UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ DIANA CRISTINA DA SILVA ELABORAÇÃO DE UM FLUXO DE CAIXA PROJETADO PARA A EMPRESA CLAUDIA SCHEIFELE ME ITAJAÍ 2014 DIANA CRISTINA DA SILVA ELABORAÇÃO DE UM FLUXO DE CAIXA PROJETADO PARA A EMPRESA CLAUDIA SCHEIFELE ME Trabalho de Conclusão de Estágio desenvolvido para o Estágio Supervisionado do Curso de Administração do Centro de Ciências Sociais Aplicadas – Gestão da Universidade do Vale do Itajaí. Orientador: Prof. Anacleto Laurino Pinto ITAJAÍ 2014 Agradecimentos, Sou grata primeiramente a Deus, por ter me abençoado e me ungindo de força para completar mais esta etapa em minha vida. Aos meus pais, pelo incentivo e apoio que sem eles nada seria possível. Em especial à minha mãe, por ser exemplo de honestidade e trabalho árduo. Que com sua força enfrentou todas as tempestades que a vida lhe impôs. À minha filha, pois é um presente lindo que recebi de Deus e por ela ser a razão da minha vida.À minha irmã gêmea, que me ensinou a ser persistente e nunca desistir. Aos demais irmãos, por fazerem parte da minha vida e por contribuírem para o meu crescimento profissional. Ao pessoal meu e professor orientador Anacleto, pela dedicação, apoio, compreensão e paciência. “O sucesso é construído à noite! Durante o dia você faz o que todos fazem. Mas, para obter um resultado diferente da maioria, você tem que ser especial. Se fizer igual a todo mundo, obterá os mesmos resultados.” (Roberto Shinyashiki). EQUIPE TÉCNICA a) Nome do estagiário Diana Cristina da Silva b) Área de estágio Administração Financeira c) Orientador de conteúdo Prof. Anacleto Laurino Pinto, MSc. d) Supervisor de campo João Batista da Silva e) Responsável pelo estágio Prof. Eduardo Krieger da Silva, MSc. DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO a) Razão Social Claudia Scheifele ME b) Endereço Rua Adolfo Batschauer, 916, bairro Dom Bosco, Itajaí, SC. c) Setor de Desenvolvimento do Estágio Financeiro d) Duração do estágio 240 horas e) Nome e cargo do supervisor de campo João Batista da Silva - Administrador f) Carimbo e visto da organização 8 RESUMO O fluxo de caixa é uma fermenta de grande importância para as empresas micro, pequenas e de grande porte, auxiliando numa melhor organização financeira, projetando valores que deverão entrar e sair do caixa em determinado período de tempo da organização. Esta projeção permite ao gestor um melhor planejamento financeiro visualizando com certa antecedência se haverá falta ou excedente de caixa. O presente estudo teve como objetivo elaborar um fluxo de caixa projetado para a empresa Claudia Scheifele, uma empresa que atua na distribuição de gás e água na região de Itajaí. Os dados que deram suporte ao desenvolvimento do trabalho referem-se aos meses de dezembro de 2013 a junho 2014, os quais formaram a base para projetar o fluxo de caixa para o período de janeiro a junho de 2015. Esta coleta de dados ocorreu por meio de observações e pesquisas documentais, utilizando-se dados primários e secundários, com posterior análise descritiva e qualitativa com aporte na análise quantitativa. O estudo foi inédito para a empresa, visto que nunca havia sido proposto um fluxo de caixa para a organização. A elaboração desta ferramenta assim como sua futura implantação, trará inúmeros benefícios à empresa, auxiliando a gestora melhor administrar os recursos financeiros, permitindo que a empresa estabeleça ações para projetar adequadamente os recursos financeiros para o primeiro semestre de 2015 e períodos posteriores. Os resultados deste estudo apontaram que a empresa terá uma posição financeira favorável no primeiro semestre de 2015, pois em todos os meses componentes do fluxo de caixa haverá excedentes de caixa, que poderão ser aplicados no mercado financeiro, expansão dos negócios, entre outras alternativas de investimentos. Palavras-chave: Planejamento financeiro. Ingressos e desembolsos de caixa. Fluxo de caixa projetado. 9 LISTA DE ILUSTRAÇÕES FIGURA 1 – Estrutura da função financeira........................................................ 27 FIGURA 2 – Principais ingressos e desembolsos do fluxo de caixa.................. 50 FIGURA 3 – Principais capitais que fluem na empresa...................................... 63 FIGURA 4 – Organograma de cargos e funções................................................ 75 10 LISTA DE QUADROS QUADRO 1 – Funções financeiras e seus objetivos.......................................... 28 QUADRO 2 – Prazo de cobertura e período de informação.............................. 44 QUADRO 3 – Fatores que afetam o fluxo de caixa............................................ 48 11 LISTA DE TABELAS TABELA 1 – Modelo de fluxo de caixa................................................................ 53 TABELA 2 –Modelo de mapa auxiliar de pagamento das compras a prazo...... 54 TABELA 3 – Modelo de mapa auxiliar de recebimentos das vendas a prazo.... 55 TABELA 4 – Relatório Dos eventos que provocam ingressos e desembolsos de caixa (em R$) ........................................................................... 78 TABELA 5 – Projeção dos eventos que provocam ingressos e desembolsos de caixa.......................................................................................... 82 TABELA 6 – Mapa auxiliar de recebimento das vendas a prazo........................ 83 TABELA 7 – Mapa auxiliar de recebimento das compras a prazo...................... 84 TABELA 8 – Fluxo de caixa projetado para o primeiro semestre de 2015......... 87 12 LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 1 – Comparativo das vendas à vista e a vendas a prazo.................. 89 GRÁFICO 2 – Comparativo entre o total de entradas e o total de saídas operacionais (em R$).................................................................. 90 GRÁFICO 3 – Proporção das saídas de caixa em relação ao total de desembolso (em %)..................................................................... 91 GRÁFICO 4 – Comparar o total das receitas em relação ao desembolso........ 92 GRÁFICO 5 – Caixa líquido gerado pelas atividades operacionais.................... 92 GRÁFICO 6 – Aumento/Diminuição líquido nas disponibilidades (em R$)......... 93 GRÁFICO 7 – Aplicações financeiras dos excedentes....................................... 94 13 LISTA DE SIGLAS COFINS – Contribuição para Financiamento da Seguridade Social IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo NLCG – Necessidade Líquida de Capital de Giro PASEP - Programas Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS - Programa de Integração Social 14 Sumário 1 INTRODUÇÃO............................................................................................... 17 1.1 OBJETIVO GERAL ............................................................................................. 19 1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS .................................................................................. 19 1.3 JUSTIFICATIVA DA REALIZAÇÃO DO ESTUDO ........................................................ 20 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA..................................................................... 22 2.1 EMPRESA FAMILIAR .......................................................................................... 22 2.2 ADMINISTRAÇÃO .............................................................................................. 24 2.2.1 Funções da administração ............................................................................................... 25 2.2.2 Áreas da administração..................................................................................................... 26 2.3 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA ............................................................................. 27 2.3.1 Funções da administração financeira ........................................................................... 29 2.3.2 Funções do administrador financeiro ............................................................................ 32 2.3.3 Administração de caixa ..................................................................................................... 35 2.4 ORÇAMENTO DE CAIXA...................................................................................... 37 2.5 FLUXO DE CAIXA............................................................................................... 38 2.5.1 Objetivo do fluxo de caixa ................................................................................................ 40 2.5.2 A importância do planejamento do fluxo de caixa .................................................... 42 2.5.3 Causas da falta de recursos na empresa .................................................................... 43 2.5.4 Alterações nos saldos de caixa ...................................................................................... 45 2.5.5 Transações que não afetam o caixa ............................................................................. 45 2.5.6 Prazos do planejamento de fluxo de caixa ................................................................. 46 2.5.7 Implantação do fluxo de caixa e seus requisitos ....................................................... 48 2.5.8 Análise e controle do fluxo de caixa .............................................................................. 50 2.5.9 Fatores que afetam o fluxo de caixa ............................................................................. 51 2.5.10 Ingressos e desembolsos ................................................................................................. 52 2.5.11 Requisitos para uma boa administração de caixa .................................................... 54 2.5.12 Modelos de fluxo de caixa ................................................................................................ 54 2.6M APAS AUXILIARES DO FLUXO DE CAIXA .................................................................. 57 2.6.1 Descrição dos itens do fluxo de caixa .......................................................................... 58 15 2.7 CONTAS A RECEBER ......................................................................................... 61 2.8 CONTAS A PAGAR ............................................................................................. 63 2.9 CAPITAL DE GIRO ............................................................................................. 64 2.9.1 Análise da necessidade do capital de giro .................................................................. 65 2.9.2 Tipos de capital de giro ..................................................................................................... 66 3 ASPECTOS METODOLÓGICOS .................................................................. 68 3.1 Delineamento da pesquisa.............................................................. 3.2Contexto e participantes da pesquisa......................................... 3.3 Técnica de coleta de dados......................................................... 3.4 Técnicas de análise de dados................................................... 4 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA ............................................................ 72 4.1 HISTÓRICO DA EMPRESA ................................................................................... 72 4.2 DADOS DE IDENTIFICAÇÃO................................................................................. 73 4.3 MISSÃO ........................................................................................................... 74 4.4 VISÃO .............................................................................................................. 74 4.5 VALORES ......................................................................................................... 75 4.6 RAMO DE ATIVIDADE ......................................................................................... 75 4.7 PRODUTOS ...................................................................................................... 75 4.8 MERCADO ........................................................................................................ 76 4.9 CLIENTES ........................................................................................................ 78 4.10 FORNECEDORES............................................................................................... 79 4.11 FORMA DE PAGAMENTO .................................................................................... 79 4.12 POLÍTICA DE PAGAMENTO DA EMPRESA .............................................................. 80 4.13 MODELO DE GESTÃO ATUAL .............................................................................. 80 4.14 ORGANOGRAMA ............................................................................................... 81 5 RESULTADOS DA PESQUISA..................................................................... 82 5.1 RESULTADOS OBTIDOS ..................................................................................... 82 5.2 PROJEÇÃO DOS RECURSOS OBTIDOS ................................................................. 86 5.2.1 Mapas auxiliares .................................................................................................................. 88 5.3 FLUXO DE CAIXA PROJETADO ............................................................................ 90 16 6 SUGESTÕES PARA A EMPRESA ............................................................. 101 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................... 104 8 REFERÊNCIAS ............................................. ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO. 17 1 INTRODUÇÃO Com a globalização da economia, a realidade das pequenas e médias empresas tem passado por profundas mudanças nas últimas décadas. O que se percebe hoje é o fortalecimento dos pequenos empreendimentos e sua importância no contexto econômico. De acordo com o Sebrae (2006), as micro e pequenas empresas são cerca de 98% das empresas existentes no país e responsáveis por 43,8% dos empregos gerados. Além dos benefícios econômicos, que englobam a geração de emprego e renda, as micro e pequenas empresas têm papel preponderante na formação de uma cultura empreendedora e administrativa, não somente para os proprietários como para todo o quadro de colaboradores. Seja uma revenda de gás, padaria, comercialização de água mineral, borracharia, mercadinho ou restaurante, muitas vezes se valendo de mão-de-obra familiar, uma empresa micro ou pequena é um espaço privilegiado para a capacitação e qualificação profissional. De todas as bebidas consumidas no mundo, a água engarrafada é a que mais cresce. E o Brasil já é o quarto maior mercado consumidor, ficando atrás apenas de Estados Unidos, México e China (http://simineral.org.br/). O volume de água mineral explorado anualmente no planeta é da ordem de 90 bilhões de litros, com um faturamento de mais de US$ 22 bilhões. O maior reservatório subterrâneo de água do mundo está no subsolo de oito estados brasileiros e se estende até a Argentina, o Uruguai e o Paraguai. Chamado de aquífero Guarani é um gigantesco reservatório com 45.000 KM³ de água potável. Esse tesouro natural armazena cinco vezes mais água que o segundo maior reservatório do mundo, a Grande Bacia Artesiana da Austrália. O aquífero Guarani foi descoberto pela Petrobras durante a década de 50, quando a empresa fazia explorações em busca de petróleo. Entretanto, foi só em 1995 que geólogos do Brasil, da Argentina, do Paraguai e do Uruguai, chegaram a um acordo sobre suas verdadeiras dimensões. Recentemente, descobriu-se que o aquífero Álter do Chão, localizado no oeste do Pará, poderá ser duas vezes maior que o aquífero Guarani, com volume de 86,4 mil KM³. O uso do Gás LP em residências é o mais difundido no mundo todo. Esse incrível energético por suas características de disponibilidade, armazenamento, 18 transporte, limpeza, segurança, baixo custo, entre outros atributos, o fazem presente em qualquer lugar e ser conhecido como um energético “multiuso”. O consumo mundial de Gás LP em residências atinge pouco mais de 48% do consumo total. No Brasil esse percentual cresce para 80%. Isso pode ser explicado pelo intenso uso do Gás LP no preparo e cozimento de alimentos (cocção), o recipiente de 13 kg, mais conhecido como “botijão de gás” ou “P13”, responde por 94% desse consumo (http://www.ecoconsciente.com.br). Este mercado promissor abre oportunidades para novos empreendedores, assim, cresce as exigências do mercado, as mudanças e inovações que devem fazer parte dos empreendimentos já existentes. Entretanto, buscar inovações não é o suficiente. A empresa precisa ser organizada financeiramente para que possa adquirir vantagens competitivas. De acordo com o Sebrae (2008), um dos principais motivos que levam as empresas à falência é a falta de controle de custos, e demais controles financeiros. Por isso é importante que as organizações possuam um fluxo de caixa, uma ferramenta financeira que auxilia o administrador a controlar receitas e despesas e, consequentemente, tomar decisões mais precisas. O controle da administração financeira é essencial para o bom funcionamento de qualquer organização. Assim, o fluxo de caixa é importante para que as empresas planejem e organizem suas finanças, tornando-se mais preparadas para possíveis crises no futuro. Este planejamento de caixa reduz muito os riscos de falência. A Claudia Scheifele é uma microempresa que presta serviço de distribuição de gás a domicílio. Há 6 anos no mercado, é referência de entrega e atendimento. Levando aos consumidores finais em perfeitas condições de uso e com total garantia. Apesar deste histórico, a empresa Claudia Scheifele ME enfrentava problemas para administrar seus recursos financeiros, já que não possuía um controle adequado de suas finanças, especialmente no que diz respeito às entradas e saída de caixa. O fluxo de caixa foi proposto para a empresa, em função das necessidades de informações financeiras que a empresa não possuía. A partir destas informações, terá como conciliar suas entradas e saídas de caixa e também fazer investimentos futuros. O período proposto foi para o primeiro semestre de 2015, onde tomou-se 19 como base os elementos que provocaram entradas e saídas de caixa correspondentes aos meses de competência dezembro de 2013 a junho de 2014. 1.1 Objetivo geral O objetivo geral deste estudo foi elaborar um fluxo de caixa projetado para a empresa Claudia Scheifele ME. De acordo com Roesch (2012, p.96), “o objetivo geral define o propósito do trabalho”. O objetivo geral é, portanto, o escopo principal do trabalho, que irá nortear todo o desenvolvimento do estudo. 