1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS I CURSO DE PEDAGOGIA COM GESTÃO E COORDENAÇÃO DO TRABALHO ESCOLAR Charlene Barbosa Barros A IMPORTÂNCIA DO PAPEL DA FAMILIA NO DESENVOLVIMENTO ESCOLAR DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Salvador 2011 2 CHARLENE BARBOSA BARROS A IMPORTÂNCIA DO PAPEL DA FAMILIA NO DESENVOLVIMENTO ESCOLAR DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para obtenção da graduação em Pedagogia do Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia, sob a orientação da Profª. Ms. Maria Alba Guedes Machado Mello. Salvador 2011 3 CHARLENE BARBOSA BARROS A IMPORTÂNCIA DO PAPEL DA FAMILIA NO DESENVOLVIMENTO ESCOLAR DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para obtenção da graduação em Pedagogia do Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia, sob a orientação da Profª. Ms. Maria Alba Guedes M. Mello. Local ___ de ___________ de 20__. _____________________________ _____________________________ 4 AGRADECIMENTOS Primeiramente agradeço a Deus pela minha existência, por ser uma pessoa sadia e ter perseverança para alcançar meus objetivos. Agradeço à minha mãe pela compreensão e apoio nesta caminhada. Agradeço a meu grande amigo Borges, se não fosse pelo seu incentivo de iniciar esta caminhada, hoje, eu não estaria, aqui, concluindo mais uma etapa da minha jornada. Agradeço a meu amigo Renato, pela sua colaboração a essa pesquisa, pela compreensão nos momentos difíceis que não pude estar junto a ele, para dar fecho a outros trabalhamos que estávamos fazendo juntos, pela sua amizade que levo comigo para sempre, pelo seu carinho e consideração a minha pessoa. Agradeço em especial a minha querida orientadora ProfªMs Maria Alba Guedes M. Mello, que teve muita paciência, dedicação e me incentivou nos momentos indecisos; se não fosse sua sabedoria, hoje, não poderia externar meu conhecimento por meio dessa pesquisa. Agradeço a todos os professores que contribuíram com minha formação profissional. Agradeço a todos meus colegas e amigos que me incentivaram de alguma forma, para que eu não desistisse desta caminhada árdua, que foi para mim. 5 Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Essesquefazeresse encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino continuobuscando, reprocurando. Ensino porque busco, porqueindaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar,constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquisopara conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade. (FREIRE, 1999, p.32) 6 RESUMO Este Trabalho de Conclusão de Curso é fruto da pesquisa que teve como objeto de estudo a interação entre escola e família para o desenvolvimento do educando. O papel da família para o desenvolvimento escolar do educando é de suma importância, pois o cotidiano familiar está muito ligado de forma a facilitar ou a dificultar no desenvolvimento do educando. E a escolaque é um espaço de compartilhamento de ideias, saberes e experiências é um local privilegiado da educação que tem a função social de contribuir na formação de cidadãos críticos, conscientes e atuantes na sociedade em que vivem. O trabalho coletivo envolve todos os sujeitos escolares, pais e comunidade e é, sem dúvida, o primeiro passo, para entender, analisar e compreender melhor o comportamento e desenvolvimento do educando. Buscou-se por meio de um estudo teórico e ida a campo verificar a importância da interação escola e família na vida escolar do educando.A pesquisa foi de cunho qualitativo, tendo o Estudo de Caso como método que verificou o nível de interação entre os responsáveis das famílias dos educandos no Colégio Estadual Ruth Pacheco. Recorreu-se a autores como Danda Prado, Jane Castro, Maria Lucia Aranha, Vitor Henrique Paro e outros para embasar a importância familiar no contexto escolar. Como conclusão parcial, acredita-se que quanto mais a família participa, mais eficaz é o trabalho da escola. Palavras-chave: Escola. Família. Interação. 7 ABSTRACT This work of completion is the result of research that had as its object of study: The interaction between schools and families for the development of the students. The family role in the development of school student is of paramount importance, because the family dynamic is very connected so as to facilitate or hinder the development of school student. And the school that is a space for sharing ideas, knowledge and experience is a privileged place of education that has the social function of contributing to the formation of critical citizens, aware and active in their society. The collective work involving all school subjects, parents and community and is undoubtedly the first step to understand, analyze and better understand the behavior and development of the students. Sought by means of theoretical study and field visit to verify the importance of interaction between schools and families in school life of the student.The research was qualitative, and the Case Study Method as they found the level of interaction between the heads of families of students in the State College Ruth Pacheco. Use has also authors as Danda Prado, Jane Castro, Maria Aranha, ParoVitor Henrique and others to bolster the importance of family in the school context. As a partial conclusion, it is believed that the more the family participates, the more effective is the school's work. Keywords: School. Family. Interaction 8 SUMÁRIO 1INTRODUÇÃO.................................................................................................... 09 2AS INSTITUIÇÕES EDUCADORAS: A família e a escola............................... 12 2.1 FAMÍLIA E SUAS TRANSFORMAÇÕES........................................................12 2.2 A ESCOLA E SUASFINALIDADES...............................................................17 3. O CASO ESTUDADO........................................................................................22 3.1 CARACTERIZAÇÃO DO COLÉGIO RUTH PACHECO..................................23 3.2 A FAMÍLIA DOSEDUCANDOS......................................................................27 3.3 OS RESULTADOS..........................................................................................28 3.4 UMA BREVE ANÁLISE...................................................................................33 4 ESCOLA E FAMILIA: A relação necessária...................................................36 5 CONSIDERAÇOES FINAIS ............................................................................... 42 REFERÊNCIAS..................................................................................................... 44 APÊNDICE (S)..................................................................................................... 46 ANEXO (S) ............................................................................................................ 52 9 1INTRODUÇÃO Com o passar do tempo a família sofreu transformações no seu perfil familiar e é possível afirmar que toda essa mudança tem sido fator determinante no acompanhamento da família na vida escolar da criança e do adolescente. O papel da família para o desenvolvimento escolar do educando é de suma importância, pois o cotidiano familiar está muito ligado de forma a facilitar ou a dificultar no desenvolvimento escolar do educando. E a escola como um espaço de compartilhamento de ideias, saberes e experiências é um local privilegiado da educação que tem a função social de contribuir na formação de cidadãos críticos, conscientes e atuantes na sociedade em que vivem. Particularmente no que diz respeito à relação família-escola, tem sido assunto muito comentado nos dias atuais o alcance do sucesso dos educando no processo de ensino-aprendizagem. Frequentemente se ouve dos professores que o apoio da família é essencial para o seu bom desempenho e realmente o é. Porém, muitas vezes, essa expectativa de ajuda torna-se fator de acusação, atribuindo-se à família a responsabilidade pelo mau desempenho escolar da criança. Os profissionais da escola acreditam, muitas vezes, que os educandos vão mal porque suas famílias estão desestruturadas ou porque não se interessam pela vida escolar da criança, deixando de reconhecer que os profissionais de educação é que são preparados, por meio de uma formação especifica, para esta função e não a família. A ausência dos pais às reuniões pedagógicas é um fato frequente no contexto escolar atual, o que pode ser um indicativo do pouco acompanhamento da vida escolar das crianças por parte dos pais. Portanto, cabe à escola articular-se de forma a tentar diminuir esse distanciamento com as famílias. O trabalho coletivo envolve todos os sujeitos escolares, pais e comunidade e é sem dúvida o primeiro passo, para entender, analisar e compreender melhor o comportamento e desenvolvimento do educando.