UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES
LICENCIATURA PLENA EM LETRAS
HABILITAÇÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA
AMANDA GOMES SILVA
O USO DE NOVAS TECNOLOGIAS NO ENSINO MÉDIO: UM ESTUDO
DE CASO
Orientadora: Profª. Drª. Maria Ester Vieira de Sousa
JOÃO PESSOA
AGOSTO 2014.
AMANDA GOMES SILVA
O USO DE NOVAS TECNOLOGIAS NO ENSINO MÉDIO: UM ESTUDO
DE CASO
Trabalho apresentado ao Curso de Licenciatura em Letras da
Universidade Federal da Paraíba como requisito para
obtenção do grau de Licenciado em Letras, habilitação em
Língua Portuguesa.
Orientador: Profª. Drª. Maria Ester Vieira de Sousa
JOÃO PESSOA
AGOSTO DE 2014.
S586u
Silva, Amanda Gomes.
O uso de novas tecnologias no ensino médio: um estudo de caso.
– João Pessoa: [s.n.], 2014.
35 f.: il.–
Orientadora: Maria Ester Vieira de Sousa.
Monografia (Graduação) – UFPB/CCHLA.
1. Estudo de caso. 2. Novas tecnologias. 3. Ensino médio.
CDU: 37:004(043.2)
O USO DE NOVAS TECNOLOGIAS NO ENSINO MÉDIO: UM ESTUDO
DE CASO
Trabalho apresentado ao Curso de Licenciatura em Letras da Universidade
Federal da Paraíba como requisito para obtenção do grau de Licenciado em Letras,
habilitação em Língua Portuguesa.
Data de aprovação: ____/____/____
Banca examinadora
________________________________________________________
Profª. Drª. Maria Ester Vieira de Sousa. DLCV/UFPB
Orientadora
___________________________________________________________
Profª. Drª. Laurênia Souto Sales – UFPB
Examinadora
____________________________________________________________
Profª. Drª. Eliana Vasconcelos da Silva Esvael - DLCV/UFPB
Examinadora
Ao Autor e Consumador da minha vida e
fé, Jesus Cristo, pela Graça de servi-lo e
tê-lo como senhorio de tudo que tenho e
sou.
DEDICO
AGRADECIMENTOS
Agradeço, em primeiro lugar, ao meu Deus, pois a cada manhã tem demonstrado
quanto é fiel e infinito em misericórdia.
Aos meus pais, Valter Santos e Valdilene Gomes, e ao meu irmão Lucas Rafael
vocês sempre foram inspiração para continuar acreditando em cada um dos meus
sonhos. A minha avó Edite, minhas tias, e aos meus primos Ramon e Winnie, irmãos
que a vida me deu, cada um de vocês são indispensáveis na minha vida.
Aos meus irmãos em Cristo, quanto mais eu os conheço mais eu vejo Deus em
vocês. Mas especialmente a Ricardo e Cecília é maravilhoso servir ao Senhor com
vocês.
As minhas amigas Joseane, Sayonara e Ana Beatriz foi um privilegio ter
concluído esse curso com vocês.
A minha orientadora Maria Ester Vieira de Sousa pelo amor e dedicação
aplicada para a construção e conclusão desse trabalho.
RESUMO:
O presente trabalho, intitulado O Uso De Novas Tecnologias No Ensino Médio: um
estudo de caso, objetiva apresentar dados acerca do letramento digital na sala de aula do
Ensino Médio em escolas estaduais da Paraíba, especificamente em algumas escolas da
Capital paraibana. Temos como objetivo específico verificar se está ocorrendo ou não o
uso das novas tecnologias no ensino. Para isso, realizamos uma pesquisa de campo com
a participação de professores e alunos, do segundo ano do Ensino Médio de quatro
escolas públicas de João Pessoa, visto que só essa turma havia sido beneficiada no ano
de 2013 com o Tablet quando ainda eram alunos do primeiro ano do ensino médio. Ao
todo, responderam ao questionário 6 (seis) professores e 40 (quarenta) alunos. Com o
questionário, buscamos compreender a opinião tanto de professores quanto dos alunos a
respeito das novas ferramentas tecnológicas em sala de aula e do acesso ao laboratório
de informática, entre outras questões. Por fim, os dados coletados demonstram que as
novas ferramentas tecnológicas disponibilizadas pelo Governo Estadual em convênio
com o Governo Federal já estão em posse de todos os professores entrevistados e de
65% dos alunos. Porém, embora tenha alcançado a maioria dos alunos e todos os
professores, essas ferramentas ainda não estão proporcionando aos alunos o letramento
digital esperado, aquele que contribuiria para a inclusão social desses alunos.
Palavras-chave: Letramento Digital, Ensino Médio, Tablet.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 9
1.
LETRAMENTO ................................................................................................................ 13
1.1.
LETRAMENTO DIGITAL ...................................................................................... 15
2. O USO DAS NOVAS TECNOLOGIAS EM SALA DE AULA NA PERSPECTIVA
DE PROFESSORES E ALUNOS. ........................................................................................... 18
CONCLUSÃO ........................................................................................................................... 30
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ................................................................................... 32
ANEXOS .................................................................................................................................... 33
INTRODUÇÃO
A ideia para esse trabalho de conclusão de curso surgiu há tempos quando ainda
no início do curso, dentro da sala de aula, em meio a vários debates, professores traziam
a importância de buscar sempre estarmos atualizados, a fim de sempre sermos
profissionais sincronizados com o nosso tempo e espaço.
Hoje em dia, dificilmente olharemos para os lados e não nos encontraremos
cercados por recursos tecnológicos, desde um relógio de pulso digital até GPS,
encontrados em carros e até mesmo em celulares. Isto tudo porque, para o ser humano,
não existem fronteiras para a expansão do seu conhecimento.
Muitos concordam que a primeira invenção do homem, realmente significativa,
foi a descoberta do fogo, mas nem um de nós pode imaginar, por mais que tentemos
limitar ou descrever, qual será sua última grande descoberta, visto que o conceito de
novo chega a ser superficial, pois, em meio a tanta parafernália tecnológica, o novo de
hoje logo irá sucumbir às novas criações do amanhã.
Mas, o que tem nos chamado realmente atenção é que o homem sempre buscou
deixar registrado, desde a pré-história, todas as suas conquistas e o seu cotidiano na
sociedade, como encontramos descritos em rochas, a saber, a escrita rupestre que é
considerada a mais antiga forma de expressão humana. Como nos informa Sampaio
(2009, p. 32): “Simples sinais gravados ou célebres pinturas, como representações
humanas ou animais, cenas de caça, representações fantásticas, religiosas, sexuais – a
arte rupestre é a mais antiga expressão da Humanidade”.
