INTERNACIONALIZAÇÃO A OPINIÃO DE MANUEL TEIXEIRA GOMES, Legal Adviser da Gameiro e Associados POTENCIALIDADES E ENTRAVES na internacionalização de empresas no Brasil Para abordar o investimento estrangeiro no Brasil poderemos fazê-lo de duas perspetivas totalmente distintas. A primeira, é a dos fatores e indicadores que o próprio país apresenta enquanto economia, pois os números são assombrosos, o país é muito vasto e as potencialidades são imcomparavelmente maiores do que qualquer outro país da América Latina. A segunda perspetiva, será necessariamente uma abordagem técnica da realidade Brasileira no que concerne ao direito societário e ao capital estrangeiro. O s números são inegáveis e a economia brasileira continua uma economia emergente apesar dos do leve abrandamento no seu crecimento. Em 2014 houve o campeonato do mundo de futebol no Brasil, e quando todos pensaram que este seria um estímulo para fazer a sua economia subir de forma galopante verificou-se o inverso, e, desde o carnaval até ao fim do campeonato do mundo o país parou, o que veio resultar em dois trimestres consecutivos de queda. A recuperação económica iniciou-se desde o final da “Copa”, a qual é marcada presentemente por um novo impasse, que é o processo eleitoral. Crê-se que, depois das eleições, surja uma nova etapa na economia brasileira, destacando-se o facto de caso se verifique uma mudança de liderança do país, essa novidade terá um impacto imediato e significativo nos mercados internos e internacionais. O PIB do país deverá ficar relativamente estável em 2014, apesar todos estes factos referidos, projetando-se uma expansão do mesmo de 1,3% ou 1,4% para 2015. O Brasil continua a ser a maior potência da América do Sul, e como tal a plataforma ideal para entrar neste mercado representado pelo MERCOSUL. É o maior e o mais populoso país da América Latina, tendo o seu território 8,5 milhões de km², ocupando aproximadamente 47,3 % do território da América do Sul e possui um dos maiores mercados consumidores do planeta, com uma população de 201 milhões de habitantes, a quinta maior do mundo. As estatísticas dizem que 84% dos brasileiros vivem em centros urbanos e nos últimos dez anos, ascenderam à classe média 40 milhões de novos consumidores, o que estimulou o crescimento em diversos setores. A título exemplificativo podemos afirmar que este país é o maior exportador mundial de café, soja em grão, carne de frango, carne bovina, açúcar, sumos concentrados de laranja, tabaco, etanol e minério de ferro. A par disto é também o maior produtor de açúcar, café e sumo de laranja bem como o 2° maior produtor de soja, carne bovina, tabaco e etanol. Conforme os números o demonstram, este é um país de potencialidades imensas e transversais, pois as mesmas vão desde o seu solo fértil com próspera indústria agropecuária, ao mercado imobiliário ou à industria transformadora, automóvel e petrolífera, por exemplo. A sua capacidade de regeneração e consumo interno é muito grande dada a dimensão do país, e tendo em conta que estamos perante uma economia emergente e bem localizada, quer para a América do Sul, quer para a América do Norte, torna-se obviamente apetecível para uma empresa que procure expandir de forma consolidada os seus números. “A título exemplificativo podemos afirmar que este país é o maior exportador mundial de café, soja em grão, carne de frango, carne bovina, açúcar, sumos concentrados de laranja, tabaco, etanol e minério de ferro. A par disto é também o maior produtor de açúcar, café e sumo de laranja bem como o 2° maior produtor de soja, carne bovina, tabaco e etanol” 8 “De facto, simples processos como um arrendamento ou uma abertura de conta num banco carecem de uma explicação mais pormenorizada. Enfim, são inúmeros os motivos pelo qual o investidor estrangeiro deve estar fortemente acompanhado numa fase inicial, bem como permanecer acompanhado para os assuntos decorrentes da atividade da empresa que serão alheios à realidade por si conhecida” Bem, é facilmente percetível que estamos perante um país com indicadores estáveis no que toca à possibilidade de investir. Mas como pode o investidor concretizar essa mesma expansão? Para tal, é primordial que se estude o mercado para não dar um passo em falso. A internacionalização só acontece quando o produto ou serviço em causa tem procura. Na verdade, é preciso investir no verdadeiro sentido da palavra, é preciso estar preparado para tal e o mais importante é necessário que se esteja acompanhado desde a fase inicial. A realidade Brasileira é diferente, fruto do federalismo mas não só, e tem especifidades muito próprias. O investimento estrangeiro pode ser efetuado através de três formas societárias: (i) exercício