C.Qualidade 1. Qualidade em Portugal Tem evoluído muito a qualidade a nível nacional. Acredita-se numa evolução positiva cada vez mais alinhada com as tendências internacionais. Os agentes mais importantes no papel desempenhado desta evolução são: -Gestores de Topo das Organizações; -Organizações em Geral; -Entidades Certificadoras. Sistema Português de Qualidade Constitui o enquadramento legal e institucional para os assuntos da Qualidade em Portugal. Está organizado em três subsistemas: Metrologia, Normalização e Qualificação. Tem os seguintes princípios gerais: • credibilidade: baseia-se em regras e métodos estabelecidos por consenso internacional e mundialmente reconhecidos; • adesão voluntária: não existe obrigatoriedade de adesão; • abertura: qualquer entidade poderá integrar o SPQ, desde que demonstre cumprir as exigências estabelecidas; • aplicação geral: abrangente a qualquer sector de actividade; • não exclusividade: pode coexistir com outros sistemas de apoio à qualidade; • gestão integrada: a sua coordenação é exercida únicamente pelo Instituto Português da Qualidade (IPQ); • descentralização: o funcionamento do SPQ é baseado na autonomia das entidades que o compõem, seguindo procedimentos escritos. O SPQ é composto pelo: • Conselho Nacional da Qualidade (CNQ) • Instituto Português da Qualidade (IPQ) • Numerosas entidades qualificadas no âmbito dos três subsistemas (Metrologia, Normalização e Qualificação) e agrupadas em três tipos: Acreditadas, Certificadas e Qualificadas. Conselho Nacional da Qualidade O CNQ é o órgão de consulta do Governo em matéria de política da qualidade e de desenvolvimento do Sistema Português da Qualidade (SPQ). O Ministro da Economia preside ao CNQ, que é constituído por 42 membros, 18 representando a Administração Pública e 24 representando os agentes económicos (Indústria, Sindicatos, Consumidores, Universidades, etc.) e as entidades integradas no SPQ (Laboratórios e Organismos Sectoriais e outras). 1/6 C.Qualidade Os princípios e metodologias do Sistema Português da Qualidade são estabelecidos pelo Conselho Nacional da Qualidade, através das Directivas CNQ, obrigatórias para os organismos integrados no SPQ e usadas como referência por outros. O CNQ é apoiado por uma Comissão Executiva, que tem como função preparar as reuniões e executar as decisões do CNQ, e ainda coordenar o funcionamento das diferentes Comissões. Presentemente, a actividade do CNQ é desenvolvida por 5 Comissões Permanentes e por 13 Comissões Sectoriais, que têm como objectivo estudar e propor linhas de actuação visando a melhoria da qualidade dos produtos, serviços e sistemas. Estas Comissões, que reúnem regularmente, abrangem mais de 200 entidades distintas. Instituto Português da Qualidade Instituto público que, nos termos da sua lei orgânica e dos seus Estatutos, tem por missão a coordenação do Sistema Português da Qualidade (SPQ) e de outros sistemas de qualificação regulamentar que lhe forem conferidos por lei, a promoção e a coordenação de actividades que visem contribuir para demonstrar a credibilidade da acção dos agentes económicos, bem como o desenvolvimento das actividades inerentes à sua função de laboratório nacional de metrologia. Enquanto Organismo Nacional Coordenador do SPQ, são atribuições do IPQ a gestão, coordenação e desenvolvimento do Sistema Português da Qualidade, numa perspectiva de integração de todas as componentes relevantes para a melhoria da qualidade de produtos, de serviços e de sistemas da qualidade e da qualificação de pessoas*. • responsável pela gestão de programas de apoio financeiro, intervindo ainda na cooperação com outros países no domínio da Qualidade. • compete promover a elaboração de normas portuguesas, garantindo a coerência e actualidade do acervo normativo nacional e promover o ajustamento de legislação nacional sobre produtos às normas da União Europeia. • compete também, enquanto Instituição Nacional de Metrologia, garantir o rigor e a exactidão das medições realizadas, assegurando a sua comparabilidade e rastreabilidade, a nível nacional e internacional, e a realização, manutenção e desenvolvimento dos padrões das unidades de medida. • é responsável pelo cumprimento dos procedimentos das directivas comunitárias cuja aplicação acompanha e pelo processo de notificação prévia de normas e regras técnicas no âmbito da União Europeia e da Organização Mundial do Comércio. Entidades Acreditadas Acreditação é o reconhecimento formal por um organismo de acreditação de que um laboratório ou um organismo de certificação ou inspecção atende a requisitos previamente definidos e demonstra ser competente para realizar suas actividades com confiança. Segundo a norma ABNT NBR ISO/IEC 17011:2005 - Avaliação de conformidade – Requisitos gerais para organismos de acreditação; a definição de acreditação é "atestação de terceiraparte relacionada a um organismo de avaliação da conformidade, comunicando a demonstração formal da sua competência para realizar tarefas específicas de avaliação da conformidade". 