0 UNIJUI - UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL DCEEng – DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS EXATAS E ENGENHARIAS OBJETO DE APRENDIZAGEM PARA AUXILIO A DISCIPLINA DE PROGRAMAÇÃO A PESSOAS COM DEFICIENCIA VISUAL E AUDITIVA, CONTEMPLANDO PRECEITOS DO DESIGN UNIVERSAL. DIONATAN HENRIQUE DOS SANTOS BALBOENA IJUI/RS Novembro 2013 1 UNIJUI - UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL DCEEng – DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS EXATAS E ENGENHARIAS OBJETO DE APRENDIZAGEM PARA AUXILIO A DISCIPLINA DE PROGRAMAÇÃO A PESSOAS COM DEFICIENCIA VISUAL E AUDITIVA, CONTEMPLANDO PRECEITOS DO DESIGN UNIVERSAL. DIONATAN HENRIQUE DOS SANTOS BALBOENA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Ciência da Computação do Departamento de Ciências Exatas e Engenharias (DCEEng), da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ), como requisito para a obtenção do título Bacharel em Ciência da Computação. Orientador: Prof. Mestre. Cristiane Ellwanger Ijuí(RS) Novembro/2013 2 OBJETO DE APRENDIZAGEM PARA AUXILIO A DISCIPLINA DE PROGRAMAÇÃO A PESSOAS COM DEFICIENCIA VISUAL E AUDITIVA, CONTEMPLANDO PRECEITOS DO DESIGN UNIVERSAL. DIONATAN HENRIQUE DOS SANTOS BALBOENA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Ciência da Computação do Departamento de Ciências Exatas e Engenharias (DCEEng), da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ), como requisito para a obtenção do título Bacharel em Ciência da Computação. ______________________________________ Orientador: Prof.. Mestre. Cristiane Ellwanger ______________________________________ Banca: Prof. Mestre Rogerio Martins Ijuí (RS) Novembro/2013 3 AGRADECIMENTOS Á Deus pelo dom da vida, e por todas as oportunidades. À minha família, especialmente a minha mãe Lizane Terezinha dos Santos Balboena que desde a infância incentivou meu estudo e ao meu irmão Alex Eduardo dos Santos Balboena que sempre me apoiou e me deu forças para continuar. A minha orientadora, Prof.ª Cristiane Ellwanger, pela paciência e principalmente pelo conhecimento e atenção, ao longo do desenvolvimento deste trabalho. Ao grupo “Face para DEFICIENTES VISUAIS” que incentivaram e ajudaram o desenvolvimento deste programa e desta pesquisa. Aos meus amigos e colegas de classe que direta e indiretamente contribuíram para a conclusão deste curso. Obrigada a todos que, mesmo não estando citados aqui, tanto contribuíram para a conclusão desta etapa e para a pessoa que sou hoje. 4 RESUMO Este trabalho tem como meta principal desenvolver uma análise da atual situação da inclusão digital dos deficientes visuais no Brasil, realizando um estudo do histórico das evoluções, com foco aos programas existentes. Foi analisada a legislação brasileira para deficientes visuais e as influências existentes na área. Também foi desenvolvido a proposta de um software com base no conceito de designer universal que ensine a lógica da programação a todas as pessoas, mas com foco principal aos deficientes visuais e, por fim, esse programa foi colocado para avaliação e seus resultados discutidos. São apresentadas todas as conclusões e aprendizados que ocorreram durante a pesquisa para este trabalho, o desenvolvimento do programa e sua aplicação prática, chegando à conclusão que é possível que deficientes visuais tenham acesso às tecnologias e a Internet. Palavras Chave: Deficiente Visual, Acessibilidade, Lógica de Programação. 5 ABSTRACT This work aims at developing an analysis of the current situation of digital inclusion in Brazil poor visual , performing a studying the history of evolution , giving focus to existing programs ; analyzed the Brazilian legislation for the visually impaired and the influences in the area. The proposal was developed software based on the concept of universal designer that teaches programming logic to all people, but with main focus to the visually impaired, and finally, the program was placed for evaluation and their results discussed. Thus, we present all the findings and learnings that occurred during the research for this work, the development of the program and its practical application, concluding that it is possible that the visually impaired have access to technology and the Internet. Keywords: Visually Impaired Accessibility Logic Programming. 6 LISTA DE QUADROS E IMAGENS Quadro 1: Estrutura ................................................................................................... 34 Imagem 1: Ícone........................................................................................................ 36 Imagem 2: Primeira Tela ........................................................................................... 37 Imagem 3: Segunda Tela .......................................................................................... 38 Imagem 4: Terceira Tela ........................................................................................... 39 Imagem 5: Tela de Acerto ......................................................................................... 40 Imagem 6: Quarta Tela ............................................................................................. 41 Imagem 7: Tela de Acerto II ...................................................................................... 42 Imagem 8: Tela de Erro ............................................................................................. 43 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 08 1. TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E A INCLUSÃO DIGITAL DO DEFICIENTE VISUAL ............................................................................................... 11 1.1 Abordagem Geral da Deficiência ................................................................ 16 1.2 Parâmetros Norteadores do Design Universal ............................................ 20 1.3 A Acessibilidade Digital do Deficiente Visual .............................................. 20 2. AVProg (Auditivo Visual Programação) ................................................................. 31 2.1 Objetivo e aplicação do AVProg ................................................................. 33 2.2 Desenvolvimento ........................................................................................ 33 2.2.1 Iniciar o sistema ....................................................................................... 36 2.2.2 Primeira Tela............................................................................................ 37 2.2.3 Segunda Tela........................................................................................... 38 2.2.4 Terceira Tela ............................................................................................ 39 2.2.5 Quarta Tela .............................................................................................. 41 2.2.6 Fluxo Alternativo ...................................................................................... 42 2.3 Construção do FrameWork ......................................................................... 43 2.4 Diagrama .................................................................................................... 43 3. APLICAÇÃO PRÁTICA DO AVProg...................................................................... 46 3.1 Aplicação .................................................................................................... 47 3.2 Resultado .................................................................................................... 47 3.3 Discussão dos Resultados .......................................................................... 49 3.4 Projetos Futuros.......................................................................................... 49 CONCLUSÃO............................................................................................................ 50 REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO ............................................................................ 52 8 INTRODUÇÃO A tecnologia e a informação são peças fundamentais para a sociedade em que vivemos, ela esta presente no cotidiano das pessoas desde o entretenimento até as atividades profissionais. Mesmo com a inclusão social cada vez mais abrangente, ainda existem indivíduos que não tem acesso ou condições físicas para desfrutar esses benéficos. Mesmo com os esforços em conjunto de organizações governamentais e/ou não governamentais para implantar programas de formação profissional, flexibilizando as exigências genéricas para a composição de seus quadros, de modo à objetivamente, abrir as portas para esse grupo social em evidente estado de vulnerabilidade, ainda é baixo o número de portadores de deficiências no mercado de trabalho. Assim a fiscalização Trabalhista acaba tendo que exercer um papel fundamental na execução da política afirmativa de exigências de contratação de pessoas com deficiência, não só no que se refere à verificação do cumprimento da lei, mas pela sua missão de agente de transformação social dirigida principalmente aos empregadores. Embora o Brasil tenha uma legislação relativa aos direitos do cidadão com deficiência considerada avançada internacionalmente, e a sociedade venha se tornando cada vez mais favorável a diversidade de realidades, isto ainda não tem se refletido em grandes avanços reais a ponto de mudar as desigualdades de inclusão, logo o acesso à informação não pode ser tratado como um tema isolado, uma vez que ele está associado a outros direitos que, igualmente, conferem cidadania às pessoas. A negação do direito à informação, portanto, pode marginalizar pessoas em situação de vulnerabilidade social, tais como as pessoas com deficiência. Hoje em dia uma das formas mais utilizadas de se passar informação é disponibiliza-la pela internet. Nunca foi tão fácil obter informação sobre diversos tópicos pela simples leitura de uma tela de computador, mas como um indivíduo com deficiência visual poderia desfrutar de tal informação? Atualmente é crescente a necessidade de softwares e hardware voltados para auxiliar os deficientes visuais na interação de tecnologias computacionais. 