UNIVERSIDADE METODISTA DE PIRACICABA FACULDADE DE GESTÃO E NEGÓCIOS CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS Viviane Pires de Oliveira ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO EM UMA EMPRESA DE E-COMMERCE Piracicaba, SP 2013 UNIVERSIDADE METODISTA DE PIRACICABA FACULDADE DE GESTÃO E NEGÓCIOS CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS Viviane Pires de Oliveira ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO EM UMA EMPRESA DE E-COMMERCE Projeto de Monografia apresentado em cumprimento às exigências curriculares do Curso de Graduação em Ciências Contábeis da Faculdade de Gestão e Negócios da Universidade Metodista de Piracicaba Área de Concentração: Contabilidade Gerencial Prof: Igor Vasconcelos Nogueira Piracicaba, SP 2013 VIVIANE PIRES DE OLIVEIRA PROPOSTA DE MODELO DE GESTÃO DE CAPITAL DE GIRO EM UMA EMPRESA DE E-COMMERCE Monografia julgada adequada para aprovação na disciplina Monografia II do Curso de Ciências Contábeis da Faculdade de Gestão e Negócios da Universidade Metodista de Piracicaba __________________________________________ Prof(a). Ms. Miltes Angelita Machuca Martins Coordenadora do Curso Componentes da banca: __________________________________________ Presidente: Prof. Igor Vasconcelos Nogueira (orientador) ___________________________________________ Prof. ___________________________________________ Prof. Piracicaba, 06 de novembro de 2013. Dedico essa obra a Deus e a meus pais que estiveram ao meu lado e me deram a força necessária para concluir essa etapa. AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus primeiramente pela força e coragem nessa trajetória. Certamente sem fé não conseguiria enfrentar os inúmeros obstáculos surgidos ao longo desse caminho. Agradeço aos meus pais pelo carinho e apoio ofertados em todos os dias da minha vida. Agradeço ao meu orientador Prof. Ms. Igor Vasconcelos Nogueira pela atenção e dedicação durante esses dois semestres. Agradeço também a Prof. Lumila Souza Girioli pela prontidão e ajuda nos momentos em que busquei seu auxílio. Agradeço ao meu namorado por todos os dias de companheirismo e pela sua colaboração. Agradeço minhas queridas amigas Aline Moreira, Iara Grippa, Jessica Rossiti, Daiane Asbahr por estarem ao meu lado em momentos alegres e principalmente pela paciência e carinho nos momentos difíceis. Enfim, agradeço a todos que de forma direta ou indiretamente contribuíram para a realização desse sonho. "Não existem sonhos impossíveis para aqueles que realmente acreditam que o poder realizador reside no interior de cada ser humano, sempre que alguém descobre esse poder algo antes considerado impossível se torna realidade." (Albert Einstein) RESUMO Esse trabalho buscou analisar o capital de giro da empresa Net Computadores. Para isso, recorreu-se a revisão bibliográfica dos principais índices de desempenho das empresas, com base no modelo dinâmico. Realizou-se a reclassificação do Balanço Patrimonial e mensurou os índices principais: NCG (necessidade de capital de giro), CDG (capital disponível de giro) e ST (saldo de tesouraria). Com a combinação desses índices foi possível identificar o tipo de estrutura financeira da empresa, fornecendo informações sobre a real situação da sua liquidez, integrada a sua dinâmica operacional. Para o desenvolvimento da pesquisa foram coletados os Balanços Patrimoniais e Demonstrações dos Resultados dos exercícios de 2009 a 2012 da empresa. Analisou-se também, seus índices de liquidez, rentabilidade, lucratividade e seus ciclos de atividades. Através da análise dos índices, verificou-se que somente no ano de 2011 a empresa teve um desempenho inferior a outros anos, buscando recursos de terceiros para financiar suas atividades. Em todos os outros anos, constatou-se que a empresa conseguiu financiar suas atividades, pois capital disponível de giro e seu saldo de tesouraria foram suficientes para suprir sua necessidade de capital de giro. Palavras-Chave: Modelo Dinâmico; Capital de Giro; Desempenho financeiro. LISTA DE FIGURA Figura 1. Empresa com capital de giro líquido positivo ................................................... 21 Figura 2. Empresa com capital de giro líquido negativo .................................................. 22 Figura 3. Ciclo operacional de uma empresa industrial. .................................................. 23 Figura 4. Ciclo financeiro e econômico. ............................................................................ 24 Figura 5. Necessidades totais de recursos ......................................................................... 31 Figura 6. Capital circulante líquido: correlação entre liquidez e/ou rentabilidade......... 33 Figura 7. Origens e aplicações de caixa. ............................................................................ 38 Figura 8. Os grupos patrimoniais operacional, financeiro e não circulante. ................... 47 Figura 10. Tipos de estruturas financeiras do Balanço Patrimonial Gerencial............... 50 Figura 9. Representação gráfica do “Efeito Tesoura” ...................................................... 55 Figura 11. Grupos que formam as variáveis chaves ......................................................... 58 Figura 12. Variáveis de planejamento ............................................................................... 59 Figura 13. Descrição sintética das estratégias de financiamento...................................... 61 Figura 14. Modelo de Baumol ........................................................................................... 65 Figura 15. Modelo Miller- Orr .......................................................................................... 67 Figura 16. Lote econômico de compra .............................................................................. 72 Figura 17. Custo total de estocagem .................................................................................. 74 Figura 18. Relação entre nível de serviço e investimento em estoque .............................. 75 LISTA DE QUADROS Quadro 1. Balanço esquemático do Modelo Fleuriet ........................................................ 48 Quadro 2. Variáveis do modelo dinâmico como fontes e aplicações de recursos............. 51 Quadro 3. Qualidade da situação financeira em termos de risco de insolvência ............. 52 Quadro 4. Relação entre medidas de crédito e elementos de uma política de crédito ..... 70 Quadro 5. Variáveis do modelo dinâmico como fontes e aplicações de recursos............. 84 Quadro 6: Indicadores de rentabilidade ........................................................................... 88 Quadro 7: Indicadores de Liquidez................................................................................... 90 Quadro 8: Índices de Atividades da empresa Net Computadores ................................... 91 Quadro 9: Reclassificação das contas patrimoniais conforme modelo dinâmico (valores em reais) ............................................................................................................................. 93 Quadro 10: Variáveis chaves do modelo dinâmico e estruturas financeiras ................... 93 Quadro 11: Necessidade de capital de giro e passivo circulante financeiro ..................... 95 Quadro 12: Necessidade total de financiamento permanente e passivo permanente ...... 96 LISTA DE TABELAS TABELA1: Grupo do Ativo. Balanço Patrimonial da empresa nos anos de 2009 a 2012. ............................................................................................................................................ 80 TABELA 2: Grupo do Passivo. Balanço Patrimonial da empresa nos anos de 2009 a 2012 ..................................................................................................................................... 81 TABELA 3: DREs da empresa Net Computadores nos anos de 2009 a 2012 .................. 82 TABELA 4: Análise Vertical e Horizontal Balanço Patrimonial – 2009 a 2012 .............. 85 TABELA 5: Análise Vertical e Horizontal das DRES – 2009 a 2012 ............................... 87 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1: Evolução dos indicadores de rentabilidade. .................................................... 89 Gráfico 2: Variáveis chaves do modelo dinâmico. ............................................................ 95 Gráfico 3: Gráfico do efeito tesoura da empresa nos anos de 2009 a 2012. ..................... 97 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 13 2 INTRODUÇÃO À ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO............................20 2.1 Natureza e definições da administração do capital de giro .................................. 20 2.2 Ciclo Operacional e Ciclo Financeiro ................................................................. 22 2.3 Análise Vertical e Análise Horizontal ................................................................. 26 2.4 Indicadores de Rentabilidade ............................................................................ 27 2.5 Indicadores de Liquidez ....................................................................................28 2.6 Fontes de recursos e equilíbrio financeiro ..........................................................30 2.7 Estrutura das taxas de juros .............................................................................. 32 2.8 Conflito risco-retorno na administração do capital de giro ................................. 32 3 FLUXOS DE CAIXA ...............................................................................................36 3.1 Abrangência dos Fluxos de Caixa ...................................................................... 36 3.2 Metodologias de apuração dos fluxos de caixa ....................................................38 3.3 Análise dos fluxos de caixa ................................................................................. 40 4 ANÁLISE E DIMENSIONAMENTO DOS INVESTIMENTOS EM CAPITAL DE GIRO .........................................................................................................................43 4.1 Análise dos ciclos financeiro e operacional .........................................................43 4.1.1 Prazo médio de recebimento de vendas ........................................................43 4.1.2 Prazo médio de rotação de estoques .............................................................44 4.1.3 Prazo médio de pagamento das contas .........................................................45 4.1.4 Prazos médios x rotações ............................................................................. 45 4.1.5 Impacto financeiro dos prazos nos ciclos operacionais e financeiros ............. 46 4.2 Análise do capital de giro pelo modelo Fleuriet .................................................. 46 4.2.1 Tipologia de Fleuriet ...................................................................................49 4.2.2 Necessidade de capital de giro e saldo em tesouraria .................................... 53 4.3 Overtrading – superexpansão das vendas...........................................................56 4.4 Cálculo da necessidade de investimento em capital de giro através do ciclo financeiro ............................................................................................................... 56 4.5 Planejamento financeiro ....................................................................................58 4.6 Políticas de financiamento da empresa .............................................................60 5 ADMINISTRAÇÃO DO GRUPO DE CONTAS DO CAPITAL DE GIRO ............... 63 5.1 Administração do disponível .............................................................................. 63 5.1.1 Modelos de administração de caixa ..............................................................64 5.2 Administração de Valores a Receber.................................................................. 69 5.3 Administração financeira de estoques e decisões de estocagem ...........................71 5.4 Administração de contas a pagar ....................................................................... 76 5.5 Administração de financiamentos de curto prazo ............................................... 77 6 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA E APRESENTAÇÃO DOS DADOS ............ 79 6.1 Empresa Analisada ...........................................................................................79 6.2 Apresentação dos Dados ....................................................................................80 6.3 Método de apuração e análise dos índices...........................................................82 7 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................... 85 7.1 Análise Vertical e Horizontal ............................................................................. 85 7.2 Análise da Rentabilidade ...................................................................................88 7.3 Análise da Liquidez ...........................................................................................90 7.4 Análise das Atividades .......................................................................................91 7.5 Reclassificação das contas e análise pelo modelo dinâmico.................................. 93 7.6 Análise da tendência do efeito tesoura ................................................................96 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................98 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 99 13 1 INTRODUÇÃO Delimitação do tema A avaliação de uma empresa é de interesse tanto de seus sócios, quanto de todos aqueles que participam e se beneficiam de suas atividades. A Contabilidade é a ciência que faz com que os dados econômicos e financeiros da entidade sejam corretamente coletados, mensurados e analisados para que seus gestores possam planejar e controlar suas atividades em busca de melhores resultados. Segundo Padoveze (2010) o principal objetivo da Contabilidade é o controle do Patrimônio, através de coleta, armazenamento e processamento de informações. Marion (2009) afirma que as informações coletadas devem ser úteis, confiáveis e que o bom desempenho de uma empresa e o aumento de sua riqueza depende, em grande parte da valorização dessas informações por parte do contador. Segundo ele não se pode tomar decisões sobre produção, marketing, custos, investimentos, financiamentos, etc. sem Contabilidade. Para a análise do equilíbrio financeiro de uma empresa, a avaliação de seu capital de giro é fundamental. Analisando os elementos patrimoniais, identificam-se as necessidades de investimento em giro que a empresa deve realizar. (ASSAF NETO, 2010) “O capital de giro tem participação relevante no desempenho operacional das empresas, cobrindo geralmente mais da metade de seus ativos totais investidos.” (ASSAF NETO; SILVA, 2012, p.1) A Gestão Financeira de Curto Prazo ou Gestão do Capital de Giro trata dos ativos e passivos correntes. Capital de Giro são os recursos necessários para a realização das atividades operacionais da empresa, ou seja, é o ativo circulante que sustenta essas atividades. O objetivo da administração financeira de curto prazo é gerir cada ativo circulante (estoques, contas á receber, caixa e aplicações financeiras de curto prazo) e cada passivo circulante (contas a pagar, despesas a pagar e instituições financeiras a pagar) de maneira a alcançar um equilíbrio entre rentabilidade e risco que contribua positivamente para o valor da empresa. (GITMAN, 2004, p.510) 14 Ching, Marques e Prado (2007) afirmam que o foco principal da gestão do Capital de Giro é diminuir o tempo entre o desembolso na compra de materiais e produtos e o recebimento de suas vendas. À medida que o negócio da empresa começa a girar, faz-se necessário uma análise para verificar se o lucro obtido através de vendas consegue gerar caixa suficiente para honrar seus compromissos frente a fornecedores, funcionários, governo, sócios, e se terá também recursos para futuros investimentos. 15 Problema da pesquisa Nas empresas do ramo comercial e de serviços a maior parte de seu capital está no ativo circulante, diferente das indústrias que possuem um grande valor no ativo não circulante proveniente de investimentos em máquinas, equipamentos, instalações, etc. A composição de ativos e passivos vai depender do tipo de empresa. (GITMAN, 1997) Em uma empresa de e-commerce essa diferença é evidente. Como nesse tipo de comércio não há necessidade de grandes investimentos em ativos fixos, a análise da Gestão do Capital de Giro é um diagnóstico significativo sobre seu desempenho e o resultado dessa análise determina a importância de sua ação. O nível e a importância do capital de giro variam, evidentemente, em função das características de atuação de cada empresa, do desempenho da conjuntura econômica e da relação risco (liquidez) e rentabilidade desejada. (ASSAF NETO, 2003, p.450) Nesse tipo de comércio, é grande a necessidade de capital de giro, já que para desenvolver suas atividades o consumo de recursos vem principalmente do Ativo Circulante (caixa, estoques) e não necessitam tanto de Ativos fixos. O trabalho foi desenvolvido com base nas atividades da empresa Net Computadores Ltda. EPP, fundada em 1998, que atua no comércio de produtos de informática e prestação de serviço, e que a partir de 2005, iniciou suas atividades no comércio eletrônico, sendo essa sua principal atividade hoje. A empresa por ser de pequeno porte nunca teve seu capital de giro analisado. Sua contabilização é feita por um escritório de contabilidade. Com o aumento nas vendas da empresa, o aumento de prazos de pagamentos de seus clientes a necessidade do capital aumenta. Dependendo do tempo de retorno dessas vendas pode ser que essa expansão em suas atividades não cubra essa necessidade de capital de giro. Diante deste contexto, questionou-se: Qual a situação do capital de giro da empresa Net Computadores no período de 2009 a 2012? 16 Objetivo Geral O objetivo principal desse trabalho foi analisar o capital de giro na empresa Net Computadores no período de 2009 a 2012. Objetivos Específicos a) Coletar os demonstrativos financeiros da empresa Net Computadores; b) Reclassificar as contas do Balanço Patrimonial da empresa Net Computadores; c) Calcular os índices de avaliação da empresa Net Computadores; d) Analisar a situação financeira do giro da empresa Net Computadores. 