UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS PÓS GRADUAÇÃO EM NEUROCIÊNCIAS E BIOLOGIA CELULAR ANÁLISE DE ANEUPLOIDIAS DOS CROMOSSOMOS 17 E 22 E DE DELEÇÕES DO GENE TP53 EM METÁSTASES CEREBRAIS DE MAMA DOUGLAS SERRA VASCONCELOS BELÉM 2009 ii DOUGLAS SERRA VASCONCELOS ANÁLISE DE ANEUPLOIDIAS DOS CROMOSSOMOS 17 E 22 E DE DELEÇÕES DO GENE TP53 EM METÁSTASES CEREBRAIS DE MAMA Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de PósGraduação em Neurociências e Biologia Celular, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal do Pará, como requisito para a obtenção do título de Mestre. Área de Concentração: Biologia Celular Orientador: Prof. Dr. Edivaldo H. C. de Oliveira BELÉM 2009 iii DOUGLAS SERRA VASCONCELOS ANÁLISE DE ANEUPLOIDIAS DOS CROMOSSOMOS 17 E 22 E DE DELEÇÕES DO GENE TP53 EM METÁSTASES CEREBRAIS DE MAMA Dissertação apresentada como requisito para a obtenção do grau de Mestre em Neurociências e Biologia celular da Universidade Federal do Pará. Área de Concentração: Biologia celular. Data de aprovação:___/___/___ Banca Examinadora: _____________________________ - Orientador Prof. Dr. Edivaldo H. C. de Oliveira - UFPA _____________________________ Profa. Dra. Cleusa Y. Nagamachi - UFPA _____________________________ Profa. Dra. Margarida M. C. de Lima - UFPA _____________________________ Prof. Dr. Nilson Praia Anselmo - UFPA iv À Equipe “de Câncer” do Laboratório de Citogenética, pelo apoio e confiança. v AGRADECIMENTOS Agradeço sinceramente ao grupo do laboratório de Citogenética da UFPA, principalmente ao Prof. Dr. Edivaldo de Oliveira, que teve uma paciência imensa em orientar esta dissertação e de modo especial ao Fábio da Silva e a Luciana Quintana por terem dado uma enorme contribuição na elaboração e análise dos resultados. Agradeço ainda aos Professores Doutores Júlio e Cleusa por terem apoiado a execução deste projeto, com orientações e comentários importantes. Ao grupo de Neurocirurgia do Hospital Ofir Loyola, onde este trabalho foi concebido e onde as amostras foram colhidas. Aos pacientes que aceitaram participar da pesquisa espontaneamente. De modo especial, agradeço ao Dr. Reginaldo Brito e ao Prof. Dr. Nilson Praia Anselmo,que iniciaram e incentivaram este importante projeto. Agradeço a minha família, Andréa, Matheus, Caio, Rodrigo, Yan e a pequena Beatriz, que suportaram as horas que tive que ficar ausente. Descupem! Ciência às vezes exige isso de nós. Finalmente, agradeço a Deus por ter me dado esta oportunidade. vi RESUMO As metástases de mama representam 10% dos tumores metastáticos para o cérebro. A via de disseminação metastática para o cérebro em geral é hematogênica. Poucos são os trabalhos publicados até o momento que enfatizam o perfil citogenético de metástases de mama. Nesses, os principais rearranjos cromossômicos recorrentes envolvem os cromossomos 17 e 22, sugerindo que essas aneuploidias possam estar relacionadas com um maior poder de metastatização dos tumores primários. Dessa forma, com o objetivo de verificar o comportamento desses dois cromossomos em metástases cerebrais de mama, foram analisadas cinco amostras desse tipo tumoral através da aplicação de FISH interfásico em dois experimentos distintos, com sondas dos cromossomos 17 (centrômero e TP53) e com sondas do 22 (BCR, com a sonda de 9q11 como controle). Os experimentos com o cromossomo 17 demonstraram um número significativo de núcleos com a deleção do gene TP53, além da polissomia do cromossomo 17 como segundo evento mais freqüente. Em relação ao cromossomo 22, o evento mais observado foi a perda de uma de suas cópias. Deleções do TP53 estão relacionadas com um aumento da malignidade tumoral, visto que esse gene está envolvido em várias vias do controle do ciclo celular. Da mesma forma, a polissomia do cromossomo 17 também seria indicativa de um mau prognóstico, já que esse rearranjo apresenta-se relacionado com aumento de expressão da proteína HER-2, fato também associado a um mau prognóstico. Vários estudos relacionam aneuploidias do cromossomo 22, principalmente a monossomia, como um passo importante na gênese de neoplasias, provavelmente devido à inativação de genes supressores de tumor situados nesse cromossomo, como o NF2. Esses indicativos de mau prognóstico concordam com os dados de anamnese das pacientes, que tiveram metástases cerebrais após a ressecção dos tumores primários de mama, e posteriormente apresentaram uma média de aproximadamente 17 meses de sobrevida após a ressecção das metástases cerebrais, com reincidência de metástases múltiplas. Assim, concluímos que a análise do comportamento desses dois cromossomos em tumores de mama poderia ser um dado importante na definição de seu poder de metastatização e malignidade. vii ABSTRACT Breast cancer metastases represent 10% of metastatic tumors in brain. The metastatic dissemination to the brain is in general hematogenic. Few reports concerning the cytogenetic profile of breast metastases have been published so far. In these, the main recurrent chromosomal rearrangements involve pairs 17 and 22, suggesting that primary tumors with these aneuploidies could present a higher metastatic risk. Hence, the aim of this report was the verification of the behavior of chromosomes 17 and 22 in five samples of breast metastases in brain, applying interphasic FISH in two distinct experiments, using probes of chromosome 17 (centromere and TP53) in one of them, and a probe of chromosome 22 (BCR, and 9q11 as a control) in the other experiment. Chromosome 17 probes showed a highly significative proportion of nuclei with deletion of one or both copies of gene TP53, and the polysomy of 17 as the second event more frequently observed. In relation to chromosome 22, the most observed event was the loss of one of the copies. TP53 deletion is related to an increase of the malignancy of tumors, because this gene is involved in several paths of control of cell cycle. In the same way, polysomy of chromosome 17 is also an indicative of a poor prognosis, because it causes a superexpression of protein HER-2, which is also related to poor prognosis. Several reports related aneuploidy of chromosome 22, especially monossomy, as an important step in the genesis of neoplasies, probably caused by the inactivation of tumor suppressor genes situated in this chromosome, such as NF2. These indicators of poor prognosis agreed with the anamnesis of the patients, with brain metastases after resection of breast primary tumor, and a survival-rate of approximately 17 months after resection of brain metastases, with recurrent multiple metastases afterwards. Hence, we conclude that the analysis of the behavior of these two chromosomes in breast primary tumors could be used as an important indicator of their metastatic power and malignancy. viii LISTA DE ABREVIATURAS APC BRCA1 C-erbB2 CT DNA DPC4 FISH GST HER2/NEU L-myc NF2 P16 RB RNA RM SNC TP53 WT1 gene Adenomatosis Polyposis Coli gene Breast Cancer 1, early onset gene Erythroblastic Leukemia Viral Oncogene Homolog 2 Tomografia Computadorizada Ácido Desoxirribonucleico (Desoxiribonucleic Acid) Membro 4 da família de genes SMAD Hibridização in situ fluorescente (Fluorescence in situ Hybridization) Gene Supressor de Tumor gene Receptor de Fator de Crescimento Epidermal Humano 2 gene v-Myc Myelocytomatosis Viral Oncogene Homolog 1 gene neurofibromina 2 (merlin) gene inibidor da cinase ciclina-dependente 2A gene Retinoblastoma Ácido Ribonucleico (Ribonucleic Acid) Ressonância Magnética Sistema Nervoso Central gene da protein tumoral p53 gene tumor de Wilms 1 ix SUMÁRIO I INTRODUÇÃO 1 1 ASPECTOS GERAIS: CÂNCER E CÂNCER DE MAMA 1 2 METÁSTASES CEREBRAIS 2 3 METÁSTASES DE MAMA NO CÉREBRO 6 4 TRATAMENTO DAS METASTASES CEREBRAIS 7 5 ASPECTOS GENÉTICOS DO CÂNCER 8 5.1 Instabilidade Genômica 8 5.2 Oncogenes e Genes Supressores Tumorais 10 6 CITOGENÉTICA E CÂNCER 12 6.1 Considerações Gerais 12 6.2 Relação entre Rearranjos Cromossômicos e Genes Supressores Tumorais e Proto-oncogenes 15 6.3 Dados Citogenéticos de Tumores de Mama 16 6.4 Aneuploidias em Metástases de Mama 17 7 OBJETIVOS 20 7.1 Objetivo Geral 20 7.2 Objetivos Específicos 20 II MATERIAL E MÉTODOS 21 1 AMOSTRAS 21 2 COLETA DAS AMOSTRAS 22 3 OBTENÇÃO DE NÚCLEOS INTERFÁSICOS 22 4 PREPARAÇÃO DAS LÂMINAS 23 5 PRÉ-HIBRIDIZAÇÃO 23 6 HIBRIDIZAÇÃO IN SITU 23 6.1 Sondas 23 6.2 Hibridização 24 6.3 Lavagem de Estringência 25 7 ANÁLISE E CAPTURA DAS IMAGENS 25 8 ANAMNESE 25 III RESULTADOS 26 1 EXPERIMENTOS DE HIBRIDIZAÇÃO IN SITU 27 IV DISCUSSÃO 31 1 SOBRE A IMPORTÂNCIA DOS RESULTADOS OBTIDOS A PARTIR DA APLICAÇÃO DA TÉCNICA DE I-FISH: UMA VISÃO GLOBAL 31 2 OCORRÊNCIA DE ANEUPLOIDIAS DO CROMOSSOMO 17 33 3 DELEÇÕES DO GENE TP53 35 4. ANEUPLOIDIAS DO CROMOSSOMO 22 37 x 5 VALOR PROGNÓSTICO DOS RESULTADOS OBTIDOS 38 V CONCLUSÕES 41 VI REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 42 ANEXO I 51 ANEXO II 52 ANEXO III 54 ANEXO IV 55 1 I. INTRODUÇÃO 1. ASPECTOS GERAIS: CÂNCER E CÂNCER DE MAMA. O termo câncer refere-se a uma variedade de patologias nas quais crescimento e proliferação celular estão desregulados, levando à formação de uma massa tumoral capaz de invadir, destruir tecidos vizinhos e disseminar-se para outros órgãos do corpo por metástases. Embora fatores ambientais e dietéticos contribuam para sua gênese, o câncer resulta de mudanças genéticas múltiplas em uma população de células, as quais o tornam a doença genética mais freqüente (BORGES-OSÓRIO & ROBSON, 2001; SNUSTAD & SIMMONS, 2001; NUSSBAUM et al., 2002). Segundo a Organização Mundial de Saúde (WHO) ( KLEIHUES et al., 2002), mais de 11 milhões de pessoas são diagnosticadas com câncer todos os anos, sendo esta doença responsável por 12,5% das mortes anuais no mundo. Estima-se que no Brasil mais de 120.000 pessoas morreram desta doença em 2002 (INCA, 2002). Considerando que o total de tumores passíveis de prevenção pode alcançar mais de 50% de todos os casos em países desenvolvidos e reconhecendo a importância da citogenética e da biologia molecular no diagnóstico e prognóstico de pacientes com câncer, vários estudos dessa natureza têm sido realizados visando a prevenção, detecção precoce e tratamento dessas doenças malignas (CAI et al., 2001, DIAZ jr, 2005). No caso das mulheres, o câncer de mama é a doença maligna mais comum e a segunda causa de morte, atrás apenas do câncer de pulmão em mortes femininas nos Estados Unidos (QIN, 2002). Estimou-se que aproximadamente 178.480 mulheres foram diagnosticadas com câncer invasivo de mama em 2007, representando 12,67% da população feminina americana e 26% de todos os casos de câncer nos Estados Unidos (CHENG & HUNG, 2007). 