A PRÁTICA NO ESTÁGIO SUPERVISIONADO: O USO DE
DIFERENTES LINGUAGENS NO ENSINO DE GEOGRAFIA
Juarez Favero e Silva1 - UNICENTRO
Karina Andrade2 - UNICENTRO
Elaine Cristina Soares Surmacz 3 - UNICENTRO
Grupo de Trabalho – Práticas e Estágios nas Licenciaturas
Agência Financiadora: não contou com financiamento
Resumo
O presente relato busca apresentar situações de ensino desenvolvidas por meio da disciplina
de “Estágio Supervisionado no Ensino Fundamental” do curso de Geografia Licenciatura da
Universidade Estadual do Centro Oeste – UNICENTRO – Campus CEDETEG
Guarapuava/PR. A disciplina de estágio supervisionado é um momento de aquisição e
aprimoramento de conhecimentos e de habilidades essenciais ao exercício profissional
docente, e tem como função integrar a teoria e prática. Como prática pedagógica trabalhamos
diferentes possibilidades de ensino utilizando-nos de recursos e linguagens possíveis no
ensino de Geografia como: música, charge, filme e a pesquisa em laboratório de informática.
As linguagens sugeridas favoreceram e deram dinamismo ao processo de ensino
aprendizagem da disciplina. O tema trabalhado foi “A População Brasileira e sua
complexidade”. Os sujeitos participantes da pesquisa foram alunos do 7º ano do Ensino
Fundamental I da rede pública de ensino do estado do Paraná e uma professora da disciplina
de Geografia. Como resultados, oferecemos a possibilidade de ampliação do interesse dos
alunos pela disciplina geográfica; a manifestação crítica e reflexiva por parte dos alunos frente
à temática trabalhada; a possibilidade concreta de ilustração e materialização dos conteúdos
de forma didática e criativa por meio das linguagens utilizadas; a contextualização e a
aplicabilidade do tema dando sentido e significado na vida cotidiana; o entendimento dos
alunos de que a aula de Geografia pode ser um espaço interessante de conhecimento e tivemos
a consolidação do estágio supervisionado como um componente teórico-prático de
oportunidade de aprendizagem que permitiu a nós graduandos em licenciatura uma percepção
verdadeira da realidade escolar.
Palavras-chave: Ensino de Geografia. Diferentes linguagens. População brasileira.
1
Graduando do curso de Geografia Licenciatura da Universidade Estadual do Centro-Oeste - UNICENTRO. Email: [email protected].
2
Graduanda do curso de Geografia Licenciatura da Universidade Estadual do Centro-Oeste- UNICENTRO. Email: [email protected].
3
Professora Ms. do Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Centro Oeste – Campus
CEDETEG. E-mail: [email protected].
ISSN 2176-1396
17457
Introdução
O estágio supervisionado realizado no Ensino Fundamental I constitui um momento de
aquisição e aprimoramento de conhecimentos e de habilidades essenciais ao exercício
profissional docente, e tem como função integrar teoria e prática. Atua como visão da
realidade profissional. O estágio é o eixo central da formação de professores, por meio dele
que o profissional conhece os aspectos imprescindíveis para a formação da construção da
identidade e dos saberes do dia-a-dia (PIMENTA e LIMA, 2004). O estágio se coloca como
um importante período da trajetória do licenciando em Geografia.
Dessa forma, a disciplina “Estágio Supervisionado no Ensino Fundamental4” que
compõe a estrutura curricular do curso de Geografia Licenciatura da Universidade Estadual
do Centro Oeste – UNICENTRO - Campus CEDETEG no município de Guarapuava no
Paraná vem proporcionar ao acadêmico do terceiro ano do curso a experiência de atuar no
cotidiano escolar por meio da elaboração e aplicação de aulas a alunos do Ensino
Fundamental na escola básica.
Dentro da proposta da disciplina acadêmica, procuramos uma escola estadual de
Educação Básica e um professor de Geografia disposto a colaborar com o projeto.
