UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ CENTRO DE CIÊNCIAS APLICADAS - GESTÃO CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS MARCILÉIA MULLER MODELO DE GESTÃO: Estudo de Caso na Empresa Junckes Construtora e Incorporadora Ltda Biguaçu 2007 MARCILÉIA MULLER MODELO DE GESTÃO: Estudo de Caso na Empresa Junckes Construtora e Incorporadora Ltda Monografia apresentada ao Curso de Ciências Contábeis na Universidade do Vale do Itajaí, do Centro de Ciências Sociais Aplicadas – Gestão como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis. Orientador: Prof°. M.Sc. Francisco Eugênio Pereira Biguaçu 2007 MARCILÉIA MULLER MODELO DE GESTÃO: Estudo de Caso na Empresa Junckes Construtora e Incorporadora Ltda Esta monografia foi apresentada como trabalho de conclusão de curso de Ciências Contábeis da Universidade do Vale do Itajaí – Biguaçu e aprovada pelo orientador e membros abaixo. Biguaçu SC, 04 de Julho de 2007 Professores que compuseram a banca: _________________________________________ Profº. Francisco Eugênio Pereira (orientador) ________________________________________ Profª. Marisa Marquese, M.Sc. ________________________________________ Profº. Silvio Osni Koerich, M.Sc. Biguaçu, 2007. EPIGRAFE “ O tempo é muito lento para os que esperam, muito rápido para os que tem medo, muito longo para os que lamentam, muito curto para os que festejam. Mas, para os que amam, o tempo é eternidade.” Willian Shakespeare AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a DEUS, pela oportunidade de alcançar este objetivo em minha vida. A minha família, em especial meus pais, pelo incentivo e apoio recebido nestes anos e pela compreensão nos momentos que precisei. Ao meu noivo Jair, pela paciência nos momentos difíceis, pelo amor, apoio e compreensão no decorrer desta etapa da minha vida. A minha amiga Lucia Amália de Souza, pelo incentivo e ajuda nos momentos mais difíceis para construção deste trabalho. Ao meu orientador, Professor Francisco Eugênio Pereira, pela dedicação e contribuição neste trabalho. Por fim, agradeço aos meus amigos da Junckes Construtora e todas aquelas pessoas que de alguma forma contribuíram para a minha formação acadêmica. RESUMO A globalização da economia, atrelada ao elevado nível do desenvolvimento sustentável, em relação ao crescimento da população mundial, vem provocando uma grande concorrência nos seguimentos do mercado e fazendo com que as organizações busquem alternativas para serem lucrativas e assim continuarem competitivas, lutando em favor de sua existência. A partir desses fundamentos, as organizações que pretendem continuar na disputa desse desafio, são aquelas que buscam ferramentas para implementar a sua tomada de decisão, aumentando o controle e a prática da excelência no seu modelo de gestão. O trabalho realizado tem como finalidade conhecer o modelo de gestão da empresa Junckes Construtora e Incorporadora Ltda. Com base no modelo pesquisado foi possível perceber que a empresa em referência toma decisão baseada em dados históricos e de curto prazo, o que permitiu propor um modelo voltado a reforçar ao gerenciamento de curto, médio e longo prazo. A construção desse modelo foi elaborada a partir da pesquisa bibliográfica de conteúdos extraídos da contabilidade gerencial, da controladoria, dos sistemas de informação contábil e gerencial e das ferramentas de gestão responsáveis pelos aspectos da qualidade, estratégias de futuro e indicadores para medir desempenho. Desta forma é possível acreditar que as modificações propostas no modelo de gestão atual com certeza irão facilitar o processo de tomada de decisão e conseqüentemente criar uma visão de futuro para a empresa. Palavras - Chaves: globalização, economia, concorrência, excelência e modelo de gestão. LISTA DE FIGURAS FIGURA 1: SISTEMA DE INFORMAÇÕES ..................................................................................... 21 FIGURA 2: SISTEMA DE INFORMAÇÕES GERENCIAIS.............................................................. 23 FIGURA 3: ESTRUTURA DA CONTROLADORIA .......................................................................... 26 FIGURA 4: O CICLO DO CONTROLE ............................................................................................ 29 FIGURA 5: ORGANOGRAMA DA EMPRESA JUNCKES CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA ................................................................................................................................................ 48 FIGURA 6: MODELO DE GESTÃO ATUAL – JUNCKES CONSTRUTORA .................................. 49 FIGURA 7: MODELO DE GESTÃO PROPOSTO – JUNCKES CONSTRUTORA.......................... 54 LISTA DE QUADROS QUADRO 1: CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DAS CONTABILIDADES FINANCEIRA E GERENCIAL..................................................................................................................................... 18 QUADRO 2: FUNÇÕES DA CONTABILIDADE GERENCIAL......................................................... 19 QUADRO 3: SISTEMA DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE UMA EMPRESA OU ÁREA .. 36 QUADRO 4: TIPOS DE BENCHMARKING ..................................................................................... 38 QUADRO 5: PERPECTIVAS BÁSICAS DO BALACED SCORECARD .......................................... 40 QUADRO 6: PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO .................................................................. 57 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO...................................................................................................10 1.1 JUSTIFICATIVA DA ESCOLHA DO TEMA .......................................................11 1.2 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA ............................................................................12 1.3 OBJETIVOS.......................................................................................................12 1.3.1 Objetivo Geral ..................................................................................................12 1.3.2 Objetivos Específicos......................................................................................13 1.4 SUPOSIÇÕES ...................................................................................................13 1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO ..........................................................................14 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ........................................................................15 2.1 CONTABILIDADE GERENCIAL ........................................................................15 2.2 DIFERENÇAS ENTRE CONTABILIDADE GERENCIAL E CONTABILIDADE FINANCEIRA ................................................................................................................17 2.3 FUNÇÕES DA CONTABILIDADE GERENCIAL................................................19 2.4 SISTEMA DE INFORMAÇÃO............................................................................20 2.5 SISTEMA DE INFORMAÇÕES GERENCIAIS ..................................................21 2.6 SISTEMA DE INFORMAÇÃO CONTÁBIL.........................................................23 2.7 CONTROLADORIA............................................................................................24 2.8 MISSÃO DA CONTROLADORIA.......................................................................27 2.9 CONTROLE .......................................................................................................27 2.10 CONTROLLER ..................................................................................................29 2.11 MODELO DE GESTÃO .....................................................................................32 2.12 FERRAMENTAS DE GESTÃO..........................................................................33 2.12.1 Fluxo de Caixa..................................................................................................33 2.12.2 Planejamento Estratégico ...............................................................................35 2.12.3 Benchmarking ..................................................................................................37 2.12.4 Balanced Scorecard ........................................................................................39 2.12.5 Gestão da Qualidade Total..............................................................................40 2.12.5.1 5 S ...................................................................................................................42 3 METODOLOGIA................................................................................................44 3.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA ................................................................44 3.2 ESTUDO DE CASO...........................................................................................45 3.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ..........................................................46 9 4 ESTUDO DE CASO...........................................................................................47 4.1 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA EM ESTUDO ...........................................47 4.2 MODELO DE GESTÃO – ATUAL......................................................................48 4.3 MODELO DE GESTÃO – PROPOSTO .............................................................53 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..............................................................................58 5.1 GENERALIDADES ............................................................................................58 5.2 QUANTO AO ALCANCE DOS OBJETIVOS PROPOSTOS..............................58 5.3 LIMITAÇÕES .....................................................................................................59 5.4 RECOMENDAÇÕES PARA FUTUROS TRABALHOS .....................................60 REFERÊNCIAS ............................................................................................................61 1 INTRODUÇÃO O modelo de gestão adotado por uma empresa é considerado uma ferramenta de fundamental importância para a formação do processo de tomada de decisão das organizações. Isto porque, o constante crescimento de oferta e especialização de serviços trouxe fortes concorrências no mercado. Assim, mais do que nunca as organizações necessitam de modelos que as ajudem a se qualificar, dia após dia, para enfrentar os grandes desafios que se destinam. Uma das características de um modelo de gestão é a possibilidade de identificar como a empresa analisa os pontos fortes e os pontos fracos a serem trabalhados, as oportunidades e as ameaças no mercado externo, o aprimoramento das técnicas utilizadas a implementação de novas estratégias. Sua finalidade é garantir a qualidade dos serviços da empresa e dos produtos a serem oferecidos aos seus clientes e assim utilizar ferramentas com capacidade de proporcionar resultado. O modelo de gestão apresentado possibilitará que a empresa trace o plano operacional e estratégico, utilizando ferramentas que orientem a tomada de decisão de curto e longo prazo, além de facilitar o desenvolvimento por meio do modelo participativo da gestão. As organizações bem sucedidas adotam ferramentas que facilitam um conjunto de aprendizagem, que desenvolvem tanto a empresa como os seus colaboradores. As empresas precisam continuar aumentando o capital intelectual, a satisfação do cliente, a qualidade de seus produtos e de seus serviços e dos seus processos para facilitar a geração dos lucros. A implementação de um modelo de gestão é a forma mais adequada para melhor administrar o negócio. Tal convicção leva a repensar sobre os riscos da organização, quanto às ameaças e oportunidades, o aprimoramento e a implementação de suas estratégias, tendo como finalidade a eficiência de seus serviços, processos e a busca da continuidade do negócio. 