2 Hitologicamente os carcinomas de mama podem ser divididos em ductal (89%), lobular (5%), e forma combinada (6%), dependendo de seu sítio no tecido mamário. Tanto o ductal como o lobular podem ser total ou parcialmente contidos na membrana basal, nestes casos são denominados “in situ” e suas chances de cura chegam a 100% somente com terapia local. (MARTINS, 2007). Como em outras formas de carcinomas, o câncer de mama é caracterizado pela instabilidade genômica, frequentemente envolvendo casos de aneuploidia dos cromossomos 8, 17, 19, 20 e 22. Foram observadas também perdas gênicas, como a do TP53 no braço curto do cromossomo 17, entre as alterações mais comumente vistas (PROSSER et al., 1991; HEIM & MITELMAN, 1995; PANDIS et al., 1998; LARRAMENDY et al., 2000; WATTERS et al., 2003). Além disso, PANDIS et al. (1998) sugeriram que perdas dos cromossomos 17 e 22 em casos de câncer de mama estão associados a uma maior predisposição a metástase. 2. METÁSTASES CEREBRAIS. Conceitualmente, metástase representa um implante neoplásico sem continuidade com o tumor primitivo. Todo o processo metastático, desde o desprendimento do estroma celular do órgão primariamente afetado, passagem pela membrana basal do endotélio, transporte na corrente sanguínea, passagem pela membrana endotelial do órgão alvo e colonização da nova área é complexo (REY, 1999). Devido à progressiva incapacidade neurológica causada pelas metástases cerebrais e a falta de tratamento efetivo como nas metástases viscerais e ósseas, esta doença ainda representa um grande desafio a ser vencido (CHENG & HUNG, 2007). A incidência crescente de metástases para o cérebro se deve a vários fatores. Um deles é o aumento da sobrevida de pacientes com câncer sistêmico, em 3 conseqüência da melhora das estratégias de seu tratamento clínico e ou cirúrgicos. Outro fator importante é a maior capacidade de diagnóstico de tumores do SNC, devido à disponibilidade de tomografia computadorizada (CT) e ressonância magnética (RM) (QUEIROZ & TÉDDE, 2007). Além disso, muitos agentes quimioterápicos não atravessam a barreira hemoencefálica, oferecendo um verdadeiro “santuário” para o desenvolvimento de metástases, ainda porque alguns destes agentes quimioterápicos podem “enfraquecer” esta barreira e facilitar a disseminação de metástases para o SNC (BREM & PANATTIL, 2005). As metástases cerebrais são de um modo geral os tumores mais comumente vistos clinicamente, compreendendo um pouco mais de 50% de todos os tumores cerebrais (GRENBERG, 2005). As metástases intracranianas podem envolver o parênquima cerebral, os nervos cranianos, vasos sanguíneos cerebrais, seios durais, a duramater, as leptomeninges e a tábua craniana (ADAM, 2005). Nos Estados Unidos a incidência anual de novos casos de metástases cerebrais é maior que 100.000, comparando com apenas 17.000 tumores primários do cérebro (MAMELACK et al. 2005). Entre 15%-30% dos pacientes com câncer desenvolvem metástases cerebrais (INCA, 2005). Em 15% dos pacientes sem histórias de câncer, uma metástase cerebral é a primeira manifestação clínica (MAMELACK et al., 2005). Em 9% dos casos, uma metástase é o único local detectável de disseminação. As metástases ocorrem em apenas 6% dos casos pediátricos (YUMANS, 2004), sendo o tumor de Wilms e os osteosarcomas os mais freqüentes nesta faixa etária (GRENBERG, 2005). Em tese, todos os tipos de tumores malignos podem originar metástases, entretanto apenas alguns tipos o fazem mais freqüentemente, a saber: câncer de pulmão 44%, mama 10%, rim 7%, tubo gastrointestinal 6%, melanoma 3% e fonte incerta 10%. 4 Os tumores de pulmão e mama juntos somam mais de 50% das metástases (YUOMANS, 2003; SILLS, 2005) Quanto à localização das metástases cerebrais elas podem ser parenquimatosas em 75% dos casos e meníngea no restante (25%) determinando uma meningite carcinomatosa. A localização de 80% das metástases solitárias está nos hemisférios cerebrais. (YOUNG, 2005). A maior incidência de metástases cerebrais é posterior à fissura silviana, próximo à junção dos lobos temporal, parietal e occipital (presumivelmente devido à disseminação embólica pelos ramos terminais da artéria cerebral média, onde o fluxo sanguíneo é maior). Muitas tendem a se localizar entre as substâncias brancas e cinzentas (MAMELACK et al. 2005). O cerebelo é o local mais comum de metástases intracranianas e é a localização em 16% dos casos de metástases solitária (YOUNG, 2005). Assim como na maioria dos tumores cerebrais, os sinais e sintomas das metástases tendem a ter um curso de instalação lenta quando comparado com sintomas típicos de doenças cérebro-vasculares que tendem a ter início súbito e se resolver lentamente. Ainda podem manifestar fenômenos elétricos como as crises convulsivas de inicio súbito e resolução rápida. Não há achado clínico que permita a diferenciação de um tumor metastático de uma neoplasia primária do SNC (BREM & PANATTIL, 2005). Segundo BRAGA (2002), os sinais e sintomas incluem: 1. Aqueles devido à pressão intracraniana elevada por efeito de massa ou bloqueio de liquor (hidrocefalia), cefaléia (50%) dos casos, náusea e vômitos e depressão do nível de consciência; 2. Déficit focal, por compressão do parênquima cerebral e ou a formação de edema perilesional, ou compressão de nervos cranianos; 5 3. Convulsões que ocorrem em 15% dos casos; 4. Alteração do estado mental - depressão, letargia, apatia e coma; 5. Sintomas sugestivos de fenômenos vasculares AIT (ataque isquêmicos transitórios, chamados AITs de tumores) ou acidentes vasculares estabelecidos por oclusões vasculares tumorais, ou hemorragias intratumorais, como nos melanomas e tumores de células renais; A avaliação clínica radiológica de tumores metastáticos para o SNC se faz por estudos envolvendo tomografia computadorizada (CT) e ressonância magnética (RM) do encéfalo (MAMELACK et al., 2005, McCCHEON, 2005). As metástases aparecem como massa não complicada à tomografia (redondas, bem circunscritas), se originando nos limites entre substância branca e cinzenta, em áreas ditas watershed, fronteiras de territórios vasculares de lobos diferentes. Caracteristicamente, um edema profundo da substância branca penetra no cérebro a partir do tumor de forma mais pronunciada que aqueles vistos em tumores primários (chamados “dedos de edema”). Quando lesões múltiplas estão presentes (na CT e ou RM) a regra de Chambers se aplica: “quem contar a maior quantidade de metástase está correto”. As metástases se impregnam por meio de contraste radiológico e devem ser consideradas sempre no diagnóstico diferencial de uma lesão em anel (McCCHEON, 2005). A RM de encéfalo é mais sensível que a CT, especialmente na fossa posterior, incluindo o tronco cerebral, detectando metástases múltiplas em aproximadamente 20% das metástases diagnosticadas como únicas na CT. As múltiplas projeções na RM de encéfalo para metástases são úteis no planejamento cirúrgico (McCUTHEON 2005, YOUNG ,2005). 6 3. METÁSTASES DE MAMA NO CÉREBRO A incidência total de metástase cerebral de tumores de mama é cerca de 30% (SWENSEN, 2007). A sobrevida média em cinco anos é de 98.1% em tumores com invasão local e caem para 26% nos pacientes com metástases para sítios distantes, sendo pulmão, fígado, ossos e cérebro os órgãos mais freqüentemente afetados. (EWEND et al. 2005). As metástases de mama representam 10% dos tumores metastáticos para o cérebro. A via de disseminação metastática para o cérebro em geral é hematogênica. O processo pelo quais as metástases ocorrem é chamado cascata metastática e é na verdade o grande processo biológico responsável pelo seu desenvolvimento (YUOMANS, 2003). O prognóstico dos pacientes com metástases cerebrais de câncer de mama no geral é pobre, uma vez que na maioria dos casos o envolvimento pulmonar, hepático e ósseo já ocorreu no momento de seu diagnóstico. A sobrevida média após o diagnóstico de metástase cerebral varia de 2 a 16 meses, sendo de 1 ano em apenas 20% dos casos ( CHENG & HUNG, 2007). Um índice prognóstico para metástases cerebrais, incluindo a de mama, foi formulado pelo Radiation Terapy Oncology Group (RTOG), baseados na análise de 1200 casos com uma variedade de tumores sólidos. Pacientes com idade menor que 65 anos, os quais têm seus tumores primários controlados, sem outros focos de metástase conhecidos e um índice de Karnofsk maior que 75, usualmente têm melhores resultados, com média de sobrevida de 7.1 meses. Entretanto pacientes acima de 65 e com índice de Karnofsk abaixo de 70, têm pior prognóstico com média de sobrevida de 2.3 meses, em ambos os casos considerando nenhuma forma de tratamento aplicada. Um fator favorável de sobrevida inclui metástase cerebral única e longo período de tempo livre da doença primária. Com o controle da doença sistêmica, a incidência de envolvimento do sistema nervoso central tem aumentado, e a maioria 7 destes pacientes com metástases de mama está morrendo devido à progressão da doença no cérebro (McDERMOTT, 2005). 4. TRATAMENTO DAS METASTASES CEREBRAIS Mesmo com tratamento ideal a sobrevida dos pacientes com metástases cerebrais ainda é de 26 a 32 semanas, portanto, o seu manejo é paliativo (McCCHEON, 2005). Deve-se ter cuidado com a confirmação diagnóstica de tumores cerebrais metastático, pois em 11% dos pacientes com alterações na CT e ou RM de crânio e com história de câncer nos últimos cinco anos, podem não ser metástases, sendo fundamental o diagnóstico diferencial com glioblastoma multiforme, astrocitomas, abscessos e reações inflamatórias inespecíficas, pois quando se contempla o tratamento não cirúrgico (radio ou quimioterapia) é fundamental a confirmação por biopsia (EWEND, 2005) O tratamento das metástases cerebrais de mama inclui: corticosteróide, radioterapia de cérebro total, ressecção cirúrgica, radiocirurgia e quimioterapia. (YOUNG & PATCHELL, 2004). Os corticosteróides são usados para aliviar os sintomas por diminuição do edema em torno da lesão cerebral (SWENSEN & KIRSCH, 2002). A radioterapia de cérebro total é considerada a forma de tratamento de escolha para metástases cerebrais múltiplas, assim como pacientes com metástases solitárias que não são qualificados para cirurgia ou radiocirurgia estereotáxica (CHENG & HUNG, 2007). Esta forma de tratamento é capaz de controlar os sintomas neurológicos e melhorar a qualidade de vida em aproximadamente 75% a 85% dos pacientes, sendo ainda capaz de prolongar o tempo de sobrevida quando comparada com corticosteróide somente (YOUNG & PATCHELL, 2004). 