Editores:
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ViÇOSA
DEPARTAMENTO DE ZOOTECNIA
Odilon Gomes Pereira
José Antônio Obeid
Domicio do Nascimento Júnior
Dilermando Miranda da Fonseca
UNIVERSIDADE
FEDERAL DE ViÇOSA
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Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnol6glco
CAPES
FAPEMIG
FUNDAÇÃO DE AMPARO À PESQUISA DO
ESTADO DE MINAS GERAIS
v-~
FERTILIZANTES
_*Dow AgroSciences
HERINGER
HBf11S'
mlUfflNO.
ISBN 857269281-9
J Illlllllllm~~
III
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Departamento de Zootecnia
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Domicio do Nascimento Júnior
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Capa, Impressão e Acabamento:
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Ficha catalográfica
S612a
2006
preparada pela Seção de Catalogação
Biblioteca Central da UFV
e Classificação
da
Simpósio sobre manejo estratégico da pastagem ( 3 :
2006 : Viçosa, MG )
Anais do III Simpósio sobre manejo estratégico da
pastagem / Odilon Gomes Pereira ... [et al.], editores.
- Viçosa: UFV; DZO, 2006.
430p. : il.; 22cm
Acima do título: III SIMFOR.
Inclui bibliografia.
1. Pastagens - Manejo - Congressos. r. Pereira, Odilon
Gomes. II. Obeid, José Antonio. III. Nascimento Júnior,
Domicio do. IV. Universidade Federal de Viçosa.
Departamento de Zootecnia. V. Título: III Simpósio sobre
manejo estratégico da pastagem.
CDD 22.ed. 633.206
o conteúdo
11
dos artigos contidos nesta publicação são de inteira responsabilidade
dos respectivos autores
BASES ECOFISIOlOGICAS PARA O MANEJO
DE GRAMíNEAS DO GÊNERO Cynodon
1
Carlos Guilherme
Silveira Pedreira;
2
Felipe Tonato
/ Professor Associado. Depto. de Zootecnia, ESALQ-USP. Piracicaba. SP. cgspedretiiesatq.usp.br
1 Zootecnista. M'S; Doutorando em Ciência Animal e Pastagens. Depto. de Zootecnia, ESALQ-USP.
Piracicaba. SP .. [email protected]
INTRODUÇÃO
o gênero Cynodon pode ser considerado um gênero pequeno
comparado a outros gêneros de plantas forrageiras comumente usadas
nas regiões tropicais, principalmente se forem consideradas apenas as
e~pécies efetivamente usadas para a produção animal. Considerando, ,se
.., .. as três principais espécies empregadas como forrageiras dentro do
. genero, Cynodon dactylon (L.) Pers (a grama-bermuda),
Cynodon
n/~mfuensis Vanderyst e Cynodon plectostachyus (K. Schum.) Pilg. (as
f()rmas não-rizomatosas
conhecidas
coletivamente
como gramase;5!rela) e seus híbridos, existem provavelmente algo entre sete e dez
di erentes cultivares de maior emprego hoje como material forrageiro no
.(3rãsil,podendo ser considerados os principais a Estrela roxa, Florico e
Florona
dentro do grupo das gramas estrela, a Florakirk, a Tifton 68 e a
,'V.
Tifton 78 no grupo das bermudas, e Coastcross-1 e Tifton 85 na
categoria dos híbridos interespecíficos, com destaque para os dois
últimos, atualmente as gramíneas do gênero mais implantadas no
~r€lsil.
t'
Numa primeira
apreciação,
esse tamanho
relativamente
~gueno do gênero passa a impressão de ser uma vantagem quando
se~.pensano estabelecimento de bases ecológicas e fisiológicas para o
manejo desses materiais, já que um número restrito de cultivares em
un;,l pequeno rol de espécies sugerem a idéia de similaridade em relação
às repostas dessas plantas aos fatores de ambiente e de manejo a elas
.. 'imposto. Isso pode ser considerado parcialmente correto, já que, ao
contrário de outros gêneros, todos os cultivares
de Cynodon
a~[,esentam características semelhantes no que diz respeito ao hábito
crescimento, à localização dos meristemas em relação ao solo e à
/ to~ma de propagação (vegetativa no caso dos materiais híbridos, os
_ "fT!qis usados no Brasil). Por outro lado, os resultados de pesquisas
. ' recentes, têm dado subsídios à noção de que existem diferenças
•
<
'.
de
94
- III Simpósio Sobre Manejo Estratégico da Pastagem
significativas entre as espécies integrantes do gênero, e principalmente
entre seus híbridos no que diz respeito à adaptabilidade a diferentes
ambientes e estratégias de manejo empregadas.