Com esse registro, as suas conquistas e aprendizagens têm perpassado de uma
geração a outra, o que significa que ninguém necessita iniciar novamente cada
descoberta. Ao invés disso, cada geração poderá continuar do ponto em que a outra
parou. O resultado disso é que nós evoluímos ao ponto de hoje não termos como
contabilizar a quantidade de invenções criadas a partir da nossa capacidade de
transformar o mundo ao nosso redor.
Percebemos que, nos dias atuais, ter o domínio da leitura e da escrita dá ao ser
humano a oportunidade de também descrever e entender a transformação social do seu
período na história, sendo assim capaz de se relacionar de uma forma mais abrangente
com o seu espaço e tempo. Dessa forma, a junção de escrita e leitura é perfeita, pois esta
tem servido para perpetuar as descobertas da raça humana, considerando que, cada vez
9
que fazemos uma leitura, damos vida ao que já passou e, melhor, compreendemos o
presente.
Agora, na era digital, temos que nos adequar a esse novo tipo de leitura, que já
não está presa a um papel, mas que é feita, refeita e remodelada na tela de um
computador ou de um celular. Isso significa que, agora, o leitor pode ter acesso a uma
gama de livros sem precisar sair da sua casa. Conforme Chartier (1999, p. 119), “A
biblioteca eletrônica permite, por sua vez, compartilhar aquilo que até agora era
oferecido apenas em espaços onde o leitor e o livro deveriam necessariamente estar
juntos.”.
Estamos na era da leitura compartilhada, dos textos independentes que, ao
mesmo tempo em que não estão na mão de ninguém, da forma convencional, estão na
tela de todo mundo, rompendo a barreira do espaço e, muitas vezes, rompendo também
as diversas barreiras do tempo.
A escola, que tem papel fundamental na formação do indivíduo, necessita
estabelecer uma conexão entre o aluno e o mundo da tecnologia, hoje em dia tão
acessível a todos nós, pois, dessa forma, ela estará contribuindo para formar um cidadão
senhor do seu tempo.
Fazemos parte de uma sociedade dinâmica. Hoje cada um de nós tem “Visto
Universal”, pois entramos e saímos de vários países e conhecemos sua cultura, seus
principais pontos turísticos e todo território, sem sequer sairmos da frente de uma tela
de um computador.
Não há como negar que jamais antes na história da humanidade estivemos tão
conectados com o mundo. Pensando nessa nova realidade que nos cerca, voltamos
nossos olhos para o sistema educacional, pois esse é o principal agente formador dos
cidadãos do nosso País. As novas ferramentas tecnológicas desse novo momento da
nossa história mudaram até a forma do ensinar. Agora a escola atende a um novo
público, com novas inquietações, mais subjetivo, que possui uma nova maneira de ver o
seu meio social. Freire (1989, p. 39-40) já apontava para os desafios que a pluralidades
das relações sociais impunham ao homem moderno:
Há uma pluralidade nas relações do homem com o mundo, na medida
em que responde à ampla variedade dos seus desafios. Em que não se
esgota num tipo padronizado de resposta. A sua pluralidade não é só
em face dos diferentes desafios que partem do seu contexto, mas em
face de um mesmo desafio. No jogo constante de suas respostas,
10
altera-se no próprio ato de responder.
Acreditamos que seja função da escola modelar o seu aluno, ajudá-lo a adentrar
em um mundo repleto de tecnologia, auxiliá-lo a vivenciar esse novo contexto, único e
singular. Foi pensando nessa inserção do aluno nesse mundo das novas tecnologias que,
conforme dados disponibilizados pelo portal oficial do MEC, na internet, o Ministério
da Educação tem disponibilizado Tablets para professores da rede educacional pública e
tem organizado cursos de formação, a fim de que os profissionais da educação adquiram
cada vez mais contatos com as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC).
O Estado da Paraíba especificamente disponibilizou, para os alunos da escola
pública estadual, 26.400 Tablets. Os mesmos provêm de investimentos do Fundo de
Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais
da Educação (FUNDEB), a fim de garantir ao alunado a oportunidade viver uma
inclusão digital.
Todo esse material certamente aproximará o aluno dessa nova realidade digital,
porém o letramento digital, como forma de inclusão social, vai além de ensinar o aluno
a utilizar o computador, um Tablet ou qualquer outra ferramenta de forma superficial. É
preciso garantir que ele possa usufruir desses objetos de maneira que estes possam leválos além das quatro paredes de uma sala de aula e inseri-los numa sociedade altamente
dinâmica e competitiva, que só abre as portas para os mais bem preparados.
Já existem vários artigos e pesquisas sendo realizadas sobre o uso dessas
ferramentas na sala de aula e como elas podem auxiliar os alunos na aprendizagem.
Esses trabalhos trazem uma reflexão, inclusive, sobre como usar até mesmo o celular
como mecanismo de aprendizagem. Entre muitas pesquisas, destacamos O uso de
tecnologias em sala de aula, de Márcio Roberto Vieira Ramos (2012), que, possui um
conteúdo riquíssimo, e pode ser facilmente encontrada na Internet.
Considerando essas novas medidas do poder público, teremos como objetivo
geral, nesse trabalho, verificar como estão sendo utilizadas, na sala de aula, as
ferramentas tecnológicas disponibilizadas para alunos do segundo ano do ensino médio
da rede pública estadual, enquanto ferramenta de letramento para a inserção social
desses alunos. Para tanto, desejando obter um resultado com maior fidedignidade da
realidade que cerca o letramento digital e como esse tem sido trabalhado na escola,
entrevistamos alunos e professores de escolas públicas do Estado da Paraíba,
especificamente, do município de João Pessoa.
11
Nossa pesquisa de campo para coleta de dados ocorreu a partir de um
questionário (anexo) aplicado tanto para alunos quanto para professores, entre os dias
19 de maio de 2014 a 06 de junho de 2014, e contemplou as seguintes escolas da
Capital paraibana: Lyceu Paraibano, Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio
(EEEFM) Papa Paulo VI, EEEFM Professor Pedro Augusto Porto Caminha (EPAC),
EEEFM Professor Luiz Gonzaga De Albuquerque Burity. No total, foram 46
participantes, sendo distribuídos da seguinte forma: seis (6) professores e quarenta (40)
alunos. É importante ressaltar que todos os professores e os alunos entrevistados fazem
parte do segundo ano do Ensino Médio. Com o questionário, buscamos entender qual
era o posicionamento tanto dos professores, quanto dos alunos sobre à iniciativa do
governo em disponibilizar Tablet para o uso escolar, quanto ao uso desses materiais e de
outras ferramentas tecnológicas na sala de aula, qual a frequência que era normalmente
utilizado esse material e o laboratório de informática.
