www.arvoredoleite.org Esta é uma cópia digital de um documento que foi preservado para inúmeras gerações nas prateleiras da biblioteca Otto Frensel do Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT) da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), antes de ter sido cuidadosamente digitalizada pela Arvoredoleite.org como parte de um projeto de parceria entre a Arvoredoleite.org e a Revista do Instituto de Laticínios Cândido Tostes para tornarem seus exemplares online. A Revista do ILCT é uma publicação técnico-científica criada em 1946, originalmente com o nome FELCTIANO. Em setembro de 1958, o seu nome foi alterado para o atual. Este exemplar sobreviveu e é um dos nossos portais para o passado, o que representa uma riqueza de história, cultura e conhecimento. Marcas e anotações no volume original aparecerão neste arquivo, um lembrete da longa jornada desta REVISTA, desde a sua publicação, permanecendo por um longo tempo na biblioteca, e finalmente chegando até você. Diretrizes de uso A Arvoredoleite.org se orgulha da parceria com a Revista do Instituto de Laticínios Cândido Tostes da EPAMIG para digitalizar estes materiais e torná-los amplamente acessíveis. No entanto, este trabalho é dispendioso, por isso, a fim de continuar a oferecer este recurso, tomamos medidas para evitar o abuso por partes comerciais. Também pedimos que você: ● Faça uso não comercial dos arquivos. Projetamos a digitalização para uso por indivíduos e ou instituições e solicitamos que você use estes arquivos para fins profissionais e não comerciais. ● Mantenha a atribuição Arvoredoleite.org como marca d'água e a identificação do ILCT/EPAMIG. Esta atitude é essencial para informar as pessoas sobre este projeto e ajudá-las a encontrar materiais adicionais no site. Não removê-las. ● Mantenha-o legal. Seja qual for o seu uso, lembre-se que você é responsável por garantir que o que você está fazendo é legal. O fato do documento estar disponível eletronicamente sem restrições, não significa que pode ser usado de qualquer forma e/ou em qualquer lugar. Reiteramos que as penalidades sobre violação de propriedade intelectual podem ser bastante graves. Sobre a Arvoredoleite.org A missão da Arvoredoleite.org é organizar as informações técnicas e torná-las acessíveis e úteis. Você pode pesquisar outros assuntos correlatos através da web em http://arvoredoleite.org. li EVISTA do I U O I I' 11 lei 10 10 A o A 11 DAiRY JOURNAl BiMONIHLy PublisHEd By lHE IICÂNdido lOSlESII DAiRY I NSlilUlE - GOVERNO DE MINAS GERAIS SECRETARIA DE ESTADO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO. EMPRESA DE PESOUISA AGROPECUÁRIA DE MINAS GERAIS. CENTRO TECNOlÓGICO digitalizado por arvoredoleite.org Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, n° 353, i2., l -57, 2006 Pág. 1 . REVISTADO INSTITUTODE LATICÍNIOS "CÂNDIDO TOSTES" DAIRY JOURNAL BIMONTHLY PUBLISHED BY THE "CÂNDIDO TOSTES" - D AIRYINSTITUTE ÍNDICE - CONTENT Efeito da carragena, cálcio e citrato na recristalização e distribuição do gelo na massa de sorvetes. Fabiano Freire Costa, Jaime Vilela de Resende, Luiz Ronaldo de Abreu, Paulo Henrique Fonseca da Silva, Renato Ribeiro de Lima, Fernanda Costa Renó Ribeiro ............ .. ........ ......................... . ....... 3 2 Avaliação microbiológica e alterações fisico-químicas durante a vida de prateleira de iogurtes contendo probióticos e prebióticos. Magali Soares dos Santos Pozza, Paulo César Pozza, Ricardo Viana Nunes, Marli Busanello, Liliane Borsatti, Mayara Sabedot.. ...................................... . . ... . .. .... 1 0 3 Incidência de amido em queijo parmesão ralado. Anderson Moreira Duarte, Adriano Gomes da Cruz, Anderson de Souza Sant'ana, Douglas Fernandes Barbin ......................................................... 1 6 4 Microbiologia do leite comercializados na região de Feira de Santana, Bahia. Hamilton Mendes de Figueiredo, Mary Daiane Fontes Santos, Taís Silva de Oliveira, Ferlando Lima Santos, Gundisalvo Piratoba Morales ................................ . ...................... ...... .................................................... . .... 1 9 5 Fatores que reduzem a eficácia da capacitação de ordenhadores de leite de cabra em boas práticas de fabricação. Paula Tavolaro, Carlos Augusto Fernandes de Oliveira ............ . ..... . .............. .......... 2 3 6 Determinação rápida do coeficiente global médio de transferência de calor na produção de doce de leite pastoso. Rafael C. I. Fontan, Alexandre Zanin, Marcelo M. Carvalho, Jane S. R. Coimbra, Luis A. Minim, Frederico M. Conde ............ ...................................... ....................................................... 3 1 7 Leite instável não ácido: uma visão prática. Lourenya Tatiana Flora Chalfun, Luiz Ronaldo de Abreu ..................... . .. . ......................................... . .............................................. .............. ................................ .... 3 8 8 Néctares de frutas tropicais enriqu ecidos com iogurte de leite de cabra comparados com formulações similares utilizando leite bovino. Margarida Maria dos Anj os Magalhães, Dannielle Janainne Silva, Márcia Regina Pedrini, Roberta Targino Pinto Correia .......... ..................... . ........ 4 4 9 Aspectos sensoriais d o queijo minas fresca I fabricado c o m extensores. Luiz Carlos Gonçalves Costa Júnior, Luiz Ronaldo de Abreu, Fernando Antônio Resplande Magalhães ......................... 5 1 "Temos sempre uma solução inovadora para Aromas Conservantes Corantes Culturas táticas Emulsificantes Especialidades Espessantes Estabilizantes Preparações de Frutas Sais Fundentes A ISP do BrasiVGerminal tem sempre uma solução técnica e aiativa para auxiliar a indústria de latiánios. Suas combinações de ingredientes agregam valores funáonais aos produtos, como estrutura, textura, consistênóa, brilho, cor e sabor. Além cflSSO, propiáa economia Espessamento, Estabilização e Gelificação de seus produtos. Para isso, os profissionais de sua equipe técnica estão sempre à disposição para auxiliar no desenvolvimento de dive!50s produtos lácteos: iogurtes, requeijão, queijos, manteiga, sorvetes, sobremesas, entre outros. Conte com nosso expertise e obtenha Vantagem competitiva no mercado. Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes" - Juiz de Fora - VoI. 61 (353); l-57 - Nov/Dez 2006 EMPRESA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA DE MINAS GERAIS C entro Tecno l ógico Institu to de Laticínios "Cândido Tostes" Revista B imestral ISP do Brasil Ltcla Via das Paineiras, 3.864 - Bairro Pinhal Cabreúva - SP CEP 13315-000 11 4529-8622 - www.ispcorp.com.br e funóonalidade no .;.tditl\"DJ.para 51limenloJ Endereço: Revista do Instituto de Laticínios "Cândido Tostes" Rua Tenente Freitas, 1 1 6 - Santa Terezinha 3 6 .045-560 - Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil Te!.: 3 2 24-3 1 1 6 - D D D : 32 / Fax: 3224-3 1 1 3 - DDD 3 2 digitalizado por I LC1' Td EPANftG C IfWSUOTEC� arvoredoleite.org J Pág.2 Rev.Inst.Latic."Cândido Tostes", Nov/Dez, n° 354, §l, 2-2, 2006 Governo do Estado de Minas Gerais Aécio Neves da Cunha Secreta ria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento Gerais Marco Antonio Rodrigues Cunha Rev.Inst.Latic."Cândido Tostes", Nov/Dez, nO 353, §l, 3 -9, 2 006 EFEITO DA CARRAGENA, CÁLCIO E CITRATO NA RECRISTALIZAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DO GELO NA MASSA DE SORVETES Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais Effect of carrageenan, calcium and citrate on re-crystallization and distribution of ice Baldonedo Arthur Napoleão - Presidente Luiz Carlos Gomes Guerra - Diretor de Administração e Finanças Manuel Duarte Xavier - Diretor de Operações Técnicas in ice cream mass Fabiano Freire Costal Jaime Vilela de Resende2 Luiz Ronaldo de Abreu2 Paulo Henrique Fonseca da Silva3 Renato Ribeiro de Lima4 Fernanda Costa Renó Ribeiro5 Centro Tecnológico - Instituto de Laticínios Cândido Tostes Comitê Gerencial Gerson Occhi - Chefe do CTIILCT Fernando Antônio Resplande Magalhães - Ger.Est. do Prog.de Pesquisa Processamento Agroindustrial Adauto de Matos Lemos - Coordenador de Prospecção de Demandas Danielle Braga Chelini Pereira - Coord.do Programa Ensino Leite e Derivados José Lourenço Pereira Russi - Supervisor do Núcleo de Administração e Finanças Luiza Carvalhaes Albuquerque - Coordenadora de Transferência e Difusão de Tecnologia Nelson Tenchini Macedo - Supervisor do Núcleo de Indústria e Comércio Paulo Henrique Fonseca da Silva - Coordenador de Pesquisa Revista do Instituto de Laticínios Cândido Tostes Luiza Carvalhaes Albuquerque Especialista em Marketing e Qualidade Total Jor nalista Responsável Ana Cristina Oliveira Ajub Reg.Prof.MTB. 4410 Corpo Revisor da Revista do ILCT Adauto de Matos Lemos Antonio Fernandes de Carvalho Célia Lucia Luces Fortes Ferreira Celso José de Moura Daise Aparecida Rossi Danielle Braga Chelini Pereira Edna Froeder Arcuri Fernando Antônio Resplande Magalhães Ítalo T uler Perroni Luiz Carlos Gonçalves Costa Júnior Luiza Carvalhaes de Albuquerque Luiz Ronaldo de Abreu Miriam Aparecida Oliveira Pinto Maximiliano Soares Pinto Nélio José de Andrade . Paulo Henrique Fonseca da Silva Os trabalhos apresentados são de inteira responsabilidade de seus autores. Juiz de Fora, abril de 2 0 07 EMPRESA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA DE MINAS GERAIS - EPAMIG- Revista do Instituto de Laticínios "Cândido Tostes", n.1 - 1946 - Juiz de Fora. Instituto de Laticínios "Cândido Tostes", 1946. V. Pág.3 ilust.23 cm RESUMO o presente trabalho objetivou estudar a influência da adição de carragena, cálcio e citrato no processo de recristalização do gelo em sorvete. Foi fabricada uma mistura básica para sorvete dividida em dois lotes dos quais, apenas um recebeu a adição de carragena (0,05%). Posteriormente os dois lotes foram subdivididos em três parcelas nas quais foram adicionados cloreto de cálcio (1,0 g/L), citrato de sódio (0,5 g/L) e uma parcela ficou ausente da adição de cloreto de cálcio ou citrato de sódio (controle). Após 24 horas de maturação, as misturas (tratamentos) foram batidas/congeladas em uma máquina produtora INADHC (MOD. DS-3). Os sorvetes foram então embalados em potes de um litro, hermeticamente fechado e armazenados a -18°C. Após 30 dias de armazenamento, alíquotas de cada tratamento foram retiradas, descongeladas e analisadas em microscópio ótico (MEIn) com sistema de refrigeração (cold stage) e aquisição de imagens (video capture). As amostras foram congeladas no equipamento a uma temperatura média de - 10°C onde foram obtidas as respectivas fotomicrografias. Para a medida dos cristais de gelo foi utilizado um software (SIGMA SCAN-PRO 5.0) analisador de imagens. O resultados mostraram que o tamanho médio dos cristais de gelo varia em função da composição dos sistemas. A adição de carragena nas formulações não interferiu significativamente no crescimento dos cristais de gelo. A adição de cálcio aumentou significativamente (p < 0,05%) o tamanho médio dos cristais de gelo e a viscosidade da massa nas amostras de sorvete. Estes resultados podem ser explicados devido a interações do cálcio com os demais sistemas presentes no sorvete. Foi possível concluir que a adição de cálcio interfere diretamente no processo de recristalização do gelo presente em sorvetes. Palavras-chave: Cristais de gelo, recristalização, carragena, cálcio. 1 INT RODUÇÃO O sorvete é um produto batido, produzido pelo congelamento e consumido no estado gelado. Ele pode ser considerado um colóide (sistema de partículas de l nm a Illm de diâmetro) suspenso ao ar com gordura cristalizada e água, numa solução de açúcar altamente concentrada, contendo hidrocolóides, micelas de caseína e outras proteínas. Sua estrutura espumosa de alta consistência é estabilizada pelos glóbulos de gordura, as bolhas de ar e os cristais de gelo, que são os principais responsáveis pela qualidade do produto final (Goff, 1997). A qualidade do sorvete, levando em consideração a textura suave e a sensação de frescor percebida pelos consumidores enquanto consomem o sorvete, está diretamente relacionada com a formulação (ingredientes), a estrutura da espuma, o tamanho e morfologia das bolhas de ar n.1-19 (1946-48), 27 cm, com nome de Felctiano, n.2 0-73 (1948-57), 23 cm, com o nome de Felctiano. A partir de setembro de 1958, com o nome de Revista do Instituto de Laticínios "Cândido Tostes". 1.Zootecnia - Brasil - Periódicos. 2.Laticínios - Brasil - Periódicos 1.Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, Juiz de Fora, MO, ed. ISSN 0100-3 674 CDU 636/637(81)(50) 1 2 3 4 5 Aluno de mestrado e bolsista da FAPEMIG; E-mail: [email protected] Professores do DCA-UFLA. Professor e Pesquisador CTIILCT-EPAMIG, Juiz de ForalMG. Professor do DCE-UFLA. Aluna de iniciação científica. Universidade Federal de Lavras - Departamento de Ciência dos Alimentos (DCA) - Lab. de Microestrutura e Engenharia de Alimentos . Caixa Postal 3037, CEP 37200-000, LavraslMG. digitalizado por aZb arvoredoleite.org Pág. 4 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", NovlDez, na 353, 2.1 3-9, 2006 e dos cristais de gelo incorporado ao produto (Chang & Hartel, 2002). O aspecto arenoso, principal defeito encontrado em sorvetes, pode ser causado devido à cristalização do açúcar e a recristalização indesejável do gelo. O processo de recristalização do gelo ocorre em função das oscilações de temperatura no transporte e armazenamento do produto. Um dos principais requisitos de qualidade de um sorvete está relacionado com o tamanho médio dos cristais de gelo, açúcar e as bolhas de ar presentes no sorvete os quais não devem ultrapassar 50 im de- diâmetro. Uma medida efetiva no controle de qualidade é a adição de estabilizantes durante o preparo do sorvete (Goff, 2003). Dentre os estabilizantes mais utilizados na fabricação de sorvete, os polissacarídeos têm recebido atenção especial devido ao baixo custo e as suas inúmeras atribuições. Eles são capazes de reter grande quantidade da água livre presente no alimento, diminuir a mobilidade molecular, impedir ou amenizar o crescimento indesejável dos cristais de gelo durante o processo de recristalização (Fennema, 1 9 9 1 ). A carragena é um estabilizante polissacarídeo extraído de algas vermelhas (EuclzeUIIla denticulatulIl) capaz de reter grandes quantidades de água durante o processo de formação do gel. O extrato pode ser separado em diversas frações, sendo a kapa, lambda e iota-carragena as mais importantes. A diferença entre as três frações de carragena está na estrutura molecular. A kapa carragena possui um grupamento sulfato esterificado em sua estrutura, a iota-carragena tem dois grupamentos e a lambda-carragena possui três. Seu nível ideal de uso deve variar de 0,0 I a 0,02%. Metais bivalentes, como o cálcio presente no leite, são capazes de interagir com a carragena e competir com a água durante o processo de formação do gel, aumentando ou diminuindo a viscosidade da mistura e da mesma forma, aumentando ou diminuindo a recristalização do gelo (Langendorff, 2000). A microscopia é uma técnica de fundamental relevância na realização de análises qualitativa e quantitativa em amostras de sorvetes. O principal objetivo do uso desta técnica é visualizar e analisar o tamanho e distribu ição dos cristais de gelo, e demais partículas do sorvete. Atualmente, existem diversas técnicas microscópicas usadas para caracterizar a estrutura do sorvete. Os principais métodos microscópicos usados pelos laboratórios de controle de qualidade das indústrias e dos centros de pesquisas são os métodos destrutivos, indireto e direto. O método destrutivo é baseado na observação ótica da fas e dispersa da amostra (cristais de gelo e bolhas de ar) misturada e dissolvida em meio adequado. O método indireto utiliza técnicas de microscopia eletrônica, fornecendo .imagens da estrutura das amostras de sorvete parcialmente destruídas pela crio substituição, crio-fixação e congelamento. O método direto, mais utilizado pelos laboratórios industriais, caracteriza a estrutura de alimentos congelados. Este método utiliza a microscopia fotônica com dispositivo coaxial iluminado. É baseado na reflexão direta da luz na face da amostra de sorvete (CaiHet et a!. 2003). O presente estudo teve como objetivo investigar a adição de carragena na massa de sorvetes e verificar a influência do cálcio e citrato na recristalização do gelo, viscosidade e textura de sorvetes. 2 MATERIAL E MÉTODOS 2 .1 Localização do experimento A fabricação do sorvete foi realizado na Usina Piloto do Centro Tecnológico/Instituto de Laticínios Cândido Tostes (CT/ILCT), da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), em Juiz de Fora, Minas Gerais e as análises microestruturais e reológicas foram conduzidas nas instalações do Laboratório de Micro estrutura e Engenharia de Alimentos, no D epartamento de Ciências dos Alimentos da Universidade Federal de Lavras, em Lavras, Minas Gerais. 2.2 Fabricação do sorvete Foi fabricada, em triplicata, uma mistura básica para sorvete. Os ingredientes foram pesados e posteriormente misturados, a uma temperatura de 50°C, em um tacho aberto de aço inoxidável provido de parede dupla por onde circula o vapor ou a água de resfriamento. Esta mistura foi dividida em dois lotes onde apenas um recebeu adição de 0,05% de carragena. O lote, o qual não foi adicionado carragena, foi levado primeiramente ao homogeneizador. Os dois lotes foram homogeneizados no primeiro estágio submetidos à pressão de 1 5 , 5 Mpa (aproxi madamente 2 0 0 0 psi) e no segundo estágio a mistura foi submetida à pressão de 3 ,4 Mpa (500 psi). Após a homogeneização, as misturas foram pasteurizadas (6 5°C/3 0 minutos) e resfriadas ( 1 0°C) em um resfriador do tipo cascata. Posteriormente, os lotes foram subdivididos em três parcelas as quais, em uma batedeira (ARNO, 3 litros), foram adicionados e misturados cloreto de cálcio (I g/L), citrato de sódio (0,5 g/L) e um controle respectivamente. Os tratamentos foram armazenados por 24 horas em câmara frigorífica (5°C) para completar a maturação. Após 24 horas de maturação, os tratamentos da mistura foram encaminhados para a máquina Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, na 3 5 3 , §.l, 3-9, 2006 (MOD. D S -3 ) para produtora INADHC incorporação de ar (overrun) e início do congela mento. O sorvete foi embalado em potes de I litro hermeticamente fechado e armazenado em freezer ( 1 8°C) para completar o congelamento. As amostras foram transportadas em caminhão refrigerado e armazenadas por um período de 3 0 dias para execução das análises. _ 2 .3 Microscopia ó tica As análises microscópicas foram realizadas após 30 dias de a rmazenamento em embalagem hermeticamente fechada. As amostras de cada tratamento armazenadas sob temperatura de refrigeração foram coleta das, descongeladas e gotejadas em lâminas de microscopia. As lâminas foram fixadas no microscópio (MEIJI) equipado com cold stage acoplado a um sistema de aquisição de imagens. Um software analisador de imagens ( S IGMA SCAN-PRO 5 . 0) foi utilizado para mensurar o diâmetro e a área dos cristais de gelo de cada tratamento. 2.4 Viscosidade das amostras As amostras de cada tratamento após 30 dias de armazenagem foram descongeladas e analisadas utilizando o Viscosímetro Brookfield RVT (Brookfield Engineering Laboratories, Inc. USA). 2.5 Análise de textura A análise da textura das amostras de cada tratamento após 30 dias de armazenagem foram realizadas utilizando um texturômetro TA-XT2i (Texture Analyser) com uma sonda adaptada de 2 cm de lâmina simulando corte da massa. 2.6 Análise estatística Foi utilizado um delineamento experimental inteiramente casualizado (DIC) num esquema futorial 2x3 (dois níveis de carragena, três níveis de aditivo). As análises foram realizadas em programa apropriado "SISVAR" 4.3 (Ferreira, 1 999). 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO As fotomicrografias mostradas na Figura ilustram a dinâmica do processo de cristalização da água e a fusão dos cristais de gelo em amostras de sorvete sem adição de aditivos. As foto micro grafias tornam possível a observação da formação de uma fase cristalina e uma fase amorfa nas amostras de sorvete durante o processo de congelamento. Pág. 5 As fotomicrografias mostradas nas Figuras IA a IE mostram que não se observa nenhuma alteração durante os 5 minutos iniciais das amostras sendo submetidas ao abaixamento da temperatura com taxa de resfriamento c onstante de 0,8°C/min. A Figura IF mostra a imagem da amostra obtida no instante (t 6 minutos) que representa flutuações aleatórias de densidade, mudança na estrutura e formação de pequenas estruturas de gelo que são os núcleos de cristalização. As seqüências de fotomicrografias (Figura I, G-U) ilustram o processo de crescimento dos cristais de gelo a partir da formação desses núcleos a uma taxa de crescimento tx 1 0 0 im2/minuto (Figura 2) durante o congelamento da amostra de sorvete do instante t 7 minutos até 20 minutos. O processo de fusão (derretimento) dos cristais de gelo presentes em sorvete está mostrado nas fotomicrografias da Figura I, V-AF. A fotomicrografia mostrada na Figura IV ilustra a junção dos cristais de gelo formando grandes estruturas durante um pequeno intervalo de tempo de oscilação da temperatura. As etapas seguintes mostram o processo de fusão do gelo com o aumento da temperatura. A aglomeração do gelo que se observa na Figura IV durante a oscilação de temperatura em um curto intervalo de tempo produzindo estruturas maiores caracteriza um processo de recristalização sendo de grande importância para a qualidade do sorvete. A formação de grandes estruturas de cristais de gelo confere o aspecto arenoso do sorvete. Fatores como armazenamento inadequado e transporte do produto são os principais responsáveis pelo fenômeno observado. E durante estes procedimentos que temos as maiores oscilações de temperatura e conseqüentemente os maiores problemas a serem enfrentados. A desestabilização da emulsão decorrente da formação de cristais de gelo pode ser observada comparando as fotomicrografias da Figura I A e 2AF com as alterações das estruturas antes e após descongelamento. As Tabelas I e 2 mostram os tamanhos médios dos cristais de gelo nos diferentes tratamentos das amostras de sorvete. De acordo com os resultados (Tabela I e 2) foi possível observar uma diferença significativa (p < 0,05%) para as médias das áreas e diâmetros dos cristais de gelo entre os diferentes tipos de aditivos nas amostras de sorvete. Não foi obtida através das análises estatísticas nenhuma diferença sig nificativa ao nível de 5% indicada pelo teste de Scott-K.nott para áreas e diâmetro dos cristais de gelo na presença e na ausência de carragena. A adição de cloreto de cálcio aumentou significa tivamente (p < 0 , 0 5 %) o tamanho médio dos digitalizado por = = = arvoredoleite.org Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, n° 353, Q.L 3-9, 2006 Pág. 6 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, n° 353, Q.L 3-9, 2 006 cristais de gelo nas amostras de sorvete adi cionadas ou não de carragena. A adição de citrato de sódio não alterou significativamente o tamanho médio dos cristais de gelo, permanecendo estes, estatisticamente do mesmo tamanho dos cristais de gelo das amostras ausente de aditivo. Tabela 3 - Valores médios de viscosidade das amostras de sorvete descongelado. Aditivo Carragena (0,05%) Cálcio Citrato Ausência Tabela 1 - Valores médios das áreas dos cristais de gelo em amostras de sorvete. Aditivo Carragena (0,05%) Carragena (0%) Cálcio Citrato Ausência Médias' (im2) Médias' (im2) 1458,81 b 839,51 a 862,81 a 1399,91 b 958,04 a 83 2,76 a , Médias verticais seguidas por letras distintas diferem entre si ao nível de significância de 5% indicado pelo teste de Scott-Knott. Médias horizontais seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo nível de significância indicado pelo teste de Scott Knott. Tabela 2 - Valores médios dos diâmetros dos cristais de gelo em amostras de sorvete. Aditivo Carragena (0,05%) Carragena (0%) Cálcio Citrato Ausência Figura 1 - Fotomicrografias do congelamento (A-U) seguida do descongelamento (V-AF) de uma amostra de sorvete levada ao equipamento de cold s/age acoplado ao microscópio ótico com imagens obtidas em intervalos de 1 minuto. l'fUU 1200 N 1000 = -=- 800 co ., 600 .. -< 400 200 ° ., ':> '\ C) ,," ,," Tempo (minutos ) ",:> ,,'\ Figura 2 - Dinâmica do crescimento dos cristais de gelo em função do tempo de congelamento Médias' (im2) Médias' (im2) 41,12 b 31,62 a 3 2,26 a 4 0,48 b 3 3 ,63 a 31,14 a , Médias verticais seguidas por letras distintas diferem entre si ao nível de signíficância de 5% indicado pelo teste de Scott-Knott. Médias horizontais seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo nível de significância indicado pelo teste de Scott-Knott. A Tabela 3 mostra os valores médios para a viscosidade das amostras de sorvetes. Os resultados (Tabela 3) mostraram uma variação significativa (p < 0,05%) para as amostras com carragena e ausentes de carragena. As amostras adicionadas de carragena apresentaram uma IIlédia de viscosidade maior do que as amostras ausentes