ANAIS MENSURAÇÃO DE DESEMPENHO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS DO SETOR HOSPITALAR: UMA ABORDAGEM CONCEITUAL ANTÔNIO ANDRÉ CUNHA CALLADO ( [email protected] ) PADR/UFRPE ALDO LEONARDO CUNHA CALLADO ( [email protected] ) PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONEGÓCIOS/CEPAN/UFRGS Resumo O objetivo deste artigo foi apresentar uma discussão conceitual sobre os principais aspectos da mensuração do desempenho da cadeia de suprimento no âmbito do setor hospitalar. A utilização de indicadores como medição de desempenho não implica necessariamente que haja um sistema integrado de mensuração de performance. São apontadas características desejáveis ao sistema de mensuração do desempenho a partir da consideração de suas especificidades de modo que os indicadores utilizados sejam capazes de refletir as habilidades desejáveis. A cadeia de suprimento do setor hospitalar é formada por unidades industriais, unidades distribuidoras e unidades hospitalares e apresentam distintas dimensões referenciais de avaliação. Palavras-chave: Indicadores de desempenho. Desempenho de cadeia de suprimento. Setor hospitalar. 1. Introdução Dentro do atual contexto econômico, bem como do elevado grau de competitividade, a gestão da cadeia de suprimentos assume uma relevante participação na ordem de prioridades inerentes ao planejamento empresarial nos diversos setores de atividade econômica. Há uma concepção contemporânea que trata a competitividade como um referencial pertencente à disputa entre cadeias de suprimento, não mais à disputa entre empresas individuais. Nestes termos, a competitividade se torna dependente da coordenação de esforços coletivos em função de orientações compartilhadas. As influências das especificidades do contexto econômico atual sobre são comentadas por Hofman (2004) ao ser destacada a mudança do ambiente econômico que agora é dirigido pelos consumidores e que novas pressões sobre a capacidade das cadeias de suprimento das empresas têm ampliado sua importância. O desempenho de uma empresa pode ser analisado, entendido e ter valor estratégico através da ótica de sua atuação como elo de uma cadeia. Sobre esta perspectiva, Lucht (2005) afirma que a preocupação dos gestores sobre a dependência do sucesso de um empreendimento em relação cadeia de suprimento na qual estejam inseridos está cada vez mais focada na direção de se implementar uma gestão eficiente e eficaz que se estenda para além das próprias fronteiras organizacionais. Saber definir o que deve ser medido e avaliado nas diferentes atividades realizadas por uma empresa não é uma tarefa simples. Determinar quais as medidas que devem ser realizadas depende da complexidade do processo que se deseja avaliar, da sua importância em 1/16 ANAIS relação às metas estabelecidas pela empresa e da expectativa de uso gerencial posterior destes dados. Sobre a relevância da gestão da cadeia suprimentos, Santos, Kato e Frega (2006) consideram que a orientação adotada para o seu gerenciamento é fundamental para a devida coordenação entre os participantes do canal e que exerce influência sobre o desempenho dos fornecedores e dos compradores. As medidas de desempenho devem ser utilizadas com um foco posterior na avaliação destes dados que tem como objetivo, entre outras coisas, integrar as diferentes áreas de atuação da empresa, pois dados retirados de uma determinada área podem ser de grande importância para outra, além de todos os dados serem essenciais aos dirigentes. Nakamura e Mineta (2001) destacam que os executivos, em uma tendência crescente, estão reavaliando os sistemas de medição de desempenho das empresas e formulando indicadores que possibilitem monitorar a implementação da estratégia, bem como o que ocorre em seu ambiente, de modo a permitir reforços e alterações das estratégias competitivas. A definição dos indicadores de desempenho a serem utilizados faz parte de uma seqüência lógica de procedimentos para desenvolvimento e implementação de um sistema de mensuração e avaliação de desempenho. Estas medidas devem ser orientadas para o futuro, procurando-se definir objetivos que traduzam as metas da organização. Martins (2004) destaca que um sistema de medição de desempenho tradicional possui uma visão financeira limitada que geralmente induz a ações e procedimentos de curto prazo, dificulta a avaliação de novos investimentos e a introdução de novos produtos. Dentro desta mesma linha reflexiva, Rafele (2004) afirma que, infelizmente, os sistemas de mensuração de desempenho não têm acompanhado as mudanças da função e importância das cadeias de suprimento nem têm sido capazes de examinar ou avaliar sistematicamente este processo. Deve ser destacado que, para cada setor de atividades, podem ser elaborados grupos distintos de indicadores de desempenho, obedecendo a suas próprias características específicas, assim como da assimilação de conceitos metodológicos pelos profissionais responsáveis por sua elaboração. A caracterização de indicadores de desempenho da cadeia de suprimento no setor hospitalar deve considerar suas especificidades, bem como refletir seus principais aspectos. Towill e Christopher (2005) destacam que, enquanto os conceitos de gestão da cadeia de suprimento e logística são amplamente compreendidos e aceitos em grande parte das indústrias e têm proporcionado melhorias consideráveis em seu desempenho, há ainda um pequeno volume de sinais explícitos de sua presença no setor hospitalar, embora seja evidente que este setor demande mudanças em suas práticas. Considerando que a prestação de serviços hospitalares possui diferenças fundamentais com relação a outros tipos de atividades, Protil e Moreira (2002) afirmam que a qualidade e a eficiência nos seus diversos níveis de demanda assumem uma participação central no âmbito da avaliação de seu desempenho. O objetivo deste artigo consiste em apresentar uma discussão conceitual sobre os principais aspectos da mensuração do desempenho da cadeia de suprimento no âmbito do setor hospitalar. 