UNIVERSIDADE METODISTA DE PIRACICABA
FACULDADE DE GESTÃO E NEGÓCIOS
CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS
Viviane Pires de Oliveira
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO
EM UMA EMPRESA DE E-COMMERCE
Piracicaba, SP
2013
UNIVERSIDADE METODISTA DE PIRACICABA
FACULDADE DE GESTÃO E NEGÓCIOS
CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS
Viviane Pires de Oliveira
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO
EM UMA EMPRESA DE E-COMMERCE
Projeto de Monografia apresentado em
cumprimento às exigências curriculares do
Curso de Graduação em Ciências Contábeis
da Faculdade de Gestão e Negócios da
Universidade Metodista de Piracicaba
Área de Concentração: Contabilidade
Gerencial
Prof: Igor Vasconcelos Nogueira
Piracicaba, SP
2013
VIVIANE PIRES DE OLIVEIRA
PROPOSTA DE MODELO DE GESTÃO DE CAPITAL DE GIRO
EM UMA EMPRESA DE E-COMMERCE
Monografia julgada adequada para aprovação na disciplina Monografia II do Curso de
Ciências Contábeis da Faculdade de Gestão e Negócios da Universidade Metodista de
Piracicaba
__________________________________________
Prof(a). Ms. Miltes Angelita Machuca Martins
Coordenadora do Curso
Componentes da banca:
__________________________________________
Presidente: Prof. Igor Vasconcelos Nogueira
(orientador)
___________________________________________
Prof.
___________________________________________
Prof.
Piracicaba, 06 de novembro de 2013.
Dedico essa obra a Deus e a meus pais que estiveram ao meu
lado e me deram a força necessária para concluir essa etapa.
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus primeiramente pela força e coragem nessa trajetória. Certamente sem
fé não conseguiria enfrentar os inúmeros obstáculos surgidos ao longo desse caminho.
Agradeço aos meus pais pelo carinho e apoio ofertados em todos os dias da minha
vida.
Agradeço ao meu orientador Prof. Ms. Igor Vasconcelos Nogueira pela atenção e
dedicação durante esses dois semestres. Agradeço também a Prof. Lumila Souza Girioli pela
prontidão e ajuda nos momentos em que busquei seu auxílio.
Agradeço ao meu namorado por todos os dias de companheirismo e pela sua
colaboração.
Agradeço minhas queridas amigas Aline Moreira, Iara Grippa, Jessica Rossiti, Daiane
Asbahr por estarem ao meu lado em momentos alegres e principalmente pela paciência e
carinho nos momentos difíceis.
Enfim, agradeço a todos que de forma direta ou indiretamente contribuíram para a
realização desse sonho.
"Não existem sonhos impossíveis para aqueles que realmente
acreditam que o poder realizador reside no interior de cada ser
humano, sempre que alguém descobre esse poder algo antes
considerado impossível se torna realidade." (Albert Einstein)
RESUMO
Esse trabalho buscou analisar o capital de giro da empresa Net Computadores. Para
isso, recorreu-se a revisão bibliográfica dos principais índices de desempenho das empresas,
com base no modelo dinâmico. Realizou-se a reclassificação do Balanço Patrimonial e
mensurou os índices principais: NCG (necessidade de capital de giro), CDG (capital
disponível de giro) e ST (saldo de tesouraria). Com a combinação desses índices foi possível
identificar o tipo de estrutura financeira da empresa, fornecendo informações sobre a real
situação da sua liquidez, integrada a sua dinâmica operacional. Para o desenvolvimento da
pesquisa foram coletados os Balanços Patrimoniais e Demonstrações dos Resultados dos
exercícios de 2009 a 2012 da empresa. Analisou-se também, seus índices de liquidez,
rentabilidade, lucratividade e seus ciclos de atividades. Através da análise dos índices,
verificou-se que somente no ano de 2011 a empresa teve um desempenho inferior a outros
anos, buscando recursos de terceiros para financiar suas atividades. Em todos os outros anos,
constatou-se que a empresa conseguiu financiar suas atividades, pois capital disponível de
giro e seu saldo de tesouraria foram suficientes para suprir sua necessidade de capital de giro.
Palavras-Chave: Modelo Dinâmico; Capital de Giro; Desempenho financeiro.
LISTA DE FIGURA
Figura 1. Empresa com capital de giro líquido positivo ................................................... 21
Figura 2. Empresa com capital de giro líquido negativo .................................................. 22
Figura 3. Ciclo operacional de uma empresa industrial. .................................................. 23
Figura 4. Ciclo financeiro e econômico. ............................................................................ 24
Figura 5. Necessidades totais de recursos ......................................................................... 31
Figura 6. Capital circulante líquido: correlação entre liquidez e/ou rentabilidade......... 33
Figura 7. Origens e aplicações de caixa. ............................................................................ 38
Figura 8. Os grupos patrimoniais operacional, financeiro e não circulante. ................... 47
Figura 10. Tipos de estruturas financeiras do Balanço Patrimonial Gerencial............... 50
Figura 9. Representação gráfica do “Efeito Tesoura” ...................................................... 55
Figura 11. Grupos que formam as variáveis chaves ......................................................... 58
Figura 12. Variáveis de planejamento ............................................................................... 59
Figura 13. Descrição sintética das estratégias de financiamento...................................... 61
Figura 14. Modelo de Baumol ........................................................................................... 65
Figura 15. Modelo Miller- Orr .......................................................................................... 67
Figura 16. Lote econômico de compra .............................................................................. 72
Figura 17. Custo total de estocagem .................................................................................. 74
Figura 18. Relação entre nível de serviço e investimento em estoque .............................. 75
LISTA DE QUADROS
Quadro 1. Balanço esquemático do Modelo Fleuriet ........................................................ 48
Quadro 2. Variáveis do modelo dinâmico como fontes e aplicações de recursos............. 51
Quadro 3. Qualidade da situação financeira em termos de risco de insolvência ............. 52
Quadro 4. Relação entre medidas de crédito e elementos de uma política de crédito ..... 70
Quadro 5. Variáveis do modelo dinâmico como fontes e aplicações de recursos............. 84
Quadro 6: Indicadores de rentabilidade ........................................................................... 88
Quadro 7: Indicadores de Liquidez................................................................................... 90
Quadro 8: Índices de Atividades da empresa Net Computadores ................................... 91
Quadro 9: Reclassificação das contas patrimoniais conforme modelo dinâmico (valores
em reais) ............................................................................................................................. 93
Quadro 10: Variáveis chaves do modelo dinâmico e estruturas financeiras ................... 93
Quadro 11: Necessidade de capital de giro e passivo circulante financeiro ..................... 95
Quadro 12: Necessidade total de financiamento permanente e passivo permanente ...... 96
LISTA DE TABELAS
TABELA1: Grupo do Ativo. Balanço Patrimonial da empresa nos anos de 2009 a 2012.
............................................................................................................................................ 80
TABELA 2: Grupo do Passivo. Balanço Patrimonial da empresa nos anos de 2009 a
2012 ..................................................................................................................................... 81
TABELA 3: DREs da empresa Net Computadores nos anos de 2009 a 2012 .................. 82
TABELA 4: Análise Vertical e Horizontal Balanço Patrimonial – 2009 a 2012 .............. 85
TABELA 5: Análise Vertical e Horizontal das DRES – 2009 a 2012 ............................... 87
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1: Evolução dos indicadores de rentabilidade. .................................................... 89
Gráfico 2: Variáveis chaves do modelo dinâmico. ............................................................ 95
Gráfico 3: Gráfico do efeito tesoura da empresa nos anos de 2009 a 2012. ..................... 97
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 13
2 INTRODUÇÃO À ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO............................20
2.1 Natureza e definições da administração do capital de giro .................................. 20
2.2 Ciclo Operacional e Ciclo Financeiro ................................................................. 22
2.3 Análise Vertical e Análise Horizontal ................................................................. 26
2.4 Indicadores de Rentabilidade ............................................................................ 27
2.5 Indicadores de Liquidez ....................................................................................28
2.6 Fontes de recursos e equilíbrio financeiro ..........................................................30
2.7 Estrutura das taxas de juros .............................................................................. 32
2.8 Conflito risco-retorno na administração do capital de giro ................................. 32
3 FLUXOS DE CAIXA ...............................................................................................36
3.1 Abrangência dos Fluxos de Caixa ...................................................................... 36
3.2 Metodologias de apuração dos fluxos de caixa ....................................................38
3.3 Análise dos fluxos de caixa ................................................................................. 40
4 ANÁLISE E DIMENSIONAMENTO DOS INVESTIMENTOS EM CAPITAL DE
GIRO .........................................................................................................................43
4.1 Análise dos ciclos financeiro e operacional .........................................................43
4.1.1 Prazo médio de recebimento de vendas ........................................................43
4.1.2 Prazo médio de rotação de estoques .............................................................44
4.1.3 Prazo médio de pagamento das contas .........................................................45
4.1.4 Prazos médios x rotações ............................................................................. 45
4.1.5 Impacto financeiro dos prazos nos ciclos operacionais e financeiros ............. 46
4.2 Análise do capital de giro pelo modelo Fleuriet .................................................. 46
4.2.1 Tipologia de Fleuriet ...................................................................................49
4.2.2 Necessidade de capital de giro e saldo em tesouraria .................................... 53
4.3 Overtrading – superexpansão das vendas...........................................................56
4.4 Cálculo da necessidade de investimento em capital de giro através do ciclo
financeiro ............................................................................................................... 56
4.5 Planejamento financeiro ....................................................................................58
4.6 Políticas de financiamento da empresa .............................................................60
5 ADMINISTRAÇÃO DO GRUPO DE CONTAS DO CAPITAL DE GIRO ............... 63
5.1 Administração do disponível .............................................................................. 63
5.1.1 Modelos de administração de caixa ..............................................................64
5.2 Administração de Valores a Receber.................................................................. 69
5.3 Administração financeira de estoques e decisões de estocagem ...........................71
5.4 Administração de contas a pagar ....................................................................... 76
5.5 Administração de financiamentos de curto prazo ............................................... 77
6 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA E APRESENTAÇÃO DOS DADOS ............ 79
6.1 Empresa Analisada ...........................................................................................79
6.2 Apresentação dos Dados ....................................................................................80
6.3 Método de apuração e análise dos índices...........................................................82
7 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................... 85
7.1 Análise Vertical e Horizontal ............................................................................. 85
7.2 Análise da Rentabilidade ...................................................................................88
7.3 Análise da Liquidez ...........................................................................................90
7.4 Análise das Atividades .......................................................................................91
7.5 Reclassificação das contas e análise pelo modelo dinâmico.................................. 93
7.6 Análise da tendência do efeito tesoura ................................................................96
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................98
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 99
13
1 INTRODUÇÃO
Delimitação do tema
A avaliação de uma empresa é de interesse tanto de seus sócios, quanto de todos
aqueles que participam e se beneficiam de suas atividades. A Contabilidade é a ciência que
faz com que os dados econômicos e financeiros da entidade sejam corretamente coletados,
mensurados e analisados para que seus gestores possam planejar e controlar suas atividades
em busca de melhores resultados.
Segundo Padoveze (2010) o principal objetivo da Contabilidade é o controle do
Patrimônio, através de coleta, armazenamento e processamento de informações.
Marion (2009) afirma que as informações coletadas devem ser úteis, confiáveis e que
o bom desempenho de uma empresa e o aumento de sua riqueza depende, em grande parte da
valorização dessas informações por parte do contador. Segundo ele não se pode tomar
decisões sobre produção, marketing, custos, investimentos, financiamentos, etc. sem
Contabilidade.
Para a análise do equilíbrio financeiro de uma empresa, a avaliação de seu capital de
giro é fundamental. Analisando os elementos patrimoniais, identificam-se as necessidades de
investimento em giro que a empresa deve realizar. (ASSAF NETO, 2010)
“O capital de giro tem participação relevante no desempenho operacional das
empresas, cobrindo geralmente mais da metade de seus ativos totais investidos.” (ASSAF
NETO; SILVA, 2012, p.1)
A Gestão Financeira de Curto Prazo ou Gestão do Capital de Giro trata dos ativos e
passivos correntes. Capital de Giro são os recursos necessários para a realização das
atividades operacionais da empresa, ou seja, é o ativo circulante que sustenta essas atividades.
O objetivo da administração financeira de curto prazo é gerir cada
ativo circulante (estoques, contas á receber, caixa e aplicações
financeiras de curto prazo) e cada passivo circulante (contas a pagar,
despesas a pagar e instituições financeiras a pagar) de maneira a
alcançar um equilíbrio entre rentabilidade e risco que contribua
positivamente para o valor da empresa. (GITMAN, 2004, p.510)
14
Ching, Marques e Prado (2007) afirmam que o foco principal da gestão do Capital de
Giro é diminuir o tempo entre o desembolso na compra de materiais e produtos e o
recebimento de suas vendas. À medida que o negócio da empresa começa a girar, faz-se
necessário uma análise para verificar se o lucro obtido através de vendas consegue gerar caixa
suficiente para honrar seus compromissos frente a fornecedores, funcionários, governo,
sócios, e se terá também recursos para futuros investimentos.
15
Problema da pesquisa
Nas empresas do ramo comercial e de serviços a maior parte de seu capital está no
ativo circulante, diferente das indústrias que possuem um grande valor no ativo não circulante
proveniente de investimentos em máquinas, equipamentos, instalações, etc. A composição de
ativos e passivos vai depender do tipo de empresa. (GITMAN, 1997)
Em uma empresa de e-commerce essa diferença é evidente. Como nesse tipo de
comércio não há necessidade de grandes investimentos em ativos fixos, a análise da Gestão do
Capital de Giro é um diagnóstico significativo sobre seu desempenho e o resultado dessa
análise determina a importância de sua ação.
O nível e a importância do capital de giro variam, evidentemente, em
função das características de atuação de cada empresa, do desempenho
da conjuntura econômica e da relação risco (liquidez) e rentabilidade
desejada. (ASSAF NETO, 2003, p.450)
Nesse tipo de comércio, é grande a necessidade de capital de giro, já que para
desenvolver suas atividades o consumo de recursos vem principalmente do Ativo Circulante
(caixa, estoques) e não necessitam tanto de Ativos fixos.
O trabalho foi desenvolvido com base nas atividades da empresa Net Computadores
Ltda. EPP, fundada em 1998, que atua no comércio de produtos de informática e prestação de
serviço, e que a partir de 2005, iniciou suas atividades no comércio eletrônico, sendo essa sua
principal atividade hoje.
A empresa por ser de pequeno porte nunca teve seu capital de giro analisado. Sua
contabilização é feita por um escritório de contabilidade. Com o aumento nas vendas da
empresa, o aumento de prazos de pagamentos de seus clientes a necessidade do capital
aumenta. Dependendo do tempo de retorno dessas vendas pode ser que essa expansão em suas
atividades não cubra essa necessidade de capital de giro.
Diante deste contexto, questionou-se: Qual a situação do capital de giro da empresa
Net Computadores no período de 2009 a 2012?
16
Objetivo Geral
O objetivo principal desse trabalho foi analisar o capital de giro na empresa Net
Computadores no período de 2009 a 2012.
Objetivos Específicos
a) Coletar os demonstrativos financeiros da empresa Net Computadores;
b) Reclassificar as contas do Balanço Patrimonial da empresa Net Computadores;
c) Calcular os índices de avaliação da empresa Net Computadores;
d) Analisar a situação financeira do giro da empresa Net Computadores.
17
Justificativas
A busca em desenvolver um estudo para análise da administração do capital de giro na
empresa Net Computadores justificou-se principalmente pelos os seguintes fatos:
A gestão do capital de giro encontra-se inserida no contexto decisório das finanças das
empresas e permitirá entender como a empresa Net Computadores gera, aplica e gerencia seus
recursos financeiros.
A administração do capital de giro diz respeito à administração das
contas dos elementos de giro, ou seja, dos ativos e passivos correntes
(circulantes), e às inter-relações existentes entre eles. Neste conceito,
são estudados fundamentalmente o nível adequado de estoques que a
empresa deve manter, seus investimentos em créditos a clientes,
critérios de gerenciamento do caixa e a estrutura dos passivos
correntes, de forma consistente com os objetivos enunciados pela
empresa e tendo por base a manutenção de determinado nível de
rentabilidade e liquidez.(ASSAF NETO; SILVA, 2012, p.5)
Segundo informação obtida na página eletrônica do SEBRAE (2011) o comércio
eletrônico cresceu mais de 20% em 2011. Em 2010 foram comercializados R$14,8 bilhões no
comércio eletrônico. Somente nos seis primeiros meses de 2011, essa modalidade de negócio
movimentou R$ 8,4 bilhões, um crescimento nominal de 24% se comparado a 2010.
Pelo contínuo crescimento nesse tipo de comércio, um estudo sobre gestão de capital
de giro e seu resultado poderá beneficiar demais empresas desse segmento, além de mostrar o
papel essencial da Contabilidade em constituir regras que objetivam a preservação da saúde
financeira das empresas em geral.
Assaf Neto e Silva (2012) abordam que conhecendo a situação do capital de giro de
uma empresa é possível dimensionar adequadamente o investimento necessário para suas
operações.
Esse estudo avaliou o capital de giro da empresa Net Computadores através de seus
resultados financeiros, verificando o desempenho da empresa e auxiliando também na
correção de problemas operacionais.
18
Metodologia
Segundo Beuren (2009), o problema de pesquisa é o definidor da metodologia que será
utilizada em uma monografia. Depois do problema formulado deve-se optar pela tipologia de
pesquisa mais adequada e apresentar os instrumentos que serão utilizados. Dependendo da
natureza das variáveis e da forma de coleta de dados os instrumentos de pesquisa pode ser
apenas de um tipo ou de vários.
Para obtenção de dados e subsidiar o propósito desse trabalho foram utilizados os
instrumentos ou técnicas de coleta de dados mais apropriados para o tipo de pesquisa.
O trabalho trata-se de um estudo de caso, pois se apoiou na investigação de uma
situação específica da empresa analisada. Conforme Beuren (2009) é característica do estudo
de caso o estudo de um caso específico. O estudo de caso busca reunir informações detalhadas
que auxilia no conhecimento de uma situação e de uma possível resolução de problemas.
Os dados necessários para realização e comprovação do estudo foram coletados em
fontes primárias e secundárias.
Na pesquisa em fontes secundárias, foram utilizados materiais bibliográficos diversos
como: livros, periódicos, publicações científicas da área e sites.
Esse tipo de pesquisa é parte da pesquisa descritiva, pois tem como objetivo recolher
informações prévias a respeito de um problema para o qual se quer resposta. Foram analisados
instrumentos contábeis utilizados na gestão financeira. (BEUREN, 2009)
Um dos procedimentos utilizados no trabalho foi a pesquisa bibliográfica que abrange
todo material elaborado e tornado público em relação a um tema de estudo. (BEUREN, 2009)
Essa pesquisa através de fontes secundárias (livros, artigos científicos, monografias,
etc.) sobre capital de giro, permitiu o conhecimento sobre esse tema e uma melhor análise dos
dados obtidos através dos demonstrativos financeiros da empresa Net Computadores.
Os dados secundários da pesquisa foram obtidos através de documentos da empresa e
por observação assistemática.
19
Belém (2009) afirma que a coleta de dados por meio de dados primários é a que
trabalha com informações que ainda não receberam qualquer tratamento analítico como
documentos oficiais, reportagens de jornal, filmes, fotografias, gravações.
No estudo foram analisadas as demonstrações contábeis da empresa Net
Computadores como os balanços patrimoniais dos anos de 2009, 2010, 2011 e 2012,
verificando o comportamento das contas de disponível, estoques, clientes a receber,
fornecedores, contas a pagar. Também foram analisadas as demonstrações do resultado dos
exercícios desses anos, os extratos bancários, etc., enfim documentos que registraram
informações ocorridas com o ativo circulante e passivo circulante da empresa.
