Boletim Nº1 2º CN/ISAF Contingente Nacional ISAF expresso do oriente dia de Portugal A Cerimónia militar teve início às 11h30, com a prestação da continência à AE, posteriormente a integração do Estandarte Nacional na formatura e a cerimónia aos mortos em combate, onde foram recordados, com elevado sentimento, os militares portugueses que tombaram ao serviço de Portugal, no Teatro de Operações do Afeganistão. O Comandante do CN, Cor Cav Fonseca Lopes, proferiu um discurso alusivo ao Dia de Portugal. O Dia de Portugal, de Camões e das Seguidamente foram entregues referências Comunidades Portuguesas, foi celebrado no Afeganistão com a realização de uma cerimónia militar presidida pelo BGen Victor Strimbeanu, Comandante do Kabul International Airport (KAIA). Estiveram ainda presentes o BGen Blotz, porta-voz da ISAF, vários “Seniors” de Contingentes que integram as forças da NATO, bem como Oficiais Generais do Afghan National Army (ANA), militares e civis portugueses que prestam serviço no Afeganistão. As Forças em parada, sob o comando do Cor Inf Para Carlos Pereira, eram constituídas por elogiosas às OMLT’s de Divisão e Guarnição 214 militares das 12 componentes do CN. pelo excelente rigor técnico e dedicação apresentadas na validação. Foram também distinguidos os vencedores de diversas actividades desportivas. Após a cerimónia militar, foi inaugurada a Sala de Honra do Contingente, com a assinatura do Livro de Honra por parte das Altas Entidades presentes. pagina 2 Portugal expresso do oriente Boletim 1 editorial “A União Faz a Força” Ao lançar o primeiro número do Boletim do 2º Contingente Nacional no Afeganistão, quero, na qualidade de Comandante do Contingente, dirigir uma mensagem de apreço e de estímulo a todos os oficiais, sargentos e praças que, em nome dos superiores interesses de Portugal, servem neste exigente Teatro de Operações com enorme profissionalismo e abnegação, atitude que honra o nosso País, os que nos antecederam e os que sacrificaram a vida ao serviço da pátria, dando um exemplo patriótico de disponibilidade para bem servir e de dignidade. O sucesso da nossa Missão será uma realidade de que nos devemos orgulhar, e que nos deve impelir permanentemente para fazer melhor, contribuindo para a reconstrução, formação e mentorização das Afghan National Security Forces. Com o espírito do soldado português retratado no artigo “PORTUGAL – UM ABRAÇO AO MUNDO” conquistámos a confiança, a credibilidade e a amizade dos militares afegãos mentorados, com a motivação e a entrega que nos caracterizam, devemos continuar a contribuir, à nossa escala, para a construção de um país mais seguro e mais estável. Aproveito, igualmente, para expressar uma palavra de reconhecimento a todos os obreiros deste Boletim que procuraram resumir parte do dia-a-dia vivido pelo Contingente, dando a conhecer algumas das nossas actividades além das que são exclusivas da nossa missão. No passado como no presente, os militares regem-se por preceitos de honra, de patriotismo e de ética, mas também de lealdade, de disciplina, de coragem, de competência e de altruísmo, pelo que, como Comandante do Contingente Nacional, pretendo testemunhar o elevado orgulho que sinto pela qualidade do seu desempenho no cumprimento das missões neste distante teatro de operações onde fomos chamados a intervir. Como tem sido timbre do nosso Contingente, exorto os oficiais, sargentos e praças, para que continuem a servir com dedicação, profissionalismo e espírito de missão as tarefas que nos foram confiadas, dignificando e honrando, assim, o bom nome de Portugal. “A União Faz a Força” Pedro Fonseca Lopes, Coronel de Cavalaria, Comandante do CN pagina 3 Contingente Nacional ISAF expresso do oriente .. opiniao indice Dia de Portugal Pág. 02 Editorial Pág. 03 Opinião Pág. 04 Notícias Pág. 06 Temáticas Pág. 11 Actividades das Componentes Pág. 16 Actividades Religiosas Pág. 24 Actividades Desportivas Pág. 27 Torneios Pág. 28 Aniversários Pág. 31 destaque PORTUGAL – UM ABRAÇO, AO MUNDO O ser e o estar português, espelhado nos militares que servem com brio e abnegação as causas pátrias, é a demonstração de uma predisposição intrínseca para procurar novos desafios, numa atitude de permanente superação, eivada de empreendedorismo e espírito inovador, que lhe permite ao mesmo tempo, descobrir e aprender, como forma de se adaptar às solicitações de toda a espécie e grandeza, independentemente de tecnologias, culturas, geografia, circunstâncias políticas ou sociais, conflitos armados e mesmo limitações financeiras e materiais. O militar português é flexível, adapta-se, ajusta-se, assume uma atitude construtiva perante as diferenças e adversidades sem se deixar afectar na qualidade do desempenho profissional. Demonstrações disso mesmo são os ecos honrosos da sua actividade operacional, em cenários geográficos tão distantes e em ambientes tão diversos, como na Ásia (Índia ou Afeganistão), no Sudeste Asiático (Timor), na costa ocidental de África (Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde), na DIA DE PORTUGAL, CAMÕES E COMUNIDADES PORTUGUESAS Página 2 ficha tecnica ‘ Director: Cor Cav PEDRO FONSECA LOPES Sub-Director: TCor Cav NUNO VITÓRIA DUARTE Chefe de Redacção: Maj SAR ANTÓNIO BORGES Redacção e Grafismo: SAj Cav VAZ BASÍLIO CAPA: SAj Cav VAZ BASÍLIO pagina 4 costa oriental da África Austral (Moçambique), no Médio Oriente (Líbano), no Extremo Oriente (Macau) ou mesmo na Europa, nomeadamente no Kosovo e na Bósnia. O conhecimento e acolhimento das culturas autóctones, são de extrema importância para o agir consonante, para o respeito dos padrões sociais e culturais. Não é necessário impor a identidade lusa, uma vez que pelo respeito se obtém o mérito de expresso do oriente ser respeitados: as diferenças tornam-se factor de enriquecimento mútuo; o convívio e o relacionamento tornam-se confiança. É com a naturalidade herdada dos antepassados, que tratamos como família culturas tão diferentes como os melanésios, as etnias africanas, os “Bantus”, os “Balantas” ou os Mandingas, os Índios da Amazónia, os hindus de Goa, Damão e Diu, os chineses e, mais recentemente, os Tajiques e Pasthum do Afeganistão, os Kosovares e os Bósnios nos Balcãs, os Palestinianos e os Libaneses no Médio Oriente e os Somális no corno de África. Como os factores geográficos e culturais, também os conflitos são diferentes e com distintos graus de risco, sejam operações de manutenção de paz, programas de cooperação e formação, cumprimento de resoluções das Nações Unidas. Todos exigem preparação física, psicológica e técnica específicas. A exigência a nível pessoal carece de ser completada, a nível moral, pelo reconhecimento das autoridades e dos portugueses em geral que garanta a motivação necessária para o cumprimento da missão. A facilidade de interacção das forças portuguesas com outras forças militares, com outras experiências e tipos de preparação táctica, técnica e tecnológica (americanos, ingleses, franceses e outros), permite-nos aferir o nível de desempenho no cumprimento das solicitações. Os padrões de exigência e qualidade, próprios da NATO, advêm da prática diária de procedimentos tácticos e técnicos, de todo o tipo de equipamentos: radiotelefónicos e radiotelegráficos, manuseamento e manutenção de viaturas e de armamento, o canal e apoio logístico, a recepção, tratamento, consultam e avaliação de informações, planeamento e execução de operações, cumprimento de protocolos de seguranças, relatórios e outros procedimentos, também eles importantes e vitais. A preparação humana e técnica para a guerra, não corresponde ao caminho para a agressão fácil, nem para a imposição de ideologias políticas e/ou vontades arbitrárias, nem, muito menos, para se invadir ou sobrepor a outros pela utilização da força, mas antes a preparação militar tem a ver com a defesa de valores Universais, como os que estão contemplados na Constituição da República e são consagrados à luz do direito internacional. Os militares agem em nome e em representação do País, dentro do direito internacional, no cumprimento dos tratados firmados pelo Estado Português, integrados nas Forças da NATO e das Nações Boletim 1 Unidas, salvaguardando sempre a Declaração Universal dos Direitos do Homem e da Vida Humana, a Segurança e a Paz Mundial, contra os perigos do terrorismo internacional e de outros atentados ao equilíbrio mundial e ao direito internacional, mesmo em espaços distantes das fronteiras da Terra Natal, como é o caso do Afeganistão. No