O MIGRANTE NA REESTRUTURAÇÃO DO MERCADO DE TRABALHO NA ZONA DA PRODUÇÃO PRINCIPAL DA BACIA DE CAMPOS. Joseane de Souza Fernandes ∗ Denise Cunha Tavares Terra ∗∗ Mauro Macedo Campos∗∗∗ Resumo: No estado do Rio de Janeiro, a atividade petrolífera tem deixado marcas irreversíveis na paisagem econômica, social, ambiental e cultural nos municípios onde vem sendo desenvolvida. Dentre as mudanças que a atividade petrolífera tem gerado, interessa-nos, particularmente, a reestruturação pela qual vem passando o mercado de trabalho da região da Ompetro. Este mercado tem se tornado mais seletivo e exigido trabalhadores mais qualificados. Apesar da possibilidade de transferência intersetorial da mão de obra, grande parcela da nova demanda vem sendo suprida através de movimentos migratórios (intraestaduais, interestaduais e, inclusive, internacionais). Nesse sentido, esse artigo se propõe a verificar o papel da mão de obra local e migrante no processo de reestruturação do mercado de trabalho na região da Ompetro, admitindo a existência de significativas diferenças relativas aos papéis exercidos pelos naturais e pelos migrantes no novo mercado de trabalho que se configura na região. ∗ Doutora em Demografia pelo Cedeplar/UFMG. Professora Associada da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF). ∗∗ Doutora em Geografia pela UFRJ. Professora Associada da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF). *** Doutor em Ciência Política pelo DCP/UFMG. Professor Associado da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF). O MIGRANTE NA REESTRUTURAÇÃO DO MERCADO DE TRABALHO NA ZONA DA PRODUÇÃO PRINCIPAL DA BACIA DE CAMPOS. Joseane de Souza Fernandes ∗ Denise Cunha Tavares Terra ∗∗ Mauro Macedo Campos∗∗∗ Introdução A ocupação do Norte Fluminense (NF) - região que atualmente corresponde aos municípios de Campos dos Goytacazes, São João da Barra, Macaé, São Fidélis, Conceição de Macabu, Quissamã, Cardoso Moreira, Carapebus e São Francisco do Itabapoana, no estado do Rio de Janeiro ( ERJ) - se iniciou na primeira metade do século XVII e, de meados do século XVIII até praticamente meados dos anos 1970, esteve relacionada à produção de cana de açúcar. Nos anos 60, a economia do NF se encontrava estagnada devido à redução da produtividade da indústria sulcroalcooleira relacionada à depreciação das máquinas e equipamentos; à falta de investimentos na modernização do setor; e à perda de competitividade no mercado interno, frente ao desenvolvimento da produção de cana de açúcar no interior de São Paulo. Na década de 70 o preço do açúcar no mercado internacional ficou significativamente elevado devido à guerras localizadas e mudanças no parque industrial europeu, reduzindo os estoques internacionais de açúcar. Em decorrência deste fato, bem como das iniciativas do Instituto de Acúcar e do Álcool (IAA) 1, o preço do açúcar se torna elevado e estimula a produção, a fusão de usinas e a ampliação do crédito subsidiado para a expansão da produção, sem maior controle dos órgãos fiscalizadores. Além destas facilidades houve também o estímulo à indústria sucroalcooleira proporcionado pelo Programa Brasileiro de Álcool ( Proálcool), que criou um superdimensionamento do parque industrial sem a devida contrapartida na expansão da produção no campo e, consequentemente, um endividamento do setor, comprometendo o seu dinamismo. A década de 80 e 90 foram críticas para a economia açucareira no NF, reduzindo drasticamente a produção, elevando a precarização das relações trabalhistas e o desemprego na região, culminando com o fechamento de diversas usinas. Este cenário econômico só não foi pior devido a implantação da Petrobrás em Macaé, em 1974, e o início da exploração do petróleo na Bacia de Campos - bacia sedimentar situada na costa norte do ERJ estendendo-se até o sul do estado do Espírito Santo. Para Piquet (2011), a atividade petrolífera tem deixado marcas irreversíveis na paisagem econômica, social, ambiental e cultural nos territórios onde vem sendo desenvolvida. No caso da Bacia de Campos, os impactos da atividade petrolífera não se dão somente sobre os municípios do norte fluminense; nessa região, apenas aqueles localizados na região litorânea e produtores de petróleo – São João da Barra, Campos dos Goytacazes, Quissamã, Carapebus e Macaé - sofreram impactos significativos. Macaé devido a instalação da base terrestre de operações da Petrobras e os demais municípios, principalmente por terem ∗ Doutora em Demografia pelo Cedeplar/UFMG. Professora Associada da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF). ∗∗ Doutora em Geografia pela UFRJ. Professora Associada da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF). *** Doutor em Ciência Política pelo DCP/UFMG. Professor Associado da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF). 1 Neste período, os principais objetivos do IAA consistiam em assegurar o equilíbrio interno da produção e a exportação do produto, por meio de pressões políticas sobre o Congresso Nacional, que redundavam na promulgação de legislações específicas que regulassem o setor sucroalcooleiro (Silva e Carvalho, 2004). 