Terapia Cognitivo Comportamental
com Crianças
Rita Amorim
Psicóloga
Neuropsicóloga
8363-3210
[email protected]
Rita Amorim
Psicóloga e Neuropsicóloga
8363-3210
[email protected]
MÓDULO 1
1. O modelo Cognitivo-Comportamental
1.1. Primeiras influências
1.2. Modelos cognitivos clássicos - ELLIS E BECK
1.3. Princípios da TCC
2. Níveis de processamento cognitivo
2.1. Pensamentos automáticos
2.2. Crenças, Esquemas e pressupostos
2.3. Erros Cognitivos
2.4. Afeto, comportamento, pensamento
3. TCC na Infância
3.1. Princípios e Questões Norteadoras
3.2. Semelhanças e diferenças – TCC Adulto x criança
3.3. Aliança terapêutica
3.4. Fases de intervenção
A Terapia Cognitivo-Comportamental focada na criança é
uma psicoterapia amplamente utilizada nos dias de hoje
para uma variedade de problemas de saúde mental
apresentados por crianças.
Envolve uma adaptação dos procedimentos
psicoterapêuticos utilizados com adultos, a qual leva em
consideração o nível de desenvolvimento da criança
(Stallard, 2007).
1. Modelo cognitivo Comportamental
1.1 Primeiras influências na base teórica da TCC: Modelos:
SKINNER (1974):


Condicionamento operante 
relacionamento entre os antecedentes
(condições desencadeadoras) as
consequências (reforço) e o
comportamento
As consequências que aumentam a
probabilidade de um comportamento
são reforçadoras;
Comportamento é
afetado por influências
ambientais:
Alterar os antecedentes e as
consequências podem
resultar em mudanças
comportamentais.
BANDURA (1977) –
Reconhecimento do ambiente:
Destacou o efeito mediador das
cognições que intervêm no estímulo e
na resposta
A aprendizagem poderia ocorrer
pela observação de outra pessoa
e propunha modelo de:
Autocontrole com base na
auto-observação, na autoavaliação e no auto-reforço.
Aaron Beck
Papel das cognições
desadaptativas ou
distorcidas no
desenvolvimento e na
manutenção da
Albert Ellis (1962)
depressão
Lazarus (1966) –
Terapia Racional
Desenvolveu a Terapia
Emotiva delineou a
Multimodal.
ligação entre emoções
Propunha que a
e cognições.
cognição
Emoção e
desempenhava um
comportamento
papel primário na
surgem da maneira
mudança emocional e
como os eventos são
comportamental.
construídos
1.2 Modelos cognitivos clássicos - ELLIS E BECK
a. TERAPIA RACIONAL EMOTIVA (ALBERT ELLIS 1956)
TREC
REBT – Rational Emotive Behavior Therapy

Tem como pressuposto de que o modo como o pensamento
opera, determina o que sentimos.
P  S
MODELO ABC 
Propõe que qualquer determinada experiência, evento ou perturbações
emocionais (A) ativa crenças individuais (B), que, por sua vez, geram
consequências (C) emocionais, comportamentais e fisiológicas
Pressupostos de Ellis:
Ellis postulou que 12 crenças irracionais básicas, que tomam a forma de
expectativas irrealistas ou absolutistas, são a base do transtorno
emocional.
O objetivo da terapia é identificar crenças irracionais e, através de
questionamento, desafio, disputa e debate lógico-empírico, modificá-las
pelo convencimento.
No tratamento pela Terapia Racional Eemotiva, as crenças irracionais ou
disfuncionais serão desafiadas e o diálogo interno é reforçado por
métodos comportamentais como treinamento de habilidades e tarefas
de casa.
1. É fundamental para um adulto ser amado por todos e em relação a tudo o que faz.
2. Há certos atos terríveis e as pessoas que os cometem, deveriam ser severamente
punidas.
3. É terrível se as coisas não são como nós queremos.
4. A nossa felicidade é imposta a nós por fatores exteriores: pessoas e acontecimentos.
5. Se alguma coisa ou algo é perigoso e assustador devemos nos preocupar muito.
6. É mais fácil evitar do que enfrentar as dificuldades da vida e responsabilidades
pessoais.
7. A pessoa precisa confiar em algo forte e superior a si própria.
8. A pessoa tem que ser absolutamente competente, inteligente e bem-sucedido em
todos os aspetos da vida.
9. Se um acontecimento passado nos afetou, tem de continuar a afetar-nos.
10. A pessoa tem que ter um controle absoluto sobre todas as circunstâncias e
acontecimentos.
11. A felicidade humana pode ser alcançada através da inércia e da inação.
12. A pessoa não tem controle sobre as suas emoções e, portanto, não pode evitar
sentir-se de determinada maneira.
A B C
D (debater)