contacto com culturas e organizações, recebemos e damos testemunho da nossa Universalidade, confiantes de que antes de qualquer sofisticação técnica, económica, financeira ou militar, o factor humano se sobrepõe a todas elas. O Homem/Mulher Militar Português domina de forma exímia, quase natural, esse factor e funciona como mais-valia para se ganhar a elevação, o respeito e a confiança mútuas, fazendo a diferença entre a despudorada guerra e o sempre difícil caminho para a almejada Paz. Tal como os nossos antepassados deram novos mundos ao Mundo e foram os pioneiros da circumnavegação, Portugal e os militares portugueses continuam actualmente a dar um Abraço ao Mundo, contribuindo generosamente na defesa do Direito Internacional, da Vida Humana e da Paz. Na mostra concreta da sua Humanidade, o militar português projecta Universalmente a sua cultura, sendo reconhecido em todos os teatros como referência social, ética e moral rumo ao Futuro. SAj Cav José Miguêns pagina 5 Contingente Nacional ISAF expresso do oriente noticias APRONTAMENTO EM IMAGENS pagina 6 expresso do oriente Boletim 1 TRANSFERÊNCIA DE AUTORIDADE No passado dia 17 de Abril, decorreu em CAMP WAREHOUSE, a cerimónia de Transferência de Autoridade (TOA) do Contingente Nacional no Afeganistão. O Cor Cav Pedro Fonseca Lopes assumiu as funções de Comandante do Contingente Nacional e de Portuguese Senior Representative no Afeganistão, em substituição do Cor Art António Salgueiro. A Cerimónia foi presidida pelo Comandante do Regional Command Centre, Brig Gen Servinç Sasmaz e contou com a presença do Porta-voz da ISAF Brig Gen Joseph Blotz, dos Seniors Representatives dos Contingentes instalados em Camp Warehouse, para além da presença de Oficiais Generais do Exército Nacional Afegão (ANA), que mantêm uma estreita relação com o Contingente português, fruto das acções de assessoria, mentoria e formação, que nos últimos anos se têm desenvolvido. O Cor Art António Salgueiro, no seu discurso de despedida, destacou “o desempenho de todos os militares que comandou” que “contribuiu positivamente para a reconstrução do ANA, para o restabelecimento da segurança e para o progresso social e económico do Afeganistão”. Por sua vez, o Cor Cav Fonseca Lopes enalteceu o extraordinário trabalho desenvolvido por todos os antecessores que muito contribuíram para o Bom nome de Portugal, no TO do Afeganistão, desejando um bom regresso para junto dos entes mais queridos. Dirigindo-se aos militares do actual Contingente exaltou as virtudes militares que devem pautar a conduta do Soldado e exortou para que, em conjunto, continuem a manter a dinâmica e o bom “nome” alcançados, em proveito directo das ANSF e, em sentido mais vasto, das FAP e de Portugal, fazendo jus ao lema do Contingente: “A União faz a Força”. Após a Cerimónia militar, várias entidades assinaram o livro de Honra do Contingente Português, ao que se seguiu um almoço de confraternização nas instalações do Contingente Nacional. pagina 7 Contingente Nacional ISAF expresso do oriente A CHEGADA DO CONTINGENTE NACIONAL AO AFEGANISTÃO Foi no passado dia 28 de Março que o primeiro voo de projecção chegou a Kabul transportando elementos do actual Contingente Nacional (CN) no Afeganistão, prontos para seis meses de Missão. Compreendendo o Comando e elementos das diferentes Componentes que o constituem, aterraram em KAIA Norte cerca de 100 militares do 2º CN, recebidos com grande entusiasmo pelo Comandante do Contingente cessante, Coronel António Salgueiro e por elementos do seu estadomaior. ELEIÇÕES LEGISLATIVAS - PORTUGUESES VOTARAM NO AFEGANISTÃO De acordo com alínea a) do art.º 79 da Lei nº 14/ 79 de 16 de Maio, civis e militares portugueses do Contingente Nacional FND ISAF, exerceram o direito de voto, entre os dias 24 e 26 de Maio de 2011. Vindo da Arábia Saudita, deslocou-se a Kabul (Camp Warehouse), o Dr. Rui Almeida, encarregado da secção consular da Embaixada de Portugal em Riade, para proceder ao acto eleitoral, por antecipação das eleições legislativas de 5 de Junho de 2011. Estiveram presentes em Camp Warehouse todos os militares portugueses que pagina 8 desempenham funções na área de Kabul, incluindo a componente da GNR que se deslocou de Wardak (cerca de 80 kms a sul de Kabul), com a escolta da Companhia de Protecção. Votaram 223 militares (214 CN/ FND/ISAF, 7 HQ/ISAF e 2 militares em serviço nas Nações Unidas) e 2 civis, com uma afluência de 98,7%. Para além do cumprimento das missões operacionais, foi com grande entusiasmo e elevada participação, que os militares portugueses também cumpriram o seu dever de cidadania. expresso do oriente Boletim 1 MINISTRO DA DEFESA NACIONAL COMUNICA ATRAVÉS DE VTC COM MILITARES NO AFEGANISTÃO No âmbito das comemorações do Dia do Comando das Forças Terrestres e da Brigada Mecanizada realizado em Santa Margarida, no dia 05MAI2011, sua Ex.ª o Ministro da Defesa Nacional Augusto Santos Silva esteve em contacto com os militares portugueses no Teatro de Operações do Afeganistão através de Vídeoconferência. O Comandante do Contingente Nacional Cor Cav Pedro Fonseca Lopes agradeceu em nome de todos os militares a oportunidade proporcionada. Começou por referir a importância do aprontamento conjunto realizado na BrigMec, que propiciou uma excelente preparação para encarar os desafios num TO tão exigente como é o do Afeganistão. Desde o início da missão, 17ABR11, data da TOA, que os militares portugueses têm cumprido com exemplar profissionalismo e extrema motivação as acções de mentoria, assessoria e formação aos militares do Afghan National Army (ANA). Fruto das características do povo português e do trabalho desenvolvido pelos anteriores contingentes, o Comandante do CN reconheceu a confiança e o prestígio que têm conquistado junto das autoridades afegãs e o excelente relacionamento existente. O Cor Cav Fonseca Lopes salientou que, neste momento particular, fruto da alteração do estado de segurança determinado pelo COMISAF, as acções de mentoria e de formação foram restringidas às actividades consideradas importantes, privilegiando sempre a segurança. Para terminar o Comandante do CN mencionou que todos os militares mantêm elevados índices de motivação e estão prontos para o cumprimento da missão em nome das Forças Armadas e de Portugal. pagina 9 Contingente Nacional ISAF expresso do oriente VASCO DA GAMA CHEGA À ÍNDIA... NO AFEGANISTÃO P a s s a d o s Mission quinhentos e treze Afghanistan (NTM-A) anos a sendo, uma equipa grandiosa chegada de formadores do da Kabul Air Corps após Armada de Vasco da Gama a Training Calecute (Índia), os (KACTC), – Center duas briosos Marinheiros, que orgulho o botão de âncora no equipas de formadores da servem a “ditosa Pátria minha peito. Combined Services Support amada” em terras áridas do A Força Nacional Destacada School (CSSS), uma equipa Afeganistão, fizeram questão no Afeganistão ao serviço da de formadores do Kabul de assinalar tão memorável NATO, integrada na ISAF, é Military ocasião, comemorando o Dia constituída por um comandante (KMTC), uma equipa de da Marinha, reunidos em de contingente, Célula de formadores da Afghan National ambiente de sã camaradagem Informações Militares (CIM), Police (ANP), uma equipa no em torno de um repasto digno duas Operational Mentoring Central Depot 0 (CD0), uma de nota. and Liaison Team (OMLT), equipa no Central Issue Facility Foi com sentida emoção que nove Equipas de formadores/ (CIF), se agregaram às festividades, Instrutores da NATO Training Intermediate Logistic Facility Training uma Center equipa no além dos Marinheiros no activo (ILF), em missão no TO, todos Afghanistan National Police aqueles não Distribution Centre (ANPDC) e pertencendo às fileiras da uma Unidade de Apoio; o que Marinha, envergam com perfaz um total de 215 militares, que, já uma equipa no dos quais 30 são da Marinha. pagina 10 expresso do oriente Boletim 1 tematicos A ARTILHARIA DE CAMPANHA SOVIÉTICA NO AFEGANISTÃO TCor Artª Francisco Setoca As forças Soviéticas invadiram o Afeganistão no Natal de 1979, com o 40º Exército equipado e treinado para a guerra convencional, baseada na manobra e no movimento. Chegaram para substituir um líder comunista ineficiente e não para combater a insurreição. Planearam estabilizar a situação, ocupar as guarnições e apoiar o governo afegão, enquanto as forças afegãs combatiam a resistência da guerrilha. Rapidamente a complexidade da missão colocou as forças soviéticas no combate aos insurgentes, nas montanhas e no deserto, um