O atual status do gênero Cynodon como uma das principais
opções de plantas forrageiras tropicais, é o resultado daquele que pode
ser considerado
um dos mais bem sucedidos
programas de
melhoramento
de plantas (Crowder e Cheda, 1982; citados por
Rodrigues et aI., 1998), no qual não apenas uma planta antes
considerada invasora foi transformada em uma planta de interesse
agronômico e de grande potencial produtivo, mas através da contínua
seleção de plantas superiores e sua hibridação, desenvolveram-se
diversos cultivares com características agronômicas bastante distintas é
específicas (Pedreira et aI., 1998). Esse processo resultou no aurnents
da variabilidade de respostas ao ambiente e ao manejo já existentes'
nas plantas, gerando uma gama de cultivares comerciais hoje utilizados~,
com grande amplitude de resposta às variáveis ambientais e às praticas
de manejo a eles impostas, já que as diferenças entre cultivares
refletem a história evolutiva da população, sejam estas adquiridas
naturalmente ou através de programas de melhoramento e seleção
(Cooper, 1983).
Capins do gênero Cynodon apresentam, em nossas condições;'
um elevado potencial de produção por animal e por área (Corsi é
Martha Jr., 1998) e grande flexibilidade de manejo (Nussio et aI., 1998);
possibilitando a conservação sob as mais diversas formas (Corsi fI
Martha Jr., 1998). De maneira geral, as gramíneas
Cynodon
proporcionam elevada produção de matéria seca (superando as 20 Mg.
MS/ha/ano) de bom valor nutritivo 11 a 13% de PB e 58 a 65% de
digestibilidade (Pedreira, 1996), e apresentam uma das distribuições
estacionais de crescimento mais uniformes (proporção relativa daprodução total no "inverno" e no "verão") quando comparada a outrasê
espécies de interesse econômico no sudeste do Brasil (Pedreira e'
Mattos, 1981). Nas condições brasileiras, os capins Cynodon têm sido'
empregados principalmente em explorações leiteiras e para a produção
de forragem conservada, e em menor escala em explorações de gado;"
de corte (Vilela e Alvim, 1998).
,~,
Apesar do estabelecimento
de bases para o manejo dos
Cynodons não ser tão simples (como inicialmente pode parecer, já que
a primeira vista a impressão que se tem é que as plantas são muito r:
semelhantes), em decorrência da quantidade e variabilidade de novos
lI! Simpósio Sobre Manejo Estratégico da Pastagem
:-~9-S--
ctIltivares comerciais ainda pouco conhecidos, hoje algumas das
spécies desse gênero, estão entre as gramíneas forrageiras tropicais
ais bem estudadas,
tendo o seu manejo relativamente
bem
determinado, fruto de um programa consistente e específico de
~valiação, visando estudos para o manejo correto e racional de alguns
Gultivares (Da Silva et aI., 1998).
RESPOSTAS DE PLANTAS FORRAGEIRAS
AO AMBIENTE
,
O crescimento das plantas é condicionado pela combinação de
as características genéticas com diversos fatores de ambiente, como
:edáficos (textura e fertilidade do solo), climáticos (temperatura,
,e,cipitação pluviométrica, luminosidade, fotoperíodo e qualidade da
e fatores relacionados manejo (intensidade e freqüência e época
desfolhação).
Apesar do manejo ser fundamental
para a
~rminação da produção final, os fatores ligados ao ambiente
.stJmem um papel-chave na determinação das respostas das plantas,
do os principais determinantes da produtividade primária (Nabinger,
97), e só é possível exercer o manejo da desfolhação se previamente
~··tirprodução (acúmulo), o que obviamente depende dos fatores de
i,'i
0
Para as gramíneas do gênero Cynodon existem na literatura
dive~sos trabalhos que suportam a idéia de que a influência dos fatores
arnbientais na produtividade das plantas é marcante, e caracterizando
. a~ qiferenças existentes entre os cultivares.
Burton et aI. (1988)
estudando a influência da temperatura, fotoperíodo e radiação solar na
r~dutividade de Coastal bermuda [Cynodon dacty/on (L.) Pers.] colhida
eJ:n intervalos de 24 dias durante um período de três anos, escreveram
gU,e{' os fatores que melhor se correlacionaram com a produtividade
ú~.1J1 o fotoperíodo (r
0,95) e a radiação solar (r
O, 93), o que
~!icaria as baixas produtividades obtidas no outono, quando esses
. es de crescimento são muito restritos. Trabalho conduzido pqr
lair et aI. (2003) reforça a tese de que o fotoperíodo seria talvez o
cipal fator determinando as variações estacionais na produção, pois
o aumento o comprimento do dia para 15 horas durante os meses
ias curtos, Tifton 85 (Cynodon spp.), Florakirk (Cynodon dacty/on L.
s.) e Florona (Cynodon n/emfuensis Vanderyst var. n/emfuensis)
,ram alterada a distribuição estacional da produção, mostrando-se
<..,,~~isprodutivos sob os dias mais longos. Os autores fizeram, no
=
=
96
- 111Simpósio Sobre Manejo Estratégico da Pastagem
entanto, uma ressalva no sentido de que Florakirk e Florona foram
menos
sensíveis
às
alterações
no
fotoperíodo,
atteranos
proporcionalmente
menos a sua produção com o incremento do
fotoperíodo, o que segundo os mesmos se deve possivelmente à'"
seleção dessa plantas em seu programa de melhoramento para melhor
distribuição da produção ao longo do ano, e isso por sua vez teria como.
consequência menor sensibilidade desse cultivar ao comprimento do
dia.