E

F
A = Situação ativadora / acontecimento mobilizador
B = Pensamentos ou crenças (racionais e irracionais)
C = consequências emocionais ou comportamentais
D = Questionamento das crenças irracionais
E = Uma nova filosofia efetiva (saudável) / novo efeito
F = Novos Sentimentos após modificação das crenças
Ex: João 7 anos, após tratamento de TAS com melhora há 10
meses, voltou apresentar sintomas de ansiedade na entrada e saída da escola (após quadro viral). (A) As sensações físicas de dor de “barriga” reativaram os
pensamentos disfuncionais (B) de que a mãe não estaria na hora da saída e
resultaram (C) na forma de comportamento de evitação e ansiedade.
A
B
Situação
ativadora /
aconteciment
o mobilizador
Pensamentos
ou crenças
(racionais e
irracionais)
Sensações de
dor de barriga
Minha mãe
não estará na
hora da saída
C
Consequênci
as
emocionais
ou
comportamen
tais
Evitação e
ansiedade
D
E
F
Questionamen
to das crenças
irracionais
Uma nova
filosofia
efetiva
(saudável) /
novo efeito
Novos
Sentimentos
após
modificação
das crenças
b. Modelo Cognitivo de Beck:
É uma abordagem terapêutica estruturada, diretiva, com metas claras
e definidas, focalizada no presente e utilizada no tratamento dos mais
diferentes transtornos psicológicos.
Seu objetivo é o de produzir mudanças nos pensamentos e nos
sistemas de significados (crenças) dos clientes, evocando uma
transformação emocional e comportamental duradoura, e não
apenas no decréscimo momentâneo dos sintomas.
Não é a situação (ou contexto) que determinam o que as pessoas
sentem, mas é o modo como elas interpretam (e pensam sobre) os
fatos em uma dada situação
Nessa concepção cognitivista, na psicopatologia será sempre considerada o:
resultado das crenças excessivamente disfuncionais ou de pensamentos
demasiadamente distorcidos que, em atividade, teriam a capacidade de
influenciar o humor e o comportamento do indivíduo - enviesando sua
percepção da realidade. (Beck e Freeman, 1993)
Redução dos sintomas significa  identificar crenças e pensamentos, e
posteriormente modificá-los.
Do princípio de que a cognição, função da consciência relacionada às
deduções feitas acerca das experiências de vida, é considerada o principal
elemento envolvido na manutenção dos transtornos psicológicos pela teoria
cognitiva de psicopatologia e psicoterapia, pode-se ressaltar que:
clientes com distúrbios psicológicos apresentam pensamentos
disfuncionais ou distorcidos.
O foco do terapeuta cognitivo-comportamental será obter mudanças
cognitivas através de uma avaliação realista da situação e da modificação
do pensamento, produzindo, consequentemente, uma melhora no humor e
no comportamento dos clientes.
A TCC considera a mediação cognitiva responsável pelo
gerenciamento do comportamento humano.
Este modelo é utilizado para:

Ajudar os terapeutas a conceitualizarem problemas clínicos e
implementarem métodos da TCC específicos;

Como modelo de trabalho, para direcionar a atenção do terapeuta e
paciente para as relações entre pensamentos, emoções e
comportamentos

Orientar as intervenções de tratamento.
J. Beck (1997) ressalta que a modificação de crenças disfuncionais refletira
em mudanças emocionais e comportamentais duradouras.
Modelo Cognitivo de Aron Beck  Propõe a Tríade cognitiva:
(pensamentos desadaptativos sobre o self, o mundo e o futuro)
que resultam em distorções cognitivas que criam afeto negativo –
pressupostos ou esquemas básicos (crenças) que ativam pensamentos
automáticos 
distorções ou erros lógicos, com mais cognições negativas sendo associadas
a um humor depressivo.
1.3 - Princípios da Terapia Cognitiva:
1.
Se baseia em uma formulação em contínuo desenvolvimento do paciente e
de seus problemas em termos cognitivos;
2.
Requer uma aliança terapêutica segura;
3.
Enfatiza colaboração e participação ativa;
4.
É orientada em meta e focalizada em problemas;
5.
Inicialmente enfatiza o presente;
6.
É educativa, visa a ensinar o paciente a ser seu próprio terapeuta e enfatiza
a prevenção de recaída;
7.
Visa a ter um tempo limitado;
8.
As sessões da TCC são estruturadas;
9.
Ensina os pacientes a identificar, avaliar e responder a seus pensamentos e
crenças disfuncionais;
10.
Utiliza uma variedade de técnicas para mudar pensamento, humor e
comportamento
Teoricamente as abordagens de TCC partilham da premissa básica
de que existe um processo interno e oculto de cognição, e
também de que a mudança de comportamento pode ser
mediada por eventos cognitivos.
A mudança cognitiva envolve a hipótese mediacional.
Ela pode não apenas ser o foco da intervenção, mas também servir como
indicador indireto de mudança cognitiva.
Dois principais indicadores de mudanças comportamentais são:
cognição e comportamento,
embora terapeuticamente, em algumas situações, tenha outros indicadores
como:
mudanças emocionais e fisiológicas.
MODELO COGNITIVO COMPORTAMENTAL
EVENTO
Preparando-se para ir
a uma festa
COMPORTAMENTO
Deu uma
desculpa e
evitou a festa
AVALIAÇÃO
COGNITIVA
(“não vou saber o
que dizer....
Vou parecer um
desajustado
Vou travar e
querer ir embora
imediatamente”)
EMOÇÃO
(ansiedade,
tensão)
Quais
Tipos de pensamentos?
Distorções cognitivas e pressupostos?
Tipos de crenças?
Comportamentos?
Na prática a TCC é:
É uma abordagem do campo das psicoterapias;
É um tipo de terapia “breve” que se completa (+-) entre 12 a 24
sessões, conforme estudos, a depender das necessidades do
paciente;
O foco central está baseado nos processos cognitivos (percepção,
representação, atenção, raciocínio e atribuição de significados);
É aplicada a uma gama de transtornos de humor e de ansiedade
(depressão, transtornos ansiosos como: pânico, fobias específicas,
ansiedade social, TAG transtornos de alimentação, dependência
química e terapia com familiares, conjugais e transtornos de
personalidades e psicoses)
e também com crianças e adolescentes individualmente e em grupo.
Os princípios básicos essencialmente construtivistas é de que
indivíduos não processam o real objetivamente, mas subjetivamente
atribuem a eventos, um significado muito próprio.
Isto explica o por que diferentes pessoas representam o mesmo evento
de diferentes formas .
O real é processado através de estruturas cognitivas, ou seja,
esquemas (que se desenvolvem ao longo da vida das pessoas com
base em momentos relevantes de vida), resultante em algo como se
fosse seu “software”, que é único e pessoal.
O resultado do
processamento
é a
esquemático que
representação do
ocorre no nível
real pela pessoa
memória implícita
ou inconsciente
Essa representação
emerge ao préconsciente em
forma de
pensamentos
automáticos
Determina a
qualidade e
intensidade das
respostas
emocionais e
comportamentais
Exemplo:
Se nos encontrarmos casualmente com um amigo que não nos
cumprimenta. Se pensarmos “ele não quer mais ser meu amigo”,
nossa emoção será tristeza e nosso comportamento será
possivelmente afastarmo-nos do amigo.
Mas, se pensarmos “oh, será que ele está aborrecido comigo?”,
nossa emoção será apreensão e nosso comportamento será
procurar o amigo e perguntar o que está havendo.
Ou ainda, se pensarmos “quem ele pensa que é para não me
cumprimentar? Ele que me aguarde!”, nossa emoção poderia
ser raiva e o comportamento, confrontaríamos o amigo.
Porém, diante da mesma situação, podemos ainda pensar “não me
cumprimentou... acho que não me viu”; e, nesse caso, nossas
emoções e comportamentos seguiriam inalterados.
Este exemplo ilustra:
Nossas interpretações, representações, ou atribuições de significado
atuam como variável mediacional entre o real e as nossas respostas
emocionais e comportamentais.
Para modificar emoções e comportamentos, intervimos sobre a forma do
indivíduo processar informações, ou seja, interpretar, representar ou
atribuir significado a eventos, em uma tentativa de promover mudanças
em seu sistema de esquemas e crenças.
Essas intervenções objetivam uma reestruturação cognitiva do paciente, o
que o levará a processar informação no futuro de novas formas.
FASES NA INTERVENÇÃO CLÍNICA – Papel do terapeuta:
1º.  Enfatiza-se a definição da estratégia de intervenção, ou seja, a
conceituação cognitiva do paciente e de seus problemas, a definição
de metas terapêuticas e do planejamento do processo de intervenção.
2º. O terapeuta objetiva a normalização das emoções
do paciente, a fim de promover a motivação do paciente para o
trabalho terapêutico e sua vinculação ao processo.
O terapeuta concentra-se no desafio de cognições disfuncionais, iniciando
os primeiros esforços com o paciente em resolução de problemas e
encorajando-o ao desenvolvimento de habilidades próprias para a
resolução de problemas.
3º. o terapeuta enfatiza a intervenção em nível estrutural,
ou
seja, promover a reestruturação cognitiva do
paciente, desafiando as crenças e esquemas disfuncionais.
4º. Fase de terminação capacitando o paciente, através de
estratégias cognitivas e comportamentais, à promoção e
preservação continuadas de uma estrutura cognitiva
funcional (prevenção de recaídas).
A intervenção cognitiva tem sido mais ampla no sentido em que o
terapeuta visa não apenas ajudar o paciente com suas
dificuldades históricas ou presente, mas visa,
transmiti-lo habilidades cognitivas para capacitá-lo a gerenciar sua
vida sem os prejuízos emocionais e comportamentais que o
paciente vinha experenciando.
Na prática, o terapeuta busca entender como interagem, na
vida do cliente em particular, 3 fatores:


