ENSINO E APRENDIZAGEM CARTOGRÁFICA NO 6° ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL A PARTIR DO CBC GEOGRAFIA Gustavo Vitor Moreira Fialho [email protected] Mestrando em Geografia pela UNESP – RIO CLARO Professor da Escola Estadual Dr. João Eugênio de Almeida RESUMO A alfabetização cartográfica é de suma importância na vida cotidiana das pessoas, tendo em vista que é através dos signos e significados que o ser humano cria que é possível se locomover no espaço de forma mais fácil e rápido. No currículo brasileiro ficou definido que o ensino de cartografia é parte integrante da disciplina de Geografia. Em Minas Gerais o CBC – Currículo Básico Comum – é o documento oficial que organiza as competências e habilidades que os alunos devem aprender. Entretanto, apesar de anunciar que está em consonância com o PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais – não foi o que verificamos em nossa análise preliminar, haja vista que dentre os conteúdos propostos para o 6° ano do ensino fundamental a Cartografia não tem grande relevância. Palavras Chaves: Cartografia; Ensino; Currículo; ABSTRACT The cartographic literacy is of paramount importance in the everyday lives of people, considering that it is through signs and meanings that human beings created that is possible to get around in space in an easier and faster way. In the Brazilian curriculum was determined that the teaching of cartography is an integral part of the discipline of Geography. In Minas Gerais CBC - Common Basic Curriculum - is the official document that organizes the competencies and skills that students should learn. However, despite announcing that is consistent with the NCP - National Curriculum Parameters - was not what we found in our preliminary analysis, considering that among the proposed for the 6th grade of elementary school content cartography has not great relevance. Keywords: Cartographic; Teaching; Curriculum; EIXO 15 - A Geografia na educação básica: metodologia, tecnologia e formação docente. INTRODUÇÃO Atualmente, um dos grandes entraves no ensino de Geografia, no que tange ao aprendizado da leitura cartográfica pelos alunos, é a deficiência do professor, que também não teve uma adequada formação durante a sua graduação e/ou por falta de apoio pedagógico e instrumental da rede estadual de ensino. Considerando-se a importância da Geografia no contexto de ensinoaprendizagem, faz-se necessária uma análise que verifique mais profundamente as causas e soluções para suprir essa deficiência. A Cartografia em muitos casos tem perdido espaço dentro de sala de aula, haja vista ter sido relegada nas propostas curriculares a mero apoio na aprendizagem do conteúdo e não como um meio eficaz de construção. ISBN: 978-85-99907-05-4 I Simpósio Mineiro de Geografia – Alfenas 26 a 30 de maio de 2014 1966 Especialmente no que tange a proposta curricular mineira, não se verifica a existência de um eixo temático ou mesmo tema próprio para a construção dos conceitos cartográficos, ou seja, o professor deve inseri-los nos demais temas. Assim estabelecido, entende-se que o ensino de cartografia ocorre de modo ineficaz, tendo em vista que é uma ciência que contém seus próprios conteúdos e conceitos. Diante do exposto, nos parece mais lógico que houvesse um espaço para a sua inicialização com os alunos. CAMARÂ e BARBOSA (2012, p. 33) afirmam que apesar dos avanços vivenciados na Ciência Geográfica, principalmente, no final da década de 1970, com o Movimento de Renovação da Geografia e a própria influência deste na Geografia escolar, ainda permanece em muitas instituições e ensino do Brasil uma disciplina geográfica de caráter essencialmente tradicional, que se fundamenta na transmissão dos conteúdos escolares. Nestes termos, a Geografia passa a ser sinônimo de repasse de informações. A situação se agrava quando se trata da abordagem cartográfica na Educação Básica, que, na maioria das vezes, permanece inexpressiva na sala de aula. A ausência de mapas em sala de aula suscita preocupação, pois, no nosso entendimento, dentre as diversas linguagens utilizadas no ensino de Geografia, a cartográfica parece ser aquela que mais evoca a Geografia, valendo também o oposto. Dentro dessa lógica CAVALCANTI (2002, p. 26) aponta as principais dificuldades encontradas pelos professores em sala de aula que na prática da Geografia na escola, um tema destaca-se por ser considerado muito relacionado a essa disciplina, que diz respeito ao mapa e ao trabalho com a representação cartográfica. No entanto, esse tema parece apresentar