UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ
DIANA CRISTINA DA SILVA
ELABORAÇÃO DE UM FLUXO DE CAIXA
PROJETADO PARA A EMPRESA CLAUDIA
SCHEIFELE ME
ITAJAÍ
2014
DIANA CRISTINA DA SILVA
ELABORAÇÃO DE UM FLUXO DE CAIXA
PROJETADO PARA A EMPRESA CLAUDIA
SCHEIFELE ME
Trabalho de Conclusão de Estágio
desenvolvido
para
o
Estágio
Supervisionado
do
Curso
de
Administração do Centro de Ciências
Sociais Aplicadas – Gestão da
Universidade do Vale do Itajaí.
Orientador: Prof. Anacleto Laurino
Pinto
ITAJAÍ
2014
Agradecimentos,
Sou grata primeiramente a Deus, por
ter me abençoado e me ungindo de
força para completar mais esta etapa
em minha vida. Aos meus pais, pelo
incentivo e apoio que sem eles nada
seria possível. Em especial à minha
mãe,
por
ser
exemplo
de
honestidade e trabalho árduo. Que
com sua força enfrentou todas as
tempestades que a vida lhe impôs. À
minha filha, pois é um presente lindo
que recebi de Deus e por ela ser a
razão da minha vida.À minha irmã
gêmea, que me ensinou a ser
persistente e nunca desistir. Aos
demais irmãos, por fazerem parte da
minha vida e por contribuírem para o
meu
crescimento
profissional.
Ao
pessoal
meu
e
professor
orientador Anacleto, pela dedicação,
apoio, compreensão e paciência.
“O sucesso é construído à noite!
Durante o dia você faz o que todos
fazem. Mas, para obter um resultado
diferente da maioria, você tem que
ser especial. Se fizer igual a todo
mundo,
obterá
os
mesmos
resultados.” (Roberto Shinyashiki).
EQUIPE TÉCNICA
a) Nome do estagiário
Diana Cristina da Silva
b) Área de estágio
Administração Financeira
c) Orientador de conteúdo
Prof. Anacleto Laurino Pinto, MSc.
d) Supervisor de campo
João Batista da Silva
e) Responsável pelo estágio
Prof. Eduardo Krieger da Silva, MSc.
DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO
a) Razão Social
Claudia Scheifele ME
b) Endereço
Rua Adolfo Batschauer, 916, bairro Dom Bosco, Itajaí, SC.
c) Setor de Desenvolvimento do Estágio
Financeiro
d) Duração do estágio
240 horas
e) Nome e cargo do supervisor de campo
João Batista da Silva - Administrador
f) Carimbo e visto da organização
8
RESUMO
O fluxo de caixa é uma fermenta de grande importância para as empresas micro, pequenas e de
grande porte, auxiliando numa melhor organização financeira, projetando valores que deverão entrar
e sair do caixa em determinado período de tempo da organização. Esta projeção permite ao gestor
um melhor planejamento financeiro visualizando com certa antecedência se haverá falta ou
excedente de caixa. O presente estudo teve como objetivo elaborar um fluxo de caixa projetado para
a empresa Claudia Scheifele, uma empresa que atua na distribuição de gás e água na região de
Itajaí. Os dados que deram suporte ao desenvolvimento do trabalho referem-se aos meses de
dezembro de 2013 a junho 2014, os quais formaram a base para projetar o fluxo de caixa para o
período de janeiro a junho de 2015. Esta coleta de dados ocorreu por meio de observações e
pesquisas documentais, utilizando-se dados primários e secundários, com posterior análise descritiva
e qualitativa com aporte na análise quantitativa. O estudo foi inédito para a empresa, visto que nunca
havia sido proposto um fluxo de caixa para a organização. A elaboração desta ferramenta assim
como sua futura implantação, trará inúmeros benefícios à empresa, auxiliando a gestora melhor
administrar os recursos financeiros, permitindo que a empresa estabeleça ações para projetar
adequadamente os recursos financeiros para o primeiro semestre de 2015 e períodos posteriores. Os
resultados deste estudo apontaram que a empresa terá uma posição financeira favorável no primeiro
semestre de 2015, pois em todos os meses componentes do fluxo de caixa haverá excedentes de
caixa, que poderão ser aplicados no mercado financeiro, expansão dos negócios, entre outras
alternativas de investimentos.
Palavras-chave: Planejamento financeiro. Ingressos e desembolsos de caixa. Fluxo de caixa
projetado.
9
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
FIGURA 1 – Estrutura da função financeira........................................................ 27
FIGURA 2 – Principais ingressos e desembolsos do fluxo de caixa..................
50
FIGURA 3 – Principais capitais que fluem na empresa......................................
63
FIGURA 4 – Organograma de cargos e funções................................................
75
10
LISTA DE QUADROS
QUADRO 1 – Funções financeiras e seus objetivos..........................................
28
QUADRO 2 – Prazo de cobertura e período de informação..............................
44
QUADRO 3 – Fatores que afetam o fluxo de caixa............................................
48
11
LISTA DE TABELAS
TABELA 1 – Modelo de fluxo de caixa................................................................ 53
TABELA 2 –Modelo de mapa auxiliar de pagamento das compras a prazo......
54
TABELA 3 – Modelo de mapa auxiliar de recebimentos das vendas a prazo....
55
TABELA 4 – Relatório Dos eventos que provocam ingressos e desembolsos
de caixa (em R$) ........................................................................... 78
TABELA 5 – Projeção dos eventos que provocam ingressos e desembolsos
de caixa.......................................................................................... 82
TABELA 6 – Mapa auxiliar de recebimento das vendas a prazo........................ 83
TABELA 7 – Mapa auxiliar de recebimento das compras a prazo...................... 84
TABELA 8 – Fluxo de caixa projetado para o primeiro semestre de 2015.........
87
12
LISTA DE GRÁFICOS
GRÁFICO 1 – Comparativo das vendas à vista e a vendas a prazo..................
89
GRÁFICO 2 – Comparativo entre o total de entradas e o total de saídas
operacionais (em R$)..................................................................
90
GRÁFICO 3 – Proporção das saídas de caixa em relação ao total de
desembolso (em %).....................................................................
91
GRÁFICO 4 – Comparar o total das receitas em relação ao desembolso........
92
GRÁFICO 5 – Caixa líquido gerado pelas atividades operacionais.................... 92
GRÁFICO 6 – Aumento/Diminuição líquido nas disponibilidades (em R$)......... 93
GRÁFICO 7 – Aplicações financeiras dos excedentes.......................................
94
13
LISTA DE SIGLAS
COFINS – Contribuição para Financiamento da Seguridade Social
IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo
NLCG – Necessidade Líquida de Capital de Giro
PASEP - Programas Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público
PIS - Programa de Integração Social
14
Sumário
1
INTRODUÇÃO............................................................................................... 17
1.1
OBJETIVO GERAL ............................................................................................. 19
1.2
OBJETIVOS ESPECÍFICOS .................................................................................. 19
1.3
JUSTIFICATIVA DA REALIZAÇÃO DO ESTUDO ........................................................ 20
2
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA..................................................................... 22
2.1
EMPRESA FAMILIAR .......................................................................................... 22
2.2
ADMINISTRAÇÃO .............................................................................................. 24
2.2.1 Funções da administração ............................................................................................... 25
2.2.2 Áreas da administração..................................................................................................... 26
2.3
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA ............................................................................. 27
2.3.1 Funções da administração financeira ........................................................................... 29
2.3.2 Funções do administrador financeiro ............................................................................ 32
2.3.3 Administração de caixa ..................................................................................................... 35
2.4
ORÇAMENTO DE CAIXA...................................................................................... 37
2.5
FLUXO DE CAIXA............................................................................................... 38
2.5.1 Objetivo do fluxo de caixa ................................................................................................ 40
2.5.2 A importância do planejamento do fluxo de caixa .................................................... 42
2.5.3 Causas da falta de recursos na empresa .................................................................... 43
2.5.4 Alterações nos saldos de caixa ...................................................................................... 45
2.5.5 Transações que não afetam o caixa ............................................................................. 45
2.5.6 Prazos do planejamento de fluxo de caixa ................................................................. 46
2.5.7 Implantação do fluxo de caixa e seus requisitos ....................................................... 48
2.5.8 Análise e controle do fluxo de caixa .............................................................................. 50
2.5.9 Fatores que afetam o fluxo de caixa ............................................................................. 51
2.5.10 Ingressos e desembolsos ................................................................................................. 52
2.5.11 Requisitos para uma boa administração de caixa .................................................... 54
2.5.12 Modelos de fluxo de caixa ................................................................................................ 54
2.6M APAS AUXILIARES DO FLUXO DE CAIXA .................................................................. 57
2.6.1 Descrição dos itens do fluxo de caixa .......................................................................... 58
15
2.7
CONTAS A RECEBER ......................................................................................... 61
2.8
CONTAS A PAGAR ............................................................................................. 63
2.9
CAPITAL DE GIRO ............................................................................................. 64
2.9.1 Análise da necessidade do capital de giro .................................................................. 65
2.9.2 Tipos de capital de giro ..................................................................................................... 66
3
ASPECTOS METODOLÓGICOS .................................................................. 68
3.1 Delineamento da pesquisa..............................................................
3.2Contexto e participantes da pesquisa.........................................
3.3 Técnica de coleta de dados.........................................................
3.4 Técnicas de análise de dados...................................................
4
CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA ............................................................ 72
4.1
HISTÓRICO DA EMPRESA ................................................................................... 72
4.2
DADOS DE IDENTIFICAÇÃO................................................................................. 73
4.3
MISSÃO ........................................................................................................... 74
4.4
VISÃO .............................................................................................................. 74
4.5
VALORES ......................................................................................................... 75
4.6
RAMO DE ATIVIDADE ......................................................................................... 75
4.7
PRODUTOS ...................................................................................................... 75
4.8
MERCADO ........................................................................................................ 76
4.9
CLIENTES ........................................................................................................ 78
4.10 FORNECEDORES............................................................................................... 79
4.11 FORMA DE PAGAMENTO .................................................................................... 79
4.12 POLÍTICA DE PAGAMENTO DA EMPRESA .............................................................. 80
4.13 MODELO DE GESTÃO ATUAL .............................................................................. 80
4.14 ORGANOGRAMA ............................................................................................... 81
5
RESULTADOS DA PESQUISA..................................................................... 82
5.1
RESULTADOS OBTIDOS ..................................................................................... 82
5.2
PROJEÇÃO DOS RECURSOS OBTIDOS ................................................................. 86
5.2.1 Mapas auxiliares .................................................................................................................. 88
5.3
FLUXO DE CAIXA PROJETADO ............................................................................ 90
16
6
SUGESTÕES PARA A EMPRESA ............................................................. 101
7
CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................... 104
8 REFERÊNCIAS ............................................. ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.
17
1
INTRODUÇÃO
Com a globalização da economia, a realidade das pequenas e médias
empresas tem passado por profundas mudanças nas últimas décadas. O que se
percebe hoje é o fortalecimento dos pequenos empreendimentos e sua importância
no contexto econômico. De acordo com o Sebrae (2006), as micro e pequenas
empresas são cerca de 98% das empresas existentes no país e responsáveis por
43,8% dos empregos gerados.
Além dos benefícios econômicos, que englobam a geração de emprego e
renda, as micro e pequenas empresas têm papel preponderante na formação de
uma cultura empreendedora e administrativa, não somente para os proprietários
como para todo o quadro de colaboradores. Seja uma revenda de gás, padaria,
comercialização de água mineral, borracharia, mercadinho ou restaurante, muitas
vezes se valendo de mão-de-obra familiar, uma empresa micro ou pequena é um
espaço privilegiado para a capacitação e qualificação profissional.
De todas as bebidas consumidas no mundo, a água engarrafada é a que mais
cresce. E o Brasil já é o quarto maior mercado consumidor, ficando atrás apenas de
Estados Unidos, México e China (http://simineral.org.br/).
O volume de água mineral explorado anualmente no planeta é da ordem de
90 bilhões de litros, com um faturamento de mais de US$ 22 bilhões.
O maior reservatório subterrâneo de água do mundo está no subsolo de oito
estados brasileiros e se estende até a Argentina, o Uruguai e o Paraguai. Chamado
de aquífero Guarani é um gigantesco reservatório com 45.000 KM³ de água potável.
Esse tesouro natural armazena cinco vezes mais água que o segundo maior
reservatório do mundo, a Grande Bacia Artesiana da Austrália. O aquífero Guarani
foi descoberto pela Petrobras durante a década de 50, quando a empresa fazia
explorações em busca de petróleo. Entretanto, foi só em 1995 que geólogos do
Brasil, da Argentina, do Paraguai e do Uruguai, chegaram a um acordo sobre suas
verdadeiras dimensões. Recentemente, descobriu-se que o aquífero Álter do Chão,
localizado no oeste do Pará, poderá ser duas vezes maior que o aquífero Guarani,
com volume de 86,4 mil KM³.
O uso do Gás LP em residências é o mais difundido no mundo todo. Esse
incrível energético por suas características de disponibilidade, armazenamento,
18
transporte, limpeza, segurança, baixo custo, entre outros atributos, o fazem presente
em qualquer lugar e ser conhecido como um energético “multiuso”.
O consumo mundial de Gás LP em residências atinge pouco mais de 48% do
consumo total. No Brasil esse percentual cresce para 80%. Isso pode ser explicado
pelo intenso uso do Gás LP no preparo e cozimento de alimentos (cocção), o
recipiente de 13 kg, mais conhecido como “botijão de gás” ou “P13”, responde por
94% desse consumo (http://www.ecoconsciente.com.br).
Este mercado promissor abre oportunidades para novos empreendedores,
assim, cresce as exigências do mercado, as mudanças e inovações que devem
fazer parte dos empreendimentos já existentes.
Entretanto, buscar inovações não é o suficiente. A empresa precisa ser
organizada financeiramente para que possa adquirir vantagens competitivas. De
acordo com o Sebrae (2008), um dos principais motivos que levam as empresas à
falência é a falta de controle de custos, e demais controles financeiros.
Por isso é importante que as organizações possuam um fluxo de caixa, uma
ferramenta financeira que auxilia o administrador a controlar receitas e despesas e,
consequentemente, tomar decisões mais precisas.
O controle da administração financeira é essencial para o bom funcionamento
de qualquer organização. Assim, o fluxo de caixa é importante para que as
empresas planejem e organizem suas finanças, tornando-se mais preparadas para
possíveis crises no futuro. Este planejamento de caixa reduz muito os riscos de
falência.
A Claudia Scheifele é uma microempresa que presta serviço de distribuição
de gás a domicílio. Há 6 anos no mercado, é referência de entrega e atendimento.
Levando aos consumidores finais em perfeitas condições de uso e com total
garantia.
Apesar deste histórico, a empresa Claudia Scheifele ME enfrentava
problemas para administrar seus recursos financeiros, já que não possuía um
controle adequado de suas finanças, especialmente no que diz respeito às entradas
e saída de caixa.
O fluxo de caixa foi proposto para a empresa, em função das necessidades
de informações financeiras que a empresa não possuía. A partir destas informações,
terá como conciliar suas entradas e saídas de caixa e também fazer investimentos
futuros. O período proposto foi para o primeiro semestre de 2015, onde tomou-se
19
como base os elementos que provocaram entradas e saídas de caixa
correspondentes aos meses de competência dezembro de 2013 a junho de 2014.
1.1
Objetivo geral
O objetivo geral deste estudo foi elaborar um fluxo de caixa projetado para
a empresa Claudia Scheifele ME.
De acordo com Roesch (2012, p.96), “o objetivo geral define o propósito do
trabalho”. O objetivo geral é, portanto, o escopo principal do trabalho, que irá nortear
todo o desenvolvimento do estudo.
1.2
Objetivos específicos
Os objetivos específicos determinam os caminhos a serem percorridos para
se alcançar o objetivo geral.
Para Roesch (2012, p.97), “os objetivos específicos operacionalizam –
especificam o modo como se pretende atingir um objetivo geral”. Assim, para os
propósitos desse estudo foram definidos os seguintes objetivos específicos:
•
analisar a atual rotina administrativa de caixa da empresa;
•
organizar documentos para controle das entradas e saídas de caixa;
•
identificar os elementos que provocam ingressos e desembolsos de
caixa;
•
tabular, mês a mês , pelo regime de competência, os dados coletados
referentes aos elementos que provocam entradas e saídas de caixa;
•
atualizar monetariamente os dados coletados;
•
verificar, junto ao proprietário, as perspectivas de faturamento e
investimentos para o período de projeção do fluxo de caixa;
•
desenvolver mapas auxiliares referentes as compras e vendas a prazo;
20
•
1.3
projetar os dados para fazer o fluxo de caixa.
Justificativa da realização do estudo
A justificativa de um trabalho é a apresentação dos motivos que justificam a
realização da pesquisa. Ela deve considerar os objetivos da organização, assim
como os benefícios que o trabalho pode proporcionar com seus resultados (GIL,
1994).
O planejamento do fluxo de caixa é um dos instrumentos mais utilizados por
uma empresa. Segundo Zdanowicz (2000), é o instrumento mais precioso e útil para
levantamento financeiro de curto e longo prazo. A empresa que mantém
continuidade ao seu fluxo de caixa atualizado poderá dimensionar com mais
facilidade o volume de ingressos e de desembolsos dos recursos financeiros, assim
como fixar o seu nível desejado para o período seguinte.
A empresa objeto de estudo possui um grande potencial de crescimento. A
empresa passa por mudanças na estrutura e no leiaute para melhor atender seus
clientes e fornecedores. Por se tratar de uma empresa familiar, o proprietário e
demais membros da família utilizam recursos do caixa da empresa para liquidar
despesas particulares. Diante desta situação, a empresa necessitava de ferramentas
que auxiliem na organização de suas finanças.
Todavia, a inexistência de um fluxo de caixa na organização resultava em
decisões aleatoriamente. Com este estudo a empresa conheceu melhores formas de
analisar com mais exatidão as entradas e saídas dos recursos financeiros,
contribuindo assim para as decisões mais adequadas do empreendedor e assim ter
vantagens competitivas diante do mercado.
Em função da situação em que a empresa se encontrava, em termos de
controle financeiro, foi oportuno para a acadêmica, sugerir uma projeção de fluxo de
caixa, considerando que os controles existentes eram inadequados, atendendo
assim, suas necessidades financeiras e perspectiva de crescimento.
O estudo foi viável, pois a empresa deu total acesso aos dados e informações
à acadêmica para realização deste estudo. Também foi viável em relação ao tempo
21
de elaboração, visto que a acadêmica teve o tempo necessário para cumprir as
etapas do estudo. O trabalho é original, pois nunca havia sido desenvolvido um
fluxo de caixa projetado na empresa objeto de estudo. Os custos em relação ao
trabalho foram suportados pela acadêmica.
