FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA – UNIR
DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA E ESTATÍSTICA – DME
CAMPUS DE JI-PARANÁ
TATIANE FERREIRA DA SILVA
A EVASÃO NA TURMA 2012/2 DO CURSO DE LICENCIATURA EM
MATEMÁTICA DA UNIR – CAMPUS DE JI-PARANÁ
Ji-Paraná
2014
FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA – UNIR
DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA E ESTATÍSTICA – DME
CAMPUS DE JI-PARANÁ
TATIANE FERREIRA DA SILVA
A EVASÃO NA TURMA 2012/2 DO CURSO DE LICENCIATURA EM
MATEMÁTICA DA UNIR – CAMPUS DE JI-PARANÁ
Trabalho de Conclusão de Curso submetido ao
Departamento de Matemática e Estatística, da
Universidade Federal de Rondônia, Campus de
Ji-Paraná, como parte dos requisitos para
obtenção do título de Licenciada em Matemática,
sob a orientação da professora Ms. Marcia Rosa
Uliana.
Ji-Paraná
2014
TATIANE FERREIRA DA SILVA
A EVASÃO NA TURMA 2012/2 DO CURSO DE LICENCIATURA EM
MATEMÁTICA DA UNIR – CAMPUS DE JI-PARANÁ
Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado como parte dos requisitos para
obtenção do título de Licenciada em Matemática e teve o parecer final como Aprovado, no
dia 17.12.2014, pelo Departamento de Matemática e Estatística, da Universidade Federal de
Rondônia, Campus de Ji-Paraná.
Banca Examinadora
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho à minha amada mãe, à
minha irmã gêmea e a minha adorável
filhapelo apoio, incentivo e infinito amor que
têm por mim, por sempre acreditarem na
minha vitória. Dedico-lhes está conquista com
imenso carinho.
AGRADECIMENTOS
Esta Graduação oportunizou, além de meu crescimento, conviver com colegas e professores
de qualidades inestimáveis, fazendo desses últimos quatro anos uma inesquecível experiência
já guardada em minhas lembranças.
Agradeço a convivênciacom pessoas que me entusiasmaram, fazendo acreditar e ir àbusca do
que considero importante.
Assim como, minha mãe, aos meus irmãos, primos, demais familiares e amigos que me
incentivaram durante todo o tempo de realização dessa pesquisa e me incentivaram ao longo
da caminhada no Curso de Licenciatura em Matemática.
A minha filha Maysa, pelo amor e carinho, ao qual fiz o curso, em prol de melhora na sua
qualidade de vida.
Em especial a minha irmã gêmea Daiane, sendo uma amiga e irmã acolhedora e
prestativa.Agradeço pela parceria que tivemos estudando juntos no curso, pela troca de
aprendizagem adquirida, pelas palavras de incentivo que não fizeram que eu desistisse do
curso nas horas difíceis e assim estaria fazendo apenas parte do índice de evasão no curso.
A Universidade Federal de Rondônia campus de Ji-Paraná, juntamente com o Departamento
de Matemática e Estatística – DME e a Secretaria Acadêmica da Instituição – SERCA que
possibilitou o acesso à fonte de todos os dados necessários para a realização da pesquisa.
Aos professores do Curso de Licenciatura em Matemática que me fizeram perceber que é
possível seguir em busca dos nossos objetivos, sendo eles importantes na minha constituição
como SER profissional.
Aos professores Marlos Gomes de Albuquerque e Lenilson Cândido que fizeram parte da
banca examinadora, pela sua disponibilidade e valorosas contribuições dadas a este
trabalho.
A minha orientadora, professoraMs.Marcia Uliana, por ter acreditado em minha capacidade
de realizar esse trabalho, que com sua paciência, alegria e entusiasmo me orientou e auxiliou
em todas as dificuldades desse percurso e conduziu a diversos outros caminhos, pela sua
disponibilidade e compreensão quando alguns acontecimentos dificultaram a caminhada.
Ao Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID, juntamente com a
CAPES -Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível superior, agradeço pela
minha participação de três anos, pela ótima experiência vivida, onde pude ter contato direto
com alunos bem antes dos estágios; a sua remuneração mensal que foi por boa parte de
tempo meu único sustento familiar; aos projetos escritos, o qual me fez desenvolver minha
concepção e capacidade de escrever artigos, sendo primordial para a escrita desta pesquisa.
Com carinho, aos alunos participantes desse estudo, por sua contribuição no repassar dos
dados para esta pesquisa. A eles, desejo muito sucesso em suas escolhas.
Aos meus colegas de curso, pelas amizades, troca de saberes e pelos momentos de felicidade
que me propiciaram no decorrer do curso, algumas dessas amizades quero manter por muito
tempo possível, pessoas pelas quais tenho uma profunda alegria por tê-las encontrado nessa
caminhada. Desejo sucesso a todos.
“Uma criança, uma professora, uma caneta e um livro
podem mudar o mundo” (Malala Yousafzai, 17 anos,
Nobel da paz 2014).
RESUMO
SILVA, Tatiane Ferreira da.A EVASÃO NA TURMA 2012/2 DO CURSO DE LICENCIATURA EM
MATEMÁTICA DA UNIR – CAMPUS DE JI-PARANÁ.2014. 66f.Monografia (Licenciatura em
Matemática) – Departamento de Matemática e Estatística,Universidade Federal de Rondônia,
Ji-Paraná.
RESUMO
Ingressar na educação superior não garante o êxito educacional do estudante, e a garantia de
um diploma de graduação. Nesta perspectiva, o objetivo do trabalho foi investigar os motivos
pelos quais acadêmicosda turma 2012/2 do curso de Licenciatura em Matemática da
Universidade Federal de Rondônia campus de Ji-Paraná se evadiram do curso. Neste estudo
buscamos traçar o perfil dos evadidos e as percepções dos mesmos em relação à evasão.
Apresenta uma revisão teórica sobre o tema se baseando em alguns autores, dentre eles:
Bardagi (2007), Basso (2008), Brasil (1996) e Tigrinho (2008), assim como apresenta
algumas ações institucionais voltadas a reduçãoda evasão. A pesquisa é de natureza
qualitativa e a coleta de dados foi realizada a partir de uma entrevista com um roteiro de
perguntas sobre a sua evasão no referido curso.Eram de inicio potenciais sujeitos da pesquisa
os dezesseis alunos evadidos da turma 2012/2 do curso de Licenciatura em Matemática da
Universidade Federal de Rondônia campus de Ji-Paraná, no entanto foi possível localizar onze
deles, com os quais foi realização a entrevista. Os resultados revelam que dos trinta alunos
matriculados no início na turma 2012/2, destes dezesseisse evadiram até o quarto quinto
período.Dentre estes onze foram entrevistados, seis são homens e cinco são mulheres.
Atualmente sete dos onze alunos evadidos continuam estudando em cursos de nível
superioremoutras graduações. Incompatibilidade de horário entre trabalho e curso, mudanças
de endereço e curso de segunda opção são justificativas predominantes da evasão pelos
investigados.
Palavras-chave:Evasão; Licenciatura em Matemática; Acadêmicos.
LISTA DE SIGLAS
CAPES – Coordenação de aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
CNE/CP – Conselho Nacional de Educação/ Código penal
ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio
FNDE – Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação
IES – Instituições de Ensino Superior
INEP – Instituto Nacional de Ensino e Pesquisa
LDB – Lei de diretrizes e Bases
MEC – Ministério da Educação
PIBID – Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência
PROUNI – Programa Universidade para Todos
PCN–Parâmetros Curriculares Nacionais
RO – Rondônia
SESU – Secretária de Educação Superior
TCC –Trabalho de Conclusão de Curso
UNIR–Fundação Universidade Federal de Rondônia
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 11
CAPÍTULO I -OS CURSOS DE LICENCIATURA EM MATEMÁTICA NO BRASIL ...... 17
1.1 O Surgimento das Licenciaturas no Brasil ........................................................................17
1.2 A Licenciatura em Matemática no Brasil ..........................................................................18
1.3 O Curso de Licenciatura em Matemática da UNIR - campus de Ji-Paraná........................21
CAPÍTULO II - A EVASÃO NO ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO ............................... 25
2.1 Considerações Sobre a Evasão Escolar...............................................................................25
2.2 Os Motivos que Levam a Evasão no Ensino Superior ......................................................27
2.3Dados Sobre a Evasão no Ensino Superior Brasileiro.........................................................30
2.4 Ações que Podem Levar a Diminuição do Índice de Evasão no Ensino Superior..............31
CAPÍTULO III- METODOLOGIA DA PESQUISA .............................................................. 35
3.1Caracterização da Pesquisa ................................................................................................35
3.2 Delimitação do Universo da Pesquisa ...............................................................................36
3.3Sujeitos da Pesquisa ...........................................................................................................37
3.4 Coleta de Dados .................................................................................................................39
CAPÍTULO IV - ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS.................................................. 41
4.1 Verificação da Evasão na turma 2012/2 no curso de Licenciatura em Matemática..........41
4.2 Perfil dos Sujeitos Investigados ........................................................................................42
4.3 Causas da Evasão...............................................................................................................43
4.4 Situação dos ex-alunos pós-evasão....................................................................................46
4.5 A Universidade na concepção dos ex-alunos.....................................................................48
CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................................51
REFERÊNCIAS......................................................................................................................53
BIBLIOGRAFIACONSULTADA........................................................................................56
APÊNDICE............................................................................................................................57
APÊNDICE A - Roteiro da entrevista semiestruturada..........................................................58
APÊNDICE B – Quadro de respostas das entrevistas com os evadidos................................59
INTRODUÇÃO
Escolher a profissão a ser exercida é uma das decisões mais importantes na vida de
uma pessoa, já que atualmente o ser humano é valorizado socialmente pela atividade que
exerce e sua identidade pessoal está muito ligada ao que faz profissionalmente.A escolha da
profissão é uma preocupação que aflige jovens, famílias e educadores, pois geralmente é feita
na fase jovem. Muitas das vezes “o jovem se sente pressionado pela família e pela sociedade,
e acaba ingressando em curso sem levar em consideração a importância dessa escolha, bem
como, informações sobre o futuro da profissão”Bardagi (2007, p.7). O desejo de titulação
superior está fortemente associado à busca de melhoria da qualidade de vida e estabilidade
financeira.
Sou acadêmica em formação do Curso de Licenciatura em Matemática da
Universidade Federal de Rondônia- campus de Ji-Paraná, no qual ingressei no ano de 2010
via vestibular. Resolvi cursar o ensino superior em busca de uma melhora na perspectiva de
vida, tanto minha quanto da minha família. Haja vista, que na minha família não tem ninguém
formado em curso de nível superior até o presente momento. Escolhi a Licenciatura em
Matemática pelo fato de que, desde os primeiros anos no ensino básico me identificava com a
disciplina.
No entanto, iniciei o curso sem ter me atentado, que esse tinha por finalidade a
formação de professores para ensinar matemática. Somente no segundo semestre, consegui
vislumbrar que estava sendo formada para ser professora, acabei me assustando. Visto que em
nenhum momento na minha vida eu não havia cogitado a possibilidade de me tornar
professora. Mas logo, me acostumei com a ideia, pois fui Bolsista do PIBID – Projeto
Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência e os estágios, onde tive contato direto com os
alunos da educação básica, o que fez mudar minha concepção sobre o que é ser professor.
A graduação de Licenciatura em Matemática na Universidade Federal de Rondônia –
UNIR, Campus de Ji-Paraná existe desde o ano de 1988, sendo que até 2000 se chamava
Ciências com Habilitação em Matemática, com Licenciatura curta, pois os professores
formados davam aulas apenas para o ensino de 1º grau e até o ano de 2006 era Licenciatura
Plena em Matemática com habilitação para o 1º e 2º grau de ensino escolar, a partir de 2006
se chama Licenciatura em Matemática dispondo das mesmas finalidades da Licenciatura
Plena com mudança apenas na nomenclatura. De acordo com o Projeto Político Pedagógico, o
curso objetiva:
11
[...] nortear as ações didáticas e pedagógicas para formar educadores na área
de matemática dotados de uma consciência crítica e espírito científico,
capazes de elaborar e reconstruir o conhecimento de forma a intervir na
realidade tornando-se sujeitos de propostas próprias e aptos a participarem e
contribuírem para o avanço democrático da sociedade brasileira. [...]formar
professores para a rede pública de ensino ou privada, que possam atuar no na
segunda fase do ensino fundamental e no ensino médio na área de
matemática (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, UNIR/Ji-Paraná, 2006,
p. 8).
A principal justificativa para se criar o curso de Licenciatura em Matemática na cidade
de Ji-Paraná, segundo o Projeto Político Pedagógico (2000, p.143) do referido curso foi “a
questão da demanda das escolas municipais e estaduais, no município e região, por
professores qualificados na área de Matemática”.
Atualmente o curso é oferecido nos turnos vespertino e noturno, sendo intercalado o
turno a cada vestibular. Entre 1988 e 2008 eram oferecidas 40 vagas por turma, e de 2008 a
2009 aumentou mais 5 vagas, e por final a partir de 2010 são ofertadas 50 vagas por turma.
Cabe destacar, que até o ano de 2010 a entrada nessa universidade era via vestibular, a partir
desse ano mudou a dinâmica do processo, o ingresso passou a ser pelo PROUNI - Programa
Universidade para todos - com a nota do ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio.
Segundo o Projeto Político Pedagógico do curso de Licenciatura em Matemática
(2005) de Ji-Paraná, “devido um possível distanciamento entre a Licenciatura em Matemática
e a realidade do ensino da educação básica desde a criação o curso (1988) passou por três
reformulações em sua grade curricular”, sempre se adequando as recomendações das
legislações vigentes, bem como as necessidades locais. Com a intenção de minimizar tal
distanciamento, o Departamento de Ciências Exatas e da Natureza do Campus de Ji-Paraná,
em consonância com as exigências da Resolução do Conselho Nacional da Educação –
CNEde 19 de fevereiro de 2002 alterou a matriz curricular do curso pela terceira vez que
passou a vigorar a partir de 2006. Com as devidas alterações, na sua última versão o curso de
Licenciatura em Matemática ficou estruturado com uma carga horária de 3.200 horas
distribuídas em disciplinas práticas 1.060 e teóricas 2.140 horas.
A formação destes profissionais da educação é indispensável para todas as outras
profissões, sendo fundamentais desde cedo na vida dos alunos. Pois são estes profissionais
que ensinam os conhecimentos acumulados das diversas áreas, prepara-os alunos para se
tornarem cidadãos conscientes e críticos para a vida em sociedade. Favorece o avanço da
ciência e o desenvolvimento intelectual e ético das pessoas. Também são os professores os
seres que incentivam os alunos a descobrir e a desenvolver seus talentos e potencialidades,
12
tendo em vista preparar novos e bons profissionais. Permitindo assim, a continuidade do
progresso científico e cultural da sociedade.
