CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA PAULA SOUZA FACULDADE DE TECNOLOGIA DE LINS PROF. ANTÔNIO SEABRA CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM LOGÍSTICA LUCAS ALVES DE SOUZA MAICON TIAGO DOS SANTOS VIGARANI A UTILIZAÇÃO DE INDICADORES DE DESEMPENHO NAS OPERAÇÕES LOGÍSTICAS DE SUPORTE À PRODUÇÃO EM UMA FÁBRICA DE HIGIENE E LIMPEZA LINS/SP 2° SEMESTRE/2012 CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA PAULA SOUZA FACULDADE DE TECNOLOGIA DE LINS PROF. ANTÔNIO SEABRA CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM LOGÍSTICA LUCAS ALVES DE SOUZA MAICON TIAGO DOS SANTOS VIGARANI A UTILIZAÇÃO DE INDICADORES DE DESEMPENHO NAS OPERAÇÕES LOGÍSTICAS DE SUPORTE À PRODUÇÃO EM UMA FÁBRICA DE HIGIENE E LIMPEZA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Tecnologia de Lins para obtenção do Título de Tecnólogo em Logística.. Orientador: Prof. Me. Euclides Reame Junior LINS/SP 2° SEMESTRE/2012 S729 Souza, Lucas Alves de A utilização de indicadores de desempenho nas operações logísticas de suporte à produção em uma fábrica de higiene e limpeza / Lucas Alves de Souza e Maicon Tiago dos Santos Vigarani – Lins, 2012. 51 f.: il. Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso de Tecnólogo em Logística) – Faculdade de Tecnologia de Lins Prof. Antônio Seabra, 2012. Orientador: Prof. Me. Euclides Reame Junior 1.Logística. 2.Mediação de desempenho. 3.Indiucadores de desempenho logístico. 4.Mercado de higiene e limpeza. I.Vigarani, Maicon Tiago dos Santos. II.Reame Junior, Euclides. III.Faculdade de Tecnologia de Lins Prof. Antônio Seabra.. IV.Título. CDD 658.5 LUCAS ALVES DE SOUZA MAICON TIAGO DOS SANTOS VIGARANI A UTILIZAÇÃO DE INDICADORES DE DESEMPENHO NAS OPERAÇÕES LOGÍSTICAS DE SUPORTE À PRODUÇÃO EM UMA FÁBRICA DE HIGIENE E LIMPEZA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Tecnologia de Lins, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do título de Tecnólogo em Logística sob orientação do Prof. Me. Euclides Reame Junior. Data de aprovação: _____/_____/__________ ___________________________________________ Orientador (Prof. Me. Euclides Reame Junior) ___________________________________________ Examinador (Prof. Me. Sandro da Silva Pinto) ___________________________________________ Examinador (Prof. Me. Silvio Ribeiro) Dedicamos a todos nossos familiares, amigos, professores e colegas de sala, em especial ao nosso orientador, que juntos, contribuíram para a conclusão desse trabalho. LUCAS ALVES DE SOUZA MAICON TIAGO DOS SANTOS VIGARANI AGRADECIMENTOS Queremos expressar nossos sinceros agradecimentos ao Centro Paula Souza e ao governo do estado, por oferecer a oportunidade de cursarmos um ensino superior de qualidade, sem o qual não seria possível a conclusão do mesmo. Ao Prof. Msc Euclides Reame Junior, nosso orientador, que durante a elaboração de nosso trabalho de conclusão de curso nos forneceu todo apoio, conhecimento e paciência necessária para que pudéssemos evoluir como alunos, mesmo em horas de desânimo e falta de ideias, o mesmo auxiliou-nos na direção certa, motivando a seguirmos até o fim, e não desistir de nosso objetivo. Queremos agradecer aos professores que durante o curso contribuíram para nossa formação acadêmica, e aos colegas de sala, os sinceros agradecimentos por motivarmos e alegrarmos em momentos de desânimo, nos quais pensamos até em desistir do curso, sendo as amizades um forte apoio para que prossigamos em frente, até chegarmos a esse momento. LUCAS ALVES DE SOUZA MAICON TIAGO DOS SANTOS VIGARANI RESUMO As operações logísticas (OL) de uma empresa são de vital importância para sua sobrevivência nos mercados de atuação, pois proporcionam o contato do produto com o consumidor, gerando através da sua otimização, vantagens e diferenciais competitivos. As OL’s de suporte a produção definida na pesquisa, são a gestão de estoque, movimentação interna e compras, sendo elas responsáveis por auxiliar os processos, influenciando no seu desempenho. Essa influência deve ser mensurada, através de sua medição, com o objetivo de avaliar se as OL’s estão contribuindo para a eficiência e produtividade da empresa. Para sua correta medição, é de vital importância o conhecimento da função da logística na produção e dos indicadores disponíveis para suas operações. No contexto do mercado de higiene e limpeza, o segmento de produção de sabonetes, que é definido na pesquisa como um mercado em expansão, com um crescimento constante, atrai cada vez mais empresas, aumentando assim a competitividade entre elas, e a importância das mesmas diferenciarem-se entre si, oferecendo vantagens competitivas a seus clientes. Essas vantagens podem ser definidas como menor custo, maior qualidade, maior valor agregado, menor tempo de processo e maior eficiência na entrega, sendo elas alcançadas com o correto uso dos indicadores citados no trabalho. Tendo em vista a importância das operações logísticas de suporte a produção, esse trabalho tem como objetivo verificar se a empresa escolhida utiliza indicadores para medir os resultados das mesmas. Para atingir esse objetivo, realiza-se uma pesquisa bibliográfica e um estudo de caso. Atingindo o objetivo proposto, verifica-se que a empresa utiliza alguns indicadores adaptados a sua realidade, sendo que os mesmos os mesmo englobam as OL’s superficialmente. Concluindo o trabalho, indica-se um conjunto de indicadores logísticos a serem adaptados aos seus processos além da capacitação em OL’s de seus gestores e colaboradores. Sendo esse conjunto de informações úteis para a empresa estudada ou outras do setor que busquem melhorar seus processos e seu produto final. Deixando questões em aberto sobre o tema para futuros trabalhos, onde pode-se avaliar a contribuição dos indicadores sugeridos neste. Palavras-chave: Logística. Medição de desempenho. Indicadores de desempenho logístico. Mercado de higiene e limpeza. ABSTRACT Logistics operations (OL) of a company are vital for their survival in the markets, as they provide the product contact with the consumer, generating through its optimization, benefits and competitive advantages. The OL's support production defined in the survey, are inventory management, purchasing and internal movement, they are responsible for assisting the processes, influencing their performance. This influence should be measured through its measurement, in order to assess whether the OL's are contributing to the efficiency and productivity of the company. For its correct measurement, it is vitally important to understand the role of logistics in the production and indicators available for its operations. In the context of the market for hygiene and cleanliness, the production segment of soaps, which is defined in the survey as a growing market, with steady growth, attracting more and more companies, thus increasing competitiveness among them, and their importance differentiate among themselves, offering competitive advantages to its customers. These advantages can be defined as lower cost, higher quality, higher value-added process shorter and more efficient delivery, which were achieved with the correct use of the indicators cited in the work. Given the importance of logistics operations supporting the production, this paper aims to determine whether the chosen company uses indicators to measure their results. To achieve this goal, performed a literature search and a case study. Achieving our objective, it appears that the company uses some indicators adapted to their reality, and they encompass the same the OL's surface. Completing the work identifies a set of indicators to be adapted to logistics processes as well as training in OL's of their managers and employees. Since this set of useful information for the studied or other business sector that seek to improve their processes and their final product. Leaving open questions about the topic for future work, where we can evaluate the contribution of the indicators suggested this. Keywords: Logistics. Performance measurement. Logistics performance indicators. Cleaning and hygiene market. LISTA DE FIGURAS Figura 4.1 – Top Five maiores empresas do mercado de higiene e limpeza ............ 35 Figura 5.1 – Organograma da empresa .................................................................... 36 LISTA DE QUADROS Quadro 3.1 - Relação de indicadores de desempenho na gestão de estoques ........ 28 Quadro 3.2 - Relação de indicadores de desempenho na movimentação interna .... 29 Quadro 3.3 - Relação de indicadores de desempenho do fornecedor ...................... 30 Quadro 5.1 – Desempenho na produção .................................................................. 39 Quadro 5.2 - Relação de indicadores de desempenho indicados ............................. 42 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 4.1 – Faturamento Líquido Anual do Mercado de Higiene e Limpeza .......... 33 Gráfico 4.2 - Crescimento anual do mercado de higiene e limpeza .......................... 33 Gráfico 4.3 – Volume de produção do mercado de higiene e limpeza ...................... 