Para a acadêmica o trabalho teve grande importância, pois teve a
oportunidade de colocar em prática seus conhecimentos adquiridos na universidade.
Foi relevante para a organização, tendo em vista que o gestor financeiro necessitava
de ferramentas que possibilitassem o controle das finanças da mesma. O controle
dos recursos financeiros permitirá o desenvolvimento econômico da empresa,
tornando-se um diferencial no ramo de distribuição de gás. Para a universidade o
trabalho agregou valor, produzindo conhecimento na área de administração
financeira e aproximando a universidade das microempresas.
Portanto, o fluxo de caixa torna-se uma ferramenta fundamental para a
empresa, que facilitará seus processos, ao adotar um instrumento importante para
que o administrador tome as decisões cabíveis para todo e qualquer momento.
Do ponto de vista prático, presente trabalho atingiu seus objetivos, foi
relevante no sentido de ampliação dos conhecimentos na área de administração e
serve também de referência para outros acadêmicos.
22
2
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Este capítulo tem por objetivo apresentar a contextualização do tema tratado
de acordo com conceitos, ideias e teorias de vários autores, o que serviram como
suporte ao desenvolvimento prático do tema proposto no presente estudo.
Cruz e Ribeiro (2003) afirmam que a Fundamentação Teórica fornece
embasamento ao trabalho realizado, resultado das pesquisas bibliográficas
realizadas, podendo ser subdividido em seções para melhor expor as ideias
pertinentes ao trabalho.
2.1
Empresa familiar
As empresas familiares estão presentes no contexto econômico há séculos,
em todos os setores da economia, e são cada vez mais numerosas. De acordo com
os autores Moreira Junior e Bortoli Neto (2007), 95 % das pequenas empresas são
familiares, com destaque para o agronegócio, serviço e comércio. As empresas
familiares
geralmente
são
pequenas,
formadas
por
alguns
membros
empreendedores de uma ou mais famílias, mas podem crescer e se tornar grandes
grupos empresarias. Entre os maiores grupos que se constituíram como empresa
familiar pode-se citar a Ford, o Banco Santander e a Cargil.
Sabe-se a importância destas empresas no mundo. O desenvolvimento
econômico e social dos países se dá com ênfase na iniciativa privada. Sendo assim,
devido à tamanha importância da empresa familiar e às características tão
especificas que possui, as escolas de negócios têm colocado em seus currículos
disciplinas relacionadas ao tema. Não só as famílias, mas também os gestores têm
de ser preparados para essa realidade (ÁLVARES, 2003).
A empresa familiar, como forma de negócio, é provavelmente uma das mais
antigas dentro da evolução da humanidade. Entretanto, estudos específicos são
recentes. Ultimamente, o tema está tornando-se muito discutido tanto na esfera
acadêmica como no meio empresarial (MOREIRA, 2007).
23
Entre os pontos positivos de uma empresa familiar pode-se citar a lealdade
dos funcionários, o sacrifício familiar para conseguir recursos e a credibilidade da
imagem da família na comunidade. As desvantagens podem citar que a contratação
de parentes sem competência para o cargo, interesses familiares e organizacionais
divergentes e a ausência de disciplina quanto ao destino dos lucros (MOREIRA
JUNIOR; BORTOLI NETO, 2007).
As empresas familiares, em geral, tendem a ter uma visão de longo prazo a
respeito de seus negócios. Não são empreendimentos passageiros, onde se arrisca
em troca de ganhos de curto prazo, em detrimento de investimentos de longo prazo.
Os líderes de empresas familiares podem ter uma visão diferente sobre seus
empregados, seus clientes, a comunidade e outros importantes interessados no
negócio. Ter o nome na fachada do prédio ou em produtos faz com que tais líderes
sejam mais conscientes de seu papel na comunidade, levando-os a proteger suas
reputações com mais vigor (ÁLVARES, 2003).
Moreira Junior e Bortoli Neto (2007, p. 4) afirmam que “os problemas que
dificultam a sobrevivência das empresas familiares são variados, mas normalmente
estão relacionados a conflitos familiares, sucessão e profissionalização”.
A profissionalização é fundamental para o desenvolvimento da empresa
familiar. Podem-se manter os membros da família mais aptos para desenvolverem
suas atividades na empresa, mais é importante contratar funcionários competentes
também, para mesclar a força de trabalho. E esta medida mitiga os efeitos de
pressão familiar (LODI, 1978).
Pode-se perceber que a família influencia no desenvolvimento das atividades
de uma empresa constituída por seus membros. A profissionalização dos
funcionários, sendo da família ou não, é importante para qualquer tipo de
organização, pois somente assim a organização poderá possivelmente crescer e se
tornar cada vez mais competitiva no mercado.
24
2.2
Administração
As organizações são grupos estruturados de pessoas que se juntam para
alcançar objetivos comuns.
Toda organização tem um propósito ou uma finalidade. Seja ela na criação de
um produto, na prestação de serviço, no atendimento das necessidades sociais e
espirituais da sociedade, entre muitos outros.
Assim, uma organização é uma entidade que possui um propósito, é
composta por pessoas ou membros, e tem uma estrutura organizacional.
A administração movimenta toda a organização em direção ao seu propósito
ou objetivo através de definição de atividades que os membros organizacionais
devem desempenhar.
Chiavenato (1994, p. 3) cita que: “em sua origem, a palavra administração se
refere a uma função que se desenvolve sob o comando de outro, de um serviço que
se presta a outro”.
Daft (2005, p. 5) define administração como “o alcance de metas
organizacionais de maneira eficaz e eficiente por meio de planejamento,
organização, liderança e controle dos recursos organizacionais”.
Administrar não significa somente conduzir uma empresa, mas sim exercer as
quatro principais funções que lhe são características: planejar, organizar, dirigir e
controlar.
Chiavenato (1994, p. 3) descreve as tarefas da administração, relacionando
também as funções exercidas no ambiente administrativo, da seguinte forma:
A tarefa da administração é interpretar os objetivos propostos pela empresa
e transformá-los em ação empresarial através de planejamento, da
organização, de direção e de controle de todos os esforços realizados em
todas as áreas e em todos os níveis da empresa, a fim de atingir tais
objetivos. Para tanto, a administração precisa mapear o ambiente externo e
dar condições de eficiência à tecnologia utilizada através da estratégia
empresarial, integrando os recursos e os esforços em todas as áreas e
níveis da empresa. Basicamente, a Administração interpreta os objetivos
traduzindo-os em esquemas de planejamento, de direção e de controle de
ação empresarial necessária para alcançá-los da maneira mais apropriada.
Nenhuma organização é igual à outra, cada uma tem suas características
individuais, que se alteram ao longo do tempo. Para que possam prosperar, as
25
organizações precisam estar em constantes inovações e estar sempre à frente de
seus concorrentes.
A administração sempre, leva em consideração os objetivos organizacionais
serem alcançados de maneira eficiente e eficaz.
2.2.1 Funções da administração
As funções administrativas apresentam quatro funções, como planejar,
organizar, dirigir e o controlar. Juntas essas funções formam o processo
administrativo.
A seguir são detalhadas as quatros funções da administração.
• Planejamento
O Planejamento é uma ferramenta que possibilita o administrador estruturar
as ações que serão executadas, permitindo que avalie alternativas e trace o melhor
caminho para alcançar o que se pretende.
Para Daft (2005, p5), “planejamento significa a definição de metas para o
desempenho organizacional futuro e a decisão sobre as tarefas e o uso dos recursos
necessários para alcançá-las”.
Planejamento, conforme Andrade (2007) gira em torno das implicações que
as decisões tomadas hoje geram para o futuro próximo.
• Organização
Chiavenato (1997, p. 410) afirma que a organização denota “o ato de
organizar, estruturar e integrar os recursos e os órgãos incumbidos de sua
administração, e estabelecer relações entre eles e as atribuições de cada um deles”.
• Direção
A direção se relaciona com todos os administradores. Sua função é fazer com
que os empregados executem suas tarefas, integrando esforços para que assim seja
26
possível alcançar os objetivos da empresa. Ela é essencial, já que a maioria dos
empreendimentos requer os esforços combinados das pessoas (KOONTZ, 1969).
Com relação a esta função, Koontz (1969, p. 621) ainda cita que:
A direção envolve relações de trabalho em todos os níveis – com pessoas
do mesmo grupo de trabalho; com pessoas em níveis superiores e inferiores
em outras partes da organização, e finalmente, com pessoas de fora da
organização. Governar essas relações e cuidar de que sejam executadas
nos melhores interesses da empresa é o escopo da direção.
• Controle
Daft (2005, p. 7) menciona que “controlar significa monitorar as atividades dos
funcionários, determinando se a organização está ou não no caminho em direção às
metas, e fazendo as correções quando necessárias”.
Koontz (1969, p. 707) define controle como “Função administrativa que
consiste em medir e corrigir o desempenho de subordinados para assegurar que os
objetivos da empresa e os planos delineados para alcançá-los sejam realizados”.
Conforme Andrade (2007), controle demonstra a coesão entre objetivos
esperados e resultados alcançados, sendo a informação o produto principal desta
função.
Naturalmente, quanto mais claro, completos e coordenados forem os planos
traçados e quanto maior o período para o qual foram feitos, mais completo será o
controle, gerando melhor desempenho e consequentemente melhores resultados
para a organização (KOONTZ, 1969).
Somente através da junção dessas funções é que a empresa irá alcançar o
sucesso. Sendo que é por meio do controle que são demonstrados a importância do
fluxo de caixa na organização.
2.2.2 Áreas da administração
As organizações estão normalmente dividas em áreas funcionais. Essas
áreas representam atividades e tarefas especializadas que são desempenhadas por
unidades ou departamentos da organização. A organização pode estar dividida em
muitas áreas funcionais, dependendo de sua atividade principal e de seus objetivos.
27
As áreas mais comuns são:administração da produção e operações, administração
de marketing, administração de recursos humanos e administração financeira.
De acordo com Sobral; Alketa (2008) administração da produção e operações
é um conjunto de atividades e operações inter-relacionadas envolvidas na produção
de bens ou prestação de serviços de uma organização, representando o modo como
esta transforma os insumos em produtos ou serviços, agregando valor de forma a
alcançar os objetivos organizacionais.
A administração de marketing, de acordo com Kotler (1998), é um processo
que envolve o planejamento e criação de produtos e serviços, sua precificação,
promoção e distribuição, satisfazendo objetivos das pessoas e das organizações. O
foco do marketing está relacionado às necessidades do cliente, e a empresa deve
ser mais eficaz que os concorrentes ao satisfazer as necessidades dos
consumidores para se tornar líder de mercado. Roesch (2012) menciona que o
marketing engloba análises de mercado e do comportamento do consumidor,
estabelecendo segmentos e planos para atuação.
A administração de recursos humanos é responsável pela gestão dos
indivíduos que compõem a organização, aborda políticas e práticas que orientam o
recrutamento e seleção de novos funcionários, treinamento, remuneração, avaliação
de desempenho dos empregados (CHIAVENATO, 2010).
A administração financeira são todos os recursos financeiros e que aborda o
tema fluxo de caixa, tratado no presente trabalho de estágio, será abordada no
próximo item.
2.3
Administração financeira
A área financeira de uma organização lida com um dos recursos mais
indispensáveis para seu funcionamento: dinheiro. A administração financeira
compreende o conjunto de atividades relacionadas com a gestão do fluxo de
recursos financeiros na organização e tem a dupla responsabilidade de captar os
recursos necessários às atividades da empresa e alocá-los de forma a alcançar os
objetivos organizacionais. Uma vez que tais recursos são indispensáveis, a
28
administração financeira assume papel fundamental no desenvolvimento de todas as
atividades empresariais, contribuindo, de forma decisiva, para o sucesso do negócio.
A administração financeira trata-se dos recursos disponíveis para as
transações e negócios da empresa. É uma ferramenta para controlar esses
recursos, para planejamento, análise de investimentos, visando sempre o
desenvolvimento e evitando gastos desnecessários. É a disciplina que trata dos
assuntos relacionados às finanças das empresas e organizações. Está diretamente
ligada a Administração, Economia e a Contabilidade.
Os estudos sobre administração financeira estão crescendo a cada dia,
tornando-se uma área muito importante para as empresas.
A
Administração
Financeira
corresponde
à
área
da
Administração
responsável pelo gerenciamento das finanças. Gitman (2002, p. 4) define finanças
como “[...] a arte e a ciência de administrar fundos”. Fundos, “neste sentido, podem
ser considerados recursos financeiros”.
Braga (1989) cita que a função financeira engloba as atividades relacionadas
à administração dos recursos financeiros utilizados pelas várias áreas de uma
organização. O autor menciona ainda que essa função é geralmente controlada por
um dos sócios, no caso da pequena empresa. Este indivíduo muitas vezes acumula
principalmente com o gerenciamento das disponibilidades.
Longenecker, Moore e Petty (1997, p.420) ressaltam que administrar os
recursos financeiros de uma empresa é uma das mais importantes atividades que o
empresário tem no seu dia-a-dia. O objetivo dessa função é a obtenção de lucro nas
atividades das empresas, pois se isso não ocorrer todas as outras funções estarão
comprometidas.
Em linhas distintas, destaca-se que:
A administração financeira tem por finalidade não somente manter a
empresa em permanente situação de liquidez, como também propiciar
condições para a obtenção de lucros que compensem os riscos dos
investimentos e a capacidade empresarial, a fim de evitar prejuízo no
caixa da organização (HOJI, 1999, p. 24).
Zdanowicz (2004, p. 22) ainda ressalta que o gerenciamento financeiro
constitui-se no conjunto de operações a serem destinadas à formação de recursos
financeiros necessários ao pagamento dos fatores de produção ou serviços, sua
29
distribuição, as obrigações decorrentes das transações comerciais e os créditos
obtidos pela empresa.
Hoji (2000) menciona que a administração financeira é a grande responsável
pelo cumprimento do objetivo geral de uma empresa, que é a maximização de seu
valor de mercado á longo prazo, através da geração de resultados econômicos e
financeiros positivos, que seriam o lucro e o caixa. Para conseguir obter tais
resultados, uma empresa está dividida em três atividades principais: atividades de
operação, atividades de investimento, atividades de financiamento. A função da
administração financeira seria auxiliar as atividades produtivas e administrar as
atividades de investimento e financiamentos.
A função financeira também pode ser desempenhada por um setor. De
acordo com Gitman (2002), nas empresas menores ela também pode ser controlada
pelo departamento especifico para o sucesso da organização. Relata também que a
administração financeira diz respeito às atribuições dos administradores financeiros
nas empresas.
Para conseguir-se obter uma administração financeira eficaz há
a
necessidade de se demonstrar quais são as qualidades necessárias de um
administrador financeiro, o que busca-se explicitar no próximo tópico.
2.3.1 Funções da administração financeira
A dimensão e a importância da função da administração financeira dependem
do tamanho da empresa. Em pequenas empresas, a função financeira é geralmente
exercida pelo departamento de contabilidade, e que geralmente é terceirizada. À
medida que a empresa cresce, a importância da função financeira conduz, em geral,
à criação de um departamento próprio, dirigido pelo vice-presidente de finança e
diretamente subordinado ao presidente ou ao executivo principal da empresa.
Todos os departamentos e membros organizacionais têm a necessidade de
interagir com a área financeira para executar suas tarefas. Conforme referido, cabe à
administração financeira gerenciar o fluxo de recursos financeiros, os quais são
necessários para o desenvolvimento de qualquer atividade empresarial. Sobral e
30
Alketa (2008) mencionam que, o porte e a relevância da função financeira na
organização dependem de seu tamanho.
Estes mesmos autores destacam ainda que, em empresas de pequeno porte,
as atividades relacionadas com a função financeira são desempenhadas pelo
departamento de contabilidade e ficam sob a responsabilidade de um dos sócios.
Geralmente, sua orientação temporal é de curto prazo e envolve atividades
operacionais como a gestão dos pagamentos e a cobrança de dívidas.
A estrutura da função financeira em uma empresa de grande porte pode
incluir três departamentos subordinados ao administrador financeiro, como mostra a
figura 1. Esses departamentos são a controladoria, a tesouraria e o planejamento
financeiro. A controladoria supervisiona as atividades de contabilidade e a auditoria
da empresa. Isso inclui a preparação de relatórios gerenciais internos, de
demonstrações financeiras e a gestão de assuntos fiscais. Por sua vez, a tesouraria
é o departamento responsável por administrar as atividades financeiras relacionadas
ao capital de giro, como a gestão de caixa e bancos, crédito e cobrança de dívidas
de fornecedores, pagamento dos compromissos da empresa, entre outras. Por
último, o departamento de planejamento financeiro tem como responsabilidade a
análise e a avaliação de fontes de financiamento e de projetos de investimentos de
forma a garantir o equilíbrio financeiro da empresa e o alcance de seus objetivos.
Figura 1 - Estrutura da função financeira
Fonte: Sobral e Alketa (2008 p. 364)
Assaf Neto (2003) comenta que a administração financeira possui quatro
funções, são elas: planejamento financeiro, controle financeiro, administração de
ativos e administração de passivos, e para Gitman (2000), as funções envolvem
31
primeiramente a atividade principal que essa ciência funciona na organização, as
funções do administrador financeiro e as relações da área de finanças com a
contabilidade e economia.
Quadro 1 – Funções financeiras e seus objetivos
Função
Planejamento financeiro
Objetivo
Identificar oportunidades e riscos e selecionar ativos
rentáveis.
Controle financeiro
Avaliar o cumprimento dos objetivos de planejamento, e
propor medidas corretivas se necessário.
Administração de ativos
Buscar o melhor meio de obter retorno com menor risco.
Administração de passivos
Buscar a melhor forma de obter recursos financeiros
com menor e boa liquidez.
Fonte: Adaptação de Assaf Neto (2003)
O planejamento financeiro envolve, além da identificação e formulação de
metas que a empresa almeja como também, Assaf Neto (2003, p. 29) acrescenta,
“[...] selecionar, com maior segurança, os ativos mais rentáveis e condizentes com
os negócios da empresa de forma a estabelecer mais satisfatória a rentabilidade
sobre os investimentos”.
A segunda função da administração financeira, segundo Assaf Neto (2003),
envolve o controle financeiro, que por meio da análise e avaliação de resultados
obtidos comparados aos idealizados proporcionam ao gestor uma visão ampla da
situação financeira da empresa, para melhorar os pontos fracos.
Por fim, Assaf Neto (2003) finaliza as funções com dois itens: administração
de ativos, avaliação de risco e retorno, investimentos, assim como o giro de capital
por entradas e saídas de recursos, e a administração de passivos, que então
envolvem financiamentos, liquidez, controle de custos relacionados ao risco.
Para Gitman (2000), a análise e planejamento incluem um acompanhamento
da situação financeira da empresa, uma análise da capacidade produtiva, se são
necessários mais recursos ou menos para produzir, inspecionando o fluxo de caixa
da organização e caso haja necessidade, avaliar o melhor financiamento, dos ativos
circulantes e fixos, enquanto para decisões da área financeira o gestor deve
selecionar se esse será de curto ou longo prazo.