Cabe destacar, que essa profissão que deveria ser considerada nobre pela importância e
papel social encontra-se em decadência. Visto que, caracteriza a profissão docente na
atualidade, longas jornadas de trabalho, salários baixos, desprestígio social, atuação em
escolas sem adequação em sua estrutura física, a docência em nas salas de aula superlotadas e
falta de respeito por parte dos alunos. Esses são alguns dos motivos que levam a profissão a
ser uma das menos valorizadas no país, trazendo como consequência pouca procura pela
formação para atuar neste contexto. De acordo com Welle “a carreira de professor é uma das
menos procuradas pelos jovens brasileiros” (WELLE, 2014, p.2).
Relacionando-se a baixa atratividade da profissão docente com o elevado índice de
evasão nas licenciaturas, temos como resultado um déficit de profissionais nas diferentes
áreas demandadas pela educação básica. Apesar o Censo da Educação Básica de 2012 apontar
que o país tem mais de dois milhões de docentes, faltam professores nas disciplinas de
Matemática, Física, Química e Inglês (WELLE, 2014).
A evasão na área de Ciências Exatas é frequente (BITTAR, 2012) no intuito de reduzir
às estatísticas de evasão as instituições devem sempre inovar seus programas e projetos
pedagógicos e promover ações que busquem possibilitar meios que os ingressantes concluam
a curso que iniciou. .
A UNIR, campus Ji-paraná, já aderiu alguns programas que visam incentivar a
permanência do aluno nos cursos de licenciaturas. Dentre esses, está o PIBID, uma política do
Governo Federal de incentivo à licenciatura, servindo de iniciativa para o aperfeiçoamento e
valorização da formação de professores para a educação básica - o qual fui participante
durante três anos, o mesmo concede bolsas para alunos dos cursos de Licenciatura e foi criado
com a finalidade de despertar no licenciando o desejo pela iniciação à docência e melhorar a
qualidade tanto da educação básica, quanto da formação docente (GATTI, 2012).
A vivência com a docência realizada através das atividades desenvolvidas no decorrer
do projeto PIBID e nas disciplinas de estágios supervisionado, nas quais tivemos o contato
direto com os alunos, despertou-me ainda mais a vontade de dedicar ao ensino, que não era o
foco ao ingressar na faculdade. Trazendo um novo olhar sobre a realidade enquanto discente
e docente em formação. Oportunizando uma reestruturação dos modos do agir pedagógico,
trabalhando com a diversidade de conhecimentos em sala de aula; a vivência da construção de
atividades de um conteúdo programático, bem como a execução das aulas; a interação com os
13
alunos agregou novos conhecimentos e experiências; além do desenvolvimento da habilidade
de comunicação, oratória e autonomia, ajudando o acadêmico em formação a se soltar diante
de um público, proporcionando uma fonte de apoio para o fortalecimento de seus
conhecimentos.
Embora, em alguns momentos, nos sentimos desestimulados ao constatarmos as
dificuldades que o educador enfrenta no seu dia-a-dia para desempenhar sua nobre função.
Mas também, pude vivenciar situações muito interessantes, como os esforços dos
profissionais da educação para que se estabeleça a chamada gestão democrática, e implante
uma escola onde todos os envolvidos participem em prol de um ensino de qualidade.
Meu interesse em elaborar o TCC - Trabalho de Conclusão de Curso, com esse tema
veio através de observações com os alunos que no decorrer do curso de licenciatura em
matemática o abandonava, mas como elaborar uma pesquisa ao longo de todo o curso seria
uma tarefa muito complexa. Optei em pesquisar a turma 2012/2 (turma ingressante no
segundo semestre de 2012) que atualmente está na metade do curso funcionando no período
vespertino, concentrando uma evasão em grande escala. Desde a última reformulação na
grade curricular da instituição, esta oferece atualmente 50 vagas para ingresso dos alunos, e
esta turma desta pesquisa teve de início 30 dos alunos aprovados que se matricularam,
observa-se que logo já teve desistência de alunos, e atualmente ela esta com apenas quatorze
alunos regulares, destes apenas cinco estão frequentando o curso normalmente, os outros nove
apenas se matricularam para não perderem o vínculo com a Instituição, entre estes, alguns
estão acompanhando turmas no período noturno.
Então esta pesquisa buscou investigar e apresentar os principais motivos que levou a
evasão de tantos alunos nesta turma. Que tenho como hipóteses: o descontentamento com o
curso escolhido; sucessivas repetências; dificuldade de conciliar trabalho e estudos;
defasagem na aprendizagem adquirida no ensino médio; curso de segunda opção; dificuldades
financeiras; a falta de motivação e de interesse e a falta de acompanhamento acadêmico.
Neste estudo, foram consideradas como evasão, as situações em que o aluno informou
sua desistência do curso; trancou a matrícula e não retornou ao curso; abandonou o curso
parando de frequentar as aulas; transferências internas, no caso em que o aluno mudou-se para
outro curso dentro da instituição e transferências externas, caso em que o aluno mudou-se
para outra instituição de ensino.
14
Essa pesquisa teve como perguntas norteadoras.Qual(s) o(s) motivo(s) que leva a
escolha de um curso em Licenciatura em Matemática? Qual a expectativa de cada aluno referente
à conclusão do curso?Qual(s) o(s) motivo(s) que levam os acadêmicos a desistirem do curso?
Sendo assim o objetivo principal deste trabalho foi levantar os principais motivos que
influenciaram a evasão dos graduandos da turma 2012/2 do curso de Licenciatura em
Matemática, baseando na taxa de evasão e no levantamento dos principais motivos que gerou
este processo. Assim, conhecendo os motivos da evasão, contribuiu na identificação das
dificuldades encontradas pelos acadêmicos da turma 2012/2 que os levaram a desistir do curso
de Licenciatura em Matemática; verificou se a evasão esta relacionada a motivos pessoais dos
estudantes e/ou correlacionados ao curso de Licenciatura e/ou a instituição;contribuirá para
que a instituição possa tomar providências cabíveis no sentido de tentar reduzir esses índices
nas próximas turmas que ingressarem no referido curso desta universidade.
Este trabalho foi realizado através da pesquisa na abordagem qualitativa, sendo um
estudo que destina a descrever as características de uma determinada situação, não se detendo
a medir numericamente as hipóteses levantadas a respeito de um problema de pesquisa. A
obtenção de dados sobre os motivos dos acadêmicos dessa turma terem abandonado o curso,
foram levantados numa entrevista semiestruturada.
No primeiro capítulo em que descrevemos a criação dos cursos superiores, em especial
o curso de Licenciatura em Matemática no Brasil, no Estado de Rondônia e
consequentemente na cidade de Ji-Paraná, baseando nos autores: ALBUQUERQUE(2012),
CZELUSNIAK(2010),
DEARO(2012),
GOMES(2012),
MESQUITA;SOARES(2011),
PEREIRA(1998), RUEZZENE(2012)e alguns documentos oficiais, como a Lei de Diretrizes
e Bases(1997, 1998, 1999), o Projeto Político Pedagógico do curso de Licenciatura em
Matemática(2000, 2005, 2006) da UNIR-Campus de Ji-Paraná e o relatório com informações
dos acadêmicos evadidos do referido curso de licenciatura que foram coletados na Secretária
Acadêmica da Instituição – SERCA.
No segundo capítulo apresentamos uma discussão teórica a respesito da definição da
evasão no ensino superior e os motivos causadores, além de ações a serem adquiridas para
reverter este índice na educação superior, com a contribuição dos teóricos: AMARAL(2008),
BARDAGI(2007),
BASSO(2008),
CARVALHO(2011),
GATTI(2012),
GOBARA
e
GARCIA(2007), LOBO(2012), RISTOFF(1997), RUEZZENE(2012), SILVA FILHO(2007),
TIGRINHO(2008), VILELA(2011),
entre outros. E também o documento oficial do
Ministério da Educação (BRASIL/MEC, 1997).
15
O terceiro capítulo apresenta a escolha metodológica usada para o desenvolvimento
deste trabalho, abordando quem são os sujeitos da pesquisa, retratando os instrumentos de
coleta de dados e a análise dos dados coletados.
O quarto capítulo apresenta e analisa os dados, através uma discussão dos mesmos em
torno das questões que norteiam esta pesquisa.
Por último, as considerações finais retoma o objetivo desta pesquisa e quais
conclusões foram possíveis chegar considerando as concepções expressadas pelos sujeitos da
pesquisa elaborada.
16
CAPÍTULO I - OS CURSOS DE LICENCIATURA EM MATEMÁTICA NO BRASIL
Neste primeiro capítulo apresentaremos um breve panorama históricodos cursos de
Licenciaturas no Brasil, especificamente os cursos de Licenciatura em Matemática. Trazendo
alguns elementos do seu surgimento, assim como a finalidade, o objetivo do curso e toda sua
expansão no Território Nacional.
1.1 – OSurgimento das Licenciaturas no Brasil
A matemática vem sendo construída ao longo de muitos anos. Resultados e teorias
milenares se mantêm válidos e úteis e, ainda assim, a matemática continua a desenvolver-se
permanentemente. Sendo”uma ciência que estuda as quantidades, o espaço, as relações
abstratas e lógicas aplicadas aos símbolos” (DEARO, 2012, p.1).
O ensino da Matemática no Brasil inicia-se concretamente logo após a chegada da
família real, tendo em vista a preocupação do ensino da realeza, como consequência da
necessidade de regulamentação dos cursos de formação de docentes para a escola secundária
que era deficitária.Gomes (2012, p.15) enfatiza que ”a chegada de D. João VI e da corte
portuguesa ao Brasil, trouxe mudanças em muitos campos, entre os quais é preciso enfatizar
os ligados à educação e à cultura em geral.” Nesta época, muitas instituições culturais e
educacionais foram implantadas,o público desse ensino era constituído pela elite econômica
masculina do país, que se preparava para ocupar cargos político-administrativos e/ou para
ingressar nos cursos superiores.
No Brasil, os cursos de licenciatura foram criados na década de 30, sendo ofertadas
pelas Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras existentes nas recém-implantadas instituições
de ensino superior,
com as mesmas disciplinas do Bacharelado, donde foi acrescentado mais um
ano de disciplinas pedagógicas. Assim, neste contexto aplicou-se o modelo
3+1 três anos que possibilitavam o titulo de bacharel e, com mais um ano e
matérias pedagógicas, o titulo de licenciado em matemática
(ALBUQUERQUE, 2012, p. 2).
A criação destes cursos surgiu em decorrência de necessidades formativas de
profissionais que viessem atender ao projeto educacional do Brasil urbano-industrial em que
segmentos da sociedade civil reivindicavam a expansão das oportunidades educacionais.
17
Segundo Mesquita e Soares(2011), “as ações do governo do ponto de vista econômico,
visavam disciplinar o trabalho como fator de produção; e, do ponto de vista político, tinham
por objetivo impedir a manifestação de conflitos, canalizando as reivindicações dos grupos
sociais para dentro do aparato estatal". Nesse modelo, o professor é visto como um técnico,
um especialista que aplica com rigor, na sua prática cotidiana, as regras que derivam do
conhecimento científico e do conhecimento pedagógico (PEREIRA, 1998, p.111).
A criação da primeira Instituição de ensino Superior no Brasil e consequentemente da
região Norte, foi a Escola Universitária Livre de Manaós, criada em 17 e janeiro de 1909,
após 56 anos esta IES passou a se chamar Universidade Federal do Amazonas
(ALBUQUERQUE& FREITAS, 2014).A partir da criação da primeira Universidade Federal
Brasileira sendo a do Amazonas, as Universidades federais, assim como outras, se espalharam
por todo território Nacional.
1.2 – A Licenciatura em Matemática no Brasil
Na década de 1970 visando solucionar a falta de professores habilitados para o
exercício do magistério no nível médio de ensino foi a implantada as licenciaturas curtas
sendo cursos de formação de professores em caráter aligeirado Mesquita e Soares (2011).
Criada pela Lei Nº 5.692/71 (artigo 30) a Licenciatura curta ou de 1º grau, tem como
formação mínima para o exercício do magistério no ensino de 1º grau, da 1ª à antiga 8ª séries,
foi extinta em consequência do que dispõe o artigo 62 da Lei de diretrizes e Bases - LDB (ver
Parecer CNE/CES Nº 630/97 e Parecer CNE/CES Nº 431/98), com recomendação de
complementação de estudos para licenciatura plena pela Resolução CNE/CES Nº 2, de
19.05.99. Apesar disso, entretanto, ainda continua a ser ministrada em algumas Instituições de
Educação Superior.
Estes cursos surgiram com o objetivo de formar professores para o curso ginasial, este
profissional formado em nível superior poderia ser habilitado como professor a partir de uma
complementação de 600 h. Sendo esta uma proposta de caráter emergencial para formação de
professores, dada a demanda destes profissionais para atender à expansão do ensino médio.
No entanto, este modelo de formação de professores teve amplo alcance em território
nacional, principalmente em regiões em que não havia cursos de licenciatura que atendessem
às necessidades locais.
18
Antigamente existiam os cursos de licenciatura curta, muito utilizado por estudantes
que tinham o bacharelado e queriam ter também a licenciatura para poder dar aula. Mas agora
com nova lei e incentivos do Ministério da Educação - MEC para uma maior formação e
qualidade dos professores, foi criada a licenciatura plena, na qual o aluno passa 4 anos na
universidade estudando disciplinas voltadas para a docência e fica parte desse período
fazendo estágio em sala de aula com os alunos.
A Licenciatura Plena destina-se à formação de docentes para a educação básica, sendo
ministrada por universidades, centros universitários ou instituições não universitárias de
educação superior. Segundo o artigo 7º da Resolução CNE Nº 1, de 30.09.1999, os cursos de
licenciatura plena ministrados pelos Institutos Superiores de Educação, podem ser de dois
tipos: o curso normal superior para licenciatura de profissionais em educação infantil e de
professores para os anos iniciais do ensino fundamental; e os cursos de licenciatura destinados
à formação de docentes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio,
organizados em habilitações polivalentes ou especializados por disciplina ou área de
conhecimento. Ambos deverão ter duração mínima de 3.200 horas, computadas as partes
teóricas e prática. Além desses, nos termos da Resolução CNE Nº 2/97, poderão ser
desenvolvidos programas especiais de formação pedagógica, destinados a portadores de
diploma de nível superior que desejem ensinar nos anos finais do ensino fundamental ou no
ensino médio, em áreas de conhecimento ou disciplinas de sua especialidade.
O Curso Superior de Licenciatura tem como finalidade formar profissionais para
exercer a docência na Educação Básica, com sólida formação científica na área específica;
sólida formação pedagógica, humana e cultural; com autonomia para formação continuada,
capaz de intervir na realidade de seu entorno social em busca da consolidação da cidadania. O
Curso procura fornecer as condições para que o graduado detenha as necessárias dimensões
do Ensino, da Pesquisa e da Extensão, tornando-o um profissional com condições de seguir
seus estudos.
