FORMAÇÃO DE EDUCADORES PARA A EDUCAÇÃO DO CAMPO: a formação dos educadores da Escola Henrique Ferreira da Silva - Pedras de Fogo - PB Autora: Josiane Ferreira de Lima Silva Universidade Federal da Paraíba-UFPB e-mail: [email protected] Resumo: O presente artigo se constitui em forma de compreensão do processo de formação dos educadores da educação do campo da Escola Henrique Ferreira da Silva, localizada no Sítio Mata de Vara, Pedras de Fogo - PB em seu sentido pedagógico, cultural e histórico, ancorado nas relações de ensino-aprendizagem. O objetivo deste trabalho é investigar, analisar e compreender como acontece o processo de formação de educadores para a educação do campo da Escola Henrique Ferreira da Silva em Mata de Vara, Pedras de Fogo - PB, em seu sentido pedagógico tendo em vista uma oferta de educação do campo que seja feita de forma a desenvolver os cidadãos camponeses que vivem no campo, e alargar as fronteiras educacionais e socioeconômicas que abrange o homem do campo. A metodologia adotada será a pesquisa qualitativa de cunho participante onde o sujeito protagonista do processo é co-objeto de toda ação investigativa. Para entender o processo construtivo será utilizado como recurso metodológico entrevistas semi-estruturadas. Este tema partiu da minha própria experiência como educadora do campo, pois toda a minha identidade e trajetória de vida, pessoal e profissional, estão ligadas ao campo na sua totalidade. Dessa forma o que pretendemos analisar nesta pesquisa é se foi oferecida aos professores do campo, uma formação que lhes possibilitem ser sujeitos históricos sociais, políticos produtores de sua cultura que nega o modelo hegemônico vigente. Como acontece? Da formação, das políticas publicas, da prática docente, até que ponto a pedagogia utilizada no processo de formação destes serviu para constituí-los como educadores do campo? Está será a pergunta que norteara este trabalho em seu desenrolar. Palavras chave: Educação do Campo; Formação dos educadores; Educadores do campo; 1. Introdução O objeto de estudo1 que pretendo elucidar neste artigo é resultado de uma pesquisa sobre a formação dos educadores e educadoras do campo, da Escola Henrique Ferreira da Silva, em Mata de Vara Pedras de Fogo - PB, onde cerca de seis (06) professores constituem o quadro de educadores desta escola do campo, e atende uma média de 152 alunos (censo de 2012) distribuídos em turmas e turnos diferenciados, em que os alunos são os próprios camponeses e seus filhos que buscam na escola a formação pessoal e uma educação que lhes possibilitem ser sujeitos e autores de sua própria história de vida. Este tema partiu da minha própria experiência como educadora do campo há 12 anos, pois toda a minha identidade e trajetória de vida, pessoal e profissional estão ligadas ao campo na sua totalidade. Outro elemento motivador se dá pelo fato de ser mestranda do Curso de Mestrado em Educação (CE/UFPB) que é resultado da parceria entre a Universidade Federal da Paraíba e a CAPES. Assim posto, sou uma pesquisadora e militante incondicional da educação de qualidade para o campo. Observo a relevância que tem esse tema para a educação, pois o campo hoje não é mais sinônimo de agricultura como diz Caldart (2004), em especial busco compreender como ocorre o processo de formação destes educadores já que tenho acompanhado no dia a dia a dificuldade que os mesmos tem e a luta constante que vêm travando em relação ao ensino aprendizagem e a própria formação enquanto educadores, inclusive essa tem sido a minha luta. Esta luta é construída de forma tão árdua que é preciso um pouco mais de percepção, pois este processo não pode jamais passar despercebido, pelas ciências sociais e humanas. A educação do campo e os seus educadores, bem como os seus alunos, já foram muito marginalizados ao longo dos anos, desta forma, não se pode mais admitir continuidade, diante das inovações tecnológicas e da mudança social pelo qual o campo também vem passando. A academia pode contribuir para modificar a continuidade desse processo, que é justamente compreender cientificamente esses educadores e seu processo de formação para exercer um papel tão importante que é o de educar o povo brasileiro que vive no campo. 