SETÚBAL
Feira
garante
êxito
JORNAL MUNICIPAL.julho | agosto | setembro 2012.ano 12.n.º 46
págs. 12 e 13
Fórum está de volta!
O Dia de
Bocage e
da Cidade
ofereceu a
Setúbal um
novo centro
de artes.
O velhinho
“Luísa Todi”
reabriu
moderno,
com todas
as condições
técnicas
e de conforto
para a
realização dos
espetáculos
mais exigentes
págs. 4 a 7
Muralhas a caminho da classificação nacional
pág. 8
União
renova
bairro
Novas cores
do Forte da
Bela Vista
estreitam
laços de
vizinhança
págs. 14 e 15
págs. 10 e 11
Azeitão requalifica
centro histórico
2SETÚBALjulho|agosto|setembro12
SETÚBAL
Feira
garante
êxito
págs. 12 e 13
2.ano 12.n.º 46
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Fórum
O Dia de
Bocage e
da Cidade
ofereceu a
Setúbal um
novo centro
de artes.
O velhinho
“Luísa Todi”
reabriu
moderno,
com todas
as condições
técnicas
e de conforto
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espetáculos
mais exigentes
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União
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Novas cores
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Bela Vista
estreitam
laços de
vizinhança
págs. 14 e 15
págs. 10 e 11
alifica
Azeitão requ
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sumário
4 PRIMEIRO PLANO O Fórum Municipal Luísa Todi foi devolvido a Setúbal como centro de artes dotado
das mais modernas condições. A reabertura foi o ponto alto das comemorações do Dia da Cidade.
8 LOCAL As muralhas da cidade aguardam classificação nacional como Monumento de Interesse Público.
Em Azeitão, o centro histórico de Vila Nogueira prepara-se para receber uma obra de requalificação.
12 FESTAS A Feira de Sant’Iago voltou a pulverizar os recordes de visitantes desde que se realiza nas
Manteigadas, agora com 410 mil entradas registadas. Muitas outras festas animaram o verão no Concelho.
14 PLANO CENTRAL O novo azul do Forte da Bela Vista melhorou o exterior das casas e o interior
das pessoas. Esta obra do projeto “Nosso Bairro, Nossa Cidade” fortaleceu as relações de vizinhança.
16 AMBIENTE A construção de um golfinho humano na Figueirinha fomentou a proteção da comunidade
de roazes. Uma campanha apelou às boas práticas com os resíduos dos estabelecimentos comerciais.
17 TURISMO A gastronomia esteve em alta, com festivais a proporem soluções inovadoras para as sardinhas
e o marisco. Um protocolo passa a utilização e exploração do Moinho de Maré para a Autarquia.
18 FREGUESIA Arranjos urbanísticos recuperam um espaço público na Quinta do Bom Pastor, em S. Simão.
A entrada do Faralhão, no Sado, e uma rotunda na Reboreda, Anunciada, foram alvo de requalificação.
19 DESPORTO A substituição do piso do Pavilhão Municipal das Manteigadas permite a prática de mais
modalidades. Uma prova de natação no rio Sado juntou mais de quarenta populares de diversas idades.
20 CULTURA O regresso ao Fórum Municipal Luísa Todi é a principal novidade desta edição do Festroia,
entre os dias 21 e 30 de setembro. O Eurovision Live Concert e o festival FUMO deram música à cidade.
22 EDUCAÇÃO O novo ano letivo é marcado por mais escolas básicas com obras de melhoramentos,
no Faralhão, Viso e Amoreiras. O verão foi também tempo para miúdos e graúdos participarem em ateliers.
23 ACADEMIA A Escola Superior de Tecnologia está a desenvolver um projeto de aproveitamento
das gorduras para produção de biodiesel. Duas alunas estudam formas de livrar as águas de xenobióticos.
24 RETRATOS Luís Páscoa é um dos pastores que conduzem rebanhos de ovelhas em Azeitão, para produção
do afamado queijo. Com 28 anos, contraria uma tendência de envelhecimento na pastorícia.
25 INICIATIVA Uma loja de roupa feminina, onde também se pode beber um chá, ler um livro ou ouvir
música, revive o espírito “retro”. O espaço está instalado em pleno Troino, conferindo novos usos ao bairro.
26 MEMÓRIA A indústria conserveira, fecunda no início do século XX, é revivida em Setúbal. Uma cidade
protegida pelos azulejos e onde uma rua presta homenagem a um mais famosos pintores decoradores.
28 PLANO SEGUINTE A Casa da Cultura prepara-se para abrir as portas como espaço multiartístico.
O Convento de Jesus deve entrar em obras de requalificação ainda este ano, graças à intervenção da Autarquia.
informações úteis
Câmara Municipal
Setúbal - Jornal Municipal
Propriedade:
Câmara Municipal de Setúbal
Diretora: Maria das Dores Meira,
Presidente da CMS
Edição: DICI/Divisão de Comunicação
e Imagem
Coordenação Geral: Sérgio Mateus
Coordenação de Redação: João Monteiro
Redação: Hugo Martins, Manuel Cordeiro,
Marco Silva, Susana Manteigas
Fotografia: Mário Peneque, Gonçalo Pereira,
Rui Minderico
Paginação: Humberto F.
Impressão: Daniel & Lino, Lda.
Redação: DICI - Câmara Municipal
de Setúbal, Paços do Concelho,
Praça de Bocage, 2901-866 Setúbal
Telefone: 265 541 500
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Piquete de água 265 529 800
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Piquete de gás 800 273 030
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Intoxicações
espaços culturais
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equipamentos
265 537 240
808 242 424
desportivos
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Polo da Bela Vista
Complexo Piscinas das Manteigadas
265 549 000
Rua do Moinho, 5
Via Cabeço da Bolota
265 751 003
Hospital Ortopédico do Outão
265 729 600
265 543 900
Polo Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra
Companhia Bombeiros Sapadores
Estrada Nacional 10, Pontes
Piscina Municipal das Palmeiras
265 522 122
265 706 833
Av. Independência das Colónias
Linha Verde CBSS
265 542 590
Polo de S. Julião
800 212 216
Pct. Ilha da Madeira (à Av. de Angola)
Piscina Municipal de Azeitão
Bombeiros Voluntários de Setúbal
265 552 210
Rua Dr. Agostinho Machado Faria
265 538 090
212
199
540
Polo Sebastião da Gama
Proteção Civil
Rua de Lisboa, 11, V. Nogueira Azeitão
265 739 330
Complexo
Municipal
212 188 398
Proteção à Floresta
de Atletismo de Setúbal
117
Estrada Vale da Rosa
Fórum Municipal Luísa Todi
265
793
980
Capitania do Porto de Setúbal
Av. Luísa Todi, 61-67
265 548 270
265 522 127
Pavilhão Municipal das Manteigadas
Comissão Proteção Crianças
Cinema Charlot – Auditório Municipal Via Cabeço da Bolota
e Jovens de Setúbal
265 739 890
Rua Dr. António Manuel Gamito
265 550 600
265 522 446
PSP
Pavilhão João dos Santos
265 522 018
Museu de Setúbal/Convento de Jesus
Rua Batalha do Viso
Galeria de Pintura Quinhentista
265 573 212
GNR
Rua do Balneário Dr. Paula Borba
265 522 022
265 537 890
editorial
3SETÚBALjulho|agosto|setembro12
Orgulho
no que somos
O 15 de Setembro, Dia de Bocage e da Cidade, celebrou-se, em 2012, num momento
particularmente importante para a cultura setubalense.
Depois de alguns anos de obras de remodelação, foi reaberta a nossa mais importante sala
de espetáculos, o Fórum Municipal Luísa Todi.
Nesta cidade de atores, artistas plásticos, cantores, músicos, poetas e escritores; nesta
cidade onde a atividade cultural é, primordialmente, uma emanação popular, uma
emanação profunda do saber e da vontade das suas gentes, sentimos especial orgulho por
devolver aos setubalenses e azeitonenses uma sala integralmente renovada e modernizada.
Sentimos que cumprimos o nosso dever, que cumprimos os compromissos que assumimos
com os nossos cidadãos e sentimos, com cada vez mais intensidade, que a nossa cidade
avança rapidamente na consolidação do seu reposicionamento como uma das mais
importantes cidades portuguesas.
Uma cidade dotada de gente capaz e sabedora, dotada
de equipamentos culturais qualificados e qualificadores,
de uma completa gama de serviços à disposição dos cidadãos
e que fazem dela o grande polo urbano do que se convencionou
chamar a margem sul do Tejo.
Setúbal é das cidades do país com melhor qualidade de vida,
o que pode, aliás, ser comprovado por indicadores estatísticos
objetivos e credíveis que apresentam a real dimensão desta
terra.
Indicadores nas áreas da cultura, das acessibilidades,
dos transportes, do saneamento básico.
Indicadores que, esses sim, mostram a nossa realidade objetiva
e que não podem ser contrariados por pseudoestudos resultantes de umas quantas
opiniões, cujo número é absolutamente irrisório perante a massa de mais de 120 mil
habitantes deste concelho.
Como sempre, é, porém, dentro das nossas portas que há mais dificuldade em reconhecer
o que somos e o que sabemos. Temos uma crónica propensão para nos flagelarmos por
tudo e por nada. Por isso é tão necessário, todos os dias, relembrar que Setúbal é um
mundo. Um mundo onde cabem muitos talentos, onde existe património cultural e natural
incomparável. Onde se situam algumas das mais importantes empresas do país e que mais
contribuem para a riqueza nacional.
Precisamos de ter cada vez mais orgulho no que somos. De ter mais e mais vozes a levar
pelo país fora, pelo mundo fora, o que temos para oferecer.
Cada setubalense e azeitonense tem de ser um ativo divulgador da sua cidade e do melhor
que ela tem. Tenho a certeza de que será fácil.
Afinal, quem não concordará que temos na Arrábida um extraordinário património
natural, que temos um fantástico estuário, com comunidades únicas de golfinhos, e uma
das mais belas baías do mundo que levam o nome da nossa cidade bem longe?
Que temos, cada vez mais, excelentes equipamentos culturais, variadas atividades para
oferecer, bom peixe, boa gastronomia, bons restaurantes?
Que temos uma verdadeira cidade, que desejamos sem muros nem ameias, como cantava
Zeca Afonso, na sua Utopia?
Apelei, no Dia de Bocage, a todos os setubalenses e azeitonenses para que se transformem
em divulgadores da terra que amam. Repito aqui esse apelo, para que chegue mais longe,
a mais gente que quer e sabe valorizar a sua terra.
Não peço que concordem connosco em tudo, nem peço que não nos apontem erros, falhas,
desvios involuntários de percurso. Não é isso que queremos.
Estaremos sempre dispostos a ouvir, a incorporar nas nossas práticas as sugestões,
as ideias justas que resultam da participação empenhada e criativa de todos os cidadãos.
O que queremos é que se juntem a nós nesta interminável tarefa de elevar cada vez mais
alto o nome da nossa terra.
A cidade que todos amam.
Que não trocariam por qualquer outra.
Setúbal avança rapidamente
na consolidação
do reposicionamento como
uma das mais importantes
cidades portuguesas
Presidente da Câmara Municipal de Setúbal
4SETÚBALjulho|agosto|setembro12
Obra
em nome
da cultura
A nova página da história do Fórum Municipal
Luísa Todi é feita de modernidade.
Uma intervenção escultórica, à entrada e no
interior, evoca a memória da diva setubalense.
A principal sala de espetáculos de Setúbal
abriu portas a uma programação cultural
eclética com condições nunca antes oferecidas
aos artistas e ao público
primeiro
plano
A
imponência arquitetónica aumenta e deslumbra a cada passo mais próximo do renovado Fórum Municipal Luísa Todi. Os traços do
antigo edifício da década de 60, inseparáveis
da memória coletiva setubalense, misturam­
‑se numa simbiose harmoniosa com elementos estruturais modernos.
Um olhar rápido e de imediato se vislumbram
grandes mudanças no imóvel, a começar pela
entrada principal, agora no alçado poente, ladeada pela bilheteira, com utilização exterior
e interior, e por um elevador panorâmico,
para acesso ao balcão.
No exterior, uma zona de estadia apela a momentos de convívio antes dos eventos culturais, arranjo circundado por um espelho
de água e com uma intervenção escultórica
alusiva à cantora lírica setubalense, elemento
que pretende ser uma referência visual com
ligação ao edifício e à cidade. A escultura,
obra bidimensional com três metros de altura
em aço inoxidável, é inspirada numa gravura
de Luísa Todi.
No foyer, elementos em ferro formam um
fluxo narrativo do percurso da cantora lírica,
com informação alusiva a todos os sítios que
se renderam à diva setubalense Luísa Todi.
Estas obras, do artista Sérgio Vicente, com
um custo total de 35.300 euros, foram doadas pela Fundação Buehler-Brockhaus, no
âmbito de um protocolo de colaboração com
a Autarquia.
A zona de cafetaria continua no mesmo local, num desnível sob a entrada da sala, agora
também com instalações sanitárias adaptadas, com uma pequena zona de venda ao
público e um espaço com atividades lúdicas e
educativas para crianças durante os eventos.
Ouve-se um sinal sonoro. Dez degraus separam o foyer da sala de espetáculos, totalmente forrada a madeira, ainda a cheirar a nova,
para um melhor aproveitamento acústico.
Dos 634 lugares disponíveis, 398 são na pla-
Meio século a criar públicos
Espaço de encontro privilegiado dos grandes momentos da vida social e artística da
cidade e uma das mais significativas memórias coletivas dos setubalenses, o edifício do
Fórum Municipal Luísa Todi conta com mais de meio século de história.
O espaço, inaugurado em 1960, substitui um edifício do final do século XIX, considerado
uma joia da arquitetura de interiores, batizado como Teatro Rainha D. Amélia e que, após
a implantação da República, passou a designar-se Teatro Avenida, em 1911. Quatro anos
depois, recebeu o nome de Cineteatro Luísa Todi.
A degradação do imóvel obrigou à sua substituição pelo atual, inaugurado em 1960,
adquirido pela Câmara Municipal de Setúbal em 1990, passando a designar-se Fórum
Municipal Luísa Todi. Agora, meio século depois, o espaço reabriu com novas condições.
5SETÚBALjulho|agosto|setembro12
As novidades abundam no renovado Fórum Municipal Luísa Todi. Novos
espaços foram criados enquanto outros, modernizados e adaptados às
exigências legais, alargam o leque de valências do equipamento cultural.
Cafetaria
com melhores
O mesmo espaço
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culturais a dinamizar regula
rmente no
equipamento.
Régie
A unidade nevrálgica para a realização
de espetáculos foi ampliada e conta com
novos sistemas. É ladeada por quatro
cabinas de tradução, para a realização de
ncia
eventos internacionais, uma nova valê
do equipamento.
teia, agora com carpete azul e com inclinação
de piso mais acentuada e dotada de acessos a
pessoas com mobilidade reduzida. Já o balcão, com 236 cadeiras, é acessível por duas
escadas laterais e elevador.
Artes com vista
A nova régie está acompanhada de quatro cabinas de tradução, para apoio à realização de
eventos internacionais, enquanto o teto, original, foi restaurado e dotado de um sistema
de climatização.
O palco cresceu quase dez metros em profundidade e conta com uma área de chão amoví-
vel para acesso a um subpalco, o que possibilita outro tipo de soluções cénicas. Na frente
foi criado um fosso de orquestra com capacidade para 55 músicos, permitindo uma maior
diversidade de espetáculos.
Com o alargamento da área de palco foi possível reformular a zona de camarins e salas
administrativas, distribuídas ao longo de seis
pisos, e criar, no último andar, uma sala polivalente para espetáculos de menor dimensão.
Esta nova área, com uma grande janela virada
a sul, que permite aproveitar a vista sobre o
estuário do Sado e a península de Troia, e uma
varanda a poente, para a Arrábida, tem uma
lotação de 60 lugares na configuração de café­
Escultura
A cantora lírica setubalense é evocada
numa intervenção escultórica com dois
elementos, uma imagem bidimension
Janelas panorâmicas
al
A sala polivalente tem duas janelas, para de Luísa Todi, no exterior, e um fluxo
momentos de convívio e de lazer, viradas narrativo alusivo aos sítios onde a diva
a atuou, no
a sul, com vista sobre o Sado e Troia, e
interior.
a
e
bida
Arrá
a
ta
avis
se
qual
poente, da
Avenida Luísa Todi.
Playground
A brincadeira também tem espaço no
Luísa Todi. O novo playground, instalado
numa ponta do foyer, tem mobiliário
pensado para as crianças, literatura
infantil e juvenil, livros para colorir e
jogos didáticos.
Espaço multiusos
O edifício tem mais um andar, uma sala
polivalente para espetáculos intimistas
,
com capacidade máxima para 132 pess
oas,
apetrechada com um espaço de cafetaria
para uma utilização quotidiana.
‑concerto e 132 em plateia. A sala polivalente,
a que se pode aceder por um elevador interno,
inclui um pequeno espaço de café-pastelaria,
proporcionando uma utilização diária.
Luz realça edifício
A fachada norte, voltada para a Avenida Luísa
Todi, onde se localizava a antiga entrada, está
agora totalmente forrada a pedra, com vitrinas de exposição novas, enquanto no lado
nascente foram instaladas duas escadas exteriores independentes para saída de emergência.
De noite, o contorno luminoso da volume-
Foyer
Para estar antes e depois do
s espetáculos,
o foyer conta com espaços
de exposição,
uma área de venda de merch
andising
e zona de bengaleiro. Aqui,
é também
possível ir à bilheteira e apa
nhar o
elevador de acesso ao balcão
.
Sala principal
Com um total de 634 lugares, 398 na
plateia, mais inclinada e adaptada a
pessoas com mobilidade reduzida, e 236
no balcão, a sala de espetáculos, forrada
a madeira, tem cadeiras com tampos
destacáveis.
tria do exterior do edifício, anteriormente
a néon, mantém viva, agora a LED, uma das
imagens de marca do Fórum Municipal Luísa
Todi.
O projeto “Ampliação e Modernização do
Fórum Municipal Luísa Todi”, do Programa
­ReSet – Regeneração Urbana do Centro Histórico de Setúbal, representa um investimento global de 4 milhões, 279 mil e 461,71 euros,
montante comparticipado com uma taxa de
65 por cento por fundos comunitários canalizados através do PORLisboa – Programa
Operacional Regional de Lisboa, no âmbito
do QREN – Quadro de Referência Estratégico
Nacional.
primeiro
plano
6SETÚBALjulho|agosto|setembro12
O Fórum Municipal Luísa Todi reabriu oficialmente a 15 de setembro, ponto alto das comemorações
do Dia de Bocage e da Cidade, mais
amplo e dotado de condições técnicas e de conforto renovadas, com
uma programação cultural ambiciosa no horizonte.
“A conclusão desta obra complexa é
um momento de grande e incontida
emoção. Devolvemos à população setubalense o mais importante espaço de
cultura integralmente renovado e ampliado, mais moderno e confortável”,
salientou a presidente da Câmara
Municipal de Setúbal, Maria das
Dores Meira.
A preservação da arquitetura original do imóvel foi uma das principais premissas da obra, mantendo
viva a memória de várias gerações
e projetando novos públicos. “Podíamos ter optado por demolir o que
cá estava e fazer novo. Não escolhemos esse caminho porque com o novo
evaporam-se memórias e passados
preciosos.”