Quanto à abordagem do problema, a pesquisa foi classificada como pesquisa
quantitativa. Quantitativa, porque segundo Beuren (2009), a pesquisa caracteriza-se pelo
emprego de instrumentos estatísticos desde a coleta, até a análise e tratamento dos dados
obtidos. Ela procura descobrir e classificar a relação entre as variáveis, garantindo a precisão
dos resultados.
Os dados coletados para a pesquisa se deram por observação assistemática. Tratou-se
de uma pesquisa participante, já que o pesquisador estava envolvido com o assunto estudado.
Para Beuren (2009) quanto maior a interação do pesquisador, mais consistente será o
resultado.
Para esse estudo foram utilizados como instrumentos de análises de dados, as análises
vertical e horizontal da empresa; os índices de margem líquida, retorno sobre o ativo, retorno
sobre o patrimônio líquido, liquidez imediata, liquidez corrente, liquidez seca, prazo médio de
rotação de estoques, prazo médio de recebimento de vendas, prazo médio de pagamento de
compras, ciclo operacional, ciclo financeiro, necessidade de capital de giro, capital de giro
disponível, saldo de tesouraria e necessidade total de financiamento permanente.
20
2 INTRODUÇÃO À ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO
2.1 Natureza e definições da administração do capital de giro
Segundo Assaf Neto e Silva (2012) o termo giro refere-se aos recursos correntes,
capazes de serem convertidos em caixa no prazo máximo de um ano. Capital de giro ou
capital circulante é representado pelo ativo circulante e são recursos utilizados pela empresa
para suas necessidades operacionais. A gestão do capital de giro tem importância relevante
nas organizações e a evolução teórica dos conceitos da área das finanças trouxe uma melhora
nos processos de decisões das empresas.
Ehrhardt e Brigham (2012) afirmam que a gestão do capital de giro vai além das
finanças e que as melhorias nas divisões operacionais das empresas melhoram a posição do
capital de giro. As finanças entram para avaliar a eficiência dos departamentos e decidir
quanto caixa as empresas devem manter e quanto deve ser usado para financiamento de seu
capital de giro.
Segundo Assaf Neto e Lima (2010) o disponível (caixa e aplicações financeiras),
valores a receber e estoques são os três importantes ativos que formam o capital de giro.
Obtém-se o capital de giro líquido pela diferença entre o ativo circulante e passivo circulante.
A atuação de cada empresa, seu desempenho econômico e a sua rentabilidade desejada, vão
definir qual o nível de capital de giro é ideal.
A gestão de capital de giro refere-se à relação das contas dos elementos de giro (ativos
e passivos correntes). Tem por base a manutenção de determinado nível de rentabilidade e
liquidez, estuda o nível adequado de estoques a se manter na empresa, os investimentos em
créditos a clientes, gerenciamento de caixa e a formação e estrutura dos passivos correntes.
(ASSAF NETO; SILVA, 2012)
Uma má administração do capital de giro pode levar uma empresa a enfrentar
problemas financeiros, impedindo-a de dar continuidade em suas operações. Examinar e
acompanhar cada item que compõem o capital de giro da empresa é necessário para uma
gestão financeira eficaz.
21
“Os elementos do ativo circulante não costumam apresentar sincronização temporal
equilibrada nos seus níveis de atividades.” (ASSAF NETO; SILVA, 2012, p.3)
Di Agustini (1996) define o capital de giro de terceiros como a relação onde o ativo
circulante é menor que o passivo circulante. Os bens e direitos realizáveis em um ano são
menores que as dívidas e obrigações no mesmo período.
O capital de giro próprio (ou CCL, capital circulante líquido) é definido como a
relação contrária, ou seja, o ativo circulante é maior que o passivo circulante. O capital de giro
nulo é a relação em que ativo circulante e passivo circulante se iguala.
Para Assaf Neto e Silva (2012) o capital de giro líquido ou CCL se dá através da
diferença entre ativo circulante e passivo circulante.
Vieira (2008) define capital de giro líquido como uma medida de folga financeira e
que quanto maior essa folga, melhor.
Passivo Circulante
Ativo circulante
Capital Circulante Líquido
Positivo→
Passivo Não Circulante
Ativo não circulante
Patrimônio Líquido
Figura 1. Empresa com capital de giro líquido positivo
Fonte: Adaptado de Assaf Neto e Silva (2012, p. 6)
Quando o passivo circulante é maior que o ativo circulante tem-se o capital de giro
líquido negativo e o quando o ativo circulante é maior que o passivo circulante tem-se o
capital de giro líquido positivo. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
22
Ativo circulante
Ativo não circulante
Passivo Circulante
Passivo Não Circulante
←Capital Circulante Líquido
Negativo
Patrimônio Líquido
Figura 2. Empresa com capital de giro líquido negativo
Fonte: Adaptado de Assaf Neto e Silva (2012, p. 7)
O capital de giro ou ativo circulante operacional também pode ser classificado como
permanente (fixo) e temporário (variável ou sazonal). Os ativos circulantes operacionais
permanentes são aqueles necessários mesmo que o ciclo do negócio da empresa esteja em
baixa, são essenciais para mantê-la em funcionamento. Os ativos circulantes operacionais
temporários são os ativos circulantes adicionais gerados durante um pico no ciclo operacional
da empresa através de um aumento de vendas. (EHRHARDT; BRIGHAMT, 2012)
2.2 Ciclo Operacional e Ciclo Financeiro
Conforme afirma Assaf Neto e Lima (2010) o ciclo operacional em uma empresa
inicia-se no momento de recebimento de materiais a serem utilizados na produção de um bem
e encerra-se no recebimento das vendas realizadas. Numa empresa industrial engloba o tempo
de espera da matéria-prima, sua armazenagem, transformação da matéria-prima em produto
acabado, a venda, o prazo de armazenagem do produto terminado, a cobrança e o recebimento
das vendas.
Em uma empresa prestadora de serviços o ciclo operacional inicia-se no momento da
realização do serviço ao cliente e encerra-se no recebimento dessa prestação de serviço.
23
Compra de
Matéria-prima
Início da
Fabricação
PME (Mp)
Fim da
Fabricação
PMF
Recebimento
da Venda
Venda
PMV
PMC
Em que:
PME (Mp) = prazo médio de estocagem de matérias-primas;
PMF = prazo médio de fabricação;
PMV = prazo médio de venda (prazo médio de estocagem de produtos acabados);
PMC = prazo médio de cobrança (prazo médio de recebimento).
Figura 3. Ciclo operacional de uma empresa industrial.
Fonte: Assaf Neto e Silva (2012, p.9)
“Quanto mais longo se apresentar esse período, maior será, evidentemente, a
necessidade de recursos para financiar o giro da empresa.” (ASSAF NETO; SILVA, 2012,
p.9)
Dependendo das características da empresa uma ou mais fases do ciclo operacional
podem não existir. No caso de vendas a vista o prazo médio de cobrança é considerado nulo e
em algumas empresas em que a produção é feita por encomenda não existe o prazo de
estocagem de produtos acabados. No caso de empresas comerciais não haverá o prazo médio
de fabricação. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
Analisando o ciclo operacional de uma empresa pode-se identificar também o ciclo
financeiro e o ciclo econômico. (FIG. 4)
24
Compra de
Matéria-prima
PME (Mp)
PMPF
Início da
Fabricação
Fim da
Fabricação
PMF
Venda
PMV
Recebimento
PMC
Ciclo Operacional
Ciclo Financeiro
(Caixa)
Ciclo Econômico
Em que:
PMPF = Prazo Médio de Pagamentos a
Fornecedores
Figura 4. Ciclo financeiro e econômico.
Fonte: Assaf Neto e Silva (2012, p. 11)
O ciclo financeiro trata do período do desembolso inicial de caixa (quando a empresa
paga os materiais a fornecedores) até o recebimento de suas vendas. Nesse período a empresa
necessitará de financiamentos para suas atividades. Esses financiamentos podem ocorrer
através de créditos de terceiros através de compras a prazo, descontos de duplicatas,
empréstimos, etc. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
Vieira (2008) também define o ciclo financeiro como ciclo de conversão de caixa e
afirma que a empresa deveria procurar reduzir esse período, sem prejudicar suas atividades.
Com isso reduziria também a demanda por recursos financeiros que ocasiona custos de
capitais.
A demanda por financiamento em sua atividade operacional denomina-se necessidade
de investimento em capital de giro (NIG) e pode ser expressa como ativo circulante
operacional menos o passivo circulante operacional. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
O ciclo econômico da empresa considera o período de natureza econômica: desde a
compra de materiais até a sua venda. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
25
Segundo Assaf Neto e Silva (2012) o ciclo operacional, o ciclo financeiro e o ciclo
econômico podem ser representados pelas equações:
Ciclo Operacional = PME (MP) + PMF + PMV + PMC
Ciclo Financeiro = Ciclo Operacional – PMPF – PMDD
Ciclo Econômico = Ciclo Operacional – PMC
Em que:
PME (Mp) = prazo médio de estocagem de matérias-primas;
PMF = prazo médio de fabricação;
PMV = prazo médio de venda (prazo médio de estocagem de produtos acabados);
PMC = prazo médio de cobrança (prazo médio de recebimento);
PMPF = prazo médio de pagamento a fornecedores
PMDD = prazo médio de desconto de duplicatas
Os prazos em questão serão explanados na seção 4.1 desse trabalho.
Segundo Komatsu e Santana (2011) o volume de vendas interfere na necessidade de
capital de giro e a empresa caso não tenha recursos suficientes para suprir essa necessidade
buscará esses recursos de terceiros. Um mau gerenciamento de fatores como a rotação de
estoques, volume de vendas, prazo de pagamento, prazo de recebimento, ciclo financeiro,
investimentos permanentes e de capital de terceiros podem causar sérios problemas a
empresa.
26
2.3 Análise Vertical e Análise Horizontal
A análise vertical e a análise horizontal são duas técnicas básicas para a avaliação do
desempenho das empresas. Essas análises comparam um período a outro e o relacionamento
de uma conta com outra. A comparação é essencial para o conhecimento da situação de uma
empresa e para detectar forças e fraquezas nos seus processos operacionais. (ASSAF NETO,
2010)
A análise vertical e a análise horizontal verifica a evolução da empresa de um período
a outro e é capaz de mostrar quais as contas que contribuíram para uma melhora ou piora de
sua situação.
Segundo Iudícibus (1998) a análise vertical e a análise horizontal são importantes, pois
trata-se de uma etapa preparatória para os cálculos e análises por quocientes. Somente a
análise vertical e a análise horizontal não devem levar a conclusões sobre a situação da
empresa. Deve-se considerar o conjunto de vários quocientes para se ter uma melhor ideia.
A análise vertical verifica a significância de uma conta em relação a um valor total. No
Balanço Patrimonial verifica-se a relevância de uma conta em relação ao total de capital e na
Demonstração do Resultado a receita operacional líquida é o referencial. Observa-se
verticalmente para se fazer as comparações. (BLATT, 2001)
A análise horizontal compara os percentuais observando horizontalmente as evoluções
das contas, de um período para outro. (BLATT, 2001)
A finalidade da análise horizontal é apontar crescimento através de períodos, das
contas do balanço patrimonial e das demonstrações de resultado caracterizando tendências.
(IUDÍCIBUS, 1998)
Conforme Iudícibus (1998) a análise vertical e horizontal devem ser utilizadas
conjuntamente. A análise horizontal mostra o nível de crescimento das contas, mas deve ser
aliada a análise vertical para ter sentido. Por exemplo, o disponível pode ter aumentado se
comparado horizontalmente, mas seu percentual ao valor total do ativo pode manter-se
constante ou até diminuir.
27
2.4 Indicadores de Rentabilidade
Há diversos índices para analise de uma empresa. No trabalho optou-se pela utilização
dos índices de rentabilidade e liquidez.
Para analisar a rentabilidade e lucratividade de uma empresa são utilizados índices
dados pelas seguintes equações:
=
100
Em que:
ML = Margem Líquida;
LL = Lucro Líquido;
VL = Vendas Líquidas
O indicador de margem líquida mede a eficiência em gerar lucros através de suas
vendas. Indica quanto à empresa ganhou a cada R$ 1,00 de venda. (ASSAF NETO; LIMA,
2010)
A margem líquida compara o lucro líquido com as vendas líquidas. Esse quociente se
apresenta alto ou baixo dependendo do tipo da empresa. Uma empresa automobilística possui
um valor alto em vendas e uma margem pequena e alguns comércios e indústrias possuem
altas margens líquidas, mesmo que o valor de suas vendas não sejam tão alto. (IUDÍCIBUS,
1998)
=
Em que:
ROA = Retorno sobre o Ativo
LO = Lucro Operacional
AT = Ativo Total
28
O retorno sobre o ativo (ROA) é a relação entre o lucro gerado pelo ativo. Identifica o
retorno produzido pelas aplicações realizadas. (ASSAF NETO; LIMA, 2010)
=
Em que:
ROE = Retorno sobre o Patrimônio Líquido
LO =Lucro Operacional
PL = Patrimônio Líquido
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) vai mostrar o quanto a empresa teve de
retorno sobre o capital investido pelos sócios através de suas atividades.
2.5 Indicadores de Liquidez
Para a avaliação do desempenho empresarial utilizam-se indicadores calculados a
partir de relatórios contábeis. (VIEIRA, 2008)
“Relatório contábil é a exposição resumida e ordenada de dados colhidos pela
contabilidade.” (MARION, 2009, p.41)
Segundo Marion (2009) entre os relatórios contábeis os mais importantes são as
demonstrações financeiras ou demonstrações contábeis.
Muitas informações podem ser extraídas das demonstrações contábeis e a técnica mais
empregada para análise são os índices. São eles que fornecem uma visão ampla da situação
econômica e financeira que se encontra a empresa. (MATARAZZO, 1998)
Conforme Di Agustini (1996) os indicadores de liquidez são utilizados para medir a
capacidade que tem uma empresa em liquidar suas dívidas de curto prazo no período de até
um ano.
29
O indicador de liquidez de uma empresa é o capital circulante líquido (CCL) que é
identificado pela diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante. A princípio, pode-se
dizer que quanto maior a diferença entre ativo circulante e passivo circulante, maior é a folga
financeira da empresa e melhor sua posição de liquidez, mas a CCL não fornece base
adequada para conclusão a respeito da liquidez, devendo-se, portanto, trabalhar com índices
financeiros de liquidez. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
O índice de liquidez imediata identifica a capacidade da empresa em liquidar suas
obrigações de curto prazo apenas com o seu saldo de disponível. É dado pela fórmula:
.
=
Em que:
LI = liquidez imediata
Disp.= disponível
PC = passivo circulante
O índice de liquidez corrente identifica o quanto uma empresa dispõe no seu ativo
circulante frente a suas dívidas de curto prazo. É dado pela fórmula:
=
Em que:
LC = liquidez corrente
AC = ativo circulante
PC =passivo circulante
O índice de liquidez seca mede a capacidade da empresa em liquidar suas dívidas
utilizando-se de seus ativos de maior liquidez (disponível e valores a receber). É dado pela
fórmula:
=
−
−
30
Em que:
LS = liquidez seca
AC = ativo circulante
E = estoques
DA = despesas antecipadas
PC =passivo circulante
Conforme Assaf Neto e Silva (2012) uma empresa pode ter valores positivos de
liquidez, mas esses valores não vão relatar se há ou não sincronia no fluxo financeiro futuro.
Por exemplo, se as obrigações de curto prazo tiverem vencimentos nos próximos dias esses
índices não informam se as disponibilidades serão suficientes para honrar com os
compromissos. Pode-se calcular o valor presente dos fluxos de cada conta do ativo circulante
e passivo circulante para saber se a quantidade de recursos honrará com esses compromissos.
2.6 Fontes de recursos e equilíbrio financeiro
Para financiar seu ativo circulante, a empresa pode empregar seu capital circulante
próprio ou o de terceiros, como empréstimos e financiamentos de curto e longo prazo,
descontos de duplicatas. (MATARAZZO, 1998)
Toda empresa deve manter um nível de capital de giro que garanta seu desempenho
operacional, mesmo em épocas que os negócios estão fracos. (VIEIRA, 2008)
Segundo Vieira (2008) as empresas possuem três fontes principais de recursos. A
primeira fonte são os fornecedores que concedem prazos para pagamento de suas compras. A
segunda são os empréstimos e financiamentos de curto prazo e a terceira é formada pelos
empréstimos e financiamentos de longo prazo e os recursos de capital próprio.
Os recursos obtidos através de capital de terceiros se classificam em crédito comercial
e crédito financeiro. O crédito comercial ocorre das transações entre a empresa e
fornecedores. Esse tipo de crédito origina-se de créditos comerciais como fontes de créditos
de fornecedores, crédito de impostos e obrigações sociais. (LEMES JUNIOR, 2002)
31
Padoveze (2011) considera as fontes de financiamento do ativo como passivos de
funcionamento e passivos de financiamento. Os passivos de funcionamento são os passivos
não remunerados com juros como salários, impostos, duplicatas a pagar (considerando as
duplicatas sem juros). Os passivos de financiamento são os passivos onerosos, que exigem
remuneração, juros. São exemplos de passivos de financiamento os empréstimos, debêntures e
capital próprio.
Assaf Neto e Lima (2010) abordam o financiamento que leve ao equilíbrio tradicional,
onde o capital de giro permanente (fixo) deve ser financiado por recursos de longo prazo
(próprios ou de terceiros) e o capital de giro sazonal (temporário) deve ser financiado por
recursos de curto prazo. Assim os investimentos serão financiados com recursos exigíveis em
períodos correspondentes. Haverá uma sincronização entre o período de retorno de uma
aplicação e de pagamento de um financiamento.
Figura 5. Necessidades totais de recursos
Fonte: Adaptado Assaf Neto e Silva (2012, p. 15)
Observa-se que a estrutura de financiamento que leva ao equilíbrio tradicional,
comentado por Assaf Neto e Lima (2010) em que o capital de giro temporário é financiado
por recursos de curto prazo e, onde o ativo circulante permanente e o ativo permanente são
financiados por recursos de longo prazo. (FIG. 5)
Segundo Padoveze (2011) os principais parâmetros para decidir qual a estrutura ideal
do passivo são: grau de aversão ao risco, dilema liquidez e rentabilidade e mensuração do
endividamento. Para esse autor, dentro de um conjunto normal de condições empresariais, há
32
sempre possibilidades de refazer a estrutura de financiamento da empresa, tanto em percentual
de dívidas, como nos prazos de amortização e taxas de juros.
2.7 Estrutura das taxas de juros
Ao captar recursos do mercado a empresa paga a seus credores uma remuneração, que
são os juros. O juro pode ser entendido como o aluguel do dinheiro ou o custo do dinheiro. A
empresa está disposta a pagar mais juros caso seu investimento apresente uma oportunidade
mais rentável. (ASSAF NETO; LIMA, 2010)
O que define a taxa de juros é a preferência temporal dos agentes que possuem os
recursos e o retorno daqueles que demandam os recursos. A variedade das taxas de juros do
mercado depende de vários fatores: prazos envolvidos, as condições entre os agentes, o risco
da operação, as garantias estabelecidas e as condições da economia. (ASSAF NETO; SILVA,
2012)
As taxas de juros de longo prazo são maiores que as de curto prazo em decorrência do
risco que corre o credor pela imprevisibilidade do retorno do capital emprestado e da
dificuldade de estabelecer uma taxa que seja adequada frente a mudanças que venham ocorrer
no mercado. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
2.8 Conflito risco-retorno na administração do capital de giro
O ativo circulante de uma empresa costuma girar de forma rápida e quanto maior sua
rotação maior o retorno do investimento. O giro no ativo circulante é um importante indicador
da eficiência da administração financeira de uma empresa e para avaliar o investimento
necessário em giro deve-se conhecer o comportamento de seus elementos e a estrutura do
financiamento da empresa. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
O que define a estrutura de financiamento de uma empresa serão a necessidade de
recursos, o volume de recursos disponíveis no mercado e a agressividade da gestão da
empresa. Como regra básica não se aconselha financiar ativos de longo prazo com recursos de
33
curto prazo. Endividamento de curto prazo gera níveis de riscos maiores a empresa, devido a
taxas de juros, que podem ser elevadas em certos momentos e, à necessidade de constantes
renovações de crédito, que podem até levar a empresa à falência. (VIEIRA, 2008)
As decisões financeiras são baseadas na comparação entre o risco e retorno de um
investimento. Quanto maior o capital circulante líquido de uma empresa, maior será a sua
folga financeira e menor será o seu risco de insolvência. Contudo essa maior segurança
significa um maior custo de oportunidade e menor tende a ser o retorno do investimento.
