BIBLIOTECA PARA O CURSO DE EDUCAÇÃO ESPECIAL Selecionamos para você uma série de artigos, livros e endereços na Internet onde poderão ser realizadas consultas e encontradas as referências necessárias para a realização de seus trabalhos científicos, bem como, uma lista de sugestões de temas para futuras pesquisas na área. Primeiramente, relacionamos sites de primeira ordem, como: www.scielo.br www.anped.org.br www.dominiopublico.gov.br SUGESTÕES DE TEMAS 1. PRÁTICAS EDUCATIVAS: a ESCOLA ESPECIAL E A CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO SIMBÓLICO 2. A DIREÇÃO DO OLHAR E A VISÃO DAS POSSIBILIDADES 3. PRÁTICAS EDUCATIVAS: perspectivas que se abrem para a educação especial 4. INTERAÇÃO ENTRE PROFESSORA E ALUNOS EM SALAS DE AULA COM PROPOSTA PEDAGÓGICA DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA 5. A INTERAÇÃO SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO DE RELAÇÕES INTERPESSOAIS DO DEFICIENTE EM AMBIENTE INTEGRADO 6. PARADIGMAS DA RELAÇÃO DA SOCIEDADE COM AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA 7. ESTUDO DESCRITIVO DA INTERAÇÃO PROFESSORA - ALUNO EM UMA CLASSE DE ALFABETIZAÇÃO EM DIFERENTES MOMENTOS DO ANO LETIVO. 8. O PAPEL DA ESCOLA NA INCLUSÃO SOCIAL DO DEFICIENTE MENTAL 9. A INTEGRAÇÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: contribuições para uma reflexão sobre o tema Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 10. A INTERAÇÃO PROFESSOR-ALUNO EM CLASSE INCLUSIVA: um estudo exploratório com criança autista 11. ESTUDO DESCRITIVO DA INTERAÇÃO PROFESSOR-ALUNO: uma abordagem individualizada 12. A INDIVIDUALIDADE PARA – SI: contribuição a uma teoria histórico-social da formação do indivíduo 13. ANÁLISE FUNCIONAL DA INTERAÇÃO PROFESSOR-ALUNO: um exercício de identificação de controle recíprocos 14. O DESENVOLVIMENTO DO PSIQUISMO 15. APRENDIZAGEM E INTERAÇÃO PROFESSOR-ALUNO 16. PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM: aplicações na escola 17. AUTISMO E INTEGRAÇÃO 18. A INTEGRAÇÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: contribuições para uma reflexão sobre o tema 19. APRENDIZAGEM ESCOLAR E CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTO 20. INTERAÇÃO ENTRE PROFESSORA E ALUNOS EM SALA INCLUSIVA 21. EDUCAÇÃO INCLUSIVA: concepções de professores e diretores 22. REPERCUSSÕES DA PROPOSTA DE "EDUCAÇÃO INCLUSIVA" A PARTIR DO DISCURSO DE PROFESSORES DE EDUCAÇÃO ESPECIAL DA REDE PÚBLICA 23. A EDUCAÇÃO FÍSICA PERANTE A EDUCAÇÃO INCLUSIVA: reflexões conceptuais e metodológicas 24. POLÍTICAS EDUCACIONAIS EA FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA A EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO BRASIL 25. POLÍTICAS EDUCACIONAIS EA FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA A EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO BRASIL 26. EDUCAÇÃO INCLUSIVA: um estudo na área da educação física 27. CAMINHOS PEDAGÓGICOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA 28. EDUCAÇÃO INCLUSIVA: redefinindo a educação especial 29. INTERAÇÃO ENTRE PROFESSORA E ALUNOS EM SALAS DE AULA COM PROPOSTA PEDAGÓGICA DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA 30. DEZ IDÉIAS (MAL) FEITAS SOBRE EDUCAÇÃO INCLUSIVA Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 2 31. DA EDUCAÇÃO SEGREGADA À EDUCAÇÃO INCLUSIVA: uma breve reflexão sobre os paradigmas educacionais no contexto da educação especial brasileira 32. A FINALIDADE DA EDUCAÇÃO ESPECIAL, MORMENTE NO SEU EXCESSO DE ESPECIALIZAÇÃO 33. INCLUSÃO ESCOLAR: concepções de professores e alunos da educação regular e especial 34. O NORMAL E O PATOLÓGICO 35. EXPANSÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL E PROCESSOS DE EXCLUSÃO 36. POLÍTICAS EDUCACIONAIS E EDUCAÇÃO ESPECIAL 37. A NOVA LDB E AS NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS 38. PRÁTICAS EDUCATIVAS: perspectivas que se abrem para a educação especial 39. ATUAÇÃO DE PROFESSORES DO ENSINO ITINERANTE FACE À INCLUSÃO DE CRIANÇAS COM BAIXA VISÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL 40. A FONOAUDIOLOGIA NA RELAÇÃO ENTRE ESCOLAS REGULARES DE ENSINO FUNDAMENTAL E ESCOLAS DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NO PROCESSO DE INCLUSÃO 41. CONCEPÇÕES DA PROFESSORA ACERCA DO ABUSO SEXUAL INFANTIL 42. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO 43. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PARA O DEFICIENTE INTELECTUAL 44. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO NAS ESCOLAS REGULARES 45. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO E AS PRÁTICAS EDUCATIVAS: a escola e a constituição do sujeito simbólico 46. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PARA O DEFICIENTE INTELECTUAL EM SEU ASPECTO COMPLEMENTAR: uma análise da legislação 47. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO NAS ESCOLAS E A DIREÇÃO DO OLHAR: visão das possibilidades 48. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO E AS PRÁTICAS EDUCATIVAS: perspectivas que se abrem para a educação especial Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 3 49. INTERAÇÃO ENTRE PROFESSORA E ALUNOS EM SALAS DE AULA COM PROPOSTA PEDAGÓGICA DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA 50. A INTERAÇÃO SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO DE RELAÇÕES INTERPESSOAIS DO DEFICIENTE EM AMBIENTE INTEGRADO 51. PARADIGMAS DA RELAÇÃO DA SOCIEDADE COM AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA 52. ESTUDO DESCRITIVO DA INTERAÇÃO PROFESSORA - ALUNO EM UMA CLASSE DE ALFABETIZAÇÃO EM DIFERENTES MOMENTOS DO ANO LETIVO. 53. A INTEGRAÇÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: contribuições para uma reflexão sobre o tema 54. A INTERAÇÃO PROFESSOR-ALUNO EM CLASSE INCLUSIVA: um estudo exploratório com criança autista 55. ESTUDO DESCRITIVO DA INTERAÇÃO PROFESSOR-ALUNO: uma abordagem individualizada 56. A INDIVIDUALIDADE PARA – SI: contribuição a uma teoria histórico-social da formação do indivíduo 57. ANÁLISE FUNCIONAL DA INTERAÇÃO PROFESSOR-ALUNO: um exercício de identificação de controle recíprocos 58. PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM: aplicações na escola 59. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO, AUTISMO E INTEGRAÇÃO 60. A INTEGRAÇÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: contribuições para uma reflexão sobre o tema 61. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO, A APRENDIZAGEM ESCOLAR E A CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTO 62. INTERAÇÃO ENTRE PROFESSORA E ALUNOS EM SALA INCLUSIVA DE O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO 63. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO: concepções de professores e diretores 64. REPERCUSSÕES DA PROPOSTA DE "EDUCAÇÃO INCLUSIVA" A PARTIR DO DISCURSO DE PROFESSORES DE EDUCAÇÃO ESPECIAL DA REDE PÚBLICA 65. POLÍTICAS EDUCACIONAIS E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 4 66. EDUCAÇÃO INCLUSIVA: um estudo na área da educação física 67. CAMINHOS PEDAGÓGICOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA 68. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO: redefinindo a educação especial 69. INTERAÇÃO ENTRE PROFESSORA E ALUNOS EM SALAS DE AULA COM PROPOSTA PEDAGÓGICA DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA 70. DEZ IDÉIAS (MAL) FEITAS SOBRE EDUCAÇÃO INCLUSIVA 71. DA EDUCAÇÃO SEGREGADA À EDUCAÇÃO INCLUSIVA: uma breve reflexão sobre os paradigmas educacionais no contexto da educação especial brasileira 72. A FINALIDADE DA EDUCAÇÃO ESPECIAL, MORMENTE NO SEU EXCESSO DE ESPECIALIZAÇÃO 73. INCLUSÃO ESCOLAR: concepções de professores e alunos da educação regular e especial 74. O NORMAL E O PATOLÓGICO 75. EXPANSÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL E PROCESSOS DE EXCLUSÃO 76. POLÍTICAS EDUCACIONAIS E O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO 77. A NOVA LDB E AS NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS 78. PRÁTICAS EDUCATIVAS: perspectivas que se abrem para a educação especial 79. ATUAÇÃO DE PROFESSORES DO ENSINO ITINERANTE FACE À INCLUSÃO DE CRIANÇAS COM BAIXA VISÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL 80. A FONOAUDIOLOGIA NA RELAÇÃO ENTRE ESCOLAS REGULARES DE ENSINO FUNDAMENTAL E ESCOLAS DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NO PROCESSO DE INCLUSÃO 81. O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO NAS ESCOLAS DE ENSINO REGULAR 82. ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO: uma análise sobre as salas de recursos multifuncionais 83. ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO: uma análise sobre as salas de recursos multifuncionais para alunos com surdez Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 5 ARTIGOS PARA LEITURA, ANÁLISE E UTILIZAÇÃO COMO FONTE OU REFERÊNCIA. Revista Brasileira de Educação Especial Print version ISSN 1413-6538 Rev. bras. educ. espec. vol.11 no.3 Marília Sept./Dec. 2005 doi: 10.1590/S1413-65382005000300005 RELATO DE PESQUISA INTERAÇÃO ENTRE PROFESSORA E ALUNOS EM SALAS DE AULA COM PROPOSTA PEDAGÓGICA DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA1 2 Simone Cerqueira da Silva ; 3 Maria Salete Fábio Aranha RESUMO Correntes teóricas presentes na literatura científica têm demonstrado a importância das relações interpessoais para o processo de construção do conhecimento. É no contexto da interação professor e aluno que se configura a relação entre as necessidades educacionais dos alunos e as respostas pedagógicas a elas disponibilizadas, o que envolve o domínio do conhecimento pelo professor, sua capacitação técnico-científica, a competência de ensinar pesquisando, as características sócio-culturais e o perfil psicológico dos atores sociais envolvidosprofessor e aluno. Buscando melhor compreender este universo, elaborou-se este estudo que teve como objetivo descrever as interações ocorridas entre uma professora, e seus alunos, em classes em que se propunha adotar uma prática pedagógica inclusiva. Os dados foram coletados em 2 salas de aula, em escola estadual de Ensino Fundamental, no município de Bauru. O processo de coleta de dados se deu através do registro da realidade de sala de aula em vídeo tape. Optouse por este método, por permitir a recuperação posterior dos dados. A coleta se deu no transcorrer do 1º semestre do ano letivo de 2001. A análise fundamentou-se em sistema prévio de categorias, e tratou os dados quantitativa e qualitativamente. Os Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 6 resultados demonstraram peculiaridades e diferenças nas interações da professora com os seus alunos, em função da presença ou ausência da deficiência. Indicaram, também, que a interação vem demonstrando avanços na prática educacional, no que diz respeito à atenção pedagógica, da professora, ao aluno com deficiência. Palavras-chave: educação inclusiva; interação entre professor - aluno; necessidades educacionais especiais. 1 INTRODUÇÃO O tema da educação inclusiva tem despertado, no meio educacional, angústias e entusiasmos. A mudança de um sistema educacional, que se caracterizou tradicionalmente por ser excludente e segregatório, para um sistema educacional que se comprometa efetivamente a responder, com qualidade e eficiência, às necessidades educacionais de todos, inclusive às dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, exige um processo complexo de transformação, tanto do pensar educacional, como da prática cotidiana de ensino. Todo processo de transformação dessa natureza constitui uma mudança de paradigma, o que, geralmente provoca nas pessoas diversas reações, dentre as quais ansiedade, medo, rejeição, resistência, interesse, entusiasmo. Geralmente, constata-se que inicialmente as pessoas começam a mudar o discurso na direção do politicamente esperado e considerado correto, mantendo, entretanto, padrão de comportamento semelhante ao já conhecido. No caso do tema aqui focalizado, o paradigma da construção de sistemas educacionais inclusivos, em desenvolvimento, requer relações interpessoais que sejam eficientemente acolhedoras para todos, ou seja, que atendam às necessidades educacionais de todos, inclusive dos que apresentam necessidades educacionais especiais. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 7 Para Leontiev (1978, p. 272), a educação é o processo que possibilita a formação do indivíduo através de sua apropriação dos resultantes da história social e sua conseqüente objetivação nessa história. Nesse sentido, tem-se que é pela educação que o indivíduo se apropria das características do gênero humano. Características que, segundo Duarte (1993, p. 40), foram criadas e desenvolvidas ao longo do processo de objetivação, gerado, a partir da apropriação da natureza pelo homem. O processo educativo formal, conforme aponta Boneti (1997), ocorre dentro de um espaço real de ação e interação, para enriquecimento da identidade sócio-cultural dos que dele participam, espaço esse chamado escola. Para Saviani (1991), a função da escola é estender, a todos os seus alunos, o conhecimento elaborado e sistematizado, fundamental para que as pessoas tenham maior liberdade de ação pela assimilação e internalização do conhecimento, a partir do processo de ensino e de aprendizagem. Considerando não somente os conteúdos acadêmicos, Mello (1997) diz, ainda, que cabe à escola a função de estabelecer padrões de convivência social. Neste momento histórico da realidade brasileira, o que se espera é o avanço na direção da construção de um sistema educacional que cumpra efetivamente com o proposto pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996), favorecendo a formação de cidadãos críticos e responsáveis, possibilitando o acesso ao saber científico e à sua utilização crítica e funcional rotineira, e desta forma, atuando na construção de uma sociedade mais igualitária e humana. É no espaço da relação entre professor e aluno que a formação do cidadão se realiza, efetivando a missão maior da educação. Diversos autores têm demonstrado a importância das relações entre o professor e o aluno para o processo de desenvolvimento e de aprendizagem desse aluno. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 8 Para Hinde (1979), uma relação implica em algum tipo de interação intermitente entre duas pessoas, envolvendo intercâmbios durante um período estendido no tempo, tendo as mesmas, algum grau de mutualidade, de modo que o comportamento de uma leva em consideração o comportamento da outra. Vygotsky (1994) propõe que as funções psicológicas superiores originam-se das relações reais entre indivíduos humanos, já que no decurso do desenvolvimento, as atividades são inicialmente coletivas / sociais (interpsíquicas) para depois se tornarem atividades individuais / propriedades internas do pensamento. Tomando como pressupostos os conteúdos propostos pelos autores acima citados, entende-se as interações e a relação entre o professor e seus alunos variáveis essenciais no processo bi-direcional de construção da aprendizagem e do desenvolvimento humano. Salvador (1994), referindo-se ao contexto da sala de aula, destaca que a unidade básica de análise deixa de ser a atividade individual do aluno e passa a ser a atividade articulada e conjunta do aluno e do professor em torno da realização de tarefas escolares. Constata-se, então, que os sujeitos, professor e aluno, são os atores dessa entrelaçada teia de relações que permeia a instituição escolar e que se apresenta como o fio da meada do processo educacional. Para Aranha e Laranjeira (1995, p.9) [...] é preciso estabelecer, sob novas bases, a relação entre o professor e o aluno, de modo que se repense ambos os papéis, refletindo sobre a bi-direcionalidade e a interdependência que configuram as relações pessoais, para que nos fiquem claras as suas conseqüências. Os estudos sobre a relação entre professor e aluno nem sempre foram tratados a partir do princípio da reciprocidade, da mutualidade e bi-direcionalidade. Carvalho (1986) também se dedicou à análise da literatura sobre a relação entre professor e aluno, e constatou que todos os trabalhos enfatizavam que o professor Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 9 era o elemento que mais falava, e o comportamento do aluno influenciava de maneira diversificada o comportamento do professor. Por outro lado, posteriormente, Machado (1987) considerou que as pesquisas não privilegiavam a influência do aluno, realçando somente o poder que o professor tinha sobre ele, e que, embora os conceitos de interação e reciprocidade fossem referidos, havia uma certa inconsistência aí embutida. Em 1990, Gil revisou diferentes pesquisas realizadas sobre as relações entre professor e aluno, e verificou a existência de dois grandes grupos de trabalhos que se distinguem pela ênfase dada ora ao rendimento do aluno, e ora às características da interação entre professor e aluno. A autora ainda enfatiza que, embora tais estudos considerassem a interação entre professor e aluno como objeto de estudo, a maioria tratava apenas da influência do comportamento verbal do professor sobre o aluno. A consideração da relação enquanto sistema requer um deslocamento de foco de análise, na direção de um olhar bi-direcional, no qual o aluno influencia o processo de ensino e é por este influenciado. O professor deixa de ser o único responsável pelos resultados alcançados no processo de ensino e de aprendizagem, e constatase que o que o aluno faz, exerce influência sobre a ação do professor. Faz-se necessário salientar aqui o deslocamento do foco de análise, deixando de centrar-se no sujeito, unilateral, para centrar-se na relação, contexto bi-direcional e multideterminado. Conforme a literatura citada, são escassos os estudos que consideram o fator da mútua determinação entre professor e aluno. Faz-se necessário então, compreender como funciona e quais são os papéis desempenhados nessa relação. No que se refere ao seu funcionamento, Aranha e Laranjeira (1995) mencionam que a relação entre o professor e o aluno está configurada por uma assimetria, tanto no que se refere ao nível de escolaridade, quanto à experiência de vida, habilidades sociais e complexidade intelectual. Diferenças essas, que pontuam os diferentes papéis que ambos exercem. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 10 Quanto ao papel do professor, as autoras consideram que um professor, para cumprir o seu papel pedagógico, precisa ser um profissional-cidadão, capaz do uso do exercício da consciência crítica e do domínio efetivo do saber que socializa na escola. É fato que o modo de ser do professor, seu jeito de pensar, agir e sentir repercutirá no comportamento dos alunos, bem como a imagem e a concepção que o aluno tem do professor irá interferir na ação do professor. A exigência de educação continuada vem se acentuando desde 1996, com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que reconhece a diversidade no contexto escolar. A construção de uma sociedade inclusiva é de fundamental importância para o desenvolvimento e a manutenção de um estado democrático. No âmbito da educação, a opção política pela construção de um sistema educacional inclusivo vem coroar um movimento para assegurar a todos os cidadãos, inclusive aos com deficiência, a possibilidade de aprender a administrar a convivência digna e respeitosa numa sociedade complexa e diversificada (ARANHA, 2002). A escola se torna inclusiva à medida que reconhece a diversidade que constitui seu alunado e a ela responde com eficiência pedagógica. Para responder às necessidades educacionais de cada aluno, condição essencial na prática educacional inclusiva, há que se adequar os diferentes elementos curriculares, de forma a atender as peculiaridades de cada um e de todos os alunos. Há que se flexibilizar o ensino, adotando-se estratégias diferenciadas e adequando a ação educativa às maneiras peculiares dos alunos aprenderem, sempre considerando que o processo de ensino e de aprendizagem pressupõe atender à diversificação de necessidades dos alunos na escola (BRASIL, 1999). A educação para todos implica, portanto, um sistema educacional que reconhece, respeita e responde, com eficiência pedagógica, a cada aluno que nele se encontra inserido. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 11 A Educação Especial vem contribuir nesse processo, como uma modalidade de ensino que serve a todas as demais modalidades e níveis de escolarização. Responsável especialmente pelo segmento populacional que apresenta necessidades educacionais especiais, deve tanto atender necessidades específicas e peculiares do aluno, como também oferecer suporte técnico-científico ao professor da classe regular que o atende. Pensar na Educação Inclusiva como uma possibilidade de construção de uma sala de aula melhor, na qual alunos e professores sintam-se motivados a aprender juntos e respeitados nas suas individualidades, parece que realmente pode vir a ser um progresso na história da educação brasileira. No processo de construção de uma classe inclusiva, as relações entre professor e aluno surgem como elemento de fundamental importância, já que é no contexto das relações que o respeito e a atenção pedagógica flexível e individualizada vão se efetivar. Sabe-se que desde que o movimento pela construção de sistemas educacionais inclusivos foi se fortalecendo, inclusive amparado legalmente, alunos com deficiência começaram a ser matriculados e a freqüentar classes regulares no ensino comum. A inserção destes alunos nas classes regulares, entretanto, não garantem, por si só, uma prática inclusiva de ensino. Assim, entende-se importante investigar como estão se dando as relações nesse contexto. Existe diferença na relação entre professor e aluno, quando o aluno tem ou não uma deficiência? As características dessas relações afetam o processo de ensino e de aprendizagem? O estudo dos aspectos acima apontados não se mostrou freqüente na literatura científica pesquisada, já que não se constatou nenhuma publicação realizada no período de 1990 a 2001, em pesquisa bibliográfica realizada em 34 periódicos, 4.697 artigos (SILVA, 2003). Em 2002, Braga (2002) investigou as interações sociais entre uma professora não especialista e um aluno autista, em ambiente regular considerado inclusivo. A autora Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 12 utilizou o recurso da filmagem, usando uma filmadora assentada em tripé, com o foco direcionado diretamente sobre o aluno autista. Para a análise dos dados, a autora utilizou um sistema de categorias, adaptação de sistema desenvolvido por Aranha (1991). As conclusões obtidas pela autora confirmaram alguns dados já comentados anteriormente e elucidaram outros, até então não apontados pela literatura. A autora confirmou que a professora foi quem manteve o controle do início das interações, e que muitas das iniciativas do aluno autista sugeriram a intenção de obter aproximação, atenção e reconhecimento da professora. Na década de 80, Dorval, Mckinney e Feagans (1982), estudando sobre a relação entre o professor e seus alunos, apontaram que o professor iniciava mais interações com os estudantes que tinham dificuldade de aprendizagem do que com os alunos que obtinham média, mas que esse início de conversação se referia à falta de atenção ou infração de regras por esses alunos. Confirmando esses apontamentos, Siperstein e Goding (1985) ao estudarem a interação entre o professor e seus alunos, deficientes e não deficientes, mostraram que as iniciativas e respostas dos professores, para os estudantes com deficiência, foram mais negativas e corretivas do que com os estudantes sem deficiência. No ano posterior, Slate e Saudargas (1986) evidenciaram que os estudantes com dificuldade de aprendizado recebiam mais contatos individualizados com o professor, mas esses contatos diziam respeito ao seu engajamento em outras atividades, diferentes da atividade didática; logo, o tempo das atividades acadêmicas com os alunos com deficiência não era significativo, ao contrário do tempo despendido com os alunos que obtinham média. Tais estudos indicam as problemáticas vivenciadas no contexto de sala de aula, especialmente nas relações entre alunos e professor, e o quanto essas relações podem prejudicar ou impedir a eficiência do funcionamento que se almeja na educação inclusiva. A partir da preocupação com o discurso inclusivo que tem permeado o debate social e acadêmico, entendendo a relação entre o professor e o aluno como uma Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 13 importante via de mediação da construção do conhecimento e da aprendizagem e norteadas pelos resultados acima expostos de poucos estudos realizados acerca dessa temática, elaborou-se este estudo, tendo por objetivo caracterizar a relação entre professora e alunos, em uma sala de aula institucionalmente considerada inclusiva, em unidade escolar da rede pública de ensino, no Estado de São Paulo. 2 MÉTODO Foram participantes deste estudo 2 professoras e seus respectivos alunos. A professora A, que lecionava na turma A, tinha, em sala de aula, 7 alunos do sexo masculino e 14 do sexo feminino. A faixa etária desses alunos era de 8 a 13 anos. A professora B, que lecionava na turma B, tinha, em sala de aula, 12 alunos do sexo masculino e 15 do sexo feminino. A faixa etária desses alunos era de 9 a 17 anos. Na turma A, 2 alunos tinham deficiência mental e na turma B, 3 alunos tinham deficiência, sendo: 1 com deficiência mental, 1 com deficiência mental e física e 1 com deficiência auditiva e física. Os demais alunos não apresentavam indicação nem diagnóstico formal de deficiência. Os dados foram coletados em 2 salas de aula, ambas pertencentes a uma escola estadual de ensino fundamental, em bairro residencial da cidade de Bauru, interior do estado de São Paulo. Para a coleta dos dados, empregou-se, uma filmadora da marca Panasonic, modelo RJ 27. Optou-se pela filmagem em VT, já que esta estratégia de coleta de dados permite sua recuperação seqüencial, quantas vezes for necessária, para a efetivação da análise. As filmagens foram realizadas no transcorrer do 1º semestre de um ano letivo. Foi necessário efetuar várias sessões de filmagem até que os participantes se habituassem com a presença da câmera e da pesquisadora, deixando de a elas responder. Os dias para a filmagem foram sorteados, de modo que a professora não sabia em qual dia e horário a pesquisadora compareceria à sala de aula. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 14 Definiu-se como interação "uma verbalização ou ação motora de um sujeito dirigida clara e diretamente a outro, seguida de verbalização ou de ação motora deste para o primeiro" (HINDE, 1979; CARVALHO, 1986; ARANHA, 1991). Considerou-se, um episódio um conjunto de interações que tratam de um mesmo assunto, o que passou a ser a unidade de análise (ARANHA, 1991). A partir dessa definição, a análise dos dados percorreu 6 diferentes passos. 1 Elaboração de um sistema de categorias. Para descrever o contexto interativo entre professor e alunos, foi necessário assistir à filmagem inúmeras vezes, bem como considerar o que a literatura apresentava a respeito dessa temática, para, então, criar as categorias que permitissem a obtenção da resposta pretendida no objetivo do estudo. Assim sendo, chegou-se à constituição de um sistema de categorias: quem inicia, quem responde, como inicia, como responde, conteúdo, situação em que ocorre, orientação, quem interrompe e como interrompe. 2 Elaboração das planilhas de registro. A fim de obter dados suficientes para descrever a interação entre professor e alunos, foi necessária a construção de planilhas de registro que tivessem campos para a descrição dos dados quanto ao conteúdo da interação, bem como quanto à qualidade da interação. Assim, as planilhas foram construídas de modo que nelas fosse possível registrar O QUE os sujeitos estão fazendo juntos e COMO o faziam juntos (HINDE, 1979). 3 Equalização temporal dos dados. Considerando que o tempo de filmagem diferiu de sessão para sessão, optou-se por adotar, como material para análise, o conteúdo coletado num período de tempo correspondente ao da sessão de menor duração. Buscou-se, assim, garantir, através do controle da variável tempo, a igualdade de oportunidades para ocorrência das interações. Assim, foi analisado o material coletado nos 10 primeiros minutos de cada sessão de coleta, na turma A, e nos 15 primeiros minutos de cada sessão na turma B. 4 Classificação dos episódios, nas categorias que constituíram o sistema de análise. À medida que se foi efetivando sua classificação, percebeu-se necessário acrescentar e/ou retirar algumas categorias, para que se pudesse realmente representar o conjunto de interações. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 15 5 Participação de consultores na classificação das unidades de análise. Eles foram orientados pela pesquisadora sobre como deveriam proceder para classificar os episódios constantes da sessão de filmagem sorteada, bem como foram dadas as devidas instruções para preenchimento das planilhas de registro. O índice de concordância entre a pesquisadora e o consultor 1, bem como entre a pesquisadora e o consultor 2, foi de 50%, mostrando-se abaixo do índice pretendido (85%). A partir disto, o sistema foi revisto, focalizando especialmente as categorias que apresentavam maior índice de discordância (conteúdo, como inicia e como interrompe), reorganizando-as e tornando-as mais claras e objetivas. Posteriormente, solicitou-se aos mesmos consultores que classificassem novamente os episódios. Os índices de concordância, nessa segunda etapa, alcançaram o índice 100%, o que indica que o sistema alcançou o nível desejado de clareza e objetividade. 6 Tratamento quantitativo e qualitativo dos dados. Finda a fase de classificação dos episódios, desenvolveu-se tratamento matemático, calculando-se as freqüências absolutas e as relativas dos dados constantes de cada categoria. Após o tratamento matemático, desenvolveu-se análise qualitativa, buscando-se a compreensão do significado dos dados obtidos. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO TURMA A A tabela 1 mostra as freqüências absolutas e relativas dos episódios interativos ocorridos a cada sessão. Estes ocorreram entre as díades professora (P) e alunos não deficientes (A), professora (P) e alunos com deficiência mental (DM), professora (P) e grupo (G), alunos não deficientes (A) e professora (P), e alunos com deficiência mental (DM) e professora (P). Na tabela 3 encontram-se os dados obtidos, lembrando que a primeira letra indica o sujeito que iniciou a interação. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 16 Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 17 A maioria das interações ocorridas na turma A foi iniciada por alunos não deficientes e dirigidas para a professora (55%). A professora, por sua vez, iniciou 42% dos episódios. Os resultados constatados neste estudo diferem dos de Bertoldo (1985), que afirmou que mesmo quando os alunos participam muito em sala de aula, a participação da professora como iniciadora dos contatos é maior. Esta característica pode ser indicativa de que a professora desta turma permitiu, aos alunos, espaço para sua maior participação no processo de ensino e de aprendizagem. Com relação ao aluno com deficiência mental, este iniciou 3% dos episódios interativos ocorridos com a professora. Tais resultados mostraram-se consistentes com os de Macintosh et al. (1993), nos quais os alunos com dificuldades de aprendizagem interagiam em taxas inferiores a Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 18 dos demais alunos. Este autor aponta ainda que a falta de individualização no ensino poderia estar determinando a menor participação do aluno com dificuldades, o que também pode ser verdadeiro neste estudo. Por outro lado, Braga (2002), em estudo que investigou a interação entre a professora e um aluno autista, em sala inclusiva, constatou que o aluno autista iniciou mais contatos, com a professora, que o aluno não autista. Faz-se necessário, porém salientar que este dado parece ter ocorrido, nesse estudo, em função da sistemática de registro utilizada, que focalizava constantemente o aluno autista e não o aluno não autista. A professora se dirigiu ao aluno com deficiência nas sessões 1, 3, 4, 5, 8 e 9. As sessões 1, 4, 5, e 9 foram aquelas nas quais a professora mais freqüentemente se dirigiu a ele, iniciando interação. Em ordem decrescente, constata-se que as iniciativas da professora, para interagir com esses alunos, ocorreram nas seguintes freqüências: 61% (1), 42% (9), 31% (4), 28% (5), 14% (3), 5%(8). Por sua vez, o aluno com deficiência mental iniciou contato interativo com a professora, nas sessões 3,4,5,8 e 9, ou seja, na maioria das sessões em que esta também a ele se dirigiu. Nas sessões 2, 6, e 7 a professora não iniciou contato com o aluno com deficiência nenhuma vez e ele também não iniciou contato com a professora nas sessões 1, 2, 6, e 7. Considerando que, embora a professora não tenha interagido com os alunos com deficiência em 3 sessões, a mesma apresentou o maior número de iniciativas com o aluno com deficiência e isto pode, nessas sessões, tê-lo motivado a também tomar iniciativas de interação, no contexto da mútua determinação. Por outro lado, o fato do aluno com deficiência tomar iniciativas pode, também, ter motivado a professora a estabelecer contato interativo com ele. Isto parece vir ao encontro do que Carvalho (1986) constatou em estudo que focalizou alunos não deficientes, no qual pôde demonstrar que o comportamento Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 19 destes alunos influenciava de maneira diversificada o comportamento do professor e que a responsividade do professor era função do grau de participação destes alunos. Esta influência também foi evidenciada por Gil (1991), quando afirmou que a participação dos alunos indicava uma relação de dependência com as ações da professora. Da mesma forma, Macintosh et al. (1993), referindo-se à baixa interação entre o professor e o aluno, comentou que o professor raramente interagia com o aluno com dificuldade de aprendizagem, padrão reproduzido também pelo aluno. Já com os alunos não deficientes, a professora iniciou contatos interativos em todas as sessões. Isto pode se explicar pelo número de alunos não deficientes na sala de aula, que excede, em muito, o número de alunos com deficiência, e do tempo de coleta que se mostra reduzido, quando comparado com o tempo total de aula diária. Objetivando-se detectar padrões na interação entre a professora e os alunos com deficiência, e entre a professora e os alunos não deficientes, dividiu-se o número de episódios ocorridos, a cada sessão, entre a professora e o aluno não deficiente, pelo número de alunos não deficientes nela presentes, e o número de episódios ocorridos, a cada sessão, entre a professora e o aluno com deficiência, pelo número de alunos com deficiência, que estavam presentes na sessão. Com estes cálculos, a tabela 2 apresenta os índices obtidos. Este padrão reproduz o que Dorval, Mckinney e Feagans (1982), Slate e Saudargas (1986) descreveram: que a professora iniciava mais interações com os alunos que tinham dificuldades de aprendizagem, do que com os demais alunos da sala de aula, mesmo tratando-se de conteúdo para discriminar, repreender e punir estes alunos. Por outro lado, esses índices contradizem o que foi posteriormente constatado por Macintosh et al. (1993), pois os autores concluíram que o professor raramente manifestou interação com os alunos com dificuldade de aprendizagem. É interessante lembrar que estes resultados referem-se exclusivamente às sessões de coleta de dados, não sendo possível generalizá-los para todos os momentos da sala de aula. Assim, estes e os demais resultados dizem respeito a uma amostra, limitada, de como são as interações entre professor e alunos nesta turma. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 20 Na tabela 3 os episódios são classificados por sessão, segundo os conteúdos: indeterminado (IND), solicitação de atenção (SAT), solicitação de informação (SIN), prestação de informação (PIN), solicitação de ação (SAC), solicitação de objeto (SOB), oferecimento de objeto (OOB), repreensão (REP), ensino (ENS), elogio (ENS). De todos os episódios ocorridos entre o aluno com deficiência mental - e a professora, 54% deles foram solicitação de atenção, distribuídos em 4 das 5 sessões em que o aluno com deficiência mental iniciou contatos com a professora. Foi na sessão 9 que ocorreram os conteúdos prestação de informação, solicitação de informação e ensino. Isto pode ter ocorrido dada a natureza da atividade desenvolvida nesta sessão, a saber, exercícios de Língua Portuguesa. Há ainda que se ressaltar que 100% das situações nas quais se constatou estes conteúdos ocorreram nos momentos em que a professora circulava pela sala de aula. O conteúdo elogio esteve presente em 27% dos episódios, e o conteúdo ensino em outros 27%. Já o conteúdo repreensão ocorreu uma única vez na sessão 5, representando 9% dos episódios. Diante desses dados, tem-se que entre o aluno com deficiência mental e a professora, as interações eram, predominantemente de solicitação de atenção, de elogio e de ensino, o que difere substancialmente do constante na literatura, que diz que o professor, ao interagir com o aluno com deficiência, o faz, para repreender (DORVAL, MCKINNEY e FEAGANS, 1982; SIPERSTEIN e GODING, 1985; SLATE e SAUDARGAS, 1986). Entre a professora e o aluno com deficiência mental, o conteúdo ensino esteve presente em 57% dos episódios e ocorreu em 4 das 6 sessões em que esta díade interagiu. O conteúdo solicitação de informação foi identificado em 32% dos episódios e esteve presente em todas as sessões. Já o conteúdo elogio foi identificado em 14% dos episódios, e ocorreu em 3 das 6 sessões. Diante desses dados, tem-se que entre a professora e o aluno com deficiência mental, as interações eram, predominantemente, de ensino, de solicitação de informação e de elogio. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 21 Comparando os resultados obtidos entre as díades professora e o aluno com deficiência mental (quando a professora inicia a interação) e entre o aluno com deficiência mental e a professora (quando o aluno inicia a interação), tem-se que o aluno com deficiência, ao iniciar os episódios, utiliza com mais freqüência o conteúdo solicitação de atenção e o professor, ao iniciar os episódios, utiliza mais freqüentemente o conteúdo ensino. Estes conteúdos não surpreendem, já que são os exigidos pelos papéis complementares que os diferentes sujeitos desempenham na sala de aula. Os conteúdos ensino e elogio são freqüentes, independentemente de quem inicia a interação, e o conteúdo solicitação de atenção é característico somente quando o aluno inicia com o professor. Já o conteúdo solicitação de informação aparece preferencialmente quando o professor inicia com o aluno. Estes dados mostram que a prática de ensino dessa professora é freqüente com os alunos com deficiência e que estes também a ela se dirigem para tratar as dúvidas que têm sobre o que está sendo ensinado. Aliado a isto, os elogios da professora para estes alunos ocorrem tanto quando ela, como quando eles iniciam a interação. Comparando os índices das interações entre a professora e o aluno com deficiência mental e a professora e o aluno não deficiente, nota-se que o conteúdo ensino predomina em todas as iniciativas, o que parece ser positivo para todos os alunos, mas a professora solicita ação e repreende predominantemente aos alunos sem deficiência. O conteúdo elogio, por outro lado, apareceu em interações tanto com os alunos sem deficiência, quanto aos com deficiência mental, sendo, entretanto mais praticado com estes últimos. Nota-se, portanto, que com os alunos com deficiência mental as interações mais freqüentes são as que elogiam, as menos repreensivas e com menor freqüência de solicitação de ações do que com alunos não deficientes. Assim, a professora pede menos ações para os alunos com deficiência mental, elogia-os mais e os repreende menos. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 22 Esses dados mostram-se divergentes com o que a literatura tem mencionado. Siperstein e Goding (1985) afirmam que as iniciativas e respostas do professor dirigidas ao aluno com deficiência eram mais negativas e corretivas do que com os estudantes não deficientes. Dorval, Mckinney e Feagans (1982) igualmente observaram que as interações do professor dirigidas aos alunos com dificuldade de aprendizagem referiam-se à falta de atenção ou à infração de regras (por esses alunos). Em se tratando de interações entre o professor e o aluno autista, Braga (2002) constatou conteúdos de repreensão, solicitação de informações, solicitação de ações, ensino e oferecimento de informações. Os conteúdos de ensino, solicitação de informação e mesmo o de repreensão, que foi inferior aos demais, coincidem com os identificados neste estudo, mas o conteúdo de solicitação de ação diverge com o que foi identificado, pois não houve solicitação de ação ao aluno com deficiência. Os dados obtidos neste estudo, quando comparados com os constantes da literatura, mostram um movimento na direção de maior responsividade da parte da professora, para os alunos com deficiência. Além disso, mostra que o conteúdo parece ser mais positivo, de natureza reforçadora. Isto pode sugerir uma mudança, ainda que incipiente, no padrão interativo entre professor e alunos, nos últimos anos. TURMA B Considerando os episódios em vista de quem inicia e de quem responde, a tabela 4 mostra as freqüências absolutas e relativas dos episódios interativos constatados entre os sujeitos que interagiram em cada sessão. Estes ocorreram entre as díades: professora (P) e aluno não deficiente (A); professora (P) e aluno com deficiência mental (DM), professora (P) e grupo (G); aluno não deficiente (A) e professora (P), aluno com deficiência mental (DM) e professora (P), professora (P) e aluno com deficiência auditiva e física (DAF), professora (P) e aluno com deficiência mental e física (DMF), aluno com deficiência mental e física (DMF) e professora (P) e aluno Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 23 com deficiência auditiva e física (DAF) e professora (P). A primeira letra indica o sujeito que iniciou. 50% dos episódios interativos foram iniciados por alunos não deficientes, 46% foram iniciados pela professora e 4% dos episódios foram iniciados pelos alunos com deficiência. Todos os episódios iniciados pelos alunos não deficientes e pelos alunos com deficiência foram dirigidos para a professora. Dos episódios iniciados pela professora, 46% foram dirigidos para os alunos não deficientes, 8% dirigidos para o aluno com deficiência mental, 14% dirigidos para o aluno com deficiência mental e física e 32% dirigidos para o grupo com um todo. Estes resultados mostram-se semelhantes aos da turma A, uma vez que foram também alunos não deficientes que iniciaram a maioria dos episódios. Entretanto, na turma A, estes alunos iniciaram mais episódios (55%) do que na turma B (50%). Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 24 O fato de alunos não deficientes terem iniciado mais interações com a professora na turma A, pode-se atribuir às idades destes alunos, que são inferiores aos da turma B. Estes se mostram mais inquietos e falantes, solicitando a todo o momento contato com a professora. Objetivando-se detectar padrões na interação entre a professora e os alunos com deficiência, e entre a professora e os alunos não deficientes, dividiu-se o número de episódios ocorridos, a cada sessão, entre a professora (P) e o aluno não deficiente (A), pelo número de alunos não deficiente (A) nela presentes, e o número de episódios ocorridos, a cada sessão, entre a professora (P) e o aluno com deficiência (DM e DMF), pelo número de alunos com deficiência (DM e DMF), que estavam presentes na sessão, conforme apresentado na tabela 5. A professora se dirigiu ao aluno com deficiência mental nas sessões 3, 4, 5, e 6; ao aluno com deficiência mental e física nas sessões 4, 5 e 6, e não se dirigiu ao aluno com deficiência auditiva e física. A sessão 5 foi aquela na qual a professora mais se dirigiu aos alunos com deficiência mental e aos alunos com deficiência mental e física, iniciando contatos interativos. O aluno com deficiência mental iniciou contato interativo com a professora, nas sessões 2, 3, 5 e 6, e o aluno com deficiência mental e física unicamente na sessão 4. Considerando-se esses dados, observa-se que a iniciação de contatos da Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 25 professora com esses alunos pode ter alguma influência nas respostas dirigidas a ela. Da mesma forma que no estudo da turma A, quando a professora inicia contato com o aluno com deficiência mental, este tende também a iniciar contatos com ela. Não diferiram os conteúdos das atividades realizadas, na turma B, com os alunos não deficientes e com os alunos com deficiência. Comparando estes dados com os resultados obtidos com a turma A, observa-se que na turma A os conteúdos diferiram, quando se comparam as atividades realizadas com os alunos não deficientes e com os alunos com deficiência. Entretanto, os resultados da turma A e B coincidem, à medida que caracterizam interações voltadas para o ensino e para a prestação de informação, e não somente para a repreensão e advertências aos alunos com deficiência. Sendo assim, os resultados de ambas as turmas mostram-se divergentes com o que a literatura tem mencionado, conforme discutido anteriormente, na turma A. A orientação das atividades ocorridas na turma A e na turma B, mostram-se diferentes. Na turma A, conforme mencionado, a orientação não voltada para a tarefa ocorreu somente com os alunos não deficientes; já nesta turma, ocorreu tanto com os alunos não deficientes, quanto com os alunos com deficiência mental. Os resultados da turma B, da mesma forma que o constatado na turma A, diferem dos obtidos nos estudos de Bertoldo (1985), Carvalho (1986), e Braga (2002). Considerando que estes autores constataram que as interações que os alunos iniciam com a professora são freqüentemente voltadas para atividades não relacionadas à tarefa escolar, pode-se formular a hipótese de que, neste estudo, os episódios iniciados pelos alunos tenham sido preferencialmente voltados para a tarefa, devido à falta de oportunidades oferecidas para que tivesse sido o contrário, podendo estar relacionados com a atitude pedagógica da professora em sala de aula, especialmente a da turma A. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 26 Os resultados mostraram, em ambas as turmas, as seguintes tendências: • O número de episódios interativos não parece ser função do número de alunos presentes na sala de aula, tampouco dos dias da semana; • É o aluno não deficiente quem mais inicia episódios interativos dirigidos para a professora; • As iniciativas de interação da professora, dirigidas aos alunos com deficiência, parecem ter influência na freqüência das interações destes alunos com ela e viceversa; • A comunicação verbal e visual é a mais utilizada para iniciar, responder e interromper os episódios interativos; • São os alunos não deficientes os que mais respondem a interação através da comunicação visual e gestual; • A maioria das interações é de conteúdo ensino e prestação de informação; • As atividades voltadas para a tarefa são mais freqüentes do que as não voltadas para a tarefa, tanto quando a professora inicia o episódio, como quando o aluno inicia o episódio; • A professora é quem predominantemente interrompe os episódios interativos, independentemente de quem inicia; • A professora predominantemente inicia mais episódios interativos com o aluno com deficiência do que com o aluno não deficiente; • Os episódios interativos com os alunos com deficiência nunca são interrompidos por eles mesmos e sim pelos alunos não deficientes ou pela professora; • A maioria das interações entre a professora e os alunos com deficiência mental ocorre quando a professora está circulando pela sala de aula. Por outro lado, as turmas diferem nos seguintes aspectos: Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 27 • Na turma B, o horário de coleta parece exercer alguma influência nos resultados obtidos, uma vez que se evidenciou um aumento no número de episódios à medida que o horário da sessão era mais próximo do final da aula; • Na turma B, houve um maior número de interação da professora com os alunos com deficiência e com o grupo do que na turma A; • Na turma B, as interações da professora dirigidas aos alunos com deficiência mostram-se praticamente com os mesmos conteúdos identificados com os alunos não deficientes; • Na turma A, a comunicação visual e gestual foi mais utilizada para iniciar episódios interativos do que na turma B; • Na turma A, as interações da professora dirigidas aos alunos com deficiência, são menos repreensivas, com menos solicitações de ações e mais elogiadas, do que com os alunos não deficientes; • Na turma A, os episódios ocorreram, com maior freqüência, na situação de quando a professora estava circulando entre as carteiras (com todos os alunos) e na turma B, a predominância das interações quando a professora está circulando entre as carteiras se refere apenas aos alunos com deficiência; com os demais alunos há preferência pela situação de quando a professora está em sua mesa conferindo tarefas. 4 CONCLUSÃO Diferentemente do identificado por Macintosh et al. (1993), este estudo constata que as professoras mantiveram interações diferentes com os dois grupos de alunos (deficientes e não deficientes), na maioria das categorias analisadas. As ações das professoras parecem estar propiciando maior espaço de participação dos alunos, nas aulas, especialmente no caso dos alunos com deficiência, o que constitui um avanço educacional, quando se tomam por parâmetro, as informações constantes da literatura na área (DORVAL, MCKINNEY e FEAGANS, 1982; Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 28 SIPERSTEIN e GODING, 1985; SLATE e SAUDARGAS, 1986 e MACINTOSH et al. 1993) que mostram o aluno com deficiência historicamente relegado ao ostracismo e à gradativa exclusão do sistema regular de ensino. Neste estudo, o aluno não deficiente iniciou a maioria das interações, fato que também difere da literatura a respeito (BERTOLDO, 1985). As professoras, por sua vez, iniciaram mais interações com os alunos deficientes do que com os não deficientes, sendo essas interações, na sua maioria, de conteúdo ensino, elogio e solicitação de informação. Essa característica da relação entre as professoras e os alunos com deficiência, quando comparada com as informações da literatura, mostra ser mais positiva e condizente com o papel que a professora deve assumir em sala de aula, o de ser, segundo Duarte (1993), condutora do processo de apropriação, pelos alunos, do conhecimento produzido histórica e socialmente. Ações desse tipo ajudam no próprio processo de construção de uma identidade positiva por parte de todos alunos, aumentando sua auto-estima, melhorando as suas condições cognitivas, e por outro lado, ajudando o aluno não deficiente a aprender a se relacionar positivamente com as pessoas no contexto da diversidade. Os conteúdos diferenciados que a professora da turma A realizou com os alunos e o maior número de interações realizadas pela professora da turma B com estes alunos, mostram indícios de que ambas estão se voltando mais (do que a literatura aponta) para o aluno com deficiência, cada uma do seu jeito. Segundo os autores, Dorval, Mckinney e Feagans (1982), Siperstein e Goding (1985), Slate e Saudargas (1986), as interações da professora com o aluno com dificuldade de aprendizagem se referiam à falta de atenção ou infração de regras, além de serem mais negativas e corretivas do que com os alunos não deficientes. Este dado mostra-nos indícios de um avanço que nessas turmas demonstra estar ocorrendo, considerando o que, até o momento, foi constatado na área educacional através da literatura. Em se tratando dos alunos com deficiência, constata-se que estes iniciam interações com a professora para solicitarem a sua atenção nas atividades que realizam e para solicitarem informações sobre o conteúdo da aula. Este dado, quando comparado Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 29 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] aos de Macintosh et al. (1993), mostra que estes alunos estão tendo a oportunidade de se mostrarem mais ativos e participativos na sala de aula e principalmente na construção do conhecimento. As oportunidades que lhe estão sendo propiciadas, para que possam demonstrar essas características nas interações em sala de aula, merecem destaque pela sua importância quando consideramos que a formação do indivíduo se dá através das relações sociais. Segundo Vygotsky (1994), as funções psicológicas superiores que caracterizam essencialmente o ser humano, originam-se das relações sociais entre os indivíduos. O fato de estar havendo espaço e, além disto, solicitação aos alunos para que iniciem interações e respondam a elas quando solicitados, favorece a participação de alunos no contexto regular da sala de aula, e, assim, um possível e melhor desenvolvimento destes alunos. Se avanços na atenção ao aluno com deficiência podem ser constatados a partir destes resultados, não se pode, entretanto, dizer que as salas aqui estudadas sejam salas inclusivas, pois, apesar do avanço atitudinal e mesmo metodológico observados, ainda não se pôde detectar a prática do ensino individualizado e flexível. A interação nas duas salas de aula pesquisadas mostra a necessidade da professora assistir mais freqüentemente às necessidades individuais dos alunos não deficientes, não os mantendo ignorados na ocorrência de comportamentos inadequados, que merecem repreensão e solicitação freqüentes, conforme visto. A abertura de espaço para tais comportamentos também pode estar interferindo no próprio processo de ensino e de aprendizagem, que tende a tornar-se mais desestimulante, à medida que o aluno não recebe resposta à sua necessidade escolar e fica preterido nas relações em sala de aula. Além disso, a comunicação de que as professoras fazem uso para iniciar, responder e interromper as interações precisa ser transformada, pois se mostra praticamente igual para todos os alunos, não se mostrando específica para as necessidades peculiares de cada um. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 30 Finalizando, a maior contribuição deste estudo foi a de indicar que a interação entre a professora e os alunos, nas duas salas de aula, testemunha avanços na área educacional, no que diz respeito à atenção ao aluno com deficiência, embora ainda se manifeste distante de merecer o rótulo de educação inclusiva, ou seja, uma prática educacional que reconheça, respeite e responda às necessidades peculiares de cada aluno. REFERÊNCIAS ARANHA, M.S.F. A interação social e o desenvolvimento de relações interpessoais do deficiente em ambiente integrado. 1991. Tese (Doutorado) - Instituto de Psicologia. Universidade de São Paulo, São Paulo. [ Links ] ___. Paradigmas da relação da sociedade com as pessoas com deficiência. Revista do Ministério Público do Trabalho, ano XI, n. 21, março, p.160-173, 2002. ARANHA, M.S.F., LARANJEIRA, M.I. Brasil, século XX, última década. Mímeo, 1995. BERTOLDO, A.A. 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Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 32 in: (2006) David Rodrigues (org.) “Inclusão e Educação: doze olhares sobre a Educação Inclusiva”, S. Paulo. Summus Editorial. “DEZ IDEIAS (MAL) FEITAS SOBRE A EDUCAÇÃO INCLUSIVA” David Rodrigues “A normalidade causou-me sempre um grande pavor, exactamente porque é destruidora.” Miguel Torga, Diário IV, 1948, pp.128. Introdução: Neste início do século XXI parece que nunca a desigualdade entre os homens foi tão grande e não encontramos solução plausível nem previsível para injustiças e conflitos que proliferam e preenchem o nosso quotidiano de informação. Tal como aponta Wallerstein no seu livro “Historical Capitalism” (1983) parece haver agravamentos sensíveis dos conflitos à medida que nos aproximamos do tempo presente e cada século fez mais vitimas devido a guerras que o século anterior. No que respeita à justiça social a questão é igualmente difícil: o fosso entre ricos e pobres continua a aumentar à escala nacional e internacional, os países ricos começam a muralhar-se contra a previsível entrada de estrangeiros (mais pobres) nas suas fronteiras, as periferias das grandes cidades são pungentes exemplos de exclusão. As instituições sociais defrontam-se com novas questões de exclusão social ao nível da cidadania, do trabalho, da educação, do território e da identidade. (Stoer, Magalhães e Rodrigues, 2004). É neste terreno controverso, desigual e crescentemente complexo que a Inclusão (seja social ou educativa) procura prevalecer. Neste aspecto, poder-se-ia dizer que quanto mais a exclusão social efectivamente cresce, mais se fala em Inclusão. O termo Inclusão tem sido tão intensamente usado que se banalizou de forma que encontramos o seu uso indiscriminado no discurso político nacional e sectorial, nos programas de lazer, de saúde, de educação etc. Recentemente até o sistema bancário tem vindo a usar o termo: no Brasil uma instituição bancária lançou uma campanha sobre um “sistema bancário inclusivo” que busca captar contas de clientes iletrados. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 33 Não se sabe bem o que todos estes discursos querem dizer com Inclusão e é legítimo pensar que muitos significados se ocultam por detrás de uma palavra-chave que todos usam e se tornou aparentemente tão óbvia que parece não admitir qualquer polissemia. No discurso dos “media” e do quotidiano, o conceito de Inclusão está relacionado antes de mais com não ser excluído isto é com a capacidade de pertencer ou de se relacionar com uma comunidade. Claro que existe uma normalização implícita neste conceito: o conceito da comunidade onde a pessoa se deve integrar é o de uma comunidade benigna, positiva, diversa e próspera. Não se espera que se possa considerar incluída uma pessoa que pertence e comunica com uma comunidade fundamentalista religiosa ou com uma comunidade que faz do seu modo de vida a venda e tráfico de estupefacientes. Há assim um implícito “politicamente correcto” quando se fala de Inclusão. Sabemos, no entanto, que não é assim. As comunidades, as famílias são elas próprias estruturas complexas e que não devem ser abordadas de forma normalizada. Pensar de imediato em comunidades receptivas ou em famílias com uma estrutura tradicional é muitas vezes um mau princípio para dinamizar um processo de inclusão. Podemo-nos perguntar: Que é então estar incluído? Como se articula a necessidade imperiosa de ter uma identidade numa comunidade restrita de pertença com a inclusão em grupos mais latos? Como se relaciona a Inclusão com a mobilidade da pessoa em diferentes grupos e contextos sociais? De que forma estar fortemente integrado num determinado contexto identitário pode ser impeditivo da pessoa participar ou se relacionar com outros contextos? A Inclusão é necessária? E é essencial? Para quem? E a Inclusão na Educação? O conceito de Inclusão no âmbito específico da Educação, implica, antes de mais, rejeitar, por princípio, a exclusão (presencial ou académica) de qualquer aluno da comunidade escolar. Para isso, a escola que pretende seguir uma política de Educação Inclusiva (EI) desenvolve políticas, culturas e práticas que valorizam o contributo activo de cada aluno para a construção de um conhecimento construído e Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 34 partilhado e desta forma atingir a qualidade académica e sócio cultural sem discriminação. Os sistemas educativos de numerosos países mundiais têm na última década usado o termo Inclusão nos seus textos legais de Educação (como o tinham usado antes relacionado com as estruturas sociais). O que estes sistemas entendem por Inclusão serão talvez coisas diferentes. Recentemente Wilson (2000) analisando documentos sobre a inclusão em particular provenientes do Center for Studies on Inclusive Education, indicou que o que se entende por uma Escola Inclusiva pressupõe uma escola centrada na comunidade, livre de barreiras (desde as arquitectónicas às curriculares), promotora de colaboração e de equidade. Por outro lado, Hegarty (2003) ao confrontar os objectivos ambiciosos da EI defende que o debate inclusão/segregação tem recebido um interesse excessivo e que é sobretudo necessário investir uma verdadeira “Educação para Todos”. A EI tornou-se assim um campo polémico por várias razões. Uma das principais é sem dúvida a contradição entre a letra da legislação e a prática das escolas. O discurso da inclusão ou “a ideologia da Inclusão” (Correia, 2003) não tem frequentemente uma expressão empírica e por vezes fala-se mais da EI como um mero programa político ou como uma quimera inatingível do que como uma possibilidade concreta de opção numa escola regular. Tanto a legislação como o discurso dos professores se tornaram rapidamente “inclusivos” enquanto as práticas na escola só muito discretamente tendem a ser mais inclusivas. Recentemente afirmamos que “é preciso não invocar o nome da Inclusão em vão” tentando “mapear” esta distância entre os discursos e as práticas. A investigação e a realização de projectos sobre EI permitem delinear algumas das bases sobre as quais se podem construir projectos credíveis. É a luz desta investigação e da produção empírica de conhecimento sobre a EI que vamos seguidamente analisar algumas ideias comuns (a que chamamos “ideias feitas”) disseminadas entre os professores e entre as comunidades educativas em Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 35 geral. Estas afirmações podem ser organizadas, na nossa opinião, em cinco grupos conforme a sua temática: valores, formação de professores, recursos, currículo e gestão da sala de aula. 1. Valores “A Inclusão é a “evolução natural” do sistema integrativo” Muito se tem escrito sobre as diferenças entre “Integração” e “Inclusão” (Correia, 2001, Rodrigues 2001, 2003). Afigura-se consensual que a integração pressupõe um “participação tutelada” numa estrutura com valores próprios e aos quais o aluno “integrado” se tem que adaptar. Diferentemente, a EI pressupõe uma participação plena numa estrutura em que os valores e práticas são delineados tendo em conta todas as características, interesses, objectivos e direitos de todos os participantes no acto educativo. Pelo facto de o movimento inclusivo se ter desenvolvido após o movimento integrativo e usando frequentemente os mesmos agentes e recursos, diz-se que a Inclusão é uma evolução ou mesmo um novo nome da Integração. “A Integração – ou como agora se diz – a Inclusão” é uma frase comummente ouvida. A Inclusão não é, a nosso ver, uma evolução da Integração. Isto por três razões principais: Em primeiro lugar a Integração deixou intocáveis os valores menos inclusivos da escola. Não foi por causa da Integração que o insucesso ou o abandono escolares diminuíram ou que novos modelos de gestão da sala de aula surgiram. A Integração criou frequentemente uma escola especial paralela à escola regular em que os alunos que tinham a categoria de “deficientes” tinham condições especiais de frequência: aulas suplementares, apoio educativo, possibilidade de estender o plano escolar de um ano em vários, condições especiais de avaliação, etc. Em segundo lugar, a escola Integrativa separava os alunos em dois tipos: os “normais” e os “deficientes”. Para os alunos “normais” era mantida a sua lógica curricular, os mesmos valores e práticas; para os “deficientes” seleccionava condições especiais de apoio ainda que os aspectos centrais do currículo Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 36 continuassem inalterados. A escola Integrativa “via” a diferença só quando ela assumia o carácter de uma deficiência e neste aspecto encontrava-se bem longe de uma concepção inclusiva Em terceiro lugar, o papel do aluno “deficiente” na escola integrativa foi sempre condicionado. Era implícito ao processo que o aluno só se poderia manter na escola enquanto o seu comportamento e aproveitamento fossem adequados. Caso contrário poderia sempre ser “devolvido” à escola especial. Assim o aluno com dificuldades não era um membro de pleno direito da escola mas tão só uma benesse que a escola condicionalmente lhe outorgava. Assim, quando se fala de escola Integrativa trata-se de uma escola que em tudo semelhante a uma escola tradicional em que os alunos com deficiência (os alunos com outros tipos de dificuldades eram ignorados) recebiam um tratamento especial. A perspectiva da EI é sim bem oposta à da escola tradicional e integrativa ao promover uma escola de sucesso para todos ao encarar os alunos como todos diferentes e necessitados de uma pedagogia diferenciada (Perrenoud, 1996) e cumprindo o direito à plena participação de todos os alunos na escola regular. “A Educação Inclusiva é para alunos “diferentes”” A noção de “diferença” tem baseado muito do discurso moderno sobre a diferenciação pedagógica . Perrenoud (1996) fala mesmo dos alunos com “pequenas” e “grandes” diferenças. Apesar do termo “alunos diferentes”ser abundantemente usado, isso não significa que ele tenha um entendimento claro. Frequentemente o termo “diferente” é usado como um “alter nomine” de “deficiente” (sinalização de um qualquer problema num aluno). Tal como no período integrativo existiam os “deficientes” e os “normais” encontramos agora os “diferentes” e os “normais”. Mas o que é afinal ser diferente? E diferente de quê? É conhecida a dificuldade de traçar uma fronteira clara entre a deficiência e a normalidade. Em casos de pessoas com deficiência intelectual é muito difícil diferenciar uma pessoa com deficiência intelectual com um alto funcionamento de uma outra sem Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 37 deficiência intelectual com um baixo funcionamento cognitivo. O que parece obvio é que as capacidades humanas (sejam cognitivas, afectivas, motoras ou outras) se distribuem num continuum no qual são apostas fronteiras e critérios que são socialmente determinados. Um exemplo do carácter aleatório destas fronteiras é a variedade de classificações da deficiência intelectual nos diversos estados dos Estados Unidos que pode levar que o mesmo indivíduo seja considerado como tendo deficiência num estado e sem deficiência num estado vizinho. Ser diferente é assim, na acepção comum viver numa sociedade que cujos valores consideraram determinadas características da pessoa como merecedoras de serem classificadas como deficiência ou dificuldade. Mas o certo é que a diferença não é estruturalmente dicotómica isto é não existe um critério generalizado e objectivo que permita classificar alguém como diferente. A diferença é antes de mais uma construção social historicamente e culturalmente situada. Por outro lado, classificar alguém como “diferente” parte do principio que o classificador considera existir outra categoria que é a de “normal” na que ele naturalmente se insere. Quando dizemos que a EI se dirige aos alunos diferentes, acabamos por encarar todas estas questões. Sabemos que não são só diferentes os alunos com uma condição de deficiência: muitos outros alunos sem condição de deficiência identificada não aprendem se não tiverem uma atenção particular ao seu processo de aprendizagem. Heward (2003) afirma que o facto dos alunos serem todos diferentes não implica que cada um tenha que aprender segundo uma metodologia diferente; isto levar-nos-ia a uma escola impossível de funcionar nas condições actuais. Significa, no entanto, que se não proporcionarmos abordagens diferentes ao processo de aprendizagem estamos a criar desigualdade para muitos alunos. O certo é que não só os alunos são diferentes mas os professores são também diferentes e ser diferente é uma característica humana e comum e não um atributo (negativo) de alguns. A EI dirige-se assim aos “diferentes” isto é a… todos os alunos. E é ministrada por “diferentes” isto é… todos os professores. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 38 2. Formação de Professores “A formação para a EI é durante o período da formação inicial” Em muitos países a começaram a ser integrados no currículo de formação inicial de professores e educadores disciplinas respeitantes às “Necessidades Educativas Especiais” ou designações afins. Esta inovação (recordo a título de exemplo a prática em Portugal onde esta formação é obrigatória por lei desde 1987) é sem dúvida importante por poder vir a familiarizar o futuro professor com o conhecimento de situações prováveis que, face à crescente inclusão de alunos com NEE nas escolas regulares, ele poderá vir a enfrentar. Se esta formação é já tão frequente porque continuamos a escutar queixas de professores sobre a sua falta de formação para atender alunos com dificuldades nas suas aulas? Levantam-se duas questões neste âmbito: Uma ligada às características complexas da profissão de professor. Um professor não é um técnico (no sentido de aplicar técnicas relativamente normalizadas e previamente conhecidas) nem é um funcionário (isto é, uma pessoa que executa funções enquadrado por uma cadeia hierárquica perfeitamente definida). A profissão de professor exige uma grande versatilidade dado que se lhe pede que aja com uma grande autonomia e seja capaz de delinear e desenvolver planos de intervenção em condições muito diferentes. Para desenvolver esta competência tão criativa e complexa não basta uma formação acadêmica; é necessária também uma formação profissional (Campos, 2002). Não podemos esquecer quais foram os interesses que esse conhecimento serviu: o conhecimento antropológico da organização e forma de viver das tribos africanas serviu para informar a desgraçada partilha de África entre as potencias coloniais, cujos efeitos perversos que ainda hoje se fazem sentir. O conhecimento da diferença não é sempre positivo; podemos conhecer para melhor segregar. Regressando ao domínio da Educação constatamos que, se a ênfase na formação de professores for dada na diferença e nos casos mais profundos, acabamos por proporcionar (ainda que com boas intenções…) um argumento para que o jovem Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 39 professor avalie a sua futura tarefa como quase inultrapassável e até a rejeitar a inclusão de alunos com dificuldades devido exatamente ao conhecimento que tem das reais dificuldades que esses alunos têm. Pensamos que a formação deve ser feita em termos das deficiências mais ligeiras (a esmagadora maioria dos casos que surgem nas escolas regulares) e que todo o conhecimento da diferença seja integrado numa compreensão da diversidade humana que vai das altas habilidades até à deficiência e dando a noção que os casos muito difíceis são uma minoria e que na grande maioria as dificuldades são discretas e leves. Assim, conhecer as diferenças sim mas para promover a inclusão e não para justificar a segregação. Conhecer as diferenças mais comuns que são certamente as mais numerosas. Enfim não dar a conhecer a diferença como se se tratasse de uma situação médica mas fazer acompanhar cada caracterização de indicações pedagógicas que contribuam para que o futuro professor possua um esboço de entendimento que lhe permita iniciar o seu processo de pesquisa. 3. Recursos “Os recursos são secundários. O importante é a atitude da escola e do professor” Como Wilson (op.cit.) faz notar, a EI encontra-se impregnada de valores éticos e de morais. Correia (2000), na mesma linha, refere-se à “ideologia da Inclusão” querendo realçar a forte carga ideológica que é atribuída aos projetos de EI. Ao examinarmos mais de perto as suas premissas, verificamos que existe uma “energia bondosa” na EI que poderia ser sintetizada na frase: “Queremos que todas as crianças sejam educadas juntas, sem discriminação numa escola livre de barreiras e ligada à comunidade”. Perante um idealismo que associa a inclusão aos direitos humanos e à justiça social é compreensível que a força fundamental da promoção de um tal programa repouse nas atitudes, na vontade e na ética dos professores. Para muitos professores é Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 40 atitude o aspecto fundamental para que a EI se possa desenvolver. Se hiper valorizarmos as atitudes, outros fatores, como por exemplo os recursos, podem ser menos valorizadas. Relatamos num artigo anterior (Rodrigues 2003) a opinião de um consultor de uma organização educativa internacional que me dizia que tinha visto em Africa verdadeira inclusão: escolas comunitárias sem quaisquer meios, com classes muito numerosas mas onde todas as crianças da comunidade comungavam do mesmo espaço mesmo que fosse debaixo de uma árvore. Era o exemplo da subalternização dos recursos. A questão a inclusão, tal como a entendemos em sociedades modernas pode ser promovida em escolas e sistemas educativos desprovidos de recursos? Na nossa opinião não. A Inclusão tem de constituir uma resposta de qualidade para poder, por exemplo, constituir uma alternativa séria às escolas especiais. Uma escola inclusiva que atenda por exemplo alunos com deficiência mental tem que ser capaz de proporcionar, pelo menos, o mesmo tipo de serviços da escola especial. Se não, porque irão os pais preferir a inclusão, se isso pode ter um efeito devastador na sua qualidade de vida? Promover a Inclusão é criar serviços de qualidade e não democratizar para todos as carências. Por isso não pensamos que seja defensável um sistema de EI que repouse inteiramente nas atitudes mais ou menos idealistas e éticas do professor. Sem mais recursos a chegar à escola será muito difícil que a escola seja capaz de aumentar o seu leque de respostas. As escolas funcionam em regra muito perto do seu limite máximo de resposta mesmo quando não adoptam modelos inclusivos. Se vamos pedir às escolas para diversificar a sua resposta e para criarem serviços adaptados a populações que antes nunca lá estiveram é essencial que mais recursos humanos e materiais devam ser adstritos à escola. A EI pressupõe uma escola com uma forte confiança e convicção que possui os recursos necessários para fazer face aos problemas. “A EI é um sistema barato para educar todos os estudantes” Um determinado sub sistema educativo tomou a decisão de encerrar as escolas especiais da região e enviar os alunos que antes frequentavam esta escola para a escola regular. Esta decisão foi muito aplaudida: poupou recursos porque a escola especial absorvia uma fatia importante do orçamento da região, permitiu que alguns Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 41 professores que estavam colocados na escola especial pudessem regressar ao sistema regular de ensino (um factor adicional de poupança) e ainda proporcionou uma imagem de “inclusão”. Esta decisão deu, em suma, uma aura de modernidade porque, pelo menos aparentemente, deu passos significativos em direção à “moderna” EI. Esta situação, aqui relatada como ficcional, é muito comum. Sem dúvida que o facto de situar o esforço educativo de todas as crianças de uma dada comunidade num dado espaço físico e pedagógico parece poder apresentar vantagens ao nível econômico. Num estudo que estamos em vias de completar em que são comparados dois modelos de atendimento, um de inclusão e outro de escola especial, constatamos que as verbas dispendidas pelo modelo inclusivo são significativamente inferiores aos dispendidos pela escola especial. Apesar de este poder ser um dos “resultados colaterais” da inclusão, ela não deve ser pensada nestes termos. A escola regular se quiser ser capaz de responder com competência e com rigor à diversidade de todos os seus alunos necessita de recrutar pessoal mais especializado (terapeutas, psicólogos, trabalhadores sociais, etc.) e necessita de dispor de equipamentos e recursos materiais mais diferenciados. Enfim, necessita ser uma “organização diferenciada de aprendizagem” que ofereça a garantia às famílias e encarregados de educação que os mesmos serviços que eram proporcionados pela escola especial podem continuar a estar disponíveis. Só desta forma a escola regular se torna verdadeiramente concorrente e uma alternativa à escola especial porque além de proporcionar um elenco de recursos humanos semelhante e um conjunto de recursos materiais equivalente, dá acesso a uma experiência de educação integrada com jovens sem deficiência e em ambientes mais ricos e diversificados. Talvez a EI seja um sistema mais barato, mas não é por aí que as opções devem ser feitas. Encerrar escolas especiais não pode significar “lançar” jovens com necessidades especiais para uma escola regular que foi criada e desenvolvida na perspectiva da ignorância da diferença. Neste aspecto a EI não é uma educação em saldo é pelo contrário, um sistema exigente, qualificado, profissional e competente. Estas Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 42 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] características fazem da EI um sistema caro. Mas se a EI é cara, é melhor não querermos saber o preço da exclusão… 4. Currículo “A diferenciação do currículo é tarefa do professor” A proposta pedagógica da EI passa claramente pela oferta de oportunidades de aprendizagem diversificadas para os alunos. Se a “diferença é comum a todos” e assumimos a classe como heterogênea é importante responder a essa heterogeneidade em termos de estratégias de ensino e aprendizagem. Por outro lado, sabemos que o processo de aprendizagem não é uma simples transmissão de informação mas antes uma transição entre diferentes paradigmas de conhecimento. Podemos assim dizer que uma escola que não diferencia o seu currículo não usa modelos inclusivos e forçosamente não promove a igualdade de oportunidades entre os seus alunos. Cabe aqui notar que a diferenciação a que nos referimos é no âmbito de uma escola comum a todos os alunos e não a perspectiva histórica de diferenciação curricular que, como nota Roldão (2003), era uma forma de sancionar a estratificação social através do currículo escolar. Quando se aborda a necessidade da diferenciação curricular é comum atribuir essa responsabilidade ao professor. Os professores “inclusivos” fazem-na e os professores “tradicionais” mantém-se em modelos não diferenciados. Mas será que uma responsabilidade tão decisiva pode ser exclusivamente atribuída a um professor individual? Parece-nos que não por duas razões: Em primeiro lugar a escola é uma estrutura com uma inércia organizacional de dimensão considerável. Comecemos pela realidade “classe”. Os alunos são agrupados aleatoriamente em grupos (turmas ou classes) que permanecem estáveis ao longo de vários anos. Este agrupamento “classe” se não for desmembrado em função das atividades, do nível dos alunos, dos projetos, etc. torna-se um constrangimento e uma limitação dado que é um grupo artificial e aleatório de aprendizagem. Por vezes, o maior ou menor sucesso dos alunos na escola depende deste mecanismo puramente aleatório: se estivesse numa outra classe o sucesso do aluno poderia ser completamente diferente. Por outro lado, horários, espaços, Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 43 equipamentos, materiais, etc. representam importantes constrangimentos para realizar uma diferenciação curricular e que não são possíveis de remover por uma vontade solitária. Em segundo lugar a diferenciação do currículo é uma tarefa da escola no seu todo. É a coesão do coletivo “escola” que pode incentivar a confiança para desenvolver projetos inovadores e que permite ao professor assumir riscos. É indubitável que a dinâmica da EI repousa muito sobre a iniciativa, os valores e a práticas de inovação do professor; mas não parece correto afirmar que é pela sua única vontade que a diferenciação do currículo se pode realizar. Ben-Peretz (2001) afirma que a tarefa do professor num mundo em mudança é praticamente impossível devido às dimensões dos desafios que lhe são colocados: o trabalho multidisciplinar, a globalização a profissionalidade, etc. A “missão impossível” do professor é antes de mais impossível se ele estiver sozinho. A diferenciação do currículo é uma tarefa do coletivo da escola e engloba mais do que a gestão da sala de aula: implica uma abertura para uma nova organização do modelo de escola. “A EI valoriza o “currículo social”” Historicamente os alunos com necessidades educativas especiais que frequentavam escolas especiais tinham um currículo essencialmente baseado nas suas áreas de dificuldade no que poderíamos designar por um currículo terapêutico ou habilitativo. Esta concentração no “modelo do déficit” originou uma concepção restrita e estreita do currículo e tem sido apontada como responsável por privar os alunos de oportunidades de aprendizagem que os poderiam capacitar assumir uma maior autonomia. A excessiva centração nas capacidades em “déficit” retirou o enfoque às áreas que poderiam ter sido mais trabalhadas para a autonomia. A EI incentivou a adoção de outros modelos curriculares menos centrados no déficit e que proporcionassem uma abordagem mais flexível e que pudesse abranger todos os alunos (Costa e Rodrigues, 1999). Este modelo curricular alargado, com enfoque na inclusão social, na interação entre os alunos e no desenvolvimento da autonomia, Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 44 (que por vezes é designado por “modelo “guarda-chuva”) tem sido desenvolvido no espírito da inclusão e tem recolhido aprovação de pais e professores. Estes dois modelos têm sido apresentados como opostos quando, na nossa opinião, não o são. Parece indubitável que é necessário planear e desenvolver tipos de intervenção específicos face a problemas concretos de aprendizagem. Foram desenvolvidas ao longo de muitos anos estratégias e metodologias de intervenção destinadas a problemas específicos de aprendizagem que seria insensato pura e simplesmente deitar fora em nome da “Inclusão”. Metodologias como a análise de tarefas, a modificação cognitiva do comportamento, a modificação do comportamento, os diversos métodos de reeducação da leitura, etc. são instrumentos fundamentais para que o aluno com determinados tipos de necessidades possa encontrar respostas pedagógicas adequadas. Assim, ainda que o desenvolvimento de projetos de EI tenha dado realce a um currículo mais “social”, temos que ter presente que não podemos desperdiçar o conhecimento que se veio a acumular e que está constantemente a ser produzido e que nos informa sobre intervenções mais especializadas e que podem em muitos casos permitir a aprendizagem. Estas duas componentes curriculares devem ser consideradas de modo a que não só a interação com os outros e o desenvolvimento de competências sociais seja realizado mas também que o conhecimento que dispomos sobre a aprendizagem em certos tipos de dificuldades seja usado a favor de um processos de aprendizagem bem sucedido. 