1 É resultado do Projeto de Pesquisa em fase de aprofundamento teórico que apresento no Mestrado em Educação (Fase inicial) Meu papel como professora do campo, militante de melhorias para a educação do campo, e mestranda pesquisadora, é exatamente este, pois pretendo com esta pesquisa mostrar aquilo que até então transcorre como algo natural e isolado, quero resgatar todo processo de formação e as transformações que dela decorreram, além dos obstáculos percorridos pelos educadores ao longo dos anos, no intuito de contribuir pedagogicamente e historicamente, para o entendimento da importância deste processo para os educadores da educação do campo da Escola Henrique Ferreira em Mata de Vara, Pedras de Fogo-PB. 2. Metodologia Para desenvolver a investigação quanto à formação dos educadores da educação d o campo da Escola Henrique Ferreira em Mata de Vara, Pedras de Fogo - PB, o tipo de pesquisa que dá fundamento é de natureza qualitativa, pois, toda pesquisa de natureza qualitativa trabalha com o conjunto das crenças, valores, significados, motivações e outros elementos ligados ao campo das Ciências Humanas e Sociais e, desta forma, não faz uso (ou não se restringe) de meios estatísticos para o levantamento e a análise dos dados, isto é o que diz Minayo (1996). O enfoque analítico da pesquisa traz dimensões antropológicas, pedagógicas, sociológicas, da política, cultura e ideológica do processo ensino aprendizagem. O território a ser pesquisado é a Escola Henrique Ferreira em Mata de Vara, os participantes da pesquisa são os professores/educadores da mesma. Além disso, vamos analisar os documentos que registram a luta e a progressão desta formação como, por exemplo, currículos, diplomas, certificados, relatórios. Quando falamos do processo investigativo compreendemos que o qualquer ser humano é em sim e por si mesmo, uma fonte original e insubstituível de saber, saber que ao ser partilhado o objeto de pesquisa torna-se co-sujeito da investigação como diz Brandão & Streck (2006). O recurso metodológico que está sendo utilizado é a entrevista, foram entrevistados cerca de seis (06) educadores: um (01) da educação Infantil, três (03) do Ensino Fundamental (séries iniciais) e dois (02) da EJA-Educação de Jovens e Adultos (séries iniciais). Desta forma, a investigação se dará neste âmbito, para entender a formação dos professores de Mata de Vara pela busca de uma educação humanitária e popular. No campo histórico, pedagógico, antropológico e sociológico, tendo como co-objeto da pesquisa o próprio professor na sua existência concreta. 3. A história educacional em Mata de Vara Essa comunidade teve origem da antiga do antigo Sitio Mata de Vara nome que segundo o Sr. José Manoel da Silva (Zé Cutia) faz jus a presença constante de muitas varas na região, já que antes havia a presença de vegetação nativa, localizado no agreste paraibano no Município de Pedras de Fogo - PB. Analisando a história da educação em Mata de Vara encontraremos dados e relatos semelhantes a muitas comunidades rurais de nossos pais. Na comunidade não havia escola, alguns moradores escolhiam aquelas moças da região que sabiam ler e escrever, e, quem tinha condições financeiras pagava pra elas ensinarem seus filhos a ler e a escrever, uma dessas era a Sr.ª Terezinha Mesquita e outra a Srª. Rosilene Teodoro (atualmente a mesma é auxiliar de serviços gerais da Escola Henrique Ferreira). Até o ano de 2000 não havia escola na comunidade, o que havia era um pequeno galpão cedido pelo Sr. Henrique Ferreira da Silva onde funcionava como escola, já o salário dos professores, auxiliares de serviços gerais e a merenda escolar eram mantidos pela Prefeitura Municipal de Pedras de Fogo. Como era apenas um cômodo e não tinha energia elétrica havia aulas três vezes ao dia em forma de período intermediário. Lá os alunos estudavam com professores da própria comunidade e regiões vizinhas, e eles não tinham formação específica para serem professores. Caso bem especifico, foi o da minha mãe, que ensinava uma turma de alunos multisseriados e só tinha apenas a antiga 5ª série do ginásio colegial. Os alunos eram os próprios filhos dos camponeses da comunidade, muitos deles só chegavam até a 4ª série e paravam os estudos, por não ter mais a oferta de ensino em grau de progressividade na comunidade, e devido à distância e a dificuldade para frequentar uma escola urbana, além disso não havia transporte escolar público naquela época, muito menos particular, já que apenas uma minoria da população tinha condições de comprar um carro ou uma motocicleta. Foi através deste processo que se iniciou a luta dos professores e da comunidade em busca de melhores condições de ensino e da própria qualificação