Esse trabalho está organizado em dois capítulos principais: no primeiro capítulo,
abordaremos o conceito de letramento, de forma mais ampla, até adentrarmos na noção
de letramento digital. No segundo capítulo, a partir dos dados coletados nos
questionários, faremos um levantamento quantitativo desses dados e, em seguida,
apresentaremos uma análise, traçando a realidade do letramento nas escolas
pesquisadas. Por fim, apresentaremos a conclusão.
.
12
1. LETRAMENTO
Narrar acontecimentos, planejar, projetar e descrever fatos ocorridos é uma
condição puramente humana, nem um outro ser vivente possui tal característica, e essa
particularidade vem acompanhando a raça humana desde antes da escrita. Para
tratarmos desse fato, basta nós lembrarmos das figuras rupestres, que possuíam a
finalidade de narrar os acontecimentos do cotidiano. Assim relata Sampaio (2009, p. 76):
Há mais de 30000 anos que o homem, levado por sua inerente e
incoercível necessidade de comunicação e de expressão, começou a
gravar e a pintar, em pedras, em lajes, em paredões de falésias e em
paredes de cavernas, sinais e símbolos [...] quaisquer que sejam os
lugares e os tipos de sociedades, os homens sempre procuraram
vencer o efêmero, fixando na pedra sua vida cotidiana.
A arte de se comunicar de forma que possa transmitir para gerações futuras
acontecimentos do presente e do passado é uma peculiaridade nossa. Com o surgimento
da escrita, essas narrativas vêm se proliferando cada vez mais e de formas diferenciadas
no decorrer dos anos e vêm se afirmando como mais uma prática social. Porém,
atualmente, quando falamos em escrita, outro conceito também surge, o de letramento,
que vai além da aquisição do código da escrita, passando a referir-se ao uso tanto da
leitura quanto da escrita como ferramentas para o favorecimento das práticas sociais.
Segundo Soares (2003, p. 44):
[...] um indivíduo alfabetizado não é necessariamente um indivíduo
letrado; alfabetizado é aquele indivíduo que sabe ler e escrever; já o
indivíduo letrado é não só aquele que sabe ler e escrever, mas aquele
que usa socialmente a leitura e a escrita.
Logo, percebemos que o domínio apenas do código escrito nos torna
simplesmente pessoas alfabetizadas, pois já temos condições de ler e escrever sem o
auxílio de outro indivíduo, mas, para sermos, socialmente, considerados letrados, é
necessário saber fazer o uso dessas ferramentas, a leitura e a escrita, como instrumentos
de práticas sociais. Tomamos como exemplos dessas práticas sociais de letramento a
13
capacidade dos sujeitos para ler e/ou escrever bilhetes, cartas, e-mails, diferentes textos
que circulam em diferentes suportes (revistas, jornais, etc.) e em diferentes meios de
comunicações.
Essas práticas de leituras são vivas e dinâmicas: sofrem mudanças e
transformações conforme cada período da civilização humana. Conforme Chartier
(1999), à medida que a sociedade muda, novas formas de leitura surgem e outras formas
mudam, desaparecem ou perdem seu valor social. Essas mudanças não apenas atingem
os textos, mas também refletem no autor e no leitor, ou seja, esses dois personagens
também mudam e se remodelam. Chartier nos remete à idade média quando, nesse
momento da história, mostra-nos que a figura do autor era considerada, apenas receptor
de uma mensagem divina ou uma pessoa que retransmitia uma mensagem dentro da
tradição em que estava inserido:
[...] da Idade Média à época moderna, frequentemente se definiu a
obra pelo contrário da originalidade. Seja porque era inspirada por
Deus: o escritor não era senão o escriba de uma Palavra que vinha de
outro lugar. Seja porque era inscrita numa tradição, e não tinha valor a
não ser de desenvolver, comentar, glosar aquilo que já estava ali.
(CHARTHIER, 1999, p. 31)
Como mencionado anteriormente, o leitor tem o seu processo de leitura
totalmente influenciado pelo momento histórico em que se encontra. Assim, nos
esclarece Chartier (1999, p. 78 e 79) acerca das práticas de leituras em diferentes épocas:
A história das práticas de leitura, a partir do século XVIII, é também
uma história da liberdade na leitura. É no século XVIII que as
imagens representam o leitor na natureza, o leitor que lê andando, que
lê na cama [...] os leitores anteriores ao século XVIII liam no interior
do seu gabinete, de um espaço retirado e privado, sentado e imóvel.
Chartier também aponta como era a relação entre o leitor e o livro, afirmando
que, durante muito tempo, foi negado ao leitor o direito de se posicionar frente aos mais
diversos tipos de texto fora de locais considerados apropriados. Entretanto, nos dias
atuais, a liberdade do leitor para se posicionar frente ao texto é incentivada e trabalhada
no próprio interior de instituições como a escola. Devido às grandes mudanças
históricas e sociais, o letramento vem se afirmando cada vez mais como uma prática
14
social que nos dá condição de, através do domínio da leitura, sermos verdadeiramente
atuantes dentro do nosso contexto histórico social.
1.1. LETRAMENTO DIGITAL
No presente século, encontramo-nos cercados por um momento ímpar, dado que
estamos integrados em um mundo repleto de novos conceitos, novos modelos e
inovações tecnológicas. Nunca antes em nossa história passamos por esse processo de
transformações tão rapidamente. Essa gama de transformação e informação que nos
cerca é capaz de alterar até mesmo as práticas sociais costumeiras em nossa sociedade.
Conforme relata Hall (2006, p. 37-38), “[...] as práticas sociais são constantemente
examinadas e reformadas à luz das informações recebidas sobre aquelas próprias
práticas, alterando, assim, constitutivamente, seu caráter.”
Logo percebemos que não possuímos modelos, conceitos ou inovações estáticas
e congeladas pelo tempo, mas diferentes, por isso, estamos sempre em constante
renovação e essas renovações são diretamente percebidas no nosso dia a dia. Uma das
práticas que sofreu e sofre rápidas mudanças com o tempo foi a do letramento. Em
função disso, Danet (1997, apud MARCUSCHI, 2002) no final da década de 90,
alertava:
Num período de talvez 50 anos, nossa compreensão da natureza do
letramento e da função social dos textos escritos terá mudado tão
radicalmente que poucos de nós estarão ainda vivos para atestar ‘como as
coisas eram’ no final do século XX. Por isso é vital produzir agora
investigações sobre as atitudes e as práticas de letramento na cultura
impressa enquanto ainda é possível fazê-lo [...]
É importante destacar que, conforme relata Soares em seu artigo denominado O
que é letramento e alfabetização de 1999, um dos primeiros registros sobre o que é
letramento é encontrado em 1986 em um livro de Mary Kato, intitulado: “No mundo da
escrita: uma perspectiva psicolingüística.”
Atualmente, ao refletimos a respeito do letramento, encontramos uma nova
ramificação sobre esse tema, a saber, o letramento digital. De acordo com Bagno (2002
p. 55-56).