É 10 precisocriar uma parceria entre família e escola, para que haja uma distribuição mais justa de responsabilidades na educação da criança. Assim, cada um fazendo o seu papel, uma não sobrecarrega a outra. Mais do que uma descentralização das funções, essa parceria ajuda pais e escola a falarem a mesma linguagem, situando o indivíduo num mundo organizado em uma estrutura que compõe a sociedade da qual ele também faz parte. O presente trabalho teve como objetivo argumentar teoricamente sobre a importância da interação entre a escola e a família, e o papel da contribuição dessas duas instituições no desenvolvimento escolar do educando. Acredita-se que quanto mais a família participa, mais eficaz é o trabalho da escola, pois, dessa forma, cada um se dedicará às suas atribuições. Este trabalho é uma pesquisa bibliográfica, por meio da qual se buscou informações teóricas principalmente em livros de autores renomados da área como Danda Prado (1981), Vitor Henrique Paro (2000) e outros. Além disso, desenvolveu-se uma pesquisa de campo, por meio da aplicação de questionários a um grupo de responsáveis (da família) dos educandos. O primeiro capitulo aborda as concepções sobre a instituição familiar, suas transformações no decorrer nos tempos, as mudanças gradativas do papel da mulher na família, em virtude da revolução feminista, e como isso tem influenciado no acompanhamento dos filho e na contribuição da família para o desenvolvimento da criança. Trata ainda da escola como instituição formadora, sua função social e de que forma organizou-se na atualidade. O segundo capitulo discorre sobre a instituição escolar onde foi realizada a pesquisa de campo, caracterizando o bairro onde está inserida a escola estudada, abordando alguns elementos dessa organização escolar como: estrutura física e administrativa, desempenho pedagógico e instâncias de gestão. O terceiro capitulo abordar a importância de uma estreita relação entre escola x família, com definições das responsabilidades de cada instituição; quais 11 os objetivos, estratégias, de cada qual, quais os impasses encontrados na execução dos seus papeis e o seu porquê. Traz ainda a análise dos dados da pesquisa realizada com a família dos educando da Escola Estadual Ruth Pacheco. Espera-se que esta pesquisa possa contribuir para uma maior discussão e esclarecimento acerca da interação escola e família em todas as suas dimensões. 12 2 AS INSTITUIÇÕES EDUCADORAS: A família e a escola O presente capítulo vai abordar as teorias sobre a instituição familiar, com definições sobre o papel da família, suas funções, tomando como principal autora Danda Prado (1981), que aborda as concepções da instituição familiar, suas transformações no decorrer nos tempos, as mudanças gradativas do papel da mulher na família em virtude da revolução feminista e como isso tem influenciado no acompanhamento dos filhos e na contribuição da família para o desenvolvimento da criança. Trata ainda da escola como instituição formadora, sua função social e de que forma estrutura-se na atualidade. 2.1 A FAMÍLIA E SUAS TRANSFORMAÇÕES Podemos dizer que família é uma instituição social e, como tal, subordinada ao seu contexto cultural sofrendo mudanças de acordo com as transformações econômicas, políticas e sociais. A família é um espaço importante no processo de socialização, bem como no desenvolvimento pessoal da criança; é na família que a criança aprende o que deve fazer, dizer ou pensar. A educação familiar é o primeiro fator para o desenvolvimento da subjetividade autônoma da criança, onde a mesma aprende, sobretudo os valores de conduta, conforme explica Aranha (2006), As relações afetivas são importantes para a saúde mental da criança; socialmente, a presença de adultos confiáveis e o exercício da autoridade asseguram a solidariedade necessária para o convívio democrático (ARANHA, 2006, p.96). A família é o principal suporte para o amadurecimento do indivíduo; ela favorece o aprendizado das relações afetivas, que ajuda e aprimora o desenvolvimento pessoal. Segundo afirma Prado (1981), A família não é um simples fenômeno natural. Ela é uma instituição social variando através da historia e apresentando até formas e finalidades diversas numa mesma época e lugar, 13 conforme o grupo social que esteja sendo observado. (PRADO, 1981, p.12). Com o passar do tempo e mediante as mudanças na vida em sociedade pode-se verificar que os princípios organizadores da família irão se modificar e outros aspectos serão considerados mais importantes na constituição da família. Prado (1981) destaca que: A família é única em seu papel determinante no desenvolvimento da sociabilidade, da afetividade e do bem estar físico dos indivíduos, principalmente no período da infância e da adolescência. É na família que a criança se integra no mundo adulto, onde recebe orientação e estimulo para ocupar um determinado lugar na sociedade adulta, em função do seu sexo, sua raça, suas crenças religiosas, seu status econômico e social. (PRADO, 1981, p.40). A organização da vida familiar depende do que a sociedade, marcada pelos seus costumes, espera de um pai, de uma mãe, dos seus filhos, de todos os membros; ou seja, uma família é não só um tecido fundamental de relações, mas comporta um conjunto de papéis que são socialmente definidos. Prado (1981, p.23) afirma que “é através da família – menor célula organizada da sociedade − que o Estado pode exercer um controle sobre os indivíduos, impondo diferentes responsabilidades conforme cada momento histórico”. A proteção de jovens, a educação e socialização da nova geração, os serviços domésticos de toda ordem (higiene, cozinha, costura etc.) são atividades exclusivas de ambiente familiar. As expectativas sociais e dos indivíduos como: as atividades de lazer civis (festas, reuniões, comemorações, passeios etc.) e religiosas (transmissão e cumprimentos de crenças e preceitos), de comportamento de obediência a hierarquias e autoridades estão sob a responsabilidade da família. Conclui-se que a família é o espaço indispensável para a garantia da sobrevivência, do desenvolvimento e da proteção integral dos filhos, 14 independente do arranjo familiar ou da forma como está estruturada. É a família que propicia os aportes, sobretudo os matérias, necessários ao desenvolvimento e bem estar dos seus componentes. Ela desempenha um papel decisivo na educação formal e informal, é em seu espaço que são absorvidos os valores éticos e humanitários. Assim, a iniciação das crianças na cultura, nos valores e nas normas da sociedade começa na família. Para um desenvolvimento completo e harmonioso de sua personalidade, a criança deve crescer num ambiente familiar, numa atmosfera de felicidade, amor e compreensão. Enfim, é o espaço da organização social onde se desenvolvem os sentimentos, a inteligência e o espírito desperta para as realizações que conferem um sentido superior à vida. Hoje em dia, quando se fala de família, não se pode subentender somente o modelo de família nuclear conjugal, composta de pai, mãe e filhos. Esse modelo de família sofreu redução em sua extensão e também nas suas funções, sobretudo a partir da industrialização, quando houve restrições das obrigações familiares e várias funções foram atribuídas à escola e até aos meios de comunicação. Todos nós vivemos em família com as mais diversas composições; podemos até não saber definir o seu significado, mas somos parte integrante dela, vivemos este momento de transformações. O que vai ser diferente para cada um são as formas de vida e os fundamentos nos quais se estabelecem as relações familiares. Os tipos de famílias variam muito, embora a forma mais conhecida e ainda valorizada de nossos dias seja a família composta de pai, mãe e filhos, chamada de família nuclear. Essa é considerada a mais adequada à criação dos filhos, por imaginarem que esta composição de família pode oferecer uma estrutura melhor ao desenvolvimento das crianças e adolescentes. Entretanto, pesquisas demonstram que outros arranjos familiares podem também oferecer às crianças e aos adolescentes um ambiente de afetividade e cuidados necessários ao seu desenvolvimento. É o que afirma Szymanski (2001), 15 Mas, apesar de toda pressão social para adoção do modelo de familiar nuclear, que se vive, atualmente, são vários arranjos familiares, várias possibilidades e soluções para adulto e crianças viverem suas intimidades e trocas afetivas e para a criação de ambientes para o desenvolvimento de crianças e adolescentes. (SZYMANSKI, 2001, p. 18). As funções de cada família dependem em grande parte da faixa que cada uma delas ocupa na organização social e na economia do país ao qual pertence. Em algumas dessas funções, as famílias recebem apoio e interferência de instituições sociais, como por exemplo a socialização da criança que é dividida pela família e por outras instituições educativa, ou a saúde dos membros da família que é também complementada pelas instituições de saúde pública. Mas há funções que as famílias assumem com exclusividade. É da família a constituição da identidade social dos indivíduos, de reprodução, de garantir ao acesso a de bens (alimentos, vestuário, brinquedos, remédios etc.) e de consumo. A revolução feminista contribuiu para que as mulheres exigissem direitos iguais aos homens em relação ao trabalho, conquistando espaço no mercado de trabalho e autonomia financeira, o que favoreceu mudanças do comportamento feminino. As relações conjugais deixaram de ser hierárquica para serem assumidas atividades compartilhadas. Desse período até hoje, a mulher vem, gradativamente, assumindo o papel de chefe de família, exercendo menos o desenvolvimento e acompanhamento do seu filho na escola. Todas essas transformações ajudaram na emancipação feminina, mas também trouxeram mudanças muito profundas da vida em família. O modelo de família nuclear tradicional começa a coexistir com outros modelos de famílias, devido a essas mudanças de comportamento dos seus membros. O acompanhamento familiar na vida escolar da criança é de suma importância