção (%) Produção (%) Cor COT SO42– Cl– Reactive brilliant red K-2G (C25H13O13N7S4ClNa4) 100 82 53 0 Reactive brilliant red K-BP (C25H13O10N7S3Cl2Na3) 93 73 25 9 Reactive yellow KD-3G (C50H34O20N18S6Cl2Na6) 81 42 27 0 Cationic pink FG (C22H29O4N2PCl) 100 61 — 36 Methyl orange (C14H14O3N3S) 94 52 60 — Direct light red F-3B (C45H26O19N10S6Na6) 100 70 25 — Direct light turquoise GL (C32H14O6N8S2Na2) 92 45 18 — Acid red B (C20H12O7N2S2Na2) 100 55 63 — Nome Fórmula Lizama et al. (2002) pesquisaram a degradação fotocatalítica otimizada do corante Reactive Blue 19 (RB-19), também conhecido como Remazol Brilliant Blue, um corante antraquinona, em suspensões aquosas contendo TiO2 ou ZnO como catalisadores. Os dados 33 experimentais foram matematicamente descritos em função de parâmetros como pH, quantidade de catalisador e concentração de corante, sendo modelados através da metodologia da superfície de resposta. Foram determinados valores otimizados para a concentração do catalisador e o pH em cada sistema reacional. O dióxido de titânio utilizado foi o P25 da Degussa e o ZnO foi obtido da Merck, com áreas superficiais de 50 e 5 m2 g–1, respectivamente. Dois tipos de reatores foram usados no experimento: um sem e outro com reciclo da suspensão. O primeiro foi utilizado nos experimentos realizados com a finalidade de otimizar a descoloração de acordo com o método do planejamento fatorial, onde três variáveis foram testadas simultaneamente para cada catalisador: o pH inicial (5,6 - 11), a concentração do catalisador (0,16 - 1,84 g L–1) e a concentração do corante (16 - 80 mg L–1). Neste fotoreator, 1 L da solução de corante, com TiO2 ou ZnO em suspensão, foi irradiada com uma lâmpada comercial de 125 W. Antes da irradiação, cada suspensão foi agitada no escuro durante 30 min para alcançar o equilíbrio da adsorção do corante sob a superfície do catalisador. A suspensão aquosa foi agitada magneticamente e oxigênio foi borbulhado a 300 mL min–1. Amostras foram retiradas periodicamente e filtradas em filtros Millipore de 0,45 µm para ZnO e 0,22 µm para TiO2. No reator com reciclo da suspensão aquosa, as reações serviram para determinar os custos de energia elétrica, a toxicidade (por teste de Microtox em termos de CE502) e o COT. As reações foram realizadas com reciclo de 4 L, onde o reator fotoquímico contendo 1 L da solução e o reservatório externo contendo 3 L foram agitados magneticamente. A suspensão foi recirculada com uma vazão de 150 mL min–1 através de uma bomba peristáltica. O oxigênio foi borbulhado com a mesma vazão usada no reator anterior e amostras de 20 mL foram retiradas do reservatório externo a cada 5 min e filtradas em seguida com os filtros descritos anteriormente. Um esquema dos reatores com e sem reciclo da suspensão aquosa é mostrado na Figura 8. 2 Concentração efetiva do agente tóxico, expresso em porcentagem, que causa 50% da redução da quantidade de luz emitida pelo microrganismo-teste, após sua exposição a este agente durante um determinado período e temperatura. 34 Figura .8. Esquema dos fotoreatores usados na descoloração do corante RB-19 por TiO2 e ZnO. O reator A foi usado em todos os experimentos de otimização e o reator B na determinação da toxicidade, COT e custos de energia elétrica (LIZAMA et al., 2002). A otimização do processo fotocatalítico pela metodologia da superfície de resposta mostrou que esta é uma ferramenta apropriada para a redução do número de experimentos e do consumo de energia envolvida na degradação do corante RB-19. Os valores otimizados foram: 0,5 g L–1 para a concentração do TiO2, 0,8 g L–1 para a concentração do ZnO e pH 11 para ambos os catalisadores, tendo sido fixada a concentração de corante em 50 mg L–1. A remoção total da cor foi alcançada em 25 e 50 min, para o ZnO e TiO2, respectivamente. Portanto, o ZnO apresentou maior atividade de degradação que o TiO2, quando a reação foi realizada com 4 L no reator com reciclo, sendo seu uso limitado somente pelo pH. Embora a toxicidade tenha aumentado nos primeiros estágios da reação, ela foi reduzida a valores mínimos após 30 min de reação. Kiriakidou et al. (1999) avaliaram os efeitos dos parâmetros operacionais e a dopagem do TiO2 na degradação fotocatalítica do corante azo Acid Orange 7 (AO7) utilizando uma fonte de luz para simular a luz solar. No estudo, foram empregados o TiO2 P25 da Degussa puro e o TiO2 dopado com cátions Ca2+ e W6+, sendo utilizados como seus precursores o CaO e o (NH4)12W12O41.5H2O, respectivamente. Uma lâmpada de Xe de 450 W foi usada como fonte de luz simulando a luz solar. Um fotoreator de quartzo foi utilizado e equipado com janelas de entrada e saída de luz e uma cobertura com provisões para entrada e saída de gás e para a remoção de amostras das 35 fases líquida e gasosa. Uma quantidade conhecida do corante AO7 foi dissolvida em 70 mL de água destilada no fotoreator. Em seguida, o fotocatalisador foi adicionado sob condições de agitação e aeração constantes. Depois de 15 min no escuro, iniciou-se a irradiação por 8 h e amostras foram retiradas em intervalos regulares. O fotocatalisador foi removido das amostras por centrifugação e filtração em um filtro de 0,2 µm. Uma quantidade da amostra foi usada para as medições do espectrofotômetro e, em alguns casos, o restante foi utilizado para medidas de DQO. De acordo com as análises realizadas, os autores verificaram a ocorrência de descoloração do corante estudado, bem como a mineralização da solução, com uma redução da demanda química de oxigênio de 50% após 4 h de irradiação e maior que 85% ao término do experimento (8 h de irradiação). Entretanto, a taxa de remoção de DQO foi muito mais lenta que a taxa de descoloração, a qual é completa após 2 h de iluminação. Liu e Chiou (2005) estudaram a eficiência do processo fotocatalítico UV/TiO2 na descoloração do corante Reactive Red 239 utilizando a metodologia da superfície de resposta para otimizar quatro parâmetros independentes do processo: a intensidade da luz UV, a concentração do fotocatalisador, o pH inicial e a velocidade de agitação da solução. O TiO2 usado foi o P25 obtido da Degussa. A irradiação foi originada de uma lâmpada de luz negra de 0,6 W, com comprimento de onda de 360 nm, colocada a 21 cm do topo da solução contida em um béquer de 500 mL de volume. O fotoreator foi colocado sobre um agitador magnético para manter a solução homogênea durante todo processo fotocatalítico. Os experimentos foram realizados com 250 mL de solução contendo 50 mg L–1 do corante. No decorrer do processo, amostras de 25 mL da solução foram retiradas em tempos regulares, centrifugadas para separar o fotocatalisador e levadas para análises de espectrofotometria (Shimadzu UV-1601). As condições ótimas encontradas para a degradação fotocatalítica foram: intensidade da luz UV de 16 W m–2, concentração de TiO2 igual a 3 g L–1, pH inicial de 2,6 e 880 rpm de velocidade de agitação. Nestas condições, a eficiência máxima de descoloração alcançada foi de 99,8%. 36 Gouvêa et al. (2000) verificaram a degradação fotocatalítica dos corantes reativos Remazol Brilliant Blue R (Reactive Blue 19), Remazol Black B (Reactive Black 5), Reactive Blue 221 e Reactive Blue 222 assistida pelos semicondutores ZnO, TiO2 e uma combinação dos dois na razão 1:1. O reator utilizado possuía 150 mL de volume, refrigeração de água e agitação magnética. Em todos os experimentos, utilizou-se 100 mL de solução aquosa do corante com concentração de 50 mg L–1 e uma quantidade determinada de catalisador. A solução foi irradiada com uma lâmpada de mercúrio de média pressão (125 W), sem a proteção de vidro, colocada a uma distância de 12 cm da superfície da mesma. O sistema reacional foi borbulhado com oxigênio comercial numa vazão de 10 mL min–1. Amostras de 5 mL foram retiradas em intervalos regulares, centrifugadas por 15 min a 4000 rpm e filtradas em filtros millipore de 0,45 µm. A eficiência do processo foi avaliada monitorando-se a descoloração por espectrofotometria UV-VIS e teor de carbono orgânico total. A toxicidade foi avaliada pelo monitoramento da inibição da respiração de culturas de Escherichia coli. Foram realizados experimentos preliminares (30 min de tratamento) com o corante Remazol Brilliant Blue R em pH 5,5 para definir os parâmetros ótimos do processo através de dois planejamentos fatoriais. No primeiro, foram utilizados o TiO2 e o ZnO como semicondutores, atmosfera com aeração e sem aeração, 25 e 75 mg de massa dos catalisadores. Observou-se que o melhor resultado de descoloração (93%) foi alcançado empregando-se 75 mg de óxido de zinco com borbulhamento de oxigênio. Para verificar um possível efeito sinérgico entre ambos semicondutores, no segundo planejamento, utilizou-se ZnO puro e ZnO combinado com TiO2 na proporção 1:1. Novamente, a presença de oxigênio e a maior massa do semicondutor aumentaram a eficiência do processo fotoquímico, na qual o melhor resultado continuou sendo o obtido com 75 mg de ZnO. Com isto, observou-se que a adição do TiO2 não acarretou melhorias no sistema, confirmando a inexistência de qualquer sinergismo entre os fotocatalisadores. Após os testes preliminares, os experimentos prosseguiram aumentando-se a concentração do ZnO até 225 mg na presença de aeração. Embora o melhor resultado de descoloração tenha sido com este valor, os autores decidiram trabalhar com 125 mg, pois uma quantidade maior tornaria difícil a separação do catalisador da solução tratada. 