NÍVEIS DE EFICIÊNCIA NA UTILIZAÇÃO DE RECURSOS NO SETOR DE SAÚDE: UMA ANÁLISE NA MESORREGIÃO DO VALE DO ITAJAÍ – SANTA CATARINA Autoria: Leandro Politelo, Itzhak David Simão Kaveski, Nádia Nara de Godoy, Paulo Roberto da Cunha RESUMO: O objetivo deste estudo é identificar o nível de eficiência no aproveitamento dos recursos destinados à saúde das cidades de Santa Catarina pertencentes à mesorregião do Vale do Itajaí. Esta pesquisa caracteriza-se como descritiva e com abordagem quantitativa. A população deste estudo é composta por 54 municípios da mesorregião do Vale do Itajaí/SC. Para análise dos dados utilizou-se a metodologia da análise envoltória de dados (DEA). Os resultados desta pesquisa indicam que 55% das cidades pertencentes à amostra são eficientes. A média de eficiência da mesorregião do Vale do Itajaí é de 91%, podendo ser considerada satisfatória. Palavras-chave: Eficiência pública. Hospitais. Desempenho. 1. INTRODUÇÃO Muito se tem discorrido sobre a eficiência dos hospitais em um contexto geral. Apesar de ser algo fácil de ser compreendido por hora, é também algo difícil de ser colocado em prática. Por se tratar de um dos direitos fundamentais do ser humano (FONSECA; FERREIRA, 2009), a qualidade do atendimento e da prestação dos serviços de saúde deve ser uma preocupação constante em qualquer país (SILVA; BRANDALIZE, 2006). Em relação à qualidade na prestação do serviço, Mills e Spencer (2005) corroboram afirmando que o atendimento ao paciente, que é o papel social designado às organizações de saúde, não pode ser prestado com qualquer pretensão de qualidade e sem um compromisso profissional. Esta prerrogativa se torna ainda mais importante quando Souza, Nishijima e Rocha (2010) discorrem que o setor de saúde brasileiro é um dos grandes demandantes de recursos públicos. O estudo da eficiência deste setor torna-se oportuna mediante a importância da qualidade dos serviços de saúde fronte a limitação dos recursos destinados a estes serviços (PERIÓ; ARTELLS; MENEU, 2011) e a grande demanda de recursos para realização destes serviços. Fonseca e Ferreira (2009) destacam que no Brasil já na década de 1990 há uma preocupação dos estudiosos na área da saúde bem como dos responsáveis do governo no tocante a qualidade e eficácia na prestação dos serviços de saúde no setor público. Esta também tem sido uma preocupação dos pesquisadores ao redor do mundo (STAAT, 2006). Al-Shammari (1999), ao pesquisar a eficiência dos hospitais da Jordânia concluiu que eles são relativamente eficientes, mas que há casos em que os hospitais podem melhorar o número de atendimento aos usuários, otimizando os recursos disponíveis. Em contraponto, Staat (2006) discorre que pesquisas indicam a ineficiência dos hospitais alemães se comparado à eficiência de outros países. Em sua pesquisa Staat (2006) concluiu que a eficiência dos hospitais alemães é de aproximadamente 80%. Nicola, Gitto e Mancuso (2012) buscaram identificar além do nível de eficiência, quais os inputs responsáveis pela ineficiência dos hospitais, destacando que a eficiência dos hospitais italianos poderia ser aumentada com uma melhor administração da quantidade de leitos disponibilizada nos hospitais. Cesconetto, Lapa e Calvo (2008) pesquisaram a eficiência dos hospitais catarinenses identificando que a sua minoria (23 dos 112 analisados) eram eficientes. Para os autores a eficiência dos hospitais seria atingida com o aumento de 15% no número de internações ou 1 redução em 25% no número de profissionais da área, 17% do número de leitos e redução em 13% no valor de AIH. Diferentemente de Cesconetto, Lapa e Calvo (2008), Fonseca e Ferreira (2009), concluem que os hospitais das microrregiões de Minas Gerais podem ser considerados eficientes, uma vez que apresentam índices de eficiência superiores a média do Estado. Entretanto destacam que apesar da eficiência evidenciada pelas microrregiões, os resultados da pesquisa demonstram que há disparidades na gestão dos recursos da saúde. Fronte os diferentes resultados apresentados nas pesquisas já realizadas sobre a eficiência dos hospitais quanto ao uso dos seus recursos é apresentada a questão problema desta pesquisa: Qual o nível de eficiência no uso dos recursos destinados à saúde das cidades de Santa Catarina pertencentes à mesorregião do Vale do Itajaí? O objetivo deste estudo consiste em identificar o nível de eficiência no aproveitamento dos recursos destinados à saúde das cidades de Santa Catarina pertencentes à mesorregião do Vale do Itajaí utilizando a análise envoltória de dados (DEA). O DEA avalia o desempenho das organizações basicamente por meio de medidas de eficiência técnica. A eficácia se aplica quando a produção almejada foi realizada, se a atividade foi eficaz. E a produtividade quanto à forma de fazer uso dos recursos para realizar esta produção (FERREIRA; GOMES, 2009). A justificativa deste estudo baseia-se na afirmação de Souza, Nishijima e Rocha (2010) de que apesar da Constituição de 1988 ter estabelecido a descentralização na provisão e no financiamento das ações de saúde, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), a fim de obter maior eficiência no uso dos recursos, poucos trabalhos empíricos foram realizados para avaliar o desempenho dos municípios na gestão e uso de tais recursos. O presente estudo se justifica também pela necessidade de se averiguar a eficiência na gestão dos recursos nos hospitais na mesorregião do Vale do Itajaí fronte aos contrastes de eficiência e ineficiência apresentadas nas pesquisas já realizadas nesta área, tendo em vista a limitação dos recursos destinados a estes serviços a importância da qualidade destes (PERIÓ; ARTELLS; MENEU, 2011). 