32
Gitman (2000, p. 39) caracteriza como função do administrador financeiro
comparando com a economia, existe a atenção às políticas econômicas que podem
interferir na empresa, e: “análise marginal, na qual as decisões financeiras devem
ser tomadas e as ações executadas somente quando os benefícios adicionais
excederem os custos somados”. Assim como também ao comparar a administração
financeira com a contabilidade, o gestor deve enfatizar o giro de capital no fluxo de
caixa, para que liquide as despesas e mantenha o ativo necessário para atingir as
metas da organização.
A diferença entre a contabilidade e administração financeira é que os dados
formulados pelos contadores os gestores utilizam com enfoque maior na tomada de
decisão, apesar de analisarem os mesmos dados contábeis.
Braga (1989) descreve que a função financeira compreende um conjunto de
atividades relacionadas com a gestão dos fundos movimentados por todas as áreas
da empresa. Essa função é responsável pela obtenção dos recursos necessários e
pela formulação de uma estratégia voltada para otimização do uso desses fundos.
Encontrada em qualquer tipo de empresa, a função financeira tem um papel muito
importante no desenvolvimento de todas as atividades operacionais, contribuindo
significativamente para o sucesso do empreendimento.
2.3.2 Funções do administrador financeiro
Os administradores financeiros são responsáveis pela gestão dos negócios
financeiros de organizações de todos os tipos – financeiras ou não, abertas ou
fechadas, grandes ou pequenas com ou sem fins lucrativos. Eles realizam as mais
diversas tarefas financeiras, tais como planejamento, concessão de crédito a
clientes, avaliação de propostas que envolvam grandes desembolsos e captação de
fundos para financiar as operações da empresa. Nos últimos anos, mudanças nos
ambientes econômico, competitivo e regulamentador aumentaram a importância e a
complexidade das tarefas desse profissional. O administrador financeiro de hoje está
mais ativamente envolvido com o desenvolvimento e a implantação de estratégias
33
empresarias que tem por objetivo o “crescimento da empresa” e a melhoria de sua
posição competitiva. Por isso, muitos altos executivos vêm de área financeira.
Afirma Gitman (2000), que o administrador financeiro é responsável pela
administração ativa das finanças de todo e qualquer tipo de empresa, seja ela
grande, média, pequena, privada, pública, com fins lucrativos ou sem fins
financeiros. O mesmo autor afirma que as principais atividades do administrador
financeiro são a realização de análises e planejamento financeiro, a tomada de
decisões sobre investimentos e a tomada de decisões sobre financiamentos, além
destas três atividades, o administrador financeiro é responsável pela administração
do fluxo de caixa, ou seja, as entradas e saídas de dinheiro da empresa, onde o
mesmo busca manter a solvência da empresa honrando os compromissos
assumidos e canalizando o dinheiro para as atividades necessárias para o
funcionamento da empresa.
Conforme Matarazzo (2010), a função do administrador financeiro é orientar
as decisões de investimentos e financiamentos a serem tomadas pelos dirigentes da
empresa. Ross, Westerfield e Jordan (2002) concordam e afirmam que a tarefa mais
importante de um administrador financeiro é criar valor nas atividades de
investimentos e gestão de liquidez da empresa. Gitman (2002) diz que as atividades
do administrador financeiro podem estar relacionadas às demonstrações financeiras
básicas da empresa, sendo suas atividades primárias a realização e a análise do
planejamento, as decisões do investimento e as decisões do financiamento.
Em perspectiva similar, Zdanowicz (2004) sustenta que o administrador
financeiro deve manter a empresa em uma permanente situação de liquidez,
maximizar o retorno sobre o capital investido, administrar o capital de giro, avaliar
investimentos feitos sobre itens do ativo permanente, estimar o custo da captação de
recursos de terceiros, analisar as aplicações financeiras melhores para empresa,
interpretar as demonstrações financeiras da empresa e manter-se sempre atualizado
em relação as linhas de crédito oferecidas e ao mercado. Este mesmo autor ainda
destaca que o administrador financeiro busca conciliar a manutenção da liquidez e
do capital de giro da empresa através da elaboração do fluxo de caixa, podendo,
com isso, maximizar os lucros e honrar as obrigações assumidas nas datas dos seus
respectivos vencimentos.
Ainda abordando as funções desempenhadas pelo administrador financeiro, o
autor Zdanowicz (2004) destaca as que seguem:
34
•
manter a empresa em permanente situação de liquidez;
•
maximizar o retorno sobre o investimento realizado;
•
administrar o capital de giro da empresa;
•
avaliar os investimentos realizados em itens do ativo permanente;
•
estimar o provável custo dos recursos de terceiros a serem captados;
•
analisar as aplicações financeiras mais interessantes para a empresa;
•
informar à alta administração sobre as condições econômico-financeiras
atuais e futuras da empresa;
•
interpretar as demonstrações financeiras da empresa;
•
manter-se atualizado em relação ao mercado e às linhas de crédito
oferecidas pelas instituições financeiras.
Hoji (2007) menciona que todas as atividades de uma empresa envolvem
recursos, e, portanto, devem ser direcionadas para a obtenção do lucro. As funções
típicas do administrador financeiro, segundo o autor, são:
•
análise, planejamento e controle financeiro;
•
tomadas de decisões de investimentos; e
•
tomadas de decisões de financiamentos.
Numa visão similar, os autores Sobral e Alketa (2008), descrevem as funções
típicas do administrador financeiro, são;
•
Análise, planejamento e controle financeiro: consiste em coordenar,
monitorar e avaliar todas as atividades e fluxos financeiros da empresa por
meio de orçamentos e relatórios financeiros, bem como em participar
ativamente nas decisões estratégicas para estabelecer uma rentabilidade
satisfatória sobre os investimentos.
•
Tomada de decisões de investimentos: trata-se da tomada de decisões
que definam a melhor estrutura de ativos da organização, considerando
uma relação adequada entre o risco e o retorno dos capitais investidos.
•
Tomada de decisões de financiamento: refere-se à tomada de decisões
que definam a composição das fontes de recursos financeiros da
organização, procurando estabelecer uma estrutura adequada em termos
de liquidez, custo e risco financeiro.
35
Para Silva (2006), as principais funções do administrador financeiro, são:
•
análise financeira dos registros e demonstrativos financeiros;
•
elaboração do fluxo de caixa, antecipando-se a eventuais problemas de
liquidez da empresa, agindo de forma a resolvê-los;
•
análise econômico-financeira das alternativas de investimentos de
recursos gerados pela atividade da empresa ou de novos investimentos
dos sócios;
•
fornecimento de informações precisas sobre a situação financeira da
empresa que sirvam de base para tomadas de decisões sobre políticas de
compras, de vendas, de crédito, de cobrança, entre outras;
•
elaboração de orçamentos financeiros referentes à obtenção e aplicação
de recursos, tanto a curto como a longo prazo.
Ross (1995, p. 28) cita que o administrador financeiro tem como principal
tarefa a criação de valor a partir das atividades de orçamento de capital,
financiamento e liquidez da empresa.
Seja qual for a atividade operacional da empresa, os administradores
financeiros são, em essência, tomadores de decisões referentes à alocação de
recursos (investimentos) e à captação deles (financiamento).
2.3.3 Administração de caixa
A administração de caixa é um importante fator que gira em torno da análise e
controle das entradas e saídas do caixa, para assim ter-se o conhecimento da real
situação em que o mesmo se encontra.
Na definição de Frezatti (1997, p. 13), caixa é “o ativo mais líquido disponível
na empresa, encontrado em espécie na empresa, nos bancos e no mercado
financeiro de curtíssimo prazo”.
De acordo com Yoshitake (1997), na gestão de caixa, é importante conhecer
a capacidade de obtenção de caixa da empresa, que é a capacidade total de
captação de recursos próprios e de terceiros, já que, conhecendo-se esta
36
capacidade, torna-se possível planejar com maior eficácia a expansão do nível de
operações e resolver eventuais problemas de oscilações nas disponibilidades do
caixa.
Gitman (1997, p. 664) afirma que, “caixa e títulos negociáveis são mantidos
pelas empresas como objetivo de reduzir o risco de insolvência técnica, pois
representam disponibilidade que podem ser usadas tanto nas situações de saída de
caixa planejadas quanto inesperadas”.
Na visão de Zdanowicz (2000), todo administrador financeiro deve ter a
preocupação com a determinação do nível de caixa, captando quando este for
insuficiente ou aplicando os excedentes de caixa em outros itens do ativo da
empresa, de modo a permitir um retorno adequado e seguro, viabilizando assim, no
momento de amortizar os empréstimos ou resgatar as aplicações, em atividades
realmente produtivas.
Silva (1997) considera que existem três motivos para que uma empresa
mantenha um valor mínimo de caixa: o primeiro motivo é denominado transação, ou
seja, a empresa manter recursos no caixa para honrar com suas obrigações. O
segundo refere-se a precaução, pois nem todos os fluxos de pagamentos futuros
são totalmente previsíveis, estando assim o administrador financeiro preparado para
enfrentar os riscos, e o terceiro motivo destacado pelo autor refere-se à
especulação, que se trata de manter recursos no caixa disponíveis para uma
eventual oportunidade de negócios.
De acordo com Zdanowicz (2000, p. 190), o objetivo é minimizar o nível de
caixa sem que, ao mesmo tempo, o saldo de segurança ponha em risco a
capacidade da empresa em pagar suas obrigações na data do vencimento. A
determinação do nível desejado de caixa depende de alguns fatores, como:
• defasagem os ingressos e desembolsos de caixa;
• disponibilidade de outras fontes de recursos;
• relações com os bancos;
• utilização de numerários inativos.
A administração do caixa é de suma importância para a empresa, pois auxilia
o administrador a analisar e controlar todos os ingressos e desembolsos do caixa,
assim proporcionando um real entendimento da situação atual da empresa.
37
2.4
Orçamento de caixa
Todas as entradas e saídas de valores originados de transações realizadas
antes e durante o período orçamentário são reunidas no orçamento global de caixa,
evidenciando os superávits mensais. A partir da consideração dos saldos desejados
para as disponibilidades, serão orçadas as aplicações financeiras por prazos mais
prolongados ou os recursos necessários. Esses recursos poderão provir de
empréstimos à curto prazo, financiamentos a longo prazo ou integralizações de
capital, assim estruturando as fontes de financiamento dos ativos e preservando a
liquidez da empresa (BRAGA,1989).
Para Zdanowicz (1998, p. 244), “orçamento é o instrumento que descreve um
plano geral de operações e/ou de capital, orientado pelos objetivos e pelas metas
traçadas pela cúpula divertida para um dado período de tempo”.
O setor financeiro de uma empresa é um dos setores mais importantes para a
organização. “Todas as entradas e saída de numerários decorrentes de transações
realizadas antes e durante o período orçamentário são reunidos no orçamento de
caixa, evidenciando os superávits e déficits mensais” (BRAGA, 1989, p. 238).
De acordo com Zdanowicz (2000), o orçamento de caixa serve como ponto de
referência para os valores financeiros projetados e realizados pelo comitê de
finanças. O autor relata, ainda, que o orçamento não é nada mais do que um plano
escrito, expresso em termos de unidades físicas e/ou monetária.
As principais características do orçamento de caixa, segundo Zdanowicz
(1998), são:
•
Flexibilidade na aplicação, considerando as frequentes flutuações da
economia o orçamento de caixa não pode ser considerado uma peça
estática dentro do orçamento da empresa. Onde deverá ser adaptado às
novas situações econômico-financeiras da empresa para o período
seguinte, em função do seu controle.
• Projeção para o futuro, a partir da situação liquidez e capital de giro da
empresa, o orçamento de caixa consistirá na projeção do nível desejado
de caixa, em função do atual para o futuro.
• Participação direta dos responsáveis, muitas são as informações e
dados necessários para a elaboração do orçamento de caixa, onde serão
38
fornecidos por vários departamentos da empresa. Sendo que as pessoas
envolvidas neste processo devem estar cientes de sua responsabilidade
na participação do orçamento.
Blecke (1978, p.85) cita: “o orçamento de caixa expressa os planos e
previsões operacionais de uma empresa em termos de exigências de fundos em
períodos futuros, tanto à curto prazo quanto a longo prazo”.
O autor ainda concluiu o pensamento dizendo que para tornar-se eficiente,
um orçamento de caixa deverá ser elaborado a partir de projeções do balanço,
acompanhadas por previsões de vendas e lucro e planos de despesas de capital, e
não somente a partir de níveis históricos do saldo de caixa.
Andreolla (1992) ressalta que, para ser eficaz, o orçamento de caixa precisa
estar sintonizado com as condições internas e externas da empresa: o planejador
financeiro, por sua vez, tem que ter o domínio dessa situação, levando em conta
alguns importantes elementos e variáveis, como política de vendas, políticas de
compras, políticas financeiras, política de investimento, políticas de governo.
O orçamento de caixa pode identificar deficiências ou folga dos recursos
monetários com antecedência, levando a empresa a planejar melhor a captação ou
aplicação de seus recursos financeiros. No alargamento dos estudos feitos por
Lunkes (2003), ressalva-se que o objetivo do orçamento do caixa é assegurar
recursos
monetários
suficientes
para
atender
às
operações
da
empresa
estabelecidas nas outras peças orçamentárias.
O mesmo autor afirma que o orçamento de caixa pode ser preparado por
meio do fluxo de caixa em que são relacionadas às entradas e saídas de caixa
previstas. Sendo as projeções do fluxo necessárias para melhor coordenar e
controlar a posição financeira.
2.5
Fluxo de caixa
Na atual situação econômico-financeira, o sucesso de uma empresa depende
muito da habilidade de sua administração em planejar-se para o futuro. Torna-se
39
cada vez mais imprescindível a administração dos recursos financeiros da empresa
de forma racional e eficiente, pois a mal administração destes recursos poderá
acarretar problemas de liquidez e de capital de giro (ZDANOWICZ, 1986).
Neste contexto, surge o fluxo de caixa, uma ferramenta que auxilia o
administrador financeiro a melhor desempenhar sua função.
De acordo com as citações dos autores abaixo, observa-se que é de extrema
importância que a empresa mantenha seu fluxo de caixa atualizado, pois com isso a
empresa poderá estimar com facilidade sua quantidade de ingressos e desembolsos
financeiros.
Para Gitman (2002, p. 81), o fluxo de caixa possibilita ao gestor programar e
acompanhar as entradas e as saídas de recursos financeiros, onde a empresa
poderá operar com objetivos as suas metas, a curto e a longo prazo.
De acordo com Zdanowicz (1998, p. 24), o fluxo de caixa também pode ser
chamado “[...] orçamento de caixa, fluxo de recursos financeiros, fluxo de capitais,
fluxo monetário e movimento de caixa”.
O fluxo de caixa mostra as entradas e saídas financeiras de uma empresa em
determinado período, sendo necessária ao menos uma entrada e uma saída para
este fluxo ser elaborado (HOJI, 2007).
Zdanowicz(1998) menciona que o fluxo de caixa revela se no futuro haverá
excedente ou falta de caixa, dependendo do resultado desejado pela organização.
Ele permite que o administrador financeiro realize as quatro funções da
Administração citadas anteriormente – planejar, organizar, dirigir e controlar,
relacionadas com os recursos financeiros, em certo período de tempo.
Para Campos Filho (1999, p. 20), o “fluxo de caixa” é um instrumento que
possibilita o planejamento e o controle dos recursos financeiros de uma empresa, é
indispensável ainda no processo de tomada de decisões financeiras.
Assaf Neto (1997, p. 35) ressalta que o fluxo de caixa “é um instrumento que
relaciona os ingressos e saídas de recursos monetários no âmbito de uma empresa
em determinado intervalo de tempo”. A partir da elaboração do fluxo de caixa é
possível prognosticar eventuais excedentes ou escassez de caixa, determinando-se
medidas saneadoras a serem tomadas. O fluxo de caixa é de fundamental
importância para as empresas, constituindo-se numa indispensável sinalização dos
rumos financeiros dos negócios. Para se mantiverem em operação, as empresas
devem liquidar corretamente seus vários compromissos, devendo como condição
40
básica apresentar o respectivo saldo em caixa nos momentos dos vencimentos. A
insuficiência de caixa pode determinar corte nos créditos, suspensão de entregas de
materiais e mercadorias, e ser causa de uma séria descontinuidade em suas
operações.
Assaf Neto (1997) informa que uma adequada administração dos fluxos de
caixa é um dos pressupostos para a obtenção de resultados para a empresa. Ela
deve ser considerada como um segmento lucrativo para seus negócios. As principais
áreas da empresa (financeira, estoques, compras) podem contribuir para melhor
desempenho do fluxo de caixa, acelerando os ingressos ou retardando os
desembolsos.
Longenecker, Moore e Petty (1997, p. 528) afirmam que o fluxo de caixa é o
demonstrativo que representa variações ocorridas na posição de caixa da empresa
ao longo de um determinado período. Na mesma perspectiva, Ross, Westerfild e
Jaffe (1995) afirmam que o fluxo de caixa ajuda a explicar a variação ocorrida nas
contas de disponibilidade.
Para Silva (2006, p.11), “é o principal instrumento da gestão financeira que
planeja, controla e analisa as receitas, as despesas e os investimentos,
considerando determinado período projetado”.
O fluxo de caixa é um recurso fundamental para os gestores saberem com
precisão qual a situação financeira da empresa e, com base no resultado, decidir os
caminhos a seguir.
De acordo com as citações dos autores acima, vimos que é de extrema
importância que a empresa mantenha seu fluxo de caixa atualizado, pois com isso a
empresa poderá estimar com facilidade sua quantidade de ingressos e desembolsos
financeiros.
2.5.1 Objetivo do fluxo de caixa
O objetivo básico do fluxo de caixa é projetar entradas e desembolsos para
determinados momentos, identificando possíveis necessidades de empréstimos ou
oportunidades de aplicações de excedente de caixa em operações rentáveis
41
(ZDANOWICZ, 1998). Sendo assim, o fluxo de caixa visa otimizar a utilização dos
recursos financeiros. Além destes, outros objetivos podem ser citados, tais como;
•
permitir que os recursos financeiros necessários para a realização das
transações econômico-financeiras e do plano de operações sejam
identificados;
•
permitir
o
planejamento
dos
desembolsos
de
acordo
com
as
disponibilidades de caixa, evitando-se o acúmulo de compromissos
vultosos em época de pouco encaixe
•
empregar os recursos financeiros da empresa eficientemente por meio de
planejamento prévio, evitando desperdícios e recursos ociosos;
•
auxiliar na análise dos valores a receber e estoques, para que se possa
julgar a conveniência em aplicar nesses itens ou não;
•
•
desenvolver o uso eficiente e racional do disponível;
planejar e controlar as entradas e saídas de caixa, utilizando informações
fornecidas pelas projeções de vendas, pelos índices de atividades, entre
outros;
•
efetuar o pagamento das obrigações nas datas combinadas;
•
equilibrar os ingressos e desembolsos;
•
controlar saldos de caixa e contas a receber.