37 O sistema com oxigenação, irradiação UV e ZnO apresentou uma degradação quase completa dos quatro corantes estudados com 60 min de reação. A mineralização foi incompleta, porém acima de 80% para todos os corantes após 120 min de tratamento fotocatalítico. Durante este mesmo período, a toxicidade foi significativamente reduzida somente para o Remazol Black B, havendo a necessidade de um tempo maior de tratamento para os outros corantes. Mahmoodi et al. (2006) investigaram a degradação fotocatalítica de dois corantes reativos, Reactive Blue 8 (RB 8) e Reactive Blue 220 (RB 220), pelo sistema UV/TiO2/H2O2 utilizando um reator fotocatalítico com o dióxido de titânio imobilizado. Os experimentos foram realizados em um reator retangular contendo duas lâmpadas imersas UV-C de 15 W (Philips) como fontes de irradiação, protegidas por tubos de quartzo, conforme apresentado na Figura 9. O fotocatalisador foi imobilizado por um polímero resistente à luz ultravioleta na superfície interna do reator. Uma bomba de água e outra de ar foram utilizadas para transferir e fazer a aeração de 5 L da solução contendo o corante (50 mg L–1), respectivamente. As degradações foram realizadas com valores de pH de 5,6 para o RB 8 e 6,0 para o RB 220. O peróxido de hidrogênio foi utilizado para aumentar a formação de radicais hidroxilas que reagem com as moléculas dos poluentes. A concentração ótima de H2O2 foi de 300 mg L–1 para o RB 8 e 450 mg L–1 para o RB 220. A descoloração da solução foi verificada e controlada através do monitoramento por espectrofotometria UVVIS da absorbância de amostras retiradas em diferentes intervalos. Um cromatógrafo de íons foi usado para quantificar os íons formados durante a degradação e mineralização dos dois corantes. 38 Figura 9. Esquema do reator fotocatalítico (MAHMOODI et al., 2006). O sistema proposto demonstrou ser capaz de descorar e degradar os corantes estudados em tempo relativamente curto de reação (60 min). Compostos intermediários foram detectados e posteriormente oxidados a CO2. Uma análise cinética indicou que a taxa de descoloração fotocatalítica de ambos os corantes segue um modelo de pseudo-primeira ordem. A imobilização do catalisador pode evitar os problemas de filtração ou separação do mesmo quando do tratamento de efluentes têxteis em grande escala. Reutergardh e Iangphasuk (1997) compararam a eficiência de dois fotocatalisadores, TiO2 e CdS, na descoloração fotocatalítica do corante azo Reactive Black 5 (RB 5). Esta eficiência foi verificada também para os catalisadores reciclados. O TiO2 utilizado possuía a forma anatásio com tamanho de partícula entre 0,20 e 0,25 µm e pureza acima de 98,5%. O CdS apresentava pureza acima de 99,9%. O fotorreator usado para ambos os catalisadores consistia em um béquer de 1 L encapado com papel alumínio para aumentar a reflexão da luz. A temperatura de reação foi controlada utilizandose um banho termostático na parte externa do reator. A solução foi continuamente agitada por agitador magnético. A fonte de luz UV usada foi uma lâmpada de mercúrio de alta pressão (75 W) com comprimento de onda entre 310 - 400 nm e a fonte de luz visível foi uma lâmpada Phillips (100 W). A solução de RB 5 estudada continha um volume de 500 mL e uma concentração de 0,0166 mmol L–1 do corante. Foram adicionados à mesma 2,0 g L–1 de catalisador e aeração. 39 Amostras de 10 mL foram retiradas a cada 30 min até o final do experimento, utilizando-se uma bomba peristáltica. Estas amostras eram filtradas com membrana de acetato de celulose de 0,2 µm e, em seguida, analisadas. As análises de cor foram realizadas por espectrofotometria UV-VIS, calculando o percentual de transmitância de 400 a 700 nm. Foram realizadas também, determinações da concentração de Cd2+ por espectrofotometria de absorção atômica e toxicidade residual por teste de Microtox em termos de CE50. Ambos os catalisadores foram capazes de descorar a solução composta pelo corante RB 5, cujas reações seguiram cinéticas de primeira ordem. O pH inicial da reação demonstrou afetar as propriedades dos catalisadores, a dissociação do RB 5 e a formação de radicais hidroxilas no processo. As maiores taxas de reação foram encontradas com pH 4,0 para o CdS, enquanto que a fotocatálise com TiO2 apresentou melhores resultados em meios ácidos e alcalinos. A degradação fotocatalítica do RB 5 foi mais rápida com o CdS do que com o TiO2, porém não se pode aplicá-la em tratamentos reais devido à dissolução do Cd2+ e à toxicidade apresentada pós-oxidação. Os autores concluíram que a principal vantagem do processo com TiO2 é a redução dos custos operacionais, pois este semicondutor pôde ser reaproveitado sem redução da eficiência. Os resultados mostraram que com o CdS reciclado ocorre uma diminuição considerável da eficiência do processo devido à deposição de Cd(s) na superfície ativa do mesmo. Pelegrini e Pelegrini (2005) estudaram a aplicação da metodologia fotocatalítica com TiO2 no tratamento de um efluente real derivado da indústria têxtil, pós-tratamento biológico, visando avaliar a depuração da água para reuso. O efluente usado no estudo continha corantes reativos em sua composição e foi obtido após ser submetido ao processo de lodos ativados. O semicondutor utilizado no processo fotocatalítico foi o dióxido de titânio P25 da Degussa. O reator empregado era de vidro Pyrex com volume de 1.500 mL, contendo: um compartimento de quartzo no centro para abrigar uma lâmpada de mercúrio de média pressão (Philips HPLN 125 W) sem o bulbo exterior, uma câmara para refrigeração à água e um termômetro para aferição da temperatura. A solução foi continuamente agitada por meio da recirculação da mesma através de uma bomba hidráulica. Uma bomba de ar com válvula controladora de vazão foi utilizada para fornecer oxigênio ao 40 sistema. Análises de cor, pH, alcalinidade, teores de ferro, manganês e DQO foram realizadas para avaliar a eficiência do processo fotocatalítico. –1 otimizadas, indicando 1,4 g L de TiO2, 150 mL s –1 As condições de degradação foram de vazão de oxigênio e 240 min de tratamento. Os autores conseguiram reduzir drasticamente a coloração do efluente têxtil pelo tratamento fotocatalítico. Em 240 min de reação, reduções na ordem de 88% foram obtidas, sendo que em 180 min o efluente já apresentava uma transparência similar à da água produzida pela estação de tratamento da indústria. Foram observadas, também, elevadas concentrações de álcali em termos de carbonatos no final do processo. A elevação dos valores de pH de 8,3 para 10,1 após o tratamento, pode ter contribuído para o aumento da alcalinidade. A fotocatálise não alterou a concentração de ferro presente no efluente tratado por lodos ativados, cujos valores já eram relativamente baixos. Entretanto, a concentração de manganês e o valor da DQO foram reduzidos, correspondendo a 57% e 65%, respectivamente. Em função dos resultados, verificou-se que o processo fotocatalítico é uma importante metodologia a ser aplicada como tratamento terciário, complementando os métodos biológicos, visto que estes não conseguem reduzir a cor dos efluentes que contêm corantes reativos. Assim, a reutilização da água na indústria têxtil se torna viável. 