Revista da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores da Função Pública N.º2 – 5ª série – Julho 2007 FUNÇAO ~ Manif. Nacional 12 de Julho - 15h Marquês Pombal - AR Greve Geral foi um êxito ´ BENEFÍCIOS E TEMPOS LIVRES SINDICATO DOS TRABALHADORES DA FUNÇÃO PÚBLICA DO CENTRO O Sindicato tem vindo a desenvolver novos Protocolos e Acordos com entidades de vária natureza pelo que destacamos alguns dos muitos que poderás usufruir enquanto associado: Novos Protocolos/Acordos (Consulta a nossa página www.stfpcentro.pt ou contacta-nos para mais informações) - TMN- Telemóveis, onde poderás usufruir de um tarifário vantajoso nas chamadas para a rede TMN. - Lugar ao Sol- Promoção de Talonários para as Férias de Verão com preços de alojamento favoráveis. - Telemédia- Descontos na aquisição de material informático. - ISMAI- Instituto Superior da Maia- Descontos no pagamento de Propinas. - NORPSI- Entre outros benefícios possui descontos para a revalidação dos documentos de condução. Temos ainda um conjunto de Protocolos importantes com entidades Bancárias; Seguradoras e outras instituições que poderá consultar na nossa página de Internet. Centros de Novas Oportunidades (CRVCC) Equivalência Escolar a 4º/6º/9º e 12º Anos. O STFPCENTRO, tem vindo a assinar um conjunto de Protocolos com diversos Centros de Novas Oportunidades que irão iniciar em breve os processos de equivalência escolar para quem pretenda obter o 12º Ano. As inscrições para os processos de equivalência do 4º ao 9º anos encontram-se, desde já, abertas durante todo o ano. Quem estiver interessado em obter algum destes níveis de escolaridade deve entrar em contacto com o Sindicato onde daremos informações sobre como poderão proceder para se candidatarem a um destes Centros, ou proceder desde logo a uma pré-inscrição bastando para tal preencher o impresso que se encontra na nossa página www.stfpcentro.pt. SINDICATO DOS TRABALHADORES DA FUNÇÃO PÚBLICA DO NORTE A Viver e Sorrir, Lda – disponibilizará aos associados do STFPN, delegações de Braga e Viana do Castelo, um desconto de 5% na prestação de apoio domiciliário, nomeadamente nos serviços de: • Higiene Pessoal • Alimentação e Nutrição • Tarefas Domésticas • Companhia Pessoal • Acompanhamento ao exterior • Manutenção e Higiene do Lar • Tratamento de Roupa Qualquer esclarecimento adicional sobre os benefícios consagrados neste protocolo poderá ser prestado através do nº 253 281 345 - www.viveresorrir.pt ) Sinais Editorial Ponto de vista Destaques Entrevista Sectores Em Foco Opinião Açores Olhares Ócios factos que marcam os tempos basta de insultos governo recusa negociação vamos continuar a luta Manuel Carvalho da Silva incerteza e medo privatizar educação Alcides Teles; José Manuel e Artur Monteiro transferências sem opção propriedade e independência dos meios lazeres e serviços 4 5 6 8 11 15 24 26 29 30 31 N.º 2 • Julho 2007 Director: Ana Avoila; Coordenador de Redacção: Rui Raposo; Conselho de Redacção: Alcides Teles, Ana Avoila, Artur Monteiro, José Manuel Dias, Manuel Ramos, Natália Carvalho; Redacção e Design: Formiga Amarela, Textos e Ideias, Lda. ([email protected]); Fotografia: Gabinete de Informação da Federação e Formiga Amarela, Textos e Ideias, Lda. (José Frade); Paginação Electrónica, Pré-Impressão e Produção: Full Design ([email protected]); Propriedade: Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública – R. Rodrigues Sampaio, 138 – 3º, 1150-282 Lisboa – Tel: 21 317 24 80; Fax: 21 317 24 89 / 21315 28 20; Email:[email protected] – sítio da net: www.fnsfp.pt; Periodicidade: Quadrimestral; Tiragem: 72 mil exemplares; Depósito Legal: 3063/89; Distribuição gratuita aos sócios. Sinais O COLOSSAL ERRO IRAQUIANO Agora, parece que ninguém tem já dúvidas de que a intervenção militar no Iraque foi um erro colossal, assente numa mentira deliberada. A prole de Bush que mais defendeu a intervenção militar já quase toda caiu em desgraça. Só faltava Paul Wolfowitz, o presidente do Banco Mundial que pediu desculpas públicas pelo aumento e pela promoção concedidos a uma funcionária da instituição com quem mantinha uma relação amorosa, tendo reconhecido que cometeu um erro. Wolfowitz é um dos ideólogos do novo neoliberalismo e defendeu acerrimamente o ataque ao Iraque. Aliás, foi o próprio Bush que o empurrou para a presidência do Banco Mundial a despeito de a oposição ao seu nome ser grande. Ora, o caracter do homem fica agora revelado por este episódio pouco edificante. Ao invés de pedir a demissão, pede desculpas, mas agarra-se ao lugar. Logo ele, que afirmou ir combater a corrupção e o nepotismo na instituição. Enfim... já foi corrido. Enquanto isto se passa, morre gente no Iraque como nunca antes tinha acontecido e a situação humanitária é crítica. Mas, isso já deixou de ser notícia. O que é triste é a banalidade da morte deixar de ser notícia. Sinal menos ELOGIOS ENVENENADOS José Sócrates recebe elogios de uma série de gente. É claro que o líder do Governo arranjou um sarilho à oposição de direita que não sabe o que fazer, se bater palmas, se ficar calada, se inventar assim umas coisitas sem importância para disfarçar. Primeiro foi Cavaco, o presidente eleito contra o candidato, presumivelmente de esquerda, apoiado por Sócrates, que lhe fez um elogio rasgado. Mas, o que embaraçou mesmo o Partido Socialista, cuja maioria parlamentar suporta o Governo, foi o elogio de Nicolas Sarkozy, o candidato da direita tolerável para as presidenciais francesas. Le Pen era demasiado politicamente incorrecto. Sarkozy, que os especialistas consideram defender reformas bruscas e brutais, sem medo dos confrontos sociais, do modelo de protecção social do Estado tradicional francês, a meio da campanha, veio a Portugal e ficou “positivamente incrédulo com a reforma da Função Pública em Portugal”. Assim mesmo, com aspas, que é uma citação.Sarkozy ficou impressionado com a performance do português e não se sabe se vai usar a receita em França. A ver vamos. Só não se entende porque é que Sócrates ainda está filiado num partido que se chama Socialista. Pelo menos, Sarkozy não disfarça, derrotou a candidata que se reclamava da área socialista. FALTA REGULAMENTAR LEI DO ABORTO O Sim no referendo da Interrupção Voluntária da Gravidez foi uma vitória do bom senso, da liberdade e do desenvolvimento, entre outras coisas, e foi um momento de regozijo geral pelo modo como aconteceu. Agora, evidentemente, aguarda-se a regulamentação, que segundo notícias dos jornais está a ser feita essencialmente por médicos, com coordenação da Direcção Geral de Saúde. Os responsáveis garantem que os trabalhos estão a decorrer em bom ritmo e que a regulamentação estará cá fora em breve. Esperemos que sim porque as clínicas espanholas de Mérida e Badajós, que recebiam cerca de 4 mil portuguesas ano, ainda não baixaram a procura, o que quer dizer que as mulheres sem posses para esses “luxos” continuam a viver situações degradantes. Pelo menos, sabe-se que agora é só uma questão de tempo. Sinal mais O PROTESTO SAIU ÀS RUAS 12 de Outubro, 2 de Março, 25 de Abril, 1º de Maio e a Greve Geral de 30 de Maio ficaram como marcos na luta desenvolvida pelos trabalhadores contra esta política socratiana (não socrática, que esse era de outras eras). A movimentação dos trabalhadores foi imensa e calou os que julgavam já não haver capacidade de mobilização e que o povo andava adormecido e sem reacção. Responsável maior pela movimentação foi a Administração Pública, principal visada da afronta governamental. Foi essa capacidade de mobilização, os sinais crescentes de descontentamento entre a população e um protesto que já não morria na garganta, mas antes era gritado a plenos pulmões avenida abaixo que criaram as condições para uma Greve Geral, que deveria fazer o Governo travar e inverter o rumo. Os trabalhadores estão de parabéns. Editorial BASTA DE INSULTOS Por Ana Avoila A estabilidade de emprego é um factor estruturante das relações laborais na Administração Pública. No ataque despudorado que o Governo está a fazer às funções sociais do Estado, designadamente naquilo que é passível de gerar lucros, se entregue aos privados, o emprego público só podia ser alvo primordial. Os trabalhadores da Função Pública com o seu estatuto de emprego público são um obstáculo à destruição de serviços e à sua passagem para o privado de funções sociais que constituem direitos da população, conquistadas ao longo dos tempos e tidos como avanços sociais irreversíveis para uma sociedade que se deseja moderna e desenvolvida. A destruição dos vínculos públicos, factor que se ligava à natureza pública das funções exercidas, diferente nos seus fundamentos e finalidades das actividades do foro privado, está em curso. Ou seja, esse obstáculo está paulatinamente a ser removido. E se em matéria de estabilidade de emprego, a função pública poderia, aqui há uns anos, ser referência positiva de desenvolvimento a ser seguida por toda a sociedade, hoje essa referência está estilhaçada em nome de uma modernização que ninguém entende, uma vez que assenta em relações laborais mais próximas do século passado. Mas, as intenções governamentais vão agora mais longe: o A administração pública despedimento sem justa causa, meta ambicionada de todos vive no caos, na incerteza os patrões retrógrados e obtusos. A questão é que hoje a Administração Pública vive no caos, na incerteza e no medo. Não há serviço que melhore em tais e no medo. Não há serviço condições. Não há profissionais dedicados que resistam a que melhore em tais um clima destes. A chamada reforma da Administração Pública do Governo que visava a sua modernização, aumencondições. Não há to de eficácia e produtividade é uma mentira que só veio justificar um conjunto de medidas de desmantelamento sem nexo, transformando os trabalhadores de bodes expiatórios profissionais dedicados que de todos os males, acusando-os de malandros e absentistas, resistam a um clima destes a vítimas de medidas como a mobilidade especial, disponíveis, despedimentos e estagnação profissional. O Governo insultou e continua a insultar os trabalhadores da Função Pública. O Governo fá-lo quando os acusa de faltosos, preguiçosos e alvo de regalias insustentáveis para a situação do país, quase a dizer que são eles os culpados do elevado déficit. Insulta-os quando cria medidas especiais para perseguir a corrupção dos funcionários públicos e incentiva os “bufos” de má memória – como se a verdadeira corrupção estivesse aqui. Insultaos quando se recusa a negociar com os sindicatos, seja matérias isoladas sejam contratos colectivos, apesar de a isso estarem obrigados por lei. Fizemos nos últimos meses das maiores manifestações de que há memória. Fizemos uma grande Greve Geral, por muito que a propaganda do Governo diga que não. Demos uma grande demonstração de descontentamento e lutámos pela nossa dignidade de trabalhadores, mas sobretudo, porque o país tem de mudar de rumo. Muitos não tiveram medo de fazer greve e isso contribuiu para dar um alento democrático aos serviços, que tão necessitados andam de sementes desta natureza. Agora vamos fazer uma grande manifestação nacional a 12 de Julho. Vamos mostrar que o descontentamento não vai de férias e a nossa determinação não abranda. Ponto de Vista Quando o Governo O Governo tudo tem feito para evitar ter de negociar contratos colectivos para os trabalhadores com contrato individual de trabalho. A cultura do diálogo não faz parte do seu ADN. avançou para os contratos individuais de trabalho no interior da função pública visava a destruição de direitos de quem ali trabalhava. Era só uma questão de tempo para que a larga maioria dos trabalhadores da Função Pública estivessem sujeitos ao Código do Trabalho, entretanto agravado em 2004. Ou seja, de referência de direitos para conquistas dos trabalhadores no privado, designadamente no que