Os cursos de licenciaturas no Brasil estão fundamentados no Art. 12 da Resolução
CNE Nº 1/2002, e no Parecer CNE Nº 28/2001, homologado pelo Senhor Ministro de Estado
da Educação em 17 de janeiro de 2002, decreta no Art. 1º que a carga horária dos cursos de
Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, em curso de licenciatura, de
graduação plena, será efetivada mediante a integralização de, no mínimo, 2800 (duas mil e
oitocentas) horas, obedecidos os 200 (duzentos) dias letivos/ano dispostos na terceira LDB,
19
será integralizada em, no mínimo, 3 (três) anos letivos, nas quais a articulação teoria-prática
garanta, nos termos dos seus projetos pedagógicos.
Segundo a Lei Nº 9.394/96, artigo 62 e o Decreto Nº 3.276, de 6 de dezembro de 1999,
a formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de
licenciatura, de graduação plena, em universidades, centros universitários e demais
instituições superiores de educação. A única exceção admitida pela LDB para que se formem
professores que não em licenciaturas plenas para exercício de magistério na educação básica,
é a que se desenvolve em nível médio, na modalidade Normal, que passa a ser formação
mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do
ensino fundamental.
Há diferentes caminhos a ser seguidos a quem escolhe um curso de matemática. Quem
opta pela licenciatura terá matérias pedagógicas, dentre elas Didática Geral, Práticas de
Ensino, estágios supervisionados dentre outras, habilitando seu titular a ser professor em
escolas no terceiro e quarto ciclo do ensino fundamental e no e ensino médio.
Entretanto, quem opta pelo bacharelado aprofunda-se no conhecimento matemático. O
bacharelado é qualificado para analisar criticamente a realidade social, para nela intervir por
meio das diferentes manifestações da atividade física e esportiva, tendo por finalidade
aumentar as possibilidades de adoção de um estilo de vida fisicamente ativo e saudável,
estando impedido de atuar na educação básica.
O licenciado, assim como o bacharel, também pode ser professor em universidades, na
categoria de professor auxiliar, mas a atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação dificulta tal
atividade, uma vez que priorizam docentes com Mestrado, Doutorado, Pós Doutorado ou
Livre Docência. No Brasil, a maioria das oportunidades está no ensino em escolas que oferece
educação básica e nos curso de nível superior.“Mesmo assim, faltam professores em todo o
Brasil, principalmente na rede pública de ensino”(DEARO, 2012, p.2). Entre os espaços de
trabalho fora do setor educacional, a maioria está em bancos, instituições financeiras e de
consultoria.
Czelusniak(2010, p.1)descreve que “enquanto o bacharelado forma para o mercado de
trabalho, a licenciatura é voltada para a capacidade de ensinar, formando professores.”Para
atuar como docente, quem é bacharel precisa de curso de complementação pedagógica. E para
lecionar no ensino superior exige-se que o profissional tenha, no mínimo, curso de pósgraduação latosensu (especialização).
Gomes (2012, p.13) ainda esclarece que “os cursos de Licenciatura em Matemática
20
têm como objetivo a formação de professores para a educação básica proposta pela terceira
LDB, que é composta pela educação infantil, pelo ensino fundamental e pelo ensino médio”.
Em particular, os licenciados se preparam para serem os docentes que atuarão nos quatro
últimos anos do ensino fundamental e nos três anos do ensino médio. “Poderão ser também os
professores de Matemática da educação na modalidade de Jovens e Adultos- EJA, da
educação profissional, da educação indígena,da educação especial”(GOMES, 2012, p.13).
As Licenciaturas em Matemática privilegia cálculos, demonstrações, conteúdos
com altos níveis de abstrações, enfim, conteúdos repletos de rigor técnico, ligados a temas
matemáticos, relacionados a disciplinas específicas.Esse modelo, infelizmente, ainda não foi
extinto, e é adotado pela maioria das universidades brasileiras que ministram o curso. Nesse
sentido
a formação de professores de Matemática, mostra-se inadequada à realidade da
prática docente, o contato do aluno com a prática docente durante o curso é
fundamental para enriquecer sua formação. Acredita-se que para ser um bom
professor de Matemática é necessário ter domínio dos conhecimentos específicos da
área, não se pode priorizar a formação pedagógica e deixar de lado a formação
específica. É notório que há uma maior valorização em primar pelo Bacharelado,
devido à formação do pesquisador e, por isso, cria-se um certo descaso com os
cursos de Licenciatura devido ao enfoque ser a formação do professor (SILVA
FILHO, 2007, p.2)
Em resumo, são duas formações distintas com intervenções profissionais separadas.
Para o licenciado é exclusividade atuar especificamente na componente curricular na
educação básica, e ao bacharelado é impossibilitada a atuação docente na educação básica,
estando claro que um formado em curso de licenciatura não poderá atuar na área do formado
em curso de bacharelado e vice versa.
Enfim, a formação de professores é uma tarefa que pode propiciar novas soluções,
novas discussões e novos problemas, mas é importante esclarecer que procurar esse equilíbrio
não significa eliminar as tensões, mas sim conviver com elas.
1.3 –O Curso de Licenciatura em Matemática da UNIR - campus de Ji-Paraná
Na década de 1980 surgiu a fundação Universidade Federal de Rondônia – UNIR,
vinda de outras Universidades Federais, localizada na capital do Estado sendo fundada em 08
de Julho de 1982, com advento da emancipação de Rondônia para condição de Estado e
buscando atender a demanda. Mas em um curto período de tempo esta IES obteve um
crescimento, possuindo outros Campi localizados no interior do Estado. Os primeiros Campi
21
avançados foram escolhidos priorizando uma divisão geográfica de modo que atendessem a
população em todo o Estado (ALBUQUERQUE; FREITAS, 2014).
Dentre os cursos existentes na UNIR /Campus de Porto Velho estava o de Ciências
com habilitação em Matemática. De acordo com Ruezzene, desde a implantação deste curso
“um problema existente no curso de Matemática na UNIRé a questão da evasão. Percebe-se
que os motivos encontrados em relação a esse problema são basicamente a falta de
conhecimento prévios dos alunos, falta de opções para outros cursos e má estrutura física da
instituição” (RUEZZENE, 2012, p. 10).
A criação do curso de Licenciatura em Matemática em Ji-Paraná se deu em 1988,
surgindo através de um conveniojunto a Prefeitura de Ji-Paranáe com apoio da UNIR/Campus
de Porto Velho. Segundo Ruezzene (2012)
Nesta época a universidade não tinha sede própria, por isso desenvolvia suas
atividades em locais emprestados. A posse do local onde hoje se encontra a estrutura
física da UNIR em Ji-Paraná é resultado de uma ocupação de uma estrutura já
existente que estava abandonada. (RUEZZENE, 2012, p. 7).
De acordo com relatos de Albuquerque (2012), o primeiro curso implantado no
Campus de Ji-Paraná, foi o de Licenciatura Curta em Ciências com habilitação em
Matemática, sendo uma extensão do Campus de Porto Velho. Enquanto o curso era autorizado
localmente, havia uma movimentação nacional contrária a este modelo de formação
polivalente, em cursos de curta duração. Assim, observa-se que
Os cursos de Ciências, tanto nas IES que antecederam a UNIR quanto nela, foram
instalados por meio de uma estratégia do regime militar, que tentou a imposição de
um modelo autoritário de formação de professores, com o propósito exclusivo de
aumentar forçosamente o número de professores nas áreas de Ciências e
Matemática, com a convicção de que se poderia resolver o problema da Educação,
com métodos semelhantes aos utilizados nos quartéis. (ALBUQUERQUE, 2012, p.7
e p.10)
No início de sua implantação o curso se chamava Licenciatura Curta em Matemática ou
Ciências com Habilitação em Matemática, que funcionou até o ano de 1992, sendo feita num
prazo de dois anos, onde formava professores para dar aulas no 1º grau da educação básica.A
partir daífoi implantado o curso de Licenciatura Plena em Matemática que formava
educadores para o 1º e 2º grau da educação básica e a partir de 2006 passou a se chamar
Licenciatura em Matemática que tem as mesmas finalidades que a Licenciatura Plena
mudando apenas a nomenclatura, sendo feita em no mínimo 4 anos.
A justificativa para se criar o curso de Licenciatura em Matemática na cidade de Ji22
Paraná, segundo o Projeto Pedagógico do curso de Matemática UNIR/Ji-Paraná (2000), foi a
questão da demanda das escolas municipais e estaduais, no município e região, por
professores qualificados na área de Matemática, e também a necessidade de se complementar
o curso de Licenciatura Curta que já existia (RUEZZENE,2012).
Desde a criação do curso no Campus de Ji-Paraná, o mesmo passou por três
reformulações em sua grade curricular, os quais aconteceram devido às disciplinas do curso
estavam mais próximas ao curso de bacharelado onde a maioria das disciplinas era de
cálculos, então para se adaptar o ensino do curso a realidade da carreira do professor de
matemática houve estas mudanças na grade curricular do curso sendo inseridas mais
disciplinas pedagógicas, sempre se adequando as recomendações das legislações vigentes,
bem como as necessidades locais.
No ano de 2006, na tentativa de minimizar o distanciamento, do curso e a realidade da
educação básica, o Departamento de Ciências Exatas e da natureza do Campus de Ji-Paraná,
em consonância com as exigências da resolução CNE/CP 2, de 19 de fevereiro de 2002, que
estabelece normas para a distribuição de carga horária para o curso de licenciaturas, altera as
matrizes curriculares do curso. Com as devidas alterações o curso de Licenciatura em
Matemática passa a contar com uma carga horária de 3.200 horas distribuídas em 1.060 horas
e teóricas 2.140 horas.
Desde sua implantação, o curso de Licenciatura em Matemática da UNIR já formou 22
turmas. Atualmente, muitos dos professores contratados para dar aulas no curso de
Licenciatura em Matemática se formaram no próprio curso ofertado pela Universidade a cerca
de 26 anos. Nos dias atuais o curso é frequentado em sua maioria por mulheres, devido as
mulheres estar ganhando seu espaço na sociedade, mas esta realidade nem sempre foi assim,
de acordo com dados obtidos através da Coordenação do curso, antigamente a maioria dos exalunos eram do sexo masculino, visto que a área de matemática era essencialmente dominada
pelos homens. Outra mudança no perfil dos ex-alunos do curso é que a idade dos acadêmicos
diminuiu, na atualidade o curso esta sendo frequentado por pessoas mais jovens.
Nos dias de hoje, a UNIR disponibiliza alguns projetos aos alunos como os auxílios:
alimentação, creche, moradia e transporte que tem objetivos dar assistência aos alunos que
possuem dificuldade de se manter na Instituição com uma complementação na renda. Já no
curso de matemática da UNIR se destaca o projeto do PIBID, com a finalidade de incentivar o
público a ingressar nos cursos de Licenciatura. Também se ressalta o projeto de monitoria, no
qual o aluno atua como monitor dos outros colegas de turmas anterioresa dele em horário
23
oposto as aulas, sendo uma forma de se qualificar para o exercício da profissão. A Instituição
também disponibiliza alguns projetos pontuais como o PIBIC, que visa apoiar a política de
Iniciação Científica desenvolvida na Instituição de Ensino e/ou Pesquisa, estes projetos
oferecem bolsas de auxílio em parceria com a universidade e acabam fortalecendo o curso de
Licenciatura em Matemática.
24
CAPÍTULO II – A EVASÃO NO ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO
Neste capítulo abordaremos sobra a evasão, em especifico no Ensino Superior,
apresentando alguns motivos que levam o aluno a abandonar o curso escolhido. Trazendo um
pequeno enfoque da Educação Superior brasileira nos últimos anos, e algumas ações a serem
tomadas no intuito de reduzir a taxa da evasão no Ensino Superior.
2.1 - Considerações Sobre a Evasão Escolar
Cada vez mais a busca pelos cursos de nível superior está aumentando, o desejo de
ingressar em um curso superior por busca de uma formação específica e a facilidade de acesso
à universidade contribui para que estudantes de diversas classes sociais tenham condições de
frequentar um curso superior (BARDAGI, 2007).
Carvalho (2011) acrescenta que “apesar do substancial aumento do número de
matrículas evidenciado nas últimas décadas, as instituições de ensino superior vêm
enfrentando um grave problema que é a evasão dos seus estudantes” (CARVALHO, 2011,
p.2), mas nem todos os estudantes que ingressam num curso o terminam, ocasionando a
evasão.
Em relação à procura pelo ensino superior, Bardagi (2007) complementa que
[...] estudantes de graduação buscam uma formação profissional para a obtenção de
emprego em primeiro lugar, seguida de obtenção de diploma, realização
profissional, realização pessoal, crescimento pessoal, ampliação de conhecimentos, e
melhores salários. O desejo de titulação superior está fortemente associado à busca
de melhoria da qualidade de vida e estabilidade financeira (BARDAGI, 2007, p. 47)
No intervalo entre o início do processoda entrada do educando na instituição, e o
momento de sua saída, traduzida em sua formatura, uma série de fatos ocorrem; muitos
sucessos recompensam esforços desenvolvidos, muitos obstáculos surgem dificultando em
grau variável a trajetória do aluno, e que por vezes acabam interferindo na continuidade do
processo, ocasionando o desligamento da instituição ou do curso - a evasão do aluno do
processo educacional.
Para melhor entendimento acerca da evasão usamos a definição do Ministério da
Educação – MEC, que afirma que a evasão é a “saída definitiva do curso de origem sem
conclusão, ou a diferença entre ingressantes e concluintes, após uma geração completa”
(BRASIL / MEC, 1997, p. 19). A evasão estudantil no ensino superior é, certamente, um dos
25
problemas que afligem as instituições de ensino em geral. A busca de suas causas tem sido
objeto de muitos trabalhos e pesquisas educacionais, “ela é um problema internacional que
afeta o resultado dos sistemas universitários. As perdas de estudantes que iniciam, mas não
terminam seus cursos são desperdícios sociais, acadêmicos e econômicos” (TIGRINHO,
2008, p.8).
Ainda, segundo Tigrinho (2008, p.6), a evasão escolar no ensino superior brasileiro “é
um fenômeno grave que acontece tanto nas instituições públicas quanto nas privadas e requer
medidas eficazes de combate.”A evasãoocorre quando o individuo deixa de frequentar o meio
ao qual estava inserido, desse modo, se caracteriza por evasão escolar a situação em que o
aluno abandou a escola ou reprovou em determinado ano letivo, e que no ano seguinte não
efetuou a matrícula para dar continuidade aos estudos, corresponde “a uma postura ativa do
aluno que decide desligar-se por sua própria responsabilidade” (AMARAL, 2008, p.3).
Os tipos de evasão que segundo o Ministério da Educação – BRASIL (1996) e Lobo
(2012) acontecem de três formas: evasão do curso, da instituição e do sistema. A evasão do
curso, segundo BRASIL (1996) acontece quando o estudante desliga-se do curso de ensino
superior por diversos motivos, como: abandono, desistência, transferência e exclusão por
norma institucional, esta evasão é aquela que o aluno muda de curso, mas permanece na
mesma instituição de ensino.A evasão da instituição consiste no desligamento do estudante
diante da instituição ao qual está matriculado (BRASIL, 1996), este tipo de evasão ocorre
quando o estudante deixa a IES por outra, ou seja, muda de instituição.Para Brasil (1996) a
evasão do sistema representa o abandono definitivo ou temporário do estudante no ensino
superior, este tipo de evasão é aquela em que o estudante deixa de estudar e abandona o
sistema de ensino, ou seja, não estuda em nenhuma outra IES. Todavia, sua vaga no curso de
origem é deixada, causando prejuízos ao aluno, à família, ao professor, à IES e a toda
sociedade.