O Fórum Municipal Luísa Todi, reforçou, “não podia perder as características mais puras, mais simples
e harmoniosas que marcam indelevelmente o traçado do grande passeio
público da cidade [Avenida Luísa
Palco de sonhos
cantados
e representados,
o Fórum Municipal
Luísa Todi é devolvido
aos setubalenses com
condições renovadas
de utilização.
Um recital lírico
reabriu o equipamento
Cidade recebe
centro de artes
Todi]”, constituindo um “elemento
indispensável da paisagem urbana
setubalense, ponto de encontro para
partidas e chegadas, para sonhos cantados e representados no palco onde,
afinal, o que se vê e ouve é a vida”.
Perante uma sala praticamente lotada, a presidente da Câmara Municipal recordou o “complexo percurso”
da obra de modernização do edifício, enaltecendo os esforços e as
inúmeras iniciativas conjuntas para
a angariação de fundos e os contributos mecenáticos. “Dedicámos
muitas horas de trabalho, com alegria
e ansiedade, e fizemo-lo com muitos
amigos e amigas.”
A presidente da Liga dos Amigos do
Fórum Municipal Luísa Todi, Helena Matos, considerou que o esforço “valeu a pena para fazer renascer
o Fórum”, até porque “Setúbal está
num momento de grande criatividade
e dinâmica cultural, de criação e fidelização de novos públicos”.
Programação ambiciosa
O Fórum Municipal Luísa Todi
“conta com uma gestão artística exigente mas aberta às necessidades da
comunidade local”, adiantou Maria
das Dores Meira, lançando um rep-
to: “A Autarquia, por si só, terá dificuldades em pôr a andar uma programação mais exigente. É fundamental
que existam outros apoios.”
O diretor do Fórum Municipal Luísa
Todi, João Pereira Bastos, afirmou
Homenagem a funcionários
O renovado Fórum Municipal Luísa
Todi reabriu as portas no dia 14, à
noite, para uma sessão especial dedicada aos trabalhadores da Câmara
Municipal.
“Pelo empenho e pela dedicação” na
concretização do ambicioso projeto, Maria das Dores Meira sublinhou que os funcionários da
Autarquia “deviam ser os primeiros a
ter o privilégio de ver o requalificado
Fórum”.
Na antestreia da sala de espetáculos, com a exibição, tal como no dia
da inauguração do edifício original,
em 1960, de “Os Dez Mandamentos”,
filme de Cecil B. DeMille, foram homenageados seis funcionários municipais que dedicaram as carreiras
profissionais ao antigo Fórum Luísa
Todi.
A emoção invadiu o palco e a plateia,
principalmente com a homenagem a
José Duarte Gonçalves, o “Sr. Zé do
Fórum”, que, com 82 anos de vida,
dedicou 48 a zelar pela sala de espetáculos.
Antes da cerimónia, José Gonçalves
confessava receio sobre o momento
em que iria subir ao palco para receber o tributo da Autarquia. “Tenho
algum medo por causa do coração”,
desabafou, instantes antes de entrar
pela primeira vez na “bonita” e renovada sala.
A dedicação do “Sr. Zé do Fórum”
foi tanta que até a mulher, Maria dos
Reis Esteves, igualmente antiga funcionária e homenageada na cerimónia, chegou a “ganhar raiva ao Fórum”,
pois o marido “trabalhou tanto que
quase se esquecia que tinha família”.
que “Setúbal está a avançar para a
criação de um centro de artes que verdadeiramente merece”.
Um recital com a soprano Elisabete
Matos, cantora lírica reconhecida
internacionalmente, acompanha-
da pelo pianista Nuno Vieira de
Almeida, marcou a reabertura do
“Luísa Todi”, na qual participaram
ainda o Teatro do Elefante e a Jazz
Class Dámsom.
Depois do festival de cinema Fes-
7SETÚBALjulho|agosto|setembro12
Dia dedicado
à exaltação
de Setúbal
O ator Fernando Luís e o músico Manuel
Freire foram duas presenças na sessão
solene evocativa do Dia de Bocage e da
Cidade, a 15 de setembro, marcada pela
entrega de medalhas honoríficas a entidades e personalidades do Concelho.
Fernando Luís, o primeiro na cerimónia a ser agraciado com o título, na classe Cultura, manifestou o orgulho em
ser setubalense, lembrando que tudo
o que aprendeu foi nesta cidade, tendo
frequentado a Academia Luísa Todi e o
Teatro Animação de Setúbal.
Na mesma classe, foi condecorado o
professor e artista plástico António Galrinho, que apelou à prática do “voluntariado cultural”. Já o professor e investigador João Reis Ribeiro, impulsionador
da Associação Sebastião da Gama, confessou esperar continuar a fazer aquilo que sabe e gosta. A título póstumo,
foram agraciados o músico Ariovisto
José Valério e o padre diocesano Manuel
Frango de Sousa.
Na classe Desporto, a lista de homenageados contemplou o árbitro de futebol
João Ferreira e o professor e treinador
de natação Pedro Vale.
Em Ciência e Tecnologia as distinções
foram atribuídas à Fundação Escola
Profissional de Setúbal, ao Instituto Politécnico de Setúbal
e aos agrupamentos
verticais de escolas
Luísa Todi e Ordem
de Sant’Iago, estas
representadas pelos presidentes, que
elogiaram os investimentos feitos na área da educação. Nas
arcadas dos Paços do Concelho, atuaram as tunas “Tunatal” e “TunavesT”,
destes dois agrupamentos.
Na classe Comércio, o empresário João
Maria da Silva Lopes, conhecido localmente por “João Belezas”, foi homenageado, postumamente, com a Medalha
de Honra da Cidade. Em Associativismo
e Sindicalismo as distinções foram atribuídas à Associação de Paraquedistas
de Setúbal, à Associação José Afonso e
ao Centro Jovem Tabor.
Ao receber a medalha, o presidente da
Associação de Paraquedistas de Setúbal
quis “incluir na distinção a gente da Bela
Vista”, onde está localizada a sede há 25
anos. “Deixaram há muito de ser visita e
passaram a fazer parte da família.”
Cravos vermelhos, o entoar de “Grândola, Vila Morena” e a presença de
Manuel Freire, autor da música “Pedra
Filosofal”, tornaram a condecoração da
Associação José Afonso (AJA) num dos
momentos altos da cerimónia. Manuel
Freire desejou que se continue a fazer
“um esforço para manter viva a chama que
Zeca acendeu”.
Na mesma classe, Duarte Caldeira foi
condecorado pelas missões que tem
desempenhado no âmbito da proteção
civil.
Além da homenagem aos 45 funcionários municipais aposentados entre
setembro de 2011 e agosto deste ano, a
sessão solene contou com a assinatura do protocolo de cooperação entre os
municípios de Setúbal e de Aksakovo,
na Bulgária.
A finalizar a sessão solene, no Salão
Nobre, atores do Teatro Animação de
Setúbal recitaram poemas de Bocage.
Seguiu-se uma visita à Casa da Cultura.
Num discurso emotivo, a presidente
da Câmara Municipal, Maria das Dores
Meira, deixou um apelo aos setubalenses e azeitonenses para “que se transformem em divulgadores da terra que amam”.
Tarefa que passa pela exaltação de valores naturais, como a Serra da Arrábida
e o Estuário do Sado, culturais e económicos, onde estão localizadas “algumas
das mais importantes empresas do país e
que mais contribuem para a riqueza nacional”, referiu.
“Esta é uma terra de gente trabalhadora, que gera riqueza”,
afirmou, lembrando
os poetas, pintores,
cantores, escritores e
desportistas que Setúbal “deu ao mundo”.
O esforço do Município na estratégia de
criação e recuperação de equipamentos
culturais tem, cada vez mais, resultados
visíveis, como a reabertura do Fórum
Municipal Luísa Todi, um “momento
particularmente importante para a cultura setubalense”.
As comemorações do Dia de Bocage e da
Cidade começaram no Parque Urbano
de Albarquel, com uma “Regata da Baía
do Sado em ‘Banheiras’ e Insólitos”.
Vinte embarcações lançaram-se à água.
No mesmo espaço, decorreu a segunda
edição do “EcoBeats”, música em prol
da ecologia.
A meio da tarde, a Banda da Capricho
Setubalense atuou no coreto da Avenida
Luísa Todi. Dali para o Salão Nobre dos
Paços do Concelho, as Comemorações
Bocagianas receberam mais uma cerimónia de entrega de prémios do XIII
Concurso Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage. Esta iniciativa da LASA
– Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão,
com o apoio da Autarquia, premiou António Barroso, na categoria Poesia, Maria de Fátima Bica, em Conto, e Vânia
Pimenta, Revelação.
Apelo feito a todos
os setubalenses para
que se transformem
em divulgadores
da sua terra
troia, o Fórum Luísa Todi recebe,
a partir de outubro, um conjunto
de iniciativas com o envolvimento
de associações locais. Em janeiro
começam as programações quadrimestrais.
8SETÚBALjulho|agosto|setembro12
PDM alterado
rentabiliza
zona industrial
Uma alteração ao Plano Diretor Municipal
(PDM) na zona da Mitrena, referente ao Parque Industrial Sapec Bay, introduz quatro novas medidas com o intuito de rentabilizar e
valorizar esta área económica de Setúbal.
A alteração ao instrumento urbanístico implica a reformulação da delimitação dos espaços verdes de proteção e enquadramento,
que passam de 84,05 para 68,16 hectares, assegurando, desta forma, uma zona tampão de
proteção e enquadramento à área adjacente
sob jurisdição da Reserva Natural do Estuário
do Sado.
Um total de 29,76 hectares de espaços industriais vão ser reconvertidos em áreas de
terciário T2, enquanto é reservado um “espaço-canal” para um novo ramal ferroviário
no parque industrial, além de se assegurar a
possibilidade de alargamento do atual ramal
ferroviário de apoio à fábrica de papel da Portucel.
A alteração implica, igualmente, a adição ao
regulamento do PDM de normas que incrementam a defesa ambiental, permitindo,
ainda, a instalação e ampliação de atividades
de gestão de resíduos no âmbito das utilizações admitidas no parque.
A alteração ao PDM, aprovada em reunião pública de 18 de julho, tem como finalidade fazer um aproveitamento racional de um espaço dotado de um conjunto de infraestruturas
relevantes para o acolhimento de atividades
económicas e assegurar uma maior rentabilidade os elementos essenciais do sistema
logístico no Concelho.
A adoção desta medida tem como estratégia promover uma maior sustentabilidade
do território, favorecendo a concentração
de unidades industriais em áreas adequadas
para o efeito em vez de uma ocupação industrial disseminada pelo território.
Muralhas aguardam
classificação nacional
Vestígios e traços das muralhas medieval e seiscentista setubalenses, com torres, portas, cortinas e
baluartes, estão em vias de classificação como Monumento de Interesse Público. O processo de proteção e
valorização cultural deste património no Centro Histórico está na reta final e aguarda homologação oficial
As muralhas medieval e seiscentista de Setúbal estão em vias de classificação como Monumento de Interesse Público pelo IGESPAR
– Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico, distinção que atesta o
valor cultural destes elementos históricos.
O processo de classificação, após a emissão de
um parecer favorável do Conselho Nacional de
Cultura e de um período de trinta dias de consulta pública, fases processuais já concluídas,
aguarda agora a homologação oficial, com a
publicação da decisão final em Diário da República.
O valor patrimonial e cultural das muralhas,
torres, portas, cortinas e baluartes do Centro
Histórico de Setúbal enquanto testemunho
arquitetónico e técnico da memória militar foi
um dos critérios para a proposta de distinção,
na qual foi definida uma zona de proteção de
50 metros dos bens a classificar.
Os elementos em vias de classificação refletem, de igual modo, critérios de autenticidade, originalidade e exemplaridade que assumem um valor patrimonial e de relevância
cultural de âmbito nacional.
A atribuição da classificação de Monumento de Interesse Público das muralhas, torres,
portas, cortinas e baluartes constitui um importante contributo para a preservação da
memória do perímetro fortificado medieval e
abaluartado seiscentista e fomenta a compreensão da evolução histórica da cidade.
Defesa terrestre e marítima
A primeira estrutura de defesa da outrora vila
de Setúbal foi edificada no reinado de D. Afonso IV para travar os ataques de pirataria e corso.
O complexo defensivo comportava cinco portas
e 13 postigos, abertos em diferentes épocas.
A muralha medieval, do século XIV, integra as
portas de São Sebastião, a única ainda existente, de Évora, de Santa Catarina, da Vila e Nova,
vários postigos, a grande maioria igualmente
já desaparecida, cortinas e torres.
À época da Restauração da Independência, o
sistema defensivo da costa marítima foi totalmente reestruturado, quer com a edificação de novas fortalezas e baterias, quer com
a reconstrução ou ampliação de algumas que
haviam sido edificadas na centúria anterior.
Em Setúbal construíram-se os fortes de Albarquel e Outão para reforçar a linha de fogo
da fortaleza filipina e foram projetadas as
novas muralhas da vila, concluídas em 1696,
com 11 baluartes e dois meios baluartes.
Atualmente subsistem alguns postigos medievais, bem como parte da estrutura seiscentista, bastante abalada, contudo, com o terramoto de 1755.
Grito do Povo com loteamento
A constituição de 72 lotes no Bairro do Grito
do Povo – 71 lotes de habitação e um de comércio –, numa área total de cerca de 18 mil
metros quadrados, foi aprovada em reunião
pública a 4 de julho, pela Câmara Municipal
de Setúbal.
O Bairro do Grito do Povo, localizado na freguesia da Anunciada, foi construído há cer-
Iluminação
melhora
na Baixa
A limpeza de vidros e a substituição de lâmpadas em quatro dezenas de candeeiros públicos instalados na Baixa comercial, realizadas
em julho, permitiram melhorar as condições
de iluminação e aumentar a segurança nesta
área da cidade.
A intervenção liderada pela Câmara Municipal de Setúbal, num investimento superior a
seis mil euros, incidiu em luminárias colocadas no chão e nas fachadas de imóveis em várias ruas de uma área entre a Praça de Bocage
e a zona do Quebedo.
A operação consistiu na limpeza de vidros
e na substituição de lâmpadas de vapor de
sódio de alta pressão, a grande maioria com
mais de dez anos, ações que garantem uma
maior luminosidade da via pública sem aumento de consumos energéticos.
Foram intervencionadas luminárias nas ruas
Antão Girão, Pereira Cão, Dr. Paula Borba,
Álvaro Castelões, Luís de Camões, dos Correeiros, dos Almocreves e José António Januário da Silva e no Largo Doutor Francisco
Soveral.
ca de trinta anos em terrenos municipais e
financiado pelo antigo Fundo de Fomento
de Habitação (FFH), de forma a resolver o
problema da falta de habitação e erradicar os
bairros de barracas existentes junto do Forte
Velho.
A Associação de Moradores do Grito do Povo,
constituída na altura, ficou com a responsabilidade de receber, durante trinta anos, uma
prestação mensal de cada sócio e proceder ao
pagamento do financiamento junto do FFH,
atual Instituto da Habitação e da Reabilitação
Urbana (IHRU).
Para a transição dos lotes aos respetivos moradores é necessário haver concertação de
todas as partes envolvidas, ou seja, do IRHU
enquanto credor das prestações, da associação de moradores na qualidade de responsável pelo pagamento ao instituto e da Autarquia proprietária dos terrenos.
9SETÚBALjulho|agosto|setembro12
local
Lazer aproxima
cidade do rio
Contrato
desenvolve
Mercado
Social
As atividades no Mercado Social, plataforma logística e de abastecimento
de lojas sociais em construção no
Bairro da Bela Vista, são dinamizadas
pela Associação Jardim de Infância
“O Sonho”, no âmbito de um contrato
de comodato celebrado com a Câmara Municipal.
O Município de Setúbal, enquanto
proprietário da fração ocupada pelo
Mercado Social, entrega àquela associação as competências para o funcionamento do equipamento, destinado ao desenvolvimento de ações de
apoio local e auxílio comunitário.
“O Sonho” é uma instituição particular de solidariedade social que realiza
atividades de ação social e desenvolvimento comunitário, sobretudo
nas valências de creche e jardim de
infância e no acompanhamento de
beneficiários de Rendimento Social
de Inserção.
A criação do Mercado Social, um investimento de quase 200 mil euros
integrado no programa RUBE – Regeneração Urbana da Bela Vista e
Zona Envolvente, permite aumentar o reaproveitamento de recursos,
numa gestão partilhada entre a Autarquia e instituições particulares de
solidariedade social do Concelho.
O futuro equipamento, com a função
de entreposto social de bens e serviços, tem como objetivo a captação e o
armazenamento de bens não perecíveis, como vestuário, material escolar, móveis e eletrodomésticos, para
posterior distribuição.
A pressa não tem lugar na nova área urbana de referência da cidade.
Na requalificada Praia da Saúde há espaços para momentos de lazer e para a
prática desportiva. De dia ou de noite, o tempo também é de convívio, em família
ou com amigos, sobretudo no café-esplanada com vista para o Sado e a Arrábida
Espaços de estadia e recreio, zonas ajardinadas e um café-esplanada fazem parte da requalificada
Praia da Saúde, a nova área urbana
de lazer na frente ribeirinha de
Setúbal, local de eleição para momentos de convívio e lazer.
“Devolvemos aos setubalenses boa
parte da identidade sadina. O passeio ribeirinho da Praia da Saúde,
por tantos anos praticamente vedado, está de novo aberto a todos”, frisou a presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores
Meira, a 23 de junho, na cerimónia
de inauguração do novo espaço.
Articulada com o traçado do passeio, num percurso linear com
uma extensão aproximada de 260
metros, uma ciclovia, ladeada de
árvores, na grande maioria pinheiros bravos, já é utilizada por
muitos cicloturistas num percurso na frente rio.
O café-esplanada, instalado numa
zona central da área requalificada,
com vista panorâmica para o rio e a
serra, tem sido um dos principais
pontos de interesse dos utilizadores deste espaço, em momentos
de festa e confraternização.
Um monumento em homenagem
ao navegador, oferecido à Autarquia pelo comendador Luís Filipe Gomes, integra a paisagem da
Praia da Saúde, obra do artista setubalense José João Besugo.­
Na Praia da Saúde há ainda áreas
ajardinadas amplas e uma plataforma de estadia na zona próxima do areal. A reposição da praia
urbana não pode ser realizada na
plenitude “por força das indeléveis
marcas que os antigos estaleiros deixaram”, assinalou Maria das Dores
Meira. “Ainda que nem todos sejamos responsáveis, todos pagamos
duramente os custos do abandono
[dos estaleiros navais].” Novos lugares de estacionamento laterais
foram definidos ao longo da Rua
da Saúde, via de circulação cuja
faixa de rodagem foi alargada e asfaltada na totalidade, facilitando o
trânsito na zona.
O projeto “Reconversão Urbana da
Zona Ribeirinha Poente”, um investimento superior a um milhão
de euros, foi implementado com
apoios comunitários canalizados
através do PORLisboa – Programa
Operacional Regional de Lisboa,
ao abrigo do QREN – Quadro de
Referência Estratégico Nacional.
Peões com prioridade no Troino
A circulação pedonal tem primazia na zona nascente do Bairro
do Troino, um dos mais característicos do Centro Histórico, em
fase final de requalificação urbana, com obras de beneficiação
de arruamentos e substituição de
infraestruturas de água e saneamento.