34 SUMÁRIO INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 11 1 EVOLUÇÃO DA LOGÍSTICA ................................................................................ 13 1.1 ÁREAS DE ATUAÇÃO DA LOGÍSTICA .............................................................. 14 1.1.1 Compras ........................................................................................................... 14 1.1.2 Transportes ...................................................................................................... 15 1.1.3 Embalagem ...................................................................................................... 16 1.1.4 Estoque e armazenagem ................................................................................. 16 1.1.5 Movimentação interna ...................................................................................... 18 1.1.6 Produção e processos ...................................................................................... 18 2 ADMINISTRAÇÃO DA PRODUÇÃO ..................................................................... 20 2.1 DEFINIÇÕES ...................................................................................................... 20 2.2 FUNÇÕES DA PRODUÇÃO ............................................................................... 21 2.2.1 Objetivos de desempenho da produção ........................................................... 22 3 MEDIÇÃO DE DESEMPENHO .............................................................................. 24 3.1 DEFINIÇÕES PARA MEDIÇÃO DE DESEMPENHO .......................................... 24 3.2 CONTRIBUIÇÕES DA MEDIÇÃO DE DESEMPENHO....................................... 24 3.3 O PROCESSO DA MEDIÇÃO DE DESEMPENHO ............................................ 25 3.4 INDICADORES DE DESEMPENHO ................................................................... 25 4. PRODUTOS DE HIGIENE E LIMPEZA ................................................................ 32 4.1 PEQUENO HISTÓRICO SOBRE O SABONETE ................................................ 32 4.2 PANORAMA DO MERCADO DE SABONETES NO BRASIL ............................. 32 5. ESTUDO DE CASO .............................................................................................. 36 5.1 DESCRIÇÃO DA EMPRESA............................................................................... 36 5.2 PRODUTOS COMERCIALIZADOS PELA EMPRESA ........................................ 37 5.3 RESULTADOS ALCANÇADOS .......................................................................... 37 5.4 DISCUSSÕES E COMENTÁRIOS ...................................................................... 40 CONCLUSÃO ........................................................................................................... 44 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 46 APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO DE PESQUISA ................................................... 49 APÊNDICE B – CARTA DE AUTORIZAÇÃO .......................................................... 50 11 INTRODUÇÃO As operações logísticas (OL) de uma empresa são de vital importância para sua sobrevivência nos mercados de atuação, pois proporcionam o contato do produto com o consumidor, gerando através da sua otimização, vantagens e diferenciais competitivos (Bowersox et al (2002) e Ballou (2004)). Essas operações são definidas por Severo (2006), como: os transportes, as embalagens, os estoques e armazenagem, a movimentação interna, e os processos de produção. Segundo Slack et al (2002), a produção, assim como o transportes, é a principal área de estudo da logística. Devido à responsabilidade de a mesma oferecer suporte as atividades produtivas de um processo, acompanhar e estudar seus resultados. A produção é definida por Slack et al (2002) como um conjunto de operações que buscam agregar valor a matéria prima, transformando-a em determinado produto. Esse conjunto de operações deve ser orientado, de modo que tenha a função de contribuir para a estratégia da organização. Essa orientação deverá ser feita por meio de pontos de referência, um padrão, sendo definido por Barbará (2008) como indicadores, que tem a função de transformar em números os diversos comportamentos e ações da produção, permitindo assim dimensionar se estão atingindo ou não os objetivos estratégicos da empresa. O uso de indicadores contribui para o aumento da produtividade, da qualidade, da redução de custos e perdas, da redução de tempos de processos e para a flexibilidade da planta industrial. Esse conjunto de contribuições, se alcançados, levam a excelência das operações logísticas na produção, que segundo Oakland (1994), são a administração dos estoques e movimentação interna. Neste contexto, a justificativa do trabalho reside na importância da empresa alcançar um diferencial competitivo, reduzindo seus custos e aumentando a eficiência e qualidade de seus produtos, algo que é oferecido com o correto uso dos indicadores de desempenhos. Esse trabalho tem como objetivo verificar em uma empresa o uso de indicadores de desempenho ou se a mesma utiliza indicadores específicos para as OL’s. A metodologia utilizada para a elaboração do trabalho é a 12 pesquisa bibliográfica e estudo de caso qualitativo. O trabalho está dividido em 5 capítulos. Nos capítulos 1, 2 e 3 realiza-se uma contextualização da logística e suas operações, da administração da produção e suas funções e da medição de desempenho. No capitulo 4, expõe-se dados do mercado no qual está inserida a empresa estudada e no capitulo 5, o estudo de caso. Na terceira etapa, foi escolhido um estudo de caso qualitativo, selecionando uma empresa, inserida no mercado de Higiene e Limpeza, na qual foi aplicado um questionário, com questões de múltiplas escolhas e dissertativas. A empresa foi selecionada, pela sua participação no mercado de higiene e limpeza, com os produtos de sua própria marca e a atuação na produção terceirizada para grandes marcas de sabonetes. 13 1 EVOLUÇÃO DA LOGÍSTICA Nesse capítulo, relata-se a origem da logística, bem como seu desenvolvimento, com o objetivo de fazer uma breve contextualização com o tema. Uma quantidade expressiva de pesquisadores define o termo logística. Um desses pesquisadores, Ballou (2004, p.25), descreve a seguinte definição: No inicio da humanidade as mercadorias não eram produzidas no local onde seriam consumidas e muito menos no momento de maior necessidade das mesmas. Fazendo com que as nações vivessem no local onde havia disponibilidade dos produtos necessários para sua sobrevivência e adaptassem suas necessidades ao que o ambiente oferecia. Conforme o mesmo autor, devido à inexistência de sistemas desenvolvidos de transportes e armazenamentos, as operações limitavam-se a capacidade humana do individuo, utilizando suas próprias forças. O termo logística, segundo Holanda (2010), é definido como “ramo da ciência militar responsável por obter, dar manutenção e transportar material, pessoas e equipamentos”. Segundo Souza (2011), a origem do termo logística vem do francês logistique, que diz respeito ao exército de Napoleão, onde existia um posto de Marechal, General de Logis1, que era responsável pelo abastecimento das tropas. A partir do fim desse período de guerras, as organizações notaram a importância da logística para o sucesso de suas operações, devido a crescente demanda e consumidores cada vez mais exigentes, levando as mesmas a criarem departamentos específicos para administrar essa área da empresa. No entendimento de Ballou (2004), no passado, a logística era estudada por diversos pesquisadores, porém com um enfoque segmentado, não relacionado os impactos e resultados como um todo de setores como compras, transportes e armazenagem. Com essa mentalidade, segmentada, perde-se muito, pois setores individualizados, dentro da mesma empresa, resultam na criação de pequenas células, dentro da principal, criando certa concorrência entre os elos, como cita 1 Em 1670, para solucionar problemas administrativos, foi criada a posição de Marechal General de Logis, cujo título se originou do verbo francês loger, que significar alojar. Entre seus deveres estavam a responsabilidade pelo planejamento das marchas, seleção dos campos e regulamentação do transporte e fornecimento (TIGERLOG, 2012). 14 Kerzner (2004). Conforme o mesmo autor, isso poderá ter como a principal consequência, o aumento do custo total. Ballou (2004) e Severo (2006), afirmam que o principal objetivo da logística é entregar o produto no local, hora, quantidade e qualidade certa, ao menor custo possível. Segundo Severo (2006), no passado, as empresas não levavam em consideração esse objetivo, tendo muitas vezes prejuízos que poderiam ser evitados com a correta integração entre os setores da empresa. Porém, com o aumento da concorrência, o autor entende que, “[...] as empresas passaram a ver de forma integrada todos os processos logísticos, e a importância da entrega do produto na hora, quantidade, qualidade e lugar certo, para isso integrar todos os setores da empresa [...]”