41 CAPÍTULO 3 3 – METODOLOGIA 3.1 – Escolha dos Corantes Dentre vários corantes, foram escolhidos três classificados como ácidos e três reativos para os testes. Sendo assim, dois tipos de efluentes foram preparados, classificados como I (corantes ácidos) e II (corantes reativos). Na seleção dos corantes realizou-se uma pesquisa bibliográfica para verificar, basicamente, suas estruturas e classes químicas, áreas de aplicação e nomenclatura. Em seguida, utilizou-se um espectrofotômetro UV-VIS (Agilent 8453) para se obter os comprimentos de máxima absorbância dos corantes. 3.1.1 – Seleção dos corantes ácidos Os corantes ácidos selecionados foram o Acid Yellow 3, o Acid Red 51 e o Acid Blue 74, cujos comprimentos de onda de máxima absorbância são 411, 526 e 610 nm, respectivamente. Assim, trabalhou-se com três classes químicas diferentes: um quinolínico, um xanteno e um indigóide, respectivamente, cujas estruturas químicas podem ser vistas na Figura 10. As nomenclaturas e classes químicas foram obtidas através do Colour Index (1971). I NaO O (–SO3Na)n n = 2 ou 3 I O O I I N COONa O (a) (b) O H N NaSO3 N H SO3Na O (c) Figura 10. Estruturas químicas dos corantes ácidos: (a) Acid Yellow 3, (b) Acid Red 51 e (c) Acid Blue 74. 42 Para cada corante, foram preparadas soluções a 20,0 mg L–1. Em cada solução, mediuse o comprimento de máxima absorbância através do espectrofotômetro para a obtenção do gráfico de absorbância (A) versus comprimento de onda (λ) mostrado na Figura 11. 2,5 Absorbância 2,0 1,5 1,0 0,5 0,0 200 300 400 500 600 700 800 λ (nm) Figura 11. Varredura na região do UV-Visível dos corantes ácidos: —Yellow 3, —Red 51 e —Blue 74. Decidiu-se trabalhar com uma tricomia3, um vermelho, um amarelo e um azul, para se ter a absorbância máxima em faixas distintas na região do visível. 3.1.2 – Seleção dos corantes reativos Seguindo a mesma metodologia utilizada para os corantes do tipo ácido, fez-se uma pesquisa da nomenclatura, classe química e finalidade dos três reativos. A partir do nome comercial, foi possível identificar os corantes e suas classes respectivas com a ajuda do Colour Index (1971). Os corantes escolhidos foram o Reactive Yellow 17, o Reactive Red 239 e o Reactive Black 5, cujos comprimentos de onda de máxima absorbância são 428, 541 e 597 nm, respectivamente. As estruturas químicas são mostradas na Figura 12. 3 Termo técnico utilizado na área têxtil para indicar um conjunto de três cores, geralmente, vermelho, amarelo e azul. 43 HO CH3 SO3K N N N N CH3 KO3SCH2CH2O2S COCH3 (a) SO3Na H N SO2CH2CH2SO3Na N HN OH N N N N Cl SO3Na NaO3S SO3Na (b) OH NaO3SOCH2CH2O2S N N NH2 N NaO3S N SO2CH2CH2OSO3Na SO3Na (c) Figura 12. Estruturas químicas dos corantes reativos: (a) Reactive Yellow 17, (b) Reactive Red 239 e (c) Reactive Black 5. Para a obtenção da varredura dos corantes reativos foram preparadas soluções a 20 mg –1 L . Em cada solução, mediu-se o comprimento de máxima absorbância através do espectrofotômetro, obtendo-se o gráfico de absorbância (A) versus comprimento de onda (λ) mostrado na Figura 13. 44 1,5 Absorbância 1,2 0,9 0,6 0,3 0,0 200 250 300 350 400 450 500 550 600 650 700 750 λ (nm) Figura 13. Varredura na região do UV-Visível dos corantes reativos: —Yellow17, —Red 239 e —Black 5. Como o efluente I não foi composto por nenhum corante do tipo azo, decidiu-se trabalhar com uma tricomia composta somente com esta classe química para o efluente II. O Yellow 17 e o Red 239 são monoazos e o Black 5 é um diazo. 3.2 – Características dos Efluentes Os efluentes utilizados nos testes de descoramento foram simulados em laboratório, tendo como base receitas reais de tingimentos realizados em indústrias têxteis (informações pessoais fornecidas por profissionais que já trabalharam em fábricas têxteis). 3.2.1 – Característica do efluente I O efluente I foi constituído pelos corantes Acid Yellow 3, Acid Red 51 e Acid Blue 74, apresentando uma coloração extremamente escura. Este tipo de efluente é gerado após tingimentos em tecidos de poliamida, lã ou seda em banhos ácidos. Além dos corantes, é usado como produto auxiliar, para se evitar tingimentos irregulares, um agente de igualização ou igualizante, cuja composição química contém surfactantes aniônicos e não-iônicos. Para se trabalhar com a situação mais crítica, este tipo de produto fez parte do efluente estudado. Por questões de sigilo, a empresa fornecedora não pode ser mencionada. 45 3.2.2 – Característica do efluente II Para o preparo do efluente II, utilizou-se os corantes Reactive Yellow 17, o Reactive Red 239 e o Reactive Black 5. No tingimento com corantes reativos, os produtos auxiliares utilizados irão depender do tipo de substrato a ser tinto (tecido plano ou tecido de malha) e maquinário usado. Neste trabalho, tomou-se como base uma receita para malhas de algodão. Portanto, além dos produtos já citados, este efluente foi composto por cloreto de sódio (sal) e carbonato de sódio (barrilha), apresentando pH final igual a 11. 3.3 – Curvas de Calibração Foram obtidas curvas de calibração, nos valores de pH 5 para cada um dos corantes ácidos e pH 11 para os corantes reativos estudados, para que o descoramento das soluções I e II pudesse ser monitorado por meio de espectrofotometria UV-VIS. 3.4 – Testes Iniciais com Fotocatálise Para a realização de todos os testes fotocatalíticos foi montada uma unidade reacional no Laboratório de Desenvolvimento de Catalisadores da UERJ, conforme mostra a Figura 14. Realizaram-se testes preliminares para se obter os valores ótimos de pH e concentração de catalisador que seriam usados nos experimentos de degradação. 3.4.1 – Descrição da unidade reacional A unidade de degradação era composta por um béquer de 250 mL, um agitador magnético, uma bomba para borbulhar ar a uma vazão constante e uma lâmpada de vapor de mercúrio de média pressão Philips HPLN de 250 W, colocada a uma distância de 12 cm da solução a ser tratada. Retirou-se o bulbo externo de vidro da lâmpada para que não houvesse barreiras à irradiação ultravioleta e utilizou-se um reator para proporcionar a tensão elétrica necessária à sua partida. 46 Figura 14. Unidade reacional fotocatalítica. 3.4.2 – Catalisador O catalisador utilizado em todos os experimentos foi o dióxido de titânio (TiO2) P25 da Degussa. Este é composto de aproximadamente 70% de anatásio e 30% de rutilo com tamanho de partícula médio de 30 nm e área superficial de 50 m2 g–1. O mesmo foi usado sem nenhum tratamento prévio. 3.4.3 – Testes Preliminares com o Efluente I Na preparação do efluente, pesou-se 0,333 g de cada corante e 0,666 g do igualizante para um volume de 1 L. Em cada experimento foram tratados 50 mL desta solução por 15 minutos, utilizando os pHs 3, 5 e 7. Estes valores foram ajustados com soluções de ácido acético ou hidróxido de sódio e escolhidos devido a estarem próximos do valor de pH usado no tingimento com corantes ácidos. 47 Para cada valor de pH foram utilizadas as seguintes massas de catalisador: 25, 50, 75, 100, 150, 200 e 300 mg. Foi necessário adicionar ao efluente 0,5 g L–1 de um produto antiespumante4 muito utilizado na indústria têxtil, pois a espuma, provocada pelo igualizante e pela agitação magnética, prejudicava a irradiação. Após completar o tempo de irradiação, o pH era novamente ajustado e o catalisador separado do efluente por filtração a vácuo em membrana de acetato de celulose de 0,45 µm, não sendo reaproveitado. 3.4.4 – Testes Preliminares com o Efluente II O efluente foi composto por 70,0 mg de cada corante, 50,0 g de NaCl e 5,0 g de barrilha, sendo preparado um volume de 1 litro. Em cada experimento, foram tratados 50 mL da solução inicial por 15 minutos, utilizando os valores de pH 7, 9 e 11, cujo ajuste foi feito com soluções de ácido acético ou hidróxido de sódio. Estes valores foram escolhidos devido a estarem próximos do valor de pH usado no tingimento com corantes reativos. Levando-se em consideração os resultados dos testes com o efluente I, decidiu-se trabalhar com as concentrações de 100, 150, 200 e 300 mg de dióxido de titânio para cada valor de pH. Após completar o tempo de irradiação, o pH foi novamente ajustado e o catalisador separado do efluente por filtração a vácuo com membrana de acetato de celulose de 0,45 µm, não sendo reaproveitado. 