2/6 C.Qualidade A definição de acreditação contida na norma 17011:2005 significa que organismos independentes (organismos acreditadores) executam uma verificação imparcial da competência dos OACs (Organismos de Avaliação da Conformidade) para executarem actividades de avaliação da conformidade, transmitindo confiança para o comprador e às autoridades reguladoras sobre os produtos, processos ou serviços avaliados. Passamos a enumerar algumas delas: Certiplanet, Certificação da Agricultura, Floresta e Pescas, Unipessoal, Lda. CERTIS - Controlo e Certificação, Lda. Ecocert Portugal, Unipessoal, Lda. CERTIF – Associação para a Certificação CERTIEL – Associação Certificadora de Instalações Eléctricas RELACRE - Associação de Laboratórios Acreditados de Portugal ISQ – Instituto de Soldadura e Qualidade SATIVA - Controlo e Certificação de Produtos AENOR - Asociación Española de Normalización y CertificaciónLRQA - Lloyd’s Register Quality Assurance BVC - Bureau Veritas Certification Portugal, Unipessoal, Lda. APCER - Associação Portuguesa de Certificação DNV - Det Norske Veritas - Classificação, Certificação e Serviços, Lda EIC - Empresa Internacional de Certificação, S.A. QSCB – Certificação de Sistemas ISO, Lda SGS ICS - Serviços Internacionais de Certificação, Lda TÜV - Rheinland Portugal, Inspecções Técnicas, Lda Todas estas entidades são acreditadas pelo IPAC - Instituto Português de Acreditação. Tem as funções de organismo nacional de acreditação que consistem em reconhecer a competência técnica dos agentes de avaliação da conformidade (entidades que efectuam calibrações, ensaios, inspecções e certificações) de acordo com referencias internacionais. O IPAC é liderado por um Director, coadjuvado por coordenadores operacionais, e possui uma organização simplificada em que os serviços de apoio, nomeadamente serviços financeiros, de informática, de recursos humanos e logísticos, são subcontratados externamente. Entidades Certificadas A certificação é o processo no qual, através do recurso a uma entidade externa e independente à organização - o organismo de certificação ou entidade certificadora, devidamente acreditado para esse efeito, é emitido um certificado que atesta que determinado produto, processo ou serviço está em conformidade com os requisitos de um dado referencial. Os referenciais habitualmente usados neste âmbito são normas. Assim asseguram aos seus Clientes e mercado em geral que têm um sistema de gestão implementado e a funcionar de acordo com os requisitos da(s) norma(s) em causa. Esta certificação é independente da área de actividade. Pode consultar a lista de empresas certificadas – sistemas de gestão: http://www.lrqa.pt/ptsite/content/pdf/pt/Lista%202.pdf 3/6 C.Qualidade Diferença entre certificação e a acreditação A certificação e a acreditação são actividades diferentes sendo a acreditação o reconhecimento da competência técnica para exercer as actividades de avaliação de conformidade, como por exemplo reconhecimento para certificação (de sistemas de gestão, de produtos, etc). Informações adicionais acerca da certificação Qualquer certificação é temporária. A ISO, organismo internacional de normalização e responsável pela publicação da maior parte dos referenciais normativos reconhecidos internacionalmente, prevê que todas as normas sejam reavaliadas periodicamente, o que normalmente se traduz na alteração e publicação de uma nova edição da norma. Por outro lado, aos certificados emitidos é atribuído um prazo ao fim do qual todo o processo de certificação é reiniciado. Durante cada ciclo de certificação a entidade certificadora faz visitas regulares à empresa, normalmente com uma cadência anual, no sentido de confirmar que os requisitos continuam a ser cumpridos. Após atribuição, um certificado pode ser retirado. Durante o período de validade dos certificados a entidade é sujeita a avaliações periódicas. O grau de gravidade ou a importância das não conformidades detectadas no decorrer destas, podem levar à suspensão da certificação ou mesmo à perca do certificado. Normas A ISO é uma organização não-governamental que actualmente reúne as associações de padronização/normalização de 170 países. Foi fundada em 23 de Fevereiro de 1947, em Genebra, na Suíça. A sua função passa por aprovar normas internacionais em todos os campos técnicos e promover a normalização de produtos e serviços de modo que a qualidade dos mesmos seja continuamente melhorada. No âmbito da evolução da qualidade, procuramos clarificar cada um dos conceitos propostos: ISO 9000 - denomina um grupo de normas técnicas e directrizes que constituem um acordo internacional sobre boas práticas de gestão da qualidade para organizações em geral, independentemente do seu tipo ou dimensão. Esta família de normas preocupa-se em estabelecer condições que