dos professores de Mata de Vara, o que deixava esta comunidade a mercê de uma educação isolada e segregada, inexistindo, portanto, o cumprimento dos direitos educacionais para os estudantes do campo conforma assegura a Constituição Brasileira de 1988. A falta de uma educação de qualidade era realidade presente, sem falar nos baixos salários que eram pagos aos professores, eram tão baixos que minha mãe se viu obrigada a entregar o seu cargo de professora e passar a ser comerciante, já que o salário não estava sendo suficiente para ela se manter e manter a família, além de ter que manter o transporte que utilizava para chegar até a escola (uma motocicleta antiga). Ressaltando ainda que os professores não recebiam seus salários em dia, minha mãe relata atrasos de sete a oito meses de trabalho anual, o que de fato contribui para uma educação de má qualidade e insatisfação profissional. Essa realidade só começou a mudar a partir do ano de 2000 com a construção da escola em prédio próprio e com a implantação da formação docente obrigatória para os educadores através de formação continuada, capacitações, concursos, etc. A busca por melhorias educacional na comunidade surgiu da própria necessidade de se ter no campo uma escola que ofereça aos camponeses uma educação de qualidade que os possibilitem ser como de fato são: brasileiros que vivem no campo em suas diferentes identidades. Agregado a isso estão as próprias mudanças pelas quais passa o nosso país, e o campo não fica de fora dessas mudanças inevitáveis e reais, pois falar do campo hoje é falar de um povo que luta por melhores condições de vida e que com certeza engloba-se nestas condições a educação, que deve ser fornecida dentro de uma visão ampla e democrática dentro do ponto de vista social (CALDART, 2004). 3.1 A História de luta por uma Educação Básica do Campo no âmbito Nacional Esse processo de luta por uma educação básica do campo e melhores condições de trabalho e formação dos educadores do campo, não é uma lutas apenas da comunidade de Mata de Vara, nem, do Nordeste, mas de todos. Entendemos um pouco esse processo lendo dados e observando o histórico da I Conferencia Nacional Por uma Educação Básica do Campo, onde demonstra um processo de reflexão e de mobilização do povo em favor de uma educação que leve em conta nos seus conteúdos e na metodologia, o especifico do campo. Ressaltamos que esse processo foi ainda iniciado no final do I Encontro Nacional de Educadores e Educadoras da Reforma Agrária (I ENERA), promovido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em julho de 1997, em Brasília, em parceira com diversas entidades, como a Universidade de Brasília (UNB), O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) e a Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Além de todos os problemas e descasos atrelados a educação do campo, encontramos uma dura realidade quanto à formação dos educadores que são descritas da seguinte forma no trecho abaixo: Também é ali que se concentra o maior número de professores leigos, que são mínimas as possibilidades de formação no meio rural e que, de modo geral, os programas de formação de professores, incluindo os cursos de magistério e os cursos superiores, não tratam das questões do campo, nem mesmo nas regiões em que parte dos futuros professores seguramente irá trabalhar nesse contexto, ou, se fazem, é no sentido de reproduzir preconceitos e abordagens pejorativas; e que, por extensão, praticamente inexistem praticas educativas vinculadas as questões especificas da realidade do campo.(KOLLING, NÈRY, MOLINA 1999, p.42) Neste âmbito, é grande o desafio para formar educadores e educadoras do campo que se tornem aptos a assumirem a identidade do campo, e ajudem a construir uma pedagogia de valores, onde os educadores do campo devem ser formados e titulados através de uma processo articulador em torno de uma proposta de desenvolvimento do campo e de um projeto político-pedagógico libertador para as escolas do campo. Cabe ainda alguns questionamentos a esse processo de formação dos professores, podemos perceber alguns nas palavras de Arroyo: Que professores darão conta dessa educação básica do campo? Como os cursos de formação de educadores vão viver intensamente a própria cultura do campo? Como estruturar um currículo de formação dos educadores que recuperem que mantenham vivas as raízes culturais? (ARROYO, FERNANDES, 1999, p.41-42). 