Estes objetivos buscam tornar-se a empresa um investimento rentável e
trazer bons resultados para a empresa e para seus acionistas.
Na visão de Silva (2006), há vários objetivos do fluxo de caixa, porém o
principal é a visão geral de todas as atividades (entradas e saídas) diárias do grupo
do ativo circulante, assim se tem uma visão das disponibilidades, representando o
grau de liquidez da empresa.
Segundo Assaf Neto (1997, p. 123), “um dos principais objetivos do fluxo de
caixa é aperfeiçoar a aplicação de recursos próprios e de terceiros nas atividades
mais rentáveis pela empresa”.
O fluxo de caixa tem como objetivo avaliar as alternativas de investimento e
controlar ao longo do tempo as decisões importantes que são tomadas na empresa,
que tenham reflexos monetários. Usando também como instrumento de verificação
42
das situações presentes e futuras do fluxo de caixa na empresa, posicionando-a
para que não chegue a situações de não-liquidez, com a precisão de que não haja
excessos monetários de caixa, e, se houver serão aplicados (SILVA, 2000, p. 8).
Matarazzo (2007) descreve os principais objetivos de caixa:
•
avaliar alternativas de investimentos;
•
avaliar e controlar ao longo do tempo as decisões importantes que são
tomadas na empresa, com reflexos monetários;
•
avaliar as situações presente e futura do caixa na empresa, posicionandoa para que não chegue à situação de liquidez;
•
certificar que os excessos momentâneos de caixa estão sendo
devidamente aplicados.
2.5.2 A importância do planejamento do fluxo de caixa
O planejamento eficiente do fluxo de caixa traz inúmeros benefícios para a
empresa, como por exemplo, o recebimento de descontos por parte dos
fornecedores quando as obrigações são pagas dentro do prazo. Com ele o
administrador financeiro pode determinar o nível de caixa desejado (ZDANOWICZ,
1998).
Outro fator importante para o planejamento do fluxo de caixa é a previsão de
período com menor receita. Quando as entradas de caixa forem reduzidas por conta
de variações do próprio mercado, o administrador financeiro deverá controlar os
desembolsos, evitando grandes saídas de caixa. Estas medidas antecipadas
impedem que as crises aconteçam, ou pelo menos reduzem ao máximo seus
impactos (FERREIRA, 2003).
Em toda e qualquer organização é preciso um bom planejamento do fluxo de
caixa,pois é através deste planejamento que as empresas podem planejar as
receitas e despesas para o futuro. As pequenas empresas só se dão conta da
importância do planejamento do fluxo de caixa, quando se deparam com problemas
administrativos que se mostram evidentes, este é um dos grandes erros destas
43
empresas, com um mal planejamento, possa futuramente ocorrer imprevisto e
acabarem fracassando ainda jovem no mercado.
O ideal é que a empresa adote um fluxo de caixa mensal, transformando-o
em diário com o passar do tempo (ZDANOWICZ, 1998).
Sabe-se que o ativo das empresas é a maior riqueza, visto que este ativo
gera lucro, e o fluxo de caixa projetado permite controlar o ativo. Por isto que
administrador financeiro se torna importantíssimo para o bom andamento da
organização.
A implantação de um fluxo de caixa não requer grandes investimentos, pois
se a organização for bem planejada, a empresa já estará preparada para futuros
imprevistos. Contudo, a empresa precisa estar controlando os resultados, fazendo
sempre comparações com os dados iniciais e garantindo a maximização dos
resultados.
2.5.3 Causas da falta de recursos na empresa
As causas da falta de recursos na empresa podem causar grandes problemas
para a organização. A seguir, destacam-se alguns autores abordando as principais
causas da falta de recursos, segundo suas visões.
De acordo com Zdanowicz (2000), as principais causas que podem gerar uma
escassez de recursos financeiros são:
•
expansão descontrolada das vendas, implicando em maior volume de
compras e custos pela empresa;
•
insuficiência de capital próprio e utilização do capital de terceiros em
proporção
excessiva,
em
consequência,
aumentando
o
grau
de
endividamento da empresa;
•
ampliação exagerada dos prazos de vendas pela empresa, para
conquistar clientes;
•
necessidade de compras de porte, de caráter cíclico ou para reserva,
exigindo maiores disponibilidades de caixa;
44
•
diferenças acentuadas na velocidade dos ciclos de
recebimento e
pagamento, em função dos prazos de venda e de compra;
•
baixa velocidade na rotação de estoques nos processos de produção;
•
sub-ocupação temporária do capital fixo, seja pelas limitações de
mercado, seja pela falta ou insuficiência de capital de giro;
•
distribuição de lucros, além das disponibilidades de caixa;
•
altos custos financeiros em função de planejamento e controle de caixa
incompletos.
Segundo Silva (2006), a falta de recursos pode ser ocasionada por
vários motivos, podendo ser evitada se for feita uma análise criteriosa da capacidade
de caixa, que é fornecida pela soma dos recursos financeiros (as reservas próprias e
de terceiros) como poder de captação não usado (as possíveis linhas de crédito e
aumentos de capital)
O mesmo autor descreve que as principais causas da falta de recursos
na empresa são:
•
dilatação dos prazos de vendas da empresa, para conquistar clientes;
•
necessidade de compras de vulto, que podem ser cíclicas ou de reserva,
requerendo maiores disponibilidades de caixa;
•
capital próprio insuficiente e uso excessivo de capital de terceiros,
aumentando o nível de endividamento da empresa;
•
aumento descontrolado das vendas, gerando maior volume de compras e
custos para a empresa;
•
lenta velocidade no giro de estoques e nos processos de produção;
•
diferenças significativas entre os ciclos de recebimento e pagamento,
ocasionadas pelos prazos de venda e compras;
•
distribuição de lucros além da capacidade do caixa;
•
custos financeiros altos, provenientes de falta de planejamento e controle
de caixa;
•
sub-ocupação temporária do capital fixo, seja pelas limitações de
mercado, seja pela falta ou insuficiência de capital de giro.
45
2.5.4 Alterações nos saldos de caixa
Conforme Zdanowicz (1998), o caixa recebe impactos de vários fatores,
internos e externos, que precisam ser levados em consideração pelo administrador
financeiro na rotina da empresa.
Fatores internos são:
•
alteração na políticas de vendas;
•
decisões na área de produção;
•
política de compras;
•
políticas de pessoal.
Fatores externos:
•
queda nas vendas;
•
expansão ou retração do mercado;
•
inadimplência;
•
mudança no nível de preços;
•
concorrência;
•
alteração nas alíquotas de impostos.
2.5.5 Transações que não afetam o caixa
Neste item apresentam-se algumas transações que não afetam o caixa, isto
é, não há encaixe nem desembolso: a) Depreciação, amortização e exaustão são
meras reduções do ativo, sem afetar o caixa.b) Provisão p/ devedores duvidosos,
estimativa de prováveis perdas com clientes que não representa desembolso para a
empresa. c) Correção Monetária do Balanço, embora haja aumento do valor do
Permanente e do Patrimônio Líquido (PL) pela atualização monetária, não
representa desembolso ouencaixe. d) Acréscimo (ou diminuição) de itens de
Investimentos pelo método de equivalência patrimonial. Assim como a Correção
46
Monetária, poderá haver aumento ou diminuição em itens de investimentos sem
significar que houve vendas ou novas aquisições.
Segundo Ferreira (2003), as principais transações que não afetam o caixa,
isto é, não há encaixe e desembolso, são:
•
depreciação, amortização e exaustão, são meras reduções do ativo sem
afetar o caixa;
•
provisão para devedores duvidosos, estimativa de prováveis perdas com
clientes que não representa desembolso para a empresa;
•
correção monetária do balanço, embora haja aumento do valor do
permanente e do patrimônio líquido pela atualização monetária, não
representa desembolso ou encaixe;
•
acréscimo (ou diminuição) de itens de investimentos pelo método de
equivalência patrimonial. Assim como a correção monetária, poderá haver
aumento ou diminuição em itens de investimentos sem significa que houve
vendas ou novas aquisições.
2.5.6 Prazos do planejamento de fluxo de caixa
Antes de elaborar efetivamente um fluxo de caixa, é preciso atentar-se ao
período que o mesmo será planejado, considerando o porte e o ramo que a empresa
atua.
Conforme Santos (2001), um fluxo de caixa projeta o saldo de caixa para um
horizonte chamado prazo de cobertura, que pode ser definido em semana, mês, ano
etc., a unidade tempo que se divide este prazo de cobertura do fluxo de caixa é
denominado período de informação.
47
Quadro 2 - Prazo de cobertura e período de informação
Prazo de cobertura
Período de informação
Semana
Dia
Quinzena
Dia
Mês
Dia ou semana
Trimestre
Dia,
semana
ou
mês
Semestre
Mês
Ano
Mês ou semestre
Fonte: Santos (2001, p. 59).
O modelo mais utilizado e importante para a empresa é o período mensal,
deve-se trabalhar com um planejamento mínimo para três meses, o fluxo de caixa
mensal deverá, posteriormente, transformar-se em semanal e este em diário,
fornecendo a posição dos recursos em função dos ingressos e desembolsos de
caixa, constituindo-se em um poderoso instrumento de planejamento e de controle
financeiro para a empresa (ZDANOWICZ, 1998).
Neste sentido, Silva (2006) comenta que,
O orçamento de caixa faz parte do orçamento geral de uma empresa, que
planeja as operações por períodos curtos de seis meses a um ano, podendo ser
períodos menores [...] normalmente, o fluxo de caixa não é uniforme durante o mês,
pois apresenta períodos sazonais. Então, a projeção deve ser demonstrada
diariamente para períodos próximos. Quanto mais distante estiver o período de
projeção,maior será o período de incerteza a ele ligado, portando não tem sentido
apresentar o fluxo de caixa dia a dia para períodos mais distantes [...] o fluxo de
caixa deve ser projetado dia a dia para os primeiros 30 dias; para o segundo e o
terceiro mês, pode ser apresentado por semana ou quinzena; e do quarto ao sexto
mês pode ser apresentado por mês.
Toda empresa possui mais de uma espécie de necessidade financeira,
necessita de estimativa com prazos variáveis, de acordo com as respectivas
finalidades. Para tanto, é preciso que o gestor acompanhe o prazo determinado para
que as metas da organização se concretizem.
48
2.5.7 Implantação do fluxo de caixa e seus requisitos
Para a implantação do fluxo de caixa, é preciso que todos os demais setores
da organização enviem os valores e/os documentos para o departamento de
finanças, pois serão sobre o regime de caixa, os períodos em que efetivamente
devem ocorrer as entradas e saídas do caixa.
Conforme Andreolla (1992), a implantação do fluxo de caixa não sobrecarrega
a empresa, e nem se faz necessário destinar uma grande equipe para a realização
das funções orçamentárias. Pouca coisa precisa ser criada, já que a maioria das
informações já existe. O problema é sua falta de organização, então, basta alguém
coordená-las e transformá-las em fluxo de caixa. O autor ainda relaciona os
requisitos para a implantação e funcionamento, a seguir relacionados:
• apoio da alta direção da empresa;
• organização da estrutura funcional da empresa com definição clara dos
níveis de responsabilidade de cada área;
• integração das diversas rotinas administrativas (cobrança, tesouraria,
contabilidade etc.) ao sistema de fluxo de caixa;
• definição do sistema de informações necessárias em termos de:
• tipos de informações;
• formulários a serem utilizados
• calendário de entrega das informações com indicação do tipo, prazo e
responsável;
• responsável pela elaboração das diversas previsões;
• treinamento do pessoal;
• normalização de fluxos e procedimentos;
• comprometimento de todos os responsáveis das diversas áreas da
empresa, no sentido de atingir as respectivas metas fixadas;
• consulta ao orçamento de caixa na tomada de decisões;
• revisão, no mínimo, mensal do sistema orçamentário.
Segundo Zdanowicz (2004), os principais requisitos para implantação do fluxo
de caixa são:
49
•
apoio de cúpula diretiva da empresa;
•
organização da estrutura funcional da empresa com definição clara dos
níveis de responsabilidades de cada área;
•
integração dos diversos setores e/ou departamento da empresa ao
sistema do fluxo de caixa;
•
definição do sistema de informações quanto à qualidade e aos
funcionários a serem utilizados, calendário de entrega dos dados
(periodicidade) e os responsáveis pela elaboração das diversas
projeções;
•
treinamento do pessoal envolvido para implantar o fluxo de caixa na
empresa;
•
criação de um manual de operações financeiras;
•
comprometimento dos responsáveis pelas diversas áreas, no sentido de
alcançar os objetivos e as metas propostas no fluxo de caixa;
•
utilização do fluxo de caixa para avaliar com antecedência os efeitos da
tomada de decisões que tenham impacto financeiro na empresa;
•
fluxograma das atividades na empresa, ou seja, definir as atividades meio
e as atividades fins.
Esses requisitos são de grande importância para a elaboração do fluxo de
caixa, pois os dados coletados serão utilizados pelo administrador financeiro, por
isso os dados deverão ser mais corretos possível, adaptados no plano de operações
da empresa.
Em complemento, Frezatti (1997) ressalta que antes de iniciar o processo de
montagem do fluxo de caixa é necessário que o gestor, tenha uma visão geral do
que espera. Nesse sentido, a primeira coisa a ser definida é o enfoque, uma vez
definido, pode ser discutir o plano de contas.
Enfoque: é de grande utilidade, pois ajudará no processo de tomada de
decisões, ele deve trazer benefícios, para facilitar, agilizar e suportar todo o
processo decisório;
Plano de contas: é um importante motivo para os desvios encontrados nas
empresas.
Zdanowicz (2004) afirma que implantar o fluxo de caixa consiste em apropriar
os valores fornecidos pelas várias áreas da empresa segundo regime de caixa, isto
50
é, de acordo com os períodos que efetivamente deverão acontecer as entradas e as
saídas do caixa.
Para a implantação do fluxo de caixa deve ser considerada a apropriação dos
valores, conforme o período em que irá acontecer as entradas e saídas da empresa,
o importante é considerar todos os itens que alterará a posição do caixa da empresa.
Zdanowicz (2004, p. 55) descreve que “a implantação do fluxo de caixa
consiste em aproximar os valores fornecidos pelas diversas áreas da empresa”. A
empresa deve planejar os ingressos e os desembolsos.
2.5.8 Análise e controle do fluxo de caixa
A análise e controle do fluxo de caixa garante que efetivamente esta
ferramenta estará auxiliando a gestão da organização.
Andreolla (1992) explica que, mais importante do que a elaboração é a
administração do fluxo de caixa, e para tanto cita alguns dos fatores que alteram a
posição de caixa:
•
entradas de caixa procedentes de vendas e cobrança de valores maior
que a saída para pagamento de matérias-primas, mão-de-obra, impostos
e outras despesas;
•
saídas de caixa maior do que as entradas. Esta situação é aceitável
temporariamente numa empresa em expansão;
•
alterações no nível de preços dos insumos;
•
alteração de alíquotas dos impostos;
•
atrasos de cobrança;
•
política de crédito dos bancos;
•
processo decisório: as decisões, na maioria dos setores da empresa,
provocam um impacto sobre o fluxo de caixa, sendo importante que o
administrador financeiro seja capaz de distribuição, produção, compras,
pessoal etc. Quando as consequências forem consideráveis, deverá o
administrador financeiro participar da decisão final.
51
2.5.9 Fatores que afetam o fluxo de caixa
O fluxo de caixa de uma empresa é impactado por uma série de fatores, tanto
internos quanto externos. O administrador financeiro deve estar preparado, através
das indicações observadas no fluxo de caixa para tomar as medidas corretivas em
tempo hábil de forma a minimizar o impacto nas contas da empresa.
Segundo Marion (1997), as transações que afetam o fluxo de caixa estão
divididas em dois grupos: transações que aumentam o fluxo de caixa e transações
que diminuem o fluxo de caixa.
No quadro 3 são representadas as transações que afetam o fluxo de caixa.
Quadro 3 – Fatores que afetam o fluxo de caixa
Transações que aumentam o fluxo
Transações que diminuem o fluxo de
de caixa
•
caixa
Integralização do capital pelos sócios
•
ou acionistas;
•
Empréstimos
Pagamentos
de
dividendos
de
juros,
aos
acionistas;
bancários
e
•
Pagamentos
correção
financiamentos;
monetária da dívida e amortização da
•
Venda de itens do ativo permanente;
dívida;
•
Venda à vista e recebimento de
•
Aquisição de itens do ativo permanente;
duplicata a receber;
•
Compra à vista e pagamentos de
•
fornecedores;
Outras entradas (juros, dividendos,
indenizações).
•
Pagamentos
de
despesas
(custos,
contas a pagar).
Fonte: Marion (1997, p. 382)
Quando a empresa pretende honrar uma obrigação com terceiros, ela precisa
saber se na data do vencimento terá o dinheiro disponível para saldar o
compromisso. Nestes termos, o centro de interesse estará voltado para o disponível,
ou seja, os saldos de caixa, bancos e aplicações financeiras da empresa
(ZDANOWICZ).
Silva (2000) descreve o que poderá acarretar as principais faltas de caixa nas
empresas, são os fatores que mais preocupam os gestores financeiros. E, dentre
eles, pode-se exemplificar os seguintes:
52
•
expansão descontrolada das vendas, acima de sua capacidade de
comercialização;
•
insuficiência de capital próprio e utilização do capital de terceiros em
proporção excessiva;
•
aumento exagerado do prazo de faturamento;
•
necessidade de compras em grande volume;
•
aumento da inadimplência;
•
aumento da necessidade de capital de giro em proporção maior do que o
aumento do capital circulante liquido;
•
aumento exagerado do ciclo financeiro;
•
baixa velocidade da rotação dos estoques;
•
excessiva distribuição de dividendos.
Todos os fatores apontados pelos autores podem interferir nas decisões na
maioria dos setores da empresa, podendo ocasionar um impacto no fluxo de caixa,
obrigado o administrador financeiro a reconhecer as consequências dessas
alterações nas políticas de produção, vendas, distribuição, compras, pessoal, entre
outras.
2.5.10 Ingressos e desembolsos
O fluxo de caixa operacional é composto de itens da atividade fim da
empresa, definidos como ingressos e desembolsos de caixa (ZDANOWICZ, 1998).
O fluxo de caixa é um dos instrumentos mais eficientes de planejamento e de
controle financeiro, o qual poderá ser elaborado de diferentes maneiras, conforme as
necessidades ou conveniências de cada empresa, a fim de permitir que se
visualizem os ingressos de recursos e os respectivos desembolsos.
