PROJETOS DE INTERNACIONALIZAÇÃO DE EMPRESAS BRASILEIRAS: UM
ESTUDO DE CASO NO SETOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL PESADA
Autoria: Mauro Luiz Martens, Jennifer De Nadae,
Juliana Costa, Marly Monteiro de Carvalho
RESUMO
O objetivo deste artigo é analisar projetos de internacionalização de empresas brasileiras do
setor da construção civil pesada e verificar sua agregação de valor às teorias de
internacionalização de empresas de países emergentes. Para tanto aplicou-se a metodologia de
estudo de caso, utilizando dados secundários de uma amostra de empresas brasileiras do setor
da construção civil com certo nível de internacionalização. De acordo com a teoria
apresentada neste artigo, o processo de internacionalização poderia ser entendido por meio de
três vantagens específicas: produtos adequados a mercados emergentes, acesso privilegiado a
recursos e mercados e vantagem de adversidade. Nesse caso, portanto, a empresa teria
habilidade para adaptar tecnologia às necessidades locais bem como a infraestrutura e as
adversidades enfrentadas no país de origem seriam semelhantes às dos países emergentes em
que se instalaram em um primeiro momento. Além disso, o governo brasileiro ofereceu
incentivos financeiros e políticas que apoiaram essas empresas no processo de conquista de
novos mercados. As empresas analisadas iniciaram seus processos de internacionalização,
primeiramente, consolidando-se no mercado doméstico, para, a seguir, fazer aquisições
horizontais em mercados emergentes e após consolidar-se nesses países e, por fim, realizar
aquisições para atuar em países desenvolvidos.
Palavras-chave: Internacionalização; Construção civil pesada; Competitividade, gestão da
internacionalização
ABSTRACT
The aim of this paper is to analyze projects of internationalization of Brazilian heavy
construction companies and verify the theories of internationalization of firms from emerging
countries. For this purpose, we applied case study methodology, using secondary data from a
sample of Brazilian companies with some level of internationalization in this sector.
According to theory presented in this paper, three specific advantages helps to understand the
internationalization process: suitable products for emerging markets, privileged access to
resources and markets and benefit from adversity. In this case, the company has ability to
adapt technology to local needs, infrastructure and adversities faced by companies in the
country of origin that are similar to those of emerging countries in which they settled in the
first place. In addition, Brazilian government offered financial incentives and policies that
support these companies conquer new markets. The analyzed companies started their
internationalization processes by, consolidating, in the first place, at domestic market, then,
following horizontal acquisitions in emerging markets and further, with acquisitions to
operate in developed countries.
Keywords: Internationalization; Civil construction; Competitiveness; Internationalization
management.
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1. INTRODUÇÃO
O atual aponta novos desafios às organizações produtivas e de serviços, com o aumento da
complexidade dos desafios e problemas e da velocidade requerida para seu tratamento e
gerenciamento. Assim, torna-se importante, uma vez que cabe às organizações o
compromisso em atender às normas vigentes, apostar em processos e em recursos que sejam
cada vez mais eficientes e sustentáveis e, assim, poder dar respostas cada vez mais eficazes e
ágeis (Carvalho e Rabechini, Jr., 2011).
O processo de internacionalização das organizações é um dos indicadores do grau de
desenvolvimento de um país. Esse processo possibilita as empresas se tornarem mais
competitivas em nível internacional a fim de manterem os mercados internos e expandirem os
negócios no mercado mundial (Fleury e Fleury, 2011).
A literatura sobre o processo de internacionalização das empresas de países emergentes
encontra-se em fase de estruturação (Ramamurti, 2004) e há a necessidade de um melhor
entendimento desses mercados devido à sua importância, o que gera a necessidade de
desenvolvimento de modelos mais adequados a sua realidade. Assim, subsidiar a busca por
teorias mais apropriadas para a compreensão do processo de internacionalização de entrantes
tardios, o caso do Brasil, torna-se importante (Fleury e Fleury, 2007).
Um estudo sobre esse processo se torna relevante uma vez que as teorias dominantes,
originárias de países industrialmente desenvolvidos, apresentam aplicabilidade limitada para
sua replicação nos países em desenvolvimento, devido, principalmente, à omissão do
reconhecimento do contexto das atividades (Kuada e Sorensen, 2000; Ramamurti, 2009).
Nesse contexto, estudar projetos de internacionalização do setor de construção civil pode
contribuir para esse processo de estruturação de teorias acerca da internacionalização de
empresas de países emergentes, já que possuem papel importante na economia (Rodrigues, et
al., 2009). Considerando o macro setor da construção civil brasileiro, conhecido como
construbusiness - que compreende o setor de construção, o de materiais de construção e o de
serviços acoplados à construção - verifica-se que representa 15,5% do PIB (produto interno
bruto); emprega 15 milhões de pessoas, sendo 4 milhões de empregos diretos; tem expressivo
poder multiplicador sobre a demanda doméstica, com mínimo viés importador; e apresenta
superávit comercial de cerca de US$ 2,5 bilhões ao ano com a exportação de bens e serviços
(PCC/USP, 2003).
