AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA À SAÚDE NA OBESIDADE Evaluation of health related quality of life in obesity Mirna Brilmann1, Margareth da Silva Oliveira2, Valéria de Oliveira Thiers3 Resumo O presente estudo investigou a qualidade de vida em pacientes com excesso de peso e com obesidade mórbida. Participaram 73 indivíduos, com idade média de 40,3 anos e escolaridade mínima de cinco anos. Os instrumentos empregados foram uma ficha de dados sociodemográficos, a Escala de Compulsão Alimentar Periódica (ECAP), o Short Form Health Survey (SF36) e o Obesity Related Well-Being Questionnaire (ORWELL 97). A amostra foi constituída por 79,2% de mulheres e 32,9% apresentando IMC > 40 kg/m². No ECAP, 50,7% apresentaram ausência de Compulsão Alimentar Periódica (CAP); 13,7%, CAP moderada; e 35,6%, CAP grave. No SF36 foi encontrada associação significativa entre IMC e os domínios: aspectos físicos, capacidade funcional e dor (p < 0,01 para todos). Em todos os domínios, a pontuação dos obesos mórbidos foi inferior a do grupo com excesso de peso. Na associação entre IMC e Orwell 97 foram encontradas associações significativas para o Orwell 97 - Total, e Orwell 97 - Ocorrência (p < 0,01 para ambos), mas não para Orwell 97-Relevância. Não foi identificada associação entre CAP e IMC. A avaliação de qualidade de vida em obesos é importante para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais eficientes. PALAVRAS-CHAVE Qualidade de vida, bulimia, índice de massa corporal ABSTRACT This study investigated the quality of life among patients with overweight and morbid obesity. Participants were 73 persons, with mean age of 40.3 years, and minimum education of five years. Instruments of evaluation used were a socio-demographic data file, the Binge Eating Scale (BES), the Short Form Health Survey (SF 36) and the Obesity Related Well-Being Questionnaire (ORWELL 97). The sample were composed by 79.2% of women and 32.9% had BMI > 40 kg/m². For the BES, 50.7% had absence of compulsion, 13.7% moderate compulsion, and 35.6% severe compulsion. There were significant association between BMI and SF36 in the domains of physical aspects, functional ability and pain (p< 0.01 for all). In all the domains, scores for the morbid obese group were lower than the overweight group ones. Significant 1 Mestre em Psicologia Clínica. End.: Av. Ipiranga, 6681 – Prédio 11 – 9º andar Porto Alegre/ RS CEP: 90619-900 – E-mail: [email protected] 2 Doutora em Psiquiatria e Psicologia Médica. Professora Adjunta da Faculdade de Psicologia – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. 3 Doutora em Psicologia Experimental. Professora Adjunta da Faculdade de Psicologia – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. C A D . S A Ú D E C O L E T ., R I O DE J A N E I R O , 15 (1): 39 - 54, 2007 – 39 MIRNA BRILMANN, MARGARETH DA SILVA OLIVEIRA, VALÉRIA DE OLIVEIRA THIERS association was revealed for BMI and Total Orwell 97, BMI and Orwell 97 Occurrence (p< 0.01 for both). There was no association between BMI and Orwell 97 Relevance, neither with BMI nor with BES. Quality of life evaluation for obese groups is important, for it can help in the development of more efficient therapeutic strategies. KEY-WORDS Quality of life, bulimia, body mass index 1. INTRODUÇÃO A palavra obesidade tem sua origem no latim, obesitate, sendo definida por Ferreira (1996, p.1208) como a “deposição excessiva de gordura no organismo, levando a um peso corporal que ultrapasse em 15%, ou mais, o peso ótimo”. Esta patologia decorre de um estado crônico do balanço energético positivo, no qual o ganho calórico supera o gasto, vindo a se constituir numa doença multifatorial, cuja expressão fenotípica se dá pela interação de fatores ambientais com fatores genéticos (Matos & Bahia, 1998). A obesidade é uma doença crônica, progressiva e recorrente, com características de pandemia, de alto custo social, que diminui a expectativa e a qualidade de vida das populações de todas as idades em praticamente todo o mundo, afetando