2. Indicadores de Desempenho Ao discutir a eficiência e a eficácia de uma organização, o termo desempenho incorpora um significado universal que representa uma avaliação e que pode assumir um relevante papel no processo de elaboração de estratégias de longo prazo, bem como analisar sua situação dentro da indústria na qual ela esteja inserida. Neely, Gregory e Platts (1995) 2/16 ANAIS destacam que a mensuração de performance é um tópico freqüentemente discutido, mas raramente definido e apresenta três definições distintas a saber: • Mensuração de performance: Processo de qualificar a eficiência e/ou a efetividade de uma ação; • Medida de performance: Métrica utilizada para quantificar a eficiência e/ou a efetividade de uma ação; • Sistemas de Mensuração de Performance: Conjunto de métricas utilizadas para quantificar tanto a efetividade quanto a eficiência das atividades. A definição correta para um indicador de desempenho consiste no primeiro passo para o entendimento de seu significado institucional, bem como a visualização da amplitude de sua aplicação . Para Bronzo e Oliveira (2005), a formalização da implantação de um sistema de mensuração de performance consiste na definição dos diversos indicadores de desempenho que irão compor este sistema. Fica clara a perspectiva gerencial atribuída à elaboração, à implantação e ao monitoramento de indicadores de desempenho como suporte referencial estratégico para o processo decisório no âmbito de uma organização. Sobre o papel dos indicadores de desempenho no processo gerencial das organizações, Martins (2004) afirma que este processo de gestão de desempenho é o meio pelo qual uma organização administra seu desempenho de acordo com as estratégias corporativas e funcionais, bem como seus objetivos. Para Neely et al (1996), um indicador de desempenho pode ser definido como sendo um meio utilizado para quantificar a eficiência e/ou a eficácia de uma tomada de decisão feita pela empresa. Portanto, um indicador de desempenho possibilita que uma determinada organização possa saber a evolução dos efetivos resultados decorrentes de suas atividades enquanto unidade de negócio. Miranda e Silva (2002) apresentam que os indicadores de desempenho desejáveis estão relacionados à definição das mensurações que de fato devem ser consideradas, onde devem ser identificados os atributos de desempenho relevantes que serão adotados como referência de avaliação. Zilber e Fischmann (2002) ressaltam que os indicadores de desempenho permitem verificar a propriedade com que as decisões foram tomadas e, eventualmente, corrigir e readequar o processo vigente de gestão. Verificando-se a qualidade da performance através da utilização dos indicadores de desempenho, os gestores podem tomar decisões mais seguras sobre as estratégias da organização, uma vez que possuem informações específicas para fins gerenciais. Várias são as formas de classificação dos indicadores de desempenho apresentadas pela literatura inerente a este tema. Paula e Ichikawa (2002) lembram que a classificação mais comumente utilizada é estabelecida em indicadores de qualidade e indicadores de produtividade, onde os primeiros estão relacionados com a satisfação do cliente, enquanto que os segundos medem o desempenho dos diferentes processos de uma organização e estão relacionados com a maneira pela qual são utilizados os recursos disponíveis. No entanto, Macedo e Silva (2004) ressaltam que os métodos que consideram aspectos financeiros e não financeiros tendem a assumir uma importância especial, já que o desempenho acaba por ser afetado por variáveis de ambas naturezas. Nesta ótica, os indicadores de desempenho são classificados segundo suas características e podem ser considerados como sendo: a) Indicadores financeiros; b) Indicadores não-financeiros. Os indicadores financeiros de avaliação de desempenho estão relacionados aos principais aspectos financeiros de uma organização. Já os indicadores não-financeiros de avaliação de desempenho estão relacionados aos principais aspectos das atividades desenvolvidas no âmbito de uma organização. 