respeitava à estabilidade de emprego, o que aconteceu foi a desintegração dessa referência. Independentemente das inconstitucionalidades existentes em muitos dos diplomas que têm vindo a retirar direitos aos trabalhadores da Função Pública, uma vez que ferem os princípios da proibição do retrocesso social e da segurança e confiança jurídica, os sindicatos cedo prepararam a resposta para salvaguardar os direitos de quem, trabalhando na função pública, o fazia ao abrigo de um contrato individual de trabalho. Sucederam-se assim os pedidos de negociação de contratos colectivos. Para os sindicatos, o objectivo era equiparar os direitos dos dois regimes: o público e o privado. Afinal de contas, o patamar mínimo era o regime da função pública, caso contrário estávamos em presença de um retrocesso. Como se sabe, cada direito conquistado é mais um degrau no desenvolvimento social. Em face dos pedidos de negociação de contratos feitos pelos sindicatos, o Governo percebeu que tinha arranjado outro problema. Se até ali, a regra tinha sido a da imposição com simulacros de negociação – é o que tem acontecido com os salários ano após ano – com a negociação colectiva, havia mesmo que negociar, a lei assim o obrigava. De modo que foi tentando adiar o problema com a aprovação de Regulamentos IMPÔR SIM NEGOCIAR NUNCA Internos que de modo algum substituem os Acordos de Empresa, mas que se apresentavam como propostas para negociar. No caso, contrapropostas porque os primeiros a apresentar propostas foram sempre os sindicatos. Também não se vai aqui insistir na ideia de que os regulamentos internos contêm matérias que lá não deveriam estar por razões legais. O que se salienta é a resistência à negociação por parte do Governo – houve sempre que recorrer à conciliação para forçar -, é a ideia de que só se sentam à mesa com os sindicatos porque a lei assim o obriga. A verdade é que as negociações são proteladas, adiadas e sente-se A verdade é que as negociações são que quando se sentam à mesa para negociar a preparação é nenhuma. Ou seja, não estão ali para negociar seriamente mas a ganhar tempo. O que proteladas, adiadas e sente-se incomoda neste processo é a má fé negocial que se pressente do outro lado. E a confirmação de que assim é vem em forma de tentativa de introdução que quando se sentam à mesa para do Contrato de Trabalho em Funções Públicas (CTFP) que, precisamente, condiciona, e de que maneira, os processos negociais em curso. È a resposnegociar a preparação é nenhuma. ta do Governo em que este reduz o vínculo público a funções de defesa externa, representação externa do Estado, informações e segurança, invesOu seja, não estão ali para negociar tigação criminal, segurança pública e algumas funções de inspecção. Posto isto, a todos os outros trabalhadores aplica-se o CTFP. Ora, esta pretensão seriamente mas a ganhar tempo. governamental já mereceu frontal oposição e constitui uma afronta mais feita aos TFP’s. O Governo, mais uma vez, menospreza a capacidade de luta e mobilização dos trabalhadores. Faz mal porque aqui e ali vai recuando nos seus intentos exactamente porque encontra resistências. Já era altura de perceber que há um momento em que tem de dar o braço a torcer e mudar de política. Função Pública 7 Greve Geral CORAGEM CONTRA INTIMIDAÇÃO A Greve Geral de 30 de Maio decorreu sob um clima generalizado de intimidação, pressões, coacções, de proibição de plenários, de recolha ilegal de dados pessoais, ameaças de processos disciplinares e ameaças veladas de não promoções, despedimentos, não pagamento de prémios e subsídios, para além de abusivas e ilegais definições de serviços mínimos. Contra tudo e contra todos, muitos milhares de trabalhadores, por todo o país, decidiram afrontar o medo e fizeram greve, 1,4 milhões não trabalharam no que contituiu a mais forte acção de luta nos últimos tempos. A Federação Nacional dos Sin- impulso democrático nos serviços e um inestimável contributo para a mudança. A demagogia pode agora vir dizer que não se viram mudanças impostas pela greve e o Governo até pode afirmar que não vai alterar o rumo, mas a verdade é que é impossível tudo contiuar na mesma. Os trabalhadores sabem que as mudanças necessárias não acontecem de um momento para o outro. Elas fazem-se na continuidade da acção e da luta. Fazem-se de sinais que a sociedade vai dando e a verdade é que este sinal foi um forte abanão num rumo que não respeita os trabalhadores e não os dignifica. Um país modernizado e uma democracia Continuar a luta dicatos da Função Pública saúda fraternalmente todos os trabalhadores que, contra o medo e as intimidações, fizeram greve no passado dia 30 e todos aqueles que, estando de acordo com as razões que levaram à sua marcação, não puderam execer esse direito por força de inadmissíveis pressões e coacções impostas pelo Governo e chefias de serviços, designadamente aqueles Depois do sério aviso que os trabalhadores que, estando numa situada Função Pública deram com a sua partição e precariedade, e são cipação na Greve Geral, vai ser preciso hoje muitos, vivem no continuar a luta contra a revisão apresenespectro do desemprego. tada pelo Governo, dos regimes de víncuOs trabalhadores da Funlos, carreiras e remunerações e a concretição Pública deram uma zação da mobilidade especial. O Governo inequívoca demonstração tem de parar com políticas que vão contra de descontentamento, de direitos fundamentais dos trabalhadores e coragem, de solidariedade democrática e de respeito das populações em geral. Por isso, vamos pelo Estado de Direito, estar todos em manifestação nacional no assegurando os serviços próximo dia 12 de Julho. mínimos necessários para satisfazer as necesidades sociais impreteríveis. Estão de parabéns, pois a sua participação na Greve constituiu um importante Se tudo continuar na mesma depois da Greve Geral e manifestação de 12 Julho, então é porque o autismo do Governo é grave e precisa de ser removido. activa, participativa e dinâmica, respeitadora dos direitos de quem trabalha é a ambição dos sindicatos. É tempo de o Governo cumprir as leis de negociação colectiva, arrepiar caminho no retrocesso de direitos que encetou, respeitar quem trabalha, remunerar com justiça, num quadro de carreiras dignas, com formação e qualificação. Se tudo continuar na mesma depois da Greve Geral e da manifestação de 12 de Julho, então é porque o autismo do Governo é grave e precisa de ser removido. Destaque Vamos continuar a lutar MANIFESTAÇÃO NACIONAL A Depois da Greve Geral de 30 de Maio, não podemos parar. O descontentamento tem de voltar às ruas. Vamos todos à Manifestação Nacional de 12 de Julho às 15 horas no Marquês de Pombal, com deslocação para a Assembleia da República. Emprego estável, política de remunerações justa e digna, progressão nas carreiras e cumprimento da Lei da Negociação Colectiva são pedras basilares para que exista um estatuto sócio-profissional que permita serviços públicos de qualidade. O ataque do Governo a estas quatro questões deixa claro que os objectivos não são a propalada modernização e aumento da eficácia dos serviços, mas a sua degradação, para uma mais fácil apropriação das partes rentáveis pelos privados. Só a continuação da luta e do protesto poderá obrigar a uma mudança de agulha nas políticas. Há pelo menos 32 anos que não se via uma coisa assim. Pilares essenciais do estatuto sócio-profissional dos funcionários públicos estão a ser postos em causa à velocidade do TGV. Direitos constitucionais estão a ser violados. Em matéria de direitos, a política do Governo é de terra queimada E no meio das cinzas o que restará? Melhores serviços públicos aos cidadãos e reforço das funções sociais do Estado não é concerteza. A reforma dos regimes de vínculos, carreiras e remunerações e a Lei do Sistema de aavaliação e Desempenho na administração Pública são verdadeiras afrontas à dignidade dos trabalhadores. Estas alterações de fundo são feitas sem qualquer audição aos representantes dos Função Pública 9 O Governo procede como se os sindicatos não existissem e os trabalhadores trabalhadores. O Administração fossem meras peças de Governo procede Pública. Como se como se estas orgasabe, a posição do nizações não exisGoverno não é um tabuleiro onde se tissem e os trabaessa, defende duas lhadores fossem jogam interesses diversos modalidades de meras peças de um vínculo público, tabuleiro onde se sendo que a víne se fazem experiências jogam interesses culação por nomeadiversos e se fazem ção se restringe aos para Europa ver. experiências para trabalhadores das Europa ver. carreiras relacionaA célebre Flexigudas com o chamado rança – que tem “exercício de podemuito de flexi e pouco de segurança -, pelos res soberanos e de autoridade”, núcleo resvistos vai iniciar-se na Administração Públi- trito de áreas – administração directa da jusca. A avaliaçao de desempenho, tal como o tiça, da defesa externa, de representação Governo a vê, com a figura do “Inade- externa, da segurança pública, de informaquado”, vai permitir o despedimento sem ções e de segurança, de investigação crimijusta causa. Ou seja, não basta nivelar por nal e de inspecção”. Ora, as “funções baixo, o Governo quer mesmo que qualquer nucleares” ou o “exercício de poderes sobecoisa parecida com estabilidade de emprego ranos e ou de autoridade” do Estado Portudesapareça em definitivo da administração guês perante os portugueses (vem na ConsPública. Trata-se de um retrocesso histórico tituição da República) não se esgotam nas inaceitável, que não traz nada de bom para áreas referidas. o progresso e desenvolvimento do país. A subversão do sistema de avaliação do Em matéria de fixação da remuneração, por desempenho, para lá dos efeitos já referidos exemplo, as intenções do Governo são as de sobre a estabilidade de emprego, incremenesquecer os principios da igualdade, trans- ta o subjectivismo, a arbitrariedade e o afasparência e imparcialidade para deixar a tamento da intervenção dos trabalhadores ao acabar com o direito de recurso. Só o regime de mobilidade e polivalência, que o Governo quer impôr como regra dava para uma greve. Em documentos da federação pode ler-se que “o Governo PS viola direitos sociais fundamentais dos trabalhadores e população, pondo até em causa a segurança juríquestão ao livre arbítrio do responsável, dica de situações contratuais consolidades na AP com base em normativos constitunum processo opaco e subjectivo. Por outro lado, a transformação do modelo cionais”. de carreira actualmente existente, pelo O que está em causa é demasiado impormodelo de “posto de trabalho”, gera o indi- tante e profundo para que os trabalhadores vidualismo, a arbitrariedade e mesmo a par- ignorem a ofensiva. A Greve de 30 de Maio tidarização no exercício de funções públi- constituiu uma forte resposta a uma política cas. Ainda por cima a evolução da carreira neo-liberal que despreza os trabalhadores e fica condicionada a disponibilidades orça- a população. mentais e gestão de cada um dos serviços. A manifestação de 12 de Julho será seguraO principio da igualdade leva assim um mente uma nova e forte resposta à ofensiva estoiro do tamanho do mundo. Estamos a do Governo. voltar ao “salve-se quem puder”, aos “yes man”, ao silêncio comprometido. Quanto aos vínculos é conhecida a posição da Federação. O exercício de todas as funções do Estado, constitucionalmente consagradas, deve ser desempenhado por trabalhadores com vínculo de nomeação na 12 JULHO A Greve Geral de 30 de Maio foi também uma luta contra o medo. O medo do Governo, medo do chefe, medo do despedimento, medo da perda da promoção, medo da avaliação negativa... O medo sempre foi contra o progresso. O medo é um factor de estagnação que não permite avanços. O medo paralisa. O medo é inimigo da democracia, na justa medida em que bloqueia a acção transformadora e inibe a livre transmissão de opiniões e ideias. A democracia não pára à entrada das empresas, locais de trabalho e serviços. Pelo contrário, esses deveriam ser espaços de liberdade. Nós sabemos que, infelizmente, não é assim. O exercício pleno dos direitos constitucionais pelos trabalhadores depende da natureza do seu vínculo e de outros factores que têm a ver com o clima instalado nos locais de trabalho. E esse clima, hoje, é de medo. Manuel Carvalho da Silva, afirmou por diversas vezes, que a Greve Geral era um “sopro de democracia nas empresas e serviços públicos”. Tem toda a razão, mas foi mais do que isso. Para muitos foi a oportunidade de, ao vencer o medo, ganhar a dignidade. A nossa dignidade colectiva de funcionários públicos tem sido posta em causa por este Governo. Tivemos uma oportunidade para dizer que nos podem roubar tudo, menos a dignidade. 