deste estabilizante. As amostras ausentes de carragena permaneceram com a viscosidade média estatisticamente igual para a adição de aditivo, não variando significativamente entre si. A adição de cloreto de cálcio aumentou significativamente a viscosidade nas amostras adicionadas de carragena e permaneceu estatisticamente inalterada nas amostras ausentes de carragena. A adição de citrato não alterou significativamente a viscosidade nas amostras com carragena e ausente deste estabilizante. Pág. 7 Carragena (0%) Médias' (ctps) Médias' (ctps) 55,47 b 44,02 a 43,41 a 19,3 6 c 2 0,16 c 19,29 c , Médias verticais seguidas por letras distintas diferem entre si ao nível de significância de 5% indicado pelo teste de Scott-Knott. Médias verticais seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo nível de significância. Médias horizontais seguidas por letras distintas diferem entre si pelo nível de significância 5% indicado pelo teste de Scott-Knott. As Tabelas 4 e 5 mostram os valores obtidos para textura na massa dos sorvetes. D e acordo com os resultados (Tabelas 4 e 5) os valores para textura variaram significativamente (p < 0,05%) para as amostras adicionadas ou não de carragena. Adição de carragena apresentou uma média para a resistência à penetração (Tabela 4) menor em comparação com as amostras ausentes deste estabilizante. As amostras adicionadas de carragena por sua vez apresentaram um resultado médio maior (Tabela 5) para adesividade. A adição de cloreto de cálcio ou citrato de sódio não interferiu estatisticamente na textura das amostras de sorvete. Tabela 4 - Valores médios da textura (resistência à penetração) de amostras de sorvetes congeladas. Carragena Médias' (N) Com Sem 1 0,94 b 2 4,63 a , Médias verticais seguidas por letras distintas diferem entre si ao nível de significância de 5% indicado pelo teste de Scott-Knott. Tabela 5 - I Valores médios da textura (adesividade) de amostras de sorvete congeladas. Carragena Médias' (N) Com Sem - 0,00383 b - 0,00708 a Médias verticais seguidas por letras distintas diferem entre si ao nível de significância de 5% indicado pelo teste de Scott-Knott. Os resultados tabulados acima para a formação do cristal e suas dimensões podem ser digitalizado por arvoredoleite.org Pág. 8 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, na 353, Ql, 3-9, 2006 explicado pela teoria da nucleação. De acordo McCabe et aI. (1993) citado por Perrone (2006), para se formar um cristal é necessário o surgimento de uma nova partícula seguida de seu crescimento. Este fenômeno é denominado nucleação. No processo de nucleação, pequenos agregados cristalinos estáveis se formam. Este processo se divide em nucleação primária e nucleação secundária. Na nucleação primária, um número de partículas é gerado em regiões de elevada supersaturação em superfícies de resfriamento e nas zonas de ebulição. Na nucleação primária o surgimento de novas partículas ocorre sem a influência de qualquer interferente, como a presença de sólidos diversos, parede do equipamento ou partículas diminutas de qualquer natureza. A nucleação primária é resultado de oscilações locais de dimensões em uma fase homogênea e o seu acontecimento está baseado na união de moléculas ou partículas formando aglomerados. Na nucleação secundária a presença de um cristal, na solução supersaturada induz a formação de mais cristais que não se formariam espontaneamente. A taxa de nucleação de produtos alimentícios depende da supersaturação, tem peratura, energia oriunda do processo de agitação e o nível de impurezas ou aditivos presentes na formulação do alimento. Para o crescimento dos cristais a partir de uma solução ocorre primeiro o transporte do soluto da solução supersaturada para a vizinhança da superficie do cristal, logo após, alguns processos na superfície do cristal, provavelmente envolvendo a adsorção na camada superficial, seguido pela orientação de moléculas ao cristal e finalmente dissipação de calor de cristalização liberada na superficie do cristal. Segundo Fox e McSweeney (1998), os principais sais do leite são os fosfatos, citratos, cloretos, sulfatos, carbonatos e bicarbonatos de sódio, potássio, cálcio e magneslO. Esta composição salina pode ser influenciada por diversos fatores, incluindo a raça da vaca, individualidade da vaca, estagio de lactação, alimentação, mastite e estação do ano. O leite de vacas da raça Jersey contém, geralmente mais cálcio e fósforo do que o leite de vacas de outras raças, incluindo a Holandesa. A concentração de cálcio total é geralmente mais elevada no início e no final da lactação. É possível observar mudanças significativas nas concentrações de cálcio, fosfato e citrato nas características de processamento e no tipo de alimentação. A solubilidade destes minerais no leite é marcadamente dependente da temperatura. O congelamento do leite causa cristalização da água pura e o líquido não congelado torna-se mais saturado com respeito a vários sais. Parte do cálcio solúvel precipita, que segundo Skoog (2006), basta talvez tão poucos quanto quatro ou cinco átomos se unirem para formar um sólido estável e com isso formar pequenos núcleos para o crescimento dos cristais de gelo. Para os resultados de textura e viscosidade, Fennema (199 I ), descreve que a adição de estabilizantes polissacarídeos aumenta signifí cativamente a viscosidade do produto. Os estabilizantes possuem a capacidade, numa solução, de aumentar a viscosidade e formar géis devido a capacidade de retenção de grande quantidade de água (água de hidratação) resultantes da atividade mútua destes compostos que formam pontes de hidrogênio entre si. Além de ligar-se com a água de hidratação, o produto pode se estruturar formando uma rede tridimensional que reduz ainda mais a mobilidade da água livre sendo que a estabilidade do produto depende do grau de hidratação e das cargas das partículas que o compõem. Em alimentos, os estabilizantes são amplamente utilizados devido às características texturométricas, estruturais e funcionais, proporcionando estabilidade a emulsões, suspensões e espumas, e pelas suas propriedades espessantes em geral. Especificamente a carragena, reage com a caseína formando uma estrutura tixotrópica bastante fina que altera a estrutura do sorvete. Ela reage também com a alfa caseína protegendo a micela da ação do calor e do cálcio, chegando a impedir sua precipitação no ponto isoelétrico (pH 4,6). De acordo com Langendorff (2000), a carragena também forma ligações com a beta lactoglobulina formando uma rede tridimensional e com isso aprisionando parte da água livre presente no alimento. 4 CONCLUSÃO Foi possível concluir que a adição de cálcio interferiu diretamente no processo de recris talização do gelo e na viscosidade das amostras de sorvete. O sorvete produzido com adição de cálcio apresentou cristais de gelo de tamanho médio maior que os demais tratamentos. A carragena pro porcionou um sorvete de textura mais macia e a sua adição de carragena não minimizou o crescimento cristais de gelo. Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, na 353, Ql, 3-9, 2006 portions, of which one in each group rece �ved . (1.0 g/L) of calcium chlonde, another :ecelved . . (0.5 g/L) of sodium cltrate, wh�l: the third parts of each group received no addltlves to act as a controI. After 24 hours of maturation, the six portions were whipped and frozen in an ice-cream maker, INADHC (MOD. DS-3). The portions v:ere then packed in hermeticalIy sealed, l -ltter 18°C. After 3 O days containers and stored at storage, samples from each portion were removed, thawed and analyzed under an optic microscope (MEIJI) with a cold stage system and video capture. The samples were re-frozen by the microscope to an average of - 10°C at which point they were micro-photographed. In order to measure the ice crystals SIGMA SCAN-PRO 5.0 image-analyzer software was used. The results demonstrated that the average size of the ice crystals varied according to the composition of each sample. The addition of carrageenan to the three samples did not have a signifícant impact on the growth of ice-crystals. However, the addition of calcium did have a significant impact (p < 0.05%) on the average size of the ice-crystal and the viscosity of the sample ice-cream mass. These results can be explained by the interaction of the calcium with the other components present in each sample. It is reasonable to conclude that the addition of calcium interferes directly in the re-crystalIization of ice in ice cream and that this phenomena is unaffected by the addition of carrageenan. Pág. 9 Influence of freezing parameters. Swiss S ociety of F o o d Science and Tec hnology. Lebensm Wiss, v. 36, 2003. 743-749 p. CHANG, Y. W.; HARTEL, R. W. Development of air celIs in a batch ice cream freezer. J ournal of Food Engineering, London, v. 53, n. 1, 2002. FENNEMA, O. R. Instability of nonequilibrium states of water in frozen foods. Ciência e Tecnologia de Alimentos. Campinas, v. 11, n. 2, 1991. 152-169 p. FERREIRA, D. F. Sisvar - Sistema de Análise de Variância. Lavras: UFLA, 1999. Programa FOX, P. 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SUMMARY The present study aimed to study the influence of the addition of carrageenan and calcium on the process of ice re-crystalIization in ice cream. A basic mixture was prepared and divided into two parts, to only one of which was added carrageenan (0.05%). Subsequently, these two parts were each subdivided into three digitalizado por arvoredoleite.org Pág. 10 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes",Nov/Dez,n° 353,Ql, 10-15,2006 AYALIAÇÃO MICROBIOLÓGICA E ALTERAÇÕES FÍSICO QUIMICAS DURANTE A VIDA DE PRATELEIRA DE IOGURTES CONTENDO PROBIÓTICOS E PREBIÓTICOS Microbial evaluation and physico chemical alterations during shelf-life of yogurts containing probiotics and prebiotics Magali Soares dos Santos Pozza! Paulo César Pozza! Ricardo Viana Nunes! Marli BlIsanello2 Liliane Borsatti2 Mayara Sabedot2 RESUMO Doze leites fermentados contendo culturas iniciadoras (Slr. Ihermophillls e L. blllgaricus) além de L. acidophillls e L. casei como microrganismos probióticos e oligofiutose, inulina e noma acácia como substratos ; prebióticos, tiveram seu pH, acidez titulável, teor de proteínas, cinzas, extrat seco total e contagens de bact :i�s lácticas � terminadas ao longo de 30 dias de estocagem a 4°C. Os iogurtes suplementados de . problOtlC �S � preblOtlcoS apresentaram características semelhantes aos não suplementados, pois verificou se na ",'alona das �ostras, aumento nos valores de acidez com o período de armazenamento . As populações : mlcroblanas manttveram-se constantes até os 30 dias de estocagem, entretanto em algumas amostras encontraram-se valores inferiores, em UFC/ml, aos estabelecidos pela legislação brasileira em vigor. As concentrações de extrato seco total diminuíram ao longo do período estudado, assim como de minerais, entretanto os teores de proteína aumentaram no tempo 15 e posteriormente diminuíram aos 30 dias. PalaYras-chave: Iogurte, contagem de lactobacilos, oligossacarídeos . � ? INTRODUÇÃO A fermentação do leite é feita em muitos países do mundo, por diferentes métodos,resul tando em vários produtos de leite fermentado, sendo o iogurte o mais comum e também o mais consumido. Os produtos variam, consideravel mente,em composição,flavor e textura, de acor do com a natureza dos microrganismos fermenta dores, do tipo de leite e do processo usado na fabricação (DEETH e T AMINE, 1981). O iogurte é definido pelo Regulamento da Inspeção Industrial de Produtos de Origem Animal - RIISPOA, como o produto obtido mediante a ação proto-simbiótica de Lactobacilllls delbrueckii subsp blllgariclls e Streptococclls salivarius subsp therl1lophillls, aos quais pode-se acompanhar, de forma complementar, 'outras bactérias ácido lácticas que,por sua atividade,contribuem para a determinação das características do produto final (BRASIL,1998). 2 O consumidor está cada vez mais preocu pado em consumir alimentos saudáveis, com qualidade e benefícios estéticos, buscando maior praticidade e conveniência,ou seja,produtos com maior valor agregado. Esta tendência pode ser claramente percebida com o aparecimento de pro-' dutos como leites enriquecidos com vitaminas e minerais; bebidas lácteas com baixo teor de gor dura e calorias; iogurtes com probióticos, com adição de frutas e fibras,com aloe vera,colágeno; produtos orgânicos, leites de soja, dentre outros (LONDONO, 2004). Os agentes probióticos são definidos como microrganismos viáveis (o que inclui bactérias lácticas e leveduras na forma de células liofi lizadas ou de um produto fermentado) que exibem um efeito benéfico sobre a saúde do hospedeiro após a ingestão, devido a melhoria das pro priedades da microflora selvagem (HAVENAAR e HUIS in't VELD,1992). Dentre as espécies de Profs. Curso de Zootecnia- Unioeste. Campus Marechal Cândido Rondon. Cep 85.960-000. Marechal Cândido Rondon, PRo [email protected] Acadêmicas do Curso de Zootecnia da Unioeste. Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes",NovlDez,na 353,§l, 10-15,2006 microrganismos probióticos utilizadas comer cialmente destacam-se L. acidophillls e L. casei. O uso de bactérias probióticas em produtos lácteos, na atualidade,é comum devido aos efeitos benéficos proporcionados como redução dos efei tos de intolerância a lactose, possível diminuição do colesterol sérico, atividade anticarcinogênica e utilização no tratamento auxiliar da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) pela inati vação do vírus HIV (KIM,1996 e O SULLIVAN et aI, 1992). De acordo com Klaver,Kingma e W eerkamp as bactérias probióticas se desenvolvem lentamente no leite devido a sua baixa atividade protelítica, sendo prática comum à adição de bactérias do iogurte para reduzir o tempo de fermentação. Con tudo L. delbruekii subsp. b ulgariclls, uma das bactérias do iogurte,produz ácido láctico durante a estocagem refrigerada (pós-acidificação) o que afeta,segundo estes autores,a viabilidade das bac térias probióticas. Além dos aspectos tecnológicos propria mente ditos,o controle da viabilidade das estirpes no alimento que serve de veículo no momento do consumo é, igualmente, de elevada importância para assegurarem um produto benéfico,os produ tos probióticos devem conter um mínimo de 106 UFC/ml (Rasic e Kurmann, 1983). A viabilidade depende de múltiplos fatores como o pH, a pre sença de microrganismos competitivos, a tempe ratura de armazenagem e a presença de inibidores bacterianos na matriz alimentar (KURMANN e RASIC, 1991). O termo prebiótico foi introduzido por Gibson e Roberfroid (1995),definido como um ingrediente alimentar não digestível que afeta beneficamente o hospedeiro, pelo estímulo seletivo do cresci mento e ou atividade de apenas um ou de um número limitado de bactérias no cólon. Como exemplo de substâncias prebióticas (fibras solúveis) pode-se ci tar alguns oligossacarídeos como a lactulose,lacti tol,rafinose,frutooligossacrideos e polissacarídeos como a inulina. Um outro substrato com potencial de uso como prebiótico é a goma acácia,também conhe cida como goma arábica, é originária do exudato da arvore acácia, sendo comumente usada como aditivo em alimentos. A goma acácia compreende uma cadeia altamente ramificada de polímeros de galactanos, com cadeias de galactose e ou arabi nose, possivelmente terminadas por resíduos de ramnose ou ácido glucurônico. Ela não é digerida no intestino delgado sendo,portanto,um substrato potencial para microflora do cólon (WYATT, BAYLISS,HOLCROFT, 1987). A ingestão inadequada de fibra alimentar na dieta humana está relacionada a muitas doenças. Portanto, é muito importante manter níveis de Pág. 11 fibra razoáveis na dieta para minimizar os riscos de contrair algumas dessas doenças (MITCHEL, 2002). Nos últimos anos,alguns iogurtes contendo fibras têm sido lançados no Brasil. Estuda-se também, a possibilidade de ma nipulação da microflora pelo uso de simbióticos, que são probióticos e simbióticos usados em com binação. Os microrganimos vivos (probióticos) podem ser usados em combinação com substratos específicos (prebióticos), sendo que esta combi nação pode melhorar a sobrevivência das bactérias probióticas devido ao fato de que seu substrato específico está prontamente disponível para sua utilização,resultando em vantagens para o hospe deiro, proporcionada pela colonização destas bac térias (COLLINS E GIBSON, 1999). Os objetivos deste trabalho foram compa rar iogurtes contendo somente as culturas ini ciadoras ou adicionados das culturas probióticas L. acidophillls ou L. casei, além de substratos prebióticos, quanto as alterações físico-químicas e populações microbianas ao longo de 30 dias. MATERIAL E MÉTODOS Prep aração da C u ltura Láctea A cultura mista de Lactobacilllls delbrlleckii subsp blllgariclls e Streptococclls salivarills subsp therl110philus liofilizada e de uso direto, foi dis solvida assepticamente em 1 litro de leite desna tado esterilizado e resfriado a l O-15°C, para em seguida ser distribuída em frascos. Os frascos fo ram, então, mantidos em congelador a tempe ratura de -18°C, e na ocasião do uso foram des congelados e a cultura inoculada na proporção de 10 ml para cada 5 litros de leite. Preparação dos iogu rtes simbió ticos As embalagens de leite pasteurizado foram, assepticamente abertas, e ao leite acondicionado em recipientes,foi adicionado 1% de goma acácia ou oligofrutose ou inulina. Prodecedeu-se ao trata mento de 90°C por 3 minutos, sendo posterior mente resfriado a 43°C e inoculado com o fermento de iogurte contendo Lactobacillus delbrlleckii subsp blllgariclls e Streptococcus salivarills subsp therl110phillls cultura iniciadora (Sacco). Para os leites fermentados simbióticos adicionaram-se as culturas liofilizadas de La_5™ (L. acidophillls) e Lc-Ol ™ (L. casei) conforme as recomendações do fabricante. As amostras foram envasadas em garra fas de 100 ml previamente esterilizadas,sendo a fermentação realizada a 43°C por 5 horas. Em se guida,após o iogurte já pronto,as amostras foram armazenadas sob refrigeração. Os tratamentos fo ram: A- cultura iniciadora,B- cultura iniciadora + digitalizado por arvoredoleite.org Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", NovlDez, nO 353, Pág. 1 2 La, C- cultura iniciadora + Lc, D- Inulina + cultura iniciadora, E- Inulina (cultura iniciadora + La), F inulina (cultura iniciadora + Lc), G- oligofrutose + cultura iniciadora, H- oligofrutose (cultura iniciadora + La) e 1- oligofrutose (cultura iniciadora + Lc), J- goma acácia + cultura iniciadora, L- goma acácia (cultura iniciadora + La), M- goma acácia (cultura iniciadora + Lc). Para determinação da viabilidade celular, utilizou-se o ágar MRS (De Mann, Rogosa e Sharpe) sendo as amostras diluídas, plaqueadas e incubadas a 3 7°C por 48 horas. Na Tabela 1 , observou-se que os diferentes leites fermentados apresentaram pouca variação entre os valores de acidez no tempo O. Entretanto, estes valores estão abaixo dos valores considerados ideais imediatamente após a produção, que devem ser segundo B randão ( 1 995) entre 0,9 e 1 ,0% e, de acordo com Tamine e Robinson, o desejável para o iogurte é apresentar uma acidez em torno de 0,72 e 1 , 1 7% de ácido láctico. Entretanto, os valores de pH das amostras analisadas tiveram uma tendência a apresentar valores em torno da faixa de pH desejado, que segundo Abreu ( 1 997) é de 4,2 a 4,5. Verificou-se aumento nos valores de acidez com o período de armazenamento (tempo 1 5 e 30 dias) o que está de acordo com a literatura, pois segundo Salinas ( 1 986) o aumento da acidez titulável é diretamente proporcional a tempe ratura e ao tempo de armazenamento. Valores acima de 1 , 1 2% não foram encontrados em nenhu ma das amostras, sendo este valor, segundo Tealdo ( 1 989) responsável por uma menor a ceitação do produto. Fuchs et ai. (2006) avaliaram iogu.rte simbiótico contendo culturas iniciadoras e L. casei além de inulina e oligofrutose como substratos prebióticos e verificaram que os valores de acidez aumentaram durante o armazenamento, sendo en contrados os valores de 1 , 1 5 e 1 ,27 para o tempo O, e 1 ,76 e 1 ,7 8 para o tempo 28 dias. Os valores de pH não diminuíram com o período de esto cagem, diferentemente dos estudos realizados por Bellucci ( 1 9 9 1 ). RESULTAD O S E DISCUSSAO Tabela 2 . Avaliação da composição química " I'I I1 I, II II �I I: I I. Q.L 1 0- 1 5 , 2006 As amostras foram analis adas fí sico quimicamente durante um período de 3 0 (trinta) dias, sendo executadas no primeiro, décimo quin to e trigésimo dia de armazenamento dos iogurtes. As análises físico-químicas realizadas em dupli catas, em cada um dos intervalos pré-deter minados foram acidez, determinada por titulação, utilizando-se solução de NaOH O , I N conforme AOAC ( 1 9 9 5 ) e expressa em porcentagem de ácido lático, resíduo mineral fíxo (fomo mufla a 5 5 0°C ) , proteína (método Kj edahl) pela de terminação do nitrogênio total (cálculo utilizando o fator 6,3 8 ) e extrato seco total, pelo método gravimético. Co ntagem de bactérias lácticas Os resultados das medidas de acidez titulável e de pH são apresentados na Tabela 1 . Tabela 1. Valores de acidez e de pH das doze formulações testadas nos tempos O, no 1 5° e 30° dia de estocagem a 4°C. Tratamentos A B C D E F G H I J L M Tempo O Tempo 1 5 Tempo 3 0 Acidez! pH Acidez Acidez / pH 0,97 1 ,00 1 , 00 0,96 0,90 0,85 0,88 0,99 0,98 0,95 0,99 0,94 0 , 9 3 / 4 ,23 0,98/ 4 ,22 1 ,0 0/ 4 , 1 8 0 , 9 3 / 4,23 0,90/ 4,26 0,92/ 4,25 ND/ 4,27 ND/ 4, 1 8 ND/ 4,32 0,93/ 4 , 1 7 0,98/ 4 , 1 3 0,96/ 4 , 1 6 0,5 8/ 0 , 6 6/ 0,65/ 0,62/ 0,69/ 0,69/ 0 , 6 6/ 0 , 6 6/ 0,70/ 0,75/ 0,67/ 0,67/ 4,44 4 ,4 1 4,1 8 4,3 1 4,15 4, 1 1 4,15 4,13 4,1 1 4,28 4,15 4,07 Acidez ('Ia d e acido láctico); ND - Não determinado. Va lores, expressos e m UFC/ml, dos plaqueamentos nos tempos O, 1 5 e 3 0 dias de estocagem utilizando diferentes fontes de carboidratos. Tratamentos Tempo O A B C D E F G H I J L M 8,00 7,80 1 ,30 9,50 4,95 9,50 5,50 3,03 1 ,45 8,00 4,80 1,15 X X X X X X X X X X X X 1 05 1 06 106 1 06 l O· 1 06 1 05 107 1 06 1 05 106 106 Tempo 1 5 6,62 8,46 1 ,7 1 3,90 2,90 1 ,39 2,10 6,60 7,60 1 ,30 3,09 1,12 X X X X X X X X X X X X 106 l O· l O· 1 03 1 07 106 1 03 107 1 06 l O· 1 07 1 06 Tempo 3 0 2,20 6,7 1 2,32 3,67 3,93 4,04 2,80 4,00 2,99 4,70 2,06 1 ,74 X X X X X X X X X X X X l O· l O· 1 05 105 1 06 1 05 l O· 106 1 07 104 1 06 1 05 Nos tratamentos A, G e J verificaram-se as menores contagens de bactérias lácticas imedia tamente após a produção ( l 0 5 UFC/ml), sendo estes valores inferiores aos estabelecidos para se obter um efeito terapêutico desejado (> 1 0· UFC/ml), constatando-se as menores contagens, em UFC, Rev. Iost. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, n° 353, nas fermentações com apenas a cultura iniciadora, independente da fonte de carboidrato utilizada, exc eto para o tratamento contendo inulina. Aos longo dos 1 5 dias de estocagem refri gerada, os leites fermentados D, F, G e M apre sentaram redução nos valores de contagens de cé lulas viáveis, sendo que os demais iogurtes apre sentaram aumento nas contagens, o que corrobora com os resultados de acidez encontrados. Após 30 dias as menores contagens foram obtidas pelos tratamentos C, D, F, J e M. Entretanto deve-se ressaltar que o meio uti lizado para o plaqueamento não permitiu a conta gem diferencial dos microrganismos avaliados. A menor fermentação dos leites J e M provavel mente pode estar associada a cadeia altamente ramificada da goma acácia quando comparada aos demais carboidratos, uma vez que o grau de fer mentação das fibras solúveis depende da sua estru tura fisica e química. Thamer e Penna (2 0 0 5 ) avaliaram doze bebidas fermentadas contendo frutooligossaca rideos e verificaram que a contagem total de pro bióticos foi entre 1 0 6 a 1 0t2 UFC/ml, sendo estes valores considerados suficientes para os mi crorganismos atuarem no intestino humano co mo probióticos, atendendo a legislação brasileira, proporcionando também qualidade sensorial e textura. As maiore s populações de microrga nismos probióticos foram observadas nas bebidas com baixa acidez e elevado teor de sólidos, alem de haver predominância de Streptococcus tlzermoplzilus sobre os demais microrganismos ( l 0 8 a 1 0t3 UFC/ml). Fuchs et ai. (2006) avaliaram a viabilidade celular em ágar MRS de iogurte simbiótico e ve rificaram que a contagem de bactérias lácticas foi semelhante durante todo o período avaliado, sendo Tabela 3. Q.L 1 0- 1 5 , 2006 Pág. 1 3 encontrados inicialmente, os valores em log UFCI ruI de 8,96 e 8,5 1 e após 28 dias 8,69 e 8 ,99. Silva et aI. (200 1 ) encontraram os valores de 1 08 UFC/ml para as contagens totais de uma bebida láctea contendo uma cultura mista for mada por S. tlzermoplzilus, L. delbruekii subsp. b ulgaricus e L. acidophilus. Deve-se ressaltar que a população de bac térias lácticas depende da linhagem utilizada, in terações entre as espécies presentes, condições da cultura, composição química (fonte de car boidrato), acidez final, conteúdo de sólidos do leite, disponibilidade de nutrientes, promotores e inibidores d e crescimento, concentração de açúcar (pressão osmótica), oxigênio dissolvido (especialmente para Bifidob acterium ) , quanti dade inoculada, temperatura de incubação, tempo e temperatura de estocagem (KAILASAPATHY, RYBKA, 1 9 9 7 , HATTING e VILJOEN 2 0 0 1 , SHAH 20 0 1 ). Veri fi cou-se que as concentrações de ex trato seco total diminuíram ao longo do período estudado em todos os tratamentos, assim como de minerais, considerando-se os tempos O e 3 0 dias (exceto iogurtes D , E, J , G, H, e I) o que pode ser atribuído a utilização destes componentes pe los microrganismos c0!00 fonte de nutrientes. Entretanto foram detectados resultados discrepantes, na maioria das amostras, como o aumento nas concentrações de proteína (tempo 1 5 ) e posterior decréscimo no tempo 3 O dias. Isso também ocorreu com a concentração de mi nerais para os tratamentos anteriormente ci tados. Resultados semelhantes foram também encontrados por Biscaia et ai. (2004) que ava liaram a composição química de d i ferentes iogurtes adicionados de bactérias probióticas no 1 0° , 2 0 °, 25° e 30° dia d e estocagem e cons- Determinações físico-quimicas dos iogurtes nos tempos O, 1 5 e 3 0 dias. I o g u rte A B C D E F J L M G H MM (%) ES (%) PB (%) TO TIS T30 TO TIS T30 TO TIS T30 0,70 0,72 0,66 0,61 0,5 1 0,80 0,47 0,56 0,7 1 0,65 0,55 0,67 0,78 0,7 1 0,72 0,84 ND ND ND 0,76 0,77 0, 8 1 0,90 0,74 0,45 0,52 0,61 0,66 0,6 1 ND 0,55 0,44 0,5 1 0,72 0,83 0,73 1 1 ,02 1i,12 1 1 ,5 1 1 2,09 1 1 ,0 8 1 2,07 1 2,05 1 1 ,9 5 1 1 ,9 6 1 1 ,84 1 1 ,74 1 1 ,9 8 1 0 ,9 1 1 0,88 1 0,86 1 1 ,9 1 1 1 ,64 1 1 ,2 7 1 1 ,88 1 1 ,7 0 1 1 ,7 5 1 1 ,6 8 1 1 ,5 6 1 1 ,63 1 0,52 1 0,85 1 0,66 1 1 ,34 1 1 ,21 1 1 ,6 6 1 1 ,2 7 1 1 ,2 7 1 1 ,2 2 1 0,83 1 0,88 1 1,16 3 , 00 3,03 3 , 03 3,32 2,15 2,96 3 , 00 3 ,22 2,77 2,87 3,09 2,77 2,93 4,05 4,12 4,60 4,00 4, 1 7 3 ,00 3,26 3 ,09 3,57 2,80 2,05 3 , 94 3 ,4 2 3,80 3 ,4 9 3,98 4,27 3,36 3 ,4 2 2,79 2,92 3,16 3,61 MM- Matéria mineral; ES - Extrato seco; PB- Proteína Bruta; ND- não determinado digitalizado por arvoredoleite.org Pág. 1 4 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, nO 3 53, Ql, 1 0- 1 5 , 2006 tataram o mesmo efeito nas concentrações de proteínas e de minerais. O teor de u midade do iogurte encontrado por Fuchs et aI. (2006) foi de 8 6, 1 0% e de acordo com Cecchi ( 1 9 9 9 ) , estes valores devem variar entre 8 7-9 1 %, estando de acordo com os resu 1tados encontrados neste experimento. Rodas et ai. (200 1 ) encontraram valores médios de cinzas de 0,68% e de 2,95% de proteína em diferentes amostras de iogurte. Considerando o limite mínimo de 2,9 0g% de proteína para iogurtes, indicado pela recomen dação do Mercosul n° 3 1 197, a maioria das amostras avaliadas atenderiam a esta regulamentação. CONCLUSÕES A caracterização físico-química das doze diferentes formulações de leites fermentados re velou que os teores médios das variáveis obtidos para os nutrientes podem ser considerados adequa dos. Em relação às determinações microbioló gicas, algumas formulações apresentaram redução nos valores de contagens de células viáveis duran te o período de estocagem. P i .. , '" 1 11 1 1 . Ittt li .. AGRADECIMENTOS Os autores agradecem as empresas Sacco pela doação das culturas utilizadas. SUMMARY Twelve fermented milks containing stater microorganisms (Str. tlzerm o plzillls e L . b lllgariclls) besides L . acidoplzillls and L. casei like probiotic microorganism and oligofrutose inulin and Arabic gum like prebiotic substrates had pH, titratable acidity, protein content mineral residue, total dry extract and microbia l counts of lactic acid bacteria studied during 3 0 days o f storage a t 4°C. The yogurts supplemented with probiotics and prebiotics showed the same characteristics when compared with no supplemented, it was verifi ed, i n most of the samples, a highest titratable acidity during the storage período Microbial counts remained constant during the 30 days of storage, however some sample showed a lowest count, in CFU per ml, according to that established in the Brazilian legislation in force. The total dry extract concentrations showed lower values during the studied period, like the minerais, however the protein content was highest at 1 5° day of storage, and afterwards the protein content · decreased at 3 0° day. Keywords: Yogurts, lactobacillus count, oligossacharides. : Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, n° 353, Ql, 10-15, 2006 ABREU, L. R. de. Tecnologia e aproveitamento do leite. Lavras/FAEPE, 1 9 9 7 . 1 4 9p. huma n colon ic micro biota modu latio n of the pts of prebi otcs. 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Adrial/o Gomes da Cruz1' Anderson de Souza Sal/ t 'anal Douglas Fernandes Barbin' 120 ( 1 00.0%) amostras pertencentes a 12 marcas comerciais de queijo ralado foram submetidos a análise para verificação da presença do amido. 6 (5.0%) foram positivas para o teste em questão, ou seja, a presença do amido foi observada, enquanto 1 14 (95.0%) apresentaram-se negativas. Os resultados sugerem a ausência de práticas fraudulentas na fabricação. Contudo, periódico monitoramento da autenticidade do produto deve ser executado pela Vigilância S anitâria. Palavras-chave: Queijo Ralado, amido, adulteração. ,li, :� t" '111 1 1111 1 Itltl li,! I As fraudes realizadas em alimentos visam sempre a obtenção de maiores lucros por parte de quem as praticam, sendo realizadas através de várias operações, que procuram ocultar ou mascarar as más condições estruturais e sanitárias dos produtos, atri buindo-lhes requisitos que não possuem (FONTES E FONTES, 2005). O queijo ralado é um produto lác teo, estando incluído na categoria de produtos de origem animal, possuindo proteínas de elevado valor biológico e, portanto, mais valorizado no mercado. Dessa forma está sujeito a diversos tipos de situações fraudulentas com objetivo de maximização de lucros por parte dos produtores (DURR, 2004) A mais co mum é a adição do amido, durante a etapa de rala mento. O amido vem sendo largamente utilizado na indústria de alimentos, devido ao seu baixo custo, facilidade de uso, e a sua boa aceitação pelo con sumidor. Além disso, o uso do amido se explica por suas propriedades que lhe possibilita a formação de pasta viscosa e retenção de água (CEREDA, 200 1 ) . Nesse contexto, o objetivo d o presente trabalho é determinar de forma experimental, a incidência de amido em queijo parmesão ralado. 2. MATERIAL E MÉTODOS 2 . 1 Amo s tras O planejamento amostraI escolhido para . plCI'a a abertura da cadeia de amido, permitindo a dso a rção do iodo e o consequente aparecI�ento de 10 g da amostra do queIJo ralado cor. Foram pesados m um béquer de 1 00 roL, adicionados 50 mL de : a que foi aquecida. até a ebulição sob placa de agu ' uecimento e posteriormente res fr'lada em agua rrente. Em seguida, foi adicionada 5 gotas da so lução de lugol. Na presença de coloração azul, têm . se resultado positivo para o amido Todo o teste foi realizado em triplicata para da amostra, o que implica em 360 análises realizadas, spondo de um controle positivo e negativo. . _ �� � RESUMO 1 . INTRODUÇÃO . "Cândido Tostes", Nov/Dez, na 3 53, QL 1 6- 1 8, 2006 ReV. Inst. Latic este estudo estabeleceu um nível de confiança de 9 9 % para uma taxa de freqüência positiva em uma população de 5%, resultando em 90 amostras a serem analisadas (CODEX A LIMENTARIUS, 1 9 9 3). Contudo, para evitar possíveis acidentes ocorridos no decorrer do experimento, optou-se pela análise de 1 20 amostras de queijo parmesão ralado coletadas de forma aleatória em estabe lecimentos varejistas na cidade do Rio de Janeiro, distribuídas da seguinte forma: 60 amostras per tencentes a marcas comerciais revendidas pelos supermercados (A, B, C, D, E, F) e 60 amostras correspondentes a embalagens plásticas de 200250g do produto comercializado e ralado na hora da compra pelo próprio supermercado (G, H, I, J, L, M). O presente estudo (coleta e análise das amostras) ocorreu durante o período de agosto a novembro de 2 0 0 5 , sendo realizado no labo ratório de Biociências e Alimentos da sidade Estácio de Sá, localizado no bairro do Rio Comprido, RJ. 3 . RESULTADO S E DISCUSSà O A Figura 1 representa a taxa de incidência de amido presente no queijo ralado comercializado na cidade do Rio de Janeiro. De 1 2 0 ( 1 0 0 . 0 %) amostras, 6 (5.0%) foram positivas para o teste em questão, ou seja, a presença do amido foi ob servada, enquanto 1 1 4 (95 .0%) apresentaram-se negativas, ou seja, não foi detectada a presença do amido. Todas as amostras positivas foram re lacionadas a duas marcas comerciais (A e F) re vendidas pelos supermercados, não sendo obser vado não confonnidade em amostras de queijo parmesão raladas no momento da compra, comer cializadas diretamente pelos estabelecimentos. Com relação a marca A, a presença de amido foi notada em 5 amostras do mesmo lote, o que cor responde a 1 00% de não-conformidade para essa marca, sugerindo a ocorrência de prática fraudu lenta, ou seja, adição proposital de amido na ela boração deste lote por parte da empresa produtora. A marca F, embora tivesse apenas uma amostra positiva para amido, apresentava prazo de validade vencido e isso se constitui em outra irregularidade, pois estava sendo comercializada nessa condição. 5,0% 2 . 2 Método A metodologia utilizada neste trabalho foi de acordo com as recomendações da legislação vigente onde se utilizou solução de lugol, que tem como constituinte básico o iodo (BRASIL, 2003). O amido forma com o iodo livre um composto de absorção, de coloração azul, cuja visualização é possível após o aquecimento da amostra, que pro- Graduação em Farmácia, Universidade Estácio de Sá, RJ. 2* Engenheiro Químico, Msc, Professor do Curso de Farmácia, Universidade Estácio de Sá, campus Rebouças, RJ I Doutorando em Tecnologia de Alimentos, FEN UNICAMP. (email: [email protected]). 3 Quimico Industrial, Mestrando em Ciência de Alimentos, FENUNICAMP. 4 Engenheiro de Alimentos, Mestrando em Engenharia de Alimentos, FENUNICAMP. o negativas Figura 1. Incidência de amido em queijo ralado parmesão A presença de amido contraria a legislação vigente que não aprova o emprego de amido como aditivo e estabelece que o produto não deve conter subst âncias estranhas, macro e/ou microscópicas . de, qualquer natureza (BRASIL, 1 997). Além disso, Pág. 1 7 a adição de amido se enquadra em fraude eco nômica, lesando o consumidor, contrariando a Lei ' 8078/90 do Ministério da Justiça (BRASIL, 1 990). Adicionalmente, contraria a legislação Brasileira de Rotulagem de Alimentos Embalados que define ingrediente como toda substância que se emprega na fabricação ou preparo de alimen tos, e que esteja presente no produto final em sua forma original ou modificada(BRASIL, 2 0 02). Dessa maneira, se o amido fosse utilizado como aditivo alimentar deveria ser mencionado na lista de ingredientes, que é um item obrigatório da rotulagem. No entanto, as amostras identificadas com presença de amido não o trazem na rotu lagem, indicando que a sua adição caracteriza fraude, pois substitui a matéria prima (queijo) por uma substância de menor valor agregado, le sando o consumidor. Além da não conformidade com seu regu lamento técnico, os queijos ralados positivos para amido também contrariam a legislação municipal (RIO DE JANEIRO, 1 9 8 6) onde são classificados como inadequados para o consumo por terem sido alterados em relação ao indicado no rótulo, sendo considerados fraudados. Segundo o Código de pro teção e defesa do consumidor (BRASIL, 1 990) em seu artigo 1 8 , este estabelece que os fornecedores de produtos sejam responsabilizados pelos vícios de qualidade ou quantidade, que venham a tornar o produto impróprio ou inadequado para o consumo a que são destinados ou diminuam o seu valor. Os resultados deste trabalho são inferiores a recente estudo realizado na cidade do Rio de Janeiro que identificou incidência de amido em 1 0 % das amostras de queijos ralados comercia lizados (ROMANO e AZEVEDO, 2004) Observa se então uma melhora no tocante a este tópico especifico, embora ainda seja observada a fraude em nível industrial. Estudos adicionais nesse sen tido em todo o Brasil devem ser estimulados, devi do à escassez de estudos. O amido encontrado nos queijos parmesãos ralados, apesar de não causar dano à saúde do consu midor, já que este é utilizado como importante fonte de carboidratos na alimentação humana, não faz parte da tecnologia de fubricação do produto, ficando caracterizada a sua adição como fraude econômica. 4. C O N C L U Sà O D e forma geral, verificou-se uma qualidade satisfatória dos queijos ralados comercializados na cidade do Rio de Janeiro com relação a sua au tenticidade, ou seja, a ausência de ingredientes não inerentes ao processo de fabricação, como o amido. Contudo, programas de avaliação de autenticidade dos desse produto devem ser realizados periodi camente pela Vigilância Sanitária. digitalizado por arvoredoleite.org Pág. 1 8 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, nO 353, Ql, 1 6-18, SUMMARY 1 2 0 samples of grated Parmesan cheese were submitted to physical-chemical analysis for starch detection. The presence of starch was noted in 6 (5 .0%) o f the samples, while, 1 1 4 ( 9 5 . 0 %) were nega tive. Overall, the results suggest the manufacture of the product is performed correctly, absent of fraud operation by the processors. However, Monitoring Programs to check its authenticity shou ld be performed by the Sanitary Surveillance. Keywo r d s : starch, adulteration, grated cheese. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1 1 I I BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa n° 22, de 14 de abr. de 2003. Métodos Analíticos oficiais fisico-químicos para controle físico-químico de leite e produtos lácteos. D iário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 02 mai. 2003. Seção 1 , p . 3 . B RASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC n° 259 de 20 de set. de 2002. Regulamento Técnico para Rotulagem de Alimentos Embalados. D iário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 23 set. 2002. Seção I . BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Portaria n°. 3 5 7 , de 04 de set. de 1 9 9 7 . Aprova o Regulamento Técnico para fixação de Identidade e Qualidade de Queijos Ralados. Diário Oficial da República Federativa do B rasil, Brasília, DF, 08 set. 1 99 7 . Seção I , p . 1 96 8 8 . BRASIL Ministério da Justiça. 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I ormes a 30'C, co I·I fiormes pas teurizado tipo C , através da determinação do número mais provavel (NMP). .de co I·fi · d·Icaram um tafilococos coa ase positiva. s resuItados lO de e contagem de e pesquisa a 45'C, � � obs:rvou alto índice de contaminação por coliformes no leite cru e pasteunz�do. Em relaçao .� se sua presença em quatro das nove amostras de leite cru e uma das seiS amostras de leite pasteunzado. J?, com relação a presença de estafilococos coagul ?se positiv� constaton-se que sete das nove amostras de leite cru estavam contaminadas, enquanto que o leite pasteunzado apresentou uma amostra. Palavras-chave: Leite, Coliformes, g�tl Sa/mollella � Sa/mon lIa Sa/monella, SlaplzilococclIs . INTRODUÇÃO Entende-se por leite, sem outra especifica ção, o produto oriundo da ordenha completa, interrupta, em condições de higiene, de vacas sadias, bem alimentadas e descansadas (RIISPOA, 1 9 97). Seu excepcional valor nutritivo é devido aos seus principais constituintes: proteínas, car boidratos, gorduras, sais minerais, vitaminas e água (GUIMARÃES, 2002). Por este motivo é um exce lente meio de cultura para os microrganismos. Sua contaminação pode ocorrer durante a orde nha, porém as principais fontes de contaminação são os equipamentos utilizados durante a manipu lação, o transporte, o processamento e o armaze namento (AJZENTAL, 1 9 94). A pasteurização a 75°C por 1 5 segundos é reálizada para matar todas as bactérias patógenas presentes no leite fresco, tais como Mycobacterium tuberculosis, Salmonella ssp. e BmceZZa ssp. Os microorganismos termodúricos, que sobrevivem a pasteurização, incluem Streptococcus tlzermoplzilus, Enterococcus faecalis, Micrococcus luteus e Microbcateium lacticum (FORSYTHE, 2002). O crescimento dos microorganismos presente no leite pasteurizado está relacionado com as condições em que o produto é armazenado antes de chegar ao consumidor, sua contaminação tem como uma das êausas, falhas no processamento de higienização dos 1 2 3 4 equipamentos que entram em contato com o leite durante o processamento (FENIMAM et ai. 2003). A pasteurização confere a segurança neces sária para se evitar a disseminação de doenças que podem provir da matéria-prima, preservando as suas qualidades e aumentando sua vida útil.Este tra tamento térmico só será efetivo em condições sa nitárias adequadas e em equipamentos próprios para esta finalidade (ROBINSON; 1 990; JAY, 1 994). O objetivo do presente estudo foi avaliar a qualidade higiênico-sanitária do leite cru e pasteu rizado tipo C comercializado na região de Feira de Santana/BA através da determinação de coliformes 3 0°C, coliforme 45 ° C e E. coZi, estafilacocos coa gulase positiva e da pesquisa de Salmonella ssp. MATERIAL E MÉTODOS As amostras utilizadas no presente estudo foram de leite cru e leite p asteurizado tipo C, coletadas semanalmente em diversos pontos de comercialização no município de Feira de Santana /Bahia, durante o período de novembro de 2004 a março de 2005. Foram analisadas u m total de 1 5 amostras sendo 9 de leite cru, provenientes de três forne cedores distintos com três repetições que foram obtidas em sacos plásticos de 1 000 mL, embaladas pelo próprio vendedor, e três marcas de leite pas- Prof. DS da Universidade Federal do Pará (UFPA). Estudantes de Iniciação Cientifica da UEFS. Prof. DS da Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC - Salvador). Prof. DS. da Universidade Estadual do Pará. digitalizado por arvoredoleite.org Pág. 2 0 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, n ° 353, 2.L 1 9-22, 2006 teurizado tipo C com duas repetições sendo que todas as análises foram feitas em duplicata. Após a coleta as amostras foram transportadas imediatamente ao Laboratório de Qua lidade de Alimentos (LAQUA) da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). O tempo transcorrido entre a coleta e o início da análise foi de, no máximo, 1 hora. Para estabelecer o Número Mais Provável (NMP) de coliformes totais e fecais e pesquisa de estafilococos coagulase positiva, seguiu-se o roteiro preconizado por SILVA et ai (1 9 9 7) . Assim, para coliformes totais, utilizou-se a série de 3 tubos, utilizando diluições selecionadas ( 1 0-1, 1 0-1, 1 0-3) em caldo lauril sulfato triptose (LST), contendo tubos de Durhan com incubação a 3 5 ° C, por 24 a 4 8 horas. Em seguida, realizou-se o teste confirmativo de coliformes totais em caldo verde brilhante bile 2%. Para coliformes fecais, a partir dos resultados positivos dos tubos contendo LST, semeou-se tubos de caldo EC e tubos de ágar citrato de simons com subsequentente incubação, respectivamente, a 4 5 ,5 °C em banho-maria por 24 horas e 3 5°C por 48 horas. Considerou-se co mo coliforme fecal, quando a prova de fer mentação da lactose (presença de gás no tubo de Durhan do Caldo EC) apresentou resultado po sitivo e quando o teste de citrato (crescimento com viragem alcalina, alterando a cor do meio de verde para azul) apresentou resultado negativo. O teste de E. coli foi realizado pela série bioquímica IMVIC onde realizou-se o teste de citrato, teste de VM-VP e teste de indo!. Para a pesquisa de estafilococos coagulase positiva, foram utilizadas alíquotas de 0,5 mL das diluições selecionadas ( 1 0-1, 1 0-1, 1 0-5) das amostras, as quais foram inoculadas em duplicata na superficie do meio agar Baird- Parker, enriquecido com gema de ovo e telurito, com incubação, por 48 horas, a 3 5 °C. Colônias características de S. allrells foram contabilizadas e submetidas aos testes de produção de catalase e de coagulase para confirmação. A pesquisa de Sallllollella ssp. foi realizada com um teste de detecção rápida (REVEAL) com registro na AOAC. Uma amostra de 25 mL foi adicionada no meio de pré-enriquecimento REVIVE e incubada a 37°C por 2 horas . Após esse período, o conteúdo foi adicionado em 2 0 0 ml do meio Selenito-Cistina e incubado a 42°C por 2 0 horas. Em seguida cinco gotas da amostra foram adicio nadas na porta do mecanismo-teste de detecção para Sallllo llella e, após 1 5 minutos, foi feita a leitura do resultado. Considerando presença de Sallllollella ssp. o aparecimento de uma linha ver melha na zona C e na zona T do mecanismo-teste. Adotou-se como referencial para análise e interpretação dos resultados, os padrões micro biológicos estabelecidos pela Resolução nO 1 2 da ANVISA (BRASIL, 200 1 ), que determina como li mite máximo quatro coliforrnes fecais/mL e ausência de Salllloll ella ssp/25 mL como tolerância para amostra indicativa para leite pasteurizado tipo C. RESULTADO S E DISCUSSÃO Os resultados encontrados para contagem de coliformes podem ser vistos na Tabela 1 . Veri fica-se que dentre as 9 amostras de leite cru e 6 de leite pasteurizado tipo C comercializados na região de Feira de Santana - BA, sete (78%) e quatro (67%) respectivamente, apresentaram contagem igual ou superior a 2400 coliformes a 30°C/mL. Tabelal . Resultados das análises de coliformes a 30°C e coliformes a 45°C em amos tras de leite cru e de leite pasteurizado tipo C comercializados em Feira de Santana - BA. Amostra/ repetição A. 1 A. 2 A. 3 B. 1 B.2 Cru B. 3 C_ 1 C. 2 C. 3 D.l D.2 Pasteurizado E _ I E_2 tipo C F. 1 F. 2 NMP de Col. NMP de Col. a 45°C / mL a 30°C / mL 1 . 1 00 <: 2400 <: 2400 <: 2400 460 <: 2400 <: 2400 <: 2400 <: 2400 <: 2400 <: 2400 <: 2400 1 1 00 <: 2400 7 <: 240* 2400* 1 4* 2400 * 460* 460* <: 2400* 120* <: 2400 * <: 2400* 460* <: 1 1 00 * 1 1 00 * <: 2400 * <3 Latic_ "Cândido Tostes", Nov/Dez, n° 353, 2.L 1 9-22, 2006 ReV. Inst. as faixas possíveis. tra ndo con tagens em todas leite cru e de leite pas D entre as amostras de teur izado tipo C, 4 (44%) e 2 ( 3 3 %) apresen taram, resp ectivamente, contagem igual ou su perior a 2400 coliformes a 45°C / mL, indicando ass im contato com material de origem fecal du rante algum estágio da manipulação do leite. Estudos realizados por BANDINI et a i. ( 1 996), envolveram a análise de 60 amostras de leite cru comercializados nos municípios de Botuca tu-SP e de São Manuel-SP, sendo que, 1 1 ( 1 8 ,3 %) apresentaram-se contaminadas por bactérias perten centes ao grupo dos coliforrnes fecais. Já QUEIROZ (1995), citado por BANDINI et aI. ( 1 996), observou a ocorrência de 3 9 (65,0%) amostras contaminadas pelos referidos microrganismos. Estas percentagens de amostras positivas foram muito inferiores àquela revelada no presente estudo (93,3%) em relação ao leite pasteurizado. Todas as amostras, exceto a amostra F2, apresentaram contagem superior à tolerância de coliformes a 45 °C/mL como amostra indicativa especifi cada pela ANVISA (BRASIL, 200 1 ) para leite pasteurizado tipo C, indicando ser um pro duto impróprio para o consumo humano. Pode se observa também que em todas as amostras po sitivas de coliformes a 45°C havia positividade de Escherichia colí. Tabela 2. Resultados das pesquisas de Sallllollella ssp. em amostras de leite cru e de leite pasteurizado tipo C comercializados em Feira de Santana - BA_ Amostra/repetição *Conftrmação de Escherichia coli. De acordo com PONSANO (200 1 ), a pre sença de um alto número de coliformes a 3 0°C sugere falta de cuidados higiênicos nos procedi mentos de obtenção do leite, já que esses organis mos podem provir de várias fontes, tais como solo, esterco, água, ração, equipamentos e utensílios. No caso das amostras de leite cru, tais resultados evi denciam a carência de um tratamento prévio à co mercialização que retarde o desenvolvimento da microbiota natural ou contaminante do leite, além dos cuidados higiênico sanitários durante a ordenha_ Já para as amostras de leite pasteurizado tipo C a presença de quantidade elevada de coliformes totais evidencia um claro sinal de recontaminação ou tratamento térmico ineficiente. Os dados da Tabela 1 revelam, ainda, que as amostras apresentaram coliformes a 45°C, regis- Cru Pasteurizado tipo C A. I A. 2 A. 3 B. I B .2 B. 3 C. l C. 2 C. 3 D. l D.2 E.I E.2 F. l F.2 Pesquisa de Sallll o llella ssp. Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Presença Presença Presença Ausência Ausência Ausência Presença Ausência Ausência Ausência Na Tabela 2 estão apresentados os resultados das análises de Sallllollella ssp. Observa-se a pre sença deste microrganismo em três (3 3 %) das amostras de leite cru e em uma ( 1 6 %) das amostras de leite pasteurizado tipo C, portanto, em desa- Pág. 2 1 cordo com os padrões estabelecidos pela ANVISA (BRASIL, 2 00 1 ), que determina a ausência deste microrganismo em amostra de leite pasteurizado tipo C. Em pesquisa realizada por AVILLA et ai. ( 1 9 9 6) constatou-se negatividade em 1 8 amostras de leite cru e 1 8 amostras de leite pasteurizado tipo C, comercializados no município de Piracica ba, SP. Também SILVEIRA et aI. ( 1 989), que obti veram negatividade em 1 6 5 amostras, resultados confirmados por NASCIMENTO et ai. ( 1 9 9 1 ) , que pesquisaram a presença do patógeno em 3 0 amostras de leite, comercializadas n o município de Piracicaba, São Paulo, não encontrando posi tividade em nenhuma análise. A Tabela 3 mostra os resultados obtidos para estafilococos coagulase positiva. Verifica-se sua ocorrência em 6 (66,7%) amostras de leite cru e 1 ( 1 6,7%) de leite pasteurizado tipo C. Em geral, as amostras apresentaram contagens que variavam de 5,4 x 1 03 a 2,2 x 1 06 UFC/mL, con firmadas através dos testes de coagulase, catai as e e coloração de Gram. Estudos realizados por GOMES ( 1 995), en volveram a analise de 1 9 amostras de leite cru comercializadas em Piracicaba - SP, sendo que, destas 1 1 ( 5 6 %) apresentaram-se contaminadas por StaphylococclIs aI/reI/s. Esta porcentagem de amostra positiva foi menor do que aquela revelada no presente estudo ( 6 6 , 7 % ) . BANDINI et ai. ( 1 996) constatou a ocorrência de 30 (50%) amos tras contaminadas pelo patógeno, das 60 amostras de leite cru comercializadas no município de Botucatu-SP e de São Manuel-SP. Tabela 3 . Resultados das análises de esta fi lococos coagulase positiva em amos tras de leite cru e de leite pasteu rizado tipo C co mercializados em Feira de Santana - BA. Amostra/repetição A. 1 A. 2 A. 3 B. l Leite Cru B.2 B. 3 C. 1 C. 2 C. 3 D. l D.2 Leite pasteurizado E . l tipo C E.2 F. 1 F.2 digitalizado por Estafilococos coagulase positiva (UFC / mL) 6,6 1 05 1 ,0 X 1 05 3 , 7 X 1 04 1 , 3 X 1 05 > 1 02 (estimado) 9,0 x 1 03 5,4 X 1 03 Ausência Ausência Ausência 2,2 x 1 06 Ausência Ausência Ausência Ausência arvoredoleite.org Pág. 22 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, na 353, Ql, 1 9-22, 2006 LEITE et aI. (2002) analisando 20 amostras de leite pasteurizado tipo C, comercializadas na ci dade de Salvador no período de janeiro a outubro de 2000 constatou a ausência de estafilococos coagulase positiva em todas as amostras, discordando com os dados obtidos na presente pesquisa ( 1 6,7%). C O N C L U SÃO Os dados obtidos n o presente trabalho re velaram que, do total das amostras analisadas, ape nas a amostra F2 apresentou contagem dentro dos padrões exigidos pela legislação vigente, ANVISA, Resolução na 1 2 120 0 1 , enquanto que as demais estavam impróprias para o consumo. Os resultados encontrados evidenciam prováveis falhas durante o processamento do leite que podem ser em relação aos cuidados higiênicos sanitários durante a ordenha, a inadequada higie nização dos equipamentos que entram em contato com o produto durante o processamento ou a con taminação pós-pasteurização. Assim acredita-se que tais resultados sejam extremamente preocu pantes, principalmente pelo fato de haver u m grande número d e consumidores d e leite que estão expostos aos riscos de doenças como salmonelose e tuberculose, dentre outros. SUMMARY With the obj ective of evaluating the microbiological conditions of the raw milks and pasteurized type C marketed in Feira de Santana BA, analysis of 9 samples of raw milk and 6 of milk pasteurized type C were accomplished, through the determination of the most probable number (NMP) of coliformes to 30°C, coliformes to 45°C, research of Salmonella and estafilococos coagulase positive count. The results indicated a high index of contamination for coliformes in the raw milk and pasteurized. In relation to Salmonella was observed it presence in four of the nine samples of raw milk and one of the six samples of pasteurized milk. Already, with relationship the presence of estafilococos coagulase positive was verified that seven of the nine samples of raw milk were contaminated, while for the pasteurized milk presented one sample. Keywords: Milk, Coliforms, Salmon ella, Staplzilococcus. BIBLIOGRAFIA AJZENTAL, AR!. Os caminhos do leite: Da ordenha ao consumidor. Leite & Derivados. na 1 8 . Setembr% utubro. p. 29-40, 1994. OFFICIAL OF ANALYTlCAL ASSOCIATION CHEMISTS. Official methods of analysis of the AOAC. 1 5 .ed. Washington: AOAC, 1 9 8 5 . ÁVILA, C. R . ; GAl.LO, C . R . Pesquisa de Salmonella spp. em leite cru, leite pasteurizado tipo C e queijo "Minas Frescal'� comercializados no município de Piracicaba - SP. Scientia Agricola. v. 53 n. I Piracicaba Jan.lAbr. 1 996. BANDINI, el 01. Risco à saúde representado pelo consumo de leite cru comercializado clandestinamente. Revista Saúde Pública, vol. 30, n° 6, dez. 1 99 6 . Pág. 2 3 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", NovlDez, na 353, Ql, 23-30, 2006 FATORES QUE REDUZEM A EFICÁCIA DA CAPACITAÇÃO DE ORDENHADORES DE LEITE DE CABRA EM BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO Factors reducing the efficacy of training goat milkers in good manufacturing practices Paula Tavolarol Carlos Augusto Fernandes de Oliveira1 BRASIL. Decreto n.30.69 1 , de 29 de março de 1 952, alterado pelos Decretos n� 1255, de 25 de junho de 1962, n. 1236 de 02 de setembro de 1 994, n. 1 8 1 2 de 08 de fevereiro de 1996 e n . 2.244 de 04 de junho d e 1997. Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária dos P rodutos de Origem RESUMO Animal - RllSPOA. Brasília/DF - 1 997. BRASIL. Ministério da Saúde. Agencia Nacional d e Vigilância Sanitária. Resolução n. 1 2 , de 2 de janeiro de 2 0 0 I, aprova o Regulamento Técnico sobre Padrões Microbiológicos para Alimentos. D i á ri o Oficial da O presente trabalho descreve os principais fatores que podem reduzir a eficácia da aplicação das boas práticas de fabricação (BPF) na ordenha de pequenas propriedades produtoras de leite de cabra. Inicialmente, foram verificadas as condições higiênicas do trabalho na ordenha de três propriedades no Estado de São Paulo, baseado na planilha oficial de análise de BPF. A capacitação em BPF foi realizada através de urna aula expositiva Republica Federativa do Brasil, Brasilia, DF, 10 de janeiro de 200 1 , Seção I, p. 45-53. "conceitos gerais sobre BPF" e "procedimentos recomendados de ordenha". Após a capacitação, foram feitas FENIMAN, sugestões para a melhoria do processo que fossem simples, baratas e de fácil aplicação. Tanto os proprietários C. microbiológica M., MUCELIN, do leite C. A. pasteurizado Avaliação tipo C comercializado no municipio de Medianeira-PR. Higiene Alimentar, voI. 1 7, n. 1 04/105, p. 77-86, 2003. dialogada de uma hora de duração, com uso de cartões ilustrados contendo frases curtas abrodando os temas quanto os ordenhadores concordaram com o estabelecimento destas sugestões. Após foi feita nova observação do trabalho na ordenha. Verificou-se que nenhuma das I a 2 meses da capacitação sugestões feitas para melhoria da ordenha foi implantada, e as razões para que isso não OCOrresse são discutidas em relação a outros estudos encotrados na literatura especializada, de maneira a se orientar veterinários e demais profissionais responsáveis FORSYTHE, S. J. Microbiologia da segurança alimentar. Porto Alegre: Artmed, 2002. 306p. GOMES, H. A-, GAl.LO, C. R. Ocorrência de aureus pela higiene dos estabelecimentos produtores de alimentos sobre possiveis entraves de capacitação de funcionários desta área. Slaphylococcus GUIMARÃES, R. Importância da matéria-prima para a qualidade do leite fluido de consumo. 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Manual de métodos d e análise microbiológica de alimentos. São Paulo: Varela. 1997. SILVEIRA, N. V. V.; SAKUMA, H.; DUARTE, M.; RODAS, M. A. B .; SARUWTARI, J. H . ; CHICOUREL, E. L. Avaliação das condições fisico-químicas e microbiológicas do leite pasteurizado consumido na cidade de São Paulo. Revista do Instituto Adolfo Luiz, v. 49, n. I , p. 19-25, execução de programas Palavras-chave: Boas práticas de fabricação, ordenhadores, leite de cabra. e produção de enterotoxinas por linhagens isoladas apartir de leite cru, leite pasteurizado tipo C e queijo "Minas Fresca!". Ciencia e Tecnologia de Alimentos, vaI. 15, D. 2, p . 1 05 a 200, 1 995. à INTRODUÇÃO o leite de cabra é preferencialmente ofere cido a populações de risco, como crianças que so frem de má-nutrição (EMBRAPA, 1 987) ou alergia ao leite de vaca, além de idosos e pessoas imu nossuprimidas (GRZESIAK, 1 997). Por estas ra zões, o leite de cabra deve ser obtido e processado em condições adequadas de higiene. Devido ao papel das práticas de manipulação inadequadas na epidemiologia das doenças transmitidas por alimentos (EHIRI e MORRIS, 1 994; SINELL, 1 995), a orde nha e o processamento devem ser executados por pessoal capacitado, com compreensão e conheci mento para se adequar aos padrões legais deter minados para os produtos derivados de leite de cabra. > E s te tipo de capacitação é normalmente respon . . s,abilidade de veterínários, entre outros profissionais énllolvidos com a produção de alimentos. Uma das ferramentas mais importantes na capacitação de pessoas que trabalham de alimentos são as boas práfabricação (BPF). As BPFs são defmidas ações aplicadas à produção de alimentos para controlar a qualidade do processo e do produto final, especialmente do ponto de vista microbiológico. Em fazendas leiteiras, as BPFs já foram usadas com sucesso para o controle micro biológico do leite, especialmente em fazendas de criação de bovinos (CULLOR, 1 99 7 ) . Não há, entretanto, nenhum relato do uso das BPFs em fazendas de criação de cabras leiteiras. O sucesso de um projeto educacional en volvendo as boas práticas de fabricação é algo bastante difícil de ser medido, e não pode se espe rar mudanças radicais. As alterações do compor tamento e atitudes humanos por meio da educa ção envolvem não só o conteúdo ensinado, mas a sociedade, o momento histórico e os valores do educador e dos educandos. Embora informa ções técnicas e habilidades devam ser ensinadas, a capacitação de manipuladores de alimentos de ve ser baseada em um desenvolvimento completo destes trabalhadores como seres humanos e sua autonomia na construção do seu saber, possi bilitando o desenvolvimento de formas indivi duais e coletivas de promoção de saúde (COSTA et aI. , 2002). Faculdade d e Medicina Veterinaria e Zootecnia, Universidade d e S ã o Paulo - S ã o Paulo, SP Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, Universidade de São Paulo. 4. Av. Duque de Caxias Norte, 225, 1 3 635-900 - Pirassununga, SP. Te\.: ( 1 9) 3565-4173; Fax: (19) 3565-411 E mail: [email protected] (Autor para correspondência) Juu. 1 98 9 . digitalizado por arvoredoleite.org Pág. 24 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, nO 353, Ql, 23-30, 2006 Os veterinários, em sua função como educa dores, não devem agir como especialistas que controlam todo o processo de trabalho, pois isso evitaria que o trabalhador entendesse os princípios que regulam suas ações, que ele aprendesse o processo completo de seu trabalho e que pudesse controlá-lo (KUENZER, 1 995). Os veterinários deveriam exercer seu papel de educadores aju dando os trabalhadores a serem mais eficientes (FREIRE, 1 970), e os envolvendo nas decisões do processo de trabalho. São obtidos melhores resultados em termos de comprometimento com as tarefas quando os trabalhadores estão mais en volvidos e controlam as mudanças em seu tra balho. A participação é a única forma de se real mente implementar mudanças no local' de trabalho (MERGLER, 1 987). No presente estudo, uma capacitação de curta duração em BPFs aplicadas à ordenha foi implementada de modo a se compreender os prin cipais fatores que podem limitar a eficácia e aplica bilidade do processo em pequenas propriedades produtoras de leite de cabra. MATERIAIS E MÉTODOS Três fazendas de criação de cabras loca lizadas no Estado de São Paulo foram usadas no presente estudo. Em duas delas, os animais eram ordenhados manualmente (Fazendas 1 e 3) e na outra, eles eram ordenhados mecanicamente (Fa zenda 2). Nas fazendas 1 e 3, o leite era congelado (O°C) imediatamente após a ordenha, e na Fazenda 2, ele era resfriado a 4°C em tanque de expansão, a fim de ser pasteurizado em até 48 horas. Em primeiro lugar, o processo de ordenha foi cuidadosamente observado e analisado de acordo com a planilha padrão de avaliação das BPF preparada pelo Ministério da Agricultura (BRASIL, 2002). Depois disso, cada fazenda foi classificada em um de três níveis: adequado, quando 70 a 100% dos itens da planilha de BPF eram respeitados; par cialmente adequado, quando 3 0 a 69% dos itens eram respeitados, e inadequado, quando O a 29% dos itens eram respeitados. Depois da avaliação detalhada do procedi mento de ordenha de cada fazenda, os ordenha dores foram submetidos a uma palestra de I hora de duração, baseada em um método comunicativo e usando cartões ilustrados contendo sentenças curtas sobre dois tópicos principais: conceitos ge rais sobre BPF e o método de ordenha ideal, como mostrado nas Figuras I e 2, respectivamente. O mesmo profissional veterinário foi responsável pela palestra nas três fazendas. Os tópicos específicos das BPF relacionados aos itens em desacordo foram enfatizados em cada uma das propriedades. Depois da apresentação, foram discutidas soluções baratas e de fácil aplicação para se melhorar o procedimento de ordenha. As soluções foram discutidas e aceitas tanto pelos donos das propriedades quanto pelos funcionários responsáveis pela ordenha. Uma nova visita foi marcada para um a dois meses após a capacitação para uma nova observação detalhada do procedimento de ordenha e uma nova classificação de cada fazenda de acordo com a planilha de avaliação das BPF (BRASIL, 2002). A incorporação dos princípios das BPF em cada uma das fazendas foi avaliada, assim como a real implementaçã o das soluções propostas para a melhoria da ordenha. RESULTADOS E DISCUSSÃO As Fazendas I , 2 e 3 respeitaram, respecti vamente, 49%, 65% e 5 1 % dos itens listados pela planilha de avaliação das BPF (BRASIL, 2002) e foram, portanto, consideradas como parcialmente adequadas antes da capacitação. Depois da capa citação, não foi observada nenhuma mudança nes tes percentuais em qualquer das fazendas. A Tabela 1 apresenta as deficiências em BPF no procedimento de ordenha que foram detectadas antes da capacitação, as soluções propostas e sua implementação depois da capacitação dos ordenha dores nas fazendas I , 2 e 3. As maiores deficiências detectadas nas fazendas antes da capacitação esti veram relacionadas a condições inadequadas de higiene durante a ordenha, como a ausência/modo incorreto de lavagem e desinfecção da sala de orde nha, utensílios, equipamentos, mãos dos ordenha dores, tetos e úberes dos animais. De todas as soluções propostas para as deficiências observadas, que foram aceitas tanto pelos proprietários das fazendas quanto pelos ordenha dores, praticamente nenhuma foi realmente implementada após a capacitação, principalmente nas Fazendas 2 e 3 . Os resultados obtidos neste estudo indicam que a capacitação em BPF aplicada aos ordenha dores de leite de cabra não foi bem sucedida. Este fato pode estar relacionado, primeiramente, à cur ta duração do curso e à maneira como ele foi estruturado, não estimulando a participação. Além disso, a comunicação não efetiva dos princípios das BPF pode ter ocorrido, uma vez que os profis sionais envolvidos com a extensão rural, parti cularmente os veterinários, apresentam dificulda des de comunicação adequada com os trabalha dores rurais, como mostrado por diversos autores (ARAMBULO et a i. , 1 9 8 6 ; WAYNER, 2 0 0 2 ; BERNARDO, 2003; OZEN et aI., 2004; SHAW et ai., 2004). Entretanto, o modo de estruturação do curso foi escolhido propositadamente uma vez que as palestras são a forma mais comum usada pelos veterinários quando estes exercem seu papel como educadores (MCLENNAN e HEATH, 2000). Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, n° 353, Ql, 23-30, 2006 E mbora não sejam usadas amplamente em tod o o país, as BPF são obrigatórias por lei em op eraç ões de produção e processamento de alimentos (BRASIL, 1 997) - mas não especifica mente para a ordenha. May e B u rger ( 1 9 9 6 ) mostraram que a não adoção das recomendações legais ou modificações na rotina de trabalho podem ocorrer por (a) distância entre a percepção de risco e a legislação; (b) o nível de conhecimento e compreensão do pessoal envolvido; (c) a acei tação de que os riscos potenciais existem; e (d) o nível de confiança que os trabalhadores têm no técnico que traz as informações. Todos estes fatores serão analisados em mais profundidade ao longo desta discus são. Mathias et aI. ( 1 994) mostraram a inade quação dos programas educacionais dirigidos aos manipuladores de alimentos, e trabalhos anterio res indicaram que a eficiência da capacitação dos manipuladores ainda não foi provada (COLEMAN et ai., 2000; EHIRI et aI., 1 997, MATHIAS et ai., 1994, SONEFF et aI., 1 994). Vergara et aI. (2000) e Sinell (1 995) mostraram que o processo educacional mais adequado aos manipuladores de alimen tos ainda tem que ser descoberto, mas estes autores enfatizaram que a capacitação é essencial para a prevenção e dirnínuição da ocorrência de surtos de doenças transmitidas por alimentos. Ehiri e Morris (1 996) afirmaram que a falta de evidência de monstrável se dá tanto pelas causas multi fatoriais das doenças transmitidas por alimentos, quanto pela dificuldade de se medir mudanças comportamentais. A Organização Mundial de Saúde recomenda que os programas educacionais dirigidos a mani puladores de alimentos de diferentes países devem ser culturalmente adequados àquela cultura parti cular a qual vão ser aplicados, o que deve ser deter minado por métodos antropológicos e sociológi cos (Ehiri e Morris, 1 994). Estes programas de vem também levar em consideração os hábitos alimentares e crenças da população de modo a se obter mudanças de comportamento e atitude. Estas f:graS foram seguidas pelo presente estudo (dados n � o apresentados ). Stull e Broadway (2004) mostraram que na pr'DdllCEio de alimentos de origem animal, o fluxo não é bem definido, as tarefas são '�i.allamlente diversificadas, com grande rotação de "U,dIUI"uon:s de diferentes origens e níveis de esV'd,IIU,..UI�. Estes fatos podem ter grande influên �',,, uLUI'a e resultados das capacitações de de alimentos. Camacho e t ai. /�JlJ mo,str'ar:am que as limitações históricas econômicas devem ser levadas em consi: se conseguir sucesso nas capacitações a pequenas empresas rurais. são raramente levadas em consinos cursos de capacita ção em segurança Pág. 25 alimentar, uma vez que os técnicos responsáveis por eles tendem a focar apenas nos aspectos téc nicos do conteúdo que devem abordar. O envolvimento é um fator chave para se obter sucesso na modificação da rotina de traba lho, e um envolvimento maior ou menor pode ocorrer por uma série de razões. Primeiramente, no presente estudo, o programa de capacitação em BPF foi proposto pela universidade, não par tindo dos próprios fazendeiros, que podem ter visto a iniciativa como algo que não necessitavam. Deste modo, seu comprometimento com o progra ma não foi suficiente para que o programa fosse estabelecido eficientemente. Além disso, das três fazendas analisadas, du as não eram as fontes básicas de renda do fazendeiro, sendo utilizadas como sítios de fim-de-semana. A outra fazenda, além de se dedicar à criação de cabras, também comercializava outros animais e a produção de leite não era a sua fonte principal de renda. Como comparação, pode-se considerar o relato de Sawyer ( 1 996) que afirmou que os proprietários de reba nhos que não apresentaram dificuldades econô micas tiveram pouco interesse em se envolverem em programas de controle de brucelose, con siderando este tipo de iniciativa como algo de baixa prioridade. Souza Neto et ai. ( 1 99 3 ) afirmaram que a adoção de novas tecnologias por pequenos proprie tários rurais ocorre apenas quando estas tecnologias produzem resultados viáveis em curto prazo. Mes mo se as BPF fossem obrigatórias para a ordenha, os fazendeiros poderiam não fazer grandes esforços para estabelecê-las imediatamente porque os resul tados não são claramente visíveis e as deficiências observadas na produção leiteira podem ter outras origens, que não a ausência das BPF. Como no pre sente estudo, Oliveira (1993) mostrou que pequenos proprietários rurais são bastante cautelosos em relação a novas tecnologias, porque não arriscariam sua fonte de renda a não ser que estivessem to talmente certos que isso poderia levar a melhor produtividade ou maior lucro. Weinand e Conlin (2003) mostraram que pode se obter bons resultados quando os objetivos dos fazendeiros e as deficiências da fazenda são colocados juntos. O objetivo do presente estudo, entretanto, foi implantar as BPF na ordenha, o que pode não ter sido o objetivo dos proprietários. E possível que, se estes fossem escolher, eles prio rizariam outras áreas de manejo que reduzissem os custos de produção, como mostrado por Souza Neto et ai. ( 1 99 3 ) . As B PF seriam deixadas de lado, a não ser que os fazendeiros apresentassem problemas de qualidade do leite que afetassem seu rendimento econômico. Entretanto, Crist et aI. (1 982) mostraram que até os fazendeiros que apre sentavam problemas não se mostraram muito digitalizado por arvoredoleite.org Pág. 2 6 Rev. Inst Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, n° 353, º-L 23-30, 2006 motivados a participar em programas educacio nais voltados á qualidade do leite. Sawyer ( 1 996) mostrou uma falta de envol vimento similar entre os fazendeiros analisados por seu estudo. Pelo excesso de tarefas a que são submetidos, os fazendeiros podem aceitar a situa ção inadequada de suas fazendas como algo que não são capazes de controlar. O mesmo pode ser dito dos ordenha dores, que eram os responsáveis pela execução de todas as tarefas relacionadas às cabras nas fazendas estudadas. Embora os fazendeiros tenham um papel importante na implementação das BPF aplicadas a ordenha, o interesse e o envolvimento dos tra balhadores tem que ser considerado. Costa et ai. (2002) afirmaram que os manipuladores de ali mentos não estavam apenas interessados na higie ne e organização do trabalho, mas também gosta riam de que as condições inseguras e inadequadas do trabalho fossem abordadas durante as capacita ções. Embora se tenha esperado que isso aconte cesse com a evolução do presente estudo, não foi o que aconteceu. Quando os ordenhadores foram entrevistados sobre suas expectativas e relação com o trabalho (dados não mostrados), eles de monstraram ter baixa auto-estima, não se interes sando ou se comprometendo com seu trabalho. Seu envolvimento era com o salário que recebiam, o que é perfeitamente compreensível. A pergunta que fica é: eles se envolveriam mais, como acon tece com os fazendeiros, se vissem na capacitação em BPF uma forma de garantir uma renda maior? As bases das BPF incluem o envolvimento, seguido em importância pela capacitação e edu cação (PANISELLO e QUANTICK, 200 1 ) . Além disso, a disponibilidade de recursos e outro fator importante no estabelecimento de programas de segurança alimentar, incluindo-se aqui tempo, di nheiro, mão-de-obra, equipamento de monitora mento e material de capacitação. O equipamento de monitoramento aplica-se mais a análise de peri gos e pontos críticos de controle, mas não ao proce dimento de BPF do presente estudo. O uso de equi pamentos de monitoramento no presente estudo implicaria em um nível de controle que não é pos sível de ser alcançado no procedimento de ordenha de pequenas propriedades de criação de cabras. Em relação ao tempo e a mão-de-obra, os trabalhadores poderiam estar sobrecarregados com as tarefas que teriam que executar sozinhos, e o tempo disponível para a capacitação foi bastante limitado. Ambos os fatores podem ter levado ao pequeno envolvimento, participação e discussão das BPF. Os resultados poderiam ser diferentes, se houvesse a possibilidade de mais reuniões, e mais longas. Os programas de segurança alimentar só podem ser estabelecidos quando há u m contato regular entre os técnicos e os trabalhadores, e não apenas nas quatro ou cinco visitas que foram possíveis neste estudo. Um maior contato melho ra a ligação entre o técnico e o trabalhador, levan do ao diálogo, a base de uma relação de ensino aprendizagem adequada. Uma maior intimidade poderia aumentar a confiança no técnico, o que também é um importante fator para o sucesso dos cursos de capacitação (MAY e BURGER, 1 9 96). O material utilizado na capacitação, cartões com figuras e sentenças curtas, pareceu adequado para os obj etivos do curso, durante sua estrutu ração. Entretanto, o excesso de informações a serem abordadas em um tempo muito curto levou a pequena compreensão crítica e apropriação do conhecimento pelos ordenhadores. Além disso, apesar da tentativa de se usar uma abordagem co municativa, isso não ocorreu na prática. Bernardo (200 3 ) mostrou que palestras são técnicas de aprendizagem passiva que levam às menores taxas de apreensão. Souza Neto et ai. ( 1 9 9 3 ) mostrou que os fazendeiros pagariam por tecnologias que produ zissem efeito imediato, mas poucos estariam inte ressados em visitas regulares de um veterinário, que apenas é chamado em emergências clínicas. Este espectro de ação limitado dos veterinários é claramente abordado por Goodger e Ruppanner ( 1 9 8 2 ) que mostraram a necessidade de mudança no currículo de graduação em medicina veterinária. Os