1 se tornado beneficários das compensações financeiras (royalties do petróleo e participações especiais) que cresceram significativamente principalmente a partir de 1997, com o novo marco regulatório e a quebra do monopólio da exploração e produção de petróleo. Por outro lado, municípios produtores de petróleo na Bacia de Campos, mas não pertencentes à região norte fluminense – Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Cabo Frio, e Armação de Búzios – também devem ser mencionados pelos impactos da atividade petrolífera e por serem beneficiários dessas compensações financeiras. À partir de 2001 estes municípios passaram a constituir a Ompetro - Organização dos Municípios Produtores de Petróleo, e Gás e Limítrofes da Zona de Produção Principal da Bacia de Campos. Atualmente, além destes fazem parte da Ompetro também os municípios de Niterói e Arraial do Cabo. No caso específico da Ompetro, segundo Piquet (2003) e Monié (2003), as principais mudanças decorrentes do desenvolvimento da atividade petrolífera, são: (1) Reestruturção da atividade produtiva e do mercado de trabalho. (2) Sofisticação e diversificação da produção, dos serviços, do comércio e do consumo. (3) Mudança na dinâmica demográfica regional, com a aceleração do ritmo de crescimento populacional, devido aos movimentos migratórios rurais-urbanos; intraestaduais; interestaduais e, inclusive, internacionais. (4) Recrudescimento dos movimentos pendulares entre os municípios da região. (5) Mudança no centro de gravidade da economia regional, devido ao surgimento de novos espaços economicamente dinâmicos, propiciado pelo desenvolvimento da indústria extrativa mineral que atraiu, por efeito multiplicador, empresas privadas de capital nacional e multinacionais direta e indiretamente ligadas à indústria petrolífera. Vale ressaltar que Campos dos Goytacazes, historicamente o pólo econômico regional, permanece ocupando posição de destaque, mas perde importância relativa no âmbito regional e estadual. (6) Acirramento das desigualdades intraregionais 2; e (7) Nova configuração espacial, com a emancipação de alguns municípios 3. Segundo Piquet (2003), estas emancipações relacionam-se principalmente, à crescente produção de petróleo e ao pagamento dos royalties aos municípios produtores, que vem estimulando uma competição intraregional pelo recurso. Dentre as mudanças que a atividade petrolífera tem gerado, interessa-nos, particularmente, aquelas relacionadas ao mercado de trabalho. No processo de reestruturação produtiva as atividades intensivas em mão de obra estão sendo paulatinamente substituídas por aquelas intensivas em capital. Nesse processo o mercado de trabalho se torna mais seletivo, demandando trabalhadores mais qualificados. Essa nova demanda pode ser suprida através da transferência intersetorial da mão de obra dos setores estagnados para os mais dinâmicos e/ou através de movimentos migratórios. Nesse sentido, esse artigo se propõe a verificar o papel da mão de obra local e migrante no processo de reestruturação do mercado de trabalho na região da Ompetro, admitindo a existência de significativas diferenças relativas aos papéis exercidos pelos naturais e pelos migrantes no novo mercado de trabalho que se configura na região. 2 Primeira onde de investimentos foi realizada pela Petrobrás, entre 1970 e 1990. A segunda onda de investimentos, inicia-se em 1997, quando o fim do monopólio sobre a prospecção e extração do petróleo levou várias firmas nacionais e estrangeiras a realizarem investimentos na região. 3 Armação de Búzios (1995), Rio das Ostras (1992), Carapebus (1997) e São Francisco do Itabapoana (1997), antes distritos de Cabo Frio, Casimiro de Abreu, Macaé e São João da Barra, respectivamente. 2 Caracterização da região da Ompetro Criada em 2001, a Ompetro é atualmente formada pelos seguintes municípios, todos eles pertencentes à zona de produção principal da Bacia de Campos: São João da Barra, Campos dos Goytacazes, Quissamã, Carapebus e Macaé, do norte fluminense; Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Cabo Frio, Armação de Búzios e Arraial do Cabo, na região das Baixadas; e Niterói, pertencente à região metropolitana do Rio de Janeiro (Mapa 1). O principal objetivo da organização é representar os municípios no Conselho Nacional de Política Energética, assim como nas discussões sobre a exploração e produção de petróleo realizadas pelo governo do Estado do Rio de Janeiro. Mapa 1 Municípios pertencentes à Ompetro, 2012 Fonte: IBGE – Censo Demográfico de 2010 Até meados dos anos 70, naqueles municípios localizados ao norte predominavam como atividades econômicas basicamente a produção sulcroalcooleira e a pecuária bovina; na região das baixadas, o turismo e a indústria salineira. Segundo Monié (2003), a decadência das atividades econômicas tradicionais implicou em um esvaziamento demográfico da região. Com a instalação da Petrobras em Macaé, em 1974, e com o início das atividades de exploração, em 1977, este panomara se altera, inicialmente pelas atividades relacionadas à indústria do petróleo, com impactos mais significativos em Macaé, e, posteriormente, devido ao volume de recursos que os municípios confrontantes com os poços passam a receber e administrar, a título de compensações financeiras. O critério de rateio das compensações financeiras em vigor está baseado na Lei Federal nº 9.478/974, que estabelece os critérios do regime de concessão, e que mantém os royalties de 5% previstos na lei nº 7.990/89 e os critérios ali estipulados e introduz, dentre outras compensações, o pagamento de royalties excedentes a 5%, aumentando consideravelmente o pagamento das compensações financeiras. Cabe aqui destacar que a Lei do Petróleo não estabeleceu restrições aos estados e municípios quanto à aplicação dos recursos dos royalties do petróleo e nem vinculações a nenhum tipo de gasto, nem mesmo nenhum mecanismo de controle social destes gastos, como a exigência de um conselho ou fórum para discussão e deliberação de prioridades para 4 A Lei do Petróleo dispõe sobre a política energética nacional, o monopólio do petróleo, institui o Conselho Nacional de Política Energética e a Agência Nacional do Petróleo. 