9 Existem ferramentas computacionais no mercado que permitem uma melhor interação com o hardware possibilitando uma melhor interação com a informação, mas em sua grande maioria, desconhecidas pela sociedade e em muitos casos o deficiente visual não tem conhecimento de como utiliza-las, como já citado anteriormente é necessário que estes indivíduos possam conhecer as potencialidades e fragilidades de cada uma, e também quais atendem suas necessidades. Em 16 de novembro de 2006, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República – (SEDH/PR), através da portaria nº 142, instituiu o Comitê de Ajudas Técnicas (CAT), que reúne um grupo de especialistas brasileiros e representantes de órgãos governamentais, em uma agenda de trabalho. O CAT tem como objetivos principais: apresentar propostas de políticas governamentais e parcerias entre a sociedade civil e órgãos públicos referentes à área de tecnologia assistiva; estruturar as diretrizes da área de conhecimento; realizar levantamento dos recursos humanos que atualmente trabalham com o tema; detectar os centros regionais de referência, objetivando a formação de rede nacional integrada; estimular nas esferas federal, estadual, municipal, a criação de centros de referência; propor a criação de cursos na área de Tecnologia Assistiva (TA), bem como o desenvolvimento de outras ações com o objetivo de formar recursos humanos qualificados e propor a elaboração de estudos e pesquisas, relacionados com o tema da TA (VANNUCHI, 2006). Mesmo com os incentivos do governo ainda vivemos uma era onde nas escolas publicas, os deficientes visuais enfrentam dificuldades pela falta de equipamentos que atendam suas necessidades e pelo preconceito de seus colegas de classe que não compreendem suas limitações, por este motivo poucos conseguem terminar o ensino médio e uma parcela menor ainda ingressa e/ou completam o ensino superior, o que ocasiona uma dificuldade a mais para sua entrada no mercado de trabalho. Através desses fatos, este trabalho visa abordar inicialmente os principais tipos de deficiência, como deficiência motora, auditiva, mental e visual (público alvo do trabalho). Também serão apresentadas algumas tecnologias voltadas ao deficiente visual que proporcionam melhor qualidade de vida e também uma melhor 10 capacidade de competirem no mercado de trabalho entre os profissionais portadores ou não de deficiência. Após a primeira etapa de revisão bibliográfica da situação dos deficientes do Brasil, iremos propor uma arquitetura de software direcionada ao treinamento de pessoas com deficiência, mais especificadamente a deficiência visual, onde o programa visará ensinar lógica de programação ao usuário. Com o desenvolvimento do software, o mesmo foi aplicado em uma pesquisa de campo com portadores de deficiência visual, e a pesquisa, assim como seus resultados, serão discutidos a seguir, finalizando o trabalho com uma conclusão pessoal de todos os aspectos e relações aqui abordados. 11 1. TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E A INCLUSÃO DIGITAL DO DEFICIENTE VISUAL O homem na antiguidade, utilizava de artimanhas e objetos para desempenhar um trabalho mais preciso, facilitando a vida e trazendo mais conforto nas diversas tarefas do cotidiano. Assim, devemos aos nossos ancestrais por tudo que utilizamos hoje sem a necessidade de fazer grandes esforços para desempenhar qualquer atividade que precisemos. Podemos dizer o mesmo em relação aos deficientes físicos que antigamente faziam uso de objetos como um cajado, por exemplo, para se apoiar quando as suas pernas não eram mais suficientes para aguentar o peso do corpo, dessa forma lhes era permitindo que fizessem algumas tarefas sem precisar de um auxilio humano. Em toda a história do homem na terra o homem vem buscando incessantemente por soluções renovadoras. Com o aumento populacional e as diversas deficiências existentes nas pessoas, foi necessário criar artimanhas e artefatos que auxiliassem no dia a dia, pois assim seria fácil se reintegrar ao mesmo espaço que uma pessoa não deficiente, quebrando a barreira que infelizmente ainda existe entres as partes. Sendo assim surgiu a necessidade de criar objetos capazes de auxiliar no trabalho, no lazer, na locomoção, na comunicação e até mesmo em muitos casos de nos manter respirando assim como os equipamentos hospitalares. Para os deficientes, as tecnologias desenvolvidas pelo homem no decorrer da historia deste a roda, a descoberta do ferro e da eletricidade foi de grande importância e ainda continua sendo uma grande motivação e esperança para aqueles que dependem de artefatos como uma cadeira de rodas para conseguir interagir com o mundo, pois estes objetos vêm sendo aprimorado dando-os mais mobilidade, e a aceitação de pessoas nestas condições vem crescendo cada dia mais entre a sociedade, através da mobilização das pessoas e incentivo do governo já é possível que um deficiente tenha uma vida social mais ativa que em outrora lhes era cheia de complicações. 12 De acordo com Chicon e Soares (2003, apud LIMA et. ali. 2004, p.09-10), ao longo do tempo, a sociedade demonstrou basicamente três atitudes distintas diante das pessoas com deficiência: Eliminação: qualquer bebê que nascesse com qualquer tipo de deficiência ou deformação visível era morta, destruindo assim os “seres imperfeitos”. Proteção Cristão: Com o advento do cristianismo, os deficientes passaram a ser assistidos pela Igreja. Preconceito: A partir da Idade Média até os últimos anos, a marginalização e segregação dos deficientes é a atitude mais comum a ser vista. A expressão Tecnologia Assistiva, porém, surge pela primeira vez, segundo Bersch (2005) em 1988. Originalmente conhecida como Assistive Technology, importante elemento jurídico dentro da legislação norte-americana, conhecida como Public Law 100-407, que compõe, com outras leis, o ADA - American with Disabilities Act. Este foi um conjunto de leis que garantiu, pela primeira vez, direitos específicos para deficientes. Assim como a documentação e legislação norte-americana, os documentos do Consórcio EUSTAT igualmente percebem e conceituam a Tecnologia Assistiva (TA) ou Tecnologia de Apoio, como produtos e também serviços. O documento “Educação em Tecnologias de Apoio para Utilizadores Finais: Linhas de Orientação para Formadores” (EUSTAT, 1999) é bastante explícito quanto a isso, explicitando inicialmente que o termo tecnologias de Apoio não são apenas os aparelhos e dispositivos tecnológicos, mas sim toda a logística existente por trás deles, como por exemplo um carro adaptado a pessoas paraplégicas, não só o carro faz parte da Tecnologia Assistiva, mas sim toda a logísca do trânsito que é modificada para melhor andar o carro adaptado, seja uma sinalização especial, uma vaga reservada ou uma pista preferencial. Portanto a Tecnologia Assistiva é muito mais que apenas os acessórios, mas sim toda a organização e mobilização ocorrida para aquele fim. 13 Além disto, a Tecnologia Assistiva também tem que trazer um diferencial na vida da pessoa com deficiência, seja ela facilitando uma tarefa ou substituindo uma ação, a tecnologia tem que ter uma função e ação real junto a seu usuário. Portanto, essa maneira de entender TA, a concebe seu além de meros dispositivos, equipamentos ou ferramentas, englobando no conceito também os processos, estratégias e metodologias a eles relacionados. Isso fica claro na legislação norte-americana, quando a Public Law 108-364 descreve o que deve entender-se por Serviços de TA (BERSCH, 2005): • A avaliação das necessidades de uma TA do indivíduo com uma deficiência, incluindo uma avaliação funcional do impacto da provisão de uma TA apropriada e de serviços apropriados para o indivíduo no seu contexto comum. • Um serviço que consiste na compra, leasing ou de outra forma provê a aquisição de recursos de TA para pessoas com deficiências; • Um serviço que consiste na seleção, desenvolvimento, experimentação, customização, adaptação, aplicação, manutenção, reparo, substituição ou doação de recursos de TA; • Coordenação e uso das terapias necessárias, intervenções e serviços associados com educação e planos e programas de reabilitação; • Treinamento ou assistência técnica para um indivíduo com uma deficiência ou, quando apropriado, aos membros da família, cuidadores, responsáveis ou representantes autorizados de tal indivíduo; • Treinamento ou assistência técnica para profissionais (incluindo indivíduos que provêm serviços de educação e reabilitação e entidades que fabricam ou vendem recursos de TA), empregadores, serviços provedores de emprego e treinamento, ou outros indivíduos que provêm serviços para empregar, ou estão de outra forma, substancialmente envolvidos nas principais funções de vida de indivíduos com deficiência; 14 • Um serviço que consiste na expansão da disponibilidade de acesso à tecnologia, incluindo tecnologia eletrônica e de informação para indivíduos com deficiências. Portanto, o desenvolvimento de Tecnologias Assistivas, direciona-se a oferecer subsídios