Encontramos apoio no Colégio Estadual Manoel Ribas, localizado no centro da cidade de
Guarapuava, no estado do Paraná e em uma professora de Geografia que leciona na
instituição. Por sugestão da professora participante, trabalharmos com uma turma do 7º ano
do Ensino Fundamental, composta por vinte e seis alunos.
Recebida a sugestão, passamos a traçar os planos de aula. A temática geográfica
sugerida pela professora foi “População Brasileira”. Ao iniciar os trabalhos consideramos que
as práticas pedagógicas empregadas em sala de aula deve ter como função fundamental a
aproximação do aluno dos conteúdos geográficos estudados. Essa preocupação a nosso ver
reflete na qualidade da compreensão dos temas pelos alunos.
Observamos ainda que durante nossa pesquisa as literaturas que tem como mote o
Ensino de Geografia, trazem, sobretudo, as dificuldades enfrentadas pelos professores em sala
de aula. No entanto, grande parte dessas dificuldades apresenta-se atrelada ao modelo
tradicional de ensino, que tem o professor como o centro da aprendizagem.
4
Disciplina que compõe a grade curricular do curso de Geografia Licenciatura da Universidade Estadual do
Centro Oeste – UNICENTRO – Campus /CEDETEG- Guarapuava-Paraná.
17458
Segundo Resende (1986) apud Callai (2001) a educação atual está a exigir do
professor uma nova postura no trato com seus alunos e principalmente com os saberes que
trazem consigo. Segundo as Diretrizes Curriculares da Educação Básica (PARANÁ, 2008)
para o ensino de Geografia, o professor não deve simplesmente apresentar o conteúdo e sim
criar uma situação problema, que seja instigante e provocativa, e dessa forma mobilizar o
aluno para o conhecimento.
Sendo que a construção desse conhecimento necessita acontecer de forma
interdisciplinar, contextualizada e relacionada à realidade vivida do aluno. Sendo assim, os
Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino de Geografia afirmam que o professor ao
promover um trabalho interdisciplinar busca:
lançar mão de outras fontes de informação. [...] com a literatura, por exemplo, tem
sido redescoberta, proporcionando um trabalho que provoca interesse e curiosidade
sobre a leitura desse espaço. É possível aprender geografia com a Literatura [...]
também as produções musicais, a fotografia e até mesmo o cinema são fontes que
podem ser utilizadas por professores e alunos para obter informações, comparar e
inspirar-se para interpretar as paisagens e construir conhecimentos sobre o espaço
geográfico. [...] A geografia trabalha com imagens, recorre a diferentes linguagens
na busca de informações e como forma de expressar suas interpretações, hipóteses e
conceitos (BRASIL, 1998, p.33).
Dessa forma entendemos que as diferentes linguagens podem ser utilizadas como
instrumentos de aprendizagem viabilizando a construção do conhecimento apresentado em
sala de aula.
Acreditamos, porém, ser necessário, que o professor organize sua aula buscando trazer
as temáticas de forma contextualizada levando em conta as representações sociais do aluno. O
mundo contemporâneo está carregado por signos, códigos e linguagens que são interpretados
de diferentes formas:
o mundo se povoa de imagens, mensagens, colagens, montagens, bricolagens,
simulacros e virtualidades. Representam e elidem a realidade, vivência, experiência.
Povoam o imaginário de todo o mundo. Elidem o real e simulam a experiência,
conferindo ao imaginário a categoria da experiência. As imagens substituem as
palavras revelam-se principalmente como imagens, signos plásticos de virtualidades
e simulacros produzidos pela eletrônica e pela informática (IANNI, 2007, p.27).
Sendo assim, consideramos que um dos elementos importantes no processo de
aprendizagem é a forma de organização dessas linguagens de modo a favorecer a
compreensão dos conteúdos. No cotidiano de sala de aula e no desenvolvimento da disciplina
geográfica torna-se importante a construção de diferentes propostas didático-metodológicas
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que venham permitir a articulação entre a ação do professor e o processo de evolução do
conhecimento pelo aluno.