combate para o qual as forças não estavam treinadas nem equipadas. Tecnologicamente superiores, os soviéticos estavam treinados para confiar fortemente nos fogos de artilharia em massa e nos fogos de destruição, para quebrar as defesas de um inimigo em posições defensivas, antes de lançar o ataque. Os guerrilheiros Mujahideen não ocuparam posições defensivas em linha, nem sequer ocuparam posições determinadas no terreno, como era esperado. As forças soviéticas confrontaram-se com a necessidade de empregar um grande número de unidades de infantaria ligeira mas, para preservar os soldados e compensar a falta de unidades de infantaria, optaram pela utilização massiva do apoio de fogos. Foi uma política cara, ineficiente e indiscriminada, apesar dos combatentes soviéticos, com o decorrer da guerra, adaptarem as suas tácticas, treino e estrutura. As divisões soviéticas deslocaram blindados e artilharia para o TO do Afeganistão, incluindo a contrabateria, preparações de artilharia, fogos de interdição, fogos de área, fogos de supressão, iluminação do campo de batalha e fogos directos. Contudo, os resultados revelaram limitado valor frente às forças Mujahideen. As tábuas e procedimentos de tiro tinham sido desenvolvidas para o combate de grande intensidade, em terreno relativamente plano, para forças mecanizadas combatendo outras forças mecanizadas. Numa guerra diferente, com um terreno e inimigo diferentes, os artilheiros soviéticos manifestaram sérias dificuldades em destruir os objectivos: quando utilizavam os fogos de massa, o impacto no combate à guerrilha era muito reduzido. Com o desenrolar da guerra, os artilheiros desenvolveram novas técnicas e tábuas de tiro, inteiraram-se da nova tecnologia das munições guiadas de alta precisão, e descobriram as minas dispersáveis. Perceberam que os morteiros eram frequentemente mais eficazes para bater as cavernas e as dobras do terreno, os pagina 11 Contingente Nacional ISAF obuses eram mais vantajosos do que as peças nas montanhas, os sistemas lança foguetes múltiplos obtinham melhores resultados contra os Mujahideen, quando apeados. Tudo isto oferecia algumas vantagens tácticas, mas não uma vantagem decisiva neste tipo de guerra. A detecção de alvos que pudessem ser rapidamente batidos era um problema. Faltavam as informações tácticas atempadas, que permitissem identificar os objectivos e passar a informação aos sistemas de armas antes dos alvos desaparecerem. Cerca de 85% das forças soviéticas estavam envolvidas na segurança aos acampamentos, aeroportos, cidades, sedes de distrito, quartéis, depósitos e instalações do governo. Os Mujahideen efectuavam acções de fogo e consequente movimento antes da contrabateria soviética conseguir responder. O apoio de artilharia às operações ofensivas incluía o apoio geral, o reforço de fogos, pagina 12 a protecção de colunas de marcha, o ataque a áreas edificadas, as missões de interdição, a limpeza de áreas. As baterias de morteiros 82 mm foram muitas vezes atribuídas às companhias de infantaria, sendo particularmente bem aceites pelas forças de manobra. A artilharia efectuou também fogos de interdição ou campos de minas dispersáveis, de modo a isolar áreas habitadas, prevenindo a fuga ou o reforço das forças Mujahideen. Consequentemente as baixas civis eram elevadas, tendo as avaliações soviéticas recomendado o uso de munições guiadas de alta precisão, mísseis anti-carro guiados com ogivas de fragmentação e munições de artilharia com menor raio de acção para reduzir as baixas civis. A artilharia foi largamente empregue para proteger os movimentos das suas forças, as principais linhas de comunicação, os abastecimentos, o apoio de fogos e o acompanhamento. expresso do oriente CONCLUSÕES A liderança soviética teve necessidade de empregar a infantaria de forma agressiva para se empenhar contra os Mujahideen e prevenir a sua retirada, mas as decisões políticas, as responsabilidades de segurança e a estrutura da força não foram suficientes para as Unidades de Infantaria Ligeira conduzirem a sua ofensiva nas montanhas. A artilharia soviética tentou solucionar o problema, mas perdeu 433 peças de artilharia e morteiros no combate aos Mujahideen. O fogo sem a manobra não consegue ser decisivo. A vontade nacional dos Mujahideen e a sua capacidade de resistir foram decisivas. As forças soviéticas retiraram, após mais de nove anos de luta. O império em colapso e a catástrofe económica alimentou a decisão de não combater futuras contrainsurreições, a fim de se prepararem para a alta tecnologia utilizada na guerra convencional. Mas todas as decisões são condicionadas pelas contingências históricas, pelo que, pouco tempo volvido as forças soviéticas tiveram que combater de novo as guerrilhas no Tajiquistão, Azerbaijão, Geórgia e Chechénia. A doutrina militar russa reviu os ensinamentos da experiência e ajustou-se às novas envolvências da guerra, incorporando as lições apreendidas na guerra do Afeganistão e nas guerras de guerrilha. No decorrer da missão das Mobile Training Team, junto do 5º Kandak/ 2ªBrig/KCD, deparámos com algumas das peças e obuses soviéticos utilizados na guerra do Afeganistão. Após anos de estudo destes equipamentos e materiais utilizados pelo ex-pacto de Varsóvia, foi surpreendente poder contactar com alguns deles. expresso do oriente Boletim 1 AQUISIÇÕES NO TEATRO DE OPERAÇÕES - AFEGANISTÃO Ten Admil Horácio Ferreira SAj Cav José Miguêns As aquisições no Teatro de Operações (TO) do Afeganistão regem-se pela legislação que se encontra em vigor em Território Nacional - Portugal. O quadro normativo do Exército para as missões humanitárias foi construído com base nas orientações superiormente definidas pelo Ministério da Defesa Nacional (MDN): (1) após a aprovação governamental de determinada missão é efectuado um processo de estimativa de despesa para o respectivo período de duração, a submeter à consideração do Estado Maior General das Forças Armadas (EMGFA), para suporte das transferências orçamentais a efectuar, a posteriori, para reforço do Orçamento do MDN–Exército (OMDN-E); (2) o pagamento dos encargos decorrentes do aprontamento, projecção, sustentação e retracção da força, até à efectivação dos reforços ao OMDN-E para a respectiva cobertura orçamental, são suportados, em adiantamentos de tesouraria, pela Direcção de Finanças (DFin) às UEO envolvidas e consequentemente à Força Nacional Destacada (FND). Realização de despesas Para que o Contingente P o r t u g u ê s presente no Afeganistão consiga efectuar despesas é necessário o cumprimento das formalidades legais descritas no Regime da Administração Financeira do Estado (DecretoLei 155-92, de 28 de Julho), a saber: (1) Conformidade Legal; (2) Regularidade Financeira; (3) Economia, Eficiência e Eficácia (3E’s). A realização de despesas cujo montante exceda a competência do Comandante do Contingente Português (única entidade presente no TO com a competência subdelegada de realizar despesas) está sujeita a autorização a conferir pela entidade competente para o efeito, neste caso o Comandante da Brigada de Intervenção. Nesta perspectiva, independentemente do tipo despesa (corrente ou de investimento), quando o montante da despesa exceda a competência subdelegada, tornase necessária a remessa do processo de aquisição à Brigada de Intervenção, a qual promoverá a obtenção do correspondente despacho de autorização consoante o escalão de comando em que a adequada competência se insira. Paralelamente, no tocante ao cumprimento de formalidades legais no âmbito do processo de despesa, há que ter em consideração os procedimentos preconizados pelo Código dos Contratos Públicos (CCP): a.Ajuste Directo – regime simplificado: consulta até 3 fornecedores, para um montante até um montante de 5.000 euros; b.Ajuste Directo – regime geral: consulta de 5 a 10 fornecedores, para montantes até 75.000 euros no caso de bens e serviços e até 150.000 euros no caso de empreitadas e obras públicas; pagina 13 Contingente Nacional ISAF c. Concurso Público e Concurso Limitado por prévia Qualificação: publicação em Diário da República e no Jornal Oficial da União Europeia, para montantes até 125.000 euros no caso de bens e serviços e até 4.845.000 euros no caso de empreitadas e obras públicas; d.Negociação e Diálogo Concorrencial: não são considerados limites de montantes. Estes procedimentos têm como objectivo a melhoria da contratação pública, com maior exigência e controlo externo, sendo a maior novidade a aposta nas novas