3 o uso de recursos que são finitos e que deveriam ser utilizados prioritariamente para investimentos, direcionando os recursos e orientando políticas públicas com o objetivo de diversificação produtiva e desenvolvimento sustentado de suas economias. Além disso, a concentração de mais de 80% da produção nacional de petróleo e gás na Bacia de Campos resultou na conformação de uma região composta por municípios “petrorentistas” com recursos diferenciados em relação à média dos demais municípios brasileiros. A título de ilustração, em 2011, 1.031 municípios brasileiros (18,5%) eram beneficiários das rendas petrolíferas e receberam uma receita total de R$5,443 bilhões provenientes de royalties e participações especiais (Tabela 1). É notória a concentração de 64,95% desses recursos em 87 municípios fluminenses - principalmente, naqueles pertencentes à Ompetro. Na região da Ompetro, os maiores beneficiários das rendas petrolíferas são: Campos dos Goytacazes, que sozinho recebeu R$1,051 bilhão (40,44% do total da renda petrolífera da região), Macaé (17,83%) e Rio das Ostras (11,10%). Tabela 1 Brasil – Distribuição das Rendas Petrolíferas entre municípios, 2011 Distribuição das Rendas Petrolíferas Municípios do Brasil Municípios do RJ Municípios da Ompetro Nº municípios beneficiários 1031 87 11 Royalties 4.441.624.101,01 2.659.886.211,23 1.725.256.503,26 Participações Especiais 1.002.085.199,23 875.950.389,32 875.950.389,32 Total Absoluto % 5.443.709.300,24 3.535.836.600,55 2.601.206.892,58 100 64,95 47,78 Fonte: www.royaltiesdopetroleo.ucam-campos.br, tabela elaborada a partir de dados da ANP. Com maior dinamismo econômico, alguns municípios da região, antes expulsores de população, vêm se tornando mais atrativos para a população migrante, principalmente para aquela à procura de novas e melhores oportunidades no mercado de trabalho. Outro efeito, não menos importante do maior dinamismo econômico é a elevação do poder de retenção populacional por parte desses municípios. A região da Ompetro que em 1980 tinha 905.641 habitantes, contabilizava, em 2010, 1.606.894 habitantes o que correspondia a 10,5% da população do Estado. Observa-se, na Tabela 2, que desde os anos 80, esta região vem apresentando ritmo de crescimento médio anual superior à média estadual e que este vem se tornando mais acelerado, tendo aumentado de 1,64% entre 1980-1991, para 1,68% entre 1991-2000 e para 2,33%, entre 2000-2010. Como reflexo desta aceleração, a participação relativa dos municípios da Ompetro no incremento populacional absoluto do Rio de Janeiro aumentou de 12,4%, entre 1980-1991, para 20,66% no período 2000-2010. 4 Tabela 2 Rio de Janeiro e Ompetro – População, Taxa de crescimento e participação relativa no incremento absoluto, 1980-2010 População 1980 1991 2000 2010 Ompetro 905.641 1.083.116 1.276.582 1.606.894 Rio de Janeiro 11.378.796 12.807.706 14.391.282 15.989.929 Ompetro/RJ 7,96 8,46 8,87 10,05 Taxa de Crescimento 1980-1991 1991-2000 2000-2010 Ompetro 1,64 1,88 2,33 Rio de Janeiro 1,08 1,33 1,06 Participação relativa no Incremento Absoluto 1980-1991 1991-2000 2000-2010 Ompetro-RJ 12,4 12,22 20,66 Fonte: IBGE - Censos Demográficos 1980, 1991, 2000 e 2010 Vale ressaltar que os ritmos de crescimento variaram significativamente entre os municípios da Ompetro, entre 1980 e 2010. Como se pode observar no Gráfico 1, nos anos 80, cresceram mais aceleradamente os municípios de Rio das Ostras (5,54%), Macaé (4,18%) e Cabo Frio (3,99%). No período 1991-2000, com exceção de Arraial do Cabo, Campos, Niterói e Macaé verifica-se, nos demais municípios, uma aceleração no ritmo de crescimento, destacando-se Buzios (8,85%), Rio das Ostras (8,17%) e Cabo Frio (5,95%). Entre 2000-2010, com exceção de 4 municípios – Búzios, Arraial do Cabo, Cabo Frio e São João da Barra – em todos os outros a taxa de crescimento populacional aumentou em relação ao período 1991-2000; as maiores variações se verificaram em Carapebus e Rio das Ostras, cujas taxas de crescimento se elevaram de 2,06% e 8,17% entre 1991-2000 para 4,42% e 11,24%, respectivamente. Búzios e Cabo Frio, apesar de terem experimentado um arrefecimento em seu ritmo de crescimento continuaram dentre aqueles de crescimento populacional acelerado. 5 Gráfico 1 Ompetro – Ritmo de crescimento populacional médio anual, por município 1980-1991, 1991-2000 e 2005-2010 12,00 10,00 8,00 6,00 4,00 2,00 1980-1991 1991-2000 S.J.Barra R.Ostras Quissamã Niterói Macaé C.Abreu Campos Carapebus Cabo Frio A.Cabo Búzios 0,00 2000-2010 Fonte: IBGE – Censos Demográficos de 1980, 1991, 2000 e 2010 A exemplo de outras experiências brasileiras, outro efeito do desenvolvimento das atividades petrolíferas foi a aceleração do processo de urbanização. Mesmo nos municípios menos industrializados, como Quissamã, Carapebus e Rio das Ostras, a maior parcela da população reside em áreas urbanas (Gráfico 2). Segundo o Censo 2010, um total de 92% da população da Ompetro reside em áreas urbanas. Gráfico 2 Ompetro – Grau de urbanização segundo o município, 2010 100,00 90,00 80,00 70,00 60,00 50,00 40,00 30,00 20,00 10,00 S.J.Barra R.Ostras Quissamã Niterói Macaé C.Abreu Campos Carapebus Cabo Frio A. Cabo Búzios 0,00 Fonte: IBGE – Censos Demográficos de 1980, 1991, 2000 e 2010 Para Monié (2003), este processo de urbanização é marcado por grande segregação sócio-espacial da população, percebida pela sua distribuição espacial. Em 1980, a população residente na região da Ompetro encontrava-se concentrada em apenas quatro municípios – Niterói (43,85%), Campos (35,43%), Macaé (6,59%) e Cabo Frio (5,47%). Trata-se de municípios com características completamente distintas: Niterói dista 10,9 km da