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O referencial teórico aborta temas relacionados à gestão pública em hospitais, eficiência e desempenho públicos e, por fim, estudos relacionados ao tema objeto de estudo da presente pesquisa. 2.1 Qualidade e Gestão de Hospitais A Constituição Federal do Brasil de 1988 estabelece diversos direitos aos cidadãos brasileiros, dentre eles a saúde, juntamente com a educação, a alimentação e a liberdade que, conforme Fonseca e Ferreira (2009) são direitos fundamentais do ser humano, situando-se como dimensão essencial da qualidade de vida. Fonseca e Ferreira (2009), focando a questão de saúde no Brasil, indicam uma grande problemática ao afirmarem que existe uma crise que vem da própria estrutura dos serviços de saúde no Brasil. Para os autores esta crise aponta dois caminhos para as políticas de saúde. O primeiro com a privatização dos serviços, onde a maior parte da população estaria excluída do acesso à saúde, e o segundo como a luta pela manutenção do direito conquistado na Constituição Federal de 1988, garantindo o acesso universal e igualitário a serviços de qualidade. Cesconetto, Lapa e Calvo (2008), enfatizam esta problemática ao indicá-la como de ordem mundial, onde o Brasil, não diferente de outros países, necessita estabelecer prioridades políticas para o controle de gastos públicos fronte a crescente demanda por recursos de saúde. O Brasil encontra-se, então, fronte a duas questões que vão de encontro uma da outra. Por um lado à necessidade de atender o direito do cidadão ao acesso a serviços 2 de saúde de qualidade e por outro, o fato da limitação dos gastos públicos com saúde (MILLS; SPANCER, 2005). Neste cenário a eficiência do sistema de gestão pública é indispensável. Em relação à qualidade na prestação do serviço, Mills e Spencer (2005) salientam que o atendimento ao paciente, que é o papel social designado às organizações de saúde, não pode ser prestado com qualquer pretensão de qualidade e sem um compromisso profissional. A qualidade do atendimento na área de saúde deve ser uma preocupação constante do estado e exige um comprometimento não só do estado, mas de todos os envolvidos na prestação do serviço (SILVA; BRANDALIZE, 2006). Noutro pronto, tratando-se da questão das limitações dos gastos públicos com saúde, o controle de custos, a geração contínua de recursos e a obtenção lucros ou superávits devem compor os objetivos das organizações de saúde (MILLS; SPENCER, 2005; PAULY, 1987), mesmo que este último não seja o foco da organização (DENEFFE; MASSON, 2002; KEELER et al., 1999), visto que a má gestão pode levar a ausência de recursos e, consequentemente, à “morte” da entidade. Há casos em que a organização não deve pesar a relação entre custos, já que a preservação da vida é primordial e o objetivo maior de qualquer organização de saúde, porém, a gestão dos custos e a geração de recursos são essenciais para a manutenção dos fluxos de caixa da entidade e, por conseguinte, para a sua perpetuidade (MORRISEY et al., 1996; MILLS; SPENCER, 2005). O atendimento ao maior número possível de pacientes apontado por Reder (1965) como um dos objetivos dos hospitais com vistas a tornar o hospital acessível a todos o fomentar sua eficiência contribui ainda mais para esta dicotomia da gestão de custos e limitação de recursos fronte a busca pela qualidade dos serviços prestados. A busca de soluções para a melhoria da qualidade e para uma eficiente gestão de recursos fomentaram os movimentos internacionais de Reforma do Estado que contribuíram para a proliferação de experiências na área da administração pública cujas características básicas visavam proporcionar maior flexibilidade gerencial com relação à compra de insumos e materiais, à contratação e dispensa de recursos humanos, à gestão de recursos financeiros, além do estímulo à implantação de uma gestão que priorize a satisfação dos usuários e a qualidade dos serviços prestados (IBAÑES; VECINA NETO, 2007). Fronte a dicotomia na qual versa a política governamental brasileira ora apresentada, tendo ainda a influência dos movimentos internacionais com relação à Reforma do Estado, Ibañes e Vecina Neto (2007) salientam que a intenção de se “enxugar” o tamanho do Estado sempre esteve presente, e se iniciaria com a transferência de serviços, como saúde, educação e cultura, para entidade privadas por serem estes serviços considerados como não exclusivos do Estado. Tratando-se das tendências das reformas do Estado no contexto internacional, Ferlie et al. (1999), em sua análise, caracterizam quatro modelos da nova administração pública, a saber, o modelo do impulso para a eficiência; modelo de maior controle financeiro; modelo downsizing e descentralização e o modelo da busca pela excelência, baseado na Escola de Relações Humanas, com ênfase na “cultura organizacional”. O primeiro modelo apresentado por Ferlie et al. (1999) é denominado modelo do impulso para a eficiência que versa sobre a aproximação entre os serviços públicos e os serviços privados, preconizando a transformação do setor público por meio da introdução de padrões de eficiência desenvolvidos pelo setor privado. O modelo de maior controle financeiro trata da introdução de sistemas de custos e auditorias em relação ao poder outorgado à administração superior, aos aspectos financeiros e profissionais, com o estabelecimento de objetivos claros, monitoramento do desempenho organizacional e a desregulamentação do mercado de trabalho. 