para que a mesma se sinta amparada e confiante no processo de ensino-aprendizagem. Portanto, a insegurança do núcleo familiar gera diretamente na criança uma falta de segurança afetiva e emocional, que, em 16 grande número de casos, é impulsionada para a agressividade, como resposta à frustração permanente, ao contínuo sentimento de perda e à falta de amor e compreensão. Dependendo da distância entre o universo familiar e a escola, essa passagem pode-se tornar traumática para a criança. A família tem a preocupação em proteger seus filhos, resultando muitas vezes em fortes influências de dominação para com seus filhos, onde os pais possuem grande parcela de poder de decisão sobre seus filhos. Esse típico comportamento superprotetor, muitas vezes impede o desenvolvimento da autonomia da criança. Para que haja mudanças nesse tipo de comportamento familiar, é preciso mudanças em toda a sociedade, inclusive na escola. Existem diversas contribuições que a família pode oferecer, propiciando o desenvolvimento pleno dos seus filhos e deles enquanto educandos: • Selecionar a escola, baseando-se em critérios que lhe garantam a confiança da forma como a escola procede diante de situações importantes; • Dialogar com o filho sobre o que está vivenciando na escola; • Cumprir as regras estabelecidas para a convivência do educando na escola de forma consciente e espontânea; • Deixar o filho resolver, por si só, determinados problemas que venham a surgir no ambiente escolar, em especial na questão da socialização; • Valorizar o contato com a escola, principalmente nas reuniões e entrega de resultados, podendo informar-se das dificuldades apresentadas pelo seu filho, bem como seu desempenho. Em suma, o papel da família é fundamental para o desenvolvimento pleno da criança e do adolescente: a família precisa fazer o possível para acompanhar seus filhos no processo escolar; ficar atenta às suas dificuldades, ajudar nas atividades e ampliar seu conhecimento cultural, o que já envolve uma outra questão financeira. Nem todas as famílias têm condições de levar seus filhos ao teatro, comprar livros, levar ao cinema, dentre outras opções de enriquecimento cultural, mas esse é o ponto que deve ser trabalhado com a escola, que pode promover eventos culturais direcionados aos pais e filhos. 17 Além de encontrar tempo para atender às convocações da escola e visitas espontâneas, se achar necessário, é preciso fazer disso um compromisso real. Alguns pais têm dificuldades em ajudar seus filhos na tarefa de casa por falta de conhecimento cientifico, mesmo assim pode contribuir para o desenvolvimento do educando, incentivando seu filho à leitura, por exemplo. Entretanto existem famílias que contribuem para a aprendizagem e sucesso escolar do educando, fazendo o diferencial na vida escolar do educando. A família não está cumprindo seu papel e cada vez mais transfere a responsabilidade da educação das crianças para a escola e outras instituições, a escola fica, então, com uma sobrecarga de funções e o processo de ensino e aprendizagem fica prejudicado diante das novas situações impostas pelas condições atuais. 2.2 A ESCOLA E SUAS FINALIDADES É notória, desde o início da historia da educação brasileira, uma proposta educacional marcada pela diferenciação no atendimento para ricos e para pobres. A ação educacional no Brasil começou, já no período colonial, voltada para as elites, calcada em valores da cultura européia, de conteúdos livrescos e aristocráticos; mas para as classes populares, a educação, quando existia, era para a catequese e secundariamente para a preparação para o trabalho, “a educação fornecida para as classes populares tinha como objetivo principal moralizar, controlar e conformar os indivíduos às regras sociais” Castro (2009, p. 20). Foi com a instituição da Republica em 1889, que a escola passou a ser considerada fundamental para a construção da sociedade democrática. Os republicanos instituíram um novo perfil de escola para a população iletrada, acreditando ser essa a maneira de construir uma base de sustentação forte para a nação. Com a reforma no ensino básico, a educação primaria foi 18 descentralizada e a Republica brasileira resolveu dividir a responsabilidade entre os Estados e Municípios, promovendo a respectiva articulação na gestão da educação. Cunha (2009) destaca que: [...] o caráter da descentralização/municipalização implementada no Brasil levou à transferência de responsabilidades aos estados e municípios, destacadamente com a Emenda Constitucional 14, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9.394/96 e a Lei 9.424/96, que instituiu o FUNDEF, alterando as relações federativas, redistribuindo atribuições e recursos entre os entes federados. (CUNHA, 2009) A função social da escola, entretanto, é hoje reconhecidamente deformação do cidadão que garante a seguridade social das crianças e dos jovens, por meio da sua inserção no mercado de trabalho. O que revela a função social da escola são as políticas públicas (fatores externos) e o próprio currículo (fator interno); não existem fatores externos isolados de fatores internos, ao contrario, há uma relação entre eles com uma influência mútua. Portanto, nessa relação da escola com a sociedade, existem duas vertentes políticas: a escola interfere na sociedade influenciando nas mudanças e a sociedade interfere na escola com influências nas crenças, valores que a escola difunde. Podemos compreender que nos tempos atuais, a escola enquadra-se mais como uma organização; esse conceito, mais atual, fala que a organização pode (ou não) instituir, pode (ou não) acabar, possuindo um sentido mais de base cultural. A escola serve para dar uma formação teórica, critica e reflexiva para que o cidadão seja capaz de ser inserido na sociedade, fazendo uso de uma consciência critica/reflexiva e sabendo fazer uso dos seus direitos e deveres como cidadão. 19 Assim a escola quer oferecer para sociedade a formação de um cidadão consciente, já a sociedade espera da escola que ela forme cidadão para o mercado de trabalho. Entretanto, a Constituição Federal reconhece o direito da educação formal para o exercício da cidadania, ao estabelecer o ensino fundamental gratuito e obrigatório. Mas, as expectativas da sociedade esta mais voltada na escola, para preparar o educando para o mercado de trabalho. A função social da escola é, em verdade, um antigo debate entre os educadores. Desde o movimento da Escola Nova já se colocava como o mais importante, no planejamento curricular, levar em consideração, os interesses e as experiências das crianças e jovens. Para isso, a escola deve ter autonomia e exercê-la com responsabilidade. Para Castro (2009): A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), promulgada em 1996, traz, pela primeira vez, a dimensão da autonomia das escolas para concepção do projeto político pedagógico, com apoio das Secretarias Municipais de Educação (CASTRO, 2009, p. 27). A base estrutural da escola é o seu currículo, que sofre influências de valores e crenças da sociedade. O currículo é um dos elementos central que organiza a escola e que possui uma ligação com a função social da escola, pois vai determinar que cidadão a escola formará. O currículo não é feito por acaso e sim elaborado com diversas intencionalidades; o que vai nortear o currículo é a própria realidade. Contudo, escola deve estar aberta à inovação, utilizar da pluralidade dos meios de comunicação para melhorar sua prática pedagógica, que pode facilitar, significativamente, a aprendizagem dos educandos e até funcionar como estímulo para os que não gostam da sala de aula; o uso da tecnologia, sem dúvida, atrai a curiosidade e desperta a vontade de aprender. A inovação deve contemplar também o investimento na formação do professor; com a inovação 20 da tecnologia nas escolas a realidade de todos os envolvidos poderá transformase. Apesar de toda mudança no contexto de nossa sociedade, sobre influência da globalização, da situação socioeconômica o nosso país que, por vários fatores, tem desencadeado o alarmante índice de violência, das mudanças de comportamento e desempenho dos educandos, ainda assim não podemos aceitar que a escola negligencie seu papel de zelar pela aprendizagem, transformando-se meramente em assistência social, preocupada apenas em resolver os problemas do mundo que atravessa as salas de aula. É de extrema importância que a escola mantenha professores e recursos atualizados, propiciando uma boa administração, de forma a oferecer uma educação de qualidade para seus educandos. Alguns critérios devem ser considerados como prioridade para a instituição escolar: • Cumprir a proposta pedagógica apresentada para os pais, sendo coerente nos procedimentos e atitudes do dia-a-dia; • Propiciar ao educando liberdade para manifestar-se na comunidade escolar, de forma que seja considerado como elemento principal do processo educativo; • Receber os pais com acolhimento, marcando reuniões periódicas, esclarecendo o desempenho do educando e, principalmente, exercendo o papel de orientadora mediante as possíveis situações que possam vir a necessitar de ajuda; • Abrir as portas da escola para os pais, fazendo com que eles se sintam à vontade para participar da gestão da escola e de atividades educativas, culturais, esportivas, entre outras que a escola oferece, aproximando o contato entre família-escola. É função da escola acolher o educando assegurando-lhes: igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; o direito de ser respeitado pelos seus educadores; inserção do educando na sociedade, garantindo-lhes o 21 direito à educação e a salvo de toda forma de negligência e de discriminação; isso significa promover a educação de qualidade, envolvendo, inclusive, a família no processo educativo. Família e escola são instituições com finalidade distintas e contextos específicos, mas podem desenvolver uma atuação conjunta, de complementaridade, visando um processo de aprendizagem mais eficaz. Entretanto, para que essa interação aconteça, faz-se necessário criar um ambiente favorável à participação: a escola precisa estar aberta para aceitar a contribuição da família e esta deve-se encontrar disposta a oferecer suporte à escola. Como já foi dito, é necessário a relação entre escola e família para a formação plena do educando. Para tanto, a escola deve organizar eventos, atividades escolares que possam ser realizadas por pais e educando juntos, como olimpíadas de matemática, oficinas de linguagem, dentre outros. Essas atividades proporcionam a interação da escola com a família, trazendo os pais para dentro da escola. O diálogo precisa ser a principal ferramenta na construção da relação família e escola, entretanto requer por parte de pais e demais envolvidos na escola um comprometimento com a educação dos seus filhos e educandos. Em suma, o bom desempenho do educando muitas vezes é reflexo da participação familiar no contexto escolar do filho. São pais que se fazem presente na vida escolar do educando, frequentam a escola, são atenciosos e sua preocupação não está voltada apenas para o quantitativo (na nota) e sim no processo do desenvolvimento pleno do educando. 22 3 O CASO ESTUDADO O presente capitulo vai discorrer sobre a instituição escolar onde foi realizada a pesquisa de campo, caracterizando o bairro onde esta inserida a escola estudada, abordando alguns elementos dessa organização escolar como: estrutura física e administrativa, desempenho pedagógico e instâncias de gestão. A pesquisa foi focada nas famílias; por meio de entrevistas semiestruturadas e questionários aplicados aos integrantes da família, buscou-se identificar se as famílias participam da vida escolar dos seus filhos, como se dá essa participação, com que frequência e se a escola busca essa interação. Com as gestores escolares, foram realizadas entrevistas para entenderde que forma elas proporcionam a participação dos familiares no contexto escolar dos seus filhos. A metodologia adotada para este trabalho segue uma abordagem qualitativa e caracteriza-se como um Estudo de Caso. “A pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento” (LUDKE e MENGA, 1986, p.11). Dessa forma há um contato maior da parte do pesquisador com o objeto de estudo a fim de ter dados mais vivos sobre o tema que está sendo investigado. O Estudo de caso é o método de pesquisa que, segundo Gil (2002, p.48), “consiste no estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento [...]”. Os estudos de caso visam à descoberta, expõem a necessidade da interpretação dentro de um contexto, procuram retratar a realidade de forma profunda e completa, e utilizamse de variadas fontes de informação, procurando demonstrar os distintos pontos de vista presentes na realidade a ser considerada; além disso, utilizam uma linguagem mais acessível, se comparados a outras categorias de pesquisa. 23 A validade científica do Estudo de Caso, como um método de pesquisa, se estabelece pelos critérios da exemplaridade, que direciona a situação ou objeto analisado para o ideal, como se, por meio da sua análise, fosse possível determinar todas outras que existem; e pela representatividade que, embora possa ter semelhanças com outras realidades, possui características singulares, particularizando assim o Estudo de Caso. A pesquisa foi desenvolvida com base nas seguintes etapas: - Análise de literatura específica que apresenta o histórico sobre a instituição escolar e a instituição familiar, e de que forma a interação dessas duas instituições podem melhorar o desenvolvimento do educando; - Análise de documentos contendo informações a respeito da implantação, execução e organização do colégio Ruth Pacheco; - Visitas prévias de observação ao campo da pesquisa e observação dos sujeitos objeto da pesquisa. No questionárioaplicado a 11 integrantes de famílias de educandos do Colégio Estadual Ruth Pacheco, as questões abordavam temáticas referentes a identificação dos entrevistados, com relação ao nível da participação familiar na vida escolar dos educandos. Outro instrumentode coleta de dados realizado foi uma entrevista semi-estruturada com a vice-diretora escolar do turno noturno. Os dados foram tratados por meio de tabulação, com base na qual se procedeu a análise. 3.1 CARACTERIZAÇÃO DO COLÉGIO RUTH PACHECO O colégio Estadual Ruth Pacheco está situada em Sussuarana, bairro da periferia da capital baiana, onde se estima que a população seja de aproximadamente 100.000 habitantes; a atividade econômica mais presente é o comércio e nos últimos anos houve uma expansão do trabalho informal na 24 região.O contexto social vivido pela comunidade é marcado pelos principais problemas sociais presentes em nossa realidade tais como o desemprego, tráfico de drogas e os altos índices de violência. O acesso ao sistema de transporte é um problema para os moradores que residem distantes da área principal por onde circulam as principais linhas de transportes. É precária a oferta de transporte coletivo adaptado para deficientes. O bairro faz fronteiras com os bairros: Tancredo Neves, São Marcos, Pau da Lima, Mata Escura e o Centro Administrativo da Bahia (CAB). São bairros periféricos, com saneamento básico precário (é possível notar esgotos abertos no entorno da comunidade) e o índice de violência tem sido um agravante na região. Além disso, a falta de planejamento na construção das residências tem causado um desordenamento da sua estrutura urbanística, resultando em vários desabamentos de casas, entupimento dos canais de esgotos em épocas de enchentes. A renda per capta é aproximadamentede um quarto do salário mínimo, segundo informações de moradores. O colégio Estadual Ruth Pacheco, à Rua Regia Barreto, s/nº, foi uma das primeiras a ser instalada na localidade, em 15 de março de 1983. É uma escolade grande porte, por atender atualmente 1508 jovens e crianças, sendo que 611 frequentam o turno matutino, 431 o turno vespertino; e 466 o noturno, distribuídas nas modalidades educativas do Ensino fundamental (diurno), e na Educação de Jovens e Adultos -EJA (noturno). Na sua estrutura física conta com 13 salas de aula, 01 sala de professores, 01 sala da diretoria, 01 sala da secretaria, 03 banheiros, 01 quadra esportiva e 01 cozinha; não existem laboratório e biblioteca. Os professores têm muitas dificuldades no exercício das atividades escolares devido à precariedade na conservação e estrutura física do imóvel, fatores que interferem significativamente no aprendizado dos educandos e na mediação do conhecimento pelo professor tais como: barulhos internos e externos, iluminação precária, ventiladores ineficazes, falta de internet, sala dos professores muito pequena em relação à quantidade de docentes especialmente nas reuniões do professorado etc. 25 Apesar dessas muitas dificuldades, a Escola Estadual Ruth Pacheco é uma instituição comprometia com a educação de sua comunidade e reconhece, por meio de seus dirigentes, que o envolvimento de todos por uma educação de qualidade é fundamental para que a sociedade volte a perceber a importância da escola não apenas como um mero ambiente de aprendizagem, mas que contribua com a transformação social. A equipe de professores é composta por 59 profissionais: 23 professores no turno matutino, 22 no turno vespertino e 14 no noturno; parte trabalha 40 horas e outros possuem uma carga horária de 20 horas semanais. A gestão escolar é formada por 03 vice-diretor (01 em cada turno), 01 coordenador pedagógico nos turno diurno, 01 diretora. O quadro de funcionários (pessoal de apoio, secretários, merendeiras e outros.) é composto por 33 profissionais. A gestão escolar informou que apesar de reconhecer a importância da interação escolar com a família dos educando, atualmente não existe na escolaAssociação de Pais nem Grêmios Estudantis. Existe Conselho de Classe que é realizado ao final de cada ano letivo. A principal atividade promovida pela escola para promover a participação familiar no sentido de contribuir com o desempenho escolar do educandos são as reuniões escolares. O colégio Ruth Pacheco não tem alcançado as expectativas e metas do Ministério da Educação. Em 2005, o IDEB* da escola foi medido em 3,2 com projeção para 2007 e 2009 de 3,3 e 3,4 respectivamente, tendo alcançado resultados no ano de 2007 e 2009 de 2,9 e 3,2 respectivamente. Segundo depoimento da vice-diretora são muitos desafios enfrentados pela gestão escolar. Foi realizada perguntas referentes ao perfil dos educadores, investimento da escola na formação docente, documentos, segurança no colégio e acompanhamento do desenvolvimento do educando e participação familiar na escola. Um dos entraves citado pela vice-diretora foi a falta de coordenador pedagógico no turno noturno, que resulta em acúmulo de função, sobrecarregando-a por ter que exercer. *O desempenho pedagógico das escolas é medido por meio do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, criado em 2007 pelo Ministério da Educação. O indicador mede a qualidade da educação há cada dois anos e estabelece metas para os sistem as municipais, estaduais e federal de ensino cumprirem. 