3.5 – Tratamento dos Efluentes Após definição da concentração do catalisador e do pH ótimos, 200 mg e pH 5 para o efluente I e 200 mg e pH 11 para o efluente II, pôde-se tratar os efluentes variando o tempo de irradiação até que os mesmos estivessem praticamente descorados. Além da fotocatálise, dois ensaios de controle foram realizados nas mesmas condições: a fotólise (irradiação sem o uso do catalisador) e a adsorção (catalisador sem fonte de luz). 4 Produto não-iônico à base de carboidratos minerais (informação do fabricante). 48 3.5.1 – Procedimento experimental para o efluente I Preparou-se uma nova solução com as mesmas características descritas no item 3.4.3. No béquer de 250 mL foram adicionados 50 mL desta solução e, em seguida, ajustou-se o pH para 5,0. Adicionou-se 200,0 mg de TiO2 e colocou-se em funcionamento a agitação magnética, a bomba de ar numa vazão constante e a lâmpada de vapor de mercúrio. Seguindo este procedimento, foram realizados experimentos fotocatalíticos com tempos de irradiação de 15, 30, 60, 90, 120, 180 e 240 minutos. A amostra referente ao tempo zero (0) se refere à solução inicial sem nenhum tratamento. Depois de completado o tempo de irradiação, o pH das soluções foi novamente ajustado. O descoramento foi monitorado por espectrofotometria UV-VIS diluindo-se as soluções na proporção de 1:20. A partir das curvas de calibração determinou-se a concentração residual de corante e, com isso, o grau de descoramento. Após as leituras, a solução inicial bem como todas as amostras tratadas foram acondicionadas para a realização dos testes de Toxicidade e Carbono Orgânico Dissolvido (COD). Os mesmos procedimentos foram efetuados para a fotólise e para a adsorção, sendo que para o último os tempos dos experimentos foram de 30, 60, 120, 180 e 240 minutos. As amostras tratadas com fotólise também foram acondicionadas para a realização dos testes citados. 3.5.2 – Procedimento experimental para o efluente II Preparou-se uma nova solução com as mesmas características descritas no item 3.4.4. No béquer de 250 mL foram adicionados 50 mL desta solução e, em seguida, ajustou-se o pH para 11,0. Adicionou-se 200,0 mg de TiO2 e colocou-se em funcionamento a agitação magnética, a bomba de ar numa vazão constante e a lâmpada de vapor de mercúrio. Como nos testes preliminares com este efluente verificou-se uma rápida tendência ao descoramento, os experimentos fotocatalíticos foram realizados com tempos de irradiação de 5, 10, 15, 20, 25 e 30 minutos. A amostra referente ao tempo zero (0) se refere à solução inicial sem nenhum tratamento. Ao final de cada experimento, o pH das soluções foi novamente ajustado e, em seguida, as mesmas foram filtradas a vácuo para separação do catalisador. descoramento foi monitorado por espectrofotometria UV-VIS. O A partir das curvas de calibração determinou-se a concentração residual de corante e, com isso, o grau de descoramento. A solução inicial e as amostras tratadas foram acondicionadas para as análises 49 de carbono orgânico dissolvido. Para este efluente, não foi possível a realização do teste de toxicidade devido ao fato do mesmo conter uma grande quantidade de cloreto de sódio, o que inviabiliza o crescimento dos organismos-teste. Os experimentos de fotólise e adsorção também foram realizados para esta solução nas mesmas condições da fotocatálise. As amostras tratadas com fotólise foram acondicionadas para determinação do COD. 3.6 – Verificação da Eficiência do Tratamento 3.6.1 – Grau de Descoramento O descoramento do meio reacional foi acompanhado obtendo-se o espectro na região do visível (400 a 700 nm) de cada uma das amostras e, posteriormente, a área sob cada um dos espectros. As áreas calculadas podem ser consideradas como uma medida da cor da solução. 3.6.2 – Degradação dos Corantes A partir das curvas de calibração, das absortividades calculadas para cada corante e das absorbâncias nos comprimentos de onda de máxima absorção, foi possível acompanhar a degradação de cada corante individualmente. Para tanto, utilizou-se a Lei de Lambert-Beer (Equação 2) e resolveu-se o sistema linear de equações mostrado na Equação 7, onde 1..3 correspondem aos comprimentos de onda de máxima absorção e os índices B, R e Y correspondem aos corantes azul, vermelho e amarelo, respectivamente. A λ1 = a Bλ1 ⋅ c B ⋅ l + a Rλ1 ⋅ c R ⋅ l + aYλ1 ⋅ cY ⋅ l λ2 λ λ λ A = a B 2 ⋅ c B ⋅ l + a R 2 ⋅ c R ⋅ l + aY 2 ⋅ cY ⋅ l A λ3 = a λ3 ⋅ c ⋅ l + a λ3 ⋅ c ⋅ l + a λ3 ⋅ c ⋅ l B B R R Y Y (7) 50 3.6.3 – Carbono Orgânico Dissolvido (COD) Para se determinar o grau de mineralização das amostras, foram feitas análises de carbono orgânico dissovido (COD) utilizando-se um analisador de carbono Shimadzu, modelo TOC-VCPH. As análises foram realizadas no Laboratório de Poluição das Águas (Labpol) da Universidade de São Paulo. 3.6.4 – Teste de Toxicidade Com o objetivo de se verificar a toxicidade do efluente inicial e dos submetidos à fotocatálise e à fotólise, utilizou-se como organismo-teste sementes de alface (Lactuca sativa). Empregou-se o método de germinação das sementes e alongamento das raízes . Esta análise foi realizada no Laboratório de Química da Faculdade de Tecnologia da UERJ (Resende). Inicialmente, as sementes de alface foram esterilizadas com uma solução 0,1% de NaClO por 20 minutos e, a seguir, submersas em água destilada por 10 minutos, repetindo-se esta última operação por três vezes. As soluções tratadas por fotocatálise e fotólise acondicionadas anteriormente foram utilizadas como soluções-testes e a água destilada como controle. Para a realização dos testes, foram usadas placas de Petri, de vidro borosilicato, com diâmetro de 100 mm e altura de 15 mm. Colocou-se nas placas papel de filtro Whatman nº 1 e, em seguida, adicionou-se 2,0 mL de cada solução-teste tratada com tempos de irradiação diferentes, inclusive a solução inicial (tempo zero). Sobre o papel umedecido, foram distribuídas 10 sementes, realizando-se o mesmo procedimento para o controle. Para cada amostra foram utilizadas quatro placas de Petri. As placas foram levadas a uma câmara de germinação, na ausência de luz, com a temperatura controlada na faixa de 24 ± 1ºC. O tempo total de duração do ensaio foi de 120 horas. Após o período de incubação, contou-se o número de sementes que germinaram e mediu-se o comprimento do hipocótilo (segmento entre o cotilédone e a raiz) e da raiz de cada semente através de uma régua graduada em milímetros. Foram descartados os comprimentos do hipocótilo e das raízes que não se encontravam entre o limite inferior (LI) e o superior (LS) calculados através do Princípio de Chauvenet (BUENO; DEGRÈVE, 1980). Com os dados restantes, obteve-se o índice de germinação (IG), expresso em porcentagem, relacionando-se a 51 média dos comprimentos de cada solução-teste com a média dos comprimentos da soluçãocontrole (água destilada). Com o IG (%) do hipocótilo e da raiz calculados para as soluções após fotólise e fotocatálise, avaliou-se a toxicidade das amostras em termos de CE50, 120h5, através do método de Spearman-Karber ajustado (HAMILTON et al., 1977). 3.7 – Determinação das constantes cinéticas de degradação Para determinar as constantes cinéticas da degradação dos corantes ácidos e reativos foi realizado o ajuste de um modelo de primeira ordem aos dados experimentais pelo método dos mínimos quadrados através do software Excel. 5 Concentração efetiva do agente tóxico ou efluente líquido, expresso em porcentagem, que reduz em 50% o IG das sementes após 120 horas de exposição. 