Atualmente a evasão de estudantes nas instituições universitárias é um fenômeno
complexo,que nãopodem ser analisado isoladamente, é precisoreconhecê-lo em todos os
níveis de ensino. Sendo influenciado por diversas variáveis, as quais despertam a necessidade
de desenvolver estudos e análises sobre tal tema. No tópico seguinte abordaremos alguns
motivos que geram a evasão dos alunos no Ensino Superior.
26
2.2 - Os Motivos que Levam a Evasão no Ensino Superior
A escolha de uma profissão e o ingresso num curso universitário, aos que optam, é um
dos meios para realizar um projetode futuro pessoal e formar uma identidade profissional. No
entanto, ao ingressar na universidade, muitos dos jovens adultos enfrentam angústias,
ansiedades, incertezas, frustrações, conflitos e crises durante o percurso acadêmico,
decorrentes de inúmeros fatores e podendo ocasionar evasões, transferências, abandonos e
trocas de curso, pela necessidade de rever a escolha anteriormente feita.
Existem várias ponderações sobre o fenômeno da evasão do ensino superior brasileiro.
O diagnóstico deste fenômeno divide-se em categorias de causas da evasão no qual Schargel e
Smink (2002) os define em: as psicológicas, as sociológicas, as organizacionais, as
interacionais e as econômicas. As causas psicológicas são resultantes das condições
individuais como imaturidade, rebeldia, entre outras. Já nas sociológicas interpretam que o
referido fenômeno não pode ser encarado como um fato isolado. As causas organizacionais,
por sua vez, procuram identificar os efeitos dos aspectos das instituições sobre a taxa de
evasão e as causas interacionais analisam a conduta do aluno em relação aos fatores
interacionais e pessoais. No que se referem às causas econômicas, os autores consideram os
custos e benefícios ligados à decisão, que depende de fatores individuais e institucionais, uma
categoria expressiva no que tange à evasão.
De acordo com Brasil (1996) também se identifica três fatores que ocasionam a
evasão: fatores internos a instituições, externos as instituições e individuais dos alunos.Os
fatores característicos individuais do estudante referente à evasão estão relacionados às
habilidades de estudo; personalidade; formaçãoescolar anterior; escolha precoce da profissão;
dificuldades pessoais de adaptação à vida universitária; desencanto com o curso escolhido;
dificuldades recorrentes de reprovações ou baixa frequência e desinformação a respeito da
natureza dos cursos (BRASIL, 1996).Já os fatores internos as instituições referentes à evasão,
podem se caracterizar por questões peculiares à própria academia;descontentamento acerca
dos métodos didáticos pedagógicos do corpo docente; da infraestrutura da universidade;a falta
de clareza sobre o projeto pedagógico do curso; baixo nível de didática pedagógica; cultura
institucional de desvalorização da docência e estrutura insuficiente de apoio ao ensino
(BRASIL, 1996).Por fim, os fatores externos as instituições são aqueles vinculados ao aluno,
como a dificuldade de adaptação ao ambiente universitário; problemas financeiros; o curso
escolhido não era o que o aluno esperava; problemas de ordem pessoal;o mercado de trabalho;
27
reconhecimento social na carreira escolhida; conjuntura econômica; desvalorização da
profissão; dificuldade de atualizar-se perante as evoluções tecnológicas; econômicas e sociais
da contemporaneidade e políticas governamentais (BRASIL, 1996).
A partir destes pressupostos, Brasil (1996) identifica algumas ações a fim de diminuir
a evasão:
Realizar pesquisas com evadidos, buscando identificar as razões da evasão que os
levam o abandono do curso superior; identificar as tendências mais recentes de
evasão; Comparar índices de evasão com outras IES; realizar pesquisas com
egressos para aferir o grau de satisfação com a formação profissional (BRASIL,
1996, p.13).
Neste sentido, Tigrinho (2008) fortalece as orientações do Brasil (1996) indicando que
poucas IES possuem ações de combate à evasão, embora complementem com outras ações
possíveis:
Interdisciplinaridade para que se tornem mais atraentes; integração do estudante na
instituição; ajudar o estudante uma vez que fez a escolha do curso precocemente;
descontos em mensalidades e bolsas de estudos para estudantes carentes; programas
de financiamentos com baixos juros; testes vocacionais antes de adentrar na IES;
modernização nas instalações da IES (TIGRINHO, 2008, p.6).
De acordo com Tigrinho (2008) este tipo de combate é permanentemente evocado a
partir de políticas institucionais de combate à evasão. Tornam-se simples quando os dirigentes
procuram soluções para manter os estudantes em seus respectivos cursos.
Cada vez mais, as universidades estão compostas de alunos de classe econômica mais
baixa, pessoas de várias etnias, alunos mais velhos, pessoas que trabalham e dedicam ao curso
em tempo parcial. No ano de 2010 o Brasil traçou um perfil do estudante brasileiro por curso,
nele continha que as mulheres “dominam” os cursos das áreas de educação, humanidades e
artes, ciências sociais, negócios e direito, saúde e bem estar social e serviços. Já os alunos dos
cursos de ciências, matemática e computação, engenharia, produção e construção e agricultura
e veterinária são majoritariamente homens.
No entanto, muito desses alunos apresentam dificuldades financeiras e não conseguem
permanecer na instituição, se a mesma não oferecer algum tipo de auxílio, como: moradia,
restaurante universitário, salas de informática com acesso à internet, projetos de bolsas, etc.
Por vez, Gobara e Garcia ressalta que
Éimportante salientar que a dificuldade de os estudantes se autossustentarem durante
o curso, a baixa expectativa de renda em relação a sua futura profissão, a falta de
expectativa de melhoria salarial somado ao declínio do status social da profissão
fazem com que os cursos de licenciatura, tanto em instituições públicas como das
privadas, vivam em constante crise (GOBARA; GARCIA, 2007, p. 6).
28
A evasão escolar é um problema crônico do ensino em todos os níveis, o fato de ter
escolhido uma profissão e ingressado em uma universidade não significa o fim dos conflitos
relacionados à escolha profissional, pois, durante o percurso acadêmico, muitos universitários
passam por momentos de insegurança e dúvida, em relação ao curso escolhido (BASSO,2008,
p. 12).
O início caracteriza-se por uma fase de adaptação dos alunos ao curso escolhido e à
vida universitária. Em meio do curso o aluno começa a sentir a responsabilidade social da
profissão a ser desempenhada. O ultimo momento se caracteriza no final do curso onde os
alunos se questionam sobre seu papel a ser desempenhado na sociedade, gerando o medo de
sair da universidade. É nesses “momentos de crises que ocorrem as evasões, transferências e
trancamentos de cursos, caracterizando-se por iniciativas dos alunos de interromper ou alterar
sua relação com os estudos acadêmicos” (BASSO,2008, p.16).
A evasão afeta resultado nos sistemas educacionais, as perdas de estudantes que
iniciam e não terminam seus cursos são desperdícios sociais, acadêmicos e econômicos. No
setor público, são recursos públicos investidos sem o devido retorno. Isso tudo, ocasiona uma
fonte de ociosidade de professores, funcionários, equipamentos e espaço físico. (SILVA
FILHO, 2007, p.2). É notável o desperdício de recursos públicos, quando um professor
ministra aulas para turmas que têm menos de 50% dos alunos que ingressam no curso.
Em relação às causas da evasão, Bardagidestaca que
Podem estar relacionadas a uma falha na escolha profissional, que geralmente é feita
na fase jovem onde cada um está em busca de sua identidade social e pessoal.
Porém, na maioria das vezes o jovem se sente pressionado pela família e pela
sociedade, e acaba ingressando em curso sem levar em consideração a importância
dessa escolha, bem como, informações sobre o futuro da profissão. (BARDAGI,
2007, p. 68)
Sabe-se que o desestímulo dos jovens à escolha da profissão futura de educador e a
desmotivação dos professores em exercício para buscar aprimoramento profissional são
consequência, sobretudo, das más condições de trabalho, dos salários pouco atraentes, da
jornada de trabalho excessiva e da inexistência de planos de carreira. Basso (2008) relata
diversos motivos que levam à evasão no ensino superior, tais como:
Modificação de interesses pessoais, desapontamento com a realidade encontrada nos
cursos, precariedade do material de ensino, desajuste com a nova metodologia de
ensino, decepção com professor, fatores econômicos, impossibilidade em conciliar
estudo e trabalho, desleixo da instituição com cursos de menor prestígio, problemas
29
de saúde, desejo de experimentar novo curso e longo percurso até a instituição de
ensino. (BASSO, 2008, p. 37)
Por último, Ristoff (1997) afirma que “os altos índices de evasão nas licenciaturas
estão relacionados às condições de trabalho e os salários dos professores” (RISTOFF, 1997,
p.4).Nos cursos de exatas esseíndice de evasão acaba sendo maior, pois os alunos não
conseguem acompanhar disciplinas difíceis no primeiro ano, como Cálculo, e em muitos
casos reprovam, o que desestimula a continuar na carreira. Desse modo, os cursos de
Matemática oferecidos pelas diversas faculdades e universidades do país estão cada vez
menos concorridos (KLIMONTOVICS, 2006).
A escolha imatura e a fragilidade de conhecimentos adquiridos na educação básica
conduzem ao insucesso em boa parte dos acadêmicos de matemática, que desestimulados não
se empenham na superação das dificuldades encontradas, sendo um curso que exige muita
dedicação, pois a maioria dos alunos tem dificuldade em obter rendimentos satisfatórios nas
disciplinas de Cálculo dos semestres iniciais do curso, só aqueles que, de fato, se identificam
com o curso investirão em uma profissão com retorno financeiro. Silva Filho (2007, p. 7)
acrescenta que “quando esses projetos não se viabilizam na área escolhida, o aluno tende a
abandonar o curso de licenciatura em busca de outro mais valorizado socialmente”.
Enfim, as causas da evasão apontam falhas das instituições, aspectos econômicos
financeiros e/ou psicológicos dos alunos. Sendo assim, o problema de evasão no Ensino
Superior, em especial no foco deste trabalho, sendo no curso de Matemática é um caso sério
que merece ser observado com maior atenção, pois, precisamos entender quais as variáveis
influenciam para a ocorrência deste problema (RUEZZENE,2012).
Seria, portanto, muito importante que fossem realizadas iniciativas e desenvolvidas
mais pesquisas e estudos sistemáticos sobre a evasão, que permitissem indicar com mais
precisão quais são as melhores práticas para combatê-la com eficácia a partir da compreensão
dos problemas causadores.
2.3 - Dados Sobre a Evasão no Ensino Superior Brasileiro
O Censo da Educação Superior do Brasil realizado em 2012apresenta que há no Brasil
2.416 IES queoferecem curso Superior, totalizando 31.866 cursos.Neste mesmo ano houve
7.037.688 matrículas em cursos de graduação em todo o Brasil. A área da Educação em 2012
foi a segunda maior em número de matriculas, computou cerca de 1.362.235
30
matriculas,ficando atrás apenas da área de Ciências Sociais, negócios e direito, com 2.896.863
matrículas.
Ainda, conforme dados do Censo 2012 no ano de 2010 para 2011, as matrículas em
cursos de graduação nas universidades cresceram cerca de 7,9% na rede pública. Nesta época a
participação de mulheres, pessoas de baixa renda e nordestinos nas universidades aumentaram. Já
de 2011 para 2012 as matrículas cresceram 3,1% nos cursos presenciais e 12,2% nos cursos à
distância. Os cursos à distância já contam com uma participação superior 15% na matrícula de
graduação, nesta ultima categoria de ensino, os cursos de licenciatura representam 40,4% das
matriculas efetivadas, seguido pelo bacharelado com 32,3 e os cursos tecnológicos com uma
de taxa de 27,3% das matriculas.
De 2002 a 2012, em relação todas as graduações, a evolução da matricula representa
19,5% para Licenciaturas, 67,1% nos Bacharelados e 13,5% nos tecnológicos.
No entanto o Brasil não há vagas disponíveis em instituição publica para todos,
segundo dados do Censo a razão entre o número de vagas de instituição particular para o
número na instituição pública é de 2,45 alunos. Dentre os estados brasileiros,destaca-se São
Paulo com 5 alunos na rede privada para cada aluno na rede pública, seguido pelo Distrito
Federal com 4,67 e Rondônia com o total de 4,02 alunos.
Além das vagas ofertadas pelas IES não ser o suficiente para suprir a demanda de
quem vai à busca de uma graduação, ainda há aqueles alunos que adentram no curso e se
sentem desmotivados e acabam abandonando o curso, desperdiçando uma vaga que poderia
ser de outro aluno que se identifica com o curso.
Mesmo com o significativo aumento de alunos no ensino superior nos últimos anos,
mas é evidente que com o crescimento o número de alunos evadidos também avança. Além
disso, são poucas as instituições que possuem programas que promovem a permanência dos
alunos e iniciativas para enfrentar o problema da evasão, há evidências de que com programas
específicos é possível reduzir o número de alunos evadidos.
Diante disto, a evasão deve ser tratada com mais atenção, pois são poucos os estudos
nessa área, sendo que a maioria se limita em identificar as causas da evasão, sem apontar
caminhos para enfrentar o problema.
2.4–Ações que Podem Levar a Diminuiçãodo Índice de Evasão no Ensino Superior
31
Atualmente são raríssimas as IES brasileiras que possuem um programa institucional
profissionalizado de combate à evasão, com planejamento de ações com acompanhamento de
resultados e coleta de experiências bem sucedidas (SILVA FILHO, 2007, p. 2).
É fácil culpar o aluno pelo abandono, mas o desafio de diminuir os índices de evasão
exige que a escola repense suas práticas cotidianas (RATIER, 2014).“A Universidade possui
um papel relevante na contenção da evasão escolar no ensino superior, pois através da adoção de
políticas institucionais ela poderá auxiliar os alunos a concluírem seus estudos”(MELLO, 2012, p.
72).
A falta de acompanhamento acadêmico e pedagógico onde a instituição não dá suporte ao
estudante do começo ao fim do curso, onde este acompanhamento consiste na recuperação do
aluno que vai mal, ajuda com bolsas auxílios a aqueles que têm problemas financeiros, atuação de
professores tutores, o acompanhamento eficiente da frequência ajuda a mapear o problema e
identificar os motivos das faltas(RATIER, 2014).
Mesmo os estudantes fazendo suas escolhasprofissionais muito precocemente, acabam
sendo compromisso de a universidade ajudar a organizar seus estudos e a não abandonar o
curso. Nesse sentido, buscam por meio de descontos e de bolsas de estudo, a permanência do
aluno no curso (MELLO, 2014).