26 Declarou que não ocorre os AC’s entre os professores ou quando acontece são insuficiente para promover integração dos docente. A formação de professores e gestores se dá principalmente fora da instituição. A falta de professores é uma triste realidade na escola e precisa ser revista com mais atenção, pelos órgãos competentes, para que os educando não seja prejudicado. O não uso do fardamento ocorrido entre alunos também acaba se tornando preocupante quando se trata de um ambiente escolar, a gestão vem tentando conscientizar o educando para o uso correto do fardamento. Em relação aos documentos da gestão pedagógica, inicialmente a vice respondeu que são utilizados: cadernetas de frequência e plano de curso. Mas a intenção da pergunta era saber sobre outros documentos como PPP, PDE, Regimento. Isso fez perceber que ainda há um distanciamento entre a gestão escolar e tais documentos, o que não deveria acontecer, pois são instrumentos importantes para a escola e que deve ser mais revisto pelos dirigentes escolar de forma a diagnosticar se os princípios relatados nos documentos estão sendo postos em pratica. Com relação a participação familiar na escola, relatou que a escola está sempre tentando diminuir esse distanciamento com as famílias: tem realizado frequentemente reuniões de pais, existe o Conselho Escolar com participação da família; a falta de promoção de eventos em prol da interação familiar na escola se dá pela grande dificuldade de reunir os docentes. Entretanto ainda existe muita resistência por parte da família em participar e frequentar a escola. Quando comparecem à escola é somente com um objetivo de saber o desempenho quantitativo (nota) do educando. A vice-diretora, em seu depoimento, relata que a organização familiar tem-se dispersado muito, prejudicando o educando na escola, porque a família não pode deixar de acompanha a vida escolar do educando, pois contribuir muito no aprendizado do educando. A concepção de gestão presente na escola é a Gestão Democrática Participativa que se caracteriza pela participação de todos os atores envolvidos no desenvolvimento da escola, a saber: diretores, professores, educandos, pessoal de apoio, comunidade, associação, entidades locais e pais de educandos. Fundamentam-se em que, “a essência da abordagem participativa e dos seus conceitos balizadores residem no fato dos gestores de escolas 27 serem profissionais capazes e trabalharem para construir a escola” Luck (2008, p.25). Com base na leitura do Projeto Político Pedagógico do Colégio Estadual Ruth Pacheco, foi possível notar relevante preocupação por parte dos gestores em formar sujeitos crítico reflexivo e consciente de seus direitos e deveres perante a sociedade. A escola tem um importante enfoque em valores sociais, pois ajuda a pessoa a posicionar-se de forma crítica e autônoma frente às relações de poder, tornando-se um ambiente de transformação social, no qual o professor se coloca como um mediador entre o educando e a realidade vivida, com base em conteúdos programáticos que condizem com a realidade dos educandos. Dessa forma eles se sentem parte integrantes do contexto escolar, com mais participação e interesse pelo ambiente escolar. 3.2 A FAMÍLIA DOS EDUCANDOS A modalidade EJA, presente no Colégio Estadual Ruth Pacheco no turno noturno, é frequentada em sua grande maioria por responsáveis dos educandos do diurno. Estes possuem uma realidade econômico-social bastante desfavorável, o que reflete significativamente no aprendizado de ambos, embora vejam na educação um meio de transformação dessa realidade. São homens e mulheres de maioria negra pobres advindos de outros bairros. Muitos retornaram à sala de aula por acreditar que a educação ainda é o melhor caminho para chegar às oportunidades de emprego; sofrem com a vulnerabilidade social e sonham com a realização pessoal e profissional. São moradores de localidades populares, trabalhadores assalariadosqueexercem as diversas atividades profissionais como: vendedora, doméstica, manicure, serviços gerais, jardineiro e outras são donas do lar. Também são trabalhadores de atividades informais. Algumas famílias enquadram-se no perfil de família moderna, onde a mãe é chefe da família na qual não existe a presença paterna. 28 O fato dos responsáveis serem educandos da escola, torna-os mais conscientes da importância familiar para o desempenho dos seus filhos. O convívio cotidiano com a escola é um fator positivo para que os mesmos não sejam muito distantes do ambiente escolar. Entretanto, alguns integrantes da família relataram sobre a falta de tempo, para participar mais do desempenho escolar dos seus filhos, em virtude da sua carga horária de trabalho. 3.3 OS RESULTADOS Esta pesquisa busca investigar a participação familiar na vida escolar do educando e de que forma vêm a contribuir para o desenvolvimento do educando. Portanto, para melhor entender essa relação escola e família, tomei como variável fixa os tipos de acompanhamento na vida escolar do educando para tabulação dos dados. O pressuposto é de que as opiniões sobre a relação escola-família variam conforme a proximidade que a família tem da escola. TABELA I: Família dos educandos T Avó Ensino Fund. Ensino Médio Ensino Médio Inc. S/R Do Lar Vendedora Serviços Gerais Doméstica Manicure Jardineiro Atividade Profissional Mãe Escolaridade Pai Acompanhamento da vida escolar pela família Grau de Parentesco Sempre 04 - 04 - 01 02 - 01 02 01 01 - - - Às vezes 06 - 05 01 05 - 01 - 04 - - 01 01 - Muito pouco 01 01 - - 01 - - - - - - - - 01 Total 11 01 09 01 07 02 01 01 06 01 01 01 01 01 Fonte: Pesquisa de campo. Salvador, 30. 11. 2010 29 A maioria dos entrevistados são mães que fazem acompanhamento da vida escolar do seu filho esporadicamente (às vezes), porém exercem esse papel com mais frequência do que os pais. Essas mães possuem escolaridade do Ensino Fundamental completo, valendo ressaltar que o questionário foi aplicado aos educandos do Tempo Formativo II;Isso significa que eles continuam estudando. Em resposta a uma questão aberta sobre o tipo de atividade profissional exercida, varias funções foram apontadas e como se pode constatar na tabela I, a maioria são donas do lar. São mães de famílias que exercem atividades domésticas, dentro da sua própria casa, sem uma remuneração. TABELA II: Relação Família e Educando Muito pouco Total 11 - - 04 05 01 04 01 - 01 10 01 09 - 02 06 - 01 02 11 - Não importante 04 Parcialmente importante Importante 06 01 - Às vezes Às vezes 04 Importância da família para o educando Não 04 Participação na vida escolar do educando Sim Sempre E. Médio T Série do educando E. Fund. Acompanhamento da vida escolar pela família - Fonte: Pesquisa de campo. Salvador 30.11. 2010 A tabela II mostra a participação na relação família e educando. A maioria dos filhos dos entrevistados são estudantes do ensino fundamental. Com relação a participação na vida escolar do educando a maioria respondeu que participa. Foi unânime a opinião sobre a importância da família para o educando, todos consideram importante. Com isso, os responsáveis declaram imprescindível para o desenvolvimento do educando a sua colaboração. que é 30 TABELA III: Frequência da família à escola Acompanhamento da vida escolar pela família T A importância da frequência à escola Conversa com o educando Sim Ás vezes Sim Não Sempre 04 04 - 04 - Às vezes 06 05 01 06 - Muito pouco 01 01 - 01 - Total 11 10 01 11 - Fonte: Pesquisa de campo. Salvador 30.11. 2010 De acordo com a tabela III, sobre a frequência da família à escola do educando, a maioria respondeu que considera importante frequentar a escola do educando. Isso demonstra que os responsáveis estão cientes que a sua presença no ambiente escolar é relevante para a melhoria na educação e na formação do educando. Em relação à conversa com o educando a respeito da escola todos afirmaram que sim. Vale frisar que dialogar com o educando é uma forma de estar colaborando para o seu desenvolvimento escolar, esta é uma forma de participação muito relevante. Acompanhame nto da vida escolar do educando T Convite para reunião Sim Não Sim Não Às vezes Professor Secretaria Outros TABELA IV: Formas de aproximação da família Sempre 04 04 - 03 01 - - 04 - 03 - - 01 Às vezes 06 06 - 04 - 01 01 06 - 03 02 01 - Muito Pouco 01 01 - 01 - - - 01 - - - 01 - Total 11 08 01 Fonte: Pesquisa 11 - de 01 campo. 01 11 Salvador - Diretora Não Sim Se é bem Quem o recebido recebe Muito pouco Convocação diversas 06 30.11. 02 02 01 2010 31 A tabela IV objetiva identificar as formas de aproximação da família à escola do educando. Por unanimidades, todos responderam que são convidados pelos gestores escolar a participar das reuniões. Em relação à solicitação da presença familiar à escola a maioria respondeu que são sempre convocados a irem a escola e quando comparecem são bem recebidos pela diretora, professores, secretaria e outros. Com isso é possível perceber que a escola está sempre tentando promover aproximação com as famílias. A promoção do bom atendimento e recebimento por parte da escola é quesito positivo para que a família venha a frequentar a escola, o que se torna imprescindível à participação familiar. TABELA V: Conhecimento da vida escolar Vinculo empregatício Não frequenta S/R à Verificar desempenho frequência Reunião de Não da Contato com Motivos os gestores escola Sim Ações escola Não T Sim Acompanha mento da vida escolar do educando Sempre 04 02 02 03 01 01 01 01 - 01 Às vezes 06 03 03 06 - 01 01 - 02 02 Muito pouco 01 01 - 01 - - - - - 01 Total 11 06 05 10 01 02 02 01 02 04 Fonte: Pesquisa de campo. Salvador 30.11. 