10 Função Pública Frente Comum UNIDOS CONTRA O DESMANTELAMENTO A Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública, em cimeira realizada a 19 de Junho, convocou para 12 de Julho uma Manifestação Nacional, em Lisboa do Marquês de Pombal para a Assembleia da República, a partir das 15 horas. Na Resolução aprovada pode ler-se que “o processo de vínculos, carreiras e remunerações na AP – no seguimento de outros diplomas já em vigor, sobre a extinção, fusão, reestruturação e racionalização de efectivos, a mobilidade, a criação de empresas para gerir os recursos da AP e definir o sistema de compras públicas, ou a extinção de Serviços Sociais diversos – bem como a recente decisão de propor à Assembleia da República a limitação da liberdade sindical dos trabalhadores da AP deixam claro o objectivo central do Governo PS: criar as condições exigidas pelo grande capital e dar-lhes todas as facilidades para a privatização dos serviços públicos rentáveis…”. O texto frisa que esse objectivo do Governo “institucionaliza a precariedade geral, o despedimento sem justa causa, a lei da mobilidade e os disponíveis ou a utilização abusiva do sistema de avaliação e a introdução de outros mecanismos legais, o fim das carreiras profissionais, podendo o trabalhador ficar no mesmo possicionamento remuneratório desde que entra atè à aposentação, a limitação da contratação colectiva, com a A Frente Comum reitera que vai “continuar a desenvolver iniciativas no sentido de ser declarada a inconstitucionalidade dos diplomas que retiram direitos sociais, designadamente a aposentação, a avaliação de desempenho, a mobilidade e os vínculos, carreiras e remunerações”. Por outro lado, “repudia o comportamento do Governo com a tentativa de alterar a lei sindical sem negociação e de limitar direitos colectivos dos trabalhadores da AP”. A continuação da luta é uma realidade. 12 de Julho vai constituir mais uma prova de força e vitalidade dos trabalhadores, descontentes com uma política que os afronta e ofende. negociação individual dos salários, a omnipotência dos dirigentes máximos do órgão ou serviços, potenciando o subjectivismo, a arbitrariedade e a criação de círculos clientelares, designadamente político-partidários e a degradação das condições de vida e de trabalho, designadamente dos salários e pensões”. A Frente Comum adianta que “as camadas mais desfavorecidas da população vão, de facto, deixar de ter acesso a serviços que deveriam garantir obrigações socias do Estado, na saúde, na educação, no emprego, na justiça ou na segurança social. Por outro lado, é posta em causa A luta dos trabalhadores a concorrêncoa económica, fechando em grupos de interesses obrigou o Governo a recuar partes substanciais dos serviços do Estado. nos objectivos de diminuir o Ou seja, garantem aquelas estruturas sindicais, que “o que se perspectiva é uma desfuncionaliperíodo de férias, ou alterar zação do Estado em violação de princípios fundamentais da Conso horário de trabalho, tituição da República”. É bom lembrar, diz o documento obrigando-o também a que “ a luta dos trabalhadores obrigou o Governo a recuar nos aceitar a actualização anual objectivos de diminuir o período de férias, ou alterar o horário de dos salários e, já após trabalho, obrigando-o também a aceitar a actualização anual dos salários e, já após a Greve Geral, a Greve Geral, a admitir a admitir a possibilidade de alteração do posicionamento remua possibilidade de alteração neratório dos trabalhadores já em 2008, com base em avaliações do posicionamento anteriores”. remuneratório dos trabalhadores já em 2008, com base em avaliações anteriores Entrevista Manuel Carvalho da Silva GREVE GERAL FOI UM SOPRO DE DEMOCRACIA NAS EMPRESAS E NOS SERVIÇOS Para o secretário-geral da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, a Greve Geral de 30 de Maio surgiu da necessidade de a luta e o descontentamento dos trabalhadores atingirem um outro patamar, depois das grandes acções de 12 de Outubro e 2 de Março. Ela foi um sinal e um alerta ao Governo e aos patrões de que os trabalhadores não abdicam da sua dignidade. A primeira questão que lhe colocava tem a ver com a oportunidade de desenvolvimento de lutas tão intensas? Por dois aspectos fundamentais que devemos ter presentes. Um é o facto de se virem desenvolvendo políticas que criam acrescidos problemas de ordem laboral, agravam as condições económicas dos trabalhadores e das suas famílias e de se perspectivarem algumas outras decisões que apontam para o agudizar dessas políticas que têm vindo a ser desenvolvidas. O segundo aspecto é que tem havido uma dinâmica de mobilização dos trabalhadores em muitos sectores, tem havido luta, tem havido expressão social do descontentamento e de exigência de mudança, com relevo para expressões públicas, designadamente nas manifestações de 12 de Outubro e 2 de Março. E Também nessa grande manisfestação de descontentamento que foi a Greve Geral. Não podemos parar por aqui. Na Administração Pública tem havido uma grande mobilização dos trabalhadores, até porque tem havido uma grande ofensiva aos seus direitos. Sente que os sectores privados acompanham esta dinâmica de mobilização que se sente nos sindicatos da Administração Pública? Há razões comuns aos trabalhadores da Administração Pública e aos trabalhadores do sector privado. As medidas adoptadas em relação aos trabalhadores da Administração Pública ferem gravemente os seus direitos. Apenas para mencionar algumas, vemos uma redução continuada dos seus salários – em oito anos já perderam perto de um décimo do seu valor real – há congelamentos de progressões, há a lei da mobilidade e disponíveis, há imposição, há as questões dos vínculos, carreiras, remunerações, visando a destruição do estatuto público do contrato de trabalho e da generalização do contrato individual, há essas novas regras de avaliação de desempenho que podem preconfigurar uma forma de pôr em causa a protecção no emprego, o que fere o princípio constitucional 12 Função Pública do despedimento sem justa causa. Portanto, há um conjunto de factores que mobilizam hoje os trabalhadores da Administração Pública, que são de facto alterações profundíssimas, mas que se inserem numa outra alteração mais de fundo que é uma alteração do próprio papel do Estado, das suas funções e do papel da Administração Públca na prestação dos direitos sociais de que os trabalhadores e os cidadãos são credores. Ora estas razões de luta não são indiferentes aos outros trabalhadores. A questão é saber se isso é sentido e percebido. condução de políticas neoli-berais na Europa Nós tivemos, aquando da discussão do Código do Trabalho em 2002, toda uma campanha por parte do Governo de então, que dizia aos trabalhadores da Administração Pública que não se metessem na discussão do código do trabalho porque aquilo não era para eles. Nós sempre dissemos que sim, que era. E veio a confirmarse que é assim e os trabalhadores da Administração Pública entenderam a mensagem e lutaram. Do mesmo modo, o que está em causa com os trabalhadores da Administração Pública tem a ver com todos os outros. O que importa é ver a capacidade de percepção de que esta é uma realidade que toca a todos. Por parte de uma central sindical não pode haver outra atitude que não seja mobilizar todos os trabalhadores, públicos e privados, para as mesmas causas. O Governo tem seguido uma estratégia de divisão dos trabalhadores, invocando privilégios de uns contra os outros. Tem resultado? É uma coisa que o neoliberalismo sempre fez e que este Governo aplica. Não podemos ter nenhuma hesitação em catalogar estas políticas de neoliberais. Isto é claro, este Governo socialista está a seguir as práticas e o ideário neoliberais. Mas há privilégios? Os direitos dos trabalhadores não são privilégios. Os direitos que os trabalhadores têm são diferenciados – não são iguais no sector público e no sector privado e oscilam mesmo dentro dos subsectores e das empresas e serviços – porque os direitos foram conquistados em contextos sociais, económicos e também históricos diferentes e tiveram sempre em conta as condições concretas da capacidade económica dos respectivos sectores e a capacidade de organização e mobilização dos respectivos trabalhadores. Por isso é que há direitos diferenciados. Não há uma situação de condições de trabalho e rentabilização do trabalho igual em todos os sectores. É preciso ter presente que os direitos dos trabalhadores no plano laboral e também os direitos sociais dos cidadãos em geral não são privilégios, foram conquistas. Como eu costumo dizer, são degraus ou patamares que este ou aquele sector foram adquirindo e que visam uma harmonização no progresso. Sempre se olhou para o caminhar das reivindicações dos trabalhadores como um contributo para a evolução da sociedade. Conquista-se onde há condições e depois usa-se esse exemplo para alargar e, portanto, fazemos disto uma escada de progresso. Ora, esta orientação neoliberal pega num caso pontual, e isso é fácil, e coloca trabalhadores uns contra os outros. É uma situação velha, sempre que uma sociedade entra num clima regressivo. Estamos hoje a assistir a isso. Não será também fruto de uma crise instalada que tarda em ser ultrapassada? A crise é uma invenção, porque não há crise para todos. A sociedade nunca teve tantas condições para produzir riqueza e para responder às necessidades dos cidadãos. Invoca-se a crise para, a coberto dessa ideia, levarem os trabalhadores a fazerem sacrifícios, a entrarmos num clima regressivo, em que se espicaçam invejas. Por isso é que apelamos fortemente a que os trabalhadores da Administração Pública estejam unidos com os do privado e os do privado com os da Administração Pública e que usem aquilo que conquistaram ao longo do tempo como patamares de progresso e não se deixem enlear neste clima regressivo em que se vai retirando, retirando até não ficar nada. Função Pública 13 A injusta distribuição da riqueza em Portugal acentua-se. Esse clima regressivo não está só em Portugal, alastra à Europa. A vitória de Sarkozy em França não trouxe boas notícias a quem se opõe á onda neoliberal. São os lucros do sector financeiro, mas não é só isso, são também De facto, só veio agravar. É verdade que a sra. Ségoléne não apresentou propostas de esquerda sólidas e talvez por isso não tenha ganho, mas a vitória de Sarkozy representa um alento à onda neoliberal. A Flexigurança foi uma das vertentes desta Greve Geral e é também um reflexo deste clima regressivo, ou há ali outras nuances? A essência do que está na mesa é mesmo essa. O conceito está lançado e mesmo os seus promotores dizem que não há uma definição clara de flexigurança. Por uma razão: é que há um objectivo e o que os seus promotores querem é que esse objectivo se cumpra e por isso não importa explicar muito bem o que está em causa. Ora, o neoliberalismo está aí e estamos perante uma nova onda de que a vitória de Sarkozy, lá está, veio reforçar e, portanto, os seus mentores e mesmo os sociais