(ASSAF NETO; SILVA, 2012)
Figura 6. Capital circulante líquido: correlação entre liquidez e/ou rentabilidade.
Fonte: Assaf Neto (2010, p. 162)
Segundo Groppelli e Nikbakht (1998) a análise do risco e retorno de um investimento
é a chave de todas as decisões financeiras.
Padoveze (2011) denomina o risco financeiro como a possibilidade de a empresa não
ter condições de pagar suas dívidas temporária ou definitivamente. O grau de endividamento
da empresa é uma referência básica para medir seu risco financeiro. Quanto maior o grau de
endividamento da empresa maior seu risco financeiro. O grau de endividamento é dado pela
seguinte fórmula:
34
=
Em que:
GE = grau de endividamento
CT = capital de terceiros
CP = capital próprio
Para Gitman e Madura (2003) cada decisão ou investimento financeiro apresenta
características distintas de risco e retorno e a teoria básica que liga risco e retorno é o modelo
de precificação de ativos financeiros (CAPM). Esse modelo geralmente depende de dados
históricos e considera o risco e o retorno em uma tomada de decisão.
Assaf Neto e Lima (2010, p.216) apresentam a fórmula do CAPM, onde o “coeficiente
beta indica o incremento necessário no retorno de um ativo de forma a remunerar
adequadamente seu risco sistemático (risco relacionado com o mercado como um todo).”
=
+
(
−
)
Em que:
Rj = retorno esperado
Rf = taxa de juros livre de risco
Rm = retorno da carteira de mercado
β = coeficiente beta. Risco sistemático de um ativo em relação ao mercado
Quanto maior o beta, maior o risco do ativo em relação ao risco de mercado e a
empresa deverá exigir maior retorno para o investimento realizado. (ASSAF NETO; LIMA,
2010)
Ao relacionar capital de giro e risco financeiro, verifica-se que o risco financeiro de
uma empresa está relacionado com a sua liquidez, que por sua vez está associada ao curto
35
prazo. Para uma situação de liquidez adequada e a sobrevivência de uma empresa, podem ser
necessárias metas que busquem retornos menores sobre o capital investido pelos proprietários.
(VIEIRA, 2008)
Para obter uma maior segurança ou menor risco financeiro em suas operações a
empresa deve manter seu capital de giro em níveis mais elevados. A empresa deve também
tomar decisões em relação as suas atividades como compras, vendas, fabricação, cobranças,
pagamentos. (ASSAF NETO, 2010)
Segundo Assaf Net (2010) ao se tomar decisões quanto às operações identificam-se os
custos do investimento em capital de giro:
a) Custo de oportunidade, quanto maior o investimento em giro, maior o custo de
oportunidade;
b) Custo de manutenção de ativos circulantes, gastos em manter estoques, produtos,
valores a receber e;
c) Custo de falta, verificado quando o investimento em giro é insuficiente e a empresa
acaba perdendo vendas por não haver produto em estoque, ou pode perder clientes por não
poder conceder crédito devido à falta de capital.
A administração do capital de giro deve alcançar uma situação de equilíbrio entre o
risco e o retorno, buscando a criação de valor para os proprietários da empresa sem colocar
em riscos excessivos as atividades operacional e financeira da organização. (VIEIRA, 2008)
36
3 FLUXOS DE CAIXA
Por mais que uma empresa tenha valores positivos de liquidez, ela pode não conseguir
transformar seus estoques em dinheiro ou não receber de clientes dentro do tempo necessário
para pagar seus compromissos. Os fluxos de caixa são instrumentos para o acompanhamento
da atividade financeira da empresa. Eles permitem a identificação antecipada da necessidade
de se obter recursos ou de se investir sobras de caixa. (VIEIRA, 2008)
“Os fluxos de caixa são de fundamental importância para as empresas, constituindo-se
numa indispensável sinalização dos rumos financeiros dos negócios”. (ASSAF NETO;
SILVA, 2012, p.34)
Para Di Agustini (1996) os fluxos de caixa representam a diferença entre a entrada e a
saída em regime de caixa e deve ser acompanhado diariamente para um melhor planejamento
das atividades.
A demonstração dos fluxos de caixa deverá ser dividida em grupos: atividades
operacionais, atividades de investimento e atividades de financiamento. Mesmo uma empresa
não sendo obrigada a fornecer essa demonstração (Lei nº 11.638/07) ela é uma análise
significativa para fins internos, pois indica a origem e aplicação de todo dinheiro em um
período. (MARION, 2009)
3.1 Abrangência dos Fluxos de Caixa
A administração dos fluxos de caixa não abrange somente a área financeira da
empresa, mas também todos os setores que utilizam dos recursos para as atividades
operacionais. O ciclo operacional deve ser considerado como uma sinergia. A empresa deve
atuar integrada e com todos os seus setores comprometidos. (KUSTER, KUSTER, KUSTER
2010)
As principais áreas que contribuem para um melhor desempenho dos fluxos de caixa
segundo Assaf Neto e Silva (2012) são:
37
a) Área de produção, onde os custos de produção refletem sobre o caixa. A área de
produção pode diminuir o tempo de fabricação de um produto e assim aumentar a
liquidez, diminuindo os custos:
b) Área de compras: deve procurar negociar com os fornecedores aumentando o prazo de
pagamentos ou solicitando descontos. O setor de compras deve estar preocupado com
a sincronização do período de pagamentos a fornecedores, com o período de
recebimentos de vendas da empresa;
c) Área de vendas: também deve se atentar com os prazos de pagamentos aos
fornecedores da empresa para conceder aos clientes, possíveis descontos ou maiores
prazos para pagamentos;
d) Área de cobrança: devem colocar a disposição da empresa os recursos financeiros no
menor tempo possível;
e) Área financeira: deve verificar o perfil de endividamento da empresa, de modo que os
desembolsos ocorram simultaneamente à geração de caixa.
Segundo Marion (2009) as principais transações que aumentam o caixa são:
integralização de capital por sócios e acionistas, empréstimos e financiamentos bancários,
venda de itens do ativo não circulante, vendas a vista e duplicatas a receber, outras entradas.
As transações que diminuem o caixa são: pagamentos de dividendos a acionistas,
pagamento de juros e amortização de dívidas, aquisição de itens do ativo imobilizado,
investimento e intangível, compra a vista e pagamentos a fornecedores, pagamentos de
despesas, contas a pagar e outros. (MARION, 2009)
As transações que não afetam o caixa são: depreciação, amortização e exaustão,
provisão para crédito de liquidação duvidosa, e acréscimos e diminuições de itens de
investimento. (MARION, 2009)
38
3.2 Metodologias de apuração dos fluxos de caixa
Segundo Assaf Neto e Silva (2012) a figura 7 representa o modelo padrão de apuração
dos fluxos de caixa:
ORIGENS DE RECURSOS (Operações que elevam o fluxo de
caixa)
Lucro (Prejuízo) do Período
(+/-) Despesas/Receitas que não envolvem recursos
Fluxo de caixa proveniente das Operações:
(+) Aumentos no Passivo e Patrimônio Líquido
(+) Reduções no Ativo
A. Total dos Aumentos (Origens) de Caixa:
$
XXX
XXX
XXX
XXX
XXX
XXX
APLICAÇÕES DE RECURSOS (Operações que diminuem o fluxo
de caixa)
Aumento no Ativo
(+) Reduções no Passivo e Patrimônio Líquido
B. Total das Reduções (Aplicações) de Caixa:
C. Variações Líquidas nas Disponibilidades (A-B)
XXX
XXX
XXX
XXX
Figura 7. Origens e aplicações de caixa.
Fonte: Assaf Neto e Silva (2012, p. 39)
Os fluxos de caixa comparam os demonstrativos contábeis de início e fim de um
período. As origens de recursos se dão com os aumentos dos passivos e patrimônio líquido e
reduções dos ativos e nas aplicações dos recursos ocorrem os aumentos dos ativos ou
reduções de passivos e patrimônio líquido. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
Outra forma de apuração dos fluxos de caixa se dá através de balanços consecutivos.
Ela trabalha com a comparação dos resultados finais das contas patrimoniais e não evidencia
as transações da empresa, não fornecendo dados para uma boa análise. (ASSAF NETO;
SILVA, 2012)
O método de fluxos de caixa no sentido restrito e amplo é uma medida financeira não
exata que leva em consideração somente os elementos que não consumiram recursos. Ele não
considera os elementos que afetam o lucro líquido. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
39
Os fluxos de caixa efetivo levam em consideração os recebimentos de vendas, os
pagamentos a fornecedores, os pagamentos de despesas e imposto de renda. Através dessa
análise é possível obter uma posição efetiva dos resultados da empresa, pois por mais que
uma empresa tenha elevado seu disponível, ela pode apurar um déficit nos fluxos de caixa de
suas operações. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
Os fluxos de caixa indireto é o método que parte do lucro líquido do exercício,
informação muito utilizada nas finanças. Concilia o regime de caixa com o regime de
competência. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
a) Fluxos de caixa das operações
Para o estudo de fluxos de caixa das operações de uma empresa a primeira variável a
ser considerada é o lucro bruto operacional, formado a partir da receita bruta operacional, da
qual são subtraídas as deduções (impostos, descontos e devoluções), formando a receita
operacional líquida. Da receita operacional líquida é subtraído o custo das mercadorias, custo
dos serviços e despesas operacionais chegando ao lucro operacional. No lucro operacional
deve-se se somar o valor das depreciações, amortizações, exaustão e despesas financeiras.
Chega-se assim, nos fluxos de caixa operacional. (VIEIRA, 2008)
Esse ajuste no resultado operacional, através da soma das depreciações, das
amortizações, da exaustão e das despesas financeiras ao lucro operacional, ocorre para que
sejam analisados somente os resultados gerados com a atividade operacional da empresa
através de decisões de ativos. (ASSAF NETO; LIMA, 2010)
O lucro bruto operacional ajustado (fluxos de caixa gerado pelas operações) possui
fórmula de cálculo idêntica ao EBITDA, que em português é conhecido como LAJIDA (lucro
antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações). (VIEIRA, 2012)
40
b) Fluxos do Capital Circulante Líquido
Segundo Assaf Neto e Silva (2012) a DOAR (Demonstração de Origens e Aplicações
de Recursos) é um relatório que permite que se verifiquem os fluxos financeiros que
provocaram mudanças no capital circulante líquido. Não são todas as transações que afetam o
capital circulante líquido, como por exemplo, a compra a vista de mercadoria em que não
ocorre variação no valor do ativo circulante.
Conforme Vieira (2008) os fluxos de caixa líquido são os fluxos disponíveis para
investimentos no ativo permanente.
c) Fluxos de caixa incrementais (marginais) e residuais
Os fluxos de caixa incrementais é o resultado da diferença do que se espera do
investimento e o seu retorno real. São os resultados adicionais. Já os fluxos de caixa residual é
o valor que resta aos proprietários após o pagamento de todas as obrigações. (ASSAF NETO
e SILVA, 2012)
3.3 Análise dos fluxos de caixa
A demonstração dos fluxos de caixa é dividida em três grupos: fluxos das atividades
de investimentos, fluxos das atividades de financiamento e fluxos das atividades operacionais.
(ASSAF NETO; SILVA, 2012)
As atividades de investimentos estão relacionadas com as decisões de longo prazo da
empresa como compra de terrenos, máquinas, veículos. Esses fluxos normalmente são
negativos, pois representam saídas de caixa e caso sejam positivos, significa que a empresa
está reduzindo seu imobilizado e, consequentemente, comprometendo seu crescimento.
(ASSAF NETO; SILVA, 2012)
Para Vieira (2008) as atividades de investimentos têm o objetivo de aumentar a
capacidade produtiva e possibilidades de negociação da empresa.
41
As atividades de financiamento buscam recursos de curto e longo prazo produzindo
impacto na posição de liquidez da empresa. (VIEIRA, 2008)
As atividades de financiamento buscam a captação de recursos através dos
proprietários da empresa (integralização de capital) ou através de empréstimos. Quando a
empresa está em elevado crescimento os fluxos são positivos e em fase de consolidação de
empreendimentos eles tendem a ser negativos. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
As atividades operacionais abrangem os recursos oriundos das atividades da empresa
como: receitas recebidas, pagamento a fornecedores, recebimentos de duplicatas, pagamento
de despesas operacionais, etc. (MARION, 2009)
Conforme Assaf Neto e Silva (2012) os fluxos das atividades operacionais é um dos
indicadores mais relevantes. É o resultado positivo dos fluxos de caixa das atividades
operacionais que indica a continuidade de uma empresa.
Tendo em vista a classificação dos fluxos de caixa nesses três grupos, Assaf Neto e
Silva (2012) apresentam indicadores para sua análise:
a) Índice que relaciona a relação de caixa anual pelas dívidas da empresa:
í
çõ
=
b) Índice que indica a capacidade da empresa em gerar caixa para os acionistas:
ô
í
=
çõ
ô
í
c) Índice que determina se a empresa consegue financiar seus investimentos com seus
próprios recursos:
=
çõ
d) Índice que relaciona a entrada líquida de recursos através de suas operações com os fluxos
de financiamento:
42
çõ
=
e) Índice que relaciona a geração de caixa pelas atividades pelo volume das vendas:
çõ
=
f) Índice que mostra o quanto é gerado de fluxos de caixa das operações para cada unidade
monetária investida no ativo:
çõ
=
g) Índice que demonstra a parcela do lucro realizado:
çõ
=
í
h) Índice que demonstra em quanto tempo o Capital Circulante Líquido será consumido pelos
fluxos negativos de caixa:
çõ
=
í
Em que:
Fluxos de caixa das operações < 0
i) Índice que relaciona o disponível do período anterior mais os fluxos de caixa operacional
com as dívidas onerosas da empresa:
Í
=
í
Em que:
FC das operações = Fluxo de caixa das operações
t = período
+
çõ
43
4 ANÁLISE E DIMENSIONAMENTO DOS INVESTIMENTOS EM CAPITAL DE
GIRO
A aplicação de recursos realizada em uma empresa tem o objetivo de produzir
resultados. Esses resultados além de buscar o crescimento da empresa, devem fazer com que
os sócios ou acionistas sejam remunerados cobrindo os custos do capital investido. (VIEIRA,
2008)
Através da análise da capacidade financeira de uma empresa é possível dimensionar e
direcionar os recursos financiados para assim se chegar a esses objetivos.
4.1 Análise dos ciclos financeiro e operacional
É possível calcular através dos dados das demonstrações financeiras, índices de prazos
médios que levam à análise dos ciclos operacionais e financeiros. São basicamente três: prazo
médio de recebimento de vendas (PMRV), prazo médio de pagamento de compras (PMPC) e
prazo médio de rotação de estoques (PMRE). Esses índices não devem ser analisados
individualmente, mas em conjunto. (MATARAZZO, 1998)
4.1.1 Prazo médio de recebimento de vendas
É o prazo que a empresa financia seus clientes. Corresponde ao período que se inicia
no momento que a empresa emite a fatura e envia ao cliente e termina com o recebimento de
sua venda. (CHING, 2010)
Segundo Matarazzo (1998) é encontrado através da fórmula:
= 360
DR
V
Em que:
PMRV = prazo médio de recebimentos de vendas
DR = duplicatas a receber
44
V = vendas
A empresa deve buscar diminuir sempre que possível o prazo de recebimentos de
vendas, manter um controle eficiente sobre essas contas e estudar políticas de concessão de
créditos. (ASSAF NETO; LIMA, 2010)
Aumentando o prazo de recebimento de suas vendas a empresa aumentará também os
investimentos, e consequentemente seus financiamentos, pois seus compromissos continuarão
existindo. Necessitando de novos financiamentos para honrar seus compromissos, o lucro
poderá diminuir devido a despesas extras. Um aumento nos preços da mercadoria é justificado
pelo prazo maior concedido. (MATARAZZO, 1998)
4.1.2 Prazo médio de rotação de estoques
Esse prazo inicia-se no momento que a empresa compra a matéria-prima ou produto
para revenda e termina no momento em que o produto é vendido. É o tempo que a empresa
leva para produzir e vender. (CHING, 2010)
Segundo Matarazzo (1998) é encontrado através da seguinte fórmula:
= 360
Em que:
PMRE = prazo médio de rotação de estoques
E = Estoques
CMV = custo médio das mercadorias vendidas
Numa empresa comercial o prazo médio de rotação de estoques é o tempo de
estocagem do produto. Numa empresa industrial é o tempo de produção e estocagem.
(MATARAZZO, 1998)
45
4.1.3 Prazo médio de pagamento das contas
É o prazo da empresa para pagar suas contas. Esse prazo começa no momento da
compra da matéria prima ou produto para revenda e termina quando a fatura do fornecedor é
paga. Quanto maior esse prazo menos a empresa precisará de recursos. (CHING, 2010)
Segundo Matarazzo (1998) é encontrado através da fórmula:
= 360
Em que:
PMPC = prazo médio de pagamento de contas
F = fornecedores
C = compras
4.1.4 Prazos médios x rotações
Conforme Matarazzo (1998) o número de vezes que um determinado item se renova é
calculado dividindo-se 360 pelo prazo médio, como segue abaixo:
Rotação de estoques: quantas vezes em um ano os estoques se renovam.
360
(
Rotação de duplicatas a receber: quantas vezes em um ano as duplicatas a receber se
renovam.
360
Rotação de Fornecedores: quantas vezes em um ano as contas de fornecedores se
renovam.
360
46
“Embora úteis e de certa forma didáticos em alguns relatórios, os índices de rotação
não são tão informativos quanto os de prazos médios e dificultam a conjugação dos três
índices.” (MATARAZZO, 1998, p.331)
4.1.5 Impacto financeiro dos prazos nos ciclos operacionais e financeiros
Segundo Sato (2007) dependendo da composição dos prazos de realização das contas
o capital de giro de giro pode fazer com que uma empresa cresça ou não. O tempo necessário
para cada fase das atividades operacionais vai depender das características dos processos de
produção de cada empresa, das políticas de estocagem e cobrança e condições tecnológicas.
Quanto maior o ciclo operacional de uma empresa, maior será o ciclo financeiro e
maior a necessidade de financiamentos. O capital de giro da empresa financia o ciclo
operacional durante o período entre os pagamentos e recebimentos. (SATO, 2007)
Para Assaf Neto e Silva (2012) o volume de recursos no disponível vai depender da
sincronização do ciclo financeiro. A empresa ao ter uma redução no prazo de pagamento de
suas contas pode diminuir o prazo também de recebimento de clientes ou ao ter uma redução
no prazo de estoques pode fazer com que sua política de créditos seja mais flexível. Uma
empresa que não consegue fazer essa compensação necessitará de maior saldo em capital de
giro.
4.2 Análise do capital de giro pelo modelo Fleuriet
O modelo dinâmico de Fleuriet (ou dinâmico) trata-se de um modelo de análise
avançada do capital de giro. Esse modelo foi introduzido no Brasil na década de 70, pelo
professor Michel Fleuriet e tem por objetivo analisar os investimentos a partir das
demonstrações contábeis. Trata-se de um estudo do equilíbrio financeiro da empresa. Esse
modelo difere da análise tradicional, pois considera os aspectos qualitativos dos elementos
patrimoniais. (SATO, 2007)
47
Vieira (2008) afirma que a classificação tradicional do Balanço Patrimonial se mostra
inadequado para uma análise de liquidez, pois as contas do ativo circulante e passivo
circulante se renovam constantemente e possuem naturezas distintas em relação às demais.
