CLUBE EXTRA: A ANÁLISE DA NOVA FERRAMENTA DE MARKETING DE RELACIONAMENTO – A REDE SOCIAL Juana Rocha Faria1 Cássia Torres de Carvalho2 RESUMO Este artigo acadêmico teve como intuito de estudar a ferramenta interativa exclusiva da Rádio Extra, Clube Extra, capaz de captar e fidelizar clientes3 através de práticas que aproximam os dois pólos estabelecidos na relação B2C4 a partir do momento em que divulga informações, promoções e eventos exclusivos, considerando o cliente como único, principal característica do marketing de relacionamento. Para tanto foi necessário estudar o surgimento da internet, da web 1.0 e 2.0, da cibercultura, a origem do hipertexto e da interação, o nascimento das redes sociais e da convergência midiática. Foi exposto o conceito do Marketing de relacionamento que tem como foco principal o cliente. Palavras-chave: Hipertexto, interação, redes sociais e marketing de relacionamento. 1 INTRODUÇÃO O tema proposto para este artigo “Clube Extra - A captação de clientes através da nova ferramenta de Marketing de Relacionamento – a rede social” foi escolhido 1 Bacharela em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda pela Faculdade Promove. 2 Graduada em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais e mestre em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professora do curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade Promove de Minas Gerais desde 2003 e Coordenadora do curso a partir de 2010. e-mail: [email protected] 3 4 Clientes, nesta pesquisa, serão considerados, exclusivamente, os clientes finais. B2C significa business to consumer ou negócio para cliente. 2 mediante às novas formas de comunicação estabelecidas entre cliente e empresa a fim de proporcionar a captação de prospects5 e/ou manter os clientes já existentes através de ferramentas interativas promovendo um ambiente propício para um maior conhecimento da empresa em relação aos seus clientes e vice-versa. Desta forma, nota-se que o Clube Extra surge para complementar as estratégias já existentes no campo do marketing de relacionamento no que diz respeito aos laços construídos com o ouvinte. A fim de sistematizar isso, foram estabelecidos alguns objetivos específicos do campo de estudo do artigo, como refletir sobre a relação comercial entre ambos os pólos através das suas possíveis trocas, entender sobre a nova ferramenta de marketing de relacionamento no contexto da cultura digital, apresentar os dois tipos de contato que podem ser estabelecidos através desta ferramenta e refletir sobre os possíveis interesses e laços estabelecidos nesta relação B2C. Com isso, o objetivo geral foi uma consideração no que tange a captação de novos ouvintes para a Rádio Extra através de práticas divulgadas por meio do Clube Extra como estratégias de marketing de relacionamento capazes de estreitar ainda mais o relacionamento com seu público-alvo. Este artigo pode ser considerado objeto de estudo da área da Comunicação porque estudará a conversação6 que estabelece-se entre o cliente e a empresa, que neste caso, trata-se de uma conversação em um ambiente virtual. Braga cita em seu artigo “Campo da comunicação: caracterização, problematizações e perspectivas” (2001, p.16) que: ‘Poderíamos assim dizer que o objetivo do Campo de Estudos em Comunicação, de modo quase tautológico, é observar como a sociedade conversa com a sociedade’. 5 Prospects significa clientes em potencial. Conversação é definido por Tarde apud Braga como “uma espécie de mediação cotidiana do conjunto das relações sociais, a difusão das ideias e da formação das condutas que tem lugar na sociedade.” (2001, p.16). É necessário fazer um adendo, pois a conversação é um conceito para uma situação presencial, então Braga prefere caracterizá-la como ‘interação social’, ‘interação comunicacional’ ou apenas ‘interação’. 