O comportamento (o que a pessoa faz e como ela o faz)
As cognições (o que a pessoa pensa e sente, e como ela pensa e
sente)

As condições ambientais (como se estrutura e organiza o ambiente
no qual a pessoa vive).
À medida que o terapeuta compreende esta interação, ele elabora um
plano de intervenção para modificar ou corrigir a distorção ou
disfuncionalidade que produz o sofrimento.
A TCC é um procedimento que
exige alta flexibilidade e criatividade por parte do terapeuta, que deve
adaptar e ajustar seu plano de trabalho às condições específicas de
cada cliente, como se fosse um alfaiate, que corta a roupa para
ajustá-la às medidas do cliente.
MODELO DA TCC - TRANSTORNO
Ambiente/Evento/
Situação
(preparando-se para ir a uma
festa)
Comportamentos
Deu uma desculpa e evitou a
festa
Reações corporais
Taquicardia, sudorese, boca
seca
Crenças Disfuncionais
Pensamentos/Avaliação
cognitiva
“Não vou saber o que dizer......”
“Vou ficar perdido”, “Vou travar
e querer ir embora
imediatamente”
Emoções/
Sentimentos
Ansiedade / Tensão/medo
E também as interações complexas entre processos biológicos (genética, funcionamento de
neurotransmissores, estrutura cerebral e sistema neuroendócrinos), influências ambientais e
interpessoais.
No processo psicoterápico identificam-se três níveis de
processamento cognitivo:


O pensamento automático
As crenças intermediárias (que seriam regras, atitudes e présuposições desenvolvidas ao longo da vida do paciente); e