São contas significativas quando se estuda a situação financeira da empresa.
Segundo Cruz e Bressan (2011) em conformidade com Assaf Neto e Silva (2012) para
a análise através do modelo dinâmico é necessário que se faça a reclassificação das contas do
Balanço Patrimonial em três novos grupos de contas: as contas operacionais ou cíclicas, as
de Competência do Exercício Seguinte
Terrenos
Máquinas e Equipamentos
Outros itens de longo prazo
Fornecedores
Salários e Encargos
Impostos e Taxas
Adiantamento de
Clientes
Passivo Não Circulante
Patrimônio Líquido
CIRCULANTE
Duplicatas a Receber
Estoques
Adiantamento e Despesas
Cíclico ou
Operacional
Caixa e Bancos
Aplicações Financeiras
PASSIVO
Empréstimos Bancários
Financiamentos
Duplicatas Descontadas
Dividendos e IR
PERMANENTE
OU NÃO
CIRCULANTE
Errático ou
Financeiro
Cíclico ou
Operacional
PERMANENTE
OU NÃO
CIRCULANTE
CIRCULANTE
ATIVO
Errático ou
Financeiro
contas financeiras ou erráticas e as contas permanentes ou estratégicas. (FIG. 8)
Figura 8. Os grupos patrimoniais operacional, financeiro e não circulante.
Fonte: Adaptado de Assaf Neto e Silva (2012, p. 66)
Conforme Fleuriet, Kehdy e Blanc (2003) as contas operacionais ou cíclicas são
contas de curto prazo, renováveis e ligadas à atividade operacional da empresa. As contas
financeiras ou erráticas são contas de curto prazo, não necessariamente renováveis ou ligadas
à atividade operacional e, as contas permanentes ou não cíclicas são contas de prazo superior
a um ano.
48
Quadro 1. Balanço esquemático do Modelo Fleuriet
Saldo de Tesouraria= Ativos
Financeiros – Passivos
Financeiros = CPL (CDG) – NCG
Capital de giro disponível = Passivos
Não Circulantes – Ativos
Não Circulantes = CPL (CDG) = NCG + T
Necessidade de Capital de Giro = Ativos
Circulantes Operacionais – Passivos
Circulantes Operacionais
Variável
Característica
Aumenta com
De natureza operacional

Quando positiva: o ciclo
operacional é mais longo que o
prazo médio de pagamento,
necessitando de investimento em
giro operacional. Nesse caso uma
situação desfavorável.

Quando negativa: o ciclo
operacional é menor que o prazo
médio de pagamento,
representando recursos
financiados por terceiros (não
onerosos). Neste caso uma
situação favorável.
De natureza estratégica e
operacional
Função espelho com o CCL. Se
aumenta o CPL (CDG), aumenta
o CCL. Se diminui o CPL,
diminui o CCL.







Quando positivo: fonte líquida
de recursos de permanentes,
dando fôlego ao CCL. Neste caso,
situação favorável.
Diminui com
Crescimento no
volume de vendas
Aumento da
estocagem
Aumento do
processo de
produção
Política de crédito
agressiva, com
aumento do prazo
de recebimento
Redução do prazo
de pagamento


Geração de Lucros
Aporte de Capital
Captação de
recursos onerosos
de longo prazo
Diminuição de
investimentos de
ativos não
circulantes



Aumento do CCL
(CDG)
Redução do NCG







Redução das vendas
Velocidade do giro dos
estoques
Velocidade no processo
produtivo
Política de crédito mais
conservadora
Aumento do prazo com
fornecedores
Geração de Prejuízo
Retirada de Capital
Distribuição de
Lucros
Amortização de
financiamentos
Aumento de
investimentos em ativos
não circulantes
Quando negativo: aplicação em
itens permanentes. Incapacidade
de a empresa obter giro com
capital próprio ou de longo prazo.
Neste caso, situação
desfavorável.
De natureza errática

Dependendo do NCG e do CPL
(CDG)

Quando positiva: empresa com
sobra de recursos financeiros de
curto prazo. Neste caso, situação
favorável.
Quando negativa: empresa
dependente de recursos
financeiros de curto prazo.
Neste caso situação
desfavorável.
Fonte: Adaptado de Monteiro (2003 apud CRUZ; BRESSAN, 2011, p.4)
Redução do CCL (CDG)
Aumento da NCG
49
O quadro 1 mostra as variáveis chaves do modelo Fleuriet ou modelo dinâmico e quais
os fatores que interferem no seu aumento ou diminuição dessas variáveis.
A necessidade em capital de giro demonstra o quanto uma empresa precisa de
investimentos em giro e quando essa variável é positiva temos uma situação desfavorável. A
NCG aumenta com o aumento das vendas, com o aumento das atividades operacionais, com
uma política de crédito agressiva e uma redução nos prazos de pagamentos. (QUADRO 1)
Quanto maior o capital de giro disponível na empresa melhor, pois ele é uma fonte de
recursos. Aumenta com a geração de lucros, com a captação de recursos onerosos de longo
prazo, com a diminuição de investimentos em ativos não circulantes e com o investimento dos
sócios em capital social. (QUADRO 1)
O saldo em tesouraria representa a sobra de recursos financeiros e quanto maior
melhor. Aumenta com a diminuição da necessidade de capital de giro e com o aumento do
capital de giro disponível. (QUADRO 1)
Conforme Silva (2005, apud CRUZ; BRESSAN, 2011) o modelo dinâmico isola e
combina os três grupos de contas, onde CDG é o capital de giro disponível encontrado pela
diferença entre os passivos não circulantes (PNC) e os ativos não circulantes (ANC). O
passivo não circulante é composto pelos passivos exigíveis a longo prazo e pelo Patrimônio
Líquido e o ativo não circulante é formado pelos ativos em investimentos, imobilizado e
intangíveis. O CDG possui o mesmo valor do capital circulante líquido (CCL) que é também
o reflexo do capital permanente líquido (CPL). (QUADRO 1)
4.2.1 Tipologia de Fleuriet
A partir da reclassificação das contas do balanço patrimonial identificam-se seis tipos
de estruturas do balanço patrimonial gerencial (BPG). Essas seis estruturas de BPG geradas
permitem a analise da liquidez da empresa e permitem a adoção de práticas gerenciais em
relação ao capital de giro das empresas. (NASCIMENTO, et al., 2012)
50
Em que:
BPG = balanço patrimonial gerencial
ACF = ativo circulante financeiro
ACO = ativo circulante operacional
AP = ativo permanente
PCF = passivo circulante financeiro
PCO = passivo circulante operacional
PP = passivo permanente
Figura 9. Tipos de estruturas financeiras do Balanço Patrimonial Gerencial
Fonte: Adaptado de Braga (1991 apud NASCIMENTO et al., 2012, p. 46)
Através da reclassificação das contas do ativo e passivo é possível encontrar as
variáveis chaves do modelo dinâmico (NCG, CDG e ST), e dependo da estrutura enquadrada
é possível analisar a situação financeira da empresa. (QUADRO2)
51
Quadro 2. Variáveis do modelo dinâmico como fontes e aplicações de recursos
Tipologia
Tipo 1
Tipo 2
Tipo 3
Tipo 4
Tipo 5
Tipo 6
Variável
ST
NCG
CDG
ST
NCG
CDG
ST
NCG
CDG
ST
NCG
CDG
ST
NCG
CDG
ST
NCG
CDG
Positivo
Negativo
Positivo
Positivo
Positivo
Positivo
Negativo
Positivo
Positivo
Negativo
Positivo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Positivo
Negativo
Negativo
(ACF > PCF)
(ACO < PCO)
(PP > AP)
(ACF > PCF)
(ACO > PCO)
(PP > AP)
(ACF < PCF)
(ACO > PCO)
(PP > AP)
(ACF < PCF)
(ACO > PCO)
(PP < AP)
(ACO < PCF)
(ACO < PCO)
(PP < AP)
(ACF > PCF)
(ACO < PCO)
(PP < AP)
Significado
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
aplicação de recursos
fonte de recursos
fonte de recursos
aplicação de recursos
aplicação de recursos
fonte de recursos
fonte de recursos
aplicação de recursos
fonte de recursos
fonte de recursos
aplicação de recursos
aplicação de recursos
fonte de recursos
fonte de recursos
aplicação de recursos
aplicação de recursos
fonte de recursos
aplicação de recursos
Em que:
ACF = ativo circulante financeiro
ACO = ativo circulante operacional
AP = ativo permanente
PCF = passivo circulante financeiro
PCO = passivo circulante operacional
PP = passivo permanente
ST = saldo da tesouraria
NCG = necessidade de capital de giro
CDG = capital disponível de giro
Fonte: Elaborado a partir de Braga (1991, apud NASCIMENTO et al., 2012, p.46)
Vieira (2008) explica cada tipo de estrutura de balanço patrimonial gerencial
(QUADRO 2) da seguinte forma:
Tipo 1: Trata-se de uma gestão financeira sólida e de baixo nível de riscos. A
necessidade de capital de giro (NCG) representa uma fonte de recursos operacionais (ciclo
52
financeiro negativo – NCG < 0). A NCG e o CDG (capital disponível de giro) são aplicados
no saldo da tesouraria (T) no curto prazo.
Tipo 2: Situação de conforto financeiro em que as disponibilidades de recursos de
longo prazo estão aplicadas no curto prazo. Os recursos de longo prazo do CDG (CDG > 0)
são suficientes para financiar a NCG (NCG > 0) e dispõe de excedente para o saldo de
tesouraria (T >0). Menor nível de risco.
Tipo 3: Nessa situação a NCG é positiva (NCG > 0) e a demanda operacional é
financiada por recursos de longo prazo do CDG (CDG > 0) e de recursos de curto prazo de T
(T < 0). Situação mais encontrada nas empresas brasileiras.
Tipo 4: Trata-se da estrutura de pior situação financeira. A NCG é positiva e o CDG e
T negativos. Situação de alto risco, já que a empresa dependerá de empréstimos bancários de
curto prazo para financiar suas atividades.
Tipo 5: Situação delicada onde o CGD é negativo e os financiamentos de longo prazo
são financiados por recursos originários do ciclo financeiro (NCG < 0) e das instituições
financeiras (T < 0).
Tipo 6: Estrutura das empresas de ciclo financeiro negativo (CF < 0). A NCG sendo
menor que 0 é fonte de recursos operacionais, que é suficiente para financiar o saldo de longo
prazo (CDG < 0) e permitir excedente para aplicação (T > 0).
Quadro 3. Qualidade da situação financeira em termos de risco de insolvência
Excelente
Sólida
Arriscada
Insatisfatória
Ruim
Péssima
CCL > 0 IOG < 0, sendo CCL >IOG
CCL > 0 IOG > 0, sendo CCL >IOG
CCL < 0 IOG < 0, sendo CCL >IOG
CCL > 0 IOG > 0, sendo CCL <IOG
CCL < 0 IOG < 0, sendo CCL <IOG
CCL < 0 IOG > 0, sendo CCL <IOG
ST > 0
ST > 0
ST > 0
ST < 0
ST < 0
ST < 0
Fonte: Braga, Nossa e Marques (2004 apud NASCIMENTO et al., 2012, p. 47)
Em que:
CCL =capital circulante líquido ou CGD = capital de giro disponível
IOG = investimento operacional em giro ou NCG = necessidade de capital de giro
ST = Saldo de tesouraria
53
Uma estrutura financeira excelente é aquela em que a empresa tem uma necessidade
de capital de giro negativa, seu capital circulante líquido é positivo e seu saldo em tesouraria
também é positivo, mostrando uma folga financeira. (QUADRO 3)
Uma estrutura sólida possui uma necessidade de capital em giro positiva, mas o saldo
de tesouraria e o capital circulante líquido conseguem suprir essa necessidade. (QUADRO 3)
A empresa passa a ter uma situação financeira arriscada quando apesar de seu saldo
em tesouraria ser positivo, seu capital circulante líquido é negativo e sua necessidade de
capital de giro é positiva. (QUADRO 3)
Quando a empresa passa a ter seu saldo de tesouraria negativo sua situação financeira
passa a ficar preocupante. Com uma necessidade de capital de giro positiva e um capital
circulante líquido negativo a empresa mostra uma péssima situação.
Segundo Braga (1991 apud NASCIMENTO et al., 2012) diante
das
relações
das
variáveis apresentadas torna-se possível avaliar a estrutura financeira de uma empresa. O
modelo dinâmico fornece explicações mais completas e organizadas sobre a situação
financeira, através de seus índices.
4.2.2 Necessidade de capital de giro e saldo em tesouraria
O ciclo operacional de uma empresa corresponde ao período em que são alocados
recursos nas atividades operacionais da empresa e que não há entrada de caixa corresponde.
Quando o prazo de pagamento a fornecedores é menor que o de recebimentos de clientes a
empresa deverá buscar financiamentos para dar procedimento as suas atividades. (SATO,
2007)
Segundo Vieira (2008) a reclassificação do balanço da empresa reflete o seu ciclo
financeiro que está intimamente relacionado com a necessidade de capital de giro da empresa
(NCG). A necessidade de capital de giro é encontrada através da diferença entre os ativos
operacionais e os passivos operacionais e representa uma demanda operacional de recursos
permanentes e de longo prazo.
=
−
54
Em que:
NCG = necessidade de capital de giro
ACO = ativo circulante operacional
PCO = passivo circulante operacional
Segundo Silva (2005, apud CRUZ; BRESSAN, 2011) quando o ciclo operacional for
maior que o prazo médio de pagamentos a NCG é positiva e quando o ciclo operacional for
menor que o prazo médio de pagamentos a NCG é negativa.
O volume da atividade (produção e venda) e o ciclo financeiro de uma empresa que
irão definir o nível de investimento em capital de giro. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
Conforme Monteiro (2003, apud CRUZ; BRESSAN, 2011) com o aumento nos
negócios de uma empresa o capital de giro disponível deve acompanhar a evolução da mesma
e se isso não ocorrer, a empresa tende a utilizar fontes de recursos de curto prazo,
apresentando assim um saldo de tesouraria (T) negativo. Essa situação é conhecida como
“efeito tesoura”.
Monitorar o saldo de tesouraria para evitar que ele fique negativo e crescente é papel
fundamental da diretoria financeira. Um saldo de tesouraria crescentemente negativo mostra
uma estrutura financeira inadequada e a dependência da empresa em buscar constantemente
recursos de terceiros. O capital de giro da empresa deve ser suficiente e acompanhar as suas
necessidades. (FLEURIET; KEHDY; BLANC, 2003)
Quando a necessidade de capital em giro se torna maior que o capital de giro
disponível e o saldo de tesouraria, tem-se o chamado efeito tesoura. (FIG. 10)
À medida que a necessidade de capital de giro é financiada com recursos de curto
prazo, aumenta-se a distância essa necessidade e o capital de giro disponível, aumentando o
efeito tesoura da empresa. A empresa com saldo negativo em tesouraria não consegue
financiar suas atividades de forma adequada. (ASSAF NETO, 2010)
55
Em que:
ST = saldo de tesouraria
CDG = capital disponível de giro
NCG = necessidade de capital de giro
Figura 10. Representação gráfica do “Efeito Tesoura”
Fonte: Vieira (2005 apud SATO, 2007, p.80)
Segundo Vieira (2008) a empresa deveria dispor sempre de capital de giro para suas
atividades operacionais. O saldo de tesouraria representa, segundo ele, a indicação da situação
financeira da empresa e seu monitoramento deve ser uma das prioridades da gestão das
empresas. A equação que define o saldo de tesouraria é:
=
−
Em que:
ST = saldo de tesouraria
CDG = capital disponível de giro
NCG = necessidade de capital de giro
Como a necessidade de capital de giro é uma demanda operacional de recursos de
longo prazo, o aconselhável é que ela seja financiada por recursos também de longo prazo.
Assim, o saldo da tesouraria se mantém positivo, indicando que a empresa possui um
excedente para realizar aplicações em atividades de curto prazo. (VIEIRA, 2008)
56
Para Assaf Neto e Silva (2012) o saldo do disponível, como é chamado por eles o
saldo da tesouraria, é uma reserva financeira da empresa para eventuais expansões da
necessidade de investimento operacional.
4.3 Overtrading – superexpansão das vendas
A necessidade de capital em giro da empresa aumentará caso suas vendas aumentem.
Segundo Assaf Net e Silva (2012) overtrading é um conceito que se refere a uma
expansão de atividades de uma empresa sem que a empresa tenha os recursos necessários para
financiar essa demanda adicional de capital de giro (efeito tesoura). Quando a capacidade de
financiar seu negócio se reduz, reduz-se também a margem de segurança de uma empresa.
Uma expansão na produção e vendas sem sustentação financeira necessária pode levar
a empresa a problemas de lucratividade, inadimplência e estoques volumosos. Para a
manutenção do equilíbrio financeiro o CCL (capital circulante líquido, mesmo que CDG,
capital disponível de giro) precisa ser superior a NIG (necessidade de investimento em giro,
mesmo NCG, necessidade de capital de giro) para financiar os investimentos e compor
também uma reserva financeira. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
4.4 Cálculo da necessidade de investimento em capital de giro através do ciclo financeiro
O volume de recursos necessários no saldo disponível vai depender da sincronia do
ciclo financeiro. As empresas que não conseguem sincronizar seus prazos de pagamentos e
recebimentos provavelmente terão maior necessidade de saldo de disponível. (ASSAF NETO;
SILVA, 2012)
=(
+
+
+
)− (
+
)
Em que:
NIG = necessidade de investimento em giro (ou NCG, necessidade de capital de giro)
57
PME = prazo médio de estocagem da matéria-prima
é
=
−
é
−
PMF = prazo médio de fabricação
=
PMV = prazo médio de vendas
=
PMC = prazo médio de cobrança
=
PMPF = prazo médio de pagamento a fornecedores
=
PMPD = prazo médio de pagamento das despesas operacionais
=
Conhecendo o ciclo financeiro e operacional da empresa é possível obter também a
necessidade de investimento em giro (NIG) ou necessidade de capital de giro (NCG). A
empresa conhecendo seus prazos médios poderá controlar esses prazos, os aumentando e
diminuindo para obter uma melhor situação financeira.
58
4.5 Planejamento financeiro
Um dos principais objetivos do planejamento é manter o equilíbrio financeiro da
empresa através da atenção voltada ao saldo da tesouraria (T). O foco do processo está em
decidir de que forma o capital de giro (CDG) deve ser planejado para que possa financiar a
necessidade de capital de giro (NCG) da empresa, bem como a sua necessidade total de
financiamento permanente (NTFP). (VIEIRA, 2008)
ST
CGD
NCG
Fontes de
curto prazo
(menos)
Aplicações
de
curto prazo
Fontes (Passivo)
de longo prazo
(menos)
Aplicações
(Ativo)
de longo prazo
Aplicações
Operacionais
(menos)
=
-
Fontes
Operacionais
NTFP
Necessidade de
Capital de
Giro
(vezes)
Aplicações
(Ativo)
de longo prazo
Em que:
ST = saldo da tesouraria
CGD = capital de giro disponível
NCG = necessidade de capital de giro
NTFP = necessidade total de financiamento permanente
Figura 11. Grupos que formam as variáveis chaves
Fonte: VIEIRA (2008, p. 215)
As variáveis chaves do modelo dinâmico estão ligadas as variáveis de planejamento.
Para se obter a estrutura almejada, onde são relacionadas a ST, CGD, NCG e NTFP a empresa
deve planejar e controlar as variáveis do planejamento, aumentando ou diminuindo vendas,
prazos de atividades, investimentos, financiamentos.
