CÂMARA DOS DEPUTADOS DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO NÚCLEO DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES TEXTO COM REDAÇÃO FINAL COMISSÃO ESPECIAL - LEI DA ANISTIA EVENTO: Audiência Pública N°: 0495/08 DATA: 23/04/2008 INÍCIO: 14h52min TÉRMINO: 17h02min DURAÇÃO: 02h10min TEMPO DE GRAVAÇÃO: 2h10min PÁGINAS: 40 QUARTOS: 26 DEPOENTE/CONVIDADO - QUALIFICAÇÃO JOSÉ WILSON DA SILVA – Presidente da AMPLA – Associação de Defesa dos Direitos e PróAnisitia Ampla dos Atingidos por Atos Institucionais. JOSÉ BEZERRA DA SILVA – Representante do Brigadeiro Rui Moreira Lima. PAULO ROBERTO MANES – Representante do Sr. Oldemar Costa Pereira, da Associação dos Não-Anistiados pela Portaria 1.104 – ALNAPORT, Rio de Janeiro. JOÃO GUIMARÃES SANTANA – Representante da Associação dos Militares Pró-Anistia – ANPRA, Rio de Janeiro. ADELINO RIBEIRO CHAVES – Representante da Associação dos Trabalhadores Aposentados, Pensionistas e Anistiados da PETROBRAS e Subsidiárias do Rio de Janeiro – ASTAPE. ANTÔNIO CLÓVIS SANTOS COSTA – Presidente da Associação Nacional de Anistiados Políticos dos Correios – ANAPECT. RAIMUNDO PORFÍRIO COSTA – Representante do Movimento Democrático pela Anistia e Cidadania – MODAC, Rio de Janeiro. ROSA MARIA MONTENEGRO DE BARROS – Representante da Coordenação Nacional dos Demitidos e Anistiados das Estatais e Serviços Públicos – CNDAESP. SUMÁRIO: Debate sobre a aplicação de leis de anistia a representantes sindicais e trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e sobre demissão voluntária no Governo Collor e indenizações pagas aos anistiados políticos. OBSERVAÇÕES CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Havendo número legal, declaro aberto os trabalhos da 4ª reunião da Comissão Especial Lei da Anistia. Esta reunião está designada a ouvir organizações e pessoas convidadas, conforme requerimento aprovado na reunião anterior. Comunico que recebi a seguinte correspondência: ofício... O SR. DEPUTADO CLAUDIO CAJADO - Sr. Presidente, pela ordem. V.Exa. não vai colocar em discussão a ata da reunião anterior? Se o for, peço dispensa de sua leitura em razão da distribuição antecipada de cópias da ata. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Pois não, nobre Deputado Claudio Cajado. Seguindo, então, o procedimento regimental, coloco em discussão a ata da sessão anterior. (Pausa.) Não havendo quem queira discutir, em votação. (Pausa.) Aprovada. Comunico recebimento do Ofício nº 02, de 17 de abril de 2008, informando que a Sra. Edi Damasceno Maciel, Presidente da Comissão Especial Interministerial, não poderá comparecer a esta Comissão para participar de audiência pública, conforme Ofício nº 53, CI-2008, em anexo, mas que a Secretaria de Recursos Humanos do Ministério se coloca à disposição para tratar dos assuntos de sua competência. O ofício é assinado por Luiz Gonzaga Baião, Chefe da Assessoria Parlamentar, e a ele está anexa uma longa exposição assinada pela Sra. Edi Damasceno Maciel, informando que as atribuições da Comissão que ela preside se referem apenas à Lei nº 8.878, portanto, ao Plano Collor, e que a instância que tem a atribuição de prestar esclarecimentos a respeito da aplicação da lei é a Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento. Essa é a razão da ausência da convidada Edi Damasceno Maciel. Esclareço à Comissão que não consideramos satisfatória a justificativa. (Palmas.) Podemos até aceitar razões para o não-comparecimento hoje — o convite foi formulado na última sexta-feira —, mas, jamais, razões para o não-comparecimento e a indicação de outras pessoas. Quem decide quem convidar, quem convocar e quais os temas a serem abordados é a própria Comissão. Não 1 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 podemos permitir que pessoas convidadas ou autoridades convocadas se excluam de comparecer com alegações desse tipo. Portanto, estão aqui as justificativas, e esta Presidência adotará as medidas necessárias para refazer o convite e insistir na presença, no momento oportuno, da Sra. Edi Maciel. Convidados para esta reunião: José Wilson da Silva, Presidente da Associação de Defesa dos Direitos e Pró-Anistia — AMPLA; Brigadeiro Rui Moreira Lima, Presidente da Associação Democrática e Nacionalista de Militares — ADNAM; Reinaldo da Costa, Presidente da Associação Brasileira dos Anistiados Políticos do Sistema PETROBRAS — ABRASPETE, e Francisco F. Maia, Presidente da Entidade Nacional dos Civis e Militares Aposentados e da Reserva — ACIMAR, de São Paulo. Gostaria de sugerir aos demais convidados que tomassem assento nesta fileira da frente e fizessem, posteriormente, um revezamento: ouviríamos, primeiro, os que estão aqui e, depois, aqueles que comporão a fileira aqui à frente. Convido a tomar assento o Sr. Oldemar Costa Ferreira. O SR. OLDEMAR COSTA FERREIRA - Sr. Presidente, eu declino em nome de Paulo Roberto Manes, que é o nosso interlocutor da Aeronáutica. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Convidamos, então, para compor as cadeiras aqui à frente, os Srs. Paulo Roberto Manes; Firmo Chaves, representante da ANIBRAS; João Guimarães Santana; Adelino Ribeiro Chaves; Guarabira Pereira de Sousa; Raimundo Porfírio Costa e Elias Campos de Melo. O SR. ELIAS CAMPOS DE MELO - Sr. Presidente, a Associação de Anistiandos do Centro Oeste — Asa Centro-Oeste está declinando para a Associação dos Anistiandos do Nordeste — ASANE, cujo representante é o Sr. Marcos Sena, de Recife. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Convidamos, então, o Sr. Marcos Sena a compor a Mesa aqui à frente. Convidamos também a Sra. Rosa Maria Monteiro de Barros. Para dar a agilidade necessária e economizar tempo, de forma a permitir que todos participem, sugerimos que cada expositor use um tempo de máximo de 3 minutos, com 2 de prorrogação, se necessário. 2 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 Passo a palavra, então, para o Sr. José Wilson da Silva, que terá o tempo de 3 minutos. O SR. JOSÉ WILSON DA SILVA - Obrigado, Sr. Presidente. Vai ser difícil nos limitar a 3 minutos, mas vamos fazer força. Sr. Presidente, Srs. Deputados, companheiros, tivemos um período negro na História do Brasil. A sociedade reagiu, e o Congresso e as representações da Nação procuraram minimizar os atropelos da ditadura. Houve uma primeira lei, uma segunda a uma terceira lei de anistia, sempre cumpridas com muita resistência pelos remanescentes do período discricionário, mas continuamos na luta, porque temos a cobertura do Congresso para que as leis emanadas desta Casa sejam realmente cumpridas. Um pouco envergonhados até, fomos obrigados a correr a esta Casa atrás de uma lei mais explícita, pois muitos órgãos ainda guardam filhos ou netos da ditadura. Com a lei especificando, levando aos detalhes, finalmente a anistia será levada a efeito, será cumprida. A geração dos perseguidos pela ditadura hoje tem de 70 a 90 anos. Então, há necessidade de que as leis da anistia finalmente atinjam seus objetivos, isto é, tragam as devidas reparações aos anistiados. Tivemos o cuidado, quando fizemos a Lei nº 10.559, sobre a qual falo agora — e outros companheiros falarão das outras leis —, de criar uma comissão para analisar os requerentes e aplicar a lei de acordo com o conteúdo dos requerimentos, para verificar se realmente foram perseguidos ou não, se tiveram prejuízo ou não. Essa comissão vem tendo o trabalho de analisar, julgar, deferir ou não e em que termos. No entanto, a lei nasceu em 2001, e nós estamos em 2008 e ainda há muito a ser feito. Sete anos para quem tem 70 anos é uma eternidade. Por isso, mais uma vez recorremos à Câmara dos Deputados, nosso guarda-chuva, nosso guardião maior, para que haja o cumprimento das leis. Queremos dizer aos Srs. Deputados que somos muito reconhecidos pela cobertura que sempre aqui tivemos. Somos sensibilizados pela atuação, cobertura, atenção que nos têm dado e estamos orgulhosos desta Comissão para acompanhamento das Leis de Anistia. A instituição de uma comissão nesta Casa para acompanhar a aplicação de uma lei me parece algo inédito. 3 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 Sr. Presidente, Srs. Deputados desta Comissão, saibam que somos agradecidos, reconhecidos e orgulhosos de todos os senhores. Já falei demais. Agora, entro especificamente no tema. Temos problemas que se prolongam e que nos atrasam em muitos setores. Muito especialmente na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, há atrasos, indefinições e deferimentos diferenciados para o mesmo caso. Temos bastante o que reclamar, e queremos, pelo menos, mostrar a nossa insatisfação com a Comissão de Anistia. Fizemos um relatório preliminar e um roteiro de questionamentos. Esse roteiro está com todos os Deputados da Comissão, naturalmente que algum setor será enriquecido, terá um adendo. Não vai dar tempo para ler, mas cada Deputado tem uma cópia. Então, estamos insatisfeitos com a Comissão de Anistia. Quanto ao Ministério do Planejamento, há outro companheiro que vai falar. Mas, falando pelo Exército, com uma abrangência maior aos militares, digo que a nossa maior insatisfação está no fato de que os militares não receberam anistia. Receberam perdão político, uma benemerência, porque somos tratados, no meio militar, discricionariamente. Os chamados anistiados não são anistiados, são perdoados por um crime. Quem perdoa o crime não retira o crime, o crime continua sendo considerado. Apenas nos perdoaram para que recebêssemos uma indenização num quadro especial de indenização, uma carta patente fajuta, especial. A Portaria nº 209, de 2005, do Exército, contém as instruções de como tratar os anistiados, especialmente os subordinados. As viúvas e nós mesmos, quando chegamos às organizações militares ouvimos sempre a afirmação de que “não somos militares, mas anistiados”. Quer dizer, nós somos militares anormais. Seria muito bom — e o solicitamos aos Srs. Deputados — que questionassem isso no setor militar. A partir dessa discriminação, há toda uma série de tratamento. Não existe posto nem graduação, para entrar em folha é uma paranóia, há, enfim, uma série de dificuldades que não vai dar para descrever agora, mas estou entregando um quadro e um relatório com exemplos aos Srs. Deputados. Nesse relatório, que já está com o Sr. Relator e com V.Exa., Sr. Presidente, há nomes, listas, o andamento dos processos e mais uma série de problemas. 4 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 Há o que se questionar: houve anistia no Brasil ou não houve? Em razão da não-aceitação dessa anistia, porém, há esse constrangimento permanente, essa dificuldade. As Forças questionam as portarias do Ministério da Justiça para buscar impedimento, para buscar o não-cumprimento, nunca para solucionar. Muito obrigado, Sr. Presidente. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Agradeço ao Sr. José Wilson, que nos dá uma indicação muito importante e útil. É bom que cada intervenção traga essa contribuição: informação acerca de entraves e dificuldades que cada uma dessas entidades e representações têm encontrado para dar seqüência às suas demandas. Tudo isso será muito útil para o Relator apresentar posteriormente o parecer que esta Comissão terá de produzir. Portanto, agradecemos ao Sr. José Wilson, que pode permanecer entre nós. Logo após ouvir os demais integrantes da Mesa, faremos um revezamento. Com a palavra o Sr. José Bezerra da Silva. O SR. JOSÉ BEZERRA DA SILVA - Exmo. Sr. Presidente, Exmo. Srs. Deputados, represento neste momento o Brigadeiro Rui Moreira Lima, que por um motivo incondicional não pôde comparecer, e, em seu nome, agradeço à Casa o convite que lhe fez para que falasse pelos cabos da FAB. Neste momento, passo meu tempo para o colega Marcos Sena, conforme o combinado. Fica o meu agradecimento a todos os Deputados. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Com a palavra o Sr. Marcos Sena. O SR. MARCOS SENA - Ficou combinado com o nobre companheiro Deputado que o companheiro Elias também declinará da palavra em meu favor. Assim, falarei quando chegar a vez dele. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Se V.Sa. preferir pode utilizar agora o tempo que lhe foi atribuído pelo Sr. José Bezerra e também pelo Elias. O SR. MARCOS SENA - Está certo. Obrigado. Sr. Presidente, Srs. Deputados, senhoras e senhores, já foi, numa das reuniões temáticas realizada pela Comissão de Anistia, denunciado um processo 5 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 anulatório em que a administração não tem dado direito de defesa, o contraditório, aos interessados. A Comissão de Anistia, na gestão do Ministro Paulo de Tarso Ribeiro, do Governo anterior, firmou o entendimento de que os cabos da Aeronáutica atingidos pela Portaria nº 1.104 têm direito a declaração de anistiado político. E, com esse entendimento, editou a Súmula nº 2002.007.003, afirmando que a referida portaria é ato de exceção. A partir de então, passou a julgar os requerimentos dos cabos da Aeronáutica. Foram julgados 495 cabos da Aeronáutica incorporados após a edição da Portaria nº 1.104. A administração atual adotou novo entendimento divergente do adotado pela administração anterior. E esse novo entendimento foi colocado nos julgamentos ocorridos durante a administração anterior, ou seja, retroagiu com uma nova interpretação a julgamentos do Governo anterior. O que queremos agora desta Comissão é que as denúncias sejam apuradas e que a autoridade, o Ministro da Justiça, seja inquirido a esse respeito, sobre o porquê de um novo entendimento. Não estamos debatendo se a administração atual pode ou não adotar uma nova interpretação da norma, o que queremos é denunciar a aplicação dessa nova interpretação a julgamentos ocorridos no Governo anterior. Por esse entendimento de que os cabos da Aeronáutica tinham direito de serem declarados anistiados políticos, no início da gestão atual o Ministro Márcio Thomaz Bastos por considerá-lo definitivo endossou um pedido dos anistiados e enviou ao Banco do Brasil pedido de uma linha de crédito, o que confirma que, naquele momento, o Ministro da Justiça entendia que os cabos da Aeronáutica, independente da data de incorporação, tinham direito de ser anistiados políticos. Portanto, o que queremos é que esta administração cumpra as 495 portarias de anistia que foram anuladas por meio de um processo indevido e ilegal, no qual não foi dado o direito de defesa ao contraditório. O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - Os senhores entraram na Justiça com essa anulação? O SR. MARCOS SENA - Entramos na Justiça, Deputado. E é importante saber que as informações dadas pelo Ministério da Justiça ao STJ são no sentido de que o processo de anistia passou por um processo de anulação. Fisicamente, esse processo jamais existiu. E essas informações inclusive têm induzido os Ministros do 6 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 STJ a erro, porque é um processo que fisicamente não existe. Quando pedimos vista do processo, eles pedem um tempo para fazer uma montagem de fotocópias, autuam em caneta esferográfica, não tem data, não tem numeração de página. Isso já foi denunciado ao Presidente da Comissão que não tomou providência até hoje. Esses militares que foram julgados, e cujos casos foram deferidos, tiveram suas portarias publicadas no Diário Oficial, todos eles foram anistiados de acordo com aquele consenso da administração anterior e de acordo com as exigências na Lei nº 10.559. O processo anulatório é fundamentado numa exigência que não está disposta na lei, não está consagrada na Lei nº 10.559, o de que os interessados não ostentavam o status de cabo na data de edição da Portaria nº 1.104. Portanto, está aí uma observação, mais uma vez, depois de tantas outras reuniões temáticas que já fizemos, para que o Ministro da Justiça venha cá e diga o porquê de não efetivar essas 495 portarias que considera anuladas, quando, na verdade, o processo anulatório jamais existiu. Todos esses militares anistiados — e já havia sido enviado o aviso ao Ministério da Defesa e os respectivos nomes incluídos na planilha de gastos do Comando da Aeronáutica, que eu tenho aqui em mãos... O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - O senhor pode disponibilizar uma cópia disso para a Comissão? O SR. MARCOS SENA - Pois não. Nós temos vários documentos aqui para passar para a Mesa da Comissão. A Comissão de Anistia, ressaltamos, foi criada pelo art. 12 da Medida Provisória nº 2.151, de 2002, com a finalidade de examinar os requerimentos de anistia. E o art. 10 dessa MP, transformado na Lei nº 10.559, estabelece que cabe ao Ministro da Justiça decidir a respeito dos requerimentos. Assim, obedecendo a esses preceitos legais, a Comissão de Anistia, composta de 20 Conselheiros, firmou o consenso de que os cabos tinham direito a essa anistia. A partir de então, passou-se ao julgamento dos cabos da Aeronáutica. Esses julgamentos incluíam esses 495, como já foi dito aqui. E não poderia haver a aplicação de novo entendimento nos julgamentos ocorridos no Governo anterior. As anistias foram concedidas no ano de 2002. Se houve qualquer outra mudança de norma, a mesma não poderia ser aplicada a partir de data em que 7 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 ainda não vigorava. A nova norma não pode tornar sem efeito ou anular um ato que seguiu os preceitos legais que vigoravam à época em que foi realizado. Portanto, repito, o que nós gostaríamos é que o Ministro da Justiça revisse essas 495 portarias anuladas. Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Agradecemos ao Sr. Marcos Sena e passamos a palavra ao Sr. Reinaldo da Costa. O SR. RÔMULO LOPES - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, eu estou substituindo o Reinaldo Hélio da Costa, que, por motivo superior, não pôde estar presente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Peço a V.Sa., então, que se identifique. O SR. RAIMUNDO LOPES - Raimundo Lopes, Vice-Presidente da ABRASPETE. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - V.Sa. está com a palavra. O SR. RAIMUNDO LOPES - Bom-dia, Sr. Presidente, Srs. Deputados, senhoras e senhores. O que nós temos — e já apresentamos em documento para a Mesa — é que os processos de requerentes já anistiados por outras leis e deferidos pela Comissão, estão pendentes de portaria há mais de um ano. Vale salientar que, entre esses processos, muitos se referem a pessoas idosas e doentes. Até quando nós podemos esperar é uma decisão desta Comissão. O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - Sr. Raimundo, o senhor disse que apresentou alguma coisa à Mesa? O SR. RAIMUNDO LOPES - Já, sim. O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - Entregou a quem? O SR. RAIMUNDO LOPES - Já, está anexo ao roteiro entregue. O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - No relatório do Capitão Wilson? O SR. RAIMUNDO LOPES - É, está junto, está anexo. Então, Deputado, no caso referente à PETROBRAS, 65% dos processos já foram deferidos, restando apenas 35% para serem apreciados. Foi exigido pela 8 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 Comissão de Anistia que fizéssemos uma sessão temática, essa sessão foi feita, e até hoje nenhum processo foi julgado. Ou seja, com a nova Comissão nenhum processo da PETROBRAS foi julgado. Então, nós gostaríamos que esta Comissão.... O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Desculpe, a nova Comissão de quando? O SR. RAIMUNDO LOPES - A nova Comissão, a partir de 2002. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - De 2002? O SR. RAIMUNDO LOPES - De 2007, perdão. O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - Está entendido. Continue. O SR. RAIMUNDO LOPES - Então, Deputado, o que nós gostaríamos desta Comissão é que — e não digo, intervir — fizesse gestões perante a Comissão de Anistia ou a instituição responsável do Ministério da Justiça, para solucionar esse problema, porque estamos voando, estamos, a esta altura, sem uma data, sem nada. Eles não explicam, blindaram, não dão nenhuma informação. Então, estamos carentes dessas informações. Gostaríamos que esta Comissão realmente pressionasse para que eles tomassem uma decisão. E o documento já está com V.Exas., então, pode ser acatado. Obrigado. O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - Sr. Presidente, solicito a autorização de V.Exa. para que a nossa Consultoria possa formular, em nome da Comissão, as indagações que chegam à Mesa em nome da ABRASPETE, CONAPE, ASTAPE e Sindicato Unificado de Petroleiros de Campinas. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - V.Exa. poderia fazer, em nome da Comissão.... O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - Peço a V.Exa. para, em nome da Comissão, fazer à Comissão Especial de Anistia as indagações que foram apresentadas aqui pelo Sr. Raimundo Lopes. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - A Mesa defere. A Assessoria providenciará e a Comissão encaminhará as indagações em nome da Comissão. 9 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - Da mesma forma, solicito ao Sr. Marcos Sena que faça um requerimento, nos mesmos termos desse, para que a Comissão subscrevesse e encaminhasse à Comissão de Anistia. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Passo a palavra a Francisco Maia. O SR. FRANCISCO MAIA - Sr. Presidente, muito obrigado. Eu gostaria de passar o meu tempo ao Capitão Wilson, porque além de ele já ter o relatório da ACIMAR, são 2 entidades de militares e as questões são iguais. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Em nome do Sr. Francisco Maia, passo a palavra ao Capitão José Wilson, que terá o tempo de até 3 minutos. O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - Sr. Presidente, quero cumprimentar ao Maia pela atitude. A racionalização vai nos permitir se mais objetivo. O Capitão Wilson ficou limitado ao tempo dele e não pôde acrescentar informações. O Maia teria tempo, mas abre mão para uma pessoa que pode sintetizar. Isso é produtivo e vai ajudar a todos. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Nós agradecemos. Com a palavra o Capitão Wilson. O SR. JOSÉ WILSON DA SILVA - Muito obrigado, Sr. Presidente. Obrigado, companheiro Maia. Eu teria muito a falar, mas vou procurar fazer apenas um esclarecimento. Feita a Lei nº 10.559, a partir de uma MP, o Congresso criou uma comissão que deveria ser preenchida em princípio com conselheiros de notório conhecimento jurídico — tais como advogados, desembargadores —, e assim foi feito. O primeiro Presidente, Dr. Petrônio Calmon Filho, iniciou titubeante, mas determinado. A Comissão de Análise de Requerimentos teve um segundo Presidente, Dr. José Alves Paulino, Procurador da República no Distrito Federal, com larga experiência no STJ, que trabalhou muito. O Dr. José Alves Paulino foi substituído pelo Dr. Marcello Lavanère, advogado conhecido. Quando o atual Presidente assumiu, houve a apresentação de algumas dificuldades, algumas diferenças. Houve uma espécie de acordo. Muitos 10 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 companheiros que haviam sido julgados na gestão anterior tiveram de desistir de certos benefícios para serem aceitos pelo atual Governo, no período passado. O Dr. José Alves Paulino tem muito a dizer sobre as leis de anistia. Eu não sei se me atrevo, mas acho que, em nome dos companheiros, sugeriria a esta Comissão que o Dr. José Alves Paulino fosse convidado a dar a sua leitura sobre a Lei de Anistia. Não porque eu seja um amigo o Dr. José Alves Paulino, mas porque ele é um jurista de larga experiência nos tribunais, autor de 14 ou 15 obras, e grande parte das decisões da época em que ele era Presidente da Comissão foram rejeitadas, e não houve uma explicação, houve uma condenação sub-reptícia sem que ele tivesse oportunidade de se explicar. Não que eu queira a sua explicação, mas para que ele dê a leitura segundo a ótica do STJ — essa é uma sugestão. Em razão disso, criaram-se vácuos no cumprimento da lei. Durante o período do Dr. Lavanère, em 4 anos do Governo Lula, a Comissão andou, negou-se a rever portarias passadas, decisões passadas. A Presidência passada, com o Plenário da Comissão de Anistia, fez várias súmulas plenárias, como acabou de dizer um companheiro ali. O segundo período do Governo — e nele também temos muitos amigos, alguns inclusive aqui presentes — desconheceu essas súmulas. E foi criado esse marasmo, essa dúvida, essa discussão: uns têm direitos, outros não os têm, há interpretações diferentes para casos iguais. Todos aqui — e por isso o plenário está lotado — vivemos a insegurança administrativa do Ministério da Justiça, acobertada pela má vontade do Ministério da Defesa. Essa má vontade e essa insegurança administrativa é aquilo que no Judiciário chamam de insegurança jurídica. É administrativa. Por que não respeitar a lei? Por que não cumprir o que diz a lei? Na medida em que não cumprem o que a lei diz, porque têm medo da imprensa ou porque têm medo da Oposição, estão desrespeitando esta Casa. A lei tem de sair daqui — e acho que todos aqui assim o entendem — para ser cumprida, não para um coronel lá da CIP, ou um funcionário decidir se vai cumprir ou não. Srs. Deputados, os senhores são a representação da Nação. Eu não estou falando aqui para o Deputado — se eu cito o nome fica chato com os outros — 11 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 Daniel Almeida. Eu estou falando para 100 mil eleitores da Bahia, que com 150 mil e tantos votos deram um mandato a Deputados como o Deputado Claudio Cajado, que foi o presidente da nossa primeira tentativa de um texto explicitativo da Lei de Anistia — o Deputado Claudio Cajado está aqui sempre conosco; o futuro Prefeito de Novo Hamburgo, enfim, a gente cita o nome de alguns Deputados e fica na dívida de não citar os outros. A sorte é que temos aqui dezenas, centenas de Parlamentares que nos dão essa cobertura. Então, por favor, Srs. Deputados, a exigência é de que a lei que saiu daqui seja cumprida como ela está ou então façam uma outra lei. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Agradecemos, mais uma vez, ao Sr. José Wilson. Registro, só para fazer justiça, a presença dos Deputados Tarcísio Zimmermann, sempre aqui entre nós, Fernando Lopes, da Deputada Andreia Zito, também aqui sempre acompanhando a nossa reunião, e do Deputado Wilson Braga, que fez muita questão de participar desta Comissão. Disputou dentro da sua bancada a indicação para participar desta Comissão e tem dado contribuição nesse debate. Passo a palavra ao Sr. Oldemar Costa Pereira. O SR. PAULO ROBERTO MANES - Sr. Presidente, eu vou fazer as vezes do Oldemar Costa Pereira. Meu nome é Paulo Roberto Manes. Eu, há algum tempo, fui indicado pelo Setor de Anistiados Militares para representar as negociações e interlocuções junto a esta Casa e ao Governo Federal com relação à anistia de perseguidos políticos da antiga Força Aérea Brasileira. Eu vou continuar, Excelência, na linha de raciocínio do companheiro Wilson, mesmo porque nós já rezamos na mesma cartilha há alguns anos. O Poder soberano, que representa o Congresso Nacional, depois de 40 anos, nos concedeu a Lei nº 10.559, que as Forças Armadas simplesmente se negam a cumprir — as 3 — com o beneplácito do Ministério da Defesa e o amém do Ministério da Justiça, que chega aqui e dá uma satisfação. Em abril do ano passado, nós tivemos uma audiência pública nesta Casa, em que estavam presentes V.Exa. e tantos outros Deputados. Vieram com rosas dizendo que iam cumprir, e continuam a 12 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 não cumprir. As viúvas hoje, algumas viúvas, das Forças Armadas estão aí fora passando fome, porque se o anistiado morrer eles não cumprem o compromisso de pagar a pensão. E dizem na cara que o cidadão militar é de terceira categoria e a viúva não tem direito à pensão, quando, pelo que sabemos, o militar que foi anistiado político tem todo o direito de um militar contido no Estatuto dos Militares. Mas até agora esse direito está pela metade. Essa é uma questão. Outra questão que tem acontecido dentro da Comissão de Anistia — e isso é bom porque V.Exas. já devem estar inteirados, mas se inteiram mais um pouco — é que entra Ministro, sai Ministro, entra Presidente da Comissão, sai Presidente da Comissão, e cada um quer interpretar a lei ao gosto do Ministro e do Presidente da Comissão. Então, a lei existe de enfeite. Nós temos tido, como o Wilson frisou bem, gestão Calmon. Como o Calmon era a favor que se cumprisse a lei e pagassem aos anistiados retroativo a 1998, caiu o Calmon, porque ele queria cumprir a lei, era um Procurador da República. Mas a lei está ali de faz-de-conta. Entrou José Alves Paulino. José Alves Paulino pecou, quando ele fez cumprir a lei e passou a conceder para inúmeros companheiros a anistia, como tenente-coronel. Como concedeu como tenente-coronel e quem manda ali, de tabela, é o Ministério da Defesa, o que aconteceu? O Ministério da Justiça fez um acordão com a Defesa e desanistiaram esses companheiros. Tivemos que fazer um acordo no meio da madrugada lá para que esses tenentes-coronéis virassem capitães e os suboficiais, porque a maioria era cabo e marinheiro, virassem sargentos, senão não saía anistia e eles não mandavam pagar. Quer dizer, enquanto isso os anos estão passando, inúmero companheiros têm ficado pela estrada, falecido, sem anistia. E nós, lamentavelmente, estamos voltando a esta Casa de chapéu na mão para pedir proteção, porque entendemos que Lei de Anistia, em qualquer situação ordinária nossa, parte do Poder soberano, sob a sanção do Presidente da República. Ora, foi este Poder que nos concedeu anistia. Não nos deu migalha, não nos deu nenhuma esmola. É um direito que nós temos. Este que vos fala esteve 11 anos na prisão. Será possível que eu, com 11 anos na prisão, não tenho o direito de ser anistiado? Agora, meia dúzia de malandros neste País têm. Tem alguma coisa errada. E continuam questionando a anistia. E nós continuamos atrás dos Deputados. Já fizemos tanta amizade nesta 13 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 Casa que alguns até brincam conosco, quando reeleitos: “Até quando nós vamos ter esses velhos pelos corredores, de chapéu na mão, lutando pela anistia?” Quer dizer, isso entra ano e sai ano, entra ano e sai ano, e não se cumpre. Faz de conta que cumpre. Esta Casa já tomou providência inúmeras vezes. Eu sou testemunha, outros companheiros aqui são testemunhas e outros que já se foram há pouco tempo, bastantes deles. O ano que se encerrou, 2007, no nosso meio, foi uma ceifa geral, e não se toma providência. Aqui há 4 leis a serem contempladas pelo Presidente da Casa, o que vem pegando é a Lei nº 10.559, sobre o auspício do Ministro da Justiça e sobre declarações à Comissão de Anistia. Então, no nosso pleito específico, ou se cumpre pela metade ou não se cumpre. E outro ponto importantíssimo para esta Casa nos ajudar... O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - Cumprir pela integralidade e não pela metade, não é? O SR. PAULO ROBERTO MANES - Hein? O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - Tem que cumprir pela integralidade e não pela metade. O SR. PAULO ROBERTO MANES - É claro! Nós estamos com um problema sério — e isso vale para o meio civil e militar — junto ao Tribunal de Contas da União. Acabou de sair, em 28 de novembro, despacho da Advocacia-Geral da União proibindo o TCU de adentrar o mérito da Lei Collor. Mas da Lei nº 10.559, pode. Nós estamos com pagamento suspenso, por ordem do TCU, com uma liminar vigente, de inúmeros anistiados da Lei nº 10.559, porque o Sr. Ministro Augusto Sherman entende que ele vai manter a liminar. E não se julga nunca. E isso já está em vigor desde outubro de 2006. Companheiros já morreram nesse interregno, e o TCU não resolve a vida. Entendemos que ele não tem competência para entrar na seara que é desta Casa. Quem declara a anistia é o Poder soberano, e não tem o TCU que discutir mérito da anistia. É só, Sr. Presidente. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Agradecemos ao Sr. Paulo Roberto. 14 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - Sr. Presidente, eu só queria pedir ao Manes que ele formulasse o requerimento das questões levantadas para que esta Comissão reenviasse esse requerimento. O SR. PAULO ROBERTO MANES - Formularei, Excelência, e lhe entregarei cópia de documentos da Força Aérea, em que intitulo anistiado simplesmente de AP — quem quiser que adivinhe. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Agradecemos ao Sr. Paulo Roberto... O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - Anistiado, o quê? O SR. PAULO ROBERTO MANES - Anistiado AP: anistiado político. É um rótulo. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Um lapso, não citei o Deputado Chico Abreu, que está aqui desde cedo. Ele está ali ao fundo. (Palmas.) Passamos a palavra ao Sr. Firmo Chaves. (Pausa.) O Capitão Wilson não está entre nós... O SR. DEPUTADO TARCÍSIO ZIMMERMANN - Veja se mais alguma entidade delegou. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Ao Capitão Wilson? (Pausa.) Não. Com a palavra o Sr. João Guimarães Santana. O SR. JOÃO GUIMARÃES SANTANA - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, companheiros presentes, eu me chamo João Guimarães Santana e sou interlocutor dos anistiados da Marinha. Obviamente, muitos companheiros que me antecederam, no caso o Wilson e o Manes, já anteciparam boa parte daquilo que eu deveria dizer. Com relação à Comissão de Anistia, seria repetir, ou chover no molhado, tudo aquilo que foi dito pelos companheiros. Como exemplo, digo aos senhores o seguinte: há casos, em minha associação, de viúvas que há 5 anos aguardam na Comissão de Anistia que as suas portarias sejam publicadas. Porque a Comissão anterior cometeu erros: julgou corretamente e, ao publicar no Diário Oficial, publicou apenas a condição de anistiado político, isentando a viúva do Imposto de Renda. Só que os benefícios, promoção e retroativo — são 2 ou 3 viúvas —, elas até hoje não receberam. A 15 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 Comissão pediu recursos, e estes estão apodrecendo em seus escaninhos. A Comissão de Anistia tem hoje cerca de 300, ou mais, recursos de militares para julgar, e até hoje não foi dada uma posição com relação ao julgamento desses requerimentos. As nossas reclamações, no que diz respeito ao cumprimento da Lei de Anistia, tudo o que falarmos aqui está neste Ofício 4478, elaborado em 26 de maio de 2006 e encaminhado a todas as Forças militares. Este ofício trata da aplicação da Lei nº 10.559 — pensão, carta patente, aplicação do art. 16 da Lei nº 10.559, que diz que, para o anistiado por leis anteriores, esses benefícios não serão excluídos, serão mantidos. Quanto às cartas patentes na Marinha, eu recebi uma carta do Comando da Marinha dizendo que a Marinha só confere carta patente a quem for antistiado pelo Poder Judiciário. Ora, todo mundo sabe que o Poder Judiciário não anistia ninguém. A anistia é concedida pelo Congresso Nacional, mediante proposta do Poder Executivo. Ora, receber uma carta de um Almirante dizendo que só concede carta patente a quem é anistiado pelo Poder Judiciário, francamente, isso é uma coisa que não há como se qualificar. Quero falar também sobre os termos de adesão. A Lei nº 11.354 foi uma conquista nossa, graças também ao empenho de Deputados e Senadores, que nos ajudaram ao longo dessa trajetória. Na Marinha, como em todas as Forças, criaram 2 termos de adesão, um para quem não tinha ação no Judiciário cobrando o valor da portaria; e outro para aqueles que ingressaram no Judiciário cobrando o valor da portaria, que o Governo pagasse aquilo. Para o anistiado começar a receber o valor do termo de adesão, ele teria que, com o seu advogado, solicitar a decisão de desistir da ação, juntar a decisão homologada ao termo de adesão e encaminhar à sua Força. A Marinha começou a confundir o que diz a Lei 11.354, que manda o anistiado renunciar ao que está no Judiciário, com ações no Judiciário que pleiteiam outros direitos, por exemplo, promoções que não foram reconhecidas pela Comissão de Anistia. Outra coisa, a oficialidade, em cada organização militar, se arvora o direito de interpretação da lei, quando na verdade deveria cumprir as decisões da Comissão de Anistia e as portarias assinadas pelo Ministro da Justiça. Tenentes, capitães-de16 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 mar-e-guerra da Marinha, no meu caso. De repente resolvem interpretar a lei e mandam que os subordinados cumpram aquilo, e o anistiado sofre com isso. As pensões militares na Marinha não estão obedecendo o que determina a lei que ampara os beneficiários das pensões militares. Uma outra coisa que eu gostaria de dizer à Comissão também é o seguinte: esse ofício aqui determina que as organizações militares informem ao Ministério da Defesa e ao Planejamento a verba que foi destinada ao pagamento de anistiados; que seja feito um balancete mensalmente e encaminhado aos Ministérios envolvidos no caso da anistia. Ou seja, Defesa e Planejamento. Isso nunca apareceu. Nós não sabemos onde anda a verba que o Planejamento manda para o Ministério da Defesa. Isso é muito sério e nós precisamos saber disso. E finalmente eu gostaria de solicitar, ou sugerir, aos membros desta Comissão que convidassem para explicar essas irregularidades apontadas aqui — que estão na lei, e que simplesmente as Forças Armadas não cumprem, inclusive a Marinha — as pessoas, no meu entender, da Marinha que pudessem dar explicações à Comissão. Inicialmente o Diretor de Pessoal Militar da Marinha e o Diretor de Pagadoria de Inativos da Marinha. Tem um outro assunto que eu gostaria de abordar rapidamente. O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - Guimarães, você tem o nome dos 2? Você tem os nomes dessas pessoas? O SR. JOÃO GUIMARÃES SANTANA - Não tenho, mas posso lhe fornecer depois. O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - Forneça-me, por favor. O SR. JOÃO GUIMARÃES SANTANA - O ofício eu vou deixar com a Comissão, porque é um documento orientativo e que eles desrespeitam. Foi mandado para eles. Está aqui o nome do almirante que recebeu esse documento: é Afonso Barbosa, Diretor de Pessoal Militar da Marinha, à época, em 2006. Isso foi engavetado, e nós só tomamos conhecimento através de outros caminhos. Eles estão mandando carta também aos militares. Tem que assinar termo de adesão. Tem uma carta aqui que me foi cedida, em que o Serviço de Inativos e Pensionistas da Marinha informa ao rapaz que não certifica o termo de adesão dele porque com o cálculo que existe na Portaria, a Marinha não concorda. E devolve 17 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 simplesmente os autos à Defesa, para que a Defesa encaminhe à Comissão de Anistia e a Comissão de Anistia confirme um ato de Ministro de Estado. Quer dizer, a coisa virou de cabeça para baixo. O Paulo Abrão agora tem que confirmar agora um ato de um Ministro que já saiu da gestão: Márcio Thomaz Bastos. Quer dizer, um ato do Ministro Thomaz Bastos que o Paulo Abrão tem que confirmar, e não tem autoridade para isso. Então, o que nós precisamos é que os militares, de uma vez por todas, se enquadrem dentro da vida democrática. E graças a Deus, graças a essa democracia que está ainda engatinhando nós estamos aqui reunidos; graças a esta Casa nós podemos estar conversando com os legítimos representantes do povo. E é em vocês que nós confiramos. É em vocês que nós confiamos. (Palmas.) A nossa sorte está aqui dentro; o nosso destino está entregue aos Deputados e aos Senadores desta Casa. E os militares precisam de uma vez por todas se enquadrar na lei, respeitar a lei e o Estado Democrático de Direito. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Nós agradecemos ao Sr. João Guimarães Santana. O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - Sr. Presidente, O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Pois não, Relator. O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - Sr. Presidente, eu queria solicitar ao João Guimarães, além dos 2 nomes, a cessão dos documentos e o requerimento das solicitações para ser subscrito por esta Comissão para encaminhar à Anistia. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Passamos a palavra a Adelino Ribeiro Chaves. O SR. ADELINO RIBEIRO CHAVES - Sr. Presidente, Deputado Arnaldo Faria de Sá, nosso interlocutor nessas situações há muitos anos, Srs. Deputados, meus companheiros e companheiras presentes. Companheiros, eu quero dar complementação às palavras do nosso companheiro Raimundo, lá da Bahia, da ABRASPET, porque nós temos duas questões lá na PETROBRAS: há os companheiros de 1983 e os companheiros de 1964, ainda. Nós sabemos que os companheiros de 64, na maioria, já solucionaram seus problemas. O que resta é 18 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 muito pouco. Sr. Presidente, mas esses problemas de muitos poucos já foram julgados e faz quase 2 anos que esses requerentes esperam a assinatura das portarias. São pessoas cujos processos foram parados porque, no início de 2007, o Sr. Presidente, Dr. Paulo Abrão, disse que os requerimentos da PETROBRAS iriam ficar parados porque a Comissão decidiu fazer as reuniões temáticas. Viemos saber dessa reunião temática somente em junho. E a reunião foi feita em 20 de dezembro. A BRASPETRO montou um documentário de 83. A ASTAPE, do Rio de Janeiro, montou um documentário de 64. Nós verificamos tudo o que tinha acontecido para mostrar à Comissão que realmente todas as questões da PETROBRAS tinham conotação política. Ao mostrarmos o documentário, foi-nos informado que, a partir de março, iriam dar andamento aos requerimentos do pessoal da PETROBRAS. Na última reunião que tivemos com o Dr. Paulo Abrão ele nos disse que talvez essas votações pudessem se dar de 2008 até 2010. Mas não havia uma data prevista para informarmos aos nossos companheiros a data do julgamento do requerimento. Sr. Presidente, digo isso porque temos viúvas. Há companheiros que já faleceram nesses anos em que o processo está se arrastando. Começamos isso na gestão do Dr. Calmon, que foi o primeiro Presidente da Comissão. Nós já estávamos com os requerimentos dos companheiros na Comissão. Depois veio o Dr. Paulino, que começou a fazer a maioria das votações. Em seguida, veio o Dr. Lavanére, que questionava a respeito dos requerimentos dos sindicalistas, dos companheiros que fizeram greve. Isso se arrastou para o Dr. Paulo Abrão. Companheiros, olhem só, os companheiros grevistas, sindicalistas, entraram com requerimento na mesma data, 2001. Os requerimentos foram jogados para escanteio. Ainda dizem que talvez que serão votados entre 2008 e 2010. Temos também as viúvas cujos requerimentos já foram aprovados, mas o Ministro da Justiça não assina a portaria utilizando o argumento que deve esperar as questões dos que serão anistiados. Mas há as viúvas que já tiveram os processos julgados e até hoje não são assinadas as portarias para essas companheiras receberem. Então eu queria colocar esses problemas. 19 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 E me coloco também a favor do questionamento do nosso companheiro Capitão Wilson, sobre a questão do Dr. Paulino. Seria muito importante a vinda do Dr. Paulino aqui para que ele apresentasse o conhecimento que ele tem sobre a anistia. (Palmas.) Também sou a favor das observações do nosso companheiro João Guimarães. Eu queria pedir a esta Comissão, ao Sr. Presidente e aos Srs. Deputados, que realmente se fizesse algo para que esse pessoal, pelo menos ao morrer, deixasse alguma coisa para suas famílias, porque já morreu o anistiando, já morreu a companheira do anistiando, e os filhos não vão ficar com nada porque seus processos não foram julgados. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Agradecemos ao Sr. Adelino. O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - Sr. Presidente, eu queria solicitar aos Sr. Adelino a mesma coisa que solicitei aos oradores que se manifestaram anteriormente, que ele apresentasse um requerimento à Comissão. E a sugestão de convocar o José Paulino também é uma boa sugestão. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - V.Exa. será atendido, nobre Relator. Com a palavra a Sr. Guarabira Pereira de Souza. O SR. ANTONIO CLÓVIS SANTOS COSTA - Sr. Presidente, eu gostaria de retificar esses dados, pois que agora eu sou o presidente da ANAPECT, que representa os anistiados dos Correios, segundo a Lei nº 10.559. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Antônio Clóvis Santos Costa. O SR. ANTONIO CLÓVIS SANTOS COSTA - Antonio Clóvis Santos Costa, substituo o Sr. Guarabira Pereira de Souza, que é o ex-presidente da nossa associação. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - V.Sa. está com a palavra. O SR. ANTONIO CLÓVIS SANTOS COSTA - Muito obrigado, Sr. Presidente, nobres Deputados. Esta é uma oportunidade ímpar que temos de expressar toda nossa mágoa, nossa revolta, porque nós dos Correios, quando fomos perseguidos pelos coronéis, 20 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 — éramos uma das empresas mais militarizadas —, nós sabíamos qual era o inimigo que estávamos enfrentando. E quando veio a chamada democracia, quando veio a luta pela anistia, nós enfrentamos um inimigo pior. Pelo menos na gestão do Dr. Marcelo Lavenère, os perseguidos políticos dos Correios sofreram muito mais do que nas mãos dos coronéis, porque ele nos colocou no banco dos réus em vez de colocar o Estado, em vez de colocar quem nos perseguiu. Ele nos deu uma esmola, dando uma anistia parcial como um favor, em uma portaria mal redigida, que causa problemas até hoje, inclusive para as viúvas, para os cônjuges. A portaria não especificou quais são os benefícios indiretos, e a ECT, como ainda tem o ranço da ditadura militar, resiste em aplicar a Lei nº 10.559 para atender aqueles companheiros que têm portarias publicadas, apegando-se na má redação da portaria. Cito como exemplo o caso de uma companheira da Bahia, viúva de um anistiado que já tem portaria publicada. Como na portaria não está dizendo "estender assistência médica para o cônjuge, seus dependentes menores e pais maiores de 65 anos", a companheira foi procurar o serviço médico na DR da Bahia, e a DR disse que não tinha autorização para estender a assistência médica à viúva de um anistiado político. Isso tudo eu atribuo à gestão do Dr. Marcelo Lavenère, que foi quem mais prejudicou os perseguidos políticos dos Correios. Chegou ao absurdo de, ao julgar o processo de uma companheira anistiada, que já estava aposentada pelo INSS por lesões causadas por pressão que a empresa causou a ela, considerou que ela estava devendo ao Estado. Afirmou que, como ela tinha que receber um salário mínimo pela anistia, mas ela recebia mais de 1 salário mínimo pelo INSS, ela ficara devendo ao Estado. Vejam só a barbaridade que a gestão passada cometeu contra o pessoal dos Correios. Os benefícios indiretos que nós temos é assistência médica, valealimentação, vale-cesta. Tudo isso teria que ser estendido aos anistiados políticos, mas, como isso não está especificado na portaria, nós estamos sem receber. Nós participamos da temática, convocados pelo Dr. Abrão. Apresentamos todas as justificativas, o memorial, que está aqui e que vou entregar à Mesa, 21 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 colocando a nefasta tese que a ex-presidenta da Comissão aplicou em cima dos perseguidos dos Correios. Companheiros Deputados e Deputadas, vou entregar o memorial em que os senhores vão encontrar a matéria da ISTOÉ, relatando que o SNI ficava nas instalações principais da ECT, onde os carteiros, os ecetistas eram vigiados 24 horas por dia. Chegaram ao absurdo de aprisionar carteiros em banheiros, em subsolos para averiguar se eles estavam recebendo correspondência de exilados políticos de fora do País. E aqui está o memorial, apresentando toda a perseguição política que sofremos, inclusive fomos enquadrados pelo SNI como grevistas, terroristas, cutistas, petistas, comunistas, e emprego nós não arrumávamos. Com uma ficha dessa não arrumávamos emprego em lugar nenhum. E ainda fomos questionados na Comissão de Anistia, na gestão do Marcelo Lavenère, e colocados no banco dos réus. Quem tinha de ser julgado ali era o Estado, e não nós que fomos perseguidos com todas as provas cabais. Trouxe aqui um exemplo claro do desrespeito praticado contra os perseguidos políticos dos Correios. Lá nós temos um benefício chamado anuênio, que corresponde 1% do salário de cada ano trabalhado, ao qual tem direito o servidor da ativa. Eu retornei à empresa, através do art. 8º, mas fui colocado na geladeira até hoje. Aliás, hoje não, porque no Governo Lula eu tive uma ascensão, mas até antes disso fui colocado na geladeira e perdi todos os benefícios e todas as promoções. Agora, com a Lei da Anistia, eu requeri à ECT, só para fazer um teste, que me fossem concedidos 7 anuênios nos meus vencimentos, que corresponde ao período que fiquei afastado, demitido. A ECT respondeu claramente com segurança que não aplicaria, porque eu tenho de procurar o Ministério do Planejamento. Na portaria o Ministério do Planejamento não me dá 7 anuênios em cima do vencimento da ECT, mas me dá em cima do salário mínimo que eu recebo da anistia que o Marcelo Lavenère me concedeu. Então, companheiros e companheiras, Sras. e Srs. Deputados, esse é o meu desabafo. Não sei se contribuí, mas eu gostaria de passar esses dados à Mesa, ao Relator e ao Presidente e atualizar os dados como representante da Lei nº 10.559, dos perseguidos políticos dos Correios. Agora sou o Antônio Clóvis Santos Costa. Muito obrigado. (Palmas.) 22 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Agradecemos ao Sr. Antônio Clóvis Costa e passamos a palavra ao Sr. Raimundo Porfírio Costa. O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - Além de receber os documentos do Antônio Clóvis, eu gostaria que ele fizesse um requerimento dessas questões levantadas para que a Comissão encaminhasse à Comissão de Anistia. O SR. ANTÔNIO CLÓVIS SANTOS COSTA - Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Com a palavra o Sr. Raimundo Porfírio Costa. O SR. RAIMUNDO PORFÍRIO COSTA - Sr. Presidente, Sr. Deputado Arnaldo Faria de Sá e demais Deputados, meus cumprimentos. Eu sou um daqueles marinheiros de 1964, portanto venho aqui em nome dos marinheiros. Eu fiz e faço parte ainda da base da pirâmide, quer dizer, das pessoas dentro da Anistia mais discriminadas. Tenho aqui em mãos esse relatório organizado pelo Capitão Wilson, com muita eficiência, e vejo aqui que a Comissão está ignorando o art. 8º do ADCT, a Lei nº 10.559. Nós, os marinheiros, temos um quadro de oficial auxiliar, que foi criado pela Marinha em 1938 exclusivamente para praças. Na época, em 1964, a Marinha colocou na rua 1.509 marinheiros, segundo seu relatório. Mas como eu sou um velha guarda já calejado e conheço tudo lá dentro, na minha concepção, porque eu fiz parte de todos os movimentos, nós temos mais de 3 mil que ficaram fora da anistia. A verdade é essa. Ocorre que, se não ficamos lá, não temos direito ao acesso a esse quadro de oficial. Como esse art. 8º diz “asseguradas as promoções na inatividade, no cargo, emprego, posto ou graduação”, para jornalistas, para outras categorias, que incluem celebridade, esse artigo é cumprido. O próprio Presidente da Comissão, Dr. Paulo Abrão, em várias entrevistas a jornalistas, tem dito isso. Por que ele dá tanto dinheiro ao jornalista tal, tal? Por que ele vai recebe essa benesse da Comissão de Anistia? Paulo Abrão diz: “É porque ele tem direito às promoções que ele teria se tivesse permanecido na ativa”. Nós, os marinheiros, não tivemos direito a essa promoção, salvo os oficiais. Os oficiais têm direito a essa promoção. Eles têm. 23 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 Falou-se muito aqui no Calmon. Ele tinha como conselheiro, tinha um representante do Ministério da Defesa, que era o Dr. Camilo. Este reconhecia esse direito e chegou a promover um marinheiro a capitão-de-fragata, o único na Comissão de Anistia. Esse marinheiro inclusive reside até aqui, em Brasília. O Judiciário dá a todos aqueles que recorrem a ele, desde grumete a cabo, porque, para ter esse direito, é claro, você fazia a sua carreira normal — terceiro sargento, segundo sargento —, fazia o curso e tinha direito de acesso ao quadro de oficial auxiliar. Se eu não fiz isto é porque eu não estava lá, porque me mandaram embora e não me deram esse direito a acessar a esse quadro. Já foram diversos documentos para a própria Comissão. A Comissão tem conhecimento disso. Abordei esse assunto, há 2 meses, com o Dr. Paulo Abrão. Ele falou para mim: “Porfírio, o que você fala tem fundamento. Apenas não pudemos cumprir isso porque aí seria um absurdo. Existe um entendimento aqui, desde o Dr. Lavanère. E quando há esse entendimento, isso é igual a um tribunal: houve um entendimento, e ninguém pode quebrar. Portanto, nós não podemos cumprir isso”. Eu gostaria que os Srs. Deputados tomasse conhecimento disso e vissem que isso é uma bruta discriminação àqueles que são inferiores. O direito é dado só aos superiores. Obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Agradecemos ao Sr. Raimundo. Passamos imediatamente a palavra à Rosa Maria Barros. O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - Eu queria pedir ao Porfírio também que fizesse, da mesma maneira, a solicitação, por escrito, à Comissão, das dúvidas e dos problemas, para que a Comissão encampe o requerimento. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Sra. Rosa. A SRA. ROSA MARIA MONTENEGRO DE BARROS - Sr. Presidente, demais Parlamentares, eu queria fazer um pleito inicial, respeitoso, que seria estender o nosso tempo de 3 minutos para mais um pouquinho, porque vai-se começar a falar sobre a Lei de Anistia, e eu gostaria de que essa nossa falação não ficasse concentrada na minha pessoa. Democraticamente, eu queria abrir o meu 24 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 tempo para outros companheiros, inclusive representantes sindicais, que aqui estão presentes. Então, como nós tivemos cerca de 7 pessoas ou mais falando sobre a Lei nº 10.559, acho que seria justo que nós tivéssemos o nosso tempo um pouquinho majorado, para que pelo menos umas 4 ou 5 pessoas falassem sobre a Lei nº 8.878. Poderia ser revisto isso, por favor? O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Sra. Rosa Maria Montenegro de Barros, já se iniciou a Ordem do Dia. Infelizmente, não é possível estender além do horário regimental. Pelo Regimento, teríamos que encerrar imediatamente a audiência. A SRA. ROSA MARIA MONTENEGRO DE BARROS - Quero cumprimentar... O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Vamos continuar, até que todos os convidados possam ter oportunidade de falar, assim como os Deputados que estão inscritos. Sabemos de mais de uma dezena de representações, de entidades, que estão interessadas em contribuir com este debate. Em oportunidade seguinte, vamos convidar as demais entidades, para a oportunidade de, no mesmo tempo, com a mesma reflexão, manifestar aqui suas opiniões. O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - Sr. Presidente, quero sugerir, dentro da idéia de V.Exa., que as entidades que não falaram e que querem se manifestar dêem o nome da entidade à Mesa da Secretaria, que S.Exa. convoque outra audiência. Todos terão o direito de falar, ninguém vai ficar sem falar. (Palmas.) A SRA. ROSA MARIA MONTENEGRO DE BARROS - Muito bom, obrigada. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Concordando com o encaminhamento do Relator, após o encerramento da sessão, aqueles que desejarem ter a oportunidade de se manifestar na Comissão coloquem o nome aqui e serão providenciados requerimentos incluindo essas entidades. Pois não, nobre Deputado Claudio Cajado. O SR. DEPUTADO CLAUDIO CAJADO - Sr. Presidente, só uma observação. Como a apresentação que D. Rosa fez procede, já que é a última a expor suas idéias e não vamos deliberar nada — não sei se V.Exa. colocará em votação o requerimento que fiz nesta sessão —, porque enquanto não começar propriamente a 25 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 votação nominal, poderíamos levar um pouco mais. Enfim, V.Exa. poderia conceder pelo menos o dobro do tempo para S.Sa., que é a última. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - A Mesa tem sido tolerante, e continuará sendo assim. A SRA. ROSA MARIA MONTENEGRO DE BARROS - Obrigada. Sr. Presidente, Vice-Presidente, demais Parlamentares presentes, representantes sindicais, saúdo todos os companheiros anistiados da Lei nº 8.878. Em respeito ao próprio Deputado Claudio Cajado, que nos solicitou, lembro que a nossa lei foi promulgada em 1994. É importante registrar que, há 18 anos, os companheiros anistiados do Plano Collor sofrem esse calvário de não ter essa lei cumprida em sua integralidade. Foram banidos nossos direitos ao longo de 8 anos do Governo Fernando Henrique. É importante que se registre que ficamos num gueto empregatício social. Resgatamos a discussão a partir de 2003. Houve, em 2004, a Lei da Anistia, viabilizada por meio da Comissão Especial Interministerial, cujos resultados concretos ainda são extremamente acanhados, perto da demanda existente, entre 15 mil e 16 mil processos. Hoje, vamos dizer assim, a Comissão está caminhando, a partir de janeiro deste ano. Há, na realidade, um quadro atual de extrema dificuldade junto à Comissão Especial Interministerial. Visualizamos que existe a falta de infra-estrutura em termos de logística, recursos humanos, em termos administrativos, como técnico-jurídico. Vemos também a questão ampliada no que se refere à demanda de uma força-tarefa. Vejam bem, se, desde 2004, deveria ser implantada, ela sofreu percalços ao longo desse período. Não teve resultado concreto por conta de decisões do STJ, que cassaram a aplicabilidade da Lei nº 9.784, a questão decadencial. Sendo assim, foram 2 anos de prejuízo no avanço dessa questão da anistia e do retorno dos anistiados ao trabalho. Infelizmente, há que se convir que esse tempo, de 2 a 3 anos, tem de ser resgatado imediatamente. Para que isso aconteça, temos de fazer o cronograma de trás para frente. Ou seja, como vamos resgatar isso? Com gente nesta Comissão, com infra-estrutura. Por quê? Porque amparo legal, conforto jurídico, leis, este Congresso já expediu; o Governo, outros 26 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 tantos decretos. A AGU expediu um parecer que dá toda a condição, para que a CEI implemente o resgate dessas anistias cassadas ao longo do Governo FHC. Então, o grande pleito dos anistiados hoje é celeridade e fazer com que os anistiados que tenham suas anistias restabelecidas voltem efetivamente a trabalhar, não importando a condição de trabalho, se a empresa está concedida, privatizada, incorporada. O anistiado teve o benemérito de uma lei de anistia, ele teve o perdão, que não é favor. Como diz o próprio parecer da AGU, o anistiado não está recebendo nenhuma benesse do Estado, nenhum favor; o anistiado está recebendo a recondução de sua civilidade enquanto brasileiro deposto de seu programa de trabalho, de seu emprego original, de maneira arbitrária, cruel, absolutamente persecutória. Está aí a Vale do Rio Doce com vários trabalhadores à margem; estão aí empregados da DATAMEC, dos Correios, da DATAPREV e outros tantos, que tiveram, inclusive, a anistia mantida e que sequer voltam. Os companheiros da FAEPE, aqui postos, à beira de sair do Governo de novo, porque há o entendimento equivocado de que a anistia não se aplica a eles. Caro Presidente, a Lei nº 8.878 tem todo o carinho dos Parlamentares do Congresso. Gostaríamos de ter um tempo maior, para melhor apresentar nossa discussão, com os companheiros de outras entidades. Estamos falando em nome dos companheiros anistiados, mas não somos os únicos que os representam. O momento, Srs. Deputados, não é de denúncia. O momento hoje para nós é de fazer acontecer, de vontade, porque denúncia só leva a atrapalhar o processo. (Palmas.) Fomos e somos vitimados por uma denúncia de 1994, quando a anistia foi outorgada pela CEA/SAF. Por denuncismos, estamos amargando há 14 anos esse sofrimento. Hoje, pedimos aos Srs. Parlamentares, que com certeza estão conosco nesse processo, que façam uma visita à CEI, conversem com sua Presidente. Já que ela não esteve aqui, que vão até lá, se for possível. Respeitosamente encaminhamos. Que façam uma avaliação, Sr. Presidente, Srs. Deputados, de como é necessário esse reforço (palmas); que tenhamos nossa dignidade restabelecida, e que tão logo nossas anistias estejam realmente reconduzidas por um processo deliberativo da CEI, efetivamente as pessoas voltem ao trabalho. Não é possível que haja 100 27 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 pessoas com a anistia restabelecida pela CEI e de lá voltem apenas 10. Que critério é esse? De 100 pessoas, 90 ficam de fora. O Estado tem essa dívida social para com esses trabalhadores, que foram arrancados de seus empregos. Não há discriminação a fazer com relação a qualquer segmento ou categoria de anistiados, quer sejam eles urbanitários, quer sejam eles do segmento dos Correios, do segmento de informática, da Administração Pública Direta, celetistas. Eles foram simplesmente vitimados por um Governo, em 1990 — cujo responsável está anistiado no nosso Congresso Nacional —, irresponsável, que tirou a anistia desses milhares de trabalhadores. Há mais de 100 mil pessoas na circunvizinhança desse processo. A lei foi outorgada, sancionada em 1994 — naquele período, maio de 1994 até dezembro, conseguimos tirar mais de 50 mil anistias —, e não é possível que agora não tenhamos condição de reconduzir, neste nosso Governo ainda, todo esse grupamento para dentro dos postos de trabalho. Obrigada. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Agradecemos à Sra. Rosa Barros e passamos às intervenções dos Srs. Deputados. A preferência é para o Deputado Arnaldo Faria de Sá, mas S.Exa. teve que se ausentar um pouco. Passo imediatamente a palavra ao Sr. Deputado Tarcísio Zimmermann, que terá o tempo de até 5 minutos. O SR. DEPUTADO TARCÍSIO ZIMMERMANN - Boa-tarde, meu caro Deputado Daniel Almeida, Presidente desta Comissão Especial, nobres Deputados aqui presentes, todos os representantes das entidades que representam os anistiados. Em primeiro lugar, quero registrar o respeito que temos nesta Comissão Especial pela luta de todos os anistiados. Esta Comissão foi constituída com o objetivo de que nós possamos efetivamente avançar na plenitude dos direitos que essas leis propõem para os atingidos. Então, esta audiência pública proposta tem, na verdade, o objetivo de fazer uma espécie de um inventário das necessidades, um inventário dos problemas, daquilo que nós vamos trabalhar a partir dela, tanto a Comissão 28 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 Especial, quanto a Comissão de Anistia, quanto, enfim, as autoridades das mais diferentes esferas. Do que ouvimos aqui, Sr. Presidente, Deputado Daniel Almeida, ficou claro que existe, dentro do Estado brasileiro, um preconceito contra os anistiados; existe, dentro do Estado brasileiro, uma tentativa — eu diria — meio sorrateira e permanente de frustar os direitos dos anistiados. Há pouco, procurava-me aqui um companheiro dos Correios — e está aqui o Deputado Paulo Rocha, que é autor de 2 leis que garantiram anistia a carteiros —, que me trazia um levantamento das pendências, e uma delas é algo realmente assustador. Tivemos uma audiência aqui, creio que há 1 ano, mais ou menos, com a direção da ECT, em que uma das denúncias era de que a direção da ECT impunha um acordo segundo o qual os trabalhadores abriam mão de 50% dos seus direitos para poder receber os outros 50%. O Estado brasileiro faz isso. É evidente, e tenho certeza, que o Presidente Lula não tem conhecimento de uma barbaridade como essa. Esse é um exemplo do tipo de artifício utilizado para procrastinar, para inviabilizar, enfim, não dar plena quitação de um direito que deveria ser dos mais sagrados da democracia brasileira, que é efetivamente uma das leis, talvez, mais simbólicas do período da redemocratização. Sr. Presidente, eu tenho defendido a idéia de que façamos, depois da próxima audiência pública, uma divisão da Comissão em vários grupos de trabalho, que possam acompanhar e estabelecer uma efetiva apropriação, em cada um desses órgãos, enfim, uma comissão que acompanhe e que, vamos dizer, trabalhe no sentido de superar obstáculos. Há situações aqui que, certamente, tornadas públicas, representam escândalos. Esta, por exemplo, dos Correios, é um escândalo: um autoridade tenta impor um tipo de constrangimento a um trabalhador que teve um direito suprimido, que foi reconhecido por uma lei votada nesta Casa, sancionada pelo Presidente da República. E um burocrata, de quinta categoria, se acha no direito de estabelecer um tipo de constrangimento como esse. Creio que isto se repete em todos os órgãos. Quero insistir com essa idéia, Sr. Presidente. Acho que, digamos, este mosaico aqui, que nos foi apresentado, de demandas, de pendências, de problemas, 29 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 só terá solução se nós tivermos esse trabalho paciencioso e decidido. Paciencioso, decidido e dedicado de a Comissão ir aos órgãos, fazer um acompanhamento, talvez, semanal, a fim de saber qual foi o resultado da semana que passou. Quer dizer, saber o que andou, quantas portarias foram emitidas, quantos processos foram analisados, que pendências foram efetivamente superadas. Se fizermos isso, talvez possamos alcançar esse objetivo. Leis votadas, como esta do Plano Collor, em 1994, e nós discutindo em 2008, não é possível, é um atestado de irresponsabilidade pública à sociedade brasileira. Sr. Presidente, proponho que, depois da próxima audiência pública, formemos esses grupos, para buscar capacidade de apropriação dos temas e de efetivamente pugnar pela solução dessas pendências que foram apresentadas. Acho que o grito aqui de socorro, o grito de desespero que foi emitido por várias representações não pode simplesmente passar por aqui. Ele tem que ecoar e tem de ser assimilado por todos nós, pela gravidade do que representa a omissão indesculpável do Estado brasileiro com os anistiados. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Agradecemos ao Deputado Tarcísio Zimmermann. Passamos a palavra ao Relator, Deputado Arnaldo Faria de Sá. O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, senhores representantes das diversas entidades de anistiados, senhores que aguardam a anistia ansiosamente e que estão aqui presentes. O Deputado Tarcísio Zimmermann foi quem lutou pela instalação desta Comissão e declinou da indicação da Presidência para a relatoria, permitindo que o Deputado Daniel Almeida e eu estivéssemos aqui nesta condição. Na verdade, nós estamos meramente como coadjuvantes de um conjunto de Parlamentares que querem, sim, buscar a solução definitiva dessa questão da anistia. Todas as vezes em que o Congresso Nacional cobra da Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça, do Ministério da Defesa, do Ministério do Planejamento, do Governo, enfim, uma atuação diferente daquela que está acontecendo, cobra a estranheza da postura do Tribunal de Contas da União, que deveria estar preocupado com outras coisas e não com os anistiados, nós acabamos vendo que começam aquelas ondas: Ah! Anistias milionárias estão sendo concedidas. É 30 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 impressionante. Basta tentarmos alguma coisa, e vem a contra-ofensiva no sentido de tentar nos calar, mas não irão conseguir. Nós vamos cobrar de quem quer que seja aquilo que está aprovado na lei. Nenhum de vocês está pedindo nada além do que está na lei. Só o que está lei. E sabemos que a lei já é mínima, infelizmente não atende àquilo que deveria atender. Tenho certeza de que aqueles reclamos feitos aqui hoje, na verdade, não se referem a um problema particular. Há reclamo por algo coletivo, do conjunto da sociedade, não apenas dos militares, dos civis, da PETROBRAS, dos Correios, dos metalúrgicos, dos demitidos do Plano Collor. Sabemos o que querem todos aqueles que vêm aqui reclamar, mas lamentavelmente a má vontade é muito grande. A própria representante da Comissão Especial de Anistia que estava convidada para hoje vem com uma carta estapafúrdia dizendo que não vai comparecer porque não está à sua altura. Vamos ter de convocar, vai ter de vir na marra aqui. (Palmas.) Na verdade, o que os senhores estão reclamando é mais do que justo. Sabemos que lamentavelmente — e não quero dizer que há essa intenção política — a burocracia quer empurrar com a barriga e não quer solução nenhuma: quer que vocês morram para ficar mais barato. (Palmas.) Portanto, esta Comissão Especial, da lavra do Deputado Tarcísio Zimmermann, é extremamente importante. Tenho certeza da condução do Deputado Daniel Almeida, e nós vamos buscar resposta onde precisar. Aqueles que não tiveram oportunidade de falar hoje falarão em uma outra reunião. E depois, se precisar, ir lá na Comissão de Anistia falar com o Paulo Abrão, ir lá no Ministério da Justiça falar com o Ministro Tarso Genro, ir no Ministério da Defesa falar com o Ministro Nelson Jobim, ir no Ministério do Planejamento falar com o Ministro Paulo Bernardo, com quem tiver que falar: chega! É preciso dar um basta, porque a anistia já tarda. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Obrigado, nobre Relator. Passamos a palavra ao Deputado Fernando Lopes. O SR. DEPUTADO FERNANDO LOPES - Sr. Presidente, Sr. Relator, todos que participam desta audiência pública, por tudo que nós estamos vendo já nessas primeiras reuniões, verificamos que há um cipoal de escapatórias, de bloqueios, de 31 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 tentativas de impedir que efetivamente a anistia ocorra. Mas eu acho que no meio desse cipoal há algumas condutas que nós vamos poder identificar como repetidas. Temos de, no momento em que identificamos esses problemas, ver que iniciativas podem ser tomadas em conjunto e já. Por exemplo, por que não o Ministro da Defesa disciplinar para todas as 3 Forças as regras que têm de ser seguidas nessa análise e o respeito àqueles direitos que estão sendo sonegados? Nada impede que ele faça isso, ele é o Ministro da Defesa. (Palmas.) Vamos ver onde se chega de forma que dispense modificações legais. Todos nós sabemos que isso é complicado. Eu acho que aí, sim, é possível. Outras alegações envolvem o Ministério do Planejamento. Elas certamente vão se repetir. Deve-se procurar fazer a mesma coisa no âmbito do Ministério do Planejamento. Com relação às portarias da Comissão de Anistia, como nós estamos vendo aqui, vários direitos são negados porque não consta delas a decisão. Pode-se normatizar aquilo que deve obrigatoriamente constar das portarias relativamente aos beneficiários, à contagem de tempo de serviço na especificidade de cada caso, padronizar para que essas alegações deixem de existir para frente, embora tenham que ser solucionados os casos anteriores. O burocrata, disse bem o Deputado Tarcísio Zimmermann, vem de um órgão qualquer, e como ali na portaria não consta que determinado direito vale dessa ou daquela maneira, ele não vai fazer, porque amanhã alguém pode acusá-lo de prevaricação em um processo qualquer e dizer que ele está concedendo vantagens julgadas indevidas. Tanta gente julga indevido o que é acolhido pela lei. Então, se ele não tiver uma cobertura, não vai fazer. Temos que ver a forma da cobertura. Todos os Tribunais de Contas nos Estados apreciam os processos de aposentadorias dos Estados, funcionários estaduais; o Tribunal de Contas da União, aprecia os da União. Por quê? Porque nesse caso a lei esqueceu de excepcionalizar esse tipo particular de aposentadoria. Então, ele segue o ritmo normal, como se fosse um funcionário que completou seus 30, 35 anos e vai ser aquele processo examinado, para ver se cabe a incorporação, se cabe isso, se cabe aquilo. As normas foram excepcionais para as decisões ao abrigo da Lei de Anistia. 32 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 Essa regra normal tem que sair do caminho, e só vai sair do caminho por uma excepcionalização legislativa. Acho que o Tribunal de Contas não vai ser enquadrado por Comissão nenhuma sem uma decisão maior que esclareça a questão. Nunca devemos perder aqui, até pela urgência, o sentido da objetividade. Devemos procurar agrupar todas essas questões, o que for possível ser resolvido ou cobrado de uma maneira no Ministério. Aí, sim, se não houver acolhida, vamos elaborar um projeto que normatize isso e propor à Casa, naquilo que for o caso, evitando ao máximo, porque sabemos que vem uma lei, vem outra e outra, e elas são sucessivamente soterradas. O processo legislativo é muito complicado. Às vezes, numa casa legislativa, ao se aprovar um projeto de lei, todos sabem que aquilo é ambíguo, que vai haver questionamento no futuro, mas é o consenso possível, e aí passa a ambigüidade e se joga o problema para frente. Não podemos mais fazer isso aqui. Temos de ser absolutamente precisos em tudo aquilo que formos fazer, seja em portarias de Ministério, seja em alguma iniciativa legislativa, especificamente no caso do TCU. Acompanho a preocupação do Deputado Tarcísio Zimmermann de setorizar esses acompanhamentos, a busca de soluções. Mas que a setorização não nos impeça de ver um padrão geral de conduta. Porque a burocracia sempre procura o mesmo amparo mais ou menos nas mesmas questões. Vamos ver um padrão comum de conduta e procurar também, nos diversos setores, trabalhar com esse padrão, porque isso reforça a nossa atuação. Para completar, quero lembrar que hoje também nós não ouvimos representantes de funcionários civis amparados pela Lei nº 10.559. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Obrigado, Deputado Fernando Lopes. Passamos a palavra ao Deputado Claudio Cajado. O SR. DEPUTADO CLAUDIO CAJADO - Sr. Presidente, Sr. Relator, senhoras e senhores convidados, parece coincidência: hoje há uma reportagem na Folha de S.Paulo: Estados deram indenizações a 2.272 vítimas da ditadura. E 33 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 expõe, além do Governo Federal, alguns Estados que têm concedido também, pelas suas respectivas leis estaduais. Fico satisfeito e, ao mesmo tempo, insatisfeito por verificar, na reportagem, que o Governo Federal diz que já desembolsou 93 milhões de reais de indenizações e que prevê o desembolso de mais 2 bilhões e 800 milhões de reais. Ou seja, o problema não é de caixa. E se o problema não é de caixa e isso está previsto no Orçamento, nós temos é que fazer 2 coisas na minha opinião. Primeiro, pela síntese do que foi exposto, nós precisamos de informações. Essa Comissão Especial Interministerial é uma caixa-preta. As informações que vários expositores fizeram não têm... Primeiro, a todo cidadão é resguardado o direito constitucional de, requerendo a informação de um órgão público, se não for de caráter sigiloso, obtê-la, inclusive através de certidão. Ora, as associações representativas da sociedade, legitimamente, solicitam informações e não as têm. Por que isso? Precisamos não apenas convidar as pessoas que estão imbuídas do poder decisório, como, também, hierarquicamente, os Ministros de Estado. Acho que precisamos chegar lá, vamos ter que chamar os Ministros para desvendar o que está ocorrendo. Também precisamos de celeridade, porque essas informações não podem ficar a cargo unicamente de determinados órgãos, comissão ou Ministério. Elas são da sociedade também. Não é possível que a lei tenha sido aprovada há 12 anos, e os processos não consigam ter celeridade, pelo menos em alguns casos. Em outros, vemos que há celeridade. Apresentei um requerimento de informações, com base inclusive nesta reportagem da Folha de S.Paulo. E gostaria que V.Exa., Presidente, o colocasse em votação, assim como um convite para que a Sub-Procuradora da República venha também dar a sua contribuição a esta Comissão, falando a respeito do ponto de vista do Ministério Público Federal, do que ele tem feito em relação a essas questões dos anistiados. O Ministério Público tem por obrigação constitucional fiscalizar a aplicação da lei e não apenas, quando demandado, dar sua posição. Espero que possamos aprovar, porque precisamos chamar a esta Casa o Ministério Público, não apenas para fiscalizar a aplicação, como para ver se os 34 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 entraves que ocorrem não venham a ser promovidos por meio do MPF à agilidade necessária. Fico muito tranqüilo, porque acompanho a questão já há muitos anos. Fico feliz por termos dado passos importantes quanto à agilidade de alguns processo. Sr. Presidente, devo dizer a todos os expositores presentes que não pensem que esta Comissão não vai dar em nada. Estejam certos de que nós, como fizemos no passado, promoveremos os entraves. (Palmas.) Penso que nosso foco não pode ser perdido. O nosso foco deve ser abrir as informações e tornar célere a aplicação das 4 leis de anistia que votamos nesta Casa e exigimos que sejam aplicadas. Pelo que percebo, diante de todos os colegas com assento na Comissão, somos pluripartidários. Não há uma bandeira do Governo ou da oposição. Há, sim, uma bandeira da justiça àqueles que foram sacrificados e indevidamente punidos, profissional e pessoalmente, por atos arbitrários do Governo. Temos essa responsabilidade, e, com certeza, a perseguiremos. Gostaria de obter apenas uma informação — segundo o que disse o Capitão José Wilson, e não sei se V.Exa. já leu a reportagem, tem o nome citado —, se há condições de nos informar qual é o valor médio das indenizações e das reparações mensais, ou seja, do pagamento mensal e das reparações indenizatórias. Não sei se têm o valor dessa média, ou se deveremos fazer a pergunta ao Governo, para que tenhamos um parâmetro do custo disso. Se se tratava de questão orçamentária — e eu pensava que era —, poderíamos ter dificuldade de desembolso. Contudo, pela reportagem, não o é, já que existem 4 bilhões e 800 milhões para serem liberados em indenização e reparações mensais. Se o entrave não é orçamentário e financeiro, qual é o problema? Deixo esta pergunta como última participação relativa à minha exposição. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida ) - Dando continuidade aos trabalhos — logo em seguida, passaremos a indagação ao Sr. José Wilson —, convido o Sr. Deputado Chico Abreu a se pronunciar. O SR. DEPUTADO CHICO ABREU - Sr. Presidente, Srs. Deputados, público presente, acho que este é um momento rico desta discussão, pois, inclusive, resgata um pouco o processo histórico do Brasil. 35 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 Serei breve, porque constam da Ordem do Dia de hoje a discussão e a aprovação da Medida Provisória nº 415, que proíbe a venda de bebidas alcoólicas às margens das rodovias federais brasileiras. Trago a V.Exas., Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, solicitação de um senhor, que procurou o meu chefe de gabinete. Nesse sentido, até assinei um ofício dirigido à Presidente da Caixa Econômica Federal, pedindo informações, que já foram solicitadas pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, em 2004. Élcio Lima de Oliveira trabalhou na Caixa Econômica Federal, de 1964 a 1969. Tenho em mãos uma série de certidões da própria Caixa Econômica Federal e da ABIN, comprovando o relato do Sr. Élcio, o seu trabalho na instituição no período referido. A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça solicitou à Caixa Econômica Federal o cálculo da sua progressão funcional na instituição em 2004. Contudo, até hoje, o processo — é o que se diz aqui — está parado, porque não foi respondida a solicitação da Caixa Econômica Federal. E pelo que consta, aqui, uma cópia da certidão emitida pela ABIN, que faz um relato da vida do Sr. Élcio, dizendo o seguinte: “Em abril de 1968, tomou partes nas manifestações estudantis, realizadas em João Pessoa, Paraíba, em virtude da morte do Estudante Édson Luís de Lima Souto, ocorrida na Cidade do Rio de Janeiro. Em maio de 1969, então aluno da Escola de Engenharia da Universidade Federal da Paraíba, foi proibido pelo Reitor da UFPB de se matricular, quando cursava o segundo ano de Engenharia, por tempo determinado de 2 anos. Tal punição foi embasada no art.2º, § 1º do Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968, e no Decreto-Lei nº 314, alterado pelo Decreto-Lei nº 510, de 20 de março de 1969. Ainda em 1969, era empregado da Caixa Econômica Federal da Paraíba, exercendo as funções de 36 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 Escriturário Nível nº 8, tendo sido afastado de suas funções em fins de janeiro desse mesmo ano.” Esse relato consta da Certidão da ABIN, mas a Caixa Econômica Federal não consegue responder a uma simples informação de cálculo de progressão funcional, para que o processo desse senhor possa tramitar na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Trata-se de um fato. Eu gostaria até de passar às suas mãos, Sr. Presidente, esta documentação, até para que V.Exa. e a Comissão oficialmente possam acompanhar o processo. Esse é um testemunho, mas quero dizer a todos os presentes que esta Comissão demonstra vontade e interesse de que esses fatos, conforme disse o Sr. Deputado Tarcísio Zimmermann, tenham celeridade, tenham o acompanhamento das entidades e da Câmara dos Deputados, da Comissão Especial de Anistia. Muito obrigado, Sr. Presidente. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Agradecemos ao Sr. Deputado Chico Abreu pela argumentação. Passamos a palavra à Sra. Deputada Janete Capiberibe. A SRA. DEPUTADA JANETE CAPIBERIBE - Sr. Deputado Daniel Almeida, Presidente da Comissão Especial da Anistia, Sr. Deputado Arnaldo Faria de Sá, Relator, Srs. Deputados, membros da Comissão Especial da Anistia, serei muito breve. Coloco-me à disposição desta Comissão para acompanhar, de acordo com a proposta do Sr. Deputado Tarcísio Zimmermann para diminuir a burocracia, ou seja, o caminho da chegada dos papéis, e irmos em busca destes, a fim de que vejamos um sonho realizado. Não é a primeira vez que participo de reunião desta natureza. Aqui não há crianças; há, sim, senhoras e senhores de cabelos brancos por terem seus direitos atendidos. Estou nesta luta, companheiras e companheiros, trabalhadoras e trabalhadores, anistiados da ditadura militar que não chegaram ainda a usufruir dos seus direitos por parte do Estado brasileiro. 37 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 Sou Deputada Federal eleita pelo Estado do Amapá — tão longe, que acho quase ninguém daqui foi ao meu Estado — na Fronteira com a Guiana Francesa, onde começa o Brasil. Exatamente de lá que vem a moção que tenho em mãos, assinada por 24 Deputados Estaduais, em apoio a 600 servidores do Amapá, que era Território, e que passaram a ter problema tão grave, que merece a atenção da Comissão, Deputado Daniel. A União, nas medidas provisórias editadas sobre o PDV, ofereceu vários incentivos a quem aderisse ao programa, fazendo promessas nas quais trabalhadores e trabalhadoras acreditaram porque são honestos, porque têm palavra. Mas a palavra do Estado não valeu, e aqui estão 600 servidores públicos do meu Estado. O canto da sereia foi a motivação política. O Deputado Arnaldo Faria de Sá tem razão. No meu Estado do Amapá, acompanhei muitos agricultores. Uma grande vilã desta história é a burocracia. Temos de quebrar essa burocracia que fez com que inúmeros trabalhadores rurais morressem uma semana antes de sair sua aposentadoria pelo FUNRURAL. Morreram sem ter usufruído de um benefício ao qual tinham direito aqueles que se foram, vítimas da burocracia, vítimas do descaso do Estado brasileiro para com seus cidadãos e cidadãs. Quero também emprestar minha voz ao Jorge Teixeira, da Companhia Vale do Rio Doce de Minas Gerais, demitido do Governo Collor. Ele diz que gostaria que houvesse transparência nos julgamentos da CEI e sugere que os julgamentos sejam abertos e não sigilosos. É claro. Tem de haver transparência. Não existe segredo nenhum na nossa vida, no que gerou aquele direito de anistia. Por que os julgamentos vão acontecer entre 4 paredes? Entre 4 paredes aconteciam os julgamentos quando a ABIN colocava a vida de companheiros e companheiras sob controle (palmas), antes que o Presidente Lula fosse eleito. Eram considerados subversivos até aqueles que lutavam pela eleição do Presidente Lula, desde a primeira vez em que ele foi candidato. Isso era subversão. Agora o Presidente Lula tem de agilizar esse processo. Companheiro Zarattini, conheci seu irmão no Chile, exilado político. A companheira lá é amiga do meu companheiro de exílio Tomás Tarquínio, que viveu uma vida inteira na França. Essas pessoas não têm aposentadoria hoje. Nenhuma 38 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 delas teve uma vida normal de estudo, uma vida trabalhista numa empresa em num Estado. Deputado Daniel, quero dizer da importância da Comissão Especial Lei da Anistia e me colocar à disposição. Chamem-me, eu quero dar minha contribuição para que a esperança que está estampada no rosto de todos e de todas aqui venha a se tornar realidade. Obrigada, companheiros. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Agradecemos à Deputada Janete Capiberibe. O Capitão Wilson foi indagado pelo Deputado Cláudio Cajado sobre a média das indenizações. Vou conceder-lhe 1 minuto para a manifestação. O SR. JOSÉ WILSON DA SILVA - Que saia justa! Sr. Deputado, quando saiu a primeira Lei de Anistia, segundo os entendidos e estudiosos da época, teriam passado pelos processos, denúncias, sindicâncias, cerca de 500 mil brasileiros. Roberto Ribeiro Martins tem lá 500 mil brasileiros, segundo o levantamento que o ajudou a escrever o livro Liberdade para os Brasileiros. Ele conta que 500 mil brasileiros passaram pelas delegacias ou enfrentaram processos em tribunais. Quanto à pergunta, não tenho condições de respondê-la exatamente, porque, no caso dos militares, há camadas, há grupos, faixas. Se supomos a faixa de cabos, em torno de 3 a 4 mil por pessoa. Foram anistiadas ou estão pendentes de anistia ou estão com os processos trancados 2.708. Suboficiais, em torno de 4 mil reais. Graduados que foram a oficial, e que não chegam a 400 pessoas — fazem um alarde dos diabos, e eles não chegam a 400 pessoas —, entre 7 e 8 mil reais hoje. Foram concedidos 6 mil, e hoje a indenização já está em 7 mil reais. Agora os civis. Segundo o que eu sei — os civis é que têm a palavra —, há muita gente anistiada recebendo mil e 2 mil reais nas escalas... Existe até uma forma de pagamento para quem ganha até 2 mil reais. Engenheiros, jornalistas... Muitas lideranças foram jogadas na rua, gente com profissão. Por exemplo, os petroleiros. Fizeram uma limpeza nos quadros de direção da PETROBRAS, que tinha profissionais de altíssimo gabarito. O salário deles estava lá em cima. Eles iriam se aposentar com o salário oficial mais um complemento. Creio que o salário 39 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão Especial - Lei da Anistia Número: 0495/08 COM REDAÇÃO FINAL Data: 23/04/2008 deles hoje, graduados nas estatais, autarquias, está em torno de 7 a 12 mil. Quem sabe alguns recebam 14 mil. Jornalistas, também em torno de 7 a 12 mil, mas recentemente anistiaram 20 no Rio de Janeiro com 4.336. É o que vai ser concedido agora. Jornalistas em final de carreira, aposentando-se depois de não sei quantos anos de serviço com quatro mil e pouco é meio esquisito, mas... Esse número eu não sei. São os dados, Sr. Presidente, de que eu tenho tido conhecimento. O SR. PRESIDENTE (Deputado Daniel Almeida) - Agradecemos ao Capitão Wilson. Deputado Cláudio Cajado, eu gostaria de solicitar a sua compreensão a respeito do requerimento. O Regimento determina que para votarmos matéria extrapauta precisamos de apoiamento e de votação nominal, o que não é mais possível em razão da falta de quorum. Eu gostaria que V.Exa. compreendesse que teremos de pautar o requerimento para a próxima sessão. Agradecemos a todos os convidados e pedimos desculpas pelo desconforto àqueles que tiveram de ficar de pé — a sala não teve capacidade para abrigar a todos. Nada mais havendo a tratar, vou encerrar a presente reunião, antes convocando a próxima reunião desta Comissão para o dia 30 de abril, às 14h, em plenário a ser posteriormente definido. Faremos uma audiência pública com a participação dos seguintes convidados: Sr. Nelson Jobim, Ministro da Defesa, Sr. Paulo Bernardo, Ministro do Planejamento, e Sr. Tarso Genro, Ministro da Justiça. Está encerrada a presente reunião. (Palmas.) 40