2010 A tabela V apresenta o conhecimento da vida escolar por parte da família. Com relação ao conhecimento de ações promovidas pela escola em prol da comunidade um pouco mais da metade respondeu que é de seu conhecimento a realização dessas ações. Ressaltando que no momento que os entrevistados respondiam essa questão eles tiveram dúvidas com relação ao que seria essas ações solicitando esclarecimento do quesito. Acredito que, por isso, as respostas ficaram quase que empates. No quesito referente ao conhecimento por parte da família em relação quem seja os gestores da escola do seu filho, com a exceção de um entrevistado os demais responderam que conhecem e têm contato com 32 os gestores escolar. Em resposta a uma questão aberta sobre os motivos de frequência à escola do educando, várias respostas foram apontadas como: a participação através das reuniões, frequentam a escola para verificar o desempenho do educando, trabalha na escola, não frequentam e quatro entrevistados não responderam esse quesito. Acompanham ento da vida escolar do educando T Sim Não Às vezes Muito pouco Sim Não S/R Sim Não Às vezes TABELA VI: Participação da família na escola Costuma ajudar a escola Conhece o conselho escolar Participa do conselho escolar Sempre 04 02 02 - - 03 - 01 01 03 - Às vezes 06 01 04 01 - 03 01 02 02 01 03 Muito pouco 01 - - - 01 - - 01 - 01 - Total 11 03 06 01 01 06 01 04 03 05 03 Fonte: Pesquisa de campo. Salvador 30.11. 2010 A tabela VI registra a participação da família na escola do educando. Boa parte dos entrevistados declarou que não costuma ajudar a escola, dessa forma é possível perceber que a família vem deixando de colaborar com a escola na forma a realizar algum trabalho voluntariado pela educação. Em relação ao conhecimento do Conselho Escolar, a maioria respondeu ter conhecimento sobre o mesmo com exceção de quatro entrevistados que não responderam esse quesito. E, apesar de conhecer sobre o conselho, a maioria afirmou que não participa. TABELA VII: O papel da escola no desenvolvimento do educando, segundo a família. Colaboração Há preocupação da escola Sim Muito pouco Sim As veze Muito pouco Sim Muito pouco 33 Acompanhamento da vida escolar do educando T Contribui para o desenvolvimento Sempre 04 04 - 04 - - 03 01 Às vezes 06 05 01 04 01 01 06 - Muito pouco 01 01 - 01 - - 01 - Total 11 10 01 09 01 01 10 - Fonte: Pesquisa de campo. Salvador 30.11. 2010 A tabela VII mostra o papel da escola no desenvolvimento do educando, segundo a família. A maioria respondeu que reconhece que a escola colabora para o desenvolvimento do educando. E afirma que a escola se preocupa com o desenvolvimento do educando e o mesmo está relacionado com a escola. Com isso é possível notar que a família reconhece como é importante a escola estar presente na vida das crianças e dos adolescentes, exercendo o papel da escola de formar cidadãos críticos e reflexivos. 3.4 UMA BREVE ANÁLISE Essa pesquisa foi liderada por mães, correspondendo à maioria dos entrevistados. O acompanhamento da vida escolar do educando ainda não é frequente pelos seus familiares; as mães tende a participar mais que os pais e o único pai entrevistado afirmou que acompanha muito pouco o desenvolvimento do seu filho na escola. No que diz respeito à escolarização dos entrevistados todos são estudantes do Tempo Formativo II da modalidade (EJA) no Colégio Estadual Ruth Pacheco. Tendo em vista essa condição ser positiva para que os mesmos, sendo educando e estando inserido no contexto escolar, possam perceber a importância da sua presença na participação escolar dos seus filhos. O convívio escolar da família como educando, facilita o papel dos gestores escolar a 34 trabalhar em sala de aula à temática de forma a conscientizá-los da importância do acompanhamento familiar para o desenvolvimento escolar e pessoal das crianças e adolescentes. Não somente com a aplicação do questionário, mas por meio de observações do cotidiano escolar, conversas informais e também um trabalho desenvolvido na disciplina de Estágio Supervisionado IV nessa mesma unidade escolar, foi possível perceber que estas famílias formadas por educandos, tem poder aquisitivo baixo, exercem atividades profissionais informais, como manicure, domesticas, do lar são as respostas da maioria dos entrevistados. Segundo, Paro (2007): Famílias menos favorecidas financeiramente possuem uma dificuldade muito maior em poder proporcionar aos filhos condições favoráveis de estudo, e que isso, muitas vezes pode implicar no rendimento escolar da criança e até mesmo resultar em seu fracasso. (PARO, 2007). Contudo se percebe a força de vontade pelo estudo: eles continuam estudando e acreditam que a escola é um meio de transformação social. Apesar de não demonstrar muito envolvido com a escola, a maioria dos entrevistados afirmou que considera importante a presença familiar para um bom desenvolvimento escolar do filho e que de alguma forma eles estão participando, seja conversando , ouvindo seu filho quando o mesmo relata as dificuldades na escola; assim, eles se consideram participante na vida dos seus filhos.Portanto, uma das tarefas que a família deve exercer na vida estudantil dos filhos é justamente a de acompanhar seus estudos, e que essa participação pode ser espontânea ou proposta pela própria instituição de ensino. A escola, na opinião da maioria, colabora para o sucesso escolar do educando, porém a escola promove muito poucas ações, eventos que estimulem a participação familiar no contexto escolar e com isso as famílias são distantes da escola.É uma das atribuições da instituição de ensino fomentar formas e maneiras de inserir a família e a comunidade local dentro do contexto que a escola atua. Essa atitude é muito importante para criar alianças entre essas duas instituições que, se trabalharem em conjunto, podem obter resultados muito mais satisfatórios do que separadas. 35 A escola os convida a participar das reuniões, os recepcionam bem, mas a carga horaria de trabalho não permite uma maior assiduidade. Entretanto sempre que podemse fazem presentes. Com a tabulação dos dados foi possível perceber que a participação dos pais no crescimento escolar dos filhos não é tão ativa como se pensa que deveria ser. A participação se dá de forma insuficiente para um bom desenvolvimento do educando; a escola vem tentando promover essa interação, porém ainda não a conseguiu. A família é convidada a comparecer à escola apenas quando há reunião escolar; é importante que a escola repense sobre suas praticas pedagógicas, seus valores, sua missão por meio de uma gestão participativa. A sociedade necessita de uma parceria propositiva entre escola e família, pois só assim poderá, realmente, fazer uma educação de qualidade e que possa promover o bem estar de todos. 36 4 ESCOLA E FAMÍLIA: A relação necessária O presente capitulo vai abordar a importância de uma estreita relação entre escola x família, com base nos referenciais teóricos Jane Margareth Castro e MarilzaRegattieri (2009), que definem as responsabilidade de cada instituição; quais os objetivos, estratégias, de cada qual, quais os impasses encontrado dos que não fazem e o porquê. Faz-se necessária uma estreita relação entre escola x família, pois, se a família frequenta a escola com mais assiduidade, haverá uma troca de informação dos responsáveis em relação a diversos assuntos que tocam a vida familiar e da escola, sobre a sua proposta pedagógica e as suas regras de convivência; com isso, se cria um espaço permanente de reflexão e construção sobre a importância da escola e da família na vida dos educandos, conscientizando os responsáveis sobre seus papéis na educação dos filhos, inclusive na sua vida escolar. A importância de abrir a escola para participação da família fortalece as condições para que as famílias participem da gestão da escola, construindo uma relação de colaboração das famílias com o ambiente escolar, por meio do envolvimento voluntário dos responsáveis em atividades da escola, resultando maior participação em quantidade e qualidade dos responsáveis nas decisões pedagógicas da escola; maior participação dos familiares e comunidade nos projetos da escola; e maior entrosamento entre pais e professores com consequente fortalecimento da comunidade escolar. A escola precisa ter um relacionamento mais efetivo com os pais dos seus educandos, proporcionando mais abertura para que os mesmos se sintam à vontade no ambiente escola, onde haja troca de ideias, atividades compartilhadas, influências recíprocas de ambas as partes. Interagir com a família para melhorar os indicadores educacionais de forma a reduzir as taxas de abandono e repetência dos educandos; evitar os 37 episódios de indisciplina dos jovens e adolescentes; e criar, nos familiares uma consciência da importância de seu envolvimento para o sucesso escolar do educando, proporcionar maior clareza sobre os papéis familiares e escolares para o apoio à vida escolar do educando, assim como maior credibilidade do trabalho da escola pela comunidade escolar e do entorno, melhorando