democratas dizem: do ponto de vista económico vêm aí tempos de imposição de liberalismo absoluto, de uma desregulação total, e isso é inevitável, pelo que, em contrapartida, vão encontrar umas medidas de segurança para contrabalançar essa liberalização total das relações de trabalho. Como nós vemos que os patrões em Portugal e a nível europeu não mostram disposição de equilibrar mais as relações de trabalho e muito menos de dar contrapartidas aos trabalhadores que contrabalancem essas flexibilidades e polivalências múltiplas e, por outro lado, não vemos o Estado social a reforçar-se, antes pelo contrário, nós dizemos que a segurança não passa de uma promessa e de uma mentira aos trabalhadores. as grandes empresas prestadoras de serviço com lucros chorudos para uns quantos e a generalidade dos portugueses a pagarem taxas maiores. Como é que está correr a negociação colectiva este ano? Fazer com que exista efectiva negociação colectiva é uma questão fundamental. Na Administração Pública, não se tem visto o cumprimento do direito constitucional à negociação colectiva. E isto torna-se tanto mais perigoso quando se amplia o conjunto de vínculos privados nos trabalhadores da Administração Pública. A CGTP lançou este ano uma campanha contra a precariedade no trabalho. Um dos bastiões da segurança no emprego era a Função Pública. Agora já não é. É verdade. Mas, essa questão faz-me recordar as quatro grandes questões que nos levaram esta greve geral, que foi de facto nacional e não parcial 14 Função Pública como quis fazer crer a propaganda do Governo. Estas políticas estão a provocar perda de emprego, baixos salários estão a provocar perda de direitos individuais e colectivos e estão a forçar muitos portugueses, num contexto em que se misturam estas precariedades com um desrespeito, que é generalizado por parte dos patrões e não só, estas precariedades estão a provocar, dizia, que dezenas e dezenas de milhar de portugueses jovens recorram à emigração. Isto está a gerar na sociedade um clima regressivo perigoso. O segundo conjunto de razões foi aquilo que se prenuncia, ou seja, a revisão do Código do Trabalho, o Livro Verde da União Europeia para as relações de trabalho, a discussão que o tema flexigurança vai desencadear, ou seja, aquilo que aqui já referimos que é o aprofudamento deste neoliberalismo. Neoliberalismo que se faz sentir também em áreas sociais, ou não? da riqueza em Portugal acentua-se. São os lucros do sector financeiro, mas não é só isso, são também as grandes empresas prestadoras de serviço com lucros chorudos para uns quantos e a generalidade dos portugueses a pagarem taxas maiores. E, depois, um quarto da população portuguesa vive na pobreza e um terço daqueles que vivem na pobreza são trabalhadores activos, o que quer dizer que os seus salários são muito baixos. Há aqui desigualdades que estão a destruir a sociedade e as próprias políticas que estão ser seguidas no plano macroeconómico estão a levar a rupturas dos factores de coesão… Estas precariedades a que assistimos no sector privado e no sector público, que se acentuam perigosamente, estão a provocar instabilidades e inseguranças cada vez maiores na vida das pessoas, dos trabalhadores e das suas famílias e na organização da sociedade. Esse foi mesmo o terceiro conjunto de razões. As políticas sociais que estão em marcha merecem uma resposta. Temos dito que o que se passa na Saúde merecia, só por si, uma Greve Geral. Está a ser posto em causa o serviço público de saúde. Os portugueses correm o risco de ter um Serviço Nacional de Saúde totalmente descaracterizado, sem funcionalidade e estarem a pagar uma enormidade de dinheiro. Toda a gente sabe que há uma esperança de vida maior, pelo que as pessoas vão ter de disponibilizar mais dinheiro para a saúde e o capital assume que a saúde se tornou uma área de negócios, como eles dizem, depois do armamento, a mais rentável. Portanto, o que está em marcha, por muito que o ministro diga o contrário, são políticas que conduzem a essa descaracterização do SNS. Mas, podíamos falar do Ensino onde as contradições são imensas, ou da Justiça ou até da Segurança Social, onde vemos as coisas a agravarem-se. E houve um quarto conjunto de razões para esta greve geral que foi a necessidade de um combate forte às desigualdades. A injusta distribuição A Greve Geral foi um abanão forte no marasmo, como pretendia a CGTP? Sem dúvida alguma. Precisávamos de uma sacudidela forte para que a situação não se agravasse mais. Do ponto de vista político, havia que dar uma resposta. O que vemos é o Governo português a cumprir o que são as linhas fundamentais do neoliberalismo. Estamos às portas da presidência portuguesa da União Europeia, há temas sensíveis que vão ser tratados nessa altura e nós vemos o PrimeiroMinistro, membros do Governo, governador do Banco de Portugal a fazerem elogios à condução de políticas neoliberais na Europa, a submeterem-se a elas, a submeterem o povo português aos fundamentalismos e à violência dessas políticas. É preciso continuar a dar uma resposta e desenvolver protestos mesmo depois da Greve Geral. Perante o avolumar de coisas negativas, os sindicatos o que é que podem fazer mais? Indiscutivelmente que é preciso dizer basta. Mas, esta greve significou também um alerta e um aviso ao patronato e ao Governo para isto tudo que se perspectiva. Um sinal de que é urgente mudar de rumo. Mas, há ainda um outro aspecto. Nós sabemos que é dificil hoje no sector privado e também no público os trabalhadores fazerem Greve, há muitas pressões e limitações até em função do seu vínculo, mas esta greve tem de significar um sopro de democracia nos serviços e nos locais de trabalho. As pessoas, sabendo que é difícil, diceram não, eu não vou perder a minha dignidade, eu vou usufruir do meu direito de fazer greve para dar dimensão à democracia na sociedade portuguesa. Isto foi muito importante. Vencer o medo de exercer um direito é dar esperança a uma necessidade urgente de mudar de rumo político. Agora, nós, na CGTP, vamos continuar a luta. Ela não se esgostou na Greve Geral. Sectores O Ministro da Agricultura, Jaime Silva, perfila-se como o melhor aluno de Bruxelas. O sector que lhe coube em sorte é daqueles que há anos não pára de sofrer reestruturações atrás de reestruturações. Afoito, o ministro mesmo antes de conhecer a fundo a realidade, foi logo adiantando que a sua reforma iria disponibilizar 30 por cento dos trabalhadores do Ministério, ou seja, mais de 3 mil trabalhadores iam ser postos fora. Nem foi precsiso avançar com as leis orgânicas dos serviços. O essencial era “despachar” 3 mil. O primeiro grito de alerta contra a mobilidade especial veio de um serviço onde a lei orgânica ainda não foi publicada, caso do Laboratório Nacional de Investigação Veterinária. E esse grito veio na sequência do anúncio de que o LNIV iria ser transferido para Vairão em Vila do Conde, que não é ali assim ao virar da esquina das actuais instalações, como toda a gente sabe. A luta dos trabalhadores desenvolveu-se em duas frentes. A primeira é a salvaguarda dos seus direitos e a segunda a qualidade dos serviços que prestam. Consideraram e bem que a mudança de equipamentos para Vairão, que não tem capacidade para receber os 250 trabalhadores que prestam serviço no LNIV, e o desfazer das equipas que estão a trabalhar punha em causa a creditação internacional que o laboratório tem. Por outras palavras, o interesse nacional estava em causa com estas pretensões. A luta dos trabalhadores e a divulgação dos perigos que a medida efectivamente tinha fizeram o ministro alterar o discurso. Agora, já não é o laboratório todo que vai mas só uma parte, sem especificar qual. Este foi o primeiro sinal de alerta sobre o que aí vinha. Agora, com várias leis orgânicas publicadas iniciou-se o processo que a Lei da Mobilidade prevê. Com esta situação em curso, os sindicatos acabaram a intervir em locais, a pedido dos trabalhadores, onde a presença sindical ainda não tinha acontecido. A intervenção sindical teve o condão de vir provar o conjunto de irregularidades que o Agricultura ORDENS DO MINISTRO SÃO COMO GRANIZO NAS COLHEITAS ministério estava a cometer, com a pressa. A lei da mobilidade prevê que a partir da altura em que o serviço é reestruturado, fundido ou extinto há um conjunto de procedimentos definidos por lei que têm de ser observados e que foram desvirtuados. Isto é, ao invés de definir as funções primeiro e depois ver o pessoal necessário fez o contrário: só há este pessoal e agora vejam as funções. Na Direcção Geral de Veterinária, por exemplo, segundo apurámos, fez-se uma lista que se apresentou ao Ministro e este devolveu-a com a anotação de que teriam de ser 30 % os dispensados. O desvario é de tal ordem que numa herdade, onde está localizado um centro experimental, em que só existe um mecânico para a manutenção do parque de máquinas agrícolas, este está na mobilidade especial. Incompreensível. Pode-se reduzir os custos com pessoal mas aumentam-se os custos com terceiros, porque não se está a ver que os tractores fiquem por lá parados à espera que se reparem sozinhos. Casos há em que os problemas que se levantam são dramáticos porque são ambos os membros do casal que estão na lista da mobilidade especial. Este tipo de medidas é cego às suas consequências sociais. Neste momento estão identificados mais de 2 mil trabalhadores a irem para a mobilidade especial. Os restantes até perfazer ou ultrapassar os três mil que faltam vão ser encontrados no Instituto Nacional de Recursos Biológicos, no IFAP (que juntou o INGA e o IFADAP) e na Inspecção-Geral de Agricultura e Pescas. Agora, quanto a discutir com os sindicatos estas reestrututrações, nem pensar. O ministro sempre recusou qualquer tipo de diálogo e nem autorizou que os serviços o fizessem, porque aos pedidos sindicais de reuniões aos serviços a resposta era sempre a mesma tirada a papel químico, ou seja fruto de orientação superior. Em todo o caso, a situação provocou um cerrar fileiras em torno dos sindicatos, os trabalhadores reclamaram junto dos serviços e agora aguardam-se os resultados. Após a publicação das listas em Diário da República inicia-se o processo de recurso.A verdade é que nota-se já, aqui e ali, uma mudança de atitude. Entretanto, a Federação entregou uma primeira providência cautelar contra a Mobilidade Especial na Direcção Regional de Agricultura e Pescas de Lisboa e Vale do Tejo, a que se seguirão outras, sendo certo que nenhuma medida será descurada na defesa dos direitos dos trabalhadores. O grave é que com toda esta situação, o Ministério está em parte paralisado a ver o que é que dá e podem, por exemplo, estar em causa as ajudas comunitárias aos agricultores portugueses relativas a 2007, por incumprimento de prazos ou por ausência de controlo dos projectos, face à reestruturação que está a ser operada e em que ainda não se sabe quem faz o quê. A ver vamos. O Ministério está em parte paralisado a ver o que é que dá e podem, por exemplo, estar em causa as ajudas comunitárias aos agricultores portugueses relativas a 2007 16 Função Pública ISS-IP ACT PARA OS Algumas matérias, como a negociação colectiva, a reclassificação profissional, os dias de férias associados à assiduidade, a mobilidade especial, a avaliação de desempenho, as carreiras, vínculos e remunerações e outras, exigem cada vez mais a unidade e luta dos trabalhadores do ISS-IP. A negociação do Acordo Colectivo de Trabalho no Instituto da Segurança Social, para os trabalhadores em CIT que hoje decorre, já é novela com vários capítulos… Chegou haver recusas, fez-se pedidos de conciliação, provocaram adiamentos, porque sem Regulamento Interno não se negociava nada - diziam os responsáveis do Instituto, até que, em Janeiro deste ano, se marcou a primeira reunião, em sede de conciliação, com esse Regulamento Interno