atual capital fluminense, já foi capital antes da fusão do ERJ com a Guanabara, em 1975 e, atualmente, 6 integra a região metropolitana no Rio de Janeiro. Campos dos Goytacazes é o município com maior extensão territorial do estado e o maior beneficiário das compensações financeiras da atividade petrolífera. Macaé é a base de operações da Petrobras e das demais empresas petrolíferas e parapetrolíferas. Cabo Frio é município turístico, na Região dos Lagos, e que tem crescido significativamente por se encontrar na franja metroplitana. Os Censos Demográficos posteriores confirmam essa tendência (Gráfico 3), mas revelam a redução paulatina e contínua do grau de concentração populacional nesses municípios, de 91,34%, em 1980, para 83,66%, em 2010. Estes Censos revelam, ainda, que a menor concentração populacional em Niterói e Campos foi parcialmente compensada pelo aumento da concentração em Macaé, Cabo Frio e, inclusive, Rio das Ostras. Gráfico 3 Ompetro – Distribuição espacial da população (%), 1980-2010 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 1980 1991 2000 2010 Armação de Búzios Arraial do Cabo Cabo Frio Carapebus Campos dos Goytacazes Casimiro de Abreu Macaé Niterói Quissamã Rio das Ostras São João da Barra Fonte: IBGE – Censos Demográficos de 1980, 1991, 2000 e 2010 Pode-se constatar no Gráfico 4, que Campos, Niterói, Cabo Frio e Macaé são os municípios que mais contribuem para o incremento populacional absoluto na região da Ompetro. A participação relativa desses municípios no incremento populacional absoluto da região da Ompetro, que era de 87,37%, entre 1980-1991, reduziu-se para 64,58%, na última década, refletindo a aceleração do ritmo de crescimento de outros municípios, notadamente de Rio das Ostras que, inclusive, teve sua participação relativa aumentada de 4,56%, entre 1980-1991, para 20,97%, entre 2000-2010. 7 Gráfico 4 Ompetro - Participação relativa dos municípios no incremento absoluto, 1980-2010 100% 80% 60% 40% t 20% 0% 1980-1991 1991-2000 2000-2010 Armação de Búzios Arraial do Cabo Cabo Frio Carapebus Campos dos Goytacazes Casimiro de Abreu Macaé Niterói Quissamã Rio das Ostras São João da Barra Fonte: IBGE – Censos Demográficos de 1991, 2000 e 2010 Imigrantes na Ompetro Para analisarmos o papel da mão de obra no mercado de trabalho, na região da Ompetro, consideramos importante segmentar a população em idade ativa em: naturais que nasceram no município e nunca residiram em outro; e imigrantes. Neste trabalho considerou-se os dados de migração data-fixa, que leva em conta apenas as mudanças de residência ocorridas entre duas regiões em dois momentos distintos e fixos no tempo. Como os quesitos de migraçao data-fixa foram introduzidos no Censo Demográfico de 1991, a partir dessa seção só serão analisados os dados dos Censos de 1991, 2000 e 2010. Segundo Carvalho et al (1999, p.37), tomando como referência o Censo de 1991, "os imigrantes da região i, de data fixa, serão aqueles indivíduos que residiam na região j, em 1º/set/86, e residem na região i, em 1º/set/91". Generalizando, ao se trabalhar com informações de data-fixa considera-se como imigrante o indivíduo – natural ou não natural que não residia na população estudada no início do período de referência (1º/set/86; 31º/Jul/1995; e 1º/Jul/2010, respectivamente) e a declarou como residência no final do período (1º/set/1991; 31/jul/2000 e 1º/jul/2001, respectivamente), lembrando que são identificados em cada Censo apenas os imigrantes sobreviventes ao duplo decremento (mortalidade e reemigração). Note, na Tabela 3, que a região da Ompetro vem atraindo um número cada vez maior de imigrantes, tendo recebido 77.511 imigrantes no quinquênio 1986-1991; 114.903, entre 19952000; e 208.729, entre 2005-2010. Reafirmando o importante papel da proximidade geográfica, apontado por Rigotti e Amorim (2002), no processo de expansão urbana da região da Ompetro, a migração intra-estadual é a mais significativa, embora os movimentos interestaduais sejam também expressivos. Apesar do significativo aumento do número de imigrantes internacionais, estes continuam representando uma parcela reduzida dos fluxos migratórios em direção à Ompetro. 8 Tabela 3 Ompetro – Imigrantes, segundo a origem 1986-1991, 1995-2000, 2000-2005 Origem Intraestadual Interestadual Internacional Total 1986-1991 56.711 20.014 786 77.511 % 73,17 25,82 1,01 27 Período 1995-2000 (%) 86.604 75,37 26.656 23,20 1.643 1,43 114.903 25 2000-2010 162.358 44.006 2.365 46.371 (%) 350,13 94,90 5,10 100,00 Fonte: FIBGE - Censos Demográficos de 1991, 2000 e 2010 Dentre o migrantes interestaduais predominam, nos três quinquênios, aqueles provenientes das regiões Sudeste e Nordeste (Gráfico 5). No Sudeste, destacam-se como principais origens os estados de Minas Gerais e São Paulo, nos quinquênios 1986-1991 e 1995-2000. No quinquênio 2005-2010, apesar do aumento absoluto dos imigrantes provenientes de São Paulo, Minas Gerais praticamente se isola como principal fornecedor de população para a Ompetro, sendo a origem de 23,06% dos imigrantes daquele período. No Nordeste, a Bahia aumentou sua participação relativa de 9,32%, no quinquênio 1986-1991, para 11,53%, entre 1995-2000, e para 14,52% entre 2005-2010. Destacam-se ainda os estados da Paraíba, Ceará e Pernambuco e, nos dois primeiros quinquênios, também o Rio Grande do Norte. Gráfico 5 Ompetro – Imigrantes interestaduais segundo a macrorregião de origem 1986-1991, 1995-2000 e 2005-2010 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 1986-91 Norte 1995-2000 Nordeste Sudeste 2000-05 Sul Centro Oeste Fonte: IBGE – Censos Demográficos de 1991, 2000 e 2010 Nos 3 quinquênios analisados, apesar das diferenças relativas, dentre as 18 microrregiões do estado do Rio de Janeiro, apenas 5 aparecem como regiões de origem dos imigrantes intraestaduais na Ompetro: Campos dos Goytacazes, Macaé, Bacia de São João, Lagos e Rio de Janeiro. A microrregião do Rio de Janeiro, que se destacara como origem de 40,60% dos imigrantes intraestaduais no quinquênio 1986-1991, teve sua participação no fluxo reduzida para 24,68%, no último quinquênio (Mapa 2); naquele período destacam-se também as microrregiões Lagos e Macaé como importantes áreas de origem. Estes dados sugerem fluxos migratórios intraregionais significativos. 