Contrastes na resposta de cultivares de Cynodon aos fatores
ambientais também foram evidenciadas no trabalho de Tonato et aI.
(2004), onde as produções de forragem de parcelas manejadas sob
cortes a cada 28 ou 42 dias por dois anos, foram usados para
determinar a temperatura
base inferior (Tbi, abaixo da qual o.
crescimento das plantas é nulo) de cinco cultivares de Cynodon, Tiftonr
85, Estrela (Cynodon n/emfuensis
Vanderyst
varo n/emfuensis),
Coastcross (Cynodon dacty/on L. Pres.), Florico e Florona (Cynodon
n/emfuensis Vanderyst var. n/emfuensis). Os valores de Tbi obtidos
variaram de 16,9 °C para Tifton 85, passando por 16,3 C para Estrela
até 15,3 DC para os três demais, em uma amplitude razoavelmente
grande para plantas pertencentes ao mesmo gênero. Essas diferenças
valores podem explicar em parte as diferenças em distribuição
estacional da produção dessas plantas, com as de maior Tbi tendo se
mostrado mais estacionais ao passo que as de menor Tbi distribuíram
melhor a sua produção, indicando mais uma vez os efeitos da seleção
imposta sobre os materiais selecionados ou cruzados (i.e., seja a.,
seleção natural ou advinda de programas de melhoramento), assim.
como discutido por Sinclair et aI. (2003). As diferenças entre os diversos i
cultivares do gênero às características do ambiente também foram ~
registradas por Chakroun, et aI. (1990) que avaliaram o desempenho
produtivo
24 genótipos
cultivados
simultaneamente
em cinco 1 .
localidades diferentes por um período de três anos.
Os autores!
reportaram que os coeficientes de regressão entre a produtividade dos"
cultivares e os fatores ambientais variaram de 0,61 a 1,38, mostrando .
claramente a diferença de resposta dos genótipos em relação aos locais :i.
e aos anos de avaliação.
Os resultados obtidos por Burton et aI. (1988), Sinclair et aI.'
(2003) e Tonato et aI. (2004) têm uma série de implicações práticas,
demonstrando que no período do ano em que fatores de crescimento
são escassos ("inverno" agrostológico), o acúmulo de forragem será
D
111Simpósio Sobre Manejo Estratégico da Pastagem -
97
menor, mesmo quando água não é fator limitante (irrigação) e nutrientes
são fornecidos via adubação. Isso por vezes, torna essas estratégias
antieconômicas. Fica também claro que a capacidade de suporte das
-,pastagens é inevitavelmente
diminuída nessas épocas, fazendo com
que ajustes de taxa de lotação, adequação de demanda alimentar a
oferta de alimentos e alteração nas práticas de manejo sejam feitos,
caso não se queira comprometer a perenidade da pastagem ou o
desempenho dos animais por ela suportados. As diferentes respostas
- aos fatores de meio devem ser consideradas para a alocação de um
determinado cultivar em um determinado ambiente, e com base na
interação entre cultivar e ambiente é que as diferentes estratégias de
manejo devem ser consideradas.
MANEJO DE PLANTAS FORRAGEIRAS
.
Manejar uma planta forrageira não significa apenas controlar a
sua desfolha, mas de forma genérica, manejar plantas forrageiras é de
'certo modo, interferir no ritmo de crescimento e desenvolvimento não
apenas das plantas, mas também dos animais quando esses estão
Inseridos no ambiente pastoril. Para Da Silva et aI. (1998) os principais
objetivos do manejo de áreas de pastagens são assegurar a
,Iongevidade e a produtividade das plantas forrageiras além de fornecer
alimento em quantidade e qualidade para suprir as exigências
hutricionais de ruminantes, o que evidencia que diversos outros
aspectos além da desfolhação em si estão envolvidos no processo.
Hodgson (1990) conceituou que o processo de produção animal
- a partir de pastagens é composto por três fases, o crescimento, a
utilização e a conversão. O crescimento expressa a capacidade da
planta em transformar os fatores do meio, como água, luz e nutrientes
em tecido vegetal, e aí o manejo teria início com a escolha do cultivar
que melhor se adaptaria às condições do ambiente em que se pretende
implantar a pastagem (em função de temperatura, regime hídrico e
_,c;}nndição
hídrica do solo), passaria pela correta preparação do ambiente
para a implantação da planta (correção da fertilidade do solo, drenagem
ou instalação de sistemas de irrigação), e só então chegaria no
'manejo da desfolhação propriamente dito, com a determinação da
.. 'freqüência e da intensidade com que essa seria realizada', e no manejo
-de reposição da fertilidade do solo. A utilização estaria ligada à
-.capacidade de colheita do material acumulado durante o crescimento,
e
98
- li! Simpósio Sobre Manejo Estratégico da Pastagem
seja por parte do homem (colheita mecânica), seja por parte do anim
(pastejo). Esta é, dentre as três, a fase do processo que apresenta,
maior eficiência (Hodgson, 1990), e está diretamente ligada ao manej
da desfolha (Da Silva e Corsi, 2003). A última etapa do processo é
conversão, que está em parte ligada ao manejo da desfolha, pois ess
determina o estrato do dossel que será colhido, e dessa forma
composição do material colhido no que diz respeito à participação d
folhas e colmos, o que afeta os níveis nutricionais do material ingerid
e que também está associado ao mérito genético e a fisiologia d
animal (Da Silva e Corsi, 2003).