. Para atingir esses objetivos a logística dividiu-se em seis áreas importantes que são: compras, transporte, embalagens, estoque e armazenagem, movimentação interna, produção e processos. Severo (2006) cita essa divisão relembrando novamente que a mesma é somente para definir as áreas de atuação. Por outro lado, a visão da Logística, como Ballou (2004) cita, deve ser sistêmica, observando todos os elos e processos. 1.1 ÁREAS DE ATUAÇÃO DA LOGÍSTICA A logística atua desde o inicio de uma atividade, participando de seu processamento, até a entrega do produto final ao cliente. Essa atuação foi dividida em seis áreas, como descrito na próxima seção. 1.1.1 Compras Segundo Bowersox et al. (2002), a primeira etapa de qualquer processo, seja ela de uma fabrica, atacado ou varejo é a aquisição de materiais para o processo produtivo ou para manutenção da empresa e suas atividades. Todo o processo de uma empresa depende dessa operação, pois sem matéria prima uma produção pode chegar a parar e gerar prejuízo, isso sem contar nos altos custos da falta de mercadorias e seus impactos em um varejo. Segundo Domingues (2004), a aquisição de materiais é um dos fatores determinantes para adquirir uma vantagem competitiva, descrevendo que, “[...] para 15 vendermos bem, um bom produto a um preço baixo, frente à concorrência, com boas margens, devemos antes de tudo, efetuarmos uma boa compra [...]”. Gurgel & Francischini (2002) e Souza (2011), definem a compra, como um processo definido e padronizado que se inicia com a identificação da necessidade, passando pela requisição de compra, cadastro de fornecedores, cotações, decisão e fechamento, pedido de compra e finalmente o recebimento. Segundo Bowersox et al. (2002), as compras representam os elementos com expressões de valores monetários componentes dos custos de uma empresa. 1.1.2 Transportes Uma das mais importantes áreas da logística, devido a sua influência nos custos, o transporte segundo Bowersox et al. (2002), “é o processo operacional da logística de mover e alocar geograficamente produtos, pessoas e equipamentos”. Devido a sua importância reconhecida, hoje quase todas as empresas de pequeno, médio e grande porte, possuem gerentes responsáveis pela administração desse processo, buscando a redução dos custos e eficiência do mesmo. Ainda segundo Bowersox et al. (2002), no ponto de vista logístico o transporte tem três fatores fundamentais para sua eficiência; custo, velocidade e consistência. Assim como em todo processo, o transporte a ser escolhido deve ter como objetivo um menor custo, mas não somente do processo de transportar, mas sim do processo produtivo como um todo. Pois dependendo das exigências da empresa, um transporte lento, mas com valor baixo, é o ideal, mas em outros casos em que a velocidade é importante, o custo já não tem tanta influência. Segundo estudos de Rodrigues (2007), o transporte de mercadorias pode ser feitos em diversos modais, sendo eles: rodoviário, aquaviário, aeroviário, dutoviário e ferroviário. Todos com vantagens e desvantagens relacionados ao tipo de mercadoria e exigências como tempo, eficiência, frequência, confiabilidade e custo. Segundo Barat (2007), o modal logístico mais utilizado é o transporte rodoviário de cargas. 16 1.1.3 Embalagem A embalagem tem papel de destaque em um sistema logístico, tanto que os produtos, com algumas poucas exceções, são comercializados com algum tipo delas. A embalagem possui influência nos custos logísticos. Isso está diretamente adicionado ao preço do produto final, fazendo com que a preocupação com o planejamento da embalagem em alguns casos, acabe deixando o produto em si, em segundo lugar. Segundo Ballou (2004), a embalagem deve alcançar os seguintes objetivos: • Facilitar a armazenagem e o manuseio do produto • Promover melhor utilização do equipamento de transporte • Dar proteção ao produto • Promover a venda do produto • Alterar a densidade do produto • Facilitar o uso do produto • Proporcionar ao cliente valor de reutilização Ainda segundo Ballou (2004), dentre todos esses objetivos, é básico também que as embalagens tenham forma e tamanho ideais para cada produto. O planejamento da embalagem deve visar o tamanho, dimensões, peso, onde se testa sua resistência para diversos produtos, com as mais diversas características. Atualmente a maioria das empresas realizam análises do impacto dos custos de embalagens no produto final, tendo forte influência nos riscos que os produtos podem sofrer. Conforme Banzato (2012), quanto maior a probabilidade de o produto ser danificado e maiores os riscos das operações dos sistemas logísticos, ou mais alto o custo do dano, maior a necessidade da proteção da embalagem. Entretanto, através de testes de desempenhos, é possível reduzir os custos e proteger o produto ao mesmo tempo. 1.1.4 Estoque e armazenagem Na época pré-industrial, segundo Bowersox et al. (2002), os estoques surgiram da necessidade das pessoas de terem seus produtos armazenados. Elas, 17 mesmo com os riscos, faziam seus estoques em suas próprias casas. Com o desenvolvimento dos transportes, a armazenagem passou a ser feitas pelos varejistas, atacadistas e os fabricantes, que mantinham os seus estoques em armazéns, onde os produtos eram estocados de acordo com a demanda, e esse custo repassado no preço final do produto. Conforme o mesmo autor, apesar da despreocupação com a estrutura e espaço físico dos armazéns e uma mão-de-obra barata e despreparada, os armazéns ainda eram um elo muito importante entre produção e mercado. Com o passar dos anos, as indústrias passaram a ver o armazenamento como uma estratégia de fornecimento. Passando a implantar armazéns em pontos estratégicos, a fim de fornecer produtos aos varejistas e atacadistas com custo e tempo reduzidos. Assim a armazenagem acabou se tornando parte fundamental num planejamento de just-in-time2. O objetivo de um estoque numa empresa que trabalha com o planejamento Just-in-time é reduzir o tempo de estocagem, principalmente nas áreas de produção. Bowersox et al. (2002), ainda citam que para uma boa gestão, é recomendado concentrar os estoques de peças em um armazém central a fim de reduzir as necessidades de vários estoques espalhados na fábrica. A importância da gestão dos estoques, para as empresas, mudou ao longo dos anos, passando a ser visto como uma fonte de vantagens competitivas, melhorias nos custos e na logística interna das empresas. Assim o autor descreve que: A importância do gerenciamento de estoque e a necessidade de coordenação das decisões de estoque e das politicas de transporte se tornaram evidentes há muito tempo. Infelizmente, gerenciar estoques em cadeias de suprimentos complexas é geralmente uma tarefa muito difícil e pode ter um impacto significativo no nível de serviço ao cliente e nos custos globais da cadeia de suprimentos (KAMINSKY ET AL., 2000, p.143). Ainda segundo Kaminsky et al. (2000) existem muitas discussões que envolvem a questão da importância de manter estoques, onde as necessidades nas maiorias das vezes são definidas através da demanda dos clientes. Isso sempre foi e sempre será uma incerteza, pois nos últimos anos a crescente troca de produtos no mercado fez com que houvesse uma redução do tempo de vida dos produtos. 2 Just in time é um sistema de administração da produção que determina que nada deva ser produzido, transportado ou comprado antes da hora certa para, assim, evitar custos desnecessários. O termo just in, traduzido, significa na hora certa (SIGNIFICADOS C, 2012). 18 Uma das razões se deve ao fato de que no mercado existem muitos produtos concorrentes, onde para uma boa gestão de estoques, deve-se também tentar prever as suas demandas, coisa que não é nada fácil. Isso implica muito na decisão de manter ou não estoques. Apesar disso, o estoque tem o objetivo de oferecer segurança a uma organização, dimensionando, segundo Chase et al. (2006), níveis de segurança de acordo com as variáveis envolvidas, como, tempo de reposição, variação da demanda ou ponto de pedido. O mesmo autor também cita que devemos levar em consideração, na gestão dos estoques, os custos de instalações de armazenagem, manuseio, seguro, furto, quebras, obsolescência, depreciação, impostos e custo por oportunidade de capital. 1.1.5 Movimentação interna A movimentação de materiais, segundo Tavares et al. (2008), tem a função de fazer a ligação entre os setores, máquinas ou processos de uma empresa, podendo ser feita de forma manual ou através de equipamentos. No caso da movimentação manual, é o próprio operador que realiza as operações somente com a sua própria força, sem o auxilio de qualquer tipo de acessório de transporte. Na movimentação com equipamentos, podem ser usados equipamentos como, empilhadeiras, carros de carga, entre outros equipamentos. Segundo o mesmo autor, os dois de movimentação, é amparada por lei, as chamadas Nr’s (Normas Regulamentadoras) que garantem a segurança do operador. A movimentação feita por equipamentos também é aparadas pelas Nr’s, cada uma para um determinado tipo de produto transportado, grau de risco, peso etc. 1.1.6 Produção e processos A produção tem o papel de criar, desenvolver e transformar materiais em produtos ou serviços que realizem funções para determinados clientes. Slack et al. (2002) define, “[...] produção como a reunião de recursos com o objetivo de produzir bens e serviços[...]”