11 1.1 JUSTIFICATIVA DA ESCOLHA DO TEMA O desenvolvimento das organizações associado à forte concorrência do mercado de trabalho e a busca constante para assegurar a continuidade dos negócios levam as empresas a aperfeiçoarem o seu gerenciamento. A formação do modelo de gestão irá proporcionar um maior desenvolvimento das empresas, considerando que as ferramentas utilizadas poderão proporcionar opções mais adequadas para facilitar o gerenciamento e o processo de tomada de decisão nas organizações. Uma das justificativas para o desenvolvimento desse trabalho está relacionada inicialmente à conclusão do curso de Ciências Contábeis, bem como às atividades desenvolvidas junto à empresa Junckes. Além de ser uma colaboradora da empresa percebo que o aprendizado acadêmico poderá contribuir e muito para sugerir um modelo de gestão capaz de melhorar o gerenciamento da empresa. Outro aspecto de grande relevância é que atualmente a empresa vem tomando as suas decisões com base em sistema de controles internos, utilizando informações passadas e presentes deixando de considerar o aspecto futuro. O presente trabalho foi realizado com a finalidade de conhecer o processo de tomada de decisão da empresa Junckes Construtora e Incorporadora Ltda; identificar os instrumentos utilizados no modelo de gestão da referida empresa; identificar como está formado o processo de tomada de decisão da empresa e, principalmente sugerir mudanças que contemplem uma visão do futuro e que possam melhor visualizar o ambiente externo, oportunizar os colaboradores e buscar uma gestão de excelência. 12 1.2 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA A grande concorrência no mercado vem exigindo que as organizações agilizem o processo de gerenciamento para garantir a continuidade de suas atividades. Como base nesse fundamento torna-se necessário aprofundar conhecimentos sobre o modelo de gestão que vem sendo implementado pelas organizações. Diante dessas preocupações pretendeu-se neste trabalho responder as seguintes questões: Como a empresa utiliza o modelo de gestão para a tomada de decisão? 1.3 Qual o modelo de gestão adequado para a empresa? Como o modelo de gestão contribui para a tomada de decisão? OBJETIVOS Os objetivos podem ser subdivididos em geral e específico. Com a realização do presente trabalho buscou-se atingir aos seguintes objetivos propostos: 1.3.1 Objetivo Geral Conhecer o modelo de gestão da empresa Junckes Construtora e Incorporadora Ltda e propor melhorias. 13 1.3.2 Objetivos Específicos • Identificar as ferramentas utilizadas que compõe o modelo de gestão; • Descrever o processo de tomada de decisão na empresa; • Propor sugestões ao modelo de gestão que existe na empresa observando as mudanças necessárias. 1.4 SUPOSIÇÕES Por se tratar de um estudo de caso optou-se pela antecipação de algumas suposições como a seguir: É possível verificar que o modelo de gestão utilizado para a tomada de decisão é efetuado a partir de informações extraídas de ferramentas e controles internos existentes, onde o gerenciamento é efetuado a partir de informações passadas e presentes faltando por tanto os aspectos estratégicos de longo prazo. O modelo de gestão entendido como adequado para a empresa deve contemplar além de um sistema de informações gerenciais, ferramentas para identificar as estratégicas da organização, estabelecendo uma visão de futuro, além de buscar a qualidade dos serviços prestados e a satisfação dos clientes internos e externos. O processo de tomada de decisão é facilitado pelas ferramentas utilizadas e o sistema de informação existente, com base nesses fundamentos acredita-se que o uso do planejamento estratégico será possível caracterizar estrategicamente a empresa, facilitar participação dos colaboradores, melhor visualizar o ambiente externo. a 14 1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO Este trabalho está estruturado em cinco capítulos. No primeiro capítulo, apresenta-se a introdução, seguidas da justificativa da escolha do tema, da definição do problema, dos objetivos gerais, dos objetivos específicos, das suposições da pesquisa e, por ultimo desta descrição a estrutura do trabalho. O segundo capítulo contempla a revisão do conteúdo que irá fundamentar este estudo. Primeiro temos contabilidade gerencial com as diferenças entre contabilidade gerencial e financeira. Conceitua Sistema de Informação gerencial e contábil, controladoria, controle e controller. Em seguida discorre-se sobre a importância do modelo de gestão e as ferramentas utilizadas nas organizações. No terceiro capítulo apresenta-se uma abordagem metodológica proposta nesta pesquisa para realização deste estudo de caso. No quarto capítulo demonstra-se o estudo de caso realizado com base no modelo de gestão existente na empresa Junckes Construtora e Incorporadora Ltda, propondo melhorias e evidenciando um modelo de gestão a ser utilizado. No quinto capítulo são apresentadas as considerações finais, as generalidades, o alcance dos objetivos propostos, limitações, bem como as conclusões do estudo realizado e as recomendações para futuros trabalhos. 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Neste capítulo será apresentada uma abordagem sobre contabilidade gerencial, abrangendo as diferenças entre contabilidade gerencial e contabilidade financeira e ainda as funções da contabilidade gerencial; Na seqüência segue uma análise de sistemas de informação – gerencial e contábil, controladoria, controle e controller. Em seguida, aborda-se o modelo de gestão e suas principais ferramentas utilizadas. 2.1 CONTABILIDADE GERENCIAL A contabilidade gerencial surgiu após a Revolução Industrial que ocorreu no século XVIII, quando se verificou a necessidade de levantar os custos do valor do processo de conversão de mão-de-obra e dos materiais em novos produtos. A reunião da contabilidade geral ou financeira, contabilidade de custos, planificação (orçamento empresarial) e as estatísticas empresariais pode-se chamar de contabilidade gerencial, sendo papel importante na administração das empresas. Os relatórios gerenciais abrangem diversos níveis, contribuem e funcionam como ferramentas essenciais nas tomadas de decisões. Para melhor compreender o conceito de contabilidade gerencial, utiliza-se as palavras de Pizzolato (2000), segundo o qual, esta vem a ser o ramo da contabilidade com o objetivo de fornecer informações aos administradores de empresas para lhes auxiliar em suas funções gerenciais. De acordo com a Associação dos Contadores dos E.U.A apud Pizzolato (2000, p. 195): É o processo de identificação, mensuração, acumulação, análise, preparação, interpretação e comunicação de informações financeiras utilizadas pela administração para o planejamento, avaliação e controle dentro de uma organização e para assegurar e contabilizar o uso aprimorado de seus recursos. 16 O processo de tomada de decisão nas empresas tem seu término por meio da escolha da melhor maneira que será implementada. Para se alcançar essa etapa é necessário passar por várias fases de definições, obtenção de fatores, opções e decisões. Muitos problemas que acontecem têm grande relação quando os relatórios contábeis não são analisados de forma correta. Nesse sentido, a contabilidade gerencial vem ao encontro de uma boa e eficaz administração de uma organização. Na acepção de Iudícibus (1998 p. 21): A contabilidade gerencial, num sentido mais profundo, está voltada única e exclusivamente para a administração da empresa, procurando suprir informações que se “encaixem” de maneira válida e efetiva no modelo decisório do administrador. É importante que todas as empresas utilizem esta ferramenta para melhor gerir seus negócios. Uma vez empregada como instrumento de análise de desempenho e monitoramento dos resultados auferidos, caminha-se para bons resultados presentes e futuros. Então, a contabilidade gerencial preocupa-se não apenas com a gestão dos recursos, ela é também aplicada a uma gestão de custos e receitas, preocupado com o objeto fim como um todo. Finalizando a conceituação do tema, colhe-se o escrito por Iudícibus (1998 p. 21): A contabilidade gerencial pode ser caracterizada, superficialmente, como um enfoque especial conferido a várias técnicas e procedimentos contábeis já conhecidos e tratados na contabilidade financeira, na contabilidade de custos, na análise financeira e de balanços etc., colocados numa perspectiva diferente, num grau de detalhe mais analítico ou numa forma de apresentação e classificação diferenciada, de maneira a auxiliar os gerentes das entidades em seu processo decisório. A fim de implementar o trabalho, de maneira a atingir o objeto fim deste, segue uma análise das diferenças entre a contabilidade gerencial e a contabilidade financeira, de maneira a esclarecer e concretizar o fito a que se propõe. 17 2.2 DIFERENÇAS ENTRE CONTABILIDADE GERENCIAL E CONTABILIDADE FINANCEIRA Ao contrário da contabilidade gerencial, a contabilidade financeira está voltada aos seus clientes externos. As informações contábeis financeiras têm como objetivo comunicar aos seus membros externos o que acontece e o resultado das decisões e melhorias nos processos desenvolvidos e implantados pelos administradores e funcionários. Na afirmação de Padoveze (1996), pode-se contrastar a contabilidade gerencial e financeira por meio da compreensão de que esta é relacionada com o fornecimento de informações para os acionistas, credores e outros que estão de fora da organização. A contabilidade financeira, na percepção de Atkinson (2000), tende a ser direcionada por regras, sendo que os estudantes de contabilidade financeira estudam lançamentos no diário e procedimentos financeiros obrigatórios. Já a contabilidade gerencial é uma fonte rica no processo de tomada de decisões nas empresas. Ela é facultativa, ou seja, pode ou não fazer parte da administração de uma empresa. A contabilidade gerencial está relacionada ao fornecimento de informações econômicas direcionadas aos seus clientes internos. As informações geradas pela contabilidade gerencial são muito úteis para auxiliar os funcionários a aprenderem a melhorar a qualidade das operações, reduzir os custos operacionais, aumentar a adequação das operações às necessidades dos clientes entre outros, conforme bem explana Atkinson (2000). A fim de elucidar as diferenças existentes, segue quadro com algumas características da contabilidade gerencial e financeira: 18 QUADRO 1: CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DAS CONTABILIDADES FINANCEIRA E GERENCIAL Clientes Propósito Contabilidade financeira Contabilidade gerencial externa: acionistas, credores, interna: autoridades tributárias. administradores, executivos. Reportar Informar o desempenho funcionários, decisão interna passado às partes externas, tomada pelos funcionários e contratos com proprietários e gerentes, feed back e controle credores. sobre desempenho operacional, contratos com proprietários e credores. Data Histórica, atrasada. Atual, orientada para o futuro. Restrições Regulamentada: dirigida por Desregulamentada: sistemas e regras informações e princípios fundamentais da contabilidade pela e satisfazer por autoridades governamentais Tipo de Informação Somente determinadas administração para necessidades estratégicas e operacionais. mensuração financeira Mensuração física operacional dos tecnologia, fornecedores e processos, e competidores. Natureza da Informação Objetiva, auditável, confiável, Mais subjetiva e sujeita a juízo consistente, precisa. de valor, válida, relevante, aurada. Escopo Muito agregada, reporta toda a Desagregada, informa empresa. decisões e ações locais. as Fonte: Atkinson (2000, p. 38) Visto o conceito de contabilidade gerencial e sua diferença para com a contabilidade financeira, segue explanação sobre sua participação nas diferentes funções organizacionais. 