3 O terceiro modelo de Ferlie et al. (1999) é o modelo downsizing e descentralização cujo propósito está na separação entre o financiamento público e a dotação do setor autônomo com a mudança da gestão hierárquica para a gestão por contrato, o surgimento de organizações separadas para a compra e para a prestação de serviços e a redução significativa da folha de pagamento das instituições públicas. O modelo da busca pela Excelência, baseado na Escola de Relações Humanas, com ênfase na “cultura organizacional” apresentado por Ferlie et al. (1999) é o modelo de orientação para o serviço público. Para os autores este é o padrão menos desenvolvido, fruto da fusão entre os modelos definidos pelos serviços públicos e privados onde se confere aspectos administrativos qualitativos presente nos serviços privados aos serviços públicos, incluindo-se a responsabilidade dos serviços com os usuários e os cidadãos, não os considerando mais como meros consumidores ou simples usuários. Ibañes e Vecina Neto (2007) destacam que as buscas alternativas para a gestão em saúde, em especial dos hospitais, visam atender a questão da eficiência dos serviços públicos de saúde. Observam-se os hospitais como agências extremamente complexas, os autores concluem que construir modelos que aperfeiçoem a capacidade de produzir resultados sanitários não se enquadra na busca de maior competitividade, mas na busca de uma agência mais efetiva para a sociedade. Uma solução vista pelo governo para a questão da relação entre custos e qualidade dos serviços de saúde foi à terceirização destes serviços, tanto para empresas do segundo quanto do terceiro setor, reduzindo assim a participação do estado. Porém, independentemente de quem se apresenta como responsável pelos serviços de saúde, a busca pela eficiência destes serviços deve ser observada e exigida pela sociedade haja vista que se trata de um direito de todo cidadão e cabe ao estado contribuir para a consecução desta eficiência. 2.2 Eficiência e Desempenho dos Hospitais O desenvolvimento de novas formas de atendimento a saúde, buscando a melhoria da eficiência nos serviços prestados a população advém de um processo de descentralização do estado. Tendo como foco o alcance da eficiência para a saúde, buscando a realização dos princípios de universalização do acesso à saúde preventiva e curativa, acarretando impactos positivos sobre a qualidade de vida da população (FONSECA; FERREIRA, 2009). A eficiência pode ser medida como um consumo mínimo de entradas para um determinado nível de saídas ou, por meio do aumento das saídas em um determinado nível de entradas (CHUANG; CHANG; LIN, 2011), nessa direção a eficiência em saúde é a relação entre o custo e o impacto que estes custos trazem para a saúde da população, mantendo um nível de qualidade determinado (VIACAVA et al., 2012). De forma geral a eficiência é entendida como a capacidade, ou até mesmo a habilidade, do uso adequado dos recursos disponíveis com o objetivo de se alcançar um resultado pretendido (FONSECA; FERREIRA, 2009). Assim, “a eficiência pode ser considerada uma medida da capacidade que agentes ou mecanismos têm para melhor atingir seus objetivos, produzindo o efeito por eles esperado, em função dos recursos disponíveis”. (FONSECA; FERREIRA, 2009, p. 204). 4 Figura1 – Matriz das dimensões da avaliação do sistema de saúde proposta pelo PRO-ADESS CONDIÇÕES DE SAÚDE DA POPULAÇÃO Morbidade SISTEMA DE SAÚDE Estado funcional Ocorrência de limitação Ocorrência de sintomas, ou restrição na realização doenças, traumas e de atividades cotidianas deficiências típicas CONDUÇÃO ESTRUTURA Financiamento Recursos Bem-estar Mortalidade Qualidade de vida associada ao bem estar físico, mental e social dos indivíduos Padrão e tendências da ocorrência de óbitos na população Conjunto de pessoas, Montante de recursos informações, instalações, financeiros e modos equipamentos, insumos pelos quais são incorporados na operação captados e alocados do Sistema de Saúde DESEMPENHO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE Efetividade Grau com que a assistência, serviços e ações atingem os resultados esperados Aceitabilidade Acesso Eficiência Respeito ao direito Capacidade do Sistema de Saúde Capacidade das pessoas Relação entre o produto de assegurar que os serviços em obter os serviços da intervenção de saúde e respeitem o indivíduo e a necessários no lugar e os recursos utilizados comunidade, e estejam momento certo orientados às pessoas Continuidade Adequação Segurança Grau com que