CRISTIANE JACI GIOMBELLI
QUALIDADE DA ÁGUA EM PROPRIEDADES LEITEIRAS
DA REGIÃO NORTE CENTRAL DO PARANÁ
Londrina
2012
CRISTIANE JACI GIOMBELLI
QUALIDADE DA ÁGUA EM PROPRIEDADES LEITEIRAS
DA REGIÃO NORTE CENTRAL DO PARANÁ
Dissertação apresentada ao programa de Pós
Graduação em Ciência Animal, área de
concentração
Sanidade
Animal
da
Universidade Estadual de Londrina, como
requisito parcial para obtenção do titulo de
mestre.
Orientadora: Profa. Dra. Vanerli Beloti
Londrina
2012
Catalogação elaborada pela Divisão de Processos Técnicos da Biblioteca Central
da Universidade Estadual de Londrina.
Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP)
G496q Giombelli, Cristiane Jaci.
Qualidade da água em propriedades leiteiras da região norte central do
CRISTIANE JACI GIOMBELLI
Paraná / Cristiane Jaci Giombelli. – Londrina, 2012.
68 f. : il.
Orientador: Vanerli Beloti.
Dissertação (Mestrado em Ciência Animal)  Universidade
Estadual de Londrina, Centro de Ciências Agrárias, Programa de
Pós-Graduação em Ciência Animal, 2012.
Inclui bibliografia.
1. Leite – Contaminação – Teses. 2. Leite – Produção –
Qualidade – Teses. 3. Água – Contaminação – Teses. I. Beloti, Vanerli.
QUALIDADE DA ÁGUA EM PROPRIEDADES LEITEIRAS DA
REGIÃO NORTE CENTRAL DO PARANÁ
Dissertação apresentada ao programa de Pós
Graduação em Ciência Animal, área de
concentração
Sanidade
Animal
da
Universidade Estadual de Londrina, como
requisito parcial para obtenção do titulo de
mestre.
BANCA EXAMINADORA
Profa. Dra. Vanerli Beloti
Universidade Estadual do Paraná
Dra. Lucienne Garcia Pretto Giordano
Universidade Estadual de Londrina
Profa. Dra. Elsa Helena Walter de Santana
Universidade Norte do Paraná
Londrina, 10 de Janeiro de 2012.
AGRADECIMENTOS
Por ter alcançado mais uma conquista, não posso deixar de agradecer a Deus,
que proporcionou as oportunidades em minha vida e que nos mostra o caminho certo
sempre.
Por existir em minha vida anjos que Deus me enviou aos quais chamo de
família, meu pai Darci e minha mãe Jaci, e meus irmãos Rogério e Tiago que acima de
tudo apoiaram minhas decisões, e me ajudaram de todas as formas possíveis a alcançar
meus objetivos. Família a vocês devo tudo e mais um pouco.
Agradeço meu marido Vinícius, que me apoiou com muito amor e carinho, e
esteve comigo desde o início com muita paciência e amizade, a você dedico todo meu
amor.
Agradeço minha orientadora Vanerli Beloti, por ter me ajudado, aceitado me
orientar, pelo apoio e compreensão sempre que necessário.
Professor Valmir de França te agradeço por ter dado início ao meu projeto, e se
empenhado tanto em fazer esse projeto valer a pena.
Deus sabe que precisamos de pessoas que nos ajudem no decorrer da nossa
caminhada para que assim possamos alcançar nossos objetivos de forma mais alegre e
satisfatótia, por isso quero agradecer infinitamente a Francielle Abreu, Débora
Tamanaha Garcia e Fernanda Dieckman, que além de me ajudarem de forma direta na
execução do projeto, também me ajudaram oferecendo uma amizade verdadeira que
com certeza levarei pra vida toda. Amo vocês meninas!
Obrigada Alberto por ter me auxiliado no uso do GPS, ter me ensinado mais de
uma vez como usá-lo, pelas aulas de informática, pela ajuda nas coletas. Por tudo muito
obrigada.
E lógico a todo pessoal do LIPOA, estagiários, residentes, mestrandos,
doutorandos, e simpatizantes, muito obrigada.
Às minhas amigas de turma de mestrado Tais, Niara e Priscila, muito obrigada,
pela companhia e momentos de descontração no café.
Ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) por ter tornado possível e viável a
realização das análises de água, pela compreensão e paciência que demonstraram.
Agradeço também ao Sindicato Rural Patronal de Londrina, que apoiou
financeiramente a realização da pesquisa.
Enfim, agradeço a todos que direta ou indiretamente fizeram parte desses dois
anos de muita importância em minha vida.
GIOMBELLI, Cristiane Jaci. Qualidade da água em propriedades leiteiras da região
norte central do Paraná. 2012. 68 Fls. Dissertação (Mestrado em Ciência Animal) –
Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2012.
RESUMO
A água é fundamental para a produção de alimentos. Na produção leiteira a água e sua
qualidade são fundamentais. Águas contaminadas podem devolver micro-organismos
durante o enxágüe de equipamentos. Esta contaminação será transferida ao leite. A
dureza e o pH da água são igualmente importantes porque interferem na ação de
detergentes e sanitizantes diminuindo sua eficiência. O objetivo desta pesquisa foi
estudar a qualidade físico-química e microbiológica da água, em propriedades leiteiras
da região norte central do Paraná, assim como avaliar o grau de informação dos
produtores sobre a água utilizada. No período de agosto de 2010 a abril de 2011 foram
visitadas 30 propriedades, sendo coletadas 3 amostras de água de cada propriedade,
totalizando 90 amostras. Foram realizadas as seguintes análises: Dureza Total, pH,
Ferro, Nitrato, Nitrito, Coliformes a 30oC, Escherichia Coli. Os resultados para as
análises de água foram os seguintes: 6 (20%) propriedades apresentaram água
classificada como dura, 2 (6,66%) propriedades apresentaram água ácida, 2 (6,66%)
apresentaram nitrato com valores acima do permitido pela legislação, 10 (33,33%)
obtiveram resultados fora do padrão para análise de ferro. As análises microbiológicas
apresentaram resultados preocupantes já que 26 (86,66%) das propriedades
apresentaram contagens acima do permitido pela legislação de Coliformes a 30ºC, e 9
(30%) para Escherichia coli. Para as análises de leite coletou-se 1 amostra de leite cru
de cada propriedade, foram realizadas as seguintes análises: Contagem de Coliformes a
30ºC, Escherichia coli, Contagem Bacteriana Total, Densidade a 15ºC, Peroxidase,
Fosfatase, Teor percentual de gordura, Sólidos Totais e Sólidos Não Gordurosos,
Acidez titulável, Alizarol, Crioscopia, Contagens de Células Somáticas. Os resultados
mostram que das 30 amostras de leite 14 (46,66%) apresentaram resultados fora dos
padrões para as análises microbiológicas e 23 (76,66%) apresentaram alterações na
análise físico-química. Embora não seja possível dimensionar exatamente o quanto dos
problemas verificados no leite pode ser atribuído a qualidade da água, já que outros
fatores como a higiene deficiente foram identificados, seguramente parte da
contaminação encontrada é resultado da recontaminação provocada por enxágües com
água contaminada e pela interferência das águas duras e ácidas, que diminuem a
eficiência dos agentes de limpeza e sanitização utilizados. Pode-se constatar que todos
os produtores consideravam que a água de suas propriedades era de boa qualidade.
Existe, portanto, a necessidade de orientação aos produtores, sobre a importância da
qualidade da água e da correção de características indesejáveis como contaminações,
dureza e acidez, para a produção de leite, objetivando melhorar sua qualidade.
Palavras chave: Leite, Água, propriedades leiteiras, dureza, pH.
GIOMBELLI, Cristiane Jaci. Water quality from dairy farms in north central region of
Paraná 2012. 68 sheets. Dissertation (Master in Animal Science) State University of
Londrina), Londrina, 2012.
ABSTRACT
Water is essential to food production. In milk production water and its quality are
fundamental. Contaminated water can increase contamination of equipments during
rinse. This contamination will be transferred to milk. Water hardness and pH are equally
important since they can interfere on detergents and sanitizers action, reducing its
efficacy. The objective of this research was to study the microbiological and
physicochemical quality of water and milk, dairy farming, the north central region of
Paraná as well as assess the level of information to producers on the water used. From
August 2010 to April 2011 30 properties were visited, and three water samples collected
from each property, totaling 90 samples. The following analyses were performed: Total
Hardness, pH, iron, nitrate, nitrite, coliforms at 30 ° C, Escherichia coli. The results for
water analysis were as follows, 6 (20%) dairy farms presented hard water, 2 (6.66%)
dairy farms presented acidic water, 2 (6.66%) had nitrate values above that allowed by
legislation, 10 (33.33%) had non-standard results for analysis of iron. The
microbiological presented concerning results as 26 (86.66%) showed 30°C coliform
counts above acceptable by law, and 9 (30%) to Escherichia coli. For analysis of milk
was collected a sample of raw milk from each farm. The following analysis were
conducted: Coliform Count at 30 º C, Escherichia coli (EC), total bacterial count
(TBC), density at 15 ° C, peroxidase, alkaline phosphatase, fat percentage, total solids
(TS) and solids non fat (SNF), titratable acidity, Alizarol, freezing point, somatic cell
count (SCC). The results show that from 30 milk samples, 14 (46.66%) showed results
above standards for microbiological analyses and 23 (76.66%) presented alteration in
physicochemical analyses. Although it is not possible to measure exactly how much of
the problems in milk can be attributed to water quality, since other factors such as poor
hygiene have been observed, surely part of the contamination found in milk is resultant
of recontamination caused by rinsing with contaminated water and also by interference
of hard and acidic water, which decrease the efficiency of cleaning and sanitizing agents
used. It was observed that all producers believed that they had good quality water on
their farms. Therefore it is necessary to enlighten producers about water quality
importance and how to correct undesirable characteristics such as contamination,
hardness and acidity of water to milk production, aiming to improve its quality.
Keywords: milk, water, dairy farms, hardness, pH.
LISTA DE QUADROS
QUADRO
1:
Principais
países
produtores
de
leite
no
mundo,
2009.................................................................................................................................16
QUADRO 2: Ranking da Produção de Leite por Estado, 2008 a 2010
.........................................................................................................................................17
LISTA DE TABELAS
TABELA 1: Origem da água utilizada para higienização de equipamentos,
dessedentação animal e consumo humano, em 30 propriedades leiteiras, localizadas na
região norte central do Paraná, estudadas entre agosto de 2010 a abril de
2011.................................................................................................................................39
TABELA 2: Resultados das análises de dureza e pH de amostras de água coletadas em
propriedades leiteiras, no ponto de ordenha e na fonte de água da propriedade no
período de agosto de 2010 a abril de 2011, na região norte central do
Paraná..............................................................................................................................41
TABELA 3: Resultados das análises de Nitrato e Ferro, de água coletadas em
propriedades leiteiras, nos pontos de ordenha, fontes e ponto de uso para animais ou uso
domestico, coletadas no período de agosto de 2010 a abril de 2011, na região norte
central do Paraná.............................................................................................................43
TABELA 4: Resultados microbiológico das amostras de água coletadas em
propriedades leiteiras, nos pontos de ordenha, fontes e ponto de uso para animais ou uso
domestico, coletadas no período de agosto de 2010 a abril de 2011, na região norte
central do Paraná.............................................................................................................44
TABELA 5: Amostras fora do padrão par as análises de água, considerando a média
dos resultados de 3 pontos de coleta em cada uma das 30 propriedades leiteiras, e o total
de amostras (90) na região norte central do Paraná, coletadas no período de agosto de
2010 a abril de 2011........................................................................................................46
TABELA 6: Resultados dos testes de CMT de amostras de leite colhidas em 30
propriedades leiteiras da região norte central do Paraná, entre agosto de 2010 a abril de
2011................................................................................................................................48
TABELA 7: Quantidade de amostras de leite com resultados de análises fora do padrão
colhidas de 30 propriedades da região norte central do Paraná, coletadas no período de
agosto de 2010 a abril de 2011........................................................................................50
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 1: Dados sobre as raças de animais presentes, de trinta propriedades,
participantes da pesquisa, na região norte central do Paraná, no período de agosto de
2010 a abril de 2011........................................................................................................35
FIGURA 2: Tipo de instalações existentes para ordenha em 30 propriedades leiteiras do
norte central do Paraná estudadas entre agosto de 2010 e abril de 2011.........................36
FIGURA 3: Tipo de resfriamento de leite utilizado em 30 propriedades leiteiras da
região norte central do Paraná, estudadas entre agosto de 2010 a abril de
2011.................................................................................................................................37
SUMÁRIO
1. ESTADO DA ARTE.....................................................................................................12
1.1 ÁGUA..........................................................................................................................13
2. PRODUÇÃO DE LEITE...............................................................................................16
2.1 QUALIDADE DO LEITE IN NATURA......................................................................18
2.2 Contagem de células somáticas....................................................................................19
2.3 Contaminação microbiológica do leite........................................................................20
2.3.1 Aeróbios Mesófilos...................................................................................................20
2.3.2 Coliformes Totais e Escherichia coli.......................................................................21
3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...........................................................................22
OBJETIVOS ....................................................................................................................26
Objetivo Geral....................................................................................................................26
Objetivos Específicos ........................................................................................................26
ARTIGO PARA PUBLICAÇÃO:....................................................................................27
RESUMO..........................................................................................................................28
ABSTRACT.......................................................................................................................29
1. INTRODUÇÃO.............................................................................................................30
2. MATERIAL E MÉTODOS...........................................................................................32
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO .................................................................................34
3.1 Características das Propriedades Visitadas..................................................................34
3.1.1 Dados da produção....................................................................................................34
3.1.2 Características de animais e manejo.........................................................................34
3.1.3 Sanidade Animal.......................................................................................................35
3.1.4 Ordenha, boas práticas e resfriamento......................................................................36
3.1.5 Percepção dos proprietários sobre a água utilizada..................................................37
3.1.6 Origem da água.........................................................................................................38
3.2 Qualidade Físico-Química e Microbiológica da Água................................................39
3.3 Qualidade Físico-Química e Microbiológica do Leite................................................46
4. CONCLUSÃO...............................................................................................................51
5. REFERÊNCIAS ............................................................................................................52
6. ANEXOS.......................................................................................................................57
6.1 Questionário.................................................................................................................57
6.2 Quadro padrão de água................................................................................................60
6.3 Quadro de padrões físico-químicos para leite cru refrigerado............ ..................................61
6.4 Quadro com os resultados de água de todas as propriedades......................................62
6.5 Quadro com os resultados de todas as propriedades de leite.......................................67
12
1. ESTADO DA ARTE
13
1.1 Água
A água é considerada um dos elementos fundamentais para a existência do homem.
