A certificação da Qualidade como fator de inovação em Turismo João Simões1 Resumo – Assistindo-se atualmente ao aumento da competitividade das indústrias, nomeadamente a do Turismo, muito devido à evolução das novas tecnologias, inovar passou a ser um requisito fundamental para as organizações ou entidades que se queiram manifestar ou sustentar no mercado turístico. A Gestão da Qualidade promove esta inovação uma vez que adapta ou modifica os processos tradicionais que, atestados por uma certificação, garantem ao consumidor qualidade nos bens adquiridos. Uma vez que a atividade turística combina uma série de agentes com produtos heterogéneos e cada um com as suas próprias normas, torna-se complicado certificar o sistema turístico no global. Por isso, iremos neste artigo observar a certificação da qualidade dos atores fundamentais do destino turístico e em que medida a sua certificação individual poderá ou não contribuir para a sustentabilidade do destino. Palavras-Chave – certificação, qualidade, turismo, inovação, qualidade turística Abstract – Attending to the currently increasing of the competitiveness of industries, particularly in the tourism sector largely due to the evolution of new technologies, innovation has become a requirement for organizations or entities who wish to express or support themselves in the tourism market. Quality Management promotes this innovation as it modifies the traditional processes, attested by a certification, that assures the quality of the goods purchased. Since tourism combines a number of agents with heterogeneous products and each with its own rules, it becomes difficult to certify the global tourism system, so in this article we will look at the quality certification of the fundamental actors in tourism destinations and if their certification may or may not contribute to the sustainability of the destination. Keywords - certification, quality, tourism, innovation, tourism quality 1 Professor Coordenador de Cursos de Turismo; Mestre em Turismo; Doutorando em Turismo pela UL/IGOT, com a colaboração da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril: [email protected] 1 João T. Simões INTRODUÇÃO Nos dias de hoje não é novidade afirmar que a Qualidade é um atributo indispensável às organizações que pretendem não só afirmar-se, mas também assegurar uma posição forte no quadro competitivo que a conjuntura atual apresenta. Por um lado, devido ao desenvolvimento tecnológico e industrial que, obriga à busca de inovação de forma a se destacarem dos concorrentes e, por outro, potenciam a crescente exigência do consumidor atual que se vai habituando a um consumo de bens com um nível regular de qualidade, tornando-os cada vez mais exigentes e informados acerca do que consomem. A certificação da Qualidade (ou a certificação do sistema de gestão da Qualidade) garante às organizações uma posição de vantagem competitiva em relação às demais que não o são, pois asseveram à partida mais confiança aos consumidores, traçando assim um caminho importante para a fidelização que é um elemento crucial na obtenção da sustentabilidade económica nas Organizações. Ao aplicar um sistema de gestão da qualidade, as organizações, operadores ou produtores, garantem uma série de vantagens durante a conceção, promoção ou produção dos seus bens, que se traduzem essencialmente na supressão de “desperdícios” ou erros através de uma metodologia focada em toda a cadeia de elaboração do produto, direcionando os esforços para o objetivo pretendido (mais eficiência), acautelando assim a redução de custos e garantia de qualidade dos mesmos (mais eficácia). Desta forma, consideramos que a Certificação conduz necessariamente à inovação da entidade que a aciona, pois provoca, antes de mais, uma alteração positiva ao nível da gestão, com vista ao desenvolvimento sustentável (Coelho, 2006 apud Ribeiro, 2012, p. IV). No que toca à atividade turística sabemos que não existe um modelo normativo de certificação nacional ou internacional para o sistema turístico no seu global, uma vez que o turismo se apresenta enquanto uma atividade transversal afetando a utilização e consumo de produtos, bens e serviços diversos, oferecidos por diferentes atores que produzem, operacionalizam, promovem, organizam e regulam o destino. Torna-se então, em certa medida, inviável certificar todo o sistema turístico, embora, como iremos analisar, uma vez que os atores podem obter a sua