fazendeiros não entendem exatamente que tipo de serviço um veterinário pode oferecer, a não ser atendimento de emergências clínicas. Para que as BPF fossem consi deradas pelos fazendeiros como algo realmente necessário de modo que eles aceitassem pagar por isso, deveria acontecer a ação de pressões externas, como a mídia, os consu midores ou a indústria leiteira. Além do envolvimento, educação e recursos materiais, a pressão externa é o quarto pilar dos programas de segurança alimentar (PANISELLO e QUANTICK, 200 1 ) . Como o leite era parte da renda de apenas uma das fazendas estudadas, estas pressões externas estiveram praticamente ausen tes. Além disso, pequenas empresas rurais geral mente estão estruturadas para produzir para sua subsistência e não para o mercado externo. Entre tanto, mesmo neste caso as BPF beneficiariam os produtores, uma vez que eles poderiam ter acesso a alimentos de melhor qualidade. Além do efeito do envolvimento, a capaci tação/educação, recursos e pressões externas bases dos programas de segurança alimentar - há barreiras técnicas que afetam o estabelecimento adequado destes programas, antes e durante sua implementação (PANI SELLO e QUANTICK, 200 I.). Estas barreiras técnicas têm que ser discutidas como um dos problemas enfrentados pelos veterinários quando lidam com a capacitação Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, n° 3 5 3 , º-L 23-30, 2006 em BPF. Antes d o estabelecimento do programa, as barreiras encontradas são a ilusão de controle o tamanho da empresa, o tipo de produto/seto ; da indústria e os requerimentos de segurança ali mentar dos c o nsumi dores (PAN I S E L L O e QUANTICK, 2 0 0 1 ) . Como ocorre com as pres sões externas, os requerimentos de segurança alimentar dos consumidores estão praticamente ausentes na indústria de leite de cabra, embora o produto seja oferecido a populações de risco. Esta é outra área na qual os veterinários pode riam passar a exercer um papel importante. Oliveira ( 1 993) mostrou que os técnicos en volvidos na extensão rural tendem a enxergar tanto a terra quanto os produtores rurais com preconceito, considerando-os "preguiçosos", "desconfiados" e "irracionais". Lefêvre e Lefêvre (2004) explicaram que a lógica do senso comum e a lógica sanítária não dialogam porque são produzidas em locais di ferentes. Mesmo na mais participativa das capaci tações, o técníco e o leigo têm um discurso baseado numa relação de mando-obediência que enfatiza a necessidade de que a preparação pedagógica dos veterinários seja real e eficiente. Costa et ai. (2002) demonstraram que os cursos de capacitação de manipuladores de alimen tos são preparados como se estes trabalhadores nunca aprendessem ou valorizassem todo o cuidado necessário para a preparação de alimentos. Estes autores criticaram as práticas educativas das pes soas responsáveis pela capacitação destes traba lhadores, mostrando que os cursos são apenas uma imposição de regras e rotinas, e não processos participativos. O técnico age como se fosse o dono da informação, e não há negociação ou res peito à autonomia do indivíduo. Embora a proposta inicial deste estudo te nha sido uma capacitação participativa (Freire, 1 977), ela não ocorreu como planejado. A parti cipação e o tempo foram escassos, e a assimetria da relação veterinário-ordenhador afetou negati vamente o processo de ensino-aprendizagem. Os veterinários representam o mundo sanitário, e im põem à rotina do ordenhador alguns detalhes que podem parecer irrelevantes nas tarefas diárias que el � tem que executar. A concepção sanitária do currículo de veteri e a visão preconceituosa que os veterinários ter dos manipulado res de alimentos são empecilhos para as mudanças dos para dos cursos de capacitação destes trabalha Costa et ai. (2002) mostraram que a associa a falta de higiene, pobreza e ignorância que o profissional de saúde questione as estrutura social, econômíca e cultural em ". "'."Cri111laIn. Isto é, quando eles acusam os ma não terem práticas higiênícas nas cotidianas, e valorizam a freqüência Pág. 2 7 das atividades pedagógicas como solução para estes problemas, evitam a discussão sobre os vários ní veis de determinação desse processo. Enquanto as discussões forem acusatórias e focarem na igno rância dos produtores/ordenhadores, na falta de ética de outros técnicos ou no poder das institui ções (OLIVEIRA, 1 993) nada vai ser feito para resolver o problema real que é fazer os veterinários assumirem sua responsabilidade como educadores preocupados com a realidade social, econômica e cultural daqueles que educam. CONCLUSÕES A capacitação em BPF como usada no pre sente estudo não pode ser considerada efetiva, porque os princípios das BPF não foram incor porados à rotina de trabalho e às atitudes dos orde nhadores de leite de cabra. Os principais fatores que reduziram a eficácia da capacitação em BPF se relacionaram com o envolvimento dos traba lhadores e ao processo pedagógico utilizado. Além do conhecimento técnico dos princípios das B PF, os veterinários e outros profissionais da extensão rural também deveriam ter habilidades pedagógicas e conhecimento para preparar, aplicar e avaliar adequadamente os programas de BPF aplicados à ordenha de leite de cabra. SUMMARY The present report is a description o f the main factors that can reduce the efficacy o f a good manufacturing practices (GMP) training, as applied to the milking procedure in small dairy goat farms. Firstly, the hygienic condition of the milking procedure of three farms located in the state of São Paulo was evaluated in relation to the GMP official evaluation checklist. After that, milkers were submitted to a content-based communicativ e approach in a 1 -hour training course using illustrated cards with short sentences on two main topics: general GMP and recommended guidelines for milking procedure. After training, cheap and easy-to-apply suggestions on the improvement of the milking procedure were produced and agreed both by the owner of the farm and the milkers. F o r the evaluation of the process, a new observation of the milking procedure was scheduled one to two months after training. None of the suggestions agreed upon was established and the reasons for that are discussed in relation to what is reported in specialized literature, in order to support veterinarians and other professionals in the identific ation of possible drawbacks in GMP training for food handlers in rural areas. Keywords: GMP, milkers, goat milk. digitalizado por arvoredoleite.org I Pág. 2 8 Rev. lnst Latic. "Cândido Tostes", Nov/D ez, n° 353, §l, 23-30, 2006 1. Bo s prática s de fabricaç ão são ações � determm adas para se consegu ir um aliment o seguro e bem conservado. S e q ü ência ideal de o rdenha 1. Lavar mãos e antebraços com água e sabão, enquanto aguarda a chegada do anim al. 2. Um alimento seguro e bem conservado não causa doença e demora a estragar. 2. Lav gem dos tetos, com água corrente, pre � feren CIalm ente morn a. 3. Contaminação é o material visível ou invisí vel que faz alimento estragar ou causar doença. 3. S ecag em dos tetos com pape l toalh a ' preferen cialm ente uma folha por anim al. [l [l 4. A contaminação vem de nossas roupas, mãos, cabelo s e corpo ; dos anima is; do ambie nte � tensíIios e equipamentos; do próprio leite, d� agua e do ar. 4. Desprezar os prim eiros j atos na cane ca de fundo preto para verificar a prese nça de grumos. 5 . Limpeza é a retirada de material visíve l. 5 . Faze r a orde nha com pleta . , e de mane Ira . d eh ada, em u m bald e que seja � ao meno s parC Ialm ente tamp ado. 6 Desin fecçã o é a retira da do mate rial invi : sIvel , que ge a!mente é respo nsáve l pelas do z: enças trans mitId as por alime ntos. ? [l Imersã dos tetos em soluç ão desin � fetan te a base de lOdo. 7. As boa práti cas anali sam as cond ições do � estab e � ecIm ento; a higie ne pesso al e os proc edIm entos de mani pulaç ão. � 8 o estab eleci ment o vou verif icar: as con : �Içoe s e func ionam ento das insta laçõe s'' a IImpez� e desin fecção das áreas, equip amen tos . e utensIllOs; o fornecimento de água e o sistema de combate às pragas. . E impo 10. Com relaç ão à manipulação vou observar a p even çã � da conta mina ção cruza � da; o uso �e agua potavel e clorada; o uso de embalagens limpa s; conservadas e sem conta mina ção; e o a r;n azen amen to e trans porte de maté rias pnm as e prod utos acabados. Figu ra 1. S eqüê ncia das sente nças nos car tões ilustrados que foram usad os na capa citaç ão dos orde nha dore s nos princ ípios gera is das boas práti cas de fabri cação . [l �t� nte usar uniforme comp leto, em �oa� condIçoes de higie ne: aven tal, gorr o ou 7. one e calça do fecha do, preferenci almente de cor branca. 8. Também é muito importante lavar as mãos e os n�ebraços com água e sabã � o a cada troca de atiVIdade. Figura 2. 9. Com relação à higiene pessoal vou obser var: a � a acita ção e cond ições de saúd e dos � . fun? I nanOs, a lavag em das mãos , as atitudes � e h� gIene pesso al, assim com a prese nça de . v I s I tante s. Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", NovlDez, n° 353, §l, 23-30, 2006 �eqüência das sentenças nos cartões Ilustrados que foram usados na capaci tação dos ordenhadores nas práticas recomendadas de ordenha. REFERÊNCIAS ARAMBULO, P. V.; ALETA, r. R.; VALLENAS' A co:nmunity participation in veterinary public health and ammal health in the Caribbean -results of a prelirninary survey. lnt. J. Zoonoses, V. 13, p. 1 62-173, 1 986. BE �ARDO, T. New technologies imperatives to medIcai education. J. Vet. Med. Educ . ' v. 30 , p . 3 1 8325, 2003 . BRASIL. Minis tério da Agric ultura . , Pecua'na e . AbasteclD1ento. 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"Cândido Tostes", N o v/Dez, n° 353, §l, 3 1 -37, 2006 DETERMINAÇÃO RÁPIDA DO COEFICIENTE GLOBAL MÉDIO DE TRANSFERÊNCIA DE CALOR NA PRODUÇÃO DE DOCE DE LEITE PASTOSO Simple Determination of Medium Overall Heat Transfer Coefficient in Doce de Leite (Caramel Jam) Production Rafael C. 1. Fontan J * Alexandre Zanin2 Marcelo M. CarvaIllo J Jane S. R. Coimbra3 Luis A. Millim3 Frederico M. COlide' WEINAND D.; CONLIN, B.J. lmpacts of dairy diagnositic teams on herd performance. J. Dairy Sei., v. 86, p. 1 849-1857, 2003. Deficiências nas BPF aplicadas ao procedimento de ordenha detectadas em cada propriedade antes da capacitação; soluções propostas e sua implementação após a capacitação dos ordenhadores. Implementação da solução após a capacitação Deficiência nas BPF antes da capacitação Propriedade Presença de animais de estimação no local de ordenha. Teste de p\�tabilidade da água não é feito Procedimento de desinfecção dos utensílios antes da ordenha não é feito, ou usa-se uma concentração de cloro desconhecida no procedimento. Não há desinfecção da sala de ordenha após o procedimento. Trabalhadores não usam uni forme durante a ordenha. D'esinfecção incorreta de tetos e úbere (uso da mesma solução clorada em um balde para todos o s animais e/ o u u s o d e panos neste procedimento). Layout incorreto de equipamentos na sala de ordenha (depois da ordenha, o leite é levado para outra sala para ser pesado). Ausência ou freqüência incorreta de lavagem e desinfecção de mãos durante a ordenha. Solução Propriedades 2 proposta 3 I, 2 Manter animais afastados da sala de ordenha. Sim Não 1, 2 Executar o teste a cada 6 meses. Parcialmente I Não 1 , 2, 3 Estabelecer uma e!Jl/ pa de desinfecção reguiar após a limpeza, utilizando-se a diluição correta do cloro. Sim Não 1, 2, 3 Limpeza e desinfecção adequadas da sala de ordenha, feitas diariamente. Não Não Não 1 , 2, 3 Uso de um uniforme específico para as atividades d e ordenha. Sim Não Não Não Não 1, 2 1, 2 1 , 2, 3 Limpar tetos com água de mangueira, sem uso de panos. Colocar a balança na sala de ordenha. Estabelecimento de lavagem e desinfecção adequada das mãos antes d e iniciar a ordenha de cada animal. Neste trabalho foi determinado o coeficiente global médio de transferência de calor ( Ü ) no processo de produção de doce de leite pastoso em um evaporador do tipo tacho aberto encamisado, considerando a temperatura de produção do doce constante, bem como suas propriedades termofisicas. O valor obtido para U foi igual a 575,10 W.m·'.K·I. Tal informação é necessária no desenvolvimento de projetos de trocadores de calor para essa finalidade e na otimização dos equipamentos e processos, o que resulta em economia de energia e conseqüente redução de custos. A metodologia proposta permite calcular de forma rápida, empregando modelos Ü. Esta técnica é de utilidade em cálculos práticos, tanto no ensino de engenharia quanto na estimativa de dados para aplicações industriais. Também permitirá a obtenção de valores de U para outros tipos de doces pastosos produzidos de maneira semelhante, sendo possível a estimativa de uma faixa de trabalho para valores de Ü na produção de doces em pasta. Não INTRODUÇÃO Não Não Não Não I A análise de água foi feita logo apos a capacitação e mostrou resultados satisfatórios; entretanto, o procedimento foi considerado caro e foi abandonado. RESUMO matemáticos, o valor de Não Pág. 3 1 Conhecer as propriedades termofisicas dos alimentos é necessário para a predição, projeto e otimização de processos que envolvem transfe rência de calor, como congelamento, desconge lamento, aquecimento e secagem (NESVADBA, 1 982), tendo importância fundamental no desen volvimento de projetos, em especial na determi nação de fatores de incrustações e perda de carga (HOFFMAN, 2004). A carência de dados sobre propriedades termofisicas de produtos alimentícios torna a modelagem dos processos industriais uma tarefa árdua e muitas vezes pouco eficiente. Dentre esses, o doce de leite é um produto que possui caracteristicas não-newtonianas e com posição similar ao leite condensado adocicado (HOUGH et aI., 1 988), obtido a partir do aqueci mento e evaporação de uma mistura de leite fluido * 1 2 3 4 e sacarose até um teor de sólidos totais em torno de 70% em massa (HEIMLICH et aI., 1 994). Equipamentos para produção de doce de leite devem ser abertos (mantidos à pressão atmosférica) para que além da evaporação da água contida na mistura leite e açúcar ocorram também as reações de escurecimento (Maillard e cararnelização), dando lhe o flavor característico (HEIMLICH et aI., 1 994). Dentre as propriedades que envolvem a trans ferência de calor, tem-se o coeficiente global médio de transferência de calor ( fi ) que é dermido em termos da resistência térmica total à transferência de calor entre dois corpos, dada uma diferença de temperatura existente (KREITH, 1 977). Desse modo, através do conhecimento do valor de fi , é possível calcular a quantidade de energia envolvida em um processo de transferência de calor através de uma relação simples, dada pela equação 1 . Trabalho realizado no Departamento de Tecnologia de Alimentos (DTA) da Universidade Federal de Viçosa (UFV), campus universitário, s/n, Viçosa - MG - Brasil, 3657 1-000. * e-mail para contato: [email protected]. Mestrandos em Ciência e Tecnologia de Alimentos no DTNUFV. Doutorando em Engenharia Agrícola no Departamento de Engenharia Agrícola, DENUFV. Professores Adjuntos do DTNUFV. Mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos - DTAlUFV. digitalizado por arvoredoleite.org Pág. 3 2 Rev. Inst Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, n a 3 5 3 , Ql , 3 1 -37, (1) Este trabalho teve como objetivo, portan to, determinar o valor do coeficiente global médio de trausferêucia de calor ( fj ) para a produção de doce de leite pastoso em um evaporador do tipo tacho aberto encamisado. 2. MATERIAIS E MÉTODOS o experimento foi realizado em um eva porador aberto encamisado (DeVita Salomão e Cia Ltda.) usando 25,0 kg de leite padronizado com 3% de gordura e 4,0 kg de açúcar cristal comercial para a produção do doce de leite pastoso. 2. 1 Evaporador aberto encamisado A parede interna do evaporador usado é constituída de aço inoxidável e a camisa de aço carbono. É dotado de um agitador central do tipo âncora, provido de lâminas de borracha para ras pagem de superficie, evitando incrustações. Seu formato é semi-esférico, possuindo 0,35m de raio interno e uma área útil de troca de calor de O,77m". A fonte de calor para o evaporado r é o vapor saturado, proveniente de caldeiras flamotubulares. Uma representação esquemática do tanque utili zado é mostrada na Figura 1 . rt-------t---�-- .j, CDUDENSAOO couoelSAOO Figura 1. Evaporador encamisado com agitação. 2.2 Produção do doce de leite pastoso o doce de leite é um produto resultante da concentração à pressão atmosférica de uma mistura constituída de sacarose e leite, podendo ser adicionado de outras substâncias, como glicose (DEMIATE et ai., 200 1 ) e bicarbonato de sódio, para redução da acidez. Após a adição de todos os ingredientes no evaporador foi iniciada a agitação da mistura. O vapor foi então alimentado na camisa do evaporador e a mistura foi concentrada até se obter um teor de sólidos solúveis em torno de 70oBrix. 2006 2 .3 Processos de transferência de ca lor envolvidos na produção de doce de leite Ao entrar na camisa do evaporador, o vapor d'água ao condensar transfere calor para as superfícies (interna e externa) da mesma, for mando uma película de água sobre as superficies, sendo que o mecanismo de transferência de calor na película é o da condução. Tal processo, devido à velocidade do vapor, ocorre em regime tur bulento. O calor cedido às paredes é então trans ferido às partes interna e externa do evaporado r por condução, obedecendo-se à lei de Fourier (KREITH, 1 97 7) . Da superficie externa d o evaporador , o ca lor é então transferido ao ar ambiente por con vecção livre, enquanto que da superficie interna do evaporador, o calor é transferido ao doce por convecção forçada com ebulição. Devido à alta viscosidade aparente de fluidos não-newtonianos, como o doce de leite, o regime de escoamento é considerado laminar, fato observado na maior parte dos estudos envolvendo fluidos desse tipo (B ENNETT, 1 97 8 ) . Foi levada e m conta ainda uma perda d e calor do doce para o ar ambiente durante o processo de produção, sendo tal perda por convecção livre. Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, na 353, Ql, 3 1 -3 7, no sentido d a transferência d e calor do vapor para o doce, e deste para o ambiente (resistência 1 ) ; e outra no sentido da transferência de calor do va por para o ambiente (perdas de calor pela super fície externa do evaporador aberto, resistência conforme mostrado na Figura 2 . 2 ), RESISTÊNCIA (1) CO'/DENSAÇÃIJ Tc,,", TvAl' R ESISTÊNCIA (2) COII091SAÇÃIJ 2.5 Determinação do co eficiente glo bal de transferência de calor Para o cálculo do valor de fj foi adotada a analogia às resistências elétricas (KREITH, 1 977). Admitiram-se duas resistências equivalentes, uma COI/DUÇÃO Co,rva:ÇÃO FORCADA CI EBUUÇÃO li'lT � '(Pliq -pvap). g.klq . hlv ] -heolld = 0, 5)5 [Pliq -��-':"'---'::':..!._ ... '-':':':!.-...., J1/iq . xcam . (Tvop -Team ) _ Figura 2. (4) h;v h/v + 0, 68 , cp liq . (Tvap -Team) . em que = Essa relação é válida para valores baixos do número de Reynolds, onde: COrMCÇÃO \J\IRE TOOCE Pág. 3 3 TAR eam ' pvap . V,vap < 35000 Ilvap x Re Os coeficientes médios de convecção para CO,rva:ÇÃO \J\IRE transferência de calor durante a ebulição convecção forçada devido à agitação Resistências utilizadas para o cálculo de fj . Para a resistência equivalente 1 , tem-se portanto: ( h"b ) ( �J ), e foram calculados assumindo a ebulição na superfície interna do evaporado r como sendo em película. Assim a equação 5 proposta por BROMLEY (1 950) para a ebulição em película estável em escoamentos viscosos foi utilizada de maneira satisfatória. � -,leb - O, 62 [JÇap , pvap ' (Pd - pvap).g . ít' ] 2 · R.! . Ilvap . (Tint -Td) - (5) (2) 2.4 O btenção dos dados experimentais A temperatura foi medida em intervalos de 1 0 minutos, utilizando-se termopares tipo T (co bre-constantan) instalados diretamente nas pa redes do equipamento. O teor de sólidos solúveis foi medido utilizando-se um refratômetro portátil, no mesmo intervalo de tempo que a temperatura. Para medida da vazão de vapor o con densado de vapor d'água foi coletado, por meio de uma válvula de descarga na camisa do eva porador, em um recipiente. Ao término do pro cesso o condensado foi pesado, sendo a vazão medida em kg.min· l . A velocidade d o agitador d o evaporador foi determinada através da média de repetidas con tagens diretas do número de revoluções em um mi nuto. O valor de velocidade obtido foi usado para determinar o número adimensional de Reynolds (Re) para o escoamento no evaporador e conse qüentemente o tipo de regime de movimentação, se laminar ou turbulento. CONOUÇÃO 2006 E para a resistência equivalente 2 tem-se: Para evaporadores encamisados c o m agi tação, GEANKOPLIS ( 1 993) expõe, para fluidos newtonianos o modelo representado na equação para convecção forçada. Apesar do doce de leite ser um fluído não-newtoniano, essa equação forneceu resultados satisfatórios. 6 (3 ) (6) Para as equações 2 e 3, os valores para as áreas A JU e A 112 são respectivamente as médias entre AJ e A 4 , e A e Al• Os coeficientes de trans J ferência de calor que aparecem nas equações 2 e 3 foram obtidos como descrito a seguir. O coeficiente médio de transferência de ca lor convectivo no processo de condensação do ( heolld ) vapor foi determinado de acordo a equação 4, que é um modelo proposto por CHATO (1962) para a condensação em película no interior de dutos horizontais. Posto que o escoamento do vapor era em regime laminar e que a temperatura nas duas paredes da camisa eram iguais. Todas a s propriedades d o doce são avaliadas à temperatura do doce, di à exceção de PiOI' ava liada à temperatura da superflcie interna da camisa, 1';n,' que é igual a Tva . Para o caso em estudo, o raio do agitador (Rag é igual a R4 " É interessante ressaltar que o termo dentro do primeiro parên teses é na verdade o número de Reynolds para tanques com agitação. O segundo termo entre pa rênteses é o número de Prandtl para o doce de leite. Para um tanque encamisado com agitador digitalizado por T / arvoredoleite.org Pág. 3 4 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov!Dez, n ° 3 5 3 , §l, 3 1-37, 2006 do tipo âncora sem chicanas, UHL ( 1 955) deter minou que, para a equação 6, os valores das cons tantes a, b e m eram iguais a 0 , 3 6 ; 2!3 e 0, 1 8 respectivamente, para 3 0 0 < Re < 4 x 1 0\ sendo tais valores adotados para os cálculos. Para calcular o coeficiente médio de convecção livre do evaporador para o ar ( hcl l ) consi derou-se: i) que o ar ambiente ao redor do evapo rador se movimentava apenas devido a diferenças de densidade, decorrente da diferença entre a tem peratura externa do evaporador (T",) e a do am biente (T�); ii) que as temperaturas Tu, e T� eram constantes e, iii) que a geometria para o sistema era a de uma semi-esfera de raio R cercada de ar. I Assim foi possível utilizar a equação 7, proposta por YUGE ( 1 960) para a convecção livre. - y,; Nu = 2 + 0,45(Gr . Pr) 4 (7) Fazendo-se a soma dos valores de Ih e q2 das equações 2 e 3, tem-se a quantidade total de energia envolvida no processo em questão. q = Ü1 · A3/4 . (Tvap - T", ) + Ü2 · A1 / 2 . (Tvap - T",) = ( l O) Comparando-se essa equação com a equação 1 , tem-se que: (l I) (Ü1 · A3/4 + Ü2 . AI/2 ) Foi admitido que a área A era a média entre as áreas A I ' A" Aj e A4' Assim sendo, consegue-se obter o valor do coeficiente global médio de trans ferência de calor para o processo em questão. 3.1 Produção de doce de leite pastoso Par ' cPar kar Essa relação é válida para G r < 1 09 e P r > 0,5, sendo as propriedades avaliadas à temperatura de película «Tu,+T)/2). Assim, o coeficiente mé dio de transferência de calor por convecção livre pode ser calculado por: J 1 C1I - Nu . kme1a/ (8) 2 . RI De maneira semelhante, calculou-se o coefi ciente médio de transferência de calor por convecção livre do doce para o ar ( hc/ 2 ), considerando-se a superficie gerada pelo doce durante seu proces samento uma semi-esfera côncava com arco de circunferência igual a Rs' Para tal situação, a relação mais adequada foi a proposta por McADAMS ( 1954) para superficies aquecidas voltadas para cima. - Nu = hC/ 2 · (2 . R5 ) kdoce 11 = 0,54 . ( Gr . Pr)74 (9) para l OS < Gr < 2 x 1 07 Sendo q u e a diferença para o número d e Grashof (Gr) utilizado na equação 9 deve-se a substituição de R I por RS e Tu, por Td• Os coeficientes de condutividade térmica, k, para os diferentes metais foram obtidos a partir de dados existentes na literatura (PERRY e GREEN, 1 997), bem como os valores das diferentes proprie dades relevantes do ar e do vapor d'água. Partindo de 25,8 kg de leite integral pasteuri zado e 4,0 kg de açúcar cristal foram produzidos 9,6 kg de doce de leite pastoso em 50 minutos de .processamento, alcançando-se um teor de sólidos solúveis igual a 69°Brix. A variação do teor de sólidos solúveis no doce de leite, bem como sua temperatura ao longo do processamento estão ilus tradas na Figura 3 . P B o Cl .g 60 80 60 " 10 �o� ,� � ._ o .,0 ." Só!tdos Soluveís � x .-�__.-___.