6 3 Desta forma, a interação que acontecer por meio de um aparato técnico, o computador, poder-se justificar pelo fato de que grande parte do que a sociedade contemporânea comunica ocorre com o apoio de um meio de comunicação (BRAGA, 2001). Este estudo foi relevante para mim, no que tange os meus interesses acadêmicos, pois permite o meu aprofundamento no campo do conhecimento das relações mercadológicas estabelecidas entre a Rádio Extra através do Clube Extra e o seu ouvinte a partir do ponto de vista das interações que ocorrem em um ambiente de comunicação virtual. Para a comunidade acadêmica, pois pode contribuir para esclarecer à outras pessoas que tem vontade de pesquisar sobre um dos temas mais abordados sobre à comunicação da sociedade mundial - redes sociais - que está mudando a forma das pessoas se relacionarem. E, por fim, para a sociedade porque mostrou que o mercado que não preocupa-se com os interesses e desejos do seu target7 abre um abismo entre os pólos e consequentemente espaço para a concorrência captar este cliente se souber valorizá-lo. Para fundamentar o artigo, será estudado o Marketing de relacionamento, que é uma especialização do citado acima, que será referenciado o autor Gordon através do livro “Marketing de Relacionamento: estratégias, técnicas e tecnologias para conquistar clientes e mantê-los para sempre” (2002) e Vavra em seu livro “Marketing de relacionamento – After marketing – Como manter a fidelidade de clientes através do marketing de relacionamento” (1993). A primeira geração da internet, denominada web 1.08, no livro “Blog e wiki: os futuros professores e as ferramentas da web 2.0”9 (COUTINHO e JÚNIOR, 2007, p.1) 7 Target significa público-alvo. 8 Web 1.0 o conceito será explicado no decorrer da fundamentação teórica. 9 COUTINHO, Clara Pereira e JÚNIOR, João Batista Bottentuit. Blog e Wiki: os futuros professores e as ferramentas da web 2.0, 2007 Disponível em: http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/7358/1/Com%2520SIIE.pdf. Acesso em 14 de novembro de 2010. 4 permite a disponibilização de um grande volume de conteúdo, porém estes não podiam ter informações acrescentadas ou retiradas nem ser resumidos pelos internautas, era ainda um meio não muito democrático também pelo fato de ser inacessível para os menos favorecidos financeiramente. Posteriormente a web 2.010 abre espaço para um novo tipo de comunicação utilizada na internet que proporciona aos seus interagentes11 um ambiente mais interativo que possibilita o compartilhamento de informações que através da criação de tags12 de identificação que são capazes de trazer todas as outras informações postadas a cerca do assunto inicial, como citado em “Web 2.0 - Erros e acertos – Um guia prático para o seu projeto”13, Siqueira (2009, p. 9). Em 2003, Primo em seu artigo “Quão interativo é o hipertexto? Da interface potencial à escrita coletiva”14 segmenta o hipertexto que conhecemos hoje na interface da web em potencial, colaborativo e cooperativo de acordo com suas peculiaridades no que diz respeito às suas possibilidades quanto aos tipos de navegação na rede, que foi mais bem detalhado ao longo da fundamentação teórica. E o quarto tipo é o hipertexto colagem que serão referenciados os autores Primo e Recuero em “Hipertexto cooperativo: uma análise da escrita coletiva a partir dos blogs e da Wikipédia”15 (2003). 10 Web 2.0 o conceito será explicado no decorrer da fundamentação teórica. Interagentes são agentes que participam de um processo interacional. 12 Tags significa “etiquetas” ou “rótulos” para caracterizar palavras-chave. 13 SIQUEIRA, Paulo. Web 2.0 – Erros e acertos – Um guia prático para o seu projeto, 2009. Disponível em: http://blog.exadigital.com.br/index.php/2009/10/download-ebook-web-2-0-erros-e-acertos/ Acesso em 14 de novembro de 2010. 14 PRIMO, Alex Fernando Teixeira. Quão interativo é o hipertexto? Da interface potencial à escrita coletiva. In: Revista Fronteiras - Estudos midiáticos, São Leopoldo, v. 5, n.2, p. 125-142, 2003. Disponível em: http://www6.ufrgs.br/limc/PDFs/quao_interativo_hipertexto.pdf. Acesso em 18 de setembro de 2010. 15 PRIMO, Alex Fernando Teixeira e Recuero, Raquel da Cunha. Hipertexto cooperativo: uma análise da escrita coletiva a partir dos blogs e da Wikipédia. In: Revista da Famecos, nº 23, p. 54-63, 2003. Disponível em: http://www6.ufrgs.br/limc/PDFs/hipertexto_cooperativo.pdf. Acesso em 12 de fevereiro de 2011. 11 5 Embasado no livro “Redes Sociais na internet”16 (2009), Recuero define o conceito de redes sociais. O case de sucesso escolhido foi a ferramenta interativa da Rádio Extra, Clube Extra, que surgiu em 2008 para proporcionar uma maior proximidade do cliente com a empresa a partir do momento em que este tem tratamento diferenciado por fazer parte da comunidade podendo participar de promoções e eventos exclusivos. É mais uma opção de interação com o cliente através da internet que tem como finalidade estreitar os laços entre as partes envolvidas. A análise foi feita a partir do Clube Extra mostrando de forma qualitativa sua colaboração para que haja uma interação mais efetiva considerando-se os interesses da empresa e a satisfação do cliente. Na metodologia foi analisado o Clube Extra no que tange o seu tipo de mídia e sua classificação de web quanto às suas possibilidades de navegação. Por falar em navegação foi avaliado se a ferramenta compreende o conceito de hipertexto e posteriormente foi classificado em potencial, colaborativo, colagem e/ou cooperativo. 