8 A ressecção cirúrgica das metástases cerebrais de mama permite o diagnóstico da doença intracraniana, além disso, pode melhorar os sintomas neurológicos e melhorar a qualidade de vida por imediata descompressão cerebral por remoção do efeito de massa do tumor (MAMELACK, 2005). A ressecção cirúrgica também melhora o período de sobrevida quando comparada com outros modos de tratamento isolados (SWENSEN & KIRSCH, 2002) Em pacientes com uma única metástase acessível, bom desempenho de Karnofsk e doença extra-craniana estável, há uma boa vantagem para o tratamento cirúrgico, principalmente quando combinado com radioterapia de cérebro total somente. Entretanto a ressecção cirúrgica é considerada limitada em pacientes com metástases múltiplas, a menos que haja entre elas uma lesão muito sintomática, causando intenso déficit motor ou redução do nível de consciência por efeito de massa do tumor (CHENG & HUNG,2007). Geralmente a quimioterapia não tem sido considerada uma boa estratégia para o tratamento das metástases do sistema nervoso central, devido à constituição da barreira hematoencefálica, principalmente pelas Tight-Junction nas células endoteliais e as junções tipo Gap dos pericitos dos astrócitos: estas estruturas celulares dificultam ou não permitem a passagem de moléculas com alto peso molecular, típicas dos quimioterápicos (PEEREBOOM, 2005). 5. ASPECTOS GENÉTICOS DO CÂNCER 5.1 Instabilidade Genômica No curso da carcinogênese, as células experimentam várias alterações genéticas (incluindo ganhos e deleções de genes e cromossomos) que estão associadas com a transição de uma lesão pré-neoplásica a um tumor invasivo e daí sua metástase. Uma alta freqüência de deleções cromossômicas, relacionadas com perda de 9 heterozigose, é considerada um marco em instabilidade genômica em câncer, hoje alvo de estudos através de várias ferramentas de citogenética molecular (QIN, 2002). Instabilidade do genoma tem sido considerada como importante fator na formação e progressão da neoplasia. A célula deve sofrer uma, ou mais de uma, alteração no seu genoma, usualmente na forma de mutações nos genes envolvidos no ciclo celular, o que leva a um relaxamento dos mecanismos de controle do crescimento e divisão (WARD, 2002). Células nas quais os mecanismos de controle foram alterados têm maior chance de desenvolver novas anormalidades genéticas, isto é, se tornam instáveis (BREIVIK, 2005). Quando a célula sofre grandes danos, que sobrepujam a sua capacidade de reparação, se torna sujeita a sofrer alterações cromossômicas, como translocações, deleções, amplificações, duplicações ou inversões de genes. Inserções, deleções, duplicações e inversões geralmente resultam na produção de produtos gênicos truncados, ou encurtados, enquanto que as trocas de bases alteram a seqüência de aminoácidos do produto gênico ou também resultam em produto truncado. Mutações externas à região codificadora podem afetar a transcrição, a tradução e o splicing do RNA mensageiro e seu processamento. Assim, existe uma relação entre o agente causador deste dano e o grau de heterogeneidade do clone celular que se desenvolverá, o que, por sua vez, guarda estreita relação com a capacidade de algumas destas células adquirirem resistência terapêutica e, portanto, definirem pior prognóstico ao tumor. Muitos genes supressores tumorais foram identificados a partir da análise de mutações, como o TP53, APC, DPC4 e o P16, envolvidos no processo carcinogênico em diversos tecidos (FAGIN, 2002). 10 5.2 Oncogenes e Genes Supressores Tumorais O tumor progride através do acúmulo de mutações genéticas e epigenéticas que possibilitam sua liberação dos processos de controle celular e ambiental. Essas mutações podem envolver genes que agem no ciclo celular, apoptose, angiogênese, adesão celular, e reparo do DNA. Um grande número de tais genes, como oncogenes e genes supressores tumorais (GST), já foi identificado (GRAY & COLLINS, 2000). Durante a década de 90, uma terceira categoria de genes envolvida com o câncer foi definida: aqueles que controlam o reparo do DNA (FISHEL et al., 1993). A princípio, há dois tipos de genes que previnem o câncer quando em funcionamento normal: os genes caretakers, que mantêm a integridade do genoma, tanto ao nível dos nucleotídeos como dos cromossomos, e os genes gatekeepers, que mantêm um crescimento celular funcional, incluindo os proto-oncogenes e genes supressores de tumor (KINZLER et al., 1997; BREIVIK, 2005). Conjuntamente, alterações nesses genes conduzem à instabilidade genômica, criando um ambiente em que o acúmulo de mutações podem levar ao fenótipo câncer (GRETARSDOTTIR, 1998). Os oncogenes, alelos mutantes ativados de uma classe de genes celulares normais conhecidos como proto-oncogenes, facilitam a transformação maligna por mecanismos tais como o estimulo à proliferação do clone mutado, o aumento do suprimento sanguíneo ao tumor, e a inibição da apoptose (CONCIN et al., 2003). Os oncogenes têm efeito dominante, uma vez que um único alelo mutado é suficiente para alterar o fenótipo celular de normal para neoplásico. Essas mutações podem ser nos próprios oncogenes, em seus elementos reguladores ou no número de cópias no genoma, levando à desregularão ou hiperexpressão de seu produto oncogênico (BREIVIK, 2005). 11 Genes protetores ou caretakers são verdadeiros supressores tumorais, estando envolvidos no reparo de danos ao DNA e na manutenção da integridade do genoma. Já os genes de manutenção, ou gatekeepers,estão envolvidos na regulação ou inibição da proliferação celular. Para essas duas classes de genes, a perda ou inativação de ambos os alelos pode levar ao câncer agora pelo acúmulo de mutações secundárias em proto-oncogenes ou em genes supressores de tumor (GOODISON et al., 2005). Um exemplo de gene supressor de tumor é o TP53, que está localizado no braço curto do cromossomo 17, e desempenha importante papel no controle do ciclo celular, reparo do DNA, e ativação da apoptose (WATTERS et al, 2003). O TP53 codifica uma fosfoproteina nuclear que funciona como um regulador transcricional, se ligando em seqüencias específicas na fita de DNA (CONCIN et al., 2003). A evidência inicial de que este gene estaria inativado em cânceres humanos foi dada por estudos demonstrando que a perda de heterozigosidade para alelos situados no cromossomo 17 (17p13.1) era comum em muitos tipos tumorais (FEARON et al., 1987; VOLGESTEIN et al., 1988; BAKER et al., 1990). Além disso, o gene TP53 está mutado em grande parte dos indivíduos com síndrome de Li-Fraumeni, uma desordem hereditária caracterizada por uma ampla variedade de sarcomas (MALKIN et al., 1992). Em respostas ao dano na molécula de DNA, células com tipos selvagens de TP53 exibem uma rápida resposta no aumento do nível celular da proteína p53, o que se correlaciona muito bem com a parada do ciclo celular em G1. Esta parada em G1 é o tempo necessário para que o processo de reparo ocorra antes que haja duplicação na fase S do DNA danificado. Em caso de não ser possível o reparo do DNA, a p53 ativa a via de capazes que levam a célula a apoptose (CONCIN et al., 2003). Mutações no TP53 estão entre as anormalidades genéticas mais comuns entre os cânceres humanos em geral e no câncer de mama em particular. Sua 12 participação na carcinogênese deriva do fato que alteram o ciclo celular, resultando em um aumento da instabilidade genética. Adicionalmente, uma perda de ação da via apoptótica dependente da p53 conduz ao aumento de resistência aos agentes danificadores de DNA usados clinicamente como a rádio e a quimioterapia (GERSTNER & FINE, 2007). Mutações em proto-oncogenes e genes supressores tumorais podem ocorrer em diferentes momentos e seqüencias particulares na via de progressão dos diferentes tumores, e podem contribuir parcialmente para a aquisição de uma única alteração ou totalmente para a aquisição simultânea de várias alterações distintas. Como conseqüência dessa manifestação variável, os diferentes tipos tumorais podem apresentar fenótipos diversos; entretanto, independente do caminho genético percorrido, alterações nesses genes são comuns a todos os tipos de tumores, e o reconhecimento de suas relações com a progressão da malignidade tem importante valor prognóstico e pode facilitar o desenvolvimento de novas terapias (HANAHN & WEIBERG, 2000). 6. CITOGENÉTICA E CÂNCER. 6.1 Considerações Gerais A instabilidade cromossômica é uma característica comum das células cancerígenas. Muitos mecanismos celulares levam à instabilidade cromossômica, envolvendo rearranjos numéricos e estruturais nessas células, incluindo problemas de segregação, de pontos de checagem do ciclo, de estabilidade telomérica e de reparo de DNA. O número de diferentes mecanismos relacionados à instabilidade cromossômica vem aumentando rapidamente com novas descobertas. Considerando-se que a instabilidade cromossômica é uma das maiores causas de resistência de tumores a certos tratamentos, o entendimento dos mecanismos que levam a essa instabilidade tem uma 13 grande importância prática (GOLLIN, 2005). Estima-se que desequilíbrios no número de cromossomos seja a modificação genética mais comumente encontrada nos tumores sólidos analisados até o momento (HEIM & MITELMAN, 1995). As aberrações cromossômicas numéricas são comumente observadas em câncer humano. Três linhas de evidência nos levam a crer que essas aneuplodias são eventos discretos de mutações cromossômicas que contribuem para o processo de transformação maligna: primeiro, a análise de aneuplodias por técnicas de citogenética molecular revelaram que aneuploidias cromossômicas específicas são relacionadas com tipos tumorais distintos; segundo, linhagens de células tumorais aneuplóides apresentaram uma elevada taxa de instabilidade cromossômica; e terceiro e mais importante, vários genes que controlam a segregação cromossômica foram encontrados mutados em células tumorais humanas, associando essas mutações à indução de aneuplodiais em tumores (SAN, 2000; GOODISON et al. 2005). Há um aumento crescente de estudos de anormalidades cromossômicas em humanos, principalmente por estarem relacionadas etiologicamente a neoplasias, envolvendo oncogenes e genes supressores de tumor, como produtos da instabilidade genética (GISSELSSON, 2005). De acordo com SORENSEN e TRICHE (2000), esses rearranjos podem levar a conseqüências como: - Ativação de genes chaves no controle da proliferação e diferenciação celular que codificam fatores de transcrição que se ligam ao DNA em seqüências definidas, influenciando decisões celulares para entrar e sair do ciclo celular ou para expressar genes associados à diferenciação. - Quebras em um cromossomo ou em cromossomos diferentes, com fusões diversas, inversões, translocações, em recombinações mitóticas de genes homólogos ou não homólogos, levando a formação de gene quimérico. 