Suas funções no abastecimento público, industrial e agropecuário, na preservação da
vida aquática, na recreação e no transporte demonstram essa importância vital
(GUILHERME et al., 2000).
Atualmente cerca de 1,4 bilhões de pessoas não têm acesso à água limpa e a cada
oito segundos, morre uma criança por doença relacionada com água contaminada como
disenteria e cólera. Cerca de 80% das enfermidades no mundo são contraídas devido à
água poluída (LEITE et al., 2003).
A quantidade e a qualidade da água são fundamentais para suprir as
necessidades de consumo do homem e dos animais. E na atividade leiteira é importante
para limpeza e desinfecção das instalações e equipamentos (CERQUEIRA et al., 1999).
Segundo Ribeiro et al. (2000), a água utilizada no ambiente de ordenha para
limpeza, tanto dos tetos dos animais como dos equipamentos de ordenha, pode atuar
como via de transmissão de micro-organismos para a glândula mamária, bem como
comprometer a qualidade do leite.
Segundo Lagger et al. (2000), a contaminação bacteriana da água é muito grave,
porque afeta a saúde da família rural e do rebanho, além da higiene e da desinfecção dos
equipamentos de ordenha.
A água com alta contagem de bactérias, utilizada na limpeza dos equipamentos,
possibilita a veiculação de micro-organismos diretamente para o leite quando este entra
em contato com as superfícies contaminadas.
Moreira et al. (1973) ao analisarem 17 amostras de água provenientes de poços
comuns de propriedades leiteiras, observaram que 10 apresentavam contaminação de
origem fecal, devido à má localização das instalações sanitárias.
Sem acompanhar e analisar a qualidade da água, o produtor pode ter perdas
econômicas significativas, sobretudo pelo aumento da contaminação do leite por microorganismos deteriorantes e até mesmo por patógenos. A água é um dos componentes
mais importantes nos estabelecimentos leiteiros, não só para dessedentação animal, mas
também pela sua utilização em atividades relacionadas à ordenha (MALDONADO
MAY et al., 1999).
A qualidade físico-química da água pode afetar a qualidade do leite por reduzir
14
principalmente a eficiência dos processos de limpeza e desinfecção dos utensílios, dos
equipamentos de ordenha e dos tanques refrigeradores. As características físicoquímicas da água relevantes no processo de limpeza e desinfecção são a dureza e o pH.
A dureza e o pH da água têm tanta importância quanto a qualidade
microbiológica. A água com pH tendendo ao alcalino ou com grandes quantidades de
CaCO3, pode formar a chamada “pedra de leite”. A precipitação e aderência destes sais
favorecem a posterior precipitação de proteína, formando uma camada difícil de
higienizar e que, com o tempo chega a obstruir as tubulações por onde passa o leite.
De acordo com Ruzante e Fonseca (2001) águas ácidas são corrosivas e
neutralizam detergentes alcalinos, dificultando o estabelecimento do pH ideal para a
limpeza e remoção dos sólidos.
Os sais de ferro contidos em águas de uso em indústrias de alimentos podem
provocar formação de depósitos e crostas de seus respectivos óxidos. Além disso,
alguns sais de ferro colorem produtos e interferem em processos industriais
(ANDRADE; MACÊDO, 1996).
Outro composto importante para a saúde humana cada vez mais encontrado em
água de poços é o nitrato. Este íon geralmente ocorre em baixos teores nas águas
superficiais, mas pode atingir altas concentrações em águas profundas. O seu consumo
por meio das águas de abastecimento está associado a dois efeitos adversos à saúde: a
indução à metemoglobinemia, especialmente em crianças, e a formação potencial de
nitrosaminas e nitrosamidas carcinogênicas (BOUCHARD et al., 1992).
O desenvolvimento da metemoglobinemia a partir do nitrato nas águas potáveis
depende da conversão bacteriana deste para nitrito durante a digestão, o que pode
ocorrer na saliva e no trato gastrointestinal (AWWA, 1990; MATO, 1996). As crianças
pequenas, principalmente as menores de três meses de idade, são bastante suscetíveis ao
desenvolvimento desta doença por causa das condições mais alcalinas do seu sistema
gastrointestinal (OLIVEIRA et al., 1987), fato também observado em pessoas adultas
que apresentam gastroenterites, anemia, porções do estômago cirurgicamente removidas
e mulheres grávidas (BOUCHARD et al., 1992).
A qualidade da água é frequentemente desconsiderada quando se decide sobre
instalação de estabelecimentos leiteiros. Porém, recentes resultados de estudos que
analisam a qualidade da água utilizada em propriedades produtoras de leite mostram
resultados preocupantes. O uso de água de baixa qualidade, tanto para consumo quanto
para manejo dos animais e limpeza dos utensílios merece atenção pelos riscos químicos
15
e microbiológicos que pode oferecer à saúde pública, por carrear resíduos de
praguicidas, recontaminar no momento do enxágue, superfícies e equipamentos já
sanitizados, que contaminarão alimentos ali beneficiados.
Portanto é necessário avaliar a qualidade da água utilizada nas propriedades
rurais produtoras de leite, visto que esta pode influenciar diretamente a qualidade do
leite e também a eficiência da limpeza e higienização dos equipamentos e utensílios de
ordenha, podendo constituir uma fonte de contaminação quando não devidamente
tratada, utilizada e conservada.
16
2. Produção de Leite
Conforme pesquisa do IBGE, o Brasil produziu 29,11 bilhões de litros de leite
no ano de 2009 (Quadro 1). Desse total, o estado de Minas Gerais foi o primeiro
colocado com uma produção de 7,9 bilhões de litros, em segundo lugar o estado do Rio
Grande do Sul com 3,4 bilhões de litros. O Paraná é o terceiro lugar no ranking da
produção de leite do Brasil (Quadro 2).
Quadro 1: Principais países produtores de leite do mundo no ano de 2009.
Volume
produzido
(toneladas)
% do total
85.859.400
14,7
45.140.000
7,7
35.509.831
6,1
32.325.800
5,5
29.112.000
5,0
27.938.000
4,8
23.341.000
4,0
15.400.000
2,6
13.236.500
2,3
12.447.200
2,1
12.219.500
2,1
11.985.000
2,1
11.583.300
2,0
11.468.600
2,0
11.363.500
1,9
10.549.000
1,8
10.366.300
1,8
9.388.000
1,6
8.213.300
1,4
TOTAL PAÍSES SELECIONADOS
7.909.490
425.355.721
1,4
72,9
TOTAL MUNDIAL
583.401.740
100
Países
1º
2º
3º
4º
5º
6º
7º
8º
9º
10º
11º
12º
13º
14º
15º
16º
17º
18º
19º
20º
Estados Unidos da América
Índia
China
Rússia
Brasil
Alemanha
França
Nova Zelândia
Reino Unido
Polônia
Itália
Paquistão
Turquia
Holanda
Ucrânia
México
Argentina
Austrália
Canadá
Japão
Fonte: FAO
Elaboração: Embrapa Gado de Leite
Atualização: junho/2011
17
Dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação indicam
que a produção de leite no Brasil crescerá entre 2010 e 2011, subindo dos 29,8 milhões de
toneladas para 30,7 milhões de toneladas, aumento de 3%.
Quadro 2: Ranking da Produção de Leite por Estado brasileiro entre os anos de
2008 a 2010.
Volume de produção (mil litros)
Estado
% total
2008
2009
2010 *
Minas Gerais
7.657.305
7.931.115
8.231.295
27,0
Rio Grande do Sul
3.314.573
3.400.179
3.668.050
12,0
Paraná
2.827.931
3.339.306
3.644.883
12,0
Goiás
2.873.541
3.003.182
3.139.378
10,3
Santa Catarina
2.125.856
2.237.800
2.441.554
8,0
São Paulo
1.588.943
1.583.882
1.549.438
5,1
Bahia
952.414
1.182.019
1.308.827
4,3
Pernambuco
725.786
788.250
861.621
2,8
Rondônia
723.108
746.873
772.060
2,5
Mato Grosso
656.558
680.589
707.109
2,3
Pará
599.538
596.759
574.721
1,9
Mato Grosso do Sul
496.045
502.485
506.044
1,7
Rio de Janeiro
475.592
483.129
489.410
1,6
Ceará
425.210
432.537
447.956
1,5
Espírito Santo
418.938
421.553
419.545
1,4
Maranhão
364.104
355.082
361.638
1,2
Sergipe
259.700
286.568
311.005
1,0
Rio Grande do
Norte
219.279
235.986
243.284
0,8
Tocantins
222.624
233.022
239.187
0,8
Paraíba
193.567
213.857
236.773
0,8
Alagoas
236.852
231.991
230.573
0,8
Piauí
77.784
87.165
91.221
0,3
Amazonas
40.656
41.749
51.161
0,2
Distrito Federal
29.000
36.000
37.710
0,1
Acre
70.054
42.595
33.716
0,1
5.271
6.706
7.737
0,0
Amapá
Roraima
TOTAL
5.117
5.117
4.950
0,0
27.585.346
29.105.495
30.429.515
100,0
Fonte: IBGE/Pesquisa da Pecuária Municipal
Elaboração: Embrapa Gado de Leite
Atualizado em junho/2011
* 2010 Estimativa
Uma característica bastante marcante da produção leiteira no Brasil é o
predomínio de pequenas e médias propriedades com características de agricultura
18
familiar, onde geralmente essa atividade é a principal fonte de renda. A falta de
informação, assistência e investimentos na produção leiteira geram baixa produtividade
e qualidade do produto. Pode-se observar que propriedades com maior produção leiteira
frequentemente produzem leite de melhor qualidade, quando comparadas àquelas com
menor produção (TKAEZ et al., 2004).
2.1 Qualidade do leite in natura
O leite é um alimento de grande valor nutritivo, fornecendo ao homem macro e
micronutrientes indispensáveis ao seu crescimento, desenvolvimento e manutenção da
saúde (GURR, 1992). Entretanto, por sua riqueza nutritiva, constitui também, excelente
meio de cultura para o desenvolvimento de micro-organismos patogênicos e
deteriorantes (SKOVGAARD,1990; TEUBER, 1992).
A qualidade do leite é um dos maiores problemas da cadeia do leite no Brasil,
interferindo negativamente na produção e rendimento de derivados (SANTOS e
FONSECA, 2007). No Brasil, o leite in natura apresenta, em geral, altas contagens de
micro-organismos aeróbios mesófilos e coliformes, indicando deficiência na higiene da
produção (BELOTI et al., 1999; BELOTI et al, 2002, CORDEIRO; CARLOS;
MARTINS, 2002, FREITAS et al., 2002, SANTANA et al., 2004).
Os micro-organismos presentes no leite são também os principais causadores de
alterações físico-químicas do leite, produzindo acido lático a partir da lactose ou
causando danos a caseína e aos triglicerídeos a partir de suas enzimas proteolíticas e
lipolíticas, tudo isso colabora para a diminuição da qualidade e vida útil do produto e
seus derivados.
As maiores preocupações quanto à qualidade físico-química do leite estão
associadas ao estado de conservação, à eficiência do seu tratamento térmico e
integridade físico-química, principalmente aquela relacionada à adição ou remoção de
substâncias químicas impróprias ou estranhas à sua composição (POLEGATO;
RUDGE, 2003).
Além disso, há também o permanente risco deste produto servir como alvo de
fraudes durante o processamento. A fraude pode ocorrer devido à adição de água ao
leite, que vai alterar o seu índice de crioscopia ou mesmo a adição de qualquer outra
substância que poderá também alterar outros parâmetros físico-químicos como a
densidade, acidez e teor de sólidos não gordurosos (AGNESE, 2002).
19
Evidências de que o leite produzido e consumido no Brasil nem sempre
apresenta a qualidade desejada têm gerado a discussão para o desenvolvimento de novas
políticas de incentivo à produção leiteira (NERO et al., 2005).
Em busca de aprimorar a qualidade do leite produzido no Brasil o Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), por intermédio do Departamento de
Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA) publicou em 18 de setembro de 2002
a Instrução Normativa Nº51 no Diário Oficial da União. Esse regulamento normatiza a
produção, estabelecendo os critérios e parâmetros de identidade e qualidade do leite,
desde a ordenha, o resfriamento na propriedade rural e seu transporte a granel.