O processo de internacionalização das empresas possibilitou a criação, desenvolvimento e
gerenciamento de projetos com empresas que estão localizadas em regiões e países diferentes,
proporcionando cooperação, aproximação cultural e diminuição de conflitos. Os projetos
internacionais são muito atraentes para as organizações que buscam expandir seu portfólio de
negócios e rede de colaboração entre os parceiros internacionais. Isto tem proporcionado
novos ambientes de trabalho que diferem das estruturas tradicionais e convencionais (Steffey
e Anantatmula, 2011).
Devido à relevância do tema internacionalização de empresas originárias de países em
desenvolvimento e à importância econômica e social do setor de construção civil, esta
pesquisa tem por objetivo central analisar projetos de internacionalização de empresas
brasileiras do setor da construção civil pesada e verificar a possível contribuição às teorias de
internacionalização de empresas de países emergentes. Para tanto, será utilizada a
metodologia de estudo de caso com dados secundários de uma amostra de empresas
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brasileiras do setor da construção civil com certo nível de internacionalização. Portanto, este
estudo busca responder ao objetivo de pesquisa para então colaborar com a discussão acerca
do tema da internacionalização das empresas brasileiras e das teorias associadas.
Para isso, este trabalho está estruturado da seguinte forma: na primeira seção, é
apresentada uma revisão da literatura sobre projetos e teorias de internacionalização de
empresas. Na seção seguinte, apresenta-se a metodologia de pesquisa utilizada. Em seguida,
demonstra-se uma visão geral do setor da construção civil e a internacionalização do setor
brasileiro da construção civil pesada. Por fim, são tecidas as considerações finais e
referências.
2. PROJETOS E TEORIAS DE INTERNACIONALIZAÇÃO DE EMPRESAS DE
PAÍSES EMERGENTES
Para Mazzola (2008) a decisão de internacionalizar‐se obedece à lógica da empresa de
sobreviver, crescer e se perpetuar, ao ampliar sua penetração em outros mercados e ganhar
experiência global, seja gerencial, seja operacional, seja tecnológica.
A decisão de internacionalização se liga a fatores como, a evolução tecnológica, a
proximidade dos clientes, a superação de barreiras protecionistas, a exploração de vantagens
competitivas existentes no país de origem, a exploração de oportunidades específicas de um
negócio, o aumento do ciclo de vida de produtos, a antecipação das práticas da concorrência,
a aproximação das fontes de recursos financeiros, da mão de obra e das matérias primas mais
abundantes e baratas (Mazzola, 2008).
Nesse sentido surge o desenvolvimento dos projetos internacionais, que representam hoje,
diferencial competitivo para inúmeras organizações, que conseguiram com sucesso espalhar
pelo mundo, filiais e pontos de distribuição de seus produtos/serviços, dando à empresa um
caráter global (Silva, 2011).
O potencial de organizações para gerenciar projetos internacionais pode ser decisivo na
obtenção de vantagens competitivas no mercado globalizado. A função de desenvolvimento
de produtos, inovação e gerenciamento de projetos torna-se cada vez mais importante para
empresas multinacionais manterem-se no mercado (Silva, 2011).
Segundo Goldstein (2007) e Ramamurti e Singh (2009) citado por Fleury, Fleury e Reis
(2010), a crescente presença de empresas de países emergentes, especialmente dos chamados
“BRICs” (Brasil, Rússia, Índia e China), sobre o mundo, é uma característica marcante da
"terceira onda" da globalização. As duas primeiras ondas foram causadas pela expansão das
empresas norte-americanas e europeias (nos anos 50 e 60) e as empresas japonesas (nos anos
80).
No processo de internacionalização das empresas brasileiras, destaca-se o modelo de
gestão realizado, com base em uma combinação de competências organizacionais e de estilo
de gestão (Fleury, Fleury e Reis, 2010). Ainda segundo os autores, os segmentos que operam
em multinacionais brasileiras cobrem um amplo espectro de atividades, não só ligada à
exploração dos recursos naturais, sendo eles:
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• Exploração de recursos naturais, tais como Vale (mineração) e Petrobras (petróleo);
• Fornecedores de suprimentos básicos, como a Companhia Siderúrgica Nacional (aço),
Gerdau (ferro), a Votorantim (Metais) e Braskem (petroquímica);
• Complexos produtos de montadoras: Embraer (aviões) e Marcopolo (ônibus).