2 O UNIVERSO DO MARKETING 2.1 Marketing de relacionamento Marketing de Relacionamento, segundo Gordon, em seu livro “Marketing de Relacionamento: estratégias, técnicas e tecnologias para conquistar clientes e mantê-los para sempre” (2002), é um processo de identificação e de criação de valores entre empresa e cliente, visando compartilhar benefícios durante toda vida de parceria, ou seja, é quando a empresa esforça-se para fornecer ao seu cliente o melhor produto e/ou serviço visando seu contentamento. Com isso, posteriormente 16 Recuero, Raquel da Cunha. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Meridional, 2009. (Coleção Cibercultura), 191 p. Disponível em: http://www.redessociais.net/cubocc_redessociais.pdf. Acesso em 21 de agosto de 2010. 6 buscará aproximá-lo da organização cada vez mais através de um bom relacionamento, de forma a criar tamanha afinidade com tudo o que envolve a corporação que automaticamente sua percepção com relação à imagem da mesma fará com que o cliente opte sempre por aquela empresa e a recomende, mesmo que indireta ou imperceptivelmente, a outros possíveis compradores através do marketing boca a boca. Para mostrar ao cliente que a empresa preocupa-se com ele mesmo no pós-venda, é importante não perder o contato: mandar malas diretas, e/ou mensagens de texto via celular comunicando promoções e/ou lançamentos, mandar e-mail dando felicitações pelo seu aniversário ou até mesmo ligar para convocá-lo a eventos da empresa que consideram sua presença indispensável, fazendo-o sentir-se único com um tratamento individualizado. É alicerçar a relação com o cliente com o objetivo de fortalecer cada vez mais a aliança. Na concepção de Gordon: As empresas podem dar aos clientes individuais, ou grupos lógicos de clientes (quando o atendimento ao indivíduo pura e simplesmente não fizer sentido para o cliente nem para o fornecedor), o valor que cada um deseja, utilizando a tecnologia adequadamente e por meio de toda a cadeia de valor. (GORDON, 2002, p. 33). Porém, é preciso ter cuidado, é importante respeitar o limite e o espaço do seu público-alvo, pois esta relação mais íntima abre espaço para a perda da privacidade, quando os clientes passam a receber mais ligações do que devem, quando são acionados em dias ou horários impróprios ou quando preenchem formulários intermináveis, por exemplo, fazendo todo aquele esforço de captação esvair-se. Além de procurar o cliente, a empresa também precisa estar aberta a ele à medida em que ouve sua opinião, escuta reclamações e/ou sugestões, seja via telefone, email, carta ou até mesmo pessoalmente. Vavra explica em “Marketing de relacionamento – After marketing – Como manter a fidelidade de clientes através do marketing de relacionamento” da seguinte forma: “A empresa não deve apenas iniciar comunicações externas. Ela deve também estabelecer um mecanismo para os clientes contactá-la com facilidade.” (1993, p. 306). 7 A empresa que souber proporcionar trocas entre as partes envolvidas numa situação mercadológica - cliente e empresa - pode ter vantagem em relação aos seus concorrentes. Por exemplo, o cliente mantém-se fiel - benefício para a empresa enquanto que ele ganha vantagens que o motivam a continuar comprando os produtos ou contratando os serviços daquela empresa. Essas são algumas das ferramentas tradicionais que surgiram como estratégias do marketing de relacionamento, pois o objetivo era intermediar uma relação cada vez mais próxima juntamente com o seu target sabendo das suas predileções e divulgando informações relevantes a ele. Entretanto, com a popularização da internet, as redes sociais têm tornado-se efetivas ferramentas de marketing, o que gera uma maior interatividade entre cliente e empresa. 