particularmente as classes menos favorecidas em toda a América Latina (Consenso Latino-Americano em Obesidade, 1999). Bray (2004) a considera mais que uma simples “condição”, afirma que é uma doença neuroquímica, na qual se observam alterações da composição corporal, se constituindo, a longo prazo, um fator de risco para que se agreguem outras doenças crônicas. Dentre as doenças crônicas associadas à obesidade, Hill e Peters (1998) listam problemas cardiológicos, respiratórios, oncológicos, obstétricos, digestivos, ortopédicos, vasculares, psicossociais, endocrinológicos e metabólicos. A síndrome metabólica vem sendo alvo de muitas discordâncias relativas à sua constituição. De acordo com Niskanen et al. (2004), o fator obesidade é o componente essencial desta síndrome, sendo precursora do infarto do miocárdio e do diabetes. O tratamento da obesidade vem se constituindo em um desafio para as diversas áreas que tratam da saúde, em virtude do constante fracasso em se alcançar êxito duradouro (Tauber, 1998). Segundo Greenway e Smith (2000), as pesquisas voltadas para os tratamentos têm se ocupado em alcançar a perda de peso, com menor ênfase no estudo dos determinantes responsáveis pelas sucessivas recaídas e no aumento gradual do peso. O método diagnóstico mais utilizado para definir obesidade tem sido o Índice de Massa Corporal (IMC), embora apresente limitações. O cálculo do IMC é obtido através da fórmula peso (quilogramas) dividido pela altura (metros) ao 40 – C A D . S A Ú D E C O L E T ., R I O DE J A N E I R O , 15 (1): 39 - 54, 2007 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA À SAÚDE NA OBESIDADE quadrado (kg/m²). Segal (2004) classifica os valores obtidos em: baixo peso (IMC < 18,5), peso normal (18,5 < IMC < 24,9), sobrepeso (25 < IMC < 29,9), obesidade I (30 < IMC < 34,9), obesidade II (35 < IMC < 39,9) e obesidade III (IMC ≥ 40). O Consenso Latino-Americano de Obesidade (1999) observou que, no México, 33% dos homens e 39% das mulheres eram obesos; no Uruguai, 42% dos homens e 50% das mulheres da população têm sobrepeso e obesidade. Quanto à distribuição de indivíduos com peso acima de níveis saudáveis: na Argentina, 27% da população é de obesos e 32,5% têm sobrepeso; no Chile, em quatro anos houve um acréscimo de 14% no peso das populações; no Peru, aumento de 40% no sobrepeso e 12% na obesidade. Dados do IBGE (2003), em uma pesquisa de âmbito nacional, indicaram a incidência na população adulta de 11% de obesidade, 40% de sobrepeso e 4% de déficit ponderal. A mesma fonte indica que, de 1976 a 1989, ocorreu um incremento de 53% na prevalência da obesidade, sendo esse aumento superior para as mulheres (de 8,2% a 13,3%) em relação aos homens (de 3,1% a 5,9%). Prevê-se que, nesse ritmo, seja grande a probabilidade de que toda a população venha a ser obesa no terceiro milênio. Hoje, 35% da população adulta encontrase atualmente com peso acima do considerado saudável. A alta prevalência de obesidade no nosso país tem sido considerada um problema de saúde pública, exigindo dos órgãos governamentais políticas de educação e saúde mais efetivas (Consenso Latino-Americano em Obesidade, 1999). Segundo relatório da ONU (Wassermann, 2006), responsável pela fiscalização do controle mundial antidrogas, nosso país é líder no consumo de medicamentos para emagrecer, principalmente as anfetaminas FATORES QUE INCIDEM NO AUMENTO DO PESO CORPORAL A regulação do peso corporal sofre influências de determinantes genéticos e de alterações endócrinas, ambientais e regulatórios. Os fatores genéticos podem determinar o IMC e como a gordura vai se distribuir no corpo. Porém, acredita-se que a genética seja responsável por uma predisposição ao excesso de peso, para o qual os fatores ambientais podem desempenhar um grande papel no desencadeamento desta possibilidade. O estudo de Stunkard (apud Carneiro & Gomes, 2001) evidenciou que cerca de 30% dos filhos herdam essas características. Com relação aos determinantes ambientais, podem-se citar: influência do maior status