Os principais ingressos e desembolsos de caixa, segundo Silva (2006), são:
53
Figura 2 - Principais ingressos e desembolsos do fluxo de caixa
Fonte: Silva (2006, p. 23)
Zdanowicz (2000, p. 147) descreve que os ingressos:
São todas as entradas de caixa e bancos em qualquer período, como as
vendas à vista que serão lançadas diretamente no fluxo, ou nas vendas a
prazo que necessitam de mapas auxiliares de recebimentos normais
(cobrança simples e bancárias) e os recebimentos com atraso e,
posteriormente, transportados para o fluxo de caixa.
Os desembolsos são abordados por Zdanowicz (2000) como todas as
“operações financeiras decorrentes de pagamentos gerados pelo processo de
produção, comercialização e distribuição de produtos pela empresa”.
De acordo com Zdanowicz (2000), o fluxo de caixa é composto por ingressos
(fontes) e desembolsos (usos).
Zdanowicz (1998) relaciona as principais modalidades de ingressos
operacionais:
•
vendas à vista;
•
recebimentos;
•
descontos e cauções de duplicatas;
•
vendas a prazo.
Quanto aos desembolsos, os principais decorrentes da atividade operacional
são (ZDANOWICZ,1998):
• aquisição de matérias-primas;
• pagamentos de salários e encargos sociais;
•
despesas indiretas de fabricação, que englobam o pagamento de
materiais secundários e de manutenção ou conservação da empresa;
54
• despesas
operacionais,
compostas
basicamente
por
despesas
administrativas, vendas, tributárias e financeiras.
2.5.11 Requisitos para uma boa administração de caixa
Os requisitos inicias para uma boa administração de caixa, é verificar se o
profissional é capacitado para estar exercendo esta função, que geralmente este
profissional é considerado como administrador financeiro, pois não adianta ter bons
recursos tecnológicos e não ter profissional capacitado para atuar nesta área tão
importante de qualquer organização.
Segundo Zdanowicz (1998), o administrador financeiro deve ter muito cuidado
ao administrar o ativo disponível. E, portanto, alguns requisitos são necessários, a
saber:
•
aceleração do processo de recebimentos;
•
controle nos pagamentos;
•
estabelecimento de saldo mínimo, que dependerá da necessidade de
caixa para transação e eficiência da administração do disponível;
•
existência de planejamento e controle financeiro.
Santos (2001, p. 71) afirma que “algumas medidas da administração de caixa
são motivadas por seus aspectos econômicos, principalmente aqueles relacionados
a custos”, e complementa dizendo que, sendo assim, uma decisão em relação a
administração de caixa pode ser justificada mediante uma análise de custobenefício.
2.5.12 Modelos de fluxo de caixa
Vários autores elaboram fluxo de caixa, e todos abordam a importância de se
construir modelos que atendam às necessidades das organizações. Nestes modelos
55
é importante no fluxo de caixa demonstrar as entradas e saídas ou ingressos e
desembolsos financeiros ocorridos num determinado período.Assim, cabe a
empresa adotar um modelo que se enquadre no perfil do sistema financeiro da
mesma.
Frezatti (1997, p. 77) observa que “quando se fala em modelo de fluxo de
caixa, uma maneira de facilitar o entendimento é separar o fluxo de caixa dos
quadros auxiliares que compõem, e detalham as informações”. O autor ainda
menciona que só é possível entender e gerenciar o fluxo de caixa de uma empresa
se ela dispuser do fluxo de caixa propriamente dito e dos saldos que estão ligados
ao fluxo financeiro.
O modelo de fluxo de caixa adotado por uma empresa mostra todo o dinheiro
que flui para dentro e fora da empresa em determinado período. É um suplemento
útil para demonstração de resultado, uma vez que focaliza a atenção para o que
está acontecendo com a posição de caixa da empresa ao longo de um determinado
período, e também porque evita julgamentos sobre o recolhimento de receitas e
despesas que fazem parte da demonstração do resultado (BODIE e MERTON,
1999).
Zdanowicz (2000) enfatiza que o processo de planejamento do fluxo de caixa
determina a percepção de uma estrutura de informações úteis, práticas e
econômicas, que estimam as futuras entradas e saídas do caixa de uma empresa.
Welsch (1983) enfatiza algumas das principais importâncias do fluxo de caixa
projetado:
•
mostrar o crédito ou o débito disponível;
•
mostrar a situação financeira possível no resultado das operações
planejadas;
•
avaliar se há necessidade de empréstimos ou se há
fundos para
investimentos;
•
ajudar na organização dos recursos financeiros como o capital de giro
total, vendas investimentos e capital de terceiros;
•
estabelecer metas concretas para a política de crédito e para o controle da
posição financeira.
56
A seguir apresenta-se um modelo de fluxo de caixa proposto por
Zdanowicz (2000, p. 145). O autor ressalta que:
Na elaboração do fluxo de caixa deverão ser discriminados todos os valores
a serem recebidos e pagos pela empresa. Quanto mais especificado for o
fluxo de caixa, melhor será o controle sobre as entradas e saídas de caixa,
verificando assim suas defasagens e determinando as medidas corretivas
ou saneadoras para os períodos subsequente.
De acordo com Zdanowicz (2000), quando a atividade da empresa está
sujeita a altos e baixos no setor financeiro, recomenda-se a utilização de estimativas
de curto prazo, (diário, semanal ou mensal). Já no caso das empresas que
apresentam uma certa regularidade no volume de vendas, há a opção de projetar o
fluxo de caixa para os períodos mais longos (mensal, trimestral ou semestral).
Tabela 1 – Modelo de fluxo de caixa
Fonte: Zdanowicz (2000)
57
2.6
Mapas auxiliares do fluxo de caixa
Os mapas auxiliares têm a função de mostrar ao gestor financeiro os períodos
em que os recursos provenientes de vendas a prazo entrarão no caixa, assim como
os períodos em que a contratação de despesas e compras de produtos ou
mercadorias a prazo sairão do caixa.
Para uma correta elaboração do modelo, Zdanowicz (2000) sugere que o
administrador elabore uma série de mapas auxiliares, onde os mais utilizados são:
recebimentos de vendas a prazo, recebimentos das vendas a prazo com atraso e
pagamentos de compras a prazo.
A seguir apresentam-se dois modelos de mapa auxiliar, propostos por
Zdanowicz (2000). O primeiro refere-se às compras a prazo e o segundo às vendas
a prazo.
Tabela 2- Modelo de mapa auxiliar de pagamento das compras a prazo
Fonte: Zdanowicz (2000 p. 151)
O símbolo (*) representa os pagamentos efetuados no ano anterior.
Zdanowicz (2000) ensina que o somatório mensal de cada linha deverá ser
transportado para o fluxo de caixa, sendo que as condições de pagamento das
compras a prazo obedecem à seguinte política: 50% a 30 dias, 30% a 60 dias e 20%
a 90 dias, fora o mês.
58
Tabela 3: Modelo de mapa auxiliar de recebimentos das vendas a prazo
Fonte: Zdanowicz (2000 p. 150)
No que se refere ao símbolo (●), Zdanowicz (2000) observa que são os
recebimentos realizados no ano anterior. Logo, deve ser transportado para o fluxo
de caixa o somatório mensal de cada linha; as condições de recebimento das
vendas a prazo da empresa obedecem à seguinte programação financeira: 40% a
30 dias, 30% a 60 dias e 30% a 90 dias, fora o mês.
A principal função do mapa auxiliar é determinar o período em que as
entradas e saídas dos recursos financeiros decorrentes de transações realizadas a
prazo afetarão o fluxo de caixa.
2.6.1 Descrição dos itens do fluxo de caixa
A seguir, descrevem-se os principais itens que compõem o fluxo de caixa.
•
Ingressos
Ingressos são todas as entradas de caixa e bancos em qualquer período,
como vendas à vista, que serão lançadas diretamente no fluxo, ou as vendas a
prazo que necessitam de mapas auxiliares de recebimentos normais (cobranças
59
simples e bancárias) e os recebimentos com atraso e posteriormente, transportados
para o fluxo de caixa. Podem-se ter ingressos por aumento de capital social,
descontos de duplicatas, vendas de itens do ativo permanente, aluguel recebidos e
receitas financeiras.
Dessa forma, projetar os ingressos financeiros de caixa consiste em transpor
do orçamento de vendas as entradas provenientes. Podem existir situações
intermediárias decorrentes de créditos de clientes, imobilização desses créditos para
contas a receber. Certas empresas não têm esses problemas, não vendem a crédito
ou fazem através de instituições especializadas que assumem o risco.
•
Desembolsos
Desembolsos compõem-se das compras à vista e as compras a prazo que
necessitam de mapas auxiliares para posteriores transportes ao fluxo de caixa.
Acresce-se, como desembolso os salários com os encargos sociais de mão-de-obra
direta e indireta, além de todas as despesas indiretas de fabricação e despesas
operacionais. A compra de itens do ativo permanente também representa uma saída
de caixa ou bancos.
Nestes termos, constituem-se todas as operações financeiras decorrentes de
pagamentos gerados pelo processo de produção, comercialização e distribuição de
produtos pela empresa.
•
Diferença do período
Ao compara-se, período a período, os ingressos e os desembolsos, apura-se
o saldo (diferença do período), ou seja, o resultado entre os recebimentos e
pagamentos da empresa.
Assim, ela é encontrada a partir da diferença entre os valores projetados,
como ingressos e desembolsos pela empresa, podendo ser positiva, negativa ou
nula.
•
Saldo inicial de caixa
É igual ao saldo final do período imediatamente anterior.
60
•
Disponibilidade acumulada
É resultado da diferença do período apurada, mais o saldo inicial de caixa.
•
Nível desejado de caixa
É a projeção do disponível para o período seguinte, a determinação do capital
de giro líquido necessário pela empresa, em função do volume de ingressos e
desembolsos futuros.
Nestes termos, em função do nível desejado de caixa (encaixe mínimo) e da
disponibilidade acumulada, o saldo poderá ser positivo, indicando excesso, que
deverá ser direcionado para a melhor aplicação pela empresa, ou, caso contrário,
ser negativo, que deverá ser captado nas fontes disponíveis menos onerosas.
Portanto, o que levará a utilizar uma ou outra fonte será o custo do recurso a ser
captado pela empresa.
•
Empréstimo ou aplicações de recursos financeiros
A partir do saldo da disponibilidade acumulada, poderão ser captados
empréstimos para suprir as necessidades de caixa, ou serão realizadas aplicações
no mercado financeiro, quando houver excedentes de caixa.
•
Amortizações ou resgates das aplicações
Amortizações são as devoluções do principal tomado emprestado mais juros,
enquanto os resgates das aplicações constituem-se nos recebimentos do principal.
•
Saldo final de caixa
É o nível desejado de caixa projetado para o período que será o saldo inicial
de caixa do período subsequente.
61
2.7
Contas a receber
Os valores a receber para as empresas representam partes significativas de
seus ativos circulantes, havendo assim consequências diretas em sua rentabilidade.
Na visão de Grappelli (2002), as contas a receber podem ser comparadas
com empréstimos sem juros aos clientes, sendo que os padrões de crédito podem
oferecer vantagens e desvantagens. Se os padrões forem flexíveis tendem a
aumentar as contas a receber, e se forem rigorosos as vendas tendem a declinar.
Conforme Hoji (2004, p.129), “as contas a receber são geradas pelas vendas
a prazo, que são feitas após a concessão de crédito”. As compras e vendas a prazo
é uma prática normal utilizadas pelas empresas.
Gitman (2001) justifica que ao aumentar a velocidade ou acelerar a cobrança
de contas a receber, a empresa consegue reduzir seu ciclo de caixa, pois as contas
a receber imobilizam unidades monetárias que poderiam de outra forma ser usadas
para reduzir financiamentos ou ser investidos em ativos permanentes.
Segundo Silva (2006), a administração de contas a receber representa a
concessão de créditos aos clientes, gerando o volume de vendas à vista e a prazo.
Uma das medidas que aumenta o grau de satisfação de um cliente é quando se
concedem prazos para pagamentos, que talvez não concretizassem a compra se a
condição de pagamento apenas fosse à vista.
O mesmo autor cita que as seguintes funções do crédito e contas a receber,
são:
•
levantar e analisar os cadastros de clientes e fixar limites de crédito;
•
proceder à cobrança e recebimento de saques de exportação;
•
proceder à cobrança e recebimento de duplicatas nos vencimentos
estabelecidos;
•
controlar as duplicatas em carteira e em cobrança bancária;
•
providenciar cobrança dos inadimplentes;
•
negociar renovação de crédito;
•
controlar cobrança, caso seja terceirizada.
62
De acordo com Assaf Neto e Silva (1997), as contas a receber surgem da
venda de algum produto ou de prestação de serviço e do compromisso de efetuar o
pagamento no futuro. Este compromisso pode ser representado por duplicata a
receber, nota promissória, cheque pré-datado, entre outros.
Conforme cherry (1977, p. 114) “Valores a receber são montantes devidos à
firma, provenientes da venda de mercadorias ou serviços no curso ordinário dos
negócios”.
De acordo com Assaf Neto e Silva (1997), as contas a receber surgem da
venda de algum produto ou de prestação de serviço e do compromisso de efetuar o
pagamento no futuro. Este compromisso pode ser representado por duplicata a
receber, nota promissória, cheque pré-datado, entre outros.
O contas a receber, desse modo, responsabiliza-se pela gestão do crédito
concedido aos clientes. As políticas adotadas para a concessão de crédito objetivam
atingir as metas comerciais e financeiras da empresa (SANTOS, 2001).
Portanto, segundo Sanvicente (2007), pode-se afirmar que o administrador
financeiro, dentro da gestão de contas a receber, tem a responsabilidade de formular
uma política de crédito que contenha os seguintes elementos: prazos de
recebimento, critérios de aprovação de crédito (análise de crédito), limites de crédito,
condições financeiras de crédito e tratamento a ser dispensado a clientes
inadimplentes.
Braga (1995) afirma que faz parte da administração de valores a receber a
definição de uma política de concessão de credito e a definição de regras para os
procedimentos de cobrança, essas regras influenciam diretamente no ciclo financeiro
da empresa e podem ser utilizadas como estratégias para redução deste ciclo.
Ao se pensar na redução o período de recebimento, deve ser considerado
que atualmente as empresas não querem apenas estimular os clientes a pagar, mas
também conseguir converter estes pagamentos em uma forma que possa ser usada
o mais rápido possível.
63
2.8
Contas a pagar
Segundo Hoji (2004, p.139), no contas a pagar as funções são: “estabelecer
políticas de pagamentos, controlar adiantamentos a fornecedores, controlar
abatimentos a fornecedores, controlar e liberar pagamentos a fornecedores”.
O princípio básico da gestão de contas a pagar é não pagar nenhuma conta
antes do vencimento. Na visão de Silva (2006), as funções das contas a pagar são:
•
fixar políticas de pagamentos;
•
controlar adiantamentos a fornecedores;
•
controlar abatimentos e devoluções de mercadorias;
•
controlar e liberar pagamentos a fornecedores.
Gitman (1987, p. 628) cita que “a principal fonte de financiamento a curto
prazo não-garantido, que resultam da compra de mercadorias são o contas a pagar”.
Também na visão de Braga (1995), as duplicatas a pagar são as principais
fontes de financiamentos a curto prazo de uma empresa, e sua administração
depende da política de crédito dos fornecedores.
Para Silva (2006), os princípios básicos do contas a pagar é não pagar
nenhuma conta com atraso e nenhuma conta antes do vencimento, ou seja pagar
em dia. Possibilidades de melhores condições de pagamentos ou descontos são
outros aspectos que devem ser observados no contas a pagar. Um bom
relacionamento com os fornecedores é muito importante.
Conforme Groppelli (2002), o contas a pagar pode ser comparado a
empréstimos sem juros dos fornecedores, onde o desconto à vista consiste em uma
oferta aceitável se seu benefício exceder o custo do empréstimo.
“As funções do contas a pagar são fixar políticas de pagamentos; controlar
adiantamentos a fornecedores; controlar abatimentos e devoluções de mercadorias;
controlar e liberar pagamentos a fornecedores” (SILVA, 2006, p.24).
Dentre os aspectos mais importantes de duplicatas a pagar estão as
condições de crédito dos fornecedores, os custos resultantes da perda de descontos
e os retornos providos do pagamento retardado de duplicatas (GITMAN, 1987).
64
2.9
Capital de Giro
O capital de giro tem participação relevante no desempenho operacional das
empresas, cobrindo geralmente mais da metade de seus ativos totais investidos.
Para a tomada de decisões o capital de giro se torna uma importantíssima
ferramenta e seu estudo é de fundamental importância para a administração
financeira, pois se refere ao ciclo operacional de uma empresa, englobando desde a
aquisição de matéria-prima até a venda e o recebimento dos produtos vendidos.
Silva (2006) afirma que o capital de giro é também conhecido como capital
circulante-curto prazo. Isto porque ele fica girando dentro da organização, podendo
sofrer mudanças patrimoniais que alteram na contabilidade, bem como uma
administração imprópria pode ocasionar problemas financeiros e até levar à
insolvência.
Assaf Neto e Silva (2002) ressaltam a importância de ter em conta que a
administração do capital de giro trata dos ativos e passivos correntes como decisões
interdependes. Como exemplo, a perda de liquidez pela maior participação de
estoques no ativo circulante deve ser compensada por um maior volume de caixa; a
presença de passivos de prazos mais curtos exige, por seu lado, ativos correntes
mais líquidos, e assim por diante.
A definição do montante de capital de giro é uma tarefa com sensíveis
repercussões sobre o sucesso dos negócios, exercendo evidentes influencias sobre
a liquidez e rentabilidade das empresas. Sob determinado enfoque, uma empresa
deve investir em capital de giro enquanto o retorno marginal dos ativos correntes se
mantiver acima do custo dos recursos alocados para seu financiamento. Apesar de
que quantificação destas medidas de custo e do retorno nem sempre ser
operacionalmente simples na prática, a proposição é relevante principalmente como
uma orientação que envolve investimentos em capital de giro.
O capital de giro é representado pelo ativo circulante, isto é, aplicações
correntes, identificadas geralmente pelas disponibilidades, valores a receber e
estoques. Num sentido mais amplo, o capital de giro representa os recursos
demandados por uma empresa para financiar suas necessidades operacionais
identificadas desde a aquisição de matéria-prima (ou mercadorias) até o
recebimento pela venda do produto acabado.
65
O capital de giro pode ser segmentado em fixo (ou permanente) e variável (ou
sazonal).
O capital de giro permanente refere-se ao volume mínimo do ativo circulante
necessário para manter a empresa em condições normais de funcionamento. O
capital de giro variável é definido pelas necessidades adicionais e temporais de
recursos verificadas em determinados períodos e motivadas, principalmente, por
compras antecipadas de estoques, maior morosidade no recebimento dos clientes,
recursos do disponível em trânsito, maiores vendas em certos meses do ano etc.
