O MANEJO SANITÁRIO E SUA IMPORTÂNCIA NO NOVO CONTEXTO DO
AGRONEGÓCIO DA PRODUÇÃO DE PECUÁRIA DE CORTE
Guilherme Augusto Vieira, MV, MSc – [email protected] 1
Danilo Gusmão de Quadros, Eng.Agro,DSc - [email protected]
I – INTRODUÇÃO
O Brasil possui o maior rebanho comercial do mundo com 173 milhões de cabeças
(IBGE, 2006), ocupando as primeiras posições como principal exportador de proteínas
animais do mundo, com grandes empresas tornando-se multinacionais produtoras de
proteínas animais.
Entretanto, apesar de possuir-mos o maior rebanho do mundo, a bovinocultura de corte
brasileira apresenta contrastes em sua produção, no qual se observam fazendas que se
destacam em excelência em produção e produtividade, com produtores que utilizam as
tecnologias mais avançadas de produção, contrastando com áreas de produção arcaica,
no qual a simples suplementação com sal mineral é uma tecnologia inatingível,
apresentando estas propriedades índices zootécnicos de produtividade que não
condizem com a nova dinâmica da produção brasileira de carne ( Vieira,2005).
Para que ocorra uma melhoria na produção com a conseqüente rentabilidade, devem-se
considerar os seguintes quesitos ligados a uma boa produção animal: o melhoramento
genético, os fatores ambientais, nutrição, manejo sanitário dos animais (vacinação,
vermifugação,combate a ectoparasitas e tratamento correto das afecções presentes nos
animais ) e o clima(Degaspery et al,1988;Domingos & Langoni,2001)
De acordo com Corrêa, 1983 apud Schenk (1993), O desempenho produtivo de um
sistema de produção de gado de corte pode ser avaliado em termos de bezerros
desmamados, número de animais para abate e a produção de carne e padronização de
carcaças.
1
Médico Veterinário, Mestre em Alimentos, Nutrição e Saúde, Professor dos Cursos de Medicina
Veterinária da UNIME e Administração em Agronegócios da F.Visconde de Cairú – Salvador.Secretário
Executivo da Associação Baiana de Avicultura – Contato: [email protected]
2
UNEB -Universidade do Estado da Bahia. Faculdade de Engenharia Agronômica - Campus IX. NEPPA
- Barreiras - BA. 47800-000.
Para se obter um rebanho sadio e produtivo, o produtor deve adotar as práticas de um
manejo sanitário aliado a uma boa nutrição e melhoramento genético (Degaspery et
al,1988;Domingos & Langoni,2001;) .
Com a intenção de contextualizar o pecuarista de corte sobre a importância do manejo
sanitário e seu impacto na rentabilidade do seu negócio, o presente artigo tem como
objetivo apresentar os principais componentes do manejo sanitário aplicado à sua
atividade produtiva, sua aplicabilidade no dia a dia da fazenda, lembrando sempre que a
boa prática e execução do manejo sanitário só serão possíveis com a ajuda de uma
assistência técnica adequada e confiável. Há vários tipos de manejos, destacando os
manejos sanitário, reprodutivo e o nutricional. Neste artigo apenas o manejo sanitário
será explanado.
II – MANEJO SANITÁRIO – BASES CONCEITUAIS
Entende-se por manejo sanitário, um conjunto de medidas cuja finalidade é
proporcionar aos animais ótimas condições de saúde. Os componentes do manejo
sanitário buscam evitar, eliminar ou reduzir ao máximo a incidência de doenças no
rebanho, para que obtenha um maior aproveitamento do material genético e conseqüente
aumento da produção e produtividade (Domingues & Langoni,2001).
Os procedimentos relacionados à sanidade dos animais podem ser divididos
basicamente em dois tipos de procedimentos: (EMBRATER, 1981; Domingues &
Langoni,2001) :
Procedimentos sanitários preventivos: São os procedimentos relacionados à
aplicação de medidas profiláticas, destacando-se as vacinações, vermifugações
sistemáticas, testes sorológicos para brucelose e leptospirose, parasitológico de fezes;
Procedimentos sanitários curativos: São os procedimentos relacionados a serem
adotados imediatamente após à incidência de problemas como: traumatismos, doenças,
infestações (carrapatos, berne, mosca do chifre), deficiências nutricionais e
intoxicações.
O proprietário deve ficar atento à questão do tratamento curativo, pois se devem
contabilizar os custos dos medicamentos, os honorários profissionais e principalmente o
quanto que o animal deixa de produzir, além dos riscos de morte deste animal doente.