os Capacidade do Sistema de Grau com que os cuidados Capacidade do Sistema de Saúde serviços de saúde Saúde de prestar serviços prestados às pessoas estão de identificar, evitar ou ofertados estão de de forma ininterrupta e baseados no minimizar os riscos potenciais acordo com os valores e coordenada entre conhecimento técnicodas intervenções em saúde ou expectativas dos diferentes níveis de científico existente ambientais usuários e da população atenção Fonte: Adaptado de Viacava et al. (2009). Por meio da Figura 1 fica evidente a relação entre a importância da eficiência dos serviços de saúde e a qualidade de vida da sociedade. O desempenho dos serviços de saúde, que englobam questões como efetividade, o acesso, a eficiência, entre outros, afetam diretamente os cidadãos, proporcionando-lhes melhor qualidade de vida e estes, por conseguinte, fornecem recursos ao sistema de modo a financiá-lo. O financiamento permite a manutenção dos recursos disponíveis, os quais são utilizados na prestação dos serviços de saúde. Neste cenário a eficiência mostra-se como um importante objeto de estudos, visto que o financiamento destes serviços é limitado (MILLS; SPANCER, 2005) e a qualidade de tais serviços é primordial, superando em certos casos a importância dos custos (MORRISEY et al., 1996; MILLS; SPENCER, 2005). A partir do momento que um hospital assume a responsabilidade social de oferecer tratamento médico e cuidado para o público em geral, a sua eficiência operacional deve seguir um modelo orientado para a minimização dos gastos (CHUANG; CHANG; LIN, 2011). 5 Barnum et al. (2011) corroboram afirmando que a importância da eficiência de saúde é extremamente alta, devido ao rápido crescimento dos custos de saúde bem como o aumento do número de pessoas abrangidas por programas públicos. Deve-se considerar também que o desempenho dos serviços de saúde está associado de forma latente à estrutura do sistema. Nesse modelo, tanto o contexto político, social e econômico bem como a conformação do sistema são condicionantes fundamentais que estão presentes em todo o funcionamento do sistema de saúde e adquirem um caráter contextual no processo de avaliação do desempenho (VIACAVA et al., 2012). Neste sentido, a arquitetura e o funcionamento da estrutura do sistema de serviços de saúde, geralmente decorrentes de determinantes políticos, sociais e econômicos, deveriam ser capazes de garantir o atendimento das necessidades de saúde (VIACAVA et al., 2012), porém, esta não tem sido a realidade apresentada nas pesquisas realizadas nesta área. Como exemplos podem ser citados os trabalhos de Staat (2006), Sarkis; Talluri (1999), Cesconetto, Lapa e Calvo (2008), onde todos indicam uma maioria da amostra da pesquisa como são ineficiente em relação aos serviços de saúde. Nos últimos anos, muitos estudos têm apresentado que o SUS deve aumentar sua eficiência utilizando métodos adequados para medição, controle e gerenciamento, juntamente com análise do programa de saúde pública brasileira e o estabelecimento de políticas públicas, mostrando que a análise dos gastos do SUS visando sua eficiência não envolve apenas aspectos relacionados ao aumento dos gastos públicos e problemas de financiamento (GUERRA; SOUZA; MOREIRA, 2012). Um viés retratado por Guerra, Souza e Moreira (2012) diz respeito à limitação dos gastos mediante a geração de recursos dos hospitais, fato que pode se mostrar como fator limitante da qualidade. Mesmos que ocorra esforços para melhoria da qualidade, a barreira da escassez de recursos financeiros pode repercutir em ineficiência dos hospitais (GUERRA; SOUZA; MOREIRA, 2012). De modo geral a qualidade nos serviços de saúde é um fator primordial para a qualidade de vida de uma sociedade. Visto que no cenário brasileiro a participação do estado na prestação de tais serviços é eminente, a análise de sua eficiência é importante e até necessária. A busca entre a maximização no uso dos recursos disponíveis visando à qualidade dos serviços de saúde deve ser uma busca constante (SILVA; BRANDALIZE, 2006) e, por conseguinte, a eficiência dos recursos disponíveis. 2.3 Trabalhos correlatos Neste tópico é apresentada uma síntese de alguns estudos nacionais e internacionais relacionados à eficiência dos hospitais. A síntese é apresentada na Figura 2. Figura 2 – Trabalhos correlatos em eficiências nos hospitais Autores Objetivo Cesconetto, Lapa e Calvo (2008) Verificar quais são os hospitais mais eficientes quanto ao aproveitamento de recursos relativos ao ano de 2003 avaliando a eficiência produtiva de 112 hospitais conveniados ao SUS em Santa Catarina. Gonçalvez (2008) Compreender o impacto, em termos de eficiência, no setor hospitalar resultante da introdução de um novo modelo de gestão Resultados Os resultados indicaram 23 hospitais eficientes além de apontar as metas de eficiência de produção para cada unidade avaliada. Para obtenção da eficiência dos hospitais pesquisados, as altas poderiam ser aumentadas em 15%, visando à otimização dos recursos, ou a redução em 25% do número de profissionais de saúde, de 17% no número de leitos e de 13% no valor das Autorizações de Internações Hospitalares AIH). No período analisado, os hospitais SA (Sociedade Anônima) foram