17 Justificativas A busca em desenvolver um estudo para análise da administração do capital de giro na empresa Net Computadores justificou-se principalmente pelos os seguintes fatos: A gestão do capital de giro encontra-se inserida no contexto decisório das finanças das empresas e permitirá entender como a empresa Net Computadores gera, aplica e gerencia seus recursos financeiros. A administração do capital de giro diz respeito à administração das contas dos elementos de giro, ou seja, dos ativos e passivos correntes (circulantes), e às inter-relações existentes entre eles. Neste conceito, são estudados fundamentalmente o nível adequado de estoques que a empresa deve manter, seus investimentos em créditos a clientes, critérios de gerenciamento do caixa e a estrutura dos passivos correntes, de forma consistente com os objetivos enunciados pela empresa e tendo por base a manutenção de determinado nível de rentabilidade e liquidez.(ASSAF NETO; SILVA, 2012, p.5) Segundo informação obtida na página eletrônica do SEBRAE (2011) o comércio eletrônico cresceu mais de 20% em 2011. Em 2010 foram comercializados R$14,8 bilhões no comércio eletrônico. Somente nos seis primeiros meses de 2011, essa modalidade de negócio movimentou R$ 8,4 bilhões, um crescimento nominal de 24% se comparado a 2010. Pelo contínuo crescimento nesse tipo de comércio, um estudo sobre gestão de capital de giro e seu resultado poderá beneficiar demais empresas desse segmento, além de mostrar o papel essencial da Contabilidade em constituir regras que objetivam a preservação da saúde financeira das empresas em geral. Assaf Neto e Silva (2012) abordam que conhecendo a situação do capital de giro de uma empresa é possível dimensionar adequadamente o investimento necessário para suas operações. Esse estudo avaliou o capital de giro da empresa Net Computadores através de seus resultados financeiros, verificando o desempenho da empresa e auxiliando também na correção de problemas operacionais. 18 Metodologia Segundo Beuren (2009), o problema de pesquisa é o definidor da metodologia que será utilizada em uma monografia. Depois do problema formulado deve-se optar pela tipologia de pesquisa mais adequada e apresentar os instrumentos que serão utilizados. Dependendo da natureza das variáveis e da forma de coleta de dados os instrumentos de pesquisa pode ser apenas de um tipo ou de vários. Para obtenção de dados e subsidiar o propósito desse trabalho foram utilizados os instrumentos ou técnicas de coleta de dados mais apropriados para o tipo de pesquisa. O trabalho trata-se de um estudo de caso, pois se apoiou na investigação de uma situação específica da empresa analisada. Conforme Beuren (2009) é característica do estudo de caso o estudo de um caso específico. O estudo de caso busca reunir informações detalhadas que auxilia no conhecimento de uma situação e de uma possível resolução de problemas. Os dados necessários para realização e comprovação do estudo foram coletados em fontes primárias e secundárias. Na pesquisa em fontes secundárias, foram utilizados materiais bibliográficos diversos como: livros, periódicos, publicações científicas da área e sites. Esse tipo de pesquisa é parte da pesquisa descritiva, pois tem como objetivo recolher informações prévias a respeito de um problema para o qual se quer resposta. Foram analisados instrumentos contábeis utilizados na gestão financeira. (BEUREN, 2009) Um dos procedimentos utilizados no trabalho foi a pesquisa bibliográfica que abrange todo material elaborado e tornado público em relação a um tema de estudo. (BEUREN, 2009) Essa pesquisa através de fontes secundárias (livros, artigos científicos, monografias, etc.) sobre capital de giro, permitiu o conhecimento sobre esse tema e uma melhor análise dos dados obtidos através dos demonstrativos financeiros da empresa Net Computadores. Os dados secundários da pesquisa foram obtidos através de documentos da empresa e por observação assistemática. 19 Belém (2009) afirma que a coleta de dados por meio de dados primários é a que trabalha com informações que ainda não receberam qualquer tratamento analítico como documentos oficiais, reportagens de jornal, filmes, fotografias, gravações. No estudo foram analisadas as demonstrações contábeis da empresa Net Computadores como os balanços patrimoniais dos anos de 2009, 2010, 2011 e 2012, verificando o comportamento das contas de disponível, estoques, clientes a receber, fornecedores, contas a pagar. Também foram analisadas as demonstrações do resultado dos exercícios desses anos, os extratos bancários, etc., enfim documentos que registraram informações ocorridas com o ativo circulante e passivo circulante da empresa. Quanto à abordagem do problema, a pesquisa foi classificada como pesquisa quantitativa. Quantitativa, porque segundo Beuren (2009), a pesquisa caracteriza-se pelo emprego de instrumentos estatísticos desde a coleta, até a análise e tratamento dos dados obtidos. Ela procura descobrir e classificar a relação entre as variáveis, garantindo a precisão dos resultados. Os dados coletados para a pesquisa se deram por observação assistemática. Tratou-se de uma pesquisa participante, já que o pesquisador estava envolvido com o assunto estudado. Para Beuren (2009) quanto maior a interação do pesquisador, mais consistente será o resultado. Para esse estudo foram utilizados como instrumentos de análises de dados, as análises vertical e horizontal da empresa; os índices de margem líquida, retorno sobre o ativo, retorno sobre o patrimônio líquido, liquidez imediata, liquidez corrente, liquidez seca, prazo médio de rotação de estoques, prazo médio de recebimento de vendas, prazo médio de pagamento de compras, ciclo operacional, ciclo financeiro, necessidade de capital de giro, capital de giro disponível, saldo de tesouraria e necessidade total de financiamento permanente. 20 2 INTRODUÇÃO À ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO 2.1 Natureza e definições da administração do capital de giro Segundo Assaf Neto e Silva (2012) o termo giro refere-se aos recursos correntes, capazes de serem convertidos em caixa no prazo máximo de um ano. Capital de giro ou capital circulante é representado pelo ativo circulante e são recursos utilizados pela empresa para suas necessidades operacionais. A gestão do capital de giro tem importância relevante nas organizações e a evolução teórica dos conceitos da área das finanças trouxe uma melhora nos processos de decisões das empresas. Ehrhardt e Brigham (2012) afirmam que a gestão do capital de giro vai além das finanças e que as melhorias nas divisões operacionais das empresas melhoram a posição do capital de giro. As finanças entram para avaliar a eficiência dos departamentos e decidir quanto caixa as empresas devem manter e quanto deve ser usado para financiamento de seu capital de giro. Segundo Assaf Neto e Lima (2010) o disponível (caixa e aplicações financeiras), valores a receber e estoques são os três importantes ativos que formam o capital de giro. Obtém-se o capital de giro líquido pela diferença entre o ativo circulante e passivo circulante. A atuação de cada empresa, seu desempenho econômico e a sua rentabilidade desejada, vão definir qual o nível de capital de giro é ideal. A gestão de capital de giro refere-se à relação das contas dos elementos de giro (ativos e passivos correntes). Tem por base a manutenção de determinado nível de rentabilidade e liquidez, estuda o nível adequado de estoques a se manter na empresa, os investimentos em créditos a clientes, gerenciamento de caixa e a formação e estrutura dos passivos correntes. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) Uma má administração do capital de giro pode levar uma empresa a enfrentar problemas financeiros, impedindo-a de dar continuidade em suas operações. Examinar e acompanhar cada item que compõem o capital de giro da empresa é necessário para uma gestão financeira eficaz. 21 “Os elementos do ativo circulante não costumam apresentar sincronização temporal equilibrada nos seus níveis de atividades.” (ASSAF NETO; SILVA, 2012, p.3) Di Agustini (1996) define o capital de giro de terceiros como a relação onde o ativo circulante é menor que o passivo circulante. Os bens e direitos realizáveis em um ano são menores que as dívidas e obrigações no mesmo período. O capital de giro próprio (ou CCL, capital circulante líquido) é definido como a relação contrária, ou seja, o ativo circulante é maior que o passivo circulante. O capital de giro nulo é a relação em que ativo circulante e passivo circulante se iguala. Para Assaf Neto e Silva (2012) o capital de giro líquido ou CCL se dá através da diferença entre ativo circulante e passivo circulante. Vieira (2008) define capital de giro líquido como uma medida de folga financeira e que quanto maior essa folga, melhor. Passivo Circulante Ativo circulante Capital Circulante Líquido Positivo→ Passivo Não Circulante Ativo não circulante Patrimônio Líquido Figura 1. Empresa com capital de giro líquido positivo Fonte: Adaptado de Assaf Neto e Silva (2012, p. 6) Quando o passivo circulante é maior que o ativo circulante tem-se o capital de giro líquido negativo e o quando o ativo circulante é maior que o passivo circulante tem-se o capital de giro líquido positivo. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) 22 Ativo circulante Ativo não circulante Passivo Circulante Passivo Não Circulante ←Capital Circulante Líquido Negativo Patrimônio Líquido Figura 2. Empresa com capital de giro líquido negativo Fonte: Adaptado de Assaf Neto e Silva (2012, p. 7) O capital de giro ou ativo circulante operacional também pode ser classificado como permanente (fixo) e temporário (variável ou sazonal). Os ativos circulantes operacionais permanentes são aqueles necessários mesmo que o ciclo do negócio da empresa esteja em baixa, são essenciais para mantê-la em funcionamento. Os ativos circulantes operacionais temporários são os ativos circulantes adicionais gerados durante um pico no ciclo operacional da empresa através de um aumento de vendas. (EHRHARDT; BRIGHAMT, 2012) 2.2 Ciclo Operacional e Ciclo Financeiro Conforme afirma Assaf Neto e Lima (2010) o ciclo operacional em uma empresa inicia-se no momento de recebimento de materiais a serem utilizados na produção de um bem e encerra-se no recebimento das vendas realizadas. Numa empresa industrial engloba o tempo de espera da matéria-prima, sua armazenagem, transformação da matéria-prima em produto acabado, a venda, o prazo de armazenagem do produto terminado, a cobrança e o recebimento das vendas. Em uma empresa prestadora de serviços o ciclo operacional inicia-se no momento da realização do serviço ao cliente e encerra-se no recebimento dessa prestação de serviço. 23 Compra de Matéria-prima Início da Fabricação PME (Mp) Fim da Fabricação PMF Recebimento da Venda Venda PMV PMC Em que: PME (Mp) = prazo médio de estocagem de matérias-primas; PMF = prazo médio de fabricação; PMV = prazo médio de venda (prazo médio de estocagem de produtos acabados); PMC = prazo médio de cobrança (prazo médio de recebimento). Figura 3. Ciclo operacional de uma empresa industrial. Fonte: Assaf Neto e Silva (2012, p.9) “Quanto mais longo se apresentar esse período, maior será, evidentemente, a necessidade de recursos para financiar o giro da empresa.” (ASSAF NETO; SILVA, 2012, p.9) Dependendo das características da empresa uma ou mais fases do ciclo operacional podem não existir. No caso de vendas a vista o prazo médio de cobrança é considerado nulo e em algumas empresas em que a produção é feita por encomenda não existe o prazo de estocagem de produtos acabados. No caso de empresas comerciais não haverá o prazo médio de fabricação. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) Analisando o ciclo operacional de uma empresa pode-se identificar também o ciclo financeiro e o ciclo econômico. (FIG. 4) 24 Compra de Matéria-prima PME (Mp) PMPF Início da Fabricação Fim da Fabricação PMF Venda PMV Recebimento PMC Ciclo Operacional Ciclo Financeiro (Caixa) Ciclo Econômico Em que: PMPF = Prazo Médio de Pagamentos a Fornecedores Figura 4. Ciclo financeiro e econômico. Fonte: Assaf Neto e Silva (2012, p. 11) O ciclo financeiro trata do período do desembolso inicial de caixa (quando a empresa paga os materiais a fornecedores) até o recebimento de suas vendas. Nesse período a empresa necessitará de financiamentos para suas atividades. Esses financiamentos podem ocorrer através de créditos de terceiros através de compras a prazo, descontos de duplicatas, empréstimos, etc. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) Vieira (2008) também define o ciclo financeiro como ciclo de conversão de caixa e afirma que a empresa deveria procurar reduzir esse período, sem prejudicar suas atividades. Com isso reduziria também a demanda por recursos financeiros que ocasiona custos de capitais. A demanda por financiamento em sua atividade operacional denomina-se necessidade de investimento em capital de giro (NIG) e pode ser expressa como ativo circulante operacional menos o passivo circulante operacional. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) O ciclo econômico da empresa considera o período de natureza econômica: desde a compra de materiais até a sua venda. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) 25 Segundo Assaf Neto e Silva (2012) o ciclo operacional, o ciclo financeiro e o ciclo econômico podem ser representados pelas equações: Ciclo Operacional = PME (MP) + PMF + PMV + PMC Ciclo Financeiro = Ciclo Operacional – PMPF – PMDD Ciclo Econômico = Ciclo Operacional – PMC Em que: PME (Mp) = prazo médio de estocagem de matérias-primas; PMF = prazo médio de fabricação; PMV = prazo médio de venda (prazo médio de estocagem de produtos acabados); PMC = prazo médio de cobrança (prazo médio de recebimento); PMPF = prazo médio de pagamento a fornecedores PMDD = prazo médio de desconto de duplicatas Os prazos em questão serão explanados na seção 4.1 desse trabalho. Segundo Komatsu e Santana (2011) o volume de vendas interfere na necessidade de capital de giro e a empresa caso não tenha recursos suficientes para suprir essa necessidade buscará esses recursos de terceiros. Um mau gerenciamento de fatores como a rotação de estoques, volume de vendas, prazo de pagamento, prazo de recebimento, ciclo financeiro, investimentos permanentes e de capital de terceiros podem causar sérios problemas a empresa. 26 2.3 Análise Vertical e Análise Horizontal A análise vertical e a análise horizontal são duas técnicas básicas para a avaliação do desempenho das empresas. Essas análises comparam um período a outro e o relacionamento de uma conta com outra. A comparação é essencial para o conhecimento da situação de uma empresa e para detectar forças e fraquezas nos seus processos operacionais. (ASSAF NETO, 2010) A análise vertical e a análise horizontal verifica a evolução da empresa de um período a outro e é capaz de mostrar quais as contas que contribuíram para uma melhora ou piora de sua situação. Segundo Iudícibus (1998) a análise vertical e a análise horizontal são importantes, pois trata-se de uma etapa preparatória para os cálculos e análises por quocientes. Somente a análise vertical e a análise horizontal não devem levar a conclusões sobre a situação da empresa. Deve-se considerar o conjunto de vários quocientes para se ter uma melhor ideia. A análise vertical verifica a significância de uma conta em relação a um valor total. No Balanço Patrimonial verifica-se a relevância de uma conta em relação ao total de capital e na Demonstração do Resultado a receita operacional líquida é o referencial. Observa-se verticalmente para se fazer as comparações. (BLATT, 2001) A análise horizontal compara os percentuais observando horizontalmente as evoluções das contas, de um período para outro. (BLATT, 2001) A finalidade da análise horizontal é apontar crescimento através de períodos, das contas do balanço patrimonial e das demonstrações de resultado caracterizando tendências. (IUDÍCIBUS, 1998) Conforme Iudícibus (1998) a análise vertical e horizontal devem ser utilizadas conjuntamente. A análise horizontal mostra o nível de crescimento das contas, mas deve ser aliada a análise vertical para ter sentido. Por exemplo, o disponível pode ter aumentado se comparado horizontalmente, mas seu percentual ao valor total do ativo pode manter-se constante ou até diminuir. 27 2.4 Indicadores de Rentabilidade Há diversos índices para analise de uma empresa. No trabalho optou-se pela utilização dos índices de rentabilidade e liquidez. Para analisar a rentabilidade e lucratividade de uma empresa são utilizados índices dados pelas seguintes equações: = 100 Em que: ML = Margem Líquida; LL = Lucro Líquido; VL = Vendas Líquidas O indicador de margem líquida mede a eficiência em gerar lucros através de suas vendas. Indica quanto à empresa ganhou a cada R$ 1,00 de venda. (ASSAF NETO; LIMA, 2010) A margem líquida compara o lucro líquido com as vendas líquidas. Esse quociente se apresenta alto ou baixo dependendo do tipo da empresa. Uma empresa automobilística possui um valor alto em vendas e uma margem pequena e alguns comércios e indústrias possuem altas margens líquidas, mesmo que o valor de suas vendas não sejam tão alto. (IUDÍCIBUS, 1998) = Em que: ROA = Retorno sobre o Ativo LO = Lucro Operacional AT = Ativo Total 28 O retorno sobre o ativo (ROA) é a relação entre o lucro gerado pelo ativo. Identifica o retorno produzido pelas aplicações realizadas. (ASSAF NETO; LIMA, 2010) = Em que: ROE = Retorno sobre o Patrimônio Líquido LO =Lucro Operacional PL = Patrimônio Líquido O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) vai mostrar o quanto a empresa teve de retorno sobre o capital investido pelos sócios através de suas atividades. 