1.2 Objetivos específicos Os objetivos específicos determinam os caminhos a serem percorridos para se alcançar o objetivo geral. Para Roesch (2012, p.97), “os objetivos específicos operacionalizam – especificam o modo como se pretende atingir um objetivo geral”. Assim, para os propósitos desse estudo foram definidos os seguintes objetivos específicos: • analisar a atual rotina administrativa de caixa da empresa; • organizar documentos para controle das entradas e saídas de caixa; • identificar os elementos que provocam ingressos e desembolsos de caixa; • tabular, mês a mês , pelo regime de competência, os dados coletados referentes aos elementos que provocam entradas e saídas de caixa; • atualizar monetariamente os dados coletados; • verificar, junto ao proprietário, as perspectivas de faturamento e investimentos para o período de projeção do fluxo de caixa; • desenvolver mapas auxiliares referentes as compras e vendas a prazo; 20 • 1.3 projetar os dados para fazer o fluxo de caixa. Justificativa da realização do estudo A justificativa de um trabalho é a apresentação dos motivos que justificam a realização da pesquisa. Ela deve considerar os objetivos da organização, assim como os benefícios que o trabalho pode proporcionar com seus resultados (GIL, 1994). O planejamento do fluxo de caixa é um dos instrumentos mais utilizados por uma empresa. Segundo Zdanowicz (2000), é o instrumento mais precioso e útil para levantamento financeiro de curto e longo prazo. A empresa que mantém continuidade ao seu fluxo de caixa atualizado poderá dimensionar com mais facilidade o volume de ingressos e de desembolsos dos recursos financeiros, assim como fixar o seu nível desejado para o período seguinte. A empresa objeto de estudo possui um grande potencial de crescimento. A empresa passa por mudanças na estrutura e no leiaute para melhor atender seus clientes e fornecedores. Por se tratar de uma empresa familiar, o proprietário e demais membros da família utilizam recursos do caixa da empresa para liquidar despesas particulares. Diante desta situação, a empresa necessitava de ferramentas que auxiliem na organização de suas finanças. Todavia, a inexistência de um fluxo de caixa na organização resultava em decisões aleatoriamente. Com este estudo a empresa conheceu melhores formas de analisar com mais exatidão as entradas e saídas dos recursos financeiros, contribuindo assim para as decisões mais adequadas do empreendedor e assim ter vantagens competitivas diante do mercado. Em função da situação em que a empresa se encontrava, em termos de controle financeiro, foi oportuno para a acadêmica, sugerir uma projeção de fluxo de caixa, considerando que os controles existentes eram inadequados, atendendo assim, suas necessidades financeiras e perspectiva de crescimento. O estudo foi viável, pois a empresa deu total acesso aos dados e informações à acadêmica para realização deste estudo. Também foi viável em relação ao tempo 21 de elaboração, visto que a acadêmica teve o tempo necessário para cumprir as etapas do estudo. O trabalho é original, pois nunca havia sido desenvolvido um fluxo de caixa projetado na empresa objeto de estudo. Os custos em relação ao trabalho foram suportados pela acadêmica. Para a acadêmica o trabalho teve grande importância, pois teve a oportunidade de colocar em prática seus conhecimentos adquiridos na universidade. Foi relevante para a organização, tendo em vista que o gestor financeiro necessitava de ferramentas que possibilitassem o controle das finanças da mesma. O controle dos recursos financeiros permitirá o desenvolvimento econômico da empresa, tornando-se um diferencial no ramo de distribuição de gás. Para a universidade o trabalho agregou valor, produzindo conhecimento na área de administração financeira e aproximando a universidade das microempresas. Portanto, o fluxo de caixa torna-se uma ferramenta fundamental para a empresa, que facilitará seus processos, ao adotar um instrumento importante para que o administrador tome as decisões cabíveis para todo e qualquer momento. Do ponto de vista prático, presente trabalho atingiu seus objetivos, foi relevante no sentido de ampliação dos conhecimentos na área de administração e serve também de referência para outros acadêmicos. 22 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Este capítulo tem por objetivo apresentar a contextualização do tema tratado de acordo com conceitos, ideias e teorias de vários autores, o que serviram como suporte ao desenvolvimento prático do tema proposto no presente estudo. Cruz e Ribeiro (2003) afirmam que a Fundamentação Teórica fornece embasamento ao trabalho realizado, resultado das pesquisas bibliográficas realizadas, podendo ser subdividido em seções para melhor expor as ideias pertinentes ao trabalho. 2.1 Empresa familiar As empresas familiares estão presentes no contexto econômico há séculos, em todos os setores da economia, e são cada vez mais numerosas. De acordo com os autores Moreira Junior e Bortoli Neto (2007), 95 % das pequenas empresas são familiares, com destaque para o agronegócio, serviço e comércio. As empresas familiares geralmente são pequenas, formadas por alguns membros empreendedores de uma ou mais famílias, mas podem crescer e se tornar grandes grupos empresarias. Entre os maiores grupos que se constituíram como empresa familiar pode-se citar a Ford, o Banco Santander e a Cargil. Sabe-se a importância destas empresas no mundo. O desenvolvimento econômico e social dos países se dá com ênfase na iniciativa privada. Sendo assim, devido à tamanha importância da empresa familiar e às características tão especificas que possui, as escolas de negócios têm colocado em seus currículos disciplinas relacionadas ao tema. Não só as famílias, mas também os gestores têm de ser preparados para essa realidade (ÁLVARES, 2003). A empresa familiar, como forma de negócio, é provavelmente uma das mais antigas dentro da evolução da humanidade. Entretanto, estudos específicos são recentes. Ultimamente, o tema está tornando-se muito discutido tanto na esfera acadêmica como no meio empresarial (MOREIRA, 2007). 23 Entre os pontos positivos de uma empresa familiar pode-se citar a lealdade dos funcionários, o sacrifício familiar para conseguir recursos e a credibilidade da imagem da família na comunidade. As desvantagens podem citar que a contratação de parentes sem competência para o cargo, interesses familiares e organizacionais divergentes e a ausência de disciplina quanto ao destino dos lucros (MOREIRA JUNIOR; BORTOLI NETO, 2007). As empresas familiares, em geral, tendem a ter uma visão de longo prazo a respeito de seus negócios. Não são empreendimentos passageiros, onde se arrisca em troca de ganhos de curto prazo, em detrimento de investimentos de longo prazo. Os líderes de empresas familiares podem ter uma visão diferente sobre seus empregados, seus clientes, a comunidade e outros importantes interessados no negócio. Ter o nome na fachada do prédio ou em produtos faz com que tais líderes sejam mais conscientes de seu papel na comunidade, levando-os a proteger suas reputações com mais vigor (ÁLVARES, 2003). Moreira Junior e Bortoli Neto (2007, p. 4) afirmam que “os problemas que dificultam a sobrevivência das empresas familiares são variados, mas normalmente estão relacionados a conflitos familiares, sucessão e profissionalização”. A profissionalização é fundamental para o desenvolvimento da empresa familiar. Podem-se manter os membros da família mais aptos para desenvolverem suas atividades na empresa, mais é importante contratar funcionários competentes também, para mesclar a força de trabalho. E esta medida mitiga os efeitos de pressão familiar (LODI, 1978). Pode-se perceber que a família influencia no desenvolvimento das atividades de uma empresa constituída por seus membros. A profissionalização dos funcionários, sendo da família ou não, é importante para qualquer tipo de organização, pois somente assim a organização poderá possivelmente crescer e se tornar cada vez mais competitiva no mercado. 24 2.2 Administração As organizações são grupos estruturados de pessoas que se juntam para alcançar objetivos comuns. Toda organização tem um propósito ou uma finalidade. Seja ela na criação de um produto, na prestação de serviço, no atendimento das necessidades sociais e espirituais da sociedade, entre muitos outros. Assim, uma organização é uma entidade que possui um propósito, é composta por pessoas ou membros, e tem uma estrutura organizacional. A administração movimenta toda a organização em direção ao seu propósito ou objetivo através de definição de atividades que os membros organizacionais devem desempenhar. Chiavenato (1994, p. 3) cita que: “em sua origem, a palavra administração se refere a uma função que se desenvolve sob o comando de outro, de um serviço que se presta a outro”. Daft (2005, p. 5) define administração como “o alcance de metas organizacionais de maneira eficaz e eficiente por meio de planejamento, organização, liderança e controle dos recursos organizacionais”. Administrar não significa somente conduzir uma empresa, mas sim exercer as quatro principais funções que lhe são características: planejar, organizar, dirigir e controlar. Chiavenato (1994, p. 3) descreve as tarefas da administração, relacionando também as funções exercidas no ambiente administrativo, da seguinte forma: A tarefa da administração é interpretar os objetivos propostos pela empresa e transformá-los em ação empresarial através de planejamento, da organização, de direção e de controle de todos os esforços realizados em todas as áreas e em todos os níveis da empresa, a fim de atingir tais objetivos. Para tanto, a administração precisa mapear o ambiente externo e dar condições de eficiência à tecnologia utilizada através da estratégia empresarial, integrando os recursos e os esforços em todas as áreas e níveis da empresa. Basicamente, a Administração interpreta os objetivos traduzindo-os em esquemas de planejamento, de direção e de controle de ação empresarial necessária para alcançá-los da maneira mais apropriada. Nenhuma organização é igual à outra, cada uma tem suas características individuais, que se alteram ao longo do tempo. Para que possam prosperar, as 25 organizações precisam estar em constantes inovações e estar sempre à frente de seus concorrentes. A administração sempre, leva em consideração os objetivos organizacionais serem alcançados de maneira eficiente e eficaz. 2.2.1 Funções da administração As funções administrativas apresentam quatro funções, como planejar, organizar, dirigir e o controlar. Juntas essas funções formam o processo administrativo. A seguir são detalhadas as quatros funções da administração. • Planejamento O Planejamento é uma ferramenta que possibilita o administrador estruturar as ações que serão executadas, permitindo que avalie alternativas e trace o melhor caminho para alcançar o que se pretende. Para Daft (2005, p5), “planejamento significa a definição de metas para o desempenho organizacional futuro e a decisão sobre as tarefas e o uso dos recursos necessários para alcançá-las”. Planejamento, conforme Andrade (2007) gira em torno das implicações que as decisões tomadas hoje geram para o futuro próximo. • Organização Chiavenato (1997, p. 410) afirma que a organização denota “o ato de organizar, estruturar e integrar os recursos e os órgãos incumbidos de sua administração, e estabelecer relações entre eles e as atribuições de cada um deles”. • Direção A direção se relaciona com todos os administradores. Sua função é fazer com que os empregados executem suas tarefas, integrando esforços para que assim seja 26 possível alcançar os objetivos da empresa. Ela é essencial, já que a maioria dos empreendimentos requer os esforços combinados das pessoas (KOONTZ, 1969). Com relação a esta função, Koontz (1969, p. 621) ainda cita que: A direção envolve relações de trabalho em todos os níveis – com pessoas do mesmo grupo de trabalho; com pessoas em níveis superiores e inferiores em outras partes da organização, e finalmente, com pessoas de fora da organização. Governar essas relações e cuidar de que sejam executadas nos melhores interesses da empresa é o escopo da direção. • Controle Daft (2005, p. 7) menciona que “controlar significa monitorar as atividades dos funcionários, determinando se a organização está ou não no caminho em direção às metas, e fazendo as correções quando necessárias”. Koontz (1969, p. 707) define controle como “Função administrativa que consiste em medir e corrigir o desempenho de subordinados para assegurar que os objetivos da empresa e os planos delineados para alcançá-los sejam realizados”. Conforme Andrade (2007), controle demonstra a coesão entre objetivos esperados e resultados alcançados, sendo a informação o produto principal desta função. Naturalmente, quanto mais claro, completos e coordenados forem os planos traçados e quanto maior o período para o qual foram feitos, mais completo será o controle, gerando melhor desempenho e consequentemente melhores resultados para a organização (KOONTZ, 1969). Somente através da junção dessas funções é que a empresa irá alcançar o sucesso. Sendo que é por meio do controle que são demonstrados a importância do fluxo de caixa na organização. 2.2.2 Áreas da administração As organizações estão normalmente dividas em áreas funcionais. Essas áreas representam atividades e tarefas especializadas que são desempenhadas por unidades ou departamentos da organização. A organização pode estar dividida em muitas áreas funcionais, dependendo de sua atividade principal e de seus objetivos. 27 As áreas mais comuns são:administração da produção e operações, administração de marketing, administração de recursos humanos e administração financeira. De acordo com Sobral; Alketa (2008) administração da produção e operações é um conjunto de atividades e operações inter-relacionadas envolvidas na produção de bens ou prestação de serviços de uma organização, representando o modo como esta transforma os insumos em produtos ou serviços, agregando valor de forma a alcançar os objetivos organizacionais. A administração de marketing, de acordo com Kotler (1998), é um processo que envolve o planejamento e criação de produtos e serviços, sua precificação, promoção e distribuição, satisfazendo objetivos das pessoas e das organizações. O foco do marketing está relacionado às necessidades do cliente, e a empresa deve ser mais eficaz que os concorrentes ao satisfazer as necessidades dos consumidores para se tornar líder de mercado. Roesch (2012) menciona que o marketing engloba análises de mercado e do comportamento do consumidor, estabelecendo segmentos e planos para atuação. A administração de recursos humanos é responsável pela gestão dos indivíduos que compõem a organização, aborda políticas e práticas que orientam o recrutamento e seleção de novos funcionários, treinamento, remuneração, avaliação de desempenho dos empregados (CHIAVENATO, 2010). A administração financeira são todos os recursos financeiros e que aborda o tema fluxo de caixa, tratado no presente trabalho de estágio, será abordada no próximo item. 2.3 Administração financeira A área financeira de uma organização lida com um dos recursos mais indispensáveis para seu funcionamento: dinheiro. A administração financeira compreende o conjunto de atividades relacionadas com a gestão do fluxo de recursos financeiros na organização e tem a dupla responsabilidade de captar os recursos necessários às atividades da empresa e alocá-los de forma a alcançar os objetivos organizacionais. Uma vez que tais recursos são indispensáveis, a 28 administração financeira assume papel fundamental no desenvolvimento de todas as atividades empresariais, contribuindo, de forma decisiva, para o sucesso do negócio. A administração financeira trata-se dos recursos disponíveis para as transações e negócios da empresa. É uma ferramenta para controlar esses recursos, para planejamento, análise de investimentos, visando sempre o desenvolvimento e evitando gastos desnecessários. É a disciplina que trata dos assuntos relacionados às finanças das empresas e organizações. Está diretamente ligada a Administração, Economia e a Contabilidade. Os estudos sobre administração financeira estão crescendo a cada dia, tornando-se uma área muito importante para as empresas. A Administração Financeira corresponde à área da Administração responsável pelo gerenciamento das finanças. Gitman (2002, p. 4) define finanças como “[...] a arte e a ciência de administrar fundos”. Fundos, “neste sentido, podem ser considerados recursos financeiros”. Braga (1989) cita que a função financeira engloba as atividades relacionadas à administração dos recursos financeiros utilizados pelas várias áreas de uma organização. O autor menciona ainda que essa função é geralmente controlada por um dos sócios, no caso da pequena empresa. Este indivíduo muitas vezes acumula principalmente com o gerenciamento das disponibilidades. Longenecker, Moore e Petty (1997, p.420) ressaltam que administrar os recursos financeiros de uma empresa é uma das mais importantes atividades que o empresário tem no seu dia-a-dia. O objetivo dessa função é a obtenção de lucro nas atividades das empresas, pois se isso não ocorrer todas as outras funções estarão comprometidas. Em linhas distintas, destaca-se que: A administração financeira tem por finalidade não somente manter a empresa em permanente situação de liquidez, como também propiciar condições para a obtenção de lucros que compensem os riscos dos investimentos e a capacidade empresarial, a fim de evitar prejuízo no caixa da organização (HOJI, 1999, p. 24). Zdanowicz (2004, p. 22) ainda ressalta que o gerenciamento financeiro constitui-se no conjunto de operações a serem destinadas à formação de recursos financeiros necessários ao pagamento dos fatores de produção ou serviços, sua 29 distribuição, as obrigações decorrentes das transações comerciais e os créditos obtidos pela empresa. Hoji (2000) menciona que a administração financeira é a grande responsável pelo cumprimento do objetivo geral de uma empresa, que é a maximização de seu valor de mercado á longo prazo, através da geração de resultados econômicos e financeiros positivos, que seriam o lucro e o caixa. Para conseguir obter tais resultados, uma empresa está dividida em três atividades principais: atividades de operação, atividades de investimento, atividades de financiamento. A função da administração financeira seria auxiliar as atividades produtivas e administrar as atividades de investimento e financiamentos. A função financeira também pode ser desempenhada por um setor. De acordo com Gitman (2002), nas empresas menores ela também pode ser controlada pelo departamento especifico para o sucesso da organização. Relata também que a administração financeira diz respeito às atribuições dos administradores financeiros nas empresas. Para conseguir-se obter uma administração financeira eficaz há a necessidade de se demonstrar quais são as qualidades necessárias de um administrador financeiro, o que busca-se explicitar no próximo tópico. 