menos eficientes do que os hospitais SPA (hospitais 6 dos hospitais portugueses. Peña (2008) Apresentar a ferramenta Análise Envoltório de Dados (DEA) na administração pública. Fonseca e Ferreira (2009) Analisar os níveis de eficiência em unidade institucionais homogêneas do setor de saúde nas microrregiões de Minas Gerais. Souza, Nishijima e Rocha (2010) Avaliar o grau de eficiência produtiva do setor público hospitalar em 366 municípios do estado de SP nos anos de 1998 e 2003. Cunha (2011) Nicola; Gitto e Mancuso (2012) Desenvolver um modelo organizacional para avaliação de desempenho para os hospitais filantrópicos e, comparar a eficiência das organizações da amostra. Mostrar que a aplicação de bootstrap na análise envoltória de dados antes de executar a árvores de classificação e regressão aumenta a qualidade dos resultados. Destacar que o bootstrap permite individualizar as variáveis que afetam a eficiência das organizações de saúde. tradicionais que mantiveram o estatuto de entidades do Setor Público Administrativo). A fronteira de eficiência melhorou no triênio 2002 a 2004 em virtude do clima competitivo. A Análise Envoltória de Dados (DEA) é uma poderosa ferramenta ainda pouco utilizada no Brasil. O DEA determina os índices de eficiência relativa. Esses índices permitem determinar as melhores práticas, as unidades ineficientes e mudanças necessárias para que as unidades se tornem eficientes. Esses índices também são utilizados na identificação de recursos ociosos ou inutilizados e, na formulação de políticas de redução de custos. O desempenho das microrregiões quanto à otimização dos recursos pode ser considerado bom, em virtude da maior parte delas apresentarem escores superiores à média do Estado. Apesar da eficiência das microrregiões, identificou-se uma disparidade considerável quanto à gestão dos recursos da saúde. Os municípios com maior população são mais ineficientes. Os municípios mais eficientes são aqueles que contratam um maior número de leitos de hospitais privados e de leitos universitários, que realizam o maior número de internações, que possuem menor população e menor tempo médio de internação. Dos 70 hospitais analisados, 10 foram considerados os mais eficientes, são a maioria destes pertencentes à região Sul e Sudeste e ao Estado de Minas Gerais e, dentre os mais eficientes destacarem-se os hospitais dos estados de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul. Recomenda-se uma atuação com maior ênfase do Ministério da Saúde de modo que os hospitais filantrópicos recebam suas receitas de forma mais tempestiva e haja uma diminuição dos leitos para torná-los mais eficientes. É importante a adoção de políticas que reduzam o tempo de espera dos pacientes para serem atendidos e a redução da quantidade de funcionários pela automação de processos a fim de tornar os hospitais mais eficientes. O percentual de leitos hospitalares diretamente gerenciados pelo governo regional é a variável mais influente na determinação da eficiência nas organizações de saúde. Isso implica que uma melhor administração dos leitos pelos governos regionais pode aumentar a eficiência das organizações de saúde. A intervenção política que vise aumentar a eficiência de saúde deve considerar também à mobilidade dos doentes. Sob um ponto de vista 7 metodológico, o uso de escores de eficiência corrigidos melhora a qualidade da análise dos dados. Apresentar uma revisão da Matriz de Dimensões da Avaliação do Sistema de Viacava et al. Saúde no Brasil e uma atualização (2012) conceitual de parte das subdimensões de avaliação do desempenho dos serviços de saúde. Fonte: Dados da pesquisa. O comportamento dos indicadores para avaliar o desempenho dos serviços de saúde não é uniforme. Em relação à eficiência dos serviços de saúde, coexistem situações de alta eficiência e de baixo desempenho. Embora nem todas as pesquisas citadas na Figura 2 tenham se valido das mesmas variáveis de pesquisa para análise da eficiência dos hospitais, os resultados, de um modo geral, são semelhantes e aponta para uma mesma realidade em relação à eficiência na utilização dos recursos disponíveis para a prestação de serviços na área de saúde. Apesar de Fonseca e Ferreira (2009) considerarem os hospitais de sua amostra relativamente eficientes, os demais pesquisadores indicaram a presença de uma minoria de suja amostra eficiente, predominando a ineficiência de uma maioria dos hospitais pesquisados e propondo, em alguns casos, medidas que possam contribuir para a melhoria da eficiência dos hospitais pesquisados. 3. METODOLOGIA Neste capítulo apresentam-se o método e os procedimentos da pesquisa. Primeiramente é realizado o delineamento da pesquisa, quanto aos seus objetivos, abordagem do problema e coleta dos dados. Na sequência define-se a população e a amostra. Por fim, demonstra-se o método de coleta e análise dos dados pesquisados. 3.1 Delineamento da pesquisa O presente estudo, quanto ao seu objetivo, pode ser caracterizado como uma pesquisa descritiva. O procedimento utilizado para a coleta dos dados foi por meio da pesquisa documental. Em relação à abordagem, essa pesquisa pode ser classificada como quantitativa, com o emprego do método não paramétrico da analise envoltória de dados (DEA). 