muitas dificuldades práticas. Frequentemente ele é apontado pelos professores, de 1ª fase ou de 2ª fase do ensino fundamental, entre aqueles de maiores dificuldades para o trabalho em sala de aula. Os professores de 1ª fase, que não têm formação específica em Geografia, alegam que não sabem como trabalhar esse tema e que não possuem material adequado para isso. Os de 2ª fase têm formação em cartografia, mas igualmente não sabem como trabalhar esse tema com crianças e jovens do ensino fundamental, e a ausência de material também é um complicador nesse nível de ensino. Com tudo isso, as aulas de Geografia têm se tornado cansativas e desinteressantes para os alunos, já que estes acabam sendo apenas receptores de conhecimentos expositivos prontos e acabados. Portanto, uma situação preocupante, pois estamos na era digital com vários instrumentos que poderiam facilitar o trabalho do professor na construção do conhecimento, mas que ainda estão longe da grande maioria das salas de aula no Brasil. A CARTOGRAFIA NO CONTEXTO ESCOLAR Objetivo principal deste trabalho é compreender a lógica empregada na construção do currículo mineiro e, apontar caminhos para a mudança de visão deste ISBN: 978-85-99907-05-4 I Simpósio Mineiro de Geografia – Alfenas 26 a 30 de maio de 2014 1967 documento, de modo a trazer para protagonizar a construção do conhecimento o aluno. Destarte, demonstrar à importância que a alfabetização cartográfica tem e como ela não pode ser renegada a mera coadjuvante no ensino-aprendizagem. A partir do momento em que a escola surge no contexto da sociedade começa também as discussões sobre o que nela serão ensinado aos alunos, quais elementos serão obrigatórios, quais conhecimentos são importantes. Durante o século XVIII, a Geografia foi sendo discretamente reconhecida como disciplina e tornou-se parte dos currículos universitários. Ao longo dos últimos dois séculos, a quantidade de conteúdos e o volume de instrumentos que permitem a difusão do conhecimento aumentaram enormemente. A Geografia escolar como disciplina autônoma no Brasil surge em 1837, com a criação do Imperial Colégio de Pedro II no Rio de Janeiro, seguindo o modelo implantado na França. Durante os séculos XIX e XX, a disciplina geográfica passou por quatro fases importantes: determinismo geográfico, geografia regional, revolução quantitativa e geografia crítica. Essas fases ocorridas tiveram intenso impacto no currículo da Geografia Escolar, sendo notória a influência pelo contexto político econômico da época em que ocorreram. Desta forma é evidenciada a necessidade de se fazer um estudo que busque compreender a atual dinâmica da Geografia Escolar com foco na utilização da Cartografia como um instrumento de construção do conhecimento, especialmente no que tange ao ensino fundamental II, por ser nesta fase que os alunos terão contato com um professor especialista da disciplina. E como assevera ALMEIDA (2004, p. 17.) [...] o ensino de mapas e de outras representações da informação espacial é importante tarefa da escola. É função da escola preparar o aluno para compreender a organização espacial da sociedade, o que exige o conhecimento de técnicas e instrumentos necessários à representação gráfica dessa organização. Nessa abordagem é que verificamos a necessidade de uma análise curricular, pois é partir desse documento que os professores se orientam na preparação e consecução de suas aulas. Principalmente, quando constatamos que esses documentos não são apenas orientações para direcionar o trabalho, mas normas que não podem ser questionadas. LOPES (2004, p. 110), dialoga nesse sentido dizendo que diferentes autores defendem o quanto o currículo vem assumindo centralidade nas políticas educacionais no mundo globalizado. Ou seja, as reformas educacionais são constituídas pelas mais diversas ações, compreendendo mudanças nas legislações, nas formas de financiamento, na relação das diferentes instâncias do poder oficial (poder central, estados e municípios), na gestão das escolas, nos dispositivos de controle da formação profissional, especialmente na formação de professores, na instituição de processos de avaliação centralizada nos resultados. As mudanças nas políticas curriculares, ISBN: 978-85-99907-05-4 I Simpósio Mineiro de Geografia – Alfenas 26 a 30 de maio de 2014 1968 entretanto, têm maior destaque, a ponto de serem analisadas como se fossem em si a reforma educacional. É nessa perspectiva que busca-se compreender os processos de mudança que vêm ocorrendo no cenário educacional, especialmente no caso