2.3.1 Funções da administração financeira A dimensão e a importância da função da administração financeira dependem do tamanho da empresa. Em pequenas empresas, a função financeira é geralmente exercida pelo departamento de contabilidade, e que geralmente é terceirizada. À medida que a empresa cresce, a importância da função financeira conduz, em geral, à criação de um departamento próprio, dirigido pelo vice-presidente de finança e diretamente subordinado ao presidente ou ao executivo principal da empresa. Todos os departamentos e membros organizacionais têm a necessidade de interagir com a área financeira para executar suas tarefas. Conforme referido, cabe à administração financeira gerenciar o fluxo de recursos financeiros, os quais são necessários para o desenvolvimento de qualquer atividade empresarial. Sobral e 30 Alketa (2008) mencionam que, o porte e a relevância da função financeira na organização dependem de seu tamanho. Estes mesmos autores destacam ainda que, em empresas de pequeno porte, as atividades relacionadas com a função financeira são desempenhadas pelo departamento de contabilidade e ficam sob a responsabilidade de um dos sócios. Geralmente, sua orientação temporal é de curto prazo e envolve atividades operacionais como a gestão dos pagamentos e a cobrança de dívidas. A estrutura da função financeira em uma empresa de grande porte pode incluir três departamentos subordinados ao administrador financeiro, como mostra a figura 1. Esses departamentos são a controladoria, a tesouraria e o planejamento financeiro. A controladoria supervisiona as atividades de contabilidade e a auditoria da empresa. Isso inclui a preparação de relatórios gerenciais internos, de demonstrações financeiras e a gestão de assuntos fiscais. Por sua vez, a tesouraria é o departamento responsável por administrar as atividades financeiras relacionadas ao capital de giro, como a gestão de caixa e bancos, crédito e cobrança de dívidas de fornecedores, pagamento dos compromissos da empresa, entre outras. Por último, o departamento de planejamento financeiro tem como responsabilidade a análise e a avaliação de fontes de financiamento e de projetos de investimentos de forma a garantir o equilíbrio financeiro da empresa e o alcance de seus objetivos. Figura 1 - Estrutura da função financeira Fonte: Sobral e Alketa (2008 p. 364) Assaf Neto (2003) comenta que a administração financeira possui quatro funções, são elas: planejamento financeiro, controle financeiro, administração de ativos e administração de passivos, e para Gitman (2000), as funções envolvem 31 primeiramente a atividade principal que essa ciência funciona na organização, as funções do administrador financeiro e as relações da área de finanças com a contabilidade e economia. Quadro 1 – Funções financeiras e seus objetivos Função Planejamento financeiro Objetivo Identificar oportunidades e riscos e selecionar ativos rentáveis. Controle financeiro Avaliar o cumprimento dos objetivos de planejamento, e propor medidas corretivas se necessário. Administração de ativos Buscar o melhor meio de obter retorno com menor risco. Administração de passivos Buscar a melhor forma de obter recursos financeiros com menor e boa liquidez. Fonte: Adaptação de Assaf Neto (2003) O planejamento financeiro envolve, além da identificação e formulação de metas que a empresa almeja como também, Assaf Neto (2003, p. 29) acrescenta, “[...] selecionar, com maior segurança, os ativos mais rentáveis e condizentes com os negócios da empresa de forma a estabelecer mais satisfatória a rentabilidade sobre os investimentos”. A segunda função da administração financeira, segundo Assaf Neto (2003), envolve o controle financeiro, que por meio da análise e avaliação de resultados obtidos comparados aos idealizados proporcionam ao gestor uma visão ampla da situação financeira da empresa, para melhorar os pontos fracos. Por fim, Assaf Neto (2003) finaliza as funções com dois itens: administração de ativos, avaliação de risco e retorno, investimentos, assim como o giro de capital por entradas e saídas de recursos, e a administração de passivos, que então envolvem financiamentos, liquidez, controle de custos relacionados ao risco. Para Gitman (2000), a análise e planejamento incluem um acompanhamento da situação financeira da empresa, uma análise da capacidade produtiva, se são necessários mais recursos ou menos para produzir, inspecionando o fluxo de caixa da organização e caso haja necessidade, avaliar o melhor financiamento, dos ativos circulantes e fixos, enquanto para decisões da área financeira o gestor deve selecionar se esse será de curto ou longo prazo. 32 Gitman (2000, p. 39) caracteriza como função do administrador financeiro comparando com a economia, existe a atenção às políticas econômicas que podem interferir na empresa, e: “análise marginal, na qual as decisões financeiras devem ser tomadas e as ações executadas somente quando os benefícios adicionais excederem os custos somados”. Assim como também ao comparar a administração financeira com a contabilidade, o gestor deve enfatizar o giro de capital no fluxo de caixa, para que liquide as despesas e mantenha o ativo necessário para atingir as metas da organização. A diferença entre a contabilidade e administração financeira é que os dados formulados pelos contadores os gestores utilizam com enfoque maior na tomada de decisão, apesar de analisarem os mesmos dados contábeis. Braga (1989) descreve que a função financeira compreende um conjunto de atividades relacionadas com a gestão dos fundos movimentados por todas as áreas da empresa. Essa função é responsável pela obtenção dos recursos necessários e pela formulação de uma estratégia voltada para otimização do uso desses fundos. Encontrada em qualquer tipo de empresa, a função financeira tem um papel muito importante no desenvolvimento de todas as atividades operacionais, contribuindo significativamente para o sucesso do empreendimento. 2.3.2 Funções do administrador financeiro Os administradores financeiros são responsáveis pela gestão dos negócios financeiros de organizações de todos os tipos – financeiras ou não, abertas ou fechadas, grandes ou pequenas com ou sem fins lucrativos. Eles realizam as mais diversas tarefas financeiras, tais como planejamento, concessão de crédito a clientes, avaliação de propostas que envolvam grandes desembolsos e captação de fundos para financiar as operações da empresa. Nos últimos anos, mudanças nos ambientes econômico, competitivo e regulamentador aumentaram a importância e a complexidade das tarefas desse profissional. O administrador financeiro de hoje está mais ativamente envolvido com o desenvolvimento e a implantação de estratégias 33 empresarias que tem por objetivo o “crescimento da empresa” e a melhoria de sua posição competitiva. Por isso, muitos altos executivos vêm de área financeira. Afirma Gitman (2000), que o administrador financeiro é responsável pela administração ativa das finanças de todo e qualquer tipo de empresa, seja ela grande, média, pequena, privada, pública, com fins lucrativos ou sem fins financeiros. O mesmo autor afirma que as principais atividades do administrador financeiro são a realização de análises e planejamento financeiro, a tomada de decisões sobre investimentos e a tomada de decisões sobre financiamentos, além destas três atividades, o administrador financeiro é responsável pela administração do fluxo de caixa, ou seja, as entradas e saídas de dinheiro da empresa, onde o mesmo busca manter a solvência da empresa honrando os compromissos assumidos e canalizando o dinheiro para as atividades necessárias para o funcionamento da empresa. Conforme Matarazzo (2010), a função do administrador financeiro é orientar as decisões de investimentos e financiamentos a serem tomadas pelos dirigentes da empresa. Ross, Westerfield e Jordan (2002) concordam e afirmam que a tarefa mais importante de um administrador financeiro é criar valor nas atividades de investimentos e gestão de liquidez da empresa. Gitman (2002) diz que as atividades do administrador financeiro podem estar relacionadas às demonstrações financeiras básicas da empresa, sendo suas atividades primárias a realização e a análise do planejamento, as decisões do investimento e as decisões do financiamento. Em perspectiva similar, Zdanowicz (2004) sustenta que o administrador financeiro deve manter a empresa em uma permanente situação de liquidez, maximizar o retorno sobre o capital investido, administrar o capital de giro, avaliar investimentos feitos sobre itens do ativo permanente, estimar o custo da captação de recursos de terceiros, analisar as aplicações financeiras melhores para empresa, interpretar as demonstrações financeiras da empresa e manter-se sempre atualizado em relação as linhas de crédito oferecidas e ao mercado. Este mesmo autor ainda destaca que o administrador financeiro busca conciliar a manutenção da liquidez e do capital de giro da empresa através da elaboração do fluxo de caixa, podendo, com isso, maximizar os lucros e honrar as obrigações assumidas nas datas dos seus respectivos vencimentos. Ainda abordando as funções desempenhadas pelo administrador financeiro, o autor Zdanowicz (2004) destaca as que seguem: 34 • manter a empresa em permanente situação de liquidez; • maximizar o retorno sobre o investimento realizado; • administrar o capital de giro da empresa; • avaliar os investimentos realizados em itens do ativo permanente; • estimar o provável custo dos recursos de terceiros a serem captados; • analisar as aplicações financeiras mais interessantes para a empresa; • informar à alta administração sobre as condições econômico-financeiras atuais e futuras da empresa; • interpretar as demonstrações financeiras da empresa; • manter-se atualizado em relação ao mercado e às linhas de crédito oferecidas pelas instituições financeiras. Hoji (2007) menciona que todas as atividades de uma empresa envolvem recursos, e, portanto, devem ser direcionadas para a obtenção do lucro. As funções típicas do administrador financeiro, segundo o autor, são: • análise, planejamento e controle financeiro; • tomadas de decisões de investimentos; e • tomadas de decisões de financiamentos. Numa visão similar, os autores Sobral e Alketa (2008), descrevem as funções típicas do administrador financeiro, são; • Análise, planejamento e controle financeiro: consiste em coordenar, monitorar e avaliar todas as atividades e fluxos financeiros da empresa por meio de orçamentos e relatórios financeiros, bem como em participar ativamente nas decisões estratégicas para estabelecer uma rentabilidade satisfatória sobre os investimentos. • Tomada de decisões de investimentos: trata-se da tomada de decisões que definam a melhor estrutura de ativos da organização, considerando uma relação adequada entre o risco e o retorno dos capitais investidos. • Tomada de decisões de financiamento: refere-se à tomada de decisões que definam a composição das fontes de recursos financeiros da organização, procurando estabelecer uma estrutura adequada em termos de liquidez, custo e risco financeiro. 35 Para Silva (2006), as principais funções do administrador financeiro, são: • análise financeira dos registros e demonstrativos financeiros; • elaboração do fluxo de caixa, antecipando-se a eventuais problemas de liquidez da empresa, agindo de forma a resolvê-los; • análise econômico-financeira das alternativas de investimentos de recursos gerados pela atividade da empresa ou de novos investimentos dos sócios; • fornecimento de informações precisas sobre a situação financeira da empresa que sirvam de base para tomadas de decisões sobre políticas de compras, de vendas, de crédito, de cobrança, entre outras; • elaboração de orçamentos financeiros referentes à obtenção e aplicação de recursos, tanto a curto como a longo prazo. Ross (1995, p. 28) cita que o administrador financeiro tem como principal tarefa a criação de valor a partir das atividades de orçamento de capital, financiamento e liquidez da empresa. Seja qual for a atividade operacional da empresa, os administradores financeiros são, em essência, tomadores de decisões referentes à alocação de recursos (investimentos) e à captação deles (financiamento). 2.3.3 Administração de caixa A administração de caixa é um importante fator que gira em torno da análise e controle das entradas e saídas do caixa, para assim ter-se o conhecimento da real situação em que o mesmo se encontra. Na definição de Frezatti (1997, p. 13), caixa é “o ativo mais líquido disponível na empresa, encontrado em espécie na empresa, nos bancos e no mercado financeiro de curtíssimo prazo”. De acordo com Yoshitake (1997), na gestão de caixa, é importante conhecer a capacidade de obtenção de caixa da empresa, que é a capacidade total de captação de recursos próprios e de terceiros, já que, conhecendo-se esta 36 capacidade, torna-se possível planejar com maior eficácia a expansão do nível de operações e resolver eventuais problemas de oscilações nas disponibilidades do caixa. Gitman (1997, p. 664) afirma que, “caixa e títulos negociáveis são mantidos pelas empresas como objetivo de reduzir o risco de insolvência técnica, pois representam disponibilidade que podem ser usadas tanto nas situações de saída de caixa planejadas quanto inesperadas”. Na visão de Zdanowicz (2000), todo administrador financeiro deve ter a preocupação com a determinação do nível de caixa, captando quando este for insuficiente ou aplicando os excedentes de caixa em outros itens do ativo da empresa, de modo a permitir um retorno adequado e seguro, viabilizando assim, no momento de amortizar os empréstimos ou resgatar as aplicações, em atividades realmente produtivas. Silva (1997) considera que existem três motivos para que uma empresa mantenha um valor mínimo de caixa: o primeiro motivo é denominado transação, ou seja, a empresa manter recursos no caixa para honrar com suas obrigações. O segundo refere-se a precaução, pois nem todos os fluxos de pagamentos futuros são totalmente previsíveis, estando assim o administrador financeiro preparado para enfrentar os riscos, e o terceiro motivo destacado pelo autor refere-se à especulação, que se trata de manter recursos no caixa disponíveis para uma eventual oportunidade de negócios. De acordo com Zdanowicz (2000, p. 190), o objetivo é minimizar o nível de caixa sem que, ao mesmo tempo, o saldo de segurança ponha em risco a capacidade da empresa em pagar suas obrigações na data do vencimento. A determinação do nível desejado de caixa depende de alguns fatores, como: • defasagem os ingressos e desembolsos de caixa; • disponibilidade de outras fontes de recursos; • relações com os bancos; • utilização de numerários inativos. A administração do caixa é de suma importância para a empresa, pois auxilia o administrador a analisar e controlar todos os ingressos e desembolsos do caixa, assim proporcionando um real entendimento da situação atual da empresa. 37 2.4 Orçamento de caixa Todas as entradas e saídas de valores originados de transações realizadas antes e durante o período orçamentário são reunidas no orçamento global de caixa, evidenciando os superávits mensais. A partir da consideração dos saldos desejados para as disponibilidades, serão orçadas as aplicações financeiras por prazos mais prolongados ou os recursos necessários. Esses recursos poderão provir de empréstimos à curto prazo, financiamentos a longo prazo ou integralizações de capital, assim estruturando as fontes de financiamento dos ativos e preservando a liquidez da empresa (BRAGA,1989). Para Zdanowicz (1998, p. 244), “orçamento é o instrumento que descreve um plano geral de operações e/ou de capital, orientado pelos objetivos e pelas metas traçadas pela cúpula divertida para um dado período de tempo”. O setor financeiro de uma empresa é um dos setores mais importantes para a organização. “Todas as entradas e saída de numerários decorrentes de transações realizadas antes e durante o período orçamentário são reunidos no orçamento de caixa, evidenciando os superávits e déficits mensais” (BRAGA, 1989, p. 238). De acordo com Zdanowicz (2000), o orçamento de caixa serve como ponto de referência para os valores financeiros projetados e realizados pelo comitê de finanças. O autor relata, ainda, que o orçamento não é nada mais do que um plano escrito, expresso em termos de unidades físicas e/ou monetária. As principais características do orçamento de caixa, segundo Zdanowicz (1998), são: • Flexibilidade na aplicação, considerando as frequentes flutuações da economia o orçamento de caixa não pode ser considerado uma peça estática dentro do orçamento da empresa. Onde deverá ser adaptado às novas situações econômico-financeiras da empresa para o período seguinte, em função do seu controle. • Projeção para o futuro, a partir da situação liquidez e capital de giro da empresa, o orçamento de caixa consistirá na projeção do nível desejado de caixa, em função do atual para o futuro. • Participação direta dos responsáveis, muitas são as informações e dados necessários para a elaboração do orçamento de caixa, onde serão 38 fornecidos por vários departamentos da empresa. Sendo que as pessoas envolvidas neste processo devem estar cientes de sua responsabilidade na participação do orçamento. Blecke (1978, p.85) cita: “o orçamento de caixa expressa os planos e previsões operacionais de uma empresa em termos de exigências de fundos em períodos futuros, tanto à curto prazo quanto a longo prazo”. O autor ainda concluiu o pensamento dizendo que para tornar-se eficiente, um orçamento de caixa deverá ser elaborado a partir de projeções do balanço, acompanhadas por previsões de vendas e lucro e planos de despesas de capital, e não somente a partir de níveis históricos do saldo de caixa. Andreolla (1992) ressalta que, para ser eficaz, o orçamento de caixa precisa estar sintonizado com as condições internas e externas da empresa: o planejador financeiro, por sua vez, tem que ter o domínio dessa situação, levando em conta alguns importantes elementos e variáveis, como política de vendas, políticas de compras, políticas financeiras, política de investimento, políticas de governo. O orçamento de caixa pode identificar deficiências ou folga dos recursos monetários com antecedência, levando a empresa a planejar melhor a captação ou aplicação de seus recursos financeiros. No alargamento dos estudos feitos por Lunkes (2003), ressalva-se que o objetivo do orçamento do caixa é assegurar recursos monetários suficientes para atender às operações da empresa estabelecidas nas outras peças orçamentárias. O mesmo autor afirma que o orçamento de caixa pode ser preparado por meio do fluxo de caixa em que são relacionadas às entradas e saídas de caixa previstas. Sendo as projeções do fluxo necessárias para melhor coordenar e controlar a posição financeira. 