3.2 População e amostra A população estudada é composta pelos 54 municípios do Vale do Itajaí do estado de Santa Catarina. A amostra da pesquisa se deu por não probabilística, uma vez que foram excluídas da amostra apenas aquelas municípios que não apresentavam dados necessários para a pesquisa, totalizando um total de 31 municípios, representando 57% da população. 3.3 Coleta e análise dos resultados Os dados foram coletados a partir do sitio oficial do DATASUS que possui como fonte o Ministério da Saúde, através do Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde no Brasil, Sistema de Informações sobre Mortalidade e Sistema de Informações Ambulatoriais, o qual divulga indicadores de recursos, produção e resultados na área da saúde, classificados por microrregiões, são caracterizados como secundários. Foram utilizadas as informações disponíveis em diferentes tabelas da base de dados da pesquisa, considerando, como referência, o período de 2009, por ser o período mais recente com disponibilidade completa de informações. Para calcular as medidas de eficiência, foram utilizadas três variáveis relacionadas aos produtos e quatro relacionadas aos insumos. As variáveis que medem a produção referem-se ao número total de internações, as produções ambulatoriais e o inverso da taxa de mortalidade. Já as variáveis que contêm os insumos utilizados referem-se aos gastos com saúde per capita, o número total de 8 profissionais, além da disponibilidade de leitos hospitalares e de equipamentos da área de saúde. A seguir apresentam-se na Figura 3 as descrições das variáveis utilizadas. Figura 3 – Variáveis utilizadas no estudo Dados Variável Descrição Gastos com Saúde per Gasto total com saúde por Capita habitante no ano de 2009. Número de pessoas da área de Número de saúde nos estabelecimentos Profissionais credenciados em dezembro de 2009. Insumos Número de Número de equipamentos Equipamentos existentes em dezembro de 2009. Número de Leitos Número de Internações Produto Produção Ambulatorial Inverso da Taxa de Mortalidade Número total de leitos hospitalares em dezembro de 2009. Número total de internações no ano de 2009. Quantidade de procedimentos aprovados para pagamento pelas Secretarias de Saúde no ano de 2009. Taxa de mortalidade da organização de saúde inversa no ano de 2009. Autores Azevedo (2011) Cesconetto, Lapa e Calvo (2008); Fonseca e Ferreira (2009). Fonseca e Ferreira (2009). Staat (2006); Santos, Carvalho e Lírio (2008); Cesconetto, Lapa e Calvo (2008); Souza, Nishijima e Rocha (2010); Cunha (2011). Cunha (2011). Fonseca e Ferreira (2009). Santos, Carvalho e Lírio (2008). Fonte: Dados da Pesquisa. Para analisar os dados foi utilizado o método não paramétrico de análise envoltória dos dados (DEA), a qual utiliza uma programação linear para estimar a fronteira de eficiência, capaz de incorporar diversos insumos (inputs) e produto (outputs) para o cálculo da eficiência de unidades tomadoras de decisão, designada por DMUs (GOMES e MANGABEIRA, 2004) através do software MaxDEA. De acordo com Banker, Charnes e Cooper (1984) o método de análise envoltória dos dados (DEA) utiliza a programação matemática para obter a eficiência relativa dos resultados dos gestores a partir de fatos passados, que tenham sido planejados ou executados. O DEA fornece um indicador que varia de 0 a 1, são os indicadores que obtêm escore igual a 1 são consideradas eficientes (MACEDO; BARBOSA; CAVALCANTE, 2009). Existem dois modelos de DEA que são mais utilizados em aplicações práticas, são eles o CCR (CHARNES; COOPER; RHODES, 1978) e o BCC (BANKER; CHARNES; COOPER, 1984). O modelo CCR também conhecido por Constant Returns to Scale (CRS) que avalia a eficiência total, determinando as DMUs de eficiência e a que distancia da fronteira de eficiência estão as DMUs ineficientes. Já o modelo BCC conhecido como Variable Returns to Scale (VRS), o qual “[...] permite a projeção de cada DMU ineficiente sobre a superfície de fronteira (envoltória) determinada pelas DMUs eficientes de tamanho compatível” (MACEDO; BARBOSA; CAVALCANTE, 2009, p. 68). Além das escolhas entre os modelos CCR e BCC, existe a necessidade de fixação da ótica de análise, se orientação será pelo insumo ou pelo produto. Quando são orientado pelo insumo, procura minimizar proporcionalmente as quantidades de insumos, mantendo fixas as quantidades de produtos. Já orientado pelo produto, procura maximizar proporcionalmente as quantidades de produtos, mantendo fixas as quantidades de insumos (FERREIRA; GOMES, 2009). Na aplicação do DEA neste estudo, foi utilizado o modelo BCC com orientação voltada para a maximização dos produtos. 