52 CAPÍTULO 4 4 – RESULTADOS E DISCUSSÕES 4.1 – Degradação Fotocatalítica do Efluente I 4.1.1 – Definição do pH e da Quantidade de Catalisador Nos testes preliminares com pH 3, foi necessária a adição de ácido acético à solução inicial, pois a mesma apresentava um valor de pH próximo de 5. Entretanto, na medida em que se acidulava a solução, percebia-se que a mesma passava de uma coloração escura para uma esverdeada. De acordo com Figueiredo et al. (2004), o corante Acid Red 51, quando atinge valores de pH menores que 4,5, converte-se em uma outra substância e sofre precipitação. Com isto, sua absorbância vai decrescendo e prejudicando a análise de degradação. Sendo assim, os testes com pH 3 foram descartados. Prosseguiram-se com os testes para os valores de pH de 5,0 e 7,0 nas concentrações 25, 50, 75 e 100 mg de TiO2. Após cada experimento, o pH era novamente ajustado para que os valores de absorbância encontrados pudessem ser comparados aos valores iniciais. Tendo como base a leitura de absorbância da solução inicial, foi possível calcular o percentual de redução da área total sob os espectros (entre 200 a 800 nm) e da cor (considerada como a área sob os espectros entre 400 a 700 nm). As Figuras 15 e 16 mostram que com pH 5, os valores finais de descoramento são maiores para o mesmo tempo de irradiação de 15 minutos. Isto representou uma vantagem do processo, pois os tingimentos com corantes ácidos são geralmente realizados nesta faixa de pH. Verificou-se, também, que quanto maior a massa de catalisador, maior o percentual de descoramento, devido ao aumento no número de sítios ativos. 53 30 % Descoramento 25 20 15 10 5 0 0 20 40 60 80 100 120 Massa de TiO2 (mg) Figura 15. Redução da área total dos espectros de absorção dos corantes ácidos em função da quantidade de catalisador e do pH: (–•–) pH 5 e (–•–) pH 7. 45 % Descoramento 40 35 30 25 20 15 10 5 0 0 20 40 60 80 100 120 Massa de TiO2 (mg) Figura 16. Descoramento (área sob os espectros na região do visível) dos corantes ácidos em função da quantidade de catalisador e do pH: (–•–) pH 5 e (–•–) pH 7. Definido o pH, aumentou-se a quantidade de catalisador de forma a se determinar a concentração que proporcionasse a máxima eficiência no processo de descoramento. A Figura 17 mostra que a concentração ótima de dióxido de titânio é de 200,0 mg. O aumento da concentração de catalisador para 300 mg não promoveu melhoria no processo de descoramento, pois o excesso de partículas em suspensão causou opacidade, dificultando a penetração da luz. Velegraki et al. (2005) observaram o mesmo fato ao estudar o efeito da concentração do catalisador na degradação fotocatalítica do corante Acid Orange 7. Os autores verificaram que com concentrações de TiO2 acima de 100 mg L–1 o percentual de descoramento permanecia praticamente inalterado, utilizando pH 5,5 após 240 min de reação. 54 Segundo os autores, a taxa de degradação também pode vir a diminuir com o excesso de partículas em suspensão devido ao aumento da reflectância da luz sobre a superfície do catalisador. 60 % Descoramento 50 40 30 20 10 0 0 50 100 150 200 250 300 350 Massa de TiO2 (mg) Figura 17. Descoramento dos corantes ácidos em função da quantidade de TiO2 em pH 5. 4.1.2 – Fotocatálise dos Corantes Ácidos O descoramento do efluente I, composto por 0,333 g L-1 de cada corante, 0,666 g L-1 de igualizante e 0,5 g L-1 de anti-espumante, pelo processo fotocatalítico, pode ser observado através da redução das áreas dos espectros de absorção com o tempo de irradiação, conforme mostrado na Figura 18. Os produtos auxiliares presentes no banho (igualizante e anti- espumante) não apresentaram valores de absorbância significativos na região do visível. Analisando-se os três picos de absorbância máxima no visível, verifica-se uma drástica redução da concentração do Acid Red 51 (526 nm) e do Acid Blue 74 (610 nm) em apenas 30 minutos de tratamento. Isto leva a crer que os grupos cromóforos presentes nestes corantes foram destruídos. Entretanto, com o Acid Yellow 3 (411 nm) uma descoloração significativa só ocorreu após 180 minutos de irradiação. Não foi possível visualizar o aparecimento de nenhum subproduto da reação que absorvesse na região varrida. Resultado distinto foi observado por Tang e An (1995) que, estudando a cinética e o mecanismo de degradação do corante Acid Blue 40 por TiO2/UV, detectaram a formação de um produto intermediário amarelo através dos espectros de absorção obtidos na região do UV-Visível, após 20 minutos de irradiação e pH 5. 55 3,0 Absorbância 2,5 2,0 1,5 1,0 0,5 0,0 200 300 400 500 600 700 800 λ (nm) Figura 18. Espectros de absorção na região do UV-Visível em função do tempo durante o tratamento fotocatalítico: —0, —30, —60, —90, —120, —180 e —240 min. Através da equação de Lambert-Beer e dos dados de varredura das soluções foi possível realizar uma análise individual da degradação de cada corante. De acordo com a Figura 19, pode ser verificado o total descoramento dos corantes Acid Red 51 e Acid Blue 74 e, ainda, a diminuição acentuada da concentração do Acid Yellow 3 após o processo fotocatalítico. 1,0 0,9 0,8 0,7 C/C0 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 0 30 60 90 120 150 180 210 240 Tempo (min) Figura 19. Degradação dos corantes ácidos pelo processo fotocatalítico em função do tempo: (–•–) Acid Blue 74, (––) Acid Red 51 e (––) Acid Yellow 3. O descoramento do banho foi determinado pela redução da área dos espectros na região do visível das amostras em função do tempo de irradiação, conforme apresentado na Figura 20. Pode-se dizer que após 240 minutos de fotocatálise, utilizando-se 200,0 mg de 56 TiO2 e pH 5, foi obtido um descoramento de 96% do efluente I. Na Figura 21 fica evidente esta perda de coloração com a visualização das amostras obtidas em todos os experimentos. A solução inicial (tempo 0) apresenta-se extremamente escura e a solução com 240 minutos de tratamento levemente amarelada. Aparentemente, o igualizante e o anti-espumante não interferiram na degradação dos corantes ácidos. 1,0 0,9 0,8 Cor/Cor0 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 0 30 60 90 120 150 180 210 240 Tempo (min) Figura 20. Descoramento em função do tempo pelo processo fotocatalítico. Figura 21. Fotografia do descoramento alcançado em função do tempo com o tratamento fotocatalítico: da esquerda para a direita, 0, 15, 30, 60, 90, 120, 180 e 240 min. 57 4.1.3 – Fotólise e Adsorção dos Corantes Ácidos Os experimentos de fotólise e adsorção foram realizados de forma a verificar as influências individuais da irradiação UV e do fotocatalisador, respectivamente, no tratamento de efluentes têxteis. Os resultados preliminares da fotólise foram semelhantes aos da fotocatálise. Os corantes Red 51 e Blue 74 foram degradados em pouco tempo de exposição à luz (60 min), indicando que os mesmos são fotossensíveis. Porém, o corante amarelo permaneceu sem sofrer degradação significativa mesmo após 240 min de tratamento, como pode ser observado nas Figuras 22 e 23. 3,0 Absorbância 2,5 2,0 1,5 1,0 0,5 0,0 200 300 400 500 600 700 800 λ (nm) Figura 22. Espectros de absorção na região do UV-Visível em função do tempo durante a fotólise: —0, —30, —60, —90, —120, —180 e —240 min. 1,0 C/C0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 0 30 60 90 120 150 180 210 240 Tempo (min) Figura 23. Degradação dos corantes ácidos por fotólise em função do tempo: (–•–) Acid Blue 74, (––) Acid Red 51 e (––) Acid Yellow 3. 58 Os resultados anteriores podem ser comprovados pela visualização das amostras obtidas nos experimentos de fotólise, mostradas na Figura 24. Na solução tratada com 30 minutos de irradiação é percebida a ausência completa do corante azul, permanecendo uma cor avermelhada para esta amostra. Com o aumento gradativo do tempo de irradiação, o corante vermelho sofre degradação e, com isso, a coloração das amostras tende para um alaranjado. Embora o Yellow 3 não tenha sofrido uma descoloração significativa, a fotólise foi capaz de remover 78% da cor original do efluente I, como mostra a Figura 25. Figura 24. Fotografia do descoramento alcançado em função do tempo com a fotólise: da esquerda para a direita, 0, 15, 30, 60, 90, 120, 180 e 240 min. 1,0 0,9 0,8 Cor/Cor0 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 0 30 60 90 120 150 180 210 240 Tempo (min) Figura 25. Descoramento em função do tempo por fotólise. 59 Nos experimentos em que se utilizou o dióxido de titânio sem a aplicação da fonte de luz, verificou-se a influência da adsorção no processo de descoloração do efluente. Na Figura 26 pode-se observar que os espectros obtidos se mantêm praticamente idênticos ao da solução inicial, não ocorrendo degradação dos corantes sem o uso da irradiação. Sendo assim, a contribuição da adsorção para o descoramento do banho pode ser considerada desprezível. 