2.5 Fluxo de caixa Na atual situação econômico-financeira, o sucesso de uma empresa depende muito da habilidade de sua administração em planejar-se para o futuro. Torna-se 39 cada vez mais imprescindível a administração dos recursos financeiros da empresa de forma racional e eficiente, pois a mal administração destes recursos poderá acarretar problemas de liquidez e de capital de giro (ZDANOWICZ, 1986). Neste contexto, surge o fluxo de caixa, uma ferramenta que auxilia o administrador financeiro a melhor desempenhar sua função. De acordo com as citações dos autores abaixo, observa-se que é de extrema importância que a empresa mantenha seu fluxo de caixa atualizado, pois com isso a empresa poderá estimar com facilidade sua quantidade de ingressos e desembolsos financeiros. Para Gitman (2002, p. 81), o fluxo de caixa possibilita ao gestor programar e acompanhar as entradas e as saídas de recursos financeiros, onde a empresa poderá operar com objetivos as suas metas, a curto e a longo prazo. De acordo com Zdanowicz (1998, p. 24), o fluxo de caixa também pode ser chamado “[...] orçamento de caixa, fluxo de recursos financeiros, fluxo de capitais, fluxo monetário e movimento de caixa”. O fluxo de caixa mostra as entradas e saídas financeiras de uma empresa em determinado período, sendo necessária ao menos uma entrada e uma saída para este fluxo ser elaborado (HOJI, 2007). Zdanowicz(1998) menciona que o fluxo de caixa revela se no futuro haverá excedente ou falta de caixa, dependendo do resultado desejado pela organização. Ele permite que o administrador financeiro realize as quatro funções da Administração citadas anteriormente – planejar, organizar, dirigir e controlar, relacionadas com os recursos financeiros, em certo período de tempo. Para Campos Filho (1999, p. 20), o “fluxo de caixa” é um instrumento que possibilita o planejamento e o controle dos recursos financeiros de uma empresa, é indispensável ainda no processo de tomada de decisões financeiras. Assaf Neto (1997, p. 35) ressalta que o fluxo de caixa “é um instrumento que relaciona os ingressos e saídas de recursos monetários no âmbito de uma empresa em determinado intervalo de tempo”. A partir da elaboração do fluxo de caixa é possível prognosticar eventuais excedentes ou escassez de caixa, determinando-se medidas saneadoras a serem tomadas. O fluxo de caixa é de fundamental importância para as empresas, constituindo-se numa indispensável sinalização dos rumos financeiros dos negócios. Para se mantiverem em operação, as empresas devem liquidar corretamente seus vários compromissos, devendo como condição 40 básica apresentar o respectivo saldo em caixa nos momentos dos vencimentos. A insuficiência de caixa pode determinar corte nos créditos, suspensão de entregas de materiais e mercadorias, e ser causa de uma séria descontinuidade em suas operações. Assaf Neto (1997) informa que uma adequada administração dos fluxos de caixa é um dos pressupostos para a obtenção de resultados para a empresa. Ela deve ser considerada como um segmento lucrativo para seus negócios. As principais áreas da empresa (financeira, estoques, compras) podem contribuir para melhor desempenho do fluxo de caixa, acelerando os ingressos ou retardando os desembolsos. Longenecker, Moore e Petty (1997, p. 528) afirmam que o fluxo de caixa é o demonstrativo que representa variações ocorridas na posição de caixa da empresa ao longo de um determinado período. Na mesma perspectiva, Ross, Westerfild e Jaffe (1995) afirmam que o fluxo de caixa ajuda a explicar a variação ocorrida nas contas de disponibilidade. Para Silva (2006, p.11), “é o principal instrumento da gestão financeira que planeja, controla e analisa as receitas, as despesas e os investimentos, considerando determinado período projetado”. O fluxo de caixa é um recurso fundamental para os gestores saberem com precisão qual a situação financeira da empresa e, com base no resultado, decidir os caminhos a seguir. De acordo com as citações dos autores acima, vimos que é de extrema importância que a empresa mantenha seu fluxo de caixa atualizado, pois com isso a empresa poderá estimar com facilidade sua quantidade de ingressos e desembolsos financeiros. 2.5.1 Objetivo do fluxo de caixa O objetivo básico do fluxo de caixa é projetar entradas e desembolsos para determinados momentos, identificando possíveis necessidades de empréstimos ou oportunidades de aplicações de excedente de caixa em operações rentáveis 41 (ZDANOWICZ, 1998). Sendo assim, o fluxo de caixa visa otimizar a utilização dos recursos financeiros. Além destes, outros objetivos podem ser citados, tais como; • permitir que os recursos financeiros necessários para a realização das transações econômico-financeiras e do plano de operações sejam identificados; • permitir o planejamento dos desembolsos de acordo com as disponibilidades de caixa, evitando-se o acúmulo de compromissos vultosos em época de pouco encaixe • empregar os recursos financeiros da empresa eficientemente por meio de planejamento prévio, evitando desperdícios e recursos ociosos; • auxiliar na análise dos valores a receber e estoques, para que se possa julgar a conveniência em aplicar nesses itens ou não; • • desenvolver o uso eficiente e racional do disponível; planejar e controlar as entradas e saídas de caixa, utilizando informações fornecidas pelas projeções de vendas, pelos índices de atividades, entre outros; • efetuar o pagamento das obrigações nas datas combinadas; • equilibrar os ingressos e desembolsos; • controlar saldos de caixa e contas a receber. Estes objetivos buscam tornar-se a empresa um investimento rentável e trazer bons resultados para a empresa e para seus acionistas. Na visão de Silva (2006), há vários objetivos do fluxo de caixa, porém o principal é a visão geral de todas as atividades (entradas e saídas) diárias do grupo do ativo circulante, assim se tem uma visão das disponibilidades, representando o grau de liquidez da empresa. Segundo Assaf Neto (1997, p. 123), “um dos principais objetivos do fluxo de caixa é aperfeiçoar a aplicação de recursos próprios e de terceiros nas atividades mais rentáveis pela empresa”. O fluxo de caixa tem como objetivo avaliar as alternativas de investimento e controlar ao longo do tempo as decisões importantes que são tomadas na empresa, que tenham reflexos monetários. Usando também como instrumento de verificação 42 das situações presentes e futuras do fluxo de caixa na empresa, posicionando-a para que não chegue a situações de não-liquidez, com a precisão de que não haja excessos monetários de caixa, e, se houver serão aplicados (SILVA, 2000, p. 8). Matarazzo (2007) descreve os principais objetivos de caixa: • avaliar alternativas de investimentos; • avaliar e controlar ao longo do tempo as decisões importantes que são tomadas na empresa, com reflexos monetários; • avaliar as situações presente e futura do caixa na empresa, posicionandoa para que não chegue à situação de liquidez; • certificar que os excessos momentâneos de caixa estão sendo devidamente aplicados. 2.5.2 A importância do planejamento do fluxo de caixa O planejamento eficiente do fluxo de caixa traz inúmeros benefícios para a empresa, como por exemplo, o recebimento de descontos por parte dos fornecedores quando as obrigações são pagas dentro do prazo. Com ele o administrador financeiro pode determinar o nível de caixa desejado (ZDANOWICZ, 1998). Outro fator importante para o planejamento do fluxo de caixa é a previsão de período com menor receita. Quando as entradas de caixa forem reduzidas por conta de variações do próprio mercado, o administrador financeiro deverá controlar os desembolsos, evitando grandes saídas de caixa. Estas medidas antecipadas impedem que as crises aconteçam, ou pelo menos reduzem ao máximo seus impactos (FERREIRA, 2003). Em toda e qualquer organização é preciso um bom planejamento do fluxo de caixa,pois é através deste planejamento que as empresas podem planejar as receitas e despesas para o futuro. As pequenas empresas só se dão conta da importância do planejamento do fluxo de caixa, quando se deparam com problemas administrativos que se mostram evidentes, este é um dos grandes erros destas 43 empresas, com um mal planejamento, possa futuramente ocorrer imprevisto e acabarem fracassando ainda jovem no mercado. O ideal é que a empresa adote um fluxo de caixa mensal, transformando-o em diário com o passar do tempo (ZDANOWICZ, 1998). Sabe-se que o ativo das empresas é a maior riqueza, visto que este ativo gera lucro, e o fluxo de caixa projetado permite controlar o ativo. Por isto que administrador financeiro se torna importantíssimo para o bom andamento da organização. A implantação de um fluxo de caixa não requer grandes investimentos, pois se a organização for bem planejada, a empresa já estará preparada para futuros imprevistos. Contudo, a empresa precisa estar controlando os resultados, fazendo sempre comparações com os dados iniciais e garantindo a maximização dos resultados. 2.5.3 Causas da falta de recursos na empresa As causas da falta de recursos na empresa podem causar grandes problemas para a organização. A seguir, destacam-se alguns autores abordando as principais causas da falta de recursos, segundo suas visões. De acordo com Zdanowicz (2000), as principais causas que podem gerar uma escassez de recursos financeiros são: • expansão descontrolada das vendas, implicando em maior volume de compras e custos pela empresa; • insuficiência de capital próprio e utilização do capital de terceiros em proporção excessiva, em consequência, aumentando o grau de endividamento da empresa; • ampliação exagerada dos prazos de vendas pela empresa, para conquistar clientes; • necessidade de compras de porte, de caráter cíclico ou para reserva, exigindo maiores disponibilidades de caixa; 44 • diferenças acentuadas na velocidade dos ciclos de recebimento e pagamento, em função dos prazos de venda e de compra; • baixa velocidade na rotação de estoques nos processos de produção; • sub-ocupação temporária do capital fixo, seja pelas limitações de mercado, seja pela falta ou insuficiência de capital de giro; • distribuição de lucros, além das disponibilidades de caixa; • altos custos financeiros em função de planejamento e controle de caixa incompletos. Segundo Silva (2006), a falta de recursos pode ser ocasionada por vários motivos, podendo ser evitada se for feita uma análise criteriosa da capacidade de caixa, que é fornecida pela soma dos recursos financeiros (as reservas próprias e de terceiros) como poder de captação não usado (as possíveis linhas de crédito e aumentos de capital) O mesmo autor descreve que as principais causas da falta de recursos na empresa são: • dilatação dos prazos de vendas da empresa, para conquistar clientes; • necessidade de compras de vulto, que podem ser cíclicas ou de reserva, requerendo maiores disponibilidades de caixa; • capital próprio insuficiente e uso excessivo de capital de terceiros, aumentando o nível de endividamento da empresa; • aumento descontrolado das vendas, gerando maior volume de compras e custos para a empresa; • lenta velocidade no giro de estoques e nos processos de produção; • diferenças significativas entre os ciclos de recebimento e pagamento, ocasionadas pelos prazos de venda e compras; • distribuição de lucros além da capacidade do caixa; • custos financeiros altos, provenientes de falta de planejamento e controle de caixa; • sub-ocupação temporária do capital fixo, seja pelas limitações de mercado, seja pela falta ou insuficiência de capital de giro. 45 2.5.4 Alterações nos saldos de caixa Conforme Zdanowicz (1998), o caixa recebe impactos de vários fatores, internos e externos, que precisam ser levados em consideração pelo administrador financeiro na rotina da empresa. Fatores internos são: • alteração na políticas de vendas; • decisões na área de produção; • política de compras; • políticas de pessoal. Fatores externos: • queda nas vendas; • expansão ou retração do mercado; • inadimplência; • mudança no nível de preços; • concorrência; • alteração nas alíquotas de impostos. 2.5.5 Transações que não afetam o caixa Neste item apresentam-se algumas transações que não afetam o caixa, isto é, não há encaixe nem desembolso: a) Depreciação, amortização e exaustão são meras reduções do ativo, sem afetar o caixa.b) Provisão p/ devedores duvidosos, estimativa de prováveis perdas com clientes que não representa desembolso para a empresa. c) Correção Monetária do Balanço, embora haja aumento do valor do Permanente e do Patrimônio Líquido (PL) pela atualização monetária, não representa desembolso ouencaixe. d) Acréscimo (ou diminuição) de itens de Investimentos pelo método de equivalência patrimonial. Assim como a Correção 46 Monetária, poderá haver aumento ou diminuição em itens de investimentos sem significar que houve vendas ou novas aquisições. Segundo Ferreira (2003), as principais transações que não afetam o caixa, isto é, não há encaixe e desembolso, são: • depreciação, amortização e exaustão, são meras reduções do ativo sem afetar o caixa; • provisão para devedores duvidosos, estimativa de prováveis perdas com clientes que não representa desembolso para a empresa; • correção monetária do balanço, embora haja aumento do valor do permanente e do patrimônio líquido pela atualização monetária, não representa desembolso ou encaixe; • acréscimo (ou diminuição) de itens de investimentos pelo método de equivalência patrimonial. Assim como a correção monetária, poderá haver aumento ou diminuição em itens de investimentos sem significa que houve vendas ou novas aquisições. 2.5.6 Prazos do planejamento de fluxo de caixa Antes de elaborar efetivamente um fluxo de caixa, é preciso atentar-se ao período que o mesmo será planejado, considerando o porte e o ramo que a empresa atua. Conforme Santos (2001), um fluxo de caixa projeta o saldo de caixa para um horizonte chamado prazo de cobertura, que pode ser definido em semana, mês, ano etc., a unidade tempo que se divide este prazo de cobertura do fluxo de caixa é denominado período de informação. 47 Quadro 2 - Prazo de cobertura e período de informação Prazo de cobertura Período de informação Semana Dia Quinzena Dia Mês Dia ou semana Trimestre Dia, semana ou mês Semestre Mês Ano Mês ou semestre Fonte: Santos (2001, p. 59). O modelo mais utilizado e importante para a empresa é o período mensal, deve-se trabalhar com um planejamento mínimo para três meses, o fluxo de caixa mensal deverá, posteriormente, transformar-se em semanal e este em diário, fornecendo a posição dos recursos em função dos ingressos e desembolsos de caixa, constituindo-se em um poderoso instrumento de planejamento e de controle financeiro para a empresa (ZDANOWICZ, 1998). Neste sentido, Silva (2006) comenta que, O orçamento de caixa faz parte do orçamento geral de uma empresa, que planeja as operações por períodos curtos de seis meses a um ano, podendo ser períodos menores [...] normalmente, o fluxo de caixa não é uniforme durante o mês, pois apresenta períodos sazonais. Então, a projeção deve ser demonstrada diariamente para períodos próximos. Quanto mais distante estiver o período de projeção,maior será o período de incerteza a ele ligado, portando não tem sentido apresentar o fluxo de caixa dia a dia para períodos mais distantes [...] o fluxo de caixa deve ser projetado dia a dia para os primeiros 30 dias; para o segundo e o terceiro mês, pode ser apresentado por semana ou quinzena; e do quarto ao sexto mês pode ser apresentado por mês. Toda empresa possui mais de uma espécie de necessidade financeira, necessita de estimativa com prazos variáveis, de acordo com as respectivas finalidades. Para tanto, é preciso que o gestor acompanhe o prazo determinado para que as metas da organização se concretizem. 48 2.5.7 Implantação do fluxo de caixa e seus requisitos Para a implantação do fluxo de caixa, é preciso que todos os demais setores da organização enviem os valores e/os documentos para o departamento de finanças, pois serão sobre o regime de caixa, os períodos em que efetivamente devem ocorrer as entradas e saídas do caixa. Conforme Andreolla (1992), a implantação do fluxo de caixa não sobrecarrega a empresa, e nem se faz necessário destinar uma grande equipe para a realização das funções orçamentárias. Pouca coisa precisa ser criada, já que a maioria das informações já existe. O problema é sua falta de organização, então, basta alguém coordená-las e transformá-las em fluxo de caixa. O autor ainda relaciona os requisitos para a implantação e funcionamento, a seguir relacionados: • apoio da alta direção da empresa; • organização da estrutura funcional da empresa com definição clara dos níveis de responsabilidade de cada área; • integração das diversas rotinas administrativas (cobrança, tesouraria, contabilidade etc.) ao sistema de fluxo de caixa; • definição do sistema de informações necessárias em termos de: • tipos de informações; • formulários a serem utilizados • calendário de entrega das informações com indicação do tipo, prazo e responsável; • responsável pela elaboração das diversas previsões; • treinamento do pessoal; • normalização de fluxos e procedimentos; • comprometimento de todos os responsáveis das diversas áreas da empresa, no sentido de atingir as respectivas metas fixadas; • consulta ao orçamento de caixa na tomada de decisões; • revisão, no mínimo, mensal do sistema orçamentário. Segundo Zdanowicz (2004), os principais requisitos para implantação do fluxo de caixa são: 49 • apoio de cúpula diretiva da empresa; • organização da estrutura funcional da empresa com definição clara dos níveis de responsabilidades de cada área; • integração dos diversos setores e/ou departamento da empresa ao sistema do fluxo de caixa; • definição do sistema de informações quanto à qualidade e aos funcionários a serem utilizados, calendário de entrega dos dados (periodicidade) e os responsáveis pela elaboração das diversas projeções; • treinamento do pessoal envolvido para implantar o fluxo de caixa na empresa; • criação de um manual de operações financeiras; • comprometimento dos responsáveis pelas diversas áreas, no sentido de alcançar os objetivos e as metas propostas no fluxo de caixa; • utilização do fluxo de caixa para avaliar com antecedência os efeitos da tomada de decisões que tenham impacto financeiro na empresa; • fluxograma das atividades na empresa, ou seja, definir as atividades meio e as atividades fins. Esses requisitos são de grande importância para a elaboração do fluxo de caixa, pois os dados coletados serão utilizados pelo administrador financeiro, por isso os dados deverão ser mais corretos possível, adaptados no plano de operações da empresa. Em complemento, Frezatti (1997) ressalta que antes de iniciar o processo de montagem do fluxo de caixa é necessário que o gestor, tenha uma visão geral do que espera. Nesse sentido, a primeira coisa a ser definida é o enfoque, uma vez definido, pode ser discutir o plano de contas. Enfoque: é de grande utilidade, pois ajudará no processo de tomada de decisões, ele deve trazer benefícios, para facilitar, agilizar e suportar todo o processo decisório; Plano de contas: é um importante motivo para os desvios encontrados nas empresas. Zdanowicz (2004) afirma que implantar o fluxo de caixa consiste em apropriar os valores fornecidos pelas várias áreas da empresa segundo regime de caixa, isto 50 é, de acordo com os períodos que efetivamente deverão acontecer as entradas e as saídas do caixa. Para a implantação do fluxo de caixa deve ser considerada a apropriação dos valores, conforme o período em que irá acontecer as entradas e saídas da empresa, o importante é considerar todos os itens que alterará a posição do caixa da empresa. Zdanowicz (2004, p. 55) descreve que “a implantação do fluxo de caixa consiste em aproximar os valores fornecidos pelas diversas áreas da empresa”. A empresa deve planejar os ingressos e os desembolsos. 2.5.8 Análise e controle do fluxo de caixa A análise e controle do fluxo de caixa garante que efetivamente esta ferramenta estará auxiliando a gestão da organização. Andreolla (1992) explica que, mais importante do que a elaboração é a administração do fluxo de caixa, e para tanto cita alguns dos fatores que alteram a posição de caixa: • entradas de caixa procedentes de vendas e cobrança de valores maior que a saída para pagamento de matérias-primas, mão-de-obra, impostos e outras despesas; • saídas de caixa maior do que as entradas. Esta situação é aceitável temporariamente numa empresa em expansão; • alterações no nível de preços dos insumos; • alteração de alíquotas dos impostos; • atrasos de cobrança; • política de crédito dos bancos; • processo decisório: as decisões, na maioria dos setores da empresa, provocam um impacto sobre o fluxo de caixa, sendo importante que o administrador financeiro seja capaz de distribuição, produção, compras, pessoal etc. Quando as consequências forem consideráveis, deverá o administrador financeiro participar da decisão final. 