PROGRAMA DE FORMAÇÃO CONTINUADA Prof. Georgos Assunção Prof. Thiago Oliveira Abril - 2011 PFC 2011 I Oficina: Repensando as práticas do Ensino de História no Ensino Fundamental Prof. Thiago Oliveira Introdução O afastamento da criança de sua realidade deve ser gradual. Identificar personalidades e fatos de épocas distantes exige um processo especial de descentralização do conhecimento histórico. Evolução do pensamento da ciência Histórica Positivismo: Séc. XIX, Augusto Comte; documentos escritos (oficiais); Fator determinante da verdade Histórica (inquestionável) Marxismo: Séc. XIX, Karl Marx; materialismo histórico; inovações tecnológicas (necessidades) – motor da História é a luta de classes. Escola dos Annales: Séc. XX, Marc Bloch e Luciem Febvre; incorporar elementos das ciências sociais; pluridisciplinar. Nova História: Década de 70; 3ª geração dos Annales; micro história; cotidiano; mentalidades. Objetivos Gerais para o Ensino Fundamental Identificar grupo de convívio; relações com os outros, tempos e espaços. Organizar repertórios histórico-culturais; localizar acontecimentos numa multiplicidade de tempo; formular explicações para questões do presente e do passado. Conhecer e respeitar o modo de vida de diferentes grupos sociais em diversos tempos e espaços; manifestações culturais, econômicas, políticas e sociais, reconhecendo semelhanças e diferenças entre eles. Reconhecer mudanças e permanências nas vivências humanas, presentes na sua realidade e em outras comunidades, próximas ou distantes no tempo e no espaço. Questionar sua realidade, identificando alguns de seus problemas e refletindo sobre algumas de suas possíveis soluções. Utilizar métodos de pesquisa e de produção de textos de conteúdos histórico, aprendendo a ler diferentes registros escritos, iconográficos e sonoros. Valorizar o patrimônio sociocultural e respeitar a diversidade, reconhecendo-a como um direito dos povos e indivíduos como um elemento de fortalecimento da democracia. PRIMEIRO CICLO: Ensino e Aprendizagem de História O Ensino e a Aprendizagem, voltados para atividades que os alunos possam compreender semelhanças e diferenças, permanências e transformações no modo de vida social, cultural e econômico da sua localidade, no presente e no passado mediante leitura de diferentes obras humanas. No primeiro ciclo, deve-se dar preferência aos trabalhos com fontes orais e iconográficas (imagens) e, a partir delas, desenvolver trabalhos com linguagem escrita. De modo geral, no trabalho, com fontes documentais: 1-fotografias, 2mapas, 3-filmes, 4-depoimentos, 5-edificações, 6-objetos de uso cotidiano. Intervenções específicas, baseadas no trabalho de pesquisa histórica, provocam expressivas mudanças nas compreensões das crianças pequenas sobre quem escreve a história. EIXO TEMÁTICO I A criança constrói a sua História A. Identificação das Relações Sociais no espaço em que a criança vive; B. Identificação das Relações de Trabalho existentes no meio em que a criança vive; C. Identificação da noção de Tempo e Espaço. É ao longo do Ciclo Básico que os alunos são solicitados a observar atentamente alguns aspectos da realidade e a representá-los. EIXO TEMÁTICO II História Local e do Cotidiano: A proposta é a de que os alunos iniciem os estudos históricos no presente, mediante a identificação das diferenças e semelhanças existentes entre eles, suas famílias, e as pessoas que trabalham na escola. Com dados do presente, a proposta é que desenvolvam estudos do passado, identificando mudanças e permanências nas organizações familiares e educacionais. Fazer recortes e selecionar alguns aspectos considerados mais relevantes, tendo em vista problemas locais ou contemporâneos. Desenvolver um trabalho de integração dos conteúdos de história com outras áreas do conhecimento. SEGUNDO CICLO Ensino e aprendizagem de História: No segundo ciclo permanecem as preocupações de ensino e aprendizagens anteriores: valorização dos conhecimentos dos alunos, ampliação dos conhecimentos históricos. Questionamentos realizados a partir do entorno do aluno, objetivo de levantar dados, coletar entrevistas, visitar locais públicos, os que conservam acervo de informações (bibliotecas e museus). ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS Valorizar os saberes que os alunos já possuem sobre o tema, criando momentos de trocas de informações e opiniões; Avaliar as informações, identificando quais poderiam enriquecer seus repertórios e reflexões; Propor novos questionamentos, informando sobre dados desconhecidos; organizar pesquisas e investigações; Selecionar fontes de informação diferentes para serem estudadas em sala de aula; Propor visitas e pesquisas em locais ricos em informações; Propor que os estudos realizados se materializem em produtos culturais como: livros, murais, exposições, teatros, maquetes, quadros cronológicos, mapas etc. PROBLEMATIZAÇÃO A abordagem dos conteúdos insere-se numa perspectiva de questionamentos da realidade organizada no presente, desdobrando-se em conteúdos históricos, que envolvem explicações e interpretações das ações de diferentes sujeitos, da seleção e organização de fatos e de informações no tempo histórico. PFC 2011 I Oficina: Repensando as práticas do Ensino de Geografia no Ensino Fundamental Prof. Georgos Assunção HISTÓRICO E FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA DA GEOGRAFIA Relações com a natureza e com o espaço geográfico fazem parte das estratégias de sobrevivência dos grupos humanos desde suas primeiras formas de organização. A Geografia na Antiguidade Clássica Os estudos geográficos eram descritivos. Desenvolveram-se conhecimentos relativos à elaboração de mapas; discussões a respeito da forma e do tamanho da Terra, da distribuição de terras e águas. A Geografia na Idade Média Declínio do conhecimento científico no ocidente. O Geocentrismo tornou-se, para a Igreja de então, uma verdade que não podia ser contrariada, conforme os ensinamentos dos sábios e santos. Evolução das ciências no mundo árabe. A Geografia no Século XVI As cruzadas, as peregrinações aos lugares santos e o renascimento do comércio entre a Europa e o Oriente provocaram o ressurgimento da Geografia no Mundo Ocidental. Os saberes geográficos, nesse processo histórico, passaram a ser evidenciados nas discussões filosóficas, econômicas e políticas, que buscavam explicar questões referentes ao espaço e à sociedade. A Geografia no Século XIX Foram criadas diversas sociedades geográficas, que faziam expedições científicas para a África, a Ásia e a América do Sul. O pensamento geográfico, da Escola Alemã, teve como precursores: Humboldt (1769-1859) Ritter (1779-1859) Ratzel (1844-1904) fundador da geografia sistematizada, institucionalizada e considerada científica. Concepções (ou Escolas) Geográficas: Determinismo Geográfico (Escola Alemã) Exposto por Frederico Ratzel (1844-1904), onde o autor considera que o homem é um ser submisso ao meio natural. Possibilismo Geográfico (Escola Francesa) Tendo como principal representante Paul Vidal de La Blache (1845-1918), que considerava o homem como um ser ativo na natureza. A Geografia no Brasil As ideias geográficas foram inseridas no currículo escolar brasileiro no século XIX e apareciam de forma indireta nas escolas de primeiras letras. Essa corrente teórica e metodológica é conhecida como geografia tradicional. A institucionalização da Geografia no Brasil, no entanto, se consolidou apenas a partir da década de 1930, com a: fundação do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, e a inclusão da Geografia como disciplina; criação do curso superior na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo em 1934; fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB), em 1934; criação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 1937. Ao longo da segunda metade do século XX, foram originados novos enfoques para a análise do espaço geográfico: à degradação da natureza; às questões culturais e demográficas mundiais; às desigualdades e injustiças. Domínio da corrente denominada Nova Geografia ou Geografia Quantitativa. Década de 70, desmembramento da disciplina de Estudos Sociais; retorno da Geografia e da História. Fim da ditadura militar, renovação do pensamento geográfico brasileiro em torno da Geografia Crítica. A Geografia durante as de décadas de 1960, 1970 e 1980 Ao propor uma análise social, política e econômica sobre o espaço geográfico, o movimento da Geografia Crítica entendeu que a superação da dicotomia naturezasociedade (Geografia Física e Geografia Humana) e das fragmentações das abordagens dos conteúdos dar-se-iam pelo abandono das pesquisas e do ensino sobre a dinâmica da natureza. Entre as mudanças provocadas pelos PCNs, destacam-se os conteúdos de ensino vinculado às discussões ambientais e multiculturais. Algumas categorias permanecem independentes das diferentes linhas de pensamento geográfico, seja ela tradicional ou crítica, destacando-se: os conceitos de paisagem e região, território, natureza e sociedade. O ensino de Geografia O ensino de Geografia deve assumir o quadro conceitual das teorias críticas dessa disciplina, que incorporam os conflitos e as contradições sociais, econômicas, culturais e políticas, constitutivas de um determinado espaço. A educação no Brasil passa por profundas mudanças, talvez não tantas quanto a sociedade atual exigiria. Nesse contexto, a geografia, como componente curricular (tradicional) na escola básica, também se modifica, seja por força das políticas públicas (PCNs, por exemplo), seja por exigências da própria ciência. O ensino de Geografia Assim, pensar o papel da geografia na educação básica torna-se significativo, uma vez que se considera o todo desse nível de ensino e a presença de conteúdos e objetivos que envolvem, inclusive, as suas séries iniciais e a educação infantil. A Geografia, assim como as demais ciências humanas e sociais, tem, na escola, o compromisso de contribuir para formar o homem inteiro, discurso lido em muitos momentos, mas muito difícil de realizar na prática do espaço social denominado Escola. Ambas têm o papel de proporcionar situações que permitam ao estudante pensar sobre o tempo e o espaço de vivência. (CALLAI, 2005). Qual é o lugar da Geografia nas séries iniciais? Aprender a pensar o espaço. E, para isso, é necessário aprender a ler o espaço, “que significa criar condições para que a criança leia o