o índice de frequência e participação dos educandos na escola. Sobre isso Castro (2009, p. 36) comenta que uma das principais causas diagnosticadas da fragilidade da interação das famílias com as escolas é que a maioria dos que tem acesso ao ensino público não tem a cultura de exigir educação de qualidade para seus filhos. Alguns elementos que a interação escola-família deve proporcionar: informar os pais, orientá-los para se envolverem na vida escolar dos filhos, fortalecer a participação em conselhos e outras instâncias de gestão da escola. O envolvendo da família no processo educativo e a aproximação das famílias tem como ponto inicial o conhecimento sobre as condições de vida dos alunos e sobre como elas podem interferir nos processos de aprendizagem. A relação entre escola e família está presente de forma compulsória pelo menos no caso da educação fundamental; a partir do momento em que a criança é matriculada no estabelecimento de ensino cria-se um vínculo de interação entre as partes. Cabe ao sistema de ensino a criação de programas e políticas que ajudem às escolas a interagir com a família com o objetivo de estarem intercalando, em suas práticas educativas, a necessidade da participação familiar. Sabemos que a escola pode estar a serviço de diversas finalidades, tais como: o cumprimento do direito das famílias, a informação sobre a educação dos filhos; o fortalecimento da gestão democrática da escola; o envolvimento da família nas condições de aprendizagem dos filhos; o estreitamento de laços entre comunidade e escola; o conhecimento da realidade do aluno; entre outros. (CASTRO, 2009, p. 15). A parceria da família com a escola sempre será fundamental para o sucesso da educação de todo indivíduo. Portanto, pais e educadores necessitam ser grandes e fiéis companheiros nessa nobre caminhada da formação 38 educativa do ser humano. Na nossa sociedade, a responsabilidade pela educação das crianças e dos adolescentes recai, legal e moralmente, sobre duas grandes agências socializadoras: a família e a escola. É incumbência do Estado garantir o direito da Educação; à família cabe o dever de matricular e enviar seus filhos à escola; e à Escola, de articular parceria com a família para ajudar no desenvolvimento da criança e do adolescente. Isso está prescrito na Constituição Federal: A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (CONSTITUIÇÃO FEDERAL 1988, Art. 205). Cabem também aos sistemas de ensino o estabelecimento de programas e políticas que ajudem as escolas a interagir com as famílias, apoiando assim o processo desenvolvido pelos professores junto aos educando, conforme a LDB “[...] os profissionais da educação devem ser os responsáveis pelos processos de aprendizagem, mas não estão sozinhos nessa tarefa. E prevê a ação integrada das escolas com as famílias” (LDB, 1996, Art. 12, Art. 13 e Art. 14). Foram das instituições escolares a iniciativa do movimento de aproximação com as famílias, cuja interferência direta (ou a liderança) da Secretaria de Educação aumentou as chances de sucesso implantando programas que proporcionam interação. Essa é uma das formas de aproximação mais difundidas hoje no meio escolar. É onde se inscrevem políticas federais como o Escola Aberta, o Mais Educação e também as ações que visam cumprir as diretrizes de gestão democrática da escola. (CASTRO, 2009, p.35). Essa política que induz a participação da sociedade na educação ou na formulação de políticas educacionais faz-se presente ainda na composição dosConselhos Municipal de Educação, Municipal da Criança e do Adolescente e outros. Aos gestores educacionais, gestores escolares e professores cabem ir ao encontro das famílias dos educandos, pois, para requerer a participação da 39 família na vida escolar dos seus filhos é necessário que se conheça o contexto familiar de cada educando. Quando há contato direto, através de visitas domiciliares, os educadores deparam-se com situações e demanda de várias ordens: alcoolismo, vícios em drogas, violência, precariedade das condições das moradias, necessidade de atendimento medico, trabalho infantil doméstico, o que lhes possibilita conhecer melhor a realidade dos seus educadores. É dever de todas as instâncias educacionais articularem-se entre os diversos setores governamentais, com organizações não governamentais, com os meios de comunicação e com a população em geral para promover o desenvolvimento do educando. A interação família e escola é a mais importante dentre essas articulações. Porém, muitas vezes, essa articulação não acontece pela falta de tempo dos pais e demais membros da família para acompanharem mais de perto o desenvolvimento das atividades escolares da criança, e pela falta de preparo e conhecimento dos mesmos para fazer esse acompanhamento. Paro (2000, p.300) entende que a participação da família na escola depende dos múltiplos interesses dos grupos que interagem na unidade escolar, bem como dos condicionantes materiais, institucionais e ideológicos. É muito comum as escolas partirem direto para a cobrança de responsabilidades das famílias, antes de compreenderem as condições dos diversos grupos de família dos educandos. A assistência social tem atribuição de formar a rede de proteção integral para crianças e adolescentes, as Secretarias de Educação e as escolas são uma parte estratégica desta rede de proteção, especialmente porque tem contato cotidiano com as crianças e jovens e, por meio deles, também com suas famílias. O papel dos agentes educacionais é identificar as demandas e encaminhá-la aos serviços de apoio social existentes no município/bairro. Ou seja, é preciso que os gestores e demais responsáveis pela educação tenham uma visão intersetorial. (CASTRO, 2009, p. 45). O cuidado com as crianças e adolescentes está socialmente assegurado e não é incumbência apenas da escola; necessita da parceria com a família para 40 uma melhor formação educacional. Deve haver vontade política do Executivo para liderar e sustentar um grupo de trabalho com representantes das diversas secretarias e demais órgão de governo. Do gestor educacional espera-se iniciativa, disposição e capacidade de articulação horizontal com seus pares da Saúde, Assistência Social e outras instituições para desencadear ações intersetoriais necessárias ao desenvolvimento de uma política educacional de interação responsável e eficiente. As escolas dividem a responsabilidade da educação com as famílias, quando prescrevem tarefas para casas e espera que os pais a acompanhem. Muitas vezes o esperado não acontece, pois é preciso levar em consideração o contexto de cada família, a exemplo de pais pouco escolarizados, carga horária de trabalho extensa e com pouco tempo para acompanhar a vida escolar dos filhos. Esse é um contexto familiar ao qual não se deve atribuir responsabilidades especificas e sim um momento de abertura para o diálogo, na perspectiva de negociar os papéis que poderão ser desempenhado pela escola e pela família. Paro (2000) afirma que: O principal fator apontado como determinante da ausência de acompanhamento familiar são as condições materiais em que se encontra a população usuária da escola, a falta de local e materiais adequados para estudar no domicilio da criançaa escassez de tempo e o cansaço dos pais que tem que trabalhar duro todos os dias sem poderem dedicar-se aos problemas escolares dos filhos.(PARO,2000, p. 225). É necessário que a família e a escola se encarem, responsavelmente, como parceiras de caminhada, pois, ambas são responsáveis pelo que produz, podendo reforçar ou contrariar a atuação uma da outra. Família e escola precisam criar, uma força para superar as suas dificuldades, construindo uma identidade própria e coletiva, atuando juntas como agentes facilitadores do desenvolvimento pleno do educando. Com a mudança no perfil familiar, houve alterações da estrutura tradicional familiar que era composto de pai provedor, mãe cuidadora e filhos obedientes para uma estrutura familiar moderna onde os pais têm preferido serem amigos dos seus filhos a ser pai e mãe. E por consequência disso a 41 família passa a ter uma postura de deserção do seu papel perante aos filhos. Surge uma inversão de papeis, com a ausência da família na vida escolar do educando. A escola almeja torna-se a segunda família de seus alunos,imagina que pode se estruturar para seus alunos, de forma que compense a falta da família. Os alunos ficam carentes de família e de escola também. Ou seja, querendo ser família, a escola deixa de ser escola. (SAYÃO, 2004). As escolas continuam com perfil de escola tradicional para alunos com novo perfil de família, é fundamental que as escolas acompanhem as mudanças da sociedade, pois essa nova geração que vem para as escolas não se enquadra mais no perfil de alunos que as escolas recebiam: alunos comportados e obedientes; a escola atual deve se enquadrar para receber essa nova geração de jovens que ai está. Os professores questionam a participação da família na vida dos seus filhos e promove muito pouco a interação com as famílias do educando. Segundo Sayão (2004) “o professor obriga os pais a exercer um papel pedagógico em seu ambiente familiar, eles delegam a responsabilidade aos pais pelo acompanhamento escolar e desenvolvimento do filho.” Quando o professor tenta promover interação com a família impondo aos pais a maneira que ele considera correta de educar os seus filhos, o professor acaba afastando a família da escola, os pais vão a escola saber como anda o desempenho do filho e não a ouvir que não sabem educar seus próprios filhos. É o mesmo que achar que as crianças chegam a escola sem saberem nada, sem alguma bagagem adquirida na família, da mesma forma se sentem os pais quando vão a escola dos seus filhos e os gestores escolares os vêem como incapazes de educar seus filhos. Os professores não conhecem o contexto familiar de cada aluno, não estão cientes das diversas dificuldades que passa cada família, não acompanham os passo a passo e mesmo assim os rotulam quandonão fazem a tarefa de casa, sem ao menos explicar qual o motivo e a finalidade das tarefas. 