51 2.5.9 Fatores que afetam o fluxo de caixa O fluxo de caixa de uma empresa é impactado por uma série de fatores, tanto internos quanto externos. O administrador financeiro deve estar preparado, através das indicações observadas no fluxo de caixa para tomar as medidas corretivas em tempo hábil de forma a minimizar o impacto nas contas da empresa. Segundo Marion (1997), as transações que afetam o fluxo de caixa estão divididas em dois grupos: transações que aumentam o fluxo de caixa e transações que diminuem o fluxo de caixa. No quadro 3 são representadas as transações que afetam o fluxo de caixa. Quadro 3 – Fatores que afetam o fluxo de caixa Transações que aumentam o fluxo Transações que diminuem o fluxo de de caixa • caixa Integralização do capital pelos sócios • ou acionistas; • Empréstimos Pagamentos de dividendos de juros, aos acionistas; bancários e • Pagamentos correção financiamentos; monetária da dívida e amortização da • Venda de itens do ativo permanente; dívida; • Venda à vista e recebimento de • Aquisição de itens do ativo permanente; duplicata a receber; • Compra à vista e pagamentos de • fornecedores; Outras entradas (juros, dividendos, indenizações). • Pagamentos de despesas (custos, contas a pagar). Fonte: Marion (1997, p. 382) Quando a empresa pretende honrar uma obrigação com terceiros, ela precisa saber se na data do vencimento terá o dinheiro disponível para saldar o compromisso. Nestes termos, o centro de interesse estará voltado para o disponível, ou seja, os saldos de caixa, bancos e aplicações financeiras da empresa (ZDANOWICZ). Silva (2000) descreve o que poderá acarretar as principais faltas de caixa nas empresas, são os fatores que mais preocupam os gestores financeiros. E, dentre eles, pode-se exemplificar os seguintes: 52 • expansão descontrolada das vendas, acima de sua capacidade de comercialização; • insuficiência de capital próprio e utilização do capital de terceiros em proporção excessiva; • aumento exagerado do prazo de faturamento; • necessidade de compras em grande volume; • aumento da inadimplência; • aumento da necessidade de capital de giro em proporção maior do que o aumento do capital circulante liquido; • aumento exagerado do ciclo financeiro; • baixa velocidade da rotação dos estoques; • excessiva distribuição de dividendos. Todos os fatores apontados pelos autores podem interferir nas decisões na maioria dos setores da empresa, podendo ocasionar um impacto no fluxo de caixa, obrigado o administrador financeiro a reconhecer as consequências dessas alterações nas políticas de produção, vendas, distribuição, compras, pessoal, entre outras. 2.5.10 Ingressos e desembolsos O fluxo de caixa operacional é composto de itens da atividade fim da empresa, definidos como ingressos e desembolsos de caixa (ZDANOWICZ, 1998). O fluxo de caixa é um dos instrumentos mais eficientes de planejamento e de controle financeiro, o qual poderá ser elaborado de diferentes maneiras, conforme as necessidades ou conveniências de cada empresa, a fim de permitir que se visualizem os ingressos de recursos e os respectivos desembolsos. Os principais ingressos e desembolsos de caixa, segundo Silva (2006), são: 53 Figura 2 - Principais ingressos e desembolsos do fluxo de caixa Fonte: Silva (2006, p. 23) Zdanowicz (2000, p. 147) descreve que os ingressos: São todas as entradas de caixa e bancos em qualquer período, como as vendas à vista que serão lançadas diretamente no fluxo, ou nas vendas a prazo que necessitam de mapas auxiliares de recebimentos normais (cobrança simples e bancárias) e os recebimentos com atraso e, posteriormente, transportados para o fluxo de caixa. Os desembolsos são abordados por Zdanowicz (2000) como todas as “operações financeiras decorrentes de pagamentos gerados pelo processo de produção, comercialização e distribuição de produtos pela empresa”. De acordo com Zdanowicz (2000), o fluxo de caixa é composto por ingressos (fontes) e desembolsos (usos). Zdanowicz (1998) relaciona as principais modalidades de ingressos operacionais: • vendas à vista; • recebimentos; • descontos e cauções de duplicatas; • vendas a prazo. Quanto aos desembolsos, os principais decorrentes da atividade operacional são (ZDANOWICZ,1998): • aquisição de matérias-primas; • pagamentos de salários e encargos sociais; • despesas indiretas de fabricação, que englobam o pagamento de materiais secundários e de manutenção ou conservação da empresa; 54 • despesas operacionais, compostas basicamente por despesas administrativas, vendas, tributárias e financeiras. 2.5.11 Requisitos para uma boa administração de caixa Os requisitos inicias para uma boa administração de caixa, é verificar se o profissional é capacitado para estar exercendo esta função, que geralmente este profissional é considerado como administrador financeiro, pois não adianta ter bons recursos tecnológicos e não ter profissional capacitado para atuar nesta área tão importante de qualquer organização. Segundo Zdanowicz (1998), o administrador financeiro deve ter muito cuidado ao administrar o ativo disponível. E, portanto, alguns requisitos são necessários, a saber: • aceleração do processo de recebimentos; • controle nos pagamentos; • estabelecimento de saldo mínimo, que dependerá da necessidade de caixa para transação e eficiência da administração do disponível; • existência de planejamento e controle financeiro. Santos (2001, p. 71) afirma que “algumas medidas da administração de caixa são motivadas por seus aspectos econômicos, principalmente aqueles relacionados a custos”, e complementa dizendo que, sendo assim, uma decisão em relação a administração de caixa pode ser justificada mediante uma análise de custobenefício. 2.5.12 Modelos de fluxo de caixa Vários autores elaboram fluxo de caixa, e todos abordam a importância de se construir modelos que atendam às necessidades das organizações. Nestes modelos 55 é importante no fluxo de caixa demonstrar as entradas e saídas ou ingressos e desembolsos financeiros ocorridos num determinado período.Assim, cabe a empresa adotar um modelo que se enquadre no perfil do sistema financeiro da mesma. Frezatti (1997, p. 77) observa que “quando se fala em modelo de fluxo de caixa, uma maneira de facilitar o entendimento é separar o fluxo de caixa dos quadros auxiliares que compõem, e detalham as informações”. O autor ainda menciona que só é possível entender e gerenciar o fluxo de caixa de uma empresa se ela dispuser do fluxo de caixa propriamente dito e dos saldos que estão ligados ao fluxo financeiro. O modelo de fluxo de caixa adotado por uma empresa mostra todo o dinheiro que flui para dentro e fora da empresa em determinado período. É um suplemento útil para demonstração de resultado, uma vez que focaliza a atenção para o que está acontecendo com a posição de caixa da empresa ao longo de um determinado período, e também porque evita julgamentos sobre o recolhimento de receitas e despesas que fazem parte da demonstração do resultado (BODIE e MERTON, 1999). Zdanowicz (2000) enfatiza que o processo de planejamento do fluxo de caixa determina a percepção de uma estrutura de informações úteis, práticas e econômicas, que estimam as futuras entradas e saídas do caixa de uma empresa. Welsch (1983) enfatiza algumas das principais importâncias do fluxo de caixa projetado: • mostrar o crédito ou o débito disponível; • mostrar a situação financeira possível no resultado das operações planejadas; • avaliar se há necessidade de empréstimos ou se há fundos para investimentos; • ajudar na organização dos recursos financeiros como o capital de giro total, vendas investimentos e capital de terceiros; • estabelecer metas concretas para a política de crédito e para o controle da posição financeira. 56 A seguir apresenta-se um modelo de fluxo de caixa proposto por Zdanowicz (2000, p. 145). O autor ressalta que: Na elaboração do fluxo de caixa deverão ser discriminados todos os valores a serem recebidos e pagos pela empresa. Quanto mais especificado for o fluxo de caixa, melhor será o controle sobre as entradas e saídas de caixa, verificando assim suas defasagens e determinando as medidas corretivas ou saneadoras para os períodos subsequente. De acordo com Zdanowicz (2000), quando a atividade da empresa está sujeita a altos e baixos no setor financeiro, recomenda-se a utilização de estimativas de curto prazo, (diário, semanal ou mensal). Já no caso das empresas que apresentam uma certa regularidade no volume de vendas, há a opção de projetar o fluxo de caixa para os períodos mais longos (mensal, trimestral ou semestral). Tabela 1 – Modelo de fluxo de caixa Fonte: Zdanowicz (2000) 57 2.6 Mapas auxiliares do fluxo de caixa Os mapas auxiliares têm a função de mostrar ao gestor financeiro os períodos em que os recursos provenientes de vendas a prazo entrarão no caixa, assim como os períodos em que a contratação de despesas e compras de produtos ou mercadorias a prazo sairão do caixa. Para uma correta elaboração do modelo, Zdanowicz (2000) sugere que o administrador elabore uma série de mapas auxiliares, onde os mais utilizados são: recebimentos de vendas a prazo, recebimentos das vendas a prazo com atraso e pagamentos de compras a prazo. A seguir apresentam-se dois modelos de mapa auxiliar, propostos por Zdanowicz (2000). O primeiro refere-se às compras a prazo e o segundo às vendas a prazo. Tabela 2- Modelo de mapa auxiliar de pagamento das compras a prazo Fonte: Zdanowicz (2000 p. 151) O símbolo (*) representa os pagamentos efetuados no ano anterior. Zdanowicz (2000) ensina que o somatório mensal de cada linha deverá ser transportado para o fluxo de caixa, sendo que as condições de pagamento das compras a prazo obedecem à seguinte política: 50% a 30 dias, 30% a 60 dias e 20% a 90 dias, fora o mês. 58 Tabela 3: Modelo de mapa auxiliar de recebimentos das vendas a prazo Fonte: Zdanowicz (2000 p. 150) No que se refere ao símbolo (●), Zdanowicz (2000) observa que são os recebimentos realizados no ano anterior. Logo, deve ser transportado para o fluxo de caixa o somatório mensal de cada linha; as condições de recebimento das vendas a prazo da empresa obedecem à seguinte programação financeira: 40% a 30 dias, 30% a 60 dias e 30% a 90 dias, fora o mês. A principal função do mapa auxiliar é determinar o período em que as entradas e saídas dos recursos financeiros decorrentes de transações realizadas a prazo afetarão o fluxo de caixa. 2.6.1 Descrição dos itens do fluxo de caixa A seguir, descrevem-se os principais itens que compõem o fluxo de caixa. • Ingressos Ingressos são todas as entradas de caixa e bancos em qualquer período, como vendas à vista, que serão lançadas diretamente no fluxo, ou as vendas a prazo que necessitam de mapas auxiliares de recebimentos normais (cobranças 59 simples e bancárias) e os recebimentos com atraso e posteriormente, transportados para o fluxo de caixa. Podem-se ter ingressos por aumento de capital social, descontos de duplicatas, vendas de itens do ativo permanente, aluguel recebidos e receitas financeiras. Dessa forma, projetar os ingressos financeiros de caixa consiste em transpor do orçamento de vendas as entradas provenientes. Podem existir situações intermediárias decorrentes de créditos de clientes, imobilização desses créditos para contas a receber. Certas empresas não têm esses problemas, não vendem a crédito ou fazem através de instituições especializadas que assumem o risco. • Desembolsos Desembolsos compõem-se das compras à vista e as compras a prazo que necessitam de mapas auxiliares para posteriores transportes ao fluxo de caixa. Acresce-se, como desembolso os salários com os encargos sociais de mão-de-obra direta e indireta, além de todas as despesas indiretas de fabricação e despesas operacionais. A compra de itens do ativo permanente também representa uma saída de caixa ou bancos. Nestes termos, constituem-se todas as operações financeiras decorrentes de pagamentos gerados pelo processo de produção, comercialização e distribuição de produtos pela empresa. • Diferença do período Ao compara-se, período a período, os ingressos e os desembolsos, apura-se o saldo (diferença do período), ou seja, o resultado entre os recebimentos e pagamentos da empresa. Assim, ela é encontrada a partir da diferença entre os valores projetados, como ingressos e desembolsos pela empresa, podendo ser positiva, negativa ou nula. • Saldo inicial de caixa É igual ao saldo final do período imediatamente anterior. 60 • Disponibilidade acumulada É resultado da diferença do período apurada, mais o saldo inicial de caixa. • Nível desejado de caixa É a projeção do disponível para o período seguinte, a determinação do capital de giro líquido necessário pela empresa, em função do volume de ingressos e desembolsos futuros. Nestes termos, em função do nível desejado de caixa (encaixe mínimo) e da disponibilidade acumulada, o saldo poderá ser positivo, indicando excesso, que deverá ser direcionado para a melhor aplicação pela empresa, ou, caso contrário, ser negativo, que deverá ser captado nas fontes disponíveis menos onerosas. Portanto, o que levará a utilizar uma ou outra fonte será o custo do recurso a ser captado pela empresa. • Empréstimo ou aplicações de recursos financeiros A partir do saldo da disponibilidade acumulada, poderão ser captados empréstimos para suprir as necessidades de caixa, ou serão realizadas aplicações no mercado financeiro, quando houver excedentes de caixa. • Amortizações ou resgates das aplicações Amortizações são as devoluções do principal tomado emprestado mais juros, enquanto os resgates das aplicações constituem-se nos recebimentos do principal. • Saldo final de caixa É o nível desejado de caixa projetado para o período que será o saldo inicial de caixa do período subsequente. 61 2.7 Contas a receber Os valores a receber para as empresas representam partes significativas de seus ativos circulantes, havendo assim consequências diretas em sua rentabilidade. Na visão de Grappelli (2002), as contas a receber podem ser comparadas com empréstimos sem juros aos clientes, sendo que os padrões de crédito podem oferecer vantagens e desvantagens. Se os padrões forem flexíveis tendem a aumentar as contas a receber, e se forem rigorosos as vendas tendem a declinar. Conforme Hoji (2004, p.129), “as contas a receber são geradas pelas vendas a prazo, que são feitas após a concessão de crédito”. As compras e vendas a prazo é uma prática normal utilizadas pelas empresas. Gitman (2001) justifica que ao aumentar a velocidade ou acelerar a cobrança de contas a receber, a empresa consegue reduzir seu ciclo de caixa, pois as contas a receber imobilizam unidades monetárias que poderiam de outra forma ser usadas para reduzir financiamentos ou ser investidos em ativos permanentes. Segundo Silva (2006), a administração de contas a receber representa a concessão de créditos aos clientes, gerando o volume de vendas à vista e a prazo. Uma das medidas que aumenta o grau de satisfação de um cliente é quando se concedem prazos para pagamentos, que talvez não concretizassem a compra se a condição de pagamento apenas fosse à vista. O mesmo autor cita que as seguintes funções do crédito e contas a receber, são: • levantar e analisar os cadastros de clientes e fixar limites de crédito; • proceder à cobrança e recebimento de saques de exportação; • proceder à cobrança e recebimento de duplicatas nos vencimentos estabelecidos; • controlar as duplicatas em carteira e em cobrança bancária; • providenciar cobrança dos inadimplentes; • negociar renovação de crédito; • controlar cobrança, caso seja terceirizada. 62 De acordo com Assaf Neto e Silva (1997), as contas a receber surgem da venda de algum produto ou de prestação de serviço e do compromisso de efetuar o pagamento no futuro. Este compromisso pode ser representado por duplicata a receber, nota promissória, cheque pré-datado, entre outros. Conforme cherry (1977, p. 114) “Valores a receber são montantes devidos à firma, provenientes da venda de mercadorias ou serviços no curso ordinário dos negócios”. De acordo com Assaf Neto e Silva (1997), as contas a receber surgem da venda de algum produto ou de prestação de serviço e do compromisso de efetuar o pagamento no futuro. Este compromisso pode ser representado por duplicata a receber, nota promissória, cheque pré-datado, entre outros. O contas a receber, desse modo, responsabiliza-se pela gestão do crédito concedido aos clientes. As políticas adotadas para a concessão de crédito objetivam atingir as metas comerciais e financeiras da empresa (SANTOS, 2001). Portanto, segundo Sanvicente (2007), pode-se afirmar que o administrador financeiro, dentro da gestão de contas a receber, tem a responsabilidade de formular uma política de crédito que contenha os seguintes elementos: prazos de recebimento, critérios de aprovação de crédito (análise de crédito), limites de crédito, condições financeiras de crédito e tratamento a ser dispensado a clientes inadimplentes. Braga (1995) afirma que faz parte da administração de valores a receber a definição de uma política de concessão de credito e a definição de regras para os procedimentos de cobrança, essas regras influenciam diretamente no ciclo financeiro da empresa e podem ser utilizadas como estratégias para redução deste ciclo. Ao se pensar na redução o período de recebimento, deve ser considerado que atualmente as empresas não querem apenas estimular os clientes a pagar, mas também conseguir converter estes pagamentos em uma forma que possa ser usada o mais rápido possível. 63 2.8 Contas a pagar Segundo Hoji (2004, p.139), no contas a pagar as funções são: “estabelecer políticas de pagamentos, controlar adiantamentos a fornecedores, controlar abatimentos a fornecedores, controlar e liberar pagamentos a fornecedores”. O princípio básico da gestão de contas a pagar é não pagar nenhuma conta antes do vencimento. Na visão de Silva (2006), as funções das contas a pagar são: • fixar políticas de pagamentos; • controlar adiantamentos a fornecedores; • controlar abatimentos e devoluções de mercadorias; • controlar e liberar pagamentos a fornecedores. Gitman (1987, p. 628) cita que “a principal fonte de financiamento a curto prazo não-garantido, que resultam da compra de mercadorias são o contas a pagar”. Também na visão de Braga (1995), as duplicatas a pagar são as principais fontes de financiamentos a curto prazo de uma empresa, e sua administração depende da política de crédito dos fornecedores. Para Silva (2006), os princípios básicos do contas a pagar é não pagar nenhuma conta com atraso e nenhuma conta antes do vencimento, ou seja pagar em dia. Possibilidades de melhores condições de pagamentos ou descontos são outros aspectos que devem ser observados no contas a pagar. Um bom relacionamento com os fornecedores é muito importante. Conforme Groppelli (2002), o contas a pagar pode ser comparado a empréstimos sem juros dos fornecedores, onde o desconto à vista consiste em uma oferta aceitável se seu benefício exceder o custo do empréstimo. “As funções do contas a pagar são fixar políticas de pagamentos; controlar adiantamentos a fornecedores; controlar abatimentos e devoluções de mercadorias; controlar e liberar pagamentos a fornecedores” (SILVA, 2006, p.24). Dentre os aspectos mais importantes de duplicatas a pagar estão as condições de crédito dos fornecedores, os custos resultantes da perda de descontos e os retornos providos do pagamento retardado de duplicatas (GITMAN, 1987). 