• Produção de bens de consumo básicos: InBev/AmBev (Bebidas), Friboi (alimentos),
Brasil Foods (alimentos) e Coteminas (têxtil);
• Fornecedores de componentes e equipamentos: Sabo (partes automativas) e Weg
(equipamentos elétricos);
• Fornecedores de materiais de construção: Tigre e Duratex;
• Tecnologia da Informação e Serviços: IC & T (inteligência negócio), Stefanini
(Tecnologia da Informação) e Bematech (Sistema de impressão);
• Serviços de engenharia (Odebrecht, Camargo Correa) e outros serviços (IBOPE, Fogo de
Chão, Spoleto) entre outros.
Assim como a maioria das multinacionais, conforme Fleury, Fleury e Reis (2010), as
empresas brasileiras se internacionalizaram lentamente e isto ocorreu, na maior parte, após
décadas de criação dessas organizações. Esse processo foi bastante esparso no início dos anos
80, intensificando-se no final da década seguinte, seguido por uma série de eventos que
mudaram seu contexto operacional.
Além disso, segundo os autores, as empresas brasileiras se internacionalizaram
autonomamente, tomando suas próprias decisões e estratégias; não havendo cooperação entre
as empresas industriais, ou entre elas e instituições financeiras (como na Espanha) e nem
tampouco apoio governamental (como no caso da China).
Mais recentemente, pode-se observar uma nova tendência na política externa desses países
que passam a ter a responsabilidade e as desvantagens competitivas para arrastar os
retardatários, fazer a expansão internacional e a melhorar o processo que ocorre
simultaneamente. Isto é resolvido por meio da redução da propagação para mercados menos
desenvolvidos e melhora o processo em mercados mais desenvolvidos (Guillen e GarcíaCanal, 2009).
Dentre as teorias de internacionalização existentes até o momento, não há, ainda, uma
teoria que explique a internacionalização de empresas prestadoras de serviços. Assim,
Ramamurti e Singh (2009) defendem que é importante investigar as multinacionais de
mercados emergentes, pois sua ascensão é uma tendência de longo prazo com importantes
consequências para a economia global, apesar de estes novos atores serem originários de um
grupo heterogêneo de países.
Uma fonte que evidencia a importância crescente das novas multinacionais na economia
global é apresentada no relatório do Boston Consulting Group (2009), que analisa os 100
"desafiantes globais", ou seja, as multinacionais de países emergentes com potencial para
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desafiar as multinacionais tradicionais de países desenvolvidos. Entre os desafiantes, há 36
empresas chinesas, 20 indianas, 14 brasileiras, 7 mexicanas e 6 russas.
Esses dados corroboram as projeções do relatório do banco de investimento Goldman
Sachs que coloca os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) entre as economias mais
importantes das próximas três décadas (Goldman Sachs, 2003).
Outra evidência da importância crescente da internacionalização produtiva das firmas de
países emergentes pode ser vista por meio dos fluxos de IDE (Investimento Direto no
Exterior). Em 2007, as economias emergentes foram responsáveis por 15% de todo o fluxo de
IDE do mundo, enquanto, no início da década de 70, elas eram responsáveis por apenas 0,4%
do total (UNCTAD, 2007). Ressalta-se que, em números absolutos, as economias
desenvolvidas têm aumentado seus investimentos ano a ano, o que mudou foi que tais
economias perderam participação em termos percentuais para as emergentes.
Diante disso e, para auxiliar a consecução do objetivo proposto, são abordadas,
resumidamente, as teorias de Guillén e García-Canal (2009) e Ramamurti e Singh (2009).
Segundo Guillén e García-Canal (2009) as multinacionais existem porque algumas condições
econômicas e vantagens de propriedade são aconselháveis e possibilitam a elas lucro na
produção de um bem ou serviço em um mercado exterior. Assim, afirmam ser importante
distinguir entre expansão vertical e expansão horizontal das empresas para compreender a
posição das organizações.
A expansão vertical ocorre quando as empresas localizam seus ativos ou colaboradores em
países estrangeiros com o propósito de ter uma produção segura de matérias primas,
componentes para comercializar bens ou serviços (Guillén; García-Canal, 2009), cuja
condição necessária é a presença de uma vantagem comparativa local no exterior, ou seja, no
país em que deseja se instalar. A vantagem normalmente tem a ver com preços ou fatores
produtivos como terra, trabalho e capital. Por exemplo, uma empresa de confecção pode
considerar a produção em um novo país, mais interessante, devido aos custos trabalhistas mais
baixos (Guillén e García-Canal, 2009). A expansão horizontal, por sua vez, ocorre quando as
empresas se instalam em novos países com o objetivo de vender nesses mercados, sem
abandonar a produção do bem ou serviço no país de origem.
Para Ramamurti e Singh (2009) existem outras vantagens específicas mais comuns das
multinacionais tradicionais, e podem ser divididas em tangíveis (tecnologia, marca forte,
capacidades gerenciais) e intangíveis (capacidade de criar, processar e aplicar conhecimento).