2.5 Indicadores de Liquidez Para a avaliação do desempenho empresarial utilizam-se indicadores calculados a partir de relatórios contábeis. (VIEIRA, 2008) “Relatório contábil é a exposição resumida e ordenada de dados colhidos pela contabilidade.” (MARION, 2009, p.41) Segundo Marion (2009) entre os relatórios contábeis os mais importantes são as demonstrações financeiras ou demonstrações contábeis. Muitas informações podem ser extraídas das demonstrações contábeis e a técnica mais empregada para análise são os índices. São eles que fornecem uma visão ampla da situação econômica e financeira que se encontra a empresa. (MATARAZZO, 1998) Conforme Di Agustini (1996) os indicadores de liquidez são utilizados para medir a capacidade que tem uma empresa em liquidar suas dívidas de curto prazo no período de até um ano. 29 O indicador de liquidez de uma empresa é o capital circulante líquido (CCL) que é identificado pela diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante. A princípio, pode-se dizer que quanto maior a diferença entre ativo circulante e passivo circulante, maior é a folga financeira da empresa e melhor sua posição de liquidez, mas a CCL não fornece base adequada para conclusão a respeito da liquidez, devendo-se, portanto, trabalhar com índices financeiros de liquidez. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) O índice de liquidez imediata identifica a capacidade da empresa em liquidar suas obrigações de curto prazo apenas com o seu saldo de disponível. É dado pela fórmula: . = Em que: LI = liquidez imediata Disp.= disponível PC = passivo circulante O índice de liquidez corrente identifica o quanto uma empresa dispõe no seu ativo circulante frente a suas dívidas de curto prazo. É dado pela fórmula: = Em que: LC = liquidez corrente AC = ativo circulante PC =passivo circulante O índice de liquidez seca mede a capacidade da empresa em liquidar suas dívidas utilizando-se de seus ativos de maior liquidez (disponível e valores a receber). É dado pela fórmula: = − − 30 Em que: LS = liquidez seca AC = ativo circulante E = estoques DA = despesas antecipadas PC =passivo circulante Conforme Assaf Neto e Silva (2012) uma empresa pode ter valores positivos de liquidez, mas esses valores não vão relatar se há ou não sincronia no fluxo financeiro futuro. Por exemplo, se as obrigações de curto prazo tiverem vencimentos nos próximos dias esses índices não informam se as disponibilidades serão suficientes para honrar com os compromissos. Pode-se calcular o valor presente dos fluxos de cada conta do ativo circulante e passivo circulante para saber se a quantidade de recursos honrará com esses compromissos. 2.6 Fontes de recursos e equilíbrio financeiro Para financiar seu ativo circulante, a empresa pode empregar seu capital circulante próprio ou o de terceiros, como empréstimos e financiamentos de curto e longo prazo, descontos de duplicatas. (MATARAZZO, 1998) Toda empresa deve manter um nível de capital de giro que garanta seu desempenho operacional, mesmo em épocas que os negócios estão fracos. (VIEIRA, 2008) Segundo Vieira (2008) as empresas possuem três fontes principais de recursos. A primeira fonte são os fornecedores que concedem prazos para pagamento de suas compras. A segunda são os empréstimos e financiamentos de curto prazo e a terceira é formada pelos empréstimos e financiamentos de longo prazo e os recursos de capital próprio. Os recursos obtidos através de capital de terceiros se classificam em crédito comercial e crédito financeiro. O crédito comercial ocorre das transações entre a empresa e fornecedores. Esse tipo de crédito origina-se de créditos comerciais como fontes de créditos de fornecedores, crédito de impostos e obrigações sociais. (LEMES JUNIOR, 2002) 31 Padoveze (2011) considera as fontes de financiamento do ativo como passivos de funcionamento e passivos de financiamento. Os passivos de funcionamento são os passivos não remunerados com juros como salários, impostos, duplicatas a pagar (considerando as duplicatas sem juros). Os passivos de financiamento são os passivos onerosos, que exigem remuneração, juros. São exemplos de passivos de financiamento os empréstimos, debêntures e capital próprio. Assaf Neto e Lima (2010) abordam o financiamento que leve ao equilíbrio tradicional, onde o capital de giro permanente (fixo) deve ser financiado por recursos de longo prazo (próprios ou de terceiros) e o capital de giro sazonal (temporário) deve ser financiado por recursos de curto prazo. Assim os investimentos serão financiados com recursos exigíveis em períodos correspondentes. Haverá uma sincronização entre o período de retorno de uma aplicação e de pagamento de um financiamento. Figura 5. Necessidades totais de recursos Fonte: Adaptado Assaf Neto e Silva (2012, p. 15) Observa-se que a estrutura de financiamento que leva ao equilíbrio tradicional, comentado por Assaf Neto e Lima (2010) em que o capital de giro temporário é financiado por recursos de curto prazo e, onde o ativo circulante permanente e o ativo permanente são financiados por recursos de longo prazo. (FIG. 5) Segundo Padoveze (2011) os principais parâmetros para decidir qual a estrutura ideal do passivo são: grau de aversão ao risco, dilema liquidez e rentabilidade e mensuração do endividamento. Para esse autor, dentro de um conjunto normal de condições empresariais, há 32 sempre possibilidades de refazer a estrutura de financiamento da empresa, tanto em percentual de dívidas, como nos prazos de amortização e taxas de juros. 2.7 Estrutura das taxas de juros Ao captar recursos do mercado a empresa paga a seus credores uma remuneração, que são os juros. O juro pode ser entendido como o aluguel do dinheiro ou o custo do dinheiro. A empresa está disposta a pagar mais juros caso seu investimento apresente uma oportunidade mais rentável. (ASSAF NETO; LIMA, 2010) O que define a taxa de juros é a preferência temporal dos agentes que possuem os recursos e o retorno daqueles que demandam os recursos. A variedade das taxas de juros do mercado depende de vários fatores: prazos envolvidos, as condições entre os agentes, o risco da operação, as garantias estabelecidas e as condições da economia. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) As taxas de juros de longo prazo são maiores que as de curto prazo em decorrência do risco que corre o credor pela imprevisibilidade do retorno do capital emprestado e da dificuldade de estabelecer uma taxa que seja adequada frente a mudanças que venham ocorrer no mercado. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) 2.8 Conflito risco-retorno na administração do capital de giro O ativo circulante de uma empresa costuma girar de forma rápida e quanto maior sua rotação maior o retorno do investimento. O giro no ativo circulante é um importante indicador da eficiência da administração financeira de uma empresa e para avaliar o investimento necessário em giro deve-se conhecer o comportamento de seus elementos e a estrutura do financiamento da empresa. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) O que define a estrutura de financiamento de uma empresa serão a necessidade de recursos, o volume de recursos disponíveis no mercado e a agressividade da gestão da empresa. Como regra básica não se aconselha financiar ativos de longo prazo com recursos de 33 curto prazo. Endividamento de curto prazo gera níveis de riscos maiores a empresa, devido a taxas de juros, que podem ser elevadas em certos momentos e, à necessidade de constantes renovações de crédito, que podem até levar a empresa à falência. (VIEIRA, 2008) As decisões financeiras são baseadas na comparação entre o risco e retorno de um investimento. Quanto maior o capital circulante líquido de uma empresa, maior será a sua folga financeira e menor será o seu risco de insolvência. Contudo essa maior segurança significa um maior custo de oportunidade e menor tende a ser o retorno do investimento. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) Figura 6. Capital circulante líquido: correlação entre liquidez e/ou rentabilidade. Fonte: Assaf Neto (2010, p. 162) Segundo Groppelli e Nikbakht (1998) a análise do risco e retorno de um investimento é a chave de todas as decisões financeiras. Padoveze (2011) denomina o risco financeiro como a possibilidade de a empresa não ter condições de pagar suas dívidas temporária ou definitivamente. O grau de endividamento da empresa é uma referência básica para medir seu risco financeiro. Quanto maior o grau de endividamento da empresa maior seu risco financeiro. O grau de endividamento é dado pela seguinte fórmula: 34 = Em que: GE = grau de endividamento CT = capital de terceiros CP = capital próprio Para Gitman e Madura (2003) cada decisão ou investimento financeiro apresenta características distintas de risco e retorno e a teoria básica que liga risco e retorno é o modelo de precificação de ativos financeiros (CAPM). Esse modelo geralmente depende de dados históricos e considera o risco e o retorno em uma tomada de decisão. Assaf Neto e Lima (2010, p.216) apresentam a fórmula do CAPM, onde o “coeficiente beta indica o incremento necessário no retorno de um ativo de forma a remunerar adequadamente seu risco sistemático (risco relacionado com o mercado como um todo).” = + ( − ) Em que: Rj = retorno esperado Rf = taxa de juros livre de risco Rm = retorno da carteira de mercado β = coeficiente beta. Risco sistemático de um ativo em relação ao mercado Quanto maior o beta, maior o risco do ativo em relação ao risco de mercado e a empresa deverá exigir maior retorno para o investimento realizado. (ASSAF NETO; LIMA, 2010) Ao relacionar capital de giro e risco financeiro, verifica-se que o risco financeiro de uma empresa está relacionado com a sua liquidez, que por sua vez está associada ao curto 35 prazo. Para uma situação de liquidez adequada e a sobrevivência de uma empresa, podem ser necessárias metas que busquem retornos menores sobre o capital investido pelos proprietários. (VIEIRA, 2008) Para obter uma maior segurança ou menor risco financeiro em suas operações a empresa deve manter seu capital de giro em níveis mais elevados. A empresa deve também tomar decisões em relação as suas atividades como compras, vendas, fabricação, cobranças, pagamentos. (ASSAF NETO, 2010) Segundo Assaf Net (2010) ao se tomar decisões quanto às operações identificam-se os custos do investimento em capital de giro: a) Custo de oportunidade, quanto maior o investimento em giro, maior o custo de oportunidade; b) Custo de manutenção de ativos circulantes, gastos em manter estoques, produtos, valores a receber e; c) Custo de falta, verificado quando o investimento em giro é insuficiente e a empresa acaba perdendo vendas por não haver produto em estoque, ou pode perder clientes por não poder conceder crédito devido à falta de capital. A administração do capital de giro deve alcançar uma situação de equilíbrio entre o risco e o retorno, buscando a criação de valor para os proprietários da empresa sem colocar em riscos excessivos as atividades operacional e financeira da organização. (VIEIRA, 2008) 36 3 FLUXOS DE CAIXA Por mais que uma empresa tenha valores positivos de liquidez, ela pode não conseguir transformar seus estoques em dinheiro ou não receber de clientes dentro do tempo necessário para pagar seus compromissos. Os fluxos de caixa são instrumentos para o acompanhamento da atividade financeira da empresa. Eles permitem a identificação antecipada da necessidade de se obter recursos ou de se investir sobras de caixa. (VIEIRA, 2008) “Os fluxos de caixa são de fundamental importância para as empresas, constituindo-se numa indispensável sinalização dos rumos financeiros dos negócios”. (ASSAF NETO; SILVA, 2012, p.34) Para Di Agustini (1996) os fluxos de caixa representam a diferença entre a entrada e a saída em regime de caixa e deve ser acompanhado diariamente para um melhor planejamento das atividades. A demonstração dos fluxos de caixa deverá ser dividida em grupos: atividades operacionais, atividades de investimento e atividades de financiamento. Mesmo uma empresa não sendo obrigada a fornecer essa demonstração (Lei nº 11.638/07) ela é uma análise significativa para fins internos, pois indica a origem e aplicação de todo dinheiro em um período. (MARION, 2009) 3.1 Abrangência dos Fluxos de Caixa A administração dos fluxos de caixa não abrange somente a área financeira da empresa, mas também todos os setores que utilizam dos recursos para as atividades operacionais. O ciclo operacional deve ser considerado como uma sinergia. A empresa deve atuar integrada e com todos os seus setores comprometidos. (KUSTER, KUSTER, KUSTER 2010) As principais áreas que contribuem para um melhor desempenho dos fluxos de caixa segundo Assaf Neto e Silva (2012) são: 37 a) Área de produção, onde os custos de produção refletem sobre o caixa. A área de produção pode diminuir o tempo de fabricação de um produto e assim aumentar a liquidez, diminuindo os custos: b) Área de compras: deve procurar negociar com os fornecedores aumentando o prazo de pagamentos ou solicitando descontos. O setor de compras deve estar preocupado com a sincronização do período de pagamentos a fornecedores, com o período de recebimentos de vendas da empresa; c) Área de vendas: também deve se atentar com os prazos de pagamentos aos fornecedores da empresa para conceder aos clientes, possíveis descontos ou maiores prazos para pagamentos; d) Área de cobrança: devem colocar a disposição da empresa os recursos financeiros no menor tempo possível; e) Área financeira: deve verificar o perfil de endividamento da empresa, de modo que os desembolsos ocorram simultaneamente à geração de caixa. Segundo Marion (2009) as principais transações que aumentam o caixa são: integralização de capital por sócios e acionistas, empréstimos e financiamentos bancários, venda de itens do ativo não circulante, vendas a vista e duplicatas a receber, outras entradas. As transações que diminuem o caixa são: pagamentos de dividendos a acionistas, pagamento de juros e amortização de dívidas, aquisição de itens do ativo imobilizado, investimento e intangível, compra a vista e pagamentos a fornecedores, pagamentos de despesas, contas a pagar e outros. (MARION, 2009) As transações que não afetam o caixa são: depreciação, amortização e exaustão, provisão para crédito de liquidação duvidosa, e acréscimos e diminuições de itens de investimento. (MARION, 2009) 38 3.2 Metodologias de apuração dos fluxos de caixa Segundo Assaf Neto e Silva (2012) a figura 7 representa o modelo padrão de apuração dos fluxos de caixa: ORIGENS DE RECURSOS (Operações que elevam o fluxo de caixa) Lucro (Prejuízo) do Período (+/-) Despesas/Receitas que não envolvem recursos Fluxo de caixa proveniente das Operações: (+) Aumentos no Passivo e Patrimônio Líquido (+) Reduções no Ativo A. Total dos Aumentos (Origens) de Caixa: $ XXX XXX XXX XXX XXX XXX APLICAÇÕES DE RECURSOS (Operações que diminuem o fluxo de caixa) Aumento no Ativo (+) Reduções no Passivo e Patrimônio Líquido B. Total das Reduções (Aplicações) de Caixa: C. Variações Líquidas nas Disponibilidades (A-B) XXX XXX XXX XXX Figura 7. Origens e aplicações de caixa. Fonte: Assaf Neto e Silva (2012, p. 39) Os fluxos de caixa comparam os demonstrativos contábeis de início e fim de um período. As origens de recursos se dão com os aumentos dos passivos e patrimônio líquido e reduções dos ativos e nas aplicações dos recursos ocorrem os aumentos dos ativos ou reduções de passivos e patrimônio líquido. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) Outra forma de apuração dos fluxos de caixa se dá através de balanços consecutivos. Ela trabalha com a comparação dos resultados finais das contas patrimoniais e não evidencia as transações da empresa, não fornecendo dados para uma boa análise. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) O método de fluxos de caixa no sentido restrito e amplo é uma medida financeira não exata que leva em consideração somente os elementos que não consumiram recursos. Ele não considera os elementos que afetam o lucro líquido. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) 39 Os fluxos de caixa efetivo levam em consideração os recebimentos de vendas, os pagamentos a fornecedores, os pagamentos de despesas e imposto de renda. Através dessa análise é possível obter uma posição efetiva dos resultados da empresa, pois por mais que uma empresa tenha elevado seu disponível, ela pode apurar um déficit nos fluxos de caixa de suas operações. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) Os fluxos de caixa indireto é o método que parte do lucro líquido do exercício, informação muito utilizada nas finanças. Concilia o regime de caixa com o regime de competência. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) a) Fluxos de caixa das operações Para o estudo de fluxos de caixa das operações de uma empresa a primeira variável a ser considerada é o lucro bruto operacional, formado a partir da receita bruta operacional, da qual são subtraídas as deduções (impostos, descontos e devoluções), formando a receita operacional líquida. Da receita operacional líquida é subtraído o custo das mercadorias, custo dos serviços e despesas operacionais chegando ao lucro operacional. No lucro operacional deve-se se somar o valor das depreciações, amortizações, exaustão e despesas financeiras. Chega-se assim, nos fluxos de caixa operacional. (VIEIRA, 2008) Esse ajuste no resultado operacional, através da soma das depreciações, das amortizações, da exaustão e das despesas financeiras ao lucro operacional, ocorre para que sejam analisados somente os resultados gerados com a atividade operacional da empresa através de decisões de ativos. (ASSAF NETO; LIMA, 2010) O lucro bruto operacional ajustado (fluxos de caixa gerado pelas operações) possui fórmula de cálculo idêntica ao EBITDA, que em português é conhecido como LAJIDA (lucro antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações). (VIEIRA, 2012) 40 b) Fluxos do Capital Circulante Líquido Segundo Assaf Neto e Silva (2012) a DOAR (Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos) é um relatório que permite que se verifiquem os fluxos financeiros que provocaram mudanças no capital circulante líquido. Não são todas as transações que afetam o capital circulante líquido, como por exemplo, a compra a vista de mercadoria em que não ocorre variação no valor do ativo circulante. Conforme Vieira (2008) os fluxos de caixa líquido são os fluxos disponíveis para investimentos no ativo permanente. c) Fluxos de caixa incrementais (marginais) e residuais Os fluxos de caixa incrementais é o resultado da diferença do que se espera do investimento e o seu retorno real. São os resultados adicionais. Já os fluxos de caixa residual é o valor que resta aos proprietários após o pagamento de todas as obrigações. (ASSAF NETO e SILVA, 2012) 3.3 Análise dos fluxos de caixa A demonstração dos fluxos de caixa é dividida em três grupos: fluxos das atividades de investimentos, fluxos das atividades de financiamento e fluxos das atividades operacionais. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) As atividades de investimentos estão relacionadas com as decisões de longo prazo da empresa como compra de terrenos, máquinas, veículos. Esses fluxos normalmente são negativos, pois representam saídas de caixa e caso sejam positivos, significa que a empresa está reduzindo seu imobilizado e, consequentemente, comprometendo seu crescimento. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) Para Vieira (2008) as atividades de investimentos têm o objetivo de aumentar a capacidade produtiva e possibilidades de negociação da empresa. 41 As atividades de financiamento buscam recursos de curto e longo prazo produzindo impacto na posição de liquidez da empresa. (VIEIRA, 2008) As atividades de financiamento buscam a captação de recursos através dos proprietários da empresa (integralização de capital) ou através de empréstimos. Quando a empresa está em elevado crescimento os fluxos são positivos e em fase de consolidação de empreendimentos eles tendem a ser negativos. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) As atividades operacionais abrangem os recursos oriundos das atividades da empresa como: receitas recebidas, pagamento a fornecedores, recebimentos de duplicatas, pagamento de despesas operacionais, etc. (MARION, 2009) Conforme Assaf Neto e Silva (2012) os fluxos das atividades operacionais é um dos indicadores mais relevantes. É o resultado positivo dos fluxos de caixa das atividades operacionais que indica a continuidade de uma empresa. Tendo em vista a classificação dos fluxos de caixa nesses três grupos, Assaf Neto e Silva (2012) apresentam indicadores para sua análise: a) Índice que relaciona a relação de caixa anual pelas dívidas da empresa: í çõ = b) Índice que indica a capacidade da empresa em gerar caixa para os acionistas: ô í = çõ ô í c) Índice que determina se a empresa consegue financiar seus investimentos com seus próprios recursos: = çõ d) Índice que relaciona a entrada líquida de recursos através de suas operações com os fluxos de financiamento: 42 çõ = e) Índice que relaciona a geração de caixa pelas atividades pelo volume das vendas: çõ = f) Índice que mostra o quanto é gerado de fluxos de caixa das operações para cada unidade monetária investida no ativo: çõ = g) Índice que demonstra a parcela do lucro realizado: çõ = í h) Índice que demonstra em quanto tempo o Capital Circulante Líquido será consumido pelos fluxos negativos de caixa: çõ = í Em que: Fluxos de caixa das operações < 0 i) Índice que relaciona o disponível do período anterior mais os fluxos de caixa operacional com as dívidas onerosas da empresa: Í = í Em que: FC das operações = Fluxo de caixa das operações t = período + çõ 43 4 ANÁLISE E DIMENSIONAMENTO DOS INVESTIMENTOS EM CAPITAL DE GIRO A aplicação de recursos realizada em uma empresa tem o objetivo de produzir resultados. Esses resultados além de buscar o crescimento da empresa, devem fazer com que os sócios ou acionistas sejam remunerados cobrindo os custos do capital investido. (VIEIRA, 2008) Através da análise da capacidade financeira de uma empresa é possível dimensionar e direcionar os recursos financiados para assim se chegar a esses objetivos. 4.1 Análise dos ciclos financeiro e operacional É possível calcular através dos dados das demonstrações financeiras, índices de prazos médios que levam à análise dos ciclos operacionais e financeiros. São basicamente três: prazo médio de recebimento de vendas (PMRV), prazo médio de pagamento de compras (PMPC) e prazo médio de rotação de estoques (PMRE). Esses índices não devem ser analisados individualmente, mas em conjunto. (MATARAZZO, 1998) 4.1.1 Prazo médio de recebimento de vendas É o prazo que a empresa financia seus clientes. Corresponde ao período que se inicia no momento que a empresa emite a fatura e envia ao cliente e termina com o recebimento de sua venda. (CHING, 2010) Segundo Matarazzo (1998) é encontrado através da fórmula: = 360 DR V Em que: PMRV = prazo médio de recebimentos de vendas DR = duplicatas a receber 44 V = vendas A empresa deve buscar diminuir sempre que possível o prazo de recebimentos de vendas, manter um controle eficiente sobre essas contas e estudar políticas de concessão de créditos. (ASSAF NETO; LIMA, 2010) Aumentando o prazo de recebimento de suas vendas a empresa aumentará também os investimentos, e consequentemente seus financiamentos, pois seus compromissos continuarão existindo. Necessitando de novos financiamentos para honrar seus compromissos, o lucro poderá diminuir devido a despesas extras. Um aumento nos preços da mercadoria é justificado pelo prazo maior concedido. (MATARAZZO, 1998) 4.1.2 Prazo médio de rotação de estoques Esse prazo inicia-se no momento que a empresa compra a matéria-prima ou produto para revenda e termina no momento em que o produto é vendido. É o tempo que a empresa leva para produzir e vender. (CHING, 2010) Segundo Matarazzo (1998) é encontrado através da seguinte fórmula: = 360 Em que: PMRE = prazo médio de rotação de estoques E = Estoques CMV = custo médio das mercadorias vendidas Numa empresa comercial o prazo médio de rotação de estoques é o tempo de estocagem do produto. Numa empresa industrial é o tempo de produção e estocagem. (MATARAZZO, 1998) 45 4.1.3 Prazo médio de pagamento das contas É o prazo da empresa para pagar suas contas. Esse prazo começa no momento da compra da matéria prima ou produto para revenda e termina quando a fatura do fornecedor é paga. Quanto maior esse prazo menos a empresa precisará de recursos. (CHING, 2010) Segundo Matarazzo (1998) é encontrado através da fórmula: = 360 Em que: PMPC = prazo médio de pagamento de contas F = fornecedores C = compras 4.1.4 Prazos médios x rotações Conforme Matarazzo (1998) o número de vezes que um determinado item se renova é calculado dividindo-se 360 pelo prazo médio, como segue abaixo: Rotação de estoques: quantas vezes em um ano os estoques se renovam. 360 ( Rotação de duplicatas a receber: quantas vezes em um ano as duplicatas a receber se renovam. 360 Rotação de Fornecedores: quantas vezes em um ano as contas de fornecedores se renovam. 360 46 “Embora úteis e de certa forma didáticos em alguns relatórios, os índices de rotação não são tão informativos quanto os de prazos médios e dificultam a conjugação dos três índices.” (MATARAZZO, 1998, p.331) 4.1.5 Impacto financeiro dos prazos nos ciclos operacionais e financeiros Segundo Sato (2007) dependendo da composição dos prazos de realização das contas o capital de giro de giro pode fazer com que uma empresa cresça ou não. O tempo necessário para cada fase das atividades operacionais vai depender das características dos processos de produção de cada empresa, das políticas de estocagem e cobrança e condições tecnológicas. Quanto maior o ciclo operacional de uma empresa, maior será o ciclo financeiro e maior a necessidade de financiamentos. O capital de giro da empresa financia o ciclo operacional durante o período entre os pagamentos e recebimentos. (SATO, 2007) Para Assaf Neto e Silva (2012) o volume de recursos no disponível vai depender da sincronização do ciclo financeiro. A empresa ao ter uma redução no prazo de pagamento de suas contas pode diminuir o prazo também de recebimento de clientes ou ao ter uma redução no prazo de estoques pode fazer com que sua política de créditos seja mais flexível. Uma empresa que não consegue fazer essa compensação necessitará de maior saldo em capital de giro. 4.2 Análise do capital de giro pelo modelo Fleuriet O modelo dinâmico de Fleuriet (ou dinâmico) trata-se de um modelo de análise avançada do capital de giro. Esse modelo foi introduzido no Brasil na década de 70, pelo professor Michel Fleuriet e tem por objetivo analisar os investimentos a partir das demonstrações contábeis. Trata-se de um estudo do equilíbrio financeiro da empresa. Esse modelo difere da análise tradicional, pois considera os aspectos qualitativos dos elementos patrimoniais. (SATO, 2007) 47 Vieira (2008) afirma que a classificação tradicional do Balanço Patrimonial se mostra inadequado para uma análise de liquidez, pois as contas do ativo circulante e passivo circulante se renovam constantemente e possuem naturezas distintas em relação às demais. São contas significativas quando se estuda a situação financeira da empresa. Segundo Cruz e Bressan (2011) em conformidade com Assaf Neto e Silva (2012) para a análise através do modelo dinâmico é necessário que se faça a reclassificação das contas do Balanço Patrimonial em três novos grupos de contas: as contas operacionais ou cíclicas, as de Competência do Exercício Seguinte Terrenos Máquinas e Equipamentos Outros itens de longo prazo Fornecedores Salários e Encargos Impostos e Taxas Adiantamento de Clientes Passivo Não Circulante Patrimônio Líquido CIRCULANTE Duplicatas a Receber Estoques Adiantamento e Despesas Cíclico ou Operacional Caixa e Bancos Aplicações Financeiras PASSIVO Empréstimos Bancários Financiamentos Duplicatas Descontadas Dividendos e IR PERMANENTE OU NÃO CIRCULANTE Errático ou Financeiro Cíclico ou Operacional PERMANENTE OU NÃO CIRCULANTE CIRCULANTE ATIVO Errático ou Financeiro contas financeiras ou erráticas e as contas permanentes ou estratégicas. (FIG. 8) Figura 8. Os grupos patrimoniais operacional, financeiro e não circulante. Fonte: Adaptado de Assaf Neto e Silva (2012, p. 66) Conforme Fleuriet, Kehdy e Blanc (2003) as contas operacionais ou cíclicas são contas de curto prazo, renováveis e ligadas à atividade operacional da empresa. As contas financeiras ou erráticas são contas de curto prazo, não necessariamente renováveis ou ligadas à atividade operacional e, as contas permanentes ou não cíclicas são contas de prazo superior a um ano. 48 Quadro 1. Balanço esquemático do Modelo Fleuriet Saldo de Tesouraria= Ativos Financeiros – Passivos Financeiros = CPL (CDG) – NCG Capital de giro disponível = Passivos Não Circulantes – Ativos Não Circulantes = CPL (CDG) = NCG + T Necessidade de Capital de Giro = Ativos Circulantes Operacionais – Passivos Circulantes Operacionais Variável Característica Aumenta com De natureza operacional Quando positiva: o ciclo operacional é mais longo que o prazo médio de pagamento, necessitando de investimento em giro operacional. Nesse caso uma situação desfavorável. Quando negativa: o ciclo operacional é menor que o prazo médio de pagamento, representando recursos financiados por terceiros (não onerosos). Neste caso uma situação favorável. De natureza estratégica e operacional Função espelho com o CCL. Se aumenta o CPL (CDG), aumenta o CCL. Se diminui o CPL, diminui o CCL. Quando positivo: fonte líquida de recursos de permanentes, dando fôlego ao CCL. Neste caso, situação favorável. Diminui com Crescimento no volume de vendas Aumento da estocagem Aumento do processo de produção Política de crédito agressiva, com aumento do prazo de recebimento Redução do prazo de pagamento Geração de Lucros Aporte de Capital Captação de recursos onerosos de longo prazo Diminuição de investimentos de ativos não circulantes Aumento do CCL (CDG) Redução do NCG Redução das vendas Velocidade do giro dos estoques Velocidade no processo produtivo Política de crédito mais conservadora Aumento do prazo com fornecedores Geração de Prejuízo Retirada de Capital Distribuição de Lucros Amortização de financiamentos Aumento de investimentos em ativos não circulantes Quando negativo: aplicação em itens permanentes. Incapacidade de a empresa obter giro com capital próprio ou de longo prazo. Neste caso, situação desfavorável. De natureza errática Dependendo do NCG e do CPL (CDG) Quando positiva: empresa com sobra de recursos financeiros de curto prazo. Neste caso, situação favorável. Quando negativa: empresa dependente de recursos financeiros de curto prazo. Neste caso situação desfavorável. Fonte: Adaptado de Monteiro (2003 apud CRUZ; BRESSAN, 2011, p.4) Redução do CCL (CDG) Aumento da NCG 49 O quadro 1 mostra as variáveis chaves do modelo Fleuriet ou modelo dinâmico e quais os fatores que interferem no seu aumento ou diminuição dessas variáveis. A necessidade em capital de giro demonstra o quanto uma empresa precisa de investimentos em giro e quando essa variável é positiva temos uma situação desfavorável. A NCG aumenta com o aumento das vendas, com o aumento das atividades operacionais, com uma política de crédito agressiva e uma redução nos prazos de pagamentos. (QUADRO 1) Quanto maior o capital de giro disponível na empresa melhor, pois ele é uma fonte de recursos. Aumenta com a geração de lucros, com a captação de recursos onerosos de longo prazo, com a diminuição de investimentos em ativos não circulantes e com o investimento dos sócios em capital social. (QUADRO 1) O saldo em tesouraria representa a sobra de recursos financeiros e quanto maior melhor. Aumenta com a diminuição da necessidade de capital de giro e com o aumento do capital de giro disponível. (QUADRO 1) Conforme Silva (2005, apud CRUZ; BRESSAN, 2011) o modelo dinâmico isola e combina os três grupos de contas, onde CDG é o capital de giro disponível encontrado pela diferença entre os passivos não circulantes (PNC) e os ativos não circulantes (ANC). O passivo não circulante é composto pelos passivos exigíveis a longo prazo e pelo Patrimônio Líquido e o ativo não circulante é formado pelos ativos em investimentos, imobilizado e intangíveis. O CDG possui o mesmo valor do capital circulante líquido (CCL) que é também o reflexo do capital permanente líquido (CPL). (QUADRO 1) 4.2.1 Tipologia de Fleuriet A partir da reclassificação das contas do balanço patrimonial identificam-se seis tipos de estruturas do balanço patrimonial gerencial (BPG). Essas seis estruturas de BPG geradas permitem a analise da liquidez da empresa e permitem a adoção de práticas gerenciais em relação ao capital de giro das empresas. (NASCIMENTO, et al., 2012) 50 Em que: BPG = balanço patrimonial gerencial ACF = ativo circulante financeiro ACO = ativo circulante operacional AP = ativo permanente PCF = passivo circulante financeiro PCO = passivo circulante operacional PP = passivo permanente Figura 9. Tipos de estruturas financeiras do Balanço Patrimonial Gerencial Fonte: Adaptado de Braga (1991 apud NASCIMENTO et al., 2012, p. 46) Através da reclassificação das contas do ativo e passivo é possível encontrar as variáveis chaves do modelo dinâmico (NCG, CDG e ST), e dependo da estrutura enquadrada é possível analisar a situação financeira da empresa. (QUADRO2) 51 Quadro 2. Variáveis do modelo dinâmico como fontes e aplicações de recursos Tipologia Tipo 1 Tipo 2 Tipo 3 Tipo 4 Tipo 5 Tipo 6 Variável ST NCG CDG ST NCG CDG ST NCG CDG ST NCG CDG ST NCG CDG ST NCG CDG Positivo Negativo Positivo Positivo Positivo Positivo Negativo Positivo Positivo Negativo Positivo Negativo Negativo Negativo Negativo Positivo Negativo Negativo (ACF > PCF) (ACO < PCO) (PP > AP) (ACF > PCF) (ACO > PCO) (PP > AP) (ACF < PCF) (ACO > PCO) (PP > AP) (ACF < PCF) (ACO > PCO) (PP < AP) (ACO < PCF) (ACO < PCO) (PP < AP) (ACF > PCF) (ACO < PCO) (PP < AP) Significado representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: aplicação de recursos fonte de recursos fonte de recursos aplicação de recursos aplicação de recursos fonte de recursos fonte de recursos aplicação de recursos fonte de recursos fonte de recursos aplicação de recursos aplicação de recursos fonte de recursos fonte de recursos aplicação de recursos aplicação de recursos fonte de recursos aplicação de recursos Em que: ACF = ativo circulante financeiro ACO = ativo circulante operacional AP = ativo permanente PCF = passivo circulante financeiro PCO = passivo circulante operacional PP = passivo permanente ST = saldo da tesouraria NCG = necessidade de capital de giro CDG = capital disponível de giro Fonte: Elaborado a partir de Braga (1991, apud NASCIMENTO et al., 2012, p.46) Vieira (2008) explica cada tipo de estrutura de balanço patrimonial gerencial (QUADRO 2) da seguinte forma: Tipo 1: Trata-se de uma gestão financeira sólida e de baixo nível de riscos. A necessidade de capital de giro (NCG) representa uma fonte de recursos operacionais (ciclo 52 financeiro negativo – NCG < 0). A NCG e o CDG (capital disponível de giro) são aplicados no saldo da tesouraria (T) no curto prazo. Tipo 2: Situação de conforto financeiro em que as disponibilidades de recursos de longo prazo estão aplicadas no curto prazo. Os recursos de longo prazo do CDG (CDG > 0) são suficientes para financiar a NCG (NCG > 0) e dispõe de excedente para o saldo de tesouraria (T >0). Menor nível de risco. Tipo 3: Nessa situação a NCG é positiva (NCG > 0) e a demanda operacional é financiada por recursos de longo prazo do CDG (CDG > 0) e de recursos de curto prazo de T (T < 0). Situação mais encontrada nas empresas brasileiras. Tipo 4: Trata-se da estrutura de pior situação financeira. A NCG é positiva e o CDG e T negativos. Situação de alto risco, já que a empresa dependerá de empréstimos bancários de curto prazo para financiar suas atividades. Tipo 5: Situação delicada onde o CGD é negativo e os financiamentos de longo prazo são financiados por recursos originários do ciclo financeiro (NCG < 0) e das instituições financeiras (T < 0). Tipo 6: Estrutura das empresas de ciclo financeiro negativo (CF < 0). A NCG sendo menor que 0 é fonte de recursos operacionais, que é suficiente para financiar o saldo de longo prazo (CDG < 0) e permitir excedente para aplicação (T > 0). Quadro 3. Qualidade da situação financeira em termos de risco de insolvência Excelente Sólida Arriscada Insatisfatória Ruim Péssima CCL > 0 IOG < 0, sendo CCL >IOG CCL > 0 IOG > 0, sendo CCL >IOG CCL < 0 IOG < 0, sendo CCL >IOG CCL > 0 IOG > 0, sendo CCL <IOG CCL < 0 IOG < 0, sendo CCL <IOG CCL < 0 IOG > 0, sendo CCL <IOG ST > 0 ST > 0 ST > 0 ST < 0 ST < 0 ST < 0 Fonte: Braga, Nossa e Marques (2004 apud NASCIMENTO et al., 2012, p. 47) Em que: CCL =capital circulante líquido ou CGD = capital de giro disponível IOG = investimento operacional em giro ou NCG = necessidade de capital de giro ST = Saldo de tesouraria 53 Uma estrutura financeira excelente é aquela em que a empresa tem uma necessidade de capital de giro negativa, seu capital circulante líquido é positivo e seu saldo em tesouraria também é positivo, mostrando uma folga financeira. (QUADRO 3) Uma estrutura sólida possui uma necessidade de capital em giro positiva, mas o saldo de tesouraria e o capital circulante líquido conseguem suprir essa necessidade. (QUADRO 3) A empresa passa a ter uma situação financeira arriscada quando apesar de seu saldo em tesouraria ser positivo, seu capital circulante líquido é negativo e sua necessidade de capital de giro é positiva. (QUADRO 3) Quando a empresa passa a ter seu saldo de tesouraria negativo sua situação financeira passa a ficar preocupante. Com uma necessidade de capital de giro positiva e um capital circulante líquido negativo a empresa mostra uma péssima situação. Segundo Braga (1991 apud NASCIMENTO et al., 2012) diante das relações das variáveis apresentadas torna-se possível avaliar a estrutura financeira de uma empresa. O modelo dinâmico fornece explicações mais completas e organizadas sobre a situação financeira, através de seus índices. 