para que pessoas portadoras de deficiências, ou que estejam em uma situação de deficiência, possam realizar suas atividades rotineiras e cotidianas, oferecendo-lhes independência e ao mesmo tempo incluindo-as na utilização de recursos, da mesma forma que as demais pessoas devido às necessidades especiais e paralelas de seu cotidiano. Tornando-se assim em nossa área de suma importância para a acessibilidade e inclusão digital de todos. A difusão do conceito de acessibilidade iniciou-se em 1981, ano declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como “Ano Internacional dos Portadores de Deficiência”. Já no Brasil, o direito de as pessoas com deficiência terem as mesmas oportunidades que os demais cidadãos possuem e de desfrutarem as condições de vida resultantes do desenvolvimento econômico e social foi proporcionado pela Constituição Federal (CF) de 1988, a qual prevê o pleno desenvolvimento dos cidadãos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação; garante o direito à escola para todos; e coloca como princípio para a Educação o “acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um” (BRASIL, 1999). De acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT (2004), acessibilidade é ter acesso a todo e qualquer espaço, seja físico ou de comunicação, proporcionando assim a entrada aos diferentes tipos de pessoas com necessidades educacionais especiais (crianças, idosos, gestantes etc.) aos locais por elas frequentados, garantindo-lhes qualidade de vida, por meio da Lei n°. 10.098/2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. No escopo da acessibilidade, temos ainda a acessibilidade digital, considerando que a atual geração está sendo caracterizada como a geração digital 15 ou os filhos da era digital. Entretanto, ao que se pode observar no relatório produzido pelo IBGE, fruto da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD de 2005, há um baixo nível de acesso à internet nas escolas (12%), sendo que, nos países avançados, acima de 80% dos alunos jovens na mesma situação têm essa possibilidade. Também surpreende a baixa disponibilidade de centros de acesso gratuito, permitindo acesso à internet só a 4,4% dos jovens. É importante ressaltar que essas informações correspondem a alunos videntes e com deficiência visual. Pode-se inferir que os problemas de acessibilidade digital são maiores quando o foco são as pessoas com deficiência visual. Nos últimos anos a inclusão digital destaca-se como um processo social de suma importância no Brasil e no mundo. Entretanto os debates relacionados ao tema estão longe de demonstrar um referencial teórico consistente, ou seja, que realmente se volte para a questão de inclusão, o que se tem visto atualmente são ações antigas “travestidas” de “ações de inclusão” (PASSERINO, 2007). O paradigma da inclusão digital remete a pensar acessibilidade e qualidade na educação. Os sistemas de organização e aprendizagem às vezes tangenciam barreiras difíceis de serem quebradas ao qual muitas vezes impedem uma aprendizagem e efetivação na qualidade de ensino ou profissional. O princípio da acessibilidade está presente na concepção que orienta a construção da escola inclusiva, indicando a sua dimensão transversal que contrapõe a existência de sistemas paralelos de ensino especial e ensino regular e passa a planejar as escolas com ambientes acessíveis e sem discriminação, que garantam os direitos de cidadania e atenção à diversidade humana. O desafio da acessibilidade está colocado para a educação, seus pressupostos não estão restritos ao trabalho de determinados profissionais, mas estão direcionados para toda escola e sociedade. Sua efetivação requer eliminar os preconceitos, exigindo mudança de atitude em relação às diferenças: a adequação das estruturas físicas que permitam a circulação e mobilidade segundo os critérios de acessibilidade; o acesso às tecnologias, aos códigos e às linguagens que possibilitem formas diferenciadas de comunicação; e a alteração das práticas pedagógicas que promovam a interação e valorizem as diferentes formas de construção do conhecimento (MEC, 2006). 16 Neste contexto Gasparetto et. al (2012) salientam que a Tecnologia Assistiva é a área do conhecimento direcionada ao desenvolvimento de serviços, recursos e estratégias que auxiliem pessoas com deficiências físicas ou mentais na realização de suas tarefas cotidianas.” - entretanto apesar dos grandes esforços cognitivos a acessibilidade ainda esta longe de muitos. Os quais sentem-se em sua maioria lesados e “violentados” socialmente, pois os direitos que lhes são garantidos pela constituição muitas vezes não são considerados pelas demais pessoas. Motivo pelo qual estes sentem-se verdadeiros reféns de sua exclusão social. O que demonstra a necessidade de uma revisão conceitual da representação construída, ao longo de muitos anos, da pessoa com deficiência tendo em vista que a deficiência é uma situação de vida que, embora apresentando-se de forma permanente, não deve definir os atributos individuais (GASPARETTO, 2012). Assim faz-se necessário oferecer alternativas que possam de alguma forma, minimizar os problemas destas pessoas. 1.1 Abordagem Geral da Deficiência Segundo Sassaki (2003), utilizar os termos técnicos de forma correta não é uma apenas uma questão semântica ou sem qualquer importância. A utilização da terminologia correta é de suma importância quando são estudados e analisados os assuntos que mantêm um certo preconceito cercado de estereótipos, e este é o caso das diversas deficiências que se pode notar em grande parte da população mundial. A terminologia correta que deve ser utilizada quando nos referimos a uma pessoa “portadora de deficiência” é “pessoa com deficiência” (SASSAKI, 2003). Amaral (1995) nos leva a compreender que a deficiência é toda alteração do corpo ou aparência física de um órgão ou de uma função, qualquer que seja sua causa, onde se caracteriza pelas perdas ou alterações que podem ser, tanto temporárias, como permanentes, e que afetam diretamente o indivíduo, a partir do desenvolvimento de uma anomalia, defeito ou perda de um membro, órgão, tecido ou outra estrutura do corpo, incluindo a função mental. 17 “Qualquer restrição ou perda na execução de uma atividade, resultante de um impedimento, na forma ou dentro dos limites considerados como normais para o ser humano” (Cidade, 2002). Para compreender e explicar a incapacidade e a funcionalidade foi proposto por SARTORETTO e BERSCH (2012), vários modelos conceituais: • Modelo Médico: Considera a incapacidade como um problema da pessoa, causado diretamente pela doença, trauma ou outro problema de saúde, que requer assistência médica sob a forma de tratamento individual por profissionais. Os cuidados em relação à incapacidade têm por objetivo a cura ou a adaptação do indivíduo e mudança de comportamento. A assistência médica é considerada como a questão principal e, a nível político, a principal resposta é a modificação ou reforma da política de saúde. • Modelo Social: O modelo social de incapacidade, por sua vez, considera a questão principalmente como um problema criado pela sociedade e, basicamente, como uma questão de integração plena do indivíduo na sociedade. A incapacidade não é um atributo de um indivíduo, mas sim um conjunto complexo de condições, muitas das quais criadas pelo ambiente social. Assim, a solução do problema requer uma ação social e é da responsabilidade coletiva da sociedade fazer as modificações ambientais necessárias para a participação plena das pessoas com incapacidades em todas as áreas da vida social. Portanto, é uma questão atitudinal ou ideológica que requer mudanças sociais que, a nível político, se transformam numa questão de direitos humanos. De acordo com este modelo, a incapacidade é uma questão política. 18 • Abordagem Biopsicossocial: A Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF) baseia-se numa integração desses dois modelos opostos. Para se obter a integração das várias perspectivas de funcionalidade é utilizada uma abordagem "biopsicossocial". Assim, a CIF tenta chegar a uma síntese que ofereça uma visão coerente das diferentes perspectivas de saúde: biológica, individual e social. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, havia 45,6 milhões de pessoas com pelo menos uma das deficiências investigadas (visual, auditiva, motora e mental), representando 23,9% da população. A diferença em relação aos dados do Censo 2000 (14,3% da população). A deficiência visual foi a mais frequente, atingindo 35,8 milhões de pessoas com dificuldade para enxergar (18,8%), mesmo de óculos ou lentes de contato. A deficiência visual severa (pessoas que declararam ter grande dificuldade de enxergar ou que não conseguiam de modo algum) atingia 6,6 milhões de pessoas, sendo que 506,3 mil eram cegos (0,3%). O conceito de deficiência inclui, necessariamente, a incapacidade relativa, parcial ou total para o desempenho da atividade dentro dos padrões considerados normais para qualquer ser humano. De fato, os portadores de deficiência podem realizar qualquer tipo de atividade desde que tenham condições e apoios adequados às suas características (PEREIRA, 2009). O Decreto nº 3.298/99 e o Decreto nº 5.296/04 conceituam como deficiência visual: • Cegueira – a visual é igual ou menor que 0,05º no melhor olho, com a melhor correção óptica. • Baixa Visão – acuidade visual entre 0,3º e 0,05º no melhor olho, com a melhor correção óptica. 