de Minas Gerais, onde está em curso uma política neoliberal, financiada pelo Banco Mundial, que vem ditando as regras, como salienta BORGES (2003, p. 133): Atualmente, o Banco reconhece a importância da área educacional para sua agenda de reforma, na medida em que a reforma educacional, em particular, desenvolve, com bases mais sólidas, as habilidades/necessidades para fiscalizar os governos e promover a inclusão social. (...) Além disso, o papel da educação dentro do marco da ‘boa governança’ é fundamental [pois] contribui para legitimar o Estado liberal como uma instituição neutra, empenhada em garantir o cumprimento de regras ‘justas’. Nesta análise, STRAFORINI (2006, p. 48) destaca que esse processo se inicia no Brasil na década de 1990, onde estas agências fizeram recomendações claras, que foram sendo implantadas ao longo do tempo: Dentre as recomendações impostas por essas agências, podemos destacar a transferência das responsabilidades antes pertencentes ao Estado para as unidades escolares, o processo de avaliação do sistema, em todos os níveis de escolaridade por meio de provas aplicadas aos alunos e a definição dos parâmetros e diretrizes curriculares nacionais. Em Minas Gerais essas medidas ganham forma com a implantação de um sistema de avaliação da educação (PROALFA, PROEB), que é efetuado através dos Conteúdos Básicos Comuns (CBC), sendo assim uma forma de controlar o ensino na rede estadual, utilizando-se de critérios quantitativos e da meritocracia, como descrito na apresentação deste documento. A importância dos CBCs justifica tomá-los como base para a elaboração da avaliação anual do Programa de Avaliação da Educação Básica (PROEB) e para o Programa de Avaliação da Aprendizagem Escolar (PAAE) e para o estabelecimento de um plano de metas para cada escola. O progresso dos alunos, reconhecidos por meio dessas avaliações, constitui a referência básica para o estabelecimento de sistema de responsabilização e premiação da escola e de seus servidores. Ao mesmo tempo, a constatação de um domínio cada vez mais satisfatório desses conteúdos pelos alunos gera consequências positivas na carreira docente de todo professor. (grifo nosso) (MINAS GERAIS, 2006). Evidencia-se que o ensino de Geografia não pode mais ser pautado apenas na velha aula expositiva que não apresenta conexão com a realidade fática; é necessária uma mudança que saia do papel e cheguem às salas de aula, como afirma STRAFORINI (2006, p. 51). Ensinar Geografia nos dias atuais requer dos professores a formulação de questões centrais, tais como: para que se ensina Geografia? Por que aprender Geografia? Alguns autores acreditam que o ensino de Geografia seja fundamental para que as novas gerações possam acompanhar e compreender as transformações do mundo, dando a disciplina geográfica um status que antes não possuía. ISBN: 978-85-99907-05-4 I Simpósio Mineiro de Geografia – Alfenas 26 a 30 de maio de 2014 1969 Buscando entender esse sentido, nos apropriamos de SANTOS (2004, p. 114) que traz um esclarecimento para nossos questionamentos, e corrobora com o entendimento que temos alinhavado até o momento. Cabe, sem dúvida, ao geógrafo propor uma visão totalizante do mundo, mas é indispensável que o faça a partir de sua própria província do saber, isto é, de um aspecto da realidade global. Para isso, a primeira tarefa é a construção de uma filosofia menor, isto é, uma meta geografia que ofereça um sistema de conceitos capaz de reproduzir na inteligência, as situações reais enxergadas do ponto de vista dessa província do saber. A primeira tarefa, sem a qual o requisito da pertinência não será atingido, é bem circunscrever o nosso objeto de trabalho. A partir da análise de SANTOS (2004), podemos afirmar com mais certeza que o processo educacional brasileiro, especialmente nos casos mineiro, vivencia um momento de crise, onde o processo educacional foi subvertido, para atender a lógicas mercantilistas, enquanto deveria ser um espaço de criação do conhecimento entre professores e alunos. RUSSO (2007, p. 75) faz uma análise a respeito da questão da avaliação da qualidade do ensino, e o autor demonstra que a definição de qualidade de ensino dependerá, sempre, dos referenciais adotados para sua construção e avaliação. Assim, qualidade de ensino não é algo absoluto que pode ser quantificado ou classificado como alguns atributos físicos da matéria. Qualidade é um constructo, isto é, uma categoria socialmente construída e que depende, assim, das opções axiológicas dos sujeitos com ela envolvidos. Além disso, ela se