-.T�em �p�ern �rurn __ -, �-,�1O • • __ tO 20 2 . o aumento progressivo na taxa de eva poração de água acelera a concentração do doce; 3 . após atingir uma determinada concen tração torna-se mais dificil retirar água do produto, e o teor de sólidos aumenta mais lentamente. D ada a pequena variação na temperatura de ebulição durante o processo, esta foi consi derada constante e igual a 1 04 , 1 2°C (377,27 K), permitindo calcular as propriedades termofisicas do doce a uma temperatura constante. 3 . 2 Coeficiente global médio de trans ferência de calor. A 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO Pr Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", NovlDez, n° 353, §l, 3 1-37, 2006 30 "'o Tempo de Processam enIo hnln 50 Figura 3 . Variação do teor de sólidos solú veis e da temperatura ao longo do processamento. Observa-se um comportamento sigmoidal pa ra o aumento do teor de sólidos solúveis devido a: 1 . no início do processo a troca de energia visa apenas aquecer uma grande massa de fluído até iniciar-se a evaporação da água; O processamento do doce de leite possibi litou a determinação de algumas variáveis necessá rias ao cálculo de Ü , apresentadas na Tabela 1 . As propriedades termofísicas densidade, calor específico e condutividade térmica para o doce de leite foram obtidas por meio de correlações ma temáticas (CHOI e OKOS, 1 9 8 6 ) baseadas na composição centesimal (DEMIATE et aI., 2 0 0 1 ) e temperatura do alimento.Os demais parâmetros requeridos foram obtidos a partir da literatura adequada (JUNK e PANCOAST, 1 973; PERRY e GREEN, 1 997 e GEANKOPLIS, 1 993). Tabela 1 . D ados experimentais obtidos no processamento do doce de leite pastoso. Variável Raio externo do encamisamento (R ) I Raio i nterno do evaporador (R 4) Arco de circunferência formado pelo doce (Rj) Temperatura do vapor d'água ( T,'ap) Temperatura externa do evaporador (Te,) Temperatura do doce (Td) Temperatura ambiente (Tj Espessura da chapa de aço inox (xa ) ç Espessura da chapa de aço carbono (xmelai) Espessura da camisa (xcam) Velocidade de agitação Vazão mássica de vapor ( m"ap ) 0,373 m 0,350 m 0,532 m 4 1 8, 1 5 K 388,15 K 3 77,27 K 295, 1 5 K 1,5 X 1 0.3 m 1 ,5 X 1 0.3 m 0 ,0 2 m 6 5 , 0 rpm 0,672 kg.min·1 Empregando-se os dados adequados às equa ções 4, 5, 6, 7, 8 e 1 0 foram calculados os coefici- Pág. 3 5 entes convectivos médios envolvidos no processo, lico'd ' li<h ' hif ' li" I e li,, ! , que estão apresentados na Tabela 2. Todas os critérios para a validação dos coeficientes estimados foram respeitados, sen do os mesmos empregados nas equações 2 e 3 para o cálculo de UI e U2 , respectivamente iguais a 3,34 W.nr2.K'1 e 539,88 W.nr2.K- I . Tabela 2 . Coeficientes de transferência de calor calculados. Coeficiente TransE de calor na condução ( hcond ) Transf. de calor na ebulição ( li<h ) Transf. de calor com convecção forçada ( hq ) Transf. de calor do evaporador para o ar ( li"I ) TransE de calor do doce para o ar ( li,,! ) * com a substituição de Valor! Eq. usadas W.nr2.K'1 8 5 1 4, 1 8 1 (4) 1 07,5 1 4 (5 ) 2085 1 ,453 (6) 5 79 , 1 5 9 (7) e (8) 3,353 (7)* e (9) por ra A grande diferença entre os valores de UI e U, deve-se à maior condutividade térmica do aço-� arbono em relação ao doce de leite (cerca de 1 4 0 vezes maior). Assim, a resistência à transfe rência de calor do vapor para o ar ambiente pelo aço-carbono do encamisamento era menor do que a do vapor para o doce. Finalmente, a partir dos dados de UI e U2 da equação 1 1 determinou-se o coeficiente global médio de transferência de calor, cujo valor foi igual a 5 7 5 , 1 0 W.m·1.K· I . O valor encontrado nesse trabalho é inferior aos descritos por PERRY e GREEN ( 1 997) para a concentração de soluções aquosas em evaporadores de aço inox encamisados usando vapor d'água, situados entre 850 W.nr2.K'1 e 1 700 W.nr2.K·I . Pode-se atribuir essa diferença à natUreza do doce de leite pastoso, mais viscoso que as so luções aquosas usadas por PERRY e GREEN ( 1 997). Além disso, os equipamentos usados pelo mesmo autor eram de aço inox em sua totalidade, enquanto que o empregado no presente trabalho apresentava o encamisamento em aço-carbono, que possui propriedades distintas do aço inox. D eve-se observar ainda que na determinação de Ü a equação 1, para quantificação da quantidade de energia envolvida no processo, inde pende da temperatura do doce e é função da tempe ratura do ambiente e do vapor. digitalizado por arvoredoleite.org Pág. 3 6 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, n° 353, Ql, 3 1 -37, 2006 4. C O N CL U S Õ E S Na produção de doce de leite pastoso em um evaporador do tipo tacho aberto encamisado o coeficiente global de transferência de calor ob tido foi igual a 575, 1 0 W.m·2X-I • Tal informação é necessária ao desenvolvimento ou otimização de projetos para equipamentos com esta finalidade. Por empregar modelos matemáticos já co nhecidos, a metodologia proposta permite calcular de forma rápida e simples o valor de Ü , sendo de grande valia em cálculos práticos, nos quais são aceitos valores estimados para parâmetros importantes como este. 5. AGRADECIMENTOS Agradecemos à Professora Jane Coimbra pela iniciativa e ao funcionário José Raimundo pelo auxílio neste trabalho. 6. S I M B OL OGIA Re => número de Reynolds (adimensional) NlI => número de Nusselt médio (adimensional) Gr => número de Grashof (a dimensional) Pr => número de Prandtl (adimensional) U => coeficiente global de tranf. de calor (W.m-2.K-/) q => taxa de transf. de energia (J.S-I) p => densidade (kg.m-3) g => aceleração da gravidade (m.s-2) f3 => coeficiente de expansão térmica (K-I) Te" => temperatura da superfície externa do evaporador (K) T� => temperarura do ar ambiente (K) Tcam => média entre as temperaturas. externa e do doce (K) Tvap => temperatura do vapor (K) Td => temperatura do doce (K) cp => calor específico (J.kg-I. K-I) k => coeficiente de condutividade térmica (W.nr/.KI) hlv => entalpia de vaporização (J.kg-I) x => espessura (m) V => velocidade (m.s-I) A => área superficial (m2) R => raio externo do evaporador (m) I R , => raio interno da parede externa do eva pórador (m) Rj => raio externo da parede interna do eva porador (m) 4 R => raio interno da parede interna do evapo rador (m) R5 => arco de circunferência formado pelo doce (m) J.l => viscosidade (N.m.s-I) h => coeficiente convectivo médio de transfe rência de calor ( W.m-2.K-/) N => freqüência de rotação do agitador (Hz) A I' A ' Aj' A. => áreas das semi-esferas correspon 2 dentes a R ' R ' Rj' R. (m2) I 2 me/ai => relativo ao aço-carbono aço => relativo ao aço inox "ap => relativo ao vapor d'água liq => relativo a água no estado líquido d => relativo ao doce de leite SUMMARY The goal of this work was estima te the medi um overalI heat transfer coefficient ( Ü ) in doce de leite (caramel j am) production in a j acketed vessel evaporator. The value obtained was equal to 575, 1 0 W.m-2 .K- I . This information is essential in design of equipments and optimization of processes, resulting i n energy economy and costs economy. The methodology proposed can be used to calculate, in a fast way using mathematical models, the Ü value. This technique is useful in practical calculations, so in the engineering teach as in estimation of data for industrial applications. It also can be used to obtain Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, n° 353, Ql, 3 1-37, 2006 Pág. 3 7 HEIMLICH, W., BÓRQUEZ, R., CÉSPEDES, L, Effect of milk replacement by whey pro te in concentrates on the rheological properties of dulce de leche, Lebens mittel-Wissenchaft und-Technologie, v. 2 7 , p. 2 8 9-29 1 , 1 994. Ed. Edgard B lücher Ltda., 550p., 1 977. HOFFMAN, P., Plate evaporators in food industry - theory and practice, J o u rnal of Food Engineering, v. 6 1 , p. 5 1 5-520, 2004. N E S VADBA, P . 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Esse leite é positivo à prova do álcool, sem entretanto apresentar acidez elevada; essa anomalia é resultado de uma série de alterações fisico-químicas ainda não completamente elucidadas. Uma importante conseqüência disso é o abaixamento acentuado da estabilidade, que muitas vezes leva o leite a coagular no pasteurizador, trazendo sérios transtornos às indústrias processadoras. Alimentação desbalanceada, principalmente para vacas de alta produção, tem sido apontada como a maior causa dessa anomalia, ocasionando principalmente um desequilíbrio salino e protéico, afetando também a capacidade tamponante e o rendimento industrial do leite. Palavras-chave: Leite, Equilíbrio Salino, SILA, LINA, Qualidade. INTRODUÇÃO A qualidade dos alimentos tem recebido nas últimas décadas, crescente atenção de todos os que trabalham na cadeia produtiva dos diversos produtos e na mesma intensidade de seus con sumidores. A definição mais aceita para o termo "qualidade", segundo Abreu (2004), é aquela que o considera como o conjunto de características que diferenciam as unidades individuais de um produto ou serviço e que tem importância na determinação do grau de aceitabilidade daquela unidade/serviço pelo comprador/consumidor. No caso particular do leite a qualidade está, não só recebendo destacada atenção, mas inclusive for çando a criação de nova legislação que trata de sua produção e comercialização. O leite tem sido alvo constante de estra tégias voltadas à adoção de mecanismos que me lhorem sua qualidade, visando aumento na renta bilidade para o produtor e principalmente ofertar aos consumidores produtos de boa qualidade. A produção de leite de boa qualidade é o objetivo da maioria dos produtores e para enfrentar esse de safio há necessidade de se evoluir tecnicamente em um período não muito longo, ajustando-se ao novo cenário que se apresenta. Neste sentido obter leite de elevada qualidade é fator dos mais im portantes na estratégia de produção. I 2 A qualidade do leite pode ser abordada sob alguns aspectos, destacando-se: qualidade fisico química, microbiológica, contagem de células so máticas, integridade e qualidade estética e senso rial. No que se refere à composição química, tem se destacado nos últimos anos não só o conteúdo de seus macro-constituintes, mas sobretudo o equilíbrio existente entre eles. Com o intuito de diminuição dos custos com alimentação, novas estratégias nutricionais da vaca leiteira têm sido utilizadas, muitas das quais têm causado mudanças nas composições minerais e protéicas. Essas mu danças geram um dos, senão o mais importante problema da pecuária leiteira atual, qual seja, o desequilíbrio salino; que por sua vez é um dos principais contribuintes para a anormalidade co nhecida em Cuba como "Síndrome do Leite Anor mal" (SILA), e denominada "Leite Instável Não Ácido" (UNA), no Brasil. Face aos vultosos pre juízos em função dessa anomalia e a não defini ção clara de suas causas, esse trabalho tem por objetivo estabelecer de maneira prática uma visão sobre a SILA ou LINA e os possíveis métodos de diagnóstico e controle. Nas recepções dos laticínios lança-se mão da prova de resistência ao álcool ou prova do alizarol, como métodos rápidos, eficientes e pou co dispendiosos para se determinar a estabilidade do leite. Doutoranda do Departamento de Ciência dos Alimentos da Universidade Federal de Lavras - UFLA. Orientador - Professor Titular do Departamento de Ciência dos Alimentos da Universidade Federal de Lavras - UFLA. Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, n° 353, Ql, 38-43, 2006 P r o v a de R e s i s t ê n c i a a o á l c o o l ( o n alizarol) O RIISPOA (Brasil, 1 997) considera normal o leite cuja acidez inicial somada à acidez adquirida esteja compreendida entre 1 5 e 2 0° Dornic. Um leit e fora do padrão estabelecido é considerado anormal, podendo ser usado somente para fins especiais (uso condicionado). A prova do álcool é um dos testes chaves na recepção dos estabelecimentos processadores de leite. Consiste em juntar partes iguais de leite e de álcool (mínimo de 72 %) e observar se há formação de grumos, caso haja, indica que o leite não é estável a essa determinada concentração do álcool; essa prova simula o aquecimento do leite; sendo que quanto mais concentrado for a solução alcoólica a que o leite resiste, maior também será a·1emperatura que esse pode ser aquecido. É comum a adição de alizarina ao álcool, nesse caso a solução tem a denominação de prova de estabilidade ao Alizarol, a qual, além da coagulação apresentará a coloração amarelada quando o leite estiver ácido. Nessa prova o álcool atua como um desi dratante, modifica a constante dielétrica do meio, simulando condições de aquecimento. Pode haver na prova do alizarol as seguintes condições: colo ração vermelho tijolo sem formação de grumos, considera-se leite normal; coloração amarelada com formação de grumos, leite ácido e finalmente, coloração vermelho tijolo (normal) com forma ção de grumos, leite instável n ão ácido. Estabilidade Térmica do Leite Por conceito, a estabilidade térmica do leite (ETL) é o tempo necessário para originar coagula ção visível a uma dada temperatura e um dado pH, correspondendo à capacidade do leite em resistir à coagulação pelo calor, visando sua aptidão para o processamento (Silva & Abreu, 2003). Para Horne & Parker ( 1 979), citado por Chávez et aI., a estabi lidade do leite ao etanol foi definida como a minirna concentração de etanol que coagula o leite. A indústria de laticinios busca a recepção de leite de elevada estabilidade térmica, uma vez que esta é importante para o processamento de derivados lácteos que sofrem tratamentos térmi cos severos ou com vida de prateleira longa. Diver sos fatores afetam e promovem a coagulação do leite: tempo, temperatura, pH, equilíbrio salino, concentração de uréia, estabilidade das micelas de caseína (Silva & Abreu, 2003), os quais por sua vez são influenciados pelo estágio de lactação, alimentação deficiente do gado e ocorrência de mastite. O equilíbrio salino influencia a estabilidade térmica do leite, destacando-se entre os seus com ponentes principais as concentrações individuais Pág. 3 9 e proporções de cálcio, fosfato e citrato. Devido ao papel importante do citrato e do fosfato de cálcio na estabilidade das micelas de caseína, alte rações no equilíbrio entre cálcio solúvel e coloidal afetam a prova do álcool e conseqüentemente, a estabilidade térmica do leite (Santos, 2004). De acordo com Silva & Abreu (2003 ) , a estabilidade térmica do leite pode diminuir devido a uma alta atividade do cálcio, uma baixa atividade de fosfatos e citratos e sucessivos tratamentos térmicos. A alimentação pobre em forrageiras po de diminuir o teor de citrato, sendo este um cons tituinte normal do leite, formado no ciclo de KIebs pelas mitocôndrias. Segundo Barros (2002), existe uma relação inversamente proporcional entre a estabilidade das proteínas e o teor natural de cálcio iônico do leite. A prova do álcool é sensível à variação do cálcio iônico por provocar uma diminuição da solubilidade desse mineral. Estudos conduzidos para determinar os fatores relacionados à estabilidade da proteína do leite verificaram que, o aumento da concen tração de íon cálcio (cálcio livre) associado com a elevação da acidez influenciam marcadamente a estabilidade, sendo retardado com a adição de íons citrato e do fosfato. Vacas com leite instável não ácido (LINA), apresentaram maiores valores de cálcio iônico e de potencialidade de precipitação que leite normal (Barbosa et aI., 2006). Donnely & Horne ( 1 986) observaram uma diminuição na estabilidade do leite ao etanol du rante o inverno na Irlanda. Eles concluíram que um bom balanceamento de sal da dieta durante o início e final da lactação seria uma contribuição importante. De acordo com Tsiouplas et aI. (2005), o Ca++ é um bom determinante da estabi lidade do leite e exibe uma boa correlação com a estabilidade ao etano I. Entretanto, Walstra & Jenness ( 1 984) suge rem que a nutrição exerce um efeito compa rativamente pequeno na maioria dos componentes do leite que afetam a estabilidade térmica do leite. Os minerais contidos na ração não afetam de modo considerável a composição salina do leite. A deficiência de cálcio e fosfato na ração interfere na produção do leite, mas não altera as suas con centrações. A vaca retira esses minerais da reserva óssea para compensar a deficiência de ingestão (Silva & Abreu, 2003). Síndrome do Leite Ano rmal ou Leite instável não ácido Um dos maiores problemas enfrentados pela maioria dos produtores e indústrias, tem sido com amostras de leite que reagem positivamen te à prova do álcool/ali zarol sem, todavia apresen tarem alta acidez. digitalizado por arvoredoleite.org Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", NovlDez, nO 353, §.L 38-43, 200 6 Pág. 40 I I I " , , o Centro Nacional de Salud Agropecuária de Cuba (CENSA), é a instituição que, nos últimos anos, mais atenção tem dado ao assunto, carac terizando-o como SILA - Síndrome do Leite Anor mal. A SI LA foi cientificamente definida como "um conjunto de alterações nas propriedades fisi co-químicas do leite (acidez negativa, prova do álcool/alizarol positiva), de origem ligada à várias causas", sendo as principias: transtornos fisioló gicos, metabólicos e/ou nutricionais, caracterizada por diminuição e alterações na estabilidade térmi ca e na capacidade tamponante, afetando os pro cessamentos, trazendo transtornos para a elabo ração de derivados lácteos (González, 2004). No Brasil, a situação é observada com mais freqüência nas épocas de mudanças de estação do ano, prin cipalmente na entrada do período seco, com situa ções que ocorrem conjuntamente: estresse calóri co e ou nutricional, suplementação com subpro dutos de cana, principalmente em gado de alto potencial genético, sendo que Assis (2005) relata ainda que vaca apresentando pobre condição cor poral está mais sujeita a essa síndrome. Os transtornos nutricionais e metabólicos das vacas leiteiras podem, muitas vezes ser diag nosticados através do conhecimento do balanço dos constituintes sólidos do leite, que por sua vez são precursores diretos e indiretos de nutrientes fornecidos pelos alimentos. A manipulação nutri cional, tal como privação alimentar severa ou utili zação de certos suplementos alimentares, são capa zes de ocasionar variações imediatas na compo sição do leite. Assim é de suma importância sa lientar que a composição do leite pode ser ampla mente influenciada pela nutrição da vaca leiteira. O desbalanço entre energia e proteína asso ciado às características da ração, com implicações no ambiente rumina I e comprometimento do me tabolismo geral (acidose), são os fatores de maior consideração no caso de Cuba de acordo com Alves Filho (2005), e relacionados às alterações na com posição do leite em outros países, como o Brasil, que tem condições muito parecidas às de Cuba, mes mo clima, alimentação, tipo de gado e exposição dos animais ao estresse térmico (Laranja, 1 999). Para demonstrar uma possível relação entre os nutrientes da dieta, a presença de algumas disf unções metabólicas e alterações na composição e características fisico-químicas do leite, Hernández & Ponce (2005), conduziram experimento com dietas com déficit de proteínas, com o obj etivo de demonstrar a existência da Síndrome de Leite Anormal (SILA). Realizaram estudos em condições controladas, período compreendido entre os meses de fevereiro e maio de 1 9 99, correspondente à época pouco chuvosa. Foram utilizados três grupos experimentais necessários para a replicação expe rimentai: Grupo 50% recebeu 50% do consumo - total em MS de cana de açúcar e bagaço, com pletando com pastagem verde e concentrado; Grupo 80% recebeu 80% do consumo diário em MS de cana de açúcar e bagaço, também com pletando com pastagem verde e o terceiro como · grupo controle - consumiu uma dieta balanceada (requerimento de MS, energia e proteína supridos), com adequada proporção de forragens, concen trados, pastagem e menos de 20% de forragem de cana. No início do experimento os animais se encontravam em homeostase de seus indicadores hematológicos e do equilíbrio ácido-básico (he moglobina, pH sanguíneo), portanto, com níveis fisiológicos considerados normais. Uma vez ins talada a SILA os valores sofreram dramáticas mo dificações para os animais que se encontravam com as dietas desbalanceadas (grupo 50% e grupo 80%). O comprometimento físico e de saúde ob servado com freqüência em rebanhos leiteiros especializados ao finalizar a época da seca em concordância com as limitações na qualidade e quantidade de alimentos disponíveis, têm sido acompanhado por u m alto nível de anemia e alterações da homeostase dos animais. Hernández & Ponce (2005) concluíram, a partir dos dados experimentais obtidos que: a sín drome ocorre em rebanhos leiteiros de alto poten cial genético associado a menor disponibilidade e qualidade de alimentos e alta demanda nutricional dos animais; em propriedades onde a alimentação básica é forragem de cana finamente moída e ou , tros derivados, sem um adequado balanço de outro tipo de forragem e pastos; em animais com estado físico comprometido, indicando um estado de sub nutrição e que passaram por transtornos metabó licos que comprometeram as funções da glândula mamária e conseqüentemente a qualidade do leite. O LINA foi caracterizado de acordo com os resul tados obtidos durante o experimento, por depressão dos sólidos do leite: (proteína: 2,87%; lactose: abai xo de 4,60), diminuição na capacidade tamponante, estabilidade térmica e balanço mineral do leite. A experiência da produção de leite em Cuba, à base de cana de açúcar moída como principal volumoso, com consumo deficiente de MS e apor te energético na ordem de 70 a 75% das necessida des, teve como resultado a produção de leite anor mal, com teor de lactose inferior a 4,6%, proporção de caseína inferior a 76% da proteína total (normal= 79%) e com reação positiva à prova do álcool/ alizarol, sem ser um leite ácido (ponce, 1 999). Os experimentos Cubanos apontaram para uma situação de subalimentação violenta, ocasio nada pelo desequilíbrio alimentar. A dieta era to talmente desprovida de fontes mais nobres de ener gia como milho, sorgo e de proteínas verdadeiras como farelos de algodão e de soja. O açúcar pro veniente da cana e seus derivados são um tipo de - Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, n° 353, §.L 3 8-43, 2006 alimento que, logo que ingerido, entra em processo de fermentação acelerada e, por esse motivo, quan do consumido em excesso, provoca acidose rumi nal. Em vista da má digestão, o gado come menos ou pára de comer, o que pode levar a uma condição de desnutrição (Carvalho, 1 999). Com o objetivo de submeter os animais à restrição alimentar e posteriormente reverter a situação através do fornecimento de uma dieta equilibrada, Zanela et ai. (2006) utilizaram os se guintes tratamentos: Controle- feno e concentrado e Restrição- sem concentrado. Verificaram· que a restrição aumentou a ocorrência de LINA e a re versão foi possível através da correção da dieta. Esse fato demonstra a relação entre subnutrição e instabilidade do leite ao álcool. Houve diminuição na produção de leite (36,5%), redução de proteína bruta, lactose e sólidos totais do leite, sem variação nos teores de gordura. A limitação de energia disponível no tecido epitelial mamário afeta a síntese e secreção dos componentes lácteos, fundamentalmente de caseí na, lactose e os principais macro minerais impli cados nesses processos, basicamente fósforo, cál cio e magnésio. É provável que esse fenômeno possa ser potencializado por causas genéticas, associados aos tipos de K-caseína, e outras pro teínas lácteas. No caso mais geral de Cuba, a dimi nuição no consumo de carboidratos facilmente fermentescíveis, aumento de forragem verde, au mento de proteína verdadeira, de preferência by pass e o uso de substâncias reguladoras do ambiente ruminal (Alves Filho, 2005). Marques et aI. (2005) conduziram um expe rimento na Embrapa-CPACT em Pelotas-RS, com o objetivo de verificar o efeito da acidose me tabólica sobre as características físicas e químicas dó leite instável não ácido. Ambas as dietas foram calculadas para atender as exigências nutricionais dos animais, sendo uma controle e outra aniônica (recebendo as mesmas quantidades de alimentos da dieta controle acrescido de 0,25 kg/dia de clo reto de amônio). A dieta aniônica provocou a redu ção do pH da urina e do leite, diminuição da esta bilidade do leite e aumentou o teor de cálcio iônico do leite. Os autores concluíram que a acidose metabólica provocada por alterações na dieta pode alterar a composição e estabilidade do leite e o balanço de cargas da dieta, mesmo numa situação de pleno atendimento das exigências nutricionais pode influenciar a composição do leite e a sua estabilidade na prova do álcool. A acidose ruminal é uma disfunção metabó lica provocada por um erro no manejo alimentar devido ao consumo excessivo de carboidratos facilm ente fermentescíveis e caracterizada por u m desvio da fermentação em favor d e maior produção de ácido lático, levando a u m quadro Pág. 4 1 clínico agudo de desidratação e em casos extre mos à morte. Os alimentos mais freqüentes na indução de acidose ruminal são os grãos e as fari nhas, por apresentarem elevadas concentrações de amido. Com altas