Procedimento metodológico
Dentro desse entendimento, buscamos concretizar nossa ação pedagógica, propiciada
pelo Estágio Supervisionado no ensino Fundamental I utilizando-nos de dez horas aulas de 50
minutos sendo duas dedicadas a observação da sala de aula e da prática pedagógica da
professora parceira da pesquisa. As oito aulas restantes, foram utilizadas para aplicação da
proposta pedagógica em que nos propomos a utilizar diferentes linguagens no trabalho com a
temática “população brasileira”.
As aulas foram em sua maioria realizadas em sala. Essa opção permitiu conforto aos
alunos, deixando-os à vontade para os debates realizados durante o processo. Quando da
organização da pesquisa, essa foi planejada tendo o laboratório de informática como espaço
de trabalho.
Como mencionado, duas primeiras aulas foram dedicadas à observação. O propósito
foi de iniciar um vínculo com o cotidiano escolar, conhecer a infraestrutura da escola,
identificar os recursos pedagógicos disponíveis utilizados pelo professor da disciplina e ainda
se familiarizar com realidade de um professor dentro da sala de aula. Ainda, sugerir aos
alunos outras formas de produção de conhecimento, mediados por diferentes recursos
pedagógicos e diferentes formas de linguagens, possibilitando a aprendizagem de forma
crítica, reflexiva e participativa. A proposta de trabalho foi executada no período vespertino.
As aulas de observação nos mostrou uma turma tranquila quanto ao comportamento. O
que nos permitiu realizar as atividades contando com a colaboração e o respeito dos alunos.
Sobre a prática da professora, percebemos que a mesma é exigente em seu trabalho, mantém o
controle da turma e elabora atividades variadas. E em algumas vezes suas aulas foram
expositivas.
Parte dos alunos era repetente de 2013 e quando apresentados os conteúdos não
apresentaram grandes dificuldades. A turma é participava, permitindo debater a temática
proposta. Essa postura veio a favorecer a aproximação dos conteúdos com o prévio
conhecimento dos alunos, conseguimos com isso, resolver as dúvidas que foram surgindo
durante o processo de ensino-aprendizagem dos conteúdos geográficos.
No que confere a infraestrutura da escola, ela possui um laboratório de informática,
que fizemos uso para trabalharmos com a proposta da pesquisa. Buscamos com isso
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desenvolver no aluno o interesse pela pesquisa e também apresentar caminhos para sua
efetivação. Consideramos que na maioria das vezes a única fonte de pesquisa apresentada ao
aluno é o livro didático.
Utilizamos ainda, as mídias alternativas como: TV pen drive e Data Show, que vieram
a contribuir de forma significativa no desenvolvimento das metodologias idealizadas, na
contextualização dos conteúdos e serviram de mediadores para a formação crítica dos alunos.
Na terceira aula, acontecida de forma prática abordamos os temas: diversidade e
miscigenação brasileira, Brasil um país populoso e não povoado, densidade demográfica e
número de habitantes no nosso país.
Também apresentamos dados geográficos estatísticos do Brasil, comparando-os com
outros países. Para contextualizar o conteúdo fizemos uso da música dos Paralamas do
Sucesso “Lourinha Bom Bril”, que demonstra a diversidade cultural do Brasil, composto por
diferentes etnias. Para Costa (2002) uma das vantagens de se utilizar a música na Geografia se
afirma na pluralidade de assuntos abordados por esta ciência. Violência, guerras, conflitos
raciais, fome, falta de infraestrutura nas cidades, belezas naturais, como também degradação
ao meio ambiente, fazem parte dos temas abordados por muitos compositores.