3/16 ANAIS Banker, Potter e Srinivasan (2000) apresentam que as medidas não-financeiras são melhores indicadores de medidas de desempenho futuro que as medidas financeiras, auxiliando os administradores a focarem suas ações em perspectivas de longo prazo. Kaplan e Norton (1997) argumentam que os indicadores financeiros são inadequados para orientar e avaliar a trajetória da empresa em um ambiente competitivo, pois são indicadores de ocorrência, contam parte, mas não toda a história das ações passadas, bem como não fornece orientações adequadas para as ações que devem ser realizadas hoje e amanhã para criar valor financeiro futuro. Pode-se assumir que a temática possui diversas vertentes e que nenhuma exerce domínio absoluto sobre as demais. Este fato decorre da simples constatação de que uma mensuração de desempenho que pretenda ser útil e eficaz deve estar intimamente relacionada aos principais fatores inerentes às características específicas na indústria na qual a organização em análise atue. Ao sistematizar uma retrospectiva das principais pesquisas realizadas sobre a mensuração de desempenho, Neely (2005) destaca que, por mais claro que seu processo evolucionário possa ser, diversos aspectos ainda estão abertos à discussão, pois os resultados apresentam lacunas e incongruências que demandam maior sofisticação dos pressupostos teóricos que dão sustentação a esta área de investigação. Um aspecto central consiste na identificação do processo pelo qual o desenvolvimento de procedimentos e modelos voltados para a mensuração de desempenho. Este processo tem sido caracterizado por cinco fases distintas, que são: a) A identificação de um problema; b) A proposição de frameworks; c) A elaboração de métodos de aplicação; d) A investigação empírica; e) A verificação teórica. Estas fases estão dispostas da seguinte maneira (figura 1). Neely, Gregory e Platts (1995) consideram que um sistema de mensuração de performance pode ser investigado considerando três níveis distintos, a saber: • Mensuração de performance individual; • Conjunto de Mensurações de performance; • Relação entre o sistema de mensuração de performance e o ambiente no qual ele está inserido. Identificação do Problema Proposição de Frameworks Verificação Teórica Investigação Empírica Métodos de Aplicação Figura 1. Processo evolutivo do campo de mensuração de desempenho. Fonte: Neely, 2005. A utilização de indicadores como referência quantitativa de mensuração de desempenho não implica necessariamente que haja um sistema integrado de mensuração de 4/16 ANAIS performance. Wouters e Sportel (2005) afirmam que os gestores utilizam diferentes formas de indicadores de desempenho, mas, freqüentemente, não os contextualizam no âmbito de um sistema de mensuração de desempenho. Estes autores ainda ressaltam a necessidade de aprofundar as investigações empíricas sobre a contribuição dos indicadores de desempenho como instrumento facilitador da gestão. Outro aspecto relevante está associado ao caráter dinâmico do ambiente competitivo que precisa ser considerado quando da definição do elenco de indicadores relevantes de desempenho, bem como dos procedimentos operacionais inerentes ao sistema de mensuração de desempenho. Sobre a sintonia necessária entre os indicadores de desempenho e o contexto competitivo das empresas, Najmi, Rigas e Fan (2005) afirmam que a performance de um negócio é dinâmica e pode sofrer alterações ao longo do tempo e que estas mudanças precisam ser consideradas para que os devidos ajustes possam ser implementados no sistema de mensuração de desempenho. Os indicadores de mensuração de desempenho têm recebido uma atenção significativa nos últimos dez anos, tanto por parte dos acadêmicos, através de suas investigações empíricas e proposições de frameworks, quanto por parte dos gestores através da utilização de indicadores de desempenho como parâmetro de avaliação organizacional e fazem parte da agenda de pesquisa para os próximos anos. Sobre a inserção das investigações sobre indicadores de desempenho, Neely (2005) destaca as seguintes tendências: a) Desenvolver e implementar uma gestão de performance ao invés de sistemas de mensuração; b) Mensurar a performance de cadeias de suprimento e redes de empresas ao invés de se restringir ao âmbito interno das organizações; c) Mensurar ativos tangíveis e intangíveis, bem como a gestão interna; d) Desenvolver sistemas dinâmicos de mensuração de desempenho; e) Dar flexibilidade aos sistemas de mensuração de desempenho para que eles possam se ajustar às mudanças. Enfim, fica evidente que a discussão sobre indicadores de desempenho está aberta e fornece um amplo escopo de atuação tanto para os acadêmicos quanto para os gestores. 3. Indicadores de Desempenho de Cadeias de Suprimento A gestão de cadeias de suprimento tem assumido uma relevância significativa nas duas últimas décadas, tanto no âmbito acadêmico, quanto no âmbito empresarial. Dentro deste processo evolutivo, diversos eixos teóricos conduziram este campo de investigação com o intuito de dar uma contribuição real e significativa para os diversos setores de atividade econômica investigados. Como já foi destacado, a mensuração e avaliação do desempenho de cadeias de suprimento fazem parte das tendências investigativas para os próximos anos, embora devam ser destacadas suas especificidades em comparação à mensuração e avaliação de empresas individuais. Para Hofmam (2004), a mensuração de desempenho é crítica para a obtenção de excelência, bem como prover uma plataforma sólida na qual possam ser desenvolvidas capacidades de cadeias de suprimento superiores. Um ponto central a ser considerado reside nas características desejáveis a um sistema de mensuração do desempenho de cadeias de suprimento. Para Najmi, Rigas e Fan (2005), estas características são as seguintes: • Os indicadores de desempenho devem ser derivados das estratégias adotadas pelas empresas; • O propósito para a utilização de cada um dos indicadores de desempenho deve ser explícito; 5/16 ANAIS • A coleta de dados e os métodos de cálculo dos níveis de desempenho devem ser claros; • Todos os participantes da cadeia (clientes, empregados e gestores) devem estar envolvidos no processo de