certificação individual, poderão assim contribuir para tornar expectávelmente mais sustentável a atividade turística. A certificação da Qualidade como fator de inovação em Turismo I. 2 CERTIFICAÇÃO DA QUALIDADE ENQUANTO FATOR DE INOVAÇÃO A inovação implica necessariamente uma novidade, renovação, invenção ou criação. Dessa forma, e uma vez que a certificação obriga à adaptação dos processos e métodos de produção ou gestão (dependendo do âmbito da certificação) e à normalização imposta por entidades nacionais ou internacionais, podemos aferir que ao certificarmos estamos a inovar. O desenvolvimento estrutural e conjuntural que as novas tecnologias trouxeram, bem como a rápida evolução, atualização e posterior melhoramento das condições de produção, desenvolvimento e conceção de bens, vieram renovar a metodologia empregue pelas empresas como podemos observar seguidamente na figura 1: Figura 1 – As Eras da Qualidade. Figure 1 - The Quality ages. Elaboração própria a partir de Barçante (2013): Verificamos que o impacte direto da certificação da qualidade acontece fundamentalmente a dois níveis: nos processos e nas pessoas. No primeiro, assistimos à adaptação/transformação dos modelos e processos tradicionais de fabrico ou produção, para os estabelecidos pela International Organization for Standardization (ISO) ou por outros organismos acreditados, como por exemplo: APCER - Associação Portuguesa de Certificação; SGS ICS - Serviços Internacionais de Certificação, Lda.; Lloyd’s Register EMEA – Portugal; Bureau Veritas 3 João T. Simões Certification Portugal, Unipessoal, Lda.; EIC - Empresa Internacional de Certificação, S.A.; TUV Rheinland Portugal, Inspecções Técnicas, Lda.; AENOR - Asociación Española de Normalización y Certificación; CERTIF - Associação para a Certificação, sendo este o primeiro passo para obter a certificação e, como referem Pinto e Pinto (2011, p. 50) “O desenvolvimento de um método de controlo total da qualidade trouxe a possibilidade de evitar que os defeitos ocorressem durante a produção ao invés de tentar encontrar e eliminar as peças defeituosas”. No segundo, verificamos que transmite ao consumidor a certeza e garantia de ser um produto/serviço de qualidade, o que poderá gerar um aumento da procura onde “Rodchua chama a atenção para o facto da implementação de um programa de custos da qualidade constituir uma ferramenta efetiva para o aumento da satisfação dos clientes e dos lucros, referindo que Gryna (1999) havia já discutido os benefícios do investimento em medir os custos da qualidade como um meio para aumentar a eficiência dos processos, reduzir as reclamações de clientes e aumentar o numero de clientes” (Idem, p. 52). Estes autores (Pinto e Pinto, 2011), referem ainda que “estudos consultados relacionam também a gestão da qualidade com a obtenção de vantagens competitivas para as organizações ao nível da satisfação dos clientes, da inovação (Easton e Jarrell, 1998) ou da eficiência dos processos (Reid, 2006)” (Idem ibidem). No quadro I, apresentamos uma resenha evolução das perspetivas, conceitos e contribuições de autores muito relevantes na área da Qualidade, de forma a entender não só a evolução do conceito, como perceber as várias visões que foram, são e poderão ser aplicadas nas organizações. Autores Perspetiva Processo Finalidade Plan (Planeamento): Investigar e compreender as necessidades do consumidor, detetar problemas e identificar necessidades; Do (Execução): Produzir e testar o produto; Deming partir dos anos 50 “O Ciclo de Deming” Ciclo de PDCA – Plan-Do-Check-Act Check (Controlo): Verificar se o produto está a funcionar e avaliar os resultados obtidos; Act (Correção): Finalidade de melhorar o processo; Continua… 4 A certificação da Qualidade como fator de inovação em Turismo Continuação Feigenba um 1956 “Controlo da qualidade Total” Engenharia de controlo da qualidade Promover melhorias da qualidade; Resolver problemas de qualidade que atravessam departamentos funcionais Crosby (1979) “Conceito de zero defeitos ou produção sem defeito” Conformidade do produto com as suas especificações técnicas. A qualidade é grátis, compensa sempre o investimento, desde que se garanta que o processo vai produzir bem à primeira, Deming 1986 “Os 14 pontos de Deming” Redução da incerteza na variabilidade do desenvolvimento do processo produtivo Diminuir as variações; Adoção de um ciclo contínuo no desenvolvimento de produtos, produção, teste