9 Mapa 2 Ompetro – Imigrantes intraestaduais, segundo a microrregião de origem Fonte: IBGE – Censo Demográfico de 2010 Como a emancipação de alguns distritos se deu em meados dos anos 90, e no Censo de 1991 não há como estimar migração por distritos, não foi possível analisar o destino dos imigrantes considerando-se a atual formação da Ompetro. De forma a garantir a comparabilidade, seria necessário, então, somar os dados relativos aos municípios emancipados na década de 90 aos dados daqueles que lhes deram origem. Ao assim procedermos perde-se detalhes importantes para esta análise. Considerando-se apenas os resultados dos Censos de 2000 e 2010, nos quais constam informações desagregadas para todos os municípios que atualmente pertencem à Ompetro (Gráfico 6), percebe-se que a migração se concentra em apenas 5 municípios: Niterói, Cabo Frio, Macaé, Campos e Rio das Ostras. Não nos surpreende o fato de Niterói, atrair um significativo número de imigrantes, dada a sua proximidade espacial da Capital estadual, seu desenvolvimento socioeconômico e a elevada qualidade de vida de sua população. No entanto, apesar de permanecer como importante área de atração, não mais se isola, na região da Ompetro como área de absorção dos migrantes interestaduais, intraestaduais e internacionais, tendo perdido significativamente o seu poder de atração populacional ao longo do período 5. Os dados Censitários revelaram, ainda, que Macaé, a capital do Petróleo, e Campos dos Goytacazes, o maior município do Norte Fluminense, que se sobressai pelo setor de serviços relativamente desenvolvido, apesar de se destacarem como importantes destinos, também perderam poder de atração, de 2000-2005 para 2005-2010. O aumento do poder de atração de Cabo Frio e, principalmente de Rio das Ostras que no último quinquênio recebeu 21,17% dos imigrantes, praticamente compensam estas perdas relativas. Significa dizer que apesar da migração permanecer concentrada em apenas poucos municípios, digamos que ela se encontra melhor distribuída. 5 Segundo o Censo Demográfico de 1991, Niterói atraiu 42,6% dos migrantes do quinquênio 1986-1991, isolando-se como região de atração populacional. 10 Gráfico 6 Ompetro – Município de destino dos imigrantes – (%) - 1995-2000, 2005-2010 S.J.Barra R.Ostras Quissamã Niterói Macaé C.Abreu Campos Carapebus Cabo Frio A.Cabo Búzios 0,00 5,00 10,00 15,00 1995-2000 20,00 25,00 30,00 35,00 2005-2010 Fonte: IBGE – Censos Demográficos de 2000 e 2010 O cenário acima descreve muito bem o destino dos migrantes intra e interestaduais, mas quando analisamos separadamente o destino dos imigrantes internacionais destaca-se também Armação de Búzios, município turístico, com belas praias e cuja exploração turística e ocupação imobiliária tiveram início nos anos 60. Mercado de Trabalho na região da Ompetro Para efeito analítico da participação dos indivíduos no mercado de trabalho, não nos preocupamos em separar imigrantes naturais dos não-naturais, partindo-se do pressuposto de que há significativas diferenças entre a qualidade da mão de obra dos naturais e dos imigrantes, sejam eles migrantes de retorno – para o município ou para a região da Ompetro ou não. Por detrás deste pressuposto admite-se que o fato de o indivíduo ter residido em município diferente do de nascimento altera a qualidade de sua mão de obra. Utilizamos, então, a seguinte estratificação da população: naturais, imigrantes intraestaduais, interestaduais e internacionais. Julgamos importante analisar, primeiro, a qualidade da mão de obra que está inserida nesse mercado de trabalho. Para tanto, serão utilizados indicadores de escolaridade. Para efeitos dessas análises considerou-se apenas os indivíduos com 20 anos ou mais de idade; foram excluídos os adultos em programas de alfabetização e o item 'não determinado'. Na região da Ompetro, entre 1986-1991, o grau de alfabetização dos naturais era relativamente baixo e, praticamente, 15% desta população não sabia ler nem escrever um simples bilhete em nosso próprio idioma (Tabela 4). Em todos os períodos o grau de alfabetização dos imigrantes apresentou-se mais elevado, apesar das diferenças, segundo o status migratório (migrante intraestadual, interestadual ou de origem internacional). Além disso, o grau de alfabetização dos naturais e dos imigrantes se elevou, ao longo do tempo. 