seleção dos indicadores de desempenho; • Os indicadores de desempenho escolhidos devem ser apropriados para representar as atividades das empresas; • O processo de mensuração do desempenho deve ser flexível e adaptável para que possa se ajustar a mudanças. Comentando sobre a evolução recente inerente à avaliação do desempenho de cadeias de suprimento, Rafele (2004) destaca que, tradicionalmente, as atenções eram direcionadas para a mensuração do desempenho de um único processo localizado dentro das cadeias, mas, recentemente, maior ênfase tem sido dada à mensuração do desempenho global das cadeias. Para Tangen (2004), um sistema de mensuração de desempenho de cadeias de suprimento deve, dar suporte aos objetivos estratégicos, ter uma composição equilibrada de indicadores considerando suas diversas modalidades, não propiciar situações de pessimismo, possuir um número limitado de indicadores, ser facilmente acessível e disponibilizar especificações para cada um dos indicadores utilizados. Lucht (2005) considera que é necessário o desenvolvimento, bem como a implementação de sistemas de mensuração e avaliação de desempenho para cadeias de suprimento para que sua efetiva gestão possa transpor os limites das unidades de negócio isoladas e abranger o sistema como um todo. Beamon (1998) ressalta as seguintes trilhas abertas para o desenvolvimento de pesquisas sobre a mensuração do desempenho de cadeias de suprimento, a saber: • Os sistemas de mensuração de desempenho existentes são apropriados para avaliar cadeias de suprimento? • Quais são os indicadores de mensuração de desempenho adequados para avaliar uma cadeia de suprimento? • Há alguma forma de hierarquia dente os diversos indicadores de desempenho de cadeias de suprimento? Outro aspecto relevante a ser considerado é a discussão que trata do critério de escolha dos indicadores de mensuração de desempenho apropriados para avaliar cadeias de suprimento. Há um entendimento de que uma cadeia de suprimentos somente será avaliada adequadamente se os indicadores escolhidos estejam presentes em todos os elos. Desta forma, estará estabelecida uma referência comum de avaliação da cadeia como um todo. Defendendo esta perspectiva, Neely (1995) afirma que, como existem indicadores comuns a todas as empresas de uma cadeia de suprimento, a performance desta cadeia deveria ser mensurada através desses indicadores. Por outro lado, outros advogam que o uso de indicadores comuns para mensurar e avaliar cadeias de suprimento não deve ser considerado como válida, pois este procedimento, certamente, desconsiderará indicadores de desempenho relevantes e representativos inerentes a cada uma das etapas da cadeia de suprimento em detrimento de indicadores comuns que podem ter distintas importâncias relativas. Waart e Kemper (2004) consideram que não há medidas únicas que sejam apropriadas para mensurar a performance de uma cadeia de suprimento, principalmente considerando a diversidade de tarefas e habilidades requeridas ao longo da cadeia. Sobre a relação entre a coordenação de uma cadeia de suprimento e sua avaliação de desempenho, Santos, Kato e Frega (2006) afirmam que a orientação escolhida para o gerenciamento da cadeia afetará diretamente o desempenho de fornecedores e compradores. 6/16 ANAIS Ao identificar uma limitação dos sistemas de mensuração de desempenho, Pavan, Sacomano Neto e Pires (2005) afirmam que não há uma conexão entre a elaboração de medidas de desempenho e a satisfação do cliente final. Deve ser destacado que uma performance desejável para uma cadeia de suprimentos precisa estar alinhada às estratégias de negócio de todas as empresas pertencentes a esta cadeia, bem como precisa considerar suas habilidades e especificidades. Sobre esta perspectiva, Morash (2002) afirma que a performance de uma cadeia de suprimento representa a fronteira na qual as estratégias da cadeia, tais como proximidade aos clientes e excelência operacional, devem considerar suas próprias aptidões. Lambert e Pohlen (2001) corroboram esta idéia ao afirmarem que um sistema de mensuração de desempenho para cadeias de suprimento bem definido pode contribuir para a melhora do processo de alinhamento ao longo das múltiplas empresas que a compõem. Contudo, estes autores afirmam que diversos fatores interferem sobre a real contribuição que a mensuração de desempenho possa gerar para uma cadeia de suprimento, a saber: • A ausência de uma orientação clara para a cadeia de suprimento; • A complexidade da mensuração do desempenho entre as diversas empresas que compõem a cadeia de suprimento; • O não desejo de compartilhar informações com as demais empresas; • A dificuldade de capturar o desempenho por clientes, produtos ou cadeias específicas. Beamon (1999) vai além dessas dificuldades ao afirmar que, dentro da literatura, não há nenhum framework inerente a um sistema de mensuração de desempenho que possa ser aplicável a qualquer cadeia de suprimento. Para este autor, isto se deve ao entendimento de que cada sistema de suprimento possui características próprias que requerem distintos indicadores. Os diversos sistemas de mensuração de desempenho podem ser compostos por inúmeros grupos de indicadores. Cada um desses grupos de indicadores é concebido para atender a necessidades informacionais e gerenciais específicas. As categorias de indicadores utilizadas para avaliar a performance de cadeias de suprimento que se destacam são: a) Indicadores de