As multinacionais, mais do que explorar vantagens pré-existentes, se internacionalizam para
adquirir novas vantagens e capacidades. Sabe-se que as MNEs (Multinacionais) possuem
vantagens específicas que as permitem explorar as vantagens específicas no país de destino. O
Quadro 1 apresenta um resumo das principais vantagens específicas das MNEs segundo
Ramamurti (2009).
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Vantagens específicas das
MNEs
Características
Produtos adequados a mercados
Habilidade para adaptar tecnologia importada para
emergentes
desenvolver produtos que servem às necessidades dos
consumidores locais, como produtos mais baratos.
Produção e excelência operacional
Habilidade de otimizar processos produtivos com mais
trabalho e menos capital, usando recursos de forma eficiente.
Plantas com tecnologias mais modernas e maior economia de
escala.
Acesso privilegiado a recursos e
Apoio do governo local na forma de acesso preferencial a
mercados
mercados, regulamentações e acesso a capital, comodities.
Vantagem de adversidade
Habilidade de funcionar em condições difíceis
(infraestrutura, política, instituições)
Ativos intangíveis tradicionais
Possibilidade de algumas novas MNEs operarem na
fronteira tecnológica, serem first-movers em algumas
indústrias e possuírem marcas globalmente reconhecidas
(exploração do global gateway). Ex: Huawei, Petrobrás,
Embraer, Tata.
Quadro 1: Vantagens específicas das MNEs
Fonte: Spohr e Silveira (2010) apud Ramamurti (2009).
Além das vantagens específicas das MNEs, Ramamurti (2009) apresenta estratégias
genéricas que podem ser aplicadas às empresas em seus primeiros estágios de
internacionalização, cujas vantagens competitivas estão baseadas em capacidades e ativos
construídos em seus mercados de origem. Na medida em que elas se tornam mais
internacionais, suas vantagens competitivas passam a depender menos das raízes do seu país.
As cinco estratégias genéricas propostas e descritas a seguir são: integrador vertical de
recursos naturais, otimizador local, parceiro de baixo custo, consolidador global e first-mover
global (Spohr e Silveira, 2010). O Quadro 2 apresenta as cinco estratégias genéricas.
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Estratégia
Genérica
Integrador
vertical de
recursos naturais
Otimizador local
Características
É verticalmente integrada: realiza a extração, o
processamento, a distribuição e o marketing. Em geral
é um país rico em recursos naturais ou que possui um
grande mercado doméstico para tal.
Otimiza produtos e processos devido a condições
especiais do mercado. Incluem o design de produtos
que se adapte aos consumidores de baixa renda e ao
subdesenvolvimento da infra-estrutura dos países.
Parceiro de baixo
custo
Alavanca a vantagem de mão-de-obra barata para
servir às necessidades de empresas sediadas em países
ricos.
Consolidador
global
Consolida indústrias começando, normalmente,
pelo mercado doméstico, seguido de aquisições
horizontais em mercados emergentes e culminando em
aquisições em países desenvolvidos.
First-mover
global
Cria um negócio global em uma nova indústria ou
segmento. O status de first-mover pode derivar do
reconhecimento de uma oportunidade antes de outras
empresas, da implementação de um modelo de
negócios inovador numa indústria existente, ou ainda
de uma inovação tecnológica.
Exemplos
Gazprom,
Lukoil,
Anglogold,
Indian Oil
Tigre, Duratex,
HiSense,
Mahindra &
Mahindra, Tata
Motors
Weg,
Coteminas,
Abó,
Wanxiang,
Infosys, Wipro
Vale, Petrobrás,
Ambev,
Gerdau,
Arcelor-Mittal,
Lenovo,
Cemex,
Hidalco, Tata
Steel
Embraer,
Marcopolo,
Huawei, Suzlon
Energy
Quadro 2: Estratégias genéricas das MNEs
Fonte: Spohr e Silveira (2010) apud Ramamurti (2009).
A estratégia de integração vertical de recursos naturais é adotada por uma empresa
geralmente originária de um país rico em recursos naturais ou que possui um grande mercado
doméstico para explorar. Apesar da tendência de desintegração vertical em muitas indústrias,
as empresas do setor de recursos naturais continuam a ser verticalmente integradas à montante
e à jusante na sua cadeia de valor – realizam desde a extração até o marketing, passando por
processamento e distribuição. Essa é a situação mais frequente, tanto para empresas
tradicionais quanto para as novas multinacionais, apesar do fim do controle estatal ou das
regulações governamentais pesadas (Spohr e Silveira, 2010).
As vantagens das empresas que seguem a estratégia de otimizador local resultam da
otimização de produtos e processos devido a condições especiais do mercado. Isto inclui,
especificamente, o design de produtos que atenda a duas condições únicas dos mercados
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emergentes: os consumidores de baixa renda e o subdesenvolvimento da infraestrutura de tais
países, o que requer produtos e serviços adaptados. Além de aperfeiçoar produtos para o
mercado doméstico, as multinacionais cortam custos de produção ou aumentam a
confiabilidade em ambientes difíceis que, geralmente, são características de países em
desenvolvimento (Spohr e Silveira, 2010).