3,0 Absorbância 2,5 2,0 1,5 1,0 0,5 0,0 200 300 400 500 600 700 800 λ (nm) Figura 26. Espectros de absorção na região do UV-Visível em função do tempo durante os testes de adsorção: —0, —30, —60, —120, —180 e —240 min. 4.1.4 – Verificação da Toxicidade O teste de fitotoxicidade dá uma indicação do possível impacto ambiental do efluente gerado sobre organismos superiores como as plantas. Além disso, pode-se acompanhar se a toxicidade do efluente pode ser removida pelo tratamento proposto. O índice de germinação (IG) foi calculado para a solução inicial e para cada amostra tratada por fotocatálise e por fotólise. Pôde-se verificar que o aumento nos tempos de irradiação gerou índices de germinação maiores tanto no processo fotocatalítico como no fotolítico, ou seja, na medida em que as substâncias tóxicas do efluente eram degradadas, as sementes de alface germinavam, apresentando comprimentos cada vez maiores da raiz e maior desenvolvimento dos hipocótilos. O teste demonstrou que apesar das amostras de fotólise ainda apresentarem uma forte coloração, já que o corante Yellow 3 não sofreu degradação significativa, isto não impediu o crescimento do hipocótilo e da raiz. Porém, quando são comparados os resultados 60 dos dois processos, percebe-se que o tempo necessário para a total remoção da toxicidade do efluente I foi menor para a fotocatálise (63 min) do que para a fotólise (92 min), considerando-se o comprimento da raiz. Esses resultados são mostrados nas Figura 27 e Figura 28, respectivamente. 300 250 IG (%) 200 150 100 50 0 0 30 60 90 120 150 180 210 240 Tempo de Irradiação (min) Figura 27. Toxicidade (Lactuca sativa) em função do tempo de tratamento fotocatalítico: (–•–) hipocótilo e (–•–) raiz. O valor de IG = 100% corresponde ao controle (água destilada). 300 250 IG (%) 200 150 100 50 0 0 30 60 90 120 150 180 210 240 Tempo de Irradiação (min) Figura 28. Toxicidade (Lactuca sativa) em função do tempo de fotólise: (–•–) hipocótilo e (–•–) raiz. O valor de IG = 100% corresponde ao controle (água destilada). A medição do IG da raiz mostrou ser a melhor maneira para se avaliar a toxicidade do efluente, quando comparado com os resultados de germinação do hipocótilo. Nos resultados com fotocatálise, verifica-se um crescimento mais acentuado da raiz, atingindo um valor máximo com 120 min de irradiação. Após aproximadamente 63 min de reação, o desenvolvimento da raiz apresenta índices superiores ao encontrado com a solução-controle 61 (água destilada). Talvez, o surgimento de substâncias intermediárias com a quebra das moléculas dos corantes Red 51 e Blue 74, tenha contribuído como nutrientes para a germinação da raiz. Após 120 min de tratamento fotocatalítico, estes compostos intermediários são destruídos, bem como o corante Yellow 3, gerando IG próximos ao da água destilada. Nos resultados de fotólise, também observam-se índices de germinação acima da solução-controle, porém a partir de 93 min de processo. Como na fotólise os subprodutos formados na quebra das moléculas dos três corantes não são degradados completamente, estes serviram de alguma forma como nutrientes, gerando índices de germinação da raiz altos até 240 min de tratamento fotolítico. Como pode ser observado a partir das Figuras 27 e 28, somente a solução inicial e a amostra após 15 minutos de fotólise apresentaram um IG(%) abaixo dos 50%, em relação às raízes. Portanto, só é possível calcular a CE50(%) nesses dois casos. Para tanto, foram feitos testes com as concentrações 100, 70, 50, 30, 20, 10, 5 e 1% (v/v) da solução inicial e 100, 70, 50, 30 e 10% (v/v) da amostra fotolisada. Para a solução inicial, a CE50(%) estimada foi de +7 , 75 19,28 +−85,,24 77 e, para a amostra fotolisada, 73,76 −7 , 02 . Estes resultados indicam que com apenas 19,28% da concentração do efluente I já se reduz em 50% o índice de germinação das sementes de alface após 120 horas de exposição. O mesmo ocorre utilizando 73,76% da solução tratada por 15 min de fotólise. As soluções tratadas por fotocatálise, de 15 min em diante, não apresentaram toxicidade capaz de reduzir o IG da raiz em 50%. 4.1.5 – Determinação de COD A determinação do teor de carbono orgânico dissolvido é essencial na quantificação da mineralização dos compostos orgânicos presentes no efluente. Os resultados obtidos pela análise de COD do efluente I encontram-se na Figura 29. Nos experimentos com fotocatálise, observa-se que não houve mineralização nos primeiros 120 min de tratamento. Após este período, se verifica uma pequena redução na quantidade de COD, correspondendo a 37%. Isto se deve ao fato do corante Yellow 3 ter sofrido degradação significativa somente a partir de 120 min de irradiação (Figura 19). O grau de mineralização obtido tende a permanecer nesse patamar, pois os valores de COD permaneceram praticamente constantes entre 180 e 240 min de tratamento. 62 50 45 COD (mg L–1) 40 35 30 25 20 15 10 5 0 0 30 60 90 120 150 180 210 240 Tempo (min) Figura 29. Mineralização do Efluente I em função do tempo de tratamento: (–•–) fotólise e (–•–) fotocatálise. Nos experimentos com fotólise, percebe-se um aumento do teor de carbono orgânico dissolvido. Este aumento deve-se, possivelmente, a degradação incompleta dos corantes ácidos e a formação de produtos intermediários no processo fotolítico. Diferentemente da fotocatálise, observa-se nos resultados de fotólise que a partir de 120 min de tratamento os valores de COD não diminuíram, permanecendo praticamente constantes até 240 min. Como visto anteriormente, o corante Yellow 3 não sofreu degradação significativa mesmo após 120 min de reação. 4.2 – Degradação Fotocatalítica do Efluente II 4.2.1 – Definição do pH e da Quantidade de Catalisador Os testes preliminares para definição das condições ótimas do tratamento do efluente II foram realizados com valores de pH de 7, 9 e 11 nas concentrações de 100, 150, 200 e 300 mg de TiO2. Através das leituras de absorbância da solução inicial e das soluções tratadas, foram calculados os percentuais de redução da área total sob os espectros (entre 100 e 800 nm) e da cor (área sob os espectros entre 400 e 700 nm), como mostram as Figuras 30 e 31, respectivamente. Embora a redução de área com pH 9 e 200 mg de TiO2 tenha sido superior ao encontrado com pH 11 no intervalo de 100 a 800 nm (área total), a situação inversa ocorreu para a região do visível (de 400 a 700 nm). Em ambas as Figuras verifica-se uma diminuição da eficiência do processo quando se utilizou 300 mg do catalisador. Isto se deve à dificuldade de penetração da luz pelo excesso de partículas em suspensão. 63 Gonçalves et al. (1999) investigaram a influência do pH e da quantidade de catalisador (TiO2) na degradação fotocatalítica de corantes azo. Após 20 horas de irradiação, a maior taxa de degradação foi obtida com pH 13 (100%), sendo 70% com pH 11. Os autores também verificaram a perda de eficiência do processo devido ao excesso de partículas na solução (acima de 90 mg L–1). Segundo Konstantinou e Albanis (2004), a concentração do catalisador depende da geometria e condições de trabalho do fotoreator, da concentração inicial do corante e do tipo de lâmpada UV usada. Ainda de acordo com os autores, o pH é dependente do tipo de corante a ser tratado e das propriedades da superfície do TiO2. Sendo assim, o efeito do pH sobre a eficiência fotocatalítica deve ser investigado antes da aplicação do processo. 70 % Descoramento 65 60 55 50 0 50 100 150 200 250 300 350 Massa de TiO2 (m g) Figura 30. Redução da área total dos espectros de absorção dos corantes reativos em função da quantidade de catalisador e do pH: (–•–) pH 7; (–•–) pH 9 e (–•–) pH 11. 100 % D esco ram en to 95 90 85 80 75 70 0 50 100 150 200 250 300 350 Massa de TiO2 (mg) Figura 31. Descoramento (área sob os espectros na região do visível) dos corantes reativos em função da quantidade de catalisador e do pH: (–•–) pH 7; (–•–) pH 9 e (–•–) pH 11. 