concentrações de carboidra tos fermentescíveis, predomina-se as bactérias Gram-positivas. No início cresce principalmente o StreptococclIs bovis. que fermenta esses carboi dratos, produzindo ácido lático, que abaixa o pH até certo ponto. Com isso, cria-se um ambiente favorável aos Lactobacilllls sp ., que resistem mais e produzem mais ácido, fazendo com que o pH final do rúmen chegue a valores muito baixos. Nesse ambiente de alta acidez, ocorre diminuição do crescimento das bactérias celuloIíticas e dos protozoários, pois esses são na sua vasta maioria neutrófilos. O aparecimento de certas alterações metabólicas e do LINA está intimamente relacio nada não só com o estado de subalimentação, mas também com o desbalanço nutricional dos animais (Hernández & Ponce, 2 0 0 5 ) . Estudos conduzidos por Ponce & Hernández (200 1 ) demonstraram que rebanhos leiteiros com quadro de SILA encontram-se também em pobre condição corporal, quadros de acidose metabólica (uma vez que os níveis de pH sanguíneo estavam abaixo do limite mínimo: 7,3 5-7,50) e baixo pH ruminal, que podiam ser corrigidos com a minis tração de aditivos capazes de estabilizar e ativar a função rumina I e como consequência o meta bolismo em geral. O controle da acidose ruminal pode realizar se utilizando substâncias tamponantes (bicarbo nato de sódio e de magnésio) na ração ou mediante utilização de niacina (que aumenta a taxa buti rométrica no início da lactação, interferindo no processo de mobilização de reservas energéticas e de gordura e contribuindo para diminuir o surgi mento de cetoses), colina ou metionina não prote gida para melhorar a utilização dos aminoácidos glicoformadores (Barros, 2 0 0 2 ) . Em vacas, no início da lactação, com balanço energético nega tivo, a metionina parece melhorar o seu estado metabólico geral (Rulquin & Delaby, 1 997). O fenômeno Síndrome do Leite Anormal ou Leite Instável Não Ácido ainda não é muito bem esclarecido e poderia ser melhor definido co mo uma severa deficiência nutricional que facil mente pode ser corrigida através de uma dieta bem balanceada. O controle deveria ser feito atra vés do uso de produtos que possam equilibrar o pH, utilização de forragens verdes adequadas e sal mineral para regularização da flora ruminal. Além disso, um bom manejo alimentar, quanto ao au mento da freqüência das refeições, evitando-se fornecer acima de 4 kg por refeição, devido aos efeitos positivos do maior número de refeições sobre a uma melhor regulamentação da digitalizado por arvoredoleite.org Pág. 42 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, n° 353, §l, 3 8-43, 2006 tação ruminal (Muhlbach, 2003); quanto ao forne cimento da dieta total misturada fornecida, em que há a garantia de estar fornecendo uma dieta balanceada quanto à energia, proteína, minerais e vitaminas e estímulo à ruminação, com uso de feno ou silagem com o mínimo de fibra efetiva. Algumas pesquisas relatam o aparecimento dessa anomalia em fazendas na Iugoslávia, no pós-colostro, onde as vacas temporariamente apresentavam leite com alta acidez natural ti tulável, que durava aproximadamente 3 a 4 se manas, com teores elevados de gordura, proteína, cinzas, cálcio, fósforo e sólidos não gordurosos. As pesquisas sobre o aparecimento desse leite nos primeiros meses da primavera conduziram à hipótese de que a alta acidez natural titu l ável seria provocada pela deficiência das vitaminas A e D, o que levaria a trocas mais vagarosas no organismo e à formação de maior quantidade de fosfatos primários no leite, que influenciariam na acidez (Dordevic, 1 969), citado por Rodrigues et ai. ( 1 9 9 5 ) . Pesquisas demonstraram q u e o quadro d e S índrome do L e i t e Anormal se reverte ao se diminuir o consumo de cana a menos de 50% do total de matéria seca (Laranja, 1 999). O ajuste na alimentação, reduzindo o fornecimento de cana de açúcar e aumentando a forragem verde, o uso na dieta de proteína não degradável no rúmen, e o emprego de aditivos reguladores do ambiente ruminal e suplementação mineral adequada, produziram uma recuperação entre 7 e 2 1 dias (MulIbach, 2003) . CONCLUSÃO A Síndrome do L eite Anormal o u Leite Instável não Ácido aparece e desaparece espon taneamente em rebanhos de alto potencial gené tico, associado a uma menor disponibilidade e qualidade de forragens e alta demanda nutri cional. A condição corporal dos animais com prometida e a ocorrência de transtornos meta bólicos, influenciam nas funções da glândula ma mária e conseqüentemente na qualidade do leite. S e a fermentação no rúmen estiver dentro dos limites considerados normais (dieta balanceada: fornecimento correto de energia, proteína, mi nerais e vitaminas), a produção de leite estará otimizada, principalmente no que diz respeito à qualidade. Sendo a SILA e ou LINA um problema complexo e de difícil diagnóstico, faz-se necessário estudos mais apurados a fim de se determinar pos síveis métodos de controle e tratamento quando a ocorrência for detectada, principalmente no Brasil onde tem-se observado crescente utilização de cana-de-açúcar para vaca leiteira. SUMMARY Adequate nutricional manage of dairy cow . influences directiy the milk quality, affecting direct or indirectly the synthesis as much as the secretion. Among the aspects of quality, it stands out the "Abnormal milk syndrome" (SILA), also known as "No acid Instable milk" (LINA). This milk is positive on the alcohol test, however without presenting elevated acidity; this anomaly is a result of several physical-chemical changes which stiJI completely unknown. An important consequence of this it's the decreasing accentuated stability, which for many times takes milk to curdle to the pasteurizer, developing serious disorders to the manufacturer industry. D esbalanced supplies, mainly to high productive cows, it ' s pointed as the major cause of this anomaly, provoking a proteic and salin umbalance, affecting the tampon capacity and milk income industry. Keywo r d s : milk, salin balance, SILA, LINA, quality. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABREU, L . . R. Qualidade e Process amento do Leite. Lavras: Universidade Federal de Lavras. UFLA, Faepe, 2004, 8 7p. ALVES FILHO, D. C. Manipulação da composição de gordura no leite. D isponível em: <http:// w w w 6 . u fr g s . b r /b i o q u i m i c a/ p o sg r a d / B TA/ gordura_leite.pdf.> Acesso em 30 novembro 2005. ASSIS, A. J. de. Síndrome do leite anormal, o que é e como prevenir. Mundo do Leite, DBO. N. 1 4, 2005, p. 3 8-3 9 . BARBOSA, R . S.; SILVEIRA, L D. B . ; FISCHER, V. ; RIBEIRO, M. E . ; STUMPF JÚNIOR, W.; MARQUES, L. T. Efeitos dos horários de medida, do estádio de lactação e do leite Instável não ácido (LINA) sobre alguns atributos físicos do leite bovino. 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"Cândido Tostes", Nov/Dez, nO 353, .§l, 44-50, 200 6 Pág. 44 NÉCTARES DE FRUTAS TROPICAIS ENRIQUECIDOS COM IOGURTE DE LEITE DE CABRA COMPARADOS COM FORMULAÇÕES SIMILARES UTILIZANDO LEITE BOVINO Comparative study of tropical fruit nectar enriched with caprine and bovine yoghurt Margarida Maria dos Anjos MagalhãesI Dannielle Janainne Silva2 Márcia Regina PedrÍlliI Roberta Targino Pinto Correia' RESUMO Este trabalho teve como objetivo produzir e analisar o néctar de frutas tropicais enriquecido com iogurte produzido com leite de cabra e vaca. Para alcançar este objetivo, inicialmente foram escolhidas as melhores formulações de cada sabor de néctar produzido com leite caprino através de análises químicas e sensoriais. A partir disto, foram comparadas formulações idênticas de néctares produzidos com leite bovino e caprino. Os resultados mostram que o néctar caprino é mais ácido que seu similar bovino. A análise sensorial demonstrou que os néctares produzidos com leite de vaca e cabra são similares (p<O,05) do ponto de vista sensorial, e ambos os produtos alcançaram adequada aceitação sensorial. 1 . INTRODUÇÃO Em todo o mundo, o número de novos pro dutos lácteos cresce a uma taxa elevada, conse qüência do fato dos derivados de leite estarem alinhados com a tendência atual de valorização da saúde. A popularidade das bebidas lácteas segue a mesma tendência, tanto por constituir uma fonte prazerosa de alto valor nutritivo, como por ser uma bebida refrescante. As bebidas lácteas podem ter viscosidade relativamente baixa, bastante se melhante à de uma mistura de leite e suco de frutas ou, então, apresentar viscosidade mais alta e opa cidade como os tradicionais iogurtes com culturas lácteas vivas, comuns no oriente Médio, sendo as preferidas às bebidas com sabor de frutas (DALLAS e LAGRANGE, 1 998). Os néctares de frutas são comercializados em diversos sabores e são definidos como sendo bebidas não fermentadas obtidas pela dissolução em água potável da parte comestível de frutas e açúcares (BRASIL, 2003). No Brasil, a utilização de polpas de frutas em combinação com o iogurte para produção de novos produtos, tem conquis tado de forma especial o consumidor jovem, ávido por novidades. N o entanto, os produtos lácteos encontrados comercialmente são elaborados pre- 2 3 dominantemente a base de frutas de clima tempe rado como morango, pêssego, ameixa, uva. O Nor deste produz um grande número de frutas de sabores exóticos e características sensoriais únicas, as quais podem ser uma interessante alternativa como in grediente de produtos lácteos. Em trabalhos ante riores, Honorato et ai. (20 0 1 ) e Magalhães et ai. (2004) produziram bebidas lácteas com adição de néctar de cajá e néctar de mamão com acerola ao iogurte de leite de vaca com boa aceitação sensorial. Além disso, a caprinocultura leiteira é uma atividade econômica de relevante expressão eco nômica em vários países do mundo. Segundo dados da FAO (2006), o rebanho caprino brasileiro em 2005 contabilizava cerca de 1 0 milhões de cabeças, das quais mais de 90% encontram-se concentradas na Região Nordeste (ANUALPEC, 2006). O Rio Grande do Norte é um importante produtor de leite de cabra e tem recebido incentivo do governo esta dual, que compra parte da produção para distribuir para críanças carentes, idosos de baixo poder aqui sitivo e para escolas, através de um programa social denominado "Programa do Leite". O leite de cabra é um alimento de reconhe cido valor nutricional, muito indicado para crian ças e adultos alérgicos ao leite de vaca, e que possui características químicas e fisicas peculiares Professora Doutora, Departamento de Engenharia Química, Centro de Tecnologia, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Aluna de graduação em Engenharia Química, UFRN. Professora Doutora, Departamento de Agropecuária, Centro de Tecnologia, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Autora responsável: [email protected]. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, n° 353, .§l, 44-50, 2006 2004). No entanto, poucos produ derivados encontram-se disponíveis no merca atualmente e grande parte da produção encon voltada para a produção de queij os finos (B ELCHIOR, 2003). Pouca informação se encon tra disponivel sobre a fabricação de outros produ tos, tais como leite desnatado ou aromatizado, iogurte, leitelho, sorvetes, manteiga, leite conden sado ou em pó. Vale também salientar que os resul tados obtidos com leite de vaca nem sempre po dem ser utilizados para leite de cabra, sendo neces sária à realização de pesquisa específica envolven do os produtos em questão (HAENLEIN, 200 1 ). Baseado nestas informações, este trabalho pretende estudar a elaboração de néctares de frutas regionais enriquecidos com iogurte de leite de ca bra e compará-los com os néctares enriquecidos com o iogurte de leite de vaca. Para isso, são analisados resultados químicos e sensoriais obtidos. 2. MATERIAL E MÉTODOS 2 . 1 Material O leite de cabra congelado foi fornecido por produtor do Rio Grande do Norte em em balagens de um litro, sendo descongelado e vigo rosamente homogeneizado no momento do uso. O leite de vaca e polpas de frutas utilizadas no estudo foram adquiridas no comércio da cidade de Natal-RN. 2.2 Métodos O experimento foi dividido em duas etapas. Inicialmente foram preparados os néctares enri- Pág. 45 quecidos produzidos de acordo com a Figura 1 . Estes néctares foram analisados quanto ao pH, sólidos solúveis e acidez total titulável, além de serem submetidos à análise sensorial. As formu lações de cada sabor com melhores escores senso riais foram submetidas a uma segunda etapa que consistiu no estudo comparativo com sobremesas preparadas de maneira idêntica, substituindo-se o leite de cabra por leite de vaca. 2.2. 1 Preparo do iog/lrte Os iogurtes foram manufaturados no labo ratório de Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O leite inicial mente foi aquecido a 85°C durante 15 minutos, seguido de resfriamento até 45° C, quando foi reali zada a inoculação com cultura mista liofilizada Chr-Hansen de Lactobacilllls delbrlleckii subsp. blllgariclls e o Streptococclls salivarills subsp. termophillls. A incubação a 45°C foi conduzida por 5 - 6 horas. Em seguida os iogurtes foram armazenados a 5°C. Os iogurtes de cabra e vaca foram preparados de maneira idêntica, exce tuando-se apenas o tipo de leite utilizado. 2.2.2 Preparo do néctar enriq/lecido com leite de cabra Os néctares foram preparados com as pol pas congeladas de graviola, goiaba, manga e pitanga, adquiridas no comércio local. Duas for mulações de néctar enriquecido foram testadas para cada fruta estudada, variando as concen trações de néctar e i ogurte de lei te de cabra (Tabela 1 ) . Armazenamento à lO"C Figura 1. Esquema experimental da preparação do néctar enriquecido com iogurte digitalizado por arvoredoleite.org Rev. Insl Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, n° 353, §.L 44-50, 2006 Pág. 46 Estudo comparativo entre o néctar enriquecido com iogurte de leite de cabra e o néctar enriquecido com iogurte de leite de vaca 2.2. 3 A melhor formulação de cada sabor dos néc tares enriquecidos com leite de cabra foi sele cionada a partir dos resultados sensoriais obtidos. Em seguida foi realizado estudo comparativo dos atributos com os néctares enriquecidos com iogur te de leite da vaca. Os néctares enriquecidos foram divididos em dois grupos experimentais: foram mantidas as denominações iniciais (letras A, B, C, etc), sendo acrescidas do número 1 para as formu lações preparadas com leite de cabra e o número 2 para aquelas preparadas com leite de vaca. Análises físico-quím icas 2.2.4 Os néctares foram submetidos a análises em triplicata de teor de sólidos solúveis ("Brix) em refratômetro RL2, acidez total titulável expressa em graus Domic ("D) e pH de acordo com as No rmas Analíticas do Instituto Adolfo Lutz ( 1 9 85). 2.2.5 Avaliação Sensorial A análise sensorial foi realizada utilizando se o método da escala hedônica estruturada com nove pontos, indo desde desgostei muitíssimo (nota Tabela 1 . 2.2. 6 Análise estatística Na etapa de definição das melhores formula ções dos néctares enriquecidos com iogurte de leite da cabra, os resultados foram comparados através da análise de variação (ANOVA) e do teste de Tukey com nível de significância de 5%. Para o estudo comparativo entre os produtos caprinos e bovinos utilizou-se o teste de hipótese, comparando-se pos teriormente com a distribuição t de Stlldent, segundo os métodos descritos por Costa Neto ( 1 9 77). 3 . RESULTADO S E DISCUSSÃO 3.1 Análises físico-químicas dos nécta res enriquecidos com leite de cabra Os resultados de pH, acidez total titulável e sólidos solúveis das formulações de néctares enriquecidos são mostrados na Tabela 2 . Os néctares aqui propostos se assemelham as bebidas lácteas comumente encontradas no mer- Formulações dos néctares enriquecidos sabores graviola, goiaba, manga e pitanga. Fruta Formulação Néctar (polpa : xarope) Néctar enriquecido (nectar : iogurte) Graviola A B C D E F G H 30:70 30:70 30:70. 30:70 40:60 40:60 40:60 30:70 23:77 30:70 30:70 4 0 : 60 40:60 50:50 40:60 40:60 Goiaba Manga P i tanga Tabela 2 . 1 ) até gostei muitíssimo (nota 9 ) . Utilizou-se painel composto de 2 8 provadores não treinados e os atributos analisados foram aparência, textura, cor, odor e sabor. O índice de aceitabilidade (IA) foi calculado de acordo com Teixeira et aI. ( 1 9 87 ) . As amostras consideradas aceitas foram aquelas com IA igual ou maior que 70%. Resultados de pH, acidez total titulável e sólidos solúveis dos néctares enriquecidos. Fruta Formulação Graviola A B C D E F G H Goiaba Manga P i tanga Acidez total titulável (OD) pH 3,78 3,88 4,19 4,08 4,19 4, 1 8 3 ,57 3,61 ± ± ± ± ± ± ± ± 0,02 0,02 0,02 0,02 0,0 1 0,0 1 0,02 0,02 62,9± 0 ,3 6 1 , 1 ± 0,5 5 3 , 1 ± 0 ,4 5 8 ,0 ± 0,6 5 4 , 1 ± 0,3 55 ,2± 0,5 7 0 ,2± 0 , 6 6 9 , 1 ± 0 ,5 Sólidos solúveis (OBrix) 1 4,4 1 6,8 1 3 ,5 1 9,5 1 5,0 20,0 20,0 20,0 ± ± ± ± ± ± ± ± 0,3 0,3 0,3 0,2 0,3 0,2 0,2 0,2 Rev. Insl Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, nO 353, §.L 44-50, 2006 cado, mas recebem denominação diversa, tendo em vista o fato de não receberem adição de soro de leite, sendo o resultado da mistura de iogurte com néctares de frutas (BRASIL, 2005). Os resultados do pH dos produtos encon tram-se na faixa ácida, sobretudo para graviola e pitanga. São ligeiramente inferiores ao observado comumente para iogurte de leite de cabra sem adição de frutas tropicais, conforme mostra Guler-Akin e Akin (2007) e Stelios e Emannuel (2004). No en tanto, o pH médio observado foi próximo ao mos trado por Araújo et aI. (2004) em iogurte de leite de cabra com sabor maracujá. Em trabalho anterior, Souza Filho et aI. (2000) mostram que o pH de néctares de frutas nativas da região nordeste (araçá-boi, cajá e camu-camu) variou entre 2,3 a 2,9. Estes autores utilizaram proporções semelhantes de polpa de fruta e xarope e observaram teor de sólidos solú veis entre 1 2 ,2°Brix e 1 6,2°Brix. Maeda et ai. (2006) observaram que o néctar de camu-camu apresenta pH próximo a 2,9 e sólidos solúveis igual a 1 9,93°Brix. 3 . 2 Analise sensorial dos n éctares en riquecidos com leite de cabra 3.2.1 As médias das notas atribuídas às formu lações de néctares de graviola, goiaba, manga e pitanga enriquecidos com iogurte de leite de cabra são apresentadas na Tabela 3. Nos atributos cor e sabor não houve dife rença significativa (p<0,05) entre as formulações dos néctares de frutas enriquecidos. Nos atributos aparência e textura as formulações do néctar de gráviola apresentaram escores inferiores às demais (p<0,05), embora não tenham diferido entre si. A formulação F foi significantemente inferior às demais formulações testadas em relação ao odor. As interpretações subjetivas dos escores nos atribu tos analisados posicionaram-se entre "gostei ligeiTabela 3 . ramente" e "gostei muito" para todos os néctares de frutas enriquecidos, com exceção do atributo aparência das formulações de graviola que varia ram entre "indiferente" e "gostei ligeiramente". 3.2.2 Ílldice de aceitabilidade Os índices de Aceitabilidade (IA) para as formulações de néctares enriquecidos estão mos trados na Figura 2. Observa-se que grande parte das formulações alcançou índices de aceitação su periores a 70%, o que significa que a maior p arte das amostras foi considerada aceita. Os maiores problemas foram detectadas na aparência das amostras de sabor graviola, bem como no quesito odor da amostra sabor manga. As amostras tiveram elevados índices de aceitação no quesito cor, sobretudo nas formu lações C, D e E (sabores goiaba e manga). O quesito sabor é de elevada importância na aceitação global do produto e os níveis mais elevados neste quesito foram observados para o sabor pitanga. 1 00 90 o c � d o u d o ." Escores sensoriais Pág. 47 o u ] 80 70 60 50 40 30 20 10 o A Figura 2 . B C o E Formulacães F G H loAparoncia .Cor r;Odor E]Sabor OTexlura I Índice de aceitabilidade das formu lações de néctar enriquecido com iogurte de leite de cabra. A análise dos escores sensoriais e dos IA permitiram a seleção das formulações A (gra viola), C (goiaba), E (manga) e G (pitanga) como Médias das notas atribuídas à s formulações de néctares d e graviola e goiaba enriquecidos com iogurte de leite de cabra. Fruta Formulação Aparência Cor Odor Sabor Textura Graviola A B C D E F G H 5 , 6b 5,5b 7 ,0' 7 , 0' 7,3" 7 ,2" 6,8" 6,9" 6,8 6,7 7,6 7,6 8,0 7,0 7 ,3 7,5 6,5' 6,5' 7 , 8' 7,3' 7 ,0" 6,1b 6,7' 7,0" 7,2 7,1 7,5 7,6 7,3 6,4 7,9 7,6 5,8b 6, 1 b 7.2 ' 7 ,0" 7,1" 7,1" 6,8" 6,8" Goiaba Manga P itanga a,b�Diferent es superescritos e m u m a mesma coluna indicam diferença estatisticamente significante (p<O,05). digitalizado por arvoredoleite.org Rev. Insl. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, nO 353, Ql, 44-50, 2006 Pág. 48 sendo as mais bem aceitas. Estas formulações foram submetidas a estudo comparativo posterior com produto semelhante produzido com iogurte de leite de vaca. 3 . 3 Estudo comparativo entre néctares enriquecidos com iogurte de leite caprino e bovino 3.3.1 Escores sellsoriais Na Tabela 4 são apresentados os resultados dos teores de sólidos solúveis, acidez e pH das formulações nos sabores graviola, goiaba, manga e pitanga com iogurte de leite de cabra e de vaca. Observa-se que o pH das formulações de néctar enriquecido com iogurte de leite de vaca é supeior às similares preparadas com iogurte de leite de cabra, a exceção do sabor graviola. Ten dência semelhante foi observada previamente por Bezerra (2006) e Cruz (2005) para iogurte e sor vete produzidos com leite caprino. Na Figura 3 são apresentados os resultados das médias das notas sensoriais atribuídas as for mulações de néctares de graviola,goiaba, manga e pitanga enriquecidos com iogurte de leite de cabra 9,0 8,0 7,0 8,0 .!l 5,0 =ª 4,0 10M] 3,0 � 2,0 1,0 -' --LL, 0,0 �""--"L.,..-'-'-- r-'=Ib.J....--d..-. � Oi:r - 9,0 8,0 7,0 6,0 fIl 5,O � 4,0 Sàxr �o Tedua �j,,; I;' �!f �I; � � � �� �� !.P'1# �� �\;' P;m<éa ar Oi:r Atnbutos Sàxr [Oci] � Tedua I· r-al � 2,0 1,0 0.0 ;., �o ��Lr�m.-L������ P;m<éa ar Oi:r P;m<éa AIributos .� ar Oi:r - Sb:r Tedua Figura 3 . Escores médios obtidos para a s formulações d e néctares de graviola, goiaba, manga e pitanga enriquecidos com iogurte de leite de cabra e com iogurte de leite de vaca. Tabela 4 . Resultados dos teores d e sólidos solúveis, acidez total titulável e p H dos néctares enríquecidos com iogurte de leite de cabra e de vaca nos sabores graviola e goiaba. Fruta Graviola Goiaba Manga Pitanga Formulação AI A2 Cl C2 El E2 Gl G2 Sólidos solúveis (OBrix) 1 8,9 1 9 ,2 2 0 ,4 20,0 2 0 ,4 20,0 2 0 .5 20.0 e com iogurte de leite de vaca para cada um dos sabores considerados. Os resultados dos testes da escala hedônica mostraram não haver diferença significativa entre os dois tipos de produtos nos atributos ana lisados. Isso significa afirmar que os néctares de graviola, goiaba, manga e pitanga enriquecidos com iogurte de leite de cabra e de vaca alcançaram características sensoriais similares (p<0,05). Os conceitos subjetivos referentes aos escores médios variaram entre "gostei ligeiramente" e "gostei muito" para as quatro formulações. 3.3.2 Ílldice de aceitabilidade Todas as formulações foram aceitas em todos os atributos, ou seja, alcançaram I A superior a 70% (Tabela 5). De uma maneira geral, observa se que as formulações preparadas com leite de vaca alcançaram índices ligeiramente superiores, mas as diferenças não foram estatiticamente significantes. No quesito sabor, parâmetro muito importante para a aceitação geral do produto, os sabores graviola e manga foram os que obtiveram notas mais elevadas. Pág. 49 enriquecidos, através da produção de produto lácteo com sabor de frutas tropicais de valor nu tricional e adequada aceitação sensorial. 5. SUMMARY The objective of this paper was to produce and analyze fruit nectar made with tropical fruits with the addition of caprine and bovine yoghurt. In order to do that, firstly the enriched nectars with caprine yoghurt were made and had their chemical and sensorial characteristics determined in order to choose the best formulation of each flavour. After that, in order to evaluate the goat milk in nectar formulation, a comparative study was conducted by analyzing similar dairy product made with bovine milk. Results showed that caprine products are a little higher in acidity when compared to bovine samples. Sensorial results of bovine and caprine nectars were similar (p < 0.05) and good sensorial results were reached for both experimental groups. 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANUALPE C . Anuário da Pecuária Brasileira 2006. São Paulo: Instituto FNP. 2006. 364 p. 4. C O N C L U Sà O 9,0 8,0 ao 2,0 1.0 9,0 8,0 7,0 6,0 v fIl 5,0 [I � 4,0 I;' ao 2,0 1,0 Rev. Insl. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, n° 353, Ql, 44-50, 2006 A s formulações d e néctar enriquecido com leite de cabra A, C, E e G foram selecionadas por alcançarem resultados superiores às demais. Ob servou-se que os néctares enriquecidos com leite caprino apresentaram acidez mais elevada quando comparados a produtos similares preparados com leite bovino. Os resultados da pesquisa permitem inferir que os néctares produzidos com iogurte de cabra e vaca são similares do ponto de vista sensorial, tendo em vista que alcançaram resultados sen soriais semelhantes (p<0,05). Desta maneira, esta pesquisa mostra aponta perspectivas para o uso do leite de cabra na produção de néctares de frutas ARAÚJO, E.; MARQUES, 1.; MILAGRES, M.; MAGALHÃES, R.; PINTO, M.; FERREIRA, C. elaboração de iogurte de leite de cabra para consumidores alérgicos ao leite de vaca. Revista Instituto Laticínio Cândido Tostes, v. 5 9 , n. 3 3 9 , p. 3 95-3 97, 2004. BELCHIOR, F. Caprinocultura busca :epresen tatividade. 