Podemos evidenciar algumas sugestões de melhoria no sentido de minimizar as
evasões dos acadêmicos. Dentre elas se trata da formação dos docentes, a inserção de
profissionais sem formação pedagógica especifica nas disciplinas ministradas, traz resultados
prejudiciais em todas as áreas de formação, despertando por vezes o desejo de abandonar
aquela tão idealizada formação. BRASIL (2001) ressalta que uma boa formação é o único
fator fundamental para resultar num bom professor. Sem formação específica, o professor é
um leigo, um „quebra-galho‟.
A evasão também pode ser diminuída com a melhoria da didática e métodos
avaliativos, onde a implementação de um novo modelo curricular, em que as disciplinas da
educação básica e profissionalizantes estejam relacionadas, neste sentido, o modelo curricular
deveria auxiliar na formação do sujeito profissional conforme a necessidade social. Cunha et
al. (2001, p. 272), afirma que “é sabido que a comunicação entre professor e aluno é um dos
caminhos para a solução de muitos dos problemas apontados pelo aluno evadido.” Os
professores devem perceber a sala de aula como um laboratório, onde estudos e mudanças
possam acontecer diariamente, uma vez que tais profissionais são fundamentais para
32
quaisquer transformações na educação, acompanhando o processo educacional e auxiliando os
alunos a superarem os obstáculos da aprendizagem (KRAMER, 2014).
Além dos déficits de conhecimento, há outro fator que acabam comprometendo ainda
mais a situação. Este ligado à dificuldade dos alunos na realização de avaliações, onde os
conteúdos não condizentes com as abordagens desenvolvidas nas aulas. Estas situações
podem ocasionar reprovações e o aumento do tempo de permanência do acadêmico no curso,
desestimulando o aluno e levando-o a abandonar o curso. Ou seja, a demora na universidade
pode influenciar na evasão escolar nos cursos superiores(KRAMER, 2014).
Nos últimos anos, foram adotadas diversas iniciativas em relação ao Ensino Superior,
tais como: mudanças visando a fortalecer e expandir o ensino público gratuito, política de
estabelecimento de cotas para estudantes carentes, negros e indígenas, o PROUNI – Programa
Universidade para Todos, que seleciona alunos que cursaram o 2º grau em escolas Públicas ou
com bolsas integrais em escolas particulares, para receberem bolsas de até 100% em
Faculdades Particulares (BRASIL/MEC, 2012).
Uma das medidas a ser tomadas pelas IES para aumentar a procura pelo curso de
Licenciatura é de contribuir na conquista daqueles alunos que se sentem atraídos por
Matemática, mas não se interessam pelo curso, no qual as instituições podem contribuir
realizando marketing do curso, proporcionando aos estudantes conhecer o mercado de
trabalho e perspectivas salariais. Além de propiciar aos estudantes a gratuidade de bolsas de
estudo, trabalho, moradia, alimentação e outras, combinadas, para suas manutenções no
campus. Outras medidas apontadas são um maior reajuste dos salários, a diminuição das
contratações temporárias e o incentivo a uma formação continuada, isso passa pela
remuneração e também por condições de trabalho(WELLE, 2014).
Desse modo, devido à carência de professores nas áreas de Exatas como Matemática,
Física, Química e Biologia sendo uma preocupação do Brasil, que no intuito de diminuir esta
falta, elaborou um programa para, desde o ensino médio, atrair os estudantes a seguirem o
magistério nessas áreas. O programa oferecerá bolsas de auxílio em parceria com
universidades.
Diante do quadro nacional em relação ao déficit de professores nas áreas de Ciências
da Natureza e da Matemática, e consequentemente, da recomendação de criação de bolsas de
incentivo à docência nessas áreas, surge o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à
Docência (PIBID), implantado em 2007 pelo BRASIL, com o objetivo de incentivar o público
a ingressar nos cursos de Licenciatura. Devido ao seu crescimento e resultados positivos, o
33
PIBID passou a ser considerada política nacional na formação de docentes que atuarão na
Educação Básica, através da Lei nº 12.796/13, em especial, no artigo 62.
O importante na educação superior é oportunizar a acessibilidade dos estudantes, a
partir de políticas públicas que atendam as necessidades dos diferentes grupos, garantindo o
apoio em todas as suas dimensões de forma a reduzir a evasão e a exclusão durante a sua
formação e estudos. Sendo um trabalho em grupo entre alunos e instituição. Conter índices de
evasão a partir de uma relação mais harmônica com a comunidade do entorno da IES, até
programas próprios de crédito estudantil que visem à permanência nos cursos são exemplos
desses avanços para conter a evasão.
Enfim, para reverter esse cenário, a profissão de educador precisa passar por um
processo de valorização, começando com a criação de um plano de carreira nacional que
estimule o aperfeiçoamento dos profissionais e valorize seu tempo de trabalho e também o
serviço realizado na escola, garantindo a atratividade da profissão.
34
CAPÍTULO III - METODOLOGIA DA PESQUISA
Neste capítulo abordamos sobre a metodologia utilizada para desenvolver o estudo.
Delimitamos o universo da pesquisa, apresentamos a descrição dos sujeitos, elucidamos sobre
a coleta de dados, como esta foi realizada e também quais os instrumentos e procedimentos
utilizados.
3.1 - Caracterização da pesquisa
O presente trabalho se realizou através de uma pesquisa qualitativa,que teve como
etapa preliminar a revisão bibliográfica sobre o tema pesquisado, sendo esta mais utilizada
quando se possui pouca informação, em situações em que o fenômeno deve ser observado ou
em que se deseja conhecer um processo, sem muitos dados de partida. Neste modelo, os
participantes da pesquisa podem direcionar o rumo da pesquisa em suas interações com o
pesquisador, a pesquisa visa à qualidade e não a quantidade.
Em relação à pesquisa qualitativa, Vilela (2009) a caracteriza como:
Têm como principal objetivo interpretar o fenômeno que observa, sendo esta mais
participativa e, portanto, menos controlável. Possui caráter exploratório que estimula
os entrevistados a pensarem livremente sobre o tema, objeto ou conceito pesquisado,
abrindo espaço para interpretação. (VILELA, 2009, p. 3)
Este tipo de pesquisa valoriza muito o processo e não apenas o resultado, possui como
fonte de dados o ambiente natural observado no qual o pesquisador é o instrumento
principal,os dados coletados são retratados por meio de relatórios, levando em conta aspectos
tidos como relevantes, como as opiniões e comentários do público entrevistado, valorizando
muito o processo e não apenas o resultado.
Em relação a este tipo de pesquisa Ludke e André (1986) citam que “às vezes, também
é chamada de naturalística”, tendo como características em que
Os dados coletados são predominantemente descritivos, a preocupação com o
processo é muito maior do que com o produto, o significado que as pessoas
dão às coisas e à sua vida são focos de atenção especial pelo pesquisador e a
análise dos dados tende a seguir um processo indutivo. (LUDKE E ANDRÉ,
1999, p. 44)
O instrumento usadona coleta de dados foia entrevista. Uma das grandes vantagens
deste instrumento é que se estabelece uma interação entre pesquisador e pesquisado. Quanto
35
ás duas formas de registro de entrevistas, gravação direta ou anotação durante a entrevista,
observa-se que cada uma delas aparenta vantagens e desvantagens, e a escolha dependerá de
vários fatores embora as duas possam ser usadas simultaneamente.
Na pesquisa qualitativa muito se usa a análise documental que serve como um
levantamento de informações que busca identificar informações factuais nos documentos a
partir de questões ou hipóteses de interesse. De acordo com Ludke e André (1986) esta
técnica é recomendada “quando o acesso aos dados é problemático; quando se pretende
ratificar e validar informações obtidas por outras técnicas de coletas; e quando o interesse do
pesquisador é estudar o problema a partir da própria expressão dos indivíduos”. (LUDKE;
ANDRÉ, 1986, p. 46)
Os materiais bibliográficos pesquisados foram livros, artigos, dissertações e
monografias. A revisão bibliográfica se deu antes da pesquisa de campo, para se tomar
conhecimento sobre o assunto a ser pesquisado, bem como durante toda a pesquisa de campo
visando elucidar alguns questionamentos que apareceram ao longo do trabalho. As etapas para
a realização da pesquisa foram: revisão bibliográfica; definição da população referência;
levantamento e colhimento dos dados; análise dos dados e conclusões.
.
3.2 - Delimitação do Universo da Pesquisa
Optamos em pesquisar a turma 2012/2 que atualmente (2014/2) esta no quinto período
do curso funcionando no período vespertino, concentrando uma grande evasão. Iniciaram os
estudos apenastrinta dos cinquenta alunos que aprovados no vestibular, observa-se que no
início já ocorria asdesistências, e atualmente ela esta com apenas seis alunos assistindo as
aulas no período vespertino.
É notória a defasagem de alunos no curso de Licenciatura em Matemática da
UNIR/Campus de Ji-Paraná, em relação ao número de vagas ofertadas no curso e a
quantidade de alunos que o conclui, desse modo, veio à escolha pelo tema sobre a evasão. De
começo, era foco fazer um levantamento da evasão em todo o curso, mas como o curso de
Licenciatura em Matemática existe a vinte e seis anos, seria uma tarefa complexa, também
veio a questão que a Secretaria Acadêmica da Instituição não possuía em seus registros
informações sobre todas as turmas anteriores.
Tendo isso em vista, nos decidimos realizar um estudo em apenas uma turma. Para
tanto, escolhemos a turma que iniciou no segundo semestre de 2012, esta turma veio em meio
36
a mudança na forma de ingresso na Instituição, que antes era por meio de vestibular e
atualmente conta com a nota do ENEM.
Apesar das três chamadas para as matrículas nesta turma, apenas trinta pessoas
aprovadas se matricularam na turma escolhida para a realização do estudo, preenchendo
apenas 60% das vagas ofertadas.
Outro fator que impulsionou a escolha dessa turma foi o fato ser do período
vespertino, isso acaba trazendo ainda mais desafios aos alunos que possuem emprego com
uma carga horária maior que 8 horas diárias e não possuem condições financeiras de se
manterem estudando.
3.3 - Sujeitos da Pesquisa
Tendo em vista o objetivo desse estudo foi eleito como potenciais sujeitos os alunos
que evadiram da turma 2012/2 do curso de Licenciatura em Matemática na UNIR/Campus de
Ji-Paraná.
Para encontrar estes ex-alunos, foi requisitada a Secretária Acadêmica da instituição
dadospessoais dos acadêmicos evadidos, como: telefone, endereço, email e a quantidade de
alunos evadidos do referidaturma.
Esses dados foram oferecidos pela Coordenação do Curso, na Secretária Acadêmica da
Instituição – SERCA que serviu para a localização de uma parte dos alunos evadidos. Neste
relatóriocontinha a listagem dos evadidos, aparecendo 3 categorias:
- Cancelado Total - quando o acadêmico não possui mais nenhum vinculo com a
instituição;
- Desistente - quando o aluno abandona o curso sem prestar satisfação a secretária
acadêmica, neste caso o aluno ainda poderá retornar ao curso num período de ate 3 anos;
- Ativo - quando o aluno ainda está matriculado no curso, mas mesmo que alguns
deles não frequentam as aulas.
Mediante pesquisa e leitura de documentos fornecidos pela IES da turma investigada
foi realizado um levantamento de dados referentes à evasão. Em seguida, foi estabelecido
contato com evadidos da turma de 2012/2 do curso de Licenciatura em Matemática. O contato
com os evadidos foi feito mediante ligações telefônicas e e-mail.
Esta pesquisa teve como sujeitos ex-alunos que se enquadram nas categorias de
cancelamento total e desistente. Sendo que nesta primeira categoria se encontram dois ex37
alunos e a categoria desistente possuía quatorze ex-alunos. Já a categoria de ativo, o qual não
é o foco deste estudo, contava também com quatorze alunos.
Dentre desse total de alunos evadidos que somam dezesseis alunos e apenas 11 deles
responderam a pesquisa. Os outros 5 ex-alunos não foi possível contato via telefone, e-mail
ou busca pelo endereço, pois os telefones se encontravam indisponível e não foram
encontrado e-mail ou endereço dos mesmos no relatório adquirido na Secretária do Campus.
Mesmo assim, houve uma busca por estes ex-alunos evadidos com os demais alunos que
estudam regularmente nesta turma, mas não se obteve êxito.
No quadro abaixo constam alguns dados dos onze ex-alunos que realizaram as
entrevistas, lembrando que neste trabalho não constará os nomes verdadeiros dos ex-alunos,
sendo assim apenas houve uma substituição por outros nomes apenas para separar cada um
deles.As descrições são referentes ao conjunto de respondentes totais, isto é, evadidos do
curso de Licenciatura em Matemática da turma de 2012/2.
Foram coletados os dados dos estudantes evadidos através de entrevista com os
sujeitos, com o objetivo de mensurar de forma precisa o problema da evasão, a qual será
analisada mais a frente.Com o objetivo de conhecer o perfil dos alunos evadidos, buscaram-se
variáveis como gênero, faixa etária, estado civil, o semestre que os alunos evadiram, dentre
outros. A partir das informações coletadas observe o Quadro 1 que consta dados dos evadidos
da IES.
Quadro 1 - Dados pessoais dos alunos evadidos
Aluno
Sexo
Idade
Estado
Possuem
evadido
civil
filho(s)
Ex-aluno A1
F
42 anos
Casada
3
Ex-aluno A2
F
Ex-aluno A3
F
31 anos
Casada
2
Ex-aluno A4
M
21 anos
Solteiro
Não
Ex-aluno A5
F
Casada
Ex-aluno A6
M
Ex-aluno A7
M
Ex-aluno A8
F
Ex-aluno A9
M
21 anos
Solteiro
Não
Ex-aluno A10
M
21 anos
Casado
Não
Ex-aluno A11
M
23 anos
Solteiro
Não
Fonte: Dados obtidos através da entrevista com os evadidos
Tipo de
entrevista
Por telefone
Por telefone
Pessoal
Pessoal
Por telefone
Por telefone
Por telefone
Por telefone
Por telefone
Pessoal
Pessoal
38
Observando o quadro, notamos que algumas entrevistasforam realizadas via telefone,
pelo fato de alguns evadidos morarem em outra cidade ou não estavam disponíveis para
marcar um encontro pessoalmente. Estas entrevistas via telefone possibilitaram coletar um
número mais restrito de informações, visto que não foi possível realizar muitas perguntas,
neste caso, foram realizadas apenas as principais perguntas do trabalho.Em contrapartida as
entrevistas pessoais são bem mais ricas de informação, pois o entrevistado está cara a cara
com o entrevistador, o que leva a ter um diálogo mais espontâneo.