reporta tanto ao processo educacional quanto aos produtos desse processo. Nessa perspectiva da busca da qualidade é que verificamos a necessidade de uma mudança na abordagem da Cartografia em sala de aula. Enquanto alguns professores tentam de forma tímida se utilizar desse conhecimento, percebemos também que a maioria prefere não abordar à temática e quando o tentam fazer é apenas para que os alunos reproduzam mapas já prontos. Para justificar a importância desse conhecimento dialogamos no mesmo sentido que ALMEIDA e PASSINI (2006, p. 16) Uma vez que a Geografia é uma ciência que se preocupa com a organização do espaço, para ela o mapa é utilizado tanto para a investigação quanto para a constatação de seus dados. A Cartografia e a Geografia e outras disciplinas como a Geologia, Biologia caminham paralelamente para que as informações colhidas sejam representadas de forma sistemática e, assim, se possa ter a compreensão “espacial” do fenômeno. O mapa, portanto, é de suma importância para que todos que se interessem por deslocamentos mais racionais, pela compreensão da distribuição e organização dos espaços, possam se informar e se utilizar deste modelo e tenham uma visão de conjunto. ISBN: 978-85-99907-05-4 I Simpósio Mineiro de Geografia – Alfenas 26 a 30 de maio de 2014 1970 Analisando essa questão, podemos perceber que as práticas empregadas em sala de aula na construção do conhecimento escolar estão diretamente ligadas às orientações que os professores recebem e ao suporte metodológico e pedagógico. Destarte a importância desse estudo, tendo em vista que nas análises preliminares não nos pareceu claro como deve ser o trabalho do professor de Geografia na utilização dos conhecimentos cartográficos. Nesse sentido KATUTA (2000, p. 59) afirma que a qualidade formativa dos geógrafos-professores é, para nós, o elemento chave para que se faça avançar as reflexões sobre o conjunto de metodologias e técnicas de ensino para o uso adequado de mapas. É este profissional que pode, dada à especificidade de seu trabalho, refletir sobre a possibilidade ou não de apropriação de determinadas metodologias e técnicas de ensino. Para que isso ocorra, no entanto, urge tratar a questão da formação docente com maior seriedade e profissionalismo [...]. Como poderá o professor propiciar a construção de conceitos que não domina? Essa falta de compreensão em muitos casos está diretamente associada às escolhas feitas nas políticas curriculares, tanto no que tange a educação básica quanto à ementa dos cursos de Licenciatura em Geografia, que em muitos casos não tem conseguindo preparar os futuros professores para lidar com esse tema em sala de aula. O professor como instrumento viabilizador da construção do conhecimento deve empregar esforços para que ele se concretize, mas essa não é uma tarefa apenas sua, é todo um processo que deve começar no planejamento da política pública educacional, sendo que a principal ponte entre os dizeres do Estado e o professor está no currículo, pois é ele que balizará a formação docente dentro da universidade e a atuação deste posteriormente em sala de aula. CBC GEOGRAFIA E A CARTOGRAFIA NO 6° ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL Conforme já ponderamos aqui, a Cartografia é de suma importância na educação e, especialmente, no 6° ano do ensino fundamental, que é quando os alunos vão ter aulas com um professor específico da disciplina de Geografia. Assim, para mais uma vez enfatizar a importância do papel da Cartografia nos apropriamos dos escritos de PASSINI (1994, p. 53): a educação cartográfica ou alfabetização para a leitura de mapas, deve ser considerada tão importante quanto a alfabetização para a leitura da escrita. Essa educação cartográfica significa preparar o aluno para fazer e ler mapas. CASTELAR (2005, p. 216) também deixa explícita a importância dessa ciência dentro do contexto de ensino-aprendizagem: A Cartografia é considerada uma linguagem, um sistema-código de comunicação imprescindível em todas as esferas da aprendizagem ISBN: 978-85-99907-05-4 I Simpósio Mineiro de Geografia – Alfenas 26 a 30 de maio de 2014 1971 em Geografia, articulando fatos, conceitos e sistemas conceituais que permitem ler e escrever as características do território. Entretanto, parece que não este o entendimento que o elaborador da proposta curricular de Minas Gerais teve, pois conforme poderemos verificar, não existe um eixo, ou tópico exclusivo que guarde relação com a importância dessa ciência no currículo básico de Minas Gerais. A Cartografia, aparece dentro