3 DO SURGIMENTO DA INTERNET À CONVERGÊNCIA MIDIÁTICA 3.1 Web 2.0 Para conceituar a web 2.0, primeiramente fez-se necessário estudar a definição de web 1.0. Sua primeira geração disponibilizava aos usuários um grande conteúdo informacional, mas eles não podiam participar de sua criação ou edição. Os internautas eram observadores passivos diante do meio digital, como bem explicam Coutinho e Júnior em “Blog e wiki: os futuros professores e as ferramentas da web 2.0”: A primeira geração da Internet teve como principal atributo a enorme quantidade de informação disponível e a que todos podíamos aceder. No entanto, o papel do utilizador nesses cenários era o de mero espectador da ação que se passava na página que visitava, não tendo autorização para alterar ou reeditar o seu conteúdo. (2007, p. 199). No livro “Web 2.0 - Erros e acertos – Um guia prático para o seu projeto”, Siqueira (2009, p. 9) define a web 2.0 como: “...termo utilizado para as novas e emergentes formas de comunicação utilizadas na internet.”. 8 Coutinho e Júnior conceituam de forma mais completa em: “É um meio de utilização da rede global de forma colaborativa onde o conhecimento é compartilhado de forma coletiva e descentralizada de autoridade, com liberdade para utilizar e reeditar.” (2007, p. 200). Com o surgimento da web 2.0, as interfaces tornaram-se mais ricas e fáceis de serem utilizadas, quanto mais utilizadores, mais o sistema teria contribuidores de conhecimento na rede, disponibilidade de sistemas gratuitos, maior capacidade de armazenamento de dados e criação de páginas. A instantaneidade das informações e a possibilidade de edição, assim como a concepção de sites associados a outros aplicativos e a atualização dos sistemas de forma simultânea ao acesso e a criação de tags que facilitam a localização/identificação a partir da geração de redes semânticas, são outros aspectos perceptíveis no contexto da web 2.0. Para todo este universo que envolve o contexto da cultura digital, dá-se o nome de cibercultura e o ‘espaço virtual’ onde acontecem as interatividades, ciberespaço. 3.2 Hipertexto Os hipertextos têm estrutura não-linear, navegação aleatória, associação mental entre os campos e possibilidade de conduzir a própria leitura. Eles formam conjuntos de pequenos textos hiperligados entre si, geralmente escrito em blocos e permitem leitura por varrimento visual - através de palavras/frases-chave. Além disso, pode-se identificar um hipertexto através de seis características abordadas por Levy (p. 25, 1993) como será explicado a seguir. O princípio da metamorfose diz-se das constantes mutações que a interface da web pode sofrer devido à necessidade de atualização, seja seu layout, sua estrutura ou os conteúdos disponibilizados na rede. 9 O princípio da heterogeneidade é composto pela diversidade dos nós que estão envolvidos no processo comunicacional bem como as conexões que ocorrem entre eles. O princípio de multiplicidade e de encaixe das escalas que é o hipertexto formado por pequenos fragmentos textuais que fazem parte de uma macrorrede. O princípio de exterioridade é quando o crescimento ou o retrocesso, o sucesso ou o insucesso depende de fatores externos para que aconteça, porém este fator é indefinido, podendo variar de acordo com o universo informacional postado. O princípio da topologia entende-se como um conjunto de percursos disponíveis através do qual as informações podem trafegar. O princípio de mobilidade dos centros que é quando a rede é composta por diversos centros que ramificam-se para levar os dados a outros pontos receptores. Depois de identificar um hipertexto, foi necessário saber identificar a qual tipologia ele pertencia podendo variar entre hipertexto potencial, hipertexto colaborativo, hipertexto colagem e hipertexto cooperativo conforme características. De acordo com os artigos “Quão interativo é o hipertexto? Da interface potencial à escrita coletiva” (PRIMO, 2003) e “Hipertexto cooperativo: uma análise da escrita coletiva a partir dos blogs e da Wikipédia” (PRIMO e RECUERO, 2003) o hipertexto podia ser classificado em quatro categorias que serão distinguidas a seguir. Para o hipertexto potencial os caminhos e movimentos possíveis já estão delimitados e o interagente não tem autonomia para interferir no conteúdo postado. A interpretação de um texto ou imagem vai depender da bagagem cultural que este carrega. Sua estrutura é multi-sequencial pelo fato de não precisar ser seguida uma linha lógica para compreensão dos conteúdos disponibilizados. 10 Primo (2003 p. 9) define: “Este tipo de hipertexto, onde os caminhos e movimentos possíveis estão pré-definidos e que não abrem espaço para o interagente visitante incluir seus próprios textos e imagens, será aqui chamado de potencial.”