19 2.3 FUNÇÕES DA CONTABILIDADE GERENCIAL Em relação à informação gerencial contábil e sua aplicação é importante ressaltar que ela tem participação em funções organizacionais diferentes. A exemplo tem-se sua atuação nos controles operacionais que estão aptos à realização de operações, nos custos, no controle administrativo e no controle que ajuda na identificação dos clientes. A informação gerencial contábil é fundamental em relatórios que identificam a situação da empresa, verificando assim o trabalho que está sendo executado, seus produtos e serviços e a identificação no processo de tomada de decisões. Para melhor demonstrar essas funções gerenciais, segue o quadro abaixo: QUADRO 2: FUNÇÕES DA CONTABILIDADE GERENCIAL Contabilidade Operacional Fornece informações (feedback) sobre a eficiência e a qualidade das tarefas executadas Custeio do produto e do cliente Mensura os custos dos recursos para se produzir, vender e entregar um produto ou serviço aos clientes. Controle Administrativo Fornece informação sobre o desempenho de gerentes e de unidades operacionais Controle Estratégico Fornece financeiro informações e sobre competitivo de o desempenho longo prazo, condições de mercado, preferência dos clientes e inovações tecnológicas. Fonte: Atkinson (2000 p. 44). Conforme explica Atkinson (2000), os executivos dos mais altos níveis da empresa recebem informação gerencial contábil; esta informação resume as transações e eventos que ocorrem com cada operador, cliente e níveis departamentais. Por meio desta, podem embasar decisões para conseqüências a longo prazo para a empresa. O mais comum é que os executivos recebam a 20 informação gerencial contábil com menor freqüência, pois é utilizada para atitudes que envolvam estratégia e não para decisões operacionais. O autor comenta ainda que, historicamente, os executivos de nível sênior têm usado a informação financeira para avaliar os efeitos de eventos econômicos globais sobre toda a empresa. Vista a atuação da contabilidade gerencial, segue o estudo sobre Sistema de Informação, muito importante no bom desenvolvimento de uma empresa. 2.4 SISTEMA DE INFORMAÇÃO Um sistema de informação ajuda e auxilia no posicionamento competitivo e no processo de tomada de decisões. Torna-se de responsabilidade dos contadores a transformação de dados em informações. Segundo Nilton Cano (apud FIGUEIREDO, 2006, p. 39): A informação é o componente básico das decisões, e a Contabilidade é um sistema de informações especializado, de base financeira, que possibilita aos usuários alocações mais eficientes dos recursos sob sua responsabilidade. A Contabilidade não é pois um sistema que encontra finalidade em si mesmo, existe para que os tomadores de decisão a utilizem. O ponto fundamental que se destaca aqui é que as atividades contábeis (coleta, processamento e comunicação da informação) devem estar voltadas ao interesse do usuário e suas decisões. No entendimento de Catelli (1999, p. 61) “[...] Os sistemas de informações devem apoiar as decisões dos gestores em todas as fases do processo de gestão, que requerem informações específicas”. Na figura a seguir, pode-se verificar que para cada fase de um processo de gestão é necessário um sistema de informação: 21 FIGURA 1: SISTEMA DE INFORMAÇÕES Fonte: Catelli (1999, p. 62) Interessante explicar e diferenciar sistema de informação gerencial e sistema de informação contábil, conforme demonstra nos itens seguintes. 2.5 SISTEMA DE INFORMAÇÕES GERENCIAIS Complementando o estudo sobre sistema de informações temos o sistema de informações gerenciais. Segundo aborda Oliveira (2005), a fim de que a controladoria possa coletar, analisar, classificar e divulgar as informações úteis no processo decisório das corporações faz-se necessário o uso de um sistema específico. É o chamado Sistema de Informações Gerenciais. Por meio dele, conforme o autor tornou-se 22 possível acompanhar a velocidade e a integração das informações do atual mundo dos negócios. Assim, define que sistema de informações é a combinação de um conjunto de dados sobre os quais se aplica determinada rotina de trabalho, seja manual ou com o uso dos recursos computacionais, para a obtenção de informação de saídas. Para melhor compreensão Oliveira (2005, p. 65) ensina que o que distingue dado de informação (que auxilia no processo decisório) é o conhecimento que esta última propicia ao tomador de decisões. Conforme Oliveira (2005, p.65) para melhor entendimento do significado de Sistema de Informações Gerenciais, apresentam-se os seguintes conceitos: Dado: é qualquer elemento identificado em sua forma bruta, que por si só não conduz a uma compreensão de determinado fato ou situação. Pode ser entendido como a “matéria prima” que necessita ser trabalhada dentro de determinado contexto para, de forma sistêmica e ordenada, transformarse no “produto acabado”, representado pela informação; Informação: trata-se do “produto acabado” em decorrência da “lapidação” dos dados disponíveis, pronto para ser consumido pelos gestores da corporação, de forma útil e capaz de proporcionar o retorno necessário à realização dos objetivos estratégicos estabelecidos; Gerencial: é o processo administrativo (planejamento, organização, direção e controle) voltado para resultados. Com base nessas definições, apresenta-se o significado de SIG, como segue: (OLIVEIRA 2005, p.65). Sistema de informações gerenciais (SIG) é o processo de transformação de dados em informações, que são utilizadas na estrutura decisória da empresa como ferramenta que possibilita a sustentação administrativa para otimizar os resultados esperados. O quadro a seguir demonstra um sistema de informações gerenciais: 23 FIGURA 2: SISTEMA DE INFORMAÇÕES GERENCIAIS FONTE: OLIVEIRA (2005 P. 65) 2.6 SISTEMA DE INFORMAÇÃO CONTÁBIL O sistema de informação contábil é o conjunto de dados disponibilizados por diversas atividades da empresa. Esse sistema se caracteriza pelas informações oriundas da produção ou serviços, comercialização, finanças e principalmente de informações processadas pela contabilidade. De acordo com Oliveira (2005 p. 75): As informações geradas pela contabilidade devem propiciar a seus usuários base segura para suas decisões, pela compreensão do estado em que se encontra a entidade, seu desempenho, sua evolução, riscos e oportunidades que oferece. Complementando, o mesmo autor explica que, a informação contábil é expressa por diferentes meios, como demonstrações contábeis, escrituração ou registros permanentes e sistemáticos, documentos, livros, planilhas, listagens, notas explicativas, mapas, pareceres, laudos, diagnósticos, prognósticos, descrições críticas ou quaisquer outros utilizados no exercício profissional ou previstos em legislação. (OLIVEIRA, 2005). 24 Ainda para Oliveira (2005 p. 76): a informação contábil, em especial aquela contida nas demonstrações contábeis, notadamente as previstas em legislação, deve propiciar revelação suficiente sobre entidade, de modo a facilitar a concretização dos propósitos do usuário. Entre os atributos indispensáveis de que deve revestir-se, destacam-se os seguintes: confiabilidade, tempestividade, compreensibilidade e comparabilidade. Ao se referir ao sistema contábil Figueiredo (2006, p. 39) afirma que: O sistema contábil proporciona aos gestores e também aos usuários externos visão geral da organização, servindo de ligação entre os outros sistemas de informação, como marketing, recursos humanos, pesquisa e desenvolvimento e produção; nele as informações produzidas pelos outros sistemas são expressas em termos financeiros, tornando possível desenvolver uma estratégia para atingir os objetivos da organização. Finalizando sistema de informação contábil a seguir vamos falar de controladoria.AZER LINK 2.7 CONTROLADORIA É crescente o aumento da importância da controladoria na gestão das empresas. Isto porque tem relação com as diferentes ciências, a exemplo da administrativa, da econômica e da psicológica, conforme se demonstrará. Sua principal finalidade é orientar a gestão econômica de uma organização, de maneira a buscar sua eficácia e eficiência no mercado. De acordo com Oliveira (2005 p. 14): Pode-se entender Controladoria como o departamento responsável pelo projeto, elaboração, implementação e manutenção do sistema integrado de informações operacionais, financeiras e contábeis de determinada entidade, como ou sem finalidades lucrativas, sendo considerada por muitos autores como o atual estágio evolutivo da contabilidade. Já na definição de Mosimann (1999 p. 88): “A controladoria consiste em um corpo de doutrinas e conhecimentos relativos à gestão econômica”. Segundo a autora, a controladoria pode ser visualizada sobre duas óticas, seja por um órgão administrativo com missão, funções e princípios norteadores definidos no modelo de gestão do sistema da empresa, seja como uma área do conhecimento humano com 25 fundamentos, conceitos, princípios e métodos oriundos de outras ciências. A controladoria coordena as atividades desenvolvidas nos processos de planejamento e controle, tendo como objetivo o desempenho nas diversas áreas e atividades. Tanto as atribuições quanto o escopo das responsabilidades da controladoria estão cada vez mais abrangentes. Em algumas empresas, acabam subordinando vários departamentos e também posicionando o controller como um consultor interno da empresa, estando acessível a todos os departamentos. Para atingir seus objetivos propostos, a controladoria toma por base a capacidade técnica, a especialização e a experiência do controller, o qual precisa estar sempre executando novos estudos e atualizando seus conhecimentos para obter o resultado esperado contribuindo para a continuidade do negócio. A controladoria possui diversas funções. São elas: Informação: que compreende os sistemas contábeis e financeiros da empresa, ligados a pagamentos e recebimentos, folha de pagamento entre outros; Motivação: refere-se aos resultados dos sistemas de controle sobre o comportamento das pessoas diretamente atingidas; Coordenação: responsável pela centralização das informações com vistas à aceitação de planos sob o ponto de vista econômico e à assessoria da direção da empresa. Não alerta somente para situações desfavoráveis em alguma área, mas também sugerindo soluções; Avaliação: com a intenção de interpretar fatos, avaliando assim os resultados por centro de resultado, por área de responsabilidade e desempenho gerencial; Planejamento: determinação para verificar se os planos são consistentes ou viáveis, se são aceitos e coordenados e se realmente poderão servir de base para uma avaliação posterior; Acompanhamento: relaciona-se à verificação contínua da evolução dos planos traçados com a finalidade de correções de falhas ou revisão do planejamento. (KANITZ apud FISCH, MOSIMANN, 1999). 