15
[...] o computador se tornou um novo portador de textos (hipertextos),
suscitando novos gêneros, novos comportamentos sociais referente às
práticas de uso da linguagem oral e escrita, e cobrando de nós, novas
teorizações e novos modelos de interpretação dos fenômenos da
linguagem.
As novas tecnologias que criam novos suportes para o texto também produzem
novas práticas de leitura, ou seja, os novos suportes também determinam novas formas
de o leitor se relacionar com o texto. Para Charthier (1999, p. 12-13):
A inscrição do texto na tela cria uma distribuição, uma organização,
uma estruturação do texto que não é de modo algum a mesma com a
qual se defrontava o leitor do livro em rolo da Antigüidade ou o leitor
medieval, moderno e contemporâneo do livro manuscrito ou impresso,
onde o texto é organizado a partir de sua estrutura de cadernos, folha e
páginas. O fluxo seqüencial do texto na tela, a continuidade que lhe é
dada, o fato de que suas fronteiras não são mais tão radicalmente
visíveis, como no livro que encerra no interior da sua encadernação ou
de sua capa, o texto que ele carrega, a possibilidade para o leitor de
embaralhar, de entrecruzar, de reunir textos que são inscritos na
mesma memória eletrônica: todos esses traços indicam que a
revolução do livro eletrônico é uma revolução nas estruturas do
suporte material do escrito assim como nas maneiras de ler.
O texto em tela possui uma estrutura livre, pois seu suporte permite tal liberdade,
é diferente de tudo já vivenciado na prática da leitura, pois se organiza já não preso a
estrutura de um livro, ou seja, o suporte tecnológico dá ao texto mais liberdade
estrutural: “O novo suporte do texto permite usos, manuseios e intervenções do leitor
infinitivamente mais numerosas e mais livres do que qualquer uma das formas antigas
do livro.” (CHARTIER, 1999, p. 88).
E essa liberdade dada ao texto também é experimentada pelo leitor, como afirma
Chartier (1999, p. 91), “O leitor não é mais constrangido a intervir na margem, no
sentido literal ou no sentido figurado. Ele pode intervir no coração no centro”. Essa
talvez seja a maior revolução a respeito do letramento digital, qual seja, essa condição
de tornar cada leitor uma pessoa mais atuante em um processo mais dinâmico de
interação tanto com o texto, quanto com o autor do mesmo.
Esse novo tipo de letramento dá condições ao leitor de ampliar o seu campo de
leitura, pois ele não precisa mais ir a uma biblioteca ou comprar um livro em uma loja
para ter condições de realizar sua leitura. Hoje em dia, basta um click e uma gama de
opções de leituras abre-se diante de uma tela, seja ela um computador, Tablet, celular
16
entre outros mecanismos tecnológicos. A leitura tornou-se mais acessível e
compartilhada como nunca foi antes.
Diante dessa nova realidade que estamos vivenciando, percebemos que a leitura
anda junto, entrelaçada com as práticas sociais, visto que, cada vez mais, o leitor ganha
voz e condição de interagir socialmente por meio da leitura e da escrita, desde a uma
troca de e-mail, a participação em enquetes, chats, entre outras formas de comunicação
proporcionadas pela Internet. Com esses modos de interação online, o leitor pode ganhar
maior liberdade de criticidade.
Considerando essa nova realidade, defendemos a importância de uma educação
escolar, de um sistema educacional, que prepare os indivíduos, desde os seus primeiros
anos escolares, para viverem em uma sociedade que está em constante transformação e
que exige dos nossos alunos que eles acompanhem todo esse novo progresso
tecnológico, que está mudando a nossa forma de interagir com o mundo através da
leitura e da escrita.
17
2. O USO DAS NOVAS TECNOLOGIAS EM SALA DE AULA NA
PERSPECTIVA DE PROFESSORES E ALUNOS.
Com os dados obtidos pela pesquisa, buscamos entender um pouco mais como a
escola tem visto e trabalhado a inclusão social através do letramento digital com os
alunos do Ensino Médio da rede pública estadual. Conforme mencionamos na
introdução desse trabalho, ao todo nossa pesquisa contou com a participação de 46
voluntários, entre alunos e professores.
Ao analisamos os dados, um fato que nos chamou atenção foi que dos 06 (seis)
professores entrevistados, 04 (quatro) afirmaram ter recebido do governo curso de
capacitação para o uso de nova tecnologia em sala de aula. Já dos 02 que não haviam
participado de nenhum curso, um justifica-se pelo fato de ter entrado na escola neste
ano de 2014 e o curso ter sido realizado no ano de 2013.
Percebemos que os docentes têm tido a oportunidade de participar de curso que
os preparam para trabalhar com as novas tecnologias na sala de aula. Os recursos
tecnológicos são garantidos pelo Governo Federal, através do programa denominado
ProInfo (Programa Nacional de Tecnologia Educacional ). No site do MEC,
encontramos a finalidade desse programa, como descrito:
É um programa educacional com o objetivo de promover o uso
pedagógico da informática na rede pública de educação básica.
O programa leva às escolas computadores, recursos digitais e
conteúdos educacionais. Em contrapartida, estados, Distrito Federal e
municípios devem garantir a estrutura adequada para receber os
laboratórios e capacitar os educadores para uso das máquinas e
tecnologias.
Mesmo que os profissionais, em sua maioria, tenham recebido essa capacitação e
também afirmem disponibilizarem de Tablets doados pelo Governo, dos 06 (seis) que
participaram da pesquisa apenas 02 (dois) fazem uso desse aparelho como ferramenta
educacional em sala de aula. Vejamos os dados distribuídos no quadro a seguir,
representados por escolas e por número de professores:
18
TABELA 1 – FREQUÊNCIA DO USO DO TABLET EM SALA DE AULA PELO
PROFESSOR
Escola
EEEFM Profº
Pedro Augusto
Porto Caminha
EEEFM Papa
Paulo VI
EEEFMProfº
Luiz Gonzaga De
Albuquerque
Burity
Lyceu Paraibano
Com qual frequência você utiliza o Tablet, disponibilizado
pelo governo, na sala de aula?
Raramente: Frequentemente: Regulamente: Nunca: 01
Total de Professores Entrevistados: 01
Raramente: Frequentemente: Regulamente: 01
Nunca: 02
Total de Professores Entrevistados: 03
Raramente: Frequentemente: Regulamente: Nunca: 01
Total de Professores Entrevistados: 01
Raramente: 01
Frequentemente: Regulamente:Nunca:Total de Professores Entrevistados: 01
Fonte: Questionário aplicado aos professores
Resultado Geral:
Total de Entrevistados: 06 Professores.