Apesar das melhorias ocorridas na legislação que vigora sobre a qualidade do
leite, a comercialização informal de leite in natura, ou seja, que não foi submetido a
nenhum tipo de beneficiamento, nem controle de qualidade, ainda é comum em algumas
regiões do país, devido ao baixo custo e também pela falta de informação sobre os
riscos desta prática (NERO; MAZIERO; BEZERRA, 2003).
As fontes de contaminação do leite podem ser o solo, a água, os utensílios e
equipamentos usados na ordenha, os ordenhadores através da microbiota das mãos,
nariz, boca, pele e roupas, e a pele dos animais (FRANCO; LANDGRAF, 2008).
2.2 Contagem de Células Somáticas (CCS)
Células somáticas do leite são, normalmente, células de defesa do organismo que
migram do sangue para o interior da glândula mamária, com o objetivo de eliminar os
agentes causadores da mastite (PHILPOT; NICKERSON, 1991).
De acordo com Santos e Fonseca (2007), altos índices de CCS, causam inúmeros
prejuízos às indústrias de laticínios, por afetarem de forma direta a composição do leite,
diminuindo o tempo de vida de prateleira dos seus derivados.
Como consequência de altos níveis de células somáticas observam-se prejuízos
tanto ao produtor de leite quanto à indústria de laticínios e segundo Santos e Fonseca
(2007), as maiores perdas causadas ao produtor estão relacionadas à redução da
produção. Conseqüentemente, esta redução gera problemas de captação da matériaprima para a indústria.
O aumento do número de células somáticas no leite provoca alterações nos três
principais componentes do leite, gordura, proteína e lactose (SCHÄELLIBAUM, 2000).
A medida que aumenta a CCS no leite, a relação caseína:proteína total é diminuída
20
(KLEI et al., 1998). A concentração de gordura é reduzida no leite com alta CCS, em
virtude de menor síntese de gordura pelas células epiteliais da glândula mamária
(SCHULTZ, 1977). Segundo Miller et al. (1983), vacas com alta CCS apresentam
diminuição na concentração de lactose no leite, a qual apresenta correlação negativa
com a mastite.
Para Muller (2000), a CCS no leite é uma ferramenta valiosa na avaliação e
estimativa das perdas quantitativas e qualitativas da produção do leite e derivados, como
indicativo da quantidade do leite produzido na propriedade e para estabelecer medidas
de prevenção e controle da mastite. Uma dessas medidas pode ser a implantação de
protocolos de manejo de ordenha (FONSECA; SANTOS, 2000).
2.3 Contaminação microbiológica do leite
Os
procedimentos
empregados
na
ordenha
determinam
a
qualidade
microbiológica do leite, cada etapa nesse processo pode ser responsável pela inclusão de
milhões de micro-organismos ao leite na ausência de boas práticas de higiene
(SANTANA; BELOTI; BARROS, 2001).
O controle microbiológico do leite é realizado, principalmente, por meio da
pesquisa de micro-organismos indicadores que podem fornecer informações sobre as
condições sanitárias da produção, processamento e armazenamento, assim como a
possível presença de patógenos e estimativa de vida de prateleira do produto. Os
principais grupos de micro-organismos indicadores de qualidade do leite são os aeróbios
mesófilos e os coliformes (FRANCO; LANDGRAF, 2008).
2.3.1 Aeróbios mesófilos (AM)
O grupo dos micro-organismos aeróbios mesófilos inclui a maioria das bactérias
acidificantes do leite e os patógenos (FRANCO; LANDGRAF, 2008). Microorganismos aeróbios mesófilos apresentam crescimento ótimo entre 20 e 45C.
A contagem e determinação de micro-organismos aeróbios mesófilos são de
grande importância, sendo sua detecção e enumeração empregadas tanto para o controle
da qualidade do leite, como da eficiência das práticas de sanitização de equipamentos e
utensílios durante a produção e beneficiamento do produto (FRANCO; LANDGRAF,
2008).
21
Sua contagem fornece uma estimativa de contaminação microbiana total e altas
contagens usualmente estão relacionadas á baixa qualidade e reduzida vida de prateleira
dos produtos (GILL, 1998; JAY, 2005).
Santana et al. (2001) evidenciaram que, na propriedade leiteira, as principais
fontes de contaminação por aeróbios mesófilos, em ordem decrescente, são a superfície
dos latões e a água residual dos latões e tanques de expansão e tetos mal higienizados.
2.3.2 Coliformes Totais (CT) e Escherichia Coli (EC)
Os coliformes são micro-organismos ambientais, encontrados no solo e na água.
Quando pesquisados em alimentos, refletem a condição sanitária de produção, isto é,
com que intensidade as bactérias presentes no ambiente e na água entraram em contato
com o alimento. Boas práticas de produção e fabricação controlam a contaminação por
esta via, resultando em baixas contagens de coliformes no alimento.
A E. coli está incluída no grupo dos coliformes termotolerantes, é a única
bactéria que representa contaminação fecal. Isso porque seu habitat primário é o trato
intestinal de animais de sangue quente e corresponde a 95% dos coliformes encontrados
em fezes humanas e de animais (HAJDENWURCEL, 1998). É frequentemente isolada
em alimentos e em produtos de origem láctea, inclusive sob refrigeração (CATÃO;
CEBALLOS, 2001).
22
3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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26
Objetivo Geral
Estudar a qualidade microbiológica e físico-química da água e do leite em
propriedades leiteiras da região norte central do Paraná, bem como avaliar a percepção
dos produtores sobre a qualidade da água utilizada.
Objetivos específicos

Verificar, através de questionário estruturado com questões abertas a
percepção dos proprietários sobre a qualidade da água utilizada bem
como as características das propriedades, animais, instalações e
condições de ordenha e manejo sanitário dos animais.

Verificar a qualidade microbiológica da água quanto à presença de
coliformes a 30ºC e E.coli em propriedades leiteiras da região norte
central do Paraná.

Verificar a qualidade físico-química da água quanto às características de
pH, dureza, nitrato, nitrito e ferro em propriedades leiteiras da região
norte central do Paraná.

Verificar a qualidade microbiológica do leite através da pesquisa de
Coliformes a 30ºC, E. coli, California Mastitis Test, Contagem
Bacteriana Total, nas mesmas propriedades.

Verificar a qualidade físico-química do leite através dos parâmetros, de
densidade a 15ºC, Peroxidase, Fosfatase, gordura, Sólidos Totais (ST) e
Sólidos Não Gordurosos (SNG), Acidez Dornic, Alizarol, Crioscopia,
nas mesmas propriedades.
.
27
ARTIGO PARA PUBLICAÇÃO
QUALIDADE DA ÁGUA EM PROPRIEDADES LEITEIRAS
DA REGIÃO NORTE CENTRAL DO PARANÁ
28
GIOMBELLI, Cristiane Jaci. Qualidade da água em propriedades leiteiras da região
norte central do Paraná. 2012. 68 Fls. Dissertação (Mestrado em Ciência Animal) –
Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2012.
RESUMO
A água é fundamental para a produção de alimentos. Na produção leiteira a água e sua
qualidade são fundamentais. Águas contaminadas podem devolver micro-organismos
durante o enxágüe de equipamentos. Esta contaminação será transferida ao leite. A
dureza e o pH da água são igualmente importantes porque interferem na ação de
detergentes e sanitizantes diminuindo sua eficiência. O objetivo desta pesquisa foi
estudar a qualidade físico-química e microbiológica da água, em propriedades leiteiras
da região norte central do Paraná, assim como avaliar o grau de informação dos
produtores sobre a água utilizada. No período de agosto de 2010 a abril de 2011 foram
visitadas 30 propriedades, sendo coletadas 3 amostras de água de cada propriedade,
totalizando 90 amostras. Foram realizadas as seguintes análises: Dureza Total, pH,
Ferro, Nitrato, Nitrito, Coliformes a 30oC, Escherichia Coli. Os resultados para as
análises de água foram os seguintes, 6 (20%) propriedades apresentaram água
classificada como dura, 2 (6,66%) propriedades apresentaram água ácida, 2 (6,66%)
apresentaram nitrato com valores acima do permitido pela legislação, 10 (33,33%)
obtiveram resultados fora do padrão para análise de ferro. As análises microbiológicas
apresentaram resultados preocupantes já que 26 (86,66%) das propriedades
apresentaram contagens acima do permitido pela legislação de Coliformes a 30ºC, e 9 (
30%) para Escherichia coli. Para as análises de leite coletou-se 1 amostra de leite cru de
cada propriedade, foram realizadas as seguintes análises: Contagem de Coliformes a
30ºC, Escherichia coli, Contagem Bacteriana Total, Densidade a 15ºC, Peroxidase,
Fosfatase, Teor percentual de gordura, Sólidos Totais e Sólidos Não Gordurosos,
Acidez titulável, Alizarol, Crioscopia, Contagens de Células Somáticas. Os resultados
mostram que das 30 amostras de leite 14 (46,66%) apresentaram resultados fora dos
padrões para as análises microbiológicas e 23 (76,66%) apresentaram alterações na
análise físico-química. Embora não seja possível dimensionar exatamente o quanto dos
problemas verificados no leite pode ser atribuído a qualidade da água, já que outros
fatores como a higiene deficiente foram identificados, seguramente parte da
contaminação encontrada é resultado da recontaminação provocada por enxágües com
água contaminada e pela interferência das águas duras e ácidas, que diminuem a
eficiência dos agentes de limpeza e sanitização utilizados. Pode-se constatar que todos
os produtores consideravam que a água de suas propriedades era de boa qualidade.
Existe, portanto, a necessidade de orientação aos produtores, sobre a importância da
qualidade da água e da correção de características indesejáveis como contaminações,
dureza e acidez, para a produção de leite, objetivando melhorar sua qualidade.
Palavras chave: Leite, Água, propriedades leiteiras, dureza, pH.
29
GIOMBELLI, Cristiane Jaci. Water quality from dairy farms in north central region of
Paraná 2012.68 sheets. Dissertation (Master in Animal Science) State University of
Londrina), Londrina, 2012.
ABSTRACT
Water is essential to food production. In milk production water and its quality are
fundamental. Contaminated water can increase contamination of equipments during
rinse. This contamination will be transferred to milk. Water hardness and pH are equally
important since they can interfere on detergents and sanitizers action, reducing its
efficacy. The objective of this research was to study the microbiological and
physicochemical quality of water and milk, dairy farming, the north central region of
Paraná as well as assess the level of information to producers on the water used. From
August 2010 to April 2011 30 properties were visited, and three water samples collected
from each property, totaling 90 samples. The following analyses were performed: Total
Hardness, pH, iron, nitrate, nitrite, coliforms at 30 ° C, Escherichia coli. The results for
water analysis were as follows, 6 (20%) dairy farms presented hard water, 2 (6.66%)
dairy farms presented acidic water, 2 (6.66%) had nitrate values above that allowed by
legislation, 10 (33.33%) had non-standard results for analysis of iron. The
microbiological presented concerning results as 26 (86.66%) showed 30°C coliform
counts above acceptable by law, and 9 (30%) to Escherichia coli. For analysis of milk
was collected a sample of raw milk from each farm. The following analysis were
conducted: Coliform Count at 30 º C, Escherichia coli (EC), total bacterial count
(TBC), density at 15 ° C, peroxidase, alkaline phosphatase, fat percentage, total solids
(TS) and solids non fat (SNF), titratable acidity, Alizarol, freezing point, somatic cell
count (SCC). The results show that from 30 milk samples, 14 (46.66%) showed results
above standards for microbiological analyses and 23 (76.66%) presented alteration in
physicochemical analyses. Although it is not possible to measure exactly how much of
the problems in milk can be attributed to water quality, since other factors such as poor
hygiene have been observed, surely part of the contamination found in milk is resultant
of recontamination caused by rinsing with contaminated water and also by interference
of hard and acidic water, which decrease the efficiency of cleaning and sanitizing agents
used. It was observed that all producers believed that they had good quality water on
their farms. Therefore it is necessary to enlighten producers about water quality
importance and how to correct undesirable characteristics such as contamination,
hardness and acidity of water to milk production, aiming to improve its quality.
Keywords: milk, water, dairy farms, hardness, pH.
30
1. INTRODUÇÃO
A quantidade e a qualidade da água são fundamentais para suprir as
necessidades de consumo de homens e animais. A água é importante em todas as
atividades, mas na produção de alimentos sua qualidade é fundamental. Na atividade
leiteira a água é imprescindível para limpeza e desinfecção das instalações e
equipamentos necessários para a produção e beneficiamento do leite.
A qualidade da água utilizada na produção leiteira tem sérias implicações na
qualidade do leite. A água utilizada no ambiente de ordenha para limpeza, tanto de tetos
dos animais como dos equipamentos de ordenha, pode atuar como via de transmissão de
micro-organismos para a glândula mamária, bem como comprometer a qualidade do
leite, uma vez que a água com alta contagem de bactérias, utilizada na limpeza dos
equipamentos, possibilita a veiculação da população bacteriana diretamente para o leite
quando este entra em contato com as superfícies contaminadas (RIBEIRO et al. 2000).
O leite é considerado um dos alimentos mais completos, por apresentar em sua
composição alto teor de proteínas, vitaminas, sais minerais, além de ser importante
fonte de cálcio, sendo amplamente comercializado e consumido pela população e
recomendado principalmente para crianças e idosos (LUQUET, 1991).
No Brasil, de modo geral, o leite ainda é obtido sob condições higiênicosanitárias deficientes e, em consequência, apresenta elevado número de microorganismos, o que pode constituir um risco à saúde da população, principalmente
quando consumido sem tratamento térmico (CATÃO; CEBALLOS, 2001).