custos; b) Indicadores de flexibilidade; c) Indicadores de qualidade; d) Indicadores de rapidez; e) Indicadores de serviços. Cada um desses grupos de indicadores pode ser representado por um elenco de indicadores que atendam aos requisitos e atributos esperados de uma referência de desempenho. Hofmam (2004) ressalta que a principal preocupação da mensuração de desempenho de cadeias de suprimento deve estar focada na definição do elenco de indicadores que realmente importam. Portanto, uma estrutura de indicadores para mensurar o desempenho de uma cadeia de suprimento deve considerar suas especificidades de modo que o elenco de indicadores proposto seja capaz de refletir fielmente os propósitos e habilidades desejáveis para esta referida cadeia. Para Lambert e Pohlen (2001), os principais fatores associados à relevância da mensuração de desempenho para os diversos componentes de uma cadeia de suprimento são os seguintes: • Há uma escassez de indicadores que mensurem a performance ao longo de toda a extensão das cadeias; • Há uma necessidade de ir além das mensurações internas de desempenho para captar uma perspectiva global das cadeias; • Há um interesse em identificar inter-relações entre o desempenho das empresas individuais e o desempenho das cadeias como um todo; 7/16 ANAIS • Há um entendimento de que a gestão da cadeia de suprimento seja uma tarefa complexa; • Há uma busca por alinhar atividades e compartilhar informações sobre desempenho anterior para implementar estratégias e atingir os objetivos; • Há um desejo de expandir a visão das cadeias de suprimento; • Há a expectativa de melhorar a alocação de recursos para incrementar o desempenho das cadeias de suprimento; • Há um interesse em diferenciar o desempenho das cadeias de suprimento para atingir maiores níveis de competitividade; • Há o objetivo de estimular o comportamento cooperativo dentro das cadeias de suprimento. Deve ser destacado que, dadas as características dos diversos níveis que compõem uma cadeia de suprimento, estes grupos de indicadores possam ser contemplados de maneira distinta, tanto considerando elencos de indicadores de mensuração de desempenho específicos para cada elo da cadeia, quanto pelos mesmos indicadores, mas ressaltando diferentes graus de importância relativa. 4. Características da Cadeia de Suprimento do Setor Hospitalar Se a gestão e mensuração do desempenho de cadeias de suprimento são consideradas tarefas complexas e desafiadoras no âmbito de setores industriais tradicionalmente investigados, a expectativa gerada decorrente da iniciativa de delinear indicadores de desempenho para setores de serviço tais como o setor hospitalar é cercada de curiosidade e instigação. A curiosidade reside no caráter inusitado que a contextualização de indicadores de desempenho concebidos para este setor proporciona, pois, para que eles sejam úteis, eles devem ser cuidadosamente fundamentados e estruturados. A instigação está relacionada à ousadia de explorar um tema atual e relevante que é a mensuração de desempenho de cadeias de suprimento, mas em um setor de atividade econômica que tem sido pouco investigado a partir desta perspectiva. Considerando a escassez de esforços neste sentido, Kumar, Ozdamar e Ng (2005) afirmam que, em função das conhecidas ineficiências das cadeias de suprimento do setor hospitalar, seu desempenho poderia ser melhorado a partir da aplicação de boas práticas já consolidadas em cadeias de suprimento de outros setores, mas ressalta que se faz necessário o desenvolvimento de sistemas de mensuração de desempenho compatíveis com este setor. A estrutura funcional de uma cadeia de suprimento do setor hospitalar está representada pela figura 2. Unidades industriais Unidades distribuidoras Unidades hospitalares Figura 2. Cadeia de suprimento do setor hospitalar. Fonte: Elaboração própria. Mesmo admitindo a possibilidade de que uma cadeia de suprimento possa ter mais de três estágios, dificilmente serão encontrados elos que não pertençam a esta tipologia básica. 8/16 ANAIS Embora os fornecedores de serviços especializados aos hospitais (tais como limpeza e manutenção) façam parte deste setor, não participam da cadeia de suprimentos do mesmo modo que os fornecedores de medicamentos, de equipamentos e de materiais. As unidades industriais são responsáveis pelo desenvolvimento e produção de peças, componentes, produtos, medicamentos e equipamentos utilizados pelo setor hospitalar. As unidades distribuidoras são responsáveis pela intermediação comercial e pelo abastecimento entre as unidades industriais e as unidades hospitalares. As unidades hospitalares são responsáveis pela prestação dos serviços de atendimento hospitalar propriamente ditos. Para Swinehart e Smith (2005), as organizações responsáveis pela oferta de serviços hospitalares que buscam ganham vantagens competitivas sustentáveis devem desenvolver capacidades operacionais necessárias para melhorar diversos aspectos, tais como: (a) Custos; (b) Flexibilidade; (c) Entrega; (d) Qualidade; (e) Inovação. Pode-se observar que estes aspectos se assemelham aos grupos referenciais genéricos apontados pela literatura que trata dos indicadores de mensuração de desempenho. Logicamente, isto não significa que os indicadores tradicionalmente utilizados para avaliar o desempenho de cadeias de suprimento de organizações industriais sejam considerados como válidos para serem aplicados no setor hospitalar. De Vries et