Pelo exposto acima, apesar de diversos fatores comporem
manejo de plantas forrageiras, o manejo do processo de desfolhaçã
especificamente apresenta papel de destaque (Nabinger, 2002), poi
em última instancia a freqüência e a intensidade com que o material
colhido, determinam a composição e a estrutura residual do dossel,
dessa forma condicionam o novo crescimento (Lemaire e Agnusdei
2000). Os capins Cynodon de maneira geral apresentam porte baixo
crescimento rasteiro (estolonífero), com meristemas bastante próximo
do nível do solo, fatores que por si só já dão indicação de que tolera
desfolhação mais drástica (mais baixa e mais freqüente). Esses capin
são, por essa razão, considerados muito flexíveis (Da Silva, 1995),
podendo ser usadas para pastejo, corte mecânico (fenação, ensilagem
pré-secado) ou diferimento.
MANEJO DE PLANTAS DO GÊNERO Cynodon: CONHECIMENTO
CLÁSSICO
Os estudos avaliando o potencial produtivo e as respostas a,
manejo dos capins do gênero Cynodon tiveram nos Estados Unido
grande parte da massa crítica de informações, o que pode ser explicad
pelo interesse da indústria pecuária do sul daquele país nas grama
bermuda e pelo fato de que a maioria dos híbridos desenvolvidos e
programas de melhoramento genético o foram pelos pesquisadore
norte-americanos. Já nas décadas de 1950 e 1960, estudos enfocara
principalmente as respostas do cv. Coastal a manejo, pois do se
lançamento em 1943 pelo Dr. Glenn Burton até os anos 1970-1980
quando novos cultivares como Coastcross-1 e Tifton 68 (Cynodo
nlemfuensís Vanderyst var. nlemfuensís) foram lançados, esse era
único cultivar de emprego comercial (Taliaferro et aI., 2004).
lI! Simpósio Sobre Manejo Estratégico da Pastagem -
99
Em um dos primeiros estudos sobre Coastal bermuda avaliando
freqüência de corte combinada com doses de N durante dois anos de
avaliação, Prine e Burton (1956) mediram produções da ordem de 32
Mg/ha no primeiro ano para a maior dose de N (1008 kg/ha) quando as
chuvas não limitaram o crescimento, e de 16 Mg/ha no segundo ano
para a dose de 660 kg N/ha, quando as chuvas foram restritivas, mas
sempre mostrando que as maiores produções ocorriam nos intervalos
de 6 a 8 semanas entre cortes. Também trabalhando com cv. Coastal,
Burton et aI. (1963) avaliaram sete intervalos entre cortes (3, 4, 5, 6, 8,
12 e 24 semanas) por um período de três anos de duração e reportaram
produções máximas no intervalo entre cortes de 6 semanas. Além da
freqüência de colheita semelhante para a maximização da produção,
ambos os trabalhos, Prine e Burton (1956) e Burton et aI. (1963)
. relataram que com a ampliação do intervalo entre colheitas o percentual
de folhas na composição morfológica da forragem foi diminuindo de
;6.5% com 2 semanas, para 55% com 8 semanas, chegando a apenas
\36% com 24 semanas, o que foi acompanhado
por incremento na
altura das plantas e alongamento dos internódios.
,
Holt e Lancaster (1968) testaram três doses de N (O, 134 e 268
kg/ha) em Coastal, sob pastejo,' empregando diferentes alturas de
entrada (5, 10,20,25,35
e 40 cm) e de saída (5 e 13 cm) ao invés de
-freqüências de desfolhação baseadas em tempo cronológico.
Em 5
. anos de experimento as maiores produções ocorreram na combinação
entre a menor altura de resíduo (5cm) as maiores alturas de entrada
.(a5,..40 cm) e a maior dose de N (268 kg/ha). Os autores citaram ainda
que a densidade populacional de perfilhos aumentou, ao passo que a
massa de raízes diminuiu com as desfolhações mais freqüentes embora
nadadisso tenha, aparentemente, colocado em risco a perenidade dos
estendes. Os autores concluíram que a freqüência e a dose de N são
ais importantes do que a altura de desfolhação para a produtividade
'um estande Coastal bermuda.