59
Caixa e bancos
Aplic. Financeiras
Autofinanciamento
Dividendos
Var. Exigível LP
Var. Capital
Ciclo Financeiro
CF
Empréstimos
Financiamentos
Debêntures
Etc
Var. Permanente
Var. Realizável LP
Variação das
Vendas
Figura 12. Variáveis de planejamento
Fonte: VIEIRA (2008, p. 215)
Segundo Vieira (2008) o processo de planejamento pode seguir as etapas a seguir:
a) NCG e sua variação
a1. Determinação do nível de vendas (operacional): pode ocorrer por variações de
preços ou crescimento nas unidades vendidas;
a2. Planejamento do ciclo financeiro: trata-se do planejamento dos prazos referente a
estoques, contas a pagar a fornecedores e contas a receber de clientes.
b) CDG e sua variação
b1. Determinação do autofinanciamento (operacional): verifica o impacto das
operações no resultado de caixa;
b2. Planejamento do montante de dividendos: quanto maior a distribuição de
dividendos menor os recursos disponíveis para investimento na empresa;
b3. Dimensionamento dos novos investimentos e desinvestimentos: define o quanto
pode ser investido no grupo de permanente da empresa e como a venda de itens
permanentes impactará no CDG (capital disponível de giro);
b4. Novas contratações de exigíveis de longo prazo e de capital de acionistas
(estratégico): para suprir a necessidade de capital de giro a empresa poderá utilizar
essas fontes de recursos.
c) T e sua variação (resultado das etapas anteriores)
c1. Planejamento de caixa, bancos e aplicações financeiras: planejamento do
disponível da empresa, que é o resultado das demais contas;
c2. Planejamento do pagamento ou contratação de endividamento de curto prazo
(tático): para um saldo negativo de tesouraria, a empresa aumenta seu endividamento
60
de curto prazo ou diminui seu disponível e, para um saldo positivo de tesouraria, a
empresa aumenta seu disponível e diminui seu endividamento de curto prazo (T =
CDG – NCG).
4.6 Políticas de financiamento da empresa
A tomada de decisões envolve riscos e na gestão financeira as decisões avaliarão o
risco assumido e o retorno esperado. Diante das alternativas da política restritiva, da política
moderada e da política agressiva, a empresa obtém diferentes níveis de risco e retorno.
(VIEIRA, 2008)
Segundo Vieira (2008) a política restritiva tende a minimizar os investimentos no
capital de giro, mantendo volumes menores nas contas operacionais.
Numa política moderada a empresa financia seu ativo circulante permanente com
recursos de longo prazo e seu ativo circulante temporário com recursos de curto prazo
buscando o equilíbrio financeiro. (ASSAF NETO; LIMA, 2010)
Para Ehrhardt e Brigham (2012) nessa política conservadora, os investimentos em
ativos permanentes e temporários são financiados com capital de longo prazo. Apenas uma
pequena quantidade de capital de curto prazo é utilizada para atender algumas necessidades
sazonais.
A política agressiva utiliza-se de dívidas de curto prazo para o financiamento de parte
dos ativos permanentes da empresa. É um tipo de investimento arriscado e não conservador e
que é adotado muitas vezes devido à taxa de juros. As taxa de juros nos empréstimos de curto
prazo tendem a ser menores que a taxa nos empréstimos de longo prazo. Um grande problema
que pode ocorrer é o agente financiador não renovar o empréstimo e a empresa não tendo
condições de sanar suas dívidas de curto prazo entrar em falência. (EHRHARDT;
BRIGHAM, 2012)
61
Estratégia
Características Básicas
Ortodoxa
CDG = NCG LP
T = NCG SAZONAL
CDG = NCG LP
Conservadora
CDG + T = NCG SAZONAL
CDG + T = NCG LP
Agressiva
Arriscada
T = NCG SAZONAL
CDG < 0 (CDG negativo = Aplicação)
T = NCG LP + NCG SAZONAL + CDG
Em que:
T = saldo da tesouraria
NCG = necessidade de capital de giro
CDG = capital disponível de giro
Figura 13. Descrição sintética das estratégias de financiamento
Fonte: VIEIRA (2008, p. 225)
Para Vieira (2008) em situações agressivas a empresa financia aplicações temporárias
e parte das não temporárias com recursos de curto prazo. Na política moderada, a empresa
financia capital de longo prazo (próprio ou de terceiros) para financiar seu permanente e parte
das necessidades sazonais. Na política restritiva ou ortodoxa, a empresa aborda a
sincronização de vencimentos em que as aplicações de curto prazo se convertem em dinheiro
em curto tempo e são financiadas com recursos de curto prazo.
A estratégia agressiva funciona com um mínimo capital circulante líquido e necessita
de fontes de recursos de curto prazo para suas necessidades sazonais. Apesar do custo mais
baixo e de proporcionar maior lucratividade, seu risco é também maior. Já a estratégia
conservadora, apesar de ser menos lucrativa, tem risco menor, pois não exige que a empresa
utilize sua capacidade de empréstimo de curto prazo. (GITMAN; MADURA, 2003)
Segundo Assaf Neto e Lima (2010) a empresa ao optar por recursos mais baratos, os
de curto prazo, aumentará sua rentabilidade, mas em consequência aumentará seu risco, pois
62
ela terá a necessidade de sempre buscar recursos no mercado toda vez que surgirem saídas
inesperadas no circulante.
Assim os gestores deverão analisar a relação risco x retorno em optar por um dos tipos
de políticas descritas, buscarem equilíbrio e segurança, sem deixar de remunerar seus
proprietários com o valor mínimo exigido por eles.
Os métodos de avaliação financeira e seus instrumentos podem ajudar os gestores a
tomar melhores decisões. (GROPPELLI; NIKBAKHT, 1998)
63
5 ADMINISTRAÇÃO DO GRUPO DE CONTAS DO CAPITAL DE GIRO
A administração financeira de curto prazo compreende em gerenciar o ativo circulante
e o passivo circulante da empresa. O objetivo é avaliar o nível de investimento em ativos
circulantes e o montante de financiamento no passivo circulante. Trata-se da gestão dos ativos
circulantes: caixa, estoques, contas a receber, títulos negociáveis, e dos passivos circulantes:
contas a pagar, duplicatas a pagar, provisões. (GITMAN; MADURA, 2003)
5.1 Administração do disponível
Para Assaf Neto e Silva (2012) o saldo do caixa numa situação ideal deveria ser zero,
mas devido a fatores como incerteza dos fluxos de caixa, custo do dinheiro e inflação, a
empresa deve manter um nível mínimo de caixa para suas atividades e para honrar seus
compromissos.
Gitman (1997) e Assaf Neto e Silva (2012) explicam que existem três motivos para
que a empresa mantenha um nível mínimo de caixa: o motivo de transação, o motivo de
precaução e o motivo de especulação.
Utiliza-se o saldo de caixa para fins transacionais, como pagamentos previstos como
salários e matérias-primas. Se houvesse sincronia nos prazos de pagamento e recebimento da
empresa a demanda de caixa para transação não seria necessária. (GITMAN, 1997)
O segundo motivo que leva a empresa a manter um nível mínimo de caixa é o de
precaução. Devido ao risco que a empresa corre, esses recursos são utilizados em possíveis
eventualidades, como a inadimplência de clientes, o não acesso a financiamentos ou seu alto
custo, furtos e desfalques, etc.(ASSAF NETO; SILVA, 2012)
O terceiro motivo é o de especulação. A empresa poderá ter uma oportunidade
inesperada em seus negócios e necessitará de caixa para aproveitá-la.
(ASSAF NETO;
SILVA, 2012)
A utilização e acompanhamento de procedimentos contábeis e financeiros permitem
controle e ajustes nas atividades da empresa. Monitorar a evolução do caixa possibilita a
64
empresar toma medidas preventivas para assegurar a disponibilidade de recursos para atender
suas necessidades. Os fluxos de caixa permitem ao gestor o acompanhamento de entradas e
saídas de caixa, a observação de períodos deficitários e superavitários. (KUSTER; KUSTER;
KUSTER, 2010)
5.1.1 Modelos de administração de caixa
Segundo Gitman e Madura (2003) a administração financeira de curto prazo deve
partir do entendimento do ciclo de caixa da empresa, que representa o ciclo operacional
menos o ciclo médio de pagamentos. O ciclo de caixa da empresa é conhecido, conforme
exposto por Assaf e Neto (2012) como o ciclo financeiro da empresa:
=
−
−
Em que:
CF = ciclo financeiro
CO = ciclo operacional
PMPF = prazo médio de pagamento a fornecedores
PMDD = prazo médio de desconto de duplicatas
Assaf Neto e Silva (2012) expõem quatro modelos para a administração de caixa: o
modelo de caixa mínimo operacional, o modelo de Baumol, o modelo de Miller e Orr e o
modelo de dia da semana. Todos eles vão determinar o caixa mínimo que a empresa deve
manter.
O caixa mínimo operacional é obtido através da seguinte equação segundo Assaf Neto
e Silva (2012):
í
Em que:
DL = projeção de desembolsos totais líquidos;
=
65
GC = giro de caixa.
=
çã
Em que:
CF = ciclo financeiro
Para obter o giro de caixa divide-se o período de projeção (exemplo, 360 dias caso o
período de projeção seja de um ano), pelo ciclo de caixa ou ciclo financeiro (CF, período
entre o pagamento da compra até o momento de recebimento da venda).
Outro modelo para administração do caixa é o modelo de Baumol. O modelo Baumol
(nome do pesquisador que usa conceito econômico de compra) é aplicado quando há entradas
periódicas e saídas constantes de caixa. (ASSAF NETO; SILVA, 2012).
Ele é aplicado quando as entradas e saídas de caixa são previstas com certeza e é um
modelo que considera os custos da manutenção dos saldos de caixa transacionais. (GITMAN,
1997).
Figura 14. Modelo de Baumol
Fonte: ASSAF NETO; SILVA (2012, p. 105)
O modelo Baumol transforma um fluxo em diversos, considera entradas e saídas
constantes de caixa e o custo de cada operação e resgate.
66
Segundo Assaf e Silva (2012) o modelo Baumol considera fluxos de pagamentos
constantes e fluxos de recebimentos periódicos. Ele transforma um fluxo regular em diversos
fluxos através da aplicação desses recebimentos, obtendo um ganho na forma de juros.
Contudo, para cada transação existe um custo de impostos de transações financeiras ou tempo
desprendido pelo funcionário para solicitar a operação. Levando em consideração os custos, a
empresa pode verificar em quantas parcelas o recebimento original pode ser dividido,
maximizando seu lucro.
=
[(0,5 ) / ]
Em que:
N= número de operações que serão realizadas no período
i= taxa de juros da aplicação financeira
R = montante recebido periodicamente
b = custo de cada operação ou resgate
O modelo de Miller e Orr é um modelo de administração financeira em situações onde
os fluxos de caixa são imprevistos e aleatórios. Esse modelo busca determinar um saldo
mínimo e um saldo máximo de caixa e, assim como o modelo Baumol, leva em consideração
dois ativos: o caixa e o investimento. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
Quando o saldo da empresa estiver abaixo do limite inferior admitido há um resgate da
aplicação e quando o saldo estiver acima do limite superior admitido, há uma aplicação de
recursos, evitando excesso de liquidez. O resgate e a aplicação ocorrem para que a flutuação
do caixa fique dentro de um intervalo. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
67
Em que:
z* = ponto de retorno;
m* = valor de caixa mínimo;
h* = valor de caixa máximo.
Figura 15. Modelo Miller- Orr
Fonte: ASSAF NETO; SILVA (2012, p. 109)
Nesse modelo de gestão do disponível, a empresa projeta o seu fluxo de caixa e
através do conhecimento do valor de caixa mínimo e valor de caixa máximo. Considera fluxos
de caixa aleatórios.
Prevendo o caixa mínimo e o caixa máximo é possível aumentar ou diminuir seus
investimentos para que não falte ou sobre investimentos em caixa.
Segundo Assaf Neto e Silva (2012) o ponto de retorno para a empresa resgatar ou
investir é dado pela fórmula:
∗=
+
(0,75
)
Em que:
z* = ponto de retorno;
m = valor de caixa mínimo;
b = custo de cada transação (investimento ou resgate);
68
δ2= variância diária do caixa;
i = taxa de juros diários.
A variância é encontrada pela fórmula:
=( é
−
)2
FC = fluxos de caixa
Outro modelo abordado por Assaf Neto e Silva (2012) é o modelo de dia da semana
que observa quais os dias que a empresa terá mais ou menos fluxos de caixa e, conhecendo os
fluxos previstos no mês, atribui a cada dia um percentual. Esse modelo prevê como se
comportará o caixa através de uma observação anterior.
A utilização dos modelos de administração de caixa é limitada pelas características de
cada empresa e do seu administrador. Um administrador que arrisca mais investe menos em
caixa. Outro fator que delimita a utilização desses modelos é a forma de considerar os fluxos
de caixa como “determinísticos” ou “probabilísticos”. Baumol leva em consideração fluxos já
definidos e Miller e Orr fluxos aleatórios, mas na realidade os fluxos de caixa não são nem
totalmente aleatórios e nem totalmente determinados. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
Assaf Neto e Silva (2012) consideram que o fluxo de caixa projetado permite a
empresa gerir seu disponível avaliando o risco de liquidez. Os fluxos de caixa quando
projetado informa de todos os recebimentos e pagamentos que ocorrerão no futuro e pode
fazer com que a empresa aumente seu valor, pois poderá trabalhar com menores volumes de
recursos no disponível, utilizando o excesso de caixa em investimentos.
Os modelos de administração de caixa e os fluxos de caixa são instrumentos que
auxiliam na decisão sobre o nível ideal de liquidez da empresa. A decisão de se manter mais
ou menos caixa deve levar em consideração o custo para manter essa liquidez e o custo da
provável falta de liquidez. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
69
5.2 Administração de Valores a Receber
Apesar de as empresas preferirem as vendas à vista, vender a prazo, segundo Ehrhardt
e Brigham (2012), faz com uma empresa aumente suas vendas. A gestão de valores a receber
começa com a política de crédito da empresa seguida de um monitoramento para verificar se
as condições estabelecidas estão sendo cumpridas.
Segundo Assaf Neto e Silva (2012) ao definir sua política de crédito a empresa deve
avaliar seus fluxos de caixa e o investimento necessário para colocar essa política em prática.
As principais medidas definidas por esses autores são os investimentos de capital, o
investimento em estoque, as despesas de cobrança e as despesas com créditos de liquidação
duvidosa.
Um aumento nas vendas ocasionado pelas vendas a prazo pode fazer com que, a
empresa necessite de imediato de recursos para um investimento adicional de capital. Quanto
maiores suas vendas, a empresa necessitará também de maiores recursos para manter seu
estoque. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
As despesas de cobrança variam de acordo com risco do cliente. Trata-se de despesas
vindas do departamento de cobrança como o tempo desprendido para cobrança a clientes
inadimplentes, etc. A despesa com devedores duvidosos leva em consideração o tempo da
duplicata não paga e a probabilidade da mesma não ser quitada. (ASSAF NETO; SILVA,
2012)
Para Ehrhardt e Brigham (2012) e Assaf Neto e Silva (2012) a política de crédito de
uma empresa varia devido a quatro fatores: período de crédito, descontos, padrões de crédito e
política de cobrança.
a) Período de crédito: o prazo de crédito concedido a um cliente vai depender de fatores
como probabilidade de pagamento (qualidade do cliente), taxa de juros, quantidade de
vezes que o cliente compra a prazo, etc.;
b) Descontos: quando o pagamento é feito a vista ou em um prazo menor a empresa pode
conceder desconto, levando em consideração se ele será vantajoso ou não. O desconto
deve ser concedido quando os fluxos de caixa a valor presente forem superiores ao
valor original;
70
c) Padrões de crédito: caso a empresa deseje aumentar suas vendas, determinará padrões
de crédito mais fáceis de ser atingidos pelas empresas. Contudo, a inadimplência e a
probabilidade de devedores duvidosos devem aumentar;
d) Política de cobrança: uma política de cobrança severa pode diminuir as vendas da
empresa, pois os clientes poderão realizar compras futuras em um concorrente.
Quadro 4. Relação entre medidas de crédito e elementos de uma política de crédito
Padrões de
Prazo de
Descontos
Política de
Crédito
Crédito
Financeiros
Cobrança
Frouxo Restrito Amplo Pequeno Grande Pequeno Liberal Rígida
Volume de
Vendas
Despesas de
Crédito
Investimentos em
Valores a Receber
+
-
+
-
+
-
+
-
+
-
+
-
-
+
+
-
+
-
+
-
-
+
+
-
Fonte: Martins; Assaf Neto (1985, p. 333)
O volume de vendas da empresa vai depender das medidas e elementos da política de
crédito. Esse volume aumentará se a empresa conceder crédito mais facilmente, os prazos de
crédito e descontos financeiros forem maiores, e se a empresa tiver uma política de cobrança
branda ou liberal.
Quanto maior o volume e o prazo de crédito concedido maior serão as despesas com
créditos e maiores serão os investimentos necessários em valores a receber. Quanto mais
liberal a política de cobrança, maiores serão também essas despesas e investimentos.
Definida a política de crédito que a empresa utilizará, o próximo passo é a concessão
de crédito ao cliente. Uma abordagem utilizada para decidir sobre a concessão ou não do
crédito ao cliente é a abordagem dos cinco C’s do crédito, que avalia cinco fatores: caráter,
capacidade, capital, condições e garantias (collateral em inglês). Cada cliente receberá da
empresa uma resposta individual. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
Gitman (1997) explica que geralmente os analistas priorizam os dois primeiros C’s,
caráter e capacidade. O primeiro considera o histórico do cliente e se ele cumpre suas
71
obrigações contratuais e morais. O segundo fator, a capacidade verifica o potencial da
empresa, analisando seus índices de liquidez e endividamento.
Segundo Assaf Neto e Silva (2012) a abordagem dos cinco C’s é frágil, pois depende
do julgamento individual e da experiência do funcionário responsável pela análise. Outra
forma para a análise da concessão de crédito ao cliente mais científica é o sistema de
pontuação. Esse sistema abrange aspectos como situação patrimonial, garantias, etc. e, leva
em consideração o comportamento histórico dos clientes da empresa.
Ao escolher uma política de crédito, o risco deve ser levado em consideração. Quanto
mais diversificada a política de crédito da empresa e quanto menor o prazo médio para
recebimento menor será o risco. A lucratividade obtida com a política de crédito deve
vantajosa comparada com o risco que a empresa assume. O valor presente líquido é a medida
de rentabilidade que deve ser utilizada ao analisar as políticas de crédito. (ASSAF NETO;
SILVA, 2012)
5.3 Administração financeira de estoques e decisões de estocagem
Os estoques para uma empresa comercial é o conjunto de mercadorias disponíveis para
a venda e para uma empresa industrial, trata-se da matéria-prima adquirida, estando ela em
transformação ou já transformada (produto acabado). Para uma empresa de serviços, o
estoque é o material disponível para o desempenho da atividade. (MARION, 2009)
Gitman (1997) destaca cinco técnicas utilizadas para a administração de estoques: o
sistema ABC, o modelo de lote econômico de compra (LEC), o ponto de reencomenda, o
sistema MRP (materials requirement planning) e o sistema just-in-time (JIT).
O primeiro sistema classifica os estoques em categorias A, B e C. A categoria A tratase dos itens que necessitam de maior investimento. A categoria C requer menos investimentos
e a categoria B é a categoria intermediária. Essa técnica permite que a empresa determine o
nível e os procedimentos para controle do estoque (GITMAN, 1997)
O modelo de lote econômico de compra (LEC) segundo Assaf Neto e Silva (2012) é
um dos modelos mais utilizados na administração financeira. Nesse modelo a empresa
72
considera uma demanda constante de um produto e cada estoque é analisado
independentemente, o que significa que a gestão de um produto não afeta a gestão de outro.