3.2 Os cursos de formação de educadores e educadoras do campo no âmbito Nacional Os educadores do campo durante décadas frequentavam as escolas tradicionais tanto quanto os outros que seguiriam outras classes e profissões, pois não havia escola nem curso que especificamente os preparassem ou ofertassem uma educação com princípios e pedagogias voltadas para o campo. Ainda hoje prevalece esse tipo de formação, porém, essa realidade tem sido moldada, ainda que em passos lentos. Temos como referência nacional o Pronera, programa direcionado à formação de professores que atuam na zona rural, mas, que ainda não possui ensino superior, e visa a médio e longo prazo, proporcionar uma nova visão de educação direcionada ao campo, temos também o Procampo que é o Programa de Apoio à Formação Superior em Licenciatura em Educação do Campo - é uma iniciativa do Ministério da Educação e Cultura-MEC, por intermédio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade - Secad, em cumprimento às suas atribuições de responder pela formação de políticas públicas de combate às desvantagens educacionais históricas sofridas pelas populações rurais e valorização da diversidade nas políticas educacionais. O Pronera por ser o que chamamos de primeira política publica de Educação do Campo, vem como um novo paradigma que é de fato viável para os sujeitos do campo, que passam por mudanças e desafios diversos nos eixos sociais, culturais e políticos. De acordo com Arroyo (2007, p. 32) “a educação do campo exige por si só uma visão mais alargada de educação das pessoas, à medida que pensa a lógica da vida no campo como totalidade em suas múltiplas e diversas dimensões”. As escolas de formação de educadores e educadoras do campo terão que alargar as oportunidades de formação desses docentes, oferecendo novos espaços de formação continuada, já que eles, os educadores, podem ajudar a construir novas maneiras de estar no campo, dentre elas uma educação que oportunize e viabilize ao homem do campo condições e meios para “trazer o homem do campo à escola tendo nela sua permanência” fazendo assim valer e cumprir os seus direitos educacionais e sociais. Ainda para Arroyo (2007) aos educadores que atuam no campo acrescentam-se às suas preocupações, desafios ainda maiores, pois muitas vezes são tratados de modo preconceituoso. 3.3 Os cursos de formação de educadores e educadoras do campo frequentado pelos professores de Mata de Vara. No âmbito da realidade local podemos perceber a grande falta de políticas públicas voltadas para a formação de educadores do campo. Os professores da Escola Henrique Ferreira têm sua história de formação da seguinte forma: Frequentam a escola básica rural até o nível de escolaridade existente, e depois vão para a escola na zona urbana até chegar ao ensino médio como todos os outros alunos; Somente após estar lecionando é que entram na Faculdade (A Faculdade que detém a predominância de formação dos educadores é a UVA em parceria com a UNAVIDA, que foi implantada como pólo na cidade de Pedras de Fogo no ano de 2002) e cursam Licenciatura Plena em Pedagogia, mas, que de fato em seu currículo não abre espaço ou não se volta para a educação do campo, eu mesma sou participante deste processo; há também a Faculdade Centro Integrado de Educação e Pesquisa (CINTEP) que oferece cursos de formação para professores em concorrência com a UVA e o custo dos mesmos saem por um preço mais acessível; Depois de cursar Pedagogia a UVA ainda oferece cursos de especialização, mas, nada voltado para a educação do campo; A Faculdade CINTEP também oferece cursos de Especialização abrangendo áreas como Supervisão e Orientação Educacional, Gestão Escolar, dentre outros. Vale a ressalva que todos esses cursos são oferecidos de modo a serem pagos pelo próprio professor. Houve período em que a prefeitura local contribuía com 60% da mensalidade e o professor arcava com o restante, além de ter que pagar livros, apostilas e alimentação para ter que passar o dia todo na cidade, já que todos estes cursos são ofertados aos sábados. A prefeitura local arca ainda com o ônibus para transportar os professores da zona rural até a cidade nos dias de sábados dias em que os cursos são oferecidos. Não existe nenhuma universidade pública no município que ofereça esses cursos de forma gratuita, o que há é a Universidade Federal da Paraíba, que fica localizada em João Pessoa (distante em torno de 40 Km de Pedras de Fogo) e devido a demanda de alunos e professores que “disputam” uma vaga ser grande, os