tecnologias de informação: introdução do procedimento através de meios electrónicos, desmaterializando o sistema clássico do papel, e contribuindo para o encurtamento dos prazos reais e legais. Estes procedimentos são importantes no TN e no TO do Afeganistão, onde o Contingente Português, no âmbito das despesas de funcionamento corrente, tem procurado facilitar a aquisição do material necessário, de forma a proporcionar a melhoria das instalações e das condições. Para além dos formalismos legais o factor humano é sempre determinante. Os Fornecedores A capacidade e facilidade de relacionamento humano tem constituído factor decisivo nas relações do dia-a-dia com os fornecedores locais e com as empresas internacionais, que garantem, cada um no seu âmbito, o necessário e decisivo apoio logístico à operacionalidade e bem-estar dos militares do Contingente Português. A longa história de conflitos, os acentuados limites ao nível de infra-estruturas e de apoios sociais, as graves lacunas e dificuldades em vários âmbitos, o espectro dos fanatismos e de pagina 14 expresso do oriente grupos terroristas, o rendimento per/capita de US $800 dólares1, fazem do Afeganistão um país onde escasseia, de forma geral, vários tipos bens, alguns dos quais essenciais ao bom funcionamento e articulação de uma sociedade. A aquisição dos materiais necessários para garantir a funcionalidade de uma força militar como o Contingente Nacional, é agravada pela escassa oferta, pela morosidade de obtenção e distribuição, pelo oportunismo dos fornecedores que inflacionam produtos, pela reduzida capacidade dos interlocutores na expressão em língua inglesa e, sobretudo, pelas enormes limitações da própria acção de prospecção. (Footnotes) 1 Site “New York Times” Estas adversidades são, repetidas vezes, contornadas e superadas pelo fomentar de relações amistosas, de confiança e de respeito com os fornecedores afegãos. O seu procedimento é consonante com a própria cultura e tradição, com elevados padrões de honra e de cumprimento da palavra, envidando todos os esforços para corresponder às solicitações. A cordialidade e disponibilidade demonstradas tocam o âmago e transformam a mera relação comercial em respeito, em consideração, em conhecimento mútuo, em relação amistosa e cooperante. Conclusões No TO Afeganistão os procedimentos para uma aquisição são similares aos efectuados em TN, sendo necessário o cumprimento das formalidades legais. A qualidade do relacionamento que se estabelece com os diferentes fornecedores (locais, empresas internacionais e outras forças da coligação internacional) é um factor decisivo, expresso do oriente Boletim 1 com considerável influência no processo aquisitivo. Deste modo as boas competências relacionais e sociais acabam por ser determinantes e preponderantes na sustentação da força. Não obstante as potenciais barreiras de foro cultural, linguístico, religioso, social, organizacional ou outras, uma vez estabelecida uma relação de confiança, de respeito e de consideração mútuas, todos os obstáculos tendem a esfumar-se. Como escreveu o Padre António Vieira, “a boa educação é moeda de ouro. Em toda a parte tem valor”. As FMTV (Família das Viaturas Tácticas Médias) - M1078 e M1083 Maj Inf Luís Rodrigues A rapidez com que as tropas em campanha se deslocam e se concentram é e será sempre um factor decisivo para o sucesso de qualquer operação. Para “fazer viver as tropas e alimentar o combate”, à Logística, como ciência de planeamento, execução de movimentos1 e sustentação2 de forças, cabe a missão de garantir os meios necessários para a concretização das operações. Os meios necessários devem, forçosamente, ser adequados ao Teatro de Operações (TO), sob pena de não cumprirem o que deles é esperado. No caso concreto do TO do Afeganistão, a obtenção de recursos, sustentação, contrato e execução de movimentos constitui responsa-bilidade nacional, pelo que se requer, entre outras, a capacidade de transporte 3. O CN/FND ISAF, para dar pleno cumprimento a esta responsabilidade, estabeleceu um protocolo com o Exercito dos Estados Unidos da América no sentido da cedência, a titulo de empréstimo, de duas viaturas blindadas de 2.5 e 5 toneladas. As viaturas em causa são baseadas nas australianas Steyr 12M18, embora consideravelmente redesenhadas. A viatura táctica média (MTV M1083–5 Ton 6x6) e a viatura táctica ligeira média (LMTV M1078–2.5 Ton 4x4) foram projectadas para transporte de carga e de pessoal com CPK (Crew Proteção Kit), sendo que 90% dos seus componentes são comuns. A M1078 Standard Cargo Truck tem capacidade de carga de 2500 Ton e, para facilitar a carga/descarga, os trilhos laterais da cama são montadas em dobradiças, podendo ser baixados. A plataforma de carga pode ser equipada com um kit opcional, banco de assento, para o transporte de soldados. O kit de lona e arcos está disponível para manter os soldados e a carga protegida. Pode ainda ser equipada com um guincho opcional operado electricamente e um kit de recuperação de auto-guincho, capaz de, à frente e a atrás, efectuar operações de recuperação de veículos. A M1083 Standard Cargo Truck tem uma capacidade de carga de 5 Ton e reúne características semelhantes à M1078. Esta série de veículos é fabricada pela BAE Systems Land e Armamentos, baseadas em chassis comuns, que variam de acordo com os requisitos de carga e missão. São veículos já testados no Iraque e, nos últimos anos, no TO do Afeganistão. Operam em estradas primárias e secundárias, trilhos e terrenos acidentados, em todas as condições climáticas. O facto de terem chassis comuns, reduzem significativamente a carga de logística e custos operacionais e de apoio. Novas aplicações estão a ser desenvolvidas, de modo a fazer face às novas exigências. São viaturas que incluem motores com garantia de uma Agência de Protecção Ambiental certificada. A chegada destas viaturas ao CN/FND pagina 15 Contingente Nacional ISAF expresso do oriente actividades das componentes OMLT’s - VALIDAÇÃO COM DISTINÇÃO Decorreu em 27 e 28MAI, 30 e 31 MAI11 a validação das Operational Mentor and Liaisom Team (OMLT) de Divisão e de Guarnição, respectivamente. A validação foi conduzida pela Entidade Certificadora da International Security Assistance Force (ISAF), Joint Commander (JC), e tem como objectivo certificar que as OMLT’s estão técnica e tacticamente preparadas para o cumprimento da missão a desempenhar no Teatro de Operações do Afeganistão. A validação decorreu em duas fases: 1ª Fase – documental, constou de um briefing à equipa de avaliadores, entrega de toda a documentação das várias áreas de Estado-maior e apresentação dos equipamentos individuais e colectivos de cada componente. 2ª Fase – prática, consistiu no acompanhamento das OMLT´s nas diversas acções de mentoria e assessoria aos militares do ANA. Fruto do grande profissionalismo, dedicação e rigor técnico apresentados, os avaliadores da IJC/ ISAF referiram que as OMLT’s portuguesas devem ser apontadas como um exemplo a seguir por todas as OMLT’s no TO. pagina 16 expresso do oriente Boletim 1 3ª HUDDLE DA OMLT D Os mentores da Kabul Capital Division (KCD) realizam quinzenalmente uma reunião de coordenação, com a designação de HUDDLE. Estas reuniões são presididas pelo Sénior Mentor da KCD, Cor Inf Para Carlos Pereira: Além dos mentores da OMLT D. conta ainda com a presença dos mentores dos Estados Unidos, Turquia, Grécia, Bulgária e dos civis americanos da DYNCORP e dos Depósitos de Material. A finalidade do HUDDLE é coordenar todas as actividades realizadas pelos mentores da KCD com particular relevância para os aspectos de cariz operacional e logístico ao nível das Brigadas e Batalhões. O 3º HUDDEL contou com a presença do Comandante do Contingente Nacional Cor Cav Fonseca Lopes, do Comandante do Campo de Black Horse e do Legal Advisal do KCD. DEBRIEFING DA OPERAÇÃO OMID 7 Decorreu em 30MAI11, em KHAK-e-JABAR o Debriefing da Operação OMID 7, com a presença do DCOM KCD, BGen KHAIR KHAWRI, Cmdt da 1ª Brigada, BGEN Zaheer, G5 da Divisão, acompanhados pelos Senior, SGM, G3 e G3 NCO Mentors, bem como pelo DCOM do RC (C). Esta operação foi realizada durante 21 dias em 5 Distritos Policiais da Província de Kabul. Foram empenhados na operação o 3º Kandak da 1ª Brigada, com um efectivo de 431 militares, 78 elementos da polícia e 27 do NDS. O objectivo e r a capturar material d e grupos d e insurgentes equipados com rockets e explosivos, com a intenção de efectuar ataques na Região de Kabul. Para esta