UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA-UESB PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA CAMPUS DE ITAPETINGA NÍVEIS DE PROTEÍNA BRUTA EM DIETAS CONTENDO CONCENTRADOS PELETIZADOS COM FARELO DE SOJA EM SUBSTITUIÇÃO AO FENO DE ALFAFA PARA CABRAS LACTANTES EDILEUSA DE JESUS DOS SANTOS 2012 UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA – UESB PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA - PPGZ CAMPUS DE ITAPETINGA NÍVEIS DE PROTEÍNA BRUTA EM DIETAS CONTENDO CONCENTRADOS PELETIZADOS COM FARELO DE SOJA EM SUBSTITUIÇÃO AO FENO DE ALFAFA PARA CABRAS LACTANTES Edileusa de Jesus dos Santos ITAPETINGA BAHIA-BRASIL 2012 EDILEUSA DE JESUS DOS SANTOS NÍVEIS DE PROTEÍNA BRUTA EM DIETAS CONTENDO CONCENTRADOS PELETIZADOS COM FARELO DE SOJA EM SUBSTITUIÇÃO AO FENO DE ALFAFA PARA CABRAS LACTANTES Dissertação apresentada à Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), como parte das exigências do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, Área de Concentração em Produção de Ruminantes, para obtenção do título de “Mestre”. Orientadora: Mara Lúcia Albuquerque Pereira Co-orientadores: Mauro Pereira de Figueiredo Jurandir Ferreira da Cruz ITAPETINGA BAHIA-BRASIL 2012 UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA - UESB PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA Área de concentração em Produção de Ruminantes Campus de Itapetinga-BA TERMO DE APROVAÇÃO Título: “Níveis de proteína bruta em dietas contendo concentrados peletizados com farelo de soja em substituição ao feno de alfafa para cabras lactantes”. Autora: Edileusa de Jesus dos Santos Aprovada como parte das exigências para obtenção do Título de Mestre em Zootecnia, área de concentração em Produção de Ruminantes, pela Banca Examinadora: ____________________________________________________ Prof. D.Sc. Mara Lúcia Albuquerque Pereira - UESB Presidente ____________________________________________________ Prof. D.Sc. Soraia Vanessa Matarazzo - UESC ____________________________________________________ Prof. D.Sc. Herymá Giovane de Oliveira Silva - UESB Data da defesa: 02/04/2012 UESB - Campus Juvino Oliveira, Praça Primavera nº 40 – Telefone: (77) 3261-8628 Fax (77) 3261-8701 – Itapetinga – BA – CEP: 45.700-000 – E-mail: [email protected] Ao BOM DEUS, por me ajudar sempre e em TUDO; Às minhas tias e tios; Aos meus irmãos, sobrinhos e primos; Às minhas companheiras de república, pelo apoio e por sempre acreditarem que eu podia ir mais além; Aos meus amigos (as), pela força e incentivo em todas as horas; A todos que contribuíram com a realização deste trabalho; DEDICO... Agradecimentos A Deus, pela vida e por haver me sustentado em tudo e sempre; À Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB e ao Programa de PósGraduação em Zootecnia, pela oportunidade; À CAPES, pela concessão da bolsa de estudo; Aos meus pais, que mesmo “longe” me ensinaram muito sobre a vida; A todos os meus tios e tias, especialmente, Mery, Marcolina, Helena, Jana e José Bruno, que estiveram ao meu lado sempre me apoiando e me dedicando amor incondicional. A vocês, só tenho a agradecer e deixar registrado aqui o quanto os amo; Aos meus irmãos, por serem uma das mais importantes razões da minha dedicação ao estudo, especialmente, Evandro e Elias, meus “pequenos” e amados; Aos meus sobrinhos Fabiane, Alan, Felipe, Amanda e Fernanda, por recarregarem minha bateria com amor e muita alegria; Aos meus amigos, que sempre acreditaram em mim e me deram muitas razões para seguir em frente; A todos da Igreja Pentecostal Ungida, Arca da Aliança e Tabernáculo de Israel, pelo carinho e sustento nas orações; À Conceição, que há muitos anos ora em meu favor; À Aline, pela serenidade e conselhos, que fizeram com que nos tornássemos mais que companheiras de república, amigas; À minha prima Josane e Rafa, pela amizade, incentivo, convivência pacífica e acolhedora, que fizeram com que todos esses anos juntas em república formássemos uma “família”; À Cláudia, pelo acolhimento e amizade; À Daiane Maria, pela amizade e apoio; À professora Mara Lúcia, pela orientação e confiança, que contribuíram para a minha formação profissional; Ao professores Mauro e Jurandir, pela ajuda mais que importante na condução do meu experimento; Ao professor Herymá, pela colaboração com os dados estatísticos; Ao Capril Porteira Azul, por ceder os animais para o experimento; A RIOCON, pela parceria fundamental na condução deste trabalho; A Paulo “Barrão” e Professor César, pelo incentivo e ajuda, que foram fundamentais para meu crescimento pessoal e profissional; Aos funcionários da UESB (Vitória da Conquista), Almir e Daniel, pelo apoio mais que especial na condução do trabalho; Aos funcionários da DICAP, Ailton, Valmir, Maurício, Roberto e Zequinha, pelas caronas e pela disposição em ajudar; Aos funcionários da UESB (Itapetinga), Barriga e Loro, pelo apoio de sempre; À Daiane Alencar, Eduardo e Andréia, por serem meus companheiros mais que fiéis, que me auxiliaram nos momentos de tensão no experimento; A Leandro, Jeruzia, Fernando, Alana, Abdias, Lucas e Mazzilli, pela ajuda no trabalho de campo; À Cleia, Yan, Paty, João, Fernando e Fábio, pelo apoio; A Zé, pela ajuda nas análises laboratoriais e pela amizade; Aos meus colegas da pós-graduação, especialmente, Daiane Maria, Milena e Gilmara, pelo companheirismo e amizade; Aos animais, por servir como fonte de estudo; Enfim, a todos que contribuíram para que este trabalho fosse um sucesso. "Mas os que esperam no SENHOR renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão". Is 40:31 Até aqui me ajudou o Senhor. I Sm 7:12b Sumário Lista de tabelas......................................................................................................... 01 Capítulo I Níveis de proteína bruta em dietas contendo concentrados peletizados para cabras lactantes: consumo, digestibilidade, produção e composição do leite Resumo....................................................................................................................... 03 Abstract...................................................................................................................... 04 Introdução.................................................................................................................. 05 Material e métodos.................................................................................................... 07 Resultados e discussão............................................................................................... 11 Conclusões.................................................................................................................. 20 Referências................................................................................................................. 21 Capítulo II Níveis de proteína bruta em dietas contendo concentrados peletizados para cabras lactantes: balanço de nitrogênio, excreção de ureia e síntese de proteína microbiana Resumo........................................................................................................................ 24 Abstract....................................................................................................................... 25 Introdução.................................................................................................................. 26 Material e métodos..................................................................................................... 28 Resultados e discussão............................................................................................... 31 Conclusões.................................................................................................................. 39 Referências................................................................................................................. 40 LISTA DE TABELAS CAPITULO I TABELA 1. Composição percentual dos ingredientes no concentrado, expressa na base da matéria natural................................................................. 08 TABELA 2. Composição química do feno de Capim Tifton 85 e das dietas experimentais.................................................................................... 08 TABELA 3. Médias de consumos de nutrientes por cabras lactantes alimentadas com dietas contendo níveis de proteína bruta............... 11 TABELA 4. Coeficientes de digestibilidade aparente dos nutrientes de cabras lactantes alimentadas com dietas contendo níveis de proteína bruta ........................................................................................................... 15 TABELA 5. Médias de produção e composição de cabras lactantes alimentadas com dietas contendo níveis de proteína bruta................................... 1 16 CAPITULO II TABELA 1. Composição percentual dos ingredientes no concentrado, 29 expressa na base da matéria natural................................................. TABELA 2. Composição química do feno de Capim Tifton 85 e das dietas experimentais................................................................................... 29 TABELA 3. Balanço de nitrogênio e Variação do peso corporal em cabras lactantes alimentadas com dietas contendo níveis de proteína bruta ................................................................................................ 32 TABELA 4. Excreção e concentração de ureia e nitrogênio ureico na urina, leite e plasma de cabras lactantes alimentadas com dietas contendo níveis de proteína bruta ................................................... TABELA 5. 35 Excreções urinárias dos derivados de purina e síntese de proteína microbiana em função dos níveis de proteína bruta nas dietas ......................................................................................................... 