9 4. DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS Na Tabela 1 são apresentadas as variáveis utilizadas no modelo de eficiência, com suas estatísticas descritivas. Tabela 1 – Estatística descritiva das variáveis Variáveis N Mínimo Gastos com Saúde per Capita 31 194,68 Número de profissionais 31 25 Número de equipamentos 31 10 Número de leitos 31 20 Número de Internações 31 83 Produção ambulatorial 31 16.611 Inverso da taxa de mortalidade 31 0,00 Fonte: Dados da Pesquisa. Máximo 670,94 3.608 1.917 969 22.614 4.634.591 20,51 Média 330,83 389,16 218,68 154,10 2.714,94 529.832,10 1,24 Mediana 303,35 86 45 75 582 172.962 0,42 Desvio-padrão 109,13 748,78 420,04 222,03 4.977,72 938.576,85 3,61 Conforme evidenciado na Tabela 1, das variáveis consideras inputs, a que apresentou um maior desvio-padrão, ou seja, uma maior discrepância entre o valor mínimo e o valor máximo dos dados, foi o número de profissionais. Essa observação demonstra que as cidades do Vale do Itajaí não possuem uma quantidade padrão de funcionários nos hospitais, ressaltase ainda, que as cidades analisadas possuem uma quantidade de população diferente, fator que pode levar a algumas diferenças de valores. Entretanto, o input que obteve o menor desvio-padrão foi os gastos com saúde per capita, fato que demonstra que as cidades do Vale do Itajaí não possuem uma grande distinção de gastos com saúde por pessoa. Ao analisar o desvio-padrão das variáveis outputs, é possível verificar que o maior valor diz respeito a variável de produção ambulatorial de 938.576,85, fator também correspondente a quantidade populacional das cidades. A Tabela 2 evidencia a análise de eficiência da eficiência dos hospitais do Vale do Itajaí realizada por meio do cálculo do DEA. Tabela 2 – Eficiência das cidades do Vale do Itajaí DMU Acrelândia Aurora Benedito Novo Blumenau Camboriú Guabiruba Itajaí Itapema Jose Boiteux Luiz Alves Penha Rio do Campos Rio do Oeste Rio do Sul Taió Vitor Meireles Witmarsum Petrolândia Brusque Ibirama Ituporanga Indaial Pomerode Score 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0,998 0,992 0,950 0,919 0,901 0,899 10 Vidal Ramos Salete Navegantes Balneário Camboriú Pouso Redondo Timbó Presidente Getúlio Trombudo Central Fonte: Dados da Pesquisa. 0,826 0,802 0,768 0,766 0,748 0,678 0,554 0,416 A Tabela 2 permite observar que 17 cidades das 31 obtiveram eficiência máxima, são eles: Acrelândia, Aurora, Benedito Novo, Blumenau, Camboriú, Guabiruba, Itajaí, Itapema, Jose Boiteux, Luiz Alves, Penha, Rio do Campos, Rio do Oeste, Rio do Sul, Taió, Vitor Meireles e Witmarsum. Este resultado sugere que os investimentos nos hospitais (inputs) rendem os melhores resultados possíveis (outputs). Das 17 cidades eficientes destaca-se Blumenau, como a cidade que possui maiores valores de inputs em número de profissionais, número de equipamentos e número de leitos, a qual obtém resultados eficientes em relação aos outputs. A média geral das cidades do Vale do Itajaí foi de 0,9102 ou 91,02%, o que significa que as cidades podem, em média, aumentar a produção do setor de saúde em 8,98%. Dentre a amostra pesquisada, aproximadamente 55% mostrou-se como eficiente no que tange ao uso dos recursos disponíveis para a prestação de serviços na saúde. Este resultado distingue-se dos resultados das pesquisas de Cesconetto, Lapa e Calvo (2008) e de Cunha (2011), onde evidenciaram uma minoria da amostra como eficientes. Os resultados da pesquisa indicam um significativo índice de eficiência das cidades pesquisadas, já que o nível de eficiência das cidades é, em média, de 91%. Estes resultados permitem afirmar que a maioria das cidades na mesorregião do Vale do Itajaí são eficientes, uma vez que 67,74% das cidades pesquisadas possuem eficiência superior à média da mesorregião, as quais apresentam ainda a média elevada. Infere-se que a eficiência na prestação dos serviços de saúde pelas cidades do Vale do Itajaí, em geral, é satisfatória, se comparada às demais pesquisas que tiveram enfoques semelhantes, porém com outras amostras. Entretanto cabe destacar a existência de cidades que estão muito aquém da maximização dos recursos disponíveis, como é o caso da cidade de Trombudo Central. Comparando os resultados desta pesquisa com os de Fonseca e Ferreira (2009), podese determinar que as cidades da mesorregião do Vale do Itajaí são mais eficientes que as cidades das microrregiões de Minas Gerais, visto que a média de eficiência no Vale do Itajaí é de aproximadamente 91% e a de Minas Gerais 78%. A cidade que obteve o menor score de eficiência foi Trombudo Central, uma vez que, seu investimento em inputs, não obteve os retornos esperados em relação aos outputs, quando comparado com as cidades eficientes. Comparando-se estes resultados aos de Fonseca e Ferreira (2009) percebe-se maior ineficiência nas microrregiões de Minas Gerais se comparada à mesorregião do Vale do Itajaí, uma vez que a microrregião com menor índice de eficiência em Minas Gerais apresentou score igual a 0,3181 e a cidade de Trombudo Central, score igual a 0,416. A partir do calculo do DEA pode-se identificar quais as cidades eficientes foram responsáveis por determinada cidade ter sido considerada ineficiente. As cidades ineficientes devem utilizar os benchmarks como referência, no sentido de melhorar os processos de produção dos hospitais, consequentemente, a eficiência. A Tabela3 indica os benchmarks para as cidades do Vale do Itajaí ineficientes. 