econômico, que incide no aumento da oferta de alimento, e estilos de vida sedentários, assim como de aspectos culturais, que podem facilitar ou dificultar a manifestação de uma tendência. Dentre os determinantes regulatórios, C A D . S A Ú D E C O L E T ., R I O DE J A N E I R O , 15 (1): 39 - 54, 2007 – 41 MIRNA BRILMANN, MARGARETH DA SILVA OLIVEIRA, VALÉRIA DE OLIVEIRA THIERS destacam-se: gravidez nas mulheres; aumento das células do tecido adiposo, que ocorre na infância; patologias do sistema nervoso central; uso de fármacos (Merck, 2001). QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA À SAÚDE Cooper e Fairburn (2001) alegam que diferentes áreas da saúde priorizaram, por muito tempo, o estudo da doença, a avaliação de sua freqüência e sua intensidade, tendo como foco de atenção a morbidade e a mortalidade. O objetivo principal das intervenções era evitar e protelar tanto quanto possível a ocorrência da morte. Para Orley et al. (1998), aqueles objetivos instituem um paradoxo, pois as intervenções podem ser eficazes na redução da morbidade e/ou mortalidade, mas podem não assegurar a melhora na qualidade de vida do paciente. A Organização Mundial de Saúde (1998) buscou redefinir o conceito de “saúde” como estado de bem-estar físico, mental e social, identificando-a como a percepção do indivíduo sobre a sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. Nesta definição, é implícito que o conceito de qualidade de vida é subjetivo e multidimensional, incluindo elementos de avaliação não só positivos, mas também negativos (WHOQOL, 1998). Atualmente, saúde não significa apenas não estar doente, mas alcançar um estado de satisfação e plenitude consigo próprio e com a vida (Kushner & Foster, 2000). A qualidade de vida relacionada à saúde é avaliada a partir de dados mais objetivos e mensuráveis, aplicados a pessoas reconhecidamente doentes do ponto de vista físico; refere-se ao grau de limitação e desconforto que a doença e/ou sua terapêutica acarretam ao paciente (Kolotkin et al., 2006). O presente estudo teve como objetivo geral avaliar a qualidade de vida relacionada à saúde entre pacientes com sobrepeso/obesidade I ou II e obesos grau III. Os objetivos específicos foram identificar o perfil sociodemográfico, da história de obesidade (antecedentes mórbidos, investigação de antecedentes familiares, freqüência do uso de dietas restritivas), verificar a presença de compulsão alimentar periódica e avaliar a qualidade de vida. 2. MÉTODO Foi conduzido um estudo transversal, de comparação entre dois grupos: grupo A (sobrepeso e obesidade I e II) e grupo B (obesidade III – obesos graves). PARTICIPANTES Fizeram parte da amostra 73 pessoas que buscaram tratamento para excesso de peso, em quatro instituições especializadas na região da Grande Porto Alegre 42 – C A D . S A Ú D E C O L E T ., R I O DE J A N E I R O , 15 (1): 39 - 54, 2007 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA À SAÚDE NA OBESIDADE (dois hospitais da rede pública e duas clínicas particulares). Os participantes foram submetidos a avaliações clínica, nutricional, psiquiátrica, psicológica e endocrinológica. O critério de inclusão dos pacientes para participar da pesquisa foi ter nível de escolaridade mínima de 5 anos e anuência na participação do estudo. A coleta de dados ocorreu no período de março de 2000 a novembro de 2001. A amostra foi dividida em duas categorias, tendo o IMC como referência. Compunham o grupo A, pacientes com 25 < IMC < 40 kg/m², isto é, com sobrepeso ou obesidade graus I ou II; e o grupo B, pacientes com IMC ≥ 40 kg/m², ou seja, pacientes com obesidade grau III ou obesos graves. INSTRUMENTOS Foram utilizados para este estudo cinco instrumentos: entrevista estruturada, Escala de Compulsão Alimentar Periódica (ECAP), Medical Outcomes Study 36-Item Short Form (SF-36), Obesity Related Well-Being (ORWELL 97) e Índice de Massa Corporal (IMC). A entrevista estruturada, desenvolvida pela pesquisadora, objetivou obter dados de identificação e o perfil sociodemográfico. A ECAP foi