As crenças centrais (auto-imagem desenvolvida a partir de crenças
compostas por idéias rígidas, absolutistas e globais que a pessoa
tem sobre si mesma).
2. Níveis de processamento cognitivo
2.1. Pensamentos automáticos
2.2. Crenças, Esquemas e pressupostos
2.3. Erros Cognitivos
2.4. Afeto, comportamento e pensamento
Cognição: se refere a um sistema de alta complexidade que envolve eventos,
processos, produtos (atribuições) e estruturas cognitivas. Estas podem ser
entendidas como memórias e a maneira como a informação é representada pela
memória. É como percebemos e interpretamos as experiências.
Atenção consciente permite:
Atenção
 Monitorar e avaliar as interações com o meio ambiente;
 Ligar memórias passadas às experiências presentes;
 Controlar e planejar ações futuras.
Pensamentos Automáticos
Crenças:
cognições que passam rapidamente por
(idéias mais centrais da pessoa a
nossa mente estando em meio a
situações, ou relembrando
acontecimentos
(não estão sujeitos a análise
racional cuidadosa)
respeito do self)
Começam na infância e
representam a idéia sobre si
mesmo, sobre outras pessoas e seu
mundo.
Situação
2.1
Pensa
men
tos
Automáticos
PA
Minha mãe telefona e
Fiz besteira de novo
pergunta por que eu
Não tem jeito, nunca
esqueci do aniversário vou conseguir
da minha irmã
agradá-la
Emoções
Tristeza
e
Raiva
Não consigo fazer
nada direito.
O que adianta?
PENSAMENTO AUTOMÁTICO = é uma cognição alicerçada em auto-avaliações e autodirecionamentos, fora do alcance consciente, que operam automaticamente, de forma
particular e produzidos pelos esquemas.
Pensamentos automáticos (PA)
 Caracterizam-se por fluxo de consciência, julgamentos,
apreciações e/ou imagens sob qualquer perspectiva
temporal (passado, presente, futuro; Padesky, 1988)
 São específicos às situações, provados por motivações e
ligados à experiências emocionais.
 Pa(s) são em geral, diretamente acessíveis e facilmente
associados a sintomas e problemas infantis:
Pensamentos automáticos (PA)
 Depressão Infantil  caracterizada pela tríade cognitiva negativa
(A.T.Beck). Jovens deprimidos explicam suas experiência por meio de
uma visão negativa de si mesmos, dos outros, de suas
experiências e do futuro.
 Crianças ansiosas  superestimam a probabilidade e a dimensão
de perigo, negligenciam fatores de resgate e ignoram suas
habilidades de coping ou estratégias cognitivas comportamentais
conscientes e intencionais (Kendall).
Temem avaliações negativas, muitas vezes atribuem sintomas
corporais a algo estando catastroficamente errado com eles,
acreditando em morrer.
 Adolescentes com pânico  interpretam de modo equivocado as
mudanças corporais normais.
2.2. CRENÇAS CENTRAIS ou Nucleares (J.Beck)
São desenvolvidas na infância através das interações do indivíduo
com outras pessoas significativas (pais, irmãos e outros modelos
socializadores) e da vivência de muitas situações que fortaleçam
essa ideia.
Podem ser relacionadas ao próprio indivíduo, às outras pessoas ou
ao mundo. Geralmente, essas crenças são globais, excessivamente
generalizáveis e absolutistas.
Representam os mecanismos desenvolvidos pelas pessoas
para lidar com as situações cotidianas, ou seja, a maneira
como os indivíduos
percebem a si mesmos, aos outros e ao mundo, e ao futuro,
sendo esta percepção chamada de tríade cognitiva. A. Beck
et al. (1997)
 São entendimentos que são tão fundamentais e profundos que
as pessoas frequentemente não os articulam, sequer para si
mesmas.
 Essas ideias são consideradas pelas pessoas como verdades
absolutas, exatamente o modo com as pessoas “são”
 Por representarem o nível mais profundo das crenças da pessoa,
com frequência não são identificadas pelos paciente;
 Caracterizam-se por serem pensamentos globais, rígidos e
supergeneralizados;
 São ideias, não necessariamente verdades (verdadeiras)
 Sendo as crenças conteúdos construídos e aprendidos, é possível
revê-las desconstruir o que não é funcional e aprender
conteúdos mais adaptados e realistas
As crenças centrais, podem ser divididas em 4 crenças básicas
disfuncionais:
 Crenças de incapacidade: crenças sobre ser incapaz,
incompetente, ineficiente, falho, enganador, fracassado.
 Crenças de inadequação: crenças sobre ser inadequado,
defeituoso, imperfeito, diferente.
 Crenças de desamor: crenças sobre ser indesejável incapaz de
ser gostado, amado ou querido, sem atrativos, rejeitado,
abandonado, sozinho.
 Crenças de desamparo/inferioridade: crenças sobre ser
desamparado, necessitado, frágil, vulnerável, carente, fraco, não ser
bom o suficiente (ou seja, não chego à altura dos outros).
CRENÇAS INTERMEDIÁRIAS
Crenças que o indivíduo tem relacionadas a diversos aspectos da vida que
aparecem como pressupostos, regras e atitudes.
Elas não são tão rígidas e hipergeneralizáveis como as crenças
centrais.
Ex. de Pressuposto...
Se alguém tem uma Crença Central que diz:
"Não sou digno de ser amado“;
pode ter uma Crença Intermediária que oriente:
"Se fizer tudo que os outros querem, posso ser amado (Positiva). Se não
fizer, vou ser desprezado (Negativa)
Um exemplo de Regras:
"Deveria me auto sacrificar sempre" e, de atitude, "Vou me auto
sacrificar".
Esquemas
“Os esquemas, definidos como estruturas cognitivas que organizam e
processam as informações que chegam ao indivíduo.
São propostos como representações dos padrões de pensamento
adquiridos no início do desenvolvimento do indivíduo” (Beck,
1964, 1991).  (Representação das crenças)
Quando estão latentes os esquemas não estão participando do
processamento da informação e quando ativados canalizam o
processamento cognitivo do estágio inicial ao final.
O esquema funciona como uma espécie de filtro, que seleciona
as informações, assimilando, priorizando e organizando aqueles
estímulos que sejam consistentes com a estrutura do esquema, e
evitando todo o estímulo que não seja consistente com essa
estruturação.
“Esquemas iniciais desadaptativos: se referem a temas