professores ficam a mercê dessas faculdades. Quanto a fazer um Mestrado em Educação a situação estreita-se ainda mais, pois, a concorrência e a disputa são imensas e o processo é dificíl, o que torna o educador do campo cada vez mais limitado e adquirindo a formação através da experiência e da prática envolvida na realidade campesina do dia a dia. Desta forma fica longe, a possibilidade dos educadores de Mata de Vara e de sítios vizinhos conhecerem e terem uma formação voltada para o campo com uma pedagogia que seja fruto de uma coletividade que descobre um passado comum e se sente artífice do mesmo futuro. Quadro resumo do tipo de formação dos professores de Mata de Vara Total de professores envolvidos na pesquisa: 6 Nível de formação acadêmica/profissional Professor com Ensino Médio -1 Professores com Graduação completa -1 Professores cursando Graduação em Pedagogia - 3 Professores com Pós-Graduação em Psicopedagogia -1 3.4 A pedagogia de formação para os educadores do campo A pedagogia de formação para os educadores do campo deve ser uma pedagogia mista que envolva e englobe ao mesmo tempo o movimento, a luta social, a organização coletiva, a terra, o trabalho e a produção, a cultura, a escolha, a história e a alternância de não cortar as raízes. A escola do campo tem que trabalhar com os interesses dos povos do campo como a política, a cultura a economia, dentre outros, e é para isso que deve está voltada a formação do professor da escola do campo, pois são esses sujeitos sociais que modificam o campo e sua realidade através das relações sociais. Desta forma, é preciso que a escola do campo defenda e se preocupe com a pessoa humana em todas as suas dimensões, que seja criada num ambiente educativo baseado na ação e na participação democrática. A educação do campo tem que ser oferecida de forma que propicie ao sujeito do campo continuar vivendo nele e acompanhar suas mudanças e transformações de forma ativa e participativa. Os currículos da educação do campo deveriam ser complementados de forma a adaptar-se a cada sistema educacional em suas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela, sendo o campo local propício para esta diversificação. 4. Os resultados da pesquisa A pesquisa procurou fazer, não apenas um diagnóstico do processo de formação dos professores da Escola Henrique Ferreira em Mata de Vara, mas, também um breve prognóstico sobre a influência que esse processo de formação direcionado ao campo terá na vida dos educadores. Para tanto, foi feito um levantamento das principais características dos professores da Escola Henrique Ferreira em Pedras de Fogo-PB Um dos fatores que nos chamou a atenção está no fato de que dos atuais seis (06) professores da escola em estudo, apenas um (01) é do sexo masculino e cinco (05) são do sexo feminino. Neste caso, o número de mulheres representa quase 84% do número de professores em exercício escolar, enquanto que apenas 16% é o percentual masculino que leciona na Escola Henrique Ferreira. Esses dados servem como confirmação, uma vez que, principalmente nas escolas campesinas, a grande maioria dos professores normalmente são mulheres. Fator marcante na pesquisa, na verdade, já esperado, é que a maioria dos professores entende que o termo educação do campo se refere ao fato da escola está situada no campo, e não em relação às políticas públicas de educação voltadas para a educação do campo. Outro dado encontrado por esta pesquisa se refere ao quesito idade. Quando foram realizadas as entrevistas em visita à Escola Henrique Ferreira, encontramos professores com idade 21 e 40 anos. Esses dados nos revelam que a educação campesina está passando por uma grande transformação, pois novas caras têm surgido, jovens se disponibilizado a ensinar. Hoje, mesmo nas áreas campesinas, já podemos contar com tecnologias encontradas nos centros urbanos e nossos professores precisam estar preparados para adquirir e repassar esses conhecimentos. Ao encontrarmos jovens do campo como educadores no campo, nos possibilita verificarmos que o orgulho e o compromisso com o campesinato estão se fortalecendo, pois o insumo intelectual precisa chegar ao campo, e somente com este diferencial a vida poderá ser mais digna a todos os sujeitos do campo. 