ajudem na melhoria dos processos internos, melhoria nas capacidades dos colaboradores, constante observação e controlo do ambiente de trabalho, verificação da satisfação dos clientes, colaboradores e fornecedores. A ISO 9001 é uma norma internacionalmente reconhecida que especifica requisitos para Sistemas de Gestão da Qualidade tendo como base de partida princípios fundamentais de gestão e uma abordagem por processos. Esta norma foi concebida para servir qualquer organização, independentemente do seu tamanho ou core bussiness. Ao implementar um sistema de gestão da qualidade, de acordo com a ISO 9001, a organização demonstra a sua aptidão em proporcionar, de forma contínua e consistente, um produto ou um serviço que vá ao encontro das necessidades do 4/6 C.Qualidade Cliente e simultaneamente satisfaça os requisitos aplicáveis, nomeadamente do cliente, internos e/ou legais. A abordagem sistemática às actividades da organização, a sua organização por processos, bem como a definição de objectivos e metas de melhoria contínua são alguns aspectos relevantes da aplicação deste referencial. Uma organização com um sistema de gestão da qualidade implementado poderá esperar obter as seguintes vantagens: - Existência de uma dinâmica da melhoria contínua; - Fidelização de clientes através da satisfação das suas expectativas; - Assegurar a competitividade e o desenvolvimento sustentável; - Aumentar os níveis de confiança nos processos internos. A ISO 9001 faz parte de conjunto mais vasto de normas a que vulgarmente se chama série ISO 9000. Para além da ISO 9001, as normas mais conhecidas deste grupo são a ISO 9000, Sistemas de gestão da qualidade -Fundamentos e vocabulário, e a ISO 9004, Sistemas de gestão da qualidade - Linhas de orientação para melhoria de desempenho. Deste conjunto apenas é possível obter certificação pela implementação da norma ISO 9001. A certificação deste sistema possibilitará adicionalmente: - Evidenciar a adopção das mais actuais ferramentas de gestão; - O acesso a mercados e clientes cada vez mais exigentes; - Uma maior notoriedade e melhoria da imagem interna e externa da organização. ISO 17025 – está relacionada com o funcionamento de um sistema de qualidade usado por laboratórios de ensaio e calibração. Verifica competências técnicas e a capacidade de gerar resultados tecnicamente válidos das operações. Existem muitos pontos em comum com a norma ISO 9000, porém a norma 17025 acrescenta o conceito de competência. O conteúdo desta organização é composto por cinco elementos distintos, são estes: o escopo (objectivos); referências normativas; termos e definições; organização, panejamento e execução de requisitos; requisitos técnicos (incluem os factores que determinam a correcção e confiança nos ensaios e calibrações realizados em laboratórios). ISO 14000 - é constituído por uma série de normas relacionadas com a gestão da empresa orientada para o ambiente. As normas estão relacionadas com os seguintes campos ambientais: sistemas de gestão ambiental, auditorias ambientais, avaliação da performance ambiental, rotulagem ecológica, análise em ciclo de vida e termos e definições. ISO 18000 – esta certificação abrange a Segurança e Saúde Ocupacional de Sistemas de Gestão, a fim de permitir às empresas ter a certeza de que estas estão fazendo os possíveis para proteger os seus funcionários. Também permite às empresas garantias que estão a operar de acordo com a sua saúde, respeitando políticas de segurança. ISO 22000 – especifica requisitos para um sistema referente à Segurança e à Qualidade Alimentar. Pode ser aplicada a qualquer elo da cadeia alimentar, desde agricultores, produtores pecuários, fabricantes de rações, todas as agro-indústrias, distribuição, retalhistas e restauração. Certifica garantias de que a organização e os produtos continuam a satisfazer devidamente as suas necessidades. 5/6 C.Qualidade ISO 26000 – esta norma está direccionada para a responsabilidade social e prevê harmonizadas globalmente as orientações relevantes para as organizações do sector público e privado de todos os tipos com base no consenso internacional, de modo a incentivar a implementação de melhores práticas em responsabilidade social no mundo. Podemos com esta pesquisa concluir que a aceitação das normas ISO só trará benefícios para as organizações, conferindo-lhes uma maior organização, produtividade e credibilidade, aumentando a sua competitividade nos mercados nacional e internacional. Assim, as normas contribuem em quatro aspectos: • Qualidade: fixando padrões que levam em conta as necessidades e desejos dos usuários; • Produtividade: padronizando produtos, processos e procedimentos; • Tecnologia: consolidando, difundindo e estabelecendo parâmetros consensuais entre produtores, consumidores e especialistas, colocando os resultados à disposição da sociedade; • Marketing: regulando de forma equilibrada as relações de compra e venda. 6/6