desenvolvida por Gormally et al. (1982) e validada para o Brasil por Freitas et al. (2001). Consta de um questionário auto-aplicável que avalia e quantifica a gravidade da compulsão alimentar periódica. Apresenta 62 afirmativas, com pontuação de 0 a 3, que correspondem de ausência até gravidade da compulsão. O SF-36, desenvolvido por Ware e Gandek (1994) e validado para o Brasil por Ciconelli (1997), é um questionário de avaliação geral da qualidade de vida referente à saúde, com capacidade de medir, de forma subjetiva, a percepção do estado de saúde, podendo ser aplicado para estudar diversas condições de saúde ou doença, pois avalia tanto aspectos positivos quanto negativos (Wee et al., 2005). Seus 36 itens foram agrupados em oito domínios: Capacidade funcional, que avalia o impacto da doença na realização laboral e nas atividades diárias; Aspectos físicos, que avalia as dificuldades encontradas com relação ao tempo e à quantidade de atividades executadas na vida diária; Dor, que avalia a intensidade de dor percebida e as limitações por ela impostas nas atividades cotidianas; Estado geral de saúde, que avalia a subjetividade do sujeito com relação à sua saúde em geral; Vitalidade, que avalia a energia e os fatores que possam diminuí-la, afetando a vida diária; Aspectos sociais, que avalia a integração do indivíduo nas relações sociais, familiares e extrafamiliares; Aspectos emocionais, que relaciona as dificuldades diárias provocadas por problemas emocionais; e Saúde mental, para identificar fatores, como tristeza, nervosismo, cansaço, que possam interferir na vida do indivíduo. C A D . S A Ú D E C O L E T ., R I O DE J A N E I R O , 15 (1): 39 - 54, 2007 – 43 MIRNA BRILMANN, MARGARETH DA SILVA OLIVEIRA, VALÉRIA DE OLIVEIRA THIERS O ORWELL 97, desenvolvido por Mannucci et al. (1999), é uma escala que avalia a qualidade de vida relacionada à saúde, específica para a obesidade. É composta por 18 afirmativas com itens relativos a sintomas e prejuízos na função física, desconforto (impacto do peso ponderal no estado emocional e preocupações do obeso) e impacto que o sobrepeso tem sobre as relações familiares, sobre o cotidiano e a vida social. PROCEDIMENTO Após encaminhamento e aprovação pelos Comitês Científico e de Ética da instituição à qual a pesquisadora está vinculada e aos respectivos comitês de ética dos locais onde o protocolo de pesquisa foi aplicado, cada participante da pesquisa recebeu duas cópias da carta informativa (que continha todas as informações pertinentes a esta pesquisa específica). Os participantes ficaram com uma das cópias do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Foi assegurado a todos os participantes privacidade, confidencialidade e esclarecimentos sobre todas as dúvidas que pudessem surgir quanto aos objetivos e procedimentos desta pesquisa. Assegurou-se a devolução dos dados da avaliação obtidos a todos que os solicitassem. As aplicações dos questionários foram individuais e duraram cerca de 45 a 60 minutos para cada participante. Os protocolos foram aplicados por dois entrevistadores treinados, entre eles a pesquisadora e uma auxiliar de pesquisa pertencentes ao grupo de pesquisa da universidade onde se desenvolveu o estudo. Na análise de dados, foram empregados o teste exato de Fisher para as tabelas de contingência, o teste t para comparação de médias de amostras independentes para as variáveis quantitativas com distribuição normal, e o teste de Mann-Whitney em situações de não normalidade. Foi utilizado o software SPSS 12.0. 