26 A estruturação da controladoria está dividida em dois grandes segmentos conforme Oliveira (2005, p. 15-16): Contábil e fiscal: nesse segmento, são exercidas as funções e atividades da contabilidade tradicional, representadas pela escrituração contábil e fiscal, com a geração das informações e relatórios para fins societários, fiscais, publicações, atendimento da fiscalização e auditoria etc. Também se enquadrariam as outros funções corriqueiras, tais como controle patrimonial dos bens e direitos da empresa, conciliação das contas contábeis, apuração e controle dos custos para fins contábeis e fiscais, controle físico dos itens de estoques e imobilizado, apuração e gestão dos impostos etc; Planejamento e controle: caracteriza o aspecto moderno das funções e atividades da Controladoria. Nesse segmento devem estar incorporadas as atribuições concernentes à gestão de negócios, o que compreende as questões orçamentárias, projeções e simulações, aspectos estratégicos da apuração e análise de custos, contabilidade e análise de desempenho por centros de responsabilidades, planejamento tributário etc. Na próxima figura é possível verificar a estrutura da controladoria: FIGURA 3: ESTRUTURA DA CONTROLADORIA Fonte: Oliveira 2005 p. 16 27 Na seqüência, trata-se mais especificamente da missão da controladoria, do controle, bem como da figura do controller dentro de uma organização. 2.8 MISSÃO DA CONTROLADORIA Sobre missão da controladoria entende-se como suporte à gestão dos negócios, assim, seu objetivo é o resultado positivo, o alcance da necessidade das diversas áreas de uma empresa. Esta é sua missão: ajudar, de maneira significativa, uma organização a obter seu sucesso e a continuidade de seus serviços. A controladoria está voltada ao controle e gerenciamento de processos, como o apoio do processo de gestão. Segundo Figueiredo (2006, p.26): “A missão da controladoria é zelar pela continuidade da empresa, assegurando a otimização do resultado global”. Para Mossimann (1999, p. 89): A controladoria, assim como todas as áreas de responsabilidade de uma empresa, deve esforçar-se para garantir o cumprimento da missão e a continuidade da organização. Seu papel fundamental nesse sentido consiste em coordenar os esforços para conseguir um resultado global sinérgico, isto é, superior a soma dos resultados de cada área. Com o entendimento da missão da controladoria a seguir vamos falar de controle. 2.9 CONTROLE O controle tem grande importância dentro de qualquer empresa, pois com a correta utilização de suas ferramentas será utilizado no desenvolvimento de seus processos para alcançar os seus objetivos propostos. Segundo Figueiredo (2006, p. 46): “Controle está intimamente ligado à função planejamento, quando se propõe assegurar que suas atividades da firma 28 estão em conformidade com os planos”. De acordo com Padoveze (2004, p. 88): Controle é o processo contínuo e recorrente que avalia o grau de aderência entre os planos e sua execução, compreendendo a análise dos desvios ocorridos, procurando identificar suas causa e direcionado ações corretivas. Além disso, deve observar a ocorrência de variáveis no cenário futuro, visando assegurar o alcance dos objetivos propostos. Já para Atkinson (2000, p. 581): “Controle é o processo de monitorar, avaliar e melhorar e desempenho da empresa para alcançar seus objetivos”. No entendimento de Koontz, O’Doneel e Wqihrich (apud MOSIMANN 1999) salientam que a função administrativa de controle envolve a mensuração e a correção do desempenho de atividades subordinadas, para assegurar que os objetivos da organização e os planos formulados para alcançá-los estejam sendo cumpridos em todos os níveis hierárquicos da organização. O processo de manter uma empresa sob controle envolve cinco passos. São eles: 1. Planejar – o qual consiste no desenvolvimento dos objetivos primários e secundários da empresa e ainda na identificação dos processos que os completam; 2. Executar – pertinente a implementar o plano.; 3. Monitorar – que se refere a mensurar o nível atual de desempenho do sistema; 4. Avaliar – no tocante a comparação entre o nível atual de desempenho do sistema com a finalidade de identificar qualquer variância entre os objetivos do sistema e o desempenho efetivo e decidir sobre ações corretivas. 5. Corrigir – que consiste na realização de qualquer ação corretiva necessária para trazer o sistema sob controle. (ATKINSON, 2000) Para melhor se visualizar o processo do controle segue a figura 4: 29 FIGURA 4: O CICLO DO CONTROLE Fonte: Atkinson 2000, p. 582 2.10 CONTROLLER O controller refere-se ao principal executivo da contabilidade e da controladoria. Ele é que pode utilizar os conhecimentos de controladoria para desenvolver, executar e controlar o planejamento estratégico de uma empresa. Pode ainda identificar e interpretar as informações financeiras para os administradores. Tem como objetivo manter a empresa em constante crescimento, no aperfeiçoamento de seus negócios e nas mudanças que ocorrem no decorrer de cada processo. Na concepção de Figueiredo ( 2006, p: 28): O controller é o gestor encarregado do departamento de controladoria; seu papel é, por meio de um eficiente sistema de informação zelar pela continuidade da empresa, viabilizando as sinergias existente, fazendo com que as atividades desenvolvidas conjuntamente alcancem resultados superiores aos que alcançariam se trabalhassem independentemente. 30 Já para Oliveira (2005, p.19): Dependendo do organograma da empresa, o título controller pode ser aplicado a diversos cargos nas áreas administrativas, contábeis e financeiras, com níveis de responsabilidade e remuneração que dependem do setor e do porte das organizações. Para Atkinson et al. (2000, p. 34): “Controller é o executivo sênior de finanças e contabilidade que prepara e interpreta as informações financeiras para os administradores, investidores e credores”. O controller contribui ainda no auxílio aos gestores, interpretando informações e a forma em que devem ser utilizadas. Em essência, no exercício de sua função, o moderno controller deve ter uma visão proativa, permanentemente dirigida para o futuro. Um controller deve de acordo com Tung, (apud OLIVEIRA 2005), possuir as qualidades descritas a seguir, definidas por ele como essenciais. Este profissional deve ter capacidade de prever os problemas e buscar informações sobre as possíveis soluções. É chamado executivo do staff, destacando como sua principal função obter e interpretar os dados que possam ser úteis aos executivos na formulação de uma nova política empresarial e, especialmente, na execução dessa política. Um controller também deve possuir discernimento sobre a necessidade de relatórios e sua elaboração. Deve prever as necessidades de cada um dos executivos e procurar, com ele, os meios para atendê-las, sem esperar que o procurem. Sem menos importância é fundamental fornecer as informações específicas a cada usuário, de maneira a prepará-las e emiti-las na linguagem do executivo que as recebe. Relevante também á a necessidade de poder traduzir os desempenhos passados e presentes em gráficos de tendências e em índices, a fim de uma melhor compreensão. Conforme explica o citado autor, não basta, por exemplo, afirmar que as vendas de determinado mês foram inferiores às do mês posterior. É necessário mostrar o comportamento dessas vendas em comparação 31 ao orçamento ou estimativas e as vendas globais do setor, em função da estrutura do setor comercial entre outros. Sempre buscar uma visão proativa e preocupada com o futuro, pois os fatos passados não são mais gerenciáveis. Um controller também deve elaborar seus relatórios da forma mais rápida possível, gerando informações atualizadas e confiáveis. As mudanças se processam cada vez mais rapidamente, exigindo assim respostas urgentes que possam ajudar na solução dos novos problemas. É imprescindível insistir na análise e estudo de determinados problemas, conforme bem destaca o autor, mesmo que os executivos das áreas envolvidas não estejam dando a devida atenção para os fatos reportados pela Controladoria. Não significa forçar uma tomada de decisão, e sim, conseguir a correta conscientização dos responsáveis. A imparcialidade em suas criticas e comentários, ao desempenhar as funções de controle e avaliação do desempenho dos demais departamentos e executivos da organização, é algo pelo que se deve realmente zelar. Saber convencer os executivos de seus entendimentos e não tentar impô-los, por mais válido e interessantes que elas sejam. E principalmente na visão do referido autor, possuir a capacidade de compreender que, no desempenho das funções, suas contribuições para as outras áreas sofrem limitações. Às vezes, por melhores que sejam seus relatórios, mesmo baseados em dados numéricos inquestionáveis, colhidos e analisados da melhor forma possível, sua opinião não deve substituir nunca a capacidade intelectual do executivo que recebe as informações. (OLIVEIRA, 2005) Enfim, todas as qualidades descritas demonstram o quão importante é a figura de um controller em uma organização, mais especificamente na controladoria, devendo sua escolha atentar para todo o conjunto exposto. 32 2.11 MODELO DE GESTÃO O modelo de gestão preocupa-se com a forma que vem sendo administrada uma empresa. Pode ser construído a partir de ferramentas que proporcionam para as empresas um bom desenvolvimento com seus produtos e serviços. Uma empresa, tendo um modelo de gestão implantado poderá alcançar e identificar suas metas e projetos que contribuem ainda no processo de tomada de decisões. De acordo com Figueiredo (2006, p. 30): Um modelo de gestão poderia ser definido com um conjunto de princípios e definições que decorrem de crenças específicas e traduzem o conjunto de idéias, crenças e valores dos principais executivos, impactando assim todos os demais subsistemas empresariais; é, em síntese um grande modelo de controle, pois nele são definidas as diretrizes de como os gestores vão ser avaliados, e os princípios de como a empresa vai ser administrada. Para Teles e Varttanian (apud OLIVEIRA 2005, p. 136): O modelo de gestão, que de forma explícita ou não, sempre existe numa empresa, é construído de princípios permanentes que orientam a atuação dos gestores, procurando potencializá-la. O ponto de partida do modelo de gestão é, logicamente, o conjunto de crença e valores dos donos ou dos principais executivos da empresa. Já para Catelli (1999, p. 262): Modelo de gestão é Carta Magna de uma entidade econômica. Esse conjunto de princípios, nem sempre formalizado, pode ser identificado por meio da observação dos instrumentos de gestão (processo de planejamento e controle, sistemas de informações etc) e das demais práticas organizacionais. A melhor caracterização do modelo de gestão é dada por Guerreiro (1989 apud CATELLI, 1999). Segundo o autor, os objetivos a serem observados por tal modelo devem assegurar: • reduzir riscos do empreendimento com finalidade de cumprir com a missão garantindo assim que a empresa irá sempre buscar o melhor ; • fornecer estabelecimento com uma estrutura adequada que possibilite o suporte necessário para o desenvolvimento de suas atividades; • orientações que possibilitem atitudes construtivas de trabalho; 33 • deve ser adotado um clima motivador com o engajamento de todos, entre eles os gestores, que assim ficam em torno dos objetivos da empresa e de suas atividades; • verificar se a empresa está cumprindo sua missão ou não, verificando o que deveria ter sido feito em termos de produtos, recursos e esforços; • conhecer o ambiente externo e interno e suas tendências. No modelo de gestão das empresas podemos contar com alguns tipos de ferramentas que podem nos auxiliar no processo de tomada de decisões. 