. O mesmo autor também define que, “[...] a produção é um conjunto de atividades que busca atender uma necessidade do mercado, com 19 produtos ou serviços, sendo assim como o transporte umas das principais áreas de estudo da logística [...]”. A logística busca entregar o produto certo, na hora certa, ao menor custo possível, portanto a produção influência uma boa parte desse processo, desde o desenvolvimento de um produto até a sua entrega no momento certo, bem como a logística interna dos elementos produtivos e o suprimento de materiais necessários para todo o processo produtivo. Segundo Severo (2006), a logística tem um papel muito importante dentro da função produção, que é dar o suporte a todos às atividades desenvolvidas na produção e estudando seus resultados e processos buscar melhorias e novas possibilidades de reduzir custos, mantendo ou melhorando a qualidade do produto ou serviço final. A logística está vinculada diretamente com a administração da produção (AP). Desta forma, o capitulo 2 descreve o estudo da arte sobre a AP. 20 2 ADMINISTRAÇÃO DA PRODUÇÃO Nesse capitulo relata-se a importância da produção, frente os objetivos estratégicos de uma organização, ressaltando suas definições, objetivos e funções. 2.1 DEFINIÇÕES Segundo Slack et al (2002) e Ritzman & Krajewski (2003), a produção é na realidade um conjunto de operações e processos, e seu administrador é responsável por seu projeto, direção e controle. Segundo Slack et al (2002) a produção são vários processos de transformações, os chamados outputs, que são definidos como “[...] uso de recursos para mudar o estado ou condição de algo, para produzir outputs [...]”, que resultam em um produto final. Assim, a produção é a entrada de matérias primas e recursos, os chamados inputs, a sua transformação através dos recursos disponíveis, e a saída do produto transformado, os outputs. Esse modelo, inputs-transformação-outpus, segundo Ritzman & Krajewski (2003), pode ser aplicado em qualquer operação ou processo, para melhor gerenciamento e otimização dos recursos. Alterando somente nos seguintes pontos: volume, variedade, variação da demanda e visibilidade do output, os recursos necessários para a transformação e as características dos inputs. A administração desse conjunto de operações e processos necessita de um profissional responsável, com visão sistêmica. Slack et al (2002) define esse profissional como os gerentes de produção e afirma que o gerente é responsável pelas atividades organizacionais necessárias para a produção de bens e serviços. Possuindo, segundo o mesmo autor, “[...] Responsabilidade direta sobre algumas atividades, indireta sobre outras e ampla para reagir a situações emergentes de desafios na administração da produção [...]”, sendo esses limites definidos pelo modelo organizacional da empresa em questão. A maior responsabilidade de um gerente de uma equipe de produção, é saber o que está se tentando atingir e saber relacionar suas funções e de sua equipe com os objetivos de longo prazo da organização. Pode-se entender melhor com a seguinte definição de Slack et al (2002), “[...] isso implica no desenvolvimento de 21 uma visão clara de como essa função deve contribuir para o atingimento dos objetivos organizacionais em longo prazo [...]”. Ritzman & Krajewski (2003) define também que o gestor é responsável por transformar os objetivos organizacionais em objetivos de desempenho da produção, que são definidos pelo mesmo como os seguintes: qualidade, velocidade, confiabilidade, flexibilidade e custos. 2.2 FUNÇÕES DA PRODUÇÃO Segundo Slack et al (2002) uma produção deve saber qual a sua contribuição para os objetivos da empresa, saber qual o seu papel estratégico, o que se espera de suas atividades e resultados. Sendo essas respostas de vital importância para qualquer operação. O mesmo autor define que a função produção tem três principais papéis frente à estratégia da empresa, são eles o de implementar, apoiar e impulsionar a estratégia da empresa. A estratégia, segundo Fusco & Sacomano (2007), não pode ser vista, ou tocada, e sim é possível observar como a produção se comporta frente a mudanças exigidas pela mesma, sendo esse o primeiro papel da produção, o de implementar a estratégia. Segundo Slack et al. (2002), a produção na sua função de apoio, é responsável por desenvolver os recursos necessários para a empresa atingir seus objetivos. Segundo o mesmo autor, na sua terceira função, a de impulsionar a estratégia, ela atua ajudando a atingir e melhorar seus resultados, frente aos objetivos, gerando assim uma vantagem competitiva. Segundo Slack et al. (2002), temos um modelo de 4 estágios, desenvolvido para avaliar a contribuição e evolução da produção nas suas funções frente as estratégias da empresa. Nesse modelo, foi observado basicamente que o primeiro estágio representa o momento em que a produção não está atingindo os objetivos, e sim atrapalhando o resto da empresa. Segundo o mesmo autor, no 1° estágio, a empresa somente realiza sua função básica, sem contribuir em nada com a estratégia da empresa, mas sem atrapalha-la, após, no 2° estágio, onde a produção passa a comparar seu desempenho com outras do mesmo setor, buscando não ser a melhor, nem a pior, e sim manter-se na média. No 3° estágio, como cita também Fusco e Sacomano 22 (2007) a empresa passa a buscar ser a melhor, usando as informações do 2° estágio, desenvolvendo métodos para ser a melhor ou estar entre as melhores. No 4° estágio, segundo o mesmo autor, a empresa torna-se pró-ativa e criativa, vendo a produção como base para o diferencial competitivo, tendo uma visão de longo prazo, buscando prever mudanças e adaptando seus recursos para os futuros cenários, Slack et al. (2002) ainda cita que a empresa nesse estágio é inovadora, estando sempre a frente da concorrência. 2.2.1 Objetivos de desempenho da produção Como descrito na seção 2.2, os objetivos da produção devem moldar-se a estratégia da empresa, buscando sempre contribuir para sua implantação, apoio e impulsão, mas, após definidos os objetivos da produção, eles devem, segundo Slack et al (2002), ser mensurados, para isso, o mesmo autor criou os objetivos de desempenho da produção, que é na verdade a tradução em valores da estratégia da organização. Segundo Fusco e Sacomano (2007), os objetivos devem avaliar o cenário atual e indicar o melhor caminho para o melhoramento da produção, assim Slack et al. (2002), dividi em cinco objetivos, sendo eles: qualidade, rapidez, confiabilidade, flexibilidade e custos. O objetivo qualidade, segundo o mesmo autor, significa mais do que produtos em conformidade, e sim realizar corretamente todos os procedimentos, sendo um conceito muito variável, dependendo do tipo de operação e estratégia da empresa. Sendo a qualidade, segundo Ritzman & Krajewski (2003), o objetivo mais visado, devido ao fato que ele é o único que pode influenciar os outros objetivos. O objetivo rapidez segundo Slack et al. (2002), significa o tempo que o consumidor precisa esperar para receber o produto, sendo assim como os outros moldados a estratégia da empresa, e sendo importante pois a rapidez no processo também reduz custos de estoques, de processos, além de contribuir para o valor do produto para o cliente. O objetivo confiabilidade segundo o mesmo autor é a capacidade da empresa entregar o produto no prazo prometido, sem atrasos, gerando mais valor para o cliente e vantagem competitiva para a empresa, além de reduzir custos, tempo e dar estabilidade ao sistema. 23 O objetivo flexibilidade, segundo Ritzman & Krajewski (2003), significa a capacidade de uma planta industrial, alterar sua linha produtiva, com menor custo e maior rapidez, sendo divididos por Slack et al. (2002) e Fusco e Sacomano (2007) como flexibilidade de produto ou serviço, que é a capacidade de mudar o tipo de produto que esta fabricando, flexibilidade de composto, que é a capacidade de fazer produtos customizados, flexibilidade de volume, que é a capacidade de fabricar mais ou menos produtos, sem alterar muito seu custo e a de entrega, que é entregar em prazos mais curtos ou mais longos, dependendo da necessidade do cliente. O objetivo custo, segundo Slack et al. (2002) é o ultimo e o mais importante, pois observando o mercado atual, onde centavos fazem a diferença na venda ou não do produto, as empresas cada vez mais buscarão reduzi-los. Ainda que a empresa tenha boas margens de lucro, irá sempre se preocupar com esse objetivo, pois cada centavo economizado, ira diretamente para o lucro da empresa. Em todos objetivos, o foco, segundo Fusco e Sacomano, é definir as metas para que a produção tenha um destino, um objetivo para, assim, contribuir para o seu desenvolvimento. Após uma operação produtiva ser projetada, planejada e controlada, segundo Slack et al. (2002), o papel do gestor ainda não acaba, pois ele tem o objetivo de buscar sempre o melhoramento constante, para chegar cada vez mais próximo do objetivo. Para medir o quanto está próximo ou longe, são utilizados indicadores, aplicados após a medição de desempenho. O capitulo 3 descreve a medição de desempenho, seus processos e indicadores disponíveis para a avaliação e definições de ações de melhorias. 