Os micro-organismos são também os principais causadores de alterações físicoquímicas no leite, produzindo ácido lático a partir da lactose ou causando danos às
proteínas e aos triglicerídeos a partir de suas enzimas proteolíticas e lipolíticas, tudo
isso colabora para a diminuição da qualidade do produto (LANGE; BRITO, 2006)
A contaminação do leite ocorre através dos animais, ordenhadores e do
ambiente. Devido a este contexto a água tem grande importância, pois os fatores
ambientais incluem a água utilizada para limpeza dos equipamentos, utensílios e
fornecida aos animais (COUSIN; BRAMLEY, 1981). A água contaminada pode
comprometer a qualidade do leite quando entra em contato com a superfície dos
equipamentos e utensílios de ordenha por onde passará o leite, assim como pode
contaminar o tanque de refrigeração do leite (GUERREIRO et al, 2005). A água para a
atividade leiteira deve ser potável.
31
A qualidade da água é frequentemente desconsiderada quando se decide sobre
instalação de estabelecimentos leiteiros. No entanto o uso de água de baixa qualidade,
tanto para consumo quanto para manejo dos animais e limpeza dos utensílios merece
atenção pelos riscos químicos e microbiológicos que pode oferecer à saúde pública, por
carrear resíduos de praguicidas e recontaminar, no momento do enxágüe, superfícies e
equipamentos já limpos e sanitizados.
Segundo Tobin (1988), o tipo de solo, a topografia do local, a natureza e local de
construção das instalações, a proximidade de fontes contaminantes, a existência ou não
de tratamentos da água, a limpeza ou não de caixas d’água, podem comprometer a
qualidade da água.
A qualidade microbiológica da água pode afetar a qualidade do leite, elevando
principalmente a Contagem Bacteriana Total (CBT). Entre os microrganismos
veiculados pela água que contribuem para a contaminação do leite, destacam-se: os
coliformes como, por exemplo, Escherichia coli; os psicrotróficos como Pseudomonas
spp. e os patogênicos como Listeria monocytogenes, Salmonella spp., além de vírus
como o da Hepatite A, os Rotavírus e os Norovírus, entre outros.
A presença de bactérias psicrotróficas, como Pseudomonas aeruginosa, no leite
cru refrigerado, diminui a qualidade do produto, uma vez que seu crescimento não é
impedido pela refriferação e suas enzimas termoestáveis continuam ativas degradando o
leite, diminuindo assim, o tempo de prateleira (ETCHEVERRY, 1997; PEDRAZA,
1998).
A dureza e o pH da água têm tanta importância quanto a sua qualidade
microbiológica. A água com pH tendendo ao alcalino ou com grandes quantidades de
CaCO3 pode levar à chamada “pedra de leite” que é a precipitação e aderência destes
sais, que favorecem a posterior precipitação de proteína, formando uma camada difícil
de higienizar e que, com o tempo, chega a obstruir as tubulações por onde passa o leite.
De acordo com Ruzante e Fonseca (2001) águas ácidas são corrosivas e neutralizam
detergentes alcalinos, dificultando o estabelecimento do pH ideal para a limpeza e
remoção dos sólidos.
Não é possível verificar a qualidade da água apenas por sua aparência e sabor.
(ARAÚJO et al., 2009; POLEGATO e AMARAL, 2005.) No entanto, muitos
produtores declaram que a água da propriedade é boa com base apenas na observação.
Picinin et al. (2001), ao analisarem a qualidade da água de 31 propriedades, constataram
que 80,17% das amostras de água estavam insatisfatórias quanto a qualidade
32
microbiológica para Coliformes 30ºC e Coliformes 45°C. Barcellos et al. (2006), ao
avaliarem a qualidade da na área rural de Lavras (MG) observaram que 93% das 30
amostras analisadas estavam fora do padrão estabelecido para Coliformes 45ºC.
Assim, conhecer a qualidade da água é um dos pontos fundamentais para a
segurança do leite produzido e adequação de processos higiênicos, de acordo com suas
características.
O objetivo deste trabalho foi verificar a qualidade físico-química e
microbiológica da água utilizada e qual a percepção dos produtores sobre isso, em
propriedades leiteiras do Norte Central do Paraná.
2. MATERIAL E MÉTODOS
No período de agosto de 2010 a abril de 2011 foram visitadas 30 propriedades,
sendo 8 em Londrina, 10 em Astorga e 12 em Ibiporã. Durante as visitas nas
propriedades realizou-se uma entrevista através de um questionário do tipo estruturado
com questões abertas, com os produtores (anexo 1). O questionário foi dividido em duas
partes, na primeira objetivou-se obter informações sobre dados da produção, manejo,
sanidade, utilização de boas práticas, resfriamento, características das instalações e
características dos animais. A segunda parte foi dirigida a informações sobre a água
como: origem, percepção da qualidade e limpeza de caixa d’água.
Análise da água
Para avaliação da qualidade da água das propriedades, foram coletadas 3
amostras de água de cada propriedade, totalizando 90 amostras. Um dos pontos de
coleta foi a fonte de abastecimento da propriedade, poço ou mina, outro foi o local onde
é realizada a ordenha, e a terceira amostra foi colhida da torneira utilizada para consumo
das pessoas. Quando não havia possibilidade de coletar amostras direto da fonte,
coletava-se do ponto mais próximo, geralmente a caixa d’água.
O frasco de coleta para as amostras microbiológicas eram esterilizados e abertos
somente no momento da coleta. As amostras destinadas a análises físico-químicas
foram colhidas em frascos de 2 litros não esterilizados.
Os frascos eram transportados sob refrigeração e o período de coleta e realização
das análises não ultrapassaram quatro horas para que não houvesse alterações das
propriedades originais de pH e dureza.
33
As análises da água foram realizadas no Instituto Ambiental do Paraná (IAP) de
Londrina, para a determinação dos seguintes parâmetros físico-químicos e
microbiológicos: dureza total, pH, ferro, nitrato, nitrito, coliformes a 30oC e Escherichia
coli.A metodologia aplicada para as análises de água seguiu a referência: “Standard
Methods For Of Water And Wastewater” 1995.
Os resultados obtidos foram avaliados com base na Resolução No 357/2005 do
CONAMA e na Portaria N o 518/2004 do Ministério da Saúde (MS). As águas foram
classificadas de acordo com a classe 1, que podem ser utilizadas para abastecimento
doméstico, após tratamento simplificado, bem como para irrigação e dessedentação de
animais (Anexo 2).
Análises do leite
Coletou-se uma amostra de leite cru de cada propriedade, em bags esterilizadas
de aproximadamente 300 mL, sendo estas amostras refrigeradas e encaminhadas ao
Laboratório de Inspeção de Produtos de Origem Animal – UEL, para a realização das
seguintes análises: Determinação da densidade a 15ºC, Peroxidase, Fosfatase, Teor
percentual de gordura, Teor percentual de Extrato Seco Total (EST); Teor percentual de
Extrato Seco Desengordurado (ESD), Acidez titulável, Alizarol, Crioscopia, realizada
pelo método eletrônico (M 90/Laktron), California Mastitis Test (CMT), Contagem de
Coliformes a 30ºC e Escherichia coli (E.C). As análises físico-químicas do leite foram
realizadas de acordo com a metodologia da Instrução Normativa 68/2006 do Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento: Coliformes e E. coli foram enumerados
utilizando-se placas Petrifilm™ EC de acordo com as instruções do fabricante (3M
Company, St. Paul, MN, USA). As placas foram incubadas a 35ºC por 48 horas
conforme as orientações do fabricante. Foram considerados coliformes totais as colônias
vermelhas e azuis com formação de gás, e as colônias azuis com gás foram enumeradas
como E. coli. Os resultados foram expressos em UFC /mL.
Para a Contagem de Células Somáticas (CCS) foram colhidos 40 mL de leite em
recipientes plásticos apropriados, com o conservante bronopol, fornecidos pelo
Laboratório do Programa de Análise do Leite da Associação Paranaense de Criadores de
Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH) em Curitiba/PR, para onde foram
encaminhadas as amostras sob refrigeração para análise de CCS pelo contador
eletrônico SOMACOUNT 500®. Para a Contagem Bacteriana Total (CBT) também
34
foram coletados 40 mL de leite, no recipiente fornecido pelo Laboratório da APCBRH,
com o antibiótico bacteriostático azidiol. As amostras foram refrigeradas, transportadas
para a contagem através do contador eletrônico BACTOCOUNT – IBC®.
Os resultados das análises de leite cru foram comparados aos padrões existentes
na IN 51 (BRASIL, 2002) (anexo3).
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1 Características das propriedades visitadas
Serão comentadas as características mais relevantes das propriedades, tabuladas
a partir do questionário realizado na entrevista com os produtores.
3.1.1 Dados da produção
Em relação ao número de animais das 30 propriedades estudadas, a média foi de
51 animais, sendo os pequenos produtores (60%) classificados como aqueles que
possuem até 50 animais e os maiores (10%) os que possuem mais de 100 animais.
Quanto ao número de animais em lactação, a média foi de 21 animais, observando-se
um predomínio das propriedades de pequeno porte, com até 25 animais em lactação
(70%). De acordo com as informações dos produtores, estimou-se a produção média
diária geral em 276,3 litros/dia, sendo mais freqüente as propriedades que produzem de
50 a 200 litros/dia (48,8%). A produção por animal/dia foi de 12 L em média. Também
se observou que as médias de produção por animal são maiores nas propriedades em
que há maior número de animais.
3.1.2 Características de animais e manejo
Em 27 (90%) propriedades, verificou-se um predomínio de animais mestiços
compondo o rebanho (Figura 1), Girolanda foi a cruza mais frequente. Em 15 (50%)
propriedades a ordenha era realizada duas vezes ao dia, e nas demais apenas uma vez.
35
Jersey
Jersey e Holandesa
Holandesa
mestiço (holandesa e gir)
0
5
10
15
20
25
30
n. de animais
Figura 1: Dados sobre as raças de animais em produção de trinta propriedades, na região
norte central do Paraná, avaliadas no período de agosto de 2010 a abril de 2011.
Em relação à alimentação dos animais, 26 (86,6%) propriedades forneciam
volumoso, 23 (76,6%) concentrado, e 30 (100%) sal mineral. A alimentação dos
animais tem relação com a qualidade e composição do leite, sendo um importante fator
na produção leiteira (OLIVEIRA; FONSECA; GERMANO, 1999). Conforme Hoe e
Soriano (2006), a dieta tem também um papel fundamental na resistência do úbere às
infecções, pois certos nutrientes auxiliam os mecanismos de defesa, tais como: a função
das células somáticas, transporte de anticorpos para o leite e a saúde dos tecidos
mamários.
3.1.3Sanidade animal
Em relação à prevenção de enfermidades nos animais, os proprietários foram
questionados quanto à realização de testes para tuberculose e brucelose, além de
vacinações contra brucelose e febre aftosa. Do total de 30 produtores, todos (100%)
afirmaram realizar teste para tuberculose e brucelose e realizar a vacinação para
brucelose, 18 (60%) declararam que realizavam vacinação para febre aftosa e 3 (10%)
afirmaram vacinar os animais contra Leptospirose. A tuberculose e a brucelose possuem
fundamental importância para a saúde pública, uma vez que são zoonoses e é observado
na região o consumo de leite cru e seus derivados, pois parte dos produtores
36
participantes do estudo (40%) afirmaram comercializar o leite cru, sem nenhum tipo de
tratamento.
Quando questionados se existia algum tipo de profilaxia em relação aos
carrapatos, 14 (46,6%) dos proprietários afirmaram usar algum tipo de produto somente
quando notam a presença de carrapatos, 9 (30%) fazem aplicações de produtos a cada
30 dias, 4 (13,3%) tratam a cada seis meses, 2 (6,6%) realizam tratamento uma vez por
ano, e 1 proprietário não soube informar. O controle de moscas era realizado somente
quando apareciam. O uso incorreto de drogas (antibióticos, vermífugos, carrapaticidas),
sem atenção ao prazo de carência para a eliminação da droga, durante o qual não se
deve enviar o leite ao consumo, é outro fator que contribui para a má qualidade do leite.
3.1.4 Ordenha, boas práticas e resfriamento
Em 23 (76,66%) propriedades, a ordenha era realizada em um estábulo, 4
(13,33%) propriedades realizavam a ordenha em salas de ordenha, e 3 (10%)
trabalhavam em mangueiras, instalações ao ar livre sem cobertura (Figura 2). Durante a
ordenha, condições inadequadas de produção e higiene comprometem a qualidade do
leite, já que sujidades, micro-organismos e substâncias químicas, presentes no próprio
local de ordenha, podem ser imediatamente incorporados ao produto (OLIVEIRA;
FONSECA; GERMANO, 1999).
Instalações
Estábulo
Sala de Ordenha
Mangueira
10% 0%
13%
77%
Figura 2: Tipo de instalações existentes para ordenha em 30 propriedades leiteiras do
norte central do Paraná estudadas entre agosto de 2010 e abril de 2011.
Em 11 (36,6%) das propriedades a ordenha era manual com bezerro ao pé, e 19
(63,3%) propriedades utilizavam ordenha mecânica. O manejo de ordenha é uma das
37
estratégias mais importantes para garantir a qualidade do leite produzido (FONSECA;
SANTOS, 2001).