3. RESULTADOS O estudo contou com 73 participantes, sendo 79,5% mulheres (n = 58) e 20,5% homens (n = 15). A idade média foi de 40,3 anos. A Tabela 1 apresenta os dados sociodemográficos e a comparação dos mesmos nos grupos A e B. No grupo A, a idade média foi de 41,4 anos (desvio-padrão = 14,1 anos) e no grupo B, de 40,4 anos (desvio-padrão = 12,3 anos). Ao serem consideradas as características da amostra, obteve-se que 50,7% eram casados (n = 37), 32,9% (n = 24) possuíam ensino médio e 30,2% (n = 22) possuíam renda entre R$ 2.000,00 e R$ 12.000,00. Dos 73 entrevistados, 82,2% (n = 60) relataram antecedentes familiares de obesidade. Ao avaliar os dois grupos separadamente, 83,7% (n = 41) do grupo A 44 – C A D . S A Ú D E C O L E T ., R I O DE J A N E I R O , 15 (1): 39 - 54, 2007 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA À SAÚDE NA OBESIDADE e 79,2% (n = 19) do grupo B apresentaram antecedentes de obesidade, todavia a diferença não foi estatisticamente significante (p = 0,747). Quando questionados a respeito do uso de dietas restritivas objetivando a redução de peso, 44 sujeitos (89,8%) do grupo A e 18 sujeitos (75%) do grupo B afirmaram submeter-se a freqüentes dietas, sem ser observada significância estatística (p = 0,161). Tabela 1 Características sociodemográficas dos grupos A (sobrepeso/obesidade I ou II) e B (obeso grave). * A renda mensal dos sujeitos foi calculada tendo como referência o valor base de um salário mínimo (SM) nacional de janeiro de 2003 (R$ 200,00), estando incluído qualquer tipo de remuneração mensal. A renda mínima observada foi de R$ 200,00 e a máxima de R$ 12.000,00, sendo que 45 sujeitos trabalham e 28 não trabalham. Na aplicação da ECAP (Tabela 2), para todos os participantes obteve-se o escore médio de 18,77 (desvio-padrão = 9,97). Destes, 50,7% não apresentaram compulsão alimentar, 13,7% tinham compulsão alimentar moderada e 35,6% tinham compulsão alimentar grave. O escore médio do ECAP para o grupo A foi de 17,04 (desvio-padrão = 9,97) e para o grupo B, 22,29 (desvio-padrão = 11,3), e não houve diferença estatisticamente significante entre os dois grupos (p = 0,60). C A D . S A Ú D E C O L E T ., R I O DE J A N E I R O , 15 (1): 39 - 54, 2007 – 45 MIRNA BRILMANN, MARGARETH DA SILVA OLIVEIRA, VALÉRIA DE OLIVEIRA THIERS Tabela 2 Distribuição das categorias no ECAP para os grupos A (sobrepeso/obesidade I ou II) e B (obeso grave). Os dados da Tabela 3 demonstram as médias dos escores e o desvio-padrão do SF-36. Foi analisada a associação entre ser obeso grave ou ter sobrepeso/ obesidade I ou II com os escores dos componentes do SF-36. Foram encontradas associações estatisticamente significantes entre ser obeso grave ou apresentar sobrepeso/obesidade I ou II com os componentes Capacidade funcional (p < 0,001), Aspectos físicos (p < 0,05) e Dor (p = 0,003). Não houve associação estatisticamente significante com Estado geral de saúde (p = 0,09), Aspectos sociais (p = 0,13), Aspectos emocionais (p = 0,08), Saúde mental (0,56) e Vitalidade (p=0,06), embora se observe para este último componente uma tendência associativa que poderia ser estatisticamente significante em uma amostra maior. Nos oito domínios do SF-36, os sujeitos com obesidade grave apresentaram um escore menor que aqueles com sobrepeso ou obesidade I ou II, indicando maiores prejuízos na qualidade de vida. Tabela 3 Médias e desvios-padrão (Dp) dos escores obtidos no SF-36 para os grupos A (sobrepeso/ obesidade I ou II) e B (obeso grave). * p < 0,05. 46 – C A D . S A Ú D E C O L E T ., R I O DE J A N E I R O , 15 (1): 39 - 54, 2007 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA À SAÚDE NA OBESIDADE Na avaliação da qualidade de vida específica na obesidade do ORWELL 97 (Tabela 4), os escores foram divididos em escalas de Orwell 97-Ocorrência (Orwell 97-O), que, no total da amostra, apresentou uma média de 26,04 (desvio-padrão = 12,02), Orwell 97-Relevância (Orwell 97-R), com média de 29,29 (desvio-padrão = 7,6) e Orwell 97-Total (Orwell 97-T), com média de 55,64 (desvio-padrão = 18,48). Foi identificada associação estatisticamente significante entre ser obeso grave ou ter sobrepeso/obesidade I ou II e: Orwell 97-O e Orwell 97-T. Não foi encontrada associação significativa com Orwell 97-R. Tabela 4 Média e desvios-padrão (Dp) dos escores obtidos para Orwell 97-O, Orwell 97-R e Orwell 97-T, para os grupos A (sobrepeso/obesidade I ou II) e B (obeso grave). * p < 0,05. 