24 3 MEDIÇÃO DE DESEMPENHO Este capítulo descreve a importância de mensurar a contribuição da produção para o alcance dos objetivos da empresa, por meio de indicadores, citando as suas definições, tipos, e ferramentas para análise de seus resultados. 3.1 DEFINIÇÕES PARA MEDIÇÃO DE DESEMPENHO A necessidade de medir surge sempre quando é preciso validar alguma coisa ou algum resultado. De uma maneira geral, usa-se para medir se algo atende ou não as expectativas esperadas. Segundo Barbará (2008), existem dois tipos de medições, as feitas após a atividade e as que são realizadas durante a execução da atividade. O mesmo autor acredita que ambas tem como base, dados coletados em campo para a constituição de uma base para que se possa avaliar. Segundo Barbará (2008), a medição de desempenho também é usada na indústria, onde é o foco dessa pesquisa. A medição dos processos produtivos é tida como peça fundamental para uma cadeia produtiva de processo, indicando se as metas traçadas foram alcançadas ou não. Os indicadores têm a função de servir de base para assim auxiliar a tomada de decisão pelo gestor, indicando as restrições e gargalos da unidade produtora. 3.2 CONTRIBUIÇÕES DA MEDIÇÃO DE DESEMPENHO Segundo Oakland (1994), as áreas onde o processo de medição atua são: produtividade, qualidade, custos, entrega, tempo de processos, e flexibilidade. A medição de desempenho ajuda a estabelecer padrões e normas, para cada uma dessas áreas, onde o objetivo é sempre medir o desempenho real dos processos, e chegar próximo ao máximo da sua capacidade produtiva, pois quanto melhor for à medição, melhor será o seu produto final, buscando sempre eliminar perdas e maneiras de melhorar os processos como um todo. Tudo isso faz parte de um único objeto final, que é a satisfação do cliente. 25 3.3 O PROCESSO DA MEDIÇÃO DE DESEMPENHO Segundo Brown et al (1996), os padrões do processo de medição de desempenho são baseados em: produtividade, tempo de processo, refugo ou perda, aproveitamento de energia, ganhos ou perdas programados e utilização de matériasprimas. Ainda segundo o mesmo autor, esses dados são conhecidos como dados de processos e tem que ser controlados para o sucesso da medição. Todos passam a ser contados e julgados, em seguida são classificados e avaliados por critérios específicos ou com base em opiniões. Os critérios específicos são padrões já existentes, estabelecidos para cada um dos processos, enquanto que a classificação e avaliação com base em opiniões é, como o próprio nome diz, se leva em conta somente a opinião, ou seja, não há padrões ou critérios, somente a comparação dos produtos, por isso leva desvantagens sobre o outro método. Segundo Slack et al (2002), o processo de medição é responsável por indicar o quanto algo está sendo ou não eficiente. Existem cinco objetivos de desempenho, que indicam isso, sendo eles a qualidade, velocidade, confiabilidade, flexibilidade e o custo. A medição descreve se o desempenho alcançado está de acordo com os objetivos propostos, indicando qual está influenciando negativamente no resultado final. 3.4 INDICADORES DE DESEMPENHO Segundo Barbará (2008), os indicadores nada mais são que práticas, objetivos, regras e números pré-definidos pela própria organização. O autor diz que os indicadores se parecem mais com uma régua, pois é onde são traçadas as metas e consequentemente a avaliação que irá descrever se a meta foi atingida. Entretanto, o autor tem a seguinte ideia: A utilização isolada de medidas de desempenho não significa absolutamente nada. É impossível dizer se “cinco mil toneladas de aço produzidas” é um bom resultado ou não: tudo depende das finalidades do processo, da estratégia da organização, do preço e do volume da sucata etc., ou seja, dos critérios e das preferências adotadas pelos atores. (BARBARÁ, 2008, P. 300). 26 Segundo o mesmo autor, para que os resultados da avaliação de desempenho se transformem em indicadores, é necessário que se leve os resultados as partes estudadas, para que elas saibam como tudo correu e onde elas devem se concentrar. Isso é chamado de feedback3. Segundo Barbará (2008), para que não haja nenhum tipo de mal entendido quanto ao que cada parte terá que fazer para que o processo possa ser melhorado, como um súbito aumento na produção, mas de uma maneira que fuja dos padrões de ordenados da empresa, sugere certo controle sobre as informações, chamado de metadados, que significa dados sobre dados, onde toda a informação é monitorada e evita a má interpretação por parte de quem irá executar os processos. Segundo Slack et al. (2002), um indicador deve ser simples e de fácil entendimento, comprovado de maneira científica, de forma que se possa confiar, deve oferecer facilidade na hora de se medir, fácil de comparar a outros indicadores, ser atualizável, ter base nos requisitos dos clientes, e possuir baixo custo de implantação. Essas são algumas das características, que indicam um bom indicador. Segundo Davis et al (2001), existe sete tipos de indicadores de desempenho, são eles: produtividade, capacidade, qualidade, velocidade de entrega, flexibilidade, velocidade do processo e por ultimo benchmarking⁴. O indicador produtividade é utilizado para mensurar o retorno financeiro que a produção oferece a empresa, como Davis et al (2001, p.123) descreve: [..] o trabalho é medido em horas, uma construção é medida em metros quadrados, a matéria-prima é medida em quilos, e assim em diante. Assim, seria impossível obter um indicador para o total de entradas do processo, a menos que convertêssemos todas as entradas a um fator comum, como, por exemplo, dinheiro [...]. Slack et al. (2002) define que capacidade é o indicador que mede o quanto a empresa pode produzir em termos de produto ou serviços. Este indicador é medido em unidade de tempo e pode variar dependendo do processo. Segundo o mesmo autor, os indicadores de qualidade tratam do percentual de produtos que apresentam defeitos ou não conformidades durante o processo, internamente, ou 3 O significado de feedback é utilizado em teorias da Administração de Empresas, quando é dado um parecer sobre uma pessoa ou grupo de pessoas na realização de um trabalho com o intuito de avaliar o seu desempenho. É uma ação que revela os pontos positivos e negativos do trabalho executado tendo em vista a melhoria do mesmo (SIGNIFICADOS B, 2012). 27 seja, antes do produto ir para o cliente e externamente, quando os defeitos são percebidos pelo próprio cliente. Davis et al (2001) define que o indicador flexibilidade, mostra a velocidade que um processo pode ser transformado em outro, conseguindo fazer produtos variados. Indica também, o quão bem o processo recebe a adaptação ou a mudança. Outro ponto que se observa, é quando o processo começa a fazer mais de um produto ao mesmo tempo, em outras palavras, quanto mais produtos o processo conseguir fazer simultaneamente, mais flexível ele será. Slack et al. (2002) define o indicador de velocidade de entrega, como os índices gerados, entre a capacidade da fabrica entregar o produto e o tempo real utilizado, a mesma definição é usada para velocidade de processo, sempre relacionando a capacidade com o realizado, assim gerando índices, ou seja indicadores. O mesmo autor cita o Benchmarking4, como uma importante ferramenta, para a busca da melhoria continua na produção por meio dos indicadores, comparando seus resultados com os concorrentes do mesmo setor. Autores como Brow (1996), Davis et al (2001), Slack et al (2002) e Barbará (2008), descrevem vários tipos de indicadores, que podem ser utilizados em uma empresa. Especificamente para o caso da logística, tema central de nosso trabalho, todos eles poderiam ser utilizados, mas seria uma abordagem muito complexa, devido a todas variáveis e setores aplicáveis. Assim estuda-se nesse trabalho o uso de indicadores para as atividades de suporte a produção, as operações logísticas denominadas por Bowersox et al. (2002) e Tavares et al. (2008), como a movimentação interna, gestão de estoques e gestão compras. Para melhor concepção, elabora-se um quadro com os indicadores encontrados na literatura pesquisada, o quadro 3.1, separa-se por área de atuação onde descreve-se na primeira coluna sua nomenclatura, na segunda sua descrição, na terceira explica-se o método de calculo e finaliza-se com suas melhores praticas ou metas. 4 Benchmarking é um processo de comparação de produtos, serviços e práticas empresariais, e é um importante instrumento de gestão das empresas. O benchmarking é realizado através de pesquisas para comparar as ações de cada empresa (SIGNIFICADOS A, 2012). 