Em relação às práticas de higiene adotadas na ordenha, 24 (80%) produtores
utilizavam alguma prática de higienização no momento da ordenha. Verificou-se que 17
(56,66%) realizavam a lavagem dos tetos, 08 (26,66%) desprezavam os três primeiros
jatos de leite, em 06 (20%) os proprietários adotavam a prática de mamada do bezerro
antes da ordenha, que é um modo de desprezar os três primeiros jatos, 12 (40%)
realizavam o pré-dipping, e 09 (30%) realizavam pós-dipping. Em 06 (20%)
propriedades não era realizada nenhuma prática de higienização de ordenha.
Segundo Philpot (1998), tetos limpos e secos na ordenha é um pré-requisito
tanto para a produção de um leite de alta qualidade como para a prevenção da mastite.
Quanto à refrigeração do leite após a ordenha, 12 (40%) utilizavam tanque de
expansão individual, 05 (16,66%) propriedades utilizavam tanque de expansão
comunitário, 03 (10%) utilizavam tanque de imersão e 10 (33,33%) acondicionavam o
leite em geladeiras de uso doméstico até o momento de consumo e comercialização
(Figura 3). A relação tempo-temperatura assume destacada relevância para conservação
do leite recém-ordenhado. A redução no tempo entre a produção e a pasteurização, e a
manutenção do leite em baixas temperaturas podem ajudar a controlar a qualidade
microbiológica do leite cru (FONSECA; SANTOS, 2001; SANTANA et al., 2004).
14
12
12
10
10
8
5
6
3
4
2
0
Expansão
Expansão
Comunitário
Imersão
Geladeira
Tipo de resfriamento
Figura 3: Tipo de resfriamento de leite utilizado em 30 propriedades leiteiras da região norte
central do Paraná, estudadas entre agosto de 2010 a abril de 2011.
3.1.5 Percepção dos proprietários sobre a água utilizada
Com relação às informações sobre a água utilizada, 9 (30%) disseram que era de
ótima qualidade e 21 (70%) dos proprietários disseram que era de boa qualidade. Todos
38
os entrevistados (100%) responderam que nunca tiveram nenhum problema
gastrintestinal relacionado com a água, e 25 (83,33%) disseram que efetuavam a
limpeza da caixa d’água pelo menos 1 vez ao ano. Quando perguntados sobre as
análises já realizadas para comprovar a qualidade da água, 21 (70%) disseram que
nunca realizaram nenhum tipo de análise, e 9 (30%) entrevistados disseram que
realizaram análises mas não souberam informar sobre os resultados.
Araujo et al. (2009), pesquisaram a qualidade da água de propriedades leiteiras
do município de Luz, MG, e na opinião de 18,8% dos proprietários a qualidade da água
usada nas propriedades era ótima, 75% boa, 3,1% regular e 3,1% a consideram de
qualidade ruim. Resultados observados por Polegato e Amaral (2005) em propriedades
leiteiras do Município de Marília, SP, indicam que 90% das propriedades não
efetuavam tratamento da água e nunca analisaram a água que consomem, e os 10% que
tratavam a água o faziam de maneira inadequada.
3.1.6 Origem da água
Para a higienização do ambiente e utensílios, os poços artesianos eram as fontes
mais freqüentes de água e a utilização se dava sem qualquer tratamento, sendo que 3
propriedades afirmaram tratar esporadicamente a água do poço artesiano com cloro, mas
não sabiam dizer a quantidade de cloro utilizada nem a freqüência com que realizavam
o tratamento. Para o consumo humano, as principais fontes eram também os poços
artesianos e minas, todos sem nenhuma forma de tratamento, apenas 2 propriedades
utilizavam água das redes de distribuição devidamente tratadas.
Para dessedentação animal as minas eram mais freqüentemente utilizadas
(Tabela 1). Picinin (2001) ao avaliar 31 propriedades leiteiras, encontrou 58% das
propriedades utilizando água obtida em minas. Das propriedades estudadas por Picinin
et al. (2001), todas as que utilizavam mina, apresentaram resultados da qualidade da
água incompatíveis com o consumo e outros fins.
Segundo Ribeiro et al. (2000), a água utilizada no ambiente de ordenha para
limpeza, tanto dos tetos dos animais como dos equipamentos de ordenha (coletores,
ordenhadeiras mecânicas, baldes etc.), pode atuar como via de transmissão de microorganismos para a glândula mamária, bem como comprometer a qualidade do leite, uma
vez que a água com alta contagem de bactérias, utilizada na limpeza dos equipamentos,
39
possibilita a veiculação da população bacteriana diretamente para o leite quando este
entra em contato com as superfícies contaminadas.
A água tem grande importância na cadeia produtiva do leite, sendo importante
que sua origem ofereça qualidade para utilização na pecuária leiteira, ou algum
tratamento lhe confira esta qualidade (POLEGATO e AMARAL, 2005).
Tabela 1: Origem da água utilizada para higienização de equipamentos, dessedentação
animal e consumo humano, em 30 propriedades leiteiras, localizadas na região norte
central do Paraná, estudadas entre agosto de 2010 a abril de 2011.
Origem
Higienização de
equipamentos
Dessedentação
animal
Consumo Humano
*Poço artesiano com tratamento
Poço artesiano – sem
tratamento
Poço comum
3 (10%)
3 (10%)
3 (10%)
13 (43,33%)
11 (36,66%)
13 (43,33%)
1 (3,33%)
-
1 (3,33%)
2 (6,66%)
1 (3,33%)
1 (3,33%)
9 (30%)
14 (46,66%)
10 (33,33%)
2 (6,66%)
-
2 (6,66%)
-
1 (3,33%)
-
*Mina – com
tratamento
Mina – sem
tratamento
Rede de distribuição
– com tratamento
Repreza
*Tratamento realizado por meio de cloração, sem determinação de quantidade e freqüência.
3.2 Qualidade Físico-Química e Microbiológica da Água
Apesar da percepção dos produtores apontarem para qualidades de água ótimas e
boas em suas propriedades, as análises físico-químicas e microbiológicas demonstraram
muitos problemas. Os resultados obtidos mostraram que das 30 propriedades visitadas,
6 (20%), apresentaram água dura, e 16 (53,34%) apresentaram água semi-dura. A
tabela 2 mostra os padrões adotados e os resultados das análises de dureza e pH para
amostras de água coletadas do ponto de ordenha e da fonte de água das propriedades, já
que as amostras destes locais afetam diretamente o processo de higienização dos
equipamentos e utensílios utilizados durante a ordenha.
Águas duras podem levar a chamada “pedra de leite”, que é a precipitação e
aderência dos sais de cálcio e magnésio nos equipamentos (MALDONADO MAY et
al., 1999). Isso favorece a posterior precipitação de proteína, formando uma camada
difícil de higienizar e que, com o tempo chega a obstruir as tubulações por onde passa o
40
leite, sendo necessário para sua eliminação, o uso de detergentes ácidos em maior
freqüência e concentração. Isso eleva os custos de produção, pois a água dura interfere
nas concentrações ideais dos princípios ativos das soluções, diminuindo sua eficiência.
Há uma reação entre os compostos do detergente e os íons cálcio e magnésio presentes
na água dura que produz precipitados insolúveis. O detergente acaba, por conseguinte,
apresentando ação reduzida e menor capacidade de formar espuma, não atingindo o pH
ideal para a solução de limpeza (LAGGER et al., 2000).
41
Tabela 2: Resultados das análises de dureza e pH de amostras de água coletadas em
propriedades leiteiras, no ponto de ordenha e na fonte de água da propriedade, no
período de agosto de 2010 a abril de 2011, na região norte central do Paraná
Água utilizada na
Água coletada das fontes
ordenha
Prop.
Dureza
Total
(mg/L)
pH
(unidade)
Dureza
Total
(mg/L)
pH
(unidade)
Água fornecida aos
animais e ou consumo
familiar
Dureza
pH
Total
(unidade)
(mg/L)
Análises
Padrão água
Bruta Res
357/2005
6,0 a 9,0
151 - 300
6,0 a 9,0
151 - 300
Padrão água
Tratada Port
518/2004
MS
01
02
03
04
05
06
07
08
09
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
151 - 300
6,0 a 9,5
21,55
155,34
6,50
161,72
91,30
153,52
72,10
258,60
13,20
25,00
52,72
51,69
12,31
71,38
59,90
52,30
23,81
42,81
154,00
58,60
129,14
40,70
129,36
47,86
171,80
103,30
25,40
97,20
56,60
12,10
6,0 a 9,0
6,50
7,70
6,40
7,70
7,40
7,50
6,30
7,00
6,40
6,60
7,20
7,70
6,00
7,30
6,60
7,60
6,30
7,40
6,80
6,70
7,40
7,10
7,60
6,50
8,20
7,10
6,40
7,30
6,70
6,50
6,0 a 9,5
20,75
38,40
6,50
156,10
94,58
153,20
71,37
252,18
12,80
24,60
52,66
52,46
12,41
68,82
60,30
52,30
18,93
43,08
152,48
45,22
134,94
40,70
98,50
74,60
172,20
102,40
22,20
40,30
48,50
12,30
6,00
6,30
5,80
7,40
6,90
7,10
6,00
6,90
6,20
6,40
7,20
7,80
5,90
7,30
6,30
7,20
6,20
7,50
6,60
6,60
6,60
7,10
7,10
6,80
7,80
6,80
6,10
7,10
6,30
6,10
6,0 a 9,5
21,35
89,10
74,62
247,51
13,50
25,30
52,56
12,49
69,77
60,53
52,10
23,97
43,36
58,60
135,10
128,90
79,92
175,70
103,60
25,40
40,30
12,30
21,35
89,10
74,62
247,51
13,50
25,30
52,56
12,49
6,40
7,40
6,20
7,30
6,50
6,60
7,70
6,00
7,50
6,50
7,50
6,80
7,50
6,70
6,70
7,60
7,40
7,80
7,10
6,40
7,10
6,40
6,40
7,40
6,20
7,30
6,50
6,60
7,70
6,00
Quando a água é considerada semi-dura ou dura, há uma diminuição
significativa da eficiência da limpeza das ordenhadeiras mecânicas, devendo os
detergentes incluírem abrandadores na proporção adequada (PEDRAZA, 1998).
42
Para análise de pH encontrou-se em 2 (6,66%) propriedades água com pH
considerado ácido. De acordo Ruzante e Fonseca (2001), a determinação do pH é um
dos testes mais importantes e frequentes utilizados na avaliação da qualidade físicoquímica da água. Águas ácidas são corrosivas e neutralizam detergentes alcalinos,
dificultando o estabelecimento do pH ideal para a limpeza e remoção dos sólidos. Já as
águas alcalinas aumentam a formação de precipitados e são capazes de neutralizar
detergentes ácidos. Ambas exigem maior concentração de detergente.
Nas análises de nitrato (Tabela 3) encontrou-se em 2 (6,66%) propriedades
amostras de água com valores acima do permitido. O nitrato é um íon encontrado em
águas naturais, geralmente ocorrendo em baixos teores nas águas superficiais, mas
podendo atingir altas concentrações em águas profundas. No sistema digestivo o nitrato
é transformado em nitrosaminas, que são substâncias carcinogênicas. Crianças com
menos de três meses de idade possuem, em seu aparelho digestivo, bactérias que
reduzem o nitrato a nitrito, que se liga muito fortemente a moléculas de hemoglobina,
impedindo-as de transportarem oxigênio para as células do organismo. A deficiência em
oxigênio leva a danos neurológicos permanentes, dificuldade de respiração e em casos
mais sérios à morte por asfixia. Aos seis meses de idade a concentração de ácido
clorídrico aumenta no estômago, matando as bactérias redutoras de nitrato
(BOUCHARD et al., 1992).
Para análise de Ferro (tabela 3), 10 (33,33%) propriedades obtiveram resultados
fora do padrão. O Ferro é um elemento persistentemente presente em quase todas as
águas subterrâneas e sua presença é toleravel em teores abaixo de 0,3mg/L. Este limite é
estabelecido em função de problemas estéticos relacionados à presença do ferro na água
e do sabor ruim que o ferro lhe confere.
43
Tabela 3: Resultados das análises de Nitrato e Ferro, de água coletada em propriedades
leiteiras, nos pontos de ordenha, fontes e ponto de uso para animais ou uso doméstico,
coletadas no período de agosto de 2010 a abril de 2011, na região norte central do
Paraná.
Prop.
Análises
01
02
03
04
05
06
07
08
09
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
Água utilizada na
ordenha
Água das fontes
Ferro
Total
(mg/L)
0,23
0,06
0,10
0,10
<0,02
0,15
<0,10
<0,10
<0,10
0,11
<0,10
0,13
<0,10
<0,10
<0,10
0,10
0,58
0,14
<0,10
0,20
<0,10
0,99
<0,10
<0,10
<0,10
1,34
0,52
3,05
<0,10
0,37
Ferro
Total
(mg/L)
0,17
0,03
0,09
0,14
0,22
0,14
<0,10
<0,10
0,18
0,31
<0,10
<0,10
<0,10
<0,10
0,24
0,10
0,17
0,10
<0,10
Nitrato
(mg/L)
1,85
2,12
0,19
1,25
1,18
3,20
8,00
11,00
0,19
0,25
0,36
3,80
0,42
3,68
2,76
1,20
0,97
0,40
8,30
0,31
10,70
5,80
0,80
2,13
0,75
0,21
2,10
<0,05
4,70
0,47
<0,10
<0,10
<0,10
<0,10
0,39
4,27
<0,10
0,10
<0,10
1,07
Nitrato
(mg/L)
1,80
2,50
0,19
1,30
1,08
3,15
8,10
11,00
0,18
0,25
0,36
3,96
0,42
3,68
2,80
1,20
0,44
0,39
8,50
0,41
8,40
2,00
0,47
<0,05
0,89
0,22
0,16
1,35
4,80
0,52
Água fornecida aos
animais e ou consumo
familiar
Ferro
Nitrato
Total
(mg/L)
(mg/L)
0,13
1,78
5,05
0,77
0,10
0,09
0,07
1,25
0,11
1,20
0,19
3,16
<0,10
8,30
<0,10
11,00
0,18
0,19
<0,10
0,24
<0,10
3,96
0,38
4,10
<0,10
0,42
<0,10
3,68
<0,10
2,76
<0,10
1,16
0,52
0,95
<0,10
0,40
<0,10
8,50
0,12
0,28
<0,10
9,00
1,31
6,20
<0,10
0,81
<0,10
<0,05
<0,10
0,88
0,36
0,21
<0,10
0,13
2,83
<0,05
<0,10
3,20
0,19
0,48
O valor permitido para nitrato na água é de 10 mg.l, para Ferro é de 0,3 mg.l (Res.