Deve-se tratar o animal corretamente, com ajuda de um profissional, mas o certo é
adotar o máximo possível de práticas preventivas no seu rebanho.
De acordo com Vieira ( 2008), manejo sanitário deficiente em uma fazenda resulta, :
- Animais doentes
- Queda da produção e produtividade
-Gastos com medicamentos
-Consequentemente prejuízo econômico e diminuição da lucratividade da fazenda
III - PRINCIPAIS MEDIDAS DE MANEJO SANITÁRIO EM PECUÁRIA DE
CORTE
A sanidade do rebanho, aliado as práticas de manejo e à nutrição é essencial para
aumento da produção e produtividade da propriedade, devendo o produtor adaptar o seu
manejo de acordo com sua realidade.
Seguem algumas medidas de manejo sanitário do rebanho de corte (EMBRATER,
1981; Domingues & Langoni,2001;Schenk et.al,1993) :
•
Corte e desinfecção do umbigo dos bezerros com tintura de iodo (5 a 10%);
•
Fornecer ao bezerro o colostro na maior quantidade possível nas primeiras 6
horas após o nascimento;
•
Controle de insetos, roedores e demais vetores com a utilização de produtos
seguros nas dosagens corretas, evitando intoxicações;
•
Fornecimento de uma nutrição adequada (suplementação nutricional e
mineral), pastagens de boa qualidade e bem manejadas;
•
Realizar a quarentena (mínimo 30 dias) para novos animais que serão
introduzidos na propriedade, objetivando não introduzir ou propagar
doenças no rebanho;
•
Cuidar das vacas em gestação, oferecendo-lhe todas as condições de
nutrição e demais cuidados;
•
Após o parto, verificar se a mãe teve ou não retenção de placenta;
•
Isolamento dos animais doentes: Diminui o risco da transmissão da doença;
•
Implantar um calendário zooprofilático com um programa adaptado de
vacinação e vermifugação;
•
Implantar um programa de controle de berne, moscas do chifre e demais
ectoparasitas;
•
Realização periódica de testes para diagnósticos de brucelose, tuberculose e
parasitológico de fezes;
•
Dar um destino correto aos cadáveres, enterrando-os e adotando as práticas
corretas de desinfecção ambiental;
IV – CONSIDERAÇÕES
A sanidade do rebanho é um dos aspectos mais importantes que devem ser levados em
conta nos sistemas de produção, pois o seu controle impede a disseminação de
enfermidades, consequentemente aumentando a produtividade e a lucratividade da
fazenda. O conjunto de fatores que compõe o manejo sanitário de um rebanho é
composto pela vacinação, controle de parasitos ( endo e ectoparasitos), higiene dos
animais e instalações , além das ações profiláticas e curativas dos animais.
Todo o manejo sanitário deve fazer parte de um calendário zôo-profilático que
previamente deve ser elaborado em conjunto entre o proprietário e o Médico Veterinário
da fazenda e adaptado a realidade da região onde se encontra a propriedade.
Diante do contexto apresentado, o produtor rural deve ficar cada vez mais atento as
questões sanitárias do seu rebanho, pois diante da nova dinâmica que se encontram os
processos produtivos, onde as margens são cada vez mais apertadas, a prática do manejo
sanitário garantirá a lucratividade de sua produção.
A falha na sanidade não só afetará a saúde do rebanho e sim o bolso do produtor.
4. Referências
DEGASPERI,
S.A.R.;PIEKARSKI,
P.R.B.Bovinocultura
leiteira:planejamento,manejo e instalações.Curitiba:Livraria do Chain,Editora,1988;
DOMINGUES, P.F.; LANGONI, H. – Manejo sanitário animal. Rio de Janeiro: EPUB,
2001;
EMPRESA BRASILEIRA DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSAO RURAL –
EMBRATER. Manual Técnico: Pecuária de Leite – Sudeste , Brasília ,1981;
IBGE , Censo Agropecuário de 2006 , Rio de Janeiro:IBGE, 2009;
SCHENK, M.A.M.; PIRES, P.P.;ANDREOTTI,R.; GOMES,A. – Manejo sanitário em
bezerros de corte ( do nascimento ao desmame) .CNPGC, Campo Grande,n.48, p.15,1993;
VIEIRA,G.A.- Produção intensiva de bovinos de corte: análises e perspectivas, Revista
Nacional da Carne, São Paulo,v.342,p.131-134,2005;
VIEIRA, G.A – Apontamentos de aulas, FVC,UNIME, Salvador, Bahia,2008.
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