36 2 SANTOS, Edileusa de Jesus. Níveis de proteína bruta em dietas contendo concentrados peletizados com farelo de soja em substituição ao feno de alfafa para cabras lactantes. Itapetinga-BA: Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia- UESB, 2012. (Dissertação – Mestrado em Zootecnia- Produção de Ruminantes)*. Capítulo I Níveis de proteína bruta em dietas contendo concentrados peletizados para cabras lactantes: Consumo, digestibilidade, produção e composição do leite Resumo Objetivou-se avaliar os efeitos de proteína bruta (10; 13; 16 e 19%) na matéria seca de dietas compostas por 20% de capim Tifton 85 e 80% de concentrado peletizado sobre o consumo, digestibilidade dos nutrientes, produção e composição do leite em cabras lactantes. Foram utilizadas oito fêmeas caprinas, da raça Saanen, com peso de 42,7 ± 1,43 kg e com 57,7 ± 7,37 dias de lactação e produção de leite de 2 ± 0,22 kg ao início do experimento. Os animais foram confinados em baias individuais, com dimensões de 1,32 x 3,10, e distribuídos em um delineamento em quadrado latino 4 x 4. Cada período experimental teve duração de 20 dias, sendo 15 dias de adaptação à dieta e 5 dias de coleta de dados. Os consumos de matéria seca, matéria orgânica, proteína bruta, fibra em detergente neutro isenta de cinza e proteína, extrato etéreo e nutrientes digestíveis totais apresentaram respostas quadráticas (P<0,05), com consumos máximos de 2,03; 2,0; 0,29; 0,77; 0,05 e 1,57 kg/dia, nos níveis de 14,07; 14,08; 18,92; 14,09; 14,49 e 14,27%, respectivamente. As digestibilidades da matéria seca, matéria orgânica, proteína bruta, carboidratos não fibrosos corrigidos para cinza e proteína, extrato etéreo e os teores de nutrientes digestíveis totais variaram linearmente (P<0,05), estimando-se taxas de aumento de 0,54; 0,50; 2,02; 0,49; 0,80 e 0,63 para cada unidade percentual de proteína adicionada à dieta, respectivamente. A produção de leite foi afetada (P<0,05), apresentando acréscimo de 0,54 unidades para cada 1% de proteína bruta adicionada à dieta. O teor de lactose do leite diminuiu linearmente (P<0,05), diferentemente do teor de gordura que aumentou linearmente (P<0,05), enquanto que o teor de proteína apresentou comportamento quadrático com máximo de 3,67% no nível de 16,5% de proteína na dieta. Recomenda-se a utilização de concentrações de proteína bruta de 13,5 até 15% na matéria seca de dietas, constituídas por 80% de concentrados peletizados, compostos por farelo de soja em substituição ao feno de alfafa como fontes de proteína para cabras lactantes produzindo 2 kg de leite por dia. Palavras- chave: capim Tifton 85, confinamento, farelo de algaroba, farelo de soja, feno de alfafa ___________________________________________ *Orientador: Mara Lúcia Albuquerque Pereira, D. Sc. - UESB e Co-orientadores: Mauro Pereira de Figueiredo, D. Sc. – UESB e Jurandir Ferreira da Cruz, D. Sc. – UESB. 3 SANTOS, Edileusa de Jesus. Crude protein levels in diets containing pelleted concentrates with soybean meal in replacement of alfalfa hay to lactating goats. Itapetinga-BA: State University of Southwest Bahia-UESB, 2012. (Dissertation - Master's degree in Animal Science-Ruminant Production) *. Chapter I Crude protein levels in diets containing pelleted concentrate for lactating goats: intake, digestibility, milk production and composition Abstract This study aimed to evaluate the effects of crude protein (10, 13, 16 and 19%) in dry matter of diets composed by 20% of Tifton 85 and 80% of pelleted concentrate on intake, nutrient digestibility, production and composition of milk in lactating goats. Were used eight female goats, Saanen, weighing 42.7 ± 1.43 kg and 57.7 ± 7.37 days of lactation and milk production of 2 ± 0.22 kg at the beginning of the experiment. The animals were housed in individual stalls with dimensions of 1.32 x 3.10 and distributed in a Latin square design, 4 x 4. Each experimental period lasted 20 days with 15 days of diet adaptation and 5 days of data collection. The intake of dry matter, organic matter, crude protein, neutral detergent fiber correct for ash and protein, ether extract and total digestible nutrients showed a quadratic effect (P <0.05), with maximum intakes of 2.03, 2.0, 0,29, 0,77, 0.05 and 1.57 kg/day in levels of 14.07, 14.08, 18.92, 14.09, 14.49 and 14.27% of DM respectively. The digestibility of dry matter, organic matter, crude protein, non-fibrous carbohydrates , ether extract and total digestible nutrient content varied linearly (P <0.05) estimating increasing rates of 0.54; 0.50, 2.02, 0.49, 0.80 and 0.63, for each percentage unit of protein added to the diet, respectively. Milk production was affected (P <0.05), with increase of 0.54 units for each 1% of crude protein added to the diet. The lactose content of the milk decreased linearly (P <0.05), unlike the fat content, which increased linearly (P <0.05), whereas protein content showed quadratic behavior with a maximum of 3,67% in level of 16.05% of dietary protein. It is recommended to use crude protein between 13.5% and 15.0% in dry matter of diets consisting of 80% concentrate pellets composed of soybean meal replacing the alfalfa hay as protein sources to lactating goats producing 2 kg of milk per day. Keywords: alfalfa hay, confinement, mesquite meal, soybean meal, tifton 85 ____________________________________ * Adviser: Mara Lúcia Albuquerque Pereira, D. Sc. - UESB and Co-advisers: Mauro Pereira de Figueiredo, D. Sc. - UESB and Jurandir Ferreira da Cruz, D. Sc. – UESB. 4 Introdução A raça caprina Saanen é proveniente da Suíça, bastante difundida no Brasil por se adaptar bem às condições climáticas e por manter uma boa produção de leite, assim, animais que necessitam de um aporte maior de nutrientes que, muitas vezes, não é atendido por conta do regime extensivo em que são criados, sendo sujeitos aos efeitos da sazonalidade da produção forrageira que causam variações produtivas tanto no crescimento quanto na produção de leite. O confinamento é uma alternativa interessante, pois visa acabar com tais efeitos, entretanto, para obtenção de resultados que compensem economicamente essa prática, a dieta deverá conter níveis suficientes de proteínas e elevados de energia, visando utilizar o concentrado eficientemente de forma que ocorra um maior consumo, digestibilidade e produção de leite, melhor eficiência alimentar e elevada síntese microbiana. A suplementação com concentrados proteicos em confinamento é uma estratégia que vem sendo utilizada com o intuito de melhorar a eficiência na produção e aumentar a produtividade animal. Para isso, é necessário o conhecimento do metabolismo proteico do animal, assim como informações sobre o valor nutritivo do alimento ofertado e seu perfil de fermentação ruminal. Por considerar que esses suplementos são responsáveis pelo alto custo da alimentação, é necessária sua utilização de maneira racional com o intuito de diminuir custos não só com a produção, mas, também, no que se refere aos custos energéticos para o animal ao excretar o excesso de proteína. A alfafa é uma leguminosa muito utilizada na alimentação de ruminantes como fonte de proteína, apresenta concentrações de 22% a 25% de proteína bruta, tem boa palatabilidade e seu feno é uma boa fonte de fibras de alta digestibilidade (CHEEKE, 1987). O feno de alfafa pode ser utilizado como componente do concentrado, pois apresenta maior proporção de conteúdo celular em detrimento aos componentes de parede celular, quando comparado às gramíneas e possui um valor de proteína degradável no rúmen, em torno de 70%. O processo de peletização de feno de alfafa corrige alguns problemas causados pela moagem, aumenta a densidade, facilita o manuseio e evita problemas de inalação de pó, além de reduzir a possibilidade de o animal selecionar a dieta (BOIN, 1993). O farelo de soja é um co-produto da agroindústria de extração de óleo, tradicionalmente utilizado como fonte de proteína básica, tem ótimo perfil de aminoácidos, sendo poucas as alternativas para substituí-lo e, raramente, se consegue o mesmo resultado, 5 quando a substituição é total. Possui um teor de proteína bruta em torno de 48% e, desta, cerca de 65% é degradável no rúmen (VALADARES FILHO et al., 2010). O farelo de soja supre uma grande demanda por nutrientes em animais de média e alta produção, que é limitada pela frequente baixa de consumo, além da reduzida qualidade das forragens, determinando uma necessidade de formulação de dietas mais "concentradas". É recomendado fazer associação do farelo de soja com fontes alternativas de proteína como a ureia, feno de alfafa, entre outras que, sozinhas, não conseguiriam suprir a concentração de proteica verdadeira necessária, mas que podem contribuir para a diminuição da participação desse alimento na dieta e, assim, reduzir custos. Diante do exposto, objetivou-se avaliar o consumo, digestibilidade aparente total dos nutrientes, produção e composição do leite em cabras lactantes, alimentadas com dietas contendo níveis de 10; 13; 16 e 19% de proteína bruta, em que se utilizou o farelo de soja em substituição ao feno de alfafa. 