operação encontrava-se em reserva uma Unidade de escalão Companhia (QRF com 120 militares), bem como 30 elementos da Policia e 10 do NDS. Após o debriefing tomaram da palavra o Governador da Província de Kabul, que deu os parabéns pela forma como pagina 17 Contingente Nacional ISAF expresso do oriente decorreu a operação, sem molestar os habitantes da região. O 2º Cmdt da Divisão e o DCOM da ANP, congratularam-se com o desempenho na operação, sobretudo pela grande coordenação entre as forças, sendo que os resultados alcançados foram bastante animadores. D is t r ib u ír a m -s e diplomas de apreço a entidades civis que colaboraram na operação, bem como aos militares e civis intervenientes. De seguida foi visualizado o material capturado, e servido um almoço nas instalações da polícia. Por último, através do DCOM RC (C) foi efectuada uma acção CIMIC com distribuição de artigos a anciãos seleccionados, que foram incumbidos de os fazer chegar às famílias mais carenciadas das suas localidades. DEBRIEFING DA OPERAÇÃO OMID 9 Em 051400JUN11, decorreu no TOC da KCD, O MGEN Cmdt da KCD relevou a concretização a apresentação do briefing da Operação OMID de 6 reuniões com os elementos da Policia de 9, efectuada pelo COS da 2ª Brigada, tendo Deh Sabz, o que permite um elevado nível de estado presentes elementos da ANSP e do coordenação entre as duas forças. Referiu NDS. também o desideratum de fazer com que o Esta operação será realizada em 3 Fases, por esforço das operações seja exercido e um período superior a 50 dias, no Distrito de Deh balanceado para locais de onde houvesse Sabz. informações quanto à localização de elementos Na operação serão empenhados o 2º Kandak insurgentes. da 2ª Brigada, com um efectivo de 675 militares, 145 elementos da polícia (apoiados por 31 mentores americanos) e 50 do NDS. Os objectivos estabelecidos pretendem capturar 30 a 40 insurgentes e 5 a 10 líderes intermédios, equipados com rockets e explosivos, com a intenção de efectuar ataques na Região de Kabul. pagina 18 expresso do oriente Boletim 1 WEAPONS INTELLIGENCE TEAM OPERATOR COURSE De 29 de Maio a 12 de Junho de 2011, dois elementos da 7ªOMLT.G frequentaram com sucesso o curso de Weapons Intelligence Team (W IT) Operator, que teve lugar na escola C-IED da ISAF, no RC(N), em Mazar-e-Sharif (a segunda maior cidade do Afeganistão). O conceito Weapons Intelligence (WI) possui um papel preponderante no combate à guerra de terror que tem flagelado a Comunidade Internacional nos últimos anos. Como parte integrante do esforço de Intelligence, baseia a sua acção na compreensão das tácticas, armas, equipamentos e habilidade técnica de grupos terroristas, relacionando-as entre indivíduos e organizações, auxiliando desta forma o combate ao terrorismo. O principal papel da WI é então reunir, organizar, avaliar e divulgar informações relativas à capacidade do inimigo no que diz respeito ao uso de armas – dos insurrectos, até à produção de relatórios. A segunda parte visa, essencialmente, colocar em o que inclui o uso de Improvised Explosive Devices (IEDs) – de uma forma precisa, completa, e em tempo, vinculando incidentes passados e prevenindo os futuros. O Curso WIT Operator visa formar os futuros operadores das equipas WIT, dotando-os com os conhecimentos necessários para investigar, reportar e analisar incidentes envolvendo qualquer tipo de armamento. Para atingir esse objectivo, o curso possui a duração de duas semanas, e é dividido em duas partes. A primeira parte, constituída essencialmente por aulas teóricas, aborda temas sobre áreas como o processo de informações, armamento, explosivos, electrónica, procedimentos de exploração de incidentes, t é c n i c a s avançadas de fotografia, análise forense, recolha de DNA e impressões digitais, tácticas prática os conhecimentos adquiridos, sendo necessariamente constituída por aulas práticas. Numa primeira fase os instruendos procedem à exploração de incidentes cenarizados, de forma a apurar a desenvoltura necessária para que, numa segunda fase, se ocupem da exploração de incidentes reais. De salientar que cada incidente explorado só fica finalizado com a produção do respectivo relatório e briefing, e consequente envio para o escalão superior de exploração WI. “The ability to focus attention on important things is a defining characteristic of intelligence.” Robert J Schiller pagina 19 Contingente Nacional ISAF expresso do oriente CERIMÓNIA DE ENCERRAMENTO DOS CURSOS MTT/LOG SCHOOL Em 01Jun11, realizou-se a cerimónia de encerramento e entrega de diplomas do Curso Básico de Informática e do Curso de Leitura e Interpretação de Cartas Topográficas Militares. A cerimónia foi presidida pelo Brigadeiro-General do Exército Nacional Afegão e contou com a presença do Cmdt do CN/ FND/ISAF, Coronel Pedro Fonseca Lopes, do chefe do “German Armed Forces Training Team CSS Log School” com a duração de 5 semanas para o Curso de Training Advisory Group” (GAFTAG) Cor Greygel e do Cmdt do 5ºKandak (Batalhão logístico do Afghan National Army – ANA) TCor Shamsaden. Esta iniciativa foi da responsabilidade da “Mobile informática e 3 semanas para o Curso de leitura de cartas topográficas. Receberam os diplomas 3 oficiais e 10 sargentos do ANA. KAIA E O DESTACAMENTO DO CONTINGENTE NACIONAL O Aeroporto Internacional de Cabul – KAIA (Kabul Afghanistan International Airport), localizado a 16 quilómetros do centro de Kabul, foi construído no início da década de 1960. Entre 1979 e 1989 durante a invasão soviética, o aeroporto ficou totalmente sob o controlo do Exército Vermelho. Em 1992, as forças Mujahedim assumiram o controlo, e posteriormente passou a ser controlado pelos Talibãs até 2001, aquando da chegada dos USA e aliados. A partir dessa altura, KAIA passou a ser utilizado unicamente pelas Forças Armadas dos EUA e da ISAF. Em 2002, após o fim das sanções das Nações Unidas ao país, as companhias aéreas civis voltaram a operar em simultâneo com as Forças Armadas. Neste sentido KAIA designa a parte militar do aeroporto, e KIA designa a parte civil. pagina 20 Actualmente, a parte militar do aeroporto reúne cerca de 5000 militares e civis de 47 nacionalidades, dos quais cerca de 360 são do género feminino. O comando de KAIA, assumido rotativamente entre as várias Nações, está entregue à Roménia, sendo portanto responsabilidade sua o policiamento através da International Military Police (IMP). A Quick Reaction Force (QRF) é constituída por militares dos Contingentes Belga e Búlgaro. Como qualquer Base desta natureza, KAIA é composto por diversas instalações que permitem a satisfação das necessidades dos utilizadores, sendo de destacar: O Hospital Militar, Role 3, que é da responsabilidade do Contingente Francês. Inclui também profissionais de saúde da República Checa e da Bulgária. Os Dinning Facility (DFAC1 e DFAC2) funcionam em regime self-service ou take-way, servem quatro refeições diárias. As refeições são do estilo americano / anglo-saxónico Instalações Religiosas – No centro da TentCity existe a igreja NKAIA Rally Point Chapre onde se pratica Roman Catholic, Protestant Contemporary, Angilian e Gospel. Existe também uma Mesquita ao lado do ginásio. As instalações Desportivas incluem Campos de Futebol, expresso do oriente Voleibol, Basquetebol e Ténis. Existe também um ginásio aberto 24 horas por dia, onde, para além da sala de treino cardiovascular e de musculação, são disponibilizas uma série de actividades, nomeadamente boxe, yoga, zumba, salsa, thai chi, krav Maga, Abdominais, etc. Instalações de Welfare onde é disponibilizado acesso à internet de forma gratuita. São também disponibilizadas outras actividades como ténis de mesa, snooker, matraquilhos, playstation e zona de filmes. Existem, adicionalmente, uma série de serviços / actividades que visam apoiar os militares aqui destacados, nomeadamente lavandaria, massagem, Px, bares, cabeleireiro, mercado afegão, aulas de inglês, entre outros. O Destacamento do Contingente Nacional (CN) residente em KAIA é, actualmente, constituído por 36 militares e inclui militares dos três ramos. Os militares estão instalados no edifício 405, ocupando 18 quartos (com 12 m2 de área). Um dos quartos foi adaptado para sala de Welfare permitindo aos militares portugueses ter um espaço de lazer e descontracção. Os 36 militares incluem 10 elementos da Companhia de Protecção, em regime de rotação semanal, cuja missão é assegurar a protecção e segurança aos militares residentes em KAIA. Asseguram diariamente os deslocamentos