3.4- Coleta de Dados
Para obter resultados para a pesquisa, foi usado como instrumento de coletas de dados
uma entrevista semiestruturada com cada aluno evadido, preparado através de um roteiro com
perguntas, que“em vez de serem apresentadas por escrito, cada pergunta e as respostas
possíveis são lidas por um entrevistador” (LAVILLE; DIONNE, 2008, p.187). Este tipo de
entrevista combina perguntas fechadas e abertas, com maior flexibilidade o entrevistador pode
repetir a pergunta, formular de maneira diferente; garantir que foi compreendido. Assim, o
entrevistado tem a possibilidade de discorrer sobre o tema proposto, sem respostas ou
condições prefixadas pelo pesquisador, desse modo, os alunos evadidos entrevistados tiveram
a possibilidade de discorrer sobre o tema proposto, sem respostas ou condições prefixadas
pelo pesquisador. De acordo com Laville e Dionne
[...] a entrevista pode ser feita por ocasião de um encontro entre entrevistador e
entrevistado, mas será mais frequentemente realizado por telefone. Pouco importa o
modo usado, sabe-se que tal abordagem aumenta sensivelmente a taxa de resposta,
sem dúvida porque é mais difícil dizer não a alguém do que jogar no lixo um
questionário, e também porque o esforço exigido do interrogado e menor.
(LAVILLE & DIONNE, 2008, p. 187)
Para interrogar os indivíduos que compõem essa amostra, a abordagem mais usual
consiste em preparar uma série de perguntas sobre o tema visado, perguntas escolhidas em
função da hipótese (LAVILLE; DIONNE, 2008). Seguindo um roteiro estruturadono qual o
entrevistador segue um roteiro previamente estabelecido. Sendo este roteiro com perguntas
claras, que não existem categorias preestabelecidas. O entrevistado pode responder de forma
espontânea, que garantir a uniformidade de entendimento dos alunos entrevistados, visando
não fugir do assunto. Para coletar informações a propósito de fenômenos humanos
O pesquisador pode, segundo natureza do fenômeno e a de suas preocupações de
pesquisa, ou consultar documentos sobre a questão, ou encontrar essainformação
39
observando o próprio fenômeno, ou ainda interrogar pessoas que o conhecem.
(LAVILLE; DIONNE, 2008, p.176)
Para que as entrevistas fossem realizadas, foi estabelecido contato com os alunos
evadidos através dos números de telefone, e-mail, obtidos na Secretaria acadêmica da UNIR,
os quais foram usados apenas para esta meio. Já na elaboração das entrevistas foram usados
aparelhos celulares e câmera digital para que as mesmas fossem gravadas, neste método,
podemos ter maior acesso sobre os dados fornecidos pelos alunos evadidos. As entrevistas
tiveram início na última semana do mês de outubro e foram finalizadas na terceira semana de
novembro.
Desse modo, esta entrevista destinou-se a investigar o motivo que levou cada ex-aluno
a se evadir do curso de Licenciatura em matemática da UNIR, mas precisamente, as causas
citadas pelos ex-alunos; diagnosticar as perspectivas dos acadêmicos em relação ao curso de
Licenciatura em Matemática da UNIR; verificar a imagem que os ex-alunos de Licenciatura
em Matemática fazem do curso.
40
CAPÍTULO IV - ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS
Neste capítulo analisaremos os dados coletados e faremos uma discussão dos mesmos
em torno das questões que conduzem esta pesquisa. A estrutura para apresentação da análise e
discussão dos dadosfoi dividida de acordo com cada motivo que gerou a evasão, sendo
adquiridos das entrevistas realizadas com os sujeitos da pesquisa.
4.1 –Verificação da Evasão na turma 2012/2 no curso de Licenciatura em Matemática
Os dados dos ex-alunos utilizados no trabalho foram extraídos de relatório fornecido
pela IES investigada. Os resultados revelam que dos dezesseis ex-alunos identificados na
situação de “desistente” e “cancelamento total”, denotados como evadidos, só foi possível
realizar a entrevista com onze deles. Observa-se no Gráfico 1das 50 vagas disponíveis para o
curso de Licenciatura em Matemática naquele ano, apenas 30 alunos se matricularam.
Gráfico 1 - Evasão na turma 2012/2 do curso de Licenciatura em
Matemática da UNIR/Campus de Ji-Paraná- 2014
Fonte: Dadosfornecidos pela Secretária Acadêmica da UNIR-Campus Ji-Paraná
O Gráfico 1 evidênciaque houve uma elevada taxa de evasão no decorrer dos cinco
primeiros semestres do curso. Dos 30 alunos ingressos no curso de Licenciatura em
Matemática, temos que 16 estudantes se evadiram até o quinto semestre, restando apenas 14
alunos matriculados na turma, o que corresponde que pouco mais da metade do total de
matriculados no início do curso o abandonou.
41
Logo de início, observa-se que a defasagem de alunos no curso é de 40% em relação à
quantidade de vagas oferecidas pelo curso. Neste caso 20 vagas na referida licenciatura
deixaram de ser ocupadas.
A turma analisada atualmente se encontra no quinto período e o número de alunos
evadidos contabilizam 16, já os ativos são 14 alunos. Oito desses alunos que se encontram
ativos estão acompanhando turmas do período da noite. Sendo assim, há somente seis alunos
dessa turma frequentando as aulas no período vespertino.
4.2 - Perfil dos Sujeitos Investigados
Nesta seção apresentaremos o perfil dos alunos evadidosde acordo com os dados
obtidos na primeira parte do instrumento de coleta de dados. Descrevendo os principais
resultados encontrados que compõem as características pessoais dos entrevistados,
abrangendo: sexo (feminino ou masculino), idade,renda familiar, modalidadeem que curso
ensino médio (público ou particular).
Ao analisar o perfil da amostra dos 11 evadidos que foram entrevistados, 5 são do sexo
feminino e os outros 6 são do sexo masculino e todos estavam trabalhando quando iniciou as
aulas no primeiro período. Apresentam idade entre 21 e 42 anos. Todos os entrevistados
vieram de escola pública.Ainda não há uma definição do perfil do aluno evadido nos cursos
de licenciatura e, para que sejam tomadas medidas visando reduzir a evasão no ensino
superior, são necessários maiores aprofundamentos sobre essa questão.
Na entrevista foi perguntado se os ex-alunos tinham alguém na família com formação
superior, no qual somente seis entrevistados responderam a esta pergunta: dois responderam
que não tem nenhum familiar com nível superior e já os outros quatro responderam que sim.
Dentre estetotal de ex-alunos dois vieram da modalidade de Ensino de Jovens e Adultos –
EJA e quatro vieram do Ensino Regular.
Além disso, foi perguntado aos ex-alunos quanto tempo ficaram sem estudar depois
que terminaram o ensino médio, o resultado varia de seis meses a quatro anos, ressaltando um
deles que ficou nove anos sem estudar, como vemos no relato do ex-aluno A1: “É porque eu
terminei em 2003 e voltei em 2012”.Também destes ex-alunos citados, novamente dois
responderam que possuem filhos, os outros quatro responderam negativo. Estes ex-alunoss
apresentam uma renda familiar variando de um a três salários mínimos por pessoa.
42
Dentre os alunos evadidos, evidenciou-se quea maioria dos ex-alunos se evadiu no
primeiro período, a outra parte nem chegou a frequentar o curso, apenas se matricularam.
4.3 - Causas da Evasão
Dentre as causas da evasão apresentamosos principais motivos do abandono
constatados em nossa pesquisa. Ográfico 2 apresenta os motivos relatados pelos ex-alunos
através das entrevistas, na qual as causas citadas foram: trabalho, mudança de local, curso de
segunda opção, distância da universidade até a moradia.
Visando identificar se o curso de Licenciatura em Matemática era uma escolha por
afinidade dos acadêmicos evadidos ou se foi uma escolha por falta de opção. Foi questionado
aos evadidos porque eles tinham escolhido o curso de Licenciatura em Matemática. Somente
um mostrou que realmente queria cursar matemática conforme pode ser evidenciado na
seguinte fala: “Desde cedo era meu sonho de fazer faculdade de matemática, tinha muita
vontade”(A1). Cinco responderam que foi pela facilidade de ingresso por ser um curso de
baixa concorrência: “Por ser um curso pouco concorrido”(A3); “Eu consegui passa e acabei
gostando de matemática”(A4); “Falta de opção, acabei me identificando mais com este
curso”(A9); “Porque umas das matérias que fui melhor no Enem e no Ensino
Médio”(A10);“Pela facilidade de me inscrever e ganhar a vaga no curso”(A11).Issoconstana
abordagem de Bardagi (2007) que durante a busca de sua identidade social e pessoal o aluno
acaba ingressando em curso sem levar em consideração a importância dessa escolha, bem
como, informações sobre o futuro da profissão.
A seguir, mostramosatravés de um gráfico os motivos que levaram os ex-alunos a se
evadirem do curso de Licenciatura em Matemática.
Gráfico 2 - Motivos de Evasão na turma 2012/2 da UNIR/Campus de Ji-Paraná
43
Fonte: Dados coletados mediante entrevista com os ex-alunos.
Dos onze ex-alunos que responderam a pesquisa, seis deles declararam que o motivo
de abandonarem o curso foi por causa da conciliação de horário com o trabalho, dois exalunos declararam que a evasão aconteceu por mudança de local de morada, outros dois por
ter escolhido um curso de segunda opção e um ex-aluno declarou que foi pela distância da
moradia até o campus universitário. Confirmando as hipóteses inicias desse estudo.
A necessidade de trabalhar foi citada como a principal causa de evasão, dentre os onze
alunos evadidos seis deles definiram o trabalho como causa da evasão, este motivo se
caracteriza como um fator externo a Instituição, tendo como categoria de causa organizacional
estando relacionada a não adequação da IES a vida do acadêmico trabalhador, onde são
ministradas aulas no período vespertino não sendo acessível aos estudantes/trabalhadores.
Assim como comentam os ex-alunos:
“Foi por causa da incompatibilidade do horário com meu trabalho, quando eu me
escrevi que fiquei sabendo que era a tarde ai pra mim não dava, se fosse ao período
noturno teria como. Não abriram leque para que eu acompanhasse a turma da
noite” (A3).
“eu precisava trabalhar e eu não conseguia me manter apenas estudando e nem
com os projetos que a Universidade disponibiliza... poderia ter mais oportunidades
de trabalho aqui dentro do campus” (A4).
“Trabalho: recebi uma boa proposta no serviço e acabei mudando para outra
cidade pelo serviço” (A7).
“Por causa do trabalho com choque de horário com as aulas do curso” (A9).
“Trabalho. Estudaria a tarde e eu trabalhava o dia todo e logo em seguida fui
promovido, ai preferi deixa a matemática de lado e continuar o trabalho” (A10).
“Se a Universidade tivesse condições de mudar de turno naquela época, eu tinha
continuado”(A11).
44
No aspecto socioeconômico do aluno, traduzido como a necessidade do aluno exercer
atividade remunerada para sustentar não só seus estudos, mas contribuir para a renda familiar,
no qual trabalhavam o dia todo e o curso era realizada no período vespertino, essa justificativa
estava sempre presente nas respostas. Constatamos então que o aluno evadido é um
trabalhador estudante.
Neste sentido, Gaioso(2005) aponta que tanto na visão dos dirigentes quanto na visão
dos alunos que problemas financeiros têm grande influencia na decisão dos estudantes
desistirem da faculdade, afirmando que quando se torna difícil conciliar o trabalho com os
estudos, quase sempre os estudos são postos em segundo lugar na vida do acadêmico, adiando
esta fase, seja temporária ou definitivamente. Ainda neste entendimento Cunha (2001)
comenta que é necessário haver uma proximidade entre acadêmico e docente para solucionar
muito dos problemas relacionados à evasão.
Dois dos ex-alunos entrevistados responderam que o motivo de abandono do curso
estáligado a mudança para outro local de morada, sendo associada a uma categoria
organizacional tendo como causa o fator externo a Instituição, como vemos nas falas dos exalunos A5 e A8:“Eu não cheguei a estudar porque eu mudei para outra cidade antes de
começar a aula”(A5); “Mudei para São Paulo para uma missão da igreja” (A8).Esse motivo
é entendido como imprevisível, pelo qual o estudante inicia o curso sem a pretensão de que
realmente aconteça ou o fato do evadido considerar o estudo como secundário (TIGRINHO,
2008). Desse modo não tinha como o aluno continuar a frequentar.
A desmotivação com o trajeto até a IES por se uma distância longa pode ser
compreendida como uma falta de planejamento e organização do estudante no início do curso,
vinculado a um fator externo a Instituição.Essa causa foi um dos motivos que um ex-aluno se
evadiu do curso, comovemos no relatodo ex-aluno A1:
“Por causa da distância, porque é longe de onde eu moro. Não foi porque eu não
gostei do curso, eu estava aprendendo bem. Só que assim, o segundo motivo eu
podia ter escolhido estudar a noite e escolhi de dia: o período da tarde. Ai a van
que me levava não me deixava na UNIR. Eu tinha que pegar um táxi e ir para
UNIR. E saia da UNIR as 17:00 horas da tarde e não tinha terminado a aula ainda,
e muitas vezes quando eu chegava no local onde a van saia, ela já tinha ido
embora,ai tinha que ir para a rodoviária e pegar ônibus pra ir embora” (A1).
A distância da moradia até a IES acaba se tornando um motivo de desmotivação para
continuar estudando, pois o ex-aluno tem que arcar com as passagens, sem falar no tempo
despendido por aqueles que moram longe da instituição, em que o ex-aluno por fazer
45
umgrande e cansativo trajeto da universidade até sua moradia acaba se desgastando muito,
levando o aluno a se desmotivar a frequentar o curso, levando à evasão universitária e ao
baixo rendimento dos alunos.
Em relação ao curso escolhido não ser o que o aluno esperava, Gaioso (2005) relata
que pode haver decepções, também, quanto às expectativas levantadas em relação à vida
universitária, à estrutura e metodologia do trabalho acadêmico, fazendo com que o aluno não
tenha suas expectativas atendidas e fique insatisfeito com o curso. Isso se reforça nos relatos
de alguns dos ex-alunos:
“no meu caso eu não me identificava com o curso, não era minha área”(A2).
“só tenho a reclamar de um devido a dificuldade no método de ensino tipo data
show não adianta ter apenas data show você tem q saber manusear, saber ensinar e
tirar as duvidas do conteúdo e não apenas jogar nos slides e achar que já tá bom.”
(A4).
“estava cursando física e passei para matemática, como não tinha concluído o
curso de física, cancelei minha matrícula em matemática” (A6).
“a metodologia de ensino de um ou dois professores é meio arcaica e retrógada e
não funciona muito bem nos dias de hoje. As praticas pedagógicas não são muito
boas” (A9).
“mas os professores que eu conheci não davam a devida assistência, podiam ter me
incentivado mais, pois quando eu estudava, eles chegavam duas horas e três horas
iam embora” (A11).
Há uma predominância que as desistências aconteceram no começo do curso, estando
condicionada diretamente à escolha do curso, a dificuldade de adaptação à vida acadêmica e a
identificação com o curso escolhido, no qual esta causa se especifica como um fator
psicológico de cada aluno. O erro na escolha do curso, por não entender os métodos
pedagógicos, baixa expectativa em relação aos conteúdos estudados, defasagem escolar que
provoca mudanças de turmas e de colegas provocando frustração.