6 Material e métodos O experimento foi conduzido no setor de Caprinocultura da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Vitória da Conquista – BA, no período de junho a agosto de 2009. A cidade de Vitória da Conquista na Região Sudoeste do Estado da Bahia situa-se a 14º53' de latitude Sul, 40º48' de longitude Oeste e 870 m de altitude. O índice pluviométrico médio anual é de 733,9 mm. Durante os meses de realização do experimento, as temperaturas mínima e máxima indicaram médias de 9,7ºC e 31,3ºC, respectivamente. Foram utilizadas oito cabras da raça Saanen de escore corporal 2 e com 57,7 ± 7,37 dias em lactação, produzindo diariamente 2 ± 0,22 kg de leite. Após serem identificadas e tratadas contra endoparasitas, as cabras foram alocadas em baias individuais com dimensões de 1,32 x 3,10 m. No início do confinamento, o peso corporal das cabras foi de 42,7 ± 1,43 kg, sendo feitas pesagens ao final de cada período experimental. Os animais foram distribuídos em dois quadrados Latinos balanceados 4 x 4, compostos de quatro períodos de 20 dias (quinze de adaptação às dietas e cinco para coletas de dados). Foram avaliadas quatro dietas constituídas de níveis de proteína bruta: 10; 13; 16 e 19% na matéria seca total da dieta, na qual as substituições do feno de alfafa pelo farelo de soja no concentrado garantiram aumentos dos teores de proteína bruta. O concentrado foi utilizado na forma peletizada, na proporção de 80% para 20% de feno de capim Tifton 85 picado (5-8 cm). As rações foram balanceadas de acordo com o NRC (2006). Nas tabelas 1 e 2 estão apresentadas as proporções dos ingredientes das rações concentradas e os teores médios de matéria seca (MS), matéria orgânica (MO), proteína bruta (PB), proteína insolúvel em detergente neutro (PIDN), proteína insolúvel em detergente ácido (PIDA), extrato etéreo (EE), carboidratos totais (CT), fibra em detergente neutro isenta de cinza e proteína (FDNcp), fibra em detergente ácido (FDA) e carboidratos não fibrosos corrigidos para cinza e proteína (CNFcp) do feno de Capim Tifton 85 e das dietas experimentais. As dietas foram fornecidas diariamente às 7:30 e 15:00 h, ad libitum, de forma a permitir aproximadamente 10% do fornecimento em sobras. 7 Tabela 1. Composição percentual dos ingredientes no concentrado, expressa na base da matéria natural. Ingrediente 10 Níveis de proteína bruta na dieta (% MS) 13 16 19 Milho grão moído 29,43 29,40 29,38 29,35 Farelo de Algaroba 49,57 49,53 49,49 49,45 - 6,32 12,64 18,94 Ureia 0,22 0,22 0,22 0,22 Feno de Alfafa 18,74 12,48 6,23 - Sal Comum 0,33 0,33 0,33 0,33 Sal Mineral* 1,68 1,68 1,67 1,67 Farelo de Soja *Composição do sal mineral: 24 g de Ca/kg, 7,1 g de P/kg, 2 g de Mg/kg, 0,003 g de Co/kg, 0,04 g de Cu/kg, 0,004 g de I/kg, 0,135 g de Mn/kg, 2 g de S/kg, 0,17 g de Zn/kg. Tabela 2. Composição química do feno de Capim Tifton 85 e das dietas experimentais. Níveis de proteína bruta na dieta (% MS) Item 10 MS Feno de Capim Tifton 85 88,75 MO 13 16 19 Composição química do feno e das dietas (% MS) 96,13 95,31 95,09 93,95 98,18 98,99 99,01 99,00 98,80 PB 7,21 10,13 12,93 16,02 19,52 PIDN 1,31 1,95 2,33 2,43 3,54 PIDA 0,33 0,73 0,91 1,05 1,19 EE 1,55 2,71 3,22 3,05 2,76 CT 84,54 77,66 75,12 73,47 68,70 FDNcp 83,84 33,38 32,60 32,37 25,00 FDA 48,45 19,74 18,70 16,59 15,44 CNFcp 2,37 44,28 42,52 41,00 43,70 NDT 12,93 60,19 62,36 62,86 65,73 O consumo voluntário foi calculado pela diferença entre o oferecido e as sobras. Do 16º ao 20º dia, as sobras foram recolhidas diariamente, pesadas e amostradas em 10% do seu 8 peso. Foram obtidas, para cada animal, amostras compostas de sobras referentes a cada período experimental e, então, armazenadas a -20ºC para realização das análises laboratoriais. Ao término do período de coletas, as amostras foram descongeladas, homogeneizadas e, então, seguindo os procedimentos descritos por Silva & Queiroz (2002), foram realizadas as análises de MS, Cinzas, PB, PIDN, PIDA, EE, FDN e FDA. Os Carboidratos totais foram obtidos segundo Sniffen et al. (1992): CT = 100 - (%PB + %EE + %MM). Em que: CT = carboidratos totais (% MS); PB = teor de PB (% MS); EE = teor de EE (% MS); MM = teor de MM (% MS). Os teores de carboidratos não fibrosos, corrigidos para cinza e proteína (CNFcp), foram calculados de acordo com Hall (2003), sendo: CNFcp= (100 - %FDNcp - %PB - %EE - %MM). Os nutrientes digestíveis totais (NDT) foram calculados segundo Weiss (1999), mas utilizando FDN e CNF isentos de cinza e proteína, pela seguinte equação: NDT = PBD + 2,25 x EED + CNFcpD + FDNcpD. Em que: PBD = proteína bruta digestível; FDNcpD = fibra em detergente neutro isenta de cinza e proteína digestível; CNFcp = carboidratos não fibrosos corrigidos para cinza e proteína digestível e EED = extrato etéreo digestível. As coletas de fezes foram realizadas nos quatro períodos experimentais na manhã e tarde do 17º e do 18º dia, após a ordenha, diretamente da ampola retal. Para determinar os coeficientes de digestibilidade da MS, MO, PB, EE, FDNcp, e CNFcp, foi utilizado como indicador interno a fibra em detergente ácido indigestível (FDAi). Então, as amostras dos alimentos fornecidos (feno, concentrado), sobras e fezes pré-secas foram moídas a 1,0 mm e incubadas no rúmen de três bovinos por 264 horas em sacos de TNT - 100 g/m² (Casali et al., 2008). Foram, em seguida, submetidos à extração com detergente ácido (MERTENS, 2002) para quantificação dos teores de FDAi. A razão consumo de FDAi e a concentração fecal de FDAi foi utilizada para estimar a excreção fecal. A medida da produção de leite foi realizada do 16º ao 20º dia experimental e sua composição foi obtida com base na amostra composta com 10% do leite ordenhado manualmente na tarde do 15º dia e na manhã do 16º dia de coleta em cada período experimental. Nas amostras, foram determinados os teores de compostos nitrogenados totais e proteína bruta, lactose, gordura, sólidos totais e extrato seco desengordurado. As análises 9 qualitativas do leite foram realizadas no Laboratório de Fisiologia da Lactação da Escola Superior Luiz de Queiroz (ESALQ), em Piracicaba-SP. Para corrigir a produção de leite com 4,0% de gordura (LCG), foi utilizada a equação do NRC (2001): LCG = 0,4(kg de leite) + 15(kg de gordura). A eficiência alimentar foi obtida considerando o leite produzido (kg/dia) pela quantidade de alimento consumido (kg/dia), enquanto que a eficiência de utilização do N foi calculada pela divisão da quantidade de leite produzido (kg/dia) pela quantidade de N consumido (kg/dia). Foi avaliado efeito dos tratamentos para consumo, digestibilidade e produção e composição do leite e decompostos em contrastes polinomiais linear, quadrático e cúbico, submetidos ao procedimento MIXED do SAS (LITTELL et al.,1996), com o seguinte modelo: Yijkl= μ + Qi + Cj(i) + Pk + Tl + eijkl, Em que: μ = média geral, Qi = efeito de quadrado (i = 1 a 4), Cj(i) = efeito da cabra dentro de quadrado (j = 1 a 8), Pk = efeito de período (k = 1 a 4), Tl = efeito de tratamento (l =10, 13, 16 e 19% de PB) e, eijkl = erro residual. 10 Resultados e discussão Observa-se que ocorreu efeito quadrático (P<0,01) em função dos níveis de proteína na dieta para o consumo de matéria seca, expresso em kg/dia, estimando-se para o nível de 14,07% de proteína bruta o consumo máximo de 2,03 kg/dia (Tabela 3). Tabela 3. Item MS MO PB EE FDNcp CNFcp NDT MS MO PB EE FDNcp CNFcp NDT Médias de consumos de nutrientes por cabras lactantes alimentadas com dietas contendo níveis de proteína bruta. Níveis de proteína bruta (%MS) Valor-P EPM 10 13 16 19 L Q C Consumo (kg/dia) 2,05 2,13 2,19 1,77 0,13 0,0001 0,00011 0,2050 2,01 2,10 2,16 1,74 0,13 0,0001 0,00012 0,2096 3 0,18 0,25 0,31 0,30 0,02 0,0001 0,0001 0,1441 0,04 0,06 0,06 0,04 0,01 0,0001 0,00014 0,5160 5 0,78 0,77 0,79 0,52 0,06 0,0001 0,0001 0,0902 0,96 0,97 0,92 0,83 0,10 0,00016 0,2779 0,9730 7 1,48 1,60 1,67 1,39 0,18 0,0001 0,0001 0,2130 Consumo (g/kg de PC) 44,53 46,33 48,39 39,04 3,50 0,0135 0,00858 0,0959 9 43,82 45,61 47,64 38,42 4,87 0,0143 0,0091 0,1097 3,94 5,36 6,95 6,57 1,21 0,000110 0,0642 0,4415 11 0,95 1,31 1,43 0,93 0,15 0,0002 0,0002 0,3802 16,82 16,95 17,66 11,46 2,21 0,0003 0,000212 0,0520 13 21,06 20,94 20,35 18,28 1,90 0,0007 0,2711 0,8006 33,39 36,93 39,22 32,07 4,12 0,0001 0,000114 0,1082 ns, não significativo; PC, peso corporal; MS, matéria seca; MO, matéria orgânica; PB, proteína bruta; EE, extrato etéreo; FDNcp, fibra em detergente neutro isenta de cinza e proteína; CNFcp, carboidratos não fibrosos corrigidos para cinza e proteína; NDT, nutrientes digestíveis totais * (P < 0,05) **(P < 0,01) ***(P < 0,001) 1 Ŷ= - (0,5744±05118)ns + (0,3709±0,07343)X*** – (0,01318±0,002521)X2*** 2 Ŷ= - (0,5181±0,5072)ns + (0,3578±0,07278)X*** – (0,01270±0,002499)X2*** 3 Ŷ= - (0,3300±0,07812)*** + (0,06704±0,01121)X*** – (0,00177±0,00038)X2*** 4 Ŷ= - (0,1126±0,03444)** + (0,02318±0,004942)X*** – (0,0008±0,000170)X2*** 5 Ŷ= - (1,2422±0,3862)** + (0,2853±0,05542)X*** – (0,01012±0,001903)X2*** 6 Ŷ= (1,1008±0,04233)*** – (0,01684±0,002844)X*** 7 Ŷ= - (0,1973±0,3526)ns + (0,2483±0,05059)X*** – (0,00870±0,001737)X2*** 8 Ŷ= (1,6472±18,6483)ns + (7,0358±2,6758)X* – (0,2595±0,09188)X2** 9 Ŷ= (1,9872±18,3138)ns + (6,8502±2,6279)X* – (0,2523±0,09023)X2** 10 Ŷ= (0,9934±0,5868)ns + (0,3481±0,03943)X** 11 Ŷ= - (2,8732±0,9536)** + (0,5805±0,1368)X*** – (0,01993±0,004698)X2*** 12 Ŷ= - (23,7587±10,1921)* + (5,9895±1,4625)X*** – (0,2139±0,05022)X2*** 13 Ŷ= (26,8453±1,7166)*** – (0,4363±0,1153)X*** 14 Ŷ= - (22,6116±10,1174)* + (8,8408±1,4517)X*** – (0,3071±0,04985)X2** Para o consumo de MS, expresso em g/kg de PC também o mesmo padrão quadrático (P<0,01), foi observado, tendo no nível de 13,80% de PB, o consumo máximo de 49,34 g. 11 Esses resultados foram superiores aos consumos de matéria seca relatados por Fonseca et al. (2008), que reportaram valores de 1,53 a 1,74 kg/dia, quando utilizaram dietas para cabras lactantes com níveis de proteína bruta de 11,5% a 17,5%, e não observaram efeito sobre os consumos de matéria seca e matéria orgânica. Essa superioridade deve-se à qualidade da fibra utilizada, uma vez que a digestibilidade da FDN, reportada por Fonseca et al. (2008), foi de 58,16%, enquanto que a observada neste trabalho foi em média 66,9%. Paiva (2009) afirmou que incrementos no consumo de nutrientes com o acréscimo de proteína na dieta é justificado pela maior disponibilidade de compostos nitrogenados no rúmen, proporcionando maior crescimento dos microrganismos fibrolíticos, tendo como resultado aumento na degradação da fibra, taxa de passagem e utilização de nutrientes. Branco et