4. DISCUSSÃO Os resultados demonstram que esses indivíduos com excesso de peso, a despeito do ônus da sua doença, conseguem manter uma atividade educacional e profissional de nível elevado, comparado com a média brasileira, bem como manter relacionamentos afetivos, o que nos permite inferir que são principalmente as dificuldades físicas e comorbidades provocadas pela obesidade que motivam e mobilizam estas pessoas a buscarem tratamentos (Choban et al., 1999; Le Pen et al., 1998). Nesta amostra, não ocorrem diferenças entre homens e mulheres quanto à magnitude da obesidade, confirmado pela ausência de uma associação significativa. Porém, os dados apontam para a grande diferença que ocorre entre homens e mulheres na busca de tratamentos e preocupação com excesso de peso. Dados semelhantes foram relatados por Fontaine et al. (1996), que, ao dividirem sua amostra (n = 312) em dois grupos referentes ao gênero, identificaram: 73,7% de mulheres e 26,3% dos homens, com a avaliação do IMC assemelhada aos dados obtidos na presente pesquisa. C A D . S A Ú D E C O L E T ., R I O DE J A N E I R O , 15 (1): 39 - 54, 2007 – 47 MIRNA BRILMANN, MARGARETH DA SILVA OLIVEIRA, VALÉRIA DE OLIVEIRA THIERS Essas distorções comportamentais se mostram freqüentes nos homens, que costumam ser mais descuidados com a saúde que as mulheres, geralmente buscando atendimento para as patologias decorrentes da obesidade quando tais problemas clínicos já estão instalados e com prejuízos importantes na sua qualidade de vida (Burns et al., 2001). Nunes (1997), ao pesquisar a influência da percepção do peso e do IMC nos comportamentos alimentares anormais em mulheres, num estudo de base populacional (n = 513), observou que, quanto ao IMC, 82% da amostra era normal, 2% eram magras e 16% tinham excesso ponderal; e, quanto ao comportamento alimentar, 30,2% apresentavam comportamentos de risco e 11,3%, comportamentos inadequados. Quanto à percepção de peso, 46,0% desejavam pesar menos e 37,8% consideravam-se gordas. A autora justifica esta distorção cognitiva como sendo possivelmente determinada por pressões psicossociais e culturais que impõem, principalmente às mulheres, um padrão ponderal irrealista. Esses dados são consistentes com os de outras pesquisas referentes a este problema, que demonstram que, nas mulheres, os efeitos subjetivos do excesso de peso são vivenciados de forma mais aguda, interferindo significativamente na auto-estima e no desempenho sexual (Kolotkin et al., 1995; Maine, 2005). Os dados obtidos a respeito dos antecedentes familiares confirmam as estatísticas apontadas pelo Consenso Latino-Americano de Obesidade (1999) e por Müller et al. (2001), que destacam como fatores de risco para desenvolver excesso ponderal a obesidade parental e o peso ao nascer, assim como os fatores sociais, psicológicos e comportamentais. Nesta pesquisa, procurou-se avaliar se haveria uma associação entre ser obeso grave ou ter sobrepeso/obesidade I ou II e o grau de parentalidade, mas as diferenças não foram significativas, embora seja freqüente a presença de antecedentes familiares de obesidade nesta amostra. No entanto, é importante salientar que, apesar de os dados apontarem para a importância do risco familiar como critério de vulnerabilidade, segundo Kushner e Foster (2000), ainda não se tem clara a prevalência entre genética molecular e fatores ambientais como desencadeadores da obesidade. Com respeito às variáveis relativas aos pesos, observa-se que a média de peso máximo na vida adulta (120,19 kg) e a média de peso atual (102,19 kg) com a média de IMC de 37,92 kg/m² são muito elevadas, variando, durante a adultez, a máxima de 70,30 kg a 280 kg, e a mínima de 42 kg a 200 kg, dados que reforçam a hipótese de ocorrência de grandes flutuações ponderais nesta amostra. A média de IMC foi de 37,92 kg/m² (obesidade grave), sendo que o peso encontrado entre estes sujeitos foi de 42 kg a 280 kg, o que se assemelha ao valor de IMC igual a 37,1 kg/m² da amostra pesquisada por Larsson e Mattson (2001). 