Estas operações promovem variações temporais no circulante, e são, por isto,
denominadas sazonais ou variáveis.
2.9.1 Análise da necessidade do capital de giro
As necessidades de recurso de capital de giro de uma empresa são
determinadas em função de seus principais ativos e passivos circulantes
operacionais ou de funcionamento.
A necessidade líquida de capital de giro (NCLG) é a diferença entre o ativo
operacional e o passivo operacional, ou seja, a diferença entre as aplicações ou
investimento em capital de giro, estoques e financiamento de vendas (contas a
receber) e os passivos ou financiamentos obtidos.
Conforme Assaf Neto (2002, p.16), "quando uma empresa realiza uma
adequada gestão dos seus recursos financeiros, esta é capaz de reduzir
significativamente as necessidades de capital de giro, gerando assim um maior
ganho em função da redução das despesas financeiras". Complementando este
raciocínio, o autor afirma que a utilização deste instrumento permite que a empresa
identifique e se planeje para eventuais sobras ou escassez de caixa, podendo assim
definir as melhores medidas a serem tomadas.
66
2.9.2 Tipos de capital de giro
Capital de giro é um fator importantíssimo para a empresa se manter,
conforme cita Gitman, Lawrence J (2006, p. 510): “representa a proporção do
investimento total da empresa que circula, de uma forma para outra, na condução
normal das operações”.
Sanvicente (1980, p. 114) afirma que capital de giro “[...] compreende os
saldos mantidos por uma empresa nas contas caixa e bancos, títulos a curto prazo,
contas a receber de clientes, e estoques de matérias-primas, mercadorias para a
venda, produção em andamento e produtos acabados”.
De acordo com Silva (2006, p. 43), "o capital próprio equivale ao patrimônio
líquido e é obtido através da emissão das ações preferenciais e ordinárias, com a
retenção de lucros, enquanto o capital de terceiros pode-se conseguir no mercado
financeiro e de capitais”, através de empréstimos e financiamentos.
A seguir são representados os principais capitais que fluem na empresa,
segundo Zdanowicz (2000):
Figura 3 – Principais capitais que fluem na empresa
Fonte: Zdanowicz (2000, p. 33)
Complementando o pensamento de Zdanowicz, o autor Padoveze (2011),
ressalta alguns elementos do capital de giro, que dentro da visão tradicional, os
componentes do capital de giro são todas as contas do ativo circulante e do passivo
circulante. Os elementos são;
•
Disponibilidade (Caixa, Bancos e Aplicações Financeiras);
67
•
Contas a Receber de Clientes (Duplicatas a Receber);
•
Estoques (Materiais, em processo e acabados);
•
Contas a pagar (Despesas Provisionadas);
•
Salários e Encargos a Pagar;
•
Impostos a Recolher sobre Mercadorias.
Outras contas menos comuns e até de montante menos significativo, para a
maioria das empresas, também devem ser consideradas no capital de giro:
•
Impostos a recuperar (IR de Aplicações Financeiras, Saldo Credor de
IPI/ICMS etc.);
•
Provisão para devedores duvidosos;
•
Títulos descontados;
•
Provisão retificadora de estoque;
•
Adiantamentos de fornecedores;
•
Despesas do exercício seguinte (Despesas Antecipadas);
•
Adiantamentos de clientes;
•
Impostos a recolher sobre o lucro;
•
Empréstimos de curto prazo;
•
Dividendos ou lucro a distribuir.
Cada uma dessas contas merece uma gestão diferenciada, pois tem suas
características próprias.
68
3
ASPECTOS METODOLÓGICOS
Apresenta-se nesta seção, os aspectos metodológicos que foram utilizados
como alicerce para a construção deste trabalho, descrevendo o delineamento da
pesquisa, os participantes que contribuíram para o trabalho, as técnicas de coleta de
dados, assim como, as técnicas de análise dos dados utilizadas.
Richardson (1999) diferencia os conceitos de método e metodologia
observando que o método é o caminho ou a maneira para se chegar a um
determinado objetivo e metodologia são os procedimentos e regras utilizados por um
determinado método. A seção de metodologia do projeto descreve como se
pretende atingir os objetivos específicos (ROESCH, 2007).
3.1
Delineamento da pesquisa
O modelo de estágio utilizado para a elaboração deste trabalho foi o Modelo
de consultoria. Este modelo se encaixou perfeitamente para o tema proposto. O
Modelo de Consultoria possibilita que o acadêmico, coloque em prática seus
conhecimentos, abordando soluções para os problemas diagnosticados pela própria
empresa ou também diagnosticando estes problemas (ROESCH, 2012).
A partir do modelo de consultoria, definiu-se que o melhor tipo de pesquisa
para este trabalho foi a Proposição de Planos, de nível descritivo, no qual se espera
“apresentar soluções para os problemas já existentes e diagnosticados pela
organização, sendo imprescindível a aplicação e/ou adaptação destas soluções”
(ROESCH, 2012).
Com os levantamentos dos dados, a abordagem do trabalho foi qualitativa
com aporte quantitativo. A pesquisa quantitativa normalmente buscar seguir a risca
um plano estabelecido previamente, enquanto a pesquisa qualitativa tem foco mais
amplo de interesse, e é direcionada ao longo do desenvolvimento (NEVES, 1996).
69
A pesquisa quantitativa será necessária quando o pesquisador busca
compreender os fatos, definindo sua posição de acordo com a perspectiva dos
participantes (NEVES, 1996).
Neves
(1996)
ressalta
que
mesmo
os
dois
métodos
possuírem
direcionamentos distintos, eles não se impedem, mas se auxiliaram, de forma a
proporcionar maior compreensão dos fenômenos analisados.
O nível dos objetivos foi descritivo. De acordo com Gil (1999), uma pesquisa
descritiva faz-se o uso de técnicas padronizadas de coleta de dados, através de
planilhas e relatórios.
A pesquisa documental foi elaborada perante documentos fornecidos através
da proprietária da empresa.
3.2
Contexto e participantes da pesquisa
Para a realização deste trabalho, foi imprescindível a participação da
proprietária, pois através da mesma foi possível o acesso aos documentos
financeiros da empresa, os administradores e as secretárias responsáveis pelo
atendimento aos clientes, fornecedores, vendas e compras; a contabilidade, que é
terceirizada; e para a acadêmica, que através de entrevistas informais e
observações obteve informações precisas.
Segundo Gil (1999), a entrevista informal é o tipo menos estruturado, e só se
distingue da simples conversão porque tem como objetivo básico a coleta de dados.
O que se pretende é a obtenção de uma visão geral do problema pesquisado, quase
uma conversa. Nestes casos, comumente recorre-se a informantes-chaves,
especialistas no assunto. Comum em estudos de caso.
70
3.3
Técnica de coleta de dados
Os dados coletados para esta pesquisa foram de fontes primárias e
secundárias.
Na definição de Richardson (1999), os dados primários são aquelas
informações que tiveram contato direto com os fatos analisados, existindo um
relatório ou registro deste contato. As fontes secundárias foram os documentos
existentes na empresa que serviram de intermediários para a coleta e análise dos
dados e que receberam da acadêmica o tratamento adequado. Conforme
Richardson (1999), as fontes secundárias podem complementar as informações das
fontes primárias.
Marconi e Lakatos (1999) relatam que “a importância dos dados está não
neles mesmos, mas no fato de proporcionarem respostas a investigações”.
Os dados primários foram coletados através de entrevistas informais com os
integrantes da organização, observações feitas pela acadêmica, e os documentos
impressos que constavam as entradas e saídas de caixa. Para a coleta de dados
secundários, foram extraídos por meio da pesquisa documental, a partir de
documentos fornecidos pela contabilidade, documentos estes que permitiram a
análise das entradas e saída das mercadorias, relatórios referentes à gestão da
folha de pagamento, entre outros.
3.4
Técnica de análise de dados
Para análise dos dados foi aderida a análise descritiva. O estudo descritivo
permite ao esclarecimento das relações entre causa e efeito dos fatos ocorridos,
investigando as variáveis que influenciam os eventos de fenômenos, ordenando-os e
classificando-os (OLIVEIRA, 1999). Visando descrever as características de
determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre
variáveis. Envolvendo o uso de técnicas padronizadas de coleta de dados, como por
71
exemplo, questionário e observação sistemática. Assumindo em geral, a forma de
levantamento.
Os documentos utilizados neste trabalho para a análise das entradas e saídas
dos recursos financeiros foram através de cadernos, cadernetas, notas fiscais entre
outros meios de informações financeiras, referente aos meses de dezembro de 2013
a junho de 2014, os quais foram analisados e incluídos para a elaboração do fluxo
de caixa.
Todos os dados coletados foram tabulados em planilhas, por meio do
programa Excel do pacote Microsoft Office, mês a mês, utilizando o método de
regime de competência em que os ingressos e desembolsos ocorreram.
Após a coleta dos dados e posteriormente tabulados, foi possível a
organização dos dados para o aprimoramento da receita, conforme anseio da
proprietária, para o período de projeção do fluxo de caixa. Levando em consideração
o índice de inflação previsto para o período projetado.
Foi possível através dos ajustes feitos dos dados coletados, a elaboração dos
mapas auxiliares de saída e entradas de caixa com o propósito de analisar os
períodos em que as vendas a prazo entrarão no caixa, bem como as compras a
prazo sairão do caixa da empresa.
Portanto, através da tabulação, dos ajustes dos dados coletados e do
desenvolvidos dos mapas auxiliares, foi possível a elaboração do fluxo de caixa.
72
4
CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA
A caracterização da empresa é fundamental para conhecer melhor seus
aspectos individuais.
Este capítulo tem o objetivo de apresentar a empresa Claudia Scheifele ME
Comércio de gás e água, caracterizando seu histórico, missão, visão, valores, seus
clientes, fornecedores, e a estrutura atual da empresa.
Segundo Roesch (2009), a caracterização da organização é importante, pois
qualquer organização apresenta uma história, na qual auxilia no entendimento de
uma situação problema, como data de fundação, alterações em sua natureza jurídica
ou propriedade.
4.1
Histórico da empresa
O casal Claudia Scheifele e seu companheiro João Batista da Silva, ambos
nascidos em Santa Catarina e criados na cidade de Cascavel - PR, sendo que
Claudia nasceu em Joaçaba e João Batista nasceu Urubici. Em suas juventudes se
conheceram e estão juntos até os dias de hoje.
A família de João Batista havia se mudado para Santa Catarina em meados
do ano 2000, onde iniciaram a venda de gás e água no vale do Itajaí. Foi então que
perceberam uma ótima oportunidade para o restante da família se mudar para a
cidade de Itajaí e criar uma empresa de comércio de gás e água, onde havia boas
perspectiva de vendas, pois na época não havia grandes concorrências neste ramo.
Foi então que em fevereiro de 2004, Claudia Scheifele, João Batista e mais
uma filha pequena, mudaram-se para a cidade de Itajaí, alugando um terreno para o
comércio de gás e água na cidade.
Porém, a legalização da empresa ocorreu somente em 23 de outubro de
2007, até esta data, a família trabalhava sem alvará e licenças para o
funcionamento.
73
A empresa Claudia Scheifele adquiriu o terreno neste ano de 2014, no mês de
maio e parcelando em 120 parcelas iguais e fixas de 5.056,00.
A empresa é familiar e de pequeno porte. Hoje conta com 7 funcionários,
incluindo a proprietária da organização.
A empresa busca atender cada vez mais as expectativas de seus clientes,
atendendo-os em suas residências e também na portaria da organização.
Projeta-se para um futuro próximo a criação de um novo e amplo escritório
para atender melhor seus clientes, utilizando a tecnologia a favor da empresa, uma
vez que atualmente a administração da empresa faz uso apenas de papel e caneta.
A empresa objeto de estudo faz a comercialização de gás e água. Suas
fornecedoras de água são duas, sendo a empresa Distribuidora Paulista, que
fornece águas Imperatriz, e a Distribuidora JI, que fornece águas Rio do Ouro. Em
relação ao representante de gás, houve mudança, sendo que antes era
representante legal da ULTRAGAZ, até o mês de julho de 2014, a qual somente
fazia o papel de distribuição de gás até o consumidor final. Hoje, a empresa Claudia
Scheifele mudou de representante, aderindo-se a LIQUIGAS como representante de
gás.
O momento que a empresa passa, é de grandes transformações em sua
gestão, incrementando a tecnologia na administração das operações administrativa
e ocorrendo mudança de representante de gás, como forma de estratégia
competitiva.
4.2
Dados de identificação
A empresa Claudia Scheifele ME está localizada na Rua Adolfo Batschauer,
916, bairro Dom Bosco, Itajaí/SC. Um ótimo local, pois está situado próximo de
residências, as quais são o foco de venda de seus produtos. Dispõe de uma área de
aproximadamente 450 m², incluindo o pátio e o depósito, possui 480 bujões de gás
liquefeito de petróleo e 600 galões de água para comercialização.
A empresa é conhecida como Disk água e gás Silva.
74
Para complementar a identificação a empresa é portadora do CNPJ
(Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral de Pessoa Jurídica) é
09.083.659/0001-23.
4.3
Missão
A empresa objeto de estudo não tinha sua missão formalizada. Assim, a
acadêmica, juntamente com a proprietária, elaborou a missão de acordo a razão de
ser da empresa, e o que a organização espera conquistar no futuro e como espera
estar reconhecida pelos seus clientes e demais stakeholders. Conforme Tachizawa e
Resende (2000, p. 39), “a missão define a razão de ser da organização”.
Para Oliveira (1999), a missão da empresa determina onde a organização
pretende ir, ou seja, qual o seu negócio, qual a razão da sua existência, quais os
ramos de atividade que deverão ser focados no futuro.
A missão da empresa ficou assim definida: “Comercializar produtos de
ótimas qualidades, levando aos clientes produtos originais e que atenda as
normas legais de segurança, buscando a satisfação dos consumidores,
fornecedores e da sociedade na qual está inserida”.
4.4
Visão
A visão de uma organização pode ser percebida como a direção desejada, o
caminho que se pretende percorrer, uma proposta do que a empresa deseja ser a
médio e longo prazo e, ainda, de como ela espera ser vista por todos.Para
Chiavenato (2010, p.65), “visão é a imagem que a organização tem a respeito de si
mesma e do seu futuro. É o ato de ver a si própria projetada no espaço e no tempo”.
A empresa não tinha sua visão constituída. Assim, a acadêmica, juntamente
com a proprietária, elaborou a visão de acordo com seus anseios.
75
A missão da empresa ficou assim definida: “Ser reconhecida por seus
clientes, fornecedores, concorrentes, como uma empresa líder no ramo de
distribuição de água e gás”.
4.5
Valores
Os valores da organização não haviam sido formalizados, porém, a
acadêmica junto com a proprietária, levantou valores que a empresa tem, e
descreveram neste trabalho. Os valores da empresa Claudia Scheifele são:
4.6
•
Comprometimento;
•
Confiabilidade;
•
Fidelização;
•
Produtos de qualidade;
•
Rapidez na entrega.
Ramo de atividade
O ramo de atividade da empresa é a distribuição de gás e água na região de
Itajaí.
É uma atividade que necessita de carros para o transporte de seus produtos
até os clientes finais.
4.7
Produtos
A empresa Claudia Scheifele ME trabalha com dois tipos de produtos, são
eles: Gás e água. Sendo que na linha de água, existem dois modelos, 10 litros e 20
litros, e comercializam duas marcas; Águas Imperatriz e Águas Rio do Ouro.
76
Portanto, na sua linha de gás há vários modelos e características individuais que são
comercializados. Porém, comercializava apenas uma marca; ULTRAGAZ. Onde
neste ano no mês de maio houve troca de representante de gás, passando
comercializar produtos da empresa LIQUIGAS. Os modelos de gás são;
Gás P5 - residencial pequeno
O botijão de cinco quilos é utilizado em fogões residenciais. Sua instalação e
manuseio são semelhantes aos do botijão de 13 quilos e, por isso, ele é uma opção
para consumidores que utilizam menor quantidade de gás. Porém existe clientes que
utilizam para fogareiros de acampamento. Dimensões: 272,5 mm de diâmetro x 333
mm de altura (medidas de referência).
Gás P13 - residencial padrão
O botijão de 13 quilos é o mais utilizado em fogões residenciais para cozinhar
alimentos.Dimensões: 360 mm de diâmetro x 460 mm altura (medidas de
referência).
Gás P20 - combustível para empilhadeiras
O combustível para empilhadeiras industriais é comercializado em cilindros de
20 quilos. Esses cilindros são projetados para utilização na posição horizontal, já
que todo o consumo se dá na fase líquida e não na de vapor, como acontece nos
demais recipientes.Dimensões: 309 mm de diâmetro x 885 mm de altura (medidas
de referência).
Gás P45 - larga escala
O cilindro possui 45 quilos. Utilizado em larga escala e em diferentes
situações e locais, como residências, comércio, bares, restaurantes, lavanderias,
indústrias, hospitais e escolas, é instalado em centrais de abastecimento - sempre
locais
pré-determinados
pelo
cliente.
De
acordo
com
as
normas
estabelecidas. Dimensões: 380 mm de diâmetro x 1280 mm de altura (medidas de
referência).
4.8
Mercado
Mercado de gás
77
O
consumo mundial
de Gás
Liquefeito de
Petróleo (GLP)
é
de
aproximadamente 200 milhões de toneladas anuais e tem nas economias
emergentes o maior potencial de consumo. No cenário mundial o GLP desempenha
um importante papel ambiental e social, sendo incentivado como fonte de energia
(www.liquigas.com.br).
GLP no Brasil.
O GLP é um dos principais componentes da matriz energética brasileira,
promovendo o progresso e a integração social em todas as regiões do país. Trata-se
de um importante recurso na promoção da cidadania, principalmente nas camadas
de menor renda da população, que desempenha um papel fundamental no
progresso socioeconômico e desenvolvimento sustentável do país.
No Brasil, a distribuição de GLP em recipientes transportáveis, os
denominados botijões de gás, abrange 100% do território nacional e garante o
abastecimento de 95% dos domicílios, o que lhe confere uma penetração nos lares
ainda maior que a luz elétrica e água encanada. Por suas características de
portabilidade e armazenamento, o GLP não possui limites de utilização geográfica,
atendendo 100% dos municípios brasileiros.
O mercado brasileiro de GLP conta com uma ampla rede de distribuidores e
milhares
de
pontos-de-venda
espalhados
por
todo
país,
atendendo
aproximadamente 42 milhões de lares e gerando pelo menos 350 mil empregos
diretos e indiretos.
Ao longo das três últimas décadas, o mercado brasileiro passou por
profundas transformações e atualmente vive-se um momento de consolidação desse
processo de mudança. O alto grau de competitividade do setor resultou em bons
níveis de serviço e segurança para o consumidor.