A partir da década de 1960, com o lançamento de novos
ivares de gramas bermuda, grama estrela e seus híbridos, as
quisas passaram a enfocar essas novas plantas, frequentemente
ndo o cv. Coastal como base de comparação (Taliaferro et aI.,
4). Na grande maioria desses trabalhos avaliou-se o acúmulo de
agem, o teor de proteína bruta (PB) e a degradabilidade in vitro da
téria seca (DIVMS) dos diferentes cultivares quando submetidos a
ersos intervalos entre cortes. Com isso buscava-se determinar os
100 -!lI Simpósio Sobre Manejo Estratégico da Pastagem
intervalos nos quais a combinação entre níveis dessas variáveis,
proporcionava máxima produção de PB por área, e máximo acúmulo de
matéria seca digestível, usando esses intervalos (ou mesmo valores
pontuais
de frequência
e intensidade)
como
referência
para
recomendação do manejo de corte ou de pastejo. Assim, trabalhos de
manejo sob corte ou pastejo, como os de Mislevy e Everett (1981),
Mislevy et aI. (1982), Monson e Burton (1982), Holt e Conrad (1986),
Mislevy et aI. (1987), Mislevy et aI. (1989a, b), Brown e Mislevy (1989),
Hill et aI. (1993) Mandebvu et aI. (1999) e Pedreira et aI. (1999) levaram
os autores a concluir que para as gramas estrela e bermudas
estudadas, Florico, Florona, Florakirk, Tifton 68, Coastcross-1 e Tifton :;.
85, o período de descanso após a colheita está provavelmente em torno
de três a cinco semanas no "verão" (período de crescimento vegetativo
vigoroso) e deva ser aumentado em uma ou duas semanas no "inverno" -c
ou em "veranicos" (épocas em que o crescimento vegetativo é lento), .
possibilitando dessa forma boa persistência e altas produções de
forragem, com alto valor nutritivo (altos teores de proteína e boa
degradabilidade in vitro), conforme apresentado (Tabela 1). Nesses
trabalhos, os autores também concluíram que se o período de descanso
for diminuído, o valor nutritivo da forragem aumenta, mas a produção e
a persistência diminuem, ao passo que se o período de descanso for
aumentado,
a produção
e a persistência
aumentam,
mas a
digestibilidade e o teor de PB caem.
Em estudos complementares, Mislevy et aI. (1989c) trabalhando
com Florico e Florona sob pastejo submetidas a combinações de alturas
de entrada e de resíduo, concluíram que o manejo para as plantas em .
questão deveria ter como objetivo promover o corte ou pastejo quando a
planta estiver com uma altura aproximada de 15 a 45 cm acima do
resíduo, e deixar um resíduo de 15 a 25 cm no pastejo e de 10 a 15 em
no corte mecânico. Para Florakirk, Pedreira et aI. (1999) recomendaram
altura pós-pastejo de 10 a 15 cm.
1I1Simpósio Sobre Manejo Estratégico da Pastagem - 101
Tabela 1 -
Cultivar
Florico
Florona
Florakirk
Florico
", Florona
;'Florakirk
Produção de forragem, teor de proteína bruta (PB) e
digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) em forragem de
gramíneas do gênero Cynodon colhidas a diferentes intervalos
Intervalo entre
2
3
- - - - - - - - - - - - Produção
7,6
9,6
10,1
12,1
12,3
18
16
12
16
14
68
62
60
67
59
"
,Florico
, Florona
. Florakirk
cortes (semanas)
4
5
7
(Mg/ha/ano) - - - - - - - - - - - 10,8
14,8
20,4
11,4
14,8
19,9
16,8
16,8
17,0
PB (%)
13
12
8
8
12
11
10
DIVMS (%)
60
51
56
59
51
57
53
46
53
8
9
Usando enfoque similar aos trabalhos norte-americanos, isto é,
no contexto de uma possível recomendação de manejo com base na
~ombinação de produção de massa, teor de PB e DIVMS, Alvim et al.
"(1998, 1999, 2000) estudaram o efeito da dose de N e do intervalo entre
cortes com Coastcross, Tifton 85 e Tifton 68. Os autores indicaram que
Rara os três cultivares seriam recomendados intervalos entre cortes de
~uatro semanas no verão e seis semanas no inverno. Outros trabalhos
vl·
.
c~mo os de Palhano e Haddad (1992), Gornide (1996) e Castro (1999)
trQuxeram recomendações semelhantes, acrescentando que o intervalo
,e,ntrecortes de 28 a 35 dias (4-5 semanas) propiciam a máxima taxa de
. 'a.i:'úmulo de forragem, que segundo Gomide (1996) foi decorrente da
Weração entre a máxima taxa de crescimento relativo e do índice de
área foliar dos cinco cultivares de Cynodon estudados pelo autor (Tifton8$; Florakirk, Tifton-68, Florico e Florona).
,.
Cedefío et al. (2003) avaliando o efeito de cortes a cada 28, 42,
~6 e 70 dias em Coastcross, Tifton 68 e Tifton 85, indicaram que a
102 - lI! Simpósio Sobre Manejo Estratégico da Pastagem
melhor idade para o corte dessas plantas deveria ser entre 35 e 48 dias,
pois dentro desse intervalo combinam-se alta produção de massa com
bons teores de PB (próximo a 14%), FDN (80%) e DIVMS (62%).
Também estudando o efeito de diferentes intervalos entre cortes de
Coastcross e Tifton 85, Gonçalves et aI., (2001) propuseram que as
melhores relações entre produção de massa, teores de PB, FDN, FDA,
MS digestível in vitro, EM (energia metabolizável) e a relação entre
lâmina foliar e colmo seriam obtidos no intervalo de colheita de 21 no
"verão" a 42 dias no "inverno".