Para Godoy (2009) na música existe uma imensidão de temas que não podem ser
entendidos se separados de seu contexto histórico e ideológico, para isto se faz necessário o
estudo do todo de sua construção, dando à música sentido e riqueza, além de abrir várias
possibilidades de estudo aliadas a ela e a música também pode ser trabalhada de forma
interdisciplinar:
os professores da área de Geografia podem usar a música de diversas formas, tanto
sua letra, quanto seu ritmo, seu compositor, para facilitar a compreensão dos alunos
em determinados temas abordados. A música terá a função de trazer às aulas de
Geografia novas possibilidades e sensações, tornando-as mais atraentes e de fácil
assimilação. É o que se verificou também em uma vivência experimental em sala de
aula tratando do tema globalização como conteúdo curricular de Geografia no
ensino médio, da qual se começa a tratar no capítulo seguinte (GODOI, 2009, p.18).
Na quarta aula trabalhamos a origem e a importância do IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística), as formas de contagem dos habitantes e os fatores que determinaram
para um acelerado crescimento da população brasileira no final do século XIX e
principalmente nos quarenta anos iniciais do século XX.
Ao final da aula orientamos os alunos a realizarem uma pesquisa sobre a população
brasileira. Os alunos deveriam buscar informações sobre as diversas etnias e culturas que
compõem a população brasileira, como por exemplo, gastronomia, danças, trajes, traços
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fisionômicos e contribuições para a formação da cultura brasileira. Para essa atividade
consideramos que a pesquisa estimula o aluno a buscar bases teóricas, fazendo suas próprias
interpretações, cada conteúdo encontrado é uma conquista para o conhecimento.
No entendimento de Bagno (1998, p. 17) pesquisar é “[...] procurar, buscar com
cuidado; procurar por toda a parte; informar-se; inquirir; perguntar; indagar bem, aprofundar
na busca”. Para Demo (1997), a pesquisa é base da educação escolar e não a sala de aula, ela é
uma propriedade específica do ambiente escolar e ainda, a pesquisa deve ser atitude cotidiana
tanto na vida do professor como na vida do aluno.
Sendo assim, utilizamos o laboratório de informática para pesquisa, intencionamos
com isso fazer com que os alunos utilizassem as ferramentas disponíveis na rede mundial de
computadores, buscando as informações necessárias para a elaboração do trabalho. A
pesquisa foi utilizada nesse contexto como um instrumento pedagógico.
A realização da pesquisa foi primordial para que os alunos desenvolvessem um senso
crítico e utilizassem os conhecimentos adquiridos para que as apresentações fossem
concluídas com êxito. Com a pesquisa os alunos reconheceram que estudar e aprender exige
muito esforço e dedicação. Para Portilho e Almeida (2008) o processo de busca do
conhecimento parece executar um movimento próprio em que o saber e a vida se integram de
modo harmonioso. Assim na educação é preciso entender o papel fundamental de todos os
elementos compreendidos no processo. E também explanam que o primeiro objetivo da ação
docente deve ser a construção do conhecimento, visando ao pleno desenvolvimento de todas
as potencialidades de cada indivíduo, sejam elas intelectuais, afetivas, sociais, criativas ou
morais. Desse modo:
o ensino com pesquisa é viável, sobretudo se o professor conseguir criar um
ambiente favorável, em que haja envolvimento, participação e produção. Cabe ao
professor também, ter uma postura mais flexível buscando compreender e aceitar os
variados tipos de inteligências de seus alunos, valorizando as escolhas pessoais, para
que as pesquisas deixem de ser meras cópias e possam tomar seu lugar como fonte
de conhecimento (PORTILHO e ALMEIDA, 2008, p.486).
As informações obtidas na pesquisa motivaram a construção de um painel
representando a cultura de cada etnia no Brasil, os alunos utilizaram de diferentes imagens,
figuras e desenho livre. Esse painel foi construído com cartazes (figuras 1 e 2), contendo
figuras, imagens e desenhos com características e contribuições que cada cultura trouxe para o
nosso país.
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Figuras 1 e 2 – Painel construído em sala
Fonte: Acervo pessoal dos autores.
A construção de cartazes (figuras 3,4 e 5) é uma possibilidade pedagógica que remete
uma ampla reflexão do processo de ensino aprendizagem, exigiu uma participação do grupo
para sua elaboração, apresentação e análise. E ainda, este recurso didático pode ser utilizado
desde a pré-escola até a universidade, ou seja, gera conhecimento para estudantes de diversas
idades.