2.12 FERRAMENTAS DE GESTÃO As ferramentas de gestão auxiliam os administradores no processo de tomada de decisões em uma empresa. Seu desafio é contribuir para o aperfeiçoamento da interpretação desse ambiente empresarial. Esse desafio passa pelo processo de coleta de dados, mensuração, interpretação e culmina no processo de informação. Uma ferramenta gerencial adequada envolve a sabedoria dos gestores, sendo que sua utilização dessas ferramentas visa novo rumo a organização e nenhuma é útil a todas as empresas. Ainda sobre de ferramentas de gestão, trata-se dos itens adiante das ferramentas mais utilizadas: 2.12.1 Fluxo de Caixa O fluxo de caixa é uma ferramenta que serve e auxilia como instrumento trazendo a possibilidade de planejar e controlar os recursos financeiros de uma empresa. O fluxo de caixa é indispensável na tomada de decisões financeiras. 34 Relaciona-se às entradas e saídas em uma empresa em determinado período de tempo. Segundo Falcini ( 1995 apud CAMPOS FILHO, 1999, P. 19): Nos 500 anos que precederam os anos 30 deste século (1430 a 1930), o foco central da contabilidade e dos demonstrativos financeiros foi sobre o fluxo de caixa das empresas e por conseqüência, sobre a geração operacional líquida de fundos de caixa. Nos últimos 50 anos, tem havido uma verdadeira obsessão no enfoque sobre a demonstração contábil de resultados e principalmente sobre o lucro líquido contábil e o conseqüente lucro por ação. A necessidade de desenvolver os demonstrativos de fluxo de caixa está relacionada com o aumento e complexidade das atividades operacionais das empresas. Esta complexidade vem a provocar grandes disparidades no período em que as receitas e as despesas são apresentadas e o período no qual os correspondentes fluxos de caixa realmente ocorrem. Pode provocar também variabilidade nos fluxo de caixa. A necessidade de desenvolver demonstrativos de fluxo de caixa pode surgir a partir da inflação e de modificações estruturais da economia. As influências externas afetam de forma mais rápida os fluxos de caixa do que o lucro contábil em uma empresa. (HENDRIKEN, 1982 apud CAMPOS FILHO,1999 ). De acordo com Drucker (1985 apud CAMPOS FILHO, 1999, p.20): o crescimento precisa de mais caixa e de mais capital. Esclarece que, se a nova empresa mostra lucro, este é uma ficção; um lançamento contábil colocado apenas para ajustar as contas. Assim, desde que os impostos são pagos baseados nesta ficção, ela cria uma obrigação de caixa e não um superávit. Para o autor, uma iniciativa em crescimento precisa investir cada centavo do superávit operacional para sobreviver. Para finalizar, segundo Campos Filho (1999), a demonstração dos fluxos de caixa está estruturada em quatro grandes grupos que são: disponibilidades, atividades operacionais, atividades de investimentos, atividades de financiamentos. Além de ter um fácil entendimento, essa estrutura serve para qualquer tipo de empresa. 35 2.12.2 Planejamento Estratégico Com a crescente evolução no mercado de trabalho e a globalização da economia verificou-se a necessidade da implantação do planejamento estratégico nas empresas. Tem como finalidade o processo de gerenciamento das atividades, resultante do desenvolvimento do processo de planejamento estratégico, tendo como objetivo fim atingir seus objetivos propostos utilizando as técnicas e estratégias desenvolvidas dentro da própria empresa. Segundo Mosimann e Fisch ( 1999, p. 39): Pode-se conceituar planejamento estratégico como aquele planejamento que, centrado na interação da empresa como seu ambiente externo, focalizando as ameaças e oportunidades ambientais e seus reflexos na própria empresa, evidenciando seus pontos fortes e fracos, define as diretrizes estratégicas. Já na concepção de Thompson Jr e Strickland III apud (MOSIMANN 1999, p. 39): O desenvolvimento da missão e visão estratégicas, estabelecimento de objetivos e decisão sobre uma estratégia são tarefas básicas de estabelecimento de rumo. Elas indicam o rumo da organização, seus objetivos de desempenho de curto e longo prazo, bem como as mudanças competitivas e programadas. Juntas elas constituem o planejamento estratégico. Importante também o entendimento de Steiner e Miner (apud MOSIMANN 1999) de que o processo de planejamento é direcionado para decisões do mais alto significado para uma determinada empresa. Determinam-se nele grandes orientações para ação dentro de linhas já estabelecidas. O prazo vai desde o prazo muito curto até o prazo sem fim. O processo é uma atividade contínua. O planejamento estratégico cobre elementos da empresa que sejam importantes, incorporando detalhes de âmbito e profundidade suficientes para que sirvam para de base necessária para a implementação. Os planos estratégicos são flexíveis, mas com o passar do tempo podem se tornar variáveis. O planejamento estratégico tem ligação com as mudanças que ocorrem na organização. Assim tem-se o plano estratégico, que contém as informações 36 necessárias para um sistema de planejamento operacional. Para melhor compreender o sistema de planejamento estratégico de uma empresa ou área, segue o quadro 3 : QUADRO 3: SISTEMA DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE UMA EMPRESA OU ÁREA Fonte: Mosimann ( 1999, p. 49) Para complementar o estudo sobre planejamento estratégico identifica-se dois passos a serem seguidos nas empresas, Atkinson ( 2000) considera que o primeiro deles deve-se identificar o que os proprietários esperam, que como exemplo, podemos citar o aumento da riqueza de suas participações na empresa. Tornando-se assim seus objetivos primários. E, o segundo passo é escolher uma estratégia que alcance esses objetivos primários. 37 2.12.3 Benchmarking O benchmarking é uma das ferramentas de maior importância e utilização para o processo de gestão de uma empresa. Tem grande importância no mercado dos negócios, com uma busca contínua das melhores práticas a serem utilizadas a atingir seu desempenho. A palavra japonesa dantotsu significa lutar para tornar-se o “melhor dos melhores”, sendo assim a verdadeira essência do benchmarking ( CAMP, 1998, p. 2). No entendimento de Camp ( 1998, p. 8) são várias as bases de definição do benchmarking. Foi a partir de experiências e sucessos dos primeiros tempos de aplicação do benchmarking na área da fabricação que David T. Kearns, da Xérox Corporation, conceitua benchmarking da seguinte forma: “o processo contínuo de medição de produtos, serviços e práticas em relação aos mais fortes concorrentes, ou às empresas reconhecidas como líderes em suas indústrias”. Já para Araújo ( 2001, p. 185) : Essa ferramenta de gestão das empresas é um aprendizado especial que revela as melhores práticas da organização tida como a número um de seu ramo ou setor, de seu país, ou até mesmo do mundo, no intuito de promover, a quem inicia um estudo desse gênero, uma perspectiva do que poderia ser modificado, melhorado na própria organização, usando-se como referencial a outra empresa ou parte dela que serviu à investigação. Corroborando essa visão, Spendolini (1993 apud ARAÚJO 2001, p. 185) afirma que: A ferramenta é extremamente flexível, podendo ser utilizada por qualquer espécie de organização; a conceituação passaria por um menu de palavras na qual as idéias mais adequadas às necessidades dos interessados seriam escolhidas, de sorte que estes montassem a definição que solucionasse melhor os problemas vivenciados. Desse modo pode-se dizer que o benchmarking é um processo gerencial que busca a melhoria contínua de uma organização, pesquisa e coleta informações para poder comparar produtos e serviços que serão de certa forma colocados no 38 mercado, devem estar preparados para as mudanças dentro da organização, tendo como finalidade própria tornar-se o melhor. Entretanto, existem três tipos de benchmarking que facilitam seu entendimento, conforme quadro abaixo: Tipo Interno Definição Atividades Exemplos similares diferentes em locais, departamentos, unidades operacionais, países, etc. Vantagens Práticas americanas de Dados fabricação versus prática da Fuji Xérox (Japão) Estratégias marketing por (copiadoras quase sempre fáceis de coletar Bons de Desvantagens resultados Foco limitado Visão tendenciosa para (interna) companhias divisão diversificadas versus práticas “excelentes” já com estações de trabalho – workstations) Competitivo Concorrentes vendendo diretos para uma Informações Cannon relevantes coleta de dados para os resultados de Ricoh mesma base de clientes negócios Kodak Práticas/tecnologias Sharp comparáveis. da Histórico coleta Dificuldades de Questões éticas Atitudes antagônicas de informações. Organizações (genérico) reconhecidas como tendo os mais Ação Armazéns (L.L. Bean) Funcional avançados produtos/serviços/process Acompanhamento status de do despachos os ao descobrir práticas cliente (American Express) Desenvolvimento de na de para ambientes diferentes fácil transparência redes transferência práticas inovadoras Tecnologias/práticas de (Federal Express) Serviço para Dificuldades potencial de contatos profissionais Algumas informações não podem ser transferidas Acesso a bancos de dados relevantes Consome bastante tempo Resultados estimulantes QUADRO 4: TIPOS DE BENCHMARKING Fonte: Spendolini, Michael J. (apud ARAÚJO, 2001, p188) 39 2.12.4 Balanced Scorecard O Balanced Scorecard é uma ferramenta de grande importância, pois utilizase de métodos na gestão dos negócios, obtendo assim definições estratégicas, gestão da qualidade dos produtos e serviços. O balanced scorecard é uma sigla, ou seja, BSC – Indicadores Balanceados de Desempenho. Para a melhor compreensão do balanced scorecard segue o entendimento de alguns autores: Segundo Oliveira ( 2005, p. 154): De acordo com seus criadores o BSC é uma ferramenta estratégica imprescindível para que empresas de qualquer setor orientem seus desempenhos presente e futuro, sendo capazes de canalizar as energias, habilidades e os conhecimentos específicos de indivíduos dos mais diversos setores da organização em busca da realização de metas estratégicas e da lucratividade. Já para Kaplan apud Atkinson ( 2000, p. 592): O balanced scorecard reflete a primeira tentativa sistemática de desenvolver um projeto para o sistema de avaliação de desempenho que enfoca os objetivos da empresa, coordenação da tomada de decisão individual e provisão de uma base para o aprendizado organizacional. Conforme