. A partir do momento em que o interagente deixa de ter papel passivo nos conteúdos hipertextuais e passa a modificá-los - acrescentando, reduzindo ou editando informações - dá se o nome de hipertexto colaborativo, caracterizado por Primo (2003, p.12) como “Aqueles que cadastram-se no site e modificam as imagens produzidas anteriormente por outro artista envolvem-se em um hipertexto que aqui será chamado de colaborativo. A colaboração constitui-se em uma colagem, sem discussões durante o processo criativo.”. Já o hipertexto colagem que de acordo com Primo e Recuero refere-se a um subtipo de hipertexto, isso porque é uma continuidade do hipertexto cooperativo, que demanda apenas uma pessoa ou um grupo menor para administrar de forma a agrupar todos os fragmentos criados pelos autores. E, por fim, o hipertexto cooperativo os autores, de forma simultânea e contínua, interferem no desenvolvimento do conteúdo elaborado pelo(s) outro(s). O hipertexto cooperativo abre espaço para uma interação mais aberta e livre entre os interagentes para produzirem conteúdos que posteriormente serão divulgados na internet. A interação pode originar-se de um processo comunicativo de pelo menos dois atores sociais ou um grupo deles, seja entre interagentes ou o interagente e o webdesigner. 3.3 Redes Sociais Ainda baseado no livro “Redes Sociais na internet” (RECUERO, 2009), percebe-se que em um espaço digital, os atores são dificilmente discerníveis e estes trabalham com representações sociais ou construções identitárias do ciberespaço, pois tem a necessidade de exposição pessoal. Sibilia apud Recuero denomina esta 11 característica como imperativo da visibilidade, mas os atores sociais querem também participar das redes. Suas percepções são construídas através de palavras e expressões publicadas nessas ferramentas sociais e das comunidades às quais fazem parte, mas as características pessoais e imagens ainda fazem-se essenciais para a personificação deste ator e para proporcionar uma maior interação social com outros usuários. Segundo Reid apud Recuero (2009) uma interação social pode dar-se de forma síncrona, em tempo real, como, por exemplo, uma conversa de chat, ou de forma assíncrona que não necessita de uma resposta imediata, como posts17 de uma ferramenta interativa. O laço é o elemento que une os atores sociais envolvidos em uma dada interação. De acordo com Granovetter apud Recuero (2009), estes laços são caracterizados como fortes ou fracos. A força se dá pelas variáveis de tempo, intensidade emocional, intimidade e serviços recíprocos. Os laços fortes são baseados em uma relação de maior intimidade e pela intenção de criar-se e manter vínculos com o outro. Já os laços fracos são dados de forma mais superficial. Recuero (2009, p. 41) define: “Laços fortes constituem-se em vias mais amplas e concretas para as trocas sociais, enquanto os fracos possuem trocas mais difusas.”. Agora quando em uma relação onde os mesmos interagentes têm sentimentos de laços diferenciados em relação ao outro, nomeia-se de laços assimétricos. Consequentemente os simétricos são aqueles de força equivalente entre as partes envolvidas e os multiplexos18 há vários tipos de relações sociais (DEGENEE e FORSÉ, 1999; SCOTT, 2000 apud RECUERO; 2009), característica predominante para as interações mediadas por computador. As redes sociais, em si, são ferramentas interativas de comunicação capazes de criar um laço relacional entre interagentes para fins profissionais ou pessoais. 17 18 Posts significa publicações Multiplexos são aqueles que utilizam-se de vários sistemas para interagir com outros (DEGENEE e FORSÉ apud Recuero, Raquel da Cunha (2009). 12 Sites de redes sociais propriamente ditos são aqueles que compreendem a categoria dos sistemas focados em expor e publicar as redes sociais dos atores. São sites cujo foco principal está na exposição pública das redes conectadas aos atores, ou seja, cuja finalidade está relacionada à publicização dessas redes. (RECUERO, 2009, p. 104). Ainda de acordo com Recuero, (2009, p. 95), as redes podem ser divididas em “rede emergente porque ela é constantemente construída e reconstruída através das trocas sociais.”, tais como weblog e fotolog e (2009, p. 98) ou “redes sociais de filiação ou associativas que são aquelas derivadas das conexões ‘estáticas’ entre os atores; ou seja; das interações reativas (PRIMO apud RECUERO, 2009, p. 96) que possuem um impacto na rede social. São redes cujas conexões são forjadas através dos mecanismos de associação ou de filiação dos sites de rede sociais.”, como, por exemplo, o Orkut ou