Figuras 3, 4 e 5 – Cartazes elaborados pelos alunos
Fonte: Acervo pessoal dos autores.
O conteúdo aprendido e pesquisado estimulou o discurso nos alunos, passaram a
avaliar a realidade que os cercam de forma crítica.
A proposta de diversificação de materiais didáticos e de linguagens veio incentivar e
chamar a atenção dos alunos para os conteúdos. Nas aulas subsequentes foram realizadas as
apresentações dos trabalhos. O fato de a cultura brasileira ser bastante diversificada favoreceu
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o aprofundamento nas discussões e debates. As equipes discorreram sobre as seguintes
culturas no Brasil: portuguesa, africana, indígena, italiana, alemã, japonesa, espanhola, árabe,
libanesa, russa, ucraniana e polonesa que são os principais povos que juntos contribuem para
o Brasil ser pluricultural.
Na penúltima aula comunicamos aos alunos os dados e fatores da faixa etária da
população brasileira, mudanças no perfil das famílias atuais, queda das taxas de fecundidade e
natalidade, mulher no mercado de trabalho e envelhecimento da população que são aspectos
atuais em discussão no cenário nacional. Posteriormente, os alunos responderam um
questionário sobre os temas da aula.
Todo o processo foi avaliado, segundo as orientações das Diretrizes Curriculares da
Educação Básica (PARANÁ, 2008) de Geografia, a avaliação é parte do trabalho do professor
e que tem por objetivo proporcionar subsídios para as decisões a serem tomadas a respeito do
processo educativo que envolve professor e aluno no acesso ao conhecimento.
O tema do último encontro com os alunos foi relacionado às desigualdades sociais. O
tema trouxe aos alunos a realidade do nosso país. Os alunos opinaram a respeito e
contrastaram o tema com o documentário “Hiato”, gravado em 2007, que expõe a realidade
do preconceito e da distribuição desigual de renda no país. Assim:
o importante no uso de filmes em sala de aula – seja um documentário ou uma
ficção, seja um longa ou curtametragem – é ter muito claro o que queremos com a
apresentação do filme, que função ele terá na aula. Algumas coisas óbvias devem ser
ditas: o professor nunca deve exibir filmes que não o tenha assistido, mesmo quando
é uma sugestão dos alunos – pode-se correr o risco de mostrar alguma coisa não
adequada (CAVALCANTE, 2008, p.2).
Outra linguagem utilizada e que serviu de subsídio para a apreensão do conteúdo foi a
charge, que segundo Benedictis e Silva (2013) esse recurso aliado ao conteúdo geográfico é
capaz de proporcionar aos alunos um entendimento do presente, pois retrata, questões do
cotidiano:
a charge permite relacionar os conteúdos geográficos com a vivência do aluno,
despertando interesse do mesmo pela aprendizagem. Assim, a charge e o cartum
provocam um maior envolvimento do discente com as aulas de geografia,
possibilitando uma discussão científica por meio de informações do espaço vivido,
da troca de conhecimento entre discentes e docentes e uma maior reflexão
questionadora das condições sociais, ambientais, econômicas e políticas que
permeiam as relações sociais. É importante que o professor utilize esses recursos
didáticos para que possa mostrar ao discente que os conteúdos Geográficos
estão para além da sala de aula, podendo ser percebido e analisado em
situações do cotidiano (BENEDICTIS e SILVA, 2013, p.6).
17464
Para finalizarmos a aula apresentamos aos alunos imagens (6, 7, 8, 9) de locais da
cidade de Guarapuava, município de residência dos alunos onde se concentra as maiores
desigualdades sociais da cidade.