extremamente estáveis e duradouros que se desenvolvem durante a
infância, são elaborados ao longo da vida e são disfuncionais em um
grau significativo”
Young (2003)
.
 São incondicionais, autoperpetuadores, resistentes à mudança;
 São disfuncionais de maneira significativa e recorrente;
 São ativados por acontecimentos ambientais relevantes para o
esquema específico;
 Estão ligados a altos níveis de afeto;
 Parecem resultar da interação entre o temperamento (inato) e as
experiências disfuncionais nas relações familiares e sociais nos
primeiros anos de vida.
Crenças / Esquemas Disfuncionais (desadaptativos)
Sou burro;
Sou uma farsa;
Nunca me sinto confortável com os outros;
Tenho de ser perfeito para ser aceito
Não importa o que eu faça, não vou ter sucesso;
O mundo é assustador demais para mim
Se eu decidir fazer alguma coisa, tenho de ter sucesso;
Sem uma mulher, não sou ninguém;
2.3 - ERROS COGNITIVOS:
É o processamento defeituoso da informação.
São padrões de respostas que perpetuam os pensamentos automáticos e as
crenças que os geraram. Todos cometemos alguns erros cognitivos em menor ou
maior grau.
1 – Generalizações: Frases do tipo “ Ninguém vai gostar de mim se...” ..”Todos
na festa me criticaram...” .” Aquilo sempre me acontece”...
Expressões do tipo, nunca, sempre, todos, ninguém, generalizam um
acontecimento.
De uma pequena parte, o indivíduo parte para o todo para justificar sua
crença.
2 – Pensamento dicotômico: Sem meio termo. “Nunca vou conseguir”. Ou 8
ou 80.
Entre o preto e o branco há várias tonalidades, mas esta distorção só permite o “
ou isto ou aquilo”.
3 – Leitura de pensamento: quando o indivíduo interpreta o que os outros
estão pensando baseado em poucas evidências reais.
Por exemplo: “Fulano não prestou atenção no que eu dizia porque minha conversa
estava aborrecida”... quando na verdade a pessoa em questão pode estar muito
preocupada com outra coisa.
4 – Ditadura dos deveria: “Eu tenho que...se não..” Os outros deveriam...”.
Criação de regras rígidas para si ou para os outros.
5 – Maximização do negativo: aumenta o que de ruim pode acontecer, sem ver
o todo. Foca no que se quer evitar. Catastrofização.
6 – Minimização do positivo: Reduz a importância das próprias
realizações. Geralmente o item 5 e 6 estão juntos.
7 – Abstração seletiva: Focaliza um detalhe e desconsidera os outros.
Exemplo: “Todos dormiram na minha apresentação”...quando de 50, somente 2
ouvintes dormiram
8 – Ruminação: Repete ideias perturbadoras mentalmente. Rumina diálogos,
eventos negativos sentindo-se impotente e sem quebrar o padrão
negativo.
9 – Personalização: O indivíduo se vê como o único responsável pelo que
acontece, sem levar em conta inúmeras variáveis. Uma certa
onipotência. “Ela terminou comigo porque não sou bom o suficiente”,
desconsidera os motivos alheios.
PENSAMENTO ADIANTADO: Tirar
conclusões a partir de pouca
informação. Não esperar para obter
todos os resultados ou as informações
de que você precisa.
OGRO
CAOLHO: Ver
coisas apenas
sob um ângulo
e ignorar todos
os outros
aspectos.
PROFETA DESASTROSO: Acreditar
falsamente coisas horríveis vão
acontecer com você com muito pouco
para sustentar suas ideias
PENSAMENTO ESPELHO DE
CIRCO: Quando você olha para si
mesmo, para outras pessoas ou para
o que lhe acontece, diminui o (+) ou
aumenta o (-)
PENSAMENTO TUDO-EU: Acreditar
falsamente que todas as coisas ruins
que acontecem com você ou com outras
pessoas são todas sua culpa
PRETO OU BRANCO: Ver as coisas
apenas de duas maneiras, como se você
fosse perfeito ou um perdedor
RÓTULO BESTA: Usar um rótulo
para si (“Eu sou ruim”) ou para os
outros (“Ela é uma bruxa. É tudo
culpa dela.”)
PENSAMENTO PEIXE GRANDE:
Acreditar em algo apesar de não haver
muito em que embasar tal ideia.
PENSAMENTO MÁGICO TRÁGICO:
Acreditar equivocadamente que vc sabe
com exatidão o que está acontecendo
na cabeça de outra pessoa, sem
verificar ou perguntar a ela.
PRISIONEIRO DO SENTIMENTO:
Usar seus sentimentos como a
principal referência para suas ações
e para seus pensamentos
PENSAMENTO
EXCLUDENTE:
Convencer-se de que
qualidades, sucessos e
boas experiências não
contam
REGRA DE MULA: Insistir
teimosamente que suas ideias
sobre como você, as outras
pessoas e o mundo deveriam agir
são as únicas coisas que estão
certas.
2.4 - AFETO – COMPORTAMENTO – PENSAMENTO (JUNÇÃO)
Sem a presença do afeto, a reestruturação cognitiva do paciente não
acontece.
Padrões de comportamento também retroalimentam a disfunção
emocional e cognitiva, e portanto tem que ser trabalhados.
Pensamentos automáticos, pressupostos subjacentes, crenças nucleares
e o impacto do humor na cognição combinam-se para configurar um ciclo
autoperpetuador observável em todos os transtornos
Objetivo da TCC  quebrar o ciclo que perpetua e amplifica os
problemas do indivíduo.
“PARA DESCONTRAIR”
3. TCC NA INFÂNCIA
3.1. PRINCÍPIOS E QUESTÕES NORTEADORAS
3.2. SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS – TCC ADULTO X CRIANÇA
3.3. ALIANÇA TERAPÊUTICA
3.4. FASES DE INTERVENÇÃO
Até 1980 – estudos de validação e eficácia na população
infantil eram praticamente ignorados;
Psicoterapia infantil – iniciou por meio da terapia
comportamental
A TCC infantil  começa a surgir às margens do
desenvolvimento da TCC com adultos
Paradoxo  como é possível psicoterapia cognitiva com
crianças se, para que haja psicoterapia cognitiva, é necessário
desenvolvimento cognitivo pleno?
1990 – (“a década do cérebro”  explode o conhecimento e
desenvolvimento do cérebro humano) e trouxe à tona a
diversidade cognitiva de crianças conforme suas faixas etárias.
Os mesmos conceitos aplicados à prática com adultos podem
ser utilizados na infância desde que devidamente
contextualizados.
Para isso, depende levar em conta, não apenas a idade da
criança, mas sua capacidade funcional cognitivocomportamental.
Crescimento e desenvolvimento do cérebro