6
4
2
0
Raramente
Regulamente
Frequentemente
Nunca
É preciso ressaltar que apenas um professor disse usar regularmente esse
instrumento. Diante desse resultado, torna-se relevante observar as justificativas
apresentadas pelos professores para o não uso. Como veremos a seguir, no geral, os
professores apontaram a falta de estrutura da escola e a má qualidade do equipamento
como barreiras para fazerem uso do Tablet em sala:
Professor J. P1: O Tablet doado pelo governo é muito frágil. Muitos
quando foram entregues já estavam danificados, outros são deixados para
conserto e demoram até 06 meses para serem devolvidos.
1
É importante ressaltar que, para manter o sigilo em relação a identidade dos
participantes da pesquisa, nos referiremos a eles com as inicias dos seus nomes.
19
Professor B. Q: Não foi utilizado devido à falta da estrutura da escola,
não dispõem de internet e a má qualidade do equipamento.
Os dados apresentados pelos professores quanto ao não uso do Tablet são
confirmados pelos alunos. Observemos a tabela resultante dos questionários
respondidos por eles:
TABELA 2 – FREQUÊNCIA DO USO DO TABLET EM SALA DE AULA PELO
PROFESSOR DO PONTO DE VISTA DOS ALUNOS
Escola
EEEFM Profº
Pedro Augusto
Porto Caminha
EEEFM Papa
Paulo VI
EEEFM Profº
Luiz Gonzaga De
Albuquerque
Burity
Lyceu Paraibano
Com qual frequência seu professor faz uso do Tablet,
entregue pelo governo, na sala de aula?
Raramente: - Frequentemente:Regulamente: 02
Nunca: 06
Ainda não recebeu o Tablet: 02
Total de Alunos Entrevistados: 10
Raramente: - Frequentemente: Regulamente: Nunca: 05
Ainda não recebeu o Tablet: 05
Total de Alunos Entrevistados: 10
Raramente: Frequentemente: - Regulamente: Nunca: 08
Ainda não recebeu o Tablet: 2
Total de Alunos Entrevistados: 10
Raramente: 01 Frequentemente: -Regulamente: Nunca: 04
Ainda não recebeu o Tablet: 05
Total de Alunos Entrevistados: 10
Fonte: Questionário aplicado aos alunos
Resultado Geral:
Total de Entrevistados: 40 Alunos
40
20
0
Raramente
Regulamente
Freqüentemente
Nunca:
Ainda não
recebemos o Tablet
Dos 40 Alunos entrevistados, 65%, equivalente a 26 (vinte e seis) entrevistados,
afirmaram que seus professores possuem Tablet, mas desses 26 (vinte e seis) alunos
somente 3 ( três) relatam que o professor faz uso dessa ferramenta em sala de aula,
dados, portanto, condizentes com as respostas dos professores anteriormente
apresentadas. Quando questionamos os alunos sobre com qual frequência eles fazem
20
uso do Tablet na sala de aula, os dados novamente refletem a realidade escolar em que
estão inseridos, visto que, como poucos professores fazem uso do Tablet em sala de
aula, também os alunos não o usam. Observemos:
TABELA 3 – FREQUÊNCIA NO USO DO TABLET EM SALA DE AULA PELO
ALUNO.
Escola
EEEFM Profº
Pedro Augusto
Porto Caminha
EEEFM Papa
Paulo VI
EEEFMProfº
Luiz Gonzaga De
Albuquerque
Burity
Lyceu Paraibano
Com qual frequência você faz uso do Tablet, entregue pelo
governo, na sala de aula?
Raramente: - Frequentemente: - Regulamente: 01
Nunca: 07
Ainda não recebemos o Tablet: 02
Total de Alunos Entrevistados: 10
Raramente: Frequentemente: - Regulamente: Nunca: 6
Ainda não recebemos o Tablet: 04
Total de Alunos Entrevistados: 10
Raramente: 01
Frequentemente: - Regulamente: Nunca: 06
Ainda não recebemos o Tablet: 03
Total de Alunos Entrevistados: 10
Raramente: 02
Nunca: 03
Frequentemente: - Regulamente: Ainda não recebemos o Tablet: 05
Total de Alunos Entrevistados: 10
Fonte: Questionário aplicado aos alunos
Resultado Geral:
Total de Entrevistados: 40 Alunos
40
20
0
Raramente
Regulamente
Freqüentemente
Nunca:
Ainda não
recebemos o Tablet
Dos 40 entrevistados, o número de alunos que possuem o Tablet é de 26,
totalizando 65% do total geral. Desses entrevistados, 84,6% nunca fizeram uso do
Tablet na sala de aula, aproximadamente 11,5 raramente utilizaram, aproximadamente
3,9 fazem uso regular e 35% ainda não possuem o parelho. Essa porcentagem de alunos
que não possui o Tablet justifica-se, geralmente, por serem alunos novatos na escola,
visto que ainda não foram distribuídos novos aparelhos nesse ano de 2014.
Infelizmente, percebe-se que, embora muito se discuta sobre importância da
inclusão social via novos recursos tecnológicos, essa ainda tem sido negada para muitos
21
alunos da rede pública, não por falta dos aparelhos em si, pois a maioria afirmou e
reafirmou ter acesso ao Tablet disponibilizado pelo governo, mas por outros problemas
que são de outra natureza, como falta de capacitação e reciclagem para os professores.
Segundo Paulino e Cossson (2009, p. 71), uma das causas que pode levar ao não
favorecimento desse novo tipo de letramento é esse fechamento para o novo que
normalmente acontece nas escolas:
[...] priorizar o letramento no singular, ou seja, apenas funcional e
básico, a escola muitas vezes assume um caráter de agente de um
letramento serviçal, em nome de uma sociedade já pronta, já
organizada, com funções predefinidas para os sujeitos.
Dessa forma, privilegia-se apenas um tipo de letramento, aqui chamado de
serviçal, aquele que não tem como objetivo formar um ser independente e crítico da
sociedade em que vive.
Não pretendemos aqui encontrar um culpado, ou nomear culpados, ao contrário,
desejamos entender como o sistema educacional como um todo tem favorecido ou não
essa acessibilidade para a realização do letramento digital. Como podemos observar, os
recursos já chegaram às escolas, a maioria dos alunos já possuem os Tablet´s e todos os
professores também já foram contemplados. É necessário nos perguntarmos por que o
letramento digital ainda é tão baixo no sistema educacional estadual do nosso Estado.
Evidentemente, não podemos negligenciar as justificativas apresentadas pelos
professores, antes referidas, como a baixa qualidade do material e a falta de condições
físicas das escolas.
Mas, talvez seja necessário mais incentivo e uma maior
conscientização quanto à importância desse novo tipo de letramento. Talvez essas
medidas possam ampliar a visão dos gestores e dos professores a darem mais
importância para prepararem seus alunos a utilizarem essa ferramenta de forma que seja
porta de acesso para adentrarem em um mercado tão exigente quanto excludente e a se
tornarem agentes reflexivos sobre a realidade que os cerca.