28 Indicador de Desempenho Tempo de doca para Estoque ou Dock to Stock Time. Acuracidade do Inventário ou Inventory Accuracy Ruptura de Estoque ou Stock Outs Estoque Indisponível para Venda Descrição Cálculo DESEMPENHO NA GESTÃO DOS ESTOQUES Tempo da mercadoria da doca de recebimento até a sua armazenagem física. Tempo da doca ao Outros consideram da doca estoque ou até a sua armazenagem disponibilização do física e o seu registro nos item para venda. sistemas de controle de estoques e disponibilização para venda. Estoque Físico Atual Corresponde à diferença por SKU / Estoque entre o estoque físico e a Contábil ou Estoque informação contábil de Reportado no Sistema estoques. *100 Quantificação das vendas Receita não Realizada perdidas em função da devido à indisponibilidade do item Indisponibilidade do solicitado. Item em Estoque (R$) Corresponde ao estoque indisponível para venda em função de danos Estoque Indisponível decorrentes da (R$) / Estoque Total movimentação (R$) armazenagem, vencimento da data de validade ou obsolescência. Utilização da Capacidade de Estocagem ou Storage Utilization Mede a utilização volumétrica ou do número de posições para estocagem disponíveis em um armazém. Ocupação Média em m³ ou Posições de Armazenagem Ocupadas / Capacidade Total de Armazenagem em m³ ou Número de Posições *100 Visibilidade dos Estoques ou Inventory Visibility Mede o tempo para disponibilização dos estoques dos materiais recém recebidos nos sistemas da empresa. Data e/ou Hora do Registro da Informação de Recebimento do Material nos Sistemas da Empresa - Data e/ou Hora do Recebimento Físico Melhores Práticas 2 horas ou 99,9 % no mesmo dia. No Brasil, 95 %. No Japão atingem 99,95 % e nos EUA entre 99,75 % a 99,95%. Variável. Variável. Estar acima de 100 % é um péssimo indicador, pois provavelmente indica que corredores ou outras áreas inadequadas para estocagem estão sendo utilizadas. Máximo de 2 horas. Quadro 3.1 - Relação de indicadores de desempenho na gestão de estoques Fonte: Adaptado de Angelo, L.B (2005). O mesmo autor define os seguintes indicadores, como a produtividade da armazenagem, mas os mesmos abrangem a movimentação interna, definindo como 29 uma atividade única, a movimentação e armazenagem, sendo explicados da mesma forma da figura anterior no Quadro 3.2: Indicador de Desempenho Pedidos por Hora ou Orders per Hour Custo por Pedido ou Cost per Order Descrição Cálculo PRODUTIVIDADE DA ARMAZENAGEM Mede a quantidade de Pedidos Separados pedidos separados e embalados / e/ou acondicionados por hora. Embalados / Total de Também pode ser medido Horas Trabalhadas no em linhas ou itens. Armazém. Rateio dos custos Custo Total do operacionais do armazém Armazém / Total de pela quantidade de pedidos Pedidos Expedidos. expedidos. Melhores Práticas Variam conforme o tipo de negócio. Variam conforme o tipo de negócio. Custos de Movimentação e Armazenagem como um % das Vendas ou Warehousing Cost as % of Sales Revela a participação dos custos operacionais de um armazém nas vendas de uma empresa. Custo Total do Armazém / Venda Total. Variam conforme o tipo de negócio. Tempo Médio de Carga / Descarga Mede o tempo de permanência dos veículos de transporte nas docas de recebimento e expedição. Hora de Saída da Doca - Hora de Entrada na Doca Variam conforme tipo de veículo, carga e condições operacionais. Tempo Médio de Permanência do Veículo de Transporte ou Truck Turnaround Time Além do tempo em doca, mede tempos manobra, trânsito interno, autorização da Portaria, vistorias, etc. Hora de Sa ída da Portaria - Hora de Entrada na Portaria. Variam conforme procedimentos da empresa. Utilização dos Equipamentos de Movimentação Mede a utilização dos equipamentos de movimentação disponíveis em uma operação de movimentação e armazenagem. Horas em Operação / Horas Disponíveis para Uso *100 Em uso intensivo, com operador dedicado, mínimo de 95 %. Quadro 3.2 - Relação de indicadores de desempenho na movimentação interna Fonte: Adaptado de Angelo, L.B (2005). Quanto à gestão de compras, segundo Angelo (2005), os indicadores de desempenho para essa área, englobam os custos inerentes à aquisição de 30 mercadorias e a avaliação dos serviços prestados pelos fornecedores. Sobre a gestão dos custos de aquisição, não foi encontrado indicadores específicos. Sobre a avaliação dos serviços prestados pelos fornecedores, existem os indicadores seguintes explicados no quadro 3.3: Indicador de Desempenho Entregas realizadas dentro do prazo negociado Entregas devolvidas parcial ou integralmente Recebimento de produtos dentro das especificações de qualidade Descrição Cálculo DESEMPENHO DO FORNECEDOR Calcula a taxa de Número de entregas entregas realizadas realizadas dentro do dentro do prazo prazo / Número de negociado com o entregas totais. fornecedor. Corresponde às entregas Entregas devolvidas devolvidas parcial ou Parcial ou integralmente / Total integralmente devido à de Entregas recebidas alguma falha não aceitável do fornecedor. (aceitas + devolvidas). Corresponde a Produtos recebidos quantidade de produtos dentro das que foram entregues especificações de dentro das qualidade acordadas especificações de com o fornecedor / qualidade previamente Total de produtos acordadas com o aceitos *100. fornecedor. Atendimento do pedido realizado Reflete se o fornecedor está entregando a quantidade de produtos solicitados. Nº produtos entregues / nº produtos pedidos *100. Tempo de entrega dos produtos É o tempo que o fornecedor leva para entregar um pedido. Data e/ou Hora da realização do pedido ao fornecedor – Data e/ou Hora da entrega dos produtos. Melhores Práticas Deve ser bem próximo a 100%, caso contrário, a empresa está aceitando produtos fora dos padrões desejados (custos extras). 100 %. Se este indicador permanecer por um longo tempo abaixo de 100% significa que o fornecedor não está com capacidade suficiente para atender os pedidos. Varia conforme o negócio. No entanto, o desempenho do fornecedor influencia diretamente no estoque da empresa, ou seja, caso este tempo seja muito longo, a empresa necessita manter níveis altos de estoque. Quadro 3.3 - Relação de indicadores de desempenho do fornecedor Fonte: Adaptado de Angelo, L.B (2005). 31 Após analisar os métodos de medição de desempenho, e os indicadores existentes para mensuração das operações logísticas de suporte a produção, faz-se no capitulo 4 uma breve contextualização do mercado de higiene e limpeza, especificamente o segmento de produção de sabonetes, foco do estudo realizado. 32 4. PRODUTOS DE HIGIENE E LIMPEZA 4.1 PEQUENO HISTÓRICO SOBRE O SABONETE Segundo FREITAS (2009), o primeiro sabonete foi inventado por volta de 1878, na fabrica da Procter-Gamble. Conforme o autor, Harley Procter, que havia herdado uma fábrica de velas e sabão de seu pai, teve a idéia de produzir um sabão diferente dos demais que já existiam no mercado, com isso o químico James Gamble elaborou uma formula de um sabão que inicialmente era chamado de sabão branco, onde suas principais características eram textura uniforme, muita espuma e aroma suave. 4.2 PANORAMA DO MERCADO DE SABONETES NO BRASIL Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (2012), o volume de produção de sabonetes teve sua maior alta no período em 2009, chegando 359.002,50 toneladas e 341.119,59 em 2011. O volume de suas vendas subiu 54,5% nos últimos cinco anos e no ano de 2011 ultrapassou os 2,9 bilhões. Com base nessas informações, observa-se que o mercado de sabonetes vem com uma alta crescente, mesmo que nos últimos anos verifica-se uma redução considerável em seu crescimento que baixou de 33,1% em 2008, para 4,4% em 2011. No gráfico 4.1, os dados descrevem um significativo aumento no faturamento em R$, no intervalo de 2007 a 2009, sendo que entre 2010 e 2011, houve um crescimento em ritmo menos expressivo. Valores estão expressos em bilhões de R$. 