5. Gestão da sala de aula “Não é possível desenvolver práticas inclusivas em classes com 25 ou mais estudantes” O número de alunos por turma é recorrentemente enunciado como um obstáculo ao desenvolvimento de práticas inclusivas. Se a regra é levarmos em conta a diferença Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 45 do aluno e adaptarmos o ensino as possibilidades, modalidades e ritmos de cada um, então como será possível que um único professor desenvolva este trabalho para, por exemplo, 25 alunos? Posto desta maneira parece uma barreira intransponível. Bom, mas qual é o conceito que se tem de “atender especificamente as necessidades de cada aluno”? Frequentemente é uma perspectiva de ensino individual. Nesta perspectiva, um professor só pode atender as necessidades de um aluno se estiver sozinho com ele. Esta idéia apesar de muito disseminada é errada. O ensino pode ser individual e não levar em conta as especificidades do aluno e pode ser em grupo e considerar essas especificidades. Em textos anteriores (Rodrigues 1986, 2001) defendemos que a gestão de uma sala de aula inclusiva pressupõe que os alunos possam ter acesso a vários tipos de grupos de aprendizagem: grande grupo (que pode determinar o contrato, os fundamentos e a missão da aprendizagem) grupos de projeto, grupos de nível, trabalho em pares e trabalho individual. Todos estes enquadramentos permitem, que as situações de aprendizagem sejam adequadas às diferentes características do aluno e do trabalho. Desenvolver uma gestão de sala de aula inclusiva não pressupõe, pois, um trabalho individual mas sim o planejamento e a execução de um programa em que os alunos possam compartilhar vários tipos de interação e de identidade. Ainda sobre este aspecto, há também tendência para fazer crer que, quando um aluno com graves dificuldades é incluído numa turma “regular”, é ele que é o cerne dos problemas para o professor. “Tenho uma turma de 22 alunos e um deles tem Trissomia 21. Que hei-de fazer?”. A questão é que se continua a encarar os 22 alunos como “normais” isto é como iguais uns aos outros como uma fotocópia e só há um diferente – o aluno com T21. É importante incentivar os professores a olharem para toda a turma (neste caso para os 23 alunos) como alunos diferentes e pensar que o aluno com T21 pode muito bem compartilhar sessões de aprendizagem com colegas em qualquer um dos enquadramentos que citamos acima. Esta aproximação poderá beneficiar, sem dúvida, alunos com dificuldades escolares mas que pelo facto de não terem uma condição de deficiência identificada não dispõem de uma pedagogia apropriada às suas dificuldades. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 46 “É mais fácil encontrar qualidade nas classes homogéneas”. O debate sobre a qualidade em Educação é extremamente actual. Em nome da qualidade da educação tomam-se decisões, anulam-se outras, criam-se e extinguem-se serviços. A qualidade surge como um conceito inquestionável e que tem o mesmo significado para todos. Mas, em Educação, não podemos esquecer que existem interesses (frequentemente) conflituais e que ambos os lados podem desfraldar a bandeira da qualidade para se auto-justificarem. Por exemplo, o que é qualidade para um professor pode não o ser para os pais dos alunos ou ainda para a gestão da escola. Falar em qualidade não resolve o problema: levanta é – pela complexidade do conceito – outros problemas. Frequentemente é preciso optar por investimentos em determinadas áreas da Educação que consideramos serem mais importantes para a sua qualidade. Por exemplo para os pais de um aluno com uma condição de deficiência pode ser considerada uma prática de qualidade elevada um programa que lhe permita interagir e brincar com colegas do seu filho sem deficiência. Para os professores um programa semelhante pode não ter qualquer relevância porque o aluno continua em dominar os conteúdos acadêmicos básicos. A EI, como vimos antes, assume que os alunos são diferentes e heterogêneos. A questão é que, se entendermos qualidade enquanto preparação para enfrentar com conhecimento e sucesso as situações sociais, que tipo de programas poderíamos incentivar? Parece que aqueles com que o aluno tem desde a fase escolar um contacto maior com situações heterogêneas, contraditórias e mesmo conflituais em que é necessário desenvolver aptidões de negociação, estabelecer plataformas de acordo e usar aptidões sociais. São estes ambientes escolares inclusivos que parecem mais semelhantes como os ambientes sociais cada vez mais controversos e conflituais que o aluno vai encontrar na sua vida pessoal e profissional. Assim a qualidade na educação encontra-se mais facilmente ligada a classes heterogêneas do que a classes homogêneas na medida em que estas, pela suas maiores diferenças aparentes, são mais isomorfas com as situação sociais Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 47 complexas. Se a educação de qualidade é a que melhor prepara para lidar com as situações sociais ecologicamente válidas então é a EI que melhor permite que o aluno tenha acesso a esse patrimônio de experiência. Síntese: Falar de inovação no campo da Educação é um assunto bem complexo. A escola pública foi criada com objetivos de proporcionar aos alunos uma formação final com um níveis semelhante e usando estratégias uniformes. Considerar as diferenças intra-individuais dos alunos foi também sempre estranho à escola tradicional. Por isso parecem tão radicais e estranhas as propostas de inovação da escola feitas pela EI. A EI, questiona alguns dos fundamentos e das práticas mais arraigadas da escola tradicional: questiona o caráter seletivo da escola, a homogeneidade dos seus métodos de ensino e ainda o fato de não ser sensível aos que os alunos são e querem. Perante uma tão grande distância entre o que a escola é e o que – por determinação legal – se pretende que ela seja, é natural que se tenham desenvolvido discursos e axiomas que procuram “simplificar” ou “explicar” o que deve ser feito para construir uma Educação mais Inclusiva. São por vezes essas as ideias (mal) feitas que contribuem para sedimentar valores e práticas que não se aproximam da Educação Inclusiva. Mas se estas são algumas das ideias (mal) feitas o que serão então ideias (bem) feitas? Apesar do tom opinativo e afirmativo deste texto, nós próprios temos muitas dúvidas sobre se existe um caminho inequivocamente certo. Talvez o mais adequado seja pensarmos que as ideias bem feitas deverão provir de práticas corajosas, refletidas e apoiadas. Talvez estas ideias e práticas, por mais bem pensadas e feitas que sejam, não nos conduzam inexoravelmente a uma EI. Mas por certo nos vão ajudar a vê-la cada vez mais perto e desta forma promover a justiça e os direitos para todos os alunos. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 48 REFERÊNCIAS Ben-Peretz, M. (2001) “The impossible role of teacher educators in a changing world”, Journal of Teacher Education, 52, 1. 48-56 Campos, B.P. (2002) “Políticas de Formação de Profissionais de Ensino em Escolas Autónomas”, Edições Afrontamento, Porto. Correia, J.A. (2003)”A Construção Politico-cognitiva da Exclusão Social no Campo Educativo in: David Rodrigues (Org.) “Perspectivas sobre a Inclusão; da Educação à Sociedade”, Porto Editora, Porto. Correia, L.M. (2001) “Educação inclusiva ou Educação Apropriada?” in: David Rodrigues (Org.) “Educação e Diferença: valores e práticas para uma Educação Inclusiva”, Porto Editora. Porto Costa, A. Rodrigues, D. (1999) “Special Education in Portugal”, European Journal of Special Needs Education, 14 (1), 70-89. Hamre,B.,Oyler,C. (2004) “Preparing Teachers for Inclusive classrooms. Learning from collaborative inquiry group”, Journal of Teacher Education, 55, 2, 154-163 Hegarty, S. (2003). “Inclusion and Education for All: Necessary Partners”. In: Vivian Heung e Mel Ainscow (edt.) “Inclusive Education: A Framework for Reform”,The Hong Kong Institute of Education. Heward, W. (2003) “Ten Faulty Notions About Teaching and Learning That Hinder the Effectiveness of Special Education”, The Journal of Special Education, 36 (4), 186-205 Perrenoud, P (1996) “La pedagogie à l’école des différences», ESF, Paris Rodrigues, D. (2001) “A Educação e a Diferença”, in David Rodrigues (Org.) “Educação e Diferença: valores e práticas para uma Educação Inclusiva”, Porto Editora. Porto Rodrigues, D. (2003) “Educação Inclusiva: as boas e as más notícias”, in: David Rodrigues (Org.) “Perspectivas sobre a Inclusão; da Educação à Sociedade”, Porto Editora, Porto. Roldão, M.C. (2003) “Diferenciação Curricular e Inclusão”, in: : David Rodrigues (Org.) “Perspectivas sobre a Inclusão; da Educação à Sociedade”, Porto Editora, Porto. Stoer, S., Magalhães, A., Rodrigues, D. (2004) “Os lugares da Exlusão Social”, Cortez Editores, S. Paulo Wallerstein, I. (1983) Historical Capitalism. Londres: Verso. Wilson, J. (2002) “Doing justice to Inclusion”; European Journal of Special Needs Education, 15(3), 297-304. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 49 INCLUSÃO ESCOLAR: concepções de professores e alunos da educação regular e especial Nilza Sanches Tessaro A pessoa com deficiência nem sempre foi valorizada e respeitada pelos seus diferentes, por muito tempo representou segmento totalmente ignorado, sendo, portanto, vítima de abandono, rejeição, maus-tratos e até mutilações. Foi apenas a partir do século XX que começou a ter uma melhor aceitação do deficiente, momento em que se iniciou a sua desinstitucionalização e educação escolar. Até este período eram segregados e praticamente privados de convívio social. Entretanto, verifica-se que as conquistas ainda foram poucas, pois o preconceito, a ignorância e a discriminação ainda são muito fortes em relação ao deficiente e a deficiência. Pode-se afirmar, que mesmo depois de muitas discussões em torno da inclusão social, continua o deficiente sofrendo pelo estigma e pelo preconceito de sua diferença. Existe todo um discurso pró à inclusão em vários segmentos da sociedade, dentre os quais no ambiente escolar. A inclusão no contexto escolar é algo que vem se efetivando, mesmo que a duras penas, buscando superar toda uma história de isolamento, discriminação e preconceito. Tem provocado muitos questionamentos, principalmente no meio acadêmico (curso de Psicologia) tais como: O que é inclusão escolar? Por que incluir? Qual é a opinião dos alunos com deficiência e dos professores sobre inclusão? A escola possui infra-estrutura adequada para participar da inclusão escolar? Os alunos deficientes se sentem bem com a inclusão escolar? Os professores estão capacitados para educação inclusiva? Etc. Em busca de respostas para estes questionamentos, realizou-se uma pesquisa em nível de doutorado, cujo objetivo foi verificar as concepções de professores e alunos de educação regular e especial sobre o processo de inclusão escolar. Para a realização dessa pesquisa foi utilizada uma amostra constituída por 7 grupos, num total de 140 participantes. Sendo 60 professores com experiências diferentes Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 50 quanto à inclusão (20 de escolas especiais e 40 de escolas públicas do ensino básico) e 80 alunos com vivências diversas de inclusão (20 de escolas especiais e 60 de escolas públicas também de ensino básico). Para a coleta de dados foi utilizado um questionário composto por oito questões abertas. As questões foram elaboradas de forma que atingissem os objetivos da pesquisa, englobando as seguintes dimensões: conceito de inclusão escolar; opinião sobre inclusão escolar; opinião sobre o sentimento dos alunos incluídos em classe comum; opinião sobre dificuldades envolvidas no processo de inclusão escolar; manifestação do próprio sentimento e orientações/apoios necessários ao professor para efetivação da inclusão escolar. Como resultado, constatou-se que os conceitos dos participantes sobre inclusão escolar são insatisfatórios e que não houve diferenças entre os alunos e entre os professores quanto a essa dimensão. Os professores e os alunos expressaram várias dificuldades envolvidas nesse processo, destacando–se a falta de infraestrutura das escolas, a falta de preparo/capacitação profissional, discriminação social e a falta de aceitação da inclusão. Os participantes apontaram dificuldades no processo ensino-aprendizagem decorrentes da educação inclusiva. Os professores de educação especial demonstraram dar mais crédito à educação inclusiva do que os do ensino regular. Os alunos deficientes demonstraram dar menos crédito à inclusão do que os não deficientes. Os sentimentos decorrentes da inclusão que predominaram entre os professores e os alunos com deficiência foram negativos, enquanto entre os alunos não deficientes prevaleceram os positivos. Diante destes resultados, conclui-se então, que a inclusão na forma que vem se efetivando, está longe de atender a um ideal, foge dos princípios estabelecidos pela Declaração de Salamanca (1994), a qual constitui-se em um importante documento que trata dos princípios, a política e a prática da educação para as necessidades especiais, que recomenda que as escolas se ajustem às necessidades de todos os alunos, sejam os que vivem na rua, os nômades, os que trabalham. Pesquisas têm confirmado que a inclusão escolar vem se efetivando de forma inadequada, longe do ideal, revelam o pouco interesse e investimento neste Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 51 processo. Com isto pode se dizer que não se deve simplificar o complexo, ou seja, achar que incluir signifique apenas mudar o aluno de endereço, ou seja, sair da escola especial ou classe especial e ir para a classe comum do ensino regular. São muitos os fatores envolvidos, os quais sem dúvida estão sendo desconsiderados ao se efetivar a inclusão escolar. Acredita-se que incluir alunos diferentes/deficientes na classe comum do ensino regular seja viável, desde que se tenha presente à complexidade de tal processo, o qual requer muito investimento e comprometimento, principalmente dos órgãos governamentais (recursos orçamentários). Igualmente se faz necessário muito estudo, pesquisa para ampliar o conhecimento, desenvolver e testar formas que viabilizem a verdadeira inclusão escolar. REFERÊNCIAS Antunes, A. P. G. S. A. Inclusão: dificuldades para efetivação nas escolas do sistema público de ensino. Dissertação de Mestrado da Universidade do Oeste Paulista – Presidente Prudente, SP, 2001. Brasil (1994). Declaração de Salamanca e linha de ação sobre as necessidades educativas especiais. Brasília. CORDE. Camelo, A. I. F. Educação inclusiva: uma visão sobre as necessidades dos docentes. Dissertação de Mestrado da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte – Natal, RN, 1999. Faleiros, M. H. S. (2001). A inclusão de alunos com deficiência mental na perspectiva de suas professoras e produções acadêmicas. Dissertação de Mestrado da Universidade Federal de São Carlos, SP. Gasparetto, M. E. R. F. Visão subnormal em escolas públicas: conhecimentos, opinião e conduta de professores e diretores do ensino fundamental. Tese de Doutorado da Universidade Estadual de Campinas, SP, 2001. Mattos, E. A. de (2000). Contribuições do estudo e proposta para o processo de inclusão do aluno com necessidades educacionais especiais – deficiente mental – na escola regular. Tese de Doutorado da Universidade de São Paulo, SP. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 52 Mazzoni, A. A.; Torres, E. F. e Andrade, J. M. B. de (2000). Sobre acesso e a permanência de estudantes universitários com necessidades educativas especiais In: N. N. R. Mori; M. C. Marquezine; M. L. P. de Guhur e E. M. Shimazaki (orgs.) Educação Especial: olhares e práticas. Londrina: Ed. UEL, p. 225 – 233. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 53 EDUCAÇÃO INCLUSIVA: concepções de professores e diretores Izabella Mendes Sant’Ana* * Psicóloga, doutoranda em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica-PUC, Campinas. RESUMO O estudo investigou as concepções de 10 professores e seis diretores de escolas públicas do Ensino Fundamental de uma cidade do interior paulista, sobre a inclusão escolar. Foram feitas entrevistas e os dados transcritos foram submetidos à análise de conteúdo (e análise estatística-excluído) Docentes e diretores conceberam a educação inclusiva sob diferentes enfoques, com definições que ora se aproximavam dos princípios de integração, ora se referiam à orientação inclusiva. As principais dificuldades indicadas para a realização da inclusão referiram-se à falta de formação especializada e de apoio técnico no trabalho com alunos inseridos nas classes regulares. Como sugestões se destacaram: necessidade de orientação por equipe multidisciplinar, formação continuada, infra-estrutura e recursos pedagógicos adequados, experiência prévia junto a alunos com necessidades especiais, atitude positiva dos agentes, além de apoio da família e da comunidade. Os dados permitiram identificar vários aspectos necessários à efetivação da proposta inclusiva. Palavras-chave: inclusão escolar, concepções de professores e diretores. Nas últimas décadas e mais especificamente a partir da Declaração de Salamanca, em 1994, a inclusão escolar de crianças com necessidades especiais no ensino regular tem sido tema de pesquisas e de eventos científicos, abordando-se desde os pressupostos teóricos político-filosóficos até formas de implementação das diretrizes estabelecidas na referida declaração. Entre os diversos enfoques pesquisados está o que envolve as opiniões de docentes e demais profissionais da comunidade escolar sobre a proposta inclusiva e sua participação neste tipo de projeto. Uma vez que professores e diretores apresentam funções essenciais na estrutura e no funcionamento do sistema educacional, suas Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 54 opiniões podem fornecer subsídios relevantes para a compreensão de como estão sendo desenvolvidos projetos dessa natureza. É sabido que os fundamentos teórico-metodológicos da inclusão escolar centralizam-se numa concepção de educação de qualidade para todos, no respeito à diversidade dos educandos. Assim, em face das mudanças propostas, cada vez mais tem sido reiterada a importância da preparação de profissionais e educadores, em especial do professor de classe comum, para o atendimento das necessidades educativas de todas as crianças, com ou sem deficiências. Estudos recentes sobre a atuação do professor em classes inclusivas apontam que o sucesso de sua intervenção depende da implementação de amplas mudanças nas práticas pedagógicas (O’Donoghue & Chalmers, 2000), quais sejam: a adoção de novos conceitos e estratégias, como a educação cooperativa (O’Connor & Jenkins, 1996); a adaptação ou (re)construção de currículos; o uso de novas técnicas e recursos específicos para essa clientela; o estabelecimento de novas formas de avaliação; o estímulo à participação de pais e da comunidade nessa nova realidade social e educacional (Mantoan, 1997; Mantoan, 2001; Mrech, 1998; Pires & Pires, 1998; Westwood, 1997). Depende, além disso, de atitudes positivas frente à inclusão de crianças com necessidades especiais no ensino regular (Avramidis, Bayliss & Burden, 2000). Contudo cabe lembrar que muitas dessas sugestões já estavam presentes na literatura educacional antes do surgimento da orientação inclusiva, mas que, em alguns casos, foram (re)direcionadas a partir dos princípios da inclusão. Na medida em que a orientação inclusiva implica um ensino adaptado às diferenças e às necessidades individuais, os educadores precisam estar habilitados para atuar de forma competente junto aos alunos inseridos, nos vários níveis de ensino. No entanto, autores como Goffredo (1992) e Manzini (1999) têm alertado para o fato de que a implantação da educação inclusiva tem encontrado limites e dificuldades, em virtude da falta de formação dos professores das classes regulares para atender às necessidades educativas especiais, além de infra-estrutura adequada e condições materiais para o trabalho pedagógico junto a crianças com deficiência. O que se tem colocado em discussão, principalmente, é a ausência de formação especializada dos Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 55 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] educadores para trabalhar com essa clientela, e isso certamente se constitui em um sério problema na implantação de políticas desse tipo. Diante desse quadro, torna-se importante que os professores sejam instrumentalizados a fim de atender às peculiaridades apresentadas pelos alunos. Aqui, tendo-se em vista a capacitação docente, a participação das universidades e dos centros formadores parece ser relevante. Para Gotti (1988), a universidade, além de proporcionar cursos de aperfeiçoamento e de pós-graduação, deve envolver-se em pesquisas sobre o ensino aos portadores de necessidades especiais, desenvolvendo instrumentos e recursos que facilitem a vida dessas pessoas. Apesar de a necessidade de preparação adequada dos agentes educacionais estar preconizada na Declaração de Salamanca (Brasil, 1994) e na atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Brasil, 1996) como fator fundamental para a mudança em direção às escolas integradoras, o que tem acontecido nos cursos de formação docente, em termos gerais, é a ênfase dada aos aspectos teóricos, com currículos distanciados da prática pedagógica, não proporcionando, por conseguinte, a capacitação necessária aos profissionais para o trabalho com a diversidade dos educandos (Glat, Magalhães & Carneiro, 1998). A formação deficitária traz sérias conseqüências à efetivação do princípio inclusivo, pois este pressupõe custos e rearranjos posteriores que poderiam ser evitados. Vale destacar, porém, que a formação docente não pode restringir-se à participação em cursos eventuais, mas sim, precisa abranger necessariamente programas de capacitação, supervisão e avaliação que sejam realizados de forma integrada e permanente. A formação implica um processo contínuo, o qual, segundo Sadalla (1997), precisa ir além da presença de professores em cursos que visem mudar sua ação no processo ensino-aprendizagem. Para a autora, o professor precisa ser ajudado a refletir sobre a sua prática, para que compreenda suas crenças em relação ao processo e se torne um pesquisador de sua ação, buscando aprimorar o ensino oferecido em sala de aula. Na inclusão educacional, torna-se necessário o envolvimento de todos os membros da equipe escolar no planejamento de ações e programas voltados à temática. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 56 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] Docentes, diretores e funcionários apresentam papéis específicos, mas precisam agir coletivamente para que a inclusão escolar seja efetivada nas escolas. Por outro lado, torna-se essencial que esses agentes dêem continuidade ao desenvolvimento profissional e ao aprofundamento de estudos, visando à melhoria do sistema educacional. No que se refere aos diretores, cabe a eles tomar as providências – de caráter administrativo – correspondentes e essenciais para efetivar a construção do projeto de inclusão (Aranha, 2000). Para Ross (1998), o diretor de escola inclusiva deve envolver-se na organização de reuniões pedagógicas, desenvolver ações voltadas aos temas relativos à acessibilidade universal, às adaptações curriculares, bem como convocar profissionais externos para dar suporte aos docentes e às atividades programadas. Além disso, o administrador necessita ter uma liderança ativa, incentivar o desenvolvimento profissional docente e favorecer a relação entre escola e comunidade (Sage, 1999; Reis, 2000). Diante da orientação inclusiva, as funções do gestor escolar incluem a definição dos objetivos da instituição, o estímulo à capacitação de professores, o fornecimento de apoio às interações e a processos que se compatibilizem com a filosofia da escola (Schaffner & Buswell, 1999), e ainda a disponibilização dos meios e recursos para a integração dos alunos com necessidades especiais (Marchesi & Martín, 1995). Desse modo, a atuação dos administradores escolares pode ser de grande valia na tarefa de construir uma escola pronta a atender a todos os indivíduos, sem discriminação. Embora Reis (2000) aponte que muitas vezes a prática do diretor, nas escolas brasileiras, é dificultada pelas exigências das atividades burocráticas e administrativas, esse profissional precisa ser atuante, promovendo ações que envolvam o acompanhamento, discussões e avaliações em conjunto com os participantes do projeto educacional, a fim de exercitar as dimensões educacional, social e política, inerentes a sua função. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 57 Além da participação de docentes e gestores no contexto da inserção dos alunos com deficiência na rede regular de ensino, outros fatores, como os relacionados à estrutura do sistema educacional, precisam ser considerados na análise e nas discussões sobre as possibilidades de implementação de projetos nessa área. Castro (1997), ao descrever o processo de implantação de uma proposta de educação inclusiva na rede pública de uma capital da Região Nordeste do Brasil, realizou entrevistas com 30 pessoas (entre professores, diretores, supervisores e técnicos), em cinco escolas municipais desse município, com o objetivo de conhecer as dificuldades e as condições necessárias à realização da proposta. A autora verificou que entre as principais dificuldades encontradas estão as mesmas existentes em qualquer escola pública brasileira, a saber: formação insuficiente dos professores, baixos salários, falta de apoio pedagógico, infra-estrutura e condições de trabalho precárias. Além disso, constatou que as dificuldades apontadas pelos professores referem-se à atuação com a totalidade dos alunos, e não apenas com os que apresentam algum tipo de deficiência. Por último, a autora ressaltou a necessidade de os professores serem orientados a partir de fundamentos teóricopráticos, para que possam modificar práticas e métodos de ensino, com o objetivo de propiciar um ensino de qualidade para todos. Resultados similares foram encontrados por Damião (2000); Dias, Sponchiado, Hirota, Camargo e Almeida (1998); Castro (2002) e Jusevicius (2002). Entre as necessidades mencionadas pelos autores podem-se destacar: a formação específica e continuada dos educadores, a orientação na prática cotidiana, o apoio familiar e técnico, a redução do número de alunos nas classes e alterações nas condições estruturais das escolas. Com base nessas informações, pode-se perceber que são necessárias mudanças profundas no sistema educacional vigente a fim de garantir o cumprimento dos objetivos da inclusão. Cumpre, então, considerar as inúmeras dificuldades vivenciadas por todos os participantes do cotidiano das escolas que tentam, de diferentes maneiras, viabilizar a educação inclusiva de acordo com suas possibilidades. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 58 Em face dessas considerações, o presente estudo visou investigar como professores e diretores entendem a inclusão escolar, buscando, também, conhecer as dificuldades existentes e as necessidades apontadas pelos profissionais no contexto da inserção de crianças com deficiência no ensino comum. MÉTODO Participantes Participaram deste estudo 10 professores e seis gestores (três diretores e três vicediretores) atuantes em escolas do ensino fundamental, da rede estadual, em um município do interior paulista. Todos os participantes eram do sexo feminino, sendo que a maioria dos docentes (seis) encontrava-se na faixa etária de 30 a 39 anos, enquanto a metade dos gestores apresentava idade na faixa de 50 a 59 anos. Os docentes e diretores estavam vinculados a três instituições educacionais abertas à inclusão, que atendem alunos de diferentes bairros: duas localizadas na periferia e um na zona central da cidade. Material Foram utilizados um questionário de identificação para docentes e diretores (contendo informações sobre idade, sexo, formação acadêmica, tempo de atuação profissional e participação em eventos) e um roteiro de questões orientadoras para as entrevistas semi-estruturadas com esses profissionais, além de um gravador portátil e fitas para o registro das entrevistas. O roteiro focalizou as seguintes dimensões: concepções sobre a Educação Inclusiva (conceito, idéias e opiniões que os profissionais têm acerca da Educação Inclusiva), desenvolvimento do processo de inclusão (dificuldades encontradas pelos participantes na realização do processo) e condições necessárias à efetivação da Educação Inclusiva (sugestões dos docentes e administradores quanto aos aspectos necessários para a viabilização da inclusão escolar)1. Procedimento Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 59 Após obter, junto à Delegacia de Ensino, a lista de escolas em que existiam classes especiais e/ou sala de recursos, a pesquisadora fez um levantamento sobre as instituições que apresentavam alunos com deficiências inseridos no ensino regular. Dentre essas escolas, foram selecionadas três para a realização da pesquisa. Posteriormente, a autora entrou em contato com esses estabelecimentos de ensino e expôs aos respectivos diretores a intenção de realizar o estudo. 1 Utilizou-se também um termo de consentimento informado, que foi assinado pelos participantes, contendo os objetivos e explicitando outras normas éticas da pesquisa, redigido de acordo com a Resolução de dezembro de 2000, do Conselho Federal de Psicologia e o que dispõe a Lei Nacional sobre a Pesquisa com Seres Humanos. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da PUCCampinas (Parecer nº 058/03). Desse modo, foi feito o agendamento das datas e horários para visitar as escolas. Por ocasião das visitas, a escolha dos professores baseou-se nos seguinte critério: os profissionais deveriam estar atualmente acompanhando crianças com necessidades especiais em classes regulares. As entrevistas com os participantes foram realizadas nas próprias escolas e em horários escolhidos por eles. Após a transcrição dos relatos, fez-se uma leitura ampla do material obtido. Em seguida, realizou-se a análise de conteúdo, segundo a proposta de Bardin (2002), a qual envolveu: a) a identificação dos temas e sua posterior divisão em unidades de respostas; b) o recorte dos textos de acordo com os conteúdos apresentados; e c) o agrupamento e a categorização das unidades de respostas, que representam o conjunto de idéias comuns ao grupo pesquisado. RESULTADOS E DISCUSSÃO Quanto à formação educacional dos participantes, nove professores cursaram o magistério e também já haviam completado o ensino superior entre os anos de 1975 e 2002. Em relação aos diretores, apenas um não possuía o curso de magistério, sendo que todos concluíram o nível superior entre 1973 e 1995. Apenas dois profissionais apresentavam curso de pós-graduação: um docente fez especialização em Psicopedagogia e um gestor especializou-se em Supervisão Escolar. O curso de Pedagogia foi o mais freqüente entre os professores e diretores, no entanto, Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 60 verificou-se que a metade dos administradores apresentou dois cursos superiores, enquanto os professores possuíam somente um curso em sua formação. No que concerne ao tempo de exercício profissional, todos os participantes apresentaram um longo período de experiência, com no mínimo nove anos de atuação na área. No grupo de professores, a maior parte (quatro docentes) encontrava-se na faixa entre 15 a 19 anos de trabalho na profissão, enquanto entre os diretores houve maior variação acerca do tempo de atuação profissional. Os dados sobre a experiência prévia e a formação continuada de professores para atuação com alunos que apresentam necessidades especiais encontram-se na Tabela 1. Pôde-se verificar que a metade dos professores já possuía experiência anterior junto a alunos com deficiência. Somente um professor mencionou ter participado de curso e encontro acerca da educação inclusiva sem, contudo, especificá-lo. Tabela 1. Experiência prévia e formação continuada de professores para atuar junto aos portadores de necessidades educacionais especiais SIM NÃO F F Experiência prévia com alunos portadores de necessidade educacionais especiais 5 5 Participação em programas de capacitação/ cursos sobre educação inclusiva 1 9 Participação em eventos sobre educação inclusiva 1 9 Orientação no trabalho com alunos portadores de necessidades educacionais especiais 4 6 No grupo de diretores, somente um profissional afirmou ter participado de cursos e eventos sobre a inclusão escolar, promovido pela Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo, porém não informou o período em que tal evento foi realizado. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 61 Apesar da baixa participação dos administradores em encontros, todos indicaram ter recebido orientações de profissionais, de dentro ou de fora da escola, sobre o processo de inclusão de alunos com deficiência no ensino regular. Dentre os profissionais que forneceram orientações aos participantes, foram mencionados 1 (um)professor especializado, 1 (um), pedagogo e 2 (dois) fisioterapeutas. Na análise de conteúdo, foram estabelecidas algumas categorias a partir das respostas de docentes e diretores, formando a base para a análise de cada questão. Em relação ao conceito de educação inclusiva, os resultados indicaram grande variação nos argumentos dados pelos dois grupos de profissionais, conforme apresentado na Tabela 2. Tabela 2. Distribuição das categorias de respostas de professores e diretores sobre o conceito de educação inclusiva Categorias Professores Diretores F F Adaptações no ensino 1 Compartilhar o espaço físico 4 1 Integração na sociedade 2 3 Crianças com deficiência 3 2 Participação de todos 1 1 Direito à educação 1 Total 11 8 Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 62 Dentre os argumentos mencionados pelos professores, obteve maior destaque o que atribui à noção de compartilhar o mesmo espaço físico a condição de principal elemento do conceito de educação inclusiva, sendo ressaltado por quatro docentes. Para os diretores, verificou-se que a categoria denominada integração na sociedade foi a mais freqüente nos relatos, sendo apontada por três gestores. Possivelmente, isso decorre do fato de os profissionais exercerem papéis diferentes, esperando-se dos gestores uma ação mais ativa quanto à integração escolacomunidade, especialmente família-escola, cuidando da inclusão tanto junto aos pais das crianças a serem incluídas quanto aos das outras crianças. A partir da análise dos relatos dos dois grupos de sujeitos, foi possível identificar diferentes visões sobre a inclusão escolar. Os docentes deram maior destaque à presença das crianças com necessidades especiais compartilhando o mesmo espaço físico das demais, enquanto os gestores enfatizaram a inserção como uma forma de integrar essas pessoas na sociedade. A idéia da presença de portadores de necessidades especiais na classe regular constitui-se, aqui, como principal aspecto do conceito de inclusão. No entanto, o fato de esses alunos estarem no mesmo ambiente com os demais não quer dizer que estejam incluídos, realmente, no contexto escolar. A inclusão implica práticas escolares que favoreçam relações significativas dentro da perspectiva de aprendizagem colaborativa (Thousand & Villa, 1991), capazes de remover as barreiras ao acesso e à participação dessas pessoas na aprendizagem e na sociedade (Santos, Souza, Alves & Gonzaga, 2002). Embora tenham apontado outros aspectos do princípio inclusivo (como a necessidade de adequação de métodos e estratégias de ensino, o direito à educação e inclusão com um sentido amplo, envolvendo não apenas as crianças que apresentam alguma deficiência, mas ‘todos’ os alunos, independente de suas condições físicas, psicológicas, étnicas e sociais), os participantes, em geral, apresentaram respostas pouco abrangentes, focalizando apenas algumas dimensões do referido conceito, respostas estas que parecem estar mais relacionadas às idéias de inclusão recentemente mais difundidas na literatura do que particularmente às de integração. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 63 Esses resultados se diferenciam dos encontrados em outros estudos (Damião, 2000; Jusevicius, 2002), nos quais os participantes usavam essas expressões como sinônimas, havendo certa confusão entre os termos. Isso parece indicar alterações nas concepções dos educadores, possivelmente ligadas às recentes discussões sobre a inclusão nas diversas esferas sociais, inclusive com destaque da mídia; e também pode ser influência de possíveis leituras que facilitam a compreensão e a distinção dos significados. Na Tabela 3 estão presentes as freqüências de categorias segundo as verbalizações de docentes e diretores em relação às dificuldades encontradas na realização da inclusão escolar. Para cinco professores e três diretores, a principal dificuldade encontrada na efetivação do processo de inclusão baseia-se na falta de apoio técnico, isto é, de suporte de profissionais especializados. A categoria falta de formação foi mais enfatizada pelos docentes do que pelos diretores. Tabela 3. Distribuição das categorias de respostas de professores e diretores sobre as dificuldades encontradas no processo inclusivo Categorias Professores Diretores F F Apoio técnico 4 4 Falta de formação 5 3 Disponibilidade pessoal 3 3 Falta de experiência 1 Métodos de ensino 1 1 Número de alunos 1 Dificuldade do aluno Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 64 3 Apoio da família 1 Infra-estrutura e materiais 1 2 Preconceito 3 Total 19 17 O relato dos participantes evidenciou a preocupação com a falta de orientação no trabalho junto aos alunos com necessidades especiais. Mesmo aqueles profissionais que recebem ou receberam algum tipo de orientação afirmaram que o que está sendo feito não é suficiente para atender às demandas surgidas durante o processo inclusivo. A ausência de uma equipe formada por especialistas de diferentes áreas que atue em conjunto com os docentes e diretores parece ser um obstáculo importante para a realização de ações e projetos comprometidos com os princípios inclusivos. Também foi destacada a falta de capacitação do professor e da equipe pedagógica em lidar com alunos que apresentam necessidades especiais. Alguns diretores expressaram a idéia de que a formação continuada deveria ser ofertada aos docentes pelos órgãos administrativos regionais, indicando que se faz necessária a realização cursos de capacitação para que todos os envolvidos no processo inclusivo tenham condições de desenvolver um trabalho adequado às necessidades desse alunado. Aparentemente, a formação continuada pode favorecer a implementação da proposta inclusiva; todavia necessita estar aliada a melhorias nas condições de ensino, ao suporte de profissionais no auxílio ao trabalho do professor, bem como ao compromisso de cada profissional em trabalhar para a concretização dessas mudanças. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 65 Cabe salientar que três docentes apontaram os problemas de comportamento dos alunos (agressividade, indisciplina) ou as necessidades apresentadas pelos alunos incluídos como aspectos dificultadores do trabalho educativo. As demais falas focalizaram outros aspectos, como a falta de experiência anterior e o uso de estratégias específicas junto a alunos com deficiências, assim como a importância de uma atitude positiva dos agentes envolvidos e de toda comunidade escolar frente aos portadores de necessidades especiais. O preconceito e o número elevado de alunos nas salas de aula também foram vistos como aspectos negativos quanto ao processo inclusivo, pois prejudicariam as relações interpessoais e o desenvolvimento de um trabalho mais próximo ao aluno com necessidades especiais, respectivamente. Como forma de enfrentamento das dificuldades, os participantes apresentaram sugestões que poderiam favorecer a implementação da proposta inclusiva, o que pode ser observado na Tabela 4. Tabela 4. Distribuição das categorias de respostas de professores e diretores sobre as sugestões apontadas para viabilizar a inclusão escolar Categorias Professores Diretores F F Apoio técnico 9 3 Formação em serviço 8 5 Disponibilidade pessoal 3 1 Experiência prévia 1 Infra-estrutura e materiais 3 1 Apoio da família e da comunidade 1 Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 66 Conscientização da sociedade 2 Trabalho conjunto 1 Total 26 12 Para nove dos docentes e três diretores, a presença de uma equipe que dê suporte aos agentes educacionais constitui-se na principal necessidade apontada na educação inclusiva. Sugestões relativas à formação em serviço foram destacadas por cinco diretores e por oito professores. Tal fato, possivelmente, deriva da urgência que estes profissionais têm de obter auxílio e orientações a respeito do trato com alunos que apresentam necessidades especiais. Docentes e administradores consideraram o apoio de especialistas como um aspecto fundamental na atuação com crianças que apresentam deficiências, explicitando também a idéia de que todos os funcionários devem estar informados e aptos para lidar com as diferenças e especificidades dos alunos. Esta visão assemelha-se ao que Karagiannis, Stainback e Stainback (1999) ressaltam sobre a necessidade de as escolas tornarem-se comunidades acolhedoras, sendo que o primeiro passo desse processo seria o desenvolvimento de uma cultura escolar baseada no reconhecimento, na valorização e no respeito a todos os alunos. De acordo com os relatos, os docentes parecem crer que a habilitação específica deve ser o primeiro passo do processo inclusivo e, por isso parecem exigir que tal condição seja atendida pelos órgãos responsáveis, indicando também certa urgência em adquirir conhecimentos sobre como lidar com essa clientela. Além disso, enfatizam outras necessidades para que os alunos com necessidades especiais possam ser beneficiados em sua inserção nas classes comuns. Alguns profissionais consideraram relevante a realização de adaptações na infraestrutura dos estabelecimentos escolares e de um trabalho conjunto de todos os participantes da comunidade escolar, visando à inclusão desses alunos no ensino regular. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 67 Em contrapartida, outros participantes indicaram que o professor precisa estar aberto ao processo de inclusão – subjetiva e profissionalmente – para atuar junto aos alunos com deficiências, alertando também que a participação dos familiares e da comunidade e de mudanças de atitude da sociedade frente às pessoas com necessidades especiais são aspectos essenciais para a concretização dos princípios inclusivos. As necessidades apontadas indicam que o professor precisa ser auxiliado no processo de inclusão. Por estar a maior parte do tempo atuando junto aos alunos, o docente não pode trabalhar isoladamente. É por esse motivo que os educadores destacaram, em diferentes níveis, o caráter imprescindível do apoio de profissionais especializados, da família e de toda a comunidade. CONSIDERAÇÕES FINAIS O estudo apresentou alguns dados que permitiram uma reflexão sobre os aspectos que têm permeado a inserção do aluno com necessidades especiais no sistema regular de ensino. Os principais resultados apontaram que a educação inclusiva foi vista pelos participantes sob diferentes enfoques, desde definições mais próximas dos princípios de integração até definições mais relativas à educação inclusiva. O discurso da maioria dos participantes evidencia uma posição favorável à inclusão dos alunos com necessidades na educação comum, talvez pelo fato de esse tema estar sendo muito discutido e valorizado atualmente no meio acadêmico e social. Docentes e diretores parecem crer que a educação inclusiva é uma proposta viável, mas que, para ser efetivada, necessita de profundas transformações na política e no sistema de ensino vigente. Os resultados mostraram que os professores estão cientes de não estarem preparados para a inclusão, não aprenderam as práticas educacionais essenciais à promoção da inclusão e precisariam do apoio de especialistas. Os participantes reconheceram a importância de uma educação democrática, que atenda à totalidade dos educandos; no entanto, apontaram que os órgãos Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 68 administrativos competentes devem tomar as providências necessárias, incluindo a participação ativa de educadores, dos pais e da sociedade para proporcionar aos indivíduos com deficiências um ensino adequado às suas necessidades específicas. Ao se analisarem as dificuldades mencionadas pelos entrevistados, pôde-se perceber que muitas delas não são exclusividade do ensino aos alunos com necessidades especiais, mas problemas existentes há várias décadas na estrutura educacional do país, o que foi confirmado nos estudos de Castro (1997) e Jusevicius (2002). Nesse sentido, a inclusão desse alunado em classes comuns gera novas circunstâncias e desafios, que tendem a somar-se com as dificuldades já existentes do sistema atual, e, por conseguinte, ratifica a idéia de que profundas modificações devem ser realizadas a fim de melhorar a qualidade da educação, seja para educandos sem seja com algum tipo de deficiência. Em face do quadro apresentado, tornam-se evidentes os obstáculos à proposta de inclusão. O principal deles parece ser a falta de preparo do professor para atuar com esses alunos. As dificuldades apresentadas pelos educadores neste estudo são graves e sugerem que ações governamentais sejam implementadas. Os dados obtidos vêm reafirmar a necessidade de que os agentes e gestores educacionais sejam consultados e participem ativamente das mudanças e transformações ocorridas no âmbito escolar, como aponta Machado (2003). Suas experiências e seus questionamentos são fontes de informações relevantes acerca da realidade escolar e precisam ser levados em consideração no momento em que os órgãos governamentais decidem os rumos da Educação. Além disso, permitem dizer que é necessária a redefinição dos modelos de formação dos professores, com vista a contribuir para uma prática profissional mais segura e condizente com as necessidades de cada educando. REFERÊNCIAS Aranha, M. S. (2000). Inclusão social e municipalização. Em E. Manzini (Org), Educação especial: temas atuais (pp.1-9). Marília: UNESP-Marília Publicações. Avramidis, E., Bayliss, P. & Burden, R. (2000). Student teacher’s attitudes towards the inclusion of children with special education needs in the ordinary school. 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Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 70 Mantoan, M. T. (1997). Inclusão escolar de deficientes mentais: que formação para professores? Em M. T. Mantoan (Org.), A integração de pessoas com deficiência: contribuições para uma reflexão sobre o tema (pp. 119-127). São Paulo: Memnon. Mantoan, M. T. (2001). (Org.) Caminhos pedagógicos da inclusão. São Paulo: Memnon. Manzini, E. F. (1999). Quais as expectativas com relação à inclusão escolar do ponto de vista do educador? Temas sobre desenvolvimento, 7(42), 52-54. Marchesi, A. & Martín, E. (1995). Da terminologia do distúrbio às necessidades educacionais especiais. Em C. Coll, J. Palacios & A. Marchesi (Orgs.), Desenvolvimento psicológico e educação: necessidades educativas especiais e aprendizagem escolar. (M. A. Domingues, Trad., V. 3, pp. 7-23). Porto Alegre: Artes Médicas. (Trabalho original publicado em 1993). Mrech, L. M. (1998). O que é educação inclusiva? Integração, 10(20), 37-40. 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(Trabalho original publicado em 1996) Thousand, J. & Villa, R. (1991). A futuristic view of the REI: a response to Jenkins, Pious and Jewell. Exceptional Children, 57 (1), 556-562. Westwood, P. (1997). Commonsense methods for children with special needs: strategies for the regular classroom. London: Routledge. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 72 DA EDUCAÇÃO SEGREGADA À EDUCAÇÃO INCLUSIVA: uma Breve Reflexão sobre os Paradigmas Educacionais no Contexto da Educação Especial Brasileira 1 Rosana Glat e Edicléa Mascarenhas Fernandes Faculdade de Educação / Universidade do Estado do Rio de Janeiro A educação de alunos com necessidades educativas especiais que, tradicionalmente se pautava num modelo de atendimento segregado, tem se voltado nas últimas duas décadas para a Educação Inclusiva. Esta proposta ganhou força, sobretudo a partir da segunda metade da década de 90 com a difusão da conhecida Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994), que entre outros pontos, propõe que “as crianças e jovens com necessidades educativas especiais devem ter acesso às escolas regulares, que a elas devem se adequar...”, pois tais escolas “constituem os meios mais capazes para combater as atitudes discriminatórias, construindo uma sociedade inclusiva e atingindo a educação para todos...” (p. 8-9, grifo nosso). Sob este enfoque, a Educação Especial que por muito tempo configurou-se como um sistema paralelo de ensino, vem redimensionando o seu papel, antes restrito ao atendimento direto dos educandos com necessidades especiais, para atuar, prioritariamente como suporte à escola regular no recebimento deste alunado. De forma sucinta, esse artigo pretende acompanhar a trajetória da área no Brasil, considerando os paradigmas teóricos vigentes, bem como a política educacional da época. Ressaltando, porém, que um paradigma não se esgota com a introdução de uma nova proposta, e que, na prática, todos esses modelos co-existem, em diferentes configurações, nas redes educacionais de nosso país. A Educação Especial se constituiu originalmente como campo de saber e área de atuação a partir de um modelo médico ou clínico. Embora hoje bastante criticado, é preciso resgatar que, como lembra Fernandes (1999), os médicos foram os primeiros que despertaram para a necessidade de escolarização dessa clientela que se encontrava “misturada” nos hospitais psiquiátricos, sem distinção de idade, principalmente no caso da deficiência mental. Sob esse enfoque, a deficiência era entendida como uma doença crônica, e todo o atendimento prestado a essa clientela, mesmo quando envolvia a área educacional era considerado pelo viés Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 73 terapêutico. A avaliação e identificação eram pautadas em exames médicos e psicológicos com ênfase nos testes projetivos e de inteligência, e rígida classificação etiológica. 1 Artigo publicado na Revista Inclusão nº 1, 2005, MEC/ SEESP. Nas instituições especializadas o trabalho era organizado com base em um conjunto de terapias individuais (fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, psicopedagogia, etc) e pouca ênfase era dada à atividade acadêmica, que não ocupava mais do que uma pequena fração do horário dos alunos (GLAT, 1989). A educação escolar não era considerada como necessária, ou mesmo possível, principalmente para aqueles com deficiências cognitivas e / ou sensoriais severas. O trabalho educacional era relegado a um interminável processo de “prontidão para a alfabetização”, sem maiores perspectivas já que não havia expectativas quanto à capacidade desses indivíduos desenvolverem-se academicamente e ingressarem na cultura formal. Os anos 70 representaram a institucionalização da Educação Especial em nosso país, com a preocupação do sistema educacional público em garantir o acesso à escola aos portadores de deficiências 2. Em sua progressiva afirmação práticoteórica, a Educação Especial absorveu os avanços da Pedagogia e da Psicologia da Aprendizagem, sobretudo de enfoque comportamental. O desenvolvimento de novos métodos e técnicas de ensino baseados nos princípios de modificação de comportamento e controle de estímulos permitiu a aprendizagem e o desenvolvimento acadêmico desses sujeitos, até então alijados do processo educacional. “O deficiente pode aprender”, tornou-se a palavra de ordem, resultando numa mudança de paradigma do “modelo médico”, predominante até então, para o “modelo educacional”. A ênfase não era mais a deficiência intrínseca do indivíduo, mas sim a falha do meio em proporcionar condições adequadas que promovessem a aprendizagem e o desenvolvimento (GLAT, 1985; 1995; KADLEC & GLAT, 1984). A metodologia de pesquisa privilegiada era da análise aplicada do comportamento, com ênfase nos estudos de natureza experimental e semi-experimental, com controle de variáveis e observação direta do comportamento. Esse foi o momento Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 74 dos “métodos e técnicas” e das especificidades da Educação Especial (metodologias de ensino para alunos com deficiência visual, auditiva, mental, superdotação, etc)3. 2 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação 5692/71 no artigo 9o recomendava que alunos com deficiências físicas ou mentais, os que se encontrassem em atraso considerável quanto á idade regular de matrícula e os superdotados deveriam receber tratamento especial, de acordo com as normas fixadas pelos Conselhos de Educação. E, em 1973, foi criado o Centro Nacional de Educação Especial (CENESP) que introduziu a Educação Especial no planejamento de políticas públicas, ao mesmo tempo em que iniciou a implantação de subsistemas de Educação Especial nas diversas redes públicas de ensino, através da criação de escolas e classes especiais, e projetos de formação de recursos humanos especializados, inclusive no exterior (FERREIRA & GLAT, 2003). 3 Em 1978 o MEC propôs o “Projeto Prioritário de Reformulação de Currículos para a Educação Especial” para cada área de deficiência e superdotação. Neste contexto a oferta do atendimento ao excepcional poderia ocorrer em escolas regulares, clínicas ou centros de reabilitação. Porém, apesar dos avanços, este modelo não representou a garantia de ingresso de alunos com deficiências no sistema de ensino. A Educação Especial funcionava como um serviço paralelo, com métodos ainda de forte ênfase clínica e currículos próprios. As classes especiais implantadas nas décadas de 70 e 80 serviram mais como espaços de segregação para aqueles que não se enquadravam no sistema regular de ensino, do que uma possibilidade para ingresso na rede pública de alunos com deficiências, cuja maioria ainda continuava em instituições privadas (BUENO, 1993; FERNANDES, 1999). Recursos e métodos de ensino mais eficazes proporcionaram às pessoas com deficiências maiores condições de adaptação social, superando, pelo menos em parte, suas dificuldades e possibilitando sua integração e participação mais ativa na vida social. Acompanhando a tendência mundial da luta contra a marginalização das minorias, começou a se consolidar em nosso país, no inicio da década de 80, a filosofia da Integração e Normalização. A premissa básica desse conceito é que pessoas com deficiências têm o direito de usufruir as condições de vida o mais comuns ou normais possíveis na comunidade onde vivem, participando das mesmas atividades sociais, educacionais e de lazer que os demais (GLAT, 1989; 1995; PEREIRA, 1990). Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 75 O modelo segregado de Educação Especial passou a ser severamente questionado, desencadeando a busca por alternativas pedagógicas para a inserção de todos os alunos, mesmo os portadores de deficiências severas, preferencialmente no sistema rede regular de ensino (como recomendado no artigo 208 da Constituição Federal de 1988). Foi assim instituída, no âmbito das políticas educacionais, a Integração4. Este modelo, que até hoje ainda é o mais prevalente em nossos sistemas escolares, visa preparar alunos oriundos das classes e escolas especiais para serem integrados em classes regulares recebendo, na medida de suas necessidades, atendimento paralelo em salas de recursos ou outras modalidades especializadas. O “deficiente pode se integrar na sociedade” tornou-se, assim, a matriz política, filosófica e científica da Educação Especial. Este novo pensar sobre o espaço social das pessoas com deficiências, que tomou força em nosso país com o processo de redemocratização, resultou em uma transformação radical nas políticas públicas, nos objetivos e na qualidade dos serviços de atendimento a esta clientela. 4 Neste período o CENESP publicou os Subsídios para Organização e Funcionamento de Serviços de Educação Especial (1984), apoiado nos princípios filosóficos da normalização, integração e individualização, propondo as modalidades de atendimento: classes especiais, salas de recursos, ensino itinerante, escolas e centros especiais. Em termos de conceituação teórica, sentiu-se, nesse momento, as lacunas do modelo comportamental / instrumentalista em preparar adequadamente as pessoas com deficiências para sua plena integração social e educacional. Nesse sentido, dois campos de investigação começaram a se desenvolver. O primeiro voltado para Psicologia da Aprendizagem, através do estudo e aplicação para Educação Especial do construtivismo de Jean Piaget e Emilia Ferrero e do sóciointeracionismo de Vigotsky. Estas pesquisas mostraram que é possível para pessoas com deficiência construir conhecimento e se apropriar da leitura e escrita em situações de interação social (MOUSSATCHÉ, 1992; FERNANDES, 1993; FERNANDES, 1994; e outros). A outra vertente teórica mais voltada para os aspectos “psicossociais” (AMARAL, 1995; GLAT, 1989; 1995; OMOTE, 1994; e outros), teve o interesse investigativo Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 76 dirigido para as condições de interação social, marginalização, socialização, estigma que promovem e mantêm a segregação das pessoas com deficiências. Este enfoque buscava entender o significado ou representações que as pessoas têm sobre o deficiente, e como esse significado determina o tipo de relação que se estabelece com ele. Recapitulando, no Brasil a tendência para inserção de alunos com necessidades especiais na rede regular de ensino já anunciada desde o final dos anos 70, tomou vulto na década de 80 com as discussões sobre os direitos sociais, que precederam a Constituinte, as quais enfatizavam reivindicações populares e demandas de grupos ou categorias até então excluídos dos espaços sociais. Neste movimento, a luta pela ampliação do acesso e da qualidade da educação das pessoas portadoras de deficiência culminou, no inicio dos anos 90, com a proposta de Educação Inclusiva, hoje amparada e fomentada pela legislação em vigor, e determinante das políticas públicas educacionais a nível federal, estadual e municipal (FERREIRA & GLAT, 2003). O conceito de escola inclusiva, de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Especial (MEC-SEESP, 1998), implica em uma nova postura da escola regular que deve propor no projeto político-pedagógico, no currículo, na metodologia , na avaliação e nas estratégias de ensino, ações que favoreçam a inclusão social e práticas educativas diferenciadas que atendam a todos os alunos. Pois, numa escola inclusiva a diversidade é valorizada em detrimento da homogeneidade. Porém, para oferecer uma educação de qualidade para todos os educandos, inclusive os portadores de necessidades especiais, a escola precisa capacitar seus professores, preparar-se, organizar-se, enfim, adaptar-se. “Inclusão não significa, simplesmente, matricular os educandos com necessidades especiais na classe comum, ignorando suas necessidades especificas, mas significa dar ao professor e à escola o suporte necessário à sua ação pedagógica” (MEC-SEESP, 1998). Conforme mostram Ferreira e Glat (2003), o movimento em prol da Educação Inclusiva, trouxe em sua gênese uma discussão sobre a finalidade da Educação Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 77 Especial, mormente no seu excesso de especialização. A classificação de diferentes tipos de deficiências começou a ser colocada em segundo plano na definição geral de portadores de necessidades educativas especiais, ampliando-se aí o leque de alunos que deveriam receber algum tipo de suporte, já que agora considera-se, também, qualquer dificuldade escolar permanente ou temporária. Neste contexto é que se descortina o novo campo de atuação da Educação Especial. Não visando importar métodos e técnicas especializados para a classe regular, mas sim, tornando-se um sistema de suporte permanente e efetivo para os alunos especiais incluídos, bem como para seus professores. Como mencionado, a Educação Especial não é mais concebida como um sistema educacional paralelo ou segregado, mas como um conjunto de recursos que a escola regular deverá dispor para atender à diversidade de seus alunos. No entanto, em que pese o crescente reconhecimento da Educação Inclusiva como forma prioritária de atendimento a alunos com necessidades educativas especiais, na prática este modelo ainda não se configura em nosso país como uma proposta educacional amplamente difundida e compartilhada. Embora nos últimos anos tenham sido desenvolvidas experiências promissoras, a grande maioria das redes de ensino carece das condições institucionais necessárias para sua viabilização. No que tange à produção de conhecimento, na última década tem sido acumulado um significativo acervo de pesquisas no Brasil, que oferecem dados importantes sobre o processo de inclusão e as dificuldades enfrentadas pelo sistema educacional brasileiro para sua implementação. No entanto, ainda são poucas as pesquisas, experiências e práticas educacionais validadas cientificamente que mostrem como fazer para incluir no cotidiano de uma classe regular alunos que apresentem diferentes tipos de necessidades educativas especiais. Segundo estudo de Glat, Ferreira, Oliveira e Senna (2003): Os atuais desafios da Educação Inclusiva brasileira centram-se na necessidade de desenvolver instrumentos de monitoramento sistemáticos (indicadores dos programas implantados), realização de pesquisas qualitativas e quantitativas que Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 78 possam evidenciar os resultados dos programas implantados e identificação de experiências de sucesso; implantação de programas de capacitação de recursos humanos que incluam a formação de professores dentro da realidade das escolas e na sala de aula regular do sistema de ensino ( p.35). Esses autores apontam também para o fomento de formas de participação das comunidades escolares na construção dos planos estratégicos de ação para tornar as suas escolas mais inclusivas, valorizando e utilizando os recursos já existentes, levando-se em conta as particularidades contextuais e locais. REFERÊNCIAS AMARAL, L. A. Conhecendo a deficiência (em companhia de Hércules). São Paulo: Robel, 1995. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Especial, 1998. BUENO, J. G. S. Educação Especial brasileira: integração / segregação do aluno diferente. São Paulo: EDUC/PUCSP, 1993. FERNANDES, E. M. Construtivismo e Educação Especial. Revista Integração. MEC /SEESP, 5 (11), pg 22-23, 1994 ______.“Educação para todos -- Saúde para todos”: a urgência da adoção de um paradigma multidisciplinar nas políticas públicas de atenção à pessoas portadoras de deficiências. Revista do Benjamim Constant, 5 (14), pg. 3-19, 1999. 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A criança e suas deficiências: métodos e técnicas de atuação psicopedagógica. Rio de Janeiro: Editora Agir, 1984. MOUSSATCHÉ, A. H. A. Aquisição de linguagem escrita em crianças portadoras de Síndrome de Down. Dissertação de Mestrado, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 1992. OMOTE, S. Deficiência e não-deficiência: recortes do mesmo tecido. Revista Brasileira de Educação Especial, 1(2), pg. 65-74, 1994. PEREIRA, O. S. Educação integrada: somos todos responsáveis. Revista Integração, 3 (6), 16-17, 1990. UNESCO. Declaração de Salamanca e Linha de Ação sobre Necessidades Educativas Especiais.Brasília: CORDE, 1994. Revista Brasileira de Educação Especial Print version ISSN 1413-6538 Rev. bras. educ. espec. vol.11 no.3 Marília Sept./Dec. 2005 doi: 10.1590/S1413-65382005000300005 RELATO DE PESQUISA Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 80 INTERAÇÃO ENTRE PROFESSORA E ALUNOS EM SALAS DE AULA COM PROPOSTA PEDAGÓGICA DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA1 2 Simone Cerqueira da Silva ; 3 Maria Salete Fábio Aranha RESUMO Correntes teóricas presentes na literatura científica têm demonstrado a importância das relações interpessoais para o processo de construção do conhecimento. É no contexto da interação professor e aluno que se configura a relação entre as necessidades educacionais dos alunos e as respostas pedagógicas a elas disponibilizadas, o que envolve o domínio do conhecimento pelo professor, sua capacitação técnico-científica, a competência de ensinar pesquisando, as características sócio-culturais e o perfil psicológico dos atores sociais envolvidosprofessor e aluno. Buscando melhor compreender este universo, elaborou-se este estudo que teve como objetivo descrever as interações ocorridas entre uma professora, e seus alunos, em classes em que se propunha adotar uma prática pedagógica inclusiva. Os dados foram coletados em 2 salas de aula, em escola estadual de Ensino Fundamental, no município de Bauru. O processo de coleta de dados se deu através do registro da realidade de sala de aula em vídeo tape. Optouse por este método, por permitir a recuperação posterior dos dados. A coleta se deu no transcorrer do 1º semestre do ano letivo de 2001. A análise fundamentou-se em sistema prévio de categorias, e tratou os dados quantitativa e qualitativamente. Os resultados demonstraram peculiaridades e diferenças nas interações da professora com os seus alunos, em função da presença ou ausência da deficiência. Indicaram, também, que a interação vem demonstrando avanços na prática educacional, no que diz respeito à atenção pedagógica, da professora, ao aluno com deficiência. Palavras-chave: educação inclusiva; interação entre professor - aluno; necessidades educacionais especiais. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 81 ABSTRACT Theoretical currents present in the scientific literature have demonstrated the importance of interpersonal relationships in the process of knowledge construction. The relationship between the students' educational needs and the available pedagogical responses occurs in the context of teacher-student interaction. Such a relationship involves the teacher's mastery of knowledge, his technic-scientifical capability and ability to teach through research, the socio-cultural characteristics and psychological profiles of the social actors involved - teacher and student. With the goal of searching for a better understanding of this universe, this study was developed and aimed at describing the interactions occurring between a teacher and her students in classrooms in which it was proposed to adopt an inclusive classroom. The data were collected in 2 classrooms in a public primary school in the city of Bauru. The data collecting process was carried out by videotaping the classroom allowing the data to be reviewed later. The taping took place during the first semester of the 2001 school year. The analysis of the data was based on a previously developed system of categories, and the data were dealt quantitative and qualitatively. The results showed peculiarities and differences in the interactions of the teacher with her students, due to the presence or absence of disability. The interaction also demonstrated advances in educational practice regarding the teacher´s attention to the student with disability. Keywords: inclusive education; student-teacher interaction; special educational needs. 1 INTRODUÇÃO O tema da educação inclusiva tem despertado, no meio educacional, angústias e entusiasmos. A mudança de um sistema educacional, que se caracterizou tradicionalmente por ser excludente e segregatório, para um sistema educacional que se comprometa efetivamente a responder, com qualidade e eficiência, às necessidades educacionais de todos, inclusive às dos alunos que apresentam Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 82 necessidades educacionais especiais, exige um processo complexo de transformação, tanto do pensar educacional, como da prática cotidiana de ensino. Todo processo de transformação dessa natureza constitui uma mudança de paradigma, o que, geralmente provoca nas pessoas diversas reações, dentre as quais ansiedade, medo, rejeição, resistência, interesse, entusiasmo. Geralmente, constata-se que inicialmente as pessoas começam a mudar o discurso na direção do politicamente esperado e considerado correto, mantendo, entretanto, padrão de comportamento semelhante ao já conhecido. No caso do tema aqui focalizado, o paradigma da construção de sistemas educacionais inclusivos, em desenvolvimento, requer relações interpessoais que sejam eficientemente acolhedoras para todos, ou seja, que atendam às necessidades educacionais de todos, inclusive dos que apresentam necessidades educacionais especiais. Para Leontiev (1978, p. 272), a educação é o processo que possibilita a formação do indivíduo através de sua apropriação dos resultantes da história social e sua conseqüente objetivação nessa história. Nesse sentido, tem-se que é pela educação que o indivíduo se apropria das características do gênero humano. Características que, segundo Duarte (1993, p. 40), foram criadas e desenvolvidas ao longo do processo de objetivação, gerado, a partir da apropriação da natureza pelo homem. O processo educativo formal, conforme aponta Boneti (1997), ocorre dentro de um espaço real de ação e interação, para enriquecimento da identidade sócio-cultural dos que dele participam, espaço esse chamado escola. Para Saviani (1991), a função da escola é estender, a todos os seus alunos, o conhecimento elaborado e sistematizado, fundamental para que as pessoas tenham maior liberdade de ação pela assimilação e internalização do conhecimento, a partir do processo de ensino e de aprendizagem. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 83 Considerando não somente os conteúdos acadêmicos, Mello (1997) diz, ainda, que cabe à escola a função de estabelecer padrões de convivência social. Neste momento histórico da realidade brasileira, o que se espera é o avanço na direção da construção de um sistema educacional que cumpra efetivamente com o proposto pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996), favorecendo a formação de cidadãos críticos e responsáveis, possibilitando o acesso ao saber científico e à sua utilização crítica e funcional rotineira, e desta forma, atuando na construção de uma sociedade mais igualitária e humana. É no espaço da relação entre professor e aluno que a formação do cidadão se realiza, efetivando a missão maior da educação. Diversos autores têm demonstrado a importância das relações entre o professor e o aluno para o processo de desenvolvimento e de aprendizagem desse aluno. Para Hinde (1979), uma relação implica em algum tipo de interação intermitente entre duas pessoas, envolvendo intercâmbios durante um período estendido no tempo, tendo as mesmas, algum grau de mutualidade, de modo que o comportamento de uma leva em consideração o comportamento da outra. Vygotsky (1994) propõe que as funções psicológicas superiores originam-se das relações reais entre indivíduos humanos, já que no decurso do desenvolvimento, as atividades são inicialmente coletivas / sociais (interpsíquicas) para depois se tornarem atividades individuais / propriedades internas do pensamento. Tomando como pressupostos os conteúdos propostos pelos autores acima citados, entende-se as interações e a relação entre o professor e seus alunos variáveis essenciais no processo bi-direcional de construção da aprendizagem e do desenvolvimento humano. Salvador (1994), referindo-se ao contexto da sala de aula, destaca que a unidade básica de análise deixa de ser a atividade individual do aluno e passa a ser a atividade articulada e conjunta do aluno e do professor em torno da realização de tarefas escolares. Constata-se, então, que os sujeitos, professor e aluno, são os Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 84 atores dessa entrelaçada teia de relações que permeia a instituição escolar e que se apresenta como o fio da meada do processo educacional. Para Aranha e Laranjeira (1995, p.9) [...] é preciso estabelecer, sob novas bases, a relação entre o professor e o aluno, de modo que se repense ambos os papéis, refletindo sobre a bi-direcionalidade e a interdependência que configuram as relações pessoais, para que nos fiquem claras as suas conseqüências. Os estudos sobre a relação entre professor e aluno nem sempre foram tratados a partir do princípio da reciprocidade, da mutualidade e bi-direcionalidade. Carvalho (1986) também se dedicou à análise da literatura sobre a relação entre professor e aluno, e constatou que todos os trabalhos enfatizavam que o professor era o elemento que mais falava, e o comportamento do aluno influenciava de maneira diversificada o comportamento do professor. Por outro lado, posteriormente, Machado (1987) considerou que as pesquisas não privilegiavam a influência do aluno, realçando somente o poder que o professor tinha sobre ele, e que, embora os conceitos de interação e reciprocidade fossem referidos, havia uma certa inconsistência aí embutida. Em 1990, Gil revisou diferentes pesquisas realizadas sobre as relações entre professor e aluno, e verificou a existência de dois grandes grupos de trabalhos que se distinguem pela ênfase dada ora ao rendimento do aluno, e ora às características da interação entre professor e aluno. A autora ainda enfatiza que, embora tais estudos considerassem a interação entre professor e aluno como objeto de estudo, a maioria tratava apenas da influência do comportamento verbal do professor sobre o aluno. A consideração da relação enquanto sistema requer um deslocamento de foco de análise, na direção de um olhar bi-direcional, no qual o aluno influencia o processo de ensino e é por este influenciado. O professor deixa de ser o único responsável Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 85 pelos resultados alcançados no processo de ensino e de aprendizagem, e constatase que o que o aluno faz, exerce influência sobre a ação do professor. Faz-se necessário salientar aqui o deslocamento do foco de análise, deixando de centrar-se no sujeito, unilateral, para centrar-se na relação, contexto bi-direcional e multideterminado. Conforme a literatura citada, são escassos os estudos que consideram o fator da mútua determinação entre professor e aluno. Faz-se necessário então, compreender como funciona e quais são os papéis desempenhados nessa relação. No que se refere ao seu funcionamento, Aranha e Laranjeira (1995) mencionam que a relação entre o professor e o aluno está configurada por uma assimetria, tanto no que se refere ao nível de escolaridade, quanto à experiência de vida, habilidades sociais e complexidade intelectual. Diferenças essas, que pontuam os diferentes papéis que ambos exercem. Quanto ao papel do professor, as autoras consideram que um professor, para cumprir o seu papel pedagógico, precisa ser um profissional-cidadão, capaz do uso do exercício da consciência crítica e do domínio efetivo do saber que socializa na escola. É fato que o modo de ser do professor, seu jeito de pensar, agir e sentir repercutirá no comportamento dos alunos, bem como a imagem e a concepção que o aluno tem do professor irá interferir na ação do professor. A exigência de educação continuada vem se acentuando desde 1996, com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que reconhece a diversidade no contexto escolar. A construção de uma sociedade inclusiva é de fundamental importância para o desenvolvimento e a manutenção de um estado democrático. No âmbito da educação, a opção política pela construção de um sistema educacional inclusivo vem coroar um movimento para assegurar a todos os Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 86 cidadãos, inclusive aos com deficiência, a possibilidade de aprender a administrar a convivência digna e respeitosa numa sociedade complexa e diversificada (ARANHA, 2002). A escola se torna inclusiva à medida que reconhece a diversidade que constitui seu alunado e a ela responde com eficiência pedagógica. Para responder às necessidades educacionais de cada aluno, condição essencial na prática educacional inclusiva, há que se adequar os diferentes elementos curriculares, de forma a atender as peculiaridades de cada um e de todos os alunos. Há que se flexibilizar o ensino, adotando-se estratégias diferenciadas e adequando a ação educativa às maneiras peculiares dos alunos aprenderem, sempre considerando que o processo de ensino e de aprendizagem pressupõe atender à diversificação de necessidades dos alunos na escola (BRASIL, 1999). A educação para todos implica, portanto, um sistema educacional que reconhece, respeita e responde, com eficiência pedagógica, a cada aluno que nele se encontra inserido. A Educação Especial vem contribuir nesse processo, como uma modalidade de ensino que serve a todas as demais modalidades e níveis de escolarização. Responsável especialmente pelo segmento populacional que apresenta necessidades educacionais especiais, deve tanto atender necessidades específicas e peculiares do aluno, como também oferecer suporte técnico-científico ao professor da classe regular que o atende. Pensar na Educação Inclusiva como uma possibilidade de construção de uma sala de aula melhor, na qual alunos e professores sintam-se motivados a aprender juntos e respeitados nas suas individualidades, parece que realmente pode vir a ser um progresso na história da educação brasileira. No processo de construção de uma classe inclusiva, as relações entre professor e aluno surgem como elemento de fundamental importância, já que é no contexto das relações que o respeito e a atenção pedagógica flexível e individualizada vão se efetivar. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 87 Sabe-se que desde que o movimento pela construção de sistemas educacionais inclusivos foi se fortalecendo, inclusive amparado legalmente, alunos com deficiência começaram a ser matriculados e a freqüentar classes regulares no ensino comum. A inserção destes alunos nas classes regulares, entretanto, não garantem, por si só, uma prática inclusiva de ensino. Assim, entende-se importante investigar como estão se dando as relações nesse contexto. Existe diferença na relação entre professor e aluno, quando o aluno tem ou não uma deficiência? As características dessas relações afetam o processo de ensino e de aprendizagem? O estudo dos aspectos acima apontados não se mostrou freqüente na literatura científica pesquisada, já que não se constatou nenhuma publicação realizada no período de 1990 a 2001, em pesquisa bibliográfica realizada em 34 periódicos, 4.697 artigos (SILVA, 2003). Em 2002, Braga (2002) investigou as interações sociais entre uma professora não especialista e um aluno autista, em ambiente regular considerado inclusivo. A autora utilizou o recurso da filmagem, usando uma filmadora assentada em tripé, com o foco direcionado diretamente sobre o aluno autista. Para a análise dos dados, a autora utilizou um sistema de categorias, adaptação de sistema desenvolvido por Aranha (1991). As conclusões obtidas pela autora confirmaram alguns dados já comentados anteriormente e elucidaram outros, até então não apontados pela literatura. A autora confirmou que a professora foi quem manteve o controle do início das interações, e que muitas das iniciativas do aluno autista sugeriram a intenção de obter aproximação, atenção e reconhecimento da professora. Na década de 80, Dorval, Mckinney e Feagans (1982), estudando sobre a relação entre o professor e seus alunos, apontaram que o professor iniciava mais interações com os estudantes que tinham dificuldade de aprendizagem do que com os alunos que obtinham média, mas que esse início de conversação se referia à falta de atenção ou infração de regras por esses alunos. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 88 Confirmando esses apontamentos, Siperstein e Goding (1985) ao estudarem a interação entre o professor e seus alunos, deficientes e não deficientes, mostraram que as iniciativas e respostas dos professores, para os estudantes com deficiência, foram mais negativas e corretivas do que com os estudantes sem deficiência. No ano posterior, Slate e Saudargas (1986) evidenciaram que os estudantes com dificuldade de aprendizado recebiam mais contatos individualizados com o professor, mas esses contatos diziam respeito ao seu engajamento em outras atividades, diferentes da atividade didática; logo, o tempo das atividades acadêmicas com os alunos com deficiência não era significativo, ao contrário do tempo despendido com os alunos que obtinham média. Tais estudos indicam as problemáticas vivenciadas no contexto de sala de aula, especialmente nas relações entre alunos e professor, e o quanto essas relações podem prejudicar ou impedir a eficiência do funcionamento que se almeja na educação inclusiva. A partir da preocupação com o discurso inclusivo que tem permeado o debate social e acadêmico, entendendo a relação entre o professor e o aluno como uma importante via de mediação da construção do conhecimento e da aprendizagem e norteadas pelos resultados acima expostos de poucos estudos realizados acerca dessa temática, elaborou-se este estudo, tendo por objetivo caracterizar a relação entre professora e alunos, em uma sala de aula institucionalmente considerada inclusiva, em unidade escolar da rede pública de ensino, no Estado de São Paulo. 2 MÉTODO Foram participantes deste estudo 2 professoras e seus respectivos alunos. A professora A, que lecionava na turma A, tinha, em sala de aula, 7 alunos do sexo masculino e 14 do sexo feminino. A faixa etária desses alunos era de 8 a 13 anos. A professora B, que lecionava na turma B, tinha, em sala de aula, 12 alunos do sexo masculino e 15 do sexo feminino. A faixa etária desses alunos era de 9 a 17 anos. Na turma A, 2 alunos tinham deficiência mental e na turma B, 3 alunos tinham deficiência, sendo: 1 com deficiência mental, 1 com deficiência mental e física e 1 Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 89 com deficiência auditiva e física. Os demais alunos não apresentavam indicação nem diagnóstico formal de deficiência. Os dados foram coletados em 2 salas de aula, ambas pertencentes a uma escola estadual de ensino fundamental, em bairro residencial da cidade de Bauru, interior do estado de São Paulo. Para a coleta dos dados, empregou-se, uma filmadora da marca Panasonic, modelo RJ 27. Optou-se pela filmagem em VT, já que esta estratégia de coleta de dados permite sua recuperação seqüencial, quantas vezes for necessária, para a efetivação da análise. As filmagens foram realizadas no transcorrer do 1º semestre de um ano letivo. Foi necessário efetuar várias sessões de filmagem até que os participantes se habituassem com a presença da câmera e da pesquisadora, deixando de a elas responder. Os dias para a filmagem foram sorteados, de modo que a professora não sabia em qual dia e horário a pesquisadora compareceria à sala de aula. Definiu-se como interação "uma verbalização ou ação motora de um sujeito dirigida clara e diretamente a outro, seguida de verbalização ou de ação motora deste para o primeiro" (HINDE, 1979; CARVALHO, 1986; ARANHA, 1991). Considerou-se, um episódio um conjunto de interações que tratam de um mesmo assunto, o que passou a ser a unidade de análise (ARANHA, 1991). A partir dessa definição, a análise dos dados percorreu 6 diferentes passos. 1 Elaboração de um sistema de categorias. Para descrever o contexto interativo entre professor e alunos, foi necessário assistir à filmagem inúmeras vezes, bem como considerar o que a literatura apresentava a respeito dessa temática, para, então, criar as categorias que permitissem a obtenção da resposta pretendida no objetivo do estudo. Assim sendo, chegou-se à constituição de um sistema de categorias: quem inicia, quem responde, como inicia, como responde, conteúdo, situação em que ocorre, orientação, quem interrompe e como interrompe. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 90 2 Elaboração das planilhas de registro. A fim de obter dados suficientes para descrever a interação entre professor e alunos, foi necessária a construção de planilhas de registro que tivessem campos para a descrição dos dados quanto ao conteúdo da interação, bem como quanto à qualidade da interação. Assim, as planilhas foram construídas de modo que nelas fosse possível registrar O QUE os sujeitos estão fazendo juntos e COMO o faziam juntos (HINDE, 1979). 3 Equalização temporal dos dados. Considerando que o tempo de filmagem diferiu de sessão para sessão, optou-se por adotar, como material para análise, o conteúdo coletado num período de tempo correspondente ao da sessão de menor duração. Buscou-se, assim, garantir, através do controle da variável tempo, a igualdade de oportunidades para ocorrência das interações. Assim, foi analisado o material coletado nos 10 primeiros minutos de cada sessão de coleta, na turma A, e nos 15 primeiros minutos de cada sessão na turma B. 4 Classificação dos episódios, nas categorias que constituíram o sistema de análise. À medida que se foi efetivando sua classificação, percebeu-se necessário acrescentar e/ou retirar algumas categorias, para que se pudesse realmente representar o conjunto de interações. 5 Participação de consultores na classificação das unidades de análise. Eles foram orientados pela pesquisadora sobre como deveriam proceder para classificar os episódios constantes da sessão de filmagem sorteada, bem como foram dadas as devidas instruções para preenchimento das planilhas de registro. O índice de concordância entre a pesquisadora e o consultor 1, bem como entre a pesquisadora e o consultor 2, foi de 50%, mostrando-se abaixo do índice pretendido (85%). A partir disto, o sistema foi revisto, focalizando especialmente as categorias que apresentavam maior índice de discordância (conteúdo, como inicia e como interrompe), reorganizando-as e tornando-as mais claras e objetivas. Posteriormente, solicitou-se aos mesmos consultores que classificassem novamente os episódios. Os índices de concordância, nessa segunda etapa, alcançaram o índice 100%, o que indica que o sistema alcançou o nível desejado de clareza e objetividade. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 91 6 Tratamento quantitativo e qualitativo dos dados. Finda a fase de classificação dos episódios, desenvolveu-se tratamento matemático, calculando-se as freqüências absolutas e as relativas dos dados constantes de cada categoria. Após o tratamento matemático, desenvolveu-se análise qualitativa, buscando-se a compreensão do significado dos dados obtidos. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO TURMA A A tabela 1 mostra as freqüências absolutas e relativas dos episódios interativos ocorridos a cada sessão. Estes ocorreram entre as díades professora (P) e alunos não deficientes (A), professora (P) e alunos com deficiência mental (DM), professora (P) e grupo (G), alunos não deficientes (A) e professora (P), e alunos com deficiência mental (DM) e professora (P). Na tabela 3 encontram-se os dados obtidos, lembrando que a primeira letra indica o sujeito que iniciou a interação. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 92 A maioria das interações ocorridas na turma A foi iniciada por alunos não deficientes e dirigidas para a professora (55%). A professora, por sua vez, iniciou 42% dos episódios. Os resultados constatados neste estudo diferem dos de Bertoldo (1985), que afirmou que mesmo quando os alunos participam muito em sala de aula, a participação da professora como iniciadora dos contatos é maior. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 93 Esta característica pode ser indicativa de que a professora desta turma permitiu, aos alunos, espaço para sua maior participação no processo de ensino e de aprendizagem. Com relação ao aluno com deficiência mental, este iniciou 3% dos episódios interativos ocorridos com a professora. Tais resultados mostraram-se consistentes com os de Macintosh et al. (1993), nos quais os alunos com dificuldades de aprendizagem interagiam em taxas inferiores a dos demais alunos. Este autor aponta ainda que a falta de individualização no ensino poderia estar determinando a menor participação do aluno com dificuldades, o que também pode ser verdadeiro neste estudo. Por outro lado, Braga (2002), em estudo que investigou a interação entre a professora e um aluno autista, em sala inclusiva, constatou que o aluno autista iniciou mais contatos, com a professora, que o aluno não autista. Faz-se necessário, porém salientar que este dado parece ter ocorrido, nesse estudo, em função da sistemática de registro utilizada, que focalizava constantemente o aluno autista e não o aluno não autista. A professora se dirigiu ao aluno com deficiência nas sessões 1, 3, 4, 5, 8 e 9. As sessões 1, 4, 5, e 9 foram aquelas nas quais a professora mais freqüentemente se dirigiu a ele, iniciando interação. Em ordem decrescente, constata-se que as iniciativas da professora, para interagir com esses alunos, ocorreram nas seguintes freqüências: 61% (1), 42% (9), 31% (4), 28% (5), 14% (3), 5%(8). Por sua vez, o aluno com deficiência mental iniciou contato interativo com a professora, nas sessões 3,4,5,8 e 9, ou seja, na maioria das sessões em que esta também a ele se dirigiu. Nas sessões 2, 6, e 7 a professora não iniciou contato com o aluno com deficiência nenhuma vez e ele também não iniciou contato com a professora nas sessões 1, 2, 6, e 7. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 94 Considerando que, embora a professora não tenha interagido com os alunos com deficiência em 3 sessões, a mesma apresentou o maior número de iniciativas com o aluno com deficiência e isto pode, nessas sessões, tê-lo motivado a também tomar iniciativas de interação, no contexto da mútua determinação. Por outro lado, o fato do aluno com deficiência tomar iniciativas pode, também, ter motivado a professora a estabelecer contato interativo com ele. Isto parece vir ao encontro do que Carvalho (1986) constatou em estudo que focalizou alunos não deficientes, no qual pôde demonstrar que o comportamento destes alunos influenciava de maneira diversificada o comportamento do professor e que a responsividade do professor era função do grau de participação destes alunos. Esta influência também foi evidenciada por Gil (1991), quando afirmou que a participação dos alunos indicava uma relação de dependência com as ações da professora. Da mesma forma, Macintosh et al. (1993), referindo-se à baixa interação entre o professor e o aluno, comentou que o professor raramente interagia com o aluno com dificuldade de aprendizagem, padrão reproduzido também pelo aluno. Já com os alunos não deficientes, a professora iniciou contatos interativos em todas as sessões. Isto pode se explicar pelo número de alunos não deficientes na sala de aula, que excede, em muito, o número de alunos com deficiência, e do tempo de coleta que se mostra reduzido, quando comparado com o tempo total de aula diária. Objetivando-se detectar padrões na interação entre a professora e os alunos com deficiência, e entre a professora e os alunos não deficientes, dividiu-se o número de episódios ocorridos, a cada sessão, entre a professora e o aluno não deficiente, pelo número de alunos não deficientes nela presentes, e o número de episódios ocorridos, a cada sessão, entre a professora e o aluno com deficiência, pelo número de alunos com deficiência, que estavam presentes na sessão. Com estes cálculos, a tabela 2 apresenta os índices obtidos. Este padrão reproduz o que Dorval, Mckinney e Feagans (1982), Slate e Saudargas (1986) descreveram: que a professora iniciava mais interações com os alunos que Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 95 tinham dificuldades de aprendizagem, do que com os demais alunos da sala de aula, mesmo tratando-se de conteúdo para discriminar, repreender e punir estes alunos. Por outro lado, esses índices contradizem o que foi posteriormente constatado por Macintosh et al. (1993), pois os autores concluíram que o professor raramente manifestou interação com os alunos com dificuldade de aprendizagem. É interessante lembrar que estes resultados referem-se exclusivamente às sessões de coleta de dados, não sendo possível generalizá-los para todos os momentos da sala de aula. Assim, estes e os demais resultados dizem respeito a uma amostra, limitada, de como são as interações entre professor e alunos nesta turma. Na tabela 3 os episódios são classificados por sessão, segundo os conteúdos: indeterminado (IND), solicitação de atenção (SAT), solicitação de informação (SIN), prestação de informação (PIN), solicitação de ação (SAC), solicitação de objeto (SOB), oferecimento de objeto (OOB), repreensão (REP), ensino (ENS), elogio (ENS). De todos os episódios ocorridos entre o aluno com deficiência mental - e a professora, 54% deles foram solicitação de atenção, distribuídos em 4 das 5 sessões em que o aluno com deficiência mental iniciou contatos com a professora. Foi na sessão 9 que ocorreram os conteúdos prestação de informação, solicitação de informação e ensino. Isto pode ter ocorrido dada a natureza da atividade desenvolvida nesta sessão, a saber, exercícios de Língua Portuguesa. Há ainda que se ressaltar que 100% das situações nas quais se constatou estes conteúdos ocorreram nos momentos em que a professora circulava pela sala de aula. O conteúdo elogio esteve presente em 27% dos episódios, e o conteúdo ensino em outros 27%. Já o conteúdo repreensão ocorreu uma única vez na sessão 5, representando 9% dos episódios. Diante desses dados, tem-se que entre o aluno com deficiência mental e a professora, as interações eram, predominantemente de solicitação de atenção, de elogio e de ensino, o que difere substancialmente do constante na literatura, que diz que o professor, ao interagir com o aluno com deficiência, o faz, para repreender Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 96 (DORVAL, MCKINNEY e FEAGANS, 1982; SIPERSTEIN e GODING, 1985; SLATE e SAUDARGAS, 1986). Entre a professora e o aluno com deficiência mental, o conteúdo ensino esteve presente em 57% dos episódios e ocorreu em 4 das 6 sessões em que esta díade interagiu. O conteúdo solicitação de informação foi identificado em 32% dos episódios e esteve presente em todas as sessões. Já o conteúdo elogio foi identificado em 14% dos episódios, e ocorreu em 3 das 6 sessões. Diante desses dados, tem-se que entre a professora e o aluno com deficiência mental, as interações eram, predominantemente, de ensino, de solicitação de informação e de elogio. Comparando os resultados obtidos entre as díades professora e o aluno com deficiência mental (quando a professora inicia a interação) e entre o aluno com deficiência mental e a professora (quando o aluno inicia a interação), tem-se que o aluno com deficiência, ao iniciar os episódios, utiliza com mais freqüência o conteúdo solicitação de atenção e o professor, ao iniciar os episódios, utiliza mais freqüentemente o conteúdo ensino. Estes conteúdos não surpreendem, já que são os exigidos pelos papéis complementares que os diferentes sujeitos desempenham na sala de aula. Os conteúdos ensino e elogio são freqüentes, independentemente de quem inicia a interação, e o conteúdo solicitação de atenção é característico somente quando o aluno inicia com o professor. Já o conteúdo solicitação de informação aparece preferencialmente quando o professor inicia com o aluno. Estes dados mostram que a prática de ensino dessa professora é freqüente com os alunos com deficiência e que estes também a ela se dirigem para tratar as dúvidas que têm sobre o que está sendo ensinado. Aliado a isto, os elogios da professora para estes alunos ocorrem tanto quando ela, como quando eles iniciam a interação. Comparando os índices das interações entre a professora e o aluno com deficiência mental e a professora e o aluno não deficiente, nota-se que o conteúdo ensino Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 97 predomina em todas as iniciativas, o que parece ser positivo para todos os alunos, mas a professora solicita ação e repreende predominantemente aos alunos sem deficiência. O conteúdo elogio, por outro lado, apareceu em interações tanto com os alunos sem deficiência, quanto aos com deficiência mental, sendo, entretanto mais praticado com estes últimos. Nota-se, portanto, que com os alunos com deficiência mental as interações mais freqüentes são as que elogiam, as menos repreensivas e com menor freqüência de solicitação de ações do que com alunos não deficientes. Assim, a professora pede menos ações para os alunos com deficiência mental, elogia-os mais e os repreende menos. Esses dados mostram-se divergentes com o que a literatura tem mencionado. Siperstein e Goding (1985) afirmam que as iniciativas e respostas do professor dirigidas ao aluno com deficiência eram mais negativas e corretivas do que com os estudantes não deficientes. Dorval, Mckinney e Feagans (1982) igualmente observaram que as interações do professor dirigidas aos alunos com dificuldade de aprendizagem referiam-se à falta de atenção ou à infração de regras (por esses alunos). Em se tratando de interações entre o professor e o aluno autista, Braga (2002) constatou conteúdos de repreensão, solicitação de informações, solicitação de ações, ensino e oferecimento de informações. Os conteúdos de ensino, solicitação de informação e mesmo o de repreensão, que foi inferior aos demais, coincidem com os identificados neste estudo, mas o conteúdo de solicitação de ação diverge com o que foi identificado, pois não houve solicitação de ação ao aluno com deficiência. Os dados obtidos neste estudo, quando comparados com os constantes da literatura, mostram um movimento na direção de maior responsividade da parte da professora, para os alunos com deficiência. Além disso, mostra que o conteúdo parece ser mais positivo, de natureza reforçadora. Isto pode sugerir uma mudança, ainda que incipiente, no padrão interativo entre professor e alunos, nos últimos anos. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 98 TURMA B Considerando os episódios em vista de quem inicia e de quem responde, a tabela 4 mostra as freqüências absolutas e relativas dos episódios interativos constatados entre os sujeitos que interagiram em cada sessão. Estes ocorreram entre as díades: professora (P) e aluno não deficiente (A); professora (P) e aluno com deficiência mental (DM), professora (P) e grupo (G); aluno não deficiente (A) e professora (P), aluno com deficiência mental (DM) e professora (P), professora (P) e aluno com deficiência auditiva e física (DAF), professora (P) e aluno com deficiência mental e física (DMF), aluno com deficiência mental e física (DMF) e professora (P) e aluno com deficiência auditiva e física (DAF) e professora (P). A primeira letra indica o sujeito que iniciou. 50% dos episódios interativos foram iniciados por alunos não deficientes, 46% foram iniciados pela professora e 4% dos episódios foram iniciados pelos alunos com deficiência. Todos os episódios iniciados pelos alunos não deficientes e pelos alunos com deficiência foram dirigidos para a professora. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 99 Dos episódios iniciados pela professora, 46% foram dirigidos para os alunos não deficientes, 8% dirigidos para o aluno com deficiência mental, 14% dirigidos para o aluno com deficiência mental e física e 32% dirigidos para o grupo com um todo. Estes resultados mostram-se semelhantes aos da turma A, uma vez que foram também alunos não deficientes que iniciaram a maioria dos episódios. Entretanto, na turma A, estes alunos iniciaram mais episódios (55%) do que na turma B (50%). O fato de alunos não deficientes terem iniciado mais interações com a professora na turma A, pode-se atribuir às idades destes alunos, que são inferiores aos da turma B. Estes se mostram mais inquietos e falantes, solicitando a todo o momento contato com a professora. Objetivando-se detectar padrões na interação entre a professora e os alunos com deficiência, e entre a professora e os alunos não deficientes, dividiu-se o número de episódios ocorridos, a cada sessão, entre a professora (P) e o aluno não deficiente (A), pelo número de alunos não deficiente (A) nela presentes, e o número de episódios ocorridos, a cada sessão, entre a professora (P) e o aluno com deficiência (DM e DMF), pelo número de alunos com deficiência (DM e DMF), que estavam presentes na sessão, conforme apresentado na tabela 5. A professora se dirigiu ao aluno com deficiência mental nas sessões 3, 4, 5, e 6; ao aluno com deficiência mental e física nas sessões 4, 5 e 6, e não se dirigiu ao aluno com deficiência auditiva e física. A sessão 5 foi aquela na qual a professora mais se dirigiu aos alunos com deficiência mental e aos alunos com deficiência mental e física, iniciando contatos interativos. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 100 O aluno com deficiência mental iniciou contato interativo com a professora, nas sessões 2, 3, 5 e 6, e o aluno com deficiência mental e física unicamente na sessão 4. Considerando-se esses dados, observa-se que a iniciação de contatos da professora com esses alunos pode ter alguma influência nas respostas dirigidas a ela. Da mesma forma que no estudo da turma A, quando a professora inicia contato com o aluno com deficiência mental, este tende também a iniciar contatos com ela. Não diferiram os conteúdos das atividades realizadas, na turma B, com os alunos não deficientes e com os alunos com deficiência. Comparando estes dados com os resultados obtidos com a turma A, observa-se que na turma A os conteúdos diferiram, quando se comparam as atividades realizadas com os alunos não deficientes e com os alunos com deficiência. Entretanto, os resultados da turma A e B coincidem, à medida que caracterizam interações voltadas para o ensino e para a prestação de informação, e não somente para a repreensão e advertências aos alunos com deficiência. Sendo assim, os resultados de ambas as turmas mostram-se divergentes com o que a literatura tem mencionado, conforme discutido anteriormente, na turma A. A orientação das atividades ocorridas na turma A e na turma B, mostram-se diferentes. Na turma A, conforme mencionado, a orientação não voltada para a tarefa ocorreu somente com os alunos não deficientes; já nesta turma, ocorreu tanto com os alunos não deficientes, quanto com os alunos com deficiência mental. Os resultados da turma B, da mesma forma que o constatado na turma A, diferem dos obtidos nos estudos de Bertoldo (1985), Carvalho (1986), e Braga (2002). Considerando que estes autores constataram que as interações que os alunos iniciam com a professora são freqüentemente voltadas para atividades não relacionadas à tarefa escolar, pode-se formular a hipótese de que, neste estudo, os episódios iniciados pelos alunos tenham sido preferencialmente voltados para a tarefa, devido à falta de oportunidades oferecidas para que tivesse sido o contrário, Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 101 podendo estar relacionados com a atitude pedagógica da professora em sala de aula, especialmente a da turma A. Os resultados mostraram, em ambas as turmas, as seguintes tendências: • O número de episódios interativos não parece ser função do número de alunos presentes na sala de aula, tampouco dos dias da semana; • É o aluno não deficiente quem mais inicia episódios interativos dirigidos para a professora; • As iniciativas de interação da professora, dirigidas aos alunos com deficiência, parecem ter influência na freqüência das interações destes alunos com ela e viceversa; • A comunicação verbal e visual é a mais utilizada para iniciar, responder e interromper os episódios interativos; • São os alunos não deficientes os que mais respondem a interação através da comunicação visual e gestual; • A maioria das interações é de conteúdo ensino e prestação de informação; • As atividades voltadas para a tarefa são mais freqüentes do que as não voltadas para a tarefa, tanto quando a professora inicia o episódio, como quando o aluno inicia o episódio; • A professora é quem predominantemente interrompe os episódios interativos, independentemente de quem inicia; • A professora predominantemente inicia mais episódios interativos com o aluno com deficiência do que com o aluno não deficiente; • Os episódios interativos com os alunos com deficiência nunca são interrompidos por eles mesmos e sim pelos alunos não deficientes ou pela professora; Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 102 • A maioria das interações entre a professora e os alunos com deficiência mental ocorre quando a professora está circulando pela sala de aula. Por outro lado, as turmas diferem nos seguintes aspectos: • Na turma B, o horário de coleta parece exercer alguma influência nos resultados obtidos, uma vez que se evidenciou um aumento no número de episódios à medida que o horário da sessão era mais próximo do final da aula; • Na turma B, houve um maior número de interação da professora com os alunos com deficiência e com o grupo do que na turma A; • Na turma B, as interações da professora dirigidas aos alunos com deficiência mostram-se praticamente com os mesmos conteúdos identificados com os alunos não deficientes; • Na turma A, a comunicação visual e gestual foi mais utilizada para iniciar episódios interativos do que na turma B; • Na turma A, as interações da professora dirigidas aos alunos com deficiência, são menos repreensivas, com menos solicitações de ações e mais elogiadas, do que com os alunos não deficientes; • Na turma A, os episódios ocorreram, com maior freqüência, na situação de quando a professora estava circulando entre as carteiras (com todos os alunos) e na turma B, a predominância das interações quando a professora está circulando entre as carteiras se refere apenas aos alunos com deficiência; com os demais alunos há preferência pela situação de quando a professora está em sua mesa conferindo tarefas. 4 CONCLUSÃO Diferentemente do identificado por Macintosh et al. (1993), este estudo constata que as professoras mantiveram interações diferentes com os dois grupos de alunos (deficientes e não deficientes), na maioria das categorias analisadas. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 103 As ações das professoras parecem estar propiciando maior espaço de participação dos alunos, nas aulas, especialmente no caso dos alunos com deficiência, o que constitui um avanço educacional, quando se tomam por parâmetro, as informações constantes da literatura na área (DORVAL, MCKINNEY e FEAGANS, 1982; SIPERSTEIN e GODING, 1985; SLATE e SAUDARGAS, 1986 e MACINTOSH et al. 1993) que mostram o aluno com deficiência historicamente relegado ao ostracismo e à gradativa exclusão do sistema regular de ensino. Neste estudo, o aluno não deficiente iniciou a maioria das interações, fato que também difere da literatura a respeito (BERTOLDO, 1985). As professoras, por sua vez, iniciaram mais interações com os alunos deficientes do que com os não deficientes, sendo essas interações, na sua maioria, de conteúdo ensino, elogio e solicitação de informação. Essa característica da relação entre as professoras e os alunos com deficiência, quando comparada com as informações da literatura, mostra ser mais positiva e condizente com o papel que a professora deve assumir em sala de aula, o de ser, segundo Duarte (1993), condutora do processo de apropriação, pelos alunos, do conhecimento produzido histórica e socialmente. Ações desse tipo ajudam no próprio processo de construção de uma identidade positiva por parte de todos alunos, aumentando sua auto-estima, melhorando as suas condições cognitivas, e por outro lado, ajudando o aluno não deficiente a aprender a se relacionar positivamente com as pessoas no contexto da diversidade. Os conteúdos diferenciados que a professora da turma A realizou com os alunos e o maior número de interações realizadas pela professora da turma B com estes alunos, mostram indícios de que ambas estão se voltando mais (do que a literatura aponta) para o aluno com deficiência, cada uma do seu jeito. Segundo os autores, Dorval, Mckinney e Feagans (1982), Siperstein e Goding (1985), Slate e Saudargas (1986), as interações da professora com o aluno com dificuldade de aprendizagem se referiam à falta de atenção ou infração de regras, além de serem mais negativas e corretivas do que com os alunos não deficientes. Este dado mostra-nos indícios de um avanço que nessas turmas demonstra estar Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 104 ocorrendo, considerando o que, até o momento, foi constatado na área educacional através da literatura. Em se tratando dos alunos com deficiência, constata-se que estes iniciam interações com a professora para solicitarem a sua atenção nas atividades que realizam e para solicitarem informações sobre o conteúdo da aula. Este dado, quando comparado aos de Macintosh et al. (1993), mostra que estes alunos estão tendo a oportunidade de se mostrarem mais ativos e participativos na sala de aula e principalmente na construção do conhecimento. As oportunidades que lhe estão sendo propiciadas, para que possam demonstrar essas características nas interações em sala de aula, merecem destaque pela sua importância quando consideramos que a formação do indivíduo se dá através das relações sociais. Segundo Vygotsky (1994), as funções psicológicas superiores que caracterizam essencialmente o ser humano, originam-se das relações sociais entre os indivíduos. O fato de estar havendo espaço e, além disto, solicitação aos alunos para que iniciem interações e respondam a elas quando solicitados, favorece a participação de alunos no contexto regular da sala de aula, e, assim, um possível e melhor desenvolvimento destes alunos. Se avanços na atenção ao aluno com deficiência podem ser constatados a partir destes resultados, não se pode, entretanto, dizer que as salas aqui estudadas sejam salas inclusivas, pois, apesar do avanço atitudinal e mesmo metodológico observados, ainda não se pôde detectar a prática do ensino individualizado e flexível. A interação nas duas salas de aula pesquisadas mostra a necessidade da professora assistir mais freqüentemente às necessidades individuais dos alunos não deficientes, não os mantendo ignorados na ocorrência de comportamentos inadequados, que merecem repreensão e solicitação freqüentes, conforme visto. A abertura de espaço para tais comportamentos também pode estar interferindo no próprio processo de ensino e de aprendizagem, que tende a tornar-se mais desestimulante, à medida que o aluno não recebe resposta à sua necessidade escolar e fica preterido nas relações em sala de aula. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 105 Além disso, a comunicação de que as professoras fazem uso para iniciar, responder e interromper as interações precisa ser transformada, pois se mostra praticamente igual para todos os alunos, não se mostrando específica para as necessidades peculiares de cada um. Finalizando, a maior contribuição deste estudo foi a de indicar que a interação entre a professora e os alunos, nas duas salas de aula, testemunha avanços na área educacional, no que diz respeito à atenção ao aluno com deficiência, embora ainda se manifeste distante de merecer o rótulo de educação inclusiva, ou seja, uma prática educacional que reconheça, respeite e responda às necessidades peculiares de cada aluno. REFERÊNCIAS ARANHA, M.S.F. A interação social e o desenvolvimento de relações interpessoais do deficiente em ambiente integrado. 1991. Tese (Doutorado) - Instituto de Psicologia. Universidade de São Paulo, São Paulo. [ Links ] ___. Paradigmas da relação da sociedade com as pessoas com deficiência. Revista do Ministério Público do Trabalho, ano XI, n. 21, março, p.160-173, 2002. ARANHA, M.S.F., LARANJEIRA, M.I. Brasil, século XX, última década. Mímeo, 1995. [ Links ] BERTOLDO, A.A. 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Dissertação (Mestrado em Educação Especial), Universidade Federal de São Carlos, São Carlos. [ Links ] Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 106 DORVAL,B.; MCKINNEY,J.D.; FEAGANS,L. Teacher interaction with learning disabled children and average achievers. Journal of Pediatric Psychology, 7, 317330, 1982. [ Links ] DUARTE, N.A individualidade para - si. Contribuição a uma teoria histórico-social da formação do indivíduo. Campinas: Autores Associados, 1993. [ Links ] GIL, M.S.C.A. Análise funcional da interação professor-aluno: um exercício de identificação de controle recíprocos. 1990. Tese (Doutorado em Psicologia Educacional) - Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo. HINDE, R.A. Towards understanding relationships. New York: Academic Press Incorporation, 1979. [ Links ] LEONTIEV, A.N. O desenvolvimento do psiquismo. Lisboa: Livros Horizonte, 1978. MACHADO, V.L.M. 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Inicialmente, diversidade foi entendida como uma inovação na área de educação especial, mas, gradualmente, passou a ser compreendida como uma tentativa de oferecer educação de qualidade para todo (a) s. A fim de discutir a diversidade, este artigo primeiro coloca o foco sobre o nascimento da inclusão por meio da abordagem de seus fundamentos e, finalmente, discute o sentido da educação inclusiva. INTRODUÇÃO O presente trabalho analisa a nova perspectiva da diversidade no âmbito da educação inclusiva. Ela foi vista, num primeiro momento, como uma inovação da educação especial, mas, progressivamente, foi expandindo-se em todo o contexto educativo como tentativa de que uma educação de qualidade alcançasse a todos. Suas características fundamentais, na opinião de Ballard (1997), são: a não discriminação das deficiências, da cultura e do gênero. Referindo-se a todos os alunos de uma comunidade escolar sem nenhum tipo de exceção. Para Ballard (1997), todos os alunos têm o mesmo direito a ter acesso a um currículo culturalmente valioso e em tempo completo, como membros de uma classe escolar e de acordo com sua idade. A educação inclusiva enfatiza a diversidade mais que a semelhança. Nessa mesma linha de argumentação, Skrtic (1991; 1996; 1999) considera que o movimento a favor da educação inclusiva pode oferecer a visão estrutural e cultural necessárias para começar a reconstruir a educação pública rumo às condições históricas do século XXI. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 108 Assim, pois, analisar-se-á, nas linhas seguintes, baseando-se em trabalhos anteriores (Arnaiz, 1996; Arnaiz 2002; Arnaiz, 2003), o contexto do nascimento da inclusão, os pressupostos, nos quais se fundamenta, e o significado da educação inclusiva. COMO SURGE A INCLUSÃO E QUE CAUSAS A PROMOVEM Desde meados dos anos 80 e princípio dos 90, inicia-se no contexto internacional um movimento materializado por profissionais, pais e as pessoas com deficiência, que lutam contra a idéia de que a educação especial, embora colocada em prática junto com a integração escolar, estivera enclausurada em um mundo à parte, dedicado à atenção de reduzida proporção de alunos qualificados como deficientes ou com necessidades educacionais especiais. Cabe destacar a este respeito, como passo prévio à inclusão, o movimento que aparece nos EUA denominado “Regular Education Iniciative”(REI), cujo objetivo era a inclusão na escola comum das crianças com alguma deficiência. Os trabalhos de seus principais expoentes, Stainback & Stainback,(1989) & Reynolds; Wang & Walberg,(1987), delineavam a necessidade de unificar a educação especial e a regular num único sistema educativo, criticando a ineficácia da educação especial. Aparecia assim, pela primeira vez, uma defesa muito importante à prevalência de um único sistema educativo para todos. O REI luta pela reestruturação da educação especial, pelo desaparecimento da educação compensatória e pela recuperação em que tantos alunos estavam imersos (Garcia Pastor, 1996) simplesmente por pertencer a um grupo étnico minoritário: “Um amplo excesso de representação das minorias na educação especial sugere um aspecto racista da continuidade de programas separados”(Villa e Thousand 1995, p. 33). A proposta do REI é clara: todos os alunos, sem exceção, devem estar escolarizados na classe de ensino regular, e receber uma educação eficaz nessas classes. As separações por causa da língua, do gênero, ou do grupo étnico Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 109 minoritário deveriam ser mínimas e requerer reflexões. O REI defende a necessidade de reformar a educação geral e especial para que se constitua como um recurso de maior alcance para todos os alunos. Aparece no final dos anos 80 e princípios dos 90, como continuação desse movimento no contexto americano, e do movimento de integração escolar em outras partes do mundo, o movimento da inclusão. Entre suas principais vozes encontramse Fulcher (1989) e Slee (1991) na Austrália; Barton (1988), Booth (1988) e Tomlinson (1982) no Reino Unido; Ballard (1990) na Nova Zelândia; Carrier (1983) em Nova Guiné; e Biklen (1989), Heshusius (1989) e Sktirc (1991 a) na América do Norte. Na Espanha, ainda que um pouco mais tarde, cabe destacar os trabalhos de Arnaiz (1996, 1997), García Pastor (1993) & Ortiz (1996). Estes autores manifestam sua insatisfação pela trajetória da integração. Eles questionam o tratamento dado aos alunos com necessidades educacionais especiais no sistema de ensino em muitos países. Os sistemas de ensino, imersos em um modelo médico de avaliação, seguiam considerando as dificuldades de aprendizagem como conseqüência do déficit do aluno, evitando questionamentos, tais como: por que fracassam as escolas na hora de educar a determinados alunos? Ante esta circunstância propõem um novo delineamento do conceito de necessidades educacionais especiais e a necessidade de uma mudança de paradigma. Assim, também, reconhecem que as dificuldades que experimentam alguns alunos no sistema de ensino são o resultado de determinadas formas de organizar as escolas e as formas de ensinar delineadas por elas (Ainscow, Hopkins e outros, 2001). O interesse nesses temas está provocando a revisão de numerosos sistemas educacionais, que, por conseqüência, implementaram ações condizentes, como fazer o possível para que a educação chegue a todos os alunos em contextos regulares e não segregados. Isto tem fomentado o surgimento e a defesa da chamada educação inclusiva, que coloca em juízo de valor, por um lado, o pensamento existente sobre as necessidades educacionais especiais, e, por outro lado, estabelece uma forte crítica às práticas da educação em geral. Esta nova orientação assume um caráter internacional. Cabe destacar o importante trabalho que estão realizando os organismos como o UNICEF e a UNESCO em prol Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 110 de que a educação chegue a todas as crianças em idade escolar. Isto pode ser comprovado na série de ações e reuniões internacionais que têm sido convocadas para conseguir chamar a atenção do mundo a este respeito (Arnaiz e Ortiz, 1998). Dentre essas reuniões, destaca-se a Convenção dos Direitos da Criança realizada em Nova York em 1989; a Conferência Mundial de Educação para Todos, que aconteceu em Jomtiem (Tailândia) em 1990; a Conferência Mundial sobre “Necessidades Educativas Especiais”, desenvolvida em Salamanca (Espanha), 1994; e, a mais recente no ano de 2000, acontecida em Dakar (Senegal), com o título de “Fórum Consultivo Internacional para a Educação para Todos”. Talvez, entre todas essas conferências caiba destacar aqui a Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais, de 1994, em Salamanca, por ser a que de maneira mais decisiva e explicitamente contribuiu para impulsionar a Educação Inclusiva em todo o mundo. Nessa conferência participaram noventa e dois governos e vinte cinco organizações internacionais, que reconheceram a necessidade e urgência de que o ensino chegasse a todas as crianças, jovens e adultos com necessidades educacionais especiais no âmbito da escola regular. Com este fim, os especialistas ali reunidos estabeleceram um plano de ação cujo princípio norteador mostrava que as escolas deveriam acolher a todas as crianças, independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, lingüísticas e outras. A partir daí, as escolas se encontram frente ao desafio de desenvolver uma pedagogia capaz de educar com êxito a todas as crianças, inclusive àquelas que têm deficiências graves. Além disso, planeja-se que as escolas devem ser comunidades que atendam a todos, já que as diferenças humanas são naturais, diga-se existem, havendo porém a necessidade de adaptar a aprendizagem a cada criança (Tierney, 1993). Nessa perspectiva, esta Declaração proclama que: • Todas as crianças têm direito à educação e deve-se dar a elas a oportunidade de alcançar e manter um nível aceitável de conhecimentos; Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 111 • cada criança tem características, interesses, capacidades e necessidades de aprendizagem que lhe são próprias; • os sistemas de ensino devem ser organizados e os programas aplicados de modo que tenham em conta todas as diferentes características e necessidades; • as pessoas com necessidades educacionais especiais devem ter acesso às escolas comuns; e • as escolas comuns devem representar um meio mais eficaz para combater as atitudes discriminatórias, criar comunidades acolhedoras, construir uma sociedade integradora e alcançar a educação para todos. A Declaração estabelece um decálogo de recomendações que deveriam ser desenvolvidas por todos os países participantes, nos anos que se seguiram e que consistia-se em: REQUERER aos países do Norte que desenvolvessem uma redistribuição dos recursos conforme o estabelecido na Convenção sobre os direitos da criança; APLICAR os direitos civis e políticos para dar uma melhor proteção aos coletivos, especialmente vulneráveis na faixa etária infantil, e, também, aos grupos étnicos, assim como outras minorias culturais; RECONHECER os direitos econômicos e sociais como verdadeiros direitos e não somente como aspiração; REALIZAR maiores esforços para ascender ao que aparentemente hoje é inalcançável, e poder, assim, afrontar os novos desafios do futuro. PROTEGER firmemente os direitos das meninas; ASSUMIR as diferenças culturais, porém não admiti-las como desculpa para não aplicar a Convenção em toda a sua extensão; DEDICAR a máxima atenção à situação das crianças afetadas por conflitos bélicos; Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 112 ACEITAR que a participação das crianças é o ponto decisivo para provocar, conforme a Convenção, uma revolução positiva do comportamento humano; CONCLUIR o processo de ratificação da Convenção e promover a eliminação das reservas que ela tem objetivado por parte dos países afetados; e REITERAR que a sobrevivência e o desenvolvimento da infância são imperativos à consecução dos objetivos de desenvolvimento humano sustentável, adotados pela comunidade mundial e a realização da visão de paz e progresso social contida na Carta das Nações Unidas. De igual forma, a declaração por parte da Organização das Nações Unidas, ao longo de todos os anos tem mantido a posição em defesa dos mais desfavorecidos. Isto tem contribuído notavelmente para o reconhecimento dos direitos humanos e dos princípios de igualdade e eqüidade. Uma das posições mais notáveis nos últimos tempos foi eleger o ano de 1996 como Ano Internacional contra a Exclusão, decisão tomada na Conferência dos Direitos da Criança no século XXI, realizada neste mesmo ano em Salamanca. O “Informe à UNESCO”, realizado pela Comissão Internacional, sobre a Educação para o século XXI, presidido por Delors (1996), segue essa mesma linha de argumentação. Estabelece que a educação deve chegar a todos, e com este fim determina dois objetivos: transmitir um volume cada vez maior de conhecimentos teóricos e técnicos, e definir orientações que podem ser desenvolvidas em projetos de desenvolvimento individual e coletivo. Para dar cumprimento a estes objetivos, a citada Comissão fixa os quatro pilares básicos em que se deve centrar a educação ao longo da vida de uma pessoa: Aprender a conhecer, consiste em adquirir os instrumentos que se requer para a compreensão do que nos cerca. Para isto, deve-se combinar o conhecimento de uma cultura suficientemente ampla, com algo mais objetivo, concreto referido a uma determinada matéria. Não se trata, portanto, de adquirir conhecimentos classificados e codificados, senão de ajudar a cada pessoa a aprender e compreender o mundo Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 113 que a cerca, para viver com dignidade, desenvolver suas capacidades profissionais e comunicar-se com os demais. Isto supõe aprender a aprender, exercitando a atenção, a memória e o pensamento, aproveitando as possibilidades que a educação oferece ao longo da vida, posto que o processo de aquisição do conhecimento está sempre aberto e pode nutrir-se de novas experiências. Aprender a fazer, está diretamente ligado a aprender a conhecer e se refere à possibilidade de influir sobre o próprio meio. Ocupa-se de como ensinar ao aluno a colocar em prática seus conhecimentos adaptando-os a um mercado de trabalho que, por diferentes circunstâncias, é bastante imprevisível. Portanto, é preciso formar as pessoas para trabalhar em equipe em uma variada gama de situações. Mas, não somente isto, é preciso também lhes ensinar “o fazer” nos diferentes marcos sociais em geral e do trabalho. Em definitivo, este princípio pretende que o aluno tenha a possibilidade de desenvolver sua capacidade de comunicar-se e trabalhar com os demais, afrontando e solucionando os conflitos que possam ser apresentados a ele. Aprender a viver juntos, trata-se de uns dos principais objetivos da educação contemporânea, já que supõe participar e cooperar com os demais em todas as atividades humanas. Essa educação requer, sem dúvida, o desenvolvimento da compreensão ante o outro, e a percepção de formas de interdependência, respeitando os valores do pluralismo, a compreensão mútua e a paz. Assim, luta contra a exclusão por meio de traçados que favorecem o contato e a comunicação entre os membros de grupos diferentes, em contextos de igualdade, por meio do descobrimento gradual do outro e do desenvolvimento de projetos de trabalho em comum. “A EDUCAÇÃO INCLUSIVA É ANTES DE TUDO UMA QUESTÃO DE DIREITOS HUMANOS (...)” Aprender a ser, implica dotar a cada pessoa de meios e pontos de referência intelectuais permanentes, que lhe permita compreender o mundo que a cerca e a comportar-se como um elemento responsável e justo. Quer dizer, conferir, a cada ser humano, liberdade de pensamento, de juízo, de sentimentos e de imaginação para desenvolver-se em plenitude estética, artística, desportiva, científica, cultural e Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 114 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] social, e a trabalhar com responsabilidade individual.“O desenvolvimento tem por objetivo o desapego completo do homem em toda sua riqueza e na complexidade de suas expressões e de seus compromissos como indivíduo, membro de uma família e de uma coletividade, cidadão e produto, inventor de técnicas e criador de sonhos”(UNESCO, 1987, 16). Dada a sociedade plural e desigual em que estamos imersos, cabe aos sistemas de ensino considerarem esses quatro princípios de maneira equilibrada, com a finalidade de que cada ser humano, tanto pessoa, como membro da sociedade, receba uma educação válida no plano cognitivo e prático. Isto supõe conceber a educação para além de uma visão puramente instrumental, utilizada para conseguir determinados resultados (experiência prática, aquisição de capacidades diversas ou para fins de caráter econômico), e buscar a sua função em toda sua plenitude. O que supõe a plena realização da pessoa, ou dito de outra forma, que toda pessoa aprenda a “ser” (Allan, 1999). A partir do expressado nessas declarações e informes, podemos apontar que as causas fundamentais que têm promovido o aparecimento da inclusão são de dois tipos: por um lado, o reconhecimento da educação como um direito, e, por outro, a consideração da diversidade como um valor educativo essencial para a transformação das escolas. QUALIDADE E EFICÁCIA PARA TODOS OS ALUNOS: A EDUCAÇÃO INCLUSIVA Cada vez com maior clareza a Educação Geral considera a necessidade de que todos os alunos recebam uma educação de qualidade centrada na atenção das suas necessidades individuais (Booth y Ainscow, 1998). Objetivo que coincide plenamente com a finalidade da educação inclusiva, posto que reconhece a diversidade existente entre os alunos de uma classe, determinando que eles recebam uma educação de acordo com suas características, uma vez que incrementa as possibilidades de aprendizagem para todos (Daniels y Garner, 1999, Stainback & Stainback y Moravec, 1999). A filosofia da inclusão defende uma educação eficaz para todos, sustentada em que as escolas, enquanto comunidades educativas, devem satisfazer as necessidades Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 115 de todos os alunos, sejam quais forem as suas características pessoais, psicológicas ou sociais (com independência de ter ou não deficiência). Trata-se de estabelecer os alicerces para que a escola possa educar com êxito a diversidade de seu alunado e colaborar com a erradicação da ampla desigualdade e injustiça social, Howe, 1996; Slee, 1996; Kerzner Lipsky & Gartner, 1996. Dessa maneira, a educação inclusiva enfatiza a necessidade de avançar até outras formas de atuação, em contraposições às práticas que têm caracterizado a integração escolar. Os educadores que têm se arriscado a educar com êxito as crianças com deficiência no marco da educação geral, sabem e argumentam que esses alunos “são um presente para a reforma educativa”(Villa e Thousand, 1995, 31). São estudantes que forçam a romper o paradigma da escolarização tradicional e obrigam a tentar novas formas de ensinar. Por conseguinte, a educação inclusiva deve ser entendida como uma tentativa a mais de atender as dificuldades de aprendizagem de qualquer aluno no sistema educacional e como um meio de assegurar que os alunos, que apresentam alguma deficiência, tenham os mesmos direitos que os outros, ou seja, os mesmos direitos dos seus colegas escolarizados em uma escola regular. Dito de outra forma: que todos sejam cidadãos de direito nas escolas regulares, bem-vindos e aceitos; formem parte da vida daquela comunidade escolar; e sejam vistos como um desafio a ser avançado (Booth & Ainscow/1998; Jan Pije, Meijer e Hegarty, 1997; Udistsky, 1993). É desse modo, que o conceito de inclusão trata de abordar as diferentes situações que levam à exclusão social e educativa de muitos alunos. E dessa forma, faz referência não somente aos alunos com necessidades educacionais especiais, que sem dúvida têm que seguir sendo atendidos, seguir dando as suas respostas educativas e recebendo o apoio correspondente. Mas, senão, a todos os alunos das escolas. Ainda que este conceito esteja evoluindo, nesse momento pode ser muito útil considerá-lo como um agente de mudança conceitual. Especialmente, quando defende que não basta que os alunos com necessidades educacionais especiais estejam integrados às escolas comuns, eles devem participar plenamente da vida escolar e social dessa comunidade escolar. Isto significa que as escolas devem Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 116 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] estar preparadas para acolher e educar a todos os alunos e não somente aos considerados como “educáveis”. Por isso, a inclusão assume que a convivência e a aprendizagem em grupo é a melhor forma de beneficiar a todos, não somente às crianças rotuladas como diferentes (Forest & Pearpoint, 1992). A educação inclusiva é antes de tudo uma questão de direitos humanos, já que defende que não se pode segregar a nenhuma pessoa como conseqüência de sua deficiência, de sua dificuldade de aprendizagem, do seu gênero ou mesmo se esta pertencer a uma minoria étnica (seria algo que iria contra os direitos humanos). Em segundo lugar, é uma atitude, representa um sistema de valores e de crenças, não uma ação simplesmente, mas sim um conjunto de ações. Uma vez adotada esta perspectiva por uma escola ou por um sistema de ensino, deverá condicionar as decisões e ações de todos àqueles que a tenham adotado, posto que incluir significa ser parte de algo, formar parte do todo, enquanto que excluir significa manter fora, apartar, expulsar (Falvey & outros, 1995). Na opinião de Booth (1998a), a noção de inclusão compreende dois conceitos básicos: o de comunidade e o de participação. Ambos caracterizam-se por sua conexão com os processos de inclusão e o caráter de processo atribuído a ela. Portanto, a educação inclusiva se propõe a aumentar a participação de todos os alunos no currículo escolar e a redução da exclusão escolar e social, o que pode ser comprovado nas seguintes definições: “[...] é o meio mais efetivo de combater as atitudes discriminatórias, criando comunidades acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando a educação para todos, além disso proporciona uma educação eficaz para a maioria das crianças, melhora a eficácia e, por fim, a relação custo-efetividade de todo o sistema educativo”(UNESCO, Declaração de Salamanca 1994, XI). “O acesso de estudantes aos mesmos colégios que os irmãos e os vizinhos, pertencer às classes de educação geral com companheiros de uma idade apropriada, a existência de alguns objetivos de aprendizagem individualizados e relevantes, e do apoio necessário para aprender”(York 1994, p. 3). Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 117 [...] é uma forma de vida, uma maneira de viver juntos, baseado na crença de que cada indivíduo é valorizado e pertence ao grupo. Uma escola inclusiva será aquela em que todos os alunos sintam-se incluídos” (Patterson 1995, p. V). “É uma atitude, um sistema de valores, de crenças, não uma ação nem um conjunto de ações. Centra-se, pois, em como apoiar as qualidades, e, as necessidades de cada aluno e de todos os alunos na comunidade escolar, para que se sintam bemvindos e seguros e alcancem êxitos”(Arnaiz 1996, p. 27-28). “Um sistema de educação que reconhece o direito a todas as crianças e jovens a compartilharem de um meio ambiente educativo comum em que todos sejam valorizados por igual, com independência das diferenças percebidas quanto à capacidade, sexo, classe social, etnia ou estilo de aprendizagem”(Armstrong 1999, p. 76). “É uma forma melhor de viver. É o oposto da segregação e do “apartheid”. A inclusão determina aonde vivemos, recebemos educação, trabalhamos e nos divertimos. Tem que ver com a mudança de nossos corações e valores”(Pearpoint & Forest 1999, p. 15). “Processo de incremento da participação dos alunos nas culturas, currículos e comunidades de suas escolas locais e da redução da sua exclusão dos mesmos, sem esquecer que a educação abarca muitos processos que se desenvolvem fora das escolas [...] Processo sem fim, em vez de um simples contínuo dentro da educação geral”(Ainscow 2001, p. 293–294). “É o modo de avançar”(Dyson 2001, p. 146). Como se depreende dessas definições, a educação inclusiva centra-se em como apoiar as qualidades e as necessidades de cada um e de todos os alunos na comunidade escolar, para que se sintam bem vindos e seguros e alcancem o êxito. Requer pensar na heterogeneidade do alunado como uma situação normal do grupo/classe e pôr em marcha um delineamento educativo que permita aos docentes utilizar os diferentes níveis instrumentais e atitudinais como recursos intrapessoais e interpessoais que beneficiem a todos os alunos (Mir, 1997). Defende Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 118 a passagem da educação segregada para um sistema inclusivo caracterizado por uma aprendizagem significativa centrada na criança. Seria a transformação de uma sociedade e um mundo intolerante e temeroso para um mundo que acolha e encare a diversidade como algo natural. Portanto, reivindica uma ação educativa que responda de maneira mais eficaz à diversidade de todos os alunos. Este ponto de vista tem dado lugar a uma série de modelos, tais como: a escola especial (Dessent, 1987), a escola efetiva para todos (Ainscow, 1991), a escola “adhocrática”(Skrtic, 1991b), a escola heterogênea (Villa e Thousand, 1992) ou a escola inclusiva (UNESCO, 1994, Declaração de Salamanca). Todos esses modelos se apóiam na crença de que é possível identificar um conjunto de características organizativas que tendem a fazer as escolas mais ou menos inclusivas, como se aborda mais adiante. Booth, em numerosos trabalhos (1996, 1998, 1999), diz que o termo inclusão não significa o mesmo em todos os países. Razão pela qual este autor considera que inclusão é um termo escorregadio, porque pode adquirir significados diferentes em contextos distintos. Por isso, ele afirma que:“mais do que lhe outorgar um significado unívoco, tem-se que analisá-lo dentro de uma ampla gama de discursos,” sendo, em sua opinião, adequado falar de inclusões. Essa postura, também assumida por Dyson (2001), leva-o a realizar uma análise da situação existente no contexto internacional. A pesquisa propõe quatro variedades de conceber a inclusão, e determina que a política educativa deve precisar com clareza a variedade de inclusão que se quer promover e também conhecer seus pontos fortes e fracos. A inclusão como colocação Este modelo foi amplamente desenvolvido com o movimento da integração escolar na Europa. Seu principal objetivo é concretizar o lugar aonde serão escolarizados os alunos com necessidades educacionais especiais. Ainda que esta acepção, centrada em um determinado espaço, tenha sido fortemente criticada naqueles contextos, nos quais a integração vem funcionando há muito tempo, em outros, onde a integração não existe, representa o reconhecimento Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 119 dos direitos civis de numerosas pessoas com deficiências que não têm acesso à educação ou que seguem segregados nos centros de educação especial. Para que isto se converta em realidade, precisa-se de uma mudança nas atitudes e valores do professorado que se traduzam em mudanças práticas que respeitem esses direitos. Não obstante, a partir deste enfoque, centrado na questão de saber-se qual o melhor lugar para o aluno ser atendido, não se debate como seriam essas práticas. A inclusão como educação para todos Provém essencialmente do trabalho desenvolvido pela UNESCO em prol de que a educação chegue a todas as crianças em idade escolar, como indicamos anteriormente. Seu reconhecimento decisivo acontece em 1994 com a Declaração de Salamanca, momento em que se adota internacionalmente o termo de educação inclusiva. Assim, se proclama que os sistemas educativos devem desenvolver programas que respondam a vasta variedade de características e necessidades da diversidade do alunado, fazendo um esforço especial no caso das crianças marginalizadas e desfavorecidas. Quer dizer, representa uma defesa explícita à igualdade de oportunidades enumeradas no contexto dos direitos humanos como conjunto e, de maneira particular, nos direitos humanos das crianças. Estabelece-se, assim, um debate social, educativo e de recursos tendendo ao desenvolvimento da educação nos países mais pobres, o que dará lugar a numerosas reuniões e ações internacionais, concebidas com a finalidade de melhorar a situação de deterioração dos serviços educacionais em numerosos países. “O desenvolvimento de escolas inclusivas–escolas capazes de educar a todas as crianças–não é portanto unicamente uma forma de assegurar o respeito dos direitos das crianças com deficiência de forma que tenham acesso a um ou outro tipo de escola, senão que constitui uma estratégia essencial para garantir que uma ampla gama de grupos tenha acesso a qualquer forma de escolaridade” (Dyson 2001, 150). A inclusão como participação Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 120 Seu principal interesse centra-se em conhecer se as crianças são educáveis, como se leva a cabo essa situação e até que ponto elas participam dos processos educativos. Este enfoque quer remediar a antiga noção de integração, entendida como uma mera mudança de lugar da escola especial para a regular. Esta forma de entender a inclusão reivindica a noção de pertencer, uma vez que considera a escola como uma comunidade acolhedora em que participam todas as crianças. Assim, se ocupa do “locus”, no qual são educados os alunos e como estes participam dos processos que animam a vida das escolas, além de que cada aluno aprende na medida de suas possibilidades. De igual forma, cuida para que ninguém seja excluído por suas necessidades especiais, ou por pertencer a grupos étnicos ou lingüísticos minoritários, por não ir freqüentemente a aula, e, finalmente, ocupa-se dos alunos em qualquer situação de risco. Dessa maneira, traça-se uma forma particular de conceber a sociedade, que entende o pluralismo não como uma forma de exercer o direito de ser diferente isolando-se, senão por meio de um sentimento de compartilhar e pertencer. "(...) A EDUCAÇÃO INCLUSIVA CENTRA-SE EM COMO APOIAR AS QUALIDADES E AS NECESSIDADES DE CADA UM E DE TODOS OS ALUNOS NA ESCOLA (...)" Considerando-se que a igualdade leva à inclusão, e a desigualdade à exclusão. A inclusão social A educação inclusiva é um meio privilegiado para alcançar a inclusão social, algo que não deve ser alheio aos governos e estes devem dedicar os recursos econômicos necessários para estabelecê-la. Mais ainda, a inclusão não se refere somente ao terreno educativo, mas o verdadeiro significado de ser incluído. Está implícita na inclusão social, a participação no mercado de trabalho competitivo, sendo este o fim último da inclusão: “Os alunos não podem considerar-se incluídos até que não adquiram as atitudes necessárias para participar na sociedade e no emprego e/ou até que as diferenças entre suas atitudes e as de seus iguais seja considerável”(Dyson 2001, p. 157). Ainda que essas acepções da inclusão apresentem suas próprias peculiaridades, seus pontos em comuns se estabelecem no que se refere ao seu compromisso pela criação de uma sociedade mais justa, pelo desejo de criar um sistema educativo Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 121 mais eqüitativo. Além disso, pela convicção de que a resposta das escolas regulares frente à diversidade estudantil, e especialmente frente aos grupos de estudantes marginalizados, constitui um meio de tornar real os seus compromissos. INTEGRAÇÃO VERSUS INCLUSÃO OU INCLUSÃO COMO UMA CONTINUIDADE DA INTEGRAÇÃO? Desde o surgimento do movimento da inclusão, tem-se levantado um interessante debate acerca de se a inclusão supõe uma ruptura a respeito dos pressupostos da integração escolar, ou se entre ambos pode-se estabelecer um laço contínuo. Não resta dúvida de que a inclusão funde suas raízes no movimento da integração escolar e no REI. Não obstante, ainda que exista um continuum entre eles, a educação inclusiva apresenta tendências alternativas que ampliam e fazem avançar a atenção à diversidade do alunado, dada as fortes críticas relacionadas com o processo integrador (Peralta, 2001). Inicialmente, com o propósito de efetivar esses princípios norteadores, os esforços centraram-se em conseguir que as pessoas com deficiência fossem integradas nas salas comuns das escolas regulares ou na mais adequada para elas. A partir da evolução da experiência da integração escolar em diferentes países, viu-se que na maioria dos casos esta integração não ocorreu. Em conseqüência, o objetivo principal da inclusão centra-se em desenvolver uma educação eficaz para todos os alunos (Sebba, 1997), posto que a segregação categórica de qualquer subgrupo de pessoas é simplesmente uma violação dos direitos civis e do princípio de igualdade da cidadania (Villa e Thousand, 1995). O movimento da integração escolar supôs estabelecer as primeiras tentativas, por questionar e rechaçar a segregação e o isolamento em que se encontravam as pessoas com deficiência nos centros de educação especial. Em um primeiro momento, as classes especiais foram consolidadas dentro de um centro escolar, e, mais tarde, à assistência dos alunos com deficiência em tempo parcial foi estabelecida na classe regular. Todavia, esta modalidade está bastante generalizada e vem apresentando enormes barreiras para ser erradicada. A inclusão Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 122 dirige seu olhar a todos os alunos, já que todos podem experimentar dificuldades de aprendizagem em um dado momento (Ainscow, 1995). Dessa forma, as estratégias de trabalho que ela estabelece são direcionadas para favorecer a aprendizagem de todos os alunos na classe regular (Murphy, 1996; Thomas, 1997; Potts, 1998). Na integração, para que um aluno com necessidades educacionais especiais pudesse estar numa classe regular, era necessário que apresentasse dificuldades médias ou comuns. Na inclusão, todos os alunos são membros de direito da classe regular, sejam quais forem suas características pessoais. “Os alunos com necessidades especiais não requerem integração. Requerem educação” (Heyarty & Pocklington 1981, p. 23). Uma das críticas mais comuns feitas ao movimento da integração escolar é relativa às definições difundidas sobre seu próprio conceito. Essas definições, em muitas ocasiões, dizem muito pouco sobre a qualidade da educação oferecida aos alunos com necessidades educacionais especiais no sistema educacional. Ainda que se saiba que esses alunos estavam escolarizados nas classes regulares, conhece-se pouco do processo de ensino-aprendizagem que seguiam. Constatou-se que um aluno podia estar integrado e passar bastante tempo isolado na sala de apoio, ou estar na sala regular, porém sem interagir com seus companheiros. Em ambos os casos, o programa de trabalho seguido pelos alunos com necessidades educacionais especiais diferenciava-se bastante do desenvolvido pelo grupo da classe regular, e a comunicação entre o professor de classe comum e o de apoio era escassa, (Arnaiz e outros, 2001). Outro aspecto questionado pela inclusão é a forma como os alunos foram considerados como “especiais” no contexto da integração, posto que obedecia a decisões, fundamentalmente, políticas e econômicas, em lugar de se proceder a uma revisão dos processos que podem dar lugar a ele. Pode-se dizer que são decisões guiadas por uma visão da educação especial que interpreta as Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 123 dificuldades de aprendizagem exclusivamente a partir do déficit do aluno, o que promove a injustiça e detém os progressos neste campo. Com certeza, também, condiciona a colocação dos alunos nas escolas comuns ou especiais. Ante esta consideração, os defensores da inclusão manifestam a necessidade de reconstruir o conceito de necessidades educacionais especiais, ao defender que na inclusão não somente temos que considerar o déficit do aluno, senão, também as dificuldades que ele experimenta, considerando o contexto educativo, a organização da sala, e como se desenvolvem os processos de ensino-aprendizagem nas escolas inclusivas (Slee, 1991; Ortiz, 1996). Essas considerações levam Skrtic (1991) a afirmar que:“os alunos com necessidades educacionais especiais são artefatos do currículo tradicional.” E, ainda, recomenda às escolas a revisão de sua organização e suas formas de ensino, com a finalidade de responder positivamente à diversidade de seus alunos. Assim como a “normalização” produz uma luta contra os pressupostos da educação especial mais tradicional, a inclusão estabelece uma forte crítica ao modelo deficitário implícito nas práticas de integração escolar. Com esta finalidade revisa-se as estratégias de trabalho das aulas para romper definitivamente com o subsistema de educação especial que tem caracterizado as práticas associadas à integração escolar. Nesse contexto, muitos alunos diagnosticados com necessidades educacionais especiais, os chamados alunos de integração, têm experimentado situações discriminatórias e segregadoras. Poder-se-ia dizer que para muitos alunos com deficiência a integração em escolas e classes regulares tem legitimado um subsistema de educação especial dentro da escola comum, que tem dando lugar a formas mais sutis de segregação. Por isso, a inclusão é vista por muitos como uma luta contra as concepções e práticas educativas que se associam ao modelo médico-psicológico. Na opinião de Cobertt (1999), com o conceito de integração tem-se fomentado práticas de exclusão, porque geralmente era a pessoa com deficiência que estava obrigada a integrar-se na comunidade escolar e de forma ativa. A responsabilidade é colocada sobre o que é diferente; a ênfase recai sobre o aluno com deficiência, já que este deve integrar-se à cultura dominante. Portanto, existe uma grande Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 124 exigência para quem não pode compartilhar os sistemas de valores dominantes. Na inclusão, pelo contrário, é a instituição que cria um clima de receptividade, flexibilidade e sensibilidade a qualquer aluno que seja escolarizado nela. Ainscow, Farrell e Tweddle (2000) consideram a integração como um movimento dos alunos dos programas especiais para a educação regular, enquanto que a inclusão faz referência ao grau de participação desses alunos nas atividades e experiências da escola regular. Assim, podemos ver que enquanto a integração tem a ver com as pessoas, a inclusão refere-se aos valores da comunidade. A perspectiva da educação inclusiva, imersa no marco da escola compreensiva e das escolas eficazes, traça um modelo curricular que inspira sobre como reformar as escolas, as práticas educativas e a formação dos professores, com o fim de proporcionar uma educação de qualidade ajustada às características de todos alunos. A educação inclusiva promove a reforma dos sistemas educativos, e coloca em juízo de valor as teorias e hipóteses inerentes à educação especial (Ballard, 1997; Bayley, 1998; Clarck e al., 1998; Rouse & Florian, 1969). Inicia-se, dessa forma, uma análise muito mais radical relativa a sua política e a sua prática, desde os pressupostos de disciplinas como a Sociologia, a Política e a Filosofia, além de outras. Ainscow (1998), um dos principais defensores e promotores da inclusão em todo o mundo, afirma que: “a educação inclusiva vai muito além de atender ao alunado com necessidades educacionais especiais, uma vez que supõe a melhoria das práticas educativas para todos os alunos e para o conjunto da escola”. “A inclusão não é somente para os alunos com deficiência, mas para todos os alunos, educadores, pais e membros da comunidade”(Falvey e al. 1995, p. 9). De acordo com Ainscow (1995), as soluções construídas para atender às necessidades especiais não devem dirigir-se exclusivamente aos alunos que experimentam dificuldades (do ponto de vista individual), ao invés disso, a resolução de problemas deve facilitar e apoiar a aprendizagem de todos os alunos (do ponto Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 125 de vista curricular). Trata-se da necessidade de deixar de utilizar o termo necessidades educacionais especiais, porque se na educação inclusiva entram todos os alunos não tem sentido falar de educação inclusiva para alunos com necessidades educacionais especiais, já que os mesmos formam parte de um plano de trabalho mais amplo de melhoria escolar que persegue a igualdade e a excelência para todos os alunos. Portanto, enquanto a integração tem posto sua ênfase no aluno com necessidades educacionais especiais, a inclusão centra seu interesse em todos os alunos. Isso implica que os professores revisem, junto a seus companheiros, o conceito que têm sobre dificuldades de aprendizagem e que ações eles devem colocar em prática. Dessa forma, e como indica Fulcher (1989) propõe-se que rompa sua visão individualizada e considere o contexto social e político. A perspectiva individualizada tem levado a que se estabeleçam tipos de alunos que requerem diferentes formas de ensinar e, portanto, diferentes tipos de professores, desviando a atenção de questões fundamentais como as formas de ensino que a escola estabelece para dar resposta à diversidade. A atenção às necessidades educacionais especiais tem sido considerada como uma tarefa técnica, que requer formas técnicas e recursos especiais, subestimando a interação social, exatamente como um meio de facilitar a aprendizagem (Ainscow e Tweddle, 1988). Esta mudança requer, sem dúvida, uma cultura de colaboração nas escolas que, respeitando a individualidade, apóie a resolução de problemas como uma estratégia de trabalho entre os professores (Fullan, 1991; Thousand e Villa, 1991; Skrtic, 1991). Além disso, reconhecer a reconstrução das necessidades especiais, em termos de melhoria da escola e do desenvolvimento do professor; fazer com que o professor estabeleça como ponto prioritário a resolução de problemas em grupo, visando a colaboração, posto que requer revisar e eliminar crenças e conceitos sobre a natureza das dificuldades de aprendizagem ea busca de novas alternativas. Por causa disso, o termo inclusão está sendo adotado no contexto internacional (Estados Unidos, Canadá, Reino Unido) com a intenção de dar um passo adiante no Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 126 que se chamou até agora de integração. As razões que justificam essa mudança, na opinião de Stainback, Stainback e Jackson (1999), são: 1) O conceito de inclusão comunica mais claramente e com maior exatidão, que todas as crianças necessitam estar incluídas na vida educativa e social das escolas comuns, e na sociedade em geral, não unicamente dentro da escola comum; 2) o termo integração está sendo abandonado, já que implica que a meta é integrar na vida escolar e comunitária alguém ou algum grupo que está sendo certamente excluído. O objetivo básico da inclusão é não deixar ninguém fora da escola comum. Incluir tanto do ponto de vista educativo, físico, como social; 3) a atenção nas escolas inclusivas centra-se em como construir um sistema que inclua e esteja estruturado para fazer frente às necessidades de cada um dos alunos. Não se assume que as escolas e salas tradicionais, que estão estruturadas para satisfazer as necessidades dos chamados normais ou da maioria, sejam apropriadas e que qualquer estudante deva encaixar-se no que tenha sido desenhado para a maioria. Pelo contrário, a integração desses alunos deixa implícita que realmente estejam incluídos e participem na vida acadêmica. Nessa perspectiva, destaca-se a responsabilidade da equipe docente da escola, já que tem que se acomodar às necessidades de todos e a cada um de seus alunos; e 4) assim mesmo, existe uma mudança com respeito ao delineamento de ajudar somente a alunos com deficiência. O interesse centra-se agora no apoio à necessidade de cada membro da escola. As seguintes citações evocam essa mudança: “[...] tem-se utilizado a palavra «integração» para descrever processos mediante os quais certas crianças recebem apoio com o propósito de que possam participar nos programas existentes em grande medida sem modificações dos colégios; pelo contrário, a “inclusão” sugere um desejo de reestruturação do programa do colégio para responder à diversidade dos alunos que recebem as aulas”(Ainscow 1999, p. 25). “[...] o novo conceito de integração era, e ainda hoje é, muito problemático, sua análise reflete as tensões, contradições e ambigüidades que têm levado a algumas pessoas a definir a integração como outro nome para designar a educação especial [...]. A educação inclusiva parece ser incompatível com um sistema que tem dado prioridade a mecanismos de evolução, similitude, comercialismo, elitismo, Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 127 produtividade e noções de eficácia derivadas de sua perspectiva econômica e industrial [...]. examina o papel e as relações entre os profissionais e os deficientes, e explora as novas tendências educativas com respeito a sua relação e impacto sobre as políticas e práticas da educação” (Vlachou 1999, p. 31-57-61). Para Parrilla (2001), cabe reconhecer as diferenças entre a integração e a inclusão em um marco mais amplo, centradas nos direitos humanos, no fim dos rótulos e no modelo sociológico sob o qual interpretam a deficiência. Em síntese, poder-se-ia dizer que o termo inclusão surge, a princípio, como uma alternativa à integração; como uma tentativa de eliminar as situações de desintegração e exclusão em que se encontravam muitos alunos nas escolas, sob o enfoque da integração. Em segundo lugar, como uma tentativa de reconstruir o enfoque deficitário individualista e médico dominante, considerando seriamente as vozes das pessoas com deficiência, e analisando as complexas relações de poder implicadas nesses controvertidos debates. E, em terceiro lugar, como uma reivindicação de que todos os alunos com ou sem necessidades educacionais especiais recebam uma educação de qualidade, nas classes comuns do sistema regular de ensino. No seguinte quadro, e a título de resumo, aparecem as principais diferenças entre ambos conceitos: INTEGRAÇÃO INCLUSÃO Competição Cooperação/solidariedade Seleção Respeito às diferenças Individualidade Comunidade Preconceitos Valorização das diferenças Visão individualizada Melhora para todos Modelo técnico-racional Pesquisa reflexiva Bibliografia AINSCOW, M.(1991). Effective Schools for All. London: Fulton. AINSCOW, M.(1995a). Necesidades educativas especiales. Madrid: NarceaUNESCO. 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Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 133 INCLUSÃO: o paradigma do século 21 Resumo O texto procura esclarecer as grandes diferenças que existem entre os paradigmas da integração e da inclusão, numa perspectiva histórica. São apontadas as práticas de transição entre um paradigma e outro. E elabora mais profundamente o campo educacional, descrevendo as principais características das escolas abertas para todos os tipos de alunos, construídas à luz dos princípios da inclusão. 1 Assistente social pela Faculdade Paulista de Serviço Social e conselheiro de reabilitação pela Southern Illinois University. Atua como consultor de inclusão escolar e social junto ao Banco Mundial e à Secretaria Municipal de Educação de Guarujá/SP. INCLUSÃO-Revista da Educação Especial-Out/2005 19 Introdução Embora as experiências pioneiras em inclusão tenham sido feitas na segunda metade dos anos 80, foi no início da década de 90 que o mundo da educação tomou conhecimento de um novo caminho para uma escola de qualidade e verdadeiramente aberta para todas as pessoas. Esse caminho, conhecido como educação inclusiva, difere substancialmente das formas antigas de inserção escolar de pessoas com deficiência e/ou com outros tipos de condições atípicas, no sentido de que a inclusão requer mudanças na perspectiva pela qual a educação deve ser entendida. Em que sentido? A inclusão difere, por exemplo, da integração, que se vale das práticas de mainstreaming, de normalização, de classes especiais e de escolas especiais. Todas as formas até então vigentes de inserção escolar partiam do pressuposto de que devem existir dois sistemas de educação: o regular e o especial. Os alunos com deficiência poderiam estudar em escolas regulares se fossem capazes de acompanhar seus colegas não-deficientes. Para isto, foi sendo desenvolvido um sistema de cascata para acomodar os diversos níveis de capacidade. Mesmo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996) usa a expressão “preferencialmente na rede regular de ensino” e a condicionante “no que for possível”, deixando implícita a existência de um sistema paralelo destinado, Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 134 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] exclusivamente, aos alunos que não tivessem capacidade acadêmica para freqüentar as escolas comuns em razão de suas deficiências físicas, intelectuais, sensoriais ou múltiplas. Isto foi reforçado pelo Decreto n. 3.298, de 1999, quando determina “a matrícula compulsória em cursos regulares de estabelecimentos públicos e particulares de pessoas portadoras de deficiência capazes de se integrar na rede regular de ensino” (art. 24, inciso I). E também pela Resolução n. 2, do Conselho Nacional de Educação, Câmara de Educação Básica (2001). Todo este viés conceitual tem origem no modelo médico da deficiência, segundo o qual o problema está na pessoa com deficiência e, por esta razão, ela precisa ser “corrigida”(melhorada, curada etc) a fim de poder fazer parte da sociedade. Ativistas do movimento liderado por pessoas com deficiência sempre combateram esta forma de atender às necessidades educacionais, por exemplo, de crianças com deficiência. Para eles, não era justa essa exigência da sociedade, no sentido de que as crianças provassem estarem aptas para ingressar no sistema educacional comum. Eles entendiam, e assim o entendem até hoje, que cabe à sociedade, portanto às escolas comuns, modificar seu paradigma educacional e, conseqüentemente, suas estruturas físicas, programáticas e filosóficas, a fim de que as escolas possam tornar-se mais adequadas às necessidades de todos os seus alunos. Esta inusitada perspectiva pela qual é vista a questão das pessoas com deficiência deu origem ao conceito conhecido como o modelo social da deficiência. O modelo social da deficiência, elaborado basicamente por entidades de pessoas com deficiência, aponta as barreiras da sociedade (escola, empresa etc) que impedem o desenvolvimento das pessoas e sua inserção social (inclusão escolar, inclusão profissional etc.). Essas barreiras se manifestam por meio de seus ambientes restritivos, suas políticas discriminatórias e suas atitudes preconceituosas que rejeitam a minoria e todas as formas de diferenças, seus discutíveis padrões de normalidade, seus objetos e outros bens inacessíveis do ponto de vista físico, seus pré-requisitos atingíveis apenas pela maioria aparentemente homogênea, sua quase total desinformação sobre necessidades especiais e sobre direitos das pessoas que possuem essas necessidades, suas práticas discriminatórias em muitos setores da atividade humana (escolas, empresas, locais de lazer, transportes coletivos etc). Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 135 Surgimento do paradigma da inclusão Podemos afirmar que a semente do paradigma da inclusão foi plantada pela Disabled Peoples’ International, uma organização não-governamental criada por líderes com deficiência, quando em seu livreto Declaração de Princípios, de 1981, definiu o conceito de equiparação de oportunidades (apud Driedger & Enns, 1987, p. 2-3): “o processo mediante o qual os sistemas gerais da sociedade, tais como o meio físico, a habitação e o transporte, os serviços sociais e de saúde, as oportunidades de educação e de trabalho, e a vida cultural e social, incluídas as instalações esportivas e de recreação, são feitos acessíveis para todos. Isto inclui a remoção de barreiras que impedem a plena participação das pessoas deficientes em todas estas áreas, permitindo-lhes assim alcançar uma qualidade de vida igual à de outras pessoas.” " O MUNDO CAMINHA PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA SOCIEDADE CADA VEZ MAIS INCLUSIVA." Desde então, vários outros documentos internacionais, por exemplo, o Programa Mundial de Ação Relativo às Pessoas com Deficiência (1983), as Normas sobre a Equiparação de Oportunidades para Pessoas com Deficiência (1994), ambos da Organização das Nações Unidas, e a Declaração de Salamanca (1994), da Unesco, têm enfatizado esse conceito, dando assim início à conscientização da sociedade sobre o outro lado da inserção, qual seja, o lado da necessidade de modificarmos a sociedade (escolas, empresas). Transição da integração para a inclusão O paradigma da integração, exclusivo para pessoas deficientes num clube comum, etc. Esta forma de integração, mesmo com todos os méritos, não deixa de ser segregativa. Nenhuma dessas formas de integração social satisfaz plenamente os direitos de todas as pessoas com deficiência, pois a integração pouco exige da sociedade em termos de modificação de atitudes, de espaços, de objetos e de práticas sociais. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 136 A EDUCAÇÃO INCLUSIVA E A UNIVERSIDADE BRASILEIRA Enicéia Gonçalves Mendes RESUMO O presente artigo aborda o legado de 30 anos da história da institucionalização da Educação Especial no Brasil. As evidências apontam como produto dessa história, a falta de acesso à escola, para a grande maioria da população de crianças e jovens com necessidades educacionais especiais, e para a natureza excludente da atual rede de serviços. Questiona-se a partir de então se a filosofia de "integração escolar", chegou a ser implementada em nosso país, e sobre o risco do mesmo fenômeno de retórica ocorrer com a Educação Inclusiva. Discute-se ainda as possibilidades da Educação Inclusiva na superação dos atuais problemas da área, e a responsabilidade da universidade, enquanto agência de produção de conhecimento e de formação, em compor o esforço coletivo juntamente com políticos, prestadores de serviços, familiares e indivíduos com necessidades educacionais especiais, para a construção da Educação Inclusiva no Brasil. ABSTRACT The present study discusses the legacy of the last 30 years of the Special Education's history in Brasil. As a product of this story, the evidences point out the lack of access to School for the majority of children and adolescents with special needs, and the 1 Docente do exclusiveness of the actual educational services system. The study argues if the School Integration Philosophy, was ever implemented in our country and analyses the risk of the same rethorics phenomenon happening with the debate about Inclusive Education. Also, it discusses the possibilities of Inclusive Education to overcome the actual problems in this area, and the responsibility of the University, as agency of knowledge production and formation to join all efforts with politicians, professionals, parents and people with educational special needs to construct the Inclusive Education in Brasil. Introdução Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 137 Embora iniciativas isoladas e precursoras possam ser constatadas em nosso país, na área de Educação Especial2, a partir do Século XIX, apenas na década de 70, é que se constata uma resposta mais abrangente da nossa sociedade a esta questão (Bueno, 1991; Marques et al, 2003). O início dessa nossa história coincidiu com o auge da hegemonia da filosofia da "normalização e integração" no contexto mundial. Se até então havia o pressuposto que a segregação escolar, permitiria melhor atender as necessidades educacionais diferenciadas desses alunos, após esse período, houve uma mudança filosófica orientada pela idéia de integração escolar em escolas comuns. 2 O termo "Educação Especial" vem sendo erroneamente compreendido como o antônimo do termo "Educação Inclusiva", e cumpre ressaltar que no presente trabalho adotamos o termo Educação Especial como uma área de conhecimento, que busca desenvolver teorias, práticas e políticas; com vistas a atender as necessidades educacionais especiais diferenciadas de uma parcela da população, que não aprendem se forem sujeitos apenas as oportunidades regulares oferecidas pela cultura. Assim, o conceito não se confunde com uma proposta de escolarização separada do ensino regular, ou com determinados tipos de organização de serviços. A partir daí, passamos supostamente cerca de 30 anos atuando sob o princípio de "integração escolar", até que o emergiu o discurso em defesa da "educação inclusiva" no país, a partir de meados da década de 90. Um dos argumentos recorrentes tem sido a proposição de que a "inclusão", requer uma revisão na forma como vem sendo equacionada a educação de crianças e jovens com necessidades educacionais especiais. Antes de avançar o debate convém analisar que legado nos deixou nossa história de 30 anos de "integração escolar". Os frutos de 30 anos da Educação Especial Brasileira Na atualidade constata-se que, para uma estimativa de cerca de seis milhões de crianças e jovens com necessidades educacionais especiais, não chega a 400 mil o número de matrículas, considerando o conjunto de todos os tipos de recursos disponíveis, ou seja, se desde os matriculados em escolas especiais até os que Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 138 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] estão nas escolas comuns. (Folha de São Paulo, 11/06/99). Portanto, a grande maioria dos alunos com necessidades educacionais especiais estão fora de qualquer tipo de escola. Tal quadro indica muito mais uma exclusão escolar generalizada dos indivíduos com necessidades educacionais especiais na realidade brasileira, a despeito da retórica da integração escolar. As mazelas da Educação Especial Brasileira, entretanto, não se limita a falta de acesso. Os poucos alunos com necessidades educacionais especiais que tem tido acesso a algum tipo de escola, não estão necessariamente recebendo uma educação apropriada, seja por falta de profissionais qualificados ou mesmo pela falta generalizada de recursos. Além da predominância de serviços que envolvem, desnecessariamente, a segregação escolar, há evidências que indicam um descaso do poder público; uma tendência de privatização, (considerando que a maioria das matrículas está concentrada na rede privada, e mais especificamente em instituições filantrópicas), e uma lenta evolução no crescimento da oferta de matrículas, em comparação com a demanda existente. Pode-se dizer, portanto, que os resultados dos últimos 30 anos de política de "integração escolar" foi provocar uma grande expansão das classes especiais, favorecendo o processo de exclusão na escola comum pública. Os modelos de serviços propostos pelo movimento de integração escolar, que previam uma opção preferencial pela inserção na classe comum com a manutenção do continuum de serviços, ou sistema de cascata, nunca chegaram a ser implementados na "integração escolar" a moda brasileira. Os recursos predominantes ainda hoje são classes especiais nas escolas públicas e às escolas especiais privadas e filantrópicas. Em perspectiva a Educação Especial Inclusiva O debate sobre a questão da Educação Inclusiva é hoje um fenômeno de retórica como foi a integração escolar nos últimos 20 anos. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 139 O paradoxo é que ao mesmo tempo em que se trata de uma ideologia importada de países desenvolvidos, que representa um alinhamento ao modismo, pois não temos lastro histórico na nossa realidade que a sustente; não podemos negar que na perspectiva filosófica, a inclusão é uma questão de valor, ou seja, é um imperativo moral. Não há como questioná-lo dentro da ética vigente nas sociedades ditas democráticas, e não dá para descartar que a adoção de diretrizes baseadas na educação inclusiva pode ser a única estratégia política com potencial para garantir o avanço necessário na Educação Especial brasileira. Em outros países, por exemplo, o movimento se assenta em contextos onde já existia um razoável acesso a educação, uma rede diversificada e melhor qualificada de serviços, nos quais a perspectiva de educação inclusiva representou apenas um passo natural em direção à mudança. Aqui, a educação inclusiva é ainda uma página em branco de uma história a ser construída. E como pode a universidade brasileira contribuir para esse processo? A Educação Inclusiva e a Universidade Brasileira Traduzir a educação inclusiva das leis, dos planos e intenções para a realidade requer conhecimento e prática. É preciso, portanto, questionar qual a prática necessária? E o conhecimento necessário para fundamentar a prática? E esse é sem dúvida nenhuma um exercício para a pesquisa científica. A ciência será essencial para que a sociedade brasileira busque contribuir, de maneira intencional e planejada, para a superação de uma Educação Especial equivocada que atua contra os ideais de inclusão social e plena cidadania. Assim, enquanto agência de produção de conhecimento, o papel da universidade na construção da educação inclusiva é essencial. Entretanto, não é qualquer pesquisa que tem potencial para apoiar tal processo de construção. É necessário se fazer uma pesquisa mais engajada nos problemas da realidade e que tenham implicações práticas e políticas mais claras. Por outro lado, Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 140 é necessário também que o processo de tomada de decisão política privilegie mais as bases empíricas fornecidas pela pesquisa científica sobre inclusão escolar. Algumas prioridades emergentes para a pesquisa na atualidade seria a produção de conhecimento sobre procedimentos que gerem dados que permitam subsidiar o acompanhamento de políticas públicas educacionais, que adotam a perspectiva da inclusão; sobre formação de professores (do ensino regular e especial) e estratégias pedagógicas inclusivas que possam ser adaptadas para a realidade brasileira. A mudança requer ainda um potencial instalado, em termos de recursos humanos, em condições de trabalho para que ela possa ser posta em prática, pois é na existência de pessoal cientificamente preparado, para identificar as armadilhas de concepções e procedimentos inadequados, que reside à possibilidade de alterar a realidade da Educação Especial no país. A universidade enquanto agência de formação, além de produzir conhecimento tem ainda a responsabilidade de qualificar os recursos humanos envolvidos, tanto em cursos de formação inicial quanto continuada, o que é um desafio considerável para o sistema brasileiro de ensino superior. Enfim, o futuro da Educação Inclusiva em nosso país dependerá de um esforço coletivo, que obrigará à uma revisão na postura de pesquisadores, políticos, prestadores de serviços, familiares e indivíduos com necessidades educacionais especiais, para trabalhar numa meta comum que seria a de para garantir uma educação de melhor qualidade para todos. REFERÊNCIAS BUENO, José Geraldo Silveira. Educação Especial Brasileira Integração/Segregação do Aluno Diferente. São Paulo – SP, EDUC/PUSP, 1993. MARQUES, C. A.; JENEVARI,G.P.; SOUZA JUNIOR, J.S.; ANTUNES, K. C. V.; CARVALHO, M. D. M.; PAULA, O. L. B.; FERREIRA, S.M.A. A Década de 60: A realidade da Educação Especial no Brasil. Temas em Desenvolvimento. Vol. 11 (66), p.19-26. 2003. FOLHA DE SÃO PAULO. A mancha do analfabetismo. Folha Trainee (caderno especial) p: 8 (27/03/2001). São Paulo. 2001. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 141 SITES E LIVROS PARA CONSULTAS [CITAÇÃO] O que é educação inclusiva LM Mrech - Revista Integração, 1998 Citado por 52 - Artigos relacionados [CITAÇÃO] Inclusão: construindo uma sociedade para todos RK Sassaki… - São Paulo Citado por 583 - Artigos relacionados [PDF] Políticas educacionais ea formação de professores para a educação inclusiva no Brasil [PDF] de pr.gov.brR Glat… - Revista Integração, 2002 - itaipulandia.pr.gov.br ... I - professores das classes comuns e da Educação Especial capacitados e especializados, respectivamente, para o atendimento às necessidades educacionais dos alunos; ... VI – condições para reflexão e elaboração teórica da educação inclusiva, com protagonismo dos ... Citado por 38 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 4 versões [PDF] Dez idéias (mal) feitas sobre educação inclusiva [PDF] de ua.ptD Rodrigues - … educação: doze olhares sobre a educação …, 2006 - redeinclusao.web.ua.pt ... uma escola tradicional em que os alunos com deficiência (os alunos com outros tipos de dificuldades eram ignorados) recebiam um tratamento especial. A perspectiva da EI é sim ... na escola regular. Page 5. 5 “A Educação Inclusiva é para alunos “diferentes”” ... Citado por 32 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 3 versões [PDF] Educação inclusiva: concepções de professores e diretores [PDF] de scielo.brIM Sant'Ana - Psicologia em Estudo, 2005 - SciELO Brasil ... Repercussões da proposta de "educação inclusiva" a partir do discurso de professores de educação especial da rede pública estadual paulista. Dissertação de Mestrado Não-Publicada, Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Universidade de São Paulo. ... Citado por 34 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 6 versões [PDF] Da educação segregada à educação inclusiva: uma breve reflexão sobre os paradigmas educacionais no contexto da educação especial brasileira [PDF] de eduinclusivapesq-uerj.pro.brR Glat… - Revista Inclusão, Brasília, 2005 eduinclusivapesq-uerj.pro.br ... Conforme mostram Ferreira e Glat (2003), o movimento em prol da Educação Inclusiva, trouxe em sua gênese uma discussão sobre a finalidade da Educação Especial, mormente no seu excesso de especialização. A classificação de diferentes tipos de ... Citado por 13 - Artigos relacionados - Ver em HTML [LIVRO] Inclusão Escolar: Concepções de professores e alunos da educação regular e especial Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 142 [HTML] de abrapee.psc.brNS Tessaro - 2005 - abrapee.psc.br ... inclusiva. Os professores de educação especial demonstraram dar mais crédito à educação inclusiva do que os do ensino regular. Os alunos deficientes demonstraram dar menos crédito à inclusão do que os não deficientes. ... Citado por 22 - Artigos relacionados - Em cache [LIVRO] Educação inclusiva [PDF] de unisalesiano.edu.brMEC Ferreira… - 2003 - unisalesiano.edu.br ... de querer jogar toda a responsabilidade para as instituições de educação especial, ... vez,precisa ser interpretada,divulgada e planejada corretamente, afim de produzir resultados adequados.Neste sentido, campanha de esclarecimento sobre a educação inclusiva, levada ... Citado por 57 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 6 versões [CITAÇÃO] Educação inclusiva: contextos sociais P Mittler… - 2003 - Artmed Citado por 187 - Artigos relacionados A Educação Física perante a Educação Inclusiva: reflexões conceptuais e metodológicas [PDF] de uem.brDA Rodrigues - Revista da Educação Física/UEM, 2008 periodicos.uem.br ... numa lógica médico-psicológica, mas para alunos com qualquer necessidade especial, conceito que ... A escola inclusiva procura responder, de forma apropriada e com alta qualidade, não ... Desta forma, a educação inclusiva recusa a segregação e pretende que a escola não ... Citado por 27 - Artigos relacionados - Todas as 6 versões Inclusão escolar: o que é MTÉ Mantoan - Por quê, 2003 - cee.rr.gov.br ... 1ª Audiência Pública 2007: “Educação Inclusiva.” CEE/RR www.cee.rr.gov.br ... Fundamentação Legal Programação 8:30h - Abertura. 8:50h - Coquetel. 9:10h Diversidade da Educação Inclusiva como Construção da Cidadania. Prof. Dr. Aristonildo Chagas Araújo Nascimen- to. ... Citado por 149 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 2 versões [PDF] A educação inclusiva ea universidade Brasileira [PDF] de salesianolins.brEG Mendes - Revista Espaço, 2003 - salesianolins.br ... são classes especiais nas escolas públicas e às escolas especiais privadas e filantrópicas. Em perspectiva a Educação Especial Inclusiva O debate sobre a questão da Educação Inclusiva é hoje um fenômeno de retórica como foi a integração escolar nos últimos 20 anos. ... Citado por 7 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 3 versões [CITAÇÃO] de MV Educação Especial no contexto de uma Educação Inclusiva R GLAT… - Educação inclusiva: cultura e cotidiano escolar. Rio de …, 2007 Citado por 7 - Artigos relacionados Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 143 [CITAÇÃO] Aspectos Históricos da Educação Especial: da exclusão a inclusão uma longa caminhada M CARDOSO - Educação especial: em direção à educação inclusiva. …, 2003 Citado por 22 - Artigos relacionados Educação inclusiva: redefinindo a educação especial [PDF] de ufsc.brMP Santos - … de Vista: revista de educação e processos inclusivos, 2008 - journal.ufsc.br Resumo O artigo pretende discutir os termos “inclusão” e “integração” e seus diferentes usos em alguns textos oficiais e pioneiros, com o objetivo de apontar para um redimensionamento do con- ceito de educação especial à luz da proposta da inclusão em educação. Entre ... Citado por 6 - Artigos relacionados Educação inclusiva: Um estudo na área da educação física [HTML] de scielo.brJS Aguiar… - Rev. bras. educ. espec - SciELO Brasil ... identifica conhecimentos dos professores de educação física sobre educação inclusiva e educação especial e/ou educação física adaptada. ... OLIVEIRA, AAS; POKER, RB Educação inclusiva e municipalização: a experiência em educação especial de Paraguaçu Paulista. ... Citado por 10 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 2 versões [DOC] O aluno com altas habilidades no contexto da educação inclusiva [DOC] de fadepe.com.brEMLS de Alencar - fadepe.com.br ... Especialmente neste momento da História, em que se observam um movimento em direção à Escola Inclusiva e reformas vêm ocorrendo na Educação Especial em muitos países, é fundamental que o professor esteja melhor equipado para propiciar uma educação de boa ... Citado por 14 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 6 versões [CITAÇÃO] O paradigma da educação inclusiva: reflexões sobre uma agenda possível D Rodrigues - VII Encontro Nacional de Educação Especial ( …, 1997 Citado por 22 - Artigos relacionados [CITAÇÃO] Educação e diferença: valores e práticas para uma educação inclusiva D Rodrigues - 2001 - baes.sdum.uminho.pt ... Título: Educação e diferença : valores e práticas para uma educação inclusiva. Autor : Rodrigues, David. Data: 2001. URI: http://hdl.handle.net/1822.1/12. Aparece nas Colecções: Analíticos de Monografias. Ficheiros deste Registro: Ficheiro, Descrição, Tamanho, Formato. ... Citado por 31 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 2 versões [PDF] Crianças com necessidades educativas especiais, política educacional ea formação de professores: generalistas ou especialistas [PDF] de abpee.netJGS Bueno - Revista Brasileira de Educação Especial, 1999 abpee.net ... Educação Especial, Educação Inclusiva e Políticas Educacionais A perspectiva apontada pela Declaração de Salamanca de indicar enfatica- mente a escola Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 144 inclusiva - mas, ao mesmo tempo, reconhecer que esta só se efetivará com o aprimoramento, de fato, dos sistemas de ... Citado por 84 - Artigos relacionados - Todas as 6 versões [CITAÇÃO] Educação inclusiva: com os pingos nos" is" RE Carvalho - 2005 - Editora Mediação Citado por 119 - Artigos relacionados Uma análise das condições para a implementação de políticas de educação inclusiva no Brasil e na Inglaterra [HTML] de scielo.brA LAPLANE - Educ. Soc - SciELO Brasil ... No início de 2004, a Secretaria de Educação Especial do Ministério de Educação lançou a série Educação Inclusiva, um conjunto de documentos destinados a promover a implementação da política de inclusão escolar. A ... Citado por 20 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 2 versões [HTML] A educação inclusiva: incompletudes escolares e perspectivas de ação [HTML] de ufsm.brHO Beyer - Cadernos de Educação Especial, 2003 coralx.ufsm.br O artigo refere à proposta de educação inclusiva, sob a perspectiva do paradigma histórico e também sob o prisma das mudanças que ocorreram nas políticas educacionais brasileiras, notadamente através da priorização da educação inclusiva com a LDB 9394 de 1996. Elege alguns ... Citado por 15 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 4 versões [HTML] O papel da universidade frente às políticas públicas para educação inclusiva [HTML] de saci.org.brR Glat… - Revista Benjamin Constant, 2004 - saci.org.br ... Vale ressaltar que, em nossa opinião, vem sendo criada uma falsa dicotomia entre educação inclusiva e Educação Especial, como se o advento de uma representasse a descontinuidade da outra. Na realidade, ocorre justamente o contrário. ... Citado por 15 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 2 versões [LIVRO] Professores reflexivos em uma escola reflexiva I Alarcão - 2005 - xa.yimg.com ... Page 11. 2 – Fundamentos para uma educação inclusiva • Lógica de exclusão; • Lógica da inclusão; • A relação e suas implicações; • Interdependência; • Codependência; • Autonomia e educação inclusiva; Page 12. 3 – Desafios à prática docente reflexiva ... Citado por 448 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 2 versões [CITAÇÃO] Educação inclusiva e municipalização: a experiência em educação especial de Paraguaçu Paulista AAS Oliveira… - Revista Brasileira de Educação Especial, 2002 Citado por 9 - Artigos relacionados Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 145 [CITAÇÃO] Psicanálise e educação: novos operadores de leitura LM Mrech - 1999 - Cengage Learning Editores Citado por 98 - Artigos relacionados [PDF] A educação inclusiva: um meio de construir escolas para todos no século XXI [PDF] de rs.gov.brPA Sánchez - SUMÁRIOOUTUBRO2005 - rsacessivel.rs.gov.br ... es 07 A EDUCAÇÃO INCLUSIVA: um meio de construir escolas para todos no século XXI INCLUSÃO-Revista da Educação Especial-Out/2005 7 1 Resumo Este artigo analisa o conceito de diversidade no campo da educação inclusiva. ... Citado por 17 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 20 versões [CITAÇÃO] Educação especial: em direção à educação inclusiva CD Stobäus… - 2003 - Edipucrs Citado por 10 - Artigos relacionados [HTML] Interação entre professora e alunos em salas de aula com proposta pedagógica de educação inclusiva [HTML] de scielo.brSC da Silva… - Rev. bras. educ. espec. vol, 2005 - SciELO Brasil ... A Educação Especial vem contribuir nesse processo, como uma modalidade de ensino que serve a todas as demais modalidades e níveis ... Pensar na Educação Inclusiva como uma possibilidade de construção de uma sala de aula melhor, na qual alunos e professores sintam ... Citado por 20 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 3 versões [CITAÇÃO] Educação inclusiva ou educação apropriada LM Correia - … . Valores e práticas para uma educação inclusiva. …, 2001 Citado por 30 - Artigos relacionados [LIVRO] Inclusão e educação: doze olhares sobre a educação inclusiva D Rodrigues - 2006 - books.google.com ... 35 Fátima Denari Inclusão social ea "escola reclamada" 65 António M. Magalhães e Stephen R. Stoer Educação especial, inclusão e ... crianças 141 Manuel Jacinto Sarmento, Natália Fernandes e Catarina Tomás A formação de professores na educação inclusiva: construindo a ... Citado por 21 - Artigos relacionados [CITAÇÃO] Capacitação de professores: primeiro passo para uma educação inclusiva R GLAT, E Magalhães, R CARNEIRO… - … em educação especial, 1998 Citado por 18 - Artigos relacionados [CITAÇÃO] Educação inclusiva: realidade ou utopia LM MRECH - … sobre Deficiência-Seminário Educação Inclusiva: … Citado por 26 - Artigos relacionados [HTML] Portadores de deficiência: a questão da inclusão social Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 146 [HTML] de scielo.brMRC Maciel - São Paulo em perspectiva, 2000 - SciELO Brasil ... a reforçar sua colaboração com as entidades oficiais nacionais e intensificar o envolvimento crescente delas no planejamento, implementação e avaliação de provisão em educação especial que seja inclusiva; - Unesco, enquanto a agência educacional das Nações Unidas; ... Citado por 31 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 10 versões [RTF] Representação social e educação especial: a representação dos professores de alunos com necessidades educativas especiais incluídos na classe comum … [RTF] de fadepe.com.brSN Freitas… - Retirado em, 2004 - fadepe.com.br ... É este artigo que define educação especial em termos da lei e regulamenta a prática da educação inclusiva. Assim, os anos 90 são marcados, com o advento da educação inclusiva, pelo respeito às características do indivíduo frente ao processo pedagógico. ... Citado por 10 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 4 versões [CITAÇÃO] Educação especial, inclusão e política educacional: notas brasileiras JR FERREIRA - … e educação: doze olhares sobre a educação inclusiva. …, 2006 Citado por 17 - Artigos relacionados [HTML] Avaliação assistida e comunicação alternativa: procedimentos para a educação inclusiva [HTML] de scielo.brKMP de Paula… - Rev. bras. educ. espec. vol, 2007 - SciELO Brasil ... Estas informações relatadas pela mãe e educadoras coincidiram com o ingresso da criança em instituição especial de reabilitação que, via de regra, insere a criança ... A motivação é uma questão sobremodo relevante e uma das mais desafiadoras para a educação inclusiva. ... Citado por 14 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 4 versões O professor itinerante como suporte para a educação inclusiva em escolas da rede municipal de educação do Rio de Janeiro MD Pletsch, MP dos Santos, CLG de Mattos… - 2005 - lakh.unm.edu ... Keywords: Educação itinerante Educação inclusiva Formação de professores Itinerant teaching Inclusive education Teacher learning process EDUCACAO ESPECIAL. Issue Date: 21-Aug-2005. Publisher: Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ. ... Citado por 6 - Artigos relacionados - Em cache [CITAÇÃO] Educação inclusiva: as boas notícias e as más notícias D Rodrigues - 2003 - baes.sdum.uminho.pt ... Título: Educação inclusiva : as boas notícias e as más notícias. Autor : Rodrigues, David. Data: 2003. URI: http://hdl.handle.net/1822.1/10. ... 6 - Educação Inclusiva. As boas e as más notícias de David Rod.pdf, 62Kb, Adobe PDF, Ver/Abrir, 6 - Educação Inclusiva. ... Citado por 19 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 2 versões Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 147 [PDF] Os Desafios da educação especial, o Plano Nacional de Educação ea universidade brasileira [PDF] de abpee.netLM Mrech - Revista Brasileira de Educação Especial, 1999 abpee.net ... Educação. Assim, à luz dos novos rumos da Educação Especial/Educação Inclusiva, analisaremos agora os aspectos que mais chamam a atenção no Plano Na- cional de Educação, capítulo de Educação Especial. Primeiramente ... Citado por 11 - Artigos relacionados - Todas as 2 versões [CITAÇÃO] A educação inclusiva e as novas exigências para a formação de professores: algumas considerações JGS BUENO - Formação do educador e avaliação educacional: …, 1999 Citado por 22 - Artigos relacionados [CITAÇÃO] Educação Especial: em direção à escola inclusiva CD STOBÄUS… - Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003 Citado por 10 - Artigos relacionados [PDF] Educação para todos: torná-la uma realidade [PDF] de ua.ptM Ainscow - Caminhos para as escolas inclusivas, 1997 redeinclusao.web.ua.pt ... do seminário dão ênfase a três factores-chave que parecem ter grande influência na criação de salas de aula mais inclusivas. A primeira relaciona-se com a importância da planificação para a classe, como um todo. A este respeito, na educação especial, cometemos um erro ... Citado por 52 - Artigos relacionados - Ver em HTML [LIVRO] Políticas e práticas de educação inclusiva MCR de Góes - 2004 - books.google.com ... (Coleção educação contemporânea) Vários autores. Bibliografia. ISBN 978-857496-109- 5 1. Educação e Estado 2. Educação especial 3. Educação inclusiva 4. Grupos sociais I. Góes, Maria Cecília Rafael de. II. Laplane, Adriana Lia Friszman. ... Citado por 10 - Artigos relacionados [CITAÇÃO] Tendências futuras da educação inclusiva V FONSECA - Educação Citado por 22 - Artigos relacionados [PDF] Compreender, agir, mudar, incluir. Da investigação-acção à educação inclusiva [PDF] de mctes.ptI Sanches, WF Dearborn… - … Lusófona de Educação, 2005 scielo.oces.mctes.pt ... 13 Ver trabalhos realizados na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, no âmbito da Pós-Gra- duação e Formação Especializada em Educação Especial. 14 Na educação inclusiva preconiza-se que a construção das respostas seja feita “caso a caso”, pela ... Citado por 7 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 8 versões Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 148 A fonoaudiologia na relação entre escolas regulares de ensino fundamental e escolas de educação especial no processo de inclusão [HTML] de scielo.brAS Ramos… - Rev. bras. educ. espec - SciELO Brasil ... [ Links ]. SILVA, SC, ARANHA, MSF Interação entre professora e alunos em salas de aula com proposta pedagógica de educação inclusiva. Revista Brasileira de Educação Especial, Piracicaba, v.11, n. 3, p. 373-394, 2005. [ Links ]. VALENTE, P. et al. ... Citado por 10 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 3 versões [HTML] Inclusão e prática docente no ensino superior [HTML] de ufsm.brDM Castanho… - Revista Educação Especial, 2006 coralx.ufsm.br ... São Paulo: Paz e Terra, 1996. FREITAS, SN (Org). Educação inclusiva e necessidades educacionais especiais. Santa Maria. Ed. UFSM, 2005. MARTINS, V. Educação Especial como direito. Universidade Estadual de Sobral, Fortaleza: 2004. ... Citado por 12 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 4 versões Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 149 http://dialogoseducacionais.semed.capital.ms.gov.br/index.php/dialogos/article/view/23 O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PARA O DEFICIENTE INTELECTUAL EM SEU ASPECTO COMPLEMENTAR: uma análise da legislação Eliane de Fátima Alves de Morais Fraulob, Adriana Aparecida Burato Marques Buytendorp Resumo Nas últimas décadas surgiram várias discussões pedagógicas voltadas para os deficientes, cujo princípio é assegurar-lhes a igualdade dentro da diversidade. Sob essa influência, foi criado pela Constituição Federal de 1988 o Atendimento Educacional Especializado (AEE), ao qual, sob organização do legislador ordinário, tem sido atribuída uma função complementar. Entretanto, não parecem bem definidos o termo complementar nem o que seria complementado, gerando confusões e dúvidas sobre as práticas do atendimento, mormente porque a legislação ora fala em “complementação do atendimento educacional realizado em classes do ensino comum”, ora em “complementação ou suplementação curricular”, “complementação da formação” e “complementação da educação”. Este trabalho teve como metodologia a análise da legislação e de documentos orientativos produzidos pelo Ministério da Educação, com o objetivo de dirimir a questão levantada, sobretudo no que se refere aos alunos com deficiência intelectual, entre os quais surgem as maiores dúvidas. Concluiu-se que a função complementar do AEE consiste na redução das barreiras cognitivas no plano do abstrato, mediante estimulação da capacidade simbólica do aluno deficiente. Palavras-chave: Política pública. Educação especial. Atendimento educacional especializado. Resumen En las últimas décadas hubo varios debates pedagógicos acerca de las personas con deficiencia, cuyo principio es garantizar la igualdad en la diversidad. Bajo esta influencia, fue creado, por la Constituición Federal de 1988, el Atendimento Educacional Especializado (AEE) o Servicio Especial de Educación que, bajo la organización del legislador ordinario, tiene una función de complementar. Sin embargo, no parece estar bien definido el término complementar, ni tampoco lo que sería complementado, lo que lleva a la confusión y dudas respecto a las prácticas del atendimento, sobre todo porque la legislación en un momento habla en “complementación del servicio educativo ofertado en clases de enseñanza común”, en otro habla de “complementación y suplementación de currículo”, “complementación de formación” y “complementación de la educación”. La metodología para esta investigación fue el estudio de la legislación y documentos de referencia elaborados por el Ministerio de Educación, con el objetivo de resolver la cuestión planteada, en particular con respecto a los alumnos con deficiencia Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 150 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] intelectual, ya que la mayoría de las dudas aparecen acerca de ellos. Se concluye que la función complementar del AEE es reducir las barreras cognitivas en términos de capacidad simbólica abstracta a través de la estimulación del alumno con deficiencia. Palabras-clave: Políticas públicas. Educación especial. Servicio especial de educación. Revista Brasileira de Política e Administração da Educação http://seer.ufrgs.br/rbpae/article/view/26413 INCLUSÃO ESCOLAR E ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO NO CONTEXTO DO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO Rogério Drago Resumo Este texto busca discutir as relações entre a construção democrática do projeto político pedagógico e o processo inclusivo de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento ou altas habilidades/superdotação na escola comum, entendendo que o projeto político pedagógico da escola não é algo que deve ser imposto de modo verticalizado, mas é construído dialeticamente com os sujeitos da comunidade escolar. Em relação à inclusão de pessoas com deficiência na escola comum e a garantia de atendimento educacional especializado a este público, esse processo pode ser vislumbrado como um modo de valorizar as diferenças individuais do ser humano enquanto mola propulsora para a democratização do acesso e permanência com qualidade à educação comum. Texto completo: PDF Atendimento Educacional Especializado Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 151 O que é uma Sala de Recursos Multifuncionais - SRMF? São espaços físicos localizados nas escolas públicas onde se realiza o Atendimento Educacional Especializado - AEE. As SRMF possuem mobiliário, materiais didáticos e pedagógicos, recursos de acessibilidade e equipamentos específicos para o atendimento dos alunos que são público alvo da Educação Especial e que necessitam do AEE no contraturno escolar. A organização e a administração deste espaço são de responsabilidade da gestão escolar e o professor que atua neste serviço educacional deve ter formação para o exercício do magistério de nível básico e conhecimentos específicos de Educação Especial, adquiridos em cursos de aperfeiçoamento e de especialização. O que é o atendimento educacional especializado (AEE)? O atendimento educacional especializado (AEE) é um serviço da educação especial que identifica, elabora, e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade, que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas" (SEESP/MEC, 2008). O ensino oferecido no atendimento educacional especializado é necessariamente diferente do ensino escolar e não pode caracterizar-se como um espaço de reforço escolar ou complementação das atividades escolares. São exemplos práticos de atendimento educacional especializado: o ensino da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e do código BRAILLE, a introdução e formação do aluno na utilização de recursos de tecnologia assistiva, como a comunicação alternativa e os recursos de acessibilidade ao computador, a orientação e mobilidade, a preparação e disponibilização ao aluno de material pedagógico acessível, entre outros. O que é tecnologia assistiva e que relação ela tem com a Sala de Recursos Multifuncional ? De acordo com a definição proposta pelo Comitê de Ajudas Técnicas (CAT), tecnologia assistiva "é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação, de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social. (CAT, 2007) Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 152 A tecnologia assistiva é um recurso ou uma estratégia utilizada para ampliar ou possibilitar a execução de uma atividade necessária e pretendida por uma pessoa com deficiência. Na perspectiva da educação inclusiva, a tecnologia assistiva é voltada a favorecer a participação do aluno com deficiência nas diversas atividades do cotidiano escolar, vinculadas aos objetivos educacionais comuns. São exemplos de tecnologia assistiva na escola os materiais escolares e pedagógicos acessíveis, a comunicação alternativa, os recursos de acessibilidade ao computador, os recursos para mobilidade, localização, a sinalização, o mobiliário que atenda às necessidades posturais, entre outros. Como se organiza o serviço de tecnologia assistiva na perspectiva da educação inclusiva? No atendimento educacional especializado, o professor fará, junto com o aluno, a identificação das barreiras que ele enfrenta no contexto educacional comum e que o impedem ou o limitam de participar dos desafios de aprendizagem na escola. Identificando esses "problemas" e também identificando as "habilidades do aluno", o professor pesquisará e implementará recursos ou estratégias que o auxiliarão, promovendo ou ampliando suas possibilidades de participação e atuação nas atividades, nas relações, na comunicação e nos espaços da escola. A sala de recursos multifuncional será o local apropriado para o aluno aprender a utilização das ferramentas de tecnologia assistiva, tendo em vista o desenvolvimento da autonomia. Não poderemos manter o recurso de tecnologia assistiva exclusivamente na sala multifuncional para que somente ali o aluno possa utilizá-lo. A tecnologia assistiva encontra sentido quando segue com o aluno, no contexto escolar comum, apoiando a sua escolarização. Portanto, o trabalho na sala se destina a avaliar a melhor alternativa de tecnologia assistiva, produzir material para o aluno e encaminhar estes recursos e materiais produzidos, para que eles sirvam ao aluno na escola comum, junto com a família e nos demais espaços que frequenta. São focos importantes do trabalho de tecnologia assistiva na perspectiva da educação inclusiva: a tecnologia assistiva numa proposição de educação para autonomia, a tecnologia assistiva como conhecimento aplicado para resolução de problemas funcionais enfrentados pelos alunos, e a tecnologia assistiva promovendo a ruptura de barreiras que impedem ou limitam a participação destes alunos nos desafios educacionais. A tecnologia assistiva é uma área de atuação da educação ou é exclusiva da área clínica? Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 153 O tema da tecnologia assistiva nasceu associado à ideia de reabilitação e era inicialmente vinculado à prática de profissionais da saúde. A mudança de entendimento sobre o que é a deficiência e especialmente o novo modelo biopsicossocial e ecológico de compreendê-la como o resultado da interação do indivíduo, que possui uma alteração de estrutura e funcionamento do corpo, com as barreiras que estão impostas no meio em que vive; mostram-nos que os impedimentos de participação em atividades e a exclusão das pessoas com deficiência são hoje um problema de ordem social e tecnológica e não somente um problema médico ou de saúde. As grandes e mais importantes barreiras estão, muitas vezes, na falta de conhecimentos, de recursos tecnológicos, na não aplicação da legislação vigente, na forma como a sociedade está organizada de forma a ignorar as diferentes demandas de sua população. Nesse sentido, o conceito e a prática da tecnologia assistiva também evolui saindo da concepção de recursos médicos ou clínicos para um bem de consumo de um usuário que busca um apoio tecnológico para resolução de um problema de ordem pessoal e funcional. Nessa perspectiva, o usuário deixa de ser um paciente e assume o papel de quem busca no âmbito da tecnologia assistiva a informação sobre o que é mais apropriado para suprir a sua deficiência e os recursos disponíveis para o seu caso específico. A tecnologia assistiva envolve hoje várias áreas do conhecimento tais como a saúde, a reabilitação, a educação, o design, a arquitetura, a engenharia, a informática, entre outras. A tecnologia assistiva é, acima de tudo, um recurso de seu usuário e a equipe coloca seu conhecimento à disposição para que ele encontre o recurso ou a estratégia que atenda a sua demanda de atuar e participar de tarefas e atividades de seu interesse. Na prática, em se tratando de crianças com deficiência, o lugar por excelência da atuação da tecnologia assistiva é a sala de recursos multifuncional, onde se oferece um serviço que identifica, elabora e disponibiliza recursos que ampliam a participação do aluno com deficiência nos desafios educacionais propostos pela escola comum. Para saber mais (links para arquivos em formato PDF - requerem leitor tipo Adobe Reader): Textos sobre o Atendimento Educacional Especializado. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 154 Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva Atendimento Educacional Especializado e Laboratórios de Aprendizagem: O Que São e a Quem se Destinam (80kB) Livros sobre o Atendimento Educacional Especializado. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. O Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Intelectual A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Os alunos com deficiência visual, baixa visão e cegueira A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Abordagem Bilíngue na Escolarização de Pessoas com Surdez A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Surdocegueira e Deficiência Múltipla A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Recursos Pedagógicos Acessíveis e Comunicação Aumentativa e Alternativa A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Orientação e mobilidade, adequação postural e acessibilidade espacial A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Livro Acessível e Informática Acessível A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Transtornos Globais do Desenvolvimento A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Altas Habilidades/Superdotação AEE - Pessoa com Surdez AEE - Deficiência Física AEE - Deficiência Mental AEE - Deficiência Visual Manual de Acessibilidade Portal de Ajudas Técnicas - Recursos Pedagógicos Adaptados Portal de Ajudas Técnicas - Recursos para Comunicação Alternativa http://editora-arara-azul.com.br/novoeaa/revista/?p=636 ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO: UMA ANÁLISE SOBRE AS SALAS DE RECURSOS MULTIFUNCIONAIS PARA ALUNOS COM SURDEZ Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 155 Por MARILUCE DA SILVA GOULART AMORIM RESUMO: Constata-se que a educação dos surdos continua sendo um grande desafio aos profissionais da educação no que tange seu processo de escolarização. Portanto, à luz da Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva visa refletir acerca do atendimento educacional especializado para alunos surdos nas salas de recursos multifuncionais e como esses espaços podem contribuir no ensinoaprendizagem e na permanência desses alunos no contexto do ensino comum. Enfatiza-se o aspecto bilíngüe considerando a Língua Brasileira de Sinais como a primeira língua (L1) e a Língua Portuguesa como segunda língua (L2). Palavras-Chave: Surdos. Atendimento Educacional Especializado. Sala de Recursos. Bilingüismo. ABSTRACT: It appears that the deafs education remains a major challenge that educators in regard their educational process. Therefore, in allusion of the Special Education Policy in the Perspective Inclusive Education is intended to reflect on the specialized educational service for deaf students in assistances rooms multifunctional and how these spaces can contribute to the teaching-learning and keeping those students in the context of education policy. It emphasizes the bilingual aspect considering the Brazilian Sign Language as the first language (L1) and Portuguese Language as a second language (L2). INTRODUÇÃO: A educação das pessoas com surdez sempre foi e continua sendo um desafio devido às dificuldades linguísticas e sociais impostas a este sujeito ocasionando preconceitos e exclusão. Ao longo da história a educação dos surdos passou por diferentes abordagens educacionais: o Oralismo que tinha por objetivo tornar o surdo um “falante” proficiente da língua oral; a Comunicação Total que defendia a utilização de qualquer recurso linguístico seja a língua de sinais, a língua oral ou códigos manuais, para facilitar a comunicação com as pessoas surdas e o Bilinguismo que tem como Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 156 proposta de ensino a utilização de duas línguas no espaço escolar: a língua de sinais ou primeira língua (L1) e a língua portuguesa como segunda língua (L2), na sua modalidade escrita. Na contemporaneidade, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva (MEC, 2008) apresenta novas possibilidades para as pessoas surdas através do serviço complementar do Atendimento Educacional Especializado na escola, onde a língua de sinais e a língua portuguesa escrita são línguas de comunicação e instrução. A partir das percepções e análises acerca dos projetos educacionais que outrora direcionaram a escolarização das pessoas surdas, surgiu a necessidade de refletir sobre a nova proposta descrita na atual política de educação especial cujo atendimento educacional especializado (AEE), se dá prioritariamente nas salas de recursos multifuncionais. Assim sendo, o objeto de reflexão deste artigo é a Sala de Recurso Multifuncional, ora denominado neste artigo apenas como SRM, visando identificar os objetivos deste espaço de ensino-aprendizagem; quem são os alunos que estão sendo incluídos e encaminhados para este serviço; a metodologia a ser aplicada; bem como apontar os limites e as possibilidades de desenvolvimento das capacidades linguísticas e cognitivas do sujeito surdo proporcionando a partir deste material teórico, novas discussões e construções acerca do tema. 2 – O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO – AEE Por muitas décadas a Educação Especial foi organizada de forma paralela a educação comum, pois esta seria a prática mais apropriada para o atendimento de alunos com deficiência, podendo substituir o ensino regular. Acompanhando o processo de mudança, as diretrizes nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, Resolução CNE/CEB N. 2/2001, no art. 2º, determina que Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizarem-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos. (MEC/SEESP, 2001) Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 157 Assim, o direito ao atendimento educacional especializado previsto nos artigos 58,59 e 60 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), Lei 9.394/96, e também na Constituição Federal de 1988, não substitui o direito a escolarização em turmas de escolas comuns da rede de ensino. Entretanto, as práticas organizativas de atendimento as pessoas com qualquer deficiência, por muito tempo, ocorreram em espaços segregativos e substitutivos a escolarização comum. Nessa perspectiva, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Inclusão ratifica que a Educação Especial é uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, etapas e modalidades de educação e, que na atualidade se estrutura como serviços de apoio e atendimento as necessidades específicas dos educandos para o acesso e sucesso destes nas classes comuns de ensino. Com base neste contexto a nova Política Nacional de Educação Especial orienta para o atendimento educacional especializado (AEE) que “identifica, elabora e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas”. (MEC/SEESP, 2008) É importante ressaltar, como já enfatizado anteriormente, que o atendimento educacional especializado não é substitutivo a escolarização, pois o AEE complementa e/ou suplementa a formação do aluno tendo em vista a autonomia e a independência na escola e fora dela. É realizado de preferência nas escolas comuns, em um espaço denominado Sala de Recursos Multifuncionais. As Salas de Recursos eram organizadas por deficiência o que difere das Salas de Recursos Multifuncionais em que todos os alunos, público-alvo da educação especial, são atendidos: alunos com deficiência sensorial, física e intelectual; alunos com transtornos globais de desenvolvimento; alunos com altas habilidades/superdotação (PNEE, 2008). O desenvolvimento das atividades nas SRM’s organiza-se de forma atender as especificidades destes alunos, portanto o atendimento se dá no mesmo espaço com horas/dias agendados conforme o alunado. De acordo com Fávero (2007, p.29) a função das SRM’s é Garantir que sejam reconhecidas e atendidas as particularidades de cada aluno com deficiência. São consideradas matérias do atendimento educacional especializado: Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS); interpretação de LIBRAS; ensino de Língua Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 158 Portuguesa para surdos; código Braille; orientação e mobilidade; utilização do Soroban; as ajudas técnicas; incluindo informática adaptada; mobilidade e comunicação alternativa/aumentativa; tecnologias assistivas; informática educativa; educação física adaptada; enriquecimento e aprofundamento do repertório de conhecimentos; atividades da vida autônoma e social, entre outras. Frente às proposições explicitadas por Fávero nos deteremos a discorrer acerca do AEE específico para alunos surdos, foco de nossa reflexão. 3 – SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAIS PARA ALUNOS SURDOS: Estrutura, Objetivos, Profissionais e Metodologia Com alunos surdos esse trabalho pedagógico deve ser desenvolvido em um ambiente bilíngue, ou seja, em um espaço em que se utilize a Língua de Sinais como primeira língua (L1) e a Língua Portuguesa como segunda língua (L2) na sua modalidade escrita. Para que a aprendizagem aconteça, segundo Damázio (2005) a SRM deve estruturar-se em momentos didático-pedagógicos distintos: 1. Atendimento Educacional Especializado EM LIBRAS; 2. Atendimento Educacional Especializado para o ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA; 3. Atendimento Educacional Especializado para o ensino DE LIBRAS. Para esclarecer ao leitor, elucidaremos esses três momentos pedagógicos. Quanto ao AEE em LIBRAS este tem como objetivo ministrar os conteúdos curriculares antecipadamente ao trabalhado da sala de aula comum, garantindo uma melhor associação dos conceitos nas duas línguas. O aluno surdo ao ser incluído na classe comum, no contraturno ao atendimento oferecido na SRM, ele participa das atividades escolares através da mediação realizada pelo profissional Tradutor /Interprete de Libras. É claro que esta realidade ainda não é a ideal, haja vista que um espaço verdadeiramente inclusivo requereria que todos os sujeitos ali envolvidos compartilhassem da mesma língua do aluno. No caso dos surdos, a LIBRAS. No espaço da sala de aula, normalmente, a relação direta do aluno surdo com o seu professor não é possível, dando-se, na maioria, através do intérprete. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 159 Outro ponto a ser destacado é que o aluno surdo está alheio as informações, história e conceitos construídos socialmente por conta da barreira linguística. Esses conhecimentos não são fornecidos pela família e os espaços sociais o segregam das informações. Destaca-se ainda, que muitos desses sujeitos não têm uma língua (nem a Língua de Sinais e muito menos a Língua Portuguesa) e, portanto, não sabem ler ou escrever. Esse retrato se dá não apenas com crianças, mas com adultos surdos. Tal realidade, constatada empiricamente através de nossa ação docente, nos leva a propor a reflexão de como alunos surdos são promovidos anualmente sem conhecimento da leitura, da escrita da Língua Portuguesa e ainda, sem proficiência em Língua de Sinais. Nesse contexto, a proposta da SRM para o ensino em LIBRAS objetiva proporcionar a este alunado o acesso a informações sociais e conceitos curriculares que facilite sua compreensão do conteúdo abordado na classe comum e participação ativa na sala de aula. Para tanto, exige-se que o professor da SRM seja um profissional proficiente em Língua de Sinais – Professor (a) Bilíngue, para que dessa forma, haja uma interação direta entre professor e aluno sem que seja necessária a presença do intérprete. Utilizando a Língua de Sinais como língua de instrução, o professor bilíngue desenvolverá materiais didáticos que possibilite a formação de conceitos e acesso a informações, como já explicitado. Respeitando a experiência visual de abstração do aluno surdo a SRM deve está enriquecida com recursos visuais, a partir de uma metodologia dialógica de fortalecimento e enriquecimento dos conteúdos expressos nos materiais utilizados. Destaca-se ainda, a necessidade de possibilitar ao aluno que extrapole o espaço de sala de aula, através de experiências concretas com a realidade estudada, portanto é imprescindível a realização de aulas-passeio que garantam a exploração da experiência visual. Sugere-se também o uso de diversos tipos de expressão artística. Para ilustrar nossas colocações citamos Damázio (2007, p. 26) A organização didática desse espaço de ensino implica o uso de muitas imagens visuais e todo tipo de referências que possam colaborar para o aprendizado dos conteúdos curriculares em estudo, na sala de aula comum. Os materiais e os recursos para esse fim precisam estar presentes na sala de atendimento educacional Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 160 especializado, quais sejam: mural de avisos e notícias, biblioteca da sala, painel de gravuras e fotos sobre temas de aula, roteiro de planejamento, ficha de atividades e outros. No que tange o AEE para o ensino da LÍNGUA PORTUGUESA, este tem como objetivo desenvolver a competência gramatical e linguística, bem como a textual, para que os surdos sejam capazes de gerar sequências linguísticas bem formadas. Entende-se por segunda língua ou L2, a língua que não é a língua oficial do país. Se o aprendiz da língua for brasileiro que não tem a língua portuguesa como primeira língua, como os índios, alguns imigrantes e os surdos (falantes de Língua de Sinais), este aprenderá a língua portuguesa como segunda língua. Para um imigrante ou um índio, a aquisição da língua pode acontecer de forma natural, podendo ou não ter apoio de um ensino formal ou com contatos freqüentes com falantes nativos que facilitará a evolução dessa aprendizagem. No que diz respeito ao surdo a situação é diferente, pois a língua portuguesa é para ele uma segunda língua, visto que a língua de sinais é sua primeira, sendo que o processo de aquisição que deveria ser natural por meio da construção de diálogos espontâneos não acontece, pois a grande maioria das famílias de surdos são ouvintes e não sabe Língua de Sinais, o que faz com que aconteça na escola. Essa aprendizagem formal é fundamentada no Decreto 5.626, de 5 de dezembro de 2005 que determina que as pessoas com surdez têm direito a uma educação que garanta a sua formação, em que a Língua Brasileira de Sinais e a Língua Portuguesa, preferencialmente na sua modalidade escrita, constituam língua de instrução, e que o acesso às duas línguas ocorra de forma simultânea no ambiente escolar, colaborando para o desenvolvimento de todo o processo educativo. Pautado nos princípios legais, o ensino da LÍNGUA PORTUGUESA para surdos deve estar embasado numa metodologia de segunda língua focalizada no estudo nos níveis morfológico, sintático e pragmático, ou seja, o processo de ensinar e de aprender esta língua situa-se na elaboração de textos com coerência. Para tanto, se faz necessário que o espaço da SRM seja rico em diversidades textuais que garantam a familiaridade do aluno surdo com materiais impressos, buscando a priori significá-los através da Língua de Sinais. Sabemos que a maior dificuldade do aluno com surdez reside na apropriação e uso competente da Língua Portuguesa, onde muitas vezes está situado o fracasso Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 161 escolar destes, haja vista que todo material pedagógico é vinculado na língua padrão do país. Dessa forma, a SRM tem como função primordial reduzir ou diluir as dificuldades encontradas neste campo pelo aluno, facilitando assim sua interação com os materiais impressos e uma escrita autônoma. Diante as proposições o trabalho na SRM para o desenvolvimento desta competência deve-se considerar alguns fatores, como discorre Muller (2006 pp.4041) A leitura precisa estar contextualizada. Os alunos que estão se alfabetizando em segunda língua precisam ter condições de compreender o texto. Isso significa que o professor vai precisar dar instrumentos para o seu aluno chegar à compreensão. Provocar nos alunos o interesse pelo tema da leitura por meio de uma discussão prévia do assunto ou de um estímulo visual sobre o mesmo, ou por meio de uma brincadeira ou atividade que os conduza ao tema pode facilitar a compreensão do texto. É, portanto, a partir deste momento inicial, que se vai propor ao aluno elaborações escritas, orientando quanto à combinação de palavras, construções de frases e orações com fim no texto significativo. Antes de adentrarmos no terceiro momento pedagógico é oportuno ressaltar que o atendimento educacional especializado deve ser organizado para atender também alunos que optaram pela aprendizagem da Língua Portuguesa na modalidade oral. O AEE para o ensino DA LIBRAS objetiva em primeiro lugar garantir que o aluno tenha acesso a uma língua, uma vez que muitos surdos não tem. Enriquecer a aprendizagem, favorecendo assim o conhecimento e a aquisição, principalmente de termos científicos. A escola é um espaço linguístico fundamental, pois na maioria das vezes é o primeiro espaço em que a criança surda entra em contato com LIBRAS, visto que na sua grande maioria são filhos de pessoas ouvintes e a aquisição da língua não acontece por que a família não sabe língua de sinais. A língua de sinais é uma língua visual-espacial articulada através das mãos, expressões faciais e do corpo. É considerada uma língua natural que surgiu espontaneamente da interação entre pessoas da comunidade surda. Quadros e Karnopp (2004, p.30) caracterizam a Língua de Sinais Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 162 As línguas de sinais são consideradas línguas naturais e, consequentemente, compartilham uma série de características que lhes atribui caráter específico e as distingue dos demais sistemas de comunicação, por exemplo, produtividade ilimitada (no sentido de que permitem a produção de um número ilimitado de novos temas); criatividade (no sentido de serem independentes de estímulos); multiplicidade de funções (função comunicativa, social e cognitiva (no sentido de expressarem o pensamento); arbitrariedade da ligação entre significante e significado, e entre signo e referente; caráter necessário dessa ligação; e articulação desses elementos em dois planos – o do conteúdo e o da expressão. As línguas de sinais são, portanto, consideradas pela linguística como línguas naturais ou como um sistema linguístico legítimo, e não como um problema do surdo ou como uma patologia da linguagem. Stoke, em 1960, percebeu e comprovou que a língua de sinais atendia a todos os critérios linguísticos de uma língua genuína, no léxico, na síntese e na capacidade de gerar uma quantidade infinita de sentenças. Dada a importância da Língua de Sinais no processo educacional das pessoas surdas, uma vez constatada que esta é o meio de abstrações e elaborações cognitivas, a SRM vai proporcionar esta aprendizagem por meio do professor e/ou instrutor de Libras (preferencialmente surdo) que deve organizar suas aulas de acordo com o estágio de desenvolvimento da Língua de Sinais em que o aluno se encontra, para então iniciar o seu trabalho usando muitas imagens visuais e de todo tipo de referência, também é necessário utilizar recursos pedagógicos, tais como: DVDs, livros, dicionários, reálias, materiais concretos entre outros. O professor e/ou instrutor de acordo com o Decreto 5.626 de 2005 que regulamenta a Lei 10.436/02, denominada Lei de Libras define Professor de Libras como usuário dessa língua com curso de pós-graduação ou com formação superior e certificado com proficiência em Libras obtido por meio de exame promovido pelo Ministério da Educação e Instrutor de Libras como usuário dessa língua com formação de nível médio e com certificado obtido por meio de exame de proficiência em Libras, promovido pelo Ministério da Educação. Este profissional deve desenvolver atividades que estimulem o aluno surdo a se expressar perante um grupo, expor seus pensamentos de forma clara e organizada e através de reálias e materiais concretos, proporcionar experiências de abstração, Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 163 análises, sínteses, descrição, classificação e conceituação. Além de trabalhar também a narração de histórias infantis e a apresentação teatral em Libras. 4 – SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAIS PARA ALUNOS SURDOS: Limites e Possibilidades Antes de nos atermos ao item em questão ressaltamos que as reflexões expressas emergem das leituras de referenciais teóricos, mas também de nossa experiência docente com alunos surdos. É necessário que se busque práticas que beneficiem a participação e a aprendizagem dos alunos surdos tanto em sala comum como no Atendimento Educacional Especializado para que os mesmos estejam de fato incluídos, pois o que observamos são práticas que não condizem com a nova Política Nacional de Educação Especial. A primeira dificuldade encontrada é a não estruturação e implantação das Salas de Recursos Multifuncionais que ainda retratam o modelo anterior, Salas de Recursos que deveriam ser utilizadas para trabalhar as especificidades e dificuldades dos alunos, não passam de ambientes usados somente para responder atividades dos alunos sem que os mesmos entendam o que estão fazendo, pois nestas salas não existe a presença de professores bilíngues e nem metodologias adequadas para desenvolver as atividades. Outro agravante para não ser efetivado o desenvolvimento e aprendizagem destes alunos são os pais que não dão o valor real ao trabalho do AEE, pois acreditam que o fato dos filhos estarem incluídos em uma sala de aula regular é o suficiente para a sua aprendizagem, por isso, na sua maioria, por não ser obrigatória a participação no AEE, os pais deixam de levar as crianças para o atendimento, privando-as de receber esse atendimento tão importante para o seu desenvolvimento pessoal, social e linguístico. Constatamos também que os professores que atuam nestas salas não estão qualificados, não são bilíngues e não acompanharam as mudanças de práticas pedagógicas, para assim acompanhar as práticas pedagógicas vigentes. No que diz respeito aos alunos surdos que deveriam está frequentando o AEE perdem a oportunidade por estarem matriculados na escola em dois turnos e Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 164 encontram dificuldade pelo fato de morarem distante da escola, o que os impossibilita de voltarem à escola no contraturno. Por isso observa-se que mesmo com todas as discussões e diretrizes oficiais acerca da educação de surdos percebe-se que não há grande avanço, pois os surdos são incluídos em salas comuns, onde os currículos são inadequados, onde é imposta a língua portuguesa que para eles é a segunda língua, e onde mesmo com a presença do intérprete de LIBRAS há dificuldade de compreensão do conteúdo pelo fato do próprio surdo não ter fluência em língua de sinais, por ser filho de pais ouvintes, por não participar da comunidade surda ou simplesmente por não frequentar o AEE que poderia contribuir para essa habilidade. Diante das observações supracitadas percebemos que há necessidade que as Salas de Recursos Multifuncionais sejam verdadeiramente estruturadas e implantadas para que os alunos possam se beneficiar do AEE, mas para que isto aconteça é importante que se ofereça formação continuada para os professores, para que estes estejam qualificados para atuar nestas salas, também é importante ressaltar que o professor precisa estar sempre aberto a novas práticas pedagógicas e quando sentir necessidade fazer análise do seu trabalho, para reformulá-lo quando necessário e quando as circunstâncias o exigirem. Em relação aos alunos surdos que não frequentam o AEE, o ideal seria conscientizar as famílias sobre a importância da participação dos alunos neste atendimento por meio de reuniões, palestras ou conversas individuais, mostrando as vantagens deste atendimento na educação destas crianças e outra possibilidade para a ausência destes alunos no Atendimento Educacional Especializado é a Educação Integral, onde o aluno ficaria os dois turnos na mesma escola, onde estaria na sala comum e na SRM, sendo assim beneficiado pelo AEE no contraturno escolar. 5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante das reflexões expressas neste trabalho constata-se que um dos problemas na escolarização dos surdos são as práticas pedagógicas utilizadas, pois nas salas comuns, as aulas são ministradas em língua portuguesa, por professores ouvintes que não têm competência em Língua de Sinais, o que compromete significativamente o processo de aprendizagem e mesmo com a presença do profissional intérprete de LIBRAS, às vezes é impossível a compreensão por parte Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 165 dos alunos, visto que muitas crianças, adolescentes e até adultos não dominam a Língua de Sinais por não frequentarem a comunidade surda. Esta reflexão se estende também ao AEE, pois há necessidade de compromisso e responsabilidade por parte dos profissionais envolvidos no fazer da escolar para que busquem desenvolver capacidades e metodologias condizentes a uma prática que realmente favoreça a eliminação de barreiras que tanto impede o crescimento educacional dos surdos. REFERÊNCIAS: BRASIL. Secretaria de Educação Especial. A educação dos surdos. Brasília: MEC/SEESP, 1997. BRASIL. Decreto 5.626. Brasília: Casa Civil, 2005 BRASIL. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília: MEC, 2008 DAMAZIO, Mirlene Ferreira Machado. Atendimento educacional especializado: pessoa com surdez. São Paulo: MEC/SEESP, 2007. FÁVERO, Eugenia Augusta Gonzaga. Atendimento educacional especializado: aspectos legais e orientações pedagógicas. São Paulo: MEC/SEESP, 2007. QUADROS, Ronice Muller de. Idéias para ensinar Português para surdos. Brasília: MEC/ SEESP, 2006. SALLES, Heloisa Maria Moreira. Ensino de língua portuguesa para surdos. Brasília: MEC/SEESP, 2007. http://scholar.googleusercontent.com/scholar?q=cache:jidjKLzrnHIJ:scholar.google.com/+ate ndimento+educacional+especializado&hl=pt-BR&as_sdt=0 Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 166 AVALIAÇÃO DAS PRÁTICAS EDUCACIONAIS DE UM PROGRAMA DE ATENDIMENTO A ALUNOS SUPERDOTADOS E TALENTOSOS Renata Rodrigues Maia-Pinto1 Denise de Souza Fleith2 Resumo Este estudo teve como objetivo avaliar o rendimento acadêmico e a criatividade de alunos de um programa de atendimento a alunos superdotados e talentosos, investigar a percepção de professores, alunos e mães acerca das atividades e estratégias educacionais implementadas no programa, bem como examinar a extensão em que tais atividades e práticas educacionais se diferenciam das utilizadas em sala de aula regular. Participaram do estudo 77 alunos, do ensino fundamental e médio, que frequentavam o programa; 11 professores que atuavam no programa, 6 professores de sala de aula regular e 6 mães de alunos do programa. Os resultados indicaram que alunos com habilidade em áreas acadêmicas apresentaram rendimento acadêmico superior aos da área artística que, por sua vez, obtiveram escores superiores no teste de criatividade. A percepção de professores, alunos e mães acerca das atividades empregadas no programa era positiva. As práticas educacionais utilizadas no programa diferenciavam-se moderadamente das implementadas na sala de aula regular. Palavras-chave: Práticas educacionais; Alunos superdotados; Avaliação de Programa educacional. INTRODUÇÃO A presença, em sala de aula, de crianças com características fora do padrão da classe é uma constante preocupação para os educadores. Quase sempre, trabalhar com essa criança é um desafio para o professor. Quando o aluno apresenta um rendimento abaixo da média da classe, o professor logo percebe. As ações para este fim são, hoje, bem divulgadas no ambiente escolar e há um certo consenso de que esta criança precisa de um atendimento extra ou de estratégias de ensino especiais que favoreçam o seu desenvolvimento. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 167 No entanto, se a criança apresenta um desempenho acima da média, sobressaindose de alguma maneira, na maioria das vezes, o que acontece é o reconhecimento de que este é um ótimo aluno, com um futuro brilhante. Entretanto, são oferecidas, a este aluno, poucas oportunidades de incremento de suas habilidades. Neste sentido, muitos estudiosos têm chamado a atenção para a importância de se reconhecer e estimular, em sala de aula, o potencial de alunos superdotados e talentosos (Callahan, 1986; Renzulli, 1986; Tomlinson, 1995; Guenther, 2000; Alencar & Fleith, 2001; Maia-Pinto & Fleith, 2002). Muitas definições de superdotação têm sido propostas (Renzulli, 1986; Davis & Rimm, 1994; Freeman & Guenther, 2000; Heller, Mönks, Sternberg & Subotnik, 2000; Alencar & Fleith, 2001). Alencar e Fleith (2001) afirmam, por exemplo, que “superdotação é um construto psicológico a ser inferido a partir de uma constelação de traços ou características de uma pessoa” (p. 52). Sugerem que uma definição só deve surgir depois que houver uma discussão de metas ou objetivos gerais a serem alcançados em um determinado programa. A definição de superdotação que consta nas Diretrizes Gerais para o Atendimento Educacional dos Alunos Superdotados e Talentosos (Ministério da Educação, 1995) e que é adotada por alguns programas brasileiros considera crianças superdotadas e talentosas as que apresentam notável desempenho e/ou elevada potencialidade em qualquer dos seguintes aspectos, isolados ou combinados: capacidade intelectual superior, aptidão acadêmica específica, pensamento criador ou produtivo, capacidade de liderança, talento especial para artes visuais, artes dramáticas e música e capacidade psicomotora. Entretanto, segundo Renzulli (1986, 1999, 2001), esta concepção, apesar de abranger diversas áreas, não leva em conta fatores afetivos. Para ele, as seis categorias não são paralelas, uma vez que as categorias aptidão acadêmica e artes são áreas de desempenho e as demais são processos que podem se manifestar em áreas de desempenho. Nesse sentido, o autor propõe uma definição de superdotação denominada concepção dos três anéis, que afirma ser a superdotação o resultado da interação de três fatores: habilidade acima da média, envolvimento com a tarefa (motivação) e criatividade. Habilidade acima da média, que seria o primeiro anel, envolve duas dimensões: (a) habilidades gerais, que consistem na capacidade de processar Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 168 informações, de integrar experiências que resultem em respostas apropriadas e adaptadas a novas situações e na capacidade de se engajar em novas situações; e (b) habilidades específicas, que consistem na capacidade de adquirir conhecimento, prática e habilidades para atuar em uma ou mais atividades de uma área específica. Motivação ou envolvimento com a tarefa, o segundo anel, refere-se a uma forma refinada e direcionada de motivação, uma energia canalizada para uma tarefa em particular ou uma área específica. Criatividade, o terceiro anel, envolve aspectos que geralmente aparecem juntos na literatura: fluência, flexibilidade e originalidade de pensamento e, ainda, abertura a novas experiências, curiosidade, sensibilidade e coragem para correr riscos. Vale observar que a criatividade não está, exclusivamente, relacionada à área artística, mas a qualquer área de interesse do aluno. É importante ressaltar que os três anéis não precisam estar presentes ao mesmo tempo e nem na mesma intensidade, mas é necessário que interajam em algum grau para que possa resultar em um alto nível de produtividade. Esta definição foi utilizada no presente estudo porque, além de incluir fatores intelectuais e afetivos do desenvolvimento do aluno superdotado, apresenta um forte embasamento empírico e está constantemente sendo revista e avaliada (Gubbins, Emerick, Delcourt, Newman & Imbeau, 1995; Renzulli, 1999; Westberg & Archambault, 1995). É importante destacar, ainda, que a adoção de uma definição específica de superdotação deve estar em harmonia com as práticas e serviços educacionais oferecidos aos alunos com altas habilidades. Estratégias Educacionais Direcionados aos Alunos Superdotados Existem hoje, em diversas escolas brasileiras, programas para atendimento a alunos especiais. Porém, a grande maioria está direcionada para crianças infradotadas. Segundo Fleith (1999), a idéia de que o aluno superdotado tem recursos suficientes para desenvolver habilidades e produzir conhecimento é um mito que se reflete no uso limitado de práticas educativas direcionadas a esta clientela. É necessário que se desenvolvam estratégias educacionais que atendam às necessidades dos alunos superdotados e talentosos. Neste sentido, algumas práticas educacionais têm sido usualmente indicadas para o trabalho com o aluno superdotado (Renzulli, 1994; Renzulli & Reis, 1997; Fleith, 1999; Alencar & Fleith Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 169 2001). Dentre elas, podem ser ressaltados o enriquecimento, a compactação, a modificação ou diferenciação curricular e a aceleração do aluno superdotado. Segundo Alencar e Fleith (2001), atividades de enriquecimento podem ser implementadas em salas de aula regular ou em salas especiais. Geralmente, estas atividades são implementadas individualmente, com cada aluno por meio do estudo independente, ou são organizadas investigações em pequenos grupos de interesse nos quais são oportunizados minicursos e desenvolvimento de centros de interesses. Um exemplo desta modalidade é o Modelo de Enriquecimento Escolar (Renzulli, 1986, 2001; Renzulli & Reis, 1997) que propõe a inclusão, em cada unidade do currículo regular, de serviços instrucionais que ajustem o conteúdo e estratégias educacionais às características dos alunos, incrementem a quantidade e a qualidade das experiências deste aprendizado e ofereçam vários tipos de enriquecimento às experiências escolares. Já a aceleração é um processo que “permite que a criança mova-se através do currículo em áreas que o aluno domina, no ritmo dele” (p. 111). O aluno pode avançar, em uma ou mais matérias, para séries em que se encaixar melhor ou pode, ainda, participar de classes especiais. A modificação e a diferenciação curricular são estratégias que visam atender aos interesses individuais dos alunos e reforçar seu potencial de aprendizado em uma ou mais áreas. Nesse sentido, são oferecidas aos alunos, atividades desafiadoras que despertam a sua motivação e que propiciam uma maior realização acadêmica. Os resultados de pesquisas têm indicado (Westberg & Archambault, 1995; Westberg, Archambault & Brown, 1997; Fleith, 1999) que a preparação do professor é um fator decisivo para a implementação e bom andamento de um programa para alunos superdotados. Para que sejam implantadas estratégias que realmente proporcionem o desenvolvimento do potencial e/ou do talento deste aluno, é de fundamental importância que o professor tenha segurança a respeito da definição de superdotação, saiba identificar as habilidades e necessidades especiais do aluno superdotado, estabeleça uma meta para o desenvolvimento de um planejamento específico e saiba organizar os vários tipos de material e estratégias de ensino. Avaliação de Programa para Superdotados e Talentosos Para Cook e Shadish (1986), a avaliação de um programa social produz conhecimento sobre o seu valor e de suas partes constituintes. Este conhecimento Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 170 pode ser usado, no mínimo, para fazer com que os programas respondam melhor aos problemas sociais a que se propõem solucionar. Renzulli (1975) defende que a avaliação de programas é um processo que envolve avaliação de informações, tomada de decisão e ação para melhoria do programa. Para ele, o propósito da avaliação não é apenas estabelecer escores ou classificações que expressem sucesso ou falha de um determinado programa. Ao contrário, a avaliação deve se constituir em um meio de identificação de circunstâncias e condições que resultem em mudanças. Ainda, segundo Renzulli (1975), para que uma avaliação exerça um papel construtivo e positivo no processo de educação, deve-se verificar, até que ponto, os objetivos do programa estão sendo executados, prever consequências inesperadas e não planejadas, identificar políticas e atividades que contribuam para o sucesso ou fracasso em áreas particulares, prover feedback contínuo em estágios intermediários durante o curso do programa e sugerir ações alternativas para modificações no programa. Portanto, o presente estudo visa avaliar um programa de atendimento ao superdotado e talentoso no que diz respeito às estratégias educacionais empregadas, verificando a extensão em que elas se diferenciam das implementadas em sala de aula regular e atendem, de fato, às necessidades dos alunos que frequentam o programa. As questões de pesquisa investigadas neste estudo foram: Existem diferenças entre alunos diagnosticados e alunos em observação no Programa de Atendimento aos Alunos Portadores de Altas Habilidades e Talentosos com relação ao rendimento acadêmico e nível de criatividade, bem como entre alunos talentosos e alunos com habilidades acadêmicas? Qual é a percepção dos alunos acerca das atividades e estratégias educacionais desenvolvidas no Programa de Atendimento a Portadores de Altas Habilidades e Talentosos? Qual é a percepção dos professores de sala de aula regular acerca das atividades e estratégias educacionais desenvolvidas no Programa de Atendimento a Portadores de Altas Habilidades e Talentosos? Qual é a percepção dos professores da sala de recursos acerca das atividades e estratégias educacionais desenvolvidas no Programa de Atendimento a Portadores de Altas Habilidades e Talentosos? Qual é a percepção das mães dos alunos atendidos acerca das atividades e estratégias educacionais desenvolvidas no Programa de Atendimento a Portadores de Altas Habilidades e Talentosos? Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 171 MÉTODO Delineamento Um delineamento quase experimental (Gall, Borg & Gall, 1996) foi utilizado para responder à questão 1. As questões de pesquisa 3 e 5 foram investigadas por meio de procedimentos qualitativos. As questões 2, 4 e 6 foram investigadas utilizando-se procedimentos qualitativos e quantitativos (delineamento fatorial para as questões 2 e 4, e análise descritiva para a última questão). Participantes Participaram deste estudo 77 alunos, de ambos os gêneros, do ensino fundamental e do ensino médio de escolas públicas e particulares do DF, que frequentavam três salas de recursos do Programa para Alunos Portadores de Altas Habilidades e Talentosos da Secretaria de Educação do Distrito Federal (duas no Plano Piloto3 e uma localizada em uma Região Administrativa). Participaram, ainda, dez professores que atuavam nestas salas de recursos, uma professora itinerante do programa, seis professores regentes e seis pais de alunos atendidos no programa. Alunos. Dos 77 alunos participantes, 20 frequentavam salas de recursos do Plano Piloto (10 na sala de recursos A e 10 na sala de recursos B) e 57 eram da sala de recursos de uma região administrativa (sala de recursos C). A idade média destes alunos era de 11,3 anos, variando entre 7 e 18 anos. Trinta e oito cursavam o primeiro ciclo do ensino fundamental (1ª a 4ª série), 31 cursavam o segundo ciclo do ensino fundamental (5ª a 8ª série) e oito cursavam o ensino médio. Dentre os 77 alunos, 31,2% eram do gênero feminino e 68,8% eram do gênero masculino e 87% eram de escolas públicas e 13% de escolas particulares. Com relação à área de habilidade destes alunos, 58,4% foram indicados para a área de habilidades acadêmicas, 28,6% foram indicados para a área de talentos (área artística) e 13% para ambas as áreas. Professores do Programa. Este estudo contou com a participação de 11 professores do programa para superdotado, sendo 54,5% do gênero feminino e 45,5% do gênero masculino. A idade média dos participantes era 39,20, variando entre 30 e 52 anos. Todos os professores tinham curso superior completo. Sete professores haviam Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 172 recebido treinamento na área de superdotação. O tempo médio de experiência no magistério era de 12,20 anos, variando entre 2 e 23 anos. Professores Regentes. Também participaram deste estudo seis professores regentes que ministravam aulas aos alunos que compuseram a subamostra. Dentre eles, cinco eram do gênero feminino e um do masculino. A idade média destes participantes era de 35,67 anos variando entre 23 e 51 anos. Todos os professores tinham curso superior. Apenas um professor tinha algum tipo de treinamento na área de superdotação. Mães de Alunos. As mães dos seis alunos entrevistados integraram, ainda, a amostra deste estudo. A idade média era de 40,50 anos variando entre 33 e 45 anos. A profissão das participantes variava: analista de sistemas, auxiliar de faturamento, cabeleireira, do lar, fisioterapeuta e professora de matemática. Apenas uma mãe relatou ter feito um curso de pós-graduação em nível de mestrado. Programa de Atendimento a Alunos Portadores de Altas Habilidades e Talentosos da Secretaria de Educação do Distrito Federal Desde 1977, a Secretaria de Educação do Distrito Federal promove um atendimento para alunos portadores de altas habilidades e talentosos. O principal objetivo desse atendimento, segundo a Secretaria de Educação do Distrito Federal, (1994) é “proporcionar atendimento especializado ao aluno da rede oficial de ensino do Distrito Federal, identificado como portador de altas habilidades, promover um processo de identificação e acompanhamento do processo de diagnóstico dos alunos que apresentam aspectos indicativos de altas habilidades, e desenvolver sistemática de atendimento às necessidades educacionais complementares do aluno com altas habilidades” (13). A definição de superdotação adotada neste programa é aquela que consta nas Diretrizes Gerais para o Atendimento Educacional dos Alunos Superdotados e Talentosos (Ministério da Educação, 1995). A partir de 2001, o Modelo de Enriquecimento Escolar, proposto por Renzulli (1986, 2001), foi adotado no programa. Uma equipe de 42 professores e 5 psicólogos atende cerca de 631 alunos distribuídos em treze diferentes salas de recursos localizadas em Brasília, sendo cinco no Plano Piloto e oito nas Regiões Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 173 Administrativas. Nessas salas, o aluno recebe atendimento duas vezes por semana em horário contrário ao horário de sala de aula regular. Atividades de enriquecimento são oferecidas nas áreas acadêmicas (ciências, matemática, leitura e informática) e de talentos (artes plásticas, artes cênicas, música e educação física). 3 O Plano Piloto é a região de Brasília/DF onde residem predominantemente indivíduos de status socioeconômico médio e alto, enquanto que as Regiões Administrativas (antigas cidades-satélites) são habitadas, na maior parte, por indivíduos de poder aquisitivo mais baixo. Os professores que atuam no atendimento, bem como psicólogos e pedagogos das equipes que avaliam os alunos superdotados, participam, periodicamente, de cursos de atualização periodicamente com professores do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília. Instrumentos Teste do Pensamento Criativo – Produção de Desenhos (TCT-DP). O TCT-DP (Urban & Jellen, 1996) visa avaliar o nível de criatividade dos indivíduos, identificar aqueles com alto potencial criativo. O instrumento consiste em uma folha de teste que oferece alguns fragmentos de desenho como estímulos a serem completados de uma forma livre. Os critérios são: (a) continuação ou extensão dos seis segmentos apresentados; (b) complemento, adição ou suplemento dado aos segmentos; (c) novos elementos, novas figuras ou símbolos; (d) conexões feitas com linhas a qualquer um dos segmentos; (e) conexões feitas para a produção de um tema; (f) ultrapassagem de limite do fragmento fora do quadrado; (g) ultrapassagem do limite da moldura; (h) qualquer tentativa de romper as duas dimensões com intenção de perspectiva; (i) humor e afetividade, afeição, emoção, poder expressivo; (j) não-convencionalidade A ou manipulação da folha; (l) não-convencionalidade B ou elementos surrealistas, abstratos, ficcionais, (m) não-convencionalidade C ou o uso de símbolos ou signos; (n) não-convencionalidade D ou utilização nãoestereotipada dos fragmentos; e (o) velocidade ou tempo gasto para a produção do desenho. O escore final é resultado do somatório de pontos atribuídos a cada um dos critérios mencionados anteriormente. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 174 Resultados de análise fatorial indicaram que as cargas dos fatores (critérios) mensurados eram altas (0,48 a 0,78). O índice de fidedignidade entre juízes variou de 0,89 a 0,97. Além disso, Cropley e Cropley (2000) encontraram um índice de fidedignidade do tipo teste-reteste de 0,75 e de avaliação entre juízes de 0,94 para o TCT-DP. O Teste de Pensamento Criativo foi selecionado para este estudo por ser um teste não-verbal passível de ser usado em culturas diversas e ser de fácil e rápida aplicação (Urban & Jellen, 1996). A avaliação das respostas fornecidas pelos alunos foi realizada, inicialmente, pela pesquisadora deste estudo e, posteriormente, por uma psicóloga treinada, especializada em diagnóstico de alunos superdotados. Questionário de Atividades de Classe (CAQ). Trata-se de um instrumento que avalia o clima instrucional de sala em aula considerando-se quatro dimensões: atividades envolvendo processos básicos de pensamento, atividades envolvendo processos superiores de pensamento, enfoque em sala de aula e clima de sala de aula (Steele, 1981). O instrumento foi construído tendo como suporte a Taxonomia dos Objetivos Educacionais (Bloom, Engelhart, Frust, Hill & Krathwohl, 1956). Atividades envolvendo processos básicos de pensamento dizem respeito àquelas cuja ênfase recai em operações cognitivas como memória, transcrição e interpretação. Exemplos de itens são: “espera-se que o aluno vá além das informações oferecidas pela professora” e “é esperado que o aluno descubra consequências do que aprenderam e como usar essas informações.” As atividades que envolvem processos superiores de pensamento dizem respeito àquelas que enfatizam operações cognitivas como aplicação, análise, síntese e avaliação. Exemplos de itens são: “a interpretação de questões e a lógica do raciocínio têm uma grande importância” e “as atividades principais desta classe envolvem inventar, desenhar e compor.” O foco em sala de aula diz respeito às oportunidades de discussão e debates oferecidas aos estudantes, pressão em relação a notas e pontuações e ao papel do professor como provedor de informações e do aluno como participante ativo ou passivo. Exemplos de itens são: “a classe participa ativamente de debates” e “há pouca oportunidade dos alunos participarem de debates.” O clima de sala de aula diz respeito ao entusiasmo e ao envolvimento dos alunos nas atividade de sala Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 175 de aula; atividades que promovam a independência do aluno; aceitação de diversos pontos de vista e soluções de problema em sala de aula; liberdade de expressão do senso de humor dos alunos; expressão de diversos sentimentos e valores, tempo consumido em sala com aulas expositivas; e quantidade de tarefas extra-classe. Os seguintes itens são exemplos desta dimensão: “são aceitos, nesta classe, muitos pontos de vista e soluções para os problemas” e “existem poucas brincadeiras ou risos nesta classe.” Os índices de fidedignidade do instrumento variam de 0,76 a 0,88 (Steele, 1981). Entrevistas. Entrevistas semi-estruturadas foram conduzidas com professores da sala de recursos (n=11), professores de sala de aula regular (n=6), alunos do programa (n=6) e mães destes alunos (n=6) com a finalidade de investigar a percepção dos entrevistados acerca das atividades e estratégias de ensino implementadas no programa, bem como obter dados demográficos sobre eles. Alguns exemplos de questões formuladas aos entrevistados foram: (a) para os professores da sala de aula regular: Você tem informação de como esse aluno foi indicado para o programa? Você poderia descrever esse aluno? Como você define superdotação? Essa definição é baseada em sua experiência ou em alguma teoria?; (b) para os professores da sala de recursos: Quais são os objetivos do programa de enriquecimento? Que referencial teórico embasa esse programa? Qual é o seu conceito de superdotação?; (c) para alunos do programa: Há quanto tempo você participa da sala de recursos? Você pode descrever as atividades desenvolvidas na sala de recursos? As atividades na sala de recursos são diferentes da sala de aula regular? Como? e; (d) para mães as mães dos alunos: O Sr.(a) tem informações acerca dos objetivos do programa? Como o Sr.(a) as obteve? O Sr.(a) tem informações sobre as atividades desenvolvidas no programa? Que tipo de informações e de que maneira elas chegaram até você? O Sr.(a) notou alguma mudança em seu(sua) filho(a) desde que ele(a) passou a frequentar o programa? Qual?. Procedimentos A primeira etapa deste estudo constituiu-se da autorização da Secretaria de Educação do Distrito Federal para a realização deste estudo; do contato com a coordenadora do programa que indicou as salas de recursos para coleta de dados; Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 176 da autorização dos pais dos alunos para que seus filhos pudessem participar da pesquisa. Nesta fase foi, também, realizado um estudo piloto com o objetivo de verificar se os itens e a escala de respostas do Questionário de Atividades de Classe (CAQ) eram claros e compreendidos por crianças de 2a, 3a e 4a séries do ensino fundamental. Verificou-se, ainda, o tempo necessário para aplicação do instrumento para as diferentes faixas etárias. Na segunda etapa, foram aplicados os instrumentos Questionário de Atividades de Classe (CAQ) (Steele, 1981) e Teste do Pensamento Criativo – Produção de Desenhos (Urban & Jellen, 1996). Uma vez instruídos sobre o preenchimento do CAQ, os participantes responderam o questionário individualmente. O mesmo procedimento foi utilizado na aplicação do TCT-DP. Em seguida, o CAQ foi aplicado nos professores. Na terceira etapa ocorreram entrevistas com professores do programa, alunos, professores regentes e mães de alunos que foram entrevistados individualmente em salas reservadas nas escolas onde estavam instaladas as salas de recursos. Seis alunos de 3a a 6a séries, que frequentavam o programa, foram sorteados e entrevistados. Posteriormente, foram entrevistados os professores regentes destes seis alunos. Com relação aos professores dos alunos de 5a a 8a séries foram convidados para entrevista aqueles professores que atuavam nas áreas de habilidade dos alunos entrevistados. Em seguida, as mães dos seis alunos entrevistadas foram entrevistadas. Foi solicitado, ainda, aos professores e alunos das salas de recursos que providenciassem os boletins dos alunos com as notas do primeiro semestre de 2001. As escolas enviaram os boletins de 36 alunos. No entanto, 19 eram avaliações qualitativas e somente 17 eram boletins com notas. Portanto, os dados relativos ao rendimento acadêmico basearam-se nestes 17 boletins. RESULTADOS Os dados de pesquisa relativos à questão de pesquisa 1 foram analisados por meio de teste t. A variável independente foi grupo (ex: alunos, em observação, que estavam frequentando o programa há menos de três meses e alunos, diagnosticados, que já frequentavam o programa há mais de seis meses) e as Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 177 variáveis dependentes foram criatividade, medida pelo TCT-DP, e rendimento acadêmico, definido pela média das notas obtidas no ano de 2001. Os dados relativos à comparação da percepção entre alunos e professores com relação às atividades desenvolvidas na sala de recursos (questões de pesquisa 2 e 4) foram tratados por meio de uma análise de variância multivariada (MANOVA). A variável independente foi grupo (ex: professores e alunos) e as variáveis dependentes foram as quatro dimensões avaliadas no CAQ (atividades envolvendo processos básicos de pensamento, atividades envolvendo processos superiores de pensamento, enfoque e clima de sala de aula). Para análise dos dados obtidos relativos às questões de pesquisa 2, 3, 4 e 5, uma abordagem qualitativa foi usada. A partir deste enfoque, os dados foram tratados por meio de uma análise de conteúdo. Unidades de significância (códigos) foram designadas para os dados coletados. Essas unidades foram agrupadas e categorias foram geradas. A análise se completou com a relação estabelecida entre as categorias produzidas (Strauss & Corbin, 1990). Resultados da Questão de Pesquisa 1 Com relação ao rendimento acadêmico nos 1o e 2º semestres do ano de 2001, os resultados indicaram que não houve diferença significativa entre alunos com habilidades acadêmicas e alunos talentosos com relação ao rendimento acadêmico no 1º semestre (t[14]=0,19; p=0,85). Entretanto, foram observadas diferenças significativas entre os dois grupos no que diz respeito ao rendimento acadêmico no 2o semestre (t[14]=2,28; p=0,04). Os alunos com habilidades acadêmicas apresentaram desempenho superior (M=7,74; DP=1,19) quando comparados aos alunos talentosos (M=6,36; DP=1,21). Os resultados apontaram, ainda, diferenças significativas entre o rendimento acadêmico no 1o e no 2o semestres de alunos talentosos (t[8] 2,51; p = 0,04). Esses alunos apresentaram um declínio no rendimento acadêmico entre o 1o semestre (M=7,76; DP=1,23) e o 2o semestre (M= 6,36; DP= 1,21). Foi também verificado, se existiam diferenças no nível de criatividade entre alunos com habilidades acadêmicas (n=44), alunos talentosos (n=20) e alunos indicados para ambas as áreas (habilidades acadêmicas e talento) (n=10). Foram observadas diferenças significativas entre os alunos com habilidades acadêmicas e alunos Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 178 talentosos (p=0,006). Esses (M=52,75; DP=11,52) apresentaram um desempenho superior aos primeiros (M=44,98; DP = 6,64). Resultados da Questão de Pesquisa 2, 3, 4 e 5. A percepção de professores, alunos e mães acerca das atividades e estratégias educacionais empregadas no programa, de maneira geral, era positiva. Entretanto, notou-se a falta de informações sobre os objetivos e o trabalho desenvolvido no programa por parte de pais e professores da sala de aula regular. Seis alunos foram entrevistados a respeito das atividades desenvolvidas nas salas de recursos. As respostas dos alunos relacionadas aos tipos de atividades desenvolvidas nas salas de recursos foram distribuídas em quatro categorias: atividades acadêmicas, atividades artísticas, atividades com recursos instrucionais e atividades de recreação. Dentre as atividades acadêmicas citadas, destacam-se pesquisas em livros, leitura e escrita de textos e poemas, jogo de xadrez e confecção de maquetes. As atividades artísticas referiam-se a desenhos, pinturas e exposição de trabalhos. Atividades com recursos instrucionais envolviam o uso de materiais considerados diferentes, fitas de vídeo e atividades extra-classe. Já as atividades de recreação referiam-se àquelas consideradas divertidas e lúdicas. Quando questionados se as atividades da sala de recursos se diferenciavam das atividades da sala regular, apenas um aluno respondeu que não. Todos os seis alunos responderam que gostavam de frequentar a sala de recursos e os motivos apresentados geraram três categorias de respostas: (a) clima de sala de aula (espaço para brincadeiras, descanso, liberdade e prazer pelo trabalho), (b) interação social (colegas e professor amigos) e aspectos acadêmicos (oportunidade de aprendizagem e pesquisa, ensino de qualidade). Foi perguntado, ainda, aos alunos se haviam sido informados sobre o porquê e como foram indicados para trabalhar na sala de recursos. Dois alunos responderam que não sabiam. Foi perguntado aos seis professores da sala de aula regular dos alunos como eles definiam superdotação e em que baseavam esta definição. As definições de superdotação apresentadas pelos professores foram divididas em três categorias: (a) desenvolvimento acima da média (em termos de habilidade, capacidade e desempenho acadêmico), (b) traços de personalidade (questionador, interessado) e Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 179 (c) habilidades cognitivas (dificuldade em organizar ideias, visão futurista). Nenhum professor desenvolvia, de maneira sistemática e planejada, algum trabalho diferenciado com seus alunos. Um professor afirmou que desenvolvia um trabalho de monitoria envolvendo alunos com mais facilidade e alunos com dificuldades. Outro professor afirmou que desenvolvia um trabalho paralelo para atender às perguntas, de seus alunos, que estavam “mais além da turma.” Outros trabalhos desenvolvidos eram atividades em grupo, indicação de bibliografia relacionada ao interesse do aluno. Perguntou-se, aos professores da sala de recursos, qual o conceito de superdotação que eles adotavam. As respostas mais frequentes foram relacionadas ao conhecimento e/ou habilidade acima da média (dimensão cognitiva, aluno com habilidade acima da média em uma ou mais áreas), envolvimento com a tarefa (dimensão afetiva, empenho pessoal, paixão pelo que faz, desenvolvimento de trabalhos em quantidade, com qualidade e persistência) e criatividade (destaque na área artística, comportamento de originalidade, apresentação de ideias criativas e brilhantes). Os professores apresentaram respostas como: “crianças com habilidade acima do normal em diversas áreas ou em uma só”, “comportamento de originalidade, empenho pessoal, paixão pelo que faz”, “habilidades nitidamente observadas que a pessoa tem”, “indivíduo talentoso ou com habilidade em uma área que desenvolvem trabalhos em quantidade, com qualidade e persistência” e “aluno que passa além dos testes, se sobressai em situações, emite respostas e ideias criativas e brilhantes”. Uma das perguntas dirigidas aos professores dizia respeito aos tipos de atividades e estratégias desenvolvidas na sala de recursos. As repostas para essa questão foram agrupadas em cinco categorias: objetivos (trabalhar a área de interesse do aluno, trabalhar a habilidade do aluno; desenvolver a socialização, o raciocínio, a forma de expressão; desenvolver a criatividade; desenvolver a capacidade crítica por meio da construção do conhecimento), estratégias (trabalho prático, mobilidade da criança em sala, enriquecimento de conteúdos, auto-avaliação do aluno, discussões de temas); produto (produção de textos, histórias em quadrinhos, pesquisas na internet, projetos coletivos e individuais por interesse, jogos e desenhos); papel do professor (facilitador, ensinar, mediar, ajudar, direcionar); características diferenciadas da sala de aula regular (não tem um programa definido, há diversidade de ofertas de Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 180 atividades, há muitos debates, não há exigência de cumprimento de metas em determinado tempo). Para conhecer a opinião das mães a respeito do programa foi elaborado um roteiro de entrevista contendo sete perguntas abertas. A primeira pergunta investigava as informações que as mães tinham sobre o programa e como elas foram obtidas. No geral, as mães tinham poucas informações sobre os objetivos do programa. As respostas apresentadas foram distribuídas em três categorias: atividades sociais (ajudar instituições de caridade, trabalho social), atividades acadêmicas (trabalhar assuntos que a criança tenha curiosidade, trabalhar assuntos diferentes da sala de aula regular) e desenvolvimento do aluno (desenvolver áreas de interesse, expandir habilidades). As mães afirmaram que o contato que elas mantinham com os professores das salas de recursos era o “contato de porta de sala” na hora da entrada ou da saída do aluno. Em relação aos pontos positivos do programa, as respostas das mães foram distribuídas em quatro categorias: desenvolvimento de habilidades, atividades acadêmicas, atividades sociais e afetividade. As questões de pesquisa 2 e 4 foram também investigadas por meio de dados obtidos no Questionário de Atividades de Classe (CAQ). Uma análise multivariada de variância (MANOVA) foi realizada para verificar se havia alguma diferença entre a percepção de alunos e de professores com relação às quatro dimensões referentes às atividades de sala de aula. Os resultados indicaram diferenças significativas entre os dois grupos (Wilks’ Lambda=0,65, F[4,63]=8,66; p = 0,0001). Os alunos (M=3,38; DP=0,34; n=57) avaliaram o enfoque de sala de aula mais positivamente do que os professores (M=2,56; DP=0,45; n=11). Com relação ao clima de sala de aula, os professores (M=3,73; DP=0,21) apresentaram uma avaliação mais positiva do que os alunos (M=3,37; DP=0,45). Em termos descritivos, é importante ressaltar que a dimensão mais bem avaliada pelos alunos foi a relativa aos processos superiores de pensamento, enquanto clima de sala de aula foi a dimensão mais bem avaliada pelos professores. Por outro lado, a dimensão que apresentou média mais baixa, segundo os alunos, foi enfoque em sala de aula e, conforme avaliação dos professores, a dimensão processos básicos de pensamento obteve média mais baixa. DISCUSSÃO E CONCLUSÃO Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 181 Ao se verificar possíveis diferenças entre alunos com habilidades acadêmicas e alunos talentosos com relação ao rendimento acadêmico, apenas duas diferenças foram significativas. Alunos com habilidade acadêmica obtiveram melhor rendimento acadêmico quando comparados aos alunos talentosos. A análise mostrou também, que os alunos talentosos tiveram uma queda de rendimento entre o primeiro e o segundo semestre de 2001. Esses resultados parecem refletir a desvalorização das habilidades artísticas no contexto escolar. O desenvolvimento de habilidades acadêmicas pode ser considerado prioritário em sala de aula. Nesse sentido, parece haver uma ruptura entre o que é valorizado em sala de aula regular e na sala de recursos. Entretanto, em função do número limitado de alunos da amostra, sugere-se a condução de novas investigações. As análises, verificando o nível de criatividade de alunos com habilidades acadêmicas, talentosos ou indicados para ambas áreas, geraram alguns pontos interessantes que corroboram a literatura da área (Cropley, 1999; Plucker, 1999; Rejskind, 2000; Massé & Gagné, 2002). Os resultados assinalaram que alunos talentosos apresentaram nível de criatividade superior aos alunos com habilidades acadêmicas. Há uma tendência em relacionar criatividade à área artística e poucas são as estratégias que visam ao desenvolvimento da criatividade em outras áreas de estudo. Isso nos remete a um mito de que quando se trabalha com a área acadêmica não se trabalha com a criatividade e, tampouco, se promove um ambiente descontraído e com humor (Amabile, 1989; Csikszentmihalyi, 1996; Starko,1995; Alencar, 2001; Alencar & Fleith, 2001). Entretanto, segundo a definição do três anéis (Renzulli, 1986), criatividade pode ser influenciada por práticas educacionais e desenvolvida por meio de estimulação e treinamento. Dados do presente estudo assinalam que o dobro do número de alunos do gênero masculino é atendido no programa quando comparado ao de alunos do gênero feminino. Dentre estes, a maioria foi indicada para a área de talentos, ao passo que a maior parte dos alunos do gênero masculino foi indicada para a área de habilidades acadêmicas. Esse fato aponta para a existência de estereótipos sexuais interferindo na indicação de alunas para o programa. De acordo com Reis (1987), providências devem ser tomadas de maneira a minimizar barreiras de natureza social nos próximos anos. Portanto, é essencial um esclarecimento maior aos Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 182 professores e pais, por parte dos professores itinerantes e psicólogos, de que o potencial superior em uma área não está vinculado, necessariamente, ao gênero do aluno. Arieti (1976) e Alencar e Fleith (2003) também destacam o número reduzido de oportunidades oferecidas às mulheres para expressar sua criatividade em áreas específicas, com menor encorajamento para um desenvolvimento pleno de talentos criativos em vários domínios. A percepção dos alunos acerca das atividades e estratégias implementadas no programa é positiva. No sentido de esclarecer pontos sobre a capacidade de julgamento de alunos jovens e sobre a representação que fazem de seus professores, Salvador e cols. (2000) afirmam que os alunos formam uma imagem ideal de seu professor e essa imagem influi na representação que fazem de seu professor. Nesse sentido, fatores afetivos, tais como disponibilidade dirigida ao aluno, o respeito e o afeto que lhe transmite e a capacidade de mostrar-se acolhedor e positivo, constituem o eixo sobre o qual se baseiam as representações dos alunos. De acordo com os autores, o peso desses fatores é mais elevado quanto mais baixo for o nível de escolaridade dos alunos. À medida que este aumenta, os fatores equilibraram-se com outros de natureza acadêmica (domínio do conteúdo, diversidade de técnicas instrucionais adotadas pelo professor, etc.). É importante ressaltar que a maior parte dos alunos que participou do presente estudo cursava entre a 3a e 5a série do ensino fundamental. Resultados obtidos por Virgolim e Gubbins (2001) assinalam, também, uma percepção positiva de alunos acerca das atividades desenvolvidas em um programa para superdotado. Segundo estes alunos, o programa era uma oportunidade de aprendizagem mais aprofundada de tópicos de seus interesses. As mães, apesar de avaliarem satisfatoriamente o programa, tinham poucas informações acerca dos seus objetivos e das atividades ali desenvolvidas. Elas expressaram a necessidade de maior esclarecimento e de uma orientação profissional a respeito da melhor maneira de se acompanhar e incentivar seus filhos. Uma família bem-informada e consciente do fenômeno da superdotação poderá acompanhar o desempenho de seus filhos superdotados no contexto educacional, avaliar a extensão em que suas necessidades estão sendo atendidas, bem como discutir com a escola práticas psicoeducacionais complementares de atendimento a Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 183 estes alunos. Segundo Alencar e Fleith (2001), uma parceria entre escola e família é de fundamental importância no processo de desenvolvimento cognitivo e afetivo do aluno superdotado. Da mesma maneira, os professores da sala de aula regular relataram uma falta de conhecimento ou informações a respeito do programa. Os professores da sala de recursos não tinham nenhuma forma sistematizada de comunicação com os professores regentes de seus alunos e, tampouco, estes em relação àqueles. Um dos objetivos do Modelo de Enriquecimento Escolar (Renzulli, 1986; Renzulli & Reis, 1997) é estabelecer uma parceria e um ambiente de cooperação entre professores da sala de aula regular e professores da sala de recursos. O que se observa é uma falta de integração entre o trabalho desenvolvido no programa e o implementado no ensino regular. Muitos professores da sala de aula regular apresentaram dificuldade em identificar seus alunos que participavam do programa. Isso, provavelmente, é reflexo da ausência de uma definição clara do conceito de superdotação por parte destes professores. Eles, tampouco, desenvolviam estratégias de ensino específicas para trabalhar com estes alunos. Alguns mitos surgiram dos conceitos apresentados, como por exemplo, de que superdotação é sinônimo de genialidade ou que o superdotado se destaca, especialmente, em termos de rendimento acadêmico. A importância de se ter uma definição de superdotação deve-se ao fato de que, dentro da escola, o professor, à luz deste entendimento, poderá facilitar o desenvolvimento de seu aluno, estimulando seus interesses e habilidades, provendo oportunidades de desenvolvimento profissional e indicando-o para programas especiais (Shaughnessy, Stockard, Stanley & Siegel, 1996; Webstby, 1997; Chan & Chan, 1999; Maia-Pinto & Fleith, 2002). Nesse sentido, Galloway e Porath (1997) afirmam que a concepção inadequada do professor sobre superdotação pode resultar em uma expectativa inapropriada sobre o aluno superdotado, colocando-o em risco. A maior parte dos professores, que reconhecia traços diferenciados em seus alunos, usava estratégias que não atendiam às necessidades de alunos superdotados. Os trabalhos desenvolvidos eram, em sua maior parte, de monitoria, de trabalho paralelo para atender dúvidas “diferenciadas” e sugestão de bibliografias. Há, na literatura (Siegel & Moore, 1994; Porath, 1997; Westberg, Archambault & Brown, 1997; Tirri, Tallent-Runnels & Adams, 1998; Maia-Pinto & Fleith, 2002) algumas Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 184 descrições de estratégias semelhantes adotadas com esse tipo de clientela sem muito êxito. A partir dos resultados, pôde-se observar que os professores têm um conceito relativamente bem formado a respeito de superdotação, mas que possuem um conhecimento limitado a respeito do modelo adotado. Neste sentido, treinamentos em forma de palestras e aulas expositivas, aos quais os professores vêm se submetendo nos últimos anos, parecem não ser a alternativa mais promissora. Sugere-se o acompanhamento, supervisão e avaliação, sistemática e contínua, com o professor de suas práticas na sala de recursos. Detectou-se, também, uma falta de comunicação não apenas entre a família e professores do programa, mas entre estes e os professores da sala de aula regular, sendo aconselhável que este grupo fosse incluído em grupos de discussão e reuniões de orientação sobre as atividades desenvolvidas no programa. Sugere-se, ainda, uma maior interação entre professores e psicólogos do programa. Nesse sentido, pode ser afirmado que o Modelo de Enriquecimento Escolar vem sendo gradualmente implementado nas salas de recursos, mas ainda não está totalmente internalizado pelo professor, haja vista a transferência gradual da teoria para a prática. A educação do aluno superdotado e talentoso constitui um desafio para educadores e psicólogos. Por isso, estes profissionais precisam se instrumentalizar no sentido de ter subsídios teóricos e práticos para implementar atividades e estratégias que atendam, de fato, às necessidades daquele grupo. REFERÊNCIAS Alencar, E. M. L. S. (2001). Criatividade e educação de superdotados. Petrópolis: Vozes. Alencar, E. M. L. S. & Fleith, D. S. (2001). Superdotados: determinantes, educação e ajustamento. São Paulo: E.P.U. Alencar, E. M. L. S. & Fleith, D. S. (2003). Barreiras à criatividade pessoal entre professores de distintos níveis de ensino. Psicologia, Reflexão e Crítica, 16, 63-69. Amabile, T.M. (1989). Growing up creativity. Nurturing a lifetime of creativity. Buffalo, NY: Creative Education Foundation. Arieti, S. (1976). Creativity. The magic synthesis. New York: Basic Books. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 185 Bloom, B. S., Engelhart, M. D., Frust, E. J., Hill, N. H. & Krathwohl, D. R. (1956). Taxonomy of educational objectives: The classification of educational goals. Cognitive domain. New York: David MacKay. Callahan, M .C. (1986). Asking the right questions: The central issues in evaluating programs for the gifted and talented. Gifted Child Quarterly, 30, 38-42. Chan, D. W. & Chan, L. K. (1999). Implicit theories of creativity: Teachers’ perception of student characteristics in Hong Kong. Creativity Research Journal, 12, 185-195. Colangelo, N. & Davis, G. A. (Orgs.). (1997). Handbook of gifted education (2a ed.). Needham Heights, MA: Allyn and Bacon. Cook, T. C. & Shadish, W.R., Jr. (1986). Program evaluation: The world science. Annual Review Psychology, 37, 193-232. Cropley, A. J. (1999). Creativity and cognition: Producing effective novelty. Roeper Review, 21, 253-261. Cropley, D. H. & Cropley, A. .J. (2000). Fostering creativity in engineering undergraduates. High Ability Studies, 11, 207-219. Csikszentmihalyi, M. (1996). Creativity. New York: Harper Collins. 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Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 188 Revista Brasileira de Educação Especial Print version ISSN 1413-6538 Rev. bras. educ. espec. vol.11 no.3 Marília Sept./Dec. 2005 doi: 10.1590/S1413-65382005000300005 RELATO DE PESQUISA INTERAÇÃO ENTRE PROFESSORA E ALUNOS EM SALAS DE AULA COM PROPOSTA PEDAGÓGICA DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA1 2 Simone Cerqueira da Silva ; 3 Maria Salete Fábio Aranha RESUMO Correntes teóricas presentes na literatura científica têm demonstrado a importância das relações interpessoais para o processo de construção do conhecimento. É no contexto da interação professor e aluno que se configura a relação entre as necessidades educacionais dos alunos e as respostas pedagógicas a elas disponibilizadas, o que envolve o domínio do conhecimento pelo professor, sua capacitação técnico-científica, a competência de ensinar pesquisando, as características sócio-culturais e o perfil psicológico dos atores sociais envolvidosprofessor e aluno. Buscando melhor compreender este universo, elaborou-se este estudo que teve como objetivo descrever as interações ocorridas entre uma professora, e seus alunos, em classes em que se propunha adotar uma prática pedagógica inclusiva. Os dados foram coletados em 2 salas de aula, em escola estadual de Ensino Fundamental, no município de Bauru. O processo de coleta de dados se deu através do registro da realidade de sala de aula em vídeo tape. Optouse por este método, por permitir a recuperação posterior dos dados. A coleta se deu no transcorrer do 1º semestre do ano letivo de 2001. A análise fundamentou-se em sistema prévio de categorias, e tratou os dados quantitativa e qualitativamente. Os resultados demonstraram peculiaridades e diferenças nas interações da professora com os seus alunos, em função da presença ou ausência da deficiência. Indicaram, também, que a interação vem demonstrando avanços na prática educacional, no que diz respeito à atenção pedagógica, da professora, ao aluno com deficiência. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 189 Palavras-chave: educação inclusiva; interação entre professor - aluno; necessidades educacionais especiais. 1 INTRODUÇÃO O tema da educação inclusiva tem despertado, no meio educacional, angústias e entusiasmos. A mudança de um sistema educacional, que se caracterizou tradicionalmente por ser excludente e segregatório, para um sistema educacional que se comprometa efetivamente a responder, com qualidade e eficiência, às necessidades educacionais de todos, inclusive às dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, exige um processo complexo de transformação, tanto do pensar educacional, como da prática cotidiana de ensino. Todo processo de transformação dessa natureza constitui uma mudança de paradigma, o que, geralmente provoca nas pessoas diversas reações, dentre as quais ansiedade, medo, rejeição, resistência, interesse, entusiasmo. Geralmente, constata-se que inicialmente as pessoas começam a mudar o discurso na direção do politicamente esperado e considerado correto, mantendo, entretanto, padrão de comportamento semelhante ao já conhecido. No caso do tema aqui focalizado, o paradigma da construção de sistemas educacionais inclusivos, em desenvolvimento, requer relações interpessoais que sejam eficientemente acolhedoras para todos, ou seja, que atendam às necessidades educacionais de todos, inclusive dos que apresentam necessidades educacionais especiais. Para Leontiev (1978, p. 272), a educação é o processo que possibilita a formação do indivíduo através de sua apropriação dos resultantes da história social e sua conseqüente objetivação nessa história. Nesse sentido, tem-se que é pela educação que o indivíduo se apropria das características do gênero humano. Características que, segundo Duarte (1993, p. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 190 40), foram criadas e desenvolvidas ao longo do processo de objetivação, gerado, a partir da apropriação da natureza pelo homem. O processo educativo formal, conforme aponta Boneti (1997), ocorre dentro de um espaço real de ação e interação, para enriquecimento da identidade sócio-cultural dos que dele participam, espaço esse chamado escola. Para Saviani (1991), a função da escola é estender, a todos os seus alunos, o conhecimento elaborado e sistematizado, fundamental para que as pessoas tenham maior liberdade de ação pela assimilação e internalização do conhecimento, a partir do processo de ensino e de aprendizagem. Considerando não somente os conteúdos acadêmicos, Mello (1997) diz, ainda, que cabe à escola a função de estabelecer padrões de convivência social. Neste momento histórico da realidade brasileira, o que se espera é o avanço na direção da construção de um sistema educacional que cumpra efetivamente com o proposto pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996), favorecendo a formação de cidadãos críticos e responsáveis, possibilitando o acesso ao saber científico e à sua utilização crítica e funcional rotineira, e desta forma, atuando na construção de uma sociedade mais igualitária e humana. É no espaço da relação entre professor e aluno que a formação do cidadão se realiza, efetivando a missão maior da educação. Diversos autores têm demonstrado a importância das relações entre o professor e o aluno para o processo de desenvolvimento e de aprendizagem desse aluno. Para Hinde (1979), uma relação implica em algum tipo de interação intermitente entre duas pessoas, envolvendo intercâmbios durante um período estendido no tempo, tendo as mesmas, algum grau de mutualidade, de modo que o comportamento de uma leva em consideração o comportamento da outra. Vygotsky (1994) propõe que as funções psicológicas superiores originam-se das relações reais entre indivíduos humanos, já que no decurso do desenvolvimento, as Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 191 atividades são inicialmente coletivas / sociais (interpsíquicas) para depois se tornarem atividades individuais / propriedades internas do pensamento. Tomando como pressupostos os conteúdos propostos pelos autores acima citados, entende-se as interações e a relação entre o professor e seus alunos variáveis essenciais no processo bi-direcional de construção da aprendizagem e do desenvolvimento humano. Salvador (1994), referindo-se ao contexto da sala de aula, destaca que a unidade básica de análise deixa de ser a atividade individual do aluno e passa a ser a atividade articulada e conjunta do aluno e do professor em torno da realização de tarefas escolares. Constata-se, então, que os sujeitos, professor e aluno, são os atores dessa entrelaçada teia de relações que permeia a instituição escolar e que se apresenta como o fio da meada do processo educacional. Para Aranha e Laranjeira (1995, p.9) [...] é preciso estabelecer, sob novas bases, a relação entre o professor e o aluno, de modo que se repense ambos os papéis, refletindo sobre a bi-direcionalidade e a interdependência que configuram as relações pessoais, para que nos fiquem claras as suas conseqüências. Os estudos sobre a relação entre professor e aluno nem sempre foram tratados a partir do princípio da reciprocidade, da mutualidade e bi-direcionalidade. Carvalho (1986) também se dedicou à análise da literatura sobre a relação entre professor e aluno, e constatou que todos os trabalhos enfatizavam que o professor era o elemento que mais falava, e o comportamento do aluno influenciava de maneira diversificada o comportamento do professor. Por outro lado, posteriormente, Machado (1987) considerou que as pesquisas não privilegiavam a influência do aluno, realçando somente o poder que o professor tinha sobre ele, e que, embora os conceitos de interação e reciprocidade fossem referidos, havia uma certa inconsistência aí embutida. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 192 Em 1990, Gil revisou diferentes pesquisas realizadas sobre as relações entre professor e aluno, e verificou a existência de dois grandes grupos de trabalhos que se distinguem pela ênfase dada ora ao rendimento do aluno, e ora às características da interação entre professor e aluno. A autora ainda enfatiza que, embora tais estudos considerassem a interação entre professor e aluno como objeto de estudo, a maioria tratava apenas da influência do comportamento verbal do professor sobre o aluno. A consideração da relação enquanto sistema requer um deslocamento de foco de análise, na direção de um olhar bi-direcional, no qual o aluno influencia o processo de ensino e é por este influenciado. O professor deixa de ser o único responsável pelos resultados alcançados no processo de ensino e de aprendizagem, e constatase que o que o aluno faz, exerce influência sobre a ação do professor. Faz-se necessário salientar aqui o deslocamento do foco de análise, deixando de centrar-se no sujeito, unilateral, para centrar-se na relação, contexto bi-direcional e multideterminado. Conforme a literatura citada, são escassos os estudos que consideram o fator da mútua determinação entre professor e aluno. Faz-se necessário então, compreender como funciona e quais são os papéis desempenhados nessa relação. No que se refere ao seu funcionamento, Aranha e Laranjeira (1995) mencionam que a relação entre o professor e o aluno está configurada por uma assimetria, tanto no que se refere ao nível de escolaridade, quanto à experiência de vida, habilidades sociais e complexidade intelectual. Diferenças essas, que pontuam os diferentes papéis que ambos exercem. Quanto ao papel do professor, as autoras consideram que um professor, para cumprir o seu papel pedagógico, precisa ser um profissional-cidadão, capaz do uso do exercício da consciência crítica e do domínio efetivo do saber que socializa na escola. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 193 É fato que o modo de ser do professor, seu jeito de pensar, agir e sentir repercutirá no comportamento dos alunos, bem como a imagem e a concepção que o aluno tem do professor irá interferir na ação do professor. A exigência de educação continuada vem se acentuando desde 1996, com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que reconhece a diversidade no contexto escolar. A construção de uma sociedade inclusiva é de fundamental importância para o desenvolvimento e a manutenção de um estado democrático. No âmbito da educação, a opção política pela construção de um sistema educacional inclusivo vem coroar um movimento para assegurar a todos os cidadãos, inclusive aos com deficiência, a possibilidade de aprender a administrar a convivência digna e respeitosa numa sociedade complexa e diversificada (ARANHA, 2002). A escola se torna inclusiva à medida que reconhece a diversidade que constitui seu alunado e a ela responde com eficiência pedagógica. Para responder às necessidades educacionais de cada aluno, condição essencial na prática educacional inclusiva, há que se adequar os diferentes elementos curriculares, de forma a atender as peculiaridades de cada um e de todos os alunos. Há que se flexibilizar o ensino, adotando-se estratégias diferenciadas e adequando a ação educativa às maneiras peculiares dos alunos aprenderem, sempre considerando que o processo de ensino e de aprendizagem pressupõe atender à diversificação de necessidades dos alunos na escola (BRASIL, 1999). A educação para todos implica, portanto, um sistema educacional que reconhece, respeita e responde, com eficiência pedagógica, a cada aluno que nele se encontra inserido. A Educação Especial vem contribuir nesse processo, como uma modalidade de ensino que serve a todas as demais modalidades e níveis de escolarização. Responsável especialmente pelo segmento populacional que apresenta necessidades educacionais especiais, deve tanto atender necessidades específicas Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 194 e peculiares do aluno, como também oferecer suporte técnico-científico ao professor da classe regular que o atende. Pensar na Educação Inclusiva como uma possibilidade de construção de uma sala de aula melhor, na qual alunos e professores sintam-se motivados a aprender juntos e respeitados nas suas individualidades, parece que realmente pode vir a ser um progresso na história da educação brasileira. No processo de construção de uma classe inclusiva, as relações entre professor e aluno surgem como elemento de fundamental importância, já que é no contexto das relações que o respeito e a atenção pedagógica flexível e individualizada vão se efetivar. Sabe-se que desde que o movimento pela construção de sistemas educacionais inclusivos foi se fortalecendo, inclusive amparado legalmente, alunos com deficiência começaram a ser matriculados e a freqüentar classes regulares no ensino comum. A inserção destes alunos nas classes regulares, entretanto, não garantem, por si só, uma prática inclusiva de ensino. Assim, entende-se importante investigar como estão se dando as relações nesse contexto. Existe diferença na relação entre professor e aluno, quando o aluno tem ou não uma deficiência? As características dessas relações afetam o processo de ensino e de aprendizagem? O estudo dos aspectos acima apontados não se mostrou freqüente na literatura científica pesquisada, já que não se constatou nenhuma publicação realizada no período de 1990 a 2001, em pesquisa bibliográfica realizada em 34 periódicos, 4.697 artigos (SILVA, 2003). Em 2002, Braga (2002) investigou as interações sociais entre uma professora não especialista e um aluno autista, em ambiente regular considerado inclusivo. A autora utilizou o recurso da filmagem, usando uma filmadora assentada em tripé, com o foco direcionado diretamente sobre o aluno autista. Para a análise dos dados, a autora utilizou um sistema de categorias, adaptação de sistema desenvolvido por Aranha Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 195 (1991). As conclusões obtidas pela autora confirmaram alguns dados já comentados anteriormente e elucidaram outros, até então não apontados pela literatura. A autora confirmou que a professora foi quem manteve o controle do início das interações, e que muitas das iniciativas do aluno autista sugeriram a intenção de obter aproximação, atenção e reconhecimento da professora. Na década de 80, Dorval, Mckinney e Feagans (1982), estudando sobre a relação entre o professor e seus alunos, apontaram que o professor iniciava mais interações com os estudantes que tinham dificuldade de aprendizagem do que com os alunos que obtinham média, mas que esse início de conversação se referia à falta de atenção ou infração de regras por esses alunos. Confirmando esses apontamentos, Siperstein e Goding (1985) ao estudarem a interação entre o professor e seus alunos, deficientes e não deficientes, mostraram que as iniciativas e respostas dos professores, para os estudantes com deficiência, foram mais negativas e corretivas do que com os estudantes sem deficiência. No ano posterior, Slate e Saudargas (1986) evidenciaram que os estudantes com dificuldade de aprendizado recebiam mais contatos individualizados com o professor, mas esses contatos diziam respeito ao seu engajamento em outras atividades, diferentes da atividade didática; logo, o tempo das atividades acadêmicas com os alunos com deficiência não era significativo, ao contrário do tempo despendido com os alunos que obtinham média. Tais estudos indicam as problemáticas vivenciadas no contexto de sala de aula, especialmente nas relações entre alunos e professor, e o quanto essas relações podem prejudicar ou impedir a eficiência do funcionamento que se almeja na educação inclusiva. A partir da preocupação com o discurso inclusivo que tem permeado o debate social e acadêmico, entendendo a relação entre o professor e o aluno como uma importante via de mediação da construção do conhecimento e da aprendizagem e norteadas pelos resultados acima expostos de poucos estudos realizados acerca dessa temática, elaborou-se este estudo, tendo por objetivo caracterizar a relação Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 196 entre professora e alunos, em uma sala de aula institucionalmente considerada inclusiva, em unidade escolar da rede pública de ensino, no Estado de São Paulo. 2 MÉTODO Foram participantes deste estudo 2 professoras e seus respectivos alunos. A professora A, que lecionava na turma A, tinha, em sala de aula, 7 alunos do sexo masculino e 14 do sexo feminino. A faixa etária desses alunos era de 8 a 13 anos. A professora B, que lecionava na turma B, tinha, em sala de aula, 12 alunos do sexo masculino e 15 do sexo feminino. A faixa etária desses alunos era de 9 a 17 anos. Na turma A, 2 alunos tinham deficiência mental e na turma B, 3 alunos tinham deficiência, sendo: 1 com deficiência mental, 1 com deficiência mental e física e 1 com deficiência auditiva e física. Os demais alunos não apresentavam indicação nem diagnóstico formal de deficiência. Os dados foram coletados em 2 salas de aula, ambas pertencentes a uma escola estadual de ensino fundamental, em bairro residencial da cidade de Bauru, interior do estado de São Paulo. Para a coleta dos dados, empregou-se, uma filmadora da marca Panasonic, modelo RJ 27. Optou-se pela filmagem em VT, já que esta estratégia de coleta de dados permite sua recuperação seqüencial, quantas vezes for necessária, para a efetivação da análise. As filmagens foram realizadas no transcorrer do 1º semestre de um ano letivo. Foi necessário efetuar várias sessões de filmagem até que os participantes se habituassem com a presença da câmera e da pesquisadora, deixando de a elas responder. Os dias para a filmagem foram sorteados, de modo que a professora não sabia em qual dia e horário a pesquisadora compareceria à sala de aula. Definiu-se como interação "uma verbalização ou ação motora de um sujeito dirigida clara e diretamente a outro, seguida de verbalização ou de ação motora deste para o Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 197 primeiro" (HINDE, 1979; CARVALHO, 1986; ARANHA, 1991). Considerou-se, um episódio um conjunto de interações que tratam de um mesmo assunto, o que passou a ser a unidade de análise (ARANHA, 1991). A partir dessa definição, a análise dos dados percorreu 6 diferentes passos. 1 Elaboração de um sistema de categorias. Para descrever o contexto interativo entre professor e alunos, foi necessário assistir à filmagem inúmeras vezes, bem como considerar o que a literatura apresentava a respeito dessa temática, para, então, criar as categorias que permitissem a obtenção da resposta pretendida no objetivo do estudo. Assim sendo, chegou-se à constituição de um sistema de categorias: quem inicia, quem responde, como inicia, como responde, conteúdo, situação em que ocorre, orientação, quem interrompe e como interrompe. 2 Elaboração das planilhas de registro. A fim de obter dados suficientes para descrever a interação entre professor e alunos, foi necessária a construção de planilhas de registro que tivessem campos para a descrição dos dados quanto ao conteúdo da interação, bem como quanto à qualidade da interação. Assim, as planilhas foram construídas de modo que nelas fosse possível registrar O QUE os sujeitos estão fazendo juntos e COMO o faziam juntos (HINDE, 1979). 3 Equalização temporal dos dados. Considerando que o tempo de filmagem diferiu de sessão para sessão, optou-se por adotar, como material para análise, o conteúdo coletado num período de tempo correspondente ao da sessão de menor duração. Buscou-se, assim, garantir, através do controle da variável tempo, a igualdade de oportunidades para ocorrência das interações. Assim, foi analisado o material coletado nos 10 primeiros minutos de cada sessão de coleta, na turma A, e nos 15 primeiros minutos de cada sessão na turma B. 4 Classificação dos episódios, nas categorias que constituíram o sistema de análise. À medida que se foi efetivando sua classificação, percebeu-se necessário acrescentar e/ou retirar algumas categorias, para que se pudesse realmente representar o conjunto de interações. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 198 5 Participação de consultores na classificação das unidades de análise. Eles foram orientados pela pesquisadora sobre como deveriam proceder para classificar os episódios constantes da sessão de filmagem sorteada, bem como foram dadas as devidas instruções para preenchimento das planilhas de registro. O índice de concordância entre a pesquisadora e o consultor 1, bem como entre a pesquisadora e o consultor 2, foi de 50%, mostrando-se abaixo do índice pretendido (85%). A partir disto, o sistema foi revisto, focalizando especialmente as categorias que apresentavam maior índice de discordância (conteúdo, como inicia e como interrompe), reorganizando-as e tornando-as mais claras e objetivas. Posteriormente, solicitou-se aos mesmos consultores que classificassem novamente os episódios. Os índices de concordância, nessa segunda etapa, alcançaram o índice 100%, o que indica que o sistema alcançou o nível desejado de clareza e objetividade. 6 Tratamento quantitativo e qualitativo dos dados. Finda a fase de classificação dos episódios, desenvolveu-se tratamento matemático, calculando-se as freqüências absolutas e as relativas dos dados constantes de cada categoria. Após o tratamento matemático, desenvolveu-se análise qualitativa, buscando-se a compreensão do significado dos dados obtidos. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO TURMA A A tabela 1 mostra as freqüências absolutas e relativas dos episódios interativos ocorridos a cada sessão. Estes ocorreram entre as díades professora (P) e alunos não deficientes (A), professora (P) e alunos com deficiência mental (DM), professora (P) e grupo (G), alunos não deficientes (A) e professora (P), e alunos com deficiência mental (DM) e professora (P). Na tabela 3 encontram-se os dados obtidos, lembrando que a primeira letra indica o sujeito que iniciou a interação. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 199 Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 200 A maioria das interações ocorridas na turma A foi iniciada por alunos não deficientes e dirigidas para a professora (55%). A professora, por sua vez, iniciou 42% dos episódios. Os resultados constatados neste estudo diferem dos de Bertoldo (1985), que afirmou que mesmo quando os alunos participam muito em sala de aula, a participação da professora como iniciadora dos contatos é maior. Esta característica pode ser indicativa de que a professora desta turma permitiu, aos alunos, espaço para sua maior participação no processo de ensino e de aprendizagem. Com relação ao aluno com deficiência mental, este iniciou 3% dos episódios interativos ocorridos com a professora. Tais resultados mostraram-se consistentes com os de Macintosh et al. (1993), nos quais os alunos com dificuldades de aprendizagem interagiam em taxas inferiores a Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 201 dos demais alunos. Este autor aponta ainda que a falta de individualização no ensino poderia estar determinando a menor participação do aluno com dificuldades, o que também pode ser verdadeiro neste estudo. Por outro lado, Braga (2002), em estudo que investigou a interação entre a professora e um aluno autista, em sala inclusiva, constatou que o aluno autista iniciou mais contatos, com a professora, que o aluno não autista. Faz-se necessário, porém salientar que este dado parece ter ocorrido, nesse estudo, em função da sistemática de registro utilizada, que focalizava constantemente o aluno autista e não o aluno não autista. A professora se dirigiu ao aluno com deficiência nas sessões 1, 3, 4, 5, 8 e 9. As sessões 1, 4, 5, e 9 foram aquelas nas quais a professora mais freqüentemente se dirigiu a ele, iniciando interação. Em ordem decrescente, constata-se que as iniciativas da professora, para interagir com esses alunos, ocorreram nas seguintes freqüências: 61% (1), 42% (9), 31% (4), 28% (5), 14% (3), 5%(8). Por sua vez, o aluno com deficiência mental iniciou contato interativo com a professora, nas sessões 3,4,5,8 e 9, ou seja, na maioria das sessões em que esta também a ele se dirigiu. Nas sessões 2, 6, e 7 a professora não iniciou contato com o aluno com deficiência nenhuma vez e ele também não iniciou contato com a professora nas sessões 1, 2, 6, e 7. Considerando que, embora a professora não tenha interagido com os alunos com deficiência em 3 sessões, a mesma apresentou o maior número de iniciativas com o aluno com deficiência e isto pode, nessas sessões, tê-lo motivado a também tomar iniciativas de interação, no contexto da mútua determinação. Por outro lado, o fato do aluno com deficiência tomar iniciativas pode, também, ter motivado a professora a estabelecer contato interativo com ele. Isto parece vir ao encontro do que Carvalho (1986) constatou em estudo que focalizou alunos não deficientes, no qual pôde demonstrar que o comportamento Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 202 destes alunos influenciava de maneira diversificada o comportamento do professor e que a responsividade do professor era função do grau de participação destes alunos. Esta influência também foi evidenciada por Gil (1991), quando afirmou que a participação dos alunos indicava uma relação de dependência com as ações da professora. Da mesma forma, Macintosh et al. (1993), referindo-se à baixa interação entre o professor e o aluno, comentou que o professor raramente interagia com o aluno com dificuldade de aprendizagem, padrão reproduzido também pelo aluno. Já com os alunos não deficientes, a professora iniciou contatos interativos em todas as sessões. Isto pode se explicar pelo número de alunos não deficientes na sala de aula, que excede, em muito, o número de alunos com deficiência, e do tempo de coleta que se mostra reduzido, quando comparado com o tempo total de aula diária. Objetivando-se detectar padrões na interação entre a professora e os alunos com deficiência, e entre a professora e os alunos não deficientes, dividiu-se o número de episódios ocorridos, a cada sessão, entre a professora e o aluno não deficiente, pelo número de alunos não deficientes nela presentes, e o número de episódios ocorridos, a cada sessão, entre a professora e o aluno com deficiência, pelo número de alunos com deficiência, que estavam presentes na sessão. Com estes cálculos, a tabela 2 apresenta os índices obtidos. Este padrão reproduz o que Dorval, Mckinney e Feagans (1982), Slate e Saudargas (1986) descreveram: que a professora iniciava mais interações com os alunos que tinham dificuldades de aprendizagem, do que com os demais alunos da sala de aula, mesmo tratando-se de conteúdo para discriminar, repreender e punir estes alunos. Por outro lado, esses índices contradizem o que foi posteriormente constatado por Macintosh et al. (1993), pois os autores concluíram que o professor raramente manifestou interação com os alunos com dificuldade de aprendizagem. É interessante lembrar que estes resultados referem-se exclusivamente às sessões de coleta de dados, não sendo possível generalizá-los para todos os momentos da sala de aula. Assim, estes e os demais resultados dizem respeito a uma amostra, limitada, de como são as interações entre professor e alunos nesta turma. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 203 Na tabela 3 os episódios são classificados por sessão, segundo os conteúdos: indeterminado (IND), solicitação de atenção (SAT), solicitação de informação (SIN), prestação de informação (PIN), solicitação de ação (SAC), solicitação de objeto (SOB), oferecimento de objeto (OOB), repreensão (REP), ensino (ENS), elogio (ENS). De todos os episódios ocorridos entre o aluno com deficiência mental - e a professora, 54% deles foram solicitação de atenção, distribuídos em 4 das 5 sessões em que o aluno com deficiência mental iniciou contatos com a professora. Foi na sessão 9 que ocorreram os conteúdos prestação de informação, solicitação de informação e ensino. Isto pode ter ocorrido dada a natureza da atividade desenvolvida nesta sessão, a saber, exercícios de Língua Portuguesa. Há ainda que se ressaltar que 100% das situações nas quais se constatou estes conteúdos ocorreram nos momentos em que a professora circulava pela sala de aula. O conteúdo elogio esteve presente em 27% dos episódios, e o conteúdo ensino em outros 27%. Já o conteúdo repreensão ocorreu uma única vez na sessão 5, representando 9% dos episódios. Diante desses dados, tem-se que entre o aluno com deficiência mental e a professora, as interações eram, predominantemente de solicitação de atenção, de elogio e de ensino, o que difere substancialmente do constante na literatura, que diz que o professor, ao interagir com o aluno com deficiência, o faz, para repreender (DORVAL, MCKINNEY e FEAGANS, 1982; SIPERSTEIN e GODING, 1985; SLATE e SAUDARGAS, 1986). Entre a professora e o aluno com deficiência mental, o conteúdo ensino esteve presente em 57% dos episódios e ocorreu em 4 das 6 sessões em que esta díade interagiu. O conteúdo solicitação de informação foi identificado em 32% dos episódios e esteve presente em todas as sessões. Já o conteúdo elogio foi identificado em 14% dos episódios, e ocorreu em 3 das 6 sessões. Diante desses dados, tem-se que entre a professora e o aluno com deficiência mental, as interações eram, predominantemente, de ensino, de solicitação de informação e de elogio. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 204 Comparando os resultados obtidos entre as díades professora e o aluno com deficiência mental (quando a professora inicia a interação) e entre o aluno com deficiência mental e a professora (quando o aluno inicia a interação), tem-se que o aluno com deficiência, ao iniciar os episódios, utiliza com mais freqüência o conteúdo solicitação de atenção e o professor, ao iniciar os episódios, utiliza mais freqüentemente o conteúdo ensino. Estes conteúdos não surpreendem, já que são os exigidos pelos papéis complementares que os diferentes sujeitos desempenham na sala de aula. Os conteúdos ensino e elogio são freqüentes, independentemente de quem inicia a interação, e o conteúdo solicitação de atenção é característico somente quando o aluno inicia com o professor. Já o conteúdo solicitação de informação aparece preferencialmente quando o professor inicia com o aluno. Estes dados mostram que a prática de ensino dessa professora é freqüente com os alunos com deficiência e que estes também a ela se dirigem para tratar as dúvidas que têm sobre o que está sendo ensinado. Aliado a isto, os elogios da professora para estes alunos ocorrem tanto quando ela, como quando eles iniciam a interação. Comparando os índices das interações entre a professora e o aluno com deficiência mental e a professora e o aluno não deficiente, nota-se que o conteúdo ensino predomina em todas as iniciativas, o que parece ser positivo para todos os alunos, mas a professora solicita ação e repreende predominantemente aos alunos sem deficiência. O conteúdo elogio, por outro lado, apareceu em interações tanto com os alunos sem deficiência, quanto aos com deficiência mental, sendo, entretanto mais praticado com estes últimos. Nota-se, portanto, que com os alunos com deficiência mental as interações mais freqüentes são as que elogiam, as menos repreensivas e com menor freqüência de solicitação de ações do que com alunos não deficientes. Assim, a professora pede menos ações para os alunos com deficiência mental, elogia-os mais e os repreende menos. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 205 Esses dados mostram-se divergentes com o que a literatura tem mencionado. Siperstein e Goding (1985) afirmam que as iniciativas e respostas do professor dirigidas ao aluno com deficiência eram mais negativas e corretivas do que com os estudantes não deficientes. Dorval, Mckinney e Feagans (1982) igualmente observaram que as interações do professor dirigidas aos alunos com dificuldade de aprendizagem referiam-se à falta de atenção ou à infração de regras (por esses alunos). Em se tratando de interações entre o professor e o aluno autista, Braga (2002) constatou conteúdos de repreensão, solicitação de informações, solicitação de ações, ensino e oferecimento de informações. Os conteúdos de ensino, solicitação de informação e mesmo o de repreensão, que foi inferior aos demais, coincidem com os identificados neste estudo, mas o conteúdo de solicitação de ação diverge com o que foi identificado, pois não houve solicitação de ação ao aluno com deficiência. Os dados obtidos neste estudo, quando comparados com os constantes da literatura, mostram um movimento na direção de maior responsividade da parte da professora, para os alunos com deficiência. Além disso, mostra que o conteúdo parece ser mais positivo, de natureza reforçadora. Isto pode sugerir uma mudança, ainda que incipiente, no padrão interativo entre professor e alunos, nos últimos anos. TURMA B Considerando os episódios em vista de quem inicia e de quem responde, a tabela 4 mostra as freqüências absolutas e relativas dos episódios interativos constatados entre os sujeitos que interagiram em cada sessão. Estes ocorreram entre as díades: professora (P) e aluno não deficiente (A); professora (P) e aluno com deficiência mental (DM), professora (P) e grupo (G); aluno não deficiente (A) e professora (P), aluno com deficiência mental (DM) e professora (P), professora (P) e aluno com deficiência auditiva e física (DAF), professora (P) e aluno com deficiência mental e física (DMF), aluno com deficiência mental e física (DMF) e professora (P) e aluno Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 206 com deficiência auditiva e física (DAF) e professora (P). A primeira letra indica o sujeito que iniciou. 50% dos episódios interativos foram iniciados por alunos não deficientes, 46% foram iniciados pela professora e 4% dos episódios foram iniciados pelos alunos com deficiência. Todos os episódios iniciados pelos alunos não deficientes e pelos alunos com deficiência foram dirigidos para a professora. Dos episódios iniciados pela professora, 46% foram dirigidos para os alunos não deficientes, 8% dirigidos para o aluno com deficiência mental, 14% dirigidos para o aluno com deficiência mental e física e 32% dirigidos para o grupo com um todo. Estes resultados mostram-se semelhantes aos da turma A, uma vez que foram também alunos não deficientes que iniciaram a maioria dos episódios. Entretanto, na turma A, estes alunos iniciaram mais episódios (55%) do que na turma B (50%). Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 207 O fato de alunos não deficientes terem iniciado mais interações com a professora na turma A, pode-se atribuir às idades destes alunos, que são inferiores aos da turma B. Estes se mostram mais inquietos e falantes, solicitando a todo o momento contato com a professora. Objetivando-se detectar padrões na interação entre a professora e os alunos com deficiência, e entre a professora e os alunos não deficientes, dividiu-se o número de episódios ocorridos, a cada sessão, entre a professora (P) e o aluno não deficiente (A), pelo número de alunos não deficiente (A) nela presentes, e o número de episódios ocorridos, a cada sessão, entre a professora (P) e o aluno com deficiência (DM e DMF), pelo número de alunos com deficiência (DM e DMF), que estavam presentes na sessão, conforme apresentado na tabela 5. A professora se dirigiu ao aluno com deficiência mental nas sessões 3, 4, 5, e 6; ao aluno com deficiência mental e física nas sessões 4, 5 e 6, e não se dirigiu ao aluno com deficiência auditiva e física. A sessão 5 foi aquela na qual a professora mais se dirigiu aos alunos com deficiência mental e aos alunos com deficiência mental e física, iniciando contatos interativos. O aluno com deficiência mental iniciou contato interativo com a professora, nas sessões 2, 3, 5 e 6, e o aluno com deficiência mental e física unicamente na sessão 4. Considerando-se esses dados, observa-se que a iniciação de contatos da Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 208 professora com esses alunos pode ter alguma influência nas respostas dirigidas a ela. Da mesma forma que no estudo da turma A, quando a professora inicia contato com o aluno com deficiência mental, este tende também a iniciar contatos com ela. Não diferiram os conteúdos das atividades realizadas, na turma B, com os alunos não deficientes e com os alunos com deficiência. Comparando estes dados com os resultados obtidos com a turma A, observa-se que na turma A os conteúdos diferiram, quando se comparam as atividades realizadas com os alunos não deficientes e com os alunos com deficiência. Entretanto, os resultados da turma A e B coincidem, à medida que caracterizam interações voltadas para o ensino e para a prestação de informação, e não somente para a repreensão e advertências aos alunos com deficiência. Sendo assim, os resultados de ambas as turmas mostram-se divergentes com o que a literatura tem mencionado, conforme discutido anteriormente, na turma A. A orientação das atividades ocorridas na turma A e na turma B, mostram-se diferentes. Na turma A, conforme mencionado, a orientação não voltada para a tarefa ocorreu somente com os alunos não deficientes; já nesta turma, ocorreu tanto com os alunos não deficientes, quanto com os alunos com deficiência mental. Os resultados da turma B, da mesma forma que o constatado na turma A, diferem dos obtidos nos estudos de Bertoldo (1985), Carvalho (1986), e Braga (2002). Considerando que estes autores constataram que as interações que os alunos iniciam com a professora são freqüentemente voltadas para atividades não relacionadas à tarefa escolar, pode-se formular a hipótese de que, neste estudo, os episódios iniciados pelos alunos tenham sido preferencialmente voltados para a tarefa, devido à falta de oportunidades oferecidas para que tivesse sido o contrário, podendo estar relacionados com a atitude pedagógica da professora em sala de aula, especialmente a da turma A. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 209 Os resultados mostraram, em ambas as turmas, as seguintes tendências: • O número de episódios interativos não parece ser função do número de alunos presentes na sala de aula, tampouco dos dias da semana; • É o aluno não deficiente quem mais inicia episódios interativos dirigidos para a professora; • As iniciativas de interação da professora, dirigidas aos alunos com deficiência, parecem ter influência na freqüência das interações destes alunos com ela e viceversa; • A comunicação verbal e visual é a mais utilizada para iniciar, responder e interromper os episódios interativos; • São os alunos não deficientes os que mais respondem a interação através da comunicação visual e gestual; • A maioria das interações é de conteúdo ensino e prestação de informação; • As atividades voltadas para a tarefa são mais freqüentes do que as não voltadas para a tarefa, tanto quando a professora inicia o episódio, como quando o aluno inicia o episódio; • A professora é quem predominantemente interrompe os episódios interativos, independentemente de quem inicia; • A professora predominantemente inicia mais episódios interativos com o aluno com deficiência do que com o aluno não deficiente; • Os episódios interativos com os alunos com deficiência nunca são interrompidos por eles mesmos e sim pelos alunos não deficientes ou pela professora; • A maioria das interações entre a professora e os alunos com deficiência mental ocorre quando a professora está circulando pela sala de aula. Por outro lado, as turmas diferem nos seguintes aspectos: Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 210 • Na turma B, o horário de coleta parece exercer alguma influência nos resultados obtidos, uma vez que se evidenciou um aumento no número de episódios à medida que o horário da sessão era mais próximo do final da aula; • Na turma B, houve um maior número de interação da professora com os alunos com deficiência e com o grupo do que na turma A; • Na turma B, as interações da professora dirigidas aos alunos com deficiência mostram-se praticamente com os mesmos conteúdos identificados com os alunos não deficientes; • Na turma A, a comunicação visual e gestual foi mais utilizada para iniciar episódios interativos do que na turma B; • Na turma A, as interações da professora dirigidas aos alunos com deficiência, são menos repreensivas, com menos solicitações de ações e mais elogiadas, do que com os alunos não deficientes; • Na turma A, os episódios ocorreram, com maior freqüência, na situação de quando a professora estava circulando entre as carteiras (com todos os alunos) e na turma B, a predominância das interações quando a professora está circulando entre as carteiras se refere apenas aos alunos com deficiência; com os demais alunos há preferência pela situação de quando a professora está em sua mesa conferindo tarefas. 4 CONCLUSÃO Diferentemente do identificado por Macintosh et al. (1993), este estudo constata que as professoras mantiveram interações diferentes com os dois grupos de alunos (deficientes e não deficientes), na maioria das categorias analisadas. As ações das professoras parecem estar propiciando maior espaço de participação dos alunos, nas aulas, especialmente no caso dos alunos com deficiência, o que constitui um avanço educacional, quando se tomam por parâmetro, as informações constantes da literatura na área (DORVAL, MCKINNEY e FEAGANS, 1982; Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 211 SIPERSTEIN e GODING, 1985; SLATE e SAUDARGAS, 1986 e MACINTOSH et al. 1993) que mostram o aluno com deficiência historicamente relegado ao ostracismo e à gradativa exclusão do sistema regular de ensino. Neste estudo, o aluno não deficiente iniciou a maioria das interações, fato que também difere da literatura a respeito (BERTOLDO, 1985). As professoras, por sua vez, iniciaram mais interações com os alunos deficientes do que com os não deficientes, sendo essas interações, na sua maioria, de conteúdo ensino, elogio e solicitação de informação. Essa característica da relação entre as professoras e os alunos com deficiência, quando comparada com as informações da literatura, mostra ser mais positiva e condizente com o papel que a professora deve assumir em sala de aula, o de ser, segundo Duarte (1993), condutora do processo de apropriação, pelos alunos, do conhecimento produzido histórica e socialmente. Ações desse tipo ajudam no próprio processo de construção de uma identidade positiva por parte de todos alunos, aumentando sua auto-estima, melhorando as suas condições cognitivas, e por outro lado, ajudando o aluno não deficiente a aprender a se relacionar positivamente com as pessoas no contexto da diversidade. Os conteúdos diferenciados que a professora da turma A realizou com os alunos e o maior número de interações realizadas pela professora da turma B com estes alunos, mostram indícios de que ambas estão se voltando mais (do que a literatura aponta) para o aluno com deficiência, cada uma do seu jeito. Segundo os autores, Dorval, Mckinney e Feagans (1982), Siperstein e Goding (1985), Slate e Saudargas (1986), as interações da professora com o aluno com dificuldade de aprendizagem se referiam à falta de atenção ou infração de regras, além de serem mais negativas e corretivas do que com os alunos não deficientes. Este dado mostra-nos indícios de um avanço que nessas turmas demonstra estar ocorrendo, considerando o que, até o momento, foi constatado na área educacional através da literatura. Em se tratando dos alunos com deficiência, constata-se que estes iniciam interações com a professora para solicitarem a sua atenção nas atividades que realizam e para solicitarem informações sobre o conteúdo da aula. Este dado, quando comparado Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 212 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] aos de Macintosh et al. (1993), mostra que estes alunos estão tendo a oportunidade de se mostrarem mais ativos e participativos na sala de aula e principalmente na construção do conhecimento. As oportunidades que lhe estão sendo propiciadas, para que possam demonstrar essas características nas interações em sala de aula, merecem destaque pela sua importância quando consideramos que a formação do indivíduo se dá através das relações sociais. Segundo Vygotsky (1994), as funções psicológicas superiores que caracterizam essencialmente o ser humano, originam-se das relações sociais entre os indivíduos. O fato de estar havendo espaço e, além disto, solicitação aos alunos para que iniciem interações e respondam a elas quando solicitados, favorece a participação de alunos no contexto regular da sala de aula, e, assim, um possível e melhor desenvolvimento destes alunos. Se avanços na atenção ao aluno com deficiência podem ser constatados a partir destes resultados, não se pode, entretanto, dizer que as salas aqui estudadas sejam salas inclusivas, pois, apesar do avanço atitudinal e mesmo metodológico observados, ainda não se pôde detectar a prática do ensino individualizado e flexível. A interação nas duas salas de aula pesquisadas mostra a necessidade da professora assistir mais freqüentemente às necessidades individuais dos alunos não deficientes, não os mantendo ignorados na ocorrência de comportamentos inadequados, que merecem repreensão e solicitação freqüentes, conforme visto. A abertura de espaço para tais comportamentos também pode estar interferindo no próprio processo de ensino e de aprendizagem, que tende a tornar-se mais desestimulante, à medida que o aluno não recebe resposta à sua necessidade escolar e fica preterido nas relações em sala de aula. Além disso, a comunicação de que as professoras fazem uso para iniciar, responder e interromper as interações precisa ser transformada, pois se mostra praticamente igual para todos os alunos, não se mostrando específica para as necessidades peculiares de cada um. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 213 Finalizando, a maior contribuição deste estudo foi a de indicar que a interação entre a professora e os alunos, nas duas salas de aula, testemunha avanços na área educacional, no que diz respeito à atenção ao aluno com deficiência, embora ainda se manifeste distante de merecer o rótulo de educação inclusiva, ou seja, uma prática educacional que reconheça, respeite e responda às necessidades peculiares de cada aluno. REFERÊNCIAS ARANHA, M.S.F. A interação social e o desenvolvimento de relações interpessoais do deficiente em ambiente integrado. 1991. Tese (Doutorado) - Instituto de Psicologia. Universidade de São Paulo, São Paulo. [ Links ] ___. Paradigmas da relação da sociedade com as pessoas com deficiência. Revista do Ministério Público do Trabalho, ano XI, n. 21, março, p.160-173, 2002. ARANHA, M.S.F., LARANJEIRA, M.I. Brasil, século XX, última década. Mímeo, 1995. BERTOLDO, A.A. Estudo descritivo da interação professora - aluno em uma classe de alfabetização em diferentes momentos do ano letivo. 1985. Dissertação (Mestrado), Universidade Federal de São Carlos, São Carlos. [ Links ] BONETI, R.V.F. O papel da escola na inclusão social do deficiente mental. In: MANTOAN, M.T.E. A integração de pessoas com deficiência: contribuições para uma reflexão sobre o tema. São Paulo: Memnon, 1997. p. 167-173. [ Links ] BRAGA, M.C.B. A interação professor-aluno em classe inclusiva: um estudo exploratório com criança autista. 2002. Dissertação (Mestrado em Educação), Universidade Estadual Paulista, Marília. [ Links ] BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Adaptações Curriculares / Secretaria de Educação Fundamental. Secretaria de Educação Especial. - Brasília: MEC / SEF / SEESP, 1999. [ Links ] CARVALHO, A.M.P. Estudo descritivo da interação professor-aluno: uma abordagem individualizada. 1986. Dissertação (Mestrado em Educação Especial), Universidade Federal de São Carlos, São Carlos. [ Links ] DORVAL,B.; MCKINNEY,J.D.; FEAGANS,L. Teacher interaction with learning disabled children and average achievers. Journal of Pediatric Psychology, 7, 317330, 1982. [ Links ] DUARTE, N.A individualidade para - si. Contribuição a uma teoria histórico-social da formação do indivíduo. Campinas: Autores Associados, 1993. [ Links ] Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 214 GIL, M.S.C.A. Análise funcional da interação professor-aluno: um exercício de identificação de controle recíprocos. 1990. Tese (Doutorado em Psicologia Educacional) - Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo. HINDE, R.A. Towards understanding relationships. New York: Academic Press Incorporation, 1979. [ Links ] LEONTIEV, A.N. O desenvolvimento do psiquismo. Lisboa: Livros Horizonte, 1978. MACHADO, V.L.M. 