4.2.2 Necessidade de capital de giro e saldo em tesouraria O ciclo operacional de uma empresa corresponde ao período em que são alocados recursos nas atividades operacionais da empresa e que não há entrada de caixa corresponde. Quando o prazo de pagamento a fornecedores é menor que o de recebimentos de clientes a empresa deverá buscar financiamentos para dar procedimento as suas atividades. (SATO, 2007) Segundo Vieira (2008) a reclassificação do balanço da empresa reflete o seu ciclo financeiro que está intimamente relacionado com a necessidade de capital de giro da empresa (NCG). A necessidade de capital de giro é encontrada através da diferença entre os ativos operacionais e os passivos operacionais e representa uma demanda operacional de recursos permanentes e de longo prazo. = − 54 Em que: NCG = necessidade de capital de giro ACO = ativo circulante operacional PCO = passivo circulante operacional Segundo Silva (2005, apud CRUZ; BRESSAN, 2011) quando o ciclo operacional for maior que o prazo médio de pagamentos a NCG é positiva e quando o ciclo operacional for menor que o prazo médio de pagamentos a NCG é negativa. O volume da atividade (produção e venda) e o ciclo financeiro de uma empresa que irão definir o nível de investimento em capital de giro. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) Conforme Monteiro (2003, apud CRUZ; BRESSAN, 2011) com o aumento nos negócios de uma empresa o capital de giro disponível deve acompanhar a evolução da mesma e se isso não ocorrer, a empresa tende a utilizar fontes de recursos de curto prazo, apresentando assim um saldo de tesouraria (T) negativo. Essa situação é conhecida como “efeito tesoura”. Monitorar o saldo de tesouraria para evitar que ele fique negativo e crescente é papel fundamental da diretoria financeira. Um saldo de tesouraria crescentemente negativo mostra uma estrutura financeira inadequada e a dependência da empresa em buscar constantemente recursos de terceiros. O capital de giro da empresa deve ser suficiente e acompanhar as suas necessidades. (FLEURIET; KEHDY; BLANC, 2003) Quando a necessidade de capital em giro se torna maior que o capital de giro disponível e o saldo de tesouraria, tem-se o chamado efeito tesoura. (FIG. 10) À medida que a necessidade de capital de giro é financiada com recursos de curto prazo, aumenta-se a distância essa necessidade e o capital de giro disponível, aumentando o efeito tesoura da empresa. A empresa com saldo negativo em tesouraria não consegue financiar suas atividades de forma adequada. (ASSAF NETO, 2010) 55 Em que: ST = saldo de tesouraria CDG = capital disponível de giro NCG = necessidade de capital de giro Figura 10. Representação gráfica do “Efeito Tesoura” Fonte: Vieira (2005 apud SATO, 2007, p.80) Segundo Vieira (2008) a empresa deveria dispor sempre de capital de giro para suas atividades operacionais. O saldo de tesouraria representa, segundo ele, a indicação da situação financeira da empresa e seu monitoramento deve ser uma das prioridades da gestão das empresas. A equação que define o saldo de tesouraria é: = − Em que: ST = saldo de tesouraria CDG = capital disponível de giro NCG = necessidade de capital de giro Como a necessidade de capital de giro é uma demanda operacional de recursos de longo prazo, o aconselhável é que ela seja financiada por recursos também de longo prazo. Assim, o saldo da tesouraria se mantém positivo, indicando que a empresa possui um excedente para realizar aplicações em atividades de curto prazo. (VIEIRA, 2008) 56 Para Assaf Neto e Silva (2012) o saldo do disponível, como é chamado por eles o saldo da tesouraria, é uma reserva financeira da empresa para eventuais expansões da necessidade de investimento operacional. 4.3 Overtrading – superexpansão das vendas A necessidade de capital em giro da empresa aumentará caso suas vendas aumentem. Segundo Assaf Net e Silva (2012) overtrading é um conceito que se refere a uma expansão de atividades de uma empresa sem que a empresa tenha os recursos necessários para financiar essa demanda adicional de capital de giro (efeito tesoura). Quando a capacidade de financiar seu negócio se reduz, reduz-se também a margem de segurança de uma empresa. Uma expansão na produção e vendas sem sustentação financeira necessária pode levar a empresa a problemas de lucratividade, inadimplência e estoques volumosos. Para a manutenção do equilíbrio financeiro o CCL (capital circulante líquido, mesmo que CDG, capital disponível de giro) precisa ser superior a NIG (necessidade de investimento em giro, mesmo NCG, necessidade de capital de giro) para financiar os investimentos e compor também uma reserva financeira. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) 4.4 Cálculo da necessidade de investimento em capital de giro através do ciclo financeiro O volume de recursos necessários no saldo disponível vai depender da sincronia do ciclo financeiro. As empresas que não conseguem sincronizar seus prazos de pagamentos e recebimentos provavelmente terão maior necessidade de saldo de disponível. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) =( + + + )− ( + ) Em que: NIG = necessidade de investimento em giro (ou NCG, necessidade de capital de giro) 57 PME = prazo médio de estocagem da matéria-prima é = − é − PMF = prazo médio de fabricação = PMV = prazo médio de vendas = PMC = prazo médio de cobrança = PMPF = prazo médio de pagamento a fornecedores = PMPD = prazo médio de pagamento das despesas operacionais = Conhecendo o ciclo financeiro e operacional da empresa é possível obter também a necessidade de investimento em giro (NIG) ou necessidade de capital de giro (NCG). A empresa conhecendo seus prazos médios poderá controlar esses prazos, os aumentando e diminuindo para obter uma melhor situação financeira. 58 4.5 Planejamento financeiro Um dos principais objetivos do planejamento é manter o equilíbrio financeiro da empresa através da atenção voltada ao saldo da tesouraria (T). O foco do processo está em decidir de que forma o capital de giro (CDG) deve ser planejado para que possa financiar a necessidade de capital de giro (NCG) da empresa, bem como a sua necessidade total de financiamento permanente (NTFP). (VIEIRA, 2008) ST CGD NCG Fontes de curto prazo (menos) Aplicações de curto prazo Fontes (Passivo) de longo prazo (menos) Aplicações (Ativo) de longo prazo Aplicações Operacionais (menos) = - Fontes Operacionais NTFP Necessidade de Capital de Giro (vezes) Aplicações (Ativo) de longo prazo Em que: ST = saldo da tesouraria CGD = capital de giro disponível NCG = necessidade de capital de giro NTFP = necessidade total de financiamento permanente Figura 11. Grupos que formam as variáveis chaves Fonte: VIEIRA (2008, p. 215) As variáveis chaves do modelo dinâmico estão ligadas as variáveis de planejamento. Para se obter a estrutura almejada, onde são relacionadas a ST, CGD, NCG e NTFP a empresa deve planejar e controlar as variáveis do planejamento, aumentando ou diminuindo vendas, prazos de atividades, investimentos, financiamentos. 59 Caixa e bancos Aplic. Financeiras Autofinanciamento Dividendos Var. Exigível LP Var. Capital Ciclo Financeiro CF Empréstimos Financiamentos Debêntures Etc Var. Permanente Var. Realizável LP Variação das Vendas Figura 12. Variáveis de planejamento Fonte: VIEIRA (2008, p. 215) Segundo Vieira (2008) o processo de planejamento pode seguir as etapas a seguir: a) NCG e sua variação a1. Determinação do nível de vendas (operacional): pode ocorrer por variações de preços ou crescimento nas unidades vendidas; a2. Planejamento do ciclo financeiro: trata-se do planejamento dos prazos referente a estoques, contas a pagar a fornecedores e contas a receber de clientes. b) CDG e sua variação b1. Determinação do autofinanciamento (operacional): verifica o impacto das operações no resultado de caixa; b2. Planejamento do montante de dividendos: quanto maior a distribuição de dividendos menor os recursos disponíveis para investimento na empresa; b3. Dimensionamento dos novos investimentos e desinvestimentos: define o quanto pode ser investido no grupo de permanente da empresa e como a venda de itens permanentes impactará no CDG (capital disponível de giro); b4. Novas contratações de exigíveis de longo prazo e de capital de acionistas (estratégico): para suprir a necessidade de capital de giro a empresa poderá utilizar essas fontes de recursos. c) T e sua variação (resultado das etapas anteriores) c1. Planejamento de caixa, bancos e aplicações financeiras: planejamento do disponível da empresa, que é o resultado das demais contas; c2. Planejamento do pagamento ou contratação de endividamento de curto prazo (tático): para um saldo negativo de tesouraria, a empresa aumenta seu endividamento 60 de curto prazo ou diminui seu disponível e, para um saldo positivo de tesouraria, a empresa aumenta seu disponível e diminui seu endividamento de curto prazo (T = CDG – NCG). 4.6 Políticas de financiamento da empresa A tomada de decisões envolve riscos e na gestão financeira as decisões avaliarão o risco assumido e o retorno esperado. Diante das alternativas da política restritiva, da política moderada e da política agressiva, a empresa obtém diferentes níveis de risco e retorno. (VIEIRA, 2008) Segundo Vieira (2008) a política restritiva tende a minimizar os investimentos no capital de giro, mantendo volumes menores nas contas operacionais. Numa política moderada a empresa financia seu ativo circulante permanente com recursos de longo prazo e seu ativo circulante temporário com recursos de curto prazo buscando o equilíbrio financeiro. (ASSAF NETO; LIMA, 2010) Para Ehrhardt e Brigham (2012) nessa política conservadora, os investimentos em ativos permanentes e temporários são financiados com capital de longo prazo. Apenas uma pequena quantidade de capital de curto prazo é utilizada para atender algumas necessidades sazonais. A política agressiva utiliza-se de dívidas de curto prazo para o financiamento de parte dos ativos permanentes da empresa. É um tipo de investimento arriscado e não conservador e que é adotado muitas vezes devido à taxa de juros. As taxa de juros nos empréstimos de curto prazo tendem a ser menores que a taxa nos empréstimos de longo prazo. Um grande problema que pode ocorrer é o agente financiador não renovar o empréstimo e a empresa não tendo condições de sanar suas dívidas de curto prazo entrar em falência. (EHRHARDT; BRIGHAM, 2012) 61 Estratégia Características Básicas Ortodoxa CDG = NCG LP T = NCG SAZONAL CDG = NCG LP Conservadora CDG + T = NCG SAZONAL CDG + T = NCG LP Agressiva Arriscada T = NCG SAZONAL CDG < 0 (CDG negativo = Aplicação) T = NCG LP + NCG SAZONAL + CDG Em que: T = saldo da tesouraria NCG = necessidade de capital de giro CDG = capital disponível de giro Figura 13. Descrição sintética das estratégias de financiamento Fonte: VIEIRA (2008, p. 225) Para Vieira (2008) em situações agressivas a empresa financia aplicações temporárias e parte das não temporárias com recursos de curto prazo. Na política moderada, a empresa financia capital de longo prazo (próprio ou de terceiros) para financiar seu permanente e parte das necessidades sazonais. Na política restritiva ou ortodoxa, a empresa aborda a sincronização de vencimentos em que as aplicações de curto prazo se convertem em dinheiro em curto tempo e são financiadas com recursos de curto prazo. A estratégia agressiva funciona com um mínimo capital circulante líquido e necessita de fontes de recursos de curto prazo para suas necessidades sazonais. Apesar do custo mais baixo e de proporcionar maior lucratividade, seu risco é também maior. Já a estratégia conservadora, apesar de ser menos lucrativa, tem risco menor, pois não exige que a empresa utilize sua capacidade de empréstimo de curto prazo. (GITMAN; MADURA, 2003) Segundo Assaf Neto e Lima (2010) a empresa ao optar por recursos mais baratos, os de curto prazo, aumentará sua rentabilidade, mas em consequência aumentará seu risco, pois 62 ela terá a necessidade de sempre buscar recursos no mercado toda vez que surgirem saídas inesperadas no circulante. Assim os gestores deverão analisar a relação risco x retorno em optar por um dos tipos de políticas descritas, buscarem equilíbrio e segurança, sem deixar de remunerar seus proprietários com o valor mínimo exigido por eles. Os métodos de avaliação financeira e seus instrumentos podem ajudar os gestores a tomar melhores decisões. (GROPPELLI; NIKBAKHT, 1998) 63 5 ADMINISTRAÇÃO DO GRUPO DE CONTAS DO CAPITAL DE GIRO A administração financeira de curto prazo compreende em gerenciar o ativo circulante e o passivo circulante da empresa. O objetivo é avaliar o nível de investimento em ativos circulantes e o montante de financiamento no passivo circulante. Trata-se da gestão dos ativos circulantes: caixa, estoques, contas a receber, títulos negociáveis, e dos passivos circulantes: contas a pagar, duplicatas a pagar, provisões. (GITMAN; MADURA, 2003) 5.1 Administração do disponível Para Assaf Neto e Silva (2012) o saldo do caixa numa situação ideal deveria ser zero, mas devido a fatores como incerteza dos fluxos de caixa, custo do dinheiro e inflação, a empresa deve manter um nível mínimo de caixa para suas atividades e para honrar seus compromissos. Gitman (1997) e Assaf Neto e Silva (2012) explicam que existem três motivos para que a empresa mantenha um nível mínimo de caixa: o motivo de transação, o motivo de precaução e o motivo de especulação. Utiliza-se o saldo de caixa para fins transacionais, como pagamentos previstos como salários e matérias-primas. Se houvesse sincronia nos prazos de pagamento e recebimento da empresa a demanda de caixa para transação não seria necessária. (GITMAN, 1997) O segundo motivo que leva a empresa a manter um nível mínimo de caixa é o de precaução. Devido ao risco que a empresa corre, esses recursos são utilizados em possíveis eventualidades, como a inadimplência de clientes, o não acesso a financiamentos ou seu alto custo, furtos e desfalques, etc.(ASSAF NETO; SILVA, 2012) O terceiro motivo é o de especulação. A empresa poderá ter uma oportunidade inesperada em seus negócios e necessitará de caixa para aproveitá-la. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) A utilização e acompanhamento de procedimentos contábeis e financeiros permitem controle e ajustes nas atividades da empresa. Monitorar a evolução do caixa possibilita a 64 empresar toma medidas preventivas para assegurar a disponibilidade de recursos para atender suas necessidades. Os fluxos de caixa permitem ao gestor o acompanhamento de entradas e saídas de caixa, a observação de períodos deficitários e superavitários. (KUSTER; KUSTER; KUSTER, 2010) 5.1.1 Modelos de administração de caixa Segundo Gitman e Madura (2003) a administração financeira de curto prazo deve partir do entendimento do ciclo de caixa da empresa, que representa o ciclo operacional menos o ciclo médio de pagamentos. O ciclo de caixa da empresa é conhecido, conforme exposto por Assaf e Neto (2012) como o ciclo financeiro da empresa: = − − Em que: CF = ciclo financeiro CO = ciclo operacional PMPF = prazo médio de pagamento a fornecedores PMDD = prazo médio de desconto de duplicatas Assaf Neto e Silva (2012) expõem quatro modelos para a administração de caixa: o modelo de caixa mínimo operacional, o modelo de Baumol, o modelo de Miller e Orr e o modelo de dia da semana. Todos eles vão determinar o caixa mínimo que a empresa deve manter. O caixa mínimo operacional é obtido através da seguinte equação segundo Assaf Neto e Silva (2012): í Em que: DL = projeção de desembolsos totais líquidos; = 65 GC = giro de caixa. = çã Em que: CF = ciclo financeiro Para obter o giro de caixa divide-se o período de projeção (exemplo, 360 dias caso o período de projeção seja de um ano), pelo ciclo de caixa ou ciclo financeiro (CF, período entre o pagamento da compra até o momento de recebimento da venda). Outro modelo para administração do caixa é o modelo de Baumol. O modelo Baumol (nome do pesquisador que usa conceito econômico de compra) é aplicado quando há entradas periódicas e saídas constantes de caixa. (ASSAF NETO; SILVA, 2012). Ele é aplicado quando as entradas e saídas de caixa são previstas com certeza e é um modelo que considera os custos da manutenção dos saldos de caixa transacionais. (GITMAN, 1997). Figura 14. Modelo de Baumol Fonte: ASSAF NETO; SILVA (2012, p. 105) O modelo Baumol transforma um fluxo em diversos, considera entradas e saídas constantes de caixa e o custo de cada operação e resgate. 66 Segundo Assaf e Silva (2012) o modelo Baumol considera fluxos de pagamentos constantes e fluxos de recebimentos periódicos. Ele transforma um fluxo regular em diversos fluxos através da aplicação desses recebimentos, obtendo um ganho na forma de juros. Contudo, para cada transação existe um custo de impostos de transações financeiras ou tempo desprendido pelo funcionário para solicitar a operação. Levando em consideração os custos, a empresa pode verificar em quantas parcelas o recebimento original pode ser dividido, maximizando seu lucro. = [(0,5 ) / ] Em que: N= número de operações que serão realizadas no período i= taxa de juros da aplicação financeira R = montante recebido periodicamente b = custo de cada operação ou resgate O modelo de Miller e Orr é um modelo de administração financeira em situações onde os fluxos de caixa são imprevistos e aleatórios. Esse modelo busca determinar um saldo mínimo e um saldo máximo de caixa e, assim como o modelo Baumol, leva em consideração dois ativos: o caixa e o investimento. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) Quando o saldo da empresa estiver abaixo do limite inferior admitido há um resgate da aplicação e quando o saldo estiver acima do limite superior admitido, há uma aplicação de recursos, evitando excesso de liquidez. O resgate e a aplicação ocorrem para que a flutuação do caixa fique dentro de um intervalo. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) 67 Em que: z* = ponto de retorno; m* = valor de caixa mínimo; h* = valor de caixa máximo. Figura 15. Modelo Miller- Orr Fonte: ASSAF NETO; SILVA (2012, p. 109) Nesse modelo de gestão do disponível, a empresa projeta o seu fluxo de caixa e através do conhecimento do valor de caixa mínimo e valor de caixa máximo. Considera fluxos de caixa aleatórios. Prevendo o caixa mínimo e o caixa máximo é possível aumentar ou diminuir seus investimentos para que não falte ou sobre investimentos em caixa. Segundo Assaf Neto e Silva (2012) o ponto de retorno para a empresa resgatar ou investir é dado pela fórmula: ∗= + (0,75 ) Em que: z* = ponto de retorno; m = valor de caixa mínimo; b = custo de cada transação (investimento ou resgate); 68 δ2= variância diária do caixa; i = taxa de juros diários. A variância é encontrada pela fórmula: =( é − )2 FC = fluxos de caixa Outro modelo abordado por Assaf Neto e Silva (2012) é o modelo de dia da semana que observa quais os dias que a empresa terá mais ou menos fluxos de caixa e, conhecendo os fluxos previstos no mês, atribui a cada dia um percentual. Esse modelo prevê como se comportará o caixa através de uma observação anterior. A utilização dos modelos de administração de caixa é limitada pelas características de cada empresa e do seu administrador. Um administrador que arrisca mais investe menos em caixa. Outro fator que delimita a utilização desses modelos é a forma de considerar os fluxos de caixa como “determinísticos” ou “probabilísticos”. Baumol leva em consideração fluxos já definidos e Miller e Orr fluxos aleatórios, mas na realidade os fluxos de caixa não são nem totalmente aleatórios e nem totalmente determinados. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) Assaf Neto e Silva (2012) consideram que o fluxo de caixa projetado permite a empresa gerir seu disponível avaliando o risco de liquidez. Os fluxos de caixa quando projetado informa de todos os recebimentos e pagamentos que ocorrerão no futuro e pode fazer com que a empresa aumente seu valor, pois poderá trabalhar com menores volumes de recursos no disponível, utilizando o excesso de caixa em investimentos. Os modelos de administração de caixa e os fluxos de caixa são instrumentos que auxiliam na decisão sobre o nível ideal de liquidez da empresa. A decisão de se manter mais ou menos caixa deve levar em consideração o custo para manter essa liquidez e o custo da provável falta de liquidez. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) 69 5.2 Administração de Valores a Receber Apesar de as empresas preferirem as vendas à vista, vender a prazo, segundo Ehrhardt e Brigham (2012), faz com uma empresa aumente suas vendas. A gestão de valores a receber começa com a política de crédito da empresa seguida de um monitoramento para verificar se as condições estabelecidas estão sendo cumpridas. Segundo Assaf Neto e Silva (2012) ao definir sua política de crédito a empresa deve avaliar seus fluxos de caixa e o investimento necessário para colocar essa política em prática. As principais medidas definidas por esses autores são os investimentos de capital, o investimento em estoque, as despesas de cobrança e as despesas com créditos de liquidação duvidosa. Um aumento nas vendas ocasionado pelas vendas a prazo pode fazer com que, a empresa necessite de imediato de recursos para um investimento adicional de capital. Quanto maiores suas vendas, a empresa necessitará também de maiores recursos para manter seu estoque. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) As despesas de cobrança variam de acordo com risco do cliente. Trata-se de despesas vindas do departamento de cobrança como o tempo desprendido para cobrança a clientes inadimplentes, etc. A despesa com devedores duvidosos leva em consideração o tempo da duplicata não paga e a probabilidade da mesma não ser quitada. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) Para Ehrhardt e Brigham (2012) e Assaf Neto e Silva (2012) a política de crédito de uma empresa varia devido a quatro fatores: período de crédito, descontos, padrões de crédito e política de cobrança. a) Período de crédito: o prazo de crédito concedido a um cliente vai depender de fatores como probabilidade de pagamento (qualidade do cliente), taxa de juros, quantidade de vezes que o cliente compra a prazo, etc.; b) Descontos: quando o pagamento é feito a vista ou em um prazo menor a empresa pode conceder desconto, levando em consideração se ele será vantajoso ou não. O desconto deve ser concedido quando os fluxos de caixa a valor presente forem superiores ao valor original; 70 c) Padrões de crédito: caso a empresa deseje aumentar suas vendas, determinará padrões de crédito mais fáceis de ser atingidos pelas empresas. Contudo, a inadimplência e a probabilidade de devedores duvidosos devem aumentar; d) Política de cobrança: uma política de cobrança severa pode diminuir as vendas da empresa, pois os clientes poderão realizar compras futuras em um concorrente. Quadro 4. Relação entre medidas de crédito e elementos de uma política de crédito Padrões de Prazo de Descontos Política de Crédito Crédito Financeiros Cobrança Frouxo Restrito Amplo Pequeno Grande Pequeno Liberal Rígida Volume de Vendas Despesas de Crédito Investimentos em Valores a Receber + - + - + - + - + - + - - + + - + - + - - + + - Fonte: Martins; Assaf Neto (1985, p. 333) O volume de vendas da empresa vai depender das medidas e elementos da política de crédito. Esse volume aumentará se a empresa conceder crédito mais facilmente, os prazos de crédito e descontos financeiros forem maiores, e se a empresa tiver uma política de cobrança branda ou liberal. Quanto maior o volume e o prazo de crédito concedido maior serão as despesas com créditos e maiores serão os investimentos necessários em valores a receber. Quanto mais liberal a política de cobrança, maiores serão também essas despesas e investimentos. Definida a política de crédito que a empresa utilizará, o próximo passo é a concessão de crédito ao cliente. Uma abordagem utilizada para decidir sobre a concessão ou não do crédito ao cliente é a abordagem dos cinco C’s do crédito, que avalia cinco fatores: caráter, capacidade, capital, condições e garantias (collateral em inglês). Cada cliente receberá da empresa uma resposta individual. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) Gitman (1997) explica que geralmente os analistas priorizam os dois primeiros C’s, caráter e capacidade. O primeiro considera o histórico do cliente e se ele cumpre suas 71 obrigações contratuais e morais. O segundo fator, a capacidade verifica o potencial da empresa, analisando seus índices de liquidez e endividamento. Segundo Assaf Neto e Silva (2012) a abordagem dos cinco C’s é frágil, pois depende do julgamento individual e da experiência do funcionário responsável pela análise. Outra forma para a análise da concessão de crédito ao cliente mais científica é o sistema de pontuação. Esse sistema abrange aspectos como situação patrimonial, garantias, etc. e, leva em consideração o comportamento histórico dos clientes da empresa. Ao escolher uma política de crédito, o risco deve ser levado em consideração. Quanto mais diversificada a política de crédito da empresa e quanto menor o prazo médio para recebimento menor será o risco. A lucratividade obtida com a política de crédito deve vantajosa comparada com o risco que a empresa assume. O valor presente líquido é a medida de rentabilidade que deve ser utilizada ao analisar as políticas de crédito. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) 5.3 Administração financeira de estoques e decisões de estocagem Os estoques para uma empresa comercial é o conjunto de mercadorias disponíveis para a venda e para uma empresa industrial, trata-se da matéria-prima adquirida, estando ela em transformação ou já transformada (produto acabado). Para uma empresa de serviços, o estoque é o material disponível para o desempenho da atividade. (MARION, 2009) Gitman (1997) destaca cinco técnicas utilizadas para a administração de estoques: o sistema ABC, o modelo de lote econômico de compra (LEC), o ponto de reencomenda, o sistema MRP (materials requirement planning) e o sistema just-in-time (JIT). O primeiro sistema classifica os estoques em categorias A, B e C. A categoria A tratase dos itens que necessitam de maior investimento. A categoria C requer menos investimentos e a categoria B é a categoria intermediária. Essa técnica permite que a empresa determine o nível e os procedimentos para controle do estoque (GITMAN, 1997) O modelo de lote econômico de compra (LEC) segundo Assaf Neto e Silva (2012) é um dos modelos mais utilizados na administração financeira. Nesse modelo a empresa 72 considera uma demanda constante de um produto e cada estoque é analisado independentemente, o que significa que a gestão de um produto não afeta a gestão de outro. Segundo Gitman (1997), Assaf Neto e Silva (2012) o objetivo do modelo de lote econômico de compra (LEC) é encontrar a quantidade que deve ser mantida em estoque, minimizando os custos. Ele indica também de quanto em quanto tempo uma empresa deve efetuar suas compras. Figura 16. Lote econômico de compra Fonte: Assaf Neto; Silva (2012, p. 199) Além da demanda conhecida, o lote econômico de compra considera que não existem descontos, pois considera os incentivos internos da empresa no processo de decisão de estocagem. Considera a rentabilidade e a inexistência de risco, o recebimento instantâneo de estoque e a não alteração de preços. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) O custo total do estoque é formado pela soma dos custos de estocagem e de emissão do pedido. Aluguel, segurança, financiamento de estoques, custo de oportunidade são exemplos de custos de estocagem. O número de funcionários que trabalham no setor de material, custo para preencher um pedido de compra são exemplos de custos de pedido. (GITMAN, 1997) Conforme Assaf Neto e Silva (2012) o custo de estocagem total e dado pela seguinte fórmula: = Em que: 2 73 CET = custo de estocagem total; Ce = custo de estocagem de cada unidade; Q = quantidade de cada pedido. O custo do pedido total é dado pelo custo de cada pedido individual multiplicado pela quantidade de pedidos realizados: = º Em que: CPT = custo de pedido total; Cp= custo de cada pedido. ú = Em que: V = vendas; Q = quantidade de vendas Para o cálculo do custo total do estoque temos: = + 2 74 Figura 17. Custo total de estocagem Fonte: Assaf Neto; Silva (2012, p. 204) Quanto maior a quantidade de pedidos maior o custo de estocagem de cada produto e quanto maior a quantidade de pedidos menor o custo por pedido. (FIG.17) O ponto de reencomenda segundo Gitman (1997) é calculado após a empresa ter calculado seu lote econômico de compra (LEC). Se estiverem corretas as estimativas do tempo de reposição de estoques, os produtos serão recebidos quando o estoque da empresa for zero. O ponto de reencomenda é calculado: = çã , á Outro sistema abordado por Gitman (1997), Assaf Net e Silva (2012) é o sistema MRP (materials requirement planning) que utiliza os conceitos do lote econômico de compra (LEC) e da informatização. Levando em consideração o tempo de fabricação de um produto ele determina quando as ordens de compra devem ser emitidas para cada item de insumo. Objetiva cumprir os prazos de entregas com um estoque mínimo. O sistema just-in–time é uma filosofia criada no Japão que supõe que a empresa deve produzir somente o que tiver demanda. Baseia-se na eliminação total do estoque e na produção considerando a sua demanda. Ao contrário do lote econômico de compras (LEC) em que o tempo de compra é determinado, no sistema just-in-time, a quantidade e o tempo de compra dependerão dessa variável (demanda) de condições externas. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) 75 Segundo Gitman (1997) e Assaf Neto (2012) o sistema just-in–time tem como objetivo a eficiência na produção, pois trabalha com estoque reduzido e tenta diminuir o número de defeitos dos produtos através de um controle de qualidade. Esse sistema também busca a pontualidade nas entregas das vendas. Para definir o nível de estoque que a empresa deve manter é necessário analisar a rentabilidade de tal decisão, avaliando os custos desse investimento e os retornos que serão obtidos. Na prática, a quantidade de estoques que a empresa necessitará é imprevisível. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) A falta de produtos para oferecer a seus clientes, fará com que a empresa perca sua credibilidade no mercado. Trabalhar com um volume de estoque de segurança reduz a chance de um cliente não ser atendido. A relação entre o investimento em estoque e a disponibilidade do produto (nível de serviço) é crescente exponencialmente. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) Figura 18. Relação entre nível de serviço e investimento em estoque Fonte: Assaf Neto; Silva (2012, p. 239) Observa-se que quanto maior o estoque maior será o nível de serviço da empresa, diminuindo as possibilidades de um cliente não ser atendido. (FIG. 18) 76 5.4 Administração de contas a pagar Segundo Ehrhardt e Brigham (2012) o crédito comercial origina-se de transações comerciais, sendo assim fonte de financiamento espontânea, ou seja, aquelas que acontecem no curso normal das atividades operacionais. Pequenas empresas dependem muito desse crédito comercial, já que muitas vezes, elas encontram dificuldades em obter financiamento de outras fontes. Para Gitman (1997) as duplicatas a pagar são a principal fonte de financiamento de curto prazo e as condições de crédito fornecidas pelo vendedor geralmente estão estipulados na fatura, como o período de crédito e o desconto financeiro. O período de crédito trata-se do tempo (número de dias) que o fornecedor concede a empresa para o pagamento total da duplicata. O fornecedor pode também oferecer a empresa um desconto financeiro, caso a empresa pague a duplicata antes da data de vencimento. Cabe à empresa analisar as condições de crédito e optar por aceitar ou não um desconto financeiro. Gitman (1997) calcula o custo do não aproveitamento do desconto financeiro através da seguinte equação: = 360 100% − Em que: C = custo do não aproveitamento do desconto financeiro; DF = desconto financeiro em percentual; N = número de dias em que o pagamento poderá ser adiado, optando pela não utilização do desconto financeiro. Caso o custo da não aceitação de um desconto financeiro seja maior que o custo de um empréstimo bancário a empresa deve optar por pagar a duplicata antecipadamente. As empresas possuem também contas a pagar resultantes de obrigações por serviços recebidos, como salários e impostos. São obrigações que não se pode manobrar, pois os 77 impostos são pagamentos ao governo e os salários têm seu período de pagamento regulamentado pelos sindicatos e por legislação estadual e federal. (GITMAN, 1997) 5.5 Administração de financiamentos de curto prazo Dependendo da política de financiamento da empresa menor ou maior será seu volume de financiamento de curto prazo. Na política agressiva maior será a utilização de dívida de curto prazo, já a política conservadora utilizará o mínimo desse tipo de financiamento. (EHRHARDT; BRIGHAM, 2012) Ehrhardt e Brigham (2012) explicam que apesar de um financiamento de curto prazo ser mais arriscado, ele possui vantagens. Um financiamento de curto prazo é mais rápido de se conseguir, seus contratos são menos restritivos, os juros são menores do que em um empréstimo de longo prazo. O banco ao conceder um empréstimo de curto prazo visa financiar necessidades sazonais das empresas ocasionadas por um aumento de estoques ou duplicatas a pagar por exemplo. A taxa de juros cobrada pelo banco poderá ser fixa ou flutuante. (GITMAN, 1997) A taxa de juros cobrada pelo banco vai depender do cliente e do valor do empréstimo. Um cliente que representa maior risco pagará taxa de juros maiores e, quanto menor o valor do empréstimo maior a taxa, pois maiores são os custos fixos envolvidos na contratação. (EHRHARDT; BRIGHAM, 2012) Uma desvantagem nesse tipo de financiamento é que, uma empresa ao contratar muitos empréstimos de curto prazo, pode não cumprir com suas obrigações de saldar suas dívidas no caso de uma recessão temporária. Caso não consiga renovar seus empréstimos, devido à má situação financeira, a empresa poderá falir. (EHRHARDT; BRIGHAM, 2012) A nota promissória é um tipo de empréstimo feito quando o tomador necessita de fundos adicionais de curto prazo e acredita que essa necessidade cessará. Depende da assinatura do tomador e é pagável de uma só vez no vencimento. (GITMAN, 1997) 78 Para Ehrhardt e Brigham (2012) a nota promissória pode ser paga através de uma quantia fixa ou em uma série de parcelas. Esse documento especifica o valor do empréstimo, os juros, as condições de pagamentos, garantias. A emissão de comercial paper pela empresa é outra forma dela buscar financiamento. São títulos negociáveis que somente grandes empresas, de situação financeira sólida podem emitir. São adquiridos por outras empresas, bancos companhias de seguros, etc. e são reservas de liquidez que rende juros. (GITMAN, 1997) Há empréstimos de curto prazo com garantia. São aqueles que o credor e o tomador do empréstimo realizam um acordo através de um contrato de garantia. Esse contrato especifica o colateral empenhado para garantir o empréstimo. Caso haja inadimplência, o credor terá direito sobre ativos do tomador, apesar dele preferir receber o que lhe é devido. (GITMAN, 1997) Segundo Ehrhardt e Brigham (2012) são vários os ativos que podem servir de garantia como ações ou títulos negociáveis, imobilizado, estoques e contas a receber. Outra forma da empresa obter financiamento de curto prazo é negociando suas duplicatas a receber. Existem duas formas: através de caução de duplicatas e factoring de duplicatas. Na caução de duplicatas o credor avaliará as duplicatas, e fará uma seleção com aquelas de menos riscos, para conceder o empréstimo. O factoring não envolve realmente um empréstimo, mas a venda de duplicatas com desconto. (GITMAN, 1997) Ao descontar duplicatas a empresa corre o risco de seu cliente não pagar o título. A empresa nesse caso terá que pagar o valor a seu credor, honrando com seu compromisso. 