a servir de contraproposta à proposta sindical, que fora amplamente discutida com os trabalhadores. Como se sabe, um Regulamento Interno é uma decisão unilateral, ainda que “ouçam” os sindicatos, mas não é resultado de um acordo. A diferença é que uma convenção colectiva é um acordo entre partes que não pode ser alterado sem consentimento mútuo das mesmas. Presentemente, a negociação já é directa estando, só agora, em fase de conclusão o primeiro capítulo, “Prestação do Trabalho” – leia-se: organização do horário de trabalho, com alguns aspectos de pormenor ainda por acordar. O próximo capítulo a negociar vai ser “Saúde, Higiene e Segurança no Trabalho”. O processo negocial segue, mas não vai ser a morosidade que nos desviará de negociar várias outras matérias, como por exemplo: as Férias, em que o Regulamento Interno diz que são 25 dias, mas fazendo-os depender da assiduidade, assim como introduzir as reclassificações profissionais que, aliás, se confirma pelas cartas que o ISS-IP enviou aos trabalhadores a dizer que todos os processos estavam arquivados porque o regulamento não prevê a reclassificação, uma vez que só prevê o concurso, que não tem a mesma abrangência…. Enfim, em sede de negociação colectiva a Federação e os Sindicatos tudo farão para salvaguardar direitos e justas aspirações, sendo certo que o contrato colectivo é a única forma segura de defender os direitos dos trabalhadores que estão em regime de CIT. Reclassificação profissional e a incoerência Entretanto, o funcionário que tinha requerido a reclassificação profissional recebeu como resposta um aconselhamento, que só teria viabilidade caso aceitasse optar pelo Contrato Individual de Trabalho… Agora, no Regulamento Interno não está prevista a reclassificação profissional! Que garantias tinham estes trabalhadores? Caixa/fotografia/… Reestruturação e Mobilidade Especial para Todos À data da feitura deste texto, ainda não se conhecem os diplomas orgânicos do ISSIP, mas é dado como certo a vontade de provocar mobilidade especial. A própria Lei Orgânica do Ministério (Dec. Lei nº 211/2006), aponta que o ISSIP será objecto de reestruturação, sendo que neste pressuposto, tratando-se de um Instituto regulado por Estatutos próprios será, certamente, exigido cada vez mais o regime de Contrato Individual de Trabalho e sujeição de todos os trabalhadores a postos de trabalho. Assim, resumidamente, no âmbito da mobilidade especial, anualmente serão verificadas as necessidades desses postos de trabalho e, aqueles trabalhadores que não tiverem “lugar” serão remetidos para a mobilidade especial – ver Lei 53/2006 (supranumerários /disponíveis) ou para o despedimento no caso dos trabalhadores que estejam em CIT. Pese embora a falta de pessoal, constantemente afirmado pelo ISS-IP, para o Governo é irrelevante, o que é preciso é “dispensar” trabalhadores. Repare-se que o Governo, sendo tanta a falta de seriedade que o caracteriza, vai promovendo a substituição de serviços públicos por empresas de outsorcing, ou pela exploração entregue a instituições particulares ou privadas, como acontece aos Equipamentos (e serviços) de Acção Social, colocando em causa a própria responsabilidade social que cabe ao Estado. Por sua vez, a aposta do Governo na criação de equipas flexíveis multidisciplinares é o correspondente à substituição de Serviços ou Unidades departamentais, sendo Por razões de sobra, os trabalhadores do Instituto da Segurança Social vão continuar em luta Função Pública 17 IPSS CITS ILEGALIDADES E INJUSTIÇAS CONTINUAM Algumas IPSS’s estão a incorrer numa situação de extrema ilegalidade quando continuam a ter créditos, no ano de 2007, para com os seus trabalhadores, referentes aos retroactivos das suas retribuições dos anos 2004, 2005 e 2006. evidente a intenção de instabilizar ainda mais o emprego público, não deixando de o fazer também no ISS-IP. Importa lembrar Certamente que, se aqui desfiássemos o rol de denuncias dos atropelo aos direitos dos trabalhadores, também do ISS-IP, nas mais diversas situações, seriam bastantes mais… Porém, não podemos deixar de sublinhar: - A relevância que tem para o trabalhador a Avaliação de Desempenho, não se compadecendo com a forma como tem vindo a decorrer, com as diferenças de Centros Distritais para centros Distritais, de Unidades para Unidades dentro do mesmo Centro Distrital, a provocar injustiças graves, que é necessário continuar a combater. - O Governo aposta numa alteração das carreiras, dos vínculos e remunerações que, basicamente, remete todos os trabalhadores para um CONTRATO com os perigos vários que isso provoca em todas as situações, não respeitando a especificidade funcionais, diminuindo direitos, traduzindo-se numa provocação que não pode deixar de ter resposta por parte dos trabalhadores, independentemente do vínculo que actualmente detêm. É necessária outra política! Misercórdias sem misericórdia Outras matérias que está em vigor um Contrato Colectivo de Trabalho (CCT) desde o dia 13 de Maio de 2006, publicado no Boletim do Trabalho e Emprego (BTE) nº 17, de 8 de Maio de 2006, documento que veio substituir a convenção que havia sido publicada no BTE nº 6 de 15 de Fevereiro de 2001. Quer isto dizer que todos os trabalhadores das IPSS’s, sócios do STFPSA, estão abrangidos por um CCT com tabelas de retribuição mínimas do ano de 2004 e 2005, subsequentes actualizações do valor das diuturnidades, abono para falhas e subsídio de refeição, um aumento de 2,3%, desde 1 de Janeiro de 2006, nas tabelas salariais bem como nos montantes a que se reportam a cláusulas de A União das Misericórdias expressão pecuniária. remeteu-se a um autismo dificil Os trabalhadores das IPSS foram alvo de uma de vencer e de compreender. gritante injustiça, pela inexistência de aumentos Não é surdez, é mesmo autismo. salariais em 2001, 2002 e 2003, simplesmente Aos pedidos insistentes de reuporque não foram publicadas as tabelas salariais. nião nada diz. Procede como se Já basta. nada tivesse a tratar com os sinPara os trabalhadores não houve aumentos, mas dicatos e os trabalhadores. A as instituições receberam, através de protocolos situação requer uma atitude mais de cooperação com o agora Ministério do Trabafirme e forte por parte dos trabalho e da Solidariedade, a actualização das preslhadores e a tomada de medidas tações referentes aos seus utentes. Em 2006, o mais activas, por forma a presvalor foi de 2,9%. Refira-se que as verbas atrisionar uma direcção que não buídas pelo Orçamento Geral do Estado às IPSS está a ver a realidade. foi de mil milhões de euros em 2006. Era bom que estas instituições não se esquecessem que estes trabalhadores são o rosto da solidariedade para milhares de crianças, deficientes e idosos e não merecem que sejam dos mais mal pagos do país. Os motivos para a luta continuam. 18 Função Pública PROTECÇÃO CIVIL SEGURANÇA INTERNA Democracia musculada O Governo de Sócrates e de António Costa, em nome do PRACE, está a transformar a protecção civil e a segurança das populações num negócio ao serviço de interesses privados, reservando para o Estado apenas a vertente repressiva, com o intuito de garantir a expansão dos interesses do poder financeiro e de protegê-lo da inevitável contestação social, decorrente da retirada de direitos a trabalhadores e a populações. Esta subordinação da Administração Pública aos interesses financeiros mina valores intrínsecos do Estado democrático. Os factos ilustram de forma clara uma tendência de fundo que se consubstancia na subordinação da Administração Pública aos interesses financeiros, o que mina valores intrínsecos do Estado democrático. Pretende o Governo colocar na dependência de um Secretário-Geral e sob a tutela directa do Primeiro-Ministro todas as forças de segurança e serviços de informação. A concretizar-se tal medida, será caso único na União Europeia. Em detrimento dos serviços para tal habilitados e preparados (vigilantes da natureza, guardas florestais, bombeiros), atribuem-se crescentemente competências inusitadas à GNR nessas áreas (ambiente, protecção civil, etc), para as quais não se encontra vocacionada. Além disso, pretende-se extinguir a Brigada Fiscal, diluindo-a na GNR. Se esta intenção se tornar realidade, Portugal será o único país da União Europeia sem uma força policial especializada e com conhecimentos específicos na área fiscal e aduaneira, dotada de capacidade para garantir uma retaguarda eficaz no âmbito da fraude fiscal, contrabando, narcotráfico, etc. Permite-se que empresas e entidades privadas (incluindo estrangeiras) tenham acesso a sen- síveis bases de dados e sistemas de informações, nomeadamente alfandegários. As acções do corpo inspectivo da ASAE são mediatizadas e envolvidas em desproporcionados dispositivos policiais de natureza intimidatória e repressiva, ao mesmo tempo que se esvaziam os meios e as competências de outras inspecções da Administração Pública (os casos mais flagrantes são o da Inspecção Geral do Trabalho e o da extinção da Inspecção Geral da Administração Pública). Para gerir os meios aéreos de combate aos fogos florestais, segurança interna e protecção civil é criada uma sociedade anónima (Empresa de Meios Aéreos, SA). Pretende-se retirar aos Corpos de Bombeiros a possibilidade de efectuar o transporte de doentes. Sendo bem conhecido, por parte Função Pública de empresas estrangeiras, o apetite de converter este sector num “negócio” e de monopolizá-lo, ele é oferecido e atribuído a empresas privadas. Projecta-se o encerramento de postos e esquadras da GNR e da PSP um pouco por todo o país, mas especialmente no interior e nas pequenas povoações. Envereda-se, assim, por uma concentração de efectivos, segundo o modelo das super-esquadras, pondo-se dessa forma em causa o policiamento de proximidade, que é o meio mais eficaz para garantir a segurança das populações. Através destes exemplos se verifica como o resultado destas medidas, já determinadas ou em fase de implementação, se consubstancia em retirada de direitos a trabalhadores e a populações, em instabilidade, em despedimentos, em falta de condições de trabalho, em insegurança, em falta de protecção, em encerramentos de serviços e numa crescente instauração de um Estado policial de carácter repressivo contra os direitos das populações. Foi o que aconteceu nas recentes cargas das forças de segurança em manifestações contra o encerramento de hospitais, ou no caso da luta dos 19 trabalhadores da Manuel Pereira da Costa. É necessário continuar a denunciar, por todos os meios, os verdadeiros desígnios da chamada “Reforma da Administração Pública”. A alertar as populações para a necessidade de defesa dos seus direitos. A mobilizar os TFP’s para todas as formas de luta, em defesa quer dos seus interesses, quer do próprio Estado Democrático, seriamente ameaçado com a política do actual Governo. A luta não parou com a Greve Geral FORMAS ABUSIVAS de avaliação na Direcção-Geral dos Impostos Foi instalada no Serviço Local de Finanças de Lisboa 3, com pompa e circunstância, com direito a deslocação do Secretário de Estado, a gestão electrónica de filas de espera. A “inovação”, além de gerir o atendimento por assunto, serve também para medir a produtividade dos trabalhadores sem que lhes tenha sido dado conhecimento dessa situação. No final do atendimento, o funcionário tem de preencher um formulário electrónico contendo a matéria questionada pelo cidadão e a resposta ou encaminhamento da questão solicitada, situação que igualmente se verifica no “Call Center” do mesmo organismo. A medição da produtividade é efectuada tomando como referência o tempo dispendido em cada atendimento. Este comportamento, além de ilegal, já que os trabalhadores não tomaram conhecimento desta nova forma de avaliação, mais não pretende que condicionar o tipo de atendimento efectuado e/ou punir os trabalhadores, sem respeito quer por estes, quer pelos cidadãos que necessariamente serão atendidos com menor qualidade e atenção. A par desta situação, também se encontra instalado em todos os Serviços de Finanças um velocímetro nas aplicações centrais da DGCI, destinado a medir, sobretudo nas áreas das execuções fiscais e património, o tempo de execução das tarefas efectuadas on- line, o qual assume os mesmos contornos da situação anterior. Não é admissível que sistemas destinados a aferir sobre tempos de espera ou de execução de tarefas no sentido de melhorar a gestão dos serviços sejam utilizados indevida e abusivamente para controlar e avaliar os trabalhadores. Esta forma de avaliação não está prevista na lei, pelo que é ilegal. 