Vilela et aI. (2005) estudando a
morfogênese
e o acúmulo de forragem de capim Coastcross'
recomendaram
intervalo entre pastejos de 28 dias, visando a
maximização da participação das folhas no dossel, e por conseqüência'
maior valor nutritivo da forragem para a produção de leite.
Resumindo uma série de trabalhos brasileiros Vilela (2005)
indicou que para todas as espécies e cultivares do gênero Cynodon, o:,
intervalo de descanso não deve superar as seis semanas sob pena de:
grande queda na qualidade da forragem, e citou que a altura de resíduo
deve ser de 20 a 25 cm. No que diz respeito ao intervalo entre cortes
essa recomendação corrobora os valores citados em diversos trabalhos
como de Mislevy et aI. (1989), Palhano (1990), Mislevy e Brown (1991),'
Da Silva (1993), Gomide (1996) e Castro (1997), mas contrasta'
fortemente com os valores indicados por esses mesmos trabalhos nó
que diz respeito à altura de resíduo (intensidade de pastejo), que pode
ser tão pequena quanto 5 a 7 em.
Nota-se, portanto, que enquanto existe certo consenso nos
trabalhos em relação à recomendação do tempo de descanso dado à '
planta após sua colheita, o mesmo não ocorre em relação à
recomendação de altura de corte. Os trabalhos americanos em sua
maioria citam valores de 10 a 25 cm e os trabalhos brasileiros indicam
uma faixa mais estreita de 15 a 25 em, e trabalhos realizados em Porto ",
Rico, citados por Da Silva (1995) recomendam alturas de 5 a 7 em. ,
Essa aparente discrepância decorre provavelmente da "fragilidade" de
uma abordagem metodológica até certo ponto simplista, que considera
apenas o acúmulo de massa e algumas variáveis qualitativas na
determinação de valores de referência para manejo, mas no aspecto de
protocolo experimental falha em contemplar aspectos relacionados com
a morfologia, fisiologia e a ecologia da planta forrageira (Pedreira, 1995;
Da Silva et aI., 1998).
Il! Simpósio Sobre Manejo Estratégico da Pastagem - 103
ESTUDOS EM ECOFISIOLOGIA PARA SUBSDIAR NOVAS
PRÁTICAS DE MANEJO DE Cynodon spp
Em anos recentes, uma série de trabalhos adotando um novo
enfoque, não apenas baseado na combinação entre produção e
qualidade do material produzido, mas sim em princípios de ecofisiologia
foram conduzidos no Brasil na tentativa de otimizar o manejo de
pastagens do gênero Cynodon.
Esses trabalhos têm se baseado na
premissa de que é fundamental conhecer os constituintes individuais
das pastagens nos seus mais diversos aspectos, seu arranjo espacial
(estrutura), assim como a dinâmica das suas interações dentro da
comunidade de plantas, para, com base neles, fazer recomendações de
manejo (Da Silva et aI., 1998), já que o acúmulo de matéria seca é
apenas um dos processos dentro do sistema de produção em
x pastagens
(e ainda assim resultante de vários outros processos), e
pouco representa como guia de manejo para a otimização do uso da
, pastagem como recurso dentro do sistema, caso outros processos não
sejam identificados,
quantificados
e compreendidos
(Da Silva e
Pedreira, 1997).
Seguindo essa linha, em um experimento com duração de 12
meses, três cultivares de Cynodon (Coastcross, Florakirk e Tifton 85)
foram pastejados por ovinos em lotação continua, mantendo a altura do
· dossel em 5, 10, 15 e 20 cm acima do nível do solo, sendo essas
· alturas respectivamente correspondentes ás massas de 3000, 4000,
,5000 e 6000 kg de MS/ha. Dentro desse experimento, diversos
aspectos ligados às plantas e a inter-relação entre planta e animal
foram estudados, com avaliações sobre a composição morfológica
(Fagundes et aI., 1999a), IAF, IL, coeficiente de extinção e acúmulo de
forragem (Fagundes et aI., 1999b e Fagundes et aI., 2001), demografia
çfe perfilhos e perfilhamento (Carvalho et aI., 2000a, Carvalho et aI.,
2000b e Carvalho et aI., 2001a), dinâmica dos compostos de reserva
JCarvalho 2001b), dinâmica do acumulo de matéria seca e padrões
~stacionais de crescimento (Pinto, 2000; Pinto et aI., 2001 a; Pinto
2001 b), mecanismos de compensação entre tamanho e densidade de
d;-perfilhos(Sbrissia et aI., 1999) e por fim, o desempenho dos animais em
· pastejo (Carnevalli et aI., 2000, 2001a, 2001b).
rEssa série de trabalhos mostrou que, apesar do hábito de
.crescirnento prostrado, cerca de 60 a 75 % do crescimento das plantas
foi proveniente de elongação de colmos, e não de folhas, o que foi
104 - 1/1 Simpósio Sobre Manejo Estratégico da Pastagem
constatado com a evolução da constituição
longo do período experimental (Tabela 2).
morfológica das plantas ao
Tabela 2 - Distribuição percentual dos componentes morfológicos de
Julho a Dezembro de 1998 para três cultivares de Cynodon .