A reorganização do tráfego rodoviário e o reordenamento do
estacionamento automóvel, traduzidos em diversas medidas, são
ações consideradas fundamentais
nesta intervenção, com conclusão
prevista para outubro.
O estacionamento de viaturas
será interdito dentro do Bairro
de Troino e a circulação automóvel apenas se procederá sem restrições na Rua Frei Agostinho da
Cruz, num troço da Rua João Eloy
do Amaral, na Praça Teófilo Braga
e no Largo do Carmo, zonas onde é
facilitado o parqueamento.
Todas as travessas do bairro estarão apenas abertas à circulação
pedonal, o mesmo sucedendo nas
ruas Fran Paxeco, António Maria
Eusébio, 26 de Setembro e 19 de
Abril, bem como na maior parte
da Rua João Eloy do Amaral.
Um cartão de residente, destinado aos munícipes que comprovem morar no Bairro de Troino,
isenta os portadores da respetiva
acreditação do pagamento de parqueamento nas zonas de estacionamento localizadas na periferia.
Num encontro realizado no Salão Paroquial da Igreja de Nossa
Senhora da Anunciada com moradores, o vereador das Obras
Municipais, Carlos Rabaçal, constatou que “já há muito mais gente a
usufruir das ruas e das esplanadas,
nas áreas em que as obras já estão
concluídas” e também que “são
recorrentes os casos dos moradores
que, graças às intervenções, estão a
promover a requalificação das fachadas de edifícios localizados no
bairro”.
As obras, numa área superior a
dez mil metros quadrados, decorrem agora na Rua Fran Paxeco
e na Praça Teófilo Braga, faltando
ainda finalizar os trabalhos relacionados com a instalação de nova
iluminação pública e de contadores de água.
O projeto “Requalificação e Revitalização Urbana do Bairro de
Troino Nascente”, um investimento de perto de um milhão de
euros, comparticipado por fundos
comunitários, está incluído no
programa ReSet – Regeneração
Urbana do Centro Histórico de
Setúbal.
10SETÚBALjulho|agosto|setembro12
local
Projeto requalifica
A circulação pedonal é um dos
elementos catalisadores de um projeto
de requalificação do centro histórico
de Vila Nogueira de Azeitão.
A proposta, um investimento superior
a quatro milhões de euros,
prevê a reformulação de ruas,
a beneficiação de infraestruturas urbanas
e a criação de estacionamento
O projeto de requalificação da Rua José Augusto Coelho, destinado a privilegiar a circulação pedonal na via principal de Vila Nogueira de Azeitão, foi apresentado à população
local, no final de julho, pelo Executivo municipal, em reunião pública realizada na Casa do
Povo de Azeitão.
A base concetual do projeto tem como finalidade dar primazia à fruição dos arruamentos,
com a ampliação da largura dos passeios e a
colocação de mobiliário urbano que confira
uma imagem própria e diferenciadora da vila.
A mesma lógica prevista para a Rua José Augusto Coelho será aplicada a vários arruamentos adjacentes, num projeto de execução
desenhado na totalidade por técnicos da Câmara Municipal.
O projeto, numa área total de 56.250 metros quadrados, representa um investimen-
to “para cima dos quatro milhões de euros”, o
que, tendo em conta os valores em causa, só
faz sentido avançar com a empreitada “se a
maioria da população assim o quiser e desejar”,
frisou a presidente da Câmara Municipal de
Setúbal, Maria das Dores Meira.
No total, foram definidas quatro zonas de
ação, estando o projeto concluído em relação
às indicadas como um e dois, faltando a três
e a quatro.
O vereador do Urbanismo, André Martins,
esclareceu que a necessidade de elaboração
do projeto para as zonas já planeadas se deve
ao facto de a Autarquia estar ciente da abertura para breve de concursos para a atribuição
de fundos comunitários para intervenções
deste âmbito. “Se abrir uma candidatura,
aproveitamos. Não queremos ser apanhados desprevenidos”, garantiu.
Azeitão beneficia arruamentos
A criação de passeios, a execução de uma rede de drenagem de
águas pluviais e asfaltamentos
integram uma obra de requalificação de várias ruas junto de
Brejos de Azeitão, intervenção
urbana concluída em agosto.
A operação liderada pela Câmara
Municipal de Setúbal incidiu nas
ruas José Malhoa, Abel Manta,
Amadeu de Sousa Cardoso e Alfredo Roque Gameiro, nas travessas Bartolomeu Perestrelo e Tristão Vaz Teixeira e num arruamento sem toponímia.
A empreitada, um investimento superior a 85 mil euros executado em pouco mais de dois meses, incluiu a criação de várias infraestruturas de arruamento, como passeios e lancis, dotando aquela área habitacional com condições de circulação pedonal condignas e em segurança.
A instalação de um sistema de drenagem de águas pluviais e a colocação de sumidouros na
Rua José Malhoa, que já se encontrava dotada de uma infraestutura deste género, são outros
trabalhos executados nesta obra.
Esta intervenção, dando continuidade ao trabalho de requalificação urbana que a Câmara Municipal de Setúbal está a desenvolver naquela área da freguesia de S. Lourenço, contemplou
ainda a execução de operações de asfaltamento das vias, que se encontravam em terra batida.
A implantação de sinalização vertical e horizontal é outro dos trabalhos assegurados. Na Rua
José Malhoa o trânsito é realizado nos dois sentidos, enquanto nos restantes arruamentos a
circulação automóvel é efetuada
apenas num sentido.
Rua assegura ligações
A finalização das operações de
asfaltamento, em agosto, da Rua
Família Bronze, permitiu reabrir ao trânsito esta via central
de ligação entre várias urbanizações de Azeitão, como Vale de
Cães, Foios e Casas de Azeitão,
bem como de acesso a Vendas de Azeitão e a Palmela.
Os trabalhos foram assegurados pelos meios próprios da Autarquia, complementando uma
obra mais vasta, realizada por uma empreitada orçada em mais de 700 mil euros, com intervenções ao nível das redes de água e esgotos domésticos e pluviais e de criação de passeios em
vários arruamentos desta zona de Azeitão.
Numa área de perto de 30 mil metros quadrados, a Autarquia está a proceder à substituição ou
instalação de infraestruturas de águas e esgotos e à pavimentação de vias, algumas originalmente em terra batida, o que permite criar uma rede viária com cerca de três quilómetros com
um sistema de circulação ordenado.
A implantação de 13 mil metros quadrados de passeios em blocos de betão e a criação de 170
lugares de estacionamento são outros objetivos da empreitada de requalificação geral de Vale
de Cães, uma obra de grande envergadura que se prolonga por 2013.
11SETÚBALjulho|agosto|setembro12
Vila Nogueira
Avenida 22 de Dezembro
reforça estacionamento
A Câmara Municipal de Setúbal avança em breve com uma obra de requalificação urbanística na Avenida 22
de Dezembro, numa área próxima do
Centro Comercial São Julião. A intervenção, uma empreitada de perto de
nove mil euros a desenvolver no segundo semestre, visa a reconstrução
de um passeio público e a criação de
estacionamento transversal. Os trabalhos, executados com o intuito de ordenar o parqueamento abusivo, incluem a deslocalização de um poste de iluminação pública.
Semáforos protegem
na Praça do Brasil
A colocação de sinalização semafórica
em dois pontos na zona da Praça do
Brasil reforça a segurança rodoviária, em particular de peões, e garante
a fluidez do tráfego rodoviário nesta
área da cidade. Os equipamentos, instalados junto de passadeiras já existentes, uma na Estrada dos Ciprestes,
perto da estação ferroviária, a outra na
Avenida da República da Guiné-Bissau. Os semáforos foram colocados no final de junho, num investimento da Câmara Municipal de Setúbal superior a 20 mil euros.
Fontainhas testam
solução de rotunda
Caso haja candidatura, a obra deverá avançar
já em 2013. Se tal não acontecer, a Autarquia
custeará a intervenção, que ocorrerá, então,
em 2014.
A primeira zona de intervenção focaliza-se
na área central da Rua José Augusto Coelho
e inclui as ruas 9 de Abril, Poeta Sebastião
da Gama, da Misericórdia, Engenheiro Soares Franco, Helena Conceição Santos e Silva
e Maria da Assunção Castilho, bem como o
Largo 5 de Outubro.
Mais estacionamento
O vereador André Martins explicou que “uma
intervenção na Rua José Augusto Coelho implica
mexer nas infraestruturas”, como água, saneamento e drenagem de pluviais, dessa via e das
adjacentes.
A segunda zona de intervenção tem como
principal objetivo o reordenamento do estacionamento. Enquanto na principal rua
de Vila Nogueira será proibido o estacionamento, com permissão de paragem apenas
para cargas e descargas em áreas específicas,
nos arruamentos a norte foram estabelecidas
quatro zonas de parqueamento, a que se junta
uma outra, já existente, na Praça da República, vulgo Rossio.
Com esta solução, aos 279 lugares existentes
em Vila Nogueira, localizada na freguesia de
São Lourenço, acrescem 219, totalizando, no
futuro, 490 espaços reservados para o parqueamento de viaturas.
No projeto atual falta completar os planos
para as zonas três e quatro, referentes às
áreas nascente e poente da Rua José Augusto
­Coelho.
Novo passeio liga bairros
Uma obra liderada pela Câmara Municipal de Setúbal visa melhorar as condições de circulação
pedonal na Avenida das Descobertas, na ligação entre as urbanizações de Vale do Cobro e Monte
Belo Sul.
A operação, um investimento superior a 23 mil euros, assegura uma ligação pedonal dotada de
melhores condições de segurança e conforto para os transeuntes, com a construção de passeios
numa área de intervenção com mais de 650 metros quadrados.
A obra, com conclusão prevista para outubro, inclui a construção de passeios com 2,5 metros e
largura e lancis em ambos os lados de um troço com mais de 200 metros lineares na principal
artéria de Vale do Cobro.
Para assegurar uma correta circulação pedonal, sem barreiras urbanísticas e arquitetónicas, a
Autarquia vai proceder à deslocalização de três contentores de resíduos sólidos urbanos existentes na área, dotando-os de dispositivos de retenção.
A construção de mais duas passagens de atravessamento pedonal, a juntar a três já existentes
na Avenida das Descobertas, a instalação de sumidouros para recolha das águas pluviais, com
ligação às câmaras de visita existentes, e o reforço da iluminação pública são outros trabalhos
programados nesta obra.
Uma rotunda na ligação rodoviária
entre as avenidas Luísa Todi e Jaime
Rebelo, a funcionar com uma demarcação provisória, pretende melhorar a
fluidez de trânsito automóvel na zona
das Fontainhas. A rotunda definitiva,
investimento da Autarquia da ordem
dos 150 mil euros a executar em breve,
visa facilitar a articulação entre as várias vias de circulação da área, promover uma melhor integração na malha urbana da cidade
e contribuir para o aumento da segurança rodoviária na zona.
Investimentos melhoram redes
Um conjunto de intervenções lideradas pela
Câmara Municipal de Setúbal permitiu melhorar as condições de abastecimento de água
em várias áreas do Concelho, operações executadas por empreitadas que representam um
investimento superior a 200 mil euros.
Na zona do Vale de Mulatas, perto de três dezenas de famílias daquele aglomerado populacional que se encontravam privadas de
infraestruturas básicas de abastecimento público de água já dispõem deste serviço.
Os trabalhos, finalizados em agosto e com um
custo de mais de 40 mil euros, consistiram no
prolongamento de cerca de 335 metros de um
troço da conduta da rede de abastecimento do
município de Palmela e na extensão de 55 metros da rede de abastecimento de água, além
da execução dos respetivos ramais de ligação e
da colocação de uma boca de incêndio.
A solução de dotar aquela área habitacional
com o sistema público de abastecimento de
água através da rede de Palmela é explicada
pelo facto de o ponto mais próximo da rede de
Setúbal se encontrar a quase três quilómetros
de distância, o que tornaria a opção dema-
siado dispendiosa, até porque obrigava a um
atravessamento de condutas pela A2.
A medida implicou a instalação de um contador totalizador no limite dos dois concelhos e
de uma válvula redutora de pressão.
Na Arrábida, a reabilitação do sistema de
abastecimento de água Carrascal/Creiro, investimento da ordem dos 110 mil euros finalizado em julho, permitiu solucionar problemas de roturas frequentes e perdas de volume
de água nesta área do Concelho.
A intervenção, centrada numa extensão com
perto de quatro quilómetros, entre a Comenda e a Praia da Figueirinha, inclui a substituição da conduta de abastecimento de água e a
execução dos respetivos nós de ligação às infraestruturas existentes.
A colocação de caixas de ventosas nos pontos
mais altos do traçado e de descargas de rede
nos mais baixos, a demolição e remoção das
antigas estruturas, a colocação de dois novos
marcos de incêndio e a ativação de outro junto do Parque de Merendas da Comenda foram
ainda trabalhos realizados.
Também na zona de Algeruz foi executado o
prolongamento das redes de água e saneamento ao futuro Complexo Fúnebre da Paz,
investimento de 53 mil euros concluído em
agosto que incluiu a instalação de um coletor
de águas residuais domésticas numa extensão
com cerca de 400 metros e a execução de várias caixas de visita.
Os trabalhos visaram também o prolongamento da rede de distribuição de água numa
extensão aproximada de 550 metros e a execução dos respetivos nós de ligação ao sistema.
festas
12SETÚBALjulho|agosto|setembro12
O melhor certame
de sempre
Foi a edição recordista no número de visitantes desde que se realiza, pelo nono ano consecutivo, nas Manteigadas.
O segredo do sucesso passa por um bom cartaz musical com espetáculos gratuitos, diversidade de oferta e as gentes
de Setúbal sempre animadas
A
maior enchente de sempre na Feira de
Sant’Iago desde que se realiza nas Manteigadas foi registada este ano, com perto de 410
mil pessoas a visitar o certame, entre 21 de
julho e 5 de agosto.
O cartaz de espetáculos, de entrada gratuita,
com nomes de peso do atual panorama musical português contribuiu para o sucesso da
edição deste ano, que teve como tema a história do Mercado do Livramento, equipamento
municipal com 136 anos.
Vanessa da Mata, Boss AC, Aurea, Janita Salomé, David Fonseca, José Cid e Carminho
foram algumas das dezenas de artistas que
passaram pelo Palco Amarsul. De assinalar
que o maior número de visitantes num só dia,
com 48.441 pessoas, foi registado no fecho,
5 de agosto, noite em que José Cid lotou por
completo o recinto. O músico ultrapassou as
47.980 pessoas do último dia da edição de
2011, quando os Homens da Luta passaram
pelo Parque Sant’Iago.
Ao longo de 16 dias, a Feira de Sant’Iago ofereceu animação e divertimentos para todos
os gostos e bolsas e proporcionou conhecimento com stands institucionais e do tecido
empresarial. Um pátio dedicado aos produtos
regionais, uma feira do livro e uma exposição
de viaturas antigas foram pontos de interesse
do evento.
No pavilhão temático da Câmara Municipal,
entidade organizadora da feira em parceria
com a Associação Parque Sant’Iago, contou­
‑se a tradição do Mercado do Livramento,
através de imagens e palavras, numa réplica
do principal espaço de venda da cidade. Uma
exposição mostrou a evolução do mercado
através dos marcos mais significativos desde
a génese no Largo da Ribeira Velha ao atual
edifício na Avenida Luísa Todi.
De várias origens, como angolana, caboverdiana, brasileira e do Leste europeu, a
13SETÚBALjulho|agosto|setembro12
Verão com animação total
Praça do Mundo acolheu culturas que deram
a conhecer saberes e sabores. Este espaço,
a funcionar de quinta-feira a domingo, foi
também ponto de encontro para coletividades sediadas no Concelho.
Dígito comum
Nesta edição, o algarismo 6 foi, curiosamente, comum aos aniversários da feira e do Mercado do Livramento, mas não só. A presidente da Câmara Municipal salientou este “acaso”
durante a inauguração do certame, referindo
que “os 436 anos de feira e os 136 anos de Mercado do Livramento são um casamento perfeito, em
16 dias de festa”.
E mais, na homenagem prestada aos comerciantes do mercado, Maria das Dores Meira
fez-se acompanhar por Ti Helena, a mais antiga comerciante em actividade no Livramento, imagine-se, com 86 anos.
Ti Helena é uma das poucas vendedoras que
recordam antigos pregões, recriados, na noite de abertura, por atores do TAS – Teatro
Animação de Setúbal. Personagens trajadas
à época mostraram, no pavilhão da Câmara
Municipal, um pouco da história do comércio
na cidade, da venda ambulante porta a porta,
à criação do Mercado do Livramento, passando pela comercialização do peixe no Largo da
Ribeira Velha e da fruta e legumes na antiga
Praça do Sapal.
Os visitantes puderam conhecer os marcos
mais significativos do equipamento municipal através de uma exposição cronológica,
com fotografias antigas e atuais, curiosidades para o público, utensílios comerciais de
outros tempos e um documento audiovisual
com testemunhos de diferentes gerações de
comerciantes.
Longe já vai o mês de junho, quando arrancaram as primeiras festividades de verão. A
São Julião em Festa decorreu praticamente
durante todo esse mês, entre os dias 8 e 24.
A sétima edição do certame, promovido pelo
movimento associativo daquela freguesia da
cidade, teve lugar no Largo de Jesus.
Nos meses de julho e agosto foram raros os
dias em que uma festa não estivesse a decorrer em algum ponto do Concelho. Só na
primeira semana de julho, três festividades
aconteceram em simultâneo, entre os dias 6
e 8, no centro da cidade, em Azeitão e na freguesia de Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra.
A SetFesta abriu a época das festas de verão,
animando as noites no Largo José Afonso. A
festa do movimento associativo das freguesias da Anunciada e de Santa Maria da Graça
teve como ponto forte a gastronomia, com
propostas diversificadas no formato e no
preço, à escolha dos visitantes nos dez pavilhões das coletividades representadas.
A 5 de julho, na freguesia de São Lourenço,
tiveram início as Festas da Arrábida e de
Azeitão, que integraram, uma vez mais, o
tradicional Círio da Arrábida, nos dias 7 e 8.
A 23.ª edição destas festas em Vila Nogueira
proporcionou espetáculos musicais diversificados, desde a atuação da Banda da Perpétua Azeitonense às danças de salão do Centro
Cultural e Desportivo de Brejos de Azeitão,
passando por uma noite dedicada ao fado e
pelo concerto comemorativo dos 40 anos de
carreira de ­Clemente.
Pelos mesmos dias, entre 6 e 8, no extremo oposto do Concelho, as Festas de Verão
fizeram-se no Clube Desportivo, Cultural e
Recreativo da Gâmbia, com bailes a animar
as três noites.
Enquanto a Feira de Sant’Iago decorria nas
Manteigadas, de 21 de julho a 5 de agosto,
outras festividades de diferentes índoles
­arrancavam para um mês recheado de animação, mas também de devoção.
O primeiro fim de semana, de 3 a 5, começou
com a concentração motard do Grupo Xupa
Kabras que, entre passeios e espetáculos,
reúne anualmente, há 14 edições, motards de todo o País. Também o Motoclube de
Setúbal comemorou o 15.º aniversário com
uma festa, no dia 18, no Largo José Afonso.