20 Função Pública Ministério da Cultura CULTURA PRIVATIZADA A profunda reestruturação que o Governo está a implementar no Ministério da Cultura (MC), com a extinção, sem fundamento, de serviços de excelência ou de serviços criados recentemente e com a criação de estruturas mastodônticas, não augura nada de bom para a protecção e valorização do património cultural do povo português. Esta reestruturação ataca fortemente o interesse público e os trabalhadores. Feita sem a sua participação, ao contrário do prometido pelo Governo, não é por isso possível determinar com dados exactos e rigorosos o verdadeiro impacto desta medida ao nível dos recursos humanos. Para além disso, o MC tem imposto e utilizado a precariedade para manter o funcionamento regular dos serviços. A Federação, no decorrer deste processo, tudo fará para salvaguardar a situação de todos os trabalhadores, independentemente do vínculo que detenham. A Federação defende, como sempre fez, que o quadro de pessoal dos serviços e dos organismos tem de cobrir o seu regular funcionamento. A Federação considera, finalmente, que só com uma forte vigilância e com uma ampla mobilização para a luta podem os trabalhadores travar esta política e defender os seus direitos. Depois da Greve Geral a luta continua. Ambiente TRABALHADORES EM RISCO DE EXTINÇÃO Já se faz sentir a pressão para que se reduzam os funcionários dos diversos organismos do Ministério do Ambiente em 25 por cento. Esta é a orientação geral. Mais concretamente, há um documento de trabalho de reestruturação do Instituto de Conservação da Natureza que aponta para a redução dos actuais 700 funcionários para 400. Significativo é a retirada de competências aos Vigilantes da Natureza dos parques e das áreas protegidas, o que pode vir na linha do que já foi feito com os guardas florestais, que eram do Ministério da Agricultura e que foram parar à GNR. Ou seja, as competências de vigilância iriam para a GNR, que já hoje assume a dificuldade em cumprir as funções transferidas com os guardas florestais, pela simples razão de não ter verba para isso. Transferiram-se competências mas não as verbas necessárias para que os guardas desempenhem mais do que funções meramente burocráticas, com os prejuízos que daí advêm para fogos florestais e caça, por exemplo. Um traço que aparece nesse estudo de trabalho é a possibilidade de extinção da carreira administrativa Transferiram-se competências mas não e auxiliar, o que indicia a entrega dessas funções a empresas privadas, tal como já conhece no Instituto as verbas necessárias para que os guardas de Resíduos, sendo certo que esta solução é muito mais onerosa que a actual. desempenhem mais do que funções meramente burocráticas Função Pública 21 Centros Protocolares do IEFP CONTRATAÇÃO COLECTIVA AVANÇA A Federação continua a insistir na proposta de equiparação de direitos entre os trabalhadores dos Centros Protocolares e os trabalhadores do IEFP da restante Administração Pública. Através de abaixo-assinados, já entregues aos Conselhos de Administração dos Centros Protocolares, exigindo a redução do horário de trabalho para as 35 horas semanais e as férias em situação de igualdade com os trabalhadores do IEFP e da Administração Pública, os trabalhadores do Centro de Formação para a Reparação Automóvel e do Centro de Formação Profissional do Sector Alimentar manifestaram desta forma a sua vontade e determinação. No decurso deste processo, o CD do IEFP teve um papel reprovável. Fez chegar a todos os Conselhos de Administração dos Centros Protocolares uma circular com instruções para não haver cedências às pretensões dos trabalhadores, demonstrando sem ambiguidades que, como o Sindicato tem insistentemente advertido, não existe nenhum vestígio da tão propalada autonomia dos Conselhos de Administração. Onde os trabalhadores demonstrem essa vontade, a Federação irá, a partir de agora, iniciar processos de apresentação de Acordos de Empresa nos Centros Protocolares, no sentido de inverter a actual situação de estagnação. Registe-se, entretanto, que o processo se encontra já em fase mais adiantada no Centro de Formação Profissional para o Sector Alimentar. A proposta de Acordo de Empresa está neste momento em discussão, para posterior elaboração e apresentação. Instituto do Emprego e Formação Profissional NÃO HÁ FORMAÇÃO PARA O DIÁLOGO Discutir nem pensar. O Conselho Directivo do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) gosta mais da política do facto consumado. “Já está”, gostam eles de afirmar. O problema é que quem se “lixa” são os trabalhadores. O Conselho Directivo (CD) do IEFP recusa-se a discutir, como tinha obrigação de fazer, a reestruturação do IEFP e a nova Lei Orgânica, medidas que, com a tentativa de retirada de direitos que contêm, trarão graves implicações para a vida dos trabalhadores. Para que não restem dúvidas, serão extintos os lugares de chefe de secção e as comissões de serviço das chefias cessarão sem direito a indemnização. O CD do IEFP anuncia estas medidas e nem pensa que elas podem desencadear complexos processos jurídico-laborais. Entre a espada e a parede, no âmbito da nova Lei Orgânica do IEFP, os trabalhadores em comissão de serviço no CIT com vínculo à Função Pública ficarão obrigados a, num prazo entre 60 a 90 dias, optarem de forma definitiva por um dos vínculos. Em face disto, o que o CD do IEFP vem dizer é que irá avançar com nova regulamentação laboral, supostamente ouvindo as considerações dos trabalhadores. É claro que a avaliar por situações anteriores, o que se prevê é que a auscultação dos trabalhadores não passará de um simulacro. Evidentemente que a Federação não aceitará imposições e bater-se-á por aquilo que considera fundamental, que é avançar com a Contratação Colectiva, através de uma proposta de Acordo de Empresa, devidamente discutida com os trabalhadores. A contratação Colectiva é a única forma de impedir abusos de conselhos directivos pouco dados a respeitar as regras democráticas no interior dos serviços. 22 Função Pública Unidades de Saúde Familiares A SAÚDE MERCANTIL O projecto de regulamentação das Unidades de Saúde Familiares (USF) foi finalmente entregue aos sindicatos no passado mês de Abril e confirmaram-se os piores receios. Está aberto o caminho para o mercantilismo e a privatização. Desde logo, a Federação considera que as propostas feitas têm a real intenção de preparar o campo para um fácil destacar das USF dos centros de saúde, através de uma privatização desta área. recer dado ao projecto de regulamentação das Unidades de Saúde Familiares preparado pelo Governo, que este preconiza que sejam pagos incentivos a todos os profissionais, em função da produção, para além de estas USF serem apenas constituídas por médicos, enfermeiros e administrativos, deixando de fora um conjunto vasto de outras profissões que deviam fazer parte delas. O fundamental, contudo, é o caminho que aqui se adivinha de mercantilismo e privatização., através do mecanismo de destacar as USF dos centros de saúde. O parecer sindical afirma que o projecto de Decreto-Lei aparece desajustado no tempo - ainda que a Federação assuma a necessidade de reorganização dos centros de saúde - porque está previsto que o decreto-Lei 157/99 venha a ser revisto, com o estabelecimento de um novo modelo organizativo para os centros de saúde e porque está actualmente em curso um processo negocial dos princípios orientadores, que irão determinar a futura negociação concreta das alterações que irão ser feitas aos regimes de vínculação, carreiras e remunerações, actualmente existentes na administração Pública. Não faz sentido andar a rever diplomas permanentemente, a menos que se esteja a tentar iludir os profissionais e as DESRESPEITO TOTAL A Federação salienta, no pa- populações Os sindicatos referem ainda que para além das USF há outras unidade de saúde a deverem ser regulamentadas, o que deveria ser feito em conjunto. O parecer da Federação estranha que se venha regular uma pequena parte de um centro de saúde, deixando tudo o resto por regulamentar, sabendo-se que a breve trecho os centros de saúde sofrerão alterações significativas. Aspecto a merecer total desacordo é o facto de estar estabelecido o pagamento aos profissionais em função da respectiva produFoi há dois anos que a Federação Nacional dos ção. Em saúde, tal diferenSindicatos da Função Pública enviou ao Sr. Minisciação remuneratória é tro da Saúde o seu Caderno Reivindicativo. E completamente desaconnada. Do outro lado é o vazio. Não há resposta. selhável, porque propiciaComo é que se concebe que num Estado democrádora da prestação de piores tico, o Governo deixe, mais de dois anos, impacuidados de saúde e pode cientemente à espera de uma reunião de negocialevar a um aumento dos ção os representantes dos trabalhadores gastos em virtude do aumento artificial do da Função Pública? Dois anos à espera de uma número de consultas e reunião justa e obrigatória, que está na lei? outros actos, que não É demais. seriam realizados se o Fala-se em leis orgãnicas, alterações de direcções pagamento não fosse feito gerais, reestruturações e o “diabo a quatro”, mas à peça. informações aos sindicatos, nada. É o desrespeito O que não se compreende, não só pelos representantes dos trabalhadores mas igualmente, é o facto de as pelos próprios trabalhadores. USF serem encaradas, nesAinda perguntam se havia razões para a participação te projecto, como entidamassiva na Greve Geral. Não só havia como ops trabades ao mesmo nível dos lhadores aderiram e vão continuar a lutar. centros de saúde e não como sua parte funcional. Ora, isto vai gerar um conjunto de confusões, geradores de impasse, podendo mesmo levar à paralisação do centro de saúde. Função Pública 23 STCDE REFORMA CONSULAR LANÇA PREOCUPAÇÃO A Reforma Consular preconizada pelo Governo está a deixar em alerta máximo os trabalhadores, uma vez que se prevê o encerramento de vários postos consulares e a revisão do estatuto profissional. Em causa estão os seus direitos que, para o Sindicato dos trabalhadores Consulares, têm que ser integralmente respeitados, sendo que a principal preocupação passa pela recolocação dos trabalhadores dos postos a encerrar e a revisão do Estatuto Profissional. A Resolução do Conselho de Ministros onde a questão se põe não é de molde a deixar ninguém tranquilo, uma vez que se desconhecem os moldes em que a dita reforma vai decorrer. Uma coisa é certa: Em comunicado enviado aos sócios, o Sindicato já alertou para o facto de que este processo carece de negociação e manifestou a sua determi- nação em “defender tenazmente os seus associados por todos os meios disponíveis”. JUSTIÇA SEM LEI A marca registada deste governo não se altera no sector da Justiça. Diálogo, nada. Boatos, muitos. O diz que diz campeia livremente. Não há trabalhador tranquilo com o que lhe pode vir a suceder. Já há tempos que a Federação denunciava intenções de encerramentos e transferências. O que não se esperava é que se concretizassem encerramentos de centros educativos ou fecho de equipas sem a respectiva lei orgãnica do Instituto de Reinserção Social sair. Ou mesmo