Uma contribuição para a evasão dos cursos é a indecisão do aluno quanto à escolha de
seu curso, que por muitas vezes sofre a interferência da baixa demanda, e ainda, porque o
aluno não conhece o curso que escolhe, logo apresenta expectativas que não são
correspondidas durante a sua permanência na Universidade e que não possuem
amadurecimento para enfrentar o curso universitário.Dessa forma, se faz necessária uma
melhor investigação por parte do aluno se o mesmo desconhece o curso e se os fatores acima
citados interferem na permanência do aluno, o que representa uma expectativa não
correspondida.
4.4– Situação dos ex-alunos pós-evasão
46
O aluno matriculado é considerado como cliente adquirido e o aluno evadido como
cliente perdido que, dependendo do estágio em que se encontra, dificilmente pode ser reposto
na IES.Um dos fatores desencadeadores dessa situação é o fato da carreira de professor não
possuir prestígio social e nem uma boa gratificação, como comenta Silva Filho(2007), a
desvalorização é um fator social e histórico, o status profissional ansiado pelo estudante,
mesmo aquele que diz ter vocação para determinada profissão, compreende aspectos
relacionados com a valorização social e pessoal da carreira escolhida. Sendo assim, foi
perguntado aos ex-alunos sobre o que pensam da carreira de professor, ao qual responderam:
“Eu penso em mudanças, porque se você não pensar num melhor nunca vai
melhorar, a gente pode se esforçar pra fazer a diferença” (A1).
“Eu penso que é uma carreira meio complexa, mas eu não acho ruim porque eu
convivo com professores, então eu não acredito que é tão ruim ser professor” (A3).
“Eu gosto bastante, você poder ensinar o que sabe você passa anos aprendendo
para passar para outra pessoa, é claro que vou ter dificuldades, mas é uma carreira
que eu me apaixonei [...]A todos os alunos que continuem focados na matemática e
não apenas para ganhar o dinheirinho no final do mês, mas para fazer o aluno
aprender porque hoje se o Brasil esta do jeito que tá porque não tem uma ótima
educação, uma educação de qualidade. Iguais àquelas escolas que tem maior índice
de notas e a infraestrutura da escola é precária só que os professores investiram na
educação, então isso prova que se formarem ótimos professores para formar ótimos
alunos e pessoas de bem a gente vai ter um Brasil melhor”(A4).
“Eu sou professor de desenhos técnicos, acho uma das melhores profissões” (A9).
“Uma carreira mal gratificadae não tem muito reconhecimento” (A10).
“Boa carreira, porém não é muito bem gratificada” (A11).
A análise quanto às respostas obtidas em relação ao mercado de trabalho nos revela
que esse fator interfere no fenômeno da evasão, não necessariamente a absorção pelo
mercado, mas o desprestígio e a desvalorização dacarreira de professor. Sendo assim,
podemos nos firmar nos fundamentos de Ristoff (1997) elucidando que a baixa remuneração
não só desestimula os alunos de licenciaturas a seguirem nos cursos, como faz com que
migrem para outras áreas, nesta questão o aluno sente a desvalorização da carreira.
Conforme dados fornecidos pelos onzeex-alunosevadidos,sete deles estão estudando
atualmente e dois não estão frequentando nenhumcurso de graduação, neste último caso se
define como evasão do sistema, os outros dois não responderam. A pergunta foi estendida, em
caso afirmativo,onde estudam. Dos sete ex-alunos que responderam afirmativo,seis deles
estão matriculados em outras IES,caracterizando como mudança externa e apenas um exalunoestá estudando na mesmaInstituição, nesse caso houve mudança interna. Como descreve
o ex-aluno A1:“Não pretendo voltar, porque tá faltando três semestres pra eu terminar
47
matemática (em outra IES) e se eu tivesse pensando bem tinha feito o Vestibulinho na UNIR e
passado para o turno da noite”(A1).
Na entrevista também foi perguntado se estes ex-alunos pretendiam voltar a cursar
Licenciatura em Matemática, no qual três deles afirmaram que sim, além da pergunta sobre o
desejo de retornar ao curso, pediram-se explicações do que fazer para que ocorra esta
situação.Assim sendo, foi esclarecido que primeiro os ex-alunos tem que verificar se a
universidade disponibiliza vagas para seu retorno, mediante isso tem que requerer sua
reintegração de posse no curso e fazer o vestibulinho para trocar de turno.
Dentre os três ex-alunos doispretendem voltar para o curso de Licenciatura em
Matemática querem estudar a noite,pois o fato de os cursos serem oferecidos no período
noturno possibilita que os acadêmicos exerçam uma atividade remunerada em outros
períodos. Outra maioria não pretende retornar ao curso, pois já frequentam outra graduação.
Podemos afirmar que a dificuldade dos estudos universitários, que não existem
políticas voltadas à permanência dos estudantes nas universidades, como o fortalecimento de
medidas que privilegiam o apoio financeiro e psicológico aos alunos carentes ou a
modernização de métodos e de currículos.
4.5 –A Universidade na concepção dos ex-alunos
Uma Instituição de ensino superior representa um complexo conjunto de recursos
variados cujos objetivos últimos são a geração de conhecimento e a educação. Os processos
envolvidos a fim de atingir esses objetivos são muitos, e de complexidade variável, sendo
necessários procedimentos sistemáticos de gerenciamento e controle especializado para que
os fins propostos sejam efetivamente atingidos.
Alguns dosex-alunos que se evadiramdo curso de Licenciatura em Matemática na
UNIR, foram aprovados em outros vestibulares e estão cursando outra graduação em outras
IES. Segundo elesa desmotivaçãoé um motivo relevante a favor da evasão, pois no início do
curso de Licenciatura em Matemática a coordenação do curso não apontou as vantagens e
desvantagens da Licenciatura em Matemática, sobre a carreira profissional do licenciado e
mesmo depois de evadidos a coordenação do curso não foi atrás dos ex-alunos, para buscar
satisfação sobre o motivo de evasão, métodos de inserção no meio acadêmico novamente e
proveniente disso, buscar uma alternativa de diminuição deste índice, o qual acaba que estes
48
alunos se tornam excluídos do curso sem que sejam ouvidos pela Instituição. Apontam ainda
que o vestibular para este curso se torna atrativo devido a pouca concorrência por vaga
ofertada.
Quando questionados sobre qual a avaliação os ex-alunos dariam para a UNIRcampus
de Ji-Paraná, eles relataram:
“Referente à infraestrutura deixa muito a desejar, principalmente os prédios de
matemática e pedagogia. Não foi por questão da universidade e sim problema
pessoal, mas se a universidade tivesse mais atrativos em questão de infraestrutura
com prédios melhores e tivessem laboratórios equipados, acho que isso traria um
certificado de mais qualidade motivando os acadêmicos a frequentar o curso, tem
muitos alunos que fazem o ensino médio aqui na cidade e procuram outra faculdade
em outros lugares, por falta de opção de uma universidade e a infraestrutura da
universidade pública daqui que não é tão boa”. (A9)
“A Universidade deveria adotar um projeto com uma bolsa com um valor bem mais
alto, porque igual o PIBID, uma bolsa de 400,00 é difícil para o aluno se manter,
mas sei que é complicada essa coisa de governo, mas minha visão era isso: ter mais
oportunidades de trabalho aqui dentro do campus”. (A4)
Podemos supor através da análise das respostas que a participação do aluno em
atividade de pesquisa e extensão nos cursos de graduação, embora possam contribuir para a
motivação do aluno e de alguma forma diminuir a evasão no curso, ainda não está inserida no
projeto pedagógico dos cursos, estando sua vinculação relacionada a projetos isolados e
condicionada à remuneração através de bolsasestudantis.
Ainda questionados sobre a avaliação que dariam a universidade investigada, outros
ex-alunos destacam os pontos positivos:
“Quando me escrevi fiquei sabendo q era uma faculdade muito boa eu avalio com
sendo uma faculdade de referência”. (A3)
“Uma Universidade bem confiável e tem um respaldo grande por ser federal”.
(A10)
“Ai não compensava mais voltara estudar na UNIR, compensar compensa porque a
UNIRéuma Universidade Federal, eu mesmo quando cheguei na outra IES acabei
aprendendo rapidinho com o pouco que aprendi na UNIR, então aqui o estudo é
mais fraco, não é igual a UNIR que também tem o peso de federal”.(A1)
Desse modo para os ex-alunos, o currículo da Universidade Federal é bem visto no
mercado de trabalho, o qual o preparo do alunovem conforme seu preparo durante o curso,
pois essas instituições tem todo um conceito de bons professores e rigidez no seu ensino, que
torna o aluno mais independente, o que pode ajudar durante toda sua vida, até mesmo durante
a atuação na sua área.
49
Ao fim da entrevista foi perguntado ao ex-aluno o que a instituição poderia ter feito
para o mesmo não desistir do curso de Licenciatura em Matemática. Foram obtidas as
seguintes respostas:
“Por não ter a opção de passa a estudar a noite sem ter que fazer o Vestibulinho
que só ia ter no final do ano, pois eu não aguentava mais a situação da locomoção
até a Universidade”. (A1)
“Não abriram leque para que eu acompanhasse a turma da noite”. (A3)
“A elaboração de um projeto e uma bolsa com um valor bem mais alto, porque
igual o PIBID, uma bolsa de R$400,00 é difícil para o aluno se manter, mas sei que
é complicada essa coisa de governo, mas minha visão era isso: ter mais
oportunidades de trabalho aqui dentro do campus”.(A4)
“Não foi por questão da universidade e sim problema pessoal, mas se a
universidade tivesse mais atrativos em questão de infraestrutura com prédios
melhores e tivessem laboratórios equipados, acho que isso traria um certificado de
mais qualidade motivando os acadêmicos a frequentar o curso, tem muitos alunos
que fazem o ensino médio aqui na cidade e procuram outra faculdade em outros
lugares, por falta de opção de uma universidade e a infraestrutura da universidade
pública daqui que não é tão boa”. (A9)
“Dar condições de mudar de turno: pra noite, se tivesse mudado de turno eu tinha
continuado”. (A10)
“Me incentivado mais, pois quando eu estudava, eles chegavam duas horas e três
horas iam embora”. (A11)
É notória que nas falas dos ex-alunos sempre esta presente a condição de não poder
continuar estudando no período vespertino, onde sempre reclamam das condições da
universidade para trocar de turnoo estudo no curso, este que a IES disponibiliza nos períodos
vespertino e noturno. Ainda há por uma parte de ex-alunos, a falta de procura pelos métodos
usados para se mudar de turno e também falta de informações vindas da universidade para
esclarecer estas dúvidas dos alunos antes que o mesmo se evade.
Os estudos sobre a evasão constituem um importante suporte para a avaliação da
Instituição, pois através dos dados obtidos, pode-se traçar um panorama das falhas, buscando
as soluções visando minimizar os elevados índices de evasão.
Na IES em sua estrutura geral, há a necessidade da implantação de uma política de
permanência voltada à evasão. Buscamos mostrar os indicativos que levam à evasão do curso,
podendo se tornar uma referência a novas pesquisas, com fins a diminuir os altos índices de
evasão encontrados em cursos de licenciatura.
50
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo analisou a evasão escolar de ensino superior na turma 2012/2 da
Universidade Federal de Rondônia – campus de Ji-Paraná,bem como identificou o perfil dos
evadidos e os motivos que influenciaram os ex-alunos a tomarem esta decisão. Evidencia-se
por meio desta pesquisa que a evasão nesta turma é de 53% em relação aos 30 alunos
matriculados no início do curso, número preocupante que nos levam a repensar quais são os
fatores que estão associados e causam a alta taxa de evasão.
Dos ex-alunos que abandonaram o curso de Licenciatura em Matemática na UNIR,
grande parte deles foram aprovados em outros vestibulares. Segundo eles, outro motivo
relevante é que a evasão é fruto da desmotivação, pois a UNIR, juntamente com a
coordenação de Matemática deveriam no início no curso apontar as vantagens e desvantagens
da Licenciatura em Matemática, sobre a carreira profissional do licenciado e mesmo depois de
evadidos a coordenação do curso não vai atrás dos ex-alunos, para buscar satisfação sobre o
motivo de evasão e proveniente disso, buscar uma alternativa de diminuição deste índice.
Apontam ainda que o vestibular para este curso se torna atrativo devido a uma concorrência
baixa. Todos os ex-alunos evadidos vêm de escolas da rede pública de ensino. Quanto ao
perfil da amostra investigada, seis deles são do sexo masculino e cinco do sexo feminino e
apresentam idade entre 21 e 42 anos.
Os principais fatores estão associados à necessidade de trabalhar,questões vocacionais,
mudança de local e a distância da Universidade a casa do acadêmico. No entanto, o fator que
mais contribuiu para a evasão no curso e na turma analisada foi a incompatibilidade do
horário do trabalho com o do curso. Um ponto importante na pesquisa foiàs sugestões dadas
pelos evadidos, visando minimizar a evasão, neste quesito a medidamais apontada esta ligada
aoturno que o curso era realizado, os métodos didáticos e avaliativos aplicados.
Ficou evidente, também, o descontentamento de alguns dos evadidos com as práticas
didáticas e metodologias adotadas por parte dos professores do curso. A avaliação não foi o
fator determinante à evasão, porém está intimamente relacionada à mesma, através de uma
série de fatores que acabam desestimulando e dificultando a vida acadêmica. Observamos
também o descontentamento com os cursos de licenciatura, no qual os alunos sentem-se
desmotivado a exercer a profissão de professor, e com isso nas menor das dificuldades evadese do curso.
51
Após esta pesquisa,sugerimos como medida para diminuir a evasão a implantação de
palestras no início do curso, para apontar aos alunos ingressantes quais as vantagens e
desvantagens da profissão de professor e os objetivos do curso. Faz se necessário informar
para os acadêmicos do primeiro período que eles podem se matricular em disciplina de outro
turno em outros períodos, desde que essa não necessite de pré-requisitos.
Por meio desta pesquisa, esperou-se apontar indicativos motivadoresda evasão dos
acadêmicos do curso de Licenciatura em Matemática da IES investigada, buscando elencar
alguns fatores causadores da mesma.
52
REFERÊNCIAS
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Novembro
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55
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São Paulo. Summus editorial, 1986.
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Universidade Federal de Rondônia. Projeto Políticos Pedagógicos do curso de Matemática.
Ji-Paraná. 2000.
56
APÊNDICES
57
APÊNDICE A - Roteiro da entrevista semiestruturada
Dados pessoais: Nome, idade e estado civil.
Qual era seu estado civil quando ingressou no Ensino Superior?
Você tem filhos? Se, sim. Quantos? Qual a idade deles?
Você estudou o Ensino Médio em que modalidade de ensino? EJA ou regular?
Estudou a educação básica em escola pública ou particular?
Qual sua renda familiar?
Quanto tempo você ficou sem estudar desde que concluiu o Nível Médio até iniciar o Ensino superior?
Você tem alguém na família com formação superior? Comente.
Ao ingressar na faculdade:
Você trabalhava quando iniciou o curso de Licenciatura em Matemática? Se, sim. Em que serviço?
Porque você escolheu o curso de Licenciatura em Matemática?