e vendas; pesquisas de mercado; Juran 1988/89 “Trilogia da qualidade de Juran” Planeamento da qualidade, controlo da qualidade, melhoria de qualidade através da criação de equipas de projeto responsáveis por cada uma destas fases. Ishikawa 1995 “Ferramentas da qualidade” Gestão de qualidade como o desenvolvimento, produção e serviço de um produto, da forma mais económica, útil e satisfatória para o consumidor Evans e Lindsay 2002 “Departamentos de qualidade nas empresas” Conceção de produtos ou serviços conforme as necessidades dos clientes e deteção de defeitos Formação de grupos de trabalho que reúnem periodicamente para discutir e resolver problemas de qualidade que afetam o seu dia-a-dia. Desresponsabilização dos trabalhadores e dos gestores no controlo da qualidade Taguchi s.d. “A qualidade deve ser garantida através do design dos produtos” Preocupação não só pelo custo em produzir artigos defeituosos, como vendêlos a organizações ou ao consumidor final Esta perspetiva põe a descoberto o efeito sistémico das falhas de qualidade, e o efeito potencialmente devastador para uma sociedade da acumulação de pequenas falhas de qualidade “Dimensões da qualidade” As organizações devem identificar as dimensões da qualidade que consideram prioritárias, por exemplo, fiabilidade e serviço, em vez de manifestar um propósito genérico de melhoria da qualidade Propicia discussões sobre qualidade mais frutíferas, como vem encorajar as organizações a considerar a qualidade como um elemento importante no seu posicionamento estratégico. Garvin s.d. A tarefa de controlo de qualidade ficava a cargo do departamento Quadro I - Evolução do conceito de Qualidade Table I - Evolution of the Quality concept Elaborado a partir de Gomes (2004) e Nunes (2012, pp. 58-61) Desta forma, concluímos este ponto afirmando que a certificação da Qualidade de um sistema de gestão, além da sustentabilidade e vantagem competitiva que fomenta aos seus responsáveis, é um fator nítido de diferenciação e inovação junto dos seus concorrentes, que ficam “obrigados” a criar novas estratégias e métodos para acompanharem ou superarem a concorrência certificada. 5 João T. Simões Por isso, acreditamos que a certificação é um veículo capaz de motivar o desenvolvimento a grande escala “considerando as empresas como agentes do sistema macroeconómico, importa assim analisar a certificação de sistemas de gestão da qualidade como fator de desenvolvimento económico das empresas, em particular, e do país, de uma forma geral, a qual pode ter reflexos diretos no emprego e no produto interno bruto, ao nível do consumo privado, do investimento e das exportações” (Pinto e Pinto, 2011, p. 50). Segundo Sarmento (2003 apud Nunes, 2012, pp. 68, 69 ) “as empresas têm que atuar com qualidade, numa permanente preocupação com a satisfação dos clientes, atuando com profissionalismo com base no desempenho eficiente, rigoroso, responsável, motivando a criatividade dos colaboradores. A implementação da gestão pela qualidade, numa organização, requer que o conceito da qualidade esteja enraizado na empresa.” A autora afirma que o êxito da implementação do sistema depende dos seguintes aspetos: O gestor de topo deverá estar totalmente envolvido nos objetivos estratégicos da qualidade, comunicando previamente a todos os níveis hierárquicos da empresa; A qualidade visa a satisfação do cliente, sendo essencial que seja avaliado o que está a ser feito e assegurar a correção dos defeitos; A qualidade é incorporada no serviço, desde a sua base, até a sua apresentação aos clientes; •É importante que a estratégia global esteja focada nas necessidades do cliente e seja definida em todas as dimensões do serviço, incluindo os benefícios implícitos e explícitos; •Os sistemas sejam periodicamente avaliados e adaptados mediante mudanças que ocorram pela dinâmica do mercado; •É importante a participação dos colaboradores que contatam diretamente com os clientes, atribuindo-lhes responsabilidade e a capacidade de decisão; É importante que os colaboradores estejam motivados; •A formação dos recursos humanos é crucial; Os testes de controlo de qualidade e as pesquisas de mercado devem ser metódicos e frequentes, fazendo com que as expetativas dos clientes sejam superadas, adaptando-se à sua dinâmica; •A filosofia de gestão baseia-se numa mudança constante, adaptada às necessidades, que apenas será de sucesso quando planeada e envolva todos os níveis da