Tifton 85
Mês
Folha
Colmo
Florakirk
Morto
Folha
Colmo
Coastcross
Morto
- - - - - - - - - - - - - - - - - % da massa de forragem
Folha
Colmo
Morto
---------------_
Julho
24,2
34,1
41,7
16,9
34,6
42,0
17,4
40,0
46,0
Agosto
26,5
37,8
35,6
19,3
36,9
43,2
17,5
42,5
40,0'
Setembro
18,4
44,5
39,1
10,4
36,9
52,6
10,8
31,8
57,4'
Outubro
22,6
41,5
35,9
19,5
41,6
37,7
23,3
39,6
37,1
Novembro
15,3
46,7
38,0
13,9
45,0
40,3
17,9
49,0
33,1
Dezembro
12,5
47,5
40,0
12,1
42,2
44,6
17,1
41,2
41,7
Adaptado de Fagundes et al., 1999a.
o
número de folhas vivas por perfilho se manteve praticamente.'
inalterado, ao redor de 5 folhas, com a taxa de aparecimento de folhas ,.
diminuindo, conforme ficou evidenciado pelos valores de filocrono '
(Tabela 3) e o tempo de vida médio das folhas aumentando com o
incremento nas alturas de corte (Pinto et aI., 2001). O índice de área
foliar (IAF) variou entre cultivares, sendo consistentemente maior para
Tifton 85 do que para os demais, (Figura 1), o mesmo acontecendo com.
a interceptação
de luz (IL) (Figura 2), refletindo as diferenças·
morfológicas entre os cultivares (Fagundes et aI., 1999b).
.
Estudos da dinâmica do perfilhamento
revelaram que a
população de perfilhos em áreas de Cynodon sob pastejo passa por,
constante renovação, que é mais acentuada nas menores alturas de.:,
dossel, e mais lenta nas maiores alturas.
Esse processo opera de
forma concomitante com um mecanismo de compensação entre o
tamanho e a densidade populacional de perfilhos, onde nas menores
alturas o número de perfilhos por unidade de área é maior, porém com
indivíduos de menor tamanho, enquanto que conforme a altura aumenta
o tamanho dos perfilhos também aumenta, em detrimento da densidade
populacional, que diminui devido a competição intra-específica (Sbrissia
et aI., 2001).
lI! Simpósio Sobre Manejo Estratégico da Pastagem - 105
Tabela 3 - Valores de filocrono em dosséis mantidos a quatro alturas
constantes (steady-state)
por pastejo.
Média de três
cultivares (Tifton 85, Florakirk, e Coastcross)
Altura do dossel (cm)
5
10
15
20
- - - - - - - - - - - - dias I folha - - - - - - - - - - - 4,1
4,3
4,0
3,1
3,8
4,9
4,2
5,3
4,7
4,8
5,3
5,4
8,3
9,2
8,5
11,4
Época de
avaliação
Dez
Fev
Abr
Jul
Adaptado de Pinto et aI. (2001).
Cultivares:
• Tifton 85 li1Florakirk O Coastcross
!
2,5~--------------------------,
o
Julho
Agosto
Seterrbro
OJtubro
Noverrbro
Dezerrbro
Época de avaliação (rrês)
L_
Figura 1 - índice de área foliar em pastos de Cynodon spp. sob regime
de lotação contínua e em diferentes épocas de avaliação
(Fagundes et aI., 1999b).
106 - 111Simpósio Sobre Manejo Estratégico da Pastagem
-
Cultivares:
; 11ITifton 85
m Florakirk
O Coastcross ,
I
80
.,-----------'11I
~70
o
'-"
5560
o
.8 50
S
340
o
'f330
CI:l
~20
o
•...
210
E
o
Julho
Agosto
Seterroro
Outubro
Noverrbro
Dezerrbro
Época de avaliação (rrês)
_., .J
Figura 2 -
Interceptação luminosa em pastos de Cynodon spp. sob.
regime de lotação contínua e em diferentes épocas de
avaliação (Fagundes et aI., 1999b).
Tabela 4 - Densidade populacional e peso de perfilhos individuais de
pastos de Cynodon spp, mantidos a quatro alturas
constantes
(steady-state)
por pastejo. Média de três
cultivares (Tifton 85, Florakirk, e Coastcross)
Altura
Époea de avaliação
Dez
(em)
Fev
Abr
Jul
peso
densidade
peso
densidade
peso
densidade
perfiího/rn"
mg
perfüho/rn''
mg
perfilho/m/
mg
perfiiho/rrr'
mg
5
15127
17,4
16482
11,1
11155
17,4
14415
17,8
10
9904
41,2
11773
32,6
15528
22,6
11661
36,7
12001
41,5
17659
42,8
densidade
15
10145
51,1
9026
43,2
14483
28,4
20
6980
88,8
9996
63,0
12251
55,6
Adaptado de Sbrissia et aI., 2001.