64 2.9 Capital de Giro O capital de giro tem participação relevante no desempenho operacional das empresas, cobrindo geralmente mais da metade de seus ativos totais investidos. Para a tomada de decisões o capital de giro se torna uma importantíssima ferramenta e seu estudo é de fundamental importância para a administração financeira, pois se refere ao ciclo operacional de uma empresa, englobando desde a aquisição de matéria-prima até a venda e o recebimento dos produtos vendidos. Silva (2006) afirma que o capital de giro é também conhecido como capital circulante-curto prazo. Isto porque ele fica girando dentro da organização, podendo sofrer mudanças patrimoniais que alteram na contabilidade, bem como uma administração imprópria pode ocasionar problemas financeiros e até levar à insolvência. Assaf Neto e Silva (2002) ressaltam a importância de ter em conta que a administração do capital de giro trata dos ativos e passivos correntes como decisões interdependes. Como exemplo, a perda de liquidez pela maior participação de estoques no ativo circulante deve ser compensada por um maior volume de caixa; a presença de passivos de prazos mais curtos exige, por seu lado, ativos correntes mais líquidos, e assim por diante. A definição do montante de capital de giro é uma tarefa com sensíveis repercussões sobre o sucesso dos negócios, exercendo evidentes influencias sobre a liquidez e rentabilidade das empresas. Sob determinado enfoque, uma empresa deve investir em capital de giro enquanto o retorno marginal dos ativos correntes se mantiver acima do custo dos recursos alocados para seu financiamento. Apesar de que quantificação destas medidas de custo e do retorno nem sempre ser operacionalmente simples na prática, a proposição é relevante principalmente como uma orientação que envolve investimentos em capital de giro. O capital de giro é representado pelo ativo circulante, isto é, aplicações correntes, identificadas geralmente pelas disponibilidades, valores a receber e estoques. Num sentido mais amplo, o capital de giro representa os recursos demandados por uma empresa para financiar suas necessidades operacionais identificadas desde a aquisição de matéria-prima (ou mercadorias) até o recebimento pela venda do produto acabado. 65 O capital de giro pode ser segmentado em fixo (ou permanente) e variável (ou sazonal). O capital de giro permanente refere-se ao volume mínimo do ativo circulante necessário para manter a empresa em condições normais de funcionamento. O capital de giro variável é definido pelas necessidades adicionais e temporais de recursos verificadas em determinados períodos e motivadas, principalmente, por compras antecipadas de estoques, maior morosidade no recebimento dos clientes, recursos do disponível em trânsito, maiores vendas em certos meses do ano etc. Estas operações promovem variações temporais no circulante, e são, por isto, denominadas sazonais ou variáveis. 2.9.1 Análise da necessidade do capital de giro As necessidades de recurso de capital de giro de uma empresa são determinadas em função de seus principais ativos e passivos circulantes operacionais ou de funcionamento. A necessidade líquida de capital de giro (NCLG) é a diferença entre o ativo operacional e o passivo operacional, ou seja, a diferença entre as aplicações ou investimento em capital de giro, estoques e financiamento de vendas (contas a receber) e os passivos ou financiamentos obtidos. Conforme Assaf Neto (2002, p.16), "quando uma empresa realiza uma adequada gestão dos seus recursos financeiros, esta é capaz de reduzir significativamente as necessidades de capital de giro, gerando assim um maior ganho em função da redução das despesas financeiras". Complementando este raciocínio, o autor afirma que a utilização deste instrumento permite que a empresa identifique e se planeje para eventuais sobras ou escassez de caixa, podendo assim definir as melhores medidas a serem tomadas. 66 2.9.2 Tipos de capital de giro Capital de giro é um fator importantíssimo para a empresa se manter, conforme cita Gitman, Lawrence J (2006, p. 510): “representa a proporção do investimento total da empresa que circula, de uma forma para outra, na condução normal das operações”. Sanvicente (1980, p. 114) afirma que capital de giro “[...] compreende os saldos mantidos por uma empresa nas contas caixa e bancos, títulos a curto prazo, contas a receber de clientes, e estoques de matérias-primas, mercadorias para a venda, produção em andamento e produtos acabados”. De acordo com Silva (2006, p. 43), "o capital próprio equivale ao patrimônio líquido e é obtido através da emissão das ações preferenciais e ordinárias, com a retenção de lucros, enquanto o capital de terceiros pode-se conseguir no mercado financeiro e de capitais”, através de empréstimos e financiamentos. A seguir são representados os principais capitais que fluem na empresa, segundo Zdanowicz (2000): Figura 3 – Principais capitais que fluem na empresa Fonte: Zdanowicz (2000, p. 33) Complementando o pensamento de Zdanowicz, o autor Padoveze (2011), ressalta alguns elementos do capital de giro, que dentro da visão tradicional, os componentes do capital de giro são todas as contas do ativo circulante e do passivo circulante. Os elementos são; • Disponibilidade (Caixa, Bancos e Aplicações Financeiras); 67 • Contas a Receber de Clientes (Duplicatas a Receber); • Estoques (Materiais, em processo e acabados); • Contas a pagar (Despesas Provisionadas); • Salários e Encargos a Pagar; • Impostos a Recolher sobre Mercadorias. Outras contas menos comuns e até de montante menos significativo, para a maioria das empresas, também devem ser consideradas no capital de giro: • Impostos a recuperar (IR de Aplicações Financeiras, Saldo Credor de IPI/ICMS etc.); • Provisão para devedores duvidosos; • Títulos descontados; • Provisão retificadora de estoque; • Adiantamentos de fornecedores; • Despesas do exercício seguinte (Despesas Antecipadas); • Adiantamentos de clientes; • Impostos a recolher sobre o lucro; • Empréstimos de curto prazo; • Dividendos ou lucro a distribuir. Cada uma dessas contas merece uma gestão diferenciada, pois tem suas características próprias. 68 3 ASPECTOS METODOLÓGICOS Apresenta-se nesta seção, os aspectos metodológicos que foram utilizados como alicerce para a construção deste trabalho, descrevendo o delineamento da pesquisa, os participantes que contribuíram para o trabalho, as técnicas de coleta de dados, assim como, as técnicas de análise dos dados utilizadas. Richardson (1999) diferencia os conceitos de método e metodologia observando que o método é o caminho ou a maneira para se chegar a um determinado objetivo e metodologia são os procedimentos e regras utilizados por um determinado método. A seção de metodologia do projeto descreve como se pretende atingir os objetivos específicos (ROESCH, 2007). 3.1 Delineamento da pesquisa O modelo de estágio utilizado para a elaboração deste trabalho foi o Modelo de consultoria. Este modelo se encaixou perfeitamente para o tema proposto. O Modelo de Consultoria possibilita que o acadêmico, coloque em prática seus conhecimentos, abordando soluções para os problemas diagnosticados pela própria empresa ou também diagnosticando estes problemas (ROESCH, 2012). A partir do modelo de consultoria, definiu-se que o melhor tipo de pesquisa para este trabalho foi a Proposição de Planos, de nível descritivo, no qual se espera “apresentar soluções para os problemas já existentes e diagnosticados pela organização, sendo imprescindível a aplicação e/ou adaptação destas soluções” (ROESCH, 2012). Com os levantamentos dos dados, a abordagem do trabalho foi qualitativa com aporte quantitativo. A pesquisa quantitativa normalmente buscar seguir a risca um plano estabelecido previamente, enquanto a pesquisa qualitativa tem foco mais amplo de interesse, e é direcionada ao longo do desenvolvimento (NEVES, 1996). 69 A pesquisa quantitativa será necessária quando o pesquisador busca compreender os fatos, definindo sua posição de acordo com a perspectiva dos participantes (NEVES, 1996). Neves (1996) ressalta que mesmo os dois métodos possuírem direcionamentos distintos, eles não se impedem, mas se auxiliaram, de forma a proporcionar maior compreensão dos fenômenos analisados. O nível dos objetivos foi descritivo. De acordo com Gil (1999), uma pesquisa descritiva faz-se o uso de técnicas padronizadas de coleta de dados, através de planilhas e relatórios. A pesquisa documental foi elaborada perante documentos fornecidos através da proprietária da empresa. 3.2 Contexto e participantes da pesquisa Para a realização deste trabalho, foi imprescindível a participação da proprietária, pois através da mesma foi possível o acesso aos documentos financeiros da empresa, os administradores e as secretárias responsáveis pelo atendimento aos clientes, fornecedores, vendas e compras; a contabilidade, que é terceirizada; e para a acadêmica, que através de entrevistas informais e observações obteve informações precisas. Segundo Gil (1999), a entrevista informal é o tipo menos estruturado, e só se distingue da simples conversão porque tem como objetivo básico a coleta de dados. O que se pretende é a obtenção de uma visão geral do problema pesquisado, quase uma conversa. Nestes casos, comumente recorre-se a informantes-chaves, especialistas no assunto. Comum em estudos de caso. 70 3.3 Técnica de coleta de dados Os dados coletados para esta pesquisa foram de fontes primárias e secundárias. Na definição de Richardson (1999), os dados primários são aquelas informações que tiveram contato direto com os fatos analisados, existindo um relatório ou registro deste contato. As fontes secundárias foram os documentos existentes na empresa que serviram de intermediários para a coleta e análise dos dados e que receberam da acadêmica o tratamento adequado. Conforme Richardson (1999), as fontes secundárias podem complementar as informações das fontes primárias. Marconi e Lakatos (1999) relatam que “a importância dos dados está não neles mesmos, mas no fato de proporcionarem respostas a investigações”. Os dados primários foram coletados através de entrevistas informais com os integrantes da organização, observações feitas pela acadêmica, e os documentos impressos que constavam as entradas e saídas de caixa. Para a coleta de dados secundários, foram extraídos por meio da pesquisa documental, a partir de documentos fornecidos pela contabilidade, documentos estes que permitiram a análise das entradas e saída das mercadorias, relatórios referentes à gestão da folha de pagamento, entre outros. 3.4 Técnica de análise de dados Para análise dos dados foi aderida a análise descritiva. O estudo descritivo permite ao esclarecimento das relações entre causa e efeito dos fatos ocorridos, investigando as variáveis que influenciam os eventos de fenômenos, ordenando-os e classificando-os (OLIVEIRA, 1999). Visando descrever as características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. Envolvendo o uso de técnicas padronizadas de coleta de dados, como por 71 exemplo, questionário e observação sistemática. Assumindo em geral, a forma de levantamento. Os documentos utilizados neste trabalho para a análise das entradas e saídas dos recursos financeiros foram através de cadernos, cadernetas, notas fiscais entre outros meios de informações financeiras, referente aos meses de dezembro de 2013 a junho de 2014, os quais foram analisados e incluídos para a elaboração do fluxo de caixa. Todos os dados coletados foram tabulados em planilhas, por meio do programa Excel do pacote Microsoft Office, mês a mês, utilizando o método de regime de competência em que os ingressos e desembolsos ocorreram. Após a coleta dos dados e posteriormente tabulados, foi possível a organização dos dados para o aprimoramento da receita, conforme anseio da proprietária, para o período de projeção do fluxo de caixa. Levando em consideração o índice de inflação previsto para o período projetado. Foi possível através dos ajustes feitos dos dados coletados, a elaboração dos mapas auxiliares de saída e entradas de caixa com o propósito de analisar os períodos em que as vendas a prazo entrarão no caixa, bem como as compras a prazo sairão do caixa da empresa. Portanto, através da tabulação, dos ajustes dos dados coletados e do desenvolvidos dos mapas auxiliares, foi possível a elaboração do fluxo de caixa. 72 4 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA A caracterização da empresa é fundamental para conhecer melhor seus aspectos individuais. Este capítulo tem o objetivo de apresentar a empresa Claudia Scheifele ME Comércio de gás e água, caracterizando seu histórico, missão, visão, valores, seus clientes, fornecedores, e a estrutura atual da empresa. Segundo Roesch (2009), a caracterização da organização é importante, pois qualquer organização apresenta uma história, na qual auxilia no entendimento de uma situação problema, como data de fundação, alterações em sua natureza jurídica ou propriedade. 4.1 Histórico da empresa O casal Claudia Scheifele e seu companheiro João Batista da Silva, ambos nascidos em Santa Catarina e criados na cidade de Cascavel - PR, sendo que Claudia nasceu em Joaçaba e João Batista nasceu Urubici. Em suas juventudes se conheceram e estão juntos até os dias de hoje. A família de João Batista havia se mudado para Santa Catarina em meados do ano 2000, onde iniciaram a venda de gás e água no vale do Itajaí. Foi então que perceberam uma ótima oportunidade para o restante da família se mudar para a cidade de Itajaí e criar uma empresa de comércio de gás e água, onde havia boas perspectiva de vendas, pois na época não havia grandes concorrências neste ramo. Foi então que em fevereiro de 2004, Claudia Scheifele, João Batista e mais uma filha pequena, mudaram-se para a cidade de Itajaí, alugando um terreno para o comércio de gás e água na cidade. Porém, a legalização da empresa ocorreu somente em 23 de outubro de 2007, até esta data, a família trabalhava sem alvará e licenças para o funcionamento. 73 A empresa Claudia Scheifele adquiriu o terreno neste ano de 2014, no mês de maio e parcelando em 120 parcelas iguais e fixas de 5.056,00. A empresa é familiar e de pequeno porte. Hoje conta com 7 funcionários, incluindo a proprietária da organização. A empresa busca atender cada vez mais as expectativas de seus clientes, atendendo-os em suas residências e também na portaria da organização. Projeta-se para um futuro próximo a criação de um novo e amplo escritório para atender melhor seus clientes, utilizando a tecnologia a favor da empresa, uma vez que atualmente a administração da empresa faz uso apenas de papel e caneta. A empresa objeto de estudo faz a comercialização de gás e água. Suas fornecedoras de água são duas, sendo a empresa Distribuidora Paulista, que fornece águas Imperatriz, e a Distribuidora JI, que fornece águas Rio do Ouro. Em relação ao representante de gás, houve mudança, sendo que antes era representante legal da ULTRAGAZ, até o mês de julho de 2014, a qual somente fazia o papel de distribuição de gás até o consumidor final. Hoje, a empresa Claudia Scheifele mudou de representante, aderindo-se a LIQUIGAS como representante de gás. O momento que a empresa passa, é de grandes transformações em sua gestão, incrementando a tecnologia na administração das operações administrativa e ocorrendo mudança de representante de gás, como forma de estratégia competitiva. 4.2 Dados de identificação A empresa Claudia Scheifele ME está localizada na Rua Adolfo Batschauer, 916, bairro Dom Bosco, Itajaí/SC. Um ótimo local, pois está situado próximo de residências, as quais são o foco de venda de seus produtos. Dispõe de uma área de aproximadamente 450 m², incluindo o pátio e o depósito, possui 480 bujões de gás liquefeito de petróleo e 600 galões de água para comercialização. A empresa é conhecida como Disk água e gás Silva. 74 Para complementar a identificação a empresa é portadora do CNPJ (Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral de Pessoa Jurídica) é 09.083.659/0001-23. 4.3 Missão A empresa objeto de estudo não tinha sua missão formalizada. Assim, a acadêmica, juntamente com a proprietária, elaborou a missão de acordo a razão de ser da empresa, e o que a organização espera conquistar no futuro e como espera estar reconhecida pelos seus clientes e demais stakeholders. Conforme Tachizawa e Resende (2000, p. 39), “a missão define a razão de ser da organização”. Para Oliveira (1999), a missão da empresa determina onde a organização pretende ir, ou seja, qual o seu negócio, qual a razão da sua existência, quais os ramos de atividade que deverão ser focados no futuro. A missão da empresa ficou assim definida: “Comercializar produtos de ótimas qualidades, levando aos clientes produtos originais e que atenda as normas legais de segurança, buscando a satisfação dos consumidores, fornecedores e da sociedade na qual está inserida”. 4.4 Visão A visão de uma organização pode ser percebida como a direção desejada, o caminho que se pretende percorrer, uma proposta do que a empresa deseja ser a médio e longo prazo e, ainda, de como ela espera ser vista por todos.Para Chiavenato (2010, p.65), “visão é a imagem que a organização tem a respeito de si mesma e do seu futuro. É o ato de ver a si própria projetada no espaço e no tempo”. A empresa não tinha sua visão constituída. Assim, a acadêmica, juntamente com a proprietária, elaborou a visão de acordo com seus anseios. 75 A missão da empresa ficou assim definida: “Ser reconhecida por seus clientes, fornecedores, concorrentes, como uma empresa líder no ramo de distribuição de água e gás”. 4.5 Valores Os valores da organização não haviam sido formalizados, porém, a acadêmica junto com a proprietária, levantou valores que a empresa tem, e descreveram neste trabalho. Os valores da empresa Claudia Scheifele são: 4.6 • Comprometimento; • Confiabilidade; • Fidelização; • Produtos de qualidade; • Rapidez na entrega. Ramo de atividade O ramo de atividade da empresa é a distribuição de gás e água na região de Itajaí. É uma atividade que necessita de carros para o transporte de seus produtos até os clientes finais. 4.7 Produtos A empresa Claudia Scheifele ME trabalha com dois tipos de produtos, são eles: Gás e água. Sendo que na linha de água, existem dois modelos, 10 litros e 20 litros, e comercializam duas marcas; Águas Imperatriz e Águas Rio do Ouro. 76 Portanto, na sua linha de gás há vários modelos e características individuais que são comercializados. Porém, comercializava apenas uma marca; ULTRAGAZ. Onde neste ano no mês de maio houve troca de representante de gás, passando comercializar produtos da empresa LIQUIGAS. Os modelos de gás são; Gás P5 - residencial pequeno O botijão de cinco quilos é utilizado em fogões residenciais. Sua instalação e manuseio são semelhantes aos do botijão de 13 quilos e, por isso, ele é uma opção para consumidores que utilizam menor quantidade de gás. Porém existe clientes que utilizam para fogareiros de acampamento. Dimensões: 272,5 mm de diâmetro x 333 mm de altura (medidas de referência). Gás P13 - residencial padrão O botijão de 13 quilos é o mais utilizado em fogões residenciais para cozinhar alimentos.Dimensões: 360 mm de diâmetro x 460 mm altura (medidas de referência). Gás P20 - combustível para empilhadeiras O combustível para empilhadeiras industriais é comercializado em cilindros de 20 quilos. Esses cilindros são projetados para utilização na posição horizontal, já que todo o consumo se dá na fase líquida e não na de vapor, como acontece nos demais recipientes.Dimensões: 309 mm de diâmetro x 885 mm de altura (medidas de referência). Gás P45 - larga escala O cilindro possui 45 quilos. Utilizado em larga escala e em diferentes situações e locais, como residências, comércio, bares, restaurantes, lavanderias, indústrias, hospitais e escolas, é instalado em centrais de abastecimento - sempre locais pré-determinados pelo cliente. De acordo com as normas estabelecidas. Dimensões: 380 mm de diâmetro x 1280 mm de altura (medidas de referência). 