al. (2011) afirmaram que a relação entre o consumo de matéria seca e o conteúdo de fibra em detergente neutro da ração apresenta natureza quadrática, sendo o ponto de inflexão o equilíbrio entre as ações do controle físico e fisiológico. A concentração de fibra na dieta, no ponto de inflexão, dá a ideia da quantidade máxima possível de forrageira para maximizar o consumo de energia pelo animal. Neste estudo, pode-se observar que o consumo de matéria seca sofreu controle fisiológico ao considerar que a concentração de FDN reduziu com o aumento de PB das dietas, devido à substituição do feno de alfafa por farelo de soja. Semelhantemente ao consumo de MS, ocorreu efeito quadrático (P<0,01) também para o consumo de matéria orgânica, que teve no nível de proteína bruta de 14,08% o maior consumo que foi de 2,0 kg/dia. Com os consumos máximos (P<0,01), quando expressos em g/kg de PC, de 48,48 no nível 13,57% de PB. O consumo de proteína bruta em kg/dia foi ajustado ao modelo quadrático (P<0,01) com consumo máximo de 0,29 kg/dia ao nível de 18,92% de PB, sendo ambos reflexo do consumo de matéria seca, apesar dessa estimativa estar muito próxima ao maior nível de PB testado. Quando o consumo de PB foi expresso em g/kg de PC, observou-se efeito linear (P<0,01) com o acréscimo de 0,35 unidades no consumo para cada 1% de acréscimo na concentração de PB na dieta, ressaltando-se que o peso corporal das cabras interferiu na ingestão de PB. Para cabras lactantes, Morand-Fehr & Sauvant (1980) sugeriram que a concentração de proteína bruta (PB) na dieta total deve variar entre 13 e 16% da matéria seca (MS), dependendo da qualidade da proteína da dieta, da produção de leite e do estádio de lactação. 12 Segundo Silva Sobrinho et al. (1991), as exigências na dieta para PB foram de 49,77; 74,65 e 99,53 g/dia para 1,0; 1,5 e 2,0 kg de leite produzido com 4% de gordura, respectivamente. O consumo de extrato etéreo apresentou efeito quadrático (P<0,01), provavelmente, refletindo a variação no consumo de MS, tendo o nível de 14,49% de PB na dieta aquele em que se obteve maior consumo de 0,05 kg de EE/dia. Quando expresso em g/kg de PC, o consumo de EE máximo foi de 3,41 no nível de 14,55% de proteína bruta na dieta. Para o consumo de fibra em detergente neutro isenta de cinza e proteína, houve comportamento quadrático (P<0,01), estimando-se para o nível de 14,09% de PB o máximo consumo de 0,77 kg/dia. Da mesma forma para o consumo de FDNcp em g/kg de PC, observou-se ponto máximo de 18,18 no nível de 14,0% de PB na dieta. Como discutido anteriormente, esses resultados confirmam que não ocorreu limitação do consumo por enchimento, considerando que os teores de FDNcp das dietas reduziram com a substituição de feno de alfafa pelo farelo da soja. Assim, pressupõe-se que dietas com teores de PB superiores a 14% provocam redução no consumo de matéria seca e dos demais nutrientes. O consumo dos carboidratos não fibrosos corrigidos para cinza e proteína, expressos em kg/dia e g/kg de PC, diminuíram linearmente (P<0,01) à medida que o feno de alfafa foi substituído pelo farelo de soja, em decorrência das diferenças na concentração desse nutriente nesses alimentos. Contudo, esse comportamento linear deve-se, principalmente, ao menor consumo de MS observado na dieta contendo 19% de PB, uma vez que as concentrações de CNF nas diferentes dietas são muito próximas. Vale ressaltar que Malafaia et al. (1998), ao realizarem o fracionamento de carboidrato de alguns alimentos volumosos e concentrados, encontraram cerca de 30,25% de CNF no feno de alfafa, em que 48,09% dos CT encontravam-se na fração B2; já para o farelo de soja, Cabral et al. (2000) reportaram valores médios de CNF de 27,8%, em que apenas 8,1% dos CT se encontravam na fração B2. Assim, pode-se inferir que o feno de alfafa possui, aproximadamente, 6 vezes mais carboidrato na fração B2 em relação ao farelo de soja, enquanto que o farelo de soja apresenta em média 2,1 vezes mais CNF que o feno de alfafa, o que levou a progressiva diminuição do CNF da dieta com a substituição do feno de alfafa pelo farelo de soja. O consumo de nutrientes digestíveis totais seguiu a mesma variação dos demais nutrientes, ajustando-se ao modelo quadrático, tendo nos níveis 14,27% e 14,39% de PB os 13 seus consumos máximos de 1,57 e 41,01, expressos em kg/dia e g/kg de PC. Embora as dietas tenham sido formuladas para serem isoenergéticas (Tabela 2), o comportamento do consumo da matéria seca e de matéria orgânica influenciou o mesmo de maneira similar. Segundo Silva et al. (2007), o consumo de nutrientes digestíveis totais está relacionado negativamente ao consumo de fibra em detergente neutro e positivamente ao consumo de carboidratos não fibrosos. Como esperado, o efeito quadrático do consumo de matéria seca refletiu no comportamento de ingestão da maioria dos nutrientes, somando-se ainda às diferenças na composição química das dietas (Tabela 2). Os efeitos nos consumos encontrados são decorrentes da alteração da ingestão das dietas constituídas com teores de PB acima de 14%, ocasionados pelo efeito de substituição do feno de alfafa pelo farelo de soja. Provavelmente, os animais foram hábeis em selecionar o concentrado por ser peletizado, não se misturar ao feno e pela reduzida relação volumoso: concentrado de 20: 80 da dieta. Os coeficientes de digestibilidades da matéria seca e de matéria orgânica aumentaram linearmente (P<0,01), estimando-se um aumento de 0,54 e 0,50, respectivamente, para cada unidade percentual de proteína acrescida na dieta (Tabela 4). Possivelmente porque a maior participação do farelo de soja nas dietas para obter o nível de proteína desejada proporcionou aumento da quantidade de nutrientes digestíveis. Quanto ao coeficiente de digestibilidade da proteína bruta, houve resposta linear positiva (P<0,01) com o acréscimo de 2,02 para cada unidade de proteína adicionada consistente com a elevação dos teores de proteína bruta proveniente do farelo de soja. Para o coeficiente de digestibilidade do extrato etéreo, houve também aumento linear (P<0,05), estimando-se uma taxa de acréscimo de 0,80 para cada unidade de proteína adicionada na dieta, em virtude da maior participação do farelo de soja às dietas com maiores níveis de proteína. Os valores obtidos pra os nutrientes digestíveis totais foram afetados pelos níveis de PB das dietas (P<0,01), estimando-se aumento de 0,63 para cada unidade percentual de proteína adicionada à dieta. 14 Tabela 4. Coeficientes de digestibilidade aparente dos nutrientes de cabras lactantes alimentadas com dietas contendo níveis de proteína bruta. Valor-P Digestibilidade (%) Níveis de proteína bruta (%) EPM 10 13(%MS)16 19 L Q C Matéria seca Matéria orgânica Proteína bruta Extrato etéreo FDNcp CNFcp NDT 77,7 79,1 61,0 66,3 63,1 88,0 72,4 80,5 81,5 73,1 73,2 67,8 88,4 75,1 82,1 83,1 77,8 73,4 70,3 88,6 76,3 83,9 84,9 84,1 71,6 66,4 88,6 79,0 1,52 1,43 2,71 3,88 2,77 1,25 2,50 0,00011 0,00012 0,00013 0,02474 0,1115 0,00106 0,00017 0,6497 0,7933 0,1879 0,2719 0,01845 0,2708 0,9951 0,7535 0,8219 0,3638 0,7939 0,5950 0,5602 0,6203 MS, matéria seca; MO, matéria orgânica; PB, proteína bruta; EE, extrato etéreo; FDNcp, fibra em detergente neutro isenta de cinza e proteína; CNFcp, carboidratos não fibrosos corrigidos para cinza e proteína; NDT, nutrientes digestíveis totais (g/100g de matéria seca). * (P < 0,05) **(P < 0,01) ***(P < 0,001). 1 Ŷ= (75,0249±0,9557)*** + (0,5461±0,06422)X*** 2 Ŷ= (76,7539±1,1239)*** + (0,5033±0,07552) X*** 3 Ŷ= (48,4235±1,7779)*** + (2,0204±0,1195)X*** 4 Ŷ= (61,0010±5,0465)*** + (0,8017±0,3391)X* 5 Ŷ=70,16±0,6 6 Ŷ= (81,7027±2,0221)*** + (0,4943±0,1359)X*** 7 Ŷ= (67,0110±2,0573)*** + (0,6314±0,6314)X*** A digestibilidade de FDNcp seguiu o comportamento quadrático (P<0,05), sendo influenciado pelo consumo de MS, entretanto, não se obteve um modelo de equação ajustada adequadamente para esses dados, uma vez que eles não foram influenciados pelos níveis de proteína na dieta e, sim, pelos teores de FDNcp das dietas experimentais, que foram reduzindo, conforme o feno de alfafa foi sendo substituído pelo farelo de soja. A digestibilidade dos carboidratos não fibrosos corrigidos para cinza e proteína foi influenciada de forma linear (P<0,01), estimando aumento de 0,49 para cada unidade de proteína bruta adicionada à dieta. Como o consumo de CNFcp reduziu, pode-se observar que o aumento dos níveis de PB favoreceu a disponibilização de proteína degradável no rúmen para melhor utilização do esqueleto carbônico e da energia dos carboidratos para a devida fermentação. Alves (2009) afirmou que a diferença existente na digestibilidade da proteína bruta está condicionada à fonte de carboidratos não fibrosos utilizada. O que corrobora com Casper & Schingoethe (1989), que relataram que diferentes fontes e degradabilidades dos carboidratos não-estruturais nas rações aumentam a síntese de proteína microbiana e a eficiência de utilização de proteína degradável no rúmen. 15 A produção de leite (PL) em kg/dia foi influenciada (P<0,01) pelos níveis de proteína bruta nas dietas, apresentando aumento linear, resultado do aumento do consumo de matéria seca (Tabela 5). Tabela 5. Médias de produção e composição de cabras lactantes alimentadas com dietas contendo níveis de proteína bruta. Variáveis PL PLC Gordura Proteína Lactose ST ESD Gordura Proteína Lactose ST ESD Matéria seca1 Nitrogênio2 Níveis de proteína bruta (%MS) EPM 10 13 16 19 Produção de leite (kg/dia) 1,5 1,7 1,7 1,6 0,02 1,3 1,4 1,4 1,4 0,20 Composição Teores (%) 3,0 2,8 2,9 3,3 0,28 3,1 3,2 3,5 3,4 0,13 4,4 4,3 4,3 4,3 0,09 11,3 11,2 11,6 11,7 0,41 8,3 8,3 8,6 8,4 0,15 Quantidades (g/dia) 44,9 48,0 49,4 52,6 4,99 47,6 55,4 59,8 55,5 9,27 65,9 74,9 74,9 70,2 12,2 29,6 170,4 192,9 198,5 190,9 23,0 125,5 145,0 149,0 138,1 7 4 8 0 Eficiência 2 5 5 7 0,73 0,82 0,79 0,91 0,10 0,26 0,22 0,18 0,18 0,023 L Valor-P Q C 0,00011 0,07602 0,0642 0,2931 0,4415 0,6774 0,00013 0,0001 0,03615 0,13586 0,0001 0,2467 0,00014 0,6661 0,5458 0,00017 0,9715 0,1481 0,1214 0,4965 0,0254 0,10778 0,0109 0,036810 0,001411 0,0201 0,9700 0,01679 0,0376 0,0557 0,023712 0,8401 0,5997 0,7615 0,9165 0,9790 0,0087 0,000114 0,004813 0,0529 0,0165 0,6105 PL, produção de leite; PLC, produção de leite corrigido para 4,0% de gordura; ST, sólidos totais; ESD, extrato seco desengordurado *(P<0,05) **(P<0,01) ***(P<0,001) 1-Leite (kg/dia)/CMS 2-N leite/CN ns: não significativo. 