48 – C A D . S A Ú D E C O L E T ., R I O DE J A N E I R O , 15 (1): 39 - 54, 2007 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA À SAÚDE NA OBESIDADE Segundo Nir e Neumann (1995), a preocupação com dietas e o desejo de perder peso são também características socioculturais da contemporaneidade e representam fatores que dificultam a aderência a tratamentos. Destaca-se, nesta pesquisa, que 89,8% do grupo A e 75% do grupo B fazem dietas restritivas, o que corresponde a 84,9% do total de sujeitos. Ocorreu uma discrepância nas respostas dadas à questão, que os questionava quanto ao peso que idealizavam para si mesmos. Este peso desejado (idealizado) variou de 47 kg a 105 kg, com uma média de 69,5 kg. Vale lembrar que essa média se refere a um grupo de pessoas que pesam atualmente entre 61 kg e 196 kg Foi avaliada a associação entre o padrão de excesso de peso e o fato de o indivíduo fazer ou não dietas, não sendo encontrada uma significância neste sentido. Pode-se pensar que, assim como no estudo de Kushner e Foster (2000), este resultado esteja relacionado ao fato de que alguns sujeitos, mesmo tendo reduzido seu peso, subavaliam o peso perdido e não percebem seu peso como controlável, buscando, assim, dietas alimentares. A freqüência de dietas alimentares e posterior abandono possivelmente se devam, também, à ambigüidade e à inconsistência dos obesos quanto aos objetivos na busca de redução de peso e nas estratégias usadas para alcançá-la (Katsilambros, 2000). Quanto à presença de compulsão alimentar, 50,7% do total da amostra não apresentou compulsão alimentar, sendo esta resposta encontrada em 57,1% do grupo A e 37,5% do B. Não houve associação significativa quanto à ocorrência de compulsão alimentar entre os dois grupos, embora tenha sido identificada uma prevalência importante deste transtorno nos dois grupos. Estes valores de prevalência são maiores do que os encontrados no estudo de Spitzer et al. (apud Freitas et al., 2001), no qual 30% de pacientes obesos que procuraram tratamento para emagrecer eram portadores de Transtorno do Comer Compulsivo. Duchesne et al. (2004) alertam para a necessidade da avaliação neuropsicológica de pacientes com transtorno da compulsão alimentar, pois acreditam na possibilidade de que sua etiologia possa se dever a uma disfunção do sistema nervoso central, podendo causar déficits cognitivos. Não foi encontrada associação entre ser obeso grave ou ter sobrepeso/ obesidade I ou II e saúde mental, que talvez se deva ao fato de que o obeso, independente da magnitude do seu peso, apresente um comportamento compulsivo acompanhado de hiperfagia, sem ter, no entanto, uma doença psiquiátrica ou um transtorno alimentar (Netto, 1998). A relação entre qualidade de vida e obesidade, tal como aferida pelo SF-36, identificou associação entre o padrão de excesso de peso estudado e Aspectos físicos, Capacidade funcional e Dor, mas não evidenciou associação com os domínios C A D . S A Ú D E C O L E T ., R I O DE J A N E I R O , 15 (1): 39 - 54, 2007 – 49 MIRNA BRILMANN, MARGARETH DA SILVA OLIVEIRA, VALÉRIA DE OLIVEIRA THIERS Estado geral de saúde, Saúde mental, Aspectos sociais, Aspectos emocionais e Vitalidade. Quanto à associação com Vitalidade, talvez pudesse ser identificada se a amostra fosse maior, como ocorreu na amostra de Fontaine et al. (1996). Os dados obtidos estão de acordo com os estudos de Sullivan et al. (1987), Fontaine et al. (1996), Doll et al. (2000), Kushner e Foster (2000) e Larsson e Mattsson (2001), que encontraram associação entre índice de massa corporal e qualidade de vida, havendo maiores prejuízos para as questões referentes aos aspectos de ordem física, e não nas áreas emocional e social. Infere-se que, no domínio de capacidade funcional, prejuízos ocorram em função de que uma possível debilidade de ordem física pode prejudicar a capacidade de um indivíduo “funcionar” no seu dia-a-dia. De acordo com Doll et al. (2000), os estudos epidemiológicos e clínicos não contam com suporte para afirmar que as populações de obesos sejam mais emocionalmente perturbadas que a população em geral. Suas maiores dificuldades se devem principalmente