4.8 Mercado Mercado de gás 77 O consumo mundial de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) é de aproximadamente 200 milhões de toneladas anuais e tem nas economias emergentes o maior potencial de consumo. No cenário mundial o GLP desempenha um importante papel ambiental e social, sendo incentivado como fonte de energia (www.liquigas.com.br). GLP no Brasil. O GLP é um dos principais componentes da matriz energética brasileira, promovendo o progresso e a integração social em todas as regiões do país. Trata-se de um importante recurso na promoção da cidadania, principalmente nas camadas de menor renda da população, que desempenha um papel fundamental no progresso socioeconômico e desenvolvimento sustentável do país. No Brasil, a distribuição de GLP em recipientes transportáveis, os denominados botijões de gás, abrange 100% do território nacional e garante o abastecimento de 95% dos domicílios, o que lhe confere uma penetração nos lares ainda maior que a luz elétrica e água encanada. Por suas características de portabilidade e armazenamento, o GLP não possui limites de utilização geográfica, atendendo 100% dos municípios brasileiros. O mercado brasileiro de GLP conta com uma ampla rede de distribuidores e milhares de pontos-de-venda espalhados por todo país, atendendo aproximadamente 42 milhões de lares e gerando pelo menos 350 mil empregos diretos e indiretos. Ao longo das três últimas décadas, o mercado brasileiro passou por profundas transformações e atualmente vive-se um momento de consolidação desse processo de mudança. O alto grau de competitividade do setor resultou em bons níveis de serviço e segurança para o consumidor. O consumo mundial de GLP é de aproximadamente 200 milhões de toneladas anuais e tem nas economias emergentes o maior potencial de consumo. No cenário mundial o GLP também desempenha um importante papel ambiental e social, sendo incentivado como fonte de energia. Mercado de água O Brasil possui a maior reserva de água doce potável do planeta, fato que lhe confere um importante posicionamento geoestratégico mundial no mercado de água 78 mineral. Porém, em termos de produção e consumo o país ainda tem que avançar posições para obter liderança (www.sebraemercados.com.br). Dados da Associação Internacional de Águas Engarrafadas indicam que o Brasil ocupa o 4º lugar no ranking mundial de produtores. Consome mais água engarrafada que países como Itália, Alemanha, França e Espanha, mas fica atrás dos Estados Unidos, México (que crescem, em média, 8,5% ao ano) e da China, cuja demanda aumenta 17,5% a cada ano. A taxa média de crescimento mundial é de 7,6% ao ano. Em 2007, por exemplo, foram consumidos 206 bilhões de litros de água vendida em garrafa. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Água Mineral (Abinam), o Brasil tem consumo per capita ainda considerado baixo (65 litros por ano), se comparado aos argentinos, que é o dobro. O mercado de água mineral no Brasil é atraente. As sínteses dos dados deste mercado se destacam a seguir: • 100 bilhões foi o faturamento, em dólares do mercado internacional de água engarrafada, em 2007; • em 2007, forma 6,8 bilhões de litros de água mineral produzidos e consumidos no Brasil; • em 2011, o Brasil movimentou 13 bilhões de litros e faturou US$ 8,2 bilhões; • 10 % é o índice de crescimento do mercado nacional nos últimos anos; • 60 % dos garrafões comercializados no Brasil têm entre 10 e 20 litros. Apesar de ser um mercado pulverizado, nota-se um movimento de concentração do mercado, com grandes empresas detentoras de diferentes marcas. 4.9 Clientes Os clientes são aquele indivíduo que tem acesso a um produto ou serviço mediante pagamento. 79 Dependendo do contexto, a palavra cliente pode ser usada como sinónimo de comprador (a pessoa que compra o produto), utilizador (a pessoa que utiliza o serviço) ou consumidor (quem consome um produto ou serviço). Para Porter (1998), os clientes são a razão de existência da empresa. Os principais clientes da empresa são as pessoas físicas. Vende-se também para lanchonete, assadão, restaurantes, porém, para estes tipos de clientes se vende como pessoa física por não utilizar o CNPJ de suas organizações no ato da venda. Existe também 4 clientes específicos que compram da empresa Claudia Scheifele ME para revender a outros clientes. Estes 4 clientes tem o poder de barganha no momento de negociação da compra, fazendo com que o lucro da empresa objeto de estudo diminua. 4.10 Fornecedores Os fornecedores dos produtos para a empresa são: • LIQUIGAZ: fornece todos os tipos de gás; • Distribuidora Paulista: fornece águas Imperatriz; • Distribuidora JI: fornece águas Rio do Ouro. A empresa ULTRAGAZ fornecia até o mês de julho de 2014 os modelos de gases para a empresa, porém, por decisões estratégicas a proprietária optou pela mudança. 4.11 Forma de pagamento A forma de pagamento proposta pela empresa Claudia Scheifele compreende os seguintes tipos de pagamentos em: 80 4.12 • Pagamento à vista; • Cartão de Crédito e débito • Cheque Política de pagamento da empresa A ULTRAGAZ foi a fornecedora de gás para a empresa Claudia Scheifele até o mês de julho deste ano (2014), porém como descrito anteriormente, mudou-se de representante de gás, passando a representar a LIQUIGAS. Para nova representante, faz-se pagamento através de boletos bancários, com no máximo 4 dias úteis para quitação das compras realizadas. Já para a Distribuidora Paulista que fornece águas Imperatriz e Distribuidora JI que fornece águas Rio do Ouro, o pagamento é feito à vista. 4.13 Modelo de gestão atual A secretária é a pessoa responsável pelo atendimento aos clientes via telefone e clientes que chegam diretamente até a portaria para efetuar a compra de gás e/ou água. Porém, esta secretária trabalha apenas um período do dia. A proprietária é responsável pelas contas a pagar e receber da empresa, e quando a secretária se ausenta, a proprietária assume a função de atender os clientes. Os dois administradores, são multifuncionais, cuidam desde a conferência dos novos produtos adquiridos até a entregar do produto ao consumidor final, quando os entregadores não estão na empresa. Os entregadores apenas levam os produtos até os clientes finais. 81 4.14 Organograma A acadêmica elaborou o organograma da empresa, com informações cedidas pela proprietária da organização. A seguir representada na figura 3, o organograma da empresa objeto de estudo, descrevendo as funções e as responsabilidades dentro da empresa. PROPRIETÁRIA Administrador Administrador Secretária Entregador Entregador Entregador Figura 4 – Organograma de cargos e funções Fonte: Elaborada pela acadêmica Conforme o organograma criado pela acadêmica, é possível observar que a empresa Claudia Scheifele ME é classificada como empresa familiar e de pequeno porte. Onde pode-se perceber, pela quantidade de funcionários existentes no organograma, que a empresa conta com 7 funcionário, incluindo a proprietária. Para Chiavenato (1994), o desenho organizacional envolve a definição da estrutura básica da empresa e como a tarefa empresarial será dividida e atribuída entre departamentos, divisões, grupos, posições e cargos. 82 5 RESULTADOS DA PESQUISA Apresentam-se a seguir as informações obtidas com a pesquisa através de documentos manuais, relatórios contábeis, entrevistas informais e observações da acadêmica correspondentes ao período de dezembro de 2013 a junho de 2014, os quais foram utilizados para a elaboração do fluxo de caixa para o período de janeiro a junho de 2015. Apresentam-se também os mapas auxiliares de compras e vendas, demonstrando as previsões de ingressos e desembolsos para os meses em que fluxo de caixa foi projetado. 5.1 Resultados obtidos Na tabela 4 estão destacados todos os eventos que provocaram entradas e saídas de recursos financeiros naempresa Claudia Scheifele, ocorridos entre os meses de dezembro de 2013 a junho de 2014, considerando-se o regime de competência. Regime de competência, é quando, na apuração dos resultados do exercício, é considerado as receitas e despesas, independentemente de seus recebimentos ou pagamentos. É obrigatório nas entidades com fins lucrativos. Os valores correspondentes aos ingressos, são formados pelas vendas à vista e a prazo de produtos, considerando-se as vendas à avista, as compras efetuadas e pagas através de dinheiro e cartão de débito. As vendas a prazo ocorrem por meio de cartão de crédito e também tem a possibilidade dos clientes efetuarem através de cheque pré-datado. Os desembolsos são compostos pelas compras dos produtos (que em 100% dos casos os pagamentos ocorrem à vista), despesas administrativas, despesas operacionais (com os veículos), com pessoal, tributárias e despesas financeiras. 83 Tabela 4 – Relatório dos eventos que provocam ingressos e desembolsos de caixa (em R$) Fonte: Arquivos da empresa Nesta tabela (4) estão tabulados mês a mês todos os eventos de entrada e saída de caixa na empresa objeto de estudo, eventos estes, ocorridos entre o mês de dezembro de 2013 a junho de 2014. As entradas são referentes às vendas à vista e a prazo no mês correspondente na tabela. Nas vendas à vista contabilizam-se todas as entradas em 84 dinheiro como pagamentos das mercadorias vendidas, correspondendo a 88% do faturamento total, de acordo com a proprietária. Nas vendas a prazo, que representam 12% do faturamento total da organização, é concedido 30 dias de prazo para pagamento. Os pagamentos ocorrem através de cartão de crédito e/ou cheque, o prazo para a empresa estar recebendo através destes meios é conforme combinado com o banco. As compras são 100% pagas à vista, tanto para os fornecedores de água, quanto de gás. Em janeiro de 2014 a empresa teve que desembolsar como obrigação tributária do município, o pagamento do Alvará de funcionamento do estabelecimento. O contrato da contabilidade terceirizada é baseado no salário mínimo, onde a empresa paga para a contabilidade meio salário, ocorre alteração do valor todos os meses de janeiro, pois há o reajuste do salário mínimo decretado pelo governo. Pode-se compreender esta mudança que ocorreu do período de dezembro de 2013 para Janeiro de 2014. O valor da “Energia elétrica” e “Água” é conforme o uso, então em todos os meses há alteração. Pelo uso da internet é pago um valor fixo, para uma operadora da cidade. O IPTU (Imposto sobre Propriedade Territorial Urbana) foi pago em uma parcela única ao município no mês de fevereiro de 2014. As despesas com os “Materiais de Expediente” alteram-se conforme a necessidade do escritório da empresa, estão inclusos: caderno, canetas, clips; post it.As despesas com “Materiais de Uso e Consumo” caracterizam-se por não se agregarem, fisicamente, ao produto final. Esses materiais são referentes aos itens como: alimentação do pessoal que usufrui no estabelecimento, remédios, frutas, água, café, materiais de limpeza e produtos de higiene. Na tabela está incluso o item “Mensalidade de Software”, a empresa no mês de setembro/2014 incluiu em suas atividades esse sistema. A despesa “Mensalidade Cielo e “Mensalidade Redescard” são referentes ao aluguel das seis máquinas de cartão, cujo valor é fixo e mensal. Possuindo como aceitação na forma de pagamento como crédito ou débito A despesa com propaganda é referente à divulgação que a empresa paga para uma equipe terceirizada neste ramo. 85 As despesas operacionais como “Aluguel do Imóvel” na tabela 4, há valores até o mês de abril/2014, pois a partir do mês de maio/2014 a proprietária adquiriu o imóvel, passando a pagar parcelas mensais iguais e fixas de R$ 5.056,00 durante 120 meses, resultando assim em 10 anos para a quitação total do imóvel; todavia, tem a possibilidade de quitá-lo antes. O valor do “Seguro dos Automóveis” é diferenciado. O valor do seguro é R$ 1.956,00 ao ano por cada caminhonete, destacando-se que a empresa possui três caminhonetes, cujo pagamento foi parcelado em 6 vezes. O pagamento de duas caminhonetes iniciou-se em agosto/2013 e encerrou-se em Janeiro/2014, com parcelas no valor de R$ 326,00, e uma caminhonete o pagamento iniciou-se em novembro/2013 e encerrou-se em abril/2014, também em R$ 326,00. A “Manutenção dos Automóveis”são valores alternados, pois depende dos incidentes que ocorrem durante o mês. Nota-se na tabela 4 que há uma variação de salário a parir do mês de março. Esta variação é decorrente a contratação de um novo entregador. Além desse gasto com o salário, observa-se também um gasto com comissão sobre as entregas, que varia conforme a quantidade de entrega realizada. A comissão é paga todos os dias ao final do expediente. A empresa é tributada pelo regime do Lucro Presumido. O Lucro Presumido é a forma de tributação simplificada para determinação da base de cálculo do imposto de renda (IRPJ) e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) das pessoas jurídicas. Conforme o site www.fazenda.gov.br, autoriza os Estados e o Distrito Federal a concederem crédito presumido do ICMS aos distribuidores e varejistas de produtos derivados de petróleo conforme o Convênio ICMS 39/89. Os valores de PIS e a Cofins estão zerados, pois a empresa opera sobre o regime monofásico. Este mecanismo é semelhante à substituição tributária, pois atribui a um determinado contribuinte a responsabilidade pelo recolhimento do tributo devido em toda cadeia produtivo ou de distribuição subsequente, ou seja, estes impostos já são recolhidos pelo fornecedor anterior. O PIS e a Cofins incidem sobre a gasolina (exceto de aviação), óleo diesel, GLP e álcool para fins carburantes são calculados aplicando-se alíquotas diferenciadas sobre a receita bruta auferida com as vendas destes produtos pelos produtores, importadores, refinarias de petróleo e distribuidores de álcool para fins carburantes. As contribuições para os Programas Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e para o Financiamento da Seguridade Social 86 (Cofins)devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo são calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas; 10,2% (dez inteiros e dois décimos por cento) e 47,4% (quarenta e sete inteiros e quatro décimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo (GLP) dos derivados de petróleo e gás natural. As “Despesas Financeiras” englobam as despesas bancárias com serviços mensais de manutenção de conta, emissão de boletos, porcentagem paga à administradora das máquinas de cartões de crédito sobre as vendas efetuadas etc. Destacam-se também neste item das despesas financeiras os Investimentos da prestação do Imóvel e prestação dos veículos adquiridos. 5.2 Projeção dos dados obtidos Na projeção dos dados obtidos com a pesquisa, levou-se em consideração as perspectivas de aumento no faturamento, bem como o índice de inflação esperados para o período de projeção do fluxo de caixa. De acordo com os relatórios Focus emitidos pelo Banco Central do Brasil,que aborda semanalmente as perspectivas de acréscimo ou decréscimos do mercado financeiro, o IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo) é considerado o índice oficial de inflação do país. O governo usa o IPCA como referência para verificar se a meta estabelecida para a inflação está sendo cumprida. O índice utilizado neste trabalho está baseado no relatório da semana do dia 03 de outubro de 2014, abordando neste relatório que a meta do índice do IPCA está indicando 6,32% para 2014, portanto o limite estabelecido pelo governo foi de 6,29% para esse período. Para atualização dos dados coletados nesta pesquisa foi utilizada a taxa de inflação de 6,32%, baseando-se no relatório Focus do Banco Central do Brasil. Considerando-se uma estimativa de crescimento nas vendas equivalente a 10%, de acordo com as expectativas dos proprietários, mais o índice de inflação de 6,32%, representa um acréscimo 16,95% nos ingressos para o primeiro semestre de 2015. 87 Com base nas informações apresentadas acima, projetou-se na tabela 5 os eventos de entradas e saídas de caixa correspondentes ao período de Dezembro de 2014 a junho de 2015. Tabela 5 – Projeção dos eventos que provocarão ingressos e desembolsos de caixa. Fonte: Tabela 4 (Relatório dos eventos que provocaram ingressos e desembolsos de caixa (em R$) 88 5.3 Mapas auxiliares Os mapas auxiliares são fundamentais para a elaboração do fluxo de caixa, sendo compostos por valores de entradas e saídas de recursos financeiros que afetam o fluxo de caixa projetado nos respectivos períodos, de acordo com as datas previstas para recebimento ou pagamento. 4.3.1 Mapa auxiliar de ingressos de caixa Os ingressos de caixa da empresa estudada são resultantes das vendas dos produtos. Os recebimentos dessas vendas ocorrem de formas diferentes, são elas: vendas à vista, recebidas em dinheiro, que representa em média 88% do total das vendas, e vendas a prazo, que são recebidas através de cartão de débito e crédito e cheque pré-datado, sendo que o montante de vendas a prazo representa, em média,12% do total das vendas. A tabela 6 apresenta os períodos em que os recursos financeiros das vendas à vista e a prazo entrarão no caixa. Tabela 6 – Mapa auxiliar de recebimento das vendas a prazo Fonte: Tabela 5 (Projeção dos eventos que provocarão ingressos e desembolsos de caixa) 89 Através do mapa auxiliar de entrada de caixa, tabela 6, é possível perceber que os valores mensais de entradas provenientes de vendas à vista ocorrerão de forma uniforme ao longo do primeiro semestre de 2015, com valor inicial em janeiro na ordem de R$ 162.962,03 e R$ 176.416,58 em junho, sendo este último um pouco superior em relação aos demais meses. Já em relação aos ingressos das venda a prazo, o valor mais representativo está previsto para o mês de janeiro, R$ 29.815,48, enquanto nos demais meses estes ingressos também ocorrerão de forma uniforme, para fevereiro está previsto o valor de R$ 22.222,10 e para junho R$ 22.181,00. 5.3.2 Mapas auxiliares de desembolsos de caixa Conforme demonstra a tabela 7, as compras realizadas pela empresa Claudia Scheifele são 100% pagas à vista. Embora este mapa tenha como principal finalidade identificar em que períodos os desembolsos provenientes das compras a prazo afetarão o caixa, neste trabalho utilizou-se também para registrar as compras à vista. Além disso, o mapa ficará disponível para a empresa utilizar quando realizar compras a prazo.Destaca-se que o maior desembolso ocorrerá em maio de 2015. Tabela 7 – Mapa auxiliar de pagamento das compras a prazo Fonte: Tabela 5 (Projeção dos eventos que provocarão ingressos e desembolsos de caixa) 90 5.4 Fluxo de caixa projetado Apresenta-se a seguir o fluxo de caixa projetado, elaborado para o primeiro semestre de 2015, para a empresa Claudia Scheifele. O modelo de fluxo de caixa projetado, foi baseado no modelo proposto pelo autor Zdanowicz (1988), e adaptado para a empresa. Através do fluxo de caixa projetado será possível analisar as contas da empresa com mais exatidão, contribuindo na previsão e planejamento financeiro mais eficaz. A seguir descreve-se a forma como foi organizado o fluxo de caixa, destacando-se as três áreas em que foi divido: Atividades operacionais - São as principais atividades geradoras de receita da empresa. Envolvem todas as operações relacionadas com a produção de bens e serviços e os eventos que não sejam definidos como atividades de investimentos e financiamentos. O montante de fluxos de caixa decorrente das atividades operacionais é um indicador de como a operação da empresa tem gerado suficientes fluxos de caixa para amortizar empréstimos, manter a capacidade operacional da empresa, pagar lucros e juros sobre o capital próprio e fazer novos investimentos sem recorrer a fontes externas de financiamento. Atividade de Investimentos – É a aquisição ou venda de ativos de longo prazo e outros investimentos não incluídos em equivalentes de caixa. Atividades de Financiamento – São as atividades que resultam das alterações no tamanho e na composição do patrimônio líquido e dos empréstimos da empresa. É útil para prever as exigências sobre fluxos de caixa pelos fornecedores de capital à empresa, bem como a capacidade que a empresa tem, utilizando recursos externos, para financiar as atividades operacionais e de financiamento. Para o melhor entendimento do fluxo de caixa, foi criado um manual, o qual foi desenvolvido pelo professor orientador e empregado neste trabalho pela acadêmica, a seguir descrito. 