11 Tabela 4 Ompetro – Grau de alfabetização, segundo o estrato populacional 1986-1991, 1995-2000 e 2005-2010 Período Intraestadual 91,97 95,09 97,76 1986-1991 1995-2000 2005-2010 Imigrante Interestadual 90,67 93,99 96,48 Naturais Internacional 100 99,19 100 85,34 91,77 94,32 Fonte: FIBGE - Censos Demográficos de 1991, 2000 e 2010 Esse não é o melhor indicador da escolaridade de uma população, principalmente quando se deseja utilizar esse indicador para inferências sobre o processo de seletividade no mercado de trabalho. Como se mencionou anteriormente, o mercado de trabalho na região da Ompetro vem sofrendo significativas mudanças: as estruturas produtivas intensivas em mão de obra estão sendo substituídas por aquelas intensivas em capital. Em função disso, o mercado de trabalho moderno exige um trabalhador cada vez mais qualificado; capacitado para manusear as novas tecnologias. Os Censos Demográficos de 1991 e 2000 nos permitem avaliar a escolaridade através da variável 'anos de estudo'. No período 1986-1991, 50% dos naturais eram considerados, analfabetos funcionais, do ponto de vista do mercado de trabalho; a escolaridade média era de apenas 7,23 anos de estudo (Tabela 5). As curvas da escolaridade dos imigrantes intraestaduais e interestaduais apresentam estruturas mais suavizadas (Gráfico 7), indicando uma maior proporção de indivíduos nas faixas de escolaridade mais elevadas. A escolaridade média dos imigrantes intra e interestaduais é significativamente superior: 8,68 e 9,11 anos de estudo, respectivamente. A curva de escolaridade dos imigrantes internacionais é notoriamente diferenciada: mais de 70% declararam no mínimo 12 anos de estudo sendo a escolaridade média bastante elevada (13,82 anos de estudo). Deve-se ressaltar que, o fluxo de migrantes internacionais é pouco significativo. Gráfico 7: Ompetro – Anos de estudo, segundo o estrato populacional 1986-1991 e 1995-2000 1986-1991 1995-2000 40,00 40,00 35,00 35,00 30,00 30,00 25,00 25,00 20,00 20,00 15,00 15,00 10,00 10,00 5,00 5,00 0,00 0,00 0 Naturais 1a4 5a8 Interestadual 9 a 11 Intraestadual 12 a 16 17 + 0 Internacional Naturais 1a4 5a8 Interestadual 9 a 11 12 a 16 Intraestadual 17 + Internacional Fonte: IBGE – Censos Demográficos de 1991 e 2000 Entre 1986-1991 há mudanças significativas. Entre os naturais, em termos relativos, verifica-se uma redução do analfabetismo funcional, embora este ainda permaneça elevado (36,81% dos naturais declararam escolaridade máxima de 4 anos de estudo), e uma pequena elevação da escolaridade média para 7,9 anos de estudo. Entre os imigrantes intra e interestaduais, observa-se uma elevação da proporção daqueles nas faixas de escolaridade 12 mais elevadas e apesar das variações no nível médio de escolaridade serem irrisórias, sinalizam uma tendência para o aumento da mesma. A associação da escolaridade média com as distribuições relativas dos imigrantes segundo os anos de estudo nos permitem inferir que o mercado de trabalho da Ompetro tem se tornado mais seletivo, ao longo do tempo. Considerando os imigrantes internacionais, a mudança também é notória: houve uma redução da participação relativa daqueles com 17 anos ou mais de escolaridade, no fluxo, compensada pelo aumento da participação relativa daqueles com 9 a 11 anos de estudo. Supõe-se que a grande demanda por técnicos, de nível médio, devido a expansão da atividade de exploração e produção de petróleo e gás e a falta de mão de obra local especializada tenha propiciado esta alteração do perfil dos imigrantes na região. Há um esforço conjunto do Goveno Federal, Estadual e setor privado no enfrentamento desta questão, tendo sido implantadas, nos últimos anos, diversas escolas técnicas nos municípios produtores no intuito de preparar e qualificar a mão de obra para o desafio dos novos investimentos na atividade de exploração e produção de petróleo e gás no litoral brasileiro. A consequência dessa mudança foi a redução da escolaridade média dos imigrantes internacionais – para 12,54 anos – embora estes continuem apresentando uma escolaridade extremamente elevada, se comparado aos outros estratos populacionais aqui considerados. Tabela 5 Ompetro - Escolaridade média, segundo o estrato populacional 1986-1991 e 1995-2000 Período 1986-1991 1995-2000 Intraestadual 8,68 9,08 Imigrante Interestadual 9,10 9,11 Internacional 13,82 12,54 Naturais 7,23 7,9 Fonte: IBGE - Censos Demográficos de 1991 e 2000 Como no Censo Demográfico de 2010 não há a informação direta referente aos 'Anos de Estudo' dos indivíduos, optou-se por utilizar, naquele Censo a variável 'Nível de Instrução' para se avaliar a escolaridade dos naturais e dos imigrantes, na região da Ompetro. Apesar da impossibilidade de comparações diretas, algumas inferências podem ser feitas. Observa-se, em primeiro lugar, a redução, na região da Ompetro, do número de indivíduos – naturais e imigrantes - que não receberam educação formal (0 anos de estudos, nos Censos Demográficos de 1991 e 2000 e 'sem instrução, no Censo Demográfico de 2010), apesar de 25.180 naturais (4,32%) permanecerem na condição de indivíduos sem instrução. No Gráfico 8, a curva que representa o nível de escolaridade dos naturais, assim como nos gráficos anteriores, apresenta maior concentração de indivíduos nos níveis mais baixos. As curvas de escolaridade dos migrantes intra e interestaduais, coincidentes, confirmam a convergência da escolaridade do migrante intraestadual para a do migrante interestadual, já apontada pelos Censos anteriores. No caso dos imigrantes internacionais, no quinquênio 2005-2010, há, dentre estes, indivíduos sem instrução, além de um maior número de indivíduos com baixo nível de escolaridade. É possível que as escolaridades médias de todos os estratos populacionais tenham aumentado, mas pelo Gráfico 8 é possível inferir a persistência das diferenças, ainda que em menor magnitude, entre as escolaridades médias dos imigrantes e dos naturais permanecendo, estes últimos, com níveis de escolaridade mais baixos. 