explica Oliveira ( 2005, p. 155) O balanced scorecard possui duas grandes matrizes, uma com os pontos críticos da estratégia e a outra com finalidade de enumerar as áreas ou setores nos quais estão implementadas as ações necessárias para obtenção do sucesso de um plano estratégico. Facilitando assim a empresa na sua constante avaliação e controle de seu desempenho ligado a sua estratégia, com quatro perspectivas: a financeira, clientes processos de negócios internos, aprendizado e o crescimento. Para melhor demonstrar essas perspectivas, chama-se atenção para o quadro que segue: 40 Perspectiva Perspectiva do Perspectiva interna Perspectiva de financeira cliente da empresa inovação e aprendizado Enfoque Enfoque Enfoque Enfoque Como a empresa é Como a empresa é Em quais processos a Capacidade de vista vista pelo cliente e empresa empresa melhorar como excelência por seus acionistas ou proprietários ela pode precisa ter continuamente atendê-lo da melhor a e se preparar para o futuro forma Indicadores Indicadores Indicadores Indicadores Devem mostrar se a Devem mostrar se os Devem mostrar se os Devem mostrar como a implementação serviços processos organização e execução a da estratégia da empresa estão prestados e a estão de acordo com operação a missão da empresa alinhados e se geram se valor crescimento contribuindo estão pode aprender e desenvolverpara garantir o para a melhoria dos resultados Exemplos: Fluxo de caixa, retorno sobre o capital Exemplos: Pontualidade Exemplos: na entrega, capacidade de desenvolver Qualidade produtividade produtos inovadores Exemplos: e Índices de renovação dos produtos, desenvolvimento processos de internos, avaliação de falhas no planejamanento QUADRO 5: PERPECTIVAS BÁSICAS DO BALACED SCORECARD Fonte: Oliveira ( 2005, p. 155) 2.12.5 Gestão da Qualidade Total Qualidade Total é uma forma de ação administrativa, que coloca a qualidade dos produtos e serviços como o principal foco para todas as atividades da empresa, sendo a Gestão da Qualidade Total a concretização desta ação.. Para melhor entender o surgimento da gestão da qualidade total explana o autor Araújo ( 2001, p. 209 - 210) : 41 Durante a década de 50, em plena expansão industrial, as empresas adotavam uma filosofia que refletia pouca preocupação com os clientes que porventura estivessem consumindo seus produtos. Isso era algo extremamente natural e compreensível, pois, à época, a variedade de produtos à disposição dos consumidores era pequena. Por conseqüência, imperava no meio empresarial a certeza de que, na falta de concorrentes, os consumidores preocupariam as organizações que ofereciam os produtos, sem fazer maiores considerações a respeito da qualidade desses produtos. Segundo Lãs Caras (1994 corroborando Whiteley apud ARAÚJO 2001) acredita que atualmente a qualidade “virou moda”. Ocupando assim, as capas de várias revistas com especialização em gestão e livros, onde a abordagem principal é a procura da fidelidade. Afirma ainda que são poucos que expõe de forma correta os conceitos e idéias em prática. Já Deming (1990 apud ARAÚJO 2001, p. 210), um dos gurus da gestão pela qualidade total, tem uma visão mais profunda sobre a real necessidade de aplicação da técnica, vai além dos ganhos quantitativos dos clientes. O mesmo autor explica que, para as empresas permanecerem com o seu serviço devem acima de tudo, não se limitar a atrair clientes e vendas. Observa que a satisfação do cliente é parte fundamental do movimento da qualidade, que com isso poderá ter a sua permanência no mercado, avaliando pontos futuros da empresa. Para Araújo (2001, p. 211): O significado da qualidade poderia ser definido como a busca pela perfeição com a finalidade de agradar clientes cada vez mais conscientes das facilidades de consumo e variedades de empresas a oferecer produtos. Qualidade, ademais, é uma filosofia em que a eliminação do chamado retrabalho (refazer o que já havia sido feito por existir alguma impropriedade ou falha) e a obsessão pelo “defeito zero” são regras inafastáveis para as organizações que desejam permanência e lucro. Na gestão da qualidade total pode-se citar o programa 5S. Promove a responsabilidade de crescimento e melhor desempenho no mercado, com a consciência de que por meio do conhecimento compartilha-se experiências para introduzir-se mudanças na atitude das pessoas. Assim, vem contribuindo para o desenvolvimento de um ambiente de trabalho eficaz e eficiente. 42 2.12.5.1 5 S O Programa 5S é uma filosofia de trabalho que busca promover a disciplina nas empresas, tendo como objetivo que o ambiente de trabalho se torne agradável, seguro e produtivo. Segundo Gomes et al (1998, p.23): O programa 5S é considerado base fundamental para a implementação de outros projetos mais complexo relacionados a Gestão pela Qualidade Total, tendo em vista que ele é uma oportunidade inigualável para obter o comprometimento dos colaboradores. E comprometimento, quando se inicia qualquer empreitada nessa área, é fator crítico de sucesso. Em outras palavras, não pode deixar de acontecer. O programa recebeu esse nome devido às iniciais das cinco palavras japonesas que sintetizam as cinco etapas do programa. Trata-se de uma filosofia de trabalho que busca promover a disciplina nas empresas, tendo como objetivo que o ambiente de trabalho se torne agradável, seguro e produtivo. Importante o disposto por Gomes et al (1998,) de que antes eram 9S, provenientes de nove palavras, as quais têm em comum a palavra “esse” como sua inicial. Mas atualmente no Brasil são utilizados somente 5S, no sentido de enfatizar a idéia de mudanças comportamentais mais profundas que se deseja atingir. Para melhor entender-se o significado de cada senso, segue descrição de cada um. SENRI – senso de utilização – a idéia principal é ter-se apenas aquilo de que se necessita. Saber distinguir o que é necessário e o que não é. SEITON – Senso da arrumação – deve-se classificar no ambiente de trabalho apenas aquilo que é necessário para o desempenho de nossas atividades. Não basta simplesmente arrumar, deve-se uma metodologia que garanta a arrumação. SEISO – senso de limpeza – seu conceito vai muito mais além da limpeza. Está comprometido também como o que todos devem fazer para manter de forma adequada o seu local de trabalho. 43 SEIKETSU – caracteriza-se pelo conjunto de atividades que são necessários para assegurar a manutenção dos 3S anteriormente comentados. Preocupa-se com a saúde pessoal dos funcionários, tanto ao nível físico, mental e emocional. SHITSUKE – está caracterizado pelo senso de disciplina – transformação de maus hábitos em bons. Essa torça de padrões precisa de muita perseverança e paciência. O 5S tem como exigência mudança de comportamento e sem disciplina isto é impossível de acontecer. (GOMES, et al 1998) Visto todo o conteúdo que irá embasar o presente estudo de caso, inicia-se uma análise sobre metodologia a ser utilizada, para então concretizar-se o objetivo fim deste trabalho. 3 METODOLOGIA Para se ter um bom entendimento do que significa metodologia é interessante saber o que é pesquisa. Ela consiste na execução de ações e de estratégias planejadas em um projeto de pesquisa visando resolver as dificuldades detectadas. A metodologia é o estudo dos caminhos e dos instrumentos utilizados para se fazer uma pesquisa científica. Segundo Beuren, (2003, p. 67): “A metodologia da pesquisa é definida com base no problema formulado, o qual pode ser substituído ou acompanhado da elaboração de hipóteses”. Para Gil (1999, p. 42): Pode-se definir pesquisa como o processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico. O objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos. No próximo item faz-se uma descrição da caracterização da pesquisa desenvolvida neste trabalho, para após abordar-se uma breve conceituação de estudo de caso. 3.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA Sobre a pesquisa aqui desenvolvida, quanto à sua natureza, a pesquisa é aplicada, tendo como objetivo gerar conhecimentos. Neste caso refere-se à identificação do modelo de gestão da empresa Junckes Construtora e Incorporadora Ltda. A pesquisa qualitativa, que é a abordagem deste trabalho, se preocupa com a compreensão de um grupo representatividade numérica. Para Beuren (2003, p. 92): social, de uma organização e não com a 45 [...] na pesquisa qualitativa concebem-se análises mais profundas em relação ao fenômeno que está sendo estudado. A abordagem qualitativa visa destacar características não observadas por meio de um estudo quantitativo, haja vista a superficialidade deste último. Em relação aos objetivos dessa pesquisa é exploratória, ou seja, terá como principal objetivo buscar idéias, o aperfeiçoamento e proporcionar maiores informações sobre o assunto. No que se refere aos procedimentos de pesquisa, será de campo, pois se realizará em uma empresa da qual se pretende conhecer a forma que vem sendo utilizado o seu modelo de gestão. 3.2 ESTUDO DE CASO O estudo de caso é a realização de uma pesquisa sólida. A estratégia de pesquisa estudo de caso é entender um fenômeno social complexo. Segundo Beuren (2003, p. 84): A pesquisa do tipo estudo de caso caracteriza-se principalmente pelo estudo concentrado de um único caso. Esse estudo é preferido pelos pesquisadores que desejam aprofundar seus conhecimentos a respeito de determinado caso específico. Gil (1999, p. 72-73) salienta que: O estudo de caso é caracterizado pelo estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos, de maneira a permitir conhecimentos amplos e detalhados do mesmo, tarefa praticamente impossível mediante os outros tipos de delineamentos considerados. O desenvolvimento desse trabalho foi um estudo de caso e, portanto uma pesquisa qualitativa. 46 3.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Para a implementação do estudo de caso proposto os procedimentos se constituíram nas seguintes etapas: • identificar das ferramentas que compõe o modelo de gestão • conhecimento da estrutura organizacional e processo de gerenciamento da empresa • identificar como a empresa faz o seu gerenciamento e a tomada de decisão • apresentar o modelo de gestão existente propondo melhorias através do estudo de caso desenvolvido na empresa Junckes Construtora e Incorporadora Ltda. 4 ESTUDO DE CASO O presente estudo de caso tem como objeto fim identificar o modelo de gestão existente na empresa Junckes Construtora e Incorporadora Ltda, bem como verificar como a organização formou o processo de tomada de decisão e como os sistemas de informações são utilizados, além de propor sugestões para a inclusão de novas ferramentas de controle para contribuir na melhoria das decisões tomadas e para a continuidade do negócio. 