Cefaleias Secundárias
Ana Claudia Heiras
Daniel Shuiti Igarashi Ueno
Prof. Dr. Milton Marchioli- Ambulatório de Cefaléia-Famema
Definição
Cefaleia que se apresenta pela primeira vez e possui
estreita relação temporal a um transtorno reconhecido
Quando suspeitar?

Dor de instalação súbita

Dor associada a transtornos neurológicos

Início após os 50 anos

Caráter progressivo

Associada a câncer ou imunosupressão

História recente de queda ou trauma de crânio

Dor relacionada a tosse ou esforço físico
Classificação Internacional das Cefaleias
 Cefaleia atribuída a trauma cefálico e/ou cervical
 Cefaleia atribuída a doença vascular craniana ou cervical
 Cefaleia atribuída a transtorno intracraniano não-vascular
 Cefaleia atribuída a uma substância ou a sua retirada
 Cefaleia atribuída a infecção
Classificação Internacional das Cefaleias
 Cefaleia atribuída a transtorno da homeostase
 Cefaleia ou dor facial atribuída a transtorno do crânio, pescoço, olhos, ouvidos, nariz, seios da
face, dentes, boca ou outras estruturas faciais ou cranianas
 Cefaleia atribuída a transtorno psiquiátrico
Cefaleia atribuída a trauma cefálico
e/ou cervical
 Pós-traumática, lesão em chicotada, hematoma intracraniano traumático, pós-craniotomia
 Vertigem, dificuldade de concentração, irritabilidade, alteração de personalidade e insônia
 Relação entre gravidade da lesão e gravidade da síndrome pós-traumática
Cefaleia atribuída a doença vascular
craniana ou cervical
 AVCi, AIT, hemorragia craniana não-traumática, malformação vascular não-rota, arterite, dor da
artéria carótida ou vertebral, trombose venosa cerebral
 Cefaleia com apresentação aguda, associada a sinais neurológicos e com remissão rápida
Cefaleia atribuída a transtorno
intracraniano não-vascular
 Hipertensão liquórica, hipotensão liquórica, doença inflamatória não-infecciosa, neoplasia
intracraniana, crise epiléptica
 Cefaleia relacionadas às mudanças de pressão intracraniana
Cefaleia atribuída a uma substância ou a
sua retirada
 Óxido nítrico, inibidor da fosfodiesterase, monóxido de carbono, álcool, aditivos alimentares,
cocaína, canabis, histamina, peptídeo relacionado com gene de calcitonina, uso excessivo de
medicamentos
 Desencadeadores ou ativadores da enxaqueca
Tratamento geral nas cefaléias
secundárias
Sempre baseia-se em eliminar o foco causador da algia, e
concomitantemente tratar os sintomas associados.
Para as cefaléias ► tratamento das crises.
ANALGÉSICOS:
•
Acetaminofen/Paracetamol (Tylenol) =atua
predominantemente inibindo a síntese de prostaglandinas ao
nível do SNC e em menor grau bloqueando a geração do
impulso doloroso ao nível periférico. A ação periférica pode
ser decorrente também da inibição da síntese de
prostaglandinas ou da inibição da síntese ou ação de outras
substâncias que sensibilizam os nociceptores ante estímulos
mecânicos ou químicos. Dose: habitual é de 0,5-1 g, a cada
4-6 h (máx. de 4 g/dia); dose de ataque 1 -1,5g
•
Dipirona Sódica (Doril, Anador, etc) = possui mecanismo de
ação central e periférico combinados. Dose: 0,5 – 1g, a cada
6h
- cuidado com excesso de analgésicos (> de 3 x por semana)
Tratamento geral nas cefaléias
secundárias
ANTIINFLAMATÓRIOS:
•
Ibuprofeno (Dalsy; Motrin) = atua inibindo a síntese das
prostaglandinas, apresentando efeitos antiinflamatório,
antipirético e analgésico. Dose: 400 a 800mg. Não exceder
3.200mg diário.
•
Nimesulida (Arflex) = inibe seletivamente a enzima
cicloxigenase-2, reduzindo a síntese de prostaglandinas
relacionadas à inflamação. Este modo de ação também
influi sobre a agregação plaquetária, causando inibição da
mesma. Dose: 100 a 200mg, com dose máxima de 400mg
dia.
•
Naproxeno sódico (Flanax) : a dose é de 275 – 550mg, sendo