19 • Casos em que a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60°. • Ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores (PEREIRA, 2009). O Decreto nº 5.296/04 é a lei que efetuou a inclusão das pessoas com baixa visão nesse item. Estes indivíduos são classificados neste grupo quando, mesmo utilizando formas de corrigir duas deficiências, tais como com a utilização de óculos comuns, lentes de contato ou implantes de lentes intraoculares, não conseguirem ter uma visão realmente nítida, desenvolvendo sensibilidade ao contraste, percepção das cores e intolerância à luminosidade, ou inúmeras outras patologias conforme o tipo de doença que acarretou a perda da visão. (PEREIRA, 2009). A definição de baixa visão (ambliopia, visão subnormal ou visão residual) é complexa devido à variedade e à intensidade de comprometimentos das funções visuais. Essas funções englobam desde a simples percepção de luz até a redução da acuidade e do campo visual que interferem ou limitam a execução de tarefas e o desempenho geral. Em muitos casos, observa-se o nistagmo, movimento rápido e involuntário dos olhos, que causa uma redução da acuidade visual e fadiga durante a leitura. É o que se verifica, por exemplo, no albinismo, falta de pigmentação congênita que afeta os olhos e limita a capacidade visual. Uma pessoa com baixa visão apresenta grande oscilação de sua condição visual de acordo com o seu estado emocional, as circunstâncias e a posição em que se encontra, dependendo das condições de iluminação natural ou artificial. Trata-se de uma situação angustiante para o indivíduo e para quem lida com ele tal é a complexidade dos fatores e contingências que influenciam nessa condição sensorial. As medidas de quantificação das dificuldades visuais mostram-se insuficientes por si só e insatisfatórias. É, pois, muito importante estabelecer uma relação entre a mensuração e o uso prático da visão, uma vez que mais de 70% das crianças identificadas como legalmente cegas possuem alguma visão útil (SEESP / SEED / MEC, 2007) 20 1.2 Parâmetros Norteadores do Design Universal A necessidade de Inclusão Digital com portadores de deficiência se da a partir da necessidade da comunicação juntamente com um conjunto de regras e parâmetros para que as pessoas possam compreender-se umas as outras. Assim foram-se criados e desenvolvidos métodos da comunicação. Conforme contexto Cardoso et. al (2012) “[..]O design de sistemas informacionais, ou simplesmente, design de sinalização, pertence ao grupo do chamado design ambiental, assim como o design de ambientação. Assim, o design de sinalização procura otimizar, por vezes, até viabilizar, a utilização e o funcionamento de espaços, sejam eles abertos ou construídos. Este tipo de projeto costuma ser implantado, dentre outros, em espaços abertos, em edificações com certo nível de complexidade como shopping centers, escolas e universidades, terminais de transporte (aeroportos, rodoviárias, etc.), hospitais e em regulamentações ou eventos de grande abrangência (olimpíadas, copas do mundo), feiras mundiais (Word Fairs), etc.”. Muitas tecnologias já começaram a estar disponíveis na sociedade para atender as necessidades das pessoas com deficiências. Designers começaram a desenvolver os primeiros sistemas de sinalização em Braille e aumentaram as informações escritas para possibilitar a leitura também por pessoas com demais deficiências e/ou restrições. Pesquisadores desenvolveram uma melhor compreensão de legibilidade relacionando-a com o uso da cor, contraste, tipo e tamanho da tipografia empregada. Aos poucos, a preocupação com a acessibilidade começou a surgir no momento do desenvolvimento do projeto arquitetônico e muitas organizações começaram a reivindicar a proteção dos direitos dos usuários de “navegar” com autonomia em um mundo inacessível. (CARDOSO, 2012) 1.3 A Acessibilidade Digital do Deficiente Visual Equipamentos que visam à independência das pessoas com deficiência visual na realização de tarefas como: consultar o relógio, usar calculadora, verificar a 21 temperatura do corpo, identificar se as luzes estão acesas ou apagadas, cozinhar, identificar cores e peças do vestuário, verificar pressão arterial, identificar chamadas telefônicas, escrever, se locomover independente etc. Inclui também auxílios ópticos, lentes, lupas e telelupas; os softwares leitores de tela, leitores de texto, ampliadores de tela; os hardwares como as impressoras braile, lupas eletrônicas, linha braile (dispositivo de saída do computador com agulhas táteis) e agendas eletrônicas. Um micro computador especial tem a tecnologia apropriada já para um deficiente visual poder utilizar a maquina de forma independente convertendo tudo para a linguagem braile ou para áudio. Um simples gesto de utilizar o aparelho de micro-ondas, ao invés de digitar o valor digito por digito para selecionar o tempo desejado para a utilização do aparelho, com a opção de apenas ao apertar o botão Ligar, o usuário já tem o tempo pré-definido pelo próprio aparelho facilitando um deficiente visual de utilizar o aparelho de micro ondas da mesma forma em que um televisor é ligado ao pressionar qualquer botão, acionamento de luzes por comando de voz, portões elétricos, elevadores, escadas rolantes, cadeira de rodas elétrica, etc. Sistemas Operacionais configurados para conversar e interagir com o usuário, trazendo maior conforto, locomoção e sensação de independência de tudo e de todos para viver e se reintegrar com a sociedade sem ter a necessidade do individuo solicitar ajuda para utilizar redes sociais, trabalhar, viver como uma pessoa sem necessidades especiais se sentindo capaz de fazer qualquer coisa, trabalhar em empresas sem se preocupar com nada, se divertir com outras pessoas e comunicar-se com outras pessoas usando computadores, telefones e outros aparelhos, voltados para cada tipo de usuário conforme sua necessidade. Equipamentos de entrada e saída (síntese de voz, Braille), auxílios alternativos de acesso, teclados modificados ou alternativos, acionadores, softwares especiais (de reconhecimento de voz, etc.), que permitem as pessoas com deficiência a usarem o computador. Uma das ferramentas mais utilizadas nos computadores com o sistema operacional Windows, é o de reconhecimento da fala para melhor acessibilidade de programas, sites e aplicativos. Com ele podemos ordenar que o computador nos apresente programas com telas maximizadas ou 22 minimizadas e até mesmo mandar fechar algum aplicativo que não queremos mais utilizar. Pelo reconhecimento da fala, temos a possibilidade de escrever textos em programas de próprios para este tipo de desenvolvimento, utilize reprodutores de áudio, navegadores de internet e interaja com o computador de forma pratica, eficiente e eficaz. Teclado em Braille, é outra opção para o melhor conhecimento do computador para um deficiente visual que, deve aprender a sensibilidade adequada para teclar e reconhecer os caracteres, letras maiúsculas e minúsculas, emitem sons diferentes uma das outras fazem assim uma identificação para a pessoa saber quando esta digitando com letras maiúsculas e/ou minúsculas. Para um deficiente visual de nascença, o computador deve ser apresentado como um todo para que não haja muitos espantos e sempre com um clima de descoberta proporcionando este contato e aproximação. Não só a parte física do computador deve ser adaptada e sim, o sistema em si deve ser especial para maior e melhor manuseio das ferramentas do equipamento como, por exemplo, softwares que convertem códigos em BRAILLE para a forma escrita em um bloco de notas, Microsoft Word e/ou sites de relacionamento ou comercial até mesmo de trabalho. O computador completamente adaptado pode ser utilizado para alfabetização de crianças deficientes, com os softwares que identificam os equipamentos que utilizam a linguagem em BRAILLE para a comunicação do usuário, trazendo a oportunidade de chegar ao conhecimento, noticias conversas, e até mesmo jogos que já estão se adequando para a nova tecnologia. O deficiente visual, este cada vez mais próximo da utilização do computador de forma independente (BARBOSA, 2012). No caso da deficiência visual, a acessibilidade digital é garantida por uma série de padrões. O W3C (World Wide Web Consortium) é o órgão que coordena a elaboração e padronização das regras de acessibilidade. Essas regras são adotadas por diversos países e empresas como a IBM e Microsoft. As orientações elaboradas pelo W3C têm como objetivo auxiliar e encorajar o desenvolvimento de páginas acessíveis, indicando não só princípios gerais como as formas ideais de implementação que orientam os autores (RODRIGUES et al.,[2009]). O W3C publicou, em 5 de maio de 1999, o primeiro documento: “Web Content Accessibility Guidelines” . Esse documento foi elaborado com o objetivo de propor sugestões de como tornar o conteúdo de documentos web acessível a portadores de deficiência (Web Content Acessibility Guidelines 1.0). Além desse 23 documento, temos ainda técnicas de cores para utilização de contraste para deficientes visuais com problemas de baixa visão e daltonismo, definidas no WCAG 2.0 (Web Content Accessibility Guidelines). No que tange aos deficientes visuais, é fácil perceber que construir uma interface é algo complexo, que deve seguir algumas regras de lógica, funcionalidade e ergonomia muito particulares, e que serão parte fundamental no sucesso de um produto. É importante notar que não é suficiente uma adaptação, uma interface já padronizada, bastante conhecida e consolidada, pois isso não garante que ela seja acessível às pessoas cegas (PINHEIRO, 2004). Por exemplo, o uso do mouse pelo deficiente visual torna-se quase impossível, visto que sua operação é predominantemente visual. Existem programas que só conseguem disparar certas funções a partir de um clique do mouse, prejudicando o seu uso por deficientes visuais. Recursos que proporcionam a capacidade de expressão e recepção de mensagens em indivíduos limitados por mudez ou surdez. Tais recursos podem ser eletrônicos ou analógicos. Exemplos: pranchas de comunicação, vocalizadores e aplicativos digitais. A Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) é uma das áreas da TA que atende pessoas sem fala ou escrita funcional ou em defasagem entre sua necessidade comunicativa e sua habilidade em falar e/ou escrever. Busca, então, através da valorização de todas as formas expressivas do sujeito e da construção de recursos próprios desta metodologia, construir e ampliar sua via de expressão e compreensão. Recursos como as pranchas de comunicação, construídas com simbologia gráfica (desenhos representativos de ideias), letras ou palavras escritas, são utilizados pelo usuário da CAA para expressar seus questionamentos, desejos, sentimentos e entendimentos. A alta tecnologia nos permite também a utilização de vocalizadores (pranchas com produção de voz) ou do computador, com softwares específicos, garantindo grande eficiência na função comunicativa. Dessa forma, o aluno com deficiência, passa de uma situação de passividade para outra, a de ator ou de sujeito do seu processo de desenvolvimento. (BERSCH e SCHIRMER, 2005, p. 89). 