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Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 215 in: (2006) David Rodrigues (org.) “Inclusão e Educação: doze olhares sobre a Educação Inclusiva”, S. Paulo. Summus Editorial. “DEZ IDEIAS (MAL) FEITAS SOBRE A EDUCAÇÃO INCLUSIVA” David Rodrigues “A normalidade causou-me sempre um grande pavor, exactamente porque é destruidora.” Miguel Torga, Diário IV, 1948, pp.128. Introdução: Neste início do século XXI parece que nunca a desigualdade entre os homens foi tão grande e não encontramos solução plausível nem previsível para injustiças e conflitos que proliferam e preenchem o nosso quotidiano de informação. Tal como aponta Wallerstein no seu livro “Historical Capitalism” (1983) parece haver agravamentos sensíveis dos conflitos à medida que nos aproximamos do tempo presente e cada século fez mais vitimas devido a guerras que o século anterior. No que respeita à justiça social a questão é igualmente difícil: o fosso entre ricos e pobres continua a aumentar à escala nacional e internacional, os países ricos começam a muralhar-se contra a previsível entrada de estrangeiros (mais pobres) nas suas fronteiras, as periferias das grandes cidades são pungentes exemplos de exclusão. As instituições sociais defrontam-se com novas questões de exclusão social ao nível da cidadania, do trabalho, da educação, do território e da identidade. (Stoer, Magalhães e Rodrigues, 2004). É neste terreno controverso, desigual e crescentemente complexo que a Inclusão (seja social ou educativa) procura prevalecer. Neste aspecto, poder-se-ia dizer que quanto mais a exclusão social efectivamente cresce, mais se fala em Inclusão. O termo Inclusão tem sido tão intensamente usado que se banalizou de forma que encontramos o seu uso indiscriminado no discurso político nacional e sectorial, nos programas de lazer, de saúde, de educação etc. Recentemente até o sistema bancário tem vindo a usar o termo: no Brasil uma instituição bancária lançou uma campanha sobre um “sistema bancário inclusivo” que busca captar contas de clientes iletrados. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 216 Não se sabe bem o que todos estes discursos querem dizer com Inclusão e é legítimo pensar que muitos significados se ocultam por detrás de uma palavra-chave que todos usam e se tornou aparentemente tão óbvia que parece não admitir qualquer polissemia. No discurso dos “media” e do quotidiano, o conceito de Inclusão está relacionado antes de mais com não ser excluído isto é com a capacidade de pertencer ou de se relacionar com uma comunidade. Claro que existe uma normalização implícita neste conceito: o conceito da comunidade onde a pessoa se deve integrar é o de uma comunidade benigna, positiva, diversa e próspera. Não se espera que se possa considerar incluída uma pessoa que pertence e comunica com uma comunidade fundamentalista religiosa ou com uma comunidade que faz do seu modo de vida a venda e tráfico de estupefacientes. Há assim um implícito “politicamente correcto” quando se fala de Inclusão. Sabemos, no entanto, que não é assim. As comunidades, as famílias são elas próprias estruturas complexas e que não devem ser abordadas de forma normalizada. Pensar de imediato em comunidades receptivas ou em famílias com uma estrutura tradicional é muitas vezes um mau princípio para dinamizar um processo de inclusão. Podemo-nos perguntar: Que é então estar incluído? Como se articula a necessidade imperiosa de ter uma identidade numa comunidade restrita de pertença com a inclusão em grupos mais latos? Como se relaciona a Inclusão com a mobilidade da pessoa em diferentes grupos e contextos sociais? De que forma estar fortemente integrado num determinado contexto identitário pode ser impeditivo da pessoa participar ou se relacionar com outros contextos? A Inclusão é necessária? E é essencial? Para quem? E a Inclusão na Educação? O conceito de Inclusão no âmbito específico da Educação, implica, antes de mais, rejeitar, por princípio, a exclusão (presencial ou académica) de qualquer aluno da comunidade escolar. Para isso, a escola que pretende seguir uma política de Educação Inclusiva (EI) desenvolve políticas, culturas e práticas que valorizam o contributo activo de cada aluno para a construção de um conhecimento construído e Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 217 partilhado e desta forma atingir a qualidade académica e sócio cultural sem discriminação. Os sistemas educativos de numerosos países mundiais têm na última década usado o termo Inclusão nos seus textos legais de Educação (como o tinham usado antes relacionado com as estruturas sociais). O que estes sistemas entendem por Inclusão serão talvez coisas diferentes. Recentemente Wilson (2000) analisando documentos sobre a inclusão em particular provenientes do Center for Studies on Inclusive Education, indicou que o que se entende por uma Escola Inclusiva pressupõe uma escola centrada na comunidade, livre de barreiras (desde as arquitectónicas às curriculares), promotora de colaboração e de equidade. Por outro lado, Hegarty (2003) ao confrontar os objectivos ambiciosos da EI defende que o debate inclusão/segregação tem recebido um interesse excessivo e que é sobretudo necessário investir uma verdadeira “Educação para Todos”. A EI tornou-se assim um campo polémico por várias razões. Uma das principais é sem dúvida a contradição entre a letra da legislação e a prática das escolas. O discurso da inclusão ou “a ideologia da Inclusão” (Correia, 2003) não tem frequentemente uma expressão empírica e por vezes fala-se mais da EI como um mero programa político ou como uma quimera inatingível do que como uma possibilidade concreta de opção numa escola regular. Tanto a legislação como o discurso dos professores se tornaram rapidamente “inclusivos” enquanto as práticas na escola só muito discretamente tendem a ser mais inclusivas. Recentemente afirmamos que “é preciso não invocar o nome da Inclusão em vão” tentando “mapear” esta distância entre os discursos e as práticas. A investigação e a realização de projectos sobre EI permitem delinear algumas das bases sobre as quais se podem construir projectos credíveis. É a luz desta investigação e da produção empírica de conhecimento sobre a EI que vamos seguidamente analisar algumas ideias comuns (a que chamamos “ideias feitas”) disseminadas entre os professores e entre as comunidades educativas em Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 218 geral. Estas afirmações podem ser organizadas, na nossa opinião, em cinco grupos conforme a sua temática: valores, formação de professores, recursos, currículo e gestão da sala de aula. 1. Valores “A Inclusão é a “evolução natural” do sistema integrativo” Muito se tem escrito sobre as diferenças entre “Integração” e “Inclusão” (Correia, 2001, Rodrigues 2001, 2003). Afigura-se consensual que a integração pressupõe um “participação tutelada” numa estrutura com valores próprios e aos quais o aluno “integrado” se tem que adaptar. Diferentemente, a EI pressupõe uma participação plena numa estrutura em que os valores e práticas são delineados tendo em conta todas as características, interesses, objectivos e direitos de todos os participantes no acto educativo. Pelo facto de o movimento inclusivo se ter desenvolvido após o movimento integrativo e usando frequentemente os mesmos agentes e recursos, diz-se que a Inclusão é uma evolução ou mesmo um novo nome da Integração. “A Integração – ou como agora se diz – a Inclusão” é uma frase comummente ouvida. A Inclusão não é, a nosso ver, uma evolução da Integração. Isto por três razões principais: Em primeiro lugar a Integração deixou intocáveis os valores menos inclusivos da escola. Não foi por causa da Integração que o insucesso ou o abandono escolares diminuíram ou que novos modelos de gestão da sala de aula surgiram. A Integração criou frequentemente uma escola especial paralela à escola regular em que os alunos que tinham a categoria de “deficientes” tinham condições especiais de frequência: aulas suplementares, apoio educativo, possibilidade de estender o plano escolar de um ano em vários, condições especiais de avaliação, etc. Em segundo lugar, a escola Integrativa separava os alunos em dois tipos: os “normais” e os “deficientes”. Para os alunos “normais” era mantida a sua lógica curricular, os mesmos valores e práticas; para os “deficientes” seleccionava condições especiais de apoio ainda que os aspectos centrais do currículo Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 219 continuassem inalterados. A escola Integrativa “via” a diferença só quando ela assumia o carácter de uma deficiência e neste aspecto encontrava-se bem longe de uma concepção inclusiva Em terceiro lugar, o papel do aluno “deficiente” na escola integrativa foi sempre condicionado. Era implícito ao processo que o aluno só se poderia manter na escola enquanto o seu comportamento e aproveitamento fossem adequados. Caso contrário poderia sempre ser “devolvido” à escola especial. Assim o aluno com dificuldades não era um membro de pleno direito da escola mas tão só uma benesse que a escola condicionalmente lhe outorgava. Assim, quando se fala de escola Integrativa trata-se de uma escola que em tudo semelhante a uma escola tradicional em que os alunos com deficiência (os alunos com outros tipos de dificuldades eram ignorados) recebiam um tratamento especial. A perspectiva da EI é sim bem oposta à da escola tradicional e integrativa ao promover uma escola de sucesso para todos ao encarar os alunos como todos diferentes e necessitados de uma pedagogia diferenciada (Perrenoud, 1996) e cumprindo o direito à plena participação de todos os alunos na escola regular. “A Educação Inclusiva é para alunos “diferentes”” A noção de “diferença” tem baseado muito do discurso moderno sobre a diferenciação pedagógica . Perrenoud (1996) fala mesmo dos alunos com “pequenas” e “grandes” diferenças. Apesar do termo “alunos diferentes”ser abundantemente usado, isso não significa que ele tenha um entendimento claro. Frequentemente o termo “diferente” é usado como um “alter nomine” de “deficiente” (sinalização de um qualquer problema num aluno). Tal como no período integrativo existiam os “deficientes” e os “normais” encontramos agora os “diferentes” e os “normais”. Mas o que é afinal ser diferente? E diferente de quê? É conhecida a dificuldade de traçar uma fronteira clara entre a deficiência e a normalidade. Em casos de pessoas com deficiência intelectual é muito difícil diferenciar uma pessoa com deficiência intelectual com um alto funcionamento de uma outra sem Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 220 deficiência intelectual com um baixo funcionamento cognitivo. O que parece obvio é que as capacidades humanas (sejam cognitivas, afectivas, motoras ou outras) se distribuem num continuum no qual são apostas fronteiras e critérios que são socialmente determinados. Um exemplo do carácter aleatório destas fronteiras é a variedade de classificações da deficiência intelectual nos diversos estados dos Estados Unidos que pode levar que o mesmo indivíduo seja considerado como tendo deficiência num estado e sem deficiência num estado vizinho. Ser diferente é assim, na acepção comum viver numa sociedade que cujos valores consideraram determinadas características da pessoa como merecedoras de serem classificadas como deficiência ou dificuldade. Mas o certo é que a diferença não é estruturalmente dicotómica isto é não existe um critério generalizado e objectivo que permita classificar alguém como diferente. A diferença é antes de mais uma construção social historicamente e culturalmente situada. Por outro lado, classificar alguém como “diferente” parte do principio que o classificador considera existir outra categoria que é a de “normal” na que ele naturalmente se insere. Quando dizemos que a EI se dirige aos alunos diferentes, acabamos por encarar todas estas questões. Sabemos que não são só diferentes os alunos com uma condição de deficiência: muitos outros alunos sem condição de deficiência identificada não aprendem se não tiverem uma atenção particular ao seu processo de aprendizagem. Heward (2003) afirma que o facto dos alunos serem todos diferentes não implica que cada um tenha que aprender segundo uma metodologia diferente; isto levar-nos-ia a uma escola impossível de funcionar nas condições actuais. Significa, no entanto, que se não proporcionarmos abordagens diferentes ao processo de aprendizagem estamos a criar desigualdade para muitos alunos. O certo é que não só os alunos são diferentes mas os professores são também diferentes e ser diferente é uma característica humana e comum e não um atributo (negativo) de alguns. A EI dirige-se assim aos “diferentes” isto é a… todos os alunos. E é ministrada por “diferentes” isto é… todos os professores. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 221 2. Formação de Professores “A formação para a EI é durante o período da formação inicial” Em muitos países a começaram a ser integrados no currículo de formação inicial de professores e educadores disciplinas respeitantes às “Necessidades Educativas Especiais” ou designações afins. Esta inovação (recordo a título de exemplo a prática em Portugal onde esta formação é obrigatória por lei desde 1987) é sem dúvida importante por poder vir a familiarizar o futuro professor com o conhecimento de situações prováveis que, face à crescente inclusão de alunos com NEE nas escolas regulares, ele poderá vir a enfrentar. Se esta formação é já tão frequente porque continuamos a escutar queixas de professores sobre a sua falta de formação para atender alunos com dificuldades nas suas aulas? Levantam-se duas questões neste âmbito: Uma ligada às características complexas da profissão de professor. Um professor não é um técnico (no sentido de aplicar técnicas relativamente normalizadas e previamente conhecidas) nem é um funcionário (isto é, uma pessoa que executa funções enquadrado por uma cadeia hierárquica perfeitamente definida). A profissão de professor exige uma grande versatilidade dado que se lhe pede que aja com uma grande autonomia e seja capaz de delinear e desenvolver planos de intervenção em condições muito diferentes. Para desenvolver esta competência tão criativa e complexa não basta uma formação acadêmica; é necessária também uma formação profissional (Campos, 2002). Não podemos esquecer quais foram os interesses que esse conhecimento serviu: o conhecimento antropológico da organização e forma de viver das tribos africanas serviu para informar a desgraçada partilha de África entre as potencias coloniais, cujos efeitos perversos que ainda hoje se fazem sentir. O conhecimento da diferença não é sempre positivo; podemos conhecer para melhor segregar. Regressando ao domínio da Educação constatamos que, se a ênfase na formação de professores for dada na diferença e nos casos mais profundos, acabamos por proporcionar (ainda que com boas intenções…) um argumento para que o jovem Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 222 professor avalie a sua futura tarefa como quase inultrapassável e até a rejeitar a inclusão de alunos com dificuldades devido exatamente ao conhecimento que tem das reais dificuldades que esses alunos têm. Pensamos que a formação deve ser feita em termos das deficiências mais ligeiras (a esmagadora maioria dos casos que surgem nas escolas regulares) e que todo o conhecimento da diferença seja integrado numa compreensão da diversidade humana que vai das altas habilidades até à deficiência e dando a noção que os casos muito difíceis são uma minoria e que na grande maioria as dificuldades são discretas e leves. Assim, conhecer as diferenças sim mas para promover a inclusão e não para justificar a segregação. Conhecer as diferenças mais comuns que são certamente as mais numerosas. Enfim não dar a conhecer a diferença como se se tratasse de uma situação médica mas fazer acompanhar cada caracterização de indicações pedagógicas que contribuam para que o futuro professor possua um esboço de entendimento que lhe permita iniciar o seu processo de pesquisa. 3. Recursos “Os recursos são secundários. O importante é a atitude da escola e do professor” Como Wilson (op.cit.) faz notar, a EI encontra-se impregnada de valores éticos e de morais. Correia (2000), na mesma linha, refere-se à “ideologia da Inclusão” querendo realçar a forte carga ideológica que é atribuída aos projetos de EI. Ao examinarmos mais de perto as suas premissas, verificamos que existe uma “energia bondosa” na EI que poderia ser sintetizada na frase: “Queremos que todas as crianças sejam educadas juntas, sem discriminação numa escola livre de barreiras e ligada à comunidade”. Perante um idealismo que associa a inclusão aos direitos humanos e à justiça social é compreensível que a força fundamental da promoção de um tal programa repouse nas atitudes, na vontade e na ética dos professores. Para muitos professores é Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 223 atitude o aspecto fundamental para que a EI se possa desenvolver. Se hiper valorizarmos as atitudes, outros fatores, como por exemplo os recursos, podem ser menos valorizadas. Relatamos num artigo anterior (Rodrigues 2003) a opinião de um consultor de uma organização educativa internacional que me dizia que tinha visto em Africa verdadeira inclusão: escolas comunitárias sem quaisquer meios, com classes muito numerosas mas onde todas as crianças da comunidade comungavam do mesmo espaço mesmo que fosse debaixo de uma árvore. Era o exemplo da subalternização dos recursos. A questão a inclusão, tal como a entendemos em sociedades modernas pode ser promovida em escolas e sistemas educativos desprovidos de recursos? Na nossa opinião não. A Inclusão tem de constituir uma resposta de qualidade para poder, por exemplo, constituir uma alternativa séria às escolas especiais. Uma escola inclusiva que atenda por exemplo alunos com deficiência mental tem que ser capaz de proporcionar, pelo menos, o mesmo tipo de serviços da escola especial. Se não, porque irão os pais preferir a inclusão, se isso pode ter um efeito devastador na sua qualidade de vida? Promover a Inclusão é criar serviços de qualidade e não democratizar para todos as carências. Por isso não pensamos que seja defensável um sistema de EI que repouse inteiramente nas atitudes mais ou menos idealistas e éticas do professor. Sem mais recursos a chegar à escola será muito difícil que a escola seja capaz de aumentar o seu leque de respostas. As escolas funcionam em regra muito perto do seu limite máximo de resposta mesmo quando não adoptam modelos inclusivos. Se vamos pedir às escolas para diversificar a sua resposta e para criarem serviços adaptados a populações que antes nunca lá estiveram é essencial que mais recursos humanos e materiais devam ser adstritos à escola. A EI pressupõe uma escola com uma forte confiança e convicção que possui os recursos necessários para fazer face aos problemas. “A EI é um sistema barato para educar todos os estudantes” Um determinado sub sistema educativo tomou a decisão de encerrar as escolas especiais da região e enviar os alunos que antes frequentavam esta escola para a escola regular. Esta decisão foi muito aplaudida: poupou recursos porque a escola especial absorvia uma fatia importante do orçamento da região, permitiu que alguns Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 224 professores que estavam colocados na escola especial pudessem regressar ao sistema regular de ensino (um factor adicional de poupança) e ainda proporcionou uma imagem de “inclusão”. Esta decisão deu, em suma, uma aura de modernidade porque, pelo menos aparentemente, deu passos significativos em direção à “moderna” EI. Esta situação, aqui relatada como ficcional, é muito comum. Sem dúvida que o facto de situar o esforço educativo de todas as crianças de uma dada comunidade num dado espaço físico e pedagógico parece poder apresentar vantagens ao nível econômico. Num estudo que estamos em vias de completar em que são comparados dois modelos de atendimento, um de inclusão e outro de escola especial, constatamos que as verbas dispendidas pelo modelo inclusivo são significativamente inferiores aos dispendidos pela escola especial. Apesar de este poder ser um dos “resultados colaterais” da inclusão, ela não deve ser pensada nestes termos. A escola regular se quiser ser capaz de responder com competência e com rigor à diversidade de todos os seus alunos necessita de recrutar pessoal mais especializado (terapeutas, psicólogos, trabalhadores sociais, etc.) e necessita de dispor de equipamentos e recursos materiais mais diferenciados. Enfim, necessita ser uma “organização diferenciada de aprendizagem” que ofereça a garantia às famílias e encarregados de educação que os mesmos serviços que eram proporcionados pela escola especial podem continuar a estar disponíveis. Só desta forma a escola regular se torna verdadeiramente concorrente e uma alternativa à escola especial porque além de proporcionar um elenco de recursos humanos semelhante e um conjunto de recursos materiais equivalente, dá acesso a uma experiência de educação integrada com jovens sem deficiência e em ambientes mais ricos e diversificados. Talvez a EI seja um sistema mais barato, mas não é por aí que as opções devem ser feitas. Encerrar escolas especiais não pode significar “lançar” jovens com necessidades especiais para uma escola regular que foi criada e desenvolvida na perspectiva da ignorância da diferença. Neste aspecto a EI não é uma educação em saldo é pelo contrário, um sistema exigente, qualificado, profissional e competente. Estas Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 225 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] características fazem da EI um sistema caro. Mas se a EI é cara, é melhor não querermos saber o preço da exclusão… 4. Currículo “A diferenciação do currículo é tarefa do professor” A proposta pedagógica da EI passa claramente pela oferta de oportunidades de aprendizagem diversificadas para os alunos. Se a “diferença é comum a todos” e assumimos a classe como heterogênea é importante responder a essa heterogeneidade em termos de estratégias de ensino e aprendizagem. Por outro lado, sabemos que o processo de aprendizagem não é uma simples transmissão de informação mas antes uma transição entre diferentes paradigmas de conhecimento. Podemos assim dizer que uma escola que não diferencia o seu currículo não usa modelos inclusivos e forçosamente não promove a igualdade de oportunidades entre os seus alunos. Cabe aqui notar que a diferenciação a que nos referimos é no âmbito de uma escola comum a todos os alunos e não a perspectiva histórica de diferenciação curricular que, como nota Roldão (2003), era uma forma de sancionar a estratificação social através do currículo escolar. Quando se aborda a necessidade da diferenciação curricular é comum atribuir essa responsabilidade ao professor. Os professores “inclusivos” fazem-na e os professores “tradicionais” mantém-se em modelos não diferenciados. Mas será que uma responsabilidade tão decisiva pode ser exclusivamente atribuída a um professor individual? Parece-nos que não por duas razões: Em primeiro lugar a escola é uma estrutura com uma inércia organizacional de dimensão considerável. Comecemos pela realidade “classe”. Os alunos são agrupados aleatoriamente em grupos (turmas ou classes) que permanecem estáveis ao longo de vários anos. Este agrupamento “classe” se não for desmembrado em função das atividades, do nível dos alunos, dos projetos, etc. torna-se um constrangimento e uma limitação dado que é um grupo artificial e aleatório de aprendizagem. Por vezes, o maior ou menor sucesso dos alunos na escola depende deste mecanismo puramente aleatório: se estivesse numa outra classe o sucesso do aluno poderia ser completamente diferente. Por outro lado, horários, espaços, Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 226 equipamentos, materiais, etc. representam importantes constrangimentos para realizar uma diferenciação curricular e que não são possíveis de remover por uma vontade solitária. Em segundo lugar a diferenciação do currículo é uma tarefa da escola no seu todo. É a coesão do coletivo “escola” que pode incentivar a confiança para desenvolver projetos inovadores e que permite ao professor assumir riscos. É indubitável que a dinâmica da EI repousa muito sobre a iniciativa, os valores e a práticas de inovação do professor; mas não parece correto afirmar que é pela sua única vontade que a diferenciação do currículo se pode realizar. Ben-Peretz (2001) afirma que a tarefa do professor num mundo em mudança é praticamente impossível devido às dimensões dos desafios que lhe são colocados: o trabalho multidisciplinar, a globalização a profissionalidade, etc. A “missão impossível” do professor é antes de mais impossível se ele estiver sozinho. A diferenciação do currículo é uma tarefa do coletivo da escola e engloba mais do que a gestão da sala de aula: implica uma abertura para uma nova organização do modelo de escola. “A EI valoriza o “currículo social”” Historicamente os alunos com necessidades educativas especiais que frequentavam escolas especiais tinham um currículo essencialmente baseado nas suas áreas de dificuldade no que poderíamos designar por um currículo terapêutico ou habilitativo. Esta concentração no “modelo do déficit” originou uma concepção restrita e estreita do currículo e tem sido apontada como responsável por privar os alunos de oportunidades de aprendizagem que os poderiam capacitar assumir uma maior autonomia. A excessiva centração nas capacidades em “déficit” retirou o enfoque às áreas que poderiam ter sido mais trabalhadas para a autonomia. A EI incentivou a adoção de outros modelos curriculares menos centrados no déficit e que proporcionassem uma abordagem mais flexível e que pudesse abranger todos os alunos (Costa e Rodrigues, 1999). Este modelo curricular alargado, com enfoque na inclusão social, na interação entre os alunos e no desenvolvimento da autonomia, Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 227 (que por vezes é designado por “modelo “guarda-chuva”) tem sido desenvolvido no espírito da inclusão e tem recolhido aprovação de pais e professores. Estes dois modelos têm sido apresentados como opostos quando, na nossa opinião, não o são. Parece indubitável que é necessário planear e desenvolver tipos de intervenção específicos face a problemas concretos de aprendizagem. Foram desenvolvidas ao longo de muitos anos estratégias e metodologias de intervenção destinadas a problemas específicos de aprendizagem que seria insensato pura e simplesmente deitar fora em nome da “Inclusão”. Metodologias como a análise de tarefas, a modificação cognitiva do comportamento, a modificação do comportamento, os diversos métodos de reeducação da leitura, etc. são instrumentos fundamentais para que o aluno com determinados tipos de necessidades possa encontrar respostas pedagógicas adequadas. Assim, ainda que o desenvolvimento de projetos de EI tenha dado realce a um currículo mais “social”, temos que ter presente que não podemos desperdiçar o conhecimento que se veio a acumular e que está constantemente a ser produzido e que nos informa sobre intervenções mais especializadas e que podem em muitos casos permitir a aprendizagem. Estas duas componentes curriculares devem ser consideradas de modo a que não só a interação com os outros e o desenvolvimento de competências sociais seja realizado mas também que o conhecimento que dispomos sobre a aprendizagem em certos tipos de dificuldades seja usado a favor de um processos de aprendizagem bem sucedido. 5. Gestão da sala de aula “Não é possível desenvolver práticas inclusivas em classes com 25 ou mais estudantes” O número de alunos por turma é recorrentemente enunciado como um obstáculo ao desenvolvimento de práticas inclusivas. Se a regra é levarmos em conta a diferença Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 228 do aluno e adaptarmos o ensino as possibilidades, modalidades e ritmos de cada um, então como será possível que um único professor desenvolva este trabalho para, por exemplo, 25 alunos? Posto desta maneira parece uma barreira intransponível. Bom, mas qual é o conceito que se tem de “atender especificamente as necessidades de cada aluno”? Frequentemente é uma perspectiva de ensino individual. Nesta perspectiva, um professor só pode atender as necessidades de um aluno se estiver sozinho com ele. Esta idéia apesar de muito disseminada é errada. O ensino pode ser individual e não levar em conta as especificidades do aluno e pode ser em grupo e considerar essas especificidades. Em textos anteriores (Rodrigues 1986, 2001) defendemos que a gestão de uma sala de aula inclusiva pressupõe que os alunos possam ter acesso a vários tipos de grupos de aprendizagem: grande grupo (que pode determinar o contrato, os fundamentos e a missão da aprendizagem) grupos de projeto, grupos de nível, trabalho em pares e trabalho individual. Todos estes enquadramentos permitem, que as situações de aprendizagem sejam adequadas às diferentes características do aluno e do trabalho. Desenvolver uma gestão de sala de aula inclusiva não pressupõe, pois, um trabalho individual mas sim o planejamento e a execução de um programa em que os alunos possam compartilhar vários tipos de interação e de identidade. Ainda sobre este aspecto, há também tendência para fazer crer que, quando um aluno com graves dificuldades é incluído numa turma “regular”, é ele que é o cerne dos problemas para o professor. “Tenho uma turma de 22 alunos e um deles tem Trissomia 21. Que hei-de fazer?”. A questão é que se continua a encarar os 22 alunos como “normais” isto é como iguais uns aos outros como uma fotocópia e só há um diferente – o aluno com T21. É importante incentivar os professores a olharem para toda a turma (neste caso para os 23 alunos) como alunos diferentes e pensar que o aluno com T21 pode muito bem compartilhar sessões de aprendizagem com colegas em qualquer um dos enquadramentos que citamos acima. Esta aproximação poderá beneficiar, sem dúvida, alunos com dificuldades escolares mas que pelo facto de não terem uma condição de deficiência identificada não dispõem de uma pedagogia apropriada às suas dificuldades. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 229 “É mais fácil encontrar qualidade nas classes homogéneas”. O debate sobre a qualidade em Educação é extremamente actual. Em nome da qualidade da educação tomam-se decisões, anulam-se outras, criam-se e extinguem-se serviços. A qualidade surge como um conceito inquestionável e que tem o mesmo significado para todos. Mas, em Educação, não podemos esquecer que existem interesses (frequentemente) conflituais e que ambos os lados podem desfraldar a bandeira da qualidade para se auto-justificarem. Por exemplo, o que é qualidade para um professor pode não o ser para os pais dos alunos ou ainda para a gestão da escola. Falar em qualidade não resolve o problema: levanta é – pela complexidade do conceito – outros problemas. Frequentemente é preciso optar por investimentos em determinadas áreas da Educação que consideramos serem mais importantes para a sua qualidade. Por exemplo para os pais de um aluno com uma condição de deficiência pode ser considerada uma prática de qualidade elevada um programa que lhe permita interagir e brincar com colegas do seu filho sem deficiência. Para os professores um programa semelhante pode não ter qualquer relevância porque o aluno continua em dominar os conteúdos acadêmicos básicos. A EI, como vimos antes, assume que os alunos são diferentes e heterogêneos. A questão é que, se entendermos qualidade enquanto preparação para enfrentar com conhecimento e sucesso as situações sociais, que tipo de programas poderíamos incentivar? Parece que aqueles com que o aluno tem desde a fase escolar um contacto maior com situações heterogêneas, contraditórias e mesmo conflituais em que é necessário desenvolver aptidões de negociação, estabelecer plataformas de acordo e usar aptidões sociais. São estes ambientes escolares inclusivos que parecem mais semelhantes como os ambientes sociais cada vez mais controversos e conflituais que o aluno vai encontrar na sua vida pessoal e profissional. Assim a qualidade na educação encontra-se mais facilmente ligada a classes heterogêneas do que a classes homogêneas na medida em que estas, pela suas maiores diferenças aparentes, são mais isomorfas com as situação sociais Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 230 complexas. Se a educação de qualidade é a que melhor prepara para lidar com as situações sociais ecologicamente válidas então é a EI que melhor permite que o aluno tenha acesso a esse patrimônio de experiência. Síntese: Falar de inovação no campo da Educação é um assunto bem complexo. A escola pública foi criada com objetivos de proporcionar aos alunos uma formação final com um níveis semelhante e usando estratégias uniformes. Considerar as diferenças intra-individuais dos alunos foi também sempre estranho à escola tradicional. Por isso parecem tão radicais e estranhas as propostas de inovação da escola feitas pela EI. A EI, questiona alguns dos fundamentos e das práticas mais arraigadas da escola tradicional: questiona o caráter seletivo da escola, a homogeneidade dos seus métodos de ensino e ainda o fato de não ser sensível aos que os alunos são e querem. Perante uma tão grande distância entre o que a escola é e o que – por determinação legal – se pretende que ela seja, é natural que se tenham desenvolvido discursos e axiomas que procuram “simplificar” ou “explicar” o que deve ser feito para construir uma Educação mais Inclusiva. São por vezes essas as ideias (mal) feitas que contribuem para sedimentar valores e práticas que não se aproximam da Educação Inclusiva. Mas se estas são algumas das ideias (mal) feitas o que serão então ideias (bem) feitas? Apesar do tom opinativo e afirmativo deste texto, nós próprios temos muitas dúvidas sobre se existe um caminho inequivocamente certo. Talvez o mais adequado seja pensarmos que as ideias bem feitas deverão provir de práticas corajosas, refletidas e apoiadas. Talvez estas ideias e práticas, por mais bem pensadas e feitas que sejam, não nos conduzam inexoravelmente a uma EI. Mas por certo nos vão ajudar a vê-la cada vez mais perto e desta forma promover a justiça e os direitos para todos os alunos. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 231 REFERÊNCIAS Ben-Peretz, M. (2001) “The impossible role of teacher educators in a changing world”, Journal of Teacher Education, 52, 1. 48-56 Campos, B.P. (2002) “Políticas de Formação de Profissionais de Ensino em Escolas Autónomas”, Edições Afrontamento, Porto. Correia, J.A. (2003)”A Construção Politico-cognitiva da Exclusão Social no Campo Educativo in: David Rodrigues (Org.) “Perspectivas sobre a Inclusão; da Educação à Sociedade”, Porto Editora, Porto. Correia, L.M. (2001) “Educação inclusiva ou Educação Apropriada?” in: David Rodrigues (Org.) “Educação e Diferença: valores e práticas para uma Educação Inclusiva”, Porto Editora. Porto Costa, A. Rodrigues, D. (1999) “Special Education in Portugal”, European Journal of Special Needs Education, 14 (1), 70-89. Hamre,B.,Oyler,C. (2004) “Preparing Teachers for Inclusive classrooms. Learning from collaborative inquiry group”, Journal of Teacher Education, 55, 2, 154-163 Hegarty, S. (2003). “Inclusion and Education for All: Necessary Partners”. In: Vivian Heung e Mel Ainscow (edt.) “Inclusive Education: A Framework for Reform”,The Hong Kong Institute of Education. Heward, W. (2003) “Ten Faulty Notions About Teaching and Learning That Hinder the Effectiveness of Special Education”, The Journal of Special Education, 36 (4), 186-205 Perrenoud, P (1996) “La pedagogie à l’école des différences», ESF, Paris Rodrigues, D. (2001) “A Educação e a Diferença”, in David Rodrigues (Org.) “Educação e Diferença: valores e práticas para uma Educação Inclusiva”, Porto Editora. Porto Rodrigues, D. (2003) “Educação Inclusiva: as boas e as más notícias”, in: David Rodrigues (Org.) “Perspectivas sobre a Inclusão; da Educação à Sociedade”, Porto Editora, Porto. Roldão, M.C. (2003) “Diferenciação Curricular e Inclusão”, in: : David Rodrigues (Org.) “Perspectivas sobre a Inclusão; da Educação à Sociedade”, Porto Editora, Porto. Stoer, S., Magalhães, A., Rodrigues, D. (2004) “Os lugares da Exlusão Social”, Cortez Editores, S. Paulo Wallerstein, I. (1983) Historical Capitalism. Londres: Verso. Wilson, J. (2002) “Doing justice to Inclusion”; European Journal of Special Needs Education, 15(3), 297-304. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 232 INCLUSÃO ESCOLAR: concepções de professores e alunos da educação regular e especial Nilza Sanches Tessaro A pessoa com deficiência nem sempre foi valorizada e respeitada pelos seus diferentes, por muito tempo representou segmento totalmente ignorado, sendo, portanto, vítima de abandono, rejeição, maus-tratos e até mutilações. Foi apenas a partir do século XX que começou a ter uma melhor aceitação do deficiente, momento em que se iniciou a sua desinstitucionalização e educação escolar. Até este período eram segregados e praticamente privados de convívio social. Entretanto, verifica-se que as conquistas ainda foram poucas, pois o preconceito, a ignorância e a discriminação ainda são muito fortes em relação ao deficiente e a deficiência. Pode-se afirmar, que mesmo depois de muitas discussões em torno da inclusão social, continua o deficiente sofrendo pelo estigma e pelo preconceito de sua diferença. Existe todo um discurso pró à inclusão em vários segmentos da sociedade, dentre os quais no ambiente escolar. A inclusão no contexto escolar é algo que vem se efetivando, mesmo que a duras penas, buscando superar toda uma história de isolamento, discriminação e preconceito. Tem provocado muitos questionamentos, principalmente no meio acadêmico (curso de Psicologia) tais como: O que é inclusão escolar? Por que incluir? Qual é a opinião dos alunos com deficiência e dos professores sobre inclusão? A escola possui infra-estrutura adequada para participar da inclusão escolar? Os alunos deficientes se sentem bem com a inclusão escolar? Os professores estão capacitados para educação inclusiva? Etc. Em busca de respostas para estes questionamentos, realizou-se uma pesquisa em nível de doutorado, cujo objetivo foi verificar as concepções de professores e alunos de educação regular e especial sobre o processo de inclusão escolar. Para a realização dessa pesquisa foi utilizada uma amostra constituída por 7 grupos, num total de 140 participantes. Sendo 60 professores com experiências diferentes Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 233 quanto à inclusão (20 de escolas especiais e 40 de escolas públicas do ensino básico) e 80 alunos com vivências diversas de inclusão (20 de escolas especiais e 60 de escolas públicas também de ensino básico). Para a coleta de dados foi utilizado um questionário composto por oito questões abertas. As questões foram elaboradas de forma que atingissem os objetivos da pesquisa, englobando as seguintes dimensões: conceito de inclusão escolar; opinião sobre inclusão escolar; opinião sobre o sentimento dos alunos incluídos em classe comum; opinião sobre dificuldades envolvidas no processo de inclusão escolar; manifestação do próprio sentimento e orientações/apoios necessários ao professor para efetivação da inclusão escolar. Como resultado, constatou-se que os conceitos dos participantes sobre inclusão escolar são insatisfatórios e que não houve diferenças entre os alunos e entre os professores quanto a essa dimensão. Os professores e os alunos expressaram várias dificuldades envolvidas nesse processo, destacando–se a falta de infraestrutura das escolas, a falta de preparo/capacitação profissional, discriminação social e a falta de aceitação da inclusão. Os participantes apontaram dificuldades no processo ensino-aprendizagem decorrentes da educação inclusiva. Os professores de educação especial demonstraram dar mais crédito à educação inclusiva do que os do ensino regular. Os alunos deficientes demonstraram dar menos crédito à inclusão do que os não deficientes. Os sentimentos decorrentes da inclusão que predominaram entre os professores e os alunos com deficiência foram negativos, enquanto entre os alunos não deficientes prevaleceram os positivos. Diante destes resultados, conclui-se então, que a inclusão na forma que vem se efetivando, está longe de atender a um ideal, foge dos princípios estabelecidos pela Declaração de Salamanca (1994), a qual constitui-se em um importante documento que trata dos princípios, a política e a prática da educação para as necessidades especiais, que recomenda que as escolas se ajustem às necessidades de todos os alunos, sejam os que vivem na rua, os nômades, os que trabalham. Pesquisas têm confirmado que a inclusão escolar vem se efetivando de forma inadequada, longe do ideal, revelam o pouco interesse e investimento neste Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 234 processo. Com isto pode se dizer que não se deve simplificar o complexo, ou seja, achar que incluir signifique apenas mudar o aluno de endereço, ou seja, sair da escola especial ou classe especial e ir para a classe comum do ensino regular. São muitos os fatores envolvidos, os quais sem dúvida estão sendo desconsiderados ao se efetivar a inclusão escolar. Acredita-se que incluir alunos diferentes/deficientes na classe comum do ensino regular seja viável, desde que se tenha presente à complexidade de tal processo, o qual requer muito investimento e comprometimento, principalmente dos órgãos governamentais (recursos orçamentários). Igualmente se faz necessário muito estudo, pesquisa para ampliar o conhecimento, desenvolver e testar formas que viabilizem a verdadeira inclusão escolar. REFERÊNCIAS Antunes, A. P. G. S. A. Inclusão: dificuldades para efetivação nas escolas do sistema público de ensino. Dissertação de Mestrado da Universidade do Oeste Paulista – Presidente Prudente, SP, 2001. Brasil (1994). Declaração de Salamanca e linha de ação sobre as necessidades educativas especiais. Brasília. CORDE. Camelo, A. I. F. Educação inclusiva: uma visão sobre as necessidades dos docentes. Dissertação de Mestrado da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte – Natal, RN, 1999. Faleiros, M. H. S. (2001). A inclusão de alunos com deficiência mental na perspectiva de suas professoras e produções acadêmicas. Dissertação de Mestrado da Universidade Federal de São Carlos, SP. Gasparetto, M. E. R. F. Visão subnormal em escolas públicas: conhecimentos, opinião e conduta de professores e diretores do ensino fundamental. Tese de Doutorado da Universidade Estadual de Campinas, SP, 2001. Mattos, E. A. de (2000). Contribuições do estudo e proposta para o processo de inclusão do aluno com necessidades educacionais especiais – deficiente mental – na escola regular. Tese de Doutorado da Universidade de São Paulo, SP. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 235 Mazzoni, A. A.; Torres, E. F. e Andrade, J. M. B. de (2000). Sobre acesso e a permanência de estudantes universitários com necessidades educativas especiais In: N. N. R. Mori; M. C. Marquezine; M. L. P. de Guhur e E. M. Shimazaki (orgs.) Educação Especial: olhares e práticas. Londrina: Ed. UEL, p. 225 – 233. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 236 EDUCAÇÃO INCLUSIVA: concepções de professores e diretores Izabella Mendes Sant’Ana* * Psicóloga, doutoranda em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica-PUC, Campinas. RESUMO O estudo investigou as concepções de 10 professores e seis diretores de escolas públicas do Ensino Fundamental de uma cidade do interior paulista, sobre a inclusão escolar. Foram feitas entrevistas e os dados transcritos foram submetidos à análise de conteúdo (e análise estatística-excluído) Docentes e diretores conceberam a educação inclusiva sob diferentes enfoques, com definições que ora se aproximavam dos princípios de integração, ora se referiam à orientação inclusiva. As principais dificuldades indicadas para a realização da inclusão referiram-se à falta de formação especializada e de apoio técnico no trabalho com alunos inseridos nas classes regulares. Como sugestões se destacaram: necessidade de orientação por equipe multidisciplinar, formação continuada, infra-estrutura e recursos pedagógicos adequados, experiência prévia junto a alunos com necessidades especiais, atitude positiva dos agentes, além de apoio da família e da comunidade. Os dados permitiram identificar vários aspectos necessários à efetivação da proposta inclusiva. Palavras-chave: inclusão escolar, concepções de professores e diretores. Nas últimas décadas e mais especificamente a partir da Declaração de Salamanca, em 1994, a inclusão escolar de crianças com necessidades especiais no ensino regular tem sido tema de pesquisas e de eventos científicos, abordando-se desde os pressupostos teóricos político-filosóficos até formas de implementação das diretrizes estabelecidas na referida declaração. Entre os diversos enfoques pesquisados está o que envolve as opiniões de docentes e demais profissionais da comunidade escolar sobre a proposta inclusiva e sua participação neste tipo de projeto. Uma vez que professores e diretores apresentam funções essenciais na estrutura e no funcionamento do sistema educacional, suas Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 237 opiniões podem fornecer subsídios relevantes para a compreensão de como estão sendo desenvolvidos projetos dessa natureza. É sabido que os fundamentos teórico-metodológicos da inclusão escolar centralizam-se numa concepção de educação de qualidade para todos, no respeito à diversidade dos educandos. Assim, em face das mudanças propostas, cada vez mais tem sido reiterada a importância da preparação de profissionais e educadores, em especial do professor de classe comum, para o atendimento das necessidades educativas de todas as crianças, com ou sem deficiências. Estudos recentes sobre a atuação do professor em classes inclusivas apontam que o sucesso de sua intervenção depende da implementação de amplas mudanças nas práticas pedagógicas (O’Donoghue & Chalmers, 2000), quais sejam: a adoção de novos conceitos e estratégias, como a educação cooperativa (O’Connor & Jenkins, 1996); a adaptação ou (re)construção de currículos; o uso de novas técnicas e recursos específicos para essa clientela; o estabelecimento de novas formas de avaliação; o estímulo à participação de pais e da comunidade nessa nova realidade social e educacional (Mantoan, 1997; Mantoan, 2001; Mrech, 1998; Pires & Pires, 1998; Westwood, 1997). Depende, além disso, de atitudes positivas frente à inclusão de crianças com necessidades especiais no ensino regular (Avramidis, Bayliss & Burden, 2000). Contudo cabe lembrar que muitas dessas sugestões já estavam presentes na literatura educacional antes do surgimento da orientação inclusiva, mas que, em alguns casos, foram (re)direcionadas a partir dos princípios da inclusão. Na medida em que a orientação inclusiva implica um ensino adaptado às diferenças e às necessidades individuais, os educadores precisam estar habilitados para atuar de forma competente junto aos alunos inseridos, nos vários níveis de ensino. No entanto, autores como Goffredo (1992) e Manzini (1999) têm alertado para o fato de que a implantação da educação inclusiva tem encontrado limites e dificuldades, em virtude da falta de formação dos professores das classes regulares para atender às necessidades educativas especiais, além de infra-estrutura adequada e condições materiais para o trabalho pedagógico junto a crianças com deficiência. O que se tem colocado em discussão, principalmente, é a ausência de formação especializada dos Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 238 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] educadores para trabalhar com essa clientela, e isso certamente se constitui em um sério problema na implantação de políticas desse tipo. Diante desse quadro, torna-se importante que os professores sejam instrumentalizados a fim de atender às peculiaridades apresentadas pelos alunos. Aqui, tendo-se em vista a capacitação docente, a participação das universidades e dos centros formadores parece ser relevante. Para Gotti (1988), a universidade, além de proporcionar cursos de aperfeiçoamento e de pós-graduação, deve envolver-se em pesquisas sobre o ensino aos portadores de necessidades especiais, desenvolvendo instrumentos e recursos que facilitem a vida dessas pessoas. Apesar de a necessidade de preparação adequada dos agentes educacionais estar preconizada na Declaração de Salamanca (Brasil, 1994) e na atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Brasil, 1996) como fator fundamental para a mudança em direção às escolas integradoras, o que tem acontecido nos cursos de formação docente, em termos gerais, é a ênfase dada aos aspectos teóricos, com currículos distanciados da prática pedagógica, não proporcionando, por conseguinte, a capacitação necessária aos profissionais para o trabalho com a diversidade dos educandos (Glat, Magalhães & Carneiro, 1998). A formação deficitária traz sérias conseqüências à efetivação do princípio inclusivo, pois este pressupõe custos e rearranjos posteriores que poderiam ser evitados. Vale destacar, porém, que a formação docente não pode restringir-se à participação em cursos eventuais, mas sim, precisa abranger necessariamente programas de capacitação, supervisão e avaliação que sejam realizados de forma integrada e permanente. A formação implica um processo contínuo, o qual, segundo Sadalla (1997), precisa ir além da presença de professores em cursos que visem mudar sua ação no processo ensino-aprendizagem. Para a autora, o professor precisa ser ajudado a refletir sobre a sua prática, para que compreenda suas crenças em relação ao processo e se torne um pesquisador de sua ação, buscando aprimorar o ensino oferecido em sala de aula. Na inclusão educacional, torna-se necessário o envolvimento de todos os membros da equipe escolar no planejamento de ações e programas voltados à temática. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 239 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] Docentes, diretores e funcionários apresentam papéis específicos, mas precisam agir coletivamente para que a inclusão escolar seja efetivada nas escolas. Por outro lado, torna-se essencial que esses agentes dêem continuidade ao desenvolvimento profissional e ao aprofundamento de estudos, visando à melhoria do sistema educacional. No que se refere aos diretores, cabe a eles tomar as providências – de caráter administrativo – correspondentes e essenciais para efetivar a construção do projeto de inclusão (Aranha, 2000). Para Ross (1998), o diretor de escola inclusiva deve envolver-se na organização de reuniões pedagógicas, desenvolver ações voltadas aos temas relativos à acessibilidade universal, às adaptações curriculares, bem como convocar profissionais externos para dar suporte aos docentes e às atividades programadas. Além disso, o administrador necessita ter uma liderança ativa, incentivar o desenvolvimento profissional docente e favorecer a relação entre escola e comunidade (Sage, 1999; Reis, 2000). Diante da orientação inclusiva, as funções do gestor escolar incluem a definição dos objetivos da instituição, o estímulo à capacitação de professores, o fornecimento de apoio às interações e a processos que se compatibilizem com a filosofia da escola (Schaffner & Buswell, 1999), e ainda a disponibilização dos meios e recursos para a integração dos alunos com necessidades especiais (Marchesi & Martín, 1995). Desse modo, a atuação dos administradores escolares pode ser de grande valia na tarefa de construir uma escola pronta a atender a todos os indivíduos, sem discriminação. Embora Reis (2000) aponte que muitas vezes a prática do diretor, nas escolas brasileiras, é dificultada pelas exigências das atividades burocráticas e administrativas, esse profissional precisa ser atuante, promovendo ações que envolvam o acompanhamento, discussões e avaliações em conjunto com os participantes do projeto educacional, a fim de exercitar as dimensões educacional, social e política, inerentes a sua função. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 240 Além da participação de docentes e gestores no contexto da inserção dos alunos com deficiência na rede regular de ensino, outros fatores, como os relacionados à estrutura do sistema educacional, precisam ser considerados na análise e nas discussões sobre as possibilidades de implementação de projetos nessa área. Castro (1997), ao descrever o processo de implantação de uma proposta de educação inclusiva na rede pública de uma capital da Região Nordeste do Brasil, realizou entrevistas com 30 pessoas (entre professores, diretores, supervisores e técnicos), em cinco escolas municipais desse município, com o objetivo de conhecer as dificuldades e as condições necessárias à realização da proposta. A autora verificou que entre as principais dificuldades encontradas estão as mesmas existentes em qualquer escola pública brasileira, a saber: formação insuficiente dos professores, baixos salários, falta de apoio pedagógico, infra-estrutura e condições de trabalho precárias. Além disso, constatou que as dificuldades apontadas pelos professores referem-se à atuação com a totalidade dos alunos, e não apenas com os que apresentam algum tipo de deficiência. Por último, a autora ressaltou a necessidade de os professores serem orientados a partir de fundamentos teóricopráticos, para que possam modificar práticas e métodos de ensino, com o objetivo de propiciar um ensino de qualidade para todos. Resultados similares foram encontrados por Damião (2000); Dias, Sponchiado, Hirota, Camargo e Almeida (1998); Castro (2002) e Jusevicius (2002). Entre as necessidades mencionadas pelos autores podem-se destacar: a formação específica e continuada dos educadores, a orientação na prática cotidiana, o apoio familiar e técnico, a redução do número de alunos nas classes e alterações nas condições estruturais das escolas. Com base nessas informações, pode-se perceber que são necessárias mudanças profundas no sistema educacional vigente a fim de garantir o cumprimento dos objetivos da inclusão. Cumpre, então, considerar as inúmeras dificuldades vivenciadas por todos os participantes do cotidiano das escolas que tentam, de diferentes maneiras, viabilizar a educação inclusiva de acordo com suas possibilidades. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 241 Em face dessas considerações, o presente estudo visou investigar como professores e diretores entendem a inclusão escolar, buscando, também, conhecer as dificuldades existentes e as necessidades apontadas pelos profissionais no contexto da inserção de crianças com deficiência no ensino comum. MÉTODO Participantes Participaram deste estudo 10 professores e seis gestores (três diretores e três vicediretores) atuantes em escolas do ensino fundamental, da rede estadual, em um município do interior paulista. Todos os participantes eram do sexo feminino, sendo que a maioria dos docentes (seis) encontrava-se na faixa etária de 30 a 39 anos, enquanto a metade dos gestores apresentava idade na faixa de 50 a 59 anos. Os docentes e diretores estavam vinculados a três instituições educacionais abertas à inclusão, que atendem alunos de diferentes bairros: duas localizadas na periferia e um na zona central da cidade. Material Foram utilizados um questionário de identificação para docentes e diretores (contendo informações sobre idade, sexo, formação acadêmica, tempo de atuação profissional e participação em eventos) e um roteiro de questões orientadoras para as entrevistas semi-estruturadas com esses profissionais, além de um gravador portátil e fitas para o registro das entrevistas. O roteiro focalizou as seguintes dimensões: concepções sobre a Educação Inclusiva (conceito, idéias e opiniões que os profissionais têm acerca da Educação Inclusiva), desenvolvimento do processo de inclusão (dificuldades encontradas pelos participantes na realização do processo) e condições necessárias à efetivação da Educação Inclusiva (sugestões dos docentes e administradores quanto aos aspectos necessários para a viabilização da inclusão escolar)1. Procedimento Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 242 Após obter, junto à Delegacia de Ensino, a lista de escolas em que existiam classes especiais e/ou sala de recursos, a pesquisadora fez um levantamento sobre as instituições que apresentavam alunos com deficiências inseridos no ensino regular. Dentre essas escolas, foram selecionadas três para a realização da pesquisa. Posteriormente, a autora entrou em contato com esses estabelecimentos de ensino e expôs aos respectivos diretores a intenção de realizar o estudo. 1 Utilizou-se também um termo de consentimento informado, que foi assinado pelos participantes, contendo os objetivos e explicitando outras normas éticas da pesquisa, redigido de acordo com a Resolução de dezembro de 2000, do Conselho Federal de Psicologia e o que dispõe a Lei Nacional sobre a Pesquisa com Seres Humanos. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da PUCCampinas (Parecer nº 058/03). Desse modo, foi feito o agendamento das datas e horários para visitar as escolas. Por ocasião das visitas, a escolha dos professores baseou-se nos seguinte critério: os profissionais deveriam estar atualmente acompanhando crianças com necessidades especiais em classes regulares. As entrevistas com os participantes foram realizadas nas próprias escolas e em horários escolhidos por eles. Após a transcrição dos relatos, fez-se uma leitura ampla do material obtido. Em seguida, realizou-se a análise de conteúdo, segundo a proposta de Bardin (2002), a qual envolveu: a) a identificação dos temas e sua posterior divisão em unidades de respostas; b) o recorte dos textos de acordo com os conteúdos apresentados; e c) o agrupamento e a categorização das unidades de respostas, que representam o conjunto de idéias comuns ao grupo pesquisado. RESULTADOS E DISCUSSÃO Quanto à formação educacional dos participantes, nove professores cursaram o magistério e também já haviam completado o ensino superior entre os anos de 1975 e 2002. Em relação aos diretores, apenas um não possuía o curso de magistério, sendo que todos concluíram o nível superior entre 1973 e 1995. Apenas dois profissionais apresentavam curso de pós-graduação: um docente fez especialização em Psicopedagogia e um gestor especializou-se em Supervisão Escolar. O curso de Pedagogia foi o mais freqüente entre os professores e diretores, no entanto, Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 243 verificou-se que a metade dos administradores apresentou dois cursos superiores, enquanto os professores possuíam somente um curso em sua formação. No que concerne ao tempo de exercício profissional, todos os participantes apresentaram um longo período de experiência, com no mínimo nove anos de atuação na área. No grupo de professores, a maior parte (quatro docentes) encontrava-se na faixa entre 15 a 19 anos de trabalho na profissão, enquanto entre os diretores houve maior variação acerca do tempo de atuação profissional. Os dados sobre a experiência prévia e a formação continuada de professores para atuação com alunos que apresentam necessidades especiais encontram-se na Tabela 1. Pôde-se verificar que a metade dos professores já possuía experiência anterior junto a alunos com deficiência. Somente um professor mencionou ter participado de curso e encontro acerca da educação inclusiva sem, contudo, especificá-lo. Tabela 1. Experiência prévia e formação continuada de professores para atuar junto aos portadores de necessidades educacionais especiais SIM NÃO F F Experiência prévia com alunos portadores de necessidade educacionais especiais 5 5 Participação em programas de capacitação/ cursos sobre educação inclusiva 1 9 Participação em eventos sobre educação inclusiva 1 9 Orientação no trabalho com alunos portadores de necessidades educacionais especiais 4 6 No grupo de diretores, somente um profissional afirmou ter participado de cursos e eventos sobre a inclusão escolar, promovido pela Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo, porém não informou o período em que tal evento foi realizado. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 244 Apesar da baixa participação dos administradores em encontros, todos indicaram ter recebido orientações de profissionais, de dentro ou de fora da escola, sobre o processo de inclusão de alunos com deficiência no ensino regular. Dentre os profissionais que forneceram orientações aos participantes, foram mencionados 1 (um)professor especializado, 1 (um), pedagogo e 2 (dois) fisioterapeutas. Na análise de conteúdo, foram estabelecidas algumas categorias a partir das respostas de docentes e diretores, formando a base para a análise de cada questão. Em relação ao conceito de educação inclusiva, os resultados indicaram grande variação nos argumentos dados pelos dois grupos de profissionais, conforme apresentado na Tabela 2. Tabela 2. Distribuição das categorias de respostas de professores e diretores sobre o conceito de educação inclusiva Categorias Professores Diretores F F Adaptações no ensino 1 Compartilhar o espaço físico 4 1 Integração na sociedade 2 3 Crianças com deficiência 3 2 Participação de todos 1 1 Direito à educação 1 Total 11 8 Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 245 Dentre os argumentos mencionados pelos professores, obteve maior destaque o que atribui à noção de compartilhar o mesmo espaço físico a condição de principal elemento do conceito de educação inclusiva, sendo ressaltado por quatro docentes. Para os diretores, verificou-se que a categoria denominada integração na sociedade foi a mais freqüente nos relatos, sendo apontada por três gestores. Possivelmente, isso decorre do fato de os profissionais exercerem papéis diferentes, esperando-se dos gestores uma ação mais ativa quanto à integração escolacomunidade, especialmente família-escola, cuidando da inclusão tanto junto aos pais das crianças a serem incluídas quanto aos das outras crianças. A partir da análise dos relatos dos dois grupos de sujeitos, foi possível identificar diferentes visões sobre a inclusão escolar. Os docentes deram maior destaque à presença das crianças com necessidades especiais compartilhando o mesmo espaço físico das demais, enquanto os gestores enfatizaram a inserção como uma forma de integrar essas pessoas na sociedade. A idéia da presença de portadores de necessidades especiais na classe regular constitui-se, aqui, como principal aspecto do conceito de inclusão. No entanto, o fato de esses alunos estarem no mesmo ambiente com os demais não quer dizer que estejam incluídos, realmente, no contexto escolar. A inclusão implica práticas escolares que favoreçam relações significativas dentro da perspectiva de aprendizagem colaborativa (Thousand & Villa, 1991), capazes de remover as barreiras ao acesso e à participação dessas pessoas na aprendizagem e na sociedade (Santos, Souza, Alves & Gonzaga, 2002). Embora tenham apontado outros aspectos do princípio inclusivo (como a necessidade de adequação de métodos e estratégias de ensino, o direito à educação e inclusão com um sentido amplo, envolvendo não apenas as crianças que apresentam alguma deficiência, mas ‘todos’ os alunos, independente de suas condições físicas, psicológicas, étnicas e sociais), os participantes, em geral, apresentaram respostas pouco abrangentes, focalizando apenas algumas dimensões do referido conceito, respostas estas que parecem estar mais relacionadas às idéias de inclusão recentemente mais difundidas na literatura do que particularmente às de integração. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 246 Esses resultados se diferenciam dos encontrados em outros estudos (Damião, 2000; Jusevicius, 2002), nos quais os participantes usavam essas expressões como sinônimas, havendo certa confusão entre os termos. Isso parece indicar alterações nas concepções dos educadores, possivelmente ligadas às recentes discussões sobre a inclusão nas diversas esferas sociais, inclusive com destaque da mídia; e também pode ser influência de possíveis leituras que facilitam a compreensão e a distinção dos significados. Na Tabela 3 estão presentes as freqüências de categorias segundo as verbalizações de docentes e diretores em relação às dificuldades encontradas na realização da inclusão escolar. Para cinco professores e três diretores, a principal dificuldade encontrada na efetivação do processo de inclusão baseia-se na falta de apoio técnico, isto é, de suporte de profissionais especializados. A categoria falta de formação foi mais enfatizada pelos docentes do que pelos diretores. Tabela 3. Distribuição das categorias de respostas de professores e diretores sobre as dificuldades encontradas no processo inclusivo Categorias Professores Diretores F F Apoio técnico 4 4 Falta de formação 5 3 Disponibilidade pessoal 3 3 Falta de experiência 1 Métodos de ensino 1 1 Número de alunos 1 Dificuldade do aluno Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 247 3 Apoio da família 1 Infra-estrutura e materiais 1 2 Preconceito 3 Total 19 17 O relato dos participantes evidenciou a preocupação com a falta de orientação no trabalho junto aos alunos com necessidades especiais. Mesmo aqueles profissionais que recebem ou receberam algum tipo de orientação afirmaram que o que está sendo feito não é suficiente para atender às demandas surgidas durante o processo inclusivo. A ausência de uma equipe formada por especialistas de diferentes áreas que atue em conjunto com os docentes e diretores parece ser um obstáculo importante para a realização de ações e projetos comprometidos com os princípios inclusivos. Também foi destacada a falta de capacitação do professor e da equipe pedagógica em lidar com alunos que apresentam necessidades especiais. Alguns diretores expressaram a idéia de que a formação continuada deveria ser ofertada aos docentes pelos órgãos administrativos regionais, indicando que se faz necessária a realização cursos de capacitação para que todos os envolvidos no processo inclusivo tenham condições de desenvolver um trabalho adequado às necessidades desse alunado. Aparentemente, a formação continuada pode favorecer a implementação da proposta inclusiva; todavia necessita estar aliada a melhorias nas condições de ensino, ao suporte de profissionais no auxílio ao trabalho do professor, bem como ao compromisso de cada profissional em trabalhar para a concretização dessas mudanças. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 248 Cabe salientar que três docentes apontaram os problemas de comportamento dos alunos (agressividade, indisciplina) ou as necessidades apresentadas pelos alunos incluídos como aspectos dificultadores do trabalho educativo. As demais falas focalizaram outros aspectos, como a falta de experiência anterior e o uso de estratégias específicas junto a alunos com deficiências, assim como a importância de uma atitude positiva dos agentes envolvidos e de toda comunidade escolar frente aos portadores de necessidades especiais. O preconceito e o número elevado de alunos nas salas de aula também foram vistos como aspectos negativos quanto ao processo inclusivo, pois prejudicariam as relações interpessoais e o desenvolvimento de um trabalho mais próximo ao aluno com necessidades especiais, respectivamente. Como forma de enfrentamento das dificuldades, os participantes apresentaram sugestões que poderiam favorecer a implementação da proposta inclusiva, o que pode ser observado na Tabela 4. Tabela 4. Distribuição das categorias de respostas de professores e diretores sobre as sugestões apontadas para viabilizar a inclusão escolar Categorias Professores Diretores F F Apoio técnico 9 3 Formação em serviço 8 5 Disponibilidade pessoal 3 1 Experiência prévia 1 Infra-estrutura e materiais 3 1 Apoio da família e da comunidade 1 Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 249 Conscientização da sociedade 2 Trabalho conjunto 1 Total 26 12 Para nove dos docentes e três diretores, a presença de uma equipe que dê suporte aos agentes educacionais constitui-se na principal necessidade apontada na educação inclusiva. Sugestões relativas à formação em serviço foram destacadas por cinco diretores e por oito professores. Tal fato, possivelmente, deriva da urgência que estes profissionais têm de obter auxílio e orientações a respeito do trato com alunos que apresentam necessidades especiais. Docentes e administradores consideraram o apoio de especialistas como um aspecto fundamental na atuação com crianças que apresentam deficiências, explicitando também a idéia de que todos os funcionários devem estar informados e aptos para lidar com as diferenças e especificidades dos alunos. Esta visão assemelha-se ao que Karagiannis, Stainback e Stainback (1999) ressaltam sobre a necessidade de as escolas tornarem-se comunidades acolhedoras, sendo que o primeiro passo desse processo seria o desenvolvimento de uma cultura escolar baseada no reconhecimento, na valorização e no respeito a todos os alunos. De acordo com os relatos, os docentes parecem crer que a habilitação específica deve ser o primeiro passo do processo inclusivo e, por isso parecem exigir que tal condição seja atendida pelos órgãos responsáveis, indicando também certa urgência em adquirir conhecimentos sobre como lidar com essa clientela. Além disso, enfatizam outras necessidades para que os alunos com necessidades especiais possam ser beneficiados em sua inserção nas classes comuns. Alguns profissionais consideraram relevante a realização de adaptações na infraestrutura dos estabelecimentos escolares e de um trabalho conjunto de todos os participantes da comunidade escolar, visando à inclusão desses alunos no ensino regular. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 250 Em contrapartida, outros participantes indicaram que o professor precisa estar aberto ao processo de inclusão – subjetiva e profissionalmente – para atuar junto aos alunos com deficiências, alertando também que a participação dos familiares e da comunidade e de mudanças de atitude da sociedade frente às pessoas com necessidades especiais são aspectos essenciais para a concretização dos princípios inclusivos. As necessidades apontadas indicam que o professor precisa ser auxiliado no processo de inclusão. Por estar a maior parte do tempo atuando junto aos alunos, o docente não pode trabalhar isoladamente. É por esse motivo que os educadores destacaram, em diferentes níveis, o caráter imprescindível do apoio de profissionais especializados, da família e de toda a comunidade. CONSIDERAÇÕES FINAIS O estudo apresentou alguns dados que permitiram uma reflexão sobre os aspectos que têm permeado a inserção do aluno com necessidades especiais no sistema regular de ensino. Os principais resultados apontaram que a educação inclusiva foi vista pelos participantes sob diferentes enfoques, desde definições mais próximas dos princípios de integração até definições mais relativas à educação inclusiva. O discurso da maioria dos participantes evidencia uma posição favorável à inclusão dos alunos com necessidades na educação comum, talvez pelo fato de esse tema estar sendo muito discutido e valorizado atualmente no meio acadêmico e social. Docentes e diretores parecem crer que a educação inclusiva é uma proposta viável, mas que, para ser efetivada, necessita de profundas transformações na política e no sistema de ensino vigente. Os resultados mostraram que os professores estão cientes de não estarem preparados para a inclusão, não aprenderam as práticas educacionais essenciais à promoção da inclusão e precisariam do apoio de especialistas. Os participantes reconheceram a importância de uma educação democrática, que atenda à totalidade dos educandos; no entanto, apontaram que os órgãos Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 251 administrativos competentes devem tomar as providências necessárias, incluindo a participação ativa de educadores, dos pais e da sociedade para proporcionar aos indivíduos com deficiências um ensino adequado às suas necessidades específicas. Ao se analisarem as dificuldades mencionadas pelos entrevistados, pôde-se perceber que muitas delas não são exclusividade do ensino aos alunos com necessidades especiais, mas problemas existentes há várias décadas na estrutura educacional do país, o que foi confirmado nos estudos de Castro (1997) e Jusevicius (2002). Nesse sentido, a inclusão desse alunado em classes comuns gera novas circunstâncias e desafios, que tendem a somar-se com as dificuldades já existentes do sistema atual, e, por conseguinte, ratifica a idéia de que profundas modificações devem ser realizadas a fim de melhorar a qualidade da educação, seja para educandos sem seja com algum tipo de deficiência. Em face do quadro apresentado, tornam-se evidentes os obstáculos à proposta de inclusão. O principal deles parece ser a falta de preparo do professor para atuar com esses alunos. As dificuldades apresentadas pelos educadores neste estudo são graves e sugerem que ações governamentais sejam implementadas. Os dados obtidos vêm reafirmar a necessidade de que os agentes e gestores educacionais sejam consultados e participem ativamente das mudanças e transformações ocorridas no âmbito escolar, como aponta Machado (2003). Suas experiências e seus questionamentos são fontes de informações relevantes acerca da realidade escolar e precisam ser levados em consideração no momento em que os órgãos governamentais decidem os rumos da Educação. Além disso, permitem dizer que é necessária a redefinição dos modelos de formação dos professores, com vista a contribuir para uma prática profissional mais segura e condizente com as necessidades de cada educando. REFERÊNCIAS Aranha, M. S. (2000). Inclusão social e municipalização. Em E. Manzini (Org), Educação especial: temas atuais (pp.1-9). Marília: UNESP-Marília Publicações. Avramidis, E., Bayliss, P. & Burden, R. (2000). Student teacher’s attitudes towards the inclusion of children with special education needs in the ordinary school. 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Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 253 Mantoan, M. T. (1997). Inclusão escolar de deficientes mentais: que formação para professores? Em M. T. Mantoan (Org.), A integração de pessoas com deficiência: contribuições para uma reflexão sobre o tema (pp. 119-127). São Paulo: Memnon. Mantoan, M. T. (2001). (Org.) Caminhos pedagógicos da inclusão. São Paulo: Memnon. Manzini, E. F. (1999). Quais as expectativas com relação à inclusão escolar do ponto de vista do educador? Temas sobre desenvolvimento, 7(42), 52-54. Marchesi, A. & Martín, E. (1995). Da terminologia do distúrbio às necessidades educacionais especiais. Em C. Coll, J. Palacios & A. Marchesi (Orgs.), Desenvolvimento psicológico e educação: necessidades educativas especiais e aprendizagem escolar. (M. A. Domingues, Trad., V. 3, pp. 7-23). Porto Alegre: Artes Médicas. (Trabalho original publicado em 1993). Mrech, L. M. (1998). O que é educação inclusiva? Integração, 10(20), 37-40. 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Com a palavra a professora: suas crenças, suas ações. Tese de Doutorado Não-Publicada, Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Estadual de Campinas. Sage, D. D. (1999). Estratégias administrativas para o ensino inclusivo. Em S. Stainback & W. Stainback (Orgs.), Inclusão: um guia para educadores (M F. Lopes, Trad., pp. 129-141). Porto Alegre: Artes Médicas. (Trabalho original publicado em 1996) Santos, M, P., Souza, L. P., Alves, R. V & Gonzaga, S. A. (2002). Educação especial: redefinir ou continuar excluindo? Integração, 14(24), 30-33. Schaffner, C. B. & Buswell, B. E. (1999). Dez elementos críticos para a criação de comunidades de ensino inclusivo e eficaz. Em S. Stainback & W. Stainback (Orgs.) Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 254 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] Inclusão: um guia para educadores (M. F. Lopes, Trad.) (pp. 69-87). Porto Alegre: Artes Médicas. (Trabalho original publicado em 1996) Thousand, J. & Villa, R. (1991). A futuristic view of the REI: a response to Jenkins, Pious and Jewell. Exceptional Children, 57 (1), 556-562. Westwood, P. (1997). Commonsense methods for children with special needs: strategies for the regular classroom. London: Routledge. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 255 DA EDUCAÇÃO SEGREGADA À EDUCAÇÃO INCLUSIVA: uma Breve Reflexão sobre os Paradigmas Educacionais no Contexto da Educação Especial Brasileira 1 Rosana Glat e Edicléa Mascarenhas Fernandes Faculdade de Educação / Universidade do Estado do Rio de Janeiro A educação de alunos com necessidades educativas especiais que, tradicionalmente se pautava num modelo de atendimento segregado, tem se voltado nas últimas duas décadas para a Educação Inclusiva. Esta proposta ganhou força, sobretudo a partir da segunda metade da década de 90 com a difusão da conhecida Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994), que entre outros pontos, propõe que “as crianças e jovens com necessidades educativas especiais devem ter acesso às escolas regulares, que a elas devem se adequar...”, pois tais escolas “constituem os meios mais capazes para combater as atitudes discriminatórias, construindo uma sociedade inclusiva e atingindo a educação para todos...” (p. 8-9, grifo nosso). Sob este enfoque, a Educação Especial que por muito tempo configurou-se como um sistema paralelo de ensino, vem redimensionando o seu papel, antes restrito ao atendimento direto dos educandos com necessidades especiais, para atuar, prioritariamente como suporte à escola regular no recebimento deste alunado. De forma sucinta, esse artigo pretende acompanhar a trajetória da área no Brasil, considerando os paradigmas teóricos vigentes, bem como a política educacional da época. Ressaltando, porém, que um paradigma não se esgota com a introdução de uma nova proposta, e que, na prática, todos esses modelos co-existem, em diferentes configurações, nas redes educacionais de nosso país. A Educação Especial se constituiu originalmente como campo de saber e área de atuação a partir de um modelo médico ou clínico. Embora hoje bastante criticado, é preciso resgatar que, como lembra Fernandes (1999), os médicos foram os primeiros que despertaram para a necessidade de escolarização dessa clientela que se encontrava “misturada” nos hospitais psiquiátricos, sem distinção de idade, principalmente no caso da deficiência mental. Sob esse enfoque, a deficiência era entendida como uma doença crônica, e todo o atendimento prestado a essa clientela, mesmo quando envolvia a área educacional era considerado pelo viés Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 256 terapêutico. A avaliação e identificação eram pautadas em exames médicos e psicológicos com ênfase nos testes projetivos e de inteligência, e rígida classificação etiológica. 1 Artigo publicado na Revista Inclusão nº 1, 2005, MEC/ SEESP. Nas instituições especializadas o trabalho era organizado com base em um conjunto de terapias individuais (fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, psicopedagogia, etc) e pouca ênfase era dada à atividade acadêmica, que não ocupava mais do que uma pequena fração do horário dos alunos (GLAT, 1989). A educação escolar não era considerada como necessária, ou mesmo possível, principalmente para aqueles com deficiências cognitivas e / ou sensoriais severas. O trabalho educacional era relegado a um interminável processo de “prontidão para a alfabetização”, sem maiores perspectivas já que não havia expectativas quanto à capacidade desses indivíduos desenvolverem-se academicamente e ingressarem na cultura formal. Os anos 70 representaram a institucionalização da Educação Especial em nosso país, com a preocupação do sistema educacional público em garantir o acesso à escola aos portadores de deficiências 2. Em sua progressiva afirmação práticoteórica, a Educação Especial absorveu os avanços da Pedagogia e da Psicologia da Aprendizagem, sobretudo de enfoque comportamental. O desenvolvimento de novos métodos e técnicas de ensino baseados nos princípios de modificação de comportamento e controle de estímulos permitiu a aprendizagem e o desenvolvimento acadêmico desses sujeitos, até então alijados do processo educacional. “O deficiente pode aprender”, tornou-se a palavra de ordem, resultando numa mudança de paradigma do “modelo médico”, predominante até então, para o “modelo educacional”. A ênfase não era mais a deficiência intrínseca do indivíduo, mas sim a falha do meio em proporcionar condições adequadas que promovessem a aprendizagem e o desenvolvimento (GLAT, 1985; 1995; KADLEC & GLAT, 1984). A metodologia de pesquisa privilegiada era da análise aplicada do comportamento, com ênfase nos estudos de natureza experimental e semi-experimental, com controle de variáveis e observação direta do comportamento. Esse foi o momento Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 257 dos “métodos e técnicas” e das especificidades da Educação Especial (metodologias de ensino para alunos com deficiência visual, auditiva, mental, superdotação, etc)3. 2 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação 5692/71 no artigo 9o recomendava que alunos com deficiências físicas ou mentais, os que se encontrassem em atraso considerável quanto á idade regular de matrícula e os superdotados deveriam receber tratamento especial, de acordo com as normas fixadas pelos Conselhos de Educação. E, em 1973, foi criado o Centro Nacional de Educação Especial (CENESP) que introduziu a Educação Especial no planejamento de políticas públicas, ao mesmo tempo em que iniciou a implantação de subsistemas de Educação Especial nas diversas redes públicas de ensino, através da criação de escolas e classes especiais, e projetos de formação de recursos humanos especializados, inclusive no exterior (FERREIRA & GLAT, 2003). 