1 Ŷ= (75,0249±0,9557)*** + (0,5461±0,06422)X*** 2 Ŷ= 1,55±0,02 3 Ŷ= (11,7255±1,1083)*** + (1,3322±0,1590)X*** 4 Ŷ= (1,0475±10,3479)** + (0,3183±0,04992)X*** - (0,00966±0,001714)X2*** 5 Ŷ= (4,6331±0,1127)*** – (0,01661±0,007569)X* 6 Ŷ=11,53±0,06 7 Ŷ= (5,2855±0,4442)*** + (0,4221±0,06374)X*** - (0,01361±0,002189)X2*** 8 Ŷ= 51,62±0,93 9 Ŷ= - (50,4025±37,7026)ns + (14,7179±5,4100)X* - (0,4717±0,1858)X2* 10 Ŷ= (55,9009±7,3085)*** + (1,0730±0,4911)X* 11 Ŷ= (144,07±16,1393)*** + (3,83248±1,0844)X** 12 Ŷ= - (70,8069±89,7564)ns + (31,6934±12,8792)X – (1,0559±0,4422)X2* 13 Ŷ= (1,3869±0,2096)*** - (0,08458±0,03008)X**+ (0,003159±0,001033)X2** 14 Ŷ= (0,3322±0,01702)*** - (0,00781±0,001144)X*** Evidencia-se, assim, relação positiva entre o aumento dos níveis de proteína bruta nas dietas e um aporte de nutrientes para a glândula mamária. A produção corrigida para leite 16 com 4,0% de gordura (PLC) não sofreu efeito dos níveis de proteína bruta na dieta. Os teores de gordura sofreram aumento linear (P<0,01) e não se detectou variação significativa para as quantidades produzidas deste componente, apesar de os valores absolutos compreenderem a faixa de 44,9 a 52,7g/dia. A melhor explicação para isso é o efeito de diluição do aumento do volume de leite produzido, proporcionado pelas dietas com maiores níveis de PB. É evidente o efeito positivo do teor de PB da dieta na produção de gordura do leite, possivelmente, pelo aumento da atividade das bactérias fibrolíticas. Vale ressaltar que as concentrações de gordura do leite observadas neste estudo estão abaixo dos índices considerados normais para leite de cabra, possivelmente, pela razão baixa volumoso: concentrado e pela forma física do feno e do concentrado utilizada neste estudo, que, provavelmente, contribuiu para a redução do pH ruminal, aumento da taxa de passagem e menor utilização de fibra. O tamanho de partícula e a quantidade de fibra são fatores importantes, pois partículas com maior tamanho proporcionam maior tempo de mastigação e maior produção de saliva, que também tem a função de tamponamento ruminal, favorecendo, assim, a manutenção do pH ruminal em valores próximos à neutralidade, garantindo o aumento da atividade das bactérias fibrolíticas e maior produção de ácido acético, responsável pelo aumento no teor de gordura do leite. Costa et al. (2009) relataram que aumento no consumo de concentrado acarreta em fermentação ruminal com alta produção de ácido propiônico e lático, resultando em redução no pH ruminal e baixa gordura do leite. O teor e a produção de proteína no leite sofreram efeito quadrático com valores máximos de 3,67% e 64,41 g/dia, para os níveis de proteína bruta de 16,47% e 15,6%. Esse comportamento deve-se, provavelmente, à redução no consumo de energia com a diminuição no consumo de matéria seca, visto que, na dieta com 19% de PB, ocorreu um excesso de proteína com limitada energia, ocasionada pela substituição do feno de alfafa pelo farelo de soja. O conteúdo de proteína do leite, geralmente, sofre aumento, quando ocorre elevação no fluxo de proteína microbiana e/ou fração não-degradável da proteína dietética, que escapou da digestão ruminal por serem fontes de proteína metabolizável, requerida para a produção de leite e de seus componentes pelas cabras. 17 Com o aumento da proteína na dieta era de se esperar um aumento no teor de proteína do leite, contudo, a proteína é pouco influenciada pelo seu aumento na dieta, ocorrendo um aumento do conteúdo de NNP do leite, quando quantidade acima do necessário é ofertada ao animal. O teor de lactose diminuiu linearmente (P<0,01), estimando-se uma taxa de redução de 0,01% para cada unidade adicionada de PB na dieta, sendo influenciada pelo aumento da produção de leite pelo efeito de diluição. Enquanto que a produção de lactose aumentou linearmente (P<0,05) em função dos níveis de PB na dieta, o que explica o aumento na produção de leite, por ser a lactose diretamente relacionada à regulação osmótica, assim, quanto maior sua produção maior a produção de leite. Paiva (2009) afirmou que consumos diminuídos de carboidratos não fibrosos acarretam redução na produção ruminal de propionato, principal precursor de glicose no fígado, sendo este substrato usado para a formação da galactose e, por fim, da lactose na glândula mamária. Por outro lado, a lactose é o componente do leite que menos sofre alteração em função da dieta, em comparação com a gordura e proteína. No caso deste estudo, a redução do consumo de CNF não refletiu em concomitante redução na produção de lactose. Rota et al. (1993) citados por Queiroga et al. (2007) afirmaram que teores de proteína e gordura são inversamente proporcionais à produção de leite, chegando a valores mínimos com a maior produção de leite, que coincide com o segundo mês de lactação, porém, isso não é consistente com os resultados obtidos neste estudo, evidenciando que os níveis de PB nas dietas favoreceram a síntese de gordura e proteína do leite, fator que contribuiu para o aumento da produção de leite. O valor máximo para o extrato seco desengordurado foi de 8,56% no nível de proteína bruta de 15,50% na dieta, consistente com o comportamento do conteúdo de proteína no leite, o qual foi o fator que mais contribuiu pela variação do ESD. Araújo et al. (2009) afirmaram que o extrato seco desengordurado está diretamente relacionado com a produção de sólidos totais e de leite, assim, seguem o mesmo padrão de comportamento verificado para essas variáveis. O teor de extrato seco total não foi influenciado pelas dietas, mas apresentou variação linear crescente (P<0,01) na quantidade diária produzida, uma vez que houve aumento na produção de leite. 18 A eficiência de utilização da matéria seca foi afetada de forma quadrática, apresentando no nível de 13,38% de PB a eficiência máxima de 0,82. Esse resultado reflete o comportamento do consumo de MS, que também sofreu variação quadrática, ainda que a produção de leite tenha aumentado de forma linear. Rodrigues et al. (2007) atribuíram ao aumento da eficiência de utilização da matéria seca o aumento da produção de leite em resposta ao do consumo. A eficiência de utilização de compostos nitrogenados diminuiu de forma linear, provavelmente porque quanto maior o consumo de proteína bruta menor é a eficiência de utilização de nitrogênio para produção de leite, o que corrobora com resultados obtidos por Pereira et al. (2003); Fonseca et al. (2006) e Paiva (2009). Assim, a fração nitrogenada não utilizada para a produção de leite, provavelmente, seguiu outras rotas de utilização e/ou excreção. 19 Conclusões O consumo de nutrientes, assim como a produção e composição do leite foram influenciados, em sua maioria, de forma quadrática pelos níveis de proteína, com melhores resultados entre os teores de 13 e 15% de proteína bruta na dieta, ainda que a digestibilidade dos nutrientes e os teores de nutrientes digestíveis totais aumentassem com níveis superiores de proteína bruta. Para dietas constituídas por 80% de concentrados peletizados, compostos por farelo de soja e feno de alfafa como fontes de proteína para cabras lactantes produzindo 2 kg de leite por dia, a melhor relação entre feno de alfafa e farelo de soja como fontes de proteína foi de 2:1, correspondendo à concentração de 13,5 e 15% de proteína bruta na matéria seca. 20 Referências ALVES, E. M. Farelo da vagem de algaroba associado a níveis de ureia na alimentação de ovinos. 2009, 58p. 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As dietas consistiram em níveis de 10; 13; 16 e 19% de proteína bruta na matéria seca e o volumoso utilizado foi 20% do feno de capim Tifton 85. Para tal, foram utilizadas oito fêmeas caprinas, da raça Saanen, com peso de 42,7±1,43 kg, 57,7±7,37 dias de lactação e produção de leite de 2±0,22 kg. Os animais foram confinados em baias individuais com dimensões de 1,32 x 3,10 e distribuídos em um delineamento em quadrado latino 4 x 4. Observou-se balanço corporal de nitrogênio positivo, sendo que, para a dieta com 19% de proteína bruta, verificou-se variação de peso corporal negativo de -0,03 g/dia, porém, próximo a zero (P<0,05). A concentração (mg/dL) de ureia na urina, no leite e no plasma foi influenciada de forma linear positiva (P<0,05), observando-se maior taxa de aumento na urina, com acréscimos de 2,1403 unidades para cada 1% de proteína bruta adicionada à dieta. A síntese de proteína microbiana não foi influenciada (P>0,05), mas evidencia-se que as dietas reduziram a proteína microbiana (44,19 g/dia) e a eficiência de sua produção ruminal (29,61 g/kg de NDT). Níveis superiores a 16% de proteína bruta não são recomendados, devido ao custo energético para excretar ureia. Palavras-chave: derivados de purina, farelo de algaroba, farelo de soja, feno de alfafa, metabolismo proteico, urina spot ____________________________________ *Orientador: Mara Lúcia Albuquerque Pereira, D. Sc. - UESB e Co-orientadores: Mauro Pereira de Figueiredo, D. Sc. – UESB e Jurandir Ferreira da Cruz, D. Sc. – UESB. 24 SANTOS, Edileusa de Jesus. Crude protein levels in diets containing pelleted concentrates with soybean meal in replacement of alfalfa hay to lactating goats. Itapetinga-BA: State University of Southwest Bahia-UESB, 2012. (Dissertation - Master's degree in Animal