24 A Tecnologia destinada para deficientes com dificuldade na fala ou escrita ou alguma forma de deficiência comunicativa e habilidades de falar ou escrever fazendo a utilização de recursos como pranchas de comunicação construídas com simbologia gráfica (BLISS, PCS e outros), letras ou palavras escritas, são utilizadas pelo usuário da Comunicação Aumentativa e Alternativa para se expressar de forma concisa com seus desejos, sentimentos e entendimentos. A alta tecnologia dos vocalizadores (pranchas com produção de voz). Com esse meio de comunicação, levamos a população a outro nível de entendimento e tecnologia podendo levar alguém com deficiência na fala e/ou escrita, se comunicar utilizando aparelhos como, por exemplo, sistemas que reconhecem caracteres digitados em uma tela em voz para outras pessoas ouvirem tendo maior velocidade na compreensão do deficiente em comunicação. Mesmo sendo de linguagens diferentes, temos a tecnologia nos dando o suporte para varias línguas do estrangeiro para facilitar a compreensão desde o Inglês, Português, Alemão, Japonês, Chinês para outras línguas. Um exemplo clássico, é o conhecido Google Tradutor que, é uma ferramenta utilizada para a compressão e tradução de palavras, textos e frases em diversas línguas, mas também esta ferramenta pode ser utilizada como forma de comunicação com outras pessoas que estão por perto e/ou de países diferentes, não tendo o problema de interpretação de texto e nem mesmo da língua pronunciada pelo interprete já adaptado no sistema Google tradutor que nos oferece essa ferramenta poderosa que é a fala do próprio sistema em línguas diferentes. Existem institutos que já utilizam aparelhos como mouse e teclados adaptados para pessoas com dificuldade na comunicação e ou neuro-motora, dispositivos que ficam na boca ou nos pés fazendo com que o sistema interaja com o usuário mostrando nitidamente o que o mesmo está fazendo desde desenhos e escritas, dando liberdade de comunicação garantindo o acesso à informação a ser passada a ser adquirida conforme a necessidade das pessoas ali presente, favorecendo a participação educacional, social e cultural. Apesar dessas dificuldades, com a ajuda de computadores, scanners, impressoras e outros equipamentos, um cego é capaz de “escrever e ser lido, e ler o que os outros escreverem”. 25 De acordo com o Catálogo Nacional de Produtos de Tecnologia Assistiva, do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), existem 2.507 produtos cadastrados para todas as Pessoas, tais como: • Pessoas com deficiência auditiva, 87 produtos cadastrados; • Pessoas com deficiência Mental, 44 produtos cadastrados; • Pessoas com deficiência visual, 342 produtos cadastrados; • Pessoas com deficiência física, 824 produtos cadastrados; • Pessoas com deficiência múltipla, 699 produtos cadastrados; • Produtos destinados a idosos, 511 produtos cadastrados. Estes produtos estão distribuídos de acordo com as seguintes categorias: • Apoio para tratamento clínico; • Apoio para treino de competências; • Órteses e próteses; • Apoio para cuidados pessoais e proteção; • Apoio para mobilidade pessoal; • Apoio para atividades domésticas; • Mobiliário e adaptações para habitação e outros edifícios; • Apoio para comunicação e informação; • Apoio para manuseamento de objetos e dispositivos; • Apoio para melhoria do ambiente, máquinas e ferramentas; • Apoio para atividades recreativas. 26 Podemos ver que por categoria os produtos somam 1.207. Isto significa que um único produto pode atender a mais de um tipo de deficiência. O Catálogo Nacional de Produtos de Tecnologia Assistiva é resultado da iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, através da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (MCT/SECIS)[8], desenvolvido e realizado em parceria com o Instituto de Tecnologia Social (ITS BRASIL). O Catálogo é um serviço de informação de produtos Tecnologia Assistiva, do MCTI/SECIS, lançado como parte do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência Viver sem Limite. É um produto articulado de forma integrada com as ações do Centro Nacional de Referência em Tecnologia Assistiva. O Catálogo brasileiro faz parte da Aliança Internacional de Provedores de Informação em TA, que trabalha em conjunto para o avanço do padrão desses serviços. O Catálogo consiste numa ferramenta web que possibilita a realização de buscas sobre os produtos de Tecnologia Assistiva fabricados ou distribuídos no Brasil. Ele tem como missão oferecer informações sobre os produtos de TA (ajudas técnicas ou produtos de apoio) que podem contribuir para maior autonomia e qualidade de vida das pessoas com deficiência e idosas. Dessa forma, o Catálogo Nacional de Produtos de Tecnologia Assistiva responde a uma necessidade social. As pessoas com deficiência e idosas, assim como suas famílias, os profissionais da reabilitação, as organizações da sociedade civil e os órgãos públicos que prestam serviços para as pessoas com deficiência e idosas precisam de informações sobre os produtos de TA existentes no Brasil. A tecnologia assistida não só renova a vida das pessoas, mas também concede a chance de muitas pessoas demonstrarem seu potencial no mercado de trabalho. Cada nova tecnologia assistiva lançada no mercado, melhora a qualidade de vida do seu publico alvo. A vertente brasileira dessa tecnologia é o projeto DOSVOX (BORGES, 1996 apud BORGES; JENSEN, [2002]), sistema de computação baseado em síntese de fala que permitiu o acesso ao computador a mais de 3000 pessoas cegas no Brasil, 27 eliminando muitas sérias restrições para a comunicação com pessoas não cegas, e que foi base de construção para o presente Projeto. O Jaws também é outra opção de leitor de telas. É um programa desenvolvido pela empresa norte-americana Henter-Joyce, pertencente ao grupo Freedom Scientific. O Jaws permite ao usuário trabalhar com diferentes versões do sistema operacional Windows e com seus aplicativos, é utilizado também para acessar conteúdo web (se o site for estruturado corretamente e bem organizado) (INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA (IFET), 2009) Com o Jaws, qualquer usuário deficiente visual pode trabalhar tão ou mais rapidamente do que uma pessoa que veja normalmente, utilizando teclas de atalho. Estima- -se que, atualmente, a quantidade de usuários desse programa esteja em torno de 50.000, espalhados por vários países (CHIAPETTI, 2007). A seguir seguem alguns exemplos de teclas de atalho para o funcionamento do Jaws (IFET, 2009) • Tecla Iniciar + M: Vai direto para a Área de Trabalho. • Insert + T: diz o Título da Janela que está sendo utilizada. • CTRL ESC ou tecla com o desenho da janelinha (botão iniciar): ativa Menu Iniciar • TAB: avança controle (alterna entre as partes de uma janela e as partes do Windows) • SHIFT TAB: recua controle (alterna entre as partes de uma janela) • SETAS: alternam em uma parte específica da janela. • CTRL TAB: vai p/ a próxima guia de uma janela. • CTRL SHIFT TAB: vai para a guia anterior de uma janela. • ALT TAB: alterna entre as janelas ativas que estão na barra de tarefas (próxima) 28 • ALT SHIFT TAB: alterna entre as janelas ativas que estão na barra de tarefas (anterior) • ALT ESC: memoriza uma janela / vai para uma janela não aberta • INICIAR M: vai para a área de trabalho • ESPAÇO: executa o controle selecionado • ENTER: ativa atalho (ícone) ou botão ativo (selecionado) • ALT ↓↓↓: abre caixa combinada selecionando um item da mesma • ALT ESPAÇO: ativa menu controle de uma janela • ENTER: Ativa o modo formulário (para preencher algo) • ESPAÇO + ENTER: Marca botão de rádio Quanto ao preço, a versão demo de 40 minutos pode ser requisitada do site do fabricante gratuitamente; a versão demo de 60 dias está disponível por baixo preço; a versão para Windows 95/98 e a versão completa para Windows NT ou 2000 são mais onerosas. As licenças para empresa estão disponíveis em múltiplos de cinco, com descontos variando de 30 a 40%, dependendo do número de usuários. O Virtual Vision é um leitor de tela desenvolvido pela MicroPower (empresa de Ribeirão Preto – SP). Pode ser adaptado em qualquer programa do Windows. É uma aplicação da tecnologia de síntese de voz, um “leitor de telas” capaz de informar aos usuários quais os controles (botão, lista, menu etc) que estão ativos em determinado momento. Pode ser utilizado inclusive para navegar na internet. Segundo informações de seu fabricante, o Virtual Vision é atualmente acessado por aproximadamente 4.500 pessoas (CHIAPETTI, 2007). No que tange ao preço do Virtual Vision, a versão atual é comercializada, sendo gratuita para correntistas do Bradesco. As versões para Windows XP, NT e 2000 são mais caras. Programas similares importados têm preços superiores (CHIAPETTI, 2007). 