33 Gráfico 4.1 – Faturamento Líquido Anual do Mercado de Higiene e Limpeza Fonte: ABIHPEC (2012). Analisando o volume de vendas, em um retrospecto, verifica-se que o mercado de produção de sabonetes, vem crescendo em um ritmo acelerado, sendo o pico desse crescimento no período de 2007 a 2009, quando alcançou um crescimento acumulado de 68,7%, com uma média anual de 23%. Observa-se, porém a partir de 2010, uma diminuição no ritmo de crescimento, para 4,4% em 2010 e 5,8% em 2011. Evidencia-se isso no gráfico 4.2: Gráfico 4.2 - Crescimento anual do mercado de higiene e limpeza Fonte: ABIHPEC (2012). Conforme a ABIHPEC (2012), observa-se a queda em toneladas, no intervalo de 2009 á 2011, a produção do mercado de higiene e limpeza sofreu uma queda no 34 seu volume em toneladas, como se observa no gráfico 4.3. Volume de produção em milhares de toneladas: Gráfico 4.3 – Volume de produção do mercado de higiene e limpeza Fonte: ABIHPEC (2012). Observa-se que apesar da queda na produção em toneladas do mercado de higiene e limpeza, houve um constante aumento no volume anual de faturamento do segmento de sabonetes, evidenciando assim sua estabilidade e crescimento. Segundo JAKINAS (2008), esse crescimento tornou-se atraente para os olhos de muitos empresários que, investem o seu dinheiro nesse negócio mesmo sem nenhum tipo de experiência no segmento. Diante dessa situação, observam-se cada vez mais novas marcas que entram para competir nesse mercado. Segundo dados da ABIHPEC (2012), atualmente um grupo de empresas que juntas representam 25% do total de empresas do setor, dominam cerca de 80% do mercado nacional. São elas: Água de Cheiro, Avon, BDF Nivea, Bertin/Francis, Bertin/OX, Bertin/Phytoderm, Bio Extratus, Boniquet, Colgate Palmol, Contem1 Grama, Davene, Ecologie / Bril, Embelleze, Grupo Boticário, GUF, I P E C, Johnson & Johnson, K C Brasil, Kanitz, LOreal, Mahogany, Mariah, Memphis, Nasha, Natura, Phisália, Sther, Unilever e Zambon Bernardi. Segundo AMORIN (2011), a Unilever lidera o ranking nacional de sabonetes com 48,3%, seguido pela Colgate-Palmolive com 25,2%, Johnson & Johnson com 9,7%, Nivea com 5,9%, Granado com 4,3% e outras marcas com 6,6%. Na figura 4.4, pode-se visualizar a divisão do mercado, segundo a Amorim (2011): 35 Figura 4.1 – Top Five maiores empresas do mercado de higiene e limpeza Fonte: Amorim (2011). A empresa escolhida para o trabalho, segundo dados da ABIHPEC (2012), possui 6,6% do mercado de sabonetes, com seu próprio produto. E ainda atua na produção terceirizada para três, dos cincos principais fabricantes do setor, que devido ao aumento da demanda, não possuem capacidade produtiva para atendê-la. 36 5. ESTUDO DE CASO 5.1 DESCRIÇÃO DA EMPRESA Um dos segmentos de atuação da empresa estudada está o de higiene e limpeza, onde com o objetivo de expandir os seus negócios em 2006 foi fundada sua primeira fábrica de sabonetes. A decisão de investir em sabonetes deve-se ao fato do grupo de possuir ramificações no setor de higiene e limpeza, sendo os maiores fabricantes de massa-base e sebo bovino do Brasil, matérias-primas essenciais para a fabricação de sabonete. Inicialmente a empresa tinha suas atividades de fabricação de sabonete como à terceirização de uma marca. Com o desenvolvimento do cenário econômico, aproveitaram à oportunidade de mercado e adquiram esta marca. Desta forma, incorporaram ao seu ativo e todos os equipamentos de suas unidades industriais. Isso ocasionou um aumento em sua capacidade de produção. Com isso, firmaram contratos de terceirização, com empresas como a Johnson & Johnson, Nazca e Natura. Mudando sua situação no mercado passando agora a fazer parte do grupo de empresas, que dominam 75% do mercado, devido ao fato de produzir produtos para três das cincos maiores empresas do setor. Na empresa estudada, verifica-se que o seu quadro de colaboradores esta definida conforme a figura 5.1: Figura 5.1 – Organograma da empresa Fonte: Empresa (2012). 37 5.2 PRODUTOS COMERCIALIZADOS PELA EMPRESA A empresa atua na fabricação de massa-base, matéria prima essencial para a produção de sabonetes, a qual uma parte é vendida para outros fabricantes e outra é utilizada em suas linhas de produção. No processo de fabricação da massa-base, é gerado um resíduo, chamado glicerina, utilizado em alguns sabonetes e em outros produtos. Como os sabonetes produzidos pela empresa não contém esse produto, toda sua produção é vendida para outras empresas. Na produção de sabonetes, a empresa atua na fabricação de seus próprios produtos, além de também atuar na produção terceirizada de sabonetes das marcas Johnsons, Natura e Nazca. Sua capacidade máxima de produção aproximadamente é de 6000 toneladas de sabonete mês. 5.3 RESULTADOS ALCANÇADOS No estudo de caso, em visita a empresa estudada, e elaboração de um questionário, o qual está anexado a esse trabalho no apêndice A, observa-se um pequeno conhecimento da atuação da logística e sua função na produção. A logística segundo o gerente da produção, significa somente a otimização no transporte entre duas partes, preenchendo sua capacidade máxima. No caso especifico da produção, o mesmo define que ela tem a função de garantir o fluxo de saída da fabrica das produções realizadas. A produção, segundo o gerente da produção, possui a função de industrializar produtos de acordo com a demanda, dentro da capacidade instalada dos equipamentos, sendo mensurada sua produtividade e desempenho, em relação a essa capacidade. Essa medição é realizada por meio de um sistema de Enterprise Resourcing Planning5 (ERP), que gera automaticamente etiquetas para cada lote produzido, gerando informações de quantidades, qualidade e horários, para após ser feita a avaliação. 5 ERP é definido como uma arquitetura de software que facilita o fluxo de informações entre todas as atividades da empresa como fabricação, logística, finanças e recursos humanos. Um banco de dados único, operando em uma plataforma comum que interage com um conjunto integrado de aplicações, consolidando todas as operações do negócio em um simples ambiente computacional (TEAMSOFTWARE, 2011). 38 Essa medição tem o objetivo somente de acompanhar se a maquina esta produzindo toda sua capacidade, atendendo a produção em seus requisitos de qualidade, custo e produtividade. Para isso, são utilizados os indicadores mencionados no quadro 5.1: 39 Indicador de Desempenho Descrição Cálculo Melhores Práticas DESEMPENHO NA PRODUÇÃO PERFORMANCE Produção real / Na empresa visitada, Calcula-se o quanto poderia ser Capacidade a meta que se deve produzido com os recursos disponíveis e Potencial, se obtem atingir é de 75 á o quanto foi produzido realmente. a % de 79%. performance. Total de descartes / Na empresa visitada, Produção real, se a meta de perdas obtem a % de perda por qualidade é de por qualidade. no máximo 0,25%. QUALIDADE DISPONIBILIDADE IEG (ÍNDICE DE EFICIÊNCIA GLOBAL) Calcula-se o quanto foi perdido por descarte referente a reprovação de produtos pelo setor de Qualidade e o quanto foi produzido sem defeito. Produção real / produção possível com o tempo disponível (Tempo Calcula-se quanto tempo de recursos ou dísponível máquinas estava disponivel durante um descontando determinado periodo de tempo e o paradas), se obtem quanto desse tempo foi aproveitado. a % de aproveitamento da disponibilidade da planta. Multiplica-se os indices de disponibilidade x Calcula-se a eficiencia levando em conta eficiência x as perdas por diponibilidade, qulidade. Despois desempenho e qualidade. de encontrado o valor você terá a % do IEG. Quadro 5.1 – Desempenho na produção Fonte: Empresa (2012). Produção real descates. Produção real sem descartes / Na empresa visitada, produção real, se a meta para obtem a % de produção sem produtos produzidos defeito é de 99,75%. sem problemas de qulidade. Na empresa visitada, não existe meta para disponibilidade, pois é a disponibilidade é somada no OEE. Na empresa visitada, a meta que se deve atingir é de 80%. 40 Esses indicadores são analisados de acordo com sua eficiência de atingir a capacidade máxima, e assim indicando onde a produção está deixando de atingir as metas, definindo assim o alvo das ações de melhorias. Essas ações envolvem a manutenção, produção e qualidade, onde é montado um grupo que analisa e define qual ação deverá ser tomada. Sendo esse grupo formado por colaboradores dos setores acima mencionados. Além disso, é utilizada a gestão a vista para acompanhar o desempenho realizado em relação à meta estipulada, indicando ao gestor e aos colaboradores, índices que estão fora das metas, sendo possível o uso de ações proativas para regularizar o mesmo. Especificamente para a logística não é utilizado nenhum tipo de indicador, apenas são utilizados alguns para medir a atividade da produção, e não as operações de suporte as mesmas. 5.4 DISCUSSÕES E COMENTÁRIOS Após realizar-se essa pesquisa bibliográfica e verificar suas aplicações por meio de um estudo de caso verificam-se algumas questões sobre o tema, que serão respondidas no desenvolver desses comentários, sendo que algumas poderão servir como base para futuros trabalhos científicos em relação à aplicação da logística como uma operação de suporte a produção, e sua correta avaliação de desempenho. Em relação à empresa estudada, verifica-se que a mesma não possui um sistema de medição de desempenho para a logística, não utilizando nenhum indicador especifico para esse fim. A principal justificativa encontrada é a falta de conhecimento dos gestores sobre a real função da logística e suas operações, sendo que ao serem questionados informaram ser, na sua concepção, a gestão eficiente da operação de transportes entre dois pontos, com o menor recurso possível. No caso especifico da produção, o gerente define que ela tem a função de garantir o fluxo do transporte na saída da fabrica das produções realizadas, sendo esse a função primária da logística, desconsiderando assim as suas operações de suporte a produção, que são a gestão de estoque, movimentação interna e compras. 