Já a estratégia genérica parceiro de baixo custo alavanca a vantagem de mão-de-obra
barata para servir às necessidades de empresas sediadas em países ricos. Entre os principais
seguidores de tal estratégia estão as fornecedoras de serviços, como suporte de tecnologia de
informação, desenvolvimento de softwares, terceirização de pesquisa e desenvolvimento,
operação de call center e outras formas de terceirização de negócios e processos relacionados
ao conhecimento.
A quarta estratégia genérica é a de consolidador global ou regional, que se refere a
empresas que, como o nome indica, consolidam indústrias começando, normalmente, pelo
mercado doméstico, seguido de aquisições horizontais em mercados emergentes e culminando
em aquisições em países desenvolvidos. Uma importante seguidora de tal estratégia é a
Arcelor-Mittal, que inspirou outras empresas indianas das indústrias de aço e metal a
adotarem posicionamentos semelhantes (Spohr e Silveira, 2010).
A última estratégia genérica é a de first-mover global e caracteriza-se pela criação de um
negócio global em uma nova indústria ou segmento. O status de first-mover pode derivar do
reconhecimento de uma oportunidade antes de outras empresas, da implementação de um
modelo de negócios inovador numa indústria existente, ou ainda de uma inovação
tecnológica. A empresa que adota esta estratégia, portanto, é inovadora em relação a seus
competidores locais e estrangeiros tanto no que faz quanto em como o faz (Spohr e Silveira,
2010).
Explicando o comportamento das multinacionais emergentes, Guillén e García-Canal
(2009) argumentam que as MNEs de países emergentes, por terem sido forçadas a operar em
ambientes altamente regulados a priori e, rapidamente, desregulados na sequência,
desenvolveram o chamado know-how político. As habilidades de empreendedorismo
institucional as capacitaram a operar eficientemente em condições ambientais peculiares em
relação à política, regulação e cultura características de países em desenvolvimento. Além
disso, devido à sua experiência com governos instáveis em seu país de origem, elas estariam
mais bem preparadas para ter sucesso em países de fraco ambiente institucional.
Para Ramamurti (2009a), uma das vantagens específicas das novas multinacionais é a da
adversidade. As empresas aprenderam a operar em condições difíceis, características dos
mercados emergentes, como infraestrutura física pouco desenvolvida, portos e estradas
congestionados, burocracias corruptas, instituições educacionais fracas e governos instáveis.
Diferentemente das multinacionais tradicionais muitas vezes desencorajadas a se
internacionalizar devido a tais desafios, as emergentes evoluíram copiando estratégias, tendo
lidado com tais restrições desde seu nascimento.
Os estudiosos no campo de gestão internacional reconhecem que as empresas em posse de
suas vantagens competitivas não se tornam multinacionais da noite para o dia, este é um
processo gradual, por muitas vezes seguindo passos diferentes de empresas do mesmo setor.
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3. METODOLOGIA
O presente estudo classifica-se como uma pesquisa exploratória. De acordo com Gil
(2006), este tipo de pesquisa tem como objetivo desenvolver, esclarecer ou modificar
conceitos e ideias, tendo em vista a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses
pesquisáveis para estudos futuros.
Foi utilizado o estudo de caso que, segundo Yin (2005), é uma investigação empírica que
investiga um fenômeno contemporâneo dentro de um contexto da vida real, especialmente
quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos. Para tanto,
foram avaliados projetos de internacionalização de empresas brasileiras do setor de
construção civil pesada. Como unidade de análise (Yin, 2005) da pesquisa foram utilizadas
empresas brasileiras do setor de construção civil pesada que tenham certo nível de
internacionalização. A escolha do setor para análise se deu pela carência de teorias que
expliquem a internacionalização de empresas prestadoras de serviços e devido Ramamurti e
Singh (2009) defenderem que é importante investigar as multinacionais de mercados
emergentes e sua importância para a economia global.
Sendo este estudo de natureza exploratória, a coleta de dados foi baseada em fontes de
dados secundárias, obtidas em relatórios das empresas, artigos científicos, jornais, entre
outros.
Para a análise dos dados coletados foi utilizada a análise de conteúdo que é o conjunto de
técnicas de análise das comunicações (Bardin, 2010).
4. ESTUDO DE CASO: PROJETOS DA INTERNACIONALIZAÇÃO DO SETOR
DA CONSTRUÇÃO CIVIL PESADA BRASILEIRO
Para entendermos e analisarmos a estrutura da cadeia produtiva da construção civil
precisamos levar em consideração as especificidades desse setor. Vergna (2007) lembra que o
setor da construção civil se difere dos demais, dado que seus outputs são projetos únicos e há
uma significativa complexidade de relacionamentos ao longo da cadeia produtiva.