Várias áreas do cérebro experimentam uma expansão
notável, especialmente aquelas áreas dedicadas ao controle
e a coordenação do corpo, das emoções e dos processos
do pensamento.
Durante a infância o desenvolvimento do cérebro se
desenvolve com mais rapidez do que qualquer outra
parte do corpo.
Aos 2 anos o cérebro já alcançou 75% do seu provável peso
adulto, aos 5 anos aumentou para 90%, aos 7 anos esta
totalmente desenvolvido.
Crescimento e desenvolvimento do cérebro

As crianças em idade entre 7 e os 11anos tem voracidade por
aprender, é capaz de focalizar sua atenção, a lembrar de
fatos interrelacionados, a dominar operações lógicas e a
utilizar vários códigos linguísticos.

Em consequências de todas essas mudanças, durante a
época de brincadeiras crianças não só reagem com mais
rapidez aos estímulos, como também adquirem melhor
controle de suas reações.
Crescimento e desenvolvimento do cérebro
Evolução do desenvolvimento infantil acontece mediante
a maturação e outros aspectos:
1. Maturação:
É
o
surgimento
de
padrões
comportamentais que dependem fundamentalmente
do crescimento do corpo e do sistema nervoso.
Ela é individual, influenciada por experiências únicas, pela
herança genética e do ambiente. Se espera que as pessoas
atinjam pontos de maturação em diferentes idades.
Crescimento e desenvolvimento do cérebro
2. Neurodesenvolvimento  complexa troca entre natureza e ambiente –
mudanças neuroquímicas, fisiológicas e neuroanatômicas que ocorrem
em resposta à experiência.
Diz respeito às mudanças nos processos de pensamentos que resultam
na capacidade de adquirir e utilizar os conhecimentos sobre
seu mundo
3. Aquisição de Conhecimento:  desenvolvimento da memória,
da percepção e julgamento, entre outros processos
cognitivos.
Fases do Desenvolvimento
Infantil segundo Piaget
Jean Piaget (1896-1980)
Período Sensório-motor (do nascimento até 2 anos):

Há um domínio de atividades sensoriais e motoras e não existe
ainda a linguagem e nem outras formas de representação.

Graças à repetição de ações reflexas, produz novas condutas e,
ao coordená-las entre si, começa a construir as primeiras noções
sobre os objetos

Estabelece as primeiras relações com as pessoas, especialmente
com a mãe, o que tem uma considerável importância para o seu
desenvolvimento cognitivo.
Período Pré-operacional (2-7 anos):

Nesse estágio, a criança passa a utilizar a intuição como
forma de pensar para enfrentar dificuldades, responder a
perguntas, encontrar soluções;

Começa a manifestar-se a imitação diferida, que é a
imitação de gestos ou comportamentos na ausência do
modelo
Período Pré-operacional (2-7 anos):

Desenvolvimento de um sistema representacional e usa
símbolos como palavras para representar pessoas e
lugares;

É capaz de pensar sobre ações e objetos que não estão
no seu campo visual.

Aparece habilidade de manipular símbolos
Período Operações concretas (7-12 anos):


O pensamento pode ser usado para resolver problemas reais;
Há maior capacidade para considerar o ponto de vista dos outros e
uma maior flexibilidade;

A criança ainda não possui repercussões de consequências futuras
das ações;
Período Operações concretas (7-12 anos):

Elas estão limitadas a pensar sobre as situações do aqui e agora

A capacidade de pensar de modo abstrato não se desenvolve até a
adolescência.

Sendo assim, encontra-se desenvolvido o Pensamento lógico, mas
não o abstrato;
Período Operações formais (12 anos até a idade adulta):

Apresentam pensamento abstrato, capacidade de hipotetizar
situações e pensar em possibilidades.
Desta forma, a criança é capaz de entender a lógica das coisas, mas
seu pensamento ainda possui várias limitações.