29 Há também o Lente-Prom, um programa do Projeto Dosvox, pelo Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NCE-UFRJ), que permite o uso do computador por pessoas que possuem visão subnormal. Por meio dele, o que aparece na tela é ampliado em uma janela (como se fosse uma lupa). O índice de ampliação da imagem dessa janela pode variar de 1 a 9 vezes, permitindo assim que todos os detalhes sejam percebidos mesmo por aqueles com grau muito baixo de acuidade visual. O programa é simples de ser utilizado, ocupa pouco espaço de memória, além de permitir várias alternativas de configuração. Ainda é possível testar a acessibilidade em diversos browsers, incluindo os browsers com capacidade de sintetizar voz com leitores de tela e validar com ferramentas de validação como as citadas a seguir: • BOBBY: http://www.cast.bobby.org • W3C HTML Validation Service: http://validator.w3c.org • DaSilva: http://www.dasilva.org.br/ •Web@x Examinator: http://www.acesso.umic.pt/webax/examinator.php • Hera: http://www.sidar.org/hera/index.php.pt Além dos validadores de padrões W3C citados anteriormente, existem ferramentas de validação de padrões de cores e contrastes para os deficientes visuais como as citadas a seguir: • Snoock.ca: http://www.snook.ca/technical/colour_contrast/colour.html • Juicy Studio: http://juicystudio.com/services/colourcontrast. php Conforme pode ser observado, existem muitas ferramentas e padrões que permitem as pessoas com deficiência visual terem maior acessibilidade. Mas para 30 que isso aconteça, é necessário que os desenvolvedores de páginas para web contribuam gerando páginas acessíveis e que existam cada vez mais ferramentas gratuitas e de boa qualidade de leitura dessas informações. Somente dessa forma se abrirá a possibilidade de acesso à informação para a comunidade de pessoas com deficiência visual. 31 2. AVProg (Auditivo Visual Programação) Considerando as informações levantadas na revisão bibliográfica desta pesquisa, este trabalho procura desenvolver uma ferramenta que auxilie os deficientes visuais a aprender os conceitos básicos da programação, sendo que o objetivo principal deste programa será ensinar os usuários a lógica da programação. A lógica da programação pode ser compreendida como a técnica de organizar os pensamentos procurando atingir um determinado objetivo. Esta técnica é de suma importância para desenvolver e trabalhar com programas e sistemas em geral, pois auxiliam na criação e definição do trabalho baseado em uma sequência lógica. Quando consideramos um projeto, ou qualquer objetivo de qualquer ação, o desenvolvimento de uma sequencia de instruções é realizada em pensamento de forma que permita o comprimento da tarefa, ou seja, definimos uma sequência lógica de ações passo a passo que, executados da maneira correta, levará ao objetivo e/ou solução do problema. Por exemplo, para fazer batata frita precisamos seguir uma série de instruções: pegar as batatas, lavar, descascar, cortar em palitinhos, colocar óleo em uma panela ou frigideira, ligar o fogo, colocar a panela no fogo, esperar o óleo esquentar, colocar as batatas no óleo, esperar as batatas dourarem, retirá-las do óleo, colocá-las para escorrer em papel toalha, colocar sal e, finalmente, comer! É óbvio que as instruções devem ser seguidas na ordem adequada, ou seja, não dá para jogar as batatas no óleo antes de descascá-las. Nesse contexto, uma instrução tomada isoladamente não tem muito sentido. Para obter o resultado final, é necessário colocar em prática o conjunto de todas as instruções, na ordem correta. Quando nos referimos a um programa de computador, o mesmo processo acontece, uma instrução de sequência é enviada para que o programa aplique seus processos em ordem sequencial lógica. Existem várias definições para algoritmo como, por exemplo: “Um conjunto finito de regras que provê uma sequência de operações para resolver um tipo de 32 problema específico” (KNUTH); “Sequência ordenada, e não ambígua, de passos que levam à solução de um dado problema” (TREMBLAY); “Processo de cálculo, ou de resolução de um grupo de problemas semelhantes, em que se estipulam, com generalidade e sem restrições, as regras formais para a obtenção do resultado ou da solução do problema” (AURÉLIO). Em programação, os algoritmos são fundamentais para especificar uma sequência de passos lógicos de forma que o computador consiga executar uma tarefa qualquer. Através do desenvolvimento de um algoritmo, a solução para um determinado problema pode ser concebida, independente da linguagem específica. Basicamente, todo algoritmo deve: (a) ter fim; (b) não ser ambíguo; (c) ser capaz de receber dados de entrada do “mundo exterior”; (d) poder gerar informações de saída; e (e) ser efetivo de forma que todas as suas etapas sejam resolvidas em um tempo finito. Existem diversas formas de representação dos algoritmos que podem utilizar, por exemplo, a língua portuguesa, fluxogramas ou uma linguagem algorítmica (chamada pseudocódigo). A diferença entre as formas de representação de algoritmos está na quantidade de detalhes de implementação que fornecem ou pelo grau de abstração que possibilitam à implementação do algoritmo em termos de uma linguagem de programação específica. Os programas de computadores nada mais são do que algoritmos escritos numa linguagem de computador (Pascal, C, Cobol, Fortran, Visual Basic, entre outras) e que são interpretados e executados por uma máquina, no caso um computador. Para o desenvolvimento do programa “AVProg” será utilizado a linguagem Delphi. Anteriormente conhecido como CodeGear Delphi, Inprise Delphi e Borland Delphi, também conhecido como Delphi, é um compilador, uma IDE e uma linguagem de programação, produzido antigamente pela Borland Software Corporation e atualmente produzido pela Embarcadero. O Delphi, originalmente direcionado para a plataforma Windows, chegou a ser usado para desenvolvimento de aplicações nativas para Linux através do Kylix (o Kylix é um IDE para as 33 linguagens C++ e Object Pascal), e para o framework Microsoft .NET em suas versões mais recentes. O Delphi é muito utilizado no desenvolvimento de aplicações desktop, aplicações multicamadas e cliente/servidor, compatível com os bancos de dados mais conhecidos do mercado. O Delphi pode ser utilizado para diversos tipos de desenvolvimento de projeto, abrangendo desde Serviços a Aplicações Web e CTI. 2.1 Objetivo e aplicação do AVprog O programa AVProg foi desenvolvido com o objetivo de ensinar, a partir de lições básicas, a lógica da programação para deficientes visuais, mas o mesmo pode ser utilizado para todo tipo de usuário, seja deficiente visual, pessoas com outras deficiências ou mesmo pessoas sem deficiências. No desenvolvimento do programa, procurou apresentar exercícios simples de lógica, onde o usuário deverá colocar em sequencia lógica certas ações do cotidiano representadas por imagens e texto, e as mesmas serão narradas pelo programa e o usuário deverá clicar na ordem correta e/ou digitar o número correspondente de cada imagem, a qual será narrada antecipadamente pelo programa. Seguindo essa premissa, tanto o deficiente visual como qualquer pessoa poderá realizar os exercícios. 2.2 Desenvolvimento No quadro a seguir é apresentado o fluxograma dos algorítimos do AVProg: 34 Quadro 1: Estrutura Autor Ação 1. Inicia o sistema 1.1. Validar Ação 1.2. Ação Válida 1.3 Iniciar Tela inicial 2.Apresentar Primeira tela 2.1 Mostrar mensagem [“O conceito central da programação é o conceito de algoritmos, isto é, programar é basicamente construir algoritmos. Algoritmo é a descrição, de forma lógica, dos passos a serem executados no cumprimento de determinada tarefa. Para escrevermos algoritmos é preciso uma linguagem clara e que não deixe margem a ambiguidades, para isto devemos definir uma sintaxe e uma semântica, de forma a permitir uma única interpretação das instruções num algoritmo.”] 2.2 Passar para proxima tela ao clicar no botão 2.3 Validar Ação 2.4. Ação Válida 3. Apresentar Segunda Tela 3.1 Apresentar a mensagem abaixo: [ Exemplo de um algoritmo cujo objetivo é usar um telefone público - Início - Tirar o fone do gancho; - Ouvir o sinal de linha; - Introduzir o cartão; - Teclar o número desejado; - Se der o sinal de chamar - Conversar; - Desligar; - Retirar o cartão; 35 - Se não - Repetir; - Fim. Com base desta lógica, organize os quadros a seguir utilizando a lógica da programação” .] 3.2 Passar para proxima tela ao clicar no botão “Iniciar”. 