Em nossa pesquisa, também buscamos entender se os alunos possuíam acesso ao
laboratório de informática para realizar suas atividades fora do horário de aula e se os
professores levavam os alunos a esse espaço. É importante ressaltar que todas as escolas
22
possuem laboratórios de informática. Segue abaixo o quadro da realidade vivenciada
por esses alunos.
TABELA 4 – FREQUÊNCIA DO USO DO LABORATÓRIO DE INFORMÁTICA
Escola
EEEFM Profº
Pedro Augusto
Porto Caminha
EEEFM Papa
Paulo VI
EEEFMProfº
Luiz Gonzaga De
Albuquerque
Burity
Lyceu Paraibano
Com qual frequência você utiliza o Laboratório de informática
da sua escola ?
Raramente: 05
Frequentemente: Regulamente: 03
Nunca: 02
Total de Alunos Entrevistados: 10
Raramente: 01
Frequentemente: Regulamente: Nunca: 09
Total de Alunos Entrevistados: 10
Raramente: 01
Regulamente:-
Frequentemente: Nunca: 09
Total de Alunos Entrevistados: 10
Raramente: Regulamente: -
Frequentemente: Nunca: 10
Total de Alunos Entrevistados: 10
PELO ALUNO
Fonte: Questionário aplicado aos alunos
Resultado Geral:
Total de Entrevistados: 40 Alunos
40
30
20
10
0
Raramente
Regulamente
Frequentemente
Nunca
Raramente: 17,5% Regulamentem: 7,5% Frequentemente: 0% Nunca: 75%
Embora não tenhamos dados que permitam levantar os reais motivos desse baixo
uso desse espaço escolar, é provável que a maior parte dos professores não faça uso do
laboratório de informática por não conseguirem desenvolver planejamento adequado
para utilizar esse espaço, a fim de alcançar a finalidade desejada pelos menos de suas
aulas. Como afirma Coscarelli (1999, s/n), “Usar o computador em sala de aula não
23
significa que o aluno vai fazer o que quer na hora que bem entende, e para que isso não
aconteça o professor deve ter, mais que nunca, clareza dos seus objetivos”. Se não há
clareza nos objetivos das novas tecnologias, dificilmente elas passaram a ser usadas em
sala de aula e, principalmente, ser usadas de forma significativa.
Quanto ao acesso do laboratório de informática fora do horário de aula, o
resultado é visto a seguir:
TABELA 5 – FREQUÊNCIA DO USO DO LABORATÓRIO DE INFORMÁTICA
FORA DO HORÁRIO DE AULA PELO ALUNO.
Escola
É permitido o uso do laboratório de informática fora do horário de
aula?
EEEFM Profº
Pedro Augusto
Porto Caminha
EEEFM Papa
Paulo VI
Sim: 01
Não: 09
Total de Alunos Entrevistados: 10
EEEFMProfº
Luiz Gonzaga De
Albuquerque
Burity
Lyceu Paraibano
Sim: Não: 10
Total de Alunos Entrevistados: 10
Sim: 10% Não: 90%
Sim: Não: 10
Total de Alunos Entrevistados: 10
Sim: 0% Não: 100%
Sim: 0% Não: 100%
Sim: Não: 10
Total de Alunos Entrevistados: 10
Sim: 0% Não: 100%
Fonte: Questionário aplicado aos alunos
Resultado Geral:
Total de Entrevistados: 40 Alunos
Sim: 97,5% Não: 2,5%
Quando comparamos esse resultado com o dos professores ao serem
questionados quantas vezes utilizam o laboratório de informática, percebemos que os
alunos foram condizentes com a realidade escolar em que estão inseridos.
A seguir, apresentamos o resultado obtido a partir dos questionários com os
professores:
TABELA 6 – FREQUÊNCIA DO USO DO LABORATÓRIO DE INFORMÁTICA
PELO PROFESSOR
24
Escola
EEEFM Profº
Pedro Augusto
Porto Caminha
EEEFM Papa
Paulo VI
EEEFMProfº
Luiz Gonzaga De
Albuquerque
Burity
Lyceu Paraibano
Com qual frequência você leva os seus alunos para o
laboratório de informática?
Raramente: Frequentemente: Regulamente: 01
Nunca: Total de Professores Entrevistados: 01
Raramente: 01
Frequentemente: Regulamente: Nunca: 02
Total de Professores entrevistados: 03
Raramente: Frequentemente: Regulamente: Nunca: 01
Total de Professores Entrevistados: 01
Raramente: Frequentemente: Regulamente: 01
Nunca: Total de Professores entrevistados: 01
Fonte: Questionário aplicado aos professores
Resultado Geral:
Total de Entrevistados: 06 Professores
4
3
2
1
0
É nescessário procuramos entender o porquê de, em pleno século XXI, ainda
persistir esse distanciamento entre o professor e as novas ferramentas educacionais.
Embora afirmem terem recebido cursos de capacitação, eles ainda não têm trabalhado
com esses materias de forma apropriada com seus alunos. Certamente esse trabalho
seria relevante para o conhecimento da turma. Como afirma Moran, em um debate
produzido pelo TVEscola
[...] no mundo atual conectado em rede, trabalhar os conteúdos sem
trazer tudo o que está acontecendo no mundo, sem essa mediação das
tecnologias da forma como as usamos no cotidiano, é deixar de fora
parte importante da formação dos alunos.
Utilizar essas ferramentas hoje em dia é importante para possibilitar ao aluno ter
acesso ao conhecimento de forma mais abrangente. Além disso, é preciso perceber que
as novas tecnologias são cada vez mais acessíveis. Esse é um fato que também
25
verificamos em nossa pesquisa em relação à internet: ao serem questionados sobre o
acesso à internet em seus domicílios 33 alunos, o que corresponde a 82,5% dos que
participaram da pesquisa, afirmaram ter acesso. Logo, o professor pode cada vez mais
buscar usufruir desses dados para um planejamento de aula que conduza seus alunos a
serem indivíduos mais integrados com esse novo contexto social, desenvolvendo cada
vez mais suas habilidades. E essa tarefa não está restrita apenas ao professor de língua
portuguesa, mas é algo interdisciplinar. Segundo Grégoire (1996, p. 1-2):
A aprendizagem que está sendo examinada à luz das novas
tecnologias refere-se a línguas, matemática, ciências humanas e
naturais, artes [...] assim como habilidades intelectuais que estão
associadas com essas várias matérias: habilidade de construir para si
mesmo uma imagem mental da realidade, de raciocinar, de fazer
julgamentos, de solucionar vários tipos de problemas, de inventar etc.
Essa aprendizagem é também, por exemplo, o desenvolvimento de
independência pessoal e responsabilidade, assim como várias
habilidades sociais e de conduta.