79 6 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA E APRESENTAÇÃO DOS DADOS 6.1 Empresa Analisada O estudo realizado teve como objetivo analisar o capital de giro da empresa Net Computadores Ltda. EPP. A empresa fundada em 1998 primeiramente teve suas atividades voltadas para o comércio de produtos de informática e prestação de serviços na cidade de São Pedro. A partir de 2005 foi desenvolvido um site para realização de vendas pela internet. Em 2007 essas vendas começaram a se tornar relevantes e a busca para o aperfeiçoamento se tornou maior. Sua principal atividade hoje é o e-commerce (comércio eletrônico) atuando como revenda de equipamentos de informática com foco em hardware para TI empresarial e prestação de serviços no mesmo seguimento. A empresa possui relações comerciais com empresas de tecnologia e atende todo o território nacional. Os produtos são enviados por transportadoras e pelos Correios. Seus clientes são pessoas físicas, jurídicas, órgãos governamentais, etc. Atende grandes empresas brasileiras e multinacionais que buscam soluções de problemas e qualidade no atendimento. A Net Computadores é optante do regime Simples Nacional com total de faturamento de 2009 a 2012 de R$ 7.666.509,04. A empresa possui 14 funcionários distribuídos em atividades de compras, vendas, financeiro, fiscal, rma (retorno de mercadoria adquirida), expedição, prestação de serviços e manutenção de site e sistema. Para analisar seu capital de giro e avaliar sua liquidez foi feita a reclassificação do Balanço Patrimonial dos anos de 2009 a 2012 pelo modelo dinâmico e cálculos de liquidez. 80 6.2 Apresentação dos Dados Através dos Balanços Patrimoniais, das Demonstrações dos Resultados dos Exercícios e dos índices empregados para as análises pôde-se verificar a situação financeira da empresa e de seu capital de giro. Foram coletados os balanços patrimoniais da empresa de 2009 a 2012. O Ativo é apresentado segundo as práticas contábeis por grau de liquidez crescente. (TAB.1) TABELA1: Grupo do Ativo. Balanço Patrimonial da empresa nos anos de 2009 a 2012 Nº DA CONTA 100.002-0 100.003-9 100.004-7 100.005-5 101.004-2 101.005-0 101.007-7 101.040-9 102.004-8 102.023-4 102.030-7 104.003-0 107.004-5 150.004-0 150.055-4 153.004-6 153.016-0 154.004-1 154.007-6 165.002-5 180.003-5 181.504-0 181.505-9 183.504-1 183.505-0 183.506-8 DESCRIÇÃO DA CONTA ATIVO CIRCULANTE DISPONÍVEL CAIXA GERAL CAIXA BANCOS - CONTAS CORRENTES BANCO DO BRASIL S/A. CTA 5028-2 BANCO ITAU S/A BANCO DO BRASIL CTA 15028-2 APLICAÇÕES FINANC.LIQUIDEZ IMEDIATA -FAF BANCO DO BRASIL BANCO ITAU S/A – CDB REALIZÁVEL A CURTO PRAZO DUPLICATAS A RECEBER (ORIGEM ESCRITA) ADIANTAMENTOS A FORNECEDORES CAMBIO PARA IMPORTAÇÃO IMPOSTOS A RECUPERAR / COMPENSAR INSS A RECUPERAR ESTOQUES DE MERCADORIAS PARA REVENDA MERCADORIAS P/REVENDA - ICMS ANTECIPADO. ATIVO NÃO CIRCULANTE IMOBILIZADO EQUIP, MÁQUINAS E INSTALAÇÃO INDUSTRIAL EQUIPAMENTOS PARA ESCRITORIO MÓVEIS, UTENSÍLIOS E INSTALAÇÕES MOVEIS E UTENSILIOS APARELHO - AR CONDICIONADO/EVAP-TOTALINE Total do Ativo 2009 2010 2011 2012 28.134,57 382.771,98 409.234,69 383.956,50 8.927,06 141.234,20 98.912,97 81.975,75 8.927,06 38,53 19.764,74 46.369,39 8.927,06 38,53 19.764,74 46.369,39 66.834,31 6.252,00 30.726,36 66.684,31 6.102,00 150,00 150,00 76,02 30.650,34 74.361,36 72.896,23 4.880,00 47.820,87 63.122,67 26.540,49 9.773,56 4.880,00 19.207,51 241.537,78 310.321,72 301.980,75 14.975,97 163.444,24 34.300,83 34.300,83 2,66 2,66 2,66 2,66 2,66 2,66 2,66 2,66 19.204,85 241.535,12 261.042,26 138.533,85 19.204,85 241.535,12 261.042,26 138.533,85 24.409,38 27.205,38 27.205,38 34.200,32 24.409,38 27.205,38 27.205,38 34.200,32 16.325,48 19.121,48 19.121,48 19.121,48 16.325,48 19.121,48 19.121,48 19.121,48 8.083,90 8.083,90 8.083,90 15.078,84 8.083,90 8.083,90 8.083,90 8.083,90 6.994,94 52.543,95 409.977,36 436.440,07 418.156,82 Fonte: Elaborado pela autora. Verificou-se que as contas bancos não foram contabilizadas no ano de 2009, pois não houve o envio dos extratos bancários da empresa ao contador nesse ano. As contas do passivo são apresentadas em ordem de exigibilidade. As exigíveis no prazo de um ano, dentro do exercício (passivo circulante) e as exigíveis num prazo maior que 81 um ano (passivo não circulante). O patrimônio líquido apresenta o capital próprio da empresa, sendo o capital social investido pelos sócios e os lucros acumulados. (TAB.2) TABELA 2: Grupo do Passivo. Balanço Patrimonial da empresa nos anos de 2009 a 2012 Nº DA CONTA 200.002-4 200.003-2 200.004-0 230.004-4 240.003-0 241.004-4 241.007-9 241.022-2 241.027-3 244.003-2 244.004-0 244.005-9 249.004-8 249.005-6 249.007-2 249.008-0 249.009-9 251.003-0 251.004-9 251.005-7 252.004-4 252.005-2 252.504-6 252.505-4 280.002-0 280.003-9 280.004-7 280.005-5 290.003-3 290.504-3 290.612-0 290.624-4 290.636-8 290.648-1 290.660-0 290.672-4 290.696-1 290.708-9 292.003-4 292.004-2 292.016-6 293.003-0 294.004-3 294.006-0 294.007-8 294.008-6 295.004-9 295.006-5 295.007-3 DESCRIÇÃO DA CONTA 2009 2010 2011 PASSIVO CIRCULANTE 22.540,95 109.919,98 315.797,15 FORNECEDORES - EXIGÍVEIS A CURTO PRAZO 5.233,33 84.356,46 148.858,13 FORNECEDORES - (ORIGEM - ESCRITA FISCAL) 5.233,33 84.356,46 148.491,41 FORNECEDORES - (ORIGEM - CONTABILIDADE) 366,72 EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS CURTO PRAZO 137.583,95 OUTROS EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS 137.583,95 BANCO DO BRASIL S/A - CAPITAL DE GIRO 37.583,95 ADIANTAMENTO DE CLIENTES 0,00 ANTONIO CESAR DE SANTIS OLIVEIRA 100.000,00 OBRIGAÇÕES TRABALHISTAS 8.656,64 13.603,08 13.363,50 FOLHA DE PAGAMENTO DE EMPREGADOS 6.917,76 10.968,85 10.279,19 SALARIOS A PAGAR 6.917,76 10.968,85 10.279,19 ENCARGOS SOCIAIS A PAGAR 1.738,88 2.634,23 3.084,31 INSS - EMPREGADOS A RECOLHER 619,99 1.049,38 1.205,73 FGTS A RECOLHER 949,92 1.389,00 1.558,06 CONTRIBUICOES A SINDICATOS A RECOLHER 126,80 126,80 126,80 CONTRIBUICAO SINDICAL - EMPREGADOS 42,17 69,05 193,72 OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS 8.650,98 11.960,44 15.991,57 IMPOSTOS RETIDOS A RECOLHER 51,15 IRF-RETIDO PESSOAS FISICAS - A RECOLHER. 51,15 IMPOSTOS E CONTR. S/RECEITAS A RECOLHER 12,00 108,65 26,16 ICMS A PAGAR 12,00 108,65 26,16 SISTEMA INTEGR. PAGTO. IMP/CONTR-SIMPLES 8.638,98 11.851,79 15.914,26 SIMPLES - IMPOSTOS E CONTRIB. A RECOLHER 8.638,98 11.851,79 15.914,26 P A T R I M Ô N I OL Í Q U I D O 30.003,00 300.057,38 120.642,92 CAPITAL SOCIAL 30.000,00 30.000,00 30.000,00 CAPITAL SOCIAL DE DOMICILIADOS NO PAÍS 30.000,00 30.000,00 30.000,00 CAPITAL 30.000,00 30.000,00 30.000,00 LUCROS ACUMULADOS 249.381,18 3,00 35.057,38 LUCROS ACUMULADOS 249.381,18 3,00 35.057,38 LUCROS ACUMULADOS DEZEMBRO 2003 95.797,56 LUCROS ACUMULADOS DEZEMBRO 2004 58.805,49 LUCROS ACUMULADOS DEZEMBRO 2005 29.372,94 LUCROS ACUMULADOS DEZEMBRO 2006 23.173,11 LUCROS ACUMULADOS DEZEMBRO 2007 17.089,39 3,00 3,00 LUCROS ACUMULADOS DEZEMBRO 2008 25.142,69 LUCROS ACUMULADOS DEZEMBRO 2010 35.054,38 LUCROS ACUMULADOS DEZEMBRO 2011 RESULTADOS DO EXERCÍCIO 80.018,32 291.341,79 56.147,01 RESULTADOS DO EXERCÍCIO 80.018,32 291.341,79 56.147,01 RESULTADOS DE DEZEMBRO 80.018,32 291.341,79 56.147,01 (-)REDUÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO -329.396,50 -21.287,41 -561,47 (-)RENDIMENTO DISTRIBUIÇÃO ANTEC. LUCROS -233.598,94 -21.287,41 -561,47 (-) R.DISTR. RICARDO DE SANTIS SARTORI -194.303,85 -20.100,00 (-) R.DISTR. RODRIGO DE SANTIS SARTORI -38.494,90 (-) R.DISTR. ALICIO SARTORI -800,19 -1.187,41 -561,47 (-)RENDIMENTOS DISTR. ANTEC. LUCROS -95.797,56 LUCRO DISTRIBUIDO -47.898,78 LUCRO DISTRIBUIDO -47.898,78 Total do Passivo 52.543,95 409.977,36 436.440,07 Fonte: Elaborado pela autora. 2012 211.545,15 159.521,27 159.451,29 69,98 20.593,77 20.593,77 1.479,98 463,79 18.650,00 16.950,29 13.068,21 13.068,21 3.882,08 1.381,45 1.704,25 126,80 669,58 14.479,82 51,15 51,15 137,99 137,99 14.290,68 14.290,68 206.611,67 30.000,00 30.000,00 30.000,00 90.642,92 90.642,92 3,00 35.054,38 55.585,54 197.268,95 197.268,95 197.268,95 -111.300,20 -111.300,20 -109.327,52 -1.972,68 418.156,82 82 As Demonstrações dos Resultados dos anos de 2009 a 2012(em reais) se apresenta de forma sintética. Verificou-se que em 2009 não houve receitas ou despesas originadas de atividades financeiras. (TAB.3) TABELA 3: DREs da empresa Net Computadores nos anos de 2009 a 2012 RECEITA BRUTA (-) DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS (-) SIMPLES NACIONAL (=) RECEITA LÍQUIDA OPERACIONAL (-) CUSTO DAS MERCADORIAS (=) LUCRO BRUTO (-) DESPESAS OPERACIONAIS (+) RECEITAS OPERACIONAIS (=) RESULTADO ou LUCRO OPERACIONAL 2009 2010 2011 2012 1.296.257,47 1.545.867,94 1.972.686,85 2.851.696,78 -8.800,76 -10.634,76 -58.114,85 -69.137,75 -98.482,36 -109.672,64 -141.832,28 -195.331,25 1.188.974,35 1.425.560,54 1.772.739,72 2.587.227,78 -949.621,00 239.353,35 551.341,50 562.725,40 833.188,18 -159.401,53 66,50 -260.949,39 80,02 -512.582,91 117,95 -628.697,66 478,86 80.018,32 290.472,13 50.260,44 204.969,38 0,00 0,00 0,00 806,90 -25,65 88,41 4.583,32 -1,03 1.304,28 1.073,10 -8.934,30 160,77 80.018,32 291.341,79 56.147,01 197.268,95 (+) RECEITAS FINANCEIRAS (-) DESPESAS FINANCEIRAS (+) OUTRAS DESPESAS/RECEITAS (=) RESULTADO -874.219,04 -1.210.014,32 -1.754.039,60 Fonte: Elaborado pela autora. 6.3 Método de apuração e análise dos índices Em posse das demonstrações contábeis da empresa Net Computadores utilizou-se primeiramente de índices econômico-financeiros para avaliação do desempenho da empresa, analisando sua rentabilidade e lucratividade. Foram feitas as análises verticais tanto dos Balanços quanto das Demonstrações dos Resultados dos anos de 2009 a 2012. Os indicadores utilizados foram: a margem líquida que mede a eficiência da empresa em gerar lucros por meio das vendas, o retorno sobre o ativo (ROA) e o retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE). Após a análise geral feita através de análise vertical, margem líquida, retorno sobre o Ativo e retorno sobre o Patrimônio Líquido da empresa foram feitos os cálculos dos indicadores de liquidez. Analisou-se também, os ciclos financeiros e operacionais da empresa, utilizando os prazos médios das suas atividades: PMRV (prazo médio de recebimentos de vendas), PMPC 83 (prazo médio de pagamentos de compras), PMRE (prazo médio de rotação de estoques), seguindo os cálculos de Matarazzo (1998). Realizou-se a reclassificação dos balanços e considerando, a diversificação de nomenclaturas utilizadas pelos autores optou-se por utilizar os seguintes grupos de contas e siglas: a) Ativo Circulante Financeiro (ACF). São as disponibilidades (caixa, bancos e aplicações financeiras). b) Ativo Circulante Operacional (ACO). São as duplicatas a receber, estoques, adiantamento e despesas do exercício seguinte. Contas ligadas as operações da empresa. c) Ativo Permanente (AP). Ativo não circulante: terrenos, máquinas, equipamentos. d) Passivo Circulante Financeiro (PCF). Empréstimos bancários, financiamentos, duplicatas descontadas, dividendos e IR. e) Passivo Circulante Operacional (PCP). São os fornecedores, salários e encargos, impostos e taxas, adiantamento de clientes e outras contas operacionais. f) Passivo Permanente (PP). Exigíveis a longo prazo: (Passivo Não Circulante) e Patrimônio Líquido. A classificação da estrutura da empresa, bem como a informação de como ela financia suas atividades foram obtidas a partir dos cálculos das variáveis chaves do modelo dinâmico. São elas: a) NCG (necessidade de capital de giro), b) CDG (capital de giro disponível), c) ST (saldo de tesouraria) e d) NTFP (necessidade total de financiamento permanente). A nomenclatura das variáveis chaves do modelo dinâmico utilizada no estudo é a utilizada por Vieira (2008). Para classificação do tipo de estrutura da empresa utilizou-se o quadro de variáveis conforme o modelo dinâmico já apresentado na página 42 desse trabalho. (QUADRO 5) 84 Quadro 5. Variáveis do modelo dinâmico como fontes e aplicações de recursos Tipologia Tipo 1 Tipo 2 Tipo 3 Tipo 4 Tipo 5 Tipo 6 Variável ST NCG CDG ST NCG CDG ST NCG CDG ST NCG CDG ST NCG CDG ST NCG CDG Positivo Negativo Positivo Positivo Positivo Positivo Negativo Positivo Positivo Negativo Positivo Negativo Negativo Negativo Negativo Positivo Negativo Negativo (ACF > PCF) (ACO < PCO) (PP > AP) (ACF > PCF) (ACO > PCO) (PP > AP) (ACF < PCF) (ACO > PCO) (PP > AP) (ACF < PCF) (ACO > PCO) (PP < AP) (ACO < PCF) (ACO < PCO) (PP < AP) (ACF > PCF) (ACO < PCO) (PP < AP) Significado representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: representando: Em que: ACF = ativo circulante financeiro ACO = ativo circulante operacional AP = ativo permanente PCF = passivo circulante financeiro PCO = passivo circulante operacional PP = passivo permanente ST = saldo da tesouraria NCG = necessidade de capital de giro CDG = capital disponível de giro Fonte: Adaptado de Braga (1991, apud NASCIMENTO et al., 2012, p.46) aplicação de recursos fonte de recursos fonte de recursos aplicação de recursos aplicação de recursos fonte de recursos fonte de recursos aplicação de recursos fonte de recursos fonte de recursos aplicação de recursos aplicação de recursos fonte de recursos fonte de recursos aplicação de recursos aplicação de recursos fonte de recursos aplicação de recursos 85 7 RESULTADOS E DISCUSSÃO Nesse capítulo serão apresentados e analisados os resultados obtidos através dos cálculos propostos pelo modelo dinâmico e pelo modelo tradicional. 7.1 Análise Vertical e Horizontal TABELA 4: Análise Vertical e Horizontal Balanço Patrimonial – 2009 a 2012 BALANÇO PATRIMONIAL AV 2009 AV 2010 AH 2010/2009 AV 2011 AH 2011/2010 AV 2012 AH 2012/2011 ATIVO CIRCULANTE DISPONÍVEL CAIXA GERAL BANCOS - CONTAS CORRENTES APLICAÇÕES FINANC.LIQUIDEZ IMEDIATA REALIZÁVEL A CURTO PRAZO DUPLICATAS A RECEBER ADIANTAMENTOS A FORNECEDORES Cambio ESTOQUES DE MERCADORIAS PARA REVENDA 53,5% 17,0% 17,0% 93,4% 34,4% 1260,5% 1482,1% -99,6% 16,3% 36,6% 18,1% 58,9% 1157,5% 93,8% 22,7% 4,5% 1,4% 6,9% -30,0% 51197,0% -90,6% 91,8% 19,6% 11,1% 7,3% -6,2% -17,1% 134,6% 391,5% 16,7% 71,1% 3,4% -2,0% 28,5% 1,2% 72,2% 39,1% -93,3% -2,7% 991,4% 7,9% 36,6% 58,9% 1157,7% 59,8% 8,1% 33,1% -46,9% 46,5% 46,5% 100,0% 6,6% 6,6% 100,0% 11,5% 11,5% 680,3% 6,2% 6,2% 100,0% 0,0% 0,0% 6,5% 8,2% 8,2% 100,0% 25,7% 25,7% -4,2% PASSIVO CIRCULANTE FORNECEDORES - EXIGÍVEIS A CURTO PRAZO EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS 42,9% 26,8% 387,6% 72,4% 187,3% 50,6% -33,0% 10,0% 20,6% 1511,9% 34,1% 76,5% 38,1% 7,2% 4,9% -85,0% OBRIGAÇÕES TRABALHISTAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS P A T R I M Ô N I OL Í Q U I D O TOTAL DO PASSIVO 16,5% 16,5% 57,1% 100,0% 4,1% 3,5% 49,4% 100,0% 26,8% -9,5% 71,3% -4,2% ATIVO NÃO CIRCULANTE IMOBILIZADO TOTAL DO ATIVO 31,5% 3,3% 2,9% 73,2% 100,0% 57,1% 38,3% 900,1% 680,3% 3,1% 3,7% 27,6% 100,0% -1,8% 33,7% -59,8% 6,5% Fonte: Elaborado pela autora. Os percentuais apresentados nas colunas de análises horizontais representam o aumento ou diminuição das contas no ano atual em comparação com o ano anterior. 86 Para análise no período de 2009 a 2012 não foi considerada a inflação desses anos. Analisando os Balanços Patrimoniais da empresa nos anos de 2009, 2010, 2011 e 2012 percebeu-se que houve um aumento significativo tanto no seu ativo quanto em seu passivo. Esse aumento é mais evidente se compararmos os anos de 2009 e 2010. Deve-se levar em consideração que o ano de 2009 não serve como referência, pois não foram contabilizadas as contas bancárias da empresa. Houve ausência dessa informação e qualquer comparação desse ano com outros anos é passível de falhas. Verificou-se que a empresa investe seus recursos quase que totalmente no ativo circulante ou em seu capital de giro. O investimento em capital de giro em 2010 deve-se a aplicação do resultado da empresa em ativo circulante. Em 2011 o aumento do capital de giro em relação ao ano anterior foi de 6,9%. Já em 2012 observou-se uma queda do capital de giro da empresa de 6,2% se comparado com o do ano de 2011. Essa queda do capital de giro em 2012 de 6,2% é explicada pela diminuição dos recursos de terceiros vindos de empréstimos e financiamentos em 85%, ou seja, a empresa no ano de 2012 investiu menos no ativo da empresa devido à queda de recursos. Em 2009 o capital de giro da empresa representava 53,5% do total investido. No ano de 2010 o capital de giro representou 93,4% do total do ativo (investimentos) desse ano, no ano de 2011 93,8% e em 2012 91,8%. Conforme Gitman (1997) empresas comerciais como é o caso da empresa Net Computadores possui a maior parte dos investimentos no capital de giro (ativo circulante) para a execução de suas atividades, diferentemente de indústrias que necessitam de investimentos em máquinas e equipamentos. Quanto ao passivo da empresa, verificou-se que em 2010 a conta fornecedores aumentou em 1511,9% se comparada com o ano anterior. Os recursos de terceiros em 2010 aumentou em 387,6% em relação a 2009. O patrimônio líquido aumentou em 900,1% em 2010 devido ao lucro obtido nesse ano. Em 2011, a Net Computadores aumentou seu passivo circulante, obtendo recursos através de empréstimos e financiamentos, que representou 31,5% do seu total do passivo 87 nesse ano. Os recursos de terceiros que representava 26,8% do total do passivo em 2010 passou a representar 72,4% em 2011. Portanto, o aumento dos recursos de terceiros em 2011 foi de 187,3% se comparado com o ano de 2010. Assim, em 2011 devido ao aumento do endividamento através de capital de terceiros de curto prazo, o patrimônio líquido da empresa obteve queda na participação em relação ao total do passivo, passando de 73,2% em 2010 para 27,6% em 2011. Em 2012, apesar do aumento de 71,3% no patrimônio líquido da empresa em relação ao ano anterior vê-se uma diminuição de seu passivo total em 4,2%. Esse fato é explicado pela diminuição dos recursos de terceiros em 33% se comparado com o ano de 2011. Os empréstimos e financiamentos caíram em 85%. Quanto aos resultados da empresa constatou-se que houve aumento nas vendas em todos os anos e seus resultados oscilaram. TABELA 5: Análise Vertical e Horizontal das DRES – 2009 a 2012 DRE RECEITA BRUTA (-) DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS (-) SIMPLES NACIONAL (=) RECEITA LÍQUIDA OPERACIONAL (-) CUSTO DAS MERCADORIAS (=) LUCRO BRUTO (-) DESPESAS OPERACIONAIS (+) RECEITAS OPERACIONAIS (=) RESULTADO OPERACIONAL (+) RECEITAS FINANCEIRAS (-) DESPESAS FINANCEIRAS (+) OUTRAS DESPESAS/RECEITAS (=) RESULTADO AV 2009 AV 2010 100,0% -79,9% 20,1% -13,4% 0,0% 6,7% 0,0% 0,0% 100,0% -61,3% 38,7% -18,3% 0,0% 20,4% 0,1% 0,0% 0,0% 0,0% 6,7% 20,4% AH 2010/2009 19,9% -7,9% 130,3% 63,7% 20,3% 263,0% 264,1% AV 2011 AH 2011/2010 100,0% -68,3% 31,7% -28,9% 0,0% 2,8% 0,3% 0,0% 24,4% 38,4% 2,1% 96,4% 47,4% -82,7% 468,0% -96,0% 0,1% 1375,3% 0,0% -87,7% 3,2% -80,7% 7,6% 251,3% AV 2012 AH 2012/2011 100,0% 45,9% -67,8% 45,0% 32,2% 48,1% -24,3% 22,7% 0,0% 306,0% 7,9% 307,8% 0,0% -76,6% -0,3% 867307,8% Fonte: Elaborado pela autora. Os percentuais apresentados nas colunas de análises horizontais representam o aumento ou diminuição das contas no ano atual em comparação com o ano anterior. (TAB. 5) 88 Através da análise vertical das Demonstrações dos Resultados, verificou-se que o melhor resultado da empresa foi no ano de 2010, ano em que a Net Computadores foi capaz de reter 20,4% do total da receita operacional líquida. Esse aumento na margem de lucro líquida ocorreu devido à redução da participação do custo dos produtos vendidos (61,3%) se comparado com o total da receita operacional líquida. A redução do custo da mercadoria vendida pode ser explicada caso tenha acontecido uma vantagem comercial obtida pela empresa em 2010. Essa informação não foi repassada pela empresa. Pode-se considerar a situação desse ano como uma situação atípica. Nos outros anos, em relação à receita operacional líquida, os custos dos produtos vendidos representavam 79,9% em 2009, 68,3% em 2011 e 67,8% em 2012. As margens de lucro da empresa Net Computadores nos anos de 2009, 2010, 2011 e 2012 foram respectivamente 6,7%, 20,4%, 3,2% e 7,6%. O menor resultado da empresa ocorreu no ano de 2011. Em relação ao ano de 2010 a empresa diminui em 80,7% seu lucro líquido. Nesse ano apesar das vendas aumentarem em 24,4% em comparação com o ano de 2010, ela conseguiu reter apenas 3,2% da sua receita líquida operacional. Notou-se que esse resultado ocorreu principalmente pelo aumento de suas despesas operacionais em 96,4% se comparado com o ano de 2010. As despesas operacionais em 2011 representaram 28,9% de sua receita operacional líquida. Em 2012 o aumento nas vendas foi de 45,9% em relação ao ano de 2011 e suas despesas operacionais aumentaram em 22%, mostrando maior eficiência nas suas atividades. O lucro líquido comparado com o ano de 2011 aumentou em 251,3% e a empresa conseguiu reter 7,6% de sua receita operacional líquida. 