empresa, fazendo parte integrante da cultura da mesma; Figura 2 – Determinantes estruturais para o sucesso da implementação da gestão da Qualidade Figure 2 - Structural determinants for the successful implementation of quality management Elaboração própria a partir de Nunes (2012, p.69) A certificação da Qualidade como fator de inovação em Turismo II. 6 A CERTIFICAÇÃO DA QUALIDADE NO SISTEMA TURÍSTICO O sistema turístico (figura 1) é composto entre outros, pelos intervenientes diretos e indiretos da atividade turística (Stakeholders), e reflete primeiramente uma viagem (transportes), uma estadia (alojamento) de pelo menos vinte e quatro horas no destino (que irá exigir naturalmente o consumo de bens alimentares para a sua permanência – restauração) e a realização de atividades (de lazer, negócios ou outros), num determinado território (destino turístico) sem limitação concreta quanto ao seu raio de ação, ou seja, segundo Cho (2000) poderá ser uma zona contida, uma vila, uma aldeia, uma cidade, uma ilha, ou até mesmo um país. Figura 3 – Sistema Turístico POGO - Procura, Oferta, Geografia e Operadores. Figure 3 - Tourism System POGO - Demand, Supply, Geography and Operators. Elaboração própria a partir de Figueira, 2011 Assim, atendendo a todos estes fatores, ações e interações, torna-se bastante complexo certificar o sistema ou destino turístico no seu conjunto, uma vez que não existe um limite para o número das atividades turísticas que o viajante poderá consumir assim como de operadores ou indústrias que se desenvolvem (por exemplo: poderá existir em dois destinos com a mesma área geográfica uma diferença no número de hotéis de dois para duzentos). De acordo com Leiper (1979 apud Aldebert et al., 2011), “(…) a indústria do turismo é composta por empresas que se comprometem propositadamente a coordenações conjuntas 7 João T. Simões das suas atividades com a finalidade de servir os turistas. A coordenação das atividades é a questão central, o que chama a atenção para a importância de uma análise dos atores e as suas interações”. Então, os setores de atividade que compõem o sistema turístico dependem das caraterísticas de cada território (dimensões, política, cultura, etc). Por outro lado, devido à inexistência de um modelo nacional ou internacional que normalize o destino, isto é, que estabeleça e normalize os processos de atuação do sistema, a tese de certificar o destino em si, no global, aparentemente não é viável. Não obstante, já se começa a assistir a uma mudança de paradigma no confronto com este que parece um obstáculo intransponível. O presidente da Entidade Regional do Alentejo (Ceia da Silva) refere que está nos seus objetivos: “Certificar toda a cadeia de valor na área turística, o que envolve a restauração, o alojamento, os locais de interesse turístico ou a animação turística (…) para que possamos qualificar o destino até 2020” (Agência Lusa, 2013). Este projeto concorre a ser certamente um dos mais inovadores na área do turismo a nível mundial, uma vez que: “o Alentejo quer tornar-se num dos primeiros destinos turísticos certificados do mundo” (idem). Isto porque se assiste atualmente à certificação de partes que compõem o sistema turístico ou o próprio destino e não o sistema no global. Prova disso, é como refere a directora de Marketing da APCER (Carla Pinto): “No sector do Turismo (Agências de Viagem, Hotéis e Restaurantes, Aeroportos, Transporte de Passageiros), a APCER já emitiu cerca de 80 certificados nas áreas da Qualidade, Ambiente e Segurança Alimentar” (APCER, 2013). Ou seja, parte das componentes do sistema turístico. Concluímos então que como ainda não existe uma norma ou regulação do sistema turístico para a sua certificação na globalidade, verificamos a existência de uma série de agentes que intervêm diretamente na indústria turística à procurar da certificação, não para consolidar o destino, mas com o intuito de fortalecer a sua própria organização. Por isso, não podemos assumir que a certificação de todos os agentes da indústria turística seja inovadora do ponto de vista do destino, mas apenas para o agente que a pretende. 