357/2005 e Port. 518/2004 MS).
44
Tabela 4: Resultados microbiológico das amostras de água coletadas em propriedades
leiteiras nos pontos de uso para ordenha, fontes e animais ou uso doméstico, coletadas
no período de agosto de 2010 a abril de 2011, na região norte central do Paraná
Água utilizada na ordenha
Água coletada das fontes
Água fornecida aos animais
e ou consumo familiar
Prop.
Análises
Padrão água
Bruta Res
357/2005
Padrão água
Tratada Port
518/2004
MS
01
02
03
04
05
06
07
08
09
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
Colif. Total
(NMP/100mL)
E. C
(NMP/100mL)
Colif. Total
(NMP/100mL)
E. C
(NMP/100mL)
Colif. Total
(NMP/100mL)
E. C
(NMP/100mL)
200
200
200
200
200
200
Ausência
Ausência
Ausência
Ausência
Ausência
Ausência
<1,8
1.600
<1,8
240
2.200
1.600
>1.600
>1,600
>16.000
<1,8
7,8
6,8
>1.600
1.600
>1.600
1,8
>1.600
3,7
920
>1.600
1.600
<1,8
>1.600
170
>1.600
>1.600
350
>1.600
>1.600
210
<1,8
1,8
<1,8
<1,8
70
17
<1,8
1,8
<1,8
<1,8
4,5
<1,8
<1,8
49
<1,8
<1,8
10
<1,8
49
6,1
79
<1,8
350
4,5
350
9,2
<1,8
>1.600
>1.600
<1,8
1.600
2.400
<1,8
49
16.000
240
1.600
>1.600
540
1,8
11
350
1.600
1.600
>1.600
<1,8
40
<1,8
>1.600
>1.600
140
<1,8
540
>1.600
>1.600
>1.600
>1.600
<1,8
>1.600
>1.600
<1,8
1.600
<1,8
<1,8
1,8
1,8
<1,8
<1,8
8,3
<1,8
11
<1,8
<1,8
13
<1,8
<1,8
<1,8
<1,8
>1.600
>1.600
110
<1,8
79
22
130
11
<1,8
<1,8
>1.600
2,0
33
17
16.000
110
9.200
>1.600
1.600
>1.600
>1.600
6,1
<1,8
17
920
1.600
>1.600
<1,8
1.600
4,5
920
>1.600
540
>1.600
>1.600
33
>1.600
>1.600
350
>1.600
280
1.600
<1,8
1,8
<1,8
1,8
33
920
<1,8
13
1,8
1,8
<1,8
<1,8
1,8
40
<1,8
<1,8
14
2,0
33
6,1
34
170
170
6,8
27
4,5
<1,8
>1.600
2,0
1,8
45
A microbiologia da água mostrou que 26 (86,66%) propriedades (tabela 4),
obtiveram resultados para Coliformes 30ºC acima do permitido pela legislação,
Resolução 357/2005 CONAMA classificação de Água Bruta–corpo d’água Classe I.
Resultado semelhante foi encontrado por Amaral et al. (2004) no município de
Franca em São Paulo onde 90% das fontes, 86,7% dos reservatórios e 96,7% das
amostras de água coletadas nos estábulos encontravam-se fora dos padrões
microbiológicos de potabilidade. Em pesquisa realizada por Picinin et al. (2001) em 31
propriedades pesquisadas, 80,17% apresentaram amostras de água fora dos padrões
microbiológicos. Lacerda et al. (2009) também encontraram resultados de contaminação
alta no estado do maranhão, onde 90% das amostras analisadas estavam em desacordo
com a portaria n. 518/2004 do ministério da saúde em relação a coliformes totais e 70%
para E. coli.
Se considerarmos que, para utilização na ordenha, a água deve ser tratada e
isenta de coliformes, apenas quatro propriedades atenderiam ao parâmetro.
Segundo Lagger et al. (2000), a contaminação bacteriana da água é muito grave,
porque afeta a saúde da família rural e do rebanho, além da higiene e da desinfecção dos
equipamentos de ordenha. Assim, o uso de água de baixa qualidade pode levar à
recontaminação das superfícies dos equipamentos após o enxágüe final, contribuindo
para o aumento da contaminação do leite. A água contaminada pode veicular também
vários micro-organismos causadores de mastite, contribuindo para a infecção dos
animais.
Para Mendonça et al. (2002), a cloração da água é um método seguro, de baixo
custo e de fácil adoção nas propriedades leiteiras e deveria ser implantada como prática
de controle microbiológico nos processos de obtenção do leite.
Para análise de Escherichia Coli, 9 (30%) das 30 propriedades apresentaram
contagens acima do permitido pela legislação. Essa informação indica que a água
destas propriedades não é adequada para ser utilizada para consumo, nem para a
limpeza dos equipamentos de ordenha, resfriador e outros utensílios utilizados.
Barcellos et al. (2000) encontraram 93% das amostras com contagens acima do padrão
de potabilidade para coliformes fecais.
A presença de E. coli, é muito relevante, pois esse micro-organismo é
considerado como o mais importante indicativo de poluição fecal das águas
(BAUDISOVA, 1997) e, portanto, de risco à saúde quando se consome água em que
esta bactéria está presente. Kravitz et al. (1999) consideram a E. coli como o principal
46
indicador de potabilidade para águas não tratadas. Ressalta-se ainda, a possível presença
de cepas de E. coli causadoras de diarréias em seres humanos sendo, nestes casos não só
indicadora de risco, mas também agente patogênico. A esse respeito, Sato et al. (1983)
isolaram amostras de E. coli produtora de enterotoxina termolábil em amostras de água
para dessedentação humana.
A tabela 5 demonstra a quantidade de resultados das análises físico-químicas e
microbiológicas da água, que se apresentaram fora do padrão. Foram coletadas três
amostras de cada propriedade totalizando 90 amostras.
Tabela 5: Amostras fora do padrão para as análises de água, considerando a média dos
resultados de 3 pontos de coleta em cada uma das 30 propriedades leiteiras, e o total de
amostras (90) na região norte central do Paraná, coletadas no período de agosto de 2010
a abril de 2011
Análises
Propriedades (30) Amostras (90)
Dureza Total – Duras
6 (20%)
16 (17,77%)
Dureza Total – semi duras 16(53,33%)
40 (44,44%)
Ferro
10 (33,33%)
16 (17,77%)
Nitrato
2 (6,66%)
4 ( 4,44%)
Nitrito
*
*
Turbidez
*
*
o
Coliformes 30 C
26 (86,66%)
63 (70%)
E. coli
9 (30%)
11 (12,22%)
* não houve amostras fora do padrão determinado pela legislação vigente.
Os resultados conjuntos das análises microbiológicas e físico-químicas
demonstram que nenhuma propriedade apresentou água isenta de problemas, sendo os
mais freqüentes a contaminação por coliformes e a dureza.
A tabela com todos os resultados esta em anexo (anexo 4).
3.3 Qualidade Físico-Química e Microbiológica do Leite.
Com relação aos resultados das amostras de leite analisadas para fosfatase
alcalina e peroxidase, 30 (100%) propriedades apresentaram fosfatase e peroxidase
positiva, indicando que o leite não sofreu aquecimento na propriedade. Zocche et al.
(2002), Timm et al. (2003) e Tamanini et al. (2007) também não encontraram em seus
estudos amostras de leite cru com resultados de fosfatase negativa.
47
O superaquecimento do leite é um recurso irregular, utilizado quando se
pretende diminuir a contagem bacteriana de matérias-primas muito contaminadas.
Quanto às análises físico-químicas, comparou-se os resultados das análises com
os padrões estabelecidos pela Instrução Normativa nº 51 (IN 51), do Ministério da
Agricultura Pecuária e Abastecimento. Do total de 30 amostras, 9 (30%) estavam fora
do padrão para acidez Dornic. A acidez mensurada no leite pelo método Dornic permite
quantificar acidez de origem microbiana, produzida por bactérias que fermentam a
lactose produzindo ácido lático. Essas bactérias são incorporadas ao leite pela falta de
higiene durante sua produção.
Para a prova de Alizarol encontrou-se 6 (20%), amostras instáveis, sendo que
destas amostras 5 eram instáveis ao alizarol mas com acidez Dornic variando entre 14 e
18º Dornic, sendo então caracterizadas como leite instável não ácido. O leite que
precipita nessa prova pode não resistir à temperatura de pasteurização, sendo portanto
rejeitado pela indústria.
Quanto à porcentagem de gordura nas amostras de leite estudadas, 13 (43,33%)
estavam abaixo do permitido que é de 3% (BRASIL, 2002). A gordura é uma
importante fonte de energia do leite, de fácil digestibilidade, responsável pela
palatabilidade e característica de espessura do produto. É o componente mais
influenciado pela nutrição, é o único constituinte com densidade menor que a água e o
que mais influi nesta propriedade. A gordura é alvo de fraude através do desnate por
produtores, para a produção de creme e manteiga. (BELOTI et al., 1999, FREITAS et
al., 1995)
O total de amostras com resultados abaixo do valor permitido para Sólidos Não
Gordurosos foi de 8 (26,66%) entre 30 amostras de leite.
Para densidade e crioscopia, não foram encontradas amostras fora do padrão
estabelecido pela IN51 (BRASIL, 2002). A crioscopia é aferida no leite para detectar
adulteração por adição de água. Com a adição de água ao leite os valores de crioscopia
tendem a se aproximar de zero (0), que é o ponto de congelamento da água.
Também deve-se dar atenção ao California mastite test (CMT), que apresentou
22 (73,32%) amostras positivas (Tabela 6). Resultado semelhante, 36 (67,9%) amostras
positivas foi encontrado por Mattos et al. (2010) em 52 amostras de leite cru no estado
de Pernambuco. O CMT é utilizado como forma de diagnóstico para mastite subclinica,
e tem relação com o número de células somáticas presentes no leite.
48
Tabela 6: Resultados dos testes de CMT de amostras de leite colhidas em 30
propriedades leiteiras da região norte central do Paraná, entre agosto de 2010 a abril de
2011.
Negativo
+
++
+++
CMT
8 (26,67%)
14 (46,67%)
5 (16,66%)
3 (10%)
Quanto às análises microbiológicas, o grupo Coliforme no leite cru indica se o
leite foi obtido em condições higiênicas adequadas. Na legislação em vigor não há
parâmetro de contagem para coliformes em leite cru. Sendo assim, considerou-se que
contagens acima de 100 UFC/ml são indicativas de condições de produção higiênicas
insatisfatórias (CHAMBERS, 2002). Das 30 amostras de leite analisadas, 22 (73,33%)
estavam com contagens acima de 100 UFC/ml para coliformes a 30 oC e 18 (60%)
amostras, apresentaram presença de E. coli sendo que destas, 5 (16,66%) estavam acima
de 100 UFC/ml, presença de E.coli tem significado importante, por ser um indicador de
contaminação fecal e eventual presença de outros enteropatógenos, além de existirem
linhagens patogênicas para homens e animais. Nero et al. (2004) encontraram contagens
de coliformes a 30 oC acima de 100 UFC/mL em 80,4% das 210 amostras de leite cru
que estudaram, e a presença da E. coli em 36,8%. Catão e Ceballos (2001) relataram
altas contagens Coliformes a 30 oC e E.coli em 45 amostras de leite cru da região de
Campina Grande-PB. Campos et al. (2006) analisaram 24 amostras de leite cru
coletadas em um laticínio em Goiás e encontraram a presença de E. coli em 19 (79,2%).
Os coliformes são bactérias ambientais e sua presença está frequentemente relacionada
às práticas ineficientes de higiene durante a produção e a má qualidade da água
(MORENO et al., 1999).
A Contagem Bacteriana Total (CBT) e a Contagem de Células Somáticas (CSS)
devem seguir a IN51, onde o máximo permitido para leite cru refrigerado é de 750 mil
cel./ml (BRASIL, 2002).
Para CBT encontrou-se o resultado de 9 (30%) amostras com contagens acima
de 750 mil UFC/ml. Nero et al. (2005) estudando 185 propriedades leiteiras do Rio
Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Minas Gerais e encontraram 48,60% das amostras
com CBT acima de 1 milhão. Bueno et al. (2002), analisaram 20 amostras de leite cru
no estado de Goiás e encontram 15 (75%) com contagens acima de 1 milhão UFC/mL.