13 Gráfico 8 Ompetro – Nível de instrução, segundo o estrato populacional, 2010 60,00 50,00 40,00 30,00 20,00 10,00 0,00 Sem instrução Fundamental incompleto Intraestadual Fundamental completo e médio incompleto Médio completo e superior incompleto Internacional Interestadual superior completo Natural Fonte: IBGE – Censo Demográfico de 2010 Para avaliarmos os setores de atividade, as ocupações e os rendimentos dos indivíduos no mercado de trabalho da Ompetro, tomaremos, daqui por diante, como referência apenas o Censo de 2010 (que, por ser o mais recente, ilustra com fidedignidade a atual situação desse mercado de trabalho) e a população com 10 anos ou mais de idade. Em 2010, 46,49% dos naturais, com 10 anos ou mais de idade, exerceram trabalho remunerado no período de referência. Os percentuais de trabalhadores entre os imigrantes interestaduais, intraestaduais e internacionais, do quinquênio 2005-2010 foram, respectivamente, 57,65%, 52,93% e 51,34% (Gráfico 9). Gráfico 9 Ompetro – Trabalho remunerado, no período de referência, segundo o estrato populacional, 2010 Naturais Internacional Interestadual Intraestadual 0,00 10,00 20,00 30,00 Fonte: IBGE – Censo Demográfico de 2010 14 40,00 50,00 60,00 A grande maioria dos trabalhadores – independentemente do estrato populacional – era em 2010, empregado com carteira assinada. Todavia, é notória a elevada participação de trabalhadores informais e por conta própria, naquele mercado de trabalho (Gráfico 10). Entre os 72.223 trabalhadores naturais por conta própria, 18.744 (28,41%) indivíduos exerciam alguma atividade no grupo ocupacional 'trabalhadores qualificados, operários e artesãos da construção, das artes mecânicas e outros ofícios', destacando-se dentre as ocupações pertencentes a esse grupo os pedreiros, pintores e costureiros; 13.923 (21,10%), no grupo ' trabalhadores dos serviços, vendedores dos comércios e mercados', onde se destacam os vendedores ambulantes. Se somarmos a esses, trabalhadores por conta própria inseridos em outras ocupações que exigem baixo nível de escolaridade, tais como as 'ocupações elementares' (serviços domésticos, serventes de pedreiro, ajudantes de cozinha, etc), 'operadores de instalação de máquinas e equipamentos', 'trabalhadores qualificados da agropecuária, florestais, da caça e da pesca, e os 'trabalhadores de apoio administrativo, temos 78% dos trabalhadores naturais. Dentre estes, apenas 11.669 (17,69%) eram profissionais das ciências e intelectuais e 3.372 (5,11%) eram técnicos e profissionais de nível médio. Gráfico 10 Ompetro – Posição na ocupação, segundo o estrato populacional, 2010 Naturais Internacional Interestaduais Intraestaduais 0% 20% 40% 60% 80% 100% Empregado com carteira assinada Forças Armadas Funcionário Público Empregado sem carteira de trabalho assinada Conta própria Empregador Fonte: IBGE – Censos Demográficos de 2010 Analisando os setores de atividade em que estão inseridos os trabalhadores naturais com carteira assinada destacam-se, além do setor de comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (18,76%) onde estão empregados principalmente como caixas e expedidores de bilhetes, balconistas e vendedores de lojas; os setores de educação (professores do ensino pré-escolar e do ensino fundmental); indústria de transformação, atividades administrativas e serviços complementares (recepcionitas, secretários, escriturários), saúde humana e serviços sociais (trabalhadores de cuidados pessoais em instituições), construção (pedreiros e trabalhadores elementares da construção de edifícios), serviços domésticos, administração pública, defesa e seguridade social; e Transporte, Armazenagem e Correio (condutores de automóveis, taxis e caminhonetes, mensageiros, carregadores de bagagens e entregadores de encomendas (Gráfico 11 e Gráfico 12) Além das ocupações mencionadas, merecem destaque na absorção da mão de obra natural as ocupações de cozinheiros, porteiros e zeladores, guardas de segurança, e os trabalhadores de limpeza de interior de edifícios, escritórios, hotéis e outros estabelecimentos. 15 Este conjunto mencionado de ocupações que, como se pode notar demandam, em geral, trabalhadores com baixa qualificação profissional, encontram-se 44,56%. Os imigrantes internacionais estão inseridos, principalmente, na indústria extrativa; nos organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais; alojamento e alimentação; comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas; indústria de transformação; atividades profissionais, técnicas e científicas; educação; e saúde humana e serviços sociais. Dentre esses destacam-se os profissionais das ciências (engenheiros químicos e eletricistas), diretores e gerentes – da indústria da transformação, de políticas e planejamento e de vendas e comercialização - técnicos e profissionais de nível médio (classificadores e provadores de produtos, exceto de bebidas e alimentos); eletrotécnicos, perfuradores e sondadores de poços; trabalhadoers dos serviços, vendedores do comércio e dos mercados, como profissionais da publicidade e da comercialização, balconistas e vendedores; e os trabalhadores de apoio administrativo como secretários executivos e administrativos, recepcionistas, escriturários, Apesar de serem absorvidos pelos mesmos setores de atividade existem diferenças significativas entre as ocupações exercidas pelos imigrantes inter e intraestaduais. De modo geral, em termos relativos, predominam imigrantes intraestaduais nas ocupações com maior qualificação e imigrantes interestaduais naquelas com menor qualificação. Gráfico 11 Ompetro – Grupos de atividade , segundo o estrato populacional (%), 2010 6 25,00 20,00 15,00 10,00 5,00 0,00 I II III IV Naturais V VI VII VIII IX X Internacional XI XII XIII XIV Interestadual XV XVI XVII XVIII XIX XX XXI Intraestadual Fonte: IBGE – Censos Demográficos de 2010 6 Grupos de Atividade: I- Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura; II – Indústrias extrativas; III – Indústrias de Transformação; IV – Eletricidade e Gás; V – Água, Esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação; VI – Construção; VII – Comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas; VIII – Transporte, Armazenagem e Correio; IX – Alojamento e Alimentação; X – Informação e Comunicação; XI – Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados; XII – Atividades Imobiliárias; XIII – Atividades profissionais, científicas e técnicas; XIV – Atividades administrativas e serviços complementares; XV – Administração pública, defesa e seguridade social; XVI – Educação; XVII – Saúde humana e serviços sociais; XVIII – Artes, cultura, esportes e recreação; XIX – Outras atividades de serviços; XX – Serviços domésticos; XXI – Organismos internacionais. 