Twitter. De acordo com Recuero (2009), os laços associativos ou de associação são encontrados preferencialmente em relações estabelecidas através do computador e dão uma sensação de pertencimento a um dado local, instituição ou grupo. Sua interação característica é a reativa por se tratar de um evento que pode ocorrer apenas ao responder a um estímulo. Já os laços relacionais só são possíveis através de uma relação entre dois ou mais atores sociais onde um depende do outro para que a interação de fato aconteça. Sua interação característica é a mútua por se tratar de uma relação que demanda negociação no processo comunicacional. A Rádio Extra passou a utilizar-se de um outro aparato técnico como mais uma forma de contato com o seu ouvinte. Não restringindo-se apenas ao tipo de contato que é peculiar ao seu meio - relação sonora ou por meio de cartas, e-mails, telefonemas e contato pessoal - a emissora também decidiu aderir à onda de tecnologia que está causando transformação nos costumes, nos pensamentos e nas ações da sociedade, bem como nas empresas, e passou a utilizar-se de ferramentas interativas digitais. 4 METODOLOGIA 13 Partindo do sucesso das ferramentas, surgiu a curiosidade de entender, a partir das redes sociais, especificamente sobre o Clube Extra, como esta ferramenta podia ter ajudado a empresa a captar novos clientes e a fidelizar os já existentes. Com isso, através de pesquisas bibliográficas que embasaram a fundamentação teórica e com o intuito de sistematizá-la, foi aplicado o método de observação participante onde o pesquisador participará do Clube Extra e tentou se imunizar de possíveis interferências. Peruzzo apud Duarte e Barros no livro “Métodos e técnicas de pesquisa em comunicação” descreve que “O ‘grupo’, ou qualquer elemento do ambiente, não interfere na pesquisa, no que se refere à formulação dos objetivos e às demais fases, nem no tipo de informações registradas e nas interpretações dadas ao que foi observado.” (2010, p. 134). O método escolhido justificou-se porque ainda segundo a autora supracitada, a observação participante ou investigação etnográfica deve ser aplicada com a finalidade de observar o comportamento social no que tange os meios de comunicação de forma a inserir-se no ambiente pesquisado. (PERUZZO, 2010). A segunda técnica utilizada foi a análise de conteúdo que após coletar, registrar e agrupar todas as informações que deram embasamento à fundamentação teórica, iniciou-se um estudo analítico através de alguns critérios que foram revelados no próximo item com o intuito de validar a informação de que o Clube Extra consegue criar um vínculo cada vez mais forte entre a Rádio Extra e seus ouvintes em um processo comunicacional dado a partir do suporte computador. Martins no livro “Estudo de caso: uma estratégia de pesquisa” definiu o conceito como: “A Análise de Conteúdo pode ser aplicada virtualmente a qualquer forma de comunicação: programas de televisão, rádio, artigos de imprensa, livros, poemas, conversas, discursos, cartas, regulamentos etc.” (2008, p. 33). 14 E o último método foi a entrevista realizada com a Gabriela, responsável pela atualização das informações das redes sociais, feita no dia 09 de fevereiro de 2011 na Rádio Extra para complementar o entendimento do leitor com relação à importância das ferramentas sociais para captação e manutenção dos clientes numa relação B2C. Ainda de acordo com Martins a entrevista “Trata-se de uma técnica de pesquisa para coleta de dados cujo objetivo básico é entender e compreender o significado que os entrevistados atribuem a questões e situações, em contextos que não foram estruturados anteriormente, com base nas suposições e conjecturas do pesquisador.” (2008, p. 27). Estas são três das dez técnicas metodológicas segundo o autor - além de observação, focus group, questionário e escalas sociais e de atitudes, pesquisa documental e registros em arquivos, pesquisa-ação, pesquisa etnográfica e análise do discurso - para realizar-se um estudo de caso que foram abordadas neste artigo. 