14 Entretanto, informações acerca de aberrações recorrentes em tumores sólidos e alguns hematopoiéticos são limitados devido à dificuldade de se obter material de cultura primária destas células e por terem baixo índice mitótico (HEIM & MITELMAN, 1995). Além disso, tumores sólidos têm freqüentemente cariótipos com rearranjos complexos, tornando difícil a identificação de alteração genética envolvida na patogênese do câncer (PATEL et al., 2000). Uma divisão desigual dos cromossomos origina as aneuploidias. As aneuploidias (perdas ou ganho de um ou mais cromossomos) vêm sendo observadas em vários tipos diferentes de neoplasias, e apesar disso, não se sabe exatamente seu papel na carcinogênese (DEY, 2004). Como esses rearranjos numéricos são consistentemente observados em todos os cânceres, muitos trabalhos apóiam a hipótese de que as aneuploidias são freqüentemente causadas por um tipo particular de instabilidade genética, chamada instabilidade cromossômica, a qual pode refletir defeitos na segregação mitótica (RAJAGOPALAN & LENGAUER, 2004) Um princípio fundamental na compreensão de tumorigenese é que o câncer surge a partir das aquisições seqüenciais de alterações cromossômicas em genes específicos (GISSELSON, 2008). Estas mudanças (mutações e amplificações) ocorrem em células individuais, e cada mudança atinge uma onda de expansão clonal, sendo necessárias de 6 a 10 eventos clonais para se atingir maturação neoplásica. Ao contrário das células normais, que contém um número regular de 46 cromossomos, as células neoplásicas freqüentemente apresentam um número maior de cromossomos, cerca de 60 a 90, e podem diferir em número e estruturas em células de um mesmo tumor (HARITI, 2005) As bases genéticas de todo processo de aneuploidias precisam de mais investigações. Entretanto, tetraploidizações vistas em lesões pré-neoplásicas como o 15 esôfago de Barret, e colite ulcerativa, translocações balanceadas e telômeros curtos vistos em células telomerase-negativas imortalizadas, e anormalidades em números (dobrados) de centrômeros e mutações em genes responsáveis por pontos de checagem de fusos mitóticos podem ser as bases genéticas para as aneuploidias ou instabilidade cromossômicas (DEY, 2004; HARITI, 2005). 6.2 Relação entre Rearranjos Cromossômicos e Genes Supressores Tumorais e Proto-oncogenes As modificações cromossômicas que atuam na tumorigênese são diretamente relacionadas com muitos proto-oncogenes, genes supressores tumorais e outros genes de controle de ciclo celular (GUNTER, 2001, PEÑA & CASTRO, 2002). No caso de deleções, o funcionamento normal desses genes e dos mecanismos que eles controlam sofre modificações devido a uma haplo-insuficiência ou desequilíbrio da expressão gênica; por essa via pode-se ativar os mecanismos iniciais da gênese tumoral. Os exemplos incluem a deleção intersticial de 11p13, que contém o gene supressor de tumor WT1 no tumor de Wilms; a deleção da banda 13q14, na qual se localiza o gene RB, responsável pelo retinoblastoma em crianças; e a deleção do 17p13, no qual encontramos o gene TP53, relacionado com os carcinomas gástrico, de mama, melanoma, de pulmão, de ovário e de cólon (HEIM & MITELMAN, 1995; BERTRAM, 2000; GUNTER, 2001; PEÑA & CASTRO, 2002). O gene TP53 está bem reconhecido como guardião do genoma humano: é importante notar que as deleções que comprometem os locos dos genes TP53 e do RB desencadeiam o surgimento de diferentes tipos de tumores em mais de 50% dos casos (SANDBERG, 1994; HOLLSTEIN et al., 1991; LOPES et al., 2002). 16 Por outro lado, as translocações podem conduzir à trasativação gênica anormal desses genes, como ocorre com o L-myc (1p32) em carcinoma de pulmão, o N-ras (1p11) em neuroblastomas, APC (5q21) em polipose de cólon, BRCA1 (1p36 e 17q21) em câncer de mama e de ovário, e a super-expressão do oncogene HER2/NEU em carcinoma de mama (MITELMAN, 2000; RABBITS, 1994; SCWAB, 1999; OBARA et al., 2001). As translocações também afetam a estrutura e função de outros genes, como aqueles que codificam fatores de crescimento (SHAEKNEV & SHAEKNEV, 1997). Da mesma forma, esse tipo de rearranjo pode originar genes híbridos (genes fusionados) cujos produtos, proteínas quiméricas, aumentam notoriamente a proliferação celular e ativam mecanismos de gênese tumoral e posterior metástase (AMAN, 1999; MITELMAN, 2000). Conclui-se, dessa forma, que quaisquer modificações no número ou estrutura dos cromossomos humanos que comprometam os locos de proto-oncogenes e genes supressores tumorais ativam os mecanismos de surgimento de neoplasisas em humanos. 6.3 Dados Citogenéticos de Tumores de Mama As análises citogenéticas em câncer de mama já revelaram que esse tipo de tumor apresenta-se bastante heterogêneo nesse aspecto (HEIM & MITELMAN, 1995; MITELMAN, 1994; SLOVAK, 1996). A interpretação e identificação das aberrações clonais tornam-se difíceis pela sua complexidade. O exato número e distribuição de genes envolvidos na maioria desses rearranjos ainda são desconhecidos (LARRAMENDY et al., 2002). Os primeiros estudos em tumores de mama revelaram ganhos de 1q, 8q, 11q13, 17q22-24 e 20q13, e perdas de 17p e do cromossomo 22 como 17 as aberrações mais freqüentes (COURJAL & THEILLET, 1997; KNUUTILA et al., 1998; KUUKASJAVIN et al., 1998). Outra aneuplodia recorrente em tumores de mama envolve o cromossomo 8: o ganho desse cromossomo foi observado em 100% dos casos de tumores primários analisados por ROKA et al. (1998). Esse cromossomo pode ter grande importância no carcinoma de mama, visto que vários genes que estão envolvidos em sua gênese estão situados nesse cromossomo. Além disso, a aneuploidia do cromossomo 8 parece ocorrer no início do processo neoplásico (DEVILEE & CORNELISSE, 1994). 6.4 Aneuploidias em Metástases de Mama O acúmulo de anormalidades cromossômicas, tais como rearranjos, amplificações e deleções afetando diretamente genes envolvidos no controle da proliferação, diferenciação e sobrevivência celular podem levar a um processo de passos múltiplos para o desenvolvimento e progressão do câncer. A identificação de tipos comuns de rearranjos genômicos é um dos grandes objetivos na pesquisa de câncer, porque pode trazer informações sobre os mecanismos moleculares que levam à transformação celular (GOODISON et al., 2005). Segundo PANDIS et al.(1998), ao se analisar citogeneticamente células obtidas a partir de metástases, as principais perguntas referem-se à sua estrutura cromossômica: o cariótipo de células de metástases mantém o mesmo perfil cromossômico dos tumores primários? Os rearranjos encontrados são semelhantes àqueles dos tumores primários? Os rearranjos observados nos tumores primários podem estar relacionados com o seu poder de se metastatizar? Os resultados ainda são 18 controversos, principalmente devidos às dificuldades técnicas em se obter boas preparações para análises citogenética. Poucos são os casos de estudos citogenéticos envolvendo tanto o tumor primário como as suas eventuais metástases. Em estudos de metástases de mama em linfonodos vários rearranjos também característicos do tumor primário foram encontrados nas metástases, além de novos. Assim as metástases apresentam um maior número de rearranjos por clone, mas um menor número de populações clonais, selecionadas da massa tumoral após adquirirem capacidade para metastatizar (PANDIS, 1998, TEIXEIRA et al. 1996). De todos os casos de metástases analisados por PANDIS et al. (1998), a aneuploidia mais observada foi a monossomia do cromossomo 17 (70%) e perda no cromossomo 22 (70%). Essas duas aberrações cromossômicas também são comuns em tumores primários, indicando que eles podem ter um papel importante no estabelecimento de metástases. Genes supressores de tumor como TP53, BRCA1 e oncogenes como HER2/neu situados no cromossomo 17 podem ter suas dosagens alteradas quando este demonstra anormalidade estrutural e numérica, o que tem sido relacionado a pobre prognóstico (WATTERS et al., 2003). TSUDA et al. (1998) também obervaram concordância entre perda de heterozigosidade tanto de 17p como 17q e graus de malignidade em um estudo envolvendo 150 tumores primários de mama com metástases nos linfonodos axilares, e a combinação entre mutações do TP53 e amplificações do c-erbB2 foi significante como prognóstico de recorrência e morte. Já aneuploidias envolvendo o cromossomo 22 foram observadas principalmente em tumores primários de SNC, como meningiomas, ependimomas e schwanomas ( EVANS et al., 2000; WEINBERG, 2008). Entretanto, outros tumores também foram caracterizados pela monossomia desse cromossomo como alguns 19 tumores intestinais (MARCI et al., 1998) e do ovário (CAUGHRON et al., 2005). O gene NF2, situado no cromossomo 22, parece ser uma das possíveis causas da associação de aneuploidias do par 22 e alguns tipos de neoplasias. De fato, dados da literatura indicam que modificações do gene NF2 estão associados a 30% dos casos de tumores cerebrais. Esse gene promove a produção de uma proteína denominada merlin, que possui importante papel em muitas vias de sinalização relacionadas ao crescimento, divisão e comunicação celular (BEGNAMI et al., 2007). 20 7. OBJETIVOS 7.1 Objetivo Geral - Analisar a ocorrência de aneuploidias dos cromossomos 17 e 22 e deleções do gene TP53 em metástases cerebrais de mama, através da aplicação de sondas centroméricas e gene-específicas, comparando os resultados obtidos com os dados previamente publicados. 