Segundo Gitman (1997), Assaf Neto e Silva (2012) o objetivo do modelo de lote
econômico de compra (LEC) é encontrar a quantidade que deve ser mantida em estoque,
minimizando os custos. Ele indica também de quanto em quanto tempo uma empresa deve
efetuar suas compras.
Figura 16. Lote econômico de compra
Fonte: Assaf Neto; Silva (2012, p. 199)
Além da demanda conhecida, o lote econômico de compra considera que não existem
descontos, pois considera os incentivos internos da empresa no processo de decisão de
estocagem. Considera a rentabilidade e a inexistência de risco, o recebimento instantâneo de
estoque e a não alteração de preços. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
O custo total do estoque é formado pela soma dos custos de estocagem e de emissão
do pedido. Aluguel, segurança, financiamento de estoques, custo de oportunidade são
exemplos de custos de estocagem. O número de funcionários que trabalham no setor de
material, custo para preencher um pedido de compra são exemplos de custos de pedido.
(GITMAN, 1997)
Conforme Assaf Neto e Silva (2012) o custo de estocagem total e dado pela seguinte
fórmula:
=
Em que:
2
73
CET = custo de estocagem total;
Ce = custo de estocagem de cada unidade;
Q = quantidade de cada pedido.
O custo do pedido total é dado pelo custo de cada pedido individual multiplicado pela
quantidade de pedidos realizados:
=
º
Em que:
CPT = custo de pedido total;
Cp= custo de cada pedido.
ú
=
Em que:
V = vendas;
Q = quantidade de vendas
Para o cálculo do custo total do estoque temos:
=
+
2
74
Figura 17. Custo total de estocagem
Fonte: Assaf Neto; Silva (2012, p. 204)
Quanto maior a quantidade de pedidos maior o custo de estocagem de cada produto e
quanto maior a quantidade de pedidos menor o custo por pedido. (FIG.17)
O ponto de reencomenda segundo Gitman (1997) é calculado após a empresa ter
calculado seu lote econômico de compra (LEC). Se estiverem corretas as estimativas do
tempo de reposição de estoques, os produtos serão recebidos quando o estoque da empresa for
zero. O ponto de reencomenda é calculado:
=
çã ,
á
Outro sistema abordado por Gitman (1997), Assaf Net e Silva (2012) é o sistema MRP
(materials requirement planning) que utiliza os conceitos do lote econômico de compra
(LEC) e da informatização. Levando em consideração o tempo de fabricação de um produto
ele determina quando as ordens de compra devem ser emitidas para cada item de insumo.
Objetiva cumprir os prazos de entregas com um estoque mínimo.
O sistema just-in–time é uma filosofia criada no Japão que supõe que a empresa deve
produzir somente o que tiver demanda. Baseia-se na eliminação total do estoque e na
produção considerando a sua demanda. Ao contrário do lote econômico de compras (LEC) em
que o tempo de compra é determinado, no sistema just-in-time, a quantidade e o tempo de
compra dependerão dessa variável (demanda) de condições externas. (ASSAF NETO;
SILVA, 2012)
75
Segundo Gitman (1997) e Assaf Neto (2012) o sistema just-in–time tem como objetivo
a eficiência na produção, pois trabalha com estoque reduzido e tenta diminuir o número de
defeitos dos produtos através de um controle de qualidade. Esse sistema também busca a
pontualidade nas entregas das vendas.
Para definir o nível de estoque que a empresa deve manter é necessário analisar a
rentabilidade de tal decisão, avaliando os custos desse investimento e os retornos que serão
obtidos. Na prática, a quantidade de estoques que a empresa necessitará é imprevisível.
(ASSAF NETO; SILVA, 2012)
A falta de produtos para oferecer a seus clientes, fará com que a empresa perca sua
credibilidade no mercado. Trabalhar com um volume de estoque de segurança reduz a chance
de um cliente não ser atendido. A relação entre o investimento em estoque e a disponibilidade
do produto (nível de serviço) é crescente exponencialmente. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
Figura 18. Relação entre nível de serviço e investimento em estoque
Fonte: Assaf Neto; Silva (2012, p. 239)
Observa-se que quanto maior o estoque maior será o nível de serviço da empresa,
diminuindo as possibilidades de um cliente não ser atendido. (FIG. 18)
76
5.4 Administração de contas a pagar
Segundo Ehrhardt e Brigham (2012) o crédito comercial origina-se de transações
comerciais, sendo assim fonte de financiamento espontânea, ou seja, aquelas que acontecem
no curso normal das atividades operacionais. Pequenas empresas dependem muito desse
crédito comercial, já que muitas vezes, elas encontram dificuldades em obter financiamento
de outras fontes.
Para Gitman (1997) as duplicatas a pagar são a principal fonte de financiamento de
curto prazo e as condições de crédito fornecidas pelo vendedor geralmente estão estipulados
na fatura, como o período de crédito e o desconto financeiro.
O período de crédito trata-se do tempo (número de dias) que o fornecedor concede a
empresa para o pagamento total da duplicata. O fornecedor pode também oferecer a empresa
um desconto financeiro, caso a empresa pague a duplicata antes da data de vencimento. Cabe
à empresa analisar as condições de crédito e optar por aceitar ou não um desconto financeiro.
Gitman (1997) calcula o custo do não aproveitamento do desconto financeiro através da
seguinte equação:
=
360
100% −
Em que:
C = custo do não aproveitamento do desconto financeiro;
DF = desconto financeiro em percentual;
N = número de dias em que o pagamento poderá ser adiado, optando pela não
utilização do desconto financeiro.
Caso o custo da não aceitação de um desconto financeiro seja maior que o custo de um
empréstimo bancário a empresa deve optar por pagar a duplicata antecipadamente.
As empresas possuem também contas a pagar resultantes de obrigações por serviços
recebidos, como salários e impostos. São obrigações que não se pode manobrar, pois os
77
impostos são pagamentos ao governo e os salários têm seu período de pagamento
regulamentado pelos sindicatos e por legislação estadual e federal. (GITMAN, 1997)
5.5 Administração de financiamentos de curto prazo
Dependendo da política de financiamento da empresa menor ou maior será seu volume
de financiamento de curto prazo. Na política agressiva maior será a utilização de dívida de
curto prazo, já a política conservadora utilizará o mínimo desse tipo de financiamento.
(EHRHARDT; BRIGHAM, 2012)
Ehrhardt e Brigham (2012) explicam que apesar de um financiamento de curto prazo
ser mais arriscado, ele possui vantagens. Um financiamento de curto prazo é mais rápido de se
conseguir, seus contratos são menos restritivos, os juros são menores do que em um
empréstimo de longo prazo.
O banco ao conceder um empréstimo de curto prazo visa financiar necessidades
sazonais das empresas ocasionadas por um aumento de estoques ou duplicatas a pagar por
exemplo. A taxa de juros cobrada pelo banco poderá ser fixa ou flutuante. (GITMAN, 1997)
A taxa de juros cobrada pelo banco vai depender do cliente e do valor do empréstimo.
Um cliente que representa maior risco pagará taxa de juros maiores e, quanto menor o valor
do empréstimo maior a taxa, pois maiores são os custos fixos envolvidos na contratação.
(EHRHARDT; BRIGHAM, 2012)
Uma desvantagem nesse tipo de financiamento é que, uma empresa ao contratar
muitos empréstimos de curto prazo, pode não cumprir com suas obrigações de saldar suas
dívidas no caso de uma recessão temporária. Caso não consiga renovar seus empréstimos,
devido à má situação financeira, a empresa poderá falir. (EHRHARDT; BRIGHAM, 2012)
A nota promissória é um tipo de empréstimo feito quando o tomador necessita de
fundos adicionais de curto prazo e acredita que essa necessidade cessará.
Depende da
assinatura do tomador e é pagável de uma só vez no vencimento. (GITMAN, 1997)
78
Para Ehrhardt e Brigham (2012) a nota promissória pode ser paga através de uma
quantia fixa ou em uma série de parcelas. Esse documento especifica o valor do empréstimo,
os juros, as condições de pagamentos, garantias.
A emissão de comercial paper pela empresa é outra forma dela buscar financiamento.
São títulos negociáveis que somente grandes empresas, de situação financeira sólida podem
emitir. São adquiridos por outras empresas, bancos companhias de seguros, etc. e são reservas
de liquidez que rende juros. (GITMAN, 1997)
Há empréstimos de curto prazo com garantia. São aqueles que o credor e o tomador do
empréstimo realizam um acordo através de um contrato de garantia. Esse contrato especifica o
colateral empenhado para garantir o empréstimo. Caso haja inadimplência, o credor terá
direito sobre ativos do tomador, apesar dele preferir receber o que lhe é devido. (GITMAN,
1997)
Segundo Ehrhardt e Brigham (2012) são vários os ativos que podem servir de garantia
como ações ou títulos negociáveis, imobilizado, estoques e contas a receber.
Outra forma da empresa obter financiamento de curto prazo é negociando suas
duplicatas a receber. Existem duas formas: através de caução de duplicatas e factoring de
duplicatas. Na caução de duplicatas o credor avaliará as duplicatas, e fará uma seleção com
aquelas de menos riscos, para conceder o empréstimo. O factoring não envolve realmente um
empréstimo, mas a venda de duplicatas com desconto. (GITMAN, 1997)
Ao descontar duplicatas a empresa corre o risco de seu cliente não pagar o título. A
empresa nesse caso terá que pagar o valor a seu credor, honrando com seu compromisso.
79
6 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA E APRESENTAÇÃO DOS DADOS
6.1 Empresa Analisada
O estudo realizado teve como objetivo analisar o capital de giro da empresa Net
Computadores Ltda. EPP.
A empresa fundada em 1998 primeiramente teve suas atividades voltadas para o
comércio de produtos de informática e prestação de serviços na cidade de São Pedro. A partir
de 2005 foi desenvolvido um site para realização de vendas pela internet. Em 2007 essas
vendas começaram a se tornar relevantes e a busca para o aperfeiçoamento se tornou maior.
Sua principal atividade hoje é o e-commerce (comércio eletrônico) atuando como
revenda de equipamentos de informática com foco em hardware para TI empresarial e
prestação de serviços no mesmo seguimento.
A empresa possui relações comerciais com empresas de tecnologia e atende todo o
território nacional. Os produtos são enviados por transportadoras e pelos Correios.
Seus clientes são pessoas físicas, jurídicas, órgãos governamentais, etc. Atende
grandes empresas brasileiras e multinacionais que buscam soluções de problemas e qualidade
no atendimento.
A Net Computadores é optante do regime Simples Nacional com total de faturamento
de 2009 a 2012 de R$ 7.666.509,04. A empresa possui 14 funcionários distribuídos em
atividades de compras, vendas, financeiro, fiscal, rma (retorno de mercadoria adquirida),
expedição, prestação de serviços e manutenção de site e sistema.
Para analisar seu capital de giro e avaliar sua liquidez foi feita a reclassificação do
Balanço Patrimonial dos anos de 2009 a 2012 pelo modelo dinâmico e cálculos de liquidez.
80
6.2 Apresentação dos Dados
Através dos Balanços Patrimoniais, das Demonstrações dos Resultados dos Exercícios
e dos índices empregados para as análises pôde-se verificar a situação financeira da empresa e
de seu capital de giro.
Foram coletados os balanços patrimoniais da empresa de 2009 a 2012. O Ativo é
apresentado segundo as práticas contábeis por grau de liquidez crescente. (TAB.1)
TABELA1: Grupo do Ativo. Balanço Patrimonial da empresa nos anos de 2009 a 2012
Nº DA CONTA
100.002-0
100.003-9
100.004-7
100.005-5
101.004-2
101.005-0
101.007-7
101.040-9
102.004-8
102.023-4
102.030-7
104.003-0
107.004-5
150.004-0
150.055-4
153.004-6
153.016-0
154.004-1
154.007-6
165.002-5
180.003-5
181.504-0
181.505-9
183.504-1
183.505-0
183.506-8
DESCRIÇÃO DA CONTA
ATIVO CIRCULANTE
DISPONÍVEL
CAIXA GERAL
CAIXA
BANCOS - CONTAS CORRENTES
BANCO DO BRASIL S/A. CTA 5028-2
BANCO ITAU S/A
BANCO DO BRASIL CTA 15028-2
APLICAÇÕES FINANC.LIQUIDEZ IMEDIATA -FAF
BANCO DO BRASIL
BANCO ITAU S/A – CDB
REALIZÁVEL A CURTO PRAZO
DUPLICATAS A RECEBER (ORIGEM ESCRITA)
ADIANTAMENTOS A FORNECEDORES
CAMBIO PARA IMPORTAÇÃO
IMPOSTOS A RECUPERAR / COMPENSAR
INSS A RECUPERAR
ESTOQUES DE MERCADORIAS PARA REVENDA
MERCADORIAS P/REVENDA - ICMS ANTECIPADO.
ATIVO NÃO CIRCULANTE
IMOBILIZADO
EQUIP, MÁQUINAS E INSTALAÇÃO INDUSTRIAL
EQUIPAMENTOS PARA ESCRITORIO
MÓVEIS, UTENSÍLIOS E INSTALAÇÕES
MOVEIS E UTENSILIOS
APARELHO - AR CONDICIONADO/EVAP-TOTALINE
Total do Ativo
2009
2010
2011
2012
28.134,57 382.771,98 409.234,69 383.956,50
8.927,06 141.234,20 98.912,97 81.975,75
8.927,06
38,53 19.764,74 46.369,39
8.927,06
38,53 19.764,74 46.369,39
66.834,31
6.252,00 30.726,36
66.684,31
6.102,00
150,00
150,00
76,02
30.650,34
74.361,36 72.896,23
4.880,00
47.820,87 63.122,67
26.540,49
9.773,56
4.880,00
19.207,51 241.537,78 310.321,72 301.980,75
14.975,97 163.444,24
34.300,83
34.300,83
2,66
2,66
2,66
2,66
2,66
2,66
2,66
2,66
19.204,85 241.535,12 261.042,26 138.533,85
19.204,85 241.535,12 261.042,26 138.533,85
24.409,38 27.205,38 27.205,38 34.200,32
24.409,38 27.205,38 27.205,38 34.200,32
16.325,48 19.121,48 19.121,48 19.121,48
16.325,48 19.121,48 19.121,48 19.121,48
8.083,90
8.083,90
8.083,90 15.078,84
8.083,90
8.083,90
8.083,90
8.083,90
6.994,94
52.543,95 409.977,36 436.440,07 418.156,82
Fonte: Elaborado pela autora.
Verificou-se que as contas bancos não foram contabilizadas no ano de 2009, pois não
houve o envio dos extratos bancários da empresa ao contador nesse ano.
As contas do passivo são apresentadas em ordem de exigibilidade. As exigíveis no
prazo de um ano, dentro do exercício (passivo circulante) e as exigíveis num prazo maior que
81
um ano (passivo não circulante). O patrimônio líquido apresenta o capital próprio da empresa,
sendo o capital social investido pelos sócios e os lucros acumulados. (TAB.2)
TABELA 2: Grupo do Passivo. Balanço Patrimonial da empresa nos anos de 2009 a 2012
Nº DA CONTA
200.002-4
200.003-2
200.004-0
230.004-4
240.003-0
241.004-4
241.007-9
241.022-2
241.027-3
244.003-2
244.004-0
244.005-9
249.004-8
249.005-6
249.007-2
249.008-0
249.009-9
251.003-0
251.004-9
251.005-7
252.004-4
252.005-2
252.504-6
252.505-4
280.002-0
280.003-9
280.004-7
280.005-5
290.003-3
290.504-3
290.612-0
290.624-4
290.636-8
290.648-1
290.660-0
290.672-4
290.696-1
290.708-9
292.003-4
292.004-2
292.016-6
293.003-0
294.004-3
294.006-0
294.007-8
294.008-6
295.004-9
295.006-5
295.007-3
DESCRIÇÃO DA CONTA
2009
2010
2011
PASSIVO CIRCULANTE
22.540,95 109.919,98 315.797,15
FORNECEDORES - EXIGÍVEIS A CURTO PRAZO
5.233,33 84.356,46 148.858,13
FORNECEDORES - (ORIGEM - ESCRITA FISCAL)
5.233,33 84.356,46 148.491,41
FORNECEDORES - (ORIGEM - CONTABILIDADE)
366,72
EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS CURTO PRAZO
137.583,95
OUTROS EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS
137.583,95
BANCO DO BRASIL S/A - CAPITAL DE GIRO
37.583,95
ADIANTAMENTO DE CLIENTES
0,00
ANTONIO CESAR DE SANTIS OLIVEIRA
100.000,00
OBRIGAÇÕES TRABALHISTAS
8.656,64 13.603,08 13.363,50
FOLHA DE PAGAMENTO DE EMPREGADOS
6.917,76 10.968,85 10.279,19
SALARIOS A PAGAR
6.917,76 10.968,85 10.279,19
ENCARGOS SOCIAIS A PAGAR
1.738,88
2.634,23
3.084,31
INSS - EMPREGADOS A RECOLHER
619,99
1.049,38
1.205,73
FGTS A RECOLHER
949,92
1.389,00
1.558,06
CONTRIBUICOES A SINDICATOS A RECOLHER
126,80
126,80
126,80
CONTRIBUICAO SINDICAL - EMPREGADOS
42,17
69,05
193,72
OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS
8.650,98 11.960,44 15.991,57
IMPOSTOS RETIDOS A RECOLHER
51,15
IRF-RETIDO PESSOAS FISICAS - A RECOLHER.
51,15
IMPOSTOS E CONTR. S/RECEITAS A RECOLHER
12,00
108,65
26,16
ICMS A PAGAR
12,00
108,65
26,16
SISTEMA INTEGR. PAGTO. IMP/CONTR-SIMPLES
8.638,98 11.851,79 15.914,26
SIMPLES - IMPOSTOS E CONTRIB. A RECOLHER
8.638,98 11.851,79 15.914,26
P A T R I M Ô N I OL Í Q U I D O
30.003,00 300.057,38 120.642,92
CAPITAL SOCIAL
30.000,00 30.000,00 30.000,00
CAPITAL SOCIAL DE DOMICILIADOS NO PAÍS
30.000,00 30.000,00 30.000,00
CAPITAL
30.000,00 30.000,00 30.000,00
LUCROS ACUMULADOS
249.381,18
3,00 35.057,38
LUCROS ACUMULADOS
249.381,18
3,00 35.057,38
LUCROS ACUMULADOS DEZEMBRO 2003
95.797,56
LUCROS ACUMULADOS DEZEMBRO 2004
58.805,49
LUCROS ACUMULADOS DEZEMBRO 2005
29.372,94
LUCROS ACUMULADOS DEZEMBRO 2006
23.173,11
LUCROS ACUMULADOS DEZEMBRO 2007
17.089,39
3,00
3,00
LUCROS ACUMULADOS DEZEMBRO 2008
25.142,69
LUCROS ACUMULADOS DEZEMBRO 2010
35.054,38
LUCROS ACUMULADOS DEZEMBRO 2011
RESULTADOS DO EXERCÍCIO
80.018,32 291.341,79 56.147,01
RESULTADOS DO EXERCÍCIO
80.018,32 291.341,79 56.147,01
RESULTADOS DE DEZEMBRO
80.018,32 291.341,79 56.147,01
(-)REDUÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO
-329.396,50 -21.287,41
-561,47
(-)RENDIMENTO DISTRIBUIÇÃO ANTEC. LUCROS
-233.598,94 -21.287,41
-561,47
(-) R.DISTR. RICARDO DE SANTIS SARTORI
-194.303,85 -20.100,00
(-) R.DISTR. RODRIGO DE SANTIS SARTORI
-38.494,90
(-) R.DISTR. ALICIO SARTORI
-800,19 -1.187,41
-561,47
(-)RENDIMENTOS DISTR. ANTEC. LUCROS
-95.797,56
LUCRO DISTRIBUIDO
-47.898,78
LUCRO DISTRIBUIDO
-47.898,78
Total do Passivo
52.543,95 409.977,36 436.440,07
Fonte: Elaborado pela autora.