Muito mais antiga é a freguesia de São Simão,
que celebrou, entre os dias 4 e 5, em Vendas
de Azeitão, os 442 anos com um programa
gastronómico e musical, em parte destinado
à população mais jovem da freguesia, para
agrado da comunidade local e dos visitantes
de fora do Concelho.
Ainda em Azeitão, as Festas de Nossa Senhora da Conceição, na Aldeia da Piedade, voltaram a afirmar-se conseguindo o recorde
de 15 mil visitantes. O tradicional certame,
Ao sabor
do samba
realizado entre os dias 10 e 15 de agosto, compreendeu atos litúrgicos e quermesse, mas
também animação e comes e bebes.
Com o mês de agosto a chegar a meio, eis que
as Escarpas de Santos Nicolau tornaram a
ser palco da Festanima, um dos festejos mais
concorridos da cidade, integrado nas Festas
Populares de São Sebastião. A 10.ª Festanima,­
com uma vista privilegiada para o Sado, recebeu todas as noites, de 10 a 19, enchentes de
pessoas que assistiram aos espetáculos em
cartaz e que ali passaram para se divertirem.
Paralelamente, realizou-se a Festa de Nossa
Senhora do Rosário de Troia, festividade religiosa emblemática com o simbolismo do cortejo das embarcações de pesca entre as duas
margens do Sado num tributo à fé e proteção
dos marítimos. Depois de dois dias em Troia,
onde a devoção foi manifestada através de
convívio entre populares, a beleza do regresso
a Setúbal dos barcos engalanados, a 20, foi o
culminar destas festas. Ao longo da margem
do Jardim da Beira-Mar milhares de pessoas
assistiram à espetacularidade do momento.
O fim de agosto traz a melancolia de um verão prestes a acabar, mas não sem antes dar
um pulo até à Herdade da Mourisca, num dos
recantos mais bonitos numa zona estuarina.
A 13.ª Festa do Moinho de Maré da Mourisca,
evento anual com tasquinhas, música, dança
e animação, realizou-se nos dias 24, 25 e
26, com um programa que incluiu concertos e bailes, concursos, atividades lúdicas e
desportivas e ações de promoção e venda de
produtos artesanais, como licores, doçaria e
bijutaria.
A gastronomia foi, contudo, ao longo dos
três dias o maior destaque do certame, juntado à mesa, nas diversas tasquinhas, famílias inteiras, grupos de amigos e conhecidos
em momentos de convívio e de degustação
da panóplia de petiscos disponíveis.
O calendário das festividades populares de
2012 não poderia fechar sem a realização das
Festas de Nossa Senhora da Saúde, organizadas pela Sociedade Filarmónica Providência. Ao cariz religioso, com um programa
de atos litúrgicos e quermesse, juntou-se a
animação e os comes e bebes, entre 7 e 9 de
setembro, em Vila Fresca de Azeitão.
A Avenida Luísa Todi “virou” sambódromo nas noites de 13 e 14 de julho para deixar passar
escolas de samba e carros alegóricos em nova edição do Carnaval de Verão.
As noites de folia, numa iniciativa organizada pela ACOES – Associação do Carnaval e Outros
Eventos de Setúbal e pela ABARS – Associação dos Bares da Avenida, Restaurantes e Similares,
estenderam-se, entre os dias 11 e 15, a uma minifeira no Largo José Afonso.
Seis carros alegóricos iluminados representativos das coletividades que participaram no Carnaval de fevereiro, três escolas de samba e os trios elétricos “Trepa no Coqueiro”, “Tripa” e
“Bota” participaram no desfile noturno, a 14, que este ano teve entrada gratuita.
A Academia Cultural Teatro e Artes de Setúbal, a Associação de Moradores do Bairro da Anunciada, o Clube Recreativo Águias de São Gabriel, o Grupo Desportivo Fonte Nova, a União Desportiva e Recreativa das Pontes e a União Desportiva e Recreativa Praiense foram as coletividades que voltaram a desfilar na avenida.
A segunda edição do Carnaval de Verão contou com outra novidade, a venda de kits, compostos
por chapéu, t-shirt e um cartão com oferta de dez imperiais, que ajudou os 62 bares e restaurantes aderentes a financiar a iniciativa, orçada em cerca de 30 mil euros.
14SETÚBALjulho|agosto|setembro12
Mudança
em tons
de azul
Há muito que o Forte da Bela Vista não via a cor da tinta. Os
moradores uniram-se para cuidar de um espaço que é deles,
criando um local mais agradável para viver. O sentimento de
pertença saiu reforçado desta ação inédita, assim como as
relações de vizinhança. A cor azul, como a do céu que alberga o
mundo, melhorou o exterior do bairro e o interior das pessoas
plano
central
A
trincha usada por Francisco Sousa acaricia
a parede de um dos pátios do Forte da Bela
Vista. A tinta é cinza, a contrastar com o novo
azul que já brilha em todo bairro. “Já não falta
tudo. Aos poucos e poucos, a coisa vai lá”, solta,
na companhia da filha mais pequena, que insiste em ajudar o pai.
A trincha é ensopada de novo com tinta e mais
um pedaço de parede fica renovado. Tem sido
assim nas últimas semanas. Francisco Sousa,
setubalense de gema, vive no Forte da Bela
Vista vai para 15 anos. Interlocutor no âmbito do projeto “Nosso Bairro, Nossa Cidade”,
função criada para facilitar o contacto entre
a comunidade e a Autarquia, deu o exemplo e
resolveu deitar mãos à obra.
“Esta iniciativa juntou aquilo que de melhor há
nas pessoas. Não é só para mim. É para todos e
sobretudo para os mais novos, para que vivam e
possam crescer num bairro mais agradável e limpo”, revela, orgulhoso por fazer parte desta
ação inédita no “Bairro Azul” da Bela Vista,
com novas cores, mais de duas décadas depois
da construção.
A segunda vida do bairro começou há cerca
de quatro meses, com os moradores, de todas as idades e etnias, a unirem esforços em
torno de uma causa comum, com o apoio da
Câmara Municipal, que cedeu tintas e outros
materiais, envolvendo o mecenato. Agora, os
12 lotes do bairro onde residem sete centenas
de pessoas estão como novos.
A falta de emprego entre a comunidade acabou por se revelar um motivo para não estar
parado. A diversidade de profissões também
ajudou nas tarefas, cada um na sua área de especialidade.
“Apareceram com as tintas e nós começámos a
pintar. O pessoal está desempregado e tinha de se
mexer para fazer alguma coisa”, revela Leonel
Catarino, 46 anos, há 15 no bairro, a viver com
o filho. “Vivemos cá e temos de fazer parte deste
projeto”, afirma, perentoriamente.
Nasceu em Sines mas foi criado em Setúbal.
Pescador, aproveita os tempos menos bons
para se manter ocupado. “Cada um é especialista na sua área, o que ajuda a levar as coisas
para a frente. O mais difícil é manter o ritmo. Não
podemos abandonar isto.”
Leonel acredita que “é preciso mudar mentalidades de alguns que estão parados no tempo”,
acentuando: “Se fosse a Câmara a fazer não davam valor nenhum. Isto é fruto do nosso trabalho
e temos de o defender. Leva algum tempo até algumas pessoas entenderem isto.”
A cada passo, um novo canto do “Bairro Azul”
aparece diferente, pintado ou renovado. Já
existem canteiros com flores nos pátios, onde
a criançada continua a brincar, agora com
mais regras, para não estragar o fruto do trabalho que tanto custou a colher.
“Não quero aqui nenhuma bola a bater na parede”, grita uma moradora, preparando-se para
atear o lume num fogareiro pouco convencional, do qual sai o repasto para o almoço. “Eles
já sabem, mas de vez em quando ainda insistem
com a bola.”
As pinturas começaram no bloco 10, no âmO azul do Forte da Bela Vista
já não contrasta com o do
céu. As antigas fachadas,
sujas e sem ver a cor da tinta
há mais de duas décadas,
estão agora como novas,
mais reluzentes. Falta pintar
um muro, intervenção a
ser preparada, num futuro
próximo.
Bairro em números
1984
700
167
15
70
40
30
4830
foi o ano de
construção do bairro
pessoas vivem no
Forte da Bela Vista
fogos numa dúzia
de lotes
interlocutores
eleitos
mil euros gastos
em materiais
mil euros através
de mecenas
mil euros pagos
pela Autarquia
litros de tinta
até ao momento
bito do projeto municipal de requalificação
urbana “Setúbal Mais Bonita”.
Smyle Campos, brasileiro de origem, 32 anos,
a morar no bairro há oito, refere que começar não foi difícil, até porque, ânimo e vontade não faltavam. A dificuldade em pintar as
paredes, demasiado secas e a absorver muita
tinta, não o demoveram do objetivo.
O esforço acabou por ser recompensado, não
15SETÚBALjulho|agosto|setembro12
só por ele, mas por toda a comunidade, impulsionando outros moradores a arregaçar as
mangas e a enveredar pelo mesmo caminho.
Hoje, já pouco falta pintar. Ainda há muito por
fazer, mas a comunidade está lá para o que der
e vier.
“Renascemos das cinzas”, garante o homem
que antes era somente conhecido por “o brasileiro”. Montador de estruturas metálicas,
Smyle prefere não falar em problemas, antes
em soluções. “O diamante está a ser lapidado,
com outras condições para as gerações futuras.”
Forte de relações
A pintura de fachadas, galerias e muros do
Forte da Bela Vista, agora mais reluzente e
visível até de Troia, não foi a única mudança
no bairro. As pessoas também mudaram, para
melhor. Fortalecidas individualmente, tornaram a comunidade mais forte.
“As relações mudaram. Não foi só a cor das paredes. Começou a haver diálogo entre as pessoas,
algo que era impensável até há bem pouco tempo”, vinca Smyle Campos, ao abraçar a pequena Erica, irrequieta e com a birra de sono matinal. “Devolvemos o bairro à cidade, bonito como
da altura da construção.”
Natural de Angola, António Nicácio, 39 anos,
vive no bairro há três com a família. Interlocutor no programa municipal “Nosso Bairro,
Nossa Cidade”, confessa que caiu de “paraquedas” no bairro. Foi duro ao início, mas
conseguiu dar a volta por cima.
O dinheiro não abundava e não havia grandes
opções a tomar. “No início, fiquei assustado. Era
chegar ao bairro e ir diretamente para casa. Não
havia conversa, nem conhecia os vizinhos. Agora, as pessoas olham para o que está a ser feito,
ficam na rua a falar e ajudam nas tarefas, seja
a pintar ou a limpar os pátios. Tudo é diferente”,
sublinha.
Não foi fácil unir os moradores. “Antes de
haver tintas e outros materiais, poucos acreditavam. Depois, tudo ficou mais fácil e os moradores ficaram empolgados. Aquilo que antes era
um sonho tornou-se uma miragem e agora é uma
realidade.”
António, estucador de profissão, já se sente
verdadeiramente em casa e integrado numa
comunidade que estima. “As pinturas acabaram por mudar mais do que simples fachadas.
Modificaram a maneira de pensar dos moradores
e a imagem que as pessoas tinham do Forte da
Bela Vista.”
Por isso, considera que esta “é uma ação muito positiva, de interligação entre jovens, adultos
e idosos, de todas as etnias”, e que “fomenta a
autoestima das pessoas”.
E agora novas oportunidades já se manifestam graças ao incremento das relações de
vizinhança gerado por esta ação: “As pessoas
começam também a arranjar as casas por dentro.
Estes novos contactos permitiram isso mesmo.
Um é canalizador, outro eletricista. É um género
de troca de favores.”
Ideias não faltam
Teresa Martinho é a única mulher do conjunto
de interlocutores eleitos no Forte da Bela Vista. A constatação não a assusta. “Pelo contrário,
é um orgulho pertencer a este grupo de trabalho e
poder contribuir para uma causa maior.”
Não tem medo das tarefas e contribui como
pode, na organização, a pintar ou a limpar.
“Acabei por conhecer melhor as pessoas e até fortaleci algumas relações de amizade”, afirma Teresa, parte do bairro há sete anos.
A moradora não tem dúvidas que ainda há um
longo caminho pela frente, mas, no que toca
a pinturas e pequenos arranjos, já falta pouco
para terminar. As portas estão abertas à realização de novas ações, culturais e desportivas,
geradoras de novas fontes de dinamismo e interação entre as várias etnias.
Outras ideias para melhoria do bairro estão
também já no horizonte. A criação de um espaço num dos pátios para a dinamização de
atividades desportivas e a requalificação de
um espaço verde voltado ao Sado, com um
quiosque, são sonhos que os moradores querem tornar realidade.
O novo azul já brilha e veio ficar, tal como a
maravilhosa vista, perpetuada com o Sado e a
Arrábida.
Festa une moradores
Atividades desportivas e momentos
de animação intercultural marcaram o “Desporto na Rua” realizado
no dia 11 de agosto, à tarde, iniciativa dinamizada no Bairro do Forte
da Bela Vista, com o envolvimento
de mais de uma centena de pessoas.
Esta tarde de convívio e de desporto para os participantes, na grande
maioria crianças e jovens residentes naquela área habitacional de
Setúbal, foi desenvolvida no âmbito
do “Nosso Bairro, Nossa Cidade”,
programa municipal em que os moradores dos bairros da Bela Vista, da Alameda das Palmeiras, do Forte da Bela Vista, das Manteigadas e da Quinta de Santo António se envolvem
no processo de decisão e realização de ações muito diversas.
Desportos de raqueta futebol, voleibol, gincanas de bicicleta, demonstrações de break­
dance e danças ciganas e ainda um concurso para eleição de miss e mister simpatia e beleza
marcaram esta iniciativa no “Bairro Azul”.
16SETÚBALjulho|agosto|setembro12
PASSO A PASSO. A equipa de trabalho iniciou bem
cedo os preparativos. Às sete e meia, começou a fazer
as marcações no areal com a forma de golfinho, além
das palavras “rio” e “proteger”. Duas horas depois,
tudo estava a postos para que os primeiros voluntários
começassem a dar forma à figura do roaz-corvineiro.
Pouco mais de meia hora bastou para que o objetivo
fosse alcançado. Estava passada a mensagem: com a
ajuda de todos, é preciso proteger o Sado e as espécies
que nele habitam, como o golfinho.
Golfinho humano
apela à proteção
O apelo foi atendido e numa manhã nublada de verão mais
de cem pessoas quiseram sensibilizar para a proteção do Sado
e dos roazes-corvineiros que ali habitam. A melhor forma de o
transmitir foi através de um grande golfinho humano
ambiente
Um golfinho formado por 130 pessoas no areal
da Praia da Figueirinha, a 28 de julho, alertou
os banhistas para a necessidade de proteção
da comunidade de roazes-corvineiros que habita no Sado.
Além da figura do golfinho, com dimensões
aproximadas de cerca de 12 metros de comprimento e nove de largura, foi formada a
palavra “rio”, refletindo a boa adesão das pessoas a esta ação, numa manhã que se mostrou
nublada.
Numa mensagem para uma maior sensibilização ambiental, de forma a assegurar a salvaguarda desta espécie, a ação, organizada pela
APAMB – Associação Portuguesa de Inspeção
e Prevenção Ambiental, em parceria com a
Câmara Municipal, contou com a participação
de voluntários inscritos através do Facebook e
de pessoas que se encontravam a passar o dia
na praia.
“Explicámos a ideia às pessoas que estavam na
praia e muitas juntaram-se a esta iniciativa. O
objetivo foi positivo e conseguimos passar a mensagem”, salientou Paula Pereira, da APAMB.
Esta é uma das muitas ações realizadas no
âmbito do Programa Bandeira Azul que a Autarquia vem desenvolvendo nas praias de Setúbal.
A recolha de resíduos espalhados pelo areal e
a realização de jogos de educação ambiental,
para crianças e familiares, são algumas das
ações realizadas que enriquecem a candidatura da Arrábida a Património Mundial Misto
da Unesco. Recorde-se a ação de limpeza dos
areais das praias de Albarquel e da Figueirinha, levada a cabo a 2 de junho, que permitiu
retirar destes locais cerca de uma tonelada de
resíduos.
Com a ajuda destas entidades parceiras, a Câmara Municipal tem apostado em estratégias
que passam pela dinamização de atividades
de sensibilização ambiental e de promoção da
defesa de uma maior harmonia entre a natureza e o meio urbano.
Esculturas
divertem
na areia
Golfinhos, um crocodilo, a
Minnie, tartarugas, caracóis,
polvos, castelos e até um automóvel foram algumas das esculturas feitas na Praia da Figueirinha, a 7 de agosto, no âmbito do
concurso nacional “Construções na Areia 2012”, promovido pelo Diário de Notícias.
Trinta e oito concorrentes, divididos por duas categorias – a A dos 6 aos 10 anos e a B
dos 11 aos 14 –, participaram nesta prova que pelo terceiro ano consecutivo passou pela
Figueirinha, uma das 24 praias desta edição.
Os dois golfinhos, num movimento de salto, esculpidos por Morgane Rocha, do Montijo,
do escalão B, foram a escolha do júri para vencer o concurso, que se realiza desde 1952. Na
categoria dos mais novos, foi o crocodilo de Renato Viola que se destacou.
Mas numa e noutra categoria, muitas outras esculturas mereceram todos os elogios tecidos pelo júri e pelas dezenas de curiosos que ali se encontravam em pleno dia de verão.
Um automóvel e a Minnie conquistaram o segundo e o terceiro lugares, respetivamente,
no escalão B, enquanto no A a “prata” e o “bronze” foram para um espadarte e uma bailarina.
Os trabalhos foram executados, de acordo com o regulamento do concurso, sem o auxílio
de desenhos, numa área de quatro metros quadrados, podendo ser utilizado um balde de
plástico para transporte de água, conchas, plantas e algas marinhas, seixos e apetrechos
próprios para esculpir.
Campanha pela melhoria
dos comportamentos
Uma campanha de sensibilização ambiental, liderada pela Câmara Municipal, dirigida aos proprietários de estabelecimentos comerciais da cidade,
pretendeu pôr fim à prática de maus
comportamentos e incrementar ações
positivas para uma melhor gestão dos
resíduos.
O mau acondicionamento de resíduos,
a deposição de entulhos provenientes
de obras na via pública, a utilização
indevida dos recipientes de recolha
e o lançamento em sarjetas ou sumidouros de objetos, águas poluídas,
lubrificantes ou lixos foram algumas
situações sobre as quais as equipas
municipais incidiram.
Focalizada em particular na restauração da zona ribeirinha, da Avenida Luísa Todi e dos bairros da Fonte
Nova e das Fontainhas, a campanha
centrou-se ainda em aspetos como o
transporte indevido de peixe, carne ou
outros bens sem estarem devidamente
tapados e acondicionados, sujando,
com isso, o espaço público.
Os comerciantes foram ainda alertados para as situações de incumprimento das normas estabelecidas
para o funcionamento do sistema
de gestão de resíduos e a prática
de comportamentos lesivos para a
imagem urbana da cidade, constantes no Regulamento de Resíduos
Sólidos Urbanos e Limpeza Pública
do Município de Setúbal. Situações,
aliás, que podem ser alvo de contraordenações puníveis com coima.
No caso de se tratar de situações
praticadas por pessoas singulares,
as coimas podem variar entre os 200
e os dois mil euros. Já para as pessoas coletivas, as punições monetárias
são mais pesadas, oscilando entre
os três mil e os 22.500 euros.