Qual a sua relação com a matemática? Você acha fácil aprender matemática? Comente.
Em que período você estava quando abandonou o curso de Licenciatura em Matemática?
Qual(s) o(s) motivo(s) que o levou a abandonar o curso de Licenciatura em Matemática? Comente.
Como você avalia o seu desempenho no curso de Licenciatura em Matemática? Comente.
Você pretende retomar seus estudos no curso de Licenciatura em Matemática?
Você já fez, pretende fazer ou está fazendo outro curso de nível superior?
O que você pensa sobre a carreira de professor?
Como você avalia a UNIR- campus de Ji-Paraná?
Como você avalia os professores do curso de Licenciatura em Matemática da UNIR?
O que a universidade poderia ter feito para você não desistir do curso de Licenciatura em Matemática?
Se desejar fazer algum comentário ou sugestão sobre essa entrevista, aproveite esse momento.
Obrigado pela sua atenção e colaboração
58
APÊNDICE B – Quadro de respostas das entrevistas com os evadidos
Perguntas
Dados
pessoais:
nome,
idade
e
estado civil.
A1
Casada, 42
anos
A2
-
A3
31 anos, casada
A4
21 anos, solteiro
A5
Casada
A6
-
A7
-
A8
-
A9
21 anos, solteiro
A10
21 anos, casado
A11
23 anos, solteiro
Qual era seu estado
civil
quando
ingressou
no
Ensino superior?
Você tem filhos? Se
sim, quantos? E
qual a idade deles?
Casada
também
-
Casada
Também
solteiro
-
-
-
-
Solteiro
Solteiro
Solteiro
Sim, 3. Um
com
25,
outro com
23 e com
22.
-
Sim, tenho 2.
Uma menina de 9
anos e um menino
de 12 anos
Não
-
-
-
-
Não
Não
Não
Você estudou o
Ensino Médio em
que modalidade de
ensino? EJA ou
Regular?
Estudou a educação
básica em escola
pública
ou
particular?
Qual sua renda
familiar?
EJA
-
Regular
Regular
-
-
-
-
Regular
No EJA
Regular
Publica
Publica
-
-
-
-
Pública
Pública
Pública
De 2 a 3
salários
-
Atualmente de um
salário
mínimo
por pessoa
Um
salário
mínimo
por
pessoa
2
salários
mínimos
por
pessoa
Em torno de 2
salários mínimos
por pessoa
1 salário mínimo
por pessoa
Quanto tempo você
ficou sem estudar
desde que concluiu
o Nível Médio até
ingressar no Ensino
Superior?
10, é 9
anos.
É
porque eu
terminei
em 2003 e
voltei em
2012.
-
4 anos
Um ano
-
-
-
-
4 anos
1 ano
6 meses
Você tem alguém
na família com
formação superior?
Comente.
Duas irmãs
e meus 3
filhos estão
terminando
agora. Uma
filha de 23
anos que
-
Sim. Minha irmã
Não
-
-
-
-
Não
Sim.
Tios
primos
Só pública
e
Uma irmã
61
Ao ingressar na
faculdade:
Você
trabalhava
quando iniciou o
curso
de
Licenciatura
em
Matemática?
Se
sim,
em
que
serviço?
Porque
você
escolheu o curso de
Licenciatura
em
Matemática?
estuda
química na
UNIR de
Porto velho
e um filho
que
faz
física
na
UNIR de
Ji-Paraná,
os
dois
participam
do PIBID,
possuem
bolsas de
auxílios e
já
participara
m de vários
congressos,
dentre eles,
na Bahia e
Rio
de
Janeiro.
Sim
trabalhava.
Zeladora,
merendeira
.
Em
serviços
gerais no
setor
público do
Estado de
Rondônia.
Desde cedo
era
meu
sonho de
fazer
faculdade
de
matemática
,
tinha
muita
vontade
-
Já trabalhava de
agente de limpeza
e conservação
Trabalhava ai
pedi demissão p
começar
a
estudar
-
-
-
-
Sim, posto
combustível
de
Sim. Auxiliar de
estoque
Trabalhava
de
autônomo: taxista
-
Porque esse curso
eu fiz o Enem fiz
a
inscrição e
passei
e
fui
chamada por ser
um curso pouco
concorrido
No
primeiro
vestibular q eu
prestei foi p
engenharia
ambiental
n
consegui
alcançar a nota,
no outro ano eu
tentei
para
matemática ai
consegui passa,
ai eu acabei
gostando
de
-
-
-
-
Falta de opção.
Me identificava
mais com este
curso
Porque umas das
matérias que fui
melhor no Enem e
no Ensino Médio
Pela facilidade de
me inscrever e
ganhar a vaga no
curso
62
Qual sua relação
com a matemática?
Você acha fácil
aprender
matemática?
Comente.
Sim,
eu
aprendi
bem.
Persistênci
a também
têm
que
gostar e ter
persistência
-
Não acho difícil
não
Em qual período
você estava quando
abandonou o curso
de Licenciatura em
Matemática?
Qual o motivo que
o
levou
a
abandonar o curso
de Licenciatura em
Matemática?
Comente.
Primeiro
ainda
-
Só me matriculei,
não cheguei a
estudar
Por causa
da
distância,
porque é
longe
de
onde
eu
moro. Não
foi porque
eu
não
gostei do
curso, eu
estava
aprendendo
bem.
Só
que assim,
o segundo
motivo eu
podia ter
escolhido
estudar a
noite
e
escolhi de
dia:
o
período da
tarde. Ai a
van que me
levava não
me deixava
na UNIR
me deixava
longe. Eu
tinha que
pegar um
Foi por causa da
incompatibilidade
do horário com
meu serviço
matemática
Não acho muito
fácil, mas os
professores
acabaram
me
seduzindo com
a matemática, ai
foi nessa parte
que consegui a
gostar do curso
Primeiro
semestre
Porque
eu
precisava
trabalhar e eu
não conseguia
me
manter
apenas
estudando
e
nem com os
projetos que a
mesma
disponibiliza
-
-
-
-
Não é tão fácil
aprender
matemática, mas
tenho
mais
afinidade com as
disciplinas
de
exatas do que com
línguas.
Sim, se estudar
enfrenta de boa
Não é fácil, mas
se praticar é fácil
-
-
-
-
Não cheguei a
estudar, só fiz a
matrícula
Não cheguei a
frequentar o curso
Primeiro período
Eu
não
cheguei
a
estudar
porque
eu
mudei para
outra cidade
antes
de
começar
a
aula
Estava cursando
física e passei
para
matemática,
como não tinha
concluído
o
curso de física e
só faltava o
TCC
para
terminar física,
ai disse que
podia cancelar
minha matricula
de matemática
Recebi uma
boa proposta
no serviço e
mudei para
Porto Velho,
ao
qual
trabalhava
meio período
passando a
trabalhar
o
dia todo
Mudança para São
Paulo para de uma
missão da igreja
Por causa do
trabalho
com
choque de horário
com as aulas do
curso
Trabalho.
Estudaria a tarde e
eu trabalhava o
dia todo e logo em
seguida
fui
promovido,
ai
preferi deixa a
matemática
de
lado e continuar o
trabalho
Pelo trabalho
63
Como você avalia
seu desempenho no
curso
de
Licenciatura
em
Matemática?
Comente.
Você
pretende
retomar
seus
estudos no curso de
Licenciatura
em
Matemática?
Comente.
táxi e ir
para UNIR.
E saia as
17:00 horas
da tarde e
não tinha
terminado
a
aula
ainda,
e
muitas
vezes
quando eu
chegava já
tinha
perdido o
ônibus ai,
tinha que ir
para
a
rodoviária
e
pegar
ônibus pra
ir embora.
Bom,
porque
minha
média
ficou 6,0.
Não.
Porque ta
faltando 3
semestre
pra
eu
terminar
matemática
(em outra
IES) e se
eu tivesse
pensando
bem tinha
feito
o
Vestibulinh
o na UNIR
e passado
para
o
turno
da
noite,
porque a
-
-
-
-
-
-
-
Não tenho como
avaliar o meu
desempenho no
curso, porque não
cheguei a estudar
Não tem como
avaliar, pois não
frequentei o curso
Não muito bom
-
Não, porque agora
eu
curso
de
biologia
Pretendo, mas
como eu estou
estudando física
e a hora que
tiver
o
Vestibulinho eu
vou mudar para
matemática
porque é mais
fácil que física,
só
vou
reaproveitar as
matérias
Por enquanto
não pretendo
voltar para o
curso
de
matemática
Como
tenho
outros
objetivos, não
tenho interesse
em voltar para o
curso
de
matemática
-
-
Não
Sim. Agora que
sei que posso
voltar
e
acompanhar
a
turma da noite
Sabendo
agora
que eu posso
retornar, sim
64
Você já fez, esta
fazendo
ou
pretende
fazer
outro curso de nível
superior?
O que você pensa
sobre a carreira de
professor?
noite tem
ônibus para
minha
cidade todo
dia. Ai não
compensav
a
mais,
compensar
compensa
porque a
UNIRé
Federal, eu
mesmo
quando
cheguei na
outra IES
acabei
aprendendo
rapidinho
com
o
pouco que
aprendi na
UNIR,
então aqui
o estudo é
mais fraco,
não é igual
a
UNIR
que
também
tem o peso
de federal
Sim, depois
que
saiu
aqui
na
outra IES
matemática
, ai parei ai
e
me
matriculei
aqui, então
não parei
de estudar,
só parei na
UNIR.
Eu penso
em
mudanças,
Faço curso técnico
Sim
ciências
biológicas
Licenciatura em
física
Atualmente
estudo letras
Atualmente
terminei o curso
de física e faço
direito
-
-
Este ano eu cursei
um semestre no
curso
de
engenharia
ambiental
na
UNIR,
mas
também tranquei
por causa do meu
trabalho, mas eu
pretendo
fazer
arquitetura
Comecei
contabilidade, mas
parei
To fazendo
-
Eu penso que é
uma carreira meia
complexa, mas eu
Eu
gosto
bastante, você
poder ensinar o
-
-
-
-
Eu sou professor
de
desenhos
técnicos,
acho
Uma carreira mal
gratificada e não
tem
muito
Boa
porem
muito
carreira,
não
é
bem
65
porque se
você não
pensar num
melhor
nunca vai
melhorar, a
gente pode
se esforçar
pra fazer a
diferença
Como você avalia a
UNIR-campus de
Ji-Paraná?
Como você avalia
os professores do
curso
de
Licenciatura
da
UNIR?
Eu gostei
muito
e
avalio
como bom,
porque
meu filho
também
esta
terminando
ai,
então
pra mim é
muito bom
Também
gostei
muito dos
professores
não acho ruim
porque eu convivo
com professores
então eu não
acredito que é tão
ruim ser professor
que sabe, você
passa
anos
aprendendo
para passar para
outra pessoa, é
claro que vou
ter dificuldades,
mas é uma
carreira que eu
me apaixonei
-
Quando
me
escrevi
fiquei
sabendo que era
uma
faculdade
muito boa eu
avalio com sendo
uma faculdade de
referência
Em questão de
infraestrutura
deixa um pouco
a desejar
-
-
-
-
-
Eu acho ótimo,
os professores
são
bem
acolhedores eles
mostram
que
eles sabem e
fazem o aluno
entender
os
conteúdos,
o
aluno gostar do
curso que ta
fazendo,
só
tenho
a
reclamar de um
devido
a
dificuldade no
método
de
ensino tipo Data
show
não
adianta
ter
apenas
Data
show você tem
que
saber
manusear, saber
ensinar e tirar as
-
-
-
uma das melhores
profissões
reconhecimento
gratificada
-
Referente
à
infraestrutura
deixa muito a
desejar,
principalmente os
prédios
de
matemática
e
pedagogia
Uma
Universidade bem
confiável e tem
um
respaldo
grande por ser
federal
O campus da
UNIR não avalio
muito bem não
-
Os
professores
que eu tive aulas
no
curso
de
engenharia
são
todos excelentes,
eu gostei muito,
com exceção de
uns
dois,
a
metodologia
de
ensino é meio
arcaica
e
retrógada e não
funciona
muito
bem nos dias de
hoje. As praticas
pedagógicas não
são muito boas
Não tem
avaliar
O
quadro
de
professores pode
ser que seja bom,
mas os que eu
conheci
não
davam a devida
assistência
como
66
O
que
a
Universidade
poderia ter feito
para
você
não
desistir do curso de
Licenciatura
em
Matemática?
Por não ter
a opção de
passa
a
estudar a
noite sem
ter
que
fazer
o
Vestibulinh
o que só ia
ter no final
do
ano,
pois eu não
aguentava
mais
a
situação da
locomoção
até
a
Universida
de
-
Porque quando eu
me escrevi eu
fiquei
sabendo
que era a noite ai
para mim não
dava, se fosse
num
período
noturno
teria
como.
Não
abriram leque para
que
eu
acompanhasse a
turma da noite
Se deseja fazer
algum comentário
ou sugestão sobre
essa
entrevista,
aproveite
o
momento.
Eu
me
arrependi
muito por
ter saído da
UNIR,
porque eu
poderia ter
pedido o
afastament
-
-
duvidas
do
conteúdo e não
apenas
jogar
nos slides e
achar que já ta
bom
Um projeto e
uma bolsa com
um valor bem
mais
alto,
porque igual o
PIBID,
uma
bolsa de 400,00
é difícil para o
aluno se manter,
mas sei que é
complicada essa
coisa
de
governo, mas
minha visão era
isso: ter mais
oportunidades
de trabalho aqui
dentro
do
campus
A todos os
alunos
que
continuem
focados
na
matemática
e
não apenas para
ganhar
o
dinheirinho no
final do mês,
-
-
-
-
-
-
-
-
Não
foi
por
questão
da
universidade e sim
problema pessoal,
mas
se
a
universidade
tivesse
mais
atrativos
em
questão
de
infraestrutura com
prédios melhores
e
tivessem
laboratórios
equipados, acho
que isso traria um
certificado
de
mais
qualidade
motivando
os
acadêmicos
a
frequentar
o
curso, tem muitos
alunos que fazem
o ensino médio
aqui na cidade e
procuram
outra
faculdade
em
outros lugares, por
falta de opção de
uma universidade
e a infraestrutura
da universidade
pública daqui que
não é tão boa
-
Ter condições de
mudar de turno:
pra
noite,
se
tivesse mudado de
turno eu tinha
continuado
Me incentivado
mais, pois quando
eu estudava, eles
chegavam
duas
horas e três horas
iam embora
-
-
67
o
do
serviço e
continuado
meus
estudos na
UNIR
mas para fazer o
aluno aprender
porque hoje se o
Brasil esta do
jeito que tá
porque não tem
uma
ótima
educação, uma
educação
de
qualidade. Igual
aquelas escolas
que tem maior
índice de notas
e
a
infraestrutura da
escola
é
precária só que
os professores
investiram na
educação, então
isso prova que
se
formar
ótimos
professores para
formar ótimos
alunos e pessoas
de bem a gente
vai
ter
um
Brasil melhor.
68
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tatiane ferreira da silva - Departamento de Matemática e Estatística