3 Em 1978 o MEC propôs o “Projeto Prioritário de Reformulação de Currículos para a Educação Especial” para cada área de deficiência e superdotação. Neste contexto a oferta do atendimento ao excepcional poderia ocorrer em escolas regulares, clínicas ou centros de reabilitação. Porém, apesar dos avanços, este modelo não representou a garantia de ingresso de alunos com deficiências no sistema de ensino. A Educação Especial funcionava como um serviço paralelo, com métodos ainda de forte ênfase clínica e currículos próprios. As classes especiais implantadas nas décadas de 70 e 80 serviram mais como espaços de segregação para aqueles que não se enquadravam no sistema regular de ensino, do que uma possibilidade para ingresso na rede pública de alunos com deficiências, cuja maioria ainda continuava em instituições privadas (BUENO, 1993; FERNANDES, 1999). Recursos e métodos de ensino mais eficazes proporcionaram às pessoas com deficiências maiores condições de adaptação social, superando, pelo menos em parte, suas dificuldades e possibilitando sua integração e participação mais ativa na vida social. Acompanhando a tendência mundial da luta contra a marginalização das minorias, começou a se consolidar em nosso país, no inicio da década de 80, a filosofia da Integração e Normalização. A premissa básica desse conceito é que pessoas com deficiências têm o direito de usufruir as condições de vida o mais comuns ou normais possíveis na comunidade onde vivem, participando das mesmas atividades sociais, educacionais e de lazer que os demais (GLAT, 1989; 1995; PEREIRA, 1990). Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 258 O modelo segregado de Educação Especial passou a ser severamente questionado, desencadeando a busca por alternativas pedagógicas para a inserção de todos os alunos, mesmo os portadores de deficiências severas, preferencialmente no sistema rede regular de ensino (como recomendado no artigo 208 da Constituição Federal de 1988). Foi assim instituída, no âmbito das políticas educacionais, a Integração4. Este modelo, que até hoje ainda é o mais prevalente em nossos sistemas escolares, visa preparar alunos oriundos das classes e escolas especiais para serem integrados em classes regulares recebendo, na medida de suas necessidades, atendimento paralelo em salas de recursos ou outras modalidades especializadas. O “deficiente pode se integrar na sociedade” tornou-se, assim, a matriz política, filosófica e científica da Educação Especial. Este novo pensar sobre o espaço social das pessoas com deficiências, que tomou força em nosso país com o processo de redemocratização, resultou em uma transformação radical nas políticas públicas, nos objetivos e na qualidade dos serviços de atendimento a esta clientela. 4 Neste período o CENESP publicou os Subsídios para Organização e Funcionamento de Serviços de Educação Especial (1984), apoiado nos princípios filosóficos da normalização, integração e individualização, propondo as modalidades de atendimento: classes especiais, salas de recursos, ensino itinerante, escolas e centros especiais. Em termos de conceituação teórica, sentiu-se, nesse momento, as lacunas do modelo comportamental / instrumentalista em preparar adequadamente as pessoas com deficiências para sua plena integração social e educacional. Nesse sentido, dois campos de investigação começaram a se desenvolver. O primeiro voltado para Psicologia da Aprendizagem, através do estudo e aplicação para Educação Especial do construtivismo de Jean Piaget e Emilia Ferrero e do sóciointeracionismo de Vigotsky. Estas pesquisas mostraram que é possível para pessoas com deficiência construir conhecimento e se apropriar da leitura e escrita em situações de interação social (MOUSSATCHÉ, 1992; FERNANDES, 1993; FERNANDES, 1994; e outros). A outra vertente teórica mais voltada para os aspectos “psicossociais” (AMARAL, 1995; GLAT, 1989; 1995; OMOTE, 1994; e outros), teve o interesse investigativo Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 259 dirigido para as condições de interação social, marginalização, socialização, estigma que promovem e mantêm a segregação das pessoas com deficiências. Este enfoque buscava entender o significado ou representações que as pessoas têm sobre o deficiente, e como esse significado determina o tipo de relação que se estabelece com ele. Recapitulando, no Brasil a tendência para inserção de alunos com necessidades especiais na rede regular de ensino já anunciada desde o final dos anos 70, tomou vulto na década de 80 com as discussões sobre os direitos sociais, que precederam a Constituinte, as quais enfatizavam reivindicações populares e demandas de grupos ou categorias até então excluídos dos espaços sociais. Neste movimento, a luta pela ampliação do acesso e da qualidade da educação das pessoas portadoras de deficiência culminou, no inicio dos anos 90, com a proposta de Educação Inclusiva, hoje amparada e fomentada pela legislação em vigor, e determinante das políticas públicas educacionais a nível federal, estadual e municipal (FERREIRA & GLAT, 2003). O conceito de escola inclusiva, de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Especial (MEC-SEESP, 1998), implica em uma nova postura da escola regular que deve propor no projeto político-pedagógico, no currículo, na metodologia , na avaliação e nas estratégias de ensino, ações que favoreçam a inclusão social e práticas educativas diferenciadas que atendam a todos os alunos. Pois, numa escola inclusiva a diversidade é valorizada em detrimento da homogeneidade. Porém, para oferecer uma educação de qualidade para todos os educandos, inclusive os portadores de necessidades especiais, a escola precisa capacitar seus professores, preparar-se, organizar-se, enfim, adaptar-se. “Inclusão não significa, simplesmente, matricular os educandos com necessidades especiais na classe comum, ignorando suas necessidades especificas, mas significa dar ao professor e à escola o suporte necessário à sua ação pedagógica” (MEC-SEESP, 1998). Conforme mostram Ferreira e Glat (2003), o movimento em prol da Educação Inclusiva, trouxe em sua gênese uma discussão sobre a finalidade da Educação Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 260 Especial, mormente no seu excesso de especialização. A classificação de diferentes tipos de deficiências começou a ser colocada em segundo plano na definição geral de portadores de necessidades educativas especiais, ampliando-se aí o leque de alunos que deveriam receber algum tipo de suporte, já que agora considera-se, também, qualquer dificuldade escolar permanente ou temporária. Neste contexto é que se descortina o novo campo de atuação da Educação Especial. Não visando importar métodos e técnicas especializados para a classe regular, mas sim, tornando-se um sistema de suporte permanente e efetivo para os alunos especiais incluídos, bem como para seus professores. Como mencionado, a Educação Especial não é mais concebida como um sistema educacional paralelo ou segregado, mas como um conjunto de recursos que a escola regular deverá dispor para atender à diversidade de seus alunos. No entanto, em que pese o crescente reconhecimento da Educação Inclusiva como forma prioritária de atendimento a alunos com necessidades educativas especiais, na prática este modelo ainda não se configura em nosso país como uma proposta educacional amplamente difundida e compartilhada. Embora nos últimos anos tenham sido desenvolvidas experiências promissoras, a grande maioria das redes de ensino carece das condições institucionais necessárias para sua viabilização. No que tange à produção de conhecimento, na última década tem sido acumulado um significativo acervo de pesquisas no Brasil, que oferecem dados importantes sobre o processo de inclusão e as dificuldades enfrentadas pelo sistema educacional brasileiro para sua implementação. No entanto, ainda são poucas as pesquisas, experiências e práticas educacionais validadas cientificamente que mostrem como fazer para incluir no cotidiano de uma classe regular alunos que apresentem diferentes tipos de necessidades educativas especiais. Segundo estudo de Glat, Ferreira, Oliveira e Senna (2003): Os atuais desafios da Educação Inclusiva brasileira centram-se na necessidade de desenvolver instrumentos de monitoramento sistemáticos (indicadores dos programas implantados), realização de pesquisas qualitativas e quantitativas que Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 261 possam evidenciar os resultados dos programas implantados e identificação de experiências de sucesso; implantação de programas de capacitação de recursos humanos que incluam a formação de professores dentro da realidade das escolas e na sala de aula regular do sistema de ensino ( p.35). Esses autores apontam também para o fomento de formas de participação das comunidades escolares na construção dos planos estratégicos de ação para tornar as suas escolas mais inclusivas, valorizando e utilizando os recursos já existentes, levando-se em conta as particularidades contextuais e locais. REFERÊNCIAS AMARAL, L. A. Conhecendo a deficiência (em companhia de Hércules). São Paulo: Robel, 1995. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Especial, 1998. BUENO, J. G. S. Educação Especial brasileira: integração / segregação do aluno diferente. São Paulo: EDUC/PUCSP, 1993. FERNANDES, E. M. Construtivismo e Educação Especial. Revista Integração. MEC /SEESP, 5 (11), pg 22-23, 1994 ______.“Educação para todos -- Saúde para todos”: a urgência da adoção de um paradigma multidisciplinar nas políticas públicas de atenção à pessoas portadoras de deficiências. Revista do Benjamim Constant, 5 (14), pg. 3-19, 1999. 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A criança e suas deficiências: métodos e técnicas de atuação psicopedagógica. Rio de Janeiro: Editora Agir, 1984. MOUSSATCHÉ, A. H. A. Aquisição de linguagem escrita em crianças portadoras de Síndrome de Down. Dissertação de Mestrado, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 1992. OMOTE, S. Deficiência e não-deficiência: recortes do mesmo tecido. Revista Brasileira de Educação Especial, 1(2), pg. 65-74, 1994. PEREIRA, O. S. Educação integrada: somos todos responsáveis. Revista Integração, 3 (6), 16-17, 1990. UNESCO. Declaração de Salamanca e Linha de Ação sobre Necessidades Educativas Especiais.Brasília: CORDE, 1994. Revista Brasileira de Educação Especial Print version ISSN 1413-6538 Rev. bras. educ. espec. vol.11 no.3 Marília Sept./Dec. 2005 doi: 10.1590/S1413-65382005000300005 RELATO DE PESQUISA Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 263 INTERAÇÃO ENTRE PROFESSORA E ALUNOS EM SALAS DE AULA COM PROPOSTA PEDAGÓGICA DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA1 2 Simone Cerqueira da Silva ; 3 Maria Salete Fábio Aranha RESUMO Correntes teóricas presentes na literatura científica têm demonstrado a importância das relações interpessoais para o processo de construção do conhecimento. É no contexto da interação professor e aluno que se configura a relação entre as necessidades educacionais dos alunos e as respostas pedagógicas a elas disponibilizadas, o que envolve o domínio do conhecimento pelo professor, sua capacitação técnico-científica, a competência de ensinar pesquisando, as características sócio-culturais e o perfil psicológico dos atores sociais envolvidosprofessor e aluno. Buscando melhor compreender este universo, elaborou-se este estudo que teve como objetivo descrever as interações ocorridas entre uma professora, e seus alunos, em classes em que se propunha adotar uma prática pedagógica inclusiva. Os dados foram coletados em 2 salas de aula, em escola estadual de Ensino Fundamental, no município de Bauru. O processo de coleta de dados se deu através do registro da realidade de sala de aula em vídeo tape. Optouse por este método, por permitir a recuperação posterior dos dados. A coleta se deu no transcorrer do 1º semestre do ano letivo de 2001. A análise fundamentou-se em sistema prévio de categorias, e tratou os dados quantitativa e qualitativamente. Os resultados demonstraram peculiaridades e diferenças nas interações da professora com os seus alunos, em função da presença ou ausência da deficiência. Indicaram, também, que a interação vem demonstrando avanços na prática educacional, no que diz respeito à atenção pedagógica, da professora, ao aluno com deficiência. Palavras-chave: educação inclusiva; interação entre professor - aluno; necessidades educacionais especiais. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 264 ABSTRACT Theoretical currents present in the scientific literature have demonstrated the importance of interpersonal relationships in the process of knowledge construction. The relationship between the students' educational needs and the available pedagogical responses occurs in the context of teacher-student interaction. Such a relationship involves the teacher's mastery of knowledge, his technic-scientifical capability and ability to teach through research, the socio-cultural characteristics and psychological profiles of the social actors involved - teacher and student. With the goal of searching for a better understanding of this universe, this study was developed and aimed at describing the interactions occurring between a teacher and her students in classrooms in which it was proposed to adopt an inclusive classroom. The data were collected in 2 classrooms in a public primary school in the city of Bauru. The data collecting process was carried out by videotaping the classroom allowing the data to be reviewed later. The taping took place during the first semester of the 2001 school year. The analysis of the data was based on a previously developed system of categories, and the data were dealt quantitative and qualitatively. The results showed peculiarities and differences in the interactions of the teacher with her students, due to the presence or absence of disability. The interaction also demonstrated advances in educational practice regarding the teacher´s attention to the student with disability. Keywords: inclusive education; student-teacher interaction; special educational needs. 1 INTRODUÇÃO O tema da educação inclusiva tem despertado, no meio educacional, angústias e entusiasmos. A mudança de um sistema educacional, que se caracterizou tradicionalmente por ser excludente e segregatório, para um sistema educacional que se comprometa efetivamente a responder, com qualidade e eficiência, às necessidades educacionais de todos, inclusive às dos alunos que apresentam Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 265 necessidades educacionais especiais, exige um processo complexo de transformação, tanto do pensar educacional, como da prática cotidiana de ensino. Todo processo de transformação dessa natureza constitui uma mudança de paradigma, o que, geralmente provoca nas pessoas diversas reações, dentre as quais ansiedade, medo, rejeição, resistência, interesse, entusiasmo. Geralmente, constata-se que inicialmente as pessoas começam a mudar o discurso na direção do politicamente esperado e considerado correto, mantendo, entretanto, padrão de comportamento semelhante ao já conhecido. No caso do tema aqui focalizado, o paradigma da construção de sistemas educacionais inclusivos, em desenvolvimento, requer relações interpessoais que sejam eficientemente acolhedoras para todos, ou seja, que atendam às necessidades educacionais de todos, inclusive dos que apresentam necessidades educacionais especiais. Para Leontiev (1978, p. 272), a educação é o processo que possibilita a formação do indivíduo através de sua apropriação dos resultantes da história social e sua conseqüente objetivação nessa história. Nesse sentido, tem-se que é pela educação que o indivíduo se apropria das características do gênero humano. Características que, segundo Duarte (1993, p. 40), foram criadas e desenvolvidas ao longo do processo de objetivação, gerado, a partir da apropriação da natureza pelo homem. O processo educativo formal, conforme aponta Boneti (1997), ocorre dentro de um espaço real de ação e interação, para enriquecimento da identidade sócio-cultural dos que dele participam, espaço esse chamado escola. Para Saviani (1991), a função da escola é estender, a todos os seus alunos, o conhecimento elaborado e sistematizado, fundamental para que as pessoas tenham maior liberdade de ação pela assimilação e internalização do conhecimento, a partir do processo de ensino e de aprendizagem. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 266 Considerando não somente os conteúdos acadêmicos, Mello (1997) diz, ainda, que cabe à escola a função de estabelecer padrões de convivência social. Neste momento histórico da realidade brasileira, o que se espera é o avanço na direção da construção de um sistema educacional que cumpra efetivamente com o proposto pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996), favorecendo a formação de cidadãos críticos e responsáveis, possibilitando o acesso ao saber científico e à sua utilização crítica e funcional rotineira, e desta forma, atuando na construção de uma sociedade mais igualitária e humana. É no espaço da relação entre professor e aluno que a formação do cidadão se realiza, efetivando a missão maior da educação. Diversos autores têm demonstrado a importância das relações entre o professor e o aluno para o processo de desenvolvimento e de aprendizagem desse aluno. Para Hinde (1979), uma relação implica em algum tipo de interação intermitente entre duas pessoas, envolvendo intercâmbios durante um período estendido no tempo, tendo as mesmas, algum grau de mutualidade, de modo que o comportamento de uma leva em consideração o comportamento da outra. Vygotsky (1994) propõe que as funções psicológicas superiores originam-se das relações reais entre indivíduos humanos, já que no decurso do desenvolvimento, as atividades são inicialmente coletivas / sociais (interpsíquicas) para depois se tornarem atividades individuais / propriedades internas do pensamento. Tomando como pressupostos os conteúdos propostos pelos autores acima citados, entende-se as interações e a relação entre o professor e seus alunos variáveis essenciais no processo bi-direcional de construção da aprendizagem e do desenvolvimento humano. Salvador (1994), referindo-se ao contexto da sala de aula, destaca que a unidade básica de análise deixa de ser a atividade individual do aluno e passa a ser a atividade articulada e conjunta do aluno e do professor em torno da realização de tarefas escolares. Constata-se, então, que os sujeitos, professor e aluno, são os Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 267 atores dessa entrelaçada teia de relações que permeia a instituição escolar e que se apresenta como o fio da meada do processo educacional. Para Aranha e Laranjeira (1995, p.9) [...] é preciso estabelecer, sob novas bases, a relação entre o professor e o aluno, de modo que se repense ambos os papéis, refletindo sobre a bi-direcionalidade e a interdependência que configuram as relações pessoais, para que nos fiquem claras as suas conseqüências. Os estudos sobre a relação entre professor e aluno nem sempre foram tratados a partir do princípio da reciprocidade, da mutualidade e bi-direcionalidade. Carvalho (1986) também se dedicou à análise da literatura sobre a relação entre professor e aluno, e constatou que todos os trabalhos enfatizavam que o professor era o elemento que mais falava, e o comportamento do aluno influenciava de maneira diversificada o comportamento do professor. Por outro lado, posteriormente, Machado (1987) considerou que as pesquisas não privilegiavam a influência do aluno, realçando somente o poder que o professor tinha sobre ele, e que, embora os conceitos de interação e reciprocidade fossem referidos, havia uma certa inconsistência aí embutida. Em 1990, Gil revisou diferentes pesquisas realizadas sobre as relações entre professor e aluno, e verificou a existência de dois grandes grupos de trabalhos que se distinguem pela ênfase dada ora ao rendimento do aluno, e ora às características da interação entre professor e aluno. A autora ainda enfatiza que, embora tais estudos considerassem a interação entre professor e aluno como objeto de estudo, a maioria tratava apenas da influência do comportamento verbal do professor sobre o aluno. A consideração da relação enquanto sistema requer um deslocamento de foco de análise, na direção de um olhar bi-direcional, no qual o aluno influencia o processo de ensino e é por este influenciado. O professor deixa de ser o único responsável Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 268 pelos resultados alcançados no processo de ensino e de aprendizagem, e constatase que o que o aluno faz, exerce influência sobre a ação do professor. Faz-se necessário salientar aqui o deslocamento do foco de análise, deixando de centrar-se no sujeito, unilateral, para centrar-se na relação, contexto bi-direcional e multideterminado. Conforme a literatura citada, são escassos os estudos que consideram o fator da mútua determinação entre professor e aluno. Faz-se necessário então, compreender como funciona e quais são os papéis desempenhados nessa relação. No que se refere ao seu funcionamento, Aranha e Laranjeira (1995) mencionam que a relação entre o professor e o aluno está configurada por uma assimetria, tanto no que se refere ao nível de escolaridade, quanto à experiência de vida, habilidades sociais e complexidade intelectual. Diferenças essas, que pontuam os diferentes papéis que ambos exercem. Quanto ao papel do professor, as autoras consideram que um professor, para cumprir o seu papel pedagógico, precisa ser um profissional-cidadão, capaz do uso do exercício da consciência crítica e do domínio efetivo do saber que socializa na escola. É fato que o modo de ser do professor, seu jeito de pensar, agir e sentir repercutirá no comportamento dos alunos, bem como a imagem e a concepção que o aluno tem do professor irá interferir na ação do professor. A exigência de educação continuada vem se acentuando desde 1996, com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que reconhece a diversidade no contexto escolar. A construção de uma sociedade inclusiva é de fundamental importância para o desenvolvimento e a manutenção de um estado democrático. No âmbito da educação, a opção política pela construção de um sistema educacional inclusivo vem coroar um movimento para assegurar a todos os Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 269 cidadãos, inclusive aos com deficiência, a possibilidade de aprender a administrar a convivência digna e respeitosa numa sociedade complexa e diversificada (ARANHA, 2002). A escola se torna inclusiva à medida que reconhece a diversidade que constitui seu alunado e a ela responde com eficiência pedagógica. Para responder às necessidades educacionais de cada aluno, condição essencial na prática educacional inclusiva, há que se adequar os diferentes elementos curriculares, de forma a atender as peculiaridades de cada um e de todos os alunos. Há que se flexibilizar o ensino, adotando-se estratégias diferenciadas e adequando a ação educativa às maneiras peculiares dos alunos aprenderem, sempre considerando que o processo de ensino e de aprendizagem pressupõe atender à diversificação de necessidades dos alunos na escola (BRASIL, 1999). A educação para todos implica, portanto, um sistema educacional que reconhece, respeita e responde, com eficiência pedagógica, a cada aluno que nele se encontra inserido. A Educação Especial vem contribuir nesse processo, como uma modalidade de ensino que serve a todas as demais modalidades e níveis de escolarização. Responsável especialmente pelo segmento populacional que apresenta necessidades educacionais especiais, deve tanto atender necessidades específicas e peculiares do aluno, como também oferecer suporte técnico-científico ao professor da classe regular que o atende. Pensar na Educação Inclusiva como uma possibilidade de construção de uma sala de aula melhor, na qual alunos e professores sintam-se motivados a aprender juntos e respeitados nas suas individualidades, parece que realmente pode vir a ser um progresso na história da educação brasileira. No processo de construção de uma classe inclusiva, as relações entre professor e aluno surgem como elemento de fundamental importância, já que é no contexto das relações que o respeito e a atenção pedagógica flexível e individualizada vão se efetivar. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 270 Sabe-se que desde que o movimento pela construção de sistemas educacionais inclusivos foi se fortalecendo, inclusive amparado legalmente, alunos com deficiência começaram a ser matriculados e a freqüentar classes regulares no ensino comum. A inserção destes alunos nas classes regulares, entretanto, não garantem, por si só, uma prática inclusiva de ensino. Assim, entende-se importante investigar como estão se dando as relações nesse contexto. Existe diferença na relação entre professor e aluno, quando o aluno tem ou não uma deficiência? As características dessas relações afetam o processo de ensino e de aprendizagem? O estudo dos aspectos acima apontados não se mostrou freqüente na literatura científica pesquisada, já que não se constatou nenhuma publicação realizada no período de 1990 a 2001, em pesquisa bibliográfica realizada em 34 periódicos, 4.697 artigos (SILVA, 2003). Em 2002, Braga (2002) investigou as interações sociais entre uma professora não especialista e um aluno autista, em ambiente regular considerado inclusivo. A autora utilizou o recurso da filmagem, usando uma filmadora assentada em tripé, com o foco direcionado diretamente sobre o aluno autista. Para a análise dos dados, a autora utilizou um sistema de categorias, adaptação de sistema desenvolvido por Aranha (1991). As conclusões obtidas pela autora confirmaram alguns dados já comentados anteriormente e elucidaram outros, até então não apontados pela literatura. A autora confirmou que a professora foi quem manteve o controle do início das interações, e que muitas das iniciativas do aluno autista sugeriram a intenção de obter aproximação, atenção e reconhecimento da professora. Na década de 80, Dorval, Mckinney e Feagans (1982), estudando sobre a relação entre o professor e seus alunos, apontaram que o professor iniciava mais interações com os estudantes que tinham dificuldade de aprendizagem do que com os alunos que obtinham média, mas que esse início de conversação se referia à falta de atenção ou infração de regras por esses alunos. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 271 Confirmando esses apontamentos, Siperstein e Goding (1985) ao estudarem a interação entre o professor e seus alunos, deficientes e não deficientes, mostraram que as iniciativas e respostas dos professores, para os estudantes com deficiência, foram mais negativas e corretivas do que com os estudantes sem deficiência. No ano posterior, Slate e Saudargas (1986) evidenciaram que os estudantes com dificuldade de aprendizado recebiam mais contatos individualizados com o professor, mas esses contatos diziam respeito ao seu engajamento em outras atividades, diferentes da atividade didática; logo, o tempo das atividades acadêmicas com os alunos com deficiência não era significativo, ao contrário do tempo despendido com os alunos que obtinham média. Tais estudos indicam as problemáticas vivenciadas no contexto de sala de aula, especialmente nas relações entre alunos e professor, e o quanto essas relações podem prejudicar ou impedir a eficiência do funcionamento que se almeja na educação inclusiva. A partir da preocupação com o discurso inclusivo que tem permeado o debate social e acadêmico, entendendo a relação entre o professor e o aluno como uma importante via de mediação da construção do conhecimento e da aprendizagem e norteadas pelos resultados acima expostos de poucos estudos realizados acerca dessa temática, elaborou-se este estudo, tendo por objetivo caracterizar a relação entre professora e alunos, em uma sala de aula institucionalmente considerada inclusiva, em unidade escolar da rede pública de ensino, no Estado de São Paulo. 2 MÉTODO Foram participantes deste estudo 2 professoras e seus respectivos alunos. A professora A, que lecionava na turma A, tinha, em sala de aula, 7 alunos do sexo masculino e 14 do sexo feminino. A faixa etária desses alunos era de 8 a 13 anos. A professora B, que lecionava na turma B, tinha, em sala de aula, 12 alunos do sexo masculino e 15 do sexo feminino. A faixa etária desses alunos era de 9 a 17 anos. Na turma A, 2 alunos tinham deficiência mental e na turma B, 3 alunos tinham deficiência, sendo: 1 com deficiência mental, 1 com deficiência mental e física e 1 Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 272 com deficiência auditiva e física. Os demais alunos não apresentavam indicação nem diagnóstico formal de deficiência. Os dados foram coletados em 2 salas de aula, ambas pertencentes a uma escola estadual de ensino fundamental, em bairro residencial da cidade de Bauru, interior do estado de São Paulo. Para a coleta dos dados, empregou-se, uma filmadora da marca Panasonic, modelo RJ 27. Optou-se pela filmagem em VT, já que esta estratégia de coleta de dados permite sua recuperação seqüencial, quantas vezes for necessária, para a efetivação da análise. As filmagens foram realizadas no transcorrer do 1º semestre de um ano letivo. Foi necessário efetuar várias sessões de filmagem até que os participantes se habituassem com a presença da câmera e da pesquisadora, deixando de a elas responder. Os dias para a filmagem foram sorteados, de modo que a professora não sabia em qual dia e horário a pesquisadora compareceria à sala de aula. Definiu-se como interação "uma verbalização ou ação motora de um sujeito dirigida clara e diretamente a outro, seguida de verbalização ou de ação motora deste para o primeiro" (HINDE, 1979; CARVALHO, 1986; ARANHA, 1991). Considerou-se, um episódio um conjunto de interações que tratam de um mesmo assunto, o que passou a ser a unidade de análise (ARANHA, 1991). A partir dessa definição, a análise dos dados percorreu 6 diferentes passos. 1 Elaboração de um sistema de categorias. Para descrever o contexto interativo entre professor e alunos, foi necessário assistir à filmagem inúmeras vezes, bem como considerar o que a literatura apresentava a respeito dessa temática, para, então, criar as categorias que permitissem a obtenção da resposta pretendida no objetivo do estudo. Assim sendo, chegou-se à constituição de um sistema de categorias: quem inicia, quem responde, como inicia, como responde, conteúdo, situação em que ocorre, orientação, quem interrompe e como interrompe. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 273 2 Elaboração das planilhas de registro. A fim de obter dados suficientes para descrever a interação entre professor e alunos, foi necessária a construção de planilhas de registro que tivessem campos para a descrição dos dados quanto ao conteúdo da interação, bem como quanto à qualidade da interação. Assim, as planilhas foram construídas de modo que nelas fosse possível registrar O QUE os sujeitos estão fazendo juntos e COMO o faziam juntos (HINDE, 1979). 3 Equalização temporal dos dados. Considerando que o tempo de filmagem diferiu de sessão para sessão, optou-se por adotar, como material para análise, o conteúdo coletado num período de tempo correspondente ao da sessão de menor duração. Buscou-se, assim, garantir, através do controle da variável tempo, a igualdade de oportunidades para ocorrência das interações. Assim, foi analisado o material coletado nos 10 primeiros minutos de cada sessão de coleta, na turma A, e nos 15 primeiros minutos de cada sessão na turma B. 4 Classificação dos episódios, nas categorias que constituíram o sistema de análise. À medida que se foi efetivando sua classificação, percebeu-se necessário acrescentar e/ou retirar algumas categorias, para que se pudesse realmente representar o conjunto de interações. 5 Participação de consultores na classificação das unidades de análise. Eles foram orientados pela pesquisadora sobre como deveriam proceder para classificar os episódios constantes da sessão de filmagem sorteada, bem como foram dadas as devidas instruções para preenchimento das planilhas de registro. O índice de concordância entre a pesquisadora e o consultor 1, bem como entre a pesquisadora e o consultor 2, foi de 50%, mostrando-se abaixo do índice pretendido (85%). A partir disto, o sistema foi revisto, focalizando especialmente as categorias que apresentavam maior índice de discordância (conteúdo, como inicia e como interrompe), reorganizando-as e tornando-as mais claras e objetivas. Posteriormente, solicitou-se aos mesmos consultores que classificassem novamente os episódios. Os índices de concordância, nessa segunda etapa, alcançaram o índice 100%, o que indica que o sistema alcançou o nível desejado de clareza e objetividade. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 274 6 Tratamento quantitativo e qualitativo dos dados. Finda a fase de classificação dos episódios, desenvolveu-se tratamento matemático, calculando-se as freqüências absolutas e as relativas dos dados constantes de cada categoria. Após o tratamento matemático, desenvolveu-se análise qualitativa, buscando-se a compreensão do significado dos dados obtidos. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO TURMA A A tabela 1 mostra as freqüências absolutas e relativas dos episódios interativos ocorridos a cada sessão. Estes ocorreram entre as díades professora (P) e alunos não deficientes (A), professora (P) e alunos com deficiência mental (DM), professora (P) e grupo (G), alunos não deficientes (A) e professora (P), e alunos com deficiência mental (DM) e professora (P). Na tabela 3 encontram-se os dados obtidos, lembrando que a primeira letra indica o sujeito que iniciou a interação. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 275 A maioria das interações ocorridas na turma A foi iniciada por alunos não deficientes e dirigidas para a professora (55%). A professora, por sua vez, iniciou 42% dos episódios. Os resultados constatados neste estudo diferem dos de Bertoldo (1985), que afirmou que mesmo quando os alunos participam muito em sala de aula, a participação da professora como iniciadora dos contatos é maior. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 276 Esta característica pode ser indicativa de que a professora desta turma permitiu, aos alunos, espaço para sua maior participação no processo de ensino e de aprendizagem. Com relação ao aluno com deficiência mental, este iniciou 3% dos episódios interativos ocorridos com a professora. Tais resultados mostraram-se consistentes com os de Macintosh et al. (1993), nos quais os alunos com dificuldades de aprendizagem interagiam em taxas inferiores a dos demais alunos. Este autor aponta ainda que a falta de individualização no ensino poderia estar determinando a menor participação do aluno com dificuldades, o que também pode ser verdadeiro neste estudo. Por outro lado, Braga (2002), em estudo que investigou a interação entre a professora e um aluno autista, em sala inclusiva, constatou que o aluno autista iniciou mais contatos, com a professora, que o aluno não autista. Faz-se necessário, porém salientar que este dado parece ter ocorrido, nesse estudo, em função da sistemática de registro utilizada, que focalizava constantemente o aluno autista e não o aluno não autista. A professora se dirigiu ao aluno com deficiência nas sessões 1, 3, 4, 5, 8 e 9. As sessões 1, 4, 5, e 9 foram aquelas nas quais a professora mais freqüentemente se dirigiu a ele, iniciando interação. Em ordem decrescente, constata-se que as iniciativas da professora, para interagir com esses alunos, ocorreram nas seguintes freqüências: 61% (1), 42% (9), 31% (4), 28% (5), 14% (3), 5%(8). Por sua vez, o aluno com deficiência mental iniciou contato interativo com a professora, nas sessões 3,4,5,8 e 9, ou seja, na maioria das sessões em que esta também a ele se dirigiu. Nas sessões 2, 6, e 7 a professora não iniciou contato com o aluno com deficiência nenhuma vez e ele também não iniciou contato com a professora nas sessões 1, 2, 6, e 7. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 277 Considerando que, embora a professora não tenha interagido com os alunos com deficiência em 3 sessões, a mesma apresentou o maior número de iniciativas com o aluno com deficiência e isto pode, nessas sessões, tê-lo motivado a também tomar iniciativas de interação, no contexto da mútua determinação. Por outro lado, o fato do aluno com deficiência tomar iniciativas pode, também, ter motivado a professora a estabelecer contato interativo com ele. Isto parece vir ao encontro do que Carvalho (1986) constatou em estudo que focalizou alunos não deficientes, no qual pôde demonstrar que o comportamento destes alunos influenciava de maneira diversificada o comportamento do professor e que a responsividade do professor era função do grau de participação destes alunos. Esta influência também foi evidenciada por Gil (1991), quando afirmou que a participação dos alunos indicava uma relação de dependência com as ações da professora. Da mesma forma, Macintosh et al. (1993), referindo-se à baixa interação entre o professor e o aluno, comentou que o professor raramente interagia com o aluno com dificuldade de aprendizagem, padrão reproduzido também pelo aluno. Já com os alunos não deficientes, a professora iniciou contatos interativos em todas as sessões. Isto pode se explicar pelo número de alunos não deficientes na sala de aula, que excede, em muito, o número de alunos com deficiência, e do tempo de coleta que se mostra reduzido, quando comparado com o tempo total de aula diária. Objetivando-se detectar padrões na interação entre a professora e os alunos com deficiência, e entre a professora e os alunos não deficientes, dividiu-se o número de episódios ocorridos, a cada sessão, entre a professora e o aluno não deficiente, pelo número de alunos não deficientes nela presentes, e o número de episódios ocorridos, a cada sessão, entre a professora e o aluno com deficiência, pelo número de alunos com deficiência, que estavam presentes na sessão. Com estes cálculos, a tabela 2 apresenta os índices obtidos. Este padrão reproduz o que Dorval, Mckinney e Feagans (1982), Slate e Saudargas (1986) descreveram: que a professora iniciava mais interações com os alunos que Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 278 tinham dificuldades de aprendizagem, do que com os demais alunos da sala de aula, mesmo tratando-se de conteúdo para discriminar, repreender e punir estes alunos. Por outro lado, esses índices contradizem o que foi posteriormente constatado por Macintosh et al. (1993), pois os autores concluíram que o professor raramente manifestou interação com os alunos com dificuldade de aprendizagem. É interessante lembrar que estes resultados referem-se exclusivamente às sessões de coleta de dados, não sendo possível generalizá-los para todos os momentos da sala de aula. Assim, estes e os demais resultados dizem respeito a uma amostra, limitada, de como são as interações entre professor e alunos nesta turma. Na tabela 3 os episódios são classificados por sessão, segundo os conteúdos: indeterminado (IND), solicitação de atenção (SAT), solicitação de informação (SIN), prestação de informação (PIN), solicitação de ação (SAC), solicitação de objeto (SOB), oferecimento de objeto (OOB), repreensão (REP), ensino (ENS), elogio (ENS). De todos os episódios ocorridos entre o aluno com deficiência mental - e a professora, 54% deles foram solicitação de atenção, distribuídos em 4 das 5 sessões em que o aluno com deficiência mental iniciou contatos com a professora. Foi na sessão 9 que ocorreram os conteúdos prestação de informação, solicitação de informação e ensino. Isto pode ter ocorrido dada a natureza da atividade desenvolvida nesta sessão, a saber, exercícios de Língua Portuguesa. Há ainda que se ressaltar que 100% das situações nas quais se constatou estes conteúdos ocorreram nos momentos em que a professora circulava pela sala de aula. O conteúdo elogio esteve presente em 27% dos episódios, e o conteúdo ensino em outros 27%. Já o conteúdo repreensão ocorreu uma única vez na sessão 5, representando 9% dos episódios. Diante desses dados, tem-se que entre o aluno com deficiência mental e a professora, as interações eram, predominantemente de solicitação de atenção, de elogio e de ensino, o que difere substancialmente do constante na literatura, que diz que o professor, ao interagir com o aluno com deficiência, o faz, para repreender Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 279 (DORVAL, MCKINNEY e FEAGANS, 1982; SIPERSTEIN e GODING, 1985; SLATE e SAUDARGAS, 1986). Entre a professora e o aluno com deficiência mental, o conteúdo ensino esteve presente em 57% dos episódios e ocorreu em 4 das 6 sessões em que esta díade interagiu. O conteúdo solicitação de informação foi identificado em 32% dos episódios e esteve presente em todas as sessões. Já o conteúdo elogio foi identificado em 14% dos episódios, e ocorreu em 3 das 6 sessões. Diante desses dados, tem-se que entre a professora e o aluno com deficiência mental, as interações eram, predominantemente, de ensino, de solicitação de informação e de elogio. Comparando os resultados obtidos entre as díades professora e o aluno com deficiência mental (quando a professora inicia a interação) e entre o aluno com deficiência mental e a professora (quando o aluno inicia a interação), tem-se que o aluno com deficiência, ao iniciar os episódios, utiliza com mais freqüência o conteúdo solicitação de atenção e o professor, ao iniciar os episódios, utiliza mais freqüentemente o conteúdo ensino. Estes conteúdos não surpreendem, já que são os exigidos pelos papéis complementares que os diferentes sujeitos desempenham na sala de aula. Os conteúdos ensino e elogio são freqüentes, independentemente de quem inicia a interação, e o conteúdo solicitação de atenção é característico somente quando o aluno inicia com o professor. Já o conteúdo solicitação de informação aparece preferencialmente quando o professor inicia com o aluno. Estes dados mostram que a prática de ensino dessa professora é freqüente com os alunos com deficiência e que estes também a ela se dirigem para tratar as dúvidas que têm sobre o que está sendo ensinado. Aliado a isto, os elogios da professora para estes alunos ocorrem tanto quando ela, como quando eles iniciam a interação. Comparando os índices das interações entre a professora e o aluno com deficiência mental e a professora e o aluno não deficiente, nota-se que o conteúdo ensino Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 280 predomina em todas as iniciativas, o que parece ser positivo para todos os alunos, mas a professora solicita ação e repreende predominantemente aos alunos sem deficiência. O conteúdo elogio, por outro lado, apareceu em interações tanto com os alunos sem deficiência, quanto aos com deficiência mental, sendo, entretanto mais praticado com estes últimos. Nota-se, portanto, que com os alunos com deficiência mental as interações mais freqüentes são as que elogiam, as menos repreensivas e com menor freqüência de solicitação de ações do que com alunos não deficientes. Assim, a professora pede menos ações para os alunos com deficiência mental, elogia-os mais e os repreende menos. Esses dados mostram-se divergentes com o que a literatura tem mencionado. Siperstein e Goding (1985) afirmam que as iniciativas e respostas do professor dirigidas ao aluno com deficiência eram mais negativas e corretivas do que com os estudantes não deficientes. Dorval, Mckinney e Feagans (1982) igualmente observaram que as interações do professor dirigidas aos alunos com dificuldade de aprendizagem referiam-se à falta de atenção ou à infração de regras (por esses alunos). Em se tratando de interações entre o professor e o aluno autista, Braga (2002) constatou conteúdos de repreensão, solicitação de informações, solicitação de ações, ensino e oferecimento de informações. Os conteúdos de ensino, solicitação de informação e mesmo o de repreensão, que foi inferior aos demais, coincidem com os identificados neste estudo, mas o conteúdo de solicitação de ação diverge com o que foi identificado, pois não houve solicitação de ação ao aluno com deficiência. Os dados obtidos neste estudo, quando comparados com os constantes da literatura, mostram um movimento na direção de maior responsividade da parte da professora, para os alunos com deficiência. Além disso, mostra que o conteúdo parece ser mais positivo, de natureza reforçadora. Isto pode sugerir uma mudança, ainda que incipiente, no padrão interativo entre professor e alunos, nos últimos anos. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 281 TURMA B Considerando os episódios em vista de quem inicia e de quem responde, a tabela 4 mostra as freqüências absolutas e relativas dos episódios interativos constatados entre os sujeitos que interagiram em cada sessão. Estes ocorreram entre as díades: professora (P) e aluno não deficiente (A); professora (P) e aluno com deficiência mental (DM), professora (P) e grupo (G); aluno não deficiente (A) e professora (P), aluno com deficiência mental (DM) e professora (P), professora (P) e aluno com deficiência auditiva e física (DAF), professora (P) e aluno com deficiência mental e física (DMF), aluno com deficiência mental e física (DMF) e professora (P) e aluno com deficiência auditiva e física (DAF) e professora (P). A primeira letra indica o sujeito que iniciou. 50% dos episódios interativos foram iniciados por alunos não deficientes, 46% foram iniciados pela professora e 4% dos episódios foram iniciados pelos alunos com deficiência. Todos os episódios iniciados pelos alunos não deficientes e pelos alunos com deficiência foram dirigidos para a professora. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 282 Dos episódios iniciados pela professora, 46% foram dirigidos para os alunos não deficientes, 8% dirigidos para o aluno com deficiência mental, 14% dirigidos para o aluno com deficiência mental e física e 32% dirigidos para o grupo com um todo. Estes resultados mostram-se semelhantes aos da turma A, uma vez que foram também alunos não deficientes que iniciaram a maioria dos episódios. Entretanto, na turma A, estes alunos iniciaram mais episódios (55%) do que na turma B (50%). O fato de alunos não deficientes terem iniciado mais interações com a professora na turma A, pode-se atribuir às idades destes alunos, que são inferiores aos da turma B. Estes se mostram mais inquietos e falantes, solicitando a todo o momento contato com a professora. Objetivando-se detectar padrões na interação entre a professora e os alunos com deficiência, e entre a professora e os alunos não deficientes, dividiu-se o número de episódios ocorridos, a cada sessão, entre a professora (P) e o aluno não deficiente (A), pelo número de alunos não deficiente (A) nela presentes, e o número de episódios ocorridos, a cada sessão, entre a professora (P) e o aluno com deficiência (DM e DMF), pelo número de alunos com deficiência (DM e DMF), que estavam presentes na sessão, conforme apresentado na tabela 5. A professora se dirigiu ao aluno com deficiência mental nas sessões 3, 4, 5, e 6; ao aluno com deficiência mental e física nas sessões 4, 5 e 6, e não se dirigiu ao aluno com deficiência auditiva e física. A sessão 5 foi aquela na qual a professora mais se dirigiu aos alunos com deficiência mental e aos alunos com deficiência mental e física, iniciando contatos interativos. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 283 O aluno com deficiência mental iniciou contato interativo com a professora, nas sessões 2, 3, 5 e 6, e o aluno com deficiência mental e física unicamente na sessão 4. Considerando-se esses dados, observa-se que a iniciação de contatos da professora com esses alunos pode ter alguma influência nas respostas dirigidas a ela. Da mesma forma que no estudo da turma A, quando a professora inicia contato com o aluno com deficiência mental, este tende também a iniciar contatos com ela. Não diferiram os conteúdos das atividades realizadas, na turma B, com os alunos não deficientes e com os alunos com deficiência. Comparando estes dados com os resultados obtidos com a turma A, observa-se que na turma A os conteúdos diferiram, quando se comparam as atividades realizadas com os alunos não deficientes e com os alunos com deficiência. Entretanto, os resultados da turma A e B coincidem, à medida que caracterizam interações voltadas para o ensino e para a prestação de informação, e não somente para a repreensão e advertências aos alunos com deficiência. Sendo assim, os resultados de ambas as turmas mostram-se divergentes com o que a literatura tem mencionado, conforme discutido anteriormente, na turma A. A orientação das atividades ocorridas na turma A e na turma B, mostram-se diferentes. Na turma A, conforme mencionado, a orientação não voltada para a tarefa ocorreu somente com os alunos não deficientes; já nesta turma, ocorreu tanto com os alunos não deficientes, quanto com os alunos com deficiência mental. Os resultados da turma B, da mesma forma que o constatado na turma A, diferem dos obtidos nos estudos de Bertoldo (1985), Carvalho (1986), e Braga (2002). Considerando que estes autores constataram que as interações que os alunos iniciam com a professora são freqüentemente voltadas para atividades não relacionadas à tarefa escolar, pode-se formular a hipótese de que, neste estudo, os episódios iniciados pelos alunos tenham sido preferencialmente voltados para a tarefa, devido à falta de oportunidades oferecidas para que tivesse sido o contrário, Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 284 podendo estar relacionados com a atitude pedagógica da professora em sala de aula, especialmente a da turma A. Os resultados mostraram, em ambas as turmas, as seguintes tendências: • O número de episódios interativos não parece ser função do número de alunos presentes na sala de aula, tampouco dos dias da semana; • É o aluno não deficiente quem mais inicia episódios interativos dirigidos para a professora; • As iniciativas de interação da professora, dirigidas aos alunos com deficiência, parecem ter influência na freqüência das interações destes alunos com ela e viceversa; • A comunicação verbal e visual é a mais utilizada para iniciar, responder e interromper os episódios interativos; • São os alunos não deficientes os que mais respondem a interação através da comunicação visual e gestual; • A maioria das interações é de conteúdo ensino e prestação de informação; • As atividades voltadas para a tarefa são mais freqüentes do que as não voltadas para a tarefa, tanto quando a professora inicia o episódio, como quando o aluno inicia o episódio; • A professora é quem predominantemente interrompe os episódios interativos, independentemente de quem inicia; • A professora predominantemente inicia mais episódios interativos com o aluno com deficiência do que com o aluno não deficiente; • Os episódios interativos com os alunos com deficiência nunca são interrompidos por eles mesmos e sim pelos alunos não deficientes ou pela professora; Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 285 • A maioria das interações entre a professora e os alunos com deficiência mental ocorre quando a professora está circulando pela sala de aula. Por outro lado, as turmas diferem nos seguintes aspectos: • Na turma B, o horário de coleta parece exercer alguma influência nos resultados obtidos, uma vez que se evidenciou um aumento no número de episódios à medida que o horário da sessão era mais próximo do final da aula; • Na turma B, houve um maior número de interação da professora com os alunos com deficiência e com o grupo do que na turma A; • Na turma B, as interações da professora dirigidas aos alunos com deficiência mostram-se praticamente com os mesmos conteúdos identificados com os alunos não deficientes; • Na turma A, a comunicação visual e gestual foi mais utilizada para iniciar episódios interativos do que na turma B; • Na turma A, as interações da professora dirigidas aos alunos com deficiência, são menos repreensivas, com menos solicitações de ações e mais elogiadas, do que com os alunos não deficientes; • Na turma A, os episódios ocorreram, com maior freqüência, na situação de quando a professora estava circulando entre as carteiras (com todos os alunos) e na turma B, a predominância das interações quando a professora está circulando entre as carteiras se refere apenas aos alunos com deficiência; com os demais alunos há preferência pela situação de quando a professora está em sua mesa conferindo tarefas. 4 CONCLUSÃO Diferentemente do identificado por Macintosh et al. (1993), este estudo constata que as professoras mantiveram interações diferentes com os dois grupos de alunos (deficientes e não deficientes), na maioria das categorias analisadas. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 286 As ações das professoras parecem estar propiciando maior espaço de participação dos alunos, nas aulas, especialmente no caso dos alunos com deficiência, o que constitui um avanço educacional, quando se tomam por parâmetro, as informações constantes da literatura na área (DORVAL, MCKINNEY e FEAGANS, 1982; SIPERSTEIN e GODING, 1985; SLATE e SAUDARGAS, 1986 e MACINTOSH et al. 1993) que mostram o aluno com deficiência historicamente relegado ao ostracismo e à gradativa exclusão do sistema regular de ensino. Neste estudo, o aluno não deficiente iniciou a maioria das interações, fato que também difere da literatura a respeito (BERTOLDO, 1985). As professoras, por sua vez, iniciaram mais interações com os alunos deficientes do que com os não deficientes, sendo essas interações, na sua maioria, de conteúdo ensino, elogio e solicitação de informação. Essa característica da relação entre as professoras e os alunos com deficiência, quando comparada com as informações da literatura, mostra ser mais positiva e condizente com o papel que a professora deve assumir em sala de aula, o de ser, segundo Duarte (1993), condutora do processo de apropriação, pelos alunos, do conhecimento produzido histórica e socialmente. Ações desse tipo ajudam no próprio processo de construção de uma identidade positiva por parte de todos alunos, aumentando sua auto-estima, melhorando as suas condições cognitivas, e por outro lado, ajudando o aluno não deficiente a aprender a se relacionar positivamente com as pessoas no contexto da diversidade. Os conteúdos diferenciados que a professora da turma A realizou com os alunos e o maior número de interações realizadas pela professora da turma B com estes alunos, mostram indícios de que ambas estão se voltando mais (do que a literatura aponta) para o aluno com deficiência, cada uma do seu jeito. Segundo os autores, Dorval, Mckinney e Feagans (1982), Siperstein e Goding (1985), Slate e Saudargas (1986), as interações da professora com o aluno com dificuldade de aprendizagem se referiam à falta de atenção ou infração de regras, além de serem mais negativas e corretivas do que com os alunos não deficientes. Este dado mostra-nos indícios de um avanço que nessas turmas demonstra estar Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 287 ocorrendo, considerando o que, até o momento, foi constatado na área educacional através da literatura. Em se tratando dos alunos com deficiência, constata-se que estes iniciam interações com a professora para solicitarem a sua atenção nas atividades que realizam e para solicitarem informações sobre o conteúdo da aula. Este dado, quando comparado aos de Macintosh et al. (1993), mostra que estes alunos estão tendo a oportunidade de se mostrarem mais ativos e participativos na sala de aula e principalmente na construção do conhecimento. As oportunidades que lhe estão sendo propiciadas, para que possam demonstrar essas características nas interações em sala de aula, merecem destaque pela sua importância quando consideramos que a formação do indivíduo se dá através das relações sociais. Segundo Vygotsky (1994), as funções psicológicas superiores que caracterizam essencialmente o ser humano, originam-se das relações sociais entre os indivíduos. O fato de estar havendo espaço e, além disto, solicitação aos alunos para que iniciem interações e respondam a elas quando solicitados, favorece a participação de alunos no contexto regular da sala de aula, e, assim, um possível e melhor desenvolvimento destes alunos. Se avanços na atenção ao aluno com deficiência podem ser constatados a partir destes resultados, não se pode, entretanto, dizer que as salas aqui estudadas sejam salas inclusivas, pois, apesar do avanço atitudinal e mesmo metodológico observados, ainda não se pôde detectar a prática do ensino individualizado e flexível. A interação nas duas salas de aula pesquisadas mostra a necessidade da professora assistir mais freqüentemente às necessidades individuais dos alunos não deficientes, não os mantendo ignorados na ocorrência de comportamentos inadequados, que merecem repreensão e solicitação freqüentes, conforme visto. A abertura de espaço para tais comportamentos também pode estar interferindo no próprio processo de ensino e de aprendizagem, que tende a tornar-se mais desestimulante, à medida que o aluno não recebe resposta à sua necessidade escolar e fica preterido nas relações em sala de aula. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 288 Além disso, a comunicação de que as professoras fazem uso para iniciar, responder e interromper as interações precisa ser transformada, pois se mostra praticamente igual para todos os alunos, não se mostrando específica para as necessidades peculiares de cada um. Finalizando, a maior contribuição deste estudo foi a de indicar que a interação entre a professora e os alunos, nas duas salas de aula, testemunha avanços na área educacional, no que diz respeito à atenção ao aluno com deficiência, embora ainda se manifeste distante de merecer o rótulo de educação inclusiva, ou seja, uma prática educacional que reconheça, respeite e responda às necessidades peculiares de cada aluno. REFERÊNCIAS ARANHA, M.S.F. A interação social e o desenvolvimento de relações interpessoais do deficiente em ambiente integrado. 1991. Tese (Doutorado) - Instituto de Psicologia. Universidade de São Paulo, São Paulo. [ Links ] ___. Paradigmas da relação da sociedade com as pessoas com deficiência. Revista do Ministério Público do Trabalho, ano XI, n. 21, março, p.160-173, 2002. ARANHA, M.S.F., LARANJEIRA, M.I. Brasil, século XX, última década. Mímeo, 1995. [ Links ] BERTOLDO, A.A. 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Dissertação (Mestrado em Educação Especial), Universidade Federal de São Carlos, São Carlos. [ Links ] Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 289 DORVAL,B.; MCKINNEY,J.D.; FEAGANS,L. Teacher interaction with learning disabled children and average achievers. Journal of Pediatric Psychology, 7, 317330, 1982. [ Links ] DUARTE, N.A individualidade para - si. Contribuição a uma teoria histórico-social da formação do indivíduo. Campinas: Autores Associados, 1993. [ Links ] GIL, M.S.C.A. Análise funcional da interação professor-aluno: um exercício de identificação de controle recíprocos. 1990. Tese (Doutorado em Psicologia Educacional) - Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo. HINDE, R.A. Towards understanding relationships. New York: Academic Press Incorporation, 1979. [ Links ] LEONTIEV, A.N. O desenvolvimento do psiquismo. Lisboa: Livros Horizonte, 1978. MACHADO, V.L.M. 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Teachers behavior toward LD and Non-LD children: A strategy for change. Journal of Learning Disabilities, v. 23, p. 32-37, 1985. SLATE, J.R.; SAUDARGAS, R.A. Differences in learning disabled and average students classroom behaviors. Learning Disability Quarterly, v. 9, p. 61-67, 1986. VYGOTSKY, L. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1994. 1 O presente estudo se refere a parte da investigação realizada na dissertação de Mestrado intitulada "Interação entre professora e alunos em sala inclusiva". Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 290 A EDUCAÇÃO INCLUSIVA: um meio de construir escolas para todos no século XXI Dra. Pilar Arnaiz Sánchez Universidade de Murcia-Espanha E-mail: pilarnaiz@ terra. es INCLUSÃO-Revista da Educação Especial-Out/2005 7 RESUMO Este artigo analisa o conceito de diversidade no campo da educação inclusiva. Inicialmente, diversidade foi entendida como uma inovação na área de educação especial, mas, gradualmente, passou a ser compreendida como uma tentativa de oferecer educação de qualidade para todo (a) s. A fim de discutir a diversidade, este artigo primeiro coloca o foco sobre o nascimento da inclusão por meio da abordagem de seus fundamentos e, finalmente, discute o sentido da educação inclusiva. INTRODUÇÃO O presente trabalho analisa a nova perspectiva da diversidade no âmbito da educação inclusiva. Ela foi vista, num primeiro momento, como uma inovação da educação especial, mas, progressivamente, foi expandindo-se em todo o contexto educativo como tentativa de que uma educação de qualidade alcançasse a todos. Suas características fundamentais, na opinião de Ballard (1997), são: a não discriminação das deficiências, da cultura e do gênero. Referindo-se a todos os alunos de uma comunidade escolar sem nenhum tipo de exceção. Para Ballard (1997), todos os alunos têm o mesmo direito a ter acesso a um currículo culturalmente valioso e em tempo completo, como membros de uma classe escolar e de acordo com sua idade. A educação inclusiva enfatiza a diversidade mais que a semelhança. Nessa mesma linha de argumentação, Skrtic (1991; 1996; 1999) considera que o movimento a favor da educação inclusiva pode oferecer a visão estrutural e cultural necessárias para começar a reconstruir a educação pública rumo às condições históricas do século XXI. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 291 Assim, pois, analisar-se-á, nas linhas seguintes, baseando-se em trabalhos anteriores (Arnaiz, 1996; Arnaiz 2002; Arnaiz, 2003), o contexto do nascimento da inclusão, os pressupostos, nos quais se fundamenta, e o significado da educação inclusiva. COMO SURGE A INCLUSÃO E QUE CAUSAS A PROMOVEM Desde meados dos anos 80 e princípio dos 90, inicia-se no contexto internacional um movimento materializado por profissionais, pais e as pessoas com deficiência, que lutam contra a idéia de que a educação especial, embora colocada em prática junto com a integração escolar, estivera enclausurada em um mundo à parte, dedicado à atenção de reduzida proporção de alunos qualificados como deficientes ou com necessidades educacionais especiais. Cabe destacar a este respeito, como passo prévio à inclusão, o movimento que aparece nos EUA denominado “Regular Education Iniciative”(REI), cujo objetivo era a inclusão na escola comum das crianças com alguma deficiência. Os trabalhos de seus principais expoentes, Stainback & Stainback,(1989) & Reynolds; Wang & Walberg,(1987), delineavam a necessidade de unificar a educação especial e a regular num único sistema educativo, criticando a ineficácia da educação especial. Aparecia assim, pela primeira vez, uma defesa muito importante à prevalência de um único sistema educativo para todos. O REI luta pela reestruturação da educação especial, pelo desaparecimento da educação compensatória e pela recuperação em que tantos alunos estavam imersos (Garcia Pastor, 1996) simplesmente por pertencer a um grupo étnico minoritário: “Um amplo excesso de representação das minorias na educação especial sugere um aspecto racista da continuidade de programas separados”(Villa e Thousand 1995, p. 33). A proposta do REI é clara: todos os alunos, sem exceção, devem estar escolarizados na classe de ensino regular, e receber uma educação eficaz nessas classes. As separações por causa da língua, do gênero, ou do grupo étnico Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 292 minoritário deveriam ser mínimas e requerer reflexões. O REI defende a necessidade de reformar a educação geral e especial para que se constitua como um recurso de maior alcance para todos os alunos. Aparece no final dos anos 80 e princípios dos 90, como continuação desse movimento no contexto americano, e do movimento de integração escolar em outras partes do mundo, o movimento da inclusão. Entre suas principais vozes encontramse Fulcher (1989) e Slee (1991) na Austrália; Barton (1988), Booth (1988) e Tomlinson (1982) no Reino Unido; Ballard (1990) na Nova Zelândia; Carrier (1983) em Nova Guiné; e Biklen (1989), Heshusius (1989) e Sktirc (1991 a) na América do Norte. Na Espanha, ainda que um pouco mais tarde, cabe destacar os trabalhos de Arnaiz (1996, 1997), García Pastor (1993) & Ortiz (1996). Estes autores manifestam sua insatisfação pela trajetória da integração. Eles questionam o tratamento dado aos alunos com necessidades educacionais especiais no sistema de ensino em muitos países. Os sistemas de ensino, imersos em um modelo médico de avaliação, seguiam considerando as dificuldades de aprendizagem como conseqüência do déficit do aluno, evitando questionamentos, tais como: por que fracassam as escolas na hora de educar a determinados alunos? Ante esta circunstância propõem um novo delineamento do conceito de necessidades educacionais especiais e a necessidade de uma mudança de paradigma. Assim, também, reconhecem que as dificuldades que experimentam alguns alunos no sistema de ensino são o resultado de determinadas formas de organizar as escolas e as formas de ensinar delineadas por elas (Ainscow, Hopkins e outros, 2001). O interesse nesses temas está provocando a revisão de numerosos sistemas educacionais, que, por conseqüência, implementaram ações condizentes, como fazer o possível para que a educação chegue a todos os alunos em contextos regulares e não segregados. Isto tem fomentado o surgimento e a defesa da chamada educação inclusiva, que coloca em juízo de valor, por um lado, o pensamento existente sobre as necessidades educacionais especiais, e, por outro lado, estabelece uma forte crítica às práticas da educação em geral. Esta nova orientação assume um caráter internacional. Cabe destacar o importante trabalho que estão realizando os organismos como o UNICEF e a UNESCO em prol Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 293 de que a educação chegue a todas as crianças em idade escolar. Isto pode ser comprovado na série de ações e reuniões internacionais que têm sido convocadas para conseguir chamar a atenção do mundo a este respeito (Arnaiz e Ortiz, 1998). Dentre essas reuniões, destaca-se a Convenção dos Direitos da Criança realizada em Nova York em 1989; a Conferência Mundial de Educação para Todos, que aconteceu em Jomtiem (Tailândia) em 1990; a Conferência Mundial sobre “Necessidades Educativas Especiais”, desenvolvida em Salamanca (Espanha), 1994; e, a mais recente no ano de 2000, acontecida em Dakar (Senegal), com o título de “Fórum Consultivo Internacional para a Educação para Todos”. Talvez, entre todas essas conferências caiba destacar aqui a Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais, de 1994, em Salamanca, por ser a que de maneira mais decisiva e explicitamente contribuiu para impulsionar a Educação Inclusiva em todo o mundo. Nessa conferência participaram noventa e dois governos e vinte cinco organizações internacionais, que reconheceram a necessidade e urgência de que o ensino chegasse a todas as crianças, jovens e adultos com necessidades educacionais especiais no âmbito da escola regular. Com este fim, os especialistas ali reunidos estabeleceram um plano de ação cujo princípio norteador mostrava que as escolas deveriam acolher a todas as crianças, independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, lingüísticas e outras. A partir daí, as escolas se encontram frente ao desafio de desenvolver uma pedagogia capaz de educar com êxito a todas as crianças, inclusive àquelas que têm deficiências graves. Além disso, planeja-se que as escolas devem ser comunidades que atendam a todos, já que as diferenças humanas são naturais, diga-se existem, havendo porém a necessidade de adaptar a aprendizagem a cada criança (Tierney, 1993). Nessa perspectiva, esta Declaração proclama que: • Todas as crianças têm direito à educação e deve-se dar a elas a oportunidade de alcançar e manter um nível aceitável de conhecimentos; Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 294 • cada criança tem características, interesses, capacidades e necessidades de aprendizagem que lhe são próprias; • os sistemas de ensino devem ser organizados e os programas aplicados de modo que tenham em conta todas as diferentes características e necessidades; • as pessoas com necessidades educacionais especiais devem ter acesso às escolas comuns; e • as escolas comuns devem representar um meio mais eficaz para combater as atitudes discriminatórias, criar comunidades acolhedoras, construir uma sociedade integradora e alcançar a educação para todos. A Declaração estabelece um decálogo de recomendações que deveriam ser desenvolvidas por todos os países participantes, nos anos que se seguiram e que consistia-se em: REQUERER aos países do Norte que desenvolvessem uma redistribuição dos recursos conforme o estabelecido na Convenção sobre os direitos da criança; APLICAR os direitos civis e políticos para dar uma melhor proteção aos coletivos, especialmente vulneráveis na faixa etária infantil, e, também, aos grupos étnicos, assim como outras minorias culturais; RECONHECER os direitos econômicos e sociais como verdadeiros direitos e não somente como aspiração; REALIZAR maiores esforços para ascender ao que aparentemente hoje é inalcançável, e poder, assim, afrontar os novos desafios do futuro. PROTEGER firmemente os direitos das meninas; ASSUMIR as diferenças culturais, porém não admiti-las como desculpa para não aplicar a Convenção em toda a sua extensão; DEDICAR a máxima atenção à situação das crianças afetadas por conflitos bélicos; Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 295 ACEITAR que a participação das crianças é o ponto decisivo para provocar, conforme a Convenção, uma revolução positiva do comportamento humano; CONCLUIR o processo de ratificação da Convenção e promover a eliminação das reservas que ela tem objetivado por parte dos países afetados; e REITERAR que a sobrevivência e o desenvolvimento da infância são imperativos à consecução dos objetivos de desenvolvimento humano sustentável, adotados pela comunidade mundial e a realização da visão de paz e progresso social contida na Carta das Nações Unidas. De igual forma, a declaração por parte da Organização das Nações Unidas, ao longo de todos os anos tem mantido a posição em defesa dos mais desfavorecidos. Isto tem contribuído notavelmente para o reconhecimento dos direitos humanos e dos princípios de igualdade e eqüidade. Uma das posições mais notáveis nos últimos tempos foi eleger o ano de 1996 como Ano Internacional contra a Exclusão, decisão tomada na Conferência dos Direitos da Criança no século XXI, realizada neste mesmo ano em Salamanca. O “Informe à UNESCO”, realizado pela Comissão Internacional, sobre a Educação para o século XXI, presidido por Delors (1996), segue essa mesma linha de argumentação. Estabelece que a educação deve chegar a todos, e com este fim determina dois objetivos: transmitir um volume cada vez maior de conhecimentos teóricos e técnicos, e definir orientações que podem ser desenvolvidas em projetos de desenvolvimento individual e coletivo. Para dar cumprimento a estes objetivos, a citada Comissão fixa os quatro pilares básicos em que se deve centrar a educação ao longo da vida de uma pessoa: Aprender a conhecer, consiste em adquirir os instrumentos que se requer para a compreensão do que nos cerca. Para isto, deve-se combinar o conhecimento de uma cultura suficientemente ampla, com algo mais objetivo, concreto referido a uma determinada matéria. Não se trata, portanto, de adquirir conhecimentos classificados e codificados, senão de ajudar a cada pessoa a aprender e compreender o mundo Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 296 que a cerca, para viver com dignidade, desenvolver suas capacidades profissionais e comunicar-se com os demais. Isto supõe aprender a aprender, exercitando a atenção, a memória e o pensamento, aproveitando as possibilidades que a educação oferece ao longo da vida, posto que o processo de aquisição do conhecimento está sempre aberto e pode nutrir-se de novas experiências. Aprender a fazer, está diretamente ligado a aprender a conhecer e se refere à possibilidade de influir sobre o próprio meio. Ocupa-se de como ensinar ao aluno a colocar em prática seus conhecimentos adaptando-os a um mercado de trabalho que, por diferentes circunstâncias, é bastante imprevisível. Portanto, é preciso formar as pessoas para trabalhar em equipe em uma variada gama de situações. Mas, não somente isto, é preciso também lhes ensinar “o fazer” nos diferentes marcos sociais em geral e do trabalho. Em definitivo, este princípio pretende que o aluno tenha a possibilidade de desenvolver sua capacidade de comunicar-se e trabalhar com os demais, afrontando e solucionando os conflitos que possam ser apresentados a ele. Aprender a viver juntos, trata-se de uns dos principais objetivos da educação contemporânea, já que supõe participar e cooperar com os demais em todas as atividades humanas. Essa educação requer, sem dúvida, o desenvolvimento da compreensão ante o outro, e a percepção de formas de interdependência, respeitando os valores do pluralismo, a compreensão mútua e a paz. Assim, luta contra a exclusão por meio de traçados que favorecem o contato e a comunicação entre os membros de grupos diferentes, em contextos de igualdade, por meio do descobrimento gradual do outro e do desenvolvimento de projetos de trabalho em comum. “A EDUCAÇÃO INCLUSIVA É ANTES DE TUDO UMA QUESTÃO DE DIREITOS HUMANOS (...)” Aprender a ser, implica dotar a cada pessoa de meios e pontos de referência intelectuais permanentes, que lhe permita compreender o mundo que a cerca e a comportar-se como um elemento responsável e justo. Quer dizer, conferir, a cada ser humano, liberdade de pensamento, de juízo, de sentimentos e de imaginação para desenvolver-se em plenitude estética, artística, desportiva, científica, cultural e Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 297 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] social, e a trabalhar com responsabilidade individual.“O desenvolvimento tem por objetivo o desapego completo do homem em toda sua riqueza e na complexidade de suas expressões e de seus compromissos como indivíduo, membro de uma família e de uma coletividade, cidadão e produto, inventor de técnicas e criador de sonhos”(UNESCO, 1987, 16). Dada a sociedade plural e desigual em que estamos imersos, cabe aos sistemas de ensino considerarem esses quatro princípios de maneira equilibrada, com a finalidade de que cada ser humano, tanto pessoa, como membro da sociedade, receba uma educação válida no plano cognitivo e prático. Isto supõe conceber a educação para além de uma visão puramente instrumental, utilizada para conseguir determinados resultados (experiência prática, aquisição de capacidades diversas ou para fins de caráter econômico), e buscar a sua função em toda sua plenitude. O que supõe a plena realização da pessoa, ou dito de outra forma, que toda pessoa aprenda a “ser” (Allan, 1999). A partir do expressado nessas declarações e informes, podemos apontar que as causas fundamentais que têm promovido o aparecimento da inclusão são de dois tipos: por um lado, o reconhecimento da educação como um direito, e, por outro, a consideração da diversidade como um valor educativo essencial para a transformação das escolas. QUALIDADE E EFICÁCIA PARA TODOS OS ALUNOS: A EDUCAÇÃO INCLUSIVA Cada vez com maior clareza a Educação Geral considera a necessidade de que todos os alunos recebam uma educação de qualidade centrada na atenção das suas necessidades individuais (Booth y Ainscow, 1998). Objetivo que coincide plenamente com a finalidade da educação inclusiva, posto que reconhece a diversidade existente entre os alunos de uma classe, determinando que eles recebam uma educação de acordo com suas características, uma vez que incrementa as possibilidades de aprendizagem para todos (Daniels y Garner, 1999, Stainback & Stainback y Moravec, 1999). A filosofia da inclusão defende uma educação eficaz para todos, sustentada em que as escolas, enquanto comunidades educativas, devem satisfazer as necessidades Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 298 de todos os alunos, sejam quais forem as suas características pessoais, psicológicas ou sociais (com independência de ter ou não deficiência). Trata-se de estabelecer os alicerces para que a escola possa educar com êxito a diversidade de seu alunado e colaborar com a erradicação da ampla desigualdade e injustiça social, Howe, 1996; Slee, 1996; Kerzner Lipsky & Gartner, 1996. Dessa maneira, a educação inclusiva enfatiza a necessidade de avançar até outras formas de atuação, em contraposições às práticas que têm caracterizado a integração escolar. Os educadores que têm se arriscado a educar com êxito as crianças com deficiência no marco da educação geral, sabem e argumentam que esses alunos “são um presente para a reforma educativa”(Villa e Thousand, 1995, 31). São estudantes que forçam a romper o paradigma da escolarização tradicional e obrigam a tentar novas formas de ensinar. Por conseguinte, a educação inclusiva deve ser entendida como uma tentativa a mais de atender as dificuldades de aprendizagem de qualquer aluno no sistema educacional e como um meio de assegurar que os alunos, que apresentam alguma deficiência, tenham os mesmos direitos que os outros, ou seja, os mesmos direitos dos seus colegas escolarizados em uma escola regular. Dito de outra forma: que todos sejam cidadãos de direito nas escolas regulares, bem-vindos e aceitos; formem parte da vida daquela comunidade escolar; e sejam vistos como um desafio a ser avançado (Booth & Ainscow/1998; Jan Pije, Meijer e Hegarty, 1997; Udistsky, 1993). É desse modo, que o conceito de inclusão trata de abordar as diferentes situações que levam à exclusão social e educativa de muitos alunos. E dessa forma, faz referência não somente aos alunos com necessidades educacionais especiais, que sem dúvida têm que seguir sendo atendidos, seguir dando as suas respostas educativas e recebendo o apoio correspondente. Mas, senão, a todos os alunos das escolas. Ainda que este conceito esteja evoluindo, nesse momento pode ser muito útil considerá-lo como um agente de mudança conceitual. Especialmente, quando defende que não basta que os alunos com necessidades educacionais especiais estejam integrados às escolas comuns, eles devem participar plenamente da vida escolar e social dessa comunidade escolar. Isto significa que as escolas devem Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 299 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] estar preparadas para acolher e educar a todos os alunos e não somente aos considerados como “educáveis”. Por isso, a inclusão assume que a convivência e a aprendizagem em grupo é a melhor forma de beneficiar a todos, não somente às crianças rotuladas como diferentes (Forest & Pearpoint, 1992). A educação inclusiva é antes de tudo uma questão de direitos humanos, já que defende que não se pode segregar a nenhuma pessoa como conseqüência de sua deficiência, de sua dificuldade de aprendizagem, do seu gênero ou mesmo se esta pertencer a uma minoria étnica (seria algo que iria contra os direitos humanos). Em segundo lugar, é uma atitude, representa um sistema de valores e de crenças, não uma ação simplesmente, mas sim um conjunto de ações. Uma vez adotada esta perspectiva por uma escola ou por um sistema de ensino, deverá condicionar as decisões e ações de todos àqueles que a tenham adotado, posto que incluir significa ser parte de algo, formar parte do todo, enquanto que excluir significa manter fora, apartar, expulsar (Falvey & outros, 1995). Na opinião de Booth (1998a), a noção de inclusão compreende dois conceitos básicos: o de comunidade e o de participação. Ambos caracterizam-se por sua conexão com os processos de inclusão e o caráter de processo atribuído a ela. Portanto, a educação inclusiva se propõe a aumentar a participação de todos os alunos no currículo escolar e a redução da exclusão escolar e social, o que pode ser comprovado nas seguintes definições: “[...] é o meio mais efetivo de combater as atitudes discriminatórias, criando comunidades acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando a educação para todos, além disso proporciona uma educação eficaz para a maioria das crianças, melhora a eficácia e, por fim, a relação custo-efetividade de todo o sistema educativo”(UNESCO, Declaração de Salamanca 1994, XI). “O acesso de estudantes aos mesmos colégios que os irmãos e os vizinhos, pertencer às classes de educação geral com companheiros de uma idade apropriada, a existência de alguns objetivos de aprendizagem individualizados e relevantes, e do apoio necessário para aprender”(York 1994, p. 3). Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 300 [...] é uma forma de vida, uma maneira de viver juntos, baseado na crença de que cada indivíduo é valorizado e pertence ao grupo. Uma escola inclusiva será aquela em que todos os alunos sintam-se incluídos” (Patterson 1995, p. V). “É uma atitude, um sistema de valores, de crenças, não uma ação nem um conjunto de ações. Centra-se, pois, em como apoiar as qualidades, e, as necessidades de cada aluno e de todos os alunos na comunidade escolar, para que se sintam bemvindos e seguros e alcancem êxitos”(Arnaiz 1996, p. 27-28). “Um sistema de educação que reconhece o direito a todas as crianças e jovens a compartilharem de um meio ambiente educativo comum em que todos sejam valorizados por igual, com independência das diferenças percebidas quanto à capacidade, sexo, classe social, etnia ou estilo de aprendizagem”(Armstrong 1999, p. 76). “É uma forma melhor de viver. É o oposto da segregação e do “apartheid”. A inclusão determina aonde vivemos, recebemos educação, trabalhamos e nos divertimos. Tem que ver com a mudança de nossos corações e valores”(Pearpoint & Forest 1999, p. 15). “Processo de incremento da participação dos alunos nas culturas, currículos e comunidades de suas escolas locais e da redução da sua exclusão dos mesmos, sem esquecer que a educação abarca muitos processos que se desenvolvem fora das escolas [...] Processo sem fim, em vez de um simples contínuo dentro da educação geral”(Ainscow 2001, p. 293–294). “É o modo de avançar”(Dyson 2001, p. 146). Como se depreende dessas definições, a educação inclusiva centra-se em como apoiar as qualidades e as necessidades de cada um e de todos os alunos na comunidade escolar, para que se sintam bem vindos e seguros e alcancem o êxito. Requer pensar na heterogeneidade do alunado como uma situação normal do grupo/classe e pôr em marcha um delineamento educativo que permita aos docentes utilizar os diferentes níveis instrumentais e atitudinais como recursos intrapessoais e interpessoais que beneficiem a todos os alunos (Mir, 1997). Defende Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 301 a passagem da educação segregada para um sistema inclusivo caracterizado por uma aprendizagem significativa centrada na criança. Seria a transformação de uma sociedade e um mundo intolerante e temeroso para um mundo que acolha e encare a diversidade como algo natural. Portanto, reivindica uma ação educativa que responda de maneira mais eficaz à diversidade de todos os alunos. Este ponto de vista tem dado lugar a uma série de modelos, tais como: a escola especial (Dessent, 1987), a escola efetiva para todos (Ainscow, 1991), a escola “adhocrática”(Skrtic, 1991b), a escola heterogênea (Villa e Thousand, 1992) ou a escola inclusiva (UNESCO, 1994, Declaração de Salamanca). Todos esses modelos se apóiam na crença de que é possível identificar um conjunto de características organizativas que tendem a fazer as escolas mais ou menos inclusivas, como se aborda mais adiante. Booth, em numerosos trabalhos (1996, 1998, 1999), diz que o termo inclusão não significa o mesmo em todos os países. Razão pela qual este autor considera que inclusão é um termo escorregadio, porque pode adquirir significados diferentes em contextos distintos. Por isso, ele afirma que:“mais do que lhe outorgar um significado unívoco, tem-se que analisá-lo dentro de uma ampla gama de discursos,” sendo, em sua opinião, adequado falar de inclusões. Essa postura, também assumida por Dyson (2001), leva-o a realizar uma análise da situação existente no contexto internacional. A pesquisa propõe quatro variedades de conceber a inclusão, e determina que a política educativa deve precisar com clareza a variedade de inclusão que se quer promover e também conhecer seus pontos fortes e fracos. A inclusão como colocação Este modelo foi amplamente desenvolvido com o movimento da integração escolar na Europa. Seu principal objetivo é concretizar o lugar aonde serão escolarizados os alunos com necessidades educacionais especiais. Ainda que esta acepção, centrada em um determinado espaço, tenha sido fortemente criticada naqueles contextos, nos quais a integração vem funcionando há muito tempo, em outros, onde a integração não existe, representa o reconhecimento Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 302 dos direitos civis de numerosas pessoas com deficiências que não têm acesso à educação ou que seguem segregados nos centros de educação especial. Para que isto se converta em realidade, precisa-se de uma mudança nas atitudes e valores do professorado que se traduzam em mudanças práticas que respeitem esses direitos. Não obstante, a partir deste enfoque, centrado na questão de saber-se qual o melhor lugar para o aluno ser atendido, não se debate como seriam essas práticas. A inclusão como educação para todos Provém essencialmente do trabalho desenvolvido pela UNESCO em prol de que a educação chegue a todas as crianças em idade escolar, como indicamos anteriormente. Seu reconhecimento decisivo acontece em 1994 com a Declaração de Salamanca, momento em que se adota internacionalmente o termo de educação inclusiva. Assim, se proclama que os sistemas educativos devem desenvolver programas que respondam a vasta variedade de características e necessidades da diversidade do alunado, fazendo um esforço especial no caso das crianças marginalizadas e desfavorecidas. Quer dizer, representa uma defesa explícita à igualdade de oportunidades enumeradas no contexto dos direitos humanos como conjunto e, de maneira particular, nos direitos humanos das crianças. Estabelece-se, assim, um debate social, educativo e de recursos tendendo ao desenvolvimento da educação nos países mais pobres, o que dará lugar a numerosas reuniões e ações internacionais, concebidas com a finalidade de melhorar a situação de deterioração dos serviços educacionais em numerosos países. “O desenvolvimento de escolas inclusivas–escolas capazes de educar a todas as crianças–não é portanto unicamente uma forma de assegurar o respeito dos direitos das crianças com deficiência de forma que tenham acesso a um ou outro tipo de escola, senão que constitui uma estratégia essencial para garantir que uma ampla gama de grupos tenha acesso a qualquer forma de escolaridade” (Dyson 2001, 150). A inclusão como participação Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 303 Seu principal interesse centra-se em conhecer se as crianças são educáveis, como se leva a cabo essa situação e até que ponto elas participam dos processos educativos. Este enfoque quer remediar a antiga noção de integração, entendida como uma mera mudança de lugar da escola especial para a regular. Esta forma de entender a inclusão reivindica a noção de pertencer, uma vez que considera a escola como uma comunidade acolhedora em que participam todas as crianças. Assim, se ocupa do “locus”, no qual são educados os alunos e como estes participam dos processos que animam a vida das escolas, além de que cada aluno aprende na medida de suas possibilidades. De igual forma, cuida para que ninguém seja excluído por suas necessidades especiais, ou por pertencer a grupos étnicos ou lingüísticos minoritários, por não ir freqüentemente a aula, e, finalmente, ocupa-se dos alunos em qualquer situação de risco. Dessa maneira, traça-se uma forma particular de conceber a sociedade, que entende o pluralismo não como uma forma de exercer o direito de ser diferente isolando-se, senão por meio de um sentimento de compartilhar e pertencer. "(...) A EDUCAÇÃO INCLUSIVA CENTRA-SE EM COMO APOIAR AS QUALIDADES E AS NECESSIDADES DE CADA UM E DE TODOS OS ALUNOS NA ESCOLA (...)" Considerando-se que a igualdade leva à inclusão, e a desigualdade à exclusão. A inclusão social A educação inclusiva é um meio privilegiado para alcançar a inclusão social, algo que não deve ser alheio aos governos e estes devem dedicar os recursos econômicos necessários para estabelecê-la. Mais ainda, a inclusão não se refere somente ao terreno educativo, mas o verdadeiro significado de ser incluído. Está implícita na inclusão social, a participação no mercado de trabalho competitivo, sendo este o fim último da inclusão: “Os alunos não podem considerar-se incluídos até que não adquiram as atitudes necessárias para participar na sociedade e no emprego e/ou até que as diferenças entre suas atitudes e as de seus iguais seja considerável”(Dyson 2001, p. 157). Ainda que essas acepções da inclusão apresentem suas próprias peculiaridades, seus pontos em comuns se estabelecem no que se refere ao seu compromisso pela criação de uma sociedade mais justa, pelo desejo de criar um sistema educativo Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 304 mais eqüitativo. Além disso, pela convicção de que a resposta das escolas regulares frente à diversidade estudantil, e especialmente frente aos grupos de estudantes marginalizados, constitui um meio de tornar real os seus compromissos. INTEGRAÇÃO VERSUS INCLUSÃO OU INCLUSÃO COMO UMA CONTINUIDADE DA INTEGRAÇÃO? Desde o surgimento do movimento da inclusão, tem-se levantado um interessante debate acerca de se a inclusão supõe uma ruptura a respeito dos pressupostos da integração escolar, ou se entre ambos pode-se estabelecer um laço contínuo. Não resta dúvida de que a inclusão funde suas raízes no movimento da integração escolar e no REI. Não obstante, ainda que exista um continuum entre eles, a educação inclusiva apresenta tendências alternativas que ampliam e fazem avançar a atenção à diversidade do alunado, dada as fortes críticas relacionadas com o processo integrador (Peralta, 2001). Inicialmente, com o propósito de efetivar esses princípios norteadores, os esforços centraram-se em conseguir que as pessoas com deficiência fossem integradas nas salas comuns das escolas regulares ou na mais adequada para elas. A partir da evolução da experiência da integração escolar em diferentes países, viu-se que na maioria dos casos esta integração não ocorreu. Em conseqüência, o objetivo principal da inclusão centra-se em desenvolver uma educação eficaz para todos os alunos (Sebba, 1997), posto que a segregação categórica de qualquer subgrupo de pessoas é simplesmente uma violação dos direitos civis e do princípio de igualdade da cidadania (Villa e Thousand, 1995). O movimento da integração escolar supôs estabelecer as primeiras tentativas, por questionar e rechaçar a segregação e o isolamento em que se encontravam as pessoas com deficiência nos centros de educação especial. Em um primeiro momento, as classes especiais foram consolidadas dentro de um centro escolar, e, mais tarde, à assistência dos alunos com deficiência em tempo parcial foi estabelecida na classe regular. Todavia, esta modalidade está bastante generalizada e vem apresentando enormes barreiras para ser erradicada. A inclusão Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 305 dirige seu olhar a todos os alunos, já que todos podem experimentar dificuldades de aprendizagem em um dado momento (Ainscow, 1995). Dessa forma, as estratégias de trabalho que ela estabelece são direcionadas para favorecer a aprendizagem de todos os alunos na classe regular (Murphy, 1996; Thomas, 1997; Potts, 1998). Na integração, para que um aluno com necessidades educacionais especiais pudesse estar numa classe regular, era necessário que apresentasse dificuldades médias ou comuns. Na inclusão, todos os alunos são membros de direito da classe regular, sejam quais forem suas características pessoais. “Os alunos com necessidades especiais não requerem integração. Requerem educação” (Heyarty & Pocklington 1981, p. 23). Uma das críticas mais comuns feitas ao movimento da integração escolar é relativa às definições difundidas sobre seu próprio conceito. Essas definições, em muitas ocasiões, dizem muito pouco sobre a qualidade da educação oferecida aos alunos com necessidades educacionais especiais no sistema educacional. Ainda que se saiba que esses alunos estavam escolarizados nas classes regulares, conhece-se pouco do processo de ensino-aprendizagem que seguiam. Constatou-se que um aluno podia estar integrado e passar bastante tempo isolado na sala de apoio, ou estar na sala regular, porém sem interagir com seus companheiros. Em ambos os casos, o programa de trabalho seguido pelos alunos com necessidades educacionais especiais diferenciava-se bastante do desenvolvido pelo grupo da classe regular, e a comunicação entre o professor de classe comum e o de apoio era escassa, (Arnaiz e outros, 2001). Outro aspecto questionado pela inclusão é a forma como os alunos foram considerados como “especiais” no contexto da integração, posto que obedecia a decisões, fundamentalmente, políticas e econômicas, em lugar de se proceder a uma revisão dos processos que podem dar lugar a ele. Pode-se dizer que são decisões guiadas por uma visão da educação especial que interpreta as Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 306 dificuldades de aprendizagem exclusivamente a partir do déficit do aluno, o que promove a injustiça e detém os progressos neste campo. Com certeza, também, condiciona a colocação dos alunos nas escolas comuns ou especiais. Ante esta consideração, os defensores da inclusão manifestam a necessidade de reconstruir o conceito de necessidades educacionais especiais, ao defender que na inclusão não somente temos que considerar o déficit do aluno, senão, também as dificuldades que ele experimenta, considerando o contexto educativo, a organização da sala, e como se desenvolvem os processos de ensino-aprendizagem nas escolas inclusivas (Slee, 1991; Ortiz, 1996). Essas considerações levam Skrtic (1991) a afirmar que:“os alunos com necessidades educacionais especiais são artefatos do currículo tradicional.” E, ainda, recomenda às escolas a revisão de sua organização e suas formas de ensino, com a finalidade de responder positivamente à diversidade de seus alunos. Assim como a “normalização” produz uma luta contra os pressupostos da educação especial mais tradicional, a inclusão estabelece uma forte crítica ao modelo deficitário implícito nas práticas de integração escolar. Com esta finalidade revisa-se as estratégias de trabalho das aulas para romper definitivamente com o subsistema de educação especial que tem caracterizado as práticas associadas à integração escolar. Nesse contexto, muitos alunos diagnosticados com necessidades educacionais especiais, os chamados alunos de integração, têm experimentado situações discriminatórias e segregadoras. Poder-se-ia dizer que para muitos alunos com deficiência a integração em escolas e classes regulares tem legitimado um subsistema de educação especial dentro da escola comum, que tem dando lugar a formas mais sutis de segregação. Por isso, a inclusão é vista por muitos como uma luta contra as concepções e práticas educativas que se associam ao modelo médico-psicológico. Na opinião de Cobertt (1999), com o conceito de integração tem-se fomentado práticas de exclusão, porque geralmente era a pessoa com deficiência que estava obrigada a integrar-se na comunidade escolar e de forma ativa. A responsabilidade é colocada sobre o que é diferente; a ênfase recai sobre o aluno com deficiência, já que este deve integrar-se à cultura dominante. Portanto, existe uma grande Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 307 exigência para quem não pode compartilhar os sistemas de valores dominantes. Na inclusão, pelo contrário, é a instituição que cria um clima de receptividade, flexibilidade e sensibilidade a qualquer aluno que seja escolarizado nela. Ainscow, Farrell e Tweddle (2000) consideram a integração como um movimento dos alunos dos programas especiais para a educação regular, enquanto que a inclusão faz referência ao grau de participação desses alunos nas atividades e experiências da escola regular. Assim, podemos ver que enquanto a integração tem a ver com as pessoas, a inclusão refere-se aos valores da comunidade. A perspectiva da educação inclusiva, imersa no marco da escola compreensiva e das escolas eficazes, traça um modelo curricular que inspira sobre como reformar as escolas, as práticas educativas e a formação dos professores, com o fim de proporcionar uma educação de qualidade ajustada às características de todos alunos. A educação inclusiva promove a reforma dos sistemas educativos, e coloca em juízo de valor as teorias e hipóteses inerentes à educação especial (Ballard, 1997; Bayley, 1998; Clarck e al., 1998; Rouse & Florian, 1969). Inicia-se, dessa forma, uma análise muito mais radical relativa a sua política e a sua prática, desde os pressupostos de disciplinas como a Sociologia, a Política e a Filosofia, além de outras. Ainscow (1998), um dos principais defensores e promotores da inclusão em todo o mundo, afirma que: “a educação inclusiva vai muito além de atender ao alunado com necessidades educacionais especiais, uma vez que supõe a melhoria das práticas educativas para todos os alunos e para o conjunto da escola”. “A inclusão não é somente para os alunos com deficiência, mas para todos os alunos, educadores, pais e membros da comunidade”(Falvey e al. 1995, p. 9). De acordo com Ainscow (1995), as soluções construídas para atender às necessidades especiais não devem dirigir-se exclusivamente aos alunos que experimentam dificuldades (do ponto de vista individual), ao invés disso, a resolução de problemas deve facilitar e apoiar a aprendizagem de todos os alunos (do ponto Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 308 de vista curricular). Trata-se da necessidade de deixar de utilizar o termo necessidades educacionais especiais, porque se na educação inclusiva entram todos os alunos não tem sentido falar de educação inclusiva para alunos com necessidades educacionais especiais, já que os mesmos formam parte de um plano de trabalho mais amplo de melhoria escolar que persegue a igualdade e a excelência para todos os alunos. Portanto, enquanto a integração tem posto sua ênfase no aluno com necessidades educacionais especiais, a inclusão centra seu interesse em todos os alunos. Isso implica que os professores revisem, junto a seus companheiros, o conceito que têm sobre dificuldades de aprendizagem e que ações eles devem colocar em prática. Dessa forma, e como indica Fulcher (1989) propõe-se que rompa sua visão individualizada e considere o contexto social e político. A perspectiva individualizada tem levado a que se estabeleçam tipos de alunos que requerem diferentes formas de ensinar e, portanto, diferentes tipos de professores, desviando a atenção de questões fundamentais como as formas de ensino que a escola estabelece para dar resposta à diversidade. A atenção às necessidades educacionais especiais tem sido considerada como uma tarefa técnica, que requer formas técnicas e recursos especiais, subestimando a interação social, exatamente como um meio de facilitar a aprendizagem (Ainscow e Tweddle, 1988). Esta mudança requer, sem dúvida, uma cultura de colaboração nas escolas que, respeitando a individualidade, apóie a resolução de problemas como uma estratégia de trabalho entre os professores (Fullan, 1991; Thousand e Villa, 1991; Skrtic, 1991). Além disso, reconhecer a reconstrução das necessidades especiais, em termos de melhoria da escola e do desenvolvimento do professor; fazer com que o professor estabeleça como ponto prioritário a resolução de problemas em grupo, visando a colaboração, posto que requer revisar e eliminar crenças e conceitos sobre a natureza das dificuldades de aprendizagem ea busca de novas alternativas. Por causa disso, o termo inclusão está sendo adotado no contexto internacional (Estados Unidos, Canadá, Reino Unido) com a intenção de dar um passo adiante no Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 309 que se chamou até agora de integração. As razões que justificam essa mudança, na opinião de Stainback, Stainback e Jackson (1999), são: 1) O conceito de inclusão comunica mais claramente e com maior exatidão, que todas as crianças necessitam estar incluídas na vida educativa e social das escolas comuns, e na sociedade em geral, não unicamente dentro da escola comum; 2) o termo integração está sendo abandonado, já que implica que a meta é integrar na vida escolar e comunitária alguém ou algum grupo que está sendo certamente excluído. O objetivo básico da inclusão é não deixar ninguém fora da escola comum. Incluir tanto do ponto de vista educativo, físico, como social; 3) a atenção nas escolas inclusivas centra-se em como construir um sistema que inclua e esteja estruturado para fazer frente às necessidades de cada um dos alunos. Não se assume que as escolas e salas tradicionais, que estão estruturadas para satisfazer as necessidades dos chamados normais ou da maioria, sejam apropriadas e que qualquer estudante deva encaixar-se no que tenha sido desenhado para a maioria. Pelo contrário, a integração desses alunos deixa implícita que realmente estejam incluídos e participem na vida acadêmica. Nessa perspectiva, destaca-se a responsabilidade da equipe docente da escola, já que tem que se acomodar às necessidades de todos e a cada um de seus alunos; e 4) assim mesmo, existe uma mudança com respeito ao delineamento de ajudar somente a alunos com deficiência. O interesse centra-se agora no apoio à necessidade de cada membro da escola. As seguintes citações evocam essa mudança: “[...] tem-se utilizado a palavra «integração» para descrever processos mediante os quais certas crianças recebem apoio com o propósito de que possam participar nos programas existentes em grande medida sem modificações dos colégios; pelo contrário, a “inclusão” sugere um desejo de reestruturação do programa do colégio para responder à diversidade dos alunos que recebem as aulas”(Ainscow 1999, p. 25). “[...] o novo conceito de integração era, e ainda hoje é, muito problemático, sua análise reflete as tensões, contradições e ambigüidades que têm levado a algumas pessoas a definir a integração como outro nome para designar a educação especial [...]. A educação inclusiva parece ser incompatível com um sistema que tem dado prioridade a mecanismos de evolução, similitude, comercialismo, elitismo, Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 310 produtividade e noções de eficácia derivadas de sua perspectiva econômica e industrial [...]. examina o papel e as relações entre os profissionais e os deficientes, e explora as novas tendências educativas com respeito a sua relação e impacto sobre as políticas e práticas da educação” (Vlachou 1999, p. 31-57-61). Para Parrilla (2001), cabe reconhecer as diferenças entre a integração e a inclusão em um marco mais amplo, centradas nos direitos humanos, no fim dos rótulos e no modelo sociológico sob o qual interpretam a deficiência. Em síntese, poder-se-ia dizer que o termo inclusão surge, a princípio, como uma alternativa à integração; como uma tentativa de eliminar as situações de desintegração e exclusão em que se encontravam muitos alunos nas escolas, sob o enfoque da integração. Em segundo lugar, como uma tentativa de reconstruir o enfoque deficitário individualista e médico dominante, considerando seriamente as vozes das pessoas com deficiência, e analisando as complexas relações de poder implicadas nesses controvertidos debates. E, em terceiro lugar, como uma reivindicação de que todos os alunos com ou sem necessidades educacionais especiais recebam uma educação de qualidade, nas classes comuns do sistema regular de ensino. No seguinte quadro, e a título de resumo, aparecem as principais diferenças entre ambos conceitos: INTEGRAÇÃO INCLUSÃO Competição Cooperação/solidariedade Seleção Respeito às diferenças Individualidade Comunidade Preconceitos Valorização das diferenças Visão individualizada Melhora para todos Modelo técnico-racional Pesquisa reflexiva Bibliografia AINSCOW, M.(1991). Effective Schools for All. London: Fulton. AINSCOW, M.(1995a). Necesidades educativas especiales. Madrid: NarceaUNESCO. 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Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 316 INCLUSÃO: o paradigma do século 21 Resumo O texto procura esclarecer as grandes diferenças que existem entre os paradigmas da integração e da inclusão, numa perspectiva histórica. São apontadas as práticas de transição entre um paradigma e outro. E elabora mais profundamente o campo educacional, descrevendo as principais características das escolas abertas para todos os tipos de alunos, construídas à luz dos princípios da inclusão. 1 Assistente social pela Faculdade Paulista de Serviço Social e conselheiro de reabilitação pela Southern Illinois University. Atua como consultor de inclusão escolar e social junto ao Banco Mundial e à Secretaria Municipal de Educação de Guarujá/SP. INCLUSÃO-Revista da Educação Especial-Out/2005 19 Introdução Embora as experiências pioneiras em inclusão tenham sido feitas na segunda metade dos anos 80, foi no início da década de 90 que o mundo da educação tomou conhecimento de um novo caminho para uma escola de qualidade e verdadeiramente aberta para todas as pessoas. Esse caminho, conhecido como educação inclusiva, difere substancialmente das formas antigas de inserção escolar de pessoas com deficiência e/ou com outros tipos de condições atípicas, no sentido de que a inclusão requer mudanças na perspectiva pela qual a educação deve ser entendida. Em que sentido? A inclusão difere, por exemplo, da integração, que se vale das práticas de mainstreaming, de normalização, de classes especiais e de escolas especiais. Todas as formas até então vigentes de inserção escolar partiam do pressuposto de que devem existir dois sistemas de educação: o regular e o especial. Os alunos com deficiência poderiam estudar em escolas regulares se fossem capazes de acompanhar seus colegas não-deficientes. Para isto, foi sendo desenvolvido um sistema de cascata para acomodar os diversos níveis de capacidade. Mesmo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996) usa a expressão “preferencialmente na rede regular de ensino” e a condicionante “no que for possível”, deixando implícita a existência de um sistema paralelo destinado, Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 317 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] exclusivamente, aos alunos que não tivessem capacidade acadêmica para freqüentar as escolas comuns em razão de suas deficiências físicas, intelectuais, sensoriais ou múltiplas. Isto foi reforçado pelo Decreto n. 3.298, de 1999, quando determina “a matrícula compulsória em cursos regulares de estabelecimentos públicos e particulares de pessoas portadoras de deficiência capazes de se integrar na rede regular de ensino” (art. 24, inciso I). E também pela Resolução n. 2, do Conselho Nacional de Educação, Câmara de Educação Básica (2001). Todo este viés conceitual tem origem no modelo médico da deficiência, segundo o qual o problema está na pessoa com deficiência e, por esta razão, ela precisa ser “corrigida”(melhorada, curada etc) a fim de poder fazer parte da sociedade. Ativistas do movimento liderado por pessoas com deficiência sempre combateram esta forma de atender às necessidades educacionais, por exemplo, de crianças com deficiência. Para eles, não era justa essa exigência da sociedade, no sentido de que as crianças provassem estarem aptas para ingressar no sistema educacional comum. Eles entendiam, e assim o entendem até hoje, que cabe à sociedade, portanto às escolas comuns, modificar seu paradigma educacional e, conseqüentemente, suas estruturas físicas, programáticas e filosóficas, a fim de que as escolas possam tornar-se mais adequadas às necessidades de todos os seus alunos. Esta inusitada perspectiva pela qual é vista a questão das pessoas com deficiência deu origem ao conceito conhecido como o modelo social da deficiência. O modelo social da deficiência, elaborado basicamente por entidades de pessoas com deficiência, aponta as barreiras da sociedade (escola, empresa etc) que impedem o desenvolvimento das pessoas e sua inserção social (inclusão escolar, inclusão profissional etc.). Essas barreiras se manifestam por meio de seus ambientes restritivos, suas políticas discriminatórias e suas atitudes preconceituosas que rejeitam a minoria e todas as formas de diferenças, seus discutíveis padrões de normalidade, seus objetos e outros bens inacessíveis do ponto de vista físico, seus pré-requisitos atingíveis apenas pela maioria aparentemente homogênea, sua quase total desinformação sobre necessidades especiais e sobre direitos das pessoas que possuem essas necessidades, suas práticas discriminatórias em muitos setores da atividade humana (escolas, empresas, locais de lazer, transportes coletivos etc). Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 318 Surgimento do paradigma da inclusão Podemos afirmar que a semente do paradigma da inclusão foi plantada pela Disabled Peoples’ International, uma organização não-governamental criada por líderes com deficiência, quando em seu livreto Declaração de Princípios, de 1981, definiu o conceito de equiparação de oportunidades (apud Driedger & Enns, 1987, p. 2-3): “o processo mediante o qual os sistemas gerais da sociedade, tais como o meio físico, a habitação e o transporte, os serviços sociais e de saúde, as oportunidades de educação e de trabalho, e a vida cultural e social, incluídas as instalações esportivas e de recreação, são feitos acessíveis para todos. Isto inclui a remoção de barreiras que impedem a plena participação das pessoas deficientes em todas estas áreas, permitindo-lhes assim alcançar uma qualidade de vida igual à de outras pessoas.” " O MUNDO CAMINHA PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA SOCIEDADE CADA VEZ MAIS INCLUSIVA." Desde então, vários outros documentos internacionais, por exemplo, o Programa Mundial de Ação Relativo às Pessoas com Deficiência (1983), as Normas sobre a Equiparação de Oportunidades para Pessoas com Deficiência (1994), ambos da Organização das Nações Unidas, e a Declaração de Salamanca (1994), da Unesco, têm enfatizado esse conceito, dando assim início à conscientização da sociedade sobre o outro lado da inserção, qual seja, o lado da necessidade de modificarmos a sociedade (escolas, empresas). Transição da integração para a inclusão O paradigma da integração, exclusivo para pessoas deficientes num clube comum, etc. Esta forma de integração, mesmo com todos os méritos, não deixa de ser segregativa. Nenhuma dessas formas de integração social satisfaz plenamente os direitos de todas as pessoas com deficiência, pois a integração pouco exige da sociedade em termos de modificação de atitudes, de espaços, de objetos e de práticas sociais. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 319 A EDUCAÇÃO INCLUSIVA E A UNIVERSIDADE BRASILEIRA Enicéia Gonçalves Mendes RESUMO O presente artigo aborda o legado de 30 anos da história da institucionalização da Educação Especial no Brasil. As evidências apontam como produto dessa história, a falta de acesso à escola, para a grande maioria da população de crianças e jovens com necessidades educacionais especiais, e para a natureza excludente da atual rede de serviços. Questiona-se a partir de então se a filosofia de "integração escolar", chegou a ser implementada em nosso país, e sobre o risco do mesmo fenômeno de retórica ocorrer com a Educação Inclusiva. Discute-se ainda as possibilidades da Educação Inclusiva na superação dos atuais problemas da área, e a responsabilidade da universidade, enquanto agência de produção de conhecimento e de formação, em compor o esforço coletivo juntamente com políticos, prestadores de serviços, familiares e indivíduos com necessidades educacionais especiais, para a construção da Educação Inclusiva no Brasil. ABSTRACT The present study discusses the legacy of the last 30 years of the Special Education's history in Brasil. As a product of this story, the evidences point out the lack of access to School for the majority of children and adolescents with special needs, and the 1 Docente do exclusiveness of the actual educational services system. The study argues if the School Integration Philosophy, was ever implemented in our country and analyses the risk of the same rethorics phenomenon happening with the debate about Inclusive Education. Also, it discusses the possibilities of Inclusive Education to overcome the actual problems in this area, and the responsibility of the University, as agency of knowledge production and formation to join all efforts with politicians, professionals, parents and people with educational special needs to construct the Inclusive Education in Brasil. Introdução Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 320 Embora iniciativas isoladas e precursoras possam ser constatadas em nosso país, na área de Educação Especial2, a partir do Século XIX, apenas na década de 70, é que se constata uma resposta mais abrangente da nossa sociedade a esta questão (Bueno, 1991; Marques et al, 2003). O início dessa nossa história coincidiu com o auge da hegemonia da filosofia da "normalização e integração" no contexto mundial. Se até então havia o pressuposto que a segregação escolar, permitiria melhor atender as necessidades educacionais diferenciadas desses alunos, após esse período, houve uma mudança filosófica orientada pela idéia de integração escolar em escolas comuns. 2 O termo "Educação Especial" vem sendo erroneamente compreendido como o antônimo do termo "Educação Inclusiva", e cumpre ressaltar que no presente trabalho adotamos o termo Educação Especial como uma área de conhecimento, que busca desenvolver teorias, práticas e políticas; com vistas a atender as necessidades educacionais especiais diferenciadas de uma parcela da população, que não aprendem se forem sujeitos apenas as oportunidades regulares oferecidas pela cultura. Assim, o conceito não se confunde com uma proposta de escolarização separada do ensino regular, ou com determinados tipos de organização de serviços. A partir daí, passamos supostamente cerca de 30 anos atuando sob o princípio de "integração escolar", até que o emergiu o discurso em defesa da "educação inclusiva" no país, a partir de meados da década de 90. Um dos argumentos recorrentes tem sido a proposição de que a "inclusão", requer uma revisão na forma como vem sendo equacionada a educação de crianças e jovens com necessidades educacionais especiais. Antes de avançar o debate convém analisar que legado nos deixou nossa história de 30 anos de "integração escolar". Os frutos de 30 anos da Educação Especial Brasileira Na atualidade constata-se que, para uma estimativa de cerca de seis milhões de crianças e jovens com necessidades educacionais especiais, não chega a 400 mil o número de matrículas, considerando o conjunto de todos os tipos de recursos disponíveis, ou seja, se desde os matriculados em escolas especiais até os que Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 321 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] estão nas escolas comuns. (Folha de São Paulo, 11/06/99). Portanto, a grande maioria dos alunos com necessidades educacionais especiais estão fora de qualquer tipo de escola. Tal quadro indica muito mais uma exclusão escolar generalizada dos indivíduos com necessidades educacionais especiais na realidade brasileira, a despeito da retórica da integração escolar. As mazelas da Educação Especial Brasileira, entretanto, não se limita a falta de acesso. Os poucos alunos com necessidades educacionais especiais que tem tido acesso a algum tipo de escola, não estão necessariamente recebendo uma educação apropriada, seja por falta de profissionais qualificados ou mesmo pela falta generalizada de recursos. Além da predominância de serviços que envolvem, desnecessariamente, a segregação escolar, há evidências que indicam um descaso do poder público; uma tendência de privatização, (considerando que a maioria das matrículas está concentrada na rede privada, e mais especificamente em instituições filantrópicas), e uma lenta evolução no crescimento da oferta de matrículas, em comparação com a demanda existente. Pode-se dizer, portanto, que os resultados dos últimos 30 anos de política de "integração escolar" foi provocar uma grande expansão das classes especiais, favorecendo o processo de exclusão na escola comum pública. Os modelos de serviços propostos pelo movimento de integração escolar, que previam uma opção preferencial pela inserção na classe comum com a manutenção do continuum de serviços, ou sistema de cascata, nunca chegaram a ser implementados na "integração escolar" a moda brasileira. Os recursos predominantes ainda hoje são classes especiais nas escolas públicas e às escolas especiais privadas e filantrópicas. Em perspectiva a Educação Especial Inclusiva O debate sobre a questão da Educação Inclusiva é hoje um fenômeno de retórica como foi a integração escolar nos últimos 20 anos. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 322 O paradoxo é que ao mesmo tempo em que se trata de uma ideologia importada de países desenvolvidos, que representa um alinhamento ao modismo, pois não temos lastro histórico na nossa realidade que a sustente; não podemos negar que na perspectiva filosófica, a inclusão é uma questão de valor, ou seja, é um imperativo moral. Não há como questioná-lo dentro da ética vigente nas sociedades ditas democráticas, e não dá para descartar que a adoção de diretrizes baseadas na educação inclusiva pode ser a única estratégia política com potencial para garantir o avanço necessário na Educação Especial brasileira. Em outros países, por exemplo, o movimento se assenta em contextos onde já existia um razoável acesso a educação, uma rede diversificada e melhor qualificada de serviços, nos quais a perspectiva de educação inclusiva representou apenas um passo natural em direção à mudança. Aqui, a educação inclusiva é ainda uma página em branco de uma história a ser construída. E como pode a universidade brasileira contribuir para esse processo? A Educação Inclusiva e a Universidade Brasileira Traduzir a educação inclusiva das leis, dos planos e intenções para a realidade requer conhecimento e prática. É preciso, portanto, questionar qual a prática necessária? E o conhecimento necessário para fundamentar a prática? E esse é sem dúvida nenhuma um exercício para a pesquisa científica. A ciência será essencial para que a sociedade brasileira busque contribuir, de maneira intencional e planejada, para a superação de uma Educação Especial equivocada que atua contra os ideais de inclusão social e plena cidadania. Assim, enquanto agência de produção de conhecimento, o papel da universidade na construção da educação inclusiva é essencial. Entretanto, não é qualquer pesquisa que tem potencial para apoiar tal processo de construção. É necessário se fazer uma pesquisa mais engajada nos problemas da realidade e que tenham implicações práticas e políticas mais claras. Por outro lado, Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 323 é necessário também que o processo de tomada de decisão política privilegie mais as bases empíricas fornecidas pela pesquisa científica sobre inclusão escolar. Algumas prioridades emergentes para a pesquisa na atualidade seria a produção de conhecimento sobre procedimentos que gerem dados que permitam subsidiar o acompanhamento de políticas públicas educacionais, que adotam a perspectiva da inclusão; sobre formação de professores (do ensino regular e especial) e estratégias pedagógicas inclusivas que possam ser adaptadas para a realidade brasileira. A mudança requer ainda um potencial instalado, em termos de recursos humanos, em condições de trabalho para que ela possa ser posta em prática, pois é na existência de pessoal cientificamente preparado, para identificar as armadilhas de concepções e procedimentos inadequados, que reside à possibilidade de alterar a realidade da Educação Especial no país. A universidade enquanto agência de formação, além de produzir conhecimento tem ainda a responsabilidade de qualificar os recursos humanos envolvidos, tanto em cursos de formação inicial quanto continuada, o que é um desafio considerável para o sistema brasileiro de ensino superior. Enfim, o futuro da Educação Inclusiva em nosso país dependerá de um esforço coletivo, que obrigará à uma revisão na postura de pesquisadores, políticos, prestadores de serviços, familiares e indivíduos com necessidades educacionais especiais, para trabalhar numa meta comum que seria a de para garantir uma educação de melhor qualidade para todos. REFERÊNCIAS BUENO, José Geraldo Silveira. Educação Especial Brasileira Integração/Segregação do Aluno Diferente. São Paulo – SP, EDUC/PUSP, 1993. MARQUES, C. A.; JENEVARI,G.P.; SOUZA JUNIOR, J.S.; ANTUNES, K. C. V.; CARVALHO, M. D. M.; PAULA, O. L. B.; FERREIRA, S.M.A. A Década de 60: A realidade da Educação Especial no Brasil. Temas em Desenvolvimento. 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O atendimento educacional para crianças com deficiências no hemisfério sul ea integração não-planejada: implicações para as propostas de integração escolar [PDF] de fcc.org.br MM Odeh - Revista Brasileira de Educação Especial, 2000 - educa.fcc.org.br ... N50 obstante, todas as estimativas acima nao discordam sobre o fato de ser o alcance do atendimento educacional especializado notoriarnente baixo; uma realidade existente também na maioria dos pafses do hemisfério sul (Hegarty, 1993). ... Inclusão escolar: o que é MTE Mantoan - Por quê, 2003 - cee.rr.gov.br ... deficiência • Lei n.º 8.899, de 29 de junho de 1994 - Passe Livre. • Lei nº 10.845, de 5 de março de 2004 - Atendimento Educacional Especializado. • Lei nº 10.172, de 09 de Janeiro de 2001 - Plano Nacional de Educação. • Lei ... Políticas públicas de inclusão educacional: desafios e perspectivas [PDF] de uaemex.mx PDF] ACRM Matiskei - Educar em revista, 2004 - redalyc.uaemex.mx ... Art. 6° Será ofertado atendimento educacional especializado aos alunos com necessidades educacionais especiais decorrentes de: I. dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitações no processo de desenvolvimento que dificultem o acompanhamento das atividades ... A hora da virada [PDF] de ba.gov.br [PDF] MTE Mantoan - Revista de Educação Especial Inclusão, 2005 - smec.salvador.ba.gov.br ... Com isso ficam cegos diante do que a in- clusão lhes propiciaria, desde que conseguissem admitir o caráter complementar conferido à Educa- ção Especial, pela nossa Constitui- ção, quando propõe o atendimento educacional especializado. De fato, em seu art. ... Políticas educacionais e educação especial [PDF] de asdef.com.br [PDF] JR Ferreira - Reunião Anual da ANPED, 2000 - asdef.com.br ... As demais alterações do capítulo, no diagnóstico e diretrizes, apresentam uma atualização dos Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 325 dados sobre atendimento educacional especializado e dão maior destaque à atuação das instituições especializadas de natureza filantrópica, com referências a uma ... [LIVRO] Inclusão Escolar: o que é? por quê? como fazer? [DOC] de unicamp.br MTE Mantoan - 2003 - lab.bc.unicamp.br ... art. 208, que o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: [...atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”. O preferencialmente ... Introdução à tecnologia assistiva [PDF] de 200.145.183.230 [PDF] R Berschi - … • Centro Especializado em Desenvolvimento Infantil. …, 2008 200.145.183.230 ... Já em 2006 a SEESP/MEC publica o documento Sala de Recursos Multifuncionais: Espaço de Atendimento Educacional Especializado onde afirma que ... Salas de Recursos Multifuncionais: Espaço para Atendimento Educacional Especializado. Brasília: MEC SEESP, 2006. ... O direito de ser, sendo diferente, na escola [PDF] de cjf.jus.br MTE Mantoan - Revista CEJ, 2004 - cjf.jus.br ... que fundamentam nossos planos e propostas educacionais. Ain- da hoje, é patente a dificuldade de distinguir a educação especial, tradi- cionalmente praticada, da concepção consentânea e vigente dessa moda- lidade de ensino: o atendimento edu- cacional especializado. ... Citado por 54 - Artigos relacionados - Todas as 7 versões O papel da universidade frente às políticas públicas para educação inclusiva [PDF] de eduinclusivapesq-uerj.pro.br [PDF] R Glat… - Revista Benjamin Constant, 2004 - eduinclusivapesq-uerj.pro.br ... Em âmbito Federal, dentre outras iniciativas, o inciso III do Art. 208 da Constituição Brasileira se refere ao atendimento educacional especializado aos portadores de deficiências, “preferencialmente na rede regular de ensino". Na Política Nacional de ... [PDF] Inclusão Escolar–caminhos e descaminhos, desafios, perspectivas [PDF] de sp.gov.br MTE Mantoan - BRASIL. Ministério da Educação. …, 2006 educar.varzeapaulista.sp.gov.br ... Ainda é difícil distinguir a Educação Especial, tradicionalmente conhecida e praticada, da sua nova concepção, quando presente no ensino escolar e complementar à formação dos alunos com deficiência: o atendimento educacional especializado. ... Ensino de Química para deficientes visuais Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 326 JG Bertalli - Encontro Nacional de Ensino de Química, 2008 - cienciamao.if.usp.br ... ao ensino regular, com participação, aprendizagem e continuidade nos níveis mais elevados do ensino; transversalidade da modalidade de educação especial desde a educação infantil até a educação superior; oferta do atendimento educacional especializado; formação de ... [PDF] A política e as bases do direito educacional [PDF] de scielo.br E Vieira - Cadernos Cedes, 2001 - SciELO Brasil ... de: I - ensino fundamental obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria; II - progressiva universalização do ensino médio gratuito; III - atendimento educacional especializado aos portadores de ... [LIVRO] Atendimento pedagógico-educacional para crianças e jovens hospitalizados: realidade nacional [PDF] de ba.gov.br ES da Fonseca - 1999 - smec.salvador.ba.gov.br ... Os resultados da pesquisa Classe Hospitalar: realidade nacional, apresentados neste texto, revelam que esta modalidade de atendimento educacional ainda é incipiente no Brasil, embora em diversos Estados já existam iniciativas conjuntas das secretarias de Educação e ... Educação especial: da LDB aos planos nacionais de educação do MEC e proposta da sociedade brasileira [PDF] de fcc.org.br CA Minto - Revista Brasileira de Educação Especial, 2000 - educa.fcc.org.br ... e mais. funcional para aqueles que tém direito a um atendimento diferenciado. Ademais, trata-se da diferenga entre ”atendimento educacional especializado” (subjacente ao texto) e ”necessidades especiais”. O preconceito ... [PDF] Uma breve reflexão sobre o papel da educação especial frente ao processo de inclusão de pessoas com necessidades educacionais especiais em rede … [PDF] de eduinclusivapesq-uerj.pro.br R Glat, RS FONTES… - Cadernos de …, 2006 - eduinclusivapesq-uerj.pro.br ... Por exemplo, a Constituição Federal de 1988, no inciso III do artigo 208, estabelece que o atendimento educacional especializado aos portadores de deficiências deve se dar “preferencialmente na rede regular de ensino”. Já a Política Nacional de Educação Especial ... Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 327 [PDF] Educação especial no município de São Paulo: acompanhamento da trajetória escolar de alunos no ensino regular [PDF] de anped.org.br RG Prieto, SZL Sousa… - REUNIÃO ANUAL DA …, 2006 - anped.org.br ... salas de atendimento educacional especializado. Recursos educacionais especiais: alguns dados sobre as SAPNEs ... atendimento educacional especializado. Na rede municipal de ensino de São Paulo, as SAPNEs constituem a única ... [PDF] 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990 [PDF] de rs.gov.br LEI Nº - Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente … educacao.caxias.rs.gov.br ... II - progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio; ∎ III atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; ∎ IV - atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a ... [DOC] Diferentes olhares sobre a inclusão [DOC] de mj.gov.br CP Dutra - Secretaria de Educação Especial/MEC, reunião do …, 2005 portal.mj.gov.br ... educacionais para a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais significa uma mudança na gestão da educação que possibilite o acesso às classes comuns do ensino regular ea ampliação da oferta de atendimento educacional especializado que propicie ... [DOC] EDUCAÇÃO INCLUSIVA: REALIDADE OU UTOPIA? 1 [1] [DOC] de ufrgs.br LM Mrech - 1999 - teleduc.proinesp.ufrgs.br ... hemisfério sul. Miles( 1985) por exemplo, destaca que em países onde o atendimento educacional especializado é escasso, a escola regular se encontra como a única alternativa para as crianças com deficiências. Helander(1994 ... [CITAÇÃO] O que é educação inclusiva LM Mrech - Revista Integração, 1998 Citado por 52 - Artigos relacionados [CITAÇÃO] Inclusão: construindo uma sociedade para todos RK Sassaki… - São Paulo Citado por 583 - Artigos relacionados Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 328 [PDF] Políticas educacionais ea formação de professores para a educação inclusiva no Brasil [PDF] de pr.gov.brR Glat… - Revista Integração, 2002 - itaipulandia.pr.gov.br ... I - professores das classes comuns e da Educação Especial capacitados e especializados, respectivamente, para o atendimento às necessidades educacionais dos alunos; ... VI – condições para reflexão e elaboração teórica da educação inclusiva, com protagonismo dos ... Citado por 38 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 4 versões [PDF] Dez idéias (mal) feitas sobre educação inclusiva [PDF] de ua.ptD Rodrigues - … educação: doze olhares sobre a educação …, 2006 - redeinclusao.web.ua.pt ... uma escola tradicional em que os alunos com deficiência (os alunos com outros tipos de dificuldades eram ignorados) recebiam um tratamento especial. A perspectiva da EI é sim ... na escola regular. Page 5. 5 “A Educação Inclusiva é para alunos “diferentes”” ... Citado por 32 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 3 versões [PDF] Educação inclusiva: concepções de professores e diretores [PDF] de scielo.brIM Sant'Ana - Psicologia em Estudo, 2005 - SciELO Brasil ... Repercussões da proposta de "educação inclusiva" a partir do discurso de professores de educação especial da rede pública estadual paulista. Dissertação de Mestrado Não-Publicada, Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Universidade de São Paulo. ... Citado por 34 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 6 versões [PDF] Da educação segregada à educação inclusiva: uma breve reflexão sobre os paradigmas educacionais no contexto da educação especial brasileira [PDF] de eduinclusivapesq-uerj.pro.brR Glat… - Revista Inclusão, Brasília, 2005 eduinclusivapesq-uerj.pro.br ... Conforme mostram Ferreira e Glat (2003), o movimento em prol da Educação Inclusiva, trouxe em sua gênese uma discussão sobre a finalidade da Educação Especial, mormente no seu excesso de especialização. A classificação de diferentes tipos de ... Citado por 13 - Artigos relacionados - Ver em HTML [LIVRO] Inclusão Escolar: Concepções de professores e alunos da educação regular e especial [HTML] de abrapee.psc.brNS Tessaro - 2005 - abrapee.psc.br ... inclusiva. Os professores de educação especial demonstraram dar mais crédito à educação inclusiva do que os do ensino regular. Os alunos deficientes demonstraram dar menos crédito à inclusão do que os não deficientes. ... Citado por 22 - Artigos relacionados - Em cache [LIVRO] Educação inclusiva [PDF] de unisalesiano.edu.brMEC Ferreira… - 2003 - unisalesiano.edu.br ... de querer jogar toda a responsabilidade para as instituições de educação especial, ... vez,precisa ser interpretada,divulgada e planejada corretamente, afim Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 329 de produzir resultados adequados.Neste sentido, campanha de esclarecimento sobre a educação inclusiva, levada ... Citado por 57 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 6 versões [CITAÇÃO] Educação inclusiva: contextos sociais P Mittler… - 2003 - Artmed Citado por 187 - Artigos relacionados A Educação Física perante a Educação Inclusiva: reflexões conceptuais e metodológicas [PDF] de uem.brDA Rodrigues - Revista da Educação Física/UEM, 2008 periodicos.uem.br ... numa lógica médico-psicológica, mas para alunos com qualquer necessidade especial, conceito que ... A escola inclusiva procura responder, de forma apropriada e com alta qualidade, não ... Desta forma, a educação inclusiva recusa a segregação e pretende que a escola não ... Citado por 27 - Artigos relacionados - Todas as 6 versões Inclusão escolar: o que é MTÉ Mantoan - Por quê, 2003 - cee.rr.gov.br ... 1ª Audiência Pública 2007: “Educação Inclusiva.” CEE/RR www.cee.rr.gov.br ... Fundamentação Legal Programação 8:30h - Abertura. 8:50h - Coquetel. 9:10h Diversidade da Educação Inclusiva como Construção da Cidadania. Prof. Dr. Aristonildo Chagas Araújo Nascimen- to. ... Citado por 149 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 2 versões [PDF] A educação inclusiva ea universidade Brasileira [PDF] de salesianolins.brEG Mendes - Revista Espaço, 2003 - salesianolins.br ... são classes especiais nas escolas públicas e às escolas especiais privadas e filantrópicas. Em perspectiva a Educação Especial Inclusiva O debate sobre a questão da Educação Inclusiva é hoje um fenômeno de retórica como foi a integração escolar nos últimos 20 anos. ... Citado por 7 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 3 versões [CITAÇÃO] de MV Educação Especial no contexto de uma Educação Inclusiva R GLAT… - Educação inclusiva: cultura e cotidiano escolar. Rio de …, 2007 Citado por 7 - Artigos relacionados [CITAÇÃO] Aspectos Históricos da Educação Especial: da exclusão a inclusão uma longa caminhada M CARDOSO - Educação especial: em direção à educação inclusiva. …, 2003 Citado por 22 - Artigos relacionados Educação inclusiva: redefinindo a educação especial [PDF] de ufsc.brMP Santos - … de Vista: revista de educação e processos inclusivos, 2008 - journal.ufsc.br Resumo O artigo pretende discutir os termos “inclusão” e “integração” e seus diferentes usos em alguns textos oficiais e pioneiros, com o objetivo de apontar para um redimensionamento do con- ceito de educação especial à luz da proposta da Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 330 inclusão em educação. Entre ... Citado por 6 - Artigos relacionados Educação inclusiva: Um estudo na área da educação física [HTML] de scielo.brJS Aguiar… - Rev. bras. educ. espec - SciELO Brasil ... identifica conhecimentos dos professores de educação física sobre educação inclusiva e educação especial e/ou educação física adaptada. ... OLIVEIRA, AAS; POKER, RB Educação inclusiva e municipalização: a experiência em educação especial de Paraguaçu Paulista. ... Citado por 10 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 2 versões [DOC] O aluno com altas habilidades no contexto da educação inclusiva [DOC] de fadepe.com.brEMLS de Alencar - fadepe.com.br ... Especialmente neste momento da História, em que se observam um movimento em direção à Escola Inclusiva e reformas vêm ocorrendo na Educação Especial em muitos países, é fundamental que o professor esteja melhor equipado para propiciar uma educação de boa ... Citado por 14 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 6 versões [CITAÇÃO] O paradigma da educação inclusiva: reflexões sobre uma agenda possível D Rodrigues - VII Encontro Nacional de Educação Especial ( …, 1997 Citado por 22 - Artigos relacionados [CITAÇÃO] Educação e diferença: valores e práticas para uma educação inclusiva D Rodrigues - 2001 - baes.sdum.uminho.pt ... Título: Educação e diferença : valores e práticas para uma educação inclusiva. Autor : Rodrigues, David. Data: 2001. URI: http://hdl.handle.net/1822.1/12. Aparece nas Colecções: Analíticos de Monografias. Ficheiros deste Registro: Ficheiro, Descrição, Tamanho, Formato. ... Citado por 31 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 2 versões [PDF] Crianças com necessidades educativas especiais, política educacional ea formação de professores: generalistas ou especialistas [PDF] de abpee.netJGS Bueno - Revista Brasileira de Educação Especial, 1999 abpee.net ... Educação Especial, Educação Inclusiva e Políticas Educacionais A perspectiva apontada pela Declaração de Salamanca de indicar enfatica- mente a escola inclusiva - mas, ao mesmo tempo, reconhecer que esta só se efetivará com o aprimoramento, de fato, dos sistemas de ... Citado por 84 - Artigos relacionados - Todas as 6 versões [CITAÇÃO] Educação inclusiva: com os pingos nos" is" RE Carvalho - 2005 - Editora Mediação Citado por 119 - Artigos relacionados Uma análise das condições para a implementação de políticas de educação inclusiva no Brasil e na Inglaterra Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 331 [HTML] de scielo.brA LAPLANE - Educ. Soc - SciELO Brasil ... No início de 2004, a Secretaria de Educação Especial do Ministério de Educação lançou a série Educação Inclusiva, um conjunto de documentos destinados a promover a implementação da política de inclusão escolar. A ... Citado por 20 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 2 versões [HTML] A educação inclusiva: incompletudes escolares e perspectivas de ação [HTML] de ufsm.brHO Beyer - Cadernos de Educação Especial, 2003 coralx.ufsm.br O artigo refere à proposta de educação inclusiva, sob a perspectiva do paradigma histórico e também sob o prisma das mudanças que ocorreram nas políticas educacionais brasileiras, notadamente através da priorização da educação inclusiva com a LDB 9394 de 1996. Elege alguns ... Citado por 15 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 4 versões [HTML] O papel da universidade frente às políticas públicas para educação inclusiva [HTML] de saci.org.brR Glat… - Revista Benjamin Constant, 2004 - saci.org.br ... Vale ressaltar que, em nossa opinião, vem sendo criada uma falsa dicotomia entre educação inclusiva e Educação Especial, como se o advento de uma representasse a descontinuidade da outra. Na realidade, ocorre justamente o contrário. ... Citado por 15 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 2 versões [LIVRO] Professores reflexivos em uma escola reflexiva I Alarcão - 2005 - xa.yimg.com ... Page 11. 2 – Fundamentos para uma educação inclusiva • Lógica de exclusão; • Lógica da inclusão; • A relação e suas implicações; • Interdependência; • Codependência; • Autonomia e educação inclusiva; Page 12. 3 – Desafios à prática docente reflexiva ... Citado por 448 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 2 versões [CITAÇÃO] Educação inclusiva e municipalização: a experiência em educação especial de Paraguaçu Paulista AAS Oliveira… - Revista Brasileira de Educação Especial, 2002 Citado por 9 - Artigos relacionados [CITAÇÃO] Psicanálise e educação: novos operadores de leitura LM Mrech - 1999 - Cengage Learning Editores Citado por 98 - Artigos relacionados [PDF] A educação inclusiva: um meio de construir escolas para todos no século XXI [PDF] de rs.gov.brPA Sánchez - SUMÁRIOOUTUBRO2005 - rsacessivel.rs.gov.br ... es 07 A EDUCAÇÃO INCLUSIVA: um meio de construir escolas para todos no século XXI INCLUSÃO-Revista da Educação Especial-Out/2005 7 1 Resumo Este artigo analisa o conceito de diversidade no campo da educação inclusiva. ... Citado por 17 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 20 versões Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 332 [CITAÇÃO] Educação especial: em direção à educação inclusiva CD Stobäus… - 2003 - Edipucrs Citado por 10 - Artigos relacionados [HTML] Interação entre professora e alunos em salas de aula com proposta pedagógica de educação inclusiva [HTML] de scielo.brSC da Silva… - Rev. bras. educ. espec. vol, 2005 - SciELO Brasil ... A Educação Especial vem contribuir nesse processo, como uma modalidade de ensino que serve a todas as demais modalidades e níveis ... Pensar na Educação Inclusiva como uma possibilidade de construção de uma sala de aula melhor, na qual alunos e professores sintam ... Citado por 20 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 3 versões [CITAÇÃO] Educação inclusiva ou educação apropriada LM Correia - … . Valores e práticas para uma educação inclusiva. …, 2001 Citado por 30 - Artigos relacionados [LIVRO] Inclusão e educação: doze olhares sobre a educação inclusiva D Rodrigues - 2006 - books.google.com ... 35 Fátima Denari Inclusão social ea "escola reclamada" 65 António M. Magalhães e Stephen R. Stoer Educação especial, inclusão e ... crianças 141 Manuel Jacinto Sarmento, Natália Fernandes e Catarina Tomás A formação de professores na educação inclusiva: construindo a ... Citado por 21 - Artigos relacionados [CITAÇÃO] Capacitação de professores: primeiro passo para uma educação inclusiva R GLAT, E Magalhães, R CARNEIRO… - … em educação especial, 1998 Citado por 18 - Artigos relacionados [CITAÇÃO] Educação inclusiva: realidade ou utopia LM MRECH - … sobre Deficiência-Seminário Educação Inclusiva: … Citado por 26 - Artigos relacionados [HTML] Portadores de deficiência: a questão da inclusão social [HTML] de scielo.brMRC Maciel - São Paulo em perspectiva, 2000 - SciELO Brasil ... a reforçar sua colaboração com as entidades oficiais nacionais e intensificar o envolvimento crescente delas no planejamento, implementação e avaliação de provisão em educação especial que seja inclusiva; - Unesco, enquanto a agência educacional das Nações Unidas; ... Citado por 31 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 10 versões [RTF] Representação social e educação especial: a representação dos professores de alunos com necessidades educativas especiais incluídos na classe comum … [RTF] de fadepe.com.brSN Freitas… - Retirado em, 2004 - fadepe.com.br ... É este artigo que define educação especial em termos da lei e regulamenta a prática da educação inclusiva. Assim, os anos 90 são marcados, com o advento da Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 333 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] educação inclusiva, pelo respeito às características do indivíduo frente ao processo pedagógico. ... Citado por 10 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 4 versões [CITAÇÃO] Educação especial, inclusão e política educacional: notas brasileiras JR FERREIRA - … e educação: doze olhares sobre a educação inclusiva. …, 2006 Citado por 17 - Artigos relacionados [HTML] Avaliação assistida e comunicação alternativa: procedimentos para a educação inclusiva [HTML] de scielo.brKMP de Paula… - Rev. bras. educ. espec. vol, 2007 - SciELO Brasil ... Estas informações relatadas pela mãe e educadoras coincidiram com o ingresso da criança em instituição especial de reabilitação que, via de regra, insere a criança ... A motivação é uma questão sobremodo relevante e uma das mais desafiadoras para a educação inclusiva. ... Citado por 14 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 4 versões O professor itinerante como suporte para a educação inclusiva em escolas da rede municipal de educação do Rio de Janeiro MD Pletsch, MP dos Santos, CLG de Mattos… - 2005 - lakh.unm.edu ... Keywords: Educação itinerante Educação inclusiva Formação de professores Itinerant teaching Inclusive education Teacher learning process EDUCACAO ESPECIAL. Issue Date: 21-Aug-2005. Publisher: Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ. ... Citado por 6 - Artigos relacionados - Em cache [CITAÇÃO] Educação inclusiva: as boas notícias e as más notícias D Rodrigues - 2003 - baes.sdum.uminho.pt ... Título: Educação inclusiva : as boas notícias e as más notícias. Autor : Rodrigues, David. Data: 2003. URI: http://hdl.handle.net/1822.1/10. ... 6 - Educação Inclusiva. As boas e as más notícias de David Rod.pdf, 62Kb, Adobe PDF, Ver/Abrir, 6 - Educação Inclusiva. ... Citado por 19 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 2 versões [PDF] Os Desafios da educação especial, o Plano Nacional de Educação ea universidade brasileira [PDF] de abpee.netLM Mrech - Revista Brasileira de Educação Especial, 1999 abpee.net ... Educação. Assim, à luz dos novos rumos da Educação Especial/Educação Inclusiva, analisaremos agora os aspectos que mais chamam a atenção no Plano Na- cional de Educação, capítulo de Educação Especial. Primeiramente ... Citado por 11 - Artigos relacionados - Todas as 2 versões [CITAÇÃO] A educação inclusiva e as novas exigências para a formação de professores: algumas considerações JGS BUENO - Formação do educador e avaliação educacional: …, 1999 Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 334 [CITAÇÃO] Educação Especial: em direção à escola inclusiva CD STOBÄUS… - Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003 [PDF] Educação para todos: torná-la uma realidade [PDF] de ua.ptM Ainscow - Caminhos para as escolas inclusivas, 1997 redeinclusao.web.ua.pt ... do seminário dão ênfase a três factores-chave que parecem ter grande influência na criação de salas de aula mais inclusivas. A primeira relaciona-se com a importância da planificação para a classe, como um todo. A este respeito, na educação especial, cometemos um erro ... [LIVRO] Políticas e práticas de educação inclusiva MCR de Góes - 2004 - books.google.com ... (Coleção educação contemporânea) Vários autores. Bibliografia. ISBN 978-857496-109- 5 1. Educação e Estado 2. Educação especial 3. Educação inclusiva 4. Grupos sociais I. Góes, Maria Cecília Rafael de. II. Laplane, Adriana Lia Friszman. ... [CITAÇÃO] Tendências futuras da educação inclusiva V FONSECA - Educação [PDF] Compreender, agir, mudar, incluir. Da investigação-acção à educação inclusiva [PDF] de mctes.ptI Sanches, WF Dearborn… - … Lusófona de Educação, 2005 scielo.oces.mctes.pt ... 13 Ver trabalhos realizados na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, no âmbito da Pós-Gra- duação e Formação Especializada em Educação Especial. 14 Na educação inclusiva preconiza-se que a construção das respostas seja feita “caso a caso”, pela ... Citado por 7 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 8 versões A fonoaudiologia na relação entre escolas regulares de ensino fundamental e escolas de educação especial no processo de inclusão [HTML] de scielo.brAS Ramos… - Rev. bras. educ. espec - SciELO Brasil ... [ Links ]. SILVA, SC, ARANHA, MSF Interação entre professora e alunos em salas de aula com proposta pedagógica de educação inclusiva. Revista Brasileira de Educação Especial, Piracicaba, v.11, n. 3, p. 373-394, 2005. [ Links ]. VALENTE, P. et al. ... [HTML] Inclusão e prática docente no ensino superior [HTML] de ufsm.brDM Castanho… - Revista Educação Especial, 2006 coralx.ufsm.br ... São Paulo: Paz e Terra, 1996. FREITAS, SN (Org). Educação inclusiva e Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 335 necessidades educacionais especiais. Santa Maria. Ed. UFSM, 2005. MARTINS, V. Educação Especial como direito. Universidade Estadual de Sobral, Fortaleza: 2004. ... http://www.dji.com.br/decretos/2011-007611/2011-007611.htm Decreto nº 7.611, de 17 de novembro de 2011 Dispõe sobre a educação especial, o ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO e dá outras providências. A Presidenta da República, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, alínea “a”, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 208, inciso III, da Constituição, arts. 58 a 60 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, art. 9º, § 2º, da Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007, art. 24 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, aprovados por meio do Decreto Legislativo nº 186, de 9 de julho de 2008, com status de emenda constitucional, e promulgados pelo Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009, Decreta: obs.dji.grau.1: Art. 9º, § 2º, L-011.494-2007 - Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB - Alteração; Art. 58 a Art. 60, Educação Especial - Níveis e Modalidades de Educação e Ensino - Diretrizes e Bases da Educação Nacional - L009.394-1996; Art. 208, III, Educação - Cultura e Desporto - Ordem Social Constituição Federal - CF - 1988; D-006.949-2009 - Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo - Nova York Art. 1º O dever do Estado com a educação das pessoas público-alvo da educação especial será efetivado de acordo com as seguintes diretrizes: I - garantia de um sistema educacional inclusivo em todos os níveis, sem discriminação e com base na igualdade de oportunidades; II - aprendizado ao longo de toda a vida; III - não exclusão do sistema educacional geral sob alegação de deficiência; IV - garantia de ensino fundamental gratuito e compulsório, asseguradas adaptações razoáveis de acordo com as necessidades individuais; V - oferta de apoio necessário, no âmbito do sistema educacional geral, com vistas a facilitar sua efetiva educação; VI - adoção de medidas de apoio individualizadas e efetivas, em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social, de acordo com a meta de inclusão plena; VII - oferta de educação especial preferencialmente na rede regular de ensino; e VIII - apoio técnico e financeiro pelo Poder Público às instituições privadas sem fins lucrativos, especializadas e com atuação exclusiva em educação especial. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 336 § 1º Para fins deste Decreto, considera-se público-alvo da educação especial as pessoas com deficiência, com transtornos globais do desenvolvimento e com altas habilidades ou superdotação. § 2º No caso dos estudantes surdos e com deficiência auditiva serão observadas as diretrizes e princípios dispostos no Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. obs.dji.grau.1: D-005.626-2005 - Língua Brasileira de Sinais - Libras - Regulamento Art. 2º A educação especial deve garantir os serviços de apoio especializado voltado a eliminar as barreiras que possam obstruir o processo de escolarização de estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. § 1º Para fins deste Decreto, os serviços de que trata o caput serão denominados atendimento educacional especializado, compreendido como o conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos organizados institucional e continuamente, prestado das seguintes formas: I - complementar à formação dos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento, como apoio permanente e limitado no tempo e na frequência dos estudantes às salas de recursos multifuncionais; ou II - suplementar à formação de estudantes com altas habilidades ou superdotação. § 2º O atendimento educacional especializado deve integrar a proposta pedagógica da escola, envolver a participação da família para garantir pleno acesso e participação dos estudantes, atender às necessidades específicas das pessoas público-alvo da educação especial, e ser realizado em articulação com as demais políticas públicas. Art. 3º São objetivos do atendimento educacional especializado: I - prover condições de acesso, participação e aprendizagem no ensino regular e garantir serviços de apoio especializados de acordo com as necessidades individuais dos estudantes; II - garantir a transversalidade das ações da educação especial no ensino regular; III - fomentar o desenvolvimento de recursos didáticos e pedagógicos que eliminem as barreiras no processo de ensino e aprendizagem; e IV - assegurar condições para a continuidade de estudos nos demais níveis, etapas e modalidades de ensino. Art. 4º O Poder Público estimulará o acesso ao atendimento educacional especializado de forma complementar ou suplementar ao ensino regular, assegurando a dupla matrícula nos termos do art. 9º-A do Decreto nº 6.253, de 13 de novembro de 2007. obs.dji.grau.1: Art. 9º-A, D-006.253-2007 - Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB Art. 5º A União prestará apoio técnico e financeiro aos sistemas públicos de ensino dos Estados, Municípios e Distrito Federal, e a instituições comunitárias, Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 337 confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, com a finalidade de ampliar a oferta do atendimento educacional especializado aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, matriculados na rede pública de ensino regular. § 1º As instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos de que trata o caput devem ter atuação na educação especial e serem conveniadas com o Poder Executivo do ente federativo competente. § 2º O apoio técnico e financeiro de que trata o caput contemplará as seguintes ações: I - aprimoramento do atendimento educacional especializado já ofertado; II - implantação de salas de recursos multifuncionais; III - formação continuada de professores, inclusive para o desenvolvimento da educação bilíngue para estudantes surdos ou com deficiência auditiva e do ensino do Braile para estudantes cegos ou com baixa visão; IV - formação de gestores, educadores e demais profissionais da escola para a educação na perspectiva da educação inclusiva, particularmente na aprendizagem, na participação e na criação de vínculos interpessoais; V - adequação arquitetônica de prédios escolares para acessibilidade; VI - elaboração, produção e distribuição de recursos educacionais para a acessibilidade; e VII - estruturação de núcleos de acessibilidade nas instituições federais de educação superior. § 3º As salas de recursos multifuncionais são ambientes dotados de equipamentos, mobiliários e materiais didáticos e pedagógicos para a oferta do atendimento educacional especializado. § 4º A produção e a distribuição de recursos educacionais para a acessibilidade e aprendizagem incluem materiais didáticos e paradidáticos em Braille, áudio e Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS, laptops com sintetizador de voz, softwares para comunicação alternativa e outras ajudas técnicas que possibilitam o acesso ao currículo. § 5º Os núcleos de acessibilidade nas instituições federais de educação superior visam eliminar barreiras físicas, de comunicação e de informação que restringem a participação e o desenvolvimento acadêmico e social de estudantes com deficiência. Art. 6º O Ministério da Educação disciplinará os requisitos, as condições de participação e os procedimentos para apresentação de demandas para apoio técnico e financeiro direcionado ao atendimento educacional especializado. Art. 7º O Ministério da Educação realizará o acompanhamento e o monitoramento do acesso à escola por parte dos beneficiários do benefício de prestação continuada, em colaboração com o Ministério da Saúde, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Art. 8º O Decreto no 6.253, de 2007, passa a vigorar com as seguintes alterações: Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 338 “Art. 9º-A. Para efeito da distribuição dos recursos do FUNDEB, será admitida a dupla matrícula dos estudantes da educação regular da rede pública que recebem atendimento educacional especializado. § 1º A dupla matrícula implica o cômputo do estudante tanto na educação regular da rede pública, quanto no atendimento educacional especializado. § 2º O atendimento educacional especializado aos estudantes da rede pública de ensino regular poderá ser oferecido pelos sistemas públicos de ensino ou por instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, com atuação exclusiva na educação especial, conveniadas com o Poder Executivo competente, sem prejuízo do disposto no art. 14.” (NR) “Art. 14. Admitir-se-á, para efeito da distribuição dos recursos do FUNDEB, o cômputo das matrículas efetivadas na educação especial oferecida por instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, com atuação exclusiva na educação especial, conveniadas com o Poder Executivo competente. § 1º Serão consideradas, para a educação especial, as matrículas na rede regular de ensino, em classes comuns ou em classes especiais de escolas regulares, e em escolas especiais ou especializadas. § 2º O credenciamento perante o órgão competente do sistema de ensino, na forma do art. 10, inciso IV e parágrafo único, e art. 11, inciso IV, da Lei nº 9.394, de 1996, depende de aprovação de projeto pedagógico.” (NR) Art. 9º As despesas decorrentes da execução das disposições constantes deste Decreto correrão por conta das dotações próprias consignadas ao Ministério da Educação. Art. 10. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Art. 11. Fica revogado o Decreto nº 6.571, de 17 de setembro de 2008. obs.dji.grau.1: D-006.571-2008 - Atendimento Educacional Especializado Brasília, 17 de novembro de 2011; 190º da Independência e 123º da República. DILMA ROUSSEFF Fernando Haddad DOU de 18.11.201 Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 339 ORIENTAÇÕES PARA BUSCA DE ARTIGOS CIENTÍFICOS NO SCIELO Após a escolha do tema do TCC, pertinente ao seu curso de Pós-graduação, você deverá fazer a busca por artigos científicos da área, em sites especializados, para a redação do seu próprio artigo científico. O suporte bibliográfico se faz necessário porque toda informação fornecida no seu artigo deverá ser retirada de outras obras já publicadas anteriormente. Para isso, deve-se observar os tipos de citações (indiretas e diretas) descritas nesta apostila e a maneira como elas devem ser indicadas no seu texto. Lembre-se que os artigos que devem ser consultados são artigos científicos, publicados em revistas científicas. Sendo assim, as consultas em revistas de ampla circulação (compradas em bancas) não são permitidas, mesmo se ela estiver relatando resultados de estudos publicados como artigos científicos sobre aquele assunto. Revistas como: Veja, Isto é, Época, etc., são meios de comunicação jornalísticos e não científicos. Os artigos científicos são publicados em revistas que circulam apenas no meio acadêmico (Instituições de Ensino Superior). Essas revistas são denominadas periódicos. Cada periódico têm sua circulação própria, isto é, alguns são publicados impressos mensalmente, outros trimestralmente e assim por diante. Alguns periódicos também podem ser encontrados facilmente na internet e os artigos neles contidos estão disponíveis para consulta e/ou download. Os principais sites de buscas por artigos são, entre outros: SciELO: www.scielo.org Periódicos Capes: www.periodicos.capes.gov.br Bireme: www.bireme.br PubMed: www.pubmed.com.br A seguir, temos um exemplo de busca por artigos no site do SciELO. Lembrando que em todos os sites, embora eles sejam diferentes, o método de busca não difere muito. Deve-se ter em mente o assunto e as palavras-chave que o levarão à procura pelos artigos. Bons estudos! Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 340 Siga os passos indicados: Para iniciar sua pesquisa, digite o site do SciELO no campo endereço da internet e, depois de aberta a página, observe os principais pontos de pesquisa: por artigos; por periódicos e periódicos por assunto (marcações em círculo). Ao optar pela pesquisa por artigos, no campo método (indicado abaixo), escolha se a busca será feita por palavra-chave, por palavras próximas à forma que você escreveu, pelo site Google Acadêmico ou por relevância das palavras. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 341 Em seguida, deve-se escolher onde será feita a procura e quais as palavraschave deverão ser procuradas, de acordo com assunto do seu TCC (não utilizar “e”, “ou”, “de”, “a”, pois ele procurará por estas palavras também). Clicar em pesquisar. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 342 Lembre-se de que as palavras-chave dirigirão a pesquisa, portanto, escolhaas com atenção. Várias podem ser testadas. Quanto mais próximas ao tema escolhido, mais refinada será sua busca. Por exemplo, se o tema escolhido for relacionado à degradação ambiental na cidade de Ipatinga, as palavras-chave Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 343 poderiam ser: degradação; ambiental; Ipatinga. Ou algo mais detalhado. Se nada aparecer, tente outras palavras. Isso feito, uma nova página aparecerá, com os resultados da pesquisa para aquelas palavras que você forneceu. Observe o número de referências às palavras fornecidas e o número de páginas em que elas se encontram (indicado abaixo). A seguir, estará a lista com os títulos dos artigos encontrados, onde constam: nome dos autores (Sobrenome, nome), título, nome do periódico, ano de publicação, volume, número, páginas e número de indexação. Logo abaixo, têm-se as opções de visualização do resumo do artigo em português/inglês e do artigo na íntegra, em português. Avalie os títulos e leia o resumo primeiro, para ver se vale à pena ler todo o artigo. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 344 Ao abrir o resumo, tem-se o nome dos autores bem evidente, no início da página (indicado abaixo). No final, tem-se, ainda, a opção de obter o arquivo do artigo em PDF, que é um tipo de arquivo compactado e, por isso, mais leve, Caso queria, você pode fazer download e salvá-lo em seu computador. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 345 Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 346 Busca por periódicos Caso você já possua a referência de um artigo e quer achá-lo em um periódico, deve-se procurar na lista de periódicos, digitando-se o nome ou procurando na lista, por ordem alfabética ou assunto. Em seguida, é só procurar pelo autor, ano de publicação, volume e/ou número. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 347 É preciso ressaltar que você deve apenas consultar as bases de dados e os artigos, sendo proibida a cópia de trechos, sem a devida indicação do nome do autor do texto original (ver na apostila tipos de citação) e/ou o texto na íntegra. Tais atitudes podem ser facilmente verificadas por nossos professores, que farão a correção do artigo. Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: [email protected] 348