2012
211.545,15
159.521,27
159.451,29
69,98
20.593,77
20.593,77
1.479,98
463,79
18.650,00
16.950,29
13.068,21
13.068,21
3.882,08
1.381,45
1.704,25
126,80
669,58
14.479,82
51,15
51,15
137,99
137,99
14.290,68
14.290,68
206.611,67
30.000,00
30.000,00
30.000,00
90.642,92
90.642,92
3,00
35.054,38
55.585,54
197.268,95
197.268,95
197.268,95
-111.300,20
-111.300,20
-109.327,52
-1.972,68
418.156,82
82
As Demonstrações dos Resultados dos anos de 2009 a 2012(em reais) se apresenta de
forma sintética. Verificou-se que em 2009 não houve receitas ou despesas originadas de
atividades financeiras. (TAB.3)
TABELA 3: DREs da empresa Net Computadores nos anos de 2009 a 2012
RECEITA BRUTA
(-) DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS
(-) SIMPLES NACIONAL
(=) RECEITA LÍQUIDA OPERACIONAL
(-) CUSTO DAS MERCADORIAS
(=) LUCRO BRUTO
(-) DESPESAS OPERACIONAIS
(+) RECEITAS OPERACIONAIS
(=) RESULTADO ou LUCRO OPERACIONAL
2009
2010
2011
2012
1.296.257,47 1.545.867,94 1.972.686,85 2.851.696,78
-8.800,76
-10.634,76
-58.114,85
-69.137,75
-98.482,36 -109.672,64 -141.832,28 -195.331,25
1.188.974,35 1.425.560,54 1.772.739,72 2.587.227,78
-949.621,00
239.353,35
551.341,50
562.725,40
833.188,18
-159.401,53
66,50
-260.949,39
80,02
-512.582,91
117,95
-628.697,66
478,86
80.018,32
290.472,13
50.260,44
204.969,38
0,00
0,00
0,00
806,90
-25,65
88,41
4.583,32
-1,03
1.304,28
1.073,10
-8.934,30
160,77
80.018,32
291.341,79
56.147,01
197.268,95
(+) RECEITAS FINANCEIRAS
(-) DESPESAS FINANCEIRAS
(+) OUTRAS DESPESAS/RECEITAS
(=) RESULTADO
-874.219,04 -1.210.014,32 -1.754.039,60
Fonte: Elaborado pela autora.
6.3 Método de apuração e análise dos índices
Em posse das demonstrações contábeis da empresa Net Computadores utilizou-se
primeiramente de índices econômico-financeiros para avaliação do desempenho da empresa,
analisando sua rentabilidade e lucratividade. Foram feitas as análises verticais tanto dos
Balanços quanto das Demonstrações dos Resultados dos anos de 2009 a 2012.
Os indicadores utilizados foram: a margem líquida que mede a eficiência da empresa
em gerar lucros por meio das vendas, o retorno sobre o ativo (ROA) e o retorno sobre o
Patrimônio Líquido (ROE).
Após a análise geral feita através de análise vertical, margem líquida, retorno sobre o
Ativo e retorno sobre o Patrimônio Líquido da empresa foram feitos os cálculos dos
indicadores de liquidez.
Analisou-se também, os ciclos financeiros e operacionais da empresa, utilizando os
prazos médios das suas atividades: PMRV (prazo médio de recebimentos de vendas), PMPC
83
(prazo médio de pagamentos de compras), PMRE (prazo médio de rotação de estoques),
seguindo os cálculos de Matarazzo (1998).
Realizou-se a reclassificação dos balanços e considerando, a diversificação de
nomenclaturas utilizadas pelos autores optou-se por utilizar os seguintes grupos de contas e
siglas:
a) Ativo Circulante Financeiro (ACF). São as disponibilidades (caixa, bancos e
aplicações financeiras).
b) Ativo Circulante Operacional (ACO). São as duplicatas a receber, estoques,
adiantamento e despesas do exercício seguinte. Contas ligadas as operações da
empresa.
c) Ativo
Permanente
(AP).
Ativo
não
circulante:
terrenos,
máquinas,
equipamentos.
d) Passivo Circulante Financeiro (PCF). Empréstimos bancários, financiamentos,
duplicatas descontadas, dividendos e IR.
e) Passivo Circulante Operacional (PCP). São os fornecedores, salários e encargos,
impostos e taxas, adiantamento de clientes e outras contas operacionais.
f) Passivo Permanente (PP). Exigíveis a longo prazo: (Passivo Não Circulante) e
Patrimônio Líquido.
A classificação da estrutura da empresa, bem como a informação de como ela financia
suas atividades foram obtidas a partir dos cálculos das variáveis chaves do modelo dinâmico.
São elas:
a) NCG (necessidade de capital de giro),
b) CDG (capital de giro disponível),
c) ST (saldo de tesouraria) e
d) NTFP (necessidade total de financiamento permanente).
A nomenclatura das variáveis chaves do modelo dinâmico utilizada no estudo é a
utilizada por Vieira (2008).
Para classificação do tipo de estrutura da empresa utilizou-se o quadro de variáveis
conforme o modelo dinâmico já apresentado na página 42 desse trabalho. (QUADRO 5)
84
Quadro 5. Variáveis do modelo dinâmico como fontes e aplicações de recursos
Tipologia
Tipo 1
Tipo 2
Tipo 3
Tipo 4
Tipo 5
Tipo 6
Variável
ST
NCG
CDG
ST
NCG
CDG
ST
NCG
CDG
ST
NCG
CDG
ST
NCG
CDG
ST
NCG
CDG
Positivo
Negativo
Positivo
Positivo
Positivo
Positivo
Negativo
Positivo
Positivo
Negativo
Positivo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Positivo
Negativo
Negativo
(ACF > PCF)
(ACO < PCO)
(PP > AP)
(ACF > PCF)
(ACO > PCO)
(PP > AP)
(ACF < PCF)
(ACO > PCO)
(PP > AP)
(ACF < PCF)
(ACO > PCO)
(PP < AP)
(ACO < PCF)
(ACO < PCO)
(PP < AP)
(ACF > PCF)
(ACO < PCO)
(PP < AP)
Significado
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
representando:
Em que:
ACF = ativo circulante financeiro
ACO = ativo circulante operacional
AP = ativo permanente
PCF = passivo circulante financeiro
PCO = passivo circulante operacional
PP = passivo permanente
ST = saldo da tesouraria
NCG = necessidade de capital de giro
CDG = capital disponível de giro
Fonte: Adaptado de Braga (1991, apud NASCIMENTO et al., 2012, p.46)
aplicação de recursos
fonte de recursos
fonte de recursos
aplicação de recursos
aplicação de recursos
fonte de recursos
fonte de recursos
aplicação de recursos
fonte de recursos
fonte de recursos
aplicação de recursos
aplicação de recursos
fonte de recursos
fonte de recursos
aplicação de recursos
aplicação de recursos
fonte de recursos
aplicação de recursos
85
7 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Nesse capítulo serão apresentados e analisados os resultados obtidos através dos
cálculos propostos pelo modelo dinâmico e pelo modelo tradicional.
7.1 Análise Vertical e Horizontal
TABELA 4: Análise Vertical e Horizontal Balanço Patrimonial – 2009 a 2012
BALANÇO PATRIMONIAL AV 2009 AV 2010 AH 2010/2009 AV 2011 AH 2011/2010 AV 2012 AH 2012/2011
ATIVO CIRCULANTE
DISPONÍVEL
CAIXA GERAL
BANCOS - CONTAS CORRENTES
APLICAÇÕES FINANC.LIQUIDEZ
IMEDIATA
REALIZÁVEL A CURTO PRAZO
DUPLICATAS A RECEBER
ADIANTAMENTOS A
FORNECEDORES Cambio
ESTOQUES DE MERCADORIAS
PARA REVENDA
53,5%
17,0%
17,0%
93,4%
34,4%
1260,5%
1482,1%
-99,6%
16,3%
36,6%
18,1%
58,9%
1157,5%
93,8%
22,7%
4,5%
1,4%
6,9%
-30,0%
51197,0%
-90,6%
91,8%
19,6%
11,1%
7,3%
-6,2%
-17,1%
134,6%
391,5%
16,7%
71,1%
3,4%
-2,0%
28,5%
1,2%
72,2%
39,1%
-93,3%
-2,7%
991,4%
7,9%
36,6%
58,9%
1157,7%
59,8%
8,1%
33,1%
-46,9%
46,5%
46,5%
100,0%
6,6%
6,6%
100,0%
11,5%
11,5%
680,3%
6,2%
6,2%
100,0%
0,0%
0,0%
6,5%
8,2%
8,2%
100,0%
25,7%
25,7%
-4,2%
PASSIVO CIRCULANTE
FORNECEDORES - EXIGÍVEIS A
CURTO PRAZO
EMPRÉSTIMOS E
FINANCIAMENTOS
42,9%
26,8%
387,6%
72,4%
187,3%
50,6%
-33,0%
10,0%
20,6%
1511,9%
34,1%
76,5%
38,1%
7,2%
4,9%
-85,0%
OBRIGAÇÕES TRABALHISTAS
OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS
P A T R I M Ô N I OL Í Q U I D O
TOTAL DO PASSIVO
16,5%
16,5%
57,1%
100,0%
4,1%
3,5%
49,4%
100,0%
26,8%
-9,5%
71,3%
-4,2%
ATIVO NÃO CIRCULANTE
IMOBILIZADO
TOTAL DO ATIVO
31,5%
3,3%
2,9%
73,2%
100,0%
57,1%
38,3%
900,1%
680,3%
3,1%
3,7%
27,6%
100,0%
-1,8%
33,7%
-59,8%
6,5%
Fonte: Elaborado pela autora.
Os percentuais apresentados nas colunas de análises horizontais representam o
aumento ou diminuição das contas no ano atual em comparação com o ano anterior.
86
Para análise no período de 2009 a 2012 não foi considerada a inflação desses anos.
Analisando os Balanços Patrimoniais da empresa nos anos de 2009, 2010, 2011 e 2012
percebeu-se que houve um aumento significativo tanto no seu ativo quanto em seu passivo.
Esse aumento é mais evidente se compararmos os anos de 2009 e 2010.
Deve-se levar em consideração que o ano de 2009 não serve como referência, pois não
foram contabilizadas as contas bancárias da empresa. Houve ausência dessa informação e
qualquer comparação desse ano com outros anos é passível de falhas.
Verificou-se que a empresa investe seus recursos quase que totalmente no ativo
circulante ou em seu capital de giro. O investimento em capital de giro em 2010 deve-se a
aplicação do resultado da empresa em ativo circulante.
Em 2011 o aumento do capital de giro em relação ao ano anterior foi de 6,9%. Já em
2012 observou-se uma queda do capital de giro da empresa de 6,2% se comparado com o do
ano de 2011.
Essa queda do capital de giro em 2012 de 6,2% é explicada pela diminuição dos
recursos de terceiros vindos de empréstimos e financiamentos em 85%, ou seja, a empresa no
ano de 2012 investiu menos no ativo da empresa devido à queda de recursos.
Em 2009 o capital de giro da empresa representava 53,5% do total investido. No ano
de 2010 o capital de giro representou 93,4% do total do ativo (investimentos) desse ano, no
ano de 2011 93,8% e em 2012 91,8%.
Conforme Gitman (1997) empresas comerciais como é o caso da empresa Net
Computadores possui a maior parte dos investimentos no capital de giro (ativo circulante)
para a execução de suas atividades, diferentemente de indústrias que necessitam de
investimentos em máquinas e equipamentos.
Quanto ao passivo da empresa, verificou-se que em 2010 a conta fornecedores
aumentou em 1511,9% se comparada com o ano anterior. Os recursos de terceiros em 2010
aumentou em 387,6% em relação a 2009.
O patrimônio líquido aumentou em 900,1% em 2010 devido ao lucro obtido nesse ano.
Em 2011, a Net Computadores aumentou seu passivo circulante, obtendo recursos
através de empréstimos e financiamentos, que representou 31,5% do seu total do passivo
87
nesse ano. Os recursos de terceiros que representava 26,8% do total do passivo em 2010
passou a representar 72,4% em 2011. Portanto, o aumento dos recursos de terceiros em 2011
foi de 187,3% se comparado com o ano de 2010.
Assim, em 2011 devido ao aumento do endividamento através de capital de terceiros
de curto prazo, o patrimônio líquido da empresa obteve queda na participação em relação ao
total do passivo, passando de 73,2% em 2010 para 27,6% em 2011.
Em 2012, apesar do aumento de 71,3% no patrimônio líquido da empresa em relação
ao ano anterior vê-se uma diminuição de seu passivo total em 4,2%. Esse fato é explicado
pela diminuição dos recursos de terceiros em 33% se comparado com o ano de 2011. Os
empréstimos e financiamentos caíram em 85%.
Quanto aos resultados da empresa constatou-se que houve aumento nas vendas em
todos os anos e seus resultados oscilaram.
TABELA 5: Análise Vertical e Horizontal das DRES – 2009 a 2012
DRE
RECEITA BRUTA
(-) DEVOLUÇÃO DE
MERCADORIAS
(-) SIMPLES NACIONAL
(=) RECEITA LÍQUIDA
OPERACIONAL
(-) CUSTO DAS MERCADORIAS
(=) LUCRO BRUTO
(-) DESPESAS OPERACIONAIS
(+) RECEITAS OPERACIONAIS
(=) RESULTADO OPERACIONAL
(+) RECEITAS FINANCEIRAS
(-) DESPESAS FINANCEIRAS
(+) OUTRAS
DESPESAS/RECEITAS
(=) RESULTADO
AV 2009
AV 2010
100,0%
-79,9%
20,1%
-13,4%
0,0%
6,7%
0,0%
0,0%
100,0%
-61,3%
38,7%
-18,3%
0,0%
20,4%
0,1%
0,0%
0,0%
0,0%
6,7%
20,4%
AH
2010/2009
19,9%
-7,9%
130,3%
63,7%
20,3%
263,0%
264,1%
AV 2011
AH
2011/2010
100,0%
-68,3%
31,7%
-28,9%
0,0%
2,8%
0,3%
0,0%
24,4%
38,4%
2,1%
96,4%
47,4%
-82,7%
468,0%
-96,0%
0,1%
1375,3%
0,0%
-87,7%
3,2%
-80,7%
7,6%
251,3%
AV 2012
AH
2012/2011
100,0%
45,9%
-67,8%
45,0%
32,2%
48,1%
-24,3%
22,7%
0,0%
306,0%
7,9%
307,8%
0,0%
-76,6%
-0,3% 867307,8%
Fonte: Elaborado pela autora.
Os percentuais apresentados nas colunas de análises horizontais representam o
aumento ou diminuição das contas no ano atual em comparação com o ano anterior. (TAB. 5)
88
Através da análise vertical das Demonstrações dos Resultados, verificou-se que o
melhor resultado da empresa foi no ano de 2010, ano em que a Net Computadores foi capaz
de reter 20,4% do total da receita operacional líquida. Esse aumento na margem de lucro
líquida ocorreu devido à redução da participação do custo dos produtos vendidos (61,3%) se
comparado com o total da receita operacional líquida. A redução do custo da mercadoria
vendida pode ser explicada caso tenha acontecido uma vantagem comercial obtida pela
empresa em 2010. Essa informação não foi repassada pela empresa. Pode-se considerar a
situação desse ano como uma situação atípica.
Nos outros anos, em relação à receita operacional líquida, os custos dos produtos
vendidos representavam 79,9% em 2009, 68,3% em 2011 e 67,8% em 2012.
As margens de lucro da empresa Net Computadores nos anos de 2009, 2010, 2011 e
2012 foram respectivamente 6,7%, 20,4%, 3,2% e 7,6%.
O menor resultado da empresa ocorreu no ano de 2011. Em relação ao ano de 2010 a
empresa diminui em 80,7% seu lucro líquido. Nesse ano apesar das vendas aumentarem em
24,4% em comparação com o ano de 2010, ela conseguiu reter apenas 3,2% da sua receita
líquida operacional. Notou-se que esse resultado ocorreu principalmente pelo aumento de suas
despesas operacionais em 96,4% se comparado com o ano de 2010. As despesas operacionais
em 2011 representaram 28,9% de sua receita operacional líquida.
Em 2012 o aumento nas vendas foi de 45,9% em relação ao ano de 2011 e suas
despesas operacionais aumentaram em 22%, mostrando maior eficiência nas suas atividades.
O lucro líquido comparado com o ano de 2011 aumentou em 251,3% e a empresa conseguiu
reter 7,6% de sua receita operacional líquida.
7.2 Análise da Rentabilidade
Quadro 6: Indicadores de rentabilidade
Indicador
ML
ROA
ROE
Fonte: Elaborado pela autora.
2009
6,7%
152,3%
266,7%
2010
20,4%
70,9%
96,8%
2011
3,2%
11,5%
41,7%
2012
7,6%
49,0%
99,2%
89
Verificou-se que o maior lucro gerado pelas atividades da empresa ocorreu no ano de
2010, quando a empresa Net Computadores reteve 20,4% do total da receita operacional
líquida. (QUADRO 6)
Em 2009, a empresa obteve 152,3% de retorno em relação aos investimentos no ativo
total e, 266,7% de retorno em relação ao seu capital próprio.
O menor resultado da empresa foi em 2011 quando ela conseguiu reter apenas 3,2% de
sua receita operacional líquida, 11,5% de retorno sobre o ativo total e 41,7% de retorno sobre
o capital próprio.
A evolução dos indicadores de rentabilidade pode ser observada através do gráfico 1.
300,0%
250,0%
200,0%
ML
150,0%
ROA
ROE
100,0%
50,0%
0,0%
2009
2010
2011
2012
Gráfico 1: Evolução dos indicadores de rentabilidade.
Fonte: Elaborado pela autora.
Pela análise dos indicadores de liquidez verificamos que a empresa possui em todos os
anos o capital circulante líquido (CCL) ou capital disponível de giro (CDG) positivo.
(QUADRO 7)
90
7.3 Análise da Liquidez
Quadro 7: Indicadores de Liquidez
INDICADORES DE LIQUIDEZ
CAPITAL CIRCULANTE LÍQUIDO (AC - PC)
LIQUIDEZ IMEDIATA (DISP. / PC)
LIQUIDEZ CORRENTE (AC / PC)
LIQUIDEZ SECA (AC - E - DA) / PC)
2009
2010
2011
2012
5.593,62 272.852,00 93.437,54 172.411,35
0,40
1,28
0,31
0,39
1,25
3,48
1,30
1,82
0,40
1,28
0,31
0,39
Fonte: Elaborado pela autora.
O cálculo do capital circulante líquido da empresa ou capital de giro disponível,
mostra que houve um significativo aumento do ano de 2009 para 2010. Esse aumento ocorreu
devido ao aumento de resultado obtido pela empresa no ano de 2010, e que foi investido em
ativo circulante.
Quanto à liquidez imediata da empresa somente no ano de 2010 a empresa pagaria
todas as suas dívidas de terceiros com suas disponibilidades (caixa, bancos, aplicações). Para
cada R$ 1,00 (um real) em dívidas de terceiros a empresa dispunha de R$ 1,28 (um real e
vinte e oito centavos).
A empresa Net Computadores pagaria, com seus investimentos no ativo circulante ou
capital de giro, todas as suas dívidas de terceiros em todos os anos analisados. O índice de
liquidez corrente melhor da empresa está no ano de 2010, que mostra que para R$ 1,00 (um
real) em dívidas de terceiros a empresa dispunha de R$ 3,48 (três reais e quarenta e oito
centavos).
Não considerando seus estoques para o pagamento das dívidas, a empresa poderia
pagar suas dívidas apenas no ano de 2010 que para R$ 1,00 (um real) em dívidas a empresa
dispunha de R$ 1,28 (um real e vinte e oito centavos).