4.1 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA EM ESTUDO A empresa a ser utilizada na pesquisa é denominada Junckes Construtora e Incorporadora Ltda, fundada pelo Sr. Gilson Luiz Junckes em 18/03/1989, tem sua atividade voltada para construção civil e implantação de loteamentos. Dentre seus clientes podemos destacar: profissionais liberais, funcionários públicos e funcionários da iniciativa privada. A construtora localiza-se em Florianópolis/SC, sendo que sua área de atuação compreende além do município sede a cidade de São José. No ano de 2003 a empresa Junckes Construtora deu um grande passo para conseguir alcançar a melhoria continua nos seus processos construtivos, o aprimoramento do controle em seu acabamento final, atingiu o NIVEL “A” de qualificação do Programa PBQP-H sendo a primeira empresa em São José e a segunda em Florianópolis dentre 42 empresas da parceria Senai-Sebrae-Sinduscon. No ano de 2004, seguindo sua melhoria continua, certificou-se nas normas da ISO 9001. Seu quadro de funcionários é formado por 20 (vinte) colaboradores diretos trabalhando para o crescimento da empresa, na qual sua preocupação permanente é torná-los capacitados. De olho nas novas tecnologias a empresa deseja que o avanço tecnológico seja introduzido em seus canteiros de obra. 48 A empresa está estruturada pela diretoria, departamento administrativo, departamento financeiro, departamento de compras e engenharia. E para melhor compreensão, abaixo segue a estrutura organizacional da empresa: FIGURA 5: ORGANOGRAMA DA EMPRESA JUNCKES CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA Fonte: Junckes Construtora e Incorporadora Ltda 4.2 MODELO DE GESTÃO – ATUAL O modelo de gestão praticado atualmente pela empresa Junckes Construtora e Incorporadora Ltda e o processo de tomada de decisão é inicialmente composto pelos sistemas de informações relativos as atividades administrativas e financeiras, contemplados por contas a pagar, contas a receber, contábil, qualidade e engenharia, cuja responsabilidade das informações estão a cargo dessas atividades. O atual modelo de gestão no decorrer dos anos vem buscando melhorias na qualificação de seus produtos e serviços. Conforme a necessidade busca-se a implantação. É apresentado a seguir o modelo de gestão atual da referida empresa: 49 FIGURA 6: MODELO DE GESTÃO ATUAL – JUNCKES CONSTRUTORA Fonte: Junckes Construtora e Incorporadora Ltda 1. Engenharia - Responsável por gerenciar e coordenar as atividades de execução das obras da construtora, pela aprovação do serviço executado e do material a ser utilizado na tarefa. Isso para garantir uma qualidade no produto final e satisfazer o cliente. O engenheiro civil possui algumas atribuições e responsabilidades, entre elas podemos citar: Representar e/ou fazer-se representar a JUNCKES em instituições privadas e / ou publicas nos compromissos afetos a respectiva área de atuação, ampliando e consolidando o relacionamento no âmbito de suas funções; Interpretar os projetos de edificações; Executar levantamentos, orçamentos e relação de materiais; Gerenciar as obras; Dimensionar as equipes de trabalho; Executar o planejamento das obras; 50 Promover a organização e limpeza do local de trabalho; Atender todas as especificações contratuais; Manter o bom relacionamento com os órgãos fiscalizadores; Acompanhar o cronograma dos serviços executados na obra; Aprovar requisições de materiais nas obras; Promover e ministrar treinamentos para a capacitação da mão de obra; Controlar e liberar pagamentos de medições de serviços executados; Outras tarefas inerentes à função conforme designação do superior. O Setor de Compras está relacionado à engenharia onde é responsável pela aquisição de materiais e equipamentos para as obras, de acordo com os requisitos especificados nas NBR’s e também pelo lançamento das informações no sistema Sienge (Sistema Integrado de Engenharia). Mantém contato com fornecedores e clientes. Com relação à parte de compras, ela é feita por meio da emissão da RCM (Requisição de Compra de Material e/ou Equipamento) mediante pedido verbal do Setor de Obras. Após ser feito o pedido é realizada a cotação de preços junto aos fornecedores para que a compra possa ser definida, onde o número de cotações irá depender do material a ser adquirido. O material poderá também ser adquirido sem a necessidade de cotação, desde que a compra seja feita direta do fabricante, exista contrato de parceria ou permuta, seja o único fornecedor do material ou tenha sido feita cotação recentemente. O processo de aquisição pode ser feito via fax, telefone ou e-mail. Depois de efetuada a compra pelo setor, é enviada uma cópia da RCM ao Setor de Obras. Todo material entregue na obra é inspecionado para verificar se ele está dentro dos padrões da norma que o especifica através de uma FVM (Ficha de Verificação de Material), onde é encaminhada ao Setor de Compras para que possa ser feito o cadastro das informações em meio eletrônico no Cadastro de 51 Fornecedores Qualificados, com escrita na cor azul se atingir um patamar mínimo de 70% de inspeções aprovadas para continuar sendo um fornecedor qualificado, onde a contabilização é feita todo dia 30 de cada mês. Caso o fornecedor não atinja esse patamar será enviado um comunicado via fax dando um prazo de 48 horas para resolver o problema junto à empresa, e se no próximo mês ele novamente não atingir o patamar de 70%, será desqualificado por prazo indeterminado conforme decisão da diretoria, e seu nome ficará no Cadastro de Fornecedores Qualificados na cor vermelha. Porém, se o fornecedor for participante do Programa Setorial da Qualidade de Produtos que atenda aos requisitos estabelecidos no Projeto da Meta Mobilizadora Nacional de Habitação será dispensado do processo de qualificação, desde que apresente o Termo de Adesão ou Certificado. Para a qualificação dos fornecedores de serviços de controle tecnológico deve ser apresentado o Laudo de Aferição dos equipamentos quando da prestação de serviço, que ficará arquivado no Setor de Compras. Para a qualificação dos fornecedores de serviços laboratoriais de calibração de equipamentos é necessário que o fornecedor seja credenciado pela RBC (Rede Brasileira de Calibração), e também será arquivado no Setor de Compras, pois é a evidência da qualificação do fornecedor. Com relação às máquinas e equipamentos que são propriedade da empresa, são cadastrados em um formulário intitulado de “Controle de Equipamentos”, onde constará a descrição do equipamento, o fornecedor, o número da nota fiscal, a data da compra e sua garantia; juntamente com a ficha de “Registro e Manutenção” e “Planilha de Saída”. Ainda em relação às máquinas e equipamentos existe a “Ficha de Registro e Manutenção do Equipamento”, onde a manutenção poderá ser tanto preventiva quanto corretiva. 2. Financeiro - Tem como sua atividade responsável programar, coordenar e controlar as entradas e saídas de recursos financeiros, fechamento de caixa, contrato com clientes e fornecedores, elaboração de relatórios financeiros e previsão de suprimentos. Efetua o controle dos recursos humanos. 52 Seus procedimentos diários são a elaboração do movimento de caixa, verificação e autenticação de documentos contábeis, verificação e atualização de contas correntes bancárias, verificação de obrigações legais, trabalhistas e tributárias a fim de evitar ocorrências de multas, controle de contas a pagar e receber, controle de admissões e demissões e atendimento ao cliente. Entre seus procedimentos mensais podemos mencionar o controle da escala de férias dos empregados, escrituração contábil, juntamente com o contador, levantamento dos balanços sintético e analítico juntamente com o contador para apreciação da diretoria e elaboração da folha de pagamento. Já seu procedimento anual está relacionado ao levantamento do balanço do exercício, até o ano subseqüente ao exercício fiscal, juntamente com o contador e outras tarefas inerentes à função conforme designação do superior. 3. Contabilidade - Atualmente encontra-se terceirizada. É responsável pelos lançamentos de folha de pagamento dos funcionários, onde as informações são recebidas pelo setor pessoal e transportada para o sistema. Efetua lançamentos do relatório de faturamento, lançamentos de recebimentos e pagamentos, seja pelo caixa ou pelo banco, e realiza a conferência dos extratos bancários através das informações recebidas do departamento financeiro. É responsável ainda pelos lançamentos de contratos conforme sua transação. Efetua a apuração dos impostos, mediante relatório recebido do setor fiscal, sendo assim lançados, reconhecendo a realização das receitas e despesas. A apuração de todos os lançamentos é feita mensalmente e através do balancete feita à conferência. Possui um sistema para a construção civil, onde os custos, estoques e saldos dos clientes são calculados para a obra e unidades. Elabora as demonstrações contábeis, através do balanço patrimonial. Tem o controle da data de validade de todas as certidões negativas e caso seja necessário, providencia a renovação das mesmas. 4. Administrativo - O setor administrativo é responsável pela gestão das locações dos imóveis, pela entrada dos financiamentos em instituições financeiras dos apartamentos a venda, emissão dos contratos de compra e venda e controle das manutenções nas edificações. 53 Preenche os contratos de locação, verifica a ortografia, emite o contrato para assinaturas, controla as datas dos contratos a serem prorrogados e verifica os reajustes após um ano de locação. Faz o levantamento dos documentos do cliente, preenchimento de formulários e entrega na instituição financeira escolhida, acompanhamento do processo, verificação da aprovação para posterior assinatura na instituição. É responsável ainda pelo atendimento do chamado do cliente, verificação da manutenção no local, agendamento com o cliente e concretização da manutenção na edificação. 5. Qualidade - A responsabilidade pelo sistema da qualidade na Junckes iniciou com o envolvimento das pessoas incluindo o pleno comprometimento da direção da empresa, como também na liberação de recursos solicitados. Há também o investimento em tecnologia para a melhoria do produto executado na empresa. O sistema foi implantado conforme abordagem de processo, sendo realizado diagnóstico inicial e após este foi elaborado um cronograma de implantação, considerando prazos e responsáveis. É um contrato por três anos, sendo no primeiro ano a auditoria é completa chamada de auditoria de certificação e nos dois anos seguintes há uma auditoria de manutenção. Possui atualmente a ISO 9001 versão 2000 e PBQP-H nível “A”. 4.3 MODELO DE GESTÃO – PROPOSTO Neste modelo, está incluído novas ferramentas que defendemos como necessárias para aumentar o controle e melhorar o processo de tomada de decisão a curto e a longo prazo e facilitar os entendimentos para a continuidade do negócio. Abaixo demonstramos a nova proposta do modelo de gestão, como as melhorias a serem implementadas, como segue: 54 FIGURA 7: MODELO DE GESTÃO PROPOSTO – JUNCKES CONSTRUTORA Fonte: Autora 1. Engenharia / Compras – Continuar a desenvolver as atividades em questão, monitorando todas as modificações para poder cada vez mais aperfeiçoar os projetos e continuar dando preferência para a aquisição com fornecedores com uma história de bons fornecimentos. Por isso, deverá ser alterada no indicador, a meta do processo aquisição de materiais e serviços para que o fornecedor ainda não qualificado tenha pelo menos já fornecido para uma construtora e traga o atestado de um bom fornecimento. 2. Financeiro - Além das atividades já desenvolvidas, fazer um acompanhamento por meio do fluxo de caixa. Nas contas a receber, buscar sempre a atualização do cadastro do cliente. Ter mais controle na forma de recebimento dos clientes inadimplentes, ou seja, com três parcelas em aberto a situação do cliente deve ser encaminhado para o jurídico, e assim enviar uma correspondência com a cobrança extrajudicial. 