Ela ainda necessita de uma representação concreta dos conceitos,
em sua maioria abstratos, quando abordados em psicoterapia.
Neste sentido, conceitos tais como:
problemas, sentimentos (culpa, raiva, amor, tristeza, alegria,
etc), pensamentos distorcidos, virtudes, paciência,
generosidade, prudência, etc e outros,
necessitam ser concretizados
para que se tornem compreensíveis para a criança.
O desenvolvimento da infância e da adolescência (maturação) é
resultado de um complexo processo de interação entre fatores
biológicos, psicológicos e culturais que engloba a aquisição e o
aperfeiçoamento de várias funções cognitivas (percepção,
memória, resolução de problemas, metacognição, etc.) e sociais
(habilidades sociais, contato com os pares, etc.)
Grande parte das transformações no desenvolvimento
mental acontece nos 2 primeiros anos de vida e deve ser
compreendida em termos de modificações neurais. (Anderson,
2004)
A principal forma de adequar a linguagem da psicoterapia à
crianças é com metáforas (histórias capazes de simbolizar a
conflitava da criança) e o modo de intervenção nos
pensamentos.
Para isso pode-se utilizar conceitos através de brinquedos,
fantoches, histórias prontas de livros ou em quadrinhos
construídas juntamente com a criança, brincadeiras, desenhos,
explicações e exemplificações do terapeuta, leituras, role-play,
além de outros.
A fundamental diferença entre psicoterapia cognitiva de
adultos e de crianças é:
a capacidade do terapeuta em criar linguagens
capazes de acessar a criança e promover um ambiente
terapêutico propício ao desfecho do tratamento.
3.1 - QUESTÕES NORTEADORAS
A prática clínica com adultos ou crianças fundamenta-se na
suposição de que o comportamento visa à adaptação havendo
interação entre os sistemas cognitivo, afetivo, comportamental e
fisiológico do sujeito.
São as cognições, o modo como entendemos os fatos
que gerenciam e modulam as demais funções descritas como
manifestas de uma psicopatologia ou problema.
Assim, o trabalho com crianças enfatiza os efeitos gerados pelas
crenças mal-adaptativas expressas em suas emoções,
comportamentos e reatividade fisiológica.
3.1 - QUESTÕES NORTEADORAS
Beck, identifica 8 passos para se estabelecer um plano de
tratamento:
1.
Conceitualização do problema
2.
Desenvolvimento de uma relação colaboradora
3.
Motivação para tratamento
4.
Formulação do problema
5.
Estabelecimento de metas
6.
Educação dos pacientes sobre o modelo cognitivo
7.
Intervenções cognitivo-comportamentais
8.
Prevenção de recaída.
Passos esses igualmente aplicáveis à psicoterapia infantil
3.1 - QUESTÕES NORTEADORAS
Além desses princípios, Beck descreve outros importantes que referem-se
à estrutura das sessões.
1. Revisão das medidas de auto-informe ou auto-monitoramento
(os diversos inventários - que mensuram alterações de humor,
ansiedade, compulsões- os registros subjetivos que incluem a
mensuração individual dos eventos, da ativação das crenças e dos
esquemas;
2. Feedback com a sessão ou sessões anteriores;
3. Composição da agenda dos itens a serem tratados na sessão;
3.1 - Questões Norteadoras
4. Revisão das tarefas de casa e dos experimentos extra
sessão;
5. Tarefas relacionadas à reestruturação cognitiva, por
exemplo, uso do questionamento socrático, questionamento
de evidências, flecha descendente etc;
6. Roteiro de novas tarefas extra-sessão e de novos
experimentos (ex. preenchimento do RPD, exposições, etc);
7 . Resumo da sessão e feedback do desenvolvimento da
sessão de psicoterapia.
3.2
SEMELHANÇAS
E
DIFERENÇAS
TCC COM
CRIANÇAS X
ADULTOS
SEMELHANÇAS


É uma intervenção prática e baseada nas habilidades;
Seu estilo é colaborativa – criança e terapeuta trabalham juntos, em
parceria (a criança compreende suas dificuldades e descobre
estratégias e habilidades úteis);


É limitada no tempo;
O foco no problema e no aqui e agora oferece uma boa aproximação
com as crianças;
SEMELHANÇAS
Contrato comportamental – condições, exigências da
terapia, limite, tempo e sequência da terapia
Confidencialidade – combinar limites estabelecidos – clareza
quanto a quais informações serão compartilhadas e privadas
(negligência, abusos, drogas...);
Os experimentos comportamentais proporcionam formas
objetivas de ajudar as crianças testarem suas cognições –
promovem a auto descoberta facilitando a reestruturação
cognitiva;
SEMELHANÇAS

As sessões - formato padrão e flexível



Atualização dos sintomas;
Revisão das tarefas anteriores;


Definição da agenda;
Foco principal da sessão;


Revisão geral;
Feedback da sessão;
Tarefa de casa como elemento central da terapia – permite a criança
experimentar habilidades em contextos da vida
DIFERENÇAS
A intervenção é adaptada o nível da idade, necessidades
e capacitação do desenvolvimento da criança, suas habilidades
sociais e fluência verbal;
A criança tem capacidades, limitações, preferências e
interesses diferentes dos adultos;
A criança é trazida para tratamento pelos responsáveis, devido
a problemas que ela pode ou não admitir que tem e,
sem vontade própria;
Aliança Terapêutica  Triádica
Diferenças
Pais  Terapeuta  Criança ------ Escola e
Agentes terapêuticos fora do setting;
Não controlam o processo terapêutico:
Podem ser forçados a uma continuidade e assim temer a terapia (ex.
determinação de juizados de menores, escolas, pais...)
Pais têm um papel mais central  participação nas sessões podem ser
separadas ou em conjunto
Eles é quem decidem quanto ao início e encerramento do tratamento;
Recompensas: (envolvem as crianças, dirigindo ao que é importante e
ensinam a elas lembrar);
3.3 - ALIANÇA TERAPÊUTICA
A relação terapêutica é vista como fator determinante do
processo terapêutico, a qual pode facilitar o trabalho e a
possibilidade de atingir metas, caso se estabeleça num clima de
confiança e acordo harmonioso.
É uma oportunidade para que o cliente emita comportamentos
que lhe têm trazido problemas e, a partir da interação com o
terapeuta, aprenda formas mais efetivas de resposta
ALIANÇA TERAPÊUTICA
Base para bons relacionamentos terapêuticos positivos inclui:

Calor Humano

Empatia

Sinceridade

Confiança

Rapport (diálogo interno produtivo)
Base para bons resultados com a TCC, inclui:

Colaboração,

Descoberta guiada

Estrutura
ALIANÇA TERAPÊUTICA

O paciente também deve ser ativo fora da sessão como um:
observador (de si mesmo e do ambiente),
um repórter de experiências (relatando o que foi vivenciado) e
um experimentador (testando as hipóteses levantadas e praticando
os exercícios combinados).