Em outro estudo, realizado em Santa Maria (RS), Viana et al. (2002) observaram que
49
apenas 17,8% das amostras de leite cru apresentaram contagens abaixo do limite
estabelecido pela IN51, na época que era de 1 milhão UFC/ml
A contaminação da água, utilizada nas operações de higienização de ordenha e
de produção, pode comprometer a qualidade do leite interferindo nos resultados da
contagem bacteriana total (LARANJA, 1998; ROBBS E CAMPELO, 2002; PICININ,
2001 e AMARAL et al., 2004).
O resfriamento do leite torna-se um problema quando são armazenados leites
com alta contagem bacteriana inicial porque o processo de refrigeração do leite não
impede a multiplicação de bactérias psicrotróficas. Estas bactérias conseguem se
multiplicar rapidamente no leite refrigerado e, por isso, o leite deve ser obtido
higienicamente, evitando sua contaminação, desde o momento da ordenha até chegar à
indústria de laticínios e ao consumidor final (GUERREIRO et al., 2005)
Para a CCS encontrou-se 8 (26,6%) amostras com contagens acima de 750 mil
cel./ml, com média de 777.633 mil cel/ml, indicando a dispersão da mastite em
rebanhos das propriedades estudadas. Lima et al (2006), estudando rebanhos de 13
propriedades do Agreste de Pernambuco, encontraram média de 402.126 céls./mL.
Zanela et al. (2006), analisando rebanhos leiteiros no Rio Grande do Sul com ordenha
manual e balde ao pé, encontraram médias de 803.000 céls./mL.
A CCS é uma das principais formas de estimar as perdas de produção de leite
causada pela mastite. As estimativas das perdas de produção podem variar de 10 a 30%
da produção leiteira por lactação (SANTOS E FONSECA, 2007). A tabela 7 demonstra
os resultados fora do padrão nas análises físico-químicas e microbiológicas do leite das
30 propriedades estudadas.
50
Tabela 7: Quantidade de amostras de leite com resultados de análises fora do padrão
colhidas de 30 propriedades da região norte central do Paraná, coletadas no período de
agosto de 2010 a abril de 2011.
Análises
Quantidade de amostras
fora do padrão IN51
(Brasil, 2002)
Acidez
9 (30%)
Gordura
13 (43,33%)
ESD
8 (26,66%)
CMT(+++)
3 (10%)
CMT (++)
5 (16,66%)
CMT (+)
14 (46,66%)
Alizarol
16 (20%)
CCS
8 (26,66%)
CBT
9 (30%)
Coliformes a 30oC 14 (46,66%)
*Não há padrões.
Padrões da IN 51
(BRASIL, 2002)
14 a 18ºD
≥ 3,0%
Min 8,4
*
*
*
estável
750 mil cel/ml
750 mil UFC/ml
*
A tabela com todos os resultados das análises de leite esta em anexo (anexo 5).
O leite, assim como a água, das propriedades estudadas, apresenta vários
problemas, boa parte decorrente da contaminação. A água tem importante papel neste
contexto, porque também se apresentou contaminada, ácida ou dura, que são problemas
relacionados à eficiência da higiene já precária.
Os proprietários ainda acreditam que a água de poço, açude e rede de
distribuição são de boa qualidade pelo simples fato de ser transparente sem sujidades
aparentes e desta forma, existe um descaso em relação à adoção de medidas de
prevenção da qualidade da água consumida, ou até mesmo de análises que comprovem a
verdadeira qualidade da água.
No entanto, apesar da qualidade da água contribuir para possíveis interferências
na qualidade do leite, ainda é necessário que o produtor entenda que as práticas de
higiene na ordenha são fundamentais para produzir um leite de qualidade, além de
serem de fácil aplicação.
51
4. CONCLUSÃO:
A água utilizada nas propriedades leiteiras estudadas apresentou vários
problemas que os proprietários desconheciam como a contaminação microbiológica,
presença de águas duras e ácidas, presença de nitrato e ferro acima do permitido.
A qualidade do leite também está comprometida em boa parte das propriedades
e parte desta contaminação pode ser consequência da má qualidade da água utilizada.
Porém, não foi possível quantificar o quanto a qualidade do leite é prejudicada pela
qualidade da água, uma vez que vários outros fatores determinantes da má qualidade do
leite também foram observados, como a carência de práticas de higiene de ordenha.
É necessário o esclarecimento dos produtores e a disseminação de informações
sobre a importância da qualidade da água e as decorrências do uso de água contaminada
ou sem as correções necessárias.
52
5. REFERÊNCIAS:
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57
6. ANEXOS
6.1 Questionário
QUESTIONÁRIO APLICADO NAS PROPRIEDADES LEITEIRAS, PARA
AVALIAR A QUALIDADE DO LEITE E DA ÁGUA UTILIZADA NO MANEJO DE
ANIMAIS, LAVAGEM DE EQUIPAMENTOS E CONSUMO DAS PESSOAS.
RELATIVO AO PROPRIETÁRIO:
Nome do proprietário:___________________________________________________
Nome da Propriedade:_________________________________________________
Endereço:___________________________________________________________
Bairro:_________________________Município:__________________________
RELATIVO À PRODUÇÃO DE LEITE:
1.Volume de leite: ________litros
2.Teste do alizarol: ( ) positivo ( ) negativo
3.Temperatura do tanque de expansão na hora da coleta: ______ºC
4.Horário da coleta: __:__ horas
5.Dia da coleta: __/__/____
6. Número de animais da propriedade:________________________________
7. Raça(s):________________________________________________________
8. Número de animais em lactação:___________________________________
9.Volume diário em litros (L): a)verão:________ b)inverno:_________
12. Tipo de ordenha
( ) manual
( ) mecânica
13. Práticas de higienização: ( ) sim / (
) não
( ) pré-dipping
( ) pós-dipping
( ) lavagem tetos
( ) despreza os três primeiros jato
( ) Utilizam o bezerro para desprezar os três jatos
( ) nenhuma prática
14. número de ordenhas/dia ______
15. Instalações
( ) estábulo
( ) mangueira - estábulo sem cobertura
( ) sala de ordenha
( ) outros:___________________
16. Resfriamento
( ) tranque de imersão
( ) tanque de expansão
( ) tanque de expansão comunitário ( ) outros: geladeiras
17. Alimentação:
( ) volumoso:_____________________________________
( ) concentrado:___________________________________
( ) sal mineral:____________________________________
58
18. Sanidade animal (definir um período, por exemplo, últimos seis meses)
18.1 Vacinação
( ) febre aftosa
( ) brucelose
( ) Leptspirose
( ) teste para brucelose ( ) teste tuberculose
18.2 Controle de ectoparasitos (carrapaticidas)? (definir um período, por exemplo,
últimos seis meses): (
) sim / (
) não
Qual:_______________________________________________________
Freqüência:___________________________________________________
18.3 Tratamentos em vacas em lactação (definir um período? por exemplo, últimos seis
meses)
(
) antibióticos
(
) vermífugos
(
) controle de ectoparasitos
( ) outros:___________________
18.4 Controle de moscas (definir um período? por exemplo, últimos seis meses):
(
) sim / (
) não
Qual:_______________________________________________________
Freqüência:__________________________________________________
RELATIVO À QUALIDADE DA ÁGUA E FONTE DE ABASTECIMENTO:
19. Qual a origem da água utilizada para lavagem dos equipamentos de ordenha?
( ) rede de distribuição ( ) poço artesiano ( ) mina ( ) riacho ( ) cisterna
20- Ela sofre algum tipo de tratamento? Em qual momento?
( ) sim ( ) não
20.1Qual?
_______________________________________________________________
21- Já foi observado:
( ) turvação ( ) coloração avermelhada ( ) nunca observei nada ( ) presença de limo
( ) partículas suspensas ( ) algas ( ) não sei
22- A fonte está situada a menos de 30 metros de distância de fossas sépticas, lagoas,
esterqueiras, currais?
( ) sim ( ) não
23- A fonte está situada na parte mais elevada do terreno, em relação a fossa séptica?
( ) sim ( ) não
24- Qual o estado da conservação da fonte?
( ) ótimo ( ) bom ( ) ruim ( ) péssimo
25- Já efetuou limpeza da caixa d’água?
59
( ) não ( ) sim
25.1- Quantas vezes por ano?
( ) uma ( ) duas ( ) três ( ) + de 3
26- Qual a freqüência de problemas gastrintestinais (diarréia, vômito etc) nos
moradores, relacionados ou não com a água?
( ) nunca houve nenhum problema ( ) de vez em quando ( ) não sei ( ) sempre.
27- Qual sua opinião sobre a água da propriedade?
( ) ótima ( ) boa ( ) regular ( ) ruim ( ) péssima
28- Já realizou alguma análise desta água?
( ) não ( ) sim
28.1- Se sim, quantas vezes?
( ) uma ( ) duas ( ) + de duas
29- Sobre os resultados obtidos, marque o resultado observado sobre a qualidade:
( ) ótima ( ) boa ( ) regular ( ) ruim ( ) péssima
30- Presença de culturas agrícolas próximas à fonte de água do rebanho
(
) sim / (
) não Qual:______________________________
31. Pulverização de produtos químicos na lavoura ou próximo a propriedade
(
) sim / (
) não Qual:______________________________
32. Água de consumo humano
32.1 Origem:
(
) poço
(
) poço artesiano
(
) mina
(
) rede de abastecimento
32.2 Tratamento
(
) sim / (
Observações Gerais:
)não Qual: ________________
60
6.2 Quadro padrão de água
QUADRO COM OS VALORES MÁXIMOS PERMITIDOS – Resolução 357/2005
CONAMA e Portaria 518/2004 MS
Água Bruta –corpo d’água Classe I
Cond
Elétrica
Dureza
Total
Ferro
Total
(µS.cm-1)
(mg.L-1)
(mg.L-1)
*
0,3
10,0
1,0
6,0 a 9,0
40
200
200
*
0,3
10,0
1,0
6,0 a 9,5
5
Ausência
Ausência
Res
357/2005
CONAMA
Água
Bruta
Port
518/2004
MS
Água
Tratada
Nitrato
Nitrito
pH
Turbidez
(mg.L-1)
(mg.L-1)
(unidade)
(UNT)
Coliforme
Total
NMP
100.mL-1
CLASSIFICAÇÃO DA “DUREZA DA ÁGUA”
mg CaCO3.L-1
ppm de CaCO3
< 50
< 100
Moderadas ou semi – duras
Entre 50 e 150
Até 270
Duras
Entre 151 e 300
Até 360
Graus de Dureza
Moles ou Brandas
Muito Duras
> 300
Quadro: Classificação da água quanto o grau de sua dureza.
>470
E. Coli
NMP
100.mL-1
61
6.3 Quadro de padrões físico-químicos para leite cru refrigerado.
ANÁLISE
RESULTADO
Fosfatase
Positivo
Peroxidase
Positivo
Acidez (ºD)
14 a 18
Alizarol 72o
Estável
Gordura (%)
≥ 3,0
Densidade (mg/ml)
1028,00 – 1034,00
SNG (%)
Mínimo de 8,4
Crioscopia (ºH)
Máximo de -0,530
CCS
Máximo de 750 mil cel/ml
CBT
Máximo de 750 mil UFC/ml
Fonte: BRASIL (2002)
62
6.4 Quadro com os resultados de água de todas as propriedades
Resultados das análises de água de trinta propriedades, sendo coletado três pontos de cada propriedade.
Cond.
Prop.
(µS/cm)
Dureza Total
(mg/L)
Ferro Total
(mg/L)
Nitrato
Nitrito
pH
Turbidez
(mg/L)
(mg/L)
(unidade)
(NTU)
Colif. Total
(NMP/100mL)
E. C
Obs:
(NMP/100mL)
Análises
01
01
52,10
21,55
0,23
1,85
<0,002
6,50
1,00
<1,8
<1,8
02
54,10
21,35
0,13
1,78
<0,002
6,40
1,10
33
<1,8
03
52,00
20,75
0,17
1,80
<0,002
6,00
1,10
1.600
<1,8
01
377,00
155,34
0,06
2,12
<0,002
7,70
<1,00
1.600
1,8
02
354,00
158,70
0,03
2,50
<0,002
7,10
<1,00
2.400
1.600
03
95,70
38,40
5,05
0,77
0,002
6,30
2,90
17
1,8
01
16,60
6,50
0,10
0,19
<0,002
6,40
<1,00
<1,8
<1,8
02
15,80
6,29
0,10
0,09
<0,002
6,10
<1,00
16.000
<1,8
03
16,40
6,50
0,09
0,19
<0,002
5,80
<1,00
<1,8
<1,8
01
336,00
161,72
0,10
1,25
<0,002
7,70
<1,00
240
<1,8
02
337,00
158,22
0,07
1,25
<0,002
7,60
<1,00
110
1,8
03
340,00
156,10
0,14
1,30
<0,002
7,40
<1,00
49
<1,8
01
202,00
91,30
<0,02
1,18
<0,002
7,40
<1,00
2.200
70
02
03
04
Torn. sala de
past.(água
clorada).
Torn. externa
(água não
clorada).
Mina.
Torn. sala de
ordenha.
Saída poço
artesiano.
Encanamento
direto da mina.
Torn, sala de
ordenha
clorada.
Mina não
clorada.
Mina clorada.
Torn. sala de
ordenha.
Bebedouro dos
animais.
Caixa d’agua
direto do poço.