91
7.4 Análise das Atividades
Quadro 8: Índices de Atividades da empresa Net Computadores
Índices de Atividades
Prazo Médio de Rotação dos Estoques (PMRE)
Prazo Médio de Recebimentos de Vendas (PMRV)
Prazo Médio de Pagamentos de Compras (PMPC)
Ciclo Operacional (CO = PMRE + PMRV)
Ciclo Financeiro (CF = CO - PMPC)
2009
7,3
0,0
2,0
7,3
5,3
2010
99,5
0,0
27,7
99,5
71,8
2011
77,7
2,7
43,6
80,4
36,8
2012
28,4
20,6
35,2
49,1
13,9
Fonte: Elaborado pela autora.
Analisando os índices de atividades da empresa percebeu-se grande variação.
Observando o prazo médio de rotação de estoques verificou-se que em 2009 o estoque
mantinha-se na empresa na média de 7,3 dias. Esse fato pode ser explicado pelo baixo valor
do estoque desse ano. Dependendo do tamanho do estoque, da proporção de vendas e dos
custos das mercadorias, os dias de estocagem podem ser maiores ou menores.
Para entender melhor os prazos de recebimento de vendas da empresa Net
Computadores e pagamentos de compras verificou-se também o tipo de seu negócio, suas
políticas de concessão de crédito e seu relacionamento com os fornecedores.
A maior parte das vendas da empresa ocorre através do comércio eletrônico (site) ou
através de negociações ocorridas por emails. Apenas uma pequena parcela das vendas ocorre
na loja física.
Quanto às vendas pelo site, as condições de pagamento que o cliente encontra para
realizar suas compras são: boleto bancário à vista, depósito em conta (Itaú ou Banco do
Brasil) ou cartão de crédito em até seis vezes.
Geralmente esses clientes chegam até a página eletrônica por pesquisas realizadas pelo
Google, onde procuram um determinado produto. A empresa Net Computadores possui
ferramentas para se destacar em diversos tipos de pesquisas.
Todos os produtos ofertados pela empresa têm um prazo para o envio ao consumidor:
imediato ou com prazos diferenciados: 2 a 7 dias, 8 a 16 dias, 15 a 22 dias, 20 a 35 dias, 30 a
40 dias ou 30 a 60 dias (todos os prazos em dias úteis).
92
Os produtos de envio imediato são aqueles que estão no estoque da empresa e que
assim que identificado o pagamento do cliente será enviado por sedex ou transportadora.
Os produtos que não são de envio imediato, são aqueles que a empresa não possui em
estoque, tendo que solicitar a seus distribuidores para posterior envio ao cliente. Somente após
a confirmação do pagamento do boleto bancário, depósito em conta ou da transação
autorizada do cartão de crédito, (dependendo da forma de pagamento escolhida pelo cliente) é
que a empresa Net Computadores solicitará o produto a seu fornecedor.
Os maiores prazos para o envio das mercadorias se justificam por se tratar de produtos
específicos, geralmente utilizados pela área de TI (Tecnologia da Informação) de grandes
empresas. Geralmente trata-se de produtos importados, não encontrados no Brasil.
Pode-se observar que, quando os pedidos são realizados pelo site, pelos próprios
clientes e há prazos para envio de mercadorias, a empresa recebe o valor do produto antes
mesmo de comprá-lo, não havendo prazo de recebimento dessas vendas.
A empresa Net Computadores também possui uma carteira de clientes que pagam
somente após o envio da mercadoria. Esses clientes entram em contato direto com os
vendedores da empresa.
As vendas realizadas através de negociações por email são geralmente dirigidas a
grandes empresas e órgãos públicos que não pagam suas compras antecipadamente. Essas
empresas entram em contato em um primeiro momento por telefone, e através de propostas
comerciais enviadas pela empresa Net Computadores efetivam suas compras.
O prazo concedido pela Net Computadores a esses clientes, para o pagamento de
compras são 14, 21 ou 28 dias a partir da data de emissão de nota fiscal que equivale ao dia de
envio da mercadoria.
Os prazos para o envio da mercadoria a essas empresas são os mesmos informados nas
compras pelo site.
Analisando os prazos médios para recebimento de vendas observou-se que nos anos de
2009 e 2010 a empresa Net Computadores não possuía esse índice. Isso se justifica pela pouca
abertura de crédito que a empresa tinha na época e pela maior parte de seus recebimentos
ocorrerem antecipadamente.
93
Nos anos de 2011 o prazo médio de recebimento de vendas da empresa foi em 2,7 dias
e em 2012 foi de 20,6 dias, mostrando uma maior abertura de crédito.
Quanto ao prazo médio para pagamento de compras o maior prazo obtido pela
empresa foi no ano de 2011, sendo 43,6 dias. No ano de 2012 esse prazo médio caiu para 35,2
dias.
7.5 Reclassificação das contas e análise pelo modelo dinâmico
Quadro 9: Reclassificação das contas patrimoniais conforme modelo dinâmico (valores
em reais)
Descrição da conta
ACF
ACO
AP
PCF
PCO
PP
2009
8.927,06
19.207,51
24.409,38
22.540,95
30.003,00
2010
141.234,20
241.537,78
27.205,38
109.919,98
300.057,38
2011
98.912,97
310.321,72
27.205,38
137.635,10
178.162,05
120.642,92
2012
81.975,75
301.980,75
34.200,32
20.644,92
190.900,23
206.611,67
Fonte: Elaborado pela autora.
Realizou-se a reclassificação feita com as contas patrimoniais para análise das
variáveis chaves do Modelo Dinâmico. (QUADRO 9)
Nos anos de 2009 e 2010 a empresa não possuía empréstimos bancários,
financiamentos, dividendos e IR, não possuindo assim passivo circulante financeiro.
Com a reclassificação das contas do balanço patrimonial dos anos de 2009 a 2012 foi
possível obter as variáveis chaves do modelo dinâmico e verificar o tipo de estrutura da
empresa nesses anos. (QUADRO 10)
Quadro 10: Variáveis chaves do modelo dinâmico e estruturas financeiras
Indicadores
NCG (ACO - PCO)
CDG ou CCL (Ativo Circ. - Passivo Circ.)
ST (CDG - NCG)
Estrutura
Fonte: Elaborado pela autora.
2009
2010
2011
2012
-3.333,44 131.617,80 132.159,67 111.080,52
5.593,62 272.852,00 93.437,54 172.411,35
8.927,06 141.234,20 -38.722,13 61.330,83
Tipo 1
Tipo 2
Tipo 3
Tipo 2
94
No ano de 2009 constatou-se uma estrutura financeira caracterizada como uma gestão
financeira sólida e de baixo risco, com folga financeira. A NCG e a CDG são aplicados em ST
no curto prazo.
Assaf Neto (2010) explicou que nessa situação as empresas geralmente compram a
prazo, fazem seus estoques girar rapidamente e recebem por suas vendas antes de pagar os
fornecedores.
A NCG negativa do ano de 2009 indica que as saídas de caixa ocorrem depois das
entradas de caixa. O passivo operacional nesse caso é maior que o ativo operacional,
representando fonte de recursos.
Assaf Neto e Silva (2012) explicam que quando a NCG é negativa o passivo
operacional (de funcionamento) financiam não somente o ativo operacional (investimento
operacional em circulante), mas também outros elementos do ativo da empresa.
A CDG positiva representa fonte líquida de recursos e a ST positiva significa que a
empresa está com sobra de recursos financeiros.
No ano de 2010 e 2012 verifica-se a estrutura em que a empresa possuía um conforto
financeiro. Nessa estrutura os recursos de longo prazo do CDG são suficientes para financiar a
NCG e dispõe de excedente de saldo de tesouraria. Estrutura de menor nível de risco.
A estrutura do ano de 2011 indica que a demanda operacional foi financiada por
recursos de longo prazo do CDG (CDG > 0) e de recursos de curto prazo (T < 0). Nesse caso,
a liquidez da empresa ficou ameaçada, sendo necessário recorrer a empréstimos, mas
observou-se no ano de 2012 seus créditos de curto prazo foram renovados. (QUADRO 10)
95
300.000,00
250.000,00
200.000,00
NCG
150.000,00
CDG ou CCL
100.000,00
ST
50.000,00
0,00
2009
2010
2011
2012
-50.000,00
-100.000,00
Gráfico 2: Variáveis chaves do modelo dinâmico.
Fonte: Elaborado pela autora.
O volume de atividade da empresa (produção e vendas) e a influência do ciclo
financeiro e operacional é que irão definir a Necessidade de Capital de Giro (NCG). Nos
períodos de baixa demanda devido ao baixo nível de estoques, valores a receber e
fornecedores a NCG pode ser reduzida. (ASSAF NETO; SILVA, 2012)
Quadro 11: Necessidade de capital de giro e passivo circulante financeiro
NCG (ACO - PCO)
PCF
2009
-3.333,44
0
2010
131.617,80
0
2011
132.159,67
137.635,10
2012
111.080,52
20.644,92
Fonte: Elaborado pela autora.
Conforme Assaf Neto e Silva (2012) a empresa pode obter recursos através de
financiamentos classificados como passivos financeiros.
96
Observou-se que a empresa não buscou esse tipo de recurso para financiar sua
necessidade de capital de giro nos anos de 2009 e 2010.
Em 2011 a empresa obteve financiamentos financeiros de curto prazo que supriu sua
necessidade de capital de giro nesse ano.
Já em 2012 os empréstimos e financiamentos da empresa não cobriram sua
necessidade de capital de giro, mostrando que para suprir essa necessidade ela se dispôs de
seu capital próprio.
Levando-se em consideração a NTFP (necessidade total de financiamento permanente)
da empresa, observaram-se as seguintes situações:
Quadro 12: Necessidade total de financiamento permanente e passivo permanente
NTFP (NCG + AP)
PP
2009
21.075,94
30.003,00
2010
158.823,18
300.057,38
2011
159.365,05
120.642,92
2012
145.280,84
206.611,67
Fonte: Elaborado pela autora.
Nos anos de 2009, 2010 e 2012 o Passivo Permanente (PP), ou seja, seu Patrimônio
Líquido foi suficiente para cobrir a necessidade total de financiamento permanente.
No ano de 2011 o Passivo Permanente (PP) não se apresentou suficiente para cobrir a
necessidade total de financiamentos permanente e a empresa acabou suprindo suas
necessidades de investimento de longo prazo com recursos de curto prazo.
Faltaram nesse ano os R$ 38722,13 necessários para promover a liquidez adequada
para suas atividades operacionais. A empresa buscou recursos de terceiros (empréstimos) de
curto prazo para seu financiar suas atividades.
7.6 Análise da tendência do efeito tesoura
Segundo Vieira (2008) pode-se avaliar a situação de liquidez de uma empresa
observando a relação da ST (saldo de tesouraria) com a NCG (necessidade de capital de giro).
97
A denominação do efeito tesoura é visualizada num gráfico quando ocorre o afastamento da
NCG (aplicações operacionais) e do CDG (fontes de longo prazo).
300.000,00
250.000,00
200.000,00
NCG
CDG ou CCL
150.000,00
ST
100.000,00
50.000,00
0,00
2009
2010
2011
2012
-50.000,00
-100.000,00
Gráfico 3: Gráfico do efeito tesoura da empresa nos anos de 2009 a 2012.
Fonte: Elaborado pela autora.
Pelo gráfico verifica-se que somente no ano de 2011 o CDG se reduziu mais que a
NCG, havendo um descompasso entre as fontes de disponíveis de longo prazo e as aplicações
que precisam ser financiadas. O ST se tornou crescentemente negativo, mostrando a
dependência da empresa em obter recursos de curto prazo para o financiamento de suas
operações.
O ano de 2012 mostra a reversão do efeito tesoura onde a CDG volta a ser maior que a
NCG.
98
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho analisou o capital de giro da empresa Net Computadores. A análise da
liquidez sob o enfoque do modelo dinâmico permitiu avaliar a situação econômica e
financeira da empresa durante o período de 2009 a 2012 e verificar que somente no ano de
2011 a empresa buscou recursos de terceiros para suprir suas necessidades operacionais.
Em 2011verificou-se que apesar do aumento das vendas em 24,4% se comparado com
o ano de 2010, a empresa conseguiu reter apenas 3,2% da sua receita líquida operacional.
Notou-se também, que esse resultado ocorreu principalmente pelo aumento de suas despesas
operacionais em 96,4% se comparado com o ano de 2010.
Nos demais anos a empresa dispôs de capital de giro suficiente para suas atividades,
mostrando uma situação de folga financeira e de baixo risco. Verificou-se que uma boa gestão
do capital de giro leva a empresa a manter uma situação de equilíbrio financeiro.
Os dados analisados foram obtidos através do Balanço Patrimonial e Demonstração do
Resultado do Exercício de 2009 a 2012 fornecidos pelo escritório de contabilidade que presta
serviço a empresa. Quanto a esses dados dos demonstrativos fornecidos pelo contador não é
possível atestar se foram corretamente calculados ou não. Uma limitação encontrada para a
realização do trabalho foi a ausência do valor da conta bancos de 2009, no qual o contador
alega não ter recebido os extratos desse ano.
Por se tratar de uma aplicação em uma empresa de pequeno porte, não podemos
comparar os resultados obtidos com outras empresas de maior porte do mesmo setor.
Como contribuição espera-se que esse trabalho possa auxiliar outras empresas,
independente do ramo de atividade, a utilizarem o modelo dinâmico e avaliarem seu
desempenho econômico e financeiro. Espera-se também, com esse trabalho, ter contribuído
com a elevação do nível de conhecimento sobre o capital de giro e propor instrumentos que
auxiliem na tomada de decisão das empresas.
Numa futura pesquisa recomendam-se análises com empresas de pequeno porte do
mesmo setor para que possa ser realizadas comparações e verificar a real situação da empresa
no mercado. Recomenda-se também que sejam aplicados modelos de administração de caixa
como o modelo Baumol ou de Miller- Orr e sejam realizadas as gestões de valores a receber,
estoques, contas a pagar e financiamentos e empréstimos.
99
REFERÊNCIAS
ASSAF NETO, Alexandre; SILVA, César A. T. Administração do capital de giro. 4. ed.
São Paulo: Atlas, 2012.
ASSAF NETO, Alexandre. Estrutura e análise de balanços: um enfoque econômicofinanceiro. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
ASSAF NETO, Alexandre; LIMA, Fabiano G. Fundamentos de administração financeira.
São Paulo: Atlas, 2010.
ASSAF NETO, Alexandre. Finanças corporativas e valor. São Paulo: Atlas, 2003.
BEUREN, I. M. Como elaborar trabalhos monográficos em contabilidade: teoria e
prática. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2009. 195 p.
BLATT, Adriano. Análise de balanços: estrutura e avaliação das demonstrações financeiras e
contábeis. São Paulo: Makron Books, 2001.
BRASIL. Lei 11.638. Altera e revoga dispositivos da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de
1976, e da Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte
disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Disponível
em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.htm>. Acesso em:
16 jun. 2012.
CHING, Hong Yuh; MARQUES, Fernando; PRADO, Lucilene. Contabilidade e finanças
para não especialistas. 2. ed. São Paulo: Pearson/Prentice Hall do Brasil, 2007.
CHING, Hong Yuh. Gestão de caixa e do capital de giro. Curitiba: Juruá, 2010.
CRUZ, P. G.; BRESSAN, V. G. F. Análise financeira de empresas: uma aplicação do
modelo Fleuriet e análise da demonstração dos fluxos de caixa em empresas de tecnologia da
informação. In: CONGRESSO USP DE CONTROLADORIA E CONTABILIDADE, 11. São
Paulo.
28-29
jul.
2011.p.
19
Disponível
em:<http://www.congressousp.fipecafi.org/artigos112011/29.pdf>. Acesso em: 14 abr. 2013.
DI AGUSTINI, Carlos Alberto. Capital de giro: análise das alternativas fontes de
financiamento. São Paulo: Atlas, 1996.
EHRHARDT, M. C.; BRIGHAM, E. F. Administração financeira: teoria e prática. 2 ed. São
Paulo: Cengage Learning, 2012.
FLEURIET, M.; KEHDY R.; BLANC, G. O modelo Fleuriet: a dinâmica financeira das
empresas brasileiras: um novo método de análise, orçamento e planejamento financeiro. Rio
de Janeiro: Campus, 2003.
100
GITMAN, Lawrence J. Princípios de administração financeira. 7. ed. São Paulo: Harbra,
1997.1
GITMAN, Lawrence J. Princípios de administração financeira. 10. ed. São Paulo: Pearson
Addison Wesley, 2004.
GITMAN, L. J.; MADURA, J. Administração financeira: uma abordagem gerencial.
Tradução Maria Lucia G. L. Rosa. São Paulo: Pearson Addison Wesley, 2003.
GROPELLI, A. A.; NIKBAKHT, E. Administração financeira. Tradução André Olimpio
Mosselman Du Chenoy Castro. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 1998.
IUDÌCIBUS, Sergio de. Análise de Balanços: análise da liquidez e do endividamento, análise
do giro, rentabilidade e alavancagem financeira. 7. ed. São Paulo: Atlas, 1998.
KOMATSU, S. A.; SANTANA, M. R. Análise do gerenciamento do capital de giro e da
necessidade de capital de giro na gestão dos negócios: um estudo aplicado na empresa Vivo
S/A. In: ENCONTRO DE PRODUÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA, 6. FECILCAM,
Campo
Mourão.
24
–
28
out.
2011.p.
15
Disponível
em:
<http://www.fecilcam.br/nupem/anais_vi_epct/PDF/ciencias_sociais/05.pdf>. Acesso em:
23mar. 2013.
KUSTER, Edison; KUSTER, F.C.; KUSTER, K. S. Administração e financiamento do
capital de giro. 3. ed. Curitiba: Juruá, 2010.
LEMES JÚNIOR, A. B.; RIGO, C. M.; CHEROBIM, A. P. M. S. Administração financeira:
princípios, fundamentos e práticas brasileiras. Rio de Janeiro: Campus, 2002.
MARION, José Carlos. Contabilidade empresarial. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
MARTINS, Eliseu; ASSAF NETO, Alexandre. Administração Financeira. São Paulo:
Atlas, 1985.
MATARAZZO, D. C. Análise financeira e de balanços: abordagem básica e gerencial. 5.
ed. São Paulo: Atlas, 1998.
NASCIMENTO, Cristiano do et al. Tipologia de Fleuriet e a crise financeira de 2008. Revista
Universo Contábil, FURB, Blumenau, v. 8, nº 4, p. 40-59, out./dez. 2012. Disponível em:
<http://proxy.furb.br/ojs/index.php/universocontabil/article/view/2592/2141>. Acesso em: 02
mar. 2013.
PADOVEZE, Clóvis Luís. Manual de contabilidade básica: contabilidade introdutória e
intermediária. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
PADOVEZE, Clóvis Luís. Introdução à administração financeira: texto e exercícios. 2. ed.
São Paulo: Cengage Learning, 2011.
1
No trabalho foram utilizadas duas versões do livro Princípios de Administração Financeira do autor, já que
foram encontradas diferenças entre uma versão e outra.
101
SATO, S. S. Análise econômico-financeira setorial: estudo da relação entre liquidez e
rentabilidade sob a ótica do modelo dinâmico. p. 204. Dissertação (Mestrado) – Escola de
Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007. Disponível em:
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.do?select_action=&co_autor
=53501. Acesso em: 31 mar. 2013.
SEBRAE. Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas –Ebit. Disponível em:
<http://www.sebrae.com.br/setor/comercio-varejista/segmentos-do-varejo/lojasvirtuais/integra_bia/ident_unico/18477>. Acesso em: 23 jun. 2012.
SILVA, José Pereira. Análise financeira das empresas. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2005.
VIEIRA, M. V. Administração estratégica do capital de giro. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
Download

UNIVERSIDADE METODISTA DE PIRACICABA