às comorbidades fisiológicas graves associadas à obesidade. Assim, a ausência de associação entre qualidade de vida e aspectos de ordem emocional e social também não é incomum (Le Pen et al., 1998). É importante destacar que, em todos os domínios, a pontuação dos obesos graves foi mais baixa, indicando prejuízos na qualidade de vida em geral. Quanto à qualidade de vida específica da obesidade, avaliada pelo Orwell 97, foi encontrada uma associação significativa entre Orwell 97-T, Orwell 97-O e o padrão analisado de excesso de peso, não sendo encontrada associação com Orwell 97-R. Pode-se concluir que a severidade da obesidade está claramente relacionada à intensidade de dor, presença de sintomas e ao quanto de prejuízo eles causam, sendo que ter um aumento no IMC independe de a pessoa considerar este aumento relevante em sua vida (Hill & Peters, 1998). Finalmente, há que se considerar que a ausência de evidências estatísticas significantes nas várias associações apontadas e discutidas pode ser subproduto de um reduzido tamanho amostral e não, necessariamente, da ausência de associação entre as variáveis elencadas. Há que se considerar, ainda, a possibilidade de erros relacionados à mensuração, quer por impacto do entrevistador na resposta do participante, quer pela inexatidão na resposta do mesmo. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Acredita-se, assim como Wadden e Stumkard (1993), que a presença de sintomas emocionais se deva à freqüência das dietas e da privação alimentar, sendo um fenômeno natural de resposta desencadeada pela vivência de privação e, portanto, uma condição transitória. Por outro lado, mesmo com a ocorrência dos fatores 50 – C A D . S A Ú D E C O L E T ., R I O DE J A N E I R O , 15 (1): 39 - 54, 2007 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA À SAÚDE NA OBESIDADE acima mencionados, prejudiciais à qualidade vida, na conclusão deste estudo observamos que os obesos têm maiores prejuízos relacionados aos fatores associados aos aspectos físicos do que aos emocionais. O presente trabalho apresenta como limitações o fato de a amostra ter sido pequena e a coleta ter sido realizada por conveniência, assim como pelo fato de ter sido realizada em instituições públicas e particulares, o que não possibilitaria a análise de uma amostra representativa da realidade populacional, portanto, não podendo ser generalizada. Porém, os dados obtidos através de instrumentos ainda pouco usados em nosso meio, focando o interjogo entre esses dois fenômenos – uma patologia grave e crônica e qualidade de vida relacionada à saúde –, podem vir a ser promissores. Este estudo também permitiu conhecer um pouco melhor o perfil do brasileiro que sofre com a obesidade e o impacto que esta doença produz na sua vida. Após a instalação desta doença, as dificuldades inerentes ao excesso ponderal, assim como as comorbidades fisiológicas, passam a fazer parte do seu dia-a-dia. Larsson e Mattsson (2001) afirmam que o mundo não é feito para os gordos. Descartar as conseqüências pessoais e tratar somente os danos clínicos têm-se mostrado ineficiente, vejam-se os resultados epidemiológicos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRAY, G. A. Obesity is a cronic, relapsing neurochimical disease. International Journal of Obesity. v. 28, n.1, p. 34 - 38, 2004. BURNS, C. M.; TIJHUIS, M. A. R.; SEIDELL, J. C. The relationship between quality of life and perceived body weight and dieting history in Dutch men and women. International Journal of Obesity. v. 25, n. 9, p. 1386 - 1392, 2001. CARNEIRO, J. R. I.; GOMES, M. B. Obesidade: como tratar. 2001. Disponível em: <http://www.lampada.uerj.br/ead-ind/obesidad/obesidad/html>. Acesso em: 20 mai. 2000. CHOBAN, P. S.; ONYEJKWE, J.; BURGE, J. C.; FLANEBAUN, L. A health status assessment of the impact of weight loss following Roux-en-Y gastric bypass for clinically severe obesity. Journal American College of Surgeons. v. 188, n. 5, p. 491 - 497, 1999. CICONELLI, R. M. 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