42 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Os programas de interação têm possibilidades de realmente impactar o trabalho cotidiano da escola se apoiados pelas Secretarias de Educação. Não é legitimo atribuir o insucesso escolar simplesmente por causa da ausência ou omissão dos responsáveis, o ensino é uma atribuição prioritária da escola. Aproximar-se da vida de cada um dos educandos é uma forma de conhecer, reconhecer e utilizar as lições da realidade a favor de sua aprendizagem. Para cumprir sua missão de assegurar um ensino publico de qualidade, a estrutura educacional deve assumir a iniciativa da aproximação com as famílias, tendo sempre em seu horizonte a articulação de politicas com outros atores e serviços sociais. A família é o primeiro contexto na qual a criança desenvolve padrões de socialização, deste modo, ela se relaciona com todo o conhecimento adquirido durante sua experiência de vida primária que vai refletir na sua vida escolar. Sendo assim, o sucesso da tarefa da escola depende da colaboração familiar ativa. A família e a escola formam uma equipe. É fundamental que ambas sigam princípios e critérios afins, bem como uma direção semelhante em relação aos objetivos que desejam atingir. Ressalta-se que mesmo tendo objetivos comuns, cada uma deve fazer sua parte para que se atinja o caminho do sucesso, que visa conduzir crianças e jovens a um futuro melhor. O ideal é que família e escola tracem as mesmas metas de forma simultânea, propiciando as crianças e os jovens uma segurança na aprendizagem de forma que venha criar cidadãos críticos capazes de enfrentar a complexidade de situações que surgem na sociedade. 43 Em suma,a família é essencial para o desenvolvimento do indivíduo, independente de sua formação. É no meio familiar que o indivíduo tem seus primeiros contatos com o mundo externo, com a linguagem, com a aprendizagem onde adquire os primeiros valores e hábitos. Tal convivência é fundamental para que a criança se insira no meio escolar sem problemas de relacionamento disciplinar, entre ela e os outros.Sendo assim, a sociedade necessita de uma parceria positiva entre a família e a escola, pois só assim poderá, realmente, fazer uma educação de qualidade e que possa promover o bem estar de todos. Só assim se poderá alcançar uma sociedade coerente em que seus agentes conheçam e cumpram seus papéis em todos os processos, sobretudo, no processo educacional, integrando lado o familiar e o social. 44 REFERÊNCIAS ARANHA,Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da educação. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2006. BRASIL. Lei 9394. Lei de Diretrizes e Bases da Educação, 20 de dezembro de 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm>. Acesso em: 20 março 2011. Constituição Federal, de 05 de Outubrode 1988. Disponível em :http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constitui%C3A7ao.htm. Acesso em: 20 de nov. de 2010. CASTRO,Jane Margareth; REGATTIERI, Marilza.(Org.). Interação escolafamília: subsídios para práticas escolares. Brasília: UNESCO, MEC, 2009. CUNHA,Maria Couto. (Org.). Gestão educacional nos municípios. Salvador: EDUFBA, 2009. GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2002. LUDKE, Menga; ANDRE, Marli E. D.. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986. LUCK,Heloísa; et al. A escola participativa: o trabalho do gestor escolar. 5ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008. 159p. PARO,Vitor Henrique. Por dentro da escola pública. 3ª ed. São Paulo: Xamã, 2000. 335p. Qualidade do ensino: a contribuição dos pais. São Paulo: Xamã, 2007. 45 PRADO,Danda. O que é família. São Paulo: Brasiliense, 1981. SAYÃO, Rosely; AQUINO. JúlioGroppa. Em defesa da escola. São Paulo: Papirus, 2004. SZYMANSKI, Heloisa. A relação família/escola: desafios e perspectivas. Brasília: Plano, 2001. 46 APÊNDICE A UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB Departamento de Educação – DEDC/Campus I Disciplina: TCCII Habilitação: Gestão e Coordenação do Trabalho Escolar Profª: Maria Alba Guedes Discente: Charlene Barbosa Barros O presente questionário faz parte da pesquisa sobre “Relação Família x Escola”, realizada pela discente Charlene Barbosa Barros que está cursandoa Graduação em Pedagogia, Departamento de Educação da Universidade Estadual da Bahia. ENTREVISTAS COM OS PAIS: 1-( ) Pai ( ) Mãe ( 2- Gênero:( ) Masculino ( ) Outros ................................... ) Feminino. II -FORMAÇÃO 3- Até que série você estudou? ( ) Primeiro Grau Completo/Até a 8ª série; ( ) Segundo Grau Incompleto ( ) Segundo Grau Completo 4- Qual a sua atividade profissional? _____________________________________________________________ III – RELAÇÃO: PAIS E EDUCANDO. 5-Qual a série que seu filho (a) estuda? 47 _____________________________________________________________ 6-Você ajuda seu filho no dever de casa? Sim, sempre( ) As vezes ( ) Muito pouco( ) Não ( ) 7-Se não, qual motivo? : __________________________________ 8-Você considera importante frequentar a escola que seu filho estuda? Sim, sempre( ) As vezes ( ) Muito pouco( ) Não ( ) 9-Você costuma chamar seu filho para conversar a respeito da escola? Sim, sempre( ) As vezes ( ) Muito pouco( ) Não ( ) 10-Você ouve seu filho quando se queixa de possíveis dificuldades enfrentadas na escola de qualquer natureza? Sim, sempre( ) As vezes ( ) Muito pouco( ) Não ( ) 11-Você se considera participante na vida escolar e pessoal do seu filho? Sim, sempre( ) As vezes ( ) Muito pouco( ) Não ( ) 12- A escola colabora para o desenvolvimento do seu filho? Sim, sempre( ) As vezes ( ) Muito pouco( ) Não ( ) IV – RELAÇÃO FAMILIA X ESCOLA 48 13-A sua presença é sempre solicitada na escola? Sim, sempre( As vezes ( Muito pouco( Não ( ) ) ) ) 14-Você conhece ações ou eventos que a escola desenvolve ou já desenvolveu em prol da comunidade? Sim ( ) Não ( ) Se sim, cite-os_________________________________________. 15-Você costuma ajudar a escola? Sim, sempre( ) As vezes ( ) Muito pouco( ) Não ( ) Como?______________________________________________ 16-Você conhece os Gestores da escola no seu filho? Sim( ) ou Não( ) 17-O que é o Conselho Escolar? Para que serve? ___________________________________________________ 18-Você participa do conselho da escola do seu filho(a)? Sim, sempre( ) As vezes ( ) Muito pouco( ) Não ( ) 19-De que forma é a sua participação na escola do seu filho? _____________________________________________________________ 20-Você é convidados a participar das reuniões? Sim, sempre( ) As vezes ( ) Muito pouco( ) Não ( ) 49 21- Quando vai a escola do seu filho você é bem recebida? Sim, sempre( As vezes ( Muito pouco( Não ( 22( ( ( ( ) ) ) ) Quando vai a escola do seu filho(a) quem te recebe? )Direção )Professores )Secretaria )Outros 23 Como você consideraimportante o papel da família para o desenvolvimento escolar do educando? ( ( ( )Importante )Parcialmente importante )Não 24- A escola se preocupa com o desenvolvimento do seu filho(a)? Sim, sempre( As vezes ( Muito pouco( Não ( ) ) ) ) 25- você considera que o desenvolvimento do seu filho esta relacionado com a escola? Sim, sempre( As vezes ( Muito pouco( Não ( ) ) ) ) 50 APÊNDICE B U NIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEB Instrumento de Observação Colégio Estadual Ruth Pacheco (Entrevista realizada por meio de diálogo verbal com à vice-diretora do noturno). I - Universo Escolar 1 Indique os serviços oferecidos pela escola: ( ( ( ( ) Coordenação Pedagógica – Realizado pela vice ) Orientação Educacional ) Atendimento Psicológico ) Outros: Palestra, feiras culturais, comemorações especiais 2 Perfil dos Docentes e Gestores 2.1 Como é realizada a formação continuada dos professores? ( )Dentro da escola ( )Auto-formação ( )Fora da escola, por outras instituições ( )Fora da escola, pela SEC/BA Dos gestores: ( )Dentro da escola ( )Auto-formação ( )Fora da escola, por outras instituições ( )Fora da escola, pela SEC/BA 2.2 Que tipo de investimento a escola tem feito na formação em serviço dos seus professores? 2.3 Quais tipos de formação continuada a escola tem privilegiado? 2.4 Quais as dificuldades encontradas? 3 Documentos da gestão pedagógica da Escola: ( ( ( )Projeto Político Pedagógico )Currículo )PDE ( ( ( ) Regimento Escolar ) PDDE ) Outros 51 4 Existe planejamento coletivo entre os professores? 5 Quem elabora e executa os projetos da Escola? II- Relação escola e educando 6 Grande parte dos alunos do noturno são adultos, existe alguma reunião à noite que seja similar à reunião de pais do diurno? 7 Os alunos do noturno participam das decisões da escola? 8 A Escola desenvolve atividades à noite para a comunidade? 9 Existem atividades Extracurriculares? Quais? 10 A escola promove interação com as famílias dos educandos? 52 ANEXOS 53