7.2 Objetivos Específicos - Analisar a ploidia de células obtidas de metástases cerebrais de mama. - Observar a ocorrência de aneuplodiais envolvendo os cromossomos 17 e 22 em metástases cerebrais de mama. - Analisar a ocorrência de deleções do gene TP53 em metástases cerebrais de mama. - Comparar os resultados com dados previamente publicados - Comparar os dados com o histórico dos pacientes, procurando traçar relações entre as mutações encontradas e o quadro clínico dos pacientes. 21 II. MATERIAL E MÉTODOS 1. AMOSTRAS O presente trabalho faz parte de um projeto maior intitulado “Estudos Citogenéticos e Moleculares em Tumores do Sistema Nervoso Humano na População Paraense”, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Saúde da Universidade Federal do Pará (025/06 CEP-CCS/UFPA) (Anexo I). Os pacientes ou seus parentes próximos foram informados sobre o estudo a ser realizado e, em caso de concordância em participar do mesmo, solicitou-se a assinatura de um termo de livre consentimento (Anexo II). As análises foram realizadas em cinco amostras de metástases cerebrais de mama. A caracterização das amostras e dos pacientes encontrase na tabela I. Para controle da técnica de FISH, foi analisada uma amostra de preparação obtida a partir de cultura de linfócitos de um indivíduo hígido que não foi exposto a radiações ou medicamentos que pudessem interferir no resultado do estudo, em período próximo à coleta. Tabela I: Caracterização das Amostras Utilizadas nas Análises Protocolo Data de Coleta Sexo Idade Exame Histopatológico CONT01 05/05/2008 F 22 ---------CSN037 28/07/2005 F 23 Adenocarcinoma metastático CSN099 06/06/2006 F 54 Adenocarcinoma metastático CSN133 30/03/2007 F 45 Adenocarcinoma metastático CSN134 10/04/2007 F 46 Adenocarcinoma metastático CSN155 18/01/2008 F 50 Adenocarcinoma metastático 22 2. COLETA DAS AMOSTRAS Amostras de tecido tumoral foram coletadas durante o procedimento cirúrgico pela equipe de Neurocirurgia do Hospital Ophir Loyola. O material foi colocado em meio de cultura RPMI, contendo antibióticos, para prevenção de possível contaminação. Imediatamente após sua coleta, o material foi encaminhado ao Laboratório de Citogenética da Universidade Federal do Pará, para processamento. 3. OBTENÇÃO DE NÚCLEOS INTERFÁSICOS Para obtenção de suspensão de núcleos interfásicos e eventuais metáfases, seguiu-se a técnica de FORD e HAMERTON (1956) com modificações. O material tumoral foi desagregado com o uso de bisturi, tesoura e colagenase em uma placa de Petri. Depois da dissociação completa do tecido, acrescentaram-se cerca de 0,2 mL de colchicina e 5 mL de meio RPMI enriquecido com 10% de soro bovino fetal, e o material foi macerado. Posteriormente, centrifugou-se por 10 minutos a 1000 rpm. O sobrenadante foi desprezado, e adicionaram-se 5 mL de solução hipotônica (KCl 0,075 M). O material foi então ressuspendido e incubado por 15 minutos a 37°C. Depois de transcorrido esse tempo, acrescentou-se fixador Carnoy (3 metanol : 1 ácido acético) e ressuspendeu-se. Após centrifugar-se o material por 10 minutos a aproximadamente 1000 rpm, descartou-se o sobrenadante com o uso de uma pipeta Pasteur, acrescentando-se novo fixador (5 mL). Após ressuspensão, o material foi novamente centrifugado. Esse procedimento foi repetido por três vezes. Após a última etapa, acrescentaram-se apenas 2mL de fixador. O material foi então mantido em freezer. 23 4. PREPARAÇÃO DAS LÂMINAS As lâminas para uso foram primeiramente lavadas, deixando-as por alguns minutos em solução de álcool / éter (50%). Após esse procedimento: 1. Enxugou-se a lâmina com ajuda de um papel absorvente ou tecido. 2. Após a última centrifugação, retirou-se o sobrenadante e adicionou-se cerca de 1 ml de fixador novo ao material. Ressuspendeu-se com ajuda de uma pipeta Pasteur. 3. Com a ajuda de uma micropipeta, 10 µl da suspensão foram adicionados à lâmina. 4. A lâmina seguiu para o processo de pepsinização e desidratação. 5. PRÉ-HIBRIDIZAÇÃO Após a evaporação do fixador, as lâminas foram pepsinizadas para a retirada de excessos de material citoplasmático ou qualquer outro material que pudesse comprometer os resultados da hibridização in situ. Para isso, as lâminas foram mergulhadas em solução de pepsina (500 µl de pepsina a 1% em 50 ml de HCl) por 3 minutos. Após a incubação, as lâminas foram incubadas três vezes em 2xSSC, por 3 minutos cada vez. Depois do processo de pepsinização, as lâminas foram desidratadas em bateria de alcoóis (etanol 70%, 70%, 90%, 90%, dois minutos em cada, e 100%, quatro minutos. Em seguida, após a evaporação total do álcool, as lâminas foram envelhecidas em estufa a 37oC, por 12-24 horas. 6. HIBRIDIZAÇÃO IN SITU 6.1 Sondas Foram utilizadas sondas comerciais da marca Abbott Molecular (Illinois, EUA). As sondas foram utilizadas em experimentos dual-colors, utilizando-se dois fluoróforos 24 distintos: SpectroRed e SpectroGreen. No experimento para detecção de aneuploidias envolvendo o cromossomo 22, a sonda específica para o locus 22q11.2 (Vysis LSI BCR) foi utilizada juntamente com o controle 9q34 (Vysis LSI ASS-ABL), visto que ambas as sondas estavam disponíveis em um coquetel de duas cores. Já para a análise de aneuplodias do cromossomo 17 e rearranjos envolvendo o gene tp53, utilizamos as sondas específicas para o centrômero do 17 (Vysis CEP 17 17p11.1-q11.1 Alpha Satellite) e para 17p13.1 (Vysis LSI TP53), respectivamente. 6.2 Hibridização Foram seguidas as instruções do fabricante (Abbott Molecular): 1. Em um eppendorf, as sondas foram misturadas ao tampão de hibridização: 7 µl de tampão, 1 µl de sonda e 2 µl de água deionizada. 2. O material foi misturado no vortex por 5 segundos e centrifugado. 3. As sondas foram desnaturadas em banho-maria a 73oC por 10 minutos. 4. Após sua desnaturação (5 minutos em formamida a 70% a 73oC), as lâminas foram desidratadas em bateria de alcoóis (etanol 70% gelado, 4 minutos, 70%, 90% e 90%, temperatura ambiente, 2 minutos cada, e 100% temperatura ambiente, 4 minutos). 5. Depois da evaporação total do álcool, as lâminas foram colocadas em placa quente a 50oC, e despejou-se 10 µl de solução de hibridização (tampão e sondas). 6. Após dois minutos, as lâminas foram retiradas da placa quente. Uma lamínula foi colocada sobre o material e as lâminas foram incubadas em recipiente fechado a 42oC por 45 minutos. 25 6.3 Lavagem de Estringência Após a incubação e retirada das lamínulas, as lâminas foram incubadas em 0.4xSSC/0.3% Tween a 73oC por dois minutos. Em seguida, as lâminas permaneceram por ums minuto em 2xSSC/0,1% Tween. As lâminas foram então coradas em DAPI e cerca de 10 µl de antifade foram aplicados em cada lâmina. Uma lamínula de 24mmx24mm foi colocada sobre o material. As lâminas foram mantidas em geladeira até a análise ao microscópio. 7. ANÁLISE E CAPTURA DAS IMAGENS A análise dos experimentos de FISH foi feita com objetiva de imersão em microscópio de fluorescência AXIOPHOT acoplado a uma câmera digital. A captura de imagens foi feita com o auxílio do programa AXIOVISION instalado em um computador Pentiun IV. Usando os critérios de HOPMAN et al. (1994) apud CARLSON et al. (2000), foram analisados 40 núcleos intactos de 3 a 5 áreas separadas (120 a 200 núcleos no total). Regiões com background ou que não exibiam pelo menos um sinal de hibridização não foram consideradas. As diferentes combinações de números de sinais em cada núcleo e experimento foram agrupadas em nove classes diferentes, sendo considerados normais os núcleos que apresentaram dois sinais de cada uma das sondas utilizadas. A ausência de um sinal foi considerada como deleção do segmento ou cromossomo em questão. A presença de mais de dois sinais foi considerada como trissomia ou amplificação do segmento em questão. Para se avaliar a ploidia média dos núcleos analisados, foi feita a comparação da freqüência de marcações extras do centrômero do cromossomo 17 e do segmento do cromossomo 22 com aquelas do cromossomo 9, normalmente não envolvido diretamente com a tumorigênese em câncer de mama ou matástases. Dessa forma, a 26 freqüência de três sinais do cromossomo 9 em cada amostra foi considerada a freqüência média de núcleos triplóides nessa determinada amostra, e sua comparação com a freqüência de três sinais do centrômero do cromossomo 17 foi indicativo do número de vezes que esses sinais representavam trissomia, e o número de vezes que surgiam devido a triploidização do núcleo. O mesmo procedimento foi aplicado para a interpretação dos dados do cromossomo 22. O número de núcleos analisados por caso variou de 110 a 200, de acordo com o estado de cada uma das lâminas empregadas nos experimentos de hibridização in situ. 8. ANAMNESE Os dados clínicos dos pacientes que cederam as amostras para análise estão contidos no Anexo III. 27 III. RESULTADOS 1. EXPERIMENTOS DE HIBRIDIZAÇÃO IN SITU As sondas utilizadas produziram sinais claramente detectáveis e de fácil interpretação. Todas as sondas foram aplicadas nas seis amostras, somando dois experimentos de duas cores para cada uma delas. A utilização de experimentos empregando-se duas sondas simultaneamente permitiu um melhor controle acerca do comportamento de cada um dos cromossomos ou segmentos marcados. Além disso, a análise em conjunto dos resultados permitiu uma interpretação mais segura em relação à ploidia de cada um dos núcleos visualizados. No anexo IV apresentamos imagens representativas das diferentes combinações entre os sinais nos dois experimentos distintos. As sondas gênicas nos cromossomos 9, 17 e 22 foram analisadas isoladamente e em conjunto. A presença de um número de sinais diferente de dois simultaneamente nas sondas do 9 e do 22 foi interpretado como indício de euploidias, enquanto as alterações no número de sinais em apenas uma das sondas foram interpretadas como aneuploidias. Foi utilizado um controle com núcleos obtidos a partir de cultura de linfócitos para determinar a sensibilidade e a especificidade da técnica de FISH, através do qual foi verificada uma baixa incidência de núcleos alterados (0-2,5%) para os genes e cromossomos estudados na cultura de linfócitos. Os resultados referentes ao gene TP53 e à sonda do