O consumo mundial de GLP é de aproximadamente 200 milhões de toneladas
anuais e tem nas economias emergentes o maior potencial de consumo. No cenário
mundial o GLP também desempenha um importante papel ambiental e social, sendo
incentivado como fonte de energia.
Mercado de água
O Brasil possui a maior reserva de água doce potável do planeta, fato que lhe
confere um importante posicionamento geoestratégico mundial no mercado de água
78
mineral. Porém, em termos de produção e consumo o país ainda tem que avançar
posições para obter liderança (www.sebraemercados.com.br).
Dados da Associação Internacional de Águas Engarrafadas indicam que o
Brasil ocupa o 4º lugar no ranking mundial de produtores. Consome mais água
engarrafada que países como Itália, Alemanha, França e Espanha, mas fica atrás
dos Estados Unidos, México (que crescem, em média, 8,5% ao ano) e da China,
cuja demanda aumenta 17,5% a cada ano. A taxa média de crescimento mundial é
de 7,6% ao ano. Em 2007, por exemplo, foram consumidos 206 bilhões de litros de
água vendida em garrafa.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Água Mineral (Abinam), o
Brasil tem consumo per capita ainda considerado baixo (65 litros por ano), se
comparado aos argentinos, que é o dobro.
O mercado de água mineral no Brasil é atraente. As sínteses dos dados deste
mercado se destacam a seguir:
•
100 bilhões foi o faturamento, em dólares do mercado internacional de
água engarrafada, em 2007;
•
em 2007, forma 6,8 bilhões de litros de água mineral produzidos e
consumidos no Brasil;
•
em 2011, o Brasil movimentou 13 bilhões de litros e faturou US$ 8,2
bilhões;
•
10 % é o índice de crescimento do mercado nacional nos últimos anos;
•
60 % dos garrafões comercializados no Brasil têm entre 10 e 20 litros.
Apesar de ser um mercado pulverizado, nota-se um movimento de
concentração do mercado, com grandes empresas detentoras de diferentes marcas.
4.9
Clientes
Os clientes são aquele indivíduo que tem acesso a um produto ou serviço
mediante pagamento.
79
Dependendo do contexto, a palavra cliente pode ser usada como sinónimo de
comprador (a pessoa que compra o produto), utilizador (a pessoa que utiliza o
serviço) ou consumidor (quem consome um produto ou serviço).
Para Porter (1998), os clientes são a razão de existência da empresa.
Os principais clientes da empresa são as pessoas físicas. Vende-se também
para lanchonete, assadão, restaurantes, porém, para estes tipos de clientes se
vende como pessoa física por não utilizar o CNPJ de suas organizações no ato da
venda.
Existe também 4 clientes específicos que compram da empresa Claudia
Scheifele ME para revender a outros clientes. Estes 4 clientes tem o poder de
barganha no momento de negociação da compra, fazendo com que o lucro da
empresa objeto de estudo diminua.
4.10
Fornecedores
Os fornecedores dos produtos para a empresa são:
•
LIQUIGAZ: fornece todos os tipos de gás;
•
Distribuidora Paulista: fornece águas Imperatriz;
•
Distribuidora JI: fornece águas Rio do Ouro.
A empresa ULTRAGAZ fornecia até o mês de julho de 2014 os modelos de
gases para a empresa, porém, por decisões estratégicas a proprietária optou pela
mudança.
4.11
Forma de pagamento
A forma de pagamento proposta pela empresa Claudia Scheifele compreende
os seguintes tipos de pagamentos em:
80
4.12
•
Pagamento à vista;
•
Cartão de Crédito e débito
•
Cheque
Política de pagamento da empresa
A ULTRAGAZ foi a fornecedora de gás para a empresa Claudia Scheifele até
o mês de julho deste ano (2014), porém como descrito anteriormente, mudou-se de
representante de gás, passando a representar a LIQUIGAS. Para nova
representante, faz-se pagamento através de boletos bancários, com no máximo 4
dias úteis para quitação das compras realizadas.
Já para a Distribuidora Paulista que fornece águas Imperatriz e Distribuidora
JI que fornece águas Rio do Ouro, o pagamento é feito à vista.
4.13
Modelo de gestão atual
A secretária é a pessoa responsável pelo atendimento aos clientes via
telefone e clientes que chegam diretamente até a portaria para efetuar a compra de
gás e/ou água. Porém, esta secretária trabalha apenas um período do dia.
A proprietária é responsável pelas contas a pagar e receber da empresa, e
quando a secretária se ausenta, a proprietária assume a função de atender os
clientes.
Os dois administradores, são multifuncionais, cuidam desde a conferência dos
novos produtos adquiridos até a entregar do produto ao consumidor final, quando os
entregadores não estão na empresa.
Os entregadores apenas levam os produtos até os clientes finais.
81
4.14
Organograma
A acadêmica elaborou o organograma da empresa, com informações cedidas
pela proprietária da organização. A seguir representada na figura 3, o organograma
da empresa objeto de estudo, descrevendo as funções e as responsabilidades
dentro da empresa.
PROPRIETÁRIA
Administrador
Administrador
Secretária
Entregador
Entregador
Entregador
Figura 4 – Organograma de cargos e funções
Fonte: Elaborada pela acadêmica
Conforme o organograma criado pela acadêmica, é possível observar que a
empresa Claudia Scheifele ME é classificada como empresa familiar e de pequeno
porte. Onde pode-se perceber, pela quantidade de funcionários existentes no
organograma, que a empresa conta com 7 funcionário, incluindo a proprietária.
Para Chiavenato (1994), o desenho organizacional envolve a definição da
estrutura básica da empresa e como a tarefa empresarial será dividida e atribuída
entre departamentos, divisões, grupos, posições e cargos.
82
5
RESULTADOS DA PESQUISA
Apresentam-se a seguir as informações obtidas com a pesquisa através de
documentos manuais, relatórios contábeis, entrevistas informais e observações da
acadêmica correspondentes ao período de dezembro de 2013 a junho de 2014, os
quais foram utilizados para a elaboração do fluxo de caixa para o período de janeiro
a junho de 2015.
Apresentam-se também os mapas auxiliares de compras e vendas,
demonstrando as previsões de ingressos e desembolsos para os meses em que
fluxo de caixa foi projetado.
5.1
Resultados obtidos
Na tabela 4 estão destacados todos os eventos que provocaram entradas e
saídas de recursos financeiros naempresa Claudia Scheifele, ocorridos entre os
meses de dezembro de 2013 a junho de 2014, considerando-se o regime de
competência.
Regime de competência, é quando, na apuração dos resultados do exercício,
é considerado as receitas e despesas, independentemente de seus recebimentos ou
pagamentos. É obrigatório nas entidades com fins lucrativos.
Os valores correspondentes aos ingressos, são formados pelas vendas à
vista e a prazo de produtos, considerando-se as vendas à avista, as compras
efetuadas e pagas através de dinheiro e cartão de débito. As vendas a prazo
ocorrem por meio de cartão de crédito e também tem a possibilidade dos clientes
efetuarem através de cheque pré-datado.
Os desembolsos são compostos pelas compras dos produtos (que em 100%
dos casos os pagamentos ocorrem à vista), despesas administrativas, despesas
operacionais (com os veículos), com pessoal, tributárias e despesas financeiras.
83
Tabela 4 – Relatório dos eventos que provocam ingressos e desembolsos de caixa (em R$)
Fonte: Arquivos da empresa
Nesta tabela (4) estão tabulados mês a mês todos os eventos de entrada e
saída de caixa na empresa objeto de estudo, eventos estes, ocorridos entre o mês
de dezembro de 2013 a junho de 2014.
As entradas são referentes às vendas à vista e a prazo no mês
correspondente na tabela. Nas vendas à vista contabilizam-se todas as entradas em
84
dinheiro como pagamentos das mercadorias vendidas, correspondendo a 88% do
faturamento total, de acordo com a proprietária.
Nas vendas a prazo, que representam 12% do faturamento total da
organização, é concedido 30 dias de prazo para pagamento. Os pagamentos
ocorrem através de cartão de crédito e/ou cheque, o prazo para a empresa estar
recebendo através destes meios é conforme combinado com o banco.
As compras são 100% pagas à vista, tanto para os fornecedores de água,
quanto de gás.
Em janeiro de 2014 a empresa teve que desembolsar como obrigação
tributária
do
município,
o
pagamento
do
Alvará
de
funcionamento
do
estabelecimento.
O contrato da contabilidade terceirizada é baseado no salário mínimo, onde a
empresa paga para a contabilidade meio salário, ocorre alteração do valor todos os
meses de janeiro, pois há o reajuste do salário mínimo decretado pelo governo.
Pode-se compreender esta mudança que ocorreu do período de dezembro de 2013
para Janeiro de 2014.
O valor da “Energia elétrica” e “Água” é conforme o uso, então em todos os
meses há alteração.
Pelo uso da internet é pago um valor fixo, para uma operadora da cidade.
O IPTU (Imposto sobre Propriedade Territorial Urbana) foi pago em uma
parcela única ao município no mês de fevereiro de 2014.
As despesas com os “Materiais de Expediente” alteram-se conforme a
necessidade do escritório da empresa, estão inclusos: caderno, canetas, clips; post
it.As despesas com “Materiais de Uso e Consumo” caracterizam-se por não se
agregarem, fisicamente, ao produto final. Esses materiais são referentes aos itens
como: alimentação do pessoal que usufrui no estabelecimento, remédios, frutas,
água, café, materiais de limpeza e produtos de higiene.
Na tabela está incluso o item “Mensalidade de Software”, a empresa no mês
de setembro/2014 incluiu em suas atividades esse sistema.
A despesa “Mensalidade Cielo e “Mensalidade Redescard” são referentes ao
aluguel das seis máquinas de cartão, cujo valor é fixo e mensal. Possuindo como
aceitação na forma de pagamento como crédito ou débito
A despesa com propaganda é referente à divulgação que a empresa paga
para uma equipe terceirizada neste ramo.
85
As despesas operacionais como “Aluguel do Imóvel” na tabela 4, há valores
até o mês de abril/2014, pois a partir do mês de maio/2014 a proprietária adquiriu o
imóvel, passando a pagar parcelas mensais iguais e fixas de R$ 5.056,00 durante
120 meses, resultando assim em 10 anos para a quitação total do imóvel; todavia,
tem a possibilidade de quitá-lo antes. O valor do “Seguro dos Automóveis” é
diferenciado. O valor do seguro é R$ 1.956,00 ao ano por cada caminhonete,
destacando-se que a empresa possui três caminhonetes, cujo pagamento foi
parcelado em 6 vezes. O pagamento de duas caminhonetes iniciou-se em
agosto/2013 e encerrou-se em Janeiro/2014, com parcelas no valor de R$ 326,00, e
uma caminhonete o pagamento iniciou-se em novembro/2013 e encerrou-se em
abril/2014, também em R$ 326,00. A “Manutenção dos Automóveis”são valores
alternados, pois depende dos incidentes que ocorrem durante o mês.
Nota-se na tabela 4 que há uma variação de salário a parir do mês de março.
Esta variação é decorrente a contratação de um novo entregador. Além desse gasto
com o salário, observa-se também um gasto com comissão sobre as entregas, que
varia conforme a quantidade de entrega realizada. A comissão é paga todos os dias
ao final do expediente.
A empresa é tributada pelo regime do Lucro Presumido. O Lucro Presumido é
a forma de tributação simplificada para determinação da base de cálculo do imposto
de renda (IRPJ) e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) das pessoas
jurídicas. Conforme o site www.fazenda.gov.br, autoriza os Estados e o Distrito
Federal a concederem crédito presumido do ICMS aos distribuidores e varejistas de
produtos derivados de petróleo conforme o Convênio ICMS 39/89.
Os valores de PIS e a Cofins estão zerados, pois a empresa opera sobre o
regime monofásico. Este mecanismo é semelhante à substituição tributária, pois
atribui a um determinado contribuinte a responsabilidade pelo recolhimento do
tributo devido em toda cadeia produtivo ou de distribuição subsequente, ou seja,
estes impostos já são recolhidos pelo fornecedor anterior. O PIS e a Cofins incidem
sobre a gasolina (exceto de aviação), óleo diesel, GLP e álcool para fins carburantes
são calculados aplicando-se alíquotas diferenciadas sobre a receita bruta auferida
com as vendas destes produtos pelos produtores, importadores, refinarias de
petróleo e distribuidores de álcool para fins carburantes.
As contribuições para os Programas Social e de Formação do Patrimônio do
Servidor Público (PIS/Pasep) e para o Financiamento da Seguridade Social
86
(Cofins)devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo são
calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas; 10,2% (dez inteiros
e dois décimos por cento) e 47,4% (quarenta e sete inteiros e quatro décimos por
cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de
petróleo (GLP) dos derivados de petróleo e gás natural.
As “Despesas Financeiras” englobam as despesas bancárias com serviços
mensais de manutenção de conta, emissão de boletos, porcentagem paga à
administradora das máquinas de cartões de crédito sobre as vendas efetuadas etc.
Destacam-se também neste item das despesas financeiras os Investimentos da
prestação do Imóvel e prestação dos veículos adquiridos.
5.2
Projeção dos dados obtidos
Na projeção dos dados obtidos com a pesquisa, levou-se em consideração as
perspectivas de aumento no faturamento, bem como o índice de inflação esperados
para o período de projeção do fluxo de caixa.
De acordo com os relatórios Focus emitidos pelo Banco Central do Brasil,que
aborda semanalmente as perspectivas de acréscimo ou decréscimos do mercado
financeiro, o IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo) é considerado o índice
oficial de inflação do país. O governo usa o IPCA como referência para verificar se a
meta estabelecida para a inflação está sendo cumprida. O índice utilizado neste
trabalho está baseado no relatório da semana do dia 03 de outubro de 2014,
abordando neste relatório que a meta do índice do IPCA está indicando 6,32% para
2014, portanto o limite estabelecido pelo governo foi de 6,29% para esse período.
Para atualização dos dados coletados nesta pesquisa foi utilizada a taxa de inflação
de 6,32%, baseando-se no relatório Focus do Banco Central do Brasil.
Considerando-se uma estimativa de crescimento nas vendas equivalente a
10%, de acordo com as expectativas dos proprietários, mais o índice de inflação de
6,32%, representa um acréscimo 16,95% nos ingressos para o primeiro semestre
de 2015.
87
Com base nas informações apresentadas acima, projetou-se na tabela 5 os
eventos de entradas e saídas de caixa correspondentes ao período de Dezembro de
2014 a junho de 2015.
Tabela 5 – Projeção dos eventos que provocarão ingressos e desembolsos de
caixa.
Fonte: Tabela 4 (Relatório dos eventos que provocaram ingressos e desembolsos de caixa (em R$)
88
5.3
Mapas auxiliares
Os mapas auxiliares são fundamentais para a elaboração do fluxo de caixa,
sendo compostos por valores de entradas e saídas de recursos financeiros que
afetam o fluxo de caixa projetado nos respectivos períodos, de acordo com as datas
previstas para recebimento ou pagamento.
4.3.1 Mapa auxiliar de ingressos de caixa
Os ingressos de caixa da empresa estudada são resultantes das vendas dos
produtos. Os recebimentos dessas vendas ocorrem de formas diferentes, são elas:
vendas à vista, recebidas em dinheiro, que representa em média 88% do total das
vendas, e vendas a prazo, que são recebidas através de cartão de débito e crédito e
cheque pré-datado, sendo que o montante de vendas a prazo representa, em
média,12% do total das vendas.
A tabela 6 apresenta os períodos em que os recursos financeiros das vendas
à vista e a prazo entrarão no caixa.
Tabela 6 – Mapa auxiliar de recebimento das vendas a prazo
Fonte: Tabela 5 (Projeção dos eventos que provocarão ingressos e desembolsos de caixa)
89
Através do mapa auxiliar de entrada de caixa, tabela 6, é possível perceber
que os valores mensais de entradas provenientes de vendas à vista ocorrerão de
forma uniforme ao longo do primeiro semestre de 2015, com valor inicial em janeiro
na ordem de R$ 162.962,03 e R$ 176.416,58 em junho, sendo este último um pouco
superior em relação aos demais meses. Já em relação aos ingressos das venda a
prazo, o valor mais representativo está previsto para o mês de janeiro, R$ 29.815,48,
enquanto nos demais meses estes ingressos também ocorrerão de forma uniforme,
para fevereiro está previsto o valor de R$ 22.222,10 e para junho R$ 22.181,00.
5.3.2 Mapas auxiliares de desembolsos de caixa
Conforme demonstra a tabela 7, as compras realizadas pela empresa Claudia
Scheifele são 100% pagas à vista. Embora este mapa tenha como principal
finalidade identificar em que períodos os desembolsos provenientes das compras a
prazo afetarão o caixa, neste trabalho utilizou-se também para registrar as compras
à vista. Além disso, o mapa ficará disponível para a empresa utilizar quando realizar
compras a prazo.Destaca-se que o maior desembolso ocorrerá em maio de 2015.
Tabela 7 – Mapa auxiliar de pagamento das compras a prazo
Fonte: Tabela 5 (Projeção dos eventos que provocarão ingressos e desembolsos de caixa)
90
5.4
Fluxo de caixa projetado
Apresenta-se a seguir o fluxo de caixa projetado, elaborado para o primeiro
semestre de 2015, para a empresa Claudia Scheifele.
O modelo de fluxo de caixa projetado, foi baseado no modelo proposto pelo
autor Zdanowicz (1988), e adaptado para a empresa.
Através do fluxo de caixa projetado será possível analisar as contas da
empresa com mais exatidão, contribuindo na previsão e planejamento financeiro
mais eficaz.
A seguir descreve-se a forma como foi organizado o fluxo de caixa,
destacando-se as três áreas em que foi divido:
Atividades operacionais - São as principais atividades geradoras de receita
da empresa. Envolvem todas as operações relacionadas com a produção de bens e
serviços e os eventos que não sejam definidos como atividades de investimentos e
financiamentos. O montante de fluxos de caixa decorrente das atividades
operacionais é um indicador de como a operação da empresa tem gerado suficientes
fluxos de caixa para amortizar empréstimos, manter a capacidade operacional da
empresa, pagar lucros e juros sobre o capital próprio e fazer novos investimentos
sem recorrer a fontes externas de financiamento.
Atividade de Investimentos – É a aquisição ou venda de ativos de longo
prazo e outros investimentos não incluídos em equivalentes de caixa.
Atividades de Financiamento – São as atividades que resultam das
alterações no tamanho e na composição do patrimônio líquido e dos empréstimos da
empresa. É útil para prever as exigências sobre fluxos de caixa pelos fornecedores
de capital à empresa, bem como a capacidade que a empresa tem, utilizando
recursos externos, para financiar as atividades operacionais e de financiamento.
Para o melhor entendimento do fluxo de caixa, foi criado um manual, o qual
foi desenvolvido pelo professor orientador e empregado neste trabalho pela
acadêmica, a seguir descrito.