e a permanência, segura, nos locais de trabalho dos militares do Depósito 0 e do Intermediate Logistic Facility (ILF). Os restantes 26 militares distribuem- Boletim 1 se por três diferentes componentes, a saber: • A Força Aérea participa com uma equipa de 10 militares, de diferentes especialidades, sendo 4 oficiais e 6 Sargentos. Essa equipa, chefiada por um TenenteCoronel, constitui a Componente designada por Kabul Air Corps Training Center (KACTC). No âmbito da missão NTM-A, a equipa da FA integra a 738th Air Expeditionary Advisory Squadron, Esquadra Americana que mentora a escola da Força Aérea Afegã Pohantoon-e-Hawayee. No âmbito das suas atribuições, estes militares da FA desenvolvem e criam conteúdos programáticos para diversos cursos tanto nas áreas profissionais como de literacia, tentando permitir a criação de equivalências entre a formação ministrada na instituição e os graus académicos existentes na sociedade civil afegã. • 10 Militares do Exército e da Armada liderados pelo Major Vicente e que desenvolvem a sua actividade no Depot 0. Enquanto os dois Majores que integram a equipa têm por missão mentorar dois Oficiais Generais do Logistic Command, os restantes elementos encontram-se repartidos por várias áreas de actividade do Depot 0 (Depósito central de material para o Exército Afegão, com material de classe IX (sobressalentes), material de classe II (OCIE, fardamento e equipamentos individuais) e material de classe VII (artigos completos com especial incidências para viaturas e armamento). • 6 Militares da Armada liderados pelo Sub-Tenente Rabaça e que desenvolvem a sua actividade no ILF em prol da Afghan National Police (ANP). Estes militares actuam num complexo no qual se procede à recepção, verificação e armazenamento de vários materiais destinados à Policia para futuro fornecimento, criando-se cargas que devem ser conferidas e devidamente acondicionadas. Os militares do CN em KAIA têm procurado a plena integração, procurando contribuir para melhoria das condições do campo militar. Nesse contexto estão representados nas reuniões semanais do Comando de KAIA, nas reuniões mensais da NAMSA e do Moral e Welfare, bem como outros eventos. Conseguiram ainda oportunidades para dar a conhecer e partilhar com a comunidade de KAIA, algumas das preciosidades culinárias portuguesas. Em dois momentos foi possível confeccionar uma feijoada e carne de porco à Portuguesa, pratos que foram do agrado de todos os que os provaram e permitiram partilhar um pouco de Portugal com o mundo… pagina 21 Contingente Nacional ISAF expresso do oriente HAJA ALEGRIA NO TRABALHO! São sete da manhã. O contingente da Guarda Nacional Republicana no Afeganistão já está pronto e equipado. É apenas mais um dia de trabalho, para os quinze militares que integram o contingente internacional que presta apoio e mentoria àquela que irá ser a maior escola de formação da polícia afegã a nível nacional. Mas hoje, o dia é especial. É o primeiro dia de instrução prática de tiro. Além de constituir um passo fundamental na formação dos aspirantes a agentes da lei e da ordem pública, é também um grande desafio para o contingente internacional em termos de segurança e organização. Vários têm sido os acontecimentos que têm originado baixas junto do contingente internacional na NTM-A, especialmente, nas instruções efectuadas em carreira de tiro. São conhecidos os perigos, as dificuldades e os desafios em assegurar a integridade física de instruendos, instrutores e mentores, num ambiente onde circulam armas municiadas nas mãos de recrutas com apenas algumas semanas de instrução. Mas em Wardak a situação é especial. A carreira de tiro - que não está concluída - fica fora das quatro paredes do quartel, e não tem vigilância durante a pagina 22 noite, o que implica uma preocupação adicional com eventuais engenhos explosivos especialmente preparados para receber o contingente internacional. Coluna de marcha e inicia-se o deslocamento em segurança para o local. A carreira de tiro do National Police Training Centre fica incrustada no sopé do monte que rodeia o vale de Dashtatoop, a Norte tem o Centro de Formação e a Oeste é ladeada pela Ring Road. A conspecção do local encerra um misto de sensações, a imponência do vale em oposição à exposição e ao perigo que o local encerra para as nossas forças, deixa-nos circunspectos e apreensivos. - Ahhh…que bem que se está no campo! - Exclama um mentor mais afoito a querer espantar o ambiente de inquietação e austeridade que sente. Explicados os procedimentos de segurança, os locais de abrigo – caso haja mais uma saraivada de rockets – e distribuídos os mentores e instrutores pelos recrutas, dáse início à instrução. O plano de execução desenhado pelo Capitão Cajan - Oficial da Polícia Militar Checa - demonstra na prática as suas virtualidades em termos de segurança e eficiência, assegurando um desenrolar rápido mas seguro da instrução. Os resultados são impressionantes, os alunos obtêm para quem nunca tinha disparado com uma armaautomática classificações muito positivas. Talvez o sangue que lhes corre nas veias já tenha adquirido o sabor do metal que largam em direcção ao alvo, afinal são descendentes de diversas gerações de guerreiros e a AK47 deve fazer parte do enxoval. Finda a instrução, regresso ao quartel para a habitual CocaCola com o chocolate ocidental. É altura de libertar os fantasmas e dar umas gargalhadas sob o pretexto de mais uma missão cumprida. Mas o tempo passa a correr e é altura de ir preparar a próxima instrução. Afinal, já são dez da manhã! OF1 Carlos Coelho Public Relations Officer expresso do oriente Boletim 1 CRONOLOGIA DA CONSTRUÇÃO DO NSE PORTUGUÊS NO ISAF HQ Por ocasião da visita do Almirante CEMA em 2010 surgiu da necessidade de se criar um espaço português no ISAF HQ. Em Janeiro de 2011 o projecto foi enviado para o comandante do Contingente português. 11Fev11 - Aceitação do posicionamento da construção por cima do NSE grego (reunião no Base Support Group com o representante Grego) 16Mar11 – O Comandante de Contingente aceita a proposta mais económica de orçamento (2 contentores (ship containers) e construção em administração directa) 26Mar11 AM – Reforço das bases do NSE Grego (trocaram-se as sapatas existentes por umas mais resistentes), Colocação dos contentores e da escada 28Mar11 – Reposicionamento do terraço do NSE Grego 02-10Abr11 – Construção dos acabamentos interiores e primeiro jantar dentro do NSE. Colocação do isolante e forro de madeira, efectuada a montagem da instalação eléctrica, iluminação, canalização, aparelho de ar condicionado e antena parabólica e pintura do exterior. 11Abr11 – Instalação da mobília 12Abr11 – Últimos retoques na pintura e Inauguração. A cerimónia de inauguração foi presidida pelo Comandante do Contingente Português, Coronel Salgueiro. Durante a cerimónia foi içada a Bandeira Nacional, descerrada uma placa e efectuados os respectivos discursos da praxe, tendo o Capelão do contingente abençoado o espaço e as pessoas presentes. Mai11 – Colocação do chão, Instalação do bar, colocação do lava-loiça com a pedra, Instalação da vitrine, mapa de Portugal em madeira e colocação das Bandeiras. No terraço efectuaram-se os seguintes trabalhos: completamento do terraço, construção da cobertura, colocação da rede e dois bancos de madeira. Jun11 – Colocação do chão de madeira no terraço e instalação de uma placa na fachada do NSE com o símbolo da Bandeira Nacional. No dia 10 de Junho de 2011, Dia de Portugal, estava tudo pronto. pagina 23 Contingente Nacional ISAF expresso do oriente actividades religiosas CERIMÓNIA DE HOMENAGEM AOS MORTOS EM CAMPANHA Todos os dias 18 de cada mês, o 2º Contingente Nacional ISAF realiza uma cerimóniaaos mortos, em memória daqueles que no Teatro de Operações do Afeganistão deixaram a sua vida, em nome da Pátria TRÍDUO PASCAL Coincidiu com a primeira semana após o TOA e com o início da missão do actual Contingente Nacional no Afeganistão. Somos um país do extremo da Europa, mas temos uma alma universal e uma criatividade cujos limites tocam o céu. A unidade dános força. O Alto inspira-nos, potencia as nossas energias e eleva-nos. E nós, unidos, vencemos dificuldades e elevamos o mundo. Foi o que aconteceu no Tríduo Pascal. Na quinta-feira Santa a participação numerosa dos militares fez-nos celebrar não na Capela Portuguesa, mas no campo de jogos. Não houve lugares sentados. A vivência do momento tocou o infinito, num sinal da prontidão para servir. Fizemos