Science-Ruminant Production) *. Chapter II Crude protein levels in diets containing pelletized concentrates for lactating goats: nitrogen balance, urea excretion and microbial protein synthesis Abstract This study aimed to evaluate the nitrogen balance, urea excretion and microbial protein synthesis in lactating goats fed concentrates pelleted with protein levels, obtained by replacing alfalfa hay with soybean meal. The diets consisted of levels of 10, 13, 16 and 19% of crude protein in dry matter and roughage used was 20% of Tifton 85 hay. To this end, we used eight female goats, Saanen, weighing 42.7 ± 1.43 kg, 57.7 ± 7.37 days of lactation with milk production of 2 ± 0.22 kg. The animals were housed in individual pens with dimensions of 1.32 x 3.10 and distributed in a Latin square design, 4 x 4. Observed positive nitrogen balance body, while for the diet with 19% crude protein was found in body weight variation negative -0.03 g / day, but close to zero (P<0.05). Concentration (mg / dl) of urea in urine, milk and plasma was influenced positively linearly (P<0.05), with a higher rate of increase in urine, with additions of 2.1403 units for each 1% crude protein in the diet. The microbial protein synthesis was not affected (P>0.05), but it is evident that the reduced microbial protein diets (44.19 g/day) and efficiency of ruminal production (29.61 g / kg of TDN). Levels in excess of 16% crude protein are not recommended due to the energy cost to excrete urea. Keywords: alfalfa hay, mesquite meal, protein metabolism, purine derivatives, soybean meal, urine spot ____________________________________ * Adviser: Mara Lucia Albuquerque Pereira, D. Sc. - UESB and Co-advisers: Mauro Pereira de Figueiredo, D. Sc. - UESB and Jurandir Ferreira da Cruz, D. Sc. – UESB 25 Introdução Pesquisas envolvendo a nutrição proteica de cabras em seus distintos estados fisiológicos, em condições tropicais, são escassas, sendo relevante o desenvolvimento de estudos nesta área, já que a grande maioria dos dados encontrados na literatura é proveniente de trabalhos desenvolvidos em condições de clima temperado. As exigências de proteínas pelos ruminantes são atendidas pelos aminoácidos provenientes da proteína microbiana e da proteína dietética não degradada no rúmen. Entretanto, as fontes de proteína são as que mais oneram os custos de produção, sendo necessária a utilização destas de maneira racional para diminuir custos não só com a produção mais também no que se refere aos custos energéticos para o animal. O suprimento de aminoácidos a partir da proteína microbiana é fundamental para o metabolismo proteico dos ruminantes, sendo que uma grande parte dos aminoácidos absorvidos no intestino delgado é proveniente da proteína microbiana. Assim, o que determina a quantidade de proteína microbiana que passa para o intestino delgado são a eficiência e o fluxo de produção microbiana (PESSOA, 2009). De acordo com Ribeiro et al. (2001), a eficiência e massa microbiana dependem do substrato disponível para fermentação no rúmen, além da composição e taxa de fermentação do mesmo, aliado ainda a fatores intrínsecos ao ambiente ruminal. O fluxo microbiano é dependente das relações entre o tamanho de partícula, o volume e a taxa de passagem no rúmen. A avaliação do metabolismo proteico dos ruminantes, por meio do monitoramento do balanço de nitrogênio, concentração de ureia no soro e excreção de urina, quando são ofertados alimentos proteicos, permite a obtenção de informações a fim de evitar prejuízos decorrentes do fornecimento de quantidades excessivas de proteína ou da inadequada sincronia de energia e proteína. O farelo de soja é uma fonte proteica altamente digestível com escape de nitrogênio, em torno de 25% para o intestino. Possui boa aceitabilidade e perfil de aminoácidos. O feno de alfafa, bastante utilizado como componente do concentrado, pois apresenta-se em posição intermediária entre volumoso e concentrado, devido as suas características com maior proporção de conteúdo celular, em detrimento dos componentes de parede celular em relação às gramíneas, e apresenta um valor de PDR em torno de 70%. Essas fontes proteicas, por possuírem alta digestão ruminal, necessitam, assim, de fontes de carboidratos prontamente fermentescíveis para que ocorra uma boa sincronia entre 26 proteína e carboidrato. Nesse sentido, o farelo de vagem de algaroba surge como uma alternativa bastante interessante por possuir 50,0-64,0% de carboidratos solúveis em detergente neutro, 14-20% de ácidos orgânicos, outras substâncias e pectina (SILVA, S. A. et al., 2001), um carboidrato de alta degradabilidade, presente na fração B1 dos carboidratos, que proporciona um melhor padrão de fermentação ruminal do que as fontes de amido tradicionais como o milho, já que alimentos com alto teor de amido favorecem a formação de ácido propiônico no rúmen e induzem os animais à acidose com maior facilidade do que alimentos ricos em pectina, que promovem fermentação acética. O objetivo deste trabalho foi avaliar o balanço de nitrogênio, excreção de ureia e síntese de proteína microbiana em cabras lactantes alimentadas com dietas contendo níveis de proteína bruta (10; 13; 16 e 19% na matéria seca) e constituídas por 80% de concentrados peletizados e 20% de feno de capim Tifton 85. 27 Material e métodos O experimento foi conduzido no setor de Caprinocultura da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Campus de Vitória da Conquista – BA, no período de junho a agosto de 2009. A cidade de Vitória da Conquista, localizada na Região Sudoeste do Estado da Bahia, situa-se a 14º53' de latitude Sul, 40º48' de longitude Oeste e 870 m de altitude. O índice pluviométrico médio anual é de 733,9 mm. Durante os meses de realização do experimento, as temperaturas mínimas e máximas indicaram médias de 9,7ºC e 31,3ºC, respectivamente. Foram utilizadas oito cabras da raça Saanen de escore corporal 2 e com 57,7±7,37 dias em lactação, produzindo diariamente 2±0,22 kg de leite. As cabras, depois de identificadas e tratadas contra endoparasitas, foram alocadas em baias individuais com dimensões de 1,32 x 3,10 m. No início do confinamento, o peso corporal das cabras foi de 42,7±1,43 kg. sendo feita pesagens ao final de cada período experimental. Os animais foram distribuídos em dois quadrados Latinos balanceados 4 x 4, compostos de quatro períodos de 20 dias, com quinze de adaptação às dietas e cinco para coletas de dados. Foram avaliadas quatro dietas constituídas de níveis de proteína bruta: 10; 13; 16 e 19% na matéria seca total da dieta, em que as substituições do feno de alfafa pelo farelo de soja no concentrado garantiram aumentos dos teores de proteína bruta. O concentrado foi utilizado na forma peletizada na proporção de 80% para 20% de feno de capim Tifton 85 picado (5-8 cm). As rações foram balanceadas de acordo com o NRC (2006). Nas tabelas 1 e 2 estão apresentadas as proporções dos ingredientes das rações concentradas e os teores médios de matéria seca (MS), matéria orgânica (MO), proteína bruta (PB), proteína insolúvel em detergente neutro (PIDN), proteína insolúvel em detergente ácido (PIDA), extrato etéreo (EE), carboidratos totais (CT), fibra em detergente neutro isenta de cinza e proteína (FDNcp), fibra em detergente ácido (FDA) e carboidratos não fibrosos (CNF) do feno de Capim Tifton 85 e das dietas experimentais. As dietas foram fornecidas diariamente às 7:30 e 15:00 h, ad libitum, de forma a permitir aproximadamente 10% do fornecimento em sobras. O consumo voluntário foi calculado pela diferença entre o oferecido e as sobras para cada animal. As amostras dos alimentos oferecidos e sobras foram coletadas do 16° ao 20° dia de cada período experimental, pesadas e feitas amostras compostas com 10% do seu peso em cada dia, acondicionadas em sacos plásticos e armazenadas a -20°C. 28 Tabela 1. Ingrediente Composição percentual dos ingredientes no concentrado com base na matéria natural. Níveis de proteína bruta (%MS) 10 13 16 19 Milho grão moído 29,43 29,40 29,38 29,35 Farelo de Algaroba 49,57 49,53 49,49 49,45 - 6,32 12,64 18,94 Ureia 0,22 0,22 0,22 0,22 Feno de Alfafa 18,74 12,48 6,23 - Sal Comum 0,33 0,33 0,33 0,33 Sal Mineral* 1,68 1,68 1,67 1,67 Farelo de Soja *Composição do sal mineral: 24 g de Ca/kg, 7,1 g de P/kg, 2 g de Mg/kg, 0,003 g de Co/kg, 0,04 g de Cu/kg, 0,004 g de I/kg, 0,135 g de Mn/kg, 2 g de S/kg, 0,17 g de Zn/kg. Tabela 2. Composição química do feno de Capim Tifton 85 e das dietas experimentais. Níveis de proteína bruta na dieta (% MS) Item 10 MS Feno de Capim Tifton 85 88,75 MO 13 16 19 Composição química do feno e das dietas (% MS) 96,13 95,31 95,09 93,95 98,18 98,99 99,01 99,00 98,80 PB 7,21 10,13 12,93 16,02 19,52 PIDN 1,31 1,95 2,33 2,43 3,54 PIDA 0,33 0,73 0,91 1,05 1,19 EE 1,55 2,71 3,22 3,05 2,76 CT 84,54 77,66 75,12 73,47 68,70 FDNcp 83,84 33,38 32,60 32,37 25,00 FDA 48,45 19,74 18,70 16,59 15,44 CNFcp 2,37 44,28 42,52 41,00 43,70 NDT 12,93 60,19 62,36 62,86 65,73 29 As coletas de fezes foram realizadas nos quatro períodos experimentais, na manhã e tarde do 17º e 18º dia após a ordenha, diretamente da ampola retal, acondicionadas e congeladas separadamente por turno e dia de coleta. Ao término do período de coletas, as amostras de fezes foram descongeladas, présecadas, pesadas para a obtenção de uma amostra composta por pesos iguais de todas as fezes coletadas separadamente. As amostras de sobras foram descongeladas, homogeneizadas e, então, seguindo os procedimentos descritos por Silva & Queiroz (2002), foram realizadas a determinação da MS e nitrogênio total nas sobras e nas fezes. A coleta do leite foi realizada do 16º ao 20º dia de coleta e sua composição foi obtida com base na amostra composta com 10% do leite ordenhado manualmente na tarde do 15º dia e na manhã do 16º dia de coleta de todos os períodos