Figuras 6,7,8,9 - Imagens de pontos de maior desigualdade social de Guarapuava/PR
Fonte: acervo pessoal dos autores (2014)
As imagens do cotidiano dos alunos chocaram tanto quanto o documentário exibido
nesta aula e geraram o debate final do estágio supervisionado I. Para a decisão de usar
imagens na sala de aula, levamos em consideração as orientações dos documentos oficiais que
norteiam a educação brasileira que nos auxiliou afirmando que:
o uso de imagens não animadas (fotografias, pôsteres, slides, cartões postais,
outdoors, entre outras) como recurso didático, pode auxiliar o trabalho com a
formação de conceitos geográficos, diferenciando paisagem de espaço e,
dependendo da abordagem dada ao conteúdo, desenvolver os conceitos de região,
território e lugar. Para isso, a imagem será ponto de partida para atividades de sua
observação e descrição. Feita essa identificação, o professor e os alunos devem
partir para pesquisas que investiguem: Onde? Por que esse lugar é assim? Enfim,
propõem-se pesquisas que levantem os aspectos históricos, econômicos, sociais,
culturais, naturais da paisagem/espaço em estudo (PARANÁ, 2008, p.82).
Os avanços obtidos com as propostas teóricas e metodológicas da Geografia Crítica e
da nova Geografia Humanista, colocando o saber geográfico como algo construído,
guardando em si uma intencionalidade que deve ser desvendada, passaram a permitir ao
professor a possibilidade de um ensino de Geografia em que o aluno pudesse interagir com
17465
sua individualidade e criatividade não somente para compreender o mundo, mas também para
construir o seu saber sobre esse mundo, fortalecendo sua autoestima (BRASIL, 1998). Pois:
nos dias de hoje, os alunos não se contentam em entrar em sala de aula apenas para
receberem informações, passivamente. Eles esperam que ocorra um ensino
condizente à realidade de suas vidas (...). Acrescente-se que o saber produzido em
uma boa aula resulta em um prazer para o professor e também, para os alunos
(TOMITA, 2006, p.31).
Para o fechamento do trabalho de forma significativa a última aula foi concluída com
um debate, cujo intuito era de avaliar todo este processo metodológico utilizado. “Ouvir os
alunos nos permite conhecer as representações sociais que construiu a respeito do mundo, mas
precisamos ensinar os alunos a perguntar e ajudá-los a enriquecer as representações por eles
construídas” (PONTUSCHKA, 2000, p. 152).
Considerações Finais
Diante das observações realizadas, os objetivos do trabalho foram cumpridos, visto
que cabe ao professor de Geografia rever sua prática pedagógica e inovar, eliminando o
desinteresse dos alunos pela disciplina. Constatamos que o uso de algumas estratégias
didáticas contribuiu para que tivesse um maior interesse dos alunos pelas aulas de Geografia e
consequentemente houve um melhor entendimento do conteúdo.
Um professor bem atualizado, motivado e apresentando a seus alunos aulas bem
diversificadas, sempre visando à participação e a aprendizagem, tendo essas estratégias
ajudará os alunos a manterem-se interessados pelo conteúdo e a aprendê-lo.
É no Estágio Supervisionado que temos a possibilidade de aprender na prática como a
relação com os alunos acontece em sua essência. Desde o processo de preparação das aulas o
que requer estudo e dedicação, seu planejamento, o uso dos materiais e métodos, e o mais
importante, se o que foi planejado surtirá efeito sobre a aprendizagem dos alunos. Nisto
pudemos perceber no processo de avaliação, a partir do desempenho dos alunos que nosso
trabalho teve êxito, percebendo uma aprendizagem boa dos alunos.
Portanto, o estágio como experiência foi uma oportunidade de aprofundar nossos
conhecimentos e nossa capacidade criativa na resolução dos impasses encontrados,
principalmente na busca por materiais diversos para a preparação das aulas. A boa interação
com os alunos, a professora regente e a equipe pedagógica possibilitou o bom andamento de
17466
todas as atividades, tornando esta prática extremamente relevante para nossa formação
acadêmica e para nosso futuro profissional como docente.
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a prática no estágio supervisionado: o uso de diferentes linguagens