peso
~"'
ll! Simpósio Sobre Manejo Estratégico da Pastagem - 107
Na pesquisa citada, mesmo as alturas de pastejo mais drásticas,
utilizadas em regime de lotação contínua com ajustes frequentes na
taxa de lotação para manutenção
da condição de equilíbrio,
. aparentemente não comprometeram a perenidade dos estandes, pois
>,além da evidência proveniente dos dados de dinâmica populacional de
~l;perfilhOs,os níveis de compostos de reserva (carboidratos totais não,estruturais e compostos nitrogenados) em momento nenhum indicaram
um esgotamento dos estoques energéticos para manutenção das
'plantas. Além disso, amostras de forragem obtidas por pastejo simulado
.' revelaram que os teores de proteína bruta e digestibilidade da matéria
orgânica foram pouco variáveis, ao redor de 17,5% e 76,3%
: respectivamente, em função de a variação da composição da dieta
.,.,"selecionada" ter sido pequena entre os tratamentos, mostrando que as
~diferenças em desempenho se deram mais em função das diferenças
quantitativas no consumo voluntário do que em diferenças no valor
'nutritivo do material consumido (Carnevalli et aI., 2000; 2001a; 2001b).
,Ã faixa de aparente flexibilidade
para acúmulo de forragem total
(equilíbrio entre crescimento e senescência) para os capins Cynodon
'estudados, ocorreu nas alturas de dossel entre 10 e 20 cm, com as
maiores produções de matéria seca ocorrendo entre os 15 e 20 cm,
,iit bem como os melhores desempenhos de produção por unidade de área
(kg PV/ha).
\
Conforme tem sido demonstrado por uma série de trabalhos
~'mais recentes, realizados com outras espécies forrageiras tropicais,
~como os capins dos gêneros Panícum (Uebele, 2002; Bueno, 2003;
Carnevalli, 2003 e Barbosa, 2004) e Brachíaría (Lupinacci, 2002;
Sarmento, 2003; Molan, 2004; Andrade, 2004), seguindo essa
àbordaqern ecofisiológica, existe uma semelhança muito grande no
adrão de resposta apresentado por essas plantas tropicais no que diz
respeito à estrutura do dossel(arranjo
espacial), tamanho do aparato
fotossíntétíco (IAF), interceptação luminosa e dinâmica do perfilhamento
com os relatados para as plantas temperadas (Da Silva, 2002). Isso
ermite inferir que os processos fundamentais
que, determinam
'respostas biológicas de espécies forrageiras tropicais não" devem diferir
daqueles que já há algum tempo são melhor conhecidos,bem aceitos, e
, largamente aplicados no manejo de gramíneas de clima temperado.
Com base nesse conceito de interceptação de luz, os dados
apresentados por Fagundes (1999b) (Figura 2), indicam que Tifton 85
atingiu os 95 % de interceptação em alturas de dossel ao redor de
'1;'
_1_O_8_-_J_ll_'J:_i_m~p_ÓS_iO
__ So-.b_r_e_M_a_n~~_'O_E_S_~_a_té~g_iC_O~d~~~p_a_st_a~ge_m
__ ,
, ',T
f •• ~
,',',,'
~~
,,'
s "
~-
"j
,l
a_I'
20 cm, ao passo que Florakirk e Coastcross em alturas na faixa de 25
30 em. Isso sugeré 'que devem existir diferenças nas exi.gêocias;de"
manejo para a otimização de processos biológicos nesses três capins, '
que, de outra maneira, parecem ser tão semelhantes.
Estudos com
outras espécies manejadas sob desfolha intermitente como Panicum e
Brachiaria
(não existemd'ados
específicos para CynoêJon em pastejo .
intermitente usando' este.aboidaqern
rnetodolóqica), sugerem que a
altura
recomendada, _'Pt?ra - o manejo
sob
lotação
contínua,
corresponderia, numa'bóa aproxirnaçâo, à condição média entre a
altura de entrada e a altura de resíduo para a planta. Se isso se aplicar
aos capins do qênerd, !Cynddoh, pode-se indicá'rqúe, para Tifton 85
seriam recomendados-arma-altura de entrada para pasteio ou corte de ,
25 cm, com umrébaixarnento para 1'5 cm de resídúo, e para Coastcross
e Florakirk uma-altura -de entrada de 30 a 35 cm, e um resíduo
semelhante ao do
Tifton-85.
..
Esse novo jenfçque vnetodotóqico ofereee hão apenas' uma
abordagem sob o -prisma de conceitos e princípios, mas principalmente
um novo rol informações para,o entendimento dos diversos aspectos
ligados à dinâmiçQ,éf~,,-Rroduçã'oe consumo de forragem ernpastaqens,
bem, como as respó$tas de animais em pastejo, -trazendo uma visão
integrada dos comp'ôrÍentes do sistema pastoril, solo -:::planta - animal,
e possibilitandovo- restabeleclrnento
de técnicas de rnanejo" mais
racionais, eficientes-e economicamente mais viáveis.
"
_
;
~".
.
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Odilon Gomes Pereira José Antônio Obeid Domicio do