memória da Instituição da Eucaristia e da disponibilidade para caminhar em espírito de doação. pagina 24 Na sexta-feira Santa percorremos o caminho sagrado de Jesus para o Calvário e reconciliamo-nos com o passado e com os momentos menos felizes da nossa existência. Foi um momento forte de interiorização e reflexão, com a cruz de Cristo e da nossa existência a passar de pessoa para pessoa. No dia de Páscoa, ao fim da manhã, foi o momento da celebração solene da Ressurreição, com bênção do fogo e acendimento do Círio Pascal, bênção da água, aspersão e entronização das imagens que vieram de Portugal. Toda a liturgia teve a animação do coro. Viveu-se a alegria da Páscoa na expressão da unidade desta nova família do Contingente Nacional, que a circunstância da missão no Afeganistão quis juntar. No mesmo dia de Páscoa, da parte da tarde, teve lugar a Visita Pascal ou Compasso, com a bênção dos militares e das instalações de Camp Warehouse. Segundo as tradições do norte de Portugal, houve partilha de mimos gastronómicos de diversas regiões do país e salutar convívio à volta da mesa. As celebrações do Tríduo Pascal induzem à reflexão, à revisão de vida, à redescoberta da matriz cristã, à renovação, à fortaleza, à sabedoria. O mundo carece de pessoas ressuscitadas, vencedoras do ódio, lutadoras contra a maldade, com espírito positivo, com uma humanidade viva e pró-activa para transformarem as circunstâncias da existência em oportunidades de crescimento e de promoção da vida com mais qualidade. Houve Páscoa em Camp Wharehouse. expresso do oriente Boletim 1 CAPELA PORTUGUESA EM CAMP WAREHOUSE - IMAGENS Os registos fotográficos, para além das considerações artísticas e estéticas, contêm um componente mnemónico, que faz reviver momentos, espaços, pessoas ou outros aspectos julgados de interesse. É neste enquadramento que se entendem as estátuas, imagens e representações artísticas que embelezam os espaços sagrados. Deste modo, as imagens pretendem reconhecer, homenagear e tornar vivas pessoas, formas de lidar com adversidades, modos de existir… que constituem referência da história para os que agora vivem o presente e constroem o futuro. Não são um fim em si mesmas, não são divindades com poderes telúricos, mas invocam pessoas, valores, mensagem, exemplo, feitos, orientação, afectividade… O objectivo e a devoção a elas votadas é catequético, doutrinal, didáctico, orientador, motivador, incentivador da busca de outros horizontes, de novas abordagens da realidade, de perspectivas inovadoras que conduzam o crente a uma constante superação de si próprio, numa peregrinação interior para o encontro com Deus. Este encontro vital faz emergir sentido, força, energia, coragem, tenacidade, perseverança, arrojo. As pessoas que as imagens representam foram objecto de escrutínio rigoroso, paulatino, apurado, de modo que não restassem dúvidas quanto ao seu conteúdo, ideal, virtude, perseverança, determinação… E os estudos são completados pelo componente da intercessão junto de Deus em favor dos humanos, nas suas lutas contra a doença, contra as adversidades, contra as angústias, contra todo o tipo de problemas que podem afligir ou perturbar a existência. No dia de Páscoa o Contingente Nacional benzeu e entronizou três imagens na Capela Portuguesa. Cristo Ressuscitado, que se eleva da cruz como Salvador, que faz vencer a vida sobre a morte, a alegria sobre o choro, a esperança sobre o desânimo, o positivo sobre o negativo, a saúde sobre a doença, a luz sobre as trevas, o perdão sobre a ofensa, o bem sobre a maldade, o amor sobre o ódio, a paz sobre a guerra, o cosmos sobre o caos. Nossa Senhora do Ar, padroeira da Força Aérea, guia para o encontro com Cristo e com os homens, protectora com o seu manto maternal, intercessora primeira das causas humanas. São Nuno de Santa Maria, condestável do reino, militar como nós, que nas batalhas que travou e orientou sempre quis escutar o Alto e trabalhar o seu interior. É para nós modelo, entre outras coisas, porque acompanhou a coragem com a inteligência, a determinação com os valores, o vigor físico com a humanidade, o conhecimento com boas práticas, a argúcia com a humildade, as competências técnico militares com a arte de saber viver com generosidade. Os feitos que este homem tão nobremente lavrou nas páginas da história nacional, tiveram a montante a sustentação da fé, que o norteou e impulsionou a gerir os recursos pessoais, humanos e financeiros de forma disciplinada, rigorosa e ajustada aos obstáculos a superar. Nossa Senhora do Ar e São Nuno de Santa Maria são para nós, militares do Contingente Nacional no Afeganistão, intercessores e protectores porque exigem o melhor, o mais nobre, o mais elevado. O mérito não é gratuito, mas brota sobretudo da exigência pessoal e da nobreza de carácter, características dos nossos modelos. Que estas referências de vida nos inspirem e ajudem na leitura da realidade, na capacidade de antecipar ciladas e perigos, no planeamento e na organização, na unidade e espírito de camaradagem, na gestão dos recursos, no bemestar e no moral, na generosidade e profissionalismo, no serviço às causas de Portugal. A união faz a força. pagina 25 Contingente Nacional ISAF expresso do oriente CN/ISAF na PROCISSÃO DE VELAS cuidado, o seu interesse por Portugal e por cada um de nós. 5. Na vigília do aniversário da primeira aparição de Nossa Senhora em Fátima, os militares portugueses em missão no Afeganistão, quiseram homenagear a Mãe de Deus e de todos os humanos, invocar a sua protecção, meditar nas suas interpelações. Prepararam um andor com os recursos ao dispor e toda a criatividade da alma lusa, fizeram a divulgação em Camp Warehouse, ensaiaram o coro, distribuíram as tarefas de acordo com o guião previamente elaborado. No dia 12 de Maio de 2011, pelas 21h00, um grupo numeroso de militares portugueses e estrangeiros reuniu-se na Capela Portuguesa que teve de ficar com as portadas abertas por não ter espaço bastante para acolher todos os que acorreram ao evento. Num primeiro momento reflectiu-se sobre os símbolos envolvidos na procissão: 1. As velas acesas, símbolo do cumprimento da missão confiada. Tal como as velas para iluminar têm de se gastar, assim os militares têm de oferecer o melhor de si para que a paz se torne realidade em território afegão. 2. O Círculo de luz de todas as velas acesas afasta as trevas, a escuridão, o oculto que, tantas vezes, esconde todo o tipo de ciladas e ardis que podem atentar contra a vida, minar a unidade, destruir o humanismo. No círculo de luz tudo se torna transparente, todos mantêm a sua vela acesa pela visibilidade comum, pelo interesse do todo. 3. A cruz, símbolo máximo do amor, da vitória sobre tudo o que é negativo, sobre a maldade, sobre o sofrimento, sobre o tempo, sobre o egoísmo, sobre a cultura da morte. 4. O andor e a imagem de Maria levada aos ombros. A Mãe é protectora e é guia, acolhe os nossos pedidos, compreende as nossas dores, estimula o nosso afecto, ajuda-nos a crescer, faz seus os nossos problemas. Reconhecemos o seu pagina 26 O caminho, o percurso. A procissão exige que cada um dê os seus passos. Se quer acompanhar Maria levada aos ombros não pode ficar parado. Se quer fazer parte do círculo de luz tem de dar o seu contributo. E o caminho fazse caminhando com confiança, na unidade… Acertamos o passo uns pelos outros, não deixamos que ninguém tropece, somos uma força, uma onda de luz. Num segundo momento, com o andor de Nossa Senhora e velas acesas, percorreram—se as ruas de Camp Warehouse, fazendo três pequenas paragens: 1. Junto da Companhia de Protecção. Os bravos que são os primeiros, que estão no centro das operações, que prudentemente estudam e antecipam eventuais perigos, que oferecem responsavelmente a sua juventude pela segurança de todos. 2. O edifício de Comando. O lugar do estudo, do planeamento, da conjugação de informação, das comunicações, das decisões de rumo, dos ajustes ao inopinado. O espaço que representa o cuidado, a competência, a perspectiva, a lealdade, a confiança, o ânimo. 