64 De acordo com os resultados, os valores ideais para se tratar o efluente em questão são 200 mg de TiO2 e pH 11. Este valor de pH é o geralmente encontrado nos tingimentos com os corantes reativos, o que facilitaria o tratamento. O alto grau de descoramento alcançado em apenas 15 minutos de irradiação é um bom indicativo para o uso do processo fotocatalítico no tratamento do efluente II. 4.2.2 – Fotocatálise dos Corantes Reativos O descoramento do efluente II, composto por 70,0 mg L–1 de cada corante, 50,0 g L–1 de NaCl e 5,0 g L–1 de barrilha foi monitorado por espectrofotometria UV-Visível. A Figura 32 mostra os espectros obtidos durante a fotocatálise do banho. Verifica-se que o processo fotocatalítico foi bastante eficaz, já que com apenas 30 min a absorção na região do visível foi praticamente nula. Outro ponto a ser considerado é que o comportamento dos espectros em função do tempo é sempre decrescente, não sendo possível visualizar o aparecimento de nenhum subproduto da reação que absorva na região varrida, o que pode ser um indicativo de uma mineralização significativa. 3,0 Absorbância 2,5 2,0 1,5 1,0 0,5 0,0 200 300 400 500 600 700 800 λ (nm) Figura 32. Espectros de absorção na região UV-Visível em função do tempo durante o tratamento fotocatalítico : — 0, — 5, — 10, — 15, — 20, — 25 e — 30 min. A partir dos espectros obtidos e da resolução simultânea do sistema de equações baseado na lei de Lambert-Beer para cada comprimento de onda de máxima absorção, avaliou-se a degradação de cada corante, separadamente. Na Figura 33, são mostrados os resultados obtidos. 65 1,0 0,9 0,8 C/C0 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 0 5 10 15 20 25 30 Tempo (min) Figura 33. Degradação dos corantes reativos pelo processo fotocatalítico em função do tempo: (–•–) Reactive Black 5, (––) Reactive Red 239 e (––) Reactive Yellow 17. Pode-se observar um comportamento bem distinto entre o Black 5 e os outros dois corantes. O Black 5 foi rapidamente decomposto pela fotocatálise, tendo desaparecido a partir dos 10 min de irradiação. Essa maior facilidade de degradação pode ser devida ao fato deste corante ser um diazo, sendo, portanto, mais suscetível a oxidações. O rápido descoramento do corante Black 5 pelo processo fotocatalítico tem sido reportado por vários autores. Gouvêa et al. (2000) utilizando o sistema ZnO/UV obtiveram 90% de remoção da cor deste corante em 30 minutos de tratamento, enquanto que para o corante Reactive Blue 19 esta remoção foi de 88% com o mesmo tempo de reação. Os corantes Red 239 e Yellow 17 também foram degradados por fotocatálise, embora a uma taxa menor do que a do Black 5. A degradação chegou a aproximadamente 95% e 85% para o Red 239 e o Yellow 17, respectivamente, tendo se mantido constante a partir dos 20 min. Essa maior dificuldade de oxidação talvez possa ser devida às suas estruturas monoazo. Para quantificar o descoramento da mistura reacional, integrou-se a área de cada espectro entre 400 a 700 nm, sendo os dados obtidos apresentados na Figura 34. O processo fotocatalítico, utilizando-se 200,0 mg de TiO2 e pH 11, demonstrou ser capaz de remover praticamente toda a cor original do efluente II em apenas 30 minutos de tratamento. Este resultado pode ser comprovado na Figura 35 através da visualização das soluções. A solução inicial apresenta uma coloração bastante escura e a solução com 30 minutos de tratamento totalmente incolor. 66 1,0 0,9 0,8 Cor/Cor 0 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 0 5 10 15 20 25 30 Tempo (min) Figura 34. Descoramento em função do tempo pelo processo fotocatalítico. Figura 35. Fotografia do descoramento alcançado em função do tempo com o tratamento fotocatalítico: da esquerda para a direita: 0, 5, 10, 15, 20, 25 e 30 min. 4.2.3 – Fotólise e Adsorção dos Corantes Reativos Seguindo a mesma linha de raciocínio usada com os corantes ácidos, foram realizados experimentos de fotólise e adsorção de forma a verificar as influências individuais da irradiação UV e do fotocatalisador, respectivamente, no tratamento do efluente II. A Figura 36 mostra os espectros obtidos durante a fotólise do banho. Observa-se que embora tenha 67 havido algum descoramento, o desempenho é bem inferior ao obtido com a fotocatálise. Além disso, é possível ver o surgimento de um ou mais subprodutos que absorvem na região espectral analisada. Como se observa na Figura 37, o corante Black 5 sofreu uma fotólise significativa (80% em 30 min), embora a taxa seja bem menor do que a da fotocatálise. Já os corantes Red 239 e Yellow 17 não sofreram fotólise apreciável. De fato, houve um aumento na absorção a partir dos 15 min, provavelmente devido a subprodutos formados e que absorvem na mesma região do espectro. 3,0 Absorbância 2,5 2,0 1,5 1,0 0,5 0,0 200 300 400 500 600 700 800 λ (nm) Figura 36. Espectros de absorção na região UV-Visível em função do tempo durante o tratamento fotolítico: — 0, — 5, — 10, — 15, — 20, — 25 e — 30 min. 1,2 1,0 C/C0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 0 5 10 15 20 25 30 Tempo (min) Figura 37. Degradação dos corantes reativos pelo processo fotolítico em função do tempo: (–•–) Reactive Black 5, (––) Reactive Red 239 e (––) Reactive Yellow 17. 68 A Figura 38 comprova que com 30 min de tratamento, a fotólise não promoveu um descoramento significativo (inferior a 40%), ainda permanecendo uma cor bastante escura em todas as amostras tratadas. Esta coloração pode ser verificada na Figura 39, onde somente a solução com 30 min de reação apresentou uma coloração avermelhada, confirmando visualmente a fotólise do corante azul (Black 5). 1,0 0,9 0,8 Cor/Cor 0 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 0 5 10 15 20 25 30 Tempo (min) Figura 38. Descoramento em função do tempo pelo processo fotolítico. Figura 39. Fotografia do descoramento alcançado em função do tempo com a fotólise: da esquerda para a direita: 0, 5, 10, 15, 20, 25 e 30 min. 69 Os testes de adsorção demonstraram que nenhum dos três corantes adsorve significativamente no TiO2, nos tempos utilizados neste trabalho. Conforme observado na Figura 40, os espectros obtidos se mantêm praticamente idênticos ao da solução inicial. Sendo assim, a contribuição da adsorção para o descoramento do banho pode ser considerada desprezível. 3,0 Ab so rb ân cia 2,5 2,0 1,5 1,0 0,5 0,0 200 300 400 500 600 700 800 λ (nm) Figura 40. Espectros de absorção na região UV-Visível em função do tempo durante os testes de adsorção: — 0, — 5, — 10, — 15, — 20, — 25 e — 30 min. 4.2.4 – Determinação de COD Os valores obtidos na análise de COD do efluente II, tratado por fotocatálise e fotólise, encontram-se na Figura 41. 100 90 COD (mg L–1) 80 70 60 50 40 30 20 10 0 0 5 10 15 20 25 30 Tempo (min) Figura 41. Mineralização do Efluente II em função do tempo de tratamento: (–•–) fotólise e (–•–) fotocatálise. 70 Os resultados da fotocatálise indicam que não ocorreu mineralização significativa dos corantes reativos como era esperado a partir dos espectros obtidos. Apesar da eliminação completa da cor ter sido alcançada com este processo, as amostras analisadas apresentaram um aumento na quantidade de carbono orgânico dissolvido nos primeiros minutos de tratamento, permanecendo um teor de COD próximo ao valor inicial no final da reação. É razoavelmente comum verem-se resultados na literatura nos quais ocorre esse aumento no valor de COD. Santana (2002) obteve concentrações maiores de COD após tratamento fotocatalítico de corantes ácidos, diretos e reativos com diferentes tipos de catalisadores. Nas amostras tratadas por fotólise, os resultados foram praticamente os mesmos da fotocatálise, não ocorrendo uma variação significativa nos teores de COD. A formação de produtos intermediários em ambos os processos pode ser a explicação destes resultados. O aumento no tempo do processo fotocatalítico talvez pudesse promover a mineralização dos intermediários gerados, ocasionando a diminuição da quantidade de COD. Gouvêa et al. (2000) realizaram o descoramento de vários corantes reativos, inclusive o Black 5, em 60 minutos de tratamento fotocatalítico sem, no entanto, obter mineralizações significativas dos mesmos com este tempo reacional. Quando o processo foi estendido até 120 min, mineralizações acima de 80% foram observadas para todos os corantes. 