Descoberta guiada
ALIANÇA TERAPÊUTICA
É um processo de aprendizagem primária em terapia cognitiva.
Pode ser dirigida verbalmente  através do questionamento
socrático, quanto através da experiência, auxiliando os clientes a
planejar experimentos os quais serão conduzidos dentro e fora da
sessão (ensaio mental, ensaio dramático e realidade).
Após, é feito pelo paciente o teste da nova possibilidade, fora
da sessão.
Com os ensaios anteriores, o paciente sente-se mais
seguro e preparado para esse desafio.
ALIANÇA TERAPÊUTICA

Estrutura
As sessões de TCC possuem um formato e um padrão de
como ocorrem.
A estrutura visa promover segurança, constância,
familiaridade e certo controle para o paciente.
O relacionamento entre o terapeuta e cliente dá-se assim
dentro de um molde o qual facilita a interação entre
ambos e a atitude ativa do paciente.
ALIANÇA TERAPÊUTICA


Colaboração
Terapeuta e cliente trabalham juntos como uma equipe 
conjuntamente escolhendo metas terapêuticas
construindo uma conceituação adequada de seus
problemas desenvolvendo planos para mudança.

Requer que ambos sejam ativos e interativos dentro do
relacionamento terapêutico.

Ambos dão e recebem feedbacks entre si
ALIANÇA TERAPÊUTICA

A curiosidade do terapeuta muitas vezes pode estimular a colaboração
dos jovens  a experimentação comportamental é dependente da
curiosidade

Revelar aspectos de suas vidas pessoais na terapia, desde que
apropriados, poderá aumentar o rapport com o paciente e definir o
terapeuta como um modelo

Aplicar as técnicas no contexto da estimulação emocional dos
pacientes quando pacientes estão experimentando emoções
problemáticas.
Desafio da TCC  fazer uso de momentos intensamente
carregados de emoções no presente
“Aprender com a experiência significa:
ser afetado pelo aqui e agora”
Encaminhamentos
Por:
Morder, gritar, chorar, destruir objetos, chutar e empurrar pessoas,
mentir ou roubar.
Dificuldades para fazer amigos, ser muito quietas, tímidas,
ansiosas, muito tristes ou agitadas.
Adoecer muito, não obedecer
aos pais, desenvolver obesidade
e ter encoprese e enurese noturna.
Ter dificuldades de aprendizagem e
nos relacionamentos familiar / escola, entre outros.
A criança embora tenha a capacidade de entender as
consequências e os sentimentos decorrentes dos
problemas, na maioria das vezes,
não consegue explicá-las de forma organizada para que o
terapeuta possa elaborar adequadamente o diagnóstico da
patologia e do problema além das comorbidades.
Terapeuta

Associar habilidades de controle a ações concretas  ajuda a
prestar atenção, a lembrar e a realizar o comportamento desejado

A ação na terapia deve ser estimulante  aumentar motivação

Avaliar questões sistêmicas complexas e elaborar planos de
tratamento adequado (tarefas fáceis, simples, significativas e
sensíveis ao nível de desenvolvimento)

O foco com a TCC  no interior de seu ambiente natural: família,
escola, amizades.
As crianças dentro de sistemas
como
família e escola
São orientadas à ações:
Como será então:
Revelar pensamentos e sentimentos a um adulto
??????

Faixa etária ao tratamento????
A partir dos 6 anos.
Nessa faixa de idade as crianças já possuem
sofisticada capacidade de representações mentais, de conceitos
mentais e de executar as funções psíquicas superiores de modo
integrado, destacando-se a capacidade de utilização de funções
metacognitivas, porém depende do complexo desenvolvimento
maturacional neuropsicológico previsto
para a idade.
(Gazzaniga e Heatherton)
Terapia comportamental cognitiva ou
Terapia cognitivo comportamental ?
3.4 Faixa de Intervenção conforme Idades
Motivos
Idade
0a
Baixa
3a
3a
Agressividade; hipersexualização (fatores
Capacidade Neuropsicológica
Restrita, baixa capacidade de
geralmente ligados a situações de negligência integração entre as funções
Média
8a
Alta
12 a
Base comportamental, treinamento de
pais
e abusos infantis); distúrbios do sono e
executivas.
distúrbios alimentares
Incapacidade metacognitiva
Item anterior + TDAH + comorbidades de
Um pouco menos restrita do que 3 a 6 a – mais centradas nos pais e
agressividade, e desafiador opositivo;
a faixa entre 3 a 6 a.
maior uso de técnicas
problemas de adaptação à escola e
De 6 a 8 a grande avanço das
comportamentais.
problemas de aprendizagem e interação
funções executivas
De 6 a 8 a, técnicas cognitivas
social
8a
Intervenção Clínica
comportamentais
A soma de todas as queixas anteriores com
Maior nível de sofisticação
Interv. cognitivo-comportamentais
frequência de transtornos de eixo I (DSM IV)
neuropsicológica, expressa por
adaptadas c/ jogos, desenhos,
principalmente envolvendo humor e
maior capacidade de
fantoches; forte aliança terapêutica
ansiedade
representação simbólica e
com pais e, se possível, com a escola
funções metacognitivas
A
Alta
Mesma recorrência das situações anteriores,
Grande nível maturacional
Técnicas cognitivas com menor
partir
mas com características mais próximas das do neuropsicológico apesar de
inserção de situações mediadas pelos
dos
adulto (adolescente) do que da criança
pais.
12 a
“instabilidades” típicas de faixa
de transição.
Até amanhã
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Pensamentos Automáticos