espaço vivido” (Castelar, 2000, p. 30). Para tanto, ela precisa saber olhar, observar, descrever, registrar e analisar. Para conhecer um problema geográfico sem simplesmente reproduzir o que outros disseram é preciso defini-lo. O conhecimento em Geografia - Os problemas espaciais que dizem respeito à Geografia são muitos e encontram-se em nossos lares, no trabalho, na escola, na igreja, no clube e em muitas outras instituições. A Geografia, como disciplina escolar, contribui para a formação do cidadão que participa dos movimentos promovidos pela sociedade, que conhece o seu papel no interior das várias instituições das quais participa. CONTEÚDO CURRICULAR DO ENSINO FUNDAMENTAL I - SIMA 1º eixo - Paisagem Local e Espaço Vivido Tudo é natureza; Conservando o ambiente; Transformando a natureza: diferentes paisagens. 2º eixo - Paisagem Urbana e Paisagem Rural O papel das tecnologias na construção de paisagens urbanas e rurais; Informação, comunicação e interação; Distâncias e velocidades no mundo urbano e rural; Urbano e rural: modos de vida. O quadro abaixo sintetiza a ênfase temática e conceitual nos livros didáticos de Geografia do 2º ao 5º ano do Ensino fundamental, de acordo com o Guia do PNLD 2010. Ênfase temática nos volumes de 2° e 3° anos Ênfase temática nos volumes de 4° e 5° anos Ênfase conceitual nos volumes do 2º ao 5º anos Socialização e identidade Espaço rural e urbano Espaço geográfico Lugar Contextualização territorial Lugar Paisagem Paisagens naturais Paisagens e regiões do Brasil Formação territorial do Brasil Paisagem Região Território Trabalho e atividades econômicas Atividades econômicas Fonte: Guia PNLD 2010 (Adaptado Marísia M. S. Buitoni). População e por sociedade Trabalho e transformação Articulação entre espaço e tempo Natureza e meio ambiente Processos físicos Problemas ambientais Problemas sociais Relação sociedadenatureza Linguagem cartográfica Linguagem cartográfica Articulação entre escalas Apresentação de conceitos básicos estruturantes como base teórico-metodológica do professor para levar o aluno a ter uma visão social do mundo. Conceitos Articulações Espaço e tempo Principais dimensões materiais da vida humana. Expressões concretizadas da sociedade. Condicionam as formas e os processos de apropriação dos territórios. Expressam-se no cotidiano caracterizando os lugares e definindo e redefinindo as localidades e regiões. Sociedade Consideradas as(Adaptado relações pelo poder, apropria-se Fonte: Guia PNLD 2010 por Marísiapermeadas M. S. Buitoni). dos territórios (ou de espaços específicos) e define a organização do espaço geográfico em suas diferentes manifestações: território, região, lugar etc. Os processos sociais redimensionam os fenômenos naturais, o espaço e o tempo. Apresentação de conceitos básicos estruturantes como base teórico-metodológica do professor para levar o aluno a ter uma visão social do mundo. Conceitos Articulações lugar Manifestação das identidades dos grupos sociais e das pessoas. Noção e sentimento de pertencimento a certos territórios. Concretização das relações sociais vertical e horizontalmente. Paisagem Expressão da concretização dos lugares, das diferentes dimensões constituintes do espaço geográfico. Pelas mesmas Fonte: Guia PNLD 2010 (Adaptado por Marísia M. S. Buitoni). razões já apontadas, não limitaria a paisagem apenas ao lugar. Permite a caracterização de espaços regionais e territórios considerando a horizontalidade dos fenômenos. Apresentação de conceitos básicos estruturantes como base teórico-metodológica do professor para levar o aluno a ter uma visão social do mundo. Conceitos Articulações Região Região se articula com território, natureza e sociedade quando essas dimensões são consideradas em diferentes escalas de análise. Permite a apreensão das diferenças e particularidades no espaço geográfico. Território O território é o espaço apropriado. Base da região. Guia PNLD 2010 (Adaptado por localizações Marísia M. S. Buitoni). dos recursos naturais e das Fonte: Determinação das relações de poder. A constituição cotidiana de territórios tem como base as relações de poder e de identidade de diferentes grupos sociais que os integram, por isso eles estão inter-relacionados com conceitos de lugar e região. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9394, 20 de dezembro de 1996. CALLAI, Helena Copetti. Aprendendo a ler o mundo: A Geografia nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Campinas, CEDES, 2005. Matriz de Referência curricular do SIMA. Ministério da Educação e do desporto. Secretaria da Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Geografia. Brasília MEC/SEF, 1998. Moreira, Ruy (org.), Geografia: Teoria e Crítica. O saber posto em questão. Petrópolis, 1982. Parâmetros Curriculares Nacionais: Geografia. Nova Escola. São Paulo , Ed. Abril, Nº Edição Especial. Penteado, Heloísa Dupas. Metodologia do Ensino de História e Geografia. São Paulo, Cortez, 1994. (Coleção magistério. 2º grau. Série formação do professor). SEABRA, Giovanni F. Fundamentos e perspectivas da Geografia. João Pessoa: Ed. Universitária/UFPB, 1997. SODRÉ, Nelson Werneck. Introdução à Geografia. Geografia e ideologia. 8ª Ed. Petrópolis, Vozes, 1992.