que a dose diária não deve exceder 1250mg.
1) Cefaléia atribuída a infecção
intracraniana
•
CEFALÉIA ATRIBUÍDA MENINGITE BACTERIANA
Diagnóstico: Ao menos 2 das características =
1) Dor difusa
2) Intensidade aumentando gradualmente
3) Associada a náuseas, fotofobia e/ou fonofobia
- Evidência de meningite bacteriana no ex. LCR
-
Cefaléia aparece durante a meningite
-
Cefaléia desaparece dentro de 3 meses após cura da
meningite, ou persiste, mas ainda não se passaram 3 meses
da cura da doença.
Cefaléia é um sintoma-chave da síndrome meníngea (cefaleia,
rigidez de nuca e fotofobia)
Dor: estimulação direta dos terminais sensitivos das meninges
pela infecção bacteriana ( toxinas, mediadores da inflamação
– bradicinina, prostaglandina e citocinas)
Clinicamente: febre alta, cefaleia intensa, vômitos, rigidez de
nuca, indisposição, irritação, fraqueza.
CEFALÉIA ATRIBUÍDA MENINGITE
BACTERIANA
 Tratamento: eliminar a causa (bactéria) e tratar sintomas
Relembrando as principais bacterias:
Neisseria meningitidis (Meningococo) - Gram-negativa
Streptococcus pneumoniae - Gram-positiva
Mycobacterium tuberculosis - Bacilo não formador de esporos
Haemophilus influenzae - Gram-negative
1) Cefaléia atribuída a infecção
intracraniana
•
CEFALÉIA ATRIBUÍDA A ABCESSO CEREBRAL
Diagnóstico: Ao menos 2 das características =
1)
Bilateral
2)
Dor constante
3)
Intensidade aumentando gradualmente até moderada ou
forte
4)
Agravada pelo esforço abdominal
5)
Acompanhada de náusea
-
Neuroimagem e/ou evidência laboratorial de abcesso
-
Cefaléia aparece durante a infecção ativa
-
Cefaléia desaparece dentro de 3 meses após tratamento de
abcesso
Dor: compressão direta e irritação das estruturas meníngeas ou
artérias, e o aumento da PIC.
Agentes comuns: Estreptococos, Staphylococcus aureus, espécies
de bacteroides e enterobactérias, fungos, cisticercose.
Fatores predisponentes: infecções de seios paranasais, orelha,
mandíbulas, dentes ou pulmçoes.
Clínicamente: febre, calafrio, cefaleia, convulsões, manifestações
neurológicas focais, manifestações de hipertensão intracraniana
1) Cefaléia atribuída a infecção
sistêmica
•
Sintoma relativamente pouco importante. Infecções
sistêmicas: febre, mal-estar geral, sintomas sistêmicos.
Diagnóstico: Ao menos 1 das características =
1) Dor difusa
2) Intensidade aumentando gradualmente até moderada ou
forte
3) Associada com febre, mal-estar geral, ou outros sintomas
sistêmicos
-
Evidência de infecção sistêmica
-
Cefaléia aparece durante a infecção sistêmica
-
Cefléia desaparece dentro de 72 horas após o tto eficaz da
infecção.
Dor: efeitos diretos dos microrganismos e/ou febre ?
Tratamento: tratar a infecção e analgésico e anti-inflamatório.
1) Cefaléia atribuída a infecção
sistêmica
CEFALÉIA ATRIBUÍDA AO HIV – SIDA
Diagnóstico:
1) Cefaléia com modo de inicio, local e intensidade variáveis.
Em geral em peso e bilateral.
2) Confirmação da infecção por HIV por exames laboratoriais.
3) Cefaléia aparece um relação temporal estreita com a
fisiopatologia relacionada com HIV-SIDA
4) Cefaléia desaparece dentro de 3 meses após infecção
cessar
Dor: mecanismo associado ao próprio vírus e a infeções
secundárias.
2) Cefaléias atribuídas a
transtornos da homeostase
CEFALÉIA ATRIBUÍDA A HIPÓXIA E]OU HIPERCAPNIA
•
Ocorre dentro de 24 horas após o inicio agudo da hipóxia
com PaO2 < 70 mmHg ou em pacientes cronicamente
hipóxicos com PaO2 persistentemente neste valor ou abaixo
dele.
► Cefaléia das grandes altitudes
Diagóstico: Ao menos 1 das características
1) Bilateral
2) Frontal ou frontotemporal
3) Caracter em peso ou pressão
4) Intensidade fraca ou moderada
5) Agravada por exercícios, movimentos, esforço abdominal
