AVALIAÇÃO ANTROPOMÉTRICA
E FREQÜÊNCIA DE EXERCÍCIOS
FÍSICOS EM ADOLESCENTES
DO ENSINO MÉDIO DE UMA CIDADE
DO INTERIOR DE GOIÁS
estudos, Goiânia, v. 33, n.7/8, p. 635-642, jul./ago. 2006.
IANA CÂNDIDO CUNHA, RAPHAEL MARTINS CUNHA,
FERNANDA MARIA SANTOS, LICIELLE MARA SACHES
Resumo: observando o aumento da prevalência de obesidade na adolescência, objetivaram-se a realização de avaliações antropométricas (IMC) e a verificação da freqüência
de exercícios físicos em adolescentes (15 a 18 anos) do ensino médio de uma escola estadual no interior de Goiás. Essa
verificação totalizou uma amostra de oitenta indivíduos. Com
base nos resultados, observam-se um percentual maior de
meninas acima do peso e uma baixa adesão dos alunos à
prática de exercícios físicos.
Palavras-chave: obesidade, adolescentes, antropometria, freqüência de exercícios
A
obesidade é definida por Guyton e Hall (2002) como
a deposição de gordura em excesso no organismo.
É caracterizada por Dâmaso (2003) como uma doença multifatorial.
O acúmulo de gordura na região abdominal, especialmente entre as vísceras, apresenta grande risco de alterações metabólicas e de desenvolvimento de patologias
secundárias (HALPERN, 2000), o que pode ser extremamente perigoso para o adolescente, no que tange à aquisição de outras doenças.
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Segundo Rique (2002), de acordo com as últimas diretrizes
da Sociedade Brasileira de Cardiologia, entre os fatores de risco
mais evidentes no panorama da saúde cardiovascular no Brasil,
encontra-se a obesidade. Indivíduos obesos também têm grande
possibilidade de desenvolver diabetes (DÂMASO, 2003;
FRANCISHI et al., 2000), pois há forte correlação entre a obesidade e o diabetes tipo 2 (DÂMASO, 2003), em razão de uma reduzida tolerância à glicose (SBC, 2001). Halpern (2000) relaciona
também a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) à obesidade, entre
outras (FRANCISHI et al., 2000).
De acordo com Oliveira (2004), as transformações urbanas
ocorridas na cidade determinaram novos usos aos espaços, e a criança perdeu o seu lugar de brincar de uso comunitário, local de
desenvolvimento motor, social e perceptivo. A falta de espaço, solidariedade, segurança, e o excesso de horas que as crianças têm
de televisão ou de computador é, hoje, equivocadamente considerado normal na sua formação.
Essa modernização do estilo de vida traz um fator à tona: o
sedentarismo, que atualmente é um dos grandes vilões da saúde e
da qualidade de vida de crianças e adolescentes. Mesmo em cidades pequenas, onde o estilo de vida é considerado mais ativo, algumas dessas alterações já podem ser vistas.
Há um relacionamento inverso entre a atividade física e o ganho de peso (HILL; WYATT, 2005). A prática de exercícios físicos
traz benefícios importantes para a manutenção da qualidade de vida
de indivíduos que apresentam obesidade.
Estudos com adolescentes obesos mostram uma maior eficiência do exercício anaeróbico para a diminuição do peso, incluída
a redução mais eficiente de gordura corporal (FERNANDEZ et
al., 2004; SABIA et al., 2004). Costill e Wilmore (2001) ressaltam que, para a atividade aeróbica, a baixa intensidade não leva
necessariamente a um maior gasto de calorias derivadas das gorduras. O mais importante é que o gasto energético total para um determinado período de tempo é muito menor do que para a atividade
aeróbica de alta intensidade.
Uma associação entre exercícios aeróbicos e anaeróbicos
seria uma tática interessante para a diversificação da atividade. Ela aumentaria o gasto calórico e reduziria a monotonia.
A baixa adesão desse público à prática de exercícios pode estar
relacionada com o tipo de atividade proposta (FERNANDEZ
et al., 2004).
A escola juntamente com os professores de Educação Física,
neste universo, têm importante papel.