41 Verifica-se, portanto, que o processo de medição de desempenho da fabrica, englobam somente a produção, comparando basicamente se a capacidade total esta sendo alcançada, atendendo os requisitos de qualidade, custo e produtividade. Os indicadores disponíveis são mencionados no trabalho na figura 5.2. Observa-se que é mensurada a qualidade, e utilizado dois indicadores que medem a produtividade, finalizando com um índice geral da planta industrial, o Índice de Eficiência Global (IEG), o qual gera um índice do produto dos indicadores mencionados, resultando em um geral, que indica as áreas que devem ser melhoradas. O gerente de produção afirma que o principal problema da empresa, está no tempo de troca de matéria prima nas máquinas e na reposição das mesmas, além das paradas para manutenção. Esses fatores segundo o mesmo levam a perda de produtividade. Essas operações, nada mais são do que operações logísticas, ou possuem sua atividade ligada à logística. Analisando o cenário atual da empresa, recomendamos à adoção de indicadores, que sejam capazes de medir o desempenho das atividades logísticas de suporte a produção, sendo eles exemplificados no quadro 5.2: 42 Indicador de Desempenho Ruptura de Estoque ou Stock Outs Estoque Indisponível para Venda Visibilidade dos Estoques ou Inventory Visibility Pedidos por Hora ou Orders per Hour Custo por Pedido ou Cost per Order Utilização dos Equipamentos de Movimentação Entregas realizadas dentro do prazo negociado Recebimento de produtos dentro das especificações de qualidade Descrição Cálculo DESEMPENHO NA GESTÃO DOS ESTOQUES Quantificação das vendas Receita não Realizada perdidas em função da devido à indisponibilidade do item Indisponibilidade do solicitado. Item em Estoque (R$) Corresponde ao estoque indisponível para venda em função de danos decorrentes da movimentação armazenagem, vencimento da data de validade ou obsolescência. Melhores Práticas Variável. Estoque Indisponível (R$) / Estoque Total (R$) Variável. Data e/ou Hora do Registro da Informação de Recebimento do Material nos Sistemas da Empresa - Data e/ou Hora do Recebimento Físico PRODUTIVIDADE DA ARMAZENAGEM Mede a quantidade de pedidos separados e Pedidos Separados e/ou embalados / Embalados / Total de acondicionados por hora. Horas Trabalhadas no Também pode ser medido Armazém. em linhas ou itens. Mede o tempo para disponibilização dos estoques dos materiais recém recebidos nos sistemas da empresa. Rateio dos custos operacionais do armazém pela quantidade de pedidos expedidos. Máximo de 2 horas. Variam conforme o tipo de negócio. Custo Total do Armazém / Total de Pedidos Expedidos. Mede a utilização dos equipamentos de Horas em Operação / movimentação disponíveis Horas Disponíveis para em uma operação de Uso *100 movimentação e armazenagem. DESEMPENHO DO FORNECEDOR Calcula a taxa de Número de entregas entregas realizadas realizadas dentro do dentro do prazo prazo / Número de negociado com o entregas totais. fornecedor. Corresponde a Produtos recebidos quantidade de produtos dentro das que foram entregues especificações de dentro das qualidade acordadas especificações de com o fornecedor / qualidade previamente Total de produtos acordadas com o aceitos *100. fornecedor. Atendimento do pedido realizado Reflete se o fornecedor está entregando a quantidade de produtos solicitados. Nº produtos entregues / nº produtos pedidos *100. Tempo de entrega dos produtos É o tempo que o fornecedor leva para entregar um pedido. Data e/ou Hora da realização do pedido ao fornecedor – Data e/ou Hora da entrega dos produtos. Variam conforme o tipo de negócio. Em uso intensivo, com operador dedicado, mínimo de 95 %. Deve ser bem próximo a 100%, caso contrário, a empresa está aceitando produtos fora dos padrões desejados (custos extras). 100 %. Se este indicador permanecer por um longo tempo abaixo de 100% significa que o fornecedor não está com capacidade suficiente para atender os pedidos. Varia conforme o negócio. No entanto, o desempenho do fornecedor influencia diretamente no estoque da empresa, ou seja, caso este tempo seja muito longo, a empresa necessita manter níveis altos de estoque. Quadro 5.2 - Relação de indicadores de desempenho indicados Fonte: Adaptado de Angelo, L.B (2005). 43 Com o uso desses indicadores, será possível identificar o motivo dessas perdas, e com ações de melhorias, resolvê-las, aumentando a produtividade da área mencionada. Na questão da troca de matéria prima, a massa base, verifica-se que a principal razão para o atraso no tempo de troca, está à qualidade do produto e o tempo de deslocação do estoque até as máquinas. Esses fatos podem ser resolvidos utilizando indicadores para medir o desempenho dos fornecedores, na qualidade do material oferecido, e também medir os processos de armazenagem e movimentação interna, buscando aumentar sua produtividade. Assim, para os problemas apresentados na empresa, recomenda-se inicialmente um treinamento para os gestores da produção e de outras áreas como manutenção, planejamento e controle da produção, qualidade e até mesmo o administrativo da empresa e sua direção, sobre a real função da logística e suas operações de suporte. Verifica-se também que a empresa não mensura a contribuição gerada pelo uso dos indicadores de desempenho, deixando questões em aberto sobre o tema para futuros trabalhos, onde pode-se avaliar a contribuição dos indicadores sugeridos neste. 44 CONCLUSÃO O trabalho desenvolvido alcançou seus objetivos, que é verificar em uma empresa o uso de indicadores de desempenho ou o uso de indicadores específicos para as OL’s, sendo a área de atuação da empresa a produção de sabonetes. No desenvolvimento do trabalho, destaca-se a definição de alguns autores para as chamadas operações logísticas, bem como sua área de atuação e sua importância em seu desempenho. Com base nos conceitos descritos, especificamente para a produção, pode-se compreender que as operações logísticas são basicamente o apoio a produção, para seu correto funcionamento e o alcance de seus objetivos de desempenho, diferenciando atividades industriais que apenas produzem produtos, de outras que incorporam a estratégia da empresa, contribuindo para seu desempenho final. Os principais objetivos relacionados às operações estudadas, que foram à gestão de estoques, movimentação interna e compras, são a qualidade dos serviços, das informações, dos produtos oferecidos, seus custos, e a produtividade em suas atividades. A medição de desempenho é utilizada para transformar informações em números e dados, permitindo a avaliação e tomada de decisão pelo seu gestor. Nessa transformação, são criados e definidos os índices, suas formulas de cálculos e as melhores praticas ou metas, servindo como parâmetro para avaliar se os objetivos estão sendo atingidos. O mercado de sabonetes, assim como o mercado de uma forma geral, está cada vez mais competitivo, exigindo produtos com cada vez mais qualidade e menores custos. Por ser um mercado atualmente atrativo e diversificado, muitas empresas investem no mesmo, aumentando ainda mais a concorrência. Para atingir esses objetivos e diferenciar-se em um mercado tão competitivo, a eficiência dos processos logísticos é fundamental, bem como o conhecimento de sua função e a medição de seu desempenho. Assim, pode-se afirmar que o uso dos indicadores nas atividades de suporte a produção, é uma importante ferramenta de diferenciação competitiva, sendo capaz de reduzir custos, perdas e prejuízos e aumentar a qualidade e produtividade do produto final sendo de vital importância para a sobrevivência da empresa no mercado. 45 Verifica-se também que a empresa não mensura a contribuição gerada pelo uso dos indicadores de desempenho, deixando questões em aberto sobre o tema para futuros trabalhos, onde pode-se avaliar a contribuição dos indicadores sugeridos neste. 46 REFERÊNCIAS ABIHPEC. Associação Brasileira das indústrias de higiene pessoal e cosmética. São Paulo, 2012. AMORIM, R. A. Top Five de 2011. 1. Ed. São Paulo: Editora Cusman, 2011. ÂNGELO, L. B. Indicadores de desempenho logístico. 1 ed. São Paulo: Gelog UFSC, 2005. BALLOU, H. R. Gerenciamento da cadeia de suprimentos / logística empresarial. 5 ed. São Paulo: Bookman, 2004. BANZATO, E. 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Acesso em: 05 nov.2012. 49 APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO DE PESQUISA 1) O que é logística para você? 2) Qual a função da logística na produção? 3) Qual é a função e o objetivo da produção na empresa? 4) O desempenho da produção, em relação aos seus objetivos, é mensurado? 5) Como é realizada a medição do desempenho? 6) Qual é o objetivo da realização da medição de desempenho? 7) Quais tipos de indicadores são utilizados? 8) Como é feita a análise dos dados mensurados? 9 )Qual o seu conhecimento sobre ferramentas de melhoria continua? É utilizada alguma? 10) São tomadas quais ações em cima dessas informações? 11) Quais benefícios já foram gerados por essas ações e quem é o responsável por ela? 12) É feito algum tipo de acompanhamento, entre os dados reais e as metas estipuladas, com base nos indicadores de desempenho? 13) É utilizado algum tipo de indicador para as atividades de suportes logísticas na produção, que seria a movimentação interna, administração dos estoques e tempos de entregas? 14) Se sim, qual a contribuição alcançada com esses indicadores? Caso não seja utilizado, qual o motivo? 50 APÊNDICE B – CARTA DE AUTORIZAÇÃO