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Goiaba Manga Pitanga •o índice 1 representa formulação preparada com leite de cabra; índice 2 representa formulação preparada com leite de Vaca• digitalizado por arvoredoleite.org Pág. 5 0 Rev. Ins!. Latic. "Cândido Tostes", NovlDez, n O 3 5 3 , Ql, 44-50, comparativo com iogurte de leite de cabra. Monografia (Graduação em Zootecnia). Departa mento de Agropecuária, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2005. BRASIL. Ministério da Agricultura. Instrução Normativa n. 12 de 04/09/2 0 0 3 . Padrões de Identidade e Qualidade dos N éctares de abacaxi, acerola, cajá, caju, goiaba, graviola, mamão, manga, maracuJa, pêssego e pitanga. Diário Oficial da União. Brasília, DF, 09 setembro 2 0 0 3 . D i sponível em <http:// extranet. agricul tura. gov. brlsislegisconsul tal consultarLegislacao.do?operacao=visualizar&id =283 1>. Acesso em 1411 1 /2006. BRASIL. Ministério da Agricultura. Instrução Normativa n. 16 de 23/08/2 0 0 5 . Regulamento de Identidade e Qualidade de Bebida Láctea. 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O sabor não diferiu entre tratamentos, porém, durante a estocagem, diminuiu de 1 2,4 para 1 1 ,5 pontos. A textura variou, partindo de 1 2,5 pontos e atingindo 13, I pontos ao final. A cor e a consistência não se alteraram durante a estocagem. Todas as interações tratamento x tempo foram não significativas . No teste de aceitação, queijos fabricados de forma tradicional receberam 7,7 pontos, contra 7,0 daqueles com extensores, em escala de 9 pontos. Palavras-chave: Queijo Minas Frescal; extensores; tecnologia; análise sensorial. 2. REFERENCIAL TEÓRICO 1. INTRODUÇÃO O uso de extensores em fabricação de quei jos é uma alternativa tecnológica para indústrias de laticínios em períodos de entressafra ou onde o preço do leite é muito caro, como acontece em alguns países latino-americanos. A técnica consiste em incrementar o leite padronizado com fontes de proteínas e gorduras lácteas, de modo que estes dois constituintes te nham seus teores aumentados, visando ganho no rendimento de fabricação sem ter que aumentar a quantidade de leite no tanque. Como se trata de tecnologia nova, pouca literatura está disponível e nos países onde já se tem notícia do emprego dos extensores, os queij os frescais típi cos foram os primeiros a serem pesquisados, como o Panela e D o b l a Crema, n o México, o Camposino da Colômbia, (Ballinger, 200 I b). No Brasil, Costa Júnior e Abreu (20 0 6 ) demonstraram viabilidade tecnológica para uso dos extensores no queijo Minas Frescal. 2 3 2 . 1 O queijo Minas Frescal e as carac terísticas s e n s o riais esperadas O queijo Minas Frescal é produzido em diver sos estados do país, porém, o início de su 1 fabrica ção no século XVIII se deu no estado de lv:inas Ge rais, em regiões onde o gado de leite era dominante. Quanto ao mercado de queijos, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Queijos ABIQ (2006), o Minas Frescal ocupa o terceiro lugar dentre os queijos mais produzidos no Brasil sob Serviço de Inspeção Federal, atrás da Mussa rela e Prato que ocupam o I ° e o 2° lugares, respec tivamente. Esta posição tem sido mantida desde o início da última década. A produção do Minas Frescal subiu de 2 0 ,4 0 mil toneladas, em 1 9 96 para 30 mil toneladas, em 2005, ou seja, um cres cimento de aproximadamente 50% em dez anos. São características sensoriais esperadas no queijo Minas Frescal para atendimento á legislação (Brasil ( 1 996): Professor/pesquisador DSc. - EPAMIG CT/ILCT. luizcarlos@epamig. br. Professor Titular PhD - DCAlUFLA. lrabreu@ufla. br. Professor/pesquisador DSc. - EPAMIG CT/ILCT. feroando.magalhã[email protected]. digitalizado por arvoredoleite.org Pág. 52 - Rev. Ins1. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, na 353, Ql, 5 1 -57, 200 6 Consistência branda, macia; Textura com ou sem olhaduras mecânicas; Cor esbranquiçada; Sabor suave ou levemente ácido; Odor suave, característico; e Massa coalhada, dessorada, não prensada, salgada e não maturada; 2.1 Nível de extensão e uso dos extensores Nível de extensão, segundo Costa Júnior (2006) refere-se á quantidade percentual desejável de aumento dos dois principais constituintes do leite padronizado para fabricação de queijo, ou seja, as proteínas e as gorduras. As fontes para esses constituintes devem ser exclusivamente lác teas para atender o Regulamento Técnico de Iden tidade e Qualidade de Queijos. A partir da padronização do leite para a fabricação, deve-se proceder ao balanço de massa para saber a quantidade das fontes protéicas e gor durosas a serem adicionadas e dissolvidas (Costa Júnior, 2006). No caso do queijo Minas Frescal, os melhores resultados segundo Costa Júnior e Abreu (2006) foram a partir de concentrado protéico de soro (WPC) com 8 0% de teor de proteínas na matéria seca, para o extensor protéico, e de creme de leite para extensor de gorduras. Neste caso, segundo estes autores, o nível de extensão consi derado tecnologicamente viável para produção do Minas Frescal foi de 40%, ou seja, o leite padro nizado para a fabricação foi adicionado de WPC e creme, em quantidades calculadas para que os teores de proteína e gordura aumentassem em 40% na mistura apta à fabricação. O tipo de extensor, segundo B allinger (20 0 I a), pode depender do tipo de queijo reque rido, do processo de produção, dos requisitos fim cionais do extensor e do nível de extensão. Os extensores têm sua justificativa de uso devido: - À escassez dos sólidos de leite disponiveis durante o ano todo, como acontece em algumas regiões e no México; - À escassez dos sólidos de leite disponiveis na entressafra, como no Brasil e Chile e - Para que a demanda de vendas se iguale à produção. As possíveis vantagens do uso dos extenso res, segundo Ballinger (200 I a), são: - custo de proteína mais baixo em determi nados casos; - controle do processo com produto mais consistente; - aumento no rendimento, uma vez que a quantidade de extensor utilizado faz o leite eqüivaler ao dobro em volume; - qualidade consistente e - volume de soro reduzido com mais sólidos para processamento adiciona!. 3. MATERIAL E MÉTODOS 3.1 Localização O trabalho foi realizado nos Laboratórios do Departamento de Ciência dos Alimentos, da Universidade Federal de Lavras (DCA/UFLA) e nas dependências industrial e laboratorial do Laticínio Verde Campo, situados no município de Lavras, MG. 3.2 D elineamento, tratamento estatís tico dos dados e tecnologias de fa bricação dos queij o s F o i utilizado o delineamento inteiramen te casualizado (DIC). Aplicaram-se 2 tratamen tos referentes à utilização ou não de extensores no processo de fabricação do queij o Minas Fres cal, com 3 repetições, sendo que para a utilização da Análise Descritiva Quantitativa Modificada (ADQM), empregou-se 4 tempos a saber: I , 4, 7 e 1 0 dias após a fabricação, sendo que o teste de aceitação foi realizado I dia após a fabricação. As tecnologias de fabricação adotadas para a produção dos queijos com extensores foram Costa Júnior (2006), e para o processo tradicional a partir de adaptação descrita por Dutra (2002) e Furtado & Lourenço Neto ( 1 994). Após a obtenção dos resultados, os dados foram tabulados em planilha eletrônica e, poste riormente, analisados estatisticamente por meio de programa "SISVAR" 4.3 (Ferreira, 1 999). 3 .3 Análise s e n so rial 3.3.1 Perfil sensorial por análise descritiva quantitativa m odificada (ADQM) Os queijos fabricados pelos processos tradi cional e com uso de extensores foram submetidos à análise sensorial em I, 4, 7 e 10 dias após a fabrica ção, para avaliação dos atributos: cor, consistência, textura e sabor, utilizando-se de escala não-estru turada, seguindo a Análise Descritiva Quantitativa Modificada, conforme Figura I (Stone et aI., 1 974). Para avaliar os citados atributos, foi forma da uma equipe de 1 0 julgadores, que foram selecio nados por aptidão aos atributos definidos. Eles foram treinados quanto aos critérios de avaliação, por meio de reuniões, discussões e simulações, quanto aos parâmetros de interesse do trabalho. Os julgadores receberam, em cabines indi viduais, as amostras codificadas com números de três dígitos aleatórios, preparadas para a análise. O Rev. Ins1. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, na 353, Ql, 5 1 -57, 2006 PERFIL SENSORIAL POR ADQM Amostra número: Nome: _____ Data: 1 1 _ _ __ ____ _______ ______ _ Pág. 53 ESCALA HEDÔNICA Amostra número: Nome: _____ Data: I l _ _ __ _____._ _ __ ____________ Por favor, avalie a amostra de queijo Minas Frescal conforme instruções anexas e expresse seu conceito, marcando com traço vertical na escala não-estruturada. Por favor, avalie a amostra usando a escala abaixo para descrever o quanto você gostou ou desgostou do produto. Marque a posição da escala que melhor reflita seu julgamento. I - COR Código da amostra: Típica Atípica ( ( ( 2 - TEXTURA ----1--------------------------------------------1---Atípica ( ( ( T ípica ( ( ( 3 - CONSISTÊNCIA ----1--------------------------------------------1---Atípica Típica 4 - SABOR ----1--------------------------------------------1---Atípica Comentários: Figura 2. Ficha-resposta da análise descritiva quantitativa modificada (ADQM) do queijo Minas Frescal, em escala não estruturada de 1 5 pontos. traço vertical, na ficha de resposta referente à nota de cada j u lgador, foi transformada em escore, medido em cm, do comprimento da linha assinalada na ficha de resposta (escala de 1 5 cm ou 1 5 pontos). 3.3.2 Gostei extremamente Gostei muito Gostei moderadamente Gostei ligeiramente Indiferente Desgostei ligeiramente Desgostei moderadamente Desgostei muito Desgostei extremamente T íp ica Comentários: Figura 1. ) ) ) ) ) ) ) ) ) ____ _ Teste de aceitação Também foi conduzido o teste de aceitação dos produtos obtidos, mediante o uso de uma escala hedônica de nove pontos (Jones et a i. , 1 9 5 5 ) , conforme ficha de resposta (Figura 2 ) , utilizando provadores não treinados e selecionados aleatoria mente, representando os consumidores potenciais ativos deste tipo de queijo. Foram realizadas 5 0 avaliações para cada tratamento, e m cada repeti ção, I dia após a fabricação. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1 Co mpo sição centesimal dos queij os Os queijos recém-fabricados foram anali- Ficha-resposta do teste de aceitação (escala hedônica de nove pontos) pa ra o queijo Minas Fresca!. sados para a obtenção de suas composições cente simais. Embora a concentração de sólidos totais da mistura contenha 40% mais proteína e 40% mais gordura que no leite padronizado, a análise de variância indicou não haver diferença estatis ticamente significativa entre os teores úe EST, e conseqüentemente de umidade, além dos outros constituintes nos queijos produzidos. Os teores de cloreto de sódio nos dois trata mentos não apresentaram diferenças estatistica mente significativas (p 0, 1 443), tendo as médias dos tratamentos sem e com extensores apresen tado teores respectivos de 0 , 84% e 1 ,0 I % (mim). = 4.2 Asp ectos s e n s o riais 4.2.1 Cor Para o atributo cor, a análise de variância indicou diferença significativa (p 0,0029) entre os tratamentos, tendo o escore médio atribuído pelos provadores treinados aos queijos com ex tensores sido de 1 2,73, enquanto que, para aqueles fabricados pelo processo tradicional, foi 1 3 ,0 3 , numa escala d e 1 5 pontos. Os resultados da avaliação da cor no perío do de estocagem estão ilustrados na Figura 3 . digitalizado por = arvoredoleite.org Pág. 54 15,0 14,5 e 5 .;; Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, n° 353, §.L 5 1 -57, 200 6 Escore ""-..Q.lP ..67 xdru + 13.197 � R = O.64 Escore= ..(}.0367 xdils + 12,.927 � R =O,32.. "7 sem 14,0 13,5 • Corn03cnsor 13,0 (] S:matcnsor 12,5 12,0 Tempo (dias) Figura 3. 7 10 Evolução dos escores médios de cor dos queijos Minas frescal com e sem extensores, durante 1 0 dias de esto cagem em câmara fria Esta pontuação maior refere-se à maior aproximação da chamada coloração típica. A possível causa dessa diferença de cores dos queijos pode ser explicada pelas adições de creme e con centrado protéico, que alteram a coloração desde " o momento em que são ad icionados ao leite de fabricação, apresentando urna intensidade mais escura, refletindo também nos queijos produzidos. Segundo a legislação, o queijo Minas Frescal deve apresentar coloração típica esbranquiçada e, sendo assim, qualquer variação de intensidade tende a diminuir o escore atribuído na ADQM. Conforme o tempo de estocagem vai avan çando, Os queijos não têm alteradas suas colo rações (p 0,0588), assim corno os tratamentos e os tempos, que não interagem significativmente (p 0,205 1 ). = = 4.2.2 Textura Para a textura, a análise de variância indicou diferença significativa (p 0,00 1 0) entre os tra tamentos, tendo o escore médio atribuído pelos provadores treinados para esta atributo, nos queijos com extensores, sido de 1 2,45, enquanto que para aqueles fabricados pelo processo tradicional, foi de 1 2 ,94 em escala de 1 5 pontos, em que a extre midade maior da escala representa a textura típica do queijo Minas Fresca!. O comportamento da textura dos queijos durante a estocagem está apre sentado na Figura 4. Este atributo é mais dificil de ser percebido em queijo Minas frescal, urna vez que o mesmo não é pré-prensado e prensado, o que permite textura mais heterogênea, aberta e com olhaduras mecânicas distribuídas no seu perfil. Os teores mais elevados de proteínas na mistura dificultaram a coagulação, refletindo provavelmente em pior compactação e homogeneização da massa, de mo do que ela se diferenciou daquelas fabricadas pelo processo tradicional. = EsCD�=0,l)419;J;db.s+ I2,;ru: aZ .. {l."'TI] 13,5 Eu:on: "0,0:S-I9xdi.u+ 12.151 RZ"O.4058 13,0 • com extensores o semex1ensores 12,5 12,O +----�---�---� I lO T.mpo (dbs) Figura 4. Evolução dos escores médios de tex tura dos queijos Minas fresca 1 com e sem extensores, durante 1 0 dias de estocagem em câmara fria. Quanto ao tempo de estocagem, a análise de variância também indicou diferença significa tiva (p 0,0044), à medida que os queijos perma neceram estocados. A textura não se altera muito durante os primeiros dias de estocagem, sendo os escores bem próximos nesse período, porém, ao final do período os prova dores atribuíram escores maiores. As prováveis explicações para este au mento nos escores da textura são a dessoragem e a proteólise, que vão avançando com o tempo e melhorando a adesividade, a firmeza e a elastici dade da massa. Durante o período de estocagem, ocorrem várias mudanças que podem ser importantes no desenvolvimento da textura, corno a estrutura e a composição que se tornam mais uniformes, particu larmente nos estágios iniciais, devido à fusão dos grãos de coalhada e à redução dos gradientes de sal, umidade e pH; a perda de ágna dos queijos seja por evaporação e pelo avanço da sinérese (especialmen te próximo às extremidades) e devido à proteólise e a maturação implica principalmente no rompi mento da rede de paracaseinato. O queijo é formado por urna estrutura básica que pode ser modificada durante a maturação. Esta estrutura é afetada, prin cipalmente, pela variação de pH e umidade, além das frações protéicas formadas durante a proteólise. A textura de um queijo está diretamente relacionada à estrutura básica e é influenciada, principalmente, pelo pH e pela taxa de caseína intacta presente na massa (Creamer & Olson, 1 982; Lawrence et ai., 1 98 3 ; Lawrence et aI. , 1 987). A análise de variância indicou que a intera ção tratamento x tempo de estocagem não foi estatisticamente significativa (p 0 ,7474). = = 4.2.3 Consistência escala de 15 pontos, em que a extremidade com maior valor indica consistência típica do queijo Minas frescal e não consistência mais dura. O comportamento da consistência está ilustrado na Figura 5. Esta diferença já era esperada, urna vez que, durante a fabricação, já se notava a maior fra gilidade da coalhada no tratamento com exten sores. O excesso de proteína e gordura em relação ao processo tradicional pode ser a explicação para esta menor firmeza, pois, segundo Visser ( 1 99 1 ), a consistência depende da composição do queijo, notadamente dos teores de umidade, gordura e sal, do pH e da degradação de proteínas. No caso do extensor protéico, o WPC, boa parte das proteínas já se encontra solúvel devido às suas origens. O tempo de estocagem de 1 0 dias não foi capaz de alterar significativamente a consistência dos queijos (p 0,3000), embora houvesse pro teólise, perda de soro e outros fatores que colabo ram para a alteração, corno acontecem em queijos maturados, porém, o curto período de estocagem, provavelmente, contribui para a manutenção da consistência em ambos os processos. Os escores médios atribuídos para consistência ao longo dos 10 dias de estocagem variaram de 1 1 ,86 a 1 2,35 . = 15,0 14,5 14,0 13,5 o 13,0 u � 12,5 12,0 1 1,5 1 1,0 = queij o Minas Fresca!. O sabor residual, prin cipalmente do concentrado protéico, poderia ser um empecilho à adoção dos extensores nas fa bricações de queijos, descaracterizando-os e tornando-os menos atrativos aos consumidores. Isso não aconteceu na opinião dos provadores, talvez pelo fato do alto teor protéico do WPC, que permite reduzir bastante a quantidade em pregada na fabricação, num mesmo nível de extensão, quando comparado a outros concen trados anteriormente testados e que resultaram em queijos com sabores atípicos. 12,60 � R 0,0179 com / / u � = u 12,20 � O semeXIeosor 1 1 ,80 1 1 ,40 +----.---�--__, 10 Tempo (dias) Figura 6. � R "" 0,1464 • comelleosor 12,00 1 1 ,60 Escore ::;. �O.025 1 x di:ls + 12,539 o Escore = ·0.0867 x d i:!.s + 12.547 12,40 Escore "" �O.OO79 x di:ts + 1 1 ,803 Evolução do escore médio de sabor dos queijos Minas frescaI durante 1 0 dias de estocagem em câmara fria. Corno esperado, durante a estocagem, os julgadores perceberam alteração significativa (p 0,0027) no sabor, com o mesmo se alterando, tendendo ao atípico e acentuando-se, resultando em queda no escore. Essa alteração foi carac terizada pela elevação da acidez dos queijos, devido ao tempo de estocagem, pois, corno utilizou-se ácido lático em substituição ao fermento, o pH inicial deveria estar em torno de 6,3-6,5, segundo Furtado ( 1 999). Isso conferiu aos queijos sabor bastante suave, tendo os escores, nos primeiros dias, não sido inferiores a 1 2 , 0 pontos, nos dois tratamentos. O pH, que segundo o mesmo autor pode reduzir-se a 5,2-5,4, no final da estocagem, por causa de contaminação e das condições de comercialização, foi o fator que mais contribui para a p iorar o sabor. Porém,. neste caso especi ficamente, o pH atingiu 5 , 8 9 e não valores tão baixo, urna vez que os queijos se mantiveram cons tantemente em câmara refrigerada a 5°C e emba lados a vácuo, garantindo melhor qualidade. Outro aspecto citado por alguns provadores no período final da estocagem foi o gosto amargo que, corno preconiza Furtado ( 1 999), não é consi derado defeito comum, mas pode se manifestar e ser mascarado pela acidificação rápida que o ca racteriza. É um problema mais freqüente quando se fabrica o queijo sem fermento, corno foi o caso = Tempo (dias) Figura .5. lO Evolução dos escores médios d e con sistência dos queijos Minas frescal com e sem extensores durante 1 0 dias de estocagem em câmara fria A interação tratamento x tempo também não foi estatisticamente significativa (p 0,792 1 ), segundo indicou a análise de variância. = 4.2.4 Sabor Para este atributo, assim corno aconteceu nos ensaios antes do experimento, o uso de extensores não foi, na opinião dos julgadores treinados, capaz de alterar significativamente o sabor (p 0,2854). O comportamento médio do sabor ao longo da es tocagem pode ser observado na Figura 6. Os escores médios atribuídos aos tratamen tos com e sem extensores foram 1 1 ,9 8 e 1 2, 1 7, respectivamente, em escala de 1 5 pontos, cuj a extremidade máxima representa o sabor típico do = Para o atributo consistência, a análise de va riância indicou diferença significativa (p 0,00 1 0) entre os tratamentos, sendo 1 1 ,76 e 1 2,40 os escores médios atribuído pelos prova dores treinados aos queijos com e sem extensores, respectivamente, em Pág. 55 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, n° 353, §.L 5 1 -57, 2006 digitalizado por arvoredoleite.org Rev. Ins!. Latic. "Cândido Tostes", NovlDez, n° 353, §l, 5 1 -57, 200 6 Pág. 5 6 neste experimento, por não apresentar abundância de bactérias láticas e havendo atuação de pepti dases do coalho e acúmulo de peptídeos de massas moleculares baixas e mais hidrofóbicos, que geram o gosto amargo em queijos. Quanto à interação tratamento x tempo, a análise de variância não indicou diferença signi 0,92 84). ficativa (p midade que conseqüentemente, apresenta maior teor de sal que pedaços provenientes do interio r, principalmente por se tratar de queijo Minas fres cal recém-fabricado, em que o sal ainda não se difundiu uniformemente no produto todo. = e rcocticão 4.2.5 Correlações dos atributos o Quadro 1 apresenta as correlações linea res simples (Correlação de Pearson) entre os atri butos. Os valores nele contidos revelam correla ções positivas altamente significativas entre os atributos estudados, evidenciando as interdepen dências entre os mesmos. Quadro 1 . Coeficientes de Correlação (x 1 00) entre os atributos sensoriais estuda dos nos queijos Atributo Cor Sabor C o nsistência Textura Cor Sabor Consistência Textura 100 96 97 94 100 96 95 100 95 100 4.2.6 Teste d e aceitação No teste d e aceitação, realizado logo após a fabricação dos queijos com provadores não treinados, porém, consumidores potenciais, a análise de variância indicou diferença significativa 0 , 0 0 0 0 ) entre os tratamentos, tendo os (p escores médios para aqueles com e sem extensores, sido respectivamente, de 6,95 e 7 , 6 6 pontos em escala de 9 pontos. A ilustração do teste de acei tação está apresentada na Figura 7. Embora a aceitação dos consumidores, em média, tenha sido pelo queijo Minas frescal fa bricado pelo processo tradicional, esta diferença pode ser considerada pequena (0,7 1 pontos), além do fato de, na 2' repetição, o escore superior ter sido atribuído ao processo com extensores. O atri buto que mais afetou os escores foi a consistência, conforme relatado por muitos consumidores, co mo mais macia nos queijos com extensores. O sabor foi pouco comentado pelos consumidores, provavelmente pela similaridade entre eles, cons tatada pelos provadores treinados. Alguns consumidores comentaram a dife rença de teor de sal nos pedaços de 2,5 cm3 que lhes foram apresentados para o consumo. A ins trução foi não julgar por este aspecto, pois, ao partir os queijos para o teste, o consumidor escolhe o pedaço desejado, que pode vir a ser da extre= 2'" rcocticão COM Figura 7 . SEM 3- repetição COM SEM Escores médios dos queijos Minas frescal recém-fabricados com e sem extensores, nas 3 repetições 5. C O N CL U S Õ E S N o s aspectos sensoriais d o s queijos, cor, textura e consistência no processo sem extensores diferiram daquelas do processo tradicional, tendo a textura também se alterado na estocagem, assim como o sabor dos queijos, porém, este último não diferiu entre os processos. Os consumidores atribuíram maior escore aos queijos tradicionais, tendo a consistência sido o aspecto mais relevante na opinião deles. SUMMARY The sensory properties of Minas frescal cheese with extension leveI of 40% was evaluate together with traditional processo T h e used extensors had b een milk WPC80% and cream as protein source and fats, respectively. It was utilized two treatments, three replicates, being conducted at D+ 1 for the acceptance test and D+ 1 , D+4, D+7 and D+ I O for the sensory attributes with trained panelists. Were detected differences in color, texture and consistence of cheeses by the two processes, and the scores given by the panel ists always h i gher in the traditional process 1 3 , 0 against 1 2 ,7 for color; 1 2,9 against 1 2 ,5 for texture and 1 2,4 against 1 1 ,8 for the consistence, in a 1 5 points scale. Taste did not d i ffer b etween treatments, however, during the storage period, decreasing from 1 2,4 to 1 1 ,5 points. The texture varied, from 1 2 , 5 points reaching 1 3 , 1 points at the end of the storage period. Color and consistence did not a l ter a long storage p eriod. AlI i nteractions treatment x p eriod were not statistically significant. In the acceptance test, Rev. Ins!. Latic. "Cândido Tostes", Nov/Dez, n° 353, §l, 5 1 -57, 2006 cheeses manufactured by t h e traditional way received 7,7 points, against 7,0 of those with extensors, in a 9 points scale. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS INDÚSTRIAS DE QUEIJOS - ABIQ. 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