11 Tabela 3 – Benchmarks das cidades ineficientes do Vale do Itajaí DMU Benchmark(Lambda) Petrolândia Agrolândia, Rio do Oeste e Witmarsum. Brusque Blumenau, Camboriú e Penha. Ibirama Camboriú, Itajaí e Penha. Ituporanga Camboriú, Itajaí e Penha. Indaial Blumenau, Camboriú e Penha. Pomerode Camboriú, Luiz Alves e Penha. Vidal Ramos Benedito Novo, Jose Boiteux e Penha. Salete Penha, Rio do Campos e Rio do Oeste. Navegantes Blumenau, Camboriú e Penha. Balneário Camboriú Blumenau, Camboriú e Penha. Pouso Redondo Jose Boiteux, Luiz Alves, Rio do Oeste e Taió. Timbó Blumenau, Camboriú, Itajaí e Penha. Presidente Getúlio Camboriú, Luiz Alves, Penha e Rio do Oeste. Trombudo Central Benedito Novo, Jose Boiteux e Taió. Fonte: Dados da Pesquisa. Buscando exemplificar a interpretação dos benchmarks, foi analisada a cidade de Trombudo Central, uma vez que esta cidade foi a mais ineficiente. Ou seja, a cidade de Trombudo Central deve orientar-se pelas cidades de Benedito Novo, Jose Boiteux e Taió. Assim, as cidades ineficientes devem basear-se nas cidades que lhes servem de benchmark, no sentido de conhecer suas potencialidades e planejar suas estratégias de ação para alcançarem maiores níveis de eficiência. Desta forma, criam-se oportunidades para que os hospitais das cidades ineficientes tenham um atendimento mais eficiente. Em síntese, percebe-se que a existência de ineficiências em algumas cidades do Vale do Itajaí no atendimento dos hospitais, impede que a mesorregião atinja seu potencial máximo. A eliminação das ineficiências relativas é fundamental para proporcionar maior nível de equidade no oferecimento dos serviços hospitalares, melhorando assim os indicadores de bem-estar da população. Uma forma de reduzir tais disparidades é observar quais são as medidas adotadas pelas cidades eficientes e então segui-las. 5. CONCLUSÃO Este estudo objetivou identificar o nível de eficiência no aproveitamento dos recursos destinados à saúde das cidades de Santa Catarina pertencentes à mesorregião do Vale do Itajaí utilizando a análise envoltória de dados (DEA), no ano de 2009. Para atingir o objetivo inicialmente utilizou-se estatística descritiva, com o intuito de caracterizar a amostra da pesquisa. Em seguida efetuou-se o calculo do DEA pelo modelo BCC com orientação ao produto. Os resultados, empregando no modelo DEA na construção da fronteira eficiência e admitindo-se retornos variáveis com orientação produto, evidenciam que ocorreram diferenças significativas no nível de eficiência entre as cidades da mesorregião do Vale do Itajaí, na alocação de recursos no setor de saúde, no período analisado. Das 31 cidades pertencentes à amostra 17 apresentaram escores de eficiência iguais a 1, ou seja, aproximadamente 55% da amostra são eficiente. Apesar da eficiência de uma parcela significativa da amostra, há cidades que estão aquém da eficiência média da mesorregião do Vale do Itajaí, como é o caso da cidade de Trombudo Central, considerada na pesquisa como a mais ineficiente, com escore médio estimado em 0,416, indicando que, para que fosse considerada eficiente, em média, a sua produção deveria crescer 58,40%, aproximadamente. A média geral da mesorregião do Vale do Itajaí, no período analisado, foi estimada em 0,9102 ou 91,02%. Os resultados indicam que existem diferenças significativas nos níveis de 12 eficiência produtiva entre as cidades pertencentes à mesorregião do Vale do Itajaí. A existência de ineficiência na produção, ou seja, nos outputs indica que existe um amplo potencial de aumento na qualidade dos serviços prestados no setor de saúde para a população do Vale do Itajaí. Portanto, é necessário que seja solucionado o problema de ineficiência na produção, melhorando o desempenho das cidades. As táticas de apoio para as cidades melhorarem a qualidade dos serviços no setor da saúde devem ser diferenciadas, levando em conta o nível de eficiência técnica, assim como orientando-se pelas cidades que lhes servem de benchmark. Assim, terão subsídios para alocar de forma ótima seus recursos produtivos e melhorar o desempenho no atendimento dos hospitais. As limitações deste estudo consistem na impossibilidade da generalização dos resultados, visto que a amostra é composta apenas por cidades de uma mesorregião, ressalvase ainda que algumas cidades não foram consideradas neste estudo em virtude da ausência dos dados necessários para realização do estudo. Recomenda-se que para trabalhos futuros seja ampliada ou alterada a amostra da pesquisa, visto que uma nova amostra permitirá a utilização deste estudo para fins de comparabilidade dos resultados. Outra recomendação para trabalhos futuros consiste na segregação da amostra entre hospitais públicos e privados, a fim de comparar suas eficiências. REFERÊNCIAS AL-SHAMMARI, M. A multi-criteria data envelopment analysis model for measuring the productive efficiency of hospitals. International Journal of Operations & Production Management, v. 19, n. 9, p. 879-891, 1999. BANKER, R. D.; CHARNES, A.; COOPER, W. W. Some Models for Estimating Technical and Scale Inefficiencies in Data Envelopment Analysis. Management Science. v. 30, n. 9, 1078-1092. 1984. BARNUM, D. T.; WALTON, S. M.; SHIELDS, K. L.; SCHUMOCK, G. T. Measuring hospital efficiency with data envelopment analysis: Non-substitutable vs. substitutable inputs and outputs. Journal of Medical Systems, v. 35, n. 6, p. 1393-1401, 2011. CESCONETTO, A.; LAPA, J. dos S.; CALVO, M. C. M. Avaliação da Eficiência produtiva de hospitais do SUS de Santa Catarina. 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