al (1999) enfatizam que a aplicação de técnicas tradicionais de planejamento e controle de operações com o objetivo de melhorar a eficácia das operações logísticas de organizações hospitalares não se adaptam naturalmente. Deste modo, algumas características fundamentais deste setor precisam ser consideradas, a saber: • A abordagem de controle do fluxo de operações nos hospitais é centrada nos pacientes, que pode ser indefinido e imprevisível, colocando o fluxo de materiais em segundo plano; • As especificações e requisitos dos produtos finais e entrega não são bem definidos no âmbito dos hospitais; • Nos hospitais há uma estrutura de comando complexa que contempla relações de poder entre diferentes grupos de profissionais, tais como médicos, enfermeiros e gestões, podendo dificultar um consenso sobre os objetivos a serem atingidos para melhorar o desempenho; • Os profissionais responsáveis pela iniciativa do processo (os médicos) são os mesmos responsáveis por sua conclusão; • Os cuidados hospitalares não podem ser armazenados, pois estas organizações são orientadas para recursos. Além desses aspectos genéricos, diversos fatores podem ser destacados como entrave sobre uma melhor compreensão do funcionamento e, conseqüentemente, melhor mensuração do desempenho da cadeia de suprimento so setor hospitalar. Considerando um sistema de gestão do setor hospitalar, Jack e Powers (2004) afirmam que ele possui uma estrutura complexa na qual a propriedade destas organizações tem tomado distintas formas incluindo instituições que visam lucro, bem como instituições sem fins lucrativos, além de outras modalidades de hospitais públicos e privados. Sobre os baixos níveis de integração observados nas cadeias de suprimento hospitalares, Everald (2001) afirma que sua causa principal consiste no fato de que cada um dos elos desta cadeia tende a trabalhar individualmente considerando seus próprios interesses. Outro aspecto que precisa ser considerado está associado aos diversos obstáculos que podem limitar as investigações acadêmicas sobre o funcionamento da cadeia de suprimento do setor hospitalar. Para McKone-Sweet, Hamilton e Willis (2005), os principais obstáculos são os seguintes: 9/16 ANAIS • O constante envolvimento de tecnologia implica em produtos com ciclos de vida curtos, bem como altos custos sobre os produtos, itens ou componentes preferidos pelos profissionais; • A dificuldade em prever a freqüência, a duração e o diagnóstico primário em consultas e os produtos associados a ele; • A falha na padronização de nomenclaturas e códigos para produtos e materiais utilizados pelo setor hospitalar; • A limitação de capital para construir uma infra-estrutura sofisticada de tecnologia de informação para dar suporte aos esforços de gestão da cadeia de suprimento; • A inadequada educação profissional e capacidades para a gestão da cadeia de suprimento por parte dos responsáveis pelas compras dos hospitais. Jack e Powers (2004) destacam que, dentro de uma cadeia de suprimento do setor hospitalar, a dificuldade de compatibilizar demandas futuras com programações de compra é um dos principais problemas desta modalidade de prestação de serviço. A negação ou imposição de restrições ao pleno atendimento dados aos pacientes pode proporcionar sérias conseqüências negativas, incluindo o óbito de pacientes. A agilidade e precisão assumem posição de destaque dentro do âmbito da gestão da cadeia de suprimento para o setor hospitalar. As organizações hospitalares precisam desenvolver estratégias que consigam suprir a necessidade de suprimentos de alta qualidade independentemente de quaisquer flutuações de demanda inerentes aos diversos serviços prestados. Neste sentido, é fundamental o entendimento das estruturas que as cadeias de suprimento do setor hospitalar possuem, pois através delas os indicadores de desempenho serão desenhados. Towill e Christopher (2005) ressaltam que o perfil estrutural consiste no centro referencial para analisar o desempenho da cadeia de suprimento do setor hospitalar. Para estes autores, a arquitetura analítica dos canais de entrega do setor hospitalar são os seguintes: • O serviço de atendimento hospitalar como um todo ⇒ A sintonia fina entre a disponibilidade de atendimento hospitalar e a demanda por este serviço; • Os princípios de arquitetura do setor ⇒ A determinação do número ótimo de canais condutores da distribuição e suprimento dos diversos materiais e produtos necessários para o setor hospitalar; • As ferramentas para análise/desenho detalhada ⇒ A codificação e classificação das variáveis relevantes para os canais condutores da distribuição e suprimento dos diversos materiais e produtos necessários para o setor hospitalar; • As oportunidades de aprendizagem ⇒ Utilização do princípio da analogia. As vias condutoras encontradas em uma cadeia de suprimentos do setor hospitalar devem ser configuradas de acordo com a natureza dos seus respectivos elementos conduzidos. Towill e Christopher (2005) apontam a necessidade de determinação de dimensões condutoras de suprimento como norteadoras da avaliação da performance de produtos (ou serviços de saúde), tais como ciclo de vida, janela de tempo, volume, variabilidade e diversidade. Considerando as cadeias de suprimento típicas do setor hospitalar sob a ótica da diversidade, podem ser apontadas três principais dimensões de suprimento, a saber: • Dimensão do suprimento de equipamentos; • Dimensão do suprimento de medicamentos; • Dimensão do suprimento de materiais. Cada uma dessas dimensões pode ser constituída por diferentes empresas, bem como de práticas e relações comerciais específicas. Fatores tradicionais utilizados para mensurar o 10/16 ANAIS desempenho, tais como custos, flexibilidade, entrega, qualidade e inovação podem assumir distintas importâncias relativas tanto no que se refere aos elos que compõem a cadeia de suprimento quanto a cada um dos canais condutores que estejam presentes. Enfim, percebe-se que as especificidades da cadeia de suprimento do setor hospitalar não permitem a simples aplicação de sistemas de mensuração de desempenho, pois seus resultados não representarão fielmente a performance da cadeia e nem poderão ser considerados como válidos para aprimorar seus resultados. 