4.3 – Determinação da Cinética de Degradação dos Efluentes 4.3.1 - Estimativa das Constantes Cinéticas do Efluente I As constantes cinéticas da degradação dos corantes ácidos foram estimadas usando-se um modelo de pseudo-primeira ordem e o método dos mínimos quadrados. Foram adotados intervalos de confiança de 95% para inferir a significância estatística dos valores obtidos. Os resultados alcançados para a fotocatálise e para a fotólise podem ser comparados na Tabela 4. Verifica-se que as taxas de degradação fotocatalítica e fotolítica do corante Blue 74 são estatisticamente iguais. Para o Red 51, a taxa obtida na fotocatálise é quase duas vezes maior do que na fotólise. Como esperado, para o Yellow 3, a taxa da constante cinética fotocatalítica é bem maior do que a estimada para a fotólise. Ainda para este corante, verifica-se que as constantes obtidas para ambos os processos são sempre inferiores uma 71 ordem de gradeza em relação aos valores obtidos para os demais corantes, confirmando que a degradação do Yellow 3 é mais lenta. Santana (2002) obteve constantes cinéticas de pseudoprimeira ordem para os corantes Acid Black 94 (k = 3,8 × 10-3 min-1) e Acid Yellow 42 (k = 1,3 × 10-3 min-1) em 360 min de degradação fotocatalítica com irradiação visível. O percentual de descoramento equivale a 81% e 41%, respectivamente. Observa-se que estas constantes possuem a mesma ordem de grandeza obtida neste trabalho com o corante Acid Yellow 3. Tabela 4. Constantes cinéticas de pseudo-primeira ordem obtidas para a degradação dos corantes ácidos. Processo Fotocatálise Fotólise Constante Cinética Coeficiente de k (min–1) Determinação Blue 74 (7,5 ± 2,3) × 10–2 0,982 Red 51 (4,7 ± 0,9) × 10–2 0,990 Yellow 3 (8,8 ± 0,5) × 10–3 1,000 Blue 74 (8,8 ± 1,8) × 10–2 0,993 Red 51 (2,5 ± 1,0) × 10–2 0,957 Yellow 3 (1,4 ± 0,4) × 10–3 0,992 Corante 4.3.2 - Estimativa das Constantes Cinéticas do Efluente II Assim como descrito no item 4.3.1, o ajuste de um modelo cinético de pseudo-primeira ordem aos dados de degradação obtidos para os corantes reativos forneceu as constantes cinéticas apresentadas na Tabela 5. Verifica-se que as taxas de degradação fotocatalítica do Black 5 e do Red 239 estão na mesma ordem de grandeza, embora, com base nas estatísticas, a taxa do Black 5 seja 4 vezes maior do que a do Red 239. Já a taxa de degradação fotocatalítica do Yellow 17 situa-se 2 ordens de grandeza abaixo, mostrando que a degradação deste corante é bem mais lenta. Comparando-se a fotocatálise e a fotólise do Black 5, a taxa fotocatalítica está 1 ordem de grandeza acima. As constantes cinéticas do processo fotolítico dos corantes Red 239 e Yellow 17 não puderam ser estimadas, pois os mesmos não sofreram fotólise apreciável. 72 Tabela 5. Constantes cinéticas de pseudo-primeira ordem obtidas para a degradação dos corantes reativos. Processo Fotocatálise Fotólise Constante Cinética Coeficiente de k (min–1) Determinação Black 5 (5,9 ± 0,1) × 10–1 0,982 Red 239 (1,4 ± 0,2) × 10–1 0,990 Yellow 17 (8,9 ± 2,1) × 10–3 0,983 Black 5 (2,8 ± 0,4) × 10–2 0,995 Corante A maioria dos trabalhos envolvendo a fotocatálise de corantes apresentam cinéticas de degradação seguindo um modelo de pseudo-primeira ordem. Não foram encontrados resultados de constantes cinéticas para esta classe de corante na literatura. 73 CAPÍTULO 5 5 – CONCLUSÕES E SUGESTÕES 5.1 – Conclusões De acordo com os resultados, pode-se afirmar que os efluentes têxteis simulados em laboratório são passíveis de degradação pelo sistema fotocatalítico proposto. Com uma alta concentração de corantes e a presença de outros compostos oriundos da indústria têxtil, obteve-se um excelente descoramento dos efluentes I e II, após 240 e 30 min de tratamento, respectivamente. A otimização dos parâmetros reacionais, pH e massa do catalisador, demonstrou dois fatos importantes: (1) trabalhar com pH 5 no processo com os corantes ácidos e pH 11 com os corantes reativos representa um ganho em tempo e custo, já que os tingimentos com estas substâncias são geralmente realizados nestas faixas de pH, não havendo a necessidade de ajuste dos mesmos; (2) o aumento da massa do catalisador, até 200 mg, ocasionou um aumento na taxa de degradação de ambas as classes de corantes, porém acima deste valor não ocorre melhora no processo de descoramento devido ao excesso de partículas em suspensão causar opacidade, dificultando a penetração da luz. A partir da análise individual dos corantes ácidos, verificou-se que o Acid Blue 74 e o Acid Red 51 sofrem degradação fotocatalítica muito mais apreciável do que o Acid Yellow 3. Verificou-se, ainda, que embora alguns desses corantes possam sofrer fotólise significativa, o desempenho da fotocatálise é bem superior não apenas no descoramento do efluente I (96% contra 78% da fotólise), mas também em relação à eliminação da sua toxicidade e redução da quantidade de COD. Na determinação da toxicidade do efluente I, observou-se que o mesmo pode gerar um forte impacto ambiental em organismos superiores como as plantas, caso seja descartado sem tratamento, pois a CE50 estimada correspondeu a 19,28%. Esta toxicidade foi totalmente removida em apenas 63 min de tratamento fotocatalítico. Quanto à determinação de COD, 74 apesar de a fotocatálise ter apresentado rendimento superior à fotólise, o grau de mineralização obtido foi baixo, apenas 37%. Em se tratando dos corantes reativos, o processo fotocatalítico foi mais eficaz na remoção da cor do que com os corantes ácidos, tornando o efluente II praticamente incolor após 30 min de reação. Devido ao rápido descoramento do corante Reactive Black 5 (10 min de irradiação), tem-se a indicação de que o aumento do número de ligações azo na molécula do corante pode ser um fator determinante para aumentar o grau de degradação do mesmo por processos oxidativos. Comparando-se novamente os resultados de fotocatálise e fotólise no tratamento do efluente II, o melhor desempenho do primeiro é mais evidente. No processo fotolítico, somente o Black 5 sofre degradação (80%), enquanto que com os corantes Red 239 e Yellow 17 ocorre um aumento na absorção provavelmente devido a subprodutos formados e que absorvem na mesma região do espectro. Tanto a fotocatálise como a fotólise não foram capazes de mineralizar os corantes reativos. Um estudo mais aprofundado voltado para a remoção da matéria orgânica desses compostos, se faz necessário. Em relação à adsorção, pode-se concluir que este processo não contribui significativamente para o descoramento dos efluentes I e II. Assim como a maioria dos resultados apresentados pela literatura, a cinética de degradação fotocatalítica de todos os corantes pesquisados neste trabalho seguiram um modelo de pseudo-primeira ordem. É importante que mais pesquisas envolvendo a fotocatálise heterogênea sejam direcionadas ao tratamento de efluentes têxteis reais e/ou efluentes simulados que contenham não somente os corantes, mas também os demais produtos químicos utilizados neste tipo de indústria. 75 Além disso, deve haver uma definição, pelo meio científico, das condições ótimas dos principais parâmetros operacionais do processo (pH, intensidade da luz, aeração, massa do catalisador etc.) para que esta tecnologia promissora se torne realidade nas indústrias. Com os resultados obtidos neste estudo, pode-se dizer que a fotocatálise heterogênea é uma ferramenta útil no descoramento de duas classes de corantes bastante utilizadas no mercado têxtil brasileiro. 5.2 – Sugestões Segue como sugestões para trabalhos futuros: Aumentar o tempo de degradação dos corantes reativos para verificar a capacidade de mineralização do processo fotocatalítico; Determinar os efeitos de parâmetros reacionais, como a intensidade luminosa, aeração e temperatura; Testar outros sistemas catalíticos utilizando novos semicondutores ou o dióxido de titânio modificado; Estudar o descoramento de outras classes de corantes; Aplicar o processo fotocatalítico em combinação com o tratamento biológico de lodos ativados, visando futura utilização em escala industrial por alguma fábrica têxtil; Realizar análises de cromatografia acoplada à espectrometria de massas para identificação dos produtos intermediários e finais do processo degradativo. 76 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALBERICI, R. 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