Outro ponto favorável para a inserção do uso do Tablet e de outros recursos
tecnológicos na sala é a boa aceitação desse material como ferramenta educacional
pelos alunos. Isso é percebível ao analisarmos suas respostas. Iniciemos observando
algumas respostas positivas à pergunta “Qual sua opinião quanto à iniciativa do governo
de
disponibilizar
Tablet
e
outros
recursos
tecnológicos
como
ferramentas
educacionais?”:
Aluno W.B: Muito boa, faz com que as aulas se tornem mais
interessantes.
Aluno R.E: Uma boa ideia, pois evita o peso dos livros e nos da mais
acesso a internet.
Aluno L.M: A entrega do Tablet foi muito positiva ajudou bastante.
Aluno G.K: A iniciativa é bastante interessante, pois o aluno ficará
interessado em aprender com recursos diferentes.
Notemos que todos os alunos avaliam como positiva a iniciativa do governo, ou
seja, a distribuição de Tablet é considerada uma iniciativa que pode contribuir para o
ensino em sala de aula, principalmente por tornar as aulas mais interessantes, mais
dinâmicas.
26
Os alunos que se colocaram contrários à iniciativa do governo apontaram como
justificativa a falta do acesso à internet na escola e o pouco uso realizado pelos
professores como fatores negativos. Vejamos as respostas a seguir:
Aluno A.E: Achei algo desnecessário, pois muitas das salas não tem wi-fi
para utilizar.
Aluno T.S: O Tablet nunca foi usado na sala de aula. E ainda assim deu
problema em suas funções.
Aluno R. K: A iniciativa é boa, porém não utilizam.
Aluno Y.K: Acho uma iniciativa legal, desde que os professores e os
alunos usassem o Tablet, mas desde então, ainda não fizemos nenhuma
atividade utilizando o Tablet.
Podemos observar que aqueles que se posicionaram contrários não agiram assim
por não concordarem com o uso desses recursos tecnológicos na sala de aula, mas pelo
fato de não possuírem acesso à internet na sala de aula ou pelo fato de o professor fazer
pouco uso dessas ferramentas.
Por fim, buscamos entender se os alunos já haviam utilizado o celular para
realizar pesquisas escolares. O resultado foi surpreendente, como podemos observar no
quadro a seguir:
TABELA 7 – O USO DA INTERNET VIA CELULAR COMO FERRAMENTA DE
PESQUISA ESCOLAR PELOS ALUNOS.
Escola
Você já utilizou a internet do celular para fazer pesquisa
escolar?
EEEFM Profº
Pedro Augusto
Porto Caminha
EEEFM Papa
Paulo VI
EEEFMProfº
Luiz Gonzaga De
Albuquerque
Burity
Lyceu Paraibano
Sim: 09
Não: 01
Total de Alunos Entrevistados: 10
Sim: 09
Não: 01
Total de Alunos Entrevistados: 10
Sim: 08
Não: 02
Total de Alunos Entrevistados: 10
Sim: 08
Não: 02
Total de Alunos Entrevistados: 10
Fonte: Questionário aplicado aos alunos.
27
Resultado Geral:
Total de Entrevistados: 40 Alunos
40
30
20
10
0
Sim
Não
Sim: 85% Não: 15%
O número de alunos que utilizam o celular como ferramenta para pesquisa
escolar é elevadíssimo. Desse modo, não temos como negar que esse aparelho facilita o
acesso dos alunos ao conhecimento e contribui para a realização de suas pesquisas
escolares. Assim, a melhor forma de tratar o uso do celular em sala de aula não é
proibindo o uso do aparelho, mas criando meios para que eles sejam utilizados de forma
cada vez mais proveitosa para as aulas, pois sua contribuição já é inegavelmente
importante como ferramenta de pesquisa para os alunos.
Também buscamos saber qual era o parecer dos professores quanto ao uso do
celular em sala de aula. O resultado foi o seguinte:
TABELA 8 – PARECER DOS PROFESSORES QUANTO AO USO DO CELULAR
NA SALA DE AULA PELOS ALUNOS.
Escola
EEEFM Profº
Pedro Augusto
Porto Caminha
EEEFM Papa
Paulo VI
EEEFMProfº
Luiz Gonzaga
Qual seu parecer quanto ao uso do celular pelos alunos na sala
de aula?
 Inaceitável, a sala de aula não é lugar para utilizar o celular:
 Ruim, pois os deixa dispersos:  Bom, pois eles poderão utilizar o celular como ferramenta
de pesquisa - 01
Total de Professores Entrevistados: 1
 Inaceitável, a sala de aula não é lugar para utilizar o celular:
 Ruim, pois os deixa dispersos: 01
 Bom, pois eles poderão utilizar o celular como ferramenta
de pesquisa - 02
Total de Professores Entrevistados: 3
 Inaceitável, a sala de aula não é lugar para utilizar o celular:
28
De Albuquerque
Burity


Ruim, pois os deixa dispersos: 01
Bom, pois eles poderão utilizar o celular como ferramenta
de pesquisa Total de Professores Entrevistados: 01
Lyceu Paraibano
 Inaceitável, a sala de aula não é lugar para utilizar o celular:
 Ruim, pois os deixa dispersos: 01
 Bom, pois eles poderão utilizar o celular como ferramenta
de pesquisa Total de Professores Entrevistados:01
Fonte: Questionário aplicado aos professores.
Resultado Geral:
Total de Entrevistados: 06 Professores
4
3
2
1
0
Inaceitável
Ruim
Bom
É importante ressaltar que os professores não tiveram acesso a nenhum
questionário respondido por sua turma. O que nos chamou a atenção no parecer dos
professores foi que nenhum achou que o uso do celular na sala de aula fosse algo
inaceitável, ocorreu um empate.
O uso do celular pode sim ser uma ferramenta que auxiliam os alunos e também
os professores na sala de aula, como podemos observar nem alunos nem tão poucos
professores se mostram fechados a esse tipo de debate e a essa nova forma de
intervenção na sala de aula, a saber, o uso do celular, visto que nenhum professor
considerou o uso do aparelho celular como algo inaceitável na sala de aula, mas até
mesmo os que optaram por responder como sendo ruim o uso desse aparelho justificam
se pelo fato de que o celular normalmente deixa o aluno disperso. Se a escola buscar
trabalhar com planejamento e com conscientização sobre o uso do celular na sala de
aula esse instrumento poderá ser usado de forma a acrescenta conhecimento nas aulas,
já que a maioria dos alunos em algum momento já utilizou essa ferramenta para fazer
pesquisa escolar.
29
CONCLUSÃO
Concluímos nosso trabalho observando que o letramento digital ainda não é
realidade nas escolas estaduais do ensino médio da Paraíba pesquisadas. Existe ainda
um longo caminho a ser percorrido, pois não basta apenas ter os recursos necessários
para que isso ocorra se não houver uma maior utilização das ferramentas tecnológicas,
proporcionando assim aos alunos uma maior inclusão social.