centrômero do cromossomo 17 indicaram uma pequena variação de marcações entre os casos analisados. Os núcleos normais foram a marcação com maior porcentagem para ambas as sondas em três dos cinco casos, variando de 26,3% a 50%. Como segundo evento, destaca-se a deleção do TP53, variando de 18,9% a 34,6%. O CSN 99 manteve-se divergente tanto em relação a normalidade de núcleos quanto a deleção de TP53, destoando do padrão de atuação 28 deste gene nos demais casos. Estatisticamente, o CSN 99 encontra-se significante em relação a todos os outros casos. De qualquer forma, considerando as classes com núcleos com menos que dois sinais do TP53 como deleções permite considerar esse rearranjo como o mais observado em todas as amostras, seguido de ganho do cromossomo 17 (presença de mais de dois sinais da sonda centromérica (Tabela 2). A análise dos cromossomos 9 e 22 nos tecidos tumorais revelou um padrão de perda do cromossomo 22 em todos os casos (13% a 51% dos núcleos), exceto o CSN 99, com apenas 8,5% dos casos com perda desse cromossomo. Em três (CSNs 155, 134 e 37) dos cinco casos analisados, a normalidade dos núcleos prevaleceu em mais de 50% de núcleos examinados, seguido em um caso (CSN 155) por um evento de ganho do cromossomo 9 - interpretado aqui por hiperploidia - e em dois casos (CSNs 134 e 37) por perda do cromossomo 22. A análise do CSN 133 apresentou 51% de núcleos com perda do cromossomo 22, seguido com 19% de núcleos normais. Já o CSN 99 divergiu do padrão dos demais casos, demonstrando o ganho do cromossomo 9 - e possível hiperploidia - em 30, 5%. A soma das classes com menos de dois sinais do cromossomo 22, que são indicativos de perda desse cromossomo, fazem deste rearranjo o mais comumente observado depois dos núcelos normais (Tabela 3). 29 Tabela 2 – Análise estatística dos experimentos de i-FISH do gene TP53 e o centrômero do cromossomo 17. Número de Sinais Número de Núcleos Cen 17 TP53 CL* CSN 155 CSN 134 CSN 133 CSN 99 CSN 37 2 2 196 98% 32 16,8% 50 26,3% 100 50% 68 34% 54 36% 30 6 4 0 0 60 30,5% Conclusões Possíveis Núcleo Normal Ganho do cromossomo 17, com perda do TP53 nas cópias adicionais Amplificação do TP53 >2 2 2 >2 0 0 0 0 0 0 >2 >2 4 16 16 1 4 5 Hiperploidia 0 3 3 0 2 0 Perda do cromossomo 17, presença de cópia extra do TP53 Deleção de TP53 <2 2 2 <2 0 37 19,4% 36 18,9% 68 34% 98 49% 62 41,3% <2 <2 0 12 13 19 20 25 Hipoploidia 0 0 0 0 0 6 0 30 16,8% 42 23,6% 6 4 14% 8 Perda do cromossomo 17 e TP53 amplificado Ganho do cromossomo 17 e TP53 deletado em mais de um deles <2 >2 >2 <2 *CL – Controle de Linfócitos. 30 Tabela 3: Análise estatística dos resultados de i-FISH dos cromossomos 9 e 22. Número de Sinais CL* CSN 155 CSN 134 CSN 133 CSN 99 CSN 37 194 97% 96 51,6% 115 57,5% 38 19% 11 5,5% 55 50% Núcleo Normal 8 Ganho do cromossomo 9 30, 5% 2 61 5 3 1 4 3 Ganho do cromossomo 22 11 6 2 22 14 Hiperploidia 0 4 4 3 5 0 Perda do cromossomo 9 0 26 13% 45 22,5% 102 51% 17 8,5% 25 22,7% Perda do cromossomo 22 <2 4 1 18 34 12 2 Hipoploidia >2 0 0 0 0 2 0 Perda do 9, ganho do 22 <2 0 5 2 18 28 14% 3 Ganho do 9, perda do 22 0 40 2 >2 0 >2 >2 2 <2 2 2 <2 <2 <2 >2 21,5% 7 2 >2 Conclusões Possíveis Número de Núcleos * CL – Controle de Linfócitos 31 IV. DISCUSSÃO 1. SOBRE A IMPORTÂNCIA DOS RESULTADOS OBTIDOS A PARTIR DA APLICAÇÃO DA TÉCNICA DE I-FISH: UMA VISÃO GLOBAL Técnicas de citogenética molecular vêm trazendo um grande progresso na análise cariotípica de células tumorais, permitindo uma análise global das aberrações cromossômicas, como no caso da CGH ou do M-FISH, ou do comportamento de cromossomos ou segmentos cromossômicos individuais, como no caso do uso de sondas gene-específicas derivadas de BACs e que podem ser utilizadas em núcleos interfásicos. Os dados das diferentes técnicas se somam para que haja um melhor entendimento do papel de certas modificações cromossômicas na tumorigênese ou na análise prognóstica de diferentes casos de neoplasias. De fato, muitos estudos mostram que há uma associação clara entre diferentes características cariotípicas de tumores e o tipo de tratamento que melhores resultados trarão e mesmo a sobrevivência dos pacientes (BARDI et al., 2004). A citogenética interfásica é uma alternativa valiosa para casos nos quais não foi possível a obtenção de um número de metáfases satisfatório para a caracterização citogenética de um caso. Entretanto, limita-se a quantidade de informações que podem ser obtidas de cada experimento, visto que, como não se pode fazer uma análise cariotípica global dos núcleos, é necessária a escolha de um número pequeno de sondas, já baseada em uma seleção de acordo com os objetivos do experimento, como por exemplo, sondas centroméricas dos pares cromossômicos envolvidos nas principais aneuplodiais de humanos no caso de exames pré-natais (STUMM et al., 2006). Por outro lado, uma grande vantagem do i-FISH é a utilização de células que não precisam ser colocadas em cultura, podendo ser obtidas diretamente do tecido, como no 32 presente trabalho, o que diminui o tempo necessário para a obtenção dos resultados, ou mesmo de material parafinado de lâminas histológicas (COWELL et al., 2004). Considera-se que a transição metastática na maioria dos tumores humanos é acompanhada por uma série de anomalias cromossômicas complexas recorrentes e estocásticas. Essas mudanças refletem a pressão evolutiva pela qual as células cancerígenas precisam passar para continuarem seu crescimento em ambientes histopatologicamente diversos daquele no qual o tumor se originou (GAGOS & IRMINGER-FINGER, 2005). Para este trabalho, dados referentes aos tumores primários não estavam disponíveis para uma comparação genômica completa. Entretanto, resultados de trabalhos anteriores envolvendo o mesmo tipo de tumor primário – de mama –, porém com metástases em um tecido diferente – linfonodos –, mostraram que aneuploidias envolvendo os cromossomos 17 e 22 estariam entre os rearranjos mais observados tanto nos tumores primários como metastáticos, sugerindo que essas aneuploidias possam estar relacionadas com um maior poder de metastatização dos tumores primários (PANDIS et al., 1998, TSUDA et al., 1998). Em adição, monossomias envolvendo esses cromossomos só foram obervadas em 10% de tumores primários que não metastatizaram (PANDIS et al., 1995). As amostras que analisamos foram classificadas histologicamente como metástases cerebrais de mama. Apesar da incidência total de metástase cerebral de tumores de mama ser de cerca de 30% (SUENSEN, 2007), pouco se sabe sobre sua constituição cariotípica ou comparações com tumores primários de mama. Assim, baseados nos dados já expostos de comparações cariotípicas entre tumores primários de mamas e suas metástases, decidimos analisar a ocorrência dos rearranjos mais significativos encontrados em comum entre esses dois tipos distintos de neoplasias. A utilização de sondas que indicassem a ocorrência de aneuploidias envolvendo os 33 cromossomos 17 e 22 foi a metodologia escolhida e trouxe dados interessantes que irão se somar a outros previamente publicados e poderão num futuro próximo, com o aumento do número de amostras analisadas, definir a importância desses rearranjos nos riscos de metastatização de tumores primários de mama. 2. OCORRÊNCIA DE ANEUPLOIDIAS DO CROMOSSOMO 17 A perda do cromossomo 17 foi um dos resultados mais comuns encontrados por PANDIS et al. (1998), e o resultado mais comum na análise de TSUDA et al. (1998), ambos em metástases de mama em linfonodos. Entretanto, um resultado comum a todas as nossas amostras foi um baixo número de núcleos com monossomia do cromossomo 17. Um número um pouco mais significativo estatisticamente de núcleos mostrou, todavia, um ganho de cópias desse cromossomo. A maioria desses ganhos representou trissomias e, em menor número, tetrassomias. A presença de mais de quatro cópias do cromossomo 17 foi observado em um número muito pequeno de núcleos, no caso 134, com núcleos com 5 ou 6 cópias. É importante ressaltar que a presença de mais de dois sinais do centrômero do cromossomo 17 pode indicar, também, células hiperplóides, já que não foi utilizada nenhuma outra sonda como controle de ploidia nos experimentos do cromossomo 17. Porém, se considerarmos os resultados obtidos com as sondas dos cromossomos 9 e 22 nas mesmas amostras como indicadores da ocorrência de hiperploidia (a presença de três cromossomos 9 ou três cromossomos 9 e três cromossomos 22 indicariam o grau de hiperploidização na amostra), ainda teremos um número significativamente maior de núcleos com ganho do 17 do que a parcela que seria considerada poliplóide. A polissomia do cromossomo 17 já havia sido descrita em tumores de mama. HYUN et al. (2008) detectaram a presença de ganho desse cromossomo em 32% do 34 total de casos analisados, o que corresponde a um resultado similar a outros estudos (TANNER et al., 2000, ZHAO et al., 2002, DOWNS-KELLY et al., 2005, MEROLA et al., 2006). Alguns autores sugerem que há uma relação direta entre o aumento de cópias do cromossomo 17 e os níveis de expressão do gene HER-2 (Receptor de Fator de Crescimento Epidermal Humano 2, do inglês Human Epidermal Growth Factor Receptor-2). Apesar dos efeitos da polissomia desse cromossomo na expressão da proteína HER-2 ainda não estarem bem estabelecidos, foi observada uma superexpressão dessa proteína em associação com a presença de cópias extras do cromossomo 17 (BOSE et al., 2002, WANG et al., 2002, DOWNS-KELLY et al., 2005, MEROLA et al., 2006). A super-expressão do HER-2 está associada a um diagnóstico pobre, tanto em cânceres de mama nódulo-negativos como em nódulos positivos (SLAMON et al., 1987, TANDON et al., 1989, PRESS et al., 1993). Desde a introdução do tratamento com trastuzumab, um anticorpo monoclonal contra a porção extracelular da HER-2, pesquisas voltadas ao status dessa proteína vem sendo realizadas em mulheres com câncer de mama, com o intuito de se identificar pacientes que serão mais provavelmente beneficiadas com o uso de trastuzumab (VOGEL et al., 2002, ROMOND et al., 2005). Ganhos do cromossomo 17 e envolvimento do gene HER-2 no processo metastático foram observados em adenocarcinoma de Barrets primários metastásticos e em suas metástases em linfonodos (WALCH et al.,2000). Nos casos de metástases analisados, observamos a ocorrência de polissomias do 17 de aproximadamente 9% (CSN099) a 36,7% (CSN155). Talvez o prognóstico pobre relacionado com a polissomia do cromossomo 17 em tumores primários de mama, com a associação da super-expressão da HER-2, seja também o motivo da observação desse 35 rearranjo em metástases cerebrais de mama, e indicaria um rearranjo clonal possivelmente herdado das células que iniciaram o processo de metastatização. 