CÂMARA DOS DEPUTADOS DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO NÚCLEO DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES TEXTO COM REDAÇÃO FINAL COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR EVENTO: Audiência Pública N°: 1311/04 DATA: 17/11/2004 INÍCIO: 10h18min TÉRMINO: 17h36min DURAÇÃO: 07h18min TEMPO DE GRAVAÇÃO: 07h16min PÁGINAS: 160 QUARTOS: 88 DEPOENTE/CONVIDADO - QUALIFICAÇÃO LAERTE CODONHO - Presidente da empresa Dolly Refrigerantes; BRIAN SMITH - Presidente da Coca-Cola no Brasil; RODRIGO CARACAS - Vice-Presidente da Coca-Cola no Brasil; JORGE DANTE GIGANTI - Ex-Presidente da Coca-Cola no Brasil; RUBENS NUNES - Representante do Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE; ALESSANDRA VIANA REIS - Coordenadora-Geral de Análises de Infrações nos Setores de Serviço e Infra-Estrutura, da Secretaria de Direito Econômico, do Ministério da Justiça; JOSÉ MAURO DE MORAES - Farmacêutico; FERNANDO RAMAZZINI - Presidente da Associação Brasileira de Combate à Falsificação — ABCF; PEDRO QUINTINO DE PAULA - Ex-contador da empresa Dolly Refrigerantes. SUMÁRIO: Esclarecimentos sobre denúncia de concorrência desleal contra a empresa Dolly Refrigerantes. OBSERVAÇÕES Há oradores não identificados; Há expressões ininteligíveis; Há intervenções inaudíveis; Há intervenções simultâneas ininteligíveis; Houve exibição de imagens. Nú CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Declaro abertos os trabalhos da presente reunião da Comissão de Defesa do Consumidor. Esta audiência pública foi convocada para que sejam obtidos esclarecimentos a respeito de grave denúncia feita a esta Comissão, que tem sido veiculada pela imprensa, sobre concorrência desleal contra a empresa de refrigerantes Dolly. O Requerimento nº 301, de 2004, da Comissão de Defesa do Consumidor, de autoria do Deputado Celso Russomanno, recebeu como adendos os Requerimentos nºs 348, de 2004, também da Comissão de Defesa do Consumidor, de autoria do Deputado Jonival Lucas Junior, e 29, de 2004, da Comissão de Finanças e Tributação, de autoria do Deputado José Carlos Araújo, para que a audiência seja realizada em conjunto com a Comissão de Finanças e Tributação, com a indicação de novos convidados, visando a esclarecer denúncias de sonegação fiscal e outros fatos por parte da empresa Dolly. Em conformidade com mencionados requerimentos, discutiremos na primeira parte da reunião a questão da concorrência desleal; na segunda parte, serão incluídos os demais assuntos. Comunico que haverá 2 listas de inscrição para debates: numa, os Deputados se inscreverão para tratar de concorrência desleal; na outra, para tratar dos demais temas. Convido a fazer parte da Mesa o Sr. Laerte Codonho, Presidente da empresa de refrigerantes Dolly; o Sr. Brian Smith, Presidente da Coca-Cola no Brasil; o Sr. Luiz Eduardo Capistrano do Amaral, ex-diretor da Coca-Cola; o Sr. Jorge Dante Giganti, ex-Presidente da Coca-Cola; a Sra. Elizabeth Maria Mercier Querido Farina, Presidenta do Conselho Administrativo de Defesa Econômica — CADE; Sra. Alessandra Viana Reis, Coordenadora-Geral de Análise de Infrações nos Setores de Serviço e Infra-Estrutura da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça. (Pausa.) CÂMARA DOS DEPUTADOS Chamo novamente para compor a Mesa o Sr. Luiz Eduardo Capistrano do Amaral, ex-diretor da Coca-Cola, se estiver presente; o Sr. Laerte Codonho, Presidente da empresa Refrigerantes Dolly; e o Sr. Rubens Nunes, que neste ato representará a Presidenta do CADE. Comunico aos senhores membros da Comissão que cada convidado, para sua exposição, terá o prazo de 20 minutos — prorrogáveis, a juízo desta Presidência — e não poderá ser aparteado. Os Deputados inscritos para interpelar os convidados poderão fazê-lo estritamente sobre o assunto da exposição, pelo prazo de 3 minutos, e o interpelado terá igual tempo para responder, facultadas a réplica e a tréplica pelo mesmo prazo, não se permitindo ao orador interpelar qualquer dos presentes. Dando início às exposições, concedo a palavra ao Sr. Laerte Codonho. (Pausa.) Ausente no momento. Concedo a palavra ao Sr. Brian Smith, Presidente da Coca-Cola no Brasil. O SR. DEPUTADO SANDRO MATOS - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. DEPUTADO SANDRO MATOS - Sr. Presidente, V.Exa. informou haver 2 listagens: uma, para interpelar os convidados; outra, que virá em seguida. Para melhor andamento dos trabalhos, sugiro que se faça apenas 1 lista, uma vez que cada convidado dispõe de 20 minutos para sua exposição. Se fizermos 2 listagens, acredito que não vamos ter tempo suficiente para questionar todos os convidados. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Como são vários os requerimentos aprovados, adotamos o procedimento, já aprovado nesta Comissão, de que cada listagem seja específica sobre o assunto. Na primeira etapa, trataremos da concorrência desleal; na segunda, dos demais assuntos, como sonegação e outros, a fim de não se travar o primeiro momento, que é o principal, o das exposições. Obviamente, com o andamento da discussão, veremos o que é melhor para os Parlamentares e, em especial, para os convidados. O SR. DEPUTADO SANDRO MATOS - Está certo, Sr. Presidente. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS MACHADO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS MACHADO - Sr. Presidente, quero entender perfeitamente. Presidi a reunião da Comissão de Defesa do Consumidor em que aprovamos o requerimento do Deputado Jonival Lucas Junior no sentido de que esta audiência fosse realizada juntamente com as Comissões de Finanças e Tributação e de Fiscalização Financeira e Controle. O autor do requerimento inicial, Deputado Celso Russomanno, concordou. Segundo o acordado e aprovado, esta audiência trataria, inicialmente, da questão da concorrência desleal. É exatamente isso? O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Assim será, Deputado. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS MACHADO - Está feito o esclarecimento, Sr. Presidente. Muito obrigado. O SR. DEPUTADO PAUDERNEY AVELINO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. DEPUTADO PAUDERNEY AVELINO - Sr. Presidente, o Deputado José Carlos Machado mencionou que esta audiência pública foi convocada para tratar de concorrência desleal. Assinei uma lista em que me inscrevi para falar sobre sonegação fiscal. Qual, afinal, é o objeto da audiência pública? O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - De acordo com os requerimentos aprovados — já foi dito isso no início, Deputado —, é a questão da concorrência desleal e a da sonegação fiscal. São 2 assuntos em pauta. O SR. DEPUTADO PAUDERNEY AVELINO - Sonegação fiscal no Brasil? Sonegação fiscal por parte de quem, Sr. Presidente? O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Da Coca-Cola. O SR. DEPUTADO PAUDERNEY AVELINO - Supostamente da Coca-Cola? O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Supostamente da Coca-Cola. O SR. DEPUTADO PAUDERNEY AVELINO - Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Anuncio que integra a Mesa neste momento o Sr. Laerte Codonho, Presidente da empresa de refrigerantes Dolly. CÂMARA DOS DEPUTADOS Peço desculpas ao Sr. Brian Smith. De acordo com a pauta, o Sr. Laerte Codonho é o primeiro a fazer uso da palavra. Concedo a palavra ao Sr. Laerte Codonho, que disporá de 20 minutos. O SR. LAERTE CODONHO - Sr. Presidente, na última audiência de que tive oportunidade de participar, foi acordado que, da mesma maneira, eu falaria primeiro e o Sr. Brian, depois. Se não fosse pedir muito, gostaria de falar após o Sr. Brian, para ter oportunidade de fazer algum comentário. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - De acordo com o que foi aprovado, Sr. Laerte, ouviremos primeiro quem fez a denúncia. Como houve a denúncia por parte da Dolly, obviamente temos de ouvir o senhor primeiro. O senhor gostaria de falar primeiro ou quer aguardar, em conformidade com a pauta? O SR. BRIAN SMITH - Depois. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Então, passo a palavra ao Sr. Laerte Codonho. O SR. DEPUTADO WLADIMIR COSTA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. DEPUTADO WLADIMIR COSTA - Sr. Presidente, os membros da Comissão não poderiam sugerir quem fala primeiro e quem fala depois? Um quer falar primeiro, o outro não quer falar em segundo lugar e vice-versa. Então, V.Exa. não poderia submeter isso à apreciação dos membros da Comissão? A Dolly está na condição de vítima, foi ela quem fez a denúncia. Então, sugiro que o Sr. Brian fale primeiro, para não trazer uma distorção um pouco complicada. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Deixe-me responder, Deputado Wladimir Costa, antes de passar a palavra ao Deputado José Carlos, pois acredito que poderei responder já outras questões. Primeiro, quem fez a denúncia tem que falar qual é a denúncia, para que o outro possa saber o que pode responder. Se não há algo a ser respondido, ele não pode responder. Senão, ele vai só falar da Coca-Cola. Neste momento, entendo que temos de ouvir as denúncias, tomar conhecimento do roteiro, das premissas que vão basear, inclusive, o entendimento dos Parlamentares quando do CÂMARA DOS DEPUTADOS questionamento. Então, após a exposição do Sr. Laerte Codonho, falará o Sr. Brian Smith, para prestar seus esclarecimentos. Quanto às dúvidas, obviamente os Parlamentares vão fazer as suas perguntas. Está bom assim? O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, entendo que os Parlamentares estão aqui para ouvir as exposições dos diversos convidados. Não nos cabe, neste momento, saber quem é vítima e quem não é, quem acusa e quem é acusado. Não podemos fazer juízo de valor neste momento. Esse é o primeiro ponto. O segundo é que não podemos ser pautados por nenhum dos senhores convidados. Esta Casa tem uma pauta, esta Comissão tem uma pauta, que foi estabelecida e tem de ser respeitada. Apresentei um requerimento a esta Comissão e à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, pedindo uma fita que foi veiculada numa rede de televisão. Parece-me que a Comissão teve dificuldades em conseguir essa fita. Também fiz um ofício, passei um fax, e agora pela manhã, há cerca de meia hora, recebi da Rede Record uma fita sobre a matéria. Tenho impressão de que seria salutar para esta Comissão, para os Srs. Parlamentares, talvez até antes do pronunciamento do Sr. Laerte Codonho, que essa fita fosse passada aqui, porque aí vamos ver quem é vítima e quem não é. Entregarei a fita em suas mãos, Sr. Presidente, poderá passá-la na hora que julgar conveniente. CÂMARA DOS DEPUTADOS No meu entender, conveniente seria que fosse exibida antes. Mas V.Exa. é o Presidente. Aliás, temos 2 Presidentes hoje aqui, de 2 Comissões, que estão tendo esse mister de ouvir as dúvidas, embora eu ache que isso não é assunto para esta Casa. Infelizmente, estamos aqui para ouvir e vamos ter que ouvir. Sabemos que essa coisa de concorrência desleal já está tramitando no foro legal, onde deve tramitar. Mas esta Casa achou por bem ouvir e vamos ouvir todos aqui, encerrando de uma vez por todas esse assunto, que já nos está desgastando e também a Casa. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Deputado, devo dizer que a Comissão fez a solicitação à TV Record. Ela já nos entregou a fita. Aproveito a oportunidade para agradecer à TV Câmara, que vai transmitir ao vivo a reunião e, posteriormente, outras etapas. Concedo a palavra ao Sr. Laerte Codonho, que dispõe de 20 minutos. O SR. LAERTE CODONHO - Perfeito. Em primeiro lugar, gostaria de agradecer ao sistema de livre concorrência do nosso País, principalmente ao Dr. Daniel Goldberg e sua equipe, da SDE. Gostaria de agradecer também ao pessoal do CADE, à Dra. Elizabeth Farina e sua equipe, aqui presentes. O Brasil está de parabéns por ter levado adiante essa denúncia que fizemos, tendo sido indiciada a Coca-Cola, a empresa mais poderosa do mundo. Somos muito pequenos perto dela. Mas, graças a Deus, parece que a justiça está imperando no País. Isso é uma coisa muito boa, isso é saudável para a livre concorrência e para todo o País. Gostaria de agradecer ao Congresso Nacional, que está de parabéns por ter trazido uma questão que realmente diz respeito a todo o povo brasileiro, que é a livre concorrência. As práticas de concorrência desleal inibem que as pequenas empresas prosperem no País. A Câmara dos Deputados, por meio da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, está de parabéns, foi uma audiência histórica. Infelizmente, não foi concluída, tivemos que encerrá-la no meio. Está de parabéns também a Comissão de Defesa do Consumidor por esta audiência. É importante, é o foro adequado. Vamos discutir aqui assuntos sérios. O consumidor é quem deve ser preservado e tutelado. Esta é a Casa do povo, onde tem que ser discutido esse tipo de assunto. Se algum produto com algum problema CÂMARA DOS DEPUTADOS está sendo vendido para a população, se não se mostra a verdade, se uma empresa não tem uma conduta cidadã, se uma empresa usa bandidos e estelionatários para fazer alguma coisa, aqui é o lugar certo para se discutir isso. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente... O SR. LAERTE CODONHO - Eu gostaria de concluir, Sr. Presidente. Posso concluir? O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, trata-se de questão de ordem. Acabou de ser aprovado na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle um requerimento de minha autoria para que aquela Comissão também faça parte desta audiência pública. Como isso acabou de ser aprovado e os membros da Comissão chegaram aqui, com o Presidente José Priante, queria comunicar isso a V.Exa. Entendo que essa é uma questão de ordem de alta relevância. Por isso interrompi a exposição do Sr. Codonho. Esse requerimento estava tramitando na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, a fim de que as 2 Comissões participassem desta audiência pública, e só agora foi aprovado. Os membros chegaram aqui, bem como o Presidente José Priante, na condição também de Presidente da Comissão, fazendo parte desta audiência pública. Era isso o que eu queria comunicar, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Agradeço a intervenção. Sr. Laerte, desculpe-me. Trata-se de uma questão de ordem, temos que ouvir. Pergunto ao Deputado José Priante se quer fazer parte da Mesa, em nome da Comissão. O SR. DEPUTADO JOSÉ PRIANTE - Eu tenho que fazer parte da Mesa, na condição de Presidente, sob pena de não estar cumprindo uma deliberação da Comissão. Aliás, a rigor, teria inclusive de ser feito um questionamento sobre quem presidiria esta reunião. Mas não estou aqui, de forma nenhuma, para questionar isso. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Correto. Peço ao Deputado José Priante que faça parte da Mesa. A assessoria já está providenciando uma cadeira. CÂMARA DOS DEPUTADOS De acordo com a nossa assessoria, informo que, regimentalmente, quem preside os trabalhos quando há reunião conjunta é o Parlamentar com o maior número de mandatos. Como tenho 4 mandatos, eu que presido a reunião. Peço a todos os Deputados que dêem oportunidade aos nossos convidados de falar, porque eles não estão conseguindo. Vamos procurar fazer as intervenções após a manifestação dos nossos convidados. Estão presentes, nesta reunião da Comissão de Defesa do Consumidor, o nobre Deputado José Priante, grande Presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, e o Deputado Nelson Bornier, Presidente da Comissão de Finanças e Tributação. Agradeço, mais uma vez, a presença da TV Câmara. Peço aos Srs. Deputados que não façam apartes, porque o expositor não pode ser aparteado. A questão de ordem será feita após as suas palavras. Muito obrigado. Tem a palavra o Sr. Laerte Codonho, que dispõe de 20 minutos. O SR. LAERTE CODONHO - Agradeço ao Deputado José Priante, uma pessoa ilustre, a presença e por acompanhar os nossos trabalhos. O motivo desta audiência é a concorrência desleal praticada pela Coca-Cola contra a empresa Dolly e contra empresas menores. O meu questionamento — que entendo ser da maior importância — é o seguinte: o que é concorrência desleal? A concorrência desleal se traduz em vários aspectos. O mais importante deles está vindo à tona agora e teremos condições de debatê-lo. Todos nós, os senhores, seus filhos, netos, consumimos Coca-Cola. A pergunta é a seguinte: a Coca-Cola contém algum extrato vegetal derivado da folha de coca? Se existir algum derivado da folha de coca, existe a tese de que esse produto vicia. Eu tenho o meu produto, concorro com a Coca-Cola, que tem na fórmula um componente que vicia. Essa é a maior concorrência desleal que conheço, não pode haver maior. Isso tem de ser respondido neste foro. Sr. Brian, a Coca-Cola tem o dever de dizer se existe algum derivado da folha de coca no seu produto. O consumidor brasileiro tem o direito de saber disso. É essa a pergunta principal, que tem de ser respondida. O senhor pode falar que é tóxico ou não é tóxico, não é CÂMARA DOS DEPUTADOS importante. No Brasil, é proibido folha de coca e suas preparações. A Coca-Cola tem ou não algum derivado da folha de coca na Mercadoria nº 5? Se tiver, essa é a maior concorrência desleal que existe. É um produto que vicia, com o qual não podemos concorrer. A Coca-Cola já foi indiciada pela SDE, porque foram comprovadas práticas anticoncorrenciais, principalmente com os fornecedores. Ela fez pressão, a fim de paralisar o fornecimento para a Dolly e para as outras empresas. Isso já está comprovado, não é conversa, não é papo-furado. A Coca-Cola também fez pressão direta em cima de clientes. Nós vamos reiterar o pedido em relação a isso à SDE, porque estamos com novas provas. Com relação ao e-mail, no tempo em que o Sr. Giganti estava lá na presidência da SPAL, nós temos agora as provas necessárias. O caso mais grave nesta audiência é a armação feita pela Coca-Cola, para trazer pessoas aqui que realmente são bandidos, estelionatários. A espionagem feita pela Coca-Cola foi contratada pela ABCF, cujo representante está aqui, que não tem o menor escrúpulo, que tem ao seu lado o Sr. Pedro, uma pessoa que vou mostrar quem é. O Sr. Pedro está ao lado da ABCF. Fizeram um programa público. CÂMARA DOS DEPUTADOS O Sr. Pedro se dizia contador. O Sr. Pedro, quem a Coca-Cola está usando hoje para tentar me intimidar, apresenta-se como contador. Tenho todas as provas. Tenho uma declaração do Conselho Regional de Contabilidade, que passarei às mãos do Presidente. Esse homem, que assinava como contador, não é contador. Não é contador. É um impostor. É um homem infiltrado por esse homem da ABCF, que é um bandido, que tenta prejudicar a empresa nacional e que trabalha junto com a Kroll. Está fazendo uma palhaçada aqui. Não vem com a verdade. Contrata as pessoas para poder denegrir outros. Tenho todas as provas. O Sr. Pedro declarou de punho que roubou a nossa empresa, roubou a Dolly. Tenho todas as declarações aqui, possíveis e imagináveis, nesse sentido. Só espero, Sr. Presidente, ter a oportunidade de apresentá-las, porque, de um lado, nesta mesa, está a Dolly e, do outro, uma série de representantes da Coca-Cola. Espero que o tempo seja meio a meio, que não seja uma parte para mim e 6 para a outra. O.k.? Eu tenho provas de que esse Sr. Pedro foi infiltrado. Mais uma vez, a Coca-Cola, covardemente, tentando fugir da verdade, coloca um estelionatário, que assina como contador, e não é. Esse homem é um desqualificado. Não serve para isso aí. A Coca-Cola, por meio do Sr. Capistrano, que era o braço direito do Sr. Jorge Giganti, ex-diretor da Coca-Cola, que aqui está, informou as práticas de espionagem. Se os senhores me derem oportunidade, mostrarei ao Sr. Capistrano, que não está presente, não sei por que, fugiu, que esses atos foram praticados por terceiros. Espionagem! Espionagem! Está presente aqui a ABCF, com o seu representante, que colocou esse bandido, estelionatário, ladrão, ladrão. Como a Coca-Cola não tem nada contra mim, eles inventam. Eu tenho um contrato aqui que eu quero trazer a público. A Coca-Cola, com o Sr. Fábio Melo, fez um contrato com a SPAL, que é a engarrafadora da Coca-Cola, no sentido de que, a cada ponto de mercado tirado da Dolly, ele receberia 1 milhão. Esse Fábio Melo, junto com esse Pedro, com esse bandido, que não é contador, é falsário, ladrão... O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente... O SR. LAERTE CODONHO - O senhor vai me deixar falar. O senhor é outro CÂMARA DOS DEPUTADOS que está querendo encrenca comigo. Todas as vezes o senhor me interrompe, desde a outra Comissão. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, o Presidente é o senhor ou o Sr. Codonho? O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Deputado José Carlos... O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - V.Exa. tem de observar que os termos usados por esse senhor não podem ser empregados numa Casa parlamentar. (Não identificado) - Aqui não é lugar de ladrão. Se tiver algum ladrão aqui, tem de ir para a cadeia. O SR. LAERTE CODONHO - Eu também acho. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Então, vamos chamar a Polícia Federal para levar muita gente aqui. O SR. LAERTE CODONHO - Eu também acho. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Esses termos não podem ser usados, Sr. Presidente. O SR. LAERTE CODONHO - Dêem-me licença para ler esta declaração: “O Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo certifica, para fins de comprovação de registro, que, conforme verificamos nos nossos arquivos, não realizamos nenhum registro em nome de Pedro Quintino de Paula”. Ele não é contador, ele não é contador. Ele assinava como contador, se apresentava como contador, trabalhou como contador, e não era contador. Foi infiltrado pela Coca-Cola. Ele e o Sr. Fábio Melo, que se diz sócio do Sr. Jorge Giganti, ex-Presidente da Coca-Cola, que aqui está. Agora, eu pergunto, Coca-Cola: esse é o homem que querem trazer para debater comigo, um bandido? Gostaria que agora fosse mostrada a declaração, de próprio punho, feita pelo Sr. Pedro. Disse que desviou dinheiro da empresa e que queria pagar. Está aqui. Ele disse: “Por minha iniciativa, desviei verbas do caixa da empresa acima”. Ele reconheceu, queria pagar; depois se armou com a ABCF. Não pagou nada e CÂMARA DOS DEPUTADOS inventou uma história de que foi seqüestrado. Agora, pasmem os senhores, ele disse que foi seqüestrado. Ligou para uma pessoa chamada Zibordi, na cidade de Assis. Nós temos tudo isso aqui. Por favor, gostaria que me passassem a pasta do processo do Sr. Pedro. No dia em que ele foi seqüestrado, declarou que jantou comigo no Restaurante Marília. Nessa madrugada, ele ligou para uma pessoa chamada Zibordi — o mesmo sobrenome da esposa dele, podemos ver isso no contrato — e disse que tinha sido seqüestrado. Pasmem os senhores, o cativeiro era a residência dele. Como pode, Sr. Pedro, o senhor ser seqüestrado e permanecer em sua residência? CÂMARA DOS DEPUTADOS A verdade é que o Sr. Pedro é um falsário, um estelionatário, que fica se colocando à disposição desse indivíduo sem escrúpulos, da ABCF, contratado pela Coca-Cola, que invadiu o escritório dessa pessoa que veio aqui, o Sr. Filho, sem mandado de busca. Isso é ilegal. O caso já está na Corregedoria em São Paulo. Eles estão fazendo uma manobra para inibir a Dolly de falar, para que não fale da Operação Pangaia, uma senhora sonegação. Dessa, sim, se deve falar. Por conta dessas denúncias da ABCF e da Coca-Cola utilizadas pelo Sr. Pedro, desde 2000, fomos alvo de várias ações de busca e apreensão. Foi Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Polícia Federal, Polícia Estadual, Receita Federal, Receita Estadual. Sabe o que foi comprovado, Sr. Presidente? Nada. Nada foi comprovado. Nada! Nós fomos colocados no regime especial por conta da ABCF, da Coca-Cola e do Sr. Pedro, desde 2000. Agora, em abril de 2004, depois de uma devassa encabeçada pelo Sr. Pedro, pelo Sr. Ramazzini e pela Coca-Cola, nos tiraram do regime especial, porque nada foi encontrado. A Receita Federal, o Ministério Público Federal e o Ministério Público Estadual fizeram uma devassa nas minhas declarações de Imposto de Renda. Sabem o que encontraram? Nada. Eu recebi apenas uma multa de 190 reais, por erro de preenchimento. Foram quebrados todos os sigilos, fiscal, bancário, todos. Denúncia foi veiculada pela Rede Record. Esse sujeito aparece dizendo que tem 2 notas fiscais, uma de valor alto e outra de valor baixo. Pressupôs esse criminoso que fosse uma nota espelhada. Quem mexe com contabilidade sabe o que isso significa. Uma nota de maior valor para o cliente e uma nota de menor valor para o Fisco, na contabilidade das empresas que engarrafam Dolly. Pasmem os senhores, foi aberto um inquérito criminal. Mandado de busca e apreensão. Inclusive, por orientação desse criminoso que está na ABCF, o Ministério Público foi induzido a erro. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, uma questão de ordem. O SR. LAERTE CODONHO - Com licença. Tanto que o Ministério Público se declarou incompetente. O Procurador da República se declarou suspeito depois que viu toda a verdade. CÂMARA DOS DEPUTADOS Espero que esta Câmara não entre nessa manipulação. O Ministério Público entrou nessa história há 3 anos. Fomos prestar depoimento para a Juíza Kátia Firmino, que está presente. Quando ela viu as notas fiscais, uma de 100% e outra de 10%, ela comprovou a sonegação. Não temos mais nenhum documento contábil, porque todos estão apreendidos na Secretaria da Fazenda, na Receita Federal. Pedimos a nota fiscal que o então criminoso, Sr. Pedro, disse que era espelhada. Pasmem os senhores — está aqui nos autos —, a nota fiscal que estava na nossa contabilidade era a de valor maior. O SR. DEPUTADO JONIVAL LUCAS JUNIOR - Sr. Presidente, eu convoquei o pessoal, que ele está chamando de criminoso. Se, na hora em que os outros forem falar, começar esse tipo de acusação, teremos aqui um tribunal do júri. Não podemos concordar com isso, porque está faltando com o respeito... O SR. DEPUTADO WLADIMIR COSTA - Sr. Presidente, uma questão de ordem. V.Exa. disse que o rapaz poderia fazer uso da palavra e que não poderíamos interrompê-lo. Então, vamos deixar o rapaz falar. O SR. DEPUTADO JONIVAL LUCAS JUNIOR - Colega, estou referindo-me à falta de decoro em relação aos 2 convidados desta Comissão. Eles não podem ser acusados aqui de criminosos. Não é essa a intenção da Comissão. O SR. DEPUTADO WLADIMIR COSTA - Acho que não é caso de decoro, porque não são agentes públicos. O SR. DEPUTADO JONIVAL LUCAS JUNIOR - Ele está desrespeitando a Comissão e as pessoas que não se podem defender. O SR. DEPUTADO WLADIMIR COSTA - Sr. Presidente, nobre Deputado Paulo Lima, só gostaria que V.Exa. lhe garantisse a palavra. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Deputado Wladimir Costa, V.Exa. tem razão. Vou passar a palavra ao Sr. Laerte Codonho, mas antes esclareço que, de acordo com o nosso Regimento, não podem os Deputados e os nossos convidados usar linguagem imprópria. Eu solicitaria ao senhor... O SR. LAERTE CODONHO - Eu peço desculpas... CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Sei que é um desabafo, mas... O SR. LAERTE CODONHO - Não é desabafo. É que se trata de uma manobra, Sr. Presidente. É uma manobra, porque esta Comissão tinha de discutir os crimes da Coca-Cola. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - O senhor tem a palavra. O SR. LAERTE CODONHO - Mas, na realidade, foi feita uma manobra de última hora, que induziu alguns Parlamentares a erro. Trouxeram uma pessoa desqualificada. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Pela ordem, o Deputado... O SR. LAERTE CODONHO - Em relação ao caso, ainda, gostaria de dizer... O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Laerte... O SR. DEPUTADO WLADIMIR COSTA - Sr. Presidente, o senhor vai aceitar questão de ordem ou pedido de palavra pela ordem? O rapaz vai ter a palavra ou não? É isso que queremos saber. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Como autor do requerimento... O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Todos os Deputados podem pedir a palavra pela ordem. Estamos fazendo um acordo entre nós... O SR. DEPUTADO WLADIMIR COSTA - Sr. Presidente, há pouco V.Exa. disse que não acataria isso. Então, faça prevalecer a sua decisão. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, uma questão de ordem. Falo como autor do requerimento e Líder do meu partido. Tenho a palavra? O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - V.Exa. tem a palavra, como Líder do partido. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, gostaria de pedir ao Sr. Laerte que ficasse tranqüilo, porque na semana passada decidimos, em reunião ordinária, que o tema a ser discutido seria, na primeira fase, a questão da concorrência desleal e que, se houvesse tempo — isso está nas notas taquigráficas —, depois de discutida a questão do requerimento que apresentei a esta Comissão, o qual foi votado e aprovado, aí sim discutiríamos outras questões referentes à Dolly, até porque esta Comissão tem o dever de apurar qualquer denúncia que lhe seja apresentada. Todos terão oportunidade de falar. Poderão inclusive usar o tempo destinado às respostas aos Deputados para se defender, se for o caso. Agora, precisamos de calma, para podermos apurar o que está acontecendo e saber se existe ou não concorrência desleal. Sr. Laerte, por gentileza. Do contrário, será criado um tumulto. Como autor do requerimento, tenho todo o interesse em apurar todas as denúncias. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Vou passar a palavra ao Sr. Laerte, para que possa concluir, mas antes devo lembrar que o nosso tema é a concorrência desleal. A questão criminal não passa por esta Comissão. Tem a palavra o Sr. Laerte Codonho. O SR. LAERTE CODONHO - Sr. Presidente, gostaria de esclarecer que, na realidade, eu, meus advogados e inclusive a SDE entendemos que isso é concorrência desleal. Se a Coca-Cola planta uma pessoa dentro da minha empresa ou das nossas empresas franqueadas que deliberadamente nos prejudica, isso é concorrência desleal. Inclusive, o Sr. Fábio Melo fez um contrato com a SPAL e a Coca-Cola. Para cada ponto de mercado retirado da Dolly, essa pessoa ganharia 1 milhão. Isso é concorrência desleal. Essa pessoa e o Dr. Capistrano, o diretor, que deveria estar CÂMARA DOS DEPUTADOS aqui, e não está, estiveram com fornecedores nossos e disseram o seguinte: “Parem de fornecer para a Dolly que nós acertaremos as suas vidas”. Isso é concorrência desleal. Uma pessoa que se dizia contador entrou lá, a serviço da Coca-Cola. Descobrimos que não era contador. E tem mais, Sr. Presidente. Na ocasião, quando fomos depor na Justiça Federal, a Juíza disse: “Espere um pouco, não estou entendendo. A nota maior está na sua contabilidade e a menor está na do no cliente? Não estou entendendo isso”. Então eu explico. Foi o que ele mostrou na televisão. Essas notas são dos clientes a quem o Sr. Pedro também prestava serviço de contabilidade. São notas que ele manuseava. Alguém perguntará: “Mas essas notas são quentes?”. É lógico que são quentes, foi ele quem as emitiu. Acontece que esse procedimento já está na Polícia Federal há 1 ano e meio, Srs. Deputados, onde foi instaurado inquérito. Agora foi corrigido e o Sr. Pedro aparece como réu, porque ele terá que explicar isso na contabilidade dos clientes em que ele colocou. Gostaria de esclarecer algo que apareceu, criou-se uma celeuma: “Veja, aqui há 20 toneladas de papel”. Ora, pode haver 50 toneladas de papel. Tudo isso já foi objeto de devassa da Receita Estadual e da Federal, foram feitas 5 ações de busca e apreensão. Não temos mais nenhum documento fiscal, estão todos no Fisco. Sabe o que foi comprovado? Nada. Empresa distribuidora foi mostrada por ele no ar. V.Exas. são Deputados e sabem que, no regime de substituição tributária, o tributo é cobrado na indústria, nenhuma distribuidora precisa pagar o tributo. Então, distribuidora não paga tributo federal nenhum, muito menos o estadual, tendo em vista o ICMS retido. Portanto, é óbvio que a distribuidora não pagou. Não tenho nada a ver com essa distribuidora. CÂMARA DOS DEPUTADOS Também quero lhes mostrar um boletim de ocorrência criado por esse contador, o Sr. Pedro. Ele foi à delegacia e fez um boletim de ocorrência no qual informa que todos os documentos e peças de empresas que têm ligação conosco, e que estavam em poder dele, foram extraviados. Entretanto — pasmem! —, os documentos que estavam com ele e que foram desviados agora apareceram na denúncia da ABCF e da Coca-Cola. Quer dizer, é um jogo sórdido, errado. Alguns dias antes da audiência, colocam o bode. Todas as denúncias já foram apuradas. Todas as denúncias foram alvo de devassa, porque a ABCF e a Coca-Cola são competentes na maldade. Conseguiremos provar isso aqui. O Sr. Capistrano já dizia como fazia a espionagem. Recentemente, tivemos o caso da Kroll e tudo ficou comprovado. Temos absoluta convicção de que a ABCF e a Coca-Cola estavam pagando à Kroll, direta ou indiretamente, para monitorar não só a mim como alguns Deputados presentes. Alguns Deputados presentes também estavam sendo monitorados. Portanto, é um assunto muito sério. Quer dizer, se a Coca-Cola diz que a Dolly é uma empresa desprezível e contrata a Kroll para investigar a Dolly, alguma coisa não está certa. Sr. Presidente, gostaria mais uma vez de agradecer o convite para estar presente a esta audiência e de colocar-me à disposição de V.Exas. Peço desculpas se me estendi, mas precisava explicar-me. Inclusive, gostaria de perguntar aos senhores presentes: agora discutiremos sobre o tema original da audiência ou sobre essa pessoa que a Coca-Cola inseriu com o objetivo de tumultuar esta reunião da Comissão de Defesa do Consumidor? Preciso dessa informação para saber que estratégia adotar. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Sr. Laerte, num primeiro momento discutiremos a questão da concorrência desleal. Conforme aprovado por esta Comissão, estaremos reunidos até as 18h, se necessário, para que se façam esses esclarecimentos. O senhor tem a palavra para discutir a questão da concorrência desleal. Após o término de sua exposição, passaremos a palavra ao Sr. Brian Smith e a outras pessoas. O SR. LAERTE CODONHO - Apenas gostaria de saber que estratégia será montada para que eu possa posicionar-me. Não estou entendendo. O objeto desta CÂMARA DOS DEPUTADOS audiência, inicialmente, era concorrência desleal; de repente, 2 Comissões aprovaram a presença de uma pessoa para poder inibir a audiência. Então, não estou entendendo. Sou um só, a Coca-Cola é muito poderosa, vemos que realmente é uma empresa poderosa, e quero saber o que preciso fazer para me defender, porque sou pequeno e sou sozinho. Preciso saber o que vou dizer aqui e qual será a linha de massacre que a Coca-Cola lançará sobre mim. Vamos falar sobre o quê, sobre um estelionatário? Isso está configurado. Vamos falar sobre concorrência desleal, sonegação da Coca-Cola? O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Sr. Laerte Codonho, somos 3 Presidentes nesta Comissão e temos compromisso com a verdade e com os esclarecimentos levantados pelos autores dos requerimentos e pelas pessoas interessadas no caso. Estão presentes o representante do CADE, Sr. Rubens Nunes, e a representante da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça, Sra. Alessandra Viana. Ouviremos a seguir o Sr. Brian Smith, depois o Sr. Jorge Dante Giganti e os Deputados. O senhor voltará a falar. Nesta primeira etapa, estamos discutindo, repito, a questão da concorrência desleal, o que é concorrência desleal para o senhor e para os autores dos requerimentos, que vão falar também. Na segunda etapa, discutiremos a questão da sonegação fiscal, também alegada pelos autores dos requerimentos. O SR. DEPUTADO ALEX CANZIANI - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. DEPUTADO ALEX CANZIANI - Sr. Presidente, o Sr. Laerte expôs uma série de questões. Para que haja melhor organização do debate, sugiro ouvirmos os outros expositores e depois iniciarmos o debate. O próprio Sr. Laerte terá a oportunidade de falar novamente. V.Exa. deixou claro que agora trataremos da questão da concorrência desleal. Portanto, vamos ouvir os outros. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR DEPUTADO ALMIR MOURA - Sr. Presidente, a situação não é tão simples como parece, e eu também gostaria de entender o que se passa. Se a audiência foi aprovada há 30 minutos e o convidado já se encontrava no recinto, pergunto: será que esse convidado estará preparado para responder? O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Deputado, na verdade a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle a aprovou há 30 minutos, mas a Comissão de Defesa do Consumidor a aprovou essa audiência em maio. Portanto, nós aprovamos com antecedência de 6 meses. O SR DEPUTADO ALMIR MOURA - Não, a segunda reunião foi na semana passada, e eu estive nela. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Certo, a segunda o Deputado Jonival Lucas Junior pediu que fosse em conjunto. Esta Presidência aceitou o pedido com o intuito de esclarecermos essas questões em definitivo. Os convidados e os Parlamentares, obviamente, farão questionamentos; a TV Câmara presenciará esta audiência e levará ao público o que ocorre em nossos trabalhos. Agradeço a exposição ao Sr. Laerte Codonho e passo a palavra ao Sr. Brian Smith, Presidente da Coca-Cola no Brasil. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, apenas um esclarecimento. V.Exa. ouvirá todos os convidados e depois serão feitos os questionamentos, ou dividirá por bloco? O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Todos os convidados serão ouvidos, depois serão feitos os questionamentos por bloco de Deputados, começando pelo os autores do requerimento. V.Exa. e o Deputado Celso Russomanno são autores de requerimento. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, não é o caso de também dividirmos por bloco de expositores? Tem uma coisa que me incomoda. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Deputado, peço que me desculpe, mas primeiro temos que ouvir os convidados, os representantes do CADE e da Secretaria de Direito Econômico, porque a partir disso os questionamentos serão mais claros e abertos. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, o que me incomoda é que preciso falar ao telefone e estou com medo porque o Sr. Laerte CÂMARA DOS DEPUTADOS Codonho disse que os Deputados estão sendo monitorados. Antes que V.Exa. passe a palavra aos convidados, peço que o Sr. Laerte nos informe quais são os Deputados que estão sendo monitorados com escuta telefônica. Quero falar ao telefone e estou com medo. Ele terá que declinar o nome dos Deputados que estão sob escuta telefônica. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Sr. Deputado, essa questão já foi discutida e na segunda etapa ouviremos o Sr. Wagner Castilho, Delegado da Polícia Federal; o Sr. Fernando Ramazzini, Presidente da Associação Brasileira de Combate à Falsificação; e Sr. O Pedro Quintino de Paula, ex-contador da Dolly. Peço aos Deputados um pouco de paciência para que possamos ouvir nossos convidados. Com a palavra o Sr. Brian Smith, Presidente da Coca-Cola no Brasil, por 20 minutos ou mais. O SR. BRIAN SMITH - Sr. Deputado Paulo Lima, Presidente da Comissão de Defesa do Consumidor; Sr. Deputado Nelson Bornier, Presidente da Comissão de Finanças e Tributação; Sr. Deputado José Priante, Presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle; Deputados e Deputadas; demais autoridades presentes; senhoras e senhores, é com prazer que volto a esta Casa. Antes de começar a falar, quero desculpar-me pelo meu português imperfeito. Novamente entendi a importância de estar presente a esta audiência, atendendo ao convite das Comissões. Gostaria apenas de solicitar à Presidência desta Mesa que, quando necessário, permita-me ser auxiliado por outros executivos da Coca-Cola presentes a esta audiência, para que possam ajudar-me quanto ao idioma e eventualmente a responder perguntas específicas sobre as quais não tenho conhecimento detalhado. CÂMARA DOS DEPUTADOS Na última vez em que estivemos aqui, em audiência pública na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, a sessão foi subitamente interrompida e infelizmente não pudemos completar nossa exposição e responder a todas as perguntas que nos foram feitas. Assim, hoje gostaria de começar por onde fomos interrompidos na última vez e responder claramente à absurda acusação de que nosso principal produto, a Coca-Cola, que deu nome à nossa empresa, usaria substância entorpecente e viciante em sua fórmula. Esta é uma acusação torpe e que impressiona pela total falta de fundamento. Mas fazemos questão de respondêla: não há, nem poderia haver, uma substância proibida em nossa fórmula. Repito: não há substância proibida em nossa fórmula. Por um lado, as autoridades brasileiras responsáveis pelo registro de produtos alimentícios têm todas as informações sobre nossos produtos e há 62 anos vêm autorizando e renovando a autorização para o uso de nossos refrigerantes em geral e da Coca-Cola em particular. Por outro lado, essa mesma fórmula, esse mesmo produto, está autorizado e é vendido em mais de 200 países em todo o mundo. Das Américas à Ásia, da Europa à Oceania, a Coca-Cola é um produto de sucesso pelo seu sabor delicioso e pelo seu compromisso com as legislações de cada País e a ética dos negócios internacionais, ética que é a mesma em todo o mundo. Como seria possível enganar tantas pessoas, em tantos lugares, por tanto tempo? É realmente surpreendente que ainda existam aqueles que, por ignorância ou má-fé, propalem acusações tão absurdas. Aqui no Brasil passamos por situação semelhante em 2000 e foi feito um teste do produto, pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal. O resultado foi este laudo, cuja cópia passo à Comissão, onde se demonstra que a Coca-Cola é, exatamente como sempre dissemos e como as autoridades atestaram, um produto absolutamente seguro para o consumo, que cumpre todas as leis do País. Na verdade, o que vem se verificando é um verdadeiro marketing de difamação patrocinado por empresa concorrente que, ao contrário de ser uma vítima, vem aumentando substancialmente sua participação no mercado, por meio dessa campanha difamatória, que mantém seu nome em evidência . A Coca-Cola esteve e estará à disposição das autoridades para eliminar CÂMARA DOS DEPUTADOS qualquer dúvida que ainda persista sobre a composição de seu produto, mas não admitirá que um concorrente utilize afirmações de caráter difamatório para concorrer deslealmente. O segundo ponto que queremos enfatizar é que a Coca-Cola, juntamente com seus fabricantes, orgulha-se do impacto de seu negócio no Brasil. Somos um conjunto de 19 grupos empresariais espalhados por todo o País, levando nossos produtos aos mais de 5.500 Municípios brasileiros. Nosso sistema Coca-Cola faturou 6 bilhões e meio de reais no ano que passou e efetivamente desembolsou mais de 2 bilhões de reais em impostos e contribuições federais, estaduais e municipais. Sabemos que com esses impostos beneficiamos indiretamente centenas de milhares de brasileiros através de programas de Governo em todos os níveis. Também empregamos cerca de 26 mil brasileiros diretamente em nossas fábricas e escritórios, e, através de nosso sistema de distribuição descentralizado, mantemos 260 mil empregos indiretos em nosso setor. Além disso, o sistema Coca-Cola investe anualmente mais de 40 milhões de reais em 143 programas sociais. Na área de responsabilidade social seguimos a mesma filosofia de nosso negócio: estamos em todas as partes, com programas em cada um dos Estados brasileiros, para todas as faixas etárias. Apesar de toda a nossa atuação de responsabilidade empresarial, fiscal e social, nossa empresa tem sido vítima, ao longo do último ano e meio, de um incompreensível ataque à sua integridade e à sua honra. Temos sofrido uma campanha que tenta nos difamar e que começou por uma disputa comercial com nosso fabricante regional em São Paulo; prosseguiu com uma (ininteligível) de funcionários da Coca-Cola e de seus fabricantes, alguns deles em litígio judicial com nossa companhia; e partiu para ataques diretos em espaços comerciais, com produção independente na TV e mídia externa. CÂMARA DOS DEPUTADOS Nossa decisão foi a de responder apenas através dos canais institucionais corretos. Hoje temos uma série de ações na Justiça que buscam reparar os danos causados à nossa imagem. Na SDE apresentamos nossas informações e, somente com isso, 3 das 4 acusações já foram arquivada, por absoluta falta de fundamento, segundo avaliação da própria SDE, estando a quarta acusação ainda pendente de decisão. Conseguimos também uma vitória, por decisão unânime do CONAR, para a retirada de outdoors difamatórios, o que deu origem a um inquérito policial instaurado contra os responsáveis pela Dolly, por concorrência desleal. Entendemos que as instituições devem ser cuidadosas e dar todas as oportunidades para que as partes sejam ouvidas. Assim, aqui também, no Congresso, hoje, em nome da verdade, esperamos contribuir para o esclarecimento de todos os fatos vinculados a essa campanha promovida por esse concorrente. Sras. e Srs. Deputados, muito obrigado por nos oferecerem mais esta oportunidade. É uma honra para a Coca-Cola estar nesta Casa e contribuir para elucidar qualquer questão que diga respeito a nosso mercado ou a nossa empresa. Eu e cada um de nossos funcionários estamos sempre à disposição do Parlamento brasileiro e dos órgãos governamentais competentes. Se houver concordância desta Comissão, gostaria de solicitar ao nosso VicePresidente, Rodrigo Caracas, que complementasse minha exposição com dados que ajudarão a elucidar melhor o assunto aos Srs. Parlamentares presentes. Mais uma vez, obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Agradeço ao Sr. Brian Smith a exposição. Complementando o tema e o tempo do Sr. Brian Smith, concedo a palavra ao Sr. Rodrigo Caracas. O SR. RODRIGO CARACAS - Srs. Presidentes das Comissões aqui presentes, Sras. e Srs. Deputados, demais autoridades presentes, senhoras e senhores, de início, agradeço a V.Exas. a oportunidade de complementar os esclarecimentos prestados pelo nosso presidente, para, em nome da verdade, informá-los dos procedimentos judiciais e extrajudiciais que estão em andamento. A companhia entende que está sendo vítima de uma tentativa de difamação CÂMARA DOS DEPUTADOS patrocinada pela Dolly e demais pessoas a ela ligadas, cujo único objetivo é alcançar visibilidade e conquistar aumento de participação no mercado. Em função desse processo difamatório, a companhia ajuizou diversos procedimentos, com o objetivo de fazer com que a Justiça determine o fim dessa campanha, além de condenar a Dolly e o Sr. Laerte Codonho a repararem os danos causados à imagem da Coca-Cola. Com efeito, a Coca-Cola ajuizou ação indenizatória, com pedido de reparação de danos materiais e morais contra o Sr. Laerte Codonho e as empresas ligadas à marca Dolly. Tal ação está em curso na 31ª Vara Cível de São Paulo. Quando essa ação já estava em andamento, a Dolly fez publicar anúncios publicitários nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, com indagações, que podem ser qualificadas como afirmações, a respeito de cocaína no refrigerante Coca-Cola. Em decorrência de mais essa campanha difamatória, a empresa tomou 3 providências. Primeira delas: ofereceu competente representação junto ao CONAR requerendo que a campanha publicitária fosse imediatamente suspensa. O CONAR, liminarmente, suspendeu a campanha, mas a Dolly não atendeu a essa decisão. Depois disso, o caso foi julgado. Por unanimidade, o CONAR entendeu que a campanha não poderia ter sido veiculada porque representava graves difamações contra a Coca-Cola e chegou a lamentar que não houvesse sanções mais graves para aplicar no âmbito daquele próprio órgão. CÂMARA DOS DEPUTADOS Também ajuizamos ações cíveis, em São Paulo e no Rio de Janeiro, requerendo que a Justiça, liminarmente, determinasse a retirada das propagandas difamatórias naquelas cidades. Nas duas ações obtivemos liminares determinando a imediata retirada das propagandas, o que mais uma vez não foi cumprido pela Dolly, a tal ponto que os juízes autorizaram a própria Coca-Cola a retirar os cartazes, sem prejuízo, apesar de o juiz de São Paulo ter reconhecido que o caso configurava desobediência a uma ordem judicial. Ajuizamos também, em decorrência desses anúncios difamatórios, ação penal cautelar para constar a materialidade de crime de concorrência desleal, tendo a juíza acolhido o nosso pedido e determinado a constatação desses cartazes. Além disso, iniciamos inquérito policial contra os representantes legais da Dolly e demais empresas que participaram da campanha. A respeito desse inquérito policial, é oportuno ressaltar que o delegado de polícia que o preside decidiu intimar os sócios responsáveis pela empresa detentora da marca Dolly, pessoalmente, sob pena de condução coercitiva, após constatar que ambos estão procrastinando o inquérito policial, evitando intimações, a tal ponto que o próprio delegado afirmou que os funcionários da empresa estão orientados a evitar informações, conforme comprova cópia de documento, que coloco à disposição de V.Exa. neste momento. Neste mesmo inquérito, constam declarações da Secretária da diretoria da empresa. Todavia, apesar de trabalhar na sede da empresa, ela não sabe onde esses diretores administram a empresa, fazendo questão da afirmar que os mesmos “não permanecem nesse local”, desconhecendo onde exatamente exercem suas funções, conforme consta de seu depoimento naquele inquérito, cuja cópia passo à mão de V.Exa. neste momento. Há ainda ação proposta contra a Rede TV e as empresas relacionadas à marca Dolly, objetivando, além da cobrança de danos morais e matérias, a suspensão da veiculação do programa denominado 100% Brasil, que tem com único objetivo difamar a Coca-Cola. Também esta ação obteve respaldo do Poder Judiciário, que proibiu a veiculação desse programa reconhecendo que o mesmo integra a campanha difamatória. Contudo, a exemplo do que já vem ocorrendo em outras ações, a CÂMARA DOS DEPUTADOS decisão judicial não está sendo cumprida pela emissora. Em síntese, Srs. Deputados, o que se vê é que a campanha difamatória não é assim reconhecida apenas pela nossa empresa, mas pelo Judiciário também. Além disso, o que se constata é que o Sr. Codonho e os demais representantes, ligados á marca Dolly, tem se especializado em ignorar decisões judiciais. E agora, para nosso espanto, contam com a colaboração da Rede TV! Espero ter contribuído para os esclarecimentos dos fatos e me coloco à disposição de V.Exa. para prestar demais esclarecimentos, quando assim se fizerem necessários. (Não identificado) - Não tive oportunidade e, por isso, gostaria de comentar alguns pontos, se V.Exa. me permitir. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Ainda temos que ouvir o Sr. Jorge Dante Giganti e os representantes do CADE e da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça. Voltarei a palavra ao senhor, antes de passar aos autores dos requerimentos, e posteriormente aos Deputados. Passo a palavra ao Deputado José Priante, Presidente da Comissão de Fiscalização e Controle. O SR. DEPUTADO JOSÉ PRIANTE - Sr. Presidente Paulo Lima, Sr. Presidente Nelson Bornier, cumprimento inicialmente todos os Parlamentares e os convidados presentes. Não vou fazer considerações maiores, mas apenas esclarecer no início desta audiência a forma como nos incorporamos a ela e ao mesmo empo a dúvida que foi suscitada, especialmente pelo Parlamentar Almir Moura, com relação ao requerimento e à tempestividade da deliberação da Comissão de Fiscalização. É fato que a Comissão de Fiscalização tem, diferentemente das demais Comissões desta Casa, uma capilaridade pela promoção das ações de fiscalização. Na sua formação técnica, ela tem o poder político de adentrar em todos os temas com o propósito de fiscalizar. CÂMARA DOS DEPUTADOS Esclareço ainda que requerimento aprovado na nossa sessão ordinária hoje pela manhã é ipsis litteris cópia do requerimento aprovado na Comissão de Finanças e Tributação. Portanto, o teor do requerimento é de conhecimento dos convidados, porque o requerimento o mesmo e o autor é o mesmo também. Mesmo que a nossa participação tenha sido muito em cima da hora, o teor do requerimento e o autor são os mesmos. A Comissão de Fiscalização soma-se a esta audiência pública com o propósito de, de uma vez por todas, tentarmos dirimir todas as dúvidas e não ficarmos com uma demanda reprimida na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, na Comissão de Finanças e Tributação e na Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias. A Câmara dos Deputados, representada pelas 3 Comissões, está ouvindo. E evidentemente se puder, vai deliberar alguma coisa no que diz respeito ao tema. Obrigado, Sr. Presidente. O SR. DEPUTADO ALMIR MOURA - Sr. Presidente, quero penas dizer que não duvidei de forma alguma da Comissão. Estou satisfeito, fiquei satisfeito com o esclarecimento do presidente, porque sei que o desempenho que V.Exa. tem tido na Comissão é de grande valia para a nossa Pátria. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Agradeço as exposições ao Sr. Brian Smith e ao Sr. Rodrigo Caracas e passo a palavra ao Sr. Jorge Dante Giganti, ex-Presidente da Coca-Cola. O SR. JORGE DANTE GIGANTI - Obrigado, Sr. Presidente. Bom-dia a todos. Vou tentar ser diferente dos 3 oradores que me antecederam: não vou ler um discurso, não vou ofender ninguém e não vou me exceder no tempo, se Deus quiser. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, vim aqui por um conceito básico de respeito a esta Comissão, a esta Casa, à instituição do Legislativo e também, obviamente, por respeito a mim próprio, à minha carreira de mais de 30 anos dedicados a uma empresa que me orgulho de ter representado. Tenho a honra de levar um nome e ter isso como único grande patrimônio da passagem por esta decorrência chamada vida. Codonho, o senhor deu o depoimento sobre uma fita que não vou discutir se é lícita ou ilícita, legítima ou ilegítima, mas sem dúvida uma coisa está clara: essa CÂMARA DOS DEPUTADOS história está esgotada. Nada tem sido visto, ouvido ou citado além da fita, das declarações do Sr. Capistrano que, induzidas por Codonho, contêm uma série de calúnias, de injúrias, de difamações, de inverdades e de mentiras sobre minha pessoa e sobre empresas pelas quais fui responsável. Tais declarações são aceitáveis, porque são conjecturas e não fatos. Sem querer falar bem de mim, faz 30 anos que cheguei a este País. Não sou brasileiro, ninguém é perfeito. Nasci na República Argentina e, para piorar, em Buenos Aires, mas me orgulho de tomar parte deste País, de ter, de forma mais ou menos modesta, contribuído para gerar e distribuir riqueza, crescimento e desenvolvimento. CÂMARA DOS DEPUTADOS Quis o destino que, durante 20 anos, eu comandasse asde operações da Companhia Coca-Cola, no Brasil, durante um bom tempo, depois, no México, na Colômbia, na Venezuela e, posteriormente, na Argentina, no Uruguai e no Paraguai. Que coisa interessante: senti-me estranho na minha própria terra e voltei para o Brasil, onde estou e tenho filhos com uma brasileira. Não passei 30 anos da minha vida fazendo brincadeiras, desrespeitando a lei, transgredindo a ética ou transgredindo a minha própria integridade, que é tão mais importante. Por formação profissional e convicção pessoal, respeitei durante esses últimos 30, 40 ou 60 anos de vida, a lei, a ética, os princípios e a integridade. Não posso e não vou aceitar que, leviana e lunaticamente, apareça alguém para dizer que sou isto ou aquilo. Se não há provas, vai ter que se retratar, e não há provas. Nunca assinei um contrato com o dito Codonho. A Coca-Cola tem coisas mais importantes a fazer e as faz trabalhando. É uma empresa de 120 anos, com 60 anos no Brasil, que construiu essa liderança trabalhando em equipe, com brasileiros, gerando emprego e riqueza, distribuindo riqueza. Então, está na hora de pararem com essa brincadeira de que o Codonho é vítima de todos. Parece que há uma mania persecutória de todas as estruturas do Brasil contra ele. Provavelmente, Sr. Presidente, V.Exa. não saiba, mas na pauta da reunião há o que eu chamaria de falsidade ideológica, embora não seja advogado nem entenda das coisas jurídicas, porque disseram: “Sr. Laerte Codonho, Presidente da empresa de refrigerantes Dolly”. O Sr. Laerte Codonho juridicamente não é, pelo menos no Estado São Paulo, Presidente da Dolly. Nunca foi, pelo menos desde 1997. O Sr. Laerte Codonho, convidado por esta Comissão, não é Presidente da Dolly. Então, há uma falsidade ideológica, Sr. Presidente, até no cartão de apresentação perante esta Comissão do Congresso Nacional da República Federativa do Brasil. Então, é hora de começarmos a colocar em perspectiva as coisas. Ou se mostram fatos ou se encerra o papo. Os fatos que o Sr. Codonho continua comentando, como disse o Sr. Capistrano — e também lamento que não esteja presente. CÂMARA DOS DEPUTADOS (Intervenção inaudível.) O SR. JORGE DANTE GIGANTI - Não lhe perguntei se você lamenta. Estou falando. Respeitei, com o meu silêncio, a sua exposição. Agora respeite a minha. CÂMARA DOS DEPUTADOS O Sr. Codonho, em agosto de 2003, em dezembro de 2003 e em maio de 2004, em inquéritos do 3º Distrito Policial de Diadema, da Polícia Civil do Estado de São Paulo e da Secretaria de Direito econômico do Departamento de Proteção e Defesa Econômica, no dia 24 de maio de 2004, retificou, desmentiu, disse que o que ele havia dito não era verdade, não reproduzia os fatos, não tinha fidelidade, ele tinha sido induzido, seduzido e pressionado a dizer o que ele disse. Está nesses termos nesses depoimentos. A partir da primeira reunião do dia 12 de junho, em 5 reuniões que teve, o Sr. Laerte perguntava — vou mencionar o que ele diz — sobre a participação do depoente em tramas e complôs contra a Dolly. Disse que no início, o depoente negava, mas que depois resolveu concordar com tudo que era dito para não perder o contrato de consultoria, uma vez que não via malícia no assunto. Um, por vaidade, por desespero, por auto-afirmação, por necessidade de sobrevivência, chamado Luís Eduardo Capistrano, entrou no jogo. O outro, não sei, provavelmente por falta de escrúpulos, provavelmente por egocentrismo, possivelmente porque a melhor coisa quando alguém sente-se acuado é atacar para se defender; enfim, por aqueles sintomas ou síndromes de perseguição e paranóia. Codonho disse que um fornecedor, que nunca pertenceu ao quadro de fornecedores da Coca-Cola nem da Spal, em São Paulo, estava sendo pressionado. Sendo que esse fornecedor estava sendo pressionado porque ele nunca forneceu, era um fornecedor muito importante da Dolly. E o mais interessante é que o Sr. Laerte disse ao depoente que queria 100 milhões de dólares pela Dolly e que o depoente poderia cobrar da FEMSA 110, ficando os 10 milhões como taxas de corretagem. Quando o depoente — estou lendo o depoimento, à Secretaria de Direito Econômico, do Sr. Luis Eduardo Capistrano do Amaral — percebeu que não se tratava de um negócio comercial de consultoria, como ele pensava, conversou com o seu irmão e com um advogado para ver como eles viam essa proposta; que, na última reunião de que participou, comunicou ao Sr. Laerte que a sua proposta havia sido entendida pelos conselheiros do depoente como uma forma de chantagem. Diante disso, foi dispensado pelo Sr. Laerte que, além disso, o ameaçou — como me ameaçou hoje aqui perante todos vocês —, dizendo que conhecia muito bem a vida do depoente e que se o depoente não o ajudasse iria CÂMARA DOS DEPUTADOS sofrer as conseqüências. Parece incrível o que está dizendo aqui o Sr. Capistrano. Poderíamos continuar com a história dos e-mails, os e-mails apócrifos, os emails que, como já expuseram o Brian e o Rodrigo Caracas, já foram julgados 3 dos 4... (Intervenção inaudível.) O SR. JORGE DANTE GIGANTI - Eu escutei em silêncio o seu depoimento. Você vai escutar em silêncio o meu. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Dá licença, um momento. Nós convidamos as pessoas em conformidade com os autores dos requerimentos. Eles solicitaram as pessoas. Nós já acertamos, Sr. Laerte, que, após a exposição dele, o senhor vai ter mais um tempo antes de passar a palavra para os autores dos requerimentos. Será um tempo maior, talvez não proporcional, porque nós ainda temos que ouvir o pessoal do CADE e da Secretaria de Direito Econômico, porque eles estão ouvindo as exposições. Vamos deixar as emoções um pouco de lado e ouvir as exposições. É o que solicito neste momento. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. JORGE DANTE GIGANTI - Sr. Presidente, estou respeitando não só uma linguagem civilizada e cordata, como compete a esta Casa, mas também o meu tempo, faz menos de 15 minutos que comecei a falar. E, realmente, não adianta querer criar tumulto, ou se respeitam os direitos de todos, ou ninguém tem direito a nada. Desculpem, agradeço. Realmente, para aproveitar bem o que queria comentar com vocês, existe um documento que talvez seja o primeiro que exista em toda essa... Só para não deixar isso solto, 3 dos 4 requerimentos apresentados na Secretaria de Direito Econômico já foram julgados como não procedentes, como não havendo nenhum motivo ou nenhuma causa para caracterizar concorrência desleal. Nesse sentido, e falando de concorrência desleal, está na Internet, com data de 18 de novembro de 2002, um despacho diz que: “Trata-se de ação civil pública em que o autor, o Ministério Público Federal, objetiva o encerramento compulsório da ré, Ragi Refrigerantes Ltda, sob o argumento de que a referida empresa não busca, de fato, fim lícito”. Vou repetir: “que a referida empresa não busca, de fato, fim lícito, em razão de fraudar, reiteradamente, o Fisco Estadual e Federal, bem como descumprir as leis trabalhistas” — escutem esta parte —, “fazendo da concorrência desleal uma prática inerente às suas atividades. O autor pede a liminar, determinando a imediata paralisação das atividades da ré e, no mérito, sua dissolução judicial. É a síntese do pedido e de seus fundamentos. Decido, conforme relatado pelo Ministério Público Federal, a suposta ofensa ao ordenamento jurídico atribuída à ré e conduta que estaria sendo reiterada a alguns anos do que se depreende a inexistência de urgência que não pudesse aguardar mais alguns poucos dias suficientes à defesa”. Este documento é do dia 18 de novembro de 2002, está na Internet e fala claramente que a referida empresa não busca, de fato, fim lícito em razão de fraudar, reiteradamente, o Fisco Estadual e Federal, descumprindo leis trabalhistas, fazendo da concorrência desleal uma prática inerente às suas atividades. Para não exceder o meu tempo, Sr. Presidente, desejo só fazer o comentário final de que, provavelmente, se tivéssemos conhecimento de alguns fatos que surgiram recentemente não estaríamos hoje aqui. CÂMARA DOS DEPUTADOS Tenho a opinião pessoal, com todo respeito a esta Casa, de que não é este o foro para discutir esse assunto e que, se vamos discutir esse assunto, que seja com fatos, sem calúnias, sem meias-verdades, sem mentiras. Obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Agradeço ao Sr. Jorge Dante Giganti a exposição e passo a palavra ao Sr. Rubens Nunes, representando o Conselho Administrativo de Defesa Econômica — CADE. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. RUBENS NUNES - Srs. Deputados, Srs. Presidentes das Comissões presentes, é uma honra estar aqui nesta Casa podendo colaborar com os trabalhos das Comissões e vejo com bastante alegria e esperança o fato de a sociedade civil, representada no Parlamento, estar se preocupando e atuando firmemente na defesa da concorrência. Não vejo uma competição entre o Executivo e o Legislativo; pelo contrário, os 2 esforços somam-se, reforçam-se. Então, vemos com muito bons olhos o trabalho dessas Comissões. No caso concreto que se está discutindo aqui, na verdade, o CADE não pode manifestar-se ainda, porque é o órgão judicante do sistema de defesa da concorrência e não pode manifestar-se sobre um caso que ainda está em fase de instrução. Na verdade, a Secretaria de Direito Econômico entendeu de abrir um processo administrativo. No andamento normal dos trabalhos, o Sr. Secretário de Direito Econômico pode decidir pelo arquivamento se achar que não há evidência suficiente para seguir o processo ou pode encaminhar ao CADE para julgamento. Nesse caso, vai ser seguido todo o trâmite do processo administrativo, as partes vão ter integral direito a defesa, como vem sendo feito pelo CADE, órgão que faz um julgamento administrativo. Então, o Plenário do CADE vai julgar, se for o caso, se o processo seguir adiante, e, se não estiverem submissas à decisão, as partes podem recorrer à Justiça comum. Concretamente, não é conveniente, nem oportuno, nem cabível, manifestar-me sobre o conteúdo real da coisa. Estou à disposição para prestar algum esclarecimento sobre o funcionamento do órgão, sobre o andamento processual. Obrigado a todos, mas minha contribuição é mínima aqui. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Agradeço ao Sr. Rubens Nunes pela exposição e passo a palavra à Sra. Alessandra Viana Reis, Coordenadora-Geral de Análise de Infrações nos Setores de Serviço e Infra-Estrutura, da Secretaria de Direito Econômico, do Ministério da Justiça. A SRA. ALESSANDRA VIANA REIS - Bom dia a todos. Srs. Presidentes, Sras. e Srs. Deputados, senhoras e senhores, o que tenho a informar é que a Secretaria de Direito Econômico abriu uma averiguação preliminar para apurar se CÂMARA DOS DEPUTADOS existiam indícios de infração à ordem econômica nas denúncias feitas pela Dolly em relação à Coca-Cola e à Spal. Nessa averiguação preliminar, foram realizadas várias diligências, com o objetivo de melhor conhecer as denúncias e também o funcionamento do mercado de refrigerantes no País. Foram enviados ofícios para clientes da Dolly, para fornecedores de insumos da Dolly; foram tomados depoimentos de fornecedores de insumos da Dolly; foi tomado o depoimento do Sr. Capistrano do Amaral. E, além disso, fizemos a transcrição da gravação das conversas mantidas entre o Sr. Laerte Codonho e o Sr. Capistrano dos dias 12 e 13 de junho de 2003. Fizemos a análise dessa transcrição. E, após a análise de toda a documentação, de todas as informações e dados contidos nos autos, a Secretaria de Direito Econômico entendeu pela abertura de um processo administrativo em desfavor da Coca-Cola, da Spal e do Sr. Capistrano do Amaral para apurar a suposta ocorrência de exercício de pressão sobre os fornecedores de insumos da Dolly e também de outros fabricantes de refrigerantes regionais para que interrompessem o fornecimento desses insumos. O processo administrativo foi aberto em 7 de outubro deste ano, e, no momento, está correndo prazo para que as representadas apresentem defesa. A abertura do processo foi baseada em alguns trechos da conversa mantida pelo Sr. Laerte e pelo Sr. Capistrano. Em um dos trechos, mencionava-se a existência de uma regra pela qual os fornecedores de insumos da Coca-Cola, se quisessem ser fornecedores da Coca-Cola, não poderiam ser fornecedores de outros fabricantes. Também em algumas respostas de 2 fornecedores de insumos da Dolly que informaram que foram pressionados: se quisessem ser fornecedores da Coca-Cola, teriam que interromper o fornecimento de insumos para a Dolly. E, também, na resposta de alguns clientes da Dolly que informaram que, por algumas vezes, a Dolly não atendeu o pedido deles dizendo que estaria com falta de insumos. CÂMARA DOS DEPUTADOS Gostaria de esclarecer que o fato de a Secretaria de Direito Econômico ter aberto o processo administrativo significa apenas o reconhecimento de que existem fatos nos autos que merecem uma investigação mais aprofundada. E o processo administrativo é o melhor instrumento jurídico para isso ocorrer porque oferece às representadas todas as oportunidades de defesa. Agora, a abertura do processo administrativo não significa que a Secretaria de Direito Econômico tenha reconhecido ou tenha comprovado que as representadas cometeram alguma infração à ordem econômica. Significa apenas o entendimento de que há fatos que precisam ser mais bem investigados. Mesmo porque a função da Secretaria de Direito Econômico é de investigar os fatos, colher informações, colher dados, ouvir pessoas, colher depoimentos e, depois, enviar o processo ao CADE. É o CADE que tem a palavra final. A Secretaria de Direito Econômico apenas investiga e emite, no final, um parecer com uma recomendação, mas o parecer dela não é vinculativo e ela não tem uma decisão final no caso. São essas as informações iniciais que eu trouxe. Como o processo está em andamento, a Secretaria não pode emitir maiores opiniões. Obrigada a todos. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Agradecemos à Sra. Alessandra Viana Reis a exposição. O Presidente da Comissão de Defesa do Consumidor está ausente por ter sido chamado ao telefone. Vou seguir rigorosamente o que diz o roteiro deste expediente, em que pese a S.Exa. ter dito que ia dar tempo para A, B, C ou D. Vai assumir, Presidente? Está pronto para assumir? Eu ia seguir outra rotina... O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Meu amigo Presidente Nelson Bornier, eu lhe agradeço. Estava sugerindo que tínhamos combinado conceder 5 minutos ao Sr. Laerte Codonho, que gostaria de fazer alguns esclarecimentos, que acho importantes, antes de os Srs. Deputados passarem a fazer as perguntas. (Pausa.) O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, quero fazer um questionamento: o Sr. Laerte Codonho vai falar como Presidente da Dolly, é CÂMARA DOS DEPUTADOS isso? O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - O Sr. Laerte Codonho vai falar como nosso convidado... O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Presidente da Dolly? O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Sim, acredito que ele esteja aqui como Presidente da empresa de refrigerantes Dolly. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Esta Comissão tomou as devidas precauções com documentos comprobatórios de que realmente ele é Presidente da Dolly? O Sr. Giganti disse que tem documentos de que ele não faz parte da Dolly. Então, quero saber se realmente ele é ou não é Presidente da Dolly. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Deputado José Carlos Araújo, o conhecimento da Mesa é de que ele representa a empresa Dolly. Se é o Presidente ou o proprietário, isso não sabemos. O SR. LAERTE CODONHO - Sr. Presidente, não sou representante. Vou explicar a V.Exa. Talvez haja uma tentativa de criar um fato que não existe. A marca Dolly pertence à Detal-Part, empresa da qual sou dono de 99%. A marca Dolly é uma marca fantasia, só isso. Como a AMBEV é dona de uma série de marcas e nem por isso o Presidente da AMBEV é o Presidente da Brahma. A marca Dolly está registrada no INPI em nome da Detal-Part, empresa de que controlo 99%. Alguma dúvida? CÂMARA DOS DEPUTADOS Mais uma vez, vou começar pelo Sr. Jorge Dante Giganti, por todos os questionamentos dele, que acho interessantes. Primeiro, esse em que ele fala de falsidade ideológica. Não é falsidade ideológica porque sou dono da empresa que controla a marca, como a AMBEV é dona de várias marcas e nem por isso o Presidente da AMBEV comete falsidade ideológica. Isso é um absurdo. A SDE está aqui para esclarecer. Foi muito bom o que disse a Dra. Alessandra. Ele fez uma série de acusações, dizendo isso e aquilo. A SDE concluiu que tudo que a Dolly alegou era verdade. Quanto a dizer que o Sr. Capistrano foi seduzido e pressionado — aqui está a representante da SDE, que fez a degravação e a perícia das fitas —, ficou claro que eu não seduzi nem pressionei ninguém. Muito pelo contrário, as iniciativas eram do Sr. Capistrano, cujo chefe era o Sr. Jorge Giganti. Se me permite, Sr. Presidente, agora ou depois, temos aqui fita de vídeo em que fica absolutamente claro que o Sr. Capistrano cometeu essa série de crimes em nome do Sr. Giganti. Ele fala claramente. Eu posso até ler aqui. A missão dada pelo presidente. Ele fala: “Eu digo que não quero conhecer você, porque eu tinha uma missão, e uma missão que foi dada pelo Presidente, o Giganti”. Pergunto qual era a missão e ouço como resposta: “A missão era tirar você do mercado”. Portanto, não pressionei ninguém. Quanto a outras conclusões, seria interessante que a Dra. Alessandra as esclarecesse, porque esse monte de mentiras ditas pelo Sr. Capistrano e agora reiteradas pelo Sr. Giganti foram constatadas pela SDE, que teve oportunidade de examinar isso a fundo, assistiu às fitas e as periciou. Creio que a SDE está acima de qualquer suspeita e se abriu processo foi porque viu que existiam práticas anticoncorrenciais. Quanto à avaliação da SDE, isso não cabe ao Sr. Giganti, mas à representante do órgão, aqui presente. Perguntem à SDE se pressionei o Sr. Capistrano. Ele falou por livre e espontânea vontade. Inclusive, não falou com o seu advogado, não. Na fita, ele diz que falou com o senhor, Sr. Giganti, e que o senhor disse que ele não tinha de ter falado comigo. É uma pena o Capistrano não estar aqui. O senhor é muito ético da boca para fora. Agora, para quebrar uma pequena empresa, não tem ética CÂMARA DOS DEPUTADOS nenhuma. O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - Sr. Presidente, peço a palavra para uma questão de ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - Sr. Presidente, creio estarmos caminhando para um bom debate. Entretanto, talvez estejamos perdendo um pouco do controle sobre a situação: noto que está acontecendo de convidados se dirigirem pessoalmente a outros convidados, fazendo até mesmo comentários insultuosos, sendo que nem sequer estamos na fase destinada aos debates, quando nós, Deputados, debatemos o assunto com os expositores. Estamos na fase das exposições. Se V.Exa., Presidente sempre atuante, não impedir esse tipo de procedimento, com ofensas pessoais, isso não vai ficar bem para a nossa Casa. Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Deputado Carlos Willian, foi conversado que eles iriam fazer a exposição. O Sr. Laerte Codonho pediu 5 minutos a mais para esclarecimentos posteriores aos nossos questionamentos. Essa foi a decisão da Mesa. O SR. LAERTE CODONHO - Peço desculpas ao Deputado se estou sendo um pouco rude, mas há uma gravação em que um assessor do ex-Presidente da Coca-Cola diz ter uma missão dada por esse ex-presidente e, quando pergunto qual é, ele responde que é me tirar do mercado. Isso é grave. É acabar com a minha vida e com a vida dos meus filhos. É grave. Isso foi feito e está comprovado. E está indiciado pela SDE. Sobre o e-mail, eu disse que era um absurdo os vendedores o colocarem em todos os pontos, e o Sr. Capistrano disse que vale tudo. Voltando ao que disse o Sr. Giganti, reconheço que ele tem razão quando diz que a melhor defesa é o ataque. Perfeito. Nesse ponto, estamos de acordo. CÂMARA DOS DEPUTADOS Poupo aqui o Sr. Brian, que não estava lá nessa ocasião. Poupo o Sr. Brian. Sou justo, Sr. Brian. Tudo o que os senhores estão vendo a meu respeito, e alguns têm tido o trabalho de acompanhar, como o Deputado Russomanno e outros Deputados desta Comissão, é apenas uma reação. Fui agredido. Fui perseguido. Quase quebrei. Minha vida virou um inferno. Sentia-me realmente acuado a um ponto que só tinha uma chance: partir para a verdade. Foi interessante ouvir o ex-Presidente da Coca-Cola colocar que a Dolly fez uma série de insultos e está querendo quebrar a Coca-Cola. Parabéns à Dolly, porque realmente em relação à Coca-Cola ela é mínima. Falar que a Dolly, com mentiras, consegue levar a tudo isso! Ora, ninguém é idiota. Não tem mentira alguma. Tudo o que falei estou comprovando. Isso não existe. Imaginem a Dolly perto da Coca-Cola. Ela não é nem 1%, nem 0,1% da Coca-Cola no mundo. Acreditamos na justiça deste País. Por isso, estamos aqui. Não tenho dúvida de que em outros países o Congresso não poderia apoiar. Quanto à Coca-Cola, quando ele falou que eu pedi 100 milhões, eu estava tentando tirar do Sr. Capistrano alguma coisa. Poderia ter pedido 100 bilhões. Isso não diz nada. Eu sabia que aquilo estava sendo gravado. Poderia pedir 500 bilhões. Nunca negociei nada com a Coca-Cola, nunca falei em vender a marca Dolly e não pretendo vendê-la. O mais interessante. Quem estava no início da minha exposição ouviu quando falei que a ABCF Coca-Cola tinha induzido a Justiça a erro. E um Procurador da República. Pasmem os senhores, há pouco, o Sr. Giganti disse que o Procurador da República queria encerrar, pedindo inclusive tutela antecipada, as atividades em todo o território nacional. Inclusive poderia ser constatado que a ABCF talvez tenha feito contato com alguns procuradores. E a própria Coca-Cola. Comentei anteriormente das notas fiscais, que não tinham problema. Quando esse procurador foi interpelado e viu o que tinha feito, esse mesmo Procurador da República, Dr. Márcio Schusterschitz da Silva Araújo, no dia 12 de junho de 2003, depois de 3 anos perseguindo a Dolly, com 3 ações criminais e uma ação civil para encerrar as atividades da empresa, fala o seguinte: “Pode-se firmar espontaneamente minha suspeição. Pode declarar suspeição por motivo íntimo. Há suspeição por fórum íntimo assim declarada em decorrência de causa CÂMARA DOS DEPUTADOS superveniente à instauração deste processo”. O Procurador da República que o Sr. Giganti mencionou declarou-se suspeito, porque viu que tinha sido induzido a erro, e saiu do processo. Vejam bem os senhores. Eu, pelo menos, nunca vi um Procurador da República, depois de atuar 2 anos num caso, com 3 ações criminais, declarar-se suspeito e sair de um processo. Isso significa que ele reparou que estava sendo induzido a erro pela ABCF Coca-Cola e pelo Sr. Pedro. Registro mais uma vez, Sr. Brian: não tenho absolutamente nada contra a sua pessoa. Tenho alguma coisa contra algumas pessoas que participaram ou participam da sua equipe. O senhor acabou de fazer um discurso muito bonito afirmando que a Coca-Cola não possui cocaína e nenhuma substância entorpecente. A pergunta não é essa. A pergunta é: existe algum derivado de folha de coca? Não foi respondido. O outdoor foi colocado. A Coca-Cola falou que patrocinava as olimpíadas, que patrocinava futebol, que era uma empresa centenária. Perfeito. Todos sabemos. Agora, na mercadoria nº 5 contém algum derivado de folha de coca? O senhor não respondeu. O senhor falou que não tem entorpecentes. Não estou discutindo isso. A discussão é se tem algum derivado de folha de coca. Avaliar se tem entorpecentes ou não é uma fase posterior. A lei é clara: é proibido folhas de coca e preparações. O senhor não respondeu. Existe algum derivado? Não respondeu. CÂMARA DOS DEPUTADOS O Sr. Caracas disse que estou acusando de que tem cocaína. Nunca acusei de que tinha cocaína. Simplesmente estou reproduzindo matérias do mundo inteiro e declarações da Coca-Cola de que existem derivados da folha de coca na mercadoria nº 5. É apenas isso. Nunca afirmei que tem cocaína. Afirmei que há declarações de ex-funcionários de vocês de que existe cocaína. Pergunto: existe derivado de folha de coca? Nunca foi respondido. Conseguiram liminares para o outdoor. Estão me processando criminalmente. Continua a pergunta: existe derivado da folha de coca na mercadoria nº 5? Será que os senhores podem responder sim ou não? É simples. Respondam para mim: “Não tem”. Ótimo. Dou-me por satisfeito. Vamos a mais uma mentira da Coca-Cola. Sr. Presidente, eu gostaria de dizer que o Deputado Russomanno e o Deputado Renato Cozzolino tiveram oportunidade... O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Para encerrar. O SR. LAERTE CODONHO - Sim, Sr. Presidente. Gostaria de convocar um ex-funcionário da Coca-Cola — isso é importante —, chamado Placídio José Mendes. Pessoa responsável pela importação da mercadoria nº 5 e que claramente falou que o exame nunca foi feito. Após as denúncias do Sr. Placídio ao Ministério Público, foi pedida uma análise no produto Coca-Cola? Não. Foi pedida uma análise no extrato vegetal, mercadoria nº 5, importado pela Coca-Cola. Pasmem os senhores: eles estão distribuindo aqui um laudo que todos podem ver que é do produto final Coca-Cola. É muito claro. Temos um laudo. (Pausa.) Com as luzes apagadas, vai ficar clara para os senhores a manobra que está havendo nesta Comissão. Não é para o meu bem. É para o bem dos filhos e dos netos dos senhores. Não estou acusando que tenha cocaína, reitero. Diz: “Convém ressaltar que, a despeito de ser o mais famoso, o alcalóide cocaína é apenas um entre muitos encontrados nas eritroxiláceas. Todos guardam as mesmas características toxicológicas. Além disso, quando submetida ao processo de hidrólise, a cocaína desdobra-se em outros 4 alcalóides metabólicos, quais sejam...” Aí, tem os 4 nomes. No mesmo laudo, de uma pessoa que foi perito da Polícia Federal, especialista nessa área: “Os alcalóides são caracterizados pela presença de nitrogênio na sua estrutura molecular. É perfeitamente factível que sua mistura com outras substâncias químicas resultem em um terceiro alcalóide com composição CÂMARA DOS DEPUTADOS diferente do ancestral cocaína, porém com propriedades toxicológicas idênticas”. O mais importante: “Conclui-se que, em reação a sua mistura com outros produtos químicos, a cocaína ou outros alcalóides podem se transformar numa terceira substância, diferente da cocaína ou do alcalóide original, porém igualmente entorpecente. Em alguns casos, essas substâncias desdobradas são inidentificáveis em testes toxicológicos”. Por fim: “No Brasil, a despeito da medição toxicológica, a presença de alcalóide em amostra sob estudo agora ignora níveis de quantidade. Isto é, para atender à legislação, a presença de qualquer substância derivada da folha de coca é atestada apenas e tão-somente como positiva ou negativa”. O que estou querendo dizer é o seguinte — e existe uma série de demonstrações e de provas: o extrato vegetal nº 5, em contato com ácido fosfórico, transforma-se em outra substância. O que temos de deixar claro é que a legislação brasileira não permite nenhum uso de derivados de folha de coca, em qualquer que seja a sua proporção. A pergunta é clara. Não afirmo que é cocaína, porque acredito que a Coca-Cola não seria nem idiota de trazer cocaína. A pergunta é clara: existe alguma substância derivada da folha de coca? Porque em 2000, ao ser pedida a análise, foi feita a análise do produto final Coca-Cola. Produto este cuja mercadoria nº 5 já entrou em contato com outras substâncias, não sendo mais possível sua identificação. CÂMARA DOS DEPUTADOS Esta é a pergunta, Sr. Brian: existe algum derivado da folha de coca na mercadoria nº 5? É a pergunta. E a Coca-Cola me processa, tenta me arrebentar e não responde. É simples. Responda para mim: “Não tem nenhum derivado de folha de coca no extrato vegetal”. “Perfeito, Sr. Brian.” Agora, se tiver, a Coca-Cola está há 62 anos ilegal no Brasil, cometendo um crime que sabe qual é. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Conclua, Sr. Laerte. O SR. LAERTE CODONHO - Voltando à ação da 31ª Vara, a que o Sr. Caracas se referiu, contra a Dolly, ele só emitiu o fato de que temos uma ação muito anterior na 42ª e que o processo da 31ª está sendo mandado para a 42ª Vara em São Paulo, cujo juiz já pediu a perícia. O laudo saneador dele já mostra as práticas e crimes da Coca-Cola. Isso ele não lembra de falar. Sr. Presidente, prefiro deixar para continuar depois. O SR. DEPUTADO SANDRO MATOS - Questão de ordem, Sr. Presidente. Pediria, se possível, que fosse enviada cópia desse laudo exposto agora para todos os Parlamentares, para que pudéssemos analisar. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Qual dos laudos? Um já encaminhei. O SR. DEPUTADO SANDRO MATOS - Esse que foi mostrado por último. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, não só esse documento, mas todos os documentos que o Sr. Laerte fez chegar às mãos de V.Exa. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Estão sendo entregues aos senhores. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Recebemos apenas os que a Coca-Cola entregou. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Estão sendo entregues para todos os do Departamento de Polícia, dos 2 lados, e também o boletim de ocorrência de autoria conhecida, que foi passado pelo Sr. Laerte Codonha. O SR. LAERTE CODONHA - Entrego o laudo e os senhores tiram cópia. Fica mais fácil assim, Sr. Presidente? O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Sim. Encerrada a exposição, passo a palavra ao Deputado Celso Russomanno, CÂMARA DOS DEPUTADOS autor do Requerimento nº 301/04. Na seqüência, ao também autor do requerimento Deputado José Carlos Araújo. O terceiro orador para o debate é o Deputado Renato Cozzolino. Essa é a seqüência. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, antes de fazer uso da palavra, faço uma pergunta a V.Exa. Vários Parlamentares presentes não acompanharam o caso desde o começo. Vou falar da competência da Comissão para apurar esse fato, se V.Exa. me permite, porque foi questionada. Começando pela Constituição Federal, é competência do Poder Legislativo, do Congresso Nacional ou de suas Comissões solicitar depoimento de qualquer autoridade ou cidadão. Isso está no art. 58 da Constituição Federal. No mesmo caminho, compete à Comissão de Defesa do Consumidor, pelo Regimento Interno, de acordo com o art. 32, a apuração de fatos relativos a economia popular e repressão ao abuso do poder econômico. É exatamente o que estamos discutindo. Mais além, a Lei 8.884, que fala da concorrência desleal, no seu art. 30, § 2º, diz: “A representação de Comissão do Congresso Nacional, ou de qualquer de suas Casas, independe de averiguações preliminares,” — estas que estão sendo feitas pelo SDE — “instaurando-se desde logo o processo administrativo”. Portanto, como isso veio para a Comissão de Defesa do Consumidor, independentemente das averiguações preliminares que o SDE faz, tem que se instaurar o processo administrativo junto ao CADE. Está aqui o texto da Lei 8.884. CÂMARA DOS DEPUTADOS Assim, temos competência para fazer o que estamos fazendo. Não estamos fazendo nada que não esteja na Constituição ou na legislação federal. Como o tema que está sendo discutido é a concorrência desleal, e ela se inicia no momento em que ficou evidenciada nas declarações do Sr. Capistrano em fita de vídeo, esta Comissão precisa ver essa fita. Solicito, Sr. Presidente, que a fita seja exibida aos Deputados antes de eu fazer uso da palavra, para que todos tomemos conhecimento de causa e, a partir daí, possamos perguntar aos convidados sobre o assunto em tese. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Sr. Presidente, estou inscrito em segundo lugar na lista, até porque sou co-autor, com o Deputado Celso Russomanno, do requerimento que promoveu esta audiência pública. Eu gostaria de saber se a ordem vai ser respeitada. Assinei como segundo respeitando o Deputado Celso Russomanno. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Deputado, V.Exa. tem razão. Por ser co-autor, V.Exa. é o segundo na lista de inscrição. Eu até estava colocando o Deputado José Carlos Araújo, por ser de outra Comissão e ter aprovado requerimento também pertinente a esse assunto. V.Exa. quer falar em segundo ou em terceiro lugar? O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Em segundo se for possível, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Então, vamos seguir a ordem: Deputado Celso Russomanno, Deputado Renato Cozzolino e Deputado José Carlos Araújo. O SR. LAERTE CODONHO - (Ininteligível.) ...seria uma ordem cronológica dos fatos dessa nossa batalha, para os Srs. Deputados terem idéia do que está acontecendo pari passu. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Certo, vou encaminhar cópia a todos os Srs. Deputados. Peço então à assessoria que coloque a fita com o texto. É bom que todos vejam. CÂMARA DOS DEPUTADOS (Exibição de vídeo.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Atenção, Srs. Deputados. Foi solicitado que fossem apresentadas 2 fitas. O Deputado José Carlos Araújo pediu que fosse exibida esta fita. Estamos procurando a fita mencionada pelo Deputado Celso Russomanno. (Pausa.) A fita tinha sumido, mas já apareceu. Vamos passar então, rapidamente, às palavras do Davi Capistrano. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, apareceu a fita como: na Comissão ou na mão do Codonho? CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Estava na Comissão. (Não identificado) - Desculpe-me: Codonho. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Estava na Presidência na Comissão. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, apenas um esclarecimento. À época dos fatos, há 1 ano e pouco atrás, quando a Sra. Lílian de Cássia ainda não era a secretária desta Comissão, a fita foi entregue ao então secretário Nilton, protocolada pelo Sr. Laerte Codonho. Foi essa fita, gravação de conversa entre os senhores Laerte Codonho e Capistrano, que deu início a todas as investigações por parte desta Comissão. (Intervenção inaudível.) O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sim, a mesma fita foi exibida, pelo menos uma parte — talvez não toda —, na Comissão de Fiscalização. Como dizia, foi a partir da denúncia que ela representou que coube a esta Comissão tomar providências. Ela é, portanto, o tema, o foco desta audiência pública. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Sr. Laerte, V.Sa. tem cópia dessa fita? O SR. LAERTE CODONHO - Sim, tenho, e já foram apanhá-la. Como o Deputado tinha colocado a fita aqui, pensei que estivesse aqui, mas já estão trazendo a outra cópia. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, a fita, à época da denúncia e da aprovação do requerimento, foi juntada à Comissão; logo, ela tem de estar na Comissão. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Correto. Já estamos solicitando à assessoria que a providencie. Esta Presidência pede sejam desconsiderados os desentendimentos aqui presenciados. Pergunto ao Deputado Celso Russomanno se deseja aguardar a exibição da fita. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, entendo que as perguntas que faremos estão totalmente ligadas às questões da concorrência — CÂMARA DOS DEPUTADOS principal motivo desta audiência pública —, que estão todas na fita exibida nesta Comissão há mais de 1 ano, quando V.Exa. ainda não era Presidente. Precisamos da fita para dar condições de juízo e de consciência aos nobres Deputados e Deputadas. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Sr. Renato Cozzolino, V.Exa. gostaria de falar agora ou de aguardar a exibição da fita? (Intervenção inaudível.) CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - A fita acaba de chegar. (Pausa.) O SR. DEPUTADO ALBERTO GOLDMAN - Sr. Presidente, estamos recebendo uma série de materiais de departamento de polícia, boletins de ocorrência... Para que isso? Não é preciso delegado de polícia aqui; não sei se há necessidade disso. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - A Coca-Cola e a Dolly encaminharam à Presidência esses documentos, e eu quis, com isenção e magistratura, que todos tomassem conhecimento de seu teor — acusações mútuas entre as 2 empresas. Volto a repetir que esta Comissão, juntamente com as outras duas, quer apurar a verdade com responsabilidade e não tem compromissos com nenhuma das empresas. Nosso compromisso é com o consumidor, com a fiscalização e com a tributação. Esse é nosso compromisso maior. O SR. DEPUTADO ALBERTO GOLDMAN - Sr. Presidente, nosso papel não é apurar, mas saber se os órgãos executivos que têm competência para apurar estão de fato apurando. (Pausa.) CÂMARA DOS DEPUTADOS (Segue-se exibição de imagens.) (Não identificado) - Sr. Presidente, estão repetindo as fitas. CÂMARA DOS DEPUTADOS (Segue-se exibição de imagens.) O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, são 12 horas de fita, e aqui há alguns minutos. São vários dias de conversação, não é uma conversa de um dia. Eu tive a paciência de ouvir 8 horas de fita, e aqui existem alguns trechos mais importantes que mostram como ele agia para retirar a Dolly do mercado. Por isso, pedi que os outros Deputados assistissem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Sim, mas os fatos principais já apareceram aí, já ouvimos. Acho que a maioria dos Deputados quer partir para o debate. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Está bom, se V.Exa. quiser tirar a fita. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Passo a palavra a V.Exa. para expor as questões aos nossos convidados. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, a questão que estamos discutindo começa exatamente a partir da exibição dessa fita com a denúncia que recebemos aqui na Comissão de que a Dolly estava sendo vítima de concorrência desleal. No desenvolver desse trabalho, descobrimos também, além dessa questão da concorrência desleal... Quero deixar clara uma coisa, Sr. Presidente: a questão que apuro aqui não é da Coca-Cola Company — isso tem de ficar bem claro para todo mundo. A questão a ser apurada é da empresa que distribui e engarrafa a Coca-Cola, a fábrica de São Paulo, que se chamava primeiro Spal, e depois Panamco, e que foi vendida para a Femsa. Esta empresa, que está em São Paulo, foi quem efetivamente produziu tudo isso que estamos vendo. A Coca-Cola Company, que é a empresa nacional, está aqui hoje porque é solidariamente responsável, de acordo com o Código de Proteção e Defesa do Consumidor, pelos atos dos seus prepostos ou representantes autônomos. Então, como ela deu representação à Spal em São Paulo e nela tem participação acionária, foi chamada para explicar o que está acontecendo. No decorrer do processo e da investigação da Comissão, descobrimos que além da questão da concorrência desleal, existia por parte dessa empresa chamada Spal, que hoje em dia já nem pertence às mesmas pessoas, a sonegação de mais CÂMARA DOS DEPUTADOS ou menos 7 bilhões de reais de impostos ao Fisco de São Paulo. Me parece, de acordo com as informações que tenho do Governo do Estado, que a Coca-Cola Company compareceu a uma reunião e, num acordo com a Secretaria da Fazenda do Governo do Estado de São Paulo, assumiu que não foram recolhidos os impostos e fez um acordo — não sei se chegou ao valor estimado da sonegação fiscal. Essa sonegação se fazia com empresas frias fora do Estado de São Paulo, em Mato Grosso e no Rio de Janeiro, para onde deveriam ser mandados os refrigerantes que nunca chegaram, na verdade, fora do Estado de São Paulo. Eles eram distribuídos dentro do Estado. Quero que o Sr. Laerte Codonho mostre aqui as notas fiscais frias relativas a esses procedimentos enquanto o Sr. Jorge Gigante era Presidente da Spal em São Paulo, porque ele foi Presidente da Coca-Cola e depois da Spal. São essas coisas que o Sr. Capistrano diz durante as 12 horas de fitas gravadas, que se fizeram no decorrer de alguns dias. Isso não foi gravado num dia só; passamos aqui alguns trechos. CÂMARA DOS DEPUTADOS A concorrência desleal se faz de várias formas. Primeiro, tentando-se tirar alguém do mercado, e esse assunto eu conheço um pouquinho. Comprando, por exemplo, fornecedores, para que não vendam mais seus produtos para aquela empresa, comprando pontos de venda — e eu queria que o Sr. Laerte Codonho me explicasse também por que durante determinado tempo ele saiu do mercado de consumo de alguns grandes distribuidores de refrigerantes, que são os hipermercados do País. Essas são formas, Sr. Presidente, de fazer concorrência desleal. Além delas, de acordo com o que ouvimos do Sr. Capistrano, eles também provocavam a Receita Federal, a Secretaria da Fazenda, o Ministério Público Federal para fiscalizar a empresa que estavam tentando tirar do mercado, sem contar denúncias aos sindicatos dos trabalhadores da indústria de refrigerantes para fazer greve na porta da fábrica, para impedir que ela continuasse fornecendo refrigerantes no mercado de consumo. Essas foram as práticas denunciadas e mencionadas pelo Sr. Capistrano ao longo dessas 12 horas de fita que vêm sendo veiculadas pela imprensa de maneira geral. Essas práticas caracterizam a concorrência desleal e tiram realmente alguém do mercado com muita facilidade, de forma a destruir aquele que está incomodando. Essas práticas foram adotadas pela então Spal, em São Paulo. Essa empresa tinha uma estrutura inchada e vinha dando prejuízo. Acrescia-se a isso o crescimento de 2 empresas de refrigerantes em São Paulo: uma é a Dolly, que está presente, e a outra é o guaraná Convenção, que também foi vítima desses procedimentos. Todas essas denúncias foram colhidas, inclusive, com uma fábrica de cervejas que tinha um acordo de distribuição com a Coca-Cola. Ela declarou que a Coca-Cola era a responsável por toda a sonegação. A sonegação também faz parte da concorrência desleal, porque se uma empresa tem condições que outra não tem, é evidente que pode praticar preço menor no mercado e dele retirar a concorrente. Sr. Presidente, discutimos aqui a questão da compra da Kolynos pela Colgate-Palmolive. Dissemos, na época em que o CADE participou desse processo, que quando alguém tem grande parte do mercado pode fazer preço muito baixo e tirar os pequenos. E foi exatamente o que aconteceu depois da união da Colgate CÂMARA DOS DEPUTADOS com a Kolynos. Foi determinada pelo CADE, por sugestão desta Comissão, a troca do nome “Kolynos” da paste de dente e por “Sorriso”. Nossa Comissão vem apurando questões de concorrência desleal há muitos anos. Para ser mais exato, estou no Congresso há 10 anos e, desde que aqui cheguei, apuramos vários casos. Vamos entrar agora na questão do cimento, pois existe um cartel no Brasil. É importante para esta Comissão que esses fatos não ocorram, porque o consumidor final precisa ter o direito de escolher no mercado de consumo o melhor e mais barato. Toda vez que tiramos uma empresa do mercado, seja nacional, seja estrangeira, estamos impedindo que o consumidor tenha opção. Isso bate de frente com tudo o que esta Comissão defende, ou seja, a liberdade de escolha, a qualidade e a distribuição do produto colocado no mercado. CÂMARA DOS DEPUTADOS As perguntas que tenho são as seguintes: ouvi dos representantes da CocaCola que as pessoas que fazem denúncias contra a empresa são todas exfuncionários em litígio. Foram eles que escreveram livros, que falaram a respeito do xarope da Coca-Cola etc. e tal. Mas o Sr. Capistrano, que é tema da discussão sobre a concorrência desleal, nunca esteve em litígio com a empresa. Nunca esteve em litígio. E pode até ser que realmente o Sr. Laerte Codonho tenha prometido a ele um emprego, para que ele falasse. Pode até ser. Foi uma forma que ele encontrou de obter informações do Sr. Capistrano. Mas no vídeo, ele deixa muito claro. E, se for para se gabar, ele se gabou muito bem das práticas que usava para tirar a Dolly do mercado. Ele disse, inclusive, como todos os Deputados ouviram: vale tudo; vale denunciar à Receita Federal, ao ICMS, vale fazer greve, vale procurar o Ministério Público. Como ele disse, vale tudo. E vale induzir as autoridades a erro, também. Isso não. Por isso estamos aqui: para apurar os procedimentos da Spal, que se tornou Panamco e depois FEMSA, uma empresa mexicana, que, quando tomou conhecimento dos fatos, Sr. Presidente, correu ao Governo do nosso Estado de São Paulo para pagar o que era devido. Não estamos falando de algo sem fundamento. Trata-se de denúncia fundamentada com documentos. São pilhas de documentos que podemos trazer à audiência pública desta Comissão. Então, quero saber: já que o Sr. Capistrano não esteve em litígio, por que não se apresentou? Por que a Coca-Cola não o trouxe aqui? Ele está citado em nosso requerimento. Queremos ouvir o Sr. Capistrano. Porém, depois que fez essas declarações, ele desapareceu. Ele esteve, sim, na delegacia de polícia e na SDE em momentos em que a imprensa brasileira não estava presente, quando a coisa não era pública. Depois das declarações que fez em vídeo, ele não apareceu sequer uma vez. Queremos falar com ele. Se ele diz que é mentira, nos documentos, posteriormente, por que então fez aquelas declarações lá? Ele vai à delegacia de polícia e diz que é mentira tudo o que disse, mas na fita ele fala com propriedade. Ele não titubeia em momento nenhum no que está falando. Ele mostra segurança, o que nos chama muito a atenção. Outra coisa que gostaria de saber é se existem depoimentos de fornecedores a respeito da concorrência desleal. Existem documentos em relação a isso? CÂMARA DOS DEPUTADOS Quanto ao foro da discussão, já falamos que este é pertinente. Já perguntei por que a Dolly ficou fora de alguns supermercados, e quero ouvir a resposta. Quero saber também se existe realmente algum derivado. Acho que o Deputado Renato Cozzolino vai falar mais profundamente a respeito do derivado da folha, porque essa matéria veio à tona depois da denúncia de concorrência desleal. Quero saber da Coca-Cola se existe o caixa 2, denunciado pelo Sr. Capistrano, na antiga Spal, depois Panamco e FEMSA, e se o Sr. Giganti sabia dessas estratégias. Ele diz claramente no vídeo que o Sr. Giganti sabia de todos os procedimentos que ele estava adotando para a missão de tirar a Dolly do mercado. Por que ele diz ali que a Spal estava em desespero? A Spal estava ou esteve em algum momento em dificuldades financeiras, como ele afirma? Quero saber isso porque um diretor da FEMSA me disse, em São Paulo, que a Spal estava em dificuldades financeiras. Quero saber se parte do que ele diz é verdade, Sr. Presidente, ou se tudo. Temos que separar o joio do trigo nessa história. Ele declara inclusive que no México as empresas da Coca-Cola são capazes de qualquer coisa. Ele disse até: liquida e mata as pessoas. Ele fez essa declaração. Por isso, é importante que o Sr. Capistrano esteja aqui, que a CocaCola o apresente à Comissão. Ele não está em litígio com a empresa, não tem ação pendente contra ela. E a Coca-Cola nunca apresentou o Sr. Capistrano, pelo menos em nenhuma reunião feita nesta Comissão ou na sua Presidência, antes da audiência pública, na busca de consenso. Isso está registrado. Por que o Ministério Público foi envolvido nisso, assim como a Receita Federal, antes mesmo dessas denúncias? É realmente verdade que vale tudo para tirar alguém do mercado? São essas as considerações e as perguntas que tinha a fazer. Muito obrigado. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Deputado Celso Russomanno, só para informá-lo: foi convidado o Sr. Capistrano, mas não se consegue localizá-lo. Ele não responde ao convite da Comissão. Sempre formalizamos os convites. Passo a palavra ao Deputado Renato Cozzolino. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Meus cumprimentos aos convidados, companheiros e presidentes de Comissão. Tudo que foi dito aqui é muito importante. É claro que o CADE tem fatos a apurar, assim como o Ministério Público. Sabemos que a Secretaria de Direito Econômico também, mas acompanharemos todas essas apurações. O que tem me preocupado muito é justamente se há ou não crime contra a saúde pública. Com base em tudo que absorvemos no transcorrer desse tempo, formulamos requerimento de urgência, assinado pelos Deputados Almir Moura, Sandro Matos, José Carlos Araújo, Carlos Nader, André Luiz, Renato Cozzolino, Elaine Costa e João Magalhães, aos quais aproveito para agradecer. No documento, requeremos ao Ministério da Justiça, no âmbito do Departamento de Polícia Federa/Instituto Nacional de Criminalística, informação sobre produtos, substâncias ou drogas ilícitas que causem dependência físico-química. Esse requerimento foi aprovado no dia 5 de maio. Tivemos 2 outros: um encaminhado ao Ministério da Saúde e outro ao Ministério da Agricultura, com vários itens a serem informados. Vou retornar ao primeiro, aprovado no dia 5 de maio. Informo aos senhores que esse requerimento, como qualquer outro que apresentei a esta Casa... Já no dia 7 de maio, 2 dias após, a Coca-Cola encaminhou documentação ao Presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, apresentando laudo que deveria dar por atendido o requerimento. Não gostei da maneira como foi redigido esse documento. Está dito aqui: “Seja o referido laudo considerado pela egrégia Comissão de Fiscalização Financeira e Controle e seus membros como pleno atendimento aos questionamentos constantes no referido requerimento, tendo em vista que o mesmo comprova de forma (ininteligível) a ausência de qualquer substância ou droga ilícita que provoque CÂMARA DOS DEPUTADOS dependência física ou psíquica. Por fim, a Coca-Cola gostaria de apontar irregularidades formais contidas no requerimento em questão e colocá-las para apreciação superior dessa Comissão, especialmente nas alíneas g (...)” E vai embora. Em outra passagem: “O referido requerimento está dirigido ao Ministério da Justiça, mais especificamente ao Departamento de Polícia Federal/Instituto Nacional de Criminalística, quando a rigor deveria ter sido dirigido ao Ministério da Saúde, mais especificamente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária.” O que me causou espanto é que o meu requerimento não chamou a Coca-Cola em nenhum momento a se pronunciar, mas, em 48 horas, a empresa apresentou esse documento ao Presidente da Comissão, Deputado José Priante, e um laudo que não me atende — vou dizer por quê, e os senhores haverão de concordar comigo. Vou falar sobre o laudo. O Presidente, Deputado José Priante, além de me comunicar o ocorrido, encaminha toda a documentação enviada pela Coca-Cola e solicita informações ao Presidente da Câmara Federal, Deputado João Paulo Cunha, sobre como proceder: “Informamos a V.Exa. que a Coca-Cola Indústria Ltda., ao tomar conhecimento da aprovação nesta Comissão do Requerimento nº 30, de 2004, de autoria do Deputado Renato Cozzolino, enviou a esta Comissão correspondência datada de 7 de maio, a qual segue anexa. Ademais, a sobredita indústria solicita seja citado o laudo considerado por esta Comissão como pleno atendimento aos questionamentos Requerimento 30, de 2004. constantes do CÂMARA DOS DEPUTADOS A Coca-Cola aponta ainda irregularidades formais contidas no requerimento em questão. CÂMARA DOS DEPUTADOS Ante o exposto, consultamos V.Exa. quanto ao procedimento a ser adotado por esta Comissão, no caso que ora se apresenta, no que concerne à iniciativa da indústria ao enviar correspondência à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, nos termos da correspondência. Atenciosamente, Deputado José Priante”. É encaminhada ao Deputado João Paulo Cunha essa solicitação da Coca-Cola. S.Exa. responde: “SGM/P nº1.228, de 2004 Brasília, 1º de junho de 2004 Sr. Deputado, reporto-me ao Ofício nº 185, de 2004, de 12 de maio, indagando sobre os procedimentos a serem adotados pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle em relação à decisão da empresa Coca-Cola Indústria Ltda. de encaminhar, por sua livre iniciativa, cópia de laudo do Instituto Nacional de Criminalística e Requerimento nº de 30, questionar de 2004, irregularidades apresentado do pelo Deputado Renato Cozzolino, nesta Comissão, solicitando que seja dada conseqüência a esse requerimento. A Constituição Federal outorgou poderes a Comissões do Congresso Nacional e de suas Casas para, dentre outros: realizar audiências públicas com entidades de sociedade civil, convocar Ministros de Estado para prestar informações, solicitar depoimentos de quaisquer autoridades ou cidadãos — art. 58. O Requerimento nº 24, apresentado pelo Deputado Renato Cozzolino, é aprovado por esta Comissão. Deu origem ao Requerimento de Informação nº 1.866, de 2004, apresentado em 2 de maio. CÂMARA DOS DEPUTADOS Essa proposição visa a esclarecer notícias veiculadas na imprensa a respeito da possibilidade de haver substância que causa dependência física ou psíquica na composição dos extratos vegetais de alguns refrigerantes. Tal requerimento guarda consonância com o art. 24 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados. Foi apresentado e deliberado observantes as destinatária do formalidades de praxe — art. 52, § 5º. A empresa supra não é requerimento do Deputado e não foi instada a se pronunciar a respeito — o requerimento é destinado ao Ministério da Justiça. Não lhe cabe também opinar sobre os procedimentos internos da Comissão. Eventual questão de ordem ou reclamação a respeito da inobservância do Regimento Interno da Câmara dos Deputados devem ser apresentados por membros da Comissão ou outros Parlamentares, quando cabível, no momento apropriado. Diante do exposto, sugiro dar conhecimento aos membros da Comissão do teor da correspondência enviada por aquela empresa, bem como de consulta formulada por V.Exa, e da resposta desta Presidência. Após, poderá ser determinado seu arquivamento, conforme dispõe o art. 17, do Regimento Interno desta Casa. Acrescente-se, a título de informação, que o Requerimento de Informação nº 1.866 segue em tramitação regular, sendo sido submetido à análise da relatoria do 1º Vice-Presidente, cujo parecer, após proferido, será oportunamente levado à apreciação da Mesa, para posterior encaminhamento ao seu CÂMARA DOS DEPUTADOS destinatário, se for o caso, conforme dispõe o art. 116 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados.” O Requerimento nº 1.866 seguiu trâmite normal quando saiu, no dia 12 de maio, da Comissão de Fiscalização e Controle. Ficou na mão do 1º Vice-Presidente, Inocêncio Oliveira, como também ficaram os outros 2 requerimentos. De que se trata o requerimento que aprovei? O que ele busca? Justamente que sejam dadas informações sobre produtos e substâncias ou drogas que causam dependência física ou psíquica. Indaga o requerimento: CÂMARA DOS DEPUTADOS “a) O ‘Extrato Vegetal’ importado pela empresa Recofarma/Coca-Cola Indústria Ltda. ou representantes da empresa americana Stepan Chemical Company é derivado da folha de coca? b) Quais são as substâncias (alcalóides) entorpecentes existentes na folha de coca? Qual o seu comportamento ao ser manipulado? Pode-se transformar em outras substâncias entorpecentes? c) O ‘Extrato Vegetal’ importado pela Recofarma contém alguma dessas substâncias (alcalóides) entorpecentes derivados das folhas de coca e/ou também a algum outro derivado da mesma? d) Essas substâncias (alcalóides) entorpecentes são nocivas à saúde? De que forma? e) Pela legislação brasileira, existe algum grau de tolerância de presença das substâncias (alcalóides) entorpecentes? f) Em caso positivo da presença de substâncias entorpecentes, esse produto pode ser utilizado e consumido para produzir alimentos e bebidas? CÂMARA DOS DEPUTADOS g) Sem ferir e respeitando o sigilo industrial, pois a esta Comissão não interessam os ingredientes da fórmula do refrigerante Coca-Cola, e sim se no ‘extrato vegetal’ chamado ‘mercadoria nº 5’ contém derivados de folha de coca. Proceder dupla coleta e análise do produto Extrato Vegetal na aduana e na empresa importadora, Recofarma e/ou CCIL e/ou representantes, importados da empresa norte-americana Stepan Chemical Company, devendo remeter os resultados dos procedimentos pari passu com o acompanhamento dos membros desta Comissão Técnica e do autor do requerimento. h) Solicitar à empresa Stepan Chemical Company que informe se o Extrato Vegetal por ela produzido e exportado para o Brasil para a Recofarma e/ou Coca-Cola e/ou representantes contém na sua composição folha de coca (erytroxylum coca) ou algum de seus derivados. Esse foi o requerimento aprovado por unanimidade e apoiado por aqueles Deputados. A posteriori, aprovamos 2 outros requerimentos que também não tiveram velocidade na Casa: um foi para o Ministério da Saúde, e outro, para o Ministério da Agricultura. Na verdade, estão aqui os requerimentos. Esses outros 2 requerimentos foram aprovados na Comissão de Defesa do Consumidor. Agradeço aos Deputados que estavam, naquela oportunidade, presentes na Comissão. Os requerimentos foram aprovados por unanimidade devido ao alcance da matéria. Solicitamos ao Ministério da Saúde as seguintes informações: 1 - Qual o procedimento técnico usado por esse órgão para o registro de importadores de produtos sujeitos a licenciamento não automático, NCM 12113000 — descrição: folhas de coca da espécie utilização para medicamentos e outros usos, do qual esse Ministério é o orgão anuente?; 2 - Informar para quais outros usos, sem ser o medicinal, esse Ministério CÂMARA DOS DEPUTADOS libera a importação desse produto; 3 - Como é autorizada a importação desse produto? Enviar documento com inteiro teor; 4 - Se processada, informar a composição química liberada e os fins a que se destina; 5 - Relacionar as empresas/representantes que sejam expressamente autorizados por esse Ministério para importação do produto acima descrito, os fins, a periodicidade da solicitação, o volume e a procedência. Enviar relação com suas respectivas autorizações nos últimos 12 meses; 6 - Informar se o Extrato Vegetal importado pela Recofarma/Am. e Coca-Cola Indústria Ltda. ou representantes da fabricante Stepan Chemical Company, localizada nos Estados Unidos, está autorizado por esse Ministério e para qual destinação; 7 - Enviar cópia das análises efetuadas dos produtos importados da Stepan Chemical Company e seus resultados, se foi constatada a presença de algum alcalóide derivado da folha de cola; 8 - Quais percentuais de alcalóides utilizados e os permitidos por esse Ministério na composição do Extrato Vegetal acima citado?; 9 - Informar às empresas/representantes autorizadas a importarem produtos da Stepan Chemical Company; CÂMARA DOS DEPUTADOS 10 - Quais aduaneiras estão autorizadas a introduzir no País os produtos da classificação NCM 1211300 — descrição: folhas de coca da espécie utilização para medicamentos e outros usos? Qual (ais) o seu destino final? O outro requerimento, aprovado por unanimidade pelos membros da Comissão de Defesa do Consumidor, tem as seguintes solicitações: 1- Qual o procedimento técnico usado por esse Ministério para autorização de importação de produtos sujeitos a licenciamento não automáticos NCM 12113000 — descrição: folhas de coca de espécies utilizadas; 2 - Informar para quais usos e relacionar as empresas que sejam (...) A verdade é que os 2 requerimentos foram aprovados por termos percorrido informalmente os Ministérios e não termos tido nenhuma informação convincente de quem regula a entrada dessa mercadoria no País. Fizemos praticamente 2 requerimentos idênticos. Quero informar a V.Exas. que esse requerimento ficou na mão do Primeiro Vice-Presidente e do Relator. Procurei informações do Deputado Inocêncio Oliveira. S.Exa. me disse que o Presidente João Paulo estava preocupado com o alcance da matéria e desejava encaminhar esses requerimentos à Mesa Diretora, para uma decisão. Há 3 semanas, o Deputado Inocêncio Oliveira nos informou que, ad referendum, a Mesa não se tinha pronunciado, estava encaminhando nossos requerimentos. Tenho documentos que comprovam que, no dia 3, os requerimentos foram remetidos, tomaram seus destinos, para que possamos receber as respostas. CÂMARA DOS DEPUTADOS O laudo apresentado pela Coca-Cola não nos atende, porque — gostaria até de informações dos representantes da empresa — o Extrato Vegetal, devido a denúncias, inclusive reportagens, teria origem da folha de coca. E por se tratar de origem na folha de coca, fomos buscar informações. E essas nos foram apresentadas, numa transparência, informando que o Extrato Vegetal, se tiver origem da folha de coca, é um alcalóide. Em se tratando de alcalóide, em contato com outros elementos, esse sofre o processo hidrólise. A seguir, formando um novo produto, ele não será identificado se tem ou não alcalóide, mas permanece como entorpecente. Fomos saber qual o percentual, qual a quantidade de alcalóide é permitido, no nosso País, ser encontrado em estado vegetal. Realmente não há quantitativo. Se o alcalóide estiver presente, já é um crime, já há presença de entorpecente. Lerei algumas fases do laudo do Dr. Brasil, que deve ter sido entregue aos senhores. “Os alcalóides são caracterizados pela presença de nitrogênio na sua estrutura molecular. É perfeitamente factível que sua mistura com outras substâncias químicas resulte um terceiro alcalóide de composição diferente da ancestral, porém com propriedades toxicológicas idênticas. Conclui-se que em reação, a sua mistura, com outros químicos, à cocaína e outros alcalóides, pode-se transformar numa terceira substância tóxica, diferente da cocaína, e ou do alcalóide original, porém igualmente entorpecente. Em alguns casos essas substâncias desdobradas são inindentificadas nos testes toxicológicos. Da legislação brasileira. O efeito nocivo, tanto do ponto de vista físico quanto emocional e psicológico, dos alcalóides encontrados nas eritroxiláceas sobre seus usuários, fez com que vários países coibissem o cultivo, a CÂMARA DOS DEPUTADOS comercialização e o uso da substância em seu território. No Brasil não foi diferente. A legislação sobre o tema se ancora no Decreto-Lei nº 891, de 25 de novembro de 1938, publicado no Diário Oficial de 28 de novembro de 1938. Art. 2º - São proibidos (...)” Sr. Presidente, peço paciência aos companheiros, pois somos autor deste requerimento. Acreditamos que a Receita Federal terá muito trabalho com as duas empresas, assim como o CADE e a Secretaria terão muita dificuldade para fiscalizar outras empresas. Na outra audiência, não estava inscrito e não pude fazer a pergunta. O Deputado Nelson Bornier foi bem claro: se existe algum problema de Fisco, vamos comunicar à Receita Federal, para que tome as providências. O problema é que estamos tratando se há ou não Extrato Vegetal como forma de alcalóide na folha de coca. Vou mostrar que os indícios são fortes, porque temos de ter o exame desse Extrato Vegetal no nosso País. Tenho um filho de 7 anos e outro de 3 anos, V.Exas. têm filhos e netos, e não sabemos qual a fragilidade de cada um. Se existir o Extrato Vegetal como forma de alcalóide, poderá gerar dependência nas crianças do nosso País. Não estamos contra nem a favor de nenhuma empresa. Temos um tópico bem claro: queremos o exame do Extrato Vegetal, mas com a presença dos meus companheiros Parlamentares, para que o exame seja feito com perfeição, para que não exista nenhuma montagem e para se chegar à verdade. Não estamos aqui para brincar. Queremos chegar a uma verdade. Um ou outro aspecto a Receita e o CADE resolvem. Vamos acompanhar e fiscalizar. O SR. DEPUTADO RUBINELLI - Sr. Presidente, é muito importante o que os autores do requerimento estão solicitando, mas gostaria que V.Exa. delimitasse o tempo de cada Deputado — mesmo dos autores —, a fim de que nós, devido à importância da matéria, também possamos falar e de que essa audiência seja concluída no dia de hoje. Sei que é importante, mas é preciso que até os autores se atenham ao tempo CÂMARA DOS DEPUTADOS limite para poder explicar a todos nós a linha de pensamento deles. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Sr. Presidente, houve uma audiência pública, na qual estiveram presentes apenas o Deputado Nelson Bornier, que presidia a reunião, e eu. Ficamos aqui por mais de 2 horas. CÂMARA DOS DEPUTADOS Hoje somos autor de requerimento sobre assunto que atinge todo o País. Tenho que realmente passar todas as informações. Peço desculpas aos companheiros pelo tempo que utilizo, mas faz-se necessário, a fim de que V.Exas. tomem conhecimento do estudo que realizamos. Tomara que o Extrato Vegetal não tenha origem da folha de coca. Do fundo do meu coração, torço para que isso não aconteça. Se durante 62 anos houve tal situação, prejudicamos nossas famílias. Não estamos acusando ninguém, mas obtendo informações, a fim de buscar uma resposta. Quanto ao laudo do Dr. Brasil, que esteve à frente do Instituto de Criminalística durante vários anos, informo a V.Exas. que o art. 2º da Lei nº 10.409, de 11 de janeiro de 2002, é bem claro: “Art. 2º É dever de todas as pessoas físicas ou jurídicas, nacional ou estrangeiras com domínio ou sede no País, colaborar na prevenção da produção, do tráfico ou uso indevidos de produtos, substâncias ou drogas ilícitas que causem dependência física ou química”. Também informo aos senhores que tenho em mão um encaminhamento do Presidente Inocêncio Oliveira favorável ao assunto. Já apresentei a composição e há quadro demonstrativo, mas acho que não se faz necessário apresentar aos companheiros, mas podemos encaminhar, depois, uma cópia para cada um, caso estejam interessados. O quadro mostra a posição do concentrado da Coca-Cola e seus ingredientes, como o Extrato Vegetal. O ácido fosfórico é um meio líquido que faz a hidrólise junto com o Extrato Vegetal, gerando, com outros ingredientes, uma nova substância. Caso se transforme em alcalóide não é mais identificável. Existem outros documentos de importação que também não se faz necessário apresentar aos senhores neste momento. CÂMARA DOS DEPUTADOS Dirijo minha primeira pergunta ao Dr. Brian Smith. O senhor conhece — desculpe-me a pronúncia — o Sr. Randy Donaldson? Ele foi, em algum momento, porta-voz da Coca-Cola? Uma matéria publicada na revista Veja, de 1988, é bem clara: “Coca-Cola admite que usa coca em sua fórmula”. Leio rapidamente o que interessa da matéria e formulo algumas perguntas: “’Extratos da folha de coca realmente são usados na fórmula, mas não ilegalmente. Essa essência não é narcótica’, afirma Randy Donaldson, porta-voz da Coca-Cola. ‘O Ministério da Agricultura, que controla a produção de cervejas e refrigerantes no Brasil, conhece todas as matérias-primas utilizadas na fabricação da Coca-Cola’, diz Carlos Menezes, Diretor Administrativo da Coca-Cola do Brasil. Na verdade, o ministério tem apenas o resumo da fórmula em que consta a existência de uma ‘essência’ inócua à saúde. CÂMARA DOS DEPUTADOS Plantação no Peru - A Stepan Company é a única empresa americana autorizada a importar folhas de coca, processadas normalmente para uso medicinal, além de servir como aromatizante para a Coca-Cola. A empresa consegue suas folhas em plantações no Peru, que são processadas num laboratório de Nova Jersey. ‘Compramos as folhas de coca de uma empresa estatal peruana, a Empresa Nacional de la Coca’, conta John O’Brien, gerente da Stepan Company”. Com base nessas informações, faço uma pergunta. Em nosso requerimento, apresentamos diversas questões destinadas aos órgãos competentes. Pergunto: qual a origem do Extrato Vegetal, Mercadoria nº 5? O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Deputado, pergunto a V.Exa. se deseja ouvir a resposta agora ou vamos concluir o bloco de questionamentos. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Sr. Presidente, vou formular os questionamentos de hoje, embora haja muitas perguntas. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - O Deputado José Carlos Araújo está inscrito. O bloco é de 3 ou 2 autores. O SR. DEPUTADO RUBINELLI - Sr. Presidente, V.Exa. liberou o tempo do Deputado pelo fato de S.Exa. ser autor do requerimento, mas apelo a V.Exa. para que, depois de o Deputado concluir a explanação, os demais Parlamentares cumpram o tempo regimental O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - O tempo de 3 minutos? CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. DEPUTADO RUBINELLI - O tempo de 3 minutos. Se cada um falar durante 40, 60 minutos, o plenário vai esvaziar-se. O objetivo é esse? Se for o caso, vamos falar 1 hora cada um. Quero participar, mas de forma organizada, conforme reza o Regimento. Então, peço a V.Exa., com exceção do autor do requerimento, para o qual o tempo foi estendido um pouco mais, que determine o tempo de 3 minutos. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Deputado Rubinelli, a nossa intenção é o esclarecimento. Obviamente que são necessários informações e esclarecimentos. O SR. DEPUTADO RUBINELLI - Sr. Presidente, temos de seguir o Regimento. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Correto. Acatarei a sugestão de V.Exa., após a inscrição dos Deputados. Há mais um autor da Comissão de Finanças e Tributação, Deputado José Carlos Araújo. A sugestão de V.Exa. foi de unificação de tempo, Deputado. O SR. DEPUTADO RUBINELLI - Sr. Presidente, por exemplo, a Deputada vai ter de viajar para a China em missão oficial, mas quer expor seu posicionamento. Ela vai representar nosso País no exterior. Vamos uniformizar os trabalhos. (Não identificado) - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. Alio-me às palavras do nobre companheiro. Acho pertinente a sugestão de S.Exa., senão vamos varar a madrugada. Ninguém serviu para nós Coca-Cola nem Dolly, apenas água com bolacha. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - E suco. Está certo, Deputado. Vamos acatar a sugestão do Deputado Rubinelli, pertinente e importante. Desejamos obviamente boa viagem à Deputada Professora Raquel Teixeira. Para finalizar, concedo a palavra ao Deputado Renato Cozzolino. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Sr. Presidente, ainda há algumas perguntas. Vou lê-las o mais rápido possível. Já teria terminado, se não houvesse a intervenção. Agradeço, de qualquer forma, a compreensão aos companheiros. CÂMARA DOS DEPUTADOS O Extrato Vegetal tem origem na folha de coca? Composição do concentrado da Coca-Cola. Para que países é exportado o concentrado da Coca-Cola? Segundo nosso conhecimento, o Extrato Vegetal entra em algum lugar do País, é feito o concentrado e exportado para diversos países, inclusive Austrália, México e todos os países do MERCOSUL. Essas são as informações que temos. Para que países é exportado o concentrado da Coca-Cola? Quais foram as últimas aquisições dos últimos 3 anos, discriminando volume, teor do produto, com respectivas análises e demais documentos para liberação da importação? Quantas aquisições ocorreram neste ano e qual o volume? Qual o trâmite para expedição de guia de importação de uma mercadoria ou produto não automático? Quais são os órgãos anuentes?” Quero dizer que o Extrato Vegetal é um produto não automático. Ele requer uma fiscalização especial, quando da entrada no território brasileiro. Ele não está enquadrado como um produto simples, normal, automático. Ele é não automático. Qual o setor e a pessoa que tratam desse assunto na empresa Coca-Cola? Onde é realizado o exame da mostra da importação? Quem realiza o exame dessa mostra ou que órgão, ou instituição, ou laboratório? Por qual porto e/ou aeroporto entra a Mercadoria nº 5/Extrato Vegetal? Está sendo adquirido um volume a maior do Extrato Vegetal nos próximos dias? CÂMARA DOS DEPUTADOS Existe uma programação, por parte da Coca-Cola de adquirir um volume a maior da Stepan Chemical Company, para atendê-la durante os próximos 5 anos? Sr. Presidente, peço, com o acordo dos companheiros e pela necessidade, a V.Exa. que essa audiência não se encerre hoje, porque dependemos das respostas dos nossos requerimentos para darmos continuidade ao assunto. Faço também uma pergunta à Sra. Alessandra Reis, relacionada à Sra. Elizabeth Farina, que assumiu a Presidência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica — CADE. Li, em reportagem da revista Exame, que a Sra. Elizabeth Farina teria prestado serviços a algumas empresas no CADE. Quero saber se ela prestou algum serviço aos refrigerantes Dolly e Coca-Cola. Na condição de advogada, com escritório de trabalho, a revista Exame estranha o fato de ela prestar serviços a essas empresas. Repito: quero saber se ela prestou serviço tanto a Dolly quanto a Coca-Cola. Agradeço a compreensão a todos. Desculpe o tempo utilizado, mas foi necessário. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Concedo a palavra ao nobre Deputado José Carlos Araújo, autor do requerimento da Comissão de Finanças e Tributação. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, nobres Deputados, manifesto a minha satisfação por estarmos apurando os fatos nas 3 Comissões. Tenho certeza de que com essas explicações de hoje as questões ficarão mais claras e daremos um fim a essa novela que vem afetando essas Comissões. O Deputado Celso Russomanno, em seu depoimento, deixou claro que a briga começou em São Paulo entre a Dolly e o representante da Coca-Cola. A Coca-Cola Company está aqui, porque é solidária ao caso. Em algum momento a Coca-Cola de São Paulo foi chamada para explicar a briga com a Dolly? Não. Em momento nenhum, houve contestação ou requerimento convidando o representante da Coca-Cola de São Paulo. É como se houvesse uma promissória: em vez de protestarem o emitente, estão protestando primeiro o avalista. Com a explicação do Deputado Celso Russomanno isso ficou claro para mim. O sucessor do fabricante da Coca-Cola, que a comprou, assumiu os débitos e os créditos. E, nesse passivo, uma determinada quantia era devida à Receita Federal ou a Receita Estadual, que, pelo que entendi, foi liquidado. Isso é que deve ficar claro. Se não é bem isso, expliquem-me, porque entendi assim. Estou deixando claro, para que todos os Deputados compreendam. Por que o Sr. Laerte Codonho ficou na briga ou acionou o representante de São Paulo, que era quem estava no momento incomodando a Dolly? Parece-me que, com essa briga que tomou essa dimensão e que acabou vindo para esta Casa — entendo que não deveria ter vindo, porque vemos claramente a forma grosseira e mal-educada com que o Sr. Laerte Codonho trata o assunto nesta Casa. Este não é o foro adequado para ele. Enquanto todos os Deputados e convidados trataram o tema de forma educada, cortês, ele foi descortês com todos nós, porque numa entrevista para a televisão — vi a fita — disse que a Coca-Cola está fazendo uma bancada nesta Casa. Gostaria que o Sr. Laerte dissesse quem é da bancada da Coca-Cola e quem é da Dolly. Tem de explicar. Gostaria também que dissesse quem são os Deputados que têm os CÂMARA DOS DEPUTADOS telefones grampeados. Ele tem essa informação e não pode se furtar a fornecê-la a esta Casa, no dia de hoje. Ele deixou isso claro e precisamos saber. CÂMARA DOS DEPUTADOS O Sr. Laerte Codonho deixou a Dra. Alessandra incomodada — senti claramente daqui — quando afirmou que a SDE atendeu ao seu requerimento e que a Coca-Cola concordou com tudo o que está no requerimento sobre a empresa. Isso é verdade? Ou apenas está sendo apurado? (Pausa.) Ela já deixou claro isso? Então, ela responde depois. Essas coisas têm de ser esclarecidas, Sr. Presidente. Não podemos, nesta Casa, assistir a um festival de grosserias e maus-tratos contra os nossos colegas Deputados e os visitantes. Estamos numa Casa democrática, mas civilizada. Exigimos respeito e educação. É preciso que as pessoas venham a esta Casa e saibam tratar os Deputados e os nossos convidados com o devido respeito. Não podemos admitir essa forma grosseira com que se expressou o Sr. Laerte Codonho em sua exposição. Tenho algumas perguntas a fazer ao Sr. Laerte. Sua empresa já foi autuada ou fiscalizada pelo Ministério Público, pela Receita Federal ou pela Receita Estadual? Tomei conhecimento, através de matéria veiculada pela revista ISTOÉ Dinheiro de 10 de setembro de 2003, cujo título era Caso Dolly, que um Procurador da República estaria perseguindo a empresa. A Associação Nacional dos Procuradores da República emitiu nota pública em que, veementemente, refutou todas as afirmações do Sr. Laerte Codonho. A referida nota dos Procuradores informa que a empresa foi alvo de inúmeras fiscalizações por parte da Receita Federal, tendo sido autuada por sonegação fiscal de tributos federais e estaduais, em montantes consideráveis. Cita a existência de duas ações penais propostas pelo Ministério Público Federal, em março e agosto de 2002. Menciona ainda uma terceira ação penal proposta em 26 de março de 2003 contra o Sr. Laerte Codonho, e uma ação pública visando à dissolução judicial da empresa Ragi Refrigerantes Ltda., argüindo a falta de idoneidade patrimonial. O que se sabe é que essas ações tramitam em segredo de justiça na 3ª Vara de São Bernardo do Campo. O que V.Sa. tem a dizer sobre isso? Os débitos ali apontados persistem? Por que o segredo de justiça? Ouvimos as declarações de V.Sa., em que acusa pessoas que aqui estão de mal caráter e várias outras coisas, que não vou repetir para não cometer os mesmos CÂMARA DOS DEPUTADOS erros, mas também assistimos a uma fita de vídeo que esclarece muitos fatos. O cidadão que aparece na gravação disse que V.Sa. não conseguiu a fita de forma lícita e que ele não queria dizer isso, que foi induzido. É disso que temos notícia. Sr. Presidente, esta Casa não é uma delegacia de polícia. E esta não é a Comissão mais adequada para analisar a composição do refrigerante Coca-Cola. Podemos até apurar as denúncias, ver os laudos, mas o problema deve ser resolvido por outra Comissão. Esta aqui está sendo transformada em delegacia de polícia. Acusações de todos os tipos foram feitas, e tivemos de ouvi-las. Isso tem de acabar, Sr. Presidente. Esta Casa não pode continuar atuando desse jeito. CÂMARA DOS DEPUTADOS Gostaria de saber, da mesma forma que perguntei ao Sr. Laerte Codonho, se a Coca-Cola Company já foi autuada, se deve algo ao Fisco, à Receita Federal ou à Receita Estadual; se a Coca-Cola que bebemos no Brasil é a mesma que se bebe em 200 países do mundo. A Coca-Cola é a mesma em todos os continentes? Por que, então, países como Suécia, Suíça, Alemanha, Inglaterra, Japão, considerados do Primeiro Mundo, ainda não contestaram o conteúdo da Coca-Cola? Quero saber também se, com essa “pseudobriga” que o Sr. Laerte Codonho promoveu e com esse marketing todo, o faturamento da sua empresa cresceu ou diminuiu. As informações de que disponho é de que S.Sa. não detinha 1% do mercado de São Paulo e hoje detém 7%. Ou seja, o Sr. Laerte Codonho se beneficia desta Casa e da mídia gratuita que cobre as reuniões das Comissões. É justamente isso o que S.Sa. quer. Nós estamos fazendo o seu jogo. Essa é a grande verdade. Esta Casa está se submetendo à vontade de um cidadão, de um “pseudofabricante” de refrigerante que vem a esta Casa fomentar uma briga que praticamente não existe. S.Sa. tem interesse em que essa briga continue, tem interesse na mídia em torno dela para que o nome Dolly continue badalado em todo o Brasil ou no Estado no qual é vendido. O SR. DEPUTADO WLADIMIR COSTA - Pela ordem, Sr. Presidente. O colega que está no uso da palavra, no início do seu discurso ou das suas observações, usou muito senso de justiça e muita sensibilidade em relação aos comportamentos um pouco exaltados e aos menos exaltados, mas neste momento começa a acusar o Sr. Laerte Codonho de buscar mecanismos para ser privilegiado no mercado. Eu gostaria que essa consciência de justiça realmente prevalecesse na mente do nobre Parlamentar e que S.Exa. não passasse a proferir acusações não só ao Sr. Laerte Codonho, mas também a qualquer outro integrante da Mesa, porque não estamos aqui, sinceramente, para acusar ou assinar condenações de quem quer que seja. Estamos aqui para apurar denúncias. Era somente isso, Sr. Presidente. Muito obrigado. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, essa foi uma questão de ordem ou foi um aparte? O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - S.Exa. formulou uma questão CÂMARA DOS DEPUTADOS de ordem a respeito da linguagem própria da Comissão, Deputado. O SR. DEPUTADO WLADIMIR COSTA - Acusações, Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Agradeço à TV Câmara, que neste momento transmite ao vivo a nossa reunião, em que debatemos a denúncia de concorrência desleal contra a empresa fabricante do refrigerante Dolly. Tem V.Exa. a palavra, nobre Deputado, para finalizar. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - V.Exa. é um homem condescendente e justo. Portanto, fez justiça à TV Câmara e fará justiça ao meu tempo. V.Exa. sabe que eu sou autor do requerimento desta reunião, mas não reclamei em momento algum dos outros autores que demoraram tempo maior ao microfone. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Deputado, não estou limitando seu tempo, só disse a V.Exa. que finalizasse. Estamos aqui à disposição de V.Exa. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Prezo muito V.Exa., por isso vou atendê-lo. Ao nobre Deputado que me aparteou — porque, na verdade, S.Exa. não fez uma questão de ordem — devo dizer que não estou acusando ninguém, apenas fazendo uma constatação. O SR. DEPUTADO WLADIMIR COSTA - V.Exa. o acusou, sim. Assuma, Deputado! V.Exa. o acusou de estar sendo privilegiado, de crescer não sei quanto no mercado. Por favor, assuma! V.Exa. começou tão bem, falando com senso de justiça plausível, o que foi maravilhoso — e eu o ovaciono por isso —, mas depois foi para o outro lado e começou a acusar o rapaz. Não estamos aqui para acusar ninguém. Vamos acompanhar o caso e acabar com isso. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - O nobre colega, no afã do aparte, não descobriu que não se trata de acusação, porém de elogio. Quando eu digo que o cidadão tem uma empresa que cresceu, isso é uma acusação? Muito pelo contrário. O SR. DEPUTADO WLADIMIR COSTA - Mas, da forma com que V.Exa. falou, deu a impressão de que o rapaz cresceu de forma criminosa. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, não vou bater boca! Respeite o meu tempo, Deputado! Eu não vou aturar esse tipo de provocação. CÂMARA DOS DEPUTADOS Isso não fica bem nesta Casa. Pode ficar bem no microfone da rádio do interior, mas aqui não. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Para finalizar, Deputado. Asseguro a palavra ao Deputado José Carlos Araújo. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, na verdade, não estou de forma alguma acusando alguém aqui. Pelo contrário: estou fazendo elogios, dizendo que, com essa briga, alguém cresceu, faturou mais e está sonegando mais. Está sonegando mais, Sr. Presidente, essa é a afirmação que faço, porque são fatos constatados pela Secretaria da Receita Estadual de São Paulo, que mostrou na reportagem — e nós vimos claramente — dados que sugerem a sonegação, por parte do Sr. Laerte Codonho, de cerca de 3 milhões de reais por mês. Trata-se de uma constatação, com base no que foi mostrado na fita. CÂMARA DOS DEPUTADOS Pelas informações de que disponho, o Deputado Celso Russomanno realmente tentou conversar desde o princípio. Desde o primeiro momento, quando começou a briga, S.Exa. tentou ser o juiz arbitral, para que a briga não chegasse a esta Comissão. Mas as cifras pedidas foram altas demais, não se podia falar, e a denúncia chegou a esta Comissão. Essa é a verdade. Há grandes interesses envolvidos nisso, e nós também estamos sendo envolvidos. Esta Casa não pode... O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, eu fui citado. E tem de ser bem explicado o que o Deputado está dizendo. O que S.Exa. citou é muito grave, muito sério. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Não. Eu estou dizendo que V.Exa. tentou ser o juiz arbitral... O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Tentei, sim, um acordo. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Depois que V.Exa. saiu da tentativa de conciliação, os 2 concorrentes estiveram juntos, e as coisas aconteceram conforme estou dizendo a V.Exa. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Ótimo. V.Exa. deve explicar que eu não participei dessas coisas. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - De forma alguma estou dizendo que V.Exa. participou. Pelo contrário: eu o elogiei. Por isso, Sr. Presidente, temos de deixar claro que esta Casa não pode se imiscuir nesses problemas concorrenciais de mercado. Estão aí o CADE e outros órgãos competentes. Temos de analisar o que realmente está sendo dito aqui, em apoio a alguns Deputados que querem laudos. Isso é justo. Mas quero perguntar ao Dr. Smith se a Coca-Cola que bebo aqui no Brasil é a mesma que bebem alemães, suíços, suecos, enfim, europeus e o restante do mundo. Em outro país que não seja o Brasil isso já foi contestado e comprovado? E, finalmente, pergunto se a Coca-Cola contém qualquer substância que provoca dependência. Sr. Presidente, atendendo ao pedido de V.Exa., termino a minha primeira intervenção desta tarde. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Conforme tínhamos combinado, passaremos a palavra aos convidados, para as respostas, e depois a CÂMARA DOS DEPUTADOS voltaremos aos Deputados. Os próximos Deputados inscritos para falar são Wladimir Costa, Professora Raquel Teixeira e Alex Canziani. O SR. DEPUTADO RUBINELLI - Sr. Presidente, peço a palavra para uma questão de ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. DEPUTADO RUBINELLI - Sr. Presidente, eu peço a V.Exa. que informe se os convidados vão responder e se depois quem fez a pergunta terá direito a aparte. Se for concedido o aparte, com certeza os demais inscritos terão de aguardar mais 3 ou 4 horas para falar. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Deputado, de acordo com os procedimentos da Comissão, existem a réplica e a tréplica. Entretanto, como há uma lista de 16 Deputados inscritos — e ouvimos 3 até o momento —, eu penso que deveríamos ouvir grupos de 6 Deputados e não apenas de 3, para acelerarmos os trabalhos, deixando para o final dos debates as réplicas e as tréplicas, no caso de não haver respostas para todas as perguntas. Ouvimos até agora os autores dos requerimentos. O SR. DEPUTADO JONIVAL LUCAS JUNIOR - Peço a palavra para uma questão de ordem, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. DEPUTADO JONIVAL LUCAS JUNIOR - Sr. Presidente, por que os convidados já não começam a responder aos questionamentos feitos pelos 3 requerentes? Posteriormente, os demais Deputados fariam as perguntas. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - É o que vamos fazer agora, Deputado. O SR. DEPUTADO JONIVAL LUCAS JUNIOR - Entendi V.Exa. dizer que chamaria os Deputados... O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Não. Posteriormente, vou chamar mais 6 Deputados. Conforme anunciei anteriormente, os próximos Deputados a falar serão Wladimir Costa, Professora Raquel Teixeira, Alex Canziani, José Carlos Machado, Rubinelli e Walter Feldman. Da lista de Deputados inscritos ainda constam Júlio Lopes, Jonival Lucas CÂMARA DOS DEPUTADOS Junior, Almir Moura, Carlos Willian e Alberto Goldman. Passo a palavra ao Sr. Laerte Codonho, Presidente da empresa de refrigerantes Dolly. (Pausa.) Ausente. Passo a palavra ao Sr. Brian Smith, Presidente da Coca-Cola no Brasil. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. BRIAN SMITH - Começarei respondendo às perguntas do Deputado Celso Russomanno, em combinação com o Sr. Jorge Dante Giganti. Primeiramente, V.Exa. perguntou por que o Sr. Luiz Eduardo Capistrano não está presente a esta reunião. Geralmente, não temos controle nem responsabilidade sobre S.Sa., e acho que a decisão de não comparecer a esta audiência é somente dele. Relativamente às várias perguntas sobre concorrência desleal, repassarei alguns pontos já comentados. Foram feitas 4 denúncias à SDE, tendo sido 3 arquivadas. As 3 denúncias arquivadas foram sobre (ininteligível) e sobre dumping no mercado de São Paulo. Há dados que podemos passar a V.Exas., depois do término da audiência, de que o preço dos refrigerantes Dolly sempre foram mais baixos do que os nossos. Então, é impossível que pratiquemos dumping. A terceira denúncia dizia que a Coca-Cola fez pressão nos supermercados de São Paulo para que não comprassem os refrigerantes Dolly, mas ela foi arquivada. Acho que não é necessário seguir falando desses pontos, já que os órgãos governamentais arquivaram as denúncias. O único ponto que ficou pendente se refere aos fornecedores de garrafas PET. E já ouvimos falar que o caso está sendo encaminhado pela SDE, em processo normal. Todos nós poderemos apurar e repassar as informações, para que isso se resolva da melhor forma possível. Se algo foi feito de forma errada, após o resultado da apuração faremos o que tem de ser feito. Estamos totalmente à disposição do Judiciário do Brasil. Sobre os outros pontos o Sr. Jorge Dante Giganti poderá falar. O SR. JORGE DANTE GIGANTI - Eu gostaria de complementar algumas observações. Primeiramente, o Sr. Luiz Eduardo Capistrano, como é sabido, é testemunha de Laerte Codonho, da Dolly, e não nossa testemunha. Se Laerte Codonho conseguiu conversar durante 12 horas com o Sr. Capistrano, também poderá providenciar a sua presença nesta Comissão. A nota que a Associação Nacional dos Procuradores da República emitiu à CÂMARA DOS DEPUTADOS imprensa, segundo a qual o Procurador da República Márcio Schusterschitz da Silva Araújo, da Procuradoria da República do Município de São Bernardo do Campo, estaria perseguindo a empresa Ragi Refrigerantes, responsável pela produção do refrigerante Dolly, é absolutamente inverídica e descabida, sendo ofensiva à sua honra. Outro questionamento: a referida empresa foi alvo de fiscalizações feitas pela Receita Federal, tendo sido autuada por sonegação fiscal de IPI, IRPJ — Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líqüido, PIS e COFINS, no montante especificado. Para simplificar, a soma de todos esses impostos, há 1 ano, era de mais de 49 milhões de reais. CÂMARA DOS DEPUTADOS Em terceiro lugar, a Associação Nacional dos Procuradores da República diz o seguinte: “As representações fiscais para fins penais foram formalizadas pela Receita Federal em data anterior à posse do Procurador da República Márcio Schusterschitz da Silva, a qual somente ocorreu em 18 de fevereiro de 2002. Tais representações deram origem às ações penais de número (...) ambas propostas pelo Ministério Público em março e agosto de 2002, respectivamente”. O quarto ponto... O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Dr. Jorge, por favor, queira simplificar. Se V.Sa. ler o relatório todo, vamos ficar 3 horas aqui, conforme disse o companheiro. Se puder simplificar a leitura do relatório, eu agradeço. O SR. JORGE DANTE GIGANTI - Se V.Exa. me permite, quero dizer que o Sr. Codonho falou durante 15 minutos sobre isso. Eu estou respondendo às perguntas em 5 minutos. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Mas V.Sa. agora está respondendo, e já falou. Agora, é só resposta. Faça um resumo. O SR. JORGE DANTE GIGANTI - O resumo é o seguinte: a empresa Dolly tem uma dívida fiscalizada pela Receita Federal, superior a 49 milhões; o Procurador não estava impedido e considerou ofensiva a acusação de que estava perseguindo a empresa Dolly; existe uma ação penal contra Laerte Codonho, que tramita na 3ª Vara de Justiça; e a Associação Nacional dos Procuradores da República manifesta repúdio ao fato. Outra afirmativa: que a empresa Convenção foi também afetada por pressões feitas pela Coca-Cola a fornecedores. A empresa Convenção declarou à Secretaria de Direito Econômico que não sofreu qualquer falta, carência ou pressão de insumos para vender e produzir os seus produtos. Finalmente, o valor da famigerada fita e das famigeradas entrevistas. Eu já tinha dito que faz 1 ano que estamos vendo essa mesma fita. E aqui cabe discernir sobre o que tem mais valor: uma conversa que o Sr. Capistrano considerava própria de botequim, com álcool e condimento agregado, ou o depoimento que a mesma CÂMARA DOS DEPUTADOS pessoa, o Sr. Capistrano, deu à Polícia e às autoridades da Secretaria de Direito Econômico. Finalmente, sobre o motivo pelo qual representantes da empresa Femsa/Panamco não estão aqui, esclareço que faz mais de 2 anos que não pertenço mais à empresa. E, se representantes da empresa precisavam estar aqui, deveriam ter sido convidados pelos interessados. Obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Passo a palavra, então, ao Sr. Laerte Codonho, a quem, por favor, peço que resuma a resposta. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, nem todas as minhas perguntas foram respondidas. Eu fiz perguntas a respeito da sonegação de 7 bilhões de reais que a Coca-Cola ou a FEMSA assumiu e negociou com o Governo do Estado de São Paulo. Eu quero resposta a respeito desse ponto. E há outros que ainda não foram respondidos. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Deputado Celso Russomanno, o debate sobre a matéria tributária não ficou para a segunda parte desta audiência? O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Pode ser até na segunda parte, não há problema algum. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Algum outro ponto ficou faltando, além desse, sobre matéria tributária e auto de infração? O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Ficou. Veja bem: os senhores representantes da Coca-Cola estão respondendo às perguntas feitas por mim e pelos outros 3 autores dos requerimentos desta reunião. Eu voltei à pergunta sobre o derivado da folha, e ela não foi respondida também. Não sei se o Deputado Renato Cozzolino entende que a sua pergunta foi respondida. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Sr. Presidente, eu entendo que estão sendo respondidas as perguntas do Deputado Celso Russomanno. Os CÂMARA DOS DEPUTADOS convidados não se referem ainda às minhas perguntas. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Eu perguntei também se existia ou não caixa dois na empresa SPAL. Também não foi respondida. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - A resposta fica também para a segunda parte da nossa audiência. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Perguntei se o objetivo, com a denúncia da concorrência desleal, era tirar a Dolly do mercado. Essa pergunta também não foi respondida. Se era uma questão de desespero, se valia tudo no momento. Enfim, fiz uma série de perguntas que ainda não foram respondidas. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Eu pergunto aos Srs. Brian e Giganti se estão anotando as perguntas dos 3 Deputados, porque S.Exas. não as consideram respondidas. O SR. BRIAN SMITH - Bom, eu entendi que estávamos contestando as perguntas de V.Exa. Então, vamos responder às perguntas que fizeram agora e logo passaremos às demais. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Eu estou entendendo que as perguntas foram todas dirigidas a V.Sa. O SR. BRIAN SMITH - Sim, mas acho que há umas perguntas que são mais facilmente contestadas por... O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Assumi a presidência dos trabalhos e não quis interferir no trabalho do Presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, mas as perguntas foram dirigidas a V.Sa. Pelo menos foi o que eu presenciei. O SR. BRIAN SMITH - Mas entendi que o Presidente permitiu, caso eu precisasse, a ajuda de outros executivos. S.Exa. disse que estava correto, que eu podia fazer isso. Então, se V.Exa. acha que isso não é válido, será uma mudança. Mas foi o que S.Exa. disse no princípio desta audiência. Eu vou precisar de ajuda para contestar a parte técnica. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Eu sei, mas ele é o exPresidente da empresa; V.Sa. é o atual Presidente. Ele não é membro da parte técnica. V.Sa. ainda participa da Coca-Cola? CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. BRIAN SMITH - Entendo. Mas há umas perguntas... O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Parte técnica é parte técnica; ele é ex-Presidente e foi convidado, como V.Sa. O SR. BRIAN SMITH - Há umas perguntas que têm de... O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Ou ele ainda faz parte da Coca-Cola Company? Eu estou perguntando a ele, por favor. V.Sa. faz parte da empresa ainda? O SR. JORGE DANTE GIGANTI - Não. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Então, as perguntas estão sendo dirigidas a V.Sa., Sr. Brian. Responda a elas ou chame a sua assessoria técnica. O SR. BRIAN SMITH - Mas acho que o ponto era esclarecer as perguntas. Estou buscando a melhor maneira de contestar as perguntas. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - V.Sa. está autorizado a trazer a sua assessoria técnica. Pode chamá-la. Eu só perguntei a V.Sa. se ele participa da empresa hoje ou é um ex-Presidente. O SR. BRIAN SMITH - É um ex-Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Então, ele não é seu assessor técnico. Onde está o seu assessor técnico? O SR. BRIAN SMITH - Mas não estava falando das perguntas técnicas. Disse que algumas perguntas feitas pelo Deputado Celso Russomanno o Sr. Jorge pode contestar mais facilmente. O SR. DEPUTADO JONIVAL LUCAS JUNIOR - Sr. Presidente, o que nós entendemos é que, no momento em que houve o fato citado pelo Deputado Celso Russomanno, o Presidente da empresa era o Sr. Giganti. Por isso é mais fácil que S.Sa. responda. É apenas uma questão de entendimento. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Eu sei. V.Exas. não estão entendendo. Quando ele se dirigiu... O SR. DEPUTADO JONIVAL LUCAS JUNIOR - O que nós estamos buscando aqui é o entendimento. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Deputado, a solicitação de esclarecimento foi feita ao... CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. DEPUTADO JONIVAL LUCAS JUNIOR - À Coca-Cola. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Mas ele não é a CocaCola; ele é “ex-Coca-Cola”. O SR. DEPUTADO JONIVAL LUCAS JUNIOR - Mas à época ele era. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Por favor. Eu não vou deixar que se interrompam os trabalhos. Com a palavra o Sr. Brian. Se V.Sa. tem o seu assessor, por favor, traga-o para a audiência. Ele está autorizado a falar. Se não tem, por favor, responda às perguntas. O SR. BRIAN SMITH - O.k. Então, quanto às perguntas sobre a Spal, eu não estou autorizado a contestá-las porque é uma empresa pública (ininteligível). Não tenho permissão para contestar essas perguntas diretamente. V.Exas. têm de convocar representantes da Spal para contestar as perguntas referentes a matanças no México e a caixa dois. Por isso não contestei essas perguntas. Então, vamos diretamente à parte técnica: sobre a folha de coca, sobre cocaína. Queria chamar... (Pausa.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Por favor, identifique-se: nome, sua função na empresa, para começarmos a registrar as notas técnicas. Não sabemos o encaminhamento dessas atas amanhã... O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, para uma questão de ordem. Já que o Presidente da Coca-Cola Company não pode... O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Nós estamos ouvindo agora o Deputado Celso Russomanno. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - ... responder às perguntas feitas por mim sobre a SPAL, temos de convocar outra audiência com o Presidente da atual FEMSA. A Coca-Cola, ainda assim, é acionária da empresa que se encontra em São Paulo. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - É uma das acionistas. V.Sa., por favor, identifique-se. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. JOSÉ MAURO DE MORAES - Sim, senhor. Muito obrigado. CÂMARA DOS DEPUTADOS O meu nome é José Mauro de Moraes, eu sou Farmacêutico Bioquímico, Diretor de Meio Ambiente e Assuntos Científicos da Coca-Cola, na área corporativa, no Rio de Janeiro. Eu gostaria, inicialmente, de agradecer ao Deputado Renato Cozzolino a pergunta, porque ela permite que nós esclareçamos o que vem a ser derivado de folha de coca. A Coca-Cola não tem qualquer ingrediente, inclusive folha de coca ou seus derivados, que contenha substância proibida ou ilícita no Brasil. Isso foi amplamente verificado pela análise feita pelo Instituto Nacional de Criminalística. E nós estamos seguros de que será também comprovado pelas análises solicitadas por esta Casa, por meio de requerimentos de informações sobre os ingredientes do concentrado da Coca-Cola e não da bebida, especificamente, distribuída ao consumidor. Nesse caso, a Coca-Cola considera extremamente interessante que esses ingredientes que estão na nossa fábrica de Manaus sejam analisados da forma que esta Casa julgar necessária, para que efetivamente comprovemos que a bebida não contém qualquer tipo de ingrediente, inclusive folha de coca ou seus derivados, considerado substância ilícita. Eu comungo com V.Exa., Deputado, na sua preocupação com as crianças, porque eu também tenho filhos que consomem Coca-Cola na minha casa, assim como os meus parentes e os meus amigos. Eu posso garantir a V.Exa. que o produto Coca-Cola é absolutamente lícito. Eu gostaria apenas, para encerrar, de fazer um exercício de lógica com todos. A Coca-Cola é a entidade que patrocina as Olimpíadas há muitas décadas. Durante os Jogos Olímpicos, a Coca-Cola é consumida extensivamente por todos os atletas, praticamente. Atletas a consomem bem mais do que nós, realmente. Ora, esses atletas são submetidos a exames antidoping, cujas técnicas são as mais sofisticadas que existem, capazes de detectar traços de substâncias ilícitas, quantidades que nem podem ser medidas. Na nota técnica, elas aparecem como traços. Se houver qualquer tipo de substância tóxica, estimulante ou proibida, vai aparecer facilmente no exame, porque os métodos de análise são absolutamente modernos. Lembro que a fórmula da Coca-Cola, apenas no Brasil, tem 62 anos. Nesses CÂMARA DOS DEPUTADOS anos, os métodos evoluíram. Assim, qualquer ilicitude apareceria tranqüilamente. Por último, gostaria de fazer uma referência ao laudo do Dr. Brasil, deixar claro que em momento algum ele se refere à Coca-Cola. Em momento algum, o laudo do Dr. Brasil, apresentado aqui, refere-se à Coca-Cola. Ele não se refere aos produtos da Coca-Cola; ele faz ponderações genéricas que nada absolutamente têm a ver com o produto que nós fabricamos e distribuímos no Brasil. Eu agradeço mais uma vez a oportunidade. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Sr. Presidente, a nossa pergunta foi sobre a origem do extrato vegetal (Mercadoria nº 5) utilizado na fabricação da Coca-Cola. E não obtivemos resposta. É extrato de quê? De folha de couve, de alface, de folha de tomate? O Sr. José Mauro falou sobre o laudo do Dr. Brasil. Eu não estou dizendo que o Dr. Brasil afirmou ou não que o extrato vegetal é folha de coca. Queremos justamente ter conhecimento dos fatos porque, caso seja extrato vegetal de coca, quando misturado gera outra substância entorpecente, não mais identificável. CÂMARA DOS DEPUTADOS Então, a minha primeira pergunta foi sobre a origem do extrato vegetal (Mercadoria nº 5). Aliás, nem foi a primeira. A primeira foi justamente se o Dr. Brian Smith conhecia ou ouviu falar do Sr. Randy Donaldson, que, em entrevista à revista Veja, edição de 6 de julho de 1988, diz bem claramente — e se trata de revista conceituada, que certamente todos os Parlamentares e os presentes lêem, assim como a revista Exame, e em cujas informações acreditam —: “Extratos de folha de coca realmente são usados na fórmula, mas não ilegalmente. Essa essência não é narcótica”. Pode não ser nos Estados Unidos ou em outro lugar, mas no Brasil a Lei de Entorpecentes é clara: não pode haver resíduo algum, nenhuma quantidade sequer nos produtos. O próprio representante da Stepan Química afirma que a matéria-prima deles é folha de coca comprada numa estatal do Peru e que a Coca-Cola usa esse material como essência da bebida. Portanto, embasamos nosso questionamento sobre a problemática CocaCola/Dolly nessa reportagem e em outras. Obtivemos outras informações às quais me limitei para não criar mais polêmicas — assessorias às Comissões. Estou me prendendo a um único fato. E V.Sa. ainda não respondeu nem à primeira pergunta nem à segunda. A primeira é sobre o Sr. Randy Donaldson; a segunda é sobre a origem do extrato vegetal (Mercadoria nº 5). O art. 31 do Código de Defesa do Consumidor é bem claro ao determinar que o consumidor tem de saber a origem do produto que consome. E qual é a origem do extrato vegetal da Coca-Cola? Folha de coca, de couve, de alface, de limão, de laranjeira? V.Sa. não me respondeu. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Deputado Renato Cozzolino, em relação à pessoa citada na revista Veja, foi esclarecido pelo Sr. Brian Smith que não o conhecia. Está declarado e consta das notas taquigráficas. Quanto à folha, para encerrarmos logo essa... O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - A origem do extrato vegetal. O CDC é bem claro: o consumidor tem o direito de saber a origem do produto que consome. Não estou querendo ferir a fórmula da Coca-Cola. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - O assessor da Coca-Cola tem como dizer qual é a origem da folha? CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. JOSÉ MAURO DE MORAES - Posso responder. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Por favor. O SR. JOSÉ MAURO DE MORAES - Quero dizer novamente que vim aqui com o objetivo... O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Desculpe-me V.Sa. se parece que a pergunta está sendo feita de maneira agressiva. Estou querendo tirar essa dúvida há algum tempo. Na outra audiência, eu estava inscrito e não consegui esclarecê-la. Estou desde cedo aguardando para fazer essa pergunta. E V.Sa. ainda não esclareceu minha dúvida. O SR. JOSÉ MAURO DE MORAES - Deputado, não considerei, absolutamente, agressiva a sua pergunta. Pelo contrário: V.Exa. é um homem muito educado. Quero dizer novamente que vim a esta audiência, o que muito me honra, com a finalidade de prestar declarações sobre segurança de uso da Coca-Cola e legalidade dos ingredientes utilizados pela empresa. Vou repetir: nenhum ingrediente da Coca-Cola, inclusive folha de coca ou seus derivados, contém qualquer substância ilícita ou proibida no Brasil. Em relação à composição dos aromas utilizados nos produtos da Coca-Cola, não tenho conhecimento específico de como são compostos. Não tenho como responder à pergunta de V.Exa. Posso dizer, sim, que as substâncias utilizadas pela Coca-Cola são absolutamente lícitas no Brasil, e isso está demonstrado por meio de análises feitas pelo Instituto Nacional de Criminalística, que não detectou quaisquer substâncias psicotrópicas ou entorpecentes, ou seja, substâncias proibidas. Foram feitas análises cromatográficas de alto nível. O INC é um dos melhores laboratórios do mundo na área forense e não evidenciou a presença de qualquer tipo de substância nociva à saúde, ou entorpecente, ou psicotrópica. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Sr. Presidente, peço a palavra para uma questão de ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Tem V.Exa. a palavra. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - O farmacêutico, que veio com a missão de esclarecer, não esclareceu. Quem é a pessoa da Coca-Cola, em todo esse planeta, que pode nos dar essa informação? Eu já não agüento mais. Tenho sido paciente e seguido a minha linha: respeitado o Regimento. Aguardei desde o dia 12 de maio o encaminhamento do requerimento ao Ministério da Justiça — o órgão que deve solicitar o exame —, e aqui um representante da Coca-Cola usa da palavra, assessorando o Presidente da empresa, e não me responde. O art. 31 do Código de Defesa do Consumidor é claro em relação a essa questão. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Deputado Renato Cozzolino, entendo perfeitamente que o assessor, pela função que exerce na empresa, teria a obrigação de esclarecer quais são os ingredientes utilizados até a fabricação final do produto, que é a Coca-Cola. Pergunto ao Sr. Brian Smith, para encerrarmos essa etapa de questionamentos dos 3 autores do requerimento, o seguinte: é possível a V.Sa. nos remeter, para que façam parte integrante das notas taquigráficas, dados sobre esses ingredientes, por meio de terceiros ou de responsáveis diretos pela fabricação do produto? V.Sa. se compromete agora a nos remetê-los por escrito, em nome da Companhia? O SR. BRIAN SMITH - Comprometo-me a fazer a contestação do que ele perguntou agora. Foi encaminhado pedido ao Ministério da Justiça, pela Câmara do Deputados, para realização de outro teste — e parte do teste foi realizada em 2000 —, a fim de verificarem novamente o concentrado e os extratos vegetais. Todas as perguntas feitas serão submetidas ao laboratório, por meio do Ministério da Justiça, para se saber realmente se há essas substâncias que V.Exa. está citando. Creio que respondemos às perguntas. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Entendi que ele já fez a solicitação por intermédio da Mesa da Comissão, Deputado. Fica, então, esse compromisso por parte de V.Sa. de remeter os dados sobre os ingredientes, em nome da Companhia, para que possamos anexá-los às notas CÂMARA DOS DEPUTADOS taquigráficas da reunião de hoje. O SR. BRIAN SMITH - Não entendi. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Peço a V.Sa. que nos encaminhe, por intermédio de quem de direito da Coca-Cola Company, os dados sobre os ingredientes do produto, a Coca-Cola, até a fabricação final. O SR. BRIAN SMITH - Podemos solicitar, mas não podemos nos comprometer. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Mas como não pode? Não pode encaminhar? V.Sa. está caindo em contradição. Realmente há algum problema. Não é nada demais. O SR. DEPUTADO WLADIMIR COSTA - Sr. Presidente, peço a palavra para uma questão de ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - V.Sa. vê algum problema em encaminhar, por meio do Departamento de Produção, os dados sobre os ingredientes necessários à fabricação da Coca-Cola? O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - O Extrato Vegetal nº 5. (Intervenções simultâneas ininteligíveis.) O SR. DEPUTADO WLADIMIR COSTA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. DEPUTADO WLADIMIR COSTA - Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - É a matéria-prima utilizada. Eu tenho a obrigação de saber... O SR. DEPUTADO WLADIMIR COSTA - Sr. Presidente, V.Exa. me concedeu a palavra. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Eu tenho a obrigação de saber o que estou utilizando. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - O direito, Sr. Presidente. V.Exa. tem o direito de saber. O SR. DEPUTADO WLADIMIR COSTA - Sr. Presidente, V.Exa. me concedeu a palavra. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Eu sei que, para fazer o CÂMARA DOS DEPUTADOS pão, utilizam-se farinha de trigo, açúcar, sal e água. O consumidor tem o direito de saber. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, V.Exa. tem todo o direito de saber — não é preciso saber a fórmula — quais são os ingredientes utilizados, desde o início da fabricação. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Refiro-me aos ingredientes. Se falei na fórmula, peço desculpas. São os ingredientes necessários para a fabricação do produto final. O SR. DEPUTADO WLADIMIR COSTA - Ainda há pouco V.Exa. me concedeu... O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - O senhor que disse “ah! não” tenha respeito, se não será colocado para fora. Com todo o respeito aos presentes aí atrás. Não estou rindo para o senhor, não. Por favor, somente preste atenção, porque não lhe é permitido se manifestar. O SR. DEPUTADO WLADIMIR COSTA - Sr. Presidente, ainda estou com a palavra? O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Com a palavra o Deputado Wladimir Costa. O SR. DEPUTADO WLADIMIR COSTA - Muito obrigado. Ainda há pouco defendi o Sr. Laerte Codonho em relação à posição manifestada por um nobre Parlamentar. E, neste momento, sou totalmente imparcial na questão. Sinceramente, não sou amante de refrigerante. Entendo que ambos prejudicam a saúde em pequenas ou em grandes proporções. Acredito que em mínimas proporções, mas trazem prejuízos à saúde. As mulheres se enchem de celulite e de uma série de outros problemas. O refrigerante engorda porque contém açúcar, mesmo que seja light ou diet. A pergunta feita pelo nobre Parlamentar que tem atuação fantástica junto ao Congresso Nacional, o Deputado Renato Cozzolino, foi respondida pelo funcionário da Coca-Cola: S.Sa. disse que não se usa folha de coca. A meu ver, querer saber detalhadamente a composição do produto, meu Deus do Céu, é forçá-los a quebrar o sigilo empresarial, o que traria prejuízo inquestionável. Daqui a pouco, vamos CÂMARA DOS DEPUTADOS querer saber o que é utilizado na fabricação do desodorante, do sabão Omo etc. Eles têm o direito de guardar o segredo empresarial. Se revelarem a fórmula do produto, amanhã todo o mundo vai fabricar a matéria-prima para produção da Coca-Cola. Considero isso um absurdo. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Deputado Wladimir Costa, não participo da Comissão de Defesa do Consumidor, mas penso que ela tem o papel preponderante — está aqui o Presidente, Deputado Paulo Lima — de saber, na realidade, preservar os direitos do consumidor, no que diz respeito a fabricação desse produto. É mais do que justo que sejam esclarecidos os ingredientes, até por esta Comissão ter por obrigação esclarecer isso a quem quer que seja. Gostaria de solicitar de V.Sa., se possível, que nos remeta a matéria-prima necessária que V.Sa. tem para a fabricação do produto final, para que possamos complementar esta reunião, até porque quero terminar essa etapa. Não sou desta Comissão; estou aqui apenas como membro da Comissão de Finanças e Tributação, pois que quero tratar da matéria tributária. A SRA. DEPUTADA PROFESSORA RAQUEL TEIXEIRA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Tem V.Exa. a palavra. A SRA. DEPUTADA PROFESSORA RAQUEL TEIXEIRA - Sr. Presidente, tentando ajudar a esclarecer essa questão, no laudo do Instituto Nacional de Criminalística, que nos foi passado, na página 3 há os elementos que constituem a Coca-Cola: fenilcetonúrico, água gaseificada, extratos vegetais, cafeína, corante caramelo, edulcorante artificial, silicato... Penso que seja isso que V.Exa. está solicitando. Pois já está no laudo. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - É verdade. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Sr. Presidente, a minha pergunta não foi essa. Não estou perguntando fórmula, nada disso! Estou preso ao art. 31 do Código de Defesa do Consumidor, que nos dá o direito de saber realmente qual é a origem do extrato vegetal. Ele tem extrato vegetal originado de vegetal. Mas de qual? Da folha de couve, da folha de alface, da mandioca, que vegetal é esse? Agora, o farmacêutico da Coca-Cola não ter esse conhecimento, acho que por aí já começa a haver uma complicação. O Presidente Brian Smith se negar de falar... Ora, não estou ferindo a fórmula da Coca-Cola. Essa foi a segunda CÂMARA DOS DEPUTADOS pergunta que fiz. Estou aqui há apenas alguns meses aguardando este momento para tirar essa dúvida. Ando pelas ruas e as pessoas me perguntam: que origem tem o extrato vegetal da Coca-Cola? Isso tem uma conotação, realmente, no âmbito do Brasil... Todo o mundo lá fora quer saber o que é, e eu estou sendo questionado. Não podemos ficar presos a isso. O art. 31 deixa bem claro o meu direito de saber qual é a origem do extrato vegetal. Não abro mão dessa resposta. O laudo apresentado não é o que queremos. Ali acusa que há alcalóide na composição com outro ingrediente, que é o ácido fosfórico, que é liquido, que ocorre a hidrólise e o novo produto deixa de ter características de entorpecente. Não estou mencionando que é folha de coca — quero saber apenas. Não estou acusando a Coca-Cola; quero saber apenas qual a origem do extrato vegetal. Volto a perguntar: é folha de couve, de alface, raiz de mandioca? Temos o direito, na Comissão de Defesa do Consumidor, todos os presentes, de saber isso; todo o povo brasileiro quer saber. Será que vão nos limitar agora a isso, dizendo que depois vão mandar a resposta? Temos direito de saber! A Coca-Cola existe no Brasil há 62 anos. Ora, será que nenhum funcionário dela se interessou em saber o que é extrato vegetal? Será que ninguém se interessou? Que absurdo é esse?! onde é que estamos?! Esta Comissão tem que tomar um aposição. Não podemos sair daqui sem resposta. V.Sas. me desculpem o procedimento que estou tomando, porque tenho sido paciente. Aguardei o instante de meu requerimento; o Presidente João Paulo Cunha, tendo equilíbrio, buscou uma solução, viu que realmente isso precisava de exame e encaminhou, por intermédio do Presidente Inocêncio Oliveira, que se procedesse ao exame. Muito bem. Mas por que não se pode responder aqui? Que mistério é esse acerca do extrato vegetal? Volto a afirmar: estou embasado no art. 31 do Código de Defesa do Consumidor, estou embasado naquilo que me dá direito, assim como no Regimento da Casa, e exijo uma resposta para a minha indagação. Peço novamente apoio a todos os Deputados desta Comissão, da de Fiscalização e Controle, da de Tributação de Finanças, da Câmara Federal, porque agora existe uma interrogação muito grande neste País: uma Comissão do Poder Legislativo maior do meu País não obtém resposta para esta pergunta: o extrato CÂMARA DOS DEPUTADOS vegetal tem origem em quê? E, insisto, estou apoiado no art. 31 do Código de Defesa do Consumidor. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Com a palavra a Deputada Professora Raquel Teixeira. A SRA. DEPUTADA PROFESSORA RAQUEL TEIXEIRA - Sr. Presidente, penso que ninguém neste recinto tem autoridade científica para fazer esse julgamento agora. Vamos estar entrando numa discussão inócua e sem fim. Gostaria de sugerir que façamos essa pergunta à UNICAMP, à USP, a uma instituição conceituada. Temos que descaracterizar isso porque aqui não existe o grupo da Coca-Cola e o grupo da Dolly. Existe um grupo de Parlamentares sérios que têm compromisso com o consumidor e não com nenhuma dessas empresas. CÂMARA DOS DEPUTADOS Gostaria de sugerir que encerremos esta discussão e a encaminhemos para um instituto científico qualificado e respeitado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Vou deixar a critério do Presidente da Comissão de Defesa do Consumidor esta questão. Antes, porém, para adiantar os trabalhos, vou passar a palavra ao Sr. Laerte Codonho, para que responda às perguntas. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Sr. Presidente, e as outras perguntas que fiz? O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - S.Sa. já declarou que realmente não conhece a pessoa que está citada na Revista Veja. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Mas temos outras perguntas. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, como autor do requerimento, considero que as minhas perguntas não obtiveram resposta na totalidade. Não sei quanto ao Deputado Renato Cozzolino, mas entendo inclusive que a FEEMA deve vir aqui e que a questão do extrato vegetal, que foi minha pergunta também, não tão embasada como o fez o Deputado Renato Cozzolino, tem que ser esclarecida; e, se não for dessa forma, então por meio de perícia. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Entendo que esta audiência da Dolly e da Coca-Cola se deu mais quanto à questão nacional. Estamos aqui com a Coca-Cola Company, assim como com a Dolly, também detentora da marca. Agora, penso que quanto a essa questão, principalmente, da sonegação da sucessão de uma empresa para outra, tão bem localizada, tão-somente no Estado de São Paulo, cabe uma outra convocação, uma outra reunião para que se possa tratar efetivamente desse assunto específico. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Sr. Presidente, foi definido que nesta audiência de Defesa do Consumidor teria que ser esgotado o nosso assunto, CÂMARA DOS DEPUTADOS para que então passássemos para a outra etapa. Mas não foi. Temos vários questionamentos feitos e sobre eles não obtive nenhuma resposta, realmente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Quais as perguntas a que V.Exa. se refere? O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Para que país é exportado o concentrado da Coca-Cola que é feito no Brasil? Quais foram as aquisições, nos últimos 3 anos? Enfim, são várias perguntas, e os senhores devem ter anotado, repito, uma após outra. Agora, quero deixar bem claro que não estou sendo agressivo. Insisto nisso porque estou cansado de ficar questionando a mesma coisa. Acredito até que o Presidente Brian Smith e o farmacêutico que aqui está, com toda a boa vontade de esclarecer, talvez eles mesmos não saibam o que seja extrato vegetal. Acredito que não sejam eles que não estejam querendo responder; eles até que gostariam de responder, mas não têm conhecimento do que seja isso. Só posso chegar a esta conclusão, ainda mais porque o farmacêutico falou que os filhos dele bebem Coca-Cola. Pois na minha casa não entra Coca-Cola e não vai entrar enquanto não houver exame do extrato vegetal. Sr. Presidente, estivemos aqui praticamente por duas horas e meia com o Presidente da FEEMA; fomos pacientes. Mas continuo com esse problema: estou sendo questionado na rua a todo instante, e preciso obter uma resposta. Nós precisamos levar uma resposta à população. Sobre o exame, este já foi pedido, mas quero uma resposta. Tenho outras perguntas, e, se S.Sas. puderem responder, será interessante. Acredito que V.Sa. não saiba realmente o que é o extrato vegetal, não é, Presidente Brian Smith? V.Sa. quer responder, mas V.Sa. não tem conhecimento do que seja extrato vegetal. Não estou falando de forma agressiva. V.Sa. é o Presidente de uma instituição, mas pode ser que V.Sa. nunca tenha sido informado sobre o que seja extrato vegetal. Só que paira essa questão em âmbito nacional. O SR. BRIAN SMITH - Acho que extrato vegetal é uma substância de um vegetal, não mais que isso! (Risos.) Mas, em todo o caso, acho importante as outras perguntas que V.Exa. fez, às quais podemos responder ou contestar, talvez, depois da audiência, passando-lhe um papel com tudo. Sim, exportamos para a Colômbia, Venezuela... E as respostas a outras perguntas desse tipo, muito fáceis, CÂMARA DOS DEPUTADOS passaremos para o papel, para que fique tudo esclarecido. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Sr. Presidente Nelson Bornier, fiz uma pergunta e não tive a resposta. Fui contestado. Veja a situação em que estou. Fiz uma pergunta e não obtive a resposta. Fui contestado! O SR. DEPUTADO RUBINELLI - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Deputado, um minuto. Só para concluir. O SR. DEPUTADO RUBINELLI - Esta é uma audiência pública e todos devem participar. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Deputado Renato Cozzolino, estou doido para iniciar, até porque há diversos Deputados para perguntarem e ainda há uma resposta pendente do Sr. Laerte, mas preciso passar a Presidência da Comissão — porque para aqui vim preparado para tratar de sonegação fiscal e matéria tributária — ao Presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, esperando que os companheiros Deputados esgotem o mais rápido possível a questão dessa dúvida sobre a empresa Dolly e a Coca-Cola, para que possamos entrar no segundo item da pauta, que é sobre a questão da tributação, porque estou entendendo que daqui a pouco começa a Ordem do Dia e perdemos a oportunidade. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Onde é realizado o exame da mostra da importação? É uma pergunta à qual gostaria que os senhores respondessem. Por qual porto ou aeroporto entra a mercadoria nº 5? O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Neste exato momento estou passando a Presidência ao Deputado Paulo Lima. O SR. JOSÉ MAURO DE MORAES - A algumas perguntas posso responder, Deputado. O SR. DEPUTADO RUBINELLI - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. DEPUTADO RUBINELLI - Sr. Presidente, tenho uma sugestão que gostaria de apontar para V.Exa. e para os demais Deputados, a fim de colaborar. Quanto às questões que não puderem ser agora esclarecidas por qualquer uma das partes — tanto o Dr. Laerte Codonho como o Dr. Jorge Dante Giganti ou o Dr. Brian CÂMARA DOS DEPUTADOS Smith —, penso que, se S.Sas. se prontificarem a mandar para esta Comissão as respostas por escrito, isto satisfaria a todas as partes. Isso caso haja o compromisso da parte deles. Agora, o que não é possível é um Deputado ficar perguntando, enquanto a outra pessoa não responde. Ai temos um impasse, e ficamos por muitos minutos aguardando oportunidade de fazer as nossas perguntas. Outra coisa, que já havíamos referido, seria deixar as réplicas para depois. Parece-me que elas estão ocorrendo agora, sendo que já havíamos concordado que as réplicas seriam feitas a posteriori. Sem querer prejudicar o andamento dos trabalhos — aliás, os autores são os que mais estão tendo oportunidade de falar, e acho legítimo isso — acho que nós, os demais Deputados, temos também de ter oportunidade de participar desta audiência, que é pública e pressupõe que todos participem. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. DEPUTADO WLADIMIR COSTA - Há muitas pessoas querendo saber a fórmula da Coca-Cola para começar a fabricar Coca-Cola também. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - O que na verdade foi colocado, e que eu compreendi da fala do Presidente Nelson Bornier, é quanto aos ingrediente presentes na fórmula. Ou seja, não se trata de quantitativo, percentual ou formulação do produto. No começo da nossa audiência, conversando com o Presidente José Priante, da Fiscalização e Controle, juntamente com o Presidente Nelson Bornier, chegamos à conclusão de que deveríamos talvez solicitar uma análise, por meio da ANVISA ou do Ministério da Saúde, do extrato que é importado pela Coca-Cola, a fim de encerrarmos este assunto em definitivo. Basta a análise desse produto. O SR. DEPUTADO WLADIMIR COSTA - É a melhor coisa que V.Exa. vai fazer, Sr. Presidente, até para não estar expondo essas pessoas a torturas psicológicas. Porque já está todo mundo morrendo de fome! O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Sobre a questão do produto, Deputado Renato Cozzolino, pelo que compreendemos, S.Sa. já disse que ele não tem folha da coca, que não tem substância entorpecente. Foi o que ele respondeu. Aliás, o farmacêutico já havia nos pedido a palavra para esclarecer suas dúvidas. Tem S.Sa. a palavra. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. JOSÉ MAURO DE MORAES - Deputado, gostaria também de informar que, com relação às substâncias que usamos na produção da Coca-Cola, todas elas estão numa lista positiva de aromas permitidos pela legislação brasileira. No Brasil, há a Portaria nº 104, da ANVISA, que define, de forma clara, quais são as substâncias que podem ser usadas na fabricação de alimentos e bebidas. São os chamados aromatizantes ou aromas. Todos os produtos que a Coca-Cola usa estão nessa lista, que já foi entregue, inclusive, para a própria ANVISA, quando nos perguntou sobre quais as substâncias que usamos. Mostramos para a ANVISA que as substâncias que usamos estão listadas na lista positiva que o Brasil permite como aromatizantes. Portanto, não temos nenhuma substância proibida, não temos nenhuma substância que contenha cocaína ou derivados dela. Tudo o que fazemos, no Brasil, com relação aos nossos ingredientes, está absolutamente dentro da legalidade. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Sr. Presidente, não tendo sido respondida a nossa pergunta com relação ao extrato vegetal, quero repeti-la: qual a origem do extrato vegetal, mercadoria nº 5, que está apoiada no Código de Defesa do Consumidor — Legislação Brasileira de Proteção e Defesa do Consumidor, de 10 anos — no art. 31. Se V.Exa. me permitir, gostaria de fazer a leitura. CÂMARA DOS DEPUTADOS “Art. 31. A oferta e a apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas claras, precisas, ostensivas em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazo de validade e origem, entre outros dados, bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores”. Como essa questão não foi esclarecida, ficam prejudicadas todas as outras que fiz, porque ainda não sabemos a origem do extrato vegetal. Mas eu gostaria que me respondessem sobre esta pergunta tão simples, e que até pode ser respondida numa palavra: ‘sim’ ou ‘não’. Está sendo adquirido um volume maior de extrato vegetal nos próximos dias pela Coca-Cola, da Stepan Chemical Company? O SR. JOSÉ MAURO DE MORAES - Eu não tenho conhecimento para informar ao senhor sobre esse assunto. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Muito obrigado, Sr. Presidente. Então não foram esclarecidas as minhas perguntas. Como essa primeira ficou sem resposta, as demais estão prejudicadas. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Eu só faria mais um questionamento. Se V.Exa. quer saber a origem do extrato vegetal, gostaria de saber sobre o tipo de árvore ou de cadeia de vegetal? O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Sobre a origem vegetal, é claro. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Mas será que eles não estariam entregando a fórmula, o segredo?! O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Não, Sr. Presidente. Isso não implica que se dê a fórmula. É apenas um ingrediente, Sr. Presidente. São sete os ingredientes que montam o concentrado e que são encaminhados aos engarrafadores. Então, não tem como dar a fórmula. É apenas um ingrediente; eu não estou ferindo nada. Nem quantidade eu pedi. Eu não pedi nada disso. Eu só perguntei qual a origem. Quando recebe uma salada na mesa contendo agrião, alface, o senhor sabe a origem. É um pé de alface, veio da horta. Uma folha de alface, uma folha de couve, uma folha de agrião. Meu Deus do céu! É isso que CÂMARA DOS DEPUTADOS quero saber! O SR. BRIAN SMITH - Acho que já falamos da lista de todos os ingredientes que podem estar na fórmula. Estão claramente indicados nos documentos que falamos todos os ingredientes que podem estar em nossa fórmula. Este é o ponto. O senhor está perguntando que extratos exatamente estão na fórmula. Nós estamos falando que todos os extratos que podem estar na fórmula estão nesta lista. Então, acho que isso ao final contesta sua pergunta sobre os ingredientes que podem estar em nossa fórmula. Então, realmente, acho que contestamos a pergunta. E acho que estamos perdendo tempo, porque, de minha parte, as perguntas feitas foram contestadas e abertas com integridade. E acho que devemos seguir com as outras perguntas. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Sr. Presidente, eu entendo que não estamos perdendo tempo, até porque estou embasado no Código de Defesa do Consumidor. Fiz a pergunta com base no Regimento e realmente não obtive resposta. Encerro meu questionamento. Agradeço a todos os companheiros e entendo que ninguém no Brasil vai saber o que é extrato vegetal e qual a sua origem. Retiro-me desta sala em protesto. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Deputado, como comentamos antes, nós, os 3 Presidentes das Comissões, estamos querendo solicitar à ANVISA e aos órgãos competentes que façam uma análise desse extrato vegetal. Pergunto então se a Coca-Cola se opõe à iniciativa do Governo, por intermédio do Ministério Público, de fazer uma análise desse extrato vegetal, com o acompanhamento de um técnico da Coca-Cola e outro da Dolly, junto ao Ministério da Saúde. O SR. JOSÉ MAURO DE MORAES - Nós estamos absolutamente de acordo que a análise seja feita, conforme já foi solicitado pelo próprio Deputado Renato Cozzolino, e o que se chama de extrato vegetal seja analisado, conforme foi solicitado. Estamos absolutamente de acordo com isso; estaremos aplaudindo e prestando todos os esclarecimentos e dando a nossa colaboração para que essa análise seja feita da forma como for entendida por esta Casa. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Sr. Presidente, V.Exa. se referiu à minha pessoa, é claro. Eu quero novamente informar: a pergunta sobre o extrato vegetal está de acordo com o Código de Defesa do Consumidor. Não temam: a pergunta é tão simples e a resposta deveria também ser simples. O extrato vegetal tem origem em quê? Em folha tal. Acabou! É tão simples! Mas o senhor não pode responder a isso... O exame já foi pedido ao Instituto de Criminalística da Polícia Federal, já foi encaminhado. Agora, vamos ter de acompanhar. Tem de ir junto o autor do requerimento, e aqui convido o Deputado Celso Russomanno e, inclusive, o Deputado José Carlos Araújo, que me apóiam nesse procedimento. Porque isso pode configurar um crime contra a saúde pública. Eu pensei que eu teria essa resposta aqui, e, então, desistiria do requerimento. Só que estou indo embora praticamente com a certeza de que esse extrato vegetal é nocivo à saúde humana. E, se for, é crime contra a saúde. Ou, então, por que não respondem? Eu não estou falando da fórmula da Coca-Cola. Nada disso. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Deputado Renato Cozzolino, só para explicar. De ofício, Sr. Presidente, é obrigação nossa, como Deputados, como autoridades, apurar todos os fatos aqui denunciados, sob pena de respondermos por crime de prevaricação. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Quero lembrar os Srs. Deputados que, aprovado esse requerimento, e encaminhado pela Mesa Diretora, por meio do Presidente João Paulo Cunha, as autoridades brasileiras têm o prazo de 30 dias para responder. Caso contrário, podem ser enquadradas em crime de responsabilidade. E nós, Presidentes das 3 Comissões (de Defesa do Consumidor, Finanças e Tributação e Fiscalização e Controle), solicitaremos, em conjunto, a resposta do Governo em relação aos questionamentos aprovados durante as reuniões. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Sr. Presidente, vou procurar o Deputado Luiz Antonio Fleury, porque tenho de resguardar minha vida. Recebi telefonemas ameaçadores. Não há brincadeira; é uma coisa séria! Eu tenho esposa e dois filhos. Tenho de cuidar da minha família. Com relação ao exame de extrato vegetal, é preciso observar a coleta, saber de que mercadoria vem. Eu não acredito mais nesse exame! Retiro-me da reunião, CÂMARA DOS DEPUTADOS em protesto! Perdoem-me, companheiros e demais presentes. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Deputado, nós vamos fazer a solicitação da análise. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Eu estou realmente estarrecido. É lamentável! O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Deputado, estamos concluindo a questão da concorrência desleal. Acho que temos de aguardar um pouco. Vamos aguardar com o ânimo mais sereno. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Vou dar uma entrevista à TV Câmara e, depois, eu retorno, Sr. Presidente. Preciso sair para me acalmar um pouco. Perdoem-me os companheiros. Esta não é minha maneira de ser, não é meu procedimento normal. Perdoe-me, Sr. Presidente! É incabível não obter essa resposta! Com licença. Depois eu retorno. O SR. LAERTE CODONHO - Deputado Renato Cozzolino, peço a V.Exa. que permaneça mais um minuto, por gentileza. Poderíamos ajudar em alguma coisa. Se a luz for apagada para que possamos exibir uma imagem, acho que isso ajudaria a elucidar a questão aos Deputados que têm dúvidas. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Sr. Laerte, esclareço que o senhor dispõe de 3 minutos. O SR. LAERTE CODONHO - Para tudo?! O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Sim, para tudo. O SR. LAERTE CODONHO - Então, vou responder somente sobre isso aqui. A lei de 1938, Sr. Presidente, é bem clara nesse sentido. “Das substâncias entorpecentes em geral Art. entorpecentes, 1º. São consideradas para fins dessa lei, as substâncias seguintes substâncias: ....................................................................... ........ XIII - as folhas de coca e preparações.” No Brasil, Sr. Brian Smith, ninguém está discutindo se é tóxico ou se não é, se o laudo indicou ou se não indicou a presença, se vai dar ou não vai dar. A CÂMARA DOS DEPUTADOS pergunta é muito clara: no extrato vegetal existe alguma substância derivada da folha de coca? O órgão norte-americano ligado ao combate às drogas revelou que um dos ingredientes do xarope concentrado que forma a base do sucesso da Coca-Cola em todo o mundo é uma essência não-tóxica extraída da folha de coca, segundo o FBI; a mesma da qual se faz a cocaína. A revelação foi feita depois de que agentes do Governo norte-americano investigaram a Stepan Company, no Estado de Illinois, nos Estados Unidos. Depois, o texto continua dizendo que extratos de folha de coca realmente são usados na fórmula, segundo o porta-voz da Coca-Cola mundial. O Ministério da Agricultura, que controla a produção de cervejas e refrigerantes no Brasil, conhece todas as matérias-primas, diz a Coca-Cola. Mas, na verdade, o que o Ministério tem é apenas uma fórmula. Não vale essa conversa de que não faz mal! A pergunta é clara e a resposta deve ser “sim” ou “não”. Há algum derivado de folha de coca no extrato vegetal usado pela Coca-Cola? Sim ou não? Ninguém quer saber a fórmula. O SR. DEPUTADO ALEX CANZIANI - Sr. Codonho, ele já respondeu sobre isso. O SR. LAERTE CODONHO - Não respondeu a nada! O SR. DEPUTADO ALEX CANZIANI - Já respondeu, sim. O SR. LAERTE CODONHO - Não respondeu a nada! Ele não respondeu se o extrato vegetal é derivado da folha de coca. O SR. BRIAN SMITH - Eu já respondi sobre isso. Já disse. O SR. DEPUTADO ALEX CANZIANI - O cidadão já respondeu. Ele não pode responder ao que S.Exa. quer ouvir. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. Os convidados estão aqui para responder às perguntas dos Srs. Deputados. Estamos aqui desde as 10 horas da manha. Não sei se alguém está com interesse em não falar mais nada aqui. Assim não é possível! É preciso pôr ordem nesta Comissão. Foi feita uma pergunta. Que cada um responda à pergunta que lhe for dirigida. Nós, Deputados, vamos perguntar. O que não pode é um convidado fazer pergunta a outro convidado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Perfeitamente. CÂMARA DOS DEPUTADOS Considero que a pergunta já foi respondida. Passo a palavra ao Deputado Wladimir Costa. O SR. LAERTE CODONHO - Quero terminar, Sr. Presidente, para ficar claro. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, as minhas perguntas ao Sr. Laerte não obtiveram resposta. O SR. LAERTE CODONHO - Estão pendentes, é verdade. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Estão pendentes inclusive as minhas perguntas referentes à Coca-Cola. O SR. DEPUTADO WLADIMIR COSTA - Sr. Presidente, cedo minha vez à participação do nobre colega Deputado Celso Russomanno, autor do requerimento. Acho que as perguntas de S.Exa. são profundas, pertinentes, importantes, mas não podemos transformar a reunião em tortura psicológica aos nossos convidados. Acho que o Sr. Codonho está sendo muito intransigente — e já foi até chamado à atenção com relação a isso. Acho que o cidadão que representa a Coca-Cola já disse o que queríamos saber. Os Presidentes das Comissões já assumiram o compromisso de proceder a uma análise profunda do produto, com a participação de instituições de respeito. Para este assunto caberia uma boa Comissão Parlamentar de Inquérito. Eu assumo o compromisso de encabeçar essa intenção, e conclamo os colegas, em vista das denúncias graves que acabam mexendo com algumas instituições, como a Receita Federal, a Polícia Federal etc. O clima é de muita intransigência por parte do Sr. Codonho. Não quero puxar aqui para a Dolly, pois não tomo nem Dolly nem Coca-Cola. Do que eu gosto mesmo é de suco de açaí, que tem muito lá no meu Pará. Cedo, portanto, gentilmente, minha participação ao nobre Deputado Celso Russomanno, colega que vem prestando relevantes serviços à Comissão de Defesa do Consumidor. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Passaremos, então, a vez do Deputado Wladimir Costa ao Deputado Celso Russomanno. Depois farão uso da palavra a Deputada Professora Raquel Teixeira e o Deputado Alex Canziani. Lembro que, nesta etapa, estamos trabalhando sobre a questão da concorrência desleal, à qual peço a atenção de V.Exa. Vamos nos ater a ela. CÂMARA DOS DEPUTADOS Também estamos discutindo a questão da fórmula. Devo dizer que todos aqui já tomaram Coca-Cola, mesmo o Sr. Laerte Codonho, assim como muitos já tomaram Dolly. O SR. LAERTE CODONHO - É um prazer ouvir isso! O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Gosto de Coca-Cola. Tomo Coca-Cola todos os dias. Mas, independente disso, estou tentando equilibrar a discussão. Volto a lembrar aos Srs. Deputados as duas questões básicas. A primeira delas é sobre concorrência desleal. Estamos discutindo se há esse tipo de concorrência, devendo haver impedimento de o Sr. Laerte Codonho estar vendendo o seu produto nos supermercados brasileiros. Já nos desviamos um pouco dessa primeira questão. A outra questão é sobre sonegação fiscal, porque está havendo reclamações. Sabemos que sonegação fiscal ocasiona falta de recursos ao Governo e, obviamente, às ações sociais que cada um de nós representa na sua base, na seu região. Peço aos Srs. Deputados que tratemos do assunto com objetividade. O SR. LAERTE CODONHO - Sr. Deputado, eu fui questionado sobre uma série de coisas. O representante da Coca-Cola usou quase meia hora para responder, e eu só tenho 3 minutos?! O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - O senhor respondeu antes. O SR. LAERTE CODONHO - Não. Não respondi. Eu não respondi a nada. Eu não abri a boca! O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Ele não respondeu, Sr. Presidente. O SR. LAERTE CODONHO - Eu não respondi ao Deputado José Carlos Araújo. O SR DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Não respondeu nem às minhas perguntas. O SR. LAERTE CODONHO - Não respondi a ninguém. Não tive oportunidade. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - De quanto tempo o senhor precisa? O SR. LAERTE CODONHO - De quanto V.Exa. achar conveniente. Eles usaram meia hora. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Cinco minutos?! O SR. LAERTE CODONHO - Acho pouco. Acho que 10 minutos é suficiente. Na realidade, se eu puder usar somente 5 minutos, concentro em cinco. Eu só gostaria de terminar de esclarecer. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, eu acho realmente que se configura uma concorrência desleal, caso exista no mercado um produto derivado de folha de coca, que é proibida no Brasil. Para acabar com a conversa, há um Guia de importação da Coca-Cola, da empresa Stepan Chemical... O SR DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, ele deve responder às perguntas. O SR. LAERTE CODONHO - Eu estou falando da concorrência desleal. Estou falando de uma empresa que importa extrato vegetal cuja folha é de coca. Isso foi declarado pela Coca-Cola Mundial. O SR DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, o tempo do Sr. Codonho é para responder às perguntas dos Srs. Deputados. O SR. LAERTE CODONHO - Posso responder, Sr. Presidente? O SR DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Ele tem de se ater às perguntas. O SR. LAERTE CODONHO - Fui perguntado sobre concorrência desleal. Estou tentando responder. Acho que não existe concorrência mais desleal do que essa. Se eu não puder responder a isso, estarei sendo tolhido. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Com relação à questão de ordem do Deputado José Carlos Araújo, ele tem razão: não pode haver debates e questionamentos dos Deputados neste momento. O senhor pode responder às perguntas feitas pelos Deputados, mas não pode haver debate nem perguntas do senhor sobre a questão da Coca-Cola. Os Deputados podem perguntar para a Coca-Cola, para o CADE, para o direito econômico e para a Dolly. Então, gostaria que o senhor se ativesse à questão levantada pelos Parlamentares. O SR. LAERTE CODONHO - Perfeito! O Deputado Celso Russomanno perguntou-me sobre o que entendo sobre concorrência desleal. Entendo que temos uma nota fiscal, que é uma guia de importação da Coca-Cola Indústria Ltda., CÂMARA DOS DEPUTADOS importando da Stepan Chemical Company tambores de extrato vegetal. A pessoa que fez essas importações, o Sr. Placídio José Mendes, já deu inúmeros testemunhos dizendo que esse produto é um extrato vegetal derivado da folha de coca. E trata-se de ex-funcionário que foi responsável por 12 anos pela importação desse produto. Só gostaria de esclarecer que eu acredito que essa, sim, é uma concorrência muito desleal. Foi perguntado, Deputado Celso Russomanno, sobre algumas empresas. Eu gostaria de deixar claro — inclusive eu pediria à Dra. Alessandra que esclarecesse, se o Sr. Presidente achar conveniente — que a Coca-Cola está apresentando um raciocínio sofismático. O seu presidente, Sr. Brian Smith, disse que das 4 denúncias apenas uma foi aceita. Primeiramente, quero deixar bem claro — pelo menos é o que entendi, Dra. Alessandra — que ao SDE cabe simplesmente indiciar os crimes contra a ordem econômica, contra toda a ordem econômica existente. Então, dessas denúncias que fizemos e que conseguimos demonstrar, uma foi acatada e instaurada pelo SDE, que achou que existem indícios de prática de concorrência desleal. Quanto a outras práticas, quero deixar bem claro aos senhores — não que não tenha havida prática desleal; aliás, o Dr. Daniel Goldberg teve a fineza de me explicar que tenho que ir à Justiça comum, porque foi uma prática desleal contra a Dolly. Mas isso não significa que não foi constada irregularidade. Talvez tenha sido constatada alguma irregularidade, só que contra a Dolly. Em relação aos fornecedores, isso foi constatado — digo, com relação a todo o sistema, Deputado Celso Russomanno. Essa questão é bem clara. E, quanto aos clientes, tenho uma gravação que vou trazer para os senhores. Sr. Presidente — este é um fato relevante que vou dar em primeira mão aqui —, o Sr. Capistrano declarou que deu dinheiro para um diretor do Pão de Açúcar tirar a Dolly do mercado. Vou mandar essa fita periciada a esta Comissão. Isso é muito grave. Mas, vejam bem, isso não significa que o SDE falou que não existe. Mas ele disse o seguinte: esse crime não é contra todo o sistema. Então, eu tenho de processar a Coca-Cola, o que já estamos fazendo. Quanto à questão de dumping. Foi um crime contra mim, contra a empresa Dolly, contra os nossos engarrafadores. Isso não é um crime contra... a questão não CÂMARA DOS DEPUTADOS é contra todo o mercado, mas sim contra a Dolly. Quanto ao e-mail falso. Também não foi feito um e-mail falso contra as outras empresas. O e-mail falso foi feito pela Spal. Nós temos no livro, isso sim é real, do César Azambuja — ele foi funcionário da Coca-Cola; foi uma pessoa que degravou, fez o grampo da Pepsi-Cola a pedido do Sr. Jorge Giganti — que viu claramente quais foram essas pessoas, dentro da Coca-Cola/Spal, que fizeram o e-mail contra a Dolly e como eles providenciaram isso. Então, quero deixar bem claro, conforme disse o Dr. Golberg, que essa prática é um problema seu e da Coca-Cola. Recorre-se à Justiça comum, que é o que estou fazendo. Isso não significa que a Coca-Cola foi inocentada. Quero deixar bem claro isso. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Dando prosseguimento, passamos a palavra à Deputada Professora Raquel Teixeira. O SR DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, as minhas perguntas não foram respondidas. O SR. LAERTE CODONHO - Sr. Presidente, também gostaria de responder às perguntas do Deputado José Carlos Araújo. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Pensei que o senhor tivesse terminado. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. LAERTE CODONHO - Acho conveniente, depois de debatermos, que a BCF faça também uma investigação na Coca-Cola. Sr. Presidente, gostaria de anexar aos autos matéria do jornal Valor Econômico, cujo título é “Multinacional admite sonegação em São Paulo”. O próprio Sr. Brian Smith e o Vice-Presidente, Sr. Rodrigo Caracas, aqui presentes, admitiram naquele periódico, e também nos jornais O Estado de São Paulo e O Globo, que a Coca-Cola praticou crime de sonegação em São Paulo. Então, se alguém entende de sonegação, esse alguém se chama Coca-Cola/Spal. Crime esse admitido pelo Sr. Brian Smith na revista Exame. Respondendo ao Deputado José Carlos Araújo, gostaria de deixar bem claro que o SDE já tem as conclusões dos diálogos. V.Exa. pode perguntar à Sra. Alessandra Reis, ou a quem quer que seja. Em nenhum momento induzi o Sr. Capristano a dar qualquer resposta. Essa foi a desculpa do Sr. Capristano, não minha. Gostaria que V.Exa. entendesse isso. Não tenho esse poder. E o Sr. Capristano era diretor da Spal Coca-Cola; é um homem letrado, um homem estudado, não é nenhum idiota, nenhum imbecil. Inclusive, isso foi alegado por ele. A própria SDE investigou o fato e pode dizer se o Sr. Capristano foi induzido a falar ou se tomou a iniciativa por conta própria. Se V.Exa. achar conveniente, posso até enviar-lhe uma cópia desse relato, para que dirima qualquer dúvida. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - O Sr. Capristano não é sua testemunha?! O SR. LAERTE CODONHO - Não, senhor. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Não foi V.Sa. que gravou o Sr. Capristano em sua firma? O SR. LAERTE CODONHO - Vou explicar a V.Exa. O Sr. Capristano foi o homem incumbido pelo Sr. Jorge Gigante de quebrar a Dolly. O Sr. Capristano foi diretor da Coca-Cola. Era o homem responsável pelo comitê de compras de todo o sistema da Coca-Cola no Brasil — perguntem aos representantes da empresa. Não era um pequeno borra-botas! Era um homem de alto padrão. Repito: era responsável pelo comitê de compras, não somente da Spal, mas de todo o sistema. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - E ele foi passear na Dolly... O SR. LAERTE CODONHO - Não, ele não foi passear na Dolly. Na realidade, CÂMARA DOS DEPUTADOS ele foi intimidar a Dolly, Deputado! Ele foi lá e disse o seguinte: “Eu posso tudo, faço tudo e quebro você. Então, é bom você fazer um acordo comigo”. Se houver oportunidade, terei o maior prazer de conversar com V.Exa. em seu gabinete para lhe mostrar tudo o que tenho. Na verdade, eu estava sendo ameaçado. Numa coisa V.Exa. tem razão. V.Exa. disse que eu parti para cima da Coca-Cola porque não tive outra opção. Ora, ou eu fazia isso ou quebrava, Deputado. E quero registrar aqui uma importante informação: o Sr. Capristano foi diretor da Coca-Cola/Spal até 2000 ou 2001. Depois disso, Deputado José Carlos Araújo, pasme V.Exa., ele ficou um ano e meio — segundo declaração do diretor jurídico da Spal na delegacia de Diadema — recebendo como consultor. Isso foi declarado pelo próprio Sr. Capristano. E sabe por qual motivo? Para quebrar a Dolly, tirá-la do mercado! Então, eu sabia com quem estava falando. Meus fornecedores me avisavam: “Esse tal de Capristano, se você não fizer alguma coisa, ele vai quebrar você!” Na realidade, Deputado José Carlos Araújo, não estou nem um pouco querendo me promover. Estou apenas reagindo contra a agressão que sofri. Como disse o Sr. Brian Smith, e o parabenizo: se houver alguma coisa errada, eles terão de responder por isso. Perfeito! Só que não há apenas uma coisa errada; há várias coisas erradas. Sr. Presidente, gostaria de responder a todas as perguntas do Deputado... O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Mais um minuto. Já se passaram 9 minutos. O SR. LAERTE CODONHO - Em outra ocasião, se V.Exa. me permitir, Deputado, posso ir ao seu gabinete para esclarecer tudo o que for preciso. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Não, muito obrigado. O SR. LAERTE CODONHO - Seria um prazer, Deputado. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Pode deixar. O SR. LAERTE CODONHO - Infelizmente, aqui não disponho do tempo que V.Exa. merece. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Com a palavra a Deputada CÂMARA DOS DEPUTADOS Professora Raquel Teixeira. A SRA. DEPUTADA PROFESSORA RAQUEL TEIXEIRA - Sr. Presidente, quase abri mão de... O SR DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - S.Sa. não falou sobre os grampos. O SR. LAERTE CODONHO - Sim, posso falar agora? A SRA. DEPUTADA PROFESSORA RAQUEL TEIXEIRA - Um minuto, por favor! Na verdade, tenho de me retirar daqui a pouco porque estou com uma viagem marcada. CÂMARA DOS DEPUTADOS Em primeiro lugar, Sr. Presidente, Deputado Paulo Lima, quero elogiar sua conduta. Ninguém pode dizer que não há democracia nesta Comissão. Pelo contrário, às vezes acho até que há até um pouco de complacência. Creio que nenhum outro Presidente teria sido mais generoso do que V.Exa. na concessão de espaço. Estou aqui desde as 10 horas da manhã e tenho uma viagem longa a fazer. E lamento dizer que estou saindo frustrada desta Comissão. Estamos aqui todo esse tempo discutindo e sinto que há grupos que não vão ceder. Isso me preocupa muito, porque, quando estava vindo para cá, alguém do local onde moro me perguntou sobre esta audiência e disse que esperava que pudéssemos esclarecer sobre o assunto. Perguntou quem está querendo tirar dinheiro de quem nessa história, se tem Deputado envolvido ou só é uma briga somente da Dolly. Fico triste, repito, porque tenho muito orgulho de ser Deputada e temos responsabilidade pela imagem desta Casa. Acho este debate fora de hora; não digo fora de lugar. Se esta Comissão tem interesse de reprimir abuso de poder econômico e fazer a defesa do consumidor, um debate nessa linha é pertinente. Mas, neste momento, estamos assistindo a um debate fora de hora. A Secretaria de Direitos Econômicos e o CADE, órgãos encarregados de fazer esse encaminhamento, já estão com processos em andamento Foi trazido à discussão esse dado novo: há coca ou não no extrato vegetal? Sinto-me absolutamente contemplada com a resposta da Coca-Cola, até por uma questão de bom senso, como disse o próprio Deputado Araújo. Não é possível que só a Dolly tem há descoberto que estamos tomando uma coisa que está fazendo mal para a saúde. Mas vamos esclarecer isso. Para termos mais elementos para o julgamento, gostaria de acrescentar um pedido ao exame que vai ser feito. A Dolly e a Coca-Cola têm coca? Portanto, quero um laudo científico da constituição tanto da Dolly como da Coca-Cola. Reafirmo minha sugestão de que uma instituição como a UNICAMP, a USP, a UFRJ, ou seja, que um grupo cientificamente respeitado faça essa análise. Sugiro que a continuação deste debate se dê depois que tivermos todas as respostas que a Dra. Alessandra e o CADE vão nos trazer, para que possamos tomar decisões em cima de fatos. Acho que são as únicas decisões corretas. Digo CÂMARA DOS DEPUTADOS isto talvez por ser mulher. Aprendi muito quando ouvi uma entrevista, muito tempo atrás, com Geraldine Ferraro, candidata a Vice-Presidente dos Estados Unidos. Em uma atitude machista, um jornalista quis apertá-la e lhe perguntou se, caso eleita, seria capaz de tomar decisão feito homem. Ela respondeu que tomaria decisões como todo homem e toda mulher deve tomar decisão: com base em fatos. Gostaria que nossas decisões, até por preservação da imagem desta Comissão e nossa própria, fossem tomadas em cima de fatos, nem com emoção nem com atitudes de ironia, mas com atitudes condizentes com nossa responsabilidade. Peço licença para sair. Vou deixar protocolado o meu pedido de exame das substâncias. Gostaria muito que retomássemos esta discussão quando tivéssemos dados que nos permitam tomar decisões racionais. Obrigada. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Obrigado, Deputada Professora Raquel Teixeira. Vamos acatar seu encaminhamento para análise dos extratos tanto da Dolly quanto da Coca-Cola; para análise nas 3 Comissões. Concedo a palavra ao Deputado Alex Canziani. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. DEPUTADO ALEX CANZIANI - Sr. Presidente, estarmos ouvindo tanto a Dolly quanto a Coca-Cola, o Ministério da Justiça e o CADE. Esta reunião foi basicamente pautada para se discutir a origem dessa substância, que se faz efetivamente com a coca. É importante que tenhamos então esse procedimento. A Comissão de Defesa do Consumidor e outras Comissões já aprovaram requerimento nesse sentido. É importante que tenhamos a análise, para que o povo brasileiro saiba, realmente, qual a origem desse produto que todos temos interesse em conhecer. Eu gostaria de saber — o Deputado José Carlos Araújo fez uma pergunta a respeito, mas não foi respondida pela própria Coca-Cola — em quantos países essa Coca-Cola é vendida no mundo? Há algum país em que não é vendida? Foi levantada também em algum país a questão da origem dessa matéria-prima? Existe alguma proibição da venda desse produto em qualquer país do mundo? Sr. Presidente, como tem sido divulgado na imprensa uma série de notícias a respeito da matéria — às vezes até prejudicando a imagem da Câmara dos Deputados e dos Parlamentares — devemos investigar profundamente o que está acontecendo, o que produz esse produto, para que possamos dar uma satisfação à sociedade brasileira. Também não devemos permitir que se use esta Casa para divulgar empresas ou pessoas. Não podemos servir de palco para esse tipo de prática. Quero, portanto, saber se existe, por parte da Coca-Cola, algum problema em qualquer do mundo; se há algum país que impeça a venda da Coca-Cola. Como disse a Deputada, vamos investigar também o que há no produto da Dolly. Que tenhamos a análise desses produtos. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Concedo a palavra ao Deputado Rubinelli. O SR. DEPUTADO RUBINELLI - Sr. Presidente, Sras. e Sras. Deputados, a exemplo da Deputada que me antecedeu, antes do Deputado Alex, quero parabenizar o Presidente pelo senso democrático e paciência na condução dos trabalhos. Como todo cidadão, estava curioso com os rumos desta audiência pública. CÂMARA DOS DEPUTADOS Acredito que esta audiência pública é importante mais no aspecto de nos mantermos informados, por quê? Porque temos os representantes do CADE, da Secretaria de Direito Econômico e a Justiça Brasileira, me parece, já está acompanhando a questão. Ambas as partes foram unânimes em dizer que o tema já é objeto de discussão no âmbito jurídico. A Secretaria de Direito Econômico, por meio dos processos administrativos, está tratando do assunto, e o CADE também. Preocupa-me muito as audiências públicas porque temos na Mesa 2 empresários, representantes de 2 indústrias brasileiras, que produzem e geram emprego no País. Muitas vezes, no calor do debate, chega-se a diálogos, digamos assim, extremamente incômodos. Não sei como se sentem tanto o Dr. Laerte Cadonho quanto o Dr. Brian Smith. Particularmente acredito que em alguns momentos eles se sintam constrangidos. No calor das discussões, nós, Deputados, dirigimo-nos a ambas as partes de forma inconveniente. O Deputado pode? Claro que pode. Ele pode muita coisa, de acordo com o Regimento. É óbvio que não pode desrespeitar. Mas, às vezes, a forma de abordar o cidadão beira o desrespeito. Acho que nós, Deputados, deveríamos aproveitar a reunião de hoje para nos inteirarmos dos fatos, para a Câmara dos Deputados saber o que realmente ocorre, sem paixão pelo lado da Dolly ou pelo lado da Coca-Cola. Aí, sim, depois de uma audiência pública isenta de paixões ou de qualquer motivação, formularmos uma opinião de acordo com o que achamos correto ou justo, já balizados pelos pareceres do CADE, da Secretaria de Direito Econômico ou por algum julgado da Justiça brasileira. CÂMARA DOS DEPUTADOS Perdoem-me os convidados, mas se eu tivesse sido convidado para esta audiência pública me sentiria constrangido — não que vocês devessem, mas pela forma, às vezes, de como são feitas as abordagens. Nós, Deputados, temos de tomar cuidado. A audiência tem o objetivo de fazer com que tomemos conhecimento dos fatos. Então, queria fazer, primeiro, essa observação. Segundo, achei interessante a exposição dos vários lados aí nessa disputa. Seria desnecessário travarmos discussões aqui hoje para ver que lado está certo, que lado está errado. Não compete a nós hoje aqui decidirmos se é a Coca-Cola, se é a Dolly. Temos o Poder Judiciário, o CADE, a Secretaria de Direito Econômico, todos esses órgãos que se vão posicionar. É óbvio que na omissão desses órgãos a Câmara tem que tomar uma posição. Na omissão, que ainda não ocorreu. Os autores do requerimento estão de parabéns. Cumprimento o Deputado Celso Russomanno, Parlamentar preocupado com todas as questões relativas à defesa do consumidor. Particularmente agradeço porque tive a oportunidade de ouvir os 2 lados. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, até o momento, a única coisa concreta que tenho — é óbvio que você ouve e não acredita cegamente em nenhum dos 2 lados — é um parecer do Departamento de Polícia Federal que minimamente me deixa um pouco mais tranqüilo, no sentido de que as análises realizadas do refrigerante em questão, a Coca-Cola, em todas as etapas, não revelaram a presença de quaisquer substâncias entorpecentes, inclusive cocaína, capazes de causar dependência física ou psíquica. Acho que minimamente isso já pode, de certa forma, nos tranqüilizar. É óbvio que todas as denúncias de ambas as partes deverão ser checadas, averiguadas e, se constatadas, punida a empresa, seja a que for. Mas, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, faço um apelo no sentido de que, na continuidade dos trabalhos, tenhamos uma responsabilidade a fim de levar esta audiência pública dentro do Regimento, com relação ao parâmetro do tempo de cada um. Acho que democracia é isso também. E nos esforçarmos ao máximo para não constranger nossos convidados. Vamos utilizar esta audiência pública para nos informarmos o máximo possível e acompanharmos toda a questão atinente à Dolly e à Coca-Cola. CÂMARA DOS DEPUTADOS Espero que disputas como esta entre empresas não se tornem uma prática nesta Casa — toda disputa interna que houver entre empresas acabar batendo às portas do Legislativo. É possível que isso ocorra; está previsto que tenhamos audiência pública para tanto. Mas, se se tornar uma prática, não vamos mais poder legislar, que é nossa função precípua. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Com a palavra o Deputado Osmânio Pereira. Em seguida, os Deputados Walter Feldman e Jonival Lucas. O SR. DEPUTADO OSMÂNIO PEREIRA - Sr. Presidente, gostaria também de cumprimentá-lo pela maneira elegante com que dirigiu os trabalhos junto com os demais Presidentes das outras Comissões. Foi debatida aqui hoje a existência ou não de cocaína no produto Coca-Cola. Acho que é um assunto extremamente técnico que foge ao nosso conhecimento e aos mecanismos de que dispomos nesta Comissão para poder confirmar ou se chegar a uma outra conclusão. As deliberações encaminhadas às Comissões no sentido de buscar a ANVISA e outros órgãos, assim como o Instituto Nacional de Criminalística, que também já apresentou seu parecer, acredito que é a posição mais sensata que nossas Comissões em conjunto estão tomando. Ao final, deveremos produzir um relatório que realmente venha a confirmar esse encaminhamento sensato, dentro das regras do Regimento Interno e dos nossos trabalhos. CÂMARA DOS DEPUTADOS Da mesma forma que outros Parlamentares que me antecederam, sinto-me mais tranqüilo. O exame aqui apresentado por um órgão do Departamento da Polícia Federal, do Ministério da Justiça, neste primeiro momento, tranqüiliza a família brasileira, a sociedade brasileira, o consumidor brasileiro de que estamos discutindo a utilização de um produto que está respaldado não só por esse laudo, mas que antes mesmo de ser vendido no País, há mais de 100 anos, teve sua aprovação nos órgãos técnicos competentes. É sensato, portanto, a Comissão buscar mais avaliações e informações técnicas. Toda a nossa discussão, por maior que seja o conhecimento dos nobres colegas, não vai acrescentar muito, Sr. Presidente. Na questão da prática de concorrência desleal ou não, estou na mesma linha. Creio que a Comissão aprofundou os debates, tem a opinião de que precisa para, no momento certo, na hora de aprovar o relatório, ver que tipo de sugestão, encaminhamento ou deliberação vai tomar, mas temos também os órgãos competentes do Poder Executivo que já estão avaliando a questão. Parece-me que, num total de quatro, pelo menos 3 processos já foram julgados, segundo os depoimentos que ouvimos aqui hoje, e foi pedido o arquivamento. Para tranqüilizar a sociedade e o próprio Parlamento brasileiro, devemos aguardar esse último julgamento ou, se for o caso, por sugestão, no relatório final, encaminharmos as medidas aprovadas aqui na Comissão. Afora isso, Sr. Presidente, sinto que as nossas Comissões e o Parlamento brasileiro têm sido usados e manipulados numa disputa comercial. Temos que preservar os interesses desta Casa. Estamos vendo que em determinados programas de televisão falas e depoimentos que aqui são praticados são retirados, usados e manipulados. Considero isso de uma gravidade sem precedentes porque fora do contexto de uma reunião, em que passamos o dia todo debatendo, quando se pega um trecho, uma pequena parte ou aquilo que interessa para jogar na televisão pode-se confundir o consumidor brasileiro. Esta Comissão tem que dar um basta em tudo isso. Temos que chegar a um denominador comum; temos que encerrar os nossos debates com esta audiência pública, que acredito seja a última para tratar dessa matéria, porque sentimos que CÂMARA DOS DEPUTADOS há uma protelação, uma procrastinação desse assunto. Faço uma recomendação à Presidência, como também aos demais Presidentes de outras Comissões que têm parte da responsabilidade sobre este tema, no sentido de que possamos atender àquilo que foi aprovado hoje, na parte da manhã e neste meio da tarde, a fim de encontrarmos um denominador comum no relatório final, com as recomendações que sairão de todos esses debates. Que possamos encerrar o debate de maneira honrosa, Sr. Presidente, porque os comentários nos corredores, na imprensa e em toda parte não são nada agradáveis a esse respeito. Deixo aqui esta recomendação para que as decisões a serem adotadas sejam feitas logo que for possível. Foi recomendado que aguardemos os relatórios, os laudos técnicos, tudo aquilo que foi pedido e que, só então, a Comissão se reuna reservadamente, apenas as Comissões ou a Comissão, para que possamos encontrar um caminho natural e não acabe, a exemplo dos demais debates que acontecem nesta Casa — que não vêm acontecendo, mas está ocorrendo hoje —, sendo usada e instrumentalizada para outros interesses. Poderíamos perguntar aqui quem está ganhando ou quem está perdendo. Poderia perguntar à Coca-Cola se ela vendeu mais ou menos depois desses debates; ou poderia perguntar também à Dolly se, no seu balanço, a partir do momento em que começaram os debates, aumentou ou declinou a receita. Há comentários também a respeito de tudo isso e que alguém pode estar ganhando. Quem está ganhando nas costas do Congresso Nacional, denegrindo a imagem do Congresso Nacional? Isso é inadmissível, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Espero, Deputado Osmânio Pereira, que quem ganhe seja o consumidor, o cidadão brasileiro. É para isso que estamos lutando aqui. CÂMARA DOS DEPUTADOS Devo dar o meu testemunho, conforme falei ao jornalista da Folha de S.Paulo, Ranier Bragon, de que não vi nenhum tipo de atitude na Comissão, ou da Presidência da Comissão que denegrisse a imagem de qualquer membro titular ou suplente. Todos estão trabalhando com o mesmo intuito. Obviamente, o ânimo aflora e as emoções falam mais forte em relação ao processo, o que é natural, próprio do Parlamento brasileiro. Passo a palavra ao Sr. Deputado Walter Feldman. O SR. DEPUTADO WALTER FELDMAN - Sr. Presidente, Deputado Paulo Lima, ouvi com muita atenção, particularmente as últimas intervenções dos Deputados Osmânio Pereira, Raquel Teixeira, Rubinelli e agora a ponderação de V.Exa. A Deputada Raquel tem razão, V.Exa. tem tentado, nas dificuldades das características da audiência, manter a total imparcialidade, porém a dúvida do Deputado Osmânio procede. Esta é uma audiência tormentosa, tão complexa que 3 Comissões vieram apoiá-la para que, espero, ela se encerre com o trabalho que estamos realizando. Que não haja desdobramentos, contrariando o que o nosso Deputado paraense falou de que isso poderia eventualmente criar uma CPI para podermos investigar ainda mais. Quer dizer, esse seria o pior caminho, talvez até um atalho que não dignifica o trabalho que o Congresso Nacional deve realizar. Venho a esta audiência por 2 motivos: primeiro, porque faço parte da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle e também porque sou do Estado de São Paulo — como V.Exa. —, território que suscitou o tema, a guerra e o conflito de mercado. Na minha avaliação, a característica principal desse embate é um conflito de mercado com as armas que estão sendo utilizadas, muitas delas em excesso e que não configuram um capitalismo civilizado, que respeita o consumidor, particularmente a informação. Eu analisava aqui em que esta audiência pode contribuir para esse imbróglio. Poderemos dar contribuição para averiguar melhor o caráter criminal do fato? Seguramente, não. Não faz parte das nossas condições e dos instrumentos que temos avaliar qual foi o envolvimento, tanto dos vídeos, das fitas, das acusações, dos documentos. O fórum que pode aprofundar o caráter criminal é outro. Vamos poder considerar as acusações de caráter fiscal? Falei agora com o CÂMARA DOS DEPUTADOS Secretário da Fazenda de São Paulo, que se encontra numa reunião aqui ao lado discutindo a Lei Kandir. O Estado de São Paulo tem aprimorado seus instrumentos, especificamente no setor, na tentativa de avaliar na saída do produto da indústria. Temos qualificado essa intervenção fiscal do Estado e sei das preocupações do nosso Governador, da Secretaria da Fazenda, para que os caminhos da sonegação sejam reduzidos, limitados, se possível, evitados. Aqueles que sonegaram, espero que sigam o caminho adequado, que é o pagamento daquilo que é devido. Portanto, esta Comissão, do ponto de vista fiscal, poderá dar uma contribuição muito pequena, a não ser, novamente, levar ao público aquilo que já tem sido falado. Poderemos dar alguma contribuição de caráter bioquímico, como o Deputado Renato Cozzolino falou? Não temos nenhuma expertise nessa área, nenhum instrumental, nenhum farmacêutico na Casa que, imagino, possa dar sua contribuição. CÂMARA DOS DEPUTADOS Fica uma dúvida: o relatório do Ministério da Justiça, como disse a Deputada Professora Raquel Teixeira, é suficiente? O Deputado Renato Cozzolino levanta que não, que pelo art. 31, do Código de Defesa do Consumidor, falta caracterizar o extrato vegetal. Tenho dúvidas em relação a isso. É possível que S.Exa. tenha razão. O Deputado Celso Russomanno poderia nos auxiliar, mas fica a dúvida se isso não caracteriza um conhecimento do sigilo empresarial que faz da Coca-Cola o produto que é. Dúvida. Quando coloca extrato vegetal e quando existe uma resposta de que não há folha de coca presente ou qualquer outro psicotrópico ou produto que caracterize o crime, essa resposta é suficiente ou devemos ter o detalhamento do extrato vegetal? Tenho dúvidas sobre essa matéria. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Posso lhe ajudar, Deputado? O SR. DEPUTADO WALTER FELDMAN - Pois não. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - O § 4° do art.55 do Código de Defesa do Consumidor diz o seguinte: “Art. 55 ..................................................................... § 4° Os órgãos oficiais poderão expedir notificações aos fornecedores para que, sob pena de desobediência, prestem informações sobre questões de interesse do consumidor, resguardando o segredo industrial.” Significa que nós não queremos saber a fórmula. Não é necessário. Quanto à matéria-prima de é feita a Coca-Cola, esta, sim, é obrigação informar, inclusive, de acordo com o Código de Defesa do Consumidor, art. 31, conforme já foi dito pelo Deputado Renato Cozzolino, que fique claro não só para as autoridades, mas também para o consumidor final. O SR. DEPUTADO WALTER FELDMAN - Apesar da expertise do Deputado Celso Russomanno, remanesce a dúvida. Acredito até que essa questão deva ser levantada para juristas especializados na área de defesa do consumidor. Quando o Ministério da Justiça realiza o laudo técnico, especifica os produtos e não qualifica nenhum deles como enquadrado na lista dos psicotrópicos, se trata de um documento oficial atestando que não há produtos que caracterize qualquer desvio entre os autorizados legalmente. CÂMARA DOS DEPUTADOS A dúvida permanece: tem que dizer o que é o extrato vegetal? É fundamental que se diga que é folha de tomate, batata ou mandioca, ou chuchu? Ou isso seria característica do sigilo? Eu não sei. V.Exa. se esforça em responder, mas fica a dúvida. A nossa preocupação, já que não podemos resolver o caráter criminal, fiscal ou bioquimíco nesta audiência, é que talvez estejamos dando apenas uma contribuição de caráter psicossocial, conforme disse o Deputado Osmânio Pereira, mas não psicossocial de características positivas. Na medida em que levantamos para a opinião pública a suspeita de que há elementos da folha de coca no produto e essa resposta não é dada, não damos uma contribuição psicossocial de característica positiva. Mesmo o farmacêutico dando a resposta, essa pergunta sempre volta, parecendo que esta é uma questão permanente não resolvida. E neste momento milhões de brasileiros estão tomando coca. Quanto à dúvida das famílias brasileiras sobre a existência de elementos no desdobramento da folha de coca nesse refrigerante, para mim, o laudo do Ministério da Justiça é oficial e responde à pergunta. No entanto, a audiência pública dá uma contribuição negativa de caráter psicossocial, amedrontando a família brasileira, particularmente a juventude, de eventual existência desse produto. Por isso, o Deputado Osmânio Pereira tem toda razão. A audiência nessas condições acrescenta preocupações que podem ter objetivos midiáticos de influenciar a opinião pública e fazer com que o mercado se desestabilize ou tenha suas preferências modificadas não por conta da qualidade dos produtos, mas por conta de um debate cujas questões não foram resolvidas nem serão nesta audiência. Por isso acredito que a audiência, se não pode ser esclarecedora, se acrescenta preocupações à opinião pública, deveria ser repensada por nós, membros da Comissão, Parlamentares que acreditam que o Congresso Nacional deve legislar e fiscalizar o que é devido, isto é, necessariamente, fiscalizar o Poder Público, o Poder Executivo. Esta é a função principal desta Casa. E, neste momento, esta audiência, as Comissões não realizam essa função. Será correto, daqui a pouco, abrigarmos nas nossas Comissões o embate entre a Vivo e a Claro? Ou entre a Audi e a Gradiente? Porque deve haver disputa de mercado, às vezes, CÂMARA DOS DEPUTADOS com características semelhantes. CÂMARA DOS DEPUTADOS Tenho medo de que o Congresso Nacional se contamine nesse embate. É nesse sentido que eu acredito — e aí eu queria dirigir o meu apelo à Dra. Alessandra Reis e ao Dr. Rubens Nunes — que a função desta audiência pública, desta Comissão, seja pedir que os senhores acelerem as posições. Não sei se isso é possível. Acredito que existam questões administrativas, como falta de pessoal. Eu não sei quais são os impedimentos que fazem com que esse debate fique tanto tempo sem as respostas necessárias. Gostaria de saber se seria possível uma aceleração no processo, para que esta audiência pública cumpra definitivamente o seu papel de dizer o seguinte: “Olha, pessoal, apressem aí as decisões”. Mas nós não vamos ficar cuidando dessa matéria, que é relativa à investigação necessária que o Congresso Nacional deve realizar. Mas trata-se de um apelo, para que os senhores e as senhoras, aqueles que têm um papel específico no Poder Executivo, possam efetivamente fazer com que esse debate tenha fim. Não interessa a ninguém o contrário. E o Congresso Nacional não pode ficar, em nenhum momento, sob suspeita de que realiza audiências com essas características com outros interesses, com uma opção de lado a lado ou com o objetivo de querer contribuir para uma guerra empresarial que não interessa particularmente a nós, Parlamentares, ou ao consumidor final. Então, eu reitero meu apelo para que encerremos esta audiência após a oração de todos os Srs. Parlamentares inscritos. Que não seja mais necessária a nossa participação, a não ser no sentido de pressionar os órgãos executivos para que dêem o seu laudo e o seu diagnóstico final. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Antes de passar a palavra ao Deputado Jonival Lucas, quero dizer que a principal função das Comissões deste Congresso é obviamente o debate. E, às vezes, dúvidas podem estar ocorrendo, porque o espectro político, empresarial e comercial do nosso País é muito grande e se entrelaça em alguns momentos. E é importante exatamente a disputa, o debate, os objetivos, que, sendo canalizados dentro da Câmara, saem com transparência — exatamente o fruto do debate existente entre Parlamentares e partidos de várias tendências. Então, Deputado Walter Feldman, nós, da Comissão, temos a convicção de CÂMARA DOS DEPUTADOS estar cumprindo e encerrando este ciclo no que tange a esta disputa, que foi para os jornais, para as revistas e que tem ensejado momentos de amplos debates dentro desta Casa. Nós queremos esclarecer com profundidade todo esse processo. E estamos tomando exatamente essas atitudes, que eu considero fundamentais, assim como estamos tirando várias conclusões. Passo a palavra ao Deputado Jonival Lucas. O SR. DEPUTADO JONIVAL LUCAS JUNIOR - Sr. Presidente, senhores convidados, colegas, em primeiro lugar, partindo do que falou o Deputado Walter Feldman, a alegação de concorrência desleal tem se baseado principalmente na composição da Coca-Cola, de que ela conteria algum derivado da cocaína. CÂMARA DOS DEPUTADOS Pelos laudos apresentados até este momento — não estamos aqui falando do que será feito, porque a proposta é da Presidência da Comissão —, não há indício algum de que haja qualquer tipo de produto tóxico, seja da cocaína ou de qualquer outra origem, na composição da Coca-Cola. CÂMARA DOS DEPUTADOS Então, o primeiro ponto está desfeito com relação à concorrência desleal. Se não há princípio inicial de que há psicotrópico no refrigerante, a partir daí não existe concorrência desleal. Pelo menos, é o que se está discutindo até então. CÂMARA DOS DEPUTADOS O segundo é que não houve ainda nenhuma comprovação oficial, nem da SDE, nem do CADE, de nenhum órgão federal, inclusive da própria Justiça, onde estão correndo os processos, tanto da parte da Dolly quanto da Coca-Cola, com relação a esse assunto de que nós estamos tratando aqui. Então, como disseram aqui os Deputados Walter Feldman e Osmânio Pereira, nós estamos aqui tratando da concorrência de 2 empresas que não nos dizem respeito, até porque até então não há comprovação alguma de que esteja havendo concorrência desleal. CÂMARA DOS DEPUTADOS Eu acho que nós estamos aqui, como vários colegas disseram, perdendo tempo. Nós estamos expondo a imagem da Câmara dos Deputados a uma avaliação que muitas vezes pode não ser a que queremos. Estamos desde às 10h da manhã trabalhando nesta e em várias outras Comissões da Casa, os trabalhos se estendem muito além do que a própria população vê, e é o que fazemos para levantar a moral desta Casa, que tem sempre sido denegrida não só pela imprensa, mas por colegas nossos que não têm tido um papel condizente com a condição de Deputado Federal. Outro ponto que gostaria de saber da Dra. Alessandra é se já há alguma posição final do STE com relação a esses processos. Pelo que ouvi do Sr. Codonho, ele já tem informação de que há alguma conclusão para esses processos, porque ele fez uma afirmação de que a Coca-Cola já havia sido indiciada. Não temos essa informação e queremos saber se a senhora já tem alguma informação desse tipo, para que possamos chegar à conclusão de que há realmente um fato a ser discutido. Segundo ponto é que gostaria de saber da Coca-Cola se em São Paulo, especificamente, há algum tipo de promoção de vendas ou de prêmios diferente de algum Estado do Brasil, pois isso poderia caracterizar o interesse em destruir uma empresa ou outra. Falou-se aqui sobre o refrigerante Canção, que, muito pelo contrário, não faz discursos, não tem nenhum tipo de briga e está se expandindo pelo Brasil. Inclusive está levantando uma fábrica em São Luís, no Maranhão. Trata-se da tubaína, como é chamado principalmente no interior da Bahia, do Nordeste de maneira geral. São refrigerantes regionais a custo bem mais baratos, vendidos em quantidades bem maiores em decorrência dos seus preços. Duvido que a Coca-Cola possa chegar ao preço de um refrigerante desse tipo. O último ponto que gostaria de destacar e que vai ao encontro do nosso assunto é que o Sr. Codonho, ao invés de falar sobre a concorrência desleal, o ponto principal da primeira etapa desta audiência pública, se preocupou demais em atacar os convidados, o Sr. Pedro de Quintino e o Sr. Fernando Ramazzini, que inclusive fazem parte do meu requerimento a esta audiência. Gostaria de me desculpar com ambos, porque não foi o início que gostaríamos, quando ele partiu CÂMARA DOS DEPUTADOS para o ataque a essas pessoas, ao invés de falar da concorrência desleal. Eu gostaria de questionar o Sr. Codonho sobre qual o constrangimento que essas 2 figuras lhe causaram, a tal ponto de partir para o ataque pessoal, usando adjetivos que não condizem com a nossa Comissão nem com a Casa. Parece-me que a presença dessas 2 pessoas realmente lhe trouxe um transtorno muito grande, e eu gostaria de saber o que motivaria esse seu transtorno. Isso foi aprovado há uma semana, quer dizer haveria tempo suficiente, se é que eles vão trazer alguma denúncia sobre sonegação fiscal, para o senhor se preparar para discordar do que eles apresentarem. Com relação à primeira etapa desta audiência pública, em que tratamos da concorrência desleal, gostaria de deixar, da minha parte e, tenho certeza, de alguns outros Parlamentares, a sugestão de que esperássemos os órgãos que estão decidindo sobre o assunto darem os seus pareceres finais, para que pudéssemos, então, numa reunião, avaliar a necessidade de se manter outras audiências públicas para discutir um assunto que até o momento não tem nada a ver com a nossa Comissão. Não estamos aqui discutindo se a Coca-Cola, especificamente, tem cocaína no seu processo. Estamos discutindo uma denúncia que a Dolly tem contra a Coca-Cola. CÂMARA DOS DEPUTADOS Na semana passada, tivemos aqui uma audiência pública com relação a um medicamento que foi tirado do mercado que comprovadamente causou problemas de saúde nas pessoas que o usaram por mais de 2 anos. Aí, sim, é dever da nossa Comissão investigar fatos que realmente estejam prejudicando os cidadãos brasileiros, mas não o problema, que ainda não foi comprovado, de um produto consumido em centenas de países, como a Coca-Cola. Em momento algum se levantou questões desse tipo. Sou viciado em Coca-Cola? Não, eu sou viciado em cigarro, aí, sim, eu sei que vicia. É comprovado. Mas nunca se falou que refrigerante vicia. Chiclete vicia criança; doce vicia criança. Tem algum produto tóxico numa goma de mascar, numa bala, numa coisa desse tipo? Quanto ao chocolate, quantas pessoas se consideram chocólatras porque são viciadas em chocolate? Há algum produto químico, psicotrópico que possa fazer uma pessoa se viciar em chocolate? Era isso que eu gostaria de dizer e chamar à consciência todos os membros da Comissão para que não incorramos em erros desse tipo, porque a nossa imagem está ficando cada vez mais enfraquecida perante a opinião pública. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Não estão presentes os Deputados José Carlos Machado, Júlio Lopes, Almir Moura, Carlos Messias e Alberto Goldman. Encerrado o ciclo dos questionamentos dos Deputados, vou passar a palavra aos nossos convidados. Primeiramente ao Sr. Rubens Nunes, do CADE, para alguns esclarecimentos que ele gostaria de fazer. O SR. RUBENS NUNES - Quanto à questão se algum conselheiro, eventualmente a Presidente do CADE, já tivesse prestado serviços a alguma das empresas envolvidas, à representada ou à representante, eu não posso falar por ela, se ela trabalhou ou não para alguma dessas empresas, mas posso dizer o que o Regimento Interno prevê. Nesses casos, tanto a Presidente quanto algum Conselheiro, que eventualmente tenha participado, ou numa fase de instrução do processo, por exemplo na SDE, porque temos conselheiros vindos da SDE, da SEAE, qualquer pessoa que tenha algum envolvimento prévio no processo, se declara impedido e não atua no processo. No caso da Presidenta do CADE, ela é substituída no CÂMARA DOS DEPUTADOS exercício da Presidência pelo Conselheiro mais antigo, atualmente o Dr. Roberto Pfeifer. Isso vem acontecendo normalmente, porque habitualmente os conselheiros são pessoas que atuavam no sistema, então, fatalmente isso vai acontecer. E não vejo maiores problemas. O Estatuto permite que o conselho funcione com 5 dos 7 membros, o que dificilmente vai travar o andamento dos processos. Quero aproveitar e me manifestar sobre questões mais fundamentais. O Sistema Brasileiro de Defesa de Concorrência defende a concorrência, que é um bem público; não defende posições dos concorrentes. O sucesso, o fracasso, o crescimento do market share ou não, decorre do processo do mercado, e estamos lutando para que ele seja o mais limpo, o mais eqüitativo possível. Vamos olhar isso do ponto de vista do bem público, e não tomar partido. Quanto à questão de se acelerar o processo, realmente a sociedade demanda a celeridade. Mas temos algumas limitações ligadas à segurança jurídica, ao direito de defesa das partes, e isso toma tempo. Se os senhores tiverem oportunidade de entrar, por exemplo, na página da SDE ou do Ministério da Justiça podem acompanhar o andamento dos processos. Nesse caso em particular há 3 páginas de andamento do processo e praticamente todo dia há registro de algum procedimento. Então o processo não está parado, não está engavetado, as pessoas podem ficar tranqüilas quanto a isso. Realmente, nós até precisamos da colaboração da Casa no sentido de aperfeiçoar os dispositivos da Lei nº 8.884, que já tem 10 anos, e talvez precise de complementações e revisões. Do ponto de vista interno do CADE, estamos fazendo estudo das rotinas, para tentar melhorar o procedimento administrativo, no sentido de encurtar o tempo e de aumentar o cumprimento das decisões, melhorar o acompanhamento e o cumprimento das decisões para tornar o sistema mais crível perante a sociedade. Nós estamos iniciando um projeto financiado pelo Banco Mundial para melhorar o sistema de informatização, para termos bancos de dados mais acessíveis, mais amigáveis. Naturalmente são processos que demandam muito tempo. CÂMARA DOS DEPUTADOS Com a carência de recursos que temos, respeitadas as limitações, o Estado está cumprindo o seu papel. Talvez não esteja cumprindo com o brilho, com a velocidade que a sociedade gostaria, mas estamos fazendo o possível. Obrigado. O SR. DEPUTADO WALTER FELDMAN - Sr. Presidente, só uma dúvida. Pela sua experiência, Dr. Rubens, para termos idéia do tempo, da cronologia dos fatos, quanto a sociedade brasileira ainda deve esperar para que haja conclusão a respeito? O SR. RUBENS NUNES - Esse caso não chegou ainda ao CADE. Ele está em instrução na SDE. Os processos que chegam ao CADE, em média, levam cento e sessenta e poucos dias; para arredondar, meio ano para serem resolvidos. Cerca de 70% são solucionados em 60 dias, quer dizer, há processos simples que são resolvidos rapidamente. Alguns, realmente, por uma série de particularidades, acabam demorando mais tempo. A média é em torno de 160 dias. Então, se vocês tiverem sorte, demorará 160 dias, mas é claro que não estou dizendo que liguem para o CADE daqui a 160 dias, porque não é o caso, mas a sociedade pode acompanhar o andamento do processo pelos sites. Quer dizer, isso é transparente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Passo a palavra à Sra. Alessandra Viana Reis. A SRA. ALESSANDRA VIANA REIS - Vou começar esclarecendo a respeito do que o Deputado Celso Russomanno levantou no início de sua intervenção, sobre a questão de a Secretaria de Direito Econômico ter instaurado, primeiro, a averiguação preliminar. Isso porque o que chegou para a Secretaria foi denúncia da Dolly, não chegou representação formal desta Casa. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sei disso. O que estou dizendo é que diante dos fatos que estão acontecendo, a Casa representará formalmente à Secretaria. A SRA. ALESSANDRA VIANA REIS - Sim, mas o que ocorre é que já foi instaurado o processo administrativo. Sendo assim, não seria necessária a representação da Casa. O processo foi instaurado em 7 de outubro. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Desculpe, Dra. Alessandra, com todo o respeito a V.Sa., eu conheço profundamente a legislação. Estou lhe CÂMARA DOS DEPUTADOS dizendo que a partir do momento em que esta Casa se pronunciar a respeito, isso foge da competência da Secretaria e passa à competência do CADE diretamente. Está no texto da lei. Quer que leia para a senhora? A SRA. ALESSANDRA VIANA REIS - O que a lei diz é que se houver uma representação da Casa, a Secretaria de Direito Econômico tem que instaurar imediatamente o processo. Mas, mesmo com uma representação da Casa, quem tem a competência de instruir o processo, de investigar o processo, é a Secretaria. Quer dizer, o processo continua na Secretaria para instrução. Só na finalização dessa instrução é que é enviado para o CADE. Mesmo vindo uma representação da Câmara. Isso é só uma esclarecimento. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Quanto às averiguações preliminares, não haverá investigação preliminar quando qualquer uma das Comissões do Congresso Nacional representar a SDE. Então, a partir daí, deixa de haver as averiguações preliminares, e passa-se diretamente ao processo. Foi isso que eu disse. A SRA. ALESSANDRA VIANA REIS - Exato. Passa-se diretamente ao processo, mas a Secretaria continua com o dever de investigar. Só depois de terminar a investigação é que vai para o CADE. Enfim, sobre a questão de o que a Secretaria está reconhecendo quando abre o processo. Ela apenas reconhece que há indícios, que há fatos que merecem maior investigação. Não é um reconhecimento de que a representada praticou alguma infração à ordem econômica. Com a abertura do processo, as representadas, inclusive a Coca-Cola, foram notificadas para apresentarem defesa. Foi a isso que o Sr. Laerte se referiu sobre a intimação. Foi uma notificação para apresentação de defesa. A Secretaria está dando prioridade total à análise desse caso, e o que não permite maior aceleração são alguns prazos processuais, que pela lei devem ser cumpridos. Acredito que tenha sido isso que foi questionado. O SR. DEPUTADO JONIVAL LUCAS JUNIOR - Dra. Alessandra, só para entender bem: não há, da parte da SDE, nenhuma conclusão ainda sobre nenhum dos processos que estão em andamento sobre esse caso que estamos discutindo CÂMARA DOS DEPUTADOS aqui. A SRA. ALESSANDRA VIANA REIS - Não. Conclusão definitiva, não. O SR. DEPUTADO WALTER FELDMAN - Dr. Paulo, vou apenas repetir a pergunta, para dar idéia do tempo. Em quanto tempo a Dra. Alessandra imagina que esse processo poderá ser enviado ao CADE, se for enviado? A SRA. ALESSANDRA VIANA REIS - Cerca de 6 a 8 meses. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. DEPUTADO OSMÂNIO PEREIRA - Sr. Presidente, só para clarear alguma coisa. Falou-se em indiciamento, e a nobre representante da SDE acabou de dizer que ainda não existe nada conclusivo. Esta palavra “indiciar” tem uma conotação técnico-jurídica muito mais profunda do que simplesmente fazer uma averiguação. Existe ou não indiciamento de alguma empresa? A SRA. ALESSANDRA VIANA REIS - O que existe é uma notificação para apresentação de defesa. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Passo a palavra ao Sr. Laerte Codonho. O SR. LAERTE CODONHO - Sr. Presidente, foi dito aqui que a Coca-Cola é uma empresa que não causa problema, que ela não tem nenhum problema econômico, que ela não tem qualquer problema de direito econômico e de concorrência. Deputado Jonival Lucas Júnior, eu gostaria de esclarecer uma coisa para V.Exa. e para o Deputado Walter Feldman. A Coca-Cola — o Sr. Brian está aqui e pode confirmar, se quiser — acabou de fazer um acordo na Europa, na União Européia, admitindo práticas de concorrência desleal. A empresa acabou de fazer um acordo e pagou uma multa enorme em função do fato de que ela tinha 4 ou 5 índices de concorrência desleal. Ela admitiu e pagou uma multa para não ser condenada. Então, a Dolly está denunciando essa prática de concorrência desleal no Brasil, mas ela não é a única, trata-se de uma prática em que a Coca-Cola foi, inclusive, condenada na Europa, onde ela acabou de fazer um acordo. Se V.Exa. quiser eu posso mandar-lhe toda a matéria sobre isso. Estou apresentando aqui para V.Exa. agora. Gostaria de apresentar esse pequeno arrazoado para V.Exa. entender o que está acontecendo, o porquê da minha profunda irritação e indignação com a presença destas duas pessoas aqui. O Sr. Pedro Quintino, em documento assinado por seu próprio punho, admitiu em declarações policiais, em delegacia, que roubou, que desviou dinheiro das empresas que engarrafam a marca Dolly. Portanto, o meu dinheiro, com o dinheiro do Sr. Júlio etc. e tal. Então, Deputado, ficamos irritados quando encontramos essa pessoa e vemos junto a ela o Sr. Ramazzini, que invadiu empresas que trabalham conosco. O filho dele, sem mandado de busca e apreensão. CÂMARA DOS DEPUTADOS Eu gostaria de ler trecho de uma matéria da revista Exame para V.Exa. entender o porquê de minha irritação. Peço desculpas a V.Exa. porque talvez eu tenha me excedido, mas não me desculpo com essas pessoas. A revista Exame do dia 12 de maio deste ano, página 22, diz o seguinte (está na página 43 do dossiê, Deputado): “Quem vocaliza as denúncias é Fernando Ramazzini, Diretor da Organização Não-Governamental Associação Brasileira de Combate à Falsificação, que esteve na redação da Exame acompanhando executivos da Coca-Cola”. os CÂMARA DOS DEPUTADOS Na outra audiência — lembro que V.Exa. estava presente —, fiz uma denúncia no sentido de que o Sr. Jack Corrêa e o Sr. Rodrigo Caracas não têm coragem de fazer as maldades e contratam terceiros para fazê-las. E a maior prova disso é o que está constatado na matéria da revista Exame: em vez do Sr. Brian Smith ou qualquer diretor falar, quem falou pela Coca-Cola foi o Sr. Ramazzini. Eu até dei uma entrevista falando que o Sr. Ramazzini deveria ser presidente ou diretor da Coca-Cola, porque o Sr. Brian, o Sr. Jack e o Sr. Rodrigo não falam nada. Quem externa todas as maldades é o Sr. Ramazzini. Está aqui na revista Exame: o Sr. Ramazzini falou em nome da Coca-Cola, acompanhando o Sr. Jack Corrêa e o Sr. Rodrigo Caracas. E esse mesmo Sr. Ramazzini apareceu agora. Ele também é carregador de caixa do Sr. Pedro, que é o agente infiltrado, que roubou, desviou e fez um monte de maracutaias dentro da empresa. Portanto, tenho todos os motivos do mundo para estar profundamente irritado com essa postura da Coca-Cola. Está aqui o jornal Valor Econômico, a matéria com a chamada “Multinacional admite que houve sonegação em São Paulo”: “A Coca-Cola admitiu ontem que, alertada pelo empresário Laerte Codonho, detectou um esquema de distribuição de seus produtos pela Spal-Panamco, hoje Femsa, que na prática levava à sonegação de ICMS, imposto devido”(...) Então, não sou eu quem faz sonegação. Gostaríamos de deixar claro para V.Exa. o seguinte: essa conversa dessas duas pessoas que estão aqui realmente induziram (Viu, Deputado Araújo? V.Exa. perguntou e eu gostaria de responder) o Ministério Público a erro. Houve ação civil pública com pedido de que fossem encerradas as atividades da Dolly em todo o território nacional. E o Procurador, depois de ter visto o que fez, quando viu as notas fiscais levadas por essa pessoa — eu não posso falar aqui o adjetivo que qualifica essa pessoa — que o induziu a erro... Eram duas notas com o mesmo número, uma nota no valor de 100, exemplificando, e uma nota no valor de 10. Óbvia e imediatamente, o Ministério Público mandou, determinou, adotou uma série de medidas. Pasme V.Exa., Deputado: a nota no valor de 100 era a que estava na nossa contabilidade; a nota no valor de 10 é a que estava na contabilidade dos CÂMARA DOS DEPUTADOS nossos clientes, que, por um acaso, são clientes desse assessor da Coca-Cola, do contador implantado pela Coca-Cola. V.Exa. pode ver, na página nº 4, que há a vítima, a Dolly, e o indiciado, Pedro Quintino de Paula, por desvio, roubo etc. e tal. V.Exa. pode ver a data: março de 2001. Esse senhor, junto com o senhor da ABCF, procuraram todas as Secretarias da Fazenda do Estado de São Paulo. O Secretário sabe disso, Deputado. Eu estive com o Secretário, na DEAT, e eles mesmos admitiram que houve um tremendo erro. Espalharam um dossiê e só faltou dizer que eu era maluco e traficante, porque seqüestrador, ele falou que eu era. E pasmem V.Exas.: esse senhor que aqui está e me irrita profundamente declarou no INSS que eu era assassino. Está nos autos, V.Exa. pode ver. Diz que eu tinha matado, assassinado uma pessoa chamada Santo P. Júnior. E realmente essa pessoa me devia uma quantia e sumiu por 6 meses. Essa pessoa trabalhava com palmito e durante 6 meses sumiu do mapa. V.Exa. não sabe o inferno que esse infeliz fez, me acusando. Minha família, todo mundo perguntava o que tinha acontecido. E ele dizia que eu tinha matado, que eu era assassino. Deputado, graças a Deus, essa pessoa estava no norte do País trabalhando com palmito e apareceu. Agora está lá em São Bernardo — ele até toca em um barzinho, ele gosta de música —, está vivo. Mas durante 6 meses esse infeliz me acusou até de assassinato, Deputado. Por meio da Coca-Cola e da ABCF, esse senhor da ABCF levou esse infeliz em todos os órgãos. Isso ocorreu em 2001, não foi agora. Essa notícia que plantaram para V.Exa., essa conversa que eles trouxeram para V.Exa. é antiga. Deputado Walter Feldman, a Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo — isso é concorrência desleal — implantou um regime especial com a nossa empresa no sentido de que só podíamos emitir uma nota se recolhêssemos a GIA. Nós não tínhamos nota fiscal para poder trabalhar, Deputado Walter Feldman. Agora pasme V.Exa.: depois de toda essa averiguação e devassa completa — não foi uma fiscalização, foi uma devassa —, depois de todo esse dossiê maluco em que ele fala... Porque a ABCF é craque nisso. V.Exa. veja no caso da Schincariol, da AmBev, ele trabalha em todas. Ele com a Kroll, posso provar para V.Exa. Onde ele está, a Kroll também está junto para prejudicar os outros. CÂMARA DOS DEPUTADOS Esse homem é um criminoso! Isso me irrita profundamente, porque sou vítima de uma tremenda... Eu só gostaria de dizer para V.Exa. o seguinte: na página... O SR. DEPUTADO WALTER FELDMAN - V.Sa. tem uma retórica muito adjetivada. O SR. LAERTE CODONHO - V.Exa. me desculpe, Deputado, mas é que estou há 5 anos... O SR. DEPUTADO WALTER FELDMAN - Eu sei. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. LAERTE CODONHO - Não sei se V.Exa. sabe que, em função da denúncia desse sujeito, o Ministério Público pediu — isso aconteceu com o mesmo Procurador, em função das notas fiscais que aqui vamos apresentar — a minha prisão preventiva, Deputado, em cima de mentira! O Procurador da República declarou-se suspeito e saiu do processo depois de 4 ações — 3 ações criminais e uma ação civil pública. Só eu sei, Deputado, o que passei nas mãos da Coca-Cola e desses sujeitos. É um absurdo a Coca-Cola não ter nada contra mim, para me atacar, e tentar induzir os Deputados de bem — inclusive conheço o seu pai, Sr. Jonival Lucas — e outras pessoas sérias ao falar esse monte de abobrinhas. Tudo foi investigado; tudo o que esse sujeito fala é mentira. V.Exa. acredita que ele disse que foi seqüestrado? V.Exa. pode ler, por favor, na página... O SR. DEPUTADO WALTER FELDMAN - Sr. Presidente, peço a palavra para uma questão de ordem. Nos debates eleitorais, há as considerações finais, para se fazer uma síntese, um resumo. Pelo andar da carruagem, é como se o Dr. Laerte estivesse reiniciando a audiência pública. Portanto, quero saber de V.Exa. qual a característica dessa intervenção final dos componentes da Mesa, porque senão qualquer intervenção pode suscitar novamente a réplica e a tréplica, inclusive com acusações graves. O SR. LAERTE CODONHO - Deputado, o Deputado Jonival Lucas Junior foi o autor. Sinto-me na obrigação, por ser amigo do pai dele, de explicar. O SR. DEPUTADO WALTER FELDMAN - Só queria saber qual é a regra. O SR. LAERTE CODONHO - Fui acusado de seqüestrador, Deputado; ando de carro blindado e fui acusado de seqüestrador. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Respondendo à questão de ordem do Deputado Walter Feldman, nas considerações finais, os convidados estão respondendo aos questionamentos dos Parlamentares inscritos. Obviamente, os Parlamentares têm de se dar por satisfeitos ou não nos quesitos levantados nessa segunda etapa de debates. No encerramento, vamos voltar ao autor do requerimento para saber sobre o quesito levantado. Sr. Laerte Codonho, V.Sa. tem mais 3 minutos. O SR. LAERTE CODONHO - Para encerrar, Deputado Jonival, em respeito a CÂMARA DOS DEPUTADOS V.Exa. — inclusive, transmita um abraço a seu pai —, quero deixar bem claro e V.Exa. vai entender a minha irritação. Disse o delegado de polícia de Assis, que diz ter estourado o cativeiro dessa pessoa infiltrada pela Coca-Cola: tendo conhecimento dos fatos (policiais militares acompanhados pela autoridade), quanto ao delito de cárcere privado, ficou comprovado que a vítima esteve jantando em um restaurante na cidade de Marília (comigo, naquela na noite), fato que também afasta o estado de flagrância, pois ele poderia fugir ou pedir socorro. O Sr. Pedro jantou comigo, Deputado, acho que até meia-noite, em Marília, naquele dia. Quando descobri a farsa dele... O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, esse assunto ainda não foi levantado. O SR. LAERTE CODONHO - É só para esclarecer, Deputado. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - V.Sa. está respondendo por antecipação. O SR. LAERTE CODONHO - É para S.Exa. entender o porquê da minha indignação, Deputado. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - V.Sa. tem de ater-se a responder o que o Deputado perguntou. O SR. LAERTE CODONHO - V.Sa. permite que eu termine? O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, S.Sa. tem de ater-se a responder o que o Deputado perguntou. Esse é um assunto que vem a posteriori. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Esse assunto já foi respondido. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, vamos convocar o serviço médico. Daqui a pouco, o Sr. Laerte Codonho vai ter um problema. O SR. LAERTE CODONHO - Eu só quero saber se o Deputado Jonival está satisfeito. O SR. DEPUTADO JONIVAL LUCAS JUNIOR - Estou satisfeito. O SR. LAERTE CODONHO - Só queria dizer que o cárcere deles... O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Temos de nos ater, limitar-nos CÂMARA DOS DEPUTADOS ao assunto que estamos debatendo ou às perguntas levantadas. Esse assunto já foi abordado, já foi discutido. Antes de passar a palavra para o próximo, gostaria de perguntar se este assunto já está respondido. O SR. LAERTE CODONHO - Sr. Presidente, gostaria de saber se o Deputado Jonival está satisfeito. (Não identificado) - Sr. Presidente, dá um tempo para S.Sa. concluir. O SR. DEPUTADO JONIVAL LUCAS JUNIOR - Sr. Presidente, as duas pessoas que aqui estão também vão ter o direito de falar. Talvez haja necessidade de o Sr. Laerte voltar a falar alguma coisa sobre esse assunto. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Passo a palavra ao Sr. Jorge Dante Giganti, para fazer suas considerações finais. (Pausa.) S.Sa. saiu, desculpe-me. Com a palavra o Sr. Brian Smith, para as considerações finais. O SR. BRIAN SMITH - Gostaria de responder às duas perguntas que foram feitas pelos Deputados. A primeira: se a Coca-Cola está proibida de vender sua fórmula em qualquer país do mundo porque nela tem algo ilícito. Não é o caso; que isso fique claro. Respondendo a segunda pergunta: não há nenhuma promoção especial no Estado de São Paulo, diferentemente de outros Estados no País. Também quero esclarecer que o acordo feito pela companhia na Europa não tem nenhum elemento reconhecendo qualquer concorrência desleal, que isso também fique claro para a audiência. Finalmente, outro ponto que acho importante: o Sr. Codonho diz que não há nenhuma sonegação fiscal por parte de sua empresa. Acho que os órgãos fiscais de São Paulo e os órgãos federais não concordam com essa conclusão. Queria passar a V.Exas. a execução fiscal de vários impostos para que fique claro que nós não vemos a coisa da mesma maneira. Uma observação final de Rodrigo Caracas. O SR. RODRIGO CARACAS - Eu só gostaria de aclarar para os presentes, para colocar as coisas nos devidos lugares, vamos assim dizer, que Coca-Cola Company é uma entidade e Spal Indústria Brasileira de Bebidas é outra entidade. O CÂMARA DOS DEPUTADOS Dr. Codonho, muitas vezes, está fazendo uma referência como a um todo, referindo-se às duas empresas. Nesse sentido também, só para deixar constante, a Coca-Cola Company nunca manteve nenhum negócio com o Dr. Pedro Quintino, que aqui está presente. Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Antes de encerrar esta primeira etapa da audiência pública, eu penso que, de acordo com o que foi levantado e discutido com profundidade, fica o conhecimento de que não há produto ou substância tóxica, ou entorpecentes, de acordo com o que foi divulgado. Foi solicitada pelo Deputado Renato Cozzolino e pela Deputada Raquel Teixeira análise dos produtos do extrato vegetal da Coca-Cola e da Dolly, o que nós vamos solicitar, por meio das três Comissões, junto ao Ministério da Saúde, com o acompanhamento de um representante da Dolly e de um representante da Coca-Cola. Também de acordo com o que foi divulgado aqui, de acordo com o que foi dito pelo Deputado Renato Cozzolino — S.Exa. vai procurar o Deputado Fleury —, vamos pedir, em nome das três Comissões, proteção para o Deputado e para sua família, já que S.Exa. diz que está sendo constrangido e ameaçado. Então, vamos tomar as providências necessárias para a sua proteção. Neste momento, encerrando... CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, o Diretor do Departamento Jurídico da Coca-Cola já deixou bem claro que a Coca-Cola Company e a Femsa, em São Paulo, são duas empresas separadas. Várias das minhas perguntas que não foram respondidas pelo Sr. Brian Smith, Presidente da Coca-Cola, dizem respeito à empresa Femsa, e S.Sa. disse — são palavras dele mesmo, estão nas notas taquigráficas — que a empresa deveria ser chamada aqui para depor a respeito das questões relativas a ela, até mesmo sobre a prática desleal. Desde o início, afirmei aqui que esta prática não foi cometida pela Coca-Cola Company — isso está muito claro, não quero deixar dúvidas —, mas, sim, pela antiga Spal, depois Panamco e atual Femsa. Diante dessas observações, a Comissão de Defesa do Consumidor tem que levar isso à tona, para que possamos ouvir quem de direito, porque senão as perguntas vão ficar sem respostas, porque o Presidente da Coca-Cola Company não tem como falar das práticas cometidas pela empresa de São Paulo. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Sr. Presidente, peço a palavra para uma questão de ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Pois não, Deputado. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Sr. Presidente, com relação à Comissão de Defesa do Consumidor, voltando ao assunto, deveríamos convocar uma pessoa que pudesse nos falar sobre a origem do extrato vegetal. Volto a fazer essa observação, porque não podemos ferir o Código de Defesa do Consumidor. O art. 31 é bem claro, deve ter a origem do extrato vegetal. Não estamos ferindo o segredo industrial ou a fórmula da Coca-Cola. O povo brasileiro, volto a afirmar, tem o direito de saber e esta Câmara tem o dever de deixar isso transparente. A Comissão de Defesa do Consumidor e as demais devem se reunir depois para encontrar um caminho, que ainda não vi. O Presidente Brian Smith não conhece o extrato vegetal. Quem da empresa poderá nos responder, a fim de que a Comissão de Defesa do Consumidor e as outras duas Comissões presentes possam responder à população? Seremos indagados. Esta audiência foi mais do que divulgada. Todo o povo está esperando essa resposta, e devemos levá-la ao público. Fica essa interrogação. É algo muito delicado e chato, mas estamos, neste CÂMARA DOS DEPUTADOS momento, como Deputados desta Comissão, adotando o procedimento de fiscalização. Compreendo os companheiros que não entenderam o processo de hidrólise e tudo o que possa acontecer, até abri mão do requerimento que fiz, mas quando o Presidente disse que não sabe, que não pode falar, surge a interrogação, e voltamos ao requerimento, para saber o que é, conhecer a origem. O art. 31 é bem claro, o Código de Defesa do Consumido (CDC) está aqui. Só se modificarem o CDC, tirarem a palavra “origem”, mas nenhum Deputado da Casa pretende tirá-la. Desculpem-me, companheiros, pelo momento de exaltação. Agradeço todo o apoio. Peço que a Comissão de Defesa do Consumidor e as demais Comissões tragam a resposta ao povo brasileiro: a origem do extrato vegetal, apoiado no art. 31 do Código de Defesa do Consumidor. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Concedo a palavra ao Deputado Walter Feldman. O SR. DEPUTADO WALTER FELDMAN - Parece-me, Deputado Paulo Lima, que há uma interface entre o apelo da Deputada Professora Raquel Teixeira e o do Deputado Renato Cozzolino no esclarecimento dos produtos que fazem parte dos refrigerantes. Num pedido mais elaborado, talvez possamos confluir, para que as duas respostas possam ser dadas. V.Exa. não acredita nisso? O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Sr. Presidente, as Comissões devem-se reunir para optar por um caminho. Não tenho nada contra a Coca-Cola, nem contra a Dolly, tampouco quero saber dessas companhias. Desejo realmente conhecer o extrato vegetal, um dos ingredientes que o povo consome dentro do produto. Foi feito o exame do produto final, Deputado, com todos os ingredientes que estão na composição. O laudo do Dr. Brasil é bem claro: se for um alcalóide, ele não mais vai ser identificável, muito embora o produto novo, criado pelo processo de hidrólise, inclusive pela presença do ácido fosfórico no meio líquido, permaneça como entorpecente. Isso não quer dizer que a Coca-Cola seja entorpecente, Dr. Brian Smith. Estou querendo dar uma resposta à população sobre o extrato vegetal, um dos ingredientes que compõe o refrigerante Coca-Cola. O Código de Defesa do Consumidor, nossa bíblia na Comissão — não é, Deputado Celso Russomanno? —, é bem claro em seu art. 31. Queremos só isso. Não desejo fazer confusão. Quanto CÂMARA DOS DEPUTADOS ao problema de sonegação, existem o CADE, a SDE e a Receita Federal, que farão um levantamento e tomarão conhecimento. Não estamos pensando nada diferente disso. CÂMARA DOS DEPUTADOS Deputado José Carlos, tive seu apoio nesse requerimento. V.Exa. entendeu, na oportunidade, quando apresentei, e me apoiou, votou comigo. A população está pedindo uma resposta. Acho que é nossa obrigação, como Poder Legislativo maior deste País, trazer essa resposta. Não estamos aqui para digladiar, para perder a linha. Volto a afirmar: peço desculpas pelos momentos em que, de repente, me exaltei. Peço desculpas a toda a Mesa, a todos os convidados, se em algum momento me exaltei. Quero desculpar-me, porque sou também um cidadão. O SR. DEPUTADO WALTER FELDMAN - A dúvida do Deputado Renato Cozzolino deixa uma dúvida para a sociedade no sentido de que pode haver produto em relação ao qual ainda falta esclarecimento. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Não estamos falando do produto final. Estamos falando dos ingredientes: ácido fosfórico etc. Extrato vegetal. O SR. DEPUTADO WALTER FELDMAN - Eu sei. Eu entendi, a origem, dentro do Código de Defesa do Consumidor. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - Matéria prima, como bem disse o Prof. Celso. O SR. DEPUTADO WALTER FELDMAN - Na minha avaliação, quando o Ministério da Justiça apresenta os componentes e não identifica nada que seja prejudicial à saúde dentro dos elementos que podem compor os produtos brasileiros, para mim, que não sou bioquímico, nem farmacêutico, é uma resposta satisfatória do ponto de vista da existência de um produto lesivo. O SR. DEPUTADO RENATO COZZOLINO - O instituto não fez coleta; recebeu uma caixa com a lata e a garrafa. Então, estamos solicitando a coleta, o acompanhamento, para esclarecer isso. Não acredito que a Coca-Cola esteja colocando entorpecente em seu refrigerante. Não acredito. O SR. DEPUTADO WALTER FELDMAN - Quanto a essa dúvida que V.Exa. levanta, parece-me que o Deputado Paulo Lima encaminhará, a pedido da Deputada Raquel Teixeira, um pedido de investigação complementar para que não haja nenhuma dúvida a esse respeito. Insisto, Deputado Paulo Lima, que possamos avaliar oficialmente um pedido à SDE e ao CADE na aceleração desse processo. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Dou-me por satisfeito e penso que está esclarecida a primeira etapa da nossa audiência pública. Agradeço a presença ao Sr. Laerte Codonho, Presidente da Empresa de Refrigerantes Dolly. (Intervenção inaudível.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - V.Sa. já falou nas considerações finais. Vamos iniciar a segunda etapa. (Intervenção inaudível.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Está bom. Vamos ouvir o Sr. Laerte Codonho. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O Sr. Laerte Codonho já falou. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Deputado, deixe-me responder. Sei que V.Exa. está preocupado. Conversando com o Deputado Nelson Bornier, S.Sa. quer dar um esclarecimento no que tange à Femsa, à Coca-Cola específica do Estado de São Paulo e pretende encerrar já a segunda audiência que também está marcada, porque pensa que já está esgotado o assunto. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Pela ordem, Sr. Presidente. Temos ainda duas pessoas; tínhamos três pessoas convidadas. Acho que aí ficariam dispensados os representantes da SDE e do CADE, nesse caso, para não ter que prender a doutora e o representante do CADE, porque não tem mais nada a ver o CADE nem a SDE nessa segunda etapa da audiência. Acho que tudo o que se tinha a esclarecer do CADE e da SDE já foi esclarecido. O SR. PRESIDENTE (Deputado Paulo Lima) - Agradeço, então, especificamente à Sra. Alessandra Viana Reis, Coordenadora-Geral de Análise do Direito Econômico do Ministério da Justiça, e também ao Sr. Rubens Nunes, representante da Presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica — CADE. Agradeço aos senhores a presença. Convido para fazer parte da Mesa o Sr. Pedro Quintino de Paula, ex-contador da empresa de refrigerantes Dolly; o Sr. Fernando Ramazzini, dirigente da Associação Brasileira de Combate à Falsificação — ABCF, e o Sr. Wagner Castilho, Delegado da Polícia Federal. CÂMARA DOS DEPUTADOS Iniciamos esta segunda etapa da audiência pública, já indicados os novos convidados, que visa esclarecer denúncias de sonegação fiscal e outros fatos por parte da empresa Dolly. Passo a Presidência dos trabalhos ao Deputado Nelson Bornier, Presidente da Comissão de Finanças e Tributação. O SR. LAERTE CODONHO - Sr. Presidente, só gostaria de fazer uma consideração final, que não pude fazer. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - O Deputado Paulo Lima já fez o convite aos Srs. Wagner Castilho, Delegado da Polícia Federal; Fernando Ramazzini, Presidente da Associação Brasileira de Combate à Falsificação; Pedro Quintino de Paula, ex-contador da Dolly. Por favor, estão convidados a fazer parte da Mesa. (Pausa.) O Delegado Wagner Castilho se encontra? (Pausa.) Não veio. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, só para entender. O Delegado Wagner confirmou a presença? O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Eu pergunto à Secretaria das Comissões se confirmou. (Pausa.) Não confirmou, Deputado. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Mas foi encaminhada a correspondência. Dando início então a essa segunda etapa, já que a primeira tratou tãosomente de concorrência desleal entre as empresas Dolly e Coca-Cola, vamos agora tratar da sonegação fiscal. Esta é uma audiência conjunta, conforme foi deliberado anteriormente, inclusive com a aprovação, hoje, do requerimento na Comissão de Fiscalização e Controle. De minha parte eu já teria também deliberado, mas vamos ouvir o Plenário, que é soberano, principalmente os autores dos requerimentos, Deputados Celso Russomanno, Renato Cozzolino, José Carlos Araújo, Jonival Lucas Junior. Não sei se é do conhecimento do Plenário, mas tramitam na Comissão de Finanças e Tributação 2 Propostas de Fiscalização e Controle: a de nº 34, de 2004, e a de nº 36, de 2004, de autoria do Deputado José Carlos Araújo. CÂMARA DOS DEPUTADOS Eu solicitei à Mesa da Câmara que me autorizasse fazer a apensação de uma outra. Em que pese o conteúdo e as palavras serem diferentes, a finalidade é a mesma, ou seja, que seja feita uma fiscalização nas empresas do Grupo Coca-Cola e também nas do Grupo Dolly, pela Receita Federal e pela Receita Estadual, nas suas respectivas jurisdições — e eu me dirijo mais ao Deputado Celso Russomanno. O Grupo Fensa Brasil tem hoje fábricas localizadas no Centro Administrativo Bandeirante, na avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, nº 105/267, Brooklin Novo, em São Paulo; em Cosmópolis, Campinas, que é a Spal; em Jundiaí, na Rodovia Dom Gabriel de Bueno Couto, Quilômetro 65.5, Jardim Tânus; em Campo Grande, Refrigerante do Oeste, Ltda., bem como todos os grupos que representam a Coca-Cola no Brasil e todos os fabricantes. Há uma abrangência de cerca de 3 dezenas de fábricas no Brasil, além do Grupo Dolly, do qual já nos foi fornecida a relação de todos os estabelecimentos existentes em nosso País. Já foi emitido o parecer do Deputado Feu Rosa, Relator das 2 PFCs, que, acredito eu, estará entrando em pauta na próxima reunião da Comissão de Finanças e Tributação. Nessas PFCs, o Deputado sugere ao Plenário a votação das propostas ali elencadas, que fazem menção à fiscalização das empresas por parte da Receita Federal e da Receita Estadual nas suas jurisdições. Conseqüentemente, acho pertinente o que foi dito pelos Parlamentares, ou seja, quanto ao STE e ao CADE, vamos ficar no aguardo para concluir este trabalho da Comissão de Defesa do Consumidor. Uma vez o Plenário aprovando o parecer — com toda a certeza vai aprová-lo, porque já temos o entendimento da maioria da Comissão nesse , ,, mais sentido —, entendo que fica concluída uma etapa. Podemos substituir essa segunda etapa por essas 2 PFCs que irão, conseqüentemente, desdobrar esse trabalho que diz respeito à área de sonegação fiscal. Nada melhor do que uma PFC para obrigar não só a Receita Federal, mas as Secretarias dos Estados, onde estão localizadas essas empresas, a fazerem realmente essa fiscalização de direito. Nós saímos da área da discussão em audiência pública e entregamos a quem de direito a incumbência de tomar as iniciativas concernentes à fiscalização de ambas as empresas em todos os Estados onde estiverem estabelecidas. Entendo que o Plenário é soberano para isso e, conseqüentemente, por decisão da maioria, se assim ocorrer, dou por encerrada a presente reunião, antes ouvindo a cada um dos senhores. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Com a palavra o Deputado José Carlos Araújo. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, entendo que V.Exa. tem toda a razão. Quanto ao que vai ser a discussão técnica de como vamos CÂMARA DOS DEPUTADOS fazer a fiscalização, acho que V.Exa. está coberto de razão. V.Exa. está suprimindo um debate que poderia haver nessa segunda fase quanto à sonegação de impostos. Mas, logicamente, não podemos suprimir aqui a decisão de ouvir os 2 convidados que estão aqui desde 10h da manhã, porque foram elencados para estarem nesta reunião. Portanto, concordo com V.Exa., desde que, primeiro ouçamos as 2 pessoas que aí estão. Depois, não temos mais nada a discutir. As 2 pessoas foram convidadas e precisamos ter respeito por elas. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Com a palavra o Deputado Jonival Lucas. O SR. DEPUTADO JONIVAL LUCAS JUNIOR - Sr. Presidente, como autor do requerimento, acho que até por uma questão de educação, as 2 pessoas que aceitaram o convite de estar presentes à Comissão devem ser ouvidas, devem fazer seu pronunciamento. Acho corretíssima a posição que V.Exa. está tomando de se faz primeiro as investigações e depois trazer o resultado para o Plenário da Comissão, para que esse assunto seja discutido. Mas já que a coisa foi feita de modo diferente anteriormente, pelo menos escutemos as questões que os 2 convidados têm a dizer, até porque podem servir como esclarecimento, para que se faça a fiscalização com mais conhecimento de causa. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Com a palavra o nobre Deputado Osmânio Pereira. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. DEPUTADO OSMÂNIO PEREIRA - Sr. Presidente, na mesma linha de raciocínio, acho que os 2 convidados que aqui estão desde os debates da manhã até agora, o Sr. Pedro Quintino e o Sr. Fernando Ramazzini, foram muito citados por vários outros convidados. Acredito que eles têm alguma informação que poderá enriquecer nosso debate, até para, num relatório final, municiar as Comissões dentro desse trabalho que elas estão promovendo. De forma que eu estou na mesma linha de raciocínio. Que seja pertinente ouvi-los também. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Com a palavra o Deputado Celso Russomanno. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, estou aqui à disposição quantas horas forem necessárias para ouvir quem quer que seja. Eu gostaria que V.Exa. chamasse, então, se for para serem ouvidos os 2 convidados — V.Exa. é que vai tomar a decisão, como Presidente —, o Relator, Deputado Feu Rosa, para que ele participe, senão não há razão de ser, à medida que se transfere isso para as PFCs, que vão ser uma só, na verdade. Trata-se de proposta de fiscalização e controle. É uma fiscalização e controle exercida pelo Poder Legislativo sobre a Receita Federal, no caso, para que ela cumpra as suas atribuições relativas à fiscalização. Então, se for para ouvi-los, estou à disposição, mas que nós façamos então com o Relator para que ele tenha juízo de consciência. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Data venia, nobre colega, um acordo não tem nada a ver com o outro. Logicamente que a presença do Deputado Feu Rosa aqui nos honraria e muito, mas o fato de ele não estar presente não vai invalidar a ouvida dos 2 convidados, porque o Deputado Feu Rosa já fez o que tinha que fazer: deu o parecer nas 2 PFCs. Agora nós vamos deliberar em plenário na próxima sessão. Esse é um assunto para a próxima sessão. Nós estamos falando da sessão que foi convocada para hoje, e estamos aqui. Se o Deputado Feu Rosa não pôde estar presente, paciência, mas nós somos membros da Comissão e CÂMARA DOS DEPUTADOS estamos aqui para ouvir os 2 convidados. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Bom, eu, como democrata que sou e sempre respeitando o Plenário — que entendo soberano, maioria —, vou me ater a ceder 5 minutos a cada convidado para que possa fazer uma pequena exposição, já que foram citados. Volto a dizer e a ratificar que uma vez essas PFCs realmente entrando em vigor estamos transferindo essa responsabilidade para quem de direito. Ao invés de termos aqui uma ata em que foi citado “Manoel Joaquim” ou “Antônio João”, nós vamos ter efetivamente uma coisa concreta, que é a fiscalização dessas empresas por quem de direito, a Secretaria da Receita Federal e as Secretarias de Estado de Fazenda no âmbito do ICMS. Eu vou passar a palavra ao Sr. Fernando Ramazzini, Presidente da Associação Brasileira de Combate à Falsificação, por 5 minutos. O SR. FERNANDO RAMAZZINI - Muito obrigado, Sr. Presidente. Quero aproveitar o ensejo para dizer que estou aqui desde às 9 horas da manhã e já não tinha esperança de ser ouvido. Mas o que me traz aqui é o seguinte: eu preciso deixar claro aos senhores que o Sr. Laerte Codonho é mais falso do que uma nota de 30. Ele faz alegações absurdas. Eu tive a Coca-Cola associada a nossa ABCF agora no mês de abril. Por conseqüência todo o 2001, 2002, eu não conhecia, nem sequer tinha relações com o pessoal da Coca-Cola. Fiz uma denúncia dessa empresa, no caso a Fatman, criada pelo Sr. Haude, esse assessor do Sr. Codonho. O maior objetivo deles é criar empresas com sócios fantasmas, que nem sequer sabem que são sócios da empresa. E aqui estão alguns depoimentos de sócios que foram levados à Polícia e disseram: “Não. Eu não sou sócio da Limao, nem sabia, ignoro isso daí.” A mesma coisa a D. Alessandra, uma barraqueira de rua: “Não sou sócia da Limão, desconheço essa Limão, não sei, perdi meus documentos, tal.” O Sr. João Vianez Martins da Silva: “Não sou sócio da Fatman Distribuidora de Bebidas”. E assim por diante. CÂMARA DOS DEPUTADOS Em síntese, eu tenho o nome de um monte de empresas que eles criam com objetivo de pôr sócios “laranjas” que ignoram profundamente qual a razão de terem agido dessa forma. Mas nós sabemos qual é a razão, porque amanhã o que houver de imposto será cobrado dessas pessoas humildes que sequer sabem que são sócias das empresas. Isso, determinei no inquérito, meu filho foi fazer a diligência lá junto com a polícia. Evidentemente, a polícia realizou a diligência, meu filho foi mostrar o local, e o que aconteceu? Apreenderam os documentos dessa pobre gente aqui. Alguém foi pedir um emprego lá e eles falaram: “O senhor tem o nosso perfil. Dá logo o seu RG e o seu CIC que, possivelmente, o senhor vai trabalhar aqui conosco”. E o que aconteceu? Esse fulano atendeu, depois não foi chamado. Mudou-se para o Paraná, e, de repente, estava criada uma empresa no nome dele. A mesma coisa aconteceu com uma barraqueira: “Perdi meus documentos. Eu nem sabia, fui roubada”. Eles acharam os documentos dela. Aconteceu a mesma coisa com um outro que foi pedir emprego lá. E por aí vai. Esse negócio vai longe. Instaurei esse inquérito na delegacia de estelionato. Todos estão sendo indiciados. E o mais importante é o seguinte: tive conhecimento também de outras fraudes cometidas por eles, que não pagam impostos de jeito nenhum. Infelizmente, eles usaram esta Comissão e estão fazendo um cartaz como se tivessem alguma decência. Fico ouvindo isso daqui... (Intervenção inaudível.) O SR. FERNANDO RAMAZZINI - Eu não falei com o senhor. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Por favor, por favor. O orador está com a palavra. O SR. FERNANDO RAMAZZINI - E o que acontece é o seguinte: eles têm débitos terríveis com as... O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, pela ordem. As denúncias são muito graves. V.Exa. deu apenas 5 minutos, e o Sr. Pedro Quintino está correndo, atropelando. Gostaria que ele falasse com mais calma porque quero ouvir direito as coisas. As denúncias são muito graves. Gostaríamos de ouvi-las, e 5 minutos não são suficientes. O senhor pode falar. Quero ouvi-lo com calma, para fazer juízo. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Deputado José Carlos CÂMARA DOS DEPUTADOS Araújo, vamos deixar o orador complementar. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Por favor, eu gostaria, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Tudo bem. Continue com a palavra, por favor. O SR. FERNANDO RAMAZZINI - Esse senhor que está aí na porta é o Sr. Requena Ragi, dono da Ragi, uma das produtoras de Dolly. Está aqui a lista de impostos que ele deve: 35 milhões. Esse é um ofício passado pela Secretaria de Fazenda para o delegado de polícia. Tenho a certeza de que eles têm débitos astronômicos, eles têm débitos incríveis. Vou mais longe ainda com isso. Estão aí os depoimentos, o que for necessário. E o mais importante de tudo: chegou às minhas mãos um dossiê imenso da empresa, de um mês só, trânsito de faturamento, em que consta que eles declararam cento e poucos reais. Juntei todo esse documento, mais um caixa 2 que chegou às minhas mãos também, e mandei tudo para a Polícia Federal e para a Receita Estadual. Estão sendo punidos. E agora, na semana que vem, irá para a Receita Federal. Eles vão responder por isso firmemente. Duvido que eles vão atribuir isso a outras pessoas. Peticionei contra eles um SAF na delegacia de polícia e na Receita, porque é função e objetivo da ABCF apontar e denunciar essas fraudes. No que diz respeito a esse nosso contato com a Kroll, ele está sonhando. Não sei que ligação ele está fazendo da minha pessoa com a Kroll, porque não tenho nada com esta empresa. A Kroll investiga, eu denuncio. Essa é a nossa diferença. E a ABCF tem o dever, e consta do objetivo dela... (Intervenção inaudível.) O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Vamos, conclua. (Intervenções simultâneas ininteligíveis.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Por favor, por favor. O SR. FERNANDO RAMAZZINI - Aí acontece o seguinte: eu levei esse material todo e vou protocolá-lo na Receita Federal. Quero ver ele se agüentar com isso. Ele é um fraudador, um picareta. Está aqui provado. Vou juntar tudo isso. É seqüestrador, vocês vão ouvir o seu, o seu... CÂMARA DOS DEPUTADOS ((Intervenção inaudível.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Por favor, continue. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. FERNANDO RAMAZZINI - E o que acontece é o seguinte: há uma relação de empresas montadas no mesmo endereço, na Rua José Bonifácio 93, 4º andar, criadas por esse fulano que está do lado dele, que é um contador que só cria empresa com sócio fantasma, esse Rogério Raute. Dizem, inclusive, que ele mandou uma interpelação para meu filho dizendo que meu filho falou dele. Para começar, aquilo a que ele faz menção na revista Exame, não foi eu, era meu filho que estava lá com o pessoal da Coca-Cola. Ele está dizendo que na revista sou eu. A revista errou, era meu filho que estava lá. Ele estava lá e sabe que era meu filho. Eu não daria esse tipo de depoimento. Em segundo lugar, ele tem um elenco de empresas aqui que se o senhor for ver, é importante que o senhor possa oficiar à Fazenda Federal... O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Esses documentos vão ficar aqui? O SR. FERNANDO RAMAZZINI - Sim, senhor. E vou lhes dizer mais uma coisa: ele não vai escapar da ABCF. Ele não tem medo da Justiça, ele não tem medo da Polícia, ele não tem medo de nada. Mas tem medo da ABCF. Quando ele me viu, ele cresceu, foi assim que ele começou... (Não identificado) - Por isso que vou lhe dar uma porrada. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, ele tem que ter respeito com esta Casa. Vamos chamar a Segurança. (Intervenções simultâneas ininteligíveis.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Exijo respeito aqui. Por favor, respeito à Mesa. (Intervenção inaudível.) O SR. FERNANDO RAMAZZINI - Mau-caráter é você, que é um sonegador do Estado, da União e do Município e vem aqui usar esta Comissão... O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Vou ter que chamar a Segurança da Casa. Eu não gostaria de fazer isso. Ou os senhores realmente se comportem ou chamarei a Segurança. (Intervenção inaudível.) O SR. FERNANDO RAMAZZINI - Muito bem. Está aqui: Peçam na Receita a confirmação da inidoneidade de todas essas empresas, Carol Line, Raio de Sol, e CÂMARA DOS DEPUTADOS assim por diante. Então, eles trabalham ali dessa maneira. Eles têm empresas na Rua José Bonifácio 93, 4º andar, salas 41, 42, 43, que são distribuidoras de bebida. Só que eles esquecem que a de número 43 é de propriedade daquele senhor que está lá, Sérgio Silva. E a empresa está lá no endereço do outro, com a sociedade. É possível? Quer dizer, é um negócio louco. Então, quero dizer uma coisa aos senhores: não adianta, ele está fazendo um carnaval. A ABCF não tem parado. Ele tem que se alinhar. Se aqui se discute concorrência desleal, afirmo: ele, sim, é um fraudador de impostos e concorre deslealmente com todo o mundo. No momento em que você sonega, não há quem consiga concorrer com você. O Brasil é o País que tem a maior carga tributária do mundo. E em sonegando, você sabe que não há concorrentes para você. E é o que ele faz. Então, ele vem queixar-se de concorrência, mas é o primeiro a praticá-la. Ele não tem respeito por ninguém, vocês já perceberam isso. Ele não tem respeito por nada, nem por local. Esse comportamento vil dele já propiciou 6 ações minhas contra ele: uma minha, outra do meu filho e outra da ABCF. E estou propondo mais uma porque hoje ele me chamou de bandido. Para aclarar bem a mente de vocês, puxem a folha corrida dele, puxem a minha e vejam quem é o bandido. Quero encerrar aqui porque tudo isso vocês estão vendo é através de programas de televisão. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Essa documentação é para ficar anexada? O SR. FERNANDO RAMAZZINI - Sim, naturalmente. Vou dizer mais uma coisa: quero ver onde vão parar as outras providências que estão tomando contra ele. Vou trazer o resultado disso para os senhores. Oficiem a Receita Estadual de São Paulo, na pessoa do Dr. Moura, o Diretor, e oficiem também a Receita Federal, que vocês vão saber o déficit dele e como funciona essa coisa. E ele vem aqui, pede licença, ingressa num recinto sério para ficar fazendo essa palhaçada. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Um minuto, por favor. O SR. FERNANDO RAMAZZINI - E pedir e falar em sonegação fiscal! O que CÂMARA DOS DEPUTADOS é isso? O que é isso? E aqui, ele sempre se... (Não identificado) - Gostaria de respostas, por gentileza. O SR. FERNANDO RAMAZZINI - Perdão, a última, só para concluir. Aqui está cheio de notas com duplicidade, onde uma custa 6, a outra, 500, e outra não sei o quê, com duplicidade de números e tal. Podem pegar e apurem também se essas notas são verdadeiras. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Dessa fiscalização aí a PFC vai se encarregar. O SR. FERNANDO RAMAZZINI - Já mandei esses papéis, já mandei, já mandei. Não tenho nada a esconder aqui. Ele falou, falou, pôs a boca em mim, fiquei quieto e tal. Agora vocês estão conhecendo quem é ele. E eu me admiro que os Deputados desta Casa não tenham se dado conta de quem é ele. Não foram tirar informações sobre esse fulano, que entra aqui e fala... (Não identificado) - Sr. Presidente... O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Um minuto, por favor. O SR. FERNANDO RAMAZZINI - Ele tem, ele responde a mais de 60 processos. Quero que vocês averigúem esse fulano e vejam o que ele fez aqui. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Sr. Fernando Ramazzini, muito obrigado pela sua fala. Agora gostaria de saber do senhor o seguinte: o senhor tem alguma coisa aí da Associação Brasileira de Combate à Falsificação que fala da sua constituição, o que quer dizer essa razão social, onde está estabelecida, qual a finalidade dela e os fins a que se destina? O SR. FERNANDO RAMAZZINI - A Associação Brasileira de Combate à Falsificação realmente... O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, ele não está sendo ouvido. (Pausa.) É que estava desligado o microfone. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. FERNANDO RAMAZZINI - A Associação Brasileira de Combate à Falsificação é uma entidade associativa, sem fins lucrativos, inscrita no Ministério da Justiça, parceira da Receita Federal, da Polícia Federal e do Ministério da Saúde. Recolhemos remédios falsos no Brasil inteiro, realizamos trabalhos magníficos e somos responsáveis pela prisão de gângsteres como o Lobão, o Sr. Ari Natalino e outros. Então, os senhores conhecem bem o trabalho da Associação. Ela, inclusive, foi parte integrante da CPI da Pirataria, que encerrou com o maior sucesso. Não nos conformamos com fraudes, falsificação e sonegação fiscal, porque isso fere o nosso objetivo social. Ele me chama de presidente, mas, na verdade, sou Diretor de Comunicação. O nosso Presidente é uma figura muito honrada. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Qual a sua função na ABCF? O SR. FERNANDO RAMAZZINI - Sou Diretor de Comunicação. E mais ainda: gostaria de lhes dizer que temos 23 diretorias. Nossa entidade é séria, e ele não sabe com quem está falando. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Obrigado pela sua participação. Passamos a palavra ao Sr. Pedro Quintino de Paula, ex-Contador da Dolly. O SR. LAERTE CODONHO - Sr. Presidente, não poderia me manifestar em função das colocações? O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Um minuto, por favor, Sr. Laerte. Consignamos que nesta segunda parte da audiência seriam ouvidas essas 2 pessoas. Isso foi determinado aqui pelo plenário da Comissão. O SR. LAERTE CODONHO - Mas eu não poderia... O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Com a palavra o Sr. Pedro Quintino de Paula. O SR. PEDRO QUINTINO DE PAULA - Boa-tarde. Não vim aqui para acusar ninguém, pois não sou juiz. Não sou contador, como todo mundo já viu no contrato que eu tinha com a Dolly. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Fale mais alto, por favor. O CÂMARA DOS DEPUTADOS som, por favor, Sr. Presidente. O SR. PEDRO QUINTINO DE PAULA - Todos têm o contrato em mãos. Eu apenas prestava serviços à Dolly. Fui contratado para prestar serviços à Diet Dolly, de propriedade dos sócios Laerte Codonho e Etelvino, ex-cunhado dele. Só que o Etelvino nunca apareceu lá, eu não o conheço. Trabalhei na empresa por quase 6 anos. Entrei em agosto de 1995 e, por infelicidade, saí em 21 de janeiro de 2001. Na empresa, tive, sim, problemas. Não vou acusá-lo, pois não sou juiz e não estou aqui para isso. Quem deve acusá-lo e falar sobre ele é um juiz ou alguma outra pessoa que trabalhe com ele. Trabalhei para Laerte Codonho de 1995 a 1997. No final de 1997, ele encerrou a então empresa Diet Dolly Refrigerantes. Tal empresa faturou, em média, 46 mil notas na época. Essas notas eram feitas em duas vezes. Tirava-se o carbono da nota que ia para o Fisco. A Magali, que era a faturista, imprimia a nota para o cliente e imprimia a nota para o fisco no mesmo dia, ou, às vezes, no dia seguinte. A empresa foi fechada devido à briga de Laerte Codonho e sua ex-mulher na justiça. Como já disse, não sou juiz para julgá-lo. Estou aqui apenas para falar dos fatos, da minha vida de trabalho naquela empresa. Fui contratado para fazer a terceirização imediata, que seria feita por mim por uma pessoa que era analista de sistemas, o Carlos Alberto Nogueira, para fazer o sistema de faturamento em 1995. Eu não era o contador da empresa e não queria ser, pois se eu o fosse jamais assinaria qualquer coisa. Contador que assinasse qualquer documento dele estaria assinando, junto com ele, tudo que ele faz. Isso tem que ser analisado e julgado por juiz e não por mim. CÂMARA DOS DEPUTADOS Então, abriu-se a empresa Dolly do Brasil Refrigerante, em nome de Júlio César. A empresa Diet Dolly, antes do fechamento, teve algumas alterações no contrato social. Ela só existia na área fiscal estadual e também no contrato social. No seu encerramento, foi transferida para José Albino e Magali, a faturista. Abriu-se a Dolly do Brasil Refrigerantes em nome do Júlio César, Gerente Financeiro, e Wilson Cola, Gerente de Vendas, ambos seus parentes. Como Wilson Cola tinha medo de assumir os problemas da empresa, pois tinha filhos, ele transferiu sua parte para Herman, seu segurança pessoal. Em 1999, houve a fiscalização do fisco federal. Na época, o fiscal do Estado chegava às 8 da manhã e saía às 5 da tarde. Ficaram um mês fazendo um trabalho lá. Só que eles trabalhavam à noite, a Dolly sempre trabalhou a noite. Ela inicia seu faturamento às 6 horas da tarde e termina às 5 ou 6 horas da manhã, até todos os caminhões serem carregados. Pelo que tenho aqui, a empresa de tal porte, de então propriedade de Laerte Codonho, foi aberta por duas pessoas: Altamirando, um nome difícil de falar, e Yeda. Essa empresa foi aberta para pequenas vendas. Laerte Codonho não poderia abrir uma empresa pois tinha seu nome cassado pela Secretaria da Fazenda. Ele já possuía uma empresa de refrigerante em Boituva que não havia sido encerrada. Portanto, ele não poderia ter essa empresa em nome dele. Dessa forma, o contrato social foi transferido. Mas acredito que a parte fiscal, da Secretaria da Fazenda, não foi transferida até hoje. Pelo que me consta, a empresa já está cassada. As empresas Carol Line, Limão, Raio de Sol... A Limão é uma empresa fechada. Ela teve 5 mil notas de faturamento em 10 anos, período que ela teve de funcionamento. Era uma empresa que estava para fechar e foi adquirida por Laerte Codonho por 10 mil reais, simplesmente porque a Secretaria da Fazenda havia confiscado 100 mil notas da Diet Dolly, não podendo, então, mais faturar na época, devido à fiscalização que houve em 1999 e 2000. Essa empresa Limão começou a vender o produto Dolly. Usou-se o resto das notas que existiam, 5 mil, e foram autorizadas mais 50 mil e depois mais 50 mil notas. Pelo que tive conhecimento da Secretaria da Fazenda, ela teve 100 mil notas CÂMARA DOS DEPUTADOS emitidas. Não acredito que ela teve compra, pois a Dolly, a Ragi e o ... O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Por favor, vamos ter que interromper a sessão pois estamos sendo chamados a comparecer ao plenário, em função do início da Ordem do Dia. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, pela ordem. O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Sr. Presidente, pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Pela ordem, Deputado Celso Russomanno. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Sr. Presidente, esta Casa tem a obrigação de apurar qualquer denúncia que aqui chegue. Não temos que proteger um lado nem o outro. Tanto as denúncias que foram feitas contra a Femsa São Paulo como as que estão sendo feitas contra a Dolly têm que ser apuradas por esta Casa. Gostaria de registrar esta posição e dizer que vou acompanhar de perto tudo que está sendo feito, antes que V.Exa. encerre esta audiência pública, porque é nosso dever, de ofício, Sr. Presidente, como autoridades, apurar todos esses fatos, sejam eles verdadeiros ou não. Até o presente momento não sabemos, mas temos que apurá-los para sabermos se existe verdade no que está sendo colocado e assim possamos tomar as devidas providências na forma da lei. Quais são elas? Remeter as coisas que nos foram encaminhadas ao Ministério Público, aos órgãos de defesa da livre concorrência, SDE e CADE, e, se for o caso e houver crime, às Polícias Judiciária, Civil e Federal. CÂMARA DOS DEPUTADOS Então, quero deixar uma coisa bem transparente aqui: a isenção dos membros das Comissões. A partir de agora, diante de tudo que ouvimos hoje durante o dia todo, vamos tomar todas as devidas providências. Chego a uma conclusão, apenas, Sr. Presidente: nesse mercado de cerveja e de refrigerante, assunto já discutido na Comissão de Defesa do Consumidor várias vezes, absolutamente ninguém é santo. Era o que tinha a dizer. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Com a palavra o Deputado Givaldo Carimbão. O SR. DEPUTADO GIVALDO CARIMBÃO - Sr. Presidente, parece-me que não haverá votações no plenário da Casa. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Estamos sendo chamados, Deputado. O SR. DEPUTADO GIVALDO CARIMBÃO - Claro, estamos sendo chamados, porém, mais uma vez, não ocorrerão as votações que esperávamos. Há muito tempo as Comissão de Defesa do Consumidor e a de Finanças esperavam o momento de discutir este tema. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Comissão da qual tive a honra de participar quando V.Exa. presidia. O SR. DEPUTADO GIVALDO CARIMBÃO - É verdade. Imaginem: há um ano e meio estamos discutindo o tema, companheiro Deputado Celso Russomanno. Isso saiu em toda a imprensa nacional, quiseram fazer “onda” com a Comissão de Defesa do Consumidor. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - É verdade. O SR. DEPUTADO GIVALDO CARIMBÃO - No entanto, provamos não ter tido nenhum compromisso com um ou com o outro. Ao contrário. Deixo isso registrado na Casa. Sr. Presidente, como estou vendo os Deputados interessados nesta causa da sociedade brasileira, faço um apelo a V.Exa. no sentido de, ao invés de encerrar a sessão, suspendê-la, para verificar se realmente haverá pauta na Ordem do Dia. Se não houver, valeria a pena continuarmos esta discussão. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - A Secretaria pode entrar em CÂMARA DOS DEPUTADOS contato com a Mesa para saber se realmente temos de ir ao plenário votar. O SR. DEPUTADO INALDO LEITÃO - Questão de ordem, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. DEPUTADO INALDO LEITÃO - Sr. Presidente, o Regimento Interno não permite que as Comissões em reunião deliberem sobre qualquer matéria quando iniciada a Ordem do Dia. No caso aqui, não é reunião deliberativa, é apenas debate. De modo que nada impede continuarmos discutindo, conforme é costume desta Casa. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Com a palavra o Deputado Osmânio Pereira. O SR. DEPUTADO OSMÂNIO PEREIRA - Sr. Presidente, segundo a tradição da Casa, já tivemos outras experiências idênticas a esta. Se por acaso houver votação, não é o caso, é apenas Ordem do Dia, 2 ou 3 iriam ao plenário votar e retornariam. Assim, nós poderíamos dar seqüência aos trabalhos até sermos chamados. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Houve acordo de Liderança para votar uma medida provisória hoje. Está previsto para votá-la agora à tarde. O SR. DEPUTADO GIVALDO CARIMBÃO - Sim, mas poderíamos alternar: alguns Deputados iriam ao plenário votar, e quando retornassem à Comissão, iriam outros. Acho ser possível fazer isso. O SR. DEPUTADO JONIVAL LUCAS JUNIOR - Vamos dar prosseguimento aos trabalhos até a hora de começar a votação. Depois, vamos embora, porque estamos aqui desde às 10h. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Tenho de cumprir o Regimento e, segundo o Regimento, na hora da chamada para votação, tenho de encerrar esta reunião. Porém, se houver consenso... (Não identificado) - Todas as Comissões estão funcionando. O SR. DEPUTADO INALDO LEITÃO - Não podemos deliberar. Essa é minha questão de ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - A Secretaria já está levantando. CÂMARA DOS DEPUTADOS Com a palavra o Deputado Jonival Lucas Junior. O SR. DEPUTADO JONIVAL LUCAS JUNIOR - É Isso, e nós podemos continuar a discussão. Se for imprescindível nossa presença em plenário quando começar a votação, estaremos lá. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - A Secretaria está fazendo o contato. Concedo a palavra ao Sr. Pedro Quintino de Paula para fazer suas considerações. O SR. PEDRO QUINTINO DE PAULA - Obrigado. Desde às 10h até há poucos minutos eu fui alvo de todos os tipos de acusações. Fiquei sentado, não saí nem levantei. É como se eu estivesse em um cativeiro. Estive em cativeiro durante 4 dias, em Sorocamirim, não em minha casa, em Assis. Cheguei em Assis por volta das 23h30 e fui liberado, graças a Deus. Sei que Deus existe. A partir desse momento, já pedi proteção anteriormente, quando entreguei a documentação no Ministério Público de Barra Funda. Mandaram-me para a Praça da Sé, no pátio do colégio. Falei com a Dra. Débora, que queria me isolar não sei onde, em algum lugar. Eu não poderia trabalhar. Tenho 2 filhas que estudam. Tenho de continuar minha vida. Nasci de novo há 3 anos e 9 meses, graças à ganância de certas pessoas por dinheiro, por tudo mais. Para mim, dinheiro não é nada. Nunca tive nenhum contrato nem contato com a Coca-Cola. Nunca tive nenhum contato com fiscal federal. Se o fiscal federal fez seu trabalho e foi honesto, CÂMARA DOS DEPUTADOS não foi através de mim, a pedido meu. O fiscal estadual se trabalhou, se não trabalhou, não é a minha função fiscalizar. Eu tinha apenas uma empresa de prestação de serviço e uma empresa de processamento de dados, na qual eu terceirizava alguns trabalhos em alguma empresa na área de processamento de dados. Hoje tenho dificuldades para trabalhar. Todo o mundo tem medo de trabalhar comigo. Na época, eu tinha 40 clientes e ficaram meia dúzia. Passei dificuldades, tenho meu nome sujo, não tenho dinheiro para pagar as dívidas que a atual empresa Dolly me fez assumir, no dia 4 de janeiro. Queria que mostrassem aquela matéria que foi mostrada no início, aquela carta que assinei de meu próprio punho. Se eu não tivesse assinado aquela carta, eu estaria morto, não estaria aqui para falar com vocês. Eu assinei aquela carta, ditada pelo Sr. Rogério Haude, com a arma do Sr. Herman na minha cabeça e a outra arma do Sr. Adilson Theodora na minha frente. Era um revólver 38 e uma pistola, e eu sozinho, amarrado a uma cadeira. Desamarraram-me da cadeira simplesmente para assinar aquela carta ditada pelo Sr. Rogério Haude. Se eu não tivesse assinado aquela carta que apareceu no início, que eu declaro ter desviado dinheiro — quero ver se ele tem alguma prova que eu desviei dinheiro. Eu não mexia com dinheiro, quem fazia todos os cheques, quem emitia todos os cheques era Júlio César. Eu apenas terceirizava mão-de-obra. Eu apenas prestava serviço. Não era eu que emitia os cheques da Dolly. Eram emitidos todos por Júlio César. Aquela carta eu assinei, sim. Assinei e escrevi, com letras muito difíceis de serem escritas. Vocês podem olhar a carta. Eu estava há um dia preso a uma cadeira, amarrado, algemado. Fui espancado, sim. Na época eu tinha vergonha que minhas imagens aparecessem na televisão, porque eu tinha 25 anos de trabalho. Lutei durante 25 anos para ter alguma coisa. Hoje o que tenho? Nada. Não tenho emprego porque não consigo trabalhar. Hoje vivo onde? Vivo dentro de um carro pela estrada. Estou há 3 anos e 9 meses para poder falar. Até hoje eu não falei diante de um juiz, não falei em lugar nenhum. Por que? Porque no meu processo foram arroladas várias testemunhas, e seria muito difícil. O processo, provavelmente, será extinto, porque a promotora que estava no meu caso até se aposentou. Há alguns meses, fui saber do meu CÂMARA DOS DEPUTADOS processo, e a promotora tinha sido aposentada, tal é o tempo que faz. Acredito que já há 3 anos e 9 meses. Iniciou-se tudo em janeiro de 2001 e até hoje não tenho resultado, porque são pessoas difíceis de serem intimadas para depor, e o meu processo, como sempre, sobe e desce, sobe e desce de cima de uma mesa na 27ª Vara Criminal da Barra Funda. Não tenho dinheiro, não tenho como. Procurei vários advogados. Na época eu procurei um advogado que hoje é o Presidente da OAB, Dr. Luiz D’Urso, mas era um advogado conhecido e eu precisava de muito dinheiro para poder ter o Dr. Luiz como advogado. Procurei vários advogados, só que todos os advogados que procuro respondem: “Seu caso é difícil. Você não tem dinheiro”. Então estou aqui. Graças a Deus, estou aqui vivo hoje. Amanhã, não sei. Hoje estou vivo. Também acredito que — tenho 51 anos de idade — se eu morrer amanhã, como eu não tenho dinheiro para pagar segurança... A Coca-Cola não me banca nada. Eu não tenho dinheiro. A Coca-Cola conheci aqui na Câmara, não conheço o pessoal da Coca-Cola. Eu conheci o Dr. Ramazzini há 3, 4 meses, através de uma matéria que saiu no jornal sobre uma apreensão. END ZUZU CÂMARA DOS DEPUTADOS HOME NEUSINHA CÂMARA DOS DEPUTADOS há três, quatro meses, por meio de uma matéria que saiu em um jornal sobre uma apreensão. Como tentei, na época, indo na Assembléia Legislativa, na cidade de São Paulo, pedi ajuda e me mandaram ir ao Ministério Público, da Barra Funda. Foi onde entreguei tudo que eu tinha em termos de documentos ao Dr. William Terra. Na época, S.Sa. me pediu para ir procurar o Programa de Proteção à Testemunha. O Dr. William Terra, na próxima vez que eu o procurei, tinha se afastado do caso e estava o Dr. Fernando, que também não me deu muita esperança. Fui à Receita Federal porque não tinha onde ir e não tinha dinheiro para pagar um bom advogado. Tudo que eu sabia e que sei repassei para a Justiça e estou aguardando a resposta até hoje. Gostaria de viver mais 6 meses, 1 ou 2 anos. Tenho 51 anos. Muita gente morre com menos de 51 anos. Amigos meus que me deram ajuda, à época em que fui seqüestrado, morreram primeiro do que eu, afogados. Todo mundo corre o risco de morrer na sua época. Não morri, estou aqui. Graças a Deus estou aqui. Nunca fui contador dele e se fosse jamais assinaria qualquer documento desses. Por quê? Qualquer contador lúcido não assina um documento como esse, porque os documentos são todos arranjados. Então, como alguém lucidamente assinaria? O contador é responsável, o Prefeito é responsável. Todo mundo tem sua responsabilidade. Acho que devemos ter responsabilidade naquilo que fazemos. No que faço, tenho responsabilidade; o que faço, assino. Nos contratos sociais deles, se V.Exas. procurarem, tem minha assinatura. Na época, trabalhava para eles. Nunca trabalhei para a Coca-Cola, nunca trabalhei para fiscal. Nunca cheguei a um fiscal... A primeira vez que eu procurei um fiscal foi quando me seqüestraram e achei que devia denunciar tudo o que sabia. Mas não tenho que procurar fiscal, não tenho dinheiro para pagar propina para fiscal. Sou apenas uma pessoa que não tem nada. Graças a eles hoje eu tenho muitas multas dos carros que eu tinha. Estão aqui as multas. Multa que recebi na semana passada, que foi do dia 5 de novembro de 2004, de um carro que eu tinha e que foi multado em Taboão da Serra, passando por um farol acima da velocidade. Esse carro, eles me tomaram, na época que eu fui... Igual às cópias de cheques que V.Exas. têm e que pedi para tirar xerox. Eu não pedi para tirar xerox das multas porque acho que não têm nada a ver com a Câmara dos Deputados. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Sr. Pedro, gostaria que V.Sa. concluísse, por favor. O SR. PEDRO QUINTINO DE PAULA - Sr. Presidente, a minha conclusão é no sentido de que tudo fosse mais sério neste País. Que quem não tem dinheiro para pagar um bom advogado tenha direito de falar. Eu fui acusado, sentado naquela cadeira. Durante várias horas eu fui acusado. Não estou acusando ninguém porque não sou juiz para acusar ninguém. Gostaria que o juiz acusasse. Não acuso ninguém, não defendo ninguém e não trabalho para ninguém. Hoje sou uma pessoa que vivo na estrada. Por quê? Tenho 2 filhas para tratar. Este ano, uma se forma jornalista, graças a meu esforço e, se Deus quiser, será uma boa jornalista. E tem uma que quer ser médica. Se Deus quiser, um dia ela poderá ser médica. Tento fazer o máximo para manter minha filhas, mas não é fácil. Durante 25 anos eu tive o nome limpo. Hoje, tenho o nome sujo por quê? Respondo por vários processos trabalhistas, mas consegui pagar todos; não tenho mais nenhum processo trabalhista em andamento, o último paguei há 2 meses. Tudo devido a minha saída, de todos os clientes que tinha na época. Todos os meus funcionários, posso dizer, poderiam ser chamados aqui para depor. Agora, se houvesse uma nova chance, eu gostaria que fosse Marcos Nogueira, ex-funcionário da Dolly Refrigerantes, e Olívio, ex-Gerente de Vendas; que pudessem comparecer. O Olívio, que eu saiba, é testemunha, num e-mail, da época de 1999 a 2000. Marcos Nogueira trabalhou de 1997 a 2003. Há também uma química da Dolly que trabalhou de 1994 a 2004. Se fosse possível, ela poderia vir aqui responder a algumas perguntas. Há muito tempo não tenho contato com essas pessoas, mas com Marcos Nogueira eu tive contato recentemente — ele viu a minha aparição na TV Record e me procurou por vários meses, até que me achou, para me parabenizar e dizer que sou uma pessoa de sorte por estar vivo até hoje. Sou uma pessoa corajosa por estar aqui e falar o que eu estou falando. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Sr. Pedro, muito obrigado. O senhor vai deixar esse documento conosco? O SR. PEDRO QUINTINO DE PAULA - Tenho muitos documentos aqui. Esta pasta, por exemplo, eu posso deixar. Posso ir ao Ministério Público e pedir uma CÂMARA DOS DEPUTADOS cópia completa. Este é apenas um dos volumes, do meu seqüestro, é apenas um dos volumes. Posso pedir outra cópia lá no 27º, pois esta cópia quem me passou foi um advogado — ele conseguiu para mim, gratuitamente; eles têm um ótimo advogado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Muito obrigado pela sua fala. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - Seria bom juntar todas as cópias que ele tem de documentos de sonegação fiscal para nós apurarmos também. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Se o senhor puder deixar os documentos aqui. O SR. DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO - A cópia, pelo menos. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Pode tirar cópia. (Não identificado) - Peça à Secretaria que providencie a cópia dos documentos e devolva os documentos a ele. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier ) - Nós estamos na segunda etapa. Passamos a palavra ao Sr. Laerte Codonho. O SR. DEPUTADO JONIVAL LUCAS JUNIOR - Sr. Presidente, uma questão de ordem. Qual foi a resposta da Mesa à Secretaria? Vai haver votação agora? O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Sim, vai haver votação agora, mas eu estou postergando porque só teremos mais um orador e, depois, ouviremos o Plenário. Com a palavra o Sr. Laerte Codonho, Presidente da empresa de refrigerantes Dolly. O SR. LAERTE CODONHO - Não vou fazer acusações aqui, vou fazer explanações de lógica. Primeiro, tudo o que foi dito pelo Sr. Pedro ocorreu em 2001. Foi muito importante essa declaração, primeiro, do Sr. Rodrigo Caracas, que disse que a Coca-Cola nunca teve contato com a ABCF. Incrível isso! Porque, inclusive, na matéria da revista Dinheiro, que mostra o negócio da Schincariol, está dito claramente: “O material chegou à ABCF, entidade formada por mais de 200 grandes companhias, entre as gigantes Microsoft, Gessy Lever e Coca-Cola.” CÂMARA DOS DEPUTADOS Entrego às mãos desta Presidência, para ver as mentiras. Agora, o Sr. Ramazzini. A Coca-Cola faz o seguinte: saiu todo mundo e deixaram aqui os bandidos. Tudo bem. Quem vocaliza essa denúncia é Fernando Ramazzini, está aqui, na revista Exame. Eu pergunto aos senhores: quem tem mais credibilidade? A Exame ou esse senhor que está aqui? Ou a revista Exame iria contar uma mentira? Vou ler para os senhores: “Quem vocaliza essa denúncia é Fernando Ramazzini — Fernando Ramazzini, Diretor da ABCF — que esteve na redação da revista Exame acompanhando os executivos da Coca-Cola.” E os executivos da Coca-cola, o Sr. Jack Correa, que estava aqui presente, e o Sr. Rodrigo Caracas, que está aqui. Então, vejam, o Sr. Rodrigo está ali sentado e, na hora de fazer o jogo sujo, ele põe as outras pessoas. Trata-se de uma prática comum, inclusive dita pelo Sr. Capistrano. (Não identificado) - O senhor me permite um aparte? O SR. LAERTE CODONHO - Não, permita-me primeiro terminar. Sr. Presidente, o Sr. Fernando Ramazzini fez algumas acusações aqui, levianas, de sonegação, que todos esses sessenta e tantos processos foram gerados por autos de denúncia da ABCF e do Sr. Pedro — todos! Cada auto de infração gerou uma denúncia no Ministério Público. Então, 60 autos serão 60 processos. Agora, pasmem os senhores, vou dar uma declaração da Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, de abril de 2004, retirando o regime especial de cima da Ragi Refrigerantes, que desde 2000, quando começou a atuação da ABCF em cima da Dolly — que foi uma beleza, V.Exas. ouviram o Sr. Ramazzini falando: “Eu vou prender a Dolly”. Ele está acima da lei, ele fala que vai prender. Srs. Deputados, ninguém aqui é nada. A Polícia Federal não é nada, a Justiça Federal não é nada, a Justiça Estadual não é nada, porque o Sr. Ramazzini, o porta-voz da Coca-Cola, está aqui na Exame falando que vai fazer justiça. Isso é o fim do mundo! Agora, o Sr. Ramazzini deveria... Vou acompanhar os trabalhos da ABCF porque estou entregando em mãos ao Presidente, e o farei também ao Sr. Ramazzini, os processos dos autos da Fazenda Estadual, somente de Campinas e CÂMARA DOS DEPUTADOS Jundiaí, da Spal; estão todos aqui, dá bilhão. Outra informação importante. O Sr. Pedro diz que não assinou nada, que é um coitado, uma vítima, que foi seqüestrado, que a filha formou, que o carro não paga, acho muito interessante. Nas declarações do Sr. Pedro, na cidade de Assis, em janeiro de 2001, na hora em que se qualifica, está aqui: “profissão: contador”. Ele se qualifica contador. Eu gostaria de citar aqui, para os senhores terem noção, uma consulta feita ao Conselho Regional de Contabilidade, ao qual pedimos a informação: “O Sr. Pedro Quintino é contador?” “Ele não é contador.” Então, primeiro, já é um crime gravíssimo, de estelionato e falsidade ideológica. Na Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, quero deixar claro que não foi apenas uma denúncia. O Sr. Pedro fez denúncia em todos os lugares, apoiado pela Coca-Cola e pela ABCF. Inclusive o Sr. Ramazzini chegou ao cúmulo de, na imagem da TV Record, ser a pessoa que carregava as caixas do Sr. Pedro. É incrível a orquestração da Coca-Cola. No Governo do Estado de São Paulo, na Secretaria de Estado da Fazenda, em 2002, o Sr. Pedro — está aqui — falava que exercia a função de contador na empresa Ragi Refrigerantes; ele se denomina contador — está aqui. Então, quando V.Exas. falam: “Vamos investigar”, Deputado Celso Russomanno, esclareço que isso já foi motivo de tudo quanto é devassa que V.Exa. possa imaginar. Foi por isso que tive essa reação; eu não agüentava mais ter esse tipo de gente tentando prejudicar minha vida, acabar com os nossos negócios. É por isso que estou aqui, é por isso que o Deputado Araújo perguntou: “O senhor está partindo para a agressão?” Estou mesmo, porque não agüento mais ser agredido. São só mentiras. Esse homem chegou ao cúmulo de falar que foi seqüestrado! Pasmem os senhores, está aqui, vejam bem o que ele declarou: “O declarante chegava a retirar 15 mil reais mensais sem o conhecimento dos proprietários da empresa”. Interessante isso. Agora roubo tem outro nome. Vejam bem, vou repetir: “O declarante chegava a retirar 15 mil reais mensais, sem o conhecimento dos proprietários da empresa. O declarante retirava tal quantia porque achava que merecia, pelo que fazia na empresa”. Isso não é muito interessante? Ele tirava o que queria, ele roubava. Ele declarou, assinou de próprio CÂMARA DOS DEPUTADOS punho, agora está falando que assinou porque foi forçado — isso é uma piada. Outra piada foi que o próprio delegado viu o seguinte: no dia anterior ao seqüestro — para V.Exas. verem com quem estamos falando, a quem a Coca-Cola manipula para trazer aqui, porque se não fosse a Coca-Cola, esse sujeito não estaria aqui. “Antes, porém,” — diz o Sr. Pedro — “passaram por Marília, São Paulo, onde encontraram o Sr. Laerte. Após tomar café no estabelecimento Francisco Café, vieram para a cidade de Assis. Chegaram nesta cidade por volta de meia noite, sendo que se dirigiram à casa do declarante” — do declarante —, “onde permaneceram até o dia seguinte, quando então ele telefonou para o Sr. Zibordi” — lembrem-se desse nome — “que é Sargento da Polícia Militar desta cidade. E aí o Sr. Zibordi foi embora e retornou com vários policiais, (...) na casa cercada, o declarante conseguiu se livrar”. O próprio delegado fala: “Nenhuma arma foi apreendida, nada foi encontrado”. Então, ele estava seqüestrado na casa dele, por pessoas que tinham ido lá buscar uma motocicleta que ele tinha dado em pagamento. Quando eu fui na Malta — está aqui o depoimento do Sr. Fernando Schincariol —, porque ele falou que tinha um crédito na Malta, que queria passar esse crédito para nós, admitiu que tinha desviado dinheiro, eu estava em Marília e fui a Assis só para ver esse crédito — e aqui o Sr. Fernando Schincariol deu um depoimento incrível, dizendo que não conhecia o Sr. Pedro: “Nunca vi o Sr. Pedro”. “Mas como? Ele te deve, diz que tem um crédito”. “Nunca vi o Sr. Pedro”. Nesse instante, eu liguei para o Sr. Pedro, no celular do seqüestrado, que estava a caminho de Assis — ele não sabia que eu estava em Assis. O que aconteceu? O Sr. Pedro disse que não era mais crédito, não era não sei o quê. Quando peguei a mentira do Sr. Pedro, ele inventou a história de que era seqüestrado. Tudo isso são versões e serão anexadas para o Sr. Presidente. O mais importante é que tudo isso que estou relatando para V.Exas. foi feito na Corregedoria da Receita Federal em 2003 — inclusive na matéria V.Exas. puderam ver. Fizemos uma denúncia do Sr. Pedro e do fiscal, Sr. Aldino, que o Sr. Capistrano admite que conhece e que manipulou. E falamos bem claro: o Sr. Pedro, junto com o Sr. Aldino, tentaram extorquir-nos e não aceitamos. Ele mesmo disse que é procurador da Coca-Cola, etc. e tal. Essa é a verdade, está na Corregedoria desde 2003, há 1 ano e meio. Temos na Corregedoria do Ministério Público uma CÂMARA DOS DEPUTADOS representação contra o procurador, que foi induzido pelo Sr. Pedro e pela ABCF, por esses dois. Toda essa fumaça de que foi seqüestrado, tudo mentira. Esse homem nem contador é, esse homem admite que roubou. Mais um detalhe: sobre a empresa que ele fala, a Limão Comercial, gostaria de mostrar para V.Exas. uma transparência em que vão ver que incrível. (Segue-se exibição de imagens.) Alteração contratual, primeira via. Vejam V.Exas. quem é que assina o contrato da Limão: o Sr. Pedro Quintino de Paula. Onde está a minha assinatura? Onde está a assinatura do Sr. Júlio? Onde está a assinatura do Sr. Rogério? Aí vem o Sr. Ramazzini, falando de 3 empresas no mesmo endereço. Sr. Ramazzini, informação para o senhor — e pode consultar a Spal —: na Avenida Luiz Carlos Berrini, no mesmo endereço, funciona a Spal, a Dixer e a Coca-Cola Indústria. No mesmo endereço. Não é proibido constituir empresa. Nada disso é ilegal. Todas essas denúncias que V.Exas. estão ouvindo aqui foram motivos de devassa. Ele mesmo falou, foi para o Ministério Público Federal, Estadual. Sabe o que aconteceu, por que o Procurador não quis mais ouvi-lo? O procurador viu que ele é um maluco, que não tem o menor sentido o que ele está falando. É tudo mentira. Eu sofri devassa durante 3 anos por causa dessas pessoas. E sou obrigado a vir aqui me explicar, por uma manobra da Coca-Cola, que mais uma vez se coloca ali atrás, tentando se fazer de bem. Agora, vou falar para V.Exas., estou detonando esta semana todas as informações da Operação Pangaia. Aí V.Exas. verão o que é uma sonegação. Aí V.Exas. verão o profissionalismo da sonegação existente na Spal em São Paulo. É isso que tenho para falar. Tudo isso que está acontecendo aqui, tudo isso que a Coca-Cola montou, induzindo alguns Deputados de bem a erro, tem o objetivo de criar uma cortina de fumaça. Porque o Sr. Jack Correa sabe dessa Comissão, eu mostrei para ele, o Sr. Rodrigo que está aqui, nesta Casa havia a documentação. Pasmem V.Exas., estou quieto com essa história porque estou aguardando o momento oportuno. Vou trazer, está na Polícia Federal, que vai realmente ver o que é uma sonegação. (Não identificado) - Sr. Presidente, nós estamos aqui para ouvir CÂMARA DOS DEPUTADOS depoimentos e não ameaças de concorrentes. O SR. PRESIDENTE - Vamos terminar a fala aqui. Já houve de ambas as partes. (Não identificado) - Ninguém agüenta mais. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Já vai terminar a fala. Mais alguma coisa? O SR. LAERTE CODONHO - Sr. Presidente, as denúncias que tenho a fazer, e aí concordo com os Srs. Deputados que me antecederam, estou levando aos órgãos competentes, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, que já estão investigando há 2 anos. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Obrigado, Sr. Laerte Codonho. Agora vamos seguir a lista. Nós temos poucos Deputados em plenário. (Não identificado) - Sr. Presidente, meu nome está na lista como primeiro. (Não identificado) - Sr. Presidente, V.Exa. tinha acabado de dizer que iria apenas ouvir os presentes e que, depois... O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Passaria ao Plenário. (Não identificado) - ... então, que as PFCs tivessem sido feitas, as investigações, voltaríamos a discutir esse assunto. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Não, Deputado. PFC e investigação não é possível. A PFC será votada na nossa Comissão, espero que na próxima sessão, para, a partir daí, ser encaminhada. (Não identificado) - Está bem, vamos continuar. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Com a palavra o Deputado Carlos Willian. O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - Sr. Presidente, gostaria de saber do Dr. Pedro: o senhor é contador ou não? O SR. PEDRO QUINTINO DE PAULA - Eu sou apenas um prestador de serviços na área de informática e, antigamente, na área de terceirização de mão-deobra. Eu nunca assinei um contrato. Gostaria de perguntar ao Sr. Laerte Codonho se ele tem algum contrato meu assinado como contador. CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - O senhor está falando comigo agora. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - O senhor foi convidado como ex-contador. O SR. PEDRO QUINTINO DE PAULA - Gostaria de expor que estou aqui para dizer a verdade. Muita gente acha que processador de dados é contador, que terceirização de mão-de-obra é contador. O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - O senhor é formado em alguma... O SR. PEDRO QUINTINO DE PAULA - Eu tinha duas empresas, hoje eu tenho uma só, de processamento de dados. O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - O senhor é formado em processamento de dados, alguma coisa de computação? O SR. PEDRO QUINTINO DE PAULA - Não, não sou formado em processamento de dados; eu tenho uma empresa... O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - É só empresário. O SR. PEDRO QUINTINO DE PAULA - Eu sou empresário. Tenho uma empresa de terceirização de mão-de-obra... O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - Mas era o senhor que prestava o serviço pessoalmente, ou seus funcionários? O SR. PEDRO QUINTINO DE PAULA - Meus funcionários e eu também prestava serviço a ele. Só que, pelo que eu tenho na documentação deles, quem é o contador oficial deles é o Sr. Rogério Raucci. O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - Vou formular umas três perguntas, gostaria que não deixassem o senhor inibido... (Não identificado) - Temos uma ordem a ser seguida, Sr. Presidente. O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - Está sendo seguida, o Presidente me concedeu a palavra. (Não identificado) - V.Exa. era o primeiro inscrito? O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Concedi a palavra a S.Exa. Nós temos uma segunda lista. Eu pedi para os Srs. Deputados se inscreverem. O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - O senhor está aqui hospedado em um hotel? CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PEDRO QUINTINO DE PAULA - Sim. O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - O senhor veio de São Paulo? O SR. PEDRO QUINTINO DE PAULA - Vim de São Paulo. O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - O senhor veio de quê? O SR. PEDRO QUINTINO DE PAULA - Vim de avião. O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - Avião. Eu só queria ver, porque o senhor pregou aí que não tem recursos financeiros nem para tirar xerox, etc. e tal. O SR. PEDRO QUINTINO DE PAULA - Eu vim convidado pela ABCF. O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - A ABCF pagou para o senhor? O SR. PEDRO QUINTINO DE PAULA - Há três ou quatro meses, eu tive o prazer de conhecer o Sr. Ramazzini. Pedi ajuda a ele, sim. Pedi ajuda jurídica na época. O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - O.k., muito obrigado, estou encerrando aqui, atendendo ao colega. Eu só queria saber do Sr. Laerte que operação é essa cangaia, como é que se chama? O SR. LAERTE CODONHO - Pangaia, Deputado. O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - Pangaia. Isso já começou, ou o senhor que vai detonar? O SR. LAERTE CODONHO - Já está iniciado. O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - Mas o senhor... O SR. LAERTE CODONHO - Neste momento, prefiro não falar, porque, senão, vou revelar coisas que não posso revelar, Excelência. O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - O senhor tem conhecimento do que a Polícia vai fazer, do que o Ministério Público vai fazer? O SR. LAERTE CODONHO - Não, não tenho. Eu não posso adiantar. (Não identificado) - Essa operação é da Dolly, ou da Polícia Federal. O SR. LAERTE CODONHO - Qual operação? (Não identificado) - Pangaia. O SR. LAERTE CODONHO - É da Coca-Cola, Spal. A maior sonegação que eu vi: Coca-Cola e Kaiser. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Deputado Carlos Willian, está encerrado? O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - Está encerrado, é só um CÂMARA DOS DEPUTADOS comentário, porque na hora que o Sr. Pedro... (Não identificado) - Eu só queria saber quem está procedendo a essa investigação. O SR. LAERTE CODONHO - Desculpe-me, mas no momento eu não posso comentar, é sigiloso. (Não identificado) - O senhor já disse que existe. O SR. LAERTE CODONHO - Eu estou comentando. V.Exa. pode perguntar para a Coca-Cola. Está aqui o Sr. Jack Correa e está aqui o representante jurídico da Coca-Cola. Eles viram, pode perguntar para eles. O Vice-Presidente do Departamento Jurídico está aqui, viu. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Está com a palavra o Deputado Carlos Willian. Mais alguma pergunta, Deputado? O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - Vou encerrar com um pequeno comentário... (Não identificado) - Deputado Carlos Willian, posso esclarecer a V.Exa. o que é a Pangaia. O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - Só um comentário, depois o senhor me esclarece. Eu fiquei observando o Sr. Pedro, que era contador e agora não é; foi convidado como contador, e não é; que presta serviço pessoal, mas não entende de informática, nem nada. Na hora em que o senhor disse que não tem recursos, comoveu-me muito. Mas sabendo que é a Associação que paga os seus recursos para poder viajar, fiquei tranqüilo. Quando o senhor acusou as testemunhas, falou sobre o processo trabalhista, sobre os e-mails e deu o nome de 2 pessoas para serem convocadas. O senhor saiu daquela penumbra de tristeza, de falta de recursos e ficou potente, com uma voz firme e determinada. Por quê? Isso lhe dá alegria? O senhor acha que contribuirá com a Comissão ou que dividirá a responsabilidade? O SR. PEDRO QUINTINO DE PAULA - Gostaria de responder. Quando eu disse que não tinha dinheiro para pagar advogado caro, de 100 mil reais... Trabalho com dificuldades. De janeiro de 2001 para cá, trabalho com muita dificuldade. Em janeiro de 2001, eu tinha recursos, porque trabalhava com mais tranqüilidade. Tive a CÂMARA DOS DEPUTADOS infelicidade de trabalhar para esse senhor que está aí do lado e, de lá para cá, não tive mais sossego para trabalhar, nem para sobreviver. Trabalho, sim, graças a Deus, para pagar a faculdade das minhas filhas e os meus custos, mas não tenho 1 milhão de reais para pagar um advogado. Não tenho 100 mil reais para pagar um advogado. Tenho dificuldade financeira, sim, graças ao Sr. Laerte Codonho. Até os carros que eu tinha estão com eles hoje. O que eles conseguiram tirar das minhas contas bancárias, da época que eu tinha condições de trabalho, quando era livre, tiraram. Não sei se V.Exas. receberam cópias de cheques para a Dolly do Brasil Refrigerantes. Assinei aquele papel com um revólver na cabeça, da mesma forma que assinei esse cheque endossado para a Dolly do Brasil Refrigerantes. Esses cheques todos foram assinados, inclusive, um que caiu agora, em 2004, que estava em poder deles, no valor de 1.200 reais e que voltou, por roubo, porque nem movimento mais a conta. Hoje, nem posso movimentar as minhas contas. Enfim, tento trabalhar do jeito que posso. O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - Sr. Presidente, posso encerrar? A Associação está custeando a despesa do Sr. Pedro. Eu gostaria de saber do Presidente da Associação: várias vezes ele disse, não somente por meio de gesto, mas falando alto, deve estar gravado, o Sr. Laerte é doido. Gostaria de saber 2 coisas: qual o interesse do senhor em patrocinar as despesas do Sr. Pedro e se o senhor acha que o Sr. Laerte é doido. Porque se o senhor confirmar que ele é doido, posso solicitar ao Presidente de Comissão que, numa próxima reunião — não sei se é possível regimentalmente —, peça o exame de sanidade dele, assim teremos certeza se ele é doido ou não, para saber com quem estamos... O SR. FERNANDO RAMAZZINI - Vou mostrar para o senhor. Essa revista que ele passou, dizendo que o Ramazzini dizia que iria quebrar a Dolly, onde está escrito isso? O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Por favor, para que fique registrado nas notas taquigráficas. O SR. DEPUTADO CARLOS WILLIAN - Sr. Presidente, são duas perguntas: qual o interesse em patrocinar o Sr. Pedro e a confirmação, se o senhor acha que ele é doido, porque não adianta debater com doido. O SR. FERNANDO RAMAZZINI - Quem fez denúncias contra as empresas- CÂMARA DOS DEPUTADOS laranja do Sr. Codonho foi a ABCF, e tinha interesse, sim, em trazer o Sr. Pedro aqui para mostrar como funcionava a coisa. Agora, mencionei esse ato de loucura, porque ele alega uma coisa e mostra outra. Estou procurando, na revista, onde eu disse que iria quebrar a Dolly. Ele fala e põe. Fui ver na revista, não tem. O SR. LAERTE CODONHO - O senhor disse aqui. O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Por favor, Dr. Laerte. O SR. FERNANDO RAMAZZINI - É um ato de loucura. Eu não posso fazer uma alegação que não seja verdadeira e juntar um documento. Que estória é essa? O SR. PRESIDENTE (Deputado Nelson Bornier) - Sr. Pedro, por favor, um minuto. Estou recebendo um telefonema da Mesa determinando que encerremos os trabalhos, porque a sessão já começou, foram feitos encaminhamentos e temos de votar. Está encerrada a presente reunião.