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METODOLOGIA
Selecionou-se uma escola estadual que como requisito da
pesquisa apresentasse em suas turmas alunos de idade entre 15
e 18 anos. Ela se localiza na cidade de Silvânia (GO). Foi conferida
uma autorização da direção da escola para que a pesquisa pudesse ser realizada no mês de outubro de 2005.
Houve consentimento de todos os indivíduos participantes
da pesquisa e apresentaram-se os objetivos do trabalho, a
metodologia e a forma com que os alunos colaborariam.
Totalizou-se uma amostra de 80 indivíduos: 38 do sexo feminino e 42 do sexo masculino, das turmas de primeiros e segundos anos do ensino médio.
Para o levantamento dos dados, os alunos foram submetidos à coleta de medidas antropométricas (peso e estatura) para
avaliação da composição corporal, com base no Índice de Massa
Corpórea (IMC) e ainda forneceram informações sobre a idade,
a regularidade da prática de exercício físico e o estilo de vida.
Foi utilizada uma balança com carga máxima de 150kg, com
precisão de 100g. A balança foi aferida antes de cada medição,
e os voluntários foram pesados em pé, descalços. A estatura foi
verificada com um estadiômetro de pé, graduado com uma fita
métrica em centímetros e com precisão de 1mm, com uma barra de madeira vertical e fixa. Usou-se um esquadro móvel para
posicionamento sobre a cabeça do aluno.
Utilizou-se o IMC, que corresponde à relação entre a massa corporal em kg e o quadrado da estatura em metros: massa
corporal(kg)/estatura 2(m).
Como o diagnóstico de sobrepeso e obesidade em crianças
e adolescentes pelo IMC apresenta diferenças com relação ao
diagnóstico de adultos, o resultado foi apresentado em percentis.
E como os percentis para IMC ainda possuem diferenciações
de idade e sexo, analisamos os resultados com base na tabela de
Must et al. (apud DÂMASO, 2003), que apresenta parâmetros
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de classificação geral dos percentis para IMC na população
jovem.
Para tratamento gráfico e estatístico, utilizamos o recurso de
planilha eletrônica da Microsoft: Microsoft Office Excel 2003.
RESULTADOS
Figura 1: Índice de Massa Corporal do Sexo Feminino e Masculino
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No quesito freqüência semanal de exercício físico, mostrada
na Figura 2, aponta-se uma maior freqüência de exercícios dos
adolescentes do sexo masculino. Eles demonstraram maior freqüência de atividade semanal e menor percentual de não-praticantes.
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Os resultados são apresentados em modo gráfico estatístico.
Neste, foram dispostos, para comparação dos dados, resultados
femininos e masculinos na mesma imagem.
Os valores do IMC, mostrados na Figura 1, analisados na forma
de parâmetros de classificação geral dos percentis para IMC na
população jovem, segundo Must et al. (apud DÂMASO, 2003), apresentaram-se de modo satisfatório. A grande maioria se enquadrou
no nível eutrófico. O sexo masculino sobressaiu em comparação
com o sexo feminino. E na extremidade oposta do gráfico, vemos
que as adolescentes apresentaram maior percentual de obesidade,
o que sugere maior atenção para este aspecto.
Figura 2: Freqüência Semanal de Exercício Físico do Sexo Feminino e Masculino
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DISCUSSÃO
A utilização de métodos antropométricos tem sido um instrumento de extrema importância para a descoberta do perfil de massa
corporal e para o acompanhamento profissional de indivíduos de
diversas faixas etárias, em razão de suas facilidades e de baixos
custos.
Na adolescência, o aparecimento de alto índice de massa
corpórea, além de problemas de insatisfação corporal (CONTI;
FRUTUOSO; GAMBARDELLA, 2005), pode ocasionar o aparecimento de outras doenças que são conhecidas por acometerem
adultos, como a diabetes (DÂMASO, 2003; FRANCISHI et al.,
2000; SBC, 2001; CUNHA et al., 2005) e as doenças
cardiovasculares (RIQUE, 2002) e HAS (HALPERN, 2000).