3. DELEÇÕES DO GENE TP53 A proteína p53 tem um papel central na modulação de respostas celulares a estresses citotóxicos, contribuindo para a parada do ciclo celular para o reparo do DNA ou para a apoptose. A perda de sua função durante a tumorigênese pode levar ao crescimento celular impróprio, sobrevivência celular aumentada e instabilidade genética (KIRSCH & KASTAN, 1998). Foi sugerido que a ausência da p53 funcional em tumores tem influência sobre a eficácia da quimioterapia e radioterapia (CHEENE, 2001). Quando os tipos mais frequentes de tumores são considerados, o gene TP53 está mutado numa frequência média de 40 a 45% de todos os pacientes, sendo que essas mutações normalmente correspondem a mutações de ponto ou deleções no cromossomo 17 (17p13) (MOLL et al., 2001, VOGELSTEIN et al., 2001). Em todos os casos analisados, a deleção do gene TP53 foi a modificação mais observada, e em quatro deles sobrepujando inclusive o número de núcleos com dois cromossomos 17 e duas cópias do TP53, considerados como normais. Assim, a maioria dos núcleos analisados apresentou uma deleção parcial do cromossomo 17 – perda do segmento 17p13, no qual o TP53 está localizado. Caso seja considerada a hipótese dessa deleção ter sido herdada do tumor primário, poderíamos argumentar que a deleção do TP53 estaria relacionada com o prognóstico pobre dos casos em questão, visto que todos sofreram metastatização após a retirada do tumor primário. Assim, a análise do cromossomo 17 em tumores primários seria imprescindível para a definição do possível prognóstico, tanto se considerando o aumento de expressão da proteína HER-2 no caso de polissomias, como perda de controle do ciclo celular pela deleção do TP53. 36 A relação entre mutações no TP53 e clínica adversa já está bem estabelecida, o que reflete a importância de sua proteína na regulação e crescimento das células tumorais. Por exemplo, em estudos citogenéticos moleculares de tumores de baixa malignidade, como neurocitomas centrais, não foi verificada a ocorrência de deleções do gene TP53, enquanto em astrocitomas malignos resistentes a diversas terapias são caracterizados pela inativação da p53 em um estágio precoce de sua evolução (ZHU et al., 2005; QUINTANA, 2008). Em LMC (leucemia mielóide crônica), embora o início da doença dependa da junção BCR/ABL, a progressão envolve alterações no TP53 (MITANI, 2001). Em pacientes com LMC, alterações em TP53 são encontradas em cerca de 30% dos casos, especialmente em crise blástica e os estudos moleculares têm indicado que em cerca de 25% dos casos em progressão, há inativação do TP53 provocada por rearranjos ou mutações em ponto (GOLONI, 2000, apud FETT-CONTE & SALLES, 2002). Inclusive, o gene p51/p63, um novo membro da família do TP53, mapeado em 3q27-9, quando mutado, pode atuar similarmente ao TP53 e ser potencialmente responsável pela progressão da LMC (YAMAGUCHI et al., 2001). De acordo com FETT-CONTE & SALLES (2002), a importância médica deste gene é inegável, primeiro porque a detecção de mutações pode ser indicadora do diagnóstico e do prognóstico, segundo porque é um alvo perfeito para prevenção, o que estimula as abordagens de terapia gênica. Apesar das deleções do TP53 não serem exclusivas de cânceres de mama, e sim de muitos tipos tumorais, sua detecção pode ser utilizada como indicativo de um prognóstico pobre e alto risco de metastatização. De fato, o acompanhamento da anamnese dos pacientes mostra que a sobrevida após a retirada do tumor metastático variou de somente 12 a 30 meses (apenas uma paciente ainda sobrevive, somando 12 meses após a retirada do tumor metastático, caso CSN155).A presença dessa deleção 37 como a anomalia mais observada em todos os casos de metástase analisados reforça essa afirmação. Uma importante metodologia que poderia ser utilizada para a confirmação dessa colocação seria a análise da deleção do TP53 em pacientes com tumores primários e acompanhamento após a retirada deste. 4. ANEUPLOIDIAS DO CROMOSSOMO 22 Vários estudos relacionam aneuploidias do cromossomo 22, principalmente a monossomia, como um passo importante na gênese de neoplasias, provavelmente devido à inativação de genes supressores de tumor situados nesse cromossomo. Pelo menos utações em um desses genes, NF2, vem sendo citadas como importantes na gênese da doença genética neurofibromatose tipo 2, além de diversas neoplasias quando mutado, principalmente em tumores do sistema nervoso, como meningiomas e schwannomas, mas também em tumores ovarianos, melanomas e tumores de mama (TROFATTER et al., 1993, LEKANNE et al., 1994, RUTTLEDGE et al., 1994, PAPI et al., 1995, LINDGREN et al., 1996) . Mutações no NF2 não parecem ter um papel essencial no surgimento de tumores em mama, fígado ou colo-retais, que normalmente mostram perda de heterozigosidade nos alelos do cromossomo 22, sugerindo a existência de um segundo gene supressor de tumor importante nesse cromossomo (BIANCHI et al., 1994, AKAGI et al., 1995, KANAI et al., 1995). De fato, em um estudo de 140 tumores primários de mama foi demonstrada a perda de heterozigosidade (LOH) em 16 locos polimórficos de 22q em 56 amostras (40%). Desses, 11 retiveram a heterozigosidade para marcadores próximos do NF2, mas apresentaram LOH para marcadores mais distantes desse gene, reforçando a possibilidade de um segundo gene supressor de tumor, associado ao câncer de mama. Além disso, comparações desses 38 resultados com dados clínico-histológicos indicaram que a perda alélica de 22q tende a ocorrer mais frequentemente em tumores de alta malignidade (IIDA et al. 1998). A deleção do cromossomo 22 foi o rearranjo mais observado nos experimentos envolvendo sondas dos cromossomos 9/22, em todas as amostras analisadas. Como a sonda utilizada nas análises deste trabalho correspondia a um gene situado em 22q, as deleções do cromossomo 22 observadas podem indicar, na verdade, perda de 22q. Além disso, caso este rearranjo tenha sido herdado clonalmente dos respectivos tumores primários, estaríamos confirmando os achados de IIDA et al. (1998), que sugerem uma associação entre essa deleção e tumores de alta malignidade: a ocorrência de metástase e sobrevida curta dos pacientes dos quais foram coletadas as amostras seriam evidências dessa alta malignidade. 5. VALOR PROGNÓSTICO DOS RESULTADOS OBTIDOS Poucos estudos envolvendo tanto tumores primários de mama como suas metástases foram publicados até o momento. Mesmo assim, podemos concluir que a LOH de alelos do cromossomo 17 parece ser um fato comum entre os estudos realizados (PANDIS et al., 1998, TSUDA et al., 1998). Essa perda de heterozigosidade estaria relacionada principalmente ao 17p, e mais precisamente com o TP53. Apesar de ainda precisarmos analisar um número amostral maior para confirmarmos esse fato, a deleção do TP53, presente em todas as amostras de tumores analisadas, é um forte indício que esse rearranjo poderia estar associado a uma maior malignidade e consequentemente maior poder de metastatização dos tumores primários que os originaram, assim como indicador de um prognóstico pobre, visto que a sobrevida de quatro das cinco pacientes ficou com uma média de 17,4 meses (excluindo-se o caso 39 CSN 155), com a recorrência de metástases cerebrais após a primeira cirurgia de ressecção das metástases cerebrais. Entretanto, considerar apenas o gene TP53 como indicador prognóstico do cromossomo 17 corresponderia a um dado incompleto, já que a confirmação de polissomias desse cromossomo poderia também influenciar o gene HER-2, que está também relacionado com a gênese e malignidade de tumores de mama. Dessa forma, o cromossomo 17 deve ser analisado não só em relação à perda do TP53, mas também em relação ao ganho de cópias dele, para se ter uma idéia melhor do real prognóstico desse tumor, e até mesmo de terapias alternativas, considerando-se que os tumores com o envolvimento do gene HER-2 são sensíveis ao tratamento com trastuzumab (VOGEL et al., 2002, ROMOND et al., 2005). Monossomias do cromossomo 22 ainda não são uma constante em estudos de tumores metastáticos de mama. Entretanto, os estudos vem demonstrando que esse cromossomo pode ter um papel importante na gênese e evolução tumoral, e que pode mesmo existir um segundo gene supressor de tumor além do NF2 nesse cromossomo (IIDA et al. 1998). Talvez a seleção das sondas utilizadas em estudos anteriores tenha obscurecido a presença de monossomias do cromossomo 22, já que há inúmeros estudos com sondas loco-específicas e centroméricas do cromossomo 17, porém um número muito menor de estudo envolvem sondas do cromossomo 22. Dessa forma, tendo em vista a observação de uma possível relação entre perdas de 22q e aumento de malignidade em tumores de mama, sugerimos que essa sonda também deva ser utilizada em análises do grau de malignidade desse tipo de tumor, especialmente em combinação com as sondas do cromossomo 17, como realizadas no presente trabalho. Nossos dados enfatizam a importância de rearranjos envolvendo esses cromossomos, e da análise citogenética de tumores primários como indicador de 40 malignidade e de risco de metastatização em pacientes submetidos a ressecção desses tumores primários. Um maior número de amostras e a inclusão de dados de tumores primários poderiam corroborar nossa posição, que, entretanto, já encontra uma grande concordância e soma seus resultados a estudos anteriores. 41 V. CONCLUSÕES 1. Apesar da contradição com alguns resultados anteriores, que demonstram perdas de cromossomos 17 como um evento comum em metástases de mama, nossos resultados foram bastante homogêneos entre as amostras, revelando ganhos de cromossomo 17. O ganho de cromossomos 17, também já observada em tumores metastáticos de mama, é relacionada à super-expressão do gene HER-2, fato envolvido com o aumento da malignidade dos tumores de mama. Sendo assim, a análise da aneuploidia deste cromossomo pode ser um importante indicador de malignidade. 