91
(1) Registrar todos os recebimentos e pagamentos mensais previstos relacionados
às atividades operacionais.
(2) Este resultado pode ser negativo ou positivo. É o confronto das entradas e
saídas da ATIVIDADE OPERACIONAL.
(3) Registrar todas as entradas e saídas mensais de numerários previstas
relacionadas a transações de itens do ativo permanente.
(4) Este resultado pode ser negativo ou positivo. É o confronto das entradas e
saídas da ATIVIDADE DE INVESTIMENTO.
(5) Registrar todas as entradas e saídas de recursos financeiros relacionadas ao
financiamento das operações (empréstimos bancários, integralização de capital etc.).
(6) Este resultado pode ser negativo ou positivo. É o confronto das entradas e
saídas da ATIVIDADE DE FINANCIAMENTO.
(7) Este saldo é a soma algébrica dos resultados (2); (4) e (6), podendo ser negativo
ou positivo.
Observação: após encontrar os resultados do item (7), seguir as regras (sinais
algébricos) do modelo.
(8) O saldo inicial de cada período é sempre igual ao final do período anterior.
(9) Aqui, deve ser registrada a entrada do dinheiro pelo resgate da aplicação (o valor
principal).
(10) Registrar a entrada do dinheiro pelos rendimentos (juros) das aplicações
realizadas.
(11) Registrar a saída do dinheiro pelo pagamento do empréstimo contraído (só o
principal).
(12) Nesta linha, registrar a saída do dinheiro pelo pagamento dos juros sobre os
empréstimos contraídos.
(13) Nesta linha, registrar o valor do empréstimo (principal) necessário para que se
tenha o saldo final de caixa conforme projetado. Ao apurar o valor do empréstimo,
lançar o principal e juros nos itens (11) e (12), respectivamente, conforme o mês
previsto para pagamento.
92
(14) Nesta linha, registrar as aplicações (principal) a serem efetuadas quando sobrar
recursos de acordo com o saldo final de caixa projetado. Ao apurar o valor da
aplicação, lançar o principal e juros nos itens (9) e (10), respectivamente, conforme o
mês previsto para resgate.
(15) Este saldo é projetado conforme política da empresa (não esquecer que o saldo
inicial de cada período é sempre igual ao saldo final do período anterior).
Observação: os saldos (8) e (15), podem, e devem ser definidos (de acordo com as
informações) antes de qualquer procedimento relativo ao fluxo de caixa projetado.
Após os dados coletados e organizados foi elaborado o fluxo de caixa
projetado para os meses de janeiro a junho de 2015 para a empresa Claudia
Scheifele, conforme tabela 8.
Tabela 8 – Fluxo de caixa projetado para o primeiro semestre de 2015
93
Fonte: Tabelas 5, 6 e 7 (Projeção dos eventos que provocarão ingressos e desembolsos de caixa,
Mapa auxiliar de recebimento das vendas a prazo, Mapa auxiliar de recebimento das compras a
prazo).
(*) Disponibilidade acumulada II (–) Saldo Final de Caixa = Excedentes ou Escassez de Recursos
Financeiros do Período, que será igual ao valor da aplicação a ser realizada (excedentes) ou do
empréstimo (escassez de recursos) a ser contraído, de acordo com o nível de caixa desejado.
Com o fluxo de caixa projetado identificou-se que haverá excedentes de caixa
(considerando-se as entradas e saídas provenientes das atividades operacionais, de
investimentos de financiamentos) em todos os meses, destacando-se o mês de
março de 2015 com o maior valor, R$ 41.289,14.
A taxa de juros aplicada para obter os rendimentos das aplicações financeiras
dos excedentes de caixa foi de 0,65% ao mês, com base nos dados obtidosno site
do banco Central do Brasil.
Verificando-se as entradas de caixa previstas para janeiro a junho de 2015,
percebe-se que o mês em que ocorrerá o maior volume de entrada será junho, R$
198.597,58, enquanto o menor está previsto para abril, R$ 183.978,84.
Os desembolsos de caixa componentes das atividades de investimentos, são
provenientes da aquisição de um imóvel, com parcelas mensais fixas de R$
5.056,00, e dos veículos adquiridos pela a proprietária, com parcelas fixas mensais
de R$ 2.727,00. As atividades de financiamentos estão representadas pelo
desembolso mensal de R$ 9.600,00, correspondente às retiradas de lucro, conforme
determinação da gestora.
O Saldo Inicial de Caixa de cada mês, foi fixado pela proprietária da empresa
em R$ 20.000,00. Este valor representa a quantia mínima necessária que a
organização deverá ter em caixa no início de cada mês para cumprir com suas
obrigações iniciais dos respectivos meses.
A seguir apresentam-se alguns gráficos que têm como finalidade ilustrar os
aspectos mais relevantes do fluxo de caixa projetado para o primeiro semestre de
2015.
O gráfico 1 apresenta uma comparação entre as entradas das atividades
operacionais à vista e as entradas operacionais a prazo.
94
1° Gráfico – Comparativo das vendas à vista e a prazo
Fonte: Tabela 8 (Fluxo de caixa projetado para o primeiro semestre de 2015)
Através do gráfico 1 é possível identificar o comportamento das entradas
provenientes das à vista em relação às vendas a prazo ao longo do período de
projeção do fluxo de caixa. As entradas de vendas à vista serãosignificativamente
superiores às venda a prazo durante todo o semestre, com destaque para o mês de
junho, onde a diferença entre as respectivas modalidades de entradas será de R$
154.235,58.
No gráfico 2apresenta-se um comparativo entre o total de entradas e o total
das saídas operacionais de caixa.
95
Gráfico 2 – Comparativo entre o total de entradas e o total de saídas operacionais (em R$)
Fonte: Tabela 8 (Fluxo de caixa projetado para o primeiro semestre de 2015)
O gráfico 2 evidencia que durante todos os meses componentes do fluxo de
caixa projetado as entradas operacionais de caixa serão bastante superiores às
saídas, demonstrando que a empresa sempre conseguirá supri as necessidades
mensais de caixa, havendo excedentes em todos os meses.
O mês em que está previsto o maior excedente é março, com um monte de
R$ 58.672,14.
Através do gráfico 3 é possível visualizar as proporções das saídas
operacionais individuais de caixa em relação ao total de desembolsos.
96
Gráfico 3 – Proporção das saídas de caixa em relação ao total de desembolsos (em %)
Fonte: Tabela 8 (Fluxo de caixa projetado para o primeiro semestre de 2015)
Percebe-se neste gráfico (3) que o pagamento a fornecedores terá a maior
participação nos desembolsos (83,32%) comparando aos demais itens de saída de
caixa, demonstrando que a maior parte dos desembolsos é com fornecedores.
As despesas financeiras têm a menor participação nos desembolsos,
0,23%.caixa.
No gráfico 4 é feita uma comparação entre o total das entradas em relação
aos desembolsos totais proveniente das atividades operacionais, atividades de
financiamentos e atividades de investimentos.
97
Gráfico 4 – Comparação entre o total das receitas em relação ao total de desembolsos
Fonte: Tabela 8 (Fluxo de caixa projetado para o primeiro semestre de 2015)
O gráfico 4 aponta que a maior parte da receita será destinada às despesas
operacionais, totalizando 75,24% do total dos desembolso. Seguindo por ordem
descrente em relação aos percentuais, segue em segundo os desembolsos com
financiamentos, 5,08% e, por último,com um porcentual de 4,12% os desembolsos
com as atividades de financiamentos.
No gráfico 5 é demonstrado o caixa líquido consumido/gerado pelas
atividades operacionais no primeiro semestre de 2015.
Gráfico 5 – Caixa líquido gerado pelas atividades operacionais
Fonte: Tabela 8 (Fluxo de caixa projetado para o primeiro semestre de 2015)
98
O caixa líquido consumido/gerado pelas atividades operacionais é a diferença
entre o total de entradas e todas as saídas do período em que o fluxo foi projetado.
Neste gráfico (5) é possível identificar que os meses em que ocorrerão os
maiores volumes de caixa líquido gerado serão março, R$58.672,14, representando
20,90%, e junho, R$ 53.422,07, representando um percentual de 19,03%.
No gráfico 6 é apresenta-se a variação do Aumento/Diminuição Líquido nas
disponibilidades dos meses de janeiro a junho de 2015 (em R$).
Gráfico 6 – Aumento/Diminuição líquido nas disponibilidades (em R$)
Fonte: Tabela 8 (Fluxo de caixa projetado para o primeiro semestre de 2015)
Este gráfico (6) representa o resultado algébrico das entradas e saídas de
caixa envolvendo todas as atividades (operacionais, investimentos e financiamento),
percebe-se que no mês de maio ocorrerá o menor valor de caixa líquido gerado
pelas três atividades, R$ 8.252,65 de disponibilidade. Já o maior valor está previsto
para o mês de março, R$ 41.289,14.
99
O gráfico em evidência demonstra que haverá oscilação nos montantes de
caixa líquido gerado ao longo do primeiro semestre de 2015. Portanto, é
imprescindível que a gestora analise o período de forma sistêmica, utilizando os
excedentes dos meses com melhor desempenho para compensar os meses com a
menor disponibilidade.
Assim, o mês de março deverá ser analisado com cautela, reservando-se
uma quantia para compensar os desembolso de maio. Caso ocorra imprevisto neste
período, a organização já estará preparada antecipadamente para isto.
No gráfico 7 são demonstradas as aplicações financeiras de excedentes para
o primeiro semestre de 2015
7° Gráfico – Aplicações financeiras dos excedentes
Fonte: Tabela 8 – Fluxo de caixa projetado para o primeiro semestre de 2015
No gráfico 7 estão demonstradas, de forma cumulativa ao longo do primeiro
semestre de 2015, as aplicações financeiras dos excedentes de caixa. Através da
análise deste gráfico é possível perceber que os valores aumentam gradativamente
a cada mês.
Pode-se identificar que no mês de janeiro o valor da aplicação será de R$
26.039,40 e em junho R$ 179.398,60, representando um crescimento de 588,95%.
100
Com a projeção do fluxo de caixa, a empresa estudada, terá acesso a uma
ferramenta importantíssima, que permitirá visualizar com
antecedência
os
fenômenos que poderão ocorrer no caixa. Assim, a gestora da organização terá a
possibilidade de desenvolver medidas no sentido de que não haja falta de recursos,
evitando o não cumprimento das obrigações, bem como planejar investimentos
quando existir excedentes de caixa.
101
6
SUGESTÕES PARA A EMPRESA
Através do desenvolvimento deste estudo e com a convivência com os
gestores da empresa Claudia Scheifele ME, a acadêmica identificou fatores
relacionados à gestão financeira que podem ser aperfeiçoados, no sentido de
melhorar o grau de eficiência nos processos da organização, permitindo que
a
mesma atinja os objetivos e metas almejados. Esta ferramenta ao ser utilizada será
um diferencial competitivo em relação aos seus concorrentes.
A seguir lista-se algumas sugestões à gestora para estar implementando em
sua organização:
• Separar as contas pessoais da proprietária e de sua respectiva família das
contas da empresa. A desvinculação destas contas permitirá melhor gestão
financeira, propiciando maior controle dos recursos da organização,
possibilitando verificar mensalmente se a empresa está conseguindo ter
lucro ou prejuízo, ou seja, com este controle, será possível analisar o real
resultado obtido pela organização.
• Utilizar o fluxo de caixa projetado mensalmente, para se ter melhor
visualização dos ingressos e desembolsos, assim a empresa poderá
planejar e controlar as entradas e saídas de caixa, tendo-se controle sobre
sua real situação.
• Fixar a retirada de lucro pela proprietária no valor de R$ 10.000,00 mensais,
bloqueando retiradas adicionais. Fazendo-se assim, evitará tantas saídas
sem controle e planejamento.
• Estabelecer um salário fixo para os dois administradores da empresa.
Atualmente isto não acontece, ocorrendo retiradas esporadicamente do
caixa da organização, tornando um ponto negativo para a empresa, por não
haver um controle rígido das retiradas.
• Iniciar um rígido controle das saídas de caixa, tanto por parte da proprietária
quanto da organização, para se ter melhor equilíbrio do capital de giro e
também do controle do fluxo de caixa da empresa.
102
• Estipular um dia na semana para os entregadores e demais funcionários
retirarem parte de seus salários. Atualmente todos os dias ocorrem saídas
de “vale”, onde ocasiona descontrole financeiro. Fazendo-se uma vez por
semana, a gestora poderá saber com mais precisão a real situação
financeira da organização.
• Oferecer a todos os funcionários que fazem parte do quadro administrativo
da organização, cursos de capacitação à tecnologia da informação, entre
outros meios de aprendizagem tecnológica, para estarem se socializando
com esta ferramenta valiosíssima no âmbito empresarial.
• Treinar todos os membros da administração da empresa para aprenderem a
utilizar a tecnologia implantada na organização. Esta tecnologia implantada
veio para contribuir no processo de emissão de notas fiscais exigidas pela
Receita Federal do Brasil.
• Utilizar a tecnologia da informação para os processos da organização,
deixando-se de lado os “meios” de anotações manuais, como caderno,
caderneta, agendas, post it., para maior produtividade das pessoas
envolvidas, utilizando-se software e programas tecnológicos para uma
melhor gestão.
• Adquirir um programa especifico para o controle integrado do estoque e o
controle financeiro. Este programa servirá para a gestora compreender o
momento correto de renovação do estoque da organização, uma vez que
atualmente ocorre a renovação dos estoques sem se analisar a real situação
financeira.
• Intensificar o investimento em propaganda, pois a empresa adquiriu mais um
caminhão de carga para aumentar o faturamento, assim será preciso que a
organização invista em propaganda, para atingir um número maior de
clientes e tornar-se referência na distribuição de gás e água na cidade de
Itajaí.
• Sugere-se à proprietária e aos administradores iniciarem curso sobre gestão
financeira junto ao
Sebrae, o qual oferece esse e demais cursos,
propiciando a cada um melhor entendimento e compreensão da gestão
financeira da organização.
103
• Analisar com cautela, agências administradoras que trabalham com ações
no mercado financeiro, para contratá-las e posteriormente investir as sobras
de caixa mensais da organização. Sabe-se que no mercado financeiro há
muito risco, porém, quanto maior o risco, maior será o retorno.
• Estabelecer metas para os entregadores, recompensando-os conforme os
resultados obtidos.
• Utilizar-se de planilhas que auxiliem no controle diário dos gastos da
organização.
• Executar um estudo de análise dos custos e despesas, para verificar todos
os gastos envolvidos na gestão da organização. Permitindo assim, a
identificação dos possíveis desperdícios, e das margens de contribuição das
mercadorias vendidas. Diagnosticar também se os preços praticados são
compatíveis com os gastos envolvidos e o lucro desejado pela gestora.
104
7
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A administração de qualquer empresa deve contemplar os princípios das
funções básicas da administração, como planejar, organizar, dirigir e controlar todas
as áreas pertencentes à organização. Pode-se afirmar que a área da administração
de recursos financeiros é uma das áreas mais importante de uma organização, pois
para se realizar as outras é necessário ter uma administração financeira bem
organizada.
O fluxo de caixa projetado elaborado neste trabalho servirá como uma
ferramenta-chave para o alcance de uma administração financeira eficaz. Esta
ferramenta pode-se considerar como um instrumento de fácil manuseio. Permitindo à
organização prever os ingressos e desembolso de caixa de um determinado período.
Assim, tornando-se para o gestor como base na tomada de decisão, procurando
sempre a melhor qualidade na gestão financeira, buscando boas opções de
investimento ou fontes de financiamento, visto que o mesmo terá fácil acesso às
informações.
A empresa Claudia Scheifele, está no mercado desde 2007, é uma
microempresa familiar, atuante no setor de distribuição de água e gás. Por indicação
da filha da gestora da empresa, a acadêmica teve autorização para o trabalho na
organização. Sabendo da necessidade de organização dos documentos, ausência
da separação das despesas da empresa com as da gestora, a acadêmica aceitou o
desafio de contribuir para a gestão financeira da organização, pois percebeu que a
empresa possuía pouca profissionalização na administração das finanças e
possuindo perspectivas de crescimento.
Através do presente estudo foi possível identificar que a situação financeira
da empresa estudada será saudável no primeiro semestre de 2015, uma vez que a
expectativa é que haja excedentes de caixa em todos os meses componentes do
fluxo de caixa projetado, permitindo que os gestores projetem com antecedência as
melhores alternativas de investimento dos excedentes. O estudo apontou que são
esperadas, de janeiro a junho, respectivamente, sobras de caixa nos montantes de
R$ 26.039,40; R$ 31.093,40; R$ 41.288,14; R$ 33.707,59 R$ 8.252,65 e R$
36.039,07.
105
O fluxo de caixa projetado trará inúmeros benefícios para a Claudia Scheifele,
tais como maior controle das entradas e saídas de caixa, melhor planejamento dos
recursos financeiros, identificação de oportunidades de investimento e conhecimento
antecipado da necessidade de realização de empréstimos bancários.
Perante os resultados obtidos neste trabalho, pode-se dizer que contribuirão
para a empresa Claudia Scheifele planejar suas ações para o primeiro semestre de
2015, buscando sempre a melhoria contínua na gestão financeira da organização.
O trabalho realizado foi importantíssimo para a acadêmica, que pôde
vivenciar na prática os conteúdos abordados nas disciplinas de: gestão financeira,
matemática financeira, gestão de custo e mercado de capitais oferecidos no curso
de Administração. Assim foi possível ampliar seus conhecimentos na área financeira,
bem como colocar em prática na própria vida pessoal. Foi importante para a
universidade, uma vez que estabeleceu mais uma parceria com uma empresa da
região e terá acesso a um trabalho com novas ideias de gestão empresarial.
106
8 REFERÊNCIAS
ÁLVARES, Elismar. Governando a empresa familiar. Belo Horizonte: Fundação
Dom Cabral; Rio de Janeiro: Qualitymark, 2003.
ANDRADE, Rui Otávio Bernardes de. Teoria geral da administração: das origens
às perspectivas contemporâneas. São Paulo: M. Books, 2007.
ANDREOLLA, Nadir. Manual do fluxo de caixa: um sistema integrado. Porto
Alegre: Feplam,1992.
ASSAF NETO, Alexandre; SILVA, César Augusto Tibúrcio. Administração do
capital de giro. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1997.
_____. Administração do capital de giro. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
ASSAF NETO, Alexandre. Administração do capital de giro. 3. ed. São Paulo:
Atlas, 2002.
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ASSINATURA DOS RESPONSÁVEIS
Estagiária
Diana Cristina da Silva
Orientador de conteúdo
Prof. Anacleto Laurino Pinto
Supervisor de campo
João Batista da Silva
Responsável pelo Estágio
Prof. Eduardo Krieger da Silva
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elaboração de um fluxo de caixa projetado para a empresa