Depois desta campanha de sensibilização, a Câmara Municipal intensificou as ações de fiscalização.
17SETÚBALjulho|agosto|setembro12
Sardinha
com todos
Da simples sardinha assada no pão
à envolvida com compota de maçã.
Esta que é uma das sete maravilhas
da gastronomia portuguesa foi à mesa
num festival de sabores
Gourmet ou assada na grelha, houve sardinha para todos os paladares
durante duas semanas, entre julho e
agosto, em mais de cinquenta restaurantes setubalenses.
O Festival da Sardinha, além de promover esta espécie de pescado da
costa setubalense, uma das “7 Maravilhas da Gastronomia” de Portugal,
pretendeu dar a conhecer receitas
quase improváveis, como um gratinado de sardinha com massa fusilli
e sardinha bêbeda feita num refogado e depois cozida em vinho tinto.
O certame, realizado entre 28 de
julho e 12 de agosto, trouxe muitos
curiosos aos restaurantes que aderiram a esta iniciativa da Câmara
Municipal, com os apoios da Lallemand e da Gásvari, surpreendidos
pela fusão de diferentes sabores, só
com a sardinha como ingrediente
comum.
Para mostrar como estes e outros
pratos se confecionam, o programa do Festival da Sardinha guardou
para o último dia uma sessão de live
cooking, com a chef Fernanda Amaro, da Amarobom Catering, na Casa
da Baía. A cozinheira preparou um
patê de sardinha com compota de
maçã riscadinha e filetes daquela
espécie piscícola com especiarias
timorenses e indianas.
Antes da demonstração da confeção
do prato, que o público presente
pôde experimentar, Ricardo Santos,
presidente da Sesibal – Cooperativa
de Pesca de Setúbal, Sesimbra e Sines, falou sobre as principais características biológicas e económicas
da sardinha.
Outras curiosidades sobre este peixe, que os apreciadores preferem
pequeno, foram abordadas durante
o live cooking.
Se assim terminou o certame, o arranque, a 28 de julho, não foi menos
original. Os restaurantes participantes num encontro de degustação
de sardinha, na Casa da Baía, surpreenderam com pratos como sardinhas em arroz, cozidas, enroladas
em bacon, com fusilli e panadas.
Para acompanhar o surpreendente menu, serviram-se os melhores
vinhos da região, num final de tarde
de puro prazer.
Moinho de Maré
atrai visitantes
O Moinho de Maré da Mourisca, do Instituto da Conservação
da Natureza e das Florestas, vai ficar sob responsabilidade da
Autarquia em termos de utilização e exploração do espaço.
Um protocolo de cedência, por um período inicial de dois
anos, visa o desenvolvimento de um trabalho em parceria para
a realização de atividades de incremento da visitação do equipamento e zona envolvente.
O Moinho de Maré da Mourisca, além de um espaço museológico e de exposições, dispõe de uma loja destinada à venda de
produtos dos patrimónios natural e cultural do País, em particular desta região.
Os visitantes podem admirar artefactos relacionados com a
atividade da moagem de cereais. Duas réplicas das embarcações “Zé Mário” e “Hiate de Setúbal” suscitam também interesse por quem lá passa.
Tanto o Moinho de Maré como a Herdade da Mourisca, onde
está inserido, são áreas de excelência num território de sapal
e de salinas, na Reserva Natural do Estuário do Sado, apto para
implementar atividades nas vertentes do turismo de natureza
e ornitológico, como os passeios pedestres e a observação de
aves, associadas à gastronomia.
Arroz e açorda, paella, gambas e camarão-tigre foram
algumas das iguarias mais
apreciadas pelos visitantes
do “Viva o Marisco & Cerveja”, festival que decorreu
entre 5 e 9 de setembro.
Cerca de cinco mil pessoas
passaram pelo Largo José Afonso para degustar
os petiscos confecionados pelos restaurantes
“Nova Boia”, “Rius”, “Praxedes”, “Golfinho”,
“Beira-Mar”, “Casa do Peixe”, “Serranito” e
“Paella”, recinto que contou ainda com stands
de doçaria, café, ginjinha e farturas.
Atuações de Jorge Nice, Gerson Santos e Rui
do Cabo animaram este novo festival da Câmara Municipal, patrocinado pela Super Bock,
o qual pretende consolidar Setúbal nas rotas
gastronómicas nacionais e dinamizar a restauração local.
MARAVILHA. Embora Troia tivesse
sido palco da “Gala da Declaração
Oficial das 7 Maravilhas – Praias de
Portugal”, Setúbal, na outra margem
do Sado, recebeu os convidados com
um “welcome drink” e fez a respetiva
acreditação, junto da Doca de Recreio,
nas Fontainhas. A Câmara assegurou
a receção, com os apoios de Casa
Ermelinda Freitas, Transportes Sul do
Tejo, Rock a Lot Praia e Aki, e ainda os
“transfers” Lisboa/Troia, entre os dias
5 e 8, à equipa de produção da RTP e aos
artistas participantes no espetáculo.
turismo
Marisco
no bom
caminho
18SETÚBALjulho|agosto|setembro12
Azeitão cria espaço público
Áreas de estadia, zonas
verdes e um palco para
espetáculos variados
fazem parte do futuro
espaço público da Quinta
do Bom Pastor. Com
arranjos urbanísticos
centrados num poço de
uma antiga propriedade
rural, o equipamento
para ver, estar e usufruir
pela população está
pronto em breve
U
ma intervenção urbanística liderada pela Junta de Freguesia de São
Simão está a criar um novo espaço
público de lazer na Quinta do Bom
Pastor, em Azeitão, com zonas verdes, áreas de estadia e um palco para
a realização de espetáculos ao ar livre.
A possibilidade de recuperação
de parte de uma quinta centenária
existente naquela zona habitacional
foi o ponto de partida para a reali-
zação de uma obra mais abrangente, executada com meios técnicos e
humanos da junta de freguesia, para
usufruto da população.
“É um espaço para estar e usufruir,
com características diferentes e que
não havia em nenhum outro local da
freguesia”, salienta o presidente da
Junta de Freguesia de S. Simão, João
Carpelho, enaltecendo o apoio mecenático para a materialização deste projeto, com conclusão prevista
para breve. “O apoio da Câmara Municipal de Setúbal tem sido fundamental, assim como de algumas empresas
do território, com ofertas de materiais”, explica o autarca, revelando
que também o projeto paisagístico,
que abrange uma área com perto de
1200 metros quadrados, foi oferecido por um gabinete de arquitetura.
Um poço e um tanque, elementos
alvo de intervenções de recuperação
e que outrora eram utilizados para
regadio e como lavadouro, funcionam como elementos centrais do
novo espaço público de S. Simão,
no qual está a ser estudada a possibilidade de instalação de um parque
infantil.
A definição de duas zonas verdes,
com plantas de época “para dar um
outro colorido ao local”, frisa João
Carpelho, e vegetação típica da Arrábida, a colocação de mobiliário
urbano, com bancos de jardim, papeleiras e um bebedouro público, a
construção de passeios e a instalação de luminárias estão incluídos na
intervenção.
Os arranjos urbanísticos na Quinta
do Bom Pastor foram iniciados no
final de maio, no âmbito de uma
iniciativa do projeto municipal de
requalificação urbana “Setúbal Mais
Bonita”, com a construção de dois
muros, um para suporte de terras,
outro para delimitação de uma zona
de palco, ações “realizadas com o
apoio da população”, frisa o presidente da Junta de Freguesia de S.
Simão.
Os trabalhos incluíram ainda a
plantação de cedros e a colocação de
rails de proteção numa área próxima da Estrada Nacional 10, e a construção de escadas de acesso ao novo
espaço público da Quinta do Bom
Pastor.
A Estrada de Santo Ovídeo, a principal via de
acesso ao ­Faralhão a nascente, foi totalmente
requalificada no âmbito de uma intervenção
liderada pela Junta de Freguesia do Sado, de
melhoria da imagem urbana e aumento das
condições de segurança para a população.
O projeto de requalificação programado para
esta área do Concelho, executado em duas
fases distintas, incidiu numa área com mais
de 800 metros lineares, num troço compreendido entre a Estrada de Santo Ovídeo e a
interseção com a Rua Fruto do Nosso Trabalho.
Numa primeira etapa, concluída em 2011, os
trabalhos centraram-se na limpeza da zona
requalificada, uma vasta área de canavial, e na construção de um muro de suporte
de terras, erguido em alvenaria, numa extensão de mais de cem metros lineares.
A segunda fase da obra de beneficiação da Estada de Santo Ovídeo, realizada por
meios técnicos e humanos da Junta de Freguesia do Sado, com o apoio da Câmara
Municipal de Setúbal, que elaborou o projeto de especialidade e cedeu materiais,
visou a execução de trabalhos mais abrangentes, concluídos no final de julho.
A criação de passeios e lancis, para melhoria das condições de circulação e se-
gurança pedonal, foi uma das principais intervenções realizadas no âmbito desta operação, concretizada “com recurso a materiais
aproveitados do antigo Mercado Abastecedor de
Setúbal, como pavimento em pavet e inertes”,
sublinha o presidente da Junta de Freguesia
do Sado, Manuel Véstias.
A criação de áreas de estacionamento longitudinal, a instalação de um sistema de drenagem de águas pluviais e a construção de
um segundo muro de contenção de terras
fizeram, igualmente, parte desta obra, um
investimento global da ordem dos 42 mil
euros.
“A intervenção é uma reposta importante a uma
reivindicação antiga da população, materializada com a melhoria das condições de
segurança de transeuntes e benefícios para a imagem urbana do Faralhão”, reforça o
autarca.
A obra na Estrada de Santo Ovídeo contemplou ainda o ordenamento dos contentores de recolha de resíduos sólidos urbanos na via pública, com a criação de
espaços dedicados para a colocação destes equipamentos, agora com grelhas de
fixação para evitar deslocamentos indevidos.
REQUALIFICAÇÃO.
Três malmequeres gigantes, criados a partir de antenas parabólicas, numa
homenagem às três escolas do 1.º ciclo do ensino básico da freguesia da
Anunciada, integram o novo arranjo urbanístico da rotunda da Praça da
Reboreda. A estatuária, decorada com textos de alunos daquelas escolas, está
apetrechada com repuxos de água, que ganham a forma de pequenas cascatas.
A obra, um investimento da ordem dos 13 mil euros, foi executada pela Junta
de Freguesia da Anunciada, com o apoio da Câmara Municipal de Setúbal.
freguesia
Entrada do Faralhão renovada
19SETÚBALjulho|agosto|setembro12
As vertentes de competição e lazer partilharam braçadas, a 21 de julho, na “Baía do
Sado a Nado”, prova de cariz popular com a
participação de mais de quatro dezenas de
pessoas de várias faixas etárias.
Atletas não federados e amantes da natação marcaram presença nesta prova
desportiva dos “10.os Jogos do Sado”, com
uma distância de 2,3 quilómetros, realizada num percurso entre a baía da Gávea e o
Parque Urbano de Albarquel.
Bruno Ruas obteve a melhor classificação
geral da prova e alcançou o primeiro lugar
do escalão A, para participantes dos 18 aos
30 anos. Nesta categoria, na vertente feminina, Carolina Garcia foi a vencedora.
Rodrigo Costa e Joana Cunha ficaram no
primeiro lugar nas provas masculina e feminina do escalão B, para atletas dos 31 aos
40 anos, enquanto Jaime Ferreira triunfou
no escalão C, dos 41 aos 50. Já José Correia
ocupou o primeiro lugar no pódio na categoria D, dos 51 aos 70 anos.
“Foi uma prova muito rápida, realizada em
excelentes condições, num espírito de convívio
e também de competição”, salienta o chefe da
Divisão de Desporto da Câmara Municipal
de Setúbal, José Pereira, frisando, igualmente, a função de promoção desportiva
da iniciativa: “Deu a conhecer um pouco das
potencialidades turísticas da nossa costa.”
O evento foi organizado pela Câmara Municipal com o apoio do Clube de Canoagem
de Setúbal, do Clube Naval Setubalense e
dos bombeiros Sapadores e Voluntários
e com o patrocínio da Águas do Sado e da
Coca-Cola.
Piso novo
rentabiliza
pavilhão
Mais modalidades desportivas podem ser praticadas no Pavilhão Municipal das Manteigadas após
a instalação de um novo piso em madeira, que melhora as condições de utilização e segurança do
equipamento. Um festival de patinagem artística e um encontro de andebol já puseram à prova o novo
pavimento, aprovado com sucesso
O Pavilhão Municipal das Manteigadas está
equipado, desde o final de junho, com um
novo piso em madeira flutuante, pavimento
que oferece melhores condições aos atletas
e permite a prática de um maior número de
modalidades desportivas.
Apetrechado com uma caixa de ar, o novo piso
do equipamento municipal apresenta, igualmente, como vantagem, uma maior comodidade na execução das atividades regulares
ali desenvolvidas e proporciona, ao mesmo
tempo, mais segurança para os praticantes
desportivos nas vertentes de lazer e de competição.
O novo pavimento do Pavilhão Municipal das
Manteigadas, instalado ao longo de dois meses no âmbito de um investimento da Câmara
Municipal no valor de 75 mil euros, permite a
prática de modalidades que, até ao momento,
não podiam ser organizadas em equipamentos desportivos municipais.
A cerimónia oficial de inauguração do novo
piso, a 7 de julho, contou com a presença
da presidente da Autarquia, Maria das Dores Meira, num serão onde foi dinamizado
o “VIII Festival de Patinagem Artística do
Sado”, iniciativa de demonstração da modalidade por cerca de duas centenas de atletas
de diversos clubes, organizada pelo Clube de
Patinagem do Sado.
A patinagem, de resto, é uma das novas modalidades praticadas com regularidade neste
recinto, onde aquele clube setubalense passa
a treinar e a promover eventos desportivos.
O Pavilhão das Manteigadas, beneficiado também com novos arranjos estéticos e pequenos
trabalhos de arranjo e pintura, já acolheu, a
5 de julho, o “Encontro Nacional de Minis
Masculinos”, prova de andebol na qual participaram seis centenas de atletas de 44 clubes, numa competição que passou por outros
equipamentos desportivos do Concelho.
Dentro e fora de água
A época desportiva da Piscina Municipal de Azeitão recomeçou no início de
setembro com atividades para todas as
idades, como natação, hidroginástica,
hidroterapia, pilates e pentatlo moderno.
Dentro de água, a oferta desportiva
contempla várias atividades, com diversas classes de adaptação, aprendizagem e aperfeiçoamento, desde logo
natação para bebés, uma vez por semana, com o preço mensal de 35,05 euros.
Para os mais novos há também aulas de
adaptação ao meio aquático, dos 3 aos 6
anos. Para crianças e jovens dos 6 aos
13 anos as aulas são de aprendizagem e,
num nível mais avançado, de aperfeiçoamento.
Estas atividades para crianças e jovens
podem ser praticadas às terças e quintas-feiras, com um custo mensal de
29,50 euros, ou três vezes por semana,
às segundas, quartas e sextas, por 35,05
euros, o mesmo montante pago mensalmente por aulas aos fins de semana.
Para os adultos, há aulas de aprendizagem, nos níveis 1 e 2, e sessões de
aperfeiçoamento. Estas atividades têm
lugar às terças e quintas-feiras, custando, mensalmente, 29,75 euros e, às
segundas, quartas e sextas, 39,75 euros,
o mesmo valor mensal pago aos fins de
semana.
A natação pode ainda ser praticada na
vertente de tempos livres, sem o acompanhamento técnico de monitor, em
vários períodos do dia e com preços variados consoante a idade do utilizador.
Por cada sessão, os associados até aos 17
anos ou maiores de 65 pagam 2,20 euros. O custo para os maiores de 18 anos
é de 2,90 euros. Sem cartão de utilizador, os preços são de 2,20 euros, até aos
6 anos, 3,70, dos 7 aos 17 e maiores de
65 anos, e 4,05, maiores de 18.
Na Piscina de Azeitão são desenvolvidas
outras atividades, como hidroginástica
e hidroterapia, com sessões duas vezes
por semana, a 29,75 euros mensais, ou
três vezes, por 39,75 euros.
Naquele equipamento desportivo há
também sessões de pilates, às terças e
quintas-feiras, por 29,75 euros, e, na
vertente de competição, pentatlo moderno, aos sábados, com o preço­ de
35,65 euros, e aulas de natação pura,
todos os dias, com o custo de 35,65
euros. Mais informações sobre as
atividades da Piscina Municipal de
Azeitão, localizada em Vila Nogueira,
podem ser solicitadas pelo número de
telefone­212 199 540.
desporto
Natação junta
atletas no Sado
20SETÚBALjulho|agosto|setembro12
Mundo
em ponto
grande
Mais de uma semana de filmes a passar nas
principais salas da cidade, o Fórum Municipal
Luísa Todi e o Auditório Municipal Charlot.
Culturas de todo o mundo reunidas em Setúbal,
mas que este ano dá a conhecer a croata. Filmes
que refletem países, histórias que espelham
realidades. Assim continua o Festroia
Os galardões Golfinho de Ouro e
Golfinho de Carreira rumam, na
28.ª edição do Festroia, até à Croá­
cia, numa homenagem ao cinema
daquele país do Leste europeu e ao
ator Rade Serbedzija.
Esta edição do Festival Internacional
de Cinema de Setúbal, entre 21 e 30
de setembro, marcada pelo regresso ao Fórum Municipal Luísa Todi,
­regista ainda uma homenagem à
atriz Alexandra Lencastre, galardoa­
da com o Golfinho de Carreira.
Apenas com 300 mil euros, um corte em cerca de 100 mil euros em relação ao ano passado, e com o apoio
da Câmara Municipal em 117 mil
euros, a que acresce a cedência dos
espaços e de meios humanos e lo-
gísticos, a diretora do Festroia, Fernanda Silva, não quis “deixar de fazer
um festival digno de voltar a casa”,
mesmo representando um “esforço
muito maior”.
Dificuldades acrescidas, mas “mantendo a qualidade e a diversidade”,
numa edição com 183 filmes, de
quarenta países, e com várias estreias internacionais.
Além do Fórum Municipal Luísa
Todi e do cartaz habitual no Cinema
Charlot, a Casa da Baía juntou-se
aos espaços do festival, um ponto de
encontro de artistas e realizadores.
A Secção Oficial, “a menina dos olhos
do festival”, dedicada a países de pequena produção cinematográfica,
este ano com 14 obras em competi-
ção, e as secções “Primeiras Obras”
e “O Homem e a Natureza”, com três
dezenas de filmes, são a essência do
certame.
Depois de “Histórias de Resistência” e de “O Amor e a Cozinha”, nas
duas últimas edições, o 28.º Festroia
escolheu como tema as histórias de
suspense europeias, inéditas em
Portugal, que se cruzam em ambientes de terror, psicológicos e policiais, algumas delas baseadas em
factos verídicos.
O Festroia exalta também memórias, quer através do prémio Mário
Ventura, o mentor do festival, quer
na homenagem “In Memorium”,
dedicada a três realizadores falecidos recentemente, Fernando Lopes,
Primeiro lugar marcha a dois
Este ano, não uma mas duas coletividades
venceram, ex-aequo, o primeiro lugar das
Marchas Populares de Setúbal, concurso que
culminou com a entrega dos troféus a 26 de
julho na Casa da Baía.