experimentais, obtendo uma amostra composta, na qual foram determinados os teores de nitrogênio total e N-ureico, realizados no Laboratório de Fisiologia da Lactação da Escola Superior Luiz de Queiroz (ESALQ), em Piracicaba-SP. As amostras de urina spot de cada animal foram obtidas no 19º dia de cada período experimental, após 4 horas da alimentação matinal, durante micção espontânea. Amostras de 10 ml foram diluídas com 40 ml de H2SO4 0,036 N. Estas amostras tiveram o pH ajustado para valores inferiores a 3, para evitar destruição bacteriana dos derivados de purinas e precipitação do ácido úrico e, em seguida, armazenadas a -20ºC, para posteriores análises de creatinina e derivados de purina, ureia e nitrogênio total. Para estimação da síntese microbiana ruminal, as análises de derivados de purinas (alantoína, ácido úrico, xantina e hipoxantina) foram realizadas em amostras de urina e alantoína no leite coletados, conforme descrição anterior. A excreção total de derivados de purina foi calculada por intermédio da soma das quantidades de alantoína, ácido úrico, xantina e hipoxantina presentes na urina e de alantoína no leite, expressas em mmol/dia, conforme métodos descritos por Chen & Gomes (1992). As purinas absorvidas (X, mmol/ dia) foram estimadas a partir da excreção de derivados de purinas (Y, mmol/ dia), por intermédio da equação proposta por Belenguer et al. (2002), para caprinos, nas quais a quantidade de purinas absorvidas (X, mmol/ dia) pode ser estimada dividindo-se a excreção de derivados de purina (Y) pela taxa de recuperação de purinas (0,76):X = Y / 0,76. 30 Para se estimar a síntese de compostos nitrogenados microbianos (NM), Belenguer et al. (2002) propuseram a seguinte equação: NM (g/ d) = X / (0,92 x 1,97). Assumindo que 0,92 é a digestibilidade verdadeira das bases purinas no duodeno e 1,97 (mmol de bases purinas/ g N) a razão entre as bases purinas (164 mmol/ g MS), e o conteúdo de N (83,8 mg/ g MS) na população microbiana extraída do rúmen de cabras. O balanço dos compostos nitrogenados (N) foi obtido pela diferença entre o total de N ingerido e o total de N excretado nas fezes, no leite e na urina. A coleta de sangue foi realizada no 19º dia do período experimental, na veia jugular, quatro horas após a alimentação da manhã, utilizando tubos VacutainerTM e EDTA como anticoagulante, em seguida, foram centrifugadas a 3.500 rpm por 10 minutos e o plasma transferido para Ependorfs e acondicionados a -20ºC, para posterior realização das análises de ureia. A conversão de valores de ureia em nitrogênio ureico foi obtida pela multiplicação com o fator 0,4667, correspondentes aos teores de N-ureico. Para as quantificações de creatinina e ureia na urina e ureia no plasma, foram utilizados kits comerciais Bioclin®. O volume diário estimado de urina foi calculado pela multiplicação da excreção média de creatinina pelo peso corporal (PC) médio de cada cabra, em cada período, e dividido pela concentração de creatinina (mg/L) na urina spot. O valor de excreção diária de creatinina utilizada foi 24,55 mg/kg de PC, descrito por Pereira et al. (2008), para cabras Saanen lactantes. Para o balanço de nitrogênio, concentração e excreção de ureia e excreção de derivados de purina e síntese de proteína microbiana, foi avaliado o efeito dos tratamentos e decompostos em contrastes polinomiais linear, quadrático e cúbico. O procedimento utilizado foi o MIXED do SAS (LITTELL et al., 1996), com o seguinte modelo: Yijk= μ + Qi + Cj(i) + Pk + PBl +eijk. Em que: μ = média geral, Qi = efeito de quadrado (i = 1 a 4), Cj(i) = efeito da cabra dentro de quadrado (j = 1 a 8), Pk = efeito de período (k = 1 a 4), PBl = efeito de níveis de proteína bruta (l =10, 13, 16 e 19% de PB) e, eijkl = erro residual. 31 Resultados e discussão A ingestão de nitrogênio apresentou efeito quadrático (P<0,01) com valor máximo estimado de 48,56 g/dia, para o nível de 18,92% de proteína bruta (Tabela 3), seguindo o mesmo comportamento do consumo de matéria seca, que apresentou máximo consumo no nível de 14,07% de proteína bruta na dieta. Tabela 3. Item (g/dia) NI NU NF NL BN VPC Balanço de nitrogênio e Variação do peso corporal em cabras lactantes alimentadas com dietas contendo níveis de proteína bruta. Nível de proteína bruta (% MS) EPM Valor-P 10 13 16 19 L Q C 1 29,11 39,52 50,43 47,69 3,17 0,0001 0,0047 0,1429 2 4,06 4,78 5,91 6,46 0,85 0,0082 0,8943 0,7255 3 10,96 10,59 11,06 7,74 1,13 0,0340 0,1186 0,2648 4 7,46 8,69 9,37 8,69 0,80 0,0096 0,0113 0,5976 5 6,62 15,45 24,46 24,79 2,48 0,0001 0,0065 0,2082 6 0,02 0,10 0,10 -0,03 0,032 0,3209 0,0008 0,6080 NI, compostos nitrogenados ingeridos; NF, nitrogênio excretado nas fezes; NU, nitrogênio excretado na urina; NL, nitrogênio excretado no leite; BN, balanço de nitrogênio; VPC, variação de peso corporal *(P<0,05) **(P<0,01) ***(P<0,001). ns: não significativo. 1 Ŷ= - (52,2151±12,5665)**+ (10,6544±1,8032)X***– (0,2816±0,06191)X2*** 2 Ŷ= - (9,1019±1,0931)***+ ( 1,9345±0,1568)X*** 3 Ŷ= (13,9787±0,9367)***– (0,3405±0,06294)X*** 4 Ŷ= - (7,9005±5,9101)ns + (2,3070±0,8480)X**– (0,07394±0,02912)X2* 5 Ŷ= - (31,5129±2,0539)*** + (5,5821±0,2947)X*** - (0,1335 ±0,01012) X2*** 6 Ŷ= (0,04375±0,02818)ns + (0,01460±0,004044)X***– (0,00087±0,000139)X2*** Os compostos nitrogenados na urina aumentaram linearmente à medida que os níveis de proteína bruta na dieta se elevaram, estimando-se um aumento na excreção de 1,93 unidades a cada 1% de proteína adicionada à dieta. Valores elevados de nitrogênio na urina indicam que a proteína metabolizável não foi eficientemente utilizada, principalmente, para a produção de leite. Este fato pode estar relacionado à elevação das concentrações de proteína bruta associada às fontes de proteína ofertadas aos animais, pois, de acordo com Valadares Filho et al. (2010), a maior parte da proteína do farelo de soja e do feno de alfafa estão presentes na fração B1, estimando-se 84,70 e 66,86% da proteína bruta, respectivamente. Sendo esta de rápida degradação e responsável pela alta produção de amônia ruminal, que nem sempre é utilizada pelos microrganismos para a síntese de proteína microbiana, principalmente quando não existe a sincronia de utilização de nitrogênio e carboidrato, 32 ocorrendo aumento da perda de compostos nitrogenados pela urina, cujo principal constituinte que sofre maior alteração é o nitrogênio proveniente da ureia (Tabela 4). O nitrogênio fecal apresentou um comportamento linear decrescente (P<0,01), estimando-se uma redução na excreção de 0,34 para cada unidade percentual de proteína adicionada à dieta. Mesmo com a elevação do consumo, o aumento proporcional da digestibilidade da proteína bruta pela maior participação do farelo de soja resultou em diminuição do nitrogênio excretado nas fezes. O balanço de nitrogênio foi positivo com comportamento quadrático (P<0,01), mantendo-se estável no nível de 16 a 19% de proteína bruta na dieta (Tabela 3). Nota-se que, para todas as dietas, o balanço de nitrogênio foi positivo, indicando que as mesmas foram satisfatórias em atender às exigências de proteína metabolizável dos animais, não sendo necessária a mobilização de nitrogênio de suas reservas corporais. Entretanto, ocorreu perda de peso corporal de -0,03 g/dia, apesar de ser próximo à zero, no nível de 19% de proteína bruta em virtude do excesso de proteína, que depois de degradada causa elevação na concentração de amônia ruminal, com consequente aumento do custo energético para produção de ureia e maior excreção de ureia, promovendo perda de proteína dietética e de energia corporal. Nota-se ainda que houve um valor máximo de 0,10 kg/dia para variação de peso corporal, que se manteve constante entre os níveis de 13 e 16% de proteína bruta, podendo inferir então que nestes níveis ocorreu maior eficiência na utilização de proteína e energia e, com isso, uma maior retenção de nitrogênio corporal. Observa-se que tanto a equação ajustada para balanço de nitrogênio quanto para a variação de peso corporal não forneceram estimativas acuradas, pois os níveis encontrados diferem dos estudados neste trabalho. Esse comportamento pode ser mais bem observado pela equação de balanço de nitrogênio, na qual se observa que o nível de 10% de proteína bruta foi 68,8% menor que 13%; 16% foi 27,8% maior que 13%; e 19% foi 11% maior que 16%. Utilizando as equações propostas pelo NRC (2006), foram calculadas, para cada nível de proteína, as perdas metabólicas de nitrogênio urinário e fecal, estimando-se quantidades de 2,96; 2,98; 2,96 e 2,97 g/dia para o nitrogênio metabólico perdido na urina e 8,91; 9,26; 9,52 e 7,70 g/dia para perdas deste pelas fezes, totalizando perdas metabólicas de 11,88; 8,26; 12,48 e 10,67 g/dia, respectivamente. 