5. Tipologias dos Indicadores de Desempenho para a Cadeia de Suprimento do Setor Hospitalar Uma vez tendo caracterizado as especificidades das diversas dimensões encontradas no âmbito da cadeia de suprimento do setor hospitalar, bem como o deslocamento da unidade de análise das organizações individuais para as cadeias, fica clara a relevância decorrente da proposição de uma tipologia específica concebida para esta finalidade. Por possuir várias dimensões, a gestão da cadeia de suprimento no âmbito do setor hospitalar não pode ser considerada de maneira semelhante à gestão da cadeia de suprimento de setores tradicionalmente investigados. Outro aspecto relevante a ser considerado é o entendimento de que não seja apropriado avaliar o desempenho de cadeias de suprimento a partir de indicadores comuns a todos os seus elos, pois estes indicadores podem não ter importância relativa semelhante ao longo da cadeia nem consigam refletir todos os aspectos críticos que precisam ser considerados. Esta tipologia conceitual caracterizadora dos indicadores de desempenho da cadeia de suprimento do setor hospitalar também deve considerar as especificidades das distintas dimensões (equipamentos, medicamentos e materiais). Os grupos de indicadores relevantes para a cadeia de suprimento do setor hospitalar são custos, flexibilidade, qualidade, rapidez, serviços e inovação, contextualizados para cada um dos canais de suprimento identificados. A tabela 1 apresenta a tipologia dos diferentes grupos de indicadores de desempenho para a dimensão do suprimento de equipamentos considerando cada um dos grupos de organizações que compõem a cadeia. Para as unidades industriais, os indicadores de desempenho mais relevantes devem estar relacionados à qualidade, aos serviços e à inovação. Os investimentos em P&D, a qualificação profissional, a assistência técnica e a conformidade podem ser apontados como alguns dos seus principais indicadores. Tabela 1 – Tipologia dos indicadores de desempenho para a cadeia de equipamentos. Equipamentos Custos Flexibilidade Qualidade Rapidez Serviços Inovação Unidades industriais Baixa Média Alta Baixa Alta Alta Unidades distribuidoras Média Alta Alta Baixa Média Baixa Baixa Alta Baixa Média Alta Unidades hospitalares Média Fonte: Elaboração própria. Para as unidades distribuidoras, os indicadores de desempenho de flexibilidade e qualidade, tais como tempo para a resolução de problemas, substituição emergencial de equipamentos vitais e freqüência de reparos a defeitos, são muito importantes. Já para as unidades hospitalares, os indicadores de desempenho de qualidade e inovação se destacam dos demais grupos. A precisão no diagnóstico, a velocidade das operações e 11/16 ANAIS procedimentos, a praticidade do manuseio de instrumentos, o nível de resolução tecnológica e a versatilidade de uso são alguns dos indicadores que merecem destaque. A tabela 2 apresenta a tipologia para a dimensão do suprimento de medicamentos. Pode-se observar que para as unidades industriais, os indicadores de desempenho mais relevantes também estão relacionados à qualidade, aos serviços e à inovação. Imprecisões medicamentosas quanto aos efeitos farmacológicos dos princípios ativos, processos produtivos, investimentos em P&D e qualificação profissional são alguns dos tópicos mais relevantes. Tabela 2 – Tipologia dos indicadores de desempenho para a cadeia de medicamentos. Medicamentos Custos Flexibilidade Qualidade Rapidez Serviços Inovação Unidades industriais Média Média Alta Média Média Alta Unidades distribuidoras Alta Alta Média Alta Alta Baixa Alta Alta Alta Média Média Unidades hospitalares Média Fonte: Elaboração própria. Para as unidades distribuidoras, os indicadores de desempenho de custos, flexibilidade, rapidez e serviços, tais como tempo de entrega, custos logísticos, eficácia das remessas de produtos para entrega, giro dos estoques são importantes critérios para mensurar a performance. No âmbito das unidades hospitalares, os indicadores de desempenho de flexibilidade, qualidade e rapidez se destacam dos demais grupos. Agilidade de gestão e distribuição dos estoques de medicamentos, conformidade das prescrições em relação às diversas patologias, perdas praticidade de manuseio, nível de resposta a tratamento e escopo de aplicação são aspectos que precisam ser monitorados. A tabela 3 apresenta a tipologia dos diferentes grupos de indicadores de desempenho para a dimensão de suprimento de materiais. Os grupos de indicadores de desempenho mais relevantes para as unidades industriais, estão relacionados custos e flexibilidade. Economia de escala, diversificação, custos logísticos