5 ANÁLISE A ferramenta Clube Extra foi considerada uma mídia social expressiva pelo fato de permitir aos seus atores o compartilhamento de fotos através da rede na aba “Galeria de fotos” para outros interagentes visualizarem-nas. Da mesma forma permite o compartilhamento de várias informações, sejam elas pessoais, profissionais ou acadêmicas – networking social - com a finalidade de promover a imagem daquele interagente. Quanto à web, a mesma foi classificada por web 2.0, pois os usuários não conseguem editar conteúdos disponibilizados, porém conseguem criar conteúdos, seja por meio de posts, comentários ou criação de comunidades e/ou enquetes. Possui vasto conteúdo informacional, especificamente dos shows por tratar-se de uma empresa que promove eventos artísticos. A aba “Eventos” constavam fotos, 15 comentários, pessoas que aceitaram o convite para participar do evento em “Eu vou”, onde leva o ouvinte ao perfil de outros fãs ao clicar - e detalhes de compra e venda de ingressos, data e hora da realização. Em “Comunidades” constavam todas as comunidades criadas pelos usuários ou pela própria rádio, geralmente relacionadas ao mundo fonográfico. O site possuía uma interface rica com um layout de aparência juvenil – cores vibrantes. Sua estrutura estava organizada em tópicos proporcionando ao interagente maior facilidade na navegação. O próprio Clube Extra é uma ferramenta interativa disponibilizada ao seu público-alvo de forma gratuita com a finalidade de criar um ‘universo’ particular para seus fãs manifestarem-se e comunicarem-se entre si ou com a própria emissora, além de possuir grande capacidade de armazenamento de dados, quer seja em formato de imagens ou textos. Não possui caráter instantâneo, pois pode-se aguardar por sua realização, porém tudo acontece na ‘velocidade da internet’, que o conceito tempo pode ser relativo se comparado ao convencional diante do seu dinamismo que é uma característica peculiar da própria web. Para facilitar a procura, não existem tags de identificação, porém apresentam-se, de forma organizada, os links mais clicados no canto inferior da página, tais como ‘Rádio’ que tem os tópicos ‘Hot hits’, ‘Programação’, ‘Peça sua música’ e em ‘Blogs’ constam ‘Blog da Kayete’, ‘Notícias’ e ‘Ta rolando na Extra’. Quanto ao hipertexto pode-se considerar sua real potencialização a partir do momento em que existe uma gama de informações disponíveis, como citado anteriormente, e que existem trocas no processo comunicacional. Não existe distinção de quem utiliza seus serviços digitais, podendo ser desde pessoas menos favorecidas financeiramente até pessoas das mais diferentes religiões. A preocupação com o layout das páginas tornou mais fácil e agradável a navegação por entre elas. As informações que trafegam pela rede têm formato de texto, imagem ou vídeo, no caso da Extra TV. E o login possibilita ao usuário acessos exclusivos para navegar por entre as páginas. 16 Da sua segmentação, a ferramenta é um hipertexto do tipo potencial, pois apresenta percursos pré-determinados, o interagente não consegue interferir no conteúdo postado, logo torna-se passivo. Sua estrutura é multi-sequencial, ou seja, permite o entendimento mesmo sendo composto por blocos que interligam-se uns aos outros. Pelo fato de alguns dos seus conteúdos serem criados e organizados pelos próprios usuários – estão sendo referidos aqui aos conteúdos pessoais postados na rede classifica-se também por hipertexto colaborativo e colagem, respectivamente. Para compor a interação reativa, notou-se que seu sistema é totalmente fechado, ou seja, não permite ao interagente abertura para modificação, seu processo é de estímulo-resposta, já que ele recebe impulsos provocados pelo webdesigner, fazendo-os reagir a partir de uma ação previamente elaborada. Apesar disso o fluxo é monológico quando o contato é feito com a emissora, porém dialógico quando o contato é feito com outros possíveis fãs da rádio, visto que permite o envio e o recebimento de mensagens. Devido ao fato de seus caminhos serem prédeterminados, notou-se também uma relação causal. Quanto à sua interface podese considerar tanto potencial – por ter de aguardar por sua realização – quando um interagente envia um convite de amizade a outro. Devido à sua característica que é a de uma ferramenta de interface de cunho virtual, sua rede torna-se assíncrona, pois não carece de resposta imediata ao que foi solicitado, o que não exclui seu caráter dinâmico. Quanto ao seu tipo de laço, existem duas variáveis a serem consideradas, brevemente citadas anteriormente, que são: a comunicação que o interagente estabelece com a emissora, que pode ser classificado por laço fraco, visto que é dada de forma superficial. A outra diz-se da comunicação estabelecida entre os próprios ouvintes que podem ilustrar uma relação mais íntima, no sentido de que podem haver laços desenvolvidos de forma simétrica – onde todos os envolvidos têm o mesmo grau de sentimento uns pelos outros. A partir de então, classifica-se o Clube Extra como uma ferramenta cujas características são de laços multiplexos que é a junção dos fortes e dos fracos. 