5. Considerações Finais O objeto que se apresenta é uma proposta de pesquisa que pretendo terminar durante os próximos dois anos (2014/2015), para obtenção do título de mestre em educação pelo CE/ UFPB. Devido esse item de que trata o mesmo ser uma temática que é inerente a mim por fazer parte da educação do campo como pessoa, como mãe de alunas da educação do campo e como professora, me vejo com a responsabilidade de contribuir com a educação do campo em minhas pesquisas acadêmicas. Percebo que os educadores da escola do campo, ainda se encontram de certa forma “marginalizados” quanto à presença e desenvolvimento de políticas públicas que de fato estejam voltadas para o home do campo e neste meio está inserida à formação do professor que faz acontecer a educação do campo. Muitas são as pesquisas e os estudos voltados para a educação do campo, mas no âmbito da realidade nacional ainda ressaltamos que muito precisa ser feito, tanto pelos movimentos sociais como pelo poder público seja federal, estadual ou municipal. Posto isto, na condição de professora do campo, estudante e pesquisadora, estou investigando esse processo buscando contribuir para que os educadores do campo possam assumir os ofícios que lhes são conferidos e assumam a educação do campo como um processo de construção onde eles mesmos junto com os movimentos sociais, a cultura, a política, sejam autores e construtores de uma educação do campo humanista e libertadora. Cada vez mais o campo precisa de pessoas que além de suas raízes ligadas a agricultura, para que tragam e desenvolvam o lugar onde vivem, bem como ser capaz de adaptar-se as mudanças físicas, climáticas, econômicas, culturais e tecnológicas que vivemos no momento, e um dos meios pelos quais isto será possível é a educação. Portanto, é preciso que os educadores do campo venham adentrar as universidades, seja de forma a aperfeiçoar a sua formação, seja como objeto de pesquisa, dentre outros. É necessário que o campo seja visto como um lugar social histórico político, propício para o desenvolvimento do ser humano que ali vive, onde enquanto sujeitos têm lutado pelos direitos educacionais, na maioria das vezes sendo preciso até realizar conflitos ou movimentos que chame a atenção dos responsáveis pela oferta de educação que é um direto inerente a eles, o que dessa forma se constitui um desrespeito aos princípios constitucionais do direito a educação. Vale ressaltar que a educação do campo, assim como toda forma de educação, tem na sua forma indissociável e insubstituível a figura do professor, e este tem que ser preparado do ponto de vista pedagógico, histórico, social, cultural, humanista, político e emocional. É necessário que nós educadores e intelectuais de todas as áreas fortaleçamos essa luta, para que possamos ter uma educação do campo mais justa e humanitária, onde o direito constitucional seja assegurado mesmo que para isso precise ser requerido. Não podemos continuar seguindo currículos e metodologias que são pensadas e elaboradas para a educação urbana e implantadas no campo; não podemos nos calar diante da faltas de políticas publicas para a educação do campo e da falta de formação voltada para o educador do campo na sua especificidade. Nossas produções acadêmicas têm que visar à contribuição como um todo para a educação do campo na sua forma histórica e pedagógica, neste caso, tendo como foco principal o processo de formação dos educadores da escola do campo. A educação como direito humano é algo que deve ser garantido e cumprido de acordo com a legislação vigente em nosso país. Segundo Machado e Oliveira (2001, p.57) “além de ser um direito social, a educação é um pré-requisito para usufruir-se dos demais direitos civis, políticos e sociais emergindo como um componente básico dos Direitos do Homem”. É neste cenário de direitos humanos que a educação do campo entra como parte fundamental e imprescindível ao homem do campo. Referências Bibliográficas ARROYO, Miguel Gonzalez; FERNANDES, Bernardo Mançano- A educação básica e o movimento social do campo, Brasília, 1999. BENJAMIM, César; CALDART, Roseli Salete; Projeto popular e escolas do campo. Coleção Por uma Educação Básica do Campo. Brasília, 2000. CALDART, Salete Roseli. Educação do Campo. Disponível em:http://www.ce.ufes.br/educacaodocampo/down/cdrom1/pdf/ii_03.pdf. Acesso em: 11 de fevereiro de 2012. KOLLING, Edgar J.; NÈRY, Irmão; MOLINA, Mônica C.; (Org.) Por Uma Educação Básica do Campo(Memória) Brasília ,Editora Universidade de Brasília, 1999. SILVA, Ivanilson Batista da; LIMA, Maria da Luz dos Santos; Políticas Públicas da Educação no/do Campo: viabilidade ao longo do processo histórico. Artigo para o VI Seminário. PB, 2011.