Os resultados foram satisfatórios, porque mostraram que a
maioria dos participantes está de acordo com a normalidade.
Giugliano e Carneiro (2004) apontam em seu estudo a inatividade de crianças como um dos fatores associados à obesidade.
Diversos estudos investigativos, com o intuito de observar a relação de jovens obesos com os exercícios físicos, concluem que a
obesidade ocorre na presença de um estilo de vida relativamente
sedentário (BAR-OR, 2003; SALVE, 2005).
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CONCLUSÃO
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Vimos que, mesmo com a baixa freqüência semanal da prática de exercícios sistematizados, as atividades diárias constituíram,
possivelmente, um dos aspectos positivos, na maioria dos alunos,
para a obtenção do padrão de normalidade do IMC: o hipotético
aumento do gasto calórico. A melhor apresentação dos resultados
nos adolescentes do sexo masculino pode estar relacionada com
questões culturais que os levam a ter vida mais ativa, elevando o
gasto calórico e contribuindo para o seu perfil antropométrico.
Provavelmente, a pouca oferta de recursos alimentares, como fastfoods e similares, também pode ter tido papel positivo no perfil
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Há um relacionamento inverso entre a atividade física e o ganho
de peso (HILL; WYATT, 2005). Assim, associamos a vida mais
ativa dos participantes com a menor proporção de indivíduos com
sobrepeso e obesidade. Por se tratar de uma cidade pequena, esse
fato pode estar relacionado com o costume regional de comida
mais saudável, sem o acesso fácil aos fast-foods ou similares que
contribuem para o ganho de peso. Os participantes da pesquisa
têm, ainda, hábitos de andar mais, ou seja, as atividades de vida
diárias contribuem com um gasto calórico maior.
A ocorrência de maior IMC em meninas pode estar ligada à
questão cultural de os meninos serem mais ativos na adolescência
e participarem de esportes colegiais, de rua, de trabalhos manuais,
entre outros aspectos que representam sua atividade. O aumento
da freqüência de atividades pode contribuir diretamente para a
redução do IMC, pois, segundo Costill e Wilmore (2001), a atividade física é importante tanto para a manutenção quanto para
a perda de peso. Além das calorias gastas durante o exercício,
ocorre um gasto substancial de calorias durante o período pósexercício.
A escola, neste universo, tem papel fundamental, pois é nela
que os primeiros e mais importantes estímulos são projetados, e é
nela que a criança e o adolescente devem adquirir hábitos saudáveis. Ela tem a obrigação de oferecer um programa de Educação
Física e Desporto adequado à realidade momentânea do aluno,
privilegiando tarefas e momentos de estimulação esportiva voltados para sua formação global (VALENTE, 2002).
encontrado. Entendemos que a escola tem papel importante tanto
no estímulo de hábitos mais saudáveis quanto na disposição de
programas de educação física e desporto adequados para esse grupo
etário. Eles devem visar à manutenção de perfis antropométricos
que contribuam para a qualidade de vida dos adolescentes.
Referências
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Key words: obesity, adolescence, anthropometry, frequency of
exercises
IANA CÂNDIDO CUNHA
Especialista em Atividade Física, em suas Bases Nutricionais e em Fisiologia do
Exercício. Professora de Educação Física na Universidade Estadual de Goiás
(Eseffego). Nutricionista.
RAPHAEL MARTINS CUNHA
FERNANDA MARIA SANTOS
Acadêmicos de Educação Física na Eseffego.
E-mail: [email protected]
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LICIELLE MARA SACHES
Graduada em Educação Física pela Eseffego.
estudos, Goiânia, v. 33, n.7/8, p. 635-642, jul./ago. 2006.
Abstract: observing the increase of the prevalence of obesity in the
adolescence, it was objectified accomplishment of anthropometric
evaluations (BMI) and verification of the frequency of physical
exercises in adolescents (from 15 to 18 years of age) of the average
education of a state school in the countryside of Goiás, totalizing
a sample of 80 individuals. From the results, one observes a bigger
percentage of overweight girls, and a low commitment of the
students to the practice of physical exercises.
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