O Grupo Desportivo Setubalense “Os 13” e o
Núcleo de Amigos do Bairro Santos Nicolau
foram os vencedores desta edição.
Além do primeiro lugar no pódio, as duas coletividades arrecadaram outros galardões. O
grupo “Os 13”, com o tema “Setúbal florida,
por entre cautelas premiadas”, foi distinguido
com o prémio de apreciação global, enquanto
o Bairro Santos Nicolau, com “A Alma Portuguesa na Marcha do Bairro Santos”, obteve a
melhor cenografia.
No segundo posto da classificação geral e com
a melhor coreografia ficou o Núcleo Recreativo e Desportivo Ídolos da Praça, com o tema
“Os Festejos dos Santos Populares”.
A União Desportiva e Recreativa das Pontes,
na terceira posição, arrecadou os galardões
de melhor figurino e melhor música e viu a
madrinha da sua marcha, Inês Pereira, ser
considerada a melhor.
O quarto lugar foi atribuído à Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, enquanto em
quinto ficou a marcha do Grupo Desportivo
Independente, distinguida igualmente com o
prémio de melhor letra a concurso.
O Núcleo de Bicross de Setúbal ficou em sexto na classificação geral, enquanto a sétima
posição recaiu no
União Futebol Comércio e Indústria.
Os oitavo e nono
lugares foram atri­­­
buídos, respetivamente, à Associação de Moradores
do Bairro da Anunciada e ao Centro
Cultural e Desportivo de Brejos de
Azeitão.
Pano
abre-se
ao teatro
Espetáculos lotados e sobrelotados mostraram o sucesso que a XIV Festa do Teatro teve,
entre 25 de agosto e 1 de setembro.
Ao longo de uma semana, sete peças e companhias teatrais estiveram em Setúbal no festival, organizado pelo Teatro Estúdio Fontenova, em parceria com a Câmara Municipal e a
Escola Secundária Sebastião da Gama, espaço
transformado no palco principal da festa.
A organização do Festival Internacional de
­Teatro de Setúbal considera que o certame
“correu acima das expectativas”. A comprovar
está o aumento de quarenta lugares na bancada do palco principal. “Surpreendeu-nos termos
lotações esgotadas. Em alguns espetáculos tivemos mesmo de recorrer à abertura da galeria.”
A peça “Cavalo Manco não Trota”, da ACTA
– Companhia de Teatro do Algarve, foi a pri-
meira a subir ao palco. O anfitrião Teatro Estúdio Fontenova apresentou a última produção, “O Cerco de Leninegrado”, enquanto os
Artistas Unidos estrearam-se no festival com
“Acamarrados”. “Julieta”, de Mario Gonzalez,
numa produção de ACT/Teatro dos Aloés e Tell
To Joy, deixou o público extasiado.
“Os Três Capitães”, da FC Produções Teatrais/
Casa da Comédia, desembarcaram numa noite fria no Parque do Bonfim, enquanto “Spanish Blood” deslizou sobre rodas num espetáculo da companhia espanhola Azar Teatro. O
pano da XIV Festa do Teatro só desceu depois
de as três avós da Peripécia Teatro apresentarem “1325”.
Além da representação teatral, o festival fez­
‑se também de cinema, música e convívio, em
locais como o Passo do Olival e o ArtKafé.
Especialista inimitável
Francisco Finura, o “Finuras”, falecido a 4 de
setembro, aos 83 anos,
fica eternizado na memória dos setubalenses
como uma personalidade única e multifacetada.
O autointitulado “operário especializado em
trabalhos não especializados” foi, entre muitas
coisas, homem-rã, ilusionista, faquir, toureiro e professor de hipnose, telepatia e retenção memorial.
A Câmara Municipal, que atribuiu a “Finuras”, em 2010, a Medalha de
Honra da Cidade, expressou o seu profundo pesar pelo desaparecimento
“deste homem grande e enorme setubalense”.
Francisco Augusto da Silva Finura nasceu a 13 de abril de 1929, na Rua da
Saúde, filho de um serralheiro e de uma doméstica. Depois de uma vida
de inúmeros ofícios, nos últimos anos dedicava-se à “ferrugem, agricultura e ciências ocultas”.
Em entrevista à agenda municipal “Setúbal – Guia de Eventos”, publicada
em julho de 2007, contou que, de todas as atividades, a “ferrugem” – forma de se referir a tudo o que é chapas e motores – e o mergulho foram as
eleitas.
Vaclav Havel e Theodoros Angelopoulos.
Cinema português do ano, curtas­
‑metragens europeias e das escolas
de cinema, bem como o “panorama”
de todo o mundo, da Índia aos Estados Unidos da América, passando
pela Austrália e pelos Camarões, são
sempre bem recebidos pelo público
que assiste aos nove dias de festival.
Abrangendo todas as idades, o Festroia continua a apostar nos públicos mais jovens, infantil e juvenil,
dedicando-lhes sessões.
O Media Programe Europeu classificou este ano o Festroia com a pontuação máxima, o que resultou num
apoio de 75 mil euros, o valor máximo concedido a um festival.
O bom contador de estórias
A exposição “Um Bom Amigo”, uma evocação ao escritor dinamarquês Hans Christian
Andersen, chegou ao fim, a 16 de setembro, após dois meses de permanência no Museu do Trabalho Michel Giacometti.
Centenas de crianças, jovens e adultos visitaram esta mostra, composta por tapeçarias,
elaboradas por centenas de utentes de instituições educativas, sociais e culturais de
todo o País, e ainda por escultura, cerâmica, quadros e livros ilustrados por artistas
plásticos portugueses, medalhística, selos e postais.
A par da exposição, inaugurada a 14 de julho, um programa recheado de atividades
esteve à disposição dos visitantes, com visitas guiadas e ateliers de pintura por Niels
Fischer, promotor da iniciativa, encenações a partir dos contos de Andersen e jogos
didáticos.
cultura
21SETÚBALjulho|agosto|setembro12
Eurovisão em palco sadino
Mais de cinco mil pessoas assistiram ao Eurovision Live Concert, a 8 de setembro, no Auditório
José Afonso, evento que contou com as atuações
de cerca de vinte artistas, portugueses e estrangeiros, a maioria relacionada com edições do
Festival da Eurovisão.
A organização mostrou­
‑se satisfeita pelo sucesso da noite. “Este foi
o melhor ano. Teve excelentes condições técnicas,
mais artistas e imenso
público”, sublinhou Guilherme Santos, presidente da Organisation
Générale des Amateurs
de L’Eurovision – Portugal (OGAE), entidade
responsável pela concretização do certame,
apoiado pela Câmara Municipal. A edição deste
ano teve ainda a novidade de as entradas serem
gratuitas, além de os artistas atuarem com música ao vivo. As participações mais aplaudidas da
noite foram as de Katrina
Leskanich, do grupo Katrina and the Waves, e de
Simone de Oliveira, homenageada pela OGAE e
pela Câmara Municipal
de Setúbal, representada pela verea­dora Carla
Guerreiro.
Após o espetáculo principal do Eurovision, a
festa continuou até às
sete da manhã, com público e artistas a confraternizarem no lounge
instalado no recinto do
certame.
FUMO
com fogo
musical
Mão Morta, Mazgani e The
Legendary Tigerman com Rita
Redshoes foram as grandes
presenças na terceira edição
do FUMO – Festival Urbano
de Música e Outras Coisas,
realizado entre 20 e 30 de junho.
Música e cinema são a base
deste certame, promovido pela associação setubalense Experimentáculo, com apoio da Câmara
­Municipal, que este ano trouxe muito público de fora, como Lisboa e Oeiras.
Pedro Soares, da Experimentáculo, considerou a edição de 2012 a mais bem-sucedida, êxito a que
ajudou o concerto de Mão Morta, a primeira vez que a banda de Braga atuou em Setúbal.
Outra noite de grande sucesso foi a da participação de Tigerman e Rita Redshoes, que tocaram ao vivo
a banda-sonora do filme “Estrada de Palha”, de Rodrigo Areias.
O festival aliou as suas características ao património arquitetónico e cultural da cidade, utilizando
espaços como a Casa Bocage, o Museu do Trabalho Michel Giacometti e o Convento de Jesus.
A criação de um
refeitório, a reparação
de coberturas e a
aquisição de um
monobloco climatizado
materializam um
investimento de perto
de 200 mil euros da
Autarquia em escolas do
Concelho. Os trabalhos,
realizados no período de
férias letivas, melhoram
as condições de ensino
para mais de meia
centena de alunos
Escolas melhoram condições
A instalação de um refeitório e cozinha na
EB1 n.º 2 do Faralhão, com vista a dotar este
estabelecimento de ensino de condições de
preparação e confeção de refeições alimentares para os alunos, é uma das intervenções
realizadas pela Câmara Municipal de Setúbal
em escolas do Concelho durante o período de
férias letivas.
As obras, uma empreitada orçada em perto de
34 mil euros, executada entre julho e o início
de setembro, consistiram na adaptação e ampliação de um espaço já existente naquela escola para a instalação de duas novas valências,
uma cozinha e um refeitório.
As intervenções incluíram a execução de diversos trabalhos de construção civil, como a
colocação de um teto falso na ala de entrada,
o revestimento das paredes a azulejo da área
que acolhe o refeitório e a cozinha e a instalação de redes mosquiteiras nas janelas.
A ampliação das redes de eletricidade, de
abastecimento de água e de saneamento,
para ligação aos novos equipamentos a instalar, foram outros trabalhos executados nesta
empreitada, na qual foram incluídas ações de
manutenção ao nível da cobertura do edifício
e o aproveitamento da rede de deteção de incêndios.
Num investimento complementar, a Autarquia realizou ainda o apetrechamento da cozinha e da área de refeitório, com a aquisição
de cadeiras, mesas, utensílios de cozinha e
equipamentos de apoio à confeção de refeições.
Outra das intervenções realizadas pela Autarquia na rede escolar durante o período de ve-
rão foi desenvolvida na EB1/JI do Viso, com a
instalação de um monobloco climatizado com
as funções de área de refeitório e cozinha,
possibilitando que os alunos deixem de ter de
sair do recinto escolar para as refeições.
O investimento, da ordem dos 105 mil euros,
Ateliers
encerram
em festa
Miúdos e graúdos reviveram as experiências adquiridas nos “Ateliers
de ­Verão”, atividade ocupacional de
tempos livres dinamizada pela Câmara Municipal, numa festa de encerramento com a presença de mais 250
participantes realizada em meados de
agosto, no Parque Urbano de Albarquel.
Ao longo das duas horas e meia da festa, aberta ao público, houve demonstrações de ateliers de hip hop, capoeira, bateria, canto e música. Foi ainda
possível apreciar uma exposição dos
ateliers de trabalhos manuais.
Em paralelo, mais de uma centena de
fotografias foram projetadas numa
tela, recordando alguns dos melhores
momentos vividos pelos 750 participantes, entre crianças e jovens dos
6 aos 18 anos e adultos com mais de
65, envolvidos nas cerca de cinquenta oficinas lúdicas e pedagógicas dos
“Ateliers de Verão”, organizados em
parceria com várias instituições do
Concelho.
educação
22SETÚBALjulho|agosto|setembro12
incluiu a demolição de uma antiga estrutura
naquele estabelecimento de ensino, operação
necessária para a instalação do monobloco, e
a aquisição de materiais de apoio ao funcionamento destas novas valências.
Já na EB1 n.º 12 das Amoreiras, a Câmara Municipal de Setúbal procedeu à requalificação
das coberturas, obra que permitiu solucionar
problemas relacionados com infiltrações e
dotar a escola de melhores condições de conforto térmico para as mais de duas centenas
de alunos.
Os trabalhos, uma empreitada orçada em
mais de 47 mil euros executada em cerca de
um mês, incidiram na reparação de fendas,
na aplicação de materiais impermeabilizantes e na implementação de um revestimento
térmico.
Transporte apoia
3 mil alunos
Dinamizados ao longo de dois meses,
o estio foi ocupado de uma forma ativa
e dinâmica, com iniciativas para todos
os gostos e idades, sempre numa ótica
intergeracional que proporciona tem-
po de qualidade e atividades divertidas
para miúdos e graúdos.
Em espaços públicos, ao ar livre ou em
instalações associativas, realizaram­
‑se atividades desportivas, como vela,
natação e canoagem, e outras de áreas
muito distintas, da música e dança ao
teatro, do cinema à informática. Houve ainda iniciativas pontuais de aventura, com equitação, slide e escalada.
A prevenção de comportamentos de
risco nos jovens e o combate à solidão
e ao sedentarismo sénior formam uma
dupla função dos “Ateliers de Verão”,
uma solução divertida para ocupar os
tempos livres.
O serviço de transporte escolar para perto de três mil
alunos a frequentar os estabelecimentos de ensino
do Concelho é assegurado,
num investimento de cerca
de um milhão de euros.
O Plano de Transportes
Escolares para o ano letivo
2012-2013, aprovado no
final de junho, em reunião
pública ordinária, abrange um total de 2869 estudantes, em que 1925 são
do ensino básico e 944 do
secundário e profissional.
O serviço, definido no quadro de atribuições e competências das
autarquias locais no âmbito da Educação, é gratuito, mediante a
legislação em vigor, para os alunos do ensino básico, na escolaridade obrigatória, quando residam a mais de três ou quatro quilómetros dos estabelecimentos de ensino, consoante estes disponham ou não de refeitório.
O serviço para alunos do ensino secundário é comparticipado em
50 por cento, cumprindo, igualmente, a atual legislação.
No mesmo documento está prevista uma receita de 345 mil e
122,02 euros, correspondente às comparticipações de alunos, da
Direção-Geral das Autarquias Locais e de municípios com estudantes em estabelecimentos de ensino de Setúbal.
23SETÚBALjulho|agosto|setembro12
O uso de gorduras até aqui desaproveitadas para a produção de biodiesel, com ganhos económicos e ambientais, é proposto
por um grupo de trabalho da Escola Superior de Tecnologia. Duas alunas do mesmo estabelecimento do IPS estudam a forma
de melhorar a qualidade das águas
Gordura conhece novos usos
A Escola Superior de Tecnologia do Instituto
Politécnico de Setúbal (EST/IPS) está a desenvolver um projeto de estudo e caracterização do biodiesel que revelou soluções pioneiras.
O projeto “Valorização de resíduos de óleos
e gorduras para produção de biodiesel”, iniciado em 2009, responde ao pedido de informação de empresas ligadas ao comércio de
combustíveis sobre a qualidade final daquele
produto, numa lógica de redução de custos e
de benefícios ambientais.
O trabalho descobriu alternativas ao nível das
Estações de Tratamento de Águas Residuais
(ETAR), nos estabelecimentos que confecionam comida para levar para fora, supermercados, equipamentos hoteleiros e também em
unidades industriais de fabrico de comida ou
produtos associados, tal como a confeção de
margarinas.
No caso de uma ETAR, esclarece Ricardo Salgado, que orienta o projeto com a colaboração
de docentes e alunos da EST/IPS, “existe logo
à entrada do equipamento um separador onde as
gorduras, através de um processo de flotação, se
aglomeram e ficam separadas das águas residuais”. Numa destas estações é possível conseguir-se recolher, em média, trinta toneladas
de gordura por ano, o que acontece devido à
alimentação portuguesa ser rica neste composto, ao contrário do que sucede noutros países europeus.
Outra vantagem na recolha da gordura das
ETAR para a produção de biodiesel é que,
deste modo, são suprimidos os custos associados à deposição deste material em aterros
e evitam-se os encargos do tratamento do re-
síduo na própria estação. Num supermercado
que confecione comida para levar para casa,
em média, é possível recolher cerca de sete
toneladas por ano.
Em Portugal é obrigatório, de acordo com as
normas europeias e ao abrigo do Protocolo de
Quioto, controlar as emissões de dióxido de
carbono para a atmosfera, designadamente ao
nível das que são libertadas pelo uso dos carburantes. As metas estabelecidas situam-se
nos 10 por cento de introdução do biodiesel
no gasóleo, mas o uso está atualmente situado
nos 5 por cento. O biodiesel enquanto opção
alternativa, viável e mais económica em relação à gasolina e ao gasóleo tem levado empresas a usarem-no exclusivamente nos seus veículos, designadamente as produtoras daquele
combustível.
“São obtidos grandes benefícios ao nível das
emissões conseguindo-se uma redução de entre
30 a 70 por cento, dependendo da idade do veículo
e do número de quilómetros percorridos”, clarifica Ricardo Salgado, docente de Ecologia.
Como se está a usar uma matéria gorda, outra
vantagem apontada é o motor funcionar de um
modo mais silencioso, o que se nota imediatamente pelo condutor, havendo igualmente
ganhos ao nível da redução de custos, a rondar
os 40 por cento face ao preço atual do gasóleo.
Com uma performance idêntica, o biodiesel
feito a partir de óleos vegetais apresenta em
relação ao de gordura animal a vantagem de
provocar uma mais lenta sujidade nos injetores da viatura.
O investigador acredita que o uso corrente do
biodiesel pode ajudar as empresas a melhorar
a competitividade, designadamente a nível
regional, já que as zonas urbanas têm bastantes equipamentos industriais e comerciais
onde é possível recolher gorduras.
Quanto ao futuro do projeto, ainda em desenvolvimento, Ricardo Salgado considera haver
um grande potencial no uso desta tecnologia,
apontando no entanto a existência de dificuldades de implementação por os encargos iniciais ainda serem elevados, o que condiciona
as empresas a aproveitarem a ideia para a colocarem em prática.
O trabalho em progresso tem em conta o objetivo de minimização desses custos iniciais,
já que depois de instalados os equipamentos a
obtenção do produto é muito barata.
“A produção do biodiesel é uma reação química
que faz uso do álcool [metanol], e disso resultam
dois produtos, biodiesel e glicerina”, numa percentagem de 75 por cento para o primeiro e
de 25 por cento para o segundo. “A produção é
fácil e quase se pode obter de um modo caseiro”,
indica o docente, revelando que a EST/IPS
está disponível para colaborar com potenciais
investidores.
Um projeto inovador que tem como objetivo assegurar um abastecimento de
água potável de boa qualidade às populações e tornar as águas das praias mais
limpas foi concebido por duas alunas da
Escola Superior de Tecnologia do Instituto Politécnico de Setúbal (EST/IPS).
A proposta de Cátia Chanfana e Susana
Martins, com o projeto de final de curso
denominado “Tecnologias de oxidação
aplicadas à remoção de retardadores de
chama”, propõe a eliminação de compostos que usualmente são encontrados
nas águas captadas para consumo habitacional e nas estações de tratamento de
águas residuais, através da implementação de novas tecnologias.
A importância da eliminação dos xenobióticos, “compostos que normalmente
não existem na natureza, sendo criados
pelo homem para vários fins”, é parte essencial do trabalho, já que a exposição a
estes tem um efeito cumulativo e “pode
dar azo a doenças, entre as quais alergias
e disfunções hormonais e neurológicas”,
aponta Cátia Chanfana.
Um xenobiótico é um composto que encontra nas suas utilizações mais usuais
os retardadores de chama. Estes podem
ser encontrados nos plásticos ou resinas, para que não ardam tão depressa
e enquanto medida de segurança, enquanto outros são introduzidos nos
produtos para realçar as suas características, tal como sucede com a cosmética.