Outro ponto que nos chama atenção é que o governo realmente tem dado condições
para que o letramento digital ocorra nas escolas, visto que cerca de 65% dos alunos já
possuem os Tablets, e todos os professores também afirmaram terem recebido essa
ferramenta. O problema a ser ressaltado, principalmente colocado pelos professores, diz
respeito à qualidade dos Tablets, pois alguns, em pouco tempo de uso, já apresentaram
problemas técnicos. Como bem foi colocado por um professor, há também à assistência
técnica que tem solucionado os defeitos ocorridos nos aparelhos, contudo, verifica-se
uma demora considerável nesse atendimento.
De qualquer modo, acreditamos que uma maior conscientização sobre a importância
do letramento digital e mais oportunidades de curso de qualificação para os professores,
enfocando o como utilizar essas ferramentas educacionais em sala de aula, possam
certamente ajudar a transformar o quadro que cerca a realidade escolar atual. Dessa
forma, não só os professores sairiam beneficiados, mas também os alunos, pois, para
estes, o letramento digital já faz parte do seu contexto. Percebemos essa proximidade
entre os alunos e as novas tecnologias quando eles, em sua maioria, afirmam terem
acesso a internet em casa e a utilizarem para fazer suas pesquisas escolares. Assim,
observa-se que o letramento digital já é uma realidade vivenciada por eles antes mesmo
de ser trabalhada nas escolas.
Portanto, a temática do letramento digital se impõe como uma realidade que precisa
ser pensada e pesquisa no interior da escola. Já no final da década de 90 do século
passado, afirmava Charthier (1999, p. 94-95),
[...] os primeiros leitores eletrônicos verdadeiros não passam mais
pelo papel. Nas experiências que foram feitas em torno da Biblioteca
Nacional da França, envolvendo uma população de estudiosos ou
grandes leitores profissionais, pôde-se observar que alguns dentre eles
liam diretamente na tela as informações e os textos armazenados na
30
memória do computador. Nos Estados Unidos, vê-se mesmo
desenvolver a prática da leitura de conferências na tela do computador
portátil, aberto pelo conferencista como era o caderno ou a pasta de
papeis. Isto define uma figura do leitor futuro? Talvez.
Essa figura do leitor que lê sem recorrer ao papel exige da escola um novo
posicionamento. Esperamos em breve nos deparamos com uma nova realidade de
letramento digital como meio para a inclusão social do alunado paraibano, pois cremos
que esse seja um desejo de toda a comunidade escolar: levar o aluno a uma maior
independência, dessa forma tornando-o senhor de suas escolhas e não um mais um ser
alienado em uma sociedade tão dominadora e excludente.
31
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BAGNO, Marcos. Língua materna: letramento, variação & ensino. São Paulo.
Parábola, 2002.
COSCARELLI, Carla V. A nova aula de português. Presença Pedagógica. Belo
Horizonte, mar./abr., 1999.
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Pedagógica. Belo Horizonte, 1998.
CHARTIER, Roger. A aventura do livro: do leitor ao navegador, São Paulo, UNESP,
1999.
FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Edição: Paz e
Terra LTDA, 1989
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. 11. ed. Rio de Janeiro:
DP&A, 2006.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais emergentes no contexto da tecnologia
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PAULINO, Graça e COSSON, Rildo. Letramento literário: para viver a leitura dentro e
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leitura: velhas crises, novas alternativas. São Paulo: Global, 2009.
RAMOS, V. Roberto. O uso de tecnologias em sala de aula. Revista Eletrônica:
LENPES - PIBID de Ciências Sociais – UEL, Ed. 2, Vol 1, jul-dez.2012.
SAMPAIO. Adovaldo Fernandes. Letras e memórias: uma breve história da escrita,
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SOARES, M. B. Letramento e alfabetização: as muitas facetas. Revista Brasileira de
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SOARES, M. B. Letramento: um tema em três gêneros. 2ª ed. Belo Horizonte,
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Acesso em 15 de Junho de 2014.
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17479:minis
terio-distribuira-tablets-a-professores-do-ensino-medio&catid=215 Acesso em 08 de
Junho de 2014.
32
www.paraiba.pb.gov.br/64645/governo-comeca-distribuicao-dos-tablets-nas-escolas-a-partirde-marco.html. Acesso em 09 de Junho de 2014.
ANEXOS
33
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES
DEPARTAMENTO DE LETRAS CLÁSSICAS E VERNÁCULAS
Nome:______________________________________________ Idade:_________ Série:__________
Escola:___________________________________________________________________________
Questionário

Com qual freqüência você utiliza o laboratório de informática da sua escola?
Raramente
Regulamente

É permitido o uso do laboratório de informática fora do horário de aula?
Sim

Não
Você possui acesso a internet em sua casa?
Sim

Freqüentemente
Nunca
Não
Você já utilizou a internet do celular para fazer pesquisa escolar?
Sim
Não

Qual sua opinião quanto à iniciativa do governo de disponibilizar o Tablet e outros
recursos tecnológicos para o uso na sala de aula?
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

Com qual Freqüência você faz uso do Tablet, entregue pelo governo, na sala de aula?
Raramente
Regulamente

Freqüentemente
Nunca
Ainda não recebemos o Tablet
Com qual Freqüência seu professor faz uso do Tablet, entregue pelo governo, na sala de
aula?
Raramente
Regulamente
Freqüentemente
Nunca
Ainda não recebeu o Tablet
34
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES
DEPARTAMENTO DE LETRAS CLÁSSICAS E VERNÁCULAS
Nome:______________________________________________ Idade:_________ Série:__________
Escola:___________________________________________________________________________
Questionário





Qual a sua opinião quanto ao uso da internet como ferramenta educacional?
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
Qual sua opinião quanto à iniciativa do governo de disponibilizar Tablet e outros
recursos tecnológicos como ferramentas educacionais?
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
O governo já ofereceu oportunidade para uma especialização que trata do uso de
tecnologias na sala de aula ?
Sim
Não
Se houve uma qualificação e você participou, qual a sua opinião sobre o curso?
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
___
Com qual frequência você leva seus alunos para o laboratório de informática?
Raramente
Regulamente

Com qual frequência você utilizar o Tablet,disponibilizado pelo governo , na sala de
aula ?
Raramente
Regulamente

Freqüentemente
Nunca
Freqüentemente
Nunca
Qual seu parecer quanto ao uso do celular pelos alunos na sala de aula ?
Inaceitável, a sala de aula não é lugar para utilizar o celular.
Ruim, pois os deixa dispersos.
Bom, pois eles poderão utilizar o celular como ferramenta de pesquisa.
35
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AMANDA GOMES SILVA O USO DE NOVAS