dos conteúdos obrigatórios para o 6° ano do ensino fundamental em apenas duas habilidades e em nenhuma delas apresenta conexão com o que é proposto pelo PCN de Geografia para esse ciclo escolar, que nesse documento é chamado de terceiro ciclo e compreende o 6° e 7° anos do ensino fundamental. Dentre os objetivos elencados pelo PCN (1997, p. 53-54) para essa faixa escolar destacamos: reconhecer a importância da cartografia como uma forma de linguagem para trabalhar em diferentes escalas espaciais as representações locais e globais do espaço geográfico; criar uma linguagem comunicativa, apropriando-se de elementos da linguagem gráfica utilizada nas representações cartográficas; A partir desses objetivos fica claro a importância dada ao ensino e aprendizado da cartografia no documento federal, o que não foi o caso do documento mineiro, como pode ser verificado na figura abaixo: ISBN: 978-85-99907-05-4 I Simpósio Mineiro de Geografia – Alfenas 26 a 30 de maio de 2014 1972 1973 Figura 1 - Eixo 1 CBC Geografia Ensino Fundamental Como podemos observar o CBC dentro um universo de um ano letivo, coloca claramente que será trabalhada a questão da Cartografia em apenas 10 aulas. E em nenhuma dessas aulas, será feita a introdução do que é a Cartografia, seus elementos e histórico. Diferentemente do que ocorre no PCN, quando existe toda uma preocupação em explicar e exemplificar a importância da Cartografia (PCN, p. 76-82), e ela destacada como um dos quatro eixos que os alunos deverão compreender durante o terceiro ciclo. ISBN: 978-85-99907-05-4 I Simpósio Mineiro de Geografia – Alfenas 26 a 30 de maio de 2014 1974 Figura 2 - Eixo 4 - PCN Geografia Ensino Fundamental Deste modo, ficou claro que o CBC de Geografia coloca a Cartografia como um conhecimento pouco importante, e fica claro também que apesar de afirmar que segue as orientações dos PCN’s, isso não se comprovou em seu corpo textual. CONSIDERAÇÕES FINAIS István Mészáros (2008, p. 35-36), que traz para nós uma importante lição: a educação institucionalizada, especialmente nos últimos 150 anos, serviu – no seu todo – ao propósito de não só fornecer os conhecimentos e o pessoal necessário à máquina produtiva em expansão do sistema do capital, como também gerar e transmitir um quadro de valores que legitima os interesses dominantes, como se não pudesse haver nenhuma alternativa à gestão da sociedade, seja na forma “internalizada” (isto é, pelo indivíduos devidamente “educados” e aceitos) ou através de uma dominação estrutural e uma subordinação hierárquica e implacavelmente impostas. A própria ISBN: 978-85-99907-05-4 I Simpósio Mineiro de Geografia – Alfenas 26 a 30 de maio de 2014 História teve de ser totalmente adulterada, e de fato frequente e grosseiramente falsificada para esse propósito. A partir da análise desse documento e da minha experiência como regente de turma, posso afirmar com certeza, que a educação hoje sofre uma crise de identidade, onde os alunos não veem significado no que lhes é ensinado e o professor não entende a opção por determinados conteúdos. A certeza é que essa crise de identidade foi programada para ocorrer. A partir do momento que a escola se torna uma empresa gerenciada para obter lucros, perde-se toda a significação do que ela representa, ou seja, ela deixa de ser um espaço de discussão e difusão do conhecimento para se tornar um mero reprodutor de saberes programados, e nesse momento que o professor deve agir, buscando alternativas para desvirtuar esse status quo. E por fim, fica evidente que a Cartografia não pode ser relegada a mera coadjuvante, a sua importância no contexto escolar e na vida social dos indivíduos é indiscutível, por isso toda forma de tentar desvirtuar ou extirpar o seu ensino e aprendizagem deve ser repelida de forma contundente. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALTMAN, Helena. Influências do Banco Mundial no projeto educacional brasileiro. Educação & Pesquisa, São Paulo, v. 28, n. 1, p. 77-89, 2002. BORGES, André. Governança e política educacional: a agenda recente do Banco Mundial. Revista Brasileira de Ciências Sociais. São Paulo, v. 18; n. 52. p.125-217, Junho 2003. CÂMARA, C. F. e BARBOSA, M. E. S. Abordagem cartográfica no ensino de geografia: reflexões para o ensino fundamental. Revista de Ensino de Geografia, Uberlândia, v. 3, n. 5, p. 31-53, jul./dez. 2012. CASTELAR, Sônia M. V. Educação Geográfica: a psicogenética e o conhecimento escolar. In: Educação Geográfica e as Teorias de Aprendizagens. 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