Um esquema geral da cadeia produtiva da construção civil, mostrado na Figura 1,
evidencia que o setor se divide em edificações e construção pesada e, ambas tendo o setor de
materiais de construção como início de seu processo produtivo (elo a montante das cadeias).
Os demais elos a montante e a jusante ou são prestadores de serviços (subcontratados) ou
comerciantes e distribuidores.
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Figura 1: Visão geral da cadeia de construção civil
Fonte: Deconcic/Fiesp (2008), p.13.
Dentro desta visão geral do setor e aliando-o ao foco desta pesquisa, o subsetor de
construção pesada abrange atividades ligadas à construção de infraestrutura, ou seja, obras de
construção de ferrovias, rodovias, portos e aeroportos, relacionados à estrutura de transportes,
além da construção de centrais de abastecimento de água, instalação de redes de esgoto e
pavimentação de ruas, vinculadas à estrutura urbana.
As atividades de construção de usinas de geração de energia (hidrelétricas, termelétricas,
usinas nucleares, etc.) e das redes de distribuição de energia, assim como a execução de
projetos relacionados a serviços de telecomunicações e a montagem de instalações industriais,
também estão incluídas nesse subsetor.
O principal cliente das obras de construção pesada é o setor público, de tal maneira que o
crescimento desse segmento está diretamente relacionado ao nível de investimento público em
infraestrutura no período. Vale ressaltar ainda que cada uma das atividades da construção
pesada (portos, aeroportos, setor elétrico) tem marco regulatório e formatações institucionais
próprios, que afetam a dinâmica do mercado e a atuação das empresas.
Conforme apontado anteriormente, a escolha pelo setor da construção civil pesada deve-se
ao fato de que as teorias tradicionais de internacionalização ocupam-se, em grande parte, da
análise de setores manufatureiros, sendo uma de suas questões centrais o estabelecimento de
unidades produtivas nos países de destino. No caso das empresas de construção não há
necessidade do estabelecimento dessas unidades, já que o atendimento é feito de acordo com
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demandas pontuais, sendo necessário, portanto, apenas o estabelecimento de escritórios locais
que, após a entrega da obra podem ser desmantelados.
No Brasil, esse setor
tor ganhou força a partir do ciclo de desenvolvimento econômico
iniciado na década de 50, com obras como a construção da capital federal e de infraestrutura
de transportes para escoar a produção industrial, uma das bases do Plano de Metas de
Juscelino Kubitschek.
Devido a essa forte ligação com o governo federal brasileiro, as empresas nacionais de
construção civil desenvolveram sua estrutura administrativa, financeira e excelência técnica
trabalhando no mercado nacional e, sobretudo, executando contratos para
p
o mesmo numa
época de intensos investimentos em infraestrutura, principalmente nos anos 60 e 70, o que
permitiu ao setor tornar-se
se tradicional na economia brasileira.
O setor de construção pesada, mais especificamente, foi responsável no ano de 2010 por
p
8,1% do PIB do país, gerando R$ 297,6 bilhões de reais (Fonte: IBGE). Ademais, as empresas
do setor estão entre as principais transnacionais brasileiras, correspondendo por 6,38% do
total, atrás apenas do setor de alimentos e de tecnologia da informação (Fundação Dom
Cabral, 2011).
O setor de serviços, do qual a construção civil faz parte, também vem aumentando a sua
participação no comércio exterior brasileiro (Quadro 3), passando de 11,6% em 2006, quando
as estatísticas de comércio de serviços começaram
começaram a ser publicadas, para 13,0% em 2010 e
além de experimentar um crescimento bastante expressivo no período em questão,
interrompido apenas em 2009, como reflexo da crise financeira internacional.
Quadro 3 – Composição das exportações brasileiras de bens e serviços
Fonte: MDIC (2011, p.6)
Ao analisar a balança de serviços (Quadro 4), os serviços empresariais, profissionais e
técnicos e a construção foram responsáveis, em 2010, por 46% das receitas da conta de
serviços, sendo que na conta de serviços empresariais, profissionais e técnicos, os serviços de
arquitetura, engenharia e outros técnicos contribuíram com 62% das receitas (MDIC, 2011), o
que aponta a importância do setor da construção civil nacional e, portanto, a sua
internacionalização.
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Quadro 4 – Evolução das exportações brasileiras de serviços
Fonte: MDIC (2011, p.7)
Dentro do setor em questão, as obras de infraestrutura possuem maior peso, com valores de
R$ 83,1 bilhões e participação de 49,7% do total dos valores das obras e/ou serviços.
ser
Os
segmentos de maior destaque foram as rodovias e ferrovias, contribuindo com R$ 28,2
bilhões, ou 34%, e geração e distribuição de energia elétrica com R$ 13,7 bilhões, ou 16,5%
(PAIC, 2009).