Parte da solução para este problema
global centra-se essencialmente na
preservação da saúde pública em ter-
mos preventivos, atuando-se ao nível
das estações de tratamento de águas
residuais que não conseguem remover
estes compostos por completo, libertando-os no ambiente. O mesmo pode
ocorrer nas estações de tratamento de
água para consumo corrente.
O processo de eliminação dos xenobió­
ticos requer, de acordo com o estudo
elaborado pelas alunas finalistas de
Engenharia do Ambiente, uma combi-
nação de processos de remoção em que
são utilizados simultaneamente raios
ultravioleta e a adsorção que retém as
moléculas ou iões destes fluidos.
Ao se utilizar a tecnologia proposta,
aponta Cátia Chanfana, há custos associados, que não estão ainda quantificados, decorrentes do próprio processo
e porque envolve a configuração que as
estações de tratamento de águas terão
de possuir para comportar todos os tratamentos, influindo igualmente na sequência dos vários tratamentos que se
sucedem “numa lógica de linha de montagem”.
A solução, ensaiada em laboratório, indica uma significativa remoção destes
compostos perigosos para o ser humano, fauna e flora, que, deste modo, oferece a possibilidade do uso da água com
menor risco.
Os ganhos da implementação deste processo, indicam as alunas, é o aumento
da segurança com que se pode utilizar a
água em casa, nos vários usos, mas também a de quem vai a banhos nas praias e
nos rios, os locais onde os efluentes são
despejados.
academia
Água livre de xenobióticos
retratos
24SETÚBALjulho|agosto|setembro12
Quando o afeto é
fogo que arde sem
se ver, fica difícil
encontrar palavras
que exprimam o
inexplicável. Luís
Páscoa é jovem, é
pastor e é incapaz
de imaginar a vida
noutro ofício. O prazer
do convívio com as
ovelhas, a “Milene”
e a natureza
não tem substituto.
Apenas se transforma.
Neste caso, em queijo
Amizade de coração
Luís Páscoa cresceu com bichos e a
eles se afeiçoou. Por isso é pastor,
ofício milenar, mas que, hoje, apenas alicia alguns, os poucos que têm
amor pelo campo, pelos animais e
que são capazes de fazer da solidão
uma companheira.
Com 28 anos, um moço ao pé das
rugas que imperam nos colegas,
Luís Páscoa assume uma paixão
desmesurada pelas ovelhas, quase
lírica. “Sem elas não consigo viver. É
como se me tirassem o coração”, explica, com os ombros encolhidos, a
denunciarem que não existem outras palavras para dar forma ao seu
afeto.
E o coração continua a bater pois
conduz diariamente um rebanho
com cerca de duzentos animais dos
750 que constituem o efetivo do patrão e produtor de laticínios Humberto Ferrão.
Tanta paixão na Quinta da Esperança, próxima de Vila Fresca, é condimento importante num fim específico, o queijo de Azeitão, produto
artesanal, de origem demarcada,
que só pode ser produzido em Setúbal, Palmela e Sesimbra, onde se
colhe a generosidade da Arrábida.
O trabalho de pastor tem segredos,
requer mestria e exige dedicação
como tantos outros ofícios.
“Há que saber dar a ‘volta’.” Esta “volta” é o passeio do rebanho, atividade central de um pastor, mas longe
de ser a que mais tempo ocupa.
“Os dias começam às seis da manhã e
podem acabar lá para as dez da noite”,
explica Luís Páscoa. Em cada jornada, o pasto rouba horas ao nascer
do sol e ao final da tarde, sendo que
pelo meio fica “o chocar de algum
borrego, que é dar mama, o ordenhar”,
e toda a manutenção diária que um
rebanho exige, 24 horas por dia, todos os dias do ano.
As duzentas cabeças de gado conhece-as ao pormenor, pois “são amigas, são quase família”, e conhece
igualmente as reações e os hábitos
de cada uma. Este é um segredo que
não se aprende, mas que nasce nos
predestinados a pastor.
A esta sensibilidade, apresentada com tamanha naturalidade que
quase assume contornos de enredo
mitológico, junta-se o cajado.
Porventura a única ferramenta material usada por um pastor, o cajado
é tão importante como a batuta de
um maestro, onde uns acenos indicam direções e ritmos.
“Sabe, só a presença já impõe respeito.
Quando às vezes não obedecem ao assobio e as ovelhas vão para onde não
devem, dá-se um ‘tautauzinho’ numa
ou noutra só para saberem que fizeram
uma coisa mal. Não é nada de mais,
até porque a ovelha é um bicho medroso e desconfiado.”
Tão medroso que, decifrada a intensidade do “tautauzinho”, descobre-se que se trata apenas de um
toque no dorso.
Nesta sinfonia à cumplicidade e à
amizade toca ainda outro fiel amigo.
A “Milene”, cadela com três anos
que nutre tanto gosto pelo pastoreio
como Luís Páscoa.
“É mais meiga do que o outro cão do
sr. Humberto, mas esse também é mais
novo. Mesmo assim, veja lá, não mostre os dentes… É que os cães ficam tão
amigos dos rebanhos como nós e depois tornam-se protetores”, alerta.
A “Milene”, que, talvez em dia de
feição, ainda permitiu umas festas, sobressai pelo bom domínio
do português. “Olha o lado…”, lá
foi, “não pá, o outro!”, lá corrigiu, “e
mais devagar…”, lá abrandou.
Na “escola” apenas precisou de um
ou outro “tautauzinho” em cachorro, de afeto e de saber que, no controlo do rebanho, do pasto, da comida e do seu próprio destino, está
sempre o bom pastor.
O inverno é o período mais duro
para todos, sem exceção. Enquanto
a chuva e o frio grassam no sopé da
Arrábida, pastor, cão e rebanho enfrentam os pastos, pois as ovelhas
têm de continuar a alimentar-se da
melhor maneira. “Saímos um pouco mais tarde de manhã e um pouco
mais cedo de tarde”, acrescenta Luís
Páscoa.
Mesmo assim, no campo é que o
jovem pastor está confortável. Torcendo o nariz quando responde se
gosta de viver em Palmela. “Sabe, há
mais confusão…”
Carinho por um queijo
O amor bucólico de Luís Páscoa é
repartido pelo produtor Humberto
Ferrão. Ao contrário do pastor, o
patrão conhece não apenas as duzentas ovelhas do rebanho daquela
tarde, como todas as mais de sete
centenas que constituem a totalida-
de da produção. “Em tempos, cheguei
a dar nomes a todas, mas, como estou
desde 1995 neste ramo, já fica complicado. De qualquer forma conheço os
números, sem exceção”, afirma Humberto Ferrão.
Ambos, pastor e patrão, contribuem quotidianamente para o
bem-estar dos animais e deles extraem o leite, matéria-prima vital
para o queijo de Azeitão, neste caso,
o “Vítor Fernandes”.
Uma ovelha vive em média sete
anos e cada raça tem traços físicos e
psicológicos específicos.
A “saloia”, com cornos e de tom
avermelhado na barriga e nas pernas, é característica de Azeitão.
Todavia, na região, esta espécie
de ovelha é cada vez mais escassa,
tendo vindo a ser substituída pela
“Lacaune”, oriunda de França, toda
branca e que oferece melhores índices de produtividade.
Os hábitos gregários são comuns
à espécie, tal como o instinto em
seguir uma liderança. E é aí que a
paixão de Luís Páscoa ganha razão
de ser, para que, do afeto, se ordenhe um dos queijos mais famosos
do País.
25SETÚBALjulho|agosto|setembro12
A fofoca está na moda
O conceito, a decoração e a localização tornam a Gossip Store única no negócio do vestuário. Num
ambiente acolhedor, o estilo é sobretudo ‘retro vintage’, com roupa nova e usada. No coração do Troino,
este é o ponto de encontro ideal para, entre amigas, se pôr a conversa em dia
iniciativa
B
isbilhotar o n.º 18 da Rua António
Maria Eusébio, em pleno Bairro de
Troino, é obrigatório, quer sejam fofoqueiras ou não. O certo é que esta
loja de moda feminina está a dar muito que falar.
Línguas afiadas à parte, a Gossip
Store, em português, qualquer coisa
como “loja da bisbilhotice”, prima por
uma filosofia bem simpática. Roupas
diferentes, retro vintage, com preços
baixos e sem ser em série. O melhor
de tudo é que esta é uma loja que rompe, em tudo, com o habitual conceito
de espaço comercial, sobretudo na
área do vestuário.
Na Gossip Store a “cliente pode usufruir de um espaço sala como se estivesse
em casa”, como refere Lina Ribeiro,
a mentora do projeto. Para beber um
café ou um chá, ler um livro ou ouvir
música, navegar na internet ou simplesmente coscuvilhar com as amigas,
“como o próprio nome da loja indica”.
Aberta desde meados de junho, a
“Gossip” surgiu de uma necessidade
sentida por Lina: “Poder comprar mais
roupa sem ter pena de me desfazer da que
tinha.”
As modas passam, mesmo que anos
mais tarde voltem a estar… na moda.
A renovação do roupeiro com regula-
ridade, sem gastar muito, pode tornar-se uma realidade para quem quer
estar sempre “coquete”. Até porque a
Gossip Store compra e vende roupa
em segunda mão. “É sempre uma maneira de continuarmos a andar giras,
em tempo de crise, com preços baixos”,
salienta Lina Ribeiro.
E agora, uma outra particularidade
para quem ainda não visitou a loja:
“A ‘Gossip’ não pratica preços acima dos
trinta euros.” Ou melhor, dos 29,90
euros. Se o preço é justo para quem
compra, o lucro é quase nenhum para
quem vende. Mas só assim Lina diz
fazer sentido o conceito que quis dar
à sua loja. Caso contrário, era só mais
uma.
A alma Gossip
O prédio de dois andares onde funciona a “Gossip” não é casa de família, mas é sem dúvida da família e
dos amigos. Não são apenas os preços
acessíveis ou o risco reduzido de encontrarmos um modelito igual facilmente por aí que fazem de cartão de
visita desta loja.
A decoração é tão deliciosamente caseira e acolhedora que apetece tirar os
sapatos assim que se sobe ao primeiro
piso, onde fica a sala de estar ou “Gossip Corner”.
Aqui, Ana Crispim, irmã mais nova
de Lina, dá as boas­‑vindas, mas antes
mesmo de agradecermos já os olhos
percorreram as paredes coloridas,
o móvel antigo, o televisor com uns
bons quarenta anos, a aparelhagem,
os vinis e as cassetes, os livros que parecem ter saído de um alfarrabista, os
bibelôs e, claro, como uma tradicional
casa portuguesa, o quadro, quase tão
famoso como a Gioconda, do Menino
da Lágrima.
Raros são os objetos que ali estão que
foram comprados ou que são recentes. Muitos foram oferecidos, como
cómodas e roupeiros. Entre raridades, velharias e preciosidades que dão
alma à “Gossip”, a manta de rosetas
estendida sobre o sofá feito pela avó
de Lina, um ano antes de morrer, é “o
objeto”. “Está aqui investido muito trabalho nosso, muito carinho e um envolvimento muito especial”, confessa Lina.
Já a alma do “negócio” deve-se a Audrey Hepburn, ícone da moda vintage,
que tem inspirado a proprietária “desde miú­da”. Embora este seja o estilo
inerente ao conceito da loja e, não fugindo dele, a “Gossip” vai também ao
encontro do que as pessoas procuram.
Roupas
com história
A oferta está no segundo piso, em duas
salas, uma de roupa usada e outra de nova.
Para encontrar o que se pretende ou algo
que surpreenda, a cliente está à vontade
para remexer as gavetas das cómodas e o
interior dos roupeiros, onde os vestidos
novos suspensos nos cabides esperam por
uma prova. Aliás, o provador é simplesmente encantador.
A promessa de preços baixo e acessíveis
comprova-se nas etiquetas cujo logotipo da “Gossip” foi criado pelo primo Zé
Nova. Óculos e biquínis, além de bijuteria,
agendas e bolsas feitas por amigas e até pela
sogra são alguns dos acessórios.
A sala do lado destina-se à roupa em segunda mão, que Lina compra, ao quilo ou à
consignação, desde que em bom estado. E,
é claro, há preços para todas as bolsas.
Se esta é uma mais-valia para todos, os que
vendem e os que compram, a Gossip Store
continua a surpreender com vários eventos
a acontecer, sobretudo, à noite. Trocas de
roupa no momento e penteados para sair
à noite são alguns exemplos que as fãs da
coscuvilhice podem ir acompanhando no
www.facebook.com/gs.gossipstore.
O horário de funcionamento da loja marca
ainda a diferença, de segunda a sexta-feira
das 14h00 às 19h00 e ao sábado das 10h00
às 13h00.
rosto
Laços de família
A ideia estava em banho-maria há um
ano. O apoio da família e a disponibilidade da irmã Ana, de 33 anos, para ficar na
loja, enquanto Lina cumpre a profissão
de assistente social, deram sentido à
concretização da Gossip Store, inaugurada
a 16 de junho.
Lina Ribeiro, 39 anos, dotou este espaço
no Bairro de Troino de um ambiente
“cosy” (acolhedor), intimista e familiar.
Cada objeto na sala e nos quartos tem uma
história e um toque familiar, como duas
fotografias das “manas”, aos três ou quatro
anos, penduradas na parede.
A familiaridade não fica por aqui. Mesmo
na rua ao lado, a Fran Paxeco, trabalha Rui
Garcia, marido de Lina e, para muitos, o
“charroque da prrofundurra”.
Sem raízes no Troino, a localização da loja
só poderia ser naquele bairro que acolheu, há dois anos, a loja do Charroque “de
uma forma quase maternal”. São dois projetos que só vieram ajudar a “dinamizar o
bairro e envolver a população”, tal como o
recuperar das festas populares na zona.
História
Cidade conserva passado
O conforto da cama era deixado a meio da noite ao
grito do “avisador”, mais tarde da sirene. Enquanto
as mulheres corriam para a fábrica, já os carregadores
chegavam da lota com o peixe. Descabeçar, engrelhar,
enlatar, azeitar e cravar eram funções múltiplas
vezes repetidas, horas a fio, na cadeia operatória das
fábricas de conserva. Setúbal ficou com fama da boa
sardinha em lata, hoje conservada em memórias de
um trabalho duro que desenvolveu a região
A palavra trabalho não poderia ser mais bem
empregue no museu que, durante meio século, foi local de muita labuta numa atividade que
teve em Setúbal um dos seus expoentes máximos. A indústria de conservas de peixe.
Se em tempos a antiga fábrica Perienes “conservava” sardinhas em lata, em 90 por cento
para exportação, hoje são as memórias do meio
fabril que se conservam ali mesmo, no Museu do Trabalho Michel Giacometti. Homens,
mulheres e crianças, familiares, amigos e vizinhos, várias gerações, tiveram ali um posto de
trabalho, desde que houvesse peixe.
Já a indústria conserveira em Setúbal ia no seu
apogeu, com 130 fábricas e 10 mil trabalhadores, quase um terço dos 37 mil habitantes existentes à altura na cidade, quando a Perienes,
em 1920, abriu portas. Esta atividade económica, trazida por franceses nos anos 80 do século
XIX, impulsionou o crescimento do número de
fábricas na cidade, acompanhado pelo aumento demográfico. Em pouco mais de trinta anos,
a população setubalense duplicou, devendo-se
em parte aos trabalhadores que deixavam a atividade agrícola.
A proliferação de fábricas e a grande oferta de
mão de obra propiciaram más condições laborais, salários baixos e várias horas de trabalho.
Sobreviver à exploração patronal era “o pão de
cada dia”. Com a implantação da República surgem as primeiras greves, com as reivindicações
orquestradas pelos sindicatos, alastrando-se a
outros pontos do País e a outros setores industriais, num período conturbado pela instabilidade política e pelo pós-I Guerra Mundial.
Analfabetos, era com a observação dos movimentos repetidos e depois com a prática que
os operários aprendiam os vários processos no
fabrico das conservas. No entanto, a forma de
laborar não era a mesma de fábrica para fábrica, embora existisse uma ou outra semelhança
num ou noutro preceito.
Dura forma de vida
O conhecimento que atualmente se tem da
indústria conserveira setubalense, sobretudo
o papel socioeconómico nas famílias inteiras
que dela dependiam, deve-se em grande parte
a uma investigação levada a cabo pelo Centro de
Estudos de Etnologia da Universidade Nova de
Lisboa em colaboração com o Museu do Trabalho Michel Giacometti. Num processo de
registo, iniciado em 1987, foram ouvidas e documentadas estórias de antigos trabalhadores
das fábricas de conserva de Setúbal, uma atividade que tem continuidade com o Centro de
Memórias Orais, uma das valências do museu,
a par da exposição “Da Lota à Lata”, a assinalar
25 anos.
LABORAÇÃO. A fábrica de conservas Alonso foi uma das muitas que
transformaram Setúbal num dos principais polos nacionais deste setor
industrial. A foto, de 1952, foi tirada por Américo Ribeiro
Hoje, numa das etapas do processo de enlatar, uma fábrica de conservas consegue fechar
800 latas por minuto. Antigamente, as fábricas
como a Perienes empregavam vinte a trinta homens que soldavam os fundos das latas, num
processo moroso e perigoso. Um pouco mais
tarde, surgem as cravadeiras mecânicas, primeiro a pedal e depois automáticas, ficando
dezenas de soldadores sem trabalho. Apesar da
rapidez no cravar o, agora, tampo da lata, este
trabalho requeria a máxima destreza e concentração. À mínima distração, a cravadeira
automatizada ceifava um dedo à operária que
a manuseava ou, se não estivesse bem afinada,
causava prejuízo por romper as latas.
Numa das memórias registadas, Eduardo Rodrigues Mateus, afinador e serralheiro, recorda, no tempo presente, quando algo corria mal
na cravadeira, culpa da afinação ou da atenção:
“Às vezes parte-se numa ponta e o rolão cai logo e,
noutras vezes, parte-se ao meio. Então a máquina
continua a cravar, a mulher está com pouca atenção e a cravação começa a sair frouxa e ali a lata
fica rota.”
Antes de enlatar, o peixe passava por tantas outras mãos, numa cadeia que começava na lota e
acabava pronta para levar à mesa, num ciclo de
tarefas com graus de responsabilidade e dificuldade diferentes. Peixe fresco, bem cozido e
regado com um bom azeite é, ainda hoje, o segredo para a melhor conserva.
Da lota até à lata
Antigamente, à época da fábrica Perienes, o
peixe, principalmente sardinha, que chegava
à lota, fosse dia ou noite, era levado imediatamente para a fábrica em canastras à cabeça dos
carregadores, no chapéu de grandes abas fundas e redondas para que a água que escorria do
peixe ali caísse. Nem sempre só a água. Por vezes, um movimento propositado mais “agitado”
fazia com que um ou outro peixe ficasse na aba
do chapéu. Desperdício? Nada disso. Fernando Armando, antigo carregador, lembra-se do
peixe que por vezes vendia e outras “levava para
casa”.
Entre as várias viagens feitas, ladeira acima, ladeira abaixo, entre a fábrica e a lota, da chaminé, ainda existente, começava a sair fumo, sinal
de trabalho da caldeira para aquecer o forno.