3.3 Validar Ação 3.4. Ação Válida 4. Apresentar Terceira Tela 4.1. Colocar o Algoritmo abaixo em ordem: Algorítimo de média de notas anuais As seguintes imagens aparecerão embaralhadas: “nota 1º bimestre” “nota 2º bimestre” “nota 3º bimestre” “nota 4º bimestre” “+” “-” “X” “/” “dividir o resultado por 4” “escrever média” 4.2 Passar para proxima tela ao clicar no botão 4.3. Validar Ação 4.4. Ação Válida <> “Acertou! Vamos para o Próximo Algoritmo” 5. Apresentar Quarta Tela 5.1. Colocar o Algoritmo abaixo em ordem: Algorítimo “Trocar Pneu” As seguintes imagens aparecerão embaralhadas: “tirar o estepe” “tirar o macaco” “posicionar o macaco” “levantar o carro” “descochar os parafusos” 36 “remover o pneu furado” “posicionar o novo pneu” “parafusar” “guardar o macaco” “guardar o pneu” 5.2 Passar para proxima tela ao clicar no botão 5.3. Validar Ação 5.4. Ação Válida <> “Acertou, Obrigado por utilizar o AVProg” 6. Fim do Caso de Uso Fonte: Própria Portanto, com base neste fluxograma, foi desenvolvido o programa AVProg, cujo resultado será discutido a seguir. 2.2.1 Iniciar o sistema A primeira Etapa do AVProg é simplesmente executa-lo, processo o qual o próprio sistema se encarregará, bastando aplicar dois cliques sobre o ícone do programa para iniciar sua execução (por padrão do Windowns), e ele irá iniciar a Tela Inicial. Imagem 1: Ícone Fonte: Própria 37 2.2.2 Primeira Tela Com a inicialização do programa, a primeira tela apresenta uma rápida explicação sobre programação e algorítimos, como apresentado a seguir: Imagem 2: Primeira Tela Fonte: Própria Como se pode notar, após o logo, o qual foi utilizado a desta instituição, foi apresentado uma explicação rápida e simplificada de algorítimo. Após o programa ser inicializado, em 3 (três) segundos será executado o processo que executará internamente um arquivo .mp3 com o conteúdo da explicação sendo lido. Em qualquer momento, seja durante ou após a explicação em áudio, o usuário poderá clicar no botão “Avançar” e/ou digitar “1” (um) no teclado numérico para passar para a próxima tela. A premissa do algorítimo de digitar o numero “1” para passar para a próxima tela ocorreu para auxiliar os deficientes visuais a avançar no programa. 38 Ao clicar em “Avançar” ou digitar a “1” no teclado numérico o programa irá validar a ação e passar para a próxima tela. 2.2.3 Segunda Tela A segunda tela do programa apresenta um exemplo de algorítimo, como apresentado a seguir: Imagem 3: Segunda Tela Fonte: Própria A segunda tela do AVProg foi desenvolvida para dar um exemplo de pensamento lógico com base na lógica da programação de algorítimos, no caso, utilizando a ação de utilizar um telefone público. Ao ser inicializada, a segunda tela se apresentará prontamente completa e, assim como na tela anterior, em 3 (três) segundos será executado o processo que 39 executará internamente um arquivo .mp3 com o conteúdo da tela sendo lido, conteúdo esse dividido em três partes: a explicação da tela, o exemplo e o desafio proposto. Assim como na primeira tela, em qualquer momento, seja durante ou após a explicação em áudio, o usuário poderá clicar no botão “Iniciar” e/ou digitar “1” (um) no teclado numérico para passar para a próxima tela. Ao clicar em “Iniciar” ou digitar a “1” no teclado numérico o programa irá validar a ação e passar para a próxima tela. 2.2.4 Terceira Tela A terceira tela do programa apresenta o Exercício I, como apresentado a seguir: Imagem 4: Terceira Tela Fonte: Própria 40 A terceira tela do AVProg foi desenvolvida para apresentar o primeiro exercício ao usuário. Ao ser apresentada em sua totalidade, há um título explicitando que é o exercício I com o nome do mesmo, a seguir há uma rápida explicação de como proceder e a questão levantada ao usuário, que é “Que calculo deve ser realizado para descobrir as médias anuais de um aluno?”. Após essa questão, há os botões referentes às ações as quais o usuário deverá selecionar e/ou digitar o número correspondente, para responder a questão. Ao ser inicializada, a terceira tela se apresentará prontamente completa e, assim como na tela anterior, em 3 (três) segundos será executado o processo que executará internamente um arquivo .mp3 com o conteúdo da tela sendo lido, assim como os botões e os números referentes a cada botão, para melhor situar o deficiente visual. Para o completo desenvolvimento desse exercício, o usuário deverá clicar na seguinte ordem: “nota 1º bimestre”, “+”, “nota 2º bimestre”, “+”, “nota 3º bimestre”, “+”, “nota 4º bimestre”, “dividir por 4” e “escrever média”. Caso essa ordem seja selecionada corretamente, o programa irá validar a ação e apresentará a seguinte tela: Imagem 5: Tela de Acerto Fonte: Própria Esta tela de confirmação de acerto aparecerá sobreposta à tela do exercício e, ao clicar no botão “Próximo” ou digitar qualquer tecla, o programa irá validar a ação e seguirá para o próximo exercício. 41 2.2.5 Quarta Tela A quarta tela do programa apresenta o exercício II, como apresentado a seguir: Imagem 6: Quarta Tela Fonte: Própria A quarta tela do AVProg foi desenvolvida para apresentar o segundo exercício ao usuário. Ao ser apresentada em sua totalidade, há um título explicitando que é o exercício II com o nome do mesmo, a seguir é informado para proceder como no exercício anterior e há os botões referentes às ações as quais o usuário deverá selecionar e/ou digitar o número correspondente, para responder a questão. Ao ser inicializada, a quarta tela se apresentará prontamente completa e, assim como na tela anterior, em 3 (três) segundos será executado o processo que executará internamente um arquivo .mp3 com o conteúdo da tela sendo lido, assim 42 como os botões e os números referentes a cada botão, para melhor situar o deficiente visual. Para o completo desenvolvimento desse exercício, o usuário deverá clicar na seguinte ordem: “tirar o estepe”, “tirar o macaco”, “posicionar o macaco”, “levantar o carro”, “descochar os parafusos”, “remover o pneu furado”, “posicionar o novo pneu”, “parafusar”, “guardar o macaco” e “guardar o pneu”. Caso essa ordem seja selecionada corretamente, o programa irá validar a ação e apresentará a tela de acerto a seguir: Imagem 7: Tela de Acerto II Fonte: Própria Esta tela de confirmação de acerto aparecerá sobreposta à tela do exercício e, ao clicar no botão “Finalizar” ou digitar qualquer tecla, o programa irá validar a ação e encerrará. 2.2.6 Fluxo Alternativo Além dos algorítimos e ações já citados, há um algorítimo alternativo, desenvolvido caso o usuário erre a sequencia em algum dos exercícios, caso isso ocorra a seguinte tela irá aparecer: 43 Imagem 8: Tela de Erro Fonte: Própria Com o surgimento desta tela, assim como as demais telas do programa, em 3 (três) segundos será executado o processo que executará internamente um arquivo .mp3 com o conteúdo da tela sendo lido e, ao clicar no botão “ok”, o exercício em questão será reiniciado. 2.3 Construção do FrameWork A Construção do Framework do AVProg foi realizada em três passos: Modelar Framework, Modelar a Aplicação e Gerar Código dos Componentes,finalizando com sua Execução . No passo Modelar Framework faz-se a modelagem do framework a partir do conhecimento do domínio do problema. No caso do AVProg, partiu-se de um levantamento de requisitos simples, pois o layout não é de grande importância. Neste passo são especificados os Modelos de Interações, detalhando os cenários de utilização dos componentes nas diferentes aplicações do domínio. Estes modelos são refinados para obter o projeto interno dos componentes, representado nos Modelos de Componentes. Os componentes com suas interfaces para conexão e suas dependências, Baseado na arquitetura VCL do Delphi foi definida a arquitetura dos componentes, com duas interfaces, Designtime e Runtime. Uma vez concluído o modelo do framework, representado pelas classes dos componentes e seus relacionamentos, pode-se gerar as especificações MDL usadas para geração de código dos componentes. Adicionalmente pode-se gerar 44 especificações SQL para construção do banco de dados, com as tabelas que fazem a persistência dos componentes persistentes do framework. No passo Gerar Código dos Componentes faz-se a geração de código em uma linguagem Orientada a Componentes, no caso ObjectPascal, a partir das especificações MDL. O passo Modelar Aplicação compreende a especificação e o projeto da aplicação, considerando os modelos dos componentes do framework. Para agilizar a implementação das mini especificações dos corpos dos métodos das classes são descritas em ObjectPascal. No passo Gerar Código da Aplicação foram utilizados os códigos e comandos do próprio Delphi, sendo os principais deles: "if" e "else", que são utilizados para fazer comparações de variáveis ao longo da aplicação. Cada botão que o usuário aperta, acrescenta uma parte da variável que no final é comparado para chegar a conclusão se o algoritmo digitado estava correto ou não. Para o programa compreender a lógica de passar de telas ao executar a ação correta, "form.show" e "form.hide" para efetuar a transição das telas e "OnKeyDown", que é um evento de um Form que monitora as teclas digitadas, auxiliando, assim, que os deficientes visuais possam realizar os exercícios mesmo sem a ferramenta do mouse. Para facilitar a localização do usuário com deficiência, foram utilizados as teclas Função, do F1 ao F12 do teclado. A indexação do arquivo MP3, será realizado a partir de um componente próprio. Finalmente, no passo Executar Aplicação. Neste passo o ambiente Delphi para executar e testar o código gerado da aplicação. Os dados de testes servem para verificar se os requisitos especificados para a aplicação foram atendidos. Opcionalmente, o Engenheiro de Software pode refinar a aplicação para atender requisitos não funcionais não tratados na modelagem. 