3. O bar português. O símbolo do “descanso do guerreiro”, do lazer, da camaradagem, da participação no bem-estar comum, do divertimento, da alegria, da juventude. O momento foi revestido tanto de singeleza como de compenetração e intensidade. O Contingente Nacional, a missão e as famílias, entre a saudade, o sentimento e a emoção, marcaram presença, encheram a alma, e deram significado maior ao momento. A homenagem foi concluída com a consagração a Nossa Senhora, a aspersão de todos os militares presentes e a bênção de Deus. expresso do oriente Boletim 1 actividades desportivas MILITARES PORTUGUESES VENCEM AS 10 MILHAS EM KAIA O Primeiro-Sargento ANÍBAL OLIVEIRA do Contingente Português, venceu a KA-Bruggen 10 Road Race, realizada na madrugada do dia 28 de Maio de 2011 (04h30), na área do Aeroporto Internacional de Cabul (KAIA – Kabul Afghanistan International Airport), no Afeganistão, percorrendo as 10 milhas da prova no tempo de 1 hora, 3 minutos e 50 segundos. Nesta prova, organizada pelo contingente do Reino Unido da ISAF, participaram elementos das forças da coligação sediadas em KAIA, contando com a presença de 71 militares. O Contingente Português participou apenas com três militares no escalão de homens até 39 anos de idade, e mesmo com esta pequena participação, conseguiu colocar os 3 elementos nos 5 primeiros lugares. Além do vencedor, o Contingente Português alcançou o segundo lugar com o Soldado Cmd FONTOURA e o quinto lugar com o Segundo-Tenente FZ LUÍS GOULART. ESTAFETA “LUÍS DE CAMÕES” NO DIA DE PORTUGAL Integradas nas Comemorações do Dia de Portugal, o CN realizou algumas actividades desportivas, recreativas e culturais, destacando-se a estafeta “Luís de Camões” e o concurso de fotografia, com a participação de vários contingentes estrangeiros. pagina 27 Contingente Nacional ISAF expresso do oriente torneios TORNEIO de MATRAQUILHOS Realizou-se no período de 16MAI11 e 22MAI11 entre as 20:30 às 22:00 o Torneio de Matraquilhos do 2ºCN 2011 no Afeganistão. O Torneio teve a participação de 17 equipas. Ficaram em primeiro lugar os Tenentes Artur Fonseca e José Vieira; em segundo lugar SAJ Teixeira e 1SAR Ribeiro e em terceiro lugar Sold André Silva e Sold Emanuel Marreiro. CONCURSO DE FOTOGRAFIA No âmbito das comemorações do Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas, a MTT (Mobile Training Team) organizou um concurso de fotografia subordinada ao tema (Portugal pelo mundo). Estiveram em concurso cerca de 24 fotografias de 15 participantes, que abordara a temática do concurso, apresentando trabalhos a preto e branco e a cores. De realçar a originalidade e o espírito artístico do trabalhos, manifestamente reconhecido pelo júri do concurso. Dos 25 trabalhos apresentados, foi feita uma préselecção de determinou as 10 melhores fotografias, as quais foram novamente apreciadas pelo júri, que seleccionou os 3 primeiros classificados. 1º Classificado: Cap Artª Maldonado 2º Classificado: TCor Artª Paradelo 3º Classificado: TCor Artª Setoca Os diplomas de participação e respectivos prémios foram entregues no dia de Portugal durante o almoço que decorreu no Bar Português com a participação das entidades convidadas para o evento. pagina 28 expresso do oriente Boletim 1 TORNEIO WORLD SERIES OF POQUER - AFEGANISTÃO Realizou-se nos dias 27 e 28 de Junho de 2011, no Bar do Contingente Português, o Torneio WORLD SERIES OF POKER – AFEGANISTÃO, que contou com a participação de 40 Jogadores, número Máximo de Inscrições previsto pela organização. A adesão de militares do Contingente Nacional e de um número significativo de militares de outros contingentes internacionais que prestam serviço em CAMP WAREHOUSE, nomeadamente franceses e alemães, contribuíram para o extraordinário êxito deste evento lúdico, que conciliou a prática de um jogo de sorte e azar, como o Póquer, com o salutar convívio entre militares de diferentes países da coligação internacional. Após dois dias de grande emoção e empolgamento, os vencedores da FINAL TABLE, foram: 1º lugar - o militar francês LE PARK com um prémio final de 60€ 2º lugar - o militar francês JOAQUIM FERREIRA com um prémio final de 30€ 3º lugar - o militar francês BEL com um prémio final de 15€ 4º lugar - o CAP INF “CMD” MICHAEL AUGUSTO com um prémio final de 10€ 5º lugar - o TEN INF VALTER VALE com um prémio final de 5€ A Cerimónia de entrega de Prémios realizou-se no dia 30 de Junho de 2011, no Bar Português e contou com a participação do Exmo. Comandante do Contingente Português, Sr Cor Cavª FONSECA LOPES, que fez entrega dos referidos prémios e dirigiu algumas palavras de felicitação à organização do torneio e a todos os participantes. pagina 29 Contingente Nacional ISAF expresso do oriente 1st DESERTVOLLEY TOURNAMENT 4X4 Realizou-se no período de 02 Junho de 2011 a 26 de Junho de 2011, o 1º Torneio de Voleibol do Deserto em Kabul \ Camp Warehouse, organizado pela Equipa de Formadores do TLC/STB/KMTC. Este foi o maior torneio alguma vez organizado em Camp Warehouse, tanto pela duração do mesmo, como pelo número de equipas participantes na prova. Este evento contou com a participação de 25 equipas de diferentes Países de todos os cantos do Mundo (PORTUGAL, FRANÇA, POLINÉSIA FRANCESA, BÉLGICA, ALEMANHA, ITÁLIA, TURQUIA, CROÁCIA, ESTADOS UNIDOS, NOVA ZELÂNDIA E AUSTRÁLIA) perfazendo um total de 125 participantes. Para além da prática desportiva ao ar livre e da divulgação e contacto com a modalidade, este evento permitiu estabelecer contactos, laços de amizade, excelente desportivismo e unir ainda mais os elementos que trabalham e vivem neste campo militar todos os dias, resultando como seria de esperar num excelente torneio e muito boa prática de voleibol, acabando a Equipa Organizadora do evento por pagina 30 ser muito felicitada e elogiada por todos os participantes. Como resultado da prova, as equipas que preencheram os lugares do pódio foram: 1ºClassificado: GERBEL (Equipa mista de elementos da Bélgica e da Alemanha); 2ºClassificado: FRENCH TEAM (Equipa da Polinésia Francesa); 3ºClassificado: TURKUAZ (Equipa da Turquia). expresso do oriente marco , 30-Mar 30-Mar Sold CMD Sold CMD Boletim 1 aniversarios - MILTON CÉSAR MOTA ARAÚJO MÁRIO JORGE VIEGAS DIAS abril 03-Abr 06-Abr 07-Abr 08-Abr 11-Abr 12-Abr 12-Abr 14-Abr 15-Abr 18-Abr 19-Abr 19-Abr 20-Abr 20-Abr 21-Abr 23-Abr 26-Abr 27-Abr 29-Abr 30-Abr SAJ ORDET JOSÉ PAULO GROLA DOS SANTOS SANTOS GONÇALVES 1 CB OCOM RUBEN JOSÉ LOURENÇO NETO 1 SAR INF CARLOS ALBERTO FARIA BARBOSA Sold CMD ANTÓNIO JOSÉ DOMINGUES SOUSA 1 SAR INF ANTÓNIO AVELINO MARTINS DE CASTRO TCOR ART ANTÓNIO ALBERTO CRISPIM PARADELO 2 SAR INF CARLOS MANUEL OLAIO TEIXEIRA COR CAV PEDRO MIGUEL ANDRADE DA FONSECA LOPES Sold CMD RUI SALVADOR RIBEIRO MACHADO Sold CMD SÉRGIO EMANUEL FERREIRA ALVES SAJ SGE JOAQUIM MANUEL ROSA DURO Sold CMD GONÇALO JORGE V. A. E CASTRO 1 SAR MAT PAULO JOSE DOS SANTOS RIBEIRO 2 CAB CMD RUI MANUEL SILVA AFONSO SAJ FZ ORGE MANUEL DE ALMEIDA SALOMÃO Sold CMD FÁBIO ANDRÉ FILIPE LEITÃO 2 TEN FZ LUIS HENRIQUE GOMES GOULART Sold CMD HUGO MIGUEL DOS REIS FONSECA 1SAR ART FREDERICO JOÃO CARVALHO DE MAGALHÃES SCH PA CARLOS ALBERTO VALENTE SIMÃO 09-Mai 10-Mai 14-Mai 15-Mai 16-Mai 19-Mai 19-Mai 21-Mai 22-Mai 23-Mai 23-Mai 25-Mai 27-Mai 28-Mai 30-Mai Sold CMD 1 CB MVA TEN INF Sold CMD 1 SAR ENG Sold CMD Sold CMD SAJ INF 2 CAB CMD Sold CMD 1 SAR V Sold CMD 2 SAR INF Sold CMD Sold CMD JOSÉ RICARDO DA SILVA DIAS LOPES TIAGO ANDRE RESSURREIÇÃO RODRIGUES VITOR ABREU FERNANDES SÉRGIO DANIEL DUARTE TELES LUÍS MANUEL DINIS SANTOS RICARDO MANUEL HENRIQUES MADEIRA ANDRÉ GUIMARÃES GOUVEIA HÉLDER ANTÓNIO BATISTA GONÇALVES DIOGO LOPES DIAS HELDER TOMÉ RIBEIRO COSTA MANUEL JOAQUIM CARVALHO CARDOSO DANIEL ALMEIDA CAMPOS JONATHAN JOSÉ FORTUNA MICHAEL MOTA AUGUSTO PEDRO MIGUEL PEREIRA LOPES 01-Jun 01-Jun 02-Jun 03-Jun 05-Jun 07-Jun 09-Jun 09-Jun 12-Jun 12-Jun 12-Jun 15-Jun 15-Jun 16-Jun 18-Jun 18-Jun 19-Jun 21-Jun 22-Jun 24-Jun 25-Jun 26-Jun 26-Jun 29-Jun Sold CMD 1 SAR INF SAJ INF 2 CAB CMD TCOR ART Sold CMD 1 CAB CMD SCH CAV MAJ MAT TEN INF SAJ FZ 1 SAR INF 1 CAB CMD 1 SAR INF 1 MAR FZC 1 SAR INF SAJ INF 1 CAB CMD Sold CMD Sold CMD 1 CAB CMD SCH ART Sold CMD COR INF VALTER JORGE MOREIRA MARTINS CARLOS ALBERTO DOS SANTOS AFONSO PAULO JORGE ESTEVES MATOS LUIS TIAGO JOSÉ ALVES RIBEIRO MANUEL MARIA BARRETO ROSA DANIEL RICARDO SOUSA PEREIRA TIAGO MIGUEL DE ALMEIDA BARRA JOSÉ HENRIQUE PACHECO BOTELHO CARLOS PARENTE FELGUEIRAS HUGO ESTRELA PAULOS JOSÉ MANUEL DOS SANTOS GREGO GONÇALO MIGUEL ROQUE FULGÊNCIO RICARDO JORGE MATOS BRÁS ANTÓNIO MANUEL DOS SANTOS MARQUES HELDER FILIPE TAVARES MORGADO CÉLIO JOSÉ BOTELHO ALVES FRANCISCO MANUEL MENDES CASCALHAIS EMANUEL BARBOSA MALHEIRO HELDER DANIEL DA ROCHA ARAUJO EDGAR FILIPE CONTREIRAS SILVA JOSÉ DOMINGOS OLIVEIRA SOARES JOSÉ HENRIQUES PAIVA COSTA ANDRÉ FILIPE LOURENÇO PEREIRA CARLOS JOSÉ SOARES DE FIGUEIREDO PEREIRA maio junho pagina 31 Contingente Nacional ISAF pagina 32 expresso do oriente