91 (1) Registrar todos os recebimentos e pagamentos mensais previstos relacionados às atividades operacionais. (2) Este resultado pode ser negativo ou positivo. É o confronto das entradas e saídas da ATIVIDADE OPERACIONAL. (3) Registrar todas as entradas e saídas mensais de numerários previstas relacionadas a transações de itens do ativo permanente. (4) Este resultado pode ser negativo ou positivo. É o confronto das entradas e saídas da ATIVIDADE DE INVESTIMENTO. (5) Registrar todas as entradas e saídas de recursos financeiros relacionadas ao financiamento das operações (empréstimos bancários, integralização de capital etc.). (6) Este resultado pode ser negativo ou positivo. É o confronto das entradas e saídas da ATIVIDADE DE FINANCIAMENTO. (7) Este saldo é a soma algébrica dos resultados (2); (4) e (6), podendo ser negativo ou positivo. Observação: após encontrar os resultados do item (7), seguir as regras (sinais algébricos) do modelo. (8) O saldo inicial de cada período é sempre igual ao final do período anterior. (9) Aqui, deve ser registrada a entrada do dinheiro pelo resgate da aplicação (o valor principal). (10) Registrar a entrada do dinheiro pelos rendimentos (juros) das aplicações realizadas. (11) Registrar a saída do dinheiro pelo pagamento do empréstimo contraído (só o principal). (12) Nesta linha, registrar a saída do dinheiro pelo pagamento dos juros sobre os empréstimos contraídos. (13) Nesta linha, registrar o valor do empréstimo (principal) necessário para que se tenha o saldo final de caixa conforme projetado. Ao apurar o valor do empréstimo, lançar o principal e juros nos itens (11) e (12), respectivamente, conforme o mês previsto para pagamento. 92 (14) Nesta linha, registrar as aplicações (principal) a serem efetuadas quando sobrar recursos de acordo com o saldo final de caixa projetado. Ao apurar o valor da aplicação, lançar o principal e juros nos itens (9) e (10), respectivamente, conforme o mês previsto para resgate. (15) Este saldo é projetado conforme política da empresa (não esquecer que o saldo inicial de cada período é sempre igual ao saldo final do período anterior). Observação: os saldos (8) e (15), podem, e devem ser definidos (de acordo com as informações) antes de qualquer procedimento relativo ao fluxo de caixa projetado. Após os dados coletados e organizados foi elaborado o fluxo de caixa projetado para os meses de janeiro a junho de 2015 para a empresa Claudia Scheifele, conforme tabela 8. Tabela 8 – Fluxo de caixa projetado para o primeiro semestre de 2015 93 Fonte: Tabelas 5, 6 e 7 (Projeção dos eventos que provocarão ingressos e desembolsos de caixa, Mapa auxiliar de recebimento das vendas a prazo, Mapa auxiliar de recebimento das compras a prazo). (*) Disponibilidade acumulada II (–) Saldo Final de Caixa = Excedentes ou Escassez de Recursos Financeiros do Período, que será igual ao valor da aplicação a ser realizada (excedentes) ou do empréstimo (escassez de recursos) a ser contraído, de acordo com o nível de caixa desejado. Com o fluxo de caixa projetado identificou-se que haverá excedentes de caixa (considerando-se as entradas e saídas provenientes das atividades operacionais, de investimentos de financiamentos) em todos os meses, destacando-se o mês de março de 2015 com o maior valor, R$ 41.289,14. A taxa de juros aplicada para obter os rendimentos das aplicações financeiras dos excedentes de caixa foi de 0,65% ao mês, com base nos dados obtidosno site do banco Central do Brasil. Verificando-se as entradas de caixa previstas para janeiro a junho de 2015, percebe-se que o mês em que ocorrerá o maior volume de entrada será junho, R$ 198.597,58, enquanto o menor está previsto para abril, R$ 183.978,84. Os desembolsos de caixa componentes das atividades de investimentos, são provenientes da aquisição de um imóvel, com parcelas mensais fixas de R$ 5.056,00, e dos veículos adquiridos pela a proprietária, com parcelas fixas mensais de R$ 2.727,00. As atividades de financiamentos estão representadas pelo desembolso mensal de R$ 9.600,00, correspondente às retiradas de lucro, conforme determinação da gestora. O Saldo Inicial de Caixa de cada mês, foi fixado pela proprietária da empresa em R$ 20.000,00. Este valor representa a quantia mínima necessária que a organização deverá ter em caixa no início de cada mês para cumprir com suas obrigações iniciais dos respectivos meses. A seguir apresentam-se alguns gráficos que têm como finalidade ilustrar os aspectos mais relevantes do fluxo de caixa projetado para o primeiro semestre de 2015. O gráfico 1 apresenta uma comparação entre as entradas das atividades operacionais à vista e as entradas operacionais a prazo. 94 1° Gráfico – Comparativo das vendas à vista e a prazo Fonte: Tabela 8 (Fluxo de caixa projetado para o primeiro semestre de 2015) Através do gráfico 1 é possível identificar o comportamento das entradas provenientes das à vista em relação às vendas a prazo ao longo do período de projeção do fluxo de caixa. As entradas de vendas à vista serãosignificativamente superiores às venda a prazo durante todo o semestre, com destaque para o mês de junho, onde a diferença entre as respectivas modalidades de entradas será de R$ 154.235,58. No gráfico 2apresenta-se um comparativo entre o total de entradas e o total das saídas operacionais de caixa. 95 Gráfico 2 – Comparativo entre o total de entradas e o total de saídas operacionais (em R$) Fonte: Tabela 8 (Fluxo de caixa projetado para o primeiro semestre de 2015) O gráfico 2 evidencia que durante todos os meses componentes do fluxo de caixa projetado as entradas operacionais de caixa serão bastante superiores às saídas, demonstrando que a empresa sempre conseguirá supri as necessidades mensais de caixa, havendo excedentes em todos os meses. O mês em que está previsto o maior excedente é março, com um monte de R$ 58.672,14. Através do gráfico 3 é possível visualizar as proporções das saídas operacionais individuais de caixa em relação ao total de desembolsos. 96 Gráfico 3 – Proporção das saídas de caixa em relação ao total de desembolsos (em %) Fonte: Tabela 8 (Fluxo de caixa projetado para o primeiro semestre de 2015) Percebe-se neste gráfico (3) que o pagamento a fornecedores terá a maior participação nos desembolsos (83,32%) comparando aos demais itens de saída de caixa, demonstrando que a maior parte dos desembolsos é com fornecedores. As despesas financeiras têm a menor participação nos desembolsos, 0,23%.caixa. No gráfico 4 é feita uma comparação entre o total das entradas em relação aos desembolsos totais proveniente das atividades operacionais, atividades de financiamentos e atividades de investimentos. 97 Gráfico 4 – Comparação entre o total das receitas em relação ao total de desembolsos Fonte: Tabela 8 (Fluxo de caixa projetado para o primeiro semestre de 2015) O gráfico 4 aponta que a maior parte da receita será destinada às despesas operacionais, totalizando 75,24% do total dos desembolso. Seguindo por ordem descrente em relação aos percentuais, segue em segundo os desembolsos com financiamentos, 5,08% e, por último,com um porcentual de 4,12% os desembolsos com as atividades de financiamentos. No gráfico 5 é demonstrado o caixa líquido consumido/gerado pelas atividades operacionais no primeiro semestre de 2015. Gráfico 5 – Caixa líquido gerado pelas atividades operacionais Fonte: Tabela 8 (Fluxo de caixa projetado para o primeiro semestre de 2015) 98 O caixa líquido consumido/gerado pelas atividades operacionais é a diferença entre o total de entradas e todas as saídas do período em que o fluxo foi projetado. Neste gráfico (5) é possível identificar que os meses em que ocorrerão os maiores volumes de caixa líquido gerado serão março, R$58.672,14, representando 20,90%, e junho, R$ 53.422,07, representando um percentual de 19,03%. No gráfico 6 é apresenta-se a variação do Aumento/Diminuição Líquido nas disponibilidades dos meses de janeiro a junho de 2015 (em R$). Gráfico 6 – Aumento/Diminuição líquido nas disponibilidades (em R$) Fonte: Tabela 8 (Fluxo de caixa projetado para o primeiro semestre de 2015) Este gráfico (6) representa o resultado algébrico das entradas e saídas de caixa envolvendo todas as atividades (operacionais, investimentos e financiamento), percebe-se que no mês de maio ocorrerá o menor valor de caixa líquido gerado pelas três atividades, R$ 8.252,65 de disponibilidade. Já o maior valor está previsto para o mês de março, R$ 41.289,14. 99 O gráfico em evidência demonstra que haverá oscilação nos montantes de caixa líquido gerado ao longo do primeiro semestre de 2015. Portanto, é imprescindível que a gestora analise o período de forma sistêmica, utilizando os excedentes dos meses com melhor desempenho para compensar os meses com a menor disponibilidade. Assim, o mês de março deverá ser analisado com cautela, reservando-se uma quantia para compensar os desembolso de maio. Caso ocorra imprevisto neste período, a organização já estará preparada antecipadamente para isto. No gráfico 7 são demonstradas as aplicações financeiras de excedentes para o primeiro semestre de 2015 7° Gráfico – Aplicações financeiras dos excedentes Fonte: Tabela 8 – Fluxo de caixa projetado para o primeiro semestre de 2015 No gráfico 7 estão demonstradas, de forma cumulativa ao longo do primeiro semestre de 2015, as aplicações financeiras dos excedentes de caixa. Através da análise deste gráfico é possível perceber que os valores aumentam gradativamente a cada mês. Pode-se identificar que no mês de janeiro o valor da aplicação será de R$ 26.039,40 e em junho R$ 179.398,60, representando um crescimento de 588,95%. 100 Com a projeção do fluxo de caixa, a empresa estudada, terá acesso a uma ferramenta importantíssima, que permitirá visualizar com antecedência os fenômenos que poderão ocorrer no caixa. Assim, a gestora da organização terá a possibilidade de desenvolver medidas no sentido de que não haja falta de recursos, evitando o não cumprimento das obrigações, bem como planejar investimentos quando existir excedentes de caixa. 101 6 SUGESTÕES PARA A EMPRESA Através do desenvolvimento deste estudo e com a convivência com os gestores da empresa Claudia Scheifele ME, a acadêmica identificou fatores relacionados à gestão financeira que podem ser aperfeiçoados, no sentido de melhorar o grau de eficiência nos processos da organização, permitindo que a mesma atinja os objetivos e metas almejados. Esta ferramenta ao ser utilizada será um diferencial competitivo em relação aos seus concorrentes. A seguir lista-se algumas sugestões à gestora para estar implementando em sua organização: • Separar as contas pessoais da proprietária e de sua respectiva família das contas da empresa. A desvinculação destas contas permitirá melhor gestão financeira, propiciando maior controle dos recursos da organização, possibilitando verificar mensalmente se a empresa está conseguindo ter lucro ou prejuízo, ou seja, com este controle, será possível analisar o real resultado obtido pela organização. • Utilizar o fluxo de caixa projetado mensalmente, para se ter melhor visualização dos ingressos e desembolsos, assim a empresa poderá planejar e controlar as entradas e saídas de caixa, tendo-se controle sobre sua real situação. • Fixar a retirada de lucro pela proprietária no valor de R$ 10.000,00 mensais, bloqueando retiradas adicionais. Fazendo-se assim, evitará tantas saídas sem controle e planejamento. • Estabelecer um salário fixo para os dois administradores da empresa. Atualmente isto não acontece, ocorrendo retiradas esporadicamente do caixa da organização, tornando um ponto negativo para a empresa, por não haver um controle rígido das retiradas. • Iniciar um rígido controle das saídas de caixa, tanto por parte da proprietária quanto da organização, para se ter melhor equilíbrio do capital de giro e também do controle do fluxo de caixa da empresa. 102 • Estipular um dia na semana para os entregadores e demais funcionários retirarem parte de seus salários. Atualmente todos os dias ocorrem saídas de “vale”, onde ocasiona descontrole financeiro. Fazendo-se uma vez por semana, a gestora poderá saber com mais precisão a real situação financeira da organização. • Oferecer a todos os funcionários que fazem parte do quadro administrativo da organização, cursos de capacitação à tecnologia da informação, entre outros meios de aprendizagem tecnológica, para estarem se socializando com esta ferramenta valiosíssima no âmbito empresarial. • Treinar todos os membros da administração da empresa para aprenderem a utilizar a tecnologia implantada na organização. Esta tecnologia implantada veio para contribuir no processo de emissão de notas fiscais exigidas pela Receita Federal do Brasil. • Utilizar a tecnologia da informação para os processos da organização, deixando-se de lado os “meios” de anotações manuais, como caderno, caderneta, agendas, post it., para maior produtividade das pessoas envolvidas, utilizando-se software e programas tecnológicos para uma melhor gestão. • Adquirir um programa especifico para o controle integrado do estoque e o controle financeiro. Este programa servirá para a gestora compreender o momento correto de renovação do estoque da organização, uma vez que atualmente ocorre a renovação dos estoques sem se analisar a real situação financeira. • Intensificar o investimento em propaganda, pois a empresa adquiriu mais um caminhão de carga para aumentar o faturamento, assim será preciso que a organização invista em propaganda, para atingir um número maior de clientes e tornar-se referência na distribuição de gás e água na cidade de Itajaí. • Sugere-se à proprietária e aos administradores iniciarem curso sobre gestão financeira junto ao Sebrae, o qual oferece esse e demais cursos, propiciando a cada um melhor entendimento e compreensão da gestão financeira da organização. 103 • Analisar com cautela, agências administradoras que trabalham com ações no mercado financeiro, para contratá-las e posteriormente investir as sobras de caixa mensais da organização. Sabe-se que no mercado financeiro há muito risco, porém, quanto maior o risco, maior será o retorno. • Estabelecer metas para os entregadores, recompensando-os conforme os resultados obtidos. • Utilizar-se de planilhas que auxiliem no controle diário dos gastos da organização. • Executar um estudo de análise dos custos e despesas, para verificar todos os gastos envolvidos na gestão da organização. Permitindo assim, a identificação dos possíveis desperdícios, e das margens de contribuição das mercadorias vendidas. Diagnosticar também se os preços praticados são compatíveis com os gastos envolvidos e o lucro desejado pela gestora. 104 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS A administração de qualquer empresa deve contemplar os princípios das funções básicas da administração, como planejar, organizar, dirigir e controlar todas as áreas pertencentes à organização. Pode-se afirmar que a área da administração de recursos financeiros é uma das áreas mais importante de uma organização, pois para se realizar as outras é necessário ter uma administração financeira bem organizada. O fluxo de caixa projetado elaborado neste trabalho servirá como uma ferramenta-chave para o alcance de uma administração financeira eficaz. Esta ferramenta pode-se considerar como um instrumento de fácil manuseio. Permitindo à organização prever os ingressos e desembolso de caixa de um determinado período. Assim, tornando-se para o gestor como base na tomada de decisão, procurando sempre a melhor qualidade na gestão financeira, buscando boas opções de investimento ou fontes de financiamento, visto que o mesmo terá fácil acesso às informações. A empresa Claudia Scheifele, está no mercado desde 2007, é uma microempresa familiar, atuante no setor de distribuição de água e gás. Por indicação da filha da gestora da empresa, a acadêmica teve autorização para o trabalho na organização. Sabendo da necessidade de organização dos documentos, ausência da separação das despesas da empresa com as da gestora, a acadêmica aceitou o desafio de contribuir para a gestão financeira da organização, pois percebeu que a empresa possuía pouca profissionalização na administração das finanças e possuindo perspectivas de crescimento. Através do presente estudo foi possível identificar que a situação financeira da empresa estudada será saudável no primeiro semestre de 2015, uma vez que a expectativa é que haja excedentes de caixa em todos os meses componentes do fluxo de caixa projetado, permitindo que os gestores projetem com antecedência as melhores alternativas de investimento dos excedentes. O estudo apontou que são esperadas, de janeiro a junho, respectivamente, sobras de caixa nos montantes de R$ 26.039,40; R$ 31.093,40; R$ 41.288,14; R$ 33.707,59 R$ 8.252,65 e R$ 36.039,07. 105 O fluxo de caixa projetado trará inúmeros benefícios para a Claudia Scheifele, tais como maior controle das entradas e saídas de caixa, melhor planejamento dos recursos financeiros, identificação de oportunidades de investimento e conhecimento antecipado da necessidade de realização de empréstimos bancários. Perante os resultados obtidos neste trabalho, pode-se dizer que contribuirão para a empresa Claudia Scheifele planejar suas ações para o primeiro semestre de 2015, buscando sempre a melhoria contínua na gestão financeira da organização. O trabalho realizado foi importantíssimo para a acadêmica, que pôde vivenciar na prática os conteúdos abordados nas disciplinas de: gestão financeira, matemática financeira, gestão de custo e mercado de capitais oferecidos no curso de Administração. Assim foi possível ampliar seus conhecimentos na área financeira, bem como colocar em prática na própria vida pessoal. Foi importante para a universidade, uma vez que estabeleceu mais uma parceria com uma empresa da região e terá acesso a um trabalho com novas ideias de gestão empresarial. 106 8 REFERÊNCIAS ÁLVARES, Elismar. Governando a empresa familiar. Belo Horizonte: Fundação Dom Cabral; Rio de Janeiro: Qualitymark, 2003. ANDRADE, Rui Otávio Bernardes de. Teoria geral da administração: das origens às perspectivas contemporâneas. São Paulo: M. Books, 2007. ANDREOLLA, Nadir. Manual do fluxo de caixa: um sistema integrado. Porto Alegre: Feplam,1992. ASSAF NETO, Alexandre; SILVA, César Augusto Tibúrcio. Administração do capital de giro. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1997. _____. Administração do capital de giro. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2002. ASSAF NETO, Alexandre. Administração do capital de giro. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2002. _____. Finanças corporativas e valor. São Paulo: Atlas, 2003. 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Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 2004. 112 ASSINATURA DOS RESPONSÁVEIS Estagiária Diana Cristina da Silva Orientador de conteúdo Prof. Anacleto Laurino Pinto Supervisor de campo João Batista da Silva Responsável pelo Estágio Prof. Eduardo Krieger da Silva