Considerando o macro setor da construção civil, conhecido
conhecido como construbusiness, que
compreende o setor de construção, o de materiais de construção e o de serviços acoplados à
construção, verifica-se
se que ele representa 15,5% do PIB; emprega 15 milhões de pessoas,
sendo 4 milhões de empregos diretos; tem expressivo
expressivo poder multiplicador sobre a demanda
doméstica, com mínimo viés importador; e apresenta superávit comercial de cerca de US$ 2,5
bilhões ao ano com a exportação de bens e serviços (PCC/USP, 2003).
O setor da construção no Brasil iniciou o seu processo de internacionalização a partir do
esgotamento do ciclo de grandes investimentos de infraestrutura do governo federal. Segundo
Ricupero e Barreto (2007), as decisões de empresas como a Odebrecht e Andrade Gutierrez,
que tiveram maior sucesso ininterrupto, e de outras empresas do mesmo ramo, e Camargo
Côrrea e Mendes Júnior, para ultrapassar os limites brasileiros em busca de obras e contratos,
foram tomadas medidas a partir do final dos anos 70, como maneira de sobreviver,
demonstrando, portanto, que esse movimento,
movimento, naquele momento, teria ocorrido por questões
organizacionais de sobrevivência.
A decisão teria sido tomada, pois nessa época e de forma mais intensiva nos primeiros anos
da década de 80, já existiam sinais de que os megaprojetos e as gigantescas obras
ob
de
infraestrutura, como Itaipu, Tucuruí e Carajás, estavam chegando ao fim, anunciando a quase
paralisia dos investimentos públicos e obras similares, o que foi confirmado com a crise da
dívida que atingiu boa parte da indústria nacional na década em questão.
questão. Sendo assim, a
necessidade de diversificar as fontes de receita teria motivado a internacionalização das
grandes empresas nacionais de engenharia ainda nos anos 80.
Conforme apontado anteriormente, a internacionalização do setor inicia-se
inicia com a empresa
Mendes Júnior que, devido aos contatos com o governo militar, inicia obras na Bolívia e no
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Iraque. Entretanto, a empresa interrompe esse processo nos anos 90, a partir do
estremecimento das relações com o governo do presidente Fernando Collor (anteriormente à
primeira invasão do Iraque, engenheiros da empresa foram sequestrados e, segundo a
empresa, não houve ajuda do governo brasileiro para ajudar na resolução da questão, dentre
outras questões).
No final dos anos 70, ocorre a internacionalização de empresas que até hoje continuam no
mercado internacional. A Camargo Côrrea inicia esse processo, no ano de 1978, com a
construção da usina hidrelétrica de Guri, na Venezuela e a Odebrecht, em 1979, com
barragens no Chile e na Venezuela.
No ano de 1983, a Andrade Gutierrez inicia a construção de uma rodovia no Congo
enquanto a Queiroz Galvão começa, em 1984, a construção de barragens no Uruguai (o
processo de internacionalização da Queiroz Galvão foi interrompido nos anos 90, sendo
retomado apena uma década depois). Dessa maneira, percebe-se que as empresas do setor de
construção seguem o padrão, exceto a Andrade Gutierrez. De iniciar seu processo de
internacionalização nos países vizinhos ao Brasil, utilizando a estratégia de consolidador
global, onde as empresas realizam aquisições horizontais em mercados emergentes e
culminando em aquisições em países desenvolvidos.
Com a intensificação de obras públicas de infraestrutura, por meio do Plano de Aceleração
do Crescimento e dos incentivos governamentais à internacionalização, o setor da construção
civil ganhou novo impulso no governo Lula.
Durante esse governo, houve um forte crescimento na exportação de obras de construtoras
brasileiras, concentrada em cinco empresas, Andrade Gutierrez, Camargo Correa, Odebrecht,
OAS e Queiroz Galvão, sendo que a primeira inicia o seu processo de internacionalização
impulsionado por esse crescimento nacional, enquanto a segunda retoma suas operações no
exterior, o que denota a importância da contribuição governamental para a internacionalização
do setor.
Uma das vantagens específicas das MNEs segundo Ramamurti (2009) é o acesso
privilegiado a recursos e mercado, em que as empresas recebem apoio do governo local na
forma de acesso preferencial a mercados, políticas de incentivo e financiamentos para
conquistarem mercados internacionais, como o caso da empresa analisada.
Segundo a Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC, 2009), 84,3% das receitas
líquidas do setor concentram-se em empresas com 30 ou mais pessoas ocupadas, sendo que
98,9% das receitas de obras e/ou serviços são de obras de infraestrutura.
Ao analisar os destinos dessas obras (Quadro 5) verifica-se que boa parte delas estaria
concentrada em países com os quais o Brasil possui um relacionamento mais próximo,
principalmente na América Latina e na África (as empresas brasileiras possuem 178 obras em
31 países da América Latina e África - levantamento feito a partir dos sites das cinco
empresas citadas), correspondendo a 85% das obras realizadas pelas empreiteiras brasileiras
no exterior.