16 Gráfico 12 Ompetro – Grupos ocupacionais , segundo o estrato populacional (%), 2010 7 40,00 35,00 30,00 25,00 20,00 15,00 10,00 5,00 0,00 I Intraestadual II III IV V Interestadual VI VII Internacional VIII IX X Naturais Fonte: IBGE – Censos Demográficos de 2010 As diferenças em relação ao setor de atividade e ocupação entre os trabalhadores dos diferentes estratos populacionais se refletem no rendimento dos mesmos. Como se pode notar no Gráfico 13, praticamente 68% dos naturais, 59,43% dos imigrantes interestaduais e 54,2% dos imigrantes intraestaduais tinham, em 2010, uma renda de, no máximo, 2 salários mínimos, enquanto entre os imigrantes internacionais a distribuição relativa apresenta-se mais suavizada. Ressalta-se, ainda, nas primeiras faixas de rendimento a curva de rendimento dos imigrantes interestaduais se sobrepõe à dos imigrantes intraestaduais, havendo uma inversão nas faixas mais elevadas de rendimento. 7 Grupos de Ocupação: Diretores e Gerentes; II – Profissionais das ciências e intelectuais; III – Técnicos e profissionais de nível médio; IV – Trabalhadores de apoio administrativo; V – Trabalhadores dos serviçs, vendedores dos comércios e mercados; VI – Trabalhadores qualificados da agropecuária, florestais, da caça e da pesca; VII – Trabalhadores qualificados, operários e artesãos da construção, das artes mecânicas e outros ofícios; VIII – Operadores de Instalações e máquinas e montadores; IX – Ocupações elementares; X – Membros das forças armadas, policiais e bombeiros militares. 17 Gráfico 13 Ompetro – Rendimento, em faixas de salários mínimos, segundo o estrato populacional (%), 2010 45,0 40,0 35,0 30,0 25,0 20,0 15,0 t 10,0 Intraestadual Interestadual Internacional 20 ou + +15 até 20 +10 até 15 +3 até 5 +2 até 3 +1 até 2 0a1 0,0 + 5 até 10 5,0 Naturais Fonte: IBGE – Censo Demográfico de 2010 Os imigrantes internacionais do quinquênio 2005-2010 tinham um rendimento médio de R$3.955,91 enquanto a renda média dos imigrantes interestaduais era de R$2.047,26 e a dos imigrantes intraestaduais era de R$1.950,48. O rendimento médio dos naturais era significativamente mais baixo e igual a R$1.456,57. Considerações finais Os municípios pertencentes à Ompetro vêm passando por intensas mudanças demográficas e socioeconômicas decorrentes dos crescentes investimentos – diretos e indiretos - relacionados à atividade petrolífera e parapetrolífera. Em relação à dinâmica demográfica nos chama a atenção a elevação do ritmo de crescimento populacional; atualmente a população da região da Ompetro cresce mais aceleradamente do que a população ERJ, implicando no aumento da concentração da população nesta região e da sua participação relativa no incremento absoluto estadual. Internamente, os municípios apresentam crescimento populacional diferenciado destacandose entre eles, Rio das Ostras que, na última década apresentou crescimento médio anual de 11,24%. Concomitantemente a esse crescimento populacional, verificou-se, a exemplo de outras regiões brasileiras, um intenso processo de urbanização, nas últimas décadas. O mercado de trabalho, por sua vez, vem se tornando mais formalizado e seletivo, exigindo um trabalhador mais qualificado. Apesar da possibilidade de transferência intersetorial da mão de obra, parte da oferta das vagas vem sendo ocupada por imigrantes – interestaduais, intraestaduais e internacionais – já que muitas vezes os naturais não apresentam nível de escolaridade suficiente para ocupá-las. No entanto, já é perceptível o efeito desta maior seletividade sobre a mão de obra dos naturais, que vem buscando ampliar seus níveis de escolaridade para se inserirem ou se manterem nesse novo mercado de trabalho. Constatou-se um aumento significativo da imigração em direção aos municípios da Ompetro entre 1986-1991 e 2005-2010. No último quinquênio foram mais de 200 mil imigrantes, dentre os quais se sobressaem os intraestaduais. Estes apresentam nível de escolaridade maior do que o dos naturais, similar ao migrante interestadual e inferior ao imigrante internacional. As diferenças de escolaridade entre os estratos populacionais se 18 refletem nas ocupações que estes indivíduos exercem no mercado de trabalho e nos rendimentos auferidos. As análises, aqui realizadas de forma agregada, abrem espaço para novas pesquisas que considerem estudos sobre movimentos pendulares entre os municípios da Ompetro, bem como os fluxos migratórios por município, tendo em vista as significativas diferenças socioeconômicas e demográficas. Referências: BAENINGER, R. e OJIMA, R. Novas Territorialidades e a sociedade de risco: evidências empíricas e desafios teóricos para a compreensão dos novos espaços da migração.Papeles de Población. Nueva Época, Ano 14, N.58, Octubre-diciembre, 2008. BRITO, Fausto e SOUZA, Joseane. Os Emigrantes: Minas no Contexto das Migrações Internas no Brasil. In Seminário sobre a Economia Mineira, 7, 1995. 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