ou tosse
- Ascensão a altitudes superiores a 2.500m
- Cefaléia aparece dentro de 24h após ascensão
- Cefaléia desaparece dentro de 8h após descer
Tratamento: a maioria responde a analgésicos e AINES
(paracetamol ou ibuprofeno)
2) Cefaléias atribuídas a
transtornos da homeostase
► Cefaléia da apnéia do sono
Diagnóstico: Ao menos 1 das características =
1) Ocorre em > 15 dias por mês
2) Bilateral, em pressão e não associada a naúsea, fotofobia
ou fonofobia
3) Cada cefaleia desaparece dentro de 30 minutos
-
Apnéia do sono demonstrada por polissonografia noturna
-
Cefaléia está presente ao acordar
-
Cefaléia cessa dentro de 72h, e não recorre após tto eficaz
da apnéia do sono
2) Cefaléias atribuídas a
transtornos da homeostase
CEFALÉIA ATRIBUÍDA A ENCEFALOPATIA HIPERTENSIVA
Diagnóstico: Ao menos 1 das características =
1) Dor difusa
2) Caráter pulsátil
3) Agravada por atividade física
4) Elevação persistente da PA para > 160]100 mmHg com pelo
menos 2 dos seguintes itens = confusão mental, redução do
nível de consciência, distúrbios visuais incluindo amaurose,
crises epilépticas.
- Cefaléia aparece com estreita relação temporal com o
aumento da PA
- Cefaléia desaparece dentro de 3 meses após tratamento
eficaz e controle da PA.
Encefalopatia Hipertensiva = quando a vasoconstrição
cerebrovascular compensatória não consegue mais prevenir
uma hiperperfusão cerebral à medida que a tensão arterial se
eleva. Aumento permeabilidade vascular – edema.
2) Cefaléias atribuídas a
transtornos da homeostase
CEFALÉIA ATRIBUÍDA AO HIPOTIROIDISMO
Diagnóstico: Ao menos 1 das características =
1) Bilateral
2) Não pulsátil
3) Continua
-
Hipotiroidismo confirmado laboratorialmente
-
Cefaléia aparece dentro de 2 meses após outros sintomas do
hipotireoidismo tornarem-se evidentes.
-
Cefaléia desaparece dentro de 2 meses após o tto eficaz do
hipotireoidismo
* Há uma preponderância feminina e frequentemente uma
história de migrânea na infância. A cefaleia não está associada
a vômitos e náuseas.
3) Cefaléias atribuídas a distúrbios do
crânio, pescoço, olhos, ouvidos, nariz,
seios da face, dentes, boca ou outras
estruturas faciais ou cranianas
CEFALÉIA ATRIBUÍDA A RINOSSINUSITE
Diagnóstico:
1) Cefaléia frontal acompanhada por dor em uma ou +
regiões da face, orelhas ou dentes
- Cefaléia e dor facial aparecem simultaneamente , com o
inicio ou exarcebação aguda da rinossinusite
-
Cefaléia e[ou dor facial desaparecem dentro de 7 dias após
tratamento bem sucedido
-
Clinicamente: pode incluir secreção nasal purulenta,
obstrução nasal, hiposmia/anosmia e/ou febre. A sinusite
crônica não é validada com uma causa de cefaléia ou dor
facial a não ser que ocorra uma agudização
OBS: A migrânea e a cefaleia tipo tensional são
freqüentemente confundidas com a cefaléia atribuída a
rinossinusite por causa da semelhança na localização da
cefaléia.
3) Cefaléias atribuídas a distúrbios do
crânio, pescoço, olhos, ouvidos, nariz,
seios da face, dentes, boca ou outras
estruturas faciais ou cranianas
CEFALÉIA ATRIBUÍDA A TRANSTORNA DA ATM
Diagnóstico: Dor recorrente em uma ou + regiões da cabeça
e/ou face.
-
Transtorno da ATM demonstrado por exames de raios X, RM
e/ou cintilografia óssea
-
Evidência de que a dor pode ser atribuída ao transtorno da
ATM, baseado em pelo menos uma das seguintes: 1. a dor é
desencadeada por movimentos mandibulares e/ou pela
mastigação de alimentos duros ou resistentes 2. redução da
amplitude ou abertura irregular da mandíbula 3. ruído em
uma ou ambas as ATMs durante os movimentos
mandibulares
-
A cefaléia desaparece dentro de 3 meses e não recorre
após tratamento bem-sucedido do transtorno da ATM
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