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Quadro 5 – Número de obras por região
Fonte: sites das empresas do setor.
No que tange à estrutura do processo de internacionalização, percebe-se
percebe que a maioria das
empresas brasileiras preferiu entrar nos países destino sozinhas, exceto a Andrade Gutierrez
que adquire, em 1988, a construtora portuguesa Zagope, para realizar obras no continente
africano e a Odebrecht que adquiriu a Construtora Bento Pedroso, em 1988, como maneira de
adentrar no mercado europeu.
Em relação aos tipos de obras, percebe-se
percebe se que as empresas que iniciaram seu processo de
internacionalização mais cedo (Odebrecht e Andrade Gutierrez) possuem uma carteira de
projetos mais diversificada, que vai desde as tradicionais rodovias até obras complexas como
gasodutos e plataformas de exploração de petróleo. Já a Camargo Côrrea, devido à expertise
adquirida nacionalmente, especializou-se
especializou se na construção de hidrelétricas e obras de água e
esgoto e barragens, que correspondem a 81% das obras realizadas pela empresa
empres no exterior.
No caso das novas entrantes, OAS e Queiroz Galvão, não existe uma concentração em
determinados tipos de obras, entretanto, a participação dessas empresas no total de obras
realizadas no exterior ainda é pequena, correspondendo a 6,2% do total
tota de obras realizadas
pelas empresas brasileiras de construção pesada no exterior.
Quadro 6 – Tipos de obras
Fonte: sites das empresas do setor.
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Por fim, pode-se evidenciar também, conforme Quadro 6, que quando juntamos as obras
em questão, 94,4% do total são obras ligadas a energia elétrica, água, telecomunicações,
esgoto, e transporte por dutos.
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5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo central desta pesquisa foi analisar projetos de internacionalização de empresas
brasileiras do setor da construção civil pesada e verificar a contribuição desse estudo para a
agregação às teorias de internacionalização de empresas de países emergentes.
Para auxiliar no alcance do objetivo proposto foram abordadas, resumidamente, as teorias
de Guillén e García-Canal (2009) e Ramamurti e Singh (2009). Nota-se que as empresas de
construção civil pesada analisadas neste estudo, expandiram-se horizontalmente se instalando
em novos países com o objetivo de oferecer serviços, contudo sem abandonar a oferta de
serviços no seu país de origem.
As empresas analisadas iniciaram seus projetos de internacionalização se instalando
primeiramente em países da América latina e África e, posteriormente, em países
desenvolvidos. Segundo Ramamurti e Singh (2009) as multinacionais, mais do que explorar
vantagens pré-existentes, se internacionalizam para adquirir novas vantagens e capacidades.
Sabe-se que as MNEs possuem vantagens específicas que as permitem explorar as vantagens
específicas do país de destino.
Dentre as vantagens específicas da MNEs, podemos citar três que auxiliam a entender o
processo de internacionalização das empresas analisadas, são elas: produtos adequados a
mercados emergentes, acesso privilegiado a recursos e mercados e vantagem da adversidade.
Pois, as empresas tiveram habilidade para adaptar tecnologia às necessidades locais, a
infraestrutura e as diversidades que as empresas enfrentam no país de origem, pois são
semelhantes aos dos países emergentes em que se instalaram em um primeiro momento.
Além disso, o governo brasileiro ofereceu incentivos financeiros e políticos que apoiaram
empresas do setor de construção civil pesada no processo de conquista de novos mercados.
Além das vantagens específicas da MNEs, Ramamurti (2009) propõe cinco estratégias
genéricas propostas e descritas a seguir: integrador vertical de recursos naturais, otimizador
local, parceiro de baixo custo, consolidador global e first-mover global, estas podem ser
aplicadas nas empresas em seus primeiros estágios de internacionalização, cujas vantagens
competitivas estão baseadas em capacidades e ativos construídos em seus mercados de
origem.
As empresas analisadas iniciaram seus processos de internacionalização, consolidando
empresas no mercado doméstico, seguindo de aquisições horizontais em mercados emergentes
e após consolidarem-se nestes mercados, realizaram aquisições em países desenvolvidos. As
aquisições em países desenvolvidos só aconteceram após as empresas ganharem destaque no
mercado internacional.
Diante dos resultados relatados, o método de pesquisa utilizado apresentou-se apropriado
para atingir o objetivo proposto, utilizando dados secundários para sua elaboração. Entretanto,
este estudo apresenta uma limitação em relação aos dados analisados, pois os dados utilizados
foram secundários, o que dificultou uma análise mais profunda das informações. Destaca-se
como trabalhos futuros a realização de estudos de caso mais focados nessas empresas e setor,
para entender em profundidade essa temática.
AGRADECIMENTOS
Esta pesquisa teve financiamento do CNPq e CAPES.
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