e de estocagem, tempo de entrega e conformidade podem ser apontados como alguns dos seus principais indicadores. Para as unidades distribuidoras, os indicadores de desempenho de custos, flexibilidade, rapidez e serviços, tais como custos logísticos, tempo de entrega, diversificação, tempo de reposição, conformidade das entregas em relação aos pedidos e freqüência de defeitos são fatores considerados como sendo muito importantes. Tabela 3 – Tipologia dos indicadores de desempenho para a cadeia de materiais. Materiais Unidades industriais Custos Flexibilidade Qualidade Rapidez Serviços Inovação Alta Alta Média Média Média Média Unidades distribuidoras Alta Alta Média Alta Alta Baixa Unidades hospitalares Baixa Fonte: Elaboração própria. Alta Alta Alta Média Baixa Já para as unidades hospitalares, os indicadores de desempenho de flexibilidade, rapidez e qualidade se destacam dos demais grupos. Agilidade, níveis de estoques, custos logísticos internos, precisão, conformidade e defeitos são tópicos importantes. 12/16 ANAIS Conforme pode ser visto, as especificidades da cadeia de suprimento do setor hospitalar não permitem a utilização de indicadores comuns a todos os elos, nem mesmo admitir que os mesmos grupos de indicadores sejam relevantes para aplicação de sistemas de mensuração de desempenho semelhantes para as três dimensões de suprimento identificadas. Para os equipamentos, os indicadores referentes à qualidade são importantes tanto para as unidades industriais quanto para as unidades distribuidoras e unidades hospitalares. De maneira semelhante, os indicadores dimensão de suprimento dos materiais referentes à flexibilidade devem ser considerados como importantes tanto para as unidades industriais quanto para as unidades distribuidoras e unidades hospitalares. Já para a cadeia de suprimento de medicamentos, não há um grupo de indicadores que tenha a mesma importância relativa para seus diferentes elos. 6. Considerações Finais Considerando que o objetivo deste artigo consistiu em apresentar uma discussão conceitual sobre indicadores de desempenho da cadeia de suprimento no âmbito do setor hospitalar, há uma percepção de que esta mensuração de desempenho não pode ser realizada adequadamente sem considerar todas as especificidades do setor, bem como atribuir distintos níveis importância para cada um dos grupos de indicadores utilizados. Ficou evidente que a simples utilização de indicadores como referência quantitativa de mensuração de desempenho não é suficiente para implicar a existência de sistema integrado de mensuração de desempenho. A implementação de sistemas de mensuração de desempenho no âmbito das cadeias de suprimento deve ser considerada como um desafio a ser enfrentado. Se o nível de competitividade das organizações está cada vez mais associado às suas respectivas cadeias de suprimento, então, o deslocamento do foco das organizações para as cadeias como unidade de análise para os indicadores de desempenho não pode ser evitado. Deve ainda ser ressaltado que os critérios mais relevantes para a escolha do elenco de indicadores de mensuração de desempenho apropriados para avaliar cadeias de suprimento ainda estão em discussão. Este campo oferece um amplo espectro de oportunidades para o desenvolvimento de pesquisas empíricas, bem como para a construção de frameworks que representem as relações entre indicadores de desempenho e gestão de cadeias de suprimento. Um sistema de mensuração de desempenho para cadeias de suprimento bem definido pode contribuir para a melhora do processo de alinhamento ao longo das múltiplas empresas que a compõem. O elenco de indicadores de mensuração de desempenho precisa estar relacionado aos diversos grupos de indicadores mais representativos (custos, flexibilidade, qualidade, rapidez, serviços e inovação). Cada um desses grupos de indicadores pode ser representado por um elenco de indicadores que atendam aos requisitos e atributos esperados de uma referência de desempenho. Notadamente, os grupos de indicadores de desempenho apresentam distintas importâncias relativas quando considerados cada um dos canais de suprimento, cem como as diferentes posições dentro da cadeia. As diversas dimensões de suprimento do setor hospitalar devem ser avaliadas a partir de um único elenco de indicadores comuns a todos os seus elos, pois, deixará de considerar aspectos relevantes, embora especificidades inerentes aos seus distintos elos também possam ser monitoradas. Dadas as ineficiências das cadeias de suprimento do setor hospitalar, seu desempenho poderia ser melhorado a partir da investigação e análise sistêmicas dos resultados decorrentes 13/16 ANAIS de suas práticas, mas que os sistemas de mensuração de desempenho utilizados precisam ser compatíveis com este setor. 7. Referências BANKER, R. D.; POTTER, G.; SRINIVASAN, D. An empirical investigation of an incentive plan that includes non-financial performance measures. The Accounting Review, Florida, Vol.75, n.1, pag. 80-108, jan. 2000. BEAMON, B. Supply chain and analysis models and methods. International Journal of Production Economics, Vol. 55, 1998. __________. Measuring supply chain performance. International Journal of Operation & Production, Vol. 19, n. 3, pag-275-292, 1999. BRONZO, M; OLIVEIRA, M. P. V. Sistemas de mensuração de performance e modelos de maturidade em processos logísticos: Um estudo exploratório. 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