da atividade empresarial em nome individual; (ii) pela constituição de uma filial agência ou sucursal da respetiva empresa estrangeira já existente; (iii) ou pela constituição de uma sociedade numa das formas admitidas pela lei brasileira. Cada uma destas formas tem critérios específicos como inscrever-se no Registro Público de Empresas Mercantis no primeiro caso, requerer autorização ao Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (Departamento Nacional de Registro e Comércio) no segundo, ou constituir uma Sociedade de Direito Brasileiro de raíz no terceiro caso. A propósito da última referência basta enunciar que os tipos societários mais utilizados no Brasil, assim como em Porugal são a Sociedade Anónima e a Sociedade Limitada (por quotas), sendo que a este último tipo societário correspondem 90% dos registos de sociedades no Brasil. Note-se que uma sociedade comercial é considerada nacional (no Brasil) desde que organizada em conformidade com a lei Brasileira e que tenha neste país a sede e a sua administração. Assim, esta sociedade pode ser constituída por estrangeiros residentes no exterior desde que a sua sede seja em território brasileiro e obedeça a toda a tramitação da ordem jurídica deste país. Tramitação esta que passa por efetuar o Cadastro de Pessoa Física (CPF dos Sócios, efetuar o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e efetuar o registo na Junta Comercial do Estado em que a empresa estiver sediada. A par destes registos básicos serão necessárias muitas outras diligências como fazer e entregar na Junta Comercial o contrato social, a ata deliberativa a eleger o administrador que também pode ser estrangeiro, se possuir visto de permanência no Brasil, fazer o reconhecimento notarial da procuração ao administrador, ou ainda apresentar o IPTU (imposto predial e territorial urbano). De referir ainda que há a necessidade de efetuar um registo quer na Receita Federal, quer no Banco Central do Brasil para a chamada integralização do capital da sociedade (entrada de dinheiro no país). Como se pode verificar, as exigências são infindáveis, e ainda nem sequer foram referidos os regimes fiscal e trabalhista (Laboral) existentes no país, sendo que cada um deles daria um volume de uma qualquer coletânea. O facto de haver um sistema fiscal demasiadamente disperso e descentralizado com impostos federais, estaduais, municipais, e ainda as contibuições relacionadas com o trabalhador nacional quer ao estado quer aos sindicatos, conseguem ser uma verdadeira dor de cabeça para o comum dos estrangeiros. Poderiam ser elencados alguns dos impostos, mas não iam passar de um conjunto de onomatopeias sem significado para o leitor. De facto, simples processos como um arrendamento ou uma abertura de conta num banco carecem de uma explicação mais pormenorizada. En- fim, são inúmeros os motivos pelo qual o investidor estrangeiro deve estar fortemente acompanhado numa fase inicial, bem como permanecer acompanhado para os assuntos decorrentes da atividade da empresa que serão alheios à realidade por si conhecida. Por último, cabe apenas finalizar referindo que a internacionalização de uma empresa para o Brasil nunca deve assentar numa decisão de ânimo leve, ou seja, tal decisão deve reunir antecipadamente condições para o cumprimento de todos os pressupostos impostos pela lei brasileira. Por outro lado, no Brasil a perspetiva de crescimento económico mantém-se otimista. Segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (Bndes), o país receberá no período de 2014 a 2017 mais 28,5% em investimento do que no período de 2009 a 2012. Apesar de todos os indicadores, a tarefa de uma empresa se expandir para o Brasil não é fácil devido a todos os fatores já enunciados, mas também é verdade que só depende de cada um fazer com que esse passo seja dado de forma consciente e vitoriosa. “Em 2014 houve o campeonato do mundo de futebol no Brasil, e quando todos pensaram que este seria um estímulo para fazer a sua economia subir de forma galopante verificou-se o inverso, e, desde o carnaval até ao fim do campeonato do mundo o país parou, o que se veio resultar em dois trimestres consecutivos de queda. A recuperação económica iniciou-se desde o final da “Copa”, a qual é marcada presentemente por um novo impasse, que é o processo eleitoral. Crê-se que, depois das eleições, surja uma nova etapa na economia brasileira, destacando-se o facto de caso se verifique uma mudança de liderança do país, essa novidade terá um impacto imediato e significativo nos mercados internos e internacionais. O PIB do país deverá ficar relativamente estável em 2014, apesar todos estes factos referidos, projetando-se uma expansão do mesmo de 1,3% ou 1,4% para 2015” 9