7.2 Análise da Rentabilidade Quadro 6: Indicadores de rentabilidade Indicador ML ROA ROE Fonte: Elaborado pela autora. 2009 6,7% 152,3% 266,7% 2010 20,4% 70,9% 96,8% 2011 3,2% 11,5% 41,7% 2012 7,6% 49,0% 99,2% 89 Verificou-se que o maior lucro gerado pelas atividades da empresa ocorreu no ano de 2010, quando a empresa Net Computadores reteve 20,4% do total da receita operacional líquida. (QUADRO 6) Em 2009, a empresa obteve 152,3% de retorno em relação aos investimentos no ativo total e, 266,7% de retorno em relação ao seu capital próprio. O menor resultado da empresa foi em 2011 quando ela conseguiu reter apenas 3,2% de sua receita operacional líquida, 11,5% de retorno sobre o ativo total e 41,7% de retorno sobre o capital próprio. A evolução dos indicadores de rentabilidade pode ser observada através do gráfico 1. 300,0% 250,0% 200,0% ML 150,0% ROA ROE 100,0% 50,0% 0,0% 2009 2010 2011 2012 Gráfico 1: Evolução dos indicadores de rentabilidade. Fonte: Elaborado pela autora. Pela análise dos indicadores de liquidez verificamos que a empresa possui em todos os anos o capital circulante líquido (CCL) ou capital disponível de giro (CDG) positivo. (QUADRO 7) 90 7.3 Análise da Liquidez Quadro 7: Indicadores de Liquidez INDICADORES DE LIQUIDEZ CAPITAL CIRCULANTE LÍQUIDO (AC - PC) LIQUIDEZ IMEDIATA (DISP. / PC) LIQUIDEZ CORRENTE (AC / PC) LIQUIDEZ SECA (AC - E - DA) / PC) 2009 2010 2011 2012 5.593,62 272.852,00 93.437,54 172.411,35 0,40 1,28 0,31 0,39 1,25 3,48 1,30 1,82 0,40 1,28 0,31 0,39 Fonte: Elaborado pela autora. O cálculo do capital circulante líquido da empresa ou capital de giro disponível, mostra que houve um significativo aumento do ano de 2009 para 2010. Esse aumento ocorreu devido ao aumento de resultado obtido pela empresa no ano de 2010, e que foi investido em ativo circulante. Quanto à liquidez imediata da empresa somente no ano de 2010 a empresa pagaria todas as suas dívidas de terceiros com suas disponibilidades (caixa, bancos, aplicações). Para cada R$ 1,00 (um real) em dívidas de terceiros a empresa dispunha de R$ 1,28 (um real e vinte e oito centavos). A empresa Net Computadores pagaria, com seus investimentos no ativo circulante ou capital de giro, todas as suas dívidas de terceiros em todos os anos analisados. O índice de liquidez corrente melhor da empresa está no ano de 2010, que mostra que para R$ 1,00 (um real) em dívidas de terceiros a empresa dispunha de R$ 3,48 (três reais e quarenta e oito centavos). Não considerando seus estoques para o pagamento das dívidas, a empresa poderia pagar suas dívidas apenas no ano de 2010 que para R$ 1,00 (um real) em dívidas a empresa dispunha de R$ 1,28 (um real e vinte e oito centavos). 91 7.4 Análise das Atividades Quadro 8: Índices de Atividades da empresa Net Computadores Índices de Atividades Prazo Médio de Rotação dos Estoques (PMRE) Prazo Médio de Recebimentos de Vendas (PMRV) Prazo Médio de Pagamentos de Compras (PMPC) Ciclo Operacional (CO = PMRE + PMRV) Ciclo Financeiro (CF = CO - PMPC) 2009 7,3 0,0 2,0 7,3 5,3 2010 99,5 0,0 27,7 99,5 71,8 2011 77,7 2,7 43,6 80,4 36,8 2012 28,4 20,6 35,2 49,1 13,9 Fonte: Elaborado pela autora. Analisando os índices de atividades da empresa percebeu-se grande variação. Observando o prazo médio de rotação de estoques verificou-se que em 2009 o estoque mantinha-se na empresa na média de 7,3 dias. Esse fato pode ser explicado pelo baixo valor do estoque desse ano. Dependendo do tamanho do estoque, da proporção de vendas e dos custos das mercadorias, os dias de estocagem podem ser maiores ou menores. Para entender melhor os prazos de recebimento de vendas da empresa Net Computadores e pagamentos de compras verificou-se também o tipo de seu negócio, suas políticas de concessão de crédito e seu relacionamento com os fornecedores. A maior parte das vendas da empresa ocorre através do comércio eletrônico (site) ou através de negociações ocorridas por emails. Apenas uma pequena parcela das vendas ocorre na loja física. Quanto às vendas pelo site, as condições de pagamento que o cliente encontra para realizar suas compras são: boleto bancário à vista, depósito em conta (Itaú ou Banco do Brasil) ou cartão de crédito em até seis vezes. Geralmente esses clientes chegam até a página eletrônica por pesquisas realizadas pelo Google, onde procuram um determinado produto. A empresa Net Computadores possui ferramentas para se destacar em diversos tipos de pesquisas. Todos os produtos ofertados pela empresa têm um prazo para o envio ao consumidor: imediato ou com prazos diferenciados: 2 a 7 dias, 8 a 16 dias, 15 a 22 dias, 20 a 35 dias, 30 a 40 dias ou 30 a 60 dias (todos os prazos em dias úteis). 92 Os produtos de envio imediato são aqueles que estão no estoque da empresa e que assim que identificado o pagamento do cliente será enviado por sedex ou transportadora. Os produtos que não são de envio imediato, são aqueles que a empresa não possui em estoque, tendo que solicitar a seus distribuidores para posterior envio ao cliente. Somente após a confirmação do pagamento do boleto bancário, depósito em conta ou da transação autorizada do cartão de crédito, (dependendo da forma de pagamento escolhida pelo cliente) é que a empresa Net Computadores solicitará o produto a seu fornecedor. Os maiores prazos para o envio das mercadorias se justificam por se tratar de produtos específicos, geralmente utilizados pela área de TI (Tecnologia da Informação) de grandes empresas. Geralmente trata-se de produtos importados, não encontrados no Brasil. Pode-se observar que, quando os pedidos são realizados pelo site, pelos próprios clientes e há prazos para envio de mercadorias, a empresa recebe o valor do produto antes mesmo de comprá-lo, não havendo prazo de recebimento dessas vendas. A empresa Net Computadores também possui uma carteira de clientes que pagam somente após o envio da mercadoria. Esses clientes entram em contato direto com os vendedores da empresa. As vendas realizadas através de negociações por email são geralmente dirigidas a grandes empresas e órgãos públicos que não pagam suas compras antecipadamente. Essas empresas entram em contato em um primeiro momento por telefone, e através de propostas comerciais enviadas pela empresa Net Computadores efetivam suas compras. O prazo concedido pela Net Computadores a esses clientes, para o pagamento de compras são 14, 21 ou 28 dias a partir da data de emissão de nota fiscal que equivale ao dia de envio da mercadoria. Os prazos para o envio da mercadoria a essas empresas são os mesmos informados nas compras pelo site. Analisando os prazos médios para recebimento de vendas observou-se que nos anos de 2009 e 2010 a empresa Net Computadores não possuía esse índice. Isso se justifica pela pouca abertura de crédito que a empresa tinha na época e pela maior parte de seus recebimentos ocorrerem antecipadamente. 93 Nos anos de 2011 o prazo médio de recebimento de vendas da empresa foi em 2,7 dias e em 2012 foi de 20,6 dias, mostrando uma maior abertura de crédito. Quanto ao prazo médio para pagamento de compras o maior prazo obtido pela empresa foi no ano de 2011, sendo 43,6 dias. No ano de 2012 esse prazo médio caiu para 35,2 dias. 7.5 Reclassificação das contas e análise pelo modelo dinâmico Quadro 9: Reclassificação das contas patrimoniais conforme modelo dinâmico (valores em reais) Descrição da conta ACF ACO AP PCF PCO PP 2009 8.927,06 19.207,51 24.409,38 22.540,95 30.003,00 2010 141.234,20 241.537,78 27.205,38 109.919,98 300.057,38 2011 98.912,97 310.321,72 27.205,38 137.635,10 178.162,05 120.642,92 2012 81.975,75 301.980,75 34.200,32 20.644,92 190.900,23 206.611,67 Fonte: Elaborado pela autora. Realizou-se a reclassificação feita com as contas patrimoniais para análise das variáveis chaves do Modelo Dinâmico. (QUADRO 9) Nos anos de 2009 e 2010 a empresa não possuía empréstimos bancários, financiamentos, dividendos e IR, não possuindo assim passivo circulante financeiro. Com a reclassificação das contas do balanço patrimonial dos anos de 2009 a 2012 foi possível obter as variáveis chaves do modelo dinâmico e verificar o tipo de estrutura da empresa nesses anos. (QUADRO 10) Quadro 10: Variáveis chaves do modelo dinâmico e estruturas financeiras Indicadores NCG (ACO - PCO) CDG ou CCL (Ativo Circ. - Passivo Circ.) ST (CDG - NCG) Estrutura Fonte: Elaborado pela autora. 2009 2010 2011 2012 -3.333,44 131.617,80 132.159,67 111.080,52 5.593,62 272.852,00 93.437,54 172.411,35 8.927,06 141.234,20 -38.722,13 61.330,83 Tipo 1 Tipo 2 Tipo 3 Tipo 2 94 No ano de 2009 constatou-se uma estrutura financeira caracterizada como uma gestão financeira sólida e de baixo risco, com folga financeira. A NCG e a CDG são aplicados em ST no curto prazo. Assaf Neto (2010) explicou que nessa situação as empresas geralmente compram a prazo, fazem seus estoques girar rapidamente e recebem por suas vendas antes de pagar os fornecedores. A NCG negativa do ano de 2009 indica que as saídas de caixa ocorrem depois das entradas de caixa. O passivo operacional nesse caso é maior que o ativo operacional, representando fonte de recursos. Assaf Neto e Silva (2012) explicam que quando a NCG é negativa o passivo operacional (de funcionamento) financiam não somente o ativo operacional (investimento operacional em circulante), mas também outros elementos do ativo da empresa. A CDG positiva representa fonte líquida de recursos e a ST positiva significa que a empresa está com sobra de recursos financeiros. No ano de 2010 e 2012 verifica-se a estrutura em que a empresa possuía um conforto financeiro. Nessa estrutura os recursos de longo prazo do CDG são suficientes para financiar a NCG e dispõe de excedente de saldo de tesouraria. Estrutura de menor nível de risco. A estrutura do ano de 2011 indica que a demanda operacional foi financiada por recursos de longo prazo do CDG (CDG > 0) e de recursos de curto prazo (T < 0). Nesse caso, a liquidez da empresa ficou ameaçada, sendo necessário recorrer a empréstimos, mas observou-se no ano de 2012 seus créditos de curto prazo foram renovados. (QUADRO 10) 95 300.000,00 250.000,00 200.000,00 NCG 150.000,00 CDG ou CCL 100.000,00 ST 50.000,00 0,00 2009 2010 2011 2012 -50.000,00 -100.000,00 Gráfico 2: Variáveis chaves do modelo dinâmico. Fonte: Elaborado pela autora. O volume de atividade da empresa (produção e vendas) e a influência do ciclo financeiro e operacional é que irão definir a Necessidade de Capital de Giro (NCG). Nos períodos de baixa demanda devido ao baixo nível de estoques, valores a receber e fornecedores a NCG pode ser reduzida. (ASSAF NETO; SILVA, 2012) Quadro 11: Necessidade de capital de giro e passivo circulante financeiro NCG (ACO - PCO) PCF 2009 -3.333,44 0 2010 131.617,80 0 2011 132.159,67 137.635,10 2012 111.080,52 20.644,92 Fonte: Elaborado pela autora. Conforme Assaf Neto e Silva (2012) a empresa pode obter recursos através de financiamentos classificados como passivos financeiros. 96 Observou-se que a empresa não buscou esse tipo de recurso para financiar sua necessidade de capital de giro nos anos de 2009 e 2010. Em 2011 a empresa obteve financiamentos financeiros de curto prazo que supriu sua necessidade de capital de giro nesse ano. Já em 2012 os empréstimos e financiamentos da empresa não cobriram sua necessidade de capital de giro, mostrando que para suprir essa necessidade ela se dispôs de seu capital próprio. Levando-se em consideração a NTFP (necessidade total de financiamento permanente) da empresa, observaram-se as seguintes situações: Quadro 12: Necessidade total de financiamento permanente e passivo permanente NTFP (NCG + AP) PP 2009 21.075,94 30.003,00 2010 158.823,18 300.057,38 2011 159.365,05 120.642,92 2012 145.280,84 206.611,67 Fonte: Elaborado pela autora. Nos anos de 2009, 2010 e 2012 o Passivo Permanente (PP), ou seja, seu Patrimônio Líquido foi suficiente para cobrir a necessidade total de financiamento permanente. No ano de 2011 o Passivo Permanente (PP) não se apresentou suficiente para cobrir a necessidade total de financiamentos permanente e a empresa acabou suprindo suas necessidades de investimento de longo prazo com recursos de curto prazo. Faltaram nesse ano os R$ 38722,13 necessários para promover a liquidez adequada para suas atividades operacionais. A empresa buscou recursos de terceiros (empréstimos) de curto prazo para seu financiar suas atividades. 7.6 Análise da tendência do efeito tesoura Segundo Vieira (2008) pode-se avaliar a situação de liquidez de uma empresa observando a relação da ST (saldo de tesouraria) com a NCG (necessidade de capital de giro). 97 A denominação do efeito tesoura é visualizada num gráfico quando ocorre o afastamento da NCG (aplicações operacionais) e do CDG (fontes de longo prazo). 300.000,00 250.000,00 200.000,00 NCG CDG ou CCL 150.000,00 ST 100.000,00 50.000,00 0,00 2009 2010 2011 2012 -50.000,00 -100.000,00 Gráfico 3: Gráfico do efeito tesoura da empresa nos anos de 2009 a 2012. Fonte: Elaborado pela autora. Pelo gráfico verifica-se que somente no ano de 2011 o CDG se reduziu mais que a NCG, havendo um descompasso entre as fontes de disponíveis de longo prazo e as aplicações que precisam ser financiadas. O ST se tornou crescentemente negativo, mostrando a dependência da empresa em obter recursos de curto prazo para o financiamento de suas operações. O ano de 2012 mostra a reversão do efeito tesoura onde a CDG volta a ser maior que a NCG. 98 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho analisou o capital de giro da empresa Net Computadores. A análise da liquidez sob o enfoque do modelo dinâmico permitiu avaliar a situação econômica e financeira da empresa durante o período de 2009 a 2012 e verificar que somente no ano de 2011 a empresa buscou recursos de terceiros para suprir suas necessidades operacionais. Em 2011verificou-se que apesar do aumento das vendas em 24,4% se comparado com o ano de 2010, a empresa conseguiu reter apenas 3,2% da sua receita líquida operacional. Notou-se também, que esse resultado ocorreu principalmente pelo aumento de suas despesas operacionais em 96,4% se comparado com o ano de 2010. Nos demais anos a empresa dispôs de capital de giro suficiente para suas atividades, mostrando uma situação de folga financeira e de baixo risco. Verificou-se que uma boa gestão do capital de giro leva a empresa a manter uma situação de equilíbrio financeiro. Os dados analisados foram obtidos através do Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício de 2009 a 2012 fornecidos pelo escritório de contabilidade que presta serviço a empresa. Quanto a esses dados dos demonstrativos fornecidos pelo contador não é possível atestar se foram corretamente calculados ou não. Uma limitação encontrada para a realização do trabalho foi a ausência do valor da conta bancos de 2009, no qual o contador alega não ter recebido os extratos desse ano. Por se tratar de uma aplicação em uma empresa de pequeno porte, não podemos comparar os resultados obtidos com outras empresas de maior porte do mesmo setor. Como contribuição espera-se que esse trabalho possa auxiliar outras empresas, independente do ramo de atividade, a utilizarem o modelo dinâmico e avaliarem seu desempenho econômico e financeiro. Espera-se também, com esse trabalho, ter contribuído com a elevação do nível de conhecimento sobre o capital de giro e propor instrumentos que auxiliem na tomada de decisão das empresas. Numa futura pesquisa recomendam-se análises com empresas de pequeno porte do mesmo setor para que possa ser realizadas comparações e verificar a real situação da empresa no mercado. Recomenda-se também que sejam aplicados modelos de administração de caixa como o modelo Baumol ou de Miller- Orr e sejam realizadas as gestões de valores a receber, estoques, contas a pagar e financiamentos e empréstimos. 99 REFERÊNCIAS ASSAF NETO, Alexandre; SILVA, César A. T. Administração do capital de giro. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2012. ASSAF NETO, Alexandre. 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