2. A deleção do gene TP53 foi a alteração mais observadas nos casos analisados, demonstrando sua já conhecida importância em processos neoplásicos em geral, já que está envolvido em várias vias de controle do ciclo celular e da via apoptótica. Nossos resultados indicam que sua deleção pode ser um indicativo de diagnóstico pobre, com aumento da malignidade e do poder de metastatização. 3. Nulissomias ou monossomias do cromossomo 22 representam importantes alterações citogenéticas na formação de alguns tumores, e tudo indica que as perdas deste cromossomo apresentam um papel crucial na progressão e formação de metástases, provavelmente devido à inativação de genes supressores tumorais nele localizados. Um maior número amostral poderia confirmar sua participação direta nas vias de progressão metastática. 4. A ocorrência simultânea dos eventos acima citados podem ser os responsáveis pela manifestação clínica agressiva destes tumores, visto que os pacientes apresentaram uma baixa sobrevida e reincidência de metástases antes do óbito. 42 IV. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Akagi K, Kurahashi H, Arita N, Hayakawa T, Monden M, Mori T, Takai S-I, Nishisho I (1995): Deletion mapping of the long arm of chromosome 22 in human meningiomas. Int J Cancer 60:178-182. Aman, P (1999). Fusion genes in solid tumours. Sem Cancer Biol 9:303-318. 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Cancer Cell 8:119-130. 51 ANEXO I: APROVAÇÃO PELO COMITÊ DE ÉTICA 52 ANEXO II: TERMO DE LIVRE CONSENTIMENTO TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO A Universidade Federal do Pará, em colaboração com o Hospital Universitário João de Barros Barreto HUJBB, está desenvolvendo uma pesquisa que permitirá conhecer melhor os mecanismos que ocasionam o desenvolvimento de tumores do sistema nervoso, através da identificação das alterações genéticas associadas ao quadro clínico do paciente e exame histopatológico. Estes estudos são realizados em pequenos fragmentos de tecido estomacal removido por cirurgia ou por exame endoscópico e oferecem novas possibilidades de diagnóstico. Você está sendo admitido (a) neste Hospital, para estabelecimento de diagnóstico e/ou tratamento de algum tumor de sistema nervoso e há a necessidade da remoção de material biológico relacionado à esta enfermidade. Parte do material retirado será encaminhado para exames laboratoriais, necessários para o diagnóstico definitivo. O restante do material não utilizado é armazenado para novos exames, se necessário. A obtenção do fragmento de tecido tumoral para pesquisa não implicará em riscos adicionais no seu tratamento ou na sua cirurgia, nem em aumento no tempo do exame ou cirurgia. O fragmento de material biológico será identificado no laboratório por um código formado por números e letras, preservando sua privacidade e identidade. A eventual inclusão dos resultados em publicação científica será feita de modo a garantir o anonimato do paciente. É necessário esclarecê-lo (a) que não existem benefícios ou direitos financeiros a receber sobre os eventuais resultados decorrentes da pesquisa. Se você não concordar em doar o material para pesquisa, sua decisão não influenciará, de nenhum modo, no seu atendimento ou tratamento. Caso você tenha alguma dúvida sobre este documento ou em relação a pesquisa, por gentileza, entre em contato com o Prof. Dr. Edivaldo H.C. de Oliveira ou com o Prof. Dr. Nilson P. Anselmo, através dos telefones 3183-1568 ou 3183-1558. Uma cópia deste documento será arquivada em seu prontuário e, se desejar, uma cópia lhe será fornecida. Declaro estar ciente das informações prestadas, tendo lido atentamente e concordado com o teor, e autorizo a utilização de amostras de tecido retiradas de meu organismo. Belém, ............ de .............................................. de .................... ---------------------------------------------------------------------------Assinatura do Paciente ou Responsável Nome: ........................................................................................................................ RG: ........................................................... 53 ANEXO III: DADOS CLÍNICOS – ANAMNESE GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE PÚBLICA HOSPITAL OPHIR LOYOLA CSN 037 (Iniciais: HSBD, 23 anos). Adenocarcinoma metastático (mama), cirurgia dia : 28/07/2005, Reg.59.339. Dr. Douglas Vasconcelos. Paciente foi submetida a ressecção de adenocarcinoma de mama esquerda há 5 meses, há 3 semanas, vem evoluindo com cefaléia persistente a direita e teve dois episódios de crises convulsivas. Realizou CT e RM de encéfalo que demonstrou processo expansivo temporal direito. Foi operada em 28 de julho 2005 através de craniotomia aos moldes clássicos e ressecado o tumor completamente. Foi encaminhada a radioterapia de cérebro total. Não houve recidiva até dezembro de 2007. Em fevereiro de 2008, reinternou com múltiplos focos de metástases cerebrais, indo a óbito 3 semanas após. CSN 099 (Iniciais: FCL, 54 anos). Adenocarcinoma metastático (mama), cirurgia dia : 06/06/2006, Reg.80.883. Dr. Douglas Vasconcelos. Paciente procurou o serviço ambulatorial de neurocirurgia, encaminhada do serviço de mastologia, com cefaléia de forte intensidade, e hemiparesia esquerda de moderada intensidade, realizou CT e RM de encefálo as quais demonstraram grande processo expansivo parietoocciptal direito único, subcortical, grande edema vasogênico e hipercaptante do meio de contraste. Foi submetida a craniotomia parietooccital direita, com remoção do tumor, sendo seu exame histológico revelando adenocacinoma ductal. Assim foi encaminhada à radioterapia de cérebro total. A paciente obteve total melhora, logo após a cirurgia e manteve-se também até o termino da radioterapia. Um ano e meio após, retornou com crises convulsivas. Durante a investigação com RM de encéfalo, foi diagnosticada a presença de metástases múltiplas. Um RX de tórax demonstrou focos pulmonares. A paciente recebeu corticóide e faleceu 3 semanas depois. CSN 133 (Iniciais: MAS, 45 anos). Metástase de Adenocarcinoma ductal, Cirurgia dia; 30/03/2007, Reg. 129.726, Dr. Douglas Vasconcelos. Paciente apresentando cefaléia holocraniana persistente de moderada intensidade, e hemeparesia esquerda grau IV. Foi investigada com CT e RM de Encéfalo, as quais demonstraram tumor intraaxial frontoparietal em hemisfério cerebral Direito. Foi operada com ressecção total havendo grande melhora clínica, a seguir encaminhada para a radioterapia de cérebro total. A paciente retornou à consulta, três meses após sem sinais de recidiva. Em 02/2008 retornou com um episódio de crise convulsiva e na RM constataram-se múltiplos focos de metástases. Sua família optou por levá-la ao interior. Até agora não temos notícia. CSN 134 (Iniciais: RSP, 46 anos). Metástase de Adenocarcinoma de mama, cirurgia dia: 10/04/2007, Reg. 79575, Dr. Douglas Vasconcelos. Paciente apresentando cefaléia de forte intensidade, há 3 meses, com piora rapidamente progressiva há 2 semanas. Evoluiu com rebaixamento do nível de consciência. CT e RM de encéfalo: tumor cerebral intraaxial temporoparietal direito, com edema perilesional e efeito de massa. Foi operada com boa evolução. Encaminhada à radioterapia, realizou 54 doze sessões de 45 CG, de cérebro total. Houve grande melhora clínica. Retornou 2 meses em consulta assintomática. Em agosto de 2008 retornou com hemeparesia esquerda, CT e RM de encéfalo grande tumor, com efeito de massa. Família optou por não reoperar. Foi a óbito 3 semanas depois. CSN 155 (Iniciais LSC, 50 anos). Metástases de adenocarcinoma de mama ductal invasivo. RG: 1180053, operada em 18/01/2008, Dr Douglas Vasconcelos. Cefaléia freqüente, de moderada intensidade há um mês, vem evoluindo com piora clínica, crises convulsivas e hemiparesia direita. Realizou CT e RM que demonstraram processo expansivo parietotempopral esquerdo com efeito de massa. Foi operada com boa evolução, com remissão dos sinais e sintomas. Foi encaminhada à radioterapia de cérebro total. Retornou 4 semanas, após a radioterapia, sem sintomas. Até o momento não retornou mais. 55 ANEXO IV: IMAGENS REPRESENTATIVOS DOS EXPERIMENTOS DE IFISH E SUA INTERPRETAÇÃO. A B C D Figura 1: Hibridização in situ fluorescente dual color em núcleos interfásicos (9q37vermelho/22q11-verde). A) núcleo normal com duas marcações de cada sonda; B) duas marcações do 9 e uma do 22; C) cinco marcações do 9 e três do 22; D) duas marcações do 9 e nenhuma do 22. A B C D Figura 2. Hibridização in situ fluorescente dual color em núcleos interfásicos (TP53 vermelho/ CEP17 verde.): A) núcleo normal com duas marcações de cada sonda; B) uma marcação do cen17 e uma do TP53; C) duas marcações do centrômero, nenhuma do TP53; D) duas marcações do cen17 e uma do TP53. Livros Grátis ( http://www.livrosgratis.com.br ) Milhares de Livros para Download: Baixar livros de Administração Baixar livros de Agronomia Baixar livros de Arquitetura Baixar livros de Artes Baixar livros de Astronomia Baixar livros de Biologia Geral Baixar livros de Ciência da Computação Baixar livros de Ciência da Informação Baixar livros de Ciência Política Baixar livros de Ciências da Saúde Baixar livros de Comunicação Baixar livros do Conselho Nacional de Educação - CNE Baixar livros de Defesa civil Baixar livros de Direito Baixar livros de Direitos humanos Baixar livros de Economia Baixar livros de Economia Doméstica Baixar livros de Educação Baixar livros de Educação - Trânsito Baixar livros de Educação Física Baixar livros de Engenharia Aeroespacial Baixar livros de Farmácia Baixar livros de Filosofia Baixar livros de Física Baixar livros de Geociências Baixar livros de Geografia Baixar livros de História Baixar livros de Línguas Baixar livros de Literatura Baixar livros de Literatura de Cordel Baixar livros de Literatura Infantil Baixar livros de Matemática Baixar livros de Medicina Baixar livros de Medicina Veterinária Baixar livros de Meio Ambiente Baixar livros de Meteorologia Baixar Monografias e TCC Baixar livros Multidisciplinar Baixar livros de Música Baixar livros de Psicologia Baixar livros de Química Baixar livros de Saúde Coletiva Baixar livros de Serviço Social Baixar livros de Sociologia Baixar livros de Teologia Baixar livros de Trabalho Baixar livros de Turismo