45 2.4 Diagrama 46 3 APLICAÇÃO PRÁTICA DO AVPROG Após o desenvolvimento do programa AVProg, o mesmo foi submetido à análise e estudo de terceiros para iniciar o processo de validação do mesmo. Em decorrência do tempo, infelizmente não foi possível desenvolver um processo completo de validação, que tem por objetivo determinar se o programa, mesmo que funcionando corretamente apresenta as propriedades e a funcionalidade definidas na etapa de especificação dos requisitos. Pode-se dizer que um teste de validação bem sucedido é aquele que dá um máximo de respostas sobre a capacidade do software apresentar (ou não) um funcionamento o mais próximo possível daquele esperado pelo cliente (ou usuário). O problema é como medir esta proximidade. O teste de validação é realizado através de um conjunto de testes de caixa preta cujo objetivo é determinar a conformidade do software com os requisitos definidos nas fases preliminares da concepção. Um documento de plano de testes define quantos e quais testes serão realizados. Os requisitos são analisados sob vários pontos de vista: funcionais, desempenho, documentação, interface, e outros requisitos (portabilidade, compatibilidade, remoção de erros, etc.). O resultado do teste de validação pode apresentar um dos dois resultados: 1. as características de função, desempenho e outros aspectos enquadram-se nos parâmetros estabelecidos na especificação de requisitos; 2. é descoberto um "desvio" das especificações, neste caso, uma lista de deficiências é criada para relacionar de que forma (ou quanto) as características do software obtido afasta-se dos requisitos. Como o período de desenvolvimento o programa foi curto, um teste completo de validação não foi possível de ser realizado, mas, em contra partida, o AVProg foi enviado e analisado por algumas pessoas, teste o qual será analisado a seguir. 47 3.1 Aplicação O AVProg foi desenvolvido para um público alvo específico, os deficientes visuais. Portanto um breve escopo do programa foi apresentado na pagina do site Facebook chamada “Face para DEFICIENTES VISUAIS” (https://www.facebook.com/pages/Face-para-Deficientes-Visuais/ 143654482404265?) que tem como objetivo traduzir tirinhas, imagens, entre outros, em texto para que os deficientes visuais tenham acesso ao seu conteúdo a partir de leitores de tela. Uma vez apresentado o conceito do programa, foram solicitado alguns voluntários para testarem e avaliarem o programa: Qual a sua opinião sobre o AVProg? Você encontrou facilidade no uso do programa? O que mudou em relação ao seu conceito de programação após utilizar o AVProg? Que sugestão você pode dar para melhorar o programa? Dê uma nota de 0 a 10 para o AVProg Qual sua Deficiência? 3.2 Resultado A opinião geral dos usuários em relação ao AVProg foi muito boa. Das 12 pessoas que retornaram o teste, 10 se interessaram muito nele e gostariam que ele realmente fosse aprofundado. Sobre a facilidade do uso do programa, 8 usuários acharam fácil de utiliza-lo, sendo que 4 usuários encontraram dificuldades por se tratar de conceitos e acontecimentos do cotidiano ao qual eles, devido a sua deficiência, não tem conhecimento e/ou experiência, portanto não puderam concluir com êxito aos exercícios. 48 Em relação ao conceito de programação, foi unanime a resposta que eles achavam que seria impossível compreender como fazer um programa devido a deficiência deles, no entanto, o AVProg apresentou a programação de uma forma não só mais simples, mas lógica e interessante. Quanto as sugestões para melhoria do programa, segue abaixo um resumo das opiniões: Criar um comando para ler novamente o conteúdo da tela Em algumas telas o conteúdo existente é bastante extenso, e como são várias opções que o usuário precisa decorar sua relação e seus botões, muitas vezes os mesmos acabam sendo esquecidos. Portanto criar um botão e um atalho no teclado para executar novamente o arquivo .mp3 existente de cada tela facilitaria o uso do programa Utilizar conceitos mais simples do cotidiano nos exercícios Os conceitos utilizados nos exercícios de calcular uma média não é tão complexo, pois é a aplicação de uma formula simples. No entanto o exemplo da troca de pneu dificultou para alguns usuários que possuem cegueira total, por realmente não conhecer o processo de troca de pneu. Portanto foi sugerido a criação de exercícios com ações mais realistas, tais como lavar louça, ligar um computador, dentre outros. Separar os “algorítimos” dos exercícios em blocos menores Como ambos os exercícios possuem 10 opções de ações selecionáveis, os mesmos precisam ser decorados pelo usuário deficiente visual, assim como seu número referente no teclado, e essa quantidade torna o exercício um pouco desconfortante. Portanto foi sugerido separar as ações em blocos de, no máximo 4 ações, para assim facilitar o entendimento. Aumentar a letra e adicionar um controlador de contraste Como já abordado neste trabalho, não existem apenas deficientes visuais totalmente cegos, a maioria deles ainda possui, nem que seja pequena, 49 possibilidade de enxergar, e nestes casos, letras grandes e sistemas de contrastes já são suficientes para que eles possam usufruir de sites e programas especializados. Portanto a aplicação destas duas opções são fomentadas para versões futuras do AVProg. Por fim, a nota geral dos usuários que testaram o programa foi 8,4. 3.3 Discussão dos Resultados De maneira geral, os resultados alcançados com a avaliação do AVProg no grupo “Face para DEFICIENTES VISUAIS” foi muito favorável. Para um programa que está em sua fase inicial, uma nota 8.4 é bastante promissora. As opiniões e sugestões dos usuários em relação ao programa também foi de grande soma ao conceito do AVProg, o qual, com a opinião direta de seu publico alvo, pode ser melhor trabalho, modificado e com funções adicionadas que melhorem o funcionamento geral do programa e o torne cada vez melhor, principalmente para seu público alvo. Por fim é importante ressaltar que o retorno principal que o programa teve não foi exatamente de sua estrutura, funções ou usabilidade, mas sim o incentivo que recebeu dos usuários da rede “Face para DEFICIENTES VISUAIS”, pois desde o início os participantes de interessaram e incentivaram o desenvolvimento do programa, incentivo o qual se não existisse, este trabalho talvez não estivesse aqui. 3.4 Projetos Futuros Com os resultados obtidos pelo AVProg e principalmente o incentivo que o mesmo teve, há o projeto de continuar seu desenvolvimento, refinando diversas etapas e adicionando novos exercícios, opções e ações dentro do programa para que, em um futuro próximo, possa ser distribuído livremente na Internet. 50 CONCLUSÃO Com esse trabalho se pode concluir que a deficiência visual é um realidade no mundo, mas que não é por esse motivo que uma pessoa não pode ter acesso a computadores e a Internet, pois não só no computador, mas hoje existem várias tecnologias que são poderosas ferramentas para o processo de inclusão das pessoas com necessidades visuais. Este trabalho estudou as tecnologias assistivas existentes que auxiliam os deficientes, notando-se que apesar de existirem software de auxílio aos mesmos, ainda há uma carência de equipamentos que possam ser utilizados pelas pessoas e, que a grande maioria dos desenvolvedores web não leva em conta as necessidades dos indivíduos que são deficientes visuais quando pensam em acessibilidade na Internet. Os três sistemas mais utilizados no Brasil hoje são (DOSVOX, o VIRTUAL VISION e o JAWS). Os dois primeiros são projetos nacionais, sendo o DOSVOX bastante utilizado por ser relativamente fácil de aprender, gratuito (na sua versão reduzida) e de processamento rápido. Quanto ao JAWS12, é um sistema americano, há pouco tempo traduzido para o português, e talvez seja prematuro ainda afirmar que substitua o VIRTUAL VISION, embora o relato de alguns deficientes visuais que já o utilizam é de que ele pareça ser o melhor leitor de telas para a maioria das aplicações no computador. Tais softwares, mesmo com algumas limitações, facilitam muito o acesso dos deficientes visuais ao computador, garantindo-lhes um ótimo nível de independência e autonomia, motivando-os e oportunizando sua inclusão aos ambientes digitais no mundo da comunidade dos cibernautas. Seguindo o conceito dos programas acima mencionados, este trabalho objetivou a criação de um software que auxiliasse de alguma forma na inclusão dos deficientes visuais à tecnologia, mas especificamente à programação. Neste contexto foi desenvolvido o “AVProg”, programa criado na linguagem Delphi, que tem por objetivo explicar a lógica da programação a todos, tendo como seu público alvo os deficientes visuais. 51 No contexto no programa encontra-se uma explicação simples do que são algoritmos e a lógica da programação, e em seguida é apresentado dois exercícios sobre o assunto. Para que o programa fosse acessível aos deficientes visuais, foi adicionado um bot que lê os conteúdos das telas do programa aos usuários e ao invés de se um programa baseado em cliques do mouse, todos os botões foram relacionados a teclas numéricas do teclado, para que assim o usuário com deficiência visual possa explorar tudo o que o programa tem a oferecer. Após o desenvolvimento do programa, o mesmo foi disponibilidade para avaliação à deficientes visuais, avaliação a qual foi muito promissora, além do incentivo que surgiu por parte dos usuários a continuar com o desenvolvimento do programa. Por fim se pode concluir que, mesmo com a realidade da deficiência visual, essas pessoas estão muito longe de não terem acesso ao maravilhoso mundo da tecnologia, dos computadores e da Internet, pois existem diversas tecnologia que os auxiliam neste processo, e este trabalho procurou auxiliar ainda mais essas tecnologias. 52 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMARAL, Roberto. 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