8 A certificação da Qualidade como fator de inovação em Turismo III. A CERTIFICAÇÃO DA QUALIDADE NA INDÚSTRIA TURÍSTICA A indústria turística coloca atualmente à disposição do viajante uma panóplia de produtos que se apresenta tão vasta e variada quanto o número de atores/produtores existentes. Aliada à quantidade de produtos, o aumento e evolução dos conhecimentos gerais nas novas tecnologias e nas ferramentas tecnológicas torna praticamente obrigatória da parte de quem produz, a busca pela inovação de modo a acompanhar as tendências e exigências dos consumidores (viajantes), bem como o aumento da competitividade que por sua vez irá colocar à disposição do viajante formas de consumir muito mais fáceis, rápidas e baratas. Uma vez que o turismo se define pelas deslocações, atividades e permanência de indivíduos, fora do seu ambiente natural, por um período contínuo que não ultrapasse um ano e não seja inferior a vinte e quatro horas, por motivos de lazer, negócios e outros que não relacionados com o exercício de uma atividade remunerada, no destino (OECD, 2008, p. 546), relacionamos automaticamente a indústria turística à restauração, à hotelaria, aos transportes e à animação como atividades fundamentais para que haja turismo, acabando o viajante/turista por consumir outros produtos e serviços que não aqueles caraterísticos da atividade turística, que designamos na figura 4 por “outros”. Outras atividades Animação Transportes Outros Restauração Outros atividades Hotelaria Outros atividades Outros Figura 4 – Principais Atividades da indústria turística. Figure 4 - Tourism industry main activities. Elaboração própria 9 João T. Simões Para obterem uma certificação, as empresas do setor têm de estar em conformidade com os requisitos estabelecidos por ISO’S ( International Organization for Standardization) que estabelecem e normalizam os processos e métodos através de referências internacionais, em que, no caso da Qualidade, verificamos que esta pertence à família das ISO 9000 que se compõe pelas 3 ISO’s seguintes: i) NP EN ISO 9000/2008 - Fundamentos e Vocabulários; ii) NP EP ISO 9001/2008 - Requisitos; iii) NP EP ISO 9004/2008 – Linhas de Orientação para a melhoria do desempenho. Segundo a APCER (2014), “A norma ISO 9001 constitui uma referência internacional para a Certificação de Sistemas de Gestão da Qualidade. A Certificação de acordo com a ISO 9001 reconhece o esforço da organização em assegurar a conformidade dos seus produtos e/ou serviços, a satisfação dos seus clientes e a melhoria contínua. A Certificação do Sistema de Gestão da Qualidade é dirigida a qualquer organização, pública ou privada, independentemente da sua dimensão e sector de actividade”. IV. CASOS DE ESTUDO Seguidamente enumeramos os principais benefícios/resultados da implementação de um sistema de gestão e a sua posterior certificação, de acordo com a APCER (2007) e os casos de estudo que enumeram no seu “Guia interpretativo da NP EN ISO 9001:2000 no Sector do Turismo”: NOME Geotur viagens e turismo, S.A. Hotel Montebelo NORMA OBJETIVOS RESULTADOS NP EN ISO 9001:2000 • Garantir a qualidade dos serviços que presta; • Obter a satisfação, confiança e preferência dos clientes; • Melhorar o nível de formação e de desempenho dos colaboradores; • Privilegiar relações com clientes e fornecedores que permitam o desenvolvimento mútuo; • Melhorar de forma contínua o sistema de gestão da Qualidade. ----------------------------- NP EN ISO 14001:200 4 • Eleger o cliente e a sua satisfação como primeira prioridade de atuação; • Captação de novos clientes; • Inovar na prestação de Serviços; • Maximizar o binómio Custos vs Proveito; • Assegurar a melhoria continua do sistema; • Monitorizar desempenhos; • Fomentar uma Gestão Participada; • Cumprir com todos os requisitos legais e da norma NP EN ISO 9001:2000; O projeto de certificação implementado atualmente no Hotel Montebelo é um projeto de sucesso que trouxe mais valias para o dia a dia da unidade. A organização dos procedimentos internos permite atualmente um maior dinamismo no decorrer do serviço e a garantia de maior satisfação dos clientes. Através de uma abordagem por processos verificou-se uma maior sistematização na organização, permitindo a definição de estratégias e políticas que visam a busca da excelência. Ao longo dos anos e com a maturidade que o sistema de gestão já alcançou, é notório que a liderança promoveu o envolvimento de todos os colaboradores, a interiorização dos objetivos e da política da Continua… 10 A certificação da Qualidade como fator de inovação em Turismo Continuação Quinta Perestrello - Unidades turísticas ML Araújo, S.A. Turihab Associação do Turismo de Habitação NP EN ISO 9001:2000 ------------ •Manter estabelecido e