3. Contabilidade – Além das atribuições deveria ser aplicada à contabilidade gerencial, ou seja, uma ferramenta que possa ser utilizada como suporte. 55 O Sistema Sienge (Sistema Integrado de Engenharia) utilizado pelos setores da empresa deveria ser integrado a contabilidade, pois com isso todos os lançamentos feitos seriam importados e assim utilizados. A contabilidade deve ser utilizada com ferramenta fundamental no processo de tomada de decisões. Deve – se orientar os gestores sobre projetos, sistemas ou qualquer tipo de negociação que venha a ser feita, tenho um acompanhamento dos reflexos que possa refletir na gestão da empresa. 4. Administrativo – Além das atividades já desenvolvidas, utilizar mais o sistema Sienge para importação dos dados referentes à locação e contratos. Para as locações, elaborar um software para importação de todos os dados dos clientes, valores de locações, datas de contrato e reajustes. Quanto aos financiamentos, arquivar uma cópia na empresa de todos os documentos do cliente e maior controle no acompanhamento do processo na instituição financeira. Buscar melhores oportunidades de financiamento a taxa de juros menores. Na manutenção dos imóveis agilizar a execução do trabalho e mais rigor na verificação do problema, controle ao prazo de cinco anos conforme lei do Código Civil Brasileiro, para manutenção de edifícios. 5. Qualidade - Além das atividades já desenvolvidas e implantação dos programas, buscar a implantação do programa 5S. Implantação em todos os departamentos, incluindo as obras a serem executadas. A função da qualidade na gestão é poder alterar os processos de produção quando for necessário. 6. Recursos Humanos – Criar dentro da própria empresa um setor de recursos humanos, onde através dele se possa oferecer um treinamento ao funcionário, atualização através de cursos que venham a contribuir no desenvolvimento dos colaboradores e de alguma forma contribuir para o modelo de gestão da empresa. 7. Vendas / Clientes – Definir uma área específica aonde possa se desenvolver um atendimento voltado somente aos clientes. Neste caso está voltada a necessidade que possam existir nas fases do processo de vendas, tendo assim o 56 suporte necessário. 8. Planejamento Estratégico – Desenvolver um planejamento estratégico seguido das metas e objetivos com a identificação de estratégias que a empresa possa utilizar no seu modelo de gestão que contribua de certa forma no processo de tomada de decisões. O planejamento vai identificar o que os gestores esperam como resultado e assim verificar as estratégias a alcançar por meio dos objetivos propostos. Fazendo uma análise no processo de tomada de decisão da empresa Junckes Construtora, apresentamos a seguir um quadro que mostra as comparações entre o processo atual e o proposto. 57 SISTEMA DE INFORMAÇÃO Engenharia Compras Financeiro ATUAL PROPOSTO Garantia da qualidade no Monitoramento produto projetos e atingir metas no processo de e satisfação do nas modificações de cliente aquisição de materiais Integrado - com previsões de Previsão de longo prazo. Efetivação da curto prazo. Verificação cobrança inadimplentes extrajudicial. inadimplentes. Serviço Contabilidade – contabilidade financeira Controle Administrativo terceirizado das locações Manter terceirizado implementando um sistema de contabilidade gerencial e contratos de compra e venda Utilização do sistema SIENGE (sistema integrado de engenharia) para importação dos dados. Qualidade Implantado os programas Iso 9001 versão 2000 e PBQP – H nível A Implantação do assessoria aos gestores. Avaliar programa 5 s – colaboradores a renovação e dos programas. Investimento no capital intelectual Recursos Humanos Atualmente a empresa não disponibiliza de uma política Plano de cargos e salários Programa de avaliação de desempenho de RH Suporte no atendimento aos clientes na Vendas Não existência do pós venda fase do processo de vendas Criar o pós venda Clientes Programa de qualidade no atendimento Planejamento O processo ainda não foi Implantar o planejamento estratégico, implementado pela empresa para adquirir uma visão de longo prazo e Estratégico facilitar o processo de tomada de decisões. QUADRO 6: PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO Fonte: Autora O principal objetivo do sistema de informação gerencial é proporcionar um modelo de gestão voltado para obter uma visão de futuro, onde seja possível desenvolver as pessoas para melhor conquistar o cliente e consequentemente gerar resultados. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo, demonstram-se as considerações finais relativas ao trabalho realizado. Inicialmente faz-se um breve comentário sobre a contextualização da importância do modelo de gestão para as organizações, bem se resgatam as questões da pesquisa, avalia-se o cumprimento das hipóteses, identifica-se o alcance dos objetivos propostos e faz-se recomendações para futuros trabalhos. 5.1 GENERALIDADES A pesquisa realizada proporcionou verificar a importância da contabilidade gerencial, do sistema de informações e das ferramentas de gestão que contribuem como conteúdo acadêmico para a formação do modelo de gestão para as organizações. A fundamentação teórica está apresentada no capítulo dois, seguida dos aspetos metodológicos utilizados com o propósito de conduzir a pesquisa desenvolvida, bem como os resultados representados no estudo de caso onde Neste capítulo apresenta-se o modelo de gestão atual e sugerido para a empresa Junckes construtora e incorporadora Ltda. 5.2 QUANTO AO ALCANCE DOS OBJETIVOS PROPOSTOS Quanto ao objetivo geral - conhecer o modelo de gestão atual da empresa junckes e propor melhorias - considera-se alcançado, pois foi possível verificar que o processo de tomada de decisão da empresa é constituído a partir de informações extraídas dos sistemas operacionais financeiro, administrativo, engenharia, contabilidade e qualidade, ficando caracterizado em decisões apenas de informações atuais e passadas. Quanto à segunda parte do objetivo geral pode-se considerar a 59 proposta de inclusão de três outros sistemas, ou seja, vendas e clientes, recursos humanos e planejamento estratégico. A finalidade desse implemento é renovar a tomada de decisão a partir do desenvolvimento dos recursos humanos. Para tanto, busca-se a gestão participativa, o capital intelectual e o gerenciamento dos clientes, incentivando o pós-venda, a fidelização dos clientes e, principalmente, a gerencia a partir do planejamento estratégico que irá identificar pontos fortes e fracos, oportunidades e ameaças, buscando perseguir estratégias para direcionar o futuro dos negócios para evitar surpresas. Quanto aos objetivos específicos, pode-se considerar que foram também alcançados. Como colaboradora da empresa e considerando o interesse dos diretores na confecção desse trabalho, a estrutura foi disponibilizada para a pesquisa, o que facilitou a caracterização do modelo de gestão existente, bem como descrever o processo de tomada de decisão e conseqüentemente sugerir mudanças a partir das necessidades pontuais da empresa. A seguir apresentam-se as limitações do presente trabalho. 5.3 LIMITAÇÕES O aspecto limitador de maior relevância na realização dessa pesquisa, diz respeito inicialmente ao curto tempo para realização do trabalho, seguido do tempo para elaborar a pesquisa, considerando a complexibilidade do tema. Além disso, destacam-se também como dificuldades a existência de pouca bibliografia disponível na biblioteca da Universidade, considerando o volume de usuário no mesmo período. Finalmente, cabe destacar como aspecto limitador à definição da inclusão de ferramentas no modelo de gestão existente, pois não basta incluir e sim adequar a necessidade da empresa para oportunizar a sua aplicabilidade. A seguir apresentam-se as recomendações para futuros trabalhos. 60 5.4 RECOMENDAÇÕES PARA FUTUROS TRABALHOS Considerando que cada empresa tende a adotar de maneira diferente o seu modelo de gestão, pois cada organização visa o que melhor facilita o seu processo de tomada de decisão e, portanto, não existe um modelo mais ou menos correto e, ainda, com a intenção de aprofundar este tema, recomenda-se: - Aprofundar a pesquisa bibliográfica para permitir conhecer e adequar as ferramentas existentes aos modelos de gestão para cada tipo de empresa; - Dar continuidade ao modelo proposto fazendo uma avaliação prática em outros segmentos empresariais; - Desenvolver modelos de gestão para os diversos segmentos de mercado. Cabe destacar que o grande beneficiário desse trabalho foi à empresa Junckes Construtora e Incorporadora Ltda, pois o modelo proposto foi discutido com o corpo gerencial dessa empresa, o qual concordou que o processo de tomada de gestão é efetuado com informações de curto prazo não existindo os aspectos estratégicos como alternativa para assegurar a continuidade da organização. Finalmente, acredita-se que o modelo de gestão proposto seja implementado e que a empresa possa aprofundar os controles existentes, aplicar o planejamento estratégico, a gestão participativa, o desenvolvimento das pessoas e a fidelização dos clientes, para proporcionar uma gestão de excelência. REFERÊNCIAS ARAUJO, Luis César G. de. Organização, sistemas e métodos e as modernas ferramentas de gestão organizacional: arquitetura, benchmarking, empowerment, gestão pela qualidade total, reengenharia. 1 ed. São Paulo: Atlas, 2001. ATKINSON, Anthony A.; BANKER, Rajiv D.; KAPLAN, Robert S.; YOUNG, S. Mark; Trad. CASTRO, André Olímpio Mosselman Du Chenoy; revisão técnica FAMÁ, Rubens. Contabilidade gerencial. São Paulo: Atlas, 2000. BEUREN, Ilse Maria (org). Como elaborar trabalhos monográficos em contabilidade: teoria e prática. São Paulo: Atlas, 2003. CATELLI, Armando (coordenador). Controladoria: uma abordagem da gestão econômica - GECON. São Paulo: Atlas, 1999. CAMP, R.C. Benchmarking: identificando, analisando, e adaptando as melhores práticas da administração que levam à maximização da performance empresarial: o caminho da qualidade total. 3 ed. São Paulo: Pioneira, 1998. CAMPOS FILHO, Ademar. Demonstração dos fluxos de caixa: uma ferramenta indispensável para administrar sua empresa. 1 ed. São Paulo: Atlas, 1999. FIGUEIREDO, Sandra. Controladoria: teoria e prática. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2006. GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5 ed. São Paulo: Atlas, 1999. GOMES, Débora Dias et al. Aplicando 5S na gestão da qualidade total. São Paulo: Pioneira, 1998. IUDÍCIBUS, Sérgio de. Contabilidade gerencial. 6 ed. São Paulo: Atlas, 1998. KOCHE, José Carlos. Fundamentos de metodologia científica: Teoria da ciência e iniciação à pesquisa. Petrópolis: Vozes, 2003. MARCORI, Marina de Andrade. Técnicas de pesquisa. 4 ed. São Paulo: Atlas, 1999. MOSIMANN, Clara Pellegrinello; FISCH, Sílvio. Controladoria: seu papel na administração de empresas. 2 ed. São Paulo: Atlas, 1999. 62 OLIVEIRA, Luis Martins de. Controladoria Estratégica. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2005. PADOVEZE, Clóvis Luís. Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema de informação contábil. 2 ed. São Paulo: Atlas, 1996. ________.Sistemas de informações contábeis: fundamentos e análise. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2004. PIZZOLATO, Nélio D.Introdução a contabilidade gerencial. 2 ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2000.