Torn. no
estábulo
63
05
02
202,00
89,10
0,11
1,20
<0,002
7,40
<1,00
9.200
33
03
210,00
94,58
0,22
1,08
<0,002
6,90
<1,00
16.000
1,8
01
327,00
153,52
0,15
3,20
<0,002
7,50
<1,00
1.600
17
02
327,00
149,88
0,19
3,16
<0,002
7,50
<1,00
>1.600
920
03
334,00
153,20
0,14
3,15
<0,002
7,10
<1,00
240
1,8
01
197,10
72,10
<0,10
8,00
0,003
6,30
<1,00
>1.600
<1,8
02
190,80
74,62
<0,10
8,30
<0,002
6,20
<1,00
1.600
<1,8
03
188,00
71,37
<0,10
8,10
<0,002
6,00
<1,00
1.600
<1,8
01
576,00
258,60
<0,10
11,00
<0,002
7,00
<1,00
>1,600
1,8
02
578,00
252,18
<0,10
11,00
<0,002
6,90
<1,00
>1.600
<1,8
03
571,00
247,51
<0,10
11,00
<0,002
7,30
<1,00
>1.600
13
01
43,00
13,20
<0,10
0,19
<0,002
6,40
<1,00
>16.000
<1,8
02
34,20
13,50
0,18
0,19
<0,002
6,50
<1,00
>1.600
1,8
Torn. da casa
água p/
consumo.
Torn. sala de
ordenha.
Torn. da casa
03
33,70
12,80
0,18
0,18
<0,002
6,20
<1,00
540
8,3
Direto do poço
01
61,00
25,00
0,11
0,25
<0,002
6,60
<1,00
<1,8
<1,8
02
60,60
24,60
0,31
0,25
<0,002
6,40
<1,00
1,8
<1,8
Torn. da sala
ordenha.
Direto do poço.
03
61,50
25,30
<0,10
0,24
<0,002
6,60
<1,00
6,1
1,8
Torn. da casa
01
132,70
52,66
<0,10
0,36
<0,002
7,20
<1,00
11
11
Saída direto do
poço
06
07
08
09
10
Torn pós
reservatório.
Mina.
Torn. sala de
ordenha
Torn. bebedouro
dos animais
Caixa d’agua
direto do poço.
Torn estábulo
direto caixa
d’agua.
Torn de
consumo
familiar
Caixa d’agua
Torn. da sala de
ordenha
Caixa d’agua
64
11
12
13
14
15
16
02
133,60
52,72
<0,10
0,36
<0,002
7,20
<1,00
7,8
4,5
Saída da
mangueira que
vem do poço
Caixa da água
mais perto do
poço
Torn. da casa
03
123,60
51,85
<0,10
3,96
<0,002
7,60
<1,00
<1,8
<1,8
01
127,00
52,56
0,38
4,10
<0,002
7,70
<1,00
17
<1,8
02
127,70
52,46
<0,10
3,96
<0,002
7,80
<1,00
350
<1,8
03
127,10
51,69
0,13
3,80
<0,002
7,70
<1,00
6,8
<1,8
01
29,30
12,31
<0,10
0,42
<0,002
6,00
<1,00
>1.600
<1,8
02
29,60
12,49
<0,10
0,42
<0,002
6,00
<1,00
920
1,8
03
29,70
12,41
<0,10
0,42
<0,002
5,90
<1,00
1.600
<1,8
01
163,30
71,38
<0,10
3,68
<0,002
7,30
<1,00
1.600
49
02
163,40
68,82
<0,10
3,68
<0,002
7,30
<1,00
1.600
13
03
162,10
69,77
<0,10
3,68
<0,002
7,50
<1,00
1.600
40
01
152,60
59,90
<0,10
2,76
<0,002
6,60
<1,00
>1.600
<1,8
02
153,20
60,30
0,24
2,80
0,002
6,30
<1,00
>1.600
<1,8
03
153,00
60,53
<0,10
2,76
<0,002
6,50
<1,00
>1.600
<1,8
01
130,80
52,30
0,10
1,20
<0,002
7,60
<1,00
1,8
<1,8
02
132,00
52,10
<0,10
1,16
<0,002
7,50
<1,00
<1,8
<1,8
03
131,10
52,30
0,10
1,20
<0,002
7,20
<1,00
<1,8
<1,8
Direto da caixa
d’agua
Torn do
estabulo
Direto caixa
d’agua
Direto do poço
01
62,30
23,97
0,52
0,95
0,003
6,80
4,40
1.600
14
Torn. da casa
Caixa da água
sem cloro
Torn de sala de
ordenha
Torn. do
estabulo
Torn após caixa
d’agua
Cano direto do
poço
Torn sala de
ordenha
Direto da caixa
d’agua
Torn. da casa.
Torn do
estabulo
Mina.
65
17
18
19
20
02
46,40
18,93
0,17
0,44
0,003
6,20
2,20
40
<1,8
Direto do poço
03
62,10
23,81
0,58
0,97
0,003
6,30
4,15
>1.600
10
01
105,90
43,08
0,10
0,39
<0,002
7,50
<1,00
<1,8
<1,8
02
105,80
43,36
<0,10
0,40
<0,002
7,50
<1,00
4,5
2,0
Torn. do
estabulo
Cano direto do
poço
Torn. da casa
03
105,90
42,81
0,14
0,40
<0,002
7,40
<1,00
3,7
<1,8
01
339,00
152,48
<0,10
8,50
<0,002
6,60
<1,00
>1.600
>1.600
02
341,00
154,00
<0,10
8,30
<0,002
6,80
<1,00
920
49
03
334,00
158,50
<0,10
8,50
<0,002
6,70
<1,00
920
33
Torn. do
estábulo
Torn. casa
01
102,10
45,22
0,41
<0,002
6,60
32,00
>1.600
>1.600
Mina
02
121,80
53,54
0,20
0,31
<0,002
6,40
2,60
920
12
Caixa d’agua
58,60
0,12
0,28
0,002
6,70
2,15
>1.600
6,1
Torn. da casa
Torn. da sala de
ordenha
Torn. da casa
03
21
22
23
128,40
Torn. do
estabulo
Mina
01
304,00
129,14
<0,10
10,70
0,003
7,40
<1,00
1.600
79
02
310,00
135,10
<0,10
9,00
0,003
6,70
<1,00
540
34
03
309,00
134,94
<0,10
8,40
<0,002
6,60
<1,00
140
110
01
116,70
40,70
<0,10
2,00
0,003
7,10
1,10
<1,8
<1,8
02
163,40
58,52
1,31
6,20
0,005
7,70
12,30
>1.600
170
03
161,80
58,60
0,99
5,80
0,004
7,70
4,50
>1.600
70
01
268,00
129,36
<0,10
0,80
<0,002
7,60
<1,00
>1.600
350
02
270,00
128,90
<0,10
0,81
<0,002
7,60
<1,00
>1.600
170
Cano direto da
mina
Torn. da casa
água tratada
Bebedouro dos
animais
Torn. sem
tratamento
Torn sala de
ordenha
Torn da casa
03
208,00
98,50
<0,10
0,47
<0,002
7,10
<1,00
540
79
poço
01
105,00
47,86
<0,10
2,13
<0,002
6,50
1,60
170
4,5
Torn sala de
66
24
25
26
27
28
29
30
02
140,00
74,60
<0,10
<0,05
<0,002
6,80
<1,00
>1.600
22
ordenha
Mina
03
155,00
79,92
<0,10
<0,05
<0,002
7,40
<1,00
33
6,8
Torn da casa
01
346,00
175,70
<0,10
0,88
0,002
7,80
<1,00
>1.600
27
Torn casa
02
344,00
171,80
<0,10
0,75
0,006
8,20
<1,00
>1.600
350
03
346,00
172,20
0,39
0,89
0,003
7,80
1,40
>1.600
130
01
206,00
102,40
4,27
0,22
0,003
6,80
24,00
>1.600
11
02
212,00
103,60
0,36
0,21
0,002
7,10
3,60
>1.600
4,5
Torn do
estabulo
Cano direto
mina
Cano direto
mina
Torn da casa
03
211,00
103,30
1,34
0,21
0,002
7,10
5,30
>1.600
9,2
Torn estabulo
01
48,80
22,20
<0,10
0,16
<0,002
6,10
<1,00
>1.600
<1,8
Direto do poço
02
53,20
25,40
<0,10
0,13
<0,002
6,40
<1,00
350
<1,8
Torn da casa
03
94,00
42,00
0,52
2,10
0,002
7,50
3,60
>1.600
540
Caixa d’agua
01
116,90
40,30
0,10
1,35
<0,002
7,10
<1,00
<1,8
<1,8
Torn casa
02
196,10
97,20
3,05
<0,05
0,002
7,30
9,20
>1.600
>1.600
03
193,10
98,80
2,83
<0,05
0,002
7,30
5,80
>1.600
>1.600
01
139,10
56,60
<0,10
4,70
<0,002
6,70
<1,00
>1.600
>1.600
Mangueira do
estabulo
Água direto da
represa
Torn da casa
02
127,80
48,50
<0,10
4,80
<0,002
6,30
<1,00
>1.600
>1.600
Direto do poço
03
103,60
43,00
<0,10
3,20
<0,002
6,40
1,10
280
2,0
01
32,20
12,30
1,07
0,52
0,003
6,10
1,50
>1.600
2,0
02
31,40
12,10
0,37
0,47
0,002
6,50
1,10
210
<1,8
Bebedouro dos
animais
Caixa da água
direto mina
Torn estabulo
03
31,40
12,30
0,19
0,48
0,002
6,40
1,10
1.600
1,8
Torn da casa
67
6.5 Quadro com os resultados de todas as propriedades de leite
Quadro com os resultados das análises de 30 propriedades leiteiras, da região norte central do Paraná, coletadas no período de agosto de 2010 a
abril de 2011.
PROPRIEDADES
ANÁLISES
Acidez
o
Gord
Densidade
EST
ESD
Criosc
Fosf
Perox
CMT
Alizarol
o
H
CCS
CBT
Colif 30oC
E.C
X1000/ml
X1000/ml
UFC/ml
UFC/ml
D
%
Mg/ml
%
%
01
18
3,5
1.032,20
12,51
9,01
-0,536
+
+
(+)
Estável
531
124
10
10
02
18
3,6
1.032,20
12,63
9,03
-0,534
+
+
(++)
Estável
1.031
645
42
30
03
21
4,4
1.035,60
14.04
10,04
-0,542
+
+
(+)
Estável
118
16
560
<1
04
18
3,3
1.030,20
11,77
8,47
-0,537
+
+
(+)
Estável
611
255
1.040
920
05
18
3,7
1.033,20
13
9,3
-0,553
+
+
(-)
Estável
426
1.704
1.120
10
06
18
3,7
1.031,00
12,45
8,75
-0,545
+
+
(+)
Instável
229
507
980
<1
07
19
2,9
1.032,60
11,89
8,99
-0,560
+
+
(+)
Estável
723
1.293
7.000
10
08
20
3,1
1.032,60
12,13
9,03
-0,555
+
+
(+)
Estável
600
69
110
40
09
18
3,8
1.030,60
12,47
8,67
-0,545
+
+
(++)
Estável
615
62
43
8
10
21
3,3
1.031,40
12,07
8,77
-0,548
+
+
(++)
Estável
551
1.724
104.000
1.000
11
20
2,5
1.032,40
11,36
8,86
-0,548
+
+
(-)
Instável
31
23
2.000
<1
12
16
2,9
1.030,00
11,24
8,34
-0,540
+
+
(+++)
Estável
1.237
159
160
20
13
17
2,6
1.031,80
11,33
8,73
-0,530
+
+
(-)
Estável
6
1
<1
<1
14
16
3,7
1.029,00
11,95
8,25
-0,535
+
+
(+)
Estável
602
10
13
8
15
16
2,9
1.028,20
10,79
7,89
-0,531
+
+
(+)
Estável
1.191
30
100
<1
16
17
3,1
1.030,60
11,63
8,53
-0,535
+
+
(++)
Instável
3.059
1.689
190
<1
17
17
2,7
1.032,80
11,70
9
-0,543
+
+
(+)
Estável
240
137
4.000
100
68
18
16
3,0
1.030,60
11,51
8,51
-0,537
+
+
(+)
Estável
108
9
2
1
19
19
3,5
1.031,00
12,21
8,71
-0,540
+
+
(+)
Estável
380
67
9.000
300
20
17
2,7
1.032,40
11,60
8,90
-0,540
+
+
(+)
Instável
90
5.620
1.300
<1
21
20
2,0
1.032,00
10,66
8,66
-0,532
+
+
(-)
Estável
15
7
190
5
22
19
4,2
1.028,40
12,40
8,20
-0,540
+
+
(-)
Estável
156
29
1.460
490
23
16
2,4
1.030,40
10,74
8,34
-0,536
+
+
(+)
Instavel
1.019
10
180
<1
24
16
3,4
1.029,60
11,74
8,34
-0,537
+
+
(+)
Estavel
355
464
7.000
50
25
20
2,4
1.032,60
11,29
8,89
-0,544
+
+
(-)
Estavel
49
1.935
2.360
<1
26
17
3,2
1.032,60
12,25
9,05
-0,545
+
+
(-)
Estavel
18
2.959
1.470
10
27
16
5,1
1.028,40
13,48
8,38
-0,543
+
+
(+++)
Estavel
2.787
2.375
23
<1
28
15
2,9
1.030,80
11,44
8,54
-0,541
+
+
(++)
Instavel
791
298
13.000
30
29
16
1,1
1.032,00
9,58
8,48
-0,535
+
+
(+++)
Estavel
5.405
9.999
4
<1
30
18
1,4
1.031,40
9,79
8,39
-0,541
+
+
(-)
Estavel
355
75
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