estabelecimentos prisionais, sem alterar a lei orgãnica dos serviços prisionais. A regra parece ser a de não dar cavaco aos sindicatos. Isto não é justiça de um Estado de Direito Democrático. Aposentados PENSÕES DIMINUÍRAM O que se previa aconteceu. O valor real das pensões a receber foi efectivamente diminuído em 2007. A mísera actualização imposta pelo Governo e sujeitas aos aumentos dos descontos para a ADSE e à tributação em IRS, puseram milhares de aposentados a receber menos do que recebiam em 2006. Se somarmos a isso o aumento dos medicamentos e outros produtos de primeira necessidade, já para não falar das taxas moderadoras e do anunciado aumento do preço nos refeitórios, fica-se com uma ideia da gravidade da situação. Por outro lado, prosseguem as afirmações do governo sobre a aproximação dos regimes de aposentação da Função Pública aos privados.O que se receia é que não se trate já de equiparação mas de efectiva redução de direitos. Em Foco Cerca de dois anos passados sobre aquela que foi considerada a mãe de todas as reformas, e que provocou uma profunda reestruturação no ME, através da extinção, criação e fusão de serviços e organismos centrais, regionais e tutelados, está de volta, nesses mesmos serviços e organismos, mais um conjunto de reestruturações, com o consequente rol de extinções e de fusões, regulado agora pela nova Lei Orgânica do ME, aprovada pelo DL 213/2006, de 27 de Outubro. Ministério da Educação SESSÕES CONTÍNUAS DE REESTRUTURAÇÃO Nesta reestruturação levada a cabo pelo Governo PS, os trabalhadores não foram sequer ouvidos em matérias de negociação colectiva e ficaram sem uma perspectiva clara sobre o que irá suceder com a aplicação da Lei da Mobilidade. Mantém-se, segundo o ME, «o quadro único até à entrada em vigor das Portarias que aprovam os quadros de pessoal dos serviços criados e objecto de reestruturação». A transição do pessoal para os quadros pri- vativos far-se-á, assim, de acordo com a Lei da Mobilidade, nos termos da qual «o pessoal que tenha a qualidade de funcionário ou agente dos serviços que sejam objecto de extinção, fusão e reestruturação pode ser mantido no respectivo serviço, sujeito a instrumentos de mobilidade ou colocado em situação de mobilidade especial» (artº. 11º da Lei nº 53/2006, de 7/12). A Federação não deixará de lembrar a Ministra da Educação de que, durante déca- das, os serviços centrais, regionais e tutelados do ME, com a justificação de falta de pessoal no quadro único do Ministério para fazer face às necessidades permanentes dos serviços agora em reestruturação, recorreram a milhares de requisições, destacamentos, avenças e aquisições de serviços. Neste contexto, a Federação considera imprescindível que os trabalhadores permaneçam atentos ao desenrolar do processo de reestruturação do ME e mobilizados para lutar em defesa dos seus direitos. Escolas e jardins-de-infância GOVERNO TRAVA NEGOCIAÇÃO Após as oito reuniões de negociação em que já participou, a Federação encontra-se em condições de afirmar que os representantes do ME estão a fazer tudo para condicionar o andamento e a evolução da negociação do contrato colectivo sectorial. O objectivo é, no âmbito da chamada «Reforma da Administração Pública», retirar direitos aos trabalhadores, seja em relação aos vínculos, às carreiras ou às remunerações. Os principais pontos por que o Sindicato se tem batido são a equiparação, em termos de «nivelamento por cima», de direitos para o mesmo trabalho, independentemente do vínculo de cada trabalhador, a igualização dos horários de trabalho e a consagração da contratação colectiva. A Federação considera imprescindível, no quadro deste complexo contexto negocial, que todos os trabalhadores não docentes se sindicalizem, envolvendo-se, dessa forma, mais activa e profundamente no processo de defesa dos seus direitos. Função Pública 25 ESCOLAS PODER LOCAL No âmbito de uma política demagogicamente apelidada de «descentralização» da administração educativa (juntamente com um modelo empresarial de gestão, de funcionamento e de financiamento das escolas/agrupamentos), tem o Governo vindo a empurrar a responsabilidade das suas políticas educativas e economicistas para as Câmaras Municipais e os Conselhos Executivos, a quem o executivo chama «lideranças locais ou autonomizadas», mas que verdadeiramente pretende instrumentalizar. Nos termos desta perspectiva do Governo, será o poder central que definirá e determinará as políticas educativas, transferindo para o poder local a gestão material e de recursos humanos. A concretizar-se, esta transferência levaria, a médio prazo, ao acentuar, entre municípios, das desigualdades no tratamento dos trabalhadores das escolas e mesmo das próprias populações escolares. Para além do facto de as Câmaras não se encontrarem minimamente preparadas, habilitadas e vocacionadas para o exercício da gestão da acção educativa, as próprias escolas tornar-se-ão dependentes do financiamento directo do poder central para o seu simples funcionamento. Resta acrescentar que o processo está a ser preparado e desenvolvido com a Associação Nacional de Municípios, mas que, lamentavelmente, mas como é normal neste Governo, a discussão não é alargada aos verdadeiros intervenientes no processo educativo. PRIVATIZAÇÃO DO PARQUE ESCOLAR O Governo Sócrates prepara-se para entregar o património imóvel do Estado e as suas funções sociais às grandes clientelas financeiras e políticas. Na tendência pelo Governo como a solução milagrosa para os problemas, precisamente depois de todos os anteriores passos privatizadores terem criado o quadro actual. O Governo Sócrates prepara-se para entregar o património imóvel do Estado e as suas funções sociais às grandes clientelas financeiras e políticas. Com o dinheiro dos contribuintes, este Governo PS está a criar condições para que, a médio prazo, haja uma privatização de todo o parque escolar do Ensino Secundário, respondendo assim de forma solícita aos apetites do capital pelos serviços públicos. geral e de fundo, prosseguida com zelo e denodo pelo Governo PS/Sócrates, de privatização das funções sociais do Estado, transferiu o Governo para a parque escolar EPE (dotada de autonomia administrativa e financeira), a título de capital estatutário, sete escolas secundárias e 1,4 milhões de euros do dinheiro dos contribuintes. Esta medida de privatização As Câmaras não se encontram das escolas tenta o Governo justificá-la com a degradação minimamente preparadas, paulatina do Parque Escolar destinado ao Ensino Secunhabilitadas e vocacionadas para dário. «Esquece-se» apenas de referir que esta situação se o exercício da gestão da acção deve, em grande medida, às más políticas de desinveseducativa. timento no sector, prosseguidas continuamente por Governos PS e PSD. Ideologicamente, o figurino e o modelo da gestão empresarial são, neste como em todos os sectores, apresentados à opinião pública Opinião José Manuel Coordenador do STFPC OUTRO RUMO É POSSÍVEL Os trabalhadores da Função Pública têm desenvolvido, ao longo dos últimos meses, imensas e honrosas lutas contra o que tem sido uma política de Favor do Governo Sócrates aos Grandes Grupos Privados assente num ataque feroz ao Serviços Públicos. A Greve Geral na Região Centro foi uma resposta forte e cabal a esta política destruidora e selvagem que tem vindo a ser implementada demonstrando aos trabalhadores e a todos os cidadãos deste país que outro rumo e outro caminho são possíveis. A Greve Geral de dia 30 de Maio foi fruto da unidade dos Trabalhadores Portugueses que vêm lutando em todos os sectores e áreas de actividade Com este governo já sentimos na contra o aumento do Desemprego; a Redução dos Salários e Reformas, contra a Degradação dos Serviços Públicos da Educação; Saúde e Segupele o Roubo na Aposentação; rança Social, em suma, contra uma progressiva diminuição dos seus direitos. o congelamento das Progressões e agora a Mobilidade, forma encapotada de A Greve de 30 de Maio foi um êxito Agora deparamo-nos com um Governo- que de Socialista só tem o nomeque quer acabar com tudo que os trabalhadores foram conquistando ao despedimento. longo dos últimos 33 anos, e em particular o Serviço Público. Salário Minímo Nacional, Férias, Subsídio de Férias e Natal, Horário de 35 horas, Carreiras e Categorias, anualidade dos aumentos salariais, estabilidade no emprego e formação profissional Sócrates que deitar ao lixo. Todo um progresso civilizacional ao nível dos direitos dos trabalhadores pretende-se pura e simplesmente que desapareçam. Com este governo já sentimos na pele o Roubo na Aposentação; o congelamento das Progressões e agora a Mobilidade, forma encapotada de despedimento. Sentimos também a bagunça que começa a campiar nos locais de trabalho com a contratação de serviços a empresas privadas que exploram os trabalhadores que ai colocam, precários e sem direitos, usando de ameaças, abuso de poder e criando um clima de constrangimento e medo. Isto só possível porque as Administrações são estranhas ao local onde são colocadas pelos “Amigos”que estão no Poder. Estas têm objectivos bem claros: destruir a estabilidade Funcional e Profissional para melhor reinar usando de comportamentos e atitudes impróprias de uma sociedade democrática que já se começa a confundir com o poder fascista que existia antes do 25 de Abril. Por tudo isto, a continuação da luta dos trabalhadores da Região Centro do País é fundamental para Parar a destruição dos Serviços Públicos; para defender os direitos que a Constituição da República consagra; para parar e inverter a agulha da política neo-liberal a que o governo tão submissamente obedece no plano internacional e que tem servido para aumentar as desigualdades e entregar a Administração Pública, de todos nós, ao Capital Privado, que é só de alguns. Função Pública 27 PARAR EXTERMÍNIO DOS SERVIÇOS PÚBLICOS Alcides Teles Coordenador do STFPSA O problema da Gestão da coisa pública é fundamentalmente uma questão política e do que politicamente é decidido pelos sucessivos Governos para Administrar aquilo que é de todos os cidadãos, que são os serviços públicos em todas as áreas, desde a Educação à Saúde passando pela Segurança social, Ambiente, Agricultura Cultura, Finanças, Protecção Civil, Forças de Segurança… Como todos sabemos, a esperança numa sociedade mais justa e solidária, em que todos os cidadãos fossem cidadãos com igualdade de direitos e oportunidades, resultou do 25 de Abril de 1974. Essa esperança rapidamente foi posta em causa e combatida por aqueles que, detendo verdadeiros privilégios durante o regime fascista, encontraram nos partidos de direita e politicas de direita desenvolvidas pelos vários Governos até hoje, o grande aliado para preservarem e manterem a sua situação privilegiada: A vida dos outros pouco importa desde que a sua seja muito boa. O actual Governo segue essa mesma sabendo que destruindo serviços públicos, pelas várias formas que procura utilizar, está a contribuir para a perda da pouca qualidade de vida que as populações já têm. São exemplo disso os A verdadeira questão é que o actual encerramentos de urgências, centros de saúde, escolas, tribunais, serviços do Ministério da Agricultura, etc... colocando em causa o Governo procura desmantelar Estado Social que resultou precisamente do 25 de Abril, incentivando que na sociedade existam Portugueses com direitos e oporo Estado, privatizando as partes tunidades de primeira, segunda e terceira categoria. É neste contexto, de ataque ao Estado Social e de extermínio dos rentáveis, distribuindo-as por “Boys”, serviços públicos que se insere o objectivo de eliminar, não os direitos dos TFP’s mas sim a sua própria existência independenteamigos e afilhados sendo que para tal mente do tipo de vínculo de cada um. Nesta altura, a luta pelo emprego e pelo direito ao trabalho assué necessário correr com me significativa relevância para os trabalhadores que exercem funções públicas, não esquecendo o direito à carreira, ao salário…ao os trabalhadores dos diversos serviços. respeito por parte de quem dirige a Administração Pública. Importa, por um lado, reforçar a estrutura sindical (através da sindicaliA actual Lei da Mobilidade zação) nos locais de trabalho, elegendo delegados sindicais e informando o Sindicato das medidas que estão a ser tomadas e, por é a prova provada dessa situação. outro lado, informar e esclarecer a população em geral que o real objectivo desta política contra os TFP’s é a retirada de direitos essenciais a essa mesma população e que a luta de uns é a luta de todos em defesa das portas que Abril abriu e que este Governo procura fechar. Todos temos o dever de nos envolver participar em defesa do emprego e dos direitos, e de um Estado mais justo e solidário. 