Enquanto isso, o “moço da bicicleta” ia de porta
em porta avisar os operários da chegada de peixe, a que horas fossem. Mesmo a meio da noite,
todos se levantavam das camas. Não havia tempo para preguiça. Havia, sim, fome e pobreza.
“Chegávamos à noite, estávamos muito bem em
casa, apitava a sirene e lá vinha a gente a correr,
a correr (…) de tamanquinhas”, recorda Adelaide Pernas, antiga operária na Perienes durante
trinta anos e o marido, que ali conheceu, quarenta.
Anos mais tarde, o “avisador” foi substituído
pela “vaca”, como apelidaram os operários à sirene que ecoava, num som inconfundível com
o das outras fábricas de Setúbal. Ainda hoje se
pode ouvi-lo numa visita guiada ao museu, já
não da sirene original mas de uma réplica.
À porta, o mestre tocava uma campainha e os
trabalhadores entravam. “Quem viesse cinco minutos atrasada já não entrava, tinha de ficar na
rua”, lembra Adelaide, que foi para a fábrica
Perienes a pedido da irmã, que também lá trabalhava.
Lá dentro, a cadeia operatória começava na
bancada de descabeçar o peixe e tirar a cauda e
as tripas, tarefa deixada para as mulheres e até
crianças, que subiam a um caixote para ganhar
altura.
Dali, o peixe passava para a pia da salmoura
onde ficava uma hora a salgar, cuja porção de
água e de sal “só” um funcionário do sexo masculino sabia acertar. Para não se correr o risco
de ficar demasiado salgado, o peixe levava outro banho num tanque com água sempre renovada. Mas antes, era engrelhado. Com o rabo
para cima, cerca de uma centena de sardinhas
era colocada numa grelha de ferro e sacudida
com cuidado, durante a lavagem, para o peixe
não cair.
As grelhas eram colocadas, por mulheres e
crianças, nos carros de cozimento, que os homens empurravam pelos carris, ainda existentes, até aos fornos. Numa temperatura altíssima, o peixe cozia ao vapor durante 15 minutos.
Saídas do forno, as sardinhas eram colocadas
numa bancada comprida onde, de pé, as mulheres as enlatavam, às quatro de cada vez, de
forma desencontrada, sob a supervisão de uma
operária para garantia do correto enlatamento
ou encaixe.
Outra tarefa nesta cadeia, que só terminava na
exportação da conserva, era levar à mão, com
destreza e equilíbrio, para um outro posto,
uma pilha de trinta latas para “azeitar”. Antes
de haver máquina, molho de tomate ou outras
variantes, era a azeitadeira que regava com o
melhor azeite as sardinhas de forma a ficarem
cobertas. Depois de tapada e cravada, a conserva era levada ao forno durante um minuto para
esterilizar. Passar no controlo de qualidade só
depois de testado pelo operário que ao bater
na lata reconhecia, pelo barulho, se o conteúdo
estava pronto para consumo ou não.
Todos estes preceitos, de uma época tão próspera para Setúbal mas turbulenta para os setubalenses, são recordados no Museu do Trabalho
e, de viva memória, contados por quem dedicou
uma vida ao trabalho fabril, em que a sobrevivência passava por uma lata de sardinhas.
memória
26SETÚBALjulho|agosto|setembro12
Estória
Centenário
põe Setúbal
em festa
O ano de 1960 ficou marcado para as
gentes de Setúbal pela visita de personalidades destacadas, como o Presidente
Américo Tomás e o cardeal Cerejeira, nos
dias 24 e 25 de julho.
O centenário da elevação de Setúbal a
cidade motivou um grandioso programa
comemorativo, organizado por subcomissões para os vários eventos, incluindo as inaugurações do Cineteatro Luísa
Todi, do Museu da Cidade e da Fonte do
Centenário. A realização da Feira-Exposição de Sant’Iago, com o cortejo das atividades económicas, foi outro momento
alto.
Enquanto a Câmara Municipal pedia à
população para engalanar as ruas e iluminar as janelas do percurso feito pelo
Presidente da República, o jornal “O Setubalense” noticiava, a 80 dias do grande
acontecimento, os pormenores da festa:
“Após o jantar, que também será íntimo, o
sr. Almirante Américo Tomás assistirá à récita de gala com que será inaugurado, pelas
22h00, o moderno Cineteatro Luísa Todi.”
Isto para o dia 24, enquanto para 25, dia
de Sant’Iago, o programa oficial era divulgado assim: “Às 11h00, inauguração do
Museu da Cidade, no edifício do velho Convento de Jesus, e a abertura das exposições
‘Cem Anos da História da Cidade’, ‘Pintores
Setubalenses’ e ‘Arte Sacra’; às 16h00, após
almoço íntimo, será inaugurada pelo chefe
de Estado a sede da comissão da Região de
Turismo da Serra da Arrábida, instalada
na antiga Casa do Corpo Santo, que está a
ser devidamente restaurada. Às 17h00, depois de proceder à inauguração da ‘Fonte
Centenária’, simbólica prenda da cidade, o
sr. Presidente da República abrirá a Feira­
‑Exposição de Sant’Iago.”
27SETÚBALjulho|agosto|setembro12
Pormenor
e Dr. Estêvão de Vasconcelos, 36,
nos largos de Santo António e da
Misericórdia e, ainda, nas ruas da
Casa do Corpo Santo e Antão Girão,
portas 67 e 71.
Azulejos protetores
Padrões coloridos
A colocação de azulejaria em fachadas de edifícios na Baixa setubalense, entre os séculos XVIII e XX, mais
do que razões decorativas, teve propósitos económicos, sociais e protetores de pessoas e bens.
A reconstrução arquitetónica pós­
‑terramoto de 1755 e o medo de
nova calamidade foram preponderantes para o surgimento de pequenos painéis, azuis e brancos, com
figuras de santos, nas fachadas das
casas, sobretudo de particulares,
sobre a porta de entrada.
Proteção era o que pediam os proprietários ao colocarem imagens
alusivas à família, como a Virgem
Maria e o menino, mas também
alegóricas, alusivas aos terramotos
(S. Francisco de Borja) e aos incêndios (S. Marçal).
Além da escolha da imagem religio-
sa como elemento central do azulejo, é imperioso contextualizar no
movimento artístico da época outras particularidades, como a cor e o
desenho. Neste caso, identificam­
‑se as duas últimas fases do estilo
rococó, período entre 1745 e 1790.
Pintados a azul e branco, utilizando
a policromia e alguns pormenores
em dourado mais tarde, os azulejos eram recortados por vezes só no
topo e decorados com “asas de morcego” e concheados.
Embora não exclusivos à zona da
Baixa, num percurso entre a Praça
de Bocage e a Casa do Corpo Santo, um levantamento do Museu de
Setúbal sobre a “Panorâmica da
Azulejaria no Concelho de Setúbal”
identifica exemplares nas ruas dos
Correeiros, n.º 27, Serpa Pinto, 12,
Dr. Paula Borba, números 18 e 69,
Rua
Decorada pelo tempo
A antiguidade da Rua Pereira Cão
– um dos mais famosos pintores
decoradores nacionais – não é percetível pelo caráter rudimentar das
mais antigas plantas de Setúbal (de
1582 e de 1621). Estas apenas registam os arrabaldes das Fontainhas e
do Troino, os contornos amuralhados da então vila medieval e, dentro
desse perímetro, os principais arruamentos.
ontem
Na Planta da Praça e Villa de Setúbal,
levantada em 1804 por Maximiano
José da Serra e traçada em 1820, é
que surge a artéria claramente desenhada, a atravessar de sul a norte o
núcleo de Santa Maria e a ligar a Rua
da Praia – a atual Avenida Luísa Todi
– ao Largo de Santa Maria, mostrada
com a designação de Rua das Farinhas. É com esta denominação que,
nas últimas décadas de oitocentos,
A entrada num novo período artístico, a partir de 1790, trouxe outras abordagens à ornamentação
azulejar. Combinações livres de
imagens, aves, laços, plumas, em
conjunto com fundos brancos ou
marmoreados e centros com apenas um motivo ornamental ou mais
figurativo representam o novo período estilístico, o neoclássico.
O aparecimento de fábricas de cerâmica, nas primeiras décadas do
século XIX, dando início ao processo industrializado, vem permitir o alargamento da utilização do
azulejo através da estampilhagem,
generalizando-se o gosto pelo revestimento integral das fachadas de
prédios burgueses.
É desta forma que, além de decorativo, o azulejo passa a contribuir
para a proteção e durabilidade dos
edifícios, tornando os interiores
recebe a coletividade Filarmónica
Todi, um espaço que proporcionava
noites de música e dança, nas quais,
de acordo com os relatos da época,
era frequente reunirem-se mais de
quarenta senhoras dançando até às
quatro da madrugada, “sempre na
melhor ordem”, tal como os cronistas gostavam de acentuar.
Um pouco mais tarde, numa das esquinas com a Rua da Praia, foi inaugurado o Café Príncipe, descrito
por Arronches Junqueiro como um
espaço frequentado pelos filhos dos
utilizadores do emblemático Café
Esperança, destinado às elites setubalenses.
O “Príncipe” era procurado pelos
jovens, que ali gozavam de maior
liberdade. Era “vivamente disputado
pela rapaziada sedenta de movimento e de parecer homens, atirando ao
ar, com atrevimento e imponência, os
fumos dos seus cigarros Scando”. Na
sala de bilhar, a mais frequentada,
“entremeavam as tacadas com copinhos de conhaque Martel, três estrelas,
os mais aguerridos, e Père Kermann”,
uma marca de absinto associada ao
brilho e romantismo da Belle Époque
francesa a que recorriam pintores
e escritores à procura de estímulo
criativo, descreve Arronches Junqueiro no manuscrito “Setúbal no
O primeiro edifício do Mercado
Livramento, na foto do Arquivo Américo
Ribeiro, datada de 1918, foi construído
para servir melhor a população,
extinguindo-se os locais de venda
dispersos pela cidade. Inaugurado em
1876, foi apontado como o mais faustoso
de Portugal. Os novos tempos ditaram
a substituição do imóvel por outro, de
1930, sujeito recentemente a profundas
alterações que o tornam num espaço de
venda dotado das mais exigentes normas
de funcionamento.
mais frescos e conferindo um aspeto visual exterior mais colorido
através da diversidade de padrões.
O prédio onde funciona atualmente a loja Benetton na Rua de Bocage exemplifica a cobertura total
da fachada, embora não sendo a
azulejaria primária. No entanto,
aquando da recuperação do edifício
procedeu-se à substituição da original por uma idêntica.
A utilização do azulejo acabou por se
alastrar aos fins comerciais. O edifício na esquina da Rua Serpa Pinto com o Largo Francisco Soveral,
onde funcionou o pronto-a-vestir
Fetal, é exemplo desse propósito
num trabalho realizado nos finais
do século XIX por Luís Ferreira,
conhecido como Ferreira das Tabuletas.
Na fachada do edifício, alegorias
ao comércio e à indústria publicitam não só o ramo de atividade,
mas também os produtos vendidos. Neste revestimento figurativo,
publicita-se a “caza de commercio de
fazendas de lã, linho, algodão e seda,
nacionais e estrangeiras, por atacado
e a retalho e um variado sortimento de
bijoterias e fato feito”.
meado do século XIX”. Igualmente
numa das esquinas com a Rua da
Praia foi instalada, em 1888, a Escola de Desenho Industrial Princesa Dona Amélia, onde também
eram ensinados lavores femininos.
O Colégio Económico, destinado a
meninas, foi instalado em 1897, no
número 17, com instrução primária e aulas de francês, desenho de
ornato, trabalhos manuais e piano.
No mesmo ano, a Escola Municipal
Secundária passou a funcionar no
número 37.
Pintor de renome
O nome anterior da Rua das Farinhas foi Rua dos Cavaleiros, enquanto o posterior, Rua Rodrigo
Soriano, surge por deliberação camarária de 10 de julho de 1912 como
homenagem ao deputado republicano espanhol por serviços prestados à República Portuguesa.
Finalmente, “logo após o golpe militar liderado pelo ‘herói’ da I Guerra Mundial general Gomes da Costa
produz-se uma ‘revolução toponímica’
de dimensões comparáveis à operada
a seguir à Implantação da República”,
aponta o historiador Carlos Mouro,
embora “em sentido contrário, com a
reposição de topónimos abolidos após
hoje
1910”. Entre as mudanças feitas foi
suprimida a designação da Rua Rodrigo Soriano, a 3 de novembro de
1927, o que determinou a designação que ainda hoje vinga, Rua Pereira Cão.
O setubalense José Maria Pereira
Júnior (1841-1921), mais conhecido por Pereira Cão, foi um pintor
decorador de nomeada da segunda
metade do século XIX. Com apenas
21 anos, já tinha no currículo obras
de restauro do Palácio da Ajuda. De
norte a sul do País, deixou obras de
grande relevo ao nível da pintura e do
azulejo, entre as quais as decorações
dos palácios dos duques de Palmela
– do Calhariz, Lisboa, e de Azeitão –,
dos palácios de D. Luís Carneiro, na
Anunciada, do Visconde de Coruche,
do Conde de Fontalva, dos marqueses de Viana e da Praia e Monforte,
ou do Palácio de Queluz, entre outros
tantos exemplos. Em Lisboa, aponta
o historiador Óscar Paxeco, no “Roteiro do Tríptico de Luciano”, “quase
todas as grandes casas da última metade do século passado [século XIX]
ostentam pinturas do admirável artista”. O mesmo autor aponta a decoração da cúpula da Câmara Municipal
de Lisboa como sendo, “incontestavelmente, o seu melhor e mais notável
trabalho”.
Casa abre portas à cultura
plano
seguinte
28SETÚBALjulho|agosto|setembro12
Um espaço de partilha, de debate e de aprendizagem, com áreas para a criação artística e a juventude.
Na Casa da Cultura há música, cinema, teatro, dança e fotografia, atividades para usufruto
de setubalenses e visitantes, já a partir de outubro
A Casa da Cultura, futuro polo de
concentração cultural, gerador de
novas dinâmicas sociais, abre portas à população a 5 de outubro, com
várias valências de aprendizagem e
criação artística e uma programação variada, com música, cinema,
teatro, dança e fotografia.
Instalado em pleno Centro Histórico, num edifício totalmente requalificado onde outrora funcionou
o Círculo Cultural de Setúbal, pre-
sente, certamente, na memória de
muitos cidadãos, o equipamento
recebe atividades regulares dinamizadas por associações da cidade,
algumas delas com espaços próprios no imóvel.
O novo local de fruição e partilha
cultural da cidade vai contar com
centros de documentação, espaços
para a música e para as artes, áreas
multiusos e zonas de lazer e restauração.
Uma galeria de exposições e o Café
das Artes, que funcionará como
café-concerto e espaço para colóquios, debates e encontros, são
duas valências a instalar no piso
térreo, com uma zona ao ar livre,
designada Pátio do Dimas, e uma
área para a Casa Municipal da Juventude.
O Centro de Documentação, Estudo
e Promoção da Canção Popular Portuguesa, o Espaço das Artes e um
Museu assinala 25 anos com programa
Os 25 anos do Museu do Trabalho Michel Giacometti são assinalados com um programa especial, a 10 de outubro, incluindo uma
exposição dedicada à efeméride e artesãos a trabalhar ao vivo, em
profissões como a renda de bilros, a moldagem do barro, a preparação do pão e a criação e reparação de redes de pesca. O programa,
de entrada livre para o público, integra um apontamento audiovisual com testemunhos de pessoas que têm colaborado ao longo dos
25 anos do museu municipal na preparação e conceção de várias
iniciativas culturais que integram a memória coletiva setubalense.
Cinema na escola ajuda a criar públicos
A iniciativa “O Cinema vai à Escola”, a realizar a partir de outubro, em estabelecimentos de ensino e no
Cinema Charlot, dirige-se a alunos do pré-escolar, 1.º ciclo e secundário, dinamizada pela Autarquia e
pelo Festroia, mediante marcação prévia, em horário a acordar com os interessados. Mais informações
sobre este programa de criação de novos públicos e hábitos culturais podem ser obtidas pelo endereço de
correio eletrónico [email protected].
Olhos na natureza em certame na Mourisca
O “ObservaNatura 2012”, nos dias 13 e 14 de outubro, na Herdade
da Mourisca, conta com diversos pontos de observação de aves no
Estuário do Sado, nomeadamente com binóculos e telescópios. Palestras com especialistas na área do turismo de natureza e ornitológico, workshops de anilhagem de aves, de identificação de espécies
e de técnicas de ilustração, passeios de barco e de canoa e percursos pedestres, de charrete e todo o terreno são outras atividades do
certame, organizado pelo Instituto da Conservação da Natureza e
das Florestas em parceria com a Autarquia.
Idosos com atividades durante um mês
O Mês do Idoso, em outubro, é assinalado pela Câmara Municipal e pelas juntas de freguesia com um
programa variado de atividades direcionadas à população sénior, com passeios, ações de informação e
convívios, alguns com momentos musicais, devendo as inscrições ser feitas junto das instituições organizadoras. A Autarquia organiza quatro passeios integrados no projeto municipal “Memórias, Identidades e Património”, dois a Cascais e dois a Alpiarça.
auditório multiusos, denominado
José Afonso, ficam instalados no
primeiro andar.
No primeiro piso fica também o Salão Nobre da Casa da Cultura. Este
espaço, antigamente com as mesmas funções, é uma das principais
atrações do equipamento municipal, que conta com um fresco pintado no teto, totalmente restaurado,
assim como um antigo candeeiro.
Uma Escola de Música, com um
estúdio de gravação e cinco salas,
duas de ensaios e três para ensino,
funciona no segundo piso da Casa
da Cultura, local também com um
espaço de promoção da vida e obra
de Bocage.
A Casa da Cultura, instalada num
edifício histórico totalmente recuperado, dispõe de um elevador
central que serve os três pisos do
imóvel, epicentro da criação e programação cultural do Concelho.
Obras recuperam
Convento de Jesus
A obra de recuperação
e valorização do Convento de Jesus, imóvel
do período Manuelino
classificado como Monumento Nacional, é
iniciada ainda no decorrer deste ano.
O avanço deste projeto
é assegurado através
de um protocolo de
colaboração realizado
entre a Câmara Municipal de Setúbal e a
Direção-Geral de Património e Cultura, antigo Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico que não foi provido, no Orçamento do Estado de 2012, dos meios financeiros necessários à conclusão do projeto.
No âmbito deste acordo, a Autarquia garantiu a posição de beneficiário, solicitou a
reprogramação temporal da obra e assumiu o investimento de recuperação do imóvel, verba no orçamento municipal que já se encontra devidamente dotada para o
ano de 2012, bem como para o de 2013.
Esta intervenção estruturante para a cidade conheceu mais um passo decisivo com a
abertura de um concurso público, com um preço-base de três milhões e 405 mil euros, a que acresce IVA, e um prazo máximo de execução de oito meses, deliberação
aprovada a 5 de setembro, em reunião pública.
A obra de “Recuperação e Valorização do Convento de Jesus”, integrada no Programa
ReSet – Regeneração Urbana do Centro Histórico de Setúbal, é comparticipada por
fundos comunitários com uma taxa de 65 por cento, montante canalizado através do
PORLisboa- Programa Operacional Regional de Lisboa, ao abrigo do QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional.
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União renova bairro - Câmara Municipal de Setúbal