17 E por fim, com relação ao fato de sua interação ser tipicamente reativa por ter um processo de estímulo-resposta que se dá em uma interação mediada por computador, seu laço foi conceituado como associativo ou de associação. 6 CONCLUSÃO O estudo aqui presente citou algumas das redes sociais mais utilizadas atualmente, porém deu foco à ferramenta interativa da Rádio Extra, Clube Extra, pelo fato de valorizar a figura do seu ouvinte a partir do momento em que criava um ambiente exclusivo para seus fãs criarem enquetes e comunidades, compartilharem posts e imagens e comentarem sobre tudo o que é pertinente ao meio radiofônico. Com isso, estabeleceu-se um clima propício para realizar trocas de ganhos e satisfações das partes envolvidas no processo. Um bom exemplo para ilustrar esta afirmação foi o lançamento de uma promoção que premiava os dez ouvintes que mais divulgaram informações de determinado evento da Rádio Extra para o maior número de pessoas através das redes sociais. Este prêmio foi desde brindes até conhecer o seu artista favorito, ou seja, criou-se uma relação de troca de benefícios entre a empresa e o seu público de forma que se estabeleça um ambiente de satisfação. Notou-se que o Clube Extra surgiu para complementar as estratégias já existentes no campo do marketing de relacionamento, no que diz respeito aos laços construídos com o ouvinte. Essa migração das estratégias tradicionais para as atuais que utilizaram-se prioritariamente da internet como suporte dos novos relacionamentos, facilitou o contato com o seu ouvinte a partir do momento em que não restringiu-se somente ao contato sonoro ou pessoal, ou seja, trouxe novas possibilidades de comunicação com seu público-alvo além dos novos formatos de interação. Inicialmente foi possível observar que existiam dois tipos possíveis de contato: um estabelecido entre a empresa e o cliente, foco deste artigo, e o outro estabelecido 18 entre os participantes da ferramenta interativa, que podiam ser desde amigos que tinham maior intimidade até pessoas que tinham mera afinidade de gosto musical. Foi perceptível que o interesse do ouvinte estava predominantemente ligado ao fanatismo, já para a empresa, considerou-se o lado da divulgação da marca. Os interesses eram distintos, mas equivalentes no seu valor considerando os objetivos individuais de cada pólo. Através do tema proposto: “Clube Extra: a análise da nova ferramenta de Marketing de Relacionamento – a rede social” embasado juntamente com a entrevista feita com a representante da Rádio Extra e de observações participantes realizadas no meio, percebeu-se que o Clube Extra conseguia estreitar as relações comerciais entre o cliente e a emissora através de práticas que estimulavam cada vez mais a participação dos ouvintes na rede para se inteirarem das atualidades e participarem das promoções. Todo e qualquer ser humano precisa de mais do que o básico para sentir-se valorizado. Nesta relação comercial, entendeu-se que o ouvinte precisava ser enaltecido no sentido de perceber que o cliente final era totalmente responsável pelo sucesso das mídias eletrônicas. O cliente sentiu-se satisfeito com este reconhecimento que proporcionou-lhe premiações com brindes e promoções das mais diversas ordens. Em contrapartida, a empresa divulgava cada vez mais sua marca por meio dos seus ‘representantes’ – ouvintes/interagentes – quando promovia eventos de cunho promocional ou apenas institucional, o primeiro podia compreender-se por um show e o outro por um evento de conscientização humana. Enquanto existirem trocas que satisfaçam ambas as partes a relação terá sucesso, por isso é necessário que as estratégias sejam cada vez mais renovadas e inovadoras. Para quem ainda não faz parte do clube, possa se interessar pela oportunidade seja pela preferência musical ou apenas pelas promoções. Pelo fato de o Clube Extra ter mais foco dos colaboradores da emissora, no sentido de ser a rede social que é atualizada com mais frequência e ter divulgação de eventos e promoções quase que 19 diariamente, a tendência é que cada vez mais pessoas descubram as oportunidades que podem ter através da ferramenta e tornem-se fiéis à emissora. REFERÊNCIAS BRAGA, José Luiz. Constituição do Campo da Comunicação. 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