28 Função Pública Artur Monteiro Coordenador do STFPN OS TRABALHADORES NÃO SÃO TRAPOS Não há medos que nos possam impedir de lutar. É uma questão de afirmação de cidadania. A prova disso foi a adesão à Greve Geral Os trabalhadores do sector privado e do sector público deram as mãos e com grande solidariedade e com apoio mútuo, exigiram um outro rumo para as políticas neoliberais do Governo do Partido Socialista. São vários os motivos para o grande descontentamento dos trabalhadores: A precariedade no trabalho gerando insegurança e instabilidade, o agravamento do desemprego, a redução dos salários e a perda de direitos individuais O momento político e as políticas e colectivos; O agravamento das condições de trabalho e a prevista revisão do Código do deste Governo do PS/Sócrates, Trabalho impondo a Flexigurança e o PRACE (reforma da Administração Pública), visa um brutal ataque do patronato, quer privado quer público, tendo impõe um gigantesco por objectivo os despedimentos totalmente liberalizados e sem justa causa; A destruição do Serviço Nacional de Saúde, do Ensino Público e a degradadesafio de procura e afirmação ção da Justiça e da Segurança Social; O agravamento do custo de vida, com uma cada vez mais injusta distribuição de unidade. Os trabalhadores já da riqueza nacional; O terrorismo de Estado no ataque à Administração Pública e às Funções deram provas que são capazes. Sociais do Estado; A desvalorização do trabalho e as humilhações constantes a quem trabalha; O momento político e as políticas deste Governo do PS/Sócrates, impõe uma grande greve, colocando um gigantesco desafio de procura e afirmação de unidade. Não há medos que nos possam impedir de LUTAR. É uma questão de afirmação de CIDADANIA. Há condições para a unidade na acção de todos os trabalhadores. O sindicalismo responsável exige acção séria, clara, isenta e oportuna. Depois das grandes manifestações de 12 de Outubro e de 02 de Março, da Greve de 09 e 10 de Novembro da Administração Pública e da persistente, arrogante, fascizante por parte do Senhor Sócrates e do seu Governo, não restava outra alternativa ao Movimento Sindical Unitário da CGTP – Intersindical Sindical, se não dar continuidade à grande mobilização dos trabalhadores e à sua indignação. Depois da Greve Geral vamos continuar a lutar pelo fim da ditadura do Partido Socialista. Açores DESTRUIÇÃO DA NOÇÃO DE LOCAL DE TRABALHO A medida genericamente designada de “quadros de Ilha” é absolutamente inaceitável, porquanto destrói por completo Em ilhas com um só concelho como o Corvo, Faial, Graciosa e Santa Maria, no sector privado, de local de trabalho. esta possibilidade ganha força, mas mesmo em relação às restantes, não está prevista a impossibilidade de deslocação para outro concelho e este ser prenoutra ilha. Imagine-se ir do Faial para o Pico tende com o diploma “quadros de Ilha” que toda a ilha seja considerada como o local de ou da Terceira para a Graciosa ou de S.Miguel trabalho de cada um dos trabalhadores, os para Santa Maria. A possibilidade é absolutaquais, no limite, poderiam ter um local de tra- mente intolerável. A mobilidade mensal inscrita neste projecto, balho diferente todos os meses. para além de gerar uma completa instabilidade nos trabalhadores, irá também provocar uma enorme instabilidade nos serviços. Não se consegue perceber a vantagem de tal medida. Por outro lado, os quadros de ilha contendem com direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores, nomeadamente com o exercício da actividade sindical, a qual está directamente ligada á noção de local de trabalho. Os sindicatos têm propostas concretas que, indo ao encontro dos objectivos funcionais dos serviços, não põem em causa direitos fundamentais dos trabalhadores. É tudo uma questão de diálogo. a noção existente em toda a legislação conhecida, mesmo O Governo Regional BOLSA DE EMPREGO PÚBLICO A “Bolsa de Emprego Público – Açores” (BEPA), que o Governo Regional criou, vem permitir a disponibilização de diversos dados pessoais através da Internet, incluindo a morada, nº de BI, contribuinte, etc. A medida até seria positiva não fosse dar-se o caso de ela dispensar a publicação no Jornal Oficial e a publicitação na imprensa regional dos concursos. Ou seja, assim, trata-se de uma medida economicista para o Governo regional mas cara para os cidadãos que têm de ter acesso à Internet, como se esta fosse assim uma coisa já completamemte banalizada e grátis. A sugestão era que o Governo Regional disponibilizasse um computador com acesso à net a cada cidadão, assim como um curso de informática grátis. Sem ironia, a medida seria positiva se a publicitação fosse cumulativa pelos dois meios. Olhares PROPRIEDADE INDEPENDÊNCIA A polémica em torno do canudo de José Sócrates e o caso Universidade Independente deixaram a nu várias coisas, todas elas importantes para a clarificação e separar águas sobre a natureza da nossa imprensa. Não é aqui o lugar para dizer que a questão do canudo não ficou esclarecida e que todo o processo deixou muitas dúvidas sobre o caracter do Primeiro-Ministro, nem que as nomeações e desnomeações de gente ligada ao processo deixaram no ar muitas dúvidas sobre favores, desfavores, tráfico de influências, cartões do partido, etc. Por outro lado, é preocupante saber que os nossos governantes pensam que o mais importante é a obtenção de um canudo e não a aquisição de saber e preparação para a vida activa e para o exercício da cidadania que lhe deveria estar inerente, tal como é precupante saber o que se pode passar em universidades privadas desde que se pague. Preocupante porque são estas pessoas que definem a política educativa para o país. É claro que o verdadeiro Mas, aqui, o que nos interessa é o comportamento dos media neste escândalo, que é o caso. Esse sim é revelador do estado a que chegámos quanto à independência dos meios. comportamento do O primeiro jornal a levantar a questão do canudo de Sócrates foi precisamente o Público. Ao que parece, José Manuel Fernandes, o Governo face à sua director do jornal, conhecia a história já há mais de dois anos. Nunca pegara nela. Porquê agora? As más línguas do meio jornaAdministração Pública, lístico apressaram-se a invocar uma relação de causa e efeito. Isto é, o Estado foi o principal obstáculo à OPA da Sonae à PT e, pornão merece qualquer tanto, Belmiro não gostou e a resposta não tardou. As páginas do Público abriram-se a histórias pouco edificantes de canudos, conscomentário. Exactamente truções, nomeações e favores. E foram semanas nisto. Já o DN demarcou-se da história, invocando razões morais e éticas, porque as opções o que não deixa de ser uma blague interessante num jornal que tem hoje como director aquele que no Correio da Manhã não teve pejo de direita do Governo em publicar histórias, não confirmadas, de actos do então PrimeiroMinistro Ferro Rodrigues, arrastando o seu nome pela lama. coincidem com as opções Posto isto, pergunta-se: a propriedade dos meios de comunicação não tem mesmo nada a ver com o que lá se publica e edita? Julgo ideológicas dos que já ninguém acredita nisso. É claro que o verdadeiro escândalo, que é o comportamento do proprietários dos meios. Governo face à sua Administração Pública, não merece qualquer comentário. Exactamente porque as opções de direita do Governo coincidem com as opções ideológicas dos proprietários dos meios. Independência? Seria caso para sorrir, não fosse estar em causa o futuro do país. Acrescem a isto as tentações controladoras do Governo, os telefonemas para as redacções dos seus assessores de imprensa e as novas regras, quase policiais, da Comissão de atribuição da carteira profissional, assim como a legislação para o segredo de justiça. A verdade é o que se publica, pensa o Governo. Salazar disse uma vez, cito de memória”, “só existe o que o povo sabe que existe”. Daí a censura durante 48 anos. Ócios Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública Sul e Açores LAZERES & SERVIÇOS TURISMO Encontram-se já em distribuição as publicações relativas a produtos de Turismo, quer se trate de férias em Portugal ou no estrangeiro, de finsde-semana ou ainda de marcação de serviço aéreo. Os programas publicitam, como é hábito, os destinos mais procurados pelos sócios do STFPSA, dos quais se destacam os pacotes de férias na costa mediterrânica espanhola, que mantêm uma excelente relação qualidade-preço. Todavia, mesmo não constando nas revistas do STFPSA, o Departamento de Tempos Livres tem acesso a qualquer produto de turismo existente no mercado nacional. Mantém-se a possibilidade de pagamentos. Aproveite, faça as férias a que tem direito! SERVIÇOS EXTRA-SINDICAIS Porque pensamos que se trata de um serviço que permite fazer economias, sublinhamos a importância do Guia de Serviços, em distribuição em formato papel ou, no site HYPERLINK "http://www.stfpsa.pt" www.stfpsa.pt, em versão pdf. Dos muitos produtos anunciados, o destaque vai para os estabelecimentos de ensino superior com os quais temos acordos. Em tempo de decisões quanto ao futuro académico de cada um de nós (e dos nossos filhos), vale a pena fazer contas. O ISLA, a Universidade Autónoma, a Moderna, a Lusófona ou o Piaget são algumas possibilidades. CAMPISMO Encerradas que foram, a 30 de Abril, as inscrições, no STFPSA, para reserva de alvéolos no Parque de Vila Nova de Milfontes, nem por isso os nossos sócios ficam inibidos de usar aquela infra-estrutura, podendo as marcações ser feitas, a partir de Maio, directamente para os serviços do Parque (telef. 283996409). Recorde-se que Vila Nova de Milfontes, situada em plena Costa Vicentina, permite a utilização das praias atlânticas, mas também usufruir das condições amenas da foz do rio Mira. Para lá do parque referido, os nossos sócios podem usufruir, em condições preferenciais, dos parques de campismo de Avis, da Praia do Malhão (também na Costa Vicentina), de Algezur e de Ortiga-Mação. DESPORTO Para quem pratica desporto por gosto, por disciplina ou por necessidade, lembramos que o Sindicato disponibiliza uma rede de Piscinas em Lisboa (Algés, Benfica, Belenenses, Olaias e Sporting), em Almada (Corroios, Academia Almadense, Lisnave e SFUAP), em Parede (Bombeiros), em Odivelas (Piscina Municipal), em Loures (Loures e Santo António dos Cavaleiros), em A-dos-Cunhados (Junta de Freguesia) e em Torres Vedras (Física), onde se pode praticar natação e hidroginástica, sempre com acompanhamento técnico. Em qualquer das piscinas utilizadas no presente ano lectivo ainda existem vagas. Os preços praticados são exclusivos dos sócios do Sindicato. Ao nível das actividades de ginásio, estão disponíveis aulas de Ginástica de Manutenção, Yoga, Karaté, Musculação e Fitness, tudo isto a funcionar no Ateneu Comercial de Lisboa, para lá das actividades praticadas no Central Fitness Health Club, em Cascais, no Clube de Campo da Covilhã e na Academia Life Club, em Lisboa, organizações com as quais o Sindicato mantém protocolos.