33 Após subtração das perdas metabólicas, foram quantificados valores de 3,14; 4,13; 4,49 e 3,53 g/dia de nitrogênio para mantença a ser reposto pelo alimento, nos níveis de 10; 13; 16 e 19% de proteína bruta, respectivamente, ficando disponível em média 25,97; 35,52; 45,94 e 44,16 g/dia de nitrogênio metabolizável, o que equivale a 89,2%; 89,1%; 91,1% e 92,6% do nitrogênio ingerido. O nitrogênio metabolizável para mantença (incluindo perdas por descamação da pele) foi estimado em 19,66; 20,25; 22,17 e 19,68 g/dia. Sendo assim, cerca de 23,08; 37,36; 39,28 e 14,55 g/dia de nitrogênio, respectivamente, para os níveis de 10; 13; 16 e 19% de proteína bruta foram disponibilizados para produção de leite. Esses resultados, associados ao balanço positivo de nitrogênio, nos leva a inferir que ocorreu diminuição na disponibilidade de energia, não devido à substituição do feno de alfafa pelo farelo de soja, mas, provavelmente, pelo fato de que ocorreu excesso de PB em relação à quantidade de CNF das dietas, cujos valores são próximos. Cabral et al. (2000), ao determinarem as frações de carboidratos totais de algumas forrageiras, reportaram para o feno de alfafa valores de 21,66; 48,09 e 30,25% nas frações C, B2 e CNF em porcentagem do CT, respectivamente, enquanto que Malafaia et al. (1998) observaram valores médios de 26,9% na fração C, 8,1% para a fração B2 e 27,8% de CNF em porcentagem do CT no farelo de soja. Assim, o feno de alfafa possui, aproximadamente, 1,2 vezes menos carboidrato na fração C, 6 vezes mais carboidrato na fração B2, em relação ao farelo de soja, enquanto que o farelo de soja apresenta em média 1,1 vezes menos CNF que o feno de alfafa, o que levou à redução de FDN da dieta com a substituição total do feno de alfafa pelo farelo de soja. As concentrações de ureia na urina, no leite e no plasma variaram de forma linear crescente, em função dos níveis de PB das dietas, porém, não foram ajustadas equações de regressão para suas respectivas excreções (Tabela 4). Pode-se observar que as concentrações de ureia, bem como sua taxa de aumento, foram maiores na urina, confirmando que essa é a sua rota principal de excreção, sobrepondose à reciclagem do nitrogênio dietético na forma de ureia pela saliva e parede ruminal, principalmente, quando o nível de proteína bruta da dieta excedeu os 16%. Para o nitrogênio ureico plasmático, quando expresso em mg/dL, cujas médias também variaram de forma quadrática, o modelo linear (P<0,05) foi o que melhor se ajustou ao comportamento dos dados (Tabela 4). Apesar de a ureia sanguínea entrar em equilíbrio rapidamente com o leite, suas concentrações foram mais elevadas neste. 34 Excreção e concentração de ureia e nitrogênio ureico na urina, leite e plasma de cabras lactantes alimentadas com dietas contendo níveis de proteína bruta. Item Nível de proteína bruta (%MS) EPM Valor-P 10 13 16 19 L Q C Ureia na urina mg/dL 23,38 24,88 35,29 53,15 9,50 0,00111 0,1726 0,9554 mg/dia 492,30 590,19 722,27 914,83 186,2 0,00902 0,6630 0,9567 mg/kgPC 16,89 19,51 27,09 33,45 6,27 0,00553 0,6717 0,7473 2 mg/kgPC0,75 44,09 50,60 70,08 87,60 16,39 0,00614 0,6154 0,7597 Nitrogênio ureico na urina mg/dia 299,76 275,44 337,08 426,95 86,90 0,00905 0,6630 0,9567 Nitrogênio ureico no leite mg/dL 20,57 21,34 24,80 32,98 2,15 0,00016 0,0714 0,9707 mg/dia 301,37 371,75 424,53 545,18 54,2 0,00017 0,4853 0,5946 Nitrogênio ureico no plasma mg/dL 15,36 16,94 18,74 25,18 1,37 0,00018 0,0185 0,3045 Tabela 4. * (P < 0,05) **(P < 0,01) ***(P < 0,001). 1 Ŷ= (0,7257±12,8116) + (2,1403±0,8608)X* 2 Ŷ= (708,84±49,7576)*** 3 Ŷ= (22,6272±1,7769)*** 4 Ŷ= (59,8894±4,7567)*** 5 Ŷ= (330,82±23,2219)*** 6 Ŷ= (6,0572±0,7232)*** + (1,2267±0,005449)X*** 7 Ŷ= (367,66±17,8200)*** 8 Ŷ= (97,8666±1,8832)***+ (0,7681±0,1265)X*** Segundo Fontaneli (2001), o valor normal do nitrogênio ureico no leite em ruminantes é de 12 mg/dL. Esse autor afirmou que vários fatores influenciam sobre o teor de nitrogênio ureico no leite e o relacionou com a concentração de PB na dieta, afirmando que teores de proteína no leite maiores que 3,2% com nitrogênio ureico maior que 18 mg/dL é resultado de excesso de proteína solúvel ou degradável no rúmen ou a deficiência de carboidratos fermentescíveis no rúmen. Essa afirmação é consistente com os resultados encontrados neste trabalho, uma vez que as dietas continham farelo de soja e feno de alfafa, fontes proteicas com elevada degradação ruminal e ureia, que é altamente solúvel, levando ao aumento na quantidade de amônia produzida. Segundo Van Soest, (1994), a amônia, que não é utilizada pelos microrganismos ruminais e absorvida pela parede do rúmen e transportada para o fígado, entrando no ciclo da ureia, pode ser reciclada ou eliminada. Portanto, elevadas concentrações de ureia no plasma e no leite são positivamente correlacionadas à ingestão de nitrogênio e associadas à maior taxa de excreção urinária de ureia. 35 De acordo com Chizzotti et al. (2006), o teor de nitrogênio ureico no soro pode ser utilizado para obtenção de informações adicionais sobre a nutrição proteica de ruminantes, por meio da resposta metabólica à determinada dieta. Assim, é possível diminuir e até evitar perdas econômicas provenientes do excesso de fornecimento de proteína na dieta que pode resultar em prejuízos produtivos, reprodutivos e ambientais. As excreções de derivados de purinas e de purinas totais (PT), purinas absorvidas (PABS), nitrogênio microbiano (NMIC) e proteína bruta microbiana (PBMIC), expressos em g/kg de PC e g/kg de PC0,75, e eficiência microbiana não sofreram efeito (P>0,05) dos níveis de proteína bruta nas dietas (Tabela 5). Tabela 5. Item ALNU ACUR XHX ALNL PT PABS NMIC PBMIC NMIC PBMIC NMIC PMIC Excreções urinárias dos derivados de purina e síntese de proteína microbiana em função dos níveis de proteina bruta nas dietas. Nível de proteína bruta (%MS) Regressão EPM Valor-P 10 13 16 19 L Q C Derivados de purinas (mmol/dia) 4,59 4,73 6,07 4,20 Ŷ= 4,90 0,33 0,9476 0,1259 0,134 0,95 1,12 1,13 1,03 Ŷ= 1,06 0,09 0,6759 0,3174 0,912 2 2,77 3,22 3,10 4,15 Ŷ= 3,31 0,39 0,1820 0,6508 0,553 1 0,43 0,48 0,47 0,47 Ŷ= 0,46 0,02 0,4295 0,3869 0,780 9 8,74 9,56 10,79 9,85 Ŷ= 9,74 0,49 0,2827 0,3554 0,545 4 11,4 12,58 14,19 12,97 Ŷ= 12,81 0,65 0,2827 0,3554 0,545 8 Síntese microbiana (g/dia) 9 8 6,34 6,94 7,83 7,16 Ŷ= 7,07 0,35 0,2827 0,3554 0,545 39,6 43,40 48,96 44,73 Ŷ= 44,19 2,24 0,2827 0,3554 0,545 8 Síntese microbiana (g/kg de PC) 5 8 0,14 0,15 0,17 0,15 Ŷ= 0,15 0,01 0,3152 0,4636 0,486 0,87 0,91 1,05 0,96 Ŷ= 0,95 0,04 0,3152 0,4636 0,486 4 1 0,75 Síntese microbiana (g/kg de PC ) 1 0,39 0,38 0,44 0,40 Ŷ= 0,40 0,01 0,3065 0,4368 0,502 2,25 2,41 2,74 2,52 Ŷ= 2,48 0,11 0,3065 0,4368 0,502 8 Eficiência microbiana (g PBMIC/kg de NDT) 8 28,3 27,99 29,44 32,62 Ŷ= 29,61 0,98 0,1999 0,3475 0,482 ALNU, alantoína8 na urina; ACUR, ácido úrico; XHX, xantina e hipoxantina; ALNL, alantoína no leite; 8PT, purinas totais; PABS, purinas absorvidas; NMIC, nitrogênio microbiano; PBMIC, proteína bruta microbiana. 36 As excreções de alantoína na urina não sofreram influência dos níveis de proteína na dieta com valor médio de 4,90 mmol/dia. Da mesma forma que as excreções de ácido úrico, xantina e hipoxantina e alantoína no leite com valores médios de 1,02; 3,31 e 0,46 mmol/dia. A excreção de alantoína no leite está relacionada à produção de leite que, embora tenha sofrido efeito linear positivo neste trabalho, seu aumento não foi suficiente para promover diferenças na excreção. As purinas totais não foram influenciadas (P>0,05) pelos tratamentos, pela ausência de variação dos derivados de purinas. As purinas absorvidas, assim como a síntese de nitrogênio e proteína microbiana, seguiram o mesmo comportamento das excreções purinas totais, não sendo influenciadas (P>0,05) pelos tratamentos por serem estas variáveis obtidas por meio da estimativa dessa excreção. Yu et al. (2002) afirmaram que as excreções de alantoína, ácido úrico, xantina e hipoxantina podem ser influenciadas pela fonte de proteína dietética, fonte de energia, consumo de matéria seca, consumo de energia e consumo de proteína. Influência esta que não foi notada neste trabalho, uma vez que não ocorreu efeito dos níveis de proteína sobre essas variáveis. Provavelmente, porque as dietas ofertadas apresentaram comportamento semelhante quanto à sincronização entre a proteína e energia digestível, o que também contribuiu para a ausência de efeito dos níveis de proteína bruta sobre a eficiência microbiana, com média de 29,61 g/kg de NDT, embora, os consumos de MS e NDT tenham variado de forma quadrática. O NRC (2001) preconiza um valor de 130 g de proteína microbiana por kg de NDT, quando as dietas possuem mais de 40% de volumoso, para máxima eficiência. Assim, sugerese que o crescimento microbiano foi limitado em virtude de sincronização inadequada da proteína degradável no rúmen e carboidratos fermentescíveis. Dietas com relação volumoso: concentrado de 20:80 e a forma física do concentrado utilizado neste trabalho, geralmente, promovem alta taxa de passagem, que pode aumentar o escape de microrganismos. Mas o efeito desse aumento na taxa de passagem em favorecer o fluxo de microrganismos ao intestino pode ser prejudicado pela redução do tempo de mastigação e da produção de saliva, cuja função primária é o tamponamento do rúmen e diluição do conteúdo ruminal, que são fundamentais pelo aumento do escape microbiano, durante sua fase exponencial de crescimento. Esses fatores podem influenciar a eficiência do 37 crescimento microbiano por este depender do tempo de permanência dos microrganismos no ambiente ruminal, assim, quanto mais rápida a passagem de microrganismos, menor a energia despendida para mantença. 38 Conclusões A combinação de feno de alfafa com farelo de soja para dietas compostas por 80% de concentrado peletizado, para cabras lactantes no terço inicial da lactação, proporcionam balanço corporal positivo de nitrogênio com melhores resultados entre os níveis de 15,60 e 18,92% de proteína bruta na dieta. Entretanto, recomenda-se evitar níveis superiores a 16% de proteína bruta ou razões superiores a 2:1 entre o farelo de soja e o feno de alfafa, por proporcionar excessiva perda de nitrogênio ureico e gasto de energia para sua eliminação corporal. A síntese de proteína microbiana não foi influenciada, mas evidencia-se que as dietas reduziram tanto a eficiência de síntese ruminal quanto o fluxo intestinal de proteína microbiana. 39 Referências BELENGUER, A.; YANEZ, D.; BALCELLS, J. et al. Urinary excretion of purine derivatives and prediction of rumen microbial outflow in goats. Livestock Production Science. v.77, p.127-135. 2002. CABRAL, L. S.; VALADARES FILHO, S. C.; MALAFAIA, P. A. M. et al. Frações de carboidratos de alimentos volumosos e suas taxas de degradação estimadas pela técnica de produção de gases. Revista Brasileira de Zootecnia, v.29, n.6, p.2087-2098, 2000. CHEN, X. B.; GOMES, M. J. 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