implementado um Sistema de Gestão da Qualidade que cumpra os requisitos da NP EN ISO 9001:2000 e que contribua para a satisfação dos Clientes através da aplicação efetiva do Sistema na HOTELRAM / Quinta Perestrello. • Desenvolver e manter processos, procedimentos, cultura e envolvimento necessários à melhoria contínua do desempenho do Sistema de Gestão da Qualidade. Qualidade em todas as atividades da organização e consequentemente a minimização de erros e a otimização das prestações dos diversos intervenientes. • As funções, responsabilidades e objectivos de cada colaborador da empresa estão claramente definidos e formalizados; • Melhoria na organização interna das empresas. A clarificação de funções e responsabilidades faz com que se obtenham ganhos notáveis de rentabilidade e eficácia; • A comunicação interna (entre departamentos, direções, gestão de topo) e externa (clientes, fornecedores) é reforçada, trazendo naturalmente e uma vez mais, ganhos notáveis de rentabilidade e eficácia; • As empresas são “obrigadas” a evidenciar melhoria... Face a resultados e a objectivos, a orientação e esforço são sempre no sentido da Melhoria e de COMO lá chegar; • A existência de procedimentos escritos sobre o modo de trabalhar para se alcançar os objectivos facilita muito o acolhimento de novos colaboradores e a transferência de “know-how”; • O tratamento de não conformidades, de acções correctivas e preventivas e de reclamações constitui uma fonte inigualável de oportunidades de melhoria e ferramentas de gestão e resolução de problemas; • Avaliação da satisfação dos clientes – Fonte de melhoria, de correcção de problemas e de fidelização de clientes; • Espírito de equipa, de amizade e de interajuda que nasce e se consolida entre todos, com ganhos imensos na produtividade das pessoas. • Satisfazer os requisitos dos Associados e seus Clientes, identificando e entendendo as necessidades respetivas e reforçar a relação de parceria com os Associados; • Criar uma plataforma de comunicação entre as Casas associadas, as agências de viagens, os operadores turísticos e as empresas de animação turística; • Proporcionar a todos os Colaboradores a formação, ferramentas e um bom ambiente de trabalho para que possam contribuir para o excelente desempenho da organização; • Promover a realização de jornadas de estudo, Seminários, Congressos e outros; • Participar em reuniões oficiais, feiras e outras manifestações em que a rede Solares de Portugal deve fazer-se representar; • Estabelecer parcerias com outros organismos quando tal se mostre conveniente, nomeadamente no quadro da promoção, comercialização e cooperação das redes Solares de Portugal, Europa das Tradições e Fazendas do Brasil; • Avaliar e monitorizar os serviços e processos de forma a promover a melhoria contínua do desempenho do sistema. Quadro II – Casos de Estudo Table II - Case Studies Elaboração própria a partir de APCER, 2007 ----------------------------- 11 João T. Simões CONCLUSÃO A inovação é obrigatória nos dias de hoje, não só devido à rápida evolução e melhoria das tecnologias, mas porque a competição entre organizações aumenta ao mesmo ritmo, o que obriga as empresas a procurarem formas de inovar. Neste artigo, considerámos a certificação da Qualidade enquanto um meio particularmente útil e favorável de inovar, uma vez que traz vantagens, não só competitivas como de melhoria contínua dos processos, que acabam por tornar o caminho para a sustentabilidade mais fácil pois são um meio de excelência na garantia da qualidade que por sua vez poderá até mesmo fidelizar o consumo. Uma vez que o sistema turístico assenta na indústria turística, que é maioritariamente marcada pelos serviços de alojamento, restauração e transportes, escolhemos essas atividades como principais objetos de análise no presente artigo, onde concluímos no ponto IV com alguns exemplos de estudos de caso elaborados e divulgados pela APCER que refere algumas normas que as empresas implementaram e nalguns casos, as melhorias que obtiveram. BIBLIOGRAFIA Agência Lusa (2013) “Alentejo